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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #534

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ALGARVE INFORMATIVO 25 de julho, 2026

CAIXA DE AFETOS EM CASTRO MARIM | ANTEVISÃO DO FESTIVAL F | PORTO DE SAGRESALGARVE REQUALIFICADO 1 INFORMATIVO #534 SALIR NO TEMPO VIAJOU À ÉPOCA ROMANA | LOTA COOL MARKET E RICARDO RIBEIRO EM PORTIMÃO


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Os GNR festejaram os 45 anos de existência com um estrondoso concerto no Cineteatro Louletano 3

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ÍNDICE Paulo Cunha (pág. 20) Mirian Tavares (pág. 24) Sílvia Quinteiro (pág. 28) Paulo Neves (pág. 32) Apresentação do Festival F (pág. 36) Secretário de Estado das Pescas e do Mar inaugurou requalificação no Porto da Baleeira, em Sagres (pág. 42) Lota Cool Market em Portimão (pág. 50) Caixa de Afetos em Castro Marim (pág. 58) Salir no Tempo (pág. 66) «In Crudus» no Cineteatro Louletano (pág. 80) Ricardo Ribeiro em Portimão (pág. 102)

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Obrigado, Professor(a)! Paulo Cunha, professor companhar a satisfação dos meu colegas professores quando atingem a idade da reforma é algo que me continua a dar um enorme prazer. Saber que saem pelo seu próprio pé, com a sensação do dever cumprido e com a expetativa de poderem, finalmente, terem o tempo que o trabalho lhes roubou, é algo que me leva a desejarlhes, invariavelmente, “Bom renascimento!”. Sei que quando com eles quiser estar, será em qualquer lugar, mas fora do seu antigo local de trabalho. O seu semblante será, por certo, bem menos carregado e preocupado e as estórias partilhadas bem mais leves e harmoniosas. Assim tem sido até hoje, em ocasiões onde a amizade e o respeito se perpetuam! Ao longo de mais de quatro décadas, habituei-me - mal - a assistir à saída por aposentação dos meus colegas mais velhos sem que ninguém das respetivas direções escolares deles se despedissem com o reconhecimento, o agradecimento e a homenagem devidas. Confesso que tal atitude sempre me causou alguma impressão e até indignação! De tal forma, que se generalizou entre os meus pares o comentário “Não vale a pena fazeres da escola a tua casa, pois ninguém te vai ALGARVE INFORMATIVO #534

agradecer quando chegar a hora de a deixares!”. É um facto, não existe o hábito de agradecer e homenagear porque a cultura escolar portuguesa sempre valorizou mais a função do professor do que a pessoa do professor, e porque as estruturas educativas foram, historicamente, organizadas para a continuidade administrativa, não para a celebração individual. A isto juntam-se fatores como a burocracia, a falta de tradição comunitária nas escolas e a ausência de políticas públicas que incentivem esse reconhecimento. A escola portuguesa sempre foi marcada por uma cultura de dever, discrição e serviço público, onde a modéstia profissional e a narrativa dominante «o aluno no centro», continuam a imperar. Ao contrário de outros países, Portugal não tem programas públicos de reconhecimento da carreira docente e as direções escolares estão mais sobrecarregadas com a gestão administrativa do que com a cultura organizacional, existindo uma elevada rotatividade de direções, o que dificulta a criação de tradições internas de homenagem e reconhecimento. Em escolas grandes e impessoais, tornase difícil criar uma cultura de comunidade, faltando tempo e recursos 20


Foto: Daniel Santos

para homenagens que exigem organização, logística e orçamento. Naturalmente, havendo ausência de tradição não se criará expetativa nem continuidade. A somar a todas as razões apontadas, saliento a desvalorização pública da carreira docente - a sociedade portuguesa tende a ver o professor como um «funcionário», não como um «mentor». Apesar de raras, quando acontecem, as homenagens aos professores são profundamente marcantes. E não é preciso muito, basta a organização de pequenos eventos internos, os discursos 21

dos colegas, a entrega de lembranças simbólicas, a projeção de vídeos com memórias da carreira, a criação de livros de testemunhos de alunos e a participação espontânea de agentes educativos. Porém, infelizmente, estas práticas dependem quase sempre da iniciativa individual dos colegas, não de políticas estruturadas. Tal como noutros países de outros continentes, onde a reforma/aposentação e a entrada para a chamada «terceira idade» é vista como um sinal de deferência, de respeito, de agradecimento e de aprendizagem, é necessário que em Portugal se comecem a valorizar - novamente - todos aqueles que nos ensinaram e estimularam a ser. Para que tal aconteça, é necessário que se operem mudanças culturais, institucionais e políticas. Porque já bastam décadas de palavras ocas de sentido e vãs no propósito! Homenagear e premiar os trabalhadores na sua reforma é mais do que um gesto simbólico, é uma prática organizacional que reforça a cultura, a dignidade e a memória coletiva. A essência está em reconhecer publicamente aquilo que muitas vezes foi feito silenciosamente ao longo de décadas: o compromisso, a lealdade, a competência e o impacto humano. Seja qual for a área profissional, todos merecemos esse reconhecimento!

