ALGARVE INFORMATIVO 29 de outubro, 2016
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Reinaldo Teixeira é o homem do leme do futuro Algarve Cluster Multiusos Carlos Silva e Sousa | Criar sonhos através de bolos | VAMUS ALGARVE #81 1 Albufeira presta homenagem a João Bailote | Fado & INFORMATIVO Wine
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OPINIÃO 30 - Paulo Cunha 32 - José Graça 34 - Mirian Tavares 36 - António Manuel Ribeiro 38 - Augusto Lima
ATUALIDADE/ 8 - Algarve parte rumo a Região Carbono Zero 22 - Albufeira presta homenagem a João Bailote
ENTREVISTAS/ REPORTAGENS 16 - Fado & Wine 40 - Carlos Silva e Sousa 50 - Reinaldo Teixeira 60 - Sónia Marreiros ALGARVE INFORMATIVO #81
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Algarve parte rumo a uma Região Carbono Zero Chegou ao fim a fase de diagnóstico dos Planos de Ação para a Mobilidade Urbana Sutentável, no seguimento do compromisso para a mobilidade urbana sustentável no Algarve, com os resultados a serem apresentados, no dia 26 de outubro, em Albufeira. Agora, é tempo de desenhar novos modelos de mobilidade, de colmatar as deficiências observadas, de ultrapassar os obstáculos identificados, rumo a uma Região Carbono Zero. Texto:
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primeira fase de trabalhos rumo a uma «Região Carbono Zero», cujo intuito é pensar e planear o modo como nos vamos deslocar no futuro e como o podemos fazer de forma mais eficiente, inclusiva e amiga do ambiente.
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Salão Nobre da Câmara Municipal de Albufeira foi palco, no dia 26 de outubro, do Seminário «Vamus Caraterizar e Diagnosticar», no âmbito do projeto de Mobilidade Urbana Sustentável da Região do Algarve, promovido pela AMAL e cofinanciado pelo CRESC ALGARVE 2020 no âmbito do PORTUGAL 2020. O momento representou a conclusão da 9
O projeto é promovido pela Comunidade Intermunicipal do Algarve, que representa os 16 municípios da região, mas inclui ainda um vasto conjunto de parceiros com responsabilidades na geração de deslocações na região que subscreveram a «Carta de Compromisso para a Mobilidade Sustentável no Algarve». Por isso, o fórum contou com a participação de representantes dos cerca de 50 signatários deste documento que, na parte da tarde, se dedicaram ao lançamento da etapa seguinte deste projeto, nomeadamente as bases do desenho de novos modelos de mobilidade, que integrarão o plano de ação com medidas a adotar por cada um dos intervenientes na mobilidade, elencando potenciais fontes de financiamento dentro dos diferentes pacotes de incentivos comunitários. Com três Planos de Ação para a Mobilidade Urbana Sustentável (PAMUS) em curso, recorde-se ainda que a AMAL vai ser a Autoridade Intermunicipal de Transportes nos Transportes Públicos e na promoção da Mobilidade Elétrica. A abrir a sessão, Carlos Silva e Sousa, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, reconheceu que o Algarve tem algumas carências na área da ALGARVE INFORMATIVO #81
Miguel Freitas, Primeiro Secretário da AMAL, Jorge Botelho, presidente da AMAL, Carlos Silva e Sousa, presidente da Câmara Municipal de Albufeira e Eduardo Feio, presidente do IMT
mobilidade, que são agravadas nos picos de afluência de turistas à região, o que dificulta a circulação entre concelhos e mesmo dentro dos próprios concelhos. “Vamos de uma ponta à outra do Algarve se calhar em menos tempo do que se vai de Cascais a Lisboa, mas temos falta de transportes que satisfaçam as necessidades da população e dos visitantes. É uma preocupação para o bem-estar das pessoas, mas também para a saúde da nossa principal atividade económica, o turismo”, frisou o edil albufeirense. “Precisamos das vias de comunicação, da requalificação da EN 125, do acesso de Albufeira à Via do Infante, mas também precisamos de circuitos que permitam andar a pé, de bicicleta ou de motoreta e de transportes urbanos que sejam compatíveis entre os vários concelhos”, acrescentou.
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Quem não tem dúvidas da relevância do presente estudo para o futuro do Algarve é Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira e da AMAL, por se tratar da resolução de um problema que está perfeitamente identificado há vários anos. “As ligações entre as nossas cidades, freguesias e concelhos têm que ser melhoradas de maneira a que, no médio prazo, tenhamos uma rede de transportes concertada e eficiente. O Projeto VAMUS é um contributo que a AMAL e os municípios querem dar em função da qualidade de vida de quem cá reside, de quem nos visita e da nossa mobilidade, que é um fator que, atualmente, não favorece o nosso desenvolvimento, nem a igualdade de oportunidades. Há pessoas que, por exemplo, não têm acesso ao mercado 10
de trabalho porque não têm transporte próprio nem conseguem ir de um concelho para o outro de transporte público”, revelou Jorge Botelho. A realidade é que a rede de transportes públicos, na sua globalidade, pode funcionar bem melhor no Algarve e o projeto arrancou, como seria de esperar, pela rede intermunicipal rodoviária, excluindo para já do processo aquilo que, segundo os envolvidos, já funciona bem, designadamente as redes urbanas. “No futuro, o objetivo é conseguir-se sincronizar as redes urbanas rodoviárias com a rede ferroviária, mas não queremos iniciar a casa pelo teto. Vamos começar com uma discussão boa, com uma participação dos 16 municípios que, por unanimidade, decidiram abarcar neste projeto, e com resultados”, frisou o responsável, sublinhando que o desempenho do Algarve turístico depende de um sistema de transportes integrado. “Temos milhares de turistas neste momento, e durante o Verão ainda são mais, que se cingem unicamente à realidade do concelho onde estão alojados por falta de transporte para os concelhos vizinhos. Todos contam neste projeto, os municípios estão nele de corpo e alma, a participação do Instituto da Mobilidade e Transportes é absolutamente crucial para o seu sucesso, mas vamos por fases, caso contrário, não chegamos a lado nenhum”.
Viatura própria é o meio mais utilizado Depois das palavras das entidades oficiais, foi a vez das equipas de trabalho 11
que andaram no térreo durante a fase de diagnóstico da mobilidade apresentarem alguns dos resultados obtidos. Assim, ficou a saber-se, por exemplo, que um terço da população dos concelhos da zona Sotavento do Algarve (Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António) se desloca regularmente a pé, um valor que representa mais do dobro da média nacional. Este cenário observado numa das três subunidades territoriais alvo dos técnicos do VAMUS - Projeto de Mobilidade Urbana Sustentável do Algarve é acompanhado da constatação da melhoria das condições de deslocação pedonal nalguns dos aglomerados urbanos destes concelhos, bem como pelo aumento da área pedonal. Também o modelo de ocupação do espaço a Sotavento ajuda a optar por esta forma sustentável de deslocação, ao concentrar a maior parte da população a uma distância máxima de 20 minutos a pé das respetivas sedes de município. É também no Sotavento que se encontra um dos concelhos do país com maior índice de utilização de bicicleta. De facto, com 3,9 por cento da população a optar por pedalar em deslocações pendulares, Vila Real de Santo António entra no Top 10 português, fruto do relevo, mas também mas também da extensão de rede ciclável demarcada existente, com o total de, aproximadamente, 28 quilómetros. Ainda assim, é a zona Centro (correspondente aos concelhos de Albufeira, Loulé, Faro, São Brás de Alportel, Olhão e Tavira) a que dispõe da maior rede de percursos cicláveis, com 156 quilómetros, sendo Loulé o ALGARVE INFORMATIVO #81
concelho com a maior extensão, com quase 50 quilómetros de percursos cicláveis, entre eles os 22 quilómetros da rede de Vilamoura. Os dados preliminares do diagnóstico revelaram ainda uma utilização crescente da ligação fluvial entre o Algarve e Ayamonte. Quase 30 mil passageiros em agosto deste ano optaram por este
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circuito em detrimento da deslocação rodoviária pela Ponte Internacional do Guadiana. Percebeu-se igualmente que a utilização do carro em deslocações regulares cresceu cerca de 30 por cento entre 2001 e 2011 na região, em detrimento dos transportes coletivos. Em média, nesse último ano de referência, seis em cada 10 pessoas que se deslocam com regularidade
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dentro da região fizeram-no em transporte individual, em detrimento do transporte coletivo. Só na zona centro, aquela que no Algarve concentra maior população, o crescimento do transporte individual durante esse período ultrapassou os 38 por cento, enquanto o transporte coletivo rodoviário registou uma quebra de cerca de 23 por cento de utilizadores. Também perderam quota,
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tanto nesta zona como a barlavento e a sotavento, as deslocações pedestres e de bicicleta e motociclo e apenas o comboio viu crescer a quota de utilizadores (+13,9 por cento). Os dados preliminares mostram ainda que, a par do crescimento do uso do transporte individual, aumentaram as deslocações interconcelhias, ao ponto de, em concelhos como São Brás de Alportel e Olhão, mais de um terço da população se deslocar diariamente para um concelho vizinho. Apesar de tudo, o Transporte Coletivo está hoje mais acessível. Na zona Barlavento (correspondente aos concelhos de Vila do Bispo, Aljezur, Lagos, Monchique, Portimão, Lagoa e Silves), 97 por cento da população (81 por cento dos lugares) tem acesso a este tipo de serviço. Contudo, embora as principais ligações (Portimão-Lagoa e Portimão-Lagos), somem 93 circulações diárias, foram identificadas disfunções ao nível da rede, ou seja, para um passageiro embarcado em Monchique ou Silves chegar a Lagos, tem de se sujeitar a transbordos que nunca duram menos de 15 minutos. O mesmo se passa para passageiros que embarquem em Aljezur e Vila do Bispo para chegar a Portimão. Em contrapartida, cresceu a oferta de transportes coletivos urbanos nos concelhos mais populosos da região, muito embora a zona Sotavento não disponha ainda de qualquer serviço dessa natureza .
