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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #535

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ALGARVE INFORMATIVO

1 de agosto, 2026

ÍNDICE

Ana Isabel Soares (pág. 18)

Fábio Jesuíno (pág. 22)

João Ministro (pág. 26)

Júlio Ferreira (pág. 30)

Feira da Serra em São Brás de Alportel (pág. 40)

37.ª Feira Concurso Arte Doce em Lagos (pág. 56)

Festival Internacional do Caracol em Castro Marim (pág. 74)

Festa do Futebol e do Futsal do Algarve (pág. 86)

«Noites de Silêncio» do JAT (pág. 96)

Festival Internacional de Canção Infantil e Juvenil Chaminé d’Ouro (pág. 122)

Lagoa Jazz Fest (pág. 134)

Algumas exposições em Faro

Ana Isabel Soares, professora

gosto é mês de lazer e silly season, e o Algarve é um dos lugares mais procurados por quem deseja sair da rotina do resto do ano e respirar a maresia. Mas não serão estes clichés parte rotineira de um estereótipo? Um dos modos de lhes fugir passa por dirigir a atenção para a capital da região: pode parecer paradoxal, mas, em agosto, Faro tende a ser um destino menos agitado do que Albufeira, Lagos, Portimão ou outros pontos costeiros, como Vilamoura, Quarteira ou Carvoeiro: a entrada de turistas equilibra a saída de estudantes universitários, o que significa que o movimento nas ruas não se altera substantivamente (bem, altera-se um pouco, sim, há gente por todo o lado, os percursos turísticos não coincidem com os percursos dos estudantes); e a separação geográfica entre a cidade propriamente dita e a praia – que é, no fundo, o objetivo de grande parte dos veraneantes – atenua a agitação estival (sim, acredito que isto acontece). Faro é uma cidade calma, mesmo nos dias mais extremos do Verão, o que vale para a temperatura do ar. Mas, a par desta calma algarvia, a cidade mantém em agosto a dinâmica artística do resto do ano – e revela que a presença da vida universitária não se dilui durante a pausa das aulas. Há excelentes exposições a comprová-lo e sugiro que as visitem, sejam habitantes da cidade ou forasteiros

que têm a sorte de nela passar por estes dias. O ritmo predispõe para a arte.

Na galeria Trem, acaba de ser inaugurada a mostra «Arquivos (in)visíveis», em que se exibem obras e se revê a memória de Manuel Baptista (19362023), patrono da bela galeria farense. A buganvília da entrada saúda quem chega e antecipa a sensação de reencontrar a mão do artista nos traços das folhas em que a tinta da China se deixou diluir para redesenhar formas - serão traços abstratos, ou a visão particular de objetos do seu quotidiano? Alguns pontos recordam os caroços de fruta, no vestígio de uma natureza morta. A solidez da escultura que se destaca das folhas emolduradas nas paredes fala ao visitante sobre esses dias, a força dos braços, a vontade de tornar mais presente um contorno, a mão. Edgar Massul, Pedro Cabral Santo e Mirian Tavares fizeram a curadoria e revelam uma amostra do que será o espólio agora à guarda do município. Os visitantes poderão conhecer melhor a produção de Baptista, e entender como se conjugam a arte por ele criada. A Licenciatura em Artes Visuais (Universidade do Algarve), o Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia associam-se ao Museu Municipal de Faro e à Galeria Municipal Trem – Manuel Baptista nesta mostra que estará aberta ao público até ao final de setembro.

Até 22 de agosto, outra exposição pode ser vista em Faro, na sede da associação 289, à Atalaia. Na verdade, duas exposições diferentes: numa, Rosa Guedes mostra uma das peças resultantes de textos autobiográficos produzidos durante 2025 no Mestrado em Processos de Criação (também da UAlg). Ocupa toda a sala de projetos da 289 («Project Room»), obrigando mesmo o visitante a dobrar-se, encolher-se e voltar a endireitar-se para acompanhar a presença da tela, dos fios, da cor que o corpo deixa através de tempos de trauma.

Na outra sala da 289, «Aula de Retórica: Amor e carne de talho» apresenta o resultado da colaboração entre um artista – Ricardo Cruzes – e uma professora de Artes, curadora e presença habitual na vida artística do Algarve, Mirian Tavares

(uma das responsáveis, aliás, pela criação do curso de Artes Visuais na UAlg). O projeto alargado, que intitularam «Aula de Retórica», desdobra-se em três momentos distintos que, conforme explicam, “se reinventam a cada contexto” – este, que recebeu o subtítulo «Amor e Carne de Talho», dá o mote, o tiro de partida para uma reflexão artística de que o terremoto de 1755 é a marca inicial. “O que emerge da derrocada?”, perguntam. As respostas podem surgir nas palavras que Mirian Tavares inscreve nas telas preparadas por Ricardo Cruzes (as palavras são o barro que ela tão bem trabalha e domina), colhidas em livros que leu, textos que gerou e dialogam com a cor e a textura das pinceladas do artista. O convívio com a produção de artes visuais (e com a curadoria, atividade a que Tavares também se tem dedicado) faz nascer a vontade de cruzar expressões, marcar as obras com a verbalização do pensamento e a transposição de leituras. O que se agora vê na 289 permite perceber, por exemplo, como se constrói uma aula, e que a retórica é, afinal, construção. Uma derrocada faz tremer o pensamento, desalojar as ideias, desmoronar edifícios –e conduz aos atos reconstrutivos de que nasce a arte.

