Skip to main content

CRO-MG Ed. 241 FEV/MAR/ABR 2019

Page 1

notícias MERCADO

Buco-Maxilo-Facial é área em expansão página 12

fev/mar/abr

edição 241

2019

integração para avançar

conexão

fortalecida Nova gestão tem como foco a união pela valorização da Odontologia

Concurso suspenso

Justiça acata pedido do CRO-MG por correção de salários página 22

00

JAN 2017

MG

conselho regional de odontologia de minas gerais

página 8


sumário Mundim Palhares, 6 Camila Coordenadora de Saúde Bucal de BH ENTREVISTA

as metas para 8 Conheça a gestão 2019-2021 do CRO-MG CAPA

expediente Publicação trimestral oficial do Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais Rua da Bahia, 1477 Lourdes CEP 30.160-017 Belo Horizonte | MG Telefax: (31) 2104-3000 cromg@cromg.org.br www.cromg.org.br

Diretoria/Efetivos

Suplentes

produção

Presidente: Dr. Alberto Magno da Rocha Silva Conselheiro Secretário: Dr. Leonardo Rezende Vilela Tesoureiro: Dr. Raphael Castro Mota Presidente da Comissão de Tomada de Contas: Dr. Ricardo Alves Corrêa Presidente da Comissão de Ética: Dr. Carlos Alberto do Prado e Silva

Membro da Comissão de Tomada de Contas: Dr. Ranieri Spuri Membro da Comissão de Tomada de Contas: Dr. Jorge Ferreira Rodrigues Secretária da Comissão de Ética: Dra. Marina Mendes Moreira Conselheiro Suplente: Dr. Ricardo Severino Conselheiro Suplente: Dr. Adilson Heringer de Oliveira

Comunicação CRO-MG: Gerente: Ricardo Divino Coordenadora: Flávia Rodrigues Estagiários: Júlia Souza e Maria Clara Zica Redação, edição, infográficos, diagramação e projetos gráfico e editorial: DUO Conteúdo e Design Editora: Kátia Massimo Editor de Arte: Edmundo Serra Jornalista: Raquel Ayres Revisora: Maria Cecília Lima Fotos: Samuel Gê Impressão: Edigráfica Gráfica e Editora Tiragem: 37.600 exemplares

MG

conselho regional de odontologia de minas gerais

Pixabay

12 Especialistas Buco-Maxilo-Facial tornam-se referência MERCADO

dentro 14 Por do CRO-MG cOLUNA

sobre 18 Fake-news tratamentos DOCUMENTÁRIO

dentários

resguarda 15 Seguro contra imprevistos 20 Halitose é sinal de alerta PREVENÇÃO

MAL HÁLITO

profissionais

práticas 16 Boas reduzem risco BIOSSEGURANÇA

de contaminação

2

mar 2019

para doenças

pede 22 CRO-MG suspensão por CONCURSO

conta de salário

mar 2019

3


carta ao inscrito

Mês internacional das mulheres

União pela Odontologia Há exatos dois anos, ocupei este espaço para falar dos motivos que levam alguém a assumir o desafio de gerir uma entidade com as atribuições do Conselho Regional de Odontologia. Citei motivação, convicção, determinação. Hoje, depois de abraçar essa missão e vivenciar as dores e a glória de gerir a instituição, acrescento outras palavras: coragem e gratidão. Coragem, porque sem ela não se pode estar à frente de batalha alguma. E gratidão pelo voto de confiança concedido a todos os integrantes desta diretoria na gestão anterior e, agora, pela renovação desse crédito depositado nas urnas em dezembro, o que só aumenta a nossa responsabilidade de fazer diferença pela valorização e prestígio da Odontologia. Quando optei por me tornar um cirurgião-dentista – e já se foram 35 anos desde que tomei a decisão – a primeira motivação, claro, foi o idealismo. Sabia que, como profissional da saúde, poderia ajudar muitas pessoas. Queria ver o resultado do meu trabalho estampado no rosto dos pacientes, na expressão de um sorriso. Mas a escolha de uma profissão, todos sabemos, não pode ser simplista assim. Outros aspectos pesam na definição do caminho que qualquer jovem tem a percorrer, como perspectiva, possibilidades, empregabilidade, remuneração e tantas variáveis mais. E, na época, a grande maioria desses aspectos se mostrava positiva, em curvas ascendentes. Ao longo do tempo, no entanto, o mercado foi mudando e obrigou o profissional da área a se renovar para acompanhar as muitas evoluções tecnológicas e estar apto a cumprir novos padrões de qualidade para, assim, se destacar em um mercado que sofre pela saturação. Houve um impacto imediato no aumento de custos e a necessidade de se vincular a convênios, sujeitando-se a uma remuneração inadequada, longas jornadas e outras condições insatisfatórias. Essa é uma realidade difícil de admitir, mas que precisamos enfrentar para conseguir mudar. E é por acreditar que a mudança passa pelo fortalecimento da representatividade é que estamos aqui, encarando este desafio novamente. Precisamos nos unir para ganhar força. Há muito a ser feito. É um trabalho contínuo, que não se restringe a uma ou duas gestões. Já avançamos em muitos pontos e vamos continuar determinados a alcançar novas conquistas. Esse é um compromisso assumido com a categoria e será cumprido, mas, para isso, precisamos que você, profissional da área, também participe, esteja próximo deste Conselho, apresente sugestões. Essa instituição está de portas abertas a todos, pois é a casa e a voz da Odontologia! Muito obrigado e vamos em frente!

4

mar 2019

Alberto Magno da Rocha silva Presidente do CRO-MG

O CRO-MG cumprimenta as mulheres pelos diversos papeis que desempenham no nosso cotidiano: profissionais, mães, esposas, amigas, donas de casa.

“Já avançamos em muitos pontos e vamos continuar determinados a alcançar novas conquistas”

Nosso reconhecimento a todas aquelas que contribuem para uma sociedade mais justa, melhor. Em especial às representantes da Odontologia! Que possamos muto em breve comemorar novas conquistas, mais reconhecimento, mais respeito, mais espaço!

Homenagem do CRO-MG às mulheres!

MG

ago 2018

?


entrevista camila mundim palhares

“ É preciso ter perfil para atuar no SUS” Coordenadora de Saúde Bucal de BH fala sobre as condições de trabalho para os profissionais da odontologia pública

Samuel Gê/DUO

Especialista em saúde pública e com experiência de quase duas décadas na área, a Coordenadora Técnica de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Camila Mundim Palhares, conversou com o CRO-MG Notícias sobre o exercício da Odontologia no SUS. Segundo ela, a prefeitura de Belo Horizonte e os profissionais têm-se esforçado para ampliar o acesso do usuário aos serviços oferecidos na rede pública. Em 2018, foram adquiridas 217 cadeiras odontológicas e 33 compressores. Há indicadores para monitoramento das ações e, consequentemente, discussões do processo de trabalho. Qual a importância do cirurgião-dentista nas equipes de saúde do município?

