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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #527

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ALGARVE INFORMATIVO

ÍNDICE

Fábio Jesuíno (pág. 18)

Paulo Neves (pág. 22)

«Europa na minha região» (pág. 30)

Edifício das Artes da UAlg (pág. 38)

Terra de Maio no Azinhal (pág. 48)

OPTO em Albufeira (pág. 62)

«Petróleo» da ACTA (pág. 72)

«Estúdios Nuvem Branca» no TEMPO (pág. 92)

Banda Ão no Cineteatro Louletano (pág. 106)

Negócios que transformam: Criando um impacto social real

Fábio Jesuíno, empresário

s negócios não devem limitar-se a gerar lucro financeiro. Hoje, espera-se que os empresários adotem uma visão mais ampla, encarar as suas empresas como ferramentas capazes de resolver problemas reais, gerar impacto positivo nas comunidades e, ao mesmo tempo, manter uma base económica sólida e sustentável.

Sei que os empresários em Portugal enfrentam desafios e dificuldades constantes, desde a carga fiscal à complexidade burocrática, o que acaba por limitar a sua margem de manobra. Nesse contexto, torna-se naturalmente mais difícil incorporar uma vertente social mais forte nos seus projetos, não por falta de vontade, mas muitas vezes por falta de tempo, recursos ou apoio estruturado.

Ao mesmo tempo, é precisamente nestes contextos mais exigentes que surgem algumas das soluções mais criativas. O impacto social não exige necessariamente grandes investimentos ou estruturas complexas, muitas vezes começa com pequenas mudanças na forma como um negócio opera, como, por exemplo, a escolha dos fornecedores ou

como se relaciona com a comunidade envolvente.

A economia partilhada entra aqui como um facilitador natural. Plataformas colaborativas, modelos de cooperação e redes locais permitem reduzir custos, otimizar recursos e criar novas oportunidades de impacto. Em vez de cada negócio funcionar de forma isolada, começa a fazer sentido pensar em ecossistemas onde todos ganham, empresas, consumidores e a comunidade.

Para muitos pequenos empresários, esta abordagem traduz-se em decisões simples, tais como trabalhar com produtores locais, reduzir o desperdício, criar parcerias com projetos sociais ou desenvolver serviços com um propósito mais inclusivo. Não se trata de uma mudança radical, mas sim de uma evolução natural na forma de fazer negócio, mais consciente e alinhada com a realidade atual.

Este tema ganha ainda mais relevância quando olhamos para o interior do país, onde a desertificação económica e social continua a ser um desafio sério. Nestes territórios, os pequenos empresários enfrentam dificuldades acrescidas, menor acesso a recursos, menos população ativa e oportunidades mais limitadas, o que torna cada decisão ainda mais impactante.

Nesse sentido, optar por comprar a fornecedores do interior ou criar parcerias com entidades locais do interior pode ser muito mais do que uma escolha operacional. É uma forma concreta de contribuir para a dinamização dessas regiões, apoiar a economia local e gerar um impacto social mais alargado e consistente. Pequenos gestos, quando pensados de forma estratégica, podem ter um efeito multiplicador significativo.

Importa também reconhecer que os consumidores estão cada vez mais atentos. Há uma valorização crescente de marcas com propósito, transparência e

responsabilidade social. Isto significa que integrar impacto social não é apenas uma questão ética, pode ser também uma vantagem competitiva real.

No fundo, o desafio não está em escolher entre lucro e impacto, mas em encontrar formas de alinhar ambos. Quando isso acontece, o negócio deixa de ser apenas uma fonte de rendimento e passa a ser parte ativa na construção de uma economia mais equilibrada, colaborativa e sustentável.

MUSA: descobrir

os segredos do rio

câmara mergulha nas águas escuras do Arade.

Primeiro, apenas o silêncio do lodo. Depois, a história começa a ganhar forma: a curva delicada de uma ânfora, a sombra de um casco, o ferro corroído de um canhão que repousa há séculos no fundo do rio. Fragmentos de comércio,

de viagens e de batalhas, pedaços de mundos que o tempo escondeu e que os

Foto: João Rodrigues

arqueólogos foram revelando, um a um, até reunir mais de três mil achados. Alguns já brilham no Museu de Portimão, como os canhões da Ponta do Altar, mas a maior parte continua invisível ao público.

