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BENTO ALGARVIO continua a «encher a marmita» dos adversários
Salvou-se o cão do barrocal algarvio Uma lufada de ArQuente na cultura algarvia Desidério Silva exige a atenção ALGARVEmerece INFORMATIVO #25 1 que o Algarve
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DESIDÉRIO SILVA
CÃO DO BARROCAL ALGARVIO
ASSOCIAÇÃO ARQUENTE
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Algarve Informativo #25 produzido por Daniel Pina (danielpina@sapo.pt); Foto de capa: Daniel Pina Contatos: algarveinformativo@sapo.pt / 919 266 930 As notícias que marcam o Algarve em algarveinformativo.blogspot.pt
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OPINIÃO
OLHAI POR NÓS SENHORES AUTARCAS!!
DANIEL PINA Editor/Jornalista serranas, ou incentivos financeiros à natalidade, nos locais onde se nota mais o envelhecimento da população. Ou seja, mais uma vez o poder local tem que fazer aquilo que, supostamente, seria obrigação do poder central, pois é à administração central que pagamos a grande fatia dos nossos impostos. A verdade, porém, é sobejamente conhecida. O governo assobia para o ar, olha para o outro lado, diz que a crise obriga a sacrifícios, que os credores internacionais não toleram atrasos nos pagamentos dos empréstimos, que a União Europeia exige cortes nas despesas públicas e esses cortes, já se viu, afetam sempre as famílias, a Saúde, a Educação, a Segurança Social. Contudo, as pessoas, no seu desespero, não vão bater à porta da Assembleia da República ou do Primeiro-Ministro. Vão pedir ajuda aos presidentes das câmaras municipais e juntas de freguesias e estes, felizmente, pelo menos a maioria, e dentro das suas possibilidades, decidiram ouvir a sua consciência. Assim, como as receitas provenientes do ramo imobiliário não são as de antigamente, como o dinheiro que chega do Orçamento de Estado não chega para tudo e como não se pode continuar a pedir empréstimos bancários para tudo e mais alguma coisa, os autarcas optaram por colocar as grandes obras em «banho-maria». São menos rotundas que se constroem, são menos piscinas, auditórios, bibliotecas e outros equipamentos que se requalificam. São menos fogos-de-artifício e foguetes que se jogam para o ar. Mas são também menos crianças que passam fome, são menos crianças que vão a pé para as escolas, são menos crianças que abandonam o ensino porque os pais não têm dinheiro para lhes comprar os livros e materiais. É claro que estas medidas são menos visíveis e faustosas, mas eu, como pai, prefiro mil vezes que se gaste o dinheiro com as crianças e os mais necessitados, do que a meter esculturas estranhas no meio de rotundas ou a construir equipamentos que não são uma primeira necessidade das populações. Por isso, aqui fica o meu obrigado aos autarcas deste meu Algarve porque, se estivéssemos a contar com a ajuda do Governo, bem lixados estávamos todos .
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ois é verdade, começou mais um ano letivo e, com ele, a azáfama dos pais a correr dum lado para o outro, a levar os filhos para os jardins-de-infância ou para as escolas, a comparecer a sessões de apresentação nos estabelecimentos de ensino, a ir a reuniões com os professores e diretores de turma e, pior do que isso, a comprar manuais escolares e uma parafernália de outros materiais didáticos, canetas, lápis, cadernos, folhas, autocolantes e sei lá mais o quê. E se as primeiras tarefas atrapalham o dia-a-dia de quem trabalha e não tem grande facilidade com os horários, a última vai-nos ao bolso e à carteira com uma ferocidade arrepiante e que aumenta de dimensão à medida que os nossos filhos vão crescendo. Não posso, por isso, deixar de enaltecer as autarquias que de há alguns anos para cá decidiram oferecer os manuais escolares aos alunos mais carenciados, uma ajuda que se estende às refeições e ao transporte escolar e sem a qual muitos encarregados de educação teriam a vida ainda mais dificultada. Claro que esse papel devia ser desempenhado, num estado de direito, pelo Governo, via Ministério da EducSocial, mas os nossos governantes preferiram passar essa batata-quente para as câmaras municipais sem, contudo, transferirem as respetivas verbas. E, de um momento para o outro, lá têm as autarquias que gastar milhões de euros a construir novas escolas e a requalificar as mais antigas, para além dos referidos apoios com os manuais escolares, material didático, transportes e refeições. Por esta altura do ano começam também a preparar-se os orçamentos municipais para 2016 e já se vão conhecendo os benefícios e reduções fiscais que algumas autarquias concedem aos seus residentes, seja nas taxas de IMI que vão cobrar, seja da coleta em sede do IRS da qual optam por prescindir, para que os agregados familiares consigam ficar com mais alguns euros disponíveis ao fim do mês. E isto porque o governo teima em aumentar a carga fiscal sobre as famílias portuguesas, ao mesmo tempo que corta nos benefícios que se conquistaram ao longo de uma vida de trabalho. E não nos podemos também esquecer das autarquias que concedem incentivos fiscais para atrair novos residentes para os seus concelhos, nomeadamente aqueles mais desertificados do interior ou das zonas
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ENTREVISTA
ALGARVE JÁ VENCEU A CRISE mas não pode adormecer à sombra do sucesso O superconcorrido mês de agosto já ficou para trás, o Algarve esteve a romper pelas costuras de turistas, nacionais e estrangeiros, uma forte afluência que se traduziu também em bons resultados financeiros para a generalidade das unidades hoteleiras e da economia regional, e os indicadores deixam antever que os próximos meses serão igualmente positivos, fruto de eventos âncora como o Portugal Masters, o Festival de Observação de Aves, o Vilamoura Champions Tour e o Reveillon. Motivos de satisfação para Desidério Silva, presidente do Turismo do Algarve, que viu a região conquistar mais uma série de prémios nos World Travel Awards 2015, realizados no início de setembro, em Itália. Parece, assim, que o Algarve já conseguiu ultrapassar a crise que tem afetado o país nos últimos anos, mas o entrevistado alerta que os agentes económicos, os operadores turísticos e os autarcas locais têm que continuar a trabalhar de mãos dadas e, acima de tudo, que os governantes nacionais também têm que fazer a sua parte, pois o Algarve carece de algumas intervenções de maior monta que só podem ser levadas a cabo pelo Poder Central. Entrevista: Daniel Pina ALGARVE INFORMATIVO #25
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Desidério Silva, presidente do Turismo do Algarve
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trabalho começa cedo na casamãe do Turismo do Algarve, na Av. 5 de Outubro, em Faro, e, no sétimo piso, Desidério Silva colocava no seu lugar de honra os prémios conquistados em mais uma edição do «World Travel Awards», que este ano tiveram lugar na Sardenha, em Itália. A estes somavam-se mais três troféus do Publituris Travel Awards, cuja cerimónia decorreu em Albufeira, portanto, o responsável máximo da Região de Turismo do Algarve (RTA) tinha motivos mais que suficientes para estar satisfeito. “Os números de janeiro até agosto são extremamente positivos, sejam os de turistas que chegam ao Aeroporto de Faro e os das dormidas, como também os do retorno económico que esse movimento gerou. 2015 tem sido um ano bastante favorável, garantem
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os grupos hoteleiros e os operadores turísticos, e o turismo tem sido a mola desta recuperação a nível nacional”, destaca Desidério Silva, adiantando que a procura para os meses de setembro e outubro também apresenta um registo muito satisfatório. Verão que é caracterizado pela afluência maciça de turistas que vêm à procura do sol e praia, mas alguns eventos de grande mediatismo garantem, então, um resto de ano agitado, embora não na mesma dimensão. São disso exemplo o Portugal Masters, em golfe, e o Vilamoura Champions Tour, de hipismo, que decorrem em Vilamoura e o Festival de Observação de Aves, que acontece em Vila do Bispo, pelo que o Algarve, ao contrário da ideia errada que se possa ter, não fecha portas no fim de agosto. “É algo que resulta do esforço continuado da RTA e dos seus parceiros para que os eventos não aconteçam apenas em agosto. Temos noção que janeiro e fevereiro serão sempre complicados, mas queremos «alargar» o máximo possível o Verão, de março até outubro, novembro, de modo a que as taxas de ocupação aumentem nos meses das franjas. O Algarve tem uma taxa de ocupação anual que pouco passa dos 55 por cento e o objetivo é chegar aos 65 por cento”, frisa Desidério Silva. Um esforço que, felizmente, já envolve toda a região, ao contrário do que sucedia no passado, quando muitos grupos hoteleiros, autarquias e agentes turísticos marcavam presença nas principais feiras do ramo de forma individual e não em parceria com a Região de Turismo do Algarve. A própria legislação mudou, entretanto, e a RTA, hoje, detém a pasta da promoção no mercado interno alargado (Portugal e Espanha), cabendo à Associação de Turismo do Algarve a promoção externa. “Desde que a nova lei entrou em vigor, temos dinamizado diversas ações em Portugal e Espanha e levamos sempre connosco os hoteleiros e operadores. Em 2016, somos o destino convidado na BTL e o stand do Algarve terá todos os municípios, para 10
ENTREVISTA demonstrar a nossa vitalidade e complementaridade. Cada concelho tem uma oferta diferenciada e o importante é conseguirmos juntar aquilo que cada um oferece no mesmo bolo”, indica o entrevistado, entendendo que esta forma de atuar proporciona a realização de mais negócios e contratos turísticos e, por arrasto, mais emprego na região. Road shows que também já não se focam apenas nos produtos «sol e praia» e «golfe», dando igual primazia à gastronomia, natureza, saúde, desporto, entre outros. Ora, Desidério Silva avisa que nunca se poderão descurar as «estrelas» do Algarve, e que tantos prémios internacionais trazem para a região, mas há que, de facto, promover o destino noutros nichos de mercado. “As pessoas que nos visitam querem passear, dormir, comer, praticar desporto, sentir emoções, ter experiências e dinamizamos ações muito concretas para esse fim. Nos últimos dois anos temos procurado trazer um conjunto de jornalistas, agentes de viagem, operadores, no fundo, aqueles que têm capacidade para cativar clientes, para lhes dar a conhecer esta realidade e que depois a transmitem em revistas internacionais. E estamos a falar de produtos da Costa Vicentina, da Bacia do Guadiana, das Serras do Caldeirão e de Monchique, da Ria Formosa, que não eram tão conhecidos”, evidencia, embora admita que os turistas desses segmentos nunca conseguirão atingir a mesma
dimensão do «sol e praia» e do «golfe». “Temos um Verão com um chapéu muito alto, mas estamos a alavancar a região noutros meses em que continuamos a ter um bom clima, altas temperaturas, segurança, gente que sabe receber, gastronomia. São fatores por si só motivadores para que as pessoas nos visitem e se sintam cá bem”.
