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ALGARVE INFORMATIVO 31 de outubro, 2026
SARA BADALO APRESENTOU NOVO TRABALHO EM OLHÃO ALGARVE INFORMATIVO #547 CASA1 DO COLECIONADOR INAUGURADA EM MONCARAPACHO | DIA DO MUNICÍPIO DE LAGOS FESTIVAL EMRAIZART EM LAGOS | «GUERRA E PAZ» EM FARO | FRANKIE CHAVEZ EM LOULÉ
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Os GNR festejaram os 45 anos de existência com um estrondoso concerto no Cineteatro Louletano 3
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ÍNDICE Nuno Campos Inácio (pág. 22) Dia do Município de Lagos (pág. 26) Casa do Colecionador inaugurada em Moncarapacho (pág. 36) Faro apresentou Plano de Drenagens da zona de São Luís (pág. 46) Sara Badalo estreou «Nem Tudo Sara» no Auditório Municipal de Olhão (pág. 52) «Guerra e Paz» no Teatro das Figuras (pág. 68) 6.º Festival EmRaizArr em Lagos (pág. 82) Frankie Chavez no Cineteatro Louletano (pág. 96)
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Portugal não tem apenas falta de casas Nuno Campos Inácio, editor e escritor s manifestações motivadas pela crise habitacional têm levado às ruas o descontentamento de quem não consegue encontrar uma casa a um preço compatível com os seus rendimentos. No centro da contestação estão dois problemas: a escassez de habitação disponível a preços acessíveis e a insuficiência dos salários para suportar uma renda ou uma prestação bancária. Na minha opinião, porém, há uma questão estrutural que permanece secundarizada neste debate: a gestão do território. A concentração de emprego, investimento e serviços nos grandes centros urbanos, acompanhada pelo abandono de uma parte substancial do país, contribui para agravar a pressão sobre a habitação. De acordo com os Censos 2021, existiam em Portugal 723 mil e 215 alojamentos vagos, correspondentes a 12,1 por cento dos alojamentos familiares clássicos. Este número não inclui as residências secundárias ou de uso sazonal. Não significa que todas essas casas estivessem habitáveis ou disponíveis para venda ou arrendamento, mas deve levar-nos a discutir o ALGARVE INFORMATIVO #547
aproveitamento do património edificado e as condições de vida nos territórios onde se encontra. Uma casa, por si só, não basta para fixar uma família. É preciso emprego, escolas, cuidados de saúde, transportes, comércio e acesso aos serviços essenciais. Onde essas condições desaparecem, a existência de habitação deixa de ser suficiente para garantir a permanência das populações. Uma parte do país perde habitantes, investimento e capacidade de se fazer ouvir. Outra recebe pessoas, nacionais e estrangeiras, que procuram as oportunidades e as condições de vida que não encontram nas suas terras de origem. Entre os territórios que se esvaziam e aqueles onde a procura se concentra, aprofunda-se um desequilíbrio que nenhuma política de habitação deveria ignorar. A expressão «falta de casas» exige, por isso, uma pergunta: faltam casas onde, em que condições e a que preços? Se continuarmos a deixar ao abandono os territórios que há duas ou três gerações vêm perdendo população, empurrando os seus habitantes para os mesmos centros urbanos, continuaremos a aumentar a pressão sobre a procura de habitação. Se uma família tiver de se 22