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Inês Graça, Jorge Franco (guitarra portuguesa) e Valentim Filipe (viola)
Ginásio Clube de Faro recua no tempo com tardes de Fado & Wine Inserido na programação do «365 Algarve», o Ginásio Clube de Faro dinamiza, até maio de 2017, quartas-feiras dedicadas ao fado e ao vinho, transportando os visitantes para o ambiente típico das antigas tabernas onde primeiro despontou a canção nacional. O «Algarve Informativo» rumou à capital algarvia numa dessas tardes, comeu um petisco, bebeu um tinto algarvio e deixou-se encantar com a voz dos fadistas Inês Graça e Luís Manhita. Texto:
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centenária coletividade do Ginásio Clube de Faro, situada em plena baixa da capital algarvia, é recordada por muitos eventos que marcaram a vida social e cultural desta cidade, constituindo, noutros tempos, um palco privilegiado para momentos de confraternização, jogos de cartas ou bilhar, ou simplesmente para se escutar a rádio, numa época em que ainda eram poucos os aparelhos existentes. Ficaram também famosos os seus bailes de Carnaval, que juntavam as famílias dos sócios do clube. Hoje, muitas décadas volvidas, as tardes de quarta-feira voltam a ser de música, de convívio, de vida cultural, tendo por base o evento «Fado & Wine», com as boas-vindas a serem dadas com prova de vinho branco da Quinta dos Vales. Seguiu-se a primeira sessão de fados, que neste dia em particular estavam a cargo de Inês Graça e Luís Manhita, acompanhados à viola por Valentim Filipe e à guitarra portuguesa por Jorge Franco. No salão de festas do Ginásio Clube de Faro, um ambiente extraordinário, com as janelas fechadas, uma luz magnífica, os espelhos verdadeiras antiguidades, o som deste Património Imaterial da Humanidade a encantar os presentes, principalmente estrangeiros. Um pequeno intervalo é aproveitado para nova prova de vinho, agora rosé, mais uma vez algarvio, da Quinta da Malaca, porque o fado anda de mãosdadas com o vinho nestas tardes de 17
quarta-feira. No salão, Inês Graça já está pronta para mais uns fados, agora com o xaile nos ombros, após os quais é tempo de provar o vinho tinto da Quinta da Tôr. No fim, o mestre-de-cerimónias Luís Manhita mostra igualmente os seus dotes de fadista, para deleite dos turistas, rendidos ao sentimento das vozes, à sonoridade da guitarra portuguesa. Um fado que canta desgostos de amor, a saudade de quem partiu, o dia-a-dia, as suas conquistas e desaires, encontros e desencontros marcados pelo destino. A ideia por detrás do «Fado & Wine» partiu de Nuno Bexiga, uma resposta ao desafio lançado pelo Turismo de Portugal e pela Secretaria de Estado da Cultura para dinamizar eventos em torno do «365 Algarve» numa perspetiva de gerar uma maior oferta cultural na chamada época baixa, de outubro a maio. “O conceito nasceu de uma tese de mestrado que fiz, no ano passado, na Universidade do Algarve, apresentamos a proposta ao Turismo do Algarve, foi aprovada e o objetivo é criar uma experiência tipicamente portuguesa, conciliando o fado e o vinho, acompanhados por pequenos aperitivos, queijo, chouriço, pastel de bacalhau. Tudo isto numa sala muito bonita, num ambiente bastante intimista, onde há uma grande interação entre o público e os artistas”, descreve o mentor do «Fado & Wine» Um evento que, confirma, está ALGARVE INFORMATIVO #81
Carla Rabaçal, Nuno Bexiga, Isabel Bexiga, Pedro Bartilotti, Rita Rainha e Luís Manhita
desenhado para o cliente estrangeiro, seja residente ou turista, até porque o horário, às quatro horas da tarde de um dia de semana, impede uma participação regular dos algarvios. “É uma hora pensada para os turistas terem tempo de virem a Faro, estarem aqui até às 17h30, e regressarem aos seus hotéis antes do jantar. Teremos alguns eventos especiais e, se tudo correr bem, esperamos alargar para um segundo horário, mais tardio, para que os farenses possam assistir”, adianta Nuno Bexiga, acrescentando que o intuito é recriar o ambiente das antigas tabernas, das casas de fado. “Hoje, o normal é os restaurantes servirem refeições e oferecerem fado aos seus clientes. O nosso programa inclui as provas de vinho e os pequenos ALGARVE INFORMATIVO #81
aperitivos, mas queremos reproduzir a atmosfera das tabernas de fado de outras décadas”, distingue. O evento é divulgado nos guias do Turismo do Algarve e do «365 Algarve», junto de hotéis e agências de viagens e promovido pelo próprio Ginásio Clube de Faro, com colaboradoras a percorrerem as ruas da cidade com as típicas roupas e xailes de fado. O resultado é visitantes de diversas nacionalidades e, como se adivinha, a maior parte deles não percebe as palavras proferidas pelos cantores. “Uma cliente norte-americana escreveu no livro de comentários que não é preciso compreender a língua, é tudo sentimento, e este espaço é 18
ideal para as experiências que queremos transmitir aos turistas”, frisa Nuno Bexiga. Até maio de 2017 serão mais de 30 sessões, só possíveis graças à parceria com a Associação de Fado do Algarve, que garante a base semanal de fadistas e músicos. A estes juntam-se outros nomes do fado nacional em datas especiais. Quanto aos vinhos, a preferência é dada aos algarvios, até porque os néctares da região têm uma qualidade cada vez mais reconhecida além-fronteiras. “Estamos no início do percurso, mas os comentários são tão bons que nos vão obrigar a estender o «Fado & Wine» para além do que estava inicialmente previsto. Estou convencido que teremos aqui um evento regular ao longo de todo o ano”, terminou Nuno Bexiga . Os vinhos da Quinta da Malaca em grande destaque
O esplendoroso salão de festas do Ginásio Clube de Faro, momentos antes do início de mais um Fado & Wine
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Albufeira presta homenagem a
João Bailote A Galeria Municipal de Albufeira passa a designar-se, desde 25 de outubro, Galeria Municipal João Bailote, assinalando desta forma os 30 anos do falecimento do carismático pintor albufeirense. Com a presença de diversas individualidades ligadas ao meio artístico e dos responsáveis autárquicos, assistiu-se igualmente ao lançamento do livro «Bailote: O Pintor do Oposto», da autoria de Luísa Monteiro. Texto:
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Autarquia de Albufeira tem vindo a desenvolver um conjunto de iniciativas que assinalam as três décadas sobre o falecimento de João Barreto Bailote, com destaque para a atribuição do seu nome a uma rua e a realização de diversas exposições. Agora, a 25 de outubro, precisamente o dia da sua partida, assistiu-se à atribuição do seu nome à Galeria Municipal de Albufeira, uma justa homenagem a um dos pintores mais respeitados pelos seus pares entre os anos 40 e 60 do século passado. Tendo sido um dos pintores que mais vendeu em Portugal e no estrangeiro entre as décadas de 60 e 80, João Barreto Bailote, filho de um pescador de Albufeira falecido no mar em 1923, teve também a sua história transposta para um livro com crítica sobre o seu trabalho, de nome «Bailote: o pintor do Oposto», da responsabilidade de Luísa Monteiro, cujo lançamento aconteceu também neste dia. Uma data em que se recordou, com emoções à flor da pele, o homem que transformou, nos anos 30, o «Café Bailote», na Rua 5 de Outubro, na primeira Galeria de Arte do Algarve, ponto de encontro de eleição de estrangeiros e intelectuais do país quando se deslocavam à região algarvia. Isso mesmo foi reconhecido quando, em 23
1996, lhe foi atribuído o Diploma de Mérito Turístico pelo então Secretário de Estado do Comércio e Turismo, Jaime Serrão Andrez, mas também o Município de Albufeira o congratulou com a Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro, em 1997. Face ao significado especial do momento, perto de uma centena de amigos da família, responsáveis autárquicos, homens e mulheres da cultura, albufeirenses, fizeram questão de marcar presença e não esconderam as emoções ao visionarem um filme com imagens antigas de João Bailote e das suas pinturas. “É alguém que, embora já não esteja entre nós, vai estar
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connosco para toda a nossa vida e para todas as gerações que virão. Foi o maior embaixador de Albufeira através da arte e já foi alvo de muitas homenagens por parte desta autarquia, mas João Bailote merecia que o seu nome estivesse escrito, em letras bem grandes, na designação desta galeria”, afirmou Marlene Silva, vereadora da Cultura. “Normalmente, as pessoas da terra têm a tendência de não saber valorizar o que é nosso, porque nos cruzávamos com ele na rua, porque o víamos com regularidade. Era uma pessoa como todos nós, muito simples e humilde, mas que levou o nome de Albufeira muito além”, reforçou. A forma como Bailote retratou a Albufeira do seu tempo é única e os seus quadros estão espalhados pelos quatro ALGARVE INFORMATIVO #81