O profissional de Saúde Bucal integra a equipe de Atenção Básica vinculada à população de um território, com a qual estabelece relação de confiança, já que conhece bem as suas especificidades e reais necessidades. Portanto, o cirurgião-dentista, assumindo a responsabilidade sanitária, integra uma equipe que executa suas ações respeitando os princípios do SUS, tais como a integralidade, a universalidade e a equidade. Na Equipe de Saúde da Família estão inseridos diferentes profissionais da saúde como o médico, o enfermeiro e outros. O atendimento integralizado é fundamental, pois a Saúde Bucal faz parte do cuidado integral do usuário.

6

mar 2019

Como o profissional da Odontologia atua para contribuir com as políticas públicas criadas para favorecer o cidadão?

Os profissionais da Odontologia, como expliquei, fazem parte da equipe de Saúde da Família. Sendo assim, essa equipe deve proporcionar ao usuário acolhimento e escuta qualificada. Ouvir o usuário, entender a sua necessidade e agir de forma equânime são algumas das contribuições para as políticas públicas. Um dos exemplos dessas atuações é a necessidade de se ofertar prótese. Segundo levantamento epidemiológico realizado pelo Ministério da Saúde – SB Brasil 2010, cerca de 78% dos examinados na faixa etária de 35 a 44 anos e 90% dos examinados na faixa etária 65 a 74 anos necessitam de prótese como principal necessidade de reabilitação oral. Frente a essa grande necessidade acumulada da população, a secretaria tem investido na contratação de laboratórios, no controle de qualidade das próteses, na qualificação de profissionais, com o intuito de responder a essa necessidade da população do município. Quais os maiores desafios, atualmente, quando falamos de atuação em unidades de saúde?

A demanda é muito grande em razão da crescente procura pelos serviços públicos. Uma parcela significativa da população que anteriormente tinha acesso e utilizava os planos de saúde odontológicos hoje busca atendimento na rede SUS/ BH. Por essa e outras razões, pessoas que não costumavam procurar a saúde pública estão, agora, recorrendo a ela. Outro desafio está relacionado ao perfil do cirurgião-den-

tista para atuar na Saúde da Família, já que ele precisa conhecer as especificidades do seu território de atuação (chamamos isso de Gestão do Cuidado do Território), para, assim, planejar suas ações. Dentista e equipe precisam se aproximar da população para conhecer o usuário, o lugar onde ele mora e entender de forma integral a sua demanda. Como são as condições de trabalho oferecidas ao cirurgião-dentista?

O esforço e os desafios da gestão são constantes quando o objetivo é proporcionar aos profissionais de

“ O paciente do serviço público deve receber olhar diferenciado” Saúde Bucal condições ideais de trabalho. Acabamos de trocar 33 compressores e 217 cadeiras, mais da metade do nosso parque tecnológico está renovado. Além disso, estão sendo realizadas melhorias na estrutura física por meio de reformas e mudanças de imóveis. Esse movimento é constante. Atualmente contamos na Rede com cinco tutores de prótese. Esses colegas ajudam os cirurgiões-dentistas da Atenção Primária quando o nível de dificuldade na confecção de prótese é maior, configurando também educação permanente. É necessário abordar de forma diferente os pacientes do consultório particular e do serviço público?

O paciente do serviço público deve receber olhar diferenciado. Ao trabalhar com equidade, cuidamos dos que mais precisam. Assim, o trabalho da equipe de saúde bucal vai além da cadeira. Ele envolve também a orientação ao paciente quanto aos hábitos adequados de higiene, a realização de visitas domiciliares aos acamados, atendimentos à população vulnerável, entre outros. Esses fatores tornam nosso público mais amplo que o da rede particular. O que o cirurgião-dentista deve avaliar antes de ingressar na carreira por meio do serviço público?

Ele deve avaliar se tem o perfil para atuar no SUS, pois a Saúde Pública é um constante desafio por ter algumas limitações. O uso dos protocolos, notas técnicas e manuais são instrumentos importantíssimos que devem ser utilizados por esses profissionais. Os salários não são os mesmos da iniciativa privada, mas a recompensa pessoal e humana é inegável.

Como podem ser humanizadas as práticas de atendimento?

Com a realização do acolhimento e da escuta qualificada para saber a real necessidade do usuário e atendê-lo de forma integral e pessoal; com as discussões dos casos com outros profissionais da Equipe de Saúde da Família, a fim de traçar estratégias para melhor atender a demanda; com a realização de grupos operativos para determinados públicos, tais como gestantes, diabéticos, entre outros. E, por fim, oferecendo atendimento baseado na equidade com uma odontologia contemporânea, menos mutiladora. mar 2019

7


gestão integração para avançar

Compromisso com a valo rização do profissional Divulgação

Presidente reeleito do CRO-MG fala sobre as diretrizes que vão nortear a nova gestão

Valorizar a Odontologia, defender a dignidade dos profissionais da área e promover a saúde bucal com ética e transparência sempre foram os principais compromissos da atual diretoria do CRO-MG, reeleita para mais uma gestão à frente da Instituição para o biênio março de 2019 a março de 2021. Nas eleições, realizadas em dezembro do ano passado, a Chapa 1 recebeu 69% dos votos válidos. “O resultado é uma demonstração de que estamos em sintonia com os anseios da categoria”, afirmou o presidente reeleito, Alberto Magno da Rocha Silva. “E vamos seguir em frente, com toda firmeza necessária”, ressalta. Na gestão que agora se encerra, um dos primeiros passos foi pôr o CRO-MG em ordem, alterar condutas e procedimentos para sanear as contas da entidade e implantar práticas de austeridade. “Isso, claro, sem deixar de atuar com determinação na representatividade da categoria, a fim de melhorar as condições de trabalho”, diz Alberto Magno. “Agora, com a casa arrumada, nesta nova gestão, vamos concentrar nosso foco no resgate do prestígio e reconhecimento dos profissionais da área, porque zelar pela Odontologia é a razão de existir do CRO.”

