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ALGARVE INFORMATIVO 8 de setembro, 2018

FESTIVAL F - UM HINO À MÚSICA PORTUGUESA «PORTUGAL NÃO ESTÁ À VENDA!» | MUNDIAL DE PESCA SUBMARINA EM SAGRES 1 ALGARVE INFORMATIVO #171 MANUEL AMORIM | DANIEL PIRES | FEIRA DA DIETA MEDITERRÂNICA EM TAVIRA


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CONTEÚDOS #171 8 DE SETEMBRO 2018

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ARTIGOS 12 - Festival F em Faro 36 - Feira da Dieta Mediterrânica em Tavira 46 - Campeonato do Mundo de Pesca Submarina em Sagres 62 - André Badalo 74 - Daniel Pires 88 - Manuel Amorim 102 - Futevólei em Albufeira 124 - Atualidade

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OPINIÃO 112 - Paulo Cunha 114 - Mirian Tavares 116 - Adília César 118 - Ana Isabel Soares 120 - Antónia Correia ALGARVE INFORMATIVO #171

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REPORTAGEM

FANTÁSTICO! FABULOSO! FENOMENAL!

ASSIM FOI O FESTIVAL F Texto:

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uem andou pela Cidade Velha de Faro de 30 de agosto a 1 de setembro não terá, certamente, adjetivos suficientes para descrever aquela que foi a quinta edição do Festival F, merecidamente descrito pela organização como o último grande festival de Verão. E dúvidas não há de que foi o melhor festival que aconteceu no Algarve no corrente ano e, porque não dizê-lo, da última década. Porque o F foi, de facto, fantástico, fabuloso, fenomenal. Mas, infelizmente, como tudo aquilo que é bom, também passou como um foguete, com três dias repletos de adrenalina e excelente música para todos os gostos e idades que deixaram o entusiasmado público de água na boca para saber o que acontecerá em 2019. Claro que o Festival F não vive só de música, tem muito mais para oferecer, até ALGARVE INFORMATIVO #171

porque pretende ser um evento para toda a família e para diferentes gerações. Por isso, também houve workshops para as várias faixas etárias sobre construção de instrumentos musicais com materiais reciclados, beatbox, videomapping, artesanato. O teatro, dinamizado em parceria com o LAMA – Laboratório de Artes e Media do Algarve, foi uma das novidades da edição de 2018, com peças direcionadas para o público infantojuvenil como «Frida Khalo», de Cláudia Gaiolas, «Dama Pé de Mim», de Ana Madureira, ou o «Varredor de Marés», pela companhia teAtrito. Mas também «Muita Tralha Pouca Tralha», com direção artística de Catarina Requeijo, «Lendas da Nossa Terra, Por Romão o Ancião», com encenação de Raul Constante Pereira, e a impressionante «Sómente», de Sérgio Fernandes. Paralelamente, a programação 14


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itinerante destacou performances como «Dar a ver quando fecho os olhos», dirigida por Manuel Neiva, e a atuação do coletivo musical algarvio Alfanfare. E a música feita com recurso a instrumentos pouco convencionais interpelou o público mais jovem logo ao início da noite com o projeto espanhol «Vibra tó». O humor voltou a estar presente em grande força, na Associação Recreativa e Cultural de Músicos, no Palco Músicos, com nomes como Eduardo Madeira, Jel, Pedro Luzindro, Catarina Matos, João Pinto, Hugo Sousa, Joel Ricardo Santos, Guilherme Fonseca e Dário Guerreiro. Valter Hugo Mãe regressou ao Festival F para moderar tertúlias diárias com artistas que faziam parte do cartaz e houve até lugar à primeira sessão, depois do período de férias, do programa da TVI 24 «Governo Sombra», a partir do Museu Municipal de Faro. Entre as exposições que normalmente se associam ao evento encontravam-se «A Evolução do Braço Surrealismo na Colecção Millenium BCP e alguns ecos contemporâneos», no Museu Municipal de Faro, com obras de Mário Cesariny, Paula Rego, entre outros, e «Mare Nostrum», na Sala Alfa do Palco Arco, que reúne o olhar fotográfico de 10 fotógrafos, sobretudo algarvios, sobre o mar português e a Ria Formosa. A abrir todas as noites, o Palco Arco recebeu uma formação de jazz e terminou com nomes associados ao hip hop, com a curadoria de Gijoe, produtor e DJ algarvio com mais de 20 anos de experiência na área. E outra novidade que teve uma tremenda adesão foram as Silent Parties no Largo D. Afonso III, junto a uma das zonas de street food – a outra encontravaALGARVE INFORMATIVO #171

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se no Largo da Sé – com largas centenas de convivas a utilizaram os fones disponibilizados pela organização para ouvir e dançar ao som da música que selecionavam para o momento. Mais duas novidades bemsucedidas foram o espaço para os mais novos, sempre muito requisitado pela miudagem, e a gaming zone para os adeptos de videojogos e cosplay. Está visto que a programação dita «alternativa» foi de grande diversidade e qualidade, o que colocava

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uma enorme dor-de-cabeça às perto de 50 mil pessoas que circularam pelo centro histórico de Faro de 30 de agosto a 1 de setembro. É que simplesmente não havia tempo para desfrutar de tudo, por mais que tentássemos. E houve quem o tentasse, apesar do forte chamamento que vinha dos palcos principais, dos nomes sonantes da música portuguesa, por vezes cantada na língua de Camões, noutras ocasiões entoada no inglês mais universal. E o cartaz do Festival F, que prima por apresentar apenas cantores, bandas, projetos musicais portugueses, foi arrepiante e desafiou a resistência dos mais afoitos. 21

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O primeiro dia colocou logo três «supercraques» no Palco Ria, com Salvador Sobral a cumprir a promessa de cantar no Festival F depois de ter cancelado, à última hora, o seu concerto de 2017, por motivos de saúde. Um espetáculo de jazz, porque é esse o seu estilo, embora o grande público continue sempre teimosamente à espera do hit «Amar Pelos Dois», que trouxe para Portugal a primeira conquista, em 2017, no Festival Eurovisão da Canção. Irrequieto e irreverente como o conhecemos, não teve uma tarefa fácil, porque tinha pela frente uma plateia sobretudo

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juvenil à espera dos concertos que se seguiam, de Diogo Piçarra e dos D.A.M.A., mas, como se costuma dizer, prova superada com distinção. Diogo Piçarra que, a jogar em casa, não fosse ele farense, proporcionou um dos melhores concertos deste ano do Festival F, também acompanhado em palco por mais três músicos da terra, os talentosos Filipe Cabeçadas, Francisco Aragão e Miguel Santos. Diogo fez as delícias da assistência, cantou no meio das fãs, andou ao colo do público, «rebentou com a casa toda». De tal modo que – digo eu que não sou crítico 25

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de música mas opiniões todos temos direito a elas – praticamente ofuscou os mediáticos D.A.M.A.. Claro que o trio deixou as suas fãs a suspirar com promessas de amor, de mãos no alto, corações a saltar dos peitos para fora, mas, e é apenas uma opinião pessoal, colocar Diogo Piçarra e D.A.M.A. a atuarem de seguida no mesmo palco deixa-nos perceber que o Diogo está, artisticamente, num patamar superior. Digo eu… Para os lados da Sé esteva outro palco em grande destaque, com os concertos de Kátia Guerreiro com a Orquestra Clássica do Sul, o hip hop irreverente de Slow J – não Slow Jota como a voz off o apresentou – e os ritmos acelerados, com inspirações ALGARVE INFORMATIVO #171

brasileiras, de Blaya. Muito hip hop houve também no Palco Castelo, no coração da Vila Adentro, com Sacik Brow, Papillon e Domi, com nota mais alta para os dois primeiros. E a nova geração sabia de cor e salteado os temas dos três projetos. Ritmos mais calmos passaram pelo Palco Museu, como seria de esperar naquele espaço cultural, com Luís Severo e Sean Rilley. Já o Palco Quintalão trouxe uma das surpresas do festival, os Brass Wires Orchestra, muito bons, para além da consagrada fadista Cristina Branco. A sexta-feira piscou o olho a uma «clientela» mais adulta, com menos hip hop do que na véspera e com artistas 26


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consagrados, alguns quase da «velha guarda», como Sérgio Godinho, que abriu o Palco Ria no dia em que completou 73 anos de idade, ou Rodrigo Leão e Dead Combo, que apresentaram os seus mais recentes discos no Palco Sé. Mas foram Aurea e The Legendary Tigerman as principais estrelas da noite, com concertos verdadeiramente estrondosos, no Palco Ria e no Palco Quintalão, respetivamente. Aurea, sempre sorridente, híper-simpática, uma voz fenomenal, deu a conhecer o novo disco «Confession», enquanto o lisboeta Paulo Furtado subiu ao palco com a sua banda de suporte e exigiu um rock poderosíssimo. Em bom plano de evidência estiveram igualmente os Paus e Alexander Search – o projeto alternativo do reputado pianista olhanense Júlio Resende inspirado nos poemas de Fernando Pessoa e que tem em Salvador Sobral o vocalista. Pelo Palco Castelo passaram Ermo, Daniel Kemish e João Só e, no Palco Museu, a música esteve a cargo de Filipe Sambalo e Elisa Rodrigues. A terminar a noite, os ritmos agitados de Piruka (Palco Ria) e DJ Patife (Palco Quintalão). Quando estávamos finalmente a ganhar pedalada suficiente para aguentar as noites até ao fim, chegámos ao derradeiro dia do Festival F de 2018, mas foi, realmente, uma despedida em beleza. Sendo suspeito para o escrever, por ser fã confesso das bandas, The Gift e Moonspell foram soberbos. A sério, soberbos. Depois de ver a banda de Sónia Tavares e Nuno Gonçalves há poucas semanas em Albufeira e de ter assistido ao concerto do melhor grupo de metal português de todos os tempos 29

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há alguns meses no Cine-Teatro Louletano, as expetativas eram elevadas e, acreditem, foram amplamente superadas. Sónia Tavares é um poço de energia, irresistível, frenética, em constante interação com o público, pelo que não houve maneira de alguém ficar parado durante o concerto no Palco Ria, um mar de gente, apesar de estarmos no início da noite. Assim como é cativante e carismático a sua cara-metade, Fernando Ribeiro, o líder e vocalista dos Moonspell, que terminaram a noite no Palco Sé a uivar à lua com Full Moon Darkness e Alma Matter, verdadeiros hinos da banda. Um espetáculo diferente daquele de Loulé, com menos temas do recente disco «1755» - o primeiro totalmente cantado em português a recordar o terramoto de 1 de novembro de 1755 – e mais espaço para os êxitos de mais de duas décadas de carreira. ALGARVE INFORMATIVO #171

No Palco Sé escutaram-se igualmente os fados de Raquel Tavares e o rock alternativo de Manel Cruz, enquanto o Palco Quintalão esteve, no dia 1 de setembro, mais virado para o hip hop e a dança de Kappa Jotta, Holly Hood e DJ Glue. Música alternativa e hip hop agitaram o Palco Castelo com Surma, os farenses Homies e Bispo e no Palco Museu tocaram Golden Slumbers e Janeiro. E foi no Palco Ria que se «queimaram» as últimas energias deste inesquecível Festival F, com o espetáculo Revenge of the 90’s. Agora, que remédio temos senão esperar por 2019, para mais um dos grandes festivais de Verão, o melhor, ninguém tenha dúvidas disso, a acontecer em território algarvio .

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REPORTAGEM

TAVIRA VOLTA A PROMOVER E SALVAGUARDAR A DIETA MEDITERRÂNICA Texto:

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e 6 a 9 de setembro Tavira acolhe a VI Feira da Dieta Mediterrânica, no centro histórico da cidade, ao longo das margens do rio Gilão e na colina genética do alto de Santa Maria. O evento insere-se no Plano de Salvaguarda aprovado pela UNESCO e resulta da inscrição da Dieta Mediterrânica na Lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade, a 4 de Dezembro de 2013, em Baku, com a inclusão de Portugal e da sua comunidade representativa Tavira. ALGARVE INFORMATIVO #171

Na inauguração oficial do certame, Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, destacou o caminho positivo e construtivo que tem sido percorrido ao longo destes últimos seis anos, “para mostrar a todos aquilo que nós somos, a nossa cultura, o nosso relacionamento com a comunidade, os nossos produtos endógenos, aquilo que é a nossa criatividade e o nosso código genético”. “Tenho que agradecer a 36


todas as entidades regionais que desde a primeira hora partilham o programa que elaborámos, à União Europeia os apoios fundamentais para podermos trabalhar nesta iniciativa, e ao governo português por dinamizar e projetar este projeto a nível nacional”, frisou o edil tavirense. O comprometimento do Município de Tavira com a Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira Dieta Mediterrânica é, de acordo com Jorge Botelho, total, como facilmente se constata pelas várias iniciativas desenvolvidas ao longo do ano e das quais esta feira é apenas a de maior dimensão e com mais mediatismo. “Aqui há empresários, empreendedores, agricultores, artesãos, não só de Tavira e do Algarve, mas de todo o país, porque queremos divulgar aquilo que é realmente genuíno. A Dieta Mediterrânica tem Miguel Freitas, Secretário de Estado das Florestas contribuído grandemente e do Desenvolvimento Rural para a afirmação dos produtos agrícolas portugueses, A representar o governo português acrescentando-lhes valor e esteve Miguel Freitas, Secretário de incorporando-os na fileira da Estado das Florestas e do comercialização e do turismo. Turistas Desenvolvimento Rural, para quem a que não se importam de pagar mais para Dieta Mediterrânica pode ser um ter bons produtos”, salientou. elemento essencial para projetar 37

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mudanças rápidas”, alertou o governante.

