

ALGARVE INFORMATIVO
18 de abril, 2026


ÍNDICE
Mirian Tavares (pág. 18)
João Ministro (pág. 22)
Júlio Ferreira (pág. 26)
Visita oficial reaviva laços de amizade entre Lagos e Alcácer Quibir (pág. 34)
Delegação Regional da ANAFRE Algarve tem novos órgãos sociais (pág. 42)
«A Água e o Mar para mim» (pág. 56)
1.º Albufeira Radical (pág. 74)
Taça de Portugal de Ginástica Acrobática em Albufeira (pág. 82)
«Sensível» de Maurícia | Neves no Cineteatro Louletano (pág. 102)
«Quebra Nozes» no Teatro Lethes (pág. 114)


















Project Room – Alexandre Oliveira Martins
Mirian Tavares, professora
Pensei o quanto desconfortável é ser trancado do lado de fora; e pensei o quanto é pior, talvez, ser trancado no lado de dentro. Virginia Woolf
irgínia Woolf, num conjunto de ensaios a que chamou A Room of One's Own, fala sobre a relação entre as mulheres e a escrita de ficção. Para ela, uma mulher só poderia escrever ficção se tivesse “um quarto todo seu”. O quarto é o espaço do recolhimento, da intimidade. É a parte da casa que nos acolhe na nossa plenitude, com nossas lágrimas, risos e com nosso desespero. É o espaço da partilha connosco mesmos, o lugar onde deixamos as máscaras e assumimos finalmente o papel de sermos quem somos. É o lugar de pertença e de pertencimento, é o meu (nosso) lugar. É também o lugar da escrita, longe dos olhos alheios, é um lugar de efabulação.
Alexandre Martins, ao ser convidado a desenvolver um trabalho para o Project Room, espaço consagrado à experimentação pela Associação 289, decidiu assumir o quarto como um lugar de pertencimento, de memórias, mas também de partilhas. Um quarto para o qual ele convidou, ou convocou, os meus textos - memórias, imagens de infância, pensamentos íntimos, que ele usa como base para suas criações. Para mim foi um prazer colaborar com o artista, deixando que ele revisitasse meus textos, alguns já
esquecidos, que ganham nova vida através das suas criações. Os textos, e imagens, são a matéria da qual ele dispõe para criar dispositivos digitais. A sua arte parte da materialidade das palavras que se convertem em desenhos, em espaços, num emaranhado de sentidos, nunca óbvios, que redimensionam o que estava escrito. Dão densidade às letras, novos sentidos às palavras que, entrelaçadas às imagens, confundem-se com elas – nunca se sabe onde a imagem é rasto do real onde ela é um conjunto intricado de sentidos. O quarto é o lugar da memória, da escrita, o lugar do eu. O artista confunde as suas próprias memórias com as minhas. Usa suas imagens de infância, minhas imagens, textos de vidas que vivi e outros que poderiam ter sido vividos por ele, numa tessitura densa, quase indiscernível – não se sabe onde começa o eu e onde acaba o outro. O projeto é usar o quarto como lugar da experiência, desvendando o que, normalmente, não sai das quatro paredes, não habita o restante da casa. Além dos meus textos, Alexandre Martins pediu-me os objetos de gaveta, aqueles de que nos esquecemos.
“(…) estava a desembrulhar uma camisa e, de repente, dei por mim a pensar na minha infância. Estranha associação,

pode parecer à partida. Mas a verdade é que adorava ir, depois das aulas, à loja de pronto-a-vestir do pai da minha melhor amiga. Ver as camisas nas caixas, algumas com tampa transparente, depois os alfinetes e a maneira como elas eram dobradas, arrumadas. Gostava de levar para casa os alfinetes, os papelões que protegiam o colarinho e os punhos. Minha mãe me perguntava para que é que eu queria aquelas coisas inúteis. Para nada, claro. Gostava de tê-las comigo um bocado, como outras pequenas coisas que gostava de ver e que também, cumprida a sua função, não serviam para nada. Como o papel roxo que cobria as
maçãs, que vinham em caixas de madeira. Gosto de coisas que ficam bem a embrulhar outras coisas, pacotes, laços, papéis... Pequenos objetos cuja utilidade se finda quando abrimos o pacote. Eu muitas vezes queria que eles perdurassem, um bocadinho mais que fosse. o tempo da minha mãe dizer: está na hora de deitá-los ao lixo”.
O projeto é, sobretudo, de partilha. Cada obra exige, do público, a capacidade de desvelamento, instiga a curiosidade sobre a emergência das memórias e da sua materialização no universo da arte digital.
Foto: Isa Mestre