A galeria Trem-Manuel Baptista fica na Rua do Trem, n.º 5, em Faro, e está aberta de terça a sexta entre as 11h30 e as 18h, e aos sábados entre as 10h30 e as 17h.

A sede da 289 fica no n.º 1 da Rua Doutora Mariana Amelia Machado Santos, no Cercado da Atalaia, em Faro. Está aberta quintas e sextas-feiras das 15h às 19h e sábados das 10h às 14h.

Foto: Vasco Célio

Jogar contra quem escreve as regras Fábio Jesuíno, empresário

á uma conversa que se repete em cafés e reuniões de associações empresariais, mas raramente chega ao debate público. Um organismo público cria uma empresa pública para prestar serviços que meia dúzia de empresas locais já prestava. Lança uma plataforma, um espaço, uma oferta formativa que o mercado já tinha. E quem lá estava há anos vê-se, de repente, a competir com quem não precisa de ter lucro, não responde ao banco ao fim do mês e, muitas vezes, é também quem licencia, fiscaliza e adjudica.

O silêncio à volta disto não é por falta de opinião. É por cálculo. Poucos empresários querem ficar publicamente contra organismos públicos, locais ou nacionais, quem lhes atribui apoios, licencia a atividade e decide o próximo concurso. Fala-se em privado, encolhemse os ombros em público.

Falo por experiência própria. Lancei a minha primeira empresa no Alentejo em 2003, aos 18 anos, a vender serviços de criação de websites, uma área que na altura era pioneira em Portugal. Em poucos meses tinha conquistado vários clientes na área do turismo e o arranque estava a correr melhor do que esperava. Até que, de repente, comecei a perdê-los.

Uma empresa municipal tinha lançado serviços idênticos aos meus por um valor simbólico. Em pouco tempo fiquei quase sem carteira de clientes e estive à beira de fechar portas, depois de um início promissor.

A minha revolta tornou-se pública e trouxe-me problemas maiores do que aqueles que já tinha. Acabei por ter de deslocar a empresa para um município vizinho e recomeçar tudo de outra forma.

Aprendi ali duas coisas. A primeira é que, para um pequeno empresário, a revolta é quase sempre pouco produtiva, mesmo quando a razão está toda do nosso lado, quem paga a fatura é sempre o lado mais fraco, o que tem menos poder. A segunda é que, em Portugal, há jogos empresariais que convém conhecer antes de entrar no campo.

A minha evolução empresarial foi sempre feita com perspetivas realistas, porque em Portugal, às vezes, temos de jogar contra quem escreve as regras. É mais comum do que pensamos, e vale a pena dar um exemplo recente.

Falo dos Bairros Comerciais Digitais, projetos de apoio ao comércio tradicional que usam a tecnologia para modernizar as lojas de rua. Na minha opinião, são estratégias com objetivos positivos e que

fazem falta ao comércio local. Mas pecam num ponto muito relevante.

Um comerciante que adere ao bairro digital e queira contratar uma empresa local não o pode fazer. Tem de escolher a partir de uma lista fechada de fornecedores acreditados, onde as grandes empresas e multinacionais dominam. Uma medida pensada para ajudar o comércio local acaba, ao mesmo tempo, por excluir as empresas locais que lhe prestariam esse serviço. Um paradoxo muito claro.

Nada disto é um argumento contra o Estado no mercado. Há falhas de mercado reais, territórios onde ninguém investe, serviços que só existem porque alguém público os assumiu. O problema

raramente está na intenção. Está no desenho.

Um programa que quer ajudar o comércio local e o afasta da contratação. Uma empresa municipal que entra num mercado onde já havia oferta privada, com uma estrutura de custos que nenhum privado consegue igualar. Em ambos os casos, ninguém decidiu prejudicar as empresas locais. Simplesmente ninguém se lembrou de perguntar que efeito é que aquela medida teria em quem já lá estava.

Mais de vinte anos depois daquele primeiro embate, continuo a achar que o problema não é jogar contra quem escreve as regras. É que as regras se escrevem sem ouvir quem está em campo.

João Ministro, empresário e engenheiro do ambiente

chegada do mês de Agosto é, para muitos, o momento de desligar, parar e descansar. É o tempo das férias e quando muitos portugueses ocorrem, como que numa migração, ao Sul. A actividade política arrefece e pouco se passa. Há como que um entendimento nacional para que nada de especial ocorra neste período. Na verdade, muito se passa, mas tendemos a não querer pensar muito nisso. O subterfúgio do «deixar para depois» ganha aqui uma forte e assumida assumpção.

Os fogos florestais, esses malditos fenómenos destrutivos, estão neste mês activos – ou bastante ativos – o que tem causado transtornos vários nos últimos anos aos nossos governantes em pleno momento de férias. O que temos visto este ano por cá e especialmente lá fora, é de uma extrema gravidade, com enormes prejuízos materiais, naturais e mesmo humanos. A gestão do território – e da floresta em particular –, já de si bastante lenta e difícil, está a ser posta em causa por uma nova realidade imposta pelas alterações climáticas e do que daí advirá. Há todo um modus operandi que tem de ser reequacionado e rapidamente. Não é possível continuar com um território em que mais de metade ainda não está

cadastrado. Ou ainda que mais de 30 por cento está «preso» em heranças indivisas, muitos deles em nome de pessoas já falecidas. Também não é possível continuar a focar a estratégia nas operações de combate ao fogo e deixar a prevenção e a gestão em segundo plano.