Agora, esse património submerso vai emergir. Com um investimento de 3,4 milhões de euros do Algarve 2030, nasce o MUSA – Musealização dos Achados Arqueológicos do Fundo do Arade, um projeto liderado pelo Município de Portimão, mas tecido em rede com a Autarquia de Lagoa, o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) e a CCDR Algarve. Estão previstas novas campanhas arqueológicas, inspeções ao leito do rio e o restauro de peças já recolhidas, a par do

que ainda se possa descobrir.

O Laboratório de Conservação e Restauro de Portimão vai ganhar capacidade para tratar um maior volume de achados — não apenas do Arade, mas também de outros pontos do Algarve. O Núcleo de Arqueologia Subaquática do município será ampliado para acolher coleções atualmente guardadas em Lisboa, devolvendo-as à região. Do outro lado do rio, em Lagoa, nascerá também um núcleo museológico dedicado ao espólio do Arade. E para os mais ousados haverá um convite inédito: uma reserva subaquática visitável.

O projeto MUSA inclui plataformas digitais, uma monografia arqueológica e um estudo arquivístico sobre o Arade.

«Europa na minha região» celebrou o Algarve em evento em Faro

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

Praça da Liberdade, em Faro, recebeu, no dia 16 de maio, o evento central da campanha «Europa na minha região» no Algarve, sob o mote «No Algarve, juntos fazemos caminho», reunindo mais de 700 visitantes ao longo do dia numa celebração participativa do impacto dos fundos europeus no desenvolvimento da região. Entre as 10h e as 18h30, o público foi convidado a explorar um conjunto diversificado de experiências artísticas, interativas, científicas e culturais que deram a

conhecer locais e iniciativas apoiadas pela União Europeia, evidenciando o seu contributo para a inovação, coesão social e crescimento económico do Algarve.

O programa teve início com um momento institucional que reuniu o Presidente da Câmara Municipal de Faro, António Miguel Pina, o Presidente do Conselho Diretivo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, I.P. (CCDR Algarve, I.P.), José Apolinário, e o Chefe de Missão Adjunto da Representação da Comissão Europeia em Portugal, Luís Loureiro de Amorim. A manhã ficou ainda marcada pelo concerto da artista Aurea, que

proporcionou um momento de grande envolvimento com o público, com especial destaque para a atuação conjunta com alunos da Escola Básica D. Dinis, em Quarteira – um dos locais cofinanciados pela UE em destaque na campanha –, que se juntaram à artista numa interpretação emotiva do tema «Volta».

Durante a tarde, a programação destacou a riqueza gastronómica e cultural da região. A chef Noélia Jerónimo conduziu uma sessão de showcooking ao vivo, onde reinterpretou sabores tradicionais algarvios, reforçando a ligação entre gastronomia, identidade local e valorização dos produtos regionais. O encerramento do programa cultural ficou a cargo do Grupo Folclórico

de Faro, que levou ao palco uma performance do corridinho, a emblemática dança tradicional algarvia.

Ao longo de todo o dia, os visitantes puderam participar em experiências de realidade virtual, quizzes interativos, atividades criativas e dinâmicas científicas promovidas pelos vários projetos apoiados pela União Europeia em destaque na campanha, e que estiveram representados no evento: a Escola Básica 2,3 D. Dinis, o Mercado Municipal de Silves, a Estrutura Residencial e Centro de Dia para Alzheimer e Outras Demências – José Cabrita, o projeto Mar4Pain, o Museu de Lagos e a PtCRIN – Rede Portuguesa de Infraestruturas de Investigação Clínica.

