#333
ALGARVE INFORMATIVO 2 de abril, 2022
1
«ALDEBARû | «THE MIRANDAS» | «AQUÁRIO» | FESTA DO BASQUETEBOL EM ALBUFEIRA JARDINS PATRÃO JOAQUIM LOPES E PESCADOR OLHANENSE | UALG TECALGARVE CAMPUS INFORMATIVO #333 «AS VIAGENS DE GULLIVER COM ESCALA EM PORTUGAL» | «ÁGUAS SEM FRONTEIRAS»
ALGARVE INFORMATIVO #333
2
3
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
4
5
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
6
7
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
8
9
ALGARVE INFORMATIVO #333
SUMÁRIO
32 - Festa do Basquetebol em Albufeira
OPINIÃO 116 - Mirian Nogueira Tavares 118 - Ana Isabel Soares 120 - Alexandra Rodrigues Gonçalves
106 - «The Mirandas» no TEMPO
38 - «Águas do Algarve» lança projeto «Águas sem Fronteiras» 56 - «Aldebarã» em Loulé
94 - «As Viagens de Gulliver com escala em Portugal» em Castro Marim ALGARVE INFORMATIVO #333
22 - Jardins Patrão Joaquim Lopes e Pescador Olhanense inaugurados em Olhão 10
44 - UAlg Tec Campus já funciona no Campus da Penha, em Faro
66 - «Aquário» em Loulé 11
82 - Pedro Tochas em Lagoa ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
12
13
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
14
15
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
16
17
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
18
19
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
20
21
ALGARVE INFORMATIVO #333
JARDINS PATRÃO JOAQUIM LOPES E PESCADOR OLHANENSE INAUGURADOS EM OLHÃO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina lhão acordou, na manhã do dia 27 de março, com a inauguração dos requalificados Jardins Patrão Joaquim Lopes e Pescador Olhanense, numa cerimónia que constituiu, igualmente, o último ato público de João Pedro Matos Fernandes enquanto Ministro do Ambiente e da ALGARVE INFORMATIVO #333
Ação Climática. “Estes jardins foram
pensados num tempo em que as alterações climáticas e a falta de água ainda não eram prioridades tão grandes como sucede atualmente e quem vai à frente do seu tempo normalmente é mais criticado. Quando substituímos muita da relva e colocamos estas novas espécies com necessidades 22
23
ALGARVE INFORMATIVO #333
hídricas muito menores, e quando retiramos as palmeiras e outras espécies exóticas, isso não agradou a parte da população, mas hoje estamos todos convictos de que esta reformulação da paisagem nos espaços públicos é o caminho a seguir, especialmente numa região como o Algarve onde a água é cada vez mais escassa”, referiu António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão. O edil lembrou ainda que esta empreitada foi financiada, em 1 milhão de euros, pelo Ministério do Ambiente, daí ter feito questão em contar com a presença de João Pedro Matos Fernandes no momento da sua inauguração. “Os
olhanenses são assim, gostam de agradecer a quem lhes faz bem. Ao longo destes seis anos do seu percurso como Ministro, tivemos algumas dificuldades, mas soubemos chegar ao equilíbrio, a bem da população”, agradeceu António Miguel Pina, antes de passar a palavra ao ainda governante. “Foram anos de
muito trabalho com as autarquias e este é um de quatro projetos a nível nacional que demonstram bem que nós temos que nos adaptar ao território e aos recursos que ele nos dá. A Terra é ALGARVE INFORMATIVO #333
extraordinariamente generosa para connosco, mas temos que reconhecer que andamos a pedir mais do que aquilo que ela nos dá. Há que respeitar a escassez de recursos, que nunca é igual em todo o país, mas isso não significa 24
que, nas regiões com menos quantidade de água, as pessoas devem ficar privadas do convívio urbano em espaço público, nomeadamente nos jardins”, defendeu João Pedro Matos Fernandes.
“Fazer um jardim é um bocadinho como brincar aos deuses e 25
conseguiu-se aqui oferecer uma belíssima prenda aos olhanenses e à cidade de Olhão, que tem este enquadramento extraordinária com a Ria Formosa e que é cada vez mais um destino turístico diferenciado” . ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
26
27
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
28
29
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
30
31
ALGARVE INFORMATIVO #333
FESTA DO BASQUETEBOL JUVENIL REGRESSA A ALBUFEIRA NAS FÉRIAS LETIVAS DA PÁSCOA Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina pós dois anos de interrupção devido à pandemia por covid-19, Albufeira vai voltar a ser palco, de 9 a 14 de abril, do maior campeonato nacional de basquetebol para os escalões de sub-14 e sub-16 organizado em Portugal. O evento conta já com oito edições realizadas na capital do turismo algarvio e é cada vez mais
“uma grande festa da juventude, uma grande festa do desporto, ALGARVE INFORMATIVO #333
uma grande festa em torno do basquetebol”, referiu o VicePresidente da Câmara Municipal de Albufeira, Cristiano Cabrita, na apresentação que teve lugar, no dia 22 de março, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Nesta 14.ª edição são esperados mais de 1.500 atletas e pessoal técnico provenientes de todas as regiões do país, que irão competir ao longo de seis dias no maior evento do desporto juvenil de âmbito nacional. E o presidente da 32
Federação Portuguesa de Basquetebol, Manuel Fernandes, lembrou que, para além da vertente de competição, existe uma forte componente social e solidária. De facto, todos os envolvidos, desde jogadores e dirigentes desportivos a árbitros e treinadores, doam dois euros que vão reverter a favor de uma associação de solidariedade social algarvia. Este ano, face aos trágicos acontecimentos na Ucrânia, o «Basket Solidário» entregará o valor angariado à Associação Alegria do Leste, uma instituição que se dedica ao apoio dos refugiados ucranianos. Mas a ação «Basket Solidário» não será a única atribuição relevante do evento, uma vez que serão igualmente entregues o Prémio Fairplay à melhor equipa de 33
cada um dos escalões e o Prémio Revelação Árbitros e Oficiais de Mesa. Manuel Fernandes afirmou ainda que o basquetebol já faz parte das raízes e da cultura da cidade de Albufeira, não fosse este o “único concelho do país com
menos de 100 mil habitantes com duas equipas a disputar as maiores provas nacionais”, enfatizando igualmente que esta iniciativa só é possível devido ao apoio da Câmara Municipal de Albufeira. Uma das novidades de 2022 é o projeto «3x3 Basket Art», que prevê a criação de campos de basquete ao ar livre, de 1.420 metros quadrados, destinados a promover a atividade física, o bem-estar e a prática informal do basquetebol de ALGARVE INFORMATIVO #333
todos os habitantes. “Albufeira será o
primeiro concelho do país com quatro destes campos abertos ao público, localizados no parque desportivo de Vale Faro”, destacou José Carlos Rolo, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, tendo ainda revelado que a vertente artística e criativa dos mesmos ficará a cargo de ASUR, nome artístico do albufeirense Filipe Neves, conhecido por murais de grafitti que podem ser apreciados em diversos pontos da cidade e em várias partes do mundo. “Estas iniciativas que
enaltecem a atividade desportiva não podem ser consideradas despesas, mas sim um ALGARVE INFORMATIVO #333
investimento na formação de jovens”, reforçou o edil. A Festa do Basquetebol é uma iniciativa da Federação Portuguesa de Basquetebol, em parceria com a Câmara Municipal de Albufeira e com o apoio da Associação de Basquetebol do Algarve, Imortal Basket Club e o Clube de Basquete de Albufeira. Os jogos poderão ser acompanhados ao vivo nos vários pavilhões municipais de Albufeira ou através dos canais disponibilizados pela federação portuguesa de basquetebol em www.fpbtv.pt .
