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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #515

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ALGARVE INFORMATIVO

21 de fevereiro, 2026

ÍNDICE

Paulo Cunha (pág. 16)

Mirian Tavares (pág. 20)

Fábio Jesuíno (pág. 24)

Nuno Campos Inácio (pág. 28)

Beach Tennis em Albufeira (pág. 32)

Carnaval de Altura (pág. 36)

Carnaval de Loulé (pág. 50)

Carnaval de Quarteira (pág. 70)

Carnaval de São Brás de Alportel (pág. 92)

Ginástica acrobática em Lagoa (pág. 106)

«Noites à Margem» no Teatro das Figuras (pág. 130)

Santa Catarina acolhe o primeiro museu de arte digital do país

unto aos silos agrícolas que durante décadas guardaram colheitas, na paisagem rural de Santa Catarina da Fonte do Bispo, no concelho de Tavira, nasceu o primeiro museu em Portugal inteiramente dedicado à arte digital. O espaço, integrado na Cooperativa Agrícola, projetada pelo mestre da arquitetura

moderna algarvia, Manuel Gomes da Costa, preserva a alma industrial e a memória rural. “A ideia foi do nosso mentor, Paulo Teixeira Pinto, que por viver em Santa Catarina percebia bem o potencial daquele magnífico espaço”, explica João Correia Vargues, presidente da Associação Museu Zer0.

O investimento ultrapassa os 4 milhões de euros, com comparticipação do Fundo

Europeu de Desenvolvimento Regional, através dos programas CRESC Algarve 2020, cuja primeira fase teve uma comparticipação de 1.835.917,30 euros e, na segunda fase, via Algarve 2030, 2.003. 887,03 euros, a que se somou também apoio do Turismo de Portugal.

Lado a lado com agricultores, olivais e pomares, erguem-se salas imersivas, ateliers de investigação, oficinas de produção artística e espaços de incubação para «start-ups» criativas.

“Contamos com a comunidade universitária ligada à arte digital, com turistas, claro — haverá uma sala

imersiva permanente — e queremos atrair jovens criativos”, refere João Correia Vargues.

Criado pelo Instituto Lusíada de Cultura, o projeto aposta numa rede de ligações transfronteiriças. Fátima Marques Pereira é a Programadora Geral para a Abertura do Museu Zer0.

A localização, longe do litoral, mas perto de tudo, é um trunfo. A cinco minutos da Via do Infante, o museu coloca o interior algarvio no mapa internacional.

Quando os extremos se tocam Paulo Cunha, professor

ada um é como é!

Achar que, após uma vida maturada, vivida e sentida, se consegue mudar a forma de agir e de pensar dos outros é acreditar, ingenuamente, que conseguimos mudar o mundo apenas com palavras. Não me considerando alguém que extrema as suas posições, seja sobre o que for, tenho vindo a registar cada vez mais uma radicalidade latente em muitos dos meus interlocutores.

Há um conjunto de forças tecnológicas, sociais e culturais que ajudam a explicar a razão por que tanta gente em Portugal – e não só – expressa posições políticas cada vez mais extremadas em público. Não é um fenómeno simples, nem único, mas há padrões claros que ajudam a perceber o que está a acontecer: a forma como são arquitetadas as redes sociais cria polarização estrutural; a frustração gerada pelas políticas económicas e financeiras criam terreno fértil para os discursos radicais; a desilusão e a fragmentação partidária criam estruturas e identidades políticas inflexíveis e intolerantes; em vez de racional, a política está a tornar-se cada vez mais emocional; a desinformação cria perceções distorcidas e erróneas da realidade; os espaços de troca de ideias e de ideais refletidos e moderados estão sujeitos a um desgaste e abandono cada vez maiores; a assimilação e a reprodução das tendências globais instalaram-se na forma como reagimos aos eventos do dia a dia.

Tal como eu, muitos de vós já repararam que “as pessoas discutem mais online”. Infelizmente, é natural!... Os algoritmos recompensam as emoções fortes: a raiva, a indignação e o choque geram mais “cliques”; os conteúdos ponderados têm menos alcance, logo tornam-se invisíveis. A lógica do “nós contra eles” é recompensada: quanto mais tribal for a mensagem, mais viral tende a ser.

