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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #536

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INFORMATIVO

ÍNDICE

Mirian Tavares (pág. 20)

Sílvia Quinteiro (pág. 24)

Paulo Neves (pág. 28)

XII Feira da Dieta Mediterrânica em Tavira (pág. 32)

XXII Mostra do Doce Conventual em Lagoa (pág. 40)

Projeto MILAGE distinguiu estudantes e professores (pág. 52)

33.ª Volta ao Algarve à Vela (pág. 60)

Ginastas da APAGL terminaram época em festa (pág. 68)

Festa de Verão e das Comunidades de Almancil (pág. 94)

Noitada em Portimão (pág. 112)

Das segundas-férias ou o direito à preguiça

A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.

Mário Quintana

stou de férias desde o dia 3, segunda-feira. Já deixei avisos nas minhas caixas de correio, mas há muita gente que decide ignorá-los e continua a importunar-me com assuntos de trabalho. As pessoas pensam que estamos ligados à corrente 24 horas por dia, todos os dias do ano. O facto de estarmos conectados dá a sensação de disponibilidade permanente. Parece que é um pecado, pura e simplesmente, «fechar a loja» e aproveitar o dolce far niente, que, no meu caso, é uma rede na varanda e muitos livros policiais.

Trabalho muito durante todo o ano, mas há algum tempo decidi não ler emails ao fim de semana, nem depois de horas decentes. O WhatsApp e o seu uso desenfreado são também responsáveis pela falsa ideia de intimidade. Há quem ache que pode enviar uma mensagem de trabalho num domingo, às 20h. Devia haver uma punição para quem ultrapassa o limite do bom senso. A minha punição é ignorar solenemente as criaturas que se atrevem a perturbar o sossego merecido e desejado de uma pessoa.

Fico a perguntar-me: quem é você, na fila do pão, para me mandar uma mensagem num fim de semana? Só respondo aos meus afetos.

Fico impressionada quando vejo colegas que, mal encontram uma ligação Wi-Fi, se conectam imediatamente. Agora até no sacrossanto espaço do avião é possível conectar-se. Eu prefiro ficar offline. Muitas vezes apetece-me ficar offline por muito tempo. Se não posso durante o período de trabalho, dou-me ao luxo de me desligar nas férias.

Como cantava Rita Lee, quero mais é saúde e, num mundo violentamente ligado, desligar-se é uma bênção, uma necessidade, um gesto de autocuidado.

Aviso aos navegantes: com raríssimas exceções, só volto ao trabalho quando voltar ao trabalho. Até lá, podem esquecer-me. Os meus neurónios já estão desligados e nem o ChatGPT pode ajudar-me a escrever um e-mail que tenha pés e cabeça.

Entrei nas segundas-férias e só volto quando as férias terminarem. Até lá, desfrutem também do vosso verão.

Foto: Isa Mestre

O motorista Sílvia Quinteiro, professora

ncostou o carro na rua da estação. Era um homem alto, de bom porte, vestido de fato escuro e gravata, apesar do calor. Antes de sair, viu-se ao espelho, acertou o nó da gravata, passou a mão pelo cabelo e pôs os óculos de sol. Depois fechou a porta e ficou ali, direito, a olhar em frente.

Ela atravessou o pátio da estação e dirigiu-se ao passeio. O olhar percorreu a rua de um lado ao outro, uma vez, depois outra, até se deter no homem de fato escuro, junto à limusina de marca alemã.

Fitou-o.

Ele endireitou-se. Encolheu a barriga e passou os dedos pela poupa. Um ligeiro toque na gravata. Depois ergueu o rosto na direção da desconhecida.

Não havia dúvida: era para ele que olhava.

Ah, se a mulher pudesse vê-lo. Como gostaria que ela estivesse ali!

Casara sem saber muito bem porquê. Nunca fora apaixonado pela namorada. Era-lhe fiel. Esperava o mesmo dela. O casamento era importante. A casa, os filhos, o compromisso.

Mas, nos últimos tempos, o desinteresse da mulher tornara-se evidente. Ela, que sempre se desfizera em declarações de amor eterno. Incompreensível.

Por vezes perguntava-se se não teria casado por amar o amor que ela lhe dedicava. E agora... agora já não o amava. Talvez o suportasse. Desconfiava que nem isso.

Não lhe perdoava a ousadia. Não podia. Era muito atrevimento.

Tirou os óculos de sol. A desconhecida voltou a fitá-lo. Ele sustentou-lhe o olhar.

Encheu o peito.

Há quanto tempo não se sentia desejado?

Só queria que a mulher estivesse ali. Que fosse mosca e assistisse a tudo.

