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ALGARVE INFORMATIVO 17 de outubro, 2026
5.º FESTIVAL PEDRA DURA QUASE A CHEGAR A LAGOS LONGO 1CAMPEONATO DE VELA INCLUSIVA EM PORTIMÃO | 17.ª FEIRA DA PERDIZ EM MARTIM ALGARVE INFORMATIVO #545 «AS CORES DA AMÉRICA LATINA» | «ESTAMOS LIXADOS» | «O CRUZEIRO» DE TIMO DILLNER
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Os GNR festejaram os 45 anos de existência com um estrondoso concerto no Cineteatro Louletano 3
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ÍNDICE Ana Isabel Soares (pág. 16) João Ministro (pág. 20) Feira da Perdiz em Martim Longo (pág. 26) World Sailing Inclusion Championships’26 em Portimão (pág. 36) Projeto MUSA apresentou resultados preliminares dos trabalhos arqueológicos no estuário do Arade (pág. 42) Pedra Dura – Festival de Dança do Algarve regressa a Lagos em novembro (pág. 50) Timo Dillner expõe «O Cruzeiro» em Lagos (pág. 64) Grupo de Teatro Comunitário de Quarteira apresentou «Estamos Lixados» (pág. 76) «As Cores da América Latina» no Cineteatro Louletano (pág. 88)
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Folhas de Chá - I Ana Isabel Soares, professora á muitos dias que não o tomo. Há demasiados dias que não lhe provo o quente. Ressentese-me disso o corpo, que vai sinalizando a ausência com ameaças de dor de cabeça, que faço por ignorar, e outras marcas da pressa que aceito (a vida, os dias a correr). Nada me impede de abrir o armário e agarrar numa chávena qualquer, também em corrida, pegar numa das muitas saquetas com pedacinhos de folhas cuja idade desconheço, misturas que nem imagino o que sejam, atirar-lhe com água quente para cima, soprar, e pronto, poderia beber o meu quotidiano chá. Mas, para contrariar as pressões do dia-a-dia, habituei-me ao luxo do tempo – sempre que a agenda silencia o rosnar, uso a chaleira que mede as temperaturas diferentes a que quero a água, escolho as folhas com vagar, a chávena daquele dia, o bule apropriado, e preparo, verdadeiramente, o chá. O meu chá, porque é para mim que o preparo, mesmo se o fizer para mais alguém. Depois de escolher as folhas, olho para a fileira de filtros de pano, pendurada na lateral do escorredor da louça, para o lado onde pratos e panelas a secar não perturbem os aros metálicos e as pequenas sacolas de pano onde deponho ALGARVE INFORMATIVO #545
as plantas e passo, por elas, a água. Estes filtros são ainda mais diferentes entre si do que os bules da minha cozinha. São três ou quatro os bules, quase todos de vidro e, à exceção daquele onde preparo a infusão vermelha de Aspalathus Linearis (as folhas de red bush, ou rooibos) e do que me serve para o chá branco, que mantêm a transparência, os de chá preto e chá verde têm o vidro turvado pelo sarro das infusões. Mas, se o vidro não fixa todos os tons que as folhas, ao toque da água quente, libertam, o pano dos filtros é menos caprichoso e deixa-se contagiar de castanhos escuros, castanhos mais claros, castanhos esverdeados, amarelos acastanhados e castanhos em que o alaranjado quase vermelha: uma paleta que varia com a passagem do tempo e a agonia das folhas. Olhar para os meus filtros, mesmo nos dias em que não faço chá, faz-me vir à cabeça ideias de aprisionamento e inefabilidade, contaminação e autonomia, individualidade e coisa comum. Como fazem as folhas, que, ainda depois de mortas, entregam ao tecido parte do que lhes dava vida, dispensam de si o pouco que ainda as marca, cedem, nesse estertor aquecido, a cor que um dia as animou? A coloração dos filtros de chá absorve e revela uma linguagem de além-vida. Será outro privilégio, pensar que as nódoas que neles vejo são legados de arbustos 16
Foto: Vasco Célio
distantes, de lugares onde os meus pés nunca pisaram, mas que saboreio na infusão dos chás? O que leio naquele alfabeto não são contos exóticos: são versos dos fragmentos de folhas: separadas dos troncos finos de onde brotaram, forçadas à tribulação de 17
mecanismos e viagens, elas agarram-se outra vez ao que o quente da água lhes oferece, como se a dádiva dos tons que recordam fosse a negação da morte, a lembrança das cores do sol que receberam, da vida que, afinal, nelas existe. ALGARVE INFORMATIVO #545