Este evento assinalou um dos momentos mais relevantes da campanha «Europa na minha região» no Algarve, que destacou locais e iniciativas cofinanciadas pela União Europeia em áreas como a educação, cultura, saúde, investigação e economia local, por todo o país. Sob o mote «No Algarve, juntos fazemos caminho», a campanha reafirma o compromisso conjunto entre instituições europeias e regionais na construção de um território mais resiliente, sustentável e preparado para o futuro, aproximando a Europa dos cidadãos e tornando visível o impacto concreto dos seus investimentos no quotidiano das comunidades. “Esta iniciativa permite-nos celebrar o profundo percurso de transformação que o nosso país, e de facto a nossa região, tem empreendido, com o apoio

inestimável dos fundos europeus. Os notáveis projetos destacados hoje, desde a educação à saúde e cultura, são testemunhos vívidos deste progresso. É vital recordar constantemente à nossa comunidade o impacto tangível destes projetos europeus, tal como devemos continuamente nutrir, defender e partilhar a essência da democracia com os nossos cidadãos. Juntos, estamos a construir um Algarve mais resiliente e próspero”, declarou, na ocasião, o Presidente da Câmara Municipal de Faro, António Miguel Pina.

José Apolinário, Presidente da CCDR Algarve, não teve dúvidas ao afirmar que “hoje, celebramos os excelentes projetos que, com o apoio dos fundos europeus, beneficiam diretamente a nossa região” “A nossa experiência ao

longo dos 40 anos de Portugal na União Europeia demonstra inequivocamente o impacto transformador destes investimentos no nosso PIB, saúde, educação e infraestruturas, com os municípios e as regiões a desempenharem um papel insubstituível na execução e sucesso destes programas. Destacamos a importância desta parceria contínua, que garante que os fundos chegam efetivamente ao território, enfatizando que a interação constante entre as regiões e a UE é fundamental para a coesão e o progresso”, frisou o dirigente.

As intervenções oficiais terminaram com as palavras de Luís Loureiro de Amorim, Chefe de Missão Adjunto da Representação da Comissão Europeia em Portugal, que reconheceu que “projetos como estes só são possíveis graças à vital cooperação entre as entidades regionais e locais, fundamental na

aplicação dos fundos europeus” “O investimento da Comissão Europeia reflete a nossa política de coesão territorial e o princípio de solidariedade, pilares do projeto europeu que mobiliza os 27 Estados-Membros para cofinanciar iniciativas que beneficiam diretamente as populações em diversas geografias. Os exemplos de hoje no Algarve, na educação, cultura, reabilitação urbana e saúde, demonstram como estamos a construir um futuro mais resiliente, assegurando que os cidadãos possam viver com dignidade e ter oportunidades nas suas regiões de origem. Iniciativas como estas têm um impacto direto e transformador nas nossas vidas, ilustrando a natureza inovadora e revolucionária do projeto europeu, que permite o desenvolvimento em toda a União através do cofinanciamento, e esperamos mantê-lo assim por muitos anos”, salientou.

Ministra da Cultura, Juventude e Desporto inaugurou novo Edifício das

Artes da Universidade do

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, inaugurou, no dia 15 de maio, o novo Edifício das Artes (edifício 14) da Universidade do Algarve (UAlg), no Campus de Gambelas. A cerimónia arrancou com a intervenção da reitora Alexandra Teodósio, que descreveu o momento como “muito especial para a UAlg”, não apenas por ser a inauguração de um novo edifício, mas por este ser um “espaço de criação,

Algarve

de pensamento, de encontro e de futuro”, que demonstra a importância “das artes na vida universitária, na vida da região e na vida da sociedade”

Salientando o processo exigente e desafiante que foi a construção do novo edifício, a reitora da UAlg referiu que esta obra “nasce da vontade dos estudantes, da sua persistência, da sua exigência e do seu desejo de terem um espaço digno, adequado e inspirador”, tendo sido realizada em “resposta direta às necessidades sentidas pelos estudantes, docentes e investigadores

das Artes”. Ainda no seu discurso, Alexandra Teodósio referiu que “investir nas artes é investir numa sociedade mais livre, mais criativa, mais consciente e mais democrática”, relembrando que as Artes “são hoje mais necessárias do que nunca”

Em representação dos estudantes da licenciatura em Artes Visuais, Ana Banon revelou que este novo edifício é “muito mais do que paredes novas”, é sim “um espaço onde as artes visuais podem existir com dignidade, continuidade e identidade própria”. Já o diretor da licenciatura, Pedro Cabral Santos, relembrou a criação do curso de Artes Visuais na UAlg e todos aqueles que, ao longo dos anos, foram imprescindíveis para o desenvolvimento do curso, agradecendo a todos os intervenientes que tornaram possível a criação deste novo edifício.