Foi então que a desconhecida atravessou a estrada e avançou decidida na sua direção.

O coração disparou. O estômago deu uma volta. Um nó apertou-lhe a garganta.

Ela sorriu.

— Boa tarde. O meu nome é Marlene.

— Muito gosto. António. O meu nome é António — respondeu, com um fio de voz que mal reconheceu.

— Suponho que seja o motorista que me vem buscar. Estive ali a olhar para si, a tentar perceber se era ou não era... Se me dizia alguma coisa.

António ficou um instante em silêncio.

— Não, não sou eu.

Um gesto brusco afrouxou a gravata. A poupa tombou-lhe sobre os óculos de sol. A barriga cedeu.

Arrancou o casaco, atirou-o para o banco de trás e entrou no carro.

— Raios partam as mulheres!

Paulo Neves, «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha

oucos dias depois, ainda andamos a pensar, rever e sentir sobre o que se passou, aqui tão perto, em Ceuta.

Milhares surgem, num repente, nas águas, tentando chegar à mesma margem, do lado de lá da cerca da fronteira, buscando futuro, mas recebendo a surpresa na deceção que, afinal, não vão ser recebidos como sonharam.

Foi um sonho que causou mortos e impactos internacionais que perduram. Mas também causou imagens que impressionam pelo humanismo das autoridades do lado que foi surpreendido «pelos invasores», ao invés de repulsa e violência.

As imagens dos jovens, num misto de alegria e, depois, desalento.

Imagens, quase pareciam encenadas, por quem os deixou passar para o mar e, a seguir, imediatamente os recolheu pela fronteira terrestre. Como que a mostrar um poder sem o levar mais longe. Bastante para provocar impactos políticos, turbulência e temor internacional.

A mistura de sentimentos é de tal modo forte que é difícil descrever, num breve texto, os efeitos que a prazo podem provocar em cada um de nós e, portanto, nos decisores. Também nas vítimas jovens que participaram na desilusão. Sem fechar os olhos aos abusos que são perpetrados e envergonham a «nossa civilização» sobre alguns dos que ficam provisoriamente…

A desconfiança já nos faz antever nos cuidados redobrados sobre a festa do futebol, marcada para 2030, entre os vizinhos que o acolhem. Que faz repensar nos acordos de associação da UE que privilegiam os investimentos europeus no lado de lá deste Mare Nostrum, em áreas tão importantes quanto a agroindústria, energia, comunicações, farmácia e equipamentos pesados. Por isso, talvez, o movimento de imediato recolhimento na reentrada dos que saíram.

Mas a desconfiança vai persistir pois que a realidade existe. Jovens à procura de futuro, todos. Uns fugindo da guerra na zona do Sahel e Sahara Ocidental e mais longe ainda. Outros beneficiando dos movimentos de angariação mafiosa daqueles esperançados ou para os reterem no lado da fronteira, por ora, indesejada.

Do lado de cá, o medo criado vai cavando a sepultura da democracia às

mãos dos populistas e provocando a sepultura dos que, retidos, morrem sem futuro sabendo que somos os carrascos da oportunidade e a barreira para a sua felicidade.

Os eleitos confirmam o medo para ficarem do lado dos eleitores assim instruídos. Dividem-se e degladiam-se pelas imagens que lhes servem, mas que a todos matam um bocadinho mais de cada vez.

Seja aqui, no mediterrâneo, ou na frente atlântica africana, seja no leste da Europa ou junto à Turquia. Vamos todos morrendo e ficando nas mãos dos interesses dos que traficam as necessidades humanas, a quem vamos pagando a chantagem para os reter pelo nosso medo qua aproveitam.

Em 2050 (20 anos nos separam), dos mais de 9,5 mil milhões de pessoas no planeta, na melhor das hipóteses demográficas, seremos apenas 450 milhões de habitantes na Europa.

Como queremos continuar como o continente do progresso e sustentar essa via com o retrocesso social em prol do aumento brusco da defesa ou com o aumento na investigação e conhecimento e no bem-estar? Também poderá ser com o aumento incessante dos pagamentos para fechar e defender fronteiras que hão de rebentar na violência interna e das hordas que buscarão incessantemente futuro para os seus.

Talvez pudéssemos encarar uma alteração do conceito das «atuais ajudas ao desenvolvimento», que muitas vezes são apenas o oportunismo por aproveitar, ali, a desregulação ambiental e do trabalho que aqui não aceitamos, por uma afirmação da cooperação consequente via ensino, formação e investimento proativo interessado nesses territórios e povos de forma crescente, respeitável nos recursos e lucrativa para todos, de igual para igual.

