Skip to main content

ALGARVE INFORMATIVO #29

Page 1

ALGARVE INFORMATIVO WWW.ALGARVEINFORMATIVO.BLOGSPOT.PT

#29

Está a caminho o novo álbum dos

Volume2ois FEIRA DE SANTA IRIA AQUECE NOITES DE FARO

DUAS DÉCADAS DE IDEIAS DO LEVANTE TERESA PAULINO APRESENTA «RITMOS E MELODIAS» ALGARVE INFORMATIVO #29 1


ALGARVE INFORMATIVO #29

2


3

ALGARVE INFORMATIVO #29


#29 SUMÁRIO

8

26

32

FEIRA DE SANTA IRIA

IDEIAS DO LEVANTE

TERESA PAULINO

16 VOLUME2OIS

Algarve Informativo #29 produzido por Daniel Pina (danielpina@sapo.pt); Foto de capa: Gabriel Pinto Contatos: algarveinformativo@sapo.pt / 919 266 930 As notícias que marcam o Algarve em algarveinformativo.blogspot.pt

ALGARVE INFORMATIVO #29

4


5

ALGARVE INFORMATIVO #29


OPINIÃO ABRIU A ÉPOCA ALTA DOS TACHOS DANIEL PINA Editor/Jornalista

E

de repente andamos neste limbo governativo há praticamente duas semanas, toda a gente opina e desopina, toda a gente é amiga de toda a gente e, ao mesmo tempo, toda a gente anda em guerra com toda a gente, uns partidos contra os outros, uns contra os outros dentro dos próprios partidos. Resumindo, pensávamos que tínhamos decidido o rumo de Portugal nos próximos quatro anos e, afinal de contas, com tantos partidos a votos, com a abstenção nos valores elevados do costume, com conversas e mais conversas sobre números e mais números, arranjou-se um sarilho ainda maior do que aquele em que estávamos metidos. Cavaco Silva já disse que quer um entendimento entre os partidos até terça-feira para saber quem vai colocar no trono do poder. Há quem diga que, mesmo sem acordos, empossa Pedro Passos Coelho como novo primeiro-ministro, há quem diga que, mesmo que a esquerda não chegue a um acordo, depois cai o governo na votação do orçamento do próximo ano, ou seja, é um verdadeiro imbróglio. Enquanto isso, lá fora anda tudo preocupado com o caminho que Portugal vai seguir, se vai manter-se fiel ao tratado orçamental, se vai querer ficar na moeda única e na NATO ou bater com a porta ao resto da Europa, se vai continuar a honrar os seus compromissos internacionais ou não. Quase que parecem receios exagerados mas, com a malta de esquerda metida ao barulho, uma pessoa nunca sabe. Desde que me lembro que vejo a CDU e o BE a atacarem todas as políticas do governo, sejam elas quais forem e esteja no governo o PSD ou o PS. Quando não se tem perspetiva de ser poder, é realmente fácil cair nas graças do Zé Povinho, basta prometer mais dinheiro nas carteiras dos portugueses, serviços públicos todos à borla, nada de impostos, tudo do bom e do melhor. Nem é preciso explicar como é que se consegue concretizar essas promessas, aliás, nem eles sabem como o fazer porque, na hora da verdade, nunca tinham que cumprir o que prometiam. O problema é que, no cenário pós-eleições de 4 de outubro, já não é descabido que CDU e BE venham a fazer parte do governo e, pelos vistos, nem eles estavam à espera

ALGARVE INFORMATIVO #29

desse cenário, de maneira que, agora, já o discurso dos seus líderes é menos radical, já aceitam deixar cair algumas das suas bandeiras, fazer compromissos a bem da estabilidade do país, tudo para ir a reboque do PS para o poleiro. A mim continua a fazer-me uma enorme confusão que os partidos que foram mais votados possam não constituir governo. E mais confusão ainda me faz que CDU e BE, que andaram quatro anos a bater forte e feio na coligação PSD/CDS e no PS, agora fiquem todos amiguinhos do António Costa e digam o dito por não dito. É como uma pessoa ser vegetariana a vida toda e, de repente, para conseguir um emprego, vai almoçar com o potencial patrão e come um belo bife de vaca, mal passado e com o sangue a escorrer pelo prato fora. Já não me vai fazer confusão nenhuma se, daqui a umas semanas, mais mês, menos mês, depois do governo tomar posse, seja ele qual for, se venha a descobrir que há uma carrada de novos funcionários públicos que não se sabe muito bem de onde apareceram. Ou melhor, sabe-se, são assessores, adjuntos, chefes de gabinete, secretárias, motoristas pessoais, contratados para este ou aquele Ministério ou Secretaria de Estado, porque a mudança de poder é uma autêntica época alta dos tachos. Não quero ser má-língua, estou apenas a lembrar-me do que já aconteceu noutros períodos semelhantes, quando governantes que estão de saída contratam amigos e familiares para cargos sob a sua alçada direta, uns que já existem, outros que são criados para o efeito. Ao mesmo tempo, os governantes que estão na calha para entrar também já trazem consigo um rol de amigos e conhecidos a quem é preciso dar emprego, para compensar os apoios recebidos durante a campanha. E agora, como estão cinco partidos ao barulho, todos eles com expetativa de serem governo, ainda maior deve ser esse leque de funcionários públicos com cargos apalavrados, por muito que se diga que é preciso cortar da despesa pública e tal. Resta-me esperar algumas semaninhas para ver se estou certo ou errado mas, à laia de Placard, metia as minhas fichas todas na primeira opção . 6


7

ALGARVE INFORMATIVO #29


REPORTAGEM

FEIRA DE SANTA IRIA promete aquecer as noites de Faro A Feira de Santa Iria arrancou esta sexta-feira com casa cheia, com milhares de pessoas a acorrer ao Largo de São Francisco, em Faro, uns para desfrutar dos divertimentos, outros para fazer compras a preços bastante atrativos, quiçá já a pensar nas oferendas de Natal, outros simplesmente para jantar e conviver com os amigos e familiares. Uma feira verdadeiramente cativante, com aliciantes para todos os gostos e idades, que vai aquecer certamente as noites da capital algarvia até dia 25 de outubro. Texto e Fotografia: Daniel Pina

ALGARVE INFORMATIVO #29 #27

8


9

ALGARVE INFORMATIVO #29


N

ascido e criado em Lisboa, a Feira Popular da Avenida da República faz parte do meu imaginário de criança e adolescente, com as suas luzes de todas as cores e feitios, os carrinhos de choque, a montanha-russa, a casa dos espelhos e a casa dos horrores, doces de deixar um jovem de sorriso nos lábios, uma cidade dentro de uma cidade numa constante agitação durante os seus anos dourados. Nas minhas

recordações de miúdo estão também os pavilhões da Praça de Espanha, que depois ficaram conhecidos por Mercado Azul, os tais que agora vão ser encerrados para se requalificar toda aquela zona da grande metrópole. E nas minhas visitas regulares à Praça de Espanha com a minha avó lembro-me bem da parafernália de brinquedos, bugigangas, ferramentas e utensílios domésticos, têxteis e peças de vestuário que se podiam adquirir a preços mais reduzidos do que no comércio tradicional. Se recuar ainda mais uns anos, ainda me recordo das viagens de fim-de-semana com a minha avó até Badajoz e Olivença, o ritual mágico de apanhar o autocarro no Campo das Cebolas logo pela manhã para ir comprar rebuçados, tabletes de chocolate e brinquedos que só se conseguiam encontrar na vizinha Espanha. Depois, o momento sensível de atravessar a fronteira e o

ALGARVE INFORMATIVO #29

10


suspense quando os agentes alfandegários abriam as malas para verificarem o que se trazia dum país para o outro. Portugal e Espanha ainda não tinham entrado para a CEE, embrião da atual União Europeia, portanto, nada de fronteiras abertas, de livre comércio no espaço europeu. Eram, de facto, outros tempos, episódios que acabam por ficar na retina dos mais novos, para quem aquelas viagens eram quase um filme de James Bond. Serve esta breve introdução para explicar que a minha ida à Feira de Santa Iria na sextafeira, 16 de outubro, dia da abertura de uma das mais antigas feiras de Portugal, motivou uma verdadeira viagem ao passado, a mim e a muitos outros adultos que por ali andavam. Aliás, depois de vários minutos a tentar descobrir um lugar para estacionar nas redondezas do Largo de São Francisco, escutei de relance as palavras dum casal para outro, acompanhado dos respetivos filhos: “Acho que os pais têm mais vontade de vir à feira que os miúdos”. Palavras simples e verdadeiras que levaram milhares de pessoas até ao recinto desta feira que, reza a história, terá nascido em 1596, no reinado de D. Filipe I, no rescaldo do saque que as tropas inglesas do Conde de Essex infligiram na cidade de Faro. Com a perda de diversas infraestruturas e os habitantes a sofrer com a fome e a peste, o intuito da feira era prestar auxílio aos mais carenciados e impulsionar as transações 11