34
35
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
36
37
ALGARVE INFORMATIVO #333
«ÁGUAS DO ALGARVE» AVANÇA COM FORTE PROJETO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SENSIBILIZAÇÃO SOCIAL Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina ssegurar um futuro sustentável para as próximas gerações é encarado como um dever e uma motivação acrescida para a «Águas do Algarve», entidade responsável pelo abastecimento de água em alta e pelo saneamento na região do Algarve. Por isso, e no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Água, a empresa deu a conhecer o «Águas sem ALGARVE INFORMATIVO #333
Fronteiras», um projeto de educação ambiental e sensibilização social que vai abranger todos os 16 concelhos algarvios, ao longo de 2022, conduzido em parceria com a DGestE – Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares e a Agência Portuguesa do Ambiente. “Estes anos
cíclicos de escassez hídrica cada vez mais acentuada que temos vindo a atravessar na região geram a necessidade de adotarmos novas estratégias e de realizarmos novos 38
investimentos. O fenómeno das alterações climáticas tem-se vindo a agravar e a fazer-se sentir mais intensamente no Algarve a vários níveis, nomeadamente no que diz respeito aos volumes de água”, começou por dizer António Eusébio, presidente do Conselho de Administração da «Águas do Algarve», numa sessão que teve lugar no Eva Hotel, em Faro.
“Temos que fornecer água em quantidade e qualidade, sem interrupções, a toda a região, algo que temos conseguido fazer até hoje graças aos investimentos efetuados e ao trabalho das nossas equipas, mas também a um rigoroso planeamento”, acrescentou. António Eusébio lembrou que estão previstos investimentos no Plano de Resiliência e Recuperação para robustecer o sistema e para ganhar mais massas de água numa região que tem a responsabilidade acrescida de dar resposta aos residentes, mas também aos milhões de turistas que visitam o Algarve todos os anos, “o que nos
obriga a ter estruturas e equipamentos dimensionados para os picos de Verão”. “Mas não basta termos mais massas de água, é preciso gastar-se menos no dia-a-dia, sermos mais eficientes e sensíveis, de modo a não desperdiçarmos este líquido precioso”, defende. “Todos juntos somos melhores”, prosseguiu, entretanto, Isabel Soares, vice-presidente 39
do Conselho de Administração da «Águas do Algarve». “Eu fui professora de
geografia durante muitos anos e, quando falava de climatologia, dizia que as precipitações caiam entre novembro e março, abril. Atualmente, não existe esta regularidade no tempo, temos sim regimes torrenciais que causam inundações em várias cidades do litoral, mas que não enchem as barragens”, referiu a antiga autarca. Como os anos de seca extrema estão a tornar-se normais, é crucial usar-se de forma mais consciente e eficiente a água, daí a «Águas do Algarve» apostar em constantes campanhas de sensibilização, sendo que, em 2022, vai-se dar uma especial ênfase à educação ambiental junto das escolas da região, em colaboração com a DGestE, a APA, a Cruz Vermelha Portuguesa e outras entidades.
“É um programa extremamente ambicioso e queremos começar já a preparar o próximo ano letivo com múltiplas atividades para envolver os mais jovens. Este problema afeta toda a região e só com o trabalho de todos é que conseguiremos arranjar soluções”, frisou Isabel Soares. Já Teresa Fernandes, responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da «Águas do Algarve», indicou que o «Águas sem Fronteiras» tem como público principal as escolas, “mas não seria um projeto
completo se não abrangesse outras faixas da sociedade”. “Temos connosco a Cruz Vermelha ALGARVE INFORMATIVO #333
a representar os «jovens» que nasceram muito antes de nós e que têm muitos conhecimentos, as Instituições Particulares de Solidariedade Social, vários parceiros empenhados no sucesso de um ano que vai ser recheado de atividades e que se pretende que continue a crescer ainda mais nos próximos anos. E, pela forma como está a ser desenvolvido, é um projeto sustentável e que pode ser replicado em qualquer região de Portugal. As alterações climáticas estão aqui, não são nenhuma brincadeira, e as previsões dos especialistas indicam que os anos de seca extrema vieram para ficar”, reforçou Teresa Fernandes.
