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ÁGORA Ed. 11- MAR/2018

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O QUE VOCÊ PRECISA SABER AGORA? A importância dos Indicadores-chave de Performance para as empresas

E AINDA

• Depressão do Trabalho • Entrevista com a Adm. Marlene Kaiut • Inteligência Emocional

ANO IV

NO 11 | 1º SEMESTRE 2018


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O QUE É

ÁGORA

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Ágora Antiga foi um dos primeiros lugares no mundo a dispor da democracia como forma de governo para o povo. Era o centro comercial, administrativo e político da Atenas antiga, um local central onde se situavam os edifícios públicos, o mercado e a praça de reunião dos cidadãos. As decisões políticas, principalmente em Atenas, cidade onde surgiu a democracia grega, eram tomadas na Ágora (espaço público de debate político). Nela se localiza um relógio de água chamado clepsidra (aproximadamente 400 a.C.) que era usado para controlar o tempo dos debatedores. Além do relógio, chamava atenção uma urna esculpida em bronze, que era usada nos pleitos da época. Foi um período no qual a vida pública adquiriu uma importância cabal para

os antigos gregos. As escavações na Ágora Antiga começaram em 1930 e foi montado um museu para expor as relíquias nela descobertas. “Ágora. (Do gr. ágora) S.F. Praça das antigas cidades gregas, na qual se fazia o mercado e onde se reuniam, muitas vezes, as assembleias do povo.” (FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa, (2ª edição). Nova Fronteira, Rio de Janeiro. 1986. p.63) “Do ponto de vista comunitário, tinha que haver um centro onde se concentrassem os originais edifícios civis e religiosos e onde os cidadãos pudessem reunir-se sempre que necessário (a Ágora, no seu sentido primitivo, muito antes de essa palavra ter vindo a significar também “praça do mercado”).” (FINLEY, M. I.. Os Gregos Antigos. Edições 70, Lisboa. 1988. p.30)


EDITORIAL

OS DOIS LADOS DA MOEDA Vivemos na era da informação e da tecnologia. E fica muito claro que há uma dualidade neste fato. Isso significa que há dois lados: um positivo e outro negativo, um científico e outro social, um material e outro imaterial, um presencial e outro a distância, e assim por diante. Nesta edição da Revista Ágora trazemos artigos que vão provocar em você, nosso leitor, no mínimo uma reflexão. A internet, por exemplo, ao mesmo tempo em que nos permite o acesso a um mundo cheio de novidades, de qualquer lugar e a qualquer hora, também pode gerar ansiedade. A sensação de que se tem que fazer tudo - e naquele momento - tem sido uma das causas de depressão, inclusive no trabalho, como aborda Andrea Guedes em seu artigo. E uma das maneiras de lidar com a pressão do dia a dia é por meio do autoconhecimento, ou seja, ter a capacidade de identificar as nossas qualidades e limitações. Isso nos ajuda a planejar metas de uma forma realista para evitar frustrações futuras. Quem nos conta melhor sobre o assunto “Inteligência Emocional” é o coach Marcos Gasparin. Mas como mencionei, temos uma dualidade quando falamos em tecnologia. E nas empresas, ela tem papel fundamental, por inúmeras razões. O jovem empresário Henrique Gusso Netzka fala, em seu artigo, sobre a importância dos indicadores de performance nas empresas e como eles podem até mesmo salvar uma organização do “naufrágio” ao antecipar reações a um determinado acontecimento. Para fechar, a Administradora e pecuarista leiteira Marlene Kaiut concedeu uma entrevista à Ágora, na qual conta como salvou da falência a propriedade da família, com muito trabalho e, mais uma vez, com uma “ajudinha” da tecnologia. Boa leitura!

Amilcar Pacheco dos Santos Presidente do CRA-PR EXPEDIENTE

Revista Ágora é uma publicação do Conselho Regional de Administração do Paraná – CRA-PR

Conselho Editorial: Adm. Márcio Nakayama Miura, Adm. Sérgio Ditkun e Adm. Solange Lisboa.