8

seja ajustado aos novos tempos, de forma a permitir, inclusive, que o cirurgião-dentista possa mostrar à população a dimensão do trabalho que realiza em favor da saúde integral, sem restrições legais que prejudiquem uma divulgação positiva das competências técnicas. “Não se trata de estimular uma exposição comercial da atividade, mas de informar sobre os avanços e todos os trabalhos que podem ser feitos pelo cirurgião-dentista. Se nosso código de ética proíbe a divulgação de imagens, como a população vai saber?”, observa o presidente do CRO-MG. O reconhecimento do campo de trabalho do cirurgião-dentista também é visto como urgente e necessário. A área de atuação dos profissionais da Odontologia envolve todo o sistema estognático, e o CROMG vai atuar pela regulamentação. “Ainda há muita falta de entendimento sobre a dimensão desse trabalho. Por exemplo, a harmonização orofacial não pode ser reduzida a uma questão de vaidade, já que contribui para o bem-estar geral das

pessoas. A própria OMS define saúde como um estado de bem-estar físico, mental e social”, explica Alberto Magno. A presença de profissionais na Odontologia hospitalar é outra bandeira do CRO-MG e já existe uma mobilização da Instituição para que a Comissão Estadual de Saúde apresente projeto de lei que estabeleça a obrigatoriedade da presença de, pelo menos, um cirurgião-dentista nas equipes hospitalares. “Quem mais ganha com isso é a população”, destaca. A preocupação com a formação adequada, visando à prestação de serviço de qualidade, será outro propósito da Instituição. Para isso, o CRO-MG defende uma participação mais incisiva dos conselhos de Odontologia na aprovação, no âmbito do governo federal, da abertura e do fechamento de escolas de graduação na área. “Algumas faculdades não reúnem condições de funcionamento, então os conselhos precisam intervir”, diz Alberto Magno. “Isso é uma defesa da sociedade e da Odontologia.”

A pauta política, com a apresentação das principais reivindicações da categoria às autoridades competentes, como a fixação de remuneração adequada pelos convênios de saúde odontológicos, também será reforçada, mas, agora, o CRO-MG pretende incentivar a conscientização da categoria para a necessidade de uma representação política capaz de apresentar e defender os pleitos da Odontologia nos âmbitos municipal, estadual e federal, como já ocorre com várias outras categorias profissionais. “Para que possamos ser ouvidos, precisamos de participação política. Não temos hoje nenhum deputado federal ou estadual cirurgião-dentista, o que nos deixa nas mãos de políticos que não entendem nada da área para aprovar leis que impactam o nosso trabalho. Isso prejudica a categoria e também a população. Ou criamos esse entendimento da necessidade de participação política ou vamos sucumbir frente a outras especialidades”, diz Alberto Magno. Conheça as diretrizes em relação às principais metas:

Abril de 2019 As metas incluem ampliar o caráter educativo da fiscalização, evitando que atitudes inadequadas gerem concorrência desleal e prejudiquem os bons profissionais. Desde o ano passado, as ações de fiscalização foram intensificadas, priorizando a averiguação de denúncias de exercício ilegal da profissão. Foram

identificados quase 180 ilegais, e 12 falsos dentistas foram presos. Só nos primeiros 40 dias de 2019, já são dois flagrantes de atendimentos por ilegais (veja matéria nesta edição). Continuar lutando pela mudança no Código de Ética Odontológica também está entre as propostas de gestão, a fim de que o documento

XV Curso de Aperfeiçoamento em Prótese sobre Implante

Carlos Goiatá CROMG 7681

Ana Carolina Goiatá CROMG 30648

Laura Goiatá CROMG 40342

XVII Curso de Aperfeiçoamento em Implantodontia

XVIII Curso de Cirurgias Avançadas em Implantodontia

mar 2019

mar 2019 www.goiata.com.br

3284-0949 3024-6560 31 98444-4546 contato@goiata.com.br 31 31

9


gestão integração para avançar 5 perguntas para

Alberto Magno da Rocha Silva

Basta ver em plantões médicos, na maioria dos hospitais. Os cirurgiões-dentistas são os responsáveis pelas complexas cirurgias de recomposição buco-maxilo-facial nas situações de emergência, exatamente pela capacitação Porque isso é uma grande falta de conhecimento sobre que têm. Então, é inquestionável que deva haver uma a capacitação dos profissionais da área. Eu digo e repito conscientização desse papel. sempre: os cirurgiões-dentistas são os profissionais que mais entendem de face e de todo o sistema estognático. O CRO-MG também está em uma frente Muitos ainda enxergam a Odontologia como uma área que pode atuar de maneira restrita em tratamentos que envolvem a boca. Por que o CRO-MG acha que isso precisa mudar?

de batalha pela obrigatoriedade da presença de profissionais da área em CTIs. Qual a justificativa?

Não dá para entender a ausência de cirurgiões-dentistas em hospitais, já que eles podem ajudar a reduzir doenças graves. Por exemplo, quando o paciente internado tem excesso de saliva na boca. Se o cirurgião-dentista conseguir evitar isso, faz prevenção, reduz riscos de contaminação, impede que a saliva vá para o pulmão, e o paciente tenha pneumonia. O problema é que essa é uma questão política, os gestores de hospitais vão falar que o governo não tem de intervir na contratação, mas é como o cinto de segurança: para resguardar a população, é necessário obrigar a usar.

Infelizmente, nossos políticos ainda não entendem que a saúde bucal pode eliminar doenças muito graves, que prejudicam a população, reduzem a sua capacidade laboral. Assim como outras categorias profissionais, nós precisamos de representação forte, de parlamentares nas diversas esferas de governo que tenham esse entendimento do nosso trabalho e como ele pode auxiliar na saúde da população. Por exemplo, o Ministério da Saúde publicou em janeiro uma portaria que reduz a carga horária de profissionais do Saúde da Família e sequer considerou as equipes de Saúde Bucal. Outro absurdo é a diferença de valores dos repasses de recursos do governo federal para as equipes médicas, que é quatro vezes maior do que o montante destinado às equipes de saúde odontológica. Está errado. Mas isso só ocorre porque não temos representação política. Em relação ao Código de Ética, quais as mudanças necessárias?

Precisamos ajustar esse documento à realidade atual. É fundamental que o cirurgião-dentista possa informar à população sobre o trabalho que realiza, sobre a dimensão

e benefícios desse trabalho. A Odontologia atua com o maior ícone de demonstração da felicidade, da autoestima das pessoas, que é o sorriso. Muitas vezes, a pessoa não consegue um emprego, se retrai porque tem vergonha do sorriso, de se expressar, acredita ser portadora de um defeito. Muitas desses casos podem ser corrigidos pelo cirurgião-dentista. Mas a maioria das pessoas não sabe disso. Portanto, precisamos dar direito de expressão ao cirurgião-dentista e dar também à população o direito de saber os recursos da profissão, razões pelas quais precisamos mudar o Código de Ética.

integração para avançar

Marca para a Gestão 2019/ 2021, que representa a estratégia de abordagem dos problemas atuais da Odontologia de forma abrangente porém, conjunta, conectada

A qualidade do ensino da Odontologia é outra questão que preocupa? Como resolver?

Nós temos um grande número de faculdades sem parâmetro em qualquer lugar do mundo, e ainda são mal distribuídas. Imaginamos que a faculdade para existir tem de ter um mínimo de condições, de estrutura, de capacitação do corpo de professores. Tudo isso é importante, e algumas faculdades não apresentam essas condições mínimas. Então o Conselho tem de interferir não apenas na abertura, mas também nos fechamentos. Isso é uma defesa da qualidade de formação, é uma defesa dos profissionais e da sociedade.Assegurar isso é função do Conselho. Por que a Instituição considera a participação política tão importante?

