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Fotos Pedro Rezende
Editorial
Expediente
Passos decisivos para o futuro
Jornal Costa Norte Edição especial de emancipação: Bertioga 18 anos - Maio de 2009 Diretor Presidente: Reuben Nagib Zaidan Diretora Administrativa: Dinalva Berlofi Zaidan Edição e Textos: Rosangela Falato ( MTb 12.724) Fotos: Pedro Rezende (MTb 32.068) Colaboração: Cristiano Pires, Bruno Adriano, Daniel Gomes, Roberto Zeidan Redação e Publicidade: Av. 19 de Maio, 695, Jardim Albatroz, Bertioga / SP Fone: (13) 3317-1281 E-mail: costanorte@costanorte.com.br Site: www.costanorte.com.br
Capa: Vista aérea da Riviera de São Lourenço Foto: Pedro Rezende
Índice
Nesse 19 de Maio, a mais jovem cidade do Litoral Paulista atinge sua maioridade. Bertioga completa 18 anos com todos os sonhos e expectativas naturais dos jovens nessa fase da vida quando se começa a escolher o caminho a seguir, assumir missões e responsabilidades. A missão da jovem Bertioga é não esquecer um passado rico no cenário histórico nacional por ter sido o primeiro povoado de apoio para a Colonização do Brasil. Afinal, foi aqui que tudo começou... A responsabilidade é se desenvolver, criar oportunidades para pessoas de todas as idades, cuidar de seus jovens, gerar emprego e renda e fazer tudo isso com a certeza de que existe só um caminho para atingir essa meta: não descuidar do que ela tem de mais importante que são seus recursos naturais, suas matas, praias, rios, manguezais, seus ecossistemas preservados, a vida em sua essência. E como esse caminho é o do desenvolvimento com preservação, não há tempo a perder. Nessa edição especial mostramos o potencial turístico a ser explorado, os investimentos no setor naval que vão influir diretamente na vida econômica de Bertioga e a diretriz para um desenvolvimento sustentável. Mas, para atingir essas metas é preciso, antes de tudo, sair do plano das idéias e partir para a ação. É preciso planejamento. É urgente revisar o Plano Diretor adequando o município à uma nova realidade, ordenar seu desenvolvimento, qualificar profissionalmente a população preparando-a para um novo mercado de trabalho. Nunca as cidades tiveram tantos recursos disponíveis para investimentos em todas as áreas, com maior enfoque para os programas sociais, como nesse momento. Mas existe uma condição para conseguir essas verbas: ter projeto técnico detalhado. Sem projeto, não há recurso. E isso vale em todas as esferas. É com planejamento, projetos definidos, ações ambientais que a cidade poderá realmente se transformar no sonho de mais de 44 mil pessoas que têm o privilégio de viver aqui. Cuidar de Bertioga é responsabilidade de todos nós: os que nasceram, os que escolheram essa cidade para viver e todos aqueles que amam esse recanto especial que acolhe a todos com carinho e respeito.
06 - Planejamento
22 - Entrevista
34 - Itatinga
48 - Memória
12 - Habitação
26 - Riviera
36 - Sesc
54 - Conheça
16 - Futuro
29 - São Lourenço
40 - História
60 - Pontos Turísticos
20 - Gastronomia
30 - Política
44 - Índios
62 - Dados
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Planejamento
Cidade caminha para gestão ambiental compartilhada Desafio é desenvolver, gerar emprego e renda por meio de atividades que preservem o meio ambiente As leis são claras e cada vez mais rígidas, Municípios como Bertioga, com 85 % de seu território em Áreas de Preservação Permanente e que passou por um processo de crescimento desenfreado nos últimos anos, tem só um caminho: aproveitar todos os seus recursos naturais e se desenvolver de forma ordenada, controlando ocupações clandestinas, adotando planejamento em todas as suas ações e, principalmente, preparando a população para um novo tempo: o da preservação. E para isso, a Secretaria do Meio Ambiente tem papel fundamental ao trabalhar interligada com os demais setores ajudando na implantação dos programas turísticos, sociais, habitacionais e educacionais que levem em consideração os aspectos ambientais da região.
Segundo o secretário do Meio Ambiente, Manoel Prieto Alvarez, a atual administração trabalha em três frentes: na adoção do Programa de Gestão Compartilhada em parceria com a Cetesb e Secretaria de Estado do Meio Ambiente, no Projeto Areia Limpa e no Programa de Qualidade da Água Litorânea também em convênio com a Cetesb. O projeto Areia Limpa começou a ser efetuado em janeiro quando o prefeito Mauro Orlandini, em contato com a empresa Monte Azul, responsável pela coleta de lixo e limpeza pública da cidade, instalou, sem ônus à Prefeitura, um equipamento, espécie de trator, que peneira todo o material da praia impedindo que plásticos, por exemplo, e demais objetos poluam o ambiente.
Desenvolver implica em planejar e realizar ações que ajudem a preservar os recursos naturais
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O Programa de Qualidade da Água, em conjunto com a Cetesb, tem como meta tornar todas as praias de excelente balneabilidade o maior número possível de dias no ano. “Dos 365 dias do ano, as praias de Bertioga já chegaram a ficar 13 dias impróprias, mas ainda com bandeira verde, pois são consideradas as melhores do Litoral Paulista”, disse Manolo. A idéia é diminuir cada vez mais esse parâmetro para que as praias fiquem próprias durante todos os dias do ano. O que mais foi estranho, segundo Manolo, é que o problema foi constatado em dois pontos: no centro, onde existe rede coletora de esgoto e, portanto, não poderia estar imprópria, e em Boracéia.
Gestão passa pelo Município Verde Segundo o secretário do Meio Ambiente, o Programa de Gestão Ambiental está ligado ao Programa Município Verde do qual Bertioga faz parte. Trata-se de um programa do Governo do Estado que visa efetivar a agenda ambiental paulista envolvendo o Estado e as cidades. Para isso é preciso ter ações específicas de preservação do meio ambiente para que o município vá ganhando notas a cada programa ou projeto implantado. Só as cidades que atingirem nota 8,0 vão conseguir receber verbas dos governos para realizar seus projetos, firmar convênios e poderão ter direito de licenciar parte de suas áreas, ou seja, a cidade vai ter poder de ver o que é bom para ela garantindo a implantação, por exemplo, de indústrias não-poluentes que possam gerar emprego e renda no município. Para poder atender a alguns critérios estabelecidos no Município Verde, a cidade vai precisar adequar e criar novas legislações municipais. Além disso, segundo Manolo, em um programa é possível atender vários critérios e pontuar em quase todos. Mas para isso é preciso saber o que o Município Verde propõe. Veja no quadro ao lado.
Critérios do Município Verde Esgoto Tratado: A cidade tem de desenvolver ações que visem equacionar seu Sistema de Coleta e Tratamento de Efluentes
Lixo Mínimo:
Ter ações voltadas a coleta seletiva ou reciclagem
Recuperação de Mata Ciliar
Proporcional a área de cobertura vegetal – teto 20%. Ter projetos de conservação ou recuperação de matas ciliares já realizados ou em andamento e programas de recuperação e proteção das nascentes
Arborização Urbana
Proporcional à área de arborização urbana atual. Teto 12m²/hab. Plano de arborização e existência de viveiros municipais ou consorciados
Educação Ambiental
Existência de instrumento legal instituindo Educação Ambiental como matéria transversal nas escolas públicas municipais; Atestado do Conselho Municipal de Ensino; Realização de eventos ambientais temáticos: Participação nos Mutirões da Secretaria do Meio Ambiente; Ações de capacitação de dirigentes e agentes multiplicadores municipais.
Habitação Sustentável
Instrumento legal que favoreça expedir alvarás para construções civis que utilizem madeiras legalizadas e de origem comprovada. Criar ações visando a diminuição na utilização dos recursos naturais.
Uso da Água
Ter programa municipal de combate ao desperdício de água; Atuação nos Comitês de Bacias Hidrográficas: Instrumento legal voltado a proteção das águas para abastecimento público (mananciais)
Poluição do Ar
Criar instrumento legal que institua a inspeção veicular da frota municipal própria e terceirizada: Ações voltadas à redução de emissão de gases do efeito estufa.
Estrutura Ambiental Instrumento legal que estabeleça a estrutura ambiental da Prefeitura; Ca-
pacitação dos agentes públicos municipais
Conselho Ambiental
Existência do Conselho Municipal do Meio Ambiente (paritário, deliberativo e consultivo). Manolo: cidade vai precisar criar novas legislações
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Ações Ambientais
Neutralização da produção do carbono: primeira ação contínua O envolvimento da Secretaria do Meio Ambiente com outros setores como Educação e Turismo começou em abril, durante o Campeonato Brasileiro de Jet Ski, no Indaiá, com exposição de baneres e material informativo sobre o período que os materiais levam para se decompor na natureza e uma ação de limpeza da praia envolvendo funcionários das secretarias e estudantes da rede municipal. A idéia é promover ações do gênero em todos os eventos que serão realizados no município e levar a exposição para as escolas. Porém, a primeira ação contínua desenvolvida pela equipe da Secretaria aconteceu durante o Festival Nacional da Cultura Indígena, de 18 a 20 de abril. A equipe fez uma avaliação do impacto ambiental que o evento poderia causar como aumento do número de pessoas na cidade, mais carros e ônibus rodando, e o que isso acarretaria ao meio ambiente. Por isso foi desencadeada a ação de neutralização da produção de carbono. Como compensação ao impacto ambiental, a equipe, junto com estudantes, fará o plantio de cerca de 300 mudas do Palmito Juçara, que está em extinção. As mudas foram adquiridas da Reserva Indígena Ribeirão Silveira, em Boracéia, que faz um trabalho de replantio de espécies em seus projetos de sustentabilidade desenvolvidos na aldeia. As primeiras 14 mudas foram plantadas no Parque dos Tupiniquins pelo prefeito Mauro Orlandini e lideranças indígenas. As outras serão plantadas durante a Semana do Meio Ambiente, em junho. A destinação final dos resíduos sólidos é outra preocupação. A Secretaria pretende implantar junto às escolas e próprios municipais algumas bases para a coleta seletiva. Além disso, em convênio com o Fehidro, o município pretende contratar uma empresa para elaborar o Plano Municipal de Resíduos Sólidos. E nessa questão, a idéia é criar um Selo Verde aos estabelecimentos comerciais que se integrarem ao programa que poderá reduzir em 50% o volume do lixo coletado hoje.
