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ALGARVE INFORMATIVO #85

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ALGARVE INFORMATIVO 26 de novembro, 2016

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CÉSAR MATOSO lançou «Saudade Singular» 1

Centro de Apoio ao Sem-Abrigo | António Aleixo para os mais jovens ALGARVE INFORMATIVO #85 São Brás entregou Prémios Juventude 2016 | Faro Desvendado


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10 - São Brás de Alportel atribuiu Prémios Juventude 2016 18 - Centro de Apoio ao Sem-Abrigo 26 - Faro Desvendado 48 - César Matoso 58 - Este não sou eu 68 - Apatris 21

OPINIÃO 8 - Daniel Pina 34 - Paulo Cunha 36 - Mirian Tavares 38 - Cristiano Cabrita 42 - Bruno Inácio 44 - Carlos Gouveia Martins 46 - Augusto Lima

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O gordinho simpático já chegou… para desnorte dos pais! Daniel Pina

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ois é verdade! Desta vez não vou falar de assuntos tremendamente sérios, das eleições nos Estados Unidos da América ou da morte de Fidel Castro, dos enredos que pautam as aprovações dos vários orçamentos municipais, das tricas e dicas entre quem está no poder e na oposição sobre as descidas do IMI e de outros impostos e taxas municipais, das inaugurações de obras que se estão a guardar para perto das eleições autárquicas. Nada disso me interessa, e à grande maioria dos pais, acredito eu, até final do ano. Pois é! O sacana do gordo de bochechas avermelhadas já anda por aí com a força toda e é o salve-se quem puder. Já não bastava os canais para crianças passarem metade do tempo a anunciar os novos nenucos, barbies, nancys, elsas e anas, patrulhas pata e afins – com os catraios logo de dedo apontado e a gritar “Eu quero aquele!!!” – agora foi mesmo o Pai Natal que se instalou nas principais cidades do Algarve, com as suas aldeias natal, do sonho ou sei lá que mais designações fofinhas e chamativas. As principais artérias comerciais, e as grandes superfícies, vestiram-se de vermelho com um mês de antecedência e começa o martírio para quem tem filhos. Para a maioria dos pais, as dores de cabeça passam por conseguir esticar o pouco dinheiro que sobra dos ordenados – já nem sei a quantas anda o subsídio de Natal – para comprar algum brinquedo para os filhotes. Para os poucos que até têm alguma folga financeira, o problema é tentar perceber que raio querem, afinal, os filhos, porque os meninos e meninas, como bem sabemos, todos os dias desejam uma coisa diferente.

aquele item específico é tanto que nem nos preocupamos com o preço, o importante é satisfazer o pedido da filha ou filho. Veja-se as figuras que nós, homens e mulheres com idade para ter juízo, fazemos para tentar encontrar esta ou aquela miniatura de alimento ou produto de limpeza e higiene pessoal que uma cadeia de supermercados se lembrou de inventar. Como se não tivéssemos assuntos mais importantes para resolver no dia-a-dia, mas os pequenotes não querem saber disso. Aos brinquedos juntam-se os eventos, com o Algarve a receber vários concertos de música e espetáculos de teatro ou dança vocacionados para o público infantojuvenil, e lá ando eu feito maluco a tentar descobrir bilhetes para a «Vila dos Heróis» que vai acontecer em Quarteira. E outros andam atrás de bilhetes para o espetáculo do Ruca, em Loulé, ou da Magia da Disney, em Portimão e por aí adiante. As câmaras municipais também ajudam à festa, para dar um folego extra ao comércio local e para não ficar atrás das suas conterrâneas, com as tais aldeias e vilas do Pai Natal, com desfiles de mini-Pais Natal, com neve e escorregas e concursos de árvores de Natal. Nada tenho contra isso, convém dizer. Todas essas iniciativas dão um colorido especial às cidades nesta época do ano; ajudam, de facto, o comércio local a fazer frente às grandes superfícies; e, claro, fazem as delícias das crianças. E nós, que remédio, temos que organizar as nossas agendas profissionais para acomodar todos esses eventos e acontecimentos, para além das típicas correrias enquanto os itens das cartas para o Pai Natal não têm todos um certo à frente .

Andamos todos numa roda-viva para comprar o que procuramos ao preço mais baixo possível. Noutras situações, o desespero para encontrar ALGARVE INFORMATIVO #85

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São Brás de Alportel atribuiu Prémios Juventude O Cineteatro São Brás esgotou por completo, na noite de 19 de novembro, para assistir à gala de atribuição dos Prémios Juventude 2016, que distinguiram jovens são-brasenses com percursos de excelência em diversas categorias, mas também para homenagear os melhores alunos do concelho. Uma noite de grandes emoções que demonstrou que este município da Serra do Caldeirão tem um futuro risonho pela frente, a julgar pela qualidade e dedicação de todos os jovens que subiram ao palco do Cineteatro São Brás. Texto:

Fotografia:

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Município de São Brás de Alportel voltou a promover mais uma edição dos Prémios Juventude, iniciativa que nasceu, em 2004, com o intuito de homenagear jovens do concelho, com idades compreendidas entre os 14 e os 35 anos, e que se distinguiram pelo seu percurso de talento e mérito em diversas áreas. Prémios que são atribuídos de dois em dois anos e onde a participação da comunidade é fundamental, uma vez que são os votos dos munícipes que decidem os vencedores nas várias categorias. Este ano estavam nomeados 30 jovens em 11 categorias Artes, Cidadania, Ciência e Investigação, Dança, Desporto, Desporto Adaptado, Empreendedorismo, Letras, Moda, Música e Solidariedade, mas foram também agraciados os dois melhores alunos finalistas do ensino secundário nos anos letivos 2014/15 e 2015/16, respetivamente Laila Wocke e Tânia Viegas Vaz. A Câmara Municipal de São Brás de Alportel decidiu igualmente atribuir o Prémio Juventude Município 2016 a jovens e grupos de jovens que se notabilizaram por um percurso muito relevante e que elevaram

Marlene Guerreiro, vereadora da Juventude da Câmara Municipal de São Brás de Alportel

João Paula com Nuno Ribeiro

Marta Morais com a mãe de Rita Batista

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Ana Eusébio

Diogo Duarte com Gonçalo Duarte Gomes

o nome do concelho, designadamente: Associação Jovem Sambrasense; Daniel Pires; a equipa de atletismo da Associação Cultural Sambrasense; a equipa de futebol sénior da União Desportiva e Recreativa Sambrasense; a equipa de futsal feminina do Grupo Desportivo e Cultural de Machados; a equipa de FUTSAL masculina do Grupo Desportivo e Cultural de Machados; Inês Ponte; Paulo Gonçalves e o projeto «Serra do Caldeirão na minha mão». Perante um Cineteatro São Brás completamente esgotado, a noite de 19 de novembro foi, realmente, inesquecível para todos os nomeados, seus familiares e amigos, mas também para as forças vivas do concelho e para as diversas entidades oficiais convidadas para proceder à entrega dos prémios. Emoções que estavam também patentes nas palavras de Marlene Guerreiro, vicepresidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel e responsável pelo pelouro da Juventude, quando agradeceu a comunidade local por ter participado ativamente em mais um edição dos Prémios Juventude. “Em 2004, questionávamo-nos se seria possível realizar esta gala de dois em dois anos, se teríamos

Irmã de Inês Batista ALGARVE INFORMATIVO #85

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jovens para distinguir nas várias categorias. Contudo, edição após edição, ficamos surpreendidos com o percurso de jovens singulares, exemplares, extraordinários, que nos enchem de orgulho”, frisou a autarca. Juventude com talento e mérito não falta, está mais que visto, em São Brás de Alportel, o que augura um futuro Marta Faria com Manuel Faísca promissor para o concelho. “A vida é uma breve viagem que só vale a pena pelas paragens que fazemos e estamos aqui hoje para dizermos a todos estes jovens o quanto gostamos deles, o quanto os admiramos, que apostamos neles o nosso futuro, que precisamos dos seus exemplos, da sua tenacidade e atitude. Eles e elas são os faróis para os mais novos, para que possamos, juntos, construir um futuro melhor”, reforçou Marlene Guerreiro, antes de se Raquel Rosa Correia, Ana Beatriz Correia e Custódio Moreno iniciar a atribuição dos prémios. Prémios que, conforme referido, foram o resultado de uma votação online por parte dos munícipes, pelo que, a bem dizer, todos os nomeados seriam justos vencedores por figurarem no lote dos finalistas. Apesar disso, porque só um podia levar o prémio para casa nas diversas categorias, ficou Sónia e Telma com Hugo Barros 13

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Isa Vicente com Daniel Pina

A mãe de Paulo Sousa, Kristóman, Adriana Gonçalves e Suzy Soares

assim desenhado o quadro de honra dos Prémios Juventude 2016: Artes – João Paula; Dança – Rita Batista; Moda – Ana Eusébio; Cidadania – Diogo Duarte; Ciência e Investigação – Inês Batista; Desporto – Marta Faria; Desporto Adaptado – Ana Beatriz Correia; Empreendedorismo – Sónia e Telma da Shee; Letras – Isa Vicente; Música – Adriana Gonçalves; Solidariedade – Ana Martins. Com a gala a aproximar-se do final a passos rápidos, Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, sublinhou que a noite era de homenagem ao futuro, que se afigura promissor, “com homens e mulheres com grande capacidade para projetar o nosso concelho em todo o mundo”. “Está na altura de termos um discurso positivo e de pensarmos de forma positiva, pois não temos motivos para o contrário. Os são-brasenses sabem aquilo que querem e sabem lutar para alcançar os seus objetivos”, frisou, deixando também uma palavra de reconhecimento ao trabalho desenvolvido, diariamente, no terreno, pelas associações do concelho. “Todas elas são compostas por voluntários que dão de si para construir uma sociedade melhor”, concluiu, antes da tradicional foto de família de todos os nomeados e entidades .