Algarve, destino de caminhadas (a melhorar)
João Ministro, empresário e engenheiro do ambiente
uem tem por hábito
acompanhar as notícias que vão surgindo sobre a região ao nível do seu desempenho turístico, deve ter lido, com alguma surpresa, sobre o 3.º lugar conquistado pelo Algarve enquanto destino de referência para a prática de caminhadas na Europa. Este reconhecimento resulta da votação levada a cabo pelos assinantes de revista alemã da especialidade (mais de 35 mil seguidores) que escolheram esta região como a mais popular para esta actividade, depois dos Dolomitas (1.º lugar) e da Bretanha (2.º lugar).
Este reconhecimento deve deixar-nos orgulhosos e satisfeitos. O percurso que a região tem vindo a percorrer nos últimos 20 anos ao nível da diversificação da oferta e da aposta em outros segmentos que não o Sol e Praia ou o Golfe, revela que algo foi bem feito e que os resultados estão à vista.
Claro que isto já era percepcionável por quem, como eu, acompanha profissionalmente esta área desde 2004. Mas é preciso uma evidência destas, vinda de fora, na forma de um prémio, para que todos, mesmos os mais cépticos e desinteressados, festejem a conquista.
O caminho foi árduo e nem sempre fácil. Naquilo em que tive o prazer de participar,
relembro as dificuldades iniciais em conseguir, por exemplo, o envolvimento e apoio da Região de Turismo do Algarve para a Via Algarviana – projecto que coordenei entre 2004 e 2010 – que, somente em 2007, com as mudanças na sua direcção, permitiu novos horizontes e vontades em explorar e apoiar outros segmentos, incluindo o das caminhadas. Também recordo as centenas de reuniões de trabalho, nomeadamente com autarquias, com o intuito de explicar a pertinência deste projecto e seu potencial impacto na região, designadamente seu interior. O mesmo com a Rota Vicentina, projecto que igualmente acompanhei desde a nascença. Foram «partos» exigentes, com milhares de horas e papéis gastos em procedimentos, relatórios, candidaturas, pedidos de pagamento, pedidos de apoios, etc etc.
Sabíamos – a Associação Almargem sabia bem disto desde o início dos anos 90 – que a região tinha grande potencial para esta segmento. E hoje tal fica mais evidente.
Mas nem tudo são rosas e, ainda que tudo isto se revista de um positivismo incontestável, há que estar atento ao que se passa no terreno. Os caminhos, essa infraestrutura essencial nesta actividade, vão perdendo o seu valor. Muitos estão a ser artificializados, ocupados ou até destruídos. Ao contrário de outros países, por cá pouco se protegem os caminhos públicos e mal se sabe quais – salvo honrosa excepção de

Santa Bárbara de Nexe que, por iniciativa do seu presidente de junta, fez um trabalho notável de cartografia e classificação dos mesmos no seu território.
Por outro lado, o fenómeno de massificação também já se nota em alguns percursos específicos. O caso dos «7 Vales Suspensos» é exemplo disso. Este trilho é hoje palco de uma massiva procura, com claros impactos no local: imenso lixo, proliferação de trilhos, degradação da vegetação, barulho, invasão de zonas interditas, acampamento selvagem, entre outros aspectos pouco dignificantes da actividade e para o local. Mesmo a Rota Vicentina, no seu Trilho dos Pescadores, junto à costa, começa a ter picos de forte afluência nalguns sectores. Por tudo isto, importa encontrar formas de gerir cargas em zonas sensíveis.
Convém também salientar que esta actividade requer melhores qualificações dos seus profissionais. Um guia de caminhadas – ou outro qualquer, na verdade –, não significa apenas saber levar pessoas por um qualquer caminho. Tem de ter conhecimentos sobre o local, o seu património, seus valores e sensibilidades. Tem de saber sobre segurança e prevenção de riscos e estar capacitado a intervir em casos de acidentes. Tem de cumprir regras em áreas protegidas. Apesar disso, hoje,
porém, basta obter um alvará e começar a guiar percursos, independentemente de onde for.
O Algarve tem hoje infra-estruturas que estão na base deste reconhecimento, sobretudo a Via Algarviana e a Rota Vicentina. Há que saber apoiá-las, cuidá-las, mantê-las e garantir a sua boa gestão. O envolvimento das entidades publicas e privadas é, neste capítulo, essencial.
Mas também é a necessidade de olhar o Algarve no seu todo e decidir o futuro da actividade na região. É preciso mais percursos pedestres? Então e as centenas que já existem cuja manutenção de muitos ninguém a faz? Ou aqueles instalados em locais completamente despropositados e sem qualquer mais valia para o destino e para a actividade em si? Há sempre coisas a fazer. É natural. A realidade assim nos vai alertando, seja ela a realidade regional ou a internacional. Não esqueçamos que não estamos sós neste mundo competitivo que é o turismo de natureza.
Mas por agora aproveitemos o momento e celebremos esta notícia. O Algarve está de parabéns e todos os que trabalharam para isso merecem um agradecimento. O Turismo do Algarve, a Associação Rota Vicentina, a Associação Almargem, os municípios e muitas empresas que operam neste sector.
O Algarve já é um destino de excelência para o Sol e Praia, o Golfe e agora para as Caminhadas. Mas o Algarve pode ser muito mais. Pode ser um destino de excelência de usufruto responsável da Natureza e da Cultura cujo potencial tem muito por desenvolver. Vamos a isso!



“O
Padre, a Vizinha e a Bruxa” Júlio
Ferreira, inconformado encartado
minha prima enviou-me um texto com a nota: “Boa matéria para uma crónica”. Concordei e pensei em escrever sobre a minha larga experiência no assunto. Antigamente, quando alguém tinha um problema, recorria a três entidades devidamente certificadas pela tradição: o padre, a vizinha e a bruxa. Era um sistema simples, funcional e, acima de tudo, honesto.
O padre tratava da parte espiritual com soluções universais. Independentemente do problema, desgosto amoroso, crise existencial, pé chato ou até queda de cabelo, a resposta era invariavelmente três atos de contrição e uma Ave-Maria. Uma consistência que hoje seria vista como falta de personalização, mas que revelava uma confiança inabalável no método.
A vizinha tratava do resto. Não tinha formação, nem informação, mas tinha opinião o que, como sabemos, continua a ser o mais importante. E fazia uma coisa hoje praticamente extinta: dizia diretamente o que pensava, sem recorrer a expressões como “num espaço seguro” ou “do ponto de vista do teu processo”.
A bruxa, por fim, oferecia aquilo a que hoje chamaríamos uma explicação alternativa. Tudo se resumia a meia dúzia de causas universais: inveja, quebranto ou mau olhado. Um modelo simples, mas surpreendentemente abrangente. Havia ali uma elegância quase científica.
Eu próprio fui cliente deste sistema que tinha uma característica notável: ninguém fingia que aquilo era ciência. Segundo a minha mãe, quando eu era pequeno sofria (alegadamente) muitas vezes de mau olhado, quebranto ou mal de inveja, ao ponto de desmaiar. A solução era ir à vizinha da frente na rua de Francisco L. Amado, bem perto do antigo mercado do peixe (hoje Alameda da República) em Portimão, que tratava do assunto com um pires, azeite e fé. Este era igualmente um ato de amor e de comunidade. Lembro-me da minha avó Carolina, anos mais tarde, a repetir o ritual. O pires branco, o azeite num copinho de café, a água límpida. O dedo mergulhava no azeite, o sinal da cruz desenhava-se no ar e as palavras saíam em murmúrio: “Deus te viu, Deus te criou, Deus te livre de quem para ti mal olhou”. Depois vinham as gotas. Se o azeite abria, estava confirmado: o mal tinha pegado. Se não, estava tudo em ordem. Diagnóstico claro, sem margem para interpretações criativas.