Endereço: Rua Coronel Dulcídio, 1565, CEP 80250-100 – Curitiba/PR – Fone/fax: (41) 3311-5555

Editores: Adm. Márcio Nakayama Miura, Adm. Sérgio Ditkun e Leonardo Fagundes

Internet: www.cra-pr.org.br E-mail: cra-pr@cra- pr.org.br Presidente: Amilcar Pacheco dos Santos

Editoração: Apex Conteúdo Estratégico Jornalista Responsável: Leonardo Fagundes (DRT: 4470/18/110-PR) Fotos: Supervisão de Eventos e Arquivo Contato e artigos: agorarevista@cra-pr.org.br

Periodicidade: Semestral – Distribuição exclusiva pela Internet O conteúdo das informações veiculadas pode sofrer alterações a qualquer tempo, sendo atualizado diretamente em nosso portal. Os artigos são opiniões pessoais e não refletem necessariamente a opinião do CRA-PR


SUMÁRIO

06 Depressão no trabalho – quais as causas e o que colegas e gestores podem fazer ao identificar um funcionário com problemas. Leia o artigo da especialista em Gestão de Pessoas Andrea Guedes

10 Como as metas estão sendo avaliadas na sua empresa? – Confira o artigo do empresário de tecnologia Henrique Gusso Netzka sobre Indicadores-chave de Performance


14 Administração no meio rural – Confira entrevista com a Adm. Marlene Kaiut, que salvou da falência a leiteria da família

18 Coaching – como se livrar de uma droga chamada “ausência de Inteligência Emocional” - Veja a análise do business coach Marcos Gasparin


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DEPRESSÃO NO TRABALHO QUANDO A PRÓXIMA VÍTIMA PODE SER VOCÊ

“Deixe de mimimi e vá trabalhar que não está fácil para ninguém. E se você não quiser, tem uma fila inteira que quer! ” É dessa maneira que muitos lidam com o colega de trabalho que de fato precisa de uma atenção especial. É dessa maneira que muitas vezes o grau de depressão poder ir do leve ao grave, gerando consequências ainda maiores, sem que se tomem medidas apropriadas para evitar isso. A depressão não é algo optativo e, além de tudo, é democrática: pode atingir ateu e gente de fé inabalável, pessoas que antes eram estruturadas emocionalmente e que agora não sabem como reagir. Adoecem homens

e mulheres, independentemente de suas idades. Num ambiente corporativo, pode atingir do líder ao liderado, do estagiário ao presidente da empresa. A falta de entendimento sobre o assunto impede um diagnóstico mais rápido, impossibilitando tratamentos mais adequados. E o pior: o preconceito, tanto de algumas pessoas que acham que depressão é frescura, como das próprias pessoas deprimidas que não aceitam que tenham essa doença que é tão complexa e desafiadora.


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AFINAL, O QUE É DEPRESSÃO? De acordo com o psiquiatra Luiz Gustavo Brasil, a “depressão afeta neurotransmissores como serotonina e dopamina, que interferem justamente nos sentimentos de sensação de prazer, serenidade, disposição e bem-estar. Esse desequilíbrio químico pode desencadear uma série de respostas em diversas funções do organismo, e as consequências são os sintomas: tristeza, falta de motivação, dificuldade de concentração, pessimismo, insegurança, entre outros.” Hoje considera-se que a depressão seja uma combinação de diversos fatores: biológicos, psicológicos e ambientais. Passar por um momento delicado na vida, viver em um ambiente desfavorável e não possuir habilidades para lidar com os problemas do cotidiano são causas de depressão tanto quanto fatores bioquímicos.

sexual), relacionamento hostil entre pares e entre líderes e liderados; Trabalho com extrema demanda e com muita competitividade; Insegurança no cargo, principalmente com os alertas de crise que estamos vivenciando. A grande maioria das pessoas busca por aprovações e reconhecimento, e quando isso não ocorre da maneira esperada, pode trazer incômodo e sofrimentos psicológicos.