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Birdwatching no Algarve: o que sabemos e não fazemos? João Ministro, empresário e engenheiro do ambiente uem me conhece sabe que um dos hobbies que tenho é o da observação de aves. É algo que tenho vindo a fazer ao longo dos últimos 35 anos, mais precisamente desde 1989, ano em que conheci alguns amigos que me introduziram ao mundo das aves. Hoje, além de continuar a ser uma actividade que ainda faço em lazer, é sobretudo uma experiência turística que ofereço na empresa que dirijo. A observação de aves ou Birdwatching, numa terminologia internacional mais turística, tem vindo a ganhar relevo no Algarve, fruto de um longo trabalho que várias organizações da região têm vindo a desenvolver, em particular a Região de Turismo do Algarve (RTA) e a Associação de Turismo do Algarve (ATA). Mas não só. A Associação Almargem e a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves têm tido um papel fundamental na promoção desta actividade, como bem ilustra o já muito conhecido Festival de Observação de Aves de Sagres. Estas duas associações estiveram, ainda, na execução de uma estratégia regional de promoção do Turismo Ornitológico, a pedido da RTA - o qual tive a ALGARVE INFORMATIVO #545
oportunidade de o co-coordenar –, cujo estudo identificou as valências e as necessidades reais no terreno para impulsionar a actividade. A relevância do Birdwatching reflecte-se em vários aspectos. Por um lado, por se realizar sobretudo nos períodos de época turística média-baixa (Outono, Inverno e Primavera), contribuindo bastante para o combate à sazonalidade, fenómeno esse tão focado nas estratégias de desenvolvimento turístico das regiões. É, além disso, uma actividade que tem um importante impacto económico a região, nomeadamente em territórios mais rurais, pois privilegia os mesmos na procura de pequenos alojamentos familiares, gastronomia tradicional e, claro, na contemplação do ambiente natural aí abundante. O que sabemos hoje é que esta actividade tem vindo a crescer no Algarve e já mobiliza milhares de visitantes por ano. Contudo, o real valor dessa procura e o respectivo impacto permanece pouco conhecido. Sabe-se, porém, que a procura se espalha por toda a região, desde Sagres, passando por Monchique e chegando a Castro Marim, com extensões proveitosas ao Alentejo, à zona de Mértola e Castro Verde. Também 20
é do conhecimento geral que os britânicos são a maioria dos que procuram estas actividades, mas há uma crescente diversidade no público interessado. Americanos, asiáticos ou escandinavos são exemplos dessa nova procura, nalguns casos impulsionados pelas novas tecnologias, pela fotografia ou o simples contacto com a natureza. Também se sabe que o Algarve é uma região particularmente importante para aves, não fora o facto de quase 40 por cento do território estar classificado pela sua importância ecológica e grande parte dela estar associada à ocorrência de 21
espécies de ameaçadas, sensíveis e protegidas. O que infelizmente se sabe, mas que continua refém do esquecimento geral, é que os locais onde as aves vivem e onde se realizam estas actividades, estão cada vez mais votados ao abandono e à degradação, com consequências claras na ocorrência das mesmas e na qualidade da oferta turística. E é aqui que as entidades regionais e municipais deveriam encontrar formas de trabalhar juntas e procurar actuar em diversos domínios relevantes na ALGARVE INFORMATIVO #545
projecção turística do Algarve, nomeadamente: - Manutenção de infra-estruturas de apoio ao birdwatching. Há equipamentos partidos, tombados e degradados. Visitese, por exemplo, a Lagoa dos Salgados e veja-se o estado em que se encontra os equipamentos lá existentes. - Melhoramento de infra-estruturas. Há diversos observatórios de aves na região e desses apenas dois ou três servem para alguma coisa. Os outros são apenas desperdícios avultados de dinheiro, sem qualquer vantagem para a actividade em si. Veja-se os recentemente instalados em Olhão, no passeio ribeirinho. - Novas infra-estruturas de qualidade. Pode parecer estranho criticar o que existe em termos de infra-estruturas e ao mesmo tempo sugerir a instalação de novas. Mas a verdade é que há uma falta de pequenas e médias infra-estruturas de qualidade para que a região possa afirmar-se melhor como destino de Birdwatching. - Lixo e mais lixo. Percorrer zonas naturais com lixo em abundância, mesmo dentro de áreas protegidas, é no mínimo um golpe de estômago para quem, como eu, procuro mostrar a natureza do Algarve supostamente em locais de especial valor. Há que encontrar forma de manter limpas zonas especiais pela sua sensibilidade e pela sua vocação turística.
