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ALGARVE INFORMATIVO Revista semanal - 17 de outubro, 2020
O INCRÍVEL «LAST» EM PORTIMÃO «DOIS PERDIDOS NO HORROR ELÍPTICO DA SOBREMODERNIDADE» | MILITA DORÉ 1 ALGARVE INFORMATIVO OLHÃO #268 ALGARVE MUSIC SERIES | LAMA | GALA DOS FADISTAS LOULETANOS | PARÓQUIA
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82 - 10 anos de LAMA Teatro
54 - «montanhas de amor» de Milita Doré na Associação 289 ALGARVE INFORMATIVO #268
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OPINIÃO
20 - CCDR Algarve tem nova liderança
106 - 5.ª Gala dos Fadistas Louletanos
116 - Mirian Tavares 118 - Vera Casaca 120 - João Ministro 122 - Augusto Pessoa Lima
40 - «Dois Perdidos no Horror Elíptico da Sobremodernidade» em Loulé
28 - 325 anos de Paróquia de Olhão
94 - Trio Allurement no Club Farense 11
68 - «LAST» no TEMPO ALGARVE INFORMATIVO #268
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“A REGIONALIZAÇÃO NÃO É UM PAPÃO”, GARANTE JOSÉ APOLINÁRIO, O NOVO PRESIDENTE DA CCDR ALGARVE Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina osé Apolinário foi eleito, no dia 13 de outubro, como o novo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Algarve (CCDR Algarve), numa eleição que contou com 423 dos 483 votos possíveis, entre todos os eleitos para as Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia e Assembleias Municipais da região. Ao lado do antigo Secretário de Estado das Pescas vão estar ALGARVE INFORMATIVO #268
os vice-presidentes José António Pacheco e Elsa Cordeiro, uma equipa que reuniu, ao longo das últimas semanas, com os autarcas dos 16 concelhos algarvios, em encontros onde se reconheceram os desafios inerentes ao futuro do Algarve.
“Falamos do papel da CCDR, dos fundos comunitários, do ordenamento do território e do ambiente, em reuniões muito produtivas, de diálogo e 20
concertação. Queremos desempenhar as competências já previstas na lei no acompanhamento e coordenação das políticas públicas na região, reunir com regularidade o Conselho de Coordenação Intersectorial e valorizar a cooperação das entidades da administração desconcentrada na região, e aumentar e melhorar a concertação com os autarcas e autarquias, convidando também à participação a AMAL e os representantes das Juntas de Freguesia”, referiu José Apolinário, na manhã do dia 14, à conversa com a comunicação social no
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Centro de Ciência Viva do Algarve – Professor Mariano Gago, em Faro. É também vontade de José Apolinário chamar o Conselho Regional a uma maior participação na monitorização e acompanhamento das políticas públicas na região. Depois, a ação política da nova liderança da CCDR Algarve assentará na Concertação, Cooperação e Coordenação.
“Estamos apostados em que este seja um passo no sentido da reforma do Estado e na aglutinação de mais serviços em torno da CCDR”, afirmou José Apolinário, destacando três áreas de intervenção imediata: a implementação das medidas de apoio aos
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trabalhadores e às empresas, mobilizando meios e vontades para a coesão social e as pessoas; a monitorização e participação ativa na conceção e implementação do plano de recuperação e resiliência na região; e a adoção de medidas urgentes no domínio da água e gestão sustentável dos recursos hídricos.
pretendemos juntar vontades, trabalhar em conjunto e dar passos certos para consolidar este processo, com todas as entidades, Estado e autarquias, numa posição de equilíbrio, mas com o objetivo de, lá à frente, se chegar à Regionalização”, assumiu o novo
Em relação ao ato eleitoral, José Apolinário sublinhou que, embora se tratasse de uma candidatura única, houve uma significativa participação dos autarcas, com 85,5 por cento de votantes.
presidente da CCDR Algarve, aproveitando ainda para enaltecer o trabalho realizado pelo seu antecessor no cargo, Francisco Serra. “A
“Estamos prontos para criar condições para relançar o processo da Regionalização. O Algarve é uma região específica, com uma grande tradição regionalista, e ALGARVE INFORMATIVO #268
Regionalização não é um Papão, embora se tenha transformado num Papão em Portugal. O Algarve tem características especiais, todo o país reconhece a sua dimensão regional, e 22
queremos dar passos que consolidem um trabalho de valorização do papel das regiões e preparar para que, no futuro, seja reaberto o dossier da Regionalização”, voltou a reforçar José Apolinário. Recorde-se que esta foi a primeira vez que os presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional foram eleitos pelos autarcas das respetivas regiões, ao invés de serem nomeados pelo poder central. Há, contudo, uma legislação dentro da qual estes organismos se têm que enquadrar e segundo a qual devem atuar, o que não significa que o papel dos autarcas neste ato eleitoral deva ser desvalorizado. “A
existência deste colégio eleitoral 23
cria, pelo menos, uma responsabilização das pessoas, dos dirigentes, da CCDR, perante os autarcas que participaram nesta eleição. É uma diferença que, podendo ser pequena, tem que ser valorada, porque os autarcas esperam que sejamos parceiros na defesa do desenvolvimento regional harmonioso e sustentável”, frisou José Apolinário, acrescentando que “o Algarve tem condições para ser quase um laboratório para a transferência de competências de outros serviços para a CCDR”. Dar mais poderes às regiões é um sentimento que sai fortalecido com a ALGARVE INFORMATIVO #268
nova forma de se eleger os presidentes das CCDR’s, com José Apolinário a lembrar igualmente os problemas decorrentes de não existir um desenvolvimento harmonioso dentro do próprio Algarve, embora considere que a AMAL
“tem dado passos de gigante na aproximação entre os 16 autarcas”. “A pandemia veio reforçar o relacionamento entre todos os presidentes de câmara, assim como os jantares promovidos pelo Presidente da República. Sentimos que os presidentes das Juntas de Freguesia e os membros das Assembleia Municipais também querem ser parte do processo de desenvolvimento regional e constatamos que há zonas do interior que carecem de maior atenção”, declarou. Quanto a meios financeiros, José Apolinário lembrou, em final de conversa, que o Governo está, em articulação com as Comunidades Intermunicipais e as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, a preparar o ALGARVE INFORMATIVO #268
plano de recuperação e resiliência, a que se soma, depois, o Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027. “A
nossa vontade é melhorar a taxa de execução deste quadro e, sempre que possível, aproveitar as verbas ainda disponíveis em linha com as prioridades da agenda ambiental, a inovação, a digitalização e a sustentabilidade”. 24