POSSÍVEIS CAUSAS PARA A DEPRESSÃO NO TRABALHO Não se reconhecer mais enquanto profissional, sente que deixou de cumprir um papel de si mesmo; Sentimento de impotência, receio de não conseguir “dar conta do recado” ou não se sentir apto ao cargo exercido, sem vida social, sempre desmotivado, sem paciência com familiares e amigos, magoando-se ou chorando com facilidade sem um motivo aparente; Discriminação ou assédio (moral e

CADA QUAL COM SEU PAPEL Estamos tão ocupados com nossa própria sobrevivência que pensar no que realmente aflige outra pessoa parece uma perda de tempo, por isso, a palavra de ordem precisa ser empatia! Precisamos nos colocar no lugar do outro por alguns instantes; mas, preparese: talvez doa!


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Precisamos nos colocar no lugar do outro por alguns instantes; mas, prepare-se: talvez doa!

PARA VOCÊ QUE SE SENTE DEPRIMIDO Se estiver sentindo vários sintomas mencionados acima, procure ajuda médica! Você precisa de acompanhamento e provavelmente tomar algum remédio. Se possível, desabafe com alguém em quem confia. Quando colocamos para fora o que sentimos, parece que fica mais fácil. O trabalho é de extrema importância para nosso desenvolvimento e é o que de fato nos sustenta, mas não jogue toda sua expectativa nele. Seu gestor ou colega de trabalho podem cometer falhas, assim como nós a cometemos, e às vezes, sem perceber. Antes que o outro te reconheça, você tem que fazer isso consigo mesmo. PARA VOCÊ QUE É COLEGA DE TRABALHO As pessoas em depressão, em sua maioria, sentem-se envergonhadas e constrangidas pela sua condição, fazendo com que a doença adquira um tom silencioso. Portanto, seja gentil e generoso. Todo mundo está passando por alguma batalha e isso nos inclui.

PARA VOCÊ QUE É GESTOR Seu papel é fundamental para identificar e auxiliar pessoas de sua equipe que estejam passando pelo processo de depressão. Você só conseguirá fazer isso à medida que se prontifique a conhecê-las de verdade. Assim, saberá identificar quem tem problema de postura ou quem realmente está deprimido. Seu papel enquanto gestor não é só atingir as metas da empresa, mas também de cuidar de cada um que está sob o seu comando. Os bons resultados andam de mãos dadas com os bons relacionamentos, cuide deles.


9 PARA VOCÊ, EMPRESA Em algumas empresas, há uma certa inabilidade por parte do RH quando se trata de assuntos pertinentes ao relacionamento entre pessoas, seja da mesma hierarquia ou entre líderes e liderados. Por isso, é de extrema importância que o RH tenha cada vez mais profissionais qualificados para identificar, através de ferramentas pertinentes e acompanhamentos necessários, quem são as pessoas que se encontram nessa situação e as principais causas. Só assim, conseguirão fazer um plano de ação para auxiliarem a empresa como um todo. É necessário oferecer, constantemente (principalmente aos gestores) treinamentos que os desenvolvam cada vez mais no conhecimento humano. Precisam saber atingir as metas da melhor maneira possível e isso inclui conhecer e servir sua equipe. Nenhum custo será tão alto à empresa quanto o absenteísmo, a alta rotatividade e a insatisfação dos profissionais consigo mesmos ou com seus líderes. Isso reflete diretamente em seu cliente interno, bem como no cliente final.

Andrea Guedes é formada em Relações Públicas e pós-graduada em Gestão de Pessoas. Tem mais de 20 anos de vivência na área de atendimento ao cliente, sendo os últimos oito anos como gestora em uma das mais importantes empresas multinacionais de Telecomunicação. Ganhadora do Prêmio Nacional de Telesserviços (ABT), em 2013, e do Prêmio LATAM (América Latina), em 2014. Resiliente por natureza e gestora por vocação.


