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ALGARVE INFORMATIVO Revista semanal - 21 de setembro, 2019
FESTA1 DE ALCOUTIM | «SHARING THE LIGHT» | TAÇA DO MUNDO DE GINÁSTICA | KIMAHERA ALGARVE INFORMATIVO #219 LUÍS CONCEIÇÃO | IVO CANELAS | FESTAS DO PESCADOR | «LUGARES DE SOPHIA»
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56 - Diogo Marreiros
116 - Ivo Canelas em «Todas as Coisas Maravilhosas»
40 - 14 anos de Kimahera
68 - Luís Conceição ALGARVE INFORMATIVO #219
78 - Festa de Alcoutim 6
144 - «Lugares de Sophia» em Lagos
106 - Final do Campeonato Nacional de Futevólei
12 - Taça do Mundo de Ginástica Rítmica em Portimão
26 - Festas do Pescador
OPINIÃO 92 - Festival de Objectos e Marionetas e Outros Comeres 7
128 - Paulo Cunha 130 - Ana Isabel Soares 132 - Adília César 134 - David Martins ALGARVE INFORMATIVO #219
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ITÁLIA DOMINOU FINAIS DA TAÇA DO MUNDO DE GINÁSTICA RÍTMICA DE PORTIMÃO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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Taça do Mundo de Ginástica Rítmica – Jogos Santa Casa encheu o Portimão Arena de público no fim-de-semana de 6 a 8 de setembro, numa prova cujas grandes vencedoras foram as ginastas italianas, com a nota mais alta de sempre, 29.500 pontos, no exercício de cinco Bolas do Conjunto. O público rendeu-se à beleza das «Farfalle», que desde o início da competição foram as preferidas. Em segundo lugar ficaram as
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japonesas, com 28.950 pontos, seguidas do conjunto bielorrusso com 28.900 pontos. A final de três arcos mais duas maças foi vencida pelo conjunto bielorrusso, com 28.950 pontos, logo seguidas da Itália, com 28.550 pontos e do Japão, com 28.400 pontos. Alexandra Agiurgiuculese foi a grande vencedora da competição individual de Arco, com 22.500 pontos, depois de, na qualificação deste aparelho, ter registado 22.200 pontos. Em 2.º lugar
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quedou-se a ginasta da Bielorrússia, Anastasiia Salos, com 21.500 pontos e, em terceiro lugar, não uma, nem duas, mas três vencedoras com um total de 21.400 pontos, com Alina Harnasko (BLR), Anastasiia Guzenkova (RUS) e Milena Baldassarri (ITA) a partilharem o bronze. Milena Baldassarri foi a grande vencedora da final individual de Bola, com 22.300 pontos, ultrapassando a também italiana Agiurgiuculese, com 22.000 pontos. A russa Aleksandra Soldatova, que era a preferida nesta final, conquistou os
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21.900 pontos e a medalha de prata. Agiurgiuculese não só venceu Arco, mas também a final individual de Maças, com 22.500 pontos ultrapassando a sua conterrânea, Milena Baldassarri, que conseguiu os 22.400 pontos. Anastasiia Salos amealhou 21.850 pontos e o terceiro lugar. Fita foi o aparelho que fechou a 10.ª edição desta Taça do Mundo e a vencedora foi, mais uma vez, a italiana Baldassarri, com uma nota de 20.250 pontos, mostrando o claro domínio por parte de Itália nesta competição .
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FESTAS DO PESCADOR ATRAÍRAM MILHARES DE PESSOAS A ALBUFEIRA Texto: Daniel Pina | Fotografia: Ivo Machado
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e 6 a 8 de setembro, a Praça dos Pescadores, em Albufeira, engalou-se a rigor para receber a 22.ª edição das Festas do Pescador, um dos eventos mais acarinhadas pela comunidade albufeirense, que todos os anos faz questão de se juntar num dos cenários mais bonitos da cidade para conviver e participar nesta homenagem da autarquia aos pescadores, às gentes da terra e à gastronomia tradicional. Este ano, para além das barraquinhas de comes e bebes, onde não faltaram o xerém, choquinhos com tinta, choco frito, chouriço assado, carapaus alimados, feijoada de búzios, cataplana, sardinhas albardadas e doces típicos como os domrodrigos, bolos de figo, amêndoa e alfarroba, a APEXA – Associação de Apoio ALGARVE INFORMATIVO #219
à Pessoa Excecional do Algarve apresentou o «Lucas», um bolo «feito de amêndoa com amor», cujas receitas reverteram a 100 por cento para sessões de autonomia dos utentes da instituição. Outra das novidades foi a introdução de um copo em material resistente «amigo do Ambiente», entregue em todas as barraquinhas, sob depósito no valor de um euro, com vista a incentivar a utilização responsável e a redução de plástico no recinto, medida que foi muito bem acolhida e que a Autarquia pretende estender a outros eventos ao longo do ano. “Esta festa traduz a grande preocupação em recuperar as nossas raízes, manter vivas as tradições e homenagear os pescadores da terra e as suas famílias. O evento é uma excelente oportunidade para 28
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reunir a comunidade albufeirense e mostrar a quem nos visita um pouco mais sobre a história do concelho e a sua excelente gastronomia, eximiamente confecionada pelas nossas associações locais, a que juntamos um excelente programa de animação”, descreveu José Carlos Rolo, presidente da Câmara Municipal de Albufeira. Mas também não faltou a crítica social, num tom positivo, dos albufeirenses de gema por entenderem que a magia e a traça genuína da cidade e do concelho se têm esbatido com o passar dos anos, fruto da afluência de tantos e tantos milhares de turistas, e de decisões e estratégias, menos corretas da parte de dirigentes e empresários locais. ALGARVE INFORMATIVO #219
O primeiro dia contou com a atuação de Herman José, num espetáculo inesquecível em que interpretou algumas das personagens dos seus mais de 40 anos de vida artística. Sr. Feliz e Sr. Contente, Serafim Saudade, Tony Silva, Maximiana, José Esteves, Nelo, juntamente com muitas e hilariantes estórias de carreira, entrecortadas com muito «stand up» e uma animada componente musical, onde não faltaram os incontornáveis êxitos «Saca o Saca Rolhas», «Canção do Beijinho», «Serafim Saudade», «Vamos Lá Cambada», «Cor do Teu Baton» ou «És Tão Boa, És Tão Boa». Antes da atuação principal, Tomás Faísca subiu ao palco, numa excelente exibição que pôs todos 30
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a dançar ao som de um animado repertório de música popular portuguesa. Esta foi a estreia do jovem músico de Olhos de Água no formato com banda e bailarinos. No sábado, as Festas foram dedicadas ao XXIII Festival de Folclore de Albufeira. O Rancho Folclórico Infantil de Albufeira fez as honras da casa ao partilhar o palco com o Grupo Regional de Folclore da Benedita (Vila da Benedita| Alcobaça), Rancho Folclórico Cantarinhas de Barro (Achada e Sobreiro| Mafra) e o Grupo de Folclore Identidade Lusa (Vila Verde| Oliveira do Bairro). No último dia, a primeira parte do espetáculo foi protagonizada pelo grupo «José Praia e Áqua Viva», que ALGARVE INFORMATIVO #219
brindou os visitantes com um passeio musical do Alto Minho ao Algarve, com passagem pelos Açores e Madeira, ao som do acordeão, do cavaquinho, da braguesa e do bandolim, entre outros instrumentos tradicionais e da sua música alegre que convida todos a cantar e a bailar. A 22.ª edição das Festas do Pescador despediu-se com os ritmos quentes e a irreverência de Ana Malhoa, uma das artistas pop mais requisitadas para atuações em Portugal, com mais de 635 mil cópias vendidas ao longo de 30 anos de carreira. É também uma das recordistas de vendas de discos em Portugal . 32
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KIMAHERA PRETENDE CONTINUAR A SER RELEVANTE Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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o fim de 14 anos a trabalhar em prol da arte e cultura a partir de Armação de Pêra, vila costeira do concelho de Silves, a Kimahera viu o seu trabalho mais uma vez reconhecido e validado, com a rua onde está sediada a ser batizada como «Rua dos Artistas», em cerimónia que teve lugar, no dia 3 de setembro, com a presença da Presidente da Câmara ALGARVE INFORMATIVO #219
Municipal de Silves, Rosa Palma. E, para celebrar esta conquista, a editora algarvia, cujo rosto mais visível é Pedro Pinto, convidou os artistas que ao longo destes anos têm passado pelo seu estúdio para um encontro de amigos que, por via do extenso número de participantes, acabou por se tornar num minifestival de hip-hop, mas também de outras sonoridades. Não admira, por isso, que Pedro Pinto, ou Reflect, andasse numa roda-viva 42
antes do som começar a fluir, mas ainda teve tempo para analisar estes 14 anos dependentes da música, mas independentes a fazer música. “Em 2005, o nosso objetivo era gerar um espaço criativo e de liberdade, onde pudéssemos, em conjunto, divulgar a música que já fazíamos. Queríamos pôr cá para fora as nossas emoções da forma mais pura e genuína, sem grandes filtros. É claro que existe todo um processo para que essa vontade e inspiração se transforme em algo palpável e que as pessoas gostem de ouvir, mas não alteramos nada que nos faça ir para um sítio onde não queremos estar”, explica o artista e produtor. 43
O primeiro «rebento» da Kimahera foi «Atmosfera Hostil» de Dezman, com quem Pedro Pinto tinha o grupo Evolusom, juntando-se ao núcleo duro da produtora nomes como Rafael Correia/Gijoe/Sickonce, João Mestre, Joana R. Gomes/Camille Leon e Mariana Rodrigues, entre outros elementos. E a ideia era, de facto, unir esforços para se criar uma janela por onde pudesse fluir a música feita na região, pois não existia, na época, uma referência maior neste ramo. “Acho que temos feito um caminho bonito nestes 14 anos, e que nos permite estar nesta noite com tanta gente em palco, sendo ou não ALGARVE INFORMATIVO #219
