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Não são de pedra as nossas casas, mas de mãos...
Dezembro - 2011
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II SÉRIE
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ANO IV
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NÚMERO 28
Editorial J
á em pleno mês de Outubro, a envolvente agrícola da nossa Vila, nas partes Norte e Nordeste, foi vítima de mais um incêndio, que transformou a paisagem verdejante num grande manto negro. Mãos negligentes ou mesmo criminosas, provocam, ciclicamente, este tipo de calamidades. Mas, em boa verdade, também não temos visto serem tomadas as necessárias medidas preventivas, quer por parte da maioria dos proprietários, quer por parte de quem, oficialmente, tem responsabilidades de protecção civil. Em concreto, falamos da implementação de uma florestação ordenada, por parte dos agricultores. De uma limpeza adequada, nomeadamente, através do aproveitamento da biomassa florestal, pela, eventual, criação de uma unidade fabril para produção de energia, porventura, com interesses intermunicipais e de parceria com o EHATB.
Continua na pág. .7
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« ue esta época festiva seja de paz e alegria, proporcionando a todos óptimos momentos de felicidade, amor e união. São os meus votos sinceros! …
Donativos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
Normando Alves
Comissão de Carnaval. . . . . . . . . 2
Presidente da Direcção da Casa do Povo
Benção da Casa Murtuária. . . . . 3 Constituição Comissão de Festas de Vilarandelo 2012 . . . . . 3
2º Aniversário Lar de Idosos
Homenagem ao Prof. José Ribeirinha Machado. . . . . . . . . . . 4 Dia de São Martinho. . . . . . . . . . 8 Dia Mundial do Idoso. . . . . . . . . . 8 Dia Mundial da Alimentação. . . . 8 Dia do Halloween . . . . . . . . . . . . 9 Magusto Rancho Folclórico . . . . 9 165.º Aniversário da Batalha de Valpaços. . . . . . . . . . . 10 Temas Agronómicos . . . . . . . . . . 12 Aniversários . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 O Casamento por Procuração. . 13 Creche: Sala Amarela e Laranja. 14
Págs. Centrais
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Donativos DonATIVOS PARA O JORNAL
1000 Nº Nome 1007 Josefa Teixeira Mesquita 1008 Maria Manuela Teixeira Mesquita 1009 Vicente Lopes de Almeida 1010 Carlos Alberto Oliveira da Silva
José António Fidalgo Ferreira..........................................................40,00 € Alberto Afonso..................................................................................20,00 € Lídia Alves ferreira Pires...................................................................20,00 € Maria da Conceição da Rosa Brandão Aleixo.................................20,00 € Amélia Ribeirinha Rodrigues.............................................................2,50 € Eduardo Domingues.......................................................................200,00 € José Azevedo Sampaio....................................................................100,00 € Maria Eugénia Rodrigues Carvela...................................................20,00 € Maria Helena da Silva Lopes Delgado...........................................100,00 € Maria Deolinda Pinto Valente..........................................................50,00 € Rosa da Silva Ribeirinha Severino...................................................20,00 € Maria da Graça Mesquita Valadares Guedes..................................25,00 € Alda Natercia Doutel........................................................................20,00 € Amélia..................................................................................................5,00 € Irm. Esperança dos Anjos Alpande Pires.........................................20,00 € António José Gomes Teixeira...........................................................10,00 € Nelson Cancelinha Charrua.............................................................20,00 € Rui Jorge da Rosa Cancelinha..........................................................10,00 € Maria Carolina almeida Pascoal Mariano.......................................50,00 €
Residência Vilarandelo Vilarandelo Lisboa Valpaços António José Garcia Ferreira Secretário da Direcção
DONATIVOS PARA O CAT
Agradecimento
Maria Carolina almeida Pascoal Mariano.....................................100,00 €
A família de Alberto Afonso vem, muito sensibilizada, agradecer as inúmeras provas de pesar e carinho que lhe foram manifestadas aquando das exéquias fúnebres do seu ente querido.
MOVIMENTO DE SOLIDARIEDADE A FAVOR DO LAR DE IDOSOS DE VILARANDELO António José Gomes Teixeira...........................................................10,00 € Nelson Cancelinha Charrua...........................................................130,00 € Maria Carolina almeida Pascoal Mariano.....................................100,00 €
Agência Funerária Mariana Lino Lda. - Vilarandelo
Agradecimento A família de Armando Mitras Moreno vem, muito sensibilizada, agradecer as inúmeras provas de pesar e carinho que lhe foram manifestadas aquando das exéquias fúnebres do seu ente querido.
Comissão de Carnaval
Agência Funerária Mariana Lino Lda. - Vilarandelo
Agradecimento A família de Zulmira de Fátima Almeida vem, muito sensibilizada, agradecer as inúmeras provas de pesar e carinho que lhe foram manifestadas aquando das exéquias fúnebres do seu ente querido. Agência Funerária Mariana Lino Lda. - Vilarandelo
Agradecimento A família de José Morais vem, muito sensibilizada, agradecer as inúmeras provas de pesar e carinho que lhe foram manifestadas aquando das exéquias fúnebres do seu ente querido. Agência Funerária Mariana Lino Lda. - Vilarandelo
Agradecimento A família de Amélia Melo Cancelinha vem, muito sensibilizada, agradecer as inúmeras provas de pesar e carinho que lhe foram manifestadas aquando das exéquias fúnebres do seu ente querido. Agência Funerária Mariana Lino Lda. - Vilarandelo
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á não falta muito, é verdade, o Carnaval 2012 não tarda está à porta! Já estamos a reunir as “tropas” para preparar o próximo carnaval. Como todos sabem o ano 2012 vai ser um ano muito difícil para toda a gente. Se queremos um carnaval digno e com qualidade, agora mais do que nunca os vilarandelenses têm de estar unidos. As verbas que a Autarquia e que a Junta da Freguesia costumam dar anualmente são cada vez menores. Só para ter uma ideia, no carnaval deste ano, o nosso orçamento teve de cair para metade. Para o Carnaval de 2012 ainda não sabemos qual será o apoio efectivo da Câmara e da Junta. Por isso, o empenho dos vilarandelense terá de ser maior, principalmente na participação nos corsos carnavalescos de Domingo e Terça-feira. Quantas mais pessoas participarem no corso com carros alegóricos, em grupo ou individualmente, menos dinheiro teremos de gastar com outro tipo de animação,Apelamos à vossa imaginação, vamos dar um pontapé na crise! Não vamos por isso baixar os braços ao trabalho, poderá não ser um carnaval com a exuberância de outros anos, mas será com certeza um carnaval digno. À semelhança dos outros anos a Comissão de carnaval “os Maltezes” tem um cabaz de Natal Para sortear. Agradecemos assim a todos os estabelecimentos comerciais que contribuíram para a realização deste cabaz. Esperamos que colaborem sempre connosco. A todos eles um bemhaja. Desejamos a todos os vilarandelenses um feliz Natal e um próspero Ano Novo! P´la Direcção Paulo Pascoal
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Benção da Casa Murtuária N
o final da missa dominical do dia 4 de Dezembro p.p., com a presença de muitos vilarandelenses, o Sr. Pe. Jorge Fernandes, procedeu à bênção da Casa Mortuária de Vilarandelo. Depois do Sr. Presidente da Junta de Freguesia, Francisco Fernandes, dirigir algumas palavras aos presentes, terminou esta singela sessão, ficando a partir desse momento a Casa Mortuária à disposição dos vilarandelenses.
O Arauto da Casa do Povo (Fotos cedidas pelo Sr. José Doutel Coroado)
Constituição da Comissão de Festas de Vilarandelo 2012 AGOSTINHO MORAIS DE ALMEIDA ALBINO MORAIS MAGALHÃES ALMOR DE JESUS BARREIRA CARLOS ALBERTO BRANDÃO ALMEIDA CARLOS MANUEL AMARO CARLOS JORGE DA SILVA ALVES DOMINGOS FILIPE MIRANDA PINTO IDELBERTO PIRES MARTINS COROADO JOSÉ ANTÓNIO VALE COROADO MARIA MANUELA DA SILVA LOPES MARIA MANUELA TEIXEIRA MESQUITA MARIA DE FÁTIMA MACHADO BRANDÃO LOPES NUNO CARLOS TEIXEIRA MACHADO SÓNIA CRISÁLIDA ALVARELHOS BARREIRA
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m nome da nova comissão, gostaríamos de enaltecer o excelente trabalho realizado pela comissão cessante e agradecer-lhes a confiança que depositaram em nós, nas suas nomeações para a continuação deste legado. De nós, podem contar com a máxima dedicação e trabalho, com o objectivo de fazer sempre mais e melhor. Seremos persistentes na recolha de fundos para este nobre objectivo, para o qual pedimos a vossa compreensão, pois o sucesso da nossa festa dependerá da contribuição de todos nós. Contem connosco, que nós contamos convosco, Obrigado a todos. A Comissão de Festas 2012
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Recordar é Viver... Por: António José Garcia e Normando Alves
Homenagem ao Professor José Ribeirinha Machado
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asceu a 16 de Janeiro de 1924 é filho de José Ribeirinha Machado e de Maria Nogueira da Silva, casal detentor de uma boa casa agrícola, podendo dizer-se que faziam parte do pequeno grupo de lavradores abastados da nossa aldeia. Deram á sociedade três filhos, o José Ribeirinha Machado, o João da Silva Machado e a Rosa da Silva Ribeirinha.
