#169
ALGARVE INFORMATIVO 25 de agosto, 2018
DIAS MEDIEVAIS DE CASTRO MARIM FOLKFARO | A ARTE DO LATOEIRO | FATACIL | FESTIVAL DE LUCÍA 1 ALGARVE INFORMATIVO #169 ULTRA TRAIL ROCHA DA PENA | ALBUFEIRA NÃO ESQUECE CARLOS SILVA E SOUSA
ALGARVE INFORMATIVO #169
2
3
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
4
5
ALGARVE INFORMATIVO #169
CONTEÚDOS #169 25 DE AGOSTO, 2018 40
ARTIGOS 12 - Albufeira não esquece Carlos Silva e Sousa 24 - A Arte do Latoeiro em Messines 40 - FATACIL em Lagoa 54- Dias Medievais em Castro Marim 74 - FolkFaro traz danças do Mundo ao Algarve 88 - Ultra Trilhos Rocha da Pena 102 - Festival de Lucía em Castro Marim 122- Atualidade
88
74
OPINIÃO 114 - Mirian Tavares 116 - Adília César 118 - Ana Isabel Soares ALGARVE INFORMATIVO #169
6
7
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
8
9
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
10
11
ALGARVE INFORMATIVO #169
REPORTAGEM
ALBUFEIRA NÃO ESQUECE O HOMEM SINGULAR QUE FOI CARLOS SILVA E SOUSA Texto:
ALGARVE INFORMATIVO #169
| Fotografia:
12
13
ALGARVE INFORMATIVO #169
Rosário Silva e Sousa recebeu das mãos de José Carlos Rolo e Paulo Freitas a Medalha de Honra da Cidade de Albufeira
lbufeira comemorou, a 20 de agosto, o seu Dia do Município, desta feita sem o mesmo peso político e institucional de outras ocasiões, mas com as emoções à flor da pele, recordando o seu ex-presidente de Câmara Municipal, Carlos Silva e Sousa, que faleceu, de forma inesperada, a 23 de fevereiro do corrente ano. Com uma longa carreira política, Carlos Silva e Sousa foi eleito presidente da Câmara Municipal de Albufeira a 29 de setembro de 2013, tendo sido reeleito para novo mandato a 1 de outubro de 2017. Antes disso, tinha sido presidente da Assembleia Municipal de 2001 a 2013 e, em 1996/97, foi Vereador da Câmara Municipal de Albufeira. Em 2012/13 foi ALGARVE INFORMATIVO #169
deputado da Assembleia da República pelo PSD/Algarve, desde o final de 2013 que desempenhou funções no Conselho Intermunicipal da AMAL e, de 2005 a 2013, foi membro da Assembleia Intermunicipal da AMAL. Advogado bastante respeitado pelos seus pares e no concelho de Albufeira, nunca deixou de lado a sua paixão pela agricultura, nomeadamente pelo vinho e laranja do Algarve, e foi igualmente o sócio número 1 e ex-presidente da Assembleia Geral da AHSA – Associação Humanitária Solidariedade de Albufeira. Um homem, de facto, singular, a quem o executivo liderado por José Carlos Rolo decidiu atribuir a Medalha de Honra da Cidade. Uma sentida e mais que merecida homenagem a que se 14
associou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não presencialmente, mas pelas palavras lidas pelo Chefe da Casa Militar, TenenteGeneral João Vaz Antunes. “Devemos homenagear o exemplo dos nossos maiores e ver nos seus percursos de vida – mesmo quando súbita e tragicamente interrompida – uma lição do presente e do futuro. É justíssima a atribuição, a título póstumo, da Medalha de Honra do Município de Albufeira, por aquilo que fez em defesa das populações e das legítimas pretensões do Algarve. Por aquilo que fez, muito em particular, pelo bem-estar das populações deste concelho e pelo seu contínuo e sustentado desenvolvimento”, leu o Chefe da Casa Militar. “Pelo que fez enquanto deputado à Assembleia da República e como autarca, pelo que fez enquanto advogado e cidadão
empenhado na defesa do bem comum e no serviço aos outros. Mas, acima de tudo, pelo que fez enquanto personalidade integral e multifacetada, que se dedicou, como poucos, à salvaguarda da nossa cultura, da nossa economia e da justiça social. E fez tudo isto até ao último minuto da sua vida, com sacrifício da saúde e, por ventura, da própria vida. Para sempre recordarei a sua derradeira intervenção, horas antes de nos deixar, arrebatada, em cerimónia a que quis comparecer, apesar do estado preocupante da sua saúde. Para sempre recordarei também o aluno de há tantas décadas, o amigo leal, o colaborador devotado e teimoso, o trabalhador incansável e apaixonado”, prosseguiu a leitura o Tenente-General João Vaz Antunes.
O Chefe da Casa Militar, Tenente-General João Vaz Antunes 15
ALGARVE INFORMATIVO #169
O Cônsul-Honorário do Reino de Marrocos, José Alberto Alegria
De Carlos Silva e Sousa falou igualmente o Cônsul-Honorário do Reino de Marrocos, José Alberto Alegria, lembrando que os «mundos» do antigo edil não se confinavam ao concelho de Albufeira em que residia há várias décadas, “nem tão pouco ao Algarve e a Portugal que tanto amava e serviu”. “A sua cultura, vasta e diversificada, chamava-o a conhecer e compreender outros territórios e gentes, sempre numa perspetiva de enriquecimento pessoal e de melhor compreensão das pessoas da sua terra. Não terá sido por acaso que este nosso conterrâneo exerceu, com brio e em tempos sucessivos, funções consulares ao serviço de dois países de dois continentes tão diferentes – São Tomé e Príncipe e Lituânia”, recordou o arquiteto de profissão. “Todas as suas ações ALGARVE INFORMATIVO #169
estavam associadas ao equilíbrio do seu núcleo duro, constituído por uma família que preenchia os seus afetos. A sua esposa Rosário, o filho Ricardo, a filha Teresa, o genro, os irmãos e, ultimamente, o seu querido neto Henrique. A sua partida do nosso convívio físico deixou-nos profundamente perplexos e momentaneamente na busca de uma difícil compreensão que agora se nos afigura mais clara. O nosso amigo e colega Carlos Silva e Sousa está seguramente numa outra viagem, por mundos e estados que desconhecemos, mas aonde um dia iremos também aceder. Mas certamente que está, inteligente e afetuosamente, atento a tudo o quanto por aqui vamos cumprindo”, finalizou José Alberto Alegria. 16
PROJETOS DE CARLOS SILVA E SOUSA SÃO PARA CUMPRIR Seguiu-se o emotivo momento da entrega da Medalha de Honra da Cidade à viúva de Carlos Silva e Sousa, Rosário Silva e Sousa, perante os aplausos sinceros da plateia. Depois, José Carlos Rolo recordou que o dia 20 de agosto assinala a entrega do foral a Albufeira, por D. Manuel I, em 1504, ato esse transposto, nos anos 80 do século passado, para uma tela de Álvaro Motta e Sousa que se encontra no Salão Nobre da Câmara Municipal de Albufeira. “É um quadro que Carlos Silva e Sousa gostava sempre de mostrar aos visitantes. Lá estão os homens mais importantes do reino, temos simbologias do poder e de Deus, como era normal, da lealdade e da honra, e todos os seus olhares intersetam os olhares de quem os observa, como se fosse uma mensagem de futuro. Sentimos orgulho
no que somos e fazemos e contribuímos, não só com rendimentos para o PIB de Portugal, mas com a identidade e caráter de Albufeira que nos distingue de todos os outros”, frisou o edil albufeirense. “Um caráter da paz, do empreendedorismo, do receber todos os cidadãos de um modo afável, sem preconceitos de ordem alguma. Albufeira, muito antes de haver outorgado o foral, já era uma terra liberal e tolerante, recebendo viajantes de toda a parte do mundo. E já não somos aquela terra pobre de pescadores, de homens da agricultura, nem há as hierarquias bem vincadas de outrora. Hoje, temos cidadãos na plenitude dos seus direitos e deveres”, declarou José Carlos Rolo. “Carlos Silva e Sousa foi um homem arrojado, lutador, que sonhou com o futuro”, lembrou ainda o presidente da
Os presidentes das Câmaras Municipais de Aljezur, Faro, Lagos e Tavira não faltaram à homenagem a Carlos Silva e Sousa 17
ALGARVE INFORMATIVO #169
José Carlos Rolo, presidente da Câmara Municipal de Albufeira
Câmara Municipal de Albufeira, confirmando que o inesperado falecimento do antigo autarca e amigo foi para todos uma situação difícil de ultrapassar. “Foi um homem justo e bom, um cidadão exemplar, um político com percurso discreto, mas de grande importância. Temos uma dívida para com ele e os seus grandes projetos terão continuidade, tendo em conta as circunstâncias de cada momento. O Plano de Drenagens está em andamento e encontram-se na fase final as sondagens do terreno por onde irá passar o túnel. Depois, teremos a elaboração dos projetos e o lançamento dos concursos para que as grandes obras aconteçam”, garantiu José Carlos Rolo. No plano habitacional, os projetos de Carlos Silva e Sousa serão ampliados, para que, dentro de pouco tempo, nasçam, em ALGARVE INFORMATIVO #169
cada zona do concelho, entre 20 a 30 habitações de caráter social. “Estamos a identificar igualmente espaços para que haja um Parque Industrial e Comercial que sirva para aumentar a diversidade económica do concelho e para que Albufeira se torne mais sustentável. Brevemente iremos apresentar, também, um novo Plano de Reabilitação e Requalificação dos Espaços Urbanos”, revelou José Carlos Rolo, sublinhando ainda que a Educação e Cultura são pilares do desenvolvimento de qualquer povo, daí serem áreas onde se apostará fortemente. “Queremos, com o nosso trabalho, honrar todos os cidadãos e devolver a Carlos Silva e Sousa tudo aquilo que ele nos deu. Fazemos isto em nome de todos aqueles que aqui vivem, trabalham e sonham, que 18
19
ALGARVE INFORMATIVO #169
fazem de Albufeira um lugar de partida com rumo ao futuro. Albufeira continua a ser um porto de abrigo de todos aqueles que honram a nossa cidade, um porto de acolhimento dos valores democráticos e um porto de reconhecimento de quem é nosso amigo”, frisou José Carlos Rolo. A cerimónia terminou com as palavras, também elas bastante emocionadas, de Paulo Freitas, presidente da Assembleia Municipal de Albufeira, num dia em que se festejava o Dia de Albufeira, mas também a vida de Carlos Silva e Sousa. “Um homem que deixa marcada a cidade, o concelho, a vida de todos nós. Sempre a brincar e a sorrir e, para ele, eramos todos boas pessoas. Foi, para mim, mais do que um amigo. Foi um mentor, um companheiro e um crítico, partilhámos desde o fato aos calções, das motos à
pesca, com cumplicidade nos momentos e uma enorme alegria pela vida”, recordou, de palavras tremidas. “Muitas vezes não damos valor àquilo que temos. Vivemos apegados ao negativismo e à crítica e esquecemonos de nos divertirmos, algo que ele sempre tentou fazer à sua maneira. Um amigo, um irmão perdido, um companheiro das coisas”, descreveu Paulo Freitas, com um elogio final à viúva, Rosário Silva e Sousa. “É uma SENHORA. Que força esta mulher tem, que força esta mulher teve”. Terminados os discursos oficiais, uma verdadeira multidão subiu ao primeiro piso do edifício dos Paços do Concelho para assistir à colocação do retrato de Carlos Silva e Sousa no hall dos Presidentes de Câmara .