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Manuel Baptista – Arquivos (In)visíveis Mirian Tavares, professora Cette logique de la hantise ne serait pas seulement plus ample et plus puissante qu’une ontologie ou qu’une pensée de l’être [...]. Elle abriterait en elle, mais comme des lieux circonscrits ou des effets particuliers, l’eschatologie et la téléologie mêmes. Elle les comprendrait, mais incompréhensiblement. Jacques Derrida primeira vez em que entrei no atelier do artista, vi-me cercada por montanhas de obras que se espalhavam pelas estantes, encostadas nas paredes, empilhadas ou esquecidas no fundo de um conjunto mais recente de desenhos que ele mostrava com o entusiasmo de uma primeira vez. Parecia que, ao rever e ao mostrar-me o que tinha meio ocultado, revivia o momento mesmo da criação. O que sempre marcou a obra, e a vida, de Manuel Baptista foi o seu entusiasmo. A palavra, que nos chega através do latim, tem um sentido grandioso no grego, língua que a concebeu: é a marca de alguém que possui «um deus dentro de si». Um deus que não é, no caso do artista, um ente religioso, mas que atua como uma espécie de possessão. Esse «deus interno» é o espectro da alteridade que dita a obra, tornando o processo criativo num transe onde o artista descobre o que quer dizer apenas à medida que o fantasma o diz através dele. Manuel Baptista acolhia, com entusiasmo, os seus fantasmas: memórias, fantasias, arquivos que guardava mesmo quando já ALGARVE INFORMATIVO #534

não lhes eram úteis. No seu atelier era possível vislumbrar quase-desenhos, obras incompletas que permaneciam no seu vir-aser. Como se tudo nascesse do mesmo traço — o traço fundacional da memória do artista —, da sua teimosia em voltar, vezes sem conta, à infância, entre os brinquedos que colecionou, entre as obras de outros artistas que também o marcaram e que passaram a fazer parte da sua fantasmática: a rede de sentidos que se forma a partir daquilo que nos assombra (a hantologia ou espectralidade para Derrida). Assombrar-se não é o mesmo que sentir medo; é, no caso particular do artista, o estar permanentemente num estado de descoberta, porque não conhece tudo aquilo que brota das suas mãos. A obra é, para ele, um encontro. O filósofo francês diz que o sujeito nunca é plenamente senhor de si mesmo, estamos sempre habitados pelo outro. O artista «entusiasmado» não está cheio de um deus estático, mas sim assombrado por vozes, tradições e fantasmas que falam através dele. Ao converterem-se em linguagem, os espectros guiam o artista nesta criação por (des)possessão. A obra, então, contamina quem a vê e recusa o fim: os desenhos continuam a traçar o seu caminho, sobrevivendo à própria ausência de quem os criou. 24


Foto: Isa Mestre

Esta exposição é uma espécie de tributo ao entusiasmo do artista, à sua hospitalidade: acolheu-nos entre os seus desenhos e acolheu também os seus próprios fantasmas, convertidos numa linguagem singular. Os desenhos escolhidos, entre tantos que poderiam também habitar este espaço, são os que repousavam mesmo no fundo da pilha. Não encontramos evidência de que tenham sido expostos antes, mas sabemos o quanto significaram para Manuel Baptista, pois estavam perfeitamente alinhados e emoldurados. O artista mantinha cadernos de notas, desenhos, riscos, ideias e fantasmas. As suas obsessões eram registadas e transformavam-se, por vezes, em criações autónomas; outras, integraram obras que marcaram o seu longo percurso. Os seus arquivos não desapareceram, transformaram-se. Para Derrida, a relação com o fantasma exige hospitalidade, ou seja, a capacidade de acolher o que é radicalmente diferente de nós. O entusiasmo é a forma máxima dessa hospitalidade, pois o artista transforma-se num médium, num arquivo vivo. Torna-se um criador de sentidos cuja obra nasce de espectros que o habitam e que ele converte 25

em desenhos, pinturas e esculturas. Em imagens. Entre os desenhos, que datam da década de 60, escolhemos ainda uma escultura que não estava no seu atelier. Nem caberia naquele espaço tomado por imagens que não paravam de nascer das mãos de Manuel Baptista. A cada nova visita, dava-nos a ver novas obras, porque o seu entusiasmo não o deixava parar. Os «novelos» de grande dimensão, guardados nos seus cadernos desde os anos 60 como desenhos e rememorações da sua infância no Algarve, só saíram do papel em 2011, na exposição «Fora de Escala», que decorreu no Museu da Eletricidade/Fundação EDP (com curadoria de João Pinharanda). Esses novelos, que são na verdade desenhos escultóricos, assombraram o artista por mais de 40 anos antes de se converterem na manifestação física do seu desejo. A obra tornou-se concreta, mantendo o seu sentido inicial: os novelos, sobretudo os de corda, fazem parte do imaginário, da fantasmática do artista. O novelo, na exposição, dá-nos a ideia de uma tessitura que existe apenas no nosso desejo de ligar, e de dar sentido, a uma obra imensa e imensurável. Cada visita ao seu espólio é um momento de assombro. As obras escolhidas — desenhos em papel e a escultura — fazem parte daquilo que constituiu o próprio artista: daquilo que lhe escapou, daquilo que só se materializou muitas décadas depois, daquilo que fez dele o artista que me mostrou, com entusiasmo, o seu atelier. A exposição inaugura dia 30 de julho e fica até 30 de setembro, na Galeria Trem, em Faro