Podemos alargar os valores da Europa, ganhando território e gente para os ideais, ou pensar que nos vamos defender, até aos dentes, contra a maioria dos nossos vizinhos, até ao soçobrar da democracia e da dignidade humana de que já fomos os superiores paladinos.

XII Feira da Dieta Mediterrânica promove encontro de culturas, tradições e gerações em Tavira

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

avira volta a afirmarse como o grande palco da cultura mediterrânica ao acolher, de 3 a 6 de setembro, a XII Feira da Dieta Mediterrânica, um evento de grande envergadura coordenado pelo Município de Tavira e promovido em estreita colaboração com uma Comissão

Organizadora que integra diversas entidades regionais, públicas e privadas, cuja missão comum é valorizar, divulgar e salvaguardar a Dieta Mediterrânica como

Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, reforçando o

papel de Tavira enquanto comunidade representativa de Portugal.

Ao longo de quatro dias, o centro histórico transforma-se num espaço de encontro e celebração deste estilo de vida, afirmando a Dieta Mediterrânica não apenas como um modelo alimentar, mas também como património cultural vivo assente na convivialidade, partilha, relação com o território, transmissão de sabores entre gerações e no respeito pela diversidade de culturas mediterrânicas. Com uma programação rica e diversificada, a Feira conta com cerca de 200 expositores representativos do artesanato, da doçaria tradicional e dos

produtos locais, aos quais se juntam cerca de 40 expositores institucionais.

A Praça da Convivialidade, instalada no Parque do Palácio da Galeria, volta a assumir-se como o local de encontro à mesa. Com quatro restaurantes, os visitantes poderão degustar especialidades da gastronomia portuguesa, italiana e marroquina, numa celebração de sabores, produtos e tradições culinárias que unem os povos do mediterrâneo. A gastronomia da Feira estende-se, igualmente, a todo o concelho, através da participação de 28 estabelecimentos de restauração e bebidas, sendo que 19 restaurantes apresentarão menus para almoços e jantares e nove cafés e pastelarias oferecem propostas para pequenosalmoços e lanches, privilegiando os princípios da Dieta Mediterrânica, a alimentação saudável, sazonal e sustentável.

O Mercado da Ribeira volta a ser um dos locais de referência da Feira ao receber um programa de demonstrações gastronómicas que exalta a riqueza da cozinha mediterrânica e excelência dos produtos locais. A cargo da Associação In Loco, da Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António e da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, esta programação reunirá chefs, docentes e formadores que partilharão conhecimentos, técnicas e saberes culinários. E porque esta Feira visa alcançar todas as faixas etárias, a programação dirigida ao público infantojuvenil constitui um dos eixos fundamentais desta edição. Neste sentido, mantém-se a colaboração com o

Museu da Marioneta de Lisboa com atividades na Casa André Pilarte.

Pela primeira vez, a programação conta com a presença do Teatro Municipal António Pinheiro que acolhe espetáculos concebidos para o pequeno público. Vários participantes institucionais, nomeadamente a empresa municipal Taviraverde e a CCDR Algarve, promovem, nos seus stands, iniciativas lúdicas, pedagógicas e de sensibilização ambiental. Regressam junto ao Palácio da Galeria, os apreciados Jogos do Hélder, um espaço de diversão e convívio para todas as idades que convida famílias e visitantes a redescobrir o prazer de brincar, através de jogos tradicionais e de engenho, num ambiente de partilha e participação.

A Trad Balls volta a dinamizar bailes e oficinas dedicados às danças provenientes de diferentes geografias do Mediterrâneo. Mais do que assistir, o público é convidado a participar, dançar e descobrir tradições que atravessam povos, territórios e gerações. A Igreja da Misericórdia recebe um programa dedicado à literatura com apresentações de livros, fomentando momentos de diálogo e reflexão em torno da cultura, da história, do património e das identidades mediterrânicas. A mesma Igreja será palco de projetos dedicados ao Fado, num ambiente intimista e de valor patrimonial. Literatura e música encontram-se, assim, num dos templos mais emblemáticos da cidade, aproximando diferentes manifestações culturais.

A componente musical da Feira continua a ser um dos fatores de forte atratividade da Feira com palcos localizados em diferentes espaços representativos da cidade: Praça da República, Castelo e Antiga lota (junto ao Mercado da Ribeira). Entre os nomes de destaque, na Praça da República, contam-se Os Vizinhos, Carolina Deslandes, Marco Rodrigues e Diogo Piçarra.