mudar para Lisboa para encontrar trabalho ou aceder a serviços essenciais, uma casa vazia numa aldeia do interior não constitui, para ela, uma alternativa real. Em 2021, Portugal tinha cerca de seis milhões de alojamentos familiares clássicos. Este número não elimina as carências habitacionais, mas mostra que o debate não pode limitar-se à contagem das casas: é necessário considerar a sua localização, o seu estado de conservação, a sua utilização e a possibilidade efetiva de lhes aceder. Se fosse dada a quem hoje se manifesta a possibilidade de habitar uma casa vazia no interior norte, no Alto Alentejo ou na faixa raiana dos distritos de Évora e de Beja, essa proposta poderia ser inviável. Não por desdém por esses lugares, mas porque mudar de residência exige muito mais do que encontrar quatro paredes e um telhado. Exige poder construir uma vida. A resposta à crise habitacional não pode, portanto, resumir-se ao aumento da construção. Construir e reabilitar pode ser necessário onde existe escassez, mas será insuficiente se continuarmos a concentrar as oportunidades nos mesmos lugares e se as casas permanecerem fora do alcance dos rendimentos das famílias. A solução tem de passar também por uma aposta consistente na descentralização e pelo investimento nas regiões do interior e nos territórios periféricos. É preciso criar condições para que as pessoas possam permanecer nas suas terras, regressar às regiões de 23
origem ou escolher outros lugares para viver. Algumas possuem aí uma habitação; falta-lhes a possibilidade de nela organizar o seu futuro. É insustentável continuar a concentrar pessoas, serviços e oportunidades num número reduzido de centros urbanos, enquanto extensas áreas do território perdem população e perspetivas. Portugal não tem apenas falta de casas. Tem falta de uma visão global de país.
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Lagos assinalou Dia do Município Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina Município de Lagos assinalou, a 27 de outubro, mais um Dia do Município, com um programa que convidou a comunidade a participar em diferentes momentos de celebração, encontro e valorização do património local. O feriado municipal arrancou, na Praça Gil Eanes, com a Cerimónia de Hastear das Bandeiras e a Sessão Solene, acompanhadas pela Banda da Sociedade Filarmónica 1.º de Maio e pelo Grupo Coral de Lagos. O momento incluiu ainda uma largada de pombos, promovida pelo Clube Columbófilo de Odiáxere. ALGARVE INFORMATIVO #547
No uso da palavra, Hugo Pereira, presidente da Câmara Municipal de Lagos, descreveu a data como “um dia em que celebramos Lagos, a sua história, a sua identidade, a sua relação com o mar e, acima de tudo, as pessoas que dão sentido a esta terra”. “É o dia em que recordamos São Gonçalo de Lagos, aqui nascido em 1360, cuja memória atravessou séculos e continua a fazer parte de nós. Um homem que se distinguiu pela sua sabedoria, pela humildade e pela dedicação aos outros”, declarou, acrescentando que “honrar o passado não é apenas recordar aqueles que nos antecederam, é procurar, no seu exemplo, razões para 26
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sermos melhores no presente e mais responsáveis perante o futuro”. Hugo Pereira realçou a ambição do executivo que lidera de “construir um município de Lagos mais justo, mais coeso, mais sustentável e com mais oportunidades para todos”. “Porque governar vai mais além do que administrar o presente, é ter a coragem de preparar o futuro, mesmo quando os resultados não chegam de um dia para o outro. E há problemas que não podem esperar, há necessidades que não podem ser adiadas, e há compromissos que têm de passar das palavras aos atos”, frisou.