RTA não existe para dar subsídios A forma de atuar da Região de Turismo do Algarve mudou, de facto, no passado recente, porque a lei lhe atribuiu competências e um raio de ação diferentes, mas também porque os seus orçamentos têm sido sucessivamente reduzidos, o que obrigou o organismo a aplicar os fundos de forma mais criteriosa e a buscar parcerias com mais vigor. “As Regiões de Turismo funcionam com objetivos muito claros – promover, reestruturar produtos, desenvolver e valorizar o potencial de cada região – mas tivemos, em 2015, um corte muito significativo nas nossas verbas, perto de um milhão de euros. É um valor que faz toda a diferença, porque a estrutura tem 80 e tal funcionários, 21 postos de turismo espalhados por todo o Algarve e um conjunto de responsabilidades que é preciso honrar. Isso faz com que sejamos mais cirúrgicos nas nossas
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ENTREVISTA intervenções e que vamos onde sentimos que o retorno será maior”, explica Desidério Silva, contente por verificar que os fundos disponíveis para a promoção vão diminuindo mas os resultados da região seguem em sentido contrário. “O PIB do Turismo no Algarve, em relação ao contexto nacional, tem subido, o que prova que, se tivéssemos mais meios para promover, dinamizar e valorizar a região, os resultados ainda seriam melhores”. E se o dinheiro cada vez é mais escasso, a
papel da Região de Turismo e mesmo os eventos de referência recebem apenas um apoio logístico ao nível da promoção e divulgação”, esclarece. Seja como for, conquistar todos os anos prémios internacionais já se tornou um hábito para o Turismo do Algarve, fruto do trabalho que tem sido feito ao longo dos anos para se consolidar o destino e do investimento realizado pelos municípios e empresários para aumentar a qualidade dos equipamentos e das infraestruturas da região. “São prémios que trazem ao Algarve
Região de Turismo do Algarve não pode continuar a apoiar financeiramente todos os eventos, festas e festivais que acontecem na região e que são organizados, uns pelas autarquias, outros por associações e coletividades, outros ainda por empresários privados. Aliás, nem é essa a função de uma Região de Turismo, esclarece o presidente da instituição. “Podemos potenciar todos esses eventos e atividades a nível nacional e internacional e são menos esses custos que os organizadores têm. Se recebermos as informações a tempo e horas, inserimos na agenda, na newsletter, no site, nas redes sociais, e são milhares de pessoas que ficam a conhecer esses eventos. Agora, dar subsídios não é o
muitos turistas que, depois, acabam por utilizar outros equipamentos e visitar outros locais que não aqueles que foram distinguidos. Isso aumenta obviamente a capacidade de investir dos empresários e o emprego. Um território que não tenha prémios, mais tarde ou mais cedo acaba por desaparecer, porque vai perdendo competitividade face a outros destinos concorrentes”, analisa Desidério Silva, adiantando que a imagem do Algarve está associada à qualidade e não a preços baixos. “Temos fatores naturais que não se compram e os nossos mercados tradicionais – o britânico, alemão, holandês e espanhol – e agora o francês e o belga, cada vez mais procuram a região”.
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Algarve de novo na «berra» para se investir A par dos prémios mais prestigiados, caso do «World Travel Awards», o Algarve é também motivo de destaque na imprensa internacional, generalista ou especializada, e nos inquéritos e sondagens que normalmente levam a cabo junto dos seus leitores, daí que, volta e meia, seja considerada uma das regiões preferidas para se gozar a reforma, tenha o resort mais romântico, as melhores praias e campos de golfe, e tudo isso nasce da visibilidade que o Algarve tem conquistado no passado recente. “Se o Algarve não ganhasse prémios, nem sequer entrava no leque de opções desses inquéritos, estudos e sondagens. É sabido que atravessamos um período mais delicado em termos de imagem, das dormidas e de outros indicadores, entre 2010 e 2012, mas, de 2013 para cá, já temos mais dois milhões e meio de dormidas. O turismo nacional e o espanhol recuperaram bastante nestes dois anos, o mercado francês começou a dar um sinal muito forte e os outros mercados têm dado
respostas francamente positivas. Por outro lado, também tem havido um aumento de ligações aéreas, nomeadamente para a Inglaterra e Alemanha, e tudo isso propicia um crescimento que desejamos que seja para continuar”, sublinha Desidério Silva. Crise que afetou mais alguns empreendimentos turísticos do que outros e se alguns foram forçados a baixar os preços para manter boas taxas de ocupação, outros tiveram mesmo que colocar em standby as suas componentes imobiliárias, devido à quebra das vendas. Desidério Silva lembra, porém, que o setor imobiliário exibe igualmente sinais de recuperação e há locais do Algarve onde já não há produto para se vender. “Os investidores continuam a procurar produtos da gama média/alta e, com isso, os municípios recuperam uma receita importante vinda do IMT e que tinha caído a pique em 2010. Assim, voltam a conseguir intervir em matérias como a requalificação, a limpeza, o saneamento, recolha de resíduos, manutenção dos espaços públicos. O próprio desemprego na região diminuiu substancialmente, há poucos dias estava com uma taxa de 10,9 por cento, muito inferior aos 20
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ENTREVISTA e tal e aos 18 por cento de há dois anos”, congratula-se o dirigente. Mas se parece um facto evidente que o Algarve está a superar a crise, tal não significa que se possa adormecer à «sombra da bananeira» e dos múltiplos prémios conquistados, avisa de imediato Desidério Silva. “Temos que continuar a encontrar soluções e produtos inovadores e diferentes para manter o destino interessante para quem nos visita. Penso que o «trade» e os investidores têm razões para estar de ânimo mais leve, mas o trabalho tem que ser constante e permanente”, alerta o entrevistado, uma postura ativa e dinâmica que depois se concretiza em grandes investimentos para a região, como são os casos recentes da construção do IKEA em Loulé e do mega-investimento previsto para Vilamoura. “O Algarve voltou a estar na «berra» para este género de investimentos, mas cometeram-se algumas asneiras no passado por não ter sido realizada uma avaliação devidamente enquadrada e mercê do facilitismo existente no financiamento. O facto é que estes novos investimentos, ao serem feitos no Algarve, têm por trás uma base económica e estudos credíveis”, assegura.
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Desidério Silva dá um enfoque especial, como é natural, ao investimento previsto de mil milhões de euros em Vilamoura e num produto diferenciador e de retorno mais fácil. “Penso que o Algarve não precisa de muito mais construção ou de novos hotéis, era necessário, sim, que algumas unidades fossem requalificadas. O que aparecer de novo tem que ser diferente e de qualidade superior, o tempo do «mais do mesmo» acabou”, salienta o presidente da RTA. “No fundo, é preciso dar mais brilho à região, nomeadamente nas zonas onde foram cometidos alguns erros no passado”, resume, reconhecendo que muito desse «brilho» deve ser da responsabilidade do poder central. “A requalificação da EN 125 tem que avançar rapidamente e, segundo informações que tenho, deve arrancar em outubro. Da mesma forma que é urgente o desassoreamento do Porto de Portimão, bem como alguma requalificação nos portos e nas marinas e em algumas acessibilidades. O Estado deve reconhecer a dimensão das verbas transferidas para a administração central resultantes da atividade turística no Algarve e agir em consonância. Os próprios municípios também precisam de condições para ter uma intervenção de fundo
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nas questões que lhes competem porque, se houver um que falhe em algum fator, isso pode colocar em causa a imagem de todo o destino”, indica Desidério Silva. Um alerta que até pode parecer exagerado mas que, infelizmente, é a mais pura realidade, como se tem verificado em algumas ocasiões, porque a mediatização do Algarve atingiu tal dimensão que nada escapa aos olhos da comunicação social, nacional e internacional. “Se houver uma rutura de água durante duas horas num concelho algarvio, a notícia tem mais impacto do que se não houver água durante dois dias inteiros noutro ponto do país. Estão cá as televisões de todo o mundo e, num instante, fazem uma emissão para os seus países, transformando uma falha pequenina num grande incidente”, explica, apelando, por isso, a uma atenção especial da parte do Governo. “O Algarve é, sem dúvida, a região mais importante do turismo nacional e o Estado, seja que partido estiver no poder, tem que olhar para o Algarve de maneira diferente. Não estamos a pedir nenhum favor, estamos a exigir aquilo que o Algarve merece”. A sensivelmente três meses e meio do término do ano, Desidério Silva não duvida, então, que
2015 será um ano positivo e 2016 deverá seguir na mesma senda do sucesso. “Quanto um destino está por cima, é sempre mais fácil vendê-lo e os operadores, para garantirem as camas para os seus clientes, começam a fazer as reservas com maior antecedência. As contas só serão feitas no fim do ano, mas estou convencido que vamos ter números muito superiores a 2014, e não apenas no que toca às dormidas. Houve unidades que começaram a recuperar os preços que tinham perdido em 2010 e 2011 e isso gera resultados económicos mais favoráveis, o que permite, depois, que haja mais investimento, que se dê mais formação aos funcionários, que se contrate mais pessoal”, afirma, embora avise que as regiões turísticas dependem bastante de questões políticas e geoestratégicas. “Esperemos que nada venha colocar em causa esta oferta fantástica que temos, esta qualidade de serviço que cada dia é melhor, esta segurança e clima, porque toda a região se tem esforçado para isso como um todo. Felizmente que já se vai trabalhando em conjunto, coisa que não era normal no Algarve e, se houver pensamento positivo e confiança, tudo funciona melhor” .
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QUASE SE PERDEU O
CÃO DO BARROCAL ALGARVIO
O Algarve tornou-se notícia há alguns anos quando o presidente norte-americano Barack Obama decidiu oferecer às filhas um cão de água algarvio, mas a região é o lar também do cão do barrocal algarvio. A sorte desta raça, porém, foi bem diferente e esteve praticamente extinta, até um grupo de apaixonados decidir fundar uma associação de criadores para a tentar recuperar. Hoje, o perigo de desaparecer é diminuto, mas ainda decorre o processo para se reconhecer formalmente a raça em termos nacionais e, depois, inicia-se idêntica caminhada, mas a nível internacional. Na génese da associação estão Rogério Teixeira e José Afonso Correia, que nos deram a conhecer um pouco melhor o cão do barrocal algarvio. Entrevista: Daniel Pina 17
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ENTREVISTA
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ão se sabe muito bem de onde veio o Cão do Barrocal Algarvio e há quem diga até que remonta ao tempo dos faraós e ao galgo egípcio, que terá sido difundido por toda a bacia mediterrânica pelos fenícios e berberes. O certo é que os criadores mais idosos contam que já os seus avós tinham estes cães, portanto, já andará pela região há várias gerações, e numa zona bem específica, o Barrocal, nomeadamente nos concelhos de Loulé, São Brás de Alportel, Faro, Tavira, Lagoa, Silves e Albufeira e, mais especificamente ainda, nas Freguesias de Estói, S. Brás de Alportel, Santa Catarina da Fonte do Bispo, Santa Bárbara de Nexe e S. Bartolomeu de Messines. Contudo, o Cão do Barrocal Algarvio esteve praticamente extinto, provavelmente pela forma indiscriminada como, desde os anos 60, foram efetuados vários cruzamentos entre raças. Mas o cão, felizmente, sobreviveu, virtude do seu temperamento próprio e de estar bastante adaptado aos terrenos mais inóspitos desta sub-região do Algarve comprimida entre o mar e a serra, com os seus solos calcários e bastante pedregosos. Instintos de sobrevivente que nasceram também da interação com várias gerações de caçadores, tendo-se tornado um cão de caça por
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excelência, primeiro na caça menor, mais recentemente na caça maior, por ser rápido, agressivo e um trabalhador incansável. Mas a verdade ninguém a nega, esteve quase para desaparecer, um cenário que deixou José Afonso Correia bastante preocupado, até porque o caçador de 61 anos, natural do Arneiro, no Patacão, é criador desta raça deste que atingiu a idade adulta. “É um excelente cão para se recuperar uma perdiz ferida, melhor do que qualquer outra raça, levamos também quando vamos ao coelho e é igualmente um grande cão de guarda e para ajudar na apanha da azeitona, alfarroba e amêndoa”, conta o empresário de restauração de profissão, explicando que, antigamente, era mais comummente chamado de cão embandeirado ou felpudo, por causa dos pelos que tem no rabo e nas pernas. O perigo de extinção levou ao aparecimento da Associação de Criadores do Cão do Barrocal Algarvio há mais de uma década, mas José Afonso entende que a situação se tornou mais grave a partir de 1975, com a entrada de novas raças em Portugal. “Os miúdos começaram a pedir cães diferentes aos pais e aos avós e os criadores foram atrás do que o mercado pedia. Antes do 25 de Abril não havia cá raças estrangeiras de cães, tínhamos no Algarve o
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ENTREVISTA cão embandeirado e o perdigueiro”, relata, satisfeito por a situação se ter invertido nos últimos anos. Claro que recuperar uma raça não é fácil e não acontece de um dia para o outro e o primeiro passo foi andar por todo o Algarve à procura de exemplares puros, comprá-los, juntá-los nos mesmos locais e, então, avançar para a reprodução. “Felizmente que ainda fomos a tempo, mais uns anos e, se calhar, já não encontrávamos puros em número suficiente. É um cão diferente por causa do seu feitio, do formato da cabeça, do corpo e da cauda, e a Universidade Técnica de Lisboa fez um estudo exaustivo do seu ADN e comprovou que não tinha genes de outras raças”, frisa José Afonso Correia, confirmando que, com uma associação, o processo é mais fácil do que se fosse levado a cabo pelos criadores em termos individuais. “Havia poucas pessoas disponíveis para colaborar, mas boas, apostamos na qualidade. São indivíduos que gostam de animais e, graças a este esforço, já existem para cima de 1500 cães e todos os anos nasce um número significativo”.