ALGARVE INFORMATIVO #29


comerciais e, como a sua realização coincidia com o Dia de Santa Iria (20 de Outubro), foi esse o nome escolhido para batizar o evento. Mais de quatro séculos depois, a Feira de Santa Iria está de regresso ao Largo de São Francisco, até ao próximo dia 25 de Outubro, num recinto com 28 mil metros quadrados onde se pode encontrar de tudo um pouco. Na tenda da «Gastronomia» localizam-se as típicas tasquinhas e produtos regionais de quase todo o país, mas também autênticos restaurantes ambulantes que assentaram arraiais na capital algarvia durante estes dias para oferecer os seus pratos e iguarias e poucos eram os lugares vazios que se deslumbravam. Na tenda das «Atividades Económicas» é apresentado aos visitantes um vasto leque de produtos e serviços de diversos setores de atividade, mas também há filas e mais filas de stands, barracas, pavilhões onde se pode comprar tudo e mais alguma coisa, desde capas de telemóveis, relógios, bijuteria, têxteis, peças de roupa e calçado, ferramentas para a casa, utensílios para a cozinha, louças e cerâmicas. Tudo a preços de ocasião, uma época de saldos especiais, até porque o Natal está logo ao virar da esquina e não se podem deixar fugir estas excelentes oportunidades

ALGARVE INFORMATIVO #29

12


13

ALGARVE INFORMATIVO #29


o trabalho que desenvolvem ao longo do ano e tentarem conquistar novos simpatizantes e associados. Assim, na Feira de Santa Iria estão presentes 26 entidades com atividades que vão desde a causa animal à social, desportiva e cultural. E um olhar atento merece a exposição dos Bombeiros Sapadores de Faro, com material de socorro e combate a fogos, algum já com dois séculos de existência, e com o carro de bombeiros «Relâmpago», com quase 80 anos ao serviço desta corporação. de negócio. E, como é costume, nem sequer falta a senhora a vender têxteis, colchas, cortinados, lençóis, edredons, de microfone preso ao peito, em cima da caixa aberta da camioneta, em tom de leilão, “leva dois, paga um”, “por apenas 25 euros leva dois fantásticos conjuntos de lençóis”, “como a senhora é simpática, ainda lhe ofereço uma colcha”, tudo num ritmo alucinante que fixa uma pequena multidão, uns para comprar, outros apenas para apreciar o espetáculo. Divertimentos para todas as idades não faltam, como é normal neste género de feiras. São um dos principais atrativos, não só para os mais novos, mas para os pais e mães que, com a desculpa de acompanharem os filhotes, vestem por minutos a pele de adolescentes e, com o coração aos saltos, conduzem os carrinhos de choque ou aderem às opções de adrenalina, só para quem tem estômago forte, convém avisar. No Largo de São Francisco há muitas alternativas, desde a nova «Nuvem» aos produtos clássicos como a «Casa dos Espelhos», que pertence ao feirante mais antigo de Portugal ainda em atividade. Ao todo, são nove divertimentos de adultos, duas pistas de carros de choque, dois pavilhões temáticos, a que se juntam oito divertimentos infantis.

Bem vistas as coisas, uma ida à Feira de Santa Iria consome praticamente a noite toda. São necessárias algumas horas para desfrutar dos vários divertimentos, percorrer as filas de stands, de fartura, pipocas ou algodão-doce na mão, participar nos jogos populares de feira, testar a força, a pontaria e a sorte nos bingos e sorteios, fazer as compras, num cenário deslumbrante com a Ria Formosa dum lado, o centro histórico de Faro do outro. E, por momentos, quase nos esquecemos que, na semana anterior, todo este lugar mágico de dimensão gigante era um simples parque de estacionamento, pelo que há que enaltecer o trabalho da Câmara Municipal de Faro e da Ambifaro para levar a cabo mais uma edição da Feira de Santa Iria. Agora, é só esperar que o São Pedro dê uma ajudinha e não estrague a festa a milhares de algarvios e aos muitos comerciantes e associações que dão corpo e vida a este evento .

Feira que é feira não esquece a vertente associativa, pois são locais de eleição para estas entidades darem a conhecer às grandes massas

ALGARVE INFORMATIVO #29

14


15

ALGARVE INFORMATIVO #29


ENTREVISTA

Volume2ois de volta ao estúdio após um Verão bastante mexido Depois de uma estreia bem-sucedida com «Viver o Entretanto», os portimonenses Volume2ois foram uma presença constante nos grandes festivais de Verão do Algarve e estão agora de regresso ao estúdio para finalizar o segundo álbum de originais. Um disco com uma sonoridade mais rock, moderna e eletrónica que certamente vai ficar no ouvido dos portugueses, mas o trio não vive na ilusão de ganhar a vida com a música e também não pretende ser mais uma banda «pastilha-elástica», daquelas que são mastigadas ao máximo pelas grandes editoras e depois jogadas fora. Aliás, se o dinheiro fosse o objetivo, tinham continuado nas covers e pelo circuito de bares, mas é a tocar os seus originais que Carlos Lourenço, Rodrigo Costa e Josué Gomes se sentem verdadeiramente realizados. E ainda bem que decidiram arriscar e seguir esse caminho. Texto: Daniel Pina Fotografia: Joana Gomes, André Fernandes e Gabriel Pinto ALGARVE INFORMATIVO #29

16


17

ALGARVE INFORMATIVO #29


O

s Volume2ois nasceram como tantas outras bandas, dois amigos de longa data que andavam pelo circuito de bares a tocar covers até que se cansaram de interpretar as músicas dos outros e quiseram compor os seus próprios temas. Neste caso, os protagonistas são Carlos Lourenço, 37 anos, arquiteto e Rodrigo Costa, 33 anos, psicólogo, a que se juntou mais tarde Josué Gomes, 21 anos, um trio de portimonenses que reeditou recentemente o álbum de estreia, «Viver o Entretanto», com a inclusão do single «Volta sem Volta», parte do próximo disco, que já está em fase avançada de preparação. “Resolvemos escrever o nosso material, colocamos as ideias no papel e, quando percebemos que isto poderia dar em qualquer coisa, decidimos incluir um baterista, o Josué”, conta Carlos Lourenço durante uma conversa informal na Casa Inglesa, em Portimão. O EP «Primeiro», lançado em 2012, foi o tubo de ensaio, um teste feito sem grande ambição, apenas para ver o que saia dali, mais que não fosse para ter uma recordação para mostrar aos filhos quando fossem mais velhos. A experiência foi bem-sucedida, o feeback bastante positivo, parecia que, afinal, até tinham jeitinho para a coisa. “Passamos regularmente nas rádios locais, fizemos showcases na FNAC, o Josué entrou para a banda e o projeto começou a ganhar contornos mais sérios. Começamos a trabalhar as nossas músicas de forma mais profissional, mas nunca nos passou pela cabeça abandonar os nossos trabalhos”, indica Rodrigo Costa, com Carlos Lourenço a avançar com a justificação antes mesmo da pergunta ser feita. “O mercado nacional é muito pequeno e está completamente preenchido com os artistas que já têm nome da praça. Por mais que tentemos, há sempre barreiras que temos que ultrapassar antes de equacionarmos dedicar-nos à música a tempo inteiro”. Uma opção sem grande discussão foi cantar em português, apesar de estarem habituados a tocar covers em inglês, mas os argumentos a favor da língua materna foram mais que muitos, garante Rodrigo Costa. “A mensagem passa

