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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #514

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ALGARVE INFORMATIVO

ÍNDICE

Ana Isabel Soares (pág. 18)

Sílvia Quinteiro (pág. 22)

Paulo Neves (pág. 26)

49.º Cross Internacional das Amendoeiras (pág. 30)

Bolsas de Excelência da UAlg (pág. 44)

Start Work VIII no Portimão Arena (pág. 52)

Krav Maga em Albufeira (pág. 64)

Ginástica rítmica encantou Portimão - Parte IV (pág. 70)

«Veneno» no Cineteatro Louletano (pág. 112)

«Geografias da Água» em Loulé (pág. 134)

Uma exposição: gravuras de Maria Helena Vieira da Silva Ana Isabel Soares, professora

Museu Municipal de Faro, até 29 de março

alvez seja a primeira vez que são mostradas no Museu Municipal de Faro obras de Vieira da Silva (1908-1992): só por isso, a visita valeria a pena. Mas existem outros motivos para se ir ao Museu. Antes de mais, a ocasião assinala a colaboração entre a instituição municipal e a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, de Lisboa, que alberga e dinamiza as obras do casal de artistas, não apenas exibindo o que produziram, mas criando mostras que têm por eixo quer a produção de ambos, quer conceitos que em Vieira da Silva e em Arpad Szenes se cruzam. Além de testemunhar a muito interessante colaboração (que se espera possa continuar), visitar a exposição itinerante «Os Frutos da Liberdade» permite conhecer uma das menos conhecidas vertentes da obra de Vieira da Silva, as suas peças gráficas, entre gravuras de buril, água-tinta, litografias e serigrafias: nas salas do andar cimeiro do antigo convento, podem ver-se 32 peças que fazem parte de um total de 375 obras gráficas que a artista produziu ao longo da sua vida. A seleção, segundo o diretor do Museu, Marco Lopes, teve por critério

aspectos técnicos, a “diversidade temática” e “o período de criação”, balizado entre os anos de 1961 e 1990 –ou seja, cobre o intervalo de tempo que inclui a revolução que libertou Portugal da longa ditadura e fez com que entrasse na atual democracia. A exposição, aliás, integra-se num conjunto de comemorações do meio século de Democracia em Portugal. Mas não foram só políticos e sociais os «frutos» desta «liberdade», para referir o título da mostra: foram e são, também, obras de arte.

Quem visite a exposição reconhecerá traços de algumas das obras mais visíveis de Vieira da Silva, como os desenhos que decoram a estação de Metro da Cidade Universitária, em Lisboa. Verá igualmente as linhas e as cores de quadros como «A poesia está na rua», que realizou a propósito da revolução do 25 de Abril, dois anos depois de Sophia de Mello Breyner ter vaticinado no livro Dual, no poema a que chamou «Maria Helena Vieira da Silva ou o Itinerário Inelutável»: “... um dia emergiremos e as cidades / Da equidade mostrarão seu branco / Sua cal sua aurora seu prodígio”.

As obras de Vieira da Silva, lê-se na página da Fundação, “evocam a Liberdade e os seus valores essenciais – a livre expressão, a circulação das ideias e o respeito pela diferença”. Poder observar de perto as gravuras agora expostas no Museu Municipal de Faro ajuda a perceber como se concretiza essa liberdade, que imagem tem a sua ausência – por exemplo, na serigrafia a cores sobre tecido, L’Exode, de 1968, dedicada a Maria Fernanda; ou como uma revolução pode fundar uma biblioteca humorística – veja-se a colorida

e dinâmica litografia a 19 cores sobre papel, intitulada, precisamente, «La Bibliothèque humoristique», de 1974. Neste quadro, uma das inúmeras «bibliotecas» representadas na arte de Vieira da Silva, é divertido tentar reconhecer as lombadas perfiladas em estantes que se assemelham a estendais de roupa. Surgem autores clássicos (“Aristóteles”?) a par de outros, mais próximos no tempo: será a lombada inscrita com «LD / F» uma referência ao pessoano Livro do Desassossego, cuja primeira edição data de 1982...?