Prefeito e líderes indígenas plantam mudas de palmito no Parque dos Tupiniquins
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Recifes artificiais: proteção aos recursos marinhos Retomar o programa de implantação de recifes artificiais na cidade é uma das metas da Administração Municipal. O projeto, implantado em caráter experimental em Bertioga, nas praias da Enseada, São Lourenço, Guaratuba e Itaguaré, no final dos anos 90, provou ser eficaz para proteger os recursos marinhos. Para ser novamente implantado são necessários agora levantamentos técnicos detalhados que serão realizados pela Fundespa (Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas) por meio de contrato com a Prefeitura no valor de R$ 98,8 mil. Segundo Bolívar Barbanti, diretor de Operações Ambientais da Secretaria do Meio Ambiente, esse levantamento é importante até para definir os tipos de estruturas e locais onde elas poderão ser
lançadas. Com esse estudo, também será possível identificar as espécies da região, fazer análises dos sedimentos, das correntes marítimas e ter um estudo aprofundado de todo os ecossistemas da região. O objetivo é o ordenamento do uso marinho como previsto por legislações Estadual e Federal dentro do que determina a APA (Área de Proteção Ambiental) Marinha. Além desse levantamento que será feito pela Fundespa, a equipe da Prefeitura está realizando estudos socioambientais dos pescadores. No final dos anos 90, o projeto foi realizado por meio de convênio com o Ministério do Meio Ambiente e coordenação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Nessa fase, após os estu-
dos da Fundespa, será necessário providenciar o licenciamento ambiental e, só depois vem a parte prática com instalação das estruturas, o que deverá ocorrer no próximo ano.
O que são os recifes artificiais
São estruturas colocadas no fundo ao mar que oferecem condições de habitat para vários organismos. Assim é criada uma cadeia alimentar nessas estruturas que protegem a área e os peixes da pesca predatória que geralmente utiliza redes de arrasto. O objetivo dos recifes é aumentar a produtividade natural, recuperar a fauna e flora degradada e, entre outras coisas, evitar a pesca comercial em locais onde é praticada a pesca artesanal.
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Potencial
Pesquisa de suporte náutico Outra pesquisa importante também para a implantação dos recifes artificiais foi feita pela Diretoria de Operações Ambientais com apoio da Diretoria de Assuntos Náuticos da Secretaria de Turismo. O levantamento mostra o número de garagens náuticas, píeres, embarcações fundeadas, equipamentos e bóias, entre outros dados de suporte náutico. O estudo detalhou, ainda, o número de barcos registrados e os que dependem de autorização. O objetivo é desenvolver o ordenamento marinho. Segundo Bolívar Barbanti, Bertioga conta com 9 marinas de médio e grande portes com 534 barcos registrados. A maior é a Acqua Azul, com 130 embarcações, e a menor a do Eco - Center Jaguareguava com 13. Há 11 poitas e 9 píeres alguns com dois atracadouros como o Polygon e de William Woo. Entre barcos de pescadores, pesca esportiva e escunas fundeadas no canal de Bertioga há 45 embarcações registradas e 51 que não foram catalogadas pela Marinha. Diante do estudo, a Prefeitura solicitará da Marinha, segundo Bolívar, o zoneamento da Bertioga tem: região, ou seja, o uso adequado do sistema do 9 marinas canal de Bertioga, além da fiscalização das em534 barcos registrados nas marinas barcações e também das bóias. “Algumas são 11 poitas trocadas aleatoriamente, sem critérios, o que 9 atracadouros acaba atrapalhando a navegação”, explica Bo45 embarcações registradas lívar. Segundo ele, esse diagnóstico também é 51 embarcações sem registro essencial uma vez que a Marinha, junto com o Gaema (Grupo de Atividade Especial do Meio Ambiente), promoverá o controle da velocidade de embarcações no canal de Bertioga.
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A força das águas de Bertioga Rio Itapanhaú é o mais importante do município Cercada pelas águas. Assim é Bertioga que possui em qualidade e volume a maior riqueza do planeta e que está se tornando um produto escasso : a água. Vale lembrar que apenas 0,7% do volume total da água na Terra é formado por água potável, isto é, pronta para ser consumida. Hoje em dia, quase 2 bilhões de pessoas não dispõem de água potável. Portanto, imaginem a riqueza do manancial hídrico formado pelas três sub-bacias hidrográficas do município, o Itapanhaú, Guaratuba e Itaguaré. “ Na realidade, somos o copo d´água da Baixada Santista”, comenta o secretário do Meio Ambiente, Manoel Prieto Alvarez, ao citar a importância de nossos mananciais. Das sub-bacias, a do rio Itapanhaú é considerada a mais importante. Suas águas são destinadas ao abastecimento doméstico com a captação para a Sabesp e Sesc nos córregos Pelaes, Furnas e Guaxinduva, e também a captação para o bairro Indaiá pela Sabesp e para a Riviera de São Lourenço. Além disso, o Itapanhaú recebe o despejo de efluentes da Riviera, do Sesc-Bertioga, da Estação de Tratamento de Esgoto da Sabesp, além das águas da Usina Hidrelétrica de Itatinga da Codesp. Um aspecto importante é sua proximidade com a área urbana e de expansão urbana que coloca em risco sua qualidade ambiental devido às ocupações irregulares como apontou o Projeto Itapanhaú, realizado em 2002 pelo Instituto de Pesquisas e Ciências Ambientais de Bertioga. A bacia do Itapanhaú tem área total de 261,5 km² e seu principal afluente é o rio Itatinga (104 km²) e o Jaguareguava (26,4 km²). O Itapanhaú nasce nas encostas da Serra do Mar e deságua no canal de Bertioga. Em trechos superiores, onde o terreno é escarpado, possui regime torrencial com corredeiras e cachoeiras. Na parte intermediária, após descida das escarpas, possui característica típica de rio de planície com meandros e braços. À medida em que recebe seus afluentes, tem sua cor escurecida, característica da presença de compostos orgânicos de natureza complexa. Próximo a foz, cria condições para os manguezais,fruto do equilíbrio entre o mar e o rio.
Rio Itapanhaú é responsável pelo abastecimento doméstico
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Habitação
Desenvolvimento ordenado passa pelo congelamento de núcleos A contenção de ocupações clandestinas é um trabalho constante Para que Bertioga possa se desenvolver de forma ordenada é necessário um trabalho árduo para conter novas ocupações clandestinas e criar mecanismos para congelar os núcleos existentes. Em 2002, Bertioga foi a primeira cidade do Brasil a aplicar o Estatuto da Cidade que possibilitou a entrega de títulos de posse para famílias que viviam em assentamentos públicos e o início da regularização fundiária em alguns núcleos. Com uma fiscalização rigorosa feita pela Prefeitura, que envolve equipes por terra e também diagnóstico aéreo, o município diariamente mantém um trabalho intensivo para evitar novas ocupações e, ao mesmo tempo, iniciou o trabalho de congelamento dos núcleos. Essa tarefa fica com a Diretoria de Operações Ambientais que tem a Guarda Ambiental como responsável por atuar nesses focos, fiscalizar e demolir construções irregulares. O secretário municipal do Meio Ambiente, Manoel Prieto Avarez, comenta que “Bertioga não tem favelas, o que existe são loteamentos clandestinos de padrão subnormal” que começaram a
ser criados em função do crescimento da cidade, com a construção civil, e a falta de um trabalho de aprovação de novos loteamentos desde a década de 70. Atualmente o DOA mantém a fiscalização em 12 núcleos, principalmente no Sítio São João, Boracéia, Jardim Rafael e Vicente de Carvalho II para evitar a ocupação de uma área destinada pela Prefeitura para um projeto-modelo iniciado pelo Governo do Estado, por meio da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). Orçado em mais de R$ 29 milhões, com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), dos quais R$ 18 milhões de contrapartida estadual, o projeto visa contemplar todo o loteamento com obras de urbanização e infraestrutura, que tiveram início no final do ano passado, e um programa habitacional para retirada de famílias do mangue e posterior recuperação ambiental dessa Área de Preservação Permanente. Esse programa traz novo conceito em residências populares que serão beneficiadas com sistema de reaproveitamento de energia solar, das águas das chuvas e acessibilidade para atender os mais idosos e pessoas portadoras de necessidades especiais.