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EXPOSIÇÃO NO EDIFÍCIO DO COMPROMISSO MARÍTIMO ASSINALA OS 325 ANOS DA PARÓQUIA DE OLHÃO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina oi inaugurada, no dia 11 de outubro, com a presença do Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, uma exposição no Museu Municipal de Olhão – Edifício do Compromisso Marítimo que assinala os 325 anos da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Olhão. A mostra estará patente ao público durante vários meses e tem como principal objetivo revelar uma parte muito significativa da herança ALGARVE INFORMATIVO #268
religiosa dos olhanenses, numa viagem que tem início no século XVIII e que chega até aos alvores do século XX, com um conjunto de objetos religiosos relacionados com a eucaristia, como paramentos, peças de ourivesaria, esculturas, pintura e livros litúrgicos. Ao todo, são mais de duas dezenas de elementos expostos, nos quais é possível «ler» um pouco de história. Para tal foi analisada muita documentação, proveniente de 28
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arquivos e bibliotecas, o que possibilitou aos técnicos do Museu Municipal e do Arquivo Municipal de Olhão conhecerem a fundo todo este acervo paroquial, sendo que os olhanenses, e visitantes, podem, a partir de agora, ter mais informação do que aconteceu nos últimos três séculos nesta cidade e concelho. Recorde-se que a criação da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, a 10 de julho de 1695, veio formalizar uma relação entre o profano e o sagrado, entre o marítimo e a Igreja. A sede da freguesia, unidade elementar e primária da administração, é a Igreja, onde se registavam os batismos, casamentos e óbitos, os principais momentos da vida do ALGARVE INFORMATIVO #268
ser humano. Na Igreja estabeleceu-se, ao longo dos anos, um conjunto de manifestações e testemunhos de ligação do marítimo com a fé por via deste património, que, dotado de sacralidade e funcionalidade na prática litúrgica, se tornou agora também num objeto museológico para fruição de toda a comunidade. E a exposição, que assinala os 325 anos de elevação da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Olhão, resulta de um protocolo celebrado entre o Município e a Paróquia, o que possibilitou o tratamento, inventariação e digitalização de todo o Arquivo da Paróquia de Olhão . 30
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Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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otação completamente esgotada, no dia 9 de outubro, no Cineteatro Louletano, para a estreia nacional de «Dois perdidos no horror elíptico da sobremodernidade», peça da Mákina de Cena que se baseia naquela que aparenta ser uma inevitabilidade da condição humana: a espera e a fé (ou a dúvida?). Inspirada em «À espera de Godot», a primeira e mais famosa peça de Samuel Beckett, um dos textos mais representativos do Teatro do Absurdo, esta criação de Carolina Santos adquiriu
“a sua própria identidade através de ALGARVE INFORMATIVO #268
uma outra dramaturgia, também ela pós-apocalíptica, contextualizada num outro espaço-tempo, com outras questões sociais, igualmente meritórias de um jogo tão absurdo quanto o da não-ação em Godot”, explica a encenadora. Carolina Santos situa estes «dois perdidos» num aeroporto vazio, póstrauma (apocalipse, epidemia?), e altera a lógica das personagens, “que
pertencem a um novo universo – com memória recente de um 42
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turismo em massa, de fenómenos de gentrificação e acentuação de assimetrias sociais, de uma era em que a igualdade de género e as alterações climáticas estão na ordem do dia, em que se discutem novamente fronteiras e persiste o modelo capitalista”, explica. Assim, na peça, quem espera não são vagabundos, mas sim trabalhadores precários de um certo serviço de transferes que aguarda a chegada de um determinado cliente – há meses, anos, ninguém parece saber – no hall do aeroporto, que pode ser o de Faro, pela nossa referência geográfica, ou qualquer outro no mundo. “Quem
acaba por chegar não é o mestre e seu servo, mas sim um homem e uma mulher, estrangeiros, certamente de uma casta superior, presos por uma corda umbilical que ALGARVE INFORMATIVO #268
os impede de seguir com as suas vidas. E o moço de recados, que podia ser um portador de boasnovas, é um jovem imigrante que tenta a sua sorte, mas volta a sair sempre por onde entrou”, descreve a encenadora. Num espaço asséptico, reconhecível pela maioria, a equipa da Mákina de Cena trabalha a presença antes da palavra, aquilo que é dito pelo corpo e por composições visuais mais explicitamente do que pelo texto.
“Associando a ideia de não-lugar de Marc Augé à chamada globalização, e ao vazio de sentido a que nos expomos por raramente questionarmos a velocidade das nossas vidas, encontramos a base dramatúrgica 44
para o processo criativo, interrompido em março – inesperada e coincidentemente! – por uma pandemia avassaladora provocada pelo novo coronavírus. Impôs-se o confinamento por tempo indeterminado e aos poucos retomamos a normalidade. Mas qual normalidade? A impressão de que este projeto iria ser impactante por abordar algumas das feridas abertas na atualidade pré-covid-19 já se fazia sentir em cada ensaio. Agora, e depois de reduzidos à nãoação, ao isolamento social, sem garantias económicas, e sujeitos a um desgaste psicológico intenso pela falta de rotina, de espaço, de interação social e «novidade», acreditamos que «Dois Perdidos no
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horror elíptico da sobremodernidade» ganha redobrado sentido”, comenta Carolina Santos. A interpretação esteve a cargo de Filipa Rodrigues, João Caiano, Pedro Paulino, Renato Brito e Tata Regala, com Encenação de Carolina Santos e Assistência de Encenação de Mariana Teiga. A Dramaturgia e Espaço Cénico são da responsabilidade de Carolina Santos, com inspiração no universo godotiano de Samuel Beckett. A Sonoplastia, Construção Cenográfica e Grafismo são de Marco Martins, sendo os Figurinos de Ana Karina e o Desenho de Luz de Valter Estevens, com Direção de Produção de Patrícia Amaral. A produção integrou a Bolsa de Apoio ao Teatro 2020 da Câmara Municipal de Loulé .
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«MONTANHAS DE AMOR» DE MILITA DORÉ FALA-NOS DA SEXUALIDADE DAS MULHERES E DA LUTA CONTRA O CANCRO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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stá patente ao público, até 29 de novembro, na Associação 289, em Faro, «montanhas de amor», exposição de Milita Doré que tem como artistas convidados Ana André, Bertílio Martins, Catarina Correia, Christine Henry, Francisco Valente, Gustavo Jesus, Jorge Graça, Manuel Rodrigues, Miguel Cheta, Susana de Medeiros, Tiago Batista e Vasco Célio. A ALGARVE INFORMATIVO #268
exposição expande a ideia de paisagem da artista que adentra, pela primeira vez, na paisagem inusitada do próprio corpo, região até então inexplorada.