Os pais Maria Nogueira da Silva e José Ribeirinha Machado
Os irmãos, Dr. João da Silva Machado e Rosa da Silva Ribeirinha Severino José, o mais velho, logo que terminou a escola primária pelas mãos da ilustre professora D. Amélia Castelo, rumou, como era muito hábito na época, ao seminário de Vila Real. Ali prosseguiu os seus estudos, com êxito, tendo-se ordenado sacerdote no ano de 1948, celebrando Missa Nova na sua terra natal. Já investido na função de padre, foi colocado como pároco da freguesia de Oliveira, concelho de Mesão Frio, no dia 19 de Março de 1949. Dizem-nos que seu pai despachou uma égua, através do comboio, como
se de uma qualquer encomenda se tratasse, para a estação de Caldas de Moledo, para que aquela servisse de meio de transporte do Padre José nas suas deslocações entre aldeias. A sua apetência para o apoio social manifestou-se logo nestes primeiros anos de pároco, nomeadamente, com a construção de um bairro social para famílias desfavorecidas, em Fontelas, aldeia do concelho de Peso da Régua. Após a morte de sua mãe, em 1960, regressa a Vilarandelo, onde passa a residir, paroquiando a freguesia de Santa Valha.
Em paralelo com a função de padre, dedica-se à actividade agrícola e pecuária, cria uma unidade industrial de panificação, com distribuição pelas aldeias vizinhas e inicia a acção social, com a reactivação da Casa do Povo de Vilarandelo, que, paulatinamente, passa a desenvolver diversos tipos de valências de âmbito social, cultural e desportivo e que se vem a mostrar como fundamental para o desenvolvimento da freguesia, nomeadamente, pela criação de postos de trabalho. Assim, inicia-se a distribuição de alimentos aos mais carenciados, (sopa dos pobres); fomenta-se o ensino com a criação de um externato onde é leccionado o 1º ciclo (hoje 5º e 6º anos), mais tarde substituído pela Telescola, posto nº 8 e, anos depois pela escola EB2/3, de que é patrono, mas entretanto encerrada como EB2/3, ficando apenas como EB1, por decisões politiqueiras; é criado um posto clínico para cuidados de saúde primários à população, com serviço médico e de enfermagem, respectivamente, Dr. Olímpio Seca, Dr. Carlos Ferreira e de D. Rosa Ribeirinha e que está na génese da actual extensão de saúde, posto médico; constrói-se a sala de espectáculos, solenemente inaugurada pelo Ministro das Corporações, Dr. Gonçalves Proença, que na oportunidade oferece um aparelho de televisão (o segundo na aldeia). E assim começamos a ter acesso, diariamente, às emissões do então, solitário, canal 1, situação também só possível face à disponibilidade do Zé Vitorino que era o responsável pela abertura e fecho da sala, em horário pós-laboral e de forma graciosa; instala-se uma área de confecção de algumas peças vestuário, concretamente camisolas tricotadas em lã, destinadas aos mais necessitados; é criada uma biblioteca local, também apoiada pela biblioteca itinerante da Gulbenkian; fomenta-se
a prática do desporto como futebol e ténis de mesa; apoia-se a educação musical através dinamização da banda musical. Estamos então em plena década de sessenta, anos fortemente marcados pelo espírito de mudança, nomeadamente na sociedade mais jovem, ávida de liberdade e de novas experiências. Falamos de uma importada “revolução pela liberdade” muito abrangente, com interferência nos mais diversos domínios, nomeadamente, da política (lutas académicas de 1968), da sexualidade, da expressão oral, quiçá um forte desejo de alguma libertinagem e de luta contra os costumes. Também a igreja católica e os seus membros sacerdotes sentem esta onda de liberdade e, nalguns casos, o conceito de vocação sacerdotal também sofre alterações. Nesta conformidade, alguns padres consideram que a sua missão na terra passa por outras formas de vida. Também o Padre Zé Ribeirinha sentiu essa necessidade de mudança e decidiu abdicar da função sacerdotal, decorria o ano de 1968. Em 8 de Dezembro de 1969, na capela de Argeriz, celebrou-se o casamento de José Ribeirinha Machado com a Sra D. Amélia Martins Coroado, testemunhado por familiares dos cônjuges e um restrito grupo de amigos, nos quais, com muito gosto, me incluo. Cumulativamente com a presidência da Casa do Povo de Vilarandelo, cujas missões de apoio comunitário continuam em crescendo, recordamos
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Recordar é Viver... Por: António José Garcia e Normando Alves construção de uma estátua ou busto. O local escolhido para o efeito, situa-se na avenida de seu nome, lado esquerdo descendente, junto ao lar de idosos. Pretende-se inaugurar este pequeno monumento alusivo à memória do Professor Ribeirinha, no dia do seu aniversário, 16 de Janeiro, no ano de 2013. Contamos com o apoio do poder autárquico, já garantido pelo Sr. Presidente da Câmara Eng. Francisco Tavares, mas também com o reconhecimento do povo, desta fei-
ta através de uma dádiva monetária, que poderá ser entregue na secretaria da Casa do Povo. Está aberta “ a corrida” e estamos certos que à meta chegará um grande pelotão, com força suficiente para erigir uma obra digna, à imagem e semelhança do homenageado. Esta comissão é constituída por Dr. Manuel Jorge Seca, Dr. Francisco Taveira, Josefa Soares, Eugénia Anselmo Terra e por mim próprio, enquanto Secretário da Direcção.
No dia do seu casamento o Jardim de Infância e a função de Quem o conheceu, recordará José professor na Telescola e mais tarde Ribeirinha com um homem de perna EB2/3, tarefa que desempenhava sonalidade forte, persistente e decom muita dedicação, rigor e exigên- terminado, convicto das suas razões cia, serviu igualmente a população da e lutador indómito na prossecução sua terra como politico. As mudan- dos objectivos traçados. ças de regime político resultantes Para com os praticantes da maleda “revolução dos cravos”, também dicência, os defensores da política influenciaram José Ribeirinha e a en- do bota-abaixo, os incompetentes trada na actividade politica era “fa- ou amantes do marasmo, era acutital como o destino”. Assim, desem- lante, ríspido, até agressivo, quer no penhou a função de Presidente da discurso quer na mensagem escrita. Junta da Freguesia de 17 de Janeiro Não lidava muito bem com a tolede 1977 a 5 de Dezembro de 1983, rância, eventualmente também ele sendo-lhe, igualmente, reconhecido considerava que “a tolerância é meio nesta actividade, mérito relevante caminho andado para dar razão ao pelas obras que conseguiu mandar adversário”. Aliás, uma teoria muito comum àqueles que Grupo de Acção Católica de visita ao Seminário. Da esq.ª pra dirtª em cima: Amável (Sácristão), José Ribeirinha e de forma desinteressaCésar Magalhães. da se dedicam à causa Jaime Madureira, António Coroado e Ernesto Teixeira Em baixo: pública e ao bem-estar da comunidade, mas que não têm “jogo de cintura” suficiente para receber como “troco”, ingratidão, faltas de respeito e de reconhecimento ou mesmo a calúnia. Com a sua esposa D. Amélia Coroado executar e que muito contribuíram para uma melhor qualidade de vida da população em geral. Depois de uma vida de quase absoluta dedicação a causas de grande interesse público, principalmente direccionadas para o melhor bem-estar dos mais desprotegidos, morre a 11 de Dezembro de 1998, encontrando-se sepultado no cemitério da nossa freguesia.