artistas da nossa editora, mas que trabalham connosco em estúdio. Um percurso que teve os seus altos e baixos, mas nunca deixamos de criar coisas, de lançar discos, de fazer música nova. Podiam ser 14 anos com 10 edições, mas se calhar já estamos no campeonato das centenas de edições, entre físicas e digitais”, destaca Pedro Pinto, realçando ainda que ninguém faz nada sozinho. “Eu dou a cara muitas vezes, por ter sido o ponto de partida, mas felizmente que tenho imensa gente a trabalhar comigo nesta casa e sempre tivemos a coragem de não parar, de continuar a acreditar naquilo que fazíamos, de mostrar que somos válidos dentro daquilo que gostamos de fazer”. Kimahera que não tem artistas apenas do Algarve, mas vindos de todo o país, por apreciarem o trabalho realizado em ALGARVE INFORMATIVO #219
estúdio por estes profissionais. Pessoas que, depois, se deslocam também para assistir aos espetáculos com a chancela Kimahera, como sucedeu neste micro festival que durou cerca de quatro horas e colocou em palco 36 artistas. E a verdade é que o mercado discográfico mudou bastante nesta década e meia, com o explodir do mercado online, das plataformas digitais, das redes sociais, reconhece Pedro Pinto. “Ser uma editora independente e uma equipa pequena implica que tenhamos todos que saber fazer um bocadinho de tudo. É evidente que temos as nossas especialidades, mas todos tratamos dos e-mails e gerimos as redes sociais, algo acessório, mas que é fundamental para se ter sucesso. De nada serve criar algo espetacular no estúdio se depois isso não chegar às pessoas”, justifica Pedro Pinto. 44
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E o sucesso da Kimahera veio demonstrar que não é necessário estar num grande centro urbano para se singrar no século XXI, constata o entrevistado. “Os outros são bons, mas nós também somos e às vezes esquecemo-nos disso. É com esse mindset que funcionamos. Também conseguimos produzir excelentes discos, tocar em palcos grandes, ter artistas que se dedicam a 100 por cento à música, mesmo não tendo contratos com as principais editoras. Para além de todos os prémios que este ou aquele artista vai colecionando, temos o mérito de continuarmos por cá”, afirma Pedro Pinto, um mérito que foi agora reconhecido pelo poder público ao batizar a rua onde está instalada a Kimahera como 47
«Rua dos Artistas». “Falta agora às pessoas que têm essa responsabilidade e possibilidade compreender que existe muito valor a passar por este palco e que, se calhar, merecem estar em palcos maiores. Queremos que as pessoas acreditam e apostem em nós. Acima de tudo, desejamos que a relevância da existência da Kimahera se preserve e perdure ao longo do tempo, para que possamos ser uma marca de música reconhecida por toda a gente, sejam ouvintes de hip-hop ou não, novos ou não. Somos uma marca do Algarve, mas aquilo que fazemos é muito maior do que o sítio onde estamos localizados”, assume. ALGARVE INFORMATIVO #219
E mais tempo não havia para conversas, havia que descerrar a placa toponímica da «Rua dos Artistas» e, depois, dar o pontapé-de-saída para uma verdadeira maratona musical em que participaram AyB, Black Cat, Carolina Fonson, Dan Ghost & Luar, Dezman, Diogo Ribeiro, GI.PSY, HighQ, HIJCKD, Homogéneo, Iniciado, Jeezas, JMMB & Mafalda Rosado, Lady N, Laura Quaresma, Luís Galrito, Mascote, Mau-dji, MDA, Mike, Miranda Eloquente, Mitrinha, Napoleão Mira, Perigo Público, Possessivo, RealPunch, Reflect, Rita Barata, Russa, Sickonce / Gijoe, Soldados do Rap, Subtil, Uzzy, Vítor Bacalhau, X e Yinb. No final, Pedro Pinto, emocionado, referiu que “mais artistas mereciam por aqui ter passado, mas quis destacar aqueles que nos têm procurado para trabalhar a sua música”. “E fico muito feliz por ter visto tantos outros ALGARVE INFORMATIVO #219
artistas que admiro numa plateia repleta de amigos. O meu mais sincero agradecimento a todos os que aceitaram, sem receber nada em troca, estar connosco nesta celebração tão importante e que nos deixa de coração cheio após 14 anos de trabalho”. Pedro Pinto acredita, por isso, que o dia 3 de setembro de 2019 ficará para a história, com excelente música, num ambiente fantástico, um respeito pelas várias sonoridades. “Sempre ouvi falar da falta de união no Algarve. Este evento foi muito mais do que uma festa da Kimahera, foi uma lição para todos nós. Foi uma demonstração de talento algarvio, de diferentes gerações e sensibilidades musicais”, considerou o produtor . 48
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DIOGO MARREIROS
QUER SER CAMPEÃO DA EUROPA E DO MUNDO DE PATINAGEM DE VELOCIDADE Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina, Hélder Martins e Dic Scrivens
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Diogo Marreiros com o treinador Paulo Baptista
iogo Marreiros é, de há uns anos a esta parte, uma referência na Patinagem de Velocidade, em virtude dos muitos títulos nacionais, europeus e do mundo já alcançados. E o lacobrigense mostrou bem os seus atributos nos recentes Campeonatos da Europa disputados em Pamplona, na vizinha Espanha, no final de agosto, com a conquista de várias medalhas em representação da seleção portuguesa. Assim, para Portugal, e para Lagos, vieram uma Medalha de Prata na prova de 10 Km por pontos/eliminar, uma Medalha de Bronze na prova 1 Km de pista, uma Medalha de Bronze na prova de 15 Km a eliminar e uma Medalha de Prata na prova de Maratona. ALGARVE INFORMATIVO #219
Quatro medalhas que se vêm juntar às muitas outras obtidas por Diogo Marreiros ao longo da sua carreira, um trajeto desportivo de excelência que levou a autarquia local a atribuir-lhe, em 2018, a Medalha de Mérito Municipal Grau Prata. Mas bastantes mais têm sido os votos de louvor aprovados pela Câmara Municipal de Lagos na sequência dos resultados desportivos alcançados e dos títulos que vem arrecadando desde os seus 14 anos de idade. Êxitos que advém de uma intensa dedicação à modalidade e, mesmo em final de época, o atleta continua a treinar afincadamente na pista localizada na Escola Secundária Júlio Dantas, em Lagos. “Todos os frutos que colhi nos últimos dois anos são o reflexo de um trabalho contínuo que 58
tenho feito com a minha equipa, com o professor Paulo Baptista, os meus fisioterapeutas Celso Cabral Silva e Maria João Gomes, e os colegas de treino. Desde 2014 que a patinagem de velocidade é o meu principal foco e sabe muito bem ter a consciência que, neste momento, sou um dos melhores atletas do mundo nesta modalidade”, analisa, sem falsas modéstias, o entrevistado. Diga-se, de passagem, que a patinagem de velocidade não é daquelas modalidades que está no topo das opções dos jovens quando decidem praticar desporto, mas a verdade é que tem uma longa tradição na cidade de Lagos, portanto, não foi uma surpresa quando o pequeno Diogo decidiu experimentar. “A escola de patinagem era muito perto do trabalho da minha mãe e calcei os patins pela primeira vez aos quatro anos. Quando uma criança dessa idade sente a liberdade que é andar em cima de uns patins, em grande 59
velocidade, é fácil apaixonar-se”, recorda, concordando, com um sorriso, que os pais, no início, não acham tanta piada a essas peripécias. “Há sempre a preocupação com as quedas, mas as lesões fazem parte do desporto, seja qual for a modalidade e a idade com que a pratiquemos. Claro que, naquela altura, não atingia estas velocidades e, como também gostavam da patinagem, os meus pais apoiaram-me desde a primeira hora”, garante Diogo Marreiros. Esse apoio dos progenitores foi fundamental para o crescimento desportivo do algarvio, sobretudo quando decidiu que era da patinagem que queria fazer a sua «profissão», a sua atividade principal. Uma decisão alicerçada no facto de logo em Cadete começar a conquistar medalhas e, depois, sagrar-se Campeão Europeu de Juniores, em 2008. “Estava a obter ALGARVE INFORMATIVO #219
resultados bastante bons, mas as condições em Portugal não eram as melhores, não se apostava muito nos atletas portugueses. Passei por uma fase mais complicada quando subi a Sénior, é uma transição sempre complicada, e estive alguns anos sem ir aos Mundiais”, lembra, adiantando que, nesse período, optou por se inscrever no ensino superior e tirar uma licenciatura em Educação Física, na Faculdade de Motricidade Humana. Corria o ano de 2014, o momento de todas as decisões, pegar no canudo e ingressar no mercado de trabalho, ou apostar forte na carreira desportiva. Uma decisão que pendeu para a segunda opção porque, entretanto, ficou concluída a pista de patinagem da Escola Secundária Júlio ALGARVE INFORMATIVO #219
Dantas e Diogo Marreiros acreditou que estavam reunidas as condições para dar o salto, ao serviço do Roller Lagos Clube de Patinagem. “A partir daí começou tudo a aparecer muito naturalmente. Ganhava provas internacionais, surgiam os apoios e os patrocínios, o que me proporcionava melhores condições de treino, o que gerava melhores performances nas competições internacionais. Foi uma carambola até às medalhas europeias e mundiais”, conta. Diogo Marreiros reconhece, contudo, que tudo podia ter pendido para outra direção, porque os anos em que esteve na faculdade não lhe permitiram continuar a treinar patinagem de 60
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velocidade com regularidade. “Tinha que fazer um esforço tremendo para conciliar os estudos com o desporto de alto rendimento e não treinava no mesmo nível que as competições internacionais exigiam. Houve, de facto, um decréscimo de rendimento e só consegui recuperar quando terminei o curso e me dediquei à modalidade a 100 por cento. Podia ter deixado a patinagem, mas sentia que ainda não tinha atingido todos os meus objetivos enquanto sénior, acreditava que tinha potencial para conquistar um título europeu ou mundial”, afirma, enquanto ia calçando os patins para mais uma sessão de treinos de final de tarde, início de noite.