Foto: Vasco Célio

Gambelas e uma ovelha cor-de-rosa

uando o meu filho mais velho andava na escola primária, a professora pediu-me, certa tarde, no final das aulas, que ficasse um pouco para conversarmos. Pediu também ao menino que se sentasse connosco.

À nossa frente, sobre a secretária, uma pasta de cartolina com o trabalho da última semana. De lá de dentro, a professora foi retirando, uma a uma, as evidências da grande evolução do pequeno: o português, a matemática, o estudo do meio. Tudo irrepreensível.

Mas quando chegou ao desenho… ai, o desenho — uma tragédia.

Apressei-me a explicar que, na verdade, estranho seria o contrário, uma vez que o rapaz não tinha a quem sair com o mínimo talento para as artes. Mas ela não se deu por convencida. Sublinhou a falta de empenho e, a título de exemplo, mostrou-me uma página para colorir.

— Está a ver? — disse, apontando para o papel. — Era só pintar. E olhe o que ele fez. As ovelhas não são cor-de-rosa — acrescentou, olhando-o nos olhos.

Sem que eu tivesse tempo para lhe perguntar o que quer que fosse, o artista saiu em defesa da sua obra:

— As minhas são.

Fez-se um breve silêncio.

— E porquê? — perguntou a professora.

— Porque eu gosto.

Ficámos ambas sem argumentos. Como é que se diz a uma criança de seis anos que as ovelhas dela não podem ser corde-rosa?

Anos mais tarde, o telefone tocou. Ocupada, não consegui atender de imediato. Do outro lado da linha, alguém que, claramente, não tencionava desistir.

— Mãe, atende! Eu não posso. Estou a voar — gritou o meu filho mais novo.

Deitado sobre o encosto do sofá da sala, barriga para baixo, braços abertos, pernas dobradas, olhos postos no horizonte possível e uma pose que desafiava a gravidade. Nunca lhe vi asas, mas, ainda assim, percebi de imediato que aquele voo não era uma metáfora. Muito menos, uma mentira. Era a sua ovelha cor-de-rosa.

Recordo hoje estes dois episódios, a propósito de um outro que, à primeira vista, nada tem a ver. Mas só à primeira vista.

No decorrer de uma conversa com um amigo, apercebi-me de ele que usava repetidamente a expressão em Gambelas. Chamei a atenção — como faço sempre que tenho oportunidade — para o facto de a formulação correta ser nas Gambelas.

Não consigo situar exatamente o momento em que se começou a achar natural subtrair o artigo à localidade. Quem ali tem as suas raízes, jamais o faria. Acredito, por isso, que o fenómeno esteja relacionado com o surgimento das urbanizações mais recentes e, sobretudo, com a legitimação que lhe confere o letreiro à entrada da universidade: Campus de Gambelas.

Se ali está, quem chega assume estar certo. Mas não está. Não está mesmo.

Alguns ficam surpreendidos com a informação, outros franzem a testa, desconfiados. O que nunca me tinha acontecido antes foi ouvir, como resposta:

— Está bem. Mas eu digo assim.

Há mesmo uma primeira vez para tudo. E, confesso que, pensando melhor, até achei muito bem. Afinal de contas, «gringos» e locais sempre se moveram sobre as mesmas coordenadas, mas em lugares diferentes. E acresce que toda a gente devia ter o direito à sua ovelha corde-rosa. Uma criança de seis anos, um adulto de sessenta… somos todos filhos de Deus.

Aproveito esta libertação, esta ideia reconfortante de que cada um poder viver no seu próprio mundo e, inspirada, saio do Faro, passo pelo Almancil e vou até à Quarteira. Sento-me em praia e, adivinhem, emerge das ondas um cardume de ovelhas aladas — cor-derosa, claro está!