Paulo Freitas, presidente da Assembleia Municipal de Albufeira
ALGARVE INFORMATIVO #169
20
21
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
22
23
ALGARVE INFORMATIVO #169
ENTREVISTA
PROJECTO TASA QUER RECUPERAR ARTE DA LATOARIA... E NÃO SÓ Texto:
ALGARVE INFORMATIVO #169
Fotografia:
24
25
ALGARVE INFORMATIVO #169
nze ruas da vila de São Bartolomeu de Messines foram abrangidas por uma intervenção artística no âmbito do projeto «A Arte do Latoeiro», que visa reativar o ofício da latoaria no concelho de Silves. O resultado é um itinerário que pretende contribuir para reavivar memórias enraizadas da comunidade relacionadas com este ofício, com os seus artífices e com a própria identidade da vila, e que foi inaugurado no dia 24 de agosto. O ponto de partida é o Museu do Trajo e das Tradições, seguindo depois pelo Largo António Vaz Mascarenhas, Rua da Liberdade, Mercado Municipal, Rua da Igreja, Rua do Forno, Rua da Fábrica, Travessa do Norte, Rua do Penedo, Rua de Cima, Rua do Arco, Largo João de Deus, ALGARVE INFORMATIVO #169
culminando na casa onde nasceu o conhecido poeta e pedagogo messinense João de Deus. O percurso nasce de uma intervenção de design social e foi construído com a participação da comunidade local e dos novos latoeiros formados para o efeito, que executaram as peças aplicando técnicas antigas numa reinterpretação do ofício e que teve como inspiração elementos do património e vivências locais. A latoaria é assumida nesta intervenção enquanto fator identitário, mas também como uma atividade com potencial para se afirmar e posicionar São Bartolomeu de Messines como um polo de latoaria no futuro. E isto porque, no Algarve, mas também a nível nacional, a arte da latoaria corre o risco 26
efetivo de extinção, por causa da desvalorização e desinvestimento a que esta atividade assistiu nas últimas décadas, o que impediu a renovação de artesãos e a sua capacitação para se adaptar aos tempos atuais. Para tentar evitar que tal aconteça, em 2017, o Projecto TASA/Proactivetur, numa parceria com a Câmara Municipal de Silves e com o apoio da EDP Produção, através do Programa Tradições, conseguiu formar quatro novos latoeiros num modelo de transmissão de saberes mestre-aprendiz. Foi criada nessa altura uma linha de produtos de latoaria contemporânea e realizaram-se workshops com escolas e comunidade, onde se deu a oportunidade para experimentar os materiais e as técnicas do latoeiro. Numa segunda fase, a
27
decorrer até setembro do corrente ano, esta intervenção é consolidada por via do reforço da capacitação dos novos latoeiros, do apoio à sustentabilidade da atividade, do envolvimento mais ativo e direto da comunidade com o propósito de tornar a latoaria uma tradição viva, que a vila vive. No fundo, a ideia do Projeto TASA é fazer do artesanato uma profissão com futuro, assim resume João Ministro, “o que só é possível se conseguirmos adicionar mais valor ao artesanato, envolvendo a inovação, a modernidade e uma nova forma de pensar estas artes e ofícios”. “Queremos resgatar as artes tradicionais, acrescentando-lhe uma mais-valia por via do design e da
ALGARVE INFORMATIVO #169
criatividade, de uma nova forma de comunicar, transmitindo uma mensagem de sustentabilidade. Temos vindo a alargar a nossa rede nestes anos e, inclusivamente, temos duas jovens artesãs a trabalhar permanentemente connosco”, refere, na sede do Projecto TASA/Proactivetur, em Loulé. Sobre este novo projeto em concreto, João Ministro recorda que tudo começou com o espólio do antigo Mestre Raul, latoeiro falecido há três anos, que foi doado à Câmara Municipal de Silves e que constituía uma excelente oportunidade para se tentar recuperar esta arte. “Apresentámos uma candidatura ao «Programa Tradições» da EDP, com o
ALGARVE INFORMATIVO #169
apoio do Município de Silves e da Junta de Freguesia de Messines, através da qual fizemos formação de cinco novos latoeiros e desenvolveu-se uma linha de produtos contemporâneos. Neste momento, dois deles já estão coletados nas Finanças como latoeiros e conseguimos colocar em funcionamento uma oficina em Messines, na casa onde nasceu o poeta João de Deus”, conta João Ministro, enquanto folheava uma brochura com essas peças. Ganho novo financiamento em 2018, investiu-se mais na formação com dois mestres latoeiros, um do Alentejo, outro
28
29
ALGARVE INFORMATIVO #169
latoeiros em Messines e as visitas poderiam ser integradas nesses pacotes. Para já quisemos apenas sinalizar, dentro da vila, um itinerário aberto a toda gente, para que as pessoas reconheçam o trabalho do latoeiro”.
de Vila Real de Trás-os-Montes. “Desta vez encetámos igualmente uma parceria com a designer Alexandra Santos, fizemos um trabalho com a comunidade de Messines e criou-se este itinerário com peças resgatadas das memórias das pessoas e feitas por estes latoeiros, que vão estar afixadas nas fachadas das casas e acompanhadas por uma placa com uma pequena história”, explica João Ministro, deixando no ar a hipótese de se poderem organizar visitas guiadas para grupos de turistas ou escolas. “Nós já oferecemos, no âmbito da nossa atividade turística, experiências com ALGARVE INFORMATIVO #169
Há quem diga que as velhas tradições estão a ficar novamente na moda e que tudo o que é vintage chama a atenção dos turistas, mas João Ministro é mais cauteloso e assegura que as artes e ofícios continuam a atravessar uma fase delicada. “Simplesmente negligenciamos e abandonamos as artes, não lhe demos o devido valor, classificámo-las como atividades rurais sem interesse e elas foram-se perdendo. Agora, recuperar algumas dessas artes não é fácil. Neste momento, por exemplo, só existe um mestre latoeiro no Algarve, um senhor de 83 anos de Moncarapacho que está praticamente a encerrar a sua atividade”, revela o entrevistado, uma situação que, infelizmente, se estende a muitas outras artes. “Os caldeireiros que hoje existem em Loulé surgiram no âmbito de um projeto que realizamos com a Câmara Municipal de
30
Loulé, dinamizamos um curso e a loja tornou-se um sucesso. Os albardeiros, correeiros, ferreiros, cesteiros, todos estão a desaparecer”, lamenta. A missão não é, contudo, recuperar estas artes meramente numa lógica etnográfica, para se manter um género de «museu vivo», esclarece João Ministro. “Há um mercado que está mais interessado nestes produtos, que está consciente do valor associado às peças, contudo, para conseguirmos ter capacidade de produção, e com qualidade, precisamos atrair jovens, o que é um processo difícil”, reconhece o responsável da Projecto TASA/Proactivetur, que sempre teve a preocupação de produzir peças utilitárias, e não decorativas, para a cozinha, sala de jantar, iluminação. “E peças que sejam comercialmente viáveis, pegando nas raízes culturais, nas técnicas tradicionais, e acrescentando modernidade”. Não se consegue, nem se pretende, entrar numa produção maciça, industrial, nem se podem vender as peças a preços demasiadamente elevados, o que implica uma gestão criteriosa dos stocks e dos valores cobrados. “São peças que 31
demoram muito tempo a ser feitas e, dependendo da técnica utilizada, algumas nem podem ser realizadas em grandes quantidades. Contudo, os preços têm que refletir o trabalho que está por detrás de cada peça. Nenhum jovem quer dedicar-se à empreita ou cestaria quando, se fizer as contas ao tempo que lhe tomou um cesto, se aperceber que esteve a ganhar um euro à hora”, avisa João Ministro, falando em peças do Projeto TASA que vão dos cinco aos 300 euros. “Obviamente que algumas são mais ALGARVE INFORMATIVO #169
caras do que normalmente se encontram no mercado, mas as pessoas é que se habituaram a comprar coisas baratas. Temos peças destinadas a um público com maior poder económico, mas também temos outras que se encaixam num uso corrente e mais acessível”. João Ministro entende, também, que este regressar às origens, aos ofícios dos pais ou avós, não pode ser considerado um passo atrás quando não se consegue ter sucesso noutras carreiras profissionais. “É um estilo de vida diferente e a verdade é que há muitas pessoas interessadas em abraçá-lo. Este ano investimos num curso em que tivemos seis aprendizes durante quatro meses intensivos a aprender as artes da cestaria. Foram bastante mais inscritos e a maior parte tinha este bichinho dentro deles, era uma vocação que vinha detrás. Alguns desistiram dos seus trabalhos, vieram de outros pontos do país para o Algarve, completaram o curso e estão a tentar fazer vida disto”, revela o entrevistado. “Nós acreditamos que isto tem futuro e é um caminho que está a ser seguido noutros países que tiveram o mesmo problema de abandono das artes e ofícios. A diferença é que, lá, este movimento tem mais dinâmica e
ALGARVE INFORMATIVO #169