UMA MODALIDADE CARA E COM POUCOS APOIOS Concluída a licenciatura, Diogo Marreiros escolheu apostar as fichas todas na patinagem de velocidade durante um ano e as coisas correram de feição. Porque a vontade era competir de igual para igual com atletas que, anos antes, eram os seus ALGARVE INFORMATIVO #219
ídolos e, de repente, o lacobrigense estava a vestir as cores de uma equipa internacional, a BONT, uma marca australiana que, na Europa, está sediada na Holanda. “Passar eu a ser idolatrado por atletas mais jovens foi uma sensação fantástica e faz com que a minha motivação para trabalhar esteja sempre no máximo. Continuo a treinar em Lagos e depois junto-me aos meus colegas de equipa nas Taças da Europa e do Mundo de Maratonas. Em 2014, eles tinham a equipa mais ou menos formada, mas eu e o Martyn Dias fomos ao Torneio das Três Pistas, em França, ganhei logo a primeira prova e convidaram-nos aos dois para entrar para a BONT”. Uma época de sonho que proporcionou a Diogo Marreiros todas as condições para evoluir ainda mais na modalidade, porque as despesas com material até são avultadas, não basta meter uns calções e calçar uns patins e siga para a frente. “Fazer parte de uma equipa recheada de grandes campeões para trabalharmos com eles nas provas, e termos rodas e rolamentos 62
novinhos em todas as competições e treinos, tornou mais fácil a obtenção de bons resultados”, admite o entrevistado, chamando ainda a atenção para as elevadas despesas de inscrição nas provas, as deslocações e alojamento, a alimentação no dia-a-dia, a manutenção da forma física. “Quando vou para um Campeonato da Europa ou do Mundo levo entre seis a oito jogos de rodas, um jogo novo por cada prova, e cada um custa, para o público, 140 euros. Se não tivermos patrocinadores e quisermos ter o mesmo material que os melhores atletas possuem, é um investimento pesado, que normalmente é suportado pelos pais”. Defender as cores nacionais não significava que a situação fosse muito melhor, uma vez que a Federação cobre as despesas de inscrição, deslocação e alojamento, mas o material continua a ser 63
uma responsabilidade dos atletas. “As coisas têm melhorado com o novo presidente Luís Cénica e com o professor Ricardo Salgado na Direção Técnica, estamos no bom caminho, mas até chegar a este patamar é muito difícil. Se não fossem os meus pais a ajudarem-me, não estava hoje aqui”, enaltece o lacobrigense, confirmando que é a competir contra os melhores que se conseguem dar saltos evolutivos. “Temos a sorte da Taça da Europa se realizar em Lagos, em abril, com os melhores atletas internacionais, o que possibilita aos mais jovens esse convívio e experiência. As viagens também se tornaram mais baratas com as companhias low-cost, mas, no meu tempo, não havia estas facilidades. Competir na Taça da Europa ou na Taça do Mundo implica fazer cinco maratonas anuais em cada uma, viajar para fora da Europa, é ALGARVE INFORMATIVO #219
praticamente impossível se não houver um patrocinador a apoiar-nos”, assume. Não basta, contudo, ter o melhor equipamento e uma pista à porta de casa para se treinar todos os dias para se singrar na patinagem de velocidade, onde existem provas de pista ou de circuito de estrada, cada uma com as suas exigências específicas. “Eu dou-me melhor com a pista. Os holandeses e alemães são maiores e mais fortes e têm resultados mais positivos nas provas de estrada. Em pista, os atletas mais pequenos são mais rápidos e ágeis a fazer as curvas. Depois, há provas curtas mais aptas para os velocistas, outras de maiores distâncias onde dominam os fundistas. Destreza, coordenação, potência, força, velocidade, resistência, temos que ser bastante completos a todos os níveis”, salienta Diogo Marreiros. “Nas provas a pontos entra também a tática, porque o primeiro atleta a cruzar a meta em cada volta ganha dois pontos, o segundo faz um ponto e, no final, vence quem tiver ALGARVE INFORMATIVO #219
mais pontos, independentemente de chegar à frente ou atrás dos outros todos. Mesmo com o cansaço precisamos ter muita cabeça, ouvir as indicações do treinador para sabermos os pontos que temos, contra quem é que estamos a competir, quando é que devemos atacar ou descansar”, esclarece. Exemplo perfeito desta realidade foi o recente Campeonato da Europa, em que Diogo Marreiros concluiu a prova com os mesmos pontos do adversário italiano, mas este cruzou a meta à frente do algarvio e esse fator foi decisivo para a atribuição do título europeu, à semelhança do que já sucedera, em 2018, no Campeonato do Mundo. Está visto que, com tantas provas no calendário internacional, a que se somam os intensos treinos, não se pode ter outro trabalho, praticar ao fim do dia e competir ao fim-de-semana. “Fazemos 10 ou 11 viagens ao estrangeiro por ano, quase todas umas 64
a seguir às outras, e nas semanas em que estamos em casa é para afinar a máquina e treinar ao máximo. O pouco tempo que sobra é para descansar, que também é importante para que o corpo se possa regenerar e obter o melhor rendimento possível. É nesta altura do ano, no defeso, no final de temporada, que podemos dedicar mais atenção à família e amigos”, declara o entrevistado. O esforço de anos e anos está, finalmente, a ser compensado, e Diogo Marreiros não fala somente das medalhas conquistadas, mas também do reconhecimento da sociedade civil, dos poderes públicos, até da comunicação social. E a meta está perfeitamente definida, ser campeão da Europa e do Mundo. “Fiquei perto de o conseguir nos últimos dois anos, tenho estado sempre melhor em termos físicos, com um
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rendimento bastante regular. Seguimos motivados”, assegura, já a pensar na próxima época desportiva. “Vou fazer 28 anos em novembro, continuo apaixonado e totalmente focado nesta modalidade e não penso em abrandar o ritmo até alcançar os meus objetivos. Quando o ritmo começar a decrescer ou a paixão diminuir, logo pensarei no que farei a seguir, mas ainda não vi quaisquer sinais de isso possa acontecer nos próximos tempos. E temos muitos atletas com imenso potencial em Portugal, um deles o Miguel Bravo, do Roller de Lagos, que também me ajudou a obter estes resultados. Acho que nunca me vou conseguir desligar da patinagem”, garante, em final de conversa, porque o treino estava à sua espera .
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“PORTUGAL TORNOU-SE NUMA REFERÊNCIA MUNDIAL NO FUTSAL FEMININO”, GARANTE LUÍS CONCEIÇÃO exto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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atural de Martim Longo, concelho de Alcoutim, Luís Conceição foi distinguido recentemente, na Gala Quinas de Ouro 2019, promovida pela Federação Portuguesa de Futebol, com o prémio de Treinador do Ano de Futsal Feminino. Tratou-se de mais um feito relevante para o antigo técnico da Associação de Futebol do Algarve e selecionador nacional de futsal feminino desde 2014, e uma sequência natural da Medalha de Ouro conquistada nos Jogos Olímpicos da Juventude, em 2018, na Argentina. Já em 2019, Portugal sagrou-se Vice-Campeão Europeu nesta modalidade, o que veio agitar ainda mais o dia-a-dia deste algarvio que sempre gostou de trabalhar sossegadinho no seu canto, bem longe dos holofotes da fama e do mediatismo exacerbado. “Com o passar do tempo vamos ganhando esse hábito de sermos uma figura pública, de termos que dar a cara e chegar-nos à frente em determinados momentos. Mas, há uns anos, estar nessas situações era mais difícil para mim”, reconhece, no seu Gabinete de Vereador na Câmara Municipal de Alcoutim. Apesar disso, subir ao palco na Gala Quinas de Ouro mexeu com Luís Conceição, não o nega, por se encontrar lado a lado com pessoas que estava habituado a ver apenas na televisão, alguns deles referências como jogadores, diretores, dirigentes ou governantes. “De repente, metem-nos um microfone na mão para falar, toda a gente a olhar para ti, é algo que nos toca. Treme-se um ALGARVE INFORMATIVO #219
bocadinho, mas depois começamos a falar e as coisas saem naturalmente”, descreve, recordando que o seu percurso se iniciou há precisamente duas décadas, ao leme do clube da terra, o «Inter-Vivos», onde se manteve durante 12 anos. “Na altura era apenas equipa de masculinos, depois coordenei o futsal da Associação de Futebol do Algarve, com uma série de bons resultados, estávamos sempre nas meias-finais e finais”, conta o entrevistado. Fruto desses resultados, Luís Conceição foi convidado, em 2014, para Selecionador Nacional de Futsal Feminino e a verdade é que, poucos anos volvidos, Portugal é uma referência mundial nesta modalidade, à semelhança do que sucede no Futebol Masculino, no Futsal Masculino e no Futebol de Praia. Aliás, a equipa técnica nacional é frequentemente requisitada para dar formação em vários países da Europa, uma realidade completamente diferente daquela que o algarvio encontrou há 20 anos, quando entrou para o futsal. “Nessa época jogava-se em ringues, pavilhões ainda existiam poucos. Em Alcoutim, com bola no pé, os miúdos só tinham o futsal. Nas grandes cidades, normalmente aqueles que não tinham espaço no futebol iam para os clubes de bairro do futsal. Hoje, há miúdos que, logo aos 8 ou 9 anos, só pensam no futsal, porque é um jogo mais participativo, tocam mais vezes na bola, têm mais oportunidades de marcar golo. É toda esta riqueza e espetáculo que tem feito crescer a modalidade”, analisa Luís Conceição. 70
De facto, os 40 minutos de duração de uma partida de futsal são, realmente, 40 minutos a jogar, pois o cronómetro para sempre que a bola sai das quatro linhas ou alguém está lesionado e precisa de assistência médica. “Nós aprendemos a jogar tocando muitas vezes na bola e essa diferença leva a que muitos jovens optem pelo futsal. Deixou de ser uma questão de não terem lugar numa equipa de futebol”, garante, acrescentando que o aparecimento de mais pavilhões desportivos no virar do milénio foi outro fator decisivo para a melhoria da qualidade do trabalho realizado. “As associações de futebol também fizeram o esforço de criar cursos de treinador, pelo que os técnicos ficaram com melhores condições para trabalhar, com mais conhecimentos. O futebol é uma instituição com séculos, o futsal apareceu agora. Ainda nem sequer é modalidade olímpica, fez-se apenas 71
agora este teste nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2018”, compara. Continuando com as comparações, Luís Conceição assegura, com um sorriso, que nem todos os craques do futebol se dão bem no futsal, embora o inverso seja mais fácil de acontecer. “Joga-se, nos dois desportos, com a bola no pé, mas as características são completamente diferentes. Há uns anos, nas maratonas e torneios de futsal que se organizavam no Algarve no Verão, vinham alguns rapazes do futebol e ganhavam com facilidade. Agora, quem ganha os torneios são as equipas com a rapaziada do futsal, porque as exigências físicas, técnicas e táticas são totalmente distintas. Pontualmente há um ou outro que tem jeitinho para as duas modalidades, mas são casos raros”, entende o selecionador nacional. ALGARVE INFORMATIVO #219
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Processo inverso deu-se, lembra Luís Conceição, na vertente feminina, em que as melhoras atletas nacionais jogavam futsal e só posteriormente começou a vingar o futebol feminino. “Tivemos uma atleta da seleção nacional de futsal que foi convidada para ir jogar futebol para o Braga e, ao fim de dois meses, era titular na seleção nacional de futebol. No masculino isso não aconteceria. Mesmo com o Ricardinho era impensável ele ser logo titular na seleção de futebol”, afirma, convicto, salientando que sempre houve mais mulheres a jogar futsal do que futebol em Portugal. “O número de praticantes, atualmente, está mais próximo porque o futebol disparou nos últimos anos”.
