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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #518

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ALGARVE INFORMATIVO

ÍNDICE

Mirian Tavares (pág. 12)

João Ministro (pág. 16)

Sílvia Quinteiro (pág. 20)

Ana Isabel Soares (pág. 24)

UAlg distingue Carlos M. Duarte (pág. 28)

Portugal a Dançar Awards 2025 (pág. 36)

Taça de Portugal de BMX em Portimão (pág. 44)

Ginástica acrobática em Lagoa (pág. 60)

«A vida de Mac» estreou no Teatro Lethes (pág. 76)

«O Povo da Montanha» subiu ao palco do Cineteatro Louletano (pág. 92)

«Catarina e a beleza de matar fascistas» em Tavira (pág. 104)

Da alta e da baixa cultura

“A indústria cultural perfidamente realizou o homem como ser genérico. Cada um é apenas aquilo que qualquer outro pode substituir: coisa fungível, um exemplar”.

ssistimos a mais uma polémica no universo das diatribes virtuais: a declaração do ator

Timothée

Chalamet sobre a ópera e o balé causou indignação mundial. Fala-se até que o ator, concorrente ao Oscar pela sua magnífica atuação no filme Marty Supreme, pode ter saído do páreo depois da sua fala. E o que disse o ator? Que não o convidassem para trabalhar nem numa ópera nem num balé porque são formas artísticas que perderam importância e que estão sempre a precisar de ser salvas. Foi uma declaração desastrada, mas, se pararmos para pensar, sem nos armarmos em espectadores ativos de óperas ou de espetáculos de balé (não incluindo os que somos obrigados a ver porque os filhos, o sobrinho ou a filha da vizinha participam), quantas pessoas, de facto, assistem a ambos, de maneira informada e regular? Muita gente, sem dúvida. Mas muita gente num universo de quanta gente? Fiz uma enquete rápida com os meus alunos de artes. Nenhum deles viu ou pretende ver ópera ou balé. Não lhes foi ensinada, nem em casa nem nas escolas, a importância de conhecer Wagner ou de

apreciar Tchaikovsky. Ou mesmo Pina Bausch. Aliás, quantas pessoas assistiram ao filme de Wim Wenders sobre Pina Bausch? Ou quantas pessoas sabem quem é Wim Wenders? Continua a haver uma elite informada que se deleita com espetáculos nos grandes teatros do mundo, não tenho qualquer dúvida. Os teatros enchem, continuamos a ter grandes bailarinos e cantores de ópera. Mas pergunto novamente: quantas pessoas são muitas pessoas num universo de milhares? A geração de Chalamet, e o seu entorno, de um modo geral, quase não vai nem ao cinema. Sobretudo se o programa inclui filmes experimentais ou de realizadores desconhecidos de países menos conhecidos ainda.

Não tenho dúvidas de que a sua declaração foi politicamente incorreta e de que ele deve estar a ser cancelado por milhares e aclamado pelo dobro dos milhares. A cultura eurocêntrica, que eu particularmente admiro e amo de paixão, resiste. Mas há muito custo. Não é só o balé e a ópera que precisam ser salvos. São as artes em geral. Não aquelas que são espetacularizadas e que movem montanhas de dinheiro, mas aquelas que não têm espaço para existir porque ninguém as financia, distribui ou

consome. Tenho a certeza de que os espetáculos desprezados pelo ator vão estar cheios nos próximos meses. Além dos habitués, vão aparecer neófitos que irão disputar a tapa o último bilhete para o Scala de Milão. Depois voltarão ao seu consumo diário de reels, Netflix e filmes que seguem o modelo, ainda persistente, do cinema industrial estadunidense. Ouvi, numa conferência, um encenador contar a sua experiência em Inglaterra. Encenaram uma das óperas mais conhecidas e convidaram um público vasto, pessoas que nunca tinham visto uma ópera. À saída, foram entrevistar alguns dos espectadores e grande parte disse que tinha gostado muito da

experiência. Mas que não pretendia voltar. São muitas as questões que aqui se entrelaçam. Há ainda os defensores das teorias pós ou decoloniais que se juntam à turba dos indignados. Ué, agora é cool defender uma arte eurocêntrica que faz parte da colonização cultural? Tinha eu uns 10 anos e fui levada pelos manos a um festival de cinema do Bergman. Do alto da minha arrogância infantil eu disse: tenho a certeza de que muita gente que está aqui não está entendendo nada. Claro que fui devidamente calada por um dos manos, que me chamou de “metida”. Quando saímos do cinema, um grupo de pessoas à nossa volta comentava: mas vocês perceberam alguma coisa? Já não tenho a arrogância dos 10 anos. Mas adquiri o cinismo da idade. Desde que falem, podem falar até mal da ópera, do balé, do cinema experimental, das artes digitais, da pintura, dos museus, das bienais… Desde que falem. Porque é essa voz que faz com que a arte não morra. Ou se torne obsoleta.