«O Homem é ele e as suas circunstâncias»*
Paulo Neves, «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha

ssocio a conhecida expressão do filósofo espanhol a estas semanas que temos testemunhado. A grandeza das populações e de cada um, no seu contexto de tempo e lugar, capazes de moldar o mundo num repente, ao mesmo tempo que reage às agruras que se lhe deparam.

Que difícil a vida em que os agregados familiares ficam expostos, dias e noites, a fio. A sua capacidade de resiliência, adaptação e resposta às necessidades básicas de sobrevivência com tudo a desmoronar-se à sua volta, à espera de quem possa acudir, percebendo que é toda a comunidade envolvente e outras próximas na maior dificuldade e perigo.

A situações enormes sucedem-se atos maiores, na solidariedade coletiva nacional, na superação individual, para mais não se perspetivando prazo curto de normalização para as necessidades básicas.

Nem consigo imaginar como está quem assim tanto sofre.

Tenho eletricidade, portanto, consigo perceber e acompanhar as previsões climáticas, as expetativas de respostas, as

reações das autoridades mais para os que estão de sofá do que para quem sobrevive esperando sem saber o fim destas dificuldades em que o céu decidiu desabar-lhes e na vizinhança. Fico aflito.

Desejo o melhor, mas antecipo o pior durante muito mais tempo. Por isso, conhecendo a importância e a influência da comunicação, percebo bem a insistência do Presidente da República eleito em manter a exigência na resposta, sem desvanecer na teimosia de manter o tema e o foco no dia-a-dia da governação.

Está a resultar, todos os demais atores estão, agora, a assumir o momento (mesmo com gaffes).

É incrível que mesmo neste momento longo, as pessoas se tenham mobilizado para votar. É algo imensamente generoso.

No meio do medo e desesperança, cada um desviou-se do seu percurso habitual e meteu-se a escolher outro concidadão para vir a garantir a normalidade democrática do país no prazo necessário ao términus do mandato do atual em funções.

Cada um vai buscar forças e discernimento para assumir corresponder às necessidades básicas, mesmo

compreendendo nessas o regular funcionamento das instituições.

Que exemplo de cada um e de coragem com a dos autarcas que, além de estarem presentes nesta hecatombe que vamos assistindo pelos órgãos de comunicação social, ainda garantiram a mobilização organizativa para assembleias de voto e toda a logística legal imperativa com normalidade num quadro de total anormalidade e sufoco informativo sobre o que mais viria nas próximas horas.

Um espanto que não se acaba.

E a resposta eleitoral que, ainda assim, fez mover o país? Incrível e sem margem para dúvidas. Escolheram quem, sem gritaria ou demagogia, mais serenamente quiseram fazer destacar para representar a República. Normal seria se a opção fosse mais a outra associada ao aproveitamento do desespero e da ansiedade.

Foi a de um país maduro na democracia da escolha e no carácter de «Um de nós» para as exigências das dificuldades com que vamos todos conviver.

Ortega y Gasset não estaria a pensar nesta conjugação de fenómenos no tempo e lugar, mas ficaria também impressionado sobre as capacidades de cada um no contexto louco que estamos a viver em que só temos escolha sobre uma das situações e, ainda assim não a desperdiçamos, mesmo que aparentemente tenha menor influência sobre as necessidades básicas imediatas.

Esta opção assumida, um (pequeno) desvio à atenção do mais premente do básico pela interrupção na urgência coletiva, é algo de característico que nos marca como povo. A cooperação, a ajuda, o foco nos outros é português.

No passado já demos provas desta caraterística de generosidade coletiva. Mantemo-nos como somos.

Espero que o poder político, as autoridades públicas, não se confortem apenas das vontades e ofertas generosas de cada um e cumpra o dever de não fazer desmerecer tamanhas virtudes, para não fazer derrocar estas também além do que a natureza nos vai colocando pela frente à prova.

Que o tempo seja, mais cedo, o da esperança. Viva Portugal(!) é o que apetece gritar.