Ana Martins com Júlio Pereira ALGARVE INFORMATIVO #85

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Sara Gonçalves, Diretora Técnica e Isabel Cebola, coordenadora da delegação de Faro do C.A.S.A.

Centro de Apoio ao Sem-Abrigo sem mãos a medir para acudir aos mais necessitados Ao entrar-se em dezembro, mês do Natal e Reveillon, parece que aumenta a atenção dos portugueses para os seus conterrâneos mais carenciados, para aqueles menos bafejados pela sorte, para aqueles que não têm uma refeição quente na mesa, muito menos prendas para colocar no sapatinho dos filhos. E muitos dessas famílias passariam ainda por mais dificuldades sem a ajuda das Instituições Particulares de Solidariedade Social, como é o caso do Centro de Apoio ao Sem-Abrigo, mais conhecida por C.A.S.A., que fomos visitar a Faro numa destas friorentas manhãs de outono. Texto:

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C.A.S.A. – Centro de Apoio ao Sem-Abrigo tem por objetivos dinamizar ações de apoio básico e de primeira necessidade como são a alimentação, vestuário, alojamento, fornecimento de mobiliário e utensílios domésticos; prestar apoio técnico especializado nas áreas médica, jurídica, psicológica, etc; promover ações que visem a integração social e profissional e, com isso, a independência económica a favor de crianças, adolescentes ou outros socialmente desfavorecidos ou vítimas de violência ou maus tratos. Não é, portanto, uma IPSS vocacionada apenas para fornecer alimentos aos mais necessitados, embora essa seja, de facto, a sua faceta mais visível, dando resposta a mais de mil e 500 pessoas, nos concelhos de Faro e

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Albufeira, através da distribuição de refeições e cabazes alimentares a sem-abrigo, idosos e famílias carenciadas, mas também deslocando diariamente equipas de apoio domiciliário para auxiliar os utentes sem mobilidade e os mais idosos. A esta vertente soma-se a distribuição regular de vestuário, calçado, cobertores e artigos de higiene e muitas outras valências, conforme nos explicou Isabel Cebola, uma das fundadoras, há mais de uma década, da delegação do Algarve desta instituição. “Começamos na Rua Ataíde de Oliveira com uma equipa de rua de oito pessoas, a dar alimentos a alguns sem-abrigo que andavam lá a arrumar carros. Depois, mudamonos para perto do Moto Clube, à

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saída de Faro, mas o espaço tornou-se pequeno com o decorrer do tempo e, há coisa de cinco anos, viemos para a Rua Frei Lourenço de Santa Maria, onde reunimos todas as valências com as quais trabalhamos no mesmo local”, explica, agradecendo de imediato o apoio do proprietário do imóvel, a quem pagam uma renda meramente simbólica.

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Mais do que simplesmente entregar comida a quem dela precisa, o projeto do C.A.S.A. procura que as pessoas mais desprivilegiadas se sintam integradas na comunidade e participem de forma ativa no dia-a-dia da sociedade, o que nem sempre é fácil. “Trabalhamos em estreita ligação com a Ação Social da Câmara Municipal de Faro, a Segurança Social, o GATO – Grupo de Ajuda a Toxicodependentes e outras entidades, que selecionam os possíveis candidatos a receber a nossa ajuda. Como não recebemos apoios financeiros das entidades competentes, tivemos que definir critérios e normas muito rigorosos para escolher quem auxiliamos”, indica Isabel Cebola, durante uma visita guiada às instalações. “Depois, as pessoas, desde que tenham saúde e que sejam válidas, têm que contribuir para um banco de horas de trabalho voluntário e comunitário para a 20


Isabel Cebola foi uma das fundadoras da delegação de Faro do C.A.S.A.

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instituição. Podem vir lavar roupa ou os tabuleiros em que recebemos os alimentos, dar comida, fazer parte das equipas de rua, no total de três horas semanais. No fundo, estão a trabalhar para elas próprias”, salienta a entrevistada.

Possuímos igualmente uma Loja Social onde as pessoas podem vir buscar uma peça de roupa, em troca de um donativo de um, dois ou três euros, o mesmo acontecendo com o Espaço C.A.S.A., com mobiliário em segunda mão”, descreve.

Isabel Cebola lembra que o C.A.S.A. possui também uma horta social, cuidada pelos utentes, que depois ficam com metade dos seus produtos, sendo o restante para distribuir pela instituição. Outros utentes tomam conta, mediante um projeto dinamizado com a autarquia farense e a FAGAR, das casas-de-banho públicas localizadas junto ao Jardim Manuel Bívar. “O objetivo é reintegrá-los na vida ativa, que se sintam úteis, ao invés de virem aqui buscar comida e estarem em casa a receberem, ao fim do mês, o subsídio a que têm direito.

Roupa e móveis em segunda mão que chegam do cidadão anónimo, mas também de lojas e hotéis, quando fazem mudança de estação ou de decoração, com os móveis a passarem primeiro pela oficina da C.A.S.A. para lhe darem os arranjos que forem necessários. Quanto aos alimentos, aqui não há restos, garante Isabel Cebola. “Temos protocolos com três cadeias de hotéis que confecionam comida de propósito para nós e que nos fornecem essas refeições às segundas e quintas-feiras, dias em ALGARVE INFORMATIVO #85


do dia anterior, logo pelas nove da manhã, em carrinhas próprias para esse efeito. “Há igualmente padarias que nos dão pão e bolos e, claro, vários particulares que colaboram connosco, estes últimos com menos regularidade, como é natural”, acrescenta.

Pelo amor à causa social

que as distribuímos aos agregados familiares. Também existem alguns restaurantes em Faro que trabalham connosco desde a nossa fundação nos mesmos moldes, portanto, não há aqui quebras ou excedentes”, frisa a responsável da IPSS. Situação distinta acontece em relação aos supermercados parceiros da C.A.S.A., onde vão todos os dias, de segundafeira a sábado, buscar os excedentes ALGARVE INFORMATIVO #85

Com a «mercearia» a ser o centro da atividade da C.A.S.A., existem, conforme referido, equipas de rua para apoiar aqueles que não têm possibilidade de ir à sede da instituição, seja por serem idosos ou terem mobilidade reduzida, seja por não residirem na cidade de Faro. Há, assim, equipas que se deslocam às freguesias do Monte Negro, Conceição de Faro e Santa Bárbara de Nexe para distribuir alimentos, num total de 400 famílias que são apoiadas regularmente em todo o concelho de Faro. “Neste momento, estão a entrar mais famílias e o que prestamos é uma ajuda alimentar, 22


não é uma garantia de que as pessoas tenham almoço, lanche e jantar todos os dias. Damos ainda lanches a cento e poucas crianças carenciadas de dois ou três infantários de Faro”, conta Isabel Cebola. Percebe-se, assim, que a crise está longe de ter terminado e que continuam a existir muitos portugueses a passar fome, uma situação que é agravada pela sazonalidade que afeta a região do Algarve. “Em determinada altura do ano, há muitas pessoas que arranjam uns biscates ou vão trabalhar para hotéis, restaurantes ou estufas e que deixam de precisar, momentaneamente, da nossa ajuda. No entanto, quando essa folga económica desaparece, regressam, e a nossa porta nunca está fechada para quem precisa. Já sabemos que, quando o Verão acaba, quando começam as aulas dos miúdos, quando as contas para pagar aumentam, aparecem mais pessoas a solicitar um apoio alimentar”, observa a entrevistada. Convém esclarecer que quem pede auxílio à C.A.S.A. não é o típico semabrigo que vive na rua, mas sim pessoas que tinham uma vida perfeitamente normal e organizada e que, por ficarem no desemprego ou por outro problema qualquer, se viram imersas em sérias dificuldades. “São famílias que ficaram sem trabalho e sem casa, que ficaram privadas de dinheiro para a alimentação, e tivemos que abrir o leque na nossa atividade para acudir a esse género de utentes. 23

Muitas pessoas já perderam a vergonha de pedir ajuda, mas ainda persiste bastante pobreza escondida e, a essa, é complicado chegar”, lamenta Isabel Cebola, não compreendendo como é possível haver tanta fome e, em simultâneo, tanto desperdício. “É algo que depende da consciência de cada um e acabam por ser os carolas, aqueles que têm amor à camisola da solidariedade social, a tentar remar contra a maré”, afirma. Carolas que não são tantos como noutros tempos, mas o Centro de Apoio ao Sem-Abrigo não baixa os braços e vai prosseguindo com a sua luta, uns dias com mais voluntários, outros dias com menos. Apesar disso, Isabel Cebola tem fé que a instituição continuará a fazer aquilo para que nasceu, ajudar os que precisam de ajuda, e para isso são fundamentais os eventos de angariação de fundos que se organizam ao longo do ano. “Há uma equipa especialmente vocacionada para dinamizar eventos, porque temos água, luz, gás, combustíveis, telefone, consumíveis, todas as despesas inerentes a uma empresa, para pagar. Este ano sentimos uma quebra dos apoios dos particulares, mas esta altura do Natal é sempre mais propícia a donativos e temos que gerir essas verbas para levar o barco para a frente”, refere .