Foto: Isa Mestre

Medir o Turismo

João

Ministro, empresário e engenheiro do ambiente

uma altura em que se fala cada vez mais de turismo sustentável e regenerativo ou ainda de processos de certificação para reforçar a eficiência e a conduta responsável deste sector de actividade, importa demonstrar o que é real e verdadeiro e o que é fictício e enganoso. É nesse sentido que começamos a assistir, em diferentes níveis, à adopção de medidas com o objectivo de clarificar junto do cliente final o que realmente está por detrás da actividade turística e o seu real impacto no território.

Um bom exemplo vem da União Europeia. Até dia 27 de Setembro do corrente ano, os Estados Membros terão de adoptar para os seus quadros legislativos a nova directiva «Empowering Consumers for the Green Transition»*, que visa proteger os consumidores de informação falsa, nomeadamente do greenwashing, e dar-lhes toda a informação, objectiva e factual, acerca do impacto ambiental e social, bem como da circularidade de produtos e serviços no espaço europeu. Isto aplica-se também ao turismo e expressões como «Eco Tour», «Eco-friendly» ou até «Hotel Sustentável» não vão poder continuar a ser usados, correndo o risco de denúncias e de penalizações. Tudo o que não seja

devidamente comprovado com dados técnicos reais e que estejam à disposição do consumidor, não pode ser alvo de marketing para enaltecer o grau de sustentabilidade de um produto ou de uma empresa.

Dizer que o Turismo tem um impacto positivo em determinado território, numa comunidade ou na conservação de um ecossistema é algo hoje em dia quase banal. Mas o quão verdadeiro é isso? Vários investigadores referem que os níveis de Tourism Leakage ou «Fuga Turística» (valor pago pelo turista que não fica no destino visitado) atinge percentagens muito significativas em diversos países do mundo, sobretudo no hemisfério sul (ex. na Tailândia calcula-se em 70 por cento). Ou seja, enquanto os benefícios económicos do turismo deixam alguns muito satisfeitos, em muitas regiões as comunidades locais têm de suportar os custos desse mesmo turismo, seja a nível da degradação ambiental e cultural ou até económico, nomeadamente pela especulação imobiliária. E em vários destinos, incluindo na Europa, isso começa a levar a protestos e manifestações populares, como já aconteceu em Barcelona ou nas Canárias. Claro que há muitos e bons exemplos que garantem verdadeiros retornos positivos nos locais visitados. São, sobretudo, projectos construídos em rede, com envolvimento de agentes

locais, as comunidades e outros participantes, que garantem não só o sucesso da viagem ao turista, mas verdadeiro impacto territorial.

Contrariar o «greenwashing» e provar que o turismo afecta efectivamente os destinos de forma positiva, obriga, necessariamente, a provas e à apresentação de dados. E, para tal, a realização de medições é fulcral. Neste processo é fundamental o envolvimento honesto dos agentes empresariais, bem como das entidades gestoras dos destinos turísticos enquanto detentoras de poder mediador e regulatório da actividade. É ainda preciso definir uma boa variedade e qualidade de métricas

que expressem o que realmente ocorre no território ao longo do ano e em várias partes do mesmo.

Muitos operadores internacionais já estão a percorrer esse caminho (pelos menos aqueles mais sensíveis aos temas da sustentabilidade), sabendo que os consumidores vão estar cada vez mais conscientes destes temas. Destinos como o Algarve, onde se proclama a excelência turística, não pode ficar atrás. Há que medir o turismo e gerir melhor a actividade e o território.