“A tomada de decisão de autorretratar-se, e de se deixar retratar, surge num momento de extrema sensibilidade – a descoberta de um cancro da mama. A artista decide convidar amigos e amigas artistas para 56
representações com a presença do próprio corpo que se deixou retratar, que não resistiu, que se deu de forma generosa e que foi acolhido por mãos e olhos afetuosos”, diz Mirian Tavares, docente da Universidade do Algarve e diretora do CIAC, sobre a exposição. Exposição que tivemos o privilégio de visitar, no dia 13 de outubro, na companhia de Milita Doré, natural de Albufeira e licenciada em Artes Visuais pela Universidade do Algarve. Observadora silenciosa dos seres humanos e dos seus interesses, trabalha de forma emotiva, mas também realista, e tudo isso constamos ao percorrer as várias salas da Associação 289, nas Pontes de Marchil, à entrada da capital algarvia, enquanto nos ia explicando algumas das peças expostas. “Este lençol fazia parte
retratá-la antes de sofrer o tratamento que iria deixar cicatrizes, reais e metafóricas, no seu corpo. Entre vídeos, esculturas, instalações, fotografias e desenhos, Milita Doré reafirma a sua condição de mulher e artista. Criadora de paisagens, condutora do seu próprio destino, a artista transformou as obras dos outros em suas, fundiu as 57
do enxoval da minha avó paterna. Éramos bastante chegadas e contou-me algumas coisas da sua noite de núpcias. Naquela época, muitas mulheres só conheciam os maridos nessa noite. Este lençol para mim simboliza um grande momento de esperança e expetativa, de sonhos e desejos, e, quando nos aproximamos dele, vemos que bordei lá a frase «chupa-me as mamas», que nos remete à sexualidade, feminina e masculina”, descreve. A peça criada com o lençol da avó é, sem dúvida, uma das mais impactantes ALGARVE INFORMATIVO #268
da exposição, por combinar um item de décadas passadas, em que a sexualidade não era abordada com a veleidade dos tempos modernos, com uma frase que atesta precisamente o modo desprendido com que se fala deste tema no século XXI.
“Esta é uma peça contemporânea, mas o nosso presente também é feito do nosso passado. A sexualidade existe há milénios, é assim que nos reproduzimos. É uma componente bastante importante das nossas vidas e o meu trabalho está sempre ligado à sexualidade e à sensualidade… mas de uma maneira discreta, não bruta e crua”, refere a entrevistada. “Dou muita importância à psicologia e à psicanálise, por isso, concedo espaço às pessoas para que ALGARVE INFORMATIVO #268
interpretem as minhas peças à sua maneira. Claro que existe uma mensagem inerente à peça, geralmente das minhas vivências, mas os outros têm liberdade para criar a sua própria história em relação a ela”, acrescenta. «montanhas de amor» que se concretizou porque o cancro, e a sexualidade, continuam a ser temas tabu, no primeiro caso devido ao medo que desperta nas pessoas. “Não
querem falar de cancro, nem sequer dizem a palavra, com medo de que algo lhes aconteça, mas é uma doença que cada vez mais tem cura, desde que descoberta a tempo. Para tal, a prevenção e os rastreios são 58
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fundamentais”, defende Milita Doré, que descobriu precisamente o seu cancro num rastreio de rotina. “A mama é um
símbolo da feminilidade, da sexualidade, mas também da maternidade. O primeiro contato que temos com a vida é através do seio da nossa mãe, aquele que nos alimenta e nos reconforta, mas também reconforta o amante. E não podia falar melhor deste assunto se não o fizesse através da minha própria experiência, que também é a experiência de tantas outras mulheres, casais e famílias”, disse, emocionada.
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A história de Milita Doré teve um final feliz, venceu o cancro, numa luta em que ninguém tem culpa, nem deve estar preocupado com aquilo que os outros pensam. “Eu não sabia logo
que ia fazer uma exposição, mas os artistas são um filtro da realidade, daquilo que nos acontece, das informações que absorvemos do que nos rodeia, para depois criarmos qualquer coisa. Esta é a minha história … fui à luta, porque não havia outra escolha, era a única maneira de sobreviver”, recorda, não poupando palavras de agradecimento a todos
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aqueles que a apoiaram nesta fase delicada. E muitos deles aceitaram o repto de Milita para produzirem vídeos, esculturas, instalações, fotografias e desenhos que fazem parte de «montanhas de amor». “Senti um
imenso carinho da parte deles e isso ajudou-me bastante durante o tratamento, que é extremamente cansativo e que nos afeta também muito em termos psicológicos. Foram verdadeiras «montanhas de amor» que recebi”. Uma mostra que não foi fácil de tornar realidade, admite Milita Doré, devido aos efeitos do tratamento. “Pensava que,
após as sessões, ficava três dias enjoada e que depois conseguia ALGARVE INFORMATIVO #268
trabalhar normalmente. Mas o cansaço vai-se acumulando, nada é como julgávamos ser. Depois, havia momentos de recuperação em que estava desperta e fazia qualquer coisa”, conta a albufeirense, adiantando que foi retratada pelos artistas convidados antes da remoção do seio, ou seja, uma imagem que jamais voltaria a existir após a operação. “É um relatório do
que era antes, porque o passado também nos ajuda a ultrapassar os momentos difíceis. O único trabalho feito após a operação está representado como se fosse uma paisagem de seca, em duas peças com o título «o que importa a seca se contigo conheci a 62
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chuva». É uma metáfora poética em que falo do meu corpo como se fosse uma paisagem”, explica. Aliás, a próxima exposição de Milita Doré será precisamente sobre o corpo enquanto paisagem, algo que já estava planeado antes da descoberta do cancro da mama, porque a artista continua a ser a mesma… e vai continuar a ser igual a si própria.