Raça quase marchou para Espanha Depois de salvar o cão do barrocal algarvio da extinção, o próximo objetivo é que a raça seja reconhecida pelas entidades competentes a nível nacional, em colaboração estreita com o Clube Português de Canicultura. “Os técnicos vêm cá fazer a avaliação dos cães e já organizamos um concurso do cão do barrocal algarvio. O que dizem é que a raça será aprovada ainda este ano, depois, temos mais cinco anos para que seja reconhecida a nível internacional”, aponta José Afonso Correia, esclarecendo que não são cães que exijam cuidados especiais no dia-a-dia. “Precisam de espaço porque gostam de correr e de saltar, mas isso não impede que estejam dentro de casa. Comem de tudo, estão adaptados ao nosso clima, não causam quaisquer problemas. E vivem bem dentro das cidades porque são inteligentes, desviam-se dos carros, não se perdem”, garante o criador. Pormenor sempre importante quando se fala em cães é a segurança e, infelizmente, ainda recentemente tivemos mais um caso de um cão que atacou uma criança, mas José Afonso Correia
Rogério Teixeira e José Afonso Correia, presidente e vice-presidente da Associação dos Criadores do Cão do Barrocal Algarvio 19
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ENTREVISTA não conhece qualquer episódio de violência que envolva esta raça. “Se alguém entrar no território ou na casa dele, é óbvio que ladra, mas não é agressivo, não morde o dono ou uma criança. É um cão que se faz facilmente ao dono e àqueles que o rodeiam, ganha uma estima rápida. Quanto a estranhos, o instinto dele é estar sempre alerta, mas não ataca de forma indiscriminada”, assegura o vice-presidente da associação, palavras confirmadas por Rogério Teixeira, professor que teve o primeiro contato com esta raça através de uma cadela dada pelo amigo José Afonso. “As pessoas nunca tinham olhado para este cão como uma raça, era um cão «que andava por aí», só se lembravam do cão de água. Foi um passo importante para o património genético do Algarve, que assim ganha uma nova raça”, destaca. Recuperada a raça é, então, uma agradável certeza e só José Afonso Correia foi responsável pelo nascimento de 220 cachorros num ano, exemplo seguido por outros criadores, ainda que em menor escala. E em boa hora o fizeram porque, segundo Rogério Teixeira, o cão do barrocal algarvio quase que marchou para Espanha. “Encontraram-se alguns exemplares em feiras organizadas no país vizinho, mas conseguiu provar-se que eram oriundos da zona de Cacela. Os espanhóis já andavam com a ideia do «perro del berrocal», mas escrevemos para a Assembleia da República e dois deputados pegaram no assunto, o José Soeiro, do PCP, e o Mendes Bota, do PSD. A partir daí, o Clube Português de Canicultura começou a olhar para nós com outros olhos e a apoiar-nos, nomeadamente na oferta de chips eletrónicos para os cães”, indica o presidente da associação, acrescentando que cada chip custa 13 euros, portanto, quando se fala em centenas de exemplares, a despesa torna-se bastante elevada. E se «nuestros hermanos» piscaram o olho ao cão do barrocal algarvio, outros houve que diziam tratar-se de um parente do podengo com pelo liso e comprido, mas os testes de ADN disseram o contrário. “O Jorge Rodrigues e o José Ribeiro, da Comissão Técnica do Clube
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Português de Canicultura, já tinham visitado uma edição da Feira de Caça e de Pesca do Algarve e fotografaram na altura os espécimes que tínhamos em exposição, isto em 2004”, recorda Rogério Teixeira, pelo que parece que as questões burocráticas deram mais dores de cabeça do que propriamente criar os cães. “Mas ainda há muito trabalho para fazer no cão para se conseguir linhagens completamente independentes e que não haja consanguinidades. Se o grupo canino não for muito vasto e começar a haver demasiados
parentescos dentro da raça, às tantas, as suas características vão-se diluindo e estraga-se o trabalho que já foi feito no passado”, alerta. Ora, criar 220 cachorros num ano não é o mesmo que ter meia dúzia de cães no quintal, mas a paixão de José Afonso Correia não o deixa olhar demasiado para as despesas. “Quem é do Algarve e gosta destes cães, faz tudo e mais alguma coisa para recuperar a raça. Não podemos perder aquilo que é nosso”, justifica o dirigente, explicando que alcançar as características ideais envolve algumas técnicas especiais. “Temos que selecionar os melhores cães e não deixá-los cruzar com outras raças, é assim que tem sido feito ao longo dos séculos”, indica, ao passo que Rogério Teixeira enfatiza que o trabalho da associação não termina assim que a raça for reconhecida oficialmente. “Se não houver a associação, cada criador começa a fazer o que bem entender e a cruzar os cães com quem lhes apetece, o que não pode acontecer” . 20
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O ALGARVE NA EUROPA DA CULTURA
PAULO CUNHA
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ão tendo nascido ontem (nem de geração espontânea) para a Cultura… e sendo um homem do sul que o Algarve crestou, fiquei bastante satisfeito em saber que a autarquia da minha cidade de adoção (Faro) pretende candidatar a capital de distrito a «Capital Europeia da Cultura» em 2027. A primeira capital de distrito portuguesa que, almejando dividir tal organização com uma cidade da Letónia, se prepara (dez anos depois de se ter realizado estrutura de missão «Faro - Capital Nacional da Cultura – 2005») para colocar esta cidade nas «bocas do mundo» pelos melhores e mui nobres motivos. Qualquer algarvio sensato e de boa índole verá com agrado e orgulho esta aspiração. Eu sou o primeiro entre muitos! Mas… Tendo a candidatura que ser entregue até 2017 para ser escolhida em 2019 por um júri internacional que decidirá qual será a cidade portuguesa que honrará Portugal através da sua produção, participação e mostra cultural, cabe à equipa escolhida para elaborar a candidatura, a hercúlea tarefa de fazer valer os pergaminhos farenses/algarvios nesta meritória disputa. Ora assim sendo, e tendo como limite temporal cerca de dois anos de trabalho para que tal desiderato chegue a bom porto, manda o bom senso que se olhe para o passado e com ele se retire as devidas e necessárias ilações e ensinamentos para que esta candidatura não seja contaminada com aquilo que nas outras não surtiu o efeito desejado. Sendo uma candidatura de uma cidade, deverá, antes de mais, ter implícita na sua génese, toda a região de que Faro é capital. Comparado com certas cidades cosmopolitas internacionais, o Algarve quase se assemelha a uma grande cidade atravessada pela
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estrada nacional 125 e pela via do Infante, tendo como ponto central, Faro. Deverá ser assim o farol de uma candidatura onde as questões e divergências históricas, autárquicas e político-partidárias deverão ficar para trás, privilegiando o crescimento e enriquecimento cultural da região. Deverá privilegiar a cultura e a educação para a cultura - tout court - sem se deixar amarrar a questões de ordem económica e financeira que, logo à partida, poderão fazer inquinar a qualidade da candidatura. Deverá privilegiar todos os equipamentos culturais da região e, ao mesmo tempo, requalificar e criar outros que possam vir a ter um papel estrutural e estruturante para a criação, produção e apresentação de cultura na região algarvia. Deverá ter em conta os algarvios (agentes, intervenientes e consumidores de cultura), pois serão eles os maiores e melhores veículos de promoção da região após a realização dos eventos inclusos na candidatura. Deverá, finalmente, ser idealizada também com o intuito de projetar além-fronteiras, a cultura (desconhecida) de uma região que tem tudo para se afirmar também através do turismo cultural. E se assim for, deixaremos, inquestionavelmente, um enorme legado para as gerações vindouras. Daqui a doze anos agradecerão tal candidatura. Eu desde já louvo e enalteço tal iniciativa. As maiores felicidades! Ganharemos todos, enquanto região e enquanto algarvios… .
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ENFANT TERRIBLE
MEU BRASIL BRASILEIRO
PAULO BERNARDO Empresário
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oubei o título a uma crónica no jornal A Bola, que me deu o primeiro contato ainda miúdo com o continente que é o Brasil. Contava histórias engraçadas que cabiam bem no jornal e serviam de leitura para quem gostava de ler mais as gordas sobre o seu clube. Naquela altura, o Brasil era muito longe para um adolescente que sonhava percorrer o mundo. Hoje, mais de trinta anos depois, tenho um contato profissional com este país que me deixa encantado, pela dimensão do seu povo e da sua geografia. Passei as últimas duas semana no lado de lá e cada vez mais vou descobrindo um país que não corresponde às notícias deste lado. É um país organizado, com boas infraestruturas e com um povo incrível, onde os jovens têm ambição e participam na vida ativa. Como dado para este lado do Atlântico, podemos e devemos estudar melhor o Brasil, pois pode ser um mercado muito bom para as empresas portuguesas se internacionalizarem. Não auguro bons tempos para o comércio de proximidade para uma Europa em colapso, contudo, vejo na energia do Brasil a possibilidade real para a sustentabilidade de algumas empresas portuguesas. Não podemos ir para lá com preconceitos, temos que ir com a lição bem estudada, pois é uma economia competitiva e madura. Contudo, existe margem para crescer. O primeiro fator de sucesso é associar-se a um parceiro válido e depois é ser bastante profissional e competente e ter a capacidade de se adaptar, o que é muito importante, pois o Brasil não é uma novela da Globo. Um fator que não podemos descorar é que o idioma falado no Brasil não é o mesmo que é falado em Portugal, como o idioma falada nos EUA não é igual ao falado em Inglaterra. Temos que ter esse ponto bem definido e não entrar tipo «Chico Esperto».