ALGARVE INFORMATIVO #333
O projeto pedagógico pretende, então, sensibilizar para as questões associadas ao uso eficiente da água, apoiado em áreas temáticas como o ciclo urbano da água, a economia circular, as alterações climáticas e a preservação do ambiente de um modo geral. A estratégia da «Águas do Algarve» passa por uma lógica de gamificação, para que o projeto seja ainda mais apelativo para os grupos etários entre os 6 e os 14 anos, mas também para a população sénior e público em geral. A primeira fase foi lançada no Dia Mundial da Água, 22 de março, nas escolas, com o «Torneio Águas sem Fronteiras» a desafiar milhares de crianças a criar uma peça publicitária com vista a encorajar o público em geral para a poupança de água. As turmas vencedoras serão depois convidadas para um evento a realizar
40
numa praia algarvia, onde poderão partilhar os seus trabalhos e as suas experiências, e participar nos «Jogos Águas sem Fronteiras», um conjunto de atividades criativas que incentivam a olharem de uma forma diferente para a água, bem como a incluir a sua preservação na rotina diária. Ao longo de 2022, o «Águas sem Fronteiras» vai igualmente encorajar as escolas e toda a comunidade para a celebração dos diferentes dias temáticas relacionados com a água, como sejam o Dia Nacional do Mar ou o Dia Mundial do Ambiente, por via de jogos didáticos, conteúdos e ativações por toda a região. Na segunda metade do ano, o projeto regressa às escolas algarvias através de um roadshow regional que inclui teatros educativos especialmente desenvolvidos e encenados para a iniciativa, bem como atividades interativas que envolvem 41
temas como o ciclo da água ou os ecossistemas aquáticos. Em todas as etapas do «Águas sem Fronteiras» estarão contemplados prémios para os alunos e para as escolas, fomentando assim a ligação entre estes e a missão do projeto. E a acompanhar e dinamizar todas as ações estão as mascotes Clarinha e Salpico. “A água é
um fator primordial à vida e ao desenvolvimento sustentável e depara-se neste momento com grandes desafios. A poluição das reservas de água doce, o risco de escassez de água para consumo humano e todas as questões ambientais e de sustentabilidade que envolvem o nosso planeta são prioritárias e urge a intervenção de todos”, alerta Teresa Fernandes . ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
42
43
ALGARVE INFORMATIVO #333
MINISTRA DA COESÃO TERRITORIAL E COMISSÁRIA EUROPEIA INAUGURARAM UALG TEC CAMPUS Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina Ministra da Coesão Territorial Ana Abrunhosa e a Comissária Europeia Elisa Ferreira deslocaram-se a Faro, no dia 29 de março, para o lançamento oficial do UALG TEC CAMPUS. Situada no Campus da Penha, a Aceleradora de Empresas da Universidade do Algarve tem como principal objetivo a dinamização e ALGARVE INFORMATIVO #333
expansão do ecossistema tecnológico da região (Algarve Tech Hub), a nível nacional e internacional, para as áreas das tecnologias da informação, impulsionando uma mudança favorável na economia e sociedade a nível regional e nacional. Cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional da União Europeia, através do Programa Operacional Regional do Algarve 20142020 (CRESC Algarve 2020), o 44
Ana Abrunhosa, Ministra da Coesão Territorial
investimento total, que engloba o UALG TEC CAMPUS e o UALG TEC HEALTH – Centro de Simulação Clínica da UAlg, é de 7 milhões, 245 mil e 515,60 euros, com 5 milhões, 868 mil e 867,64 euros provenientes do FEDER e um autofinanciamento de 1 milhão, 376 mil e 647,96 euros. No UALG TEC CAMPUS estão alojadas, atualmente, 16 empresas (nacionais e internacionais), com cerca de 300 colaboradores, numa área de cerca de 4 mil e 500 metros quadrados. “É
uma obra extremamente importante para a Universidade, para a cidade de Faro e para a região do Algarve e um dos melhores exemplos da aplicação dos fundos europeus e da solidariedade europeia. Este campus vem reforçar o dinamismo 45
da Universidade do Algarve enquanto espaço de saber, um saber que queremos transformar em inovação, em riqueza e em qualidade de vida; mas também enquanto ponte que é fundamental que se faça entre a universidade e a comunidade, entre o conhecimento e a economia, a saúde, a cultura e a área social”, frisou Ana Abrunhosa. Reconhecendo que a sociedade tem muitos problemas concretos para resolver e que precisam, por vezes, de respostas complexas que carecem de uma conjugação de conhecimentos, a governante realçou a importância da existência de espaços como o UALG TEC ALGARVE INFORMATIVO #333
CAMPUS. “Para enfrentarmos os
desafios que temos pela frente enquanto País, Europa e Mundo, é necessário que as regiões apostem cada vez mais na ciência, nas universidades, nos politécnicos, nos laboratórios, nos centros de investigação, para termos jovens e trabalhadores mais qualificados. A pandemia e esta brutal guerra ensinaram-nos que é crucial diversificarmos as economias, para termos maior sustentabilidade, autossuficiência energética e alimentar”, declarou Ana Abrunhosa, defendendo, por isso, a entrada em novas áreas de atividade, como é o caso do Algarve, uma região demasiadamente dependente do turismo. “Devemos
qualificar cada vez mais o turismo, mas as monoculturas não são boas em qualquer situação, como nos demonstra a história e o passado recente. Temos mesmo que seguir novos caminhos e essa diversificação é muito mais fácil com conhecimento científico, com empreendedorismo, com pessoas qualificadas, com arrojo. Este projeto também evidencia a necessidade de prepararmos os nossos jovens para o futuro e das pontes que se constroem nascem novas soluções para velhos problemas e soluções para os novos problemas”, entende a Ministra da Coesão Territorial. “Agora que a obra existe, há que reforçar tudo o ALGARVE INFORMATIVO #333
que ela simboliza, com o envolvimento de todos, das empresas, dos estudantes, de toda a comunidade, dos professores e investigadores, para fazermos deste espaço um verdadeiro ninho para projetos inovadores e uma casa de partida para um grande futuro para muitos dos nossos jovens, cujo talento queremos que fique no nosso país. Trabalhem juntos, estudem juntos, inovem 46
juntos, decidam juntos, só assim ganhamos todos”, finalizou. A importância do UALG TEC CAMPUS foi igualmente enfatizada por José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, que não esqueceu algumas das pessoas que contribuíram para a concretização deste projeto, desde o antigo Reitor da Universidade do Algarve João Guerreiro ao antigo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior José Mariano Gago, bem como José António Campos Correia, João Faria, 47
David Santos e Francisco Serra, anteriores líderes da CCDR Algarve.