“A linha do meu trabalho não foi interrompida, nem alterada. Já usei o bordado, tecidos e algodão noutras exposições e o desenho é o meu forte. Gosto da expressividade das linhas minimalistas, o modo como, com muito pouca coisa, conseguimos ir ao essencial”, entende, antes de reafirmar a importância de se falar, sem tabus, do cancro. “É algo que
pode acontecer a qualquer pessoa e realizar rastreios regulares pode salvar-nos a vida. Hoje, não deixo de ser e de me sentir sensual, porque existo. A arte serve para nos fazer refletir e ando na fase de pesquisa da próxima exposição, mas já está tudo planeado na minha cabeça. Penso profundamente sobre os temas que escolho, vou fazendo rabiscos e desenhando… saboreando a ideia… e depois ALGARVE INFORMATIVO #268
apresento ao público aquilo que julgo ser essencial. Mas hesito muito, porque não gosto de desmanchar peças. É algo que me deixa bastante desmoralizada”, confessa. Desmoralizada é algo, porém, que não tem razão para ficar com 64
«montanhas de amor», porque a reação do público tem sido extraordinária. “As
pessoas ficam muito tocadas por tudo o que está por detrás das peças, sobretudo aquelas que têm maior facilidade em ler entrelinhas. Há outras que preferem barquinhos 65
e florinhas pintadas com cores berrantes e esta exposição é bastante discreta em termos cromáticos, é tudo muito suave e transparente. Mas o pensamento não tem cor”, conclui Milita Doré . ALGARVE INFORMATIVO #268
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DANÇA E MÚSICA EM PERFEITA SINTONIA EM «LAST» DE SÃO CASTRO E ANTÓNIO M. CABRITA Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
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Teatro Municipal de Portimão foi palco, no dia 10 de outubro, de «Last», espetáculo coreografado por São Castro e António M. Cabrita, interpretado por Ana Moreno, Ester Gonçalves, Laura Abel, Miguel Santos e Rosana Ribeiro e com música dos «Últimos Quartetos de Cordas», de Ludwig van Beethoven, pelo Quarteto de Cordas de Matosinhos.
“Colocar em paralelo a música e o corpo com todo o seu movimento torna difícil imaginar se será a dança a revelar as características intrínsecas da música, como se a traduzisse; ou a música que enaltece os movimentos do corpo e o dirige numa gestualidade musical. ALGARVE INFORMATIVO #268
Tal como os antepassados acreditavam, a música torna os sentimentos visíveis, os movimentos reais: ouvimos a música, criamos a dança”, descrevem os produtores da Companhia Paulo Ribeiro.
“Enaltecemos esta relação eterna e inevitável, mantendo a sua individualidade”, reforça a dupla. De acordo com os coreógrafos, «Last» encerra em si a polaridade entre fim e continuação, tanto num sentido de ser último ou última, como na sua forma verbal de algo que perdura (to last). E, no ano da celebração dos 250 anos do nascimento de Beethoven, a obra musical «Últimos Quartetos de Cordas» é o principal condutor da coreografia.
“Uma escolha ditada pela sua 70
complexidade, pela ousadia, pelos contrastes, pela poética, pela lógica da composição exposta por um homem irascível e imerso em surdez”, referem São Castro e António M. Cabrita sobre esta coprodução do Teatro Viriato, Teatro Municipal do Porto e São Luiz Teatro Municipal. 71
A Companhia Paulo Ribeiro é uma estrutura financiada pela República Portuguesa Cultura/Direção-Geral das Artes, sendo que o projeto «Last» tem o apoio do Município de Viseu, no âmbito do programa «Viseu Cultura» . ALGARVE INFORMATIVO #268
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LAMA TEATRO UMA DÉCADA A LEVAR CULTURA DO ALGARVE A TODO O PAÍS Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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LAMA Teatro está a comemorar 10 anos de atividade, sendo que a grande novidade de 2020 foi a criação do LAMA Black Box, um espaço dedicado à criação artística, programação e mediação cultural situado no coração de Faro. Mas também houve lugar à estreia de uma nova peça, «Romeu & Romeu», uma cocriação de João de Brito e Nuno Preto. Portanto, apesar de vivermos, há largos meses, numa pandemia mundial, a estrutura algarvia não baixou os braços e foi à luta. “É uma fase complicada,
mas recomeçamos a programação dos nossos espetáculos em meados de setembro para tentar cumprir o calendário que já estava definido.
ALGARVE INFORMATIVO #268 «Leoncio e Lena»
Em simultâneo, reabrimos a Black Box, porque ainda chegou a estar em funcionamento durante os primeiros dias de março”, indica João de Brito. Ao terreno voltou primeiro «À Babuja», com João de Brito, André Canário e Igor Martins, inserido na quarta edição do «365 Algarve», até por se tratar de um espetáculo ao ar livre. Seguiu-se, a 15 de outubro, «Romeu & Romeu», com o portuense Nuno Preto, numa união entre norte e sul que já estava agendado para esta data. «Fit In» foi adiado para 2021, mas são várias as produções do LAMA Teatro que foram afetadas pela covid19, reconhece João de Brito. “Alguns
espetáculos foram reagendados, outros foram mesmo cancelados,
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«À Babuja»
como dois da «Carripana», um nos Açores, o outro em Famalicão. O mesmo sucedeu com diversas oficinas e as aulas de teatro também se interromperam na Black Box”, descreve o ator e encenador, não negando o transtorno que tudo isto significa para uma associação cultural com a dimensão do LAMA – Laboratório de Artes e Media do Algarve. “É sempre
um rombo, mas, felizmente, contamos com o apoio sustentado da Direção-Geral das Artes até final de 2021 e recebemos também alguns apoios extraordinários da Câmara Municipal de Faro e da Gulbenkian. Isso permitiu-nos ter verba para manter a estrutura, para não despedir ninguém e continuar a pagar os ordenados a tempo e horas”. 85
Dificuldades inesperadas que jamais passaram pela cabeça de João de Brito quando, há 10 anos, desafiou um grupo de amigos para fundar o LAMA.
“Juntaram-se várias pessoas de diferentes áreas artísticas, outras eram apenas simpatizantes, de uma forma algo rudimentar, para fazermos coisas. Começamos com um espetáculo em parceria com os «Artistas Unidos», que deu logo um grande impulso à companhia”, recorda o entrevistado, acrescentando que a maior orientação para o teatro acabou por ser natural, já que essa é a sua formação de origem.