10

mar 2019

mar 2019

15


mercado BUCO-MAXILO-FACIAL

Especialização em

Cirurgiões-dentistas ganham espaço como referência na área e são requisitados em hospitais Seja nos casos de reconstrução de ossos da face fraturados em acidentes, na correção de fissuras labiopalatais e até mesmo na devolução da estética a pessoas atingidas pelo câncer na região facial, os cirurgiões-dentistas vêm ganhando espaço com a especialização em Cirurgia eTraumatologia Buco-Maxilo-Facial (CTBMF) e se tornaram referência nos procedimentos cirúrgicos que devolvem função e autoestima ao paciente. “O cirurgião-dentista buco-maxilo-facial se destaca pelo amplo conhecimento da anatomia maxilar e oclusão dentária, fundamentais para o correto diagnóstico, planejamento e execução dos procedimentos”, explica o coordenador do serviço de cirurgia Buco-Maxilo-Facial do Hospital da Baleia, o cirurgião-dentista Belini Freire Maia. Segundo ele, a modalidade está em alta, mas exige dedicação e especialização, assim como atuação como residente em equipes hospitalares. Mestre em cirurgia Buco-MaxiloFacial, Filipe Jaeger considera que essa é uma área da odontologia de atuação ampla, o que proporciona um mercado de trabalho muito bom e aquecido. O especialista, esclarece, pode trabalhar dentro de hospitais, em centros de tratamento de traumas, em cirurgias ortognáticas, na realização de implantes dentários, no

12

mar 2019

alta Fotos: Divulgação

Beline Maia: "Área exige muita dedicação"

Felipe Jaeger: "Ainda faltam bons programas de especialização"

diagnóstico de tumores da cavidade bucal e também em cirurgias orais de menor complexidade, realizadas dentro de consultórios. “Mas vejo que, no cenário nacional, ainda faltam bons programas de especialização”, afirma Jaeger. A especialização em cirurgia Buco-Maxilo-Facial difere da cirurgia de cabeça e pescoço praticada pela área médica, pois o cirurgião-dentista atua na região do vicerocrânio (esqueleto da face). Já o cirurgião de cabeça e pescoço vai atuar em conjunto com a neurocirurgia na área do neurocrânio. Mestre em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, Antônio Luis Neto Custódio afirma que a especialidade necessita de constante interação com outros profissionais da saúde, pois só assim é possível proporcionar tratamento adequado aos pacientes. “O especialista está apto para realizar desde uma simples extração dentária até uma grande intervenção numa deformidade facial”, diz. E é essa capacitação que possibilitou aos especialistas um reconhecimento entre os profissionais da área médica e também por parte das operadoras de saúde e do SUS. Segundo ele, os hospitais de Belo Horizonte não só estão abertos aos especialistas em CTBMF como têm promovido cam-

Resgate da função e autoestima Áreas de atuação do cirurgião Buco-Maxilo-Facial z Tratamento de lesões maxilofaciais (fraturas de ossos faciais) z Deformidades esqueléticas da face, incluindo má formação como lábio leporino e fenda palatina z Procedimentos cirúrgicos envolvendo enxerto ósseo e de tecido mole z Implantodontia z Procedimento cirúrgicos associados às inclusões dentais. z Problemas da articulação temporamandibular z Diagnóstico e tratamento dos aspectos neurológicos da dor facial z Diagnóstico e tratamento de patologias benignas que acometem a região maxilofacial z Diagnóstico e tratamento de infecções bucais faciais Especialização z Cursos de pós-graduação com carga horária de no mínimo 3 mil horas, com investimento de R$ 3 mil mensais z Residência médica, com bolsa de remuneração mensal de R$ 3 mil, em média Fontes: Cirurgiões-dentistas consultados, Cirurgião-dentista Belini Freire Maia, Mestre em cirurgia buco-maxilo-facial, Filipe Jaeger e Mestre em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, Antônio Luis Neto Custódio

panhas de esclarecimento à comunidade odontológica com o objetivo de atrair essa importante demanda para o seu rol de prestação de serviço. Custódio destaca ainda as novas

tecnologias dos exames de imagens que têm possibilitado diagnóstico mais preciso nesse tipo de cirurgia. “O uso de cadáver fresco como meio de treinamento das principais técnicas cirúrgicas no rol da CTBMF, como

Tecnologias proporcionam diagnóstico mais preciso, diz Antônio Custódio

o treinamento em cirurgia ortognática e artroscopia da ATM é outro avanço, já que proporciona uma simulação muito próxima da realidade”, explica. Em novembro, o Departamento de Morfologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB/UFMG) foi pioneiro ao viabilizar cursos de treinamento em cadáver fresco. Os congressos na área são constantes. Inclusive com atuação do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, que organiza periodicamente eventos de formação na especialidade visando à consolidação de novas técnicas e aprimoramento profissional.

Informacões sobre servicos, eventos, cursos gratuitos e muito mais noWhatsApp corporativo do Conselho Regional de Odontologia deMinas Gerais. Fique por dentro de todas as acões em seu benefício. conselho regional de odontologia de minas gerais


por dentro do cro-mg

Proposta para impasse de acessibilidade O presidente do CRO-MG, Alberto Magno da Rocha Silva, juntamente com membros do Conselho e assessores, reuniu-se com a especialista em Políticas e Gestão da Saúde da Superintendência da Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais, Patrícia Maria de Faria e Silva, em janeiro, para tratar do impasse criado pela NBR 9050/2015. A norma técnica, que exige a instalação de recursos para garantir a acessibilidade nos consultórios odontológicos, é usada como referência para elaboração e análise de projetos arquitetônicos dos estabelecimentos de saúde e está baseada na Lei nº 10098/ 2000, que estabelece normas e critérios para promoção de acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida ou portadoras de deficiência. O problema é que muitos consultórios e clínicas estão instalados em prédios antigos onde essa adaptação não é possível. Há ainda aqueles que funcionam em prédios tombados,

especialmente em cidades do interior, onde qualquer intervenção é proibida por lei. Por outro lado, o Ministério Público vem cobrando sistematicamente uma atuação por parte da Vigilância Sanitária para notificar essas situações. Para tentar solucionar o problema, o CRO-MG, em parceria com a Vigilância Sanitária, pretende apresentar ao Ministério Público uma

proteção seguros

Divulgação

proposta de criação de consultórios referenciados para situações desse tipo. Assim, na impossibilidade de adequar o imóvel às exigências legais, o cirurgião-dentista poderá indicar um consultório de referência que atenda aos quesitos de acessibilidade para os deficientes físicos, caso a proposta do Conselho Regional de Odontologia seja aceita pelo Ministério Público.