“Ainda precisamos fazer mais investimentos em termos de infraestruturas e neste quadro comunitário foi possível avançarse com este, numa área tão importante como a da transição digital, até porque, entre 2009 e 2019, os postos de trabalho diretos em empresas do ecossistema digital cresceram 49 por cento. Uma área que representa 27 por ALGARVE INFORMATIVO #333
cento do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência e que o próprio Primeiro-Ministro escolheu para estar sob a sua alçada nos próximos quatro anos”, evidenciou José Apolinário. “Este espaço ficou cheio em pouco tempo, há condições para dar mais um passo, e em paralelo temos que melhorar as respostas e as infraestruturas da área de ensino da Universidade, existindo para tal um plano estratégico concertado com todos”, acrescentou o presidente da CCDR Algarve. Depois de dirigir muitos agradecimentos sentidos a todos os envolvidos no processo, Paulo Águas referiu que a concretização do UALG TEC
ALGARVE INFORMATIVO #333
CAMPUS é encarada como o reconhecimento do papel da Universidade do Algarve para um desenvolvimento mais coeso e sustentável da região. “Acho que
todos estamos com a alma cheia por termos dado este passo. Tivemos que adaptar espaços e algumas atividades que decorriam neste edifício, nomeadamente as aulas do curso de Artes Visuais, foram para outros locais, que ainda não são os melhores, mas estamos a trabalhar nesse sentido”, admitiu o Reitor da UAlg, lembrando que a Academia, para além do ensino, também possui a vertente da investigação, “porque não se ensina aquilo que não se sabe”. “Este
espaço vai permitir uma nova
48
José Apolinário, presidente da CCDR Algarve
etapa nas nossas vidas, porque teremos aqui um conjunto de empresas que vão «respirar» o Campus da Penha, que se vão cruzar com os nossos professores e investigadores, mas o nosso ecossistema não começou aqui. Temos uma incubadora – a UALG TEC START – no Campus das Gambelas que acolhe investigadores e projetos de todas as áreas da Universidade do Algarve, que felizmente está cheia, e neste pacote de financiamento está igualmente incluído o UALG TEC HEALTH, também no Campus das Gambelas. E estas empresas vão 49
ter que trabalhar com a Universidade do Algarve, queremos que haja interação com projetos de investigação, para além dos normais estágios, que beneficiam as empresas e os estudantes”, salientou Paulo Águas. Sobre os dados que indicam que apenas 33,8 por cento da população ativa do Algarve possui formação superior, o Reitor notou que a especialização económica da região depende muito de fatores endógenos, mas também que as políticas públicas podem condicionar esses resultados. “Temos um
emprego se calhar menos qualificado e sabemos que regiões que exigem trabalho mais ALGARVE INFORMATIVO #333
qualificado sofrem menos com choques externos de grande impacto negativo. Não podemos olhar para o lado e, de facto, nos últimos 10 a 20 anos, o Algarve tem-se vindo a afastar em termos da qualificação da sua mão-deobra face ao resto do país. Há que criar outro tipo de emprego e é isso que aqui estamos a fazer”, destacou Paulo Águas.
“É MUITO IMPORTANTE QUE NÃO FIQUEMOS PELAS PALAVRAS” A sessão foi encerrada com as palavras de Elisa Ferreira, Comissária Europeia responsável pela pasta Coesão e Reformas, visivelmente satisfeita por assistir aos frutos desta coesão de esforços em prol de uma visão comum.
ALGARVE INFORMATIVO #333
“A tendência é para atomizar, sobretudo num país que tem um nível central e, depois, o nível seguinte é muito local e os autarcas têm sabido fazer milagres. A ausência de um nível intermédio requer uma maior capacidade de visão para que não se acabe por reproduzir, ao nível da cada unidade, equipamentos e investimentos que depois se tornam inviáveis por não atingirem suficiente dimensão crítica. Há que fazer escolhas e opções, cumprindo um conjunto de valências necessárias de proximidade, mas este equilíbrio não é fácil e exige bastante diálogo, discussão e maturidade institucional”, admitiu Elisa Ferreira.
50
Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve
A Comissária Europeia falou ainda dos imensos riscos latentes que existem atualmente e que resultam “da
mudança que a globalização e as opções europeias em boa hora assumiram, de alterar completamente a nossa relação com o planeta e o meioambiente”. “Quando dizemos que é preciso uma economia verde, é muito importante que não fiquemos pelas palavras. Dentro de alguns anos, não vamos conseguir vender produtos que não tenham uma qualidade ambiental eficaz e que não cumpram com um conjunto de normativos. O modo como produzimos e gerimos a energia 51
num edifício vai ter que mudar, e a maneira como gerimos recursos escassos como a água requer muito trabalho, de maneira a não matarmos o nosso próprio futuro. E utilizar os meios digitais disponíveis ajuda, inclusive, a reequilibrar os territórios”, garante Elisa Ferreira. “Dão-nos uma oportunidade única para repensarmos os nossos territórios, evitando os hiper congestionamentos das metrópoles e criando oportunidades de localização, de negócio e de qualidade de vida noutras zonas do país. Há aqui um mundo em revolução e as condições excecionais de ALGARVE INFORMATIVO #333
A Comissária Europeia Elisa Ferreira
financiamento que atualmente estão disponíveis devem ser dirigidas nestes sentidos, porque amanhã vai ser tarde”, avisou. “Neste momento, não podemos falar de falta de dinheiro, há, sim, uma responsabilidade brutal em utilizá-lo da melhor forma, tendo em conta a situação em que estamos e os cenários que temos pela frente”. Para Elisa Ferreira, há, acima de tudo, que acrescentar valor, seja em que sector de atividade for, “utilizando os
fundos comunitários como um impulso para se lançarem dinâmicas que depois se autossustentam”. “É isto que se encontra neste projeto, que vai andar pelos seus próprios meios, ALGARVE INFORMATIVO #333
porque vai gerar novas oportunidades às empresas que as tornam mais robustas, que lhes permitem absorver a informação, a inovação e a tecnologia. O que estamos a financiar é o que empurra, aquilo que cria valor, autonomia e resiliência. Mas não devemos partir para dinâmicas que não tenham nenhuma amarração no terreno, que não tenham tradição ou base. O excesso de voluntarismo é um risco, há que construir em cima daquilo que somos capazes de fazer, criando sinergias entre as universidades, as empresas e o capital financeiro que pode regar as sementes que vão nascer”, reforçou, antes da comitiva ir conhecer melhor as instalações do UALG TEC CAMPUS . 52
