Skip to main content

ALGARVE INFORMATIVO #195

Page 1

#195

ALGARVE INFORMATIVO Revista semanal - 30 de março, 2019

O REGRESSO DOS MUNDOPARDO «À ESPERA DE GODOT» | VILAMOURA ATLANTIC TOUR | LUÍS REPRESAS | «SOM RISCADO» 1 ALGARVE INFORMATIVO #195 «INSUFLÁVEL» | «A SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA - MADE IN CHINA» | «QUERO IR PRA ILHA»


ALGARVE INFORMATIVO #195

2


3

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

4


5

ALGARVE INFORMATIVO #195


CONTEÚDOS #195 30 DE MARÇO, 2019 30

ARTIGOS 12 - Prémio Maria Barroso 22 - Culatra 2030 30 - Vilamoura Atlantic Tour 40 - «Sagração da Primavera Made in China» 54 - Mundopardo 64 - Luís Represas 72- «À Espera de Godot» 80 - «Insuflável» 90 - Som Riscado 100 - «Quero ir pra Ilha» 126 - Atualidade

OPINIÃO

40

80

108 - Paulo Cunha 110 - Adília César 112 - Ana Isabel Soares 114 - Carla Serol 116 - Fábio Jesuíno 118 - Fernando Cabrita 122 - Fernando Esteves Pinto ALGARVE INFORMATIVO #195

6


7

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

8


9

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

10


11

ALGARVE INFORMATIVO #195


MARIA DO CÉU CUNHA RÊGO FOI A VENCEDORA DA PRIMEIRA EDIÇÃO DO PRÉMIO MARIA BARROSO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

aria do Céu Cunha Rêgo foi a distinguida na primeira edição do Prémio Maria Barroso, instituído pelo Município de Lagoa com um valor monetário de 30 mil euros, pelo relevante ALGARVE INFORMATIVO #195

contributo no desempenho da sua atividade profissional e cívica no domínio da igualdade de género, bem como pela forte influência na introdução na agenda nacional e europeia das matérias associadas à conciliação trabalho/família e vida privada. A cerimónia de entrega do prémio teve lugar, no dia 27 de março, no Convento 12


João Soares, filho de Maria Barroso

de S. José, contando com a presença da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, e de João Soares, em representação da família de Maria Barroso. E João Soares logo reiterou “a sua profunda gratidão a Francisco Martins e à Câmara Municipal de Lagoa”, pela constituição deste prémio. “A minha mãe foi uma portuguesa rara na sua época, companheira de um homem com um peso, uma imagem e uma vida muito significativas, mas o seu nome afirmouse por si próprio e a partir das suas qualidades”, recordou o antigo governante. A criação do Prémio Maria Barroso vem atestar o envolvimento do Município de Lagoa na temática da Igualdade e Cidadania, com o edil Francisco Martins a mostrar-se preocupado com os sinais de alerta que continuam a ser visíveis todos 13

os dias e que “ilustram que muitas vezes andamos bastante para a frente, mas, por vezes, também andamos para trás”. E o nome para o prémio só podia ser um, garantiu o presidente da Câmara Municipal de Lagoa. “Alguém que tivesse uma ligação aos algarvios, mas, sobretudo, a esta e a muitas outras causas. Maria Barroso não se limitou a estar ao lado de um grande homem, afirmou-se também como uma grande mulher, ensinou-nos imenso e é um exemplo para todos nós. O processo de decisão foi rico em conversas bastante interessantes no seio do júri e isso também nos ajuda a construir”, destacou Francisco Martins. O autarca voltou a lembrar que não vale a pena criar-se prémios, aderir-se a programas ou projetos ou conquistar-se galardões, placas ou bandeiras para ALGARVE INFORMATIVO #195


Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa

enfeitar os edifícios públicos, quando isso depois não tem efeitos concretos no dia-adia. “Formar a nossa sociedade é o melhor investimento que podemos deixar. 2018 foi dedicado à Educação, 2019 segue sob o mote da Inclusão, porque queremos que todos tenham o lugar que ambicionam. Em Lagoa vigora a meritocracia e, por coincidência, respeitamos a paridade, o que significa que as mulheres e os homens ocupam os seus lugares, não por imposição legal, mas porque realmente o merecem”, frisou Francisco Martins. A Lagoa veio de propósito, e com gosto, Rosa Monteiro, para participar nesta homenagem a Maria do Céu Cunha Rêgo, mas também a Maria Barroso, duas mulheres que muito contribuíram para a igualdade entre géneros em Portugal. Igualdade que é uma prioridade assumida ALGARVE INFORMATIVO #195

pelo executivo camarário de Lagoa, reconheceu a Secretária de Estado na sua intervenção. “Estas matérias devem ser transversais a todas as áreas, desde o urbanismo à mobilidade, da saúde à educação, e não estarem acantonadas na Ação Social, porque a vida acontece e é impactada pelas políticas de todos os setores. E Lagoa tem um trabalho reconhecido neste domínio, já recebeu duas vezes o Prémio Viver em Igualdade, integra a Rede de Municípios Solidários e o Programa 3 em Linha”, recordou a governante. Para Rosa Monteiro, o Prémio é uma justíssima homenagem a Maria Barroso pelo seu “extraordinário percurso”, e uma distinção mais que merecida a Cunha Rêgo, “que acompanhou a construção da nossa democracia em 14


Rosa Monteiro, Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade

termos de políticas de igualdade, sempre preocupada com as dinâmicas da vida profissional e familiar, e com uma preocupação muito específica e concreta com os direitos dos pais e mães, com a desigual distribuição do trabalho doméstico entre homens e mulheres e com o reforço e reconhecimento do papel que os pais devem, e têm de ter, na igualdade de géneros”. “A Maria do Céu tem uma enorme sensibilidade para estudar e debater, de modo franco e muito inteligente e instigante, a relação entre os estereótipos de género e as práticas discriminatórias que tantas vezes se ocultam em falsos neutros, em aspetos e dimensões de fenómenos que nos habituamos a considerar como normais, porque não questionamos nem desconstruímos”, salientou a Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade. 15

E porque o Governo não consegue fazer tudo sozinho, nem o pretende fazer, aposta em levar aos municípios um conjunto de ferramentas e instrumentos de trabalho, apontou Rosa Monteiro, para combater os perigos de retrocessos nos campos da igualdade e cidadania. “Há muita desinformação e desconhecimento e o papel das autarquias é decisivo para entendermos quais são as diferentes necessidades de mulheres e homens e quais os diferentes impactos das políticas aplicadas. Em 2018 melhoramos os modelos de protocolos que temos com as autarquias e estamos a reforçar a constituição de redes locais e territoriais na prevenção e combate à violência de género e violência doméstica. Queremos estar mais próximos das necessidades reais, ALGARVE INFORMATIVO #195


João Soares, Francisco Martins, Maria do Céu Cunha Rêgo, Rosa Monteiro e Manuel Cabral, administrador do Vila Vita Park

num trabalho que continuará a ser inspirado pelo legado de Maria Barroso e de Maria do Céu Cunha Rêgo”, afirmou. Foi visivelmente emocionada que a vencedora do Prémio usou da palavra no pátio central do Convento de São José, e de imediato considerou que Maria Barroso é “um exemplo de coragem, persistência e de força tranquila que nos orgulha e nos desafia”, enfatizando também o facto de ter sido distinguida “por um município multiplamente galardoado por práticas de Cidadania e reconhecido pela excelência para se viver em Igualdade”. “É uma responsabilidade acrescida para mim enquanto cidadã que entende ser possível erradicar os preconceitos que ainda impedem mulheres e homens de viver em paz e liberdade iguais em todas as áreas da vida. É certo que a organização da vida ainda assenta na velha lógica da atribuição de papéis ALGARVE INFORMATIVO #195

sociais desiguais a homens e mulheres, penalizando uns e outras se com eles não se conformarem. É certo que a mulher e o homem ainda não têm consciência de como a sua identidade é manipulada e condicionada. A repressão perfeita é aquela que não é sentida por quem a sofre, a que é assumida ao longo de uma sábia educação, por tal forma que os mecanismos de reprensão passam a estar no próprio indivíduo e este daí retira as suas próprias satisfações”, alertou a alentejana de nascença que foi Secretária de Estado para a Igualdade no Governo de António Guterres, presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, vice-presidente da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres e membro do conselho de administração do Instituto Europeu para a Igualdade de Género. 16


Maria do Céu Cunha Rêgo falou da importância de se desconstruírem os preconceitos que ainda persistem na sociedade portuguesa, e da desigualdade salarial e nos períodos de licença para mães e para pais aquando do nascimento de crianças, apelando à adoção de “ações positivas suficientemente robustas para a igual participação das mulheres nas atividades políticas e económicas”. “E porque dos tais papéis estereotipados resulta também, de modo claramente desproporcionado, a violência dos homens sobre as mulheres, continuo a considerar indispensável a

obrigatoriedade de utilização, em quaisquer atos do Estado e das suas instituições, de linguagem de recuse o falso neutro, como a que pressupõe que Homem significa Humanidade, ou que as formas gramaticais masculinas incluem as femininas”, defendeu, acrescentando ainda a importância de se criarem condições de natureza educativa e de formação que “libertem os rapazes e os homens desse peso imenso que é a necessidade social de evidenciarem a apropriação e dominação das mulheres para validarem a sua masculinidade e certificarem a sua descendência” .

Francisco Martins, Adriana Freire Nogueira, Diretora Regional da Cultura do Algarve, e Maria do Céu Cunha Rêgo 17

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

18


19

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

20


21

ALGARVE INFORMATIVO #195


CULATRA QUER SER MAIS SUSTENTÁVEL EM TERMOS ENERGÉTICOS COM A AJUDA DA UNIVERSIDADE DO ALGARVE Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

oi assinado, na sede da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, no dia 26 de março, o memorando de entendimento entre a Universidade do ALGARVE INFORMATIVO #195

Algarve e o Clean Energy for EU Islands Secretariat referente ao projeto «Culatra 2030 – Comunidade Energética Sustentável», coordenado pela academia algarvia em parceria com a Associação de Moradores da Ilha da Culatra. Situada no concelho de Faro, a Culatra foi uma das seis selecionadas 22


Alexandra Teodósio, vice-reitora da Universidade do Algarve

por este organismo europeu para se criar uma comunidade piloto em energias limpas e a implementação de uma Agenda de Transição Energética nesta ilha da Ria Formosa posicionará a região algarvia como centro de excelência em investigação e formação em energias renováveis. Pretende-se ainda criar pontes efetivas entre a comunidade local, a investigação no setor renovável e as empresas, promovendo-se a sustentabilidade ambiental e a adaptação da ilha às alterações climáticas. No decurso desse processo dinâmico serão debatidas soluções técnicas com grupos de peritos, incluindo investigadores, associações empresariais e técnicos do setor empresarial. Deste debate com os moradores resultará o dimensionamento de uma planta de geração e armazenamento de energia 23

produzida a partir de fontes de energias renováveis, com a utilização de excedentes para a potencial dessalinização de água e tratamento de resíduos. “É um projeto que pode ter implicações de boas práticas para tantos outros locais do mundo onde este tipo de circunstâncias possa ser replicado”, entende Francisco Serra, presidente da CCDR Algarve, ao passo que Alexandra Teodósio, vice-reitora da Universidade do Algarve, frisou que a sustentabilidade é uma das principais preocupações da academia algarvia. “Este projeto não lida apenas com a energia limpa, mas com os modos de vida e atividades económicas da comunidade da Culatra e os seus resultados podem ser bastante relevantes para outros países com os quais a UAlg colabora ativamente”. ALGARVE INFORMATIVO #195


Alexandra Teodósio, Francisco Serra, presidente da CCDR Algarve, e Carlos Baía

A assinatura do documento significa, para Sílvia Padinha, presidente da AMIC – Associação de Moradores da Ilha da Culatra, que agora todos são responsáveis por este compromisso de transição energética e agradeceu aos investigadores da Universidade do Algarve por terem escolhido a Culatra para a implementação deste projeto. “É uma responsabilidade grande, mas a associação e a população estão disponíveis para obter todo o conhecimento necessário para a mudança. Sabemos que vai ser um caminho longo, mas queremos e precisamos de percorrê-lo, porque esta comunidade vive dos seus recursos naturais, da pesca e da apanha do marisco”, afirmou a dirigente. “As ideias foram surgindo, fomos criando parcerias, temos andado de braço dado com todas as entidades e empresas envolvidas”, acrescentou. ALGARVE INFORMATIVO #195

Sílvia Padinha lembrou que a Ilha da Culatra é o ponto mais a sul de Portugal Continental e falou dos muitos desafios e dificuldades que as suas gentes têm conseguido ultrapassar no decorrer dos anos. “Temos que tratar a natureza, o meio-ambiente, o planeta, com respeito, e estamos aqui para aprender a fazer isso de forma mais eficiente, para que, daqui a uns anos, a Culatra possa ser vista como um exemplo a seguir”, declarou a presidente da AMIC. “A Culatra foi ocupada há quase 200 anos por pescadores, mariscadores e viveiristas, devido ao potencial da Ria Formosa e do Mar, mas também por questões da sua própria sobrevivência. Hoje vivem na ilha quase 400 famílias, quase todas ligadas à pesca, com 80 pequenas embarcações de pesca artesanal local, quatro ou cinco de pesca oceânica, as mulheres dedicam-se à apanha de 24


Sílvia Padinha, presidente da AMIC – Associação de Moradores da Ilha da Culatra

bivalves na Ria Formosa, os homens à pesca”, descreveu. Uma Ilha da Culatra onde a energia elétrica apenas chegou em 1996 e que só desde 2010 é que tem água potável a sair das torneiras das casas, salientou Sílvia Padinha. “Hoje temos uma conduta subaquática que atravessa a Ria Formosa, mas é um projeto provisório, a rede elétrica às vezes tem falhas, existiu um projeto de dessalinização que não foi para a frente, talvez devido aos custos envolvidos. Entretanto, fomos finalmente reconhecidos, em outubro de 2018, pelo governo como uma comunidade piscatória a preservar”, prosseguiu a porta-voz dos culatrenses.

se torne mais sustentável do ponto de vista energético, reconheceu Sílvia Padinha, pelo que apelou ao apoio do poder central nesta caminhada. “Há coisas que conseguiremos levar por diante com os nossos meios, para outras serão necessárias ajudas financeiras e, se é para se dar um bom exemplo, temos todos que contribuir para levar este barco a bom-porto”, apontou, frisando que nada se alcança sem medidas concretas no terreno. “Os jovens estão a obrigar-nos a mudar os nossos comportamentos para que recebam, de herança, um melhor planeta, mais saudável, mais seguro, mais habitável”, garantiu.