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Sílvia Quinteiro, professora ouve um tempo em que telefonar exigia alguma elasticidade e, por vezes, verdadeiros exercícios de contorcionismo. Com o telefone preso à parede, quando o diálogo se prolongava, tinha início o espetáculo. Mudávamos de posição na cadeira. Sentávamo-nos no chão. Encostávamo-nos à parede. Cruzávamos as pernas, descruzávamo-las. Enrolávamos o fio no dedo, depois no tornozelo, desenrolávamo-lo e voltávamos a enrolá-lo. E, se era preciso deitar mão a alguma coisa, sem perder uma pitada da conversa, o fio nunca tinha o comprimento necessário. Esticávamonos mais do que o Homem Elástico, num exercício de alongamento digno de um número de circo ou de uma sádica tortura medieval. Entretanto, inventaram o telemóvel e prometeram-nos liberdade. Passámos a poder telefonar em todo o lado, a toda a hora. Ao menos, há quem possa. Não eu. Não na minha casa. Por cá, a realidade é outra. Depois de um vislumbre de modernidade, o regresso ao passado. ALGARVE INFORMATIVO #534

Fazer ou receber chamadas no telemóvel implica estar num de dois lugares: numa cadeira encostada à janela do escritório ou aos pés da cama, no lado direito, mesmo ao cantinho. Na cadeira, a posição é rigorosamente estudada. Ao milímetro. Costas bem direitas, queixo erguido, olhos postos no candeeiro de parede. Não deslizar mais de dois centímetros para trás ou para a frente. Nem pensar em cruzar as pernas ou abanar a cabeça. Ao mais pequeno movimento, o som desaparece e a chamada cai. Foi-se! Na cama, o cenário é semelhante. As chamadas pessoais lá se vão aguentando, desde que me mantenha sentada nas coordenadas certas. Mas as coisas animam-se quando é preciso esclarecer um assunto com a seguradora, com o banco ou com um colega de trabalho: segurar papéis, equilibrar o computador no joelho, confrontar páginas e, ao mesmo tempo, manter o telemóvel no único centímetro quadrado onde há rede. Um malabarismo digno dos melhores circos: palhaços, mágicos, trapezistas e eu, ao telefone. É curioso como passei anos a acreditar que o telefone de fio era o expoente máximo da limitação. Chamavam-lhe 28


rede fixa, mas quem estava preso era apenas o aparelho. Eu circulava pela casa, limitada pelo comprimento do cabo, mas circulava. Hoje tenho rede móvel e fixa fiquei eu. Aliás, mais fixa do que eu, só a resposta da operadora. Há quatro anos que reclamo e há quatro anos que me respondem exatamente o mesmo: “Dentro de três meses, ficará resolvido”.

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25 julho… 1596 (430 anos de histórias) Paulo Neves, «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha s tropas inglesas de Robert Devereaux (Conde de Essex) haviam desembarcado na praia, em Farrobilhas, no dia anterior. Todas as expetativas estavam apostadas que iriam atacar entre Lagos e Sagres, como 9 anos antes fizera já o Corsário Francis Drake*. As tropas portuguesas, com o Bispo D. Fernando Martins Mascarenhas (um dos cinco do Conselho de Filipe I de Portugal, II de Castela) esperavam o então «preferido»** de Isabel I, de Inglaterra, enquanto Faro era arrasada e a sua população se refugiava pela serra acima, até S. Brás de Alportel. Ambos, Drake e Devereaux, em momentos diferentes, imediatamente antes das respetivas investidas no Algarve, haviam atacado Cádis e assim golpeado estes territórios unidos pela Coroa, por a «Invencível Armada», ter partido de Lisboa (1588) para atacar Londres, com milhares de embarcações (onde Drake havia tido também um papel decisivo na vitória marítima por parte de Inglaterra). Devereaux, por sua vez, já tinha sido presença entre nós (neste caso na defesa da mais antiga Aliança do mundo) em Peniche (1589), na tentativa de apoiar D. ALGARVE INFORMATIVO #534