JOVENS DO ALGARVE COM DIFICULDADE EM DAR O SALTO Passar a treinar mulheres não originou, entretanto, quaisquer diferenças de rotina para Luís Conceição, o grau de exigência é o mesmo, quando é preciso dar um grito e chamar a atenção, manda um berro e diz o que tem a dizer. Até porque, conforme observa, às seleções nacionais chegam normalmente as melhores atletas, aquelas que já estão habituadas a este nível de profissionalismo, de responsabilidade, de rigor. “Nos treinos e jogos, o empenho, a entrega e a dedicação são iguais, ou mesmo superiores, ao que se assiste nos homens. As mulheres tornam-se adultas mais cedo do que os rapazes e essa maturidade nota-se. Depois, querem afirmar-se e ganhar o seu espaço, e isso têm-no conseguido com todo o mérito”, frisa o entrevistado. 73
Mais diferenças verificam-se, contudo, quando se olha para o cenário em termos de regiões, com as algarvias a terem mais dificuldades para se imporem no futebol e futsal feminino. “A Associação de Futebol do Algarve tem crescido bastante nos últimos anos a nível do futsal e, no feminino, é das que tem mais equipas em atividade. No entanto, não conseguimos meter uma equipa no campeonato nacional. Isso só aconteceu no primeiro ano, em que as vencedoras dos Distritais subiram diretamente, no nosso caso foi o Padernense”, conta, assumindo sem rodeios essa dificuldade. “Temos um conjunto de miúdas com qualidade, algumas delas estiveram, na época passada, nas seleções nacional de sub17 e sub18, mas não sei se vão ficar no Algarve ou não quando terminarem o secundário”. A situação não é, todavia, muito diferente no desporto rei masculino, esclarece Luís Conceição, em que os poucos algarvios que deram o pulo para a primeira divisão o fizeram porque foram em tenra idade para as academias dos grandes clubes. “Tivemos o João Moutinho, o Paulo Madeira e o Rui Bento e dificilmente nos conseguimos lembrar de mais alguns. E isto porque, a partir dos 14 ou 15 anos, os jovens algarvios têm muitas coisas que os desviam para outros caminhos. Quando vão cedo para as academias de futebol em Lisboa ou Porto, são aconselhados de outra forma, não se perdem. Ao jogador algarvio falta mais compromisso”, lamenta, um ALGARVE INFORMATIVO #219
Foto: Município de Alcoutim
Luís Conceição com o restante executivo da Câmara Municipal de Alcoutim: Paulo Paulino, Osvaldo Gonçalves e José Galrito
compromisso que também se deve estender aos progenitores, concorda Luís Conceição. “Umas vezes ajudam, noutras complicam. Sabemos que os centros de estágio e as academias estão bastante bem preparados e oferecem excelentes condições aos jovens, o que deveria deixar os pais mais tranquilos. Infelizmente, penso que os pais, hoje, estão todos obcecados em que os filhos sejam o próximo Cristiano Ronaldo e que tenham a sua independência financeira num estalar de dedos”. Se, em cada mil, há um jogador de futebol que se torna craque à escala internacional, que dizer então do futsal, ainda mais do feminino? E a resposta é simples, não existem equipas de futsal feminino profissionais em Portugal. “No masculino há duas certas, mais duas ou ALGARVE INFORMATIVO #219
três semiprofissionais. No feminino, elas treinam três ou quatro vezes por semana, mas são amadoras. Veja-se que, na seleção portuguesa que foi Campeã Olímpica, das 10 jogadoras só há uma que não quer seguir o ensino superior. Três delas entraram o ano passado para a universidade, as restantes devem entrar este ano, a maioria delas com médias de 18 valores para cima. Isso demonstra que conseguiram conciliar os estudos com o futsal”, salienta, orgulhoso. Por isso, as expetativas de Luís Conceição para 2020 são imensas, por se disputar o Mundial de Futsal Universitário. “Vamos lutar pelas medalhas com atletas que já vêm trabalhando connosco há uns anos e que têm sucesso no futsal e nos estudos. Das que estiveram agora no Europeu, só duas é que são 74
profissionais: a Tânia Sousa, que está em Itália, e a Jennifer Rodriguez, que está em Espanha. Treinam sete ou oito vezes por semana, só fazem futsal durante o dia, claro que as diferenças são óbvias, o nível delas aumentou bastante”, admite.
NINGUÉM ADORMECE A VER FUTSAL Portugal é Vice-Campeão da Europa de Futsal Feminino, mas pode sonhar com voos ainda mais altos, não se trata de uma batalha de David contra Golias, acredita Luís Conceição. E para tal basta olhar para os embates recentes entre portuguesas e espanholas – a maior parte delas profissionais – para ver que não existe assim uma diferença tão grande. “Perdemos a final do Europeu contra a Espanha, mas, três meses depois, na Rússia, num dos torneios mais importantes do mundo, ganhamos por 4-1, praticamente com as mesmas atletas. Em 2018, Portugal e Espanha defrontaram-se oito vezes, nós ganhamos três, elas venceram três, e empatamos dois jogos. Não temos tantas atletas profissionais, mas compensamos com o talento, a vontade e a entrega. Só que, entre o decidir bem ou mal em determinados momentos, as coisas às vezes são mais favoráveis para quem é 100 por cento profissional”, indica o selecionador nacional. Luís Conceição esclarece, entretanto, que é possível mudar-se o «chip», alterarse a estratégia e o modo de atuar no decorrer de uma partida, mesmo o ritmo sendo mais frenético do que no futebol, para além do tempo de jogo ser inferior. 75
“Temos as pausas técnicas e podemos tirar as quatro atletas e meter outras quatro a quem pedimos coisas diferentes, porque não há limites de substituições. É isso que torna giro ser treinador de futsal, podemos mexer constantemente no jogo. No futebol, há limite de substituições, o campo é enorme, não é fácil comunicarmos com quem está no extremo oposto do relvado”, distingue, de maneira que não sonha em ser treinador de futebol. “O bichinho começou nos tais torneios de Verão e aos 21/22 anos já era treinador. E, quando te apaixonas pelo futsal, tens muita dificuldade em assistir a uma partida de futebol. Se me sentar no sofá a ver futebol na televisão, ao fim de 10 minutos estou a dormir. A bola leva muito tempo a chegar às balizas, há imenso antijogo, facilmente escolhemos três ou quatro partidas que nos chamaram a atenção num ano inteiro”, diz. Ora, entre ser Vereador da Câmara Municipal de Alcoutim e Selecionador Nacional de Futsal Feminino, percebe-se que a vida de Luís Conceição é uma constante corrida de norte a sul de Portugal, já para não falar nas deslocações ao estrangeiro. “Chego a ir três vezes por semana a Lisboa porque o Algarve está muito isolado dos centros de decisão, seja no desporto ou noutra área qualquer. Passo finsde-semana inteiros em viagem para observar as atletas em competição e, na segunda-feira, às 8h30, 9h, tenho que estar na Câmara Municipal, porque a minha profissão é ser Vereador”, relata, uma rotina que é cansativa, mas que deverá manter-se, ALGARVE INFORMATIVO #219
pelo menos, durante os próximos dois anos em que tem contrato com a Federação Portuguesa de Futebol. “Enquanto me lá quiserem, eu lá estarei, pelo menos mais estes dois anos. Depois logo se vê”, refere o algarvio de 42 anos. “A nível desportivo os resultados são decisivos e eu gosto que as coisas aconteçam naturalmente. Temos é que ser competentes e rigorosos naquilo que fazemos diariamente. Se trabalharmos bem, se nos dedicarmos, vamos tendo sucesso”, acredita, realçando que a primeira medalha olímpica portuguesa de ouro, em termos coletivos, foi conquistada ALGARVE INFORMATIVO #219
pelo futsal feminino. “Podem vir outras daqui para a frente, mas a primeira coletiva foi nossa. Agora, ambicionamos ser Campeões da Europa, o apuramento arranca no final de 2020 e temos uma boa fornada, com jovens de grande qualidade. Neste momento temos seleções nacionais de sub17, sub19, sub21 e seleção A, há atletas que começam a trabalhar connosco com 14 ou 15 anos, porque tudo tem que ser feito com tempo e calma. Na formação é necessária paciência, não se pode ir por atalhos”, avisa Luís Conceição . 76
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ALCOUTIM ESTEVE EM FESTA DURANTE TRÊS DIAS Texto: Daniel Pina | Fotografia: Município de Alcoutim
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lcoutim celebrou, a 13 de setembro, o seu Feriado, com a cerimónia comemorativa do Dia do Município a ter início, pelas 11h, com o içar das bandeiras e a arruada pela banda filarmónica de Castro Marim. Seguiu-se a sessão solene, no Espaço Guadiana, que englobou a assinatura do Protocolo de Cooperação Institucional para a cedência de um veículo do Município de Alcoutim à Guarda Nacional Republicana (GNR) e entrega da respetiva viatura, bem como a atribuição de Medalhas Municipais de Honra, Mérito e Bons Serviços e Dedicação. Da parte da tarde, teve lugar a apresentação da Obra «Ecos do Passado», de José Dias Rodrigues, no Hotel D’Alcoutim.