Do que precede, é lícito concluirmos que estamos perante um homem invulgar, com elevado espírito solidário, dotado de superior dedicação ao bem comum. Urge perpetuar a sua memória de forma muito visível, e neste sentido a Direcção da Casa do Povo decidiu convidar um pequeno grupo de vilarandelenses, e atribuir-lhe a responsabilidade de diligenciar pela
De visita ao posto clínico acompanhando uma comitiva que incluía o Ministro das Corporações e Previdência Social, Dr. Gonçalves Proença e o então Governador civil de Vila Real, nosso ilustre conterrâneo Dr. Manuel Santos Carvalho.
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Recordar é Viver... Por: António José Garcia e Normando Alves
Com um grupo de alunos da Telescola, no ano lectivo de 1965/66
O edifício do Jardim de Infância, uma das obras que mais prazer lhe deu mandar construir.
Testemunho de Amélia Coroado (Esposa)
Q Com os elementos da banda musical, o director Manuel Pascoal e o mestre Saul.
Com a educadora irmã Ana Maria e os meninos do Jardim de Infância
uando o José Ribeirinha pensou casar-se, escolheu para sua esposa, concerteza a mulher que o poderia fazer feliz. O nosso casamento ocorreu no dia 16 de Dezembro de 1969, na capela de Argeriz e foi feito pelo Pe. Francisco Ribeirinha, seu primo e pároco dessa freguesia. Não tivemos um casamento muito longo, mas foi repleto de amor e felicidade. Éramos muito unidos, no amor, na saúde e na doença. Falar do meu marido, não é fácil, pois são muitas as coisas para contar e para partilhar com todos os leitores do Arauto, cujos responsáveis se lembraram de lhe prestar esta homenagem, para que os mais velhos o recordem e os mais novos fiquem a saber quem foi este vilarandelense. Em todas as obras que conseguiu levar a cabo e foram muitas, empenhou todo o seu esforço, a sua dedicação e a sua persistência, lutou muito, às vezes até à exaustão. Foi um lutador! … De todas as obras que conseguiu concretizar, tinha um carinho muito especial pelo Jardim de Infância, dizia que esta obra que acolhia e acolhe as criancinhas era “ a menina dos seus olhos”. Eu, já há alguns anos que sou voluntária no Jardim de Infância, vou lá todos os dias ajudar na refeição dos meninos, por isso eu estou a tentar acarinhar esta obra que ele tanto adorou. Sinto-me feliz e realizada junto das crianças apenas contando com um sorriso e um beijinho, quando já teêm a barriguinha cheia. O meu marido quando adoeceu sofreu muito, mas sempre com muita coragem e de consciência tranquila, ciente de que deu o seu melhor pelo futuro das gentes de Vilarandelo. Para concluir este meu curto depoimento, apenas quero reforçar que o José, foi um bom homem e um óptimo marido, que eu recordo com muita saudade!... Obrigado por tudo… meu amigo!... Descansa em paz!... Mélinha
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Recordar é Viver... Por: António José Garcia e Normando Alves
Testemunho de Francisco António Taveira Ferreira Médico-Cirurgião
José Ribeirinha Machado, O Senhor Professor...
V
amos recuar aos anos sessenta do século XX. O Homem ainda não tinha chegado à lua e em Portugal vivia-se em regime de ditadura embora num período que ficou conhecido por primavera marcelista. Vilarandelo era na época uma aldeia em desenvolvimento com centenas de alunos na instrução primária e contavam-se 48 universitários. Por aqui passava a camioneta para Mirandela e para Chaves. Todos sabíamos que havia outro mundo depois da curva da estrada, mas o acesso era vedado à grande maioria dos que nasceram nesta Terra. Era o período da emigração para França, América, Alemanha e Espanha. Um homem nascido numa família abastada de Vilarandelo, responsável religioso de paróquias limítrofes, decidiu liderar uma mobilização que fizesse de Vilarandelo uma Terra mais desenvolvida, mais capaz e deitou mãos à obra
este trabalho - que Deus a ajude. O seu carro era o transporte para o lanche dos miúdos da telescola.
A MIM E DE MODO MUITO PRÓPRIO marcou-me pelo exemplo, pela dedicação ao trabalho, pela insistência e energia que punha em tudo o que fazia e foi determinante para a orientação da minha vida pessoal, pois além de me orientar para estudar, convenceu o meu pai a deixar-me estudar em vez de trabalhar. Deu-me os primeiros trocos e criou-me conjuntamente com o Sr. Padre Manuel Mesquita uma oportunidade de emprego com dezassete anos, que recusei por querer ser Médico. Pagou-me, do seu bolso, a mensalidade de alojamento e gastos pessoais e informou o liceu que me atribuiu merecidas propinas de mérito no 10º e 11º ano. Com o primeiro vencimento que recebi como profissional quis abater a DEUS QUER, O HOMEM SONHA E A OBRA NASCE minha dívida; Recusou receber e pediu-me – “Nunca digas a ninguém que estudaste com o meu dinheiro” – Eu cumpro e não digo a ninguém. Falar da vida e da obra deste homem é falar da sua vida, porque toda a sua Ensinou-me a pedir uma bolsa de estudo à Gulbenkian com que estudei vida foi uma obra de disponibilidade para os outros. depois. Rodeou-se de muitos e bons amigos que foram também seus colaboradores Disse-me para nunca fumar e respeitar as pessoas em especial os idosos e e companheiros de luta. doentes. Consciente de que a memória nos pode atraiçoar nos números mas nunca Disse-me muito mais…, porque chegamos a ter conversas de homem a nos sentimentos tive o privilégio e a vantagem de conhecer o Sr. homem, mas o que mais me marcou foi a sua visão da vida, o seu exemplo, Professor José Ribeirinha Machado o seu desprendimento pelos bens terrenos e a convicção profunda de que em vida e por muitos anos. Reconhecendo os seus méritos e a entrega à causa pública, propu-lo e foi A VIDA SÓ TEM SENTIDO SE FOR POSTA aceite por unanimidade, para ser homenageado – HOMENAGEM PÚBLICA AO SERVIÇO DOS OUTROS. A UMA A PERSONALIDADE - pelo Rotary Club de Chaves. Não duvido que a melhor homenagem que posso prestar-lhe é manter a Que virtudes firmam esta homenagem? sua memória viva e brilhante. Estou-lhe GRATO PARA SEMPRE. Nos anos cinquenta e sessenta, - Instala a CASA DO POVO – obra que ainda hoje está a funcionar O Chico Catumba excelentemente, dinamizada por seus seguidores, - Reabilita a BANDA MUSICAL que com as várias direcções, o esforço dos músicos e a ajuda de muitos se mantém em funcionamento. - Inicia a publicação do JORNAL - PROGRESSO – 1961, - União dos Vilarandelenses presentes e ausentes – unia o Mundo!!. - Cria a CANTINA DOS POBRES que, com os seus três potes, alimentava centenas de crianças em idade escolar – servia leite e pão com queijo ao Continuação da 1.ª pág. pequeno-almoço – num púcaro e sopa com pão ao meio dia numa malga. Ainda, a construção de infra-estruturas para combate aos incêndios, através da - I nstala o posto da TELESCOLA que iniciou na casa do povo e depois em construção de tanques com grande capacidade de armazenamento de água, em pavilhões próprios. diversos pontos do concelho, para abastecimento dos helicópteros, de modo - Cria na sua casa o LAR DE RESIDENTES e, mais tarde, que o tempo entre descargas não ultrapassasse os 7/8 minutos. Com períodos de tempo superiores, a eficácia das descargas é, praticamente, nula. - Instala A ESCOLA SECUNDÁRIA de Vilarandelo. - Instala o POSTO MÉDICO – primeiro na casa do povo e depois em sede própria, iniciando a prestação de cuidados médicos gratuitos e depois É Dezembro, é Natal. integrado no SNS.- Aqui prestaram serviço clínico gratuito o Sr. DR Que é o Natal? “É a ternura do passado, o valor do presente e a esperança do futuro. É o desejo mais sincero de que cada xícara se encha com bênçãos ricas Olímpio Seca e Dr. Carlos Ferreira. e eternas, e de que cada caminho nos leve à paz.” (Agnes M. Pharo). - Cria a Sala de TEATRO E CINEMA, onde se ensaiou e viu teatro, projectou Uma definição “sui generis” mas cujo conteúdo exprime, de forma expressa filmes como o amor de perdição e outros. e implícita, os sentimentos que nesta quadra festiva são transversais à grande - Cria o ARAUTO que continuou a obra do progresso. maioria dos humanos que a celebram, porque acreditam e são cristãos. - Empenha-se de modo insistente na instalação da rede eléctrica. Mas em boa verdade, “Natal é sempre que um homem quiser”, pensamento que - Pressiona a instalação da rede de canalização da água potável. nos alerta para o espírito solidário que sempre e em qualquer circunstância nos - Luta pela COBERTURA DOS LAVADOUROS. devia nortear. - Insiste e obtém da Direcção de Estradas a VARIANTE A VILARANDELO. Natal é, sobretudo, a celebração do aniversário do nascimento de Cristo, representativo do início de uma nova era que, supostamente, devia ter - Promove o ARRANJO URBANÍSTICO DO TOURAL. provocado alterações na sociedade, tornando-a mais justa, mais fraterna, mais - Instala O JARDIM INFANTIL. humilde e mais humana. - e mais… e mais
Editorial
- MARCOU ESPECIALMENTE Pelo seu PORTE MORAL E CÍVICO; Pelo seu EXEMPLO e pelo USO DOS SEUS BENS PESSOAIS – a televisão era levada à cabeça de sua casa para a telescola diariamente pelo meio-dia e voltava a sua casa pelas 18.30 – Felizmente está viva a pessoa que fazia
Para todos os nossos leitores, desejamos Boas Festas de Natal, Feliz e Próspero Ano Novo.
