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Z I N E

POEIRA COMIX

#01

OCT 20 0 9

LIZARD BRAIN!

PC001

rock star

BUCKS!

processing and memory of emotional reactions!

♫ sex!

drugs!

rock’n’roll!

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f u c! f u c! f u c!

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Š daniel poeira

the incredible line-man


Bullshit! w h o c a r e s a b o u t e d i to r i a l s? My fellow readers, the time has come for each and every one of us to decide if we’re gonna be a part of the problem or if we’re going to be a part of the solution. This humble piece of tonerdrenched tree-corpse you hold in your hands is a warning, a flag, a pamflet and a message in a bottle. Its purpose is clear: to save the world, one fanzine at a time. The giant corporations are trying to turn all that is pure and simples into money-making machines, killing everything that has ever made sense for us in the last century. People don’t read books anymore, and education has been degraded to a lower common denominator where the only interest of the students is in finding a good paying job. Art and culture have never been so necessary in our sad history as a species, but all the government and the companies care about is about producing more and more bullshit so people can buy more and pretend to be happy. Everybody wants a nice job, right? A good office, a nice desk... But the money you make is worthless if you don’t know what to do with it. People spend all of their salaries back into their jobs: they buy fancy clothes to go to work, they buy a big comfortable car to drive to work everyday, they put a digital mp3 sound system on the car so they can listen to idiot music while

stuck on the traffic coming back from work, and so on, and so on. Like a little rat, trapped in a spinning wheel. People are so stupid these days they won’t even watch movies. They think they’re too long and boring. Even the 10 minute videos in YouTube seem too long, for a generation that was raised on dumb television, inneficient school systems, and the dumbening down promoted by capitalism and corporate media. Even people who claim to fight this situation, calling everybody else “sheep”, are in fact entrapped into this same system, performing their roles as trouble-makers just as predicted in the big plan. And what can we do about it? Not much. But maybe drinking and having sex could help. That would be a good start. We’ll be back in the next issue with more valuable tips on how to fight this war against the self-destruction of the human race.




at last, the food is here. hey, where is my cell phone?

yeah, leave it... hey! where is my cyanide?

ah, here it is!



this one? oh! man! that’s gross!

abracadabra! hey! stop that!

argh!!

damn, i choked with the cappelletti!

ryotiras.com

this food is taking so... hey! where is my watch!?


‘the underwater renegades’ in: “a passage to india!”

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See you later, alligator.

por Gabriela Mudado Quando pequena, meu avô costumava me chamar de jacaré. O apelido teve origem na época em que eu tinha o hábito de deitar no berço enrolada no lençol, de modo que só os meus olhos ficassem para fora, olhando atenta tudo ao meu redor. Eu gosto de pensar que este foi o motivo pelo qual a história que eu vou contar aconteceu. Meu avô foi mecânico de aviões da Força Aérea Brasileira. Ser militar na época da ditadura não deve ter sido um trabalho fácil, especialmente para o filho de um italiano com ideais anárquicos e uma espanhola que vinha de uma família de artistas. De qualquer forma, eu acho que o meu avô, sempre bem humorado, tentava ao máximo se divertir, apesar das circunstâncias. O trabalho dele consistia em sair consertando as aeronaves que, por algum motivo, haviam estragado antes de voltar para casa, seja em solo brasileiro ou fora dele. Ia para todos estes cantos obscuros do nosso continente atrás de aviões defeituosos e o que havia restado deles, em caso de acidentes. Não era raro, portanto, que algumas vezes a sua profissão o levasse para a floresta amazônica, ou a tantas outras matas que existem por aqui. Além disso, meu avô era um amante apaixonado da natureza. Mesmo que algumas vezes a sua piromania traísse o seu amor (e o fazia sair colocando fogo com o seu Zippo antigo), ele era um verdadeiro admirador das coisas da terra. Na casa dele sempre foram criados vários tipos de animais, desde galinhas e codornas até lagartos estranhos. Sem contar, é claro, com os vários cachorros, gatos e papagaios que eram muito bem-vindos ali. Quando eu tinha cinco anos, ele partiu para uma viagem ao Pantanal e, na volta, trouxe um animal de estimação um tanto quanto extraordinário. Eu me lembro que, uns dias depois de chegar, ele me convidou para ir no escritório dele. O escritório ficava num tipo de segunda casa atrás da casa principal, depois do jardim. Era onde ele ia para ficar sozinho, ouvindo seus discos de música clássica e fumando seus cigarros feitos a mão com fumo de rolo. As crianças não podiam entrar lá dentro nunca, a não ser que tivessem sido previamente convidadas e, por isso, quando ele me pegou pela mão e me levou até lá, eu sabia que deveria