vegetação, ao controle dos níveis de água em lagoas costeiras ou simplesmente ao controlo da perturbação excessiva, há imenso a trabalhar e a implementar. - Trabalhar com os proprietários dos terrenos no sentido de encontrar formas vantajosas para ambas partes, no sentido de melhorar as condiçõess de visitação e de gestão dos habitats das aves; - E por fim, uma melhor regulação e controle da actividade – deste e outros segmentos turísticos – de forma a conseguir garantir experiências de qualidade. Tal passa por mais formação e capacitação dos agentes e profissionais, definição de regras de conduta, fiscalização no terreno, controle das capacidades de cargas de locais mais sensíveis, entre outros aspectos. Sem nada disto, seremos remetidos para segundas ou terceiras escolhas aquando da procura turística para o Birdwatching, sabendo que este é um segmento que encontra forte concorrência logo aqui ao lado (Espanha) e aqui em baixo (Marrocos). O futuro do Algarve enquanto destino assim o exige. Saberemos disso?
- Gestão dos locais onde ocorrem as aves. Aqui entramos num capítulo que exige mais conhecimento técnico, mas fundamental. Desde a gestão da ALGARVE INFORMATIVO #545
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Feira da Perdiz reuniu caça, saberes da serra e música em Martim Longo Texto: Daniel Pina| Fotografia: Jorge Gomes Feira da Perdiz regressou a Martim Longo, nos dias 10 e 11 de outubro, com um programa recheado de atividades cinegéticas, experiências ligadas à vida rural, gastronomia e animação para diferentes públicos. Organizada pelo Município de Alcoutim, a 17.ª edição realizou-se na Cerca da Chada e teve como cabeças de cartaz Ágata e Quim Barreiros. A caça manteve um lugar central no programa, reforçando a promoção de Alcoutim como destino cinegético. A largada de perdizes em Vale Largo, Santa Justa, na manhã de sábado, e a montaria na Zona de Caça Municipal Cerro Alto, ALGARVE INFORMATIVO #545
em Vaqueiros, no domingo, juntaram-se a uma das novidades desta edição: as caçadas com falcoaria de baixo voo, que decorreram nas duas manhãs, na Zona de Caça Turística Afonso Vicente, com a participação da Associação Portuguesa de Falcoaria. O recinto acolheu também a demonstração cinotécnica, o XVI Concurso Canino de Alcoutim, a exposição de matilhas e a entrega de prémios do IV Concurso de Matilhas de Alcoutim. As demonstrações de negaças e o tiro virtual completaram esta componente do programa. No sábado teve lugar um colóquio dedicado à cinegética, apicultura e peste suína africana, que proporcionou um espaço de informação e debate. 26
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Entre as novas propostas, o I Passeio a Cavalo, no domingo, convidou os participantes a percorrer os caminhos da aldeia e da serra. A iniciativa juntou-se à II Cãominhada — Na Rota da Perdiz, no sábado, e à Marcha e Corrida — Na Rota da Perdiz, no domingo, alargando as oportunidades de participação e contacto com o território. Durante as duas tardes houve ainda atividades equestres no picadeiro. Os Saberes da Serra ganharam expressão através da confeção de queijos e das demonstrações de ordenha manual, realizadas nos dois dias. Estas atividades aproximaram o público de práticas tradicionais e dos conhecimentos de quem as mantém vivas, complementando a exposição de caprinos e a criação de arte em madeira. A gastronomia voltou a estar em 29
destaque com os Sabores da Caça à Mesa, através de uma masterclass de culinária no sábado e de uma sessão de showcooking no domingo. O V Concurso de Mel valorizou outro dos produtos associados à serra algarvia. A programação musical teve como momentos principais os concertos de Ágata, no dia 10, e de Quim Barreiros, no dia 11, mas incluiu ainda bailes com Nelson Santos, no sábado, e Emanuel & Tânia, no domingo. Ao longo do fim de semana, o público teve ainda oportunidade de visitar a exposição «Alcoutim — Caça, Identidade e Tradição», participar nas atividades infantis e acompanhar a animação itinerante da Água Ardente Produções Teatrais.