pujança. Há mesmo feiras mundiais especializadas nestas artes”. O problema é que estes saberes não se adquiram somente em livros ou cursos intensivos da internet, é preciso «meter a mão na massa», aprender com mestres, que têm idade avançada e nem sempre disponibilidade, ou capacidade, para transmitir os seus conhecimentos. “A média de idades dos artesãos no TASA é de 63 anos, nalgumas artes é 70 e até trabalhamos com pessoas com 80 anos. Obviamente que não podemos ambicionar que eles aceitem encomendas de muitas peças. Às 32
33
ALGARVE INFORMATIVO #169
vezes nem sequer têm tempo para fazer seis ou sete cestos, porque têm que tratar das ovelhas e da horta”, conta João Ministro, reconhecendo ainda grandes dificuldades logísticas para se organizar cursos ou workshops com estes mestres. “Aliás, a questão começa logo quando estas abordagens de formação não são reconhecidas pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, porque as regras do Fundo Social Europeu obrigam a turmas com o mínimo de 15 pessoas. Imagine-se 15 pessoas à volta do mestre, numa aldeia no interior da serra, dentro ALGARVE INFORMATIVO #169
da sua casa particular. É impossível”, afirma. Apesar dos constrangimentos, o Projecto TASA/Proactivetur não baixa os braços e tem alcançado resultados positivos, mas este esforço tem que ser alargado a um conjunto maior de artes. “Cachopo teve, nos anos 50, 70 tecedeiras. Hoje, há uma. Nos trabalhos com cabedal ou ferro é o mesmo cenário”, alerta, confirmando que projetos como «A Arte do Latoeiro» só são possíveis com apoios de 34
fundações e por via de programas do poder central e local. “Felizmente que há mestres artesãos de mente aberta, que gostam de fazer coisas novas, e que vão passando os seus saberes aos mais jovens. No entanto, já não são muito adeptos de trabalhos repetitivos, o que limita a nossa capacidade de produção”, declara, com um encolher de ombros. “Tudo o que seja manualidades relacionadas com a cestaria é sempre mais complicado, mas vamos conseguindo dar resposta às encomendas”. 35
Depois dos latoeiros de Messines, a ambição, entretanto, é avançar para outras artes com projetos desta natureza, entre elas o esparto, uma planta que cresce no barrocal, com um filamento longo, utilizado antigamente na produção de tapetes. “Em Espanha há mestres a fazer peças espetaculares e é algo que queremos recuperar no Algarve, onde só existe uma ou duas pessoas neste momento em atividade, e já de idade avançada”, adianta João Ministro, a fechar a conversa . ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
36
37
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
38
39
ALGARVE INFORMATIVO #169
REPORTAGEM
FATACIL VOLTOU A ENCANTAR MILHARES DE PORTUGUESES E ESTRANGEIROS Texto:
ALGARVE INFORMATIVO #169
| Fotografia:
40
41
ALGARVE INFORMATIVO #169
FATACIL atraiu mais uma vez largas dezenas de milhares de visitantes a Lagoa para percorrer o recinto do maior evento do género a sul do Tejo. A Feira de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Indústria de Lagoa assinalou, em 2018, 39 anos de história, de sucesso e de reinvenção permanente e, durante 10 dias, o Parque de Feiras e Exposições de Lagoa deu a conhecer o que de melhor se faz nesses setores. «Lagoa – Cidade Educadora» deu destaque à Educação na FATACIL, um autêntico centro de dinamismo económico de toda a região, destacando-se ALGARVE INFORMATIVO #169
novamente os vinhos do Algarve e a deliciosa e riquíssima gastronomia local, com particular ênfase para as iguarias candidatas ao concurso «7 Maravilhas à Mesa». Iguarias a que nem o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, resistiu, na visita inaugural à FATACIL, no dia 17 de agosto. Espalhados por todo o recinto, cerca de 700 expositores divulgaram produtos suscetíveis de satisfazer um vasto espectro de interesses. Os apreciadores de artesanato português, e algarvio em particular, tiveram ali uma mostra bastante variada, desde artigos de tecelagem aos cobres e ferro forjado, passando pelas rendas, objetos em 42
43
ALGARVE INFORMATIVO #169
madeira, olaria e cerâmica, peças em cortiça, vime e cestaria, ou as tipicamente algarvias bonecas de Martim Longo e Querença. Da mesma forma, quem pretendesse levar para casa exemplos da tradicional gastronomia algarvia descobriu na FATACIL os genuínos enchidos (morcelas e farinheiras) e presuntos, os doces regionais à base de figo, amêndoa e farinheira, os frutos secos, a aguardente de
ALGARVE INFORMATIVO #169
medronho e licor de figos, ou saborosos queijos de ovelha. Foi também possível encontrar artesanato proveniente dos cinco continentes, assim como as mais recentes novidades dos sectores comercial, industrial e agropecuário. E foi também a oportunidade ideal para conhecer o que têm para oferecer e como funcionam entidades tão distintas 44
como autarquias, escolas, instituições de solidariedade social, organismos da administração central e regional, coletividades e regiões de turismo. Nesta feira de artesanato não faltou a boa música e o cartaz de 2018 foi de luxo, com Gabriel o Pensador, Mariza, Virgul, HMB, José Cid, Quim Barreiros, Amor Electro, Carolina Deslandes, Richie 45
Campbell e C4 Pedro, já para não falar dos espetáculos diários da zona do Picadeiro e a constante animação de rua que percorreu todo o recinto. Agora, resta esperar por nova edição, a 40.ª, em agosto de 2019 . ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
46
47
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
48
49
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
50
51
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
52
53
ALGARVE INFORMATIVO #169
REPORTAGEM
CASTRO MARIM DE REGRESSO À IDADE MÉDIA Texto:
ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #169 #169
Fotografia:
54 54
55 55
ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #169 #169 ALGARVE
eza a história que, no pico do calor do Verão algarvio, Castro Marim encete uma viagem no tempo rumo à Idade Média e 2018 não foi exceção, com Castro Marim a transformarse, de 22 a 26 de agosto, numa vila encantada e com toda a multiplicidade e contradições de uma época simultaneamente bárbara e culta, palco de acontecimentos e decisões que ficaram na história e de magníficas produções culturais e artísticas. O formato bemsucedido de cinco dias manteve-se na 21.ª edição dos Dias Medievais em Castro Marim, um evento já reconhecido alémfronteiras pelo rigor da sua recriação histórica, mas também pela constante inovação que procura introduzir, o que o torna num dos maiores certames nacionais do género que acontecem ao longo do ano. E o Algarve é, de facto, riquíssimo em recriações históricas, contemplando também, por exemplo, o Salir do Tempo, a Feira Medieval de Silves, o Paderne Medieval, só para falar nos mais mediáticos e de maior dimensão. O recinto dos Dias Medievais d Castro Marim é o mesmo das duas últimas edições, tendo por palco principal o Castelo, o cenário mais leal à Idade Média e onde acontecem as principais recriações, como as de artes e ofícios, onde estão representadas mais de 45 profissões, e os grandes espetáculos, como os torneios medievais a cavalo. É também o Castelo que acolhe, no Paiol, a renovada exposição de Instrumentos de Tortura e Punição, mostrando aos milhares de turistas que se deslocam a Castro Marim uma das razões pela qual a Idade Média é considerada como a Idade das Trevas. A exposição foi ALGARVE INFORMATIVO #169
56
57
ALGARVE INFORMATIVO #169
apoiada pelo Interreg V-A e pela União Europeia, sendo cofinanciada a 75 por cento pelo FEDER, projeto FOURTOURS, aliviando o investimento de uma autarquia típica de territórios de baixa densidade, ou seja, sem grande fulgor financeiro. Outro dos grandes destaques dos Dias Medievais é o Banquete Medieval, que, mediante reserva, dava a provar aos convivas as melhores iguarias da época, ALGARVE INFORMATIVO #169
num espaço exclusivo, no chamado Castelo Velho, e por onde passam todos os grupos de animação do evento. Mas pelas ruas e ruelas de Castro Marim também se pode encontrar a recriação da vida quotidiana do homem da Idade Média, com a representação de todas as classes que estruturavam a sociedade na época – clero, nobreza, burguesia e povo. Assim, guerreiros, grupos de música e de dança, cavaleiros, 58
malabaristas, zaragateiros, cuspidores de fogo, contadores de histórias, gaiteiros, equilibristas, espadachins e contorcionistas, entre muitos outros, dão colorido ao resto do cenário medieval. E nas mesmas ruas e ruelas encontra-se todo o imaginário de uma época que carregava criaturas mitológicas, monstros, criaturas demoníacas e mágicas, que explicavam tudo o que era ainda vago e impreciso. Por isso, ano após ano, por 59
muitas vezes que se vá aos Dias Medievais de Castro Marim, o tempo é dado por bem empregue, numa experiência inolvidável que ultrapassa todas as barreiras linguísticas e agrada a miúdos e graúdos, daí se justificarem as milhares de fotos que todos os turistas, mas também os residentes do concelho e os restantes algarvios, tiram para mais tarde recordar este regresso ao passado.