cantos do mundo, sendo, por isso, esta decisão da Câmara Municipal de Albufeira consensual. Um gesto considerado “marcante e excecional” nas palavras da filha do artista. “Agradeço a presença de todos vós para recordar e homenagear o meu pai e a sua obra, lembrando a sua paixão pela pintura e pela sua Albufeira, que imortalizou em tantos quadros”, referiu Lisete Bailote de Paulo, deixando uma palavra especial de apreço ao executivo camarário e a Luísa Monteiro, autora do livro «Bailote: O Pintor do Oposto». “Admiro em Bailote a sua liberdade, o ter conseguido afirmar-se na pintura e, ao mesmo tempo, manter-se longe do enredamento insuportável dos que gravitam à volta de quem cria, desejando, com isso, quantas vezes, dividendos que nada têm a ver com o ato de criar. Um ato solitário, absoluto, interno, e é preciso ter-se muito talento para não se existir num mundo em que querem que a vida de um artista se torne num produto para que se venda a sua obra”, sublinhou Luísa Monteiro. A autora considera que todo o artista tem direito ao anonimato em vida, “mas é importante reconhecer o talento magistral de João Bailote e ajudar os vivos a perceberem a sua obra”. “Que este seja um novo útero no coração de uma terra cheia de património e valores criativos, que existem há tantos anos mas que estão quase todos ainda por nascer”, acrescentou Luísa Monteiro, antes de passar a palavra a Carlos Silva e Sousa, presidente da Câmara Municipal de 24
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Albufeira. “Este é um momento especial para Albufeira, um momento que deve ser saboreado, de afetos e carinhos. Albufeira é uma terra única e Bailote encarna esse espírito com os seus tons e formas ímpares. É uma obra que se conhece à distância, com um estilo próprio e qualidade naquilo que fazia”, destaca o edil. Carlos Silva e Sousa lembrou que privou de perto com João Barreto Bailote, pois o seu escritório de advocacia ficava mesmo em frente ao Café Bailote. “Não era um café muito vulgar, um prédio, mesas, cadeiras, tudo algarvio, até as molduras dos quadros eram umas meras tabuinhas. Ali se falava de banalidades, de política, das questões da terra e de arte e fomos desenvolvendo uma amizade com o decorrer do tempo, a tal ponto que me elegeu como «crítico de arte»”, recorda o autarca, de olhos colocados no passado. “Deste conhecimento resultou uma saudade do café, do ambiente que Bailote emprestava ao espaço. ALGARVE INFORMATIVO #81
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Lisete Bailote de Paulo, Luísa Monteiro, Paulo Freitas, Marlene Silva e Carlos Silva e Sousa
Era um homem culto, que refletia, com ideias bastante próprias, não seguia as ideias dos outros, e isso reflete-se também nos seus quadros”, salienta. Para o responsável autárquico, Bailote definia, na perfeição, o típico albufeirense, com uma personalidade fortíssima, uma crença enorme na sua arte, uma pessoa marcante, a quem ninguém ficava indiferente. “Albufeira é uma terra criativa, no domínio da pintura, escultura, literatura, e temos que saber apreciar cada vez mais os nossos artistas. Por isso, sinto-me muito satisfeito por esta galeria de arte ter alguém de Albufeira que a patrocina, que lhe dá o seu nome”, finalizou. A cerimónia de aposição do nome «João Bailote» à Galeria Municipal de Albufeira 27
terminou com as palavras do presidente da Assembleia Municipal de Albufeira, também ele com memórias fortes do Café Bailote, na Rua do Túnel, e do pintor. “Era uma figura com uma personalidade fincada, que adorava conhecer pessoas que tivessem mérito, que não dava valor às futilidades. Gostava das coisas simples, de viajar, de conviver com outras culturas. Hoje, não estamos mais do que a fazer um reconhecimento que é devido e, na figura do João Bailote, estamos a homenagear todos os albufeirenses. Quem não respeita a sua história, as suas personalidades, aquilo que é o passado de uma terra, dificilmente conseguirá respeitar-se a ele próprio e ao futuro”, concluiu Paulo Freitas .
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De «Zé Cabra» a Maria Leal… Paulo Cunha
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esde que tenha capital próprio para financiar a produção, qualquer pessoa pode hoje colocar no mundo uma obra sua, mesmo que para a fazer não tenha nem engenho nem arte. A democratização da produção (dita) cultural chegou a todos com a diminuição dos custos e encargos com a mesma, conjuntamente com a necessidade de todos os intervenientes na máquina que serve e se serve da Arte se autofinanciarem. A velha premissa que não é artista quem quer, mas sim quem o mostra ser, esbateu-se com o tempo, diluída nas necessidades inerentes à emergente avidez da sociedade de consumo. Quando, há mais de uma década, um «maduro» com a minha idade, de seu nome Casimiro Afonso, gravou dez temas em apenas quatro horas, tendo assim realizado o seu sonho de gravar um disco (mesmo sem saber cantar), por certo não acreditaria no que lhe viria a acontecer quatro anos depois… O cd foi descoberto por um grupo de amigos que viajava por Itália. Acharam-lhe tanta graça que colocaram alguns dos temas na internet, o que acabou por ser descoberto pela equipa do programa da manhã da Rádio Comercial. A partir daí fez-se história: vendeu mais de 40 mil cd, recebeu uma grande cobertura e divulgação das principais rádios nacionais e estações televisivas e tornou-se num ídolo no meio estudantil. Depois de imensos espetáculos ao vivo, «Zé Cabra» tornou-se um fenómeno e ficou famoso por cantar fora de tom (desafinado) e com um ritmo duvidoso. Como era expetável, depois da novidade ter sido devidamente triturada e espremida, rapidamente os mesmos que a lançaram e promoveram, perceberam que a mesma água não passa duas vez debaixo da mesma ponte. Daí o esquecimento e desinteresse a que a dita «estrela» mediática foi (até hoje?...) votada, apesar de várias tentativas para regressar ao showbiz português. Mas como tudo na vida, também na música os ciclos se repetem geracionalmente, tornando aquilo que foi novidade para os pais, agora novidade para os filhos. E neste caso pelas piores razões! Era também previsível que o filão risível da imperfeição musical aliado ao ignóbil desejo de
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explorar as fragilidades intelectuais e emocionais de quem quer - a todo o custo - aparecer, parisse outros «artistas» do mesmo gabarito. E eis que, fruto de uma regressão cultural movida e impulsionada pelos «mass media», de novo se abre a caixa de pandora para algo a que chamam música, de lá saindo uma trupe de renovados (en)cantadores. Bastando estar atento aos «playback» totais mais do que retocados e elaborados que nos são dados a presenciar nas manhãs e tardes televisivas, é possível perceber que o senso comum musical também se deseduca. Eis se não quando, a exemplo do que aconteceu há uma década, surge outra personagem musical que, através da força da disseminação social que a internet permite, entrou nas nossas casas sem ser convidada. Com jeitos e trejeitos bamboleantes e uma voz tratada com Photoshop (segundo a própria), Maria Leal surgiu recentemente para explorar o filão do anedotário musical em que certo gosto se transformou. É claro que tal situação me preocupa, pois custa-me ver cada vez mais o gosto popular a ser condicionado pela injeção de capitais multinacionais nas várias redes de difusão e promoção, apenas com o intuito de nos limitar o gosto musical entre muros comerciais préestabelecidos. “Tendo-os na mão”, a indústria lá vai criando e mantendo alguns «artistas» enquanto fontes geradoras de receitas, pouco interessando se cantam bem ou não… aliás para quê, se hoje tudo se maquilha com programas que afinam até o cacarejar de uma galinha!? Entretanto, o que dizer a todos aqueles que investiram quase toda uma vida na sua educação e formação musical e que, por cá, continuam a ver-se preteridos por estes «artistas» de ocasião? É que a culpa não é deles, por aproveitarem a oportunidade, a culpa é de quem - subliminarmente - condiciona o gosto de uma enorme faixa da população que tem na tv, na rádio e na internet os seus professores de Educação Musical para toda a vida. É caso para dizer: “Só não vê quem não quer ouvir. Ou será o contrário?...” .
