FELICIDADE e PROPÓSITO
E AINDA
• As armas da negociação • Entropia Corporativa • É tempo de retomada
ANO III
NO 09 | 1º SEMESTRE 2017
Como unir sua missão pessoal à profissional em busca de mais felicidade e realização
O QUE É
ÁGORA A Ágora Antiga foi um dos primeiros lugares no mundo a dispor da democracia como forma de governo para o povo. Era o centro comercial, administrativo e político da Atenas antiga, um local central onde se situavam os edifícios públicos, o mercado e a praça de reunião dos cidadãos.
Antiga começaram em 1930 e foi montado um museu para expor as relíquias nela descobertas.
“Ágora. (Do gr. ágora) S.F. Praça das antigas cidades gregas, na qual se fazia o mercado e onde se reuniam, muitas vezes, as assembleias do povo.” (FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo As decisões políticas, principalmente Dicionário da Língua Portuguesa, (2ª em Atenas, cidade onde surgiu a democ- edição). Nova Fronteira, Rio de Janeiro. racia grega, eram tomadas na Ágora (es- 1986. p.63) paço público de debate político). Nela “Do ponto de vista comunitário, tinha se localiza um relógio de água chamado que haver um centro onde se concentrasclepsidra (aproximadamente 400 a.C.) sem os originais edifícios civis e religiosos que era usado para controlar o tempo dos e onde os cidadãos pudessem reunir-se debatedores. Além do relógio, chamava sempre que necessário (a Ágora, no seu atenção uma urna esculpida em bronze, sentido primitivo, muito antes de essa paque era usada nos pleitos da época. lavra ter vindo a significar também “praça Foi um período no qual a vida pública do mercado”).” (FINLEY, M. I.. Os Gregos adquiriu uma importância cabal para os Antigos. Edições 70, Lisboa. 1988. p.30) antigos gregos. As escavações na Ágora
EDITORIAL
TODOS BEM VINDOS À ÁGORA! Começamos 2017 e o país busca esquecer os dois últimos anos, especialmente no que diz respeito a economia, já que vivemos a pior recessão da nossa história. No entanto, continuamos a nos surpreender com escândalos de corrupção envolvendo as mais surpreendentes áreas. Por isso, nada melhor do que incentivarmos o debate, mas não aquela discussão irracional que muitas vezes vemos em redes sociais. Queremos o debate de ideais, sadio e que contribua para o desenvolvimento da sociedade. Esse também é o nosso papel como Administradores, como profissionais cidadãos. E esse é o papel da Revista Ágora, que entra em sua segunda edição depois de todo o trabalho desenvolvido no segundo semestre de 2016, para que ela fosse relançada com um visual mais moderno e atrativo. O trabalho foi bem feito e estamos com uma nova edição. Quero convidá-los a refletir sobres os artigos desta edição. Vamos tratar de temas da atualidade e incentivar também o debate sobre realização profissional e pessoal. Com certeza, a edição da Ágora vai surpreendê-los. Boa leitura!
Amilcar Pacheco dos Santos Presidente do CRA- PR EXPEDIENTE
Revista Ágora é uma publicação do Conselho Regional de Administração do Paraná – CRA-PR Endereço: Rua Coronel Dulcídio, 1565, CEP 80250-100 – Curitiba/PR – Fone/ fax: (41) 3311-5555 Internet: www.cra-pr.org.br E-mail: cra-pr@cra-pr.org.br PRESIDENTE: Amilcar Pacheco dos
Santos
CONSELHO EDITORIAL: Administradores
Álvaro José Argemiro da Silva, Márcio Miura e Sérgio Ditkun
Periodicidade: Semestral – Distribuição exclusiva pela Internet
EDITORAÇÃO: Apex Conteúdo Estratégico
O conteúdo das informações veiculadas pode sofrer alterações a qualquer tempo, sendo atualizado diretamente em nosso portal.