Também Luís Sérgio Vieira, diretor da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (FCHS), unidade orgânica onde se insere o curso de Artes Visuais, usou da palavra, indicando que este novo edifício “representa contestação, vontade e compromisso”. Depois, relembrou os fenómenos extremos de inundação em março de 2022, no Campus da Penha, local onde era lecionado o curso de Artes Visuais, que levaram à perda de trabalhos e materiais dos estudantes, e que foram um dos fatores que contribuíram para a urgência de criar um espaço para este curso. O diretor aproveitou a sua intervenção para agradecer publicamente aos estudantes, à anterior reitoria e administração da UAlg, responsáveis pelo projeto, bem como a todos os intervenientes que tornaram possível a concretização deste projeto.

A terminar a sessão de intervenções, a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, salientou a importância de “dar condições concretas a quem escolhe a cultura como caminho”, mencionando que o novo edifício “é, por isso, uma resposta que demonstra que as instituições sabem ouvir, reconhecer e agir quando estão em causa condições essenciais de desenvolvimento de uma área do conhecimento”. Contudo, “é também muito mais do que isso, porque investir em infraestruturas para as Artes não é apenas melhorar instalações, é afirmar uma visão sobre o papel da cultura, o papel que a cultura deve ocupar na sociedade e, em particular, no Ensino Superior”, relembrou a governante. Ainda no seu discurso, Margarida Balseiro Lopes frisou que “a formação nas Artes não pode ser vista como periférica ou acessória”, mas sim como “parte integrante de um sistema educativo que prepara, não apenas profissionais, mas pessoas,

cidadãos mais atentos, mais criativos e mais capazes de dialogar com o mundo que nos rodeia”. De seguida, foi descerrada a placa de inauguração do novo edifício, realizada uma visita a todos os espaços que este contempla e inaugurada a obra «Bote Negro: a paz, o pão, a autoconstrução», de Edgar Massul.

A construção desta nova infraestrutura, adjudicada pelo valor de 1 milhão, 574 mil e 208,75 euros, representa um investimento estruturante para a Universidade do Algarve, em particular, para a área das Artes Visuais. O novo edifício afirma-se como um espaço contemporâneo, versátil e preparado para o futuro. Organizado num único piso, integra um hall central pensado para acolher eventos e exposições, seis salas de aula especializadas – três laboratórios, uma sala de desenho, uma sala multimédia e uma sala de pós-graduação –, duas oficinas, dois estúdios de fotografia, analógica e digital, e ainda um bar com capacidade para 92 lugares.

Cabra de Raça Algarvia foi a protagonista de mais uma edição de sucesso da Terra de Maio

aldeia do Azinhal e a Cabra de Raça Algarvia estiveram em destaque, entre os dias 22 e 24 de maio, em mais uma edição da Terra de Maio, a Feira da Cabra que decorreu no Centro Multiusos para reviver as tradições algarvias e desfrutar da melhor música portuguesa.

Os saberes e sabores da Cabra de Raça Algarvia foram os protagonistas maior do evento, com a exposição de espécies deste animal e a oitava edição do Maior Queijo de Cabra de Raça Algarvia. Esta Terra de Maio ficou ainda marcada pela inauguração da exposição «Cabra Algarvia – Memória viva do Azinhal», que recordou a aldeia no passado e a sua grande ligação com esta espécie, com a

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina e Município de Castro Marim

inclusão de figuras de uma coleção doada pela família do falecido e reconhecido veterinário José Silva Lobo, um dos responsáveis, ao lado do antigo presidente da Junta de Freguesia daquela localidade, António Pereira, pela criação e dinamização da Associação Nacional dos Criadores de Caprinos de Raça Algarvia.

Durante o evento foi lançado publicamente, pela presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Filomena Sintra, e pela Reitora da Universidade do Algarve, Alexandra Teodósio, o Hub Criativo, que será um espaço construído para investigação e formação profissional, além de uma área para residências artísticas. A nível de espetáculos musicais, os grandes destaques deste ano foram Fábio

Lagarto, Bandidos do Cante e Miguel Azevedo, além de atuações de outros artistas como Pardais à Solta, Charanga los del Ruedo, Rancho Folclórico do Azinhal, Acordeanima, Ângelo Correia, Hugo Madeira, Sérgio Conceição e Adordeonistas.