António, Prior do Crato contra os interesses de continuar a impor Castela, com Filipe I à frente, também da coroa de Portugal (regime dual). Aliás, também Francis Drake fez parte (em frente a Cascais) dessas forças que deveriam destronar os interesses peninsulares dos rivais ingleses. Deste episódio, em que os portugueses ficaram divididos, resultou a expressão de frustração que ainda conhecemos como «dos amigos de Peniche» (os que não chegam a tempo ou se aproveitaram de uma situação). Robert Devereaux veio a Faro (faz hoje, precisamente, 430 anos), saqueou, incendiou e partiu com um património em peças de bronze, a biblioteca monumental dos Bispos D. Jerónimo Osório e D. Fernando Martins Mascarenhas, figuras eminentes do saber e influência em Roma e na Universidade de Coimbra (sendo que o último desempenhou ainda o cargo de Inquisidor-mor). As festas das tochas floridas do Aleluia comemoraram ainda o facto de, há centenas de anos, os moços católicos de S. Brás de Alportel terem dado uma corrida, pela serra abaixo, que fez desistir os ingleses de então nos fazerem «mais maldades». E continuamos a lembrar estes episódios pois que os nossos aliados mais antigos nos 32


atacaram, mas por causa da guerra que iniciámos a partir de Lisboa sob decisão das coroas unidas por Castela. Verdade que os ingleses, protestantes, tinham outro interesse em relação a Portugal, a joia do atlântico – O Brasil, onde não conseguiram alcançar sucesso. Hoje, convidamos a visitar o espaço de exposição para a divulgação do conhecimento, alojada na antiga capela do paço episcopal que foi recuperada, e assim conhecer as réplicas dos artefactos e equipamentos que serviram para que Faro, e o Algarve, tivessem estado à frente do seu tempo, com o primeiro livro impresso em Portugal, pelas mãos de um judeu Samuel Gacon, assim como a história da imprensa com o prelo de Gutenberg, a começar pela da escrita na pedra cuneiforme ao monge copista. Encontrará os fac-similes da primeira bíblia imprensa e do Pentateuco de Faro e uma homenagem, a ler nas coincidências, sobre o patrono de Faro. Dom Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve (Auxiliar desde 30 junho de 2000 e Bispo Diocesano desde abril de 2004 a 14 de julho 2026) abriu as portas da sua Casa Episcopal para que, com tolerância, possamos reencontrar-nos no conhecimento que une civilizações. Tente visitar este espaço compreendendo um pormenor daquelas paredes: foi casa da Diocese, logo depois destruída no referido ataque a Faro. Reconstruída soçobrou depois com o grande terramoto, sendo reerguida outra vez. Foi mais tarde tomada pelas forças da implantação da república, sendo que a capela foi transformada em ginásio da Marinha, até que o encontro de 33

forças do Círculo Teixeira Gomes, Manuel de Brito (Sul, Sol e Sal), a Fundação das Comunicações, a Associação Ibn Qâsí e de tantos mecenas, com a Diocese, a recuperaram e preencheram ao lado da biblioteca do Bispo, também recentemente renovada por adesão cidadã com a nossa Igreja. Renovo os agradecimentos ao Bispo do Algarve que, no seu humanismo, profundamente religioso, acessível, soube vincar entre nós, com humildade firme, a grande caraterística do Cristianismo neste encontro e reencontro das civilizações e culturas em presença, o espírito em Faro. Nunca desistir de retirar ensinamentos da nossa história. O mais virá… * Interessante que a única ilustração conhecida da casa do Infante e Fortaleza de Sagres, terá sido feita mesmo antes do ataque. ** Ainda assim, foi executado (5 anos depois), por ordem da própria Rainha, por alta traição.

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Festival F volta a fazer de Faro um ponto de encontro da música e da cultura Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina Festival F regressa à Vila Adentro para celebrar a sua 11.ª edição e reafirmar Faro como um dos grandes pontos de encontro da música e da cultura em Portugal. Entre 3 e 5 de setembro, o Último Grande Festival de Verão volta a ocupar ruas, praças e largos entre muralhas na cidade velha, com uma programação que cruza artistas consagrados, novos talentos, artes ALGARVE INFORMATIVO #534

performativas, exposições, tertúlias, espaços para crianças e mercados de autor, pensado para públicos de todas as gerações. Ao longo de mais de uma década, o Festival F afirmou-se como uma celebração da música portuguesa e da criação artística nacional. Em 2026, mantém-se fiel a essa identidade, apresentando um cartaz que acompanha a evolução natural da música e dos seus cruzamentos culturais. “Da pop ao hip hop, da eletrónica ao rock, do fado ao 36


jazz, diferentes estilos convivem num programa que espelha a riqueza da criação musical contemporânea”, revelou Gil Silva, diretor do Teatro Municipal de Faro. Slow J, Carminho e Orquestra do Algarve, Bárbara Tinoco, Wet Bed Gang, Tz da Coronel, Papillon, HMB, Clã, Moonspell, Branko, D.A.M.A, Nelson Freitas, The Gift, Chico da Tina, ÁTOA, Ricardo Ribeiro com a Orquestra de Jazz do Algarve, Maninho, Mind da Gap e Danni Gato são alguns dos nomes que compõem um cartaz que atravessa diferentes gerações, estilos e sensibilidades musicais. Ao lado dos

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artistas mais consagrados, o Festival F continua a afirmar-se como uma plataforma de descoberta, reunindo projetos em diferentes momentos do seu percurso artístico. Entre novas vozes, carreiras em afirmação e nomes já incontornáveis da música portuguesa, PAUS, Irina Barros, Bizarra Locomotiva, Aragão, Camaleão Azul, Peculiar, TRAVO, Joana Almeirante, Diana Vilarinho, Afonso Rodrigues, Jasmim, Elisa, Rafael Toral, Rita Cortezão, Peixe e Ana Tereza distribuem-se pelos vários palcos da cidade, enriquecendo uma programação que espelha toda a diversidade do Festival F.