Os parcos recursos financeiros da população da Culatra são outro entrave à mudança que é necessária para que a ilha

E um parceiro fundamental nesta caminhada será, certamente, a Câmara Municipal de Faro, com a Ilha da Culatra

25

ALGARVE INFORMATIVO #195


Jânio Monteiro, da equipa de investigadores da Universidade do Algarve

a servir, nas palavras do Vereador Carlos Baía, como “um laboratório vivo para a implementação de um conjunto de medidas, umas já experimentadas, outra de experimentação, tendo em vista a sua disseminação por outras ilhas e restante território europeu e mundial”. O autarca afirmou que os decisores políticos têm a obrigação de colocar a temática da sustentabilidade e alterações climáticas na agenda e concordou com Sílvia Padinha no que toca à exigência de medidas concretas e imediatas por parte das gerações mais jovens. “Todos os dias somos confrontados com as mais variadas notícias sobre esta temática e não podemos pensar que estes problemas não afetam Faro e o Algarve, pelo que temos que adotar medidas preventivas e mitigadoras. O Algarve apresenta vulnerabilidades climáticas, devidamente identificadas, como sejam riscos associados aos recursos hídricos, temperaturas elevadas, subida do nível médio do mar, cheias e inundações e os ALGARVE INFORMATIVO #195

seus efeitos combinados. E uma subida do nível médio da água do mar afetará, seguramente, a Ria Formosa, suas ilhas e ecossistemas”. A resposta da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve a este cenário foi a elaboração de um Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas para minimizar os impactos em setores como o turismo, saúde, agricultura, biodiversidade, recursos hídricos e outros, pelo que Carlos Baía acredita que o projeto «Culatra 2030» surge no momento certo. “A escolha da Ilha da Culatra parece-nos bastante adequada, pelas suas características geográficas, pela sua identidade enquanto território, pela coesão da sua população. Aliás, esta comunidade sempre teve uma grande força reivindicativa e inovadora na resolução dos problemas que resultam do seu relativo isolamento enquanto ilha, apesar de não se 26


Carlos Baía, Vereador da Câmara Municipal de Faro

encontrar muito distante do continente”, enalteceu o Vereador da Câmara Municipal de Faro. Carlos Baía deixou também alguns elogios à Universidade do Algarve, que foi a entidade impulsionadora desta candidatura ao projeto do Secretariado Europeu de Ilhas com Energia Limpa, mas também por ser um centro de competências de excelência da região algarvia. “A participação da nossa universidade no processo é uma garantia do seu sucesso e rigor científico. Sabemos que o êxito deste projeto passa pelo envolvimento de todos os stakeholders, cidadãos, empreendedores, universidade, autarquia, e podem contar com a Câmara Municipal de Faro”, assumiu. 27

Depois de assinado o memorando de entendimento, Francisco Serra voltou a enfatizar a importância do «Culatra 2030», mas avisou que a aprendizagem não se faz apenas com investigação, mas também com a participação das comunidades. “Não sabemos exatamente qual vai ser o resultado final, pois não estamos perante um processo de criação industrial, mas certamente que se concretizará num conjunto de conhecimentos, normas, recomendações, para permitir que outros possam fazer algo semelhante. Quando há vontade, as coisas acontecem, mesmo que não na dimensão, profundida ou alcance que por vezes desejamos. E parece-me que estão aqui reunidos vários fatores favoráveis para o sucesso”, concluiu . ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

28


29

ALGARVE INFORMATIVO #195


MORGAN BORGAT VENCEU GRAND PRIX FRANCISCO MOURA, EM VILAMOURA Texto: Daniel Pina | Fotografia: Irina Kuptsova ALGARVE INFORMATIVO #195

30


31

ALGARVE INFORMATIVO #195


Vilamoura Equestrian Center acolheu, de 12 de fevereiro a 24 de março, o Vilamoura Atlantic Tour 2019, em seis fins-de-semana recheados de provas de categoria mundial que atraíram os melhores cavaleiros do planeta, não estivessem em disputa quase 950 mil euros em prémios monetários. A finalizar esta primeira ronda dedicada aos saltos de obstáculos em Vilamoura teve lugar, na tarde de 24 de março, o Grand Prix Francisco Moura, com a vitória a caber ao ALGARVE INFORMATIVO #195

francês Morgan Borgat, sendo o resto do pódio preenchido pela suíça Faye Schoch e pelo alemão Marc Bettinger. O melhor português em prova foi Filipe Malta da Costa, em quarto lugar. A edição de 2019 do Vilamoura Atlantic Tour receber mil e 200 cavalos e atletas de 30 países, entre os quais se contavam os prestigiados Timothee Anciome (França), Félicie Bertrand (França), Olivier Guillon (França), Julien Gonin (França), Laura Renwick (GrãBretanha), Cloe Aston (Grã-Bretanha), Emma Stoker (Grã-Bretanha), Harry Marshall (Irlanda), Dermott Lennon 32


(Irlanda), Bernardo Alves (Brasil) e Taizo Sugitani (Japão), para além dos membros da equipa nacional, incluindo Duarte Romão e Luís Ferreira. Ao longo de seis semanas foram disputadas 20 provas pontuáveis para o ranking da Federação Equestre Internacional, com três dos seis Grandes Prémios a serem qualificativos para os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 e para o Campeonato da Europa em Roterdão em 2019.

cavalos; cinco pistas Otto Sport; pista de relva ampliada 85 x 95m; e dois restaurantes, um deles com vista para todas as pistas de competição e outro para a zona das boxes. O impacto económico do evento, organizado na época baixa do turismo algarvio, está estimado em 21 milhões de euros, mercê dos mais de 100 mil visitantes que esgotam as dormidas nos alojamentos algarvios neste período.

Com Vilamoura a assumir-se como um dos principais palcos mundiais desta modalidade, o Vilamoura Atlantic Tour 2019 contou com um parque de obstáculos renovado; 436 boxes fixas, num total de mais de mil boxes; padoques para soltar os

As emoções fortes dos saltos de obstáculos regressam em julho, por ocasião do Vilamoura by Summer, a que se seguem mais algumas intensas semanas com o Vilamoura Champions Tour .

33

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

34


35

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

36


37

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

38


39

ALGARVE INFORMATIVO #195


TEATRO DAS FIGURAS FOI PALCO DA FANTÁSTICA «A SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA – MADE IN CHINA» DO QUORUM BALLET AO SOM DA ORQUESTRA CLÁSSICA DO SUL Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

ALGARVE INFORMATIVO #195

40


41

ALGARVE INFORMATIVO #195


Teatro das Figuras, em Faro, vibrou, nos dias 22 e 23 de março, com mais uma extraordinária peça de dança contemporânea da chancela do Quorum Ballet, «A Sagração da Primavera – Made in China», numa incrível parceria com a Orquestra Clássica do Sul. Esta nova versão inspirada no bailado clássico criado para a companhia parisiense Ballets Russes tem coreografia e conceito de Daniel Cardoso, diretor artístico da famosa companhia de dança da Amadora, contando ainda com a coreógrafa ALGARVE INFORMATIVO #195

convidada chinesa Xie Xin, a dramaturgia de Pedro Alves e a composição musical de Jorge Silva. «A Sagração da Primavera - Made in China» é um trabalho coreográfico produzido, idealizado e concretizado em total colaboração entre Portugal e China, no âmbito de uma residência artística que o Quorum Ballet efetuou naquele país. A produção estreou no dia 24 de janeiro de 2018, no Shanghai Oriental Arts Center, estendendo-se depois para Wuhan, Changsha e Zhuzhou, num total de seis espetáculos com sete mil e 500 espetadores. “Esta peça revela a encruzilhada das nossas 42


histórias e dos artistas chineses com quem nos encontrámos e trabalhámos. É uma viagem inspirada na cultura chinesa através de um olhar ocidental e a principal inspiração para esta criação vem do Exército de Terracotta de Qin Shi Huang”, explica Daniel Cardoso. As duas sessões que tiveram lugar no Teatro das Figuras foram ainda mais entusiasmantes porque a icónica obra de Igor Stravinsky foi interpretada ao vivo pela Orquestra Clássica do Sul, com direção do maestro titular Rui Pinheiro. Mais um produto com o selo de qualidade do Quorum Ballet, sem qualquer dúvida uma das melhores companhias de dança contemporânea de Portugal, com um trajeto de sucesso alémfronteiras e que engrandeceu ainda mais a riquíssima programação cultural do Teatro das Figuras .

43

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

44


45

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

46


47

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

48


49

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

50


51

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

52


53

ALGARVE INFORMATIVO #195


MUNDOPARDO REGRESSAM COM «A ARTE DE ESQUECER» Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniela Salvador

ALGARVE INFORMATIVO #195

54


55

ALGARVE INFORMATIVO #195


inco anos após a estreia com «A Pequena Metrópole», os farenses Mundopardo estão de regresso com «A Arte de Esquecer», um disco com histórias cantadas em sonoridades rock, criando canções de amores e desamores, inconformismo e crítica, sempre em português. Gravado entre 2015 e 2018, o álbum inspira-se, segundo os próprios, no círculo da vida e na forma como todos os problemas da sociedade acabam por ser redundantes, resultando a solução dos primeiros na origem dos seguintes. E, pelo meio, o quinteto constituído por Fábio Silva (Percussão, Teclas, Voz), João Cardoso (Guitarra), Luís Henrique (Baixo), Paulo Franco (Bateria) e Ricardo Silva (Voz, Guitarra, Cavaquinho) luta contra o conformismo e procura as respostas para a mudança. «A Arte de Esquecer» foi produzido por Elísio Donas, destacou logo Ricardo Silva, uma parceria com o experiente músico que começou na fase da pré-produção. Depois, foi-se construindo o disco dentro da disponibilidade de tempo dos cinco elementos, porque todos estão ligados a outros projetos musicais ou têm outras profissões durante o dia. “No primeiro trabalho ainda éramos muito amadores, tínhamos dado poucos concertos e nem existíamos há um ano quando fomos gravar para estúdio. Mesmo assim, ficamos contentes com o resultado. Claro que, com um produtor a acompanhar-nos desde o início, tudo foi mais pensado e evoluímos bastante ALGARVE INFORMATIVO #195

nestes anos”, admite o vocalista e guitarrista. Amadurecimento que é natural na vida de qualquer músico, ou em qualquer atividade profissional, vai-se ganhando calo com a experiência, crescendo enquanto executantes, e isso nota-se em «A Arte de Esquecer», se bem que a sonoridade dos Mundopardo seja facilmente identificável. “Acabam por existir pontos comuns entre os dois 56


álbuns, na forma como cantamos as letras, nas abordagens melódicas. A grande diferença verifica-se, efetivamente, nos arranjos e também nos instrumentos que usamos, porque o primeiro disco era muito acústico”, compara Ricardo Silva, referindo que a guitarra elétrica e o baixo elétrico são bem mais preponderantes em «A Arte de Esquecer» do que em «A Pequena Metrópole», para além do facto de Fábio agora também tocar teclados. “Como as 57

canções são mais trabalhadas, é possível que as pessoas possam achar que houve uma mudança de estilo, mas simplesmente assumimos uma faceta mais rock”. Canções todas em português, escritas por Ricardo Silva e que falam de possíveis cenários e preocupações, com uma característica mais política, de intervenção, admite o letrista. “O álbum demorou três anos a ser feito, mas, ALGARVE INFORMATIVO #195


como estamos num país onde as coisas acontecem muito devagar, as temáticas continuam bastante atuais. Fala de uma ameaça populista que, felizmente, ainda não atingiu Portugal, mas também da constante procura de novas salvações políticas. As pessoas esquecem-se facilmente das decisões que tomam, continuam a enveredar por caminhos de risco na hora de escolher os seus líderes, que depois não são a opção mais ALGARVE INFORMATIVO #195

acertada, e depois voltam a pedir ajuda. É um ciclo que se vai repetindo”, lamenta o entrevistado. “Em Portugal vive-se muito na incerteza do que será o futuro, tanto em termos pessoais como a nível de nação. Os indicadores parecem ser favoráveis, mas a verdade é que muitos problemas vão sendo camuflados”, avisa o vocalista. 58


tentarmos fazer a diferença”, justifica Ricardo Silva. Todavia, não é fácil marcar a diferença no atual panorama musical português, um mercado reduzido onde todos os dias aparecem, e desaparecem, novos projetos. E estando no Algarve, as dificuldades parecem ser ainda maiores. “Temos bandas de todos os pontos do país a surgirem com relativo sucesso, menos do Algarve, se bem que a grande referência do pop português da atualidade até seja de Faro (Diogo Piçarra). Não sei se existe alguma descrença em relação ao que é criado pelos músicos algarvios, se calhar também podia haver uma maior entreajuda entre todos nós, não compreendo. O grande desafio é tentar chegar a alguém que tenha alguma relevância no contexto nacional e que nos ajude a abrir as portas”, observa o cantor.