Nenhuma destas figuras falava em “processos”. Ninguém sugeria que estivéssemos “em construção”. Muito menos se insinuava que o problema pudesse ser uma falha na nossa capacidade de nos escutarmos a nós próprios. Se alguém, na altura, quisesse “encontrar o seu interior”, provavelmente era mandado cavar a terra não como metáfora, mas como atividade útil. E o curioso é que isto funcionava. Não porque resolvesse os problemas, raramente resolvia, mas porque oferecia clareza. Alguém dizia qualquer coisa com convicção, e isso bastava para seguir em frente, nem que fosse por teimosia.
Entretanto, evoluímos. Hoje, perante o mesmo desconforto existencial, evitamos o padre, dispensamos a vizinha e substituímos a bruxa por versões mais sofisticadas: coaching, tarot, astrologia. Mudou a linguagem, não o conteúdo. O que antes era inveja passou a ser Mercúrio retrógrado. Aquilo que antes
era “alguém te quer mal” passou a ser “o universo está a testar-te”. O que era mau olhado tornou-se desalinhamento energético. E o clássico “aguenta-te” evoluiu para “abraça o teu processo”. No tarot baralham cartas até aparecer uma que explique a nossa vida. Se não explicar, baralha-se outra vez, o que é um método que, curiosamente, nunca foi adotado pela medicina, mas talvez devesse. Aliás, os estudos que foram feitos ao tarot mostraram que é tão eficaz a prever o futuro como a temperar saladas. A astrologia, que conseguiu o feito notável de pegar em doze signos e aplicá-los a oito mil milhões de pessoas com resultados suficientemente vagos para parecerem específicos, e tantas outras coisas onde pessoas desesperadas pela doença ou outros azares da vida gastam muito dinheiro mesmo, por vezes o que têm e o que não têm. O que era “tu és assim um bocado complicado” transformou-se em “tens bloqueios emocionais por resolver”. Também o pagamento evoluiu. Onde antes bastavam batatas ou um queijo, hoje exige-se transferência bancária e marcação prévia. Perdemos a informalidade, ganhámos profissionalismo.
E depois há os signos. Doze categorias para oito mil milhões de pessoas o que dá cerca de 630 milhões por signo. Quando alguém percebeu que isto não fazia grande sentido, inventaram-se ascendentes, luas e mapas astrais, uma espécie de camadas extra para justificar qualquer falha. Enquanto escrevo, consulto as previsões do meu signo, feitas por vários astrólogos para hoje. Todas diferentes. Surpreendidos? Eu
também não. Se eu vos fizer a seguinte leitura astral, com mapas e tudo para parecer uma coisa à sério: És uma pessoa honesta e que preza a sinceridade. És amigo do teu amigo, mas se uma pessoa não for leal contigo nunca mais esqueces, embora possas perdoar. Por fora, usas uma capa de pessoa forte, mas, no fundo, és dotado de uma forte sensibilidade e tens momentos de grande insegurança e tendes a ser muito crítico em relação a ti mesmo. Em certos ambientes consegues ser extrovertido, mas precisas de te resguardar e carregar bateria estando algum tempo isolado.
Quantos se identificaram? É o chamado Barnum effect que faz com que nos identifiquemos com frases vagas e ambíguas que se aplicam a quase toda a gente. Nenhuma leitura astral dá o seguinte resultado: “És uma merda de pessoa. Não sabes fazer rotundas, ouves música da treta. Marte está na terceira casa e tu devias ir para dar uma volta ao bilhar grande. Obrigado e volte sempre”.
Andam os cientistas a tentar perceber se a nossa personalidade é mais influenciada pela genética ou pela educação e envolvente cultural, quando esta gente doutorada em Hogwarts e com mestrado da Disney já resolveu o mistério e, afinal, é tudo culpa das estrelas e dos planetas. Alguns de vós devem estar a pensar que sou arrogante e que devia ter a mente mais aberta, mas não me interpretem mal: conheço exceções. Pessoas sensatas, até úteis. Mas coexistem com uma quantidade apreciável de indivíduos que, com grande confiança, nos devolvem aquilo que já
sabíamos apresentado como descoberta… a troco de muitos euros.
Conheço pessoas inteligentes que acreditam no tarot, tal como acreditam nos signos. Todos nós temos áreas da nossa vida em que deixamos a inteligência em casa. Faz parte. Todos os anos acredito que o Benfica vai ser campeão. São crenças infundadas que todos temos. Acho que o futuro pode ser previsto nas cartas da mesma forma que se pode prevê-lo nas borras do café, nos intestinos de uma cabra ou num teste de Rorschach feito num papel higiénico usado depois de uma feijoada.
Antigamente, ninguém fingia que aquilo era ciência. Hoje, sabe-se exatamente o suficiente para parecer que se sabe muito. No fundo, nada mudou. Continuamos à procura de respostas. Só mudou o embrulho. Antes chamava-se superstição. Hoje chama-se desenvolvimento pessoal. E, no entanto, permanece uma suspeita desconfortável: em muitos casos, a vizinha teria resolvido o assunto mais depressa. Não melhor, mas mais depressa. E, sobretudo, sem necessidade de agendamento. O que, convenhamos, continua a ter o seu valor.
PS: Para efeitos legais, o autor não se revê neste texto, que foi claramente escrito sob influência do Arcanjo Vítor d’Estômbar.

