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ALGARVE INFORMATIVO 10 de fevereiro, 2018
O NELSON PRECISA DA SUA AJUDA! OLHÃO PREOCUPADO COM A ALIMENTAÇÃO DOS MAIS NOVOS PEDRO ALVES DA VEIGA EXPÕE EM FARO|MITO ALGARVIO DEINFORMATIVO PARABÉNS 1 ALGARVE #143
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CONTEÚDOS #143 10 DE FEVEREIRO, 2018 42
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ARTIGOS 8 - Desafios da Água 16 - Mito Algarvio 24 - Nelson Cebola 34 - Nutrição Infantil em Olhão 42 - Pedro Alves da Veiga 52 - Semear Saúde 76 - Atualidade
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OPINIÃO 64 - Paulo Cunha 66 - José Graça 68 - Adília César 70 - Nelson Dias 72 - Augusto Lima
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ENTREVISTA
«DESAFIOS DA ÁGUA» ESTÁ A SUPERAR TODAS AS EXPETATIVAS
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Faltam sensivelmente três semanas para a realização do I Encontro Desafios da Água e o evento organizado pela «Águas do Algarve, S.A.» já superou todas as expetativas, tanto ao nível dos oradores que vão intervir nos vários painéis, como das empresas que vão dar a conhecer os seus produtos e serviços e, acima de tudo, do número de inscrições, que chegam de todo o país e alémfronteiras. Texto:
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já nos dias 1 e 2 de março que o Palácio dos Congressos da Herdade dos Salgados, localizada no concelho de Albufeira, acolhe a primeira edição do Encontro Desafios da Água, da responsabilidade da «Águas do Algarve, S.A.», empresa a quem cabe a gestão dos sistemas multimunicipais de abastecimento de água e de saneamento do Algarve. O evento surgiu da necessidade e da importância de divulgar e promover o debate e a partilha de informação acerca de um tema sempre atual e cada vez mais determinante, designadamente a gestão eficiente e ambientalmente sustentável dos recursos hídricos e ecossistemas a eles associados, tendo por cenário os fenómenos climáticos extremos que, infelizmente, são cada vez mais frequentes nos tempos modernos. “A comissão organizadora do encontro é constituída por 10 elementos, sendo que começámos a trabalhar neste projeto em junho de 2017, definindo as temáticas e identificando os oradores. Tínhamos previsto contar com 20 a 25 expositores e cerca de 250 participantes. Neste momento, a praticamente três semanas do evento, já estão mais de 500 pessoas inscritas”, revela Teresa Fernandes, responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da «Águas do Algarve».
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A forte adesão ao Encontro Desafios da Água está, de facto, a ser surpreendente, de tal modo que houve necessidade, inclusive, de alargar o espaço de expositores para os 50 stands, capacidade que esgotou logo no início de janeiro. Do mesmo modo, as oficinas técnicas, não apenas mas mais direcionadas para as crianças, estão a gerar um enorme interesse junto da comunidade escolar e ALGARVE INFORMATIVO #143
dos cidadãos comuns, o que deixa a administração da «Águas do Algarve» muito feliz. “É o primeiro evento deste género a ter lugar em Portugal, e mesmo no resto da Europa não é habitual ver-se encontros semelhantes, com a presença de mais de 30 especialistas que se irão debruçar de acordo com diferentes abordagens que serão efetuadas à água, e sobre o meio ambiente em geral e com uma grande componente pedagógica de educação ambiental a pensar nos mais novos”, frisa Teresa Fernandes, antevendo um evento bastante dinâmico e que irá muito para além do simples ato de estar sentado num auditório a ouvir alguém falar sobre um determinado tema. “Todos os especialistas selecionados são pessoas de muito mérito nas suas áreas de intervenção já com provas dadas e com reconhecimento no plano nacional e internacional. Também os próprios expositores terão oportunidade de fazer intervenções durante o evento. Quanto à vertente da educação ambiental, esta é de elevada importância para nós. Quando se diz que o futuro está nas mãos das crianças, isso é mesmo verdade. Todos os dias falamos das alterações climáticas, do que devemos fazer, das ações de sensibilização que podemos dinamizar junto dos jovens, mas uma iniciativa no terreno, com esta abordagem onde se juntam dois públicos tão distintos e que ao mesmo tempo se complementam, é algo que não existe”, assume a entrevistada. Claro que o evento não pretende apenas sensibilizar os mais pequeninos, os homens e mulheres de amanhã, há 10
que chegar igualmente aos seus pais e mães, numa concertação de esforços que Teresa Fernandes está confiante que será bem-sucedida, falando em cerca de 30 espaços nas Oficinas Técnicas que abordarão a atividade principal da «Águas do Algarve». “Temos, por exemplo, a vertente laboratorial em que as crianças e os adultos podem espreitar, mexer e fazer 11
testes, ou uma casa com sala, cozinha e casa-de-banho para se experienciar as várias vivências do quotidiano, jogos alusivos ao ambiente. Enfim, pretendese obter um espaço «recheado» com partilha de experiências que não mais sejam esquecidas. O público mais jovem é o alvo preferencial destas atividades que, para além de lúdicas, ALGARVE INFORMATIVO #143
Teresa Fernandes é a responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da «Águas do Algarve, S.A.»
têm uma forte componente de aprendizagem. E é importante sublinhar que não iremos contratar ninguém para levar a cabo estas Oficinas Técnicas. Todas elas são dinamizadas por colaboradores experientes da empresa que irão mostrar o que fazem, no seu dia-a-dia, nas diversas valências da «Águas do Algarve»”, adianta Teresa Fernandes. Quanto aos oradores convidados, são o resultado de uma escolha e avaliação bastante criteriosa para melhor se falar sobre os temas em debate. “Não estamos a dizer que são os melhores especialistas mundiais na matéria, porque isso não é possível, estamos todos os dias a crescer e a aprender. São, contudo, pessoas com imensa experiência e que são realmente muito bons naquilo que fazem. Estamos em crer que serão uma grande mais-valia ALGARVE INFORMATIVO #143
para todos os presentes. A temática do meio ambiente muito vezes passa ao lado do cidadão comum e esta será uma boa oportunidade para se ficar a saber mais sobre aquilo que se passa na atualidade. E nem sequer se trata de uma questão de futuro, mas do presente, do «já»”, avisa a responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da «Águas do Algarve».
UM EVENTO COM CONTINUIDADE ASSEGURADA Certo é que o comportamento de cada um de nós nas nossas próprias casas pode ajudar o mundo, pelo que não devemos pensar que o futuro do planeta está nas mãos dos governantes e das grandes empresas. E, nesse sentido, mais pertinente se torna um evento 12
desta natureza, para que saibamos, precisamente, quais os comportamentos mais corretos a adotar. “Normalmente as pessoas só se lembram do trabalho da «Águas do Algarve» se abrirem a torneira e lhes faltar água, sendo, no entanto, essa responsabilidade do abastecimento em «baixa» ao consumidor final dos municípios. O Encontro Desafios da Água falará, então, da investigação, da reutilização, das origens e proteções da água antes dela chegar às torneiras, da adaptação às alterações climáticas, entre outros temas. Temos a laborar na região verdadeiras fábricas de água com equipamentos de vanguarda para o tratamento da água para abastecimento público, e também no tratamento das águas residuais, que após tratamento serão rejeitadas no meio ambiente com uma qualidade inquestionável”, descreve Teresa Fernandes, um investimento que,
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ao longo dos anos, já ascende aos 500 milhões de euros. De tudo isto se vai falar em painéis e mesas redondas muito dinâmicas ao longo de dois dias de desafios e trocas de experiências e com empresas a apresentarem igualmente as suas tecnologias inovadoras. “Estarão presente organizações nãogovernamentais, empresas da região ligadas ao meio-ambiente, e inclusivamente a Região de Turismo do Algarve, o que faz todo o sentido, afinal, cada vez mais o turista procura destinos sustentáveis, com preocupações pelo meio ambiente. Existem ainda projetos tão interessantes por parte de alguns expositores que achamos por bem darlhes espaço para os poderem apresentar diretamente ao público. Convém ainda lembrar que este evento
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não é pago, ao contrário do que é costume acontecer”, destaca a entrevistada. “A parceria realizada com a Herdade dos Salgados permite-nos «oferecer» a entrada para os debates e para o espaço de stands e, com a afluência que se tem registado, já tivemos que fechar as inscrições. O nosso objetivo é que o evento prima pela sua organização, qualidade e segurança, e não pela quantidade. A pensar no bem estar de cada um, e do conjunto em geral, não queremos ter 1.500 pessoas no local apenas por ter ou para atingir um número, que pelo andar das inscrições não seria difícil de atingir”, justifica. Os números não mentem, as expetativas de inscrições já foram largamente ultrapassadas, todos os oradores convidados depressa responderam positivamente e o espaço destinado aos ALGARVE INFORMATIVO #143
expositores esgotou num instante. Motivos mais que suficientes para a comissão organizadora sorrir, até porque grande parte dos inscritos nem sequer é do Algarve, chegando de Lisboa e Porto e até do Brasil e da vizinha Espanha. “É um encontro que, graças a todo este interesse, será para continuar, mas não todos os anos, porque a logística deste tipo de eventos não é fácil. São imensas tarefas que estamos a acumular com as nossas funções habituais, uma vez que não contratámos ninguém para tratar da organização, sendo que, desta forma, acreditamos que aquilo que está a ser feito tem muita qualidade e que as pessoas vão gostar e sair diferentes de quando entraram, com maior sensibilidade para esta temática”, finaliza Teresa Fernandes .
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REPORTAGEM
MITO ALGARVIO continua a manter viva a tradição do acordeão
A Mito Algarvio – Associação de Acordeonistas do Algarve festejou, no dia 4 de fevereiro, o sexto aniversário, com uma grandiosa Festa do Acordeão que esgotou por completo o salão da Quinta do Sobral, em Castro Marim. Pelo palco passaram duas mãos-cheias de talentosos acordeonistas, dos mais jovens aos mais seniores, demonstrando que este instrumento continua a fazer as delícias dos algarvios e que o seu futuro está assegurado por uma nova geração repleta de qualidade. Texto:
Fotografia:
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Grandiosa Festa do Acordeão levou algumas centenas de pessoas à Quinta do Sobral, em Castro Marim, no dia 4 de fevereiro, por ocasião do sexto aniversário da Mito Algarvio – Associação de Acordeonistas do Algarve, num momento de celebração e de homenagem ao acordeão e aos acordeonistas algarvios. Foram mais de duas horas de música de enorme qualidade, a cargo de prestigiados e premiados acordeonistas como Tino Costa, Maria Adélia Botelho, Michel de Roubaix, João Palma, Fábio Guerreiro, Silvino Campos, Jorge Alves, Jaime Gomes, Ernesto Batista e Hugo Madeira que, no final, tocaram em uníssono os «parabéns a você».
Hugo Madeira
Ernesto Batista
Jorge Alves
Sediada na antiga escola primária do Barrocal, em Altura, em instalações cedidas pela Câmara Municipal de Castro Marim, a Mito Algarvio tem-se 17
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Jaime Gomes
João Palma
Silvino Campos
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mostrado bastante empenhada em afirmar Castro Marim como a capital do acordeão no Algarve, sob a liderança do músico e professor João Pereira. “Têm sido seis anos de muito trabalho em prol da dignificação e salvaguarda deste instrumento, que é «nosso», que está incutido na alma dos algarvios. A associação tem cerca de 300 sócios, já apoiamos a edição de 10 livros e 10 CD’s com material bastante importante para preservar esta tradição, está para estrear um filme do Ivan Dias - «A Sabedoria na ponta dos dedos» - e estão mais dois documentários em fase terminal”, indicou o presidente da associação. Recorde-se que a Mito Algarvio é Membro Oficial da CIA - Confédération Internationale des Accordéonistes (CIA), que por sua vez é Membro Oficial Internacional do Music Council da UNESCO, sendo a entidade credenciada para levar acordeonistas portugueses às grandes competições internacionais do acordeão. “Daqui a duas semanas vamos estar na Finlândia e somos das poucas associações que apoia os jovens acordeonistas que 18
participam nas Copas do Mundo e noutras provas de prestígio, um apoio logístico e também monetário”, destacou o dirigente, confirmando que a organização de eventos e festas até nem é a faceta mais importante da associação. “A nossa atividade principal está direcionada para a pedagogia e para a preservação deste instrumento. Claro que fazemos alguns espetáculos durante o ano, sempre com grande dignidade para projetar o acordeão, mas estamos mais focados em divulgar o instrumento junto dos mais novos e em proporcionar a oportunidade aos nossos talentos de voarem além-fronteiras”. Talentos que pisaram o palco da Quinta do Sobral, o mais novo com apenas 10 anos, o menos novo com 72 anos, mas praticamente todos com vasta experiência precisamente nos grandes troféus internacionais de acordeão. “Há algumas décadas assistiu-se, de facto, a uma certa decadência do acordeão 19
Fábio Guerreiro
Michel de Roubaix
Maria Adélia Botelho
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Tino Costa a interpretar um dos seus temas sob o olhar atento de Francisco Amaral, presidente da Câmara Municipal de Castro Marim
no Algarve, tornou-se démodé, mas o cenário alterou-se nos últimos anos e há uma nova geração com imenso potencial que nos enche de orgulho e esperança no futuro. É um talento que, acredito, já está no ADN dos algarvios e que depois é potenciado pelos excelentes professores que existem na região porque, em termos de condições, de apoios financeiros, há países que estão bastante mais evoluídos do que Portugal. Têm outras armas para lutar, mas nós temos a alma do acordeonista algarvio, um toque especial que, com muita dedicação e trabalho, nos leva a conseguir vários feitos”, enalteceu João Pereira. É certo que Itália, França, Rússia ou China são potências que oferecem muito melhores condições aos seus ALGARVE INFORMATIVO #143
acordeonistas, mas os algarvios não se deixam intimidar quando sobem aos palcos mundiais e os resultados estão à vista de todos. À vista de todos, exceção feita, talvez, às grandes instâncias do poder central, embora o presidente da Mito Algarvio prontamente relembre o apoio da Direção Regional de Cultura do Algarve e das autarquias da região. “Mas era preciso bem mais. A China, por exemplo, subsidia os alunos para que eles se dediquem quase exclusivamente ao acordeão, com vista a representarem o país nas competições internacionais. Nós, infelizmente temos que andar sempre a contar os tostões. A associação apoia os jovens que vão aos concursos com uma percentagem das despesas, o resto são as famílias que metem, aquelas que podem. Basta 20
ver que um instrumento para se levar às competições custa, no mínimo, 10 mil euros”, revela João Pereira.
com enorme saudade os bailes de acordeão da minha juventude”, afirmou.
Neste contexto, o professor admite que não é fácil para alguém viver meramente da música, mas tudo seria ainda mais difícil sem uma associação que ajudasse na divulgação do instrumento e na transmissão dos conhecimentos para os mais novos. “Unidos conseguimos fazer mais do que cada um por si”, finalizou, palavras partilhadas por Francisco Amaral, presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, que fez questão de lembrar: “Eu sou um orgulhoso montanheiro da serra algarvia, do Algarve mais genuíno e, como tal, tenho um imenso fascínio pelo acordeão e pelos acordeonistas. Recordo
O autarca enalteceu ainda o trabalho desenvolvido pela Mito Algarvio em prol do acordeão, assim como por levar o bom nome de Castro Marim aos sete cantos do mundo. “E mais uma vez destaco o bem que faz um baile de acordeão. É o melhor antidepressivo que conheço, devido ao exercício físico que promove”, garantiu, e isso mesmo ficou demonstrado nesta tarde de domingo, com a assistência entusiasmada e a não perder uma oportunidade para dançar ao som destes exímios acordeonistas .
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ENTREVISTA
“NÃO DESISTO, TENHO MUITA VONTADE DE VIVER”, GARANTE
NELSON CEBOLA Nelson Cebola Galego foi diagnosticado com um cancro em janeiro de 2017. O cancro não pode ser operado, é um Linfoma Não Hodgkin Difuso Grandes Células B, um nome grande e confuso, portanto, simplificando, encontra-se na zona dos pulmões e do coração. A tradicional quimioterapia já deixou de resultar e, hoje, a esperança é um tratamento revolucionário que existe apenas nos Estados Unidos. Como se adivinha, é caro… muito caro. Esta é a história do Nelson… mas podia ser a sua. Texto:
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ia mau! Dia menos mau! Dia assim-assim! Esta tem sido a vida de Nelson Cebola Galego de há um ano para cá. Provavelmente não terão sido muitos os dias bons desde que lhe foi diagnosticado um cancro em janeiro do 2017. Um cancro raro, complicado, extremamente agressivo. Um Linfoma Não Hodgkin Difuso Grandes Células B - no mediastino com extensão aos pulmões e perto do coração. Os tratamentos ALGARVE INFORMATIVO #143
habituais foram realizados no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, mas já deixaram de produzir quaisquer efeitos, pois as células malignas reagem, adaptam-se e tornam-se imunes à quimioterapia. Nelson continua a receber cuidados paliativos simplesmente para tentar que o cancro não se alastre mais, numa corrida contra o tempo à procura de um tratamento milagroso. Não admira, por 26
Mas Nelson não desiste, a família e os amigos não lhe permitem isso, muito menos a mulher Ana Santos e a filha, a pequena Maria Rita de dois anos e meio. E a esperança, neste caso, até tem um nome, uma terapia de células CAR-T desenvolvida nos Estados Unidos da América e que o IPO já considerou ser um tratamento viável. Infelizmente, como em todos os tratamentos revolucionários, o valor é extraordinariamente elevado e, por isso, o Nelson precisa da ajuda de todos, das gentes de Almancil, do Algarve, de Portugal, de onde quer que sejam.
isso, que chegue à nossa conversa cansado, cabisbaixo, com algum desalento. Mas não derrotado, isso nunca. Porque a esperança é a última a morrer, como se costuma dizer. Aquelas palavras pomposas que todos dizemos aos nossos amigos ou familiares que padecem de uma doença mais séria. Mas é muito diferente estarmos no lado do recetor, sermos nós que precisamos manter a esperança. Dia após dia. Enfrentando as dores… e o desespero.
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Para piorar ainda mais a história deste almancilense de 42 anos, tudo aconteceu quando atravessava o melhor momento da sua vida. Nelson andou entre Portugal e a Austrália, para onde a família emigrou quando ainda era pequeno. Apesar de ser pouco dado aos estudos, frequentou a escola até ao 11.º ano de escolaridade, passou pelo serviço militar obrigatório, na Marinha, e seguiu-se uma vida de trabalho em várias áreas de atividade. Em 1999 voltou novamente à Austrália, porque queria passar o milénio naquele país, e por lá ficou quatro anos, até as saudades o fazerem regressar às origens. Em janeiro de 2017 casou-se com a sua companheira, Ana Santos, com a qual tem uma filha de dois anos e meio, a Maria Rita, estava a montar o seu próprio negócio… enfim, estava tudo a correr às mil e uma maravilhas. “De repente, surgiu esta doença na minha vida e tudo mudou”, conta Nelson Cebola. “Apareceram-me problemas na ALGARVE INFORMATIVO #143
pele e comichões, depois comecei a ter dificuldades em engolir sólidos, à noite tinha febres internas altíssimas. Pouco a pouco fui ficando mais cansado, sem forças para nada, nem sequer para me deslocar e falar”, relata, de voz pausada, com dificuldade. Durante dois meses andou de um lado para o outro a tentar perceber o que se passava, até receber, finalmente, a malfadada notícia, aquela que ninguém quer receber. “É das piores coisas que nos pode acontecer, porque a palavra «cancro» assusta qualquer pessoa. Foi bastante complicado lidar com esta realidade”, confessa, revelando que foi transportado de urgência, por uma médica amiga da família, para o IPO, quase sem qualquer reação. “Fui numa cadeira de rodas, ligado ao oxigénio, o coração batia a 120/130 por causa da pressão que o linfoma estava a exercer. Estive quase um mês sem ter posição na horizontal, tinha que ficar sentado, com a cabeça encostada à cama, para tentar descansar alguma coisa”, relata. Do IPO não tem qualquer razão de queixa, antes pelo contrário, ali chegou em Estádio IV, uma fase bastante avançada da doença em que o tumor já está disseminado, ou seja, com metástases em várias localizações. Nesta fase do cancro, as hipóteses de cura são extremamente baixas e o tratamento acaba por ter como principal objetivo manter alguma qualidade de vida, e não propriamente a cura. “Podia ter ficado logo ali, havia quem dissesse que já não me safava”, recorda Nelson Cebola Galego, antes de fazer uma pequena pausa para recuperar o fôlego. “Comecei de imediato a fazer quimioterapia e os resultados iniciais foram positivos. Recuperei a capacidade respiratória e o coração normalizou o ritmo, contudo, quando cheguei ao sexto ciclo de sessões, o tratamento deixou de funcionar. A quimioterapia é bastante agressiva, porque mata as células más, mas também mata as células boas. Depois, dá-se um tempo para o organismo recuperar, antes de se voltar a atacar a doença”.
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À ESPERA DE UMA CURA MILAGROSA Nas fases de recuperação do corpo foram fulcrais os medicamentos que ajudam a minimizar os efeitos secundários da quimioterapia, como os enjoos e as dores nas articulações, mas houve que fazer nova biópsia para se melhor compreender a situação atual. Infelizmente, as notícias não foram animadoras, a massa do linfoma já não estava a reduzir. A doença tinha-se adaptado ao tratamento, o que obrigou Nelson a passar por uma quimioterapia ainda mais agressiva para se recolher as células boas, com vista a um possível transplante da medula óssea. Mais uma vez, no entanto, a quimioterapia deixou de resultar. “O linfoma está espalhado pelo sistema linfático. Pode estar mais concentrado numa zona, mas não está apenas num sítio. Estava tudo mais ou menos preparado para o transplante, mas essa hipótese caiu por terra”. Por esta altura, o desânimo era cada vez maior, a luz ao fundo do túnel ia ficando mais fraca, as soluções iam-se esfumando por entre os dedos. Iniciou, então, um novo tratamento para aumentar as próprias defesas do organismo para ele combater diretamente as células cancerígenas, mas as probabilidades de sucesso eram reduzidas, já que essa solução não era específica para o linfoma. “Neste momento estou noutra quimioterapia, que me deita bastante abaixo, para tentar acalmar a progressão do linfoma, a ver se ganho mais tempo para se encontrar um tratamento que seja
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viável”, desabafa, com o cansaço evidente na voz face ao esforço da conversa, que ia ficando longa. “Há um método recente nos Estados Unidos que será, certamente, o futuro do tratamento do cancro. O meu caso é mais complicado porque há constantes mutações, é o próprio corpo que cria o defeito genético, o que obriga o tratamento a ser personalizado. Eles retiram as células cancerígenas, que depois passam por uma manipulação genética e molecular a partir de células boas de um dador compatível, resultando num género de vacina que é inserida no nosso corpo. Tenho ouvido histórias milagrosas de pessoas que fizeram esse tratamento das células CAR-T e que ficaram limpas”. Este tratamento inovador parece, de facto, ser a única esperança para Nelson Cebola Galego e o próprio IPO já o considerou um candidato viável. O problema é que não está disponível em Portugal, nem sequer na Europa, mas apenas nos Estados Unidos e implica uma despesa fora no normal. “O sistema de saúde norte-americano funciona de maneira diferente do português, é tudo através de seguradoras, e estamos a falar de um custo entre os 500 e os 700 mil euros, inatingível para um cidadão comum”, reconhece Nelson Cebola. “Mas eu não desisto, tenho muita vontade de viver. Não me vou encostar e farei tudo o possível para conseguir fazer este tratamento, porque acredito nele”, salienta o entrevistado, com uma força renovada no discurso. O problema, mais outro num desenrolar sucessivo de dores de cabeça, é que o tempo começa a ser escasso para o Nelson. ALGARVE INFORMATIVO #143
“Não posso dar uma data, isso é impossível de precisar, mas o linfoma vai começando a fechar os órgãos e o pulmão já tem algumas mazelas. Não tenho muito tempo, não”, confessa, a olhar para a mesa do café onde decorria a conversa. “Tenho uma família espetacular, amigos que me têm apoiado, mas a minha principal força tem sido a Maria Rita, a minha filha. Eu quero vê-la crescer e tudo farei para continuar por cá”, assume, aproveitando para agradecer a onda de solidariedade que se gerou em torno da sua tragédia. “Há crianças que chegam a casa e pedem um euro aos pais para 30
darem a um senhor que precisa de ajuda. Tem sido uma coisa surpreendente”, admite, emocionado. Um euro, afinal, pode ser suficiente, desde que multiplicado por muitos milhares de pessoas e por isso se têm organizado diversos eventos, jantares, bailes, festas de solidariedade para angariar fundos para o Nelson. A isso soma-se o sítio da internet www.helpnelson.pt, através do qual todos podemos dar o nosso contributo. “Quando estava melhor fisicamente cheguei a contatar com algumas celebridades que me pudessem ajudar, mas as forças têm31
me abandonado com tanta quimioterapia. Não estou à espera que apareça uma pessoa que pague o tratamento. Há artistas a participar em eventos solidários, a empresa onde a minha irmã trabalha cedeu outdoors para se colocarem cartazes, a Câmara Municipal de Loulé tem ajudado na impressão dos folhetos, há latinhas espalhadas por todos os cafés de Almancil. Não tenho palavras para agradecer todas as ajudas que tenho recebido e mantenho a esperança de que tudo vai correr bem” .
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REPORTAGEM
MUNICÍPIO DE OLHÃO PROMOVE HÁBITOS ALIMENTARES SAUDÁVEIS JUNTO DOS MAIS NOVOS A Câmara Municipal de Olhão tem levado a cabo, nos jardins-de-infâncias e escolas do 1.º e 2.º Ciclos do concelho, várias ações de sensibilização com vista à prossecução de hábitos alimentares mais saudáveis. A mais recente designase «Lanches Saudáveis» e o objetivo é alertar para o desenvolvimento de doenças como obesidade, diabetes, hipertensão arterial e hipercolesterolemia. Texto:
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objetivo é simples: promover hábitos de alimentação saudável junto dos mais jovens e numa idade cada vez mais precoce, para se evitar o desenvolvimento de doenças como a obesidade, diabetes, hipertensão arterial e hipercolesterolemia. Para esse fim, a ação mais recente do Município de Olhão, através da sua Divisão de Educação e Desporto, é um conjunto de workshops junto dos alunos dos jardins-deinfância e do 1.º e 2.º Ciclos do concelho, denominada «Lanches Saudáveis» e orientada e promovida por nutricionistas, sendo adaptada consoante a idade das crianças junto das quais é implementada. “As refeições dos jardins-de-infância e do primeiro ciclo são uma competência do Município e isso não se limita apenas a servir o almoço, mas também a transmitir informação às crianças, da forma mais lúdica possível, mas os ensinar a comer melhor”, justifica a engenheira biotecnológica Inês Neves. O trabalho no terreno tem sido conduzido por estagiários da Ordem dos Nutricionistas de Portugal ou da Universidade do Algarve, como é o caso de Cristiana Nascimento, e depressa se constata que os hábitos alimentares precisam, de facto, de serem modificados. “No jardim-de-infância, a alimentação é mais influenciada pelos hábitos dos pais, contudo, à medida que os jovens vão crescendo, há outros fatores que interferem nas escolhas, até aquilo que os colegas comem. Mas também a publicidade que se vê na televisão, ou vamos aos supermercados e as embalagens dos chocolates são muito mais apelativas do que uma peça de fruta ALGARVE INFORMATIVO #143
ou um legume”, refere Cristiana Nascimento. “Com esta intervenção, pretende-se que tenham uma maior consciência das escolhas que estão a fazer. Não dizemos o que eles têm obrigatoriamente que comer, explicamos, sim, as consequências das opções que estão a tomar”, acrescenta. Consequências que, diga-se em abono da verdade, até são sobejamente conhecidas da generalidade das pessoas, que sabem bem o que lhes reserva o futuro se abusarem sucessivamente dos doces ou gorduras, por exemplo. “A ideia é que eles decidam alterar os seus hábitos por livre e espontânea vontade, e não por isso lhes ser imposto”, indica Cristiana Nascimento, confirmando que, nestas idades, a irreverência vai aumentando e impor algo não é o método mais eficiente. “Também procuro que a minha intervenção seja o mais dinâmica possível para que eles não fiquem aborrecidos, não percam a atenção. Se me limitar apenas a passar informação, podem-se distrair mais facilmente”, observa a nutricionista. A preocupação com a saúde dos jovens não é de agora para o Município de Olhão, motivo pelo qual as ementas das escolas são elaboradas para que proporcionem uma alimentação equilibrada, mas também de acordo com a aceitação dos alunos, aponta Inês Neves. “Tentamos sempre arranjar boas alternativas aos pratos que eles comem mais dificilmente e as funcionárias também os incentivam a experimentar os alimentos a que estão menos habituados. No entanto, só conseguimos controlar os almoços que 36
Paulo Farinho, Chefe da Divisão de Educação e Desporto da Câmara Municipal de Olhão, com a nutricionista Cristiana Nascimento e a engenheira biotecnológica Inês Neves
são servidos nas escolas, o que trazem de casa é mais difícil”, reconhece. Tendo precisamente por base esta realidade, os workshops procuram que a alimentação saudável e equilibrada não se esgote no almoço, mas que se estenda igualmente às merendas que vêm de casa. “Se me dizem que comem uma sande, pergunto de que tipo de pão é e o que põem nela, e depois dou dicas para usarem substitutos mais saudáveis. Podese trocar o pão branco por integral, preferir o queijo ao fiambre, coisas simples. Nos pacotes de sumo também explico o mais básico de rotulagem alimentar, para saberem que não estão a beber fruta, mas um alimento mais 37
artificial que, basicamente, é rico em água, açúcar e outros conservantes”, descreve Cristiana Nascimento. A partir destas conversas são desenvolvidos lanches que englobam o cacau, que é um fruto mais saudável que o chocolate, bem como coco ralado, leite e mel, que é uma melhor opção do que o tradicional açúcar. Resta saber, porém, se as dicas transmitidas às crianças chegam depois aos progenitores, questionamos as entrevistadas. “Normalmente os workshops incluem folhetos informativos para serem entregues aos pais, para além das receitas dos lanches que os alunos prepararam. ALGARVE INFORMATIVO #143
Infelizmente, devido à falta de tempo, os pais optam muitas vezes por refeições pré-fabricadas por serem mais práticas, mas as mentalidades estão a mudar. Mesmo as crianças já estão mais sensibilizadas para estas questões”, responde Inês Neves.
ESTA PODE SER A PRIMEIRA GERAÇÃO DE REGRESSÃO Comer de forma saudável pode não parecer uma prioridade para os jovens por terem a ideia de que os problemas de saúde só afetam as pessoas mais idosas, mas a realidade mostra o contrário, com cada vez mais jovens a sofrerem de obesidade, colesterol e tensão alta ou diabetes. Cristiana Nascimento avisa, entretanto, que a formação das doenças pode dar-se quando ainda estamos na barriga das nossas mães. “Todas as ALGARVE INFORMATIVO #143
escolhas alimentares da mãe condicionam o futuro da criança, antes mesmo dela nascer. As doenças vão-se formando no dia-a-dia e, se não houver controlo, aparecem mais cedo”, confirma a nutricionista, admitindo que não é fácil contrariar o marketing agressivo das grandes marcas de comida pouco ou nada saudável. “Há hipermercados que vendem bonecos em forma de frutos e legumes e isso ajuda as crianças a habituarem-se a esses alimentos porque, naquela idade, elas ainda não têm consciência do que estão a comer”, exemplifica. Estes workshops não são, conforme referido, uma medida isolada do Município de Olhão, que há algum tempo tem realizado pesagens aos alunos do primeiro ciclo, o que levou a conclusões um pouco assustadoras,
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admite o Chefe da Divisão de Educação e Desporto. “Entre obesidade e préobesidade temos quase um/terço das nossas crianças, daí termos implementado um conjunto de ações, nomeadamente fornecer almoços mais equilibrados e saudáveis nas escolas do concelho. Depois avançamos para o lanche, com distribuição de fruta duas vezes por semana. Outro problema associado à alimentação é o sedentarismo e, por isso, passamos a oferecer educação física nos jardins-de-infância do concelho, também duas vezes por semana”, indica Paulo Farinho. “Mas há ainda um caminho grande a percorrer e um investimento que tem que ser feito já, caso contrário, corremos o risco destes meninos e meninas serem a primeira geração de regressão, ou seja, com esperança média de vida inferior à nossa”, reforça o responsável. Um alerta preocupado que não são meras palavras jogadas ao vento, pois os jovens praticam menos desporto que as gerações anteriores e passam muito mais tempo sentados em frente à televisão, ao computador, às consolas de jogos ou agarrados aos telemóveis. “É uma conjugação de vários fatores. Em termos sociais, deixou-se de brincar na rua e passou-se a estar fechado dentro de casa. A má alimentação e os aspetos ambientais também não ajudam e estamos a lidar com um problema que, no futuro, terá custos acrescidos. Se não atuarmos agora, de certeza que, daqui a uns anos, vamos ter pessoas com muita mais necessidade do Sistema Nacional de Saúde, que vão precisar de um acompanhamento médico numa fase mais precoce das suas vidas”, salienta, razão pela qual o Município de 39
Olhão vem intervindo nas áreas da sua competência. Como é óbvio, este trabalho tem que ser feito de forma continuada e envolvendo várias entidades, com Paulo Farinho a destacar a colaboração do Centro de Saúde de Olhão, cuja nutricionista trata dos casos mais preocupantes. “É uma missão que compete a todos e, pelo que temos visto, é mais fácil educar os filhos do que os pais. Quanto mais cedo atuarmos sobre as crianças, melhor, e não adianta comer bem na escola se em casa não se fizer o mesmo”, considera o Chefe da Divisão de Educação e Desporto da Autarquia de Olhão. “Não é possível fazer-se mudanças radicais nos hábitos alimentares de um momento para o outro, mas podem-se dar pequenos passos todos os dias e ir-se introduzindo gradualmente as frutas e os legumes nas rotinas dos mais novos. Claro que se podem comprar alimentos já embalados nos supermercados, mas devemos ter atenção aos rótulos para sabermos o que estamos a dar de comer às crianças”, prossegue Cristiana Nascimento. “Os pais estão mais atentos a estas problemáticas, as crianças estão mais abertas a experimentar outros alimentos, mas é um processo de crescimento contínuo. Perdeu-se o contexto da nossa dieta mediterrânica e temos que voltar a introduzir alguns alimentos que se deixaram de consumir. Olhão é uma terra de mar e os miúdos têm mais dificuldade em comer pescado do que carne. Temos que alterar isso”, termina Paulo Farinho .
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ENTREVISTA
A ARTE INTERATIVA DE
PEDRO ALVES DA VEIGA EM EXPOSIÇÃO NA GALERIA TREM A Galeria Trem, em Faro, acolhe, até dia 16 de março, a exposição «Transmutações Generativas», do artista e colaborador do Centro de Investigação em Artes e Comunicação, Pedro Alves da Veiga. A exposição inclui duas instalações - «Alchimia» e «Ommandala» - que convidam à interação e à descoberta a partir do som ou da imagem. Texto:
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Fotografia:
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ransmutações Generativas» é o nome da nova exposição que está patente na Galeria Trem, no Centro Histórico de Faro, até 16 de março. Da responsabilidade do artista Pedro Alves da Veiga, tratam-se de duas instalações, «Alchimia» e «Ommandala», que desafiam o visitante a interagir e a tornar-se, ele próprio, parte da obra de arte. O nome da mostra é fortemente influenciado por «Alchimia», já que a transmutação era um dos processos alquímicos de transformar um material noutro completamente distinto, sendo sobejamente conhecido o exemplo de se tornar chumbo em ouro. “Aqui, realmente, trata-se de transformar um tipo de interação num tipo de resultado diferente. Na maior parte das exposições interativas estamos habituados a considerar essa interação através dos dedos, do toque. Neste caso, uma das interações acontece pelo simples posicionamento do visitante em frente a um objeto, que deteta o seu rosto, mistura-o com a bateria de rostos existente na base de dados e gera uma sequência praticamente infinita de combinações, com uma parte do rosto original e outra de outro rosto qualquer”, explica Pedro Alves da Veiga. «Alchimia» é, por isso, uma instalação projetada com base no fascínio humano pelo autorreflexo, remontando ao mito de Narciso ou às várias interpretações artísticas mais recentemente materializadas na selfie que tomou de assalto o nosso quotidiano. «Alchimia» pretende estimular, assim, o público com visualizações dos seus próprios rostos, ALGARVE INFORMATIVO #143
processados e alterados, fora do seu controle estético mas, apesar de tudo, retratando-os reconhecidamente. “Numa época em que o racismo, a igualdade de género, as migrações, a transexualidade e a cultura são objeto de tantas controvérsias, em que até o próprio software utilizado para a deteção e reconhecimento facial é questionado, «Alchimia» transforma cada rosto detetado, atribuindo-lhes traços diferentes: homem, mulher, 44
andrógino, máscara tribal, novo, velho, indescritível, cómico, aterrorizador”, refere o artista. A segunda instalação de «Transmutações Generativas» também não utiliza o toque manual e nasceu como uma representação do nosso cosmos doméstico. «Ommandala» recorre, então, ao som como única fonte de interação, regenerando-se em função dos sons e oferecendo uma nova coleção de 45
estímulos. De acordo com este investigador e artista transdisciplinar, licenciado em Engenharia Informática pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, o nome é a composição de duas palavras. Por um lado o Om ou Aum, o som sagrado e um ícone espiritual, bem como o mantra mais importante do hinduísmo. Diz-se que ele contém o conhecimento dos Vedas e é considerado o som do universo e a semente que fecunda os ALGARVE INFORMATIVO #143
outros mantras. Por outro, a mandala, um símbolo espiritual e ritual nas religiões Hindus que representa o universo e é construída de acordo com um conjunto de regras bem definido, tal como a arte generativa. Originalmente, as mandalas eram usadas para focalizar a atenção dos praticantes e adeptos, como ferramentas auxiliares de orientação, e para estabelecer ALGARVE INFORMATIVO #143
um espaço sagrado, ajudando na indução de transes. “Pode ser um cosmo universal ou um cosmo doméstico e foi sobre este que me centrei, com escovas de dentes, candeeiros, lápis, contas de colares, frigideiras, imagens de santos. São objetos que encontrei na minha casa e a verdade é que, desde que os coloquei 46
nesta instalação, há dois anos, não senti a falta deles. Não estavam lá a fazer rigorosamente nada, mas o certo é que fazem parte das nossas vidas”, comenta Pedro Alves da Veiga. Ao todo, são 100 conjuntos de objetos espalhados pelo chão, um número depois ampliado através de um programa de computador, sendo o som o meio de interação com o objetivo artístico. “As pessoas aproximam-se do microfone e, conforme a frequência e a intensidade dos sons que produzirem, criam uma mandala que é uma combinação de itens influenciada por parâmetros como a velocidade de rotação, a cor, o número de objetos e outros”, descreve. “O som transforma-se naquelas imagens projetadas na parede”, acrescenta o doutorando em Média-Arte Digital e investigador do Centro de Investigação em Artes e Comunicação, para quem estas experiências não são uma novidade. “Uma vez a professora Mirian Tavares disse-me que me tinha salvo das forças do mal e me tinha trazido para o lado bom da luz. Não posso renegar o meu passado de engenheiro informático, mas sinto-me muito pouco próximo da programação utilitária. Sempre vivi nesta dualidade de estar perto da tecnologia e de gostar da componente artística”, admite. De facto, Pedro Alves da Veiga fez parte de várias bandas nos anos 80 e ainda hoje faz sonorizações para peças de teatro, tendo trabalhado também durante bastante tempo na área do design digital. Nas artes plásticas tinha experiência somente enquanto amador e em estilos tradicionais como acrílico e técnicas mistas. “A vantagem agora é que consigo 47
misturar tudo. Acaba por ser a essência de alguém que se divide entre dois universos – um artístico e outro mais próximo da tecnologia, da engenharia – e que se reúnem de uma forma harmoniosa. A minha técnica é a programação e, a partir do momento em que assumi isso, senti-me mais à vontade, menos envergonhado, em apresentar as minhas coisas”, refere.
O DESAFIO DE AUMENTAR A ATENÇÃO DAS PESSOAS Se este estilo pode fazer confusão aos mais puristas de ambas as áreas – artistas e engenheiros informáticos – também causa ainda algum espanto aos visitantes dos espaços de exposições interativas ou museológicos, onde as experiências podem ter componentes informativas, de aprendizagem ou de entretenimento. “Eu não faço instalações centradas no meu umbigo, mas a pensar naquilo que as pessoas podem retirar delas. Claro que há pessoas com mais ou menos paciência. Algumas chegam à «Alchimia», colocam-se à frente do dispositivo dois segundos e vão-se embora. Não era algo suficientemente rápido ou apelativo para permanecerem mais tempo. Outras ficam quase 15 minutos, vão chamar familiares, fazem caretas e divertem-se imenso com a instalação”, relata Pedro Alves da Veiga, adiantando que a «Ommandala» tem um caráter mais lúdico e que seduz particularmente os mais novos. “Adoram perceber a relação entre os sons que fazem e os movimentos que imprimem aos objetos que são representados na parede. O
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que faz um pouco a ponte entre o universo artístico e a parte da programação é a própria instalação, isto é, há um aparato visual que tento que tenha alguma simbologia. Em «Alchimia» há uma simbologia muito ligada a formas geométricas que são associadas à própria alquimia e, na «Ommandala», existe uma mandala física, formada por estes copos espalhados numa base redonda preta”. Não é fácil explicar um género de arte em que o visitante acaba por fazer parte da própria peça de arte, que influencia diretamente o resultado final, pelo que dificilmente se verá a mesma coisa em duas ocasiões diferentes, reconhece o autor. Por isso, para Pedro Alves da Veiga, a questão não é se o português já está pronto para este novo tipo de média-arte
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digital, mas sim se o cidadão do mundo está. “É um problema que se levanta universalmente e vários dos maiores museus do planeta já realizaram estudos sobre o tempo médio de observação de diversas peças. A «Mona Lisa» tem um tempo médio de observação de 15 segundos, o Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, fala em tempos médios entre os 12 e os 30 segundos por peça, portanto, são tempos agressivos. As pessoas olham um bocadinho para as obras de arte e vão-se logo embora à procura de outra”. Neste contexto, o desafio de Pedro Alves da Veiga é oferecer algo ao visitante para que este tempo médio de observação aumente, para que
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usufruam mais das obras de arte, uma vez que o público acaba por ser tornar também um performer. “As pessoas passam a estar envolvidas na peça e são observáveis pelo restante público que está na sala. E há também um processo de aprendizagem por observação, uma espécie de passagem de testemunho de quem experimenta. É um universo diferente, pelo que é complicado tentarmos aplicar as mesmas regras que vêm da chamada «arte tradicional», sobretudo das artes visuais. São linguagens completamente distintas, interações, envolvimentos, com os visitantes, muito diferentes”, salienta. Diferente é, adivinha-se, também o processo criativo neste tipo de média-arte digital, mas existe sempre a tentação de produzir algo que se veja. Por essa razão é 49
raro encontrar-se peças de artes puramente sonoras e mais raro ainda se torna se pensarmos nos outros sentidos clássicos e nos sentidos da dor, do calor, da passagem do tempo. “O verdadeiro desafio reside em saber, eventualmente, tirar partido de todo o sensório humano e cada vez mais tentar explorar outros lados que não apenas o da imagem. Eu próprio sucumbi à tentação da imagem, mas a «Ommandala» já entrou um pouco na componente do som e começo a pensar noutras possibilidades”, revela, acrescentando que «Alchimia» está no seu terceiro ano de desenvolvimento do código de programação. “Procurei que, através de uma coisa tão simples como uma webcam, se conseguisse ultrapassar a necessidade de ter ALGARVE INFORMATIVO #143
sensores de proximidade e de medição de distância, o que implica uma afinação complexa. A «Ommandala» foi um processo de inspiração mais rápido e a afinação também foi mais célere. Cada caso é diferente. Pode haver peças que enchem o olho e são muito rápidas de programar e desenvolver, outras que, se calhar, não são tão entusiasmantes para o público e dão bastante mais trabalho a quem as desenvolve”. Outra grande diferença em comparação com a arte mais clássica é que, normalmente, quando se pinta um quadro ou se faz uma escultura, por exemplo, o objetivo é vender essas peças, é ter um retorno económico. “Há peças de médiaarte digital instaladas em vários museus e salas de exposição pelo mundo fora, mas isso não é a norma, nem faz sentido uma pessoa querer comprar uma para a ter em casa. Aqui, o criador tem uma fonte de ALGARVE INFORMATIVO #143
investimento, não de rendimento”, confessa Pedro Alves da Veiga com um sorriso. “O que poderia eventualmente acontecer é aparecer um mecenas, um patrocinador, que se quisesse associar a uma peça. A «Alchimia», por exemplo, tem ali uma grande quantidade de iluminação LED, portanto, não seria descabido um patrocínio de uma empresa que desenvolvesse essa tecnologia. Ou se precisasse de um processador muito mais rápido para o computador e fosse uma pessoa super conhecida no mundo da arte internacional, a Intel poderia jogar-se à frente. É um universo em que as coisas não são tão fáceis”, assegura, o que não impede que o artista tenha mais projetos na calha para os próximos tempos. “Há vários horizontes que se podem abrir, sempre determinados pela minha curiosidade” .
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SEMEAR SAÚDE
“AUTOESTIMA É A REPUTAÇÃO QUE ADQUIRIMOS COM NÓS MESMOS” - NATHANIEL BRANDEN
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odemos imaginar um animal qualquer da criação, por mais evoluído que seja, como um gorila ou um golfinho, com um problema de autoestima? Dificilmente, porque a autoestima é uma criação da mente humana. Neste artigo vamos desenvolver ideias acerca de um conceito intimamente ligado com a autoestima, que é a autoimagem. Qual a importância de uma boa autoimagem? De acordo com o Dr. Maxwell Maltz, “a autoimagem define as fronteiras do sucesso individual”. Dito de outra forma, o problema é que ninguém consegue elevar-se acima da sua autoimagem. A propósito, recordemos o que disse Eleanor Roosevelt: “Ninguém pode fazê-lo sentir-se inferior sem a sua própria permissão”. Todavia, a falta de autoestima e a consequente deficiente autoimagem é um problema que afeta uma grande parte das pessoas na sociedade ocidental. Então, quem o faz sentir-se inferior? Na maior parte das vezes é você mesmo, porque se diminuiu através da sua parte hipercrítica ou aceitou que outros o fizessem. E quando isso começou a suceder? Provavelmente desde muito jovem, quando lhe disseram que falhava, que não iria conseguir, que era menos do que este ou aquele, quando era punido injustamente, quando lhe chamavam nomes e ninguém o defendia…
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Imagine que você é desafiado para entrar numa sala com 20 desconhecidos e que deve apresentar-se a cada um com um sorriso e fazer uma apresentação geral sobre um tema que domina bem. A menos que você seja um extrovertido cheio de autoconfiança, o mais natural é que fique apavorado com esta perspetiva. E porquê? Porque aprendeu que tem dificuldades com grupos de desconhecidos. Repare: teria alguma dificuldade em apresentar-se a uma só pessoa ou a falar sobre um tema de que gosta com alguém que conhece? Se todos queremos melhorar a nossa autoestima e autoimagem, convém termos respostas para a pergunta: “Onde se vai sustentar a autoimagem?”. A resposta parece evidente: A autoimagem sustenta-se no que pensamos de nós mesmos. Com alguma abstração, podemos dizer que a autoimagem é uma visualização da nossa identidade. Então a pergunta torna-se: “De que é feito esse conceito abstrato de identidade? O que lhe dá conteúdo e vibração?”. Este conteúdo é encontrado por duas vias muito diferentes, talvez antagónicas: de um lado temos o Ego, com a sua grande lista de identificações com crenças próprias e de grupo, papéis representados por si e por outros, e
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necessidade permanente de defesa e ataque; do outro, temos a Presença do Eu superior e um conceito de Identidade que repousa em crenças e valores assumidos e se dirige para uma ideia de missão e relacionamento com o Universo. Pense em quem você é. Quais as afirmações que faz de si mesmo? Com quem se identifica? Eu não consigo encontrar alguém que goste de mim. Eu preciso de estar sempre a controlar as situações. Eu não confio em ninguém. Eu não sou capaz de aprender. Etc. Estas são crenças limitadoras que precisam de ser revistas de acordo com os valores mais importantes da pessoa e que provavelmente foram aprendidas a partir de episódios de infância ou impostas por autoridades. Eu sou um empregado. Eu sou muito atraente (ou nada atraente). Eu sou uma pessoa que ganha muito dinheiro (ou pouco). Eu sou um vencedor (ou um perdedor). Eu sinto-me ultrapassado por todos. Eu identifico-me com este ou aquele ator ou atriz ou desportista ou qualquer outro famoso. Etc. Isto tudo são identificações com modelos ou papéis. Mas não precisamos de crenças e identificações positivas? Sim, desde que tenhamos consciência das suas limitações e não se destinem a reforçar um Ego impositivo e impostor. Como fazer a distinção? As perguntas clarificadoras são: Esta crença ou modelo está em consonância com o meu Eu superior? Serve para o meu 53
Carlos Baltazar, formador de Programação de Neuro Linguística
crescimento como pessoa e como parte de um sistema maior? Em resumo: A autoimagem é uma consequência da aprendizagem de crenças, valores, modelos de comportamento, mas é também determinante da forma como pensamos que somos e das nossas decisões e ações. É importante que a nossa autoimagem seja forte, positiva, nítida e fundada. Assim, a autoestima será também positiva e poderá ajudar-nos a ter vidas mais gratificantes.
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SEMEAR SAÚDE AS BASES DA TRANSFORMAÇÃO DA AUTOESTIMA 1. Aceitação - O ponto de partida para qualquer processo de mudança é o reconhecimento ou aceitação do estado atual. Aceitação é diferente de resignação. É um ponto de partida para a mudança porque permite ficar em paz com o que somos e não desperdiçar energia preciosa com um combate inútil. O bom combate é o que podemos travar dentro do processo de transformação. 2. Apreciação - Depois da aceitação, é preciso proceder a uma apreciação valorativa do que é bom dentro de si. As pessoas com baixa autoestima focamse demasiado nas suas falhas em vez de reconhecerem os seus sucessos. Um sintoma comum é sentirem-se inadequados ou incompetentes e preocuparem-se que alguém descubra essa incompetência. Dos pressupostos fundadores da PNL são de realçar: a) Não há fracassos mas sim indicação para fazer diferente. b) Todos podemos encontrar dentro de nós os recursos para a mudança. Com estas crenças, torna-se uma questão de descobrir o caminho certo para conseguir aquilo que se quer. Dois recursos internos importantes são a nossa capacidade de aprender e de nos adaptar. 1. Responsabilidade interior Outro elemento da autoestima é a responsabilidade com nós mesmos. As ALGARVE INFORMATIVO #143
pessoas com boa autoestima tomam a responsabilidade pelas suas vidas e pelas situações em que se encontram. As pessoas com baixa autoestima tendem a sentir-se vítimas das circunstâncias. O princípio orientador é: se aquilo que tem feito não funciona, faça diferente. Muitas vezes, limitamo-nos a fazer mais, mais rápido ou mais intensamente quando o que é preciso é mesmo fazer outra coisa completamente diferente. É a situação que tem de mudar ou somos nós que o devemos fazer? Por vezes, podemos mudar a condições exteriores mas, mais frequentemente, a mudança deve acontecer dentro de nós mesmos. A PNL fornece muitos instrumentos e técnicas para ajudar e acompanhar nos processos de mudança, tais como a mudança de crenças, a conciliação de partes ou as terapias da linha do tempo. 2. Responsabilidade exterior A atuação responsável e considerada em relação a outros é o elemento crítico que diferencia uma boa autoestima de um Ego inflacionado. Pessoas com alta autoestima e com um Ego muito forte tendem a tratar outros de uma forma sobranceira ou distante. Por outro lado, a baixa autoestima não ajuda a construir relações abertas e ricas com os outros. O princípio aqui é o de procurar as intenções positivas da outra pessoa e respeitar o seu modelo do mundo. Isto permite separar a pessoa do seu comportamento e facilita o relacionamento .
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LIPEDEMA - O QUE É E COMO SE MANIFESTA?
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maioria das pessoas nunca ouviu falar sobre lipedema, inclusive quem tem. Nesse sentido, decidi resumir alguma evidência científica com o objetivo de esclarecer sobre esta condição, dentro do que é possível. O lipedema é uma condição crónica que ocorre exclusivamente em mulheres e que se manifesta com a acumulação de gordura dolorosa e inchaço nos membros, à exceção das mãos e pés, sendo mais comum nos membros inferiores (Chill, Gordon, Sharpe, et al, 2010; Wold, Hines, Allen, 1951). É caracterizado por dor, sensibilidade/ fragilidade ao toque,
hematomas fáceis, edema (inchaço) e por problemas psicossociais que afetam a qualidade de vida (Okhovat &, Alavi, 2014). Ainda não se entende muito bem a biologia desta doença, o que resulta em opções de tratamento limitadas que, na melhor das hipóteses, melhoram os sintomas. Quem sofre com esta doença é muito afetado pela ausência de ferramentas de diagnóstico, pela fraca consciência médica e pública relativamente à doença e com o estigma associado ao excesso de peso. (Okhovat &, Alavi, 2014). Como resultado de todos estes fatores, o número de mulheres com lipedema ou a sua epidemiologia, não são conhecidos. (Okhovat &, Alavi, 2014).
Causas de lipedema
Sara Rosado, Fisioterapeuta com Certificado Internacional em Tratamento Físico do Edema pela Escola de Drenagem Linfática de Bruxelas 55
A causa do desenvolvimento de lipedema é pouco clara, sabe-se que se desenvolve na puberdade (Fonder, Loveless & Lazarus., 2007) ou em outros períodos em que existam alterações hormonais, como a menopausa ou a gravidez (Herpertz, 1995), no entanto, a justificação não é clara. Muitos pacientes desenvolvem lipedema juntamente com obesidade, sendo considerada um fator contribuinte para o aparecimento e agravamento dos sintomas (Gregl, 1987). No entanto, as alterações a nível alimentar, o exercício físico e a
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SEMEAR SAÚDE cirurgia para perda de peso têm um efeito limitado no tratamento desta condição. Relativamente ao diagnóstico, não existem ferramentas que o permitam realizar de forma clara e precisa. O diagnóstico é feito com base numa avaliação e discussão da história clínica, o que nem sempre é fácil e o torna um pouco subjetivo; sendo necessário conhecer as características específicas deste problema, sabendo o que o distingue do linfedema, obesidade e/ ou Insuficiência Venosa Crónica (Lontok, 2017). No entanto, é importante referir que, num estádio mais avançado do lipedema, este pode ter também um comprometimento linfático, denominando-se lipolinfedema (Lontok, 2017). Algumas técnicas de imagiologia podem ajudar no diagnóstico diferencial, bem como a ressonância magnética, tomografia computorizada, linfocintigrafia, entre outras, embora ainda não seja clara qual a melhor combinação de testes imagiológicos para o diagnóstico do lipedema. Normalmente, os diagnósticos que são estabelecidos variam entre linfedema, obesidade ou insuficiência venosa crónica (Lontok, 2017). Para constatar este facto, após 250 mulheres com lipedema, no Reino Unido, serem questionadas relativamente ao diagnóstico: apenas 9 por cento reportaram que lhes foi diagnosticado lipedema após descreverem pela primeira vez os seus sintomas; a maioria revelou que foram feitos diagnósticos direcionados para o excesso de peso, a má alimentação e a falta de exercício físico (Lipoedema UK, 2014). ALGARVE INFORMATIVO #143
Segundo o mesmo questionário, vários fatores parecem ser afetados pelo lipedema, havendo um número significativo de mulheres que revela impacto ao nível da qualidade de vida (87 por cento), autoestima (86 por cento), mobilidade (55 por cento), vida social (60 por cento) e sexual (50 por cento), (Lipoedema UK, 2014). Outro sintoma muito frequente é a dor, com percentagens que variam entre os 60 e os 90 por cento de pessoas que reportam este sintoma (Herbst, Mirkovskaya, Bharhagava et al; 2015). Todos estes fatores remetem-nos para uma condição que, embora desvalorizada e pouco abordada na comunidade médica, tem um grande impacto na vida das pessoas, não só a nível físico, mas também a nível psicossocial.
Tratamento de lipedema Relativamente ao tratamento do lipedema, existem algumas alternativas conservativas que ajudam no controlo dos sintomas. O exercício físico e uma nutrição adequada, devidamente prescritos, são duas estratégias associadas ao estilo de vida que parecem ter um forte impacto no controlo dos sintomas. O exercício ajuda no controlo do peso, aumento da força muscular, fluxo sanguíneo e linfático e contribui para a saúde mental (Herbst, 2012; Williams & MacEwan, 2016; Halk & Damstra, 2016). Por outro lado, o acompanhamento psicológico, em grupo ou individual, parece ser uma estratégia importante 56
para promover a saúde mental e ajudar a lidar com alguns impactos a esse nível. (Lipoedema UK, 2014; Todd, 2010; Irwin, Scorniaenchi, Kerr, et al, 2012). No que toca a estratégias de tratamento físico de edema, a evidência sugere a terapia compressiva, a drenagem linfática manual e a terapia descongestiva completa, como técnicas eficazes na redução de edema, através do aumento do fluxo linfático e da sua condução para os gânglios linfáticos (Lipoedema UK, 2014; Williams A. & MacEwan, 2016). Existem igualmente algumas alternativas cirúrgicas que parecem ser eficazes no tratamento do linfedema, dependendo de uma série de fatores que devem ser criteriosamente avaliados pelo médico para se fazer um aconselhamento e acompanhamento individualizado e de acordo com o contexto de cada indivíduo.
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Podemos então chegar à conclusão de que, embora esta seja uma condição com um forte impacto na qualidade de vida de quem a experiencia, padece ainda de uma desvalorização e desconhecimento por parte da comunidade médica. Assim sendo, é necessário «dar voz» a esta condição, conhecê-la, saber as suas particularidades, para assim se conseguir fazer um diagnóstico diferenciado e estabelecer um plano de tratamento adequado a cada caso e a cada pessoa. Creio que o caminho ainda é longo, mesmo no que toca a evidência científica, mas é extremamente necessário e essencial para esta população .
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SEMEAR SAÚDE SALADA DE QUINOA COM FIGOS SECOS
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ara quem não conhece a quinoa, ela é famosa pelo seu alto teor de proteína e amplamente consumida na região dos Andes, é considerada um pseudo cereal, com
A quinoa deve ser lavada antes de ser consumida, para remover compostos antinutricionais de sabor amargo existentes na camada externa da semente, chamadas saponinas.
Ingredientes: 1 chávena de chá de quinoa 1 cebola 2 dentes de alho 1 chávena de azeitonas 8 figos secos Azeite, sal marinho e shoyo (molho de soja) q.b. Coentros
Preparação: nutrientes semelhantes aos do arroz e do trigo. As substâncias naturais da quinoa são úteis para o controle emocional, sendo constantemente associadas ao alívio de sintomas de tensão pré-menstrual e menopausa. É também excelente para regularizar o intestino, aumentar a disposição, retardar o envelhecimento precoce, recuperar as fibras musculares do corpo, combater problemas urinários, prevenir doenças do fígado, reduzir o risco de osteoporose, combater os radicais livres devido aos efeitos antioxidantes, aliviar sintomas associados a doenças do coração e controlar níveis de colesterol, glicemia e triglicéridos no sangue. Além disso, é um cereal que não contém glúten, sendo excelente para celíacos e intolerantes.
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Lavar a quinoa em água fria. Colocá-la dentro de um tacho com o dobro de água (uma chávena de quinoa para duas chávenas de água) deixar levantar fervura, juntar uma pitada de sal e cozinhar durante uns 15 minutos em lume brando. Reservar. Numa frigideira colocar um pouco de azeite e juntar os alhos e a cebola picados e deixar refogar. Juntar um pouco de shoyo e mexer bem até ficar incorporado no refogado. Juntar a quinoa cozida a este refogado e mexer (com cuidado para não desfazer a quinoa) até ficar bem incorporada e tenha obtido o sabor do refogado. Retirar do lume, juntar as azeitonas picadas, os figos secos cortados em quartos e os coentros e envolver bem no preparado anterior. Servir ainda quente ou deixar arrefecer no frigorífico (sabe bem das duas maneiras) . 58
SUPERALIMENTOS
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ada vez mais encontramos nas prateleiras dos supermercados alimentos novos e versáteis que nos permitem elaborar receitas diferentes, mais versáteis e saudáveis. Muitos destes alimentos são chamados de «superalimentos» e, para além de estarem na moda, proporcionam-nos benefícios e nutrientes muito próprios, assim como novos sabores e receitas que podemos experimentar para variar um pouco a nossa cozinha diária.
Angela Oeiras Blogger e formadora na EHTA
No entanto, muitas vezes não sabemos muito bem como prepará-los, como conjugá-los com outros ingredientes, ou quais os tempos e métodos de cozedura. Para lhe ajudar nesta aventura, hoje trago três receitas muito simples, fáceis e rápidas de preparar com três destes ingredientes: a quinoa, o trigo sarraceno e o cuscuz. Atreva-se a cozinhá-los e abra assim o leque de novos paladares na sua alimentação diária .
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SEMEAR SAÚDE RISOTTO DE TRIGO-SARRACENO COM COGUMELOS
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á conhece o trigo-sarraceno? Embora tenha o nome de «trigo», não é um cereal e sim a semente de um fruto, sendo muito popular entre os celíacos pois, ao não ser um cereal, não contém glúten e pode ser consumido tanto em farinhas como em grão.
Ingredientes: 1 chávena de trigo-sarraceno 1 cebola Azeite Sal 1 chávena de cogumelos frescos Caldo de vegetais (de preferência caseiro) q.b. ¼ de chávena de natas de aveia
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Preparação: Com um pano seco limpar a terra dos cogumelos e cortar em fatias. Reservar. Picar a cebola e refogar em azeite numa panela. Quando a cebola estiver cozinhada, juntar o trigo-sarraceno e mexer com uma colher para que não se pegue no fundo do tacho. Juntar os cogumelos e continuar a mexer. Pouco a pouco ir juntando o caldo de vegetais caseiro e continuar sempre a mexer. Quando começar a secar, juntar mais caldo sem parar de mexer. Adicionar caldo até o grão estar cozido. Juntar as natas de aveia e mexer até se incorporarem no risotto. Deixar cozinhar durante dois a três minutos e retirar do lume. Servir de imediato .
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CUSCUZ COM COGUMELOS E NOZES
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cuscuz é um prato árabe originário do Magrebe (região do norte de África) que consiste num preparado de sêmola de cereais, principalmente o trigo. Tradicionalmente, a sêmola é amassada à mão com um pouco de água até se transformar em pequenos grãos que devem ser cozidos no vapor duma cuscuzeira e servidos com um molho que pode ter sido feito na parte inferior da cuscuzeira. O molho que acompanha o cuscuz pode ser um guisado apenas de vegetais, ou ter carne ou peixe (principalmente nas zonas costeiras), mas hoje vamos prepará-lo em salada com cogumelos e nozes.
Ingredientes: 1 chávena de cuscuz 1 chávena de água 200 gr de cogumelos (pleurotus ostreatus) 1 cebola 1 chávena de nozes ½ chávena de passas Coentros picados Canela em pó Vinagre de maçã Sal Azeite
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Preparação: Colocar o cuscuz numa taça de vidro juntamente com o sal e um fio de azeite. Deitar a água a ferver por cima. Tapar e deixar o cuscuz absorver toda a água durante uns cinco ou seis minutos. Destapar e, com a ajuda de um garfo, soltar os grãos. Entretanto, enquanto espera que o cuscuz arrefeça, cortar uma cebola em meias luas e salteá-la dentro de uma frigideira com azeite. Quando a cebola estiver cozinhada, juntar os cogumelos cortados aos bocadinhos, mexer de forma a que se integrem na cebola, tapar e deixar estufar durante uns 10 minutos em lume brando. Deixar arrefecer. Juntar os cogumelos já cozinhados com o cuscuz (ambos arrefecidos), juntar as nozes e os coentros picados e as passas e temperar com azeite, vinagre de maçã e um pouco de canela. Envolver tudo bem e deixar arrefecer no frigorífico antes de servir . ALGARVE INFORMATIVO #143
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OPINIÃO
Som ou barulho? Paulo Cunha (Professor)
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oloquei a chave na porta do apartamento onde eu vivia com os meus pais, situado no primeiro andar de um prédio geminado com outros iguais, e qual não foi a minha grande surpresa quando, mal a abri, vi um piano antigo, de cor preta e de porte imponente, encostado numa das paredes da sala. Depois de ter passado o ano de 1974 a estudar numa das salas do antigo Conservatório Regional do Algarve (Faro), complementando o estudo com a prática pianística em cima de um teclado desenhado numa cartolina, eis que os meus pais me tinham surpreendido e premiado com a aquisição de um piano em segunda mão. No alto dos meus dez anos, queria lá saber se o piano já tinha mais de cem anos e tinha tido outro dono… Isso pouco me importava, o que me interessava é que soava a piano e era um piano… a sério! O facto de os meus pais terem colocado o piano na sala de estar acabava por ser um misto de «upgrade» decorativo com a possibilidade de, assim, poderem também mostrar os meus dotes artísticos às visitas. Na altura, não vi grande problema nessa disposição. O tempo entretanto foi passando e comecei a aperceberme que depois do jantar já não podia estudar, pois a família usava aquela sala para conviver e ver televisão. Depois de muita insistência, lá consegui negociar a mudança do velho piano alemão «Ed Seiler» (com armação em ferro, teclas de marfim, candelabros e decorado com alguns buracos de caruncho) para o meu quarto. Já no meu pequeno mundo, comecei a dar-lhe o uso devido, tocando sempre que a obrigação e o desejo a isso me impeliam. Até que um belo dia comecei a ouvir pancadas na parede que dividia o lado direito do prédio do lado esquerdo. Bastava começar a tocar depois do jantar e os meus vizinhos lá me alertavam para o incómodo que as minhas escalas, arpejos, estudos e peças lhes causavam, juntando-se a isso as muitas queixas veladas que os meus pais ouviam por causa dos meus devaneios musicais. Não havia nada a fazer – as finas paredes de cimento não estavam preparadas para «artistas de bairro»! Tinha que arranjar, rapidamente, uma solução, pois o aproveitamento musical já se começava a ressentir. ALGARVE INFORMATIVO #143
Bem dito, bem feito… serrei um cabo de vassoura, fui à Casa Verde, onde comprei uns bons dois metros de feltro, e com uns fios que tinha em casa engendrei o mesmo mecanismo que os, então, pianos modernos tinham. Ora se nos novos pianos, o pedal do meio fazia baixar uma cortina de feltro entre os martelos e as cordas do piano, proporcionando assim um som abafado, porque não fazê-lo de uma forma manual? E assim foi, à custa de silenciar as vibrações das cordas do piano lá consegui evitar os futuros dissabores que me esperavam. O tempo passou e com os avanços tecnológicos registados, a eletrónica veio, paulatinamente, a produzir sons quase idênticos aos sons dos instrumentos originais, fazendo assim com que seja hoje possível estudar num apartamento. Abdicando do timbre original, da «cor» e do «touch» próprios de um instrumento acústico, é hoje possível individualizá-lo nuns auscultadores ligados ao amplificador de som. Vivendo, como muitos de vós, num apartamento, confesso que me incomodam muito mais os gritos e os berros de alguns vizinhos, do que o som do saxofone que todos os dias me embala no sítio onde agora vos escrevo. Ainda não conheço o vizinho saxofonista, mas quando for o caso, dar-lhe-ei os parabéns pela persistência e pela dedicação! Sei que o que para uns é o som de um instrumento, para outros poderá ser barulho. Sei também que em determinadas situações o silêncio vale ouro, por isso até entendo alguns desentendimentos que se geram entre os emissores e os recetores de um mesmo som. Agora o que não compreendo é a intransigência de ambas as partes em chegarem a um acordo que, mesmo que não os satisfaça plenamente, também não os prejudique. Evitavam-se assim situações perfeitamente dispensáveis que nos levam a pensar se, tantos séculos depois, não teremos que aplicar ainda a justiça salomónica. Eu sei que a lei é lei, mas cada caso é um caso e não adianta criar problemas onde eles não existem. Até porque a Música quer-se como fonte de concórdia e não de discórdia… Digo-vos eu, que vivi na pele tudo aquilo que aqui escrevi! .
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OPINIÃO
Vamos dar uma volta? José Graça
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á dias, no meio de uma reunião, diziamme com enfado que Tavira não tem jardins nem parques públicos. Acontece que os hábitos sedentários de muita gente fazem com que aproveitem pouco todos os espaços que são colocados à sua disposição e isso faz-me (alguma) confusão! O nosso País, e o Algarve especialmente, dispõem de um clima ameno com raríssimos dias de chuva intensa e temperaturas agradáveis ao longo das estações do ano. Não me parece que estes sejam os maiores impedimentos para que a generalidade dos cidadãos se sinta impedido de usufruir dos parques, dos jardins, das praças, dos pátios e da rua em geral. No caso concreto de Tavira, o litoral do concelho está integrado no Parque Natural da Ria Formosa e é atravessado pela Ecovia do Algarve, no perímetro urbano dispõe de dezenas de hectares de zonas verdes e jardins públicos devidamente equipados, as margens do rio Gilão e da ribeira da Asseca e os arredores da cidade e das sedes de freguesia estão dotadas de vias cicláveis que são frequentadas diariamente por milhares de caminhantes e ciclistas, mas há por aí uns calimeros que insistem em não tirar o rabo do sofá... Recentemente, o Município de Tavira renovou com a Taviraverde – Empresa Municipal de Ambiente um contrato-programa para a manutenção de espaços verdes, visando um conjunto de objetivos estratégicos que passam pela promoção da “boa utilização e a preservação dos espaços verdes públicos, nomeadamente no que concerne ao coberto vegetal e à preservação do mobiliário urbano associado aos espaços; sensibilizar a comunidade em geral e os utentes em particular para a necessidade da qualidade dos espaços verdes públicos; garantir a existência de bons padrões de qualidade e segurança; assegurar uma limpeza eficiente e eficaz dos espaços verdes públicos; incutir no público escolar o interesse pela preservação do coberto vegetal, nomeadamente no que concerne às espécies autóctones, promovendo o conhecimento científico das espécies, organizando visitas ao Viveiro Municipal; e, potenciar a produção do Viveiro Municipal e assegurar o apoio logístico a ALGARVE INFORMATIVO #143
entidades do concelho, com cedência de plantas para decoração no âmbito de eventos festivos, nomeadamente festejos de Santos Populares e Natal”. Com a duração de três anos e incluindo a manutenção de lagos, fontes e sanitários públicos incluídos nos espaços verdes constantes da relação anexa ao contrato, é estipulada uma compensação financeira anual no valor de 1.555.669,40€, a pagar mensalmente. Talvez tomando conhecimento destes objetivos e dos valores do investimento municipal efetuado em nome de todos nós para garantir a sua manutenção em boas condições, aqueles que teimam em ficar junto à televisão tomem o gosto pelo ar livre e pela natureza, contribuindo com a sua presença nos nossos parques e jardins públicos para evitar atos de vandalismo ou situações má utilização dos equipamentos e do mobiliário urbano colocado à nossa disposição. Melhor ainda seria se, em vez de transmitirem os seus hábitos preguiçosos às crianças e aos jovens, confinando-os ao recreio coberto e asséptico da escola ou ao parque infantil de esponja do centro comercial, pegassem nelas e trouxessem-nas para o exterior, deixando-as subir às árvores ou enfiarem-se numa qualquer poça de água ou de lama, pois a verdade é que chegam a estar menos tempo ao ar livre do que qualquer recluso das nossas penitenciárias! E, numa cidade que se apelida de amiga das bicicletas e dos ciclistas, porque não trazê-las até ao «inexistente» Parque Verde do Séqua e dar-lhes a oportunidade de começarem a aprender as regras de convivência na via pública com umas voltinhas na Escola-Fixa de Trânsito?! Fica a sugestão, sabendo-se que quantos mais utilizarem os equipamentos públicos, maiores serão das possibilidades destes serem ampliados e proliferarem pela malha urbana! . (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e deputado da Assembleia Intermunicipal do Algarve)
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OPINIÃO
O culto do corpo sofredor Adília César (Escritora)
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sofrimento, essa filigrana que incorpora na sua trama a expressão da fome, da catástrofe, da violência, da doença e do acidente – o corpo, instância dinâmica, fisionomia da dor. É possível traçar uma espécie de cartografia do corpo sofredor através do fotojornalismo: “o corpo supliciado, o corpo assujeitado e o corpo abatido” (Biondi). O fotojornalismo contribui para a definição de uma política da piedade ou compaixão, à distância, em que o espectador assiste ao sofrimento de um outro subjectivo, por algum tempo, retomando depois a vida normal, convicto da sua própria imunidade, porque “aquilo nunca me irá acontecer”, pensa ele. Contudo, neste processo de recepção da imagem, configurado numa grande densidade emocional, as relações estabelecidas entre os seus agentes – fotografias, fotografados e espectadores – podem implicar mudanças no nosso paradigma ético e moral, no que diz respeito ao sofrimento dos outros. Esse é o grande poder do fotojornalismo, além do importante testemunho histórico. A fotografia é a captação da realidade sem filtros, e os acontecimentos que exibem instantes peculiares e únicos, pautados pela desgraça, servem como uma espécie de tópico que anuncia a personagem – o sujeito sofredor – em cena, onde o espectador se predispõe a participar (vendo, incluindo-se, sofrendo). No caso do «corpo supliciado», o espectador assiste passivamente e comove-se com o sofrimento alheio. Recordo o caso de Omayra, cuja fotografia do jornalista Frank Fournier (Colômbia, 1985) correu mundo. A sensação que ficou após a morte da menina foi a de total impotência por parte da família, dos elementos de socorro, dos meios de comunicação social e dos espectadores – todos, ao longo de três dias, impotentes perante o inevitável: a incapacidade de salvar Omayra, presa nos destroços submersos do Vulcão Nevado del Ruíz. Já o «corpo assujeitado» apresenta-se activo no confronto com a sua resistência assumida face aos ALGARVE INFORMATIVO #143
mecanismos institucionais de poder dos quais discorda. Neste caso, o espectador é inscrito na acção agora partilhada na denúncia exibida pela imagem. Aqui não há compaixão, mas sim uma indignação feroz e até solidariedade entusiástica para com o sujeito retratado, o herói. Uma fotografia inesquecível e que poderá situar-se neste contexto político-social é da autoria de Charlie Cole (China, 1987), na qual um manifestante enfrenta uma linha de tanques do Exército da Libertação do Povo, na Avenida Chang’na, Pequim, durante os protestos contra a reforma democrática. E, por fim, o sofrimento personificado no «corpo abatido», que convoca a inevitável elaboração de uma relação entre formas de vida e de morte, provocando diferentes reacções no espectador. Se a morte exibida é a de um sujeito considerado inimigo de guerra ou um criminoso, há quase sempre um regozijo ou júbilo pelo castigo merecido. Mas se a morte é visível num corpo inocente, vítima de acidentes, de catástrofes naturais, ou de crimes perpetuados por outrem, a recepção no espectador transforma-se em revolta e comoção piedosa, patente, por exemplo, numa foto muito divulgada do jornalista Eddie Adams (Vietname, 1968), no instante que antecede a execução de um membro suspeito vietcongue pelo chefe da polícia nacional, em plena rua e à vista de todos. Nas fotografias da desgraça existem, assim, dois tipos de eventos: um, o flagrante do real, o corpo sofredor do fotografado; outro, que decorre da relação entre imagem e espectador, entre o que afecta e o que é afectado nos actos de ser visto e de ver. Na verdade, as fotografias são como feridas do quotidiano que nos entram pelo espírito. As imagens mostram-nos corpos sofredores, mas o que vemos, frequentemente, é a densidade emocional da acção que está a acontecer naquele preciso momento. Quem pode ficar indiferente perante a visão de uma qualquer tragédia humana? Em que corpo corre, afinal, esse sangue sofredor? .
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OPINIÃO
Um mundo cada vez mais desigual Nelson Dias (Consultor)
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oi recentemente publicado o Relatório sobre a Desigualdade Global – 2018, um trabalho levado a cabo por mais de cem investigadores de cinco continentes. O resultado final é fruto de um complexo exercício de recolha e análise de dados em diferentes países, tendo como principal ambição contribuir para um debate alargado sobre o assunto em apreço. Não faz parte dos horizontes desta equipa alcançar um acordo unanime sobre a desigualdade no mundo mas antes fornecer elementos que possam ser tidos em conta no desenho de políticas públicas, sobretudo as que visam diminuir a diferenças sociais e económicas vigentes, em primeira instância, no interior de cada país, e num segundo plano a nível global. Uma das principais conclusões deste trabalho aponta para um aumento da desigualdade em praticamente todas as regiões do mundo, durante as últimas décadas, embora com velocidades e alcances distintos, deixando claro que as instituições e as políticas nacionais são relevantes para atenuar ou incrementar as distinções socioeconómicas. Entre muitos outros indicadores disponíveis no retrato sobre a desigualdade no planeta, escolho o seguinte: desde 1980 à atualidade, um por cento das pessoas mais ricas no mundo recebeu o dobro dos rendimentos das 50 por cento mais pobres. Para os últimos, o crescimento dos rendimentos foi débil ou nulo no período em análise. Creio que estes dados espelham bem o tremendo desequilíbrio em que se vive. As desigualdades económicas são em grande medida determinadas pela distribuição da riqueza, seja ela pública ou privada. Ao longo das últimas cerca de quatro décadas observou-se, em praticamente todos os países, ricos ou emergentes, uma tremenda transformação da riqueza pública, ALGARVE INFORMATIVO #143
na medida em que muita foi transferida para a esfera privada por intermédio das privatizações. Deste modo, enquanto a riqueza nacional (pública e privada) cresceu substancialmente, a pública tornou-se negativa ou próxima do zero em muitos estados desenvolvidos, originando contextos em que as dívidas soberanas são superiores aos ativos. Esta situação limita a capacidade dos governos, nos meios mas não nas políticas, de investir de forma efetiva na redução das desigualdades. Com os estados debilitados no seu papel redistributivo, a progressão das diferenças sociais e económicas tem campo fértil para continuar. A riqueza privada, cada vez mais concentrada num número muito restrito de agentes, aumentou exponencialmente, passando de 200/350 por cento do rendimento nacional dos países ricos, em 1970, para 400-700 por cento nos dias de hoje. O estudo vai mesmo mais longe ao afirmar que a combinação entre as privatizações em larga escala com o aumento das desigualdades de rendimentos potenciou a concentração da riqueza. Pelo expresso, os autores entendem de uma forma muito clara que as privatizações representaram uma transferência de grande envergadura da riqueza pública para o domínio privado, tendo como consequências o reforço dos mercados, o empobrecimento dos estados, a fragilização do estado social e o crescimento das assimetrias. Ciência ou ideologia? O importante é que o debate se faça, pois as desigualdades não são números, nem realidades abstratas e longínquas mas pessoas de carne e osso que vivem ao nosso lado . O relatório global do estudo encontra-se disponível no seguinte endereço: http://wir2018.wid.world
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OPINIÃO
Otários Augusto Lima (Cozinheiro, Formador e Consultor)
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vida, por vezes, faz-te de otário, Mas vais agradecer porque um dia, preparado, farás o contrário. Não és um corsário, não vives só pelo salário. Porque és da integridade. Da verdade, seu comissário, fiel depositário. A ouvir rádio, enquanto conduzia, chegou um Rap com boa dicção que me fez trautear esta quadra, que serviu de mote a esta crónica. 1.ª história: O Homem, cozinheiro, havia chegado da Suíça. E lá já se jogava noutro campeonato. E havia regras e cumpriam-se. De novo em terras lusas, retornado inconformado, procura trabalho naquilo que sabe fazer: Cozinhar. E vai daí, no final do seu primeiro dia de função em Hotel de cidade, munido de água e sabão, força e esfregão, após o serviço de jantar, limpa o seu pedaço de cozinha e de chão, como estava habituado e era obrigação. E todos pararam a ver tal desmedido ato e fitaram-no com aflição. Do fundo, surge o Xefe e bem juntinho ao ouvido segreda: Você é mas é um grande otário! Deixese disso! A senhora da copa serve para quê? Vai daí, resolve jamais limpar como achava e lhe foi ensinado o seu pedaço de cozinha e de chão que imundo ficou como os demais e pensa agora retornar aonde era valorizado e aprendeu a trabalhar. Grande otário! 2.ª história: Profissional de cozinha, sonhador, tinha um ideal antigo: Ser um bom profissional. O tempo passou. Ele trabalhou, trabalhou, limpou, varreu, deu Horas, comprou artigos para a cozinha poder trabalhar, com dinheiro dele, que não tinha. Esperou, esperou para receber. Palavras mansas, bonitas ao princípio, com juras de contrato e ordenado apalavrado, promessas de certezas e de sonhos para conquistar. Passa o Verão e promessas em vão. E um dia, ausenta-se por necessidade e de acordo com o Patrão, que na sua ausência, muda e dispõe e na volta lhe diz – já cá não trabalhas. E foi, gritando de raiva, sem conseguir provar
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nada e sem o seu dinheiro receber e ninguém lhe poder valer. Grande otário! 3.ª história: Senhora prendada, de pé ligeiro e trabalho fluido, trabalha, trabalha e trabalha. Mais de oito, mais de dez, às vezes com intervalo, outras não, para comer (mal, só de olhar) e fumar, o parceiro de infortúnio. E lá andou três e mais três meses, com um dia de folga quando calha, pronta e ignorando os bicos de papagaio e os calos que lhe moem o corpo. E na hora de passar a efetiva, o patrão, perdão, lambão, ignora o bom e muito trabalho a custo de tostão e despede-a sem hesitar pois já arranjou outra para mais três contratos durar. Grande otária! 4.ª história: Profissional de Cozinha, maduro, contactado para fazer brilhar um novo projeto com predicados vínicos e iguarias sem igual, trabalhou, se envolveu, opinou e comentou, conforme lhe foi pedido. Concordou em trabalhar sem contrato porque não havia ainda razão e número social, e sem descontos, que até tinha pensado fazer em nome próprio. Mas concordou porque acreditou nas pessoas. E o tempo passou e um dia, por ter dito a verdade sobre a cozinha concluída (um assunto que havia pedido sem sessar que nele pudesse opinar), foi chamado e ultimado sobre o fim da sua colaboração. E saiu sem receber tão pouco o vencimento do mês e outas compensações porque pessoas há que continuam que pensam que tudo podem fazer. E contínua à espera que uma luz clarividente caia sobre o ex-patrão e um milagre se realize. Grande otário! E é destes otários que uns vão vivendo, pisando e comendo papas e bolos em cabeças que continuam a acreditar que é daquela vez que vão acertar, até porque lhes parecem tão boas pessoas, educadas, cultas, com muito dinheiro até. Mas dinheiro não compra a verdade, a honestidade, a integridade. E até parece que quanto mais aldrabões, desonestos, ricos são, mais mal fazem e prosseguem sem lesão .
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AUTARQUIA DE ALCOUTIM ATRIBUI CARTÃO SOCIAL A FAMÍLIAS CARENCIADAS
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Câmara Municipal de Alcoutim vai apoiar 32 famílias carenciadas do concelho com a atribuição do Cartão Social, que assim beneficiarão, ao longo de 2018, de um conjunto de regalia em vigor. A iniciativa integra-se no âmbito de uma política social centrada na melhoria das condições de vida da população, em especial dos agregados familiares que se encontram em situação de maior vulnerabilidade social, e na criação de instrumentos que possam diminuir carências e ajudar a inverter dinâmicas de exclusão social. De acordo com o previsto no regulamento em vigor do Cartão Social, a sua atribuição confere aos respetivos titulares o direito a serem apoiados pelo Município de Alcoutim na aquisição de bens e serviços em que este seja fornecedor, designadamente através da redução em 50 por cento do pagamento das taxas, tarifas, preços e licenças, devidas pelo utente. Confere ainda o direito a usufruírem da aplicação do tarifário social nos serviços de abastecimento de água, saneamento de água residuais e gestão de resíduos urbanos. O apoio está aberto a todos os residentes no concelho há pelo menos um ano que estejam recenseados numa das ALGARVE INFORMATIVO #143
freguesias e que comprovadamente possuam um rendimento abaixo de uma capitação anualmente fixada para o efeito. O cartão é válido por um ano, renovável por igual período a requerimento do interessado. As candidaturas decorrem no Gabinete de Ação Social, Saúde e Educação da Câmara Municipal, durante os meses de novembro e dezembro .
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LAGOS QUER GEMINAR-SE COM O MUNICÍPIO DE KSAR EL KEBIR
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Câmara Municipal deliberou, na sua última reunião pública de janeiro, propor à Assembleia Municipal de Lagos a celebração de um Acordo de Geminação entre o Município de Lagos e o Município de Ksar El Kebir (Reino de Marrocos), considerando que são dois municípios inequivocamente relacionados pelo seu passado comum de enorme relevância para ambos. O Acordo de Geminação tem como objetivo principal o desenvolvimento de vínculos permanentes entre ambos os Municípios, conducentes ao aprofundamento do conhecimento das identidades culturais locais, em termos de tradições, costumes, memória histórica e património, ao intercâmbio de atividades e eventos culturais, patrimoniais e artísticos e à participação conjunta em projetos de interesse comum. A decisão foi tomada considerando vários fatores, nomeadamente o facto de Lagos ter sido a cidade sede dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa em África, iniciada em Marrocos, e de onde partiram as tropas comandadas pelo Rei D. Sebastião para a Batalha de Alcácer Quibir ou de Oued El Makhazen; ou ainda o facto de Ksar El Kebir ter sido uma das principais cidades da resistência marroquina às Praças-forte portuguesas em Marrocos, de onde saiu o exército que fez frente ao exército português na Batalha de Alcácer Quibir ou de Oued El Makhazen, e que acolheu o
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corpo de D. Sebastião após a sua morte (posteriormente entregue às autoridades portuguesas de Ceuta). Em suma, Lagos e Ksar El Kebir partilham um passado comum, com base na figura do Rei D. Sebastião e dos eventos da Batalha de Alcácer Quibir ou de Oued El Makhazen, cuja memória sombria se pretende transformar num futuro relacionamento de cooperação. Neste sentido, é partilhada pelos dois Municípios a vontade de aprofundar laços de amizade, de cooperação e de solidariedade e darem notoriedade aos respetivos territórios, através da promoção de experiências que contribuam para o bem-estar e a qualidade de vida das populações. Existe igualmente o entendimento da Cultura e do Turismo, em ambos os Municípios, como importantes fatores de desenvolvimento, de competitividade e diferenciação, e o facto de terem a perceção da estratégica importância do património histórico-cultural na promoção de um desenvolvimento integrado e sustentável . ALGARVE INFORMATIVO #143
ATUALIDADE
CÂMARA DE LOULÉ HOMENAGEIA CAMPEÕES DO CENTRO DE CICLISMO DE LOULÉ E CLUB BTT TERRA DE LOULÉ semelhança do que tem acontecido com diversos desportistas e clubes do Concelho, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, recebeu os atletas e representantes do Centro de Ciclismo de Loulé e do Club BTT Terra de Loulé para um reconhecimento público pelas recentes conquistas alcançadas. Relativamente ao Centro de Ciclismo, a equipa de Cadetes alcançou o título de Campeã Nacional, para além dos títulos individuais, numa prova que decorreu no Velódromo Nacional na Anadia. O clube conquistou prémios em quatro categorias: Omnium – Quatro Corridas (1.º classificado Tomás Viegas Martins e
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2.º classificado Manuel Casado); Perseguição por Equipas (1.º classificado com Tomás V. Martins, Tomás C. Martins, Manuel Casado e Tiago Costa); Scratch (3.º classificado Tomás V. Martins) e Corrida por Pontos (1.º classificado Manuel Casado). O clube louletano alcançou quatro pódios, três primeiros lugares, dois atletas com título de Campeões Nacionais, um Vice-Campeão, sendo que a equipa arrecadou também o prémio de Campeã Nacional na Perseguição por Equipas. Já o Club BTT Terra de Loulé sagrou-se Campeão Nacional de Ciclocross 2018, em Melgaço. Daniela Campos e Diogo Neves são os dois Campeões Nacionais desta vertente para o escalão de Cadetes. Pela sua 78
particularidade em relação às bicicletas, uma equipa reduzida que participou em duas provas da Taça de Portugal antes de se deslocar a Melgaço para disputar a prova que atribuiu os títulos de Campeão
Nacional foi constituída por Daniela Campos, Diogo Neves, Márcio Peralta, Rafael Serafin, Rodolfo Serafin, Filipe Francisco, Andreia Freitas, Valério Ferreira, Manuel Vitorino.
LOULÉ CRIATIVO PROPÕE PASSEIO PELAS AMENDOEIRAS EM FLOR E ATELIER DE DOÇARIA REGIONAL
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projeto «Loulé Criativo» associase à Casa da Tita para proporcionar um passeio no campo para apreciar as amendoeiras em flor, assim como um workshop dedicado aos doces regionais algarvios, no dia 17 de fevereiro, das 9h às 17h. Pretende-se que os participantes testemunhem o encanto do interior do Concelho de Loulé na época das amendoeiras em flor e que aprendam a confecionar os tradicionais bolinhos de amêndoa, assim como os 79
queijinhos de figo e amêndoa tão apreciados na região e produzidos desde há muito neste Município. Esta é uma oportunidade para experimentar um agradável passeio no campo, seguido de uma atividade gastronómica. O participante poderá conhecer o ciclo do tratamento da amêndoa e desfrutar de um almoço na Nave do Barão, saboreado num espaço único, rodeado pela beleza da Natureza .
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MONCHIQUE ESTEVE NO MAIOR CERTAME DE TURISMO GASTRONÓMICO DE ESPANHA
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19.° Salão Internacional de Turismo Gastronómico decorreu recentemente em Ourense, na vizinha Espanha, tendo este ano Portugal como país convidado. Durante cinco dias, as atividades em torno da Gastronomia são muitas e com variadas experiências culinárias, mostras e degustações asseguradas pelos 270 expositores e os 15 restaurantes presentes, representando ao todo 12 países. “Este certame representa a fidelidade entre os dois países, Portugal e Espanha, na afirmação do Turismo Gastronómico de qualidade e que é já hoje uma marca identificadora deste território”, entende o diretor da feira, Alejandro Rubín Rui André, Presidente da Câmara de Monchique, que por ocasião deste certame foi distinguido a título particular como confrade da Confraria Gastronómica Luso-Galaica, que realizou o seu Capítulo no dia 31 de janeiro, confirmou que a aposta estratégica do seu concelho no Turismo Gastronómico é, “acima de tudo, uma forma de valorizar e divulgar um saber e cultura local que resulta numa oferta diferenciadora pela qualidade dos produtos e sua especificidade”. “A nossa participação neste evento é também uma forma de ampliar as linhas de cooperação entre estes dois países cujos fluxos turísticos são cada vez mais importantes para ambos, assim como uma abertura e relacionamento com outros países participantes”, acrescentou o edil.
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O presidente da Câmara Municipal de Monchique não tem dúvidas de que a gastronomia é muito mais que uma simples arte culinária, sendo, sim, “um importante veículo da cultura popular, marcado pela forma como ainda hoje vive o homem da serra num perfeito encontro entre a natureza e as suas maiores riquezas”. Este produto turístico é cada vez mais responsável pela atratividade do território deste concelho do barlavento algarvio, mas a presença de Monchique na feira pretendeu também divulgar produtos como o Turismo de Natureza, o Turismo Cultural e o tão conhecido e também já promovido na Galiza, Turismo de Bem-Estar, com o Termalismo que em Ourense também representa uma especificidade local, por ali se realizar a maior feira de Termalismo a nível mundial . 80
CLÁUDIA COELHO VENCEU CONCURSO DE PINTURA E DESENHO «SILVES PELA PAZ»
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láudia Coelho foi a grande vencedora do Concurso de Pintura e Desenho «Silves pela Paz». O trabalho da jovem de 19 anos, intitulado «Silves», foi selecionado de entre sete dezenas de participantes e será transformado em selo a utilizar pela Câmara Municipal de Silves no envio da sua correspondência postal em 2018. Delfim Mariano, de 19 anos, arrecadou o 2.º e 3.º lugares, respetivamente, com os trabalhos «Cidade da Paz» e «Paz de Silves». Atendendo à semelhança das idades dos vencedores, e por forma a abranger as diversas faixas etárias participantes, o júri do concurso decidiu ainda premiar três categorias gerais, de acordo com a idade dos participantes. Assim, a sala dos cinco anos do jardim-escola João de Deus, de 81
São Bartolomeu de Messines, venceu a categoria «Criança» (trabalho sem título). Zlatka Mihaylova, de Silves, será premiada na categoria «Jovem» (trabalho sem título) e o Pólo de Educação ao Longo da Vida de Silves será premiado na categoria «Sénior» com o trabalho «Pombo com ramo de oliveira». O júri deste concurso foi composto pela vereadora da Juventude Luísa Conduto Luís, pelo chefe de Divisão de Educação, Desporto, Juventude e Ação Social Jorge Ponciano e por Hélder José, artista plástico conhecido por «Bambi». O concurso «Silves pela Paz» foi lançado pela autarquia silvense no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Paz, tendo todos os trabalhos sido expostos nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Silves entre os dias 2 e 31 de janeiro . ALGARVE INFORMATIVO #143
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MUNICÍPIO DE SÃO BRÁS APOIA ASSOCIAÇÕES LOCAIS COM 340 MIL EUROS
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m 2018, o Município de São Brás de Alportel reforça o apoio às associações locais, com um aumento global de ajudas na ordem dos seis por cento em relação a 2017. Por reconhecer o movimento associativo como motor fundamental no desenvolvimento e dinâmica da comunidade, a autarquia são-brasense partilha, assim, com as associações locais cerca de 20 por cento do valor que recebe ao nível das transferências correntes por parte do Orçamento Anua do Estado. Nesse sentido, numa sessão que teve lugar no Salão Nobre da Câmara ALGARVE INFORMATIVO #143
Municipal, no dia 31 de janeiro, teve lugar a Cerimónia de Assinatura de Protocolos de Colaboração com um conjunto de associações locais que, dada a sua atividade regular relevante, em matéria de formação desportiva cultural e/ou de apoio à comunidade, merecem um apoio regular estabelecido em contrato programa. O conjunto destes apoios globaliza um valor de 340 mil euros, que visam apoiar: Associação de Agricultores de São Brás de Alportel; Associação Cultural Sambrasense; Associação Cultural e Recreativa Escola de Música Sambrasense; Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de 82
São Brás de Alportel; Bike Clube de São Brás; Associação para o Desenvolvimento dos Desportos de Duas Rodas em São Brás de Alportel (BLASIUS); Casa do Benfica de São Brás de Alportel; Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de São Brás de Alportel; Clube de Artes Marciais de São Brás de Alportel; Clube de Caça e Pesca; Grupo Desportivo e Cultural de Machados; Associação de Defesa e Proteção dos Animais Abandonados «Coração100Dono»; Rancho Típico Sambrasense ; Santa Casa da Misericórdia – Museu do Traje; Sociedade Recreativa 1.º Janeiro; e União Desportiva e Recreativa Sambrasense. Com este investimento, o Município pretende aumentar a oferta de atividades ao dispor da população, incrementar a
formação cultural e a fruição dos bens culturais, incrementar a formação desportiva e os hábitos de vida saudável, melhorar as infraestruturas do município e potenciar a sua utilização, promover a dinâmica associativa do concelho e promover a integração sociocultural dos indivíduos. Após a cerimónia, decorreu uma reunião alargada a todas as associações locais, bem como a todas as associações regionais e nacionais sediadas no concelho – que ascendem, neste momento, a mais de meia centena – com o objetivo de coordenar o calendário anual de atividades a realizar-se no município e de dar a conhecer aquelas que são as linhas mestras da estratégia cultural do município para 2018 e as principais regras e condições para o apoio às associações .
SILVES APUROU SETE ESTUDANTES PARA A SEMIFINAL DO SPEAK OUT CHALLENGE
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o âmbito do Speak Out Challenge foram apurados, no concelho de Silves, sete estudantes que irão participar na semifinal a realizar no dia 1 de março, na Escola E.B. 2,3 Dr. Garcia Domingues. Dirigido a estudantes do 3.º ciclo, com idades entre os 14 e os 16 anos, o Speak Out Challenge (Falar em Público) é um projeto promovido pela Associação Prime Skils e engloba uma formação (workshop) sobre como falar/discursar em público e um concurso para selecionar os melhores oradores de cada escola do concelho e, posteriormente, das escolas envolvidas no projeto. 83
Promover competências de argumentação e oratória é um dos principais objetivos deste projeto, que conta com o apoio financeiro da Câmara Municipal de Silves, sendo a E.B. Dr. Garcia Domingues e a E.B. João de Deus (São Bartolomeu de Messines) as escolas participantes do concelho. Os alunos do concelho de Silves apurados para a semifinal do Speak Out Challenge são: Escola E.B. Dr. Garcia Domingues - Mariana - 9.º B; Beatriz - 9.º E; Carolina - 9.º E; Rodrigo - 9.º D; Amina - 9.º E. Escola E.B. João de Deus - Mara - 9.º B; André - 9.º A .
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ATUALIDADE
VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO VAI TER NOVOS POLIDESPORTIVOS
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Câmara Municipal de Vila Real de Santo António vai dar início à requalificação da área envolvente ao Complexo Desportivo, dando nova vida à entrada sul da cidade. A operação integra a construção de dois novos polidesportivos com bancadas e balneários (um semicoberto e outro descoberto) - que substituirão os atuais, atualmente em situação de degradação bem como o arranjo paisagístico do local. Ao mesmo tempo, será instalada neste espaço uma unidade comercial na área do retalho, colmatando a falta de equipamentos deste género naquela área. O valor total do investimento ascende aos 2,3 milhões de euros e permitirá a criação de 40 novos postos de trabalho ALGARVE INFORMATIVO #143
diretos, assim como a contratação de mãode-obra local durante a fase de construção. “Esta obra irá beneficiar não só a população, mas também todos os clubes, associações e atletas, que ganham novos espaços de treino e novas sedes com condições de excelência”, defende Conceição Cabrita, presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António. Em contrapartida à instalação da unidade comercial, será ainda construído um terceiro polidesportivo no final da concessão, a que se juntam outras contrapartidas que permitirão um encaixe financeiro ao município. As obras terão a duração de quatro meses e deverão arrancar ainda esta semana, gerando novas dinâmicas económicas e desportivas no concelho .
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GRUPO HPA SAÚDE VAI TER HOTEL DE LUXO EM ALVOR
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om méritos reconhecidos no setor da construção, tanto a nível nacional como internacional, a construtora Gabriel Couto é a responsável pela construção de mais um hotel de luxo no Algarve. De facto, depois do êxito alcançado com a construção do MAR Shopping Algarve, o segundo centro comercial da IKEA Centres em Portugal inaugurado junto a Loulé, a Gabriel Couto foi convidada pelo Grupo HPA, através da sua participada Hotel Salus SA, para construir o «Longevity Health & Wellness Hotel». Com a assinatura do atelier «Vitor Vilhena Arquitectura», a nova unidade hoteleira, uma aposta inovadora do Grupo HPA Saúde em parceria com a «Longevity Wellness Worldwide», será o primeiro projeto do promotor em hotelaria de saúde e bem-estar, único e diferenciado, através da marca «Longevity Health & Wellness Hotel». O novo hotel vai ser edificado na aldeia turística de Alvor, que apresenta uma simbiose perfeita entre a tranquilidade da
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praia e a tradição da pesca. Usufruindo de uma localização privilegiada, o «Longevity Health & Wellness Hotel» constitui um novo e arrojado empreendimento turístico de quatro pisos acima do solo, uma cave e uma subcave, cuja área de construção total é de sete mil e 500 metros quadrados O hotel será constituído por 70 unidades de alojamento e aposta no turismo ligado à saúde e ao bem-estar, um segmento mundial crescente de pessoas que procuram conjugar as suas férias com soluções de relaxamento, revitalização e regeneração da saúde, reequilíbrio do corpo e da mente e, no geral, na prevenção da doença e manutenção do capital de saúde. A infraestrutura inclui, entre outros equipamentos, um SPA/Welness de aproximadamente mil e 500 metros quadrados de área, incluindo área médica, uma sala multiusos com capacidade audiovisual, restaurantes, sala de chá, uma piscina localizada no último piso com vista para a baía de Alvor e um conjunto de espaços verdes que proporcionarão aos seus clientes agradáveis momentos de lazer .
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ATUALIDADE
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a manhã do dia 7 de fevereiro, um cenário fictício de acidente com uma aeronave testou, à escala total e em tempo real, a capacidade resposta interna e externa a um acidente aéreo grave no Aeródromo Municipal de Portimão. Mais de uma centena de operacionais, entre eles elementos dos Bombeiros, do Serviço Municipal de Proteção Civil, da Autoridade Nacional de Proteção Civil, da Cruz Vermelha Portuguesa, militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), técnicos do Instituto Nacional de ALGARVE INFORMATIVO #143
Emergência Médica (INEM) e de diversas unidades orgânicas da autarquia, entre outros, suportados por um total de 53 meios técnicos envolvidos neste exercício, testaram o Plano de Emergência Interno do Aeródromo, previsto no Plano de Atividades do Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC) de Portimão e, simultaneamente, validaram operacionalmente o Plano Prévio de Intervenção da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), que enquadra a resposta regional externa a um acidente deste género nesta infraestrutura aeronáutica.
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O exercício denominado «Aero Portimão´18» que durou aproximadamente três horas e teve como cenário o despenhamento de uma aeronave à entrada da pista de aterragem do aeródromo, na qual seguiam 20 pessoas a bordo e, no momento da colisão com o solo, a aeronave ainda possuía 1.600 litros de combustível no depósito. Da queda resultou um incêndio, destroços dispersos com várias vítimas encarceradas e três mortos, dez feridos graves, quatro feridos leves, tendo três sinistrados saído ilesos. A partir deste cenário foram tomadas as devidas providências e testadas as capacidades de resposta dos diversos elementos e entidades que concorrem para as operações de proteção e socorro num
acidente desta natureza, passando pelos procedimentos de alerta, mobilização e despacho até à plena operacionalização do Sistema de Gestão Operações (SGO) numa intervenção em situação de exceção. Finda a simulação, foi unânime o balanço positivo por parte de todos os intervenientes, enaltecendo a pertinência e oportunidade deste exercício para, não só rotinizar e aperfeiçoar procedimentos, mas sobretudo para identificar limitações ou constrangimentos que possam ser supridos no futuro, estando ainda marcadas reuniões setoriais de avaliação ao longo dos próximos dias. O exercício culmina com uma sessão de lições aprendidas, no dia 21 de fevereiro, nas instalações do Centro Municipal de Proteção Civil e Operações de Socorro de Portimão .
PORTIMÃO INCENTIVA COLETIVIDADES DO CONCELHO A ADOTAREM MEDIDAS DE AUTOPROTEÇÃO
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o dia 23 de fevereiro, o Município de Portimão, através do Serviço Municipal de Proteção Civil, dinamiza uma ação de informação, sensibilização e esclarecimento sobre a correta implementação das medidas de autoproteção em edifícios, junto de todas as coletividades. A iniciativa conta com o apoio e participação da Autoridade Nacional de Proteção Civil e decorrerá a partir das 21h, no quartel dos Bombeiros de Portimão, nas instalações do Serviço Municipal de Proteção Civil. A ação surge no âmbito de um trabalho interno que se encontra já no terreno, por técnicos da autarquia, com vista ao levantamento da situação dos 87
licenciamento dos espaços que desenvolvem atividades culturais e desportivas, no qual se solicitará às coletividades a resolução de quaisquer situações de inconformidade identificadas e que apresentem uma situação de perigo iminente para edifícios e utilizadores em geral. A autarquia portimonense encontrase disponível para apoiar os edifícios e equipamentos que se encontrem em situação de maior risco ao nível da proteção civil e pretende, com esta ação especial, dinamizar uma campanha de prevenção, estando a iniciativa aberta à participação de todos os dirigentes de coletividades do município .
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ATUALIDADE
DRCALG PROMOVEU CURSO DEDICADO AO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL
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ealizou-se, de 15 a 29 de janeiro, no auditório da sede da Direção Regional da Cultura do Algarve, um Curso Breve dedicado ao Património Cultural Imaterial, repartido em cinco dias úteis, com a coordenação científica de Carla Almeida, docente na ESGHT/UAlg, tendo como objetivo dar a conhecer os procedimentos a desenvolver para a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI) das manifestações do património imaterial da região. O curso contou ainda com a participação de diversos especialistas com trabalho já desenvolvido nesta matéria Ana Rosa Sousa (Museu Municipal de Loulé); Emanuel Sancho (Museu do Traje de São Brás de Alportel); Laura Carlos (investigadora e proponente para a inventariação da Festa da Pinha - Estoi a Património Cultural Imaterial); Vítor Pina (fotógrafo); Maria Manuel Valagão (investigadora); e Maria do Céu Baptista
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(consultora cultural da Mútua dos Pescadores), que introduziram estudos de caso concretos e demonstraram a relação entre a dimensão científica e teórica e a realidade prática destas manifestações patrimoniais. O número de interessados nesta formação foi grande, o que levou a que se limitasse a 45 o máximo de inscrições. Reuniu-se, assim, um público diversificado de académicos e outros sectores da sociedade, entre os quais alunos de mestrado de várias universidades nas áreas da Comunicação, Património e Arquitectura; Centros de Investigação da UAlg; colaboradores dos museus da região; empresas de turismo; autárquicos; Associações Culturais; CCDR; para além de formandos que vieram de outras regiões do país (Sines e Porto). A motivação desta entidade para a promoção do conhecimento do Património Cultural Imaterial, a sua valorização e salvaguarda tem associado a expectativa de que esta temática adquira novas dinâmicas. A inventariação das manifestações culturais do Algarve é uma das formas de dar a conhecer a riqueza cultural de que esta região é detentora, fator relevante não só para a salvaguarda das mesmas, mas também como valorização da região como polo de atração de visitantes interessados pela cultura local .
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ESTUDANTES DE OLHÃO LIMPAM SALINAS DA ZONA POENTE DA CIDADE
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uma iniciativa do Município de Olhão e da Ambiolhão decorreu, na manhã do dia 8 de fevereiro, uma ação de limpeza das salinas localizadas na zona poente da Avenida 5 de Outubro, junto ao estaleiro municipal, levada a cabo por alunos dos 8.º e 9.º anos do Agrupamento Alberto Iria. Esta ação de caráter ambiental consistiu na limpeza dos resíduos sólidos e contou com a participação de cerca de 350 alunos, que contribuíram, assim, para a despoluição daquela zona junto à Ria Formosa. A atividade, da iniciativa dos próprios jovens, insere-se na atuação da rede SOS 4 Love (www.sos4loveproject.com), um Projeto de Ação Global que encoraja 89
estudantes e professores a, através do poder do amor, intervir e agir de forma prática na busca de soluções para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU). A limpeza levada a cabo por este grupo de alunos olhanenses tem como referência o objetivo n.º 14 da iniciativa da ONU, que se prende com a conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Esta iniciativa não foi isolada e contempla ainda ações de consciencialização ambiental junto dos jovens de Olhão nos desfiles de Carnaval, bem como palestras sobre problemas ambientais nas salas de aula noutras escolas do município . ALGARVE INFORMATIVO #143
ATUALIDADE
EUROPEAN MUSEUM FORUM ESCOLHE MUSEU DE PORTIMÃO PARA PRIMEIRA REUNIÃO DE TRABALHO EM 2018
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Museu de Portimão foi o local escolhido pelo EMF – European Museum Forum para a realização, no dia 23 de fevereiro, da sua primeira reunião de trabalho em 2018. O EMF é a associação europeia responsável, desde 1977, pela organização dos dois mais importantes e prestigiantes prémios da museologia europeia, designadamente o prémio Museu Europeu do Ano (EMYA) e o prémio Museu Conselho da Europa (CoE). A direção desta associação é composta por nove membros de cinco países (Dinamarca, Reino Unido, Itália, Áustria e Portugal), presidida por Jette Sandahl e onde se incluiu o Diretor Cientifico do Museu de Portimão, na qualidade de Presidente do Júri do EMYA, desde 2015.
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Esta será a primeira vez que os órgãos diretivos desta associação se reúnem em Portugal, optando pelo Museu de Portimão, equipamento inaugurado em 2008, com várias distinções e menções honrosas, entre elas o prémio «Museu Conselho da Europa», em 2010 e, no ano seguinte, «DASA Mundo do Trabalho 2011». Representando esta opção o reconhecimento internacional que o Museu de Portimão já possui, a reunião do EMF tem como principal objetivo a preparação e organização da próxima conferência «Inovação nos Museus Europeus» e da cerimónia da atribuição do Premio Museu Europeu do Ano, a ter lugar nos dias 10,11 e 12 de maio, no Museu POLIN, em Varsóvia/Polónia .
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VILAMOURA ATLANTIC TOUR 2018 COM PRIZE MONEY DE 870 MIL EUROS
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ilamoura recebe a 16.ª edição do Vilamoura Atlantic Tour, entre os dias 13 de fevereiro e 1 de abril. O maior evento equestre europeu apresentará cerca de mil e 200 cavalos, entre os quais 200 portugueses, decorrendo na pista que acolhe mais provas internacionais na Europa: o Vilamoura Equestrian Centre. A edição de 2018 do Vilamoura Atlantic Tour dá um passo decisivo na sua afirmação como um dos mais importantes eventos equestres da Europa, ao receber um número recorde de cavalos participantes. Ao longo de seis semanas, pelas quais se vão repartir os 870 mil euros de prémios, serão disputadas 24 provas pontuáveis para o ranking da Federação Equestre Internacional. O circuito estará dividido em duas partes, com a primeira a acontecer entre 13 de fevereiro e 12 de março. Depois de uma semana de pausa, a competição regressa ao Vilamoura Equestrian Centre a 20 de março, para terminar no dia 1 de abril. Além das rondas tradicionais, o Vilamoura Atlantic Tour recebe ainda provas de cavalos novos, com as finais a disputarem-se na quarta semana de 91
competição. “O Vilamoura Atlantic Tour é o momento mais importante do ano para o desporto equestre nacional e um dos eventos de maior relevo na modalidade a nível internacional”, salienta António Moura, CEO do Vilamoura Atlantic Tour, acrescentando ainda que “o Atlantic Tour
não é apenas um evento equestre, mas um importante agente económico, pois dinamiza o Algarve através do turismo num época considerada baixa”. O impacto económico do evento na região está estimado em 21 milhões de euros, contando com vários milhares de visitantes que terão um impacto direto nas dormidas nos alojamentos algarvios, mais de 100 mil ao longo das seis semanas de competição, assim como nos restaurantes e restante comércio da região .
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SÃO BRÁS DE ALPORTEL ALARGA REDE DE ECOPONTOS SUBTERRÂNEOS
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rede de contentores subterrâneos de São Brás de Alportel continua a ser ampliada, constituindo um dos eixos de ação prioritários das políticas ambientais do Município. Neste momento, está em fase de conclusão a mais recente obra de instalação de contentores subterrâneos, nomeadamente oito ecopontos para deposição seletiva e seis oleões, num investimento na ordem dos 131 mil e 856 euros, que contou com financiamento comunitário mediante uma candidatura aprovada ao Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos (POSEUR). Este tipo de equipamentos permite uma maior capacidade de armazenamento de resíduos recicláveis, adotando um sistema mais higiénico, com menor libertação de odores e maior qualidade de vida para a população. Cada novo ecoponto tem capacidade para armazenar 13 mil litros de resíduos recicláveis (cinco mil litros para papel, cinco mil litros para plástico e três ml litros para vidro). Cada oleão tem capacidade para 120 litros. ALGARVE INFORMATIVO #143
Os ecopontos de superfície entretanto substituídos serão instalados em outras partes do concelho, aumentando assim claramente a capacidade e comodidade para a deposição seletiva de resíduos, num gesto da maior importância para a defesa do meio ambiente. O Município de São Brás de Alportel promove desta forma as condições para o aumento da adesão da população à deposição seletiva de resíduos, de modo a
contribuir para a redução de resíduos encaminhados para aterro, ampliando a sua valorização e redução, claros contributos para o alcance das metas de reciclagem estipuladas no PERSU (Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos) 2020. A recolha seletiva porta a porta no domicílio, que o município está a disponibilizar aos residentes no centro histórico de São Brás de Alportel, é outro exemplo de ações desta estratégia . 92
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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina
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