Nem todas as canções de «A Arte de Esquecer» possuem esta tónica mais «pesada», que motiva ao pensamento, à análise do que nos rodeia e de quem nos governa, mas a ideia geral da banda é, efetivamente, alertar para o que vai acontecendo neste belo país à beira-mar plantado. “As pessoas têm acesso à nossa música e é através dela que podemos transmitir mensagens para 59

Ser músico a tempo inteiro também não é pera-doce no Algarve e aqueles que o conseguem ser participam em vários projetos, mas Luís Henrique acredita que tudo se consegue conciliar desde que haja um bom planeamento. “Uma vantagem das bandas de originais é que os concertos costumam ser agendados com alguma antecedência, o problema é quando fazemos parte de mais do que uma. Se aparecem convites para tocar em festivais diferentes no mesmo dia, e em pontos distintos do país, é preciso perceber o que é mais importante naquele momento e fazer uma escolha”, declara o baixista. Mais complicado parece ser, então, quando os músicos têm outras profissões, e pior ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

60


ainda se for por turnos, sem horários fixos, manifesta Fábio Silva. “Mas, quando se investe num projeto de originais, e se quer ganhar um espaço no panorama nacional, já se conhecem as dificuldades que se terá pela frente. Vamos lutar pelo nosso sonho”, garante o baterista, teclista e backing vocals. A vida poderá ser menos problemática para os músicos que se dedicam às covers e a atuar para os turistas estrangeiros que visitam o Algarve, mas essa nunca foi a opção dos elementos dos Mundopardo. Até porque, acredita Ricardo Silva, quando se ganha rotina com as versões nem sempre é fácil vingar nos originais. E a opção por cantar em português também foi natural e consensual, mesmo vivendose na era digital e do mercado global. “As pessoas, hoje, têm um acesso mais rápido à música que se faz, do mesmo modo que as novas tecnologias, plataformas digitais e redes sociais tornam mais fácil o contato com as rádios, agentes e promotores. Falta é, todavia, tempo para os músicos tratarem dessa promoção digital”, analisa o vocalista. “E atualmente canta-se mais em português do que há uns anos, a língua deixou de ser uma barreira. Há festivais por essa Europa fora em que os cabeças-de-cartaz são, por exemplo, brasileiros ou espanhóis, já não é preciso cantar-se em inglês”. Três anos em estúdio, um produtor a acompanhar a banda em todo o processo, maior maturidade, tudo se reflete em «A Arte de Esquecer», um disco que, como seria previsível, enche as medidas dos Mundopardo e as expetativas são muitas para o concerto de lançamento, no dia 6 61

de abril, no Club Farense. “Estamos bastante satisfeitos com o produto final, sejam as canções como até a parte gráfica, e vamos trabalhar muito para atingirmos os nossos objetivos”, assegura Ricardo Silva. “Temos músicas que nos agradam imenso e acreditamos que os outros também vão gostar delas. Não fizemos nada «fora da caixa», demasiado alternativo, numa linguagem que só nós é que percebemos”, frisa, com Luís Henrique a apontar ainda que um músico tem que ser fiel aos seus gostos. “A qualidade e a apresentação estética não são questões propriamente quantitativas. Para nós seria um grande infortúnio sermos conhecidos por algo que nos envergonhasse. O principal é criarmos algo com que nos identificamos e sentimos confortáveis. Se isso depois corresponde ao que o mercado quer, é um assunto completamente diferente, mas ninguém sabe quais vão ser as tendências daqui a três ou seis meses. Em Portugal ainda somos muito influenciados por aquilo que acontece no estrangeiro, só que aquilo que tem vingado, nos últimos anos, são precisamente as exceções, aqueles que não são apenas «mais uns»”, salienta o baixista. «A Arte de Esquecer» está disponível nas plataformas digitais desde o dia 29 de março e chega às lojas físicas depois de 6 de abril. O concerto de lançamento, já sabe, acontece a 6 de abril, no Club Farense, e depois é estar atento para saber novas datas dos Mundopardo .

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

62


63

ALGARVE INFORMATIVO #195


AUDITÓRIO MUNICIPAL DE ALBUFEIRA ENCHEU PARA OUVIR O NOVO DISCO DE LUÍS REPRESAS Texto: Daniel Pina | Fotografia: Irina Kuptsova

ALGARVE INFORMATIVO #195

64


65

ALGARVE INFORMATIVO #195


uís Represas subiu ao palco do Auditório Municipal de Albufeira, no dia 22 de março, para dar a conhecer o seu mais recente trabalho discográfico, num momento em que assinala os 43 anos de carreira. O músico é considerado uma das vozes mais emblemáticas e reconhecidas do panorama musical português e apresentou em Albufeira um espetáculo especial onde, para além de se recordar grandes sucessos a solo e com os Trovante, deram nas vistas as canções de «Boa Hora». ALGARVE INFORMATIVO #195

O álbum, editado em maio de 2018 e distinguido com o prémio Pedro Osório, pela Sociedade Portuguesa de Autores, conta com várias participações especiais como Ivan Lins, Carlos do Carmo, Jorge Palma, Paulo Gonzo, Stewart Sukuma e um surpreendente tema com a colaboração de Mia Rose. Numa noite que foi, de facto, memorável, o público rendeu-se a temas incontornáveis que fazem parte da nossa memória coletiva, como «Feiticeira», «Perdidamente», «Da Próxima Vez», «Timor» ou «125 Azul», entre muitos outros sucessos . 66


67

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

68


69

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

70


71

ALGARVE INFORMATIVO #195


REDE EUNICE TROUXE «À ESPERA DE GODOT» AO TEATRO MUNICIPAL DE PORTIMÃO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Filipe da Palma/CMP

ALGARVE INFORMATIVO #195

72


73

ALGARVE INFORMATIVO #195


Rede Eunice do Teatro Nacional D. Maria II trouxe ao TEMPO - Teatro Municipal de Portimão, no dia 16 de março, aquele que é considerado como um dos principais textos do teatro do absurdo e a principal obra de Samuel Beckett, «À Espera de Godot», com encenação de David Pereira Bastos e Bruno Simão, David Pereira Bastos, Miguel Moreira e Rui M. Silva no elenco. “Encontrar a melhor maneira, a mais livre, curiosa e perplexa de passar o tempo. Nada é real. Tudo é pretexto para passar o tempo, por nenhum sentido que faça. Estar vivo. Estar no palco. Esta é uma montagem de «À espera de Godot» assente no trabalho do ator e na escuta permanente do texto e da partitura proposta por Beckett”, descreve o encenador, preocupado em responder à questão de como manter o texto vivo para atores e público? “Como ser-se livre enquanto criadores e artistas com um texto com tantas restrições impostas pelo autor?”, questiona David Pereira Bastos. A resposta foi a cena nesta coprodução do Teatro Nacional D. Maria II que chegou a Portimão graças à Rede Eunice, um projeto criado em homenagem à atriz Eunice Muñoz que visa alcançar locais onde a oferta teatral é ocasional ou irregular. O objetivo é montar-se um sistema de circulação entre o Teatro Nacional e um conjunto de teatros municipais para se investir na presença constante e próxima do teatro na vida dos cidadãos . ALGARVE INFORMATIVO #195

74


75

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

76


77

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

78


79

ALGARVE INFORMATIVO #195


INSUFLÁVEL É A NOVA AVENTURA DE JOÃO DE BRITO, UMA METÁFORA SOBRE O CRESCIMENTO Texto: Daniel Pina | Fotografia Daniel Pina

ALGARVE INFORMATIVO #195

80


81

ALGARVE INFORMATIVO #195


nsuflável»é uma criação de raiz de João de Brito, com dramaturgia de Joana Bértholo e coprodução do Teatro Nacional D. Maria II e do Teatro Virgínia, que se baseia num questionamento intemporal das várias fases do crescimento, dos 6 aos 12 anos, em que já existe um confronto com a palavra escrita e o início da compreensão de alguns conceitos educacionais de como «estar» neste mundo. O novo trabalho do ator e encenador farense teve a sua estreia absoluta no CAPA - Centro de Artes Performativas do Algarve, em Faro, nos dias 22 e 23 de março. De acordo com João de Brito, os deuses da antiguidade clássica insuflavam os humanos com um «sopro da vida», pelo que insuflar pode dar forma e pode dar vida. “São curiosas, as palavras: «aspiração» significa movimento respiratório que absorve o ar, mas também desejo ou anseio. Será que desejar tem algo a ver com respirar? Podemos insuflar os nossos sonhos como quem enche um balão? E se os largarmos, será que voam? Onde vão parar”, questiona, ao falar da história de uma grande aventura, ou melhor, de três: “Uma para cada um dos personagens, interpretados por João Pedro Dantas, Leonor Keil e Manuela Pedroso, que foram parar a um mundo temporário, cuja natureza só vamos desvendar no final da viagem. Nem eles sabem bem o que são e o que estão ali a fazer. Mas vão descobrir que o que os leva ali é de suprema importância. Trata-se da força que comanda a vida, o tal sopro que gera as coisas novas”, descreve João de Brito. Depois da estreia no CAPA, «Insuflável» segue para o Teatro Virgínia (4 e 5 de maio), Teatro Nacional D. Maria II (9 a 12 de maio) e Teatro Mosca (14 de setembro) . ALGARVE INFORMATIVO #195

82


83

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

84


85

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

86


87

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

88


89

ALGARVE INFORMATIVO #195


SOM RISCADO VOLTA A LOULÉ COM MESTRES DA MÚSICA EXPERIMENTAL/IMAGEM, FORMAÇÃO E MUITO ENVOLVIMENTO ESCOLAR Texto: Daniel Pina

ALGARVE INFORMATIVO #195

90


91

ALGARVE INFORMATIVO #195


Som Riscado – Festival de Música e Imagem de Loulé regressa, de 11 a 14 de abril, com um cartaz que vem consolidar o conceito e principais linhas programáticas deste evento singular e com duas grandes novidades relativamente a anteriores ALGARVE INFORMATIVO #195

edições, designadamente um forte envolvimento da comunidade escolar da região e uma aposta inequívoca na vertente formativa. A apresentação de concertos, performances, instalações interativas e debates mantém-se nesta quarta edição, bem como os cruzamentos e diálogos criativos entre a música de cariz experimental e os universos da imagem e das artes visuais, 92


mas também as abordagens exploratórias em torno da arte sonora. De modo a assegurar uma forte participação de alunos e professores do Concelho de Loulé e da região algarvia, vão acontecer, antes do festival começar, ações de mediação artística que consistem em conversas performativas, em escolas parceiras da região, públicas e privadas, com o músico Vítor Rua – uma das figuraschave e icónicas da música criativa portuguesa – e o reconhecido realizador e compositor André Tentugal, entre os dias 1 e 5 de abril. A 11, dia do arranque oficial, há lugar ao «Concílio (riscado) dos Deuses», encontro que inclui uma performance de violino solo por Carlos Zíngaro, um dinossauro da música improvisada portuguesa, e uma conversa informal entre Vítor Rua, André Tentugal, Carlos Zíngaro, Lixoluxopóetico e Noiserv, na Ermida da

93

Nossa Senhora da Conceição (em frente ao Museu Municipal de Loulé). A entrada é livre, com lotação limitada, e a iniciativa começa às 21h. O espetáculo inaugural do festival está a cargo da Radar 360.º, associação cultural do Porto que traz a Loulé um concerto visual de caráter circense. A linguagem artística do projeto nasce do diálogo entre a manipulação de objetos e a música interativa e «Manipula#Som» acontece, no dia 12 de abril, em dois formatos: às 10h, num registo essencialmente dirigido a crianças e jovens de grupos de férias da autarquia louletana e seguido de um workshop; e às 21h30, para o público em geral, seguido de uma conversa com os artistas. Aconselhado a crianças maiores de cinco anos, o espetáculo da noite é especialmente destinado a famílias, tem

ALGARVE INFORMATIVO #195


a duração de 50 minutos e um preço associado por pessoa de sete euros (com Cartão de Amigo aplicável). No que toca às performances, «Há: Som Directa» é a proposta que se segue, a 12 de ALGARVE INFORMATIVO #195

abril, pelas 14h, na antiga sede do Atlético (Rua 5 de Outubro, 35 – vulgo rua das lojas) e que tem também lugar nos dias 13 (17h) e 14 de abril (16h30). Da autoria do original João Ricardo de Barros Oliveira (lixoluxopóetico), e em 94


absoluta estreia a Sul, a performance centra-se num alquimista que está a cozinhar uma estranha sopa no laboratório. Os seus ingredientes base são as combinações de instrumentos/esculturas sonoras MALcriadas, defeituosas e desafinadas, objetos, gentilmente condimentados para trazer ao de cima o seu rico aroma musicalÓsonoro. Destina-se a maiores de 6 anos (especialmente aconselhada a famílias) e tem a duração aproximada de 40 minutos, com entrada livre. Pianista, compositor, arranjador e diretor musical de nomes como Phoenix ou Sebastien Tellier, o carismático e talentoso Christophe Chassol assinou uma peça artística que desafia as classificações, de seu nome «Big Sun», um trabalho 95

discográfico que vem apresentar, no dia 13, pelas 21h30, e cujas composições articulam vozes, música, sons e imagens em novos objetos audiovisuais. Esta estreia absoluta no Sul do país acontece no Cine-Teatro Louletano, tendo o ingresso um custo por pessoa de sete euros, com Cartão de Amigo aplicável. Vítor Rua, cofundador dos GNR na alvorada dos anos 1980, ou a partir de 1982, ao lado de Jorge Lima Barreto, dos Telectu, dupla que se transformou, ao longo de três décadas, numa referência da música mais experimental, tem uma atividade prolífica, entre projetos a solo, música para outras áreas, abordando as mais diversas tipologias com novas soluções interpretativas ou composicionais. Ao ALGARVE INFORMATIVO #195