Abram alas para a História Museu
Municipal de Faro: sem barreiras
ma cadeira de rodas desliza pelo claustro renascentista do antigo Convento de Nossa Senhora da Assunção. O gesto simples, hoje possível graças ao novo elevador e às rampas de acesso, simboliza uma mudança profunda: o Museu Municipal de Faro abriu-se, em 2024, a todos os visitantes, sem barreiras físicas.
No coração da Cidade Velha, vizinho da Sé, do Seminário Episcopal e da Câmara Municipal, o museu ocupa um lugar central na zona mais emblemática da cidade. O centro antigo, feito de algumas ruas estreitas, largos arejados e casas que alternam entre o desgaste do tempo e a renovação, ganhou assim um equipamento cultural mais acessível, capaz de receber, não só a comunidade local, mas também os milhares de turistas que todos os anos procuram Faro como porta de entrada no Algarve.
À noite, a transformação impressiona ainda mais: o claustro, antes mergulhado em sombra, revela-se agora com uma iluminação cénica que desenha as arcadas e valoriza a arquitetura. É uma nova forma de apresentar a História —

mais visível, mais inclusiva e mais envolvente.
Esta foi a primeira etapa de um plano de conservação programada a dez anos, apoiado pelo ALGARVE 2030. Para além das acessibilidades e da luz, estão previstas redes técnicas modernizadas e a

criação de oficinas de conservação e restauro num edifício anexo, transformando o museu num espaço que é ao mesmo tempo guardião, laboratório e palco.

Foto: Museu Municipal de Faro




Visita oficial reaviva laços de amizade entre os municípios de Lagos e Alcácer Quibir
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
iderada por Mohamed Simou, presidente do Conselho Municipal de Ksar El Kebir (Alcácer Quibir), uma comitiva de representantes dos órgãos do município de Alcácer Quibir e da província de Larache, assim como dos setores da Cultura, Património, Artes, Educação, Atividades Económicas e Turismo, esteve, pela segunda vez, em Lagos, numa visita oficial a convite da Câmara Municipal de
Lagos que teve como intuito reavivar os laços de amizade que ligam as duas comunidades.
Do programa desenhado para o efeito destacaram-se os momentos de cariz protocolar e maior simbolismo institucional decorridos no dia 9 de abril, os quais tiveram início com uma sessão solene, realizada no Edifício Paços do Concelho Séc. XXI, que contou com a presença de José Alberto Alegria (Cônsul Honorário do Reino de Marrocos no
Algarve), em representação do Embaixador do Reino de Marrocos em Lisboa, e de Bruno Inácio, VicePresidente da CCDR Algarve para a área da Cultura, onde não faltaram os sons da música portuguesa (com dados interpretados por Helena Candeias) e da música marroquina (pela voz de Rachid Bouasria).
Coube a Frederico Mendes Paula, Chefe da Equipa Multidisciplinar de Projetos Estratégicos para o Centro Histórico de Lagos e principal dinamizador do plano de ação da geminação, enquadrar a sessão e apresentar as principais atividades realizadas, destacando o projeto para a criação do Centro de Interpretação de Alcácer Quibir, em solo
marroquino, no local onde o Rei D. Sebastião esteve primeiramente sepultado durante quatro meses, entre outras iniciativas relacionadas com o estudo e divulgação do património. Hugo Pereira, presidente da Câmara Municipal de Lagos, assinalou a presença, na sessão, da sua antecessora no cargo, a então presidente Maria Joaquina Matos, cuja vontade política foi determinante para esta aproximação institucional, recordando as visitas e encontros oficiais realizados desde 2018, primeiramente em Alcácer Quibir, para a assinatura do Acordo de Geminação, depois em Lagos, em outubro do mesmo ano, onde o Protocolo foi ratificado, e novamente em Alcácer Quibir, em 2019, para a inauguração da Avenida Lagos.


A pandemia veio, segundo o autarca, condicionar o ritmo dos trabalhos, os quais foram retomados em 2025, com a criação de uma escultura evocativa da geminação e a atribuição do topónimo Avenida de Alcácer Quibir a uma artéria da cidade de Lagos, testemunhos da amizade que se foi construindo e que agora eternizam a relação entre as duas comunidades. Por sua vez, o homólogo marroquino, Mohamed Simou, visivelmente satisfeito pelo retomar dos contactos, sublinhou o incentivo subjacente ao apoio que o Acordo de Geminação e os projetos associados têm merecido por parte do Rei Mohammed VI e do Ministro da Cultura de Marrocos, informando que o edifício onde, no século
XVI, esteve sepultado o monarca português falecido na batalha, alberga atualmente uma exposição sobre o património português em Marrocos e a herança cultural dessa presença.
Grato pela solidariedade manifestada pelo Município de Lagos aquando das recentes inundações provocadas pelas chuvas intensas que assolaram a província de Larache no nordeste de Marrocos, com especial gravidade na localidade de Ksar El Kebir, obrigando à evacuação de cerca de 85 por cento da população, Mohamed Simou sublinhou que a relação entre o povo marroquino e o povo português é uma relação forte. Isso mesmo é evidenciado pelo crescente número de projetos desenvolvidos em