53
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
54
55
ALGARVE INFORMATIVO #333
«ALDEBARû LEVOU JOVENS DE LOULÉ NUMA VIAGEM PARA SALVAR A HUMANIDADE DA EXTINÇÃO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
ALGARVE INFORMATIVO #333
56
57
ALGARVE INFORMATIVO #333
Cineteatro Louletano acolheu, no dia 23 de março, a peça «Aldebarã» da Terra Amarela, protagonizada por Barbara Pollastri, Joana Honório, Tânia Alves e Tony Weaver. Uma história que tem lugar em Portugal, num ano de 2118 em que os recursos naturais da Terra estão esgotados e a humanidade está à beira da extinção. Como último recurso, a Agência Espacial Lusitana vai enviar uma expedição em busca de outro planeta habitável, apontando destino à estrela Aldebarã, uma das mais próximas do nosso sistema solar. Com esta missão em mente é construída uma nave veloz e procuram-se tripulantes, mas os únicos voluntários a oferecer-se formam uma tripulação de párias, ALGARVE INFORMATIVO #333
desajustados e estouvados. “Agora,
estes argonautas futuristas devem unir as suas forças e lançar-se no desconhecido, para tentar salvar um planeta que os rejeitou”, adianta a direção da Terra Amarela sobre este espetáculo teatral para a juventude concebido a partir de jornadas mitológicas de heróis como Ulisses, Eneias e Jasão. A narrativa de viagem é um recurso para explorar temas como alteridade, diversidade e construção de linguagem, num projeto da associação cultural Terra Amarela que conta com um elenco de intérpretes-criadores com um perfil que se apoia na diferença, isto é, com artistas com distintas idades, raças, capacidades intelectuais e ferramentas de comunicação . 58
59
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
60
61
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
62
63
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
64
65
ALGARVE INFORMATIVO #333
LOULETANA MARLENE BARRETO APRESENTOU O SEU «AQUÁRIO» NO CINETEATRO LOULETANO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #333 #333 ALGARVE
66 66
67 67
ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #333 #333
Dia Mundial do Teatro foi comemorado em Loulé, no Cineteatro Louletano, no dia 27 de março, com a peça «Aquário», da atriz e encenadora louletana Marlene Barreto, que partilha o palco com Inês Dias e Vitor Alves da Silva. De acordo com a sinopse, corre o ano de 2036 quando P. acorda com o som ensurdecedor de um alarme de ALGARVE INFORMATIVO #333
emergência. Não há nada em seu redor a não ser uma intensa névoa de fumo. Sem saber quem é, procura respostas, mas a única pessoa que as pode fornecer é A., a autora da sua história que vive imersa num desespero profundo com a iminente extinção da Humanidade provocada pela erupção do vulcão Yellowstone. A personagem reivindica um novo final e a autora luta pela sua sanidade mental. Será que a presença de um terceiro elemento pode provocar o colapso na relação das duas? . 68
69
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
70
71
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
72
73
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
74
75
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
76
77
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
78
79
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
80
81
ALGARVE INFORMATIVO #333
PEDRO TOCHAS PARTILHOU AS LOUCURAS DO SEU DIA-A-DIA NUM AUDITÓRIO CARLOS DO CARMO COMPLETAMENTE ESGOTADO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
ALGARVE INFORMATIVO #333
82
83
ALGARVE INFORMATIVO #333
nserido na edição de 2022 do Humor Fest – Festival de Humor de Lagoa, o Auditório Carlos do Carmo recebeu, no dia 26 de março, «Escolhas» do fantástico Pedro Tochas, cujas peripécias de vida são o ponto de partida para mais uma estonteante performance de stand-up comedy. Um final de tarde duplamente especial para o artista, pois tratava-se da estreia absoluta do seu novo espetáculo e, em simultâneo, o último que fazia antes de se tornar um ilustre «cinquentão», uma vez que fazia anos no dia seguinte. Ao longo de sensivelmente hora e meia assistimos então a uma informal partilha de histórias que não são mais do que uma visita guiada pelo mundo alucinado do conhecido comediante e que voltou a ALGARVE INFORMATIVO #333
fazer as delícias do público algarvio, fruto de uma constante interação com os espetadores, dos mais novos adeptos dos Pokemons e Pikachus, aos mais velhos, para quem enviava as piadas por código morse. Assim ficámos a conhecer algumas aventuras do jovem Pedro de 16 anos quando andava à boleia – inclusive a da misteriosa clareira de Condeixa – bem como as múltiplas peripécias por que passou nos festivais em que já participou em 25 países. «Escolhas» terminou em grande apoteose já com a Pipoca em palco e, como se tratava da estreia, Pedro Tochas perguntou ao público se tinha gostado ou se mais valia guardar o espetáculo numa gaveta. E a resposta, claro, foi uma estrondosa salva de palmas de pé. Merecidas, claro . 84
85
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
86
87
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
88
89
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
90
91
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
92
93
ALGARVE INFORMATIVO #333
CASTRO MARIM CELEBROU O TEATRO COM «AS VIAGENS DE GULLIVER COM ESCALA EM PORTUGAL» Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
ALGARVE INFORMATIVO #333
94
95
ALGARVE INFORMATIVO #333
arte cénica visitou a Biblioteca Municipal de Castro Marim com «As Viagens de Gulliver com Escala em Portugal», num espetáculo gratuito, dirigido às famílias, no dia 27 de março, em plena celebração do Dia Mundial do Teatro. O espetáculo é uma adaptação do livro infantojuvenil homónimo de Luísa Ducla Soares, baseada num clássico da literatura universal, «As Viagens de Gulliver», de Jonathan Swift, entrando agora em cena pela Companhia de Teatro infantil ATRAPALHARTE. ALGARVE INFORMATIVO #333
Esta ida ao teatro foi uma iniciativa do projeto CLDS 4G «Castro Marim (COM)Vida» e pretende promover a cultura no concelho e estimular o convívio e a prática de atividades salutares em família. A iniciativa inseriuse na Atividade 3 do projeto CLDS 4G «Castro Marim (COM)Vida», promovido pelo Município de Castro Marim e coordenado pela associação Odiana, cofinanciado pelo CRESC Algarve 2020, Portugal 2020 e União Europeia, através do Fundo Social Europeu .