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Um destes problemas é, como se adivinha, a habitação, com Hugo Pereira a não aceitar “que alguém que trabalhe em Lagos, que contribua para a sua economia, não encontre aqui uma casa que possa pagar”. “Não podemos pedir aos nossos jovens que construam o futuro do concelho se não lhes dermos condições para nele permanecerem. E não podemos falar de desenvolvimento se muitos daqueles que fazem o concelho funcionar são empurrados para longe”, desabafou o edil lacobrigense, lembrando que “um município não se mede apenas pelo valor dos imóveis construídos no seu território, mas pela possibilidade de as pessoas que nele vivem puderem continuar a chamar-lhe casa”. 28
Nesse sentido, Hugo Pereira garantiu que a autarquia de Lagos vai continuar a investir na habitação pública, a concretizar os fogos previstos e a preparar novos projetos, “com planeamento, rigor e responsabilidade financeira”. “E fá-lo-emos mesmo quando o apoio do Estado Central não acompanha a dimensão das necessidades e sem oprimir, nem reprimir, quem luta pelos seus direitos. Não confundimos autonomia com isolamento, nem responsabilidade com resignação. Queremos cooperação institucional, mas não aceitaremos que a ausência de respostas de outros seja uma razão para desistirmos das nossas”, avisou. “Quando está em causa o direito a uma casa, a falta de apoio não pode transformar-se em falta de ambição. Esta é uma prioridade social,
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económica e humana. Porque uma casa é mais do que quatro paredes. É estabilidade, é segurança, é família e é a possibilidade de fazer planos para amanhã”, considera o autarca. A Educação é outra prioridade para este executivo e a entrada em funcionamento do novo edifício da Escola das Naus, no início do ano letivo de 2026/2027, representa um passo importante. “Mas a reabilitação e ampliação da escola tem de prosseguir, tal como estamos a perspetivar a ampliação da Escola Tecnopólis, acompanhando as necessidades educativas de Lagos. São decisões que partem de uma convicção simples: O lugar onde uma criança cresce e a condição económica da sua família não devem determinar o tamanho dos seus sonhos. Investir numa escola é investir em
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oportunidades. É dar ferramentas às novas gerações. É preparar uma comunidade mais capaz de enfrentar as mudanças do mundo”, defende Hugo Pereira. “Um investimento que, porém, não termina quando se inaugura um edifício, continua todos os dias, nas condições de aprendizagem, no apoio às famílias e na valorização de quem ensina”, acrescentou.
“Investir na saúde, na assistência, na inclusão, na educação e na identidade, é investir na qualidade da nossa Democracia” Da educação passou-se para a economia, nomeadamente a capacidade de criar riqueza, emprego e
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oportunidades para quem quer trabalhar e investir no concelho de Lagos. “E o trabalho desenvolvido nas Áreas de Acolhimento Empresarial, com um investimento superior a cinco milhões de euros, representa uma aposta na capacidade económica do concelho. Não investimos apenas em infraestruturas. Investimos nas condições para que as empresas cresçam, para que surjam novos projetos empresariais e empreendedores e para que o emprego e o talento encontrem espaço em Lagos”, referiu, não escondendo que o turismo continuará a ter um papel importante na economia local. “Mas o future exige, mais do que nunca, diversidade, inovação e capacidade
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para criar e consolidar atividade ao longo de todo o ano. O desenvolvimento não deve obrigar-nos a escolher entre crescer e preservar. Deve obrigar-nos a saber crescer melhor. Melhor para quem cá vive e trabalha, melhor para o território que temos a obrigação de entregar às próximas gerações”, apontou Hugo Pereira. O presidente da Câmara Municipal de Lagos não esqueceu igualmente as associações culturais, desportivas e recreativas do concelho, os dirigentes que fazem contas para que as atividades possam continuar, os treinadores que acompanham os jovens, os artistas que mantêm viva a criatividade, os voluntários que oferecem tempo, energia e dedicação sem esperar reconhecimento. “O vosso trabalho é 31