Bertioga não tem favelas, o que existe são loteamentos clandestinos de padrão subnormal
Conter invasões é um dos trabalhos da Diretoria de Operações Ambientais
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Cidade não teve novos loteamentos aprovados desde a década de 70
Desenvolver a cidade de forma ordenada é o grande desafio
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Novo conceito em moradias populares Aliás é o novo conceito em habitação que o prefeito Mauro Orlandini pretende adotar. Bertioga, que está inserida no Programa Cidade Legal, do Governo do Estado, para regularização fundiária, e no Projeto do Governo Federal, Minha Casa, Minha Vida, adotará projetos diferenciados. O prefeito acredita na parceria com a CDHU que tem programas que lhe agradam. E além desse novo conceito em construção, quer casas maiores, com mais qualidade e conforto e com entorno que possibilite os condomínios a contarem com áreas de lazer, equipamentos comerciais e total infraestrutura. Outro desafio para que o desenvolvimento seja ordenado é a revisão do Plano Diretor do Município aprovado em 1998 e que precisa ser adequado à nova realidade de Bertioga. Para isso, Orlandini pretende contratar o escritório do urbanista Ruy Ohtake para o estudo dessa revisão que também passará por audiências com a comunidade e discussões na Câmara Municipal. Mas investir em moradias dignas, em congelamento de núcleos e na regularização fundiária não bastam para um desenvolvimento ordenado se ele não tiver, também, comprometimento com a preservação do meio ambiente. Por isso a preocupação do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Condema) em ter criado uma comissão de técnicos, entre seus membros, que irá analisar os novos empreendimentos sujeitos a aprovação no município para ver se eles atendem as prerrogativas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e se apresentam projetos e soluções específicas para a destinação de seus efluentes como Estações de Tratamento de Esgoto e toda infra-estrutura em saneamento básico. Quanto aos empreendimentos pluriabitacionais existentes, que estão em andamento,
a comissão irá fazer uma vistoria e fiscalizar os projetos. O Condema pretende, ainda, promover uma campanha junto a proprietários de residências para que realizem a ligação da rede de esgoto nos locais onde há a rede da Sabesp. Segundo estimativa do secretário do Meio Ambiente, apesar de o IBGE apontar uma população um pouco superior a 39 mil habitantes, Bertioga tem, seguramente, mais de 44 mil moradores e uma ocupação média/dia de 60 mil, que chega aos 320 mil no Réveillon. “ Temos 44 mil ligações de energia elétrica. Em 1991, quando Bertioga foi emancipada, tínhamos 4 mil ligações de água que, com a implantação da rede do Indaiá, passou para 10 mil e hoje são 18 mil”, afirma Manolo sem contar loteamentos particulares. Os números dão uma dimensão da demanda e do crescimento nos últimos anos. Segundo dados da Fundação Seade, Bertioga foi o município, no Estado de São Paulo,
Casas mais amplas, com acessibilidade e aproveitamento da energia solar integram novo conceito que mais cresceu em termos populacionais, na base de 8,4% ao ano no período entre 2000 e 2005. Portanto, seguir a ordem do prefeito Orlandini e desenvolver a cidade de forma ordenada é o grande desafio da atual administração para garantir um futuro sustentável para Bertioga.
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Bertioga: maior crescimento populacional no Estado de São Paulo registrando 8,4% ao ano de 2000 a 2005
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Futuro
Caminhos para geração de emprego e renda Investimentos da Petrobras criam novas perspectivas no mercado de trabalho Bertioga é uma das cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista que poderá ser beneficiada pelos planos de investimentos da Petrobras e a expansão do setor de Petróleo e Gás na região. Durante seminário Gás na Economia, realizado no final de abril, em Santos, na apresentação sobre “Estaleiros no Litoral Paulista - Uma oportunidade”, o secretário-executivo da Cespeg (Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural), José Roberto dos Santos, afirmou que Bertioga está entre as cidades litorâneas com vocação para receber estaleiros, além de São Vicente e Cubatão, na Baixada
Santista. Segundo ele, o Governo do Estado de São Paulo tem planos de transformar a região em grande pólo naval aproveitando o potencial criado com a exploração de petróleo e gás na Bacia de Santos. E levando em consideração esse potencial, será necessário investir na criação de um parque tecnológico com instalação de fornecedores de equipamentos e navipeças, implantação de bases de apoio e, principalmente, oferta de curso na área naval visando a capacitação de mão-de-obra. Segundo estudo da Cespeg, o perfil de Bertioga está voltado para embarcações menores, tipo supply boats, para
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transporte de material e equipamentos, com maior valor agregado. Há também oportunidades em outras áreas como cabotagem e embarcações.
O que está sendo feito
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento iniciou um projeto de contratação e elaboração para Avaliação Ambiental Estratégica das áreas particulares identificadas para a instalação de estaleiros. Também está sendo feito um estudo de vocações, vantagens e benefícios econômicos e sociais para a região. O passo seguinte é
a assinatura do Termo de Cooperação entre o Governo do Estado, prefeituras e áreas identificadas que inclui Bertioga. Segundo o secretário-executivo da Cespeg, José Roberto dos Santos, a estimativa é de que até julho seja apresentado o relatório final com o projeto para o pólo naval.
Investimentos da Petrobras
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, explicou durante o seminário realizado em Santos, que a indústria do gás no Brasil está em crescimento e a principal mudança está ligada à Bacia de Santos. Até o ano que vem, a rede de gasoduto será aumentada em 2.332 km e a capacidade energética alcançará 7 mil MW. A Petrobras investirá US$ 29 bilhões no desenvolvimento da produção do pré-sal até 2013. Desse total, US$ 18,6 bilhões serão destinados à Bacia de Santos. Para o gerente geral da Unidade de Negócios, Exploração e Produção da Bacia de Santos, José Luiz Marcusso, além dos recursos financeiros, é preciso capacitar profissionais para atuar nesse novo mercado.
Saiba o que é Pré-Sal
É o nome dado para a faixa de petróleo de alta qualidade encontrada na costa marinha entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina. Essa faixa fica abaixo de uma camada de sal, a cerca de 7 mil metros de profundidade. De uma maneira simples, o Pré-Sal é um conjunto de reservatórios mais antigos que a camada de sal (halita e anidrita) neoapitiniano que se estende nas Bacias de Campos e Santos desde o Alto Vitória até o Alto de Florianópolis respectivamente. A espessura da camada de sal na porção centro-sul da Bacia de Santos é de aproximadamente 2.000 metros, enquanto na porção norte da Bacia de Campo está em torno de 200 metros. A área de ocorrência conhecida desses reservatórios, segundo a Petrobras (2008), é de 112.000 km² dos quais 41.000 km² (38%) já foram licitados e 71.000 km² (62%) ainda por licitar. Este sal foi depositado durante a abertura do oceano Atlântico, após a quebra do Gondwana (Jurássico Superior-Cretáceo).
Gabrielli: Petrobras investirá US$ 18,6 bilhões na Bacia de Santos
transformar a Há planos para e pólo naval d n ra g m e o iã reg
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Turismo é outro grande fator de desenvolvimento Aproveitamento do setor náutico e exploração do ecoturismo são algumas das opções para gerar empregos e atrair turistas A geração de emprego na cidade passa também pelos investimentos no potencial turístico do município principalmente do setor náutico e na retomada do ecoturismo como saídas para reativar a economia local e resolver o problema da sazonalidade. Como afirma o prefeito Mauro Orlandini, a cidade tem de ser viável o ano inteiro e não somente no verão. Por esse motivo, a Prefeitura está investindo em um calendário com atividades variadas que envolvem esportes náuticos, eventos culturais e gastronômicos, e também o turismo inclusivo. Exemplo foi o programa de canoagem realizado no último dia 16 com deficientes visuais. Segundo o secretário de Turismo, Comércio e Assuntos Náuticos, Luis Henrique Cepellini, o turismo inclusivo fará parte do calendário com a realização de atividades diversas para portadores de necessidades especiais. Os eventos tradicionais do calendário nas áreas gastronômica e cultural estão sendo remodelados e são mantidos como as tradicionais Festa da Tainha, em julho, e do Camarão na Moranga, em agosto. Eventos culturais também passam por transformações como o Festival Nacional da Cultura Indígena realizado em novo formato este ano, explica Capellini. Sobre os eventos náuticos como o Campeonato Brasileiro de Jet Ski que poderá
ter uma prova internacional no município, eles são importantes por atrair públicos diferenciados. O mesmo vale para eventos em várias modalidades esportivas e na retomada do ecoturismo que envolve parceria entre as secretarias do Meio Ambiente e Turismo explica Capellini. O trabalho no ecoturismo começou com a equipe da Diretoria de Operações Ambientais que está iniciando o levantamento das trilhas ecológicas do município. Elas serão catalogadas pela equipe que vai pesquisar o suporte, condições e infraestrutura, aparelhamento para seu uso e efetuar a fiscalização e monitoramento dessas trilhas, explica Bolívar Barbanti, diretor de Operações Ambientais. A operacionalização das trilhas ficará por conta da Secretaria de Turismo. Esse é um campo que atrai grupos de todas as faixas etárias, grupos de empresas, estudantes, amantes de caminhadas pois há trilhas com todos os graus, desde as mais fáceis até as mais complicadas para os que gostam de se aventurar, mas com total segurança. O desenvolvimento do turismo ecológico aproveitando o grande potencial de Bertioga é uma das soluções econômicas para o futuro da cidade, afirma o secretário de Turismo.
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Desenvolvimento do turismo ecológico é uma das soluções para o futuro
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Gastronomia
Delícias da culinária caiçara Resista, se puder..... Não há como resistir aos sabores da cozinha caiçara. Desde pratos sofisticados encontrados nos melhores restaurantes da cidade até os mais simples e típicos, as delícias da culinária caiçara também atraem turistas. E não faltam excelentes restaurantes em Bertioga onde é possível saborear deliciosos camarões, tainhas, robalos, lula, ostras, enfim, os mais gostosos frutos do mar e pratos especiais, como o típico de nossa região, que é o azul marinho. Alguns desses pratos especiais integram o cardápio de festas tradicionais que atraem pessoas de todos os lugares para Bertioga. Não há como falar da cidade sem comentar as famosas festas da Tainha e do Camarão na Moranga, cativas do Calendário de Eventos do Município. A Festa da Tainha de Bertioga é a mais antiga da Região Metropolitana da Baixada Santista, sendo a atração principal nas férias de julho. É comum, nessa época do ano, encontrar velhos amigos, fazer novos e se reunir com a família no espaço simples e aconchegante da Praça de Eventos, em frente à praia da Enseada, no centro da cidade. É nesse mesmo espaço que o mês de agosto vira atração com a tradicional Festa do Camarão na Moranga realizada pela Colônia de Pescadores Z-23 que coloca à disposição do visitante várias opções de pratos com camarão e outros frutos do mar. Mas os sabores de Bertioga não são somente os pratos da cozinha caiçara. Afinal ela também é conhecida como a “Cidade do Pastel” que acabou virando atração até no Calendário de Eventos. São pastéis doce, salgado, com todos os tipos de ingredientes e nos mais diferentes tamanhos. O certo é que não é preciso esperar uma data específica para experimentar essas delícias. Elas estão nos cardápios de Bertioga o ano inteiro e em todos os lugares. É pedir e se deliciar...