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Uma manhã a desvendar a história de Faro

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nserido no programa cultural «365 Algarve», Faro Desvendado propõe uma viagem às origens da capital algarvia e à diversidade cultural que esteve na base da formação da cidade, transportando o público, com particular destaque para estudantes, através de quatro civilizações – fenícios, romanos, visigodos e árabes. Os espetáculos arrancaram em outubro e prolongam-se até maio de 2017, normalmente com duas sessões mensais, logo pela manhã, que percorrem todo a Cidade Velha de Faro, começando na Sé, seguindo para o Museu Municipal e culminando no espaço interior das Muralhas de Faro. Uma visita a outros tempos na qual somos guiados por um lusitano, numa Texto:

interação constante com os espetadores, que assim convivem, de perto, com os fenícios que chegaram pelo mar para efetuar trocar comerciais, depois com os romanos que conquistaram a Península Ibérica, antes de serem repelidos pelos visigodos, até sermos confrontados, finalmente, com os últimos tempos da civilização árabe em terras algarvias. Um trajeto onde ficamos a conhecer muitas das influências deixadas por estes povos em todos os aspetos da vida, desde os nomes às leis, das artes e ofícios à cultura e tradições, dai constituir uma excelente experiência para os mais novos, mas também para os turistas estrangeiros que frequentemente visitam a cidade de Faro .

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A vantagem de não ter um «plano B» Paulo Cunha

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se falhar?... Qual é o plano? Não me digas que não tens um «plano B»?”, esta é uma das muitas frases feitas que nos habituámos a escutar quando alguém inicia qualquer projeto, seja profissional ou pessoal. Mas valerá mesmo a pena ter um plano alternativo para tudo o que venhamos a fazer nas nossas vidas? “Quanto mais queremos alguma coisa, menos provável é que tenhamos um plano para a ter”, ouvi eu um destes dias num programa radiofónico, citando uma especializada revista científica. Tal afirmação despertou-me a atenção, bem como a da minha filha de nove anos que então me acompanhava. Perante tal declaração, vi-me na obrigação de lhe explicar a razão que me levava a concordar com tal ideia. E tendo ouvido tantas vezes na comunicação social uns senhores a perguntar qual era o «plano B» para a ação de outros tantos, lá consegui a sua melhor atenção. Saber planificar pressupõe uma boa dose de estruturação, organização e arrumação mental, aliada a um firme desejo de atingir ou alcançar algo. Ser persistente em tais desideratos dar-nos-á uma boa margem de sucesso! Já muitos disseram que “De boas intenções está o inferno cheio!”, pois sabem que as boas intenções acabam por não ser suficientes como garantia de êxito. Embora a honestidade, a preparação profissional e a capacidade de trabalho ajudem, só por si não chegam para a prossecução e conclusão de um determinado plano. O plano serve para definir limites temporais, afastando-nos assim do impulso (muito humano) de nos acomodarmos, o que nos levará, inevitavelmente, a adiá-lo ou não cumpri-lo. É bom planificar por objetivos! Objetivos ambiciosos, que provavelmente serão trabalhosos e até incómodos, mas que, com esforço e determinação, serão concretizáveis. Basta olhar à nossa volta para constatar que quem planeia e planifica, atinge mais facilmente e mais vezes os

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seus objetivos. É necessário planear tendo objetivos a curto e a médio prazo, pois o encurtamento do espaço temporal faz-nos perspetivar melhor a realidade. Partir para algo com um «plano B» já “na manga” prejudica o empenho, a força de vontade e o compromisso. A realidade dos factos comprovam que ter, a priori, um «plano B» torna mais aceitável falhar e diminui a energia colocada no plano inicial. Aliás… só o facto de lhe atribuir a segunda letra do abecedário, torna-o hierarquicamente inferior ao «plano A». Dá-lhe um peso de remedeio, ou até de segunda escolha. Sei que a atual sociedade de consumo “ensina” os nossos jovens a andarem devidamente municiados com muitos planos, para que possam disparar em várias direções, tentando assim atingir o sucesso almejado, seja em que domínio for. Não é essa a minha forma de ver, nem de estar na vida. Um plano devidamente pensado, maturado e arquitetado vale por si, pela sua individualidade e pelo seu mérito… não poderá, nem deverá, ser descartado ao mínimo deslize ou contratempo. Sou pelos «planos A», seja a que nível for. Únicos até serem concretizados, ou não… e serem substituídos por outros «planos A». É tudo uma questão de saber o que se quer da vida, trilhando apenas os caminhos que nos levam à concretização dos nossos sonhos. Sem atalhos enviesados! Ainda no carro, depois de escutar o dito programa, (por alto) explanei estas ideias de modo a que uma criança as entendesse. Como epílogo perguntei-lhe qual era, então, o seu «plano B», ao que - lampeira - prontamente me respondeu: “Oh pai, eu nem o «A» tenho, quanto mais o «B»!?...”. E com essa tirada me calou, sem antes eu ter largado uma boa e franca gargalhada! .

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O meu amanhecer vai ser de noite* Mirian Tavares

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nquanto esperava para arranjar as unhas li, numa revista de variedades femininas, um texto que enumerava as 20 coisas que fazemos que mostram que já não temos 20 anos: preguiça de fazer novos amigos, preferir o sofá quentinho a qualquer saída, pensar muito antes de aceitar um convite que implique ficar fora depois da meia-noite, sentir-se muito à vontade para dizer o que pensa, e para calar porque já sabe que nem vale a pena… Enfim, uma série de coisas que faço, reconhecendo, com algum custo, que já saí da casa dos 20 mas que há ganhos, apesar de tudo. Lembro-me quando comecei a andar de patins - a primeira coisa que aprendi foi a cair. Quando era mais nova pensava, como pensamos quando temos 20 e poucos anos, que a queda, de patins ou de dentro de nós mesmos, poderia ser fatal. E tentava não cair. De tanto tentar encontrei um ponto qualquer de equilíbrio, mas continuava a olhar o chão distante cheia de temor. Não sabia eu, como não sabemos tantas coisas aos 20 e poucos anos, que a queda faz parte da vida, dos patins, de nós mesmos. E que sempre podemos levantar, mesmo com os joelhos esfolados. E aprendemos que o medo da queda não é um lugar seguro e que o equilíbrio é um segundo antes do desequilíbrio iminente - é uma impermanência. E vou-me deixando cair, de vez em quando, cuidando das nódoas roxas, das feridas.

que sonhamos, quando crianças, e aquilo em que efetivamente nos tornamos. Já não me lembro muito bem dos meus sonhos, por isso não posso ter a certeza de têlos realizado. Há muitos anos a minha casa foi invadida por borboletas amarelas, entravam-me pela janela adentro, pousavam aqui e ali. Passei meses sempre a vê-las e comecei a pensar que deviam significar qualquer coisa. Diz-se que significam mudança e, de facto, a minha vida mudou. Não sei se por culpa das borboletas. De qualquer forma, continuo a buscar sinais, a tentar ler o mundo à minha volta, a tentar perceber porque, cada vez que olho o relógio, aparece-me sempre uma hora e um minuto exatamente iguais, como uma espécie de compensação do equilíbrio que muitas vezes me falta. Hoje sinto que reencontrei alguém que sempre fui - olho para o espelho que me devolve uma imagem renovada, remoçada. É como ter de novo 20. Vinte e muitos anos depois . *verso do poeta Manoel de Barros

Envelhecer não é uma tarefa fácil, numa sociedade que apregoa a juventude como uma fórmula mágica e obrigatória que todos temos de tomar. A cada ano que passa, faço algumas contas a vida, é um exercício quase involuntário, sem dar por isso, começo a pensar e a tentar perceber se as coisas têm corrido como eu desejava. Há uma grande distância entre aquilo ALGARVE INFORMATIVO #85

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Faro, a carris do Costa e a Síria Cristiano Cabrita

REGIONAL

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Facto da semana: Faro está diferente. É, novamente, a capital do Algarve. Não porque alguma vez tivesse perdido o seu estatuto administrativo, que é seu por direito, mas porque muita coisa mudou nos últimos três anos. A cidade é hoje mais dinâmica, mais inclusiva, mais cultural, mais desportiva, mais empreendedora, mais atractiva, mais acessível, mais jovem e, sobretudo, mais próxima dos seus cidadãos. Há quatro, cinco anos, uma ida a Faro era um exercício nostálgico. Na memória tinha algumas recordações de infância, como uma das primeiras idas ao cinema; o croissant de chocolate da Gardy; o requinte do Clube Farense; os primeiros jogos de futebol no São Luís e os passeios de sábado à tarde pela rua das lojas, apinhada de pessoas. Invariavelmente, nas últimas vezes que lá fui, encontrava, quase sempre, o oposto. A baixa deserta, vazia, com transeuntes aqui e acolá, mas longe da azáfama de outros tempos. Faro tornara-se uma cidade pouco atractiva que enchia o «pulmão» de ar com o início do ano lectivo na Universidade do Algarve e que, depois, esvaziava-se no seu conteúdo. As notícias davam conta de mais uma loja fechada, de um centro comercial falido, de um restaurante vazio, de uma sapataria sem clientes. Enfim, o ciclo económico trouxera uma onda negativa e os farenses andavam cabisbaixos.