António José Garcia Ferreira
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Dia de São Martinho N
o dia 14 de Novembro, o Centro de dia festejou o tradicional, Dia de São Martinho, juntamente com os seniores do Lar e funcionários, tornando assim uma confraternização mais alegre. Foi um momento de agradável convívio, onde não faltou a Lenda de São Martinho e o famoso bailarico. Para alegrar ainda mais a tarde houve
uma “grande surpresa” representada pelos funcionários , onde mostraram todo o empenho no seu “pezinho de dança”. No final da actuação tiveram um lanche apetrechado de diversas iguarias, onde não faltaram as estaladiças castanhas assadas, a jeropiga e o delicioso caldo verde. Criou-se um clima descontraído e muito divertido.
“… ninguém fica velho simplesmente porque viveu alguns anos. A pessoa só envelhece quando abandona os seus ideais…” Dougles Mc Artur Ir. Alice Magalhães Animadora Sociocultural
Magusto do Rancho Folclórico N
o passado dia 14 de Novembro, o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Vilarandelo organizou um Magusto Convívio. Elementos do grupo, familiares e convidados passaram umas horas de boa disposição. Estes encontros são a prova de que apesar das dificuldades que vão surgindo, o Rancho Folclórico está de “boa saúde”. Foram entregues medalhas dos 10 anos de grupo a dois elementos: Elsa Teixeira e José Manuel Vieira, a eles o nosso muito obrigado pela dedicação ao folclore. Resta-nos agradecer a todos os elementos do grupo, aos patrocinadores e a todos os vilarandelenses pelo carinho e apoio dado ao Grupo Folclórico. Aproveitamos para desejar um feliz Natal e um próspero Ano ano novo a vilarandelenses. Pl’a Direcção Paulo Pascoal
Dia Mundial do Idoso
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ia 1 de Outubro é comemorado o Dia Mundial do Idoso. A data comemorativa é impor-
tante para lembrar os avanços em relação à qualidade de vida destas pessoas e as condições que elas precisam
para viver bem. O Ministério da Saúde afirma que as principais directrizes que vem sendo utilizadas para a atenção integral à saúde do idoso é a promoção do envelhecimento ativo e saudável, a manutenção e reabilitação da capacidade funcional e o apoio ao desenvolvimento de cuidados informais. Este dia foi comemorado no Centro de Dia e Lar de Idosos com muita alegria e emoção. Os nossos idosos receberam a visita das crianças do Jardim de Infân-
cia, promovendo-se assim os encontros intergeracionais. As crianças cantaram, dançaram e envolveram os idosos na actividade. Para terminar foi entregue uma lembrança a cada idoso para assinalar esta data tão especial.
A eles o nosso carinho O nosso respeito A nossa homenagem A esses mestres da vida… Sandra Oliveira Técnica Superior de Desporto
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Dia do Halloween N
o passado dia 27 de Outubro, o Lar comemorou com os seniores do Centro de Dia e funcionários, o dia do Halloween, mais conhecido no nosso país pelo (dia das bruxas). A decoração da sala estava a rigor e muito criativa. Não faltou neste dia “Bruxas” e “Bruxos” para enfeitiçar, alegrar e divertir todos os que connosco quiseram passar esta tarde. Como não podia ser melhor, este ano resolvemos fazer a famosa queimada tanto falada. A tradição da queimada é uma poção mágica galega de raiz Céltica. Durante a queimada podem invocar-se “forças mágicas” através do conjuro. Para os mais curiosos e que gostam de se divertir aqui vai uma das receitas: Ingredientes 1 litro de aguardente. 125 gr.de açúcar. Casca de 1 limão e 1 laranja. 1 punhado de passas de uva . 1 chávena de café em grão. Canela a gosto.
Preparação: Deita-se tudo num recipiente próprio para a queimada e ateiase o fogo. Deixar arder até que este se apague por si. Vai-se mexendo de vez em quando com uma colher. No final serve-se. É uma bebida doce. Há quem diga, que é boa para curar as constipações. Ir. Alice M agalhães Animadora Sociocultural
2º Aniversário Lar de Idosos
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ia 2 de Dezembro de 2011 comemorou-se o 2º Aniversário do Lar de Idosos da Casa do Povo de Vilarandelo. Para assinalar o momento foi elaborado um vídeo com as diversas fases de construção até à data actual. No período da manhã foi visionado o vídeo. Durante a tarde, com a companhia dos utentes do Centro de Dia, festejou-se o aniversário com um bailarico e com um lanche repleto de delícias. A esta festa juntaram-se, também, várias colaboradoras de diferentes respostas sociais, que partilharam com os utentes momentos de alegria e boa disposição. Sandra Oliveira Técnica Superior de Desporto
Dia Mundial da Alimentação D
ia 16 de Outubro celebra-se o Dia Mundial da Alimentação. Esta comemoração teve início em 1981, e na actualidade é celebrada por mais de 180 países como uma importante data para conscientizar a opinião pública sobre as questões da nutrição e alimentação. No ano de 2011 o sub – tema do Dia Mundial da Alimenta-
Agente Principal:
ção está ligado com os fracos recursos económicos e a sua implicação na Alimentação Mundial. A Animadora Sociocultural e a Técnica Superior de Desporto da Instituição realizaram uma palestra para os utentes do Centro de Dia e lar de Idosos da Casa do Povo de Vilarandelo. Esta palestra teve por objectivo sensibilizar os utentes para
a importância de uma alimentação equilibrada, de acordo com as necessidades desta faixa etária. A alimentação deve ser variada e adaptada a esta fase, para realçar o sabor dos alimentos e torna-los mais fáceis de serem mastigados e deglutidos, mantendo o equilíbrio
PAULO SARAIVA TÉCNICO OFICIAL DE CONTAS
alimentos com os respectivos na oferta de nutrientes. Para não se tornar uma géneros alimentares. palestra repetitiva, este ano Sandra Oliveira adoptou-se uma metodologia criativa, recriando a roda dos Técnica Superior de Desporto
SEGUROS: Rua 6 de Novembro, n.º 28 Telf./Fax 278 729 807 CONTABILIDADES: Largo das Amoreiras, n.º 6 Telf./Fax 278 713 412
5430-4421 VALPAÇOS
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Por: Leonel Salvado INTRODUÇÃO: É mencionada nos anais da história militar como um combate, ou simplesmente apelidada como a Acção Valpaços, um confronto militar que terminou com poucas baixas. A verdade é que se trata de uma verdadeira batalha e a derrota atribuída a Sá da Bandeira perde todo o seu sentido quando analisado à luz dos seus resultados práticos imediatos e da ética militar da época. Uma batalha com resultados imprecisos efectivamente, mas como muitas outras. Uma batalha com poucas baixas, é verdade, mas também como muitas outras que continuam hoje a ser sublimadas. Deve ser tratada como tal, uma verdadeira batalha, que não representou de forma alguma a derrota dos patuleias já que esta só se consumaria, efectivamente apenas no plano político pelas circunstâncias dos sucessos políticos que fizeram esfumar-se as esperanças da ala liberal mais radical representada pelo referido Visconde que pelejou denodadamente em Valpaços contra as forças da insegura rainha de Portugal, D. Maria II. Mas o que mais importa realçar neste 165.