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O QUE VOCÊ PRECISA SABER “AGORA”? Imagine a cena: você está dentro de um avião, com outras 300 pessoas ao seu redor, sobrevoando o oceano. Não há um pedaço de terra à vista, não há uma nuvem no céu e o sol está a pino – você não consegue sequer saber onde é o leste e o oeste. Visualmente, é impossível saber sua posição. Mas o avião chega ao destino conforme previsto na maioria dos voos, tornando a aviação o meio de transporte mais seguro no mundo.


11 Isso só é possível graças ao painel da cabine de comando, capaz de mostrar ao piloto onde ele está, onde ele deveria estar (no caso de um desvio de rota), qual o tempo de chegada previsto e ainda se há algum imprevisto à frente (como, por exemplo, uma tempestade que precise ser desviada). O painel ainda é inteligente o suficiente para saber qual é o plano de voo, transformando o trabalho do piloto em um verdadeiro “controlador de indicadores”. Não por acaso, acidentes aéreos normalmente são causados por sinais ignorados pelo piloto – dificilmente é o avião em si que falha. É possível, então, dizer que voamos tranquilos em um avião porque ele tem um painel que avisa ao piloto o que está ocorrendo. Por que, então, não temos um painel em nossa empresa?

Os Indicadoreschave de Performance (KPIs) O conceito de KPIs é simples: são indicadores de cada setor ou área que, alinhados ao planejamento estratégico da gestão, indicam instantaneamente como está o cumprimento de cada meta. Por exemplo, se a meta do setor de vendas é atingir 100 novos clientes no mês, o indicador ficará vermelho quando estiver abaixo de 85, amarelo quando estiver abaixo de 99 e verde quando estiver de 100 para cima.

Porém, não há fórmula pronta para defini-los: cada gestor deve parar para desenhá-los, com base no que se quer atingir. Também, todos os indicadores da empresa devem ser revisados sempre que o planejamento da empresa mudar. Se não há um planejamento definido, vamos simplificar o termo: basta responder as perguntas “para onde quero ir” e “como pretendo chegar lá”. Com base nestas respostas, podemos imaginar 3 indicadores para cada setor da empresa – e todos os setores deveriam ser incluídos. Pensar em indicadores apenas para o setor de vendas é um conceito que já ficou no passado: cada área pode ter seus objetivos mensuráveis. O setor financeiro, por exemplo, pode ter objetivo em relação à necessidade de capital de giro, prazos de pagamento ou risco de desencontro de caixa. O RH poderia ter um indicador de turnover, e uma meta de tempo de contratação


12 (entre abertura da vaga e efetivação da pessoa). É importante reforçarmos aqui: não há fórmula pronta para isso. Um indicador de novos clientes conquistados pode ser relevante para uma empresa em expansão, mas pode ser desastroso para uma empresa trabalhando em seu limite de capacidade.

UM PLANO OU UM INDICADOR? Pensar nos indicadores significa pensar no que é preciso enxergar “agora”. Eles são uma ferramenta importante para que as metas de longo prazo da empresa sejam atingidas, mas o foco principal deles é permitir que a equipe enxergue e tenha tempo de reagir a um determinado acontecimento. Portanto, um indicador precisa de uma “possível reação imediata” – e, se possível, um processo já desenhado para tal reação. Se hoje for dia 25 e o indicador de vendas estiver vermelho, como posso mudar isso até o final do mês? E o que faremos para que mês que vem isso não ocorra novamente? O indicador deve redirecionar o gestor da área como uma luz vermelha

redireciona o piloto do avião: a reação é imediata para que o plano de voo seja cumprido. Se o piloto ignorar uma luz vermelha, ele poderá ir parar em outro aeroporto, por exemplo. Da mesma forma, se o gestor ignorar um indicador ruim, a empresa poderá caminhar para outra direção que não a planejada! Um indicador alto de turnover pode ir contra um princípio da empresa de senioridade da equipe, e isso poderá influenciar no resultado a longo prazo.