Remember Me no dia 14, e os D.A.M.A. no dia 15. Destaque ainda para a Discoteca no Cais, tão apreciada pelo público mais jovem, que foi animada ao longo dos três dias pelos Dj’s Christian F, Mark Guedes e Andy F com Lady F.
Entretanto, de 13 a 15 de setembro, a animada Festa de Alcoutim voltou a quebrar a habitual pacatez desta vila raiana. Naquela que foi a 68.ª edição deste evento que marca o fim do Verão na região, o Município apostou num programa diversificado com três dias repletos de atividades para todos os públicos e que tiveram como cabeças de cartaz, em termos musicais, Badoxa no dia 13, ALGARVE INFORMATIVO #219
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As atividades desportivas iniciaram-se no sábado com o jogo de Futebol Internacional, e prolongaram-se no domingo com a 6.ª Prova de Ciclismo do 1.º Troféu do Algarve «Ciclismo para todos», para além das tradicionais
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atividades desportivas no Rio Guadiana, designadamente a travessia a nado, a apanha do pato e o pau de sebo. Gastronomia, artesanato, desporto, concursos, fogo-de-artifício no Guadiana e bastante animação musical fizeram também parte do programa .
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FOMe ARRANCOU DA MELHOR FORMA COM «SHARING THE LIGHT» DOS ALEMÃES DUNDU Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina ALGARVE INFORMATIVO #219
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FOMe – Festival de Objectos e Marionetas & Outros Comeres, promovido pela ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, começou de forma esplendorosa e mágica, na noite de 13 de setembro, com «Sharing The Light», protagonizado pela companhia alemã DUNDU - Os Gigantes da Luz. Foi junto à Igreja do Carmo, em Faro, que um numeroso público de diversas gerações ficou a conhecer Dundu, uma marioneta iluminada que já encantou espectadores em todo o mundo e que agora se mostrava na capital algarvia. Embora grande em tamanho, Dundu é uma criatura gentil que desliza entre o público com facilidade e graça e depressa se percebeu que o ALGARVE INFORMATIVO #219
espetáculo não iria ficar muito tempo naquele local. De facto, em harmonia com a música, Dundu foi percorrendo diversas artérias de Faro pela arte de cinco marionetistas, enquanto uma outra seguia, umas vezes à frente, outras atrás, com uma bola de luz gigante. Enfim, momentos inesquecíveis numa performance visual bastante interativa, em que todos os movimentos resultavam de impulsos coletivos gerados no momento. Por isso, o gigante luminoso parou frequentemente na sua caminhada para interagir com as crianças que ia encontrando pelo caminho, com as pessoas que vinham às janelas das suas casas atraídas pela música, pelos condutores dos carros que se encontravam parados enquanto o cortejo seguia o seu caminho. Nem uma motorizada de um agente das forças de 94
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segurança escapou à boa-disposição de Dundu. O público rendeu-se por completo a uma atuação desconcertante, deliciosa, que foi descendo até ao Jardim Manuel Bívar, na zona ribeirinha de Faro, ao sabor do improviso, pois nunca se sabia o que o gigante de luz ia encontrar pela frente, ou 97
quando é que decidiria parar de repente para fazer alguma diabrura. Fantástico, sem dúvida, e a forma perfeita de dar o «pontapé-de-saída» para um festival que continua a agitar os concelhos de Albufeira, Faro, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel e Tavira até dia 28 de setembro . ALGARVE INFORMATIVO #219
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FILIPE SANTOS E BETO CORREIA SAGRARAM-SE CAMPEÕES NACIONAIS DE FUTEVÓLEI NA PRAIA Texto: Daniel Pina | Fotografia: Vítor Pina
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dupla Filipe Santos e Beto Correia (CD Póvoa) conquistou, no dia 8 de setembro, o título de campeões nacionais de Futevólei ao derrotar na final, realizada na Praia do Carvoeiro, em Lagoa, David Peres e Djalmir Andrade (FC 11 Esperanças) em dois sets, por 18/8 e 18/16. Com esta vitória no campeonato nacional, Filipe Santos e Beto Correia garantem igualmente a sua presença no Campeonato da Europa de 2020. ALGARVE INFORMATIVO #219
A dupla da Póvoa do Varzim arrecadou o seu primeiro título de campeão nacional naquela que foi a 14.ª edição da principal prova portuguesa da modalidade. Filipe Santos recorde-se, alcançou também no presente ano o título de Campeão Europeu de Futevólei, em prova disputada, em agosto, na Suíça, fazendo dupla com Miguel Pinheiro, em representação de Portugal. A fase final do Campeonato Nacional de Futevólei contou com a participação de 12 equipas provenientes de todo o 108
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país. No dia 7 de setembro teve lugar a fase de grupos e, no dia seguinte, os jogos das meias-finais e da final. E, para chegar à final, Filipe Santos e Beto Correia defrontaram a dupla composta pelos experientes Alan Cavalcanti e Xande (EF Alan Cavalcanti), vencendo por dois sets sem resposta (18/12 e 18/14). Já os agora vice-campeões nacionais, David Peres/Djalmir Andrade, derrotaram nas meias-finais os então pentacampeões e a dupla com maior historial e mais
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conhecida da modalidade, representantes do CD Póvoa, composta por Nelson Pereira/Miguel Pinheiro ao vencer na «negra» com os parciais (18/16, 17/19 e 12/15). Sob a organização da Federação Nacional de Futevólei, o evento teve como principais entidades apoiantes o Município de Lagoa, AlgarExperience, Claw, Sports Partner, MyCujoo, assim como outros parceiros locais .
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IVO CANELAS ESGOTOU CINE-TEATRO LOULETANO COM «TODAS AS COISAS MARAVILHOSAS» Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
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Cine-Teatro Louletano abriu a sua nova temporada artística da melhor forma com um dos mais reconhecidos atores portugueses, Ivo Canelas, que estreou a Sul do país o seu aclamado monólogo «Todas as Coisas Maravilhosas», numa performance em que o público fez parte integrante do espetáculo e encheu por completo as três apresentações realizadas nos dias 14 e 15 de setembro.
diversos países. Mas, apesar do tom cómico, neste espetáculo fala-se de temas sérios, da depressão, às crises existenciais, da família e do amor, entre muitos outros. E tudo se baseia numa lista criada por uma criança de sete anos sobre as melhores coisas da vida, como os gelados, as guerras com água ou simplesmente poder ficar a ver televisão depois da hora de ir para a cama são algumas delas. Uma lista que decidiu escrever depois da mãe ter tentado tirar a sua própria vida, uma maneira de lhe mostrar que existem tantas, mas tantas coisas, por que vale a pena viver.
«Todas as Coisas Maravilhosas» é um monólogo com muito humor, escrito pelo britânico Duncan Macmillan, que fez a sua estreia no prestigiado Fringe Festival, em 2013, tendo depois sido levado a cena em
A maior parte das pessoas que assistiu à peça participou no teatro, uma vez que foram distribuídos papéis com pequenas frases ou simples palavras para tornar toda a experiência mais interativa, e que
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tinham que ser proferidas quando Ivo Canelas dizia o seu respetivo número. Num ambiente intimista, em que o público estava sentado à volta do ator, muitas vezes trocaram-se os papéis, com os espetadores a interpretarem algumas
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das personagens da história. Não admira, por isso, que alguns tenham decidido repetir esta experiência única, num espetáculo que aguçou o apetite para o que resta da temporada do Cine-Teatro Louletano no ano de 2019 .