ALGARVE INFORMATIVO #29

rapidamente, ao passo que, em inglês, as pessoas nem sempre percebem a letra. Provavelmente também é mais fácil sermos aceites pelas grandes massas se adotarmos o nosso idioma”, explica o psicólogo. “É também uma escolha mais realista porque, quem prefere o inglês, terá em mente a possibilidade de se internacionalizar numa fase posterior. Lá fora, o mercado é bastante maior, mas também existem muitas mais bandas”, acrescenta Carlos Lourenço, o baixista dos Volume2ois. Letras e músicas nascem de forma simples e prática, com Carlos e Rodrigo a trabalharem em casa as ideias que vão aparecendo e depois, num género de pingue-pongue, a repassa-las para o outro, que dá a sua opinião e contributo e depois as reenvia à origem. “As novas tecnologias permitem que isso se faça com grande rapidez e facilidade, deixou de ser preciso estarmos os três juntos para se trabalhar em simultâneo. Acaba por ser um processo muito democrático e as letras falam de tudo um pouco. Temos temas do género «amo-te muito, amo-te muito», aquele pop mais cor-de-rosa, e outros que falam de assuntos mais sérios da atualidade, da nossa consciência social, mas com o objetivo de transmitir uma mensagem positiva”, apontam os fundadores da banda, embora Rodrigo Costa entenda que uma letra de tom mais negativo até possa entrar facilmente no ouvido das pessoas. “Se a mensagem for ‘as coisas estão muito más mas eu consegui dar a volta à situação’, a música ouve-se bem e é apreciada. Se a mensagem for ‘as coisas estão muito más e eu sou um falhado’, as pessoas já rotulam o tema de «deprimente» e não pegam nele”, distingue o vocalista e guitarrista. Independentemente do conteúdo das letras e das melodias das músicas, a verdade é que, hoje, é relativamente fácil gravar-se um disco e ter o suporte físico, o CD, nas mãos. Mais complicada é a tarefa de o apresentar ao grande público e Carlos Lourenço reconhece que residir no Algarve é um handicap, pois obriga a banda a atravessar um autêntico «deserto» até chegar a Lisboa, o centro de operações onde tudo acontece. “Há muito pouca gente que vai às lojas à procura de artistas ou grupos novos, portanto, é preciso

18


tocar nas rádios nacionais e ir aos programas de televisão para mostrar o nosso trabalho. No entanto, existem várias bandas e cantores com lugar cativo no panorama nacional e que impedem, inadvertidamente, que novas coisas consigam dar nas vistas. Os portugueses estão um bocado formatados para ouvir os artistas consagrados”, observa o arquiteto.

O prazer de tocar acima do dinheiro Como bom psicólogo que é, Rodrigo Costa lança o olhar ao que tem acontecido na música portuguesa nas últimas três décadas, incluindo o período das «vacas gordas», e constata que, de facto, apenas um punhado de artistas consegue viver a 100 por cento da música, casos de Rui Veloso, Luís Represas, Pedro Abrunhosa, GNR, UHF, Xutos & Pontapés e pouco mais. A estes juntam-se projetos de que se ouve falar alguns anos pelas novidades que trouxeram ao panorama musical mas que, de um momento para o outro, passam de moda e desaparecem. “Se calhar conseguiram pagar a casa e fazer

umas coisas engraçadas enquanto estiveram na berra, mas depois acabou, hoje estão a fazer outra cena completamente diferente. O mercado português é pequenino, é quase uma aldeia, que se resume ao fado, à música pimba e a modas passageiras como a música brasileira e a quizomba. Mesmo as bandas que, supostamente, estão na berra, não andam a fazer concertos todos os dias, tocam nos festivais de Verão e pouco mais”, pinta Rodrigo Costa um quadro cinzentão mas real. “As cidades têm os seus teatros e auditórios municipais, mas quando é que lá aparece uma banda de pop/rock? Só se ouve este género de música nos festivais de Verão”. Produtos «pastilha-elástica» são igualmente os que saem dos concursos de televisão, desabafam os Volume2ois, com os artistas a serem promovidos em massa durante um ano ou dois até darem lugar aos vencedores das edições que se seguem. “Estamos cingidos a duas ou três editoras, que colocam esses artistas à frente de todos os outros que possam surgir, tenham mais ou menos qualidade, depois apostam na nova fornada que sai dos «Ídolos», «The Voice» ou

19

ALGARVE INFORMATIVO #29


«X-Factor» e é uma bola de neve que não para de crescer”, indica Carlos Lourenço, mas Rodrigo Costa frisa que, quando a dupla decidiu abraçar um projeto de originais, sabia perfeitamente que não iam ganhar dinheiro ao percorrer esse caminho. “Se continuássemos nas covers com o mesmo esforço e dedicação com que nos dedicamos às nossas músicas, tocávamos o ano inteiro e vivíamos à vontade desses rendimentos. Mas queríamos fazer algo que nos desse realmente prazer, apesar da história não estar a nosso favor. Ainda por cima, hoje as coisas acontecem a um ritmo ainda mais alucinante. Tivemos um ano em que parecia que só existia os «DAMA». Se calhar, em 2016, os «DAMA» ficam na gaveta e dispara outro nome qualquer, que se vai fartar de vender e abafar tudo o resto”, aponta o guitarrista. Felizmente, os Volume2ois até nem se podem queixar porque conseguiram tocar na maior parte dos principais festivais que se realizaram na região durante o Verão, desde a Festa da Sardinha, em Portimão, à Fatacil, em Lagoa, à Noite Branca, em Loulé, entre outras atuações. “Estivemos sempre no palco principal e depois aproveitamos a embalagem para voltar ao estúdio para preparar o novo disco, enquanto não começa a nova temporada de espetáculos”, refere Carlos Lourenço. Mais pragmático é

ALGARVE INFORMATIVO #29

Rodrigo Costa, que volta a abordar as dificuldades de ir mais além. “A Sony e a Universal dominam no plano das editoras e, nas rádios, a Comercial e a RFM tem praticamente 90 por cento da audição, o resto é paisagem. Por isso, só quem estas entidades querem vender é que conseguem ter sucesso, os outros é como se não existissem. Nós acreditamos que temos um som de qualidade, vendável, que facilmente passa nas rádios e nas novelas, mas, como nós, provavelmente existem dezenas de outras bandas pelo país fora”, desabafa. Não é por isso de estranhar que as editoras optem por pegar em bandas ou artistas já com álbuns gravados e pronto para vender e, de preferência, já com uma legião considerável de fãs, ou seguidores nas redes sociais, como agora se usa. “Os «ÁTOA», por exemplo, estavam a destacar-se numa plataforma online, pegaram logo neles, foi produzir em larga escala para vender, vender, vender. Quando deixarem de dar, jogam fora e apostam noutra banda”, lamenta o psicólogo, com o colega arquiteto a confirmar com um abano de cabeça, sinal de que estas conversar não são novas no grupo. “Ter um agente ou produtor também é uma ajuda importante, porque temos as nossas profissões no dia-a-dia e não é fácil pegarmos no material e irmos bater de porta em porta. Depois, é a

20


própria questão de imagem, parece mal ser a banda ou o artista a desempenhar esse papel, dá logo um ar mais profissional, uma pintura diferente, se for um agente”, confirma Carlos Lourenço. Relembrando os espetáculos dos Volume2ois durante o Verão, o trio não esconde a satisfação de terem tido recintos cheios e em nada atrás dos principais cabeças-de-cartaz, pelo que entendem que as autarquias devem apostar cada vez mais na prata da casa. Aliás, os nomes sonantes nem são garantia de casa cheia e disso não faltam exemplos na cidade de Portimão. “Houve artistas que, supostamente, deveriam trazer muito público e os espetáculos estiveram literalmente às moscas. Nós, quando apresentamos o disco, enchemos o auditório principal do TEMPO, a noite no Festival da Sardinha também foi excelente, apesar de estar um frio de rachar. Olhando para uma fotografia do público quando lá fomos tocar e da noite do António Zambujo, só se nota a diferença à lupa. O Tony Carreira foi diferente, quase que afundou a casa junto ao rio, mas ninguém diria que somos uma banda local e que nunca passamos na Rádio Comercial ou na RFM”, frisa Rodrigo Costa. Noites de sonho que ajudam a compensar as dificuldades do dia-adia, as portas que teimam em abrir-se, que os levam a trabalhar mais, sempre com o objetivo de tocar melhor na próxima ocasião e de oferecer algo mais ao público. “Quando começamos, tínhamos algumas premissas ou valores base que se têm mantido neste tempo todo. Estes concertos com grandes enchentes dão-nos ânimo, mas continuamos perfeitamente conscientes de que isto não dá para ganhar rios de dinheiro e de que não é

uma vida cor-de-rosa. Entramos nisto por gosto e queremos dar sempre um toque profissional ao que fazemos, seja em termos musicais ou visuais”, destaca Rodrigo Costa, revelando que os Volume2ois já tocaram para grandes plateias sem receber qualquer cachet. “Mas isso não nos impediu de ir lá, de tirar dinheiro do nosso bolso para pagar as despesas e de dar o litro, porque é uma coisa que nos dá prazer, seja para 20, 200 ou duas mil pessoas”, reforça Carlos Lourenço. E é com este espírito que os Volume2ois estão em estúdio a preparar o sucessor de «Viver o Entretanto» para sair no início de 2016 e com algumas novidades. “Um pouco mais rock que o anterior, com uma sonoridade mais moderna e eletrónica. Mas as três vozes em simultâneo e as melodias românticas continuam a marcar presença, o nosso cunho pessoal não se modificou e queremos criar algo que os outros gostam de ouvir. Em resumo, é uma evolução

do que temos feito até agora, um produto mais elaborado e complexo, porque também crescemos neste período, aprendemos muita coisa, e é impossível que isso não se reflita nas novas músicas”, finalizam Carlos Lourenço, Rodrigo Costa e Josué Gomes .