Portugal além-fronteiras. “Estamos agora a dar um passo para um patamar superior com a criação do Centro de Competências da Dieta Mediterrânica, que tem cerca de duas dezenas de parceiros a nível nacional, dos quais se destacam os centros de racionalidade, as universidades. A salvaguarda deste elemento patrimonial é absolutamente crucial porque vivemos num mundo de ALGARVE INFORMATIVO #171

Miguel Freitas lembrou ainda que, no concurso «7 Maravilhas à Mesa», houve um grupo liderado pela Universidade do Algarve que, aquando da escolha dos pré-finalistas, determinou quais os elementos da Dieta Mediterrânica incluídos em cada candidatura e que foram determinantes para passarem à fase seguinte. “A Dieta Mediterrânica é muito importante do ponto de vista dos seus produtos e das suas produções, mas nós olhamos para ela numa perspetiva diferente, pois entendemos que ela é decisiva para a preservação das paisagens alimentares do país. É uma questão que temos que investigar mais e estamos a assistir, no Algarve, a uma 38


transformação que parece lenta, mas que vai ser irreversível. Temos que perceber se é verdadeiramente importante para a região alterarmos a nossa paisagem agrícola à velocidade que estamos a fazer, particularmente nos regadios, ou se é mais importante preservar o pomar tradicional de sequeiro algarvio”, afirmou o Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, antes das muitas entidades oficiais iniciarem uma visita pelo recinto da feira. O evento volta a cumprir os objetivos de transmissão dos valores ancestrais da Dieta Mediterrânica, legado das civilizações que originaram a nossa identidade, língua e cultura. Ao mesmo 39

tempo, estimula relações humanizadas de cooperação, confraternização entre gerações, partilha de objetivos e recursos comuns. O programa de 2018 reflete, aliás, o trabalho de parceria alargada, com a feira institucional e presença de outros países, de instituições nacionais e regionais, mercado de produtores, mostras botânicas, praça da convivialidade e ALGARVE INFORMATIVO #171


restauração, provas gastronómicas e petiscos, música e outras artes performativas, poesia, exposições, projeções, visitas ao património e às coleções de fruteiras e muitas outras novidades. A feira conta, uma vez mais, com stands institucionais, mercado de produtores, aconselhamento nutricional e cardiovascular, jardim mediterrânico, exposição de sementes e variedades endógenas, o Vaivém do Oceanário de Lisboa, atividade física promovida por ginásios locais, carrossel ecológico, homens-estátua, exposições no Museu Municipal de Tavira e conversas sobre temáticas relacionadas com a Dieta Mediterrânica. No Mercado da Ribeira e no Mercado Municipal acontecem várias demonstrações, oficinas e exposições culinárias. Para o público infantojuvenil foi pensado um programa especial com oficinas, jogos, ALGARVE INFORMATIVO #171

exposições, teatro de marionetas, magia, contos tradicionais portugueses, música e muitas surpresas. Na Praça da República atuam António Zambujo, o andaluz Diego El Cigala, a fadista Carminho e AGIR. Pelo palco do Castelo passam os italianos Mascarimiri, os gregos Ria Ellinidou & Band «Colours of Greece», a andaluza Rocío Marquez e os marroquinos AYWA. A Igreja da Misericórdia é palco dos concertos do quarteto Ensemble Med e da jovem pianista andaluza Penélope Carrasco. Na Igreja das Ondas há uma viagem pela poesia mediterrânica com Carlos Mota de Oliveira, acompanhado por António Candeias, o Duo Mediterraneus e os Suono Cantabile com voz e alaúde. Destaque, também, para a participação de grupos etnográficos portugueses como o Grupo de Pedrinhas de Arronches, Os Ganhões de Castro Verde, Cana Rachada da Azambuja, os Chocalheiros de Vila 40


Verde de Ficalho e a mascarada tradicional dos Caretos de Podence. Há ainda participações de ranchos folclóricos, da Banda Musical de Tavira, de grupos de música popular portuguesa, bem como oficinas de danças tradicionais mediterrânicas e o Fado com História, no Largo da Capela de Nossa Sra. da Piedade. A gastronomia mediterrânica está, como é óbvio, disponível nos cinco restaurantes e tascas localizados na Praça da Convivialidade /Parque do Palácio da Galeria, mas também aderiram à Feira dezenas de restaurantes do concelho que disponibilizam menus relacionados com a dieta mediterrânica . 41

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REPORTAGEM

SAGRES RECEBE CAMPEON DO MUND DE PESCA SUBMARI Texto:

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NATO DO A INA 47 47

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té dia 10 de setembro, Sagres recebe o XXXI Campeonato do Mundo de Pesca Submarina, organizado pela Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas (FPAS), sob a alçada da Confederação Mundial das Atividades Subaquáticas e em parceria com a Câmara Municipal de Vila do Bispo. A competição, em equipas e individual, pretende promover a prática da pesca submarina, desconstruindo alguns mitos relacionados com este desporto, como sejam a contribuição para a extinção das espécies. Por isso mesmo só são permitidas capturas ALGARVE INFORMATIVO #171

de espécies com valor desportivo, identificadas no regulamento particular da prova, com limites mínimos de peso e quotas por espécie. Em simultâneo decorre a I Taça do Mundo de Pesca Submarina na vertente feminina. Recorde-se que o último mundial realizado em Portugal aconteceu em Sines, em 2006, tendo-se Portugal sagrado, na altura, Campeão Mundial por Equipas. Em 2011, em Peniche, mais um título para as cores nacionais, desta feita do algarvio Jody Lot, que foi Campeão Europeu Individual e, no ano seguinte, consagrou-se como Campeão 48


Mundial Individual, em Vigo. Agora, em Sagres, a equipa portuguesa será orientada pelo antigo atleta Rui Torres e as expetativas são elevadas. Contudo, apesar destes pergaminhos, e de acordo com Ricardo José, Presidente da FPAS, trazer o Mundial de Pesca Submarina para Portugal foi uma tarefa quase impossível de concretizar. “Sagres foi um ponto de partida para os Descobrimentos e é bastante interessante do ponto de vista da pesca submarina, porque existem histórias de grandes pescarias e exemplares capturados nessa região. Mas tem sido um desafio monstruoso da nossa parte e de todos aqueles que nos têm ajudado e há que enaltecer o empenho e envolvimento da comunidade local neste processo. Sagres, sendo uma vila de pequena/média dimensão, não estaria, à partida, preparada para receber um evento desta escala, mas a

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Câmara Municipal de Vila do Bispo abraçou desde a primeira hora este desafio e acredito que será uma prova memorável”, referia Ricardo José em entrevista poucos dias antes do começo da competição.

plataforma de 40 metros que ficará para além do campeonato. Acho que também esgotámos toda a capacidade hoteleira do concelho e foi necessário montar uma série de estruturas em

Sagres tem uma mais-valia para uma prova desta natureza, o facto de possuir uma costa sul e uma costa oeste, o que permite ter uma zona de salvaguarda em relação aos estados climatéricos que dá maior fiabilidade à organização no que toca às condições de mar. Estar, no entanto, no extremo mais sudoeste de Portugal complica em termos logísticos, reconhece Ricardo José. “O Porto da Baleeira, por exemplo, também não estava preparado para receber tantas embarcações de recreio, o que originou um investimento da Docapesca para garantir esse suporte de água, com uma ALGARVE INFORMATIVO #171

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terra para acolher o evento, como uma tenda onde decorrerão as pesagens dos peixes capturados e as refeições”, descreve o dirigente.

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O fator mais complicado de resolver resultou, todavia, do menor fulgor que a náutica de recreio tem vivido nos últimos tempos, porque é cada vez mais difícil, e problemático, manter uma embarcação destas em Portugal. Engane-se, por isso, quem pensa que uma prova de pesca submarina apenas exige a presença do mar e de boas condições naturais dentro e fora de água, há toda uma logística necessária, ainda mais numa competição de caráter mundial. “É, sem dúvida, uma tarefa herculeana que só foi possível com a excelente colaboração da Câmara Municipal de Vila do Bispo ao nível do investimento”, destaca, garantindo que a equipa portuguesa não vai apenas «picar o ponto» no Mundial e que tem todas as condições para fazer um brilharete. “Já temos dado provas disso no passado, mesmo com fracos apoios financeiros. Infelizmente, a Federação não consegue ajudar na totalidade do investimento e do esforço que os

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atletas nacionais fazem quando representam a nossa bandeira, porque isto não é futebol e os recursos que recebemos da tutela, ou mesmo dos patrocinadores, não são suficientes. Mesmo assim temos atletas de grande valor, uma comitiva bastante forte, um selecionador muito experiente. O Jody Lot já foi campeão do Mundo e da Europa e conhece muito bem a zona. O Matthias Sandeck vai ser reserva, mas também é do Algarve, conhece bem as ondas e está a apoiar as três duplas na sua preparação”. Preparação que, nesta modalidade, se traduz em fazer um trabalho de prospeção, de identificação das zonas mais fortes, de águas mais quentes, onde o peixe pode abundar. Depois, nos dias de competição, os portugueses vão para a água e tentam fazer o seu melhor, mas lutam contra grandes potências da pesca submarina, dotadas de muito mais apoio financeiro. “É verdade que estamos a jogar em casa, mas há equipas ALGARVE INFORMATIVO #171

estrangeiras que conseguiram fazer uma prospeção bem mais forte que a nossa, o que parece não fazer sentido. Há equipas de outros países há mais de um mês em Sagres a estudar o mar. Os sul-africanos vieram, em 2017, na mesma altura do ano, fazer a sua preparação. Os atletas portugueses têm que trabalhar para sustentar as suas famílias e, em simultâneo, dedicar parte do seu tempo para se prepararem para o Mundial”, revela Ricardo José.

Se as condições logísticas e os apoios financeiros são fulcrais para o sucesso de qualquer modalidade, não menos importante é o público e a pesca submarina luta, nesse aspeto, contra duas tremendas dificuldades: por um lado, o facto de grande parte da ação ocorrer debaixo de água, longe do olhar dos espetadores; por outro, a ideia 52


errada de que estes atletas estão a colocar em risco as espécies que vivem no mar. Uma noção que o presidente da Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas rejeita totalmente. “A pesca submarina é a arte de pesca mais seletiva que existe. O pescador ou caçador vai para dentro de água e escolhe o exemplar que pretende capturar, o que não é nada fácil porque o peixe está no seu ambiente natural. Depois, esta prática é feita em apneia, portanto, o nosso tempo dentro de água depende do fôlego de cada um. Finalmente, boas condições de visibilidade dentro de água só se encontram em poucos dias do ano”, explica Ricardo José, lamentando a desinformação de quem tutela esta modalidade, daí ser uma das práticas desportivas mais restringidas em território nacional. “Todas as provas organizadas pela Federação Portuguesa de

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Atividades Subaquáticas têm um cariz social e o peixe capturado é entregue a instituições particulares de solidariedade social, neste caso à Santa Casa da Misericórdia e à Caritas. Para além disso, e com a colaboração do IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera, vamos realizar um ato simbólico de libertação e reposição de alguns exemplares ao mar”. Ricardo José fala da constante preocupação da FPAS em preservar o ambiente e os ecossistemas, comprovada pelos regulamentos bastante restritos das competições, tanto em número de capturas, como das espécies que podem ser capturas e dos pesos mínimos que elas devem possuir para serem capturadas. “Quanto mais sedentária ou próxima do leito do mar for a espécie, menos exemplares

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permitimos que sejam capturados”, frisa. No que toca ao facto do público não estar a ver o que se passa debaixo de água durante a competição, pouco há a fazer, reconhece o dirigente. “A impossibilidade de ver, em direto, o que está a acontecer é algo transversal a todas as atividades subaquáticas. Tentamos trazer parte dessa adrenalina para o grande público através de fotografias e vídeos e explicamos como se desenrola a modalidade. O ponto alto da competição é o ritual da pesagem e as pessoas até podem ser presenteadas, por via de um sorteio, com alguns exemplares que foram capturados”, conta. “Os portugueses têm uma imensa raça, vontade, espírito de sacrifício, o que nos permite ir sempre para além do que expectável, daquilo que os outros pensam que nós conseguimos fazer. Não é fácil, mas vamos lutar pelo título, como fazemos sempre, seja em Portugal ou no estrangeiro. Somos uma potência na pesca submarina e as outras nações têm sempre respeito pela nossa seleção”. ALGARVE INFORMATIVO #171

Com elevadas expetativas estava, igualmente, Adelino Soares, presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, que rapidamente aceitou o repto da Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas para Sagres ser o anfitrião do XXXI Campeonato do Mundo de Pesca Submarina, mas também da I Taça do Mundo Feminina de Pesca Submarina. “Nem tão cedo voltaremos a ter a oportunidade de acolher, no concelho da Vila, um evento desta dimensão, apenas ultrapassado pelos Jogos Olímpicos. É algo prestigiante para Vila do Bispo, para o Algarve e para Portugal”, justifica, reconhecendo tratar-se de um grande esforço financeiro para um Município que, como se sabe, não «nada» em dinheiro. “Mas temos a certeza que o retorno para o território e para a economia local é bastante superior. Há seleções estrangeiras hospedadas há mais de um mês em Vila do Bispo, a comer, a fazer compras, a levar a sua vida neste 54


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Adelino Soares. Presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar e Ricardo José, Presidente da Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas

concelho. E, depois de conhecerem as qualidades de Vila do Bispo e de Sagres, nada os impede de regressarem, no futuro, quer para treinarem, como para gozarem férias em família”, afirma o edil vila-bispense. Mar que é, sem dúvida, uma das riquezas de Vila do Bispo, um dos seus principais cartões-de-visita, que o projeta para o mundo inteiro, por isso, Adelino Soares falou também das rigorosas regras da pesca submarina, uma modalidade que respeita a natureza. “Somos um território que não possui muitas infraestruturas desportivas físicas, mas temos toda esta beleza natural, um recurso que é nosso e que pode ser usufruído por todos os outros, sempre no respeito pelo meio ambiente”, destaca o autarca, reconhecendo que, em setembro, começa 57

o «Verão» de Vila do Bispo, com eventos como o Campeonato do Mundo de Pesca Submarina, o Festival dos Perceves, o Festival de Observação de Aves e outros. “E vamos tentar trazer para o nosso concelho o Campeonato do Mundo de Fotografia Subaquática. Temos um conceito um pouco diferente do resto do Algarve, entendemos que já existem muitas atividades em julho e agosto no resto da região e os nossos visitantes preferem ter paz e sossego durante esses meses. A partir de agora realizam-se vários eventos importantes que ajudam a combater, de forma bastante expressiva, a sazonalidade. É uma estratégia que tem resultado e que é para manter no futuro”, garantiu Adelino Soares .