Som Riscado traz, em estreia a Sul, o concerto do seu mais recente e aclamado álbum: «Androids Dream of Electric Guitars?», com os The Metaphysical Angels, onde o seu instrumento de predileção, a guitarra, está no centro das atenções, num concerto com uma forte dimensão visual. Terá lugar também na noite de 13 de abril, pelas 23h30, no Auditório do Solar da Música Nova. A entrada tem um custo associado por pessoa de cinco euros, sem descontos aplicáveis. No mesmo local, mas no domingo, pelas 18h, a encerrar o festival, há espaço para o desafio lançado pela organização ao músico Noiserv e ao fotógrafo Luís da Cruz para uma instalação-concerto inéditos, em jeito de encomenda artística, em que as sonoridades experimentais e engenhosas de David Santos se juntam criativamente ALGARVE INFORMATIVO #195

às imagens do fotógrafo, num dispositivo cénico não convencional. Este será seguido de conversa com o público, é aconselhável a maiores de seis anos de idade e tem a duração aproximada de 60 minutos, com um custo associado por pessoa de cinco euros (sem descontos aplicáveis). No que diz à componente formativa, estão previstas três masterclasses em formatos distintos. Vítor Rua será o responsável pela masterclass sobre «novas abordagens ao Som e à Música», no dia 11 de abril, das 10h às 13h e das 14h30 às 17h30, no Auditório da Escola Secundária de Loulé, num total de seis horas, essencialmente dirigidas a estudantes/público escolar. A masterclass sobre «imagem para conteúdos musicais» será lecionada por André Tentugal, no mesmo Auditório, 96


também das 10h às 13h e das 14h30 às 17h30, num total de seis horas, mas no dia 12 de abril, sexta-feira. No sábado repetem-se as formações no mesmo local, porém em sessões mais condensadas/adapt adas de apenas três horas cada, sendo estas pensadas essencialmente para profissionais da área e outros interessados. No dia 14 de abril, Chassol promove, no Cine-Teatro Louletano, uma masterclass sobre objetos audiovisuais e em torno dos seus processos criativos, entre as 11h e as 13h. Todas as formações requerem inscrição prévia, são limitadas a um máximo de 50 pessoas e têm um custo associados por pessoa de 20 euros (seis horas) e de 10 euros (três horas). Em permanência ao longo do festival estará a instalação «Noiserv nas tuas mãos», no foyer do Cine-Teatro Louletano, dirigindo-se a todos aqueles, miúdos e graúdos, que queiram conhecer, de forma 97

lúdica e interativa, o cativante universo sonoro e musical do artista. O festival sugere ainda a fruição, durante o mesmo, da exposição coletiva de Miguel Neto, artista que já participou em várias edições do Som Riscado, intitulada «No Princípio era o Som», patente ao público no Centro de Experimentação e Criação Artística de Loulé (CECAL), no Parque Municipal . ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

98


99

ALGARVE INFORMATIVO #195


CARLOS AREIAS COMEMOROU 50 ANOS DE CARREIRA EM SÃO BRÁS DE ALPORTEL Texto: Daniel Pina | Fotografia: Irina Kuptsova

ALGARVE INFORMATIVO #195

100


101

ALGARVE INFORMATIVO #195


renovado Cineteatro S. Brás recebeu, no dia 23 de março, «Quero ir pra ilha», uma comédia que comemora os 50 anos de carreira do conhecido ator Carlos Areia. O espetáculo é uma criação e encenação do próprio Carlos Areia, a festejar as suas bodas de ouro em cima dos palcos, garantindo muitas gargalhadas, entretenimento e bastante música, como se constatou em São Brás de Alportel.

cenas de comédia e conflitos hilariantes, não faltando um quadro de homenagem à carreira do ator que protagonizou, entre outras, a grande série da SIC «Maré Alta», onde imortalizou precisamente a frase «Quero Ir Prá Ilha». Mas o espetáculo faz também uma homenagem às grandes vozes do nosso Festival da Canção, entre outras situações do quotidiano, tudo a cargo de um elenco composto pelos atores residentes da companhia Carlos Areia, Patrícia Candoso e Rosa Bela Soares, a que se somaram os atores convidados João Amiano e Ana Ferreira .

«Quero ir pra ilha» é composto por várias ALGARVE INFORMATIVO #195

102


103

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

104


105

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

106


107

ALGARVE INFORMATIVO #195


OPINIÃO

Generalizações à medida Paulo Cunha (Professor) frequente lermos e escutarmos gente a refutar determinadas teses baseadas em generalizações, usando frases do tipo “Cuidado com as generalizações!”, “As generalizações são perigosas!”, “Não devemos generalizar!”. Fará sentido precavermo-nos desta forma simplista de defender determinadas opiniões com argumentos assentes em tipos de raciocínio ou argumento indutivo, também chamado não dedutivo? Penso que é imperioso fazê-lo, porque há muitas formas de apresentar um argumento baseado em premissas que não garantem uma conclusão verdadeira.

É

Os argumentos são compostos por proposições e, podendo ser verdadeiras ou falsas, as proposições são o conteúdo de um pensamento que é expresso em frases declarativas com sentido. A principal diferença entre as induções e deduções é que no caso das primeiras a verdade das premissas não garante a verdade da conclusão, ao passo que nas segundas, sendo as premissas verdadeiras, e sendo o argumento válido, é impossível a conclusão ser falsa. Conclui-se, portanto, que há por aí muita gente a generalizar com base em conclusões assentes em argumentos indutivos, sendo os mais comuns as analogias e as previsões. Tomemos como exemplo algumas atitudes praticadas por alguns portugueses que levam outros a intitulá-los como racistas, pois, por acontecerem algumas vezes, servem assim como premissas para uma conclusão precipitada e, provavelmente, errada. Daí se observa que, mesmo que a premissa seja verdadeira, a conclusão é apenas provavelmente verdadeira. Isto quer ALGARVE INFORMATIVO #195

dizer que a verdade das premissas nas generalizações indutivas não garante a verdade da conclusão. Assim, as generalizações não são más em si mesmas, o que é mau é generalizamos a partir de premissas que não apresentam casos em número significativo que nos possam fazer aceitar racionalmente a conclusão. Quando falamos sobre generalizações convém sermos o mais racionais possível e examinarmos com cuidado o conteúdo do que afirmamos nas premissas. Não tendo de considerar todas as generalizações como perigosas, convém ter uma boa dose de ceticismo na sua análise. Tomemos como exemplo: as generalizações X, Y e Z são perigosas, logo, todas as generalizações são perigosas. Como se vê, só sabemos que todas as generalizações são perigosas generalizando. Assim sendo, também a conclusão deste argumento é uma generalização perigosa! Muitas vezes, ao categorizar as pessoas numa característica comum, criamos estereótipos, achando que todas as pessoas daquela comunidade têm os mesmos comportamentos. Essa visão torna-nos inflexíveis perante as diferenças, acabando por gerar preconceito na forma como reagimos às várias situações com que nos deparamos no dia a dia. As generalizações são usadas todos os dias em praticamente todas as situações. Há que efetuar sempre uma reflexão cuidadosa e racional das razões que apresentamos quando queremos generalizar, pois tal como num iceberg onde apenas observamos a ponta ou numa cebola onde cada camada esconde outra, nem tudo é o que parece ser. 108


Para o comum dos mortais, a generalização é o processo pelo qual uma experiência específica passa a representar toda a categoria de experiências a que pertence. A maioria das generalizações são feitas através do uso de quantificadores existenciais e universais, aplicados a situações que podem ter ocorrido uma ou 109

mais vezes, levando assim as pessoas a generalizarem como se ocorressem sempre ou nunca. Mas serão todas as generalizações «farinha do mesmo saco»? Espero e quero acreditar que não! Cabe-nos a nós munirmonos de ferramentas mentais que nos permitam separar o trigo do joio. Eu tento, nem que seja com os meus simples «desabafos»! . ALGARVE INFORMATIVO #195


OPINIÃO

O nu feminino entre o artista e o espectador Adília César (Escritora) “Com este gesto explodi o quadro da pintura de Courbet dando apenas para ver o que está fora do campo da pintura: uma voz, um olhar, um ponto de vista”. Deborah de Robertis, 2014

eborah é uma mulher decidida. Estamos no dia 29 de maio de 2014, à porta do Museu d’Orsay, onde uma longa fila de visitantes espera a sua vez de entrar. Lá dentro, todos essas pessoas serão espectadores pacientes, atravessando as diversas salas para apreciar todas as valiosas obras de arte expostas, validadas enquanto tal. Mas Deborah está focada num único objectivo: chegar à sala onde está exposta a pintura A Origem do Mundo de Gustave Courbet (1866) e, sob os acordes da Avé Maria de Schubert na voz de Maria Callas, despojar-se de falsos pudores e provocar um determinado quadro de pensamento nos espectadores perante os quais se vai posicionar, numa atitude, no mínimo, controversa. Deborah está agora nua e descalça, emoldurada por um vestido de lantejoulas douradas, à semelhança da moldura do quadro de Courbet em volta da imagem da mulher nua representada na pintura. Senta-se no chão, de costas para a Origem do Mundo, abre as pernas e exibe delicadamente o Espelho de Origem - a sua vagina. As reacções à instalação foram imediatas: Deborah foi detida pela polícia, para ser interrogada (embora mais tarde o Ministério Público francês decidisse não apresentar queixa, tendo sido a artista libertada). Da parte dos espectadores, como seria de esperar, houve uma diversidade de interpretações e uma multiplicidade de manifestações contra e a favor, de acordo com as suas percepções: realidade, sensibilidade, inteligência, valores e padrões dominantes, vivências, tipo de personalidade ALGARVE INFORMATIVO #195

e até o estado de espírito durante a contemplação da obra de arte; de tudo isso se faz a apreciação do espectador. Mais tarde, por ocasião da Feira Internacional de Arte Contemporânea, entre 22 e 25 de outubro de 2014, no stand da Galeria Massimo Minini em Paris, foi possível mostrar a fotografia da performance levada a cabo por Deborah de Robertis, intitulada, precisamente, Espelho de Origem; contudo, a cena tinha sido fotografada previamente à performance/instalação pública no Museu d’Orsay, para a artista ter a certeza do seu ponto de vista ético e estético, antes de se dar ao espectador. Numa entrevista, Deborah referiu que sentiu sobre ela o chamado olho do sexo: se determinadas partes do corpo ditas sexuais estão visíveis ao olhar dos outros, é nelas que as pessoas se focam, a nível dos actos de olhar, conceptualizar e emitir opinião, abstraindose dos restantes componentes visuais, como por exemplo, o seu espalhafatoso vestido de lantejoulas douradas, a moldura do quadro vivo. Na verdade, os panos que cobrem a nudez do corpo feminino têm as cores dos preconceitos e dos estereótipos acerca da mulher no mundo: um vestuário emocional que as protege das intempéries relacionais e sociais. Isto quer dizer que elas podem despir as roupas, mas nunca ficam completamente nuas: a nudez é sempre interior e a pele é apenas o contorno do corpo. Deborah estava de facto nua? Ou estava a desvendar a 110


origem da Origem do Mundo? A controvérsia ainda está em debate.

As metamorfoses do nu artístico feminino são evidentes, de acordo com os paradigmas sociais, culturais e estéticos que foram exibidos em cada época. Poderá este nu artístico ter um papel de mediador na construção ou alteração dos estereótipos acerca do papel da mulher no mundo, de criar ou recriar outras visões sobre a realidade? Sim. A pesquisa de Deborah de Robertis e as consequentes reacções contraditórias dos espectadores e das autoridades provaram isso mesmo. O conflito, que motivou a detenção da performer, como se ela tivesse transgredido a lei, era evidente: por um lado, a certificação da obra de arte, instituída e consolidada na parede de um museu; por outro, a moralidade de um acto contemporâneo enquanto representação do real, em presença física, desafiadora do puritanismo encaixilhado.

Ao longo da história da arte encontramos a temática do nu feminino em todas as suas formas de expressão, desde a pintura e a escultura, passando pela fotografia, dança, teatro, cinema, circo, além de outras formas mistas. O corpo feminino é, assumidamente, um elemento de culto ligado à sensualidade e ao erotismo, à natureza do espírito capaz de atingir o nível cósmico e divino; o nu artístico exibe, afinal, o mistério da própria mulher representada na obra de arte.

Entre o artista e o espectador, o nu feminino na arte ainda está longe de ser um processo e um produto consensuais, necessitando de uma reflexão que ultrapasse o debate superficial da divisão das obras entre arte e pornografia. Na minha opinião, o contributo de Deborah de Robertis abriu outros caminhos de reflexão que devem ser tidos em conta, principalmente por parte das mulheres, esses obscuros objectos de desejo.

111

ALGARVE INFORMATIVO #195


OPINIÃO

Do Reboliço #31 Ana Isabel Soares (Professora) ão tem dúvida”, ouve o Reboliço a quem passa na rua. Ao que percebe, é resposta para “Então, como vai?”, “Está tudo bem?” O que mais escuta, na verdade, até é “Vai-se andando” (que sempre entende como se se dissesse “Vai sandando”, a lembrar-lhe um verbo que significasse “andar em cima da areia”, ou quase dançar – vai sandando é igual a vai dançando, vai-se dançando, sandando, sambando na vida, e já não é mau). Agora, o “não tem dúvida” deixa-o a duvidar. Quem assim responde estará resignado? Do seu palmo de altura, o Reboliço nota que a resposta traz um muito subtil encolher de ombros, olhos nem brilhantes nem mortiços, a pose confortável, mas sem esmero – quer dizer que o diz não está bom nem mau, está assim-assim. Ou pode, então, afirmar uma surpresa agradável. Se se pergunta pelo comer, “Estava bom o almocinho?”, “Olha, não teve dúvida”. Vá lá, comeu-se, menos mal.

