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ALGARVE INFORMATIVO #27

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Os Sete Pecados Mortais de

Bonny The Gemini

Observadores de aves rumaram a Vila do Bispo MUNDOPARDO preparam novo disco de originais INFORMATIVO #27 HÉLDER FARROBA - Um D’Artagnan de ALGARVE cadeira de rodas 1


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#27 SUMÁRIO

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OBSERVAÇÃO DE AVES EM SAGRES

HÉLDER FARROBA

MUNDOPARDO

26 BONNY THE GEMINI Algarve Informativo #27 produzido por Daniel Pina (danielpina@sapo.pt); Foto de capa: Daniel Pina Contatos: algarveinformativo@sapo.pt / 919 266 930 As notícias que marcam o Algarve em algarveinformativo.blogspot.pt

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OPINIÃO

O COPO CONTINUA MEIO VAZIO… DANIEL PINA Editor/Jornalista

P

empreendedorismo, o que é, na sua essência, positivo, mantém-se o foco das notícias do costume. O mesmo fenómeno verificou-se recentemente com a Universidade do Algarve, que teve alguns minutos de fama por ter registado, pelo segundo ano consecutivo, mais alunos inscritos e a um crescimento superior à média nacional, e depois essa boa notícia, e todos os excelentes trabalhos que desenvolve no âmbito da investigação em múltiplas áreas de conhecimento, foram completamente abafados pelo caso da jovem caloira que foi para o hospital em coma alcoólico, na sequência de uma praxe na Praia de Faro. Não estou com isto a retirar a gravidade da situação ocorrida, que deve ser investigada de modo a que os responsáveis sejam devidamente punidos, mas daí a passar-se uma borracha pelo que de bom esta instituição de ensino tem feito pelo Algarve e pelas novas gerações de portugueses e olhar-se apenas para mais uma praxe que ultrapassou os limites do bom sucesso, e que acontecem praticamente em todas as universidades de Portugal, não me parece correto e justo. Se recuarmos uns anos, diria que, de facto, era esse o público que havia em Portugal, que as pessoas queriam era saber o que de mau acontece na casa do vizinho e do outro lado da rua, e a comunicação social, se queria ter boas audiências ou vendas, tinha que lhes oferecer o que elas pretendiam. Infelizmente, alguns jornais e canais de televisão especializaram-se nesse tipo de produto – e nem vale a pena falar em nomes, todos nós sabemos quais são – e continuam a concentrar atenções nesses conteúdos informativos, ignorando o que acontece de bom, conduzindo as entrevistas para o lado que lhes mais convém, editando as peças de maneira a ser publicado ou transmitido o lado da história que mais lhes interessa, por vezes até deturpando por completo o que aconteceu, para mostrar o seu lado da verdade aos portugueses. Portugueses esses que, felizmente, já começam a olhar mais para o lado bom da vida, para os casos de sucesso que lhes sirvam de inspiração, que os ajudem a ultrapassar os maus momentos, as dificuldades do dia-a-dia. Mas enquanto a maioria ainda se pautar pelo negativismo, vamos continuar a ler e ver notícias cuja verdade apresentada nem sempre corresponde à verdade real e a pensar que o copo está meio vazio, em vez de meio cheio… .

or estes dias centenas de turistas estiveram em Sagres e um pouco por todo o concelho de Vila do Bispo, não daqueles de toalha de praia ao ombro ou de prancha de surf debaixo do braço, mas homens e mulheres de todas as idades e de múltiplas nacionalidades praticantes de birdwatching. Estrangeiros com bastantes euros para gastar que ajudaram a animar a economia local durante a realização de mais um Festival de Observação de Aves e que já não se limita apenas a observar aves nas suas rotas migratórias em direção ao norte de África com a chegada do Outono, oferecendo igualmente mergulho, observação de golfinhos, passeio a cavalo na Costa Vicentina, passeio em Stand Up Paddle, yoga na praia e muitos mais atividades. Um evento de tremenda qualidade e de renome internacional que lhe garante exposição mediática por esse mundo fora. Contudo, fiel ao princípio, errado na minha maneira de ver, de que os portugueses preferem más notícias do que ler sobre coisas positivas, alguma comunicação social nacional opta por continuar a dar tempo de antena a um caso em que o Município de Vila do Bispo terá feito obras numa área protegida sem autorizações ou estudos de impacto ambiental. Como normalmente acontece nestas situações, aparece um alegado especialista irremediavelmente entristecido porque terá sido arrancada vegetação única no mundo e sido acelerado o processo de erosão no perímetro junto ao «Geomonumento da praia do Telheiro», com centenas de milhões de anos, e o qual atrai estudiosos de todo o mundo. Não vou comentar a veracidade ou pertinência de tais acusações, não tenho acompanhado de perto o caso nem sou especialista em direito ou meio-ambiente. Mas, como jornalista que sou, posso confirmar que o Festival de Observação de Aves, Sagres, Vila do Bispo são sobejamente conhecidos nos quatro cantos do mundo e, confesso, nunca tinha ouvido falar desse tal Geomonumento da Praia do Telheiro nem dos tais estudiosos que atrai de todo o mundo. Nem eu e, muito provavelmente, ninguém dos jornais que tanto destaque dão a essa notícia. Mas, como se continua a pensar que o mau, o crime, a violência, o sexo e a corrupção vendem mais que o bom, o sucesso, a solidariedade, o

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REPORTAGEM

SAGRES VOLTOU A SER A MECA DOS OBSERVADORES DE AVES As habituais rotas migratórias outonais de diversas espécies de aves rumo ao norte de África colocaram de novo Sagres no centro das atenções dos birdwatchers, designação internacional para homens e mulheres de todas as idades e nacionalidades apaixonados pelo simples ato de observar estes seres vivos à distância de uma objetiva fotográfica ou de binóculos. Um nicho específico do turismo de natureza em que a Câmara Municipal de Vila do Bispo decidiu apostar em 2010 e, hoje, o festival é já uma referência no contexto europeu, ajudando a atenuar a conhecida sazonalidade do turismo algarvio. Reportagem: Daniel Pina

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Adelino Soares, presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo

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sexta edição do Festival de Observação de Aves de Sagres trouxe, de 1 a 4 de outubro, largas centenas de turistas, nacionais e estrangeiros, ao concelho de Vila do Bispo, que encontraram à sua espera mais de 200 atividades com o intuito de promover o turismo de natureza e ornitológico na região algarvia, afirmando-a como um local de eleição para a prática de birdwatching. Mas nem só observação de aves se podia fazer ao longo destes quatro dias, uma vez que o programa contemplava igualmente mergulho, observação de golfinhos, passeio a cavalo na Costa Vicentina, passeio em Stand Up Paddle, yoga na praia, entre outras iniciativas, umas gratuitas, outras mediante o pagamento de uma inscrição. A tudo isto juntavam-se ainda diversas atividades especialmente dirigidas às crianças a partir dos seis anos, de modo a tornar o festival um evento familiar. Já reconhecido a nível mundial, o Festival de Observação de Aves realiza-se em plena Área Protegida do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e nasceu em 2010, numa parceria entre a Almargem e a Sociedade

Portuguesa para o Estudo das Aves com o Município de Vila do Bispo. Prova do sucesso do evento é que Vila do Bispo conquistou mesmo o Prémio Município do Ano 2015 com o projeto «Festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza de Sagres», levando a melhor sobre as 36 candidaturas finalistas nesta iniciativa da Universidade do Minho. O arranque oficial do Festival aconteceu no Forte do Beliche, com uma vista de arrebatar o coração, e os vários responsáveis autárquicos e regionais, organizadores e parceiros presentes não pouparam, de facto, elogios ao evento. Manuel Vieira, da direção da Almargem, começou por destacar precisamente a conquista do galardão «Município do Ano 2015», ainda mais tendo em conta a concorrência de outros projetos com orçamentos bastante superiores. “A Almargem tem muito orgulho neste festival, que incentiva o turismo sustentável, um turismo de qualidade que suporta a defesa do património cultural e ambiental, proporcionando entretenimento mas, acima de tudo, educação ambiental”, afirmou o dirigente, destacando o envolvimento da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e da Câmara 9

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REPORTAGEM

Manuel Vieira da Almargem

Municipal de Vila do Bispo. “Este é um excelente exemplo de que estar inserido num parque ambiental pode ser uma mais-valia”. Em nome da SPEA falou o seu diretor Luís Costa, que considerou que o Festival de Observação de Aves de Sagres representa de forma perfeita o trabalho desenvolvido pela entidade ao longo do ano, sejam projetos ligados à conservação e promoção das aves, ao turismo de natureza, ao envolvimento das entidades oficiais e privadas e ONG (Organizações Não Governamentais). “Este festival está a crescer de ano para ano e, como tal, cada vez é mais complexo e demora mais tempo a organizar, pelo que já estamos a pensar na próxima edição. Espero que continuemos a crescer e a ser um polo de atração de turistas, de pessoas que se interessam pela natureza, porque isso também leva a que a restante população esteja mais preocupada e alerta para a proteção da natureza no nosso país”, refere Luís Costa.

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Luís Costa da SPEA

Da outra ponta de Portugal veio José Mendes, vice-reitor da Universidade do Minho, presidente da UM – Cidades e presidente do júri dos Prémios Município do Ano, que abordou a importância dos ativos territoriais para a promoção de uma região ou destino em termos turísticos. “São ativos que estão naquele sítio há, por ventura, milhares de ano. A famosa onda da Nazaré não está lá há um, dois ou 10 anos, da mesma forma que as rotas migratórias das aves não começaram a passar por Sagres este ano, ou no ano transato. Muitas vezes é preciso ter um filtro que nos permita olhar para ativos, que podemos segmentar como um produto e que podemos endereçar a alvos particulares”, defende, acreditando que esta postura é um dos melhores caminhos para se combater a sazonalidade do turismo algarvio. Sobre a grande concorrência que existe entre as várias candidaturas ao Prémio Município do Ano, José Mendes lembra que o vencedor da edição de 2014 foi Lisboa com o plano de recuperação 10


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José Mendes, Vice-Reitor da Universidade do Minho

da Mouraria, com um orçamento de 17 milhões de euros. “Este ano, penso que o júri quis demonstrar que existem caminhos alternativos de gerar valor sem grandes orçamentos, olhando para ativos territoriais que têm um valor incalculável. O trabalho que aqui está a ser feito é bastante interessante e estes prémios contribuem para projetar o nome de Vila do Bispo e a marca «Sagres»”. Presente no pontapé de saída do Festival de Observação de Aves esteve igualmente Desidério Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Algarve e vice-presidente da Associação Turismo do Algarve, também um apologista de que se deve tirar o máximo partido do território, sem nunca o prejudicar ou desvalorizar. “Os Planos Estratégicos da RTA e da ATA definem o Turismo de Natureza como uma área a intervir fortemente e, nesse sentido, temos trazido jornalistas de todo o mundo para lhes darmos a conhecer a região e nunca se falou tanto desta matéria como

Desidério Silva, presidente do Turismo do Algarve

atualmente. Mesmo os jornalistas nacionais descobriram que a natureza é um tema que vende”, salienta, deixando uma palavra de reconhecimento às empresas que se dedicam a esta atividade e nela criam postos de trabalho, às associações que estão empenhadas no conhecimento e na comunicação e à autarquia vila-bispense. “Já todos percebemos que nada se faz sozinho, há que fomentar parcerias e juntar aquilo que cada um sabe”, enfatizou Desidério Silva.