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ENTREVISTA

«PORTUGAL NÃO ESTÁ À VENDA!» UM FILME PARA NOS RIRMOS DE NÓS PRÓPRIOS… E PARA MANTERMOS OS OLHOS ABERTOS Texto:

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streia, finalmente, a 27 de setembro, «Portugal não está à venda!», a primeira longametragem do algarvio André Badalo, realizador com uma carreira bem-sucedida e com vários prémios conquistados nas curtasmetragens. Um sonho antigo que demorou mais de dois anos a ver a luz do dia, porque se queria falar da crise que Portugal atravessou recentemente e do período em que a Troika ditou as regras que regiam o nosso dia-a-dia, mas não se pretendia fazer um filme derrotista, explicou-nos, à conversa logo pela manhã na Fuseta. “O filme vai sair na altura certa ALGARVE INFORMATIVO #171

e com a motivação certa. Nunca quis fazer um filme político sobre estes ou aqueles, é apenas uma comédia sobre uma família que se passou da cabeça com a crise e de como é que a enfrentou. Faz-te rir porque retrata a forma desesperada como enfrentamos as adversidades”, descreve André Badalo. Sem querer bater na tecla da falta de apoios que Portugal dá à cultura, neste caso concreto à Sétima Arte, o olhanense reconhece que concluir «Portugal não está à venda!» foi uma tarefa bastante complicada, por se 64


início do oceano, somos um país imenso”, garante, sem falsas modéstias. Como não havia financiamentos à altura das entidades centrais, demorou mais tempo para que todas as condições estivessem reunidas, mas a produtora Original Features também não desejava lançar um filme que fala sobre a crise e do modo de a vencer, no auge dessa mesma crise. “Há determinadas coisas que poderiam cair mal ou ferir algumas suscetibilidades se a comédia saísse para o mercado na altura errada. Agora é o momento certo porque, com o tempo que entretanto passou, já conseguimos olhar para algumas situações que realmente nos aconteceram e rirmo-nos delas. O que nos andaram a fazer foi ridículo e, ao mesmo tempo que nos faz rir, também assegura que não nos vão enganar outra vez”, acredita o entrevistado.

tratar de um filme grandioso e com um orçamento gigante. “Era importante, tanto para mim como para o próprio país, fazer isto com as devidas condições. Não podia fazer um filme sobre o país mais bonito do mundo – que um dia pode deixar de ser um país – à coitadinho, pobrezinho, às choramingas. O filme tem o maior elenco de sempre do cinema português, sobretudo se falarmos em comédias, com muitos locais, um estádio cheio de gente a gritar com uma Primeira-Ministra que diz que vai salvar o país, com festas em alto-mar. É um filme grande porque, apesar de vivermos nesta gotinha pequenina no 65

Para André Badalo, o timing do lançamento dos filmes é extremamente importante quando o realizador quer, efetivamente, que as pessoas reflitam sobre aquele tema, até porque não é adepto de explorar sofrimentos. “Eu exploro factos e não sou «pezinhos de lã». Se é para falar das coisas, é com determinação. A mim não me intrujam mais, nem me metem barretes na cabeça! Como realizador tenho o dever de promover a discussão e a reflexão”, defende, assegurando que «Portugal não está à venda!» não é uma comédia bacoca e sem sumo. “Sou suspeito para falar, mas foi um filme feito com imensa paixão e com uma grande vontade de promover a mudança. É ALGARVE INFORMATIVO #171


uma comédia em que nos rimos imenso, sobre aquilo que aconteceu, mas que pode voltar a acontecer. Depois da tempestade vem a bonança, mas depois da bonança pode regressar a tempestade, portanto, temos que manter os olhos abertos”, avisa. «Portugal não está à venda!» não é, então, um filme político, nem sobre a desgraça, mas sim sobre a família mais louca do país e com personagens com as quais o cidadão comum se vai rever facilmente. “Temos o Pedro Teixeira, o melhor ator da sua geração, divertido e com uma contenção dramática fortíssima, que é o boy next door, pode ser o teu primo ou irmão, e é o herói mais improvável deste país. É um hipocondríaco que anda sempre com uma bomba de asma, mas não sofre de coisa nenhuma, e descobre, de repente, provas de que vamos ficar sem Portugal.

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Vai ter que enfrentar os bandidos mais bandidos, os gajos mais corruptos do mundo, uma máfia terrível que é um verdadeiro governo, ou desgoverno”, adianta André Badalo, de sorriso nos lábios. Continuando a abrir o apetite para o filme, o realizador fala também da namorada do herói do filme – Sebastião Dias – interpretada por Rita Pereira, uma relação que dura há mais de dez anos e que todos os dias espera por um pedido de casamento. “Da paixão à tempestade são três passos e ela é uma durona, filha de um Capitão de Abril. Se eles conseguirem sobreviver um ao outro, talvez consigam salvar Portugal”, comenta André Badalo, prosseguindo com a descrição da família mais louca do universo, da qual fazem parte também uma tia que foi dada como morta pela Segurança Social,

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outra tia que enterra mortos, um primo choramingas que perde os seus negócios e duas primas atrevidas. “São pessoas como qualquer um de nós, retratando as gerações dos 20 aos 60 anos, que ficaram loucas com estes gajos que nos andaram a enganar e a roubar. O problema é que, quando uma pessoa se passa da cabeça, ela fica disposta a tudo, e isso acabou por sobrar para os malandros”.

Para além de realizador, André Badalo escreveu também a história de «Portugal não está à venda!», em parceria com Vera Casaca e João Raposo, e já sabia os atores que pretendia para interpretar cada personagem. “O elenco é praticamente todo constituído por primeiras escolhas. Alguns deles nem os conhecia, mas sabia que eram os mais indicados para cada personagem. Depois, foi criar as tais condições para fazermos isto e resultou muito bem”, considera, sem esconder a 67

satisfação a poucas semanas da estreia. “Temos a Dalila Carmo e a São José Correia a fazerem de cabeleireiras de bairro num salão ilegal montado numa garagem de Olhão. Estiveram em estágio em Olhão e na Fuseta, a trabalharem mesmo num salão para serem mais realistas. Nota-se uma transformação completa dos atores em personagens reais”, sublinha Badalo. André faz parte de uma geração de novos realizadores, com novas ideias, que estão a abalar o sistema, encabeçando uma revolução com as histórias que têm para contar. “Podemos demorar algum tempo, mas não nos conseguem parar e demover. A revolução já está na rua. Quando apresentei o projeto sobre o dia em que Portugal era posto à venda, toda a gente se ria e dizia que o país já tinha sido vendido, mas sentiram que havia aqui um sentido de missão. A nível de energia, de mentalidade e de ideias, ALGARVE INFORMATIVO #171


todos estes atores são mais novos do que eu, senti-me quase como um educador de infância num playground. A loucura era imensa e fomos uma família em que todos quiseram incutir o seu cunho pessoal”, salienta o entrevistado. Uma loucura que se espalhou, inclusive, a um estádio de futebol ou às ruas das cidades de Olhão, Loulé, Tavira e São Brás de Alportel, em manifestações contra os poderes instalados, o que demora tempo a preparar, como se adivinha. “Felizmente, os apoios que tivemos das autarquias de Olhão, Tavira, Loulé, Vila do Bispo e São Brás de Alportel, permitiram-nos mostrar as diversidades do povo português. Olhão como cidadepiscatória e cubista com aqueles terraços bastante giros. Tavira como cidade romântica das igrejas, com o Rio Gilão, ALGARVE INFORMATIVO #171

parece uma pequena Veneza. São Brás de Alportel onde filmamos mesmo no topo da Serra do Caldeirão, com aquelas casas e vegetação típicas, para além do centro histórico. Vila do Bispo é o princípio e o fim do mundo, é lindo, épico. Filmamos as subidas e descidas dos penhascos em Sagres. Aliás, filmámos na praia onde, correm os rumores, D. Sebastião ia ouvir música”, indica, recordando o episódio em que quis levar um trono para a praia para o regressa de D. Sebastião, um trono que, na crise, se transformou num sofá roto, de grandes dimensões, forrado a verde, qual bandeira nacional. “Nas novelas é praticamente tudo feito em estúdio, aqui vemos o Portugal real, o país mais bonito do mundo. Se assim não fosse, não havia quem quisesse comprar o país”. 68


Beleza cénica não falta, de facto, em «Portugal não está à venda!», filmado quase todo no Algarve, mas também em Lisboa, Porto, Coimbra, Marvão, até Pedrogão. Mas a família louca que não se deixa enganar é algarvia. “A agência funerária da Maria Vieira é em Loulé das suas avenidas, um Loulé cultural onde o Luís Represas dá um concerto que é interrompido pela Maria vestida de António Variações. São estados de loucura que, contados, parecem surreais. É como nos filmes do Jerry Lewis, rimonos imenso das coisas, mas tudo aquilo era possível de acontecer”, considera o realizador e argumentista, adiantando que o trio que escreveu o filme se baseou apenas em histórias verdadeiras. “A tia do Sebastião é dada como morta pela Segurança Social e, no mundo real, houve uma aldeia inteira do Alentejo que recebeu uma carta da Segurança Social a dizer que estavam mortos. A Maria Vieira quer salvar o marido que tem uma

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doença para a qual os medicamentos lhe são negados, como sucedeu com a Hepatite. Apenas exageramos nas peripécias com que as personagens lidam com as histórias”, explica André Badalo. Manter os olhos abertos é, então, fundamental, nem que seja necessário disparar uns alarmes com um frasco de laca num hotel, como faz Maria Vieira, ou interromper um programa de televisão em direto, vestido de bailarino africano, como faz Pedro Teixeira, ou enfrentar um ministro num estádio de futebol, trajado com um galo de Barcelos. “O meu objetivo foi fazer um filme que diverte as pessoas, mas que lhes abra também os olhos e mostre a esses bandidos que já não nos enganam mais”, dispara André Badalo. “Temos feito vários testes com espetadores e eles choram de rir, escorrem-lhe as lágrimas pelo rosto abaixo em determinadas cenas. É um

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nonsense que não é nada parvo, que fala de assuntos sérios. Fiquei com sentido de missão cumprida”, reconhece. “A nossa história tem sido marcada por pontos altos e baixos e, felizmente, os pontos altos acabam por ser melhores. Agora, vem a loucura da promoção. O filme tem dos melhores elencos que já vimos, com excelentes personagens. Vamos ter trailers na televisão, outdoors na rua, videoclips do Luís Represas e do Diogo Piçarra. Em setembro, só se vai falar do «Portugal não está à venda!», acreditem”. Em final de conversa, a pergunta da praxe, “e agora?”, com André Badalo a responder que tem mais três curtasmetragens prontas para lançar e que já começou a preparar a próxima longa-

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metragem e uma série de televisão. “Foi um ano de loucos. Fiz a polémica campanha antitabaco das princesas, que a Organização Mundial de Saúde distribuiu a nível internacional. Fiz a campanha contra o açúcar, também muito polémica, foram videoclips, um ano a dar aulas como diretor de curso numa escola. O difícil foi conseguir conciliar os projetos todos”, admite, deixando o convite, mais uma vez, para assistir a «Portugal não está à venda!», já a partir do dia 27 de setembro. “São os melhores atores nas melhores personagens, que somos nós. Quando os malandros nos enlouquem, depois vão ter que gramar com as nossas loucuras e é esse «vale-tudo» que nos faz rir imenso” .