Os Vizinhos abrem este ciclo, no dia 3, com um espetáculo marcado pela energia, proximidade e celebração coletiva. Carolina Deslandes, no dia 4, uma das mais influentes compositoras e

intérpretes da música portuguesa contemporânea, subirá ao palco acompanhada pela jovem cantora Rita Rocha. O Fado estará representado por Marco Rodrigues, no dia 5, uma das vozes mais consagradas da sua geração, distinguido pelo seu percurso artístico e pela forma como alia o respeito pela tradição a uma linguagem contemporânea. A encerrar este ciclo de concertos, Diogo Piçarra, no dia 6, um dos artistas portugueses mais populares da atualidade, protagonizará um espetáculo especialmente pensado para conquistar os mais jovens, encerrando a Feira com uma noite de grande celebração.

O Palco do Castelo acolhe quatro concertos internacionais que convidam a viajar pelas sonoridades e tradições musicais do Mediterrâneo. Da Turquia, Ali Doğan Gönültaş apresenta um projeto que recupera e reinventa o património musical da Anatólia, cruzando influências curdas, arménias e anatólicas numa abordagem enraizada na tradição oral. De Marrocos, Mehdi Qamoum traz a riqueza da música Gnawa, combinando ritmos ancestrais do Norte de África com influências do jazz, do blues e das músicas do mundo, num espetáculo de grande intensidade espiritual e rítmica. Em representação de Itália, a Baro Drom

Orkestar propõe uma vibrante celebração das tradições populares do sul de Itália e dos Balcãs, fundindo sonoridades mediterrânicas, balcânicas e ciganas numa atuação marcada pela energia, pela dança e pelo espírito festivo. Da Grécia, Melina levará ao Castelo a riqueza da canção helénica contemporânea, reinterpretando o património musical grego, através de uma abordagem sensível e atual, onde convivem tradição, poesia e modernidade.

O Palco da Antiga Lota conta, nesta edição, com o patrocínio cultural da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Sotavento Algarvio, acolhendo quatro espetáculos dedicados às novas leituras da música de raiz tradicional portuguesa. Por este palco passarão CRUA, RAIA, O Gajo e Cristina Clara, projetos que partem da memória, tradição e identidade musical portuguesa para construir linguagens contemporâneas e singulares.

Durante os quatro dias, o recinto da Feira será animado, igualmente, por uma vasta programação itinerante. Desfiles etnográficos, grupos musicais itinerantes e diversas formações artísticas provenientes de diferentes países trarão ao espaço público ritmos, tradições, danças e sonoridades, transformando a cidade num palco vivo. O Museu Municipal de Tavira volta a marcar presença neste certame, abrindo as portas a residentes e visitantes que terão a oportunidade de conhecer as exposições «Uma Árvore no Meio do Caminho», «Dieta Mediterrânica», «SAAL em Tavira» e «Judeus em Tavira».

A atividade física é indissociável do estilo de vida mediterrânico. A sua prática regular é essencial para a saúde e qualidade de vida. Neste contexto, será promovido um conjunto diversificado de iniciativas para todas as idades. Um dos momentos mais relevantes será o arranque do Calendário Regional de Marcha e Corrida do Instituto Português do Desporto e Juventude.

Integrado na programação da Feira tem lugar o Prémio Inovação – Dieta Mediterrânica, o qual resulta de uma parceria entre a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, I.P., do Município de Tavira, da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Sotavento Algarvio e da Associação In Loco. Este destina-se a produtores, projetos e empresas sediados no Algarve, independentemente da sua participação na Feira, alargando as oportunidades de reconhecimento e valorização da inovação regional. O

Prémio visa distinguir entidades que se destaquem pelo desenvolvimento de produtos agroalimentares inovadores, pela aplicação de conhecimento no setor agroalimentar ou pela implementação de processos inovadores que contribuam para a competitividade, sustentabilidade e valorização dos recursos endógenos do Algarve.

A XII Feira da Dieta Mediterrânica apresenta uma programação que atravessa diferentes espaços, linguagens artísticas e dimensões. Serão quatro dias que possibilitam a descoberta do património, da história, de saborear a gastronomia, assistir a concertos, participar em oficinas, conhecer artistas e tradições de diferentes países e viver a autenticidade de uma cultura reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade. E tudo isto com entrada livre.

Convento de S. José acolheu XXII

Mostra do Doce Conventual de Lagoa

ntre 29 de julho e 2 de agosto, o Centro Cultural

Convento de S. José, em Lagoa, recebeu a XXII

Mostra do Doce

Conventual de Lagoa, iniciativa que proporciona aos visitantes a prova de bolos, doces, compotas, mel, ou bebidas clássicas como a aguardente de medronho, em ambiente conventual fielmente recriado.