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Nos últimos anos, o contexto inverteu-se. Respira-se um ar novo, mais cosmopolita. Desenvolveu-se uma política efectiva de proximidade entre a autarquia e os seus munícipes. A cidade mexeu-se em torno da reabilitação urbana, de novos projectos públicos, de novos projectos âncora, de novos investimentos privados e o comércio já não fecha, mas, muito pelo contrário, abre novos caminhos. Exemplo disso é a recuperação do emblemático Café Aliança, as actividades que se realizam no Jardim Manuel Bivar e no Largo de São Francisco, ao longo de todo o ano, e as dezenas de eventos culturais (destaco o Festival F e o Teatro das Figuras, que passaram a ser referências regionais), entre outros. Faro está diferente, para melhor, diga-se. Por isso, parabéns ao Rogério Bacalhau e à sua equipa. NACIONAL Facto da semana: A recente negociata da Carris tem que ser analisada de um (único) ponto de vista. É uma brilhante jogada política de António Costa. Sim, porque este processo não tem nada a ver com Lisboa. Ou, melhor, tem tudo a ver com Lisboa, não tendo. Confuso? Passo a explicar. Quando digo brilhante jogada política, talvez esteja a cometer um erro de português. Creio que a expressão mais correcta é «chico espertismo». Então a Câmara Municipal de Lisboa assume a gestão da empresa, sem ónus e encargos, e a dívida fica a cargo do Estado? Desculpem, mas não entendi. É o contribuinte que vive em Braga, no Porto, em Aveiro, em

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Santarém, em Guimarães que vai pagar a despesa? Pois, é isso mesmo que vai acontecer. Somos todos nós que vamos pagar a factura. Quando digo todos nós, refiro-me a todos os contribuintes portugueses, a maioria dos quais, por óbvia exclusão de partes, não vive em Lisboa. Perguntar-me-ão: existe uma razão válida? Claro que existe, obviamente que existe, aliás, não podia deixar de existir. Afinal, vivemos num país civilizado e responsável. A razão é que António Costa precisa, nas próximas autárquicas, ganhar Lisboa para continuar a legitimar a «gerigonça». Por isso, vamos lá ajudar o Medina a pensar num projecto a três anos que «resolva» os problemas de transporte na Capital. Mas será que isto é normal? Bom, parece-me que sim, pelo menos para os mais distraídos. Duas notas finais. Pelo lado positivo (entre aspas, claro está), é necessário reconhecer que o plano de comunicação colocado em marcha pela CML está bem conseguido. É pura campanha eleitoral, mas bem conseguido. Em termos negativos, e aqui voltamos à terra, a Carris divulgou as contas de 2015: prejuízos de 21 milhões de euros. Pois. Por este andar, desconfio que o próximo cliente de Costa seja o Metro de Lisboa. Desconfio, mas quase que tenho a certeza. Por momentos, também desconfio que vivo num país em plena pujança económica, sem dívida pública. Desconfio, mas não me iludo. INTERNACIONAL Facto da semana: Nas últimas semanas, o mundo virou-se para os EUA e, em letargia profunda, «esqueceu-se» do terror, da destruição e do holocausto que diariamente assola os sírios. Sensibilizámo-nos com a imagem da criança de Aleppo que, depois de um bombardeamento com bomba de gás de cloro, questiona quem a ajuda: “vou morrer?”.

do corpo do menino Alan, jazido na praia de Ali Hoca, na costa da Turquia. Caros amigos, a guerra química chegou à Síria e a União Europeia continua a revelar uma incapacidade gritante para ligar com esta situação. Seja pela inoperância da Estratégia Global da União Europeia sobre Política Externa e de Segurança, seja pela incapacidade de criar condições económicas e políticas nas nossas fronteiras exteriores. Parei para pensar e, friamente, levantei a mim próprio uma questão: “se na Jugoslávia a resposta foi inoperante, então o que será do povo sírio?”. Para reflectir. Destaque da semana. Positivo: Portugal tem mais dois restaurantes com duas estrelas Michelin. De norte a sul, são agora 26 estrelas no total. Este reconhecimento representa algo mais. Não deve ser circunscrito, «aprisionado» numa lógica de oferta culinária pois encerra em si mesmo um movimento de projecção de um Portugal moderno, de excelência ao nível da hotelaria, que avança sem renegar as suas origens. Negativo: Não queria voltar a falar sobre a Caixa Geral de Depósitos, mas tem que ser. Depois do filme noir, que foi a demora em entregar a sua declaração de rendimentos, eis que António Domingues mergulha numa nova polémica: afinal Pedro Passos Coelho tinha razão, o senhor Domingues começou a preparar a reestruturação do banco quando ainda não era Administrador. Teve que ser a Comissão Europeia a desmentir (a mentira) do então (ainda não) Administrador. Para recordar, mas só mais lá para a frente, talvez daqui a uns anos, quando se iniciarem as comissões de inquérito. Desconfio. Um abraço e até para a semana .

Em 2015, uma outra onda de choque percorreu a opinião pública mundial: a imagem

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35 / OE2017 / Nelson Dias / Andando no Algarve Bruno Inácio

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5 é este o número de empresas que participaram num projeto com a Universidade do Algarve que visa entregar um conjunto de bolsas de mérito e de excelência. A ideia é simples e funciona. Um conjunto de empresas disponibiliza-se para pagar a propina de primeiro ano a um ou mais estudantes que entraram este ano pela primeira vez no ensino superior. A UALG seleciona os alunos que vão receber esta bolsa entre os que tiveram melhor nota no ensino secundário. E assim fica premiado o mérito e o esforço de quem se empenhou. Adicionalmente, a UALG consegue envolver o tecido económico da região na universidade que é cada vez mais cosmopolita. Aplausos. OE2017 O Orçamento de Estado para o próximo ano é um autêntico atentado ao sector turístico. A criação de um imposto para casas de elevado valor patrimonial é uma vassourada nos estrangeiros que querem investir no Algarve através da aquisição de imóveis. O fator «sol e vistas» do IMI vai aumentar e como tal mais uma razão para não investir em imobiliário em áreas de interesse turístico. E finalmente a fatal ratoeira do alojamento local. É um autêntico atentado ao turismo no Algarve. Durante os últimos anos foi realizado um esforço tremendo de criar legislação e mecanismos para levar as pessoas a legalizar as casas que alugavam para turismo de forma pontual. Foi um caso raro de sucesso a todos os níveis. As pessoas, de boa-fé saíram da clandestinidade e aceitaram pagar impostos. Como a coisa resultou, e imagine-se, sob pressão de umas freguesias em Lisboa, o Governo alterou as regras e o imposto sobre este sector vais disparar brutalmente. Não chegará para matar a «galinha dos ovos de ouro», mas vai deixá-la bem mais despenada.

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Nelson Dias O Presidente da In Loco está a colaborar com o Governo na organização do Orçamento Participativo e é hoje um mundialmente respeitado especialista em participação pública. Consultor do Banco Mundial e com trabalho em diversas áreas do globo. Da América Latina passando por Africa, Nélson Dias tem uma visão muito abrangente da forma como criar instrumentos para colocar as populações a participar na vida pública. E os Orçamentos Participativos são apenas uma das muitas possibilidades de um leque que cresce com experiencias por todo o mundo. Aprofundar a democracia é quebrar barreiras que hoje parecem se querer voltar a erguer. Ter alguém do Algarve a marcar o ritmo é assinalável. Andado no Algarve Onde quiserem porque parece que cada vez mais é a única opção. Ao escolher destacar este «local» para esta crónica remete para o memorando que o Governo assinou com a Câmara Municipal de Lisboa para a passar a gestão da Carris para a autarquia. Passa a gestão da empresa mas não passa a divida, de mais de 800 milhões de euros, que fica com o Estado. Ou seja, a dívida irá ser paga por todo o país, divida essa de uma empresa que apenas opera na área metropolitana de Lisboa. Como a descriminação e o descaramento já não era pouco, ainda acrescentaram com esta operação umas borlas para jovens e descontos para os idosos… de Lisboa! É a chamada coesão territorial, ao contrário! O memorando foi assinado pelo ex e pelo atual Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. A festa é feita entre os amigos mas quem vai pagar a conta somos mais uma vez todos nós .

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Verdades sobre o Conselho Municipal de Juventude após 1600 dias de atividade mas apenas 1 dia após a 10ª reunião ordinária deste órgão Carlos Gouveia Martins

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seriedade na política exige a confrontação direta com a realidade. Uns escondem-se quando a realidade choca com a sua vontade e outros emergem quando o seu lado ganha vantagem em determinado momento. Ontem, dia 24 de novembro de 2016, reuniu novamente o Conselho Municipal de Juventude de Portimão. Boas notícias! Recordo, para facilitar o raciocínio, que a 1ª reunião ordinária do Conselho Municipal de Juventude de Portimão decorreu a 20 de julho de 2012. Cerca de 1600 dias de atividade à data de hoje e passados sensivelmente 54 meses, deveríamos ir, só em reuniões ordinárias, na 18ª sessão de debate entre jovens do nosso concelho. Ontem, após apenas a 10ª reunião, rejubilaram publicamente alguns com a realização de tamanha simplicidade, uma mera obrigação estatutária que recorrentemente têm vindo a falhar neste mandato autárquico. Naturalmente, enquanto um dos afortunados que esteve na origem, implementação e 1ª reunião deste importante órgão consultivo da Câmara Municipal de Portimão, mas principalmente por ser um simples jovem portimonense, saúdo e manifesto a minha satisfação pelo regresso destas importantes audiências de juventude local, não vinculativas, sobre matérias e políticas de juventude para a nossa terra. Após felicitar, recordar mais alguns dados aos esquecidos: A última reunião com quórum decorreu há mais de dois anos, a 14 de fevereiro de 2014. Posteriormente houve nova tentativa, que acabou por realizar-se informalmente por ausência de quórum, a 16 de abril. Para ser simpático, contarei a última mesmo que essa já não conte para jogo. Assim sendo, 16 de abril de 2014. Ontem, na 10ª reunião ordinária desde a sua implementação, fez 951 dias desde essa já esquecida 9ª reunião… ALGARVE INFORMATIVO #85