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ENTREVISTA

DANIEL PIRES APOSTA NA REPRODUÇÃO DE CAVALOS E AINDA SONHA COM COMPETIÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS COMO CAVALEIRO Texto:

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são-brasense Daniel Pires venceu o XXX Festival Internacional de Puro Sangue Lusitano – 2018, que se realizou, em Cascais, entre 21 e 23 de junho, numa organização da Associação de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano. Para além disso, sagrou-se Campeão dos Campeões do Algarve, ou seja, foi o conjunto que reuniu maior número de pontos entre todos os participantes. Em Cascais, no hipódromo Manuel Possolo, Daniel Pires concorreu com dois cavalos, Hidalgo e Hortelão das Postas. Hidalgo que já contava com duas medalhas de bronze (nível P 4 anos e nível E 5 anos) e ouro nível M 6 anos, tendo agora conseguido o título de Campeão no nível médio, a que se somou o título de vice-campeão com Hortelão das Postas. Medalhas que se juntam a muitas outras, num palmarés recheado de feitos que, infelizmente, passam ao lado do grande público, por estarmos a falar de dressage, da equitação de ensino, bem menos mediática do que as competições de saltos de obstáculos. A faceta mais recente de Daniel Pires, e por onde começou a conversa na sua residência, em São Brás de Alportel, é a de reprodução, tendo tido a oportunidade de, em 2017, «alugar» a barriga de Rociera, a mãe de Hidalgo, que inseminou artificialmente com a semente do reputado garanhão Peralta, que já tem muitos filhos com provas dadas. “Tenho vindo a acompanhar o crescimento da Núbia e acho que, daqui a uns anos, vamos ouvir falar bastante daquela égua”, fala, com orgulho, do primeiro ALGARVE INFORMATIVO #171

cavalo lusitano nascido no concelho. “Para mim, o mais importante é estudar bem as mães para percebemos que características temos que ir depois buscar ao garanhão. Mas a reprodução é uma carta fechada, nunca sabemos bem o que vai dali resultar”, assume.

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Rociera que é uma égua de letra R, já com alguma idade, proveniente de uma linha mais barroca e antiga da famosa Coudelaria Ervideira, uma das melhores eguadas nacionais em tempos atrás. “Tive a oportunidade, através do meu amigo David Inverno, de adquirir este poldro 77

Hidalgo. Ele entretanto parou um pouco com a reprodução e, antes que a Rociera falecesse, perguntei-lhe se não me cedia a barriga durante um ano. Fiz a inseminação artificial com o Peralta, o que idealizei foi uma fêmea, para ficar com a linha da mãe assegurada, e foi isso que aconteceu”, ALGARVE INFORMATIVO #171


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explica, garantindo que não estamos na presença de uma ciência exata. “Tenho vindo a acreditar no meu feeling, nas minhas experiências, naquilo que sinto enquanto cavaleiro. Quando sentimos e vimos, aumentam as possibilidades de termos sucesso. Já testei a égua e, mesmo sendo nova, fiquei com uma ideia do que vai ser, no futuro, em termos de andamento e personalidade. Se se deixa ensinar montada, ou não, é outra questão. Por vezes, irmãos e irmãs do mesmo pai e mãe saem completamente diferentes”, refere. A reprodução avançou bastante, de acordo com o entrevistado, e longe vão os tempos em que, numa coudelaria de 20 ou 30 éguas, se «jogava» o garanhão a todas elas. Depois, tendo uma seleção voltada mais para o cavalo lusitano de desporto, reduziu-se o efetivo das éguas, que são testadas montadas antes de se escolher o garanhão mais correto para ser seu par. “Há vários garanhões de excelência em Portugal, alguns recomendados pela própria Associação de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano, como é o Rubi, Spartacus, Peralta entre outros. Se quisermos um animal de excelência vocacionado para a vertente desportiva, os custos são elevados”, reconhece Daniel Pires. “Se formos atrás de um padrão para o desporto em que prevalece o tamanho, os andamentos, a personalidade, se tem irmãos ou irmãs que se deixaram ensinar e que vêm de uma linha de excelência, é um investimento avultado, que pode ir dos 10 aos 100 mil euros, e outros nem valor têm”.

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O problema é que, conforme referido anteriormente, não estamos a falar de uma ciência exata e nem todos os cavalos atingem o nível máximo, o Grande Prémio, outros não têm aptidão para a componente desportiva, outros não se deixam montar, outros sofrem lesões pelo caminho. "Portugal tem o melhor jogador de futebol do mundo, mas quantos é que querem lá chegar e não conseguem por várias razões? Com os animais verifica-se a mesma situação. Há linhas e padrões de raça a seguir e nem todos os cavalos dão para a mesma modalidade. Da modalidade mãe, Ensino dressage, os cavalos podem seguir para todas as outras vertentes, mas alguns são melhores do que outros, como em tudo na vida. E, mesmo tendo muito conhecimento e experiência, podemos errar nas ideias e nos feelings”, avisa Daniel Pires.

Criação que apareceu por simples curiosidade na vida do são-brasense e por acreditar na linha que tinha em mãos, embora já ambicionasse ter, há algum tempo, um produto exclusivamente seu, uma linha desenvolvida por si, que se valorizasse e brilhasse nas competições. E Portugal até tem vários criadores de renome, como Vasco Freire, Luís Pidwell, Torres vaz Freire entre muitos outros, com linhas conceituadas e provas dadas por esse mundo fora. “Eu queria criar algo meu e tinha acesso a uma égua, a mãe ALGARVE INFORMATIVO #171


do meu Hidalgo, que tem potencial em termos de mecânica e de vontade de trabalhar. Seria também uma forma de poupar dinheiro porque, se quisermos comprar um bom produto numa coudelaria de renome, isso tem o seu custo”, justifica. E porque a conversa começou, vá lá, pelo fim, decidimos que era tempo de regressar ao princípio de toda esta caminhada, com Daniel Pires a contar que a sua atividade principal, durante quase duas décadas, foi o futebol. O primeiro contato com cavalos deu-se por volta dos 10 anos, quando ainda vivia em Santa Bárbara de Nexe. “Um senhor tinha um cavalo que engatava numa charrete. Sem saber montar ou sequer colocar um arreio, a minha curiosidade de miúdo deu-me para montar a pelo, andar pelos terrenos fora, e assim nasceu a paixão. Em São Brás de Alportel vim encontrar o Manuel Costa Alves, um praticante de equitação de trabalho, e aprendi com ele muito do que sei hoje, aos 14, 15 anos”, recorda. O miúdo fez-se homem e foi ganhando força a ideia de que, quando abandonasse o futebol profissional, se iria dedicar à equitação de competição. A carreira futebolística foi, contudo, prejudicada porque teve que cumprir o serviço militar obrigatório pelo meio, depois, foram os problemas de saúde do pai, que partiu deste mundo em 2018, o que colocou Daniel Pires a jogar no distrital. “A diferença de nível competitivo foi um grande choque, desisti da bola e dediquei-me a sério aos cavalos. Cedo quis evoluir e procurei hoje o amigo e treinador Filipe Canelas Pinto, cavaleiro internacional que dispensa ALGARVE INFORMATIVO #171

apresentações pelo seu currículo invejável, fazemos estágios com alguma regularidade de à uns anos para cá, os resultados foram aparecendo e pronto…”, resume o entrevistado, dizendo que entrar para a equitação numa idade mais avançada é sempre relativo. “Estou a competir a um nível com alguma responsabilidade e peso na modalidade e o segredo é a forma como se investe, como se 80


aposta, e a ajuda que procuramos. Podia ter começado mais cedo e não ter ido a lado nenhum. Por aconselhamento dos mais experientes e pela minha personalidade e ideias, evolui de uma maneira bastante rápida e os frutos cedo apareceram”. Dressage que é uma modalidade bastante complexa e exigente tecnicamente, garante Daniel Pires, e os 81

erros cometidos são importantes para se crescer. “Levam-nos a pensar e repensar, a alterar muita coisa nos treinos e estágios para irmos à procura da perfeição, porque os pormenores fazem toda a diferença. A parte mais difícil é, todavia, compreender os animais, aquilo que eles querem, o que nos estão a dizer sobre os movimentos e os treinos no dia-a-dia”, entende o cavaleiro, acrescentando que também ALGARVE INFORMATIVO #171


se aprende imenso a montar cavalos diferentes. “Não há dois passos de trote ou galope iguais, mas depois, para irmos para dentro das pistas, é necessário um elo de ligação bastante profundo entre cavaleiro e cavalo para que as coisas saiam da melhor maneira possível. Procuro encaixar as peças com a informação que o meu treinador me dá e aquilo que desenvolvemos no treino, mas, por vezes, o animal diz-nos algo que nos obriga a fugir um bocadinho daquela base”.

Fruto de muito trabalho e dedicação, os resultados apareceram depressa na carreira de Daniel Pires enquanto cavaleiro. Apesar disso, os erros continuam e irão sempre continuar a acontecer. “Claro que, de há uns anos para cá, erro menos, e espero cada vez errar menos”, reconhece, acreditando que ainda vai a tempo de competir num patamar superior, quiçá chegar a nível Internacional. “Não é segredo para ninguém que esta modalidade é cara e qualquer cavaleiro que sonhe com um Campeonato da Europa ou do Mundo, ou com os Jogos Olímpicos, tem que investir muito para que isso se concretize. Não é impossível, é um sonho que alimento, mas tenho os pés bem assentes na terra e sei as dificuldades que isso acarreta. Quem sabe se, amanhã ou depois, não aparece alguém que olhe para o meu trabalho de uma maneira diferente e que queira investir nele? Alimento esses sonhos e trabalho todos os dias pensando neles,

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mesmo não sendo um profissional assumido”, aponta o são-brasense. Certo é que, apesar de uma lesão no joelho e, principalmente, do falecimento do pai, 2018 tem sido um ano positivo em termos desportivos, o que leva Daniel Pires a sonhar com voos mais altos, em disputar a Taça de Portugal e apenas provas de carater nacional. No entanto, há outro obstáculo pelo caminho, o facto de viver no interior do Algarve, longe dos holofotes da equitação. “A aposta no nacional ainda não aconteceu precisamente por causa da distância que tenho que percorrer para ir a esses campeonatos. Quem vive no centro do país está a 30 ou 40 quilómetros de grande parte das provas, eu estou a 300 ou 400 quilómetros, o que inflaciona tremendamente as despesas. Já tenho alguns apoios, nomeadamente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, da Bafrutal e do Bike Clube São Brás, que têm sido essenciais no meu trajeto, mas ainda não são suficientes para dar esse salto”, admite, o que não impede que o nome de Daniel Pires já seja conhecido na altaroda da equitação de ensino, no dressage. A vida de cavaleiro não é fácil, está mais que visto, implica fazer um planeamento financeiro super rigoroso e não cometer muitos erros, porque os erros custam dinheiro, por isso, o principal intuito de Daniel Pires é continuar a construir um currículo sólido e reconhecido. A vertente da reprodução é outra aposta do entrevistado, trabalhando em parceria, 82


há alguns anos, com a criadora Deolinda Bartolomeu. “Temos já muita coisa pensada nessa vertente, onde está incluída a Núbia, a PSL são-brasense, e outros produtos que ela tem em mãos. Possui uma eguada que tem dado produtos muito funcionais, entre os quais o Hortelão das Postas, e queremos constituir uma equipa em que ela tem a parte da reprodução e eu continuo a desenvolver a componente da montabilidade e o aconselhamento nos cruzamentos que ela deverá fazer”, revela. Para já, todavia, as atenções estão concentradas no Campeonato Nacional que se vai disputar no último fim-desemana de setembro, em Lisboa, para o qual Daniel Pires se qualificou por ter vencido o Campeonato Regional do 83

Algarve nível M. E com uma particularidade, esclarece, tem corrido sempre com um cavalo dentro da letra. “A fase de desbaste do cavalo é aos três anos de idade. Aos quatro anos está apto para entrar em competição no nível preliminar, o nível elementar é aos cinco anos, o médio aos seis anos, o complementar aos sete anos, e por aí adiante. No regional, o campeonato está aberto a qualquer idade. Eu fui campeão com o Hidalgo, de seis anos, e vice-campeão com o Hortelão das Postas, também de seis anos, mas estava a competir contra alguns cavalos com 10, 11 ou 12 anos, que partem sempre em vantagem”, explica. “Não me ando a enganar a mim próprio e desenvolvo um trabalho sério para que os entendidos na matéria vejam o que estou a fazer” . ALGARVE INFORMATIVO #171


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ENTREVISTA

MANUEL AMORIM, UM LUTHIER À MODA ANTIGA, É MAIS UMA APOSTA DO «LOULÉ CRIATIVO» Texto:

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epois de muitos anos de atividade em Coimbra, onde tirou, em 1995, o curso de Construção de Instrumentos Tradicionais Portugueses, o luthier de cordofones Manuel Amorim mudou-se de malas e bagagens para o Algarve, onde teve ateliê em Faro, sendo agora uma das mais recentes apostas do programa «Loulé Criativo» da Câmara Municipal de Loulé. Uma paixão que nasceu, em miúdo, em Vila Nova de Gaia, por curiosidade, quando decidiu desmanchar um banjo do pai para ver como ele era por dentro. Nos anos 80 aprendeu música, mas o seu fascínio não era tocar instrumentos, mas sim perceber as suas dinâmicas e formas, como eles nasciam. Por essa altura já ia fazendo alguns biscates para amigos, nada de muito sério, o que mudou quando se tornou aprendiz do mestre Fernando Meireles. “As madeiras para mim não têm segredos, estava bastante envolvido na etnografia e sempre senti que os nossos instrumentos tradicionais eram a maior riqueza que nós tínhamos. Fui convidado para frequentar esse curso em Coimbra, só três é que chegaram ao fim, e comecei a trabalhar nisto a tempo inteiro na minha própria oficina”, recorda. Em 2001 participou na construção, no Porto, da maior guitarra portuguesa da história e no ano seguinte veio para Faro. Depois, sentiu na pele a crise que o turismo algarvio atravessou e que se traduziu, por exemplo, no menor número de músicos a tocar na hotelaria. “Fui dar aulas de música, embora o curso que tirei não dê equivalência ao Ensino Superior, apesar de ter sido patrocinado pela ALGARVE INFORMATIVO #171

Universidade de Coimbra e pelos Ministérios da Educação e da Cultura. Mas nunca deixei de fazer restauros e de construir peças, porque não nos podemos afastar muito tempo desta arte, não podemos «perder a mão» para isto”, indica. “Vamos crescendo instrumento a instrumento, todos são diferentes, têm características específicas. E um pequeno erro cometido no início da construção,

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depois vai-se notar no produto final”, avisa o luthier. Ter tato, conhecimento, experiência, tudo é fundamental nesta arte, mas também paz e sossego, ainda mais quando todo o processo é manual, como acontece com Manuel Amorim, que apenas usa uma máquina de fazer furos para colocar os carrilhões nos instrumentos. “Cortar e dobrar madeira, preparar as colas quentes, é tudo feito à mão, à moda 91

antiga. Aliás, muitas vezes fazemos as nossas próprias ferramentas, porque não existem em Portugal, temos que ir comprá-las à Alemanha, França ou Espanha”, conta, acrescentando que, neste ofício artesanal, conhecer as madeiras a fundo é outro fator chave. “A nogueira funciona muito bem para os instrumentos tradicionais portugueses. Para as guitarras clássicas ou guitarras portugueses já usamos o pau-santo do Brasil ou da ALGARVE INFORMATIVO #171


Índia. A madeira é como se fosse um ser vivo, reage com o calor, a humidade, com o estado de espírito do artesão”. Não basta, contudo, saber trabalhar a madeira, conhecê-la a fundo, ser luthier obriga a dominar conceitos de áreas tão distintas como o desenho ou a matemática. A escala dos instrumentos, por exemplo, segue a Divisão da Corda de Pitágoras, um cálculo matemático com milhares de anos. Mas, na hora da verdade, só se sabe se um instrumento vai ser realmente bom depois de se colocar as cordas, numa fase em que, por vezes, já é tarde demais para se corrigir determinados erros. “Adoro fazer guitarras portuguesas e sempre tive o hábito de pedir a alguns músicos que as fossem experimentar antes de lhes colocar o verniz. Nessa etapa ainda é possível trabalhar um pouco a sua sonoridade, criar mais ALGARVE INFORMATIVO #171

agudos, tirar graves, ajustar o braço para encaixar na mão do músico. Depois de ter o verniz, já pouco há a alterar”, alerta o experiente artesão. Meter agudos, tirar graves, algo que parece complicado para um leigo, mas que não dá grandes dores de cabeça a um luthier, revelando que o segredo está no tampo dos instrumentos. “O pinho de flandres transporta o som à velocidade de cinco mil e 87 metros por segundo, melhor do que isso só mesmo o ouro. Basta, por vezes, a espessura não ser igual em determinadas zonas do tampo para produzir logo diferenças. Se eu precisar de agudos, sons mais altos, mas mais curtos, tenho que deixar massa, o tampo tem que estar mais grosso. As barras harmónicas ajudam a propagar o som pelo tampo, a caixa 92


apenas serve para amplificar o som”, vai dizendo Manuel Amorim, como se estivesse numa sala de aulas, confirmando que estes equilíbrios vão sendo encontrados à medida que se vai ganhando calo na arte, que se vai construindo mais instrumentos. “O interessante é que posso construir dois instrumentos exatamente iguais e, no fim, quando têm cordas, são os dois diferentes, devido à estrutural molecular da madeira. Por isso é que é importante ter um músico envolvido no processo, vai logo dando as suas opiniões. E se o músico for canhoto, temos que inverter todo o processo”.

Fazer um instrumento de qualidade, de forma artesanal, encerra, então, uma

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grande complexidade, mas tudo varia também consoante a classe em que se insere e, no caso dos cordofones, construir uma guitarra, um banjo, um cavaquinho, uma viola ou um violino, são tarefas bem distintas. Os bandolins são instrumentos palhetados, portanto, devem ter um barramento no interior para que o som, para além de ser límpido, seja de resposta rápida. Já a guitarra clássica, que é dedilhado, tem um som mais doce e uma caixa acústica maior. “Todos os instrumentos têm uma fórmula diferente de serem construídos, motivo pelo qual nunca faço mais de dois ao mesmo tempo. Estou a acabar uns bandolins, tenho dois cavaquinhos também em fase final, mas foco-me num de cada vez. Se pouso o bandolim e pego no cavaquinho ou numa guitarra clássica que tenho ali com os tampos já tirados

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e os desenhos das bocas feitos, facilmente me desconcentro. Nesta profissão temos que aproveitar quando as coisas estão a sair. Há alturas em que a mão não responde e, quando assim é, o melhor é mesmo parar. Se forçamos, fazemos asneira”, garante, enquanto aponta para um cavaquinho feito há 15 anos e que lhe serve de exemplo para os erros que se podem cometer neste ofício.

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Perante tudo isto, não admira que um instrumento feito por um luthier de qualidade seja relativamente caro, podendo chegar aos milhares de euros, até porque a matéria-prima também é bastante dispendiosa. “Podemos comprar uma guitarra portuguesa feita na fábrica, numa linha de montagem, por 150, 200 euros, o que não paga nem metade da madeira que gasto a 94


medíocre, caso contrário, demora mais a evoluir”, sublinha Manuel Amorim, comentando ainda que as suas obras têm garantia enquanto ele viver e que também não mexe em instrumentos feitos por outros luthiers. “Se um músico tiver carinho pelo seu instrumento, ele dura muito mais de 100 anos. Para nós é doloroso ver um dos nossos instrumentos a ser maltratado”, confessa, a lembrar-se daqueles músicos que, em determinados concertos, partem as guitarras ou as atiram para o chão sem qualquer preocupação pelo seu bemestar.

construir uma. E uma guitarra portuguesa é feita com madeiras de três ou quatro continentes. Quando um jovem vai aprender música, aconselho-o sempre a adquirir uma guitarra de linha, porque lhe permite adaptar-se ao instrumento, começar a tirar sons deles. Depois, se tiver capacidades técnicas, deve pensar em comprar um instrumento a sério, não convém perder muito tempo num instrumento 95

O boca-a-boca acaba por ser a melhor publicidade neste ramo, um músico aconselha um luthier a outro músico, quando está satisfeito com o seu instrumento, e o mais normal é, de facto, fazerem-se encomendas personalizadas e não comprarem-se peças já terminadas. “Quando entram por aquela porta já têm uma ideia do que querem na cabeça. Um músico do Algarve anda há algum tempo a desafiar-me para lhe fazer uma guitarra clássica de oito cordas, algo que altera por completo toda a dinâmica de construção. Mas esses desafios, para nós, são altamente motivadores, porque temos que transformar a madeira para dar resposta ao pretendido”, salienta, sorridente. Manuel Amorim assegura, entretanto, que ser luthier garante a sobrevivência, entre construção de novos instrumentos e restauro e reparação de instrumentos antigos ou danificados, mas não dá para ALGARVE INFORMATIVO #171


sonhar em enriquecer. “Substituir cordas, afinar cavaletes e a alma, às vezes até colar o instrumento, permite-nos ter algum equilíbrio, mas não tenho conhecimento de luthiers que tenham ficado ricos. Eu consigo fazer, por ano, seis guitarras portuguesas e mais duas ou três clássicas, mais uns bandolins, a minha capacidade de construção é muito reduzida. Por vezes andamos aqui um dia inteiro a meter as madeiras de pausanto à espessura, manualmente, com grelopas e plainas – é melhor do que ir ao ginásio – e chegamos à noite e quase não vemos nenhum trabalho palpável. Só para aplicar verniz num instrumento demoro quase uma semana”, desabafa.

Chegado ao fim do processo de construção, o último passo é a venda do instrumento, algo que nem sempre é fácil, confessa o entrevistado, que tem peças suas espalhadas por todo o mundo, dos Estados Unidos da América ao Japão, na França, Espanha, Alemanha ou Itália, e sabe mais ou menos onde todas andam. A esse propósito recorda o episódio de um professor do Conservatório de Música de Paris, que lhe comprou uma guitarra portuguesa enquanto ainda estava em Coimbra. “Ele ficou encantado com o instrumento, eu, por outro lado, andava muito triste, e a guitarra lá foi para França. Passado um ano recebi um envelope almofadado pelos correios, abri, vejo um disco, um álbum que ele gravou, de guitarra portuguesa, em que tinha um tema dedicado ao luthier. Compôs uma música para, de certa forma, me agradecer por lhe ter ALGARVE INFORMATIVO #171

construído aquela guitarra. Nesse dia percebi que provavelmente nunca mais ia ver aquele instrumento, mas que podia ouvir o seu som quando quisesse”, narra Manuel Amorim, com um olhar saudoso. Claro que nem todos estimam os instrumentos como eles merecem e o entrevistado conta outra episódio, de um estrangeiro que lhe comprou uma guitarra portuguesa e que depois andava a passear, pelas ruas do Algarve, com ela às costas. “Uma guitarra portuguesa sofre 120 quilos de pressão em cima do cavalete. São 12 cordas, cada uma é, mais ou menos, 10 quilos. Debaixo de 34 ou 35 graus de temperatura, ao sol, as madeiras cedem, não há hipótese. Às vezes olhamos para o luthier como o homem que é preciso para fazer coisas para os músicos, mas há músicos que têm visibilidade graças aos instrumentos que os luthiers lhes construíram”, critica, lamentando que não seja dado o devido valor a estes artesãos. “Ultimamente têm surgido muitos construtores e, no meio deles todos, há sempre alguns que são bons, mas isso também pode levar a pensar que toda a gente faz guitarras ou cavaquinhos e banaliza um pouco esta arte. De qualquer modo, os bons profissionais têm sempre trabalho e quem entra por esta porta já sabe que o instrumento que aqui compra é caro, mas é de qualidade superior. Mas é uma luta constante e precisamos saber movimentar-nos no meio musical, não podemos ficar fechados nas nossas oficinas”.

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Manuel Amorim também não é apologista de se fazer segredo desta arte, porque a concorrência nos leva a ultrapassar os nossos limites. E transmitir conhecimentos tradicionais é precisamente uma das premissas do projeto «Loulé Criativo» da Câmara Municipal de Loulé, a quem o luthier agradece a oportunidade para instalar a sua oficina nesta cidade. “Estamos a plantar sementes para as novas gerações. Se não houver renovação, qualquer dia desaparecem os luthiers e depois não temos outro remédio se não comprar instrumentos feitos em série e que têm todos a mesma sonoridade. Temos que parar para escutar e perceber as diferenças”, defende, revelando que vai aceitar quatro ou cinco aprendizes para lhes dar a conhecer a história da música, a 97

sua organologia, tecnologias de material e métodos de construção. “Não basta gostar de instrumentos ou de madeira, é preciso ter aptidão manual para trabalhar com as plainas e os formões. É algo que deveria ser feito, no meu entender, no conservatório. Deveria existir uma ligação próxima entre o ensino oficial da música e o luthier, porque há muitos músicos que sabem tocar razoavelmente bem um instrumento, mas não fazem a mínima ideia de como os instrumentos são feitos. E a sociedade tem que perceber que nós trabalhamos com as mãos, não é com máquinas, e nem todos têm sensibilidade para isso”, frisa o entrevistado .