Como dizia há dias uma Comissária Europeia, é preciso prepararmo-nos para os riscos antes de os desastres acontecerem. E isso requer, cada vez mais, ousadia, investimento e empenho pela gestão integrada e eficiente do território rural e florestal, procurando contrariar o abandono, despovoamento ou desinvestimento nos mesmos. Algo que já andamos a falar há décadas.

Mas neste mês acontecem também outras coisas curiosas, no mínimo. Segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente, é quando se atinge o máximo mensal de produção de lixo. E em apenas quatro meses – entre Junho e Setembro – é quando se produz quase metade de todo o lixo em Portugal num ano. É obra! A justificação é diversa e prende-se com o maior fluxo turístico (nacional e internacional), mais consumo, mais actividade hoteleira e da restauração, entre outros aspectos. Há ainda outro dado a desatacar: 40 por cento de todo o lixo produzido é orgânico e a grande maioria vai para aterro, quando poderia ser valorizado, por

exemplo, através de compostagem. Isto explica as dezenas de camiões da Algar que diariamente passam na N2, a caminho do aterro do sotavento, com todos os problemas associados (maus cheiros ou libertação de lexiviados). Algo seriamente mal está aqui a acontecer. A separação de lixos está em níveis baixíssimos e pouco se assiste na tentativa de alterar comportamentos.

Este é também aquele momento do ano em que o normal consumo de água per capita em Portugal se transforma por completo no Algarve! Dos «normais» 150200L por pessoa / dia, passamos a 400550L, contabilizando, claro, uso de piscinas, o aumento da actividade hoteleira, a restauração, etc. Tudo o que uma região carente em água devia

insistentemente procurar reduzir, mas que aos decisores pouco parece importar quando anunciam mais umas dezenas de milhares de camas turísticas no Algarve, agora para Castro Marim, a juntar aos outros milhares em Carvoeiro, Lagos, Silves ou Vilamoura, apenas para dar alguns exemplos. O por vezes falado «Efeito Cumulativo» é aqui completamente ignorado – tal como em tantas outras questões.

E assim vamos passando os verões, na expectativa que água do mar esteja quente, as sardinhas abundem gordas no mercado, o sol brilhe livre e produza calor, ou que os turistas afluam em gigas para o Algarve e aí gastem muito. Problemas e chatices? Isso logo se vê!

Júlio Ferreira, inconformado encartado

hega uma altura na vida em que um homem tem de tomar decisões difíceis. Há quem deixe de beber, quem comece a correr maratonas, quem compre uma bicicleta de carbono ou quem descubra subitamente uma paixão por caminhadas ao nascer do sol. Eu fiz uma escolha diferente, igualmente radical e provavelmente mais sensata: decidi reformar-me dos casamentos. Não foi uma decisão impulsiva. Ninguém acorda numa manhã e anuncia: “Nunca mais entro numa igreja decorada com flores brancas e fitas de cetim”. Foi um processo lento, amadurecido ao longo de décadas de sofrimento social, litros de espumante e fatias de bolo de noiva com a densidade de um bloco de cimento armado.

Tenho um problema de base com as festas de casamento. Nunca percebi porque razão duas pessoas que decidiram viver juntas entendem que essa decisão exige a mobilização de cento e cinquenta testemunhas, três fotógrafos, um videógrafo, um DJ, uma violinista, uma mesa de doces e um cortejo automóvel capaz de paralisar meia freguesia. Quando alguém decide partilhar a vida com outra pessoa, a minha reação natural é desejar-lhe sorte. Não é vestir um fato

em pleno agosto e conduzir atrás de um carro decorado com flores artificiais.

Ao longo dos anos apercebi-me de que os casamentos são como as bolas de ténis: quem vê um vê praticamente todos. Mudam os noivos, muda a quinta, muda a toalha da mesa e muda a música da entrada, mas o argumento permanece inalterado. É sempre o mesmo filme, apenas rodado em localizações diferentes e com atores novos. Foi por isso que desenvolvi uma check-list mental. É o meu mecanismo de sobrevivência. Enquanto os restantes convidados vivem a emoção do momento, eu vou assinalando silenciosamente as etapas obrigatórias da liturgia matrimonial.

A primeira é sempre o Freakshow da Igreja.

É impossível falhar. Em qualquer casamento existe uma concentração extraordinária de figuras humanas que parecem ter sido selecionadas por um comité internacional do mau gosto. Há o primo que recuperou o fato da tropa, a tia que confundiu a cerimónia com uma gala de casino em 1987, o senhor cujo sapato encerado consegue refletir a luz até Faro e a jovem que passa o trajeto do adro à igreja a lutar pela sobrevivência em saltos agulha sobre calçada portuguesa.

Depois vem o Sermão.

Aqui reside um dos maiores testes à resistência psicológica do convidado. O padre, mesmo quando começa com boas intenções, acaba invariavelmente por falar da crise da família, da instabilidade do mundo moderno, da falta de valores e da escassez de crentes praticantes abaixo da idade da reforma.

Quando finalmente chega o momento do Arroz, a violência do lançamento é diretamente proporcional à duração da homilia. Já vi noivos saírem da igreja com

o olhar de quem atravessou uma tempestade de granizo.