*José Ortega y Gasset (1883-1955)

Atletismo português em alta no 49.º Cross Internacional das Amendoeiras

atletismo português esteve em alta no 49.º

Cross Internacional das Amendoeiras, que reuniu, no dia 8 de fevereiro, cerca de 800 atletas de 75 clubes e 19 nacionalidades na mítica Pista de Cross das Açoteias. O Sporting de Braga, na prova feminina, e o Benfica, na

estafeta mista, sagraram-se campeões europeus de corta-mato na 61.ª edição da Taça dos Clubes Campeões Europeus, e o Sporting também subiu ao pódio, conquistando duas medalhas de prata.

Na competição absoluta feminina, a equipa do SC Braga revalidou o título europeu conquistado na época 2024/25. A queniana Jackline Rotich venceu a prova individual e Mariana Machado (6.ª),

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Município de Albufeira

Laura Taborda (10.ª) e Solange Jesus (21.ª) completaram a pontuação da equipa vencedora. O Sporting CP terminou no 10.º lugar coletivo.

Na estafeta mista, o Benfica com Isaac Nader, Etson Barros, Teresiah Gatieri e Salomé Afonso garantiu a medalha de ouro. O pódio foi dominado pela presença nacional, uma vez que o Sporting CP, com Nuno Pereira, José Pinto, Patrícia Silva e Purity Chepkirui, conquistou a medalha de prata.

No escalão de sub-20 masculinos, o Sporting CP ficou com a medalha de prata por equipas, graças aos excelentes resultados individuais alcançados por Franline Kibet, que se sagrou campeão europeu, e Dinis Ferreira, que arrecadou a medalha de bronze. O SC Braga foi 6.º

classificado, com Afonso Gomes a classificar-se em 4.º lugar.

Na prova de seniores masculinos, o Sporting terminou na 4.ª posição coletiva, com Charles Rotich a obter a medalha de bronze individual. O Benfica foi 6.º, com Victor Kimosop a ficar na 4.º posição na classificação individual. Nos sub-20 femininos, o Sporting ficou em 9.º lugar por equipas, com Maria Jesus a alcançar o 7.º lugar individual.

Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina, recordou que o Cross Internacional das Amendoeiras é uma prova que se realiza desde 1977 e que “a sua continuidade, 49 anos depois, no ano em que Albufeira é Cidade Europeia do Desporto é muito gratificante”. “Albufeira tem excelentes

infraestruturas e condições para a realização de provas nacionais e internacionais de relevo, como esta que faz parte do circuito World Athletics Cross Country Gold Level, único evento da especialidade em território nacional”, afirmou.

No âmbito do evento assistiu-se ainda a um momento de grande emoção, com os presidentes da Câmara Municipal de Albufeira e da Associação de Atletismo do Algarve, Rui Cristina e Francisco Chumbinho, respetivamente, a promoverem uma homenagem póstuma a Artur Lara Ramos, figura de relevo na região pelo seu percurso e dedicação ao atletismo e por ter sido o fundador do Cross Internacional das Amendoeiras em Flor. A cerimónia realizou-se na presença dos filhos André Ramos e Filipe Ramos

que agradeceram o reconhecimento público ao pai. Rui Cristina realçou “a importância de prestar tributo à memória do homem, atleta e dirigente, cuja visão e carisma permitiram a criação de uma prova de reconhecido prestígio Internacional”, tendo destacado o contributo ímpar do Prof. Lara Ramos na dinamização e elevação do desporto algarvio a patamares de excelência e visibilidade internacionais

A 49ª edição do Cross Internacional das Amendoeiras em Flor foi uma organização conjunta da Associação de Atletismo do Algarve e do Município de Albufeira, com o apoio do Instituto Português do Desporto e Juventude e da Região de Turismo do Algarve.