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A presença de artistas brasileiros, entre os quais Tz da Coronel, volta a reforçar a histórica ligação entre Portugal e o Brasil. O cartaz integra ainda Nelson Freitas, um dos maiores nomes da música caboverdiana contemporânea, consolidando o diálogo do Festival F com diferentes geografias do espaço lusófono. A esta diversidade junta-se uma forte representação regional, com cerca de 30 por cento do cartaz composto por artistas algarvios, uma presença que não resulta de uma lógica de quota, mas do mérito, da qualidade e da vitalidade da criação musical que nasce na região. Antes de se conhecer alguns dos nomes que fazem parte do cartaz do festival, Paulo Santos, Diretor Geral do F, fez questão de lembrar, e homenagear, Joaquim Guerreiro, o homem que esteve por detrás do nascimento do evento, “a pessoa que teve a ousadia de sonhar num festival que se tornasse numa referência nacional da música portuguesa”. “Há 10 anos que é feito pela equipa do Município de Faro, do Teatro das Figuras e da Ambifaro, funcionários públicos que, durante estes dois meses, colocam muitas vezes a família de lado, mas nunca os seus afazeres habituais, com a vontade de fazer crescer este sonho do Joaquim”, reforçou Paulo Santos. Ao longo do evento, o público poderá percorrer os diferentes espaços do recinto, distribuídos por toda a Vila Adentro: Palco (Ria), Palco Sé, Palco Quintalão, Palco Fábrica, Palco Museu, Palco Músicos, Palco Arco e Silent Party (Castelo). E, recorde-se, ao longo das suas 11 edições, o Festival F expandiu-se ALGARVE INFORMATIVO #534

de 5 mil para 38 mil e 500 metros quadrados, acolheu 560 concertos e recebeu mais de 350 mil visitantes. Um percurso que acompanha o crescimento do próprio festival e que consolida Faro como um dos mais relevantes destinos culturais do país. Nesta edição, o Passe Geral apresenta um preço mais acessível face ao ano anterior, reforçando a aposta da organização em incentivar o público a viver a experiência completa do festival ao longo dos três dias. “O Passe Geral custa 45 euros para os três dias e o bilhete diário são 20 euros. Esta oferta do Passe Geral é válida até 31 de julho ou até esgotar o lote disponível, após o que o preço aumentará para 54 euros, e o bilhete diário passará a custar 22 euros”, explicou Paulo Santos. Durante três dias, o Festival F convida então o público a descobrir Faro para lá dos palcos. Entre ruas históricas, praças, muralhas e edifícios emblemáticos da Vila Adentro, a cidade transforma-se num palco vivo, onde a música se cruza com o património e a proximidade entre artistas e público cria uma experiência verdadeiramente única. A Ria Formosa, que abraça toda a cidade, uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal e um dos mais importantes santuários de biodiversidade da Europa, completa um convite para viver Faro em toda a sua riqueza cultural, histórica e natural. Organizado pela Câmara Municipal de Faro, Ambifaro e Teatro das Figuras, o Festival F continua então a crescer e a reforçar a sua missão: valorizar a criação artística, apoiar novos talentos e 38


contribuir para o desenvolvimento cultural e social da cidade de Faro, do Algarve e do país. “O Festival F demonstra que um evento de qualidade pode passar por executivos camarários de diferentes cores políticas, porque é uma marca da cidade que foi construída nos últimos 10 anos. Para nós é um orgulho termos o maior festival de música portuguesa ou cantada em português, com nomes já consolidados, mas também com novas bandas, novos cantores, novas promessas”, referiu António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Faro. “Uma das 39

missões do Festival F é precisamente dar a conhecer os novos talentos num cenário fantástico, entre uma muralha que tem mais de 2 mil anos de história, uma Vila Adentro com mais de 1.000 anos de história e uma Ria Formosa que é uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal. O F irá continuar a crescer numa junção entre a música, o património da cidade que se pretende mostrar durante aqueles dias e também a natureza da Ria Formosa, um valor que deve ser protegido por todos”, finalizou o edil farense. ALGARVE INFORMATIVO #534


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Secretário de Estado das Pescas e do Mar inaugurou ponte-cais sul do Porto de Pesca da Baleeira Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, inaugurou, no dia 16 de julho, a ponte-cais sul do Porto de Pesca da Baleeira, em Sagres, após uma obra de requalificação avaliada em cerca de 1,6 milhões de euros. A intervenção enquadrou-se no programa Mar 2030, que apoia investimentos destinados à ALGARVE INFORMATIVO #534

melhoria das infraestruturas ligadas ao setor das pescas, e estava sinalizada já há vários anos, admitiu Afonso Oliveira, presidente do Conselho de Administração da Docapesca. “Quando todas as obras estiverem em curso, falamos de quase 20 milhões de euros em intervenções fundamentais em todo o país, estamos no limite da nossa capacidade de investimento. A segurança e a melhoria das condições nas lotas são essenciais para a Docapesca, mas os montantes disponíveis dependem dos resultados 42