Segue-se o Cortejo Automóvel, uma experiência que desafia as leis da física. Nunca percebi porque razão pessoas que têm um almoço marcado para as duas da tarde decidem percorrer dez quilómetros a vinte à hora. Há sempre um grupo que se perde, outro que ultrapassa indevidamente e um terceiro que chega quando os restantes já terminaram os aperitivos.

E então entramos no verdadeiro coração da festa: o Copo d’Água.

Os Petit Fours marcam o início da maratona etílica.

É nesta fase que os convidados ainda falam baixo, elogiam a decoração e fingem reconhecer parentes dos noivos. Duas taças de espumante depois, já trocam confidências sobre divórcios, heranças e problemas de joelhos, hérnias e colesterol.

O momento do Bouquet merece estudo académico. Mulheres perfeitamente equilibradas transformam-se subitamente em atletas de alta competição. Há empurrões, fintas, bloqueios e movimentos que fariam inveja a um defesa-central em final de campeonato. Tudo isto por um ramo de

flores que simboliza, aparentemente, a esperança de encontrar «a pessoa certa».

A Refeição Principal é menos interessante do ponto de vista antropológico. O fenómeno dominante é a velocidade. O vinho desaparece a uma taxa industrial e o ritual de bater com os talheres nos copos para obrigar os noivos a beijarem-se continua a ser uma das manifestações coletivas mais estranhas da cultura portuguesa.

Depois surge o Charuto.

Como antigo fumador, confesso que esta fase me diverte menos. Homens que nunca tocaram num charuto passam a segurá-lo com a solenidade de Winston Churchill. Alguns trincam-no, outros acendem-no ao contrário e há sempre um génio que lhe espeta um palito para o manter na boca sem esforço. A elegância obtida aproxima-se geralmente da de um urso a tentar tocar clarinete.

Mas o ponto alto absoluto é o Bailarico.

É aqui que a civilização colapsa. As gravatas desaparecem, os sapatos são abandonados debaixo das mesas, as saias sobem, os decotes descem e forma-se inevitavelmente o comboio humano de pessoas alcoolizadas que serpenteia pelo salão ao som de uma música que ninguém admitiria ouvir em estado sóbrio. Já testemunhei quedas espetaculares, discussões conjugais, declarações de amor a pessoas erradas e coreografias que deveriam ser proibidas pela Convenção de Genebra.

Finalmente chega o Cortar do Bolo, o equivalente matrimonial ao genérico final de um filme demasiado longo. Os noivos aproximam-se da espada cerimonial, as faíscas acendem-se, os fotógrafos entram em transe e metade dos convidados começa discretamente a procurar as chaves do carro. Eu sou sempre dos primeiros. Antes da segunda dentada naquela fatia gigantesca e misteriosamente insípida, já estou emocionalmente no estacionamento e fisicamente a caminho de casa. Dizemme muitas vezes: “Mas vais perder a festa!”. Perder? Meu Deus, eu não perdi a festa. Eu vi-a. Repetidamente. Tantas vezes que consigo prever o próximo passo com a precisão de um meteorologista em dia de céu limpo.

Por isso decidi retirar-me com dignidade. Não guardo ressentimento dos noivos. Desejo-lhes sinceramente toda a felicidade do mundo, muitos anos de amor, paciência, cumplicidade e saúde. Apenas peço uma coisa: não me convidem para assistir outra vez ao mesmo filme, porque já sabemos como acaba. E, entre nós, as festas de divórcio costumam ter uma vantagem decisiva: há menos flores, menos discursos e muito mais gente genuinamente feliz.

«Cinema ao Ar Livre para todos»

Algarve – Viver o Património, Abraçar a Cultura

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento

Regional do Algarve, I.P. (CCDR Algarve) concedeu apoio, em 2025, a nove projetos criativos culturais de âmbito regional, sob o lema «Viver o Património, Abraçar a Cultura». Estes apoios à criação e programação cultural inserem-se na missão das CCDR que, desde 1 de janeiro de 2024, integram os serviços desconcentrados da área governativa da Cultura.

A oferta assimétrica de cinema na região do Algarve fez nascer o projeto «Cinema ao Ar Livre para todos»,

promovido pela Cinemalua – Associação Cultural, com o objetivo de intermediar esta relação da sétima arte com a comunidade. O Cinemalua nasceu, assim, em 2019, idealizado e desenvolvido por Nuno Cardoso, que, desde então, percorre todos os anos centenas de quilómetros para levar cinema às aldeias, vilas e cidades do sotavento algarvio.

As sessões acontecem ao ar livre, transformando praças, ruas e jardins em salas de cinema a céu aberto e fazendo o cinema chegar a pessoas e comunidades com acesso dificultado a esta expressão cultural. Atualmente, o principal objetivo deste projeto de cinema ao ar livre é consolidar e expandir a rede itinerante de

exibição cinematográfica no Algarve, criada ao longo das edições anteriores.

Entre 2019 e 2025, ao longo de sete edições, o Cinemalua percorreu 12 mil e 972 quilómetros, mais de 56 locais,

realizando 337 sessões e reunindo mais de 15 mil espetadores. Em 2026, a Associação Cinemalua candidatou este projeto à tipologia Programação/Circulação e apresentou o projeto Almadrava aos Protocolos com a CCDR Algarve, I.P.