parceria, como é o caso da organização conjunta de Portugal/Espanha/Marrocos para o Mundial de Futebol de 2030 ou a participação de Portugal como país convidado de honra no Salão Internacional de Agricultura de Marrocos 2026, um dos maiores eventos agrícolas do mundo que decorre este mês em Meknes.
Quem também usou da palavra foi Abdelhakim El Ahmadi, presidente do Conselho Provincial de Larache, para quem a ligação à história e herança cultural deve ser alargada a outros projetos, nomeadamente de âmbito turístico, para que a relação de amizade existente possa gerar resultados práticos e contribuir para a economia local. Nesse sentido, sugeriu a troca de experiências entre técnicos e estruturas oficiais, assim como entre escolas e jovens estudantes, reiterando o apoio do governo da
província de Larache aos projetos a desenvolver em parceria.
José Alberto Alegria, Cônsul Honorário de Marrocos no Algarve, salientou e elogiou os três principais aspetos a reter desta relação de amizade: a continuidade, que tem permitido atravessar e sobreviver a vários ciclos políticos autárquicos; o mérito desta fórmula de cooperação descentralizada, que aproxima mais as pessoas; e o contributo que dá para aprofundar o conhecimento do outro, nomeadamente nas escolas, no desporto e através do turismo. Por fim, defendeu também a concretização da ligação marítima regular entre Marrocos (Tânger) e Portugal (Algarve/Portimão), uma operação que já chegou a ter data marcada para arrancar.
Em representação da CCDR Algarve, Bruno Inácio aludiu a Alcácer Quibir como

um dos locais que mais vive no imaginário dos portugueses, associado ao mito do Sebastianismo, considerando “particularmente relevante que de um evento letal com muitos mortos envolvidos tenha nascido, séculos depois, uma relação de amizade, sobretudo à luz do atual quadro internacional tão tenso”
Acompanhando o desejo de que estes eventos sejam não apenas institucionais, mas possam envolver outros setores, resultando em momentos colaborativos concretos, o vice-presidente da CCDR Algarve, recordou que a internacionalização é a prioridade definida pela tutela para a Cultura, existindo linhas de financiamento para projetos no contexto da União Europeia, e defendendo, igualmente, que possam existir apoios para a colaboração cultural
com países terceiros, como é o caso de Marrocos.
O dia terminou com o descerramento da placa toponímia «Avenida de Alcácer Quibir» atribuída a uma das principais artérias de acesso à cidade de Lagos e, no mesmo local, com a inauguração do monumento comemorativo da geminação entre os dois municípios. Presente na cerimónia, Pedro Correia, autor da obra, explicou o significado desta peça abstrata, a qual simboliza os dois exércitos que se defrontaram na batalha e, simultaneamente, as duas cidades agora unidas, sendo que as duas partes da escultura de mármore, aplicada em base de pedra calcária, embora semelhantes, não são totalmente iguais, complementando-se, tal como acontece com os povos, cuja diferença cultural importa reconhecer e respeitar.



Delegação Regional da ANAFRE
Algarve tem novos órgãos sociais
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
ealizou-se, no dia 10 de abril, a eleição dos novos Órgãos Sociais da Delegação Regional da ANAFRE Algarve para o período 2026/2030, naquele que foi o IX Encontro de Autarcas de Freguesias do Algarve, no Restaurante O Museu, em Boliqueime. Nelson Brazão, presidente da Junta de Freguesia de Boliqueime, foi eleito Coordenador Regional do Conselho Direito e Carlos Sousa é o novo presidente da Assembleia Geral, num momento que simboliza a renovação da missão de representar, apoiar e valorizar o poder local, reforçando o papel fundamental das freguesias junto das populações.
Na ocasião, Nelson Brazão deixou palavras de agradecimento ao anterior Coordenador, João Simões, e a toda a equipa, sendo que grande parte continua em funções no novo mandato. “Temos uma equipa coesa e capacitadíssima para defender e honrar o poder autárquico local. Uma equipa unida, composta com elementos de todas as forças políticas do nosso Algarve, porque um pode fazer coisas boas, mas todos juntos vamos aborrecer muitas pessoas e entidades para defender as Juntas e realizar um belíssimo trabalho”, assegurou, começando logo por dizer que, “para que possamos fazer um bom trabalho, é necessário que seja revisto o Estatuto do Eleito Local, principalmente as remunerações de todos os autarcas”. “As exigências são




mais que muitas e as remunerações não se coadunam com as responsabilidades. O Presidente da Junta de Freguesia não pode ter uma remuneração inferior ao de um Coordenador Técnico e os tempos inteiros devem ter em conta, não só o número de eleitores, mas também a receita corrente. Com o assumir das novas competências, temos Juntas com orçamentos superiores a 1 milhão de euros, mas, porque não têm eleitores suficientes para dois ou mais tempos, não podem ter mais nenhum elemento a tempo inteiro. A legislação a cumprir pelas freguesias não se distingue pelo número de eleitores, o trabalho é o mesmo com 100 ou 100 mil eleitores. E nas zonas mais desfavorecidas permitiria ao presidente tomar mais medidas para combater a desertificação”, defendeu Nelson Brazão.
O presidente da Junta de Freguesia de Boliqueime considera que os membros das Assembleias de Freguesia estão igualmente mal remunerados para as responsabilidades e funções que têm e desempenham. “As reuniões de Assembleia de Freguesia já têm durações de algumas horas, as atas são intermináveis, as mesas passam imenso tempo de volta delas, e isso tudo por pouco mais de 15 euros”, justificou. “É urgente rever estas situações, sob pena de, dentro de alguns anos, não termos cidadãos disponíveis para compor os órgãos autárquicos. E todos sabemos a dificuldade que já existe para constituir listas”, frisou.
Para Nelson Brazão, a transferência de competências é uma ferramenta muito benéfica para as duas partes envolvidas “e serve principalmente para melhor