Portugal vive tensões estruturais que não são novas, mas estão mais visíveis: a dificuldade extrema no acesso à habitação, os salários estagnados face ao custo de vida, a perceção e sensação de injustiça intergeracional, as desigualdades regionais persistentes, a precariedade laboral e a incerteza sobre o futuro. Quando as pessoas sentem que o sistema não lhes responde, procuram explanações mais duras – e muitas vezes mais simplistas – para explicar o que está errado.

O sistema político português deixou de ser dominado por dois grandes blocos. Hoje, há mais partidos com representação parlamentar e cada um precisa de se diferenciar para sobreviver. A comunicação política tornou‑se mais agressiva para captar a atenção e os eleitores encontram “nichos identitários” onde se sentem representados. Tudo isto cria uma dinâmica de competição permanente, onde o tom sobe porque ninguém quer parecer “morno”.

A política deixou de ser apenas sobre ideias e passou a ser sobre identidade: “Eu sou isto” versus “eles são aquilo”. Discordar é visto como um ataque pessoal, a pertença ao grupo é mais importante do que a coerência e a emoção substitui o argumento. Quando a política se cola à identidade, qualquer crítica é vivida como uma ameaça existencial.

A circulação de conteúdos falsos ou manipulados amplifica os medos, alimenta a indignação, cria inimigos imaginários, faz parecer que o país está mais dividido do que realmente está e como a desinformação é emocional, espalha‑se mais depressa do que os factos.

Antes, a política discutia se no café, em família, no trabalho e em associações locais. Hoje, discute se sobretudo online, onde não há tom de voz, não há empatia, não há relação prévia, há anonimato, há incentivos para o confronto e a moderação perde terreno porque não tem palco.

A polarização não é um fenómeno isolado, pois alimenta-se dos movimentos populistas internacionais, dos influenciadores políticos globais, das narrativas importadas (anti sistema, anti elite, anti imigração, etc.) e dos estilos

de comunicação agressivos que se tornam virais. A polarização não é inevitável, mas também não desaparece sozinha!

O que está em jogo é a qualidade do debate público e a capacidade de resolver problemas coletivos. Lidar com discursos radicais – tanto online como presencialmente – é um desafio real, mas não é inevitável cair no mesmo tom. Há estratégias muito eficazes que reduzem a tensão, protegem a nossa energia e, às vezes, até abrem espaço para conversas mais construtivas e produtivas. A solução é perceber que não temos de ganhar a discussão, temos apena de gerir a interação.

Sem nos preocuparmos, nem desgastarmos, deixo aqui algumas estratégias para responder a discursos radicais nas redes sociais e em reuniões presenciais: responder devagar e espaçadamente com o intuito de quebrar o ciclo emocional; evitar a ironia, tentando impedir respostas desnecessárias e desadequadas; focar no conteúdo, não na pessoa, reduzindo assim a hostilidade; fazer perguntas que desmontem os radicalismos ideológicos; estabelecer limites claros na conversação; saber quando responder e quando ignorar; esvaziar a tensão logo no início do diálogo, estabelecendo os tópicos a abordar; focar na emoção por trás da opinião, pois, quase sempre, o radicalismo resulta do medo, da frustração e/ou da sensação de injustiça; evitar o confronto direto; sair da conversa com elegância.

Em suma, não devemos personalizar, não tentar converter, reforçar os pontos de acordo, usar o humor adaptado às circunstâncias e, finalmente, proteger o nosso bem-estar. Porque não há opinião política que valha uma amizade!

Foto: Daniel Santos

Do voltar para casa

asárgada é uma utopia – a terra desejada, ideal. Como na Canção do Exílio, de Gonçalves

Dias – “Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá”. Ou como o rio da aldeia de Fernando Pessoa: “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”. A ideia do lugar e o ideal de voltar a esse lugar são temas recorrentes na poesia, nas canções, nas artes, de um

(…) Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada (…) Manuel Bandeira

modo geral. Mas a terra que me viu nascer já não é a mesma, porque o tempo agiu sobre ela e também agiu sobre mim. A terra que me viu nascer não é a mesma porque eu também mudei. E o que guardamos é a memória daquele lugar e daquele instante – da infância que trazemos dentro de nós, real ou imaginada.