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Nota da semana: A caravana Aylan Kurdi. Ainda não me consigo lembrar do pequeno Aylan morto numa praia turca sem ter um nó na garganta e ficar com um sentimento de impotência que me deixa triste. No entanto, este sentimento ficou mais atenuado com o desafio que foi lançado via facebook pelo amigo João Vasconcelos e desde a primeira hora disse que sim. O contato formal surgiu faz precisamente este domingo oito dias e nesses oito dias o país e o Algarve mobilizou-se. Eu estava no Brasil e, com a ajuda do meu irmão Pedro Bernardo e do Carlos Pedro, da Junta de Freguesia da Sé/São Pedro, em Faro, conseguimos criar um ponto de recolha no Algarve. Ao fim de oito dias, sinto-me realizado e com o nó na garganta um pouco mais leve, pois hoje de manhã arrancaram de Portugal 50 toneladas de produtos para ajudar os refugiados sem rosto que tanto necessitam. Quero agradecer a todos os que participaram na iniciativa e dar os parabéns ao povo português, que se mobilizou para ajudar quem mais necessita. Figura da semana: Duval Pestana. Pedagogo, empreendedor e amigo que iniciou um projeto fantástico em São Paulo, a Manteigaria Lisboa (www.facebook.com/manteigarialisboa). Recordou da formação na ANJE há muito tempo, depois no Villa Vita e mas recentemente no seu projeto «Faz Gostos». Acabei por encontrá-lo em São Paulo, através deste seu novo projeto que está a ter grande sucesso no outro lado do Atlântico. Parabéns e obrigado por ter criado um local onde eu posso repor o meu nível de saudades e de açúcar. Estive na abertura da segunda loja e só posso dizer que o sucesso estava patente no rosto dos comensais .
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OPINIÃO
EM DEFESA DO DEBATE DE IDEIAS PARA A CULTURA NESTA CAMPANHA JOÃO ESPADA Professor, Artista Plástico, Presidente da Casa da Cultura de Loulé
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«festa da campanha» já começou. Durante estes longos dias temos assistido a muitos momentos de propaganda das listas concorrentes às eleições legislativas de 2015. Cada candidatura à sua maneira e em função dos seus ideais tem procurado cativar o eleitorado através das ações de campanha, na rua, nos comícios, nas entrevistas na rádio e TV, e nos debates feitos com a presença de outros candidatos. Pois bem, foi numa das ações de campanha, os debates, que tive a oportunidade de acompanhar por duas vezes, um debate entre o principal candidato da coligação de direita PSD/CDS, e o candidato do PS às legislaturas. Como cidadão atento procurei concentrar-me nos argumentos de cada um, e nas perguntas feitas pelos jornalistas e pude verificar que, entre tantos temas corridos, nenhuma pergunta foi feita pelos jornalistas acerca da Cultura. Por outro lado, também nenhum candidato aproveitou o debate para introduzir esse tema. Será que a Cultura, conceito que define a nossa identidade e que nos faz distinguir de outros povos e culturas, não é igualmente importante para ser debatida em igual circunstância como os temas relacionados com
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as Finanças, Segurança Social, Saúde, Justiça, Educação, etc? Quais as ideias que estas candidaturas têm para a Cultura, concretamente para o desenvolvimento artístico (música, teatro, literatura, artes visuais, etc)? E para o ensino artístico? Como pretendem fazer cumprir a Constituição, no que toca ao livre acesso de todos à criação e fruição culturais? Que investimento financeiro está destinado à Cultura? Como pretendem potenciar o nosso património material e imaterial? E como pretendem expandir a nossa cultura alémfronteiras? São apenas algumas das muitas perguntas que se podiam ter feito e que, acima de tudo, os candidatos devem ter na linha da frente das suas ideias para Portugal. Porque dizer apenas que o partido X tem previsto no seu programa o investimento na cultura e na educação, como eu escutei um candidato às legislaturas dizer, é tão vago como dizer que pretende um país melhor. Falta saber como pretendem fazer esse país melhor .
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ANSELMO RALPH ESTEVE EM ALBUFEIRA ANTES DO CONCERTO DE FIM DE ANO
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nselmo Ralph chegou à esplanada do Clube Borda D´Água, na manhã de 11 de setembro, acompanhado do presidente da Câmara Municipal de Albufeira e do presidente da Agência de Promoção de Albufeira (APAL), com um largo sorriso no rosto e os braços abertos para todos os que o abordavam no curto percurso até ao palco improvisado para a dar as boas vindas aos convidados do «Meet & Greet» Anselmo Ralph. Carlos Silva e Sousa aproveitou, mais uma vez, para destacar a importância das comemorações do Fim de Ano, nomeadamente do impacto da iniciativa em termos de promoção da marca Albufeira e do retorno económico para as empresas do concelho, que continuam a apostar no evento através da parceria com a APAL. “Albufeira está nos píncaros, é um destino de excelência a vários níveis: na qualidade ambiental das nossas praias, riqueza gastronómica, tradições, diversidade cultural e unidades hoteleiras que se destacam com os mais conceituados galardões a nível internacional – melhor exemplo é a cerimónia de logo à noite, no Pine Cliffs, onde entre os vencedores do Publituris Portugal Awards se encontram três unidades do
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concelho”. O autarca disse estar muito satisfeito por poder contar com a atuação de um artista que já alcançou um sucesso sem precedentes. “Anselmo Ralph é uma estrela, mas é também uma pessoa que se destaca pela simpatia e pela simplicidade e estou certo que irá dar um concerto memorável nas comemorações da Passagem de Ano”, destacou o edil. Anselmo agradeceu o convite da Autarquia para atuar no Fim de Ano em Albufeira, evento que considerou um dos melhores do País e talvez mesmo da Europa, e deixou a promessa de um espetáculo inesquecível no último dia do ano. José Santos, presidente da APAL, manifestou também uma enorme satisfação em receber um grande artista do nosso país irmão, tendo destacado o empenho de todos os membros da direção, bem como dos empresários seus associados, para em conjunto com o Município viabilizarem o programa de Fim de Ano e a contratação do artista, o mais cedo possível, de forma a possibilitar a programação atempada das comemorações por parte dos operadores turísticos .
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JUNTA DE FREGUESIA DE MONTENEGRO TEM NOVA SEDE
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Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Pedro Lomba, presidiu à inauguração da nova sede da Junta de Freguesia de Montenegro, no concelho de Faro, e reiterou a importância do poder local e da descentralização de competências, tendo garantido que “este é um caminho essencial e é para continuar”. “O País é cada uma das suas parcelas e é pela vitalidade, riqueza e investimento em cada uma delas, que podemos ter um Portugal melhor”, considerou o governante durante a cerimónia, que contou com a presença dos Presidentes da Câmara Municipal de Faro e da Assembleia de Freguesia, respetivamente Rogério Bacalhau e João Amaro, bem como de vários responsáveis municipais e regionais. A importância das autarquias locais, especialmente pela sua proximidade às populações, foi também realçada pelo Presidente da Junta de Freguesia de Montenegro, Steven Sousa Piedade, que aproveitou a oportunidade para lançar um repto a Rogério Bacalhau: mais
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disponibilidade da Câmara Municipal na criação de oportunidades semelhantes às que têm sido proporcionadas às outras freguesias do concelho. “É fundamental haver um esforço conjunto para encontrar soluções, como por exemplo, a que permitiu a recente aquisição de um edifício para instalar uma associação na Bordeira“, exemplificou o autarca, apontando como uma das áreas prioritárias a exigir a intervenção urgente da Câmara Municipal no Montenegro, a requalificação de várias estradas da freguesia que se encontram seriamente degradadas. Durante a sua intervenção, abertamente marcada pelo tom de continuidade de um projeto autárquico sólido, Steven Sousa Piedade apelou ainda a uma colaboração mais estreita entre Junta de Freguesia, Universidade do Algarve (UAlg) e empresas que operam no Aeroporto de Faro, numa perspetiva de reforço de alguns contributos que podem ser partilhados mais proficuamente. “Se houver uma maior coesão de esforços, podemos fazer a grande diferença num futuro muito próximo”, frisou o autarca que, 30
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reconhecendo como mais-valia a localização dos referidos polos de atividade na freguesia, não deixou de apontar alguns constrangimentos ao bem-estar e aos interesses da população. “A ANA e as empresas de transporte que operam no aeroporto devem cooperar mais com a Junta, sobretudo no que diz respeito ao cumprimento das normas de ocupação do espaço público, de que é exemplo a limpeza de viaturas na berma das estradas o que, para além de ilícito, não dignifica a nossa freguesia”, criticou o autarca, para reclamar também a alteração da morada fiscal dos alunos que arredam casas no Montenegro, enquanto frequentam a Universidade, contribuindo assim para corrigir o rácio populacional local e aumentar a receita proveniente do Fundo de Financiamento das Freguesias. Num dia em que recordou a ainda curta história da freguesia de Montenegro e assumiu estar preparado para lhe dar continuidade em nome da causa pública, Steven Sousa Piedade viu também reconhecido, por parte do Presidente da Câmara de Faro, o esforço feito pelo seu executivo na aquisição da nova sede da Junta. “A criação desta sede própria revela uma atitude de coragem e arrojo, em tempos que ainda são complicados, mas que se vai tornar um marco na curta história da freguesia”, afirmou Rogério Bacalhau, presidente de um concelho que, nas palavras de João Amaro, tem no Montenegro “a melhor freguesia de Faro para morar, estudar, trabalhar e passar férias”. A nova sede da Junta de Freguesia de Montenegro representa um investimento de 89 mil e 500 euros. As novas instalações têm uma área total de 220 metros quadrados, integram dois pisos (rés do chão e cave) e cinco gabinetes, alguns dos quais multifuncionais. O espaço acolhe ainda o serviço dos CTT-Correios de Portugal . 31
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RECUPERAÇÃO DO SOLAR DA MÚSICA NOVA JÁ TEM PROJETO APROVADO
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oi aprovado em Reunião de Câmara o projeto de execução para a recuperação e adaptação do Solar da Música Nova para Conservatório de Música de Loulé, sede da Sociedade Filarmónica «Artistas de Minerva» e Auditório Municipal. Esta intervenção será realizada num edifício da cidade de Loulé de grande valor patrimonial, localizado no topo da Rua Sacadura Cabral, mas que se encontra devoluto e em elevado estado de degradação. A intervenção neste edifício senhorial, composto por dois pisos e logradouro, pretende recuperar um equipamento que tem uma história muito ligada à música já que, durante vários anos, funcionou aqui a sede da Sociedade Filarmónica «Artistas de Minerva», também conhecida por «Música Nova». Nesse sentido, o objetivo é manter essa tradição, através da criação das novas instalações do
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Conservatório de Música de Loulé (atualmente a funcionar na Avenida José da Costa Mealha), a sede da Banda Filarmónica «Artistas de Minerva» e um Auditório Municipal. Para além da valorização do património histórico da cidade, o objetivo estratégico inerente a esta recuperação é o de melhorar e reforçar as infraestruturas de apoio ao ensino da música, potenciando uma maior atratividade junto da comunidade, mediante a qualificação das condições de acolhimento e proporcionando condições de estudo e bemestar, procurando assim desenvolver dinâmicas que tornem a cidade num polo musical de referência para o Algarve. Para uma área bruta de construção total de 2622 metros quadrados, estima-se nesta fase que a obra tenha o custo de três milhões, 65 mil e 523,16 euros .