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REPORTAGEM

NELSON PEREIRA E MIGUEL PINHEIRO SAGRAM-SE CAMPEÕES NACIONAIS DE FUTEVÓLEI EM ALBUFEIRA Texto:

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Fotografia:

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dupla Miguel Pinheiro e Nelson Pereira (CD Póvoa) conquistou, no dia 2 de setembro, o título de campeões nacionais de Futevólei ao derrotar na final, realizada na Praia dos Pescadores, em Albufeira, Alan Cavalcanti, também jogador da seleção nacional de futebol de praia, e Ruben Santos (EF Alan Cavalcanti) em dois sets, por 18/7 e 19/17. Com esta vitória no campeonato nacional, Miguel Pinheiro e Nelson Pereira garantem presença no Campeonato da Europa 2019. A dupla da Póvoa do Varzim, vicecampeões da Europa, amealhou o quinto título de campeão nacional consecutivo, no total de seis já alcançados em 13 edições desta competição. A fase final do 13.º Campeonato Nacional de Futevólei contou com a participação de 12 equipas provenientes de todo o país. No dia 1 de setembro teve lugar a fase de grupos e, no domingo, os jogos das meias-finais e final. Antes de alcançar a final, Nelson Pereira e Miguel Pinheiro defrontaram a dupla compatriota do CD Póvoa, composta pelos experientes Pedro Salvador e Bonga, e, apesar de terem começado em desvantagem, recuperaram nos dois últimos sets e acabaram por vencer por 2-1 num jogo muito disputado (12/18, 18/9 e 18/14). Já os vice-campeões nacionais derrotaram nas meias-finais os então vice-campeões e dupla sensação da temporada do CD Póvoa, composta por Filipe Santos/Beto Correia, ao vencer por dois sets sem resposta (18/10 e 18/16) . ALGARVE INFORMATIVO #171

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«Playlists» à medida Paulo Cunha (Professor) onfesso que, com a idade dos meus filhos, jamais imaginei que, décadas depois, o poder da música tivesse bafejado todo um país que, ainda criança, vi grande em extensão, mas pequeno em oferta musical. O facto de ter nascido o mais a sul possível e aqui me encontrarem «desterrado», em terra de mouros que só no Verão era conquistada, fez-me temer que tudo assim continuasse pela vida fora. Felizmente, para todos, tal não aconteceu e as horas que penei quando, de automóvel, me desloquei de Faro a Bragança para lá tocar, são hoje apenas uma recordação de um tempo em que a música algarvia chegava ao norte através de muita persistência, paciência e tempo despendido. Entretanto, com a passagem dos anos, as estradas multiplicaram-se, construíram-se múltiplas autoestradas e, sobretudo, a internet aproximou-nos com a distância e a celeridade de um simples «clic». Estava assim aberta a porta para a disseminação da música feita em Portugal e em qualquer parte do mundo. Como pessoa ligada à música a nível pessoal, sentimental e profissional, tentando não deixar transparecer, não consigo ficar indiferente à influência que a mesma tem em mim e nas pessoas com quem, diariamente, contacto. Por isso mesmo, não consigo ter com a música a mesma relação que grande parte dos comuns mortais mantém quando com ela privam. Sendo para muitas pessoas uma forma de escape, de catarse, de relaxe, de fruição, de êxtase e de encantamento, é para todos aqueles que com ela e através dela colocam a comida no prato, uma forma de subsistência tão digna como outras que a sociedade se habituou a considerar como as preferidas e as ideais. Daí, da mesma forma que há muitos anos ansiava que algo mudasse no panorama musical do meu país, continuo, ALGARVE INFORMATIVO #171

hoje, também a esperar que a oferta e o consumo musicais se democratizem. Acredito que, para muito de vós, aquilo que aqui escrevo faça pouco ou nenhum sentido. Por isso mesmo, (quase) no final da primeira vintena de anos do séc. XXI, aqui convosco partilho a minha visão da atual situação musical. Dividindo, sazonalmente, a oferta musical em Portugal, podemos considerar que há, hoje, programas «dentro e fora de portas» para todos os gostos e carteiras. Ora, sendo Portugal um país grande em diversidade cultural, é pequeno em extensão territorial, o que faz com que a oferta musical seja condicionada a uma série de estratégias empresariais que passam ao lado dos ávidos consumidores musicais. Para que melhor entendam o que vos pretendo expressar, imaginem ir ao mercado e numa banca onde, em vez da habitual dezena de diferentes frutos, colocavam uma centena, igualmente bons e saborosos. O que fariam?... É óbvio que, na ótica do vendedor, tal não funcionaria, pois os consumidores, na generalidade, só comprariam a fruta que já conheciam, e a outra estaria condenada a ser deitada fora. É o que se passa nos imensos Festivais, Feiras, Certames, Romarias, Festas e Concertos. Todos os programadores acabam por comprar a mesma fruta de determinados cestos. Cestos que os vendedores (editoras, agentes, intermediários) se encarregaram de promover insistentemente nalguma comunicação social e nas redes sociais, por forma a condicionar o gosto do consumidor. Tudo está, estrategicamente, pensado, delineado e planificado para que os gostos sejam - ditatorialmente - condicionados a uma lucrativa «playlist» que alimenta a cada vez maior e poderosa indústria musical. Aliás, como seria possível tantos músicos, de diferentes géneros e estilos musicais, de várias 112


faixas etárias, de várias proveniências e cantando em vários idiomas caberem no «chip» que nos faz saber as canções e as melodias de cor? Talvez seja por isso que muitos acham que é utópico eu continuar a bater na tecla dos direitos de oportunidade para todos os músicos do meu país. Ora se não são ouvidos nem vistos, como poderão alguma vez ser gostados?! Neste último verão, à medida que atravessava o país, a minha filha, além de comentar que a estação de rádio que ela mais 113

gosta passava sempre as mesmas músicas, estranhou também ver sempre os mesmos grupos/músicos anunciados para atuarem na maioria das cidades, vilas e aldeias de Portugal. Respondi-lhe que em Música, ao contrário do que muitos pensam, nada acontece por acaso. É essa a magia das «playlists», que faz os meus alunos, em cada começo do ano letivo, ensinarem-me quais serão os músicos que irão estar na berra. Por isso não me canso de dizer: sempre a aprender! . ALGARVE INFORMATIVO #171


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A página em branco Mirian Tavares (Professora) “Eu apresento a página branca. Contra: Burocratas travestidos de poetas Chatos travestidos de coitados Passivos travestidos de pacatos Medo travestido de senso Censores travestidos de sensores Obscuros travestidos de complexos Pedantes travestidos de cultos (…)”. Arnaldo Antunes

mas das coisas que mais odiava, na infância, era voltar às aulas e ter de escrever uma redação a contar como tinha passado as férias. Odiava porque nem sempre tinha muito o que contar, não fazia grandes viagens, nem atividades muito diferentes daquelas que fazia durante as aulas: praia, televisão, amigos, livros e viagens para visitar a família ou ficar com os avós. Odiava também porque, apesar de gostar de escrever desde sempre, não conseguia ainda descrever as sutilezas do que fizera e de tudo que aparentemente não fizera, mas que me ocupara parte dos dias que se arrastavam lentos e longos, ou demasiado velozes. Houve umas férias que gastei a tentar desenhar castelos. Minha mãe deu-me de presente um caderno em branco, com folhas de desenho, e ensinou-me os fundamentos daquilo que mais tarde se converteu no “meu modo muito particular, e sem grande noção de desenho ou de perspetiva, de representar um castelo”. Noutras férias li as obras completas de Machado de Assis e parte ALGARVE INFORMATIVO #171

da obra de Agatha Christie na casa da avó enquanto todos faziam a sesta. Houve férias de praia e de passeios a cavalo pelas dunas, ou de andanças pela praça, fim da tarde, com as amigas. O que me aborrecia era ter de contar num formato muito pouco interessante e préfixado. Como ainda não conseguia descrever a sensação de estar no quintal da casa da fazenda, sol a pino, e ouvir o barulho do trem que se aproximava e passava ali bem perto nem a textura do chão frio, de cimento, sob a pele acalorada nas tardes de sol; ou o arrepio de saltar dentro de um poço e de ver pequenos olhos de rãs a espreitarem-nos pelos buracos dos tijolos e o medo de não conseguir voltar a subir e estávamos no meio do nada e ninguém sabia onde nos procurar ou mesmo o simples prazer do dolce far niente, sem tarefas da escola, sem obrigações - como não conseguia tornar isso interessante dentro de uma fórmula em que só cabiam viagens à Disneyland ou idas a Bariloche, sentia-me deslocada e odiava escrever sobre aquilo que não fiz, mas que me soubera tão bem. E queria deixar a página em branco. Como um protesto às fórmulas feitas, às viagens de pacote, às férias préprogramadas. Nunca fui capaz de deixar em branco a página. Mas, aos poucos, fui destruindo a fórmula, e tornando-a minha, como os castelos mal traçados que um dia encheram um caderno. E não mais me angustiei .

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Os museus morrem de pé - Museu Nacional | UFRJ (1818 – 2018) Adília César (Escritora) “A morte de um museu não é a morte do passado. É muito pior. O que está ardendo no Museu Nacional é o futuro”. Luiz Antônio Simas (escritor, professor e historiador brasileiro) Museu Nacional do Brasil ardeu no dia 3 de Setembro de 2018. O incêndio não provocou vítimas, mas destruiu grande parte do acervo de História Natural e Antropologia da América Latina: uma grande fogueira literal e simbólica com duzentos anos de história. O que restou é um deserto cultural no tempo e no espaço que o Museu abarcava. A história da instituição remonta a 1818, ano da fundação do Museu Real por D. João VI. Tinha como principal objectivo proporcionar o estudo e o conhecimento das ciências naturais no território brasileiro, tendo cumprido essa missão até à data. Era, portanto, o mais antigo e um dos mais importantes museus do Brasil, sendo reconhecido como um dos principais centros de pesquisa em história natural e antropológica da América Latina. A instituição é liderada por Michel Temer e gerida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Um dia depois, a 4 de Setembro, o Governo do Brasil anunciou um plano de recuperação do Museu Nacional. O projecto, dividido em quatro etapas, está orçamentado em cerca de três milhões de euros (quinze milhões de reais) e destinará dois terços do valor ao investimento de segurança no local, ao reforço das estruturas e à contenção e resgate de parte do acervo; o restante será aplicado na criação de um “projecto executivo de restauração da entidade”. De acordo com declarações prestadas pelo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, as quatro fases envolverão uma sequência de acções: primeira é a protecção da estrutura física do museu e do acervo, onde estão a ser identificadas as obras e as peças que ainda podem ser resgatadas; da segunda fase consta a elaboração do projecto ALGARVE INFORMATIVO #171

básico; a terceira será a elaboração do projecto executivo para a reconstrução do museu, que poderá ter a participação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO); e por fim, a obra de recuperação propriamente dita daquele valioso património da humanidade. Poder-se-ia pensar que tão grave evento poderá via a abrir um debate sério no Brasil e no mundo sobre os malefícios do desinvestimento aliado às sucessivas crises políticas, morais, económicas e claro, culturais. Mas vários estudiosos já previram o que irá provavelmente acontecer: muito barulho durante algum tempo; e depois, os planos para o futuro que não se concretizam, as verbas prometidas que não são entregues, o remedeio e o esquecimento. “Incúria, descaso, problema crónico de falta de verbas, descuido, irresponsabilidade, perda incomensurável e incalculável”, têm sido palavras de ordem na imprensa e nas redes sociais. Mas mais do que partilhar chamas avassaladoras, escrever poemas à pressa sobre a tragédia, ou comentar "que horror", é importante reflectir e actuar sobre a nossa paisagem artística e patrimonial - passada, presente e futura - no que está ao nosso alcance enquanto cidadãos, entidades oficiais, Ministério da Cultura, ou seja: a educação e o ensino nas escolas; a sensibilização estética do público, dando-lhe acesso a eventos dignos; a aquisição e a preservação de obras de arte nos museus e galerias; o apoio aos artistas e aos seus projectos; a minimização da vulnerabilidade das instituições; a introdução de uma cultura de prevenção e de atenção ao risco, envolvendo toda a sociedade civil e não apenas 116


os responsáveis oficiais directos. O fogo que deflagrou e consumiu o Museu Nacional no Rio de Janeiro terá um impacto ainda não totalmente conhecido. São palavras de Eduardo Viveiros de Castro, conhecido antropólogo brasileiro: «A minha vontade, com a raiva que todos sentimos, é deixar aquela ruína como ‘memento mori’, como memória dos mortos, das coisas mortas, dos povos mortos, destruídos naquele incêncio. Eu não construiria nada naquele lugar. E sobretudo, não tentaria esconder, apagar esse evento, fingindo que nada aconteceu e tentando colocar ali um prédio moderno, um museu digital, um museu da Internet. Gostaria que aquilo permanecesse em ruínas, apenas com a fachada de pé, para que todos vissem e se lembrassem. Um memorial.» Contar a nossa história no presente, e salvaguardar o passado que resta, para salvar o futuro. Começa hoje o debate público sobre a candidatura de Faro a Capital Europeia da Cultura (2027), sobre o tema «Urbanismo, Saúde Pública e Segurança» com convidados especialistas nas diversas áreas. Vem mesmo a calhar, digo eu. Os museus morrem de pé. E as cidades? . 117

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OPINIÃO

Do Reboliço #7 Ana Isabel Soares (Professora) lha-as, olha-as!, lá andam elas”. O Reboliço ouve o pai chamar para mostrar à filha, como tanto gosta de lhe mostrar, formarem-se carreiros de formigas. São capazes de estar naquilo horas inteiras, manhãs fresquinhas: ele sentado num dos bancos à roda da mesa da rua, ela de cócoras, à altura do cão, as mãos apertadas sobre os joelhos e o bicho ao lado, de focinho baixo – mas com cuidado, para não soprar sem querer os insetos minúsculos. “Trouxeram aquela migalha ali da mesa”, aponta o pai a distância com o queixo, duas ou três braçadas, uma eternidade por baixo da videira. Carreirinho, carreirinho, carreirinho, mas são ainda poucas: trinta, ou menos, ou mais – a rapidez com que se mexem dificulta que se contem. Os passos mínimos são silenciosos, espanta-se sempre o Reboliço: quantas, tantas, tanto se mexem, e tão quietas, nem um ruído se lhes escuta. Nas pedras da calçada da rua do monte suplantam socalcos, ultrapassam os enormes everestes de rocha cinzento escura, desviam-se dos lençóis gigantes de folhas secas. Muito abertos, aflitos por terem de pestanejar, os olhos dos três seguem-nas, carreirinho, carreirinho, carreirinho, quase até meio da rua, quando – pluft!, o ninho, e desaparecem para dentro de um montículo de terra mais escura, muito bem erguido de um espaço entre as pedras que o pai enterrou quando a rua foi calçada. É lá para dentro que levam uma migalha, um grão, uma delas morta, pedaço de fiambre ou de queijo fresco, despojos de um pequeno-almoço na rua, às vezes uma pedrinha, algumas coisas claras, outras misteriosas, e os três a olhar para elas. O Reboliço, ao lado do pai e da filha, está deitado, a barriga colada ao chão, patas de trás encolhidas, as da frente mais esticadas, o focinho entre elas, olhos no carreiro, o cachaço tenso. Sabe que é pequeno, mas as formigas são-no ainda mais: ele para elas é um monstro perigoso. Por isso fica muito parado, sustém a