*Empowering Consumers for the Green Transition - DETE

Se o senhor doutor diz que está morto, está morto

oje, na praia, enquanto cumpria o ritual farense de ir olhar o mar depois do almoço de domingo, o silêncio foi interrompido pela conversa de dois amigos que ali se cruzaram. Dois ciclistas equipados a rigor. Depois de ficar a saber das façanhas desportivas de cada um e do preço de cada peça do respetivo equipamento, foime também dada a conhecer a forma como um deles, com indisfarçável orgulho, ludibriara o médico de família para prolongar a baixa e conseguir treinar todos os dias. Uma cena digna de um grande ator. Tudo isto narrado sem qualquer pudor, num tom suficientemente alto para que nenhum dos presentes ficasse privado da história.

A verdade é que nunca deixará de me espantar a compulsão que certas pessoas têm de transformar desconhecidos em confidentes. E não falo das redes sociais, a que injustamente é atribuída a origem desta epidemia. Ao menos aí, tudo surge filtrado: relações perfeitas, jantares românticos, férias em destinos de sonho. O mesmo não se pode dizer da versão ao vivo e a cores. Das pessoas que, no jardim, no café, no comboio, no autocarro ou na fila do supermercado,

relatam pormenores mais ou menos íntimos e mais ou menos sórdidos das suas existências, sempre naquele volume calculadamente generoso que garante audiência total. Não, não é um acaso e não devíamos sentir vergonha alheia. A partilha é consciente e decorre da convicção do elevado interesse que o seu exemplo tem para os demais: seja porque são os mais desgraçados, os mais felizardos, os mais ricos, os mais pobres ou, e isso agrada particularmente ao português comum, os mais espertos. O mundo precisa de testemunhar tamanha inteligência. Na verdade, sabem que só por grande injustiça ou desconhecimento não foram ainda recrutados para um reality show ou entrevistados num programa da manhã.

Sentindo que a criatura aguardava que alguém se aproximasse e lhe entregasse um Óscar, a tentação foi grande. Estive mesmo à beirinha de entrar na conversa. Apeteceu-me explicar-lhe que não era necessário tanto esforço, que escusava de perder tempo de treinos a preparar o teatro. Bastava saber escolher o médico.

Como sei disto? Porque, ao longo dos anos, várias almas me foram dando a conhecer o teor dos seus atestados. Pequenos prodígios da prosa clínica.

Entre os meus favoritos, e sim, já fiz uma lista de doenças que me agradam, encontra-se o caso de uma pessoa que durante dois anos se encontrou de tal forma arrasada psicologicamente que, segundo o atestado, não podia, em circunstância alguma, aproximar-se da porta do local de trabalho. Por sorte, a doença só atacava ali, e assim pôde acompanhar o marido numa estada fora do país durante esse período. Imagine-se como seria se o pobre tivesse tido de percorrer o oriente todo sozinho.

Mas há um caso ainda mais interessante: o de uma pessoa que, sofrendo de dores horrendas por todo o corpo, tem um médico que atesta só poder trabalhar 4,2 horas por semana -o rigor de vírgula 2 é admirável -, na parte da tarde, terminando impreterivelmente antes das 18h. Pode, contudo, viajar e participar em atividades extracurriculares sem quaisquer restrições. Perfeitamente

compreensível, até porque qualquer um de nós sabe que acordar para ir trabalhar custa muito mais do que apanhar três aviões para a Patagónia. E quem é que nunca sentiu uma pontadazinha na coluna ao levantar-se à segundafeira? Há, portanto, patologias assim: altamente seletivas.

Dores localizadas, não tanto em regiões anatómicas como em determinadas coordenadas geográficas.

Estes são os clássicos. Têm a sua graça, e dificilmente há quem não conheça alguns. Mas vale a pena acrescentar o caso de alguém que, tendo faltado a uma prova, enviou um e-mail no dia seguinte a explicar que o carro tinha avariado na autoestrada. Quando soube que tal não servia como justificação, fez-se acompanhar de um atestado do seu médico a garantir que, naquele dia, o paciente estava incapacitado de se deslocar. Reli, confesso, para me certificar de que vinha de um médico e não de um mecânico. Tanto quanto sabia, o paciente tinha quatro rodas e volante, e um médico estuda demasiados anos para não distinguir um automóvel de um mentiroso.

Fui eu que ouvi mal, certamente. Não seria a primeira vez.

Se o senhor doutor diz que está morto, está morto, não é verdade?