“Mas somos multidisciplinares, porque vou convidando pessoas de diversas áreas para os diferentes projetos. O apoio, ALGARVE INFORMATIVO #268
«Insuflável»
desde 2018, da Direção-Geral de Artes deu-nos uma maior sustentabilidade e capacidade de crescimento, porque nos permite fazer um planeamento do trabalho para dois anos e que temos que cumprir. E, como a dependência da DGArtes não pode ser a 100 por cento, há que arranjar imensos parceiros e coprodutores”, esclarece João de Brito. O crescimento do LAMA tem sido
“gradual e com passinhos pequenos”, considera o DiretorArtístico, sendo que a abertura da Black Box terá sido o maior desafio dos últimos anos. “Temos aulas regulares para
três escalões etários e oficinas regulares e, se tudo correr bem, ALGARVE INFORMATIVO #268
pretendo que seja igualmente um espaço de programação a partir de janeiro”, revela, com cautela. Mas a verdade é que, de há quatro ou cinco anos para cá, o LAMA não tem mesmo parado, com vários espetáculos ativos em simultâneo. “Neste momento
estão seis ainda a circular, inclusive um de 2015 e dois de 2017, porque gostamos de andar em itinerância por vários pontos do país. Há outros espetáculos que estreiam e acabam por «fechar» por terem uma estrutura maior, o que dificulta a sua rodagem”. Todo este frenesim criativo ajuda à sustentabilidade do LAMA Teatro, mas engane-se quem pensa que é fácil gerir 86
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«Elastic»
o calendário da companhia, até porque João de Brito, por norma, participa em todos os projetos, seja como ator ou encenador, ou ambos. “O Sandro
Benrós faz a direção executiva, trata das candidaturas e orçamentos, e temos uma pessoa que trata da produção executiva. A gestão da parte artística normalmente é feita por mim, às vezes convido alguém para encenar e eu entro como ator, em situações de cocriação, como o «Romeu & Romeu», são mais cabeças a pensar”, refere, garantindo que costuma ser fácil encontrar as pessoas certas para cada projeto. “Conheço
bem o leque de atores que existe em Portugal e, quando começo um ALGARVE INFORMATIVO #268
novo projeto, sei logo quem quero convidar, mesmo quando, aparentemente, não têm nada a ver uns com os outros. No «À Babuja», por exemplo, o elenco é algarvio e os figurinos são do José António Tenente. Gosto de misturar pessoas de diferentes pontos do país, porque isso dá azo a que outras coisas possam nascer”, explica o farense.
UMA BLACK BOX ABERTA À COMUNIDADE Quem segue com atenção o LAMA Teatro há vários anos já constatou que, de facto, João de Brito é adepto das 88
tais misturas, com espetáculos mais físicos como «Novo_Título Provisório», outros com uma forte componente musical, como «Seattle» ou «Elastic», uns para um público mais jovem como «Insuflável», outros mais vocacionados para o ar livre, exemplos de «Carripana» e «À Babuja», outros quiçá mais convencionais como «Leôncio e Lena».
“Gosto de tanta coisa, de levar a cena textos dramáticos que já existem, de criar novos projetos totalmente de raiz, de estar próximo das pessoas na rua. A estética, a vontade e a forma como abordo os projetos são iguais, as premissas é que são diferentes, mas o que interessa realmente é chegarmos ao público. Estes múltiplos estímulos são uma mais-
valia para o LAMA”, entende João de Brito. Ir a um espetáculo do LAMA é, por isso, sempre uma surpresa, nunca sabemos bem o que vamos encontrar, mas o certo é que todos são bemsucedidos e a companhia farense já é um nome conhecido no meio cultural nacional. O que não implica que a luta não continue a ser árdua. “Fomos
crescendo e, se calhar, hoje temos mais portas abertas do que há cinco anos. Mas é preciso estar sempre em cima dos acontecimentos e pensar com um ano ou dois de antecedência. Isso não é fácil para uma estrutura pequena, mas é a forma de termos êxito”, avisa o entrevistado.
«Novo_Título Provisório»
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«Seattle»
Entretanto, a abertura da Black Box vem contrariar um pouco a postura de «saltimbanco» do LAMA, habituados que estão a andar «com a casa às costas» com as suas produções de norte a sul de Portugal. “Obriga-nos a ter um plano
mensal, semanal e diário de aulas, para que as portas estejam abertas de modo a que as pessoas possam usufruir do espaço. Mesmo quem não pretenda ser ator pode querer ter uma experiência de representação. E queremos que os espetáculos que se venham a realizar, para públicos jovem ou adulto, possuam sempre uma componente formativa. Para além disso, é um espaço confortável, intimista, informal”, descreve João de Brito. “É um espaço bastante mutável e que está ao serviço dos ALGARVE INFORMATIVO #268
artistas e criadores locais, sejam os mais experientes ou os emergentes. Para isso desenvolvemos o encontro «Toma lá as chaves e podes demorar», uma carta branca mensal a um artista convidado para realizar um ensaio aberto a todos os que estiverem interessados em participar. Continuamos a ter uma vida de saltimbancos, mas agora temos um sítio onde as pessoas podem ir bater à porta”, sublinha o entrevistado, com um sorriso. Entretanto, o feedback das aulas, para as três faixas etárias, tem sido bastante positivo, nota-se a vontade de conviver e criar, mas sem a obrigatoriedade do processo se concluir com uma apresentação final ao público. Já a cena foi «Romeu & 90
Romeu», uma cocriação de João de Brito e Nuno Preto que parte da célebre obra de Shakespeare. “Pegamos nas
temáticas centrais e começamos com a pergunta «o que é que matou o amor?», o amor na família, na amizade, o amor-amor. Em palco, somos dois conferencistas que andamos a discutir estes temas com o público, é bastante interativo e com um cenário muito high-tech. Para a semana vamos ao Festival Acaso, em Leiria, segue-se, em novembro, o Festival Singular, em Castelo Branco, e Teatro Taborda, em Lisboa. Em fevereiro estaremos no Cineteatro Louletano e iremos também ao Teatro de Vila Real, que é outro dos coprodutores”, desvenda João de Brito, confessando que mais «maluquices» estão preparadas para 2021.
«Carripana» 91
“Temos o «Estojo», um projeto educativo em que desafiei três grupos de teatro escolar de Faro para criarem um espetáculo com base nas mesmas perguntas e que será apresentado, aqui na Black Box, em dezembro. O «Estojo» depois transforma-se na «Mochila», um festival de teatro para a infância e juventude que terá lugar, de 18 a 28 de março, em quatro espaços de Faro, misturando os miúdos com programação de companhias profissionais. Quanto a mim, vou voltar aos textos dramáticos e encenar «A Casa de Boneca» do Ibsen, em junho, no Teatro da Trindade, em Lisboa” .