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O que é a Educação, afinal de contas? Paulo Cunha (Professor) uando se está mais disponível para ouvir, pensar e intervir, as ideias fluem e ganham a consistência trazida pela maturidade que o tempo proporciona. Foi o caso, quando nas minhas últimas férias de Verão, num dia de lazer, tive a oportunidade de debater com um ex-encarregado de educação, amigo de juventude, o que é, para a generalidade das pessoas que não estão ligadas ao ensino, ser encarregado de educação. Sendo, como eu, uma pessoa especialmente observadora e atenta ao que nos rodeia, lançou-me como tema de reflexão a sua convicção que, em Portugal, o Ministério da Educação não se deveria chamar da Educação, mas sim do Ensino. Ora, sabendo que a palavra Educação tem, para a generalidade das pessoas, um significado bastante lato e abrangente, percebo que o Ministério assim se chame, mas, entendendo também a sua perspetiva enquanto pai-educador e ex-representante de encarregados de educação, não pude deixar de lhe dar razão. Numa perspetiva etimológica, «educare» significa trazer à luz a ideia, ou em termos filosóficos, fazê-la passar do pensamento ao ato, da virtualidade à realidade. A educação é um processo dinâmico que faz crescer a própria vida de dentro para fora. Mais do que uma simples agregação de conhecimentos, a educação é um desenvolvimento de capacidades latentes que resultarão num crescimento pessoal e numa maior maturação interior. A instrução, sendo um processo de fora para dentro, permite a acumulação de conhecimentos e de especializações. A instrução potencia a ALGARVE INFORMATIVO #219
aquisição de importantes saberes para a nossa vida, enquanto a educação fornecenos as estruturas morais e éticas para aplicálos. O processo educativo constrói o conceito de identidade e este, ainda que mutável, será um património intrínseco a cada um de nós. É comum escutar e ler que os pais educam e a escola ensina e instrui. Daí eu entender e concordar com a perspetiva do meu amigo, pois melhor e mais do que ninguém, os pais sabem (ou deveriam saber) qual a educação que desejam ministrar aos seus educandos, deixando para a escola o papel e o dever de ensinar e promover as competências para a vida. Tomando como exemplo o desabafo de uma mãe, ouvido em agosto numa fila de supermercado, queixando-se que já estava farta de ter os dois filhos em casa e referindo que “…a escola nunca mais começa para cuidar deles”, fica-se com a sensação que muitos encarregados de educação (obrigados) veem o espaço escola como um centro educativo onde os funcionários (auxiliares de ação educativa, educadores e professores), para além de ensinarem e instruírem, deverão também ser zeladores, cuidadores e encarregados de educação substitutos. Apetece-me então perguntar o que é afinal um encarregado de educação? Tomando como referência o significado das duas palavras, fico com a sensação que deverá ser a pessoa que, em conjunto com o outro progenitor do menor, deverá estar encarregue da educação do seu educando. Eu sei que são muitas e variadas as causas que originam a realização dos conselhos de turma extraordinários onde se aplicam penas disciplinares aos alunos infratores e 128
prevaricadores, mas os motivos que mais se ouvem para tentar explicar os seus comportamentos anómalos acabam por ser sempre os mesmos: falta de educação ou/e má educação. Por isso aqui remato a reflexão do meu amigo, sugerindo que se dê maior enfoque na necessária e devida preparação dos pais para a educação dos seus filhos. Sabendo que ninguém aprendeu 129
a ser pai/mãe antes de o ser, e sendo cada um de nós diferente dos demais, os padrões educacionais deverão tomar como bitola o respeito por todos. Só assim poderemos gerar uma sociedade mais sã, justa, solidária e inclusiva. Valores de uma cidadania que deverá começar dentro das nossas casas, através da educação! . ALGARVE INFORMATIVO #219
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Do Reboliço #55 Ana Isabel Soares (Professora) aldeia começa numa tira comprida de casas a ladear a avenida, que se enfeita toda com o verde, o pontilhado vivo e o perfume das laranjeiras – já foram de laranjas azedas, agora são de fruta comestível. Ao cimo, nascem outras ruas, um ramalhete delas, a sair da bifurcação da avenida, quando ela termina no mercado. Na rua mais larga das duas em que o mercado divide essa via principal, quase em frente a um barbeiro, distinguiu-se em tempos um portão alto e amplo com a cantaria de pedra a formar um arco. Na calçada, em baixo e à frente da porta, algumas pedras mais escuras faziam o desenho de um garrafão: o Reboliço passava ali com as patas miúdas e, quando a brancura da calçada se interrompia para inscrever o garrafão cinza-azulado, aconteciam-lhe duas coisas curiosas. Primeiro, vinha-lhe à memória um amigo que tivera, a quem o dono chamara, precisamente, Garrafão – na aldeia, diziase (ouvira o Reboliço dizer) que dera ao cão aquele nome para não lho chamarem a ele, por beberrão que seria. Maldizentes, com certeza. O bicho era engraçado. Tinha umas pernas tão arqueadas que a barriga lhe arrastava no chão como se fosse o bandulho de um garrafanito. E simpático, mesmo com os dentes da mandíbula de baixo projetados, como se quisesse e não pudesse ameaçar. A outra coisa que acontecia ao Reboliço quando passava à adega do Caiado – fosse porque a porta grande (mais um portal que outra coisa) estava quase sempre aberta, ALGARVE INFORMATIVO #219
fosse pelas vozes que ouvia vir lá de dentro – era que não conseguia resistir a parar e olhar. Fincava as almofadinhas das patas traseiras no lancil do passeio, as da frente mais próximas do vão da entrada da adega, virava o focinho para dentro do casão e fazia por habituar os olhos cheios da claridade e do calor da rua àquela escuridão fresca. Ninguém dava por ele, se entrava, e aproveitava para escutar as conversas dos homens (ali, como nas outras adegas da aldeia, se entrava uma mulher que não fosse a esposa do Caiado, não era só o focinho do Reboliço que involuntariamente se virava, mas as cabeças de todos quantos estavam ao balcão, sentados às mesas quadradas e altas, ou ocultos, em pé, encostados ao bojo fresco das talhas – não era ali lugar de mulheres). Se alguém dava, era um “Olha o Buja-buja...”, um afago de lombo, uma piada sobre cães, ou a recordação de algum estimado e já ido. Era calmo o ambiente, à do Caiado, uma sala de amigos: até as risadas se ouviam em tom baixo: os homens da aldeia, quando riem, vê-se-lhes pouco dos dentes por baixo dos bigodes, enrugam só a cara toda, não atiram para trás a cabeça, nem fazem soar como tambor o redondo da barriga – olham para quem os fez rir e limpam com as costas das mãos rugosas as lágrimas que lhes caem pelos sulcos trabalhados dos cantos dos olhos . *Reboliço é o nome de um cão que o meu avô Xico teve, no Moinho Grande. É a partir do seu olhar que aqui escrevo.
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Foto: Vasco Célio 131
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A (in)visibilidade do essencial Adília César (Escritora) “Agora só vejo o que me interessa, e certas coisas, as que são realmente importantes, vejo-as melhor de olhos fechados”. Silvina Jóia*
reio que Antoine de SaintExupéry, numa bela e profunda linha de escrita do seu pequeno-grande livro O Principezinho, também já tinha dito algo muito semelhante, em 1943, pela voz da Raposa, quando esta conversa com o Principezinho:
sobrevoar o chão a pouca altura, envolvendo a categoria diáfana do tempo. No meio de tanta cor, tanto ruído, tanta inquietação, a serenidade de uma fina linha de equilíbrio poderia ser uma boa definição para «vida». Não a vida enquanto construtora de instantes violentos e banais, os quais recuso.
O Antoine e a Silvina, sem nunca se terem encontrado, tiveram a mesma percepção: os seres humanos devem guiar-se pelos afectos e agir de acordo com os seus sentimentos. A minha crónica podia ficar por aqui, fiel à corrente da micronarrativa, que tanto interesse tem vindo a provocar os leitores desde há algum tempo, cansados de ler palavras inúteis. Podia, mas preciso de expressar a minha própria percepção.
Foi a minha mãe que me ensinou a ver o invisível, o essencial, quando ambas nos confrontámos com as suas dificuldades de visão. Conversámos sobre a inevitável mudança de hábitos, a reconstrução das rotinas do dia, a adaptação àquilo que é absolutamente essencial. De facto, desde há cerca de um ano, ela já não vê como antes: não lê os livros nem as legendas dos filmes, não distingue as feições das pessoas com quem se cruza na rua. Mas não está muito preocupada. Diz que sente uma espécie de serenidade imposta pelo carácter agora invisível das coisas outrora familiares.
Na verdade, as nossas vidas estão repletas de coisas inúteis, de palavras inúteis; é na senda da optimização de tempo e esforço que procuramos a apropriação possível do mundo que nos rodeia através do pouco, porque menos pode ser mais. É uma das raras verdades em que acredito. E imagino que passeio pela rua como se fosse uma discreta imagem a preto e branco, a deslizar ou a
O que a minha mãe confidenciou fezme repensar sobre a dicotomia entre a visibilidade e a invisibilidade do essencial que, à partida, não é tão linear como parece. Fechei os olhos, vi os meus sentimentos e as minhas convicções, não a partir da discussão acalorada em discurso directo com outra pessoa, mas através do pensamento introspectivo e silencioso, até atingir um nível mais
“Só se vê com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.
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elevado de conhecimento pessoal e relacional com o universo. Há quem valorize este processo e lhe chame meditação. Há quem, pelo contrário, o desvalorize e lhe chame solidão. Há também quem ande pelo mundo de olhos abertos e cegos na sua desumanidade, sem compreender o seu papel particular no todo. 133
Ao virar a página, tive a minha epifania: afinal, somos versos do mesmo poema e podemos fechar os olhos, vendo o essencial com o coração. Sim, escrever amor em todas as páginas . *Silvina Jóia é o nome da minha mãe, o primeiro verso do meu poema. ALGARVE INFORMATIVO #219
OPINIÃO
«Água mole em pedra dura…» David Martins (Diretor de Marketing e Alojamento) ealizam-se, no próximo dia 6 de outubro de 2019, as eleições para a Assembleia da República nas quais iremos eleger 230 deputados da Nação, e de onde sairá, posteriormente, o XXII Governo Constitucional. Como já tive oportunidade de referir por diversas vezes, por esta e por outras vias, este é mais um momento crucial na democracia portuguesa, senão o momento mais nobre de todos, onde elegemos aqueles que irão defender os nossos interesses coletivos e criar melhores condições de vida para todos. É, por conseguinte, um ato em que todos devem participar, sem desculpas. Mas, pergunto-me, no mesmo momento em que escrevo esta crónica: valerá a pena «perder tempo» a sensibilizar todas as minhas amigas e os meus amigos, assim como os leitores anónimos que leem as minhas crónicas, que é importante votar nestas e em todas as eleições? Tenho algumas dúvidas, pois os dados regulares das eleições mostram que existe sempre um número expressivo, para não dizer exagerado, de absentistas que preferem não sair do seu conforto para participar nos atos eleitorais e fazer a sua escolha. Bem sei que há várias razões que «justificam» essa atitude, e que precisamos mudar vários aspetos do sistema, mas para começar a operar essa mudança é preponderante que cada um de nós cumpra a sua responsabilidade. De que vale sermos grandes artistas nas redes ALGARVE INFORMATIVO #219
sociais, onde se critica tudo e todos, e até se apresentam boas sugestões, mas depois não damos a cara e participamos ativamente? Com isto quero, também, dizer «dar a cara» e participar, através dos partidos políticos, para colocar as medidas em prática? Há uma gama de novos «velhos do Restelo» que a única coisa que fazem, por parecerem estar mal com a vida (e com tudo), é criticar os políticos… Para mim, já não há paciência, ou como bem dizia a minha querida madrinha – “já não há bilhetes!”, para suportar essas atitudes e ações. Falam, falam, falam… mas pouco fazem para mudar! Os políticos, que poderiam melhorar se lhes fossem dadas melhores condições de serviço, são em parte reflexo da sociedade que temos. Uns bons, outros assim-assim, e outros, infelizmente, maus. No âmbito da nossa região, a relevância de participar no próximo ato eleitoral é ainda maior. Vamos eleger 9 Deputados à AR que terão como responsabilidade levar a bom porto vários projetos estruturantes nas áreas da saúde, das acessibilidades, da economia, da justiça, da educação e dos demais sectores, e que nos poderão colocar num patamar diferente do que atualmente vivemos. Reforço as necessidades que todos conhecemos sobretudo do novo Hospital Central do Algarve – essencial para a captação de novos profissionais e da prestação de melhores cuidados de saúde para os cerca de meio milhão de residentes e muitos milhões de turistas que nos visitam anualmente, ou mesmo a melhoria 134
algarvios e portugueses. Sei que muito falta fazer e algumas «promessas» e «compromissos» não foram cumpridos na íntegra, mas acredito que com mais tempo será possível «fazer mais e melhor». Por outro lado, não menos importante, regozijo-me em ver como cabeça de lista a minha camarada Jamila Madeira, uma algarvia de gema que conhece como ninguém os problemas existentes na região e que, sem dúvida, com a restante equipa, lutará por todos para termos uma região mais próspera e justa!