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respiração e levanta uma que outra orelha, só para não perder nada do que dizem os dois donos. “Lá vai outra agora, saiu da linha – olha, foi buscar reforços”. “Que peso será para elas aquele pedacinho pequenino de pão? Tem o triplo do tamanho de cada uma e carregam-no como se fosse de ar”. “Sabes, tudo é relativo. Uma medalha de ouro que pese grama e meio é demasiado pesada, pode fazer quebrar um fio fininho, que não passe de um grama de peso – e temos a impressão de ser tudo leve. Não tem tamanho e é pesada. A migalha, pelo contrário, parece grande para elas, mas talvez seja como para nós uma mão cheia de espuma”. “Mas a migalha é muito maior que a mão cheia de uma formiga”. Uma formiga tem mãos?”, perguntase o Reboliço, e pensa nas aranhas. Ouve falarem em «passinhos de formiga» e em «ter mãos de aranha» e mais confuso fica. Têm só pés, com que dar os passos? E as aranhas, afinal não terão patas? Assim concentrado no tamanho, nas mãos e nos pés de formigas e de aranhas, o Reboliço lembra-se da Emília. A boneca de pano das histórias de Monteiro Lobato quis uma vez acabar com as guerras que havia no mundo e percebeu que o conseguiria se transformasse todos os seres em seres pequenos, que deixassem de conseguir pegar nas armas que eles mesmos tinham inventado: “Pequeninos como eu, os homens não podem mais matar-se uns aos outros, nem lidar com aquelas terríveis armas de aço. O mais que poderão fazer é cutucar-se com alfinetes ou espinhos”. Ali, conforme as via desde a rua do moinho, a explicação para a ausência de guerras entre as formigas, entre as aranhas, ou entre umas e outras, era a de todas estarem demasiado ocupadas sempre com as mesmas tarefas: carregar comida para o formigueiro ou para a teia .

* Reboliço é o nome de um cão que o avô teve, no Moinho Grande. É a partir do seu olhar que aqui escrevo. 118


Foto: Vasco Célio

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Fim de férias Antónia Correia (Professora) o final de agosto, a romaria na autoestrada do Sul é recorrente. A nostalgia do regresso à realidade justifica, ou não, comentários de desagrado relativos à experiência vivida. Uma experiência que se repete anualmente, em muitos dos casos, há mais de 30 anos. Felizmente, os comentários positivos sobrepõem-se em larga escala aos negativos. Uma análise de conteúdos aos blogs de partilha de informação sobre o Algarve evidencia a excelência da região e a experiência multissensorial que propicia. Ao nível da audição: “Comecei a experimentar o Algarve, li muito sobre a região, sobre a sua música. Agora que estou aqui sou invadido por sensações estranhas que nunca tinha experimentado antes”. Sugere que o sul do país e os seus sons despoletam sensações únicas. Ao nível do paladar: “... O Algarve é um lugar onde existe uma comida saborosa e inconfundível!” Esta declaração coloca a ênfase da experiência no sabor. Ao nível do tato: “A areia, o mar, as ondas abraçam o meu corpo".

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Já o sentido visual está em quase todas as transcrições: “Muitos dizem que o Algarve é sinónimo de multidões ... é, mas na maior parte das vezes estas multidões são tão agradáveis de ver ...”. No geral, as declarações focam: o lugar, o mar e as pessoas. O que não deixa dúvidas que a imagem e a perceção do destino surgem associadas à cordialidade dos algarvios e despoleta um apego ao lugar difícil de contrariar. Enamorados, os turistas nacionais partem no final de férias, com o fel amargo de quem só pode disfrutar de novos momentos de alegria no próximo ano e, por isso, a par de alguns comentários positivos, relembram e postam episódios menos felizes que podem aliviar a sua nostalgia. Apesar disso, no próximo ano, todos os Algarvios estarão cá para os receber com o mesmo sorriso de sempre. Como diz Miguel Sousa Tavares, “entrar nas águas do Algarve é buscar o perdão pelo ano de abandono”. Perdão esse já conseguido .

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CENTRO DE COMPETÊNCIAS NA LUTA CONTRA A DESERTIFICAÇÃO ELEGEU CORPOS DE GESTÃO ecorreu, no dia 28 de agosto, a primeira reunião da Assembleia Geral do Centro de Competências na Luta Contra a Desertificação (CCDesert), na qual se realizou a eleição e tomada de posse dos órgãos de gestão, designadamente a Direção e a Mesa da Assembleia Geral. A reunião contou com os membros da Assembleia Geral, aprovou o regulamento interno elegeu os primeiros órgãos do CCDesert, tendo sido mandatados, na Mesa da Assembleia, como presidente, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, como 1.º Secretário o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e como 2.º Secretário o Município de Mértola. Na direção do CCDesert foi atribuída a presidência ao Município de Alcoutim, a vice-presidência ao Instituto Politécnico de Bragança, o vogal ao Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, o 1.º Membro Suplente à Universidade do Algarve e o 2.º Suplente à Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva S.A.. ALGARVE INFORMATIVO #171

Dada a posse aos órgãos do CCDesert, o organismo, constituído por 36 instituições, entre universidades, municípios, empresas, organismos públicos e associações de produtores e de desenvolvimento local, deu início à sua atividade na procura de soluções e para contribuir para o sucesso do programa nacional de combate a fenómenos de desertificação. O Presidente da Câmara Municipal de

Alcoutim, Osvaldo dos Santos Gonçalves, congratulou-se pelo facto de um vasto e multidisciplinar conjunto de entidades e personalidades partilharem de uma ampla visão na abordagem desta problemática e na definição de soluções mais ajustadas às reais necessidades do combate à desertificação . 124


ESCOLA SUPERIOR DE SAÚDE DA UALG TRANSFERE-SE PARA O CAMPUS DE GAMBELAS

Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve (ESSUAlg) passará a funcionar em pleno no Campus de Gambelas, sendo que o início das aulas deste ano letivo (2018/19), a 17 de setembro, já terá lugar nas novas instalações. Esta unidade orgânica, que antes se situava no centro da cidade de Faro, perto do Teatro das Figuras, passa agora a sediar-se nos edifícios 1 e 7 do Campus de Gambelas e os seus cursos passarão a ser lecionados, na sua totalidade, no referido Campus. A Escola Superior de Saúde foi criada em 2003, tendo na sua génese a Escola de Enfermagem de Faro, integrada na UAlg em 2001. Em virtude do rápido crescimento do número de estudantes, a partir de 2004/05, algumas das atividades letivas da ESSUAlg, sobretudo as vertentes laboratoriais, passaram também a decorrer no Campus de Gambelas, uma 125

vez que estas condições não existiam no antigo edifício. “A concentração das atividades letivas num só Campus irá permitir uma maior funcionalidade da Escola e uma maior aproximação à restante comunidade académica”, justifica o Reitor Paulo Águas, adiantando que esta mudança irá potenciar sinergias com as outras Unidades Orgânicas da UAlg. Atualmente, a ESSUAlg leciona os cursos de licenciatura em Ciências Biomédicas Laboratoriais, Dietética e Nutrição, Enfermagem, Farmácia, Imagem Médica e Radioterapia e Ortoprotesia. Em conjunto com outras Unidades Orgânicas da UAlg ministra os mestrados em Gerontologia Social e em Saúde e Segurança no Trabalho. Assegura, ainda, em conjunto com o Instituto Politécnico de Lisboa, o mestrado em Gestão e Avaliação de Tecnologias em Saúde e integra o consórcio internacional responsável pelo mestrado Eramus Mundus em Enfermagem de Emergência e Cuidados Críticos. Coincidindo com a mudança para o Campus de Gambelas, no ano letivo 2018/19 será lançada uma nova pós-graduação em Enfermagem Comunitária . ALGARVE INFORMATIVO #171


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ALGARVE PREENCHE 89 POR CENTO DAS VAGAS NO CONCURSO PARA MÉDICOS DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR assinatura de contratos dos médicos de Medicina Geral e Familiar, colocados no âmbito do procedimento concursal aberto pelo Aviso n.º 10302-A/2018 (1ª época de 2018), realizou-se na sede da Administração Regional de Saúde do Algarve, em Faro, no dia 3 de setembro, tendo ficado preenchidas 24 das 27 vagas abertas. O Presidente do Conselho Diretivo da ARS Algarve, Paulo Morgado, recebeu o primeiro grupo de 17 destes 24 médicos de Medicina Geral e Familiar que escolheram os Agrupamentos de Centros ALGARVE INFORMATIVO #171

de Saúde do Algarve para trabalharem, sendo que os restantes sete profissionais especialistas da área de Medicina Geral e Familiar vão celebrar o contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado com a ARS Algarve no decorrer dos meses de setembro e outubro. Neste concurso foram publicitadas a nível nacional 378 vagas, sendo que, no Algarve, das 27 vagas colocadas a concurso, 24 ficaram ocupadas, correspondendo a 89 por cento de taxa de ocupação, a mais elevada de sempre. Dos 24 médicos colocados, originários 126


de várias zonas do país e também do estrangeiro, 11 concluíram a formação fora da região e 13 realizaram o internato na região, permitindo desta forma alargar a cobertura assistencial dos cuidados de saúde primários e atribuir médico de família a mais 45 mil e 600 utentes no Serviço Nacional de Saúde da Região do Algarve. Os profissionais iniciam funções a partir de setembro nas respetivas unidades funcionais de saúde, tendo sido colocado um médico na Divisão de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (DICAD), um no ACeS Sotavento (concelho de Tavira), nove no ACeS Barlavento (concelhos de Lagoa, Portimão, Silves e Vila do Bispo), 13 no ACeS Central (concelhos de Albufeira, Faro, Loulé e são Brás de Alportel), tendo ficado por ocupar as vagas de Alcoutim (1), Faro (1) e da DICAD (1). O Presidente do

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Conselho Diretivo da ARS Algarve congratulou os novos colegas “médicos de corpo inteiro” por terem escolhido o Algarve para iniciar uma “nova fase profissional de ainda maior responsabilidade” após o internato, abordando os vários desafios futuros que a região apresenta em termos de projetos novos. A integração destes médicos de Medicina Geral e Familiar nos cuidados de saúde primários da ARS Algarve vai contribuir para melhorar e reforçar a prestação de cuidados de saúde de proximidade. De sublinhar que a taxa de cobertura de utentes com médico de família no Algarve, nos dois últimos anos, tem evoluído de forma consistente e positiva, sendo que cerca de 90 por cento da população tem médico de família atribuído .