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Festa da Tainha nasceu no Indaiá A Festa da Tainha de Bertioga, a mais antiga da Baixada Santista, aconteceu pela primeira vez em 1974, no Jardim Indaiá, com os moradores que eram em sua maioria pescadores que tiravam seu sustento do mar. Foi no Dia de São Pedro, em 29 de Junho, que tiveram a idéia de realizar uma confraternização. Eles se reuniam na praia e comemoravam a saída e chegada dos pescadores em seus barcos. O peixe pescado era assado na hora e envolto em folha de bananeira. A área usada para a reunião ficava em frente ao bar do Sr. Antonio Rodrigues, um dos pioneiros no Indaiá. Nessa época, em 1974, ainda não havia luz elétrica em Bertioga. Então eram usados bambus cortados, abaixo dos nós, e completos com querosene que queimavam feito tochas a noite toda. Em 1978, o Lions Clube levou a idéia para o centro da cidade e a festa, que antes era ligada a São Pedro, passou a ser realizada ao lado do Forte São João. Em 1993, o Indaiá voltou a promover sua Festa da Tainha procurando resgatar aquele mesmo clima que a originou. Duplas saiam ao mar com picaré e aquela que trouxesse o maior peixe ganhava troféus e medalhas. Porém o evento não prosseguiu no bairro. A Festa da Tainha passou por algumas reformulações há cerca de três anos e foi aberta para participação de entidades como Apae, igrejas, Colônia de Pescadores em realização com apoio da Prefeitura. Elas passaram a oferecer pratos variados da tainha assada na brasa e servida na telha, frita, aberta e fechada, a gosto do cliente. A partir dessa mudança, até 2008 foram realizadas duas festas, uma pelo Lions Clube na sede da entidade, na avenida 19 de Maio, e outra na Praça de Eventos. A festa, que é uma tradição, acontece durante todo o mês de julho.
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Desafio
Em busca de um novo tempo 12 anos depois Orlandini volta à Prefeitura com a meta de levar Bertioga ao desenvolvimento Com 11.473 habitantes em 1991, Bertioga deixa de ser distrito de Santos e ganha sua autonomia após o plebiscito de 19 de Maio. Dois anos depois, Mauro Orlandini é eleito o primeiro prefeito do mais novo município da Baixada Santista. Passados 12 anos de sua primeira administração, ele assume novamente o comando da Prefeitura com a meta de administrar uma cidade com cerca de 45 mil habitantes e que teve seu crescimento considerado um dos maiores entre os municípios do Estado de São Paulo. A cidade chega à sua maioridade com grandes desafios a serem encarados pelo atual prefeito que é firme ao declarar: “ chega de crescer, agora é hora de Bertioga se desenvolver”. E esse desafio só pode ser vencido com planejamento, com ações voltadas à preservação dos recursos naturais do município, com programas que evitem ocupações irregulares como a adoção do congelamento dos núcleos existentes, um trabalho que já começou a ser feito pela Secretaria do Meio Ambiente por meio de monitoramento da equipe da Diretoria de Operações Ambientais (DOA). Paralelamente, Bertioga também foi inscrita em programas como Cidade Legal, do Governo do Estado de São Paulo, que possibilita a regularização fundiária de imóveis, e no projeto do Governo Federal, Minha Casa, Minha Vida para construção de moradias populares. Mas a meta de Orlandini é rever o conceito dos programas habitacionais para oferecer à população melhor qualidade de vida. “ Bertioga cresceu em número de habitações, mas com qual qualidade? Morar é proporcionar um lar à família e não só um teto”. Com esse propósito, ele afirma que já entrou em contato com a Secretaria Estadual da Habitação e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) que tem vários projetos que lhe agradam. “Eles
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possibilitam o reuso da água das chuvas, energia solar, acessibilidade para atender os portadores de necessidades especiais”.
Revisão do Plano Diretor
Para colocar os projetos em prática e promover o desenvolvimento de forma sustentável é necessária uma revisão do Plano Diretor, aprovado em 1998, para que contemple a nova realidade do município. “Desde a década de 70, Bertioga não teve mais nenhum loteamento aprovado e não conseguimos coibir as ocupações irregulares. A gente tem de ter sustentabilidade, credibilidade junto à comunidade e administrar com os pés no chão”. Para que as mudanças no Plano Diretor se adequem às necessidades e às legislações, o prefeito pretende contratar o escritório do conceituado arquiteto Ruy Ohtake para que ele faça a revisão do Plano Diretor junto com a Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Município.
Driblando a crise
Entre as mudanças na estrutura administrativa que Orlandini considera necessárias constam a criação de duas secretarias: de Esportes e outra de Desenvolvimento Empresarial para fomentar duas atividades importantes no município. Ele também entende que seria importante criar a Secretaria de Planejamento desvinculando essa pasta da Secretaria de Habitação, uma vez que o planejamento responde pela elaboração de projetos de todos os setores administrativos.
“A gente tem de ter sustentabilidade, credibilidade junto à comunidade e administrar com os pés no chão”
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Mas essas propostas deverão esperar mais um pouco. Apesar de ter assumido a administração com um orçamento de aproximadamente R$ 200 milhões, a crise financeira internacional também atingiu Bertioga com redução de impostos e de repasses como no caso dos royalties pela Petrobrás. “A criação das secretarias geraria despesas e precisamos economizar. Estamos driblando a crise com qualidade de gestão”. A reforma administrativa iniciada pela Prefeitura visa superar o problema da defasagem e distorções salariais e readequar toda a estrutura. Os estudos estão sendo feitos pelo escritório de advocacia de Ivan Rigolin, profissional que em 1993, na primeira legislatura, preparou a estrutura administrativa do município.
“O meio ambiente é a nossa galinha dos ovos de ouro”
É inegável a importância da preservação do meio ambiente para o desenvolvimento sustentável de Bertioga. Nesse sentido, todas as secretarias estão interligadas promovendo ações no turismo, na educação, saúde, obras, habitação voltadas aos cuidados básicos com os recursos naturais do município e com um trabalho de conscientização não somente junto aos estudantes, mas também à comunidade. A retomada de projetos como o da implantação
de recifes artificiais, programas de educação ambiental, ações de neutralização da produção do carbono são alguns exemplos do trabalho que começa a ser desenvolvido. Por outro lado, a exploração do potencial náutico, por parte da Secretaria de Turismo, com a adoção de novos eventos esportivos e da retomada do ecoturismo em parceria com a Diretoria de Operações Ambientais, mostram a preocupação em desenvolver a cidade fomentando um setor que pode se transformar na alternativa para o futuro, uma vez que o turismo é a indústria que mais cresce no mundo. “ O meio ambiente é a nossa galinha dos ovos de ouro. Por isso temos de ser práticos e buscar essa sustentatibilidade”, afirma Orlandini. No entanto, ele acredita que nada é possível se não houver investimento em capacitação de mão-de-obra qualificada na cidade, atendendo aos comerciantes, rede hoteleira, moradores, possibilitando também geração de emprego e renda e ocupação aos jovens. Paralelamente é preciso envolver toda a comunidade para que ela conheça Bertioga, suas praias, trilhas, belezas naturais e tenha orgulho de sua história para poder ser um agente multiplicador junto aos visitantes. Para Orlandini, “Bertioga é um paraíso, um lugar para se ter qualidade de vida e que está em busca de um novo tempo”.
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Bertioga, uma cidade em busca de qualidade de vida para a sua população
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Investimentos
Riviera, projeto em expansão nos próximos 20 anos Implantado em etapas desde 1979, empreendimento é referência em qualidade ambiental Com uma estrutura de dar inveja a muitas cidades por oferecer equipamentos de lazer, comércio, rede gastronômica, espaços culturais e esportivos e empreendimentos de alto padrão, a Riviera de São Lourenço atrai também pelos cuidados em preservar todo o empreendimento e os 4,5 km de praias em seu trecho de ocupação. A Riviera, que parece uma cidade dentro de Bertioga, começou a ser implantada em 1979 em parceria entre as empresas Sobloco Construtora S/A, Praias Paulistas e Fazenda Acaraú em uma área total de 9 milhões de m² entre os bairros Indaiá e Jardim São Lourenço. O empreendimento tem sido realizado em etapas atendendo a demanda de crescimento do próprio município, mas está em fase de expansão. A previsão é a de que o projeto seja totalmente implantado nos próximos 20 anos, como explica o diretor de Marketing da Sobloco, Luis Augusto Pereira de Almeida. CN- Quais os projetos de expansão da Riviera? Luis Augusto: Temos um programa de continui-
dade do projeto aprovado no início dos anos 80 e que se consubstancia na venda de novos lotes residenciais. Hoje temos 2 mil casas e pretendemos construir de 800 a mil casas no módulo 1 onde também está previsto um hotel em uma área de 25 mil m², e cerca de 35 prédios no módulo 9. A Riviera sempre foi implantada por etapas. Primeiro fazemos toda infraestrutura, as obras de saneamento para depois, efetivamente, investir nas construções. Acho que dentro de uns 20 anos, a Riviera estará implantada totalmente. Temos outros programas de ampliação no Shopping da Riviera, a construção da marina e das áreas comerciais. Acabamos de fazer o campo de golfe, que fica atrás do shopping com acesso pela avenida da orla, aberto aos interessados. Ainda não temos sede e o funcionamento é provisório, mas para as pessoas que querem tomar contato com o esporte, há um profissional que dá aulas de sexta a domingo.