Natureza para combater a sazonalidade Figura há muitos anos ligada às questões ambientais é Valentina Calixto, que assumiu, no dia 1 de setembro, a direção do Departamento do Algarve do Instituto da Conservação na Natureza e das Florestas e mostrou logo a disponibilidade para, no futuro, o ICNF 11

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Valentina Calixto, do ICNF

participar mais ativamente na organização deste festival. “Permite um olhar diferente para o nosso território e ainda há muito para fazer no Algarve para se estruturar os produtos turísticos associados aos recursos naturais. Temos 18 por cento da região inserida em Áreas Protegidas e 49 por cento em Rede Natura 2000, o que reflete bem os valores ambientais que temos a obrigação de defender para que as gerações futuras deles possam usufruir. Ao mesmo tempo, a Política da Conservação da Natureza e da Biodiversidade tem o desafio de, por um lado, garantir a gestão do território e a valorização dos recursos naturais, mas, por outro, de que se possa usufruir do espaço da forma mais adequada”, frisa. Uma responsabilidade que deverá ser partilhada por todas as entidades da administração central, as autarquias, as associações, as empresas e os cidadãos. “O Algarve tem uma potencialidade significativa nas questões ambientais e temos que fazer uso

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Luís Miguel Paixão, presidente da JF de Sagres

delas para criar emprego e gerar atividade económica. Obviamente que existem objetivos estratégicos nacionais nestes domínios e, num contexto mais alargado, há um compromisso de crescimento verde para que a economia e o ambiente se reforcem mutuamente”, adianta Valentina Calixto, dando o exemplo concreto da marca «Natural.pt» criada pelo ICNF. “O Algarve será, certamente, uma região demonstrativa do sucesso que esperamos ter a breve prazo”. Antes do presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo usar da palavra, foi a vez de Luís Miguel Paixão, presidente da Junta de Freguesia de Sagres, reforçar que este evento já não existe a pensar unicamente na observação das aves, abarcando muitas outras atividades ligadas à natureza. “Promovem um turismo diferente daquele a que o Algarve estava habituado e somos visitados por cidadãos de todo o mundo, que desfrutam da nossa gastronomia, da nossa cultura e da nossa beleza natural”. 12


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se calhar até estamos atrasados uns 20 anos em relação a Espanha, o que fizemos foi rentabilizar o que aqui temos”, indicou o autarca. No seu discurso informal, o edil garantiu que mais apostas têm sido feitas pelo município no campo da natureza e do património cultural e arqueológico. “Tivemos recentemente uma iniciativa que combinou a arqueologia e a astrologia, Alexandra Lopes, da SPEA e Anabela Santos, da Almargem mas também podia falar A encerrar a Sessão Solene de abertura do 6.º das parcerias que temos com a Marinha Festival de Observação de Aves de Sagres, Portuguesa em torno dos vestígios Adelino Soares admitiu que, quando a autarquia subaquáticos da Baia do Martinhal, que abraçou este projeto, poucos eram os que pretendemos que sejam reconhecidos, em augurariam tamanho sucesso em tão poucos 2017, como património da UNESCO. Temos anos. “Os grandes eventos conquistam-se com várias parcerias com a Universidade do vontade, querer, persistência. Hoje, toda a Algarve, uma delas sobre o Vale do Boi, onde gente nos vê, aparecemos em muita imprensa se encontram os vestígios mais antigos do e temos imensos parceiros, mas é importante homem atual. Estamos a realizar um trabalho também que os responsáveis políticos com os menires e temos ainda o «triops reconheçam o enorme potencial deste evento. vicentinus», uma espécie pré-histórica que Estamos a preparar uma candidatura, em existe há milhões de anos e que nunca foi conjunto com várias empresas do concelho, divulgada. Quanto ao Festival de Observação para a promoção internacional de Vila do de Aves, não é da Câmara Municipal, da Bispo e, em especial, de Sagres, para que se Almargem, da SPEA, nem do Turismo do consiga combater a sazonalidade que existe no Algarve, é de todos aqueles que querem nele Algarve”, adiantou o presidente da Câmara participar”, finalizou . Municipal de Vila do Bispo. Adelino Soares lembrou que, num passado não muito longínquo, a maioria dos estabelecimentos comerciais e unidades hoteleiras do concelho encerravam a seguir ao Verão e, hoje, mantêm-se abertos e com taxas de ocupação bastante agradáveis, fruto igualmente da estratégia implementada pelo Turismo do Algarve. “Há muitos anos que se fala em Turismo de Natureza e em observação de aves mas, entre falar nelas e apostar nelas vai uma diferença muito grande. Nós não inventámos a observação de aves, 13

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ENTREVISTA

HÉLDER FARROBA UM D’ARTAGNAN DE CADEIRA DE RODAS O panteão de campeões nacionais algarvios conta com mais um nome, Hélder Farroba, o expoente máximo da esgrima em cadeira de rodas em terras lusitanas. Acabado de chegar do Campeonato do Mundo disputado na Hungria, o olhanense regressou de imediato aos treinos sob as indicações do professor Marco Rojo, responsável pela Esgrimalgarve, e pensa já nos próximos desafios, nomeadamente a participação no campeonato nacional da vizinha Espanha. Uma história de coragem, de persistência, de luta contra os obstáculos, um pouco à imagem do famoso D’Artagnan, que também lutou contra tudo e contra todos de espada em mão, em defesa do seu rei. Neste caso, Hélder Farroba empunha com mestria o florete, a representar as cores do Algarve e de Portugal. Texto e Fotografia: Daniel Pina

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ENTREVISTA

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ENTREVISTA

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sta peça podia contar apenas a história do jovem Hélder que, aos 16 anos, sofreu um acidente de comboio e perdeu ambas as pernas. Como se deve adivinhar, o trágico acontecimento virou de avesso a vida do olhanense, todos os sonhos de menino e adolescente desvaneceram-se de um momento para o outro, acordou para uma realidade completamente diferente, numa cadeira de rodas, num país que continua a não apoiar devidamente os seus filhos e filhas que padecem de alguma deficiência física ou motora, numa sociedade que, muitas vezes, prefere olhar para o lado, porque é mais fácil ignorar estes homens e mulheres do que tentar ajudá-los a ter uma vida mais digna, com mais qualidade. Sem grandes dificuldades ou truques de palavreado, podia-se deixar as pessoas de olhos lacrimejantes com a história do adolescente que teve que se tornar homem mais depressa para enfrentar a vida, para suprir os obstáculos que aparecem no quotidiano e que começam com o simples andar nas ruas de um Portugal que só recentemente se lembrou que nem todas as pessoas têm a mesma facilidade para subir ou descer escadas, para atravessar uma estrada,

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para utilizar transportes ou frequentar espaços públicos. Depois, há os outros obstáculos, menos visíveis, de quem sobrevive com uma pensão de invalidez que não chega aos 300 euros mensais e que não consegue arranjar trabalho porque a maioria dos portugueses ainda olha com pena para estas pessoas que, «coitadinhas», tiveram uma infelicidade na vida, mas daí a contratá-las para as suas empresas vai um longo passo, mesmo que esses homens e mulheres estejam perfeitamente habilitados para desempenhar uma série de funções. Nada disso. Preferimos falar do Hélder Farroba, hoje com 44 anos, praticante de esgrima em cadeira de rodas há sete anos e que esteve em Eger, na Hungria, de 16 a 20 de setembro, a representar Portugal no Campeonato do Mundo da modalidade. Uma proeza que já tinha feito em 2009, numa prova mais perto de casa, em Valência, daí ter sido uma participação menos complicada. Desta vez, porém, a ida do olhanense ao maior evento mundial da modalidade não foi nada fácil, pois o apoio da Federação Portuguesa de Esgrima resume-se ao equipamento que iria utilizar. Assim, acabou por ser o Município de Olhão e outras entidades públicas e particulares que, sensibilizados para a causa, asseguraram a

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ENTREVISTA

viagem e estadia deste espadachim filiado na Esgrimalgarve. Por isso, rumamos à Escola EB 2,3 Dr. Alberto Iria para assistir a mais um treino sob as indicações do professor Marco Rojo, após o qual Hélder Farroba fez uma avaliação positiva da sua experiência na Hungria, apesar de não ter conseguido ganhar nenhum combate. “Calhei com grandes atiradores, com o vice-campeão do mundo de espada, com o número um mundial de florete e com um húngaro que é dos melhores da modalidade neste momento. Ganhei muita experiência nesta prova que contou com 300 atletas de 32 países e agora é ir para a frente e pensar nos próximos combates”, refere o único português que marcou presença nessa importante prova. Curiosamente, Hélder Farroba tem praticado mais desporto desde que sofreu o acidente que o deixou paraplégico do que antes desse fatídico dia e, a par da esgrima, joga também andebol. Antes disso, andou pelo basquetebol em Quarteira e pelo atletismo, lançamento do disco, do dardo e do peso, em Vila Real de Santo António. “Um dia, o professor Marco Rojo encontrou-me e perguntou-me se queria tentar

a esgrima, gostei e, ao fim de dois anos já era campeão nacional. Quando era miúdo jogava só à bola e basquetebol com os amigos da rua, depois do acidente, já pratiquei todo o tipo de desporto que há para deficientes”, indica, reconhecendo que, no início, nem sabia que existia em Portugal desporto adaptado.