º Aniversário da Batalha de Valpaços é o sentido da ética militar e respeito pela população civil revelados pelo mutilado comandante que mereceu sempre, durante o evento, a companhia e a lealdade do mítico José do Telhado, a dignificante postura da população de Valpaços no tratamento que por ela foi dado aos militares mortos no confronto e o memorável estoicismo com que os habitantes de Vilarandelo e Ervões suportaram os humilhantes abusos cometidos perlas forças militares confiadas ao Barão do Casal e ao visconde de Vinhais, após a batalha. ENQUADRAMENTO GEOGRÁFICO DA BATALHA Frequentemente designado como Acção Valpaços, trata-se de um dos sucessos da história militar de relevância nacional que ocorreu junto a esta localidade, na altura ainda aldeia, embora sede municipal, depois vila e hoje cidade. O grosso dos confrontos sucedeu nos sectores ocidental e setentrional da periferia oitocentista da povoação, ainda que alguns movimentos militares tivessem, esporadicamente, inflectido um pouco mais para Sul e para Nascente. OS ANTECEDENTES Foi uma das batalhas que fizeram parte das lutas liberais entre cartistas (apoiantes da Coroa e da Carta Constitucional) e setembristas (liberais radicais apoiantes da restauração da Constituição de 1822). Este período de guerra civil, a que se passou a designar de Patuleia vinha na sequência do movimento revolucionário que ficou conhecido por Maria da Fonte; afirmou-se na Primavera de 1846, contra o ministério cartista de Costa Cabral e foi despoletado pelo golpe de Estado de 6 de Outubro do mesmo ano, levado a cabo pelo duque de Saldanha (antigo setembrista que abraçou os ideais cartistas), com o apoio da rainha D. Maria II, a qual entendeu assegurar assim a manutenção do trono e da Carta, em aparente risco dada a progressiva intensidade de movimentos anti-cabralistas por todo o país. Os mais acirrados sinais de indignação e contestação perante aquele golpe palaciano, fizeram-se sentir na cidade do Porto, que era então o maior baluarte das hostes setembristas e, logo aí, o presidente da Câmara, José Passos, mandou encarcerar no Castelo da Foz, o enviado especial da soberana, Duque da Terceira, e nomeou uma Junta Provisória do Supremo Governo do Reino, tal como o haviam feito, 26 anos antes, os primeiros revolucionários liberais do vintismo. No Norte do país, os mais famosos chefes militares setembristas estiveram com a Junta, designadamente os condes das Antas e do Bonfim e o Visconde de Sá da Bandeira. O Governador das Armas de Trás-os-Montes, o Barão do Casal, manteve-se fiel à Rainha e a Saldanha e, para dar as melhores provas da sua lealdade, apressou-se em reunir toda a tropa que lhe foi possível arregimentar, e com ela partiu de Chaves, a 23 de
Outubro de 1846, disposto a atacar a Junta do Porto e ganhar nesta cidade novos partidários. Contudo, em Valongo, deu de caras com as forças do Visconde de Sá da Bandeira, General da Junta do Porto, retrocedendo e optando por fazer a travessia do Douro para se juntar às forças do marquês de Saldanha, que actuavam na Beira. Com essa intenção, no dia 4 de Novembro, ordenou às suas tropas que passassem o rio na Régua e preparou-se para transpor o rio, pelo Pinhão, mas o Barão de Castro Daire, avisado da sua marcha, impediu-lhes a passagem, fazendo encostar na margem esquerda todas as embarcações que aí se encontravam. Resignado perante o malogro de mais um dos seus intentos, retirouPrimeiras Posições de Combate -16 de Novembro de 1846 -se para Chaves, pelo caminho de Sabrosa, onde deu entrada quatro dias depois. Entre- por cima do Barreiro, e as restantes em locais contanto, Sá da Bandeira, que resolvera ir no encalço tíguos à área ocupada pelas forças inimigas, que asdo Governador das Armas de Trás-os-Montes e dar-lhe sinalaremos adiante. batalha onde pudesse nos seus próprios domínios, Segundo o mesmo autor, que se baseou nas inpassou a noite de 10 de Novembro em Carrazedo formações do general Ribeiro de Carvalho e que de Montenegro e dois dias depois assentava ar- constam na sua obra Chaves Antiga, o Visconde de raiais na Veiga de Chaves, estabelecendo em Faiões Sá da Bandeira havia partido do Porto com uma o seu quartel-general. Mas a 15 de Novembro, por divisão composta por duas brigadas: Uma brigada razões que nunca foram devidamente esclarecidas, constituída por Infantaria 3, Guarda Municipal do especulando-se que devido a alguma desconfiança Porto, 1º batalhão dos Artistas da cidade do Porto e do General quanto à lealdade dos seus regimentos um contingente do 2º batalhão da mesma unidade; de Infantaria 3 e 15, Sá da Bandeira desistiu da to- uma outra brigada formada por Infantaria 15, um mada de Chaves e ordenou aos seus homens que contingente de Artilharia 3 e pelos batalhões de Visiniciassem a retirada em direcção a Mirandela. Per- ta Alegre e de Baião. noitaram as duas brigadas em Ervões e Vilarandelo, Tratou o General da Junta do Porto de posicionar e a 16 de Novembro foi retomada a marcha, com uma parte da sua divisão, constituída pela Guarda uma curta paragem em Valpaços, prosseguindo a Municipal do Porto, o batalhão dos Artistas da mesma mesma na direcção de Rio Torto. Para sua surpresa, cidade e o batalhão de Vista Alegre fora da Vila, a Sul porém, chega-lhe a informação de que o Barão do e no caminho de Ervões, desde o cimo da CortiCasal vinha em sua perseguição e se encontrava nha-Grande até à Veiga; para assegurar a esquerda da linha defensiva foram os regimentos de Infantanas proximidades de Valpaços. ria 3 e 15 e o batalhão de Baião colocados em vários dos pontos mais altos da Cortinha-Grande, VaA “ACÇÃO VALPAÇOS” Confirmada a aproximação a Valpaços do exército le-das-Amoreiras e Fontainhas. cartista, Sá da Bandeira fez retroceder as suas divisões aos limites da povoação e preparou-se para o choque contra as forças favoráveis à rainha e à Carta Constitucional.
As forças em confronto e as primeiras posições de combate Como sublinha o Padre Vaz de Amorim, em artigo redigido em 1944 e publicado na Revista Aquae Flaviae, O Barão do Casal, que contou com a cooperação militar do Visconde de Vinhais, chefiava, desde o dia 23 de Outubro de 1846, uma brigada composta pelos Regimentos de Cavalaria 6 e 7, pelo batalhão de Caçadores 3 e pelo Regimento de Infantaria 13. Foi a maioria destas forças disposta em posições topograficamente vantajosas no alto de Mempaz,
A primeira fase dos combates Iniciou-se o confronto por volta das 3 horas e trinta minutos da tarde de 16 de Novembro (uma Segunda Feira) de 1846 quando o Visconde de Vinhais avançou sobre a esquerda da linha defensiva de Sá da Bandeira, ao comando de uma parte da Cavalaria, algumas forças do batalhão de Caçadores 3 e da Infantaria 13, soltando vivas à Rainha e à Carta e acercando-se dos Regimentos de Infantaria 3 e15. A soldadesca da Infantaria 3 depressa se rendeu à causa cartista e as praças do Regimento de Infantaria 15 seguiram-lhes o exemplo, rebelando-se contra as ordens do seu comandante, o coronel Feio, que havia dado ordens para que formassem em quadrado de modo a resistirem à Cavalaria inimiga. Foi o coronel imediatamente preso, juntamente com outros oficiais que também insistiram em manter a sua lealdade a Sá da Bandeira e à causa dos patuleias. Apanhados no meio de tal confusão os populares do batalhão de Baião precipitaram-se sobre o reduto onde se dera à traição, crendo que a cavalaria tinha sido dominada pelos seus, mas foram logo recebidos a tiro pelos próprios regimentos traidores e seus novos aliados, debandando e, em grande desordem, perseguidos pela Cavalaria ao longo dos trilhos, matas e pinhais de Rio-de-Lobos, Guitarro e Carrapata que se estendiam em direcção a Rio Torto, sendo por ali massacrados e alguns dos seus cadáveres barbaramente mutilados. Desta traição surgem ecos na im-
Desenvolvimento do Confronto - 16 de Novembro de 1846
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prensa regional coeva, tal como se dava conta “António Rodrigues Sampaio, jornalista e político no Portugal Oitocentista”, segundo o livro publicado com este título por um grupo de autores sob coordenação de Jorge Pedro Sousa, que do referido jornalista fazem a seguinte citação, um pouco vaga mas suficientemente elucidativa:
à Freixeda.