Estudantes de excelência poderão realizar licenciatura e mestrado integrado na UAlg com a propina integralmente assegurada

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Universidade do Algarve a Universidade do Algarve (UAlg), os estudantes de excelência podem realizar a licenciatura e o mestrado integrado com a propina integralmente assegurada, conforme anunciou a reitora Alexandra Teodósio na cerimónia da 14.ª edição das Bolsas de Excelência, realizada, a 5 de fevereiro, no Campus de Gambelas. Na

ocasião, a reitora sublinhou que esta decisão visa assegurar que “todos os estudantes de excelência continuem a ser distinguidos ao longo de todo o ciclo de estudos”, reforçando o compromisso institucional com a valorização do desempenho académico sustentado e não apenas no momento de ingresso.

Dirigindo-se aos estudantes distinguidos e a todos os que ingressaram na UAlg no ano letivo de 2025/2026,

Alexandra Teodósio lançou um desafio claro: “Mantenham níveis elevados de excelência académica, pois, já no próximo ano letivo, todos os estudantes que obtenham uma média final de ano igual ou superior a 17 valores serão igualmente premiados, através da atribuição de uma bolsa de montante equivalente ao valor da propina anual”. A Reitora aproveitou ainda o momento para apelar ao reforço do envolvimento do tecido empresarial e das entidades parceiras, desafiando-as a manter e alargar o patrocínio das Bolsas de Excelência. Segundo destacou, este apoio representa “um compromisso concreto com a qualificação do talento,

a valorização do mérito académico e o desenvolvimento sustentável do território”.

A mensagem deixada foi inequívoca: na Universidade do Algarve, os estudantes de excelência poderão realizar a sua licenciatura e mestrado integrado, vendo o seu mérito reconhecido ao longo de todo o percurso académico. E as empresas parceiras desempenham um papel essencial na valorização do mérito e na promoção da igualdade de oportunidades, ao investirem no desenvolvimento dos estudantes e no seu percurso académico. Este apoio,

materializado através das Bolsas de Excelência, representa um voto de confiança no potencial dos alunos e reforça a importância do reconhecimento. Em simultâneo, a parceria entre a Universidade, entidades e o tecido empresarial contribui para aproximar a formação e as competências adquiridas na academia das necessidades reais da sociedade e da economia, fortalecendo a ligação ao mercado de trabalho.

Em representação das entidades parceiras, Sílvia Metrogos, diretora do Local Delivery Center (LDC) da Atos no Algarve – localizado no UAlg Tec Campus, no Campus da Penha –

sublinhou o papel da Universidade do Algarve como “pilar fundamental do desenvolvimento da região e da valorização do talento que aqui se forma”, destacando a visão partilhada entre a Universidade e o ecossistema empresarial que acreditam no futuro. Partilhando o seu percurso profissional regional, nacional e internacional, a empresária referiu a importância de regressar ao Algarve e dirigiu-se aos estudantes para reconhecer o seu percurso de excelência: “Este reconhecimento é fruto do vosso trabalho”, alertando, contudo, que nem tudo será fácil e que as dificuldades fazem parte do crescimento. Como algarvia, deixou ainda a mensagem de

que é essencial abrir horizontes, reforçando que o Algarve não deve ser visto apenas como um ponto de partida, mas também como um local de chegada.

Carina Kryvosheyeva, que discursou em representação dos alunos premiados, ingressou no curso de Gestão de Empresas, com média de 19,2 valores, vinda da Escola Secundária de Loulé. Na sua opinião, “a Bolsa de Excelência representa muito mais do que um apoio financeiro, sendo, sobretudo, um reconhecimento do trabalho, do esforço e da persistência ao longo do percurso académico”, realçando que esta distinção reforça a importância da excelência, da responsabilidade e da consistência no estudo. No seu discurso, valorizou o papel da UAlg na promoção de uma cultura de mérito e de valorização do conhecimento e salientou o contributo fundamental das empresas parceiras no investimento no futuro e na qualificação do talento. A terminar, Carina Kryvosheyeva destacou que o sucesso académico assenta em valores como disciplina, organização e resiliência, e deixou uma mensagem de incentivo aos novos estudantes, concluindo com um agradecimento à Universidade, às entidades parceiras, aos professores, às famílias e, em particular, aos seus pais, pelo apoio determinante no seu percurso.