21

ALGARVE INFORMATIVO #29


OPINIÃO

ESQUERDA, DIREITA, EM FRENTE… MARCHE! PAULO CUNHA

T

entando explicar a uma criança de oito anos o que é a «Direita» e a «Esquerda» de que tanto se fala agora nos meios de comunicação, pedi-lhe para me trazer uma folha em branco e com um lápis traçar um risco a meio para que assim a dividisse em duas partes; de seguida pedi-lhe para escrever as palavras «direita» e «esquerda» nos lados correspondentes. Assim fez… Logo a seguir pedilhe para dobrar a folha ao meio, pela linha traçada. Mais uma vez assim fez, perguntandome de seguida se aquilo que lhe estava a pedir era algum truque de magia. Ri-me, pela associação da pergunta com a realidade, e para terminar a explicação prática pedi-lhe para me dizer onde estavam agora as partes esquerda e direita da folha, ao qual ela, perspicazmente, me respondeu estarem viradas uma para a outra e assim sendo, no mesmo sítio: no meio. Na inocência da sua infância pediu-me que lhe resumisse a experiência, tendo-lhe eu respondido sucintamente que, na teoria, os partidos políticos se posicionam num horizonte que vai da esquerda à direita, para assim poderem convencer os seus simpatizantes a elegê-los conforme aquilo em que se reconhecem e apoiam. Quando são eleitos a folha dobra-se e, na prática, quase não se distinguem uns dos outros, pois chegaram ao centro das suas aspirações: o poder. Não sei se consegui o meu intento, mas pelo menos expliquei-lhe conforme me é dado a observar o espetro político mundial, onde a prática não tem nada a ver com a teoria que lhe serviu de base programática. Só mesmo alguém muito desatento é que não o percebe, e pelos vistos é o que por aí mais há…

ALGARVE INFORMATIVO #29

Faz parte da natureza humana escolhermos um lado e nesse lado nos acomodarmos por uma questão de proteção, de associação e de identidade, muitas vezes sem saber (nem querendo saber) o que o distingue, na prática, do lado contrário. Quem não tem lado é considerado alguém estranho e até perigoso, pois acaba por subverter a arrumação de «quem manda nisto tudo». E não estou a falar de qualquer tipo de anarquia militante, de modo algum… unicamente de reflexão e equidistância ideológica. Vulgarizou-se associar as convicções políticas a cores, a símbolos, a músicas, a slogans e a lados. Tudo bem pensado para que não nos percamos no caminho rumo à vitória… A vitória deles. Daqueles que, invariavelmente, arrumam as convicções na gaveta perante os interesses instalados. A nós fica-nos a ilusão de integrar aquela «família» que ajudámos a crescer mas na qual, afinal de contas, ninguém nos conhece e reconhece. Esquerda, direita? Basta mudar o lado em que estamos a observar o objeto e rapidamente se transforma em direita, esquerda. Vejamos alguns países comunistas do mundo como a China, Coreia do Norte e Cuba… terão efetivamente uma política de esquerda na sua praxis quotidiana? E o modelo político implementado nos países nórdicos, qual será o seu lado, ou terá uma mistura dos dois? Pois é… É muito mais fácil viver num mundo dividido em duas partes. O «Sim» e o «Não» estão garantidos. Eu gosto também do «Talvez» que o arco-íris me proporciona! .

22


23

ALGARVE INFORMATIVO #29


OPINIÃO ENFANT TERRIBLE

PESSOAS GLOBAIS PAULO BERNARDO Empresário

O

mundo hoje está voltado do avesso, tudo o que era tido como certo foi alterado, a realidade alterou-se em pouco tempo e o que era tido por adquirido desapareceu.

Estas semanas vou estar fora de Portugal, criando novos negócios para a minha empresa, negócios esses que são feitos em Portugal para vários locais do mundo. Quem trabalha comigo são os jovens que eu falei atrás, pessoas globais que não têm medo de enfrentar desafios, de falar diferentes línguas, de sair do seu espaço. Contudo, no fundo, são apenas pessoas normais que acreditam nelas e, se isto funciona na minha empresa, também funciona noutras.

Desde que sai da universidade, a realidade do mundo do trabalho é completamente diferente. Hoje, com alguma tristeza, mas entendendo, os jovens tem alguma dificuldade em saber o seu espaço, pois parece que o mercado de trabalho desapareceu, que um curso não serve para nada. Mais uma vez digo que entendo pois eles ainda são educados como se o mundo não tivesse mudado. Mas mudou e muito. Contudo, acredito que as oportunidades estão lá, apenas necessitamos de ter a visão global do mundo. Hoje, temos jovens com uma capacidade enorme, mas ninguém lhes diz o que eles valem.

Por isso, é esta adaptação que vai mudar o nosso país e o próprio mundo. Não são pessoas especiais mas sim pessoas que conseguem descobrir uma solução diferente para levar a sua vida para a frente.

Criticamos, cobramos, mas não instruímos os nossos jovens no mundo que existe. Sempre que encontro alguém com vontade, vejo que ele ganha o seu espaço. Espaço esse que hoje tem que ser global, mas também já foi para os nossos avôs, por isso, esta falta de oportunidades não é de hoje. Assim, como empresário, sinto que temos uma excelente geração, apenas com pouca autoestima, pois foram mimados durante demasiado tempo.

Facto da semana: A ânsia que se vive hoje em criar uma rede global de pessoas válidas, para poder saltar a barreira criada pelos estados. Hoje, devido a ser um tipo bastante global, apercebo-me que o maior problema para quem quer fazer algo são os estados. Estados que vão criando barreiras ao bom funcionamento das trocas entre pessoas, formas estranhas de perpetuar classes que nada teriam para fazer se não fosse este conjunto de dificuldade. Assim, vamos potenciar a rede que se vai criando de uma forma informal.

Hoje, um jovem português que consiga ultrapassar esta barreira é um guerreiro global com muita capacidade. É esta geração que vai levar o país para a frente, misturada com quem tem mais experiência. Não estou a falar em emigração, mas sim em pessoas globais que atuam onde faz falta, pode ser em Portugal ou noutro sítio qualquer, criando riqueza para eles e para as empresas onde trabalham.

Pessoa da semana: Fernando Santos, pela brilhante forma que geriu a nossa seleção, sem casos, sem histórias, sem egos. Fez um apuramento limpo e imaculado, de onde saiu uma equipa e não um conjunto de casos. Demostra que não basta saber jogar futebol para gerir uma equipa. E o engenheiro do penta mostrou que, para além de ter passado pelo futebol, passou pela universidade .

ALGARVE INFORMATIVO #29

24


25

ALGARVE INFORMATIVO #29


ENTREVISTA

IDEIAS DO LEVANTE Hรก 20 anos num permanente desassossego

ALGARVE INFORMATIVO #29

26


As Ideias do Levante podem não ser das associações mais mediáticas do Algarve mas são, certamente, uma das mais ativas na criação de públicos no barlavento algarvio, com particular incidência em Lagoa e nos concelhos vizinhos. Música, dança e teatro são as suas principais áreas de intervenção na sociedade, com produtos culturais que fogem ao tradicional, exemplos da ópera e do canto coral e de peças com textos próprios. O objetivo é proporcionar os meios e as ferramentas para que muitos artistas consigam concretizar os seus sonhos e, acima de tudo, mexer com o meio onde se inserem, num desassossego que já dura há duas décadas e que promete continuar por largos anos, a julgar pelos projetos novos que estão na calha. Entrevista: Daniel Pina