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Portimão foi palco de dez dias de competição e inclusão no World Sailing Inclusion Championships’26 Texto: Daniel Pina| Fotografia: Vela Solidária ortimão recebeu, entre 1 e 10 de outubro, o World Sailing Inclusion Championships 2026, que reuniu 222 atletas de 40 países, num evento dedicado à promoção da vela inclusiva e à igualdade de oportunidades no desporto. Mais do que uma competição internacional, este mundial afirmou a importância de um desporto acessível a todos, reunindo atletas com ALGARVE INFORMATIVO #545
diferentes capacidades num campeonato onde o talento, a competitividade e a igualdade de oportunidades estiveram lado a lado. Organizado pela World Sailing e pela Vela Solidária, o campeonato realizou-se pela primeira vez em Portugal, tornando Portimão num ponto de encontro entre diferentes nacionalidades, experiências e percursos, unidos pela mesma paixão pela vela. A competição decorreu entre os dias 5 e 10 de outubro, com seis dias de 36
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regatas nas diferentes classes e categorias, reunindo velejadores num ambiente marcado pela competitividade e pelo espírito desportivo. O campeonato terminou no sábado, dia 10 de outubro, com a cerimónia de encerramento e entrega de prémios, que distinguiu os melhores classificados de cada categoria. Entre os resultados alcançados, destacou-se a participação portuguesa, com a conquista de quatro medalhas. José Campos sagrou-se campeão do mundo na categoria de inclusão cognitiva da classe ILCA 6, enquanto Carlos Santos e João Pinto conquistaram a medalha de prata na competição de pares da classe Hansa 303. João Pinto alcançou ainda a medalha de bronze na prova individual da mesma classe, tal como Rodrigo Pereira na categoria de inclusão cognitiva. ALGARVE INFORMATIVO #545
Para além da competição, o Mundial contou com um programa dedicado à formação e ao desenvolvimento da modalidade. Entre os dias 1 e 3 de outubro, o Inclusive Development Programme (IDP) proporcionou sessões de treino, formação e familiarização com os equipamentos, contribuindo para a preparação de atletas e treinadores e para a criação de novas oportunidades de participação internacional. O evento integrou também seminários dedicados ao desporto adaptado, à acessibilidade e ao turismo, que promoveram a reflexão sobre o potencial do desporto inclusivo na valorização dos destinos turísticos e na construção de uma sociedade mais acessível. A ligação à comunidade esteve igualmente presente através de iniciativas como o «Navegar pela 38
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Inclusão», que proporcionou experiências de vela a pessoas com diversidade funcional, e o «Arade Azul», uma ação de limpeza realizada na Praia da Marina de Portimão, reforçando a importância da responsabilidade ambiental associada à realização de grandes eventos desportivos. Ao longo do campeonato, o programa social proporcionou ainda diferentes momentos de convívio entre atletas, equipas e organização, com experiências gastronómicas e animação musical, promovendo o contacto entre culturas e a partilha de experiências para além da competição. Para Luís Brito, presidente da Vela Solidária, a realização deste campeonato representa o culminar de um percurso de 15 anos dedicado à promoção da inclusão através da vela. Como destacou a ALGARVE INFORMATIVO #545
propósito da organização do evento, “a vela é uma ferramenta de excelência para a inclusão”, considerando que acolher em Portimão os melhores velejadores mundiais constitui um marco no trabalho desenvolvido pela Vela Solidária. Com o encerramento do World Sailing Inclusion Championships 2026, Portimão despediu-se de dez dias que deram visibilidade internacional à vela inclusiva e à importância de garantir que mais pessoas possam participar e competir na modalidade. Para a Vela Solidária, fica o compromisso de continuar este trabalho, contribuindo para o crescimento de um desporto cada vez mais acessível e para o reconhecimento da inclusão como parte fundamental do futuro da vela
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Projeto MUSA apresentou resultados preliminares dos trabalhos arqueológicos no estuário do Arade Texto: Daniel Pina| Fotografia: Projeto MUSA primeira campanha de trabalhos arqueológicos subaquáticos do projeto MUSA – Musealização dos Achados Arqueológicos do Fundo do Rio ALGARVE INFORMATIVO #545
Arade decorreu de 15 de setembro a 3 de outubro e os resultados preliminares foram apresentados, no Museu de Portimão, numa sessão que incluiu também uma visita de barco ao estuário do Arade.