muito maior do que aquilo que cabe num orçamento ou num relatório de atividades. Nas associações aprende-se a pertencer e a respeitar os outros, aprende-se que ninguém chega longe sozinho. É ali que muitas crianças descobrem um talento, que muitos jovens encontram um caminho e que muitas pessoas encontram uma comunidade que as acolhe. Por isso, o Município continuará a reconhecer o valor do movimento associativo e a apoiá-lo sem se refugiar em desculpas para não o fazer, e procurando criar todas as condições para que possa continuar a servir Lagos”, assumiu, esclarecendo que a cultura e o desporto não são despesa, mas sim investimento. “Uma comunidade que investe na cultura não perde a sua memória. Uma comunidade que investe no desporto não cuida apenas do corpo: aprende ALGARVE INFORMATIVO #547
disciplina, respeito e solidariedade. E uma comunidade que apoia as suas associações fortalece os laços que a mantêm unida. Pois investir na saúde, na assistência, na inclusão, na educação e na identidade, é investir na qualidade da nossa Democracia”, salientou Hugo Pereira. Antes de terminar a sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal de Lagos reforçou que a habitação, a educação, o desenvolvimento económico, a proteção social, a mobilidade, os recursos hídricos e a valorização do território não são prioridades isoladas. “Fazem parte de uma mesma visão: a de Lagos que cresce sem perder a sua identidade, que acolhe sem excluir e que cria oportunidades sem comprometer o futuro. Queremos serviços públicos mais próximos, uma governação aberta e cidadãos com voz nas decisões que afetam as suas vidas. Queremos ALGARVE INFORMATIVO #547
proteger o nosso património, valorizar a nossa cultura e preparar o território para os desafios ambientais e climáticos. E queremos fazê-lo com rigor, ambição e sentido de responsabilidade. Porque o verdadeiro sucesso de uma política pública não está apenas na decisão que se anuncia, está na diferença que essa decisão faz na vida das pessoas”, distinguiu. “O futuro de Lagos não pertence a quem governa, pertence a todos nós. Pertence às famílias que aqui criam os seus filhos. Aos trabalhadores que todos os dias fazem o concelho avançar. Aos empresários que investem. Aos professores que ensinam. Aos atletas que nos representam. Aos artistas que nos inspiram. Aos dirigentes associativos que mobilizam a comunidade. E aos cidadãos que, tantas vezes sem reconhecimento, fazem a diferença na nossa vida coletiva”, concluiu. 32
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Casa do Colecionador inaugurada em Moncarapacho Texto: Daniel Pina| Fotografia: Município de Olhão oi inaugurado, no dia 19 de outubro, em Moncarapacho, o novo museu Casa do Colecionador, onde se podem vislumbrar coleções de Arte Sacra, mais de 260 bengalas, pinturas em marfim ou esculturas em pedra. Enfim, nesta propriedade da Fundação Calçada Correia encontram-se cerca de 50 anos de vida dedicados ao colecionismo. O novo museu, que João Luís Calçada Correia decidiu abrir na sua terra natal, nasce numa antiga igreja do século XVIII, outrora pertencente à Ordem Terceira de ALGARVE INFORMATIVO #547
São Francisco, que foi alvo de um projeto de reabilitação já premiado e que procurou preservar a espiritualidade do espaço original, ao mesmo tempo que lhe dava uma linguagem museográfica contemporânea e inovadora. “Escolhi Moncarapacho para concretizar este investimento porque acredito que vale a pena investir nos lugares a que pertencemos, contribuir para a sua localização e criar condições para que a cultura seja, também, um fator de desenvolvimento local”, afirmou Calçada Correia na cerimónia de inauguração. “A minha terra merece uma oferta cultural de qualidade, capaz 36
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de atrair visitantes, despertar o interesse dos mais jovens e enriquecer a vida de quem aqui vive”, acrescentou. Presente na inauguração, Ricardo Calé, presidente da Câmara Municipal de Olhão, declarou que tornar Moncarapacho numa vila cultural é um objetivo que tem vindo a ser alcançado, quer através de investimento social, público, mas também associativo e privado, como é o caso da Casa do Colecionador. “Nas várias vertentes conseguimos mostrar que numa vila com a dimensão de Moncarapacho é possível fazer muito mais do que aquilo que é o objetivo de cada um de nós”, realçou, agradecendo a Calçada Correia o facto de ter acreditado na terra que o viu nascer.