Porque a infância parece ser o lugar feliz de muita gente. Talvez porque esteja longe, porque pode ser modificada e recontada na memória, porque nos pertence e fazemos do passado aquilo que

quisermos; cada um reinventa a própria história. Durante anos fui nómada. Vivi em muitos lugares até que me fixei em Faro, Portugal. Há tempo demais, talvez. Houve um tempo em que a minha terra era onde eu estava. Sempre me senti desenraizada – era de lugar nenhum e de todos os lugares. A minha «terra» tinha palmeiras, mas eu já não me via à beiramar. Hoje penso, a cada dia mais e com mais força, que quero voltar – mesmo sabendo que aquela terra não é mais a mesma que me viu crescer, que a infância

se perdeu (e ainda bem), que sou outra e que continuo desenraizada. Quero voltar porque, de repente, a terra tomou conta de mim: suas cores e canções, sua rede na varanda, seus cheiros e comidas. A família, que está lá há muito tempo, longe demais. Porque o rio da minha aldeia será sempre mais bonito que o Tejo, mesmo sabendo que minha aldeia é uma cidade imensa e que não há nenhum rio memorável. Vou-me embora para Pasárgada; aqui (já) não sou (tão) feliz.

Foto: Isa Mestre

Como a criatividade impulsiona o sucesso Fábio Jesuíno, empresário

criatividade é um dos traços mais marcantes que distinguem o ser humano. É através dela que transformamos ideias em realidade, que inovamos e encontramos soluções para desafios complexos. O sucesso, pessoal ou profissional, está profundamente ligado a essa capacidade única de imaginar, criar e reinventar o mundo à nossa volta.

A palavra criatividade carrega um poder imenso. Deriva do latim «creare», «dar existência», «gerar algo novo». É a capacidade humana de transformar o nada em algo, de fazer emergir o inédito e o inesperado.

Vivemos uma era de transformações profundas, impulsionadas pela tecnologia, pela inteligência artificial e pela crescente abundância de conhecimento disponível na internet. A informação, que outrora era privilégio de poucos, tornou-se acessível a todos. É neste cenário, cada vez mais dominado por máquinas inteligentes, que a criatividade humana ganha um valor ainda maior, como força capaz de dar sentido, emoção e propósito à inovação.

O verdadeiro sucesso, hoje, reside em saber pensar diferente, encontrar

soluções originais, desafiar padrões e imaginar o que ainda não existe. A inteligência artificial pode processar dados, mas é a criatividade que dá sentido, emoção e propósito às inovações que moldam o futuro.

Ser criativo é um processo que pode e deve ser desenvolvido. Requer curiosidade, disposição para errar e coragem para questionar o óbvio. A importância de pensar «fora da caixa», a força que faz novas ideias floresça, desvinculando-nos da rotina que frequentemente limita a imaginação. Às vezes, a chave está precisamente em explorar o contraditório, em imaginar o impossível e transformar o impensável em realidade.

Um exemplo marcante dessa mentalidade é Steve Jobs, fundador da Apple, que fez da criatividade o centro da sua visão. Ele acreditava que os verdadeiros inovadores são aqueles que ousam pensar de forma diferente, os que desafiam as regras, rompem convenções e, assim, movem a humanidade para a frente.

No mundo atual, onde a inteligência artificial ganha influência, ser criativo é mais do que uma vantagem, é uma necessidade. Porque, no fim, são as mentes criativas que continuarão a imaginar o que as máquinas ainda não podem sonhar.

Presidenciais 2026 - um ponto de vista

Nuno Campos Inácio, editor e escritor

ealizadas as Eleições Presidenciais, é chegado o tempo da análise política. Toda e qualquer análise tem sempre por base o ponto de vista de quem a faz, ou seja, as ideias, conceitos e pré-conceitos, a conjuntura e o posicionamento político ou ideológico.