Ações de fiscalização: ano começou com prisão de ilegal As equipes do CRO-MG promoveram uma série de recebendo. Já no início de janeiro, os agentes identificaações relacionadas às denúncias que a instituição vem ram várias irregularidades. Veja as principais ocorrências: 11/JAN - Betim Prisão em flagrante de ilegal atuando como cirurgião-dentista 18/JAN - Bairro Alípio de Melo Flagrante de uma ASB fazendo manutenção ortodôntica em uma menor de idade 4/FEV - Belo Horizonte Interdição de consultório odontológico por não estar em conformidade com as normas de biossegurança

14

mar 2019

7/FEV - Belo Horizonte Interdição de consultório por falta de esterilização adequada, medicamentos vencidos, materiais reaproveitados, equipamentos em más condições e risco iminente do gesso do teto desabar 12/FEV - Juiz de Fora No Centro de Especialidades Odontológicas foram encontradas irregularidades como falta de teste biológico e químico na esterilização, mofo e ventilação inadequada. Foi dado prazo para regularizar a situação

Assim como outros profissionais, o cirurgião-dentista tem optado por fazer seguro para se resguardar contra imprevistos O piloto de Fórmula 1 Fernando Alonso assegurou os dedos polegares. O jogador de futebol Cristiano Ronaldo, cinco vezes eleito o melhor do mundo, foi generoso nos valores da apólice que adquiriu para suas pernas: US$ 144 milhões. Não é raro profissionais fazerem seguro de partes do corpo que são instrumentos de trabalho. Ainda na década de 1950, a atriz Betty Grable inaugurou a modalidade com o seguro das pernas. Nos últimos anos, profissionais de outras áreas têm aderido a esse tipo de proteção. Os cirurgiões-dentistas, que também correm o dia todo – mesmo que não saiam da sala –, manipulam substâncias, lidam com objetos cortantes e, principalmente, são responsáveis pela segurança do paciente, também vêm buscando se resguardar. “Há uma preocupação maior em proteger conquistas e se precaver contra as incertezas do futuro”, explica o diretor da Mapfre Seguros, Antônio Edmir Ribeiro, empresa parceira da Acapo (Associação Cultural de Apoio ao Profissional da Odontologia) no Clube de Benefícios. Como qualquer outro, o profissional de Odontologia também está sujeito a imprevistos que causam

Prevenir é

sempre melhor

Suzana Ferrari Silveira Rocha

Antônio Edmir Ribeiro, da Mapfre: "Há preocupação em proteger conquistas"

perdas financeiras ou transtornos. “Hoje, percebemos uma grande procura, por parte dos cirurgiões-dentistas, do seguro de responsabilidade civil profissional, além do seguro de vida”, informa Ribeiro. Os seguros de vida e acidentes pessoais pagam indenização para casos de invalidez total de membros, decorrentes de acidentes, e casos de morte. Já a responsabilidade civil profissional cobre danos causados por possíveis ações judiciais. E, principalmente, danos sofridos na execução dos tratamentos, tanto por parte dos profissionais

quanto do paciente. Além da cobertura para indenizações por ações judiciais, é possível contar com assistência jurídica, nos casos em que houver divergências na visão do resultado, a ponto de gerar uma demanda judicial. “A cultura de seguro em países desenvolvidos é maior que a cultura de seguro no Brasil. Isso se aplica em todos os níveis sociais e em todas as profissões também. Os profissionais de saúde, em mercados mais maduros, utilizam o seguro como mais uma ferramenta de trabalho”, explica Ribeiro. mar 2019

15


biossegurança boas práticas

Proteção

Atenção às barreiras Equipamentos de proteção individual exigidos pela Anvisa

nunca é demais

Especialistas alertam sobre os cuidados com a biossegurança para reduzir os riscos de contaminações Quando falamos em Odontologia, tão importantes quanto o aperfeiçoamento técnico e o conhecimento científico são os cuidados com a biossegurança. São os zelos para reduzir os riscos de contaminação que garantem proteção aos profissionais de saúde e à população. O consultório é um ambiente com alto potencial de proliferação de bactérias, que podem ser provenientes da boca dos pacientes, por meio de gotículas eliminadas durante os procedimentos, ou de instrumentos e equipamentos infectados. “É essencial a manutenção da cadeia asséptica durante todo o tratamento para evitar a contaminação cruzada”, alerta o presidente da Comissão de Biossegurança do curso de Odontologia da UFMG, Leandro Napier de Souza. O reposicionamento de um refletor sem uma barreira ou o uso de materiais que não passaram pela autoclave para esterilização são portas abertas ao contágio, mesmo que o profissional tenha adotado outros procedimentos adequadamente, como o uso de luvas e máscaras. O especialista avalia que os procedimentos de biossegurança, que estão sedimentados na literatura científica e estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda são, por vezes, negligenciados por alguns cirurgiões-dentis-

16

mar 2019

Kenneth Rodrigues/Pixabay

z Gorro: deve cobrir todo o cabelo e orelhas, protegendo-os dos aerossóis. Deve ser de uso único e descartável em lixo contaminado z Avental: seu uso deve ser restrito ao local de trabalho, tanto o não cirúrgico (para procedimentos semicríticos), quanto o cirúrgico estéril (para procedimentos críticos) z Máscara: descartável, para proteção das vias aéreas superiores z Óculos de Proteção: proteção biológica e mecânica. Devem ser fechados lateralmente, lavados e desinfetados.

z Luvas: devem ser trocadas a cada paciente, e as mãos devem ser lavadas antes de calçar as luvas, que podem ser de três tipos: 3 para procedimentos: não estéreis para procedimentos semicríticos 3 cirúrgicas: embaladas individualmente para procedimentos críticos. 3 para limpeza: de látex grosso e resistente, para a manipulação de instrumental contaminado, para procedimentos de limpeza e desinfecção do consultório. Devem ser desinfetadas após o uso. São reutilizáveis.

Fontes: Presidente da Comissão de Biossegurança do curso de Odontologia da UFMG, Leandro Napier de Souza. Coordenadora da Comissão de Controle de Infecção do Departamento de Odontologia da PUC Minas, Maria Eugênia Alvarez Leite

tou uma nova Resolução de Diretoria Colegiada, a RDC 222, estabelecendo que o descarte do vestuário, se não contaminado com sangue ou líquidos corpóreos, deve ser feito no mesmo recipiente dos resíduos comuns. A obrigatoriedade de os consultórios terem pelo menos duas pias – uma para lavar as mãos e outra para materiais de trabalho – já era uma exigência essencial, segundo o especialista. A Coordenadora da Comissão de Controle de Infecção do Departamento de Odontologia da PUC Minas, Maria Eugênia Alvarez Leite, ob-

serva que a adoção das boas práticas em biossegurança é parte do compromisso ético do profissional. “O surgimento do HIV, nos anos 1980, pode ser considerado um marco, pois impôs a necessidade de reconstruir o conceito de controle de infecção. Modificamos rotinas e comportamentos. A paramentação, por exemplo, foi um dos itens aprimorados, com a obrigatoriedade de uso de luvas e óculos em todos os procedimentos.” De acordo com ela, tão importante quanto o uso dos paramentos é a sua troca. Mas os cuidados vão mui-

to além. Maria Eugênia chama atenção para a necessidade de o cirurgião-dentista estar vacinado contra doenças infecciosas e em dia com a realização de exames que atestem a eficácia da prevenção. “Somente o anti-HBS para verificar a imunidade à Hepatite B traz segurança, uma vez que aproximadamente 10% da população, mesmo tomando as três doses da vacina, não adquire imunidade. Quando falamos em biossegurança, a máxima é: o raro acontece”, diz a especialista. Ou seja, todo cuidado é pouco.