O eterno tormento da falta de apoios Hélder Farroba experimentou a esgrima e foi paixão à primeira vista, com a vantagem acrescida de treinar mais perto de casa. E engane-se quem pense que é uma modalidade pouco exigente, aliás, só de assistir a alguns minutos do treino fica-se cansado, havendo ainda o problema do calor que o fato de proteção provoca. “Mas, quem faz por gosto, não se cansa e o objetivo é ir mais longe na esgrima. Até agora tenho estado só com o florete mas, nas competições internacionais, o esgrimista precisa jogar pelo menos com duas armas. O professor ainda não decidiu se avanço para a espada ou para o sabre”, refere o 17

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ENTREVISTA entrevistado, que também pretende ingressar rapidamente no circuito espanhol da esgrima em cadeira de rodas. Entretanto, a transição de desportos coletivos como o basquetebol e o andebol, em que o importante é o coletivo, para a esgrima, onde se combate sozinho contra outro adversário, não

Hélder Farroba e o Professor Marco Rojo

causou grandes problemas para Hélder Farroba. “É um desporto muito gentil, de cavalheiro, tem que se pensar bastante no que se vai ou não fazer e tentar adivinhar o que o outro vai fazer. Não é um desporto de força, mas sim de agilidade e estratégia, tática”, descreve, explicando que, na vertente em cadeira de rodas, é usada uma base para os atletas estarem fixos numa posição. “Dali não saímos, a única coisa que se mexe é o corpo, daí ser essencial ter agilidade e velocidade de movimentos. São ataques tão rápidos que, às vezes, nem sabemos de onde apareceram”. A par dos treinos do ginásio da Escola EB 2,3 Dr. Alberto Iria, Hélder Farroba faz «ponta» em casa, um exercício onde se colocam quatro alvos na parede e, depois, se afina a mira com o florete ou a espada. O próximo passo é aprimorar a condição física, até porque, no dia

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seguinte, ia iniciar igualmente a prática do andebol em cadeira de rodas. Ou seja, o olhanense é daqueles que prefere ocupar a maior parte do dia com atividades físicas do que ficar em casa a lamentar-se do seu infortúnio e a pensar em coisas que não deve. “Aqui estou distraído e quero ver se arranjo mais atletas, porque a esgrima adaptada ainda está pouco desenvolvida no nosso país. Fui agora convidado para realizar um estágio na Polónia, mas ainda não sei se consigo ir, porque apoios não há para nada em Portugal. Eu e o professor tivemos que andar a bater porta a porta para reunir verbas para ir ao Campeonato do Mundo na Hungria e quero deixar o meu sincero obrigado a todos os que ajudaram a que isso acontecesse”, agradece, falando em cerca de quatro mil euros entre viagens, estadias, inscrições e alimentação. Menos despesas há no dia-a-dia porque a associação possui o material necessário para os treinos, mas o principal problema de Hélder Farroba prende-se com a sua cadeira de rodas, porque a modalidade exige modelos específicos. “Não posso ir para um campeonato com uma cadeira qualquer, tive que fazer algumas adaptações à minha, mas o ideal era ter uma nova”, desabafa, com uma chave de fendas nas mãos depois de ter feito mais um pequeno ajuste. “Uma cadeira não custa cinco tostões mas, por agora, voume desenrascando com esta, porque estou desempregado e recebo uma pensão de invalidez que não dá para nada. Se fosse um futebolista tinha mais facilidades para arranjar apoios, mas Portugal é assim. No campeonato do mundo vi países que levavam 20 ou 30 atletas”, conta. “Vi pessoas da minha idade e até mais velhos e pareciam umas máquinas a competir, fiquei maravilhado”. Como a hora do treino se aproximava do fim, deixamos Hélder Farroba a concluir os últimos exercícios e fomos conversar com Marco Rojo, professor de esgrima há cerca de 15 anos, depois de ter feito todo o percurso como atleta de alta competição. Sempre de olho atento aos seus pupilos, o instrutor explica que a Esgrimalgarve foi a evolução natural do clube de esgrima que existia na Escola EB 2,3 Dr. Alberto Iria desde 2000 e que, por questões legais, teve 18


ENTREVISTA que transformar-se numa associação sem fins lucrativos para ter acesso a alguns apoios e contratos-programa. E foi Marco Rojo que descobriu Hélder Farroba há cerca de oito anos, num episódio algo caricato. “Tinha feito a formação de esgrima em cadeira de rodas e não tinha atletas. Um dia vi o Hélder a passar na rua, fui atrás dele no meu carro, expliquei-lhe o que estávamos a fazer e perguntei-lhe se queria experimentar”, recorda, frisando que a presença do olhanense no Campeonato do Mundo da Hungria também foi fora do habitual. “Ao Mundial vai a elite de cada país e o Hélder é um campeão nacional num país sem campeonato e é o único atleta português que treina esgrima com regularidade. Por isso, sempre que há provas, ele ganha com naturalidade, daí ter ido à Hungria”. Neste contexto, Marco Rojo entende que a prestação do seu aluno foi exatamente o que tinham antecipado, não tendo conseguido vencer nenhum combate por não ter a tal rotina competitiva. “Bastava olhar para os atletas inscritos para ver as suas carreiras desportivas, com uma série de provas internacionais no currículo, duas ou três provas por mês. O Hélder tem uma competição mais a sério de cinco em cinco anos, está tudo dito”, indica o instrutor. “Como ele só consegue treinar comigo, habituou-se ao meu estilo de esgrima, ao meu jogo, às minhas ações e reações. Eventualmente é mais fácil ele vencer-me do que a outro atleta qualquer”, admite. De qualquer modo, a ida à Hungria serviu para dar mais experiência competitiva a Hélder Farroba mas também para abrir portas e horizontes, com polacos, alemães, espanhóis e ingleses a manifestarem vontade para ajudar o olhanense a progredir na modalidade. “A seleção polaca convidou o Hélder, outro atleta e um treinador a estagiar com eles e oferecem o alojamento e a alimentação, só a viagem é que fica por nossa conta. Os espanhóis também nos convidaram para participar no seu campeonato e, como o coordenador de esgrima em cadeira de rodas é de Málaga e as provas são de Madrid para cima, nós encontramo-nos em Sevilha ou algures pelo caminho para reduzir os custos”, adianta Marco Rojo. “Em Portugal, se treinar uma equipa de futebol que esteja no último lugar da quinta divisão, arranjo apoios de toda

a gente. Se tiver aqui um campeão nacional ou um vice-campeão do mundo, tenho que bater a 500 portas para receber um apoio”, lamenta. Apoios que chegam, felizmente, da Conserveira do Sul desde 2000, mas as restantes ajudas são mais pontuais e para eventos concretos, como foi agora a ida de Hélder Farroba à Hungria. “Mas esta queixão não é só minha, é de todos os que trabalham com modalidades menos visíveis. No hóquei em patins e o ciclismo têm apoios, na canoagem são capazes agora de conseguir porque ganharam uns campeonatos, no ténis de mesa, como não passaram dos quartos-de-final, se calhar vão ter mais dificuldades outra vez. O futebol abarca tudo”, observa o treinador, confirmando que a situação de Hélder Farroba é ainda mais sensível. “Vive de uma pensão de invalidez de 280 euros por mês, mas tem uma força de vontade enorme. É um guerreiro, muito lutador e dedicado e um bom exemplo para motivar pessoas que estejam em condições semelhantes. O Hélder merecia ser mais conhecido e ele não quer caridade, quer conquistar as coisas e ter um trabalho onde mostre o seu valor” . 19

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OPINIÃO

NÃO TIVE TEMPO!... PAULO CUNHA medida que a idade vai avançando vãonos batendo à porta, sem pedir licença, notícias que nos deixam completamente chocados, desconcertados e confusos, tal a dimensão das mesmas na nossa vida. É um facto, nada é mais certo que a nossa finitude. Para tal bastou apenas nascer. Daí a célebre frase «A vida são dois dias!», o dia em que nascemos e o dia em que morremos. De permeio tudo passa tão rápido que acaba por não caber num dia, tal a sua fugacidade. Sendo a morte o mais certo que temos na vida, passamos a vida a pensar que somos eternos, seres imbuídos de uma perenidade etérea que fará com que o amanhã seja sempre uma certeza… Nada mais errado! Certo, apenas o que já passou e o que estamos agora a vivenciar. Tal como o ato de me estar agora a ler e a pensar que tudo o que aqui escrevi não é mais do que a soma de puras evidências. Sem dúvida, evidências tais e tantas que se transformam em aparências. Parece que convivemos, parece que desfrutamos, parece que socializamos, enfim… parece que vivemos. Até que a realidade dos factos nos acorda desta dormência provocada e consentida. Será necessário sentir na pele a perda de um amigo para perceber que já o tínhamos perdido há já algum tempo? O tempo em que não houve tempo para com ele estar, o tempo em que o material substituiu o emocional, o tempo da ilusão da falta de tempo… Tardiamente

percebemos que, afinal de contas, o dia era feito de vinte e quatro horas e que bastavam sessenta minutos para trocar todos aqueles afetos guardados no peito. Deixá-los sair ter-nos-ia dado a sensação de um propósito e recompensa de vida, mas… não havia tempo! Passando por cá uma só vez, todos os momentos contam, e na soma dos mesmos se constrói uma história de variados momentos feita. Estórias partilhadas que nos projetam nos outros e nos fazem viver para lá de um «eu» egocêntrico, repetitivo e doentio. Não nos enganemos, temos tempo!… Não temos é vontade nem interesse em dar o primeiro passo. O passo para uma caminhada que se faz através de uma palavra, de um sorriso, de um gesto, de um abraço, de um olhar. E na brutal frontalidade da morte percebemos o que perdemos: o carinho que não foi dado, as perguntas que não foram feitas, as palavras que não foram proferidas e, sobretudo, a amizade que não foi alimentada. Cada velório acaba, assim, por se transformar numa catarse e numa profunda lamentação entre os que ainda por cá andam, para no dia seguinte tudo voltar ao mesmo: o insustentável peso dos dias. Onde, mais uma vez, não haverá tempo para o tempo dos outros! .