Seguindo este ponto de vista, a única surpresa destas Eleições Presidenciais foi o resultado do candidato António José Seguro na primeira volta eleitoral. O resultado do candidato «imposto» e promovido pela comunicação social ficou em linha com o que tem acontecido com outros candidatos «independentes» em eleições anteriores. O candidato Luís Marques Mendes não conseguiu mobilizar as bases do PSD e aconteceu o habitual: «sempre que a liderança do Partido escolhe candidatos que não correspondem às exigências das bases, perde o país». Cotrim Figueiredo soube cativar o eleitorado do PSD, dividindo-o e colhendo os frutos dessa divisão. Finalmente, o resultado de André Ventura ficou em linha com o que têm sido os resultados do Chega em eleições em que ficou como cabeça-de-cartaz.

Deste modo, o que mais surpreendeu nestas eleições não foram os resultados em si, mas a reação aos resultados. Era

evidente que André Ventura perderia na segunda volta fosse qual fosse o seu opositor. Nessa medida, as reações à vitória de António José Seguro seriam idênticas às que existiriam se tivessem passado à segunda volta Luís Marques Mendes, Cotrim Figueiredo, ou Gouveia e Melo. Uma espécie de «Festa da Democracia» face ao crescimento de uma «Extrema-Direita» populista e radicalizada.

Ainda que não me reveja na postura e no discurso de André Ventura e do Chega, entendo que essa conotação é exagerada. No meu ponto de vista, mais do que tudo, o Chega é uma união de forças de protesto, que absorveu desde eleitores que votavam na extrema esquerda, como o eleitorado de extrema direita que não se sentia representado e por isso não votava. A soma de ideologias divergentes num mesmo Partido, pode criar um partido populista e desprovido de ideologia própria, mas nunca um partido de extrema-direita.

Certo é que essa imagem extremista é aquela que tem imperado no meio político e social mais amplo, pelo que, na análise aos resultados, não podemos ignorar essa visão global. Os resultados da segunda volta das Presidenciais, vistas sob esse prisma, são alarmantes a nível nacional, mas, principalmente, no Algarve.

Vejamos:

- Num confronto direto entre André Ventura e um candidato que reuniu o apoio de todos os restantes partidos; com o apelo ao voto de todos os «democratas» contra os «extremistas», a nível regional André Ventura obteve 43,11 por cento dos votos.

- Apesar de António José Seguro ter vencido em todos os concelhos, obteve as diferenças de 2.586 votos em Portimão, 243 votos em Lagoa, 381 votos em Albufeira, 2.840 votos em Loulé, 1.331 votos em Tavira, 809 votos em Vila Real de Santo António.

Estes resultados não diminuem a vitória de António José Seguro, mas levantam questões políticas para o futuro.

O Chega conseguiu consolidar, em menos de uma década, uma percentagem eleitoral, que o PS e o PSD demoram 50 anos a conseguir. Mesmo que esta tenha sida a votação máxima do

Chega (o que não creio), a nível nacional, com a divisão de votos entre os partidos tradicionais, é cada vez mais provável uma vitória do Chega nas Legislativas e a obtenção de uma maioria absoluta eleitoral no Algarve, que se traduzirá na eleição de mais deputados do Chega do que do PS e do PSD.

Só uma boa governação pode combater o crescimento populista.

A união de todos contra um, a que se assistiu nestas Presidenciais e poderá vir a ocorrer num cenário de governação pós-Legislativas, poderá originar a criação em Portugal de uma espécie de movimento «Le Pen», uma sombra permanente contra o regime político, atraindo cada vez mais radicais para as fileiras do Partido e inflamando cada vez mais o discurso.

O novo Presidente da República terá um grande desafio pela frente: a dignificação da Política, que contribua para o apaziguamento do populismo. A descentralização terá aqui um papel fulcral, pelo conhecimento da realidade de cada região.