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A cerimónia contou também com a presença da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, que fez questão de enaltecer a iniciativa de Calçada Correia e “a vontade de transformar uma coleção privada num espaço cultural que pode ser usufruído pela comunidade, fazendo de uma iniciativa pessoal um contributo para a vida coletiva”. A ministra destacou igualmente que “um espaço cultural nunca existe isolado do lugar onde se encontra”. “Passa a fazer parte da sua vida e das razões que levam alguém a visitá-lo e das oportunidades que oferece a quem lá vive. Com este museu, Moncarapacho ganha mais um lugar para conhecer, mostrar e partilhar. Um lugar que acrescenta à oferta cultural do concelho de Olhão e convida a descobrir um território que tem muito para oferecer além dos 38
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destinos mais conhecidos da região”, realçou. O presidente da Câmara Municipal de Olhão afirmou ainda que “num mundo em constante mudança, em que temos
a tecnologia e a inteligência artificial a substituir o ser humano, será a cultura que fará a diferença no futuro”. “É um dia de um enorme orgulho, porque Olhão valorizou-se muito com a abertura desta Casa do Colecionador”, concluiu. Na cerimónia marcaram presença vários autarcas e personalidades ligadas à cultura na região, entre elas a premiada escritora algarvia Lídia Jorge. O museu Casa do Colecionador está aberto de terça-feira a sábado, das 10h às 13h e das 14h às 17h. O preço dos bilhetes varia entre os 2,5 e os 5 euros.
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Faro apresentou Plano de Drenagem para acabar com as inundações na zona de São Luís Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina Salão Nobre da Câmara Municipal de Faro recebeu, no dia 23 de outubro, a apresentação do Projeto de Execução da Rede de Drenagem de Águas Pluviais e Beneficiação de Descargas Pluviais. O projeto, concebido pela empresa Hidra, fundada por Saldanha Matos, poderá ascender a um investimento global de cerca de 15 milhões de euros, visando aumentar a ALGARVE INFORMATIVO #547
resiliência face a eventos de precipitação mais severos e reduzindo o risco de inundações na cidade, em particular nas zonas do Largo de São Luís. O projeto preconiza como intervenção prioritária o reforço e reabilitação do coletor da Rua de S. Luís, reforço e reabilitação de colectores, o desvio e controlo de caudais, o sistema elevatório pluvial e bacia de detenção enterrada, construção de rede separativa onde a rede é unitária e soluções de controlo na origem (por exemplo no campus da 46
Penha da Universidade do Algarve/ zona do pólo tecnológico), bem como reforço dos dispositivos de captação do escoamento superficial e proteção de descargas. O objetivo é que este plano possa aumentar a resiliência face a eventos de precipitação mais severos, associados às alterações climáticas; reforço da rede pluvial, com reconstrução da rede e desvio de caudais das ruas Ataíde de Oliveira, D. Jerónimo Osório e Pintor Artur Costa, aliviando os coletores existentes; proteção da descarga da Ribeira das Lavadeiras; reforço da drenagem doméstica, servindo cerca de 13 mil habitantes; substituição da rede de distribuição de água (atualmente em fibrocimento), reduzindo assim o risco de inundações na zona de S. Luís – identificado como um dos pontos críticos
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da cidade em situações de chuvas intensas. De acordo com o Presidente da Câmara Municipal de Faro, António Miguel Pina, “a primeira fase desta intervenção, mais robusta, implica, entre outros trabalhos, levar uma conduta com dois metros de diâmetro com vários metros desde a zona de São Luís até à ribeira das Lavadeiras (junto às bombas de combustível do Auchan), num valor de 10 a 12 milhões, enquanto a segunda fase, que se articula com o projeto da Alameda XXI, é o tratamento da área da Ribeira das Lavadeiras, numa intervenção de cerca de 2 a 3 milhões de euros”. O autarca adiantou ainda que, no dia 30 de outubro, seria assinado um protocolo com o Ministério do Ambiente para “analisar as fontes de
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financiamento” para realização desta intervenção.
previstas e terão de ser feitas, como o controlo de origem, a montante”.