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OPINIÃO

ENFANT TERRIBLE

VAMOS A VOTOS PAULO BERNARDO Empresário

H

oje vou recuar até ao dia 25 de Abril de 1975, dia das primeiras eleições livres com sufrágio universal realizadas em Portugal. Foi um dia de alegria para mim pois, do alto dos meus cinco anos, vivi intensamente o dia das eleições. Foi um dia de festa. Uma alegria estranha e inexplicável, naquele dia o que mais queria era atingir os dezoito anos para poder votar. Lembra-me de ir com a minha família, o meu avô colocou o seu fato para ocasiões especiais para poder ir votar. Foi muito bonito e interessante, para a minha formação. No que antecedeu, foi um corrupio lá em casa a explicar a quem não sabia ler como se votava, na altura muitos não sabiam ler e isso exigia explicação. Julgo que existiam, votantes em quase todos os partidos, pois lembro-me de ouvir as conversas de eu quero votar neste ou naquele. Quando chegaram os meus dezoito anos, esperei mais de um ano para poder votar, pois as eleições ocorreram em Dezembro de 1989, vim a correr de Lisboa para poder votar. Desde ai votei sempre, pois nunca quis deixar de poder honrar quem morreu para eu poder votar. Já participei como candidato em várias eleições, conheço muitos políticos bons em todos os partidos, como conheço pessoas válidas em todas as atividades. Por isso, a história dos políticos serem todos desonestos é apenas história e culpa da não participação da sociedade civil na vida política. Pois, para quem não sabe, as eleições livres em Portugal só tem 40 anos. Assim, não consigo entender quem diz que não vota, que não está interessado em política. Que

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são todos iguais. Os únicos que são todos iguais são os que não votam, que não participam, que apenas criticam e nunca deram o corpo às balas, nem que seja para colocar uma cruz num papel. Sou a favor da penalização de quem não vota, quem não participa sem justificação deve ser privado dos direitos do que o estado lhe dá. Se não voto, porquê participar em concursos públicos, ser funcionário público, beneficiar de subsídios públicos? Quero ainda agradecer a todas as mulheres e homens que participaram nas últimas semanas em atividades partidárias, pois são esses que nos puderam governar. Quem não participa nunca poderá vir a participar em algo. Também quero agradecer a quem no dia das eleições vai se privar de um domingo em família para ajudar os outros a participar na democracia. Nota da semana: Quero felicitar os treinadores portugueses que atuam nas provas europeias, pois todos eles conseguiram resultados positivos, exceto o grande José Mourinho, que perdeu no Porto. A demonstração de que somos bons, quando temos oportunidade. Figura da semana: Reinaldo Teixeira pelo cargo que assumiu na Liga de Clubes como coordenador dos delegados da Liga de Clubes, cargo para o qual tem todas as características. É uma pessoa que admiro acima de tudo pela forma como se relaciona com o mundo, sempre com uma visão positiva .

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OPINIÃO

Crónicas dos emergentes*

CAPÍTULO 2: HONRA E GLÓRIA EDGAR PRATES

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xiste em nós um sentimento que apela ao crescimento, algo que está implícito à nascença de qualquer ser vivo. A nível profissional existe no nosso subconsciente um objetivo de evolução. Nas sociedades avançadas verifica-se a existência de um conjunto de regras definidas que abrem caminho ao desenvolvimento natural dos povos. As regras funcionam para todos. Mas... O que acontece quando surge um novo mundo governado por novas sociedades definido por novas regras? Uns adaptam-se. Outros não sabem o que se passa. Outros rejeitam qualquer hipótese de diálogo. E outros fecham-se na sua concha com medo do desconhecido. É natural. Estamos cada vez mais avançados, mas simultaneamente conscientes de que só alguns podem usufruir dos benefícios dos novos tempos. Apesar de todas as boas intenções do ser humano em tornar este mundo um lugar melhor, na prática, isso nunca aconteceu, não acontece e nunca vai acontecer. Porque o nosso instinto animal não o permite. Mais cedo ou mais tarde, a sociedade acaba por compreender as novas regras impostas por novas sociedades dominantes da ordem mundial. É nestes momentos que é preciso ter visão, coragem e coerência na tomada de decisões dentro da nossa sociedade para fazer face às novidades provenientes de outras paragens. Mas, por vezes, lembro-me da inércia evidente nas palavras que me dizia uma pessoa próxima: "Pelo menos com este já sabemos com o que

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contar, quanto ao outro que vier não sei o que poderá acontecer". Este livro não fala de situações cómodas. Não é para quem se habituou a ficar encostado à bananeira. Nestas páginas fala-se de algo que cheira a desconhecido, do que acontece quando deixa de soprar a brisa serena. Este livro fala dos novos ventos para os quais devemos motivarnos e virar as velas das nossas naus a devido tempo. Fala-se de mudança, de emergentes, de novas gentes e novas culturas globais. O receio de mudança acontece nas sociedades, nas famílias e nas empresas. As pessoas querem segurança e raramente dedicam a sua imediata preferência por algo novo ou por alguém acerca do qual nunca ouviram falar. E se for algo que tem uma certa aceitação mas que seja do desconhecimento de um indivíduo, este também não irá concordar de animo leve, porque no seu íntimo não quer sentir-se ultrapassado pelo facto de nunca ter escutado acerca de determinado assunto. As pessoas em geral procuram esclarecer-se melhor ou aguardam mais informação para tomar uma decisão. Outros, na presença da mudança, sentem medo porque não sabem o que lhes espera. É certamente mais seguro manter tudo como está e esperar de braços cruzados. Porque haveria alguém de mudar o seu modo de pensar de um momento para o outro, quando até aí sempre funcionou? Por vezes é uma simples questão de personalidade. 24


OPINIÃO

Durante a minha adolescência nos anos 90, Portugal crescia a taxas positivas ano após ano; num período de oito anos durante a minha adolescência, entre o 5.º e o 12.º ano, mudei de escola quatro vezes em Faro. Ou seja, em média, de dois em dois anos conheci novos amigos, novas zonas da minha cidade, novos professores e novos estilos de ensino. Isso não afetou as minhas classificações, pelo contrário, cheguei inclusivamente a receber várias notas máximas. Mais tarde, conciliei estudos universitários com rádio, eventos, animação noturna, hotelaria e ações de juventude. A capacidade de mudar dependeu sempre do background, ou seja, relativo à aprendizagem decorrente da mudança anterior. Experimentei tanta coisa nova e diferente que quando vi que o mundo estava a mudar, não hesitei em definir novas soluções. Quando mais experiencias vive um cidadão, mais fácil se torna para ele antever o que vem a seguir. Aqui está a visão. Surfei a onda de desenvolvimento dos mercados emergentes num swell magnífico; lá de cima na crista da onda não se pode ter receio das alturas. Não se pode falhar. Depois de se praticar de forma persistente e experimentar as variáveis dos desafios impostos pela adversidade, não se pode chegar ao final e escorregar da prancha. Só interessa vencer. Esse é o objetivo. Chegar ao topo. Custe o que custar. Aqui está a coragem. Por vezes também surgem eventos na vida das pessoas e das empresas que são provenientes de fatores alheios e originam novas situações: nessas ocasiões de infortúnio cabe-nos a nós aceitar evoluir imediatamente e tomar o rumo certo novamente. Qualquer que seja a interpretação, a sua realização objetiva não surge por acaso; executá-la requer a tomada de decisões balanceadas de forma a reter o que está bem e corrigir o que está mal. Aqui está a coerência.

conquista. Temos uma História exemplar e sangue quente. Não estamos aqui para vergar as costas a qualquer grupo de gente que nos vem pedir dinheiro. Pagamos. E vão com Deus. Mas não se compreende quando algum nascido em Portugal deseja o pior. Desses existiram muitos ao longo da nossa História, dos quais não se reza honra nem glória. Fazemos questão em demonstrar que sempre estivemos certos nas nossas decisões sempre que o mundo evoluiu. Temos as fronteiras mais antigas da Europa. Fomos o mais longo Império Ultramarino da História com gente espalhada pelos cinco continentes. 500 anos depois temos o melhor treinador de futebol da história do futebol. E provavelmente o mais valioso jogador de futebol do planeta. Pronto: somos os maiores... Mas é preciso fazer muito mais se quisermos competir com a nova ordem mundial e com os países emergentes. "O que são os emergentes?!" Já me perguntavam em 2004 num misto de ironia evidente e receio disfarçado por não se saber do que se estava a falar. Quando eu explicava a alguns colegas de Universidade as mudanças que estavam a ocorrer à nossa volta, poucos se interessaram. "Portugal foi à final com a Grécia, mas o que é que interessa agora estar a falar de países emergentes?", concluíram. No dia seguinte, após essa horrível derrota na final do Europeu de seleções, havia um vazio no ar. O orgulho nacional estava ainda mais ferido. Foi mais um episódio fatídico a juntar a tantos outros nas últimas décadas. Nós sabemos no fundo que somos especiais. Afinal de contas, os Portugueses pensam que se «desenrascam» sempre! Mas pensar em desenrascar uns favores nessa fase onde várias economias e poderosas organizações globais conquistavam território à escala global, não haveria outra coisa no horizonte a não ser a previsão do naufrágio da caravela. A avaliar pelas tendências económicas globalizantes no início do novo milénio, fui pragmático. Era necessário tomar um novo rumo .

Nós os Portugueses somos antigos, sábios e donos dos nossos narizes. Assim somos vistos por muita gente em vários lugares do mundo que admira a nossa capacidade nata de

*continua na próxima edição

Tem a ver com o background e a vivência de cada um.

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ENTREVISTA

OS SETE PECADOS MORTAIS DE

BONNY THE GEMINI

Adilson Duarte, ou Bonny The Gemini, é mais um daqueles felizes exemplos de que nascer e crescer num bairro desprivilegiado e rodeado de problemas sociais não obriga ninguém a ser um «coitadinho» ou «malandro», mesmo que isso signifique resistir a certas tentações, suportar alguns sacrifícios e batalhar com mais força e perseverança do que os outros. A dança foi a porta de saída deste quarteirense, não a clássica, mas o hip-hop, estilo que se adequa mais à sua personalidade irreverente, interventiva e explosiva. Aproveitou as oportunidades dadas pelos Da Weasel e Expensive Soul, mas não quis ser apenas um bailarino igual a tantos outros, sonhava ser coreógrafo e conceber os seus próprios espetáculos. Assim nasceu «The Seven Show», um espetáculo de dança que vai muito mais além do que os padrões convencionais desta forma de expressão artística, combinando o vídeo, a música, as mensagens escritas e as coreografias irrequietas, audazes, plenas de sentimento, e mesmo quem não é adepto de dança não lhe consegue ficar indiferente. Texto e Fotografia: Daniel Pina

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ENTREVISTA

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ENTREVISTA

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onfesso que não sou grande consumidor de produtos culturais, por falta de disponibilidade de tempo e, verdade seja dita, porque não me foi incutido esse hábito desde tenra idade. Depois, à medida que se vai avançando na idade adulta, as prioridades são outras, as responsabilidades também, nunca há tempo para nada, nem sequer para ver um filme no conforto do sofá da sala. Porém, quando soube que o Cine-Teatro Louletano ia ser palco do «The Seven Show», concebido e interpretado por um quarteirense, a curiosidade profissional foi espicaçada e lá fui eu para Loulé, sem saber muito bem ao que ia, admito. A sala não estava esgotada, mas isso já se adivinhava, Adilson Duarte, apesar de ser da terra, não tem um nome sonante como Jorge Palma e Sérgio Godinho, que ainda recentemente encheram em dois dias seguidos esta sala de espetáculos. Depois, tratava-se de um espetáculo de dança, que tem menos adeptos que a música. Mas tudo isso deixou de ser relevante quando as luzes se apagaram e depressa percebi, eu e os outros, que não ia dar o tempo por mal empregue, pois não se tratava, efetivamente, de um trabalho convencional. O grande ecrã começa logo a passar imagens que retratavam um pouco da vida de Adilson Duarte, conhecido como «Bonny The Gemini» desde que assumiu a tempo inteiro as facetas de coreógrafo e bailarino. Depois, mais clips de imagens, poderosos, daqueles que não se consegue desviar o olhar, mesmo quando