Importa recordar que, em política, o mais difícil é um eleitor votar pela primeira vez num determinado partido. Nestas eleições 1.739.745 eleitores viram em André Ventura uma alternativa, muitos deles, seguramente, pela primeira vez.

Beach Tennis em destaque na Praia dos Pescadores durante a primeira semana de março

Município de Albufeira volta a assumir um papel central no panorama internacional do ténis de praia ao acolher a segunda edição do Albufeira Beach Tennis Tour. De 2 a 8 de março, centenas de atletas nacionais e internacionais competem na Praia dos

Pescadores, um dos cenários mais emblemáticos da cidade, reforçando a ligação entre o desporto, o território e a comunidade.

A iniciativa resulta de uma parceria entre o Município de Albufeira e a Aduane Sports Solutions, sob a égide da Federação Portuguesa de Ténis, e apresenta, nesta edição, uma dimensão reforçada, tanto ao nível competitivo

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

como organizativo. O torneio pontua para o ranking mundial de Beach Tennis, consolidando-se como um dos mais conceituados eventos da modalidade realizados em Portugal.

O evento desportivo foi apresentado publicamente, no dia 6 de fevereiro, em conferência de imprensa realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho, com Jorge Carmo, vice-presidente da Câmara Municipal de Albufeira, a sublinhar o contributo do torneio para “a divulgação da modalidade e na promoção de

Albufeira como destino de excelência para a realização de eventos desportivos internacionais”. O também vereador do Desporto garante que “esta prova é mais uma demonstração do compromisso do Município com o Desporto e com a Juventude”

Francisco Paula, elemento da direção desportiva do Albufeira Beach Tennis Tour, destacou a relevância competitiva do evento, referindo que esta será “uma oportunidade privilegiada para o público conhecer os melhores jogadores

do mundo”. O responsável salientou ainda o impacto positivo do torneio na economia local, sobretudo numa fase de menor procura turística, com benefícios diretos para setores como a restauração e a hotelaria.

Também Nuno Pissarra, da direção desportiva do torneio, considerou que esta edição representa um momento “indiscutivelmente único” para o ténis de praia em Portugal, classificando o evento como “um dos mais reconhecidos da modalidade”. Entre as principais novidades, o dirigente destacou o facto de, pela primeira vez no país, os jogos de pares mistos pontuarem para o circuito mundial, bem como a

realização da primeira competição portuguesa pontuável para o ranking júnior.

Com entrada gratuita, o recinto conta com um campo dedicado à experimentação da modalidade, promovendo o contacto do público com o ténis de praia e incentivando a participação ativa da comunidade. O Albufeira Beach Tennis Tour acontece no âmbito da programação de «Albufeira Cidade Europeia do Desporto 2026» e reforça o posicionamento estratégico do Município na organização de grandes eventos desportivos.

Culturas e tradições do mundo marcaram Carnaval de Altura

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Município de Castro Marim om o tema «Culturas e Tradições do Mundo», as cores, costumes e história de vários locais do planeta saíram à rua em mais um desfile do Carnaval de Altura, que animou as artérias daquela localidade do concelho de Castro Marim nos dias 14 e 15 de fevereiro. A 23.ª edição do Carnaval de Altura demonstrou mais uma vez que este desfile é o mais autêntico do sotavento algarvio e um sucesso incontestável, com a participação de nove carros alegóricos e 10 grupos de animação, observados de perto por milhares de pessoas.

Os tradicionais cabeçudos e temas como Saint Patrick's Day (Irlanda), Corações de Viana (Minho), Rancho do Texas (América), Moulin Rouge (França), Egipto, Antártida, Sevilha (Espanha), Índios (Amazónia), Festival Holi (Índia), Vikings (Escandinávia) foram retratados pelos foliões e os seus carros alegóricos, além dos participantes individuais que representaram outras culturas como o toureiro, a brasileira, as peixeiras e o corvo, o maior símbolo da freguesia de Altura. Este carnaval foi preparado durante várias semanas por dezenas de incansáveis voluntários, foliões, associações e outras entidades de todo o concelho, como a Junta de Freguesia de

Altura, Associação Cegonha Branca, Clube Recreativo Alturense, Associação Cultural Amendoeiras em Flor, Junta de Freguesia de Castro Marim, Amigos do Bairro Quente, Centro de Cultura e Desporto da Câmara Municipal de Castro Marim, Grupo de Amigos de Altura e Casa do Povo do Azinhal, que todos os anos colocam as mãos à obra para a realização dos fatos, dos carros alegóricos e para a execução de milhares de flores de papel.