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CN – Qual a capacidade da Riviera hoje? Luis Augusto: A Riviera é um projeto muito sazonal como a própria cidade de Bertioga. Fora da temporada temos uma população equivalente a 1/5 da que freqüenta a Riviera no verão. Nossa estimativa hoje é de 7 mil pessoas nos finais de semana normais, número que sobe para cerca de 15 mil a 20 mil nos feriados. Na alta temporada chega a 45 mil e até 60 mil pessoas. Com os imóveis que existem, a capacidade de absorção é de 60 a 65 mil, mas ainda temos outras áreas para a construção de imóveis residenciais CN – E como está o projeto da marina? Luis Augusto: Essa marina é o maior sonho da Riviera e acho que de Bertioga também. O projeto vem desde os anos 80 e tem sido aprofundado. Agora vamos submetê-lo a aprovações ambientais e será objeto de um EIA-Rima, um estudo de impacto ambiental. Vamos percorrer esse caminho primeiro para depois, se aprovado, realizarmos a obra. Esse equipamento não será da Riviera. Será um equipamento público que todos terão acesso, inclusive as pessoas de outras cidades. Será um ponto de serviços náuticos e atrativo turístico. O município vai ganhar imensamente em termos de mão-de-obra, impostos, projeção internacional. Pretendemos construir na marina um boulevard com restaurantes, lojas, enfim, um modelo internacional.
O Brasil tem muito potencial náutico e estamos querendo fazer uma marina ecológica, dentro dos conceitos modernos de atendimento nas questões de combustíveis, esgotamento sanitário, lixo. Todas essas questões estão sendo estudadas dentro de critérios detalhados e com o padrão da Riviera. As leis ambientais hoje são mais exigentes, mas não é um problema para nós porque acabamos nos adaptando e aperfeiçoando o projeto. CN – A consciência empresarial está voltada para a sustentabilidade? Luis Augusto: A Riviera se tornou referência em modelo de sustentabilidade. Sempre tivemos essa preocupação. O mundo caminha para esse empreendedor mais consciente. Aquele empresário predador é coisa do passado porque esse tipo de empresário não tem mais vez e não é mais aceito. Cabe também à municipalidade se entender com esse empresário consciente que está disposto a investir e cobrar dele as melhores soluções em relação às questões ambientais. Hoje realizamos o maior programa de flora e fauna do Brasil como compensação ambiental. Compramos 2 milhões de m² fora da Riviera para fazer a compensação das áreas que vamos utilizar nos novos lotes. Aprovamos uma área de soltura de toda a fauna e estamos expandindo esse trabalho. Temos 180 pessoas catalogando todas as espécies da flora e fauna. É o maior projeto de manejo da
Projeto da Riviera inclui instalação de uma marina de porte internacional
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Compromisso Mata Atlântica no Brasil que tem acompanhamento do Ibama e Deprn. Já gastamos muito no projeto, cerca de R$ 10 milhões, e o retorno ao empreendimento é a perpetuação da gestão de sustentabilidade.
Qualidade de Vida: aspecto fundamental
A preocupação com a preservação ambiental levou a Sobloco Construtora a investir em equipamentos de última geração e em obras de infraestrutura de saneamento básico tornando-a pioneira na implantação de inúmeros projetos. Entre eles, o sistema de tratamento de água, monitorado pelo Laboratório de Controle Ambiental que garante a eficiência de todo o processo. Merece cuidado especial também a Estação de Tratamento de Esgoto que fica a quatro quilômetros da praia para onde é destinado o esgoto coletado na Riviera. A estação é formada por lagoas anaeróbicas e facultativas e utiliza um processo 100% natural que resulta da simbiose entre bactérias e algas. Já o Programa de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos reduz a quantidade de resíduos gerados destinados ao aterro sanitário de Bertioga. O programa de reciclagem do lixo envolve a comunidade local. Para garantir a eficiência dos serviços, do atendimento e até da segurança, inclusive patrimonial, a ação da Sociedade Amigos da Riviera de São Lourenço tem sido fundamental para ajudar a manter a qualidade ambiental do empreendimento. A preocupação com as áreas verdes fez a Sobloco lançar em 1984 o Manual de Convivência com a Flora e Fauna da Riviera de São Lourenço, a criar seu Viveiro de Mudas em uma área de 20 mil m² que garante a ornamentação de praças e ruas com o cultivo da vegetação local. Além de trabalhos com capacitação de mão-de-obra e atividades culturais e recreativas pela Fundação 10 de agosto, a Riviera investe muito na educação ambiental em programas realizados junto à comunidade escolar de Bertioga. Os projetos têm envolvido milhares de crianças e jovens que passaram a entender e respeitar o meio ambiente e a se tornarem multiplicadores na luta pela preservação da natureza.
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Jardim São Lourenço: crescimento com comprometimento derá todo o loteamento. Segundo Osmar, boa parte da primeira etapa Novos empreendimentos prometem valorizar o Jardim da rede coletora de esgoto na Gleba 1 está pronta e a proposta é dotar São Lourenço que tem atraído investidores por vários motodo o bairro de saneamento básico. tivos. O principal é sua localização em uma praia belíssima, Apesar de ainda estar em fase de projeto, a Construtora Phoenix, em uma área cercada por muito verde e tendo como vizide Santos, contribuiu financeiramente com a Sociedade Amigos para nha a Riviera de São Lourenço que prima pela qualidade garantir a segurança ao Jardim São Lourenço. O portal já conta com ambiental. Esses fatores estão transformando o Jardim São sistema interligado de câmaras que faz o monitoramento do bairro. Lourenço que passa por processo de crescimento aliado a Diretor-executivo da Phoenix, Mário Celso Pereira de Alcântara exinvestimentos de infarestrutura, saneamento básico e seguplica que é preciso investir não só nessa questão da segurança, que é rança para atender todos os moradores do bairro. importante, mas também em projetos com soluções ambientais. Há 9 anos na presidência da Sociedade Amigos do bairro, Essa é uma das preocupações da empresa que adquiriu uma Osmar Alves de Moura explica que há interesse dos empreárea de 10 mil m², antiga sede do Sindicato dos Despachantes endedores em assumir compromissos com a questão da preAduaneiros, onde pretende construir um condomínio de apartaservação e da qualidade ambiental do bairro em seus projetos. mentos com 9 andares com todo conforto e excelente padrão. O Como exemplo cita o trabalho da Camargo Correa Desenvolprojeto está em fase de elaboração e o lançamento do empreenvimento Imobiliário que lançou seu primeiro empreendimento dimento está previsto para o próximo verão. Em fevereiro deste residencial no Litoral Norte, no Jardim São Lourenço. O Penínano também foi lançado o empreendimento Costa Azure, da SRW sula de São Lourenço prevê a construção de 60 unidades distriEngenharia e Frieman Participações, que prevê a construção, em buídas em 3 edifícios de 10 andares com áreas privativas de 153 área na Avenida 1, de duas torres com total de 55 apartamentos de a 243 m². Com infraestrutura e proposta inovadoras, o projeto 2 e 3 dormitórios com áreas privativas de 78 a 97 m². visa integrar natureza, sofisticação e rusticidade. Entre os compromissos da empresa com a cidade e principalmente com o bairro constam ações como arborização das ruas, a pavimentação asfáltica que já foi feita na “Acreditamos muito no Jardim São Lourenço. entrada do Jardim São Lourenço em parceria com a Prefei- É um lugar tranqüilo, com praias maravilhosas tura, o portal da entrada com área para posto policial e ao como a de São Lourenço e Itaguaré” setor administrativo e um dos mais importantes projetos: a construção da Estação de Tratamento de Esgoto que aten-
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Política
Rodrigues: orgulho em participar da história de Bertioga Em seu quinto mandato, Toninho Rodrigues se sente honrado por ter vivenciado todo o processo político do município
Toninho: adequar legislações é um dos desafios da atual gestão
Único vereador a assumir a Câmara Municipal por cinco vezes consecutivas, acompanhando, portanto, o crescimento e as decisões políticas de Bertioga desde sua primeira legislatura, Antonio Rodrigues Filho diz que o segredo é ser simples, leal e não esquecer os verdadeiros valores de respeito, amor à família e à sua cidade que recebeu de seu pai e que norteia seu caminho até hoje. Nascido em Bertioga, ele se diz um verdadeiro caiçara que sente saudade da vida pacata da antiga vila onde todos se conheciam e podia, de criança, brincar e correr pela praia da Enseada, no Indaiá, onde a família reside até hoje. Eleito em 1992, assumiu a vaga de vereador no ano seguinte, na administração de Mauro Orlandini com quem volta a trabalhar procurando a me-
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lhor direção para o futuro da cidade. Como atual presidente da Câmara conta com o apoio de seus colegas e tem como lema atuar em parceria com o Executivo para atingir o desafio de ajudar no desenvolvimento sustentável de Bertioga. De seu primeiro mandato, no período de 1993 a 1996, ele lembra de algumas conquistas. “Começamos sem orçamento, sem saber o que era ser um vereador, um prefeito, mas trabalhamos para que Bertioga tivesse um futuro melhor”. Foi naquela época que Bertioga conseguiu sua primeira clínica, construída no Indaiá, com a ajuda do empresário Antonio Ermírio de Moraes que também cedeu todos os equipamentos. “Era uma clínica modelo que atraia gente de todos os municípios”. Foi nesse período também que a cidade ganhou o asfalto
da Avenida Anchieta, do Indaiá até o centro, e a primeira escola em Boracéia. São conquistas do início da história de Bertioga que lembro com saudade”.