O Agrupamento de Escolas Tomás Cabreira contou com 14 alunos distinguidos nesta sessão, sendo a escola secundária com o maior número de estudantes premiados. A diretora, Ana Paula Matos Mourato Marques, que discursou em representação de todos os Agrupamentos de Escolas, começou por

destacar que “o mérito académico dos estudantes agora distinguidos é o resultado de anos de trabalho consistente, de escolhas exigentes e de uma forte crença no valor da educação”. Frisou, igualmente, o papel determinante das escolas e das famílias no acompanhamento e investimento ao longo do percurso formativo dos alunos até à entrada na universidade. A diretora reforçou ainda que a excelência vai muito

além das classificações, refletindo-se também “na ética, na capacidade de colaboração, no respeito pelo outro e na utilização do conhecimento ao serviço da comunidade”, lembrando que nenhum percurso de excelência se constrói de forma isolada.

No ano letivo de 2025/2026, a UAlg atribuiu 96 Bolsas de Excelência, que asseguram o pagamento integral da

propina do primeiro ano de licenciatura ou mestrado integrado, num investimento global de 66 mil e 912 euros, com o apoio de 54 empresas e entidades. Criadas em 2012/2013, as Bolsas de Excelência já distinguiram 870 estudantes, ultrapassando um apoio acumulado de 690 mil euros.

Portimão Arena foi palco da Start Work VIII

ntre 4 e 6 de fevereiro, a Start Work VIII – Mostra de Educação, Formação Profissional, Empreendedorismo e Emprego reuniu no Portimão Arena várias entidades e instituições que divulgaram uma alargada oferta formativa e profissional, dirigida a jovens a partir dos 13 anos e a adultos. O projeto, lançado pelo Município de Portimão em 2016, e apenas interrompido durante a pandemia, traduz-se num grande evento de promoção e divulgação de ofertas de emprego e estágios profissionais,

programas e medidas de apoio ao investimento, formação profissional, ensino secundário regular e profissionalizante e ensino superior.

A participação de mais de quatro dezenas de expositores, com forte enfoque, não só na educação e formação, mas também em exemplos de empreendedorismo e inovação, atestaram a importância desta mostra, que, este ano, contou com certa de duas centenas de vagas de emprego confirmadas. Foram três dias preenchidos por ações, workshops, palestras e atividades, distribuídas por

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Jorge Gomes

diversos pontos do recinto instalado no Portimão Arena, que serviram de guia para quem está num momento decisivo de escolha do percurso a seguir, mas também para quem, já inserido no mercado de trabalho, pretende mudar de carreira.

Um dos pontos altos nestes três dias de Start Work foi a partilha de experiências e

de testemunhos na primeira pessoa, daqueles que se depararam com a necessidade de efetuar escolhas e de traçar um percurso, arriscando-se a avançar por diferentes caminhos. Histórias que tiveram como objetivo servir de motivação e inspiração.

Numa altura em que a sociedade se depara com novos desafios tecnológicos,

também não foi esquecida a Inteligência Artificial, com duas ações que ganham relevo nesta área e que desmistificaram algumas tecnologias que têm vindo a ganhar espaço no quotidiano. Ideias de aceleração de negócio, ferramentas de evolução, ou formas de concretizar uma ideia foram também pontos fortes nesta edição da Start Work.

Numa sociedade que vive um ritmo frenético, a Start Work VIII destacou ainda a componente da saúde mental e a psicologia, reforçando a sua importância para o equilíbrio e bem-estar pleno. E o evento contou com muitas mais apresentações sobre a oferta educativa e formativa no concelho, programas de estágio, construção de Curriculum Vitae e técnicas de procura de emprego, além de workshops e palestras, apresentações musicais, teatrais, educativas, a cargo os estabelecimentos de ensino presentes no certame. Houve ainda um programa de animação que contemplou animação constante, pinturas faciais e modelagem de balões, entre outros atrativos.