Para emissão de Boletos acesse: tas, o que pode implicar grave risco, principalmente levando em consideração que a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que um quarto dos usuários dos consultórios odontológicos é portador de doenças passíveis de transmissão, como catapo-

ra, herpes zoster, hepatites e até HIV. “É preciso avançar na conscientização dos profissionais”, diz Napier. “O reforço do conteúdo relativo à biossegurança deve ser feito constantemente.” Em março de 2018, a Anvisa ado-

financeiro.cromg.org.br

Ou se preferir, solicite-o pelo

WhatsApp 2104-3017,

conselho regional de odontologia de minas gerais

ou pelo email:

financeiro@cromg.org.br


filme fraude

Desserviço para a

Divulgação

Odontologia

Netflix deixa de exibir filme com informações falsas sobre tratamentos, que causou indignação em especialistas Em tempos de fake-news, grandes mentiras podem ser apresentadas por meio de embalagens sedutoras e até ganhar rótulos respeitáveis, mas podem também prestar um desserviço à população. É o caso do filme Root Cause (Raiz do Problema), classificado pela provedora Netflix como documentário, e que deixou de ser exibido em março depois de causar indignação nos endodontistas e medo nos pacientes ao relacionar o tratamento de canal e implante dentário de titânio ao câncer e a doenças psiquiátricas, numa relação quase direta de causa e efeito. Root Cause se baseava na chamada Odontologia Holística – ramo não reconhecido como ciência – e trazia um recado tão claro quanto absurdo: não há indicação para tratamento endodôntico e muito menos para a realização de implantes, uma vez que ambos podem interferir no equilíbrio energético do organismo e desencadear de síndrome do pânico a dores nas costas e até câncer. A ordem é arrancar os dentes, simples assim, ainda que o processo de extração seja considerado traumático. O filme contava a história de um jovem que sofreu trauma nos dentes

18

mar 2019

incisivos superiores por conta de uma briga de rua. Passou por um tratamento de canal do incisivo central e, dez anos depois, de repente, tem uma crise de pânico. Mesmo recebendo tratamento profissional, seus ataques ficam mais frequentes, e ele começa a sofrer por conta de insônia e fadiga crônica. Além disso, o personagem também sente os efeitos colaterais do ansiolítico receitado pelo médico. Root Cause não deixa claro se o personagem existe, de fato, mas o formato de documentário leva o público a acreditar que são relatos de uma história real – ou, no mínimo, baseados nela. “Não há estudos que relacionem o câncer de cabeça e pescoço ao tratamento de canal. Isso já está muito bem documentado. A Associação Americana de Endodontia (AAE), uma associação global, trabalha efetivamente para combater as informações falsas. No site da organização (www.aae.org) existem diretrizes, posicionamentos e publicações para desmentir essas informações erradas. Um verdadeiro plano de batalha contra tudo isso”, afirma a mestre em endodontia Sônia Lara Mendes. Segundo a especialista, o gran-

Imagem do cartaz de divulgação do filme, que deixou de ser exibido

de risco que Root Cause apresenta não é para a endodontia, mas para os pacientes, que se sentem confusos e inseguros com tantas informações sem fundamento veiculadas no filme, que, segundo ela, faz uma abordagem do tema até mesmo antiética. “Entre os entrevistados, nenhum deles tem publicações no Pubmed. Os participantes do documentário sequer atuam no mercado: um vende livros pela internet, outro teve o registro de cirurgião-dentista caçado em 1996”, explica a endodontista. Em um ano, segundo relatório sobre a Segurança doTratamento do Canal, publicado pela AAE, em 2017, são realizados cerca de 25 milhões de tratamentos endodônticos no mundo. Caso houvesse essa relação de causa e efeito apresentada no filme, haveria relatos científicos sobre isso, o que excluiria o tratamento de canal como opção para salvar os dentes das pessoas. Sônia Lara Mendes avalia que, para tranquilizar o paciente, cabe ao dentista proporcionar, proativamente, informações científicas que mostrem a eficácia do tratamento de canal. “Para o leigo, é muito assustador, mas nós, profissionais, não temos dúvida de que se trata de charlatanismo que dissemina informações falsas para as pessoas”, enfatiza a dentista. Para ela, é preciso que o endodontista esteja preparado para lidar com questionamentos dos pacientes, ressaltando os aspectos relativos à segurança e eficiência do tratamento endodôntico baseado na ciência. “Em certos momentos do filme, parecia que estavámos até assistindo a uma comédia”, pontua a dentista, tal o nível de absurdos. Seria cômico, se não fosse trágico. mar 2019

19


saúde bucal tratamentos

Atenção à halitose O mau hálito é problema para muitos pacientes, e é papel do cirurgião-dentista identificar causas e tratamentos Popularmente conhecida como bafo ou mau hálito, a halitose atinge cerca de 40% da população planetária, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, a Associação Brasileira de Halitose estima que 30% da população, independentemente de faixa etária, tem o problema. Apesar do elevado número de pessoas, poucos profissionais da Odontologia se dedicam a estudar o assunto. “Não há muita literatura sobre o tema. Os próprios profissionais têm dificuldade em abordar o assunto com o paciente”, explica o cirurgião-dentista Leonardo Ferreira Faria, especialista no diagnóstico e tratamento da halitose. De acordo com ele, a halitose é constrangedora para o paciente. O dentista precisa refletir sobre a melhor abordagem. Leonardo sugere que o profissional diga ao paciente que o mau hálito detectado durante a consulta pode ser uma condição transitória e não algo que lhe seja inerente. “A pessoa que recebe a informação sente-se constrangida. Então, o dentista não deve dizer diretamente que o outro tem mau hálito”, ressalta. O portador da halitose, explica, não é capaz de perceber o próprio mau odor por conta do cansaço olfativo, que impede que os sensores do nariz detectem cheiros. Sem constituir uma doença, a halitose pode ser um sintoma indicativo de que alguma coisa no organismo não vai bem. Portanto,