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
60
61
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
62
63
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
64
65
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
66
67
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
68
69
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
70
71
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
72
73
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #169 #169
74 74
REPORTAGEM
Texto:
75 75
Fotografia:
ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #169 #169 ALGARVE
IVA A MÚSICA! VIVA A DANÇA! foi o mote deste ano para o maior festival de folclore do sul de Portugal. O FolkFaro é uma verdadeira montra das músicas e danças do mundo, com a cidade de Faro como centro deste festival, mas muitas outras localidades algarvias (e não só) a conhecerem diferentes coloridos e ritmos trazidos por grupos dos quatro cantos do mundo que participaram no evento de 18 a 26 de agosto. O FolkFaro é uma organização anual do Grupo Folclórico de Faro, que conta com o apoio principal do município farense e que vai já na sua 16.ª edição. Estiveram representadas as músicas, danças, cantares e trajes de povos de diferentes ALGARVE INFORMATIVO #169
continentes, com mais de 300 participantes, entre bailadores e músicos, que mostraram a riqueza das tradições populares das suas terras. A Gala de Abertura no Teatro das Figuras, na noite de 18 de agosto, marcou o arranque de nove intensos dias, repletos de espetáculos e inúmeras atividades, naquele que é um dos acontecimentos mais aguardados no Verão cultural de Faro. Os grupos participantes foram selecionados de entre mais de uma centena de propostas recebidas pela organização, estando confirmadas as presenças de Ensemble Aytugan (Basquiria), Beijing Dance Academy (China), Ensemble Zagreb-Markovac (Croácia), Ritmos Del Tiempo (Perú) e 76
77
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
78
Folklore Group Varenka (Rússia). Para além destes grupos internacionais a tempo inteiro houve participações pontuais de mais três grupos internacionais: Panamá Canta y Baila (Panamá), Group Rioni (Geórgia) e Ballet Jammu (Senegal). Como habitualmente, também as tradições portuguesas estiveram representadas por prestigiados grupos folclóricos de diversas regiões de Portugal: Grupo de Danças e Cantares dos Pioneiros de Vendas Novas, Grupo Académico de Danças Ribatejanas, Grupo de Danças e Cantares Besclore (Minho), Rancho Folclórico da Figueira (Portimão), Rancho Folclórico de São Bartolomeu de Messines, Grupo Folclórico de Faro (organizador) – Adulto, Infantil e Cancioneiro.
79
Os espetáculos diários no Palco do Passeio da Doca tiveram lugar nas noites de 19 e 26 de agosto, em simultâneo com a Feira dos Doces, Frutos Secos e Bebidas Regionais. Em cada uma dessas noites atuaram sucessivamente os diversos grupos estrangeiros e também houve lugar a outras expressões artísticas com algumas participações especiais: Clube de Danças João de Deus e Associação S. Brás Bailando, Afonso Dias e Amigos com «Andanças & Cantorias», e Sandra Cristo (Hino do FolkFaro – «Unidos Por Um Laço»). O FolkFaro apresentou ainda diversos espetáculos nas freguesias de Faro e nos
ALGARVE INFORMATIVO #169
concelhos de Loulé, Olhão, São Brás de Alportel, Albufeira, Tavira e Vidigueira, num total de 15 localidades. Diversos grupos do FolkFaro participaram nos festivais de Moncarapacho e da Luz de ALGARVE INFORMATIVO #169
Tavira, em parceria com os grupos folclóricos locais. As animações de rua, na baixa e no Mercado Municipal, assim como os desfiles dos grupos da Pontinha ao Passeio da Doca, e as 80
animações musicais na «Tertúlia Algarvia» trouxeram um ambiente de alegria e a festa à cidade. Os programas especiais para crianças na Biblioteca e no Refúgio 81
Aboim Ascensão, os programas para idosos em diversas instituições e um programa especial para os reclusos no Estabelecimento Prisional reforçaram a ALGARVE INFORMATIVO #169
componente social do festival. Os Ateliers de Dança na Escola EB 2,3 Santo António permitiram ainda, aos mais curiosos, aprender e praticar um pouco das danças do mundo através dos grupos que visitaram o Algarve por estes dias. A Celebração Ecuménica na Igreja da Sé, no último dia, com uma mensagem de paz e união entre os povos, constituiu também motivo de interesse deste festival. O FolkFaro é o único festival do sul de Portugal com a certificação internacional do CIOFF – Conselho Internacional das Organizações de Festivais de Folclore e Artes Tradicionais, uma organização nãogovernamental com relações formais de consulta com a UNESCO, criada em 1970 ALGARVE INFORMATIVO #169
com o objetivo de salvaguardar a promoção e difusão da cultura tradicional e do folclore. Está atualmente representado em mais de 70 países e reúne mais de 250 festivais internacionais em todo o mundo. Para além do apoio principal da Câmara Municipal de Faro, outras entidades públicas como a Direção de Cultura do Algarve, a Fundação Inatel, as Câmaras Municipais de Loulé e São Brás de Alportel, as Juntas de Freguesia do concelho de Faro, Teatro Municipal de Faro, Ayuntamento de Villablanca, Fagar e Mercado Municipal apoiaram ou colaboraram com a organização do evento .
82
83
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
84
85
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
86
87
ALGARVE INFORMATIVO #169
REPORTAGEM
ADEPTOS DO TRAIL RUNNING VOLTARAM A ESCALAR A ROCHA DA PENA Texto:
ALGARVE INFORMATIVO #169 ALGARVE INFORMATIVO #169
Fotografia:
88 88
89 89
ALGARVE INFORMATIVO #169 ALGARVE INFORMATIVO #169
calorento 12 de agosto ficou marcado pela quinta edição do Ultra Trilhos Rocha da Pena (UTRP), este ano em formato ULTIMATE, com a dificuldade do percurso a ser ainda mais elevada, num trajeto mais duro e técnico e com menos alcatrão para que os participantes pudessem desfrutar da prova com maior adrenalina. Como é habitual, a prova contemplou três ALGARVE INFORMATIVO #169
distâncias, com a mais longa, de 50 quilómetros, a ser vencida por Bruno Sousa, da Team Trail Bifasr, com quatro horas e 54,03 minutos. Luís Fernandes, do Clube de Praças Armadas, terminou em primeiro lugar o trail longo de 25 quilómetros, com duas horas e 19,13 minutos. Já Celso Brito, da Associação Cultural Sambrasense, triunfou nos 16 quilómetros do UTRP, com uma hora e 44,20 minutos. 90
No setor feminino, a vencedora do Ultra Trail foi Sofia Roquete (AMCF – Arrábida Trail Team), com seis horas e 29,29 minutos, classificando-se em 14.º lugar da geral. Filipa Duarte (Associação Académica da Bela Vista) ganhou o Trail Curto com duas horas e 14,21 minutos, classificando-se na 20.ª posição da geral. Eunice Fernandes (ATR – Algarve Trail Running) terminou no primeiro lugar o 91
Trail Longo com três horas e 6,51 minutos, tendo sido 36.ª da classificação geral. De notar que a prova de 50 quilómetros contava para o Campeonato Nacional Ultra e para o Monte Branco, os 25 quilómetros atribuíam pontos somente para o Circuito Nacional de Trail e os 16 quilómetros eram considerados uma prova regular de iniciação ao trail running. ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
92
Começaram a prova, nas três distâncias, 530 atletas de 11 nacionalidades diferentes, um registo bastate enriquecedor para o UTRP, de acordo com Bruno Rodrigues, presidente da Direção da Associação Algarve Trail Running e Diretor da prova. “Apesar de mais difícil, as pessoas estavam melhor preparadas e a percentagem de desistências foi inferior em relação a outros anos. Isso demonstra que os atletas encaram estes desafios com maior seriedade. Temos tido cada vez mais espanhóis, para além de uma grande quantidade de residentes estrangeiros, que depois vão passando a palavra aos familiares e amigos para gozarem férias no Algarve nesta altura do ano para, assim, puderem também participar no evento”, refere o dirigente e também atleta. 93
Uma prova que é, de facto, bastante exigente, não só pela dificuldade do trajeto, mas sobretudo pelas elevadas temperaturas que normalmente se fazem sentir, com Bruno Rodrigues a confirmar que, para os estreantes, esse fator é sempre um choque. “Alguns pensam que estão em boas condições mas depois, no terreno, ficam bastante impressionados com a dureza e compreendem que, se calhar, até nem estavam assim tão bempreparados. Mas é para isso que nós estamos espalhados ao longo do percurso, nos postos de abastecimento, a fornecer água e gelo, com equipas de emergência médica, sempre prontos para resolver qualquer situação anómala que aconteça”, frisa o entrevistado. ALGARVE INFORMATIVO #169
Neste contexto, Bruno Rodrigues não hesita em aconselhar um treino intensivo de alguns meses antes de alguém se aventurar numa prova de trail running de distâncias mais longas. “Todas as provas têm características específicas que exigem uma preparação diferente, apesar das várias competições que vão acontecendo no decorrer do ano ajudarem a aprimorar a forma física para as que se seguem. Na distância de 16 quilómetros a exigência será menor, mas ALGARVE INFORMATIVO #169
isso não significa que não seja necessária, à mesma, uma boa preparação diária para se terminar o evento com sucesso”, avisa, motivo pelo qual são menos aqueles que se inscrevem nestas provas simplesmente por curiosidade. “Para esses, a probabilidade de se ficar a meio do caminho é muito elevada”, confirma. Outro aspeto a ter em conta é o investimento financeiro que participar em eventos de trail running acarreta, 94
ainda para mais porque a esmagadora maioria não contempla prémios monetários. “São as inscrições, as deslocações, o alojamento, a alimentação, o material que se desgasta com facilidade ao longo do tempo, já para não falar das horas que se dedicam aos treinos todos os dias. Ao fim do ano, se fizermos as contas, ainda chegamos a um
95
ALGARVE INFORMATIVO #169
montante avultado”, reconhece Bruno Rodrigues. Em termos de organização, montar o Ultra Trilhos Rocha da Pena envolveu o empenho de cerca de 90 pessoas, entre voluntários dos postos de abastecimento, forças de segurança, enfermeiros, socorristas, elementos de apoio ao longo do percurso e, no final, para preparar as refeições. Mas, depois, o esforço é compensado pelo sucesso da competição, apesar da eterna dificuldade em se garantir ajudas financeiras. “O feedback dos participantes tem sido extremamente positivo, o que nos dá alento para ALGARVE INFORMATIVO #169
seguirmos em frente. Foram muitos meses desgastantes de trabalho para um evento que dura poucas horas e, por estarmos no interior da região, é mais complicado arranjar apoios”, indica o presidente da Direção da Associação Algarve Trail Running, acreditando que esta Ultimate Edition não será a última do UTRP. “Foi a última com o Bruno Rodrigues como diretor da prova, mas é um evento com pernas para continuar. E, no final de novembro, teremos o ALUT – Algarviana Ultra Trail, uma prova que percorre todo o Algarve, desde Alcoutim até Sagres, em mais de 300 quilómetros” . 96
97
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
98
99
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
100
101
ALGARVE INFORMATIVO #169
REPORTAGEM
FESTIVAL DE LUCÍA GANHA LUGAR NA AGENDA CULTURAL IBÉRICA Texto:
ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #169 #169
Fotografia:
102 102
103 103
ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #169 #169
alco de homenagem ao eterno génio da guitarra e mestre absoluto do flamenco contemporâneo, Paco de Lucía, a vila de Castro Marim acolheu, de 17 a 19 de agosto, a terceira edição do Festival de Lucía. Com três grandes concertos, consolidou-se este ano como grande evento da agenda ibérica, lotando o Revelim de St. António nas três noites de espetáculo.