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impressionam um pouco, a abordar os sete pecados capitais: gula, ganância, luxúria, ira, inveja, preguiça e soberba. Mas «The Seven Show» não se encerra apenas nos sete pecados, bebe igualmente da mitologia grega, numa história que cruza o ódio existente na sociedade atual com a inércia das pessoas perante os problemas de cada indivíduo (a insegurança, a promiscuidade e o egocentrismo). Cronos e Apollo são, assim, as personagens que dão vida a um enredo que reflete o lado emocional e ingénuo do ser humano, que sacrifica o seu bem-estar em prol do amor e da paixão. Enredo consubstanciado por mensagens de nomes famosos da história moderna e que dão o mote para a entrada em cena de Bonny The Gemini, aliando coreografias eletrizantes, plenas de expressão corporal, com os sentimentos vivos em cada gesto, ao ritmo de uma banda sonora de potente hip-hop que deixa os espetadores inquietos nas cadeiras. Uma hora depois, os corações batiam mais depressa tal o ritmo imprimido pelo espetáculo na plateia, que ovacionou de pé o artista da terra, Adilson Duarte, nascido no Bairro da Abelheira, em Quarteira, faz daqui a poucos dias 30 anos. Minutos depois, o ambiente era de euforia nos bastidores, sinal de mais uma etapa concluída com sucesso, num conceito que começou a ser preparado há cinco anos e que foi sofrendo mudanças de nome com o passar do tempo. “Gosto de ponderar bastante antes de chegar a uma conclusão e este projeto fala da minha vida pessoal e profissional ao longo

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ENTREVISTA

de uma década de dança. É um resumo de tudo aquilo que passei no ramo do entretenimento, em que, se formos bons, somos manipulados pela máquina. Mostra o nosso lado mais ingénuo que permite que isso aconteça, mas também o outro lado mais rude da aprendizagem, o malandro, aquela pessoa que consegue antecipar essa manipulação e retirar o melhor proveito dela”, explica Adilson Duarte, ainda a recuperar o fôlego.

Uma década em que o entrevistado não passou ileso aos problemas da vida e da crise, numa sociedade em que os preconceitos e os dogmas são sempre os mesmos, daí integrar o conceito dos sete pecados mortais neste projeto artístico. “Mas tudo tem o lado bom e o mau, nós é que temos escolher que caminho queremos seguir”, frisa o bailarino, confirmando que combinar a dança, os vídeos, a música e as mensagens escritas não é fácil e que o produto

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ENTREVISTA

(…) A preguiça é o grande mote do início de tudo aquilo que tu não vais fazer. Os últimos quatro anos foram difíceis para todos os portugueses e muitos simplesmente desistiram. Agora, imagine-se a vida dum bailarino que não tem trabalho, num país onde não existe um Ministério da Cultura, num mundo onde as pessoas desistem por causa de terceiros, da política e do que observam na televisão (…)

final foi ganhando forma depois de ter terminado um trabalho para os Expensive Soul, em setembro do ano transato. “Basicamente, foram quatro meses de gravações mas, quando estava a realizar a série, estava já a visualizá-la em modo de espetáculo. Como sou bailarino, estou habituado a pensar primeiro na atuação ao vivo e, posteriormente, foi descobrir formas de dinamizar as trocas entre o vídeo, o texto e a dança”, descreve. Um espetáculo que foi totalmente idealizado e concebido pelo quarteirense, pelo que teve que aprender a lidar com uma série de equipamentos e programas informáticos, o que despoleta mais um desabafo em tom de crítica. “Infelizmente, no Algarve, temos várias pessoas que fazem diversas coisas, mas que não se conseguem unir para a região ser mais forte como um todo. Parece que os algarvios estão todos numa competição permanente entre si e isso faz com que não obtenham o mesmo prestígio de artistas do Porto ou Lisboa. O Algarve é muito pequeno e os artistas algarvios andam sempre a empurrarem-se uns aos outros para ficarem

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num pódio que nem sequer existe”, observa, com tristeza. “Fiz este projeto não para mostrar que sou melhor ou pior, simplesmente para mostrar o que sou”, acrescenta. Considerações que não significam que esconda as suas origens, se fosse assim, tinha filmado a sua história em cenários de outras cidades e não de Quarteira, Vilamoura e Loulé, mas Adilson assegura que é um algarvio muito orgulhoso de quem é. “Já trabalhei vários meses em Lisboa e no Porto e não consigo ficar muito tempo longe do Algarve. Temos uma qualidade de vida completamente diferente, somos um povo acessível e saímos à rua e ficamos logo inspirados. Há tempo para parar, ficar em silêncio e apreciar o momento”, destaca, não compreendo a mania de muitos algarvios em quererem imitar os lisboetas ou nortenhos. “Os Da Weasel diziam «Almada Crew», os Expensive Soul consideram que Leça da Palmeira é a terra mais bonita de Portugal. Eu quero que as pessoas saibam que o Algarve é a região mais bonita de Portugal”.

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ENTREVISTA Não interessa quem tu és, o que interessa é seres A comemorar uma década na dança, Adilson Duarte conta que tudo começou, por volta dos 12 anos, a ver vídeos de Michael Jackson às escondidas, pela noite dentro, depois de ter pedido «emprestada» uma cassete VHS do irmão. “Eu era gordinho e, no início, dançava só para mim. Foram três anos a ver sempre a mesma cassete, que até deixou de funcionar. Depois, aos 15, 16 anos, ia com os meus amigos para a noite de Vilamoura e eles incentivavamme para entrar nas rodas com o pessoal”, lembra o quarteirense, que aos 17 decide abandonar a escola para partir para Lisboa à conquista do seu sonho. “Fui participar no «Super Almadense», um concurso nacional de hip-hop e ali conheci o Virgul, o Rui Unas e a Puffy, que me convidou para ser um dos seus pupilos. Foram dois anos de formação, ganhei vários campeonatos e recebi uma proposta dos

Da Weasel para andar em tournée com eles durante um ano”, indica. Hip-hop que foi o estilo de eleição desde miúdo, talvez por ter nascido no Bairro da Abelheira e ter crescido rodeado de problemas sociais, aos quais a própria família não ficou imune. No entanto, «coragem» e «perseverança» eram palavras que não lhe saiam da cabeça, sabia que tinha que ser audaz, forte, que não podia ir pelo caminho mais fácil, não sucumbir às tentações. “Não quero que os meus filhos ou as futuras gerações passem por aquilo que eu passei ou que pensem que estão condenados a serem aquilo que os pais ou os avós foram. E o hip-hop é uma cultura de «statement», não interessa quem tu és, o que interessa é seres, não interessa no que acreditas, o que interessa é acreditares. Ouço hip-hop desde miúdo e as músicas e a minha vida foram-me transformando”. Um estilo musical e de postura na vida que influenciou uma geração de artistas de tal modo que o mais complicado é mesmo marcar a

(…) Não quero que os meus filhos ou as futuras gerações passem por aquilo que eu passei ou que pensem que estão condenados a serem aquilo que os pais ou os avós foram. E o hip-hop é uma cultura de «statement», não interessa quem tu és, o que interessa é seres, não interessa no que acreditas, o que interessa é acreditares (…)

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ENTREVISTA diferença, mas Adilson Duarte nunca perdeu a sua faceta mais solitária, nem nunca esqueceu as suas convicções e aquilo que lhe ensinaram. Traduzindo: é muito fiel a si mesmo e é essa autenticidade que o distingue da panóplia de bailarinos que existem no país. “Eu danço hiphop, new style lyrical, mas não consigo dizer se sou isto ou aquilo, se sou carne ou peixe. Já não me considero um bailarino de hip-hop, mas sim um artista, deixei de olhar só para a frente, mas para o meu redor. Durante muito tempo cingi-me apenas à dança hip-hop e fechei os olhos àquilo que me rodeava e aos outros estilos de arte e este é o grande erro dos bailarinos portugueses”, afirma, sem rodeios, defendendo que as individualidades não devem ser absorvidas pela cultura do hip-hop. “Tens que saber o que és e ter caracter”.

Comunicador nato por excelência, Adilson Duarte também não quis limitar-se ao papel de bailarino, subiu para o degrau seguinte, o coreógrafo, depois mais um, para diretor artístico, mas esclarece que essa deve ser a caminhada natural de qualquer bailarino profissional. “De pretendentes a bailarinos passamos a bailarinos e depois a profissionais, coreógrafos, diretores artísticos a trabalhar com a Lady Gaga e a dizer-lhe o que tem ou não que fazer em palco”, descreve, um entendimento do «showbiz» que também o demarca dos outros, num meio onde a

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concorrência é feroz e nem sempre saudável. “Consigo tirar algo de todas as vertentes da arte para acrescentar ao que faço e são essas pequenas coisas que fazem a diferença, que te tornam únicos”.