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Lado a lado José Graça
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s últimos meses de cada ano são marcados pela apresentação, apreciação e aprovação do Orçamento de Estado (OE) na Assembleia da República, embora o processo comece muito antes nos gabinetes governamentais e nos serviços públicos, com a fixação das metas financeiras a atingir e com a definição dos projetos e investimentos a desenvolver. Ao contrário daquilo que muitos possam pensar, o Orçamento de Estado (tal como os outros) não é poço sem fundo de onde tudo se possa tirar e mais alguma coisa permita concretizar. Como se não bastassem esses limites, decorrentes da situação económica do país e das pendências decorrentes de exercícios anteriores, desde a adesão de Portugal ao Euro, os governantes passaram a ver a sua atividade controlada pelas instituições europeias, limitando a capacidade de investimentos e delimitando de uma forma muito mais dura quaisquer aventuras orçamentais! Caso se confirmem as previsões incluídas na proposta de OE para 2017, cuja elaboração foi liderada pelo algarvio Mário Centeno, Portugal prepara-se para ter o melhor resultado em finanças públicas dos últimos quarenta anos. Apesar do défice orçamental previsto ser de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) e da gigantesca dívida pública, o excedente primário em 2017 será de 2,8% do PIB, sendo os juros derivados da dívida os verdadeiros responsáveis pelo défice. Conforme sublinhava Vítor Costa, num “(raro) elogio aos ministros das Finanças”, recentemente dado à luz no diário Público, é uma “obra cuja responsabilidade se deve, acima de tudo, aos sacrifícios que os portugueses fizeram e continuam a fazer”, realçando o papel dos últimos três titulares da pasta das Finanças. O equilíbrio das contas públicas é uma condição necessária, apesar de não ser suficiente, para que a economia possa crescer de forma sustentável e enfrentar novos desafios. E quem diz isto em termos nacionais, também pode aplicar esta teoria a nível regional e local. Um município de boas contas tem melhores condições para atrair investidores e proporcionar um ambiente favorável aos negócios. Não adianta anunciar milhões quando sobrevivemos com o dinheiro dos outros!
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A proposta de OE para 2017 teve em conta a situação vivida em Portugal nos últimos anos, marcada pela austeridade, quebra do investimento público, limitações drásticas à renovação dos quadros de pessoal e redução de serviços prestados pelo Estado e pelas Autarquias, interferindo direta e indiretamente na autonomia administrativa e financeira das Regiões, Municípios e Freguesias, asfixiando a “atividade desportiva e recreativa, por impossibilidade, financeira ou administrativa, de concessão de apoios” ao movimento associativo local, conforme se pode ler no parecer da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). Mesmo assim, o poder local contribuiu positivamente para esta marcha positiva das contas públicas, gerando superavits sucessivos, reduzindo a dívida a médio e longo prazo, pagando atempadamente aos fornecedores de bens e serviços ou, nos casos mais críticos, reduzindo substancialmente os prazos de pagamento, permitindo a reposição da natural autonomia dos municípios em algumas matérias. Certamente, ainda há muito caminho por trilhar, parecendo-nos que o Governo não alinhou em quaisquer desvarios ou tentações eleitoralistas que possam inverter o rumo definido para alcançarmos contas públicas equilibradas num futuro próximo e manter o nível de prestação de serviços públicos nos domínios da ação social, educação e saúde que são a base do Estado Social. Lado a lado, só com esta envolvência e determinação partilhadas será possível prosseguir a recuperação de rendimentos das famílias, promover o investimento e o crescimento económico sustentável e apostar no conhecimento e na inovação necessários para garantirmos o nosso lugar na Revolução Digital!. NOTA – Poderá consultar os artigos anteriores sobre estas e outras matérias no meu blogue (www.terradosol.blogspot.com) ou na página www.facebook.com/josegraca1966 (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e da Assembleia Intermunicipal do Algarve)
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De Peter Pan à Cinderela – O complexo mundo das revistas masculinas e femininas Mirian Tavares
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osto, de vez em quando, de comprar as revistas ditas «femininas». E a amaldiçoar-me, logo de seguida, por ter empregue tão mal o dinheiro. Além de estarmos a pagar por páginas infindáveis de publicidade, as ditas cujas continuam a vender uma imagem idealizada, e, diga-se de passagem, estereotipada, das mulheres. Todas temos de ser lindas, magras e ricas, claro. Porque metade daquilo que lá está não é para quaisquer bolsos. Numa dessas revistas li uma matéria sobre uma família que tinha adotado um estilo slow life associado ao conceito de consumo mínimo e de reciclagem total. A foto que os apresentava mãe, pai e dois filhos, dava-nos a ideia de que eles deviam saber onde ficavam as melhores lojas de roupas usadas do mundo! A mãe, uma loira tipo modelo, vestia um colete que denunciava a léguas o seu pedigree. O pai e os filhos não ficavam atrás, mesmo que na matéria ela jurasse que nunca compram coisas novas e que tudo o que usavam era reciclado. O lixo que produziam por ano cabia num pote de meio litro de mel. De seguida, na mesma edição, somos convidadas a experimentar a nova coleção da Gucci e a última inovação em matéria de cremes, feitos de sabe-se lá o quê, colhido de forma ecológica e sem testes em animais. Há ainda imensas matérias sobre como conquistar, e manter, o homem dos nossos sonhos. Ao mesmo tempo em que mostram fotos de mulheres poderosas e independentes. É a síndroma Cary Bradshaw, do Sexo e a Cidade – viver em Nova Iorque, escrever para um jornal de grande circulação e ter amigos não vale grande coisa se não houver, para encimar o bolo, a cereja do amor.
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Outro dia espreitei as revistas masculinas e dei-me conta de que os homens não estão melhor servidos: as revistas tratam todos como atrasados mentais. Acho que a imbecilidade é muito democrática e que ataca todos sem se preocupar com género, raça, nacionalidade ou feitio. Mas os editores das revistas masculinas não devem ter seus pares em grande conta. Enquanto esperava que o filho cortasse o cabelo, dei uma olhada numa FHM e fiquei absolutamente desconcertada com os temas ali tratados. Ou bem o editor é, sozinho, um atrasado mental, ou sabe o que faz e para quem faz. Não tenho nada contra revistas que mostrem mulheres nuas ou seminuas, mas qual não foi o meu choque ao ver uma série imensa de parvoíces e infantilidades a ocuparem páginas e páginas sem que nada daquilo tivesse, sequer, alguma piada. Ou se calhar tem: para adolescentes metidos a machos. Ou para machos metidos a adolescentes. No final, para rematar, vem um texto de uma mulher a dizer mal das outras mulheres todas, como se fôssemos um bando de neuróticas interesseiras. Fiquei a pensar quem leria aquilo. E, sobretudo, o que pensaria daquilo. Tenho um amigo que me diz sempre que os homens são muito básicos. Para mim isso significava que os homens eram simples e diretos, não que sofressem da síndroma de Peter Pan. Talvez seja essa a ideia do mercado editorial, alimentar um conto de fadas, uma espécie de folie à deux, onde todos os homens vivem na Terra do Nunca e as mulheres andam à espera que eles desçam para visitá-las .
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A perigosa irrelevância nacional António Manuel Ribeiro
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costumamo-nos a acreditar que tudo o que as redes sociais veiculam é verdade, e não é. Por vezes, é como se um departamento dos serviços secretos, a contrainformação, actuasse concertadamente. Aceitamos, emitem-se opiniões a que chamamos «verdades», mas não passam de opiniões, uma visão unipessoal sem estar na posse de toda a informação – fazemos trabalho alheio. Vemo-lo na TV pela boca dos especialistas quando dizem “a verdade é que’” sem passar da sua exclusiva opinião, posição, vontade de impor uma crença. Tudo isto, o preâmbulo de um texto sem um substantivo com densidade física, para tocar ao de leve no fenómeno (do Entroncamento?) chamado Maria Leal, o exemplo explorado de como a cultura portuguesa, popular, pimba ou amodernada, é frágil e muitos se prestam a seguir na procissão. Leal é uma espécie de App que faz tristemente sorrir – recebi-a por e-mail, depois no meu FB, em conversas e risota, é fenómeno pelas piores razões. Maria Leal existe, mesmo que a sua precária existência canora seja triste haverá quem diga “o povo gosta”, e disso retire lucro. Talvez goste, este povo aceita tanta coisa que fico estarrecido, como se sofrer fosse inevitável, esperar milagres salvíficos um destino e repetir o exercício uma cultura. Esta semana voltou a ser descoberto um governante sem currículo académico – assessor de António Costa –, que apôs «o seu» grau académico na folha de vencimentos. Honradamente demitiu-se; outros, lá atrás, não fizeram o mesmo. E isto traz-me à ideia o que um amigo me disse por altura do fecho compulsivo da Universidade Independente. Gozava ele: antes que metade do governo e uma boa parte da Assembleia da República, com assessores, directores e outros factores, percam o canudo. Portugal qualificado.