96
97
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
98
99
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
100
101
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
102
103
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
104
105
ALGARVE INFORMATIVO #333
THE MIRANDAS «INCENDIARAM» CHOQUE FRONTAL AO VIVO NO TEMPO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Vera Lisa
ALGARVE INFORMATIVO #333
106
107
ALGARVE INFORMATIVO #333
s algarvios «The Mirandas» mostraram, no dia 17 de março, em mais um Choque Frontal ao Vivo, a qualidade da música e dos músicos que a região tem para oferecer. O Pequeno Auditório do TEMPO – Teatro Municipal de Portimão voltou a esgotar com largas dezenas de pessoas que quiseram assistir a esta jam session de artistas que acontece, todos os meses, por iniciativa de Ricardo Coelho e Júlio Ferreira, sendo gravada ao vivo para ir para o ar no sábado seguinte na Alvor FM. «The Mirandas» surgiu em 2013, em formato trio, impulsionado pelo amor dos ALGARVE INFORMATIVO #333
seus intervenientes pelos blues e pelo rock das décadas de 50, 60 e 70. Entre partilhas e conversas, e sempre com um copo de vinho como quarto elemento, Inês Miranda, Ivo Ferreira e Luís Caracinha começaram a exorcizar com os seus instrumentos frustrações, tristezas e melancolias, frequentemente na companhia sonora de artistas como Robert Johnson, John Lee Hooker, Johnny Cash, Johnny Winter ou Jimmy Hendrix, entre tantos outros. A este trio juntaram-se mais tarde Ruben Azevedo na bateria e Gabriel Costa nos teclados, assim nascendo um quinteto com bastante notoriedade local e que já atuou em eventos como o Festival MED, o Festival Internacional de Blues e o Festival F . 108
109
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
110
111
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
112
113
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
114
115
ALGARVE INFORMATIVO #333
A necessidade da Arte Mirian Tavares Nogueira (Professora universitária) “A poesia é indispensável. Se ao menos soubesse para quê…” Com este encantador e paradoxal epigrama, Jean Cocteau resumiu ao mesmo tempo a necessidade da arte e o seu discutível papel no atual mundo burguês. Ernst Fischer m 1959, o poeta, filósofo e jornalista austríaco Ernst Fischer escreveu um livro para tentar responder à questão que continua entre nós, tão atual hoje aquando da primeira edição da obra. Para que serve a arte? De acordo com Fischer, uma das suas principias funções seria a de colocar o humano em estado de equilíbrio com o meio circundante, como se pudesse funcionar como um «substituto da vida». Mas não é uma resposta satisfatória, e o autor não fica por aí. Vai à História, desde os primórdios, desde o primeiro momento em que o humano fez um desenho, deixou suas mãos gravadas no fundo de uma gruta, expressou-se através de um gesto que se passou a chamar, séculos depois, de Arte. A edição que tenho do livro é já a oitava tradução brasileira, de 1979, e foime dada pelo meu irmão que, por sua vez, adquiriu-o num alfarrabista. No frontispício, sobrepõem-se os nomes dos sucessivos donos do livro. Tenho-o todo marcado com canetas de diferentes cores e com partes inteiras sublinhadas. Lemos, num dos trechos: “Mas ainda há mais a ser dito acerca da plenitude de uma realidade em permanente transformação. O homem ALGARVE INFORMATIVO #333
é mais do que o ciclo do nascimento e da morte, mais do que o desejo de reprodução e o enfastiamento da velhice: o homem é um ser imperfeito e incompleto, jamais acabado, mas sempre se plasmando porque sempre plasmando o mundo que o cerca”. Nós, seres humanos, falhos e incompletos, buscamos sempre mais – ou morremos de tédio entre a manhã e o anoitecer, a repetir gestos arcaicos, ou a criar novos gestos impostos pelo movimento constante do progresso, ou das pequenas-grandes revoluções tecnológicas que nos libertam e que nos agrilhoam. A necessidade da arte é uma não-questão, acaba por reconhecer Fischer. Porque, como disse Cocteau, é indispensável, mesmo que não saibamos para quê. É tão indispensável que a retórica contemporânea da criatividade usa a palavra arte como um elemento indispensável do seu vocabulário neoliberalizante. Um vocabulário que, parece, encontrou um lugar para a Arte – subsidiária da tecnologia e adjuvante dos processos de criação. Não de criação artística, esta pode ou não emergir. O que interessa nesse discurso que pretende salvacionista, é que a arte se comporte muito bem e funcione como um gatilho para a criação de coisas mais úteis. Porque 116
Foto: Vasco Célio
a arte tem de ter um lugar na cadeia produtiva, e esse lugar deve estar prédeterminado pelos outros, que não pertencem ao universo das artes. Até porque (e ouvi isso no discurso de lançamento de um novo museu, dito pela pessoa que assumia a gestão do espaço), “os artistas precisam de alguém que organize as coisas”. No fundo, alguém que pense por eles. Também ouvi, numa reunião na universidade, em que se refletia sobre planos estratégicos, que as artes serviam para entreter. Como se o lugar das artes fosse na secção de arrumos e decorações. Fui responsável, juntamente com outras pessoas, pela criação do projeto da Licenciatura em Artes Visuais na Universidade do Algarve. Desde que o curso foi criado, a cidade que o alberga, e a região, o país quiçá, assistiram a emergência de artistas e de exposições, de projetos, de vida que circula, mais intensa, pelas ruas. Não me cabe aqui fazer uma lista de tudo o que aconteceu desde que existe uma Licenciatura em Artes Visuais em Faro, na Universidade do Algarve. São mais de 15 anos de uma luta constante – 117
por espaços, por docentes, por dignidade, enfim. Porque as artes não são necessárias, são acessórias. Sozinhas, aparentemente, não fazem falta. Só são lembradas quando associadas ao turismo, à produção, ao consumo. Só existem se puderem ser traduzidas em dinheiro. Estive há uns anos no Festival Ars Eletronica, em Linz. Um dos mais antigos e importantes do mundo no campo das artes digitais. O diretor, que nos acolheu, dissenos que os artistas eram, para eles, essenciais. Porque produziam, constantemente, disrupções. Porque andavam no sentido contrário daquilo que era programável. Porque experimentavam, sem açaimes e, assim, permitiam que o ambiente fosse contaminado e que no final as ideias brotassem. Tenho ouvido, desde que criamos o curso, muita coisa sobre a (não) necessidade das artes e sobre o quão perigosos, desorganizados, arrivista e rebeldes são os artistas. Porque a Arte incomoda, faz-nos ver que a vida pode ser muito mais, faz-nos buscar caminhos novos, dantes nunca percorridos. Como as Ciências. Como as ciências no seu mais alto grau de pureza. Quando não são ainda instrumentalizadas. A Arte é necessária, mesmo que não saibamos exatamente porque, e está entre nós desde que há registo da presença humana sobre a Terra. E vai continuar a incomodar, a rebelar-se, a não aceitar o papel, ou o lugar, a que lhes destinam os outros que não a compreendem. Mas que também esses, sem ela, não vivem. Mesmo que não se deem conta .