Combater a preguiça e a inércia Ser coreógrafo e diretor artístico é, de facto, mais aliciante e gratificante do que ser um mero bailarino, só que, verdade seja dita, no segundo caso, as dores de cabeça são bem menores e as oportunidades de trabalho também são mais abundantes, uma constatação da realidade que gera um sorriso a Bonny The Gemini, pois sabe bem das dificuldades que há em vender espetáculos às entidades, públicas ou privadas. “Eu sei que um dos grandes riscos desta atuação é que não existe nada igual em Portugal. É um espetáculo que te faz pensar, sentir e concluir, mas as pessoas pensam que a dança é sempre igual. O grande desafio deste projeto é abrir as mentalidades e não estou preocupado se vou fazê-lo uma ou 100 vezes, o que interessa é fazê-lo. As pessoas a quem eu chegar vão partilhar a experiencia e a difusão da informação faz toda a diferença no mundo”, aponta o entrevistado. Outro risco assumido é que, se calhar, os portugueses não estão preparados para um produto tão audacioso e diferente do tradicional e não é por acaso que o primeiro ato de «The Seven Show» começa precisamente pela preguiça. “A preguiça é o grande mote do início de tudo aquilo que tu não vais fazer. Os últimos quatro anos foram difíceis para todos os portugueses e muitos simplesmente desistiram. Agora, imagine-se a vida dum 32


ENTREVISTA bailarino que não tem trabalho, num país onde não existe um Ministério da Cultura, num mundo onde as pessoas desistem por causa de terceiros, da política e do que observam na televisão. Só que deixamos que isso aconteça porque ficamos inertes, pensamos que não vale a pena fazer nada, que não vale a pena ir votar, que não vale a pena sair de casa, que não vale a pena ir procurar trabalho”, critica Adilson, garantindo que a ousadia e a criatividade permitem ultrapassar todas as dificuldades e pegando numa célebre frase de Steve Jobs: «Só as pessoas que são suficientemente loucas é que podem mudar o mundo». “Eu sou uma dessas pessoas. Se fores louco e criativo, não há limites. Eu podia ter desistido da minha carreira há cinco anos, porque não tinha trabalho. Eu sou um bailarino individual que é contratado por grupos e esses grupos desapareceram. Como sou um bailarino fiel ao que sou e àquilo em que acredito, também não vou trabalhar para o David Carreira”. Nesse caso, como não há limites para o que Bonny The Gemini pode alcançar, o próximo passo é a internacionalização e ser diretor artístico da Lady Gaga ou outro ícone mundial, ou será que esse sonho é grande demais para os portugueses, questionamos. “Há dois bailarinos em França que nasceram num gueto como eu, começaram a treinar, a treinar, a treinar e fizeram um vídeo que chegou às mãos da Beyonce. Hoje, dançam para ela e a grande diferença entre a França e Portugal, se calhar, é a atitude”, responde, sublinhando que o seu alter-ego é um reflexo daquilo que é como artista. “Tenho um lado muito exigente e chato a nível profissional, e tenho outro lado meigo e

ingénuo a nível pessoal, e o Bonny The Gemini personifica isso. Eu quero ser internacional como todos os outros, não penso em limites só porque nasci em Portugal. Temos que continuar a sonhar porque, quando isso acontece, paramos também de realizar”. Ora, «The Seven Show» deverá andar em tournée até ao final do ano, porque Adilson

Duarte quer divulgar ainda mais esta nova forma de espetáculo de dança e transmitir a mensagem aos mais jovens de que devem acreditar e sonhar sempre. Em janeiro de 2016 é tempo, depois, de passar para outro projeto, «O Diário de Bonny The Gemini», revela em primeira mão o quarteirense. “Este primeiro espetáculo é bastante negro por causa destes quatro anos de grande luta da parte dos portugueses e de vários acontecimentos e tragédias que me marcaram. O «The Diary» vai contar outra história, mais alegre, mas muito mais além de tudo aquilo que viram neste espetáculo. Isto foi apenas uma amostra”. E pronto, com a conversa a terminar desta maneira, não há curiosidade que aguente, lá teremos que estar superatentos à espera do próximo projeto de Adilson Duarte, vulgo Bonny The Gemini .

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MUNDOPARDO PREPARAM SUCESSOR DE «A PEQUENA METRÓPOLE» Neste mundo parvo em que vemos tantos artistas e bandas sem pés na cabeça com tempo de antena nos principais canais de televisão portugueses e a passar vezes sem conta nas rádios nacionais, há um Mundopardo no Algarve de grande qualidade musical que aguarda a sua merecida oportunidade. Um pop/rock acústico com letras pensadas e com significado, cantadas em português, que ficamos a conhecer através de «A Pequena Metrópole», o álbum de estreia que saiu no ano transato e que deverá surgir ainda mais refinado e evoluído no próximo disco de originais, que já está em fase de pré-produção e que sairá, assim desejam os cinco elementos, no início de 2016. Texto e Fotografia: Daniel Pina

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Fotografia: Luís Rocha 35

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ais uma semana, mais um projeto musical nascido no Algarve e à conquista das luzes da ribalta, desta feita os Mundopardo, quinteto formado por Fábio Silva (Percussão, Teclas, Voz), João Cardoso (Guitarra), Paulo Franco (Bateria), Pedro Rodrigues (Baixo) e Ricardo Silva (Voz, Guitarra, Cavaquinho). Na génese do grupo está a participação da maior parte dos elementos na Versus Tuna, a Tuna Académica da Universidade do Algarve e, em dezembro de 2012, o farmacêutico Ricardo Silva decide dar mais sentido à sua vida e lança o desafio aos amigos de criar um projeto de originais, numa primeira fase marcadamente acústico. O ano seguinte é de conceção de temas, na altura com Filipe Cabeçadas na bateria, e o primeiro concerto acontece em junho. Entretanto, sai Filipe Cabeçadas para integrar a banda do também farense Diogo Piçarra e entra para o seu lugar Paulo Franco, instrumentista multifacetado e com larga experiência em diversos estilos musicais.

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Em 2014 é lançado o primeiro disco de originais, «A Pequena Metrópole», e os Mundopardo dão-se a conhecer ao grande público. “Queríamos um nome que fosse contracorrente, embora não sejamos uma banda de intervenção ou com músicas de carater político. Pode também ter a ver com um mundo mais negro sobre o qual cantamos às vezes de forma alegre”, explica Ricardo Silva, enquanto Pedro Rodrigues confirma que a ideia sempre foi cantar em português e temas originais. “Dá-nos mais prazer tocar algo nosso do que andar a reproduzir temas de outras pessoas, ainda que com outra cor”, justifica. Letras que são influenciadas pelas vivências diárias de Ricardo Silva, para abordar situações, não da forma mais direta e linear, mas através de metáforas. “Por isso é que as canções tinham um pequeno fundo de realidade, mas depois acabavam por ser histórias ficcionadas. As letras mais recentes já refletem coisas que acontecem neste país e que nos causam bastante confusão e revolta”, frisa o vocalista e guitarrista. “Ao mesmo tempo, tentamos evitar

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os tais clichés, os assuntos banais e superficiais, o que torna escrever um desafio constante”. Já as músicas resultam do contributo dos cinco elementos, conta Paulo Franco. “Alguém chega com uns acordes, vamos tocando em conjunto e vendo o que sai dali. Há vezes em que a letra puxa pela música, noutras, são as melodias ou os arranjos que influenciam as letras. É uma abordagem bastante liberal em que todos dão o seu toque pessoal, é uma construção coletiva”. Gravado o álbum de estreia na «Boxmusic Studios», em Faro, foi a vez de ir para a estrada, para as rádios e televisões nacionais, promover, divulgar, «vender», tarefa sempre complicada quando não se tem um nome sonante ou um padrinho conceituado, como é o caso dos entrevistados. “Tivemos hipótese de tocar em vários locais no Verão de 2014, no Festival Med, em Loulé, no Festival F, em Faro, nos «Artistas» e em alguns bares da baixa de Faro e antes de tudo isso fomos ao Hard Rock Café de Lisboa. A RUA FM é a rádio que nos tem dado mais apoio, porque acreditam no nosso projeto, na Rádio Gilão também passam os nossos temas, a grande dificuldade é chegar às

rádios nacionais”, admite Ricardo Silva, lamentando que o circuito ao dispor das bandas de originais cantados em português seja algo reduzido, opinião partilhada pelo colega Paulo Franco. “Somos uma banda de palco, não de bar, onde se safam melhor os grupos de covers. É verdade que existem alguns bares para bandas de originais, o Marginália em Portimão, o Bafo de Baco em Loulé, os Artistas e o Maktub em Faro, só que estar sempre a tocar nos mesmos sítios não traz nada de novo aos clientes. Os cachets também são reduzidos e, como começamos a trabalhar no segundo disco, 2015 tem sido mais calmo em termos de concertos”, refere o baterista.

Agenciamento é a grande lacuna do Algarve Um segundo disco que não vai fugir ao estilo dos Mundopardo, um pop/tradicional influenciado pelas origens lusitanas e onde os cinco músicos vão poder colocar a sua maior experiência, tanto de palco como de estúdio. Contudo, dar o salto implica outras ajudas e, para tal, vão começar a trabalhar igualmente 37

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ENTREVISTA com um produtor externo, mas sem nunca comprometer os seus gostos pessoais e escrever canções mais comerciais que não os satisfaçam enquanto artistas. “Há essa tentação, nós é que não sucumbimos a ela. Há uma frase feita que a malta diz com frequência e que é verdade: ‘primeiro temos que desfrutar do que estamos a tocar, depois é que nos ligamos aos outros’. As nossas músicas podem não ter refrões que fiquem na cabeça, mas há muitos aspetos que podem ser aperfeiçoados por um produtor. Quem está de fora ouve sempre de maneira diferente do que nós próprios e, às vezes, simplificando as coisas, elas ficam mais no ouvido, sem lhe retirar a sua essência”, considera Ricardo Silva. Cinco elementos dos quais apenas um, Paulo Franco, se dedica quase em exclusivo à música, com os restantes a terem outras profissões ou ainda a completarem a sua formação superior, mas isso não quer dizer que a música seja encarada como um hobby, garante prontamente Pedro Rodrigues. “A música é uma paixão que vai fazer parte da nossa vida para sempre e esse gosto tem-se vindo a desenvolver ao longo dos anos. O problema é que, em Portugal, são poucas as pessoas que conseguem viver da música, mas havendo essa possibilidade, nenhum de nós diria que não. Contudo, a necessidade que temos de estruturar uma vida obriga-nos a ter algo mais palpável”, sublinha o baixista. “Temos que viver o dia-a-dia e trabalhar noutras áreas, mesmo que não seja a da nossa formação académica, mas a música a tempo inteiro seria ouro sobre azul”, reforça Fábio Silva. Com uns a estudar, outros a trabalhar, juntarem-se os cinco para ensaiar não é muito fácil e mais complicado é coordenar com os concertos ao vivo, mas o gosto compensa os sacrifícios que tenham que fazer. “Vamos conseguindo ensaiar durante as manhãs na Associação de Músicos de Faro, os espetáculos são, realmente, mais problemáticos para mim, que trabalho sempre aos fins-de-semana”, indica Ricardo Silva, acrescentando que ter uma sala de ensaios fixa constitui uma vantagem acrescida, algo que não acontecia nos primeiros tempos da banda. “Perdemos menos tempo com questões logísticas, montar e desmontar o