De acordo com Saldanha Matos, professor catedrático do Instituto Superior Técnico e autor do Plano de Drenagem de Lisboa, “esta foi uma solução pensada a 100 anos” e apresenta “uma garantia praticamente absoluta de que esta zona (São Luís) não terá mais inundações”. Este pressuposto, refere ainda o especialista, implica que “o sistema seja mantido, além de outras intervenções que estão
A obra, que provocará inevitáveis constrangimentos, tem uma programação entre 18 a 24 meses para a sua realização desde o seu início, devendo, ainda em fase de projeto, “ser acompanhada por uma comissão constituída por comerciantes e outros intervenientes que possam ser interessados ou afetados pela intervenção”, garantiu o Presidente da Autarquia, António Miguel Pina.
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SARA BADALO ESTREOU NO AUDITÓRIO MUNICIP Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
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U «NEM TUDO SARA» PAL DE OLHÃO
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Auditório Municipal de Olhão recebeu, no dia 23 de outubro, o espetáculo «Nem Tudo Sara», de Sara Badalo, apresentado em estreia absoluta após uma residência artística de cinco dias naquele espaço cultural. Desenvolvido por Sara Badalo e Léo Vrillaud, o projeto propõe uma criação multidisciplinar que cruza música, performance teatral, criação audiovisual e artes visuais, integrando também materiais resultantes de um processo de recolha de património cultural imaterial na Fuseta. De agosto a outubro, Sara Badalo e uma equipa de criação audiovisual realizou um trabalho de escuta e recolha junto da ALGARVE INFORMATIVO #547
comunidade fusetense, reunindo entrevistas, histórias, diálogos, expressões, cantares, imagens, gravações e memórias de quem vive neste território. Este arquivo vivo constitui a matériaprima de um espetáculo que procura estabelecer uma relação entre a memória coletiva e uma linguagem artística contemporânea, explorando as ligações entre tradição, experimentação e criação autoral. Em palco, a componente musical dialoga com a performance teatral de Catarina Costa, a criação audiovisual da agência Calliope, o contrabaixo de Luís Henrique e o trabalho visual de Vasco Badalo. O espetáculo conta ainda com a participação de um coro comunitário constituído por Valter Mendes, Rosa Zica, Natividade Zica, Ana Filipa Carmo, Arminda Badalo, Ana Fernandes, 54
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Domingos Caetano, Sara Gonçalves, Teresa Aleixo, Ricky B, Melissa Policarpo, Fernando Leal, Cátia Ribeiro, Beatriz Marques, Catarina Palma e Fernando Baco. A pergunta “E se as memórias de uma comunidade pudessem transformar-se em música, corpo e imagem?” está na origem desta criação, que ultrapassa o formato tradicional do álbum e se
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expande para o espaço cénico e para a experiência ao vivo. O trabalho de campo desenvolvido na Fuseta, a residência artística e o espetáculo em Olhão estão na génese de «Nem Tudo Sara», o primeiro álbum em nome próprio de Sara Badalo, cujo lançamento está previsto para 2027. Um trabalho que demonstra, na perfeição, as inúmeras facetas desta artista algarvia fora de série e que vale mesmo a pena acompanhar.