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A apresentação, que decorreu na Sala do Descabeço, contou com a intervenção de José Bettencourt, Chefe de Divisão do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), que detalhou o ponto de situação da campanha em curso. Intervieram também Bruno Inácio, Vice-Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), Anabela Ribeiro, Vereadora com o pelouro do Ambiente da Câmara Municipal de Lagoa, e Álvaro Bila, Presidente da Câmara Municipal de Portimão. A primeira campanha aconteceu em vários sítios subaquáticos dos concelhos de Portimão e Lagoa com o objetivo de aprofundar o conhecimento científico sobre os vestígios históricos submersos na bacia do Arade. A segunda fase está 43
prevista ter lugar entre maio e outubro de 2027.
MUSA: investigar, conservar e valorizar o património subaquático O projeto MUSA resulta de uma parceria entre os Municípios de Portimão e Lagoa, o Património Cultural, I.P., através do CNANS, e a CCDR Algarve, contando com um investimento inicial de 3,4 milhões de euros financiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030. O projeto visa investigar, conservar e valorizar o património arqueológico marítimo e subaquático do estuário do Arade, uma zona estratégica com vestígios que cobrem mais de dois mil anos de história. Atualmente, o CNANS tem à sua guarda mais de 1.800 bens arqueológicos móveis ALGARVE INFORMATIVO #545
oriundos da região, destacando-se a embarcação Arade 1 e as peças de artilharia da Ponta do Altar B, classificadas como Tesouro Nacional. Estruturado em três eixos fundamentais — Trabalhos Arqueológicos, Conservação e Valorização —, o MUSA prevê um vasto plano de ações: a reformulação e ampliação do núcleo de arqueologia subaquática do Museu de Portimão; a criação do Museu Arqueológico de Lagoa; a criação de uma reserva subaquática visitável; o reenterramento de materiais orgânicos sem tratamento imediato para salvaguarda futura; uma exposição nas margens do Arade; e o lançamento de um Museu Virtual, entre outras iniciativas. A campanha arqueológica abrangeu vários contextos de elevado interesse arqueológico, como Arade B, Leixão da Gaivota, Geo 1, Arade 1, Geo 5, Arade 23 e o sítio do naufrágio da canhoneira portuguesa Faro, ocorrido em 1912. Os trabalhos envolvem a colaboração de diversas entidades científicas e ALGARVE INFORMATIVO #545
operacionais, designadamente a Universidade do Algarve, através do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património; a Universidade NOVA de Lisboa, através do CHAM – Centro de Humanidades; a Administração dos Portos de Sines e do Algarve; a Marina de Portimão; a PortiSub; e a Capitania do Porto de Portimão. A curto prazo os trabalhos serão complementados com prospeção geofísica das zonas arqueológicas, sondagens geoarqueológicas nas margens e leito do rio, além do estudo arquivístico aprofundado sobre a história documental do rio Arade. No âmbito da conservação, está a ser instalado e equipado o laboratório especializado e a reserva arqueológica afetos ao projeto. A aquisição de equipamento técnico avançado para o laboratório de conservação do Museu de Portimão garantirá as condições ideais para a preservação de bens recuperados de ambientes subaquáticos. Este 44
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investimento reforçará a capacidade de resposta às necessidades de conservação dos materiais arqueológicos e contribuirá para consolidar o papel do Museu de Portimão nesta área. A musealização dos achados arqueológicos e a sua disponibilização ao público constituem objetivos centrais do MUSA, que pretende aproximar a comunidade deste património e promover a sua valorização cultural e turística, dando a conhecer a importância histórica do estuário do Arade e a sua relação com a história da região. Paralelamente, foram já iniciados os trabalhos preparatórios para o futuro
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Museu Arqueológico de Lagoa. Numa primeira fase, serão realizados os diagnósticos arqueológico e geotécnico do Solar dos Júdices, e, posteriormente, começar-se-á a trabalhar na reformulação expositiva do Museu de Portimão e na construção do discurso museológico do novo equipamento a criar em Lagoa. Com o MUSA, Portimão e Lagoa consolidam uma estratégia comum de salvaguarda patrimonial, unindo a investigação científica ao desenvolvimento cultural e turístico do Algarve.