das acessibilidades, com a requalificação total da EN 125 e a Via do Infante «à cabeça» – onde com uma parceria entre os municípios do Algarve e o Governo, baseado nas Taxas Turística, se poderia tornar as mesmas «gratuitas» para todos. Como julgo todos saberem, sou socialista e irei manter-me fiel ao voto. Vou votar no Partido Socialista! Sei que muito foi feito ao longo dos últimos anos, por António Costa e pelo seu Governo, criando melhores condições de vida para todos os 135
Uma nota final para destacar que, na impossibilidade de efetuar o seu voto na data das eleições pode aproveitar a oportunidade que agora é dada e, entre 22 e 26 de setembro, inscrever-se junto da administração eleitoral da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, por meios eletrónicos ou por via postal, e, no dia 29 de setembro, dirigir-se à mesa de voto escolhida e votar! Seja como for, em quem for ou quando for: VOTE! .
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“BIENAL IBÉRICA DO PATRIMÓNIO CULTURAL É O COROLÁRIO DE UMA ESTRATÉGIA POLÍTICA PERFEITAMENTE DELINEADA POR ESTE EXECUTIVO MUNICIPAL”, GARANTE VÍTOR ALEIXO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
oulé vai ser palco, entre 11 e 13 de outubro, de uma grande festa do património que junta especialistas e profissionais provenientes de Portugal e Espanha, de Marrocos enquanto país convidado e, pela primeira vez, do Brasil, Holanda, Itália e Áustria. A Bienal Ibérica do Património Cultural de 2019 foi ALGARVE INFORMATIVO #219
oficialmente apresentada no dia 17 de setembro, no Palácio Gama Lobo, em Loulé, e terá como tema a «Sustentabilidade», considerada, pela organização, como o próprio ADN do património cultural, “renovando-se, reciclando-se, adaptando-se ao longo dos anos, sempre atendendo à sua preservação futura”, nas palavras de 138
Catarina Valença Gonçalves, da empresa Spira, a promotora do evento. Com a organização da Bienal pela primeira vez a sul de Portugal volta-se a sublinhar o contributo deste recurso endógeno na promoção de um desenvolvimento harmonioso do país e a edição portuguesa do evento é a única a nível europeu que tem um carácter itinerante. Em simultâneo, Portugal volta a assumir um papel de relevo no que diz respeito a um renovado estender de pontes com países com os quais pode colaborar neste campo, como é o caso do país convidado Marrocos. A Bienal Ibérica do Património Cultural resulta então de um bem-sucedido «casamento» entre instituições públicas e privadas, tendo por promotora a Spira, uma agência de revitalização patrimonial, e desta feita realizada em parceria com a Câmara 139
Municipal de Loulé, com a Junta de Castela e Leão e um conjunto de entidades públicas com responsabilidades na área do Património Cultural, com destaque para os Ministérios da Cultura (DGPC), da Economia (Turismo de Portugal) e dos Negócios Estrangeiros (AICEP), a Comissão Nacional da UNESCO e a Fundação Millennium BCP, contando ainda com o Alto Patrocínio da Presidência da República. E isto porque, de acordo com a organização, “a Bienal tem demonstrado ser uma receita de sucesso na medida em que criou e está a consolidar um acontecimento de referência no mundo do património que extravasa já a Península Ibérica e mesmo a Europa”. O desafio da Spira foi prontamente aceite pela Câmara Municipal de Loulé, ALGARVE INFORMATIVO #219
para evidenciar que no Algarve, e no concelho de Loulé, existe um riquíssimo património cultural, “um fator endógeno que está cá e que é necessário valorizar”, entende o edil Vítor Aleixo. “O património tem sido particularmente acarinhado no sul do país nos últimos anos, diria que há um despertar da consciência dos vários atores regionais para o seu lugar e importância na nossa vida coletiva. O património, devidamente cuidado, tratado e recuperado, pode ser um atrativo de primeira importância para a atividade turística. Para além disso, a identidade de um cidadão constrói-se hoje muito a partir de referência globais e valorizar regionalmente o nosso património é um fator de educação e formação que consideramos primordial”, reforçou o Presidente da Câmara Municipal de Loulé, desejando que o público acorra a Loulé, de 11 a 13 de outubro, para poder visitar as múltiplas propostas que vão rechear o programa da Bienal Ibérica do Património Cultural. Bienal que nasceu, em 2013, como Feira de Património, numa altura em que Portugal era o único país europeu que não possuía qualquer certame que agregasse os profissionais desta área. “Na época acreditávamos que Portugal também tinha expressão suficiente na área das indústrias culturais e recreativas, e em concreto no setor do Património Cultural, para que houvesse um evento desta natureza. Desenhámos isto absolutamente convictos de que é possível que o Património Cultural seja um fator de desenvolvimento mais harmonioso do país”, sublinhou Catarina Valença Gonçalves. “O património cultural é inamovível, implica que as ALGARVE INFORMATIVO #219
pessoas se desloquem, e é um recurso endógeno com uma relevância social e económica bastante interessante que, em Portugal, não estamos treinados para compreender”.
HÁ MAIS ALGARVE QUE O LITORAL E O TURISMO Para Catarina Valença Gonçalves, o Património Cultural só terá, contudo, este potencial de desenvolvimento se existir cooperação entre as várias entidades, algo que, na sua opinião, “em Portugal também ainda não estamos muito treinados para fazer”. “Jamais conseguiríamos montar este evento sem parceiros, promotores, entidades, que olham para uma coisa que não é de todo evidente e que veem mais longe. Encontrámos isso de imediato em Loulé, no espaço de uma semana estava decidido que este evento, que é complicado de organizar, teria lugar nesta cidade”, enalteceu a responsável da Spira, empresa sediada no Alentejo. “Todos os nossos colegas europeus têm o bom-senso de fazer a Bienal sempre no mesmo sítio e nós, de dois em dois anos, começamos do zero ao mudarmos de local. Mas isso prova que é possível trabalhar em Património Cultural em todo o país, e ainda melhor quando estamos fora de Lisboa ou Porto”. Catarina Valença Gonçalves explicou ainda que a Bienal Ibérica acontece, nos anos ímpares, em Portugal, sempre num formato itinerante, e nos anos pares em Espanha, mais concretamente em 140
Valladolid. Mas o certame depressa deixou de ser apenas ibérico, depois de criar, em 2018, juntamente com Espanha, Itália e Áustria, a Rede Europeia de Feiras do Património. “O património cultural e a cultura são instrumentos de tolerância, de estarmos disponíveis para o próximo, para aceitarmos as diferenças dos outros, e ter Marrocos connosco este ano é a celebração desse potencial”, frisou. Este ano, à semelhança das edições anteriores, a Bienal contará com um Espaço Expositivo, com a presença de empresas e entidades nacionais e estrangeiras atuantes no sector; uma bateria de Seminários e Workshops dedicados à temática do Património; Programação Cultural com espetáculo de videomapping, concertos, exposições, entre muitos outros; e várias atividades de Educação Patrimonial para Famílias e Escolas. Desta forma, o certame constitui uma fusão das dimensões profissional, de 141
educação patrimonial e de programação cultural no mesmo evento, aberto a todos e de acesso gratuito e pretende, conforme realçou novamente Vítor Aleixo, evidenciar que o Algarve, e Loulé, não é apenas turismo. “Há mais Algarve que o litoral e a atividade turística que todos nós conhecemos, há um outro Algarve interior que tem muitas coisas interessantes para se visitar. E o Município de Loulé tem vindo a desenvolver, nos últimos anos, uma política muito regular e consistente de reabilitação do seu património construído, mas também de valorização de todo o património imaterial”, salientou o edil louletano. Vítor Aleixo deu os exemplos dos Banhos Islâmicos de Loulé, que vão ser recuperados e musealizados para estarem abertos ao público; mas também as Atas das Vereações mais antigas de Portugal, datadas do Século ALGARVE INFORMATIVO #219
XIV; do Arquivo Municipal de Loulé, um dos mais ricos do país; da Igreja Matriz de Loulé; e dos recentemente recuperados Solar da Música Nova e Palácio Gama Lobo. “E em breve mostraremos o projeto de um sonho extremamente ambicioso, o Quarteirão Cultural, que vai ocupar uma parte significativa do casco histórico da cidade de Loulé, e onde a cultura e a ciência irão ser apresentadas às pessoas de acordo com as técnicas expositivas mais contemporâneas. Todos os territórios são competitivos entre si e temos que procurar a nossa marca identitária, aquilo que nos permite diferenciar uns dos outros. Esta Bienal Ibérica do Património Cultural é a «cereja no topo do bolo» daquilo que temos vindo a realizar nos últimos anos. Não é uma coisa que caiu do céu, é o corolário de uma política municipal e de uma estratégia política que está perfeitamente delineada na cabeça ALGARVE INFORMATIVO #219
daqueles a quem cabe, neste momento, gerir o concelho de Loulé”, enfatizou Vítor Aleixo. A programação da Bienal demonstra, assim, como o património cultural é um recurso endógeno multifacetado, atrativo para todas as idades e passível de ser experimentado praticamente em qualquer suporte e formato. Irá desenrolar-se, nos dias 11 e 12 de outubro, das 11h às 23h e, no dia 13, das 11h às 18h, no espaço público junto ao Monumento Eng.º Duarte Pacheco, no Centro de Experimentação e Criação Artística de Loulé (CECAL), no Palácio Gama Lobo, no Solar da Música Nova, no Cine-Teatro Louletano, no Convento do Espírito Santo e no Mercado Municipal. A programação completa encontra-se disponível em https://www.bienalarpa.pt/ . 142