Um disco: Glossolalia, A Favola da Medusa (2024)

empre que leio a palavra glossolalia, vem-me à ideia a novela distópica que Régis Messac escreveu em 1935, Quinzinzinzili. Demorei a fixar-lhe o título, mas, a partir do momento em que o consegui, sai sem qualquer dificuldade: se o texto de Messac é o relato da perda da linguagem humana, que equivale à perda da Humanidade, aprender uma palavra só através do eco que faz no pensamento é uma maneira de preservar essa linguagem – logo, um modo de sobrevivência do que é humano. Na novela, “quinzinzinzili” é a forma, deturpada ao longo de anos em que um pequeno grupo de sobreviventes de um cataclismo mundial se vai tornando cada vez menos humano, do último verso da oração do Pater Noster, “Qui est in coelis”. Perder o sentido anterior para passar a uma glossolalia, à pronúncia de sons desarticulados, simboliza, segundo Messac, a eliminação do humano. Mas pode ser vista como o começo de alguma coisa que se desconhece (e teme): a erosão de uma linguagem não poderá originar outros modos de comunicação? É uma visão mais otimista, mas não menos lógica.

A palavra e a ideia de “glossolalia” tem um contexto religioso, relacionado com o dia de Pentecostes, ou o momento em que, passados cinquenta dias da crucificação de Cristo, os apóstolos recebem do Espírito Santo os dons que lhes permitirão, na prática, propagar pela terra a mensagem cristã – para tal, para que a possam levar a todos os povos do mundo, um dos dons que sobre eles são “derramados” (Frederico Lourenço sublinha como está na origem da confusão de línguas do episódio descrito em «Atos dos Apóstolos», 2:1-4, um “derramar de líquidos que se misturam e se confundem”) é a capacidade de falar muitas línguas diferentes, a tal glossolalia.

Confusão e possibilidade, estranheza e clareza, perda do que se conhece e abertura para a novidade do desconhecido – estas aparentes contradições, expressões de um inconciliável que, afinal, convive, acompanham-me enquanto ouço Glossolalia, o disco mais recente de A Favola da Medusa, agrupamento que se formou vai para 16 anos e continua a provocar-me os sentidos. Sobretudo porque me traz a mistura de sonoridades inesperadas (sons de água a correr e ruídos mecânicos produzidos por instrumentos tradicionais ou por objetos

transformados em instrumentos musicais), sobretudo porque me oferece, ao mesmo tempo, o domínio de melodias nascidas do que normalmente associo à ausência de harmonia e versos de poemas belíssimos (ou a afirmação de

que a linguagem que uso continua a fazer muito sentido). Sobretudo, sobretudo, porque me dá a presença, em atmosfera sonora, de pessoas queridas, apaixonadas pelos sons das palavras e por sequências não verbais do mundo, como o Miguel Martins, a Ana Isabel Dias, o Luís França, o João Madeira. Todos, afinal, os que compõem a maravilha que me dão a escutar.

Glossolalia saiu em 2024, pela editora 4darecord. Pode ser ouvido aqui.

Notas: Quinzinzinzili foi traduzido para a língua portuguesa por Inês Dias e está publicado na Antígona.

O comentário de Frederico Lourenço sobre o passo dos «Atos dos Apóstolos» encontra-se na p. 52 do volume II da Bíblia que a editora Quetzal tem vindo a editar, na tradução de Lourenço.

Foto: Vasco Célio

UAlg homenageia Carlos M. Duarte, referência mundial na ciência dos oceanos e do clima

Universidade do Algarve atribuiu o grau de Doutor Honoris Causa a Carlos M. Duarte, numa cerimónia realizada a 2 de março, no Grande Auditório Caixa Geral de Depósitos, no Campus de Gambelas, num contexto marcado pelos desafios da resiliência climática e pela recente apresentação, no Algarve, do programa PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência.

Na sessão de abertura, a Reitora, Alexandra Teodósio, destacou o carácter simbólico da distinção num momento em que o país enfrenta os impactos crescentes das alterações climáticas e necessita de respostas baseadas em ciência sólida. Sublinhou que o trabalho de Carlos Duarte foi determinante para integrar os ecossistemas costeiros, como sapais e pradarias marinhas, nas políticas climáticas internacionais, através da consolidação do conceito de carbono azul, transformando conhecimento

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Universidade do Algarve

científico em instrumentos concretos de mitigação e adaptação. Enfatizou ainda a ligação do investigador ao Algarve e à UAlg, nomeadamente através da colaboração com o Centro de Ciências do Mar, defendendo que a região pode afirmar-se como como hub de excelência em resiliência costeira e finanças de natureza no Atlântico.