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CLUB FARENSE ASSISTIU À ESTREIA MUNDIAL DO TRIO ALLUREMENT Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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Algarve Music Series, festival de música de câmara organizado pela violoncelista Isabel Vaz e pelo pianista Vasco Dantas, apresentou, no dia 15 de outubro, no Club Farense, em Faro, a estreia mundial do Trio Allurement, composto pela soprano Bárbara Barradas, a mezzosoprano Cátia Moreso e o pianista Vasco Dantas, três músicos de excelência do panorama musical internacional. Numa noite encantadora foram interpretados duetos, árias de ópera e canções de compositores como Mendelssohn, Elgar, Wagner, Verdi e Offenbach. Bárbara Barradas é uma Soprano conhecida pela sua versatilidade e intensidade interpretativa. Fez o seu ALGARVE INFORMATIVO #268
Debut em Salzburg com a Lucia (Lucia di Lammermoor de Donizetti) e a reação da crítica e do público foi formidável. Canta regularmente com as mais prestigiadas orquestras nacionais e internacionais e ganhou vários prémios e bolsas de estudo em mais de 10 competições nacionais e internacionais. Cátia Moreso, Mezzo-soprano, é considerada uma das maiores cantoras do panorama nacional e o seu sucesso internacional é também inegável, tendo sido diversas vezes aclamada pela crítica por possuir “um registo grave refinado e bronzeado e agudos potentes e ressonantes”. Canta nas mais prestigiadas salas e teatros a nível nacional. Vasco Dantas é um Pianista invulgar 96
pela sua grande generosidade e força emotiva e desde muito cedo evidenciou uma personalidade cativante, através da força das suas interpretações. Obteve mais de 50 prémios e distinções em concursos internacionais, tendo já atuado a solo e com orquestras nos cinco 97
continentes, em salas como Hong Kong Concert Hall, Tchaikovsky Great Hall e Carnegie Hall. É diretor artístico do festival de música de câmara «Algarve Music Series» e a sua discografia inclui cinco CDs com a KNS Classical, ARS Produktion e MPMP . ALGARVE INFORMATIVO #268
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CINETEATRO LOULETANO ACOLHEU 5.ª GALA DOS FADISTAS LOULETANOS Texto: Daniel Pina | Fotografia: Jorge Gomes
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Cineteatro Louletano recebeu, no dia 11 de outubro, a quinta edição da Gala dos Fadistas Louletanos, uma iniciativa que tem como objetivo a valorização e promoção dos talentos musicais do concelho ligados a este universo artístico. Não obstante a atual situação de pandemia, o Município de Loulé não quis deixar de realizar, à semelhança dos últimos anos, este evento que já faz parte da programação regular do Cineteatro, estimulando e apoiando, também por esta via, o meio artístico local. Apesar de Loulé não ser uma terra com ALGARVE INFORMATIVO #268
tradições fadistas, o concelho consegue dispor, neste momento, de um naipe de intérpretes de boa qualidade neste universo musical, como os já reconhecidos César Matoso ou Isa de Brito, aos quais se juntaram, neste espetáculo, Marta de Sousa, Vânia Leal, Filipa Nobre e Alexandra Viana. Dado que este ano se comemora o centenário do nascimento de Amália Rodrigues (1920-2020), o repertório foi constituído exclusivamente por temas que marcaram o percurso desta incontornável figura da canção portuguesa. Na direção musical e guitarra portuguesa esteve o também louletano Valentim Filipe, acompanhado, na viola, por Tiago Valentim e, no contrabaixo, por Bruno Vítor Martins . 108
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OPINIÃO Milita Doré - Montanhas de Amor Mirian Tavares (Professora Universitária) Thoreau, que tinha tuberculose, escreveu em 1852: "A morte e a doença muitas vezes são bonitas, como.... o brilho héctico da consunção". Ninguém concebe o câncer de maneira como a tuberculose era concebida, como uma morte decorativa e, muitas vezes, lírica. O câncer é um assunto raro e ainda escandaloso na poesia. E é inimaginável que ele confira estética à doença. Susan Sontag
udo o que faço transforma-se em paisagem”, diz-me a artista. Através do desenho, das suas linhas e curvas, da sua sinuosidade e dos múltiplos caminhos que a linha pode percorrer, Milita Doré está sempre a criar paisagens, mesmo quando faz retratos, mesmo quando o desenho é de um corpo. A paisagem é um lugar para onde se olha, é um recorte da natureza, feito por quem a vê, é um espaço real e imaginado. É também, e sobretudo, um espaço metafórico. Ao contrário da natureza desmesurada e inabarcável, a paisagem pode ser representada e contida entre a moldura de um quadro, entre as margens do papel. E é essa capacidade metafórica da paisagem que encanta a artista e faz com que seus retratos sejam, ao mesmo tempo, corpo e relevo. montanhas de amor é uma exposição que expande a ideia de paisagem da artista que adentra, pela primeira vez, na paisagem inusitada do próprio corpo, região até então
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inexplorada. A tomada de decisão de autorretratar-se, e de se deixar retratar, surge num momento de extrema sensibilidade – a descoberta de um cancro da mama. A artista decide convidar amigos e amigas artistas para retratá-la antes de sofrer o tratamento que iria deixar cicatrizes, reais e metafóricas, no seu corpo. No livro A doença como metáfora, lançado em 1978, Susan Sontag reflete sobre a condição de duas doenças, e dos seus doentes, que afetaram, e afetam, de maneira diversa a sociedade: a tuberculose, no séc. XIX e o cancro no séc. XX. Para a escritora e crítica norteamericana, a sociedade trata e/ou tratou ambas as doenças através de metáforas, pela incapacidade humana de encarar de frente a morte, ou a sua inevitabilidade. Encontrada a cura para a tuberculose, que foi romantizada e estetizada, e que se tornou parte do imaginário dos artistas do séc. XIX e começo do séc. XX, resta o cancro, ou o Grande C, a inominável doença que ainda não tem cura e que ainda é estigmatizada. Para 116
Foto: Victor Azevedo
Sontag, dificilmente alguém conseguiria transformar a doença em poesia, ou em arte. Para Milita Doré, transformar a doença em arte foi a maneira encontrada de lidar com o estigma, com o medo, com as incertezas e com a mutilação. Cada desenho, cada fotografia, cada peça criada pela mão das pessoas amigas que convidou, recompuseram o seu corpo, mantiveram a sua inteireza, eternizaram o efémero, que somos todos nós, em imagens que permanecerão. Com as imagens dos outros sobre si mesma, a artista compôs duas grandes peças em forma de montanha – uma é preenchida por desenhos e a outra é feita de plástico, cordas e fios de metal. Funcionam como estruturas especulares, na forma, e opostas, no conteúdo: uma é cheia e a outra vazia. A ideia de cheio e de vazio é reproduzida nas várias obras que a artista concebeu para esta exposição. As imagens médicas, que mostram o corpo por dentro, foram seccionadas e bordadas em quatro guardanapos brancos – as linhas indiciam uma presença quase invisível, tracejada e incompleta. O 117