27

ALGARVE INFORMATIVO #29


A

Associação Cultural Ideias do Levante viu a luz do dia no final de Abril de 1995, nascida da vontade de um grupo de jovens que queriam desenvolver a cultura no Concelho de Lagoa, e foi crescendo de forma sustentada ao longo dos anos, sem nunca ter o objetivo de atingir uma dimensão demasiado grande, até porque é uma entidade amadora e os seus dirigentes e membros têm todos as suas respetivas atividades profissionais. “Cada um de nós dá o que pode e cabe ao grupo gerir essa disponibilidade”, explica Roberto Estorninho, presidente desde 2003, confirmando que as Ideias do Levante nunca foram uma associação muito mediática e conhecida das grandes massas. “Existe um nicho que pessoas que procuram um certo tipo de atividades em que nós desde o início nos enquadramos, através da música, da dança e do teatro. Ao longo dos anos, fomos alargando um bocadinho o nosso leque de atividades dentro desses núcleos e, às vezes, até optamos por não fazer mais para não perdermos o controlo do que realizamos e para não saturar muito o público. Há muitas associações e agentes culturais no Algarve e não estamos aqui para competir com ninguém, queremos apenas dar a oportunidade às pessoas de

partilhar o seu trabalho e formar públicos”, destaca o dirigente. Com o mote de ajudar os outros a concretizar os seus sonhos, as Ideias do Levante já conquistaram um merecido lugar no universo cultural do Algarve, as sementes lançadas há 20 anos continuam a dar frutos e há muito barro para trabalhar, mesmo não se tratando de produtos habitualmente com mais saída ou visibilidade, como é o caso da ópera e do canto coral, por exemplo. Uma escolha que não foi premeditada e que resultou do facto da associação abrir as suas portas a pessoas que manifestavam vontade em fazer algo nesses campos. “Ao prosseguir-se esse tipo de projetos chamou-se a atenção de outros artistas que compreenderam que, através das Ideias do Levante, também conseguiriam desenvolver os seus próprios trabalhos. E a associação apareceu precisamente do desejo de um grupo de amigos, alunos e professores das escolas de Lagoa de criar uma estrutura onde pudessem, de forma independente, levar cultura às pessoas”, recorda o entrevistado. Ideias do Levante que começaram logo a dar nas vistas por via das peças de teatro que levavam a cena, fora do comum, com uma magia própria que cativou muitos algarvios e que ainda hoje as conservam na memória, nomeadamente as que tinham como palco as Fontes de Estômbar. Uma ideologia que foi depois reforçada quando a dança e a música ganharam força na associação e que veio contrariar a perceção de que os portugueses não têm gosto, ou tempo, para consumir produtos culturais mais elaborados e que obriguem a pensar um pouco. “Na dança optamos pela contemporânea e oriental, que se encontrava apenas em pequenos focos na região, e persistia o estigma de que, se

Roberto Estorninho, o presidente das Ideias do Levante

ALGARVE INFORMATIVO #29

28


quiséssemos algo mais, tínhamos que ir a Lisboa ou a Faro. No canto coral também há vários grupos e Lagos e Faro têm uma tradição anterior à nossa, o problema que se coloca é a sua renovação e subsistência. Em Lagoa, as coisas tinham a tendência de não durar, mas nós estamos vivos há 20 anos e ainda temos muito para oferecer e partilhar”, garante Roberto Estorninho, adiantando que outra característica das Ideias do Levante é estar bastante orientada para as artes de palco. “Os projetos são iniciados sempre com o intuito de os levar a cena, de os apresentar em palco. A nossa estrutura consegue encetar parcerias de forma muito natural e foi fácil dialogar com as autarquias e com as empresas envolvidas com a cultura, porque propúnhamos algo de diferente e com gente da terra. Estreamos normalmente as nossas produções em Lagoa, mas depois passamos a outros concelhos do Algarve do Alentejo”, frisa o presidente da associação. Parcerias com as câmaras municipais que Roberto Estorninho considera fundamentais para se conseguir concretizar os vários projetos das Ideias do Levante, face aos aspetos burocráticos, legais e de logística com que há

que lidar caso a caso. “Somos uma associação amadora e com poucos recursos em termos de materiais e equipamentos. A Câmara Municipal de Lagoa é uma grande impulsionadora do nosso trabalho, não só a nível financeiro, mas da cedência dos espaços onde desenvolvemos atividades, o Auditório Municipal, o Convento de São José e outros”.

Primazia à produção da casa Entre o teatro, a música e a dança, é raro o mês em que não estejam em palco projetos idealizados e levados a cabo pelas Ideias do Levante, mas a associação também produz eventos concebidos por terceiros, mediante a disponibilidade dos seus elementos e os compromissos previamente assumidos. Isso não implica, contudo, que se tenham que fazer sócios da associação, ainda que a quota anual seja de uns míseros 10 euros. E por saberem bem como funciona a burocracia em Portugal, as Ideias do Levante dão primazia a trabalhos da sua própria criação, explica Roberto Estorninho. “Temos a possibilidade de criar os nossos textos, coreografias e músicas e, desse modo,

29

ALGARVE INFORMATIVO #29


câmara municipal para irem assistir a um dos nossos espetáculos, que assim ficam a conhecer de imediato o que temos para oferecer. Também sabemos que, antigamente, era mais fácil para uma autarquia subsidiar a deslocação de uma associação a um espaço seu para ali apresentar o seu trabalho”, analisa, adiantando que a questão de trabalhar à bilheteira é algo a que já estavam habituados antes disso se tornar corriqueiro. “Uma semana antes vamos para os concelhos fazer toda a promoção e divulgação no terreno e há que enaltecer igualmente o apoio que sempre tivemos da comunicação social na promoção dos nossos não precisamos pagar licenças de direitos de autor. Se tivéssemos uma grande máquina promocional por detrás e fossemos apresentar o projeto num espaço enorme, com certeza de uma boa assistência, seria sustentável para a associação e para os artistas enveredar pelos caminhos mais tradicionais. É uma questão meramente prática, mas que também abriu mais espaço à criatividade e à produção da casa”, justifica o dirigente. A intensa atividade das Ideias do Levante beneficia igualmente da existência, na última década, de mais espaços públicos para levar os trabalhos a palco, nomeadamente teatros e auditórios municipais, que se vieram juntar aos mais antigos centros culturais. Nesse aspeto, Roberto Estorninho já referiu que as portas dos equipamentos culturais de Lagoa estão abertos à associação, quanto aos de outros concelhos, tudo depende, mais uma vez, da disponibilidade dos elementos da direção de irem apresentar os projetos às pessoas indicadas. “Infelizmente, o tempo para isso não é muito grande e acaba por ser mais fácil convidar presidentes ou vereadores desta ou daquela

ALGARVE INFORMATIVO #29

eventos”. Divulgação que é essencial para que o público saiba que produtos culturais existem e quando vão acontecer os espetáculos, de modo a que tenham um vasto leque de alternativas por onde escolher. “Às vezes as pessoas veem um espetáculo de dança, não apreciaram muito ou aquilo correu mal e, como não têm conhecimento de outras coisas que estão a ser feitas na mesma área, riscam logo a dança dos seus gostos”, avisa Roberto Estorninho, notando que, como as Ideias do Levante apostam bastante na vertente das parcerias, acabam por ter um público cativo que consome avidamente

30


os seus trabalhos. “É com imensa alegria que vemos as casas cheias para nos receber, seja em Lagoa, no TEMPO, em Portimão, no Teatro Lethes, em Faro, no Teatro Mascarenhas Gregório, em Silves. Também reparamos que na música, por exemplo, metade ou mais da sala é publico estrangeiro, residentes ou não”. Uma diferença importante que Roberto Estorninho salienta é o facto de já não serem habituais os espetáculos de acesso gratuito, porque as câmaras municipais deixaram de ter possibilidade de assumirem elas as despesas com a produção, mas essa transição não causou grandes sobressaltos às Ideias do Levante. “Oferecer o espetáculo é quase como que estar a desvalorizá-lo. Claro que a crise afetou imenso algumas associações que estavam demasiado dependentes dos subsídios e apoios financeiros, mas as pessoas continuam a ir aos espetáculos, desde que tenham qualidade, não sentimos qualquer flutuação em termos de público”, garante o entrevistado. Já menos satisfeito mostra-se o dirigente com o constante desinvestimento do poder central na cultura, sobretudo na parte da criação de públicos, de despertar o bichinho nas novas gerações, relegando esse papel para os agentes culturais. “Muitos de nós dormimos três ou quatro horas por noite, quando as dormimos, porque somos nós que fazemos tudo, desde fazer um flyer e distribui-lo nas ruas a montar um espetáculo.

Infelizmente, verificamos que algumas pessoas que trabalham diretamente com instituições públicas, como são os estabelecimentos de ensino, estão a ser colocadas de lado e, depois, os professores acabam por desempenhar funções que não têm nada a ver com o ensino”. Duas décadas de existência com eventos e produtos já bem vincados na cultura algarvia, mas as Ideias do Levante continuam a oferecer mais novidades, com crise ou sem crise, e exemplo disso é a criação de um polo da associação em Portimão e a parceria com uma academia de música em Beja. Em paralelo à música, teatro e dança, Roberto Estorninho destaca o «Biolevante», vocacionado para o pilatos, yoga e outras atividades relacionadas com o bem-estar, e o «VisitLagoa», um projeto online que dá uma visão diferente do concelho através de uma fotografia diária, acompanhada por um texto explicativo. Para 2016 está na calha o «Lagoa vista pelo céu», que permitirá a recolha de vídeos da costa do concelho através de um drone, num formato semelhante ao «VisitLagoa». “E queremos abrir a Escola de Teatro de Lagoa e uma escola de música, portanto, há sempre projetos a surgir, outros que fazem uma pausa, outros que deixam de existir, com uma normalidade muito grande. Deixamos fluir as coisas, mas também as provocamos, para agarrarmos os nossos sonhos e andarmos num constante desassossego” .