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Errado. Portugal certificado com um doutor/engenheiro em cada família, desespero político do socretismo para nos aproximar do ranking europeu e que há-de revelar os seus frutos murchos lá mais à frente para desgraça da nação. Quando se fala da «massa cinzenta que estamos a exportar», pergunto-me se o inócuo combate político sabe do que fala. Sempre exportámos a verdadeira massa cinzenta, as universidades estrangeiras sempre abriram alas e financiamento para os nossos melhores. O resto, pelo efeito Bolonha a que os portugueses sabem sempre dar um jeito, é gente certificada, submersos em iliteracia funcional, a quem dá jeito o acordo ortográfico para disfarçar a ignorância, com cursos sem préstimo prático. Por isso, todos os anos vêm fechando centenas de licenciaturas sem saídas profissionais (leia-se desemprego escolhido pelos próprios) e agora – finalmente – sem alunos. O negócio das Universidades privadas também passou por aqui. Um disco: «Manhattan Stories» de Charles Lloyd (2014), CD em formato duplo e que vale um fim-de-semana em casa. Além do sax e da flauta de Lloyd tem um dos meus contrabaixistas de eleição, Ron Carter, que há uns anos gravou um disco com o guitarrista português Joel Xavier («In New York», 2004). A cobertura de nuvens sobre a grande Lisboa ajuda ao recato do jazz .
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Cozinhar é o mais feminino ato de um homem Augusto Lima
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00 por cento dos homens gostam que as mulheres cozinhem para eles, 50 por cento cozinham porque lhes está no sangue, 30 por cento gostam de cozinhar para eles mesmos e 20 por cento gostam de cozinhar para elas. Isto é uma visão/afirmação pessoal, tirada do meu raciocínio sem qualquer comparação com algum estudo estatístico, que até saberia bem comparar. Na Cozinha, o homem despe-se de preconceitos, torna-se exagerado na limpeza ou nos detalhes, profissionaliza-se ou segue um padrão profissional. A mulher, na Cozinha, ocupa o seu papel de doutora lá de casa, o centro da família, cozinhando o melhor que sabe, a pensar na saúde da sua família. Aproveita, reinventa e deixa-nos na memória a ela ligada, pratos de comer e chorar por mais. 80 por cento dos cozinheiros profissionais adoram que cozinhem para eles e não se preocupam com a sua própria alimentação. O prazer é para se dar aos outros, eles pouco ou muito pouco merecem (entendem que) essa preocupação. Quando a mulher cozinha, enquanto dona de casa, ela entrega-se com uma única preocupação: agradar aos outros, à família, quer goste, quer não, de o fazer. Aquelas que dizem que o fazem sem grande gosto, são as que mais se esmeram por fazer da melhor forma. E há ainda aquelas que o fazem para agradar, mas com orgulho de o fazerem bem feito e aí, ai se alguma coisa corre mal. São capazes de se recriminarem por dias. Quando a mulher cozinha de forma profissional, ela aplica-se e desunha-se para ser capaz e consegue ser na maioria dos casos muito mais eficiente na mise en place, guardando tempo para a finalização e consegue superar o homem. No caso do homem que cozinha em casa, fálo para provar a sua não dependência em relação ao sexo oposto ou como forma de terapia, ou ainda exibindo esse gosto como troféu e aqui é seletivo, especializa-se em determinado assunto, pois sabe que, fazendo muitas vezes, vai sempre melhorar. O homem que cozinha profissionalmente, quando gosta, esquecese do mundo à sua volta, resguarda-se do mundo na sua cozinha, entrega-se com devoção. Quando criativo, explora as suas memórias e cresce com orgulho numa arte que entende nobre. A mulher cozinheira profissional tem ainda que lidar com o sexismo exacerbado de alguns homens e tenta através da postura ser o contrário do homem: não grita, fala, não ordena, pede, não espera, faz, não goza,
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encoraja. Tudo isto acontece naturalmente também pelo motivo de a mulher ser diferente do homem na sua análise diária e modo de estar na vida. Lugar de mulher é na Cozinha – sempre foi tido como uma máxima imperativa na grande maioria dos homens que vem nisso uma definição clara do que gostam: mulher não tem que pensar, tem é que cozinhar, dito de forma preconceituosa e inequivocamente comodista. São poucos os homens que resistem à visão de uns cabelos tratados a esvoaçar ao vento, a umas unhas longas e bem pintadas, a um perfume inebriante, uns lábios carnudos pintados e a uma pele sedosa, não é verdade? Pois bem, a mulher, quando encara o fogão de forma profissional, tem o cabelo estragado pela touca, com cheiro a gordura ou a comida de há muitos dias, as mãos calejadas, as unhas rasas, sem batom nos lábios, pulseiras, anéis ou outros reluzentes e sonoros adereços. Mas, na cozinha, o homem cozinheiro padece do mesmo. A namorada ou esposa pergunta sempre o que ele andou a fazer com as mãos ou se já tomou banho hoje, reclamando de que chega cada vez mais atrasado a casa. Igual no género, quer elas ou eles, sofrem por causa da cozinha, dos mesmos males: são a classe que mais se divorcia, perdem o controlo facilmente, têm mais acidentes, alimentam-se mal, stressam-se mais, sentemse mais sós, e não que isso não possa ser combatido e de forma bem fácil, quando se consegue dar a volta por cima. De forma generalizada há muitas cozinheiras e poucas Chefs Cozinheiras, mas não acredito que seja por supremacia do homem em relação à mulher, já que atitude e capacidade são predicados inerentes a ambos os géneros, mas antes uma coisa de uma sociedade predominantemente machista. Outrora, a mulher Chef era chamada de Sopeira. Ela tinha que saber fazer compras, um assado, uma sobremesa, elaborar uma ementa, ou coordenar um jantar para muito mais que o trivial número familiar de clientes assíduos, o mesmo que se pede a um Chef (homem ou não), que faça. Uma coisa é certa, contudo, e excluindo picardias entre eles e elas – O gosto pela Cozinha, salvaguardando algumas exceções, nos dois casos, vêm sempre das Mães ou das Avós. A minha veio, não foi minha Mãe, Laura Margarida Lima? E como todos sabem, adoro trabalhar com mulheres na Cozinha . (Presidente da Associação de Cozinheiros e Pasteleiros do Algarve)
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CARLOS SILVA E SOUSA QUER ALBUFEIRA A FUNCIONAR O ANO INTEIRO Decorre precisamente um ano sobre as grandes cheias que assolaram a cidade de Albufeira no dia 1 de novembro de 2015, um momento trágico que afetou todos os residentes e estabelecimentos comerciais da baixa da capital do turismo algarvio. Os albufeirenses, contudo, deram mostras da sua forte personalidade e união, arregaçaram mangas e, com o apoio da autarquia local, conseguiram renascer das cinzas. Câmara Municipal de Albufeira que reconquistou também a sua saúde financeira, motivo pelo qual o edil Carlos Silva e Sousa encara o futuro com enorme expetativa, à medida que se preparam para ir para o terreno diversos projetos e intervenções em todo o concelho. Texto: Fotografia:
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agenda de Carlos Silva e Sousa continua, para não variar, preenchidíssima, e foi entre a aposição do nome de João Bailote à Galeria Municipal de Albufeira e um seminário sobre mobilidade sustentável no Salão Nobre que finalmente conseguimos «raptar» o presidente da Câmara Municipal de Albufeira para uma breve conversa, em jeito de balanço dos três anos de mandato. Um período em que se passou de uma situação de crise marcada por algumas dificuldades económicas e financeiras, tanto em termos do município como da própria atividade turística, para um cenário mais risonho e animador. “Fomos, inclusivamente, considerados o município, a nível nacional, com melhor eficácia financeira e isso resulta da saúde financeira que alcançamos e que é essencial para se fazer obra. Estamos a desenvolver uma série de projetos de estradas e caminhos, de infraestruturas de água e drenagem de águas residuais, mas a máquina administrativa esteve, de facto, algum tempo parada”, admite o edil. O céu ainda não está totalmente isento de nuvens para os lados de Albufeira e Carlos Silva e Sousa confirma persistirem algumas restrições de caráter orçamental e no campo dos recursos humanos, mas o pior parece estar para trás. E, quando se fala em pior, é impossível esquecer as cheias que afligiram a cidade no dia 1 de novembro de 2015, dai estar a ser delineado um Plano Geral de Drenagem do Concelho de Albufeira para evitar que uma situação daquela gravidade se repita. “Claro que, para isso, são necessários recursos financeiros avultados, mas estamos preparados para esse desafio, para aquela que será, sem dúvida, a obra do século. ALGARVE INFORMATIVO #81
Envolve a construção de um grande túnel que irá desembocar sempre acima do nível máximo das marés e considerando que, até final do século, as águas irão subir cerca de 70 centímetros”, adianta o entrevistado. A intervenção rondará os 15 milhões de euros e permitirá aproveitar, após algumas obras suplementares, o túnel já existente para escoamento de águas de superfície. Na zona mais baixa de Albufeira, designadamente na Rua 25 de Abril e Rua Cândido dos Reis, haverá lugar ao reforço do escoamento do caneiro e à implementação de uma estação elevatória. “Este plano irá ser 42
desenvolvido ao longo de vários anos e dotará Albufeira de uma infraestrutura fortíssima nesta matéria que poderá atenuar substancialmente intempéries que cada vez mais se vão verificando. Os especialistas dizem que aquilo que aconteceu em Albufeira o ano transato não se repetirá num período de 100 anos, mas a verdade é que não deram garantias sobre essa previsão, o que significa que, em qualquer altura, nos poderemos confrontar novamente com esse problema”, explica Carlos Silva e Sousa. Aliás, poucas noites antes desta conversa, os albufeirenses tiveram mais um pequeno susto face às fortes chuvas 43
que afetaram o Algarve, mas a decisão de avançar para este mega investimento já tinha sido tomada há algum tempo pelo executivo da Câmara Municipal de Albufeira. “Se pensarmos que é o poder central que vai resolver esta questão, é melhor esperarmos sentados. Tentaremos obter a sua cooperação, sobretudo no plano financeiro, venha ela do governo português ou de fundos europeus, mas tem que ser o poder local a assumir o projeto, a dar o impulso para se elaborar o plano”, frisa o autarca, esclarecendo que só agora se avançou com esta medida porque Albufeira nunca tinha sido afetada com uma ALGARVE INFORMATIVO #81
cheia daquela dimensão. “Os relatos que temos das duas cheias que aconteceram no século passado dizem-nos que nenhuma delas teve a violência da sucedida em 2015, porque nunca houve uma tão grande precipitação por centímetro quadrado, ao mesmo tempo que se verificou uma maré cheia. Tudo indica que uma situação destas só se venha a repetir daqui a um século, mas temos que prevenir”, defende Carlos Silva e Sousa.