Outro dos pontos altos deste evento foi o habitual seminário sobre temas como o potencial da alfarrobeira e da pitaia na utilização da água, os apoios à agricultura após tempestades ou a higiene e boas práticas na exploração da Cabra de Raça Algarvia. O edifício principal acolheu os habituais showcookings com a participação da Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António, Marco Costa, Vitória Santos, Jossara Martins, Alípio Branco, da cerveja artesanal Al’Drabona, Abílio Guerreiro e

Fátima Soares. Foi também anunciado o lançamento de um novo vinho de Almada D’ouro, no interior do concelho de Castro Marim, intitulado de Marquês do Guadiana. Houve igualmente mais um concurso para premiar os produtores da Cabra de Raça Algarvia e assinou-se um protocolo de colaboração, no âmbito das Faixas de Gestão de Combustível, entre o Município de Castro Marim, a Federação de Caçadores do Algarve e as associações e clubes de caça do concelho.

A par de tudo isto, a Terra de Maio contou ainda com demonstrações equestres, atividades infantis com a

especial participação e nova dinâmica assinada pela educadora Mariana Santos, feira de produtos regionais, demonstrações de artesanato, tiro com arco e workshops. Numa fase em que se discute e fala da resiliência dos territórios, acreditam as entidades envolvidas que esta é uma forma de alavancar outros setores, outras atividades e torná-los mais resilientes e atraindo novos habitantes.

A Terra de Maio foi organizada pelo Município de Castro Marim, em colaboração com a Junta de Freguesia do Azinhal.

OPTO recebeu milhares de jovens à procura de oportunidades de futuro

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Município de Albufeira

OPTO, o maior Fórum de Educação e Formação do sul do país, realizouse em Albufeira e juntou cerca de 10 mil visitantes. O evento contou com a participação de 58 entidades de diversos setores, incluindo universidades de vários pontos do país.

A XII edição do OPTO aconteceu entre 13 e 15 de maio, no Pavilhão Desportivo de Albufeira, com dezenas de expositores e um programa de animação composto por mais de 150 atividades. O Fórum de Educação e Formação do Algarve foi organizado pela Câmara Municipal de Albufeira, em conjunto com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), atraindo alunos do ensino básico e secundário, professores e pais e encarregados de educação.

O espaço recebeu entidades de setores como o Ensino Secundário e Profissional, Ensino Superior, Línguas, Mobility & Study Abroad, e vários outros, com o objetivo de dar a conhecer aos alunos um conjunto diverso de oportunidades e apoiar o processo de tomada de decisão sobre os próximos passos dos seus percursos formativos. No final do OPTO, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira fez um balanço “muito positivo” do evento. Para Rui Cristina, “é fundamental apoiarmos os nossos

jovens a tomar as decisões certas, e assim ajudar a construir o futuro da nossa comunidade”. “Queremos um concelho com mais energia e inovação, e os jovens estão no centro do processo transformador que estamos a empreender”, acrescentou o edil.

A edição de 2026 do OPTO inseriu-se no âmbito da programação oficial «Albufeira Cidade Europeia do Desporto 2026» e contou com cobertura da Rádio Universitária do Algarve (RUA).

ACTA ESTREOU

DE INÊS FILIPE EM

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

«PETRÓLEO» EM FARO

ACTA – A

Companhia de Teatro do Algarve estreou o espetáculo «Petróleo», de Inês Filipe, no Teatro das Figuras, no dia 14 de maio, e no Teatro Lethes, no dia 16 de maio.

«Petróleo» é um espetáculo de teatro que parece, inicialmente, tratar uma dinâmica de um triângulo amoroso: um casal heterossexual (Carmo e André) mantém uma relação moderna e cheia de permissões para com um amigo de longa data (Fábio). Conforme a noite avança,

compreendemos como essa dinâmica está repleta de discretos sedimentos de convenções que nos acompanham há séculos. O controle sobre o outro, o vazio afetivo, o sentimento de posse, o medo da perda, a distorção da noção de desejo do outro… «Petróleo» acaba por colocar em cena matérias inflamáveis para a relação humana. E também como essa decomposição das relações se alastra, sem que nenhum dos envolvidos a pareça conseguir estancar, como se de uma mancha de petróleo se tratasse.