Pelo regulamento, cada reunião deveria ocorrer a cada 90 dias sendo convocado pela Sra. Presidente de Câmara que é, legalmente e estatutariamente, a Presidente do Conselho Municipal de Juventude. Em 951 dias de ausência, é fazer as contas da falha de quem Preside este Conselho Consultivo. Para ser mais preciso, aponto mais factos e apenas sobre quem tem responsabilidade política atual e não quem já não pode contribuir para este peditório. Neste mandato autárquico, em perto de três anos de mandato, o mínimo estatutário era termos assistido a 12 reuniões ordinárias deste órgão. Assistimos a duas. Palavras para quê? Porventura, dirão que a culpa é dos jovens. Que quem tem culpa são os poucos que participam. Que os causadores deste incumprimento são todos aqueles que dirigem associações, clubes, organizações políticas e representam partidos políticos porque não se mobilizaram. Discordo total e frontalmente. É fácil sacudir a água do capote mas a história democrática diz que quem lidera sempre assumiu as suas responsabilidades mesmo quando falhou. Mas que, acima de tudo, quem lidera dá o exemplo e, nesse campo, não houve nenhuma demonstração de vontade em potenciar o Conselho Municipal de Juventude por parte do executivo socialista de Portimão. Quem não deve, não teme. No entanto, o que mais me importa é que perto de finais de fevereiro esteja prestes a decorrer (pelo menos) a 11ª reunião ordinária do Conselho Municipal de Juventude de Portimão. Votos de um bom regresso de debates sobre juventude, a bem dos jovens e com (ou sem) autárquicas pelo caminho .

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Clientes não são berlindes Augusto Lima

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ão existe Meus e Teus clientes, como os berlindes no jogo, mas sim, Clientes da casa. Quando o cliente sai dececionado, não foi só ele que perdeu, mas também todo o Staff de Sala e Cozinha, o Espaço, Todos nós! Os clientes são o maior património (apesar de não expressamente contabilizável), da nossa empresa. Para os poder manter fidelizados, temos que os cuidar como Equipa, que não é um conjunto de pessoas, mas um número de pessoas que trabalha em conjunto. Sala e cozinha são um binómio, não antagonistas. Chefes são exemplo e líderes, não protagonistas isolados. A diferença entre um profissional e um amador é o valor cobrado pelo serviço e o grau de saber e responsabilidade do primeiro em relação ao segundo. A diferença entre um cliente e um passante, apesar de cliente, é o grau de oportunidade e satisfação que faz dele um repetente e um meio publicitário gratuito. O que somos nós em relação ao cimente? Vendedor. O que espera um cliente dum vendedor? Que preencha ou ultrapasse as suas expectativas, que realize os seus sonhos. – O cliente não tem corrente, não tem dono, é livre de escolher onde quer ir. O que deve fazer? Oferecer o melhor serviço, marcando uma posição diferente em relação aos demais. Utilizar a força das redes sociais para nos promovermos; satisfazendo os seus clientes, eles se encarregarão de espalhar a palavra. – O cliente não tem trela, não gosta de ser conduzido, gosta de ter livre arbítrio. O que deve fazer? Após o receber com um sorriso franco e lhe comunicar explicitamente que é muito bem-vindo, entregue as Cartas que devem ser escritas em letra e tamanho adequado à luz e à capacidade normal de leitura, Mantenha-se pronto a intervir quando solicitado, mas atenção, vá preparado para responder de A a Z qualquer pergunta e reforçar com adicional esclarecimento qualquer dúvida, tentado sempre ser curto, audível, assertivo e esclarecedor.

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– O cliente gosta de ser apaparicado. Quem não gosta? O que deve fazer? Fidelizar é a resposta a todas as preces mas deve ser de forma clara, despretensiosa, embora o objetivo seja sempre que o dinheiro dele venha para o nosso lado. O ciente sabe isso e aceita como justa se não se sentir enganado. Promover novas experiências, descontos diretos em vouchers, cartão de cliente, ser reconhecido e tratado como conhecido e importante, ter uma ficha do cliente com o que não gosta, ou é intolerante, são algumas das estratégias, a que eu chamo de jóias de apreço, absolutamente necessárias. – O cliente tem apetite, não gosta de ficar com fome. Quem gosta? O que deve fazer? Um dos objetivos do restaurante é tentar vender três pratos numa refeição: uma entrada, um principal, carne, peixe ou vegetariano. Comer muito não é sinónimo de comer bem. Em alguns locais, uma dose dá claramente para dois. Isto quer dizer algumas destas coisas: O produto ali é barato, incluindo a mão-de-obra, ou o produto não é de qualidade, justificando o preço ou o gestor não sabe fazer contas, ou o local tem muitos clientes e claramente a regra imposta é a de economia de escala. Quando acima refiro vender três pratos, o retorno para o cliente deve ser igualmente considerado, já que vai poder provar três situações, ter três experiências diferentes, logo, gastronomicamente falando, ficarão mais enriquecidas. Como e quanto gostaríamos de comer quando saímos? A resposta deve ser colocada no prato de cliente. – O cliente não sabe tudo, tem que ser educado. O que deve fazer? Saber o que está a fazer, como está a fazer e o porquê de o fazer. Existem muitos mitos na Cozinha, como em qualquer ciência. Uma coisa é gosto, outra coisa é o porquê de nós servirmos assim ou assado. Gostos não se discutem e deve ter-se em conta a existência de alternativas ou iniciativas que o satisfaçam .

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César Matoso lançou «Saudade Singular» César Matoso apresentou, no dia 19 de novembro, «Saudade Singular» e o CineTeatro Louletano esgotou para ouvir, ao vivo, o segundo disco de originais deste jovem talento da terra. Aos 25 anos, César Matoso é já um valor confirmado da nova geração de fadistas portugueses e o objetivo, agora, é ultrapassar as fronteiras do Algarve e partir à conquista do mercado nacional e internacional. Texto:

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ésar Matoso mostrou ao público, na noite de 19 de novembro, no Cine-Teatro Louletano, o seu novo trabalho discográfico, intitulado «Saudade Singular», um álbum que tem na sua maioria temas originais feitos por alguns poetas convidados e por si próprio, com muito fado ALGARVE INFORMATIVO #85

tradicional, mas também músicas originais e algumas homenagens. Uns dias depois, já recuperado das emoções fortes, estivemos à conversa com o louletano, não na sua cidade natal, mas em Faro, no Castelo, espaço da Cidade Velha, à beira rio, onde atua todas as segundas e quintas-feiras. 50


Singular», composto por 12 fados originais, uns com músicas criadas de propósito, outros recorrendo a melodias tradicionais que depois foram adaptadas aos novos poemas. A estes somam-se três homenagens, a Carlos do Carmo, António Mourão e Amália Rodrigues. O projeto «Saudade Singular» começou a dar os primeiros passos há cerca de dois anos, num processo longo de amadurecer. “Queria perceber bem o que queria cantar e apresentar ao público nesta fase da minha carreira e o resultado final foi muito prazeroso”, explica César Matoso, que se iniciou na canção nacional há oito anos, depois de ter passado por outros géneros musicais. “Participei em vários projetos de pop/rock e estreei-me no fado a convite do Valentim Filipe, porque viu em mim qualquer coisa diferente. Aceitei o desafio para participar num concurso de fado e senti, de imediato, algo especial”, recorda.

De olhar colocado na Ria Formosa, uma das sete maravilhas de Portugal, César Matoso recordou o seu primeiro disco, chamado, precisamente, «Fado Primeiro», lançado em 2011, na altura com apenas três originais, sendo os restantes temas de outros autores e que faziam parte do seu repertório do dia-a-dia. Bem diferente é «Saudade 51

Nascido em Alte, César Matoso estava acostumado a conviver com o fado desde tenra idade, mas só por volta dos 20 anos assumiu a música de forma mais profissional, quando terminou os estudos em Teatro e Representação. “Decidi tornar isto um projeto sólido e bem estruturado mas, no início, ainda dei aulas de Atividades Extra Curriculares na área das artes. Há três anos, dediquei-me a tempo ALGARVE INFORMATIVO #85


inteiro ao fado, já não conseguia conciliar as duas facetas”, indica, entendendo que o segredo para se ser bem-sucedido na transição de amador para profissional é trabalhar imenso, mas com foco. “Desde que nasci que percebi que comunicar seria a minha vida, fosse a representar, a apresentar ou a cantar. Depois, cheguei à conclusão que cantar era, efetivamente, o que me dava mais prazer, onde encontrava aquilo que era mais verdadeiro e espontâneo em mim. Também vi que era importante criar uma imagem através da qual as pessoas me identificassem facilmente, ao invés de ser mais um fadista”, relata o entrevistado. Nessa caminhada por criar um estilo próprio, uma imagem que o distinguisse da multidão, participou em diversos concursos de talento nos vários canais de televisão, uns correram melhor do que outros, admite, mas tudo contribuiu para o nome de César Matoso ir ganhando força. “A pouco e pouco fui traçando o meu caminho e decidindo para onde queria ir, absorvendo o que os meus colegas fadistas e os músicos me transmitiram e fazendo uma enorme pesquisa de repertório para perceber que temas me tocavam mais fundo. No início até fui bastante criticado por a minha forma de estar no fado ser diferente do habitual – melhor ou pior cabe ao público dizer – porque encaro as atuações como um espetáculo e não como uma noite de fado. E, no espetáculo, tem que haver espaço para conversar com as pessoas, para o ALGARVE INFORMATIVO #85

público se divertir, bater palmas, cantar comigo, para chorar e sorrir”, descreve. Mudanças que são fundamentais porque o fado, hoje, é bem diferente do que se cantava há 20 ou 30 anos, não só pela idade dos seus intérpretes, mas por toda a componente do espetáculo que passou a ter associado ao simples ato de cantar. “Há quem diga que evoluiu, outros dizem que regrediu, é tudo subjetivo. Há coisas com que me identifico, outras nem por isso, porque sou irreverente na minha forma de cantar, mas também sou bastante tradicionalista. Aliás, o meu repertório é 80 por cento de fado tradicional, é a essas raízes que vou beber”, aponta César Matoso. “Devemos recriar as coisas à nossa maneira, com a nossa verdade. Às vezes erra-se por se imitar apenas, ou então por se querer ser demasiado diferente. Devemos respeitar tudo o que já foi feito, a tradição oral do fado, mas não há que ter medo em dar o nosso cunho pessoal”.