13 Neste sentido, é importante que os indicadores sejam realmente trazidos para o dia a dia. Costumo usar a seguinte provocação: se você estivesse dentro de um avião a 10 mil metros de altura, e precisasse escolher entre aquele avião ter um plano de voo definido ou um painel para o piloto saber o que está acontecendo na hora, o que você escolheria? O plano ou o painel?

Se você respondeu o painel, então está na hora de abandonar os relatórios mensais e começar a criar painéis de Gestão à Vista em sua empresa!

Henrique Gusso Netzka é fundador e diretor-geral do Tático ERP. É formado em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário FAE, em Engenharia da Computação pela Universidade Positivo e em Produção Sonora pela UFPR.


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SUPERAÇÃO NO CAMPO

Adm. Marlene Kaiut, pecuarista leiteira, conversa com a Revista Ágora sobre como reergueu praticamente sozinha a propriedade da família

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trajetória profissional de Marlene Kaiut começou em cima dos saltos, quando era modelo, e continua, pelo menos por enquanto, com os pés em botas de borracha. Mas isso está longe de ser um retrocesso, pelo contrário, é o que a colocou em cenário nacional como uma das maiores empreendedoras do meio rural do país. Aos 24 anos, formada em Administração de Empresas, mas sem nunca ter atuado na área rural, reergueu praticamente sozinha a leiteria Chácara São João, de propriedade da família, em Carambeí – PR, região dos Campos Gerais, a cerca de 137 km de Curitiba. Três anos depois, ganhou a etapa estadual do prêmio Mulher de Negócios do Sebrae, em 2014, e logo depois a nacional, deixando 11 mil concorrentes para trás.


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Ágora – O que aconteceu que a fez querer assumir o comando da propriedade mesmo sem nunca ter trabalhado? Em 2011, resolvi acompanhar meu marido em uma reunião com a cooperativa que comprava a nossa produção de leite, que chegou à conclusão de que não havia mais o que fazer, estávamos falidos. Em lágrimas, pedi uma oportunidade para tocar o negócio no lugar dele [o marido], que nunca gostou da atividade. Todos duvidaram, não recebi apoio, mas quis assumir mesmo assim. Na época, nossa filha mais velha, que sempre estudou em escola particular, frequentava aulas de alemão, inglês, e fazia várias atividades, teve que parar tudo e ir para a escola pública. Ver o sofrimento dela virou uma chave dentro de mim e ali acreditei na minha capacidade de gestão.

Ágora - O que a fez acreditar que a fazenda poderia prosperar? Eu sabia que com boa administração e gestão poderia mudar a situação financeira. Fiz muitas contas e li muito a respeito de animais leiteiros, ou seja, coloquei em prática o que aprendi na faculdade. Troquei ideias com zootecnista, nutricionista, e elaborei um projeto, identificando os pontos fracos. A partir daí, foquei muito na parte de gestão. Alguns meses depois, os resultados começaram a aparecer.

Ágora - Como foi o processo de recuperação da leiteria? Quais estratégias utilizou? Na primeira reunião com a cooperativa, pedi R$40 mil emprestados para reformar o piso da área de ordenha. Também busquei ajuda de uma nutricionista e mudei toda a alimentação dos animais, que passaram a produzir muito mais leite. Após três meses focando em qualidade, já tinha ótimos resultados e um produto muito melhor. Seis meses depois, pedi mais um empréstimo para comprar um tanque de leite, mas dessa vez foi negado. Então parcelei um em 36 vezes. O reservatório aumentou muito a qualidade do produto, aumentando também o seu valor de venda.