Para o Verão de 2026 foram programadas 7 sessões em regime itinerante com a exibição de 7 obras cinematográficas nos municípios de Tavira e São Brás de Alportel. “A programação deste ano tem em comum

o género, a comédia, incluindo filmes ainda não estreados em Portugal, filmes recentes estreados em 2025 e 2026 e uma reposição de 2001 em cópia restaurada”, indica Nuno Cardoso.

As sessões tiveram início a 3 de julho, na Freguesia de Santa Luzia, passam pelas freguesias de Santa Catarina da Fonte do Bispo, Luz de Tavira, Cachopo, Cabanas de Tavira, São Brás de Alportel e deverão terminar, a 23 de agosto, na Freguesia de Cachopo. A edição de 2026 pode ser consultada em https://www.cinemalua.pt/.

Fotos: Cinemalua

Feira da Serra apresentou um novo formato… e com um sucesso tremendo

Feira da Serra de São Brás de Alportel foi vivida, em 2026, de forma única no coração da Vila, com entrada gratuita, 17 espaços temáticos, cinco palcos, gastronomia, artesanato, animação, novas áreas dedicadas à mobilidade, à sustentabilidade, à inovação e à juventude, e com o comércio local integrado no programa. De 24 a 26 de julho, foram três dias para descobrir São

Brás de Alportel e sentir a autenticidade da Serra do Caldeirão, como manda a tradição, numa experiência que se mostrou ainda mais próxima, envolvente e acessível para todos e que resultou num êxito completo.

Os milhares de visitantes assistiram aos concertos de Luís Trigacheiro, Raya Real, A Kind of Queen – Tributo aos Queen, Remember, Super Pop e Sniffy Covers Band, entre muitos outros artistas e projetos regionais. A programação incluiu ainda dezenas de espetáculos de música,

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

dança, folclore, animação itinerante, performances de rua e iniciativas culturais distribuídas pelos cinco palcos da Feira, afirmando a diversidade da oferta artística como uma das grandes imagens de marca do evento.

Ao longo de mais de três décadas, a Feira da Serra de São Brás de Alportel tem-se afirmado como um dos principais eventos da região, promovendo os produtos locais, os saberes tradicionais, a gastronomia serrana e a identidade da

Serra do Caldeirão. Desta feita, apresentou-se num formato renovado e num novo recinto que manteve, porém, intacta a sua essência e que levou a Feira ainda mais perto das pessoas, da vila e da região. “A mudança de formato não foi uma decisão fácil”, reconheceu a Presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Marlene Guerreiro. “O desafio foi conservar a alma da Feira, perceber aquilo que os visitantes mais valorizam, garantindo que o evento continuasse a reunir os seus

ingredientes essenciais. Queremos a nossa Feira fiel às nossas raízes e à nossa gente, por isso, continuamos a contar com os verdadeiros guardiões da sua identidade: os produtores locais, os artesãos, os mestres dos ofícios tradicionais, as associações, os artistas e todos aqueles que, ano após ano, preservam os sabores, os saberes e a autenticidade da Serra do Caldeirão”, sublinhou a autarca. “É uma feira do presente e do futuro, capaz de preservar as suas raízes, continuar a

inovar e responder aos desafios do território, mantendo a capacidade de atrair públicos de todas as gerações, em especial os mais jovens, que foram novamente protagonistas principais do evento”, acrescentou Marlene Guerreiro.

Mais do que uma mudança de localização, esta foi uma nova forma de viver a Feira da Serra. Pela primeira vez, ruas, largos e praças do centro urbano de São Brás de Alportel transformaram-se num percurso contínuo de experiências, onde tradição, gastronomia, artesanato, música, inovação e animação conviveram lado a lado. Ao longo dos três dias, os visitantes descobriram 17 espaços temáticos, entre os quais a Aldeia Serrana, o Encontro de Sabores, o Serra Tech, o novo Espaço Mobilidade, o Espaço Ambienta-te, a Street Área com o Palco Jovem, áreas dedicadas às crianças, ao artesanato, aos produtores locais e muitas outras experiências distribuídas pelo centro urbano da vila. Entre as novidades contaram-se o Espaço Mobilidade, que reuniu diferentes soluções de mobilidade para toda a família; o Espaço Ambienta-te, dedicado à sustentabilidade através de atividades interativas; o reforço da Street Área, com o Palco Jovem dedicado aos novos talentos; e o regresso do Serra Tech, espaço de inovação, empreendedorismo e tecnologia. Esta nova configuração reforçou igualmente a ligação entre a Feira e o comércio local, permitindo que lojas, restaurantes, cafés e restantes estabelecimentos integrassem naturalmente a experiência dos visitantes.

Entre o mar e a tradição, Lagos celebrou a sua festa mais doce

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina e Ricardo Coelho

e 22 a 26 de julho, o

Complexo

Desportivo de Lagos recebeu a 37.ª Feira

Concurso Arte Doce, em cinco noites de sabores, cultura e animação para toda a família. Com entrada gratuita, o evento reuniu doçaria regional, showcookings, artesanato, tasquinhas, atividades infantis e um cartaz musical encabeçado por Marisa Liz, Matias Damásio, Dino D’Santiago, Carlão e Ana Moura.