Quando a magia acontece Aos 25 anos, César Matoso ouve todos os estilos musicais, consoante o ambiente e o estado de espírito, mas também ouve atentamente o que o público lhe tem para dizer. E isto porque o fado não pode ser falso, tem que ser cantado com 52


verdade e contar a história que está subjacente aos poemas. “Há fadistas que não dão tanta importância à palavra, preocupam-se mais em exibir as suas vozes, e eu também já passei por isso, mas a minha luta passa pela verdade da interpretação e do poema. Estamos ali a contar uma história, que pode ser alegre ou fatalista, que pode falar de amor ou de saudade, e não podemos deturpar as intenções das palavras”, defende o louletano, que dá tudo de si nos poucos minutos que dura cada fado. “Temos que oferecer a nossa alma, despir-nos de nós próprios para dar vida aos temas, mas o público também é uma peça preponderante para que, em algumas noites, a magia aconteça. Quando as duas partes estão em sintonia, a sensação é espetacular e, no dia 19 de novembro, a magia, de

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facto, aconteceu”, lembra, sorridente. Humildade que está bem patente na postura de César Matoso, até porque uma carreira de oito anos, nas suas próprias palavras, ainda é apenas um pequeno passo num longo trajeto. Certo é que, nos tempos que correm, os jovens deixaram de ter vergonha de dizer que gostam de fado, como sucedia há duas ou três décadas. “Ainda recentemente falei sobre isso com uma fadista amadora dos seus 40 anos e que confessou que, quando era miúda, sempre gostou de cantar fado, mas não o conseguia fazer em público. O fado era associado a grupos específicos de pessoas, havia até quem a considerasse uma ALGARVE INFORMATIVO #85


canção menor, desatualizada, que não fazia sentido. Tudo isso mudou e, hoje, sinto uma enorme satisfação a ver crianças e adolescentes a cantarem fado ao vivo”, afirma. Isso não significa que o fado se deva tornar algo banal, porque a maior mediatização que ganhou quando foi considerado Património Imaterial da Humanidade não lhe retirou a sua traça especial, o seu sentimento único. “É algo nosso que devemos tratar com todo o respeito”, frisa César Matoso, reconhecendo que há alguma dificuldade em se arranjar músicas para poemas originais. “Poetas há bastantes e bons, uns da velha guarda, outros da nova geração, todos a escreverem coisas fantásticas, mesmo quando são da área do hip-hop ou do rock. O fado são emoções, histórias de vida, tal como os outros estilos de música. Noto, contudo, falta de mais compositores a criarem músicas para o fado, se calhar porque se continua a utilizar bastante as melodias do antigamente, mas com letras diferentes”, observa, pensativo. Com «Saudade Singular» na mão, o sonho de César Matoso é chegar ao mundo, é agarrar tudo o que o mundo lhe tem para dar, e tem batalhado para isso, de forma ponderada e sem correrias desenfreadas. “Sempre junto do meu público, tem sido fantástico comigo. Sou um privilegiado porque me fazem acreditar num futuro risonho, que conseguirei dar o salto de artista regional para nacional e, quem sabe, internacional. Já fiz algumas ALGARVE INFORMATIVO #85

temporadas em casas de fado de Lisboa para perceber como funciona este meio, mas percebi que não perdia nada em continuar a estruturar a minha carreira a partir do Algarve”, sublinha. “Agora, está na altura de tentar chegar ao público nacional e há várias propostas na mesa para analisar e decidir o melhor rumo a seguir. Espero poder fazer na minha vida aquilo que mais gosto e isso é cantar fado”. Os sonhos são muitos e potencial para os concretizar não falta, como bem sabem todos aqueles que já ouviram César Matoso a cantar o fado, mas garante que, se as oportunidades não surgirem, não é por isso que se vai sentir menos realizado. “O meu processo de crescimento e afirmação tem sido continuo mas, nos últimos dois anos, acelerou de forma intensa. Tenho cantado praticamente todos os dias e, há oito anos, não imaginava que um artista regional pudesse ter um impacto tão grande nas pessoas. A nível nacional, o mercado está bastante fechado, não é fácil entrar nele, temos que oferecer um produto muito especial e é isso que estou a tentar criar”, salienta, admitindo que, com a edição de «Saudade Singular», a fasquia ficou mais elevada. “Quero que isto seja o início de qualquer coisa, mesmo que demore oito anos a acontecer, porque nunca vou forçar nada” .

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CATIVAR OS JOVENS PARA A POESIA DE ANTÓNIO ALEIXO Nos dias 23 e 24 de novembro, o Cine-Teatro Louletano voltou a abrir as portas aos alunos do concelho, desta vez por ocasião da peça «Este Não Sou Eu», criado por Lita Pedreira, Luís Geraldo e Vera Alvelos com o intuito de dar a conhecer o poeta António Aleixo. Homem bem conhecido das gentes de Loulé, Aleixo colocou na sua escrita todo o desassossego, sensibilidade e agudeza com que via as coisas num período bastante difícil para os portugueses, com a música sempre a acompanhar as ideias das suas palavras e que agora são transmitidas, de uma forma mais suave e alegre, às novas gerações. Texto: 59

Fotografia: ALGARVE INFORMATIVO #85


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á se tornou um hábito o CineTeatro Louletano receber, durante o horário escolar, diversas turmas de jovens alunos do concelho, numa política ativa de criar públicos culturais desde tenra idade e de sensibilizar as novas gerações para importantes questões da atualidade. Isso mesmo voltou a acontecer, nos dias 23 e 24 de novembro, com a peça «Este não sou eu», que pretende ser uma viagem pelas palavras e lugares de António Aleixo, homem, poeta e feroz crítico social. Com o palco do Cine-Teatro a fazer lembrar uma antiga taberna, em cujas mesas estavam sentados os pequenotes, o objetivo deste projeto de Lita Pedreira, Luís Geraldo e Vera Alvelos, com texto de Maria Quintans, é que os mais novos se consigam identificar com a poesia de António Aleixo, poeta nascido em Vila Real de Santo António que bem cedo se mudou para Loulé e que sempre foi um homem de várias rimas, nos melhores e nos piores momentos da sua vida. Em palco encontram-se dois atores – Lita Pedreira e Luís Geraldo – simbolizando as muitas personalidades do poeta, que procuram transmitir, de forma ligeira, a sua arte de escrita, certeira, influenciada pelas enormes e chocantes desigualdades sociais dos tempos em que viveu. O espetáculo teve, na sua génese, o segmento infantojuvenil como públicoalvo preferencial, mas o projeto não interessa apenas às crianças, conforme explicou a produtora executiva Joana Cordeiro minutos antes da primeira sessão. “Procura refletir a importância que a poesia tem nas nossas vidas e isso ALGARVE INFORMATIVO #85

diz respeito a pessoas de todas as idades”, explica. “A Maria Quintans, sendo poeta, teve uma sensibilidade muito específica e encontrou uma dualidade, que existe também em todos nós, entre o poeta e o homem que experimenta a vida do dia-a-dia, as durezas, as agruras, as dificuldades”, acrescentou Vera Alvelos, responsável pelo espaço cénico e figurinos. 60


Conscientes de que a peça está alicerçada num texto difícil e duro, havia que descobrir a melhor forma de chegar aos mais jovens e encontrou-se uma dimensão bastante próxima da ideia de poesia, com muita simbologia e expressão, e outra mais próxima do público, em que a história de António Aleixo é contada a poucos passos das crianças e num tom mais coloquial, por 61

vezes até mais alegre. “É um jogo de dualidade também entre, por um lado, a idealização da vida, a imaginação e a criatividade e, por outro, a realidade. Penso que conseguimos encontrar estes vários planos através da linguagem teatral e cénica e da interpretação dos dois atores. Estivemos em Lisboa, numa residência artística de três semanas, a trabalhar com o texto e com os ALGARVE INFORMATIVO #85


vários objetos que fomos encontrando e que pretendíamos que fossem o mais reais possíveis, para transmitir esta ideia de história, de veracidade”, sublinha Vera Alvelos. Em palco encontram-se, então, duas turmas, numa espécie de taberna construída para o propósito, com os alunos a tornarem-se intervenientes na própria peça, desafiados por Lita Pedreira e Luís Geraldo a lerem alguns poemas de António Aleixo, mas também a brindarem à memória dos já partidos. E, para criar todo este ambiente intimista e acolhedor, muito contribuíram Valter Estevens, na iluminação, e Pedro Ramalho, na construção de algumas peças do cenário. Quanto a colocar as crianças em palco, ao invés de sentadas na plateia, é positivo para que se sintam ALGARVE INFORMATIVO #85