ALGARVE INFORMATIVO #333
Quadragésima oitava tabuinha: Poeticamente (III) Ana Isabel Soares (Professora universitária) que fará andar alguém aos tombos de amorosa leitura, entre Pier Paolo Pasolini e Christian Bobin? Nada os relacionaria, de tão distintos que têm o verbo. O autodenominado corsário explica-se, no poema «La rabbia» (1960): “em mim está agora encerrado o/ demónio/ da raiva”, que o “intoxica”, numa “febril impaciência dos nervos”*. A raiva é uma forma de incontinência, de ser maior do que aquilo em que tem de se caber, de descontentamento pela desmesura ou pelo desvio de tamanho entre o mundo e um eu. Seja porque se acha o mundo belo e essa beleza não cabe em quem a aprecia, seja porque quem assim a sente não cabe na beleza do mundo, há um desajuste entre os dois, que se percebem um pelo outro desejados e inapelavelmente apartados: pode ser essa a origem da zanga de Pasolini. O poeta de si mesmo se exila e a si regressa, por outro imperativo implacável: o que o faz afastarse e ter de regressar é como que um excesso de realidade, um descomunal conhecimento de si mesmo, que lhe causa um permanente e agitado descomedimento. O resultado da hiperconsciência de si que Bobin revela no seu «Auto-retrato»** é ALGARVE INFORMATIVO #333
distinto daquele que sobrevem a Pasolini – no pensador francês opera-se antes uma calma, um estado de conformação perante o rodar do mundo; não um conformismo, mas um emparelhar-se com a quietude que o mundo, no seu andar aos solavancos, também consegue revelar. “Tenho quarenta e cinco anos e tenho vontade de viver e por vezes essa vontade esbate-se e afasta-se um pouco, mas se um nada me mata, menos que nada ressuscita-me” (p. 83). Parece tudo mais perto do nulo do que do fora de escala pasoliniano. António Cabrita escreveu, a propósito de Pasolini, que o italiano “era da linhagem de Rimbaud, vivia a 120% do seu potencial”*** – o poeta deixou-o bem explícito: “Aos quase quarenta anos,/ acho-me na raiva, como um jovem/ que de si nada mais sabe além de que é novo,/ e se enfurece contra o velho mundo./ E, como um jovem, sem piedade/ nem pudor, eu não oculto/ esta minha condição: não terei paz, jamais” . *Tradução minha. O texto de Pasolini pode ser lido, por exemplo, aqui: https://libreriamo.it/poesie/poesia-pasoliniper-comprendere-rabbia-che-abbiamodentro/ ** Auto-retrato com radiador, trad. de Luís Matos, ed. Flâneur, 2022. *** https://hojemacau.com.mo/2021/05/14/davida-como-brasa/ 118
Foto: Vasco Célio
119
ALGARVE INFORMATIVO #333
Trabalho qualificado e futuro do turismo: Sugestão criar Taskforce Regional Alexandra Rodrigues Gonçalves (Diretora da Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo da UAlg) a passada terçafeira integrámos um painel de especialistas sobre «Trabalhar no setor do Turismo, que futuro?» no âmbito do Algarve Tech Hub Summit a convite do NERA no enquadramento da iniciativa muito oportuna do INOVA Algarve 2.0. O peso de 30 anos a formar jovens nestas áreas na Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo (ESGHT) da Universidade do Algarve faz-se sentir nestes momentos e tem contribuído de forma significativa para a formação e desenvolvimento de um capital humano qualificado na região. A oferta formativa da ESGHT é diversa e estruturada em torno de dois campi – Faro e Portimão – incluindo diferentes níveis de formação, dos Cursos de Estudos Superiores Especializados, às Licenciaturas e aos Mestrado (ver https://esght.ualg.pt/). Outros cursos de curta duração têm também sido oferecidos, entre os quais os cursos livres de línguas, estando inclusive neste momento a promover em regime de total voluntariado dos docentes, uma iniciativa conjunta com a Faculdade de Ciências ALGARVE INFORMATIVO #333
Humanas e Sociais, e a Escola Superior de Educação e Comunicação, um curso breve de Português para refugiados e requerentes de asilo. A ESGHT, é uma unidade orgânica da Universidade do Algarve vocacionada para o ensino superior, para a investigação, mas que nunca esquece a relação com a comunidade envolvente e com o tecido empresarial. Tem cerca de 1.990 alunos, perto de uma centena de colegas docentes e cerca de 20 colegas não docentes. Todos os anos existem estágios curriculares ultrapassando os 400 alunos de todas as licenciaturas em estágio dentro e fora da região. A taxa de empregabilidade apresenta dados muito positivos em todas as áreas de formação (com registos acima dos 90% em todas as Licenciaturas), pelo que, anualmente recebemos inúmeros contactos de empresas que desejam estreitar a sua relação com a Escola.