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TEATRO DAS FIGURAS R & PAZ» DIRECIONADO P Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
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uerra & Paz», título apropriado do romance de Lev Tolstói, é uma criação de Cátia Pinheiro e José Nunes, com texto desenvolvido em colaboração com a artista e rapper Capicua, pensada para o público infantil, mas aberta a todas as
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idades, e que foi a cena, no Teatro das Figuras, em Faro, no dia 15 de outubro. O projeto teve início, em 2025, através de um conjunto de oficinas desenvolvidas com crianças, em articulação com parceiros locais. Estes encontros funcionaram como espaços de escuta e experimentação, onde se recolheram perguntas, inquietações e formas de olhar o mundo que vieram a alimentar o
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processo de criação. “Numa altura em que as imagens de guerra nos irrompem diariamente pelas televisões e pelos smartphones, torna-se urgente criar espaços de reflexão partilhada entre crianças e adultos. Partindo das ideias de guerra e de paz — não apenas como conceitos distantes ou históricos, mas como experiências quotidianas — o espetáculo propõe um olhar atento sobre a forma como nos relacionamos, organizamos e habitamos o mundo. Entre conflitos íntimos e coletivos, fronteiras visíveis e invisíveis, levantase a questão: como se constroem — e por que persistem — os conflitos no mundo que partilhamos?”, questionam os criadores. «Guerra & Paz» convoca, assim, crianças e adultos para um exercício de imaginação crítica, onde se ensaiam
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outras possibilidades de convivência. Afinal, como seria o mundo se as decisões importantes que o moldam partissem de diálogos verdadeiramente intergeracionais e interseccionais? Com encenação de Cátia Pinheiro e José Nunes e interpretação de Catarina Rabaça, Cátia Pinheiro e João Nunes Monteiro, «Guerra & Paz» é uma coprodução da Estrutura, 23 Milhas – Ílhavo, Centro Cultural de Belém/Fábrica das Artes, Teatro Académico Gil Vicente, Teatro Cine de Gouveia, Teatro das Figuras, Teatro José Lúcio da Silva, Teatro Municipal da Covilhã, Teatro Municipal do Porto e Teatro Ribeiro da Conceição. Conta com o apoio da República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes.
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6.º FESTIVAL EMRAIZART CONVIDOU A EXPERIENCIAR AS ARTES E A NATUREZA EM BENSAFRIM Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Bastos/Colectivo Garlic
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e 6 a 13 de outubro, o Cotifo, em Bensafrim, concelho de Lagos, assistiu a mais uma edição do Festival EmRaizArt, uma iniciativa do Teatro Experimental de Lagos que promove a sustentabilidade, a natureza e a arte. Realizado no interior algarvio, num montado de sobreiros, a sexta edição do festival cruzou a tradição com a criação contemporânea, através de atividades que fomentaram a sensibilização artística junto da comunidade escolar e das muitas famílias que o visitaram. O festival é um verdadeiro convite à experiência, ao convívio, à conexão e à interação entre gerações, sempre com a natureza como pano de fundo. Com uma ALGARVE INFORMATIVO #547
programação assente, maioritariamente, nas artes performativas para a infância e juventude, o EmRaizArt proporciona ao público uma oportunidade única de vivências pensadas, não só para os mais jovens, mas também para as famílias, onde o brincar, o viver, o experimentar e o descontrair se juntam num cenário idílico. Aparelhos de circo, jogos tradicionais e zona de piquenique foram algumas das propostas diferenciadas que ofereceu. Durante os dias de semana (6,7, 12 e 13 de outubro), o Emraizart recebeu alunos do ensino público do concelho de Lagos, com entrada gratuita. O dia 8 de outubro foi dirigido a escolas privadas, bem como grupos de ensino não formal, instituições com crianças com capacidades diversas, projetos sociais e escolas públicas fora do concelho. Os mais novos assistiram aos 84