O evento celebra a rica herança gastronómica dos conventos portugueses, com especial destaque para as receitas seculares que marcaram a identidade cultural da região do Algarve.

Durante a mostra, os visitantes tiveram a oportunidade de apreciar e saborear uma seleção requintada de doces conventuais, verdadeiras obras de arte feitas com ingredientes simples como o açúcar, as

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

gemas e a amêndoa, mas que encerram séculos de saber e devoção.

Mais do que uma feira gastronómica, esta mostra é um momento de partilha, preservação da memória e valorização da tradição. Ao promover os sabores do passado, Lagoa reafirma o seu compromisso com a cultura, a identidade local e o turismo sustentável. A mostra contou todos os dias, igualmente, com momentos de animação, entretenimento e cultura, assim como a Exposição de Cake Design «Bem-Vindos à Selva» por Ana Remígio.

Projeto MILAGE distinguiu estudantes e professores em Conferência Internacional de Aprendizagem Móvel

X Conferência Internacional de Aprendizagem Móvel do projeto MILAGE da Universidade do Algarve realizou-se nos dias 8 e 9 de julho, na Escola Secundária Augusto Gomes, em Matosinhos, e reuniu cerca de 300 participantes, nomeadamente professores, estudantes e encarregados

de educação. Sob o mote «Tecnologia, inclusão e equidade educativa», o evento celebrou a inovação educativa, a autoria estudantil e a aprendizagem digital. O ponto alto da conferência foi a entrega dos Prémios MILAGE 2025/26, que distinguiram os estudantes campeões nacionais, os professores mais inovadores de Portugal e os estudantes autores que marcaram a diferença na criação de conteúdos pedagógicos digitais.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Universidade do Algarve

No dia 8 de julho, os professores Nuno Dorotea e Daniela Pedrosa, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, foram os palestrantes convidados com as comunicações «Tecnologia, inclusão e equidade na avaliação: a diferenciação pedagógica como princípio orientador» e «Autorregulação da aprendizagem na era digital: refletir para aprender, incluir para transformar», respetivamente. Seguiu-se uma mesa redonda que reuniu professores, com o tema «Como garantir que ninguém fica para trás? Tecnologia ao serviço da inclusão e da equidade educativa». Este momento de reflexão e partilha estruturou-se em dois painéis: «A inovação nas aprendizagens curriculares» e «Equidade, inclusão e sucesso educativo».

Ainda na manhã do primeiro dia do evento, os estudantes participantes na conferência tiveram a oportunidade de viver uma experiência diferente junto ao mar, em colaboração com a Onda Pura. A iniciativa incluiu aulas de surf e jogos de praia, com os participantes divididos em grupos de forma a que todos pudessem ir à água, enquanto os restantes se mantinham em atividades na areia. Este momento de convívio e contacto com a natureza reforçou o espírito de inclusão e bem-estar que atravessou toda a conferência, mostrando que a aprendizagem também pode acontecer fora da sala de aula.

Da parte da tarde, foram entregues os prémios Professor Inovador Autor MILAGE APRENDER+ de Portugal. Na área da Matemática, a vencedora foi Mónica Salgado, professora do

Agrupamento de Escolas N.º 1 de Gondomar; na área de Inglês, o prémio foi atribuído a Rui Campos, professor do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio, Braga; já na área de Espanhol, Carla Sofia Oliveira da Silva, professora do Agrupamento de Escolas de Pombal, foi a vencedora. Foi ainda distinguido o professor João Vieira, do Agrupamento de Escolas de Silves Sul, pelo maior número de recursos educativos criados no ano letivo 2025/26.

O projeto MILAGE distinguiu também os alunos campeões nacionais nas disciplinas de: Espanhol –Lucas Oliveira do 9.º ano, aluno da Prof.ª Maria de Lurdes Martins, Agrupamento de Escolas Carlos Amarante; Inglês –Santiago Martins do 4.º ano, aluno da Prof.ª Marlene Lopes Vieira, Agrupamento de Escolas de Real, Braga; Matemática –André Ramos do 12.º ano, aluno da Prof.ª Ana Madalena Teixeira, Escola Secundária Quinta das Palmeiras, Covilhã; Matemática do 9.º ano –Mariana Pinto, aluna da Prof.ª Albertina Gouveia, Agrupamento de Escolas de Maximinos, Braga; Português –Guilherme Viegas do 6.º ano, aluno da Prof.ª Maria Cândida Vieira, do Agrupamento de Escolas Professor Paula Nogueira, Olhão.