servir as pessoas” “As Juntas estão mais próximas, todos sabem onde mora o Presidente, Secretário, Tesoureiro ou os vogais. Nós somos o equilíbrio do poder autárquico local, fazemo-lo com mais proximidade, bem e com maior celeridade, por o meio ser de menor dimensão. Desta forma libertamos os Municípios para se dedicarem a outros trabalhos, tendo disponíveis mais recursos para outras funções de maior relevância para o território”, entende o autarca, que declarou ainda que “o Governo tem de dotar as juntas de maior desafogo financeiro para que possam desenvolver projetos que valorizem as nossas terras” “Ter verbas, recursos humanos, equipamentos e simplificação das candidaturas são os pontos-chave para desenvolvermos os nossos territórios e principalmente as zonas mais desertificadas. A contratação pública é de momento o maior entrave ao
desenvolvimento de qualquer território, devido à sua complexidade e dificuldade em cumprir. Os valores têm de ser atualizados. Expliquem ao Sr. Zé que temos de fazer um concurso público para arranjar 1 metro quadrado da calçada em frente à sua porta, porque já esgotámos os ajustes diretos e a consulta prévia. Temos de simplificar processos e fiscalizar mais. Assim é impossível prestar um bom serviço público”, referiu no seu discurso. “Temos enormes desafios pela frente, mas todos juntos vamos fazer a diferença. Não nos esconderemos e iremos sempre à luta para defender as nossas freguesias”, garantiu.
Juntas de Freguesia precisam de mais apoio
Presente na cerimónia esteve José Apolinário, presidente da CCDR Algarve,




que agradeceu o trabalho que cada presidente de Junta faz para prestigiar o poder local e a relação que existe com o serviço e a política pública. “Assumimos como compromisso apoiar a ação e as iniciativas das freguesias, dinamizando as candidaturas ao Portugal 2030, desde logo com o Programa PADRE e o Instrumento Territorial Integrado Água e Ecossistemas de Paisagem, para incrementar a eficiência energética e digitalização, fomentar a biodiversidade e o potencial dos recursos endógenos, e para aumentar a capacitação dos eleitos locais para responderem à descentralização e ao exercício das novas competências”, afirmou José Apolinário. “Precisamos reforçar esta política de proximidade e o papel das juntas de freguesia, e precisamos também capacitar os coordenadores técnicos, porque a
melhoria da legislação, da contratação pública, do controlo administrativo, é tanta e nasce de uma forma tão criativa, que o trabalho hoje de um autarca é, de facto, muito exigente. A exigência em termos de Serviço Público só se reforça com maior capacitação, com dignificação do poder local, com valorização da política de proximidade e do serviço público que cada uma e cada um de vós faz junto dos cidadãos. E nesse desafio e exercício podem contar com a CCDR Algarve”, assegurou.
A cerimónia formal encerrou com as palavras de Jorge Amador, vicepresidente da ANAFRE – Associação Nacional de Freguesias, que abordou algumas das questões que foram levantadas durante o jantar. “Os CTT são uma empresa privada cotada em bolsa, uma decisão que foi mal tomada,





porque até nos Estados Unidos o serviço postal é público. Porque é que em Portugal é privado? Qualquer diretor comercial que tenha um tratamento menos adequado com os autarcas, isso deve ser relatado à ANAFRE, porque nós não brincamos em serviço”, aconselhou.
Relativamente à Lei das Finanças Locais, Jorge Amador lembrou que a associação já apresentou uma proposta, da qual consta, por exemplo, que a arrecadação da receita fiscal passe dos 2,5 para os 5 por cento de forma gradual, o que significaria um aumento significativo da receita das Freguesias.
“Temos a questão do IMI e, em determinada altura, as Juntas de Freguesia ficaram com 1 por cento desse valor, mas os Municípios continuam a ficar com os restantes 99 por cento. É quase igual, não é? A nossa

proposta vai no sentido de passarmos para os 3 por cento”, apontou, chamando ainda a atenção para a questão das competências. “Há Juntas que estão a arranjar caminhos agrícolas, cuidado, vocês só podem arranjar aquilo que é vosso. Devem existir contratos entre o município e a freguesia nos casos em que os caminhos agrícolas não são propriedade da junta de freguesia, não tenham dissabores. Como vocês sabem, as coimas do Tribunal de Contas são simples, são 2 mil e 540 euros a cada um”, avisou.
Jorge Amador considera, entretanto, que a grande decisão do próximo ano, em termos de Orçamento de Estado, deve ser a passagem de todos os presidentes de junta de freguesia em atividade para o tempo inteiro. “Nós temos muitas freguesias pelo país que não têm sequer um funcionário. O Presidente de Junta


está a meio tempo e depois não tem funcionário. Quem é que é responsável pelo quê? De quem é a responsabilidade dos atos que a Junta comete?”, questiona. Mas a revisão do Estatuto do Eleito Local tem outras matérias muito complicadas, seja o valor das senhas de presença dos membros das Assembleia de Freguesia, “que são um dos grandes atentados aos autarcas do nosso tempo”, ou as remunerações dos membros do executivo. “O Tesoureiro é a pessoa mais importante numa Junta de Freguesia, é o mais responsável se acontecer alguma coisa, e ganha 250 euros por mês. Com estes valores não conseguimos captar gente mais nova para