Cederam, por fim, já noite adentro os patuleias, e, segundo a descrição coeva da batalha registada numa folha de papel almaço por Constantino de Castro, salvaguardado pelo filho, Joaquim de Castro Lopo e, enfim publicada pelo neto, Constantino de Castro Lopo, em “O concelho de Valpaços, «O estandarte popular tremula em todo por Valbel” (L. Marques, 1954, pp. 87o país. A opressão tem por seu apenas 90), Sá a Bandeira, na companhia de os palmos de terra que pisa. (…) A resis- todo o seu contigente, «recolheu a tência foi simultânea no Porto, Coimbra e Valpaços e pela meia noite marchou esAlgarve. (…) Em Viana do Alentejo der- trada de Murça», acrescentando (em ramou-se em batalha campal o primeiro nota) que lhe serviu de guia «um posangue. (…) O Alentejo ficou livre (…). pular de Valpaços de nome Luís Teixeira Em Trás-os-Montes, a causa popular foi Ferlim, por alcunha o ‘Sete fêmeas’». Semenos feliz. O povo decidiu-se logo por gundo Castro Lopo, foram apenas ela (…), mas traído pelo barão do Ca- em número de dezassete as vítimas sal levantaram mãos (…) contra os seus mortais resultantes do combate e em próprios pais e irmãos – Vagabundos e número de quatro os feridos. fugitivos, percorreram esses soldados algumas terras do Minho, que assolaram Considerações finais sobre a bacom as suas violências (…) – fugiram talha das vista do Porto e foram encurralar- A retirada «por Murça até ao Pinhão se em Chaves (…). O que não pôde onde as tropas liberais de Sá da Banfazer o valor, fê-lo o ouro (…) e na deira tomaram barcos e regressaram ao acção de Valpaços, por uma vergonhosa Porto pelo rio Douro» (“João da Ribeira, traição, (…) entregaram-se.»[1] Revista Aquae Flaviae) selava a derrota dos patuleias na “Acção Valpaços”, Rompida a esquerda defensiva orga- sendo assim que é considerada na nizada pelo Visconde de Sá da Ban- História de Portugal. deira, esteve este mesmo General da Da sua retirada para o Porto, regista Junta do Porto em risco de ser captu- ainda o jornalista António Rodrigues rado pela infantaria inimiga, não fora a Sampaio os sucessos cometidos por pronta intervenção do seu ordenança, Sá da Bandeira no inesperado conmais tarde celebrizado com o nome fronto a que ainda foi sujeito conde Zé do Telhado, que arrojadamente tra as forças de MacDonell, chefe o resgatou das mãos de alguns infan- liberal dos miguelistas que entretes, acto que iremos descrever mais tanto fora aliciado pelos cabralistas: para a frente neste artigo. Sob vigilante guarda do seu fiel ordenança, Sá da «McDonell [chefe dos rebeldes miguelisBandeira foi conduzido em segurança tas] foi chamado entre nós pelos cabrapara os Penascais, na estrada de Rio listas (…) e ousou atacar as forças do visconde de Sá na sua marcha para o Porto. Torto. O resultado desta ousadia foi deixar no O confronto final e o seu desfe- campo (…) 17 mortos, muitos prisioneiros, e escapar ele mesmo por uma precho Observando do sítio dos Penas- cipitada fuga para ir contar ao seu cúmcais que o fogo continuava e que a plice Casal a notícia da sua derrota.» [2] linha de defesa parecia recompor-se, Sá da Bandeira voltou a ela, percor- Encarada, todavia sob o ponto de vista rendo-a e encarando de novo o ini- dos seus resultados práticos e até à migo no local do Barreiro. Enquanto luz da ética militar, existem óbvias obanoitecia, o combate tornava-se mais jecções quanto à legítima vitória dos aceso, disputando-se o terreno palmo partidários da rainha e da glória que a palmo, sem ganhos significativas de seria de lhes caber na Acção Valpaços. parte a parte. Uma porção do que Uma dessas objecções surge-nos na restava das forças de Sá da Bandeira expressão do general Ribeiro de Cartentou ainda heroicamente subir as valho, cuja obra já foi por nós menciovinhas da Veiga e confrontar o inimi- nada, e encontrámos citada pelo mesgo naquele mesmo sítio do Barreiro. mo Padre Amorim da seguinte forma: Nesta fase mais viva, mas ainda de incerteza quanto aos resultados da «As tropas da patuleia foram enfraquecipeleja, o fogo estendia-se em arco de das por uma traição e as do governo não círculo desde o Vale-das-Amoreiras até souberam aproveitar a sua superioridade numérica, abandonando o campo do inimigo, sem que sobre ele tivessem alcançado qualquer resultado decisivo». [3]
Batalha Final - ao escurecer de 16 de Novembro de 1846
delo, acerca dos roubos e estragos aí praticados durante e após os confrontos militares, memória essa registada no papel por Joaquim de Castro Lopo e pelo mesmo realçada numa pequena anotação que é a seguinte: «Foram tão grandes os roubos e estragos causados pelas tropas do Casal em Vilarandelo que ainda hoje (1942) estão vivos na lembrança do povo.» [4] Tais excessos, também praticados em outros lugares, como em Ervões, contrastaram, segundo o insigne autor valpacense, com a brandura e probidade com que geralmente se portou a gente de Sá da Bandeira. Apesar do indecoroso, aliás irónico, comportamento da soldadesca confiada ao General das Armas de Trás-os-Montes contra a própria gente da sua circunscrição, deixou o mesmo Joaquim de Castro Lopo algumas notas de justa homenagem, mais tarde sucintamente relembradas por Veloso Martins na sua Monografia de Valpaços, sobre a dignificante postura da população desta povoação que, segundo este último autor, tratou de dar piedosa sepultura aos mortos no seu cemitério e o melhor tratamento aos feridos, sem olhar a partidos. Observe-se que, segundo Castro Lopo, 4 dos 17 mortos sepultados no cemitério de Valpaços pertenciam às forças do Casal, sendo um de Cavalaria, um de Caçadores e dois do Regimento de Infantaria 13. Acerca do tratamento dado aos quatro feridos, ele foi prestado, segundo a mesma fonte, com a «caridade digna de todo o elogio, sendo assiduamente assistidos pelos hábeis facultativos, o médico Zeferino José Pinto e o cirurgião Garcês.» A Acção de José do Telhado Desenho e guache de Leonel Salvado Não obstante o desaire dos patuleias na Acção Valpaços, destacou-se nela o feito heróico de uma das figuras das fileiras da Junta do Porto, José Teixeira, a quem se deve o salvamento da vida do respectivo general, o Visconde de Sá da Bandeira, na ocasião da traição dos regimentos 3 e 15. Imortalizado mais tarde pela tradição com o nome de José do Telhado por actos menos honrosos, adquiriu em todo o país a fama de fora-da-lei e de temido salteador, cujas façanhas mereceram
a atenção de destacados escritores e autores de Banda Desenhada que o retratam nas suas obras. A sua invulOutra objec- gar bravura em batalha já havia sido ção retira-se notada pelo duque de Saldanha na Reda memória volta dos Marechais, em 1837, enquandas popu- to lanceiro da Rainha, tendo sido por lações das recomendação do mesmo Saldanha i m e d i a ç õ e s que passou a ordenança nas hostes de Valpaços, de Sá da Bandeira. Diz-se que, sendo sobretudo da já sargento, em 1847, por ocasião da de Vilaran- Convenção do Gramido (que pôs termo
às guerras guerras da Patuleia), arrancou as divisas e se fez salteador. Existem várias versões, nem todas condizentes, a respeito dos pormenores acerca da sua arrojada acção em Valpaços, das quais prefiro transcrever a que retirou Joaquim de Castro Lopo das Memórias do Cárcere, contada pelo próprio Zé do Telhado a Camilo de Castelo Branco, com quem conviveu nos calabouços da Relação do Porto e quem a registou na sua obra, entre outras façanhas, que o bravo proscrito lhe foi relatando. «Quem nesta ocasião [da entrega dos dois regimentos, 3 e 15] valeu a Sá da Bandeira foi o mais tarde célebre salteador José do Telhado. Este acompanhava Sá da Bandeira como ordenança. Na passagem dos dois regimentos de infantaria, um soldado de infantaria lançou a mão às rédeas do cavalo do general, outro fez-lhas largar. José do Telhado que tudo presenciou, tomando as rédeas do cavalo do general e metendo o seu a galope, obrigou os cavalos a saltarem um valado. No mesmo momento algumas balas passaram por cima da cabeça de Sá da Bandeira, lançadas pelas espingardas de soldados de um dos regimentos traidores. Três soldados de cavalaria carregaram sobre Sá da Bandeira. José do Telhado fez-lhes rosto. Desarmou um, feriu outro mortalmente e ao terceiro que ia fugindo, varou-o pelas costas. Cumprida esta façanha, José do Telhado recebeu das mãos do general a condecoração da Torre e Espada.» [5] Referências [1] SOUSA, Jorge Pedro et alii, António Rodrigues Sampaio, jornalista (e) político no Portugal Oitocentista, Labcom 2011, p. 112. [2] Id. Ibid., p. 116. [3] AMORIM,Padre João Vaz de, Revista Aquae Flaviae, n.º 14, 1995, p. 196. [4] LOPO, Joaquim de Castro, O Concelho de Valpaços, por Valbel, Lourenço Marques, 1954. [5]Id Ibid. Nota Final: A reconstituição cartográfica aqui elaborada, em três partes, é de limitado rigor, e portanto, sujeita a modifica-
ções. Em todo o caso, cumpre dirigir uma palavra de agradecimento ao Sr. Manuel Terra pela diligente colaboração prestada na localização de alguns topónimos mencionados nos documentos antigos que consultei relativos ao combate de Valpaços. Uma nota de agradecimento ainda a João António Vaz, natural de Valpaços, a quem fico a dever a referência bibliográfica que me foi proveitosa e que se encontra assinalada em [1] e [2].