“Queremos aumentar a nossa oferta cultural” Falar em Albufeira é falar em turismo, mas não naquele turismo que se restringe aos meses de junho, julho e agosto, com o concelho a ser cada vez mais visitado ao longo da chamada época baixa. Prova disso é que, já em meados de outubro, o centro da cidade estava repleto de turistas, com uma indumentária diferente da que estamos habituados a ver no pico do Verão, mas enchendo por completo as esplanadas dos cafés, restaurantes e bares do Largo Engenheiro Duarte Pacheco, Rua 25 de Abril e Rua Cândido dos Reis. “Temos tido, a nível internacional, um clima favorável que conduziu a um aumento da procura do destino Algarve, mas a região é cada vez mais reconhecida e reputada por esse mundo fora e há que saudar os empresários de Albufeira, que não se aquietam apenas ao seu negócio e têm desenvolvido, em conjunto com o município, ações de promoção do concelho. E quando promovemos Albufeira, também promovemos o Algarve e Portugal”, destaca o edil, recordando as campanhas realizadas junto dos mercados irlandês, espanhol, alemão e francês. ALGARVE INFORMATIVO #81
Promoção realizada além-fronteiras, mas também no plano interno e Carlos Silva e Sousa mostra-se satisfeito por assistir a uma mudança de mentalidade dos empresários da restauração e hotelaria, que apostam mais na qualificação dos seus funcionários, da prestação de um serviço de maior qualidade, na requalificação dos seus espaços. “Essa melhoria de serviços faz-
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se através do uso de produtos regionais, pela sua frescura, mas também pela capacitação e melhoria salarial dos trabalhadores. Queremos que as empresas tenham mais lucro, mas que o repartam mais pelos seus trabalhadores, para que o consumo possa aumentar no Algarve e, com isso, dinamizar mais a nossa economia e conduzir a um maior bem-estar da população”, defende o autarca, 45
voltando a enfatizar que Albufeira precisa ter vida ao longo de todo o ano para assim receber os visitantes de modo digno. “Albufeira é para funcionar o ano inteiro, até porque somos campeões nas Bandeiras Azuis, ou seja, todas as nossas praias estão bem tratadas, com qualidade das águas, dos areais, dos concessionários e dos acessos. Em simultâneo, estamos a diversificar a ALGARVE INFORMATIVO #81
nossa oferta, como é o caso do grande desenvolvimento das atividades marítimo-turísticas”, aponta. Diversificação de oferta que pretende abarcar igualmente a observação de aves na Lagoa dos Salgados e passeios pedonais e cicláveis no Barrocal, com informação de caráter ecológico, entre outros produtos. “Pretendemos que Albufeira funcione como um todo, com a mais-valia das suas gentes, do seu clima e das suas belezas naturais, e assim trabalhar o ano inteiro. Não é algo que se consiga no imediato mas, se fizermos esse trabalho, poderemos colher os frutos no médio prazo”, acredita, acrescentando que aumentar a oferta cultural é outro objetivo do executivo camarário por si liderado, não só para a população local se sentir bem com ela própria, mas como fonte de atração turística. “Estamos a recuperar a Praça da República, com demonstração das escavações arqueológicas. Atrás do Museu, estamos a agarrar no quintal da câmara e a fazer um projeto onde era a antiga Igreja Matriz de Albufeira, que foi destruída com o terramoto de 1755. Queremos fazer um Centro de Interpretação em ligação com a própria Torre do Relógio, que também terá que ser recuperada, para valorizar ainda mais toda aquela zona histórica”, revela algumas das ideias em mente. Requalificada vai ser igualmente a Torre Albarrã do Castelo de Paderne, um castelo único a sul do Tejo e que se pretende dinamizar mais, mas Paderne deverá receber ainda uma escola profissional vocacionada para o estudo do mar, que atrairá alunos de todo o país e do estrangeiro, por ser uma área do ensino ALGARVE INFORMATIVO #81
que garante 100 por cento de empregabilidade. “Em desenvolvimento está também a Quinta Pedagógica, associada à recuperação dos moinhos, pois queremos mostrar o que é novo e antigo no mesmo local. É um património que dará uma visibilidade bonita a Albufeira e que será um parque das boas energias, autossustentável, com iluminação produzida por energia eólica e fotovoltaica, e onde serão realizados estudos sobre a construção feita em taipas, em cooperação com a Universidade do Algarve”, desvenda Carlos Silva e Sousa.
Fazer obras à bruta não interessa a ninguém Esta aposta na cultura, nas tradições, nas gentes de Albufeira, é comprovada pela recente aposição do nome de João Bailote à Galeria Municipal de Albufeira, mas também pelo lançamento de obras como «Bailote: O Pintor do Oposto» ou «Albufeira Revisitada». “Desejamos colocar Albufeira num patamar superior na área da cultura e da educação”, salienta o edil, sem esquecer a atenção que tem sido dada ao desporto e à juventude. “Saúdo as associações do concelho que trabalham essas matérias, com pessoas empenhadas e que ali estão por amor ao próximo, abdicando do seu tempo profissional e familiar. Isso conduz a grandes eventos em diversas disciplinas artísticas e modalidades desportivas e que continuaremos sempre a acarinhar, para motivar os jovens para a prática 46
do desporto. Não só pelo bem que isso lhes proporciona, mas porque os afasta de outras rotinas menos benéficas, nomeadamente o uso excessivo de telemóveis, computadores e coisas piores”, frisa Carlos Silva e Sousa. Preocupações que se estendem à área social, não só no apoio às famílias mais carenciadas, mas na ajuda aos jovens que pretendem continuar a estudar e não têm meios financeiros para tal. O edil mencionou ainda ter em mãos três projetos de lares, nos Olhos d’Água, nas Fontainhas e na Guia. “Só faz sentido termos progresso e desenvolvimento económico se, com isso, proporcionarmos, àqueles que estão mais fragilizados, formas de estarem bem”, refere. Apesar disso, garante que é impossível cumprir-se todos os objetivos definidos num mandato, ainda para mais quando a situação financeira que encontrou era complicada. “Fazer obras à bruta não interessa a ninguém, há que ter um fio condutor, uma estratégia de desenvolvimento, e essa está bem delineada e é para ser lançada no curto prazo. A minha preocupação tem sido lançar as bases para um futuro melhor para Albufeira, com os meios disponíveis, e os trabalhadores do município souberam, em todos os domínios, cooperar e esforçar-se muito para além das suas obrigações”.