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líquidos obtidos, daí que as parcerias com os municípios, a tutela, os armadores, os pescadores, com todas as pessoas responsáveis por estas áreas, são fundamentais para que os portos fiquem qualificados”, assumiu o responsável. “A Docapesca tem a missão de estar no território, mas o território não são apenas os portos, são as pessoas, são as autoridades locais, são as juntas das freguesias, são os municípios. Todos são essenciais para que façamos um bom trabalho”, reforçou Afonso Oliveira. Paula Freitas, presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, reconheceu tratar-se de um momento feliz para os pescadores do concelho e agradeceu a presença do Secretário de Estado das

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Pescas e do Mar, “uma pessoa muito disponível que teve experiência de autarca e isso nota-se na intervenção que faz nos territórios”. Relativamente à obra agora inaugurada, que já fora anunciada em 2021, esclareceu que a demora na sua concretização se deveu à complexidade e dificuldades advindas da contratação pública. “Queremos fazer mais em tempo recorde, muitas vezes simplesmente em tempo útil, e acabamos por não conseguir porque as especificidades e as problemáticas são imensas. E, infelizmente, o nosso concelho não é muito atrativo para os empreiteiros fazerem obras, daí que os concursos sejam lançados e não surjam concorrentes. Isso obriga-nos a fazer novo concurso, o que atrasa mais os

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processos, e foi isso que aconteceu com esta obra”, desabafou a edil. A intervenção era muito aguardada e está finalizada, mas Paula Freitas avisou que “os pescadores querem mais”. Exemplo disso é a candidatura lançada para se construir uma nova máquina de gelo no Porto da Baleeira, “porque a quantidade de gelo para o pescado já não é suficiente”. “Vamos tentando sempre melhorar as condições de trabalho dos pescadores e os marisqueiros, nomeadamente da apanha do perceve, uma atividade com grande peso no concelho de Vila do Bispo, também têm as suas exigências. É no terreno que ouvimos o povo, que aprendemos e diligenciamos a nossa ação no futuro, e espero que haja muitos encontros destes com os nossos governantes, para bem da população, dos nossos pescadores e dos nossos mariscadores”, declarou Paula Freitas. A cerimónia informal de inauguração da ponte-cais sul do Porto de Pesca da Baleeira terminou com as palavras do Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, que enfatizou que Sagres é um dos portos mais importantes de Portugal. “Tem feito um trabalho notável na valorização do nosso pescado e na dignificação da classe dos pescadores. Eu confio muito no setor das pescas, no setor da economia do mar, e hoje é um dia feliz, porque estamos aqui a inaugurar uma obra importante. Cada cêntimo investido aqui é um investimento que vale a pena, porque ninguém tenha dúvidas de que não há peixe nenhum como o nosso e o peixe de Sagres, por ALGARVE INFORMATIVO #534

sinal, ainda é mais distinto relativamente ao de outras zonas do país”, elogiou. O governante reconheceu, entretanto, que há muito trabalho para fazer, “que 46


este cais já devia estar finalizado há 2 ou 3 anos”, e que “a máquina de gelo também já devia estar pronta”. “A política faz-se de relações entre pessoas, sei que as pessoas de Sagres são sérias, que as suas reivindicações 47

são justas e é obrigação de quem está no Governo da República tentar resolver os problemas que existem”, concluiu Salvador Malheiro.

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Lota Cool Market regressou a Portimão para celebrar a criatividade, a gastronomia e a cultura Texto: Daniel Pina| Fotografia: Teia D’Impulsos ecorreu com grande sucesso mais um Lota Cool Market, entre os dias 15 e 19 de julho, na Antiga Lota de Portimão, afirmando-se uma vez mais como um evento de referência no Algarve. Durante cinco dias, o espaço acolheu artesanato, gastronomia, produtores regionais, música e animação, proporcionando uma experiência diversificada para residentes e visitantes. A edição de 2026 reuniu 47 participantes, distribuídos por 20 ALGARVE INFORMATIVO #534

expositores de artesanato, 5 produtores regionais, 3 produtores de bebidas, 11 food trucks e 8 projetos de animação, dos quais 4 corresponderam às atuações de abertura que deram início aos diferentes dias do evento. A programação musical foi um dos grandes destaques desta edição, contando com 11 artistas. O cartaz integrou os DJ’s Gonçalo Rosa, Nuno Silva, Trippy Sound, D'Joy e CHIC_O, bem como os concertos de Rúben Lameira, Inês Marques, TiaGO Celebration Show, Ally Garrido Collective, The Protons e Yes'Mam Band, proporcionando momentos de grande animação ao longo dos cinco dias. O Lota 50