16 Ágora – Quantos animais a Chácara São João tem atualmente e qual é a sua produção leiteira? Quando assumi o negócio, havia 60 animais. Hoje, são 240 no total, com a produção chegando a 2,5 mil litros de leite por dia. Ágora – Como é o seu dia a dia? Em dias normais, começo a trabalhar às 6 horas na lavagem dos equipamentos de ordenha, na alimentação dos bezerros e, quando necessário, na inseminação das vacas. Também vejo como está o trabalho dos funcionários. Às 7h30, levo minha filha de 13 anos, Johanna, para a escola, mas já volto para cuidar de dois bebês: a Eibhilin, de dois anos, e o caçula, Heinz, de quatro meses. Quando a minha secretária chega às 8 horas na minha casa, retorno para a leiteria e cuido da limpeza das vacas, corte dos Ágora – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas? No primeiro dia de trabalho, o único funcionário da fazenda me disse que não aceitava ordens de mulher. Foi demitido em seguida. No mesmo dia, contratei outro funcionário, que me ensinou a lidar com as vacas e até a dirigir trator. Fui modelo dos 16 anos aos 22 anos, só usava sapatos altíssimos, minha grande paixão, além de roupas de grife. Nunca havia colocado uma bota de borracha nos pés! Também acordava todos os dias às dez da manhã, e passei a acordar às 4h


17 cascos, retirada do chifre dos bezerros, dou medicamentos e ainda trabalho na parte administrativa. Faço tudo o que for necessário. Também recebo muitas visitas de universidades e de pessoas que querem ver como as coisas funcionam na prática. Ágora – Como empreendedora, você deve ter vários planos. Pode contar um pouco sobre eles? Quais os seus sonhos? Nos últimos dois anos, investi mais de R$1 milhão na atividade. Ainda em 2018, pretendo ampliar o rebanho para 150 animais em lactação, construir mais um barracão para o confinamento e novos locais para armazenar a silagem de milho. Mais uma casa para os funcionários também está nos planos. Também quero comprar uma fazenda para criar gado de corte, sonho que compartilho com meu marido, que hoje cuida da produção de feijão, soja e milho da propriedade.

Ágora – Qual foi o resultado de tanto esforço após sete anos de muito trabalho? Temos uma vida extremamente confortável, com os bens que sempre sonhamos. Meu trabalho é reconhecido no mundo inteiro e recebo dezenas de convites para palestras motivacionais, até de fora do país. No ano passado, ministrei 48 palestras e já estou com 25 agendadas até dezembro deste ano. Esses eventos me ajudam muito financeiramente. Ágora – Quais conselhos você daria para quem quer empreender na sua área? Tudo é possível quando a gente insiste, quando a gente quer muito. O segredo é gostar do que faz, mas tem que trabalhar bastante. Para produzir leite é preciso determinação, coragem e investimento em tecnologia.


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A AUSÊNCIA DE INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E O EFEITO DA DROGA MAIS DESTRUIDORA DO MUNDO!

Você sabia que todos nós, em algum momento da vida, já sentimos o efeito de uma droga? A maioria das drogas afeta o “Córtex Orbitofrontal”, uma parte crítica do cérebro responsável por processar emoções e tomar decisões. Se você nunca usou drogas, deve estar curioso e ainda não entendeu que droga é essa que você já sentiu os efeitos colaterais. Mas é verdade! Você já usou (ou ainda está usando) essa droga que se chama: falta de autoconhecimento!

Alexandre, o Grande, disse: “Conhecer a si mesmo é a coisa mais difícil, porque põe em jogo a nossa racionalidade, mas também os nossos medos e nossas paixões. Se alguém souber a profundidade em si mesmo vai entender os outros e o mundo ao seu redor”. Infelizmente 99% das pessoas no mundo vivem uma vida inteira inconsciente dos seus comportamentos, seus pontos fracos, seus pontos fortes, e não conseguem entender por que algumas pessoas têm sucesso e outras não.