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T E MA S
AGRONÓMICOS
A preparação dos terrenos para a plantação de pomares do tipo industrial
Por: Jaime Teixeira Cavalheiro*
1. Algumas notas prévias (1) As motivações pessoais Tivemos hoje, e mais do que nunca, um período de incertezas que a todos incomoda. A liberalização e especulação nos mercados financeiros, o deficit nas contas dos estados, a queda demográfica europeia, o desemprego e diminuição dos salários reais, a desertificação do mundo rural etc., etc.. Portanto, novos desafios estão à porta e caberá a cada um de nós reagir e já. Não cruzar os braços, animar as mentes e as gentes, assumir tarefas e competências, honrar enfim o dever patriótico! Pela parte que me cabe recuso “mandar para a prateleira” toda a experiência e motivação pessoal de décadas, investigação/ensino/extensão, para, e com alegria, ajudar na partilha das dificuldades e anseios que a nossa comunidade agrícola tão estoicamente enfrenta. Sabe-se que a agricultura é economicamente imprevisível, muitas vezes dura, complexa e multidisciplinar e por isso somos sempre poucos para a tornar mais atraente e competitiva. O meu modesto contributo, e enquanto Deus quiser, assentará em áreas técnicas e por isso propomo-nos publicar regularmente um artigo de reflexão, a que chamarei genericamente TEMAS AGRONÓMICOS. Cada um deles e per si será: tendencialmente prático e com múltiplos objectivos nomeadamente: • Tornar mais familiar a linguagem técnica da área. • Esclarecer, cooperar e reflectir para mais saber antes de investir. • Reafirmar que a agricultura é para gente informada e de coragem.
média a grande dimensão, o capital humano é qualificado e a qualidade do produto e rendibilidade dos investimentos são sempre o objectivo prioritário. Estas empresas estão muito atentas à procura, estabelecem parcerias inter-activas, com instituições de investigação ou outras e usam espécies melhoradas em regime de monocultura. Têm equipamentos, traccionados ou auto-motrizes, que se esgotam, em regra, durante o respectivo período de vida útil. A actividade devido à pressão concorrencial a que a está submetida, tem a jusante, e próximo do local de produção, o processamento dos frutos produzidos. Finalmente é de assinalar que os investimentos são elevados e para se ter uma ideia, de grosso modo, só os custos de plantação poderão rondar os 20 000 a 25 000 €/ha.
parcelas e por último a tradicional falta de água nas culturas. Contudo há o lado positivo da questão onde as pessoas e algumas das condições climáticas existentes, horas de frio e insolação, são factores favoráveis de assinalar para a produção de frutos de alta qualidade. Do que se conhece haverá locais com maior aptidão contudo, e sem receio, qualquer ideia de empreendimento vai depender sempre do mercado e dos cuidados prestados na preparação do terreno.
contudo, já se preocupavam mais com o desvio das águas pluviais em excesso. A surriba era quase desconhecida, raramente se efectuava, e portanto à plantação optava-se pela cova individualizada, muitas vezes estreita com paredes compactas e limitadoras da expansão radicular. Este modelo, sabemos hoje, é insuficiente e foi sendo substituído, pese embora a sua continuidade, por razões económicas, em plantações de baixa densidade ou mesmo em pequenas explorações do tipo familiar.
2. Porquê a preparação dos terrenos? O tema de hoje refere-se à “preparação dos terrenos para a plantação de pomares do tipo industrial”. A preparação dos terrenos é um conjunto de operações a executar na pré-plantação e que vai ter consequências económicas profundas, (3) Que futuro para a região nes- a longo prazo, na vida das árvores. ta área? O objectivo é disponibilizar, em moAo avaliar-se objectivamente a nossa mento oportuno, a água, nutrientes região, verifica-se que há potenciali- e a textura adequada no solo, dudades mas de imediato são detectá- rante os primeiros anos de vida e veis algumas fraquezas ou limitações. seguintes. Os solos em geral e os de Vilarande- Ao folhearmos a História, anterior à lo em particular têm repetido déficit 2ª Guerra Mundial, é fácil observar hídrico estival, são maioritariamente que os meios de tracção na agriculdelgados, sofrem erosão acentuada tura estavam, como se sabe, muito sobretudo nos terrenos com maior dependentes da força animal ou hudeclive, têm muitas vezes aflora- mana. Mobilizava-se a camada arável
3. Que modelo de sistematização adoptar na preparação do terreno? O modelo de sistematização do terreno, para implantação do futuro pomar, não se deseja único. As diversas condições económico-financeiras e edafo-climáticas são determinantes, e por isso a cada espécie e local de implantação poder-se-ão adoptar várias soluções. O que aqui se apresenta tem portanto, um carácter meramente orientador. 3.1 Análises prévias Pela sua reconhecida importância é sensato observar os horizontes e realizar análises físico-químicas, para se determinar a fertilização e correcção de fundo ou também o sistema de rega e fertirrigação por sectores.