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VÍTOR ALEIXO SATISFEITO COM MEGA INVESTIMENTO EM VILAMOURA
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presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, não duvida que a apresentação oficial do Master Plan de Vilamoura, que decorreu com a presença do Ministro da Economia, António Pires de Lima, é um dia importante para Vilamoura, para o concelho e para toda a região. Este projeto, que prevê um investimento superior a mil milhões de euros, tem na sua génese o difícil processo de Vilamoura XXI, concluído e aprovado na anterior gestão do autarca louletano, em 2000, e será, indubitavelmente um dos maiores investimentos de sempre no concelho louletano, correspondendo à segunda fase de expansão de Vilamoura. Este investimento da administração da VilamouraWorld, segundo os recentes proprietários deste empreendimento turístico, incluirá uma área de construção bruta de baixa densidade de 680 mil metros quadrados,
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totalmente aprovada, numa área de implantação total de quatro milhões de metros quadrados. Estão disponíveis 18 projetos, com áreas de desenvolvimento que variam entre os 1,5 e os 168 hectares, combinando usos residenciais, de lazer, de turismo e de retalho. Este Master Plan está estruturado em seis temas de lifestyle: Vilamoura Marina, Vilamoura Golf, Vilamoura Active, Vilamoura Villages, Vilamoura Estates e Vilamoura Lakes, refletindo a diversidade e interesses dos potenciais clientes. O Master Plan integra o mais sofisticado design contemporâneo e especificações arquitetónicas da mais alta qualidade, com um firme compromisso com a envolvente natural. Relativamente ao Vilamoura Lakes, um dos pontos mais interessantes do Master Plan, irá substituir o anterior projeto da Cidade Lacustre e irá criar um dos principais lake resorts da Europa, com
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250 mil metros quadrados de paisagens naturais, 1900 unidades residenciais, cinco empreendimentos turísticos com 3.600 camas e ofertas de retalho e de restauração premium, respeitando as questões ambientais de toda a envolvente e destinado ao turista sofisticado e aos proprietários ambientalmente responsáveis. Também a área da Marina será alvo de uma requalificação que passará pela criação de um Yatch Club Internacional, spa, ginásio, novos restaurantes e lojas, incrementando aquela que recebeu a distinção de Melhor Marina Internacional. “Este Master Plan constitui uma nova forma de ler e caracterizar o potencial de Vilamoura e evidencia a capacidade de gestão e planeamento através desta proposta do novo enquadramento urbanístico do empreendimento”, considera Vítor Aleixo. O edil louletano manifestou a sua confiança na concretização do projeto, ressalvando no entanto as questões legais relativas ao ordenamento do território. “Estamos hoje perante um sentido e um querer que tem todas as condições para vir a tornar-se uma realidade, ainda que, naturalmente, na estrita observância das regras dos instrumentos de gestão pública, tanto nacionais como regionais e locais”, afirmou o responsável, que frisou
também que os padrões de qualidade terão de continuar a ser uma aposta-âncora para o sucesso de Vilamoura, atualmente um dos melhores destinos turísticos da Europa. Segundo o líder autárquico, este projeto deverá contribuir para promover e assegurar quatro dimensões: o reequilíbrio territorial e a estruturação urbana; a procura de novas economias, investidores e parcerias; a qualificação e diversificação do turismo; e a salvaguarda e valorização do património cultural e da sustentabilidade. Para que Vilamoura possa continuar a oferecer um turismo de qualidade, o presidente da Câmara de Loulé acredita que é fundamental criar também “estruturas de retaguarda que garantam os apoios necessários à sua oferta” e, nesse sentido, manifestou o desejo de que o próximo governo recoloque, na agenda política regional, um dos mais aguardados investimentos públicos na região – o Hospital Central no Parque das Cidades. Por último, Vítor Aleixo manifestou a sua disponibilidade para cooperar com estes investidores e garantiu que enquanto estiver à frentes dos destinos da Câmara Municipal de Loulé “não será um obstáculo mas um licenciador e um regulador para que público e privado atinjam os seus objetivos” .
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MINISTRO POIARES MADURO VISITOU QUERENÇA
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MinistroAdjunto do Desenvolvime nto Regional, Miguel Poiares Maduro, esteve em Querença no âmbito do roteiro nacional do Programa de «Inovação Social». Nesta freguesia do interior do concelho de Loulé, acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal Vítor Aleixo e pela presidente da União de Freguesias de Querença, Tôr e Benafim, Margarida Correia, este responsável governamental esteve em contacto com algumas das boas práticas na área da inovação e do empreendedorismo social em curso em Querença, nomeadamente as que têm sido levadas a cabo no âmbito do Projeto Querença, que está a ser desenvolvido há já alguns anos nesta localidade. Poiares Maduro teve a oportunidade de inteirar-se sobre a Barra Energética de Querença, uma das faces mais visíveis deste projeto e que surgiu recentemente no mercado. No âmbito da parceria com a Universidade do Algarve e o seu departamento de Engenharia Alimentar, foi criada esta barra, com alto teor calórico, constituída apenas com produtos do barrocal, nomeadamente a alfarroba, e com elevado potencial para públicos desportistas. No sentido de promover este produto, a Autarquia de Loulé integrou a Barra Energética de Querença no programa desportivo «Loulé Cidade Europeia do Desporto» e, durante cada evento realizado, distribui aos participantes este produto nascido no Projeto de Querença. Ainda durante esta
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visita a Querença, Poiares Maduro teve a oportunidade de assistir à apresentação de iniciativas como a Associação Trail Running, a Agricultura Biológica, os Jardins Sustentáveis e o Design Criativo. Recorde-se que o Projeto Querença foi delineado em finais de 2010, com o objetivo de dinamizar o interior da região algarvia, numa diferente visão de intervenção, e apoiar a empregabilidade de jovens licenciados, através da busca de soluções sustentáveis de dinamização dos recursos endógenos e a criação de oportunidades de emprego. Está orientado para as áreas rurais de baixa densidade e tem o propósito de alargar o campo de possibilidades desses territórios em estado crítico e, ao mesmo tempo, promover o emprego de jovens licenciados em situação profissional precária, usando, para o efeito, uma abordagem territorial inovadora, criatividade dinâmica que visa fixar no interior aquela população universitária recémlicenciada. Este projeto pioneiro no país tem sido replicado noutras localidades .
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BENTO ALGARVIO continua a «encher a marmita» aos adversários «Bento Algarvio» é, sem dúvida, o expoente máximo do boxe português e, também sem grandes dúvidas, se vivesse noutro país, provavelmente seria um dos seus principais ícones desportivos. Contudo, quis o destino que nascesse em Portugal, onde o boxe vai andando ao sabor das marés, umas vezes cheio de pujança e mediatismo, outras vezes esquecido e mal tratado. Contra todas as adversidades, António João Bento singrou, venceu tudo o que havia para vencer internamente, deu o salto para profissional e conquistou a maioria dos principais títulos europeus e mundiais da sua categoria. Não quer isto dizer que seja rico, ou sequer superfamoso, mas também não é o dinheiro ou as luzes da ribalta que o movem. Hoje, está mais preocupado com o futuro dos jovens e em dar umas «chapadas de luva branca» a quem o quis deitar por terra, a quem disse que estava acabado. Só que esqueceram-se que é muito, mas mesmo muito difícil, deixar «Bento Algarvio» KO. Texto e fotografia: Daniel Pina
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os 40 anos, e na plenitude da sua forma física, António João Bento, mais conhecido por «Bento Algarvio», prepara-se para mais um combate importante na sua longa carreira, a «Batalha dos Claustros», no dia 3 de outubro, em Faro. Pela frente terá o argentino Marcelo «El Imortal», em disputa estará o título mundial de boxe da WPC, o palco é o fantástico Museu Municipal de Faro, portanto, joga em casa, sensivelmente um mês depois de ter sido agraciado com a Medalha de Oiro da Cidade de Faro. E o desfecho que todos os algarvios, e portugueses, desejam é que o cinto fique em casa, mais um no espólio deste farense que bastante novo começou a praticar desporto. “Sempre me preocupei com o meu corpo e a saúde, com a alimentação, a bebida e o descanso. Também desde jovem soube escolher as companhias e interessam-me as pessoas que me acompanham e me apoiam, principalmente aquelas que gostam de mim por quem sou e não por ser campeão disto ou daquilo”, diz com a sua habitual frontalidade. Bento não nasceu em berço de oiro, foi abandonado pelos pais ainda criança, criou-se no campo e aos oito anos já bebia o leite que
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ordenhava das vacas, depois ia pastar cabras e ovelhas. “Levantava-me cedo e andava o dia todo a correr atrás das cabras e das ovelhas e de casa para a escola, da escola para a casa. Aos 12 anos, quando sai da adoção e voltei para a minha mãe biológica, entrei para as artes marciais e, aos 15, passei para o boxe”, recorda, sem vergonha de contar a sua história. De facto, Bento mudou do kickboxing e fullcontact para o boxe por conselho do treinador Carlos Félix e nem sequer gostava muito da modalidade, por considerá-la demasiado agressiva, ainda mais para um miúdo franzino como ele. “Era pequeno e lingrinhas porque tinha passado muita fome e não me desenvolvi suficientemente. Quando fui trabalhar para a Mimosa, aos 15 anos, comecei a comer iogurtes e a beber leite com fartura e dei um salto. Mas já tinha um grande espírito de sacrifício e de sofrimento, o meu querer era mais forte do que tudo”, lembra, motivo pelo qual cresceu depressa enquanto pugilista amador, ao serviço do Ginásio Clube Olhanense. Foi atleta pré-olímpico quatro ou cinco anos e só em 1999 é que se tornou profissional e hoje arrepende-se de não ter dado este passo mais cedo. “O melhor treinador de amadores que 40
ENTREVISTA tive foi o «Bajolo» e, quando eu tinha 18 e 19 anos, ele estava sempre a dizer-me para passar para profissional. Só que eu andava com a loucura de representar Portugal nos Jogos Olímpicos e só aos 25 anos é que tomei essa decisão, depois de ganhar um prémio em Inglaterra e ter estado lá nove meses a estagiar boxe profissional”, explica o farense, reconhecendo que o pugilismo, em Portugal, sempre teve altos e baixos e que isso nem sempre beneficiou os praticantes. “Acabei por me chatear com o boxe amador, porque temos que nos privar de imensas coisas e não somos recompensados por esse sacrifício. Dedicava três ou quatro horas por dia à modalidade em troca de nada e chegou uma altura da vida em que tive que começar a ganhar dinheiro para pagar as contas da casa. Hoje, o boxe tira-me cinco ou seis horas diárias, mas é o meu sustento financeiro”.