JORNALISTA RESPONSÁVEL: Leonardo Fagundes (DRT: 4470/18/110-PR) FOTOS: Supervisão de Eventos e Arquivo CONTATO E ARTIGOS: agorarevista@cra-pr.org.br
Os artigos são opiniões pessoais e não refletem necessariamente a opinião do CRA-PR
SUMÁRIO
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Sua vida profissional está aliada ao seu propósito? – Veja o relato de Tatiana Girardi que lutou contra o medo para se realizar no trabalho
O pior já passou e é hora de olhar para o futuro – Confira o artigo “Tempo de Retomada”, da consultora Viviane Doelman
08 No mundo globalizado a negociação é fundamental para vencer – Confira o trecho do novo livro do administrador Sérgio Tsuru
18 Você já ouviu falar em FIB? A Felicidade Interna Bruta pode ser o caminho para ser mais feliz no trabalho e na vida – Por Michelle Taminato e Marcelo Castilho
16 É preciso olhar além dos modelos tradicionais – Veja a análise do administrador Fernandes Pietrobon
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O PROPÓSITO COMO PROJETO DE VIDA
Como encontrar um jeito de unir realização profissional e pessoal para satisfazer sua jornada
Tati Girardi
V
azio no peito era o que eu descrevia para a minha psicóloga ao falar sobre o meu sentimento em relação a minha profissão e ao meu trabalho há dez anos atrás.
sombravam, e, com muito trabalho interno, descobri que o que sanaria e resolveria aquele sentimento de vazio no peito seria um trabalho/profissão que pudesse, de alguma forma, ajudar pessoas e principalmente mudar a realidade de alguém.
Apesar de gostar muito do que fazia, havia uma inquietação do meu ser e muitos questionamentos povoavam a minha cabeça: “será que é isso mesmo que eu nasci para fazer? Será que eu sei apenas fazer isso? É isso realmente o que quero para a minha vida?”
Com essa descoberta, meio caminho foi andado, pois percebi que o que realmente faria e faz sentido para mim: trabalhar por um propósito maior, ou seja, fazer a diferença no mundo pessoal de cada um que me procura.
E de “serás” vivi por um bom tempo. Até que, enfim, resolvi me conhecer profundamente e escolhi a terapia para me ajudar. Durante o processo terapêutico, consegui responder aos serás que me as-
Com essa “meia” luz acesa diante de mim, busquei atividades que de fato poderiam ajudar a alcançar o meu propósito. Fui estudar e cogitei até em ser médica, porém, o Universo trouxe algo que me encantou: a faculdade de bioterapia, na
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qual me deixaria apta para trabalhar com terapias alternativas. Um planejamento pessoal foi traçado: utilizaria a profissão que exercia para bancar a minha preparação, que chamava de “plano B de vida”, o que demandou três anos. Quando me senti pronta para fazer o movimento da grande mudança, pedi demissão e aí veio a surpresa. O salário oferecido para que eu ficasse balançou minha convicção e já não sabia mais o que fazer. Pedi alguns dias para pensar e novamente recorri ao Universo para que me ajudasse a encontrar uma resposta e ele respondeu através de um sonho, pra lá de simbólico, no qual eu me via trancada e infeliz em uma gaiola de ouro. Bastou isso para retomar a minha certeza, seguir com o plano e, com muito medo, o Espaço do Bem-Estar foi aberto. Há quase 8 anos o buraco e o vazio no peito foram substituídos por um sentimento de plenitude. O pensamento diário
que permeia minha mente, a cada cliente que atendo e que sai do espaço melhor do que entrou é, “essa é minha missão, esse é meu propósito”. Se você tem se questionado a respeito, é importante muito trabalho interno e principalmente planejamento para ir em busca do seu sonho. Vale lembrar do alerta do filósofo Mario Sergio Cortella, “existe uma diferença entre sonho e delírio. Um sonho tem que ter factibilidade, ser passível de realização. O delírio é o desejo não realizável. Aquilo que gera a alegria do esforço é o sonho. O delírio resulta em frustração.” Tatiana Girardi é Master Coach e Terapeuta Holística, graduada em Administração de Empresas, com habilitação em Gestão de Negócios, na Unicuritiba, em Bioterapia, e pós-graduada em Marketing-Comportamento do Consumidor. Professora de Coach e Liderança, Especialista em Neurocoaching, Analista Transacional e Orientadora Profissional.