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equipamento, andar com ele de um lado para o outro. Assim, chegamos e tocamos”, destaca. Com sala própria para ensaiar e um estúdio de gravação na mesma cidade, os Mundopardo não se podem queixar de falta de condições para produzir os seus temas, pelo que serem do Algarve se nota mais na questão do agenciamento e dos espetáculos ao vivo. “Há um mercado pouco desenvolvido na parte dos originais, as bandas de covers estão mais desenrascadas, sobretudo durante o Verão. Em cidades maiores como Lisboa ou Porto há mais oportunidades para tocar ao vivo, mas depois preferem bandas da zona, por causa dos transportes e alojamento”, esclarece Pedro Rodrigues. Seja como for, a veia criativa não é sufocada pelas dificuldades do quotidiano e os Mundopardo contam lançar um novo disco no início de 2016. Assim sendo, estão a afinar o mais possível os temas para, quando chegarem ao estúdio, a gravação ser mais célere e a razão é simples, segundo Ricardo Silva. “Se estivermos muito tempo em estúdio, acabamos por alterar coisas que já estavam definidas. Depois, é esperar pelo resultado final, mas não há nada parecido aqui no Algarve, onde sempre houve muitas bandas de sons mais pesados e alternativos. A nossa esperança é que a cena algarvia mude um pouco e que as pessoas olhem mais para Faro e para outras cidades da região”, afirma o vocalista e letrista, triste por ver muitos projetos de qualidade não terem a

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ENTREVISTA devida visibilidade. “Atualmente, o nome mais sonante da música portuguesa é o António Zambujo e ele é alentejano, portanto, o sucesso pode acontecer em qualquer parte do país”. Falta, assim, descobrir o melhor caminho para atingir o êxito, mas também o tal agente com a agenda recheada de contatos e a quem basta fazer um telefonema para marcar um concerto ou uma ida a um canal de televisão. “É uma das

maior dimensão, que até apostam em artistas da terra e que cantam temas originais em português para preencher os cartazes, mas depois não se consegue dar o salto com facilidade”, observa Paulo Franco, com Ricardo Silva a dar o remate final na conversa: “Temos muita confiança na música que fazemos e achamos que é possível chegarmos a algum lado, caso contrário, já não existíamos. Por

grandes lacunas do Algarve e os agentes de outras zonas do país se calhar não têm grande interesse em promover bandas algarvias, porque as despesas de deslocação e alojamento são maiores. Na região têm crescido eventos de

vezes ouvimos coisas altamente intragáveis nas rádios, provavelmente têm uma boa produção e agenciamento, mas isso dá-nos esperança de que também teremos a nossa oportunidade” .

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INVESTIMENTO DE 200 MILHÕES DE EUROS AVANÇA NA QUINTA DA OMBRIA

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o dia 25 de setembro, a Câmara Municipal de Loulé emitiu o aditamento ao Alvará de Obras de Urbanização n.º3/2012 que vai permitir a construção da maior parte das infraestruturas previstas para o empreendimento da Quinta da Ombria. Em simultâneo, foi emitido também o Alvará de Licenciamento de Reparcelamento n.º 1/2015 e celebrado um Contrato de Desenvolvimento Urbano com os representantes do empreendimento da Quinta da Ombria, Carmen Santos e Joaquim Meirelles, o que irá permitir a constituição de parcelas independentes para execução das operações urbanísticas previstas no Plano de Pormenor do Núcleo de Desenvolvimento Turístico da Quinta da Ombria (PPNDTQO). Recorde-se que o empreendimento da Quinta da Ombria está localizado no Morgado da Tôr ou Quinta da Umbria, na Freguesia de Querença, Tôr e Benafim, e prevê a construção de um hotel de 5 estrelas, (com 147 unidades de alojamento, de acordo com o projeto de execução), três aldeamentos turísticos de 4 estrelas, moradias unifamiliares, e um campo de golfe, num investimento total estimado em de cerca de 200 milhões de euros. Para permitir a concretização

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deste investimento, foi elaborado previamente o Plano do Núcleo de Desenvolvimento Turístico da Quinta da Ombria (PNDTQO), aprovado através do Aviso n.º 6701/2008 de 6/3, alterado e republicado pelo Aviso n.º 8810/2012 de 27/6, cuja área de intervenção é de cerca de 144 hectares. O anteprojeto foi sujeito a Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), que culminou com a emissão da primeira Declaração de Impacte Ambiental (DIA), posteriormente alterada e prorrogada, o que obrigou à alteração por adaptação do plano de pormenor em 2012. Os projetos de execução entregues pelo promotor para a execução do empreendimento, incluindo as obras de urbanização tituladas pelo Alvará de Obras de Urbanização n.º3/2012, bem como as obras de alteração/ampliação objeto do aditamento emitido no passado dia 25, foram sujeitas previamente a Relatórios de Conformidade Ambiental dos Projetos de Execução (RECAPE), num procedimento que é conduzido pela CCDR-Algarve enquanto Autoridade de AIA. Aliás, neste momento estão a decorrer os RECAPE dos projetos de execução do Hotel e do Clube de Golfe, procedimento que é prévio à aprovação e licenciamento das obras, por parte da Câmara Municipal. Com uma vocação essencialmente turística, a Quinta da Ombria visa potenciar uma ocupação mista (residencial e empreendimentos turísticos), de baixa densidade, de preferência polinucleados e privilegiando a elevada qualidade, como opção de classificação turística superior. Requalificar o espaço rural existente, salvaguardando os valores naturais e paisagísticos e, por outro lado, combater a desertificação e as assimetrias existentes entre o interior e o litoral são os principais objetivos do projeto da Quinta da Ombria . 40


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VÍTOR ALEIXO FOI ENTRONIZADO CONFRADE POR GASTRÓNOMOS ALGARVIOS Aleixo, o autarca de Reguengos de Monsaraz, a marquesa de Boch de Ares, o marquês de Mariena, o presidente da Cofradia del Salmorejo Cordobes, Espanha. O Mercado Municipal de Loulé recebeu, a partir das 20h, um jantar e a Gala dos Prémios de Santa Maria de Ossónoba. Esta é uma iniciativa bienal da Confraria que distingue 15 categorias, entre as quais, «Produto Alimentar Algarve», «Cozinha Tradicional do Algarve», «Chefe de Cozinha Nacional», «Chefe de Cozinha da Região do Algarve», «Vinho do Algarve», «Restaurante Algarvio» e «Personalidade Enogastronómica». Recorde-se que a Confraria dos Gastrónomos do Algarve foi constituída a 9 de setembro de 2005, em Portimão, tendo como principais objetivos a promoção da gastronomia tradicional e típica algarvia, a investigação do património gastronómico algarvio, a recolha de receituário, arte e técnica da cozinha tradicional, a evolução da gastronomia algarvia, o reconhecimento dos cozinheiros tradicionais algarvios; a pesquisa de locais, casas senhoriais, etc., onde se pratica/praticava a cozinha de outrora e ainda a elaboração de uma Carta Gastronómica Algarvia. São Confrades fundadores da Confraria dos Gastrónomos do Algarve José Manuel Alves, Manuel Mangas e Virgolino Santos. Um dos destaques do seu historial é o recorde da maior sopa do mundo (seis mil litros) através da confeção de um arjamolho gigante servido na cidade de Portimão (Portugal) a cerca de quatro mil e 500 pessoas, em 2006. A Confraria é membro do CEUCO – Conselho Europeu de Confrarias e da Associação das Confrarias da Rota de Cister e está geminada com a: Confraria do Azeite, Confraria da Broa de Avintes, Cofradia del Cava (Barcelona), Cofradia del Sereníssimo Albariño (Galiza), Federação das Confrarias da Andaluzia e Confraria da Gastronomia de Macau (China). Entre Confrades de Honra, de Mérito e Efetivos, conta atualmente com 511 membros .

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ítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, foi entronizado confrade pela Confraria dos Gastrónomos do Algarve, no dia 3 de outubro, no âmbito da realização do XI Grande Capítulo que decorreu na cidade de Loulé. Este evento, que incluiu a quarta Gala da Ordem de Santa Maria de Ossónoba, juntou cerca de três centenas de confrades portugueses, espanhóis e italianos e teve como objetivo enaltecer a gastronomia e premiar os melhores produtos, chefes de cozinha e restaurantes. Trata-se do maior evento anual da Confraria dos Gastrónomos do Algarve e que inclui a quarta Gala da Ordem de Santa Maria de Ossónoba, que condecora e premeia os melhores da gastronomia algarvia e nacional. Subordinado ao tema «Sabores da Serra ao Mar», o XI Grande Capítulo teve início na Igreja Matriz de Loulé, pelas 17h30, com uma cerimónia que reuniu cerca de 40 confrarias, onde foram entronizados vários confrades, entre eles o autarca de Loulé, Vítor

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JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO COMEMORARAM-SE EM SILVES

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Câmara Municipal de Silves associou-se mais uma vez às comemorações das Jornadas Europeias do Património, este ano subordinadas ao mote «Património Industrial e Técnico». As atividades tiveram início no dia 25 de setembro e incluíram a inauguração da exposição «Traços do Património» e a visita guiada «Passeando entre fábricas e cegonhas». A exposição «Traços do Património» apresenta ao público os desenhos do Encontro Nacional de Urban Sketchers, que decorreu em abril no concelho de Silves. Presentes estiveram alguns dos Urban Sketchers do Algarve, que puderam falar sobre os seus trabalhos, sendo que a exposição pode ser visitada até dia 30 de novembro, na torre de menagem do Castelo de Silves. A iniciativa culminou com o passeio «Passeando entre fábricas e cegonhas», uma

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visita guiada por Manuel Ramos na qual cerca de duas dezenas e meia de participantes de várias nacionalidades puderam visitar algumas fábricas de cortiça e outros imóveis associados à referida indústria, e conhecer alguns pormenores únicos sobre a época em que a cidade de Silves foi centro pioneiro da industrialização corticeira em Portugal. As Jornadas Europeias do Património são uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia, que envolve cerca de meia centena de países, e visam a sensibilização dos cidadãos europeus para a importância da salvaguarda do Património. A nível nacional, este evento é coordenado pela DGPC, que também define o tema anual, e conta com a participação várias centenas de entidades públicas e privadas, contemplando a realização de um sem número de atividades, acessíveis gratuitamente ao público, na sua grande maioria .