Sob o tema «Lagos – Entre Tradições e o Mar Multicultural», a edição deste ano

celebrou a identidade local e a vocação histórica da cidade como ponto de encontro entre povos e culturas. O Douro foi a região convidada, trazendo até Lagos os seus sabores, música e tradições. O evento contou ainda com a exposição itinerante «40 anos | 40 fotografias», integrada nas comemorações do 40.º aniversário da LUSA – Agência de Notícias de Portugal.

A doçaria algarvia continuou a ser o coração do certame, dando palco a quem preserva e reinventa receitas a partir de ingredientes como o figo, a amêndoa e a alfarroba. Os concursos incluíram as categorias «Tema Livre», «Tema

Obrigatório», «Qualidade na Tradição» e «Doce de Inovação» e a música foi, como de costumo, outro dos grandes atrativos. No Palco Lagos, Marisa Liz abriu o cartaz no dia 22 de julho, seguindo-se Matias Damásio (23), Dino D’Santiago (24), Carlão (25) e Ana Moura (26). A programação incluiu ainda as atuações de vários artistas e projetos no Palco Arte Doce e no Espaço Cocktail Arte, nomeadamente Marta Alves, Pedro Viola, Teresa Viola, Orquestra de Jazz do Algarve, Orquestra Ligeira de Lagos, Gabriel Fialho, Tamara Leite, Diana Silveira & The Southern Collective, Sambambas, Júlio Silva, Tributo a Amy Winehouse, Pimenta, ATJ, Humberto Silva, Pedro Cestinho e Sons do Douro. Nas noites de 24 e 25 de julho, a festa prolongou-se com a Silent Disco.

No pavilhão, a programação gastronómica integrou um showcooking de Dom Rodrigo, promovido pela ADRA –Associação de Doces Regionais do Algarve, e demonstrações dedicadas às gastronomias algarvia, moldava e duriense, a cargo de José Moura, Dimas e Tatiana Martins, respetivamente. No dia 25, a ADRA dinamizou também um workshop de Doce Fino para crianças.

Com um cartaz musical de excelência e a doçaria tradicional como essência do evento, a Feira Concurso Arte Doce reforçou o seu estatuto de referência do verão algarvio e de palco privilegiado para a valorização das tradições gastronómicas da região.

Petiscos inovadores e únicos

marcaram mais um Festival

Internacional do Caracol em

Castro Marim

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Município de Castro Marim

Festival

Internacional do Caracol decorreu entre 17 e 19 de julho, em Castro Marim, promovendo diversos petiscos únicos e inovadores, ao mesmo tempo que ofereceu um cartaz cultural para todos os gostos. Xarém de

caracol, Caracol à Brás, Hamburguer com caracol, Salada montanheira com caracol, Pudim flan com caracol em caramelo com flor de sal e Caril de caracol foram algumas das novas receitas inovadoras que se juntaram às tradicionais confeções de caracol, bem produzidas pelos restaurantes e coletividades locais e que fizeram as delícias dos presentes durante os três dias de festa, com entrada livre. O

recinto contou ainda com outras iguarias, gastronomia espanhola, doçaria regional e cerveja artesanal local.

O programa deste ano incluiu as atuações de Olho’s 4, Los Gorumelos e Ús Sai de Gatas no dia 17 de julho, Pardais à Solta, Los Forenhos e Sebastião Antunes & Quadrilha no dia 18 de julho, terminando com Charanga Los del Ruedo, Aurora Gonçalves e Aníbal Vinhas e um concerto de Bonga no dia 19 de julho. Este evento pretende afirmar a vila de Castro Marim como destino dos

melhores caracóis do Algarve, além de potenciar os produtos tradicionais, a cozinha e a cultura do Mediterrâneo e de ser um estímulo para o comércio local, valorizando a estrutura e o património edificado na colina do Revelim de Santo António, que não deixa ninguém indiferente.

O Festival Internacional do Caracol é uma organização do Município de Castro Marim, contando com a colaboração das muitas associações e clubes do concelho.

Associação de Futebol do Algarve encerrou época com mais uma

Festa do Futebol e Futsal na Cidade Europeia do Desporto

Associação de Futebol do Algarve encerrou a época desportiva 25/26 com a habitual Festa do Futebol e Futsal do Algarve, realizada, no dia 11 de julho, no Centro de Congressos do Hotel EPIC SANA Algarve, com o apoio da Câmara Municipal de Albufeira, Cidade Europeia do Desporto.

O evento que premeia anualmente os agentes desportivos e clubes que se destacaram ao longo da temporada, contou com perto de 400 pessoas e mais de 70 distinções entregues, entre as quais as categorias principais a votação, menções honrosas e homenagens póstumas. Marcaram presença o Instituto Português do Desporto e Juventude, a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga Portugal, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, representantes das Forças de

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Associação de Futebol do Algarve

Segurança, a Academia Olímpica de Portugal, Parceiros, Patrocinadores, Filiados e demais entidades e personalidades de relevo na região, para celebrar o futebol, o futsal, o futebol de praia, o walking football, o futebol virtual e a arbitragem do Algarve.