31

ALGARVE INFORMATIVO #29


ENTREVISTA

TERESA PAULINO apresenta «Ritmos e Melodias» em Quarteira

ALGARVE INFORMATIVO #29

32


Nas nossas habituais andanças pelo panorama cultural algarvio, damos um merecido destaque à escultora Teresa Paulino, cuja mais recente exposição «Ritmos e Melodias» pode ser vista em Quarteira por mais algumas semanas. Contudo, muitos mais trabalhos seus podemos encontrar no dia-a-dia, na Rotunda do Aeroporto de Faro e em vários locais de Quarteira, Loulé, Albufeira, Paderne, esculturas de diferentes dimensões e materiais que dão um toque especial e único a muitos espaços públicos da região. Mais do que fazer peças a pensar nas tradicionais exposições, é a participação com projetos em concursos, nacionais e internacionais, que mais puxa pela sua criatividade e na forja podem estar mais duas importantes peças. Mas, enquanto as decisões finais não são tomadas, o Algarve Informativo foi até à Galeria Praça do Mar, em Quarteira, para conhecer de perto o trabalho de Teresa Paulino. Texto e Fotografia: Daniel Pina

33

ALGARVE INFORMATIVO #29


E

stá patente até 7 de novembro, na Galeria Praça do Mar, em Quarteira, a exposição de escultura «Ritmos e Melodias» de Teresa Paulino, uma lisboeta de 44 anos com fortes raízes no Algarve, já que a mãe é olhanense e o pai é farense. Não admira, por isso, que tenha rumado ao sul quando concluiu o ensino secundário na Escola António Arroios, em Lisboa, seguindo-se um bacharelato em Design pela Universidade do Algarve e uma licenciatura em Design de Comunicação pela ESTAL, de Lisboa. Depois de dar aulas de Artes Visuais durante alguns anos, decidiu dedicar-se em exclusivo à escultura, desde peças pequenas de decoração até outras de grande escala para serem colocadas em espaços públicos, como é o caso de «Os Observadores», um conjunto de 12 figuras inseridas na rotunda à entrada do Aeroporto de Faro. A vitória nesse importante concurso de ideias, em 1999, abriu-lhe as portas para outros trabalhos de maior dimensão, sendo disso exemplo as figuras do «Contrabandista», «Pescador» e «Guarda-Fiscal» que executou, em 2001, para a vila de Alcoutim, a «Rotunda dos Pescadores», em Quarteira, e a «Vendedora do Mercado», em Loulé, datados de 2008, o «Músico da Banda de Paderne», em 2009 e «A Família de Pescadores», em 2010, para Albufeira. Nesse mesmo ano venceu o prémio do público na Exposição Internacional de Escultura Artemar, no

Estoril, com a obra «A Lata». A par destes projetos específicos, têm sido muitas as exposições de escultura e pintura que tem levado a cabo no Algarve, na vizinha Espanha, até mesmo em França, reflexo de um trabalho bastante diversificado, tanto nas dimensões, como nos materiais utilizados, e que vão desde a pedra e metal à fibra de vidro, resina, tecido, madeira e outros. Adivinha-se, assim, que o jeito para os trabalhos manuais, para o desenho, pintura e escultura, apareceu bem cedo, numa família bastante ligada à arte, pelo que a ida para a Escola António Arroios foi uma decisão pacífica e apoiada pelos pais. Natural foi também a mudança para o Algarve, região muito apreciada pelos artistas devido à sua tranquilidade, luz natural, paisagens deslumbrantes, ou seja, tudo o que ajuda à criatividade. “Gosto imenso de cá estar, é uma zona excelente para se viver e para trabalhar, o mais complicado é depois organizar exposições. Em Lisboa e Porto consegue-se obter um maior

ALGARVE INFORMATIVO #29

34


reconhecimento”, admite Teresa Paulino, o que não significa que tenha pouco trabalho. “A minha rampa de lançamento foi, de facto, as figuras do Aeroporto de Faro. Ainda estava a tirar o bacharelato em Design na Universidade do Algarve, fiz esse projeto para uma cadeira e concorri, em paralelo, a um concurso de ideias. Um ano ou dois depois fui contatada pelo diretor do Aeroporto, queriam executar a obra, e comecei a trabalhar mais profissionalmente a partir dessa data”, lembra. Teresa Paulino não podia pedir um melhor cartão-de-visita do que a Rotunda dos Observadores, porta de entrada e saída de milhares de turistas ao longo do ano, um conjunto de 12 figuras antropomórficas (e uma figura animal) situadas de forma aleatória no circulo central da rotunda, em pose de observação, com o rosto voltado para o céu. Peças com uma dimensão máxima de três metros, executadas em calcário, o que envolveu uma logística difícil de dominar, aliás, foram feitas no Alentejo, num canteiro que tinha uma oficina grande, sendo depois transportadas para Faro. O certo é que, a partir daí, a veia criativa tem pulsado com grande intensidade e Teresa Paulino diz que precisava de dias de 48 horas para conseguir concretizar tudo o que lhe vai na cabeça. “Quando se trata de concursos, tenho que formular um projeto dentro dos objetivos estabelecidos, para as exposições, onde os temas são mais livres, vou criando ao sabor das ideias. Por vezes estou a trabalhar numa peça e decido colocar coisas diferentes, utilizar outros materiais, é uma experiência sempre aliciante”, conta. Rotinas e métodos também variam consoante está a preparar um projeto ou uma exposição, há ideias que surgem quando está deitada na cama à noite, outras nascem de situações que vivenciou ou observou na rua, e que depois ganham corpo no ateliê. “As primeiras esculturas foram em barro e gesso, depois comecei a utilizar também a madeira e aprecio muito dos tecidos, tapeçarias e estamparias, porque o curso que tirei na Escola António Arroios foi de Design Têxtil. Gosto de misturar vários materiais na mesma peça, não sou daquelas puristas que só quer trabalhar com mármore branco. Há pouco

tempo até ganhei uma menção honrosa num concurso da ALGAR com uma maça feita de pneus de automóvel”, revela, o que faz com que as exposições de Teresa Paulino sejam sempre inovadoras e surpreendentes. “Mas há muitas pessoas que identificam logo o meu estilo, principalmente quando são peças de fibra de vidro, por causa da cor e dos padrões que utilizo”. 35

ALGARVE INFORMATIVO #29


Muitos miúdos nem sabem usar uma tesoura Apesar do excelente currículo, Teresa Paulino esclarece que viver da escultura em Portugal não é para qualquer um e que tudo seria bem mais fácil do outro lado da fronteira, onde há mais concursos para obras de maior dimensão. “É claro que alguns deles são de âmbito internacional e qualquer pessoa pode concorrer, mas outros são limitados a artistas espanhóis. Mas a cultura tem outro fôlego em Espanha, faltam mais incentivos em Portugal”, indica a entrevistada. “No caso da Rotunda do Aeroporto, por exemplo, são muito mais os estrangeiros que ligam às esculturas e pedem réplicas mais pequenas das figuras e não sei se a desculpa dos portugueses será apenas a questão de terem menor poder de compra”. Outro problema que a antiga professora de Artes Visuais observa nos workshops que vai dando aos mais jovens é o desapego pelos trabalhos manuais, muitos nem sabem cortar com uma tesoura. “Falta-lhes sensibilidade para as artes e os próprios pais não os incentivam nesse aspeto, é algo que suja e gera muita

ALGARVE INFORMATIVO #29

confusão lá em casa. Preferem dar um tablet aos miúdos para ficarem entretidos e não desarrumarem a casa, o que é mau”, critica Teresa Paulino, embora reconheça que a escultura é uma arte mais dispendiosa e exigente em termos de espaço. “E as pessoas vão pouco a exposições, não temos a audiência que desejaríamos. As escolas têm que despertar nas crianças o bichinho pela arte e elas depois acabam por puxar os pais, mas cada vez se corta mais na cultura e nas artes. Às vezes damos por nós a pensar em mudar-nos para o estrangeiro para termos mais apoios. Vender esculturas a particulares também é raro, as peças podem ir dos 500 aos 10 mil euros, o que leva os portugueses a preferir as réplicas das lojas de decoração”, analisa, revelando que a maior parte dos seus clientes privados são estrangeiros. “Muitos contatam-me depois de terem visto as figuras da rotunda do Aeroporto, querem comprar alguma peça que eu já tenho feita ou encomendam-me alguma coisa diferente”. Ora, como os materiais são dispendiosos e difíceis de trabalhar e o espaço para guardar peças não abunda, a rotina de Teresa Paulino vai dependendo das encomendas de particulares ou

36


dos projetos que resultam de concursos públicos. “Nos períodos em que há menos trabalhos, as ideias ficam no papel ou em pequenas maquetes, não se consegue, pura e simplesmente, fechar a torneira à criatividade. Depois, num país com maior propensão para a cultura, cada exposição seria feita com peças novas e específicas para cada tema. Em Portugal, é impossível estar a investir muito dinheiro só para colocar as peças numa galeria. O que acontece normalmente é um artista levar para as exposições as peças que tem guardadas e uma ou outra novidade”, explica a lisboeta radicada em Quarteira. E se, na pintura, se pode pintar por cima quando não se gosta ou não causa grande rombo na carteira jogar uma tela para o lixo, na escultura tudo é diferente. “Se forem em bronze, posso mandar fundir e utilizar noutra peça, em pedra ou fibra de vida já não posso fazer o mesmo. Só podemos partir para o material quando temos certeza do que queremos fazer”, avisa Teresa Paulino, que também recorre a um canteiro para tirar a parte bruta dos blocos de pedra antes de meter mãos à obra.