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cativadas pela forte história, e lições de vida, de António Aleixo. “Quisemos aproximá-las dos atores, até porque Aleixo é de Loulé, é um conterrâneo, alguém que experimentou a primeira metade do século XX, das décadas mais duras da nossa existência, com uma pobreza extrema. Apesar disso, de todas as dificuldades, manteve sempre uma atitude criativa e pretendemos fazer justiça a essa vida tão rica envolvendo mais o público”, aponta Vera Alvelos. Uma peça que, apesar de falar da vida e obra de um algarvio, pretende subir aos palcos de todo o país, apresta-se a dizer Joana Cordeiro. “É um projeto

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que, pela nossa vontade, vai correr os edifícios teatrais do Algarve e de Portugal, pela importância que a poesia desempenha nas nossas vidas”, indica, mesmo sabendo que a poesia é um género literário com menos fulgor em terras lusitanas. Vera Alvelos esclarece, porém, que os jovens contatam quase diariamente com a poesia, mesmo que, em muitas ocasiões, de forma inconsciente. “O Harry Potter, por exemplo, também é cultura e poesia e é bastante interessante quando um objeto cultural e artístico, para a infância, traz riqueza às suas vidas. De um modo leve, sem se dar conta, as pessoas estão a receber uma série de informações e as crianças estão muito ligadas à poesia através da música”, considera. A cocriadora de «Este Não Sou Eu» lembrou ainda que há um ritmo na poesia, há música nas palavras de António Aleixo, sempre acompanhado da sua guitarra. “Era chamado a várias terras do Algarve para animar algumas festas, pela sua capacidade de improviso, e existem, atualmente, algumas formas de expressão bastante ligadas a isso, como o rap e o hip-hop. Às vezes as crianças estão muito mais próximas desta forma de estar e criar do que nós imaginamos, embora com ALGARVE INFORMATIVO #85

ritmos e estéticas diferentes”, compara Vera Alvelos. “António Aleixo era uma pessoa reservada, mas tinha esta veia e alma de animador e, por vezes, nem era pago pelo seu trabalho. Queria apenas uma boa refeição, uma refeição decente, que nem sempre a sua vida 64


lhe permitia, e ia com todo o prazer olhar as novas situações e improvisar”. Improvisos que, muitos, se perderam no tempo, até que algumas figuras se aperceberam da extrema qualidade dos poemas de António Aleixo e decidiram começar a colocá-los no papel. E assim 65

se foi conhecendo melhor a obra deste algarvio. E assim algumas dezenas de jovens de Loulé ficaram também a conhecer os dizeres, os improvisos, de António Aleixo, numa manhã de aulas diferente do habitual .

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FOTOGRAFIA: PAULO LOPES

Quem nasceu diferente também tem sentimentos e deve ser respeitado Texto: ALGARVE INFORMATIVO #85

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Mesmo sem quaisquer tipo de apoios estatais, a APATRIS 21 continua a trabalhar todos os dias com vista à inclusão social e à integração profissional de crianças, jovens e adultos portadores de algum tipo de perturbação de desenvolvimento intelectual. Em consultas nos gabinetes da instituição, nas escolas, em atividades de lazer no exterior, o objetivo é que esta população conquiste alguma autonomia, mas ainda nem todos os portugueses conseguem lidar de frente com este problema e a prova disso é que, apesar de eles existirem, são poucos os cidadãos com Trissomia 21 que vemos no dia-a-dia nas ruas do nosso país. E quanto mais cedo as famílias decidirem investir no futuro destes filhos e filhas, ao invés de se acomodarem à situação, melhor é para todos, garantem os especialistas. 69

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FOTOGRAFIA: PAULO LOPES

no primeiro andar da rua ator nascimento fernandes que se situa a sede da APATRIS 21 – Associação de Portadores de Trissomia 21 do Algarve, uma instituição particular de solidariedade social que surgiu, em 2004, por iniciativa de um grupo de pais e profissionais de educação. O objetivo era desenvolver um projeto inovador e diferente de apoio à Trissomia 21 e Défice Cognitivo, mas depressa a IPSS alargou o âmbito da sua atividade a qualquer tipo de perturbação de desenvolvimento intelectual. Trissomia 21 que é uma alteração genética caracterizada pela presença de um cromossoma supranumerário no par 21 e cujas consequências são motricidade pouco desenvolvida, dificuldades auditivas/visuais, dificuldades na linguagem/fala, défice de memória auditiva de curto prazo, reduzida

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capacidade de atenção, dificuldade de retenção e consolidação de informação, dificuldades de generalização e raciocínio abstrato, dificuldades de sequenciação e estratégias de evitamento, entre outros sintomas. À frente da direção está, há cerca de seis anos, Maria Augusta Pereira, ela própria mãe de um jovem, hoje com 27 anos, que nasceu com carências especiais. “Houve um conjunto de pais que se juntaram, em 2000, para que os seus filhos tivessem as terapias e os apoios necessários, mas a associação só começou a laborar formalmente quatro anos depois. Durante dois anos fizemos apenas sessões de divulgação e esclarecimento científico para pais, profissionais e professores, porque não recebíamos ajudas financeiras de ninguém”, recorda a médica. 70


Apoios que, diga-se em abono da verdade, continuam a ser extremamente escassos, revela a presidente da APATRIS 21, que já perdeu a conta às reuniões tidas com a Segurança Social para se tentar arranjar contratos programas. “O nosso estatuto de IPSS foi-nos dado na área da Saúde e, com essa justificação, a Segurança Social entende que não deve apoiar os nossos utentes. Tivemos um pequeno apoio do Ministério da Saúde, que não chegava a 1500 euros mensais, entre 2007 e março de 2014, mas desde então estamos por nossa conta”, indica. “Ainda há poucas semanas o Ministério da Segurança Social nos voltou a dizer que não temos valências sociais que justifiquem um apoio da parte deles e recambiou-nos para o Ministério da Saúde. Este garante que tem técnicos dentro dos Centros de Saúde que podem realizar esse serviço, mas estas crianças e jovens precisam de diversas terapias por semana, consoante os casos e as idades, e não acredito que o Ministério da Saúde tenha capacidade de resposta para as solicitações. Aliás, nem tem nenhum programa especial para utentes com perturbação de desenvolvimento intelectual”, assegura Maria Augusta Pereira, visivelmente irritada por este empurrar da bola de um lado para o outro sem que nada se resolva. Neste cenário, acabam por ser os próprios pais a arcar com as despesas de tratamento dos

filhos, ainda que os serviços prestados pela APATRIS 21 tenham um preçário social, com valores bastante abaixo dos praticados nos hospitais e clínicas privadas. “Sobrevivemos graças às poupanças que fizemos ao longo de dois ou três anos em que tivemos projetos apoiados por entidades privadas. O «APATRIS 21 vai à escola» foi subsidiado pela EDP Solidária, outro foi apoiado pela Missão Sorriso, mas já não tivemos patrocínios em 2014 e a angariação de fundos gerada em alguns eventos que organizamos são uma migalha. A nossa situação financeira é débil, temos atualmente três estágios profissionais e sei que apenas poderemos ficar com um a tempo inteiro, pois não há estabilidade para se fazer contrato com mais pessoas”, antevê, com pesar, consciente da necessidade que existe de funcionários qualificados para lidar com esta população carente de cuidados especiais. E um desses tais eventos de solidariedade social aconteceu precisamente na noite de sexta-feira,

A presidente da APATRIS 21, Maria Augusta Pereira

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dia 24 de julho, um espetáculo de stand-up comedy intitulado «Faro a Rir» e dinamizado por uma equipa de comediantes provenientes de Lisboa, entre eles, Guilherme do blog «Por Falar Noutra Coisa». “Fora destes eventos, é bastante complicado pedir dinheiro a alguém, mesmo para uma causa solidária como esta. Não somos muitos no Algarve e grande parte das empresas têm uma atividade sazonal, é difícil existir qualquer tipo de mecenato”.