20

mar 2019

Samuel Gê/DUO

O especialista Leonardo Faria explica que a halitose é um indicativo de que algo no organismo não está bem, e o cirurgião-dentista deve orientar o paciente

saiba mais O que é halitose z É uma condição anormal do hálito, que provoca mau odor. z A halitose não é uma doença, mas um indicativo de que alguma coisa no organismo não vai bem, podendo ser uma alteração fisiológica ou patológica. z A halitose sistêmica é originada de compostos químicos presentes no organismo, como o enxofre, que, caindo na corrente circulatória, chegam até os pulmões e escapam no ar expirado. z Pode ser causada por hipoglicemia, alimentos de odor carregado, alterações intestinais, hepáticas, pulmonares, renais, estomacais e diabetes. z Dependendo da situação, deve-se encaminhar o paciente a outros especialistas da saúde. pode estar relacionada a enfermidades. “Doenças como febre reumática, leucemia, hemofilia, escorbuto e síndrome de Jögren também podem ser causadoras. Em geral, são doenças de origem sistêmica, com manifestações bucais e nasais, de onde se origina o odor, podendo vir também dos pulmões”, esclarece o dentista. Medicamentos como agentes antineoplásicos, anti-histamínicos, tranquilizantes e diuréticos diminuem a produção de saliva, podendo provocar o mau hálito. Em pessoas idosas, a incidência é maior por causa da diminuição da produção de saliva, muitas vezes decorrente do uso de antidepressivos. “Aproximadamente 90% das causas são de origem bucal, enquanto 10% dos casos podem ter origem sistêmica, nas fossas nasais, por exemplo”, diz o especialista. Segundo ele, entre as causas bucais, destaca-se a saburra lingual. Má higiene, cárie e doença periodontal também contribuem para mau odor na boca. O diagnóstico é sempre o primeiro passo para o tratamento e envolve anamnese, além da análise da gengiva, da boca e dos dentes. E

Algumas causas z Cáries z Má higiene z Doenças respiratórias z Doenças digestivas z Doenças de origem sistêmica Cuidados para prevenir z Usar regularmente o fio dental z Escovar dentes e língua z Adotar dieta balanceada z Evitar jejum prolongado z Controlar o estresse z Ir ao dentista pelo menos uma vez ao ano para limpeza bucal

a halimetria – exame do hálito que identifica e quantifica a presença dos compostos voláteis causadores do mau odor – é imprescindível para que se possa identificar o problema, assim como a medida do fluxo salivar. “Com uma seringa, o dentista colhe amostra dos gases da boca do paciente. Esse gás é inserido no equipamento Oralchroma, que detecta os três maiores componentes daquele hálito e analisa as causas da halitose”, explica Leonardo. O teste só é realizado em clínicas especializadas. Dependendo do diagnóstico, o dentista também é quem irá indicar ao paciente a necessidade de buscar outros especialistas para exames clínicos e laboratoriais. O tratamento inclui orientação de dieta, higiene bucal, cuidados odontológicos e encaminhamento ao profissional da área médica, quando necessário. Quando a causa for a saburra lingual, o dentista deve instruir o paciente a removê-la com limpador lingual e usar antimicrobiano específico. Em caso de hipossalivação, a saliva deverá ser estimulada. O tempo necessário para tratamento de-

pende da quantidade de problemas, do empenho e da resposta individual do paciente. “Depois da orientação, o paciente passa a ser avaliado a cada 30 dias, podendo ser reorientado. Em geral, o tratamento pode ser finalizado entre 60 e 90 dias”, diz o especialista. A halitose da manhã, por sua vez, ocorre por causa da redução do fluxo salivar durante o sono, que chega à quase total cessação, e ao acúmulo de células epiteliais descamadas, saliva e até restos alimentares. As bactérias anaeróbicas proteolíticas presentes na cavidade bucal quebram as proteínas presentes nas células descamadas, na saliva e nos alimentos, gerando aminoácidos que contêm enxofre, que é liberado na forma de compostos voláteis, o que torna o hálito forte e desagradável. “Outra razão é a leve hipoglicemia decorrente do longo período sem alimentação, que obriga o organismo a utilizar a gordura como forma de obtenção de energia”, esclarece. “A quebra de triglicerídeos gera ácidos graxos voláteis que interferem na qualidade do hálito.” mar 2019

21


concurso suspensão

CRO-MG move ação para corr eção de salários Justiça acata pedido de suspensão de concurso público em São Tomé das Letras (MG)

Cumprindo o seu papel de zelar pelo perfeito desempenho e ética da Odontologia e pela valorização e prestígio dos profissionais da área, o CRO-MG moveu ação civil pública pedindo a suspensão imediata de concurso público aberto pela prefeitura de São Tomé das Letras (MG), em janeiro, que pre-

via, entre outros cargos, a contratação de cirurgiões-dentistas para atuar naquela cidade por um salário e carga horária incompatíveis com os definidos por lei para a categoria. A Justiça acatou o pedido, concedendo liminar pela suspensão do concurso, até que seja retificado o

edital. Conforme explicou o assessor jurídico do CRO-MG, Erico Servano, o edital estabelecia vencimentos de R$1,5 mil para carga horária semanal de 40 horas, o que está em total desacordo com o piso estabelecido pela Lei 3.999/61 para os cirurgiões-dentistas, assim como para os médicos, que prevê

vencimentos mínimos equivalentes a três salários mínimos, para jornada de 20 horas semanais. O atual piso salarial do cirurgião-dentista é de R$ 2.862,00, considerando 20 horas de trabalho na semana, sendo “ilegal e aviltante o valor ofertado no certame”, explica Érico Servano. “Portanto, a

processos éticos ACÓRDÃO CRO-MG 76/2016 / ACÓRDÃO CFO-2546/2018 Processo Ético nº 128/2015 Denunciado: Carlos Marcelo Barra Pontes – MG-CD-30.164 Denunciante: Ângela Maria Cardoso Sales Denúncia: Tratamento Odontológico Inadequado Decisão: CASSAÇÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL, conforme julgamento realizado pelo CRO-MG em 12/09/2016 e pelo CFO em 14/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 77/2016 / ACÓRDÃO CFO-2544/2018 Processo Ético nº 129/2015 Denunciado: Carlos Marcelo Barra Pontes – MG-CD-30.164 Denunciante: Carlos Roberto Pires Denúncia: Tratamento Odontológico Inadequado Decisão: CASSAÇÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL, conforme julgamento realizado pelo CRO-MG em 12/09/2016 e pelo CFO em 14/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 78/2016 / ACÓRDÃO CFO-2558/2018 Processo Ético nº 130/2015 Denunciado: Carlos Marcelo Barra

22

mar 2019

ação é cabível por ter o objetivo de coibir lesão aos cofres públicos, em razão de possível frustração do concurso em caso de prosseguimento, e, principalmente, para defender o direito coletivo de todos os cirurgiões-dentistas eventualmente interessados em participar do certame”, afirma.