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EQUIPA SÃO-BRASENSE VENCE TAÇA DE PORTUGAL DE DOWNHILL

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equipa sãobrasense de downhill Xdream/Município de São Brás de Alportel/Motoclube de Faro foi a grande vencedora da Taça de Portugal de Downhill 2015, uma conquista alcançada pela quarta vez na história da equipa. A quinta e última etapa da Taça de Portugal de Downhill foi disputada nos dias 26 e 27 de setembro, na freguesia de Mujães, Viana do Castelo, na famosa descida da Padela. Após um intenso percurso de dedicação e empenho na luta pelos lugares cimeiros do pódio a nível individual, a equipa são-brasense viu o seu esforço recompensado com a vitória da Taça em termos coletivos. Silas Grandy também subiu ao primeiro lugar do pódio para arrecadar um merecido primeiro lugar na categoria de juniores, bem como um honroso segundo lugar na classificação geral, separado do primeiro lugar por milésimos de segundos. Nos Masters 40, Miguel «Mângelo» Santos alcançou o 2.º lugar, suficiente para trazer a taça de Masters 40 para a equipa, seguido pelo colega de equipa Rui Cruz. Na Classe dos menos novos, os Masters 50, José Salgueiro destacou-se dos adversários e foi o grande vencedor da Taça, na sua categoria, somando mais um prémio na sua carreira. A equipa são-brasense soma já quatro taças de Portugal das oito categorias disponíveis, um feito que reflete a garra e a paixão desportiva que

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move os atletas. Neste mesmo ano de 2015, a equipa ganhou todas as provas em que participou em termos coletivos, num universo total de 23 equipas federadas, sendo a primeira vez que se consegue o pleno na Taça de Portugal. “Foi uma época fantástica a todos os níveis e esta quarta taça é a cereja no topo do bolo. Ganhámos tudo o que havia para ganhar e já estamos a preparar a próxima época, quer em termos desportivos, quer em termos organizativos. Só esperamos que este título, inspire os atuais patrocinadores a continuar a apoiar o projeto e que apareçam novos apoios, pois a aposta que queremos fazer na formação em 2016, tem custos, mas acreditamos que só assim conseguiremos manter este nível de competitividade”, destacou o Diretor Desportivo, Rui Cruz .

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CONRAD ALGARVE CELEBROU 3.º ANIVERSÁRIO

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m 2012, com a abertura do Conrad Algarve, Portugal conheceu um novo conceito de luxo contemporâneo e sofisticado. As experiências únicas, personalizadas e memoráveis são a imagem de marca deste resort que celebra agora o 3.º aniversário. A partir do Conrad Algarve, a Quinta do Lago tem sido o ponto de partida para a descoberta da cultura algarvia através de «Experiências Autênticas» promovidas pelo resort. Uma forte aposta no enriquecimento da cultura local tem levado viajantes de todo o mundo, e até mesmo de Portugal, a descobrir um novo Algarve através de atividades tão inusitadas como a apanha da amêijoa na Ria Formosa, visitas ao mercado local com o chef executivo ou um safari pela rota da cortiça.

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Em apenas três anos, foram mais de 30 os prémios atribuídos ao resort de luxo da Quinta do Lago, entre os quais se distinguem o de «World’s Leading Luxury Leisure Resort», em 2013 e 2014, e «Europe´s Leading Luxury Resort», em 2013, 2014 e 2015. A somar a estes galardões, António Lopes, head of sommelier do Conrad Algarve, foi considerado «Sommelier do Ano» em 2014, Wilson Pires foi distinguido «Barman do Ano 2014» e a Roof Garden Suite foi distinguida como «Melhor Suite de Hotel», também em 2014. “Os prémios que o Conrad Algarve recebeu, em apenas três anos e alguns até de forma consecutiva, demonstram a consistência do serviço que temos prestado aos nossos hóspedes, bem como a dedicação diária de todos os membros da nossa equipa”, afirma Joachim Hartl, diretor geral . 48


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ALGARVE QUER ESTAR NOS «LUGARES DA PRIMEIRA GLOBALIZAÇÃO» DA UNESCO

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o âmbito das Jornadas Europeias do Património e do Dia Mundial do Turismo celebrado a 27 de setembro, a Região de Turismo do Algarve, a Direção Regional de Cultura do Algarve, a Universidade do Algarve e oito municípios algarvios subscreveram a pré-candidatura conjunta à integração na lista indicativa da UNESCO, com a designação «Lugares da primeira globalização». A candidatura enquadra-se no critério de «Paisagem Cultural» (Associativa), integrando elementos patrimoniais, mas também a história associada aos lugares, reconhecendo o seu valor universal. O Algarve alberga vários locais, símbolos, mitos e personagens, que é fundamental salvaguardar na narrativa da História de Portugal e do Mundo. Estes «Lugares da Primeira Globalização», que se prendem com o período de abertura da expansão marítima das rotas comerciais, estão na génese de um novo modo de conceção do mundo e de relações entre os povos, e detêm assim um valor universal a preservar. Além dos municípios algarvios de Vila do Bispo, Lagos, Aljezur, Monchique, Portimão, Silves, Tavira e Castro Marim, a candidatura conta já com a participação da Cidade Velha de Cabo Verde (Património Mundial) e pretende envolver Ceuta, Alcácer Céguer em Marrocos, Arguim na Mauritânia, e os arquipélagos atlânticos. O objetivo desta candidatura de cooperação internacional é promover valores de tolerância, aumentar o conhecimento sobre o património e a

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diversidade cultural, promover a preservação do património histórico, assim como fomentar melhores relações entre os povos. A Região de Turismo do Algarve, cuja missão está centrada na valorização turística da Região, encabeça assim esta proposta de candidatura, tendo em conta o papel fulcral do turismo na preservação do património cultural, natural, material e imaterial. Quando, no século XV, se inicia a grande era dos Descobrimentos, período considerado por muitos a primeira fase do fenómeno de Globalização, o Algarve assume o seu papel no novo desenho do mundo, com o Infante D. Henrique a fazer do extremo Barlavento o local de controlo de navegação entre o Atlântico e o Mediterrâneo. Mas a Região possui ainda marcos históricos muito mais vastos, como os indícios da presença dos mouros, os testemunhos do tráfico de escravos em Lagos, etc.: património que se pretende, através desta candidatura, promover e preservar, pelo seu valor histórico inquestionável. Até ao final de 2015 as entidades promotoras irão proceder a uma apresentação oral de defesa da candidatura junto da Comissão Nacional da UNESCO, da qual se espera uma decisão final até ao final do próximo ano. A candidatura a «Lugares de Primeira Globalização» é o resultado de um processo iniciado em 2002, quando o Turismo do Algarve entregou na Comissão Nacional da UNESCO um pedido de inscrição de Sagres na Lista Indicativa do Património Mundial. A Comissão emitiu observações que inviabilizaram a candidatura e preconizou a integração numa candidatura mais ampla. Sagres manteve-se desde então integrado na candidatura da «Costa Sudoeste», colocada na Lista indicativa de Bens Portugueses a Património Mundial da UNESCO. No entanto, a Região de Turismo do Algarve e a Direção Regional de Cultura do Algarve sempre mantiveram o interesse na elevação de Sagres e dos lugares associados aos Descobrimentos Henriquinos a Património Mundial, assumindo desta vez um carácter transnacional. Em Junho de 2014, foi reiniciado pelo Comité Nacional da UNESCO uma atualização das candidaturas, tendo sido retomado este processo, assim como o relativo «À Costa Sudoeste» pelas entidades regionais da cultura e do turismo . 50


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ANTIGO EDIFÍCIO DA SEGURANÇA SOCIAL DÁ LUGAR A INSTALAÇÕES MUNICIPAIS

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rranca, no dia 19 de outubro, a empreitada de adaptação do antigo edifício da Segurança Social de Tavira a futuras instalações municipais, pelo valor aproximado de 200 mil euros e um prazo de execução de 18 meses. Datado de 1781, este espaço foi alvo de diversas obras ao longo do último século, que contribuíram para a descaraterização do seu interior, dada a introdução de um conjunto de elementos, processos e técnicas de construção não compatíveis com a construção original, nem com a tipologia morfológica. A proposta de intervenção apresenta uma solução que preconiza a instalação de serviços

técnicos, no 1.º andar, destinando-se o rés-dochão à receção, a sala para atendimento/reuniões e arquivo. Foi equacionada também a possibilidade deste edifício servir para entrada de visitantes na Igreja das Ondas. Relativamente ao 2.º andar (sótão), será criada uma área de arrumos, tendo em conta que o mesmo não reúne as condições necessárias à sua utilização como espaço de trabalho. O acesso ao edifício, por utilizadores em cadeira de rodas, será garantido pela Rua D. Marcelino Franco, onde se procederá à modelação ligeira do passeio .

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POESIA A SUL COMEÇOU COM INTERCÂMBIO IBÉRICO DE PINTORES E POETAS EM OLHÃO

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té dia 17 de outubro, Olhão acolhe dezenas de poetas, mas também representantes das áreas da música, da pintura ou do teatro, e haverá igualmente debates, apresentações de livros, leituras e recitais. “Esta primeira edição de Poesia a Sul Olhão’15 é um momento importante que tenta marcar a ligação do nosso concelho à poesia como uma arte maior da literatura”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Olhão, António Miguel Pina, no dia 1 de outubro. “Esta é uma iniciativa de grande ambição, que começa com uma parceria ibérica, Algarve – Andaluzia”, destacou António Miguel Pina, referindo-se aos muitos artistas do outro lado da fronteira que também marcam presença na cidade cubista por estes dias. “Olhão, que já é conhecida como uma terra de gastronomia, da Ria Formosa, também tem de ser cada vez mais uma terra de cultura. Queremos começar a afirmar-nos cada vez mais pelas artes”, garantiu o autarca olhanense. Neste primeiro dia de Poesia a Sul, o comissário desta iniciativa, o poeta e advogado Fernando Cabrita, antes de apresentar a sua mais recente obra, «Que Dizem os Poetas Algarvios e Andaluzes de Agora?», referiu a importância de Olhão receber durante 17 dias grandes nomes da cultura ibérica, destacando, por exemplo, a presença do conceituado pintor espanhol Juan Manuel Seisdedos, que pela primeira vez expõe em Portugal, e em Olhão. As suas obras de arte vão manter-se expostas até ao final do Poesia a

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Sul na Galeria Sul, Sol e Sal, situada na Rua Vasco da Gama. Também o pintor olhanense Igor Silva tem o seu trabalho exposto no primeiro andar da Câmara Municipal de Olhão. “Igor Silva é um caso sério da pintura portuguesa que vale a pena conhecer e divulgar”, considerou Fernando Cabrita. Já Juan Manuel Seisdedos sublinhou a importância deste intercâmbio “e como as fronteiras vão caindo, uma das coisas boas da democracia”. Neste primeiro dia de grande atividade cultural em Olhão, Fernando Cabrita apresentou o seu mais recente livro, uma coletânea de recensões sobre obras de vários poetas que leu e cuja poesia motivou as crónicas e artigos reunidos nesta obra. ”Se o volume que assim resulta nenhuma outra valia tiver (penso, todavia, que terá), ao menos que se o entenda como um mapa que indica títulos, editoras e nomes de autores publicados e a publicar”, assim resume Fernando Cabrita o seu livro «Que Dizem os Poetas Algarvios e Andaluzes de Agora?» .

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