“N

Sorte a do Reboliço, que mais se atém às expressões dos corpos das gentes do que ao que querem dizer com o que dizem. Por isso custa a perceber a insatisfação com o prazer raso, o sorriso discreto de quem assim não duvida, ou não acha no que vê a dúvida que poderia trazer aflição. Nos dias mais longos, porque dorme mais curtas as noites, não tem dúvida o sono – concilia-se. Não tem dúvida o vento – ainda bem que sopra uma aragem. Não tem dúvida ainda a chuva, oxalá que caia.

botões alongados lá no topo, enquanto não deixam adivinhar se serão vermelhas ou rosadas as pétalas (os moços pequenos costumam jogar com as papoilas fechadas às adivinhas, “Será galo ou galinha?”), os malmequeres (tão mais bem querentes quando lhes dizem “margaridas”), os lírios roxos baixinhos, hastes de três dedos de altura, nem ao lombo do Reboliço chegam, e de flor tão violeta, tão amarela e preta e branca naquele olhinho, tão fortes mesmo se o vento sopra. Sabe bem ao Reboliço conhecer que é assim que o tempo passa: porque vão aparecendo estas ou aquelas flores, alteando as ervas, engrandecendo os limões e secando até penderem todos os girassóis batateiros (desenterradas, as últimas raízes da época confundem-se com os torrões ressequidos no meio da horta a que o avô chamava “o c’runchoso”: alguém as levará para a cozinha, lhes raspará o castanho e as deitará a estrugir um nadinha, só para que o azeite não caia no cru – ao Reboliço caberá ainda uma sobra ou outra, e há certos petiscos que ele não desdenha). Ora, para que quererão as pessoas relógios, folhas de calendários?, se os dias se medem tão bem com o passo do gado mais perto do sol poente, a abertura das flores, o inchar dos frutos no extremo de cada ramo da figueira? Pensa o Reboliço na serventia da Natureza e conclui que não, não tem dúvida este mundo. Um dia ou outro mais mal esperançado, mas não tem dúvida, não senhor . *Reboliço é o nome de um cão que o avô teve, no Moinho Grande. É a partir do seu olhar que aqui escrevo.

À volta do Moinho Grande, sobem os caules fininhos das papoilas: esticam os ALGARVE INFORMATIVO #195

112


Foto: Vasco Célio 113

ALGARVE INFORMATIVO #195


OPINIÃO - Tudo em Particular e Nada em Geral

Dietas, pólenes e afins Carla Serol (Uma Loira Qualquer) ue bom, chegou a primavera! Com ela, flores coloridas, passarinhos e clima ameno. As pessoas andam mais felizes… pronto convenhamos, nem todas! Há sempre aquela margem residual de pessoas que, ao contrário de Pessoa, não carrega em sim todos os sonhos do mundo, mas sim todos os problemas deste nos seus ombros e nem a energia primaveril consegue demovê-las da sua imparável missão de pintar o mundo que as envolve em tons de cinza! Mas não é de brasas apagadas que vos quero falar, mas sim da alegria incomparável sentida aquando da chegada da tão aguardada primavera, depois de um longo e duro inverno, em que, que nem uns ursos em hibernação, ambulamos cerrados nos nossos lares, saindo só para as nossas tão alegres e rotineiras vidas, carregados de rouparia, a enfardar comida daquela que não precisamos, mas que tão bem nos sabe. Seremos, pois, no dia do julgamento final, todos punidos pelo pecado capital da gula! Portanto, eis que é chegada a hora da redenção, com a vinda da estação mais simpática do ano. Estão de volta as saudáveis saladas e as purgantes dietas que prometem transformar qualquer lutador de sumo num manequim de passerelle. Por tudo o que é canais de comunicação, são difundidos programas diatéticos milagrosos, com potente ação em tempo record, bombas de destruição ALGARVE INFORMATIVO #195

maciça, capazes de estoirar com o nefasto processo de sedentarização imposto pelo inverno. Os ginásios enchem-se de pessoas determinadas a serem saudáveis, ansiosas por destruírem toda aquela camada adiposa tão carinhosa e prazerosamente acumulada nos últimos meses. Afinal o verão está à porta e ninguém quer fazer figura de urso fofo na praia. Mas desenganem-se se estão convencidos de que esta alegria primaveril é perfeita! Assim como as brasas apagadas contaminam todo o meio envolvente com as suas tão cinzentas e negativas energias, os pólenes das simpáticas e alegres flores, que vagueiam pelos ares por esta altura do ano, transformam todo este cenário fresco e bucólico, tão próprio da estação, num verdadeiro cenário de combate às alergias, dores de cabeça, nariz entupido e viroses de virar tripas. E neste cenário não há nada de belo e agradável. Como tudo na vida, nem a primavera é perfeita! Arrasa-nos em três tempos com a sua inocente presença. É a primavera, portanto, não mais que uma espécie de produto sujeito a publicidade enganosa. Promete ser a libertação das roupas pesadas do inverno, do frio e das constipações, dos narizes entupidos e do excesso de peso, mas na verdade em nada nos acrescenta. Diria mesmo que a única coisa que nos acrescenta é aflição, pois, mal damos pela sua chegada, iniciamos uma desenfreada luta contra as amplitudes térmicas, intensifica-se a problemática do “Não tenho nada para vestir”, os espelhos 114


tornam-se objetos non grata, revelando verdades indesejáveis, as montras nas lojas dos centros comerciais são todas de leves e frescas roupinhas com dez números a menos daquele que na verdade nos assentaria. Um sufoco! Primavera sua falsa, és afinal como todas as estações, mas com a diferença que, das 115

outras, já todos sabemos com o que contar, e de ti, com todo esse floreado, nunca sabemos o que nos espera. E assim, ensinas-nos tão bem, a nunca esperar bons ventos ou dias de sol de floreados risonhos, pois mais leal é um intenso e melancólico dia de chuva, que um solarengo e enganador dia de primavera!. ALGARVE INFORMATIVO #195


OPINIÃO

Viagem pelas novidades do Marketing Digital na eShow Barcelona Fábio Jesuíno (Empresário) ais de 12 mil e 900 visitantes e 130 expositores estiveram presentes, nos dias 12 e 13 de março, em Barcelona no maior evento profissional europeu de marketing digital e comércio eletrónico. Foi uma viagem intensa que me permitiu ficar a par do que melhor se faz na área digital na Europa. Fiquei muito surpreendido em descobrir uma série de inovações que estão a ser implementadas com sucesso, principalmente nas lojas online. No primeiro dia do evento, o check-in foi rápido devido a utilização de QR Codes nos bilhetes. No primeiro contacto com o recinto tentei fazer uma breve visita para tentar perceber aqueles stands que seriam mais interessantes para conhecer. Os que mais me chamaram à atenção foi o projeto «Mamis Digitales», que tem como objetivo transformar mães nas melhores gestoras de comunidades online e colocá-las em contacto com empresas que precisam dos seus serviços. Achei muito interessante e fui conhecer mais ao pormenor. Deparei-me com uma dinâmica única durante a feira, onde a equipa deste projeto esteve sempre a realizar entrevistas com os participantes e oradores, muitas delas em direto nas redes sociais. Como tinha um acesso VIP, consegui assistir à primeira apresentação no espaço «The Main Theater» de Ilya Shirokov, cofundador e CEO da JOOM, um Marketplace online de produtos de origem chinesa que está a bater recordes em termos de vendas. Ilya Shirokov, o criador da primeira rede social da Russia (Moi Krug), falou de como iniciar a venda de produtos para milhões de consumidores no mobile usando as redes sociais e também nas melhores práticas que devem ser adotadas nos blogs, as quais ALGARVE INFORMATIVO #195

muito indicadas aos profissionais de criação de conteúdos para influenciar as vendas. Ainda no primeiro dia assisti a uma apresentação única de dois empresários, Carlos Blanco, fundador da incubadora Conector Startup Accelerador, e Luis Feliu de La Peña CEO e cofundador da Startup Verone Jewels. A apresentação destes dois empreendedores foi uma conversa informal sobre a suas experiências num formato muito disruptivo. Algo pouco usual, mas gostei da experiência e destaco o exemplo que deram da Startup Glovo, uma empresa de entregas ao domicílio criada em Barcelona. Esta empresa revolucionou o mercado das entregas ao domicílio e foi uma das empresas espanholas que recebeu mais investimento no último ano. O fundador esteve focado no seu crescimento e na atração de investimento e não se limitou a possuir a maioria do capital, o que lhe permitiu um crescimento muito rápido. No segundo dia, assisti logo da manhã à Masterclass «As chaves do êxito do retail na era digital», administrado por Jorge Mas, CEO e fundador da Crearmas, um dos maiores especialistas desta área na Europa, que falou sobre as rápidas mudanças nos hábitos dos consumidores e nas estratégias inovadoras que devem ser implementadas. Falou também em alguns casos de sucesso. Depois desta Masterclass continuei a conhecer mais ao pormenor as empresas presentes e a fazer networking. Foram dois dias muito produtivos onde tive a oportunidade de apreender e conhecer novas realidades nas áreas do marketing digital e comércio eletrónico. Conheci um pouco de Barcelona e fiquei encantado com esta grande cidade cheia de vida e cultura. Foi uma experiência fantástica . 116


117

ALGARVE INFORMATIVO #195


OPINIÃO - A Isto chegámos…

A Deriva Americana Fernando Cabrita (Advogado e Poeta) ue a América é um grande país, não se duvide. Mas menos se duvide de que, após a II Grande Guerra, e com especial relevo após os anos 50 do século passado, a América entrou numa profunda deriva à escala planetária, deriva que tem sido sempre, à luz da História e aos olhos de quem a queira perceber, o sinal mais forte da decadência dos Impérios e o caminho fatal para o seu canto do cisne. Não é coisa que se diga para agora, ou para os próximos anos; mas os sinais da História não deixam dúvidas: o caminho descendente iniciou-se e a queda é o destino irremissível. A deriva americana tem-se caracterizado por uma particular constância nas suas relações internacionais, pautadas desde então não tanto pelo respeito pelos povos, suas soberanias e seus princípios civilizacionais, mas sim por imposições forçadas de regimes, crimes vastíssimos contra os direitos humanos, invasões ao arrepio do Direito Internacional, fomento de guerras, crimes ecológicos, partilha de genocídios com os piores regimes que governam no mundo, e apoio descarado, com armas, equipamento, dinheiro e violações graves, a toda a corja de pulhas que regem países e nações. Neste aspecto do seu posicionamento internacional e da escolha dos seus aliados, a América tem sido, diga-se, coerente: só suporta aquilo que não pode à luz da decência ser suportado. Moralmente, a América está muitos, muitíssimos graus, abaixo de zero. Derrubou governos eleitos, para apoiar golpes de estado que primaram ALGARVE INFORMATIVO #195

por chacinas, torturas e violências avulsas. Envolveu-se profundamente no cenário interno do Vietnam, para defender o governo corrupto e torturador de Ngo Dinn Diem e do irmão Ngo Dinh Nhu, ou do déspota Duong Van Minh, até à altura em que largam – é o termo – à sua sorte o regime de Saigão e saem vergonhosamente derrotados da Indochina. Os EUA tinham começado por apoiar o Viet Minh e Ho Chi Min, para combater os japoneses e pôr fim do sistema colonialista; mas logo o atraiçoaram. Afinal, vieram a sair derrotados. Pesadamente derrotados. Criaram todas as dificuldades ao regime democrático de Allende, presidente eleito; e patrocinaram um golpe de estado de assassinos e torturadores, chefiado pelo verdugo Allende, de quem sempre se confessaram apoiantes e admiradores. Invadiram Granada. Invadiram o Panamá, depois de ter ali criado um governo fantoche, quando o fantoche deu sinais de desobediência. Apoiaram o regime militar assassino no Brasil de 1964; e hoje apoiam o novo titular do poder brasileiro, que se revê nos torturadores e golpistas de então e os quer homenageados. Apoiaram activa e planetariamente todos os regimes militares saídos de golpes contra a legalidade: na Indonésia, no Congo, na Grécia, na Argentina, em El Salvador, na Bolívia, no Irão. Criaram exércitos fantoches, pagos pelo dólar americano, para combater populações e seus eleitos, quando estes não convinham aos interesses americanos. Suportaram e incentivaram os regimes mais cruéis, como os do Papa Doc, de Hissène Habré, Franco, Videla, Idi Amin, Reza Palevhi e tantos outros. 118