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«LUGARES DE SOPHIA» CELEBRA O CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
stá patente, até 26 de outubro, no Centro Cultural de Lagos, a exposição «Lugares de Sophia», comissariada por Federico Bertolazzi e José Manuel dos Santos e com ALGARVE INFORMATIVO #219
fotografias de António Jorge Silva, Duarte Belo e Pedro Tropa. O objetivo é proporcionar uma interpretação visual da relação poética de Sophia de Mello Breyner Andresen com os lugares, com especial referência à paisagem marítima, sendo que o convite lançado 144
Maria Joaquina Matos e Hugo Pereira
aos fotógrafos visava pôr lado a lado o ponto de vista de três artistas que têm poéticas diferentes, dando corpo a uma inédita leitura da poetisa. A exposição foi inaugurada no Centro Cultural de Lagos, no dia 14 de setembro, e seguirá, em novembro, para o Convento do Carmo – Quartel da Guarda Nacional Republicana, no Largo do Carmo, em Lisboa, onde ficará patente até ao final de 2019. “Lagos faz parte da vida de Sophia e da sua família e é uma grande honra para nós fazermos parte deste roteiro”, considerou Hugo Pereira, Presidente da Câmara Municipal de Lagos. Por sua vez, Sara Coelho, Vereadora da Cultura, mostrou-se satisfeita pela obra de Sophia de Mello Breyner Andresen continuar viva através do olhar de outros artistas. “Integrarmos as comemorações do centenário do seu nascimento é algo que 145
dignifica o nosso concelho e que permite perpetuar e tornar mais conhecido este lugar maravilhoso onde Sophia passou parte dos seus dias e onde se inspirou. Colocamos os alunos das nossas escolas em contato regular com a obra de Sophia, para que eles saibam o que é a história, a liberdade, a natureza e a beleza do mar que temos”. A Comissão Coordenadora das Comemorações do Centenário do Nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen foi representada por Guilherme d’Oliveira Martins, que de imediato elogiou o trabalho dos fotógrafos António Jorge Silva, Duarte Belo e Pedro Tropa, antes de explicar os motivos das escolhas dos três polos para as festividades. “Sophia nasceu no Porto, viveu em Lisboa e adotou o ALGARVE INFORMATIVO #219
Algarve, nomeadamente Lagos. Foi em Lagos que Sophia descobriu a Grécia e o Algarve não é outra coisa, como disse o Alberto Ribeiro, que ‘o Mediterrâneo banhado pelo Atlântico’. O Município de Loulé também se associou a estas comemorações, uma vez que a sua Biblioteca tem a designação de Sophia de Mello Breyner Andresen”, indicou o antigo governante. Quanto aos fotógrafos, deram a sua interpretação em relação a alguém “que é uma referência absolutamente fundamental na cultura, na literatura e na cidadania portuguesa”, frisou Guilherme d’Oliveira Martins. “Sophia foi deputada do PS na Assembleia Constituinte e foi responsável pelos textos mais importantes sobre o direito à cultura e a importância da criatividade, mas também da educação inclusiva, para todos. E esses textos não têm hoje uma ruga, uma mácula”, destacou, comentando que o discurso dos políticos normalmente é muito falível e perde rapidamente a sua atualidade. “Só génios, só figuras de excecional qualidade, é que podem produzir textos assim, que são fundamentais da nossa língua, em que Sophia nos fala da necessidade que temos de ligação entre a criação, a literatura, a arte e a vida quotidiana”. ALGARVE INFORMATIVO #219
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Presente na inauguração esteve um dos comissários da exposição, Federico Bertolazzi, que lembrou que foi em Lagos que Sophia de Mello Breyner Andresen sofreu uma espécie de epifania. “A paisagem é uma fonte de linguagem para Sophia, que consegue fazer poesia com palavras que ela usa de forma exata, definitiva, que não pode ser modificada. O convite aos fotógrafos foi para que registassem esse processo de procura de exatidão e penso que o resultado foi surpreendente”, observa, agradecendo a disponibilidade e atenção com que António Jorge Silva, Duarte Belo e Pedro Tropa abraçaram o projeto. A sessão de inauguração da exposição concluiu-se com as palavras de Maria ALGARVE INFORMATIVO #219
Joaquina Matos, anterior presidente da Câmara Municipal de Lagos, que confirmou que “foi aqui que Sophia muito se inspirou e escreveu, nos seus poemas está muita da nossa identidade”. “Mas não podemos esquecer a mensagem da Sophia cidadã e política, uma mulher que trabalhou bastante pela construção de um país diferente e melhor. E, no centenário do seu nascimento, devemos ter o compromisso de nunca esquecer esses valores. Todos nós morremos e, 100 depois, ninguém se lembrará de nós. Contudo, há aqueles cuja obra persiste e deve continuar viva, a bem das sociedades e dos países, e Sophia é uma dessas figuras”, enfatizou Maria Joaquina Matos . 148
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RAMOS-HORTA FOI O CONVIDADO DE HONRA NA APRESENTAÇÃO DA BIENAL DO HUMANISMO EM LOULÉ Texto: Daniel Pina | Fotografia: Jorge Gomes
Câmara Municipal de Loulé anunciou, no dia 12 de setembro, no CineTeatro Louletano, a Human XXI, uma bienal do Humanismo com a primeira edição marcada para 2020. A sessão de ALGARVE INFORMATIVO #219
apresentação contou com a presença do Nobel da Paz José Ramos-Horta, que foi entrevistado em palco por Adelino Gomes. A conversa com o Presidente de Timor entre 2007 e 2012 constituiu o momento inaugural de uma iniciativa que visa a reflexão sobre os valores do Humanismo 152
e os desafios que se colocam à Humanidade neste século. Atenta às transformações do mundo, a autarquia louletana assume a sua responsabilidade por preservar e aprofundar o legado de homens como Erasmo de Roterdão, a que no passado se juntou uma notável plêiade de pensadores, literatos e cientistas portugueses, muitos deles forçados a emigrar ou sacrificados pela Inquisição. Em 2020, a Human XXI arranca com o tema «A Nova Inteligência», realizando-se à margem uma grande homenagem a Mariano Gago, cuja ação estará no centro de uma exposição documental biobibliográfica. O tema é de grande atualidade e concita a preocupação de todos, dado que se está precisamente em face de uma iminente mudança do conceito do Humano, pois pela primeira vez o natural e o artificial, criado pelo homem, pode ajudar, mas também pode desfigurar a Humanidade, tal como a 153
conhecemos. A Bienal pretende pensar as implicações da inteligência artificial em áreas como a criatividade, a economia, a ciência, a comunicação ou o ambiente e refletir sobre os efeitos diretos e inevitáveis que terá no país e no mundo. Estes são os desígnios a que se propõe a primeira edição de um programa de bienais centrada no Humanismo, um dos valores de que a Europa é portadora e cuja programação se estenderá pela década de 2020-2030. As Migrações, a Criatividade Premonitória e o Ambiente são, para já, os temas agendados para as bienais e que vão contar com significativa participação internacional, designadamente dos países do Mediterrâneo Ocidental. Também relevantes serão as parcerias em desenvolvimento com a Universidade do Algarve e universidades da Andaluzia e Marrocos. “Para além dos encontros ALGARVE INFORMATIVO #219
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e jornadas com cientistas, escritores, artistas, pedagogos e pensadores que se vão realizar, ao longo do próximo ano, a Human XXI vai procurar o diálogo a propósito dos temas no quadro das bienais, com os vizinhos mediterrânicos de Portugal, designadamente Marrocos, França, Espanha e Argélia. É desejável, e esse é o objetivo, que a Bienal não seja apenas um festival de cultura que se realize em circuito fechado, mas que atinja o maior número de cidadãos, criando-lhe o desejo do conhecimento e promovendo a consciência cívica e a robustez ontológica”, entende a organização. Pela sua singularidade, no meio, esta Bienal não se destina a competir com outras realizações culturais, dentro do município ou nos municípios circundantes. Apenas pretende oferecer às populações, de acordo com a organização, instrumentos de conhecimento e síntese 155
de que o ambiente cultural moderno, muito dispersivo e não contextualizado, carece. No encerramento de cada Bienal será entregue um Prémio no valor a determinar, atribuído a uma personalidade portuguesa ou estrangeira, que se tenha distinguido, de forma marcante, na área do Humanismo. “A realização desta Bienal do Humanismo, que será dirigida por Carlos Albino, insere-se no trabalho que tem vindo a ser realizado pelo município na área da cultura, educação, emergência climática, saúde, inovação social e criação de conhecimento, o qual pretende contribuir para que Loulé e os louletanos possam enfrentar com maior capacidade e alicerçados nos valores do Humanismo os desafios constantes do mundo contemporâneo”, considera Vítor Aleixo, presidente da autarquia louletana . ALGARVE INFORMATIVO #219
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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos. ALGARVE INFORMATIVO #219
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Published on Sep 20, 2019
Revista semanal sobre o Algarve e os Algarvios