Preenchendo este importante equipamento da cidade, a mostra permanece em evolução em cada edição e revela-se como estratégica para o Município de Portimão, pois é um dos eventos com ampla programação que apoia a comunidade educativa a tomar decisões esclarecidas para o seu futuro, mas também auxilia quem já se encontra no mercado de trabalho, mas procura mudar ou complementar o rumo que escolheu. A Start Work VIII teve organização conjunta da Câmara Municipal de Portimão, Instituto de Emprego e Formação Profissional e Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares – Direção de Serviços da Região do Algarve.

Federação Portuguesa de Krav Maga celebrou os 10 anos da Escola Krav Maga Albufeira

untaram-se, no dia 31 de janeiro, em Albufeira, 41 atletas de Krav Maga oriundos de vários pontos do país para a realização de um estágio especial em celebração dos 10 anos da presença da Federação Portuguesa de Krav Maga nesta cidade algarvia. O evento decorreu no Clube Desportivo Areias de S. João, tendo como foco dois temas dinâmicos: a defesa face a ameaça de arma de fogo; e o combate corpo a corpo, este dirigido pelo Mestre Paulo Pereira, Diretor Técnico Nacional e Presidente da FPKM.

A Escola Krav Maga Albufeira foi a segunda a abrir portas no Algarve, após o arranque da escola de Portimão, em 2012, e a presença do Mestre Paulo Pereira, bem como a realização destes estágios onde a FPKM tem as suas unidades, procura o contínuo crescimento e desenvolvimento dos atletas e da modalidade nas várias regiões do país, nomeadamente as mais distantes, como é o caso do Algarve e da Madeira.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Elton Silveira

Ginástica Rítmica deslumbrou no Portimão Arena (Parte IV)

Portimão Arena assistiu, no fimde-semana de 10 e 11 de janeiro, ao VII Torneio de Ginástica Rítmica organizado pelo CIRM – Clube Instrução Recreio Mexilhoeirense, com o apoio da Federação de Ginástica de Portugal, da Associação de Ginástica do Algarve e do Município de Portimão, entre outros patrocinadores. A competição contou com a presença de 230 ginastas a

defender as cores de 13 clubes vindos de todo o país, do norte a sul e passando, inclusive, pelas ilhas, avaliados por um coletivo de 30 juízes.

Foram dois dias intensos de muita emoção, competição e, acima de tudo, de enorme companheirismo, porque, independentemente de fazerem parte do ACDCL, ADA, AGRA, CCRCCR, CDACM, CIRM, CNM, CRDV, CRF, CSSPF, EGA, GFC, SFUAP ou VCQ, as jovens pertencem, em primeiro lugar, à saudável família da ginástica rítmica. E, nas

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

bancadas, os familiares e adeptos desta modalidade olímpica não se pouparam nos aplausos e gritos de incentivo às atletas dos escalões benjamins, infantis, iniciadas 1.ª e 2.ª divisões, juvenis 1.ª e 2.ª

divisões, juniores 1.ª e 2.ª divisões, seniores 1.ª e 2.ª divisões, que mostraram os seus dotes na corda, arco, bola, maças, fita e movimentos livres.

CINETEATRO LOULETANO PRATICAMENTE PARA ASSISTIR A «VENENO»

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

PRATICAMENTE ESGOTOU

COM ALBANO JERÓNIMO

eneno» foi escrito em 2014 a partir de narrativas verídicas de violência doméstica, recolhidas num universo cosmopolita contemporâneo. Neste momento, 51 por cento da população mundial vive em espaços urbanos — por razões económicas, pela melhoria das condições de vida, pela oferta de trabalho, entre outras. «Veneno» é também um texto centrado na ideia da decadência da família no contexto suburbano.