Lista de distinções

Dirigente do Ano de Futebol –Nacional: António do Adro (Louletano DC)

Dirigente do Ano de Futebol –

Distrital: Bruno Xavier (Imortal DC)

Dirigente do Ano de Futsal –

Nacional: Ivo Roque (SRBU Parchalense)

Dirigente do Ano de Futsal –

Distrital: Rui Correia (Sonâmbulos FLA)

Treinador(a) do Ano de Futebol Sénior –Nacional: Miguel Valença (Louletano DC)

Treinador(a) do Ano de Futebol Sénior –Distrital: Leandro Palma (Imortal DC)

Treinador(a) do Ano de Futsal Sénior –Nacional: José Santos (Portimonense SC)

Treinador(a) do Ano de Futsal Sénior –Distrital: Edgar Caixinha (Sonâmbulos FLA)

Treinador(a) do Ano de Futsal

Feminino: Micael Jesus (CD Odiáxere)

Treinadora do Ano: Carolina Aguiar (CF «Os Armacenenses»)

Jogador do Ano de Futebol

Sénior: André Candeias (SC Farense SAD)

Jogador do Ano de Futsal Sénior: Filipe

Soares (Portimonense SC)

Jogadora do Ano de Futebol

Sénior: Luana Rafael (SF Damaiense SAD)

Jogadora do Ano de Futsal

Sénior: Matilde Chagas (Sonâmbulos FLA)

Jogador Jovem do Ano de Futebol: Rharley Almeida (Portimonense SC)

Jogador Jovem do Ano de Futsal: Rodrigo Mendonça (Sonâmbulos FLA)

Jogadora Jovem do Ano de Futebol: Leonor Colucas (SC Olhanense)

Jogadora Jovem do Ano de Futsal: Maria Elisiário (SRBU Parchalense)

Equipa Jovem do Ano de Futebol –Nacional: Portimonense SC (2.ª Divisão Sub15)

Equipa Jovem do Ano de Futebol –Distrital: AEF Faro (Sub17)

Equipa Jovem do Ano de Futsal: CD Odiáxere (Sub17 Feminina)

Jogador do Ano de Futebol de Praia: Edinho Júnior (UD Messinense)

Equipa do Ano de Futebol de Praia: Lusitano FC

JAT – JANELA ABERTA TEATRO MAIS UM HINO AO TEATRO

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

TEATRO ORGANIZOU TEATRO FÍSICO

JAT – Janela

Aberta Teatro levou a cabo, nos dias 24 e 25 de julho, no auditório do IPDJ, em Faro, duas sessões de «Noites de Silêncio», nas quais o corpo falou mais do que a palavra.

O Teatro Físico é uma arte universal, que transcende o entendimento verbal e toca diretamente no interior do espectador, nas memórias e nas vidas não vividas. Nestas duas noites quentes de Verão, o público deixou-se levar pelas histórias contadas em cinco peças curtas que têm em comum várias facetas do carácter humano, como o amor, a crueldade, a beleza ou a comédia da vida. Uma homenagem à universalidade do Teatro sem palavras, a uma arte milenar

compreensível através da eloquência do gesto, da poesia das imagens e da imaginação do público, e que foi protagonizada por Miguel Martins Pessoa, Pedro F. G. Mendes, Catarina Sagreira e Daniela Veiga, num espetáculo com Direção Artística de Miguel Martins Pessoa e Diana Bernedo.

Em «O Escritor», criado e interpretado por Miguel Martins Pessoa, assiste-se à luta incessante de um escritor sem talento. Perdido nas palavras perras de um cérebro racional e de um coração selvagem, o escritor não desiste de encontrar o texto perfeito. Uma peça repleta de comédia e drama, num espetáculo de mimo contemporâneo.

«Re-Laçar», com criação e interpretação de Catarina Sagreira e Daniela Veiga, é uma performance de Teatro Físico e

simbólico que manifesta as vicissitudes da relação entre uma mãe e uma filha. Uma viagem através do confronto entre a realidade interna e a maneira como se revela para o exterior. Uma corda que se enlaça e entrelaça na descoberta do caminho que inevitavelmente as liga. Uma ferida que persiste em ficar aberta e que é responsabilidade de ambas cosê-la.

«Il Cuoco I e II» são da autoria de Pedro F. G. Mendes, uma performance de Teatro Físico e máscara, sem palavras, que introduz um bizarro cozinheiro numa inspiradora e profunda viagem. Ao confrontar-se com o mundo exterior, esta estranha personagem inicia um percurso poético e gestual à descoberta da sua própria identidade, dos seus significados e valores. Consigo leva apenas uma pequena mala, tesouro secreto de um mundo que a precede. Esta é uma viagem que se desenrola em tentativas. Entre a

recusa e a incompreensão dos outros, este imigrante cozinheiro aguça o seu olhar através da máscara que endossa, que não é um meio para se esconder, mas um instrumento que lhe permite deixar fora o supérfluo, concentrando-se só no que é necessário.

«Marafado», criado e interpretado por Catarina Sagreira e Daniela Veiga, é uma performance de máscara larvária, uma peça cómica que aborda o conflito que a geração dos avós tem com os netos.

Finalmente, «Abismo», com criação e interpretação de Miguel Martins Pessoa, retrata a vida crua de um destino desalinhado. Peça dramática, intensa, vertiginosa, onde o personagem viaja ao passado para encontrar as razões de uma vida degradada. A crueldade colocada ao serviço de uma peça de mimo de ação.

ANOS COM EDIÇÃO COMEMORATIVA EM PORTIMÃO

Texto: Ricardo Coelho| Fotografia: Vera Lisa Cipriano

Festival Internacional da Canção Infantil e Juvenil Chaminé

D'Ouro

comemorou, no dia 18 de julho, o seu 40.º aniversário com uma gala especial que reuniu antigos participantes, convidados e público na Alameda da Praça da República, em Portimão.