decisões Pontes – MG-CD-30.164 Denunciante: Marcos de Oliveira Rezende Denúncia: Tratamento Odontológico Inadequado Decisão: CASSAÇÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL, conforme julgamento realizado pelo CRO-MG em 12/09/2016 e pelo CFO em 14/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 79/2016 / ACÓRDÃO CFO-2556/2018 Processo Ético nº 131/2015 Denunciado: Carlos Marcelo Barra Pontes – MG-CD-30.164 Denunciante: Vilma Maria Rodrigues Pires Denúncia: Tratamento Odontológico Inadequado Decisão: CASSAÇÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL, conforme julgamento realizado pelo CRO-MG em 12/09/2016 e pelo CFO em 14/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 80/2016 / ACÓRDÃO CFO-2539/2018 Processo Ético nº 11/2016 Denunciado: Carlos Marcelo Barra Pontes – MG-CD-30.164 Denunciante: Júlio César Araújo Brandão

Denúncia: Tratamento Odontológico Inadequado Decisão: CASSAÇÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL, conforme julgamento realizado pelo CRO-MG em 12/09/2016 e pelo CFO em 14/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 31/2017 / ACÓRDÃO CFO-2545/2018 Processo Ético nº 80/2016 Denunciado: Carlos Marcelo Barra Pontes – MG-CD-30.164 Denunciante: Angelita de Almeida Mesquita Reis Denúncia: Abandono de Tratamento Decisão: CASSAÇÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL, conforme julgamento realizado pelo CRO-MG em 09/06/2017 e pelo CFO em 14/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 27/2017 / ACÓRDÃO CFO-2543/2018 Processo Ético nº 116/2016 Indiciados: Poliano Venturim Pereira – MG-CD-28.634 e Vanessa Gualberto Rocha Venturim – MG-CD-30.145 Assunto: Clínica Não Inscrita e Publicidade Irregular Decisão: CENSURA PÚBLICA EM PUBLICAÇÃO OFICIAL,

conforme julgamento realizado pelo CRO-MG em 26/05/2017 e pelo CFO em 15/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 54/2018 Processo Ético nº 110/2017 Indiciado: Lucas Firmino Azevedo – MG-CD-43.876 Assunto: Publicidade Irregular Decisão: CENSURA PÚBLICA EM PUBLICAÇÃO OFICIAL cumulado com PENA PECUNIÁRIA de 06 (SEIS) ANUIDADES, conforme julgamento realizado em 03/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 55/2018 Processo Ético nº 134/2018 Denunciado: Paulo Henrique Costa Franco – MG-CD-18.424 Denunciante: Carmina Alves da Silva Denúncia: Tratamento Odontológico Inadequado Decisão: CENSURA PÚBLICA EM PUBLICAÇÃO OFICIAL cumulado com PENA PECUNIÁRIA de 05 (CINCO) ANUIDADES, conforme julgamento realizado em 03/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 56/2018 Processo Ético nº 112/2017

Denunciado: Diego Tavares de Matos – MG-CD-22.646 Denunciante: Tânia Freitas Damasceno Gouthier dos Santos Denúncia: Tratamento Odontológico Inadequado e Abandono de Tratamento Decisão: CENSURA PÚBLICA EM PUBLICAÇÃO OFICIAL cumulado com PENA PECUNIÁRIA de 05 (CINCO) ANUIDADES, conforme julgamento realizado em 24/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 57/2018 Processo Ético nº 53/2018 Denunciado: Diego Tavares de Matos – MG-CD-22.646 Denunciante: Bercholina Maria de Souza Denúncia: Tratamento Odontológico Inadequado e Abandono de Tratamento Decisão: SUSPENSÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL POR 10 (DEZ) DIAS cumulado com PENA PECUNIÁRIA de 25 (VINTE E CINCO) ANUIDADES, conforme julgamento realizado em 24/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 65/2018 Processo Ético nº 118/2017 Indiciada: Marília Lafetá Prates

Costa – MG-CD-42.346 Assunto: Clínica Não Inscrita e Publicidade Irregular Decisão: CENSURA PÚBLICA EM PUBLICAÇÃO OFICIAL cumulado com PENA PECUNIÁRIA de 05 (CINCO) ANUIDADES, conforme julgamento realizado em 24/08/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 71/2018 Processo Ético nº 38/2018 Denunciado: Benvindo Leite Filho – MG-CD-16.003 Denunciante: Terezinha das Graças Denúncia: Abandono de Tratamento Decisão: CENSURA PÚBLICA EM PUBLICAÇÃO OFICIAL cumulado com PENA PECUNIÁRIA de 05 (CINCO) ANUIDADES, conforme julgamento realizado em 14/09/2018. ACÓRDÃO CRO-MG 76/2018 Processo Ético nº 94/2018 Indiciado: Renato de Freitas Munhoz Fernandes – MG-CD-31.175 Assunto: Clínica Não Inscrita Decisão: CENSURA PÚBLICA EM PUBLICAÇÃO OFICIAL cumulado com PENA PECUNIÁRIA de 05 (CINCO) ANUIDADES, conforme julgamento realizado em 18/10/2018. mar 2019

23


Sua saúde em primeiro lugar

DENTISTA

Garanta o melhor plano de saúde para você e sua família. PLANOS A PARTIR DE

R$ 108,12

Belo Horizonte Qualicorp Adm. de Benefícios

ANS nº 417173

*

Unimed BH

ANS nº 343889

MELHOR REDE CREDENCIADA DA REGIÃO

(31) 3048-2800

PREÇOS ESPECIAIS

NÃO COBRAMOS TAXA DE ADESÃO

(31) 2104-3032

Para adesão é necessária a comprovação de vínculo à Entidade. Planos de saúde coletivos, com regras contratuais distintas dos planos individuais, segundo resolução Normativa nº 195, de 14 de julho de 2009, da ANS. Informações resumidas. Condições contratuais pelo site www.aliancaadm.com.br/cromg ou pelos telefones 3004-7010 / 0800 722 7005. Para adesão ao produto com cobertura nacional o cliente deve comprovar, por meio do comprovante de endereço, que reside na área de atuação da Unimed BH, dentro da regra contratual. Planos com data-base de reajuste Agosto/2018. *Preço referente ao produto Unipart Estadual, acomodação enfermaria Faixa de 0 a 18 anos.

MG

conselho regional de odontologia de minas gerais

Em um único espaço, mais de 55 mil possibilidades Comunique-se com um público seleto. São profissionais das várias atividades que fomentam e representam toda a classe da Odontologia em Minas Gerais.

Anuncie no CRO-MG NOTÍCIAS Rua da Bahia, 1477 | Lourdes | BH | www.cromg.org.br | cromg@cromg.org.br | (31) 2104-3000

Mala Direta Postal

Básica

9912247543/2009-dr/mg devolução garantida

correios

cro-mg correios

Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais - CRO-MG Rua da Bahia, 1.477 - Lourdes - Cep 30160-011 - Belo Horizonte - MG


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
CRO-MG Ed. 241 FEV/MAR/ABR 2019 by CROMG - Issuu