A Reitora lançou mesmo o desafio de reforçar parcerias internacionais, incluindo com a King Abdullah University of Science and Technology, para desenvolver projetos de restauro ecológico com monitorização científica robusta e mecanismos de medição, reporte e verificação que possam gerar créditos de carbono de elevada integridade. “Celebramos hoje não apenas uma carreira notável, mas uma ciência capaz de transformar

conhecimento em impacto real, na saúde dos ecossistemas, no bem-estar das populações e na prosperidade sustentável do território”, afirmou.

Na laudatio, a madrinha da cerimónia, Ester Serrão, docente da UAlg e investigadora do CCMAR, traçou o percurso científico do homenageado, evidenciando uma carreira de projeção internacional, com mais de 1.100 artigos publicados e presença consistente entre os 1% de cientistas mais citados do mundo. Destacou o seu papel fundador no desenvolvimento do conceito de «Carbono Azul», formalizado em colaboração com agências das Nações Unidas e hoje integrado em estratégias globais de mitigação e adaptação às alterações climáticas, bem como a liderança de grandes iniciativas internacionais dedicadas à reconstrução

da vida marinha até 2050 e à proteção dos recifes de coral. Sublinhou ainda o impacto da sua investigação na ecologia marinha, biodiversidade, sustentabilidade e economia azul, bem como o seu contributo direto para políticas públicas internacionais. “O professor Carlos Duarte não transformou apenas a ciência marinha, transformou a forma como o mundo olha para o oceano”, declarou.

No seu discurso, Carlos M. Duarte agradeceu esta atribuição, considerando a distinção uma honra para si e para a sua família. Recordou a sua ligação ao Algarve, desde 1983, e destacou as colaborações científicas com investigadores da UAlg, que resultaram em dezenas de publicações conjuntas e na formação de estudantes de mestrado, doutoramento e pós-doutoramento.

Enalteceu a Ria Formosa como um dos ecossistemas mais produtivos da Europa e apontou como desafio central conciliar desenvolvimento económico e conservação marinha. Numa reflexão mais ampla, defendeu que a cooperação científica internacional permanece uma resposta essencial num mundo marcado por conflitos, terminando de forma emotiva ao afirmar que esta distinção o ajudou a reencontrar as suas raízes portuguesas.

A proposta de atribuição do título partiu da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UAlg e foi aprovada por unanimidade no Senado Académico, reconhecendo uma carreira científica de impacto global e contributo direto para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

Carlos M. Duarte é Professor Ibn Sina em Ciências Marinhas na Universidade Rei Abdullah de Ciência e Tecnologia (KAUST), na Arábia Saudita, e CEO da Plataforma Global de Aceleração de Investigação e Desenvolvimento de Corais. Foi diretor do Oceans Institute da Universidade da Austrália Ocidental e ocupou cargos em Espanha, Noruega e Dinamarca.

A sua investigação aborda os efeitos das alterações globais nos ecossistemas marinhos e o desenvolvimento de soluções baseadas nos oceanos para os desafios globais. Desenvolveu estratégias baseadas em evidências para reconstruir a abundância da vida marinha até 2050 e lidera esforços para resolver a crise dos recifes de coral. Com base na sua investigação que demonstra que os mangais, as ervas marinhas e as salinas são sumidouros de carbono globalmente relevantes, desenvolveu, em colaboração

com diferentes agências da ONU, o conceito de Carbono Azul como uma solução baseada na natureza para as alterações climáticas.

A sua investigação, em todos os oceanos, profundidades, organismos e tipos de ecossistemas, resultou em mais de 1100 artigos científicos. É classificado como o melhor biólogo marinho e o 12.º cientista climático mais influente do mundo (Reuters), tendo recebido vários prémios. Em 16 de abril de 2025, foi condecorado pelo Imperador do Japão com o Prémio Japão 2025 pela sua «contribuição para a nossa compreensão do ecossistema marinho numa Terra em mudança, especialmente através da investigação pioneira sobre o Carbono Azul». É cientista-chefe da E1 e está fortemente envolvido com a sustentabilidade no desporto. É doutor honoris causa pelas Universidades de Utrecht e Quebec.