Persistência, confiança, vontade de vencer Se atualmente António João Bento é pugilista a full time, tempos houve em que, como disse, tinha que ganhar dinheiro de outra forma e, nessa fase
da sua vida, brilhou a sua faceta de restaurador de antiguidades, um talento que herdou dos pais. “Sempre tive jeito para desenhar e, por volta dos 12 anos, a minha mãe pediu-me para fazer uns desenhos para umas peças em madeira. Num instante comecei a talhar a madeira e, em duas horas, fiz uma flor e ela explicou-me que eu era um artista igual ao meu pai”, conta o entrevistado, de olhos postos nos claustros do Museu Municipal de Faro. Mais tarde, teve a sua oficina e realizava bastantes restauros para a Igreja, aquilo que ele considerava ser o seu «treino de calma», ou momentos «zen», como se diz mais pomposamente. Um talento inesperado, uma face desconhecida, um rendimento certo ao fim de cada projeto de restauro, contudo, nunca lhe passou pela cabeça largar o boxe por completo nestes 25 anos de carreira. “Passei por situações dramáticas, cheguei muitas vezes a casa a chorar baba e ranho, com a minha mãe a pedir-me para desistir, porque andava triste e desanimado. Mas a persistência foi mais forte. Queria ser campeão nacional, consegui. Queria entrar para a seleção nacional, consegui. Queria ser medalhado, consegui. Queria ser o melhor pugilista português, consegui. Depois, via outros indivíduos com menores
(...) “Os portugueses têm uma garra, um coração, uma vontade de querer muito acima da média, mas somos demasiado humildes e essa humildade torna-nos burrinhos. Damos tudo aos outros e não ficamos com nada. O boxe tem uma má imagem porque os atletas são usados e quero acabar com isso (…)
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percorri cerca de 17 quilómetros em 55 minutos. Acho que, com 40 anos, não sendo atletista, e ainda por cima em corta-mato, foi um excelente tempo”, frisa, sem falsas modéstias e com os olhos sempre colocados na meta, não concordando com aqueles que preferem pensar numa etapa de cada vez. “O meu objetivo é o combate principal e não posso olhar só para os que o antecedem. O combate de hoje é uma etapa para o duelo final e, por isso, sei que tenho que o vencer para seguir em frente”, justifica. Um quarto de século pleno de vitórias, não daquelas da boca para fora, mas reais, concretas, com títulos conquistados e basta olhar para a imensidão de cinturões de diversas organizações mundiais de boxe para ver que António João Bento não anda aqui a enganar ninguém. Mas, como é natural, houve noites mais marcantes, combates que nunca vão desvanecer nas memórias, duelos titânicos que, volvidos anos, continuam na retina dos apaixonados da arte de esgrimar com os punhos. E sabemos bem do que estamos a falar, até porque estivemos presentes em muitos deles e também nas nossas memórias estão vivos. “O título da WBO que joguei no Casino de Monte Gordo contra um queniano foi um combate tremendo, perdi 3,7 quilos em 12 assaltos, é obra. Foram 36 minutos a encher a marmita do primeiro ao último segundo. Outros combates abismais aconteceram no Casino da Póvoa do Varzim, no Casino de Vilamoura e na Alemanha. No Canadá, lutei perante 36 mil pessoas, mas perdi aos pontos”, recorda. Resumindo, os euros gastos para ir ver um combate de Bento Algarvio são sempre bem gastos, com a certeza de que se vai assistir a combates com ação permanente, não daqueles que por vezes assistimos na televisão, onde é mais o tempo que os pugilistas andam à volta um do outro ou encostados às cordas do que propriamente a lutar. “Fui uma vez à Bélgica para disputar um título da Europa, estavam só 1500 pessoas num pavilhão minúsculo que ainda nem
capacidades do que eu a serem campeões da Europa como profissionais, tracei esses objetivos e concretizei-os. Agora, tenho outro objetivo e vou realizá-lo ainda este ano”, garante, pleno de confiança. Mas quem conhece Bento Algarvio há tantos anos já adivinha que não chegava a casa a chorar por causa dum olho negro, uma mão dorida ou uma costela partida, ou mesmo por perder um combate. “O treinador mandava fazer 20 flexões, eu tentava fazer 22 e só conseguia 21. Havia dias que chegava tarde aos treinos por causa do trabalho e não conseguia fazer tudo o que pretendia, depois, ia treinar sozinho para a mata. É algo que continuo a fazer e ainda ontem
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estava concluído. Quando sai no balneário, o meu treinador teve que me meter uma toalha em cima da cabeça porque toda a gente estava a fumar, cuspiam-me para cima, eram copos de cerveja a voar dum lado para o outro. No fim do combate, que perdi aos pontos, não pisei o chão desde o ringue até ao balneário, fui levado em ombros, porque foi um combate fenomenal”, conta Bento mais um episódio.
Muitos levaram uma valente chapada sem mão Noites que ficaram na memória por terem sido bem-sucedidas, mas António João Bento não é daqueles que só se lembra das vitórias e prefere esquecer as derrotas, por entender que também há lições a tirar dos combates que se perderam, uns justamente, outros nem por isso, mas já se sabe que, no boxe, nem sempre ganha o atleta que esteve melhor dentro do quadrilátero. “Há uma série de fatores que influenciam o trajeto dum pugilista, não só a preparação física e a técnica, mas tudo aquilo que gira em seu redor. O Floyd Mayweather ganha os milhões que ganha não por ser melhor que todos os outros, mas porque tem uma máquina tremenda a trabalhar para ele. Mas isso acontece em todos os desportos”, sublinha o entrevistado. E foi por causa da tal «máquina» que Bento Algarvio não atravessou mais cedo o Atlântico e deu o pulo para os Estados Unidos da América, a meca do boxe, para pena de muitos promotores e empresários da terra do Tio Sam, que lamentam não ter conhecido o farense há uma década. “A idade também pesa neste desporto e, apesar de ter a condição física dum moço de 20 ou 30 anos, a resposta do corpo de um homem de 40 anos quando recebe um golpe é diferente. O boxe está cada vez mais acompanhado técnica e cientificamente e não se conseguem fazer milagres, não é como
antigamente que alguns recorriam ao doping”, indica, não escondendo a mágoa de ter andado «perdido» tantos anos em Portugal por vontade de terceiros. “O meu sonho sempre foi fazer as malas e abalar, mas o meu promotor dizia ‘vamos para o ano, vamos para o ano’ e foram sete ou oito anos desperdiçados nesta conversa”, desabafa. Bento Algarvio não deu o salto na altura e, quando atravessou uma fase menos positiva, muitos foram aqueles que depressa declararam que estava «arrumado», que a sua carreira tinha terminado, que já tinha dado tudo o que tinha para dar. Enganaram-se. Para desgraça de alguns autoproclamados especialistas na matéria, o farense não baixou os braços, foi à luta e regressou às vitórias. “O que mais tenho feito na
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ENTREVISTA minha vida é dar umas valentes chapadas sem mãos e vou terminar 2015 a fazer isso em grande estilo. Ando a treinar desde fevereiro para estar no pico de forma em setembro e estou preparado para vencer qualquer adversário que me apareça pela frente. Até dezembro não sossego, tenho cinco combates seguidos e, no final, vou estar em Las Vegas”, promete. Arrependido está de não ter rumado ao Estados Unidos da América mais cedo, mas quase podemos dizer que António João Bento também é daqueles que nasceu antes do tempo, se pensarmos que, atualmente, a vida dos atletas profissionais é monitorizada e preparada ao milímetro, grama e segundo, fruto das novas
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tecnologias que permitem estudar e fazer tudo e mais alguma coisa. O entrevistado prefere não pensar nesses pormenores temporais, mas entende que nasceu no país errado e que o seu potencial não foi bem aproveitado por quem acompanhou a sua carreira. “Eu nasci para o desporto e para ser campeão, o resto é conversa. Houve quem pensasse só na barriga deles, perderam a maior oportunidades que lhes apareceu na vida e eu, infelizmente, fui atrás dos conselhos dessas pessoas. Agora, vou dar mais umas quantas chapadas sem mãos”, garante. Claro que são poucos os que regozijam com os contratempos de Bento Algarvio e são muitos mais aqueles que destacam o seu trajeto de sucesso, tal como sucedeu no dia 7 de setembro, quando recebeu a Medalha de Oiro da Cidade de Faro, depois de ter recebido igual homenagem do concelho de Olhão, em 2002. “Eu não ligo muito a essas coisas de política, dou mais valor ao que dizem aqueles que andam no boxe como eu, mas desse lado vem muito pouco ou nenhum reconhecimento, não têm um pingo de vergonha na cara. Como diz o meu amigo Hérman José, ‘Portugal é um país pequeno e tem dois cancros malignos: a inveja e a mesquinhez’. Os de fora é que são bons, os nossos não valem nada, mas cada um dorme na cama que faz”, dispara num golpe cheio de potência, doa a quem doer. “Mas agradeço bastante esta homenagem da Câmara de Faro, porque eu sou farense, apesar de ter começado no boxe em Olhão”. E é precisamente em Faro, na zona das Docas, junto ao Centro de Ciência Viva, que António João Bento tem o seu restaurante, a que se junta uma oficina de restauração de antiguidades em Sevilha, agora mais virada para a compra e venda de artigos. “Vou lançar dentro em breve uma linha de restaurantes ligada ao meu nome”, revela o entrevistado, esclarecendo de imediato que não tem intenções de se tornar treinador de boxe quando deixar de combater profissionalmente. “O boxe
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não é desporto para meninos da mamã e cada vez vejo mais a nova geração agarrada aos telemóveis, ligada à internet e enfiada no Facebook. Irritam-me bastante aqueles miúdos que treinam boxe só para dizerem que são pugilistas e campeões. Depois, dizemos para fazerem 20 flexões, fazem duas e deitam-se para o lado. Não tenho feitio, nem capacidade, para ter calma para aturar essas manias”, justifica. Isso não quer dizer que se vá desligar do desporto que pratica há um quarto de século, antes pelo contrário, o objetivo é abrir a sua própria escola de boxe, na qual não vai ser treinador, mas sim manager, para que outros não cometam com os mais novos os erros que cometeram com ele. “Os portugueses têm uma garra, um coração, uma vontade de querer muito acima da média, mas somos demasiado humildes e essa humildade torna-nos burrinhos. Damos tudo aos outros e não ficamos com nada. O boxe tem uma má imagem porque os atletas são usados e quero acabar com isso, promovendo combates no exterior e ganhando-os, com muito trabalho e
dedicação e os processos que fui desenvolvendo ao longo da minha carreira”, adianta António João Bento. Quanto ao combate do dia 3 de outubro, no Museu Municipal de Faro, são 12 assaltos de três minutos com um título mundial em disputa e Bento Algarvio avisa que, se tiver que ganhar no primeiro round, não vai enjeitar essa oportunidade. “Tenho 40 anos e não posso levar a mocada que levada aos 20 ou aos 30, quando dizia aos adversários para baterem mais e lhes perguntava se só tinham aquela força. Esse espetáculo ficou para trás, a minha tática está bem estudada, que ganhe o melhor e que o melhor seja o Bento Algarvio. Tenho 201 combates, apenas 38 derrotas, sei bem como levar e dar mocada e gerir o tempo, para mim, é pequeno-almoço”, salienta o campeão, que no dia 10 de outubro está de malas aviadas para a Argentina, seguindo-se o México e o Paraguai, antes do combate final, em dezembro, em Las Vegas. “São cinco combates de seguida e o prémio para o vencedor são umas valentes centenas de milhares de euros” .