Relativamente aos Prémios Nacionais de Aluno Autor MILAGE, foram entregues nas seguintes categorias: Cidadania Digital – Apolo Catarino, Matilde Fernandes e Nicole Sebastião do 6.º ano, alunos da Prof.ª Lucilina Maria Daniel, do Agrupamento de Escolas Professor Paula Nogueira, Olhão; Inglês –Francisca Estêvão, Francisca Henrique e Lia Moreira do 6.º ano, alunas da Prof.ª

Lucilina Maria Daniel, do Agrupamento de Escolas Professor Paula Nogueira, Olhão; Matemática 3.º Ciclo – Anna Luiza Maia, Carolina Ferreira e Leonor Rito do 7.º ano, alunas da Prof.ª Isabel Garcez, do Agrupamento de Escolas de Real, Braga; Matemática Secundário – Tiago Coelho e Simão Alves do 10.º ano, alunos da Prof.ª Mónica Salgado, Agrupamento de Escolas N.º 1 de Gondomar; Português –Guilherme Viegas, Lucas Neto, Pedro de Azevedo e Rodrigo Tomás do 6.º ano, alunos da Prof.ª Maria Cândida Vieira, do Agrupamento de Escolas Professor Paula Nogueira, Olhão; Património Cultural –Bianca Martins, Mariana Castanho e Vinicius Fernandes do 10.º ano, alunos da Prof.ª Luísa Selas, Escola Secundária José Régio, Vila do Conde.

Estes prémios distinguiram os alunos do ensino básico e secundário que se destacaram pela sua criatividade,

autonomia e excelência pedagógica, através da criação de conteúdos educativos na plataforma MILAGE APRENDER+, reconhecendo os alunos autores que, com o apoio dos seus professores, contribuíram ativamente para a produção de tarefas, vídeos explicativos e outros recursos pedagógicos digitais, promovendo o espírito de colaboração e protagonismo estudantil. Entre as diferentes distinções encontra-se também o Prémio da MeiaMaratona da Matemática MILAGE APRENDER+ entregue à turma 12.º A –Matemática A do professor Luís Ferreira, do Agrupamento de Escolas da Lourinhã. Este prémio reconhece os alunos enquanto turma através da participação de todos na resolução de tarefas MILAGE. A atribuição deste prémio tem como finalidade motivar os alunos e promover a mentoria entre pares para a aprendizagem da Matemática, de forma

a todos alcançarem o sucesso escolar. Já o Prémio do Aluno Digital MILAGE

APRENDER+, que visa reconhecer o mérito dos alunos na promoção de práticas pedagógicas inovadoras, foi entregue às estudantes Benedita Regueiro, Érica Teixeira, Maria Santos e Sofia Abreu do 7.º ano, alunas da Prof.ª Eduarda Barbosa, da Escola Secundária de Paços de Ferreira.

Esta iniciativa organizada pela Universidade do Algarve e a Associação Ser MILAGE, contou com o apoio do Município de Matosinhos, da Escola Secundária Augusto Gomes, do CFAE Matosinhos, do CCTIC da Universidade Aberta, da Texas Instruments, da CASIO

e da GARVETUR. Contou ainda com o apoio da Associação de Professores de Matemática, da Associação de Professores de Português, da Associação Portuguesa de Professores de Inglês, da Associação Portuguesa de Professores de Espanhol Língua Estrangeira.

Recorde-se que o projeto MILAGE

APRENDER+ é coordenado por Mauro Figueiredo, docente do Instituto Superior de Engenharia (ISE) da UAlg, e tem como objetivo promover a igualdade de oportunidades, as aprendizagens significativas e a qualidade do ensino ao longo dos 12 anos de escolaridade.

33.ª Volta ao Algarve à Vela: Muito mais do que uma regata

33.ª Volta ao Algarve à Vela decorreu de 23 a 26 de julho e voltou a ser muito mais do que uma regata. Foram quatro dias de navegação, convívio e descoberta do Algarve pelo mar, num percurso que proporcionou experiências muito diferentes entre si, mas igualmente marcantes para todos os participantes.

Organizada pelo Ginásio Clube Naval de Faro, a prova ligou Tavira a Lagos, com

escalas em Faro, Albufeira e Portimão. Ao longo de quatro etapas, 24 embarcações e mais de 120 velejadores, provenientes de Portugal, Espanha e Reino Unido, navegaram juntos, confirmando a vitalidade da vela de cruzeiro no sul do país e o crescente reconhecimento da Volta ao Algarve à Vela como uma referência no calendário nacional.