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Sara Coelho, vereadora da Câmara Municipal de Lagos, com Joana Flor Duarte e Daniel Matos
Pedra Dura – Festival de Dança do Algarve regressa a Lagos em novembro Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina e Festival Pedra Dura Pedra Dura – Festival de Dança do Algarve regressa, de 4 a 14 de novembro, a vários espaços da cidade de Lagos, com uma programação que reúne dança, cinema, música e masterclasses «Voltamos atrás sem repetir o momento» é o mote através do qual a quinta edição do evento se propõe revisitar o que ficou para trás: reconhecer o que deixou marca, reencontrar memórias e perceber ALGARVE INFORMATIVO #545
o que ainda permanece em movimento. “Olhar de novo, a partir do presente. É neste espaço entre memória e mudança, permanência e reinvenção, que se constrói a nova edição do festival”, referem os produtores Daniel Matos e Joana Flor Duarte. Entre os destaques desta edição estão Alessandro Sciarroni, com «Save the Last Dance for Me», que recupera a polka chinata, antiga dança de cortejo bolonhesa, transformando-a num dueto contemporâneo marcado pela 50
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intimidade, tensão e confiança; Vera Mantero, com «Uma Misteriosa Coisa, disse o E.E. Cummings», solo originalmente estreado em 1996 para a «Homenagem a Josephine Baker», uma iniciativa da Culturgest em Lisboa; e Clara Andermatt, com «O Cansaço dos Santos», uma obra de forte carga simbólica, na qual ícones ritualísticos e religiosos são atravessados por uma intensa fisicalidade e por uma sexualidade latente. Tales Frey, um dos artistas internacionais convidados desta edição, apresenta o espetáculo «Be (on) you», onde investiga a relação entre identidade, desejo e alteridade no espaço público. Adicionalmente, apresenta a instalação «Zona de Contacto», no Museu de Lagos, e dá uma masterclass sobre indumentos performativos.
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Em «Megastructure», Sarah Baltzinger e Isaiah Wilson exploram a relação entre dois corpos em permanente coabitação, partindo da sua própria experiência enquanto casal. Chiara Corbetta, intérprete deste espetáculo, dará a conhecer a prática coreográficas destes criadores numa masterclass. Bruno Senune surge em dois momentos da programação: «Nácar», que aborda o esquecimento e a ficção das memórias de infância, e «Melancolia», um ritual no espaço público que mistura de fragilidade e potência. A programação internacional completa-se com «Celebration» de Polina Kanis, que recorre ao vídeo e à performance para questionar as estruturas de poder. Entre as propostas de criações nacionais estão «Final Girl», de Rina Marques e Rui Paixão, solo inspirado no cinema de 52
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terror que parte da figura da sobrevivente para refletir sobre medo, resistência e sobrevivência; e «SECO», de Bernardo Chatillon, sobre a dificuldade de traduzir em palavras a experiência contemporânea, encontrando no corpo uma possibilidade de expressão. A programação inclui ainda «This is Not a Love Story, This is A & B», de Maurícia | Neves; «Grief in progresso», de BULLYACHE; e «An embodied exploration of human manipulation», de Ioanna Anousaki, sobre as dimensões psicológicas, emocionais e sociais das relações tóxicas. O cinema volta a integrar a programação do festival, com cinco propostas que cruzam imagem, corpo, memória e movimento. «Pele Nómada», de Aline Belfort e João
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Fiadeiro, acompanha o percurso de João Fiadeiro por lugares ligados à sua trajetória e à do atelier RE.AL, num filme sobre memória, desapego e recomeço, em diálogo com «Crying Cycle III», de Daniel Matos e João Catarino, terceiro filme da trilogia sobre o tempo presente. Para escolas, «O Corpo que Atravessa», de Mário J. Negrão, parte de «Sensorianas», de Clara Andermatt, para abordar deslocação, identidade e liberdade. «Bull’s Heart», de Eva Stefania, acompanha Dimitris Papaioannou e a sua equipa durante a criação e digressão de «Transverse Orientation», enquanto «HURLE», de Flora Détraz, explora o inconsciente e a relação entre o visível e o invisível através da figura de uma mulheroráculo. A programação musical cruza concertos, performance e DJ sets, prolongando o festival para além dos palcos. ANTERA apresenta «Delíria», concerto-performance que reinventa a tradição portuguesa através da eletrónica 57