Lucía, irmão de Paco de Lucía, a serenata tornou-se num momento intimista e acolhedor, de orgulho e de saudade. Depois, à noite, o palco foi de Antonio Rey, grande guitarrista e compositor de flamenco. No dia 18 atuou Javier Limón y Original Quartet (OQ) e, a encerrar o Festival, dois espetáculos, o primeiro de Fandóziando e o segundo com Mário Pacheco e a fadista Ana Maria.
O Festival começou, como de costume, com uma serenata em Monte Francisco, na tarde do dia 17 de agosto, naquele que se pretende que seja um local de romaria em memória de Paco de Lucía – o Largo Manuel Gomes – Tributo a Paco de Lucía. Com Antonio Rey e a voz de Pepe de
Assente na ligação umbilical de Paco de Lucía a Monte Francisco, terra que viu a sua mãe nascer, o Festival de Lucía nasceu em 2016 e tem outro grande nome da música mundial na sua génese, a fadista Mariza, madrinha e embaixadora da iniciativa e que integrou
ALGARVE INFORMATIVO #169
104
105
ALGARVE INFORMATIVO #169
o cartaz da edição de 2017, num concerto emocionante e caloroso, com mais de três mil pessoas, em Castro Marim. Na estreia, com um caráter mais intimista, o Festival já tinha sido aplaudido por cerca de 700 pessoas. Recorde-se ainda que a obra deste largo memorial foi enquadrada no Plano de Ação de Desenvolvimento de Recursos Endógenos (PADRE), aprovado no âmbito do PO CRESC Algarve 2020, sendo apoiado por Portugal e União Europeia e cofinanciado a 70 por cento ALGARVE INFORMATIVO #169
pelo FEDER. E o autarca de Castro Marim, Francisco Amaral, sublinhou a importância do Festival de Lucía, quer em termos culturais, quer na melhoria de qualidade de vida que se tem proporcionado à população através dela, uma vez que este financiamento permitiu também a requalificação dos arruamentos de Monte Francisco. O Festival de Lucía é apoiado pelo PO CRESC Algarve 2020, com uma taxa média de cofinanciado a 60 por cento pelo FEDER, durante dois anos . 106
107
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
108
109
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
110
111
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
112
113
ALGARVE INFORMATIVO #169
OPINIÃO
Requiem Mirian Tavares (Professora) - O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. - Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? - Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. Manuel Bandeira
equiem aeternam dona eis, domine». Assim começa a missa em homenagem aos mortos: Dai-lhe o repouso eterno, Senhor! Porque é tudo o que podemos desejar aos que partem, descanso. Descanso após a longa jornada que é a vida, sobretudo se bem vivida. Sobretudo se os que partem vão antes do tempo, mas já algo fatigados de lutar para agarrar-se ao lado de cá, onde habita o conhecido. Mesmo quando este «conhecido» se transforma num processo doloroso de incertezas e de dor. Na escola líamos poemas para, de seguida, interpretá-los. Um dia calhou-nos «Pneumotórax» de Manuel Bandeira. Disse ao professor que o texto era fruto da tuberculose do seu autor: “Uma vida inteira que podia ter sido e que não foi”. Estávamos no período áureo do Estruturalismo desenfreado e o professor replicou: “O autor não interessa. O que importa é a obra. Você não precisa conhecer a vida de um poeta para falar daquilo que ele escreveu!”. Eu insisti, mesmo correndo o risco de tirar uma nota mais baixa, que neste caso a obra e o autor (con)fundiam-se de modo inevitável - uma vida inteira que podia ter sido e que não foi era o mote da sua poesia, diante da morte iminente, uma espera que se arrastou pela vida dele afora, a única coisa a fazer era tocar um tango argentino.
«
ALGARVE INFORMATIVO #169
E escrever. “Quando a indesejada das gentes chegar”, disse ele noutro poema. “(...) encontrará lavrado o campo, a casa limpa, a mesa posta com cada coisa em seu lugar”. Não sei se quando a indesejada das gentes chegou, dura ou caroável, se encontrou cada coisa em seu lugar. Mas, para os que ficam, jamais a mesa está posta, porque é a refeição que a todos apetece saltar. Perder alguém que está connosco, de quem temos, ainda frescas, mensagens trocadas anteontem, de quem temos e-mails e lembranças vívidas, torna ainda mais indesejada a morte, a que todos irá acolher em seu seio tarde ou cedo, mas que esperamos sempre que seja nunca. Porque ficou qualquer coisa por ser dita, porque faltou um abraço apertado, porque não podemos estar lá, ao lado, sentados atônitos, à espera do inevitável, ainda que duro e nada caroável. Estava longe quando morreu minha mãe, meu pai, meu irmão mais velho. Estava longe quando morreste, meu querido amigo. Estava longe. O que torna tudo ainda mais inacreditável. A despedida que não pude fazer, o último adeus. O momento de partilha da dor comum com tantos que, como eu, rezaram para que a indesejada das gentes tardasse muito a chegar. Jamais a mesa posta e a casa limpa. Apenas um imenso vazio. E um nó que sobe à garganta e que fica por lá .
114
115
ALGARVE INFORMATIVO #169
OPINIÃO
Manual de Etiqueta para o Século XXI Adília César (Escritora) sta será uma crónica cheia de lugares comuns, infelizmente. Na chamada «silly season» – o Verão do nosso descontentamento – os lugares comuns que irei enunciar parecem estar definitivamente estabelecidos. São uma espécie de caspa sobre os ombros a enfeitar o ritmo alucinante e agoniado dos acontecimentos veranis. E não há champô que nos valha, a nossa higiene mental está comprometida. Os factores «fast life», com os seus festivais, feiras e eventos populares, aliados à fatalidade do calor intenso e consequentes mergulhos de cabeça na água fria do mar, provocam um «não sei quê» de impaciência nefasta nas pessoas: a má educação ultrapassa todos os limites do bom senso, em todas as estações do ano. O título da crónica não é de minha autoria, pertence a Pedro Leite, português do Brasil, que nos vem presenteando desde há anos com um humor bem gerido, através de umas pequenas bandas desenhadas de crítica social e publicadas nas redes virtuais. Numa dessas reflexões, o autor admite que hoje em dia as pessoas parecem desconhecer as normas de boa convivência cívica e democrática, e relacionam-se com os outros «ao contrário» do que seria de esperar na vida moderna, a qual não é hoje mais exigente do que noutros tempos: se existe uma maior liberdade de expressão e um amplo acesso à educação e informação, deveríamos ser mais eficientes do ponto de vista moral e relacional, certo? Ou se calhar, não… De facto, esta equação sociológica não é tão linear como se supõe à primeira vista e a sua aferição necessita de estudos
ALGARVE INFORMATIVO #169
comprovativos de validação que não têm lugar nesta pequena crónica. Mas para chegarmos a uma resposta pelo menos suficiente, vejamos as «sugestões» paradoxais de Pedro Leite para um possível manual de etiqueta para o século XXI: «FIQUE O MÁXIMO DE TEMPO POSSÍVEL MEXENDO NO SEU CELULAR DURANTE UM ENCONTRO COM OS AMIGOS» «SE O TRÂNSITO ESTIVER LENTO BUZINE O MÁXIMO QUE PUDER» «QUANDO ACABAR DE FUMAR, CERTIFIQUE-SE QUE JOGA A BITUCA DO CIGARRO PARA O CHÃO» «TIRE APENAS FOTOS SELFIE MESMO QUE ESCONDA TODA A PAISAGEM» «SEMPRE PARTA PARA A BRIGA, QUANDO VOCÊ ENCONTRAR TORCEDORES DE OUTRO TIME» «DIARIAMENTE POSTE FOTOS NAS REDES SOCIAIS MOSTRANDO COMO A SUA VIDA É MARAVILHOSA» «CHAME TODA MULHER BONITA DE GOSTOSA ASSIM QUE ELA PASSAR POR VOCÊ NA RUA» «SEJA MUITO POLITIZADO MAS APENAS NO FACEBOOK». Pedro Leite chamou-lhes «Quadrinhos Ácidos». Eu diria: «Quadrinhos Realmente Ácidos», porque exemplificam, com algum humor, as bestialidades reais da subversão das regras de cidadania e de convivência entre as pessoas, nesta grande casa que é o planeta terra, onde somos apenas
116
inquilinos. Na verdade, não somos donos de nada nem de ninguém, para nos sentirmos no direito de nos comportarmos como se a evolução da espécie humana não passasse pelo cumprimento de algumas normas de relacionamento sustentável, a todos os níveis. Poderia comentar cada uma das «regras ácidas de etiqueta» enunciadas, mas não creio que seja necessário cansar os leitores com o que já sabemos de antemão – com uma pitada de ironia, que fica muito bem em crónicas sobre os costumes – somos todos tão bem educados…; além disso, até uma criança compreende o humor irónico que transforma o comportamento adequado e aceitável numa lista ridícula de atitudes deploráveis, tão frequentes actualmente, onde a desconstrução fatalista da cidadania nos (des)educa, dia após dia. E finalizo com um lugar-comum: onde é que «isto» irá parar?!.
117
ALGARVE INFORMATIVO #169
OPINIÃO
Do Reboliço #5 Ana Isabel Soares (Professora) uma das poucas imagens fixadas do Reboliço, o cão está em andamento, cada uma das patas em impulso, visto de lado, o caminhante corpo direito, tirando a cabeça, que aponta quase ao chão. Pouco de tamanho, era como se tivesse mergulhado a ponta do focinho e as quatro patas no balde da cal, e depois, com uma das da frente, coçasse o cachaço. Caminha da direita para a esquerda da imagem e quem o fixou apanhou-o quase a sair, o alto da cabeça prestes a tocar a margem do papel. A meio, aquilo que se pretendeu fotografar: a traseira do Renault 12, modelo carrinha, HZ-93-09, azul do escuro do céu quando vai embora o sol mas ainda não se instalou a noite, que o pai possuiu mais anos do que se lembra a memória de um cão. Estacionado em frente à garagem do Moinho Grande, o veículo ali parado significava que paravam para férias os donos que moravam longe, significava a retenção desejada ao pé – e à mesa – dos avós, a carga e a descarga de alcofas, sacas, e maletas, pedras e conchas da praia, outras ninharias bandeadas entre o Algarve e o Alentejo. Para o Reboliço, era um rebuliço, dava em fugir: a agitação de gente de fora era habitual de quinzena em quinzena, dia e meio, vá; mas, chegando o Verão, desassossegavam tempo mais longo e não lhe agradava a ameaça intermitente de desatenções e pisadelas. O avô recebia-os com um risinho: “Olha os algarvios!” Se calhava estar o primo no Moinho Grande, metia-se com o mano: “Joãozinho, diz lá ‘Olhanense’!” – e tinha a resposta, sempre a mesma, “Tó Mané, diz lá ‘Desportivo’!”. Pirraças dos dois, riam-se muito um e outro com aquilo. Na avó, o corrupio incomodado mal lhe ocultava a alegria: “Sai-me da frente! Tira-te daí! Este objecto...”, bramia, enxotando algum neto que se lhe punha no meio do vai-e-vem entre a cozinha, o tanque de lavar, o galinheiro, o pombal ou o poço. Os moços pequenos nem a ouviam, que aquele ar aberto lhes dava para correr tudo, uns atrás dos outros ou das vespas que também os estranhavam, os pés daí a nada mais terra do que
ALGARVE INFORMATIVO #169
pele, as sandálias de uniforme tom acastanhado. Pouco tempo depois, chamava a mãe por eles, que fossem para casa, que já na rua não se podia andar, nem com chapéu, não senhora, venham já. A avó não parava: quando davam conta, já ela tinha a mesa posta, na tigela branca uma vinagrada, ou um bolo de mel no forno. O avô, entretanto, sentara-se à mesa ouvindo a telefonia. Enquanto o almoço não era servido, ali estava, cabeça baixa (dormitava?), eram as notícias, era alguma rádio novela, fosse o que fosse, entretinha-se. A casa, àquela hora de fim da manhã, era escurecida: as portadas de portas e de janelas encerradas para que nenhuma luz fizesse esgueirar paredes dentro a canícula; as telhas de vidro tapavam-se, com papéis de jornal amarfanhados e metidos para dentro de cada telha, no extremo de uma cana alta que o pai empurrava. Começavam horas difíceis para os mais pequenos: presos dentro da casa, já não era hora de brincar, ainda não era hora de comer, vinha longe a hora da folga, eram só ânsia por que o sol baixasse e lhes permitisse, outra vez, a fuga. De todo aquele povo, quem mais se espantava era o canito, que, mal ouvia o motor do Renault 12, fugia a esconder-se dos passos, das corridas, das cadeiras excessivas que tinham de sair à cena. Num nada, disparava de onde estivesse a gozar a quietude da calma, a esquilinha a tinir até se ouvir pouco, passava junto aos pneus da carrinha, cheirava, aliviava-se, para marcar a sua presença e desaparecia. Depois de almoço, quando o avô ia dormir a folga para dentro do moinho na cadeira de abrir, de pano de lona, dava com ele em sossego, no chão ao lado ou debaixo do pano da cadeira. “Rebooliçooooo...”, ia dizendo, enquanto se encostava naquela cadeira-cama, olhos já só uma nesguinha, o chapéu pousado, o peso do calor de fora a libertar-se no fresco da torre, na companhia do amigo . * Reboliço é o nome de um cão que o avô teve, no Moinho Grande. É a partir do seu olhar que aqui escrevo.
118
Foto: Vasco Célio
119
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
120
121
ALGARVE INFORMATIVO #169
ATUALIDADE
NELSON ÉVORA TREINOU EM ALBUFEIRA PERANTE MARCELO REBELO DE SOUSA lbufeira foi o concelho escolhido por Nelson Évora para realizar um treino comemorativo que assinalou os 10 anos em que ganhou a medalha de ouro, nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008. O treino teve lugar na Pista de Atletismo do Centro Desportivo do Vitória Sports & Beach Hotel, nas Açoteias, no dia 21 de agosto, data em que Nelson Évora, há uma década, conseguiu a marca de 17,67 metros no triplo salto e conquistou a sua terceira medalha de ouro Olímpica. “Nelson Évora é um exemplo de excelência que prestigia Portugal, porque é um campeão, que nos ALGARVE INFORMATIVO #169
momentos cruciais, consegue ser o melhor dos melhores. E repetiu este feito muitas vezes, ganhando tudo o que havia para ganhar durante mais de uma década, o que mostra a sua consistência enquanto atleta. Ele é um exemplo do que nós, portugueses, temos de melhor e que honra Portugal”, destacou o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, que fez questão de assistir ao treino e homenagear o atleta. Recorde-se que Nelson Évora, aos 34 anos, sagrou-se Campeão da Europa em triplo salto no dia 12 de agosto, em Berlim, conquistando o Ouro. O atleta do Sporting, que foi campeão mundial 122
em 2007 e campeão olímpico em 2008, alcançou o único grande título que lhe faltava ao ar livre, com a sua melhor marca da temporada. Para o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, José Carlos Rolo, “é uma grande satisfação estar aqui com um campeão e acolher em Albufeira este momento importante, que marca a carreira de Nelson Évora”. Entre o público estiveram o presidente da Assembleia Municipal, Paulo Freitas, e da Junta de Freguesia de Albufeira e Olhos de Água, Indaleta Cabrita, além de diversas instituições locais e regionais, entre as quais os Bombeiros Voluntários, Santa Casa da Misericórdia, APEXA, Clube Desportivo Areias de S. João e Associação de Atletismo do Algarve. Nelson Évora deixou ainda uma palavra de encorajamento aos mais novos, a quem serve de exemplo: “Se me perguntassem se, há 10 anos, esperava ganhar todos estes títulos, talvez respondesse que não. Mas a verdade é que sempre lutei por todos eles com muita motivação e 123
empenho, mesmo depois de tantas quedas. Uma das minhas maiores motivações foi sempre provar que nós portugueses somos fortes por natureza e é esse o valor do desporto, darmos exemplos e motivar pessoas muito além do que possamos pensar”.
ALGARVE INFORMATIVO #169
ATUALIDADE
ALBUFEIRA IMPLEMENTA PROJETO PARA PROMOÇÃO DO SUCESSO ESCOLAR Município de Albufeira vai dar continuidade ao Projeto SER no ano letivo de 2018/2019, alargando o programa a mais escolas do concelho. Trata-se de sessões semanais inseridas na área curricular não disciplinar «Educação para a Cidadania», que foram implementadas no passado ano letivo com o objetivo de proporcionar um maior bemestar pessoal e social às crianças, bem como diminuir comportamentos e atitudes de indisciplina, agressividade e desmotivação. A experiência piloto abrangeu cerca de 750 alunos do 1.º ciclo do Agrupamento de Escolas de Albufeira. Através de dinâmicas de grupo, exercícios, jogos criativos, técnicas de «respiração consciente», ALGARVE INFORMATIVO #169
momentos de relaxamento e foco de atenção e concentração, as crianças são levadas a expressar sentimentos, a libertar tensões e a gerar emoções positivas, o que contribui para reduzir a ansiedade e a impulsividade, melhora a capacidade de gerir os conflitos, ajuda a controlar as emoções e aumenta o seu equilíbrio emocional. “Esta metodologia conduz ao desenvolvimento da assertividade, motivação, estímulo, autoestima e autoconfiança do aluno, o que contribui para o aumento do sucesso escolar e para a diminuição dos comportamentos de risco nas crianças e jovens do concelho”, refere José Carlos Rolo.
124
Para o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, “é importante que os alunos tenham consciência de si e dos outros e aprendam valores para conviver em sociedade, desenvolvendo o seu pensamento crítico e criativo”. E, no próximo ano letivo, o Município de Albufeira pretende, além de alargar o projeto SER a outras escolas do concelho, envolver cada vez mais professores através de ações conjuntas que permitam a reflexão acerca de estratégias a implementar na sala de aula, que contribuam para maximizar os objetivos do programa.
A Divisão de Educação e Ação Social do Município está ainda a desenvolver uma ação de Meditação e Relaxamento para crianças com necessidades educativas especiais, que se destina a alunos que frequentem as unidades de ensino especializado das escolas do concelho de Albufeira. As sessões decorrerão durante o próximo ano letivo, no Parque Lúdico, entre as 10h e as 12h, mediante marcação. Para mais informações contacte o telefone 289 599 684 ou e-mails solange.azevedo@cm-albufeira.pt / mariana.martins@cm-albufeira.pt.
DIA NACIONAL DAS BANDAS FILARMÓNICAS COMEMORA-SE NO MERCADO MUNICIPAL DE LOULÉ 1 de setembro assinala-se o Dia Nacional das Bandas Filarmónicas e Loulé juntase a estas comemorações com uma noite repleta de música no Mercado Municipal de Loulé, a partir das 21h30. Com a direção musical do Maestro José Branco, irão subir ao palco a Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva, Sociedade Musical e Recreio Popular de Paderne e a Banda Filarmónica 1.º de Dezembro de Moncarapacho. Recorde-se que esta efeméride, instituída pelo Governo em 2013, visa 125
reconhecer e enaltecer o papel que as bandas filarmónicas têm na vida cultural das suas comunidades por esse país fora. No caso do Município de Loulé, a tradição das filarmónicas faz parte da sua história .
ALGARVE INFORMATIVO #169
ATUALIDADE
PRAIA FLUVIAL DE ODELEITE FINALMENTE APROVADA EM REUNIÃO DE CÂMARA epois da primeira reprovação em reunião de câmara, a 18 de dezembro de 2017, foi aprovada, no dia 20 de agosto, com os votos contra da oposição socialista, a adjudicação da Praia Fluvial de Odeleite. Trata-se de um investimento no valor de 600 mil euros, comparticipado pelo PO CRESC Algarve 2020, sendo apoiada por Portugal e União Europeia, cofinanciada a 70 por cento pelo FEDER e com um prazo de execução de sete meses. A empreitada da construção da Praia Fluvial contempla 6 mil e 100 metros quadrados de área, com zonas verdes, piscinas flutuantes, apoios de praia e uma zona de estar, e integra um Centro de Atividades Náuticas, cujo programa estratégico foi igualmente aprovado. Ali poderão ser desenvolvidas atividades ALGARVE INFORMATIVO #169
como canoagem, vela, pesca desportiva e circuitos de triatlo, representando um polo de atração e um importante contributo para o combate à sazonalidade e à desertificação. “É uma obra que vem potenciar o turismo que já existe nesta zona, muito procurada pela gastronomia e paisagem, e que vem também acabar com a utilização ilegal e insegura desta barragem para banhos, como tem vindo a acontecer”, sublinhou, aquando do lançamento do projeto, o presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral, acrescentando que este é o primeiro passo previsto no Plano de Ordenamento da Barragem de Odeleite. Para Francisco Amaral, esta é uma boa notícia para Odeleite e para o concelho de Castro Marim. “Atendendo ao êxito que tive com a praia fluvial de 126
Alcoutim, acredito que o sucesso desta nova praia seja maior, pois tem um espelho de água enormíssimo, água de maior qualidade, está mais perto do litoral e situa-se mesmo ao lado do IC 27”, salienta o autarca, defendendo também que este é um fator decisivo para alavancar a economia local, “tanto mais que tem associado um projeto privado complementar ao investimento público”. “Falamos de um contributo importante 127
no combate à desertificação e ao despovoamento”, conclui Francisco Amaral. Simultaneamente, a Câmara Municipal de Castro Marim já tem em elaboração o projeto de requalificação da área de lazer a jusante da barragem, onde habitualmente se realizam as festas locais, assim como a abertura do concurso da obra de pavimentação das ruas de Odeleite e do Azinhal . ALGARVE INFORMATIVO #169
ATUALIDADE
LAGOA HOMENAGEIA RANCHO FOLCLÓRICO DO CALVÁRIO COM ESCULTURAS DE TERESA PAULINO Câmara Municipal de Lagoa homenageou recentemente o Rancho Folclórico do Calvário, recriando o património popular divulgado por este grupo etnográfico através de um conjunto escultórico de Teresa Paulino, no Calvário. A artista trabalhou neste conjunto escultórico durante meio ano, pesquisando sobre a dança popular e os trajes, e o seu trabalho representa agora três casais de diferentes gerações que dançam na rotunda, junto ao parque urbano, incólumes àqueles que passam. ALGARVE INFORMATIVO #169
O conjunto escultórico faz parte de um projeto de melhoramento e recuperação da área para espaço de eventos e concretiza uma antiga promessa do presidente da autarquia, Francisco Martins, ao Rancho Folclórico do Calvário, que há 55 anos desenvolve um trabalho que tem levado as tradições de Lagoa além portas. As estátuas mereceram o agrado da população e têm captado a atenção dos automobilistas, que agora podem estacionar junto ao espelho de água para colher as suas imagens .
128
PRAIA DA ROCHA É RAINHA DO INSTAGRAM EM PORTUGAL
Praia da Rocha é, em Portugal, a campeã absoluta dos «hashtags» no Instagram, rede social de partilha de fotos e que já se tornou no grande barómetro da popularidade dos destinos. Uma das mais famosas do Algarve, a Praia da Rocha merece o título de «rainha absoluta do Instagram em Portugal», como lhe chama o Holidu, que destaca ainda as suas "rochas que parecem esculpidas por artistas" e que levaram turistas de vários países a partilhar a praia mais de 62 mil vezes na rede social. As 10 praias portuguesas mais populares no Instagram estão localizadas sobretudo no Algarve, mas a lista também inclui o Portinho da Arrábida, a Fonte da Telha ou a Praia do Guincho. O Top 10 das Praias em Portugal e no mundo que estão a ser mais partilhadas no Instagram neste Verão foi elaborado pela Holidu, motor de buscas
129
global para alojamentos de férias com sede em Munique. Os rankings foram feitos com base no número de «hashtags» utilizados no Instagram para o nome de uma praia e a partir de dados recolhidos entre julho e agosto de 2018. Segundo a Holidu, o Instagram já se tornou "tão popular que define hábitos de consumo e atualmente muitas pessoas, principalmente millennials, escolhem o destino de viagem com base no quão «instagramável» o lugar é". A organização sublinha o papel crescente do smartphone para registar momentos de férias e depois postar nas redes sociais, sobretudo no Instagram, quando antigamente essas fotos costumavam acabar no álbum de família. "A instagramabilidade de um lugar tornou-se um dos critérios mais importantes para as gerações Y e Z ao escolher um destino de viagem", salienta Fernando Esteves, porta-voz da Holidu. "Ao reservar uma viagem online é comum verificar fotos, não apenas do destino de férias em si, mas de acomodações, bares e cafés que são partilhados aos milhares todos os dias no Instagram. A rede social é tão influente que já deu a algumas regiões um enorme impulso graças às fotos que são partilhadas" .
ALGARVE INFORMATIVO #169
ATUALIDADE
ANA BEBIANO SAGRA-SE CAMPEÃ DO MUNDO EM K1 500M, K2 500M E K1 200M ealizou-se, em Montemor-oVelho, o Masters Sprint Championships 2018, de 13 a 16 de agosto, para atletas com idades superiores a 35 anos oriundos de 31 países. As provas realizaram-se nas distâncias de 200 metros, 500 metros e 1000 metros, com inclusão da categoria de mistos no K2 e K4 500 metros e a competição serviu de rampa de lançamento para o Mundial de Absolutos que se realiza entre 22 e 26 de agosto. Ana Bebiano foi a única atleta portuguesa a conseguir subir ao lugar mais alto do pódio nos kayaks. Durante os três dias de provas realizou seis competições e ALGARVE INFORMATIVO #169
venceu em três categorias no escalão dos 40 aos 44, em K1 500 metros, ao realizar o tempo de 2 minutos e 19 segundos, batendo a moldava Anna Nenno por três segundos e a espanhola Monica Pinheiro por seis segundos. Em K1 200 metros, o pódio foi composto pelas mesmas atletas, vencendo Ana Bebiano com o tempo de 47.917 segundos contra os 54.162 segundos e 1 minutos respetivamente das adversárias. Ana Acunha no escalão dos 45 aos 49 obteve o 3.º lugar em K1 500 metros, atrás de duas atletas espanholas. Nas embarcações de equipas, Ana Bebiano e Ana Acunha venceram em 130
K2 500 metros no escalão 40 a 44, levando de vencida a equipa espanhola por apenas um segundo. No K2 Misto, Ana Bebiano fez equipa com o marido e treinador da equipa dos Castores Nuno Silva, obtendo o segundo lugar, sendo batidos apenas pela equipa espanhola do Campeão Olímpico do K2 500 metros em Pequim Carlos Perez, que fez equipa com Araceli Menduinha. No K4 Misto, a equipa composta por Ana Bebiano, Nuno Silva, Ana Acunha e António Luís obtiveram o terceiro lugar, a equipa espanhola de Carlos Perez também levou de vencida esta competição. Ainda no K4 feminino, as atletas
131
algarvias fizeram equipa com duas colegas espanholas e conseguiram o terceiro lugar. A equipa algarvia participou com quatro atletas neste campeonato do mundo e obteve 13 medalhas na soma de todos os atletas .
ALGARVE INFORMATIVO #169
ATUALIDADE
MUNICÍPIO DE LOULÉ E ARTISTAS DE MINERVA CELEBRAM PROTOCOLO PARA FUNCIONAMENTO DE ESCOLA DE MÚSICA o âmbito da forte aposta do Município de Loulé no ensino da música no próximo ano letivo foi celebrado um protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Loulé e a Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva, tendo em vista o funcionamento da Escola de Música desta associação cultural. Assim, a edilidade irá ceder o primeiro andar de um edifício localizado em pleno centro da cidade, na Avenida José da Costa Mealha, para acolher este espaço dedicado ao ensino livre de música que conta com longa tradição no Concelho e que tem ALGARVE INFORMATIVO #169
sido um importante desiderato dos Artistas de Minerva. A Escola de Música da Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva irá contar, entre outros espaços, com duas salas de formação musical e cinco salas de instrumentos, e reunirá as melhores condições para alunos e professores. Prosseguindo as suas competências no apoio a atividades sociais, culturais e educativas, a autarquia louletana irá atribuir ainda à filarmónica louletana, que trará a este projeto todo o seu know-how, uma comparticipação financeira para o funcionamento dos cursos livres de música nos instrumentos de Piano, 132
Violino, Flauta de Bisel, Guitarra, Canto, Guitarra Portuguesa, Acordeão, Flauta Transversal, Clarinete, Saxofone, Trompete, Trompa de Harmonia, Trombone, Tuba, Bombardino e Percussão. A edilidade apoiará igualmente a aquisição de instrumentos para o funcionamento destes cursos, enquanto que o ensino destes instrumentos, bem como a formação musical e as classes de conjunto, serão da responsabilidade dos Artistas de Minerva. Este protocolo de
cooperação foi firmado pelo presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, e pelo presidente da Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva, Manuel Guerreiro. É também no próximo ano letivo que entrará em funcionamento a primeira escola de ensino público de música a Sul de Lisboa, que ficará instalada no emblemático Solar da Música Nova, edifício que foi alvo de obras de reabilitação .
LUZA FESTIVAL APOIA JOVENS CRIADORES segunda edição do Algarve International Festival of Light, mais conhecido como LUZA Festival, está confirmada para os dias 1, 2 e 3 de novembro, regressando a Loulé numa produção do ByBeau Studio eda e do Programa «365 Algarve». Na sua primeira edição, o LUZA recebeu cerca de 30 mil visitantes ao longo dos três dias do evento, um público composto por portugueses e estrangeiros que pôde apreciar e interagir com as 15 obras instaladas pela cidade, desde a Mãe Soberana ao Coreto. A edição de 2018 já está a ser preparada e, à semelhança do ano anterior, os jovens artistas também terão 133
espaço no festival, através do LUZA Lab, iniciativa que irá apoiar financeiramente artistas nacionais ou legalmente residentes em Portugal, com idade não superior a 30 anos. As informações e ficha de inscrição do LUZA Lab já estão disponíveis em http://pt.luzafestival.com/luza-lab.html, sendo a data limite para a submissão de candidaturas o dia 17 de setembro .
ALGARVE INFORMATIVO #169
ATUALIDADE
MUNICÍPIO DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL AVANÇA COM MELHORIA DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NAS ESCOLAS DO CONCELHO Município de São Brás de Alportel obteve aprovação das candidaturas apresentadas ao programa de apoio comunitário CRESC Algarve 2020 – Medida de Eficiência Energética nas Infraestruturas Públicas da Administração Local, para melhorar a eficiência energética das escolas básicas de primeiro ciclo - EB1 N.º 1 EB1 N.º 2. As intervenções previstas, num orçamento global de cerca de 203 mil euros, acrescidos de IVA, incluem a substituição das atuais lâmpadas por lâmpadas LED; a instalação de unidades de climatização de elevada eficiência; a instalação de um sistema solar fotovoltaico para autoconsumo e intervenções nas coberturas dos edifícios, nomeadamente através do reforço de isolamento térmico nas coberturas e da substituição das coberturas em fibrocimento por outros materiais. Na Escola EB1 N.º 1, a intervenção prevista orça em 97 mil e 35 euros, acrescidos de IVA, enquanto para a Escola EB1 N.º2 as intervenções têm um orçamento de 105 mil e 959 euros, acrescidos de IVA. Integradas no Plano Municipal de Eficiência Energética, ALGARVE INFORMATIVO #169
vão ao encontro das políticas municipais na área da educação, que visam a melhoria contínua do Parque Escolar do concelho e das condições de ensino, para uma escola de excelência. O processo de preparação destas candidaturas teve início em dezembro de 2016, contudo, foi necessária uma reformulação que levou à sua submissão final em fevereiro deste ano, tendo obtido aprovação. “Sendo a educação e a segurança das nossas crianças e da comunidade, bem como a eficiência energética e defesa do ambiente, prioridades centrais para o município, a aprovação destas candidaturas é da maior importância, pois permite executar estas obras com financiamento comunitário”, sublinha o Presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Vítor Guerreiro .
134
PLANO DE PORMENOR DO PARQUE EMPRESARIAL DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL JÁ ESTÁ EM VIGOR Plano de Pormenor do Parque Empresarial de São Brás de Alportel (PPPESBA), projeto estratégico para o desenvolvimento económico do município são-brasense, foi publicado em Diário da República, a 17 de agosto, encontrando-se já em vigor. O concelho de São Brás de Alportel conta assim com mais uma ferramenta de desenvolvimento económico, denominado Plano de Pormenor do Parque Empresarial, localizado na zona da Mesquita Baixa, confinante com a estrada 517, com 18 hectares, organizados em 25 parcelas para comércio, serviços e indústria, e contemplando ainda uma outra parcela para equipamento multiusos, totalizando uma área potencial de construção na ordem dos 36 mil metros quadrados, sendo a média de construção permitida por parcela de 1.200 metros quadrados, com três pisos (um deles em cave). Este instrumento de planeamento territorial, aprovado pela Assembleia Municipal de 25 de junho e publicado no Diário da República n.º 158/2018, Série II de 2018-08-17, pelo aviso n.º 11592/2018, integra uma forte componente ambiental, salvaguardando fauna, flora e sistema hídrico locais, prevendo também a monitorização da componente arqueológica e acústica. Trata-se de um projeto estruturante do projeto de desenvolvimento económico do 135
Município, que contribuirá decisivamente para o reforço da Rede Empresarial do concelho, tendo por objetivo impulsionar a economia do concelho, mediante a atração de investimentos, a criação de emprego e geração de riqueza, nesta área de acolhimento empresarial, dirigida a indústria, comércio e serviços. Após percorrido um longo percurso burocrático, e fruto de um empenhado trabalho da Divisão Técnica Municipal, o plano de pormenor foi aprovado na Câmara Municipal de São Brás de Alportel, por maioria, com os votos a favor dos eleitos pelo PS e com a abstenção de Lucibel Viegas, em substituição do vereador Bruno Costa, eleito pela coligação PPD/PSD.CDSPP.PPM.MPT, em reunião de Câmara a 12 de junho; e posteriormente ao período de consulta pública, pela Assembleia Municipal, a 10 de julho, por maioria com os votos a favor da bancada do PS e a abstenção dos eleitos das bancadas do PSD, CDS e CDU .
ALGARVE INFORMATIVO #169
ATUALIDADE
GARVETUR FESTEJOU 35 ANOS DE EXISTÊNCIA COM MAIS UMA GALA DE VERÃO Festa de Verão 2018 da Garvetur reuniu cerca de dois mil e 300 convidados, que se associaram às celebrações do 35.º aniversário desta empresa referência nacional do setor imobiliário e turístico e que foi o pretexto para a apresentação da nova imagem, uma das vertentes da estratégia de inovação que assenta “num esforço de modernização e melhor comunicação com os clientes”, salientou o seu CEO. Segundo Reinaldo Teixeira, as celebrações dos 35 anos da empresa vão prolongar-se ao longo do ano e “haverá outras novidades que estamos a desenvolver nas áreas do imobiliário, do arrendamento turístico e da gestão, no sentido de um crescimento sustentado e sólido”.
ALGARVE INFORMATIVO #169
Alegando ser “nos anos positivos a melhor ocasião para investir, tanto em ativos como nos recursos humanos”, o empresário fez questão de enaltecer o trabalho da sua equipa de colaboradores, a quem atribui “um papel determinante nos resultados obtidos”, referindo-se ainda aos diretores das empresas participadas do Grupo Enolagest, do qual a Garvetur é a empresa âncora. A gala Garvetur é já um dos eventos a marcar o Verão do Algarve e, como manda a tradição, estiveram presentes convidados oriundos de vários pontos de Portugal e de outros destinos do Mundo. Na ocasião foram também apresentados novos empreendimentos dos quais a Garvetur é a mediadora oficial e, em alguns, também responsável pela gestão turística, 136
designadamente «Viver a Ria» (Fuzeta), «Golf F5» (Vila Sol), «Dom Pedro Residences» (Vilamoura), «Vilalara» (Lagoa), «Villas Mourim» (Carvoeiro), «Bellevue» (Portimão), «Bay Residence» (Lagos) e «West Cliffs» (Óbidos). O evento decorreu em Vilamoura, no dia 17 de agosto, no Soul by Moments, Food & Dance, espaço de referência na animação do Algarve, com a presença de personalidades regionais, nacionais e internacionais. “É com emoção e grande confiança no futuro que partilho com todos os presentes esta noite tão especial e só posso agradecer a clientes, fornecedores, parceiros, proprietários, investidores e amigos que fizeram questão de brindar ao sucesso do nosso grupo de empresas”, salientou Reinaldo Teixeira, CEO da Garvetur | Grupo Enolagest .
137
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
138
139
ALGARVE INFORMATIVO #169
DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina
A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.
ALGARVE INFORMATIVO #169
140
141
ALGARVE INFORMATIVO #169
ALGARVE INFORMATIVO #169
142