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Uma lufada de ArQuente na cultura algarvia É costume dizer que, quando alguém se apresenta com uma nova postura ou introduz algo inovador e completamente diferente do que já existe, que é uma lufada de ar fresco e é isso mesmo que tem sido a caminhada da Associação ArQuente ao longo da última década, pegando em textos clássicos de teatro e dando-lhe uma roupagem mais irreverente ou produzindo os seus próprios textos para melhor transmitir os seus pensamentos e verdades. É um teatro performativo, mais atraente e inesperado, combinando as técnicas tradicionais com a dança, o vídeo e a fotografia. Por isso, dizem que não representam papéis, mas sim que se apresentam, a eles próprios, ao público. Uma lufada, sem dúvida, não de ar fresco, mas de ArQuente. Texto: Daniel Pina Fotografia: Daniel Pina e Rui Gregório
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Teresa da Silva, Gil Silva e Fúlvia Almeida da ArQuente
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á estava escrevinhado na agenda há algum tempo uma visita à Galeria Arco, em Faro, para conhecer mais de perto a ArQuente, associação que nasceu formalmente em Fevereiro de 2006 mas que desenvolve iniciativas desde 2002 em diversas áreas culturais, desde as artes performativas, até as artes visuais e multimédia. E assim lá fomos rumo ao centro histórico da capital algarvia, por entre caminhos e ruelas muito apreciadas pelos turistas estrangeiros, onde nos esperava um trio formado por Teresa da Silva, 37 anos, ligada à música na infância, Fúlvia Almeida, 37 anos, profissional de comunicação, e Gil Silva, 41 anos, funcionário do Teatro Municipal de Faro. Em conversa informal com uma vista soberba para a Ria Formosa percebemos que é no SinCera – Grupo de Teatro da Universidade do Algarve que primeiro se cruzam os caminhos de Teresa da Silva, Gil Silva, Joana Costa, Nuno Murta, Ricardo Mendonça e Susana Nunes. Nuno Murta que tinha também constituído o grupo «A Fábrica», dedicado a projetos mais performativos e que organiza um workshop com o coreógrafo
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Miguel Pereira, momento considerado, nesta retrospetiva, como a génese da ArQuente. Nesse mesmo ano promoveram várias oficinas de trabalho com outros nomes referenciados como o encenador John Mowat, a bailarina Adriana Esberard, a performer Vitória Horta, em projetos que iam oscilando entre o teatro e a dança, e prepararam e produziram o espetáculo «É Por Isso Que Sentimos Pena», orientado por Helena Flor, com estreia em Faro e apresentações em Vila Real de S. António. Em 2004, a ArQuente desenvolveu uma ação de formação continuada com a bailarina Adriana Esberard e iniciou a relação com Regina Goeger ao nível da Dança Butoh, tendo produzido igualmente o espetáculo «Arrepios No Meu Baloiço», com encenação de Susana Vidal, que estreou na antiga fábrica da cerveja de Faro e passou ainda pelas cidades de Albufeira e Barcelona. E como era ano Europeu de Futebol, a associação realizou uma série de performances e happenings a pedido da Câmara Municipal de Faro. Em 2005, a atriz/bailarina Juliana Carneiro Cunha coordena uma Oficina de Trabalho sobre o método de trabalho do «Thêàtre du Soleil», acontecem ateliers de fotografia sob
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da produção, enquanto eu me preocupo mais com a Tesouraria e a Fúlvia com a vertente da comunicação e promoção”, conta Teresa da Silva. “No fundo, tivemos que nos reorganizar mas, apesar da formalidade que existe com os diversos órgãos e cargos, continua a existir uma informalidade na forma como nos relacionamos. Todos trabalhamos em prol de um objetivo comum”, destaca Gil Silva. “O que se nota é alguma falta de tempo para se tratar de todos esses pormenores mais administrativas, porque temos as nossas profissões e, às vezes, vamos deixando as situações arrastar-se no tempo. Estamos aqui por carolice e porque acreditamos neste projeto”, prossegue Teresa da Silva.
coordenação de Pedro Martins Colasso do Rosário e dá-se mais formação com Adriana Esberard. Em palco apresentam a peça «Cinemascope», da autoria de André Murraças, com estreia no CAPa e reposição na Casa Conveniente em Lisboa, em Faro, no I Festival de Teatro no Inverno em Tavira e no Festival de Teatro da Nazaré. O grupo de amigos teve, entretanto, que criar uma associação para melhor se relacionar com as outras entidades, formalidade que ocorre em 2006, ano de oficina de trabalho em «Devised Theatre», sob orientação de Francisco Campos, que viria depois a dirigir o espetáculo «Abertura Fácil», estreado no CAPa, numa coprodução Arquente e Devir/CAPa. E é também em 2006 que sobe ao palco do Teatro Municipal de Faro, com «Atrás do Pano» e «La Torre Desnuda», este último com direção de Inès Boza, diretora da companhia «Senzatempo», de Barcelona. “Sempre estivemos mais ligado ao teatro, não numa linha clássica mas mais performativa, ligada à dança, à fotografia e vídeo. Quando nos foi concedida uma sede, começamos a realizar outro género de eventos, nomeadamente os «Concertos ao entardecer»”, conta Teresa da Silva, com Gil Silva a adiantar que integrar uma estrutura já existente em Faro não era a melhor solução para este grupo de amigos. “Cada associação tem a sua identidade própria e, como tínhamos uma maneira diferente de trabalhar, sentimos necessidade de criar algo nosso”, justifica. Uma formalidade legal que não influenciou o modo de funcionar da ArQuente, nunca houve dificuldades em preencher os vários cargos e também ninguém ficou com tiques de vedeta ou egos inchados por ser presidente disto ou vice-presidente daquilo, garante o trio, que até tem alguma dificuldade em vestir a pele de dirigentes associativos. “O Gil ficou como presidente por estar na origem do grupo e porque, se calhar, teve mais iniciativa para levar o projeto por diante. É ele que detém mais a área
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Uma forma diferente de pensar a cultura A criação da associação não afetou, de facto, o plano de atividades da ArQuente, que em 2007 levou a cena «11 de Setembro 2007 - Uma Peça Vulgar», com direção de Miguel Pereira e estreia no Teatro Municipal de Faro e, no ano seguinte, criou uma nova versão das Visitas Encenadas para o TMF e iniciou as Visitas Encenadas ao Museu Municipal de Faro. Em 2009, nova peça é estreada, desta feita «Iremos a Montecarlo», uma encenação do próprio Gil Silva que se apresentou posteriormente no CAE de Portalegre, no Estúdio Zero no Porto e no Teatro Meridional em Lisboa. “Houve um momento que influenciou bastante o nosso trabalho, a atribuição da sede, em finais de 2010. Nunca dependemos de subsídios e, por isso, sempre
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fizemos as coisas de acordo com a nossa disponibilidade e vontade, mas estávamos mais focados na parte performativa e na formação. Quando a Câmara Municipal de Faro nos concedeu uma sede, sentimos uma responsabilidade acrescida e a necessidade de abrir o espaço à comunidade, até porque tem uma das vistas mais bonitas da cidade. Em 2011 começamos a realizar os «Concertos ao Entardecer» e, de há dois anos a esta parte, levamos a cabo o Festival de Poesia «Poesia e Companhia»”, relata Gil Silva. Antes disso, ainda em 2010, a ArQuente avança com «Phantom Limb», numa coprodução entre o TEMPO e o TMF, com estreia no TEMPO em março de 2011 e com apresentações no TMF, no Teatro Meridional em Lisboa, no Teatro Bruto no Porto e no teatro Curvo Se-medo em Montemor-o-Novo. Em 2012, por encomenda do Museu Municipal de Faro, cria e produz uma peça infantil denominada «1ª Dinastia», no âmbito do projeto do TMF «Casas de Família» produz uma peça para ser apresentada em casas particulares e, no final do ano, preparou uma peça de Natal por solicitação da ANA Aeroportos. A atividade constante prossegue em 2013, com a peça «Open Hamlet», dirigida por João Garcia Miguel numa coprodução com o TMF, passando pelo Teatro das Figuras, Cine Teatro Louletano Teatro Helena Sá e Costa, no Porto. A veia inovadora da associação ficou também demonstrada com a criação, em 2012, do conceito do «Quarto 101», que consiste em concertos acústicos num quarto de hotel, ou seja, a ArQuente sempre procurou apresentar produtos diferentes dos que já existiam no mercado, postura ainda mais importante numa cidade como Faro onde proliferam as associações e coletividades. Contudo, o trio garante que essa diferenciação não foi uma estratégia pré-definida para não serem apenas mais uma associação. “Nunca andamos a comparar o que cada associação ou grupo fazia, temos uma forma diferente de pensar e estar no meio artístico”, entende Teresa da Silva. E, por isso, cada espetáculo acaba por nascer de forma distinta do anterior, em reuniões informais que o grupo realiza com a regularidade possível. “O «Open Hamlet», por exemplo, surgiu da vontade da
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ENTREVISTA Teresa e da Joana em trabalharem um texto clássico, algo que nunca tínhamos feito até à data”, revela Gil Silva, com Fúlvia Almeida a confirmar que os projetos surgem de forma bastante natural. “Somos um grupo de amigos que se identifica com o mesmo tipo de coisas, com gostos em comum e que sentem a necessidade de passar para o exterior o que temos dentro de nós. Vamos pensando, nas tais reuniões, no que nos apetece fazer em cada momento, pomos as ideias na mesa e, se mais alguém tiver a mesma vontade, as coisas aparecem feitas”, indica a profissional de comunicação. Assim se compreende por que razão a ArQuente prefere trabalhar com os textos dos seus elementos do que socorrer-se de textos clássicos que já foram levados a cena milhares de vezes nos quatro cantos do mundo. “Mesmo no «Open Hamlet» preocupamo-nos em tentar perceber quem era o Hamlet para mim, para o Gil e para o Ricardo e de que forma é que cada um de nós de identificava com ele. Há sempre o «nós» no espetáculo”, explica Teresa da Silva. “Mais do que representar, nós apresentamos, é isso que nos distingue. Estamos a expor-nos a nós próprios e, às vezes, o que temos para dizer são umas baboseiras, mas é a nossa verdade. Claro que apresentar-nos a nós próprios é mais complicado do que representar uma figura qualquer”, esclarece Gil Silva.