3.2 Operações de preparação dos terrenos As operações de preparação dos terrenos abarcam um certo número de trabalhos sequenciados para se obter o melhor desenvolvimento ou resposta das fruteiras. Estes trabalhos podem agrupar-se em duas fases distintas: (1) (2) O que é um pomar a preparação do terreno do tipo industrial? – que compreende geralUm pomar do tipo inmente a limpeza e reguladustrial é, de forma simrização do perfil, surriba ples, um espaço de tere despedrega, caminhos e reno onde se produzem nivelamento dos terrenos frutos em larga escala e e finalmente o movimento segundo regras de segue drenagem de águas; rança internacionalmente (2) a plantação – que enaceites. Estão há algumas volve os processos de décadas instalados em diplantação, propriamenversas regiões portuguete ditos, e a disposição sas, sobretudo a Norte A preparação do terreno com trator de rastos durante as fases de limpeza e ripagem cruzada – das plantas. Neste artigo e Vilarandelo, Pevide/Outubro de 2011. e Centro mas também e por razões óbvias somente globalmente em todos os abordaremos a preparação países que praticam uma agricultura mentos rochosos ou rocha mãe de- (10 a 25 cm), construíam-se algumas do terreno. avançada. São assumidos por em- sagregável, que tanto dificultaram as barreiras à erosão, (muros de supresas com capacidade competitiva, operações a tracção animal (ontem) porte) dava-se pouca importância à Continua no próximo número que exploram áreas de terreno com ou mecanizada (hoje), dimensão das drenagem de terrenos encharcados
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A N I V E R S Á R I O S
Maria Barreira,
nascida a 14/11/1919 natural de Barreiros - 92 anos
Alzira Augusta Morais, nascida a 20/10/1917 natural de Tinhela - 94 anos
Aida Nogueira Mairos, nascida a 25/10/1924 natural de Vilarandelo - 87 anos
O Casamento por Procuração
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á casamentos por amor, por tradição, por interesse, por conveniência Há o chamado casamento branco, para legalização de estrangeiros, temos os casamentos de Santo António e agora ultimamente o casamento gay. Para esses, eu desejo que sejam muito felizes e que tenham muitos meninos. O modo de casar fica ao critério dos noivos, uns debaixo de água, outros de pára-quedas, a moda em Xangai é de os noivos se apresentarem nus Até podem ter frio, mas quanto não poupam nos fatos? À que fazer contas em tempos de crise! Mas eu agora quero falar do casamento por procuração. Entre os anos 60 e 80, usou-se muito este aventureiro casamento. As três frentes da Guerra Colonial, Angola, Moçambique e Guiné, levaram milhares de rapazes, 800.000 mais precisamente, posteriormente foi a França, que levou outros milhares. Por aqui só ficaram as raparigas, dizia-se que havia sete para cada rapaz! Nas tropas do Ultramar, usavam-se muito as madrinhas de Guerra. O papel destas madrinhas era dar algum apoio moral aos soldados, através da correspondência. O dia do correio, era o mais desejado, cartas e aerogramas eram o elo de ligação entre o mato onde vivíamos e o dito mundo civilizado. Cada um procurava ter o maior número possível de madrinhas, para as notícias serem mais variadas. A maioria nem se conhecia pessoalmente, senão através de uma simples foto, às vezes de meio corpo. No fim da comissão militar, muitos ficavam por lá na vida civil, porque havia várias oportunidades de trabalho e não tinham dinheiro para regressar. Era aí que funcionava a procuração de casamento. A maioria dessas madrinhas ocuparam o lugar de namoradas, eles e elas, procuravam vagamente alguns conhecimentos familiares antes do casamento e dava-se um passo no escuro.
O rapaz mandava a procuração para o Padre da freguesia da rapariga, a família preparava o casamento, o Pai, ou na falta deste o Padrinho levava a noiva ao altar. Realizava-se a cerimónia e a procuração representava o noivo, havia convidados e festa, mas não havia lua-de-mel, nem noite de núpcias. A mulher enfim casada, ia ter com o marido, sem se conhecerem fisicamente imaginem a curiosidade e a expectativa do tão desejado encontro. Normalmente iam de barco, a viagem para Angola demorava nove dias, não havia telemóveis, já tinham combinado a cor da roupa que deviam usar no dia do desembarque. O marido no cais, esperava ansioso o atracar do navio, mirando todas as mulheres que iam descendo a escada, enquanto um e outro agitavam um lenço de cor combinada previamente. Batia sempre certo, o íman do amor ajudava ao tão desejado encontro. No fim do desembarque, se sobrasse uma mulher sozinha, solitária, cansada, sentada numa mala, desiludida por ninguém estar à espera dela, era uma das vítimas. Conheço de perto uma senhora, que casou por esse meio, com um desconhecido de Angola. Ela foi até ao barco, aí arrependeu-se e não embarcou, porque deixava cá um amor, embora ilícito, mas falou mais alto. E o marido, vítima do sistema ficou lá pendurado. No entanto, conheci casos, em que se organizaram belíssimas famílias e tinham orgulho da sua história aventureira, da sua entrega com toda a honestidade e dedicação. Outros que ocultavam deficiências físicas, falta de sinceridade e de verdade, não tiveram a mesma sorte. Esta modalidade teve a sua época, podia não ser a mais prática, mas o amor, a verdade e o respeito mútuo, são a mola real do casamento e a família unida é a base fundamental da sociedade, uma degradada, a outra vai por arrasto. Eduardo Ferreira da Costa
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Jardim de Infância da Casa do Povo
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miguinhos do Arauto, somos os meninos da Sala Amarela. Os mais pequeninos do nosso Jardim, temos entre os 4 e os 14 meses. Gostamos de ouvir músicas, histórias cantadas, observar tudo o que nos rodeia, miminhos e muito colinho. Somos um grupo de 3 meninas e 8 meninos. As nossas amigas que tratam de nós com muito carinho são a Educadora Margarida, a Lígia e a Sandra. Alguns de nós já nos sentamos, outros precisamos de apoio para sentar, outros gatinhamos e ainda outros já queremos começar a dar os primeiros passos. Somos meninos que adoramos interagir com os adultos pois gostamos de muita atenção, conversa, sorrisos, miminho e muito colinho. Estes somos nós: Ana Vitória; Bruno; Dilan; Francisco; Gabriel; Leandro; Lia; Luis; Marisol; Nuno e Paulo.
Sala Laranja
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Sala Amarela
N
ós somos meninos da creche da Sala da Laranja. Temos entre os 12 e os 36 meses. Já somos mais crescidinhos e gostamos de todos os trabalhos ligados a expressão plástica, musical e motora. Adoramos brincar, pois é a partir daqui que vamos aprender. Libertamos as nossas tensões, canalizamos conflitos, convivemos e partilhamos actividades e interesses. Gostamos muito de ouvir histórias, jogos com movimentos e de cantar ritmos e gestos. Somos muito traquinas mas quando a actividade nos desperta interesse conseguimos estar sentadas. O controlo de esfíncteres ainda não é total. A maioria ainda usa fralda. Quanto às refeições, algumas de nós já possuímos uma certa autonomia, outras precisamos de ajuda das nossas amigas adultas, Educadora Margarida, da Helena Silva, da Idalina e da Filipa. Vamos trabalhar muito para desenvolver a nossa autonomia, a nossa segurança, a nossa criatividade para que no futuro possamos ter mais confiança em nós próprios. Como nos chamamos? Aitana; Ana Filipa; Diogo; Dinis; Francisco; Gustavo; Gonçalo; Inês; Maria; Micael e Ruben.
A importância do brinquedo
brinquedo é muito importante para o desenvolvimento da criança, porque a exploração do mesmo estimula as habilidades manuais de toda a criança, a coordenação motora e o raciocínio. É através da brincadeira, que as crianças ultrapassam a realidade, transformando-a através da imaginação. Desta forma, expressam o que teriam dificuldades em realizar através do uso de palavras. Os jogos das crianças não são apenas recordações do que vêem os adultos fazerem. Elas nunca reproduzem de forma absolutamente igual ao sucedido na realidade. O que sucede é uma transformação criadora do percepcionado para a formação de uma nova realidade que responde às exigências e inclinações da própria criança., ou seja, uma reinvenção da realidade. O brincar apresenta características diferentes de acordo com o desenvolvimento das estruturas mentais. A criança elabora então as suas brincadeiras à volta da exploração de objectos através dos sentidos, da acção motora, e da manipulação – características dos “jogos de manipulação”. Estes jogos oferecem sentimentos importantes de poder e eficácia, bem como fortalecem a auto-estima. Deste modo, constituem peças fundamentais para o desenvolvimento global da criança. De uma maneira geral, as crianças entre os 2 e os 6/7 anos de idade, a simbologia que surge com um papel fundamental nas brincadeiras, por exemplo, o “faz de conta”, as histórias, os
fantoches, o desenho, o brincar com os objectos atribuindo-lhe outros significados. O jogo simbólico oferece à criança a compreensão e a aprendizagem dos papéis sociais que fazem parte da sua cultura (mãe, pai, filho, médico, professora, etc). O desempenho psicomotor da criança enquanto brinca, alcança níveis que só mesmo a motivação intrínseca consegue. Ao mesmo tempo estimula-se a atenção, a concentração e a imaginação e, por consequência, contribui para que fique mais calma, relaxada e aprenda a pensar, estimulando a sua inteligência e autonomia. Toda a criança precisa de ter tempo e espaço para brincar. O acto de brincar pode incorporar valores morais e culturais, em que as actividades podem promover auto-imagem, a auto-estima, a cooperação, por sua vez o lúdico conduz à imaginação, fantasia, criatividade e à aquisição dum sentido crítico, entre muitos motivos ajudam a moldar as suas vida, como crianças, e futuramente, como adultos. É através da brincadeira que a criança se prepara para a vida, assimilando a cultura do meio em que vive, integrando-se nele, adaptando-se às condições que o mundo lhe oferece e aprendendo a competir, cooperar com os seus semelhantes: a conviver como um ser social. As educadoras: Margarida Silva, Daniela Nogueira e Irmã Paula