Nem todos os pais encaram a situação de frente Os constrangimentos financeiros não impedem, no entanto, a APATRIS 21 de fazer o máximo que pode e consegue e, ALGARVE INFORMATIVO #85

neste momento, apoia mais de 30 jovens nas escolas, a que se somam 15 adultos e cerca de duas dezenas em atividades de férias no Verão, Páscoa e Natal. “Este ano, em Olhão, não permitiram que fossemos às escolas, apesar de termos lá várias jovens com Trissomia 21 que estão a concluir o ensino secundário. Também já prestamos apoio em Vila Real de Santo António e Albufeira mas, neste momento, estamos apenas a funcionar com Faro e Loulé”, indica Maria Augusta Pereira. Para tal, a APATRIS 21 desenvolveu um projeto de apoio psicopedagógico em contexto escolar cujos objetivos passam por identificar, avaliar e acompanhar os alunos portadores de Trissomia 21, Défice Cognitivo Sem 72


Diagnóstico, Hiperatividade e Défice de Atenção; adotar estratégias de ensinoaprendizagem específicas e adequadas ao perfil de desenvolvimento; e promover o sucesso educativo e a inclusão escolar e social. “Os casos são referenciados pelos professores e nós intervimos consoante as necessidades, com duas psicólogas e uma psicomotricista e, no próximo ano letivo, vamos tentar incluir igualmente uma terapeuta da fala. Há mais de duas décadas que a lei contempla que estes jovens possam ir para escolas com currículos alternativos e funcionais, de acordo com a progressão das suas competências. Não posso dizer o que acontecia antigamente nas escolas mas, quando os pais se juntaram, em 2000, é porque não estavam a receber os apoios que deviam ter”, salienta a médica. Terapias que também podem ser realizadas no gabinete da clínica da APATRIS 21, mas nem sempre é fácil contratar técnicos especializados em deficiência mental ligeira ou moderada e, depois, assegurar os seus justos vencimentos, pelo que Maria Augusta Pereira ainda não sabe como vai decorrer o próximo ano letivo. “A nossa linha de ação é acompanhar os jovens o mais cedo possível mas, até aos seis anos, isso é da responsabilidade dos hospitais e das equipas de intervenção precoce e não sei se a cobertura é feita a 100 73

por cento ou não”, afirma, confirmando que ainda há casos escondidos, ocultos, pelas próprias famílias. “Há pais que encaram a situação de frente e investem no seu filho, porque são terapias intensivas e prolongadas. Outros pais não interiorizam essa doença do filho e acham que ele está sempre a evoluir, apesar de isso não ser verdade. A população em geral não está muito motivada para esta temática e eu pergunto-lhe: ‘Vê pessoas com Trissomia 21 na rua?’. É certo que não existem muitos casos em Portugal mas, os que há, são adultos e não sei onde andam”, questiona, preocupada. Pequenas vitórias na procura da inclusão e autonomia que não aparecem com um estalar dos dedos, são tratamentos que duram uma vida inteira e, por exemplo, o filho de Maria Augusta Pereira, que tem 27 anos, vai todas as semanas ao psicólogo. “As

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competências sociais são bastante difíceis de adquirir porque não são postos na comunidade logo em pequenos. Eles têm sentimentos como qualquer pessoa e, como sabem que não conseguem fazer isto ou aquilo, ficam com vergonha de sair. Alguns pais acham que ele é assim e não sei se lutam muito ou não para inverter a situação”, desabafa, lamentando que o cidadão comum ainda olhe de lado para estas crianças, jovens e adultos. “Fizemos uma ação de sensibilização na Rua de Santo António, em parceria com a ACTA, em que eles levavam um placar a dizer «Somos todos iguais» e diversas pessoas desviavam a cara, sem compreender que nunca sabemos o que a sorte nos reserva. Estamos todos sujeitos a ter um acidente e ficarmos com uma limitação”. Sobre os utentes da APATRIS 21 que já estão inseridos no mercado de trabalho, apenas um fez um contrato de empregoinserção, os restantes têm uma ocupação laboral mas sem receberem um salário, revela Maria Augusta Pereira. “Eles têm ALGARVE INFORMATIVO #85

consciência que não recebem, mas o facto de estarem ocupados já é muito bom”, entende a presidente da direção, aproveitando a oportunidade para falar do projeto de expressão dramática desenvolvido com a ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve. “Todos os anos temos, no último sábado de junho, uma exibição do trabalho feito ao longo do ano letivo, desta feita no Cine-Teatro Louletano, e é algo bastante importante para a autoestima deles. Recentemente candidatamo-nos a um projeto europeu e vamos avançar agora com alguns desses miúdos da inclusão pela arte”. Outro projeto que pode ser extremamente importante para o futuro da APATRIS 21 é o «BPI Capacitar», que permitiria o aluguer de um espaço de 200 metros quadrados onde os mais velhos e os mais novos trabalhariam para o desenvolvimento das suas competências, quiçá, até, em conjunto com os familiares. “Não conheço nenhuma associação deste género que não seja subsidiada a nível estatal, somos os únicos. Temos miúdos no ateliê de competências há três e quatro anos e vemos a sua evolução: já não gritam, sabem comportar-se no meio de um grande aglomerado de pessoas, não andam 74


numa excitação excessiva e, se um dia fecharmos a porta, isso vai tudo por água abaixo. Os pais perdem um apoio fundamental e é importante que se conheçam uns aos outros, que lidem com outros miúdos com Trissomia 21, que percebam que há casos que não são tão maus como aparentam”.

Atividades não páram durante o verão Com a chegada das férias de Verão aumentam as atividades da APATRIS 21 no exterior e, desta feita, fomos encontrar um grupo de utentes nas Piscinas Municipais de São Brás de Alportel sob a orientação da Diretora Técnica Ana Faria, que já trabalha nesta instituição há cerca de oito anos. Com um olho nas piscinas e outro no entrevistador, a psicóloga confirma que lidam com perturbações de desenvolvimento intelectual de qualquer tipo, desde crianças com défice cognitivo de origem desconhecida a outras com Trissomia 21, Autismo ou Hiperatividade. “São crianças, jovens e adultos, dos seis aos 30 e poucos anos, porque temos igualmente uma unidade de emprego apoiado para os integrar profissionalmente. Nas escolas, damos apoio aos professores para 75

desenvolverem a autonomia e sucesso escolar. A nossa filosofia é trabalhar com pacientes que tenham algum grau de autonomia e deficiência mental ligeira ou moderada que lhes permita ter algumas competências. No fundo, o objetivo é inclui-los a todos os níveis, social, educacional e profissionalmente, e não tê-los na instituição”, frisa. “Na instituição só está a equipa técnica, a preparar as atividades e a fazer candidaturas a financiamentos, e temos também consultas de psicologia clínica, psicologia educacional, terapia da fala e outras”. Olhando para os utentes mais novos que estão em idade escolar, Ana Faria salienta que há estabelecimentos de ensino onde se realiza um bom trabalho, dependente da formação dos profissionais, da sensibilidade de cada um para lidar com esta população e das suas competências pessoais. “Noutras, as coisas não

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funcionam, ficam numa sala de educação especial sem nenhuma atividade e os pais queixam-se que, a partir de determinada idade, não se nota grande evolução em termos de aprendizagem. Quando se dá uma atenção especial à inclusão profissional, há algumas atividades em certos serviços das escolas que são desempenhadas por estes jovens e mesmo em restaurantes na proximidade”, destaca. Ana Faria explica que estes utentes precisam de um acompanhamento especial para poderem estar numa sala de aula com os restantes alunos e tudo varia dos recursos que cada estabelecimento de ensino possui. No que diz respeito aos adultos com perturbações de desenvolvimento intelectual, a Diretora Técnica confessa que a inserção no mercado de trabalho não é fácil e carece de uma maior atenção da parte das entidades competentes. “Temos situações em que ALGARVE INFORMATIVO #85

eles têm um horário diário mas não recebem nada pelas atividades que desenvolvem e, em termos legais, também existem alguns obstáculos que estamos a tentar esclarecer junto do Instituto do Emprego e Formação Profissional. Eles percebem que os outros são pagos e que eles não têm qualquer tipo de recompensa financeira”, relata, lamentando que a sociedade ainda não esteja devidamente sensibilizada para esta realidade. “É um trabalho de equipa entre os técnicos, as famílias e as escolas e, mais lá para a frente, a entidade patronal”. A entrevistada enfatiza novamente que não basta ter formação académica específica para lidar de perto com esta população, há que possuir certas competências pessoais e vontade de vencer os obstáculos. “O que se verifica em termos escolares é que chega uma fase em que eles estagnam na aprendizagem, mas há que continuar a promover a sua autonomia pessoal e a sua integração profissional, que sejam capazes de iniciar e terminar uma tarefa sozinhos e isso tem que se treinar. Com o aumento da escolaridade obrigatória, eles permanecem nas escolas até aos 18 76


anos, mas há falta de técnicos na área da psicologia, da terapia da fala e da terapia ocupacional nos estabelecimentos de ensino. Quando nos é possível, em termos de financiamento, a nossa equipa vai às escolas dar apoio aos alunos que tenham qualquer tipo de perturbação de desenvolvimento intelectual”. Um esforço da APATRIS 21 que, à semelhança de Maria Augusta Pereira, Ana Faria não sabe até quando será possível manter, pois não é fácil conservar uma equipa de profissionais no terreno quando não existem apoios estatais. E ninguém duvide que as atividades no exterior são fundamentais para estas crianças e jovens, não apenas para se entreterem, mas para promoverem as tais competências de autonomia noutros ambientes que não o escolar ou familiar. “As competências de comunicação são essenciais para a integração profissional, eles precisam saber relacionar-se, dizer «bom dia» e «boa tarde» e ter um mínimo de competências sociais. Infelizmente, as instituições aqui no Algarve não conseguem dar resposta à população com deficiência e há que criar mais alternativas, pois este trabalho deve ser iniciado o mais cedo possível. A família é um dos primeiros agentes educativos e tem que partilhar desta perspetiva de promoção de autonomia, caso contrário, com o 77

avançar da idade, eles já não conseguem adquirir estas competências”. E porque estávamos num espaço público e ao ar livre, não se podia fugir à pergunta de como a população dita normal lida com estas pessoas diferentes. “Temos atividades de Verão há alguns anos, acabamos por frequentar várias vezes os mesmos sítios e as pessoas já nos conhecem, estão habituadas à presença deles e percebem que também têm direito a frequentar uma praia e uma piscina para se divertirem. Claro que ainda há quem desvie o olhar, quem evidencie algum incómodo, quem tente evitar que os próprios filhos convivam com estas crianças e jovens, mas as mentalidades estão a mudar. Na hora da verdade, qualquer um de nós pode ter um acidente e ficar com algum tipo de incapacidade” . A caminho do centenário: Reportagem publicada no número 18 da Revista Algarve Informativo, em 26 de junho de 2015

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