estas funções, porque a responsabilidade é imensa, o valor que recebem é nulo e é preciso tempo para exercer”, observa o vice-presidente da ANAFRE. “Temos que criar condições para que os presidentes de junta estejam a tempo inteiro, ele e mais outra pessoa, mas depois não têm chefes de divisão ou diretores de departamento, como sucede nas câmaras municipais. Então quem é que os ajuda na tomada de decisões? Eu já fui Vice-Presidente de Câmara e tinha 4 diretores de departamento e pelo menos 5 chefes de divisão, a responsabilidade era diferente. Hoje, na minha junta, não tenho chefe de divisão nem diretor de departamento, sei o que isso significa, a responsabilidade é acrescida. As decisões que tomamos têm que ter pareceres, entendimentos jurídicos, informação escrita dos
técnicos, porque as decisões que tomamos, nalguns casos, são para o resto da vida e depois ninguém perdoa decisões que não sejam as mais adequadas”, sublinhou, preocupado.
Neste sentido, Jorge Amador defende que, na revisão da Lei das Finanças Locais, é preciso que haja “uma revolução de mentalidades”, “daí os 17 pontos que tive a oportunidade de apresentar, em Portimão, no XX Congresso Nacional da ANAFRE, que foi o maior congresso de sempre, em termos de participação, do poder local”. “Precisamos de gente com sensibilidade para nos apoiar nos projetos, no nosso dia-a-dia, porque sentimos na pele o grau de exigência que está neste momento em cima da mesa”, concluiu o vice-presidente da ANAFRE.






Mais de 300 utentes de IPSS participaram na 4.ª edição do projeto «A Água e o Mar para Mim»
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
Águas do Algarve levou a cabo, no dia 31 de março, no Auditório da Fundação Pedro Ruivo, em Faro, a cerimónia de entrega de prémios e abertura da exposição da 4.ª edição do projeto «A Água e o Mar para Mim», reunindo acima de 300 participantes de IPSS de toda a região algarvia. Esta edição destacou-se
como a maior de sempre, com 44 instituições inscritas e 55 projetos apresentados a concurso, refletindo o crescimento sustentado da iniciativa e o seu impacto junto das instituições e comunidades algarvias.
O projeto, que cruza arte, sustentabilidade e valorização humana, desafiou instituições a desenvolver obras artísticas a partir de chapéus de chuva, promovendo a reflexão sobre a



importância da água, do mar e da preservação ambiental. Foram atribuídos cinco primeiros prémios, tendo como distinção a oferta de um aquário — símbolo do cuidado com os ecossistemas aquáticos — às seguintes instituições: Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais – CACI (Faro) | «Um mar de sensações»; Associação Em Contato – Projeto Lado a Lado (Tavira) | «Tavira e os seus encantos»; Associação Existir –Associação para a Intervenção e Reabilitação de Populações Deficientes e Desfavorecidas (Loulé) | «Água é Vida»; Instituição de Solidariedade Social da Serra do Caldeirão (Barranco do Velho) | «Árvore da Vida»; e Lar e Centro de Dia de Alcoutim (Alcoutim) | «Memórias do Guadiana».
Foram ainda atribuídas 12 menções honrosas, reconhecendo a qualidade, criatividade e envolvimento das seguintes entidades: ACASO – Centro Comunitário Al-Hain (Olhão); APATRIS 21 –Associação de Portadores de Trissomia 21 do Algarve; APPC – Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Faro; Casa do Povo de São Bartolomeu de Messines; Casa do Povo do Concelho de Olhão – CACI Aurora (Moncarapacho); Centro Paroquial de Martilongo; Centro Sénior da Mexilhoeira da Carregação (Lagoa); CRACEP – Cooperativa de Reeducação e Apoio ao Cidadão Excepcional de Portimão; Fundação Irene Rolo (Tavira); Santa Casa da Misericórdia de Albufeira – Lar Residencial de São Vicente; Santa Casa da Misericórdia de Vila do Bispo – Lar de Sagres; e UNIR –Associação dos Doentes Mentais, Famílias e Amigos do Algarve (Loulé).




Mais do que uma competição, «A Água e o Mar para Mim» afirma-se como uma iniciativa de forte impacto social e ambiental, promovendo a participação ativa, a expressão artística e a sensibilização para temas críticos como a
escassez hídrica, a preservação dos oceanos e as alterações climáticas. A exposição com os trabalhos da quarta edição estará agora patente ao público, durante os meses de abril e maio, no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, em Faro, integrando

posteriormente um circuito itinerante por vários municípios do Algarve, ampliando o alcance da mensagem junto da comunidade.
Recorde-se que, em 2025, o projeto foi distinguido com o 1.º prémio na categoria de Responsabilidade Social e Ambiental, nos Prémios Essência do Ambiente, reforçando o seu reconhecimento a nível nacional. Para a Águas do Algarve, o sucesso desta edição confirma o papel da empresa enquanto agente ativo na promoção da sustentabilidade, da educação ambiental e da proximidade às comunidades.


































Milhares de pessoas estiveram na estreia do Albufeira Radical
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Município de Albufeira
primeira edição do «Albufeira Radical» teve lugar entre os dias 2 e 4 de abril e levou milhares de pessoas até à Praia dos Pescadores. O evento dedicado a celebrar a cultura urbana e a juventude contou uma programação composta por atuações musicais de artistas emergentes e várias outras atividades desportivas e culturais.
Ao longo dos três dias do evento, o cartaz foi encabeçado por Van Zee, Plutonio e Vizinhos, cujos concertos contaram com uma grande adesão de público jovem, numa altura marcada pela interrupção letiva das férias da Páscoa. O presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina, faz um balanço “extremamente positivo” da iniciativa. Para o autarca, “esta primeira edição superou claramente as nossas expectativas, não só pela enorme

adesão do público, mas também pelo ambiente vivido ao longo dos três dias”. Rui Cristina destacou ainda o contributo do evento para a economia local. “Numa altura estratégica como a Páscoa, conseguimos trazer milhares de pessoas à cidade, dinamizando de forma muito significativa a atividade económica do concelho e mitigando os efeitos da sazonalidade”, acrescentou.
O «Albufeira Radical» integrou a programação oficial do «Albufeira Cidade Europeia do Desporto 2026» e contemplou um programa de atividades desportivas com concursos e demonstrações de skate, BMX, inline, trotinetes, escalada, surf, kayak, parkour, foil, entre outras modalidades.






