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A ARTE DA NEGOCIAÇÃO O novo livro de Sérgio Tsuru traz fundamentos, características e estratégias desse universo
Sergio Tsuru
Negociação - Fundamentos, Características e Estratégias, Sérgio Kazuo Tsuru
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obra em discussão, em dimensões de mini book, apresenta como características a portabilidade e facilidade do acesso à obra por parte dos leitores. Embora o tema seja técnico, percebe-se nos comentários dos Prefaciadores a leveza com que os pormenores são tratados do ponto de vista prático, respaldado em pesquisas sobre o assunto e na própria experiência do autor à disposição do leitor. Em seus aspectos introdutórios, a obra contextualiza o momento em que o Brasil atravessa: traz consigo uma série de indagações de ordem
política, econômica e social e introduz a negociação em ambiente organizacional com fins lucrativos em âmbito nacional, voltados à indústria, comércio ou serviços, principalmente. As diversas referências pesquisadas contribuiram, sobremaneira, à fundamentação da obra. Além de tornar clara a importância e os princípios de negociação, propõe a utilização de testes para identificar as razões as quais mais motivam cada negociador. É recomendável realizar a leitura para identificar em qual característica, estilo e habilidade o profissional mais se aproxima e, em seguida, estudar seus pontos fortes para
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A NEGOCIAÇÃO DEVE SER ENTENDIDA COMO UM PROCESSO E É CONSTITUÍDA POR DIVERSAS FASES melhor intensificá-los – o diferencial certamente pode estar nos detalhes. Adicionalmente à comunicação verbal, para o negociador, é fundamental observar que o corpo também fala nos negócios, assim como as cores, os vestuários e acessórios completam o perfil. No desenvolvimento do conteúdo,
verificou-se que há diferentes tipos de negociação, cada uma com suas particularidades, em que diversos componentes podem interferir para mais ou para menos, dependendo do segmento. Aspectos de ambiente externo e interno à organização, como a economia, a concorrência, o posicionamento e o poderio do comprador versus do vendedor, enfim, certamente exercerão influência em uma negociação. A probabilidade de êxito é maior em uma negociação quando características, estilos e habilidades consideradas ideais se fazem presentes em uma mesa de negociação. Acrescenta-se aos aspectos técnicos a importância da ética nos negócios, a qual se reflete por meio da relação de satisfação entre as partes envolvidas na negociação. A negociação deve ser entendida como um processo e, como tal, constituída por diversas fases por onde se desenvolve uma negociação. O propósito do processo deve servir como orientação em cada fase e, normalmente, conclui com a preservação do relacionamento e continuidade dos negócios. Para desenvolvimento sustentável do negociador torna-se imprescindível visualizar os “fatores-chave de sucesso” (FCS) entre as partes envolvidas em uma negociação, ou seja, são pontos-chave que, quando bem executados, definem e garantem o
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NEGOCIAR BEM NÃO TEM A PRETENSÃO DE SE GANHAR SEMPRE desenvolvimento de seu negócio. E fazem parte dos FCS as dimensões operacionais, gerenciais e de direção, respectivamente, os fatores comportamentais, os fatores táticos e os fatores estratégicos. A obra adentra no campo de técnicas de negociação diante de conjuntos de variáveis as quais podem interferir nas condições de negociação e finaliza com diversos exemplos de técnicas de negociação possíveis de serem adotadas diante de estilos de negociadores. Para os profissionais e acadêmicos, a obra traz à tona aspectos instrutivos e construtivos que certamente trarão acréscimos para todo o negociador.
Negociar bem não tem a pretensão de se ganhar sempre, mas de ter a flexibilidade e a percepção de perder no início para ganhar mais adiante. Embora negociar pareça ser permeado por aspectos lógicos, exige antes de qualquer coisa a arte (destreza), e, também, o preparo. Sérgio Kazuo Tsuru é graduado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Mestre em Administração e Recursos Humanos pela Universidade de Extremadura, na Espanha. Especialista em Gerência de projetos, Finanças, Marketing e Estratégias empresariais. Atuou no segmento industrial, comercial e serviços. Atualmente é professor de pós-graduação, consultor e diretor de Formação Profissional do CRA-PR.