Se a família é o paradigma ancestral daquilo que deve ser um governo, ambos

manifestam hoje a mesma ideia de crise — crise que, na sua génese etimológica, significa separar e dividir. A narrativa de «Veneno», que foi a cena, no dia 7 de fevereiro, num Cineteatro Louletano quase esgotado, incide sobre as circunstâncias e as consequências trágicas de um pai, recentemente desempregado e falido, que decide sequestrar os três filhos depois de assassinar a mulher e o seu amante. O pai e os filhos passam então a conviver num espaço exíguo e em condições precárias.

Todo o discurso do pai é construído em torno da incapacidade de aceitar o real: um delírio verosímil sobre a sociedade, a família, a política e também sobre o amor; a falência do mundo interior e do

mundo exterior. O pai exerce poder e violência através da linguagem, enquanto os filhos se expressam por intermédio do canto lírico. Assim se formam dois universos incomunicáveis: o do subúrbio e o da aristocracia. O pai reúne características simultaneamente horríficas, cómicas e abjetas, revelando o homem na sua expressão mais grotesca — entre o horror e o humor.

«Veneno» aborda, fundamentalmente, as consequências da falência emocional e

social, bem como a extinção de determinados valores, como o amor e a empatia, que constituem o núcleo essencial de qualquer família. Com Texto de Cláudia Lucas Chéu e Direção e Interpretação de Albano Jerónimo, com participação especial de Leonor Vasconcelos, «Veneno» integra o Programa de Formação Avançada em Artes Performativas, Interpretação e Criação – Teatro & Dança – dos encontros do DeVIR.

PROJETO DESAGUAR EM EXPOSIÇÃO

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

DESAGUAR EM LOULÉ

stá patente, até 14 de março, na Galeria de Arte do Convento do Espírito Santo, em Loulé, a exposição «Geografias da Água», iniciativa desenvolvida no âmbito do projeto DESAGUAR e que conta com trabalhos de Ana Maria Pintora, Bertílio Martins, João Amado, Margarida Andrade, Milita Doré e Patrícia Oliveira.

DESAGUAR é um projeto de criação, mediação e circulação artísticas que atravessa margens e desafia centros, unindo três territórios cuja identidade se

entrelaça com a água — Vila Nova de Cerveira, Loulé e São Miguel — através de uma rede de relações e pontes entre práticas artísticas e contextos periféricos. Propõe uma aproximação plural à água: como presença simbólica, recurso ecológico e canal de deslocamento — físico, afetivo ou identitário.

Presente em rituais, cosmologias e na geografia dos corpos e das paisagens, a água carrega um poder simbólico que atravessa culturas. Em DESAGUAR, essa dimensão entrelaça-se com as urgências do presente, por meio de práticas que pensam com os lugares e os fluxos —

visíveis e invisíveis — que os moldam. Através de residências, oficinas e exposições, seis artistas mergulham em territórios alheios para habitar os seus ritmos e tempos, criando a partir de fontes — materiais e imateriais — que definem cada lugar.

As obras resultantes são depósitos sensíveis de histórias e inquietações, onde a geopoética do projeto convoca tanto o gesto da subsistência como a solenidade do ritual. Aqui, DESAGUAR subverte a dicotomia entre centro e periferia, propondo um pensamento fluido e um circuito de escuta onde a

água deixa de ser cenário para se tornar agente e linguagem comum.

DESAGUAR é coordenado pela Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC), em parceria com o Arquipélago –Centro de Artes Contemporâneas (ACAC) e as Galerias de Arte Municipais de Loulé, com o apoio da RPAC – Programa de Apoio a Projetos 2023. A curadoria do projeto é de Mafalda Santos (FBAC), João Serrão e Mirian Tavares (Loulé) e Jesse James (A-CAC). A exposição pode ser visitada de terça-feira a sábado, entre as 10h e as 13h30 e das 14h30 às 18h. A entrada é livre.

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