Turismo, indústria do presente
Com o crescimento natural advindo de investimentos da construção civil, principalmente depois da implantação da Riviera de São Lourenço, Bertioga tornou-se uma cidade migratória. Hoje, mesmo com a crise no setor em função, inclusive, das novas legislações ambientais que são mais restritas em relação a liberação de novos empreendimentos, o vereador, que também atua no ramo imobiliário com sua família, afirma, com certeza, que a construção civil ainda é a alavanca de Bertioga. Segundo Rodrigues, o setor responde pela absorção de cerca de 60% dos empregos gerados na cidade. Porém, é o potencial turístico que desponta como grande gerador de empregos e renda. “ Eu achava que o turismo seria a indústria do futuro em Bertioga, mas ele é a indústria do presente que precisa ser implementada urgentemente”. Para o vereador, “Bertioga é uma cidade cobiçada por todo mundo. Ficamos na Baixada Santista e somos porta de entrada para o Litoral Norte. É a única cidade em toda a região que ainda consegue se desenvolver dentro de um planejamento ambiental”. Mas para isso, um dos
consciência de desenvolver Bertioga como um todo assegurando-lhe o que é mais importante que é o trato na questão ambiental”. Nessa linha de atuação, uma das propostas de Rodrigues é criar, por exemplo, um Ecopátio, um local para indústrias não-poluentes que poderiam ser atraídas ao município por meio de uma política de isenção de taxas municipais por um determinado período. Elas teriam o compromisso de contratar Novos investimentos funcionários na Bolsa de Empregos do município. Toda essa adequação também passa pela reviOutra possibilidade são projetos envolvendo a Parsão do Plano ceria PúbliDiretor que, em co Privada “ Eu achava que o turismo seria a 1998, quando (PPP) prinindústria do futuro em Bertioga, foi aprovado, cipalmente mas ele é a indústria do presente” previa que o na área de município atineventos e giria 15% de turismo. seu território Para o com a ocupação urbana, uma vez que 85% estão vereador, é preciso ter em mente que Bertioga é em Áreas de Preservação Permanente. Mas para ter uma cidade possível, que tem condições de se deum ganho ainda melhor na área ambiental, Rodrisenvolver dentro de um planejamento. Afinal, segues acredita que a cidade tem como se desenvolgundo Rodrigues, Bertioga tem tudo o que precisa: ver e chegar até 13% dessa ocupação aumentando mar, rios, matas, história, com o Forte São João, o sua capacidade de áreas verdes. “Com a cidade mais antigo do País, e a Vila de Itatinga, um santuápreservada, podemos atrair investimentos diferenrio ecológico onde funciona, desde 1910, a primeiciados nas áreas do turismo ecológico, de negócios, ra usina hidrelétrica do Brasil que ainda abastece esportes náuticos e radicais e ter competições em o porto de Santos. “Temos tudo aqui. Basta ter a níveis nacional e internacional. Precisamos ter a certeza e consciência de trabalhar certo”.
desafios da atual gestão é adequar as legislações municipais às exigências ambientais, criar novas leis dentro do que preconiza o Programa Município Verde, do Governo do Estado, que coloca condições para que o município possa, inclusive, receber verbas dos governos Estadual e Federal e até formalizar convênio para ser responsável por seu próprio licenciamento ambiental.
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Riqueza
Itatinga, patrimônio a ser preservado Vila abriga a primeira Usina Hidrelétrica do Brasil que em 2010 completará 100 anos em atividade Considerada um verdadeiro santuário ecológico, a Vila de Itatinga conta com uma rica variedade de ecossistemas por estar localizada em plena Mata Atlântica e encrustada no Sopé da Serra do Mar. Construída pelos ingleses no século XIX, ela ainda mantém as características originais e também abriga a primeira Usina Hidrelétrica do Brasil que, em 10 de outubro de 1910, passava a gerar energia para o Porto de Santos, o que acontece até hoje, com seus equipamentos e instalações em perfeitas condições. A preocupação em manter intacto esse patrimônio histórico, cultural e ambiental desencadeou manifestação popular e de autoridades municipais e estaduais que resultou no pedido de tombamento de toda a área que tramita no Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). A abertura do procedimento, chamado “guichê” e protocolado sob o número 00725/99, em 29 de dezembro do mesmo ano, já assegura a preservação da Vila que foi tema de audiência pública no último dia 11, na Faculdade Bertioga, quando o objetivo foi debater o futuro desse patrimônio.
A boa notícia para a comunidade veio do próprio presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo, José Roberto Serra, que anunciou: “ não faz parte dos planos da Codesp privatizar Itatinga”. Por sua importância histórica e ambiental, a vila mantida pela estatal também será beneficiada com obras de recuperação das casas em estilo inglês e de todo o entorno como aconteceu com a usina. Nos últimos dois anos, a Codesp investiu R$ 10 milhões na reforma do sistema para geração e distribuição de energia dentro do programa de modernização que prevê aumentar a capacidade da usina de 15 para até 18 megawatts. E, junto com o município e a comunidade, a Codesp espera que sejam desenvolvidas ações e projetos ambientais e ecoturísticos que visem, acima de tudo, manter preservado esse patrimônio de Bertioga.
Paraíso escondido
Construída para abrigar a usina, a Vila de Itatinga encanta por suas casas, tipicamente inglesas, todas iguais e dispostas ao longo de uma única rua. Entre as construções com características do século XIX está a Capela Nossa Senhora da Conceição.
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No local não entram carros e o acesso é feito por barco e um bondinho que percorre 7,5 quilômetros, cortando mangues e riachos até chegar à vila. No caminho para Itatinga, que começa no portinho após a travessia de barco pelo rio Itapanhaú, é possível observar as ruínas da Capela de Nossa Senhora dos Pelaes que datam do século XVIII. Porém, as principais atrações ficam por conta da natureza e das inúmeras trilhas ecológicas que levam a verdadeiros paraísos cercados pela flora e fauna da Mata Atlântica. Muitos desses caminhos viraram roteiros turísticos que só podem ser explorados por agências credenciadas pela Codesp e Prefeitura de Bertioga.. Entre os roteiros, há várias trilhas como a dos Três Poços, que leva a piscinas naturais de águas cristalinas depois de uma caminhada que não é muito complicada. Passando por uma ponte locali-
zada atrás da usina hidrelétrica, chega-se, também, às margens do rio Itatinga com suas águas límpidas e pedras brancas que formam um cenário especial. O próprio caminho feito pelo bondinho é uma atração à parte passando por riachos em trechos que cortam a Mata Atlântica.
Em atividade desde 1910
Em Itatinga, impressiona os turistas a construção da usina hidrelétrica que está ligada à história do Porto de Santos. Em 1903, a Companhia Docas de Santos, administrada pelas famílias Guinle e Gaffrée, comprou a Fazenda Pelaes, no sopé da Serra do Mar, em Bertioga. O objetivo era através da construção de uma usina própria, poder dar seqüência às melhorias técnicas do Porto de Santos. Projetada pelo engenheiro Guilherme Benjamin Weinschenk, a usina começou a ser construída em
agosto de 1905 e foi inaugurada em 10 de outubro de 1910. Sua energia destinava-se a eletrificação das instalações do porto, iluminação geral do cais, armazéns e escritórios. Basicamente a água que abastece a usina vem do rio Itatinga, localizado no limite entre os municípios de Bertioga e Mogi das Cruzes. A captação da água é feita a uma altura superior a 900 metros na curva do rio onde antes existia uma cachoeira. A Usina de Itatinga sempre foi operada pela empresa administradora do porto, inicialmente a concessionária particular Companhia Docas de Santos e, a partir de 1981, pela sucessora a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) responsável pela manutenção da vila até hoje.Desde sua construção, a usina vem operando ininterruptamente e sua capacidade possibilita a Codesp manter o funcionamento das instalações portuárias.
Bondinho leva até a vila; usina abastece o Porto de Santos até hoje
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Conscientização
Sesc-Bertioga fortalece parceria em educação ambiental Nova ação começará a ser desenvolvida com estudantes da rede municipal Com um trabalho voltado também à preservação do meio ambiente, a Colônia de Férias Ruy Fonseca, o Sesc-Bertioga, tem sido importante parceira da administração municipal e da população em apoios a programas culturais, abrindo seu espaço para a comunidade e no trabalho de orientação e educação ambiental desenvolvido há vários anos. Inaugurada em 1948, a maior colônia de férias da América Latina, com 4 milhões e 400 mil m² de área é responsável também por atrair turistas do Brasil inteiro e sua direção faz questão que eles conheçam as belezas naturais e a rica história da cidade. A mais nova parceria entre o Sesc e a Prefeitura está sendo formatada junto à Secretaria de Educação e Desenvolvimento Cultural para ser colocada em prática, oficialmente, a partir do segundo semestre, explica Marcos Laurenti, gerente do Sesc-Bertioga desde janeiro deste ano. A proposta
é abrir o espaço do Centro de Atividades Ambientais para visitação dos alunos da rede municipal de ensino que terão aulas práticas envolvendo vários temas relacionados ao meio ambiente. Deverão ser atendidas cerca de 200 crianças por dia que passarão todo o período na colônia. Uma parte do dia participarão das atividades monitoradas e na outra vão poder usufruir dos equipamentos do Sesc-Bertioga Os agentes de educação ambiental serão os responsáveis pelo atendimento aos alunos em trabalho que terá apoio da Prefeitura, escolas e professores. A primeira ação a ser desenvolvida com as crianças terá como tema o Biomapa. O objetivo é que elas aprendam a se localizar, entendam onde estão, o ambiente em que vivem e conheçam riquezas naturais como a flora e fauna de Bertioga. “É importante que o aluno deixe um pouco o ambiente escolar para vivenciar conteúdos que
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também fazem parte de sua grade curricular e que participem de atividades em espaços abertos”, explica o gerente do Sesc.