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TEMPO DE RETOMADA
Uma agenda positiva para recompensar quem foi parceiro no pior da crise Viviane Doelman
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cenário econômico brasileiro tem sido no mínimo desafiador para empresas de todos os setores. Medidas drásticas vêm sendo tomadas para assegurar a sobrevivência dos negócios. Agora, depois de alguns duros anos, o mercado começa a dar sinais de
MEDIDAS QUE MOTIVEM O PROFISSIONAL SÃO REVERTIDAS EM BENEFÍCIO DA ORGANIZAÇÃO recuperação. Ainda que tímida e gradual, a retomada mostra fôlego para influenciar o humor de empresários e administradores. Gradualmente, também, os tomadores de decisão começam a tirar planos e projetos da gaveta, e a não pensar somente em medidas contingenciais. Um ponto a se destacar neste momento de alteração de rota é o que diz respeito às pessoas. É vital que os gestores olhem com cuidado para os profissionais que permaneceram na empresa durante os períodos mais difíceis, que muitas vezes estão cansados e desgastados por terem participado de ações voltadas para racionalização de custos, negociações com
credores e enxugamento da empresa. Eles viram partir colegas de muitos anos e muitas vezes tiveram que demití-los. Como reafirmar para estes colaboradores a sua importância num contexto de retomada? Como recompensá-los por terem permanecido e ajudado a empresa no processo de recuperação? Essas são perguntas que devem estar muito presentes na cabeça dos empresários e Conselheiros, para que suas respostas resultem em estratégias de retenção de talentos e pessoas-chave dentro das organizações. Medidas que motivem o profissional e acabem sendo revertidas em benefício da própria organização podem e devem ser contempladas. Algumas destas medidas são: Avaliação atrelada a programas de desenvolvimento. É hora de oferecer avaliações dos profissionais que não só apontem seus pontos de desenvolvimento, mas que tenham continuidade para ajudá-los a preencher lacunas por meio de programas de coaching e mentoria, por exemplo, ou que resultem em programas de team building e formação de líderes. Revisão do modelo organizacional, que visando a operacionalização da estratégia, deve também prover ao profissional espaço para movimentações, ampliando seu foco em aspectos que sejam importantes tanto para ele como para a organização – ao mesmo tempo em que
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lhe permita aprender novas técnicas e adquirir novas habilidades. O modelo organizacional adequado deve permitir que o profissional trabalhe de forma estratégica e consistente, e que, principalmente, permita ser avaliado de forma transparente e objetiva. Revisitar políticas de remuneração. A revisão dos modelos e políticas de remuneração, com um olhar para incentivos de curto e principalmente de longo prazo, é um indicador importante para que qualquer colaborador sinta-se valorizado pela empresa. Avaliação do Conselho. Se a empresa dispuser de Conselho de Administração ou Consultivo, é importante que os acionistas avaliem este órgão da Governança, sua dinâmica, pautas e perfil dos independentes. É preciso que a formação do Conselho e seu modo de trabalho estejam alinhados à criação de uma agenda prospectiva. Estas são algumas iniciativas que podem fazer diferença num momento de recuperação, em que as empresas começam
a retomar contratações. É crucial evitar que o desgaste dos últimos anos leve profissionais que a organização deseja manter a aceitar propostas, estimulados pela percepção de que seu empregador permanece numa agenda de contenção, enquanto outras empresas, muitas vezes concorrentes, estão expandindo e voltando a contratar. Se a visão dos acionistas e conselheiros já não é de curtíssimo prazo e está mais otimista, isto deve ser efetivamente informado com clareza e urgência para diretores e executivos, ativos imprescindíveis do negócio e agentes da operacionalização da estratégia no dia-adia da empresa. Viviane Doelman é diretora da 3G Consultoria – Governança, Gestão e Gente (www.3gconsultoria.com.br). Possui experiência internacional no Grupo HSBC, ABN Amro Bank e FESA Global Executive Search. Viviane tem MBA Executivo pela Fundação Getulio Vargas, RJ, é formada em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba e é certificada em Gestão de Portfolios (MoP®) pela AMPG International de Londres.
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A MANEIRA CERTA E A MANEIRA DIFERENTE DE FAZER AS COISAS
Uma reflexão de um Case de Entropia Corporativa Fernandes Pietrobon
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odos nós, como seres humanos, temos uma adaptabilidade inata muito interessante – tanto para homeostase positiva quanto negativa. É muito interessante observar, no comportamento corporativo, que assim como para as pessoas ocorrem homeostase, adaptações conforme o meio ambiente em que estamos inseridos, também ocorre de maneira similar situações adaptativas dentro das empresas no seu atuar cotidiano. Para visualizarmos um pouco esta questão, façamos uma reflexão sobre um caso, como exemplo: depois de perceber que havia necessidade de um maior controle sobre o fluxo de pessoas com acesso aos estoques da empresa – entre diversos funcionários e eventualmente até alguns
clientes mais frequentes –, o gestor decide colocar uma placa identificadora na porta de acesso: “Acesso Restrito”. Para aquela empresa, naquele momento, soou muito forte e fria a colocação de uma placa com tal informação. Pois todos se conheciam e já tinham relacionamento profissional de longa data. Alguns até se perguntavam quais seriam as verdadeiras intenções do gestor, já que havia algo “pairando no ar”, com suspeitas de falta de confiança na equipe. E, então, algumas inquietudes foram se formando, por algum tempo. Em que pese este primeiro impacto negativo, para o gestor gerou o resultado esperado. Alguns já nem acessavam os estoques e perguntavam para o estoquista sobre os materiais, além de solicitar
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algo que fosse alcançado para eles. Passado algum tempo, o gestor começou a observar a homeostase negativa acontecendo. Passaram todos, novamente a entrar livremente na “área restrita”. Inclusive, deixando a entrada aberta, algumas vezes.