119

ALGARVE INFORMATIVO #195


Já me dirão, estou seguro, que existiam o mundo outros ditadores, e tão detestáveis como esses: Pol Pot, Kim Il Sung, Ceausescu. Claro! Havia-os. Mas isso não me retira um pingo de razão. Os «meus» ditadores, assassinos, corruptos e torturadores não o são menos lá porque existam os ditadores «dos outros». Na geo-estratégia que escolheu, a América alinhou pelo padrão mais baixo. Colocou-se ao nível dos assassinos, dos torturadores e dos canalhas, dando-lhes a mão e a força. Fez escolhas. Criou, alimentou, equipou e armou um grupo de terroristas chamados talibãs, para que estes derrubassem com armas americanas o regime pró-ocidental de Najhibulah, e só porque tinha simpatias russas; mas de seguida Bin Laden mordeu na mão americana que lhe dava de comer. Depois, sempre na senda da decadência moral, através de Bush, Hillary e ainda Obama, inventaram as Primaveras árabes, para derrubar governos que lhes não eram simpáticos e manter altos os preços do petróleo. Destruíram a Líbia, que regressou à escravatura; fizeram do Mediterrâneo um cemitério imenso; fomentaram a instabilidade mundial e aproveitam-se disso para os negócios securitários galopantes; destruíram o Egipto e entregaram-no a uma ditadura militar. Quiseram destruir a Síria; e durante anos apoiaram os chamados moderados, onde se juntavam assassinos da Al-Qaeda, do Daesh e de outros que degolavam americanos com armas dadas pela América. Porém a Síria resistiu; e por isso o plano americano sofreu outro revés. Agora falam da Venezuela como se fosse o caso grave do mundo, preparando-se para invadir um país soberano. Goste-se ou não de Maduro – e eu não gosto – tem que se gostar, neste caso, menos dos EUA e de alguns bonifrates do Parlamento Europeu, ALGARVE INFORMATIVO #195

que ameaçam a Venezuela por não «respeitar as liberdades»; pois os que assim proclamam, são afinal os mesmos que, aliados e fornecendo armas, bombas e dinheiro para futuros negócios, aplaudem as grandes liberdades desse regime medieval da Arábia Saudita, que leva a cabo um genocídio no Yemen patrocinado abertamente pelos Estados Unidos, a Inglaterra e a França; países que mantêm alegremente negócios abertos com o Qatar, que a própria Arábia Saudita acusa de ser o grande patrocinadora do terrorismo internacional! Ora, são esses mesmos países, com os EUA à cabeça, grandes responsáveis pelas mortes de crianças, mulheres e velhos, e de tantos civis não combatentes, que todavia aparecem em gritinhos de virgens furibundas e vingativas se o Assad larga um traque na Síria (se for o Daesh já não faz mal...); são esses mesmos países que enviam os seus vice-presidentes ou os seus patéticos parlamentares europeus para as fronteiras venezuelanas, a dar-se ares de corajosos combatentes da liberdade, a botar figura nas televisões. Pergunto-lhes: porque não vão para as fronteiras do Yemen? Ali a liberdade corre nas ruas, ao lado do leite e do mel? A América, nesta sua rápida queda para a decadência, procura uma guerra. Avidamente uma guerra. A sua indústria armamentista tem ânsias de negócio e de vendas. Mr. Trump não pode esperar. As crianças do Yemen são já alvo fraco para proporcionar mais negócio aos senhores da indústria e aos senhores da Guerra. Destruir o Planeta é urgente. Mais napalm, please! Make War, not Peace. Morra quem morrer. Os pobres do mundo estão aí para isso. Guerra, procura-se!, parece ser a consigna da América destes novos tempos. A isto chegámos .

120


121

ALGARVE INFORMATIVO #195


OPINIÃO

Desistir Fernando Esteves Pinto (Escritor) “A desistência é uma revelação”. Clarisse Lispector

á poetas que nunca desistem de andar à volta do mundo; pensam eles que o mundo lhes dá intensidade, sensações divinas, remédio emocional; que esse mundo desejado é um bem interior, um alívio do eu quando confrontado com a simplicidade de um poema esplêndido, com um verso que sobe à cabeça sem o perigo da loucura; são poetas tão esforçados como animais de trabalho – jumentos pacientes à volta de uma nora, de onde não conseguem sequer fazer brotar um pingo de água. O exemplo de Arthur Rimbaud, que desistiu de escrever poesia aos dezanove anos de idade e mandou os poetas para o inferno, teve o efeito contrário: todos eles vivem hoje no paraíso. O mundo é uma flor simpática; uma corola amável que dá alimento a enxames de poetas. Já não é preciso ter a experiência da vida; a inspiração suga o pólen e o néctar, e este alimento é a fonte de energia para a bela escrita. Nunca li Rimbaud: não posso desistir. Arthur Rimbaud percebeu ainda jovem que o meio literário que frequentava já não lhe dava momentos de gozo; olhava para essa época como quem assume um afecto adoecido, em desgraça com a arte de escrever poesia; sem nenhuma energia intelectual que o fizesse virar as páginas de um novo livro – o vento subiu em viagem e levou o poeta pelo mundo. No velho álbum da decadência e da libertinagem figura a

ALGARVE INFORMATIVO #195

alma inquieta; a fotografia dos sentidos, tremida e com a perspectiva estrábica. Pode o poeta desfocar assim tanto o mundo? Rimbaud fê-lo: saiu do quarto escuro da poesia e ficou cego de palavras. Queria que a realidade não fosse estática, de contornos nítidos; sentia uma intensidade imensa que não passava pela poesia escrita; deixara de ouvir as palavras e os poemas tornaram-se canções de silêncio. Uma coragem profunda e um espírito extraordinariamente feliz e completo. Viajar exercita o pensamento, terá sentido Arthur Rimbaud; a poesia demora o poeta no mesmo lugar. Vezes sem conta os poetas depois de Rimbaud acendem as velas da poesia, em festa nobre e em família, e a cera derrete-se em congratulações; cerimónias de intimidades; tagarelices em reuniões patéticas; leituras críticas que dão a impressão visual e audível de afagar o lombo de um gato e ouvir o poeta a miar. Daí uma certa trivialidade poética; vozes que se enterram na terra como sementes magríssimas que nunca hão-de medrar. Para Arthur Rimbaud, poeta e poesia não caminham juntos; existe uma farsa, um terrível conflito introspectivo entre duas regiões do indivíduo: o vazio e o silêncio; a palavra negra de infinita solidão. Vive no teu deserto, poeta. No deserto as palavras são como as pedras: não precisam de ser arrumadas em nenhum poema . 122


123

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

124


125

ALGARVE INFORMATIVO #195


ÁGUA FICOU MAIS BARATA NO CONCELHO DE ALBUFEIRA o âmbito do Ciclo Anual de Revisão Tarifária foram aprovados os novos Tarifários de Abastecimento de Água, Águas Residuais e Resíduos Sólidos Urbanos para o ano de 2019 no concelho de Albufeira, que entraram em vigor a 20 de março, o dia seguinte à sua publicação em Diário da República (2.ª série – N.º 55 – 19 de março de 2019). As alterações efetuadas em 2019 traduzem-se exclusivamente na redução do tarifário da água, sendo que o novo tarifário irá beneficiar, essencialmente, os utilizadores domésticos, que são a maior parte dos consumidores. A grande descida irá repercutir-se no 1.º nível (até 25mm inclusive), consumidores que anteriormente estavam sujeitos a uma tarifa fixa de 2,50 euros e que passarão, a partir de agora, a pagar 1,10 euros. O ALGARVE INFORMATIVO #195

mesmo acontece com a tarifa fixa a aplicar aos consumidores domésticos no 2.º nível (> 25mm), que passam de 19,80 euros para 18 euros. Os utilizadores nãodomésticos não foram esquecidos, sendo que o novo tarifário irá aliviar também os pequenos empresários e comerciantes. Para estes utilizadores, a tarifa fixa no 1.º nível (<20mm) passou de 7,50 euros para 6 euros e, no 2º nível (entre 20 e 30mm), de 19,80 euros para 18 euros. Os novos preços encontram-se dentro dos limites permitidos pela Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos Sólidos (ERSAR), os quais visam garantir que os valores praticados cobrem a prestação do serviço sem implicar prejuízo financeiro para o Município . 126


ALCOUTIM REPÕE 25 DIAS DE FÉRIAS PARA OS TRABALHADORES Município de Alcoutim assinou, no dia 26 de março, um acordo coletivo de trabalho com o STAL – Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas,

Concessionárias e Afins, mediante o qual serão repostos os 25 dias de férias para os seus trabalhadores, em função da classificação de serviço, aumentando o período anual de descanso em três dias. O trabalhador passa ainda a ter direito a faltar justificadamente, no dia do funeral, quando ocorra o falecimento de familiar da linha colateral em 3.º grau (tio, tia, sobrinho ou sobrinha). A medida visa premiar o mérito e desempenho dos funcionários, já que será aplicada aos trabalhadores a quem tenha sido atribuída, na avaliação de desempenho, a menção de adequado ou superior. O Município de Alcoutim junta-se assim a outras entidades que estão a avançar na reposição desta regalia dos trabalhadores da função pública prevista na Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas .

127

ALGARVE INFORMATIVO #195


IPDJ ACOLHEU SESSÃO DISTRITAL DO PARLAMENTO DOS JOVENS 2018/2019 ealizou-se, no dia 19 de março, na Direção Regional do Algarve do Instituto Português do Desporto e Juventude, em Faro, a Sessão Distrital do Programa «Parlamento dos Jovens 2018/2019» do Ensino Secundário, tendo saído vencedoras a Escola Secundária Pinheiro e Rosa, de Faro, a Escola Secundária Dr.ª Laura Ayres, de Quarteira, e a Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, de Portimão. O «Parlamento dos Jovens» é uma iniciativa da Assembleia da República, em parceria com o Ministério da Educação e o Instituto ALGARVE INFORMATIVO #195

Português do Desporto e Juventude, que tem como principal objetivo incentivar o interesse dos jovens pela participação cívica e política. Foram cerca de 60 jovens deputados eleitos para a Sessão Distrital, representando 14 escolas do distrito de Faro, designadamente: Colégio Internacional de Vilamoura; Escola Básica e Secundária de Albufeira; Nobel International School Algarve, Lagoa; Escola Profissional Cândido Guerreiro, Alte; Escola Secundária de Loulé; Escola Secundária José Belchior Viegas, São 128


Brás de Alportel; Escola Secundária Dr. Francisco Fernandes Lopes, Olhão; Escola Secundária Dr. Jorge Augusto Correia, Tavira; Escola Secundária Dr.ª Laura Ayres, Quarteira; Escola Secundária João de Deus, Faro; Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, Portimão; Escola Secundária Padre António Martins de Oliveira, Lagoa; Escola Secundária Pinheiro e Rosa, Faro; e Escola Secundária Tomás Cabreira, Faro. O tema escolhido pela Assembleia da República para a edição deste ano foi «Alterações climáticas: reverter o aquecimento global», tendo sido aprovado um conjunto de medidas que os jovens do Algarve propõem que sejam tidas em consideração pela Assembleia da República. Na Sessão Distrital estiveram presentes o Diretor Regional do Algarve do IPDJ, Custódio Moreno, o Vereador da Câmara Municipal de Faro, Carlos Baía, o

129

Presidente da CCDR Algarve, Francisco Serra, e Ilda Silva, Chefe de Equipa Multidisciplinar da Direção de Serviços da Região do Algarve - DGESTE, para além do Deputado da Assembleia da República, Luís Graça, que no início respondeu a questões, colocadas pelos jovens deputados, sobre as atribuições e o funcionamento do Parlamento Nacional. A Sessão Nacional deste programa realiza-se nos dias 20 e 21 de maio, na Assembleia da República, e o Algarve será representado pelos/as deputados/as eleitos/as, Sofia Solayman e Bruno Correia, da Escola Secundária Pinheiro e Rosa, em Faro; Edgar Guerreiro do Carmo e Ivo Duarte Fernandes, da Escola Secundária Dr.ª Laura Ayres, em Quarteira; e Pedro Filipe Duarte (Porta – Voz do Distrito de Faro) e Inês Sofia Vilela, da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, de Portimão .

ALGARVE INFORMATIVO #195


ÁGUAS DE PORTUGAL SENSIBILIZA PARA O USO CONSCIENTE DA ÁGUA COM HUMOR participantes no Estudo Nacional sobre Atitudes e Comportamentos dos Portugueses face à Água. Este estudo, que decorreu em abril de 2018 e abrangeu mais de mil e 660 pessoas num inquérito online, identificou a existência de dissonâncias entre as atitudes e os comportamentos dos portugueses face à água, que consideram como o mais importante recurso, mas não o valorizam e reconhecem que praticam desperdício. gua com um Pingo de Consciência» é o mote da campanha de sensibilização lançada, em setembro de 2018, pelo Grupo Águas de Portugal e que foi agora reforçada com a participação de Herman José. O humorista criou quatro personagens que apelam ao uso consciente da água e o primeiro vídeo foi apresentado na véspera do Dia Mundial da Água, nas redes sociais Facebook, Instagram e Youtube, seguindo-se os próximos três semanalmente nos canais do Grupo Águas de Portugal e de Herman José.