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Cool Market contou ainda com o apoio de 21 voluntários, cuja dedicação foi determinante para o sucesso da organização, assegurando o acolhimento dos participantes e o bom funcionamento das diversas áreas do mercado. Mais do que um mercado, o Lota Cool Market continua a afirmar-se como uma plataforma de valorização da criatividade, do artesanato, da gastronomia, da produção regional e da cultura, promovendo oportunidades para pequenos negócios, artistas e produtores, ao mesmo tempo que contribui para a dinamização económica e cultural de Portimão. A sustentabilidade voltou a assumir um papel central nesta edição do Lota Cool Market, através da promoção de boas práticas ambientais, como o ALGARVE INFORMATIVO #534

incentivo à utilização de copos reutilizáveis, a redução do desperdício alimentar, a reciclagem e a reutilização de materiais. Nesta edição, foi ainda desenvolvido um estudo de avaliação da sustentabilidade do evento, que permitirá medir o seu impacto ambiental, social e económico, cujos resultados serão divulgados posteriormente. A Teia D’Impulsos faz um balanço muito positivo desta edição, destacando a qualidade dos participantes, a diversidade da programação e o espírito de colaboração entre expositores, artistas, parceiros, voluntários e todos aqueles que contribuíram para a concretização de mais uma edição do Lota Cool Market. A realização do Lota Cool Market foi possível graças ao apoio 52


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dos seus parceiros institucionais e empresariais, nomeadamente a Câmara Municipal de Portimão, a Região de Turismo do Algarve, o Choque Frontal, a EMARP, a Ecofestes, a ALGAR, a Refrisete, a Prime Digital e a Bluegarve. A organização deixa um agradecimento

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especial a todos os participantes, artistas, parceiros, patrocinadores, voluntários e visitantes que fizeram parte desta edição, reforçando o compromisso de continuar a promover um evento que celebra o talento, a criatividade e a identidade da região.

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Cegonha São e os Amingos apoiam a natalidade, as famílias e os novos bebés de Castro Marim com a Caixa de Afetos Texto: Daniel Pina| Fotografia: Município de Castro Marim poiar as famílias no seu projeto familiar passa também por criar as melhores condições de suporte à sua gestão diária e, com isso em mente, o Município de Castro Marim criou, em 2025, com a ajuda da Cegonha São e dos Amingos, a Caixa de Afetos, que faz parte de uma medida de apoio à natalidade e de

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reforço da identidade local integrada no Novo Regulamento de Ação Social do Município de Castro Marim e no programa «Castro Marim Cuida de Si». Sendo também uma medida pioneira de apoio, acolhimento e de valorização do território, a Caixa de Afetos é mais do que uma simples caixa, é um gesto de boasvindas, um abraço da comunidade e uma forma de ligar cada bebé à sua terra desde o primeiro dia de vida. 58


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Inspirada no modelo finlandês, a Caixa de Afetos oferece um conjunto de bens essenciais para os primeiros dias do recém-nascido castromarinense, com um toque único e cheio de alma. Assim, cada caixa vem acompanhada de ilustrações que representam o território, vários artigos para os primeiros tempos de vida e um cartão cheio de ternura da Cegonha São e dos Amingos, personagens criadas para dar vida e serem protagonistas deste projeto. Parte dos produtos são de produção local e produzidas por artesãos locais, desde o sal à Tecelã, aos sabonetes e aos bordados. A Caixa de Afetos é acompanhada por um incentivo financeiro de 500 euros para todos os recém-nascidos e de 1.000 euros

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para cada criança inserida em famílias com rendimentos mais baixos. Os castromarinenses podem ainda usufruir de um apoio à natalidade através de benefícios fiscais, em função do agregado familiar, que se traduzem em apoios substanciais. “Estes apoios foram criados para oferecer segurança às famílias que escolhem Castro Marim para viver. Apoiam desde os primeiros momentos de vida dos bebés até às necessidades quotidianas das famílias”, sublinham os responsáveis autárquicos, lembrando que, entre as medidas diretas, estão os apoios na aquisição de vacinas fora do Plano Nacional de Vacinação e isenção de taxas para construção e utilização de habitação própria, entre outros.

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Salir no Tempo 2026 evocou época romana com mestria Texto: Daniel Pina| Fotografia: Jorge Gomes os dias 17, 18 e 19 de julho, a vila de Salir foi palco de uma viagem no tempo tendo a temática romana como cenário, num evento enquadrado num dos períodos áureos da História da Humanidade. Realizado anualmente desde 2009, de forma alternada entre a época medieval e a romana, o Salir no Tempo pretende apresentar ao público todo o legado histórico-cultural desta povoação do interior do concelho de Loulé. Os ALGARVE INFORMATIVO #534

vestígios arqueológicos da Villa romana da Torrinha, freguesia de Salir, constituem o ponto de partida deste evento. Revelam a existência, em Salir, de uma comunidade integrada na prosperidade económica da Lusitânia Romana. A descoberta de cerâmicas finas importadas, nomeadamente exemplares de terra sigillata, demonstra que os proprietários locais possuíam um nível de riqueza e estatuto superior ao da generalidade das populações rurais da época, tendo acesso a bens de prestígio provenientes de importantes centros produtores do Império. 66