também, com o tempo, voltaram às mesmas práticas. O mais curioso foi como. Para manter as portas abertas, numa colocaram uma peça na parte inferior, bloqueando o fechamento automático da porta e noutra, chegaram à parafusar um engate para segurar a porta aberta.
Como não se tratava de algo muito grave, devido ao conhecimento entre as pessoas e o nível de confiança mútuos, ficava uma questão delicada para o gestor aprofundar nesta questão. Porém resolveu ir além. Colocou uma “mão francesa” nas portas de acesso (daquelas que a pessoa passa e a porta necessariamente volta a se fechar sozinha) como instrumento para “coibir” as entradas. Colocou ainda, o estoquista ao lado a porta principal e colocou mais uma porta atrás do estoquista, para todos terem que “trafegar” justamente, aos olhos do estoquista.
Este caso está acontecendo agora! Ainda não temos um final para esta situação. Você tem alguma sugestão de solução para dar ao gestor?
Novamente, houve certa “comoção” e voltaram a respeitar as condições de acesso aos estoques. Porém, novamente
Fernandes Pietrobon é graduado em Ciências Contábeis e Administração e especialista em Contabilidade e Controladoria, Gestão e Auditoria de Negócios, pela Universidade Estadual do Centro-Oeste, e mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR. Tem experiência na área de Administração e Contabilidade, com ênfase em Perícia, Gestão, Controladoria, Auditoria, Planejamento Estratégico, Qualidade, 5’s, ISO 9000, entre outros.
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A FELICIDADE CONTRIBUI PARA UMA GESTÃO INOVADORA? O verdadeiro impulsionador de uma organização inovadora surge quando a colaboração é fundamentada na autoconsciência. Por Michelle Taminato e Marcelo Castilho
O
s modelos tradicionais econômicos, políticos e sociais acabam limitando as possibilidades de pensar, agir e inovar. Romper esses padrões e propor novos formatos baseados na felicidade, na colaboração e na autoconsciência em prol do coletivo foi o que nos propusemos a fazer a partir da fundação do CollabSoul, um movimento formado por consultores e empreendedores voltado ao resgate do soul da colaboração. Eu estava no auge de uma carreira executiva consolidada e ascendente, quando algumas situações de infelicidade em clientes, parceiros e colegas causaram uma profunda inquietação profissional e pessoal, que me fizeram repensar o meu papel como gestora e, também,
os paradigmas de sucesso pessoal e profissional nos quais eu estava inserida, até então, de forma inconsciente. O insight para a mudança surgiu quando tive contato com o FIB (Felicidade Interna Bruta). O FIB foi declarado como principal indicativo econômico do Butão pelo 4º rei, Jigme Singye Wangchuck, e tem como princípio o fortalecimento cultural e ambiental do país combinado ao crescimento econômico. Dentre as diretrizes desse sistema de mensuração está, por exemplo, a manutenção de 60% das florestas intactas e o ensino obrigatório do idioma nativo do país em todas as escolas. O Butão é um pequeno país localizado entre a China e a Índia no extremo leste dos Himalaias. Com cerca de 750 mil habitantes, sua religião oficial é o
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O BEM-ESTAR É UMA HABILIDADE MOLDADA PELA MENTE E ESTÁ BASEADA EM QUATRO PONTOS budismo e o regime político vigente é a monarquia constitucional. Nesse contexto, uma pergunta se tornou frequente na minha rotina: “se um país tão diverso do nosso consegue mensurar recursos através da felicidade, porque empresas não conseguiriam?” Afinal, o que é felicidade? Mas antes de tentar incorporar esse modelo dentro das organizações, era preciso compreender o que é felicidade. Segundo Richard Davidson, professor e fundador do Centro de Healthy Minds,
da Universidade de Wisconsin-Madison nos Estados Unidos, o bem-estar é uma habilidade moldada pela mente e está baseada em quatro pontos: Resiliência, ligada à rapidez com que somos capazes de nos recuperar das adversidades. Perspectiva positiva, que diz respeito à bondade inata dos seres humanos e a propensão de cada um em enxergar em si e no outro sementes de gentileza e compaixão. Atenção, ligada a capacidade de concentrar-se e assim reduzir a experiência de infelicidade. Segundo o estudo realizado por Dan Gilbert, da Universidade de Harvard em 2010, em 47% do tempo a mente das pessoas encontra-se dispersa. Generosidade, relacionada ao altruísmo e compartilhamento; beneficiando tanto quem é generoso como aquele que é beneficiado. Na prática, como aplicar isso em orga-