e da canção de autor, enquanto REZMORAH traz «HÍBRIDA», entre música e poesia eletrónica. «alga», projeto de Cláudia Simões, propõe uma experiência sonora performática e sensorial. A programação inclui ainda os DJ sets de Von-Cente, João Melgueira, Tiago Assis, no âmbito da Mad Roller Disco, Guilhotina, com Cumbia Sunset, uma viagem pelos ritmos latinoamericanos, e VNHQ, que cruza tribal house, afro house, electro tribal, tech house e influências de world music. Em 2026, o festival renova a parceria com o Centro Ciência Viva de Lagos e conta com «Aqui há um buraco», de José Ferreira, uma visita performativa onde o corpo é simultaneamente visitante, instrumento, pergunta e resposta, e com a palestra Iluminismo e Renascimento, direcionada às escolas. Esta edição conta também com a inauguração de uma nova exposição no âmbito do CenDDA – Centro de Documentação de Dança do Algarve, em parceria com a Biblioteca ALGARVE INFORMATIVO #545
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Municipal Dr. Júlio Dantas e o Município de Lagos, e com «Roommates», de Ruben Bellinkx, que reúne as projeções «Double Bind» e «Stasis» em duas salas do Centro Cultural de Lagos. À semelhança dos anos anteriores, o festival será palco do lançamento da mais recente edição da «Coreia», que contará com a performance «Reverberações de 59
um corpo-tela» de Wura Moraes. As residências artísticas, que desde 2024 integram o festival, voltam a trazer artistas a Lagos, numa parceria nacional com os Estúdios Victor Córdon e o Centro Ciência Viva de Lagos, e noutra internacional, com a Kultur | LX e a TROIS C-L. E porque não se faz um festival sem diálogo, o Pedra Dura conta ainda com espaços de reflexão e debate. Rita ALGARVE INFORMATIVO #545
Rodrigues dirige o projeto «Corpo Crítico», que reúne diferentes pessoas para acompanhar a programação do Festival enquanto corpo coletivo que observa, questiona e experimenta; e Tiago Mansilha volta a juntar artistas e públicos em conversas depois dos espetáculos e no podcast «Podemos tratar-nos por tu?». O Pedra Dura conta com a direção artística de Daniel Matos e Joana Flor Duarte, é uma coprodução da Cama – Associação Cultural e do Município de Lagos e tem o apoio da Direção Geral das ALGARVE INFORMATIVO #545
Artes e do Município de Lagos. Toda a informação sobre o programa pode ser consultada em www.festivalpedradura.com. 60
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Timo Dillner expõe «O Cruzeiro» no Centro Cultural de Lagos Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina Centro Cultural de Lagos recebe, até 30 de dezembro, «O Cruzeiro», de Timo Dillner, exposição que assinala os 60 anos e as quatro décadas de criação do artista. Mais do que uma retrospetiva, a mostra assume-se como uma homenagem à cidade de Lagos, onde Timo Dillner vive e trabalha desde 1998, reconhecendo o papel decisivo que a cidade teve na consolidação do seu percurso artístico. ALGARVE INFORMATIVO #545
Reunindo obras produzidas entre 2018 e 2026, desde a última exposição realizada no Centro Cultural de Lagos até à atualidade, «O Cruzeiro» reflete sobre a condição humana, a fragilidade da existência e a procura de harmonia e paz, abordando também questões da sociedade contemporânea como a dependência das tecnologias, a guerra, a violência, a ganância, a cultura do cancelamento, a pandemia, a dúvida e a passagem do tempo. A exposição pode ser visitada, de terçafeira a sábado, das 10h às 18h, na Sala de Exposições 1 do Centro Cultural de Lagos. 64
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GRUPO DE TEATRO COMUNI APRESENTOU «ESTAMOS LIX Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