A Volta começou nas Quatro Águas, em Tavira, com um fundeadouro em plena natureza, quase em modo selvagem, tão desafiante quanto deslumbrante,

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Ginásio Clube Naval de Faro

proporcionando um cenário único para o arranque da competição. A primeira etapa terminou ao largo da Ilha do Farol. Depois de cruzada a linha de chegada, as embarcações rumaram calmamente pelos canais da Ria Formosa até à cidade de Faro, descobrindo um dos mais belos parques naturais do país a partir da água.

Uma chegada diferente, que permitiu apreciar a riqueza paisagística da ria e uma perspetiva da cidade que poucos têm oportunidade de conhecer. A partir daí, a regata assumiu um carácter diferente. As excelentes condições proporcionadas pelas marinas de

Albufeira, Portimão e Lagos permitiram combinar a competição com momentos de convívio, conforto e hospitalidade, dando origem àquilo a que muitos participantes, com um sorriso, passaram a chamar as etapas «Gourmet».

A meteorologia foi também uma aliada durante toda a prova. O vento apresentou-se praticamente sempre na intensidade ideal para a vela de cruzeiro, proporcionando quatro dias de navegação de grande qualidade, competitiva e simultaneamente agradável, permitindo que todas as etapas decorressem conforme planeado.

Mas se houve algo que marcou verdadeiramente esta edição foram as pessoas. A alegria visível nas chegadas, os sorrisos nos pontões, as conversas prolongadas durante os jantares, o espírito de entreajuda entre tripulações e o ambiente de amizade vivido em cada porto confirmaram, uma vez mais, que a Volta ao Algarve à Vela é muito mais do que uma competição. É um encontro anual da comunidade da vela, onde se criam memórias que perduram muito para além da classificação final.

A organização agradece o apoio indispensável dos Municípios de Tavira, Faro, Albufeira, Portimão e Lagos, bem como das respetivas marinas e de todas as entidades que colaboraram na realização da prova. “Um agradecimento especial é igualmente dirigido ao nosso Main Sponsor, a AOC – Carrasquinho S.A.

– Materiais de Construção, cuja confiança voltou a ser determinante para o sucesso desta edição”, declarou a direção do Ginásio Clube Naval de Faro.

Os prémios atribuídos aos vencedores das diferentes etapas e das classificações gerais contaram ainda com o apoio da Adega de Favaios, da Cidade de Portimão, da Salt&Sea e da Heineken, parceiros fundamentais na valorização do evento. A organização agradece igualmente o apoio da Federação Portuguesa de Vela e da Associação Regional de Vela do Sul, instituições que continuam a desempenhar um papel essencial no desenvolvimento da modalidade.

A cerimónia de entrega de prémios decorreu nas instalações da AOC, encerrando quatro dias intensos de

competição, amizade e paixão pelo mar.

“O desafio para 2027 está lançado: receber ainda mais embarcações e continuar a mostrar, pelo mar, um Algarve que poucos têm oportunidade de conhecer”, afirmou a direção do Ginásio Clube Naval de Faro.

Classificação Geral ORC

1.º Firefly – Skipper Rob Clark

2.º Too Much – Skipper Joana Cassiano

3.º Magano – Skipper João Diniz

Classificação ORC Open

1.º Titã – Skipper Francisco Badalo

2.º Kaos Primero – Skipper Ignacio Palacios

3.º Sambuca – Skipper José Guedes

Ginastas da APAGL terminaram época em festa

APAGL –

Associação de Pais e Amigos da Ginástica de Loulé produziu, no dia 18 de julho, no Pavilhão Multiusos 25 de Abril, em Almancil, a gala «Luzes, Câmara… Ginástica», uma noite inspirada no mundo do cinema onde cada esquema contou uma história e na qual cada ginasta brilhou como uma estrela.

Desde Avatar a Men in Black e Top Gun, passando por The Hunger Games e The

Greatest Showman, vários êxitos da grande tela inspiraram largas dezenas de atletas de ginástica acrobática e trampolins para demonstrarem, perante as muitas centenas de familiares que encheram por completo as bancadas, um pouco daquilo que fizeram ao longo de mais uma temporada recheada de títulos regionais e nacionais. Um final de época em festa para reconhecer o valor destes jovens e o trabalho dos treinadores e da direção do clube, e que foi também uma despedida em grande para a ginasta Carina Passarinho, que segue agora para a vida universitária.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

Festa de Verão e das Comunidades de Almancil regressou com grandes concertos, artesanato e gastronomia

Festa de Verão e das Comunidades de Almancil regressou, de 31 de julho a 2 de agosto, ao Jardim das Comunidades, com concertos, artesanato e gastronomia.