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Pode-se dizer, então, que a grande vitória de Carlos Silva e Sousa ao longo destes três anos foi recuperar a saúde financeira do Município de Albufeira, sem a qual não há bases para um futuro sustentável. “Prova disso é que temos vindo a baixar os impostos e taxas municipais e este ano descemos o IMI para o mínimo, vamos diminuir as tarifas que constam da fatura da água e desagravar o IRS para os trabalhadores por conta de outrem e para os empresários em nome individual. A única taxa que mantemos é a derrama para empresas com faturação superior a 150 mil euros, porque entendo que devem contribuir para que possamos efetuar obras que também são benéficas para elas. No fundo, tudo o que nos interessa é que as pessoas possam ser mais felizes, justas e solidárias, outra coisa não faz sentido para quem anda na política” . ALGARVE INFORMATIVO #81
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Algarve Cluster Multiusos vai ser mesmo uma realidade Depois de um volte-face inesperado que atrasou em vários anos o processo, o Algarve Cluster Multiusos está de regresso ao bom caminho e já teve luz verde do governo português para avançar. O Núcleo de Desenvolvimento Económico de interesse regional vai ocupar perto de 60 hectares junto ao nó de ligação da Via do Infante a Vilamoura, envolve um investimento total na ordem dos 400 milhões de euros e gerará três mil postos de trabalho diretos, conforme revelou Reinaldo Teixeira, do Grupo Enolagest, um dos promotores deste projeto estruturante para o Algarve. Entrevista:
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Algarve Cluster Multiusos vai ser mesmo uma realidade e nascerá a sul da Zona Industrial de Loulé, na Campina de Baixo, depois de já ter sido oficialmente reconhecido pelo governo português como de interesse regional. A decisão permitiu criar um Núcleo de Desenvolvimento Económico que vai ocupar perto de 60 hectares, junto ao nó da A22 com a rodovia que liga a Via do Infante a Vilamoura, sendo o projeto da responsabilidade da Enolainvest, S.A., que conta com 38 empresas de capital algarvio e que representa todo o ciclo de investimento imobiliário e atividades colaterais. “Trata-se de um investimento na ordem dos 400 milhões de euros, num projeto diferenciador e complementar ao que o Algarve possui atualmente, e que vai permitir prolongar Loulé para sul e aproximar o litoral da cidade”, explica Reinaldo Teixeira, administrador do Grupo Enolagest, um dos sócios do projeto.
em 2009/2010. Ainda no antigo executivo foi aprovado, na câmara municipal e na assembleia municipal, por unanimidade, este Núcleo de Desenvolvimento Económico, que foi depois submetido e aprovado, sem qualquer objeção, pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região do Algarve”, recorda Reinaldo Teixeira. O processo subiu posteriormente para a tutela, onde esteve cerca de dois anos à espera de homologação, o que veio a acontecer já no atual
Projeto que nasceu em 2005 e incluirá as áreas de serviços e logística, um parque tecnológico, um centro de inovação empresarial, um parque temático e um polo de saúde, que resultarão em três mil postos de trabalho diretos, dai não se compreender o porquê de ter ficado parado, em stand-by, na gaveta, durante tanto tempo. “O presidente da época da Câmara Municipal de Loulé acarinhou e apoiou totalmente o projeto mas, estranhamente, por razões que desconheço, tudo estagnou
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governo de António Costa, que o considerou um Projeto de Interesse Regional. “Estamos agora na fase de realização do Plano de Pormenor, que irá definir as áreas e valências do projeto, algo que deveria ter acontecido em 2006/2007. Ainda hoje não sabemos as razões que motivaram todo este atraso, mas foi algo que nos desgostou bastante, a mim e aos meus sócios”, desabafa o empresário, adiantando que a aprovação do Plano de Pormenor que está a ser efetuado deverá demorar um ano, após o qual o projeto poderá, finalmente, avançar para o terreno.
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Apesar do atraso de quase uma década, não faltam interessados em fazer parte do Algarve Cluster Multiusos e a ideia é que, em cada área específica - Serviços/Logística, Parque Tecnológico, Centro de Eventos, Parque Temático, Centro de Inovação Empresarial e Saúde – haja um parceiro com know-how de créditos reconhecidos na matéria. O projeto vai ajudar a valorizar toda a Zona Industrial de Loulé e os acessos para o Algarve Cluster Multiusos serão os mesmos do futuro Aeródromo, outro equipamento de
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interesse regional, há muito tempo ambicionado pelo Algarve e por Loulé, e que também não tem andado com a rapidez que se desejaria. “Sabemos que o atual executivo camarário está empenhado em dinamizar o projeto do Aeródromo e sentimos, igualmente, total abertura para acarinhar o Algarve Cluster Multiusos. É de investimentos desta natureza que Portugal necessita e, no contexto ALGARVE INFORMATIVO #81
regional, ele vai tornar o turismo cada vez mais sustentável”, garante. Tudo poderia, todavia, ter ido por água-abaixo, não fosse a persistência dos mentores do projeto e a motivação que receberam da parte de muitas pessoas, empresas e entidades, confessa Reinaldo Teixeira. “Com todas as peripécias que ocorreram, seria normal haver 54
internacionais a alavancar este investimento e convém lembrar que a Immochan saiu deste projeto precisamente por causa da burocracia que envolveu todo o processo. Estamos agora a dar os passos que pensávamos ter dado em 2009 e as grandes empresas internacionais movimentam-se, não pela paixão, mas pela objetividade dos números. Nós, como somos algarvios e queremos que o Algarve trabalhe o ano todo, que tenha mais residentes, que capte mais turistas, não baixamos os braços”.
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uma descrença e desmotivação que conduzissem à desistência do projeto, até porque está muito dinheiro e responsabilidades envolvidos. Mas é um projeto de capital algarvio, com gente que gosta de Portugal e do Algarve e queremos levá-lo por diante. Não desistiremos enquanto não virmos o Algarve Cluster Multiusos de pé”, assegura o entrevistado. “Temos vários parceiros nacionais e 55
Conforme referido, o Algarve Cluster Multiusos vai ser composto por várias valências, algumas já existentes na região, outras que pretendem ser inovadoras, o que nos leva a questionar Reinaldo Teixeira sobre qual a estratégia para marcar a diferença em relação à concorrência. “No caso do parque temático, por exemplo, o objetivo é oferecer algo completamente diferente do que temos na região, porque não queremos fazer concorrência a ninguém. O espírito da complementaridade está presente em todas as nossas decisões e assim todos ganham, o Algarve, os investidores e os clientes”, responde o empresário. A saúde é mais uma das facetas do projeto e esse é outro campo em que a região está bem servida, tanto ALGARVE INFORMATIVO #81
no setor público, apesar das habituais críticas, como no ramo privado. “O espaço pode ser criado em parceria com algum dos grupos presentes do Algarve ou com outros com quem temos conversado e o intuito é dotar o Algarve de algo que ainda não tem, nomeadamente de algumas especialidades específicas”, indica Reinaldo Teixeira, sublinhando que a região tem crescido no nicho de mercado do «Turismo de Saúde». “Há cidadãos de diversas partes do mundo que escolhem o Algarve para aqui receberem tratamentos de saúde a vários níveis, porque temos cá grandes médicos, segurança, capacidade hoteleira e boas acessibilidades”, justifica. No campo dos serviços e logística, o entrevistado revela que muitas empresas, nacionais e internacionais, já manifestaram vontade de se instalarem no Algarve Cluster Multiusos, do mesmo modo que decorrem conversações avançadas para a implantação de um parque tecnológico, pela sua localização e proximidade em relação ao Aeroporto Internacional de Faro. “O Algarve não tem grande oferta nas tecnologias de inovação e conhecimento e ali poderá nascer um género de Sillicon Valley. É uma excelente forma de atrair para a região residentes com remunerações que permitem uma qualidade de vida acima da média e que poderá ajudar a combater a sazonalidade”, julga Reinaldo Teixeira. “Vivemos um momento muito bom de turismo, mas este tipo de infraestruturas pode contribuir ainda mais para o crescimento desse setor”, reforça.