«Á

O humorista, que criou também uma canção alusiva ao tema, recorre a diferentes personagens que abordam o uso da água e incentivam ao seu uso consciente. A incorporação de humor para veiculação de mensagens é um fator de incremento da eficácia de campanhas de sensibilização, de acordo com os ALGARVE INFORMATIVO #195

Os participantes no estudo consideram as campanhas de sensibilização como uma das ações mais indutoras de comportamentos de poupança e valorização da água. O reforço da campanha «Água com um Pingo de Consciência», nomeadamente através do humor, vem dar continuidade ao movimento de sensibilização para o uso consciente e sustentável de água, essencial num contexto de escassez e de alterações climáticas. Esta campanha integra outras ações de promoção da eficiência hídrica a desenvolver pelo Grupo AdP em parceria com a APA – Agência Portuguesa do Ambiente e outras entidades públicas, municípios, organizações não-governamentais e outras entidades, nomeadamente workshops em escolas e para técnicos municipais. A conceção da campanha foi cofinanciada pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente no quadro da Estratégia Nacional de Educação Ambiental 2020 . 130


131

ALGARVE INFORMATIVO #195


FESTA DO ATLETISMO-DESPORTO ESCOLAR’19 ACONTECEU EM LAGOA Estádio da Bela Vista, no Parchal, recebeu mais de milhar e meio de jovens praticantes de várias disciplinas do atletismo durante o dia 15 de março. Saltos, lançamentos e corridas foram as atividades principais da «Festa do Atletismo / Mega Sprinter Regional do Desporto Escolar do Algarve». Os alunosatletas melhor classificados vão representar a região do Algarve no Mega Sprinter Nacional, que este ano se realiza em Faro, nos dias 5 e 6 de abril. Dos 35 alunos apurados para a fase nacional, cinco são alunos de escolas do concelho de Lagoa e destacaram-se nas provas de Mega Sprinter e Mega Km.

atletismo do Estádio Municipal da Bela Vista, associadas à estratégia municipal de promoção da atividade física e desportiva, e à estreita relação cultivada entre os diversos promotores da iniciativa, são alguns dos motivos que voltaram a eleger Lagoa como o lugar desta festa do Atletismo em 2019. O evento foi organizado pela Coordenação Regional do Desporto Escolar, em parceria com a Câmara Municipal de Lagoa e a Associação de Atletismo do Algarve, e a prova foi aberta a todos os estabelecimentos da escola pública e particular do Algarve que cumpriram a fase Escola e que envolveram no Desporto Escolar alunos de ambos os géneros, nos escalões etários de Infantis, Iniciados e Juvenis .

As excelentes condições da pista de

ALGARVE INFORMATIVO #195

132


QUARTEIRA VAI TER NOVO POSTO MARÍTIMO E ESTAÇÃO SALVA-VIDAS uarteira vai ter um novo Posto Marítimo e uma nova Estação SalvaVidas para aumentar a segurança dos banhistas e responder ao aumento do tráfego marítimo, na sequência de dois protocolos assinados, no dia 23 de março, entre a Autoridade Marítima Nacional, a Docapesca e a Câmara Municipal de Loulé, numa cerimónia que foi presidida pela Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino. As duas infraestruturas vão ficar instaladas no porto de pesca de Quarteira, num espaço cedido pela Docapesca, e no antigo edifício dos faroleiros, localizado no centro da cidade, que será reconvertido em cinco apartamentos para alojar a tripulação necessária.

Autoridade Marítima Nacional e contará com um financiamento da Câmara Municipal de Loulé no montante de 725 mil euros. A tripulação da Estação SalvaVidas irá garantir o socorro em caso de acidente nas proximidades, ao passo que os elementos afetos ao posto marítimo assegurarão a fiscalização e policiamento numa área onde, no Verão, a população aumenta significativamente. Deste modo, a Estação começará por ter três tripulantes e uma embarcação semirrígida, à imagem do que sucede em todas as estações da região, exceção feita à localizada em Sagres, que está dotada de maior capacidade por se situar numa zona oceânica com características específicas .

A obra é da responsabilidade da 133

ALGARVE INFORMATIVO #195


«TERRAS DO INFANTE» PROMOVEU CONGRESSO SUBORDINADO AO MAR ários conferencistas apresentaram, no dia 23 de março, no Centro Cultural de Lagos, as suas perspetivas sobre a Economia do Mar, o Ambiente e a Sustentabilidade. No final dos trabalhos foram anunciados os princípios orientadores para a elaboração de uma Carta de Compromisso que pretende envolver os vários atores em ações de defesa do mar como recurso económico, garantindo a sua proteção e sustentabilidade. Deste evento saiu também reforçada a intermunicipalidade entre Aljezur, Lagos e Vila do Bispo. A poesia, dita pelo autor e artista Napoleão Mira, abriu o I Congresso da ALGARVE INFORMATIVO #195

Associação de Municípios Terras do Infante, recordando a obra de Sophia de Mello Breyner Andresen, no ano em que se assinala o 100.º aniversário do seu nascimento. Uma opção justificada por Maria Joaquina Matos “porque Sophia amou e sentiu Lagos e deixou na sua obra esse sentimento”. A Presidente do Conselho Diretivo da Associação de Municípios das Terras do Infante lembrou a importância do mar na construção da identidade deste lugar e das suas gentes “e que hoje continua a gerar muitos desafios que advêm da necessidade de, por um lado, potenciar o mar como recurso económico e, por outro, garantir a sua proteção e sustentabilidade, o que exige a capacidade de voltar a alargar 134


horizontes mentais e pensar além do imediato”. Para Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve, entidade coorganizadora do evento, o Congresso só podia ter como tema o mar, atendendo à sua centralidade nestes três concelhos. Embora referindo que todas as áreas de saber são importantes no seio da academia algarvia, Paulo Águas admitiu que algumas se destacam pela excelência da investigação numa área de saber específico, o do conhecimento do mar. Francisco Castelo, Técnico Superior da Câmara Municipal de Lagos, trouxe à memória dos presentes o passado industrial da cidade de Lagos, que teve na indústria conserveira, entre o final do séc. XIX e meados do séc. XX, a sua principal atividade económica. Um trabalho de investigação feito a partir da recolha de fotografias antigas,

135

documentos de arquivo e testemunhos pessoais de quem viveu os factos na primeira pessoa ou conviveu muito perto com essas pessoas. Nuno Battaglia, Chairman do grupo Battaglia Capital SA, apresentou a Congelagos, uma das fábricas de processamento de peixe mais avançadas da Europa que foi inaugurada na véspera pela Ministra do Mar, frisando que todo o projeto assentou numa lógica de sustentabilidade de 360º, ou seja, partindo da premissa fundamental de que a pesca só pode ser sustentável se o for para o mar, para o pescador, para a fábrica e para o cliente. Na sua comunicação identificou igualmente aqueles que considera serem os principais problemas e desafios que se colocam ao setor, referindo, entre outros exemplos, os

ALGARVE INFORMATIVO #195


conflitos de interesses na gestão das associações de armadores, o peixe transacionado na economia paralela, a legislação e burocracia no licenciamento e a qualidade da água das rias para a aquicultura de esteiro. A má gestão dos stocks marinhos é, para este empresário, uma das principais ameaças, assim como a incapacidade de Portugal negociar a obtenção de quota do atum rabilho e licenças de armações com a EU e o ICCAT, o que faz com que se continue a perder competitividade nas pescas perante os concorrentes mediterrânicos. Fernando Perna e Paulo Carrasco, ambos docentes da Universidade do Algarve, partilharam com o público estudos que permitem avaliar o impacto económico e turístico da náutica de recreio e da economia do surf, este último em concreto em Aljezur. A análise foi complementada pela intervenção de João Fernandes,

ALGARVE INFORMATIVO #195

Presidente da Região de Turismo do Algarve, que deu a conhecer os projetos e as atividades que aquela entidade tem promovido e apoiado para diversificar a oferta turística da região e a consolidação de novos produtos ligados ao mar. A Jorge Gonçalves, investigador do CCMAR (Centro de Ciências do Mar) da Universidade do Algarve, coube abordar as questões da biodiversidade marinha na costa vicentina, revelando a variedade e complexidade de habitats existentes, a diversidade de espécies que neles habitam, onde se incluem algumas raridades como o coral vermelho, assim como os projetos que estão a ser desenvolvidos para monitorizar as áreas de proteção. Visão mais preocupante foi trazida pela voz de Maria João Bebiano, professora catedrática e diretora do Centro de

136


Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) da Universidade do Algarve, que integra uma equipa internacional de 25 peritos da ONU incumbida de fazer a avaliação do estado dos oceanos. Na sua comunicação «Mar de Plástico» partilhou os alarmantes números da poluição dos mares e o seu impacto na vida marinha, assim como os estudos em curso que visam determinar os efeitos do plástico nas espécies, em especial no que se refere às micro e nano partículas, mais facilmente absorvidas pelo organismo. Deixou também um alerta, pois, se nada se fizer, em 2050 teremos mais lixo nos oceanos do que peixe. Números, preocupações, alertas e também estratégias de solução sobre as questões da água, foi o que Carla Graça, Vice-Presidente da Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, apresentou nesta sessão de trabalhos, chamando a atenção para a necessidade de alteração do modelo de sociedade em que vivemos, que classificou de insustentável em termos 137

do consumo de recursos naturais. Uma causa em que a Zero se tem empenhado com o objetivo de influenciar políticas públicas e também o setor privado. Luís Menezes Pinheiro, Presidente do Comité Português para a COI (Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO) fez a apresentação que antecedeu a homenagem ao professor Mário Ruivo, partilhando os momentos que viveu com aquele que era considerado, por muitos representantes da comunidade científica internacional, como «The Voice» (a voz) em matéria do conhecimento do mar e dos oceanos, alguém profundamente conhecedor, mas que sempre teve uma grande humildade, a capacidade de ver mais longe, de gerar diálogo e de envolver outros nas causas em que acreditava e se empenhava. Na homenagem esteve presente a professora e viúva Maria Eduarda Gonçalves, a quem coube igualmente fazer a abertura da exposição «Mar Profundo Português» ALGARVE INFORMATIVO #195


dedicada a Mário Ruivo, que ficará patente no Centro Cultural de Lagos até ao final desta semana. A Ministra do Mar Ana Paula Vitorino encerrou os trabalhos recordando, também ela, a figura homenageada e afirmando que “Portugal está empenhado em estar à altura dos seus pares internacionais, mas deve ir mais além, pois é o compromisso que temos para com o prof. Mário Ruivo no âmbito da sustentabilidade”. A governante acrescentou que a consciência de que “não basta não estragar mais; é preciso recuperar o que já se estragou” se deve à inspiração de Mário Ruivo. Referindo-se a medidas concretas, mencionou o Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo que será aprovado em breve, após a realização de duas consultas públicas, o qual prevê o aumento das áreas marinhas protegidas até 2030, com o objetivo de fazer renascer algum desse capital natural. ALGARVE INFORMATIVO #195

Segundo a Ministra do Mar, a própria tomada de consciência de que as ameaças no mar são ameaças globais também se deve ao trabalho de Mário Ruivo, sendo necessário soluções inteligentes e inovadoras, envolvendo a ciência. A partilha do conhecimento sobre o mar entre cientistas, com as empresas e os cidadãos em geral, foi indicado como outro fator chave de sucesso nestas políticas, razão pela qual está em curso a criação de um Observatório, assim como outros projetos que apostam na literacia do mar. Rematando a sua intervenção, Ana Paula Vitorino afirmou que é preciso democratizar o conhecimento para mudar comportamentos e para aprendermos a respeitar o mar, pelo que o Congresso promovido pelas Terras do Infante e outros encontros e debates são de extrema importância para o sucesso deste trabalho conjunto que importa fazer . 138


JUNTA DE FREGUESIA DE QUARTEIRA OFERECE GARRAFAS REUTILIZÁVEIS AOS FUNCIONÁRIOS E COLABORADORES ncentivar à redução do uso de plástico e ao consumo de água da torneira é um dos objetivos da Junta de Freguesia de Quarteira, que no dia 22 de março ofereceu garrafas reutilizáveis aos seus funcionários e colaboradores. A ação decorreu no Centro Autárquico, no âmbito do Dia Mundial da Água. Para além de promover a substituição da água engarrafada pela da torneira enquanto opção mais ecológica, económica e acessível, a iniciativa pretendeu ainda sensibilizar os trabalhadores da Junta a adotarem hábitos de consumo mais conscientes, através da sua sensibilização para os problemas ambientais que assolam o nosso planeta, entre os quais o uso excessivo de plástico descartável. “É nossa preocupação acompanhar permanentemente a temática ambiental, desenvolvendo contributos para ajudar a reduzir a produção de plástico”, frisa o Presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, Telmo Pinto, apontando ainda a vertente da campanha inerente ao uso racional da água. Uma problemática que, sublinha, deve ser reconhecida por toda a população mundial. “Calcula-se que apenas 0,5% da 139

água existente seja potável. Não podemos ignorar esta realidade, já que se trata de um recurso essencial à vida com um valor inestimável. Devemos a sua preservação às gerações futuras, de forma a garantir a sua existência, sendo esta uma obrigação que deve ser assumida por todos nós”, observa o autarca. Durante a ação realizada, os funcionários e colaboradores do Centro Autárquico de Quarteira foram informados sobre as vantagens do uso da água da torneira, cujo custo estimado é de um euro para cada mil litros. Um valor substancialmente inferior ao da água engarrafada, que chega a ser entre 280 a 450 vezes superior . ALGARVE INFORMATIVO #195


NOVA FÁBRICA CONGELAGOS CRIA 75 NOVOS POSTOS DE TRABALHO NO CONCELHO oi inaugurada, no dia 22 de março, pela Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, a Congelagos, uma unidade de congelação e transformação de produtos da pesca, instalada na freguesia de Odiáxere, que irá dar trabalho a 75 pessoas e criar um número acrescido de postos de trabalho indiretos. Trata-se de um projeto de investimento privado do Grupo Battaglia Capital, que, tendo sido considerado como estruturante para o setor das pescas a nível nacional, contou com financiamento do programa Operacional Mar2020, no âmbito do Portugal 2020. ALGARVE INFORMATIVO #195

Equipada com tecnologias de processamento, produção de frio e congelação das mais avançadas, esta unidade tem capacidade para processar 300 toneladas diárias de pescado, produzir diariamente 24 toneladas de gelo e armazenar cinco mil e 400 toneladas de congelados. Na apresentação da fábrica, Nuno Battaglia, líder do projeto, explicou que o mesmo está baseado no conceito de sustentabilidade de 360º, uma vez que privilegia o processamento de espécies subvalorizadas, como o carapau e a cavala, corrigindo os desequilíbrios que existem no mercado. Esta opção 140


permite estabilizar os valores que se pagam aos pescadores por este tipo de pescado, aumentando o seu rendimento e, consequentemente, a sua capacidade para a modernização das embarcações. A captura da cavala e do carapau tem, por outro lado, um impacto positivo na recuperação de espécies como a sardinha, que não se consegue só com o mecanismo das quotas e da proibição de captura. O empresário agradeceu o apoio recebido neste regresso a casa, após três décadas a residir nos Estados Unidos da América, salientando que escolheu Lagos para fazer este investimento pela sua ligação afetiva a esta terra. A Presidente da Câmara Municipal de Lagos, Maria

141

Joaquina Matos, congratulou-se pela instalação desta unidade, que, tratandose de um investimento privado, “é sinal de que o território tem atratividade suficiente para despertar o interesse dos investidores, fixar empresas e gerar riqueza”. A edil referiu-se ao acontecimento como “um momento muito bom para Lagos, para os lacobrigenses, para a região e para o país, (…) que ficará guardado na nossa memória individual e coletiva, por não ser todos os dias que se testemunha a inauguração de uma fábrica com esta dimensão, em termos de investimento, de inovação, de capacidade produtiva e de empregabilidade” .