19 E o pior: essa “droga” pode destruir seus sonhos, seus desejos, sua família, seu relacionamento, seu negócio, suas amizades, seu patrimônio financeiro etc. E existe um segredo, que talvez você não saiba, sobre pessoas de muito sucesso: elas conhecem claramente no que são boas, no que não são boas e conseguem dominar o seu comportamento, assumir o controle dos seus resultados. Ter autoconhecimento é entender quem você realmente é e ter a capacidade de identificar suas emoções, o que nos permite ajustar nosso comportamento. Daniel Goleman, precursor do termo “inteligência emocional” em todo o mundo, fraciona essa ciência em 5 pilares: autoconhecimento, autocontrole, automotivação, empatia e sociabilidade. Com a inteligência emocional aprendemos a identificar as nossas grandes capacidades, mas também nossas limitações. Isso nos ajuda a planejar metas de uma forma realista para evitar frustrações futuras. Pessoas com autoconhecimento sabem dominar as emoções e se adaptar às circunstâncias. Infelizmente, o avanço da tecnologia, a internet e os aparelhos celulares tornam as pessoas ainda mais “anestesiadas” pelo efeito da “droga” da “ausência da capacidade de se conhecer”. Como consequência, o mundo tem acumulado milhões de sonhos e projetos frustrados. Agora, você já sabe que é possível assumir o controle das suas emoções, conhecer o que está por trás do seu comportamento e obter resultados positivos. Então, qual o próximo passo?

Busque o autoconhecimento através de um método facilitador na execução de metas, que pessoas de sucesso utilizam, conhecido como coaching. O coaching é uma palavra em inglês que define um processo de desenvolvimento humano, pautado em diversas ciências e técnicas para auxiliar as pessoas e empresas no alcance de metas, no desenvolvimento acelerado e em sua evolução contínua, estabelecendo metas consistentes com quem você é e fazendo você conquistar os resultados que espera!

O profissional de coaching atua como um estimulador externo que desperta o potencial interno de outras pessoas, usando uma combinação de flexibilidade, insight, perseverança, estratégias, ferramentas pautadas em uma metodologia de eficácia comprovada e, então, o coach (profissional) acompanha seu coachee (cliente), demonstrando interesse genuíno (às vezes chamado de


20 carisma) para ajudar o cliente a acessar seus recursos internos e externos e, com isso, melhorar seu desempenho. Coaching é um processo sistemático, colaborativo, focado em soluções e orientado a resultados no qual o coach facilita a evolução do desempenho, do bem-estar, da aprendizagem dirigida à própria pessoa e do desenvolvimento particular de indivíduos, grupos e organizações que não apresentem problemas mentais clinicamente significativos ou níveis anormais de padecimento psicológico. Os benefícios do coaching são muitos, já que sua metodologia auxilia as pessoas a conquistarem suas metas, como, por exemplo, conseguir um novo emprego, ter melhor controle do seu dinheiro ou ter mais controle emocional. A metodologia de coaching está em expansão, pesquisas comprovam que 68% das organizações dizem submeter seus executivos ao método e os principais motivos para isso são:

Se pudéssemos pontuar o maior e mais expressivo ganho de um processo de coaching, sem dúvidas, seria o “Raio X” dos seus comportamentos e emoções, ou o aumento da inteligência emocional caracterizada como recurso necessário para alcançar os seus objetivos. Caso você deseje buscar um coach que possa te apoiar na realização das suas metas, priorize profissionais com certificações reconhecidas internacionalmente no mercado. O Brasil possui diversas certificações, pessoalmente recomendo titulações da Sociedade Latino Americana de Coaching e Sociedade Brasileira de Coaching. Quer ter mais sucesso? Desenvolva sua inteligência emocional.

Desenvolvimento da Inteligência Emocional e Organizacional Aumento da Produtividade Assertividade do Time Foco na Solução de Conflitos Redução no Nível de Estresse Baixo Absenteísmo Ganhos de Performance

Marcos Gasparin é Professional & Executive Coach formado pela Sociedade Latino Americana de Coaching, pós-graduado em Desenvolvimento Humano de Gestores pela FGV e CEO na Práticas Consultoria.


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