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ITÁRIO DE QUARTEIRA XADOS»
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e 25 a 27 de setembro, Quarteira acolheu o II Encontro de Teatro Comunitário, em três dias de celebração artística gratuita com espetáculos de grupos de norte a sul do país, conversas abertas, workshops, exposição fotográfica e gastronomia comunitária. O evento promovido pelo JAT – Janela Aberta Teatro no Calçadão de Quarteira contou com uma programação totalmente gratuita e pensada da comunidade para a comunidade. A grande abertura, na sexta-feira, dia 25 de setembro, ficou marcada pela estreia oficial da primeira parte do documentário «Ninguém sem Teatro», ALGARVE INFORMATIVO #545
com realização e edição de Miguel Martins Pessoa. O filme documenta uma viagem de 5 meses por 6 países da América Latina, onde foram entrevistados 16 grupos de teatro num total de 800 horas de gravação. A obra põe em evidência o poder transformador das artes performativas nas comunidades, demonstrando a participação ativa de cidadãos dos 4 aos 104 anos de idade. No dia 26, depois da conversa sobre «O impacto do teatro comunitário no Acesso à Cultura» com moderação de Dália Paulo (Diretora Municipal – Município de Loulé) e participação de Maria Vlachou (Diretora Executiva – Acesso Cultura), Miguel Martins Pessoa e Diana Bernedo (Diretores Artísticos do JAT) e Rui Germano (Diretor Artístico do Beleza Teatro); e da apresentação de «Somos 78
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Todos S. João», que presta homenagem à memória e tradições da União de Freguesias de S. João da Ribeira e Ribeira de S. João; subiu ao palco «A céu aberto» pelo Grupo de Teatro Comunitário do Campo, vindos diretamente do Gerês. No dia 27 de setembro foi a cena «Estamos Lixados», pelo Grupo de Teatro Comunitário de Quarteira, com criação/direção do Colectivo JAT. A peça é uma verdadeira mesa de discussão aberta com a comunidade, onde a inquietação da população perante a sazonalidade se transforma em teatro, música e percussão corporal. Uma ALGARVE INFORMATIVO #545
viagem contemporânea e necessária pelos ciclos repetidos da história local. Criado em 2018 pelo Colectivo JAT, este projeto de mediação, inovação e desenvolvimento cultural e social reúne vizinhos e vizinhas dos 5 aos 83 anos, de diversas origens e estratos sociais. O grupo promove a coesão social, combate estigmas e discriminações e incentiva a participação cidadã ativa. Contando com a parceria da Junta de Freguesia de Quarteira e o apoio da Câmara Municipal de Loulé, o projeto assume-se como um espaço de capacitação, inclusão e expressão artística da e para a comunidade. 80
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CINETEATRO LOULETANO A «AS CORES DA AMÉRI Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
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O ASSISTIU ICA LATINA»
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Cineteatro Louletano recebeu, nos dias 10 e 11 de outubro, duas peças vindas do Brasil, no âmbito do Festival Todos São Palco – Mostra de Teatro Além do Equador, organizado pelo Teatrão. Depois de, no sábado, ter subido ao palco «O Avesso da Pele», pelo Coletivo Ocutá, de São Paulo, no domingo foi a vez do público assistir a «As Cores da América Latina», peça que vem da Amazónia, da cidade de Manaus, com a Companhia Panorando. O espetáculo possui como norte três manifestações latino-americanas, a ALGARVE INFORMATIVO #545
Fiesta de la Tirana (Chile), a Huaconada (Peru) e Cavalo-Marinho (Brasil) em intersecção com a Dança e o Teatro. A visualidade da obra faz uso de cores vibrantes e seis máscaras de «Fofão», personagem do Carnaval Maranhense (Brasil), que completam a estética das personas. A obra apresenta, de forma não-linear, a história do último Fofão como uma ode de alembramento a algumas tradições latinas. Com direção de Fábio Moura, «As Cores da América Latina» tem como intérpretes/criadores Ana Carol Nunes, Fernando C. Branco, Marcos Telles, Talita Menezes e Reysson Brandão. 90
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