Com «Ritmos e Melodias» patente em Quarteira até 7 de novembro, a agenda de Teresa Paulino permanece, para já, incerta enquanto não é conhecida a decisão sobre dois projetos que entregou a duas câmaras municipais. “Gostaram bastante das maquetes e disseram que os projetos seriam para avançar no curto prazo, portanto, não posso comprometer-me com uma exposição. Há concursos bastante específicos no que pretendem, noutros, são os artistas que submetem as suas ideias, que avançam com as suas próprias propostas”, esclarece, adiantando ainda: “Agora, com a internet, torna-se mais fácil saber que concursos é que estão a decorrer, quais os requisitos para participar e enviar as nossas ideias e maquetes. A logística de transporte também é mais fácil, não estamos no século passado, apesar das figuras de pedra serem mais sensíveis. O ano passado vendi umas para a Holanda, foram numa caixa com várias camadas de gesso e areia, quando chegaram ao destino foram limpas e montadas e ficou tudo ótimo. São pormenores que se aprendem com o tempo e a experiência”, refere numa manhã em meados de outubro, de mangas arregaçadas, com o sol no rosto e a praia de Quarteira mesmo em frente. “Aqui tenho mais qualidade de vida, não se perde imenso tempo no trânsito, como acontecia quando estava em Lisboa” .

37

ALGARVE INFORMATIVO #29


ATUALIDADE

REDE EUROPEIA DE ESCOLAS PARTICIPATIVAS REUNIU-SE EM FARO participativa e integrada. Entre as várias atividades previstas, está a criação de uma escala de referência para as escolas europeias que lhes permita analisar o nível de participação e cidadania da comunidade escolar; e uma conferência europeia sobre modelos de escolas participativas. Em Portugal, o Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa, em Faro, é a escola parceira.

A

Cooperativa ECOS reuniu-se com os parceiros europeus do projeto «Network of Democratic Citizenship Schools», na Escola Secundária de Pinheiro e Rosa, em Faro, num encontro que contou com a presença de representantes da Eslovénia e da Polónia. Com a duração de dois anos, o projeto tem o objetivo principal de criar um referencial de qualidade e uma rede europeia de escolas que formem cidadãos cada vez mais ativos e participativos. Nesta fase, são quatro as escolas parceiras do projeto mas espera-se que esta rede continue a crescer. Criando um modelo e planos estratégicos para cada escola, o objetivo é conseguir envolver os estudantes, corpo docente e não-docente, pais e a comunidade geral, na definição de políticas que promovam uma escola mais inclusiva,

ALGARVE INFORMATIVO #29

A ECOS - Cooperativa de Educação Cooperação e Desenvolvimento, CRL é uma organização registada em Janeiro de 2010 com o propósito de responder a dois desafios: Contribuir para a promoção, reconhecimento e valorização da educação não formal enquanto metodologia de desenvolvimento humano e transformação social, em complementaridade com a educação formal e informal; Contribuir para a integração social e reforço da coesão social, assumindo-se como agente de desenvolvimento comunitário. Para tal, apresenta uma diversidade alargada de serviços, entre os ramos de consultoria, investigação e formação, tendo a sua prática centrada na conceptualização, desenvolvimento e implementação de projetos socioculturais, ambientais e educativas, nas suas mais variadas formas e envolvendo os mais variados atores (profissionais e voluntários, investigadores, entidades, autarquias entre muitos outros) ligados ao trabalho com crianças, jovens e adultos, tanto a nível local, nacional como internacional .

38


39

ALGARVE INFORMATIVO #29


CÂMARA DE LAGOS REQUALIFICA PARQUE HABITACIONAL MUNICIPAL Moinhos», cujo valor de adjudicação foi de 64 mil e 670,15 euros, acrescido do IVA. Esta intervenção tem como objetivo o tratamento de áreas comuns dos blocos 1 a 7 daquela urbanização e consiste na execução de trabalhos de pintura exterior dos edifícios que constituem o bairro em questão, pintura de acessos interiores (escadas e áreas comuns) às frações, bem como reparações de caixas de correio e fechaduras de portas de acesso aos blocos.

A

Câmara Municipal de Lagos continua a promover várias intervenções nas urbanizações municipais, cujo objetivo primordial é, além da necessária conservação do parque habitacional, a promoção da melhoria das condições de habitabilidade dos arrendatários dos fogos municipais. Assim, foram recentemente concluídas obras de reabilitação e requalificação em fogos municipais, integrados em várias urbanizações do concelho, as quais se centraram, maioritariamente, em melhoramentos parciais ao nível da substituição de pavimentos, pinturas e envernizamentos, reparação de redes de águas e esgotos, substituição de loiças sanitárias, substituição de equipamentos de cozinha, entre outros. Estas intervenções abrangeram, nesta segunda fase / 2015, 11 fogos e ascenderam ao montante de 90 mil e 488,60 euros, acrescido do IVA. Atualmente, encontra-se em curso uma empreitada de reparação e beneficiação de espaços comuns da urbanização «Bairro dos

ALGARVE INFORMATIVO #29

Refira-se que este compromisso por parte do Município já havia ficado plasmado nas GOP 2015 (Grandes Opções do Plano) da Câmara Municipal de Lagos, em que se afirma que, ao nível da habitação municipal, os principais eixos de intervenção continuarão a estar relacionados com a identificação/atualização e diagnóstico de necessidades habitacionais da população residente e com a gestão das urbanizações municipais, esta última traduzida na capacitação dos arrendatários e subarrendatários quanto aos seus direitos e deveres, na identificação de necessidades de intervenção social junto dos mesmos e na identificação de necessidades de manutenção/conservação/reabilitação do parque habitacional municipal, às quais se procurará dar resposta. Estas intervenções, além da necessária conservação do parque habitacional, têm como objetivo primordial, a promoção da melhoria das condições de habitabilidade dos arrendatários dos fogos municipais .

40


41

ALGARVE INFORMATIVO #29


ARTE URBANA ABRE AS PORTAS DE BAIRRO SOCIAL DE LOULÉ À COMUNIDADE

N

o âmbito do programa «Loulé, Cidade Educadora» e do projeto «Dar Cor à Cidade», foi inaugurado, no dia 11 de outubro, no Edifício de Santa Luzia, Bairro Municipal de Loulé, um mural com a imagem desta padroeira. No dia em que se comemorou o Dia de Santa Luzia, a Autarquia de Loulé e os moradores, devotos a esta Santa, marcaram presença neste ato que pretendeu levar a arte para dentro do bairro, registando neste espaço uma imagem que identificasse a comunidade e, simultaneamente, permita abrir as portas do bairro à comunidade em geral. O mural, da autoria do artista Travis e da Associação Satori, de grande nível criativo e de execução, nasceu também do envolvimento dos residentes, sobretudo os mais jovens. A opção pela imagem que se reproduziu surgiu de um encontro com moradores e da vontade expressa pelos mesmos. Depois de Almancil foi a vez do projeto «Dar Cor à Cidade» passar por Loulé, numa iniciativa que para além de promover os artistas de grafitti procurou, de uma forma

pedagógica, incentivar a uma atitude positiva relativamente ao espaço urbano e social, um espaço de todos os cidadãos e cidadãs. Esta ação de Arte Urbana permitiu ainda criar uma galeria de arte a céu aberto e, certamente, será a partir de agora um ponto de passagem para os apreciadores da arte de grafittis .

ALGARVE INFORMATIVO #29

42


ATUALIDADE

43

ALGARVE INFORMATIVO #29


UM ANO DE BALCÃO ÚNICO MUNICIPAL DE PORTIMÃO passou a concentrar os serviços de atendimento deste departamento, tendo ganho mais valências e contribuído para levar mais pessoas ao centro da cidade para tratar de todos os assuntos que se relacionam por exemplo com pedidos de inspeção de elevadores, entrega de projetos, pedidos de alojamento local, necessidade de cópias de plantas e licenças de utilização entre outros assuntos para os quais teriam que se deslocar às instalações do DOGUAUTM.