Coincidindo com as férias de verão, a festa atraiu milhares de pessoas, entre residentes e turistas, para celebrar a música e as tradições locais. O cartaz

contemplou música para vários gostos, mostras de artesãos da região, animação para crianças e as habituais tasquinhas com comida típica.

No primeiro dia, sexta-feira, 31 de julho, o programa começou com o desfile das Comunidades, seguindo-se uma celebração da diversidade cultural com as Batucadeiras e as Danças Araguaney, além dos concertos de César Matoso & ALLCANTE, e a dupla Valter e Canário. O cabeça de cartaz da noite foi Maninho.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

O sábado, 1 de agosto, contou com as atuações da ADA – Academia de Dança do Algarve, da AllDance Academy, da Orquestra Garvefole e o baile com Ruben Filipe. A noite incluiu ainda um espetáculo de luzes com a Mulher do Fogo, momentos antes do concerto de Soraia Ramos.

O último dia, domingo, 2 de agosto, contou com a Al-Fanfare, o Rancho Folclórico de Loulé, a Marcha de Almancil e o grupo Tokisom. O concerto principal da noite de encerramento pertenceu a Marisa Liz. No final, Paulo Teixeira,

Presidente da Junta de Freguesia de Almancil, destacou a importância deste evento para a cidade, “traduzindo a identidade da terra e funcionando como um ponto de encontro importante entre a população local e os visitantes”. “O objetivo é continuar a crescer e a afirmar o festival no concelho de Loulé e no Algarve”, acrescentou o autarca.

A Festa de Verão e das Comunidades foi organizada pela Junta de Freguesia de Almancil, com o apoio da Câmara Municipal de Loulé.

NOITADA ATRAIU CERCA

A PORTIMÃO EM DOIS DIAS E EXPERIÊNCIAS IMERSIVAS

Texto: Ricardo Coelho| Fotografia: Ricardo Coelho

CERCA DE 400 MIL PESSOAS DIAS DE MÚSICA, ARTE IMERSIVAS

terceira edição da NOITADA levou cerca de 400 mil pessoas ao centro de Portimão nos dias 24 e 25 de julho, segundo dados divulgados pela Câmara Municipal, consolidando o evento como um dos principais momentos da programação cultural de verão no Algarve. Ao longo de dois dias, o centro histórico da cidade acolheu uma programação gratuita que conjugou concertos, instalações artísticas, projeções multimédia e experiências imersivas, transformando o espaço urbano num palco dedicado à música, à arte digital e à criação contemporânea.

No cartaz musical destacaram-se as atuações de Badoxa, Cláudia Pascoal,

Luís Trigacheiro e Edmundo Inácio, numa programação marcada pela diversidade de estilos e pela aposta na valorização de artistas nacionais, sem esquecer os talentos com ligação a Portimão. Entre os momentos de maior impacto esteve a instalação «Osmose, the Voice of Flames», apresentada pelos Mandalights em colaboração com Manuel Spectacles, um espetáculo onde o fogo assumiu o papel central numa performance de forte componente visual. A participação da dupla Claire et Antho reforçou igualmente a dimensão internacional da iniciativa, através de intervenções artísticas integradas no espaço público.

A programação voltou ainda a incluir a Silent Disco, uma das propostas mais procuradas pelo público, bem como espetáculos de video mapping e projeções laser sobre edifícios do centro

histórico, complementados por diversas instalações interativas distribuídas pelas ruas da cidade. No final da iniciativa, o presidente da Câmara Municipal de Portimão, Álvaro Bila, recorreu às redes sociais para felicitar a organização pela realização de mais uma edição da NOITADA e agradecer a forte participação do público.

O autarca considerou que este tipo de iniciativas contribui para reforçar a dinâmica e a atratividade da cidade, defendendo a continuidade da aposta em eventos culturais capazes de dinamizar o espaço público e promover Portimão enquanto destino de cultura e lazer. Álvaro Bila destacou também a importância da valorização dos artistas locais, referindo que eventos como a NOITADA permitem dar maior visibilidade a talentos que nasceram ou

cresceram no concelho, apontando Edmundo Inácio como exemplo desse percurso. Reconhecendo que possam existir opiniões diferentes relativamente ao evento, o presidente da autarquia afirmou que o executivo municipal continuará a trabalhar para todos os portimonenses, mantendo a aposta em iniciativas que promovam a cidade, reforcem a ligação entre a comunidade e os seus artistas e contribuam para “um Portimão vivo, cada vez mais amigo das pessoas e com um melhor ambiente”.

Com uma adesão significativa do público e uma programação que voltou a combinar música, arte e tecnologia, a terceira edição da NOITADA reforçou o seu posicionamento como um dos maiores eventos culturais gratuitos realizados no Algarve.

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