O evento foi organizado pela Junta de Freguesia de Altura, em parceria com o Município de Castro Marim, com apoio e colaboração de diversas entidades,

associações e empresas do concelho, com especial destaque para os supermercados Corvo e o empreendimento Verdelago.

Carnaval de Loulé foi destino de mais de 70 mil foliões com três dias de muita sátira

os dias 15, 16 e 17 de fevereiro, o Carnaval de Loulé voltou ao «sambódromo» louletano para três dias de folia no mais antigo corso do País. Este ano, o tema foi o «Super Carnaval», com os mais icónicos super-heróis a integrarem o desfile, em tom de sátira política, social e desportiva. E mais de 70

mil pessoas estiveram na Avenida José da Costa a celebrar esta festa que, apesar da influência do outro lado do Atlântico, tem fortes raízes no concelho de Loulé.

O cortejo contou com 14 carros alegóricos, mais de 600 figurantes, grupos de animação em representação das associações e IPSS do concelho, escolas de samba, gigantones, malabaristas e até um DJ que animou o

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

recinto. O principal «super-herói» desta folia louletana foi o Zé Povinho, com os seus superpoderes para enfrentar o aumento do custo de vida, os problemas no SNS ou a dificuldade em conseguir uma habitação. Com o seu fato verde e vermelho de Super-Homem, o Zé voou bem alto, envergando um guarda-chuva fechado, uma superstição da organização para que a chuva não estrague a festa.

A agenda política nacional esteve presente uma vez mais e as Eleições Presidenciais foram um dos motivos de inspiração para os organizadores. Quando o desfile saiu à rua já se sabia quem era o novo Chefe de Estado português, mas os criativos deste corso quiseram criar um carro ilustrativo dessa

corrida a Belém, com um Almirante Henrique Gouveia e Melo vestido de Aquaman ou um Luís Marques Mendes a ser o Nemo desta «história» no fundo do mar.

A Operação Marquês já vai longa e José Sócrates continua a ocupar as primeiras páginas dos jornais e a inundar os tribunais com pedidos de recurso. Num desfile dedicado aos super-heróis, o antigo Primeiro-Ministro foi um dos vilões mais conhecidos de sempre, Joker, o arqui-inimigo de Batman.

O Carnaval de Loulé não tem a tradição de ter um Rei ou Rainha, mas, se tivesse, Cristiano Ronaldo seria com toda a certeza, a cada edição, o Rei do Carnaval

de Loulé pela constante presença neste desfile. Por isso, no corso deste ano não faltaram as polémicas que envolveram o «Número 7», desde a receção do Presidente Donald Trump na Casa Branca, com honras de Estado, à habitual convocatória do «Super-Ronaldo», como titular da equipa das Quinas, pelo selecionador Roberto Martínez, mesmo quando a sua forma não era a melhor, mas que contribuiu para Portugal assegurar a presença no Mundial’26.

A sátira desportiva é uma tradição do Carnaval de Loulé e as quezílias do futebol português voltaram a estar em destaque em 2026, pelo que os presidentes dos três grandes foram retratados em modo «super-herói». O verde Hulk com os seus superpoderes era

Frederico Varandas, que usa a sua força para defender o Sporting. O Homem Falcão/Águia é Rui Costa, o defensor do reino do Benfica. Ambos lutam contra o dragão André Vilas-Boas, numa alusão à corrida pela conquista do título.

No panorama internacional, a tensão na Venezuela também esteve em Loulé. O bote de Nicolás Maduro carregado de droga é intercetado pelo Capitão América Donald Trump, em águas caribenhas, um carro pensado ao pormenor e em que nem o «passarinho» Hugo Chávez foi esquecido, para sussurrar palavras de conforto ao seu sucessor, agora preso em Nova Iorque.