F

ez um ano, no dia 13 de outubro, que o Balcão Único Municipal abriu as suas portas em pleno centro de Portimão, por forma a simplificar a vida dos munícipes, registando até aos dias de hoje uma afluência de mais de 21 mil pessoas que ali procuraram tratar dos seus assuntos de forma mais rápida, mais fácil e cómoda. Esta foi uma aposta do atual executivo camarário com vista a tornar mais eficaz o atendimento público da autarquia, ao concentrar num só espaço a maioria dos serviços municipais não só da Câmara Municipal de Portimão nas suas diferentes áreas de atuação, como da EMARP no que diz respeito não só ao abastecimento de água e resíduos como nas recém- áreas de atuação ao nível da ocupação da via pública e atividade publicitária. A partir de maio deste ano, com a transferência dos serviços municipais afetos ao Departamento Obras, Gestão Urbanística, Ambiente Urbano, Trânsito e Manutenção (DOGUAUTM), vulgarmente conhecido por «Departamento de Obras» para o edifício onde estava instalada a Portimão URBIS, localizado no Parque de Feiras e Exposições de Portimão cuja mudança permitiu à Câmara Municipal de Portimão uma poupança de cerca de 300 mil euros, o Balcão Único Municipal

ALGARVE INFORMATIVO #29

Já em março, no seguimento de um protocolo de cooperação estabelecido entre a Câmara Municipal de Portimão e a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) foi instalado no espaço onde funciona o Balcão Único Municipal um inovador serviço da AHRESP- um Balcão Único Empresarial que veio disponibilizar aos seus associados um conjunto de serviços com vista a ultrapassar os processos burocráticos respeitantes à instalação de empresas ou à gestão quotidiana das mesmas. Mais recentemente, em junho, o Balcão Único Municipal viu a sua oferta de serviços enriquecida com a instalação do Espaço do Cidadão da Agência de Modernização Administrativa (AMA), que permite atualmente aos utentes aqui tratar de cerca de 80 assuntos, como renovar a carta de condução, entregar documentação para a ADSE ou alterar a morada no Cartão de Cidadão, obter certidões de registo civil, predial e comercial entre outros serviços. O Balcão Único Municipal assume-se cada vez mais como um local privilegiado no centro da cidade onde os munícipes podem relacionar-se de forma mais fácil e personalizada com a autarquia ao ritmo da sua vida profissional ou familiar através de um horário contínuo de atendimento, das 9h às 19h e, de uma equipa pluridisciplinar e profissional disponível para satisfazer os diferentes pedidos e informações necessárias .

44


45

ALGARVE INFORMATIVO #29


COMPLEXO DESPORTIVO DE VRSA INTEGRA REDE DE CENTROS DE ALTO RENDIMENTO

O

Complexo Desportivo de Vila Real de Santo António foi oficialmente integrado pela Fundação do Desporto na rede nacional de Centros de Alto Rendimento Desportivo, estando vocacionado para as modalidades de atletismo, judo, futebol, triatlo e natação. Com esta distinção, o Complexo Desportivo amplia ainda mais a sua notoriedade nacional e internacional e passa a constituir-se como uma instituição de excelência que agrega as valências de treino, investigação, medicina, psicologia, fisioterapia e nutrição, sendo a única do género a sul do Tejo. “Esta certificação permite uma maior rentabilização dos equipamentos e infraestruturas do Complexo Desportivo Municipal, que passam a ter novos mecanismos de financiamento, potenciando ainda mais a sua internacionalização e criando condições para o desenvolvimento de uma verdadeira economia do desporto”, sublinha Luís Gomes, presidente da autarquia de VRSA.

De forma a assegurar esta parceria, a VRSA SGU – empresa municipal gestora do Complexo Desportivo – e a Fundação do Desporto vão assinar, no dia 15 de outubro, um protocolo de apoio desportivo que permitirá a concessão de uma comparticipação financeira ao projeto

ALGARVE INFORMATIVO #29

desportivo do Centro de Alto Rendimento de VRSA. “Pela primeira vez, o Complexo Desportivo de VRSA recebe um claro apoio institucional do Governo para promover o desporto ao mais alto nível e continuar a sua estratégia de promoção internacional, vendo assim reconhecido o trabalho de especialização que está a ser feito, há alguns anos, pela autarquia, ao nível da medicina desportiva e de reabilitação”, destacou o autarca. A formalização deste protocolo segue-se a outro já assinado, em 2014, entre o Município de Vila Real de Santo António, a VRSA - Sociedade de Gestão Urbana, o Instituto Português do Desporto e Juventude, a Federação Portuguesa de Atletismo, a Federação de Triatlo de Portugal, a Federação Portuguesa de Natação, a Federação Portuguesa de Judo e a Federação Portuguesa de Futebol, que estabeleceu as bases de funcionamento da comissão de gestão local do CAR de VRSA. Os Centros de Alto Rendimento (CAR) são uma rede de infraestruturas desportivas com valências especializadas e orientadas para a investigação, aperfeiçoamento e treino de praticantes de alto rendimento ou seleções nacionais e têm como objetivo promover o desenvolvimento das várias modalidades desportivas segundo padrões de nível internacional. A rede conta atualmente com 13 centros que procuram atender às necessidades das federações desportivas, detetar e potenciar talentos, possibilitar estágios, avaliar, controlar e otimizar o treino, auxiliar a investigação científica e monitorizar resultados. A comissão de gestão local do CAR de VRSA tem ainda como missão celebrar protocolos com o setor empresarial, escolas, universidades e outras instituições consideradas relevantes, em articulação com a Comissão Executiva de Gestão dos CAR e a Fundação do Desporto . 46


47

ALGARVE INFORMATIVO #29


QUARTEIRA BEACH RUN REÚNE DESPORTO, MÚSICA E TEATRO

Q

uarteira prepara-se para ser palco de mais um evento desportivo inédito na cidade, com a primeira edição da «Quarteira Beach Run», aquela que será a mais longa prova de praia do Algarve, que terá lugar no próximo dia 25 de outubro, pelas 9h. Com partida e chegada no Calçadão, junto ao restaurante

Lendário, a prova será disputada nas modalidades de corrida e caminhada (5 ou 10 quilómetros), com passagens pelas praias do Forte Novo e do Ancão. Esta será uma corrida/caminhada diferente do habitual, com muita animação não só para o público, como para os próprios participantes. Durante o percurso estão reservadas algumas surpresas, a cargo do grupo de teatro Te Atrito. Após a partida das duas modalidades, os mais pequenos poderão divertir-se com diversas atividades de atletismo no «Kids Athletics», um espaço dedicado a crianças entre os 6 e os 12 anos. No final da prova, atletas e espectadores serão convidados a desfrutar de um buffet no terraço do restaurante Lendário. A animação estará garantida com performances de teatro e DJ´s.

ALGARVE INFORMATIVO #29

A iniciativa reveste-se ainda de cariz solidário, já que parte das receitas das inscrições reverterá a favor do Refeitório Social de Quarteira. Os atletas Álvaro Rodrigues e Catarina Marques são os padrinhos da primeira edição da prova, que é uma organização da «Free Challenge» com a chancela «Loulé Cidade Europeia do Desporto 2015» e com os apoios da Câmara Municipal de Loulé, Junta de Freguesia de Quarteira e Garvetur. Na apresentação oficial do evento, Marco Pereira, mentor da iniciativa, enfatizou o cenário maravilhoso com passagem pelas praias do Forte Novo e do Ancão e garantiu que a «Quarteira Beach Run» será diferente do habitual em termos de animação. Reinaldo Teixeira, administrador da Garvetur e patrocinador da prova, também se mostrou entusiasmado por abraçar mais um evento em Quarteira. “Nós, empresários, temos a obrigação e o dever de apoiar este tipo de iniciativas relacionadas com a prática desportiva”, defendeu. A ideia foi recebida com agrado e satisfação pela Câmara Municipal de Loulé, tal como explicou o vice-presidente Hugo Nunes. “Não temos dúvidas de que este será mais um evento de grande sucesso no Concelho”. Para Telmo Pinto, presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, esta é uma prova que poderá ganhar um lugar de destaque a nível nacional, uma vez que “Quarteira tem a melhor frente de mar do país e deve ser aproveitada para eventos desportivos, mesmo no inverno” . 48


49

ALGARVE INFORMATIVO #29


ALGARVE INFORMATIVO #29

50


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
ALGARVE INFORMATIVO #29 by Algarve Informativo - Issuu