ser por algum motivo muito importante. E era. Entramos na sala que ele chamava de oficina e ele me mostrou uma gaiola grande de passarinho. Dentro dela não havia nenhum pássaro, mas sim um réptil. Um filhote de jacaré do papo amarelo. Ele era um pouco maior que uma lagartixa e menor que um calango de jardim e eu não entendia muito bem porque aquilo era incomum mas sabia, pelo jeito que meu avô olhava para ele, que deveria manter segredo. O jacaré não durou mais que uma semana. A minha avó, sempre muito tolerante com os hábitos do marido, logo descobriu o indesejado visitante em sua casa e viu-se obrigada a expulsar aquele animal ameaçado de extinção, declarando solenemente o velho e conhecido “ou eu ou ele”. Mesmo assim, fizemos uma pequena cerimônia de despedida, com os primos todos sem entender porque aquele bicho que parecia uma miniatura viva da Cuca teria que ir embora. Alguns anos se passaram até o jacaré ser encontrado no parque da Lagoa do Nado, na Pampulha. Foi transferido para o zoológico, onde íamos visitá-lo de vez em quando, e gerou uma grande discussão entre os biólogos que tentavam desesperadamente entender como um bicho raro daqueles foi parar em um parque fechado. Meu avô, na frente da televisão, dava gargalhavas a cada vez que via os especialistas apresentando suas hipóteses. O tempo passou, eu cresci, meu avô morreu e o jacaré viveu feliz e enjaulado para sempre. A história foi esquecida, até que, alguns meses atrás, sentada em uma mesa de bar, uma menina, que eu tinha acabado de conhecer, disse: - Vocês se lembram de que, há uns anos, um cachorro foi atacado no parque da Lagoa do Nado por um jacaré do papo amarelo? Todo mundo lembrava. - Então, o cachorro era meu. Sorrindo e tentando imaginar o que meu avô teria pensado daquilo, respondi para ela: - E o jacaré era meu.

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Very Short Stories The fact that he could lick his own bulging moist eyeballs while staring in different directions was a big turn-on for the lady tree frogs. whuddafug.com

All that was left of his feelings toward her was a cold black lump of hatred that sat at the back of his throat. He coughed and spat. If he were an honest Facebooker, most of his comments would read: “Who the fuck cares?”, “Big fucking deal.”, and “That kid’s ugly.” Nikki the Naughty Witch captured Dorothy and put her to work in a club where she made new friends, like Lapdance Dan and Dollar Bill.

In the country he made intricate traps of scrap wood and dental floss, hoping to find his one true love. But she lived in the city.

She threw the windows open. “How I love the rain!” Disturbed, he watched as the thunderstorm soaked her bedsheets and stuffed animals.

They laughed when they saw the bearded man with his wooden spoon: “What’s the spoon for?” He smiled: “To stir the body parts. Why?”

Upon his head he wore a Burger King hat for good luck, but what he really needed was his +5 Amulet of Confidence.

“I was going 116,000mph!” he said. She shook her head. He wasn’t retarded. Just didn’t know how to read a speedometer.

Behind the barn, she kept the bodies of those who idolized her. But God said idolatry is wrong. Paula Abdul grabbed her shovel. Again.

In later years he reflected upon the hamsters he had tortured. Killing people was never quite the same. He fired up the chainsaw.

High up in the windy trees he hid, and on soft ground beneath dead leaves. Finally run over on the asphalt. School bus, point blank.

Laughing, the monkey ate his bananas and watched as Magdalena struggled to wash her family’s clothes in the river.

They took turns spanking one another with the paddle. Until at last, red-cheeked and sore, the ping-pong tournament began.

For Christmas, she bought expensive gifts for his mom, whom she never met. He knew she had no job other than what she did on the streets. “It’s the thought that counts.”

Upon the toast he wrote a message to his love in butter. But for her breakfast she preferred bagels and lox.

Elisa was a girl I once knew. And that’s all I’ll say about her. The son we put up for adoption might be reading this.

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Lizard Brain is a product of The Poeira Comics Multinational Entertainment Corporation Inc. ● Editor-in-chief: Daniel Poeira. ● All lefts reserved. The literary-visual works presented in this ‘zine are property and responsability of their own creators, who are all big enough to defend themselves. If you feel offended by the contents of this zine, fuck you. Intelligent adults don’t care about mere words. ● Monthly publication. Printed in: Oktober/2009 ● http://www.danielpoeira.org

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i wish i was a robot with mass destruction weapons...

i wish i was a ballerinna...

do that trick again! please! i swear i’ll listen after that. alright! alright! awesome!!!

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may i read my essay now?

can you hit that squirrel?

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Lizard Brain #0