O texto do espetáculo é de Inês Filipe, vencedora do Prémio Novas Dramaturgias José Louro 2025

organizado pela ACTA, pelo Teatro das Figuras e pelo CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. A encenação de Sara Vicente, que se estreia nestas funções, optou por inverter a sequência cronológica cénica do texto original. Em palco estão os atores Carlos Pereira, Carolina Teixeira e Tiago Leal, que interpretam as personagens em conflito.

O espetáculo é uma coprodução da ACTA e do Teatro das Figuras com o

apoio da Metalofarense, S.A. e da Rolear, S.A. Trata-se da 92.ª produção da ACTA, uma companhia profissional sediada em Faro, com mais de 25 anos de criação, produção e difusão teatral. A ACTA é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto, DGArtes – Direção Geral das Artes, com o apoio do Município de Faro, com o apoio institucional da AMAL –Comunidade Intermunicipal do Algarve, e os parceiros Algarve Informativo, RUA FM – Rádio Universitária do Algarve e Conectv Algarve.

MOSTRA ESCOLAR ESPETÁCULO ARRANCOU COM «ESTÚDIOS NUVEM

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

DE ARTES DO ARRANCOU NO TEMPO NUVEM BRANCA»

o longo do mês de maio, o TEMPO –Teatro Municipal de Portimão acolheu mais uma edição da Mostra Escolar de Artes do Espetáculo, uma celebração do talento jovem e da expressão artística em contexto escolar. Assim, entre 6 e 29 de maio, o Agrupamento de Escolas da Bemposta, o Agrupamento de Escolas Júdice Fialho, o Agrupamento de Escolas Manuel Teixeira Gomes e o Agrupamento de Escolas Eng.º Nuno Mergulhão subiram ao palco do Grande Auditório para apresentar o resultado de vários meses de trabalho criativo, cabendo a estreia a «Estúdios Nuvem Branca», do Agrupamento de Escolas da Bemposta. A

peça é uma adaptação de Pedro F. G. Mendes a partir da obra «Vanessa Vai à Luta», de Luísa Costa Gomes, para teatro-cinema, integrando o Plano Cultural de Escola e os cursos profissionais Intérprete/Ator/Atriz, Cordas e Tecla.

O projeto artístico-pedagógico Mostra Escolar de Artes do Espetáculo, já afirmado como uma referência cultural local, envolve professores, alunos e a comunidade, cruzando diferentes linguagens artísticas como o teatro, a música, a literatura e o movimento. Com sessões dirigidas a escolas e ao público em geral, a mostra constitui uma oportunidade única para descobrir a sensibilidade artística das novas gerações.

GRUPO BELGA ÃO APRESENTAÇÃO DO

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Jorge Gomes

ÃO ATUOU NA DO FESTIVAL MED

Cineteatro

Louletano assistiu, no dia 23 de maio, à apresentação final da 22.ª edição do Festival MED, numa noite que contou com um concerto do grupo belga Ão, que é a primeira confirmação para o alinhamento musical do MED em 2027.

A banda é uma encantadora mistura de música eletrónica, art pop, saudosismo e música latina alternativa. O quarteto evoluiu para uma voz singular que desafia limites e resiste a todos os rótulos de género, um pouco na senda de Stromae, Rosalía ou C. Tangana.

Brenda Corijn, inspirada pelas suas raízes moçambicanas e portuguesas, canta em português e inglês. A voz calorosa e magnética entrelaça-se com as linhas de guitarra ensolaradas de Siebe Chau, a eletrónica complexa de Jolan Decaestecker e a percussão eclética de Bert Peyffers. Em palco, os Ão oferecem uma experiência que tem hipnotizado o público por toda a Europa. O seu som dinâmico – que transita entre melodias delicadas e batidas dançantes – envolve os ouvintes num mundo fascinante, onde nunca se sabe ao certo o que vem de onde. Os Ão lançaram, em fevereiro, o seu novo álbum, «Malandra», uma ode à complexidade, à multiplicidade e à beleza da «procura» em todas as suas formas.

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