bordado, arte tradicionalmente associada ao universo feminino, é usado pela artista como um apontamento sobre esse universo que é composto de ideias e de ideais – o corpo feminino tem volumes e reentrâncias próprias e os seios são como montanhas que despontam na/da planura do ventre e que encarnam, em si mesmos, o conceito de feminilidade. Entre vídeos, esculturas, instalações, fotografias e desenhos, Milita Doré reafirma a sua condição – mulher e artista. Criadora de paisagens, condutora do seu próprio destino, a artista transformou as obras dos outros em suas, fundiu as representações com a presença do próprio corpo que se deixou retratar, que não resistiu, que se deu de forma generosa e que foi acolhido por mãos e olhos afetuosos. Ao tentar explicar o conceito de paisagem, o sociólogo alemão Georg Simmel afirma que a única maneira de o fazer é comparando o espectador ao artista: “o que faz o artista – tomar um fragmento da corrente caótica e infinita do imediatamente dado, concebendo-o e configurando-o como um todo autónomo, cortando os fios que o vinculam ao universo para voltar a entretecê-los – também o fazemos nós (…)”. montanhas de amor é o resultado da tessitura de vários fios, vinculados ao real e ao imaginário, ao universal e ao particular, à dor e à poesia. É uma paisagem laboriosamente inscrita no corpo da artista que se desvela para todos e para cada um de nós . ALGARVE INFORMATIVO #268
OPINIÃO Mudar a história mundial com o cinema Vera Casaca (Argumentista e Realizadora de Cinema) uita gente desconhece o poder que o cinema teve durante várias guerras, em particular na Primeira e na Segunda Guerra Mundial. Tanto os Britânicos como os Soviéticos usaram filmes de modo a influenciar a opinião popular. Por exemplo, na Segunda Guerra Mundial, o alemão Joseph Goebbels (1897-1945), a mando de Hitler, tornou-se o Ministro da Propaganda alemã. Goebbels não só controlava as emissões de rádio, mandava queimar livros, jornais, artigos e tudo o que se opusesse a qualquer ideologia Nazi, mas também realizava filmes. Obviamente, filmes que promoviam o antissemitismo como algo não apenas positivo, mas necessário. Também eram usados para enaltecer os seus soldados como heróis de guerra e incentivar ao alistamento de mais homens e mulheres. A que propósito é que me lembrei de escrever sobre este tópico? Tarantino. No meu «Top 10» de filmes favoritos está o filme «Inglorious Bastards», ou, em português, «Sacanas sem Lei». As ALGARVE INFORMATIVO #268
personagens movem-se no pano de fundo da Segunda Guerra Mundial e Tarantino coloca um grupo de americanos muito peculiar (dirigidos por um coronel interpretado por Brad Pitt) a, literalmente, queimarem e balearem o Sr. Adolf Hitler e os seus súbditos mais próximos, numa sala de cinema. A ironia? Morrerem enquanto viam um filme de Goebbels. Outro filme «Tarantaniano» que revi no outro dia e me apercebi que o realizador mais uma vez «altera» a história é no seu filme «Once Upon a Time in Hollywood» / «Era Uma Vez em… Hollywood». Em «Era uma vez…», para quem não viu, aconselho a não ler o resto do artigo pois contém spoilers, a história gira em torno de Dalton, um actor de Hollywood com a sua carreira por um fio. Mas é rico, vive bem, bebe mais e tem como vizinhos os não menos famosos Roman Polanski e a sua esposa Sharon Tate. Na vida real, no ano de 1969, Sharon Tate estava grávida de quase nove meses, quando ela e um grupo de amigos próximos foram assassinados por meia dúzia de seguidores de Charles Manson. Estes homicídios chocaram os Estados Unidos, mas também foram notícia pelo mundo devido aos seus 118
contornos macabros, o facto de o grupo pertencer ao culto de Manson e de Sharon Tate ser uma actriz extremamente famosa, casada com um dos mais conceituados realizadores da época, e o mais triste, encontrar-se grávida na altura. Mas Tarantino, através das personagens do Dicaprio e do Brad Pitt, decidiu oferecer no seu filme mortes muito dolorosas a estes assassinos impiedosos. Aliás, como a personagem de Dicaprio diz no filme: “queimei-a, esturriquei-a”, referindo-se ao facto de ter usado um lançachamas para matar uma das jovens responsável pela morte de Tate e dos seus amigos na mansão de Cielo Drive. As opiniões não foram unânimes. Enquanto uma grande parte do público gostou do filme e sentiu um certo prazer em «matar» os vilões, alguns familiares de Tate sentiram-se ultrajados pela escolha do Tarantino de fugir à realidade. Independentemente de opiniões alheias, através destes 119
exemplos compreendemos o quão poderoso o cinema é. Tanto pode moldar a realidade histórica como a história pode ser usada para moldar as narrativas dos filmes. Às vezes, em filmes que são baseados em factos reais, a palavra imperativa é «baseado», o resto, podem ser floreados da infinita imaginação humana . ALGARVE INFORMATIVO #268
OPINIÃO Lembrar o «Projecto Querença» João Ministro (Engenheiro do Ambiente e Empresário) empre que sou confrontado com a pergunta “como dinamizar o interior?”, o primeiro pensamento que me ocorre é sobre o Projecto Querença. Porquê? Porque incorpora na sua essência um conjunto de aspectos que me parecem vitais para essa questão tão pertinente e actual. Em primeiro lugar, porque esse projecto foi concebido numa abordagem de intervenção «fora da caixa», rompendo com velhas metodologias instaladas, hoje desajustadas com essa premente necessidade de desenvolver o território. É fundamental atrair capital humano jovem, qualificado, inovador, empreendedor, de espírito livre e totalmente abertos a novas experiências, testes e ideias a aplicar. É preciso cérebro novo, dinâmico e criativo nestes locais. O Projecto Querença estava fortemente impregnado disso. Depois, porque a iniciativa incidia na ideia de trabalho em rede. Diferentes competências a trabalhar numa parceria próxima, transformando o resultado em algo maior do que a simples soma das partes. Um elemento da equipa exercia agricultura, outro transformava os ALGARVE INFORMATIVO #268
respectivos produtos, a seguir alguém fazia o marketing e a venda e por fim outro construía modelo de negócio para criar perspectivas empresariais. Era esta o espírito. Foi assim que funcionou. Por outro lado, porque o projecto incidia na valorização dos recursos endógenos. É com os valores locais, sejam eles agrícolas, florestais, botânicos, faunísticos, paisagísticos, sociais ou culturais que é preciso trabalhar, no sentido de gerar valor sustentável, duradouro e enaltecedor desse território tão importante. Porque o projecto tinha um objectivo muito específico e orientado: a criação de iniciativas empresariais e oportunidades de emprego. Sem estas componentes não conseguiremos nunca fixar gente no interior que ali trabalhe, contribua para a sua correcta gestão e crie riqueza. Porque o Projecto Querença tinha em si uma premissa fundamental: trabalhar com as pessoas locais, num contexto de forte proximidade, colaborativa, mas indo além daquilo que é a tradição ancestral e as práticas costumes, adicionando conhecimento, inovação e tecnologia, para criar a tal riqueza e as tais oportunidades de emprego. Numa 120
mercado, os percursos e, claro, sobre os jovens que por ali passaram (nota: o projecto decorreu entre 2011 e 2012 e depois entre 2013 e 2014). Claro que houve muitas dores de cabeça e muitos obstáculos que tiveram de ser ultrapassados. Nomeadamente financeiros e institucionais. De excesso de egos e protagonismos. Mas os resultados foram, claramente, positivos. Não apenas pelas empresas criadas ou prémios conquistados, mas pelo facto de terem-se criado postos de trabalho e de estar no local uma equipa a dar continuidade à missão que originou o mesmo (hoje sobre a égide da Cooperativa QRER).