O momento atual e os seus reflexos As notícias do World Travel and Tourism Council dizem-nos num relatório recente que em 20202 Portugal perdeu 92 mil empregos diretos na área das Viagens e do Turismo e que para 2022 as previsões 120
apontavam para a falta de preenchimento de 1 em cada 6 lugares, demonstrando um deficit de 53 mil trabalhados no sector. A oferta de trabalho está com dificuldades em ser ocupada, pois os dados revelam que os trabalhadores foram para outros setores durante a crise. Muitos períodos de lockdown e restrições às viagens, maus salários, precaridade e sazonalidade, originaram uma relação muito difícil com o mundo do trabalho nas Viagens e o Turismo, que se agrava nos destinos mais sazonais. Neste momento, a força de trabalho não dá resposta às necessidades. Ao contrário de outras crises ou catástrofes, esta é global e os seus efeitos 121
são mundiais. Falávamos muito da era digital e de como iria alterar as nossas vidas, assumindo que a robotização e a introdução de automatismo nas áreas do Turismo e da Hotelaria, conduziria à extinção de empregos e esse não é o maior problema do momento, nem será a breve trecho, pois as Viagens e o Turismo são uma «indústria de pessoas para pessoas». Ouvimos os empresários falar do peso fiscal, dos custos de contexto, da crise energética, da falta de mão-de-obra e da dificuldade de recrutamento. Do lado dos trabalhadores ouvimos falar da precaridade, dos maus salários, dos horários, da falta de proteção social, dos custos da habitação e da falta de transportes e do seu custo. ALGARVE INFORMATIVO #333
É acima de tudo um momento conjunto e global de reflexão e uma oportunidade de criação de uma equipa regional que trate estes assuntos com profundidade – nos vários níveis de formação e ensino e que procure encontrar propostas de fazer face a estas problemáticas, um papel que terá que ser liderado pelos organismos regionais com responsabilidade nestas áreas. Não é suficiente encontrar paliativos para recrutar junto de países estrangeiros mão-de-obra não qualificada, pois outras questões emergem no imediato: competências linguísticas, competências de prestação de serviços na área, acesso a cuidados de saúde, alojamento, transporte, entre outros. Muitas das tarefas, processos e procedimentos diários podem ser reconvertidos, afinados, alterados e substituídos por formas mais simples, económicas e amigas do ambiente. O teletrabalho, as reuniões em vídeoconferência, as aulas não presenciais, os momentos de avaliação adaptados, são apenas alguns exemplos de como em momentos de crise, todos nos adaptamos e seguimos em frente. Aprendemos o significado de novas palavras: contingência, alerta, calamidade e emergência. Vivemos em pandemia há quase três anos e um conflito armado no seio da Europa. Percebemos que por um lado estamos longe de sistemas desenvolvidos de apoio em algumas áreas, mas também que por outro lado, temos acesso e disponibilidade de ferramentas potentes, que nos ajudam neste condicionamento ALGARVE INFORMATIVO #333
necessário de algumas práticas. Muitos serviços vão desaparecer por se terem tornado desnecessários, mas a criatividade e o engenho humano estão a fazer nascer oportunidades para alguns na personalização de experiências, produção de conteúdos, gestão de redes sociais, digital marketing, big data, economia colaborativa, realidade imersiva, entre outros. Temos que assumir que o ensino à distância não é a última maravilha do planeta, é uma ferramenta que perante a atual situação, veio permitir rapidamente darmos uma resposta rápida, mas nem sempre consolidada. Há um processo de adaptação que pode ser ganhador no digital e que pode resultar em modelos mais inovadores e complementares ao ensino em sala de aula, mas o próprio ensino online requer planeamento e estruturação de conteúdos diferindo do ensino presencial. Os primeiros passos têm vindo a ser dados. No âmbito do Plano de Recuperação e Resiliências e da formação STEAM, a ESGHT está a avançar com uma Pós-Graduação em Marketing Digital e uma outra em Portimão em Market Research and Analytics for Tourism. Não se trata de mudar tudo, mas sim de rever, otimizar e atualizar ao momento atual. Por exemplo, os recursos e os meios para essa evolução da digitalização da economia não estão ao dispor de todos e requerem, por vezes, elevados investimentos. Temos um tecido empresarial muito assente em Micro e Pequenas e Médias Empresas cuja 122
capacidade de abraçar o investimento necessário torna ainda mais difícil. Mas haverá áreas do negócio turístico e hoteleiro que procurarão automatizar processos que eram anteriormente desenvolvidos com base no elemento humano. O resto da sociedade perante a situação com que se está a deparar irá abraçar de outra maneira a digitalização da economia e os comportamentos enquanto os consumidores também revelarão outra predisposição para este mercado digital.
estratégias de adequação comportamental e de serviço ao cliente, principalmente para as profissões em que exista um contato direto com o mesmo. Caberá aqui a cada empresa avaliar juntamente com os colaboradores quais as lacunas de formação existentes e acima de tudo perceber quais as competências mais importantes para fazer face às novas exigências profissionais e sociais. Em todas as grandes crises emergem também oportunidades. Estamos perante um sector em que a capacidade de renovação e o dinamismo são enormes.
A oportunidade Este momento pode oferecer a oportunidade de serem repensadas as práticas de formação em curso e os modelos que se repetem de apoios sociais. Uma oportunidade ímpar de aprender, ajustar medidas e competências, e acima de tudo revisitar conceitos esquecidos que podem constituir um elemento diferenciador. A formação mais adequada irá depender da área de atividade, mas, perante a situação atual, será positivo apostar em ações de formação que permitam aos colaboradores ganharem novas competências relativas às novas tecnologias, ferramentas informáticas de apoio ao trabalho digital, ou até mesmo aprender ou reavivar o conhecimento relativo a diferentes idiomas. Perante a situação atual seria também importante aprofundar conhecimentos sobre questões relacionadas com normas de saúde e segurança e acima de tudo 123
Todavia estamos numa região de acentuada dependência do mercado associado ao sol e mar, pelo que, sazonalidade é sinónimo de precaridade. Cabe não só aos colaboradores, mas também às empresas e aos organismos públicos, de aproveitar estes momentos para melhorar processos e procedimentos internos, dando resposta às exigências que se irão colocar para oferecer serviços e produtos de qualidade. O setor das Viagens e do Turismo (no seu sentido mais amplo) tem mais uma vez, que se reinventar, adaptar e criar novas formas de acolher, servir e oferecer serviços e produtos diferenciados, flexíveis e adequados aos novos tempos em que vivemos, assim como, a educação e a formação em turismo irão incorporar as novas necessidades que todos estamos a sentir .
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
124
125
ALGARVE INFORMATIVO #333
DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos. ALGARVE INFORMATIVO #333
126
127
ALGARVE INFORMATIVO #333
ALGARVE INFORMATIVO #333
128