Portugal a Dançar Awards 2025 distinguem excelência da dança nacional em noite memorável

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Portugal a Dançar ealizou-se, no dia 21 de fevereiro, no TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, a primeira edição dos Portugal a Dançar Awards 2025, uma gala dedicada à celebração da excelência, talento e contributo dos profissionais que marcaram a dança em Portugal ao longo do último ano. O evento reuniu diversas personalidades e

individualidades, entre as quais a VicePresidente da Câmara Municipal, Sandra Pereira, representantes do IPDJ, nomeadamente o Diretor Regional do Algarve, Ricardo Pinto, Annarella Sanchez, do Conservatório Internacional de Ballet Annarella Sanchez, a diretora da Escola de Ballet do Porto, Cuca Anacoreta, e a bailarina internacional Francisca Mendo, entre outros convidados institucionais e profissionais do setor.

Numa noite pautada pela emoção, reconhecimento e qualidade artística, foram distinguidos projetos, instituições e profissionais que se destacaram em 2025: Mérito Desportivo – Daniela Santos; Competição de Dança – Concurso Nacional de Dança; Competição de Dança – All Dance Portugal; Produção de Eventos – Dance4U Agency; Bailarino(a) – Francisca Mendo; Evento de Dança (Não Competitivo) – Festival Internacional de Dança de Almada; Professor de Dança – Filipe Narciso;

Coreógrafo(a) – Catarina Casqueiro; Bailarino(a) Nacional – Inês Cunha; Escola de Dança – Escola de Ballet do Porto; Companhia de Dança – Companhia Nacional de Bailado; Profissional Revelação – António Casalinho.

Esta primeira edição dos Awards reforçou o compromisso do Portugal a Dançar em valorizar o mérito, promover o reconhecimento público e aproximar a dança da sociedade civil, consolidando o seu papel enquanto plataforma nacional de referência.

Leonardo Carmo e Íris Moraru são os primeiros líderes da Taça de Portugal de BMX Race 2026

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo

eonardo Carmo (Team BMX Quarteira), masculinos +17 e Íris Moraru (Clube Bicross de Portimão), femininas +15 destacaram-se este fimde-semana, no arranque da Taça de Portugal de BMX Race 2026, que decorreu em Portimão. Ambos são os líderes do ranking em cada uma das categorias. Entre os mais vitoriosos estão

também Gustavo Pereira (Clube Bicross de Portimão), Sub-15 masculinos e na mesma categoria, mas femininas, Áurea Numão (Team BMX Quarteira), ao serem os mais fortes nas duas etapas, que venceram, comandando também o ranking da Taça de Portugal.

Portimão foi palco de dois dias de pura adrenalina e emoção, que assim marcaram o arranque da época de BMX.

Registou-se uma forte adesão por parte das equipas, sobretudo para duas categorias pelo número de participantes em Escolas: Sub-11 e Sub-13. Quanto aos vencedores, depois de, no sábado, Édi Barradas (Núcleo Bicross de Setúbal / VS Publicidade) triunfar em 17+ masculinos –e ter como companheiros de pódio dois atletas da casa, Carlos Rosado e Francis Luiz, do Clube Bicross de Portimão –, no domingo foi a vez de Leonardo Carmo, na véspera sexto classificado, revelar-se o mais forte. Após as duas rondas, a vitória deste domingo valeu-lhe a liderança no ranking. Tem 24 pontos, exatamente os mesmos que Francis Luiz, segundo classificado no ranking em 17+, também segundo classificado na prova de domingo.

Nas femininas 15+, Iris Moraru conseguiu vencer nos dois dias, sem dar

hipótese às adversárias, estando no comando do ranking, com 19 pontos. Em Sub-15, também Áurea Numão venceu tanto no sábado como no domingo, liderando o ranking da Taça com 16 pontos. Gustavo Pereira foi outro dos atletas que dominou em Sub-15, ao vencer as duas etapas. Já o ano passado fez uma boa época e este ano estreou-se com duas vitórias, a correr em casa. Como prémio pela dupla conquista, sendo um dos nomes a considerar nesta vertente que é o BMX, está na frente do ranking, com 32 pontos.