Perante todos estes motivos, foram, conforme referido, mais de 70 mil os

visitantes que deram umas boas gargalhadas e se divertiram neste Carnaval «à grande e à louletana». “Estamos muito felizes por termos alcançado o objetivo que era ter a ajuda do S. Pedro para não estragar a festa. Felizmente, nos três dias de corso, o sol brilhou e conseguimos oferecer um desfile fantástico, cheio de cor e com carros alegóricos executados com muita criatividade. Uma palavra também para o público maravilhoso que ajudou a que esta festa fosse um enorme sucesso”, sublinha José Miguel Monteiro, responsável dos Eventos do Município de Loulé

Por seu turno, Telmo Pinto, presidente da Câmara Municipal de Loulé, refere a importância para a economia local deste e dos outros corsos que acontecem neste concelho, nomeadamente em Alte e Quarteira. “Foram dias muito preenchidos em termos da ocupação hoteleira, da restauração, do comércio em geral, não só devido a quem veio ver os desfiles, mas também participar noutras iniciativas, como o Torneio Internacional de Vela de Carnaval, em Vilamoura. O Carnaval de Loulé é um evento-âncora, com muita tradição, e que nós queremos continuar a potencializar, até porque é fundamental nesta altura do ano”, reforça o autarca.

Quarteira levou Carnaval

do Circo para a rua

m Quarteira, o Carnaval celebrou-se nos dias 14, 15 e 17 de fevereiro e o corso carnavalesco aconteceu, como habitualmente, na Avenida Infante de Sagres. Este ano, os oito carros alegóricos vieram acompanhados de sete grupos de chão, todos vestidos a rigor sob o tema «O Circo», com a avenida a

apresentar três pontos de exibição e várias possibilidades de comes e bebes.

Foram três dias de festa vibrante que encheram a Avenida Infante Sagres de animação e muita alegria, com cores fortes, serpentinas, confetis e um mar esplêndido de fundo, num evento organizado pela Junta de Freguesia de Quarteira com o apoio da Câmara Municipal de Loulé.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

São Brás de Alportel viveu mais um

Carnaval Tradicional do Barrocal

Carnaval

Tradicional de São

Brás de Alportel regressou em 2026 com novidades e com uma parceria

reforçada no âmbito do «Carnaval Tradicional do Barrocal», iniciativa que une os desfiles tradicionais de São Brás de Alportel, Bordeira e Gorjões numa celebração conjunta da identidade e das tradições do Entrudo algarvio. O acordo, iniciado de forma informal em 2024 entre o Município de São Brás de Alportel, a Sociedade Recreativa Bordeirense e o

Clube Recreativo e Cultural Gorjonense, assumiu este ano uma dimensão oficial e consolidada, com o objetivo comum de valorizar e preservar a autenticidade do Carnaval Tradicional do Barrocal algarvio, uma expressão cultural conhecida ao longo de gerações como «Entrudo».

No âmbito desta parceria, o Clube Recreativo e Cultural Gorjonense, a Sociedade Recreativa Bordeirense e a Câmara Municipal de São Brás de Alportel acordaram o intercâmbio de grupos participantes, a divulgação conjunta dos desfiles e a articulação estratégica das datas, permitindo, a partir

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

de 2026, a realização dos três eventos em dias distintos, promovendo uma verdadeira digressão carnavalesca pelo Barrocal. Deste modo, houve três desfiles de entrada gratuita e participação livre, unidos por uma só tradição: no sábado, 14 de fevereiro, em Gorjões; no domingo, 15 de fevereiro, na Bordeira; e, na terça-feira de Carnaval, 17 de fevereiro, em São Brás de Alportel.

O desfile de foliões e carros alegóricos teve tema livre e participação aberta a todos, contando com animação musical

ao vivo pelo DJ DISOLIS. A iniciativa pretendeu envolver toda a comunidade na celebração de uma tradição que constitui património cultural imaterial do território.