Programações
Entre as parcerias realizadas com a Prefeitura, há 8 anos o Sesc-Bertioga desenvolve, com sucesso, o projeto Música é Cultura junto com a Secretaria de Educação. Grupos de Música de Câmara contratados pelo Sesc apresentam-se nas noites de sábado, a partir
das 20 horas, na Casa da Cultura (avenida Thomé de Souza, 130, praia da Enseada) mostrando o melhor da música de todos os tempos. Com entrada franca, as apresentações começaram a atrair o público enriquecendo as noites de sábado da comunidade. Outro exemplo de parceria são os espetáculos que acontecem no Ginásio do Sesc como apresentações de grupos teatrais, de dança e música que são abertos à população. Para participar, basta retirar o convite na portaria. “O Sesc-Bertioga é um
centro de férias que recebe as pessoas para hospedagem. Mas isso não impede a realização de atividades que possam atender a comunidade”, afirma Marcos Laurenti. Ele também explica que o Sesc tem como filosofia mostrar Bertioga a seus visitantes, fazer com que eles se envolvam mais com a cidade. Por isso, faz parte da extensa programação aos hóspedes roteiros turísticos com visitação ao Forte São João, Parque dos Tupiniquins e trilhas ecológicas, entre outras atividades.
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Valores
Credibilidade/Confiança Dedicação/Comprometimento
Missão
Prestar serviços nas áreas de assessoria contábil, fiscal trabalhista e societária com o mais alto nível de qualidade.
Recepção
Tem como o melhor atendimento da cidade. Setor responsável pelas anotações de todos os recados e um bom atendimento ao cliente.
Gerência
Setor responsável pela total assistência aos clientes, realizando visitas periódicas para administrar diversas tarefas, visando o bom andamento administrativo e social.
Depto. de Relações Públicas
A ponte entre empresa e cliente. Atendimento personalizado sempre observando os prazos a serem cumpridos, a entrega de documentos entre outras ações.
Depto. Financeiro e Contábil Organiza a contabilidade, emite boletos, balancetes, monta livros caixa, solicita previsões financeiras, encerra balanços e processos de abertura de Ong’s. Trabalha de forma integrada junto a outros setores.
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Depto. Comercial
Cuida da abertura, encerramento, alterações, certidões negativas e alvará da empresas. Garantindo conforto e agilidade a seus clientes.
Depto. Pessoal
Setor de pagamentos em folha, homologação e rescisão contratual, FGTS, INSS, seguro desemprego entre outros. Informatizando com cartão de ponto, cartão magnético ou via internet. Os relatórios anuais, Rais, Dirf, IRPF e outros, são atualizados dentro do prazo estabelecido pelo cliente.
Depto. Fiscal
É responsável pelo setor tributário a pagar e receber. Onde são feitas as escriturações de entradas, saídas, ICMS, PIS, COFINS, contribuição social, ISS, INSS, IRPJ, IRPF, livros fiscais e toda documentação para o fisco.
Depto. Fiscal
Setor onde o cliente pode fazer suas consultas quantas vezes for necessário. Assessoria já inclusa nos honorários pagos pela empresa, auxiliando os clientes na área civil, comercial e trabalhista.
s o l e p a g o i t r e B Parabéns o ã ç a p i c n a m e e 18 anos d a v i t a r t s i n i m político-ad
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História
Bertioga, primeiro povoado de apoio para a colonização A história está presente em cada parte da cidade que foi ponto de partida para a fundação de São Vicente e Rio de Janeiro Quem visita Bertioga e encontra uma cidade em pleno desenvolvimento não consegue imaginar que ela já foi cenário do início da colonização do Brasil. Praticamente foi na antiga Buriquioca – que na língua tupi-guarani significa “Morada dos Macacos – que tudo começou. Antes da chegada dos portugueses, em 1531, a região era habitada pelos tupiniquins. Mas bem antes, por volta de 2000 a.C, tribos primitivas viviam na região e conseguiram deixar um testemunho de sua passagem por vestígios estudados até hoje como os sambaquis, montes artificiais de conchas com várias formas, encontrados na região. A história oficial do povoado de apoio começou com a chegada, em 1531, de Martim Afonso de Souza que aportou com suas naus nas águas de Buriquioca. Em 22 de janeiro de 1532 ele saiu da região para fundar a Vila de São Vicente. Nesse mesmo ano foi erguida, em Bertioga, a primeira fortaleza do Brasil, feita em paliçada de madeira, denominada na época Forte São Tiago, levantada por cinco irmãos mamelucos: João, Diogo, Domingos,
Francisco e André, filhos do português Diogo Braga. Em 12 de janeiro de 1545, Bertioga foi doada a João Pires e, dois anos depois, a fortaleza erguida no estratégico canal ganhava muros de alvenaria de pedra e cal. Nesse mesmo ano, em 1547, ela seria a defesa do ataque de 70 índios que chegaram em canoas para assaltar a fortificação, mas foram repelidos pelos soldados que tomavam conta do forte. Nessa época, todo o povoado ocupava um trecho à beira-mar defendido pelo Morro da Senhorinha. Foi dessa mesma fortaleza, construída também para defender a região dos ataques de inimigos, piratas e outras tribos indígenas, que a esquadra de Estácio de Sá saiu, em 27 de janeiro de 1565, para fundar a cidade do Rio de Janeiro. Em 1699, a fortificação ganhava suas características atuais sendo rebatizada, em 1765, como forte São João.
Retrato da história
O Forte São João abrigou vários personagens da história do Brasil como os jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega em sua missão de catequizar os índios. Também foi morada do artilheiro alemão Hans Staden, responsável pelos primeiros relatos da vida
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das comunidades indígenas que habitavam o país. O monumento, que já foi palco de guerras e atrocidades, ainda era conhecido como Forte São Tiago quando teve sua construção substituída por alvenaria de cal e pedras em 1547. No entanto, foi em 1765 que passou a chamarse Forte São João devido à restauração da capela erguida em louvor ao santo. Em 1940, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), época em que foi iniciado seu processo de recuperação que acabou sendo interrompido nos anos 60. Em 2001, depois de fechado
ao público por mais de 5 anos, foi reaberto com a primeira edição da Festa Nacional do Índio. O forte passou a ser repovoado com armas do período colonial, salas temáticas que retratam passagens dos jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, uma oca recriando como vivia uma família tupiniquim no século XVI, artefatos indígenas e imagens que relatam a história do artilheiro alemão Hans Staden e sua aventura ao viver como prisioneiro por 9 meses dos tupinambás. Depois de libertado, voltou à Europa e, em 1555, publicou os primeiros relatos dos índios no Brasil.
Parque dos Tupiniquins
Em 22 de abril de 2004, quando o Brasil comemorou 504 anos de descobrimento, Bertioga recebeu, de presente, o seu sítio histórico, com a inauguração do Parque dos Tupiniquins. Passear pelo parque é uma forma de voltar ao passado, às aventuras do período colonial, pois ele mantém instalações, com estátuas em tamanho natural, do líder tupinambá, Cacique Cunhambebe, a única do Brasil, um cenário retratando os jesuítas Manoel de Nóbrega e José de Anchieta catequizando uma família tupiniquim e as figuras de Hans Staden e do índio Carijó. Totalmente reflorestado, o parque possui várias espécies de árvores e plantas típica da região.
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Conquista
Emancipação: o sonho de uma comunidade Após lutas e pressões políticas, que duraram cerca de nove anos, a população bertioguense deu seu grito de independência. Os moradores de Bertioga acreditavam que o então distrito de Santos somente cresceria depois de ser emancipado. Esse era o sonho de muita gente que lutou arduamente para atingir esse objetivo. Era também o sonho de Licurgo Mazzoni que faleceu em 1993, dois anos após a população ter declarado o sim tornando Bertioga independente de Santos após o plebiscito de 19 de Maio de 1991. Mas a luta pela emancipação não foi fácil. Foram quase nove anos entre guerras de poderes, pressões políticas e um grande esforço da comunidade que começou em 1982. Nessa luta, algumas pessoas foram fundamentais como todos os integrantes da Comissão Organizadora da Emancipação, presidida por Licurgo Mazzoni, e o deputado federal Maurício Najar. Na época, ele foi o responsável pela apresentação, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, do projeto que resultou no processo de emancipação de Bertioga. A comissão também era integrada por Antonio Duarte, Antonio Purita, Gerônimo de Souza Lobato, Eunice Lobato, Irene Vaz de Pinto Lyra, Pérsio Dias Pinto, Abelardo de Araújo Barros e os conselheiros José Nunes
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Viveiros (Zéca do Gás), Paulo Sérgio Martinez, Sérgio Pastori e mais 129 fundadores. Houve muita pressão, em âmbito federal, pois existia uma lei que impedia os distritos paulistas de se emanciparem exigindo que, para isso, deveriam ter cinco milésimos de arrecadação de impostos do Estado, o que era inviável. A própria Prefeitura de Santos tentou impedir a emancipação. Isso fez com que em 1987 Pérsio Dias Pinto e Eunice Lobato levassem a Brasília, aos representantes da Subcomissão de Assuntos Municipais da Assembléia Constituinte, uma minuta de lei, elaborada por Diógenes Gasparini – responsável pela Lei Orgânica dos Municípios – solicitando que questões relacionadas à emancipação dos distritos passassem para a alçada do Governo do Estado. Em 31 de dezembro de 1991, o governador, na época, Luis Antonio Fleury Filho assinava o Decreto Lei 7664 oficializando a criação do município que teve sua primeira administração em 1993 quando foi eleito prefeito Mauro Orlandini.
Primeira tentativa em 1956
Em 1956 uma tentativa de emancipação foi liderada por Aldo Moraes e a família Costábili, mas o movimento não surtiu efeito. Novo levante aconteceu em 1972 que não deu certo, pois Santos ficou sob intervenção militar. Dez
anos depois, a luta pela autonomia foi reconquistada e tomou força com as construções das rodovias Rio-Santos e Mogi-Bertioga facilitando o acesso ao distrito. Porém, o movimento ganhou impulso com a criação da Associação Comercial e Industrial de Bertioga em 1981. O primeiro plebiscito, marcado para 1989, não aconteceu por intervenção da Prefeitura e da Câmara Municipal de Santos que aprovou, de um dia para outro, uma lei restringindo as divisas do então distrito de Bertioga de seus 480 km² para 270 km². Essa medida foi aprovada apesar de a Constituição Federal de 1988, em seu parágrafo 2º, das Disposições Transitórias, atestar que todo distrito em processo de tramitação de emancipação não poderia ter suas divisas alteradas a partir dessa data. A prefeita de Santos na época, Telma de Souza (PT), recorreu ao Supremo Tribunal Federal, pois queria que essa determinação fosse invalidada. Porém, houve nova pressão da Comissão Organizadora e da Frente Distrital Paulista de Emancipação criada em 1987 e presidida por Pérsio Dias Pinto de 1989 a 1992. Eles provaram ao governo que uma determinação municipal não poderia se sobrepor às próprias constituições Estadual e Federal, o que garantiu a vitória aos representantes da entidade.