ALGARVE INFORMATIVO #195


JOANA VASCONCELOS FOI A SALIR PARA APOIAR JOVENS QUE QUEIRAM SEGUIR ENSINO ARTÍSTICO oi de uma forma descontraída e de grande proximidade com o jovem público que a conceituada artista Joana Vasconcelos esteve, no dia 25 de março, na vila de Salir, no interior do Concelho de Loulé, para participar numa sessão na Escola Básica Prof. Sebastião José Teixeira integrada no projeto «Ser Artista em Portugal». Referência incontornável na arte portuguesa atual, Joana Vasconcelos participou num ciclo de conversas promovido pelo Centro Nacional de Cultura, com o apoio da revista Egoísta, e numa parceria da Rede de Bibliotecas Escolares, com o pressuposto de falar do seu percurso escolar e profissional, ALGARVE INFORMATIVO #195

difundindo a ideia de que alguém que opte pela via artística tem um percurso possível que pode ser de sucesso. A artista falou na primeira pessoa para a comunidade escolar, sobretudo para os alunos que marcaram presença na biblioteca escolar de Salir, numa abordagem aos passos que deu até chegar à consolidação de uma carreira na área das artes plásticas, com projeção nacional e internacional, desde a jovem da zona da «linha de Cascais» que ingressou na Escola António Arroio para estudar artes, uma aluna mediana como a própria referiu, que passou pelo Design, no IADE, ou pelo Desenho e 142


Joalharia, na Ar.Co, até à artista e também empresária que é hoje (emprega cerca de 60 pessoas). Com um discurso inspirador que pretendeu fundamentalmente contagiar estes jovens para o estudo das artes, Joana Vasconcelos explicou o conceito e as ideias que estiveram por detrás de algumas das suas obras mais marcantes como «Marilyn», o elegante par de sandálias de grande dimensão feito de tachos e panelas que esteve exposto em Versalhes; «A Noiva», o polémico lustre executado exclusivamente com tampões; ou o «Coração Independente», replicado em vermelho, dourado e preto, recorrendo a talheres de plástico para recriar a filigrana, um material tão português quanto o é o coração de Viana que serviu de inspiração

143

à artista. Nesta visita ao estabelecimento de ensino de Salir, Joana Vasconcelos teve a oportunidade de inaugurar uma das salas de aula batizada com o seu nome que irá figurar, aqui, ao lado de outras personalidades da cultura portuguesa como o poeta António Aleixo. A artista pôde ainda apreciar o trabalho de algumas artesãs locais que usam a palma como material privilegiado para executar produtos únicos e que fazem parte da tradição do Concelho de Loulé. Joana Vasconcelos fez questão de adquirir algumas das obras destas artistas que integram a mostra permanente patente ao público no Posto de Turismo de Salir .

ALGARVE INFORMATIVO #195


PARQUE DE DESPORTO E LAZER DE PINHEIROS DE MARIM JÁ TEM CIRCUITO EDUCATIVO á se encontra disponível ao público o Circuito Educativo do Parque de Desporto e Lazer de Pinheiros de Marim, cuja abertura ocorreu, no dia 21 de março, Dia Mundial da Árvore. Trata-se de um conjunto de seis painéis, distribuídos pelo maior pulmão verde da cidade de Olhão, que disponibilizam informação sobre a flora e fauna autóctones, plantas invasoras e, de uma forma geral, visam incutir em miúdos e graúdos o respeito pela natureza e pelo ambiente. Foram igualmente instalados em vários locais do Parque de Desporto e Lazer caixas, que se destinam a facilitar a nidificação de aves insetívoras, que se alimentam da ALGARVE INFORMATIVO #195

processionária, ajudando, assim, no controlo desta praga. Esta atividade promovida pelo município olhanense pretende promover conteúdos educativos no âmbito da literacia ambiental, mas também aproveitar, ainda mais, as potencialidades do Parque de Desporto e de Lazer dos Pinheiros de Marim, através da estruturação de um circuito ambiental educativo, criando uma sala de aula ao ar livre que aproxime as crianças das riquezas naturais da região. O Circuito Educativo insere-se no projeto «Há vida nos Pinheiros de Marim», com que a autarquia pretende 144


estimular a ligação das crianças com a natureza. Num primeiro momento, há lugar a uma atividade em contexto de sala de aula, após o qual as crianças do concelho têm oportunidade de visitar o Parque de Desporto e Lazer dos Pinheiros de Marim, de forma a promover a experimentação e a aprendizagem através da observação e do contacto direto com a natureza. A abertura coube a duas turmas do 3.º ano, das escolas do Largo da Feira e N.º 5. Ao longo das próximas semanas, todas as turmas do 4.º ano do concelho terão oportunidade de percorrer o Circuito. O Parque de Desporto e Lazer dos Pinheiros de Marim é um espaço localizado em pleno Parque Natural da Ria

145

Formosa cuja vegetação, típica do Mediterrâneo, esconde trilhos convidativos para a realização de caminhadas. Existe igualmente, um ginásio a céu aberto, com diversos aparelhos de manutenção física, para além de três percursos distintos, que proporcionam a atmosfera perfeita para a prática de atividade física e para o combate ao stress do quotidiano, em plena natureza. Um parque de merendas, um parque infantil, um parque canino com mais de quatro mil metros quadrados, uma zona desportiva e, agora, o Circuito Educativo, complementam esta vasta área de desporto e lazer localizada às portas da cidade de Olhão .

ALGARVE INFORMATIVO #195


ANTIGA ESTAÇÃO DE ÁGUAS RESIDUAIS DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL TEM VIDA NOVA Município de São Brás de Alportel assinalou o Dia Mundial da Floresta, a 21 de março, e o Dia Mundial da Água, 22 de março, com a apresentação pública do novo Ponto de Água Hortas e Moinhos para abastecimento de meios aéreos de combate a incêndios e com uma visita às áreas intervencionadas no âmbito de um projeto de reflorestação. O Ponto de Água Hortas e Moinhos, localizado a sul de São Brás de Alportel, constitui um investimento prioritário no âmbito do Plano Municipal de Defesa da Floresta enquanto ponto estratégico para abastecimento de meios aéreos em situação de combate a incêndios rurais, que em muito vem reforçar a capacidade de resposta dos meios de combate do concelho. Este investimento insere-se na Estratégia de Ação de Prevenção de ALGARVE INFORMATIVO #195

Incêndios e permitiu a reabilitação da antiga Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), dando a este espaço outrora degradado uma nova e nobre missão, ao serviço da Proteção Civil e Defesa da Floresta. Composto por um tanque principal de abastecimento com capacidade para aproximadamente 180 metros cúbicos de água e um tanque de apoio com capacidade de 120 metros cúbicos de água, o Ponto de Água é alimentado em exclusivo por água de nascente, constituindo-se como um projeto totalmente sustentável e ecológico. “A defesa da nossa floresta e das nossas populações é uma matéria de primeira prioridade”, explicou o presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Vítor Guerreiro, sublinhando que “foi recentemente efetuado um levantamento exaustivo de todos os 146


pontos de água existentes no concelho, bem como dos seus acessos, de modo a que possamos estar melhor preparados”. “A prevenção é o melhor caminho e a mais poderosa arma no combate ao flagelo dos incêndios rurais”, reforçou o autarca. A Comissão Municipal de Defesa da Floresta aprovou recentemente uma revisão ao Plano Municipal de Defesa da Floresta e estão a ser empenhados esforços para dar continuidade ao plano de ação que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos anos, nomeadamente ao nível de limpeza de bermas, da manutenção e abertura de caminhos, da limpeza e criação de faixas de proteção nas zonas em que é maior o risco. Após a apresentação do Ponto de Água, seguiu-se uma visita aos terrenos municipais, localizados em Campina, um dos dois locais que acolheram recentemente ações de reflorestação, com plantação de azinheiras numa área global de 30 mil metros quadrados, uma intervenção integrada nas

147

medidas de compensação necessárias para a aprovação do Plano Empresarial de São Brás de Alportel. Os trabalhos de plantação, realizados pela Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão, num valor de investimento municipal de 12 mil e 963,34 euros, foram acompanhados e monitorizados pelo Gabinete Técnico Florestal do município, tendo incluído limpeza, desmatação seletiva, sementeira e tratamento de toda a área abrangida. Foram salvaguardadas diferentes espécies autóctones como: sobreiros, aroeiras, medronheiros, alfarrobeiras, zambujeiros, palmeira das vassouras, entre outras espécies. Para além da intervenção inicial, esta operação integra um plano de gestão e controle associado a 20 anos que vai permitir a limpeza, a substituição de árvores mortas, o desbaste e controle de vegetação espontânea .

ALGARVE INFORMATIVO #195


MUNICÍPIO DE SILVES VAI REQUALIFICAR JARDIM DO LARGO DA REPÚBLICA Município de Silves prepara o início da obra de requalificação do Jardim do Largo da República, que se desenvolverá ao longo de 14 meses, com um investimento na ordem dos 1,8 milhões de euros, beneficiando de comparticipação comunitária no montante de 558 mil euros. A empreitada de obras públicas consiste na promoção da requalificação paisagística e funcional do Jardim da República, contemplando espaços verdes, pavimento, remodelação integral das infraestruturas das redes de abastecimento de água, saneamento e águas pluviais, iluminação pública, telecomunicações, mobiliário urbano (abrigo de paragem, bancos e mesas de piquenique, estacionamento de

ALGARVE INFORMATIVO #195

bicicletas, papeleiras, bebedouros, ilha ecológica), criação de elemento de água com nebulizadores, construção de edifício com cafetaria, sanitários de uso público e esplanada com sombreamento. Nas soluções técnicas adotadas optouse por uma abordagem contemporânea, de promoção do recreio e lazer, funcionalmente acolhedora e acessível a todos, em simultâneo com a manutenção da memória do jardim através da preservação de elementos caraterizadores (presença de água, árvores de grande porte, variedade florística) e da estrutura base do jardim (eixos longitudinais, simetrias e alinhamentos arbóreos). As luminárias

148


existentes no interior do Jardim, porque constituem elementos marcantes da imagem e história do espaço, serão recuperadas e relocalizadas na zona poente, assim como o bebedouro existente que será também relocalizado. O espaço do jardim permanecerá estruturado em três zonas distintas: Alameda das Árvores - lado poente (espaço mais aberto), Praça Central (receção de eventos, concertos, feiras, exposições) e Jardim do Fresco - lado nascente (área com carácter mais intimista e romântico). A questão da circulação automóvel e do estacionamento foram tidos em conta, mantendo-se uma faixa de circulação de sentido único (com largura mínima estipulada), velocidade máxima de 30 Km/h e o estacionamento disposto em espinha, perfazendo um total de 79 lugares, valor aproximadamente igual ao existente atualmente. Nos pavimentos do Jardim prevê-se a aplicação de lajes de calcário do escarpão, betão decorativo, chapas decorativas, calçada grada de granito e calçada grada de calcário. Todo a pavimentação do Jardim será de nível (sem passeios sobreelevados), «jogando-se» com 149

cores e contrastes. Ao nível da vegetação, serão respeitados os alinhamentos arbóreos existentes por constituírem um dos elementos estruturais e caraterizadores do atual espaço. Em 2016 foi realizado um «Levantamento Fitossanitário e Avaliação de Risco de Rutura de Árvores no Jardim do Largo da República» por equipa técnica do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, ao abrigo do qual a autarquia de Silves procedeu recentemente ao corte de árvores no Jardim que apresentavam um nível de perigosidade máximo (12) numa escala de 1 a 12, privilegiando a segurança de pessoas e bens. Será ao abrigo do mesmo trabalho científico que serão abatidas novas árvores no âmbito da empreitada, espécies que não reúnem as condições mínimas em termos de fitossanidade. Manter-se-ão as árvores de grande porte localizadas no lado poente, as duas palmeiras existentes (uma delas será deslocalizada) e várias outras espalhadas pelo Jardim, num número aproximado de quinze. Plantas e arbustos serão transplantados para outras zonas da cidade. A par da manutenção máxima do existente, o novo projeto prevê a plantação de 65 árvores com altura mínima de quatro metros, por forma a apressar o sombreamento, 165 arbustos (grandes), 596 arbustos (pequenos) e duas mil e 846 herbáceas vivazes, assegurando-se, desta forma, a componente fundamental dos espaços verdes . ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

150


151

ALGARVE INFORMATIVO #195


DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniela Salvador A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos. ALGARVE INFORMATIVO #195

152


153

ALGARVE INFORMATIVO #195


ALGARVE INFORMATIVO #195

154


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
ALGARVE INFORMATIVO #195 by Algarve Informativo - Issuu