Centenas de atletas vieram
até Albufeira disputar a Taça de Portugal de Ginástica Acrobática
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
Taça de Portugal de Ginástica
Acrobática realizou-se nos dias 21 e 22 de março e trouxe a elite da modalidade até ao Pavilhão Desportivo de Albufeira. Em prova estiveram atletas da 1.ª e 2.ª Divisão, bem como da Divisão Base, tendo sido dominada por atletas do Sporting Clube de Portugal e do Ginásio Clube de Tomar.
Foram cerca de 450 atletas a pisar o praticável, representando 21 clubes de diferentes regiões do país, incluindo a formação local do Acro Al-Buhera Clube de Ginástica de Albufeira. Na 1.ª Divisão, o título foi conquistado pelo Sporting Clube de Portugal, que se superiorizou aos coletivos do Acro Clube da Maia, que arrecadaram os 2.º e 3.º lugares do pódio. Na prova da Divisão Base, os 1.º e 2.º lugares foram alcançados por ginastas do Sporting Clube de Portugal, ficando, em 3.º lugar, a formação do Gimnoanima.
Na 2.ª divisão, a vitória foi alcançada por atletas do Ginásio Clube de Tomar, que acabou também por conquistar a medalha de bronze na mesma categoria. O 2.º lugar acabaria por ser entregue ao Acro Clube da Maia. No final dos dois dias de competição, o vice-presidente da Câmara Municipal de Albufeira e vereador com o pelouro do Desporto destacou a “importância de acolher eventos de referência, num ano em que Albufeira é Cidade Europeia do Desporto”. Para Jorge Carmo, “receber
atletas de elite no nosso concelho é parte central da estratégia municipal de valorização do Desporto enquanto motor da formação dos nossos jovens”
A competição foi organizada pela Federação de Ginástica de Portugal, em parceria com o Acro Al-Buhera Clube de Ginástica de Albufeira, e contou com o apoio da Câmara Municipal de Albufeira. A prova integrou o calendário oficial da Federação de Ginástica de Portugal e inseriu-se na programação «Albufeira Cidade Europeia do Desporto 2026».












































































MAURÍCIA | NEVES REGRESSOU CINETEATRO LOULETANO

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
REGRESSOU AO
COM «SENSÍVEL»


Cineteatro
Louletano foi palco, no dia 10 de abril, do espetáculo «Sensível», de Maurícia | Neves, que traz a figura da palhaça para a dança, no entanto, os assuntos que traz em mãos não são muito cómicos.
“Sensível reclama a atenção de quem assiste: estar verdadeiramente presente. Reivindica uma escuta ativa, de maneira afetiva. Procura no recomeço uma oportunidade de fazer melhor. Olha ao seu redor e com isso afeta-se, contamina-se e constrói-se. Em busca de uma verdade coletiva, «Sensível» tenta encontrar o seu lugar no mundo atual”, descreve a encenadora.
Com Conceito, Direção, Dramaturgia, Figurinos, Cenografia e Produção de Maurícia | Neves, «Sensível» tem como Cocriadoras, Palhaças e Voz/Texto Ana de Oliveira e Silva, Mara Nunes e Maurícia | Neves. O espetáculo é uma coprodução do Cineteatro Louletano e Teatro Municipal do Porto, com coprodução em residência de O Espaço do Tempo e com residências nos Estúdios Victor Córdon, Casa da Dança, Palácio Gama Lobo, Fabrica das Ideias (23 milhas) e O Espaço do Tempo. É financiado por Dgartes – Direcção Geral das Artes, tendo como Mecenato/Sponsors António Torres, Ana de Oliveira e Silva, Jo Castro, Mara Nunes, Maurícia | Neves e Vera Martins. A produção deixa agradecimentos a Tatiana Rocha, Mariana Ferreira, Fábio Constantino, Piny “e a todas as pessoas que nos incentivaram a não desistir do projeto”
























TEATRO LETHES REVIVEU A MAGIA DO «QUEBRA-NOZES»

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
REVIVEU «QUEBRA-NOZES»


Teatro Lethes, em Faro, esgotou, no dia 10 de abril, de manhã para o público escolar e à noite para o público geral, com o «Quebra-Nozes» apresentado pela Companhia Jovem de Dança do Porto e pelo Centro de Dança do Porto.
Aquela que é uma das três obras mais emblemáticas de ballet de P.I. Tchaikovsky, tem a sua narrativa inspirada no conto infantil de E.T.A. Hoffmann, adaptado por Alexandre Dumas. Numa noite natalina, Clara, a protagonista, recebe de presente do seu padrinho misterioso, um soldado QuebraNozes. Após uma noite festiva repleta de amigos e peripécias, Clara adormece
abraçada ao Quebra-Nozes, dando início a um sonho extraordinário. Neste devaneio, o Quebra-Nozes transforma-se num príncipe real que conduz Clara por uma viagem encantada pelos Reinos das Neves e da Fantasia, onde encontram personagens como o Rei dos Ratos, os Flocos de Neve, a Fada do Açúcar e outras personagens.
Com Coreografia/ Direção Artística de Teresa Vieira, Música de Tchaikovsky, Direção Técnica/ Desenho de Luz de Rui Damas e Figurinos/ Cenografia de Rita Tojal, a Interpretação esteve a cargo da Companhia Jovem de Dança do Porto e do Centro de Dança do Porto, numa produção da Associação Cultural Nordança – Companhia.



































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