Primeira eleição municipal aconteceu em 1992: era o início da independência
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Direitos
Respeito à Cultura Indígena “A força indígena vem da cultura, espiritualidade e da sua terra. Um povo que não tem cultura, não tem identidade. Um povo sem espiritualidade, não conhece a natureza. Um povo que não tem terra, morre”. (Marcos Terena, presidente do Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena)
Para respeitar, é preciso, antes de tudo, conhecer. E isso vale para nossa história, nossa terra, nossas riquezas naturais, nossas diversidades culturais. Um povo que não tem cultura, não tem identidade, afirma o líder indígena, Marcos Terena, presidente do Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena, membro da Cátedra Indígena Itinerante e articulador dos direitos dos povos indígenas na ONU (Organização das Nações Unidas). A cultura indígena está intimamente ligada à origem de Bertioga, a antiga Buriquioca, que foi o primeiro povoado de apoio para a Colonização do Brasil no século XVI onde viviam, na época, os tupiniquins. Muito tempo se passou, mas a história, sempre latente, fez com que indígenas de todo o Brasil voltassem a pisar em solo bertioguense em uma confraternização com seus irmãos e representantes da etnia guarani, que vivem na Reserva Indígena Ribeirão Silveira, em Boracéia, divisa entre Bertioga e São Sebastião. Mas, mais do que isso,
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fez com que fosse resgatada a rica diversidade cultural desses povos mostrando aos não-índios parte de sua cultura, tradições, rituais, seus esportes, o artesanato, a arte plumária e também as principais questões que afligem hoje as comunidades indígenas em todo o País: o direito à saúde, à educação, à terra. Todas essas questões começaram a fazer parte de Bertioga por meio da Festa Nacional do Índio criada em 2001 e que se projetou nacionalmente atraindo, também, estudiosos e turistas estrangeiros. Este ano ela foi transformada em Festival Nacional da Cultura Indígena ganhando novo formato, com a realização de novos seminários, palestras onde temáticas de interesse dos povos dividiram espaço na programação realizada de 18 a 20 de abril. O contato sempre enriquecedor com nossos irmãos indígenas trouxe a Bertioga, este ano, representantes dos povos Karajá e Xerente (Tocantins), Meninako (Parque Indígena do Xingu) em Mato Grosso, estado também dos povos Manoki, Terena, Paresi, além da presença de um grupo Pataxó, de Porto seguro, sul da Bahia. Entre as novidades deste ano, apresentações culturais como do grupo paulista Mawaca, que faz uma pesquisa sobre sons rupestres, e peças teatrais proporcionaram intercâmbio e troca de experiências culturais. Durante o evento, no dia 19 de Abril, quando se comemora o Dia do Índio, o líder Marcos Terena, em sua mensagem à população lembrou que essa confraterni-
zação cultural, essa mistura de raças e culturas é fundamental. “Esse é o Brasil do sonho indígena: negros, brancos, povos indígenas. Esse é o verdadeiro programa de índio”. E, ao citar as dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas em todo o Brasil afirmou que a maior ameaça “ nasce do desconhecimento dos valores indígenas humanos e ambientais. Nesse Dia do Índio exigimos que os direitos indígenas sejam respeitados e que o homem branco aprenda de novo a conversar com os índios como vocês estão fazendo aqui em Bertioga”
Tradição guarani está presente na cidade
Uma comunidade que vive da plantação, do artesanato típico e preserva danças e cantos sagrados provando que é possível viver em harmonia com a natureza. É assim que aproximadamente 400 habitantes da Reserva Indígena do Ribeirão Silveira mantêm suas tradições, apesar de estarem tão próximos da cidade. Localizada em Boracéia, a cerca de 25 km da Riviera de São Lourenço, a aldeia tupi-guarani é considerada um exemplo entre todas do Estado de São Paulo e recebe apoio das prefeituras de Bertioga e São Sebastião nas áreas de Artes anato é um a das fonte saúde e educação.Na escola da reserva, s de renda das comu nidades as crianças têm aulas em português e
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tupi-guarani e a comunidade também comemora o fato de registrar o maior índice de crescimento de natalidade do Brasil. No Ribeirão Silveira, os índios dão exemplo de como é possível se adaptar aos novos tempos, sem perder a identidade cultural. Um trabalho importante foi a participação desse grupo no CD lançado pelo projeto Memória Viva Guarani, com cantos sagrados apresentados por aldeias de São Paulo e Rio de Janeiro. Na reserva, a Prefeitura de Bertioga construiu a escola e mantém os professores da rede municipal, de 1ª a 4ª séries, inclusive de formação indígena, responde pela merenda escolar e entregou, no último ano, mais duas salas para aulas de 5ª a 8ª séries mantidas com professores estaduais. A Prefeitura de Bertioga também construiu um posto médico sendo que os serviços na área de saúde são oferecidos por São Sebastião que construiu as casas típicas dentro dos padrões da cultura guarani e também ajuda com projetos de subsistência. Com o replantio do palmito Pupunha, Juçara e plantio de mudas de espécies de plantas ornamentais nativas da região como helicônia, a reserva dá exemplo de sustentabilidade.
Rituais sagrados
Danças, cantos e rituais sagrados para os guaranis falam basicamente da relação entre o homem e a natureza e tudo o que ela representa espiritualmente para a comunidade. Hoje crianças e jovens, que ainda falam em tupi-guarani, se unem para representar e mostrar essa cultura por meio de um trabalho que resgata essa tradição. A reserva também mantém sua principal festa religiosa que acontece anualmente em janeiro, entre os dias 9 e 10, quando as crianças que nasceram no ano anterior são “batizadas” e recebem a denominação em guarani. Trata-se de um ritual especial que envolve o pajé e a família, uma vez que o nome tem importância vital nos destinos dessa criança. Além disso, todas as noites, as crianças se reúnem com suas famílias na Casa de Reza onde participam de orações com o pajé.
Contato com as etnias proporci ona conhecimen cultural dos po to da rica divers vos indígenas idade
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Memória
Boa viagem....
As próximas páginas propõem uma viagem no tempo por imagens que, por si só, retratam o clima bucólico de Bertioga quando ainda era distrito de Santos. As praias extensas e desertas que deixam saudade, a antiga vila com a vista do canal, no centro da cidade, que era muito procurado pelos banhistas. Imagens do Forte São João, o monumento mais antigo do Brasil e também o primeiro de arquitetura militar, que registram visitas de autoridades importantes, enquanto outras relembram como era a área do Forte e que hoje abriga o Parque dos Tupiniquins, sítio histórico de Bertioga. Um tempo que deixou saudade nos antigos moradores, em
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Memória todos que encararam as dificuldades de acesso, na época, para desfrutar desse paraíso. O único meio de locomoção entre Santos e Bertioga era pela barca da Companhia Santense que guarda muitas histórias. Nossa proposta com essas páginas é fazer com que as lembranças venham à tona, as emoções sejam revividas e a memória cultuada. E, para quem não viveu aquela época, que as imagens possam mostrar as belezas e a simplicidade de uma Bertioga que ainda esbanja charme, cenários exuberantes e faz com que as pessoas se sintam à vontade em contato com esse ambiente natural. Boa viagem....
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bém o mais antigo do Forte São João é tam ilitar m Brasil em arquitetura
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Memória
agem rara nos dias de hoje
canal de Bertioga, uma im Praia da Enseada, próximo ao
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A aventura na travessia Santo s - Bertioga nas barcas da Companhia Sante nse
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Dados
Conheça
Limites
Origem do nome
Localização Topográfica
Bertioga
Nome: Bertioga Gentílico: Bertioguense Origem: Indígena (Tupi-Guarani) Denominação: Buriquioca (Morada dos Macacos)
Localização
Bertioga está localizada entre o Litoral Norte e a Região Metropolitana da Baixada Santista.
Norte: Salesópolis, Biritiba Mirim e Mogi das Cruzes Leste: São Sebastião Oeste: Santos Sul: Guarujá e Oceano Atlântico
Altitude: 3m Latitude: 23 º51´17” Sul (S) Longitude: 046º08´03” (W)
Área Territorial
Bertioga tem 491,70 km² (Dados de 2009 da Fundação Seade – Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados). Desse total, 85% em Áreas de Preservação Permanente. Seu território corresponde a 20,31% da área da Região Metropolitana da Baixada Santista sendo o segundo maior município da Baixada. Tem 33,1 km de extensão de praias e um limite aquático de 46,15 km ( linha de água da divisa com Santos-Caruara/Caiubura no canal de Bertioga) até Boracéia, divisa com São Sebastião.
Densidade Demográfica
86,89 habitantes/km² (Dado Fundação Seade relativo a 2008)
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Flora
A Mata Atlântica abriga espécies importantes de árvores como o jequitibá-rosa, mas destacam-se também figueiras, ipês, braúna, pau-brasil e plantas como a samambaiaçu e outras espécies de samambaias, helicônias (bico de tucano), orquídeas, bromélias, manacá-da-serra, lírio-do-brejo, caminho-do-brejo, entre outras espécies da floresta tropical. A Helicônia Brasiliensis é prima da bananeira e considerada símbolo da flor tropical. Típica da região, a caminho-do-brejo tem sua flor nas cores branca, lilás ou vermelha. Espécie nