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ALGARVE INFORMATIVO #129

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ALGARVE INFORMATIVO 21 de outubro, 2017

FILHO DA TRETA esgotou Teatro das Figuras CENTRO HOSPITALAR UNIVERSITÁRIO DO ALGARVE | SETE ANOS DE LAMA 1 ALGARVE INFORMATIVO #129 «A VINGANÇA» DE MIGUEL MADEIRA | O PESO DA COMUNICAÇÃO NA POLÍTICA


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CONTEÚDOS ARTIGOS

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14 - Envelhecimento Ativo 20 - 7 Anos de LAMA 30 - Comunicação na Política 38 - «A Vingança» de Miguel Madeira 46 - Centro Hospitalar Universitário do Algarve 56 - «Filho da Treta» em Faro 78- Atualidade

OPINIÃO 64 - Paulo Cunha 66 - Paulo Bernardo 68 - José Graça 70 - Adília César 72 - Nelson Dias 74 - Augusto Lima

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REPORTAGEM

LOULÉ DEBATEU ENVELHECIMENTO ATIVO Texto:

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nserido nas comemorações do Dia Internacional das Pessoas Idosas, a Câmara Municipal de Loulé promoveu, nos dias 12 e 13 de outubro, um Encontro e uma Feira subordinados à temática do envelhecimento ativo e saudável. O objetivo foi refletir sobre as principais tendências demográficas, suas consequências e soluções para um envelhecimento saudável e com ALGARVE INFORMATIVO #129

Fotografia: dignidade. Nesse sentido, o auditório da Escola Secundária de Loulé acolheu, ao longo do dia 12, um coletivo de vários especialistas que debateram as políticas de apoio ao envelhecimento ativo e perspetivaram um futuro onde se viva com qualidade física, mental, afetiva e social. Na sessão de abertura do Encontro, Margarida Flores, Diretora do Centro 14


Distrital de Faro da Segurança Social, lembrou o Artigo 72.º da Constituição da República Portuguesa, onde diz que «as pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem e superem o isolamento ou a marginalização social». A responsável lamentou que, mesmo nos dias atuais, o envelhecimento seja olhado com alguns equívocos, considerando-se, por exemplo, que as pessoas idosas têm todas personalidades difíceis e são complicadas, ou que ser velho é sinónimo de ser doente, incapacitado ou pobre. “É uma verdade que a pirâmide etária que conhecemos está em acelerada e preocupante transformação, que nascem poucas crianças e que os avanços da ciência permitem uma maior longevidade, o que nos deve fazer refletir seriamente sobre este tema. Portugal vai perder população, o número de idosos vai continuar a aumentar e a população em idade ativa seguirá em sentido inverso. Por isso, há que pensar urgentemente no envelhecimento de forma estratégica”, defendeu. A Diretora do Centro Distrital de Faro da Segurança Social recordou que a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional da Pessoa Idosa em 1991, com o objetivo de sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento e a necessidade de proteger e cuidar a população mais idosa. Mais tarde, em 2002, a Declaração Política e o Plano de Madrid de Ação Internacional sobre o Envelhecimento revigoraram o consenso político em torno de uma agenda sobre o envelhecimento, enfatizando o 15

desenvolvimento, a cooperação internacional e a assistência nesta área. Novo salto no tempo e, em 2014, o Conselho da Europa emitiu orientações sobre o direito ao trabalho, à saúde, à participação e igualdade de oportunidades ao longo da vida, salientando a importância da participação dos idosos em processos de decisão em todos os níveis. No ano seguinte foi criada, em Portugal, a Estratégia de Proteção ao Idoso, que estabeleceu compromissos para implementar medidas que garantam o reforço dos direitos dos idosos. Já este ano decorreu, nos dias 20 e 21 de setembro, uma Conferência de Ministros sobre Envelhecimento, onde foi aprovada a Declaração de Lisboa que definirá as linhas orientadoras dos 56 Estados Membros da Comissão Económica da Região Europa das Nações Unidas para os próximos cinco anos. “Se, por um lado, importa encetar esforços para reequilibrar a pirâmide etária, por outro, é necessário criar condições de dignidade e conforto para os que envelhecem. Temos novos problemas e precisamos procurar novas soluções”, defendeu Margarida Flores. “Hoje, falamos de envelhecimento ativo e saudável e começamos a colocar de lado a questão da institucionalização do idoso. Está-se novamente a apostar em respostas como o serviço de apoio domiciliário, porque os idosos querem ficar nas suas casas, querem manter a sua qualidade de vida, querem ficar junto dos seus familiares, amigos e vizinhos. No Algarve, há dois concelhos onde os Centros de Dia continuam

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Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve, e Margarida Flores, Diretora do Centro Distrital de Faro da Segurança Social

ocupados a 100 por cento, os outros estão a ficar vazios”. Os tempos são, de facto, de repensar o que tem sido feito até à data, porque, conforme referiu Margarida Flores, “todos queremos viver muito tempo, mas não queremos ficar velhos”. “O envelhecimento pode ser uma potencialidade para o Algarve, vemos isso junto da comunidade estrangeira, que gosta do nosso sol, da nossa gastronomia, do nosso estilo de vida. E se tivermos cá mais idosos, precisamos de pessoas habilitadas para cuidar delas, que vão viver no Algarve, que vão ter os seus filhos a estudar no Algarve”, sublinhou a Diretora do Centro Distrital de Faro da Segurança Social, antes de deixar umas ALGARVE INFORMATIVO #129

propostas de pensamento para a Rede Social. “O que é para mim o Envelhecimento Ativo? Qual a importância da família? E da figura do «cuidador»? Nos últimos anos, devido à crise que o país atravessou, muitas famílias foram buscar os seus idosos aos lares porque precisavam da reforma deles. Voltaram a ter os idosos em casa e ressurgiu o fenómeno da violência sobre o idoso, uma pessoa frágil, completamente dependente”, alertou.

VIVER É ENVELHECER Seguiu-se a intervenção do presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve, que de imediato disse que 16


“viver é envelhecer”. “O viver mais anos é um grande desafio para a sociedade, para todos os subsistemas, públicos ou não, para a economia, para as famílias. É uma situação que começa a colocar alguma pressão nas sociedades, sendo necessário criar cada vez mais serviços para dar resposta às necessidades das pessoas”, confirmou Paulo Morgado, avisando, contudo, que os cuidados com o envelhecimento não devem começar apenas quando essa fase da vida está ao virar da esquina. “Uma pessoa é muito mais do que o número de dias em que está vivo. Ninguém está livre de ter problemas de saúde, familiares ou financeiros e a idade é somente mais uma característica que define a nossa globalidade”, justificou. Para Paulo Morgado, começamos a envelhecer no dia em que nascemos, motivo pelo qual o trabalho necessário para se viver mais anos, e com qualidade, deve principiar logo durante a gravidez. “O que uma mulher come durante a gravidez, como é a sua vida, o stress a que está sujeita, tudo é importante. Depois seguese a infância e a adolescência, fases críticas que têm consequências na forma como as pessoas chegam a velhos. E ser ativo é fundamental para termos qualidade de vida”, enfatizou o orador, acrescentando que a ARS Algarve tem um conjunto de respostas dirigidas às pessoas sobre esta importante matéria. “Uma das consequências de termos mais pessoas idosas é termos, também, por exemplo, mais pessoas com demências e o nosso sistema de saúde e de segurança social não tem respostas específicas em quantidade suficiente para esse problema. É possível fazer muita coisa, temos várias 17

armas para ajudar as pessoas, mas o contato humano com técnicos especializados é fulcral, assim como o apoio das famílias. Acredito que será possível desenvolver, em Portugal, um conjunto de estruturas para este grupo de cidadãos com necessidades específicas”. De volta ao início da questão, ao «viver é envelhecer», o presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve abordou a importância de se ter uma alimentação saudável desde tenra idade e lamentou que a sociedade moderna esteja a ser contaminada com hábitos de consumo desadequados, mercê de uma publicidade agressiva por parte da indústria alimentar. “Numa região onde temos uma alimentação mediterrânica, que até é considerada Património Imaterial da Humanidade, constatamos o aumento do número de obesos, mesmo nos jovens e nas crianças. É obrigação de todos nós preocupar-nos com isso, porque o açúcar e o sal adicionados nos alimentos têm um impacto muito sério nas chamadas doenças crónicas que agravam os problemas que a idade já de si traz”, apontou Paulo Morgado. A encerrar a sessão de abertura do primeiro encontro sobre envelhecimento ativo no concelho de Loulé, Vítor Aleixo destacou a preocupação da sua equipa autárquica com as políticas direcionadas para as pessoas e para a coesão social. “Há um olhar sistemático, atento e planeado, com políticas diferentes dirigidas aos vários segmentos que compõem a nossa comunidade. Temos uma vasta ALGARVE INFORMATIVO #129


Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, com o ex-vereador João Martins

equipa de técnicos bem apetrechados para lidar com as questões dos mais idosos, porque é na dimensão local que as coisas verdadeiramente acontecem, ou não”, referiu o presidente da Câmara Municipal de Loulé. “Acreditamos que estamos no bom caminho, refletimos, aplicamos medidas, os órgãos funcionam, não reúnem por reunir. As IPSS são convocadas para o CLAS, construímos políticas em diálogo com as instituições e os resultados começam a aparecer. Temos que viver dignamente desde o dia em que saímos do ventre materno até ao dia em que os nossos restos mortais são devolvidos à terra. Infelizmente, na sociedade moderna, o modo como a economia funciona é pouco amigável da vida em família, mas devemos dar aos idosos tempos de vida gratificantes e dignos”, reforçou o edil louletano. ALGARVE INFORMATIVO #129

Terminadas as intervenções institucionais, houve depois lugar a várias mesas redondas, onde estiveram em foco assuntos como «Serão as cidades espaços amigáveis para as pessoas idosas?» e «Envelhecimento, Saúde e Bem-Estar», para além das oficinas temáticas «Alimentação para um envelhecimento saudável» e «Yoga do riso – O riso é mesmo bom para a saúde?». No dia 13 de outubro, o Parque Municipal de Loulé foi palco da Feira de Envelhecimento Ativo, com jogos tradicionais, exposição de brinquedos, beleza e imagem, promoção da saúde, teatro, música e yoga ao dispor dos visitantes .

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ENTREVISTA

LAMA

HÁ SETE ANOS A CRIAR CULTURA NO ALGARVE… E NÃO SÓ Foi a 11 de outubro de 2010 que nove amigos criaram o Laboratório de Artes e Media do Algarve, ou LAMA, como é mais conhecido, com o objetivo de criar produções culturais na sua região. Sete anos depois, João de Brito é um dos poucos resistentes do grupo de fundadores, mas o LAMA continua bastante ativo e com diversas produções a ir a cena de norte a sul do país, com o farense a reunir os profissionais mais indicados para que cada projeto tenha sucesso. Texto:

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arense de nascença, mas a residir em Lisboa há vários anos, João de Brito nunca cortou o cordão umbilical com a região onde cresceu e se tornou ator e onde continua a desenvolver diversos projetos artísticos. Aliás, nesta semana em concreto, deu aulas de «Movimento, Improviso e Voz» nos polos de Faro e Portimão da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, realizou duas sessões do «Pangeia», em Lagos e fez ensaios, em Faro, para uma peça no âmbito do «365 Algarve», antes de regressar a Lisboa para gravar cenas para uma novela. No meio de toda esta azáfama está, desde há sete anos, o LAMA – Laboratório de Artes e Media do Algarve, uma associação cultural que acaba por ser, na hora da verdade, uma companhia de teatro, com sede em Faro. “Normalmente o catalisador é aquele que tem vontade de fazer tudo e, por vezes, consegue transmitir essa energia e euforia para outras pessoas, que ajudaram bastante no arranque do LAMA. Depois, como é natural, alguns foram saindo porque têm as suas vidas pessoais e profissionais, enquanto a minha vida é mesmo esta, as artes. Crio os projetos de espetáculos e oficinas e eles acabam por aceitar as minhas propostas”, explica João de Brito, à conversa no Jardim da Alameda, em Faro. A decisão de rumar a Lisboa acabou por ser natural para quem pretendia viver apenas da cultura, nomeadamente da representação, mas isso não significa, como se referiu, que tenha voltado costas ao Algarve. “Sou um bocado nómada porque há muitos assuntos que tenho que tratar presencialmente, mas Lisboa possui uma oferta que Faro, ou o Algarve, ALGARVE INFORMATIVO #129

dificilmente consegue ter. Há poucas estruturas profissionais, não há uma produção televisiva, faz-se pouca coisa na área da publicidade. Ou criamos espetáculos, ou damos aulas de Expressão Dramática ou Corporal. A animação em hotéis direcionada para turistas foge um pouco à minha estética. Falta massa crítica no Algarve”, analisa João de Brito, embora reconheça que o cenário está bem melhor do que há sete anos, aquando do 22


nascimento do LAMA. “Na altura falamos com todos os nossos amigos para se tornarem sócios anuais, o que nos facultou o orçamento de arranque, depois organizávamos oficinas e tirávamos uma percentagem das receitas para os projetos seguintes. Mais tarde, conseguimos umas coproduções com algumas estruturas mais consolidadas e o Teatro das Figuras também nos adquiriu um espetáculo”, recorda.

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Os anos foram avançando a um ritmo acelerado e, mais recentemente, o LAMA venceu um apoio criativo da Rede Azul – Rede de Teatros do Algarve para conceber e levar a cena a peça «Leôncio e Lena», bem como outro apoio do «365 Algarve» para o espetáculo «Carripana», mas o entrevistado destacou igualmente os apoios financeiros que a Câmara Municipal de Faro recomeçou a dar às associações do concelho em 2015. ALGARVE INFORMATIVO #129


“Fazemos tudo de forma profissional e só avançamos para espetáculos quando há orçamento para os concretizar”, frisa, confirmando que, nos tempos modernos, é normal as associações criarem projetos não apenas com a «prata da casa», mas recorrendo a freelancers que reúnam as características pretendidas. “Não estamos num sistema ditatorial. Delegamos funções mas, inevitavelmente, as coisas começam a não aparecer feitas e assumimos nós as tarefas porque temos vontade que os projetos arranquem rapidamente. Contudo, preciso sempre de pessoas para a cenografia e o desenho de luz e de atores para me acompanharem em palco, noutras situações apenas trato da encenação. Já não é, de facto, aquele grupo de amigos que começou com esta ALGARVE INFORMATIVO #129

brincadeira que, entretanto, se tornou algo bastante sério”. Prova disso é que «Leôncio e Lena» e «Carripana», as produções mais recentes do LAMA, andaram de uma ponta à outra de Portugal e é esse caráter itinerante que seduz João de Brito. “Tenho sempre comigo as bandeiras do Algarve e de Faro, mas queremos chegar ao máximo de pessoas possíveis com os nossos espetáculos”, sublinha o entrevistado, naquele que é mais outro contraste com o antigamente, em que as associações normalmente só levavam a cena as peças de teatro nas suas próprias sedes. “O panorama mudou completamente. As associações têm a obrigatória 24


morada fiscal que, por vezes, é a própria casa do responsável, mas a maioria não tem uma sede. A Câmara Municipal de Faro conseguiu atribuir espaços físicos a muitas associações, mas não consegue dar vasão a todas. Se procurarmos, toda a gente está disponível para ajudar e a Associação Recreativa e Cultural Os Músicos tem sido um parceiro incrível do LAMA. Acima de tudo, não devemos ter vergonha do trabalho que estamos a desenvolver e de enviar as propostas para os Teatros. As estruturas têm todo o direito de responder com aquele e-mail estandardizado a dizer que a programação já está completa, mas pode haver quem esteja interessado e tem sido assim que o LAMA tem aberto portas por aí fora”.

PENSAR SEMPRE COM OS OLHOS POSTOS NO FUTURO Esta filosofia nómada, itinerante, faz com que João de Brito forme as equipas com os profissionais mais adequados a cada projeto, ao invés de ter um corpo residente como era tradição nas companhias de teatro de outros tempos. E profissionais de qualidade existem no Algarve, garante o responsável pelo LAMA, simplesmente não na quantidade desejável, o que torna as escolhas mais complicadas, nomeadamente no que respeita aos atores. “São todos meus amigos e gosto bastante deles mas, se tiver vários projetos no Algarve, acabaria por repetir rostos se limitasse as minhas opções à região. O fundamental é que o grupo seja bom para que o trabalho se desenvolva com êxito”, entende, sem esconder uma ponta de orgulho pelo LAMA ter diversas peças em cena em simultâneo. E algumas

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não se limitam ao teatro puro, como é o caso de «Novo_Título Provisório», uma criação de João de Brito e Yola Pinto que participará no Festival de Dança Contemporânea de Évora, no dia 25 de outubro. Projetos que saem, invariavelmente, da cabeça do farense, e essa nunca está parada, com as ideias a surgirem constantemente, passando depois para rascunhos no papel, antes de se tornarem mais consistentes. E isso também acontece porque, ao contrário do que muitas pessoas possam pensar, nunca os teatros portugueses estiveram tão dinâmicos como agora. “O Teatro Nacional D. Maria, por exemplo, já está a programar 2019 e, se calhar, o segundo semestre. Os equipamentos culturais mais ativos já têm o ano de 2018 completamente fechado, portanto, temos que trabalhar com bastante antecedência. Quando são cinco ou seis criativos numa companhia é mais fácil, no caso do LAMA é uma ginástica brutal, porque há projetos que continuam no terreno e tenho que pensar logo noutros para o futuro”, refere João de Brito. O lado chato desta realidade é que nada se faz sem apoios, o que obriga uma pessoa a estar a conceber projetos com um ano ou dois de antecedência sem saber se, depois, consegue reunir os fundos financeiros necessários para os concretizar. “Já estou a alinhavar um projeto que possa concorrer à terceira edição do «365 Algarve» e vão abrir agora os apoios nacionais da Direção Geral das Artes, aos quais nos vamos candidatar pela primeira vez, mas que ALGARVE INFORMATIVO #129


implica que o LAMA tenha um calendário bianual”, indica João de Brito, respondendo que ter público nas salas de teatro depende do carinho com que os espaços abraçam os projetos. “Estive agora em Lagos com o «Pangeia», integrado no Festival Azul da Casa Branca, e as duas sessões estiveram cheias, porque eles trabalham muito bem e esmifram-se ao máximo para divulgar as coisas. Não basta programar e colocar três cartazes nas paredes a anunciar os espetáculos”, alerta. Confrontados com esta realidade, os diretores artísticos das companhias de teatro acabam por ter que assumir papéis que, à partida, não seriam da sua responsabilidade, mas sim das estruturas que adquirem os espetáculos. “Estive sozinho durante um tempo, agora tenho duas produtoras – Joana Ferreira e Daniela Sampaio – que me ajudam nos afazeres burocráticos, mas continuo a mandar propostas para os equipamentos culturais, a fazer promoção, a reunir as faturas para enviar para a contabilidade. É um trabalho na penumbra que ninguém vê mas que tem que ser feito e que, pior do que isso, choca com a parte criativa. É muito duro, mas estamos quase todos na mesma situação. Hoje em dia, não há praticamente nenhum diretor artístico que não comande todo o barco, mesmo aquelas vertentes que fogem à vertente artística", reconhece João de Brito. Múltiplas facetas mas o salário permanece o mesmo, confirma o entrevistado com um sorriso, o que obriga os homens e mulheres da cultura a dividirem-se em diversos projetos em simultâneo para conseguirem viver apenas ALGARVE INFORMATIVO #129

daquilo que realmente gostam. “Eu vivo do LAMA, mas não só, estou envolvido noutros projetos. E temos que lidar com a eterna burocracia de levarmos um espetáculo a cena e depois mandar a fatura e ficar à espera que nos paguem. No entretanto, como é que pagamos a percentagem às produtoras e os cachets aos atores? Temos que gerir uma série de coisas mas, quem corre por gosto, não cansa”, revela, sem se arrepender de ter optado por uma carreira na Cultura e de se ter mudado para Lisboa. “Às vezes fico desmotivado quando o trabalho do LAMA não é devidamente valorizado ou avaliado seriamente, mas o sentimento passa, nunca esteve em causa fechar a associação”, garante. E como o LAMA está para ficar, que novidades teremos em 2018, questionamos. “Temos um projeto pensado sobre autores poetas algarvios que mistura música com poesia. Outro será o «Insuflável», para a infância, uma metáfora sobre o crescimento cujo texto funcionará em jeito de improvisações. Outro que tem estado na gaveta há algum tempo é o «Seattle», sobre o movimento grunge do início dos anos 90, com os Pearl Jam, Nirvana, Alice in Chains, Soundgarden e outros. Na altura estavam fechados numa garagem e não queriam ser conhecidos, mas dava-lhes jeito serem famosos para ganharem a vida, mesmo não gostando da fama”, adianta João de Brito em fim de conversa, porque a semana era agitada e era tempo de se meter, mais uma vez, à estrada .

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ENTREVISTA

COMUNICAÇÃO: UMA FERRAMENTA IMPORTANTE, MAS PERIGOSA, AO SERVIÇO DA POLÍTICA O CIAC e a Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve organizaram, no dia 13 de outubro, um seminário sobre Política e Comunicação, a cargo de Álvaro Americano. A conversa incidiu sobretudo sobre a realidade brasileira, mas permitiu perceber, igualmente, que a comunicação e a política andam de mãos dadas há largos séculos como forma de influenciar a opinião e os atos das populações.

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Anfiteatro Paulo Freire da Escola Superior de Educação e de Comunicação, no Campus da Penha da Universidade do Algarve, encheu por ocasião do Seminário «Política e Comunicação», da responsabilidade de Álvaro Americano e promovido em parceria com o CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação. Formado em Jornalismo e Mestre em Comunicação e Cultura, Álvaro Americano está atualmente a tirar o Doutoramento em Comunicação, Cultura e Artes, na Universidade do Algarve e do seu vasto currículo destacam-se a experiência como repórter cinematográfico da TV Globo e repórter do Jornal «Tribuna de Minas». Desde 1990 que é professor do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Juiz de Fora, no Brasil, onde leciona as áreas de ALGARVE INFORMATIVO #129

Radiojornalismo e Telejornalismo. É também docente e vice-coordenador da Pós-Graduação de TV, Cinema e Mídias Digitais e professor na Pós-Graduação de Jornalismo Multiplataforma. Nos últimos anos tem desenvolvido a sua investigação na área dos cinejornais brasileiros, mas a palestra que proferiu perante uma plateia de futuros jornalistas abarcou o papel da comunicação desde tempos longínquos. “O poder sempre esteve ligado à comunicação através dos mitos e dos símbolos, bastando olhar para o exemplo das legiões romanas. Transmitiam a imagem de serem extremamente bem organizadas, uma verdadeira máquina de guerra, com uniformes brilhantes e estandartes. Quando venciam as batalhas, faziam grandes desfiles em que exibiam as riquezas que tinham conquistado, mas 32


também os escravos e os generais que tinham derrotado”, apontou Álvaro Americano. Depois das vitórias, os romanos implantavam o seu modo de vida nos territórios conquistados, de tal forma que as populações pensavam que a sua situação até tinha melhorado, outra forma do poder utilizar a comunicação para seu proveito. Este impacto visual do poderio militar e a forma como ele influenciava os mais fracos foi utilizado por outras nações e regimes políticos, nomeadamente pela Alemanha Nazi de Hitler, pela Itália Fascista de Mussolini, pela Rússia e pela Coreia do Norte. “Com o avançar dos tempos, os exércitos praticamente deixaram de se enfrentar nos campos de batalha, mas esta forma de dissuasão continua a ser utilizada pelos regimes totalitários. Funciona menos para o público externo, mas conserva o seu impacto no plano interno”, julga o professor. Álvaro Americano lembrou, igualmente, que o poder da informação esteve, durante muito tempo, na posse da Igreja, porque eram os seus copistas que iam reproduzindo as grandes obras da época. “A desvantagem é que ela só deixava ler o que tinha a ver com a fé católica e, pior do que isso, quando os copistas não concordavam com o que estava escrito, alteravam os textos de acordo com o que era mais interessante para a Igreja”, referiu, adiantando que este cenário se alterou aquando da invenção da impressão por Gutenberg. “Claro que o primeiro livro que ele imprimiu foi a Bíblia Sagrada”, acrescentou, com um sorriso. Outro nome abordado nesta viagem ao 33

passado foi Napoleão Bonaparte, para quem, mais importante do que qualquer grande vitória, era conquistar a opinião pública. “Além de um génio militar, foi um génio da propaganda”, concedeu Álvaro Americano, passando a falar de alguns monumentos que estavam associados aos triunfos militares, à religião e ao poder simbólico: as Pirâmides dos Faraós, no Egito; o Arco do Triunfo, em França; o Portão de Brandemburgo, na Alemanha; a estátua da batalha de Iwo Jima, na segunda guerra mundial, nos Estados Unidos da América; a estátua de Lenine, na Rússia; o Coliseu de Roma, em Itália; até a estátua do Tiradentes, no Brasil. “As sociedades precisam de mitos, de heróis, mas, normalmente, eles não são bem aquilo que nós imaginamos que eles são. São pessoas como nós, de carne e osso, que fazem coisas boas e más, contudo, em determinados momentos, verifica-se essa necessidade de se ter um herói, alguém que inspire os outros”.

IMPRENSA ESTÁ NA MÃO DOS PODEROSOS Aludindo à obra «1984» de George Orwell, Álvaro Americano partilha da opinião de que, quem controla o passado, também controla o presente, porque conta a história da maneira que mais lhe convém. Esta situação normalmente é espelhada, por exemplo, por via de monumentos e dos nomes das ruas, o que permite identificar facilmente os momentos marcantes da história de determinado país. “Cada vez que há uma revolução, há um novo

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recontar da história, que se pode traduzir na mudança dos tais nomes das ruas e pelo derrube dos monumentos que simbolizavam o regime anterior”, explicou. Chegando rapidamente à imprensa, o antigo jornalista da TV Globo trouxe para a palestra o nome de Thomas Jefferson, um dos fundadores dos Estados Unidos da América que, em 1787, afirmou preferir ter jornais sem governo do que um governo sem jornais, considerando a imprensa como o grande sustentáculo da democracia. Duas décadas depois, contudo, reconheceu os perigos das falsas notícias, da falsa informação, que chega à população para servir os interesses de terceiros. “Na altura disse que estava mais bem informado aquele que não lia jornais, do que aquele cujo espírito estava repleto de falsidades e erros. Ele sabia que não adiantava apenas ler o jornal, era preciso saber «ler» o jornal”, sublinhou Álvaro Americano. “Hoje, não é suficiente vermos os noticiários na televisão, há que confrontar as ideias. Não podemos acreditar em tudo o que nos é transmitido. Infelizmente, a informação não é a base da democracia, porque a imprensa está na mão de pessoas poderosas. Quanto aos golpes, são feitos pelas classes ricas, que não querem que as classes menos favorecidas tenham benefícios; e são apoiados pelos meios de comunicação e pela classe média que, de repente, vê os mais pobres a terem uma vida melhor. O povo nunca faz revoluções, entra a meio, vai atrás e, geralmente, é quem mais sofre com elas”, disparou. Já em conversa com o Algarve Informativo depois de terminado o ALGARVE INFORMATIVO #129

seminário, houve tempo para analisar o recente fenómeno da internet e das redes sociais, onde a comunicação se confunde facilmente com propaganda quando utilizada em períodos eleitorais, como se verificou há poucas semanas nas Eleições Autárquicas de 2017. “Neste momento ainda não existem estudos concretos do impacto que as redes sociais têm realmente sobre as pessoas porque vivemos em «bolhas» na rede, com indivíduos que têm uma visão mais ou menos semelhante à nossa. A rede social nos meios de comunicação parece ser um meio democrático de atuar na política, mas precisamos ter mais experiência sobre este assunto para tirarmos maiores conclusões”, considera Álvaro Americano. O professor voltou, entretanto, a chamar a atenção para a importância das pessoas saberem «ler» o que lhes chega através dos meios de comunicação. “Existem representações da verdade, lados da verdade, possibilidades que podemos entender que sejam verdadeiras ou não. Quando houve o golpe no Brasil, em 2016, as primeiras informações que recolhemos dos jornais portugueses e franceses transmitiram a visão de uma presidente de um partido extremamente corrupto que estava a ser deposta do poder. Depois, os jornalistas brasileiros independentes começaram a utilizar as redes sociais para dizer que aquilo não correspondia à verdade e percebemos que, afinal, saiu uma presidente que tinha um compromisso com o país e com o bem-estar social”, descreveu o entrevistado. 34


À conversa com o antigo jornalista, perguntamos que efeitos a crise que o setor da comunicação social atravessa tem na liberdade dos jornalistas, no jornalismo de investigação, no jornalismo sério, isento e independente. “A comunicação social sempre foi controlada pelos donos das empresas e as reportagens de investigação só surgiam quando eles davam essa possibilidade e quando isso servia os seus interesses. Atualmente, com a existência dos blogues e de outros meios de expressão por via da internet, temos que pensar em novas maneiras de se fazer essa investigação. Penso que todos concordamos que os jornais estão em crise precisamente porque perderam a credibilidade, por falta do jornalismo de investigação”, respondeu. O futuro passa, então, por mudar o chip, por não contar mentiras, ou inverdades, 35

porque elas são rapidamente desmascaradas graças à abundante informação que circula livremente pela internet. Por outro lado, Álvaro Americano lembra que a imprensa sensacionalista não é um fenómeno dos tempos modernos e que a desgraça e o fait-divers sempre tiveram mais leitores. “O problema é que ainda pensamos que os jornais não são um reflexo da sociedade. Se as pessoas não quisessem ler essas notícias, não compravam os jornais. Se os consumidores não tivessem essa vontade mórbida de ver o mal, os acidentes e a morte, isso não estaria nos jornais. Mas acredito que a maioria das pessoas quer ver informação, notícia, algo que faça a diferença no seu dia-a-dia, daí que os jornais tenham perdido a sua credibilidade e se vão divorciando, aos poucos, da sociedade” .

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ENTREVISTA

DEPOIS DE «OBSESSÃO»,

«VINGANÇA» É O NOVO LIVRO DE MIGUEL MADEIRA Após a estreia com «Obsessão», Miguel Madeira tem um novo policial pronto a ser lançado no mercado, desta feita «Vingança», mais uma história cativante que nos prende às páginas e que volta a ter a cidade de Loulé como palco principal. E ideia para um terceiro livro já existe, bastando haver tempo para se sentar com calma para lhe dar corpo, mas isso é uma história para outra altura… Texto:

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ão é uma sequela pura, mas há pontes que unem «Obsessão» e «Vingança», o novo livro de Miguel Madeira que vai para o mercado no dia 3 de novembro, mais uma vez sob a chancela da Chiado Editora. De facto, o policial de estreia do venezuelano radicado em Loulé desde criança tinha um final aberto e que dava a possibilidade para um futuro seguimento da narrativa. “A «Vingança» encerra esta história que tem novamente a cidade de Loulé como pano de fundo e, mais uma vez, deixo a porta aberta para mais tarde retomar o tema, se assim o quiser. É criada uma nova

personagem, o Inspetor Ângelo Simões, cujas aventuras poderei voltar a contar, caso tenha disponibilidade, arte e engenho para tal”, explica Miguel Madeira, à conversa durante um café matinal no centro de Loulé. Sem querer desvendar o que vem por adiante, o autor conta que Ângelo Simões foi um antigo inspetor da INTERPOL com um passado vivido em França, mas há também uma personagem de «Obsessão» que se mantém em «Vingança» e que, sem ser um ator principal, colaborou em ambas as investigações, podendo dar origem a aventuras próprias. “A ideia é criar um conjunto de pessoas em torno das quais estes enredos se vão desenvolvendo e que, consoante o feedback que vou recebendo dos leitores, podem ganhar uma maior peso noutros livros. Eu não escrevo para mim, quero que os outros me leiam, sujeito-me às suas críticas, positivas ou negativas, e isso funciona como uma mola impulsionadora para que continue a escrever”, salienta, lembrando que, como praticamente ninguém vive da escrita em Portugal, só prossegue esta carreira quem realmente tirar prazer da caminhada. Diz também uma velha máxima que só ficamos totalmente realizados quando tivermos um filho, plantarmos uma árvore e escrevermos um livro, mas escrever não é, de facto, um ato isolado para Miguel Madeira, é um bichinho que o acompanha deste pequeno e que

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vai ganhando forma à medida que a vida profissional o permite. “Ideia para um terceiro livro existe, mas o tempo é, realmente, uma condicionante para mim. Ao longo dos anos tenho ocupado determinados cargos públicos, uns por nomeação, outros por concurso, que me absorvem por completo o tempo quando os estou a desempenhar. Quando, por qualquer razão, cesso essas funções, regresso à Câmara Municipal de Loulé e há uma maior disponibilidade para retomar esta paixão que é a escrita”, descreve. Uma paixão levada muito a sério mas que dificilmente poderá passar de um hobby, pois apenas alguns autores conseguem sobreviver com os proveitos das vendas dos seus livros. Isso não significa que não encare a escrita com um extremo rigor, até porque os policiais e os thrillers são estilos literários bastante competitivos e onde é fácil fazer-se comparações com nomes mais consagrados. “Eu corro contra mim próprio e procuro fazer sempre melhor do que no passado. No anterior livro cometi algumas pequenas falhas, que são naturais numa estreia, e também houve 41

quem considerasse a obra demasiado extensa para um policial. Desta vez consegui reduzir, ficou com menos de 400 páginas, um tamanho que permite contar a história sem perder a necessária densidade dos diversos personagens”, aponta, não negando que tem uma vaidade muito grande na terra onde cresceu e vive, Loulé, e que serve de palco ao enredo dos seus livros. “Há alguns detalhes desta cidade que quero ALGARVE INFORMATIVO #129


perpetuar e volto a falar do Café Calcinha e do Café Delfim em «Vingança». Cito certas vivências em que tenho tido o privilégio de participar e que, se não forem registadas, acabarão por ficar no esquecimento. É um registo para memória futura de uma cidade que tem particularidades muito próprias”. Publicar um livro que, não sendo um bicho-de-sete-cabeças nos tempos modernos, envolve custos avultados, ainda mais numa época em que as editoras não pretendem assumir todos os riscos e exigem que os autores cubram parte das despesas, umas vezes à priori, outras à posteriori, através da aquisição de um determinado número de exemplares. “Eu escrevo pelo prazer de escrever, abordo a história da forma como me dá mais gozo e depois coloco-me à apreciação das diversas editoras para as quais envio os originais. Infelizmente, cada vez há menos editoras a apostar em autores menos conhecidos, mas a Chiado Editora voltou a acreditar no meu trabalho e o apoio que me dá até é mais significativo do que em relação ao «Obsessão», pois vai publicar um anúncio numa televisão e num jornal diário nacional”, revela Miguel Madeira.

SEM RECEIO DE ENFRENTAR A CRÍTICA Por falar em «Obsessão», o autor reconhece que teve um bom trajeto em termos de vendas mas, mesmo que o balanço tivesse sido negativo, haveria sempre lugar a um segundo livro. Certo é que os autores desempenham, na atualidade, um papel mais preponderante em todo o processo de promoção e

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divulgação dos seus livros, sendo, em muitos casos, o primeiro vendedor. “Um José Rodrigues dos Santos, um Miguel Sousa Tavares ou uma Lídia Jorge não sentem esse tipo de dificuldades, mas eu não tenho a pretensão de ser nenhum deles. Quero apenas ser o Miguel Madeira porque me dá um tremendo gozo escrever, mas claro que seria extremamente interessante se pudesse dedicar-me a 100 por cento aos livros. O processo de criação é fantástico e a vida é tão curta que nada mais importa do que sermos felizes”, entende o entrevistado, garantindo que, quando está a escrever, é, de facto, um homem feliz. Processo criativo que foi bem mais rápido em «Vingança», não por ter tido mais ou menos inspiração, mas porque «Obsessão» demorou 10 anos a ver a luz do dia devido aos compromissos profissionais de Miguel Madeira. “Neste livro já tinha personagens e contexto, para além do incentivo das pessoas que me perguntavam frequentemente quando é que escrevia outro. Houve alguém que chegou ao pé de mim e me disse que tinha comprado o «Obsessão» numa apresentação que fiz numa sexta-feira e que, domingo à noite, estava todo lido, não conseguiu parar. Isto dá um gozo imenso”, recorda o escritor. «Vingança» chega ao mercado no dia 3 de novembro e é apresentado nessa mesma data na Biblioteca Municipal de Loulé, sendo que o terceiro livro deverá começar a ser escrito, de um modo mais estruturado, no início do Verão de 2018. E, como é natural, Miguel Madeira não 42


vai ficar indiferente às reações que terá com o «Vingança» e que poderão mesmo influenciar o enredo da próxima história. “Antigamente, as pessoas escreviam para si, tinham receio de enfrentar a crítica, era tudo para ser publicado a título póstumo. Eu superei esse sentimento porque, ao longo dos anos, fui escrevendo com regularidade para a comunicação social e esse medo foi desaparecendo. Contudo, escrever um livro organizado e com alguma dimensão requer um maior esforço e disponibilidade da nossa parte, o que implica uma maior possibilidade do erro estar presente”, observa. “Meto-me com paixão nas coisas de que gosto e nas quais acredito, dou o meu melhor e não fujo das críticas. Se forem positivas, ainda melhor, mas também tenho que aceitar as negativas, porque todas as pessoas têm o direito de manifestar a sua opinião”, finaliza o autor. 43

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ENTREVISTA

UM NOVO MODELO DE GESTÃO, O MESMO OBJETIVO DE SEMPRE: PRESTAR OS MELHORES CUIDADOS POSSÍVEIS DE SAÚDE AOS UTENTES O Centro Hospitalar e Universitário do Algarve foi aprovado em Conselho de Ministros no dia 20 de julho, passando a agregar os Hospitais de Faro, Portimão e Lagos, bem como o Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul e um centro de investigação ligado à Universidade do Algarve. Sensivelmente um mês e meio após a tomada de posse, Ana Paula Gonçalves, presidente do Conselho de Administração do CHUA, explicou ao Algarve Informativo o que este novo formato implica na gestão do dia-a-dia e, acima de tudo, que benefícios traz para os utentes. Texto:

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oi a 20 de julho do corrente ano que o Governo deu a luz verde para o nascimento do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), que será composto por quatro polos: duas unidades hospitalares, uma em Portimão/Lagos e outra em Faro; o Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul, situado em São Brás de Alportel; e um polo de investigação e de ligação com a Universidade do Algarve. O objetivo é aumentar a atratividade do CHUA para que possa receber mais médicos, enfermeiros e outros técnicos de saúde e, em simultâneo, reforçar a ligação à Universidade do Algarve, fortalecendo e potencializando o seu Mestrado de Medicina para poder oferecer aos profissionais de saúde uma oportunidade de crescer também no plano de investigação e, dessa maneira, criar uma estrutura hospitalar forte, atrativa e ALGARVE INFORMATIVO #129

dinâmica. O Decreto-Lei publicado em Diário da República a 23 de agosto estipula igualmente a colaboração com o Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve, criado pela Portaria n.º 75/2016 de 8 de abril, visando atingir a excelência de cuidados através do desenvolvimento da investigação, da formação e a melhoria contínua dos cuidados de saúde. Para presidir ao Conselho de Administração da nova estrutura foi nomeada pela tutela, a 1 de setembro, Ana Paula Gonçalves, que terá a seu lado, como vogais executivos, o médicocirurgião Mahomede Americano, a médica Helena Leitão, a enfermeira Filomena Martins e o economista e antigo vice-presidente da Câmara Municipal de Loulé, Hugo Nunes. E, respondendo ao que o «U» de 48


«Universitário» traz de novo em relação ao anterior Centro Hospitalar do Algarve (CHA), Ana Paula Gonçalves lembra que o Hospital e a Universidade do Algarve já vinham colaborando em diversas áreas há vários anos. “Este novo modelo permite a consolidação dessa experiência e dar uma maior visibilidade pública a uma ligação que já existia, mas que se pretende que atinja uma maior dimensão. É simplesmente o culminar de um processo que se iniciou quando foi criado o Mestrado Integrado em Medicina na Universidade do Algarve, pois, a partir desse momento, sempre demos apoio, não só no ensino médico, mas também no ensino de enfermagem e de técnicos de diagnóstico e terapêutica”, explica a entrevistada. A antiga administradora do Hospital de Faro vê com bons olhos o nascimento do CHUA, aliás, em 2010 já defendera a integração das unidades de Faro e Portimão, face às especificidades próprias do Algarve. “Somos a região mais distante dos centros diferenciados e a mais periférica de todas as regiões periféricas. Chegamos a Lisboa em duas horas e meia, mas as pessoas de Vila Real demoram apenas duas horas até ao Porto. Era preciso encontrar massa crítica e a conjugação dos esforços das duas unidades permitiria que reforçassem as suas competências, sendo certo que as populações das áreas de atração direta das duas unidades hospitalares (Faro e Portimão) devem ter a mesma tipologia de cuidados, seja em Urgência, Consulta Externa ou Cirurgia”, defende Ana Paula Gonçalves. “Não faz sentido ter ortopedia, obstetrícia, pediatria, cirurgia geral e outras valências dessa natureza em Faro e 49

“Há países que recrutam profissionais de saúde portugueses usando fatores de descriminação positiva, por isso, queremos falar com a Comunidade Intermunicipal do Algarve para sensibilizar os autarcas para o papel que eles podem desempenhar nessa maior atratividade da região”. não em Portimão. Neste momento elas ainda não existem, mas estamos a fazer um grande esforço para suprir essas lacunas. As centralizações só têm lógica nas especialidades em que é importante haver massa crítica, em que a escala é importante para se prestar um bom serviço”, acrescenta. Há, de facto, imenso trabalho a fazer para se atingir os objetivos propostos com a criação do CHUA, face à falta de profissionais de saúde que se sente um pouco por todo o país, mas Ana Paula Gonçalves não concorda com as vozes que depressa criticaram a possibilidade de deslocalização de serviços do Hospital de Portimão para o seu colega de Faro. “Sou administradora hospitalar há 35 ALGARVE INFORMATIVO #129


anos, estou no Algarve há 26 anos, e isso é completamente descabido. Os cuidados de saúde devem estar próximos dos locais onde as pessoas vivem e não tem qualquer lógica os residentes dos concelhos do extremo do Barlavento viajarem até Faro para ter resposta em determinadas áreas. É verdade que o processo de fusão fez com que alguns profissionais saíssem e o nosso papel, agora, é criar condições para recuperar os

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que saíram e atrair outros para podermos dar as melhores respostas”, afirma. Essa vontade pode esbarrar, todavia, na dificuldade em se captar profissionais de saúde, não só para o Algarve, mas para todas as regiões periféricas ou do interior, e Ana Paula Gonçalves entende que esse problema não se resolve simplesmente pela vertente

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remuneratória. “As pessoas têm que alugar casa e colocar os filhos na escola, já para não falar que essa mudança só é possível se ambos os cônjuges a puderem fazer. Há países que recrutam profissionais de saúde portugueses usando fatores de descriminação positiva, por isso, queremos falar com a Comunidade Intermunicipal do Algarve para sensibilizar os autarcas para o papel que eles podem desempenhar nessa

maior atratividade da região”, revela. “A Universidade pode ser um fator muito dinamizador neste aspeto, mas acreditamos que os municípios também nos podem ajudar”.

TRABALHAR COM E PARA AS PESSOAS A ligação formal à Universidade do Algarve é uma das novidades do novo CHUA e a integração do Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul traz consigo todo um historial de excelência e competência em áreas bastante específicas, que permitem resolver de forma mais rápida os problemas dos doentes. “Eles já eram referenciados para lá, mas a integração do CMR Sul permite-nos criar sinergias e escalas que, a prazo, se refletirão num processo de recuperação mais rápido e adequado dos utentes que carecem de reabilitação. Não quer dizer que não pudessem ser tratados nos hospitais, mas ali há uma especialização conquistada ao longo de vários anos de trabalho”, destaca. O CHUA vai ser responsável, igualmente, pelos serviços de urgência básica de Vila Real de Santo António, Loulé, Albufeira e Lagos e há vontade de melhorar e aperfeiçoar o entrosamento entre a atividade destes SUB e dos hospitais. Já o Algarve Biomedical Central é um consórcio com dois parceiros – a Universidade do Algarve e o CHUA – e tem dado boa conta de si nos poucos meses que leva de existência. “Temos todo o empenho em reforçar esse trabalho, captando mais

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“Os fundos disponíveis são os que o Orçamento Geral de Estado nos atribui, o Ministério da Saúde conhece bem a nossa situação atual e a nós cabe-nos gerir bem as verbas. Temos que olhar todos os dias para aquilo que fazemos e perguntar-nos que valor é que acrescentámos, o que é que melhorámos”. verbas em áreas como a investigação e os ensaios clínicos para alocar mais meios financeiros ao centro”, garante Ana Paula Gonçalves, admitindo que gerir todo este puzzle não é fácil. “Estamos cá há mês e meio e a nossa mais-valia é termos uma equipa boa e com muitos anos de experiência em administração hospitalar. Nestas situações há a fase de conhecer o que existe e o que está em andamento, e a fase de planear o futuro, e nós estamos mais ou menos nessa encruzilhada. O primeiro mês foi vivido a um ritmo alucinante, porque fazemos questão de ir duas vezes por semana a Portimão para nos reunirmos com as pessoas”, aponta, fazendo questão de realçar esta relação de grande proximidade entre as várias componentes do CHUA. “Foram criadas ALGARVE INFORMATIVO #129

condições para nomear os Diretores de Departamento e é com eles que vamos preparar o futuro. Antes destas nomeações, pedimos contributos a todos os diretores de serviço, técnicos coordenadores e enfermeiros supervisores para conhecermos os principais constrangimentos que sentiam no dia-a-dia e que medidas propunham para os corrigir”. É com base nessa informação recolhida que o Conselho de Administração do CHUA vai preparar o ano de 2018, mas Ana Paula Gonçalves avisa que nada se muda de um dia para o outro com varinhas mágicas. “É preciso conhecer o terreno e os meios que temos à nossa disposição, olhar para estas quatro unidades de forma integrada e criar sinergias entre elas. O nosso futuro tem que passar necessariamente por um aumento da resposta aos utentes, mas estamos a trabalhar, igualmente, nas áreas transversais dos recursos humanos, das instalações e equipamentos, das compras. Portugal continua a viver uma situação financeira complexa, portanto, há que rever e melhorar os processos, potenciando os meios disponíveis”, manifesta a presidente, falando também do desejo de se internalizar algum trabalho que, até à data, tem sido feito no exterior. Uma articulação e relação de proximidade que são fundamentais nos tempos modernos, conversando e negociando todos os dias com os pares, os funcionários e com a tutela. “Nós podemos ter ideias e saber o que se deve fazer, mas quem está no terreno 52


são as pessoas e há soluções que não são implementadas por falta de abertura da parte de quem decide. Os fundos disponíveis são os que o Orçamento Geral de Estado nos atribui, o Ministério da Saúde conhece bem a nossa situação atual e a nós cabe-nos gerir bem as verbas. Temos que olhar todos os dias para aquilo que fazemos e perguntar-nos que valor é que acrescentámos, o que é que melhorámos”, entende Ana Paula Gonçalves. A entrevistada reconhece, também, que a pressão sobre os cuidados de saúde da região aumentou bastante nos últimos anos, não só devido à forte afluência de turistas durante o Verão, mas também ao elevado número de estrangeiros que decidem fixar-se a tempo inteiro no Algarve. “Infelizmente, o modo como as famílias hoje estão organizadas não 53

permite que muitos dos nossos idosos tenham as devidas condições, nas suas casas, para não entrarem em falência. Cada vez vivemos mais anos, mas há uma altura da vida em que as pessoas precisam ser acompanhadas, na medicação que tomam todos os dias; em beber água suficiente para não ficarem desidratadas; em comer como deve ser, porque os idosos nunca têm fome”, refere, preocupada. “Penso que há condições no Algarve para se avançar com um projeto de hospitalização domiciliária, à semelhança do que o Hospital Garcia de Orta faz, porque há utentes que não precisam estar internados. Os hospitais não estão sozinhos na sociedade, não podem viver voltados para dentro, e é nessa linha de pensamento que vamos atuar, construindo respostas e soluções com as pessoas que cá estão” . ALGARVE INFORMATIVO #129


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«FILHO DA TRETA» ESGOTOU TEATRO DAS FIGURAS Texto:

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Teatro das Figuras, em Faro, esgotou por completo, no dia 14 de outubro, para assistir à peça de teatro «Filho da Treta», protagonizada por José Pedro Gomes e António Machado. Com texto de Filipe Homem Fonseca e Rui Cardoso Martins e Encenação de Sónia Aragão, a música esteve a cargo de Bruno Vasconcelos e Nuno Rafael, o Desenho de Luz foi da responsabilidade de Luís Duarte e os Figurinos são uma criação de Fernanda Ramos. Quanto à história, é simples: antigamente, a vida era uma selva; agora, a vida é uma selfie. De facto, toda a treta se dispersou e cresceu nas redes sociais e os especialistas na matéria têm tido alguma dificuldade em encontrar a genuína «Conversa da Treta». No entanto, quem é vivo sempre aparece, nada se perde e tudo se transforma e o código genético da Treta renasceu, em 2016, com o aguardado «Filho da Treta». Em palco, Zezé (José Pedro Gomes) continua a sua luta contra o bom senso, a solidariedade, o trabalho e outros conceitos primeiro-mundistas, desta vez tendo por companhia o Júnior (António Machado), que interpreta o filho de Toni, imortalizado pelo já falecido António Feio. Numa comovente irritação entre duas gerações perdidas, discutem-se as tascas gourmet, os refugiados, os paus de selfie, as novas famílias e outras pragas que assolam o mundo moderno deste saudoso bairro em vias de extinção. E a reação, ao longo de quase hora e meia, foi um constante gargalhar .

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OPINIÃO

Os novos-ricos Paulo Cunha (Professor)

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endo um estudo do Crédit Suisse (com mais de dois anos) que deu a conhecer o número de pessoas ricas em Portugal, os resultados surpreenderam-me, uma vez que se referiam a um país que ainda estava sob o efeito de uma grave crise económica/financeira e tinha sido intervencionado pela «troika» nos últimos anos. De acordo com o «Global Wealth Report 2014» daquela entidade bancária, “60% de toda a riqueza estava concentrada nos 10% mais ricos” e “quase 30% dos novos-ricos portugueses surgiram nos últimos anos”. Citava o referido estudo que para entrar nesse «clube» exclusivo dos milionários era preciso ter “mais de um milhão de dólares de riqueza líquida, ou seja, ativos financeiros mais ativos imobiliários, menos dívida”. Referia também que Portugal se encaixa num caso de «desigualdade média», encontrando-se a meio da tabela no que às desigualdades diz respeito, a par de países como Espanha, Reino Unido, França e Grécia. O jornal «The Guardian» acrescentava também que, em termos globais, um por cento da população mundial concentrava quase metade da riqueza do mundo. Ora, fazendo fé nestas análises ainda recentes, coloca-se a questão: Portugal terá assim tantos novos-ricos ou terá tido um acréscimo de gente com pretensão a aparentar sê-lo? Serão, efetivamente, novos-ricos todos aqueles que, de repente, começaram a ostentar uma riqueza nunca antes manifestada? Manter-se-á ainda em vigor a definição comummente aceite para novo-rico: “Que ou quem enriqueceu recente ou rapidamente, normalmente mantendo hábitos e gostos considerados desadequados pela classe social a que ascendeu”? Bastará «casar rico», aproveitar a conjuntura para fazer bons negócios ou herdar uma fortuna para, de repente, passar a ter comportamentos que indiciem uma conta bancária mais recheada? Inúmeras e diversificadas

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perguntas que qualquer pessoa minimamente atenta sabe responder! Confrange e entristece conviver com a mudança que o enriquecimento rápido opera no comportamento de gente que, por motivos vários, tudo faz para mostrar ao mundo que, finalmente, subiu mais uns degraus na seu almejado enriquecimento material. Sonhos de vida transformados em ambição desmedida, que levam a querer apagar o passado em nome de um presente que já antevê e projeta o futuro. Quantos de nós não temos um caso para contar no nosso círculo de conhecidos? Novo-riquismo que, tal como um vírus que se instala, minando por dentro e destruindo a capacidade de autorregeneração, transforma o «paciente» em alguém incapaz de refletir e autoanalisar as atitudes arrogantes, petulantes e ostensivas com que brinda o mundo. Seres que, não se dando conta, transformam o seu pequeno mundo no centro do mundo, pois tudo acaba por girar em função de um ego alimentado pelo seu novo status. É vulgar ouvir dizer: “Quem rico nasceu não precisa de o mostrar!” Concordo, porque a riqueza não se ostenta, educa-se e desfruta-se! Por isso vos aviso: desconfiem de quem, por tudo e por nada, propagandeia, compara e supervaloriza as suas últimas aquisições; alardeia e pavoneia as suas novas indumentárias; publicita os sítios que frequenta; refere, publicamente, quanto orçam as compras e os investimentos que faz e, finalmente, começa a achar que a vossa companhia já não é a adequada para o seu novo estatuto social. É uma «doença» que, atacando sem se ver, diagnostica-se por aquilo que faz os outros sentir. Mesmo sendo apenas rico em afetos, não me coíbo de aqui vos deixar um conselho: num tempo em que, num ápice, se fazem e desfazem fortunas, até para ser rico é preciso aprender. Assim sendo…-

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OPINIÃO

Serra do Mar Paulo Bernardo (Empresário)

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oje desci até Santos (Brasil) onde tinha uma reunião, cidade que sempre quis conhecer pois desde miúdo faz parte do meu imaginário por culpa do Rei Pelé. Atualmente, para além do futebol, tinha muita curiosidade em conhecer a cidade por causa da Serra do Mar, serra que separa São Paulo do litoral. A serra é mais fascinante ao vivo do que na imaginação, sobre Santos cidade falarei noutra altura. A serra tem uma vegetação tão densa que quase não se vê mais do que um palmo para o seu interior. Mas o que me interessava da serra era entender como um bando de loucos conseguiu ir de Santos até ao interior e chegar ao planalto que é São Paulo. Foi um trabalho árduo para estes portugueses que fizeram este caminho em conjunto com todos os povos que foram chegando e com os que já cá estavam, transformando assim uma dificuldade numa união de esforços. Mais do que nunca, a Europa deveria olhar para a sua história e recordar o que fez esta gente partir de vários países e chegarem aqui e, em simultâneo, adotarem um idioma que os une apesar de todas as diferenças culturais. A Europa vive um vazio de motivação para a união, caminhando a passos largos para a desunião. Mas voltando à Serra do Mar, gostaria que todos pudessem ver o que hoje vi e sentir a história que foi deixada por muitos para poderem chegar a um local melhor para si e para os seus. Gostaria que o mundo hoje olhasse para o Brasil como país único de mistura de culturas, de dimensão, de diversidade, um exemplo fabuloso que o mundo devia copiar. A forma como este país se mantém

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unido, tendo em conta a sua dimensão continental. Porque a Europa perde tempo a discutir burrices e não se concentra em se tornar numa verdadeira federação de estados, de maneira a que possa responder às ameaças de uma forma unida e sem preconceitos. Deveríamos analisar a história e dar uma resposta à altura para quem vai ser o futuro dos nossos países, os mais novos, mostrar de uma forma atrativa a união que fez criar estes países como o Brasil e os Estados Unidos, como o mundo era e o que fez acontecer esse movimento, o porquê da deslocação, as dificuldades que levaram à motivação. Vamos mostrar que o mundo já foi bem pior e que o caminho que se está a percorrer já fez com que o mundo tivesse duas grandes guerras. Vamos trabalhar para que os nossos jovens tenham um futuro justo. Não vale a pena grandes teorias, basta mostrar os erros que já se cometeram ao longo da nossa história. Por isso, vamos tentar que a Serra do Mar seja uma inspiração para criar motivação. E Santos, Santos é um local interessante, tem mar que me fascina e tem o Santos Futebol Clube, o meu clube no Brasil, e ali se respira futebol em todo o lado. Mostra bem porque nascem tantos bons jogadores . * Escrito desde São Paulo

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OPINIÃO Um sonho chamado região José Graça

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leitos no dia 1 de outubro, os autarcas algarvios enfrentam um conjunto de desafios que ultrapassam muito os limites territoriais das circunscrições administrativas que passam a representar e os quatro anos que detém para cumprir os respetivos mandatos e os programas eleitorais submetidos a sufrágio… Pela primeira vez, caso o projeto de decreto-lei apresentado por Eduardo Cabrita em janeiro deste ano conheça a luz do dia, os autarcas das câmaras e das assembleias municipais participarão na eleição dos conselhos diretivos das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, contribuindo assim para aprofundar a Democracia, aproximar os serviços das populações e promover a participação dos administrados, incrementando a legitimidade de órgão-chave da administração pública, reforçado com a integração de outros serviços desconcentrados do Estado. Já esta semana, os presidentes de câmara terão que decidir quem querem ver a liderar a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve e, em breve, os membros da Assembleia Intermunicipal do Algarve elegerão uma nova mesa e o(a) sucessor(a) de António Eusébio e de Miguel Freitas, como Primeiro Secretário do organismo, por proposta do Conselho Intermunicipal. Se os dois primeiros casos parecem relativamente pacíficos, prevendo-se a manutenção de Jorge Botelho e de Adriano Pimpão, no terceiro caso são muitas as incógnitas face á elevada fasquia deixada pelos antecessores… Para mais, o programa do XXI Governo Constitucional prevê reforçar as competências das autarquias locais e as suas propostas de decretoslei setoriais aguardam luz verde da Assembleia da República, após a discussão com as entidades representativas dos municípios e das freguesias. Será um parto difícil, mas deverá estar concluído a

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tempo do Congresso do Municípios, agendado para os primeiros dias de dezembro em Portimão! Segundo o preâmbulo do diploma, o reforço da autonomia local prevê não só a descentralização de competências da administração direta e indireta do Estado para as autarquias locais, mas também prevê a possibilidade de se proceder à redistribuição de competências entre a administração autárquica, fortalecendo o seu papel, valorizando a proximidade e gerindo melhor os meios e recursos públicos. E se todos podem ficar a ganhar – freguesias, municípios e entidades intermunicipais – certamente quem mais beneficiará são as populações, principalmente aquelas que estão mais afastadas dos centros de decisão e dos salões do Poder! Não sendo ainda o consagrar da regionalização administrativa consagrada constitucionalmente desde 1976 e almejada pela generalidade dos algarvios, será um aprofundamento dos processo de descentralização e um passo importante para fortalecer a participação dos cidadãos, nem que seja pelo facto das pequenas e grandes decisões que são importantes para as comunidades passarem a ser tomadas ao virar da esquina, maximizando os recursos disponíveis e poderem ser escrutinadas com outra eficácia para evitar erros, desperdícios e omissões. Havendo mais mundo para além da fronteira da freguesia e/ou do município e tempo bastante para além do horizonte do mandato, é este o momento de agarrar as oportunidades, enfrentar os desafios e começar a desenhar a futura região do Algarve! .

(Membro do Secretariado Regional do PSAlgarve e deputado eleito da Assembleia Municipal de Tavira)

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OPINIÃO Ser Pessoa Corpo, Intimidade e Poder Adília César (Escritora)

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ou uma pessoa. Tenho um nome e uma família. Cumpro as regras. Sou uma cidadã igual a outros cidadãos, peças de uma grande máquina, células de um organismo universal. Mas na verdade, o que eu sou não me define a nível individual: sou apenas body count na demografia da contemporaneidade. A minha realidade foi constantemente adaptada ao plano estruturado do espaço e do tempo onde me situo, por exigência minha, dos outros, das instituições, do sistema. Um corpo responsivo às modas e costumes, aos padrões de saúde e de beleza, ao expectável de acordo com o meu género, idade e condição. Um corpo débil, adequado e corrigido neste mundo organizado e formatado. Nasci e cresci numa casa citadina e o meu corpo foi treinado para viver entre essas paredes rectilíneas, protegido dos perigos exteriores: das alergias na Primavera, dos escaldões no Verão, da queda do cabelo no Outono, das pneumonias no Inverno; dos atropelamentos, dos raptos, dos piropos, das agressões sexuais, dos maus candidatos a marido; e de outros crimes e flagelos, tendo em conta a eminência constante dos perigos vulgares e invulgares que assolam as raparigas. Durante a minha infância, usei a casa como se fosse uma outra barriga de mãe, uma metáfora da primeira gestação, na qual o cordão umbilical permanece ligado para sempre. E a casa usou este corpo como fonte metafórica, para se alterar, ampliar, uniformizar, enquanto vivi através da interpretação dos sinais do meu corpo com base na metáfora gestacional eterna. O corpo molda-se à casa e a casa adapta-se ao corpo. A casa alimenta o corpo e o corpo comunica com ela, de modo visível e invisível. Uma zona mútua de conforto, física e psicológica. Vejo uma clareza absoluta na decoração da casa (que é como quem diz, no embelezamento da vida): a harmonia das cores, a limpeza e a eficiência energética, tudo contribui para que o meu corpo se prolongue, seco, enrugado, perplexo. No espaço e no tempo. A comunicação entre o corpo e a casa faz-se através de corredores que ligam as divisões, tornados seguros pelos acessos fechados: as janelas e as portas com trincos e fechaduras. Ferrolhos e chaves. Cortinas. Se eu me fechar, tu não poderás entrar. Mas como ALGARVE INFORMATIVO #129

poderei sair? Se não me permito olhar a escuridão, como posso ver a luz? Abro e fecho essas divisões da casa de acordo com os graus de intimidade exigidos pelas tarefas ou acções do meu corpo: a cozinha, a sala, o escritório, a casa de banho, o quarto… Nas cidades, já quase ninguém privilegia ou sequer possui quintal, jardim, varanda. O céu e as nuvens estão ali, mas são adereços inúteis, danos colaterais da nossa civilidade. O meu corpo sai da casa e entra no corpo da cidade, onde percorre as artérias que se organizam como se fossem outros corpos. Circulo numa extensão do corpo – o automóvel – e vejo outros corpos a deslocarem-se em ramificações desse mesmo sistema circulatório da cidade, como os autocarros, os comboios, os barcos. Os corpos que circulam são o sangue que alimenta a cidade. E desloco-me: Loja do Cidadão, Serviços Municipalizados, Hospitais, Bancos, Supermercados, Companhias de Seguros, Finanças, Tribunais. Anexos construídos compulsivamente no grande Edifício da Burocracia. Toda a minha vida é um sistema venoso e arterial entre a casa-corpo e as instituições-corpos, uma metáfora contínua entre o privado e o público, entre o individual e o colectivo, com uma calendarização pré-exigida para tudo e todos. O Estado vigia as minhas acções e define as fronteiras de todas essas metáforas, onde somos uma grande família portuguesa, através da língua que falamos e das leis que cumprimos. Os corpos são contados pelo Serviço Nacional de Estatística: quantos somos? Quantos trabalham? Quantos se reformam? Quantos cometem crimes? Quantos são pobres? Quantos morrem por abandono e inércia moral? Somos body count: nas filas de espera, nas mesas de voto, nas bases de dados. Somos apenas um número estatístico, uma metáfora matemática da individualidade. Estes pensamentos sócio antropológicos exasperamme. Está na hora de abrir uma janela para deixar entrar a luz. Quero escutar o meu coração, separar esses batimentos dos ruídos grotescos do coração da cidade. Afinal, é o poder do Amor que me move, o Amor que veio de longe e que agora está a morar comigo. Amo e sou amada. Sou uma Pessoa .

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OPINIÃO

O que está a acontecer com a Europa? Nelson Dias (Consultor)

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ntre as várias lições aprendidas com a devastadora II Guerra Mundial resulta a ideia de que a democracia é a única alternativa viável para a construção de um bloco de paz e prosperidade. Este consenso está, no entanto, a viver uma fase de profundo questionamento em muitos países europeus e não só. As crises económica e social despoletadas em 2008, a afirmação das políticas de austeridade, a perda de confiança nas instituições e nos regimes democráticos, o crescimento do terrorismo e as mais recentes vagas de imigrantes e refugiados, criaram um ecossistema bastante favorável à afirmação de grupos e partidos de extrema-direita, alicerçados em discursos xenófobos, racistas e nacionalistas. Densifica-se a ideia de que a Europa é o problema e que esta não é capaz de produzir soluções para enfrentar os desafios do presente. Frases proferidas por políticos como, por exemplo, “empregos britânicos para trabalhadores britânicos", "estamos em nossa casa”, “a França está em guerra”, ajudam a exaltar a política das emoções, consolidam os sentimentos nacionalistas e reforçam o discurso que explora as fragilidades das sociedades abertas, contrariando os valores comunitários, multiculturais e de tolerância que caraterizam o projeto europeu. A paisagem política no velho continente está a mudar. As últimas eleições para o Parlamento Europeu, bem como outros atos registados ao nível dos Estados Membros, deixam claro que a extremadireita cresceu e se afirmou de forma preocupante em contextos com a França, o Reino Unido, a Dinamarca, a Polónia, a Áustria, a Hungria e a Holanda. Em cada país existem nuances próprias, muito relacionadas com assuntos da vida interna de cada nação. Não falamos de um movimento organizado, pois as diferenças entre os vários grupos de extremadireita são por vezes significativas, impedindo algumas alianças estratégicas entre esses. Une-os um discurso de protesto contra as elites políticas, a defesa da identidade nacional e a crítica aos imigrantes. São partidos bastante oportunistas, de um populismo radical, que buscam nas classes menos letradas e mais

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afetadas pela crise a sua base eleitoral, perpetuando a ideia de que os estrangeiros estão a roubar os empregos e os apoios sociais do Estado. A Europa está, de fato, bastante mais frágil nos dias de hoje. O golpe mais sério foi desferido pelo «Brexit», também este realizado sob um clima de medo e suspeição face aos outros, os de fora, os estrageiros. A proliferação dos ataques terroristas, perpetrados por muçulmanos nascidos no Continente e regressados das guerras no Iraque e na Síria, tem também contribuído para a construção da ideia de que a Europa está sob a ameaça de uma invasão islâmica. Os atentados registados nos últimos quatro anos, com maior incidência em países como a França, a Alemanha, o Reino Unido e a Bélgica, visam, para além dos impactos mais imediatos, contribuir a médio e longo prazo para a desagregação do projeto europeu. Os grupos mais radicais, com ligações ao Daesh, perceberam bastante cedo que a disseminação e intensificação das ações terroristas reforçam a extrema-direita e debilitam o projeto europeu. A cada ato eleitoral realizado nos Estados Membros cresce a incerteza sobre se outro país poderá vir a seguir o exemplo do Reino Unido. O que está em causa é a desagregação da Europa enquanto bloco de paz, edificado a partir dos escombros da segunda grande guerra. Atacado por diferentes frentes, o Continente atravessa um dos momentos mais delicados da sua história recente. É preciso redefinir caminhos. A Europa dos direitos sociais, das liberdades e da abolição de fronteiras está em retrocesso acelerado. A imagem da União perdeu atratividade para os cidadãos e deixou, em grande medida, de satisfazer a esquerda e a direita partidárias. O espaço comum, enquanto projeto de prosperidade, paz e segurança precisa de chegar às pessoas, onde elas estão. A agenda tem de mudar. É necessária uma nova abordagem e políticas transformadoras. É igualmente essencial desarmar o discurso fácil dos grupos de extrema-direita, pois estas forças políticas não têm soluções para os problemas do mundo que insistem em negar .

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OPINIÃO

Quem guarda os guardiões? Augusto Lima (Cozinheiro, Formador e Consultor)

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sta ironia lembrando o poeta Juvenal, continua viva séculos passados e muito descorada em nome da qualidade e assertividade no meio laboral. Num grupo de trabalho/empresa, existe a base e o topo e, entre estes dois, os elos que fortificam a cadeia. Quando um deles é fraco, o risco da cadeia se desmoronar é real e eminente. O que fazer então? Fortificar o elo ou substituir, e aqui substituir significa retirar permanentemente da cadeia. Continuo triste em ver muitas situações de corrupção interna com acordos fraudulentos entre Diretores e Chefes de Secção, onde a inércia se manifesta na forma da acomodação e de fechar de olhos à atividade da Cozinha e da Restauração. Tenho referido amiúde que os Patrões, sendo o cimo da hierarquia, não deveriam ficar indiferentes ao processo de gestão das suas unidades, por assim não saberem das dificuldades ou mesmo de problemas que possam estar a ser ocultados. Em se tratando de grandes unidades e de mais do que uma, o uso do Diretor Operacional deve ser supervisionado pelo Diretor Geral. Dai para baixo, Chefes e Subchefes de secção e reuniões semanais devem ser o suficiente para que a gestão da unidade seja inspecionada e avaliada. Em todas as indústrias o trabalho é realizado por pessoas e são as pessoas o maior bem que a Empresa possui. Quantas vezes empregados promissores não trocam de farda pela incompreensão, inércia, má qualidade em relação aos Patrões/gestores sem que estes jamais saberão que perderam uma peça vital, porque tudo foi abafado em nome de uma péssima gestão/administração, onde se divide para reinar e se compactua com o diabo em troca de favores diabólicos?

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Quem já não ouviu a frase – Se o meu Chefe não quer saber, porque ei-de eu me preocupar? Eu nunca quis ser Chefe, porém, sempre tive perfil de líder e nunca compactuei com falinhas mansas, palmadinhas nas costas e elogios despropositados. Preconizo que seja aplicado nos Hotéis e Restaurantes um Questionário onde todos os profissionais se autoavaliassem e opinassem sobre que resultados gostariam de ver melhorados, qual a relação entre eles e as chefias e de que forma podiam ajudar. Acredito que muitos responsáveis seriam afastados, novos métodos aplicados e a procura pela excelência e qualidade encontraria um caminho seguro. Tenho ainda como dado adquirido, que um patrão/gestor jamais deverá ficar refém de quem quer que seja, Diretor, Chefe de secção, Profissional qualificado, trabalhado indiferenciado. O que fazer para isso? Tomar providências para que, numa Secção, todos saibam o que fazer e como fazer. Não deve haver segredos, quer dos procedimentos, quer das receitas. A máxima é – Que num local de trabalho, o maior número de trabalhadores saiba como proceder em relação ao dia a dia, de modo a que se produza de forma ininterrupto trabalho com qualidade. Existe uma notória falta de profissionalismos e conduta moral e odontológica da Classe de Cozinha, desde as Chefias aos dependentes e ainda do papel fulcral do que é ser Patrão/Gestor. Ninguém é igual a ninguém, todos são substituíveis. Maça podre tem que ser deitada fora, elo fraco, substituído .

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ATUALIDADE

PRESIDENTE DO INSTITUTO DA VINHA E DO VINHO SATISFEITO COM EVOLUÇÃO POSITIVA DOS VINHOS DO ALGARVE

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o âmbito de algumas iniciativas que a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve tem vindo a realizar no sentido de dar a conhecer, in loco, a realidade, mais-valias e necessidades da região nas vertentes agrícola e das pescas, o presidente do IVV – Instituto da Vinha e do Vinho, Frederico Falcão, aceitar o convite para participar num visita de um dia pelos produtores de vinho do Algarve e ficar a conhecer melhor a realidade do setor vinícola na região, sabendo-se que se trata do instituto público responsável pela coordenação geral e promoção vitivinícola em Portugal. A CVA – Comissão Vitivinícola do Algarve acompanhou a visita, que passou pela Quinta do Francês, em Odelouca (Silves), ALGARVE INFORMATIVO #129

Quinta do Barranco Longo (Algoz) e Casa Santos Lima (Tavira). Apesar de não visitar frequentemente o Algarve, Frederico Falcão garantiu estar atento à grande evolução e desenvolvimento dos Vinhos do Algarve. “O objetivo desta deslocação é tomar presencialmente o pulso do que está a ser feito, entender os problemas ou as dificuldades e perceber que melhorias se podem realizar. É essencial que isto seja feito no terreno para haver uma correta tomada de decisões”, frisou o responsável, adiantando que o Algarve tem um potencial enorme, quer em termos de quantidade, como de qualidade. “Sobretudo pela capacidade de «venda à porta» como nenhuma outra região tem, devido ao mercado turístico, e também por ter um 78


lado, que tende a ser visto como negativo, mas que eu vejo como positivo, que é o de ser ainda uma região pouco conhecida. Isso dá-lhe a capacidade de criar um percurso novo de afirmação dos seus vinhos sem qualquer ideia preconcebida”, justificou. Dentro desta linha de pensamento, o presidente do IVV destacou o “potencial fantástico para vinhos brancos de qualidade, suportados pela elevada procura no Verão, pelo que o Algarve deve ver o futuro vitivinícola com confiança, entusiasmo e ambição”. Sobre a questão do vinho estar de fora do aumento do imposto sobre as bebidas alcoólicas no próximo Orçamento de Estado, Frederico Falcão mostrou-se satisfeito com a decisão, “pois trata-se de uma batalha grande do setor que vê desta forma o reconhecimento do

governo da sua importância estratégica nacional”. Também o presidente da DRAPALG, Fernando Severino, confirmou que a viticultura no Algarve está numa fase ótima. “A plantação atual de vinhas é totalmente feita com investimento privado, o que demonstra o crescimento autónomo sem necessidade de subsídios e de forma mais sustentada e autónoma. Há ainda muito espaço e condições para o setor crescer em termos agrícolas na região, como se verifica no Sotavento Algarvio, no Barrocal e até na Serra”. O dirigente recordou igualmente que a DRAPALG acarinha de forma genuína os Vinhos do Algarve, “dando-lhes destaque em todos os eventos em que este organismo participa, desde a Feira da Dieta Mediterrânica à Feira dos Frutos Secos, passando pela FATACIL” . Fotos: Vico Ughetto/CVA

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ATUALIDADE

FERRAMENTA INFORMÁTICA FACILITA ANÁLISE DE DADOS NA ÁREA DO CANCRO E DA DIABETES

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m grupo de investigadores do Centro de Investigação em Biomedicina, da Universidade do Algarve, acaba de desenvolver uma ferramenta informática que permite o acesso e análise de grandes conjuntos de dados de expressão genética. Tendo os dados transcriptómicos assumido um papel fundamental enquanto recurso de trabalho e investigação para biólogos e para uma vasta audiência de investigadores a trabalhar em áreas como a do envelhecimento, do desenvolvimento embrionário, da diabetes, do cancro ou até mesmo de doenças ALGARVE INFORMATIVO #129

neurodegenerativas, um dos problemas encontrados continua a ser o do acesso e da demora na análise da informação. Ao criar a ferramenta «StemMapper», uma base de dados de expressão genética, o grupo de investigadores liderado por Matthias Futschik pretende facilitar a tarefa de milhares de cientistas que, diariamente, recolhem e analisam este tipo de dados. Esta aplicação permite que, antes de serem disponibilizados, os dados sejam individualmente tratados, facilitando a tarefa de pesquisa, comparação e visualização interativa aos utilizadores. Um exemplo da pertinência desta ferramenta é a descoberta de um conjunto de putativos 80


novos marcadores da linhagem dos astrócitos (células mais abundantes do sistema nervoso). A ferramenta, que acaba de dar origem a um artigo científico publicado na revista «Nucleic Acids Research» (NAR), da Universidade de

Oxford, abre caminho para novas abordagens e avanços na área da investigação em células estaminais e encontra-se disponível, gratuitamente, e para uso da comunidade científica em https://stemmapper.sysbiolab.eu.

«ÁGUAS DO ALGARVE» APOIA PROJETO DE JOVEM INVESTIGADOR

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oão Duarte Pereira Sardo, aluno finalista do mestrado em Engenharia Elétrica e Eletrónica da Universidade do Algarve, recebeu o prémio de melhor artigo para jovens investigadores, apresentado no Congresso Internacional de Engenharia e Sustentabilidade no século XXI, «INCREASE 2017», que decorreu no Campus da Penha da Universidade do Algarve, de 11 a 13 de outubro. Entre as dezenas de artigos apresentados foi premiado o Portable Device for Touch, Taste and Smell Sensations in Augmented Reality Experience, por ser considerado o trabalho científico mais inovador, consistindo num dispositivo portátil capaz de proporcionar sensações de tato, paladar e olfato numa experiência de realidade aumentada. Este trabalho está inserido num projeto de investigação desenvolvido pela Universidade do Algarve em parceria com a empresa SPIC - Creative Solutions, em Loulé, intitulado Mobile Five Senses Augmented Reality System for Museums (M5SAR), e no qual se pretende desenvolver um sistema de realidade aumentada que constitua um guia em eventos culturais, históricos e em visitas a 81

museus, complementando ou substituindo a orientação tradicional dada pelos guias, sinais direcionais ou mapas. O sistema completo consiste numa aplicação para smartphone e num dispositivo físico (aqui premiado) para ser integrado no dispositivo portátil de forma a explorar os cinco sentidos. As soluções atuais relacionadas com o aumento de experiências sensoriais consistem em grandes sistemas de hardware e estão longe de ser portáteis. Nesse sentido, o desenvolvimento deste novo dispositivo portátil é inovador, tendo já sido protegido com um pedido provisório de patente (uma parceria entre a empresa SPIC e a UAlg). O novo dispositivo implementado, embora pequeno, adiciona ao sistema de realidade aumentada as experiências do toque, cheiro e sabor, sendo suficientemente flexível para se adaptar aos diferentes tamanhos dos tablets e smartphones dos utilizadores. O BEST PAPER AWARD é financiado pela Águas do Algarve - Grupo Águas de Portugal. Quanto ao INCREaSE 2017, foi organizado pelo Instituto Superior de Engenharia da UAlg e abordou diversas temáticas no domínio da engenharia e da sustentabilidade no século XXI . ALGARVE INFORMATIVO #129


ATUALIDADE

ESCOLAS DE LAGOA DISTINGUIDAS COM O SELO «ESCOLA SAUDÁVELMENTE»

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s Agrupamentos de Escolas ESPAMOL e AERA e a Nobel International School Algarve, do concelho de Lagoa, foram distinguidos com o Selo «Escola SaudávelMente» – Boas Práticas em Saúde Psicológica e Sucesso Educativo, no âmbito da Campanha Escola SaudávelMente lançada este ano pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. As Escolas de Lagoa estão entre os 99 Agrupamentos e Escolas nacionais que receberam este reconhecimento público das suas práticas, no dia 4 de outubro, das mãos do Bastonário da Ordem dos Psicólogos, numa cerimónia que decorreu, em Lisboa, com a presença do Secretário de Estado da Educação. ALGARVE INFORMATIVO #129

As Escolas SaudávelMente foram reconhecidas pela sua orientação para o sucesso académico, apostadas em práticas para a igualdade de oportunidades, comprometidas com o desenvolvimento social e emocional dos alunos, sua aprendizagem e comportamento e com a prevenção e promoção da saúde psicológica de todos os intervenientes no espaço escolar. As dimensões avaliadas em cada escola para a atribuição desta distinção foram: a estrutura, organização e clima da Escola; a saúde psicológica e o sucesso educativo; a literacia em educação para a Saúde Psicológica; a saúde psicológica dos agentes educativos; e o envolvimento da família e da comunidade .

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AUTARQUIA DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL VAI ATRIBUIR MAIS BOLSAS DE ESTUDO PARA ACESSO AO ENSINO SUPERIOR

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bre, a 1 de novembro, o novo período de candidaturas para bolsas de estudo para acesso ao Ensino Superior atribuídas pela Câmara Municipal de São Brás de Alportel que, por considerar a educação como uma pedra basilar na edificação do futuro do concelho e da sua população, pretende proporcionar a todos os jovens iguais condições de acesso a um ensino de qualidade. Esta medida foi implementada pela primeira vez no ano letivo 2011/2012 e já apoiou individualmente 10 jovens sãobrasenses, o que corresponde, até ao momento, à atribuição de 21 bolsas de estudo, num investimento total que supera os 20 mil euros. Jovens que assim puderam frequentar cursos superiores tão diferentes como Medicina, Gestão, Educação Social, Design de Comunicação, Desporto, Sociologia, Relações Internacionais, Enfermagem, Biotecnologia ou Fisioterapia, em diversos estabelecimentos de ensino superior, nomeadamente a Universidade de Coimbra, a Universidade do Algarve, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, o Instituto Politécnico de Portalegre e o Instituto Politécnico de Setúbal. As bolsas de estudo atribuídas pelo Município consistem em apoios pecuniários concedidos a alunos que acedem, pela primeira vez, a um curso do Ensino Superior e que tenham obtido 83

bom aproveitamento e mérito escolar e com comprovadas dificuldades económicas, mas que não sido contemplados com bolsas de estudo do Estado. É atribuída aos estudantes se maiores de 18 anos ou, caso contrário, aos respetivos encarregados de educação, de novembro a julho, num total de nove mensalidades. O apoio é concedido em prestações mensais cujo valor equivale a 1/5 do salário mínimo nacional, calculado com referência ao mês de novembro. Caso o estudante transite de ano, com bons resultados, a bolsa é renovada anualmente até ao final da obtenção do curso de licenciatura. O período de candidatura decorre até 30 de novembro e os interessados devem entregar as suas candidaturas preenchidas, de acordo com o regulamento e formulários disponibilizados no site do município, nos Serviços Sociais da Câmara Municipal, sediados no Centro de Apoio à Comunidade. ALGARVE INFORMATIVO #129


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LAGOS RECEBE SESSÃO DE DIVULGAÇÃO DO CATÁLOGO AGROTUR

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Município de Lagos acolhe, no dia 31 de outubro, uma sessão de divulgação do catálogo online que está a ser desenvolvido no âmbito do projeto AGROTUR. A iniciativa terá lugar, pelas 15h30, no Centro Cultural de Lagos. O catálogo AGROTUR visa, acima de tudo, estimular as relações entre os produtores agroalimentares dos 26 territórios de baixa densidade do Algarve e o setor da hotelaria e da restauração. Os turistas também ficam a ganhar com esta iniciativa, pois agora têm acesso a uma variedade de produtos de elevada qualidade numa só plataforma. Em https://catalogoagrotur.pt/, é possível descobrir cerca de 70 produtores e encomendar aproximadamente 500 produtos. Da lista fazem parte o azeite biológico e pólen, de Aljezur; a morcela e

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a melosa, de Monchique; e o morgado de figo, de Salir, entre outros. Na apresentação, os produtores poderão ficar a conhecer o método de adesão ao catálogo e contactar com empresários da hotelaria e restauração do concelho, a fim de estabelecerem potenciais acordos de parceria. Esta nova plataforma é uma das muitas atividades inseridas no projeto AGROTUR, que está a ser promovido pela Universidade do Algarve, NERA e Tertúlia Algarvia, com o financiamento do CRESC Algarve 2020. Com a divulgação do AGROTUR no concelho, a autarquia de Lagos procura continuar a contribuir para a redução das assimetrias regionais e reforçar o seu papel de referência na promoção do desenvolvimento económico local e regional, designadamente ao ligar os setores do Turismo e da Agricultura, estimular as parcerias entre atores locais e regionais, potenciar recursos endógenos e, neste caso, valorizar a oferta turística do concelho .

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MONCHIQUE RECORDOU VISITA DO REI D. CARLOS E DA RAINHA D. AMÉLIA DE ORLEÃES

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onchique assinalou, no dia 13 de outubro, os 120 anos da visita do Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia de Orleães, com dois animadores vestidos de reis a percorrerem as escolas do concelho e algumas das principais ruas da vila, entregando uma réplica do postal distribuído, na altura, à população. A chegada à vila deu-se, segundo a imprensa, às 11h45. Lorjó Tavares descreve a vila engrandecida por uma «deliciosa ornamentação toda campesina (…) com as ruas transformadas em tapetes de junco, postes enfeitados a murta, arcos singelos, medronheiros com as suas bagas vermelhas como morangos, festões torcidos a alecrim de que pendiam cachos de flores silvestres, maçãs e romãs, paredes de alto a baixo 85

estufadas de murta e urzes». Esta visita foi acompanhada de várias individualidades concelhias, nomeadamente o administrador do concelho e representante do Governo José Sebastião «da Venda», o presidente da Câmara Municipal e antigo deputado José Joaquim Águas, o juiz de Direito substituto e conservador do Registo Civil, Francisco do Rego Feio, o grande proprietário local e deputado pelo círculo de Silves (a que o concelho pertencia), coronel José Gregório de Figueiredo Mascarenhas, vereação, restantes autoridades, figuras de destaque local, povo e pelo menos uma das várias bandas musicais que então existiam no concelho. Nas Caldas de Monchique, os soberanos receberam flores das três filhas do Dr. João Bentes Castel-Branco, médico e concessionário da estância termal, que lhes preparara uma marcante receção, com visita ao Sanatório Kneipp e uma exposição de artesanato, vestuário e medicamentos naturais. À entrada da vila acumulava-se o povo simples, muito dele vindo expressamente do campo para ver o rei .

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ATUALIDADE

QUARTEIRA ECOLAB FOI APRESENTADO EM SESSÃO ABERTA À COMUNIDADE

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Centro Autárquico de Quarteira acolheu, no dia 16 de outubro, a primeira sessão pública de apresentação do projeto «Quarteira EcoLab», uma iniciativa da Câmara Municipal de Loulé decorrente da sua Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC de Loulé), e enquadrada numa candidatura ao Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente, tendo em vista a implementação de um Laboratório Vivo para a Descarbonização nesta cidade. O Quarteira EcoLab tem como objetivo promover a descarbonização de uma área delimitada na cidade de Quarteira, ALGARVE INFORMATIVO #129

através da implantação de soluções tecnológicas que aumentem a eficácia e reduzam o consumo de energia, promovam a mobilidade sustentável e a utilização mais eficiente de recursos, contribuindo, assim, para criar um contexto urbano mais inovador, sustentável e inclusivo, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos. O Município de Loulé é um dos 12 do país escolhidos para desenvolver este projeto e definiu como área de intervenção para o «Quarteira EcoLab» a extensão urbana localizada entre a rotunda do Polvo da Avenida Doutor Carlos Mota Pinto e a rotunda do Terminal Rodoviário da Avenida Doutor Francisco Sá Carneiro. É aí que serão 86


integradas soluções nos domínios dos transportes e mobilidade, eficiência energética em edifícios, serviços ambientais inovadores e promoção da economia circular, entre outros, numa lógica de interação entre o Município, os centros de conhecimento, as empresas, as indústrias e os cidadãos. Esta sessão de apresentação, que contou com a participação de perto de meia centena de munícipes, foi realizada com o objetivo de dar a conhecer o projeto e os desafios do «Quarteira EcoLab» à comunidade, assim como promover o envolvimento e participação da população no mesmo. Foi ainda uma oportunidade para recolher contributos, já que os participantes puderam deixar as suas sugestões e ideias para o projeto. A Autarquia pretende, aliás, que todos os interessados possam acompanhar e participar neste processo, nomeadamente moradores, comerciantes, visitantes e demais utilizadores daquele espaço. Assim, como forma de caracterizar a situação de

referência do «Quarteira EcoLab», a Câmara Municipal de Loulé concebeu dois questionários (um dirigido à população em geral e outro aos comerciantes), através dos quais se pretende ficar a conhecer melhor os hábitos e a opinião de quem reside, trabalha, estuda ou visita o espaço urbano do «Quarteira EcoLab», no que se refere às temáticas da mobilidade, energia e ambiente. Os questionários podem ser respondidos em papel, na Junta de Freguesia de Quarteira, ou online, através dos links https://goo.gl/ix7gtF (para quem reside, trabalha ou estuda na área do Quarteira EcoLab) ou https://goo.gl/21ytah (para quem tem um estabelecimento de comércio ou serviços na área do Quarteira EcoLab). Para responder às perguntas sobre o consumo de eletricidade, água e gás, é necessário que os munícipes tenham consigo a sua fatura anual ou as faturas que incluam a primeira quinzena dos meses de janeiro, abril e agosto. É possível ainda enviar ideias e sugestões para loule.adapta@cm-loule.pt .

PARQUE ESCOLAR MUNICIPAL DE FARO VAI CONTINUAR A SER RECUPERADO

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o seguimento do esforço que a Câmara Municipal de Faro tem vindo a realizar na reabilitação e manutenção do Parque Escolar Municipal, foi adjudicada, no dia 18 de outubro, a empreitada de «Substituição de Caixilharias na Escola E.B. 1 da Penha». Com um prazo de execução previsto de 60 dias, esta empreitada terá um custo total de 48 mil e 326,04 euros, acrescidos 87

de IVA à taxa legal em vigor, e será realizada pela «Sociedade Rodrigues & Almeida, Lda». A autarquia reitera, deste modo, o seu propósito de continuar a promover as mais variadas iniciativas e intervenções no sentido de dotar o parque escolar do concelho das melhores condições de acolhimento, em ambientes adequados e motivadores .

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ATUALIDADE

MUNICÍPIO DE OLHÃO VAI ATRIBUIR BOLSAS AOS ESTUDANTES MAIS CARENCIADOS

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ai ter lugar, de 1 a 30 de novembro, o período de candidatura a bolsas de estudo destinadas a estudantes carenciados do concelho de Olhão, inscritos em estabelecimentos de ensino superior e atribuídas pela Câmara Municipal de Olhão. Com esta medida, a autarquia pretende incentivar a continuação dos estudos por parte de estudantes oriundos de famílias economicamente mais carenciadas, num contexto de promoção, valorização e qualificação dos seus munícipes. A bolsa de estudo consiste na atribuição de uma prestação pecuniária, de valor

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fixo, para comparticipar os encargos resultantes da frequência do ensino. São concedidas anualmente, por um período de 10 meses, desde que as condições de atribuição não se alterem. Este ano, a Câmara Municipal de Olhão decidiu atribuir um total de 20 bolsas de estudo, no valor de 180 euros por mês para estudantes deslocados, e 90 euros por mês para estudantes não deslocados. O regulamento e o formulário de candidatura podem ser consultados online (http://www.cmolhao.pt/areasatuacao/acao-social/bolsasde-estudo), ou através do Balcão Único do Município .

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ANA CABECINHA NOMEADA PARA ATLETA DO ANO 2017 PELA REVISTA ATLETISMO

na Cabecinha está nomeada pela redação da revista «Atletismo» para o prémio «Atleta do Ano», naquela que é uma das melhores épocas para a marchadora do Clube Oriental de Pechão. A votação é feita online pelos leitores da revista e os prémios são entregues a 16 de novembro. A época que agora terminou trouxe inúmeros títulos a Ana Cabecinha, com destaque para o sexto lugar obtido, em agosto, nos 20 quilómetros marcha dos Mundiais de Atletismo, em Londres. Antes disso, a marchadora obteve a 89

medalha de prata nos 20 quilómetros marcha na Taça da Europa da modalidade, na República Checa, conquistou o seu 5.º título nacional de 20 quilómetros marcha em São João da Madeira e voltou a sagrar-se campeã regional no Campeonato Regional de Corta-Mato, em Pinheiros de Marim. Atleta do Clube Oriental de Pechão desde 1996, Ana Cabecinha conta já no seu palmarés com seis recordes nacionais. A votação decorre online, no site da revista Atletismo, em https://revistaatletismo.com/atleta-do-ano2017 . ALGARVE INFORMATIVO #129


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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina

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