Em Cadetes, Tiago Cavaco (Team BMX Quarteira) foi o melhor nos dois dias, sendo o primeiro do ranking, com 19 pontos. Uma nota de que, para esta categoria, há expectativa de que venham mais atletas no decurso da época. Quanto à categoria Cruiser 40+, houve

um novo vencedor no domingo, Francis Luiz (Clube Bicross de Portimão), que se superiorizou ao colega de equipa Carlos Rosado, vencedor da etapa de sábado. Nas contas do ranking, atualmente quem lidera é Francis Luiz, mas Carlos Rosado está em segundo lugar, com os mesmos 21 pontos.

Em Cruiser Femininas foi Alexandra Loureiro quem ganhou nos dois dias, liderando o ranking com 16 pontos. Já nas Escolas, o duplo vencedor em Sub-11 masculinos foi Francisco Gil (Clube Bicross de Portimão). Em Sub-13 foi Tomás Cardoso (Linda a Pastora Sporting Clube) que venceu nas duas rondas em masculinos e em femininas triunfou

Adélia Pereira (Clube Bicross de Portimão), nas duas etapas. Em Sub-9

masculinos venceu Vicente Cardoso (Linda a Pastora Sporting Clube) e Mathilda Smith (Clube Bicross de Portimão) em femininas, ambos com vitórias nas duas etapas. Já em Sub-7 masculinos, o vencedor dos dois dias é Tomás Silvestre (Team BMX Quarteira).

O Clube Bicross de Portimão é o vencedor por equipas nos dois dias, começando a destacar-se no ranking, ao somar 44 pontos. A seguir, na segunda posição, está a Team BMX Quarteira, com 36 pontos e o terceiro lugar do ranking é ocupado por Linda a Pastora Sporting Clube, com 30 pontos. A Taça de Portugal de BMX prossegue nos dias 18 e 19 de abril, com a terceira e quarta rondas a serem disputadas na cidade de Quarteira.

Nova época de ginástica acrobática arrancou em Lagoa (4)

época 2025/26 de ginástica acrobática no Algarve deu o pontapé-de-saída com o 1.º Encontro de Infantis, o Torneio de Iniciação e o 1.º Torneio de Níveis, no dia 14 de fevereiro, no Pavilhão Municipal Jacinto Correia, numa organização da ACD Che Lagoense e da Associação de Ginástica do Algarve com o apoio do Município de Lagoa.

A expetativa era muita, como seria de esperar, por se tratar da primeira prova oficial do ano, com novos pares e trios, novos esquemas, novas coreografias e figuras, novas roupas, mas com uma coisa em comum: a enorme alegria com que centenas de jovens ginastas sobem ao praticável para fazer aquilo que mais gostam. Não admira, por isso, que a bancada do pavilhão estivesse completamente esgotada durante toda a manhã e tarde, com constantes gritos de incentivo aos atletas, e muitas lágrimas

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

os olhos e sorrisos nos rostos dos pais orgulhosos.

Uma demonstração de que a ginástica acrobática está de saúde no Algarve, com excelentes desempenhos dos ginastas da APAGL – Associação de Pais e Amigos da Ginástica de Loulé, da ACD Che Lagoense, da AGS – Associação de Ginástica de Silves, do LDC – Louletano Desportos Clube, do Acro Al-Buhera –Clube de Ginástica de Albufeira, da GCL –Ginástica Clube de Loulé, do CEDF –Clube Educativo e Desportivo de Faro e da CPSBM – Casa do Povo de São Bartolomeu de Messines. Nesta edição fica a segunda e última parte do Torneio de Niveis.

«A VIDA DE MAC» ESTREOU NO TEATRO

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

TEATRO LETHES

vida de Mac» ou «do Macaco

Inteligente à Inteligência Artificial» estreou, no dia 7 de março, no Teatro Lethes, em Faro, numa coprodução da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, teAtrito e TMF – Teatro das Figuras.

Mac é uma personagem sem idade que nasceu macaco, mas que foi evoluindo enquanto crescia, até se transformar no homo sapiens sapiens e participar ativamente no desenrolar da história da

civilização humana: do caçador recoletor nómada ao agricultor sedentário, das interpretações mítico-religiosas às explicações racionais do conhecimento científico, do artesanato à revolução industrial, da subsistência local à globalização e ao consumismo… até que chegamos à inteligência artificial. Será que Mac vai conseguir adaptar-se a esta nova era da humanidade?