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espetáculos «Cabaret de Circo», «Histórias sem Palavras» e «Cafelina», animação itinerante com «Bolota e Cortiça» e participaram igualmente em Oficinas Abertas de circo, construção criativa, permacultura e teatro. O objetivo foi gerar experiências positivas que estimulassem o consumo cultural das novas gerações e o gosto por atividades ao ar livre. Do programa também fez parte uma oficina de formação para professores. No fim de semana (10 e 11 de outubro), o festival abriu as suas portas às famílias, com um programa aliciante. Durante a manhã teve lugar a formação para jovens e adultos: no sábado, Manuela Pedroso abordou a exploração de estratégias ALGARVE INFORMATIVO #547
criativas, na construção de espetáculos e narrativas para o público infantil com «Dramaturgia para a Infância»; no domingo, Philippe Phenieux conduziu a formação «Mimo corporal dramático», que se focou no trabalho sobre a construção da personagem a partir do caminhar e da forma de andar. Ao longo do dia, a programação dividiuse entre conversas, música do mundo com DJ Kali, espetáculos de circo, mimo e teatro físico e concerto com «Sambambas». Foram ainda apresentados três processos de criação, resultantes de residências artísticas realizadas no TEL, no âmbito do Bora Cultura, programa do Teatro Experimental de Lagos dedicado ao apoio 86
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à criação e ao desenvolvimento de artistas locais. Ao todo, foram 35 oficinas de Arte e Natureza, 21 espetáculos e 2 conversas, que trouxeram a Lagos artistas nacionais e internacionais, bem como artistas emergentes da região. Com uma forte aposta na sustentabilidade e numa edição que deu destaque à multiculturalidade, o EmRaizArt acolheu linguagens acessíveis a todos, que privilegiaram o corpo, o movimento e a presença como forma
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universal de comunicação, apostando na ideia de que a convivência entre diferenças pode e deve ser celebrada. O festival é organizado pela Associação Teatro Experimental de Lagos, com o apoio do Município de Lagos, da Direção Geral das Artes, da CCDR Algarve e da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos. Com este apoio e o envolvimento dos Agrupamentos Escolares do concelho de Lagos e parceiros da cultura, o Festival reafirmou o seu impacto artístico e educativo no território.
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FRANKIE CHAVE AO CINETEATRO Texto: Daniel Pina| Fotografia: Jorge Gomes
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rankie Chavez tem-se afirmado, desde que se estreou em 2010, como um dos mais estimulantes músicos da sua geração. Inspirado pelo Folk, Blues e Rock mais clássico, tem levado a sua música cada vez mais longe, sempre a partir da relação singular que desenvolveu com aquilo que foi, desde o início, o ponto de partida de tudo: a guitarra. No dia 18 de outubro subiu ao palco do Cineteatro Louletano, em Loulé, acompanhado por João Correia na bateria e Nuno Lucas no baixo, e mostrou, mais uma vez, que a sua música conjuga diferentes universos sonoros, um Blues/Folk que alterna entre ambientes limpos e outros mais crus e psicadélicos. ALGARVE INFORMATIVO #547
De facto, apesar de se identificarem influências como Robert Johnson, Jimi Hendrix, Kelly Joe Phelps, Ry Cooder ou Neil Young, é difícil encontrar num único termo a definição para a sua música. Em 2017, o seu caminho cruza-se com o de Pedro «Peixe» Cardoso, guitarrista dos Ornatos Violeta, dando origem aos Miramar, um duo instrumental que conta já com dois discos editados e que já passou, também, pelo Cineteatro Louletano, no âmbito do Festival Som Riscado. Em 2019 foi convidado a compor para o Festival da Canção, com o tema «Mundo a Mudar», que alcançou o 4.º lugar na Final. Em 2023 lançou «Alcântara», o seu primeiro álbum com canções escritas em língua portuguesa, com produção de 98
Nuno Rafael (Sérgio Godinho e Humanos). Em 2025 editou o single «Jogo do Empurra», um tributo aos Xutos & Pontapés, e regressou ao estúdio para
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preparar novas canções. Já este 2026, Frankie Chavez reedita «Family Tree» e celebra os 15 anos deste disco icónico com uma nova versão do tema «December 21st 2012» (em dueto com Tatanka), e em palco, em concerto especial com os convidados Kalú, emmy Curl e Tatanka. Simultaneamente, encontra-se em estúdio a trabalhar num novo álbum, cujas novas canções se puderam já escutar nesta tarde de domingo no Cineteatro Louletano.
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