Em 2026, a zona histórica da vila de Salir voltou a receber uma recriação daquela que foi uma comunidade rural florescente da Lusitânia Romana, onde proprietários abastados, mercadores, artesãos, agricultores e viajantes conviviam num território que beneficiava da paz, da organização e da riqueza proporcionada pelo Império. E, de facto, o visitante sentiu toda a vibração do quotidiano, da economia, dos modos de vida deste território de há quase dois mil anos atrás. Ao longo dos três dias, o Salir no Tempo contou com mais de 200 espetáculos e momentos de animação, envolvendo mais de uma centena de figurantes. 67

Recriações históricas, luta de gladiadores numa «arena» instalada no recinto, corrida de bigas, espetáculos de dança, música, estátuas vivas, animação itinerante, artesãos a trabalhar ao vivo os materiais da altura como a cerâmica foram algumas das propostas do programa. A gastronomia romana também esteve em destaque e não faltaram as principais iguarias da época nas tasquinhas. A organização tentou recriar muitos dos pratos assentes em alimentos da época como pão, azeitonas, carne de caça, fumeiro ou conservas, e também bebidas como a cidra, hidromel, infusões, licores ou vinho maduro.

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CONTEMPORÂNEO FUS «IN CRUDUS» NO CINE Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

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SION APRESENTOU ETEATRO LOULETANO

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Núcleo de Loulé da Liga dos Combatentes organizou um espetáculo solidário, no dia 11 de julho, no Cineteatro Louletano, que contou com a presença, entre outros convidados especiais, do Contemporâneo Fusion, grupo de dança sediado em Loulé que parte da linguagem da dança contemporânea para explorar temas ligados à saúde mental. Através do movimento, o grupo transforma memórias, situações reais e problemáticas atuais em mensagens e alertas que convidam à reflexão. Cada criação nasce do corpo e da experiência humana, valorizando a autenticidade e o impacto emocional. O novo «In Crudus», apresentado no Cineteatro Louletano, representa, a cru, ALGARVE INFORMATIVO #534

sensações, sentimentos e situações que vivemos atualmente. 82


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RICARDO RIBEIRO ENCAN NOITE ONDE A EMOÇÃO F Texto: Ricardo Coelho| Fotografia: Ricardo Coelho

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NTA PORTIMÃO NUMA FALOU MAIS ALTO

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ouve silêncio antes dos primeiros acordes. Depois, bastou Ricardo Ribeiro começar a cantar para a Praça da República, em Portimão, se render por completo a uma das vozes mais intensas e inconfundíveis da música portuguesa. Integrado nas celebrações do 110.º aniversário da Freguesia de Portimão, o concerto, realizado na noite de 11 de julho, foi um dos momentos altos das festividades, reunindo centenas de pessoas, entre residentes e visitantes que escolheram o Algarve para passar férias e que fizeram questão de assistir a um espetáculo único. Com a autenticidade que o caracteriza, Ricardo Ribeiro conduziu o público por uma viagem musical onde o Fado, o Cante Alentejano e o Flamenco dialogaram de forma natural, celebrando três patrimónios da Península Ibérica através de interpretações carregadas de sentimento e verdade. Ao longo da noite, o artista revisitou alguns dos temas mais emblemáticos da sua carreira, revelando uma vez mais a profundidade de uma voz capaz de transformar cada palavra numa emoção. Entre momentos de maior intensidade e outros de delicada intimidade, a ligação criada com o público foi evidente, traduzindo-se em longos aplausos e numa atenção absoluta do primeiro ao último minuto.

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A excelência da banda que o acompanhou contribuiu igualmente para a atmosfera única do espetáculo. Os arranjos, executados com enorme sensibilidade, deram ainda mais dimensão às interpretações, criando um ambiente elegante e envolvente que fez da música a verdadeira protagonista da noite. Com vários discos de ouro, uma carreira internacional consolidada e distinções que fazem dele um dos maiores representantes do fado contemporâneo, Ricardo Ribeiro continua a escrever páginas importantes da música portuguesa. Depois do aclamado «Terra Que Vale o Céu» e do lançamento do single «Má Sorte», o artista prepara agora a apresentação do novo álbum, «A Alma Só Está Bem Onde Não Cabe», que subirá aos palcos dos Coliseus de Lisboa e do Porto em janeiro de 2027. Em Portimão, ficou a certeza de que há artistas que não precisam de efeitos especiais para conquistar uma plateia. Basta-lhes a verdade da interpretação, a elegância da presença em palco e uma voz que, como tantas vezes se diz de Ricardo Ribeiro, é daquelas que se ouvem uma vez e nunca mais se esquecem. Uma noite de cultura, emoção e identidade portuguesa que marcou de forma especial as comemorações dos 110 anos da Freguesia de Portimão e que confirmou, mais uma vez, Ricardo Ribeiro como um dos grandes nomes da música nacional. ALGARVE INFORMATIVO #534


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PROPRIETÁRIO E EDITOR: Parágrafoptimista Unipessoal Lda. NIPC 518198189 GERÊNCIA: Mónica Pina DETENTORA: Mónica Pina (100%) SEDE: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 67, 8135-157 Almancil Órgão registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 DIRETOR: Daniel Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924 Telefone: 919 266 930 (custo de chamada para a rede móvel nacional) REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 67, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina

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