relação, repito, de parceria interdisciplinar. E, por fim, o Projecto Querença teve ainda algo fundamental e que hoje é tão importante, mas pouco mencionado: a oportunidade de testar e falhar. Sim, falhar. Essa é premissa fundamental da aprendizagem e do amadurecimento. É com os erros que aprendemos e melhoramos. E foi esse aspecto que fez com que entre a 1.ª e a 2.ª fase desse projecto, se tenham feito melhorias e conseguido resultados mais rápidos. Para quem não sabe, esta iniciativa gerou cinco empresas, um clube desportivo, uma cooperativa e gerou uma visibilidade tal de Querença e seus valores, que ainda hoje surgem perguntas sobre a aldeia, o seu 121
A dinamização do interior precisa de uma visão renovada e de «sangue-novo» capaz de imprimir novas dinâmicas e implementar ideias disruptivas que tirem proveito do território e do mundo global que nos rodeia, recorrendo à inovação e criatividade, de forma cultural e ambientalmente sustentáveis. Que saibam trabalhar e colaborar com as pessoas que vivem e trabalham no território e detêm o conhecimento ancestral, base de partida para as novas ideias. E que trabalhem em cooperação e rede. As parcerias são fundamentais, especialmente num território tão frágil como o do interior. Claro que há obstáculos sérios e difíceis a contornar. A ausência de habitação é talvez um dos mais graves. E tal merecia uma profunda discussão. Mas não hoje. Hoje é dia de lembrar o «Projecto Querença» . ALGARVE INFORMATIVO #268
OPINIÃO Quais os anseios dos Cozinheiros? (2) Augusto Pessoa Lima (Cozinheiro, Consultor e Formador) Continuação…
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ireito ao respeito
Quer se seja Cozinheiro de 1.ª, 2.ª ou 3.ª, existirá sempre a necessidade da organização dos mesmos ser feita por quem detém mais saber/conhecimento, ou seja, por alguém seu igual. Na sua falta, é obrigatório a existência de um proprietário interessado em valorizar, dar formação, respeitar enquanto indivíduo e trabalhador qualificado, mesmo que em formação.
Nota – Um Cozinheiro é um artesão especializado, que deverá dominar/compreender a arte de cozinhar, desenvolvendo aptidões para empratar, criando beleza e vontade. Observação – A recente bancarrota e o aumento do turismo, trouxe a necessidade de imigrar e muitos dos nossos cozinheiros assim o fizeram, por um lado, deixando a porta aberta à oportunidade de muitos curiosos ocuparem o seu lugar. A par disso, a tendência mundial de empregar jovens cozinheiros sem experiência, na sua grande maioria, como mão de obra mais barata, possibilitou também a degeneração da qualidade dos Cozinheiros no mercado. A indústria de transformação ALGARVE INFORMATIVO #268
alimentar procurou de imediato ocupar esse vazio, oferecendo ao mercado soluções prontas ou de muito pouco manuseamento, deixando também, por isso, um vazio de formação nos jovens cozinheiros, ambiciosos de mostrar trabalho e de seguir em frente nas suas aspirações. Mas, antes de tudo isto, vimos acontecer o crescimento de uma tendência mercantilista de pagar pouco por muito trabalho, tendo muitos hotéis excluído o cargo de Responsável de F&B ou mesmo o de Gestor de Economato, sendo estes atribuídos aos Cozinheiros contratados como Chefes de Cozinha, permitindo que as cozinhas, nos campos pessoal e técnico, fossem geridas em quase exclusividade pelos Subchefes, pela ausência dos seus Chefes de secção, esquecendo que a correta gestão de uma cozinha, em termos financeiros, se faz de dentro para fora e não ao contrário, com a prática diária, com o exemplo, com a formação diária que o Chefe (enquanto Líder) deveria fazer. Por outro lado, jamais devemos esquecer, como até aqui, a importância dos Cozinheiros enquanto «delegados de saúde» e a sua importância na criação de ementas saudáveis, praticando técnicas correctas e contribuindo na generalidade para uma saúde pública melhorada. E, por isso mesmo, deveria ser vista como uma área de suma importância e de relevo, e reconhecida como de utilidade pública. 122
E ainda reconhecida como uma classe de trabalhadores profissionais que contribuem de forma relevante para o crescimento da economia através de um dos braços, o Turismo, directamente relacionado com os restaurantes e suas ramificações que preconizam o turismo gastronómico e tanto benefício económico e cultural tem trazido aos países que souberam utilizar os Cozinheiros como obreiros dessa realidade, como a França ou a vizinha Espanha. Sendo claramente uma classe que detém um trabalho de risco, não é assim vista nem 123
tratada. Apesar de os Cozinheiros, ao longo da vida, puderem contrair doenças profissionais, não auferem um subsídio de risco. A título de comparação, um trabalhador que manobra alimentos dentro de camaras congeladoras, tem cerca de 110 euros a mais no seu ordenado, e conta com 15 minutos de descanso por cada hora trabalhada. E sobre horários e dias de folga, teríamos horas e horas de debate. Os mais antigos de nós começam a repensar o porquê do seu esforço diário e já não aceitam que, apenas por serem Cozinheiros, têm que suportar muitas horas de trabalho sem retorno salarial . ALGARVE INFORMATIVO #268
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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos. ALGARVE INFORMATIVO #268
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