Promovida pela Junta de Freguesia de Portimão, em parceria com a Rádio Alvor FM, a edição comemorativa apresentou um formato diferente do habitual. Em vez de novas canções a concurso, o espetáculo revisitou algumas das composições mais emblemáticas que marcaram a história do festival ao longo das últimas quatro décadas, proporcionando ao público uma viagem

pela memória de um dos mais antigos festivais de música infantil do país.

A apresentação esteve a cargo do portimonense Hugo Mendes, enquanto a componente musical voltou a contar com o tradicional Coro Infantil do Festival, dirigido pelo Maestro António Alves. O programa integrou ainda uma atuação especial de De Rose, que se associou às comemorações desta edição histórica.

Um dos momentos mais marcantes da noite surgiu por iniciativa do Maestro António Alves, que preparou uma surpresa para assinalar os 40 anos do festival. Em palco reuniu antigos elementos do Coro Infantil Chaminé D'Ouro, que voltaram a interpretar várias canções, décadas depois de nelas terem participado enquanto crianças. Entre os antigos coralistas encontrava-se também o apresentador Hugo Mendes, que voltou

a integrar o coro num reencontro particularmente simbólico para a história do festival.

Durante a cerimónia, a presidente da Junta de Freguesia de Portimão destacou o percurso do Chaminé D'Ouro e agradeceu o contributo de todos aqueles que, ao longo dos últimos 40 anos, tornaram possível a realização do evento. Na sua intervenção, dirigiu uma palavra de reconhecimento aos colaboradores, parceiros institucionais, patrocinadores, voluntários e restantes entidades envolvidas, sublinhando o papel desempenhado por todos na afirmação do festival como uma referência da música infantil em Portugal.

Ao longo da noite foram recordados diversos momentos que marcaram a história do Chaminé D'Ouro, numa celebração que reuniu diferentes gerações ligadas ao festival e que evidenciou o seu impacto na promoção

de jovens intérpretes e compositores. O ponto mais alto e esperado do espetáculo foi a atribuição de prémios. O Prémio do Público foi entregue a Victor Guba, com a interpretação de «Ritmo no Ar», distinguindo a atuação mais votada pelos espectadores. O galardão de Melhor Intérprete coube a Margarida Faria, com o tema «Um Mundo Melhor», enquanto o título de Vencedora Absoluta dos 40 anos do Festival Chaminé D'Ouro foi conquistado por Sofia Pinheiro, com a canção «Bolinhas de Sabão», encerrando a noite com uma das interpretações mais aplaudidas da celebração.

Criado há quatro décadas, o Festival Internacional da Canção Infantil e Juvenil Chaminé D'Ouro continua a afirmar-se como um dos eventos culturais mais emblemáticos de Portimão, preservando uma tradição que atravessa gerações e que mantém viva a aposta na música infantil de expressão portuguesa.

LAGOA JAZZ FEST VOLTOU A

REFERÊNCIA CULTURAL NACIONAL

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Município de Lagoa

AFIRMAR-SE COMO UMA

NACIONAL E INTERNACIONAL

Município de Lagoa encerrou com enorme sucesso mais uma edição do Lagoa Jazz Fest, que, de 17 a 19 de julho, voltou a transformar o Parque Municipal do Sítio das Fontes, em Estômbar, num palco privilegiado para a celebração do jazz, da natureza e da cultura.

Ao longo do festival, centenas de espectadores, residentes e visitantes, desfrutaram de uma programação artística de elevada qualidade, que reuniu músicos de reconhecido mérito nacional e internacional, confirmando o Lagoa Jazz Fest como um dos eventos culturais mais emblemáticos do Algarve e uma referência no panorama jazzístico português. A edição deste ano ficou também marcada pelo regresso da água

ao espelho de água do Parque Municipal do Sítio das Fontes, devolvendo ao espaço a sua imagem de excelência e reforçando o cenário natural que torna este festival absolutamente único.

Entre a vegetação, as linhas de água e o ambiente intimista do anfiteatro, criouse, uma vez mais, uma experiência cultural de enorme qualidade, onde a música e a paisagem se fundiram de forma harmoniosa. “O sucesso de mais uma edição do Lagoa Jazz Fest demonstra que Lagoa continua a apostar numa programação cultural diferenciadora, de qualidade e com identidade própria”, referiu o Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Luís Encarnação.

O Sítio das Fontes voltou a revelar-se, de facto, um palco incomparável, agora novamente enriquecido pela presença da

água, que devolveu toda a beleza e autenticidade a este espaço natural. “É esta conjugação entre património natural, excelência artística e hospitalidade que faz do Lagoa Jazz Fest um símbolo da cultura em Lagoa e um evento cada vez mais reconhecido dentro e fora do país. O Município continuará a investir em eventos que valorizem o território, promovam a economia local e reforcem Lagoa como um destino de excelência para a

cultura, durante todo o ano”, assegurou o autarca.

Com mais uma edição concluída, o Lagoa Jazz Fest reforça o seu estatuto como um dos principais eventos âncora do concelho e um dos festivais de jazz de maior prestígio em Portugal, projetando o nome de Lagoa através da cultura, da criatividade e da excelência organizativa.

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