nizações? Depois de um período extenso de estudos teóricos e práticos sobre o FIB, que incluiu uma viagem sabática de 12 meses em países como Japão, Índia, Birmânia e Butão, comecei a estruturar a aplicação desse conceito à organizações juntamente às pesquisas científicas do Marcelo, relacionadas à colaboração e inovação. Para nós, a colaboração em si era um paradigma de gestão por envolver práticas pouco comuns às organizações: disposição para assumir riscos relacionados ao compartilhamento de poder, de recursos financeiros e de reputação. Diante desse cenário, foi notado que as premissas do FIB são importantes direcionadoras para que a colaboração seja atingida nas organizações. A pesquisa comprovou que, tanto países como a Tailândia e o Vietnã – que,
assim como o Brasil, sofrem de estrutura precária e forte influência econômica de países desenvolvidos – quanto em nações como o Japão e Singapura, os quais a pobreza e a escassez não estão mais presentes, demonstram que empreendimentos ligados a coworkings e incubadoras, liderados por altos níveis de propósito, estão mais ligados ao fortalecimento da nação, de seu povo e da crença de que uma ação local pode mudar e melhorar o seu país do que as organizações tradicionais. Desta forma, ficou evidente a importância dos aspectos já conhecidos dos efeitos da colaboração para a sucesso de negócios inovadores, ligados ao compartilhamento de conhecimento e alinhamento para resultados. Ficou clara, também, a importância crescente dos aspectos da colaboração relacionados à autoconsciência em prol do coletivo, menos explorados em organizações con-
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vencionais e mais evidentes em ecossistemas de inovação. Uma gestão Inovadora – CollabSoul A partir dessa pesquisa na Ásia, foi concebido um modelo de gestão intrinsecamente relacionado à felicidade e a colaboração, impulsionando a percepção de interdependência entre os indivíduos, organizações e áreas: o CollabSoul. Nele, busca-se fomentar uma atuação coletiva inovadora que traga resultados transformadores para os negócios e que supram positivamente às necessidades atuais do Brasil e do mundo. O CollabSoul se baseia em sete desafios da colaboração: • Líderes conectados a um propósito, a sua comunidade e seu país.
• Fluxo de interdependência em situações de poder distribuído com o correto dimensionamento de socialização e privacidade. • Flexibilidade nas desavenças buscando convergência para o alcance de um resultado. • Facilidade de acesso à informação e disponibilidade em compartilhar, amplificando benefícios. • Confiança na diversidade superando a ilusão de segurança e estabilidade. • Lucidez e autodeterminação propiciando acolhimento e o pertencimento para a criação coletiva. • Crença nos benefícios da rede e do fluxo, escapando da armadilha da repetição dos modelos de escassez e
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proteção. Em síntese, a colaboração, quando combinada aos valores relacionados ao FIB, proporciona condições para uma gestão intrinsecamente inovadora por meio de novos níveis de consciência, sendo, estes, visíveis nos níveis coletivo e individual. No nível coletivo, quando não é mais possível atuar levando em conta somente o interesse próprio. E no nível do indivíduo, quando a qualidade de qualquer ação depende cada vez mais da condição interior de quem a cria. Marcelo é pesquisador e consultor em inovação colaborativa e design thinking, com mestrados tanto em Design como em Administração e larga experiência como criativo e gestor em empresas do ramo automotivo. Michelle é consultora em gestão da mudança e executiva em gestão de processos e negócios, além de empreendedora em projetos de auto conhecimento e bem estar como o Instituto En Laços. Ambos são co fundadores do CollabSoul.