ou à sociedade, criticamo-nos a nós mesmos, porque o sistema somos nós. Não posso criticar apenas o governo ou a cidade onde vivo, porque eu faço parte desse todo e posso intervir mais ou mudar-me”, acrescenta Fúlvia. Ora, com esta forma de estar em palco, não há personagens clássicas para estudar e reproduzir, mas isso é bem mais fácil do que estarem eles próprios em cena, garante Gil Silva. “É a mesma coisa que te pedirem para te despires em público”, frisa, ao passo que Fúlvia assegura que não há uma alergia da ArQuente aos textos clássicos, simplesmente preferem olhar para a atualidade de outra forma. “É uma questão de abordagem. Já estudámos personagens, como se interpreta uma mãe, como se personifica uma velhinha, mas assim funciona tudo à base de clichés. Agora, perguntamos como é a velhinha que existe dentro de nós, como é a mãe que está dentro de mim”, aponta a atriz. “Hoje,
Público responde bem ao inesperado E se escrever textos também é mais difícil do que pegar nos que já existem, o trio rapidamente sublinha que nunca sentiu a necessidade de «filtrar» o que quer levar a cena ou de adotar discursos politicamente corretos para não ferir sensibilidades de terceiros. “Isso seria um entrave muito grande ao nosso processo criativo e não estaríamos a ser verdadeiros, mas sim instrumentos. De qualquer modo, nunca fazemos nada para «atacar», dizemos apenas o que nos vai na alma”, indica Fúlvia, pensamento partilhado por Gil Silva. “Se houver revolta, essa revolta é sempre comigo, não para com alguém”. “Mais do que fazer críticas ao sistema
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temos outra maturidade, mas continuo a sentir dificuldade em expor a Teresa, é algo muito pessoal. Utilizar as personagens tradicionais é como que uma bengala onde nos apoiamos, uma máscara que colocamos. Quando sou «eu», é quase como uma nudez da pessoa”, descreve Teresa. “Temos mais ferramentas para estar no palco, mas a responsabilidade também é maior, porque as pessoas já conhecem o nosso trabalho e as expetativas são mais elevadas”, prossegue Gil, numa constante troca de interlocutor nesta conversa informal. “Quando temos 20 e tal anos, fazemos coisas sem termos consciência do que elas representam, pensamos que podemos fazer tudo na vida e que somos espetaculares. Quando a maturidade é maior, a consciência de nós próprios também é maior, bem como dos efeitos e consequências do que fazemos ou dizemos”, acrescenta Fúlvia. Um teatro diferente, está visto, mas o público tem aderido de forma bastante agradável, porque sente que não estão em palco mais umas personagens iguais a tantas outras, mas sim homens e mulheres a partilharem os seus
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pensamentos, de forma natural e despretensiosa. “Em Faro há vários públicos e quem procura os nossos espetáculos já está à espera de ver algo completamente diferente. Não sabem bem ao que é que vão, sabem apenas que será algo estranho, inesperado, uma surpresa”, refere Teresa da Silva. Curiosamente, ao contrário do que se poderia imaginar, a ArQuente até trabalha frequentemente com criadores exteriores à associação, embora escolhidos criteriosamente. “Não vamos falar com um encenador que já sabemos que, à partida, não estará disposto a trabalhar desta forma mais livre, tem que ser alguém cuja cabeça não seja um quadrado, que tenha horizontes mais alargados”, diz Fúlvia. “Até porque os textos vão surgindo ao longo do processo criativo, não está tudo finalizado quando começamos a preparar um espetáculo. Isso gera uma aprendizagem enorme ao longo do tempo e temos trabalhado com pessoas de diferentes áreas, com uns encenadores mais ligados ao teatro, outros mais à dança”, sublinha Teresa da Silva. E com o ano a aproximar-se do fim e porque é preciso falar do tal plano de atividades, Gil Silva destaca a componente da formação dada pela ArQuente e que deverá repetir-se em 2016. “Queremos produzir ainda este ano uma peça com esta nova fornada de gente e que está cheia de vontade de trabalhar”, adianta, perante o olhar interrogativo das duas colegas. “Em outubro ou novembro… se calhar dezembro ou janeiro”, reformula, para risada de Teresa e Fúlvia. “Já temos ideias, é óbvio que não estamos em branco, mas ainda temos que estruturar o plano. Temos um problema muito grande, somos um bocadinho «maus» em termos burocráticos”, confessa Gil, para mais risadas das amigas. “Não nos sabemos «vender», falta um pouco a paciência para escrever atas de reuniões, enviar e-mails, entregar propostas. O ano passado recebemos uma excelente ajuda do IEFP porque tivemos, pela primeira vez, uma estagiária a trabalhar connosco e que organizava essa vertente administrativa”, confessam. “A Teresa é a voz da nossa consciência neste aspeto, é o grilo, depois é massacrada”, revelam Gil e Fúlvia em final de conversa, não num «adeus», mas num «até já», porque ficou a curiosidade de saber o que estes «malucos» vão apresentar ao público da próxima vez que subirem ao palco . 52
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SÃO BRÁS DE ALPORTEL INAUGUROU NOVA VIA COMPLEMENTAR À CIRCULAR NORTE
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nova via entre a Escola EB 2,3 Poeta Bernardo de Passos e a Rotunda do Parque Escolar, junto às Piscinas Municipais Cobertas, teve a sua inauguração oficial no dia 18 de setembro. Na cerimónia esteve presente o presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Vítor Guerreiro, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, David Santos, e os familiares de Alberto de Sousa, ilustre sãobrasense que deu o nome à nova rua. A construção desta nova via de comunicação foi especialmente pensada para as crianças e jovens que frequentam os estabelecimentos de ensino localizados nesta zona, bem como os equipamentos desportivos, e vem melhorar significativamente a circulação de veículos no centro urbano do município. A nova Rua Dr. Alberto de Sousa recebeu o nome do distinto médico são-brasense que lhe foi atribuído, por unanimidade, pelo executivo municipal, numa homenagem à personalidade que deixou um rico legado à terra que o viu nascer. “É muito gratificante saber que o meu pai não está esquecido. Recordo-o como um homem que tentou sempre ajudar quem precisava como
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melhor podia e a prova disso foram os 25 anos dedicados a conduzir os destinos do Sanatório Vasconcelos Porto, ao assumir o cargo de diretor daquela instituição. Atribuir o seu nome a uma rua é perpetuar a sua pessoa e os seus feitos e este gesto representa um enorme orgulho para toda a família”, declarou Maria Manuela de Sousa Fernandes, filha de Alberto de Sousa. Esta via conta com duas faixas de circulação, uma em cada sentido, a paisagem circundante é embelezada por um conjunto de palmeiras e está dotada de um passeio acessível, o qual permite ampliar os espaços disponíveis para a prática de exercício físico, enquanto incentivo a um estilo de vida saudável .
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BUDENS TEM NOVO CENTRO EDUCATIVO COMUNITÁRIO MULTISSERVIÇOS
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novo Centro Educativo Comunitário Multisserviços de Budens, dotado de equipamento moderno e com grande conforto, abriu portas no dia 18 de setembro para receber os alunos do Jardim-de-Infância e os alunos do 1.º ciclo (1.º ano). Para acolher as crianças e os pais neste primeiro dia de aulas esteve presente o presidente da autarquia, Adelino Soares, e a vereadora, Rute Silva, responsável pelo pelouro da educação, as professoras e o diretor do Agrupamento Escolas do Concelho de Vila do Bispo, Paulo Toste. Durante a receção aos novos alunos do ensino básico e aos respetivos pais, o autarca realizou uma visita guiada pelo amplo e moderno espaço escolar, devidamente equipado com mobiliário adequado às necessidades da comunidade escolar. O edil aproveitou para referir alguns aspetos da arquitetura do edifício e as respetivas vantagens dos mesmos, nomeadamente no aproveitamento da luz natural (luz solar zenital). Para o próximo dia 21 de setembro está agendado o arranque do novo ano letivo para os restantes alunos do ensino básico. Este equipamento, com capacidade para 206 estudantes, irá receber, este ano letivo, 76 crianças, das quais 25 são do Jardim-de-Infância e
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51 do 1.º ciclo, provenientes do ensino básico e pré-escolar de Barão de São Miguel, Budens, Salema e Burgau. O novo edifico educativo, cujo projeto é da autoria do arquiteto Mário Martins, custou mais de um milhão e 200 mil euros, encontra-se localizado no sítio do Piçarral em Budens, tem uma área de implantação de 1.902 metros quadrados e é constituído por um único piso, onde funcionam seis salas de aula destinadas ao ensino básico (1.º ciclo) e duas salas destinadas a Jardim de Infância. O edifício dispõe também de uma sala polivalente/refeitório com versatilidade para funcionar autonomamente aberta à comunidade. A zona exterior do edifício comtempla áreas pavimentadas, zonas arborizadas e arruamentos de acesso dotados de todas as infraestruturas de urbanização. Para a construção desta obra, a Câmara Municipal de Vila do Bispo obteve uma comparticipação do Programa de Desenvolvimento Rural do Continente (PRODER), através da medida 3.7. Centros Educativos Rurais do Algarve, em cerca de 900 mil euros, correspondente a 85 por cento do total .
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VRSA OFERECE LIVROS ESCOLARES E INVESTE 1,5 MILHÕES NO NOVO ANO LETIVO
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Câmara Municipal de Vila Real de Santo está a atribuir, de forma gratuita, livros escolares a todos os alunos do primeiro ciclo residentes no município ou que frequentem as escolas do concelho no ano letivo 2015-2016. A par dos manuais, a autarquia vai investir 150 euros na compra de material didático para cada uma das 51 salas de aula do pré-escolar e primeiro ciclo. “A aquisição de livros e material irá beneficiar perto de 850 alunos e meia centena de salas de aula, ajudando as famílias a superar as dificuldades financeiras sentidas no início do ano escolar”, explica Conceição Cabrita vereadora com o pelouro da educação. “A estes valores, junta-se a manutenção de todos os apoios em vigor, o que totaliza um investimento global de 1,5 milhões no setor da educação neste novo ano letivo”, prossegue. De forma pioneira, VRSA continuará a ser o único município do Algarve a oferecer, de forma totalmente gratuita, a componente de apoio à família, nomeadamente o prolongamento de horário, para os alunos do pré-escolar nos períodos da manhã, almoço e final de tarde. Um ano mais, Vila Real de Santo António assegura a cobertura total de vagas na rede do pré-escolar, pondo fim às listas de espera nas salas dos quatro e cinco anos. Também a pensar na qualidade do ensino, será igualmente oferecido, pela autarquia, o transporte para uma visita de estudo a todas as turmas do primeiro ciclo e pré-escolar. Do mesmo modo, serão disponibilizadas, sem custos, atividades de enriquecimento curricular como inglês, música, atividade física e desportiva, expressão plástica e ciências da natureza. Ao nível da requalificação, procedeu-se à climatização de todas as salas de aula da Escola Básica 1 de Monte Gordo e foram efetuadas obras de manutenção interior e exterior em todo o parque escolar do concelho. Relativamente aos apoios sociais no primeiro ciclo, a Câmara Municipal prevê auxiliar 285 alunos, no caso do escalão A, e cerca de 150 alunos, no caso do
escalão B. Os alunos do 1.º escalão terão direito a 20 euros para material escolar, enquanto os alunos do 2.º escalão beneficiam de 10 euros em material escolar. Quanto às refeições escolares, será paga a totalidade do seu valor aos alunos do 1.º ciclo e do ensino pré-escolar do 1.º escalão e subsidiados em 50 por cento os alunos destes níveis de ensino inseridos no 2.º escalão. No que diz respeito ao transporte escolar, será gratuito até ao 9.º ano. Para os alunos do ensino secundário do 1.º escalão será também disponibilizado a custo zero, enquanto no 2.º escalão é comparticipado pela autarquia em 75 por cento. Os restantes alunos têm uma comparticipação de 50 por cento. Ao serviço da comunidade escolar estarão igualmente os três «Espaços Internet» concelhios (Vila Real de Santo António, Cacela e Monte Gordo), bem como as bibliotecas escolares, que se encontram a funcionar em articulação com a Biblioteca Municipal Vicente Campinas. A estas valências junta-se o trabalho de proximidade das equipas de psicólogos da Câmara Municipal de VRSA (NEIP) que, durante todo o ano letivo, de forma totalmente gratuita, trabalham em articulação com alunos, professores e encarregados de educação .
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DESPORTO
RUBEN FARIA BRILHOU NA BAJA TT IDANHA-A-NOVA
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os comandos da sua KTM, o piloto de Olhão Ruben Faria concluiu o derradeiro dia de prova da Baja TT Idanha-a-Nova, no dia 12 de setembro, em quarto lugar da geral e terceiro da TT1. A decisão do campeonato será na Baja Portalegre 500, sendo o olhanense um dos candidatos ao pódio. Ruben Faria alcançou em Idanha-a-Nova a quarta posição na penúltima prova do campeonato nacional de todo o terreno. Aos comandos da sua KTM, o piloto de Olhão concluiu a prova na quarta posição da classificação geral e terceiro posto da classe TT1, uma posição que deixa a decisão do campeonato para a derradeira ronda do ano, a realizar em Portalegre. “Foi uma corrida muito técnica, como se esperava. As pistas desta região não são fáceis e obrigam a uma grande concentração e atenção com o percurso, mas consegui um bom ritmo desde o primeiro momento de prova e a quarta posição foi boa em termos de campeonato geral e o
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terceiro lugar igualmente positivo na classe. Fica tudo por decidir em Portalegre, uma prova onde no ano passado não tive a melhor das sortes, mas onde me sinto bastante confortável“, referiu o olhanense no final da prova. A derradeira prova do ano, a conhecida Baja Portalegre 500, que se disputa entre 22 e 24 de outubro, vai assim decidir o título nacional na classe TT1, onde Ruben Faria é um dos candidatos, ele que lutará igualmente por um lugar no pódio da classificação geral do TT. De recordar que Ruben Faria fez história na edição de 2013 do Dakar, conseguindo a melhor classificação de sempre de um português na prova. Em 1999 e 2000, foi campeão nacional de Todo-o-Terreno, conquistando também vitórias em provas como o Rali de Marrocos, em 2007, e do Pax Rali, em 2008. O piloto soma ainda várias participações no Rali Dakar, com vitórias em várias etapas, desde a sua primeira participação, no ano de 2003 . 58
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