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«ÁGUAS DO ALGARVE» INVESTE QUATRO MILHÕES NA REABILITAÇÃO DAS ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE ÁGUAS RESIDUAIS DE FARO E DE OLHÃO Águas do Algarve, S.A. é a concessionária em «alta» do abastecimento de água para consumo humano e tratamento de águas residuais do Algarve e adjudicou, no dia 30 de agosto, a Empreitada de Reabilitação das Estações Elevatórias de Águas Residuais (EEAR) de Faro e de Olhão, à empresa «Aquino Construções, S.A.» pelo

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valor global de três milhões, 824 mil e 953,59 euros + IVA. As Estações Elevatórias de Águas Residuais a reabilitar foram integradas no Sistema Multimunicipal de Saneamento do Algarve, sendo que as infraestruturas situadas no concelho de Faro entraram em funcionamento em 1999 e as situadas no concelho de Olhão iniciaram a sua atividade em 1991. Após

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duas décadas de funcionamento, quer pelas deficiências existentes, quer pelo avançado estado de degradação que atualmente se constata e que é comum às sete estações elevatórias de águas residuais, torna-se necessário proceder-se as intervenções preconizadas no Projeto de Reabilitação das EEAR de Faro e de Olhão. A empreitada de Reabilitação das EEAR de Faro e de Olhão envolve a reabilitação de sete estações elevatórias de águas residuais situadas nos dois concelhos, que integram os subsistemas que afluirão à nova Estação de Tratamento de Águas Residuais de Faro-Olhão, mais concretamente, no concelho de Faro, as Estações Elevatórias da EVA, dos Bombeiros, de São Francisco, Ferragial e Final Lavadeiras e, no concelho de Olhão, as Estações Elevatórias 11 de Março e do Mercado. O Projeto de Reabilitação foi elaborado pela empresa «Ripórtico», no âmbito do Contrato de Aquisição de Serviços para a «Elaboração de Projetos e Processos de Concurso do Sistema Elevatório de Olhão e Reabilitação das Estações Elevatórias de Faro e Olhão». No âmbito do projeto destacam-se as seguintes intervenções: substituição de equipamentos obsoletos e deteriorados que originam paragens do sistema e descargas no meio hídrico; otimização do sistema de desodorização para resolver os problemas existentes e as reclamações recorrentes; otimização do sistema de gradagem com a instalação de novas grades com malha reduzida; instalação de gerador de emergência para garantir a continuidade do serviço prestado; substituição dos quadros elétricos existentes, que se encontram desatualizados e deteriorados pelo uso e 129

ação do ambiente inerente ao local de instalação; substituição dos equipamentos de elevação de cargas; iInterligação das instalações com a telegestão do saneamento; reabilitação dos arranjos exteriores para fazer face às intervenções referidas. O prazo de execução da empreitada é de 365 dias, contados a partir da data da Consignação até à data da Receção Provisória. No período compreendido entre o dia 1 de junho a 30 de setembro não serão realizados trabalhos significativos nas Estações Elevatórias do Mercado, situada no Concelho de Olhão, e dos Bombeiros (Ciência Viva), situada no Concelho de Faro, uma vez que estão em localizações com grande impacto sazonal. No período compreendido entre 1 de junho a 15 de novembro não serão realizados trabalhos significativos na Estação Elevatória de São Francisco, situada no Concelho de Faro, uma vez que estão em localizações com grande impacto sazonal e de atividades periódicas com ocupação do espaço. Uma vez que as Estações Elevatórias Final (Lavadeiras) e Ferragial (IPJ), ambas situadas no Concelho de Faro, são as consideradas com maior urgência e compatíveis com as limitações anteriores, as intervenções terão início nestas instalações. Recorde-se que, antes da construção da ETAR, parte significativa das águas residuais geradas na cidade de Faro era tratada na antiga ETAR de Faro Nascente, e parte significativa das águas residuais produzidas na cidade de Olhão era tratada na ETAR de Olhão Poente. Estas infraestruturas de tratamento encontram-se subdimensionadas face ALGARVE INFORMATIVO #171


ATUALIDADE às condições de afluência (qualitativa e quantitativa), assentando em sistemas de lagunagem, que se revelavam desadequados em termos de níveis de qualidade agora exigidos para o efluente tratado a descarregar no meio recetor, nomeadamente a Ria Formosa. Estas instalações de tratamento também emanavam um odor muito ativo, em certas épocas do ano, penalizando os estabelecimentos hoteleiros e habitações construídas nas proximidades das mesmas. Acresce o esforço efetuado no âmbito do reforço e ampliação da obra, de modo a integrar as afluências dos aglomerados

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populacionais de Estoi, Conceição, S. Brás de Alportel e zona Poente de Olhão, e à construção de um sistema elevatório de forma a desativar a ETAR de Olhão Poente, integrando os seus efluentes na ETAR de Faro Nascente. Trata-se, por isso, de um avultado investimento da «Águas no Algarve» no concelho de Faro e que envolve a Construção da ETAR de Faro-Olhão e o Sistema Elevatório de Olhão-Faro, ultrapassando os 21 milhões de euros, com financiamento do Fundo de Coesão, no âmbito do Programa Operacional Temático .

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QUINTA DO PERAL ESTÁ NA PLATAFORMA NACIONAL DEDICADA AOS TEMPOS LIVRES EM FAMÍLIA

programa de atividades regulares do Centro de Educação e Interpretação e Educação Ambiental do Município de São Brás de Alportel «Quinta do Peral», de portas abertas desde 2008 numa antiga escola primária reabilitada, no barrocal algarvio, passou a integrar o projeto nacional «Estrelas e Ouriços», que aglomera um largo conjunto de iniciativas dirigidas às famílias. O projeto nasceu em 2007, por iniciativa de duas mães que sentiram a necessidade de uma plataforma que agregasse diferentes propostas lúdicodidáticas para crianças e famílias, para constituir uma ajuda na programação de fins-de-semana e férias de uma forma mais prática. Atualmente, conta com um site com mais de dois mil conteúdos, um roteiro que já chegou à sua 100.ª edição, uma página 131

de Facebook, presença no Instagram, uma App, Newsletters Famílias e Newsletter Escolas e já foi distinguido com o prémio «Serviço Cinco Estrelas 2017», na categoria «Roteiro de atividades em Família», tendo vindo a envolver-se em projetos específicos de ajuda a famílias e crianças que, pelos mais variados motivos, se encontram em situação fragilizada. Para o município de São Brás de Alportel, que investe muito na Educação Ambiental como uma via principal na educação para a cidadania e na construção de um futuro mais sustentável, esta integração constitui um reconhecimento do trabalho de mérito que tem vindo a ser realizado ao longo de uma década. A Quinta do Peral é o centro dinamizador de toda esta estratégia que não se esgota no centro e procura envolver as escolas e a comunidade em diversos projetos e iniciativas ao longo de todo o ano. Esta é, portanto, uma parceria muito interessante que permite a promoção da Quinta do Peral e também do concelho de São Brás de Alportel enquanto espaços de eleição para momentos em família .

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FESTA DE ALCOUTIM ANIMA SOTAVENTO ALGARVIO adoxa, Fernando Daniel e Diogo Piçarra são os cabeçasde-cartaz da 67.ª Festa de Alcoutim, que decorrerá entre os dias 14 e 16 de setembro. O Município de Alcoutim, organizador deste que é o evento que marca o fim do Verão no Algarve, volta a apostar num programa diversificado com três dias repletos de atividades para todos os públicos. As festividades arrancam na sexta-feira, dia 14, pelas 10h, com as cerimónias comemorativas do Dia do Município, e terminam na madrugada de segunda-feira com a concorrida discoteca no cais e o tradicional cacau no rio. A programação complementar conta com o tradicional ALGARVE INFORMATIVO #171

baile abrilhantado pela «Ganda Banda», fogo-de-artificio, espetáculo piromusical, animação de rua e diversas atividades desportivas. Destaque ainda para a discoteca no cais nos três dias do evento, a partir das 04h, por onde passarão os dj´s Zinko, Souza e Lady F. A organização tem também como objetivo divulgar a gastronomia, o artesanato e os produtos típicos da região. Assim, existirão várias barraquinhas que oferecerão aos visitantes uma panóplia de produtos regionais. A habitual elevada adesão do público a este evento, aliada a uma programação variada, perspetivam as melhores expetativas para esta edição. 132


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LAGOA JUNTA-SE A ALBUFEIRA NA FINAL DO CONCURSO «7 MARAVILHAS À MESA» agoa vai disputar a final do concurso «7 Maravilhas à Mesa» no dia 16 de setembro, lado a lado com 13 mesas de todo o país. O concelho conseguiu este lugar na última das sete galas pré-finalistas, na qual foi anfitrião, no dia 2, e estará agora presente na Grande Final que vai acontecer na Praça da Praia dos Pescadores, em Albufeira. O evento, transmitido em direto pela RTP 1 a partir do largo do Auditório Carlos do Carmo, completamente cheio, apresentou as deliciosas propostas da Mesa de Lagoa: Sardinhas da «boa morte» «escondidas na gaveta», papas de milho ALGARVE INFORMATIVO #171

com amêijoas, lulas cheias, feijão com couve e carnes da salgadeira. Pratos que refletem a tradição de um povo, que são sabiamente mantidos pela cozinha do Restaurante «O Charneco», e acompanhados por duas propostas vínicas da Quinta Marquês dos Vales (Marquês dos Vales Branco 2016 e Marquês dos Vales Tinto Grande Escolha 2014). A transmissão, também para a RTP Internacional, transformou-se num espetáculo único, com a presença da cultura popular em todo o seu esplendor e a euforia das várias claques, nomeadamente da do concelho 134


anfitrião da gala. O anúncio dos resultados com a garantia da presença na Grande Final premiou, não só a qualidade da gastronomia do concelho, como reconheceu o enorme trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal de Lagoa e profissionais envolvidos na divulgação dos aspetos culturais e gastronómicos que o valorizam. Manifestando a sua alegria com a chegada à final do concurso, o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Francisco

Martins, realçou a importância da cultura gastronómica enquanto momento de convívio e comemoração. Agradeceu igualmente a todos os algarvios que contribuíram com o seu voto para esta vitória de todos e recordou que, numa «Lagoa-Cidade Educadora», “a transmissão que fazemos dos nossos costumes, da nossa identidade, do nosso património, isso é educação” .

MEXILHOEIRA GRANDE PRESTA HOMENAGEM AO PADRE DOMINGOS DA COSTA

Câmara Municipal de Portimão vai atribuir um Voto de Louvor ao Padre Domingos da Costa, Pároco da Mexilhoeira Grande. Aprovado por unanimidade, no documento refere-se que o “Padre Domingos é inequivocamente um referencial de humanismo e de 135

intervenção social, sendo a sua obra um importante pilar das respostas sociais do concelho”. No dia 8 de setembro assinalam-se os 60 anos de entrada na Companhia de Jesus do Padre Domingos da Costa, efeméride que será celebrada com um conjunto de iniciativas em que a comunidade local prestará uma justa e merecida homenagem ao seu pároco. O sacerdote jesuíta, que trabalha no Algarve desde 1975, vai celebrar a eucaristia daquele dia na capela da Aldeia de São José de Alcalar, pelas 19h (precedida pela receção às 18h no salão local) .

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LOULÉ PROMOVE UMA SEMANA EUROPEIA DA MOBILIDADE RECHEADA DE ATIVIDADES DE SENSIBILIZAÇÃO Câmara Municipal de Loulé vai organizar um conjunto de iniciativas destinadas a assinalar a Semana Europeia da Mobilidade 2018 (16 a 22 de setembro), este ano sob o tema «Combina e Movete!», entre as quais se destaca o evento de rua «PARK(ing) Day – Ocupa do teu lugar na cidade», no dia 21 de setembro, das 18h às 23h, na Praça da República. O conceito do evento, que vai para a terceira edição, consiste em efetuar uma mostra alargada e demonstração de diversos produtos/serviços relacionados com os temas da mobilidade inteligente, modo de vida saudáveis, eficiência energética, ALGARVE INFORMATIVO #171

energias limpas, reutilização de materiais, sustentabilidade ambiental e adaptação climática, sendo para o efeito disponibilizados espaços nas zonas de habitual estacionamento de veículos no dia-a-dia. O «PARK(ing) Day» dirige-se a empresas, lojas e instituições, preferencialmente sediadas ou com instalações no concelho de Loulé, que pretendam ocupar um lugar de estacionamento no espaço do evento para divulgação e promoção dos seus produtos ou serviços, que se relacionem com estas temáticas. Com esta iniciativa pretende-se, através de um evento diferenciador e promotor das diferentes 136


formas de Mobilidade Sustentável, sensibilizar a população em geral para a necessidade de reduzir os impactos ambientais da mobilidade urbana, promovendo novas formas de deslocação em meio urbano e de usufruto do espaço público. Entre as atividades previstas estão um passeio urbano bicicleta, marcha/corrida «Loulé Adapta», rastreios de saúde, test drive e exposição de veículos elétricos, jogos tradicionais, filmes educativos sobre alterações climáticas e promoção da adesão do comércio local. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do formulário em https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIp QLScANePRmPMKp74FY5uZMfQVEFNM BVeU2oIqemm7Fa3e8Ry3fQ/viewform. Paralelamente realizam-se outras atividades e, logo no dia 18, das 14h às 18h, no auditório da Escola Secundária de Loulé, acontece o Seminário Loulé Adapta – Mobilidade Urbana. Ao longo de todo o dia 19, as escolas do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e escolas do ensino secundário recebem o «Dia 100 Bicicletas nas Escolas». Com o objetivo de envolver a comunidade escolar na filosofia desta Semana, a Câmara Municipal lançou o apelo aos estabelecimentos de ensino para que reúnam neste dia, no recinto escolar, no mínimo, 100 bicicletas em cada escola, trazidas pelos alunos, professores, animadores ou auxiliares. São também os alunos das escolas que participam nas atividades pedagógicas programadas para o dia 21, na Praça da República, das 10h às 13h. Das 18h às 23h é tempo de «PARK(ing) Day» neste mesmo 137

local. Já no dia 22, o Dia Europeu sem Carros é assinalado, na Praça da República, com iniciativas das 9h às 17h. A temática da Semana Europeia da Mobilidade incentiva-nos a fazer uma reflexão sobre as vantagens económicas dos modos de transporte mais sustentáveis, como a bicicleta, andar a pé, o transporte coletivo ou público e os veículos menos poluentes e de como, através de escolhas de mobilidade mais inteligentes, podemos contribuir de forma determinante para a economia coletiva. As cidades que promovem o transporte sustentável estão em vantagem, comparativamente àquelas que não o fazem. Do setor público para o setor privado, da sociedade em geral para o indivíduo, os benefícios económicos de uma mobilidade inteligente são evidentes: as formas de mobilidade suave mantêm-nos ativos, o que melhora a saúde, reduz as importações de petróleo e melhora a qualidade do ar. Isso significa que estas escolhas são o melhor investimento para todos, para as vilas e cidades, e para a economia em geral .

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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina

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