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O homem forte do Grupo Enolagest confirma que, a partir de 2013, o cenário de crise estagnou no Algarve e começou mesmo a inverter-se e isso leva a uma grande procura da região para se investir no setor imobiliário, empresarial e turístico. “O desempenho do Algarve a nível turístico e o facto de ter mais residentes faz com que mais empresas queiram cá estar presentes. Soma-se a isso a nossa qualidade de vida, a nossa diversidade paisagística, a nossa boa oferta de infraestruturas, o sermos um povo bom anfitrião, que sabe receber 56
os visitantes. Junte-se ainda a segurança e as boas pontes aéreas para a Europa e para o resto do mundo, e não é surpresa para ninguém que os consultores avaliem o Algarve como uma região com um enorme potencial de crescimento”, destaca Reinaldo Teixeira, não esquecendo igualmente o contributo da Universidade do Algarve para este cenário. “Tudo isto faz com que o Algarve esteja cada vez mais no radar do Mundo e que seja escolhido como local de residência por pessoas com grandes responsabilidades políticas e empresariais alémfronteiras, porque aqui passam 57
discretos e têm uma imensa qualidade de vida”. Ultrapassadas então as peripécias, as surpresas desagradáveis e os amargos de boca, o Algarve Cluster Multiusos está no bom caminho para se tornar uma realidade, um sonho idealizado por algarvios e que ligará a região ao mundo, e vice-versa. “Vai ser um projeto muito importante para o Algarve e para Portugal pela sua diversidade, a sua localização é excelente e estão reunidas condições para termos todos um final feliz”, conclui Reinaldo Teixeira . ALGARVE INFORMATIVO #81
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Criar sonhos através de bolos A época de casamentos terminou há poucas semanas, com a região algarvia a ser procurada por muitos estrangeiros para aqui realizarem uma cerimónia de sonho que os acompanhará para o resto das suas vidas em comum. Uma cerimónia onde, a par dos cenários paradisíacos, também brilham os vestidos de noiva e os bolos de casamento e foi este último pormenor que nos levou à conversa com Sónia Marreiros, a primeira cake designer credenciada do Algarve. Texto:
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na rua do comércio de Armação de Pêra, no concelho de Silves, que Sónia Marreiros tem o seu ateliê de cake design, um local para receber os clientes e para criar verdadeiras obras de arte sob a forma de bolos, sobretudo de casamento, mas também de batizados e aniversários. Tudo começa com uma reunião com os noivos para perceber o que pretendem, segue-se o fabrico do bolo, finalmente, a decoração, um processo que pode demorar mais ou menos tempo, consoante o caso, e cujo grande objetivo é concretizar sonhos. “Dedicome muito aos bolos de casamento porque, se calhar, sou uma eterna romântica e penso que a união de duas pessoas é um passo bastante importante na nossa vida. A
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celebração de um casamento é, também, a celebração do amor e da união e o bolo é uma componente fundamental desse ritual”, indica Sónia Marreiros. O bolo de casamento deixou, de facto, de ser um simples bolo coberto de branco, é bem mais do que isso, representa os noivos em si, o que os uniu, os seus traços de personalidade, às vezes até os seus hobbies, múltiplos detalhes que são transpostos para os elementos decorativos. “Hoje, um bolo de casamento é bastante individualizado e, por isso, tem que ser planeado e organizado com alguma antecedência. Aliás, já tenho encomendas para 2018”, revela a entrevistada, adiantando que a
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esmagadora maioria dos seus clientes são ingleses e irlandeses. “Existe uma indústria que se dedica especificamente ao «destiny weddings» porque há muitas pessoas que juntam as famílias e os amigos e vão casar noutro país, seja Portugal, Espanha, França ou Grécia. E o Algarve é um desses destinos privilegiados”, aponta a cake designer. Como se adivinha, planear um casamento num país estrangeiro é bem mais complicado do que no seu local de origem, daí que a maior parte dos casais contrate empresas especializadas na organização destes eventos, que depois requisitam os serviços de Sónia Marreiros. Há, porém, clientes que querem lidar diretamente com todos os fornecedores e que vasculham a internet e as redes sociais em busca dos melhores profissionais de cada 63
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ramo. “Nessa situação, alguns fazem questão de vir ter comigo para se tratar de todos os assuntos que envolvam o bolo: o que vai acontecer no casamento, qual é o esquema de cores, que flores vão usar, como vai ser o vestido da noiva. Todos esses pormenores são importantes para o design do bolo”, salienta. Neste contexto, há clientes que chegam com ideias bem delineadas, sabem exatamente o sabor que desejam, como querem a decoração, alguns trazem até imagens para servir de referência, não réplicas, porque Sónia não gosta de fazer cópias de bolos de outros colegas de profissão. “Há outros que não têm ideia nenhuma que decoração querem, se preferem uma coisa mais moderna ou tradicional, contemporânea ou vintage. Depois de reunir várias informações, faço propostas, que podem aceitar ou não. O processo torna-se mais difícil quando os clientes não têm hipóteses de se deslocar ao Algarve antes do casamento e tem que ser tudo decidido através de e-mail”, reconhece Sónia Marreiros. Mil e uma perguntas que já não surpreendem a maioria dos noivos, garante a cake designer, que não vão «às cegas» para estas reuniões de planeamento, mas ainda há quem se surpreenda com tudo o que pode influenciar a decoração de um bolo. “O bolo não pode estar desfasado de tudo aquilo que vai estar à sua volta e acabam por compreender as perguntas que lhes faço. Para conseguir criar um sonho, preciso ter o máximo de ALGARVE INFORMATIVO #81
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informação possível, para que tudo esteja em harmonia”, justifica Sónia Marreiros, confessando que acaba por criar uma relação sentimental com todos os bolos que fabrica, tal o carinho e empenho que neles coloca. “O bolo de casamento tem que ser uma coisa única e, como dedico muita atenção e amor àquilo que faço, está ali um pedacinho de mim. Isto é uma arte que valorizo muito”, reforça.
Só teoria não basta, é preciso sensibilidade para as artes O gosto de fazer bolos não surgiu, porém, do nada, pois estar na cozinha é uma paixão que acompanha Sónia Marreiros desde pequena, é o seu «lugar feliz». “Sinto-me bem rodeada dos móveis e eletrodomésticos de cozinha, gasto muito dinheiro com eles”, diz, com um sorriso, embora admita que, quando era pequena, não lhe passava pela cabeça fazer disto a sua atividade profissional. “Nos meus aniversários sabia que a minha avó ia encomendar o bolo a um casal de pasteleiros e decoradores espetaculares que ela conhecia e era sempre eu que ia buscá-lo. Deixavamme entrar no ateliê deles e eu adorava aquilo tudo, as formas de alumínio empilhadas, o forno a trabalhar, os cheiros. Era um ambiente que me deixava feliz”, recorda. Não foi de estranhar, portanto, que Sónia Marreiros começasse cedo a 65
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fazer bolos em sua casa, um hobby que ganhou maior preponderância quando estava na universidade, a tirar o curso de Engenharia do Ambiente. “Vendia alguns bolos a amigos para ajudar a pagar os estudos e percebi que estava a ganhar dinheiro a fazer aquilo que realmente amava. Não me arrependo nada de ter tirado aquele curso, gosto de estudar, mas fui logo à procura de um local onde tirar formação como cake designer”, conta, tendo optado por uma academia profissional sedeada nas Caldas da Rainha. “Mas só ter formação não é suficiente, é preciso nascer com aquele bichinho. Não digo que tenho um dom para isto, mas convém ter algum jeito para artes para complementar os conhecimentos teóricos. Não é só fazer um bolo, há que pintar, montar, enfeitar e a formação em higiene e segurança alimentar é crucial nesta área”, assegura. Como cada bolo é diferente, não é fácil avançar com um número de horas padrão para se concluir uma encomenda e encomendas não faltam, de facto, para Sónia Marreiros, já com datas marcadas para 2018, conforme referido anteriormente. “Se estiver envolvida com um projeto que vai necessitar de muitas horas de trabalho e exigir bastante de mim, não aceito outro cliente para a mesma data. Por isso é que alguns preferem marcar com tanto tempo de antecedência para garantir que vão ter um bolo meu”, explica, reconhecendo que a melhor publicidade neste ramo é o passa-apalavra, é a recomendação de um cliente satisfeito. “Em quatro anos de ALGARVE INFORMATIVO #81
atividade, nunca gastei dinheiro em anúncios, tem funcionado tudo com o boca-a-boca”, confirma. Por esta altura da conversa já se percebeu que um bolo de casamento personalizado, de autor, à imagem dos noivos, implica um esforço financeiro maior do que simplesmente ir à pastelaria da esquina ou a um supermercado, mas 66
também neste campo os clientes estão bem informados e é raro queixarem-se dos preços. “Quem é bom profissional neste ramo produz verdadeiras obras de arte e temos que cobrar o seu devido valor. Todos os meus bolos são feitos com ingredientes escolhidos a dedo porque não gosto de atalhos. As decorações são da minha autoria e são todas personalizadas. É diferente 67
ir comprar um fato a um pronto-avestir ou a um alfaiate e aqui é a mesma coisa”, defende Sónia Marreiros. E, embora a conversa tenha girado sempre em torno dos bolos de casamento, a entrevistada esclarece que produz todo o tipo de bolos. “Adoro o casamento, todo o ambiente que o envolve, a sua ALGARVE INFORMATIVO #81
organização – é a tal Sónia romântica a falar – mas aceito encomendas de todos os tipos e coloco o meu coração em todos eles. Um bolo de aniversário pode ser tão importante como um de casamento, porque estamos a criar um sonho para aquela criança. Ver a satisfação do cliente compensa as horas não dormidas, as grandes olheiras, as horas que não passei em casa com a família”, afirma. Com ateliê montado em Armação de Pêra, por ser um local tranquilo na maior parte do ano e pela proximidade e facilidade de acesso às principais vias de comunicação da região, o sonho passa por ter um espaço maior e de porta aberta ao cliente. “Nunca estou satisfeita com aquilo que tenho, quero sempre um pouco mais e gosto bastante da caminhada que se tem que percorrer até lá. A ambição é expandir, ter mais pessoas a trabalhar comigo, para conseguir aceitar mais pedidos de bolos de casamento. Custa-me imenso recusar um cliente, mas não é muito fácil arranjar pessoas qualificadas”, nota Sónia Marreiros. “Cake Designers certificados já vão existindo porque a academia profissional das Caldas da Rainha tem feito um bom trabalho nesse sentido, mas no Algarve sou a primeira. Ter um espaço maior, com ponto de venda ao público de diversos tipos de bolos e um salão de chá é o objetivo. Tudo o que tem a ver com a cozinha faz-me feliz e é bastante gratificante dar um pouco de mim às outras pessoas”, finaliza, antes de partir para uma reunião com mais um cliente .
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