Com Texto e Encenação de Pedro Monteiro, a interpretação é de André Canário, Beatriz Medeiros e Pedro Monteiro.

«O POVO DA MONTANHA» AO PALCO DO CINETEATRO

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Jorge Gomes

MONTANHA» SUBIU CINETEATRO LOULETANO

Leirena Teatro apresentou, no dia 1 de março, no Cineteatro Louletano, em Loulé, «O Povo da Montanha», peça que conta a história de um povo forçado a abandonar o seu território para dar lugar ao progresso. “Proibidos de caçar, afastados da terra que os sustentava, os corpos transformam-se, tentam resistir, enquanto a espiritualidade se esvai. Um olhar estrangeiro procura compreender, mas... o que resta quando tudo é arrancado? Uma viagem sobre a perda, a compreensão, a adaptação... e o que persiste”, descreve a companhia.

«O Povo da Montanha» é uma criação coletiva com interpretação de Bruno

Pardo, Catarina Carmo, Diana Cunha, Frédéric da Cruz Pires, Henrique Gil, Virginia Achique e Nuno Viegas, com música original interpretada ao vivo por Surma, com Direção Artística/Mediação de Frédéric da Cruz P., Direção de Movimento de Bruno Pardo e Direção Plástica de Nuno Viegas. A Cenografia e Figurinos são da Leirena Teatro e Nuno Viegas. Trata-se de uma coprodução do Teatro Diogo Bernardes, Teatro Stephens, Cineteatro Louletano e Teatro José Lúcio da Silva, com os apoios do Município de Leiria, União de Freguesia de Marrazes e Barosa, União das Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, Junta de Freguesia de Arrabal e Paróquia São Miguel Juncal. O Leirena Teatro é uma estrutura financiada por Direção-Geral das Artes e República Portuguesa.

«CATARINA E A BELEZA NO TEATRO MUNICIPAL ANTÓNIO

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Município de Tavira

DE MATAR FASCISTAS» ANTÓNIO PINHEIRO

Teatro Municipal António Pinheiro, em Tavira, recebeu, nos dias 6 e 7 de março, o espetáculo

«Catarina e a Beleza de Matar Fascistas», de Tiago Rodrigues, numa apresentação integrada na digressão internacional associada ao Festival d’Avignon. O prestigiado festival francês marcou presença no sul do país, com Tavira a acolher uma das mais impactantes criações do teatro português contemporâneo.

A peça parte de uma tradição familiar inquietante: há gerações que esta família mata fascistas, num ritual assumido como dever moral e compromisso político. Reunidos numa casa de campo, perto da aldeia de Baleizão, no sul de Portugal, preparam-se para mais um desses momentos. Catarina, uma das jovens da família, irá cumprir pela primeira vez a tradição — matar um fascista raptado para o efeito. É um dia anunciado como festa, de beleza e de morte.

Contudo, Catarina hesita. Incapaz — ou recusando-se — a cumprir o ato, desencadeia um profundo conflito familiar que expõe fraturas ideológicas, dilemas éticos e tensões geracionais. A partir desta premissa provocadora, o espetáculo lança questões centrais e urgentes:

- O que é, afinal, um fascista?

- Há lugar para a violência na luta por um mundo melhor?

- Pode a democracia ser violada para ser defendida?

Com uma escrita incisiva e um dispositivo cénico de forte impacto, Tiago Rodrigues constrói uma obra que desafia o público a confrontar-se com as suas próprias convicções. Diretor do Festival d’Avignon, em França, o encenador e dramaturgo tem sido amplamente reconhecido a nível internacional, tendo recebido diversos prémios, entre os quais o Prémio Pessoa, em 2019, uma das mais relevantes distinções culturais em Portugal.

PROPRIETÁRIO E EDITOR:

Parágrafoptimista Unipessoal Lda. NIPC 518198189

GERÊNCIA: Mónica Pina

DETENTORA: Mónica Pina (100%)

SEDE:

Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 67, 8135-157 Almancil

Órgão registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782

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Daniel Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924

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A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão.

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