Nova época de ginástica acrobática arrancou em Lagoa

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

época 2025/26 de ginástica acrobática no Algarve deu o pontapé-de-saída com o 1.º Encontro de Infantis, o Torneio de Iniciação e o 1.º Torneio de Níveis, no dia 14 de fevereiro, no Pavilhão Municipal Jacinto Correia, numa organização da ACD Che Lagoense e da Associação de Ginástica do Algarve com o apoio do Município de Lagoa.

A expetativa era muita, como seria de esperar, por se tratar da primeira prova oficial do ano, com novos pares e trios, novos esquemas, novas coreografias e figuras, novas roupas, mas com uma coisa em comum: a enorme alegria com que centenas de jovens ginastas sobem ao praticável para fazer aquilo que mais gostam. Não admira, por isso, que a bancada do pavilhão estivesse completamente esgotada durante toda a manhã e tarde, com constantes gritos de incentivo aos atletas, e muitas lágrimas

nos olhos e sorrisos nos rostos dos pais orgulhosos.

Uma demonstração de que a ginástica acrobática está de saúde no Algarve, com excelentes desempenhos dos ginastas da APAGL – Associação de Pais e Amigos da Ginástica de Loulé, da ACD Che Lagoense, da AGS – Associação de Ginástica de Silves, do LDC – Louletano Desportos Clube, do Acro Albuhera –Clube de Ginástica de Albufeira, da GCL –Ginástica Clube de Loulé, do CEDF –Clube Educativo e Desportivo de Faro e da CPSBM – Casa do Povo de São Bartolomeu de Messines. Nesta edição fica a reportagem do 1.º Encontro de Infantis.

TEATRO DAS FIGURAS ESTREOU À MARGEM» COM VAIAPRAIA

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Teatro das Figuras / Miguel Fernandes

ESTREOU «NOITES VAIAPRAIA E MAQUINA

Teatro das Figuras, em Faro, estreou, no dia 6 de fevereiro, o «Noites à Margem», despindo-se do seu figurino habitual e assumindo uma nova roupagem no qual o público é convidado a assistir a concertos em pé de um modo mais descontraído e informal. A programação destas noites contemplará projetos musicais que habitualmente não são apresentados neste equipamento cultural da capital algarvia, criando assim uma oferta diferenciadora.

A primeira sessão deste ciclo do Teatro das Figuras começou com os Vaiapraia, que deram a provar o rock enquanto substância efervescente que traz exceções luminosas do nosso quotidiano, enquanto cura possível ou aproximação ao divino. “É como se o calor do rock e o caçar da canção fossem uma cotovelada estóica ao aborrecido declínio da civilização ocidental”, descreve a banda composta por Rodrigo Marques, Beatriz Dinis, Francisca Ribeiro e Ana Farinha.

Seguiram-se os Maquina, trio dinâmico de Lisboa constituído por João Cavalheiro, Tomás Brito e Halison Peres e que tem vindo a causar um impacto significativo na cena musical portuguesa e europeia. Com performances enérgicas

que fundem a cultura da dança com música alternativa, a banda conquistou rapidamente uma reputação entre públicos de todas as idades, sendo influenciada por estilos centrados em

repetição e minimalismo, como Krautrock e Techno Industrial, mas explorando audaciosamente os limites desses gêneros, incorporando também elementos de noise e música eletrônica.

PROPRIETÁRIO E EDITOR:

Parágrafoptimista Unipessoal Lda. NIPC 518198189

GERÊNCIA: Mónica Pina

DETENTORA: Mónica Pina (100%)

SEDE:

Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 67, 8135-157 Almancil

Órgão registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782

DIRETOR:

Daniel Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924

Telefone: 919 266 930 (custo de chamada para a rede móvel nacional)

REDAÇÃO:

Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 67, 8135-157 Almancil

Email: algarveinformativo@sapo.pt

PERIODICIDADE:

Semanal

CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO:

Daniel Pina

FOTO DE CAPA:

Daniel Pina

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve.

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores.

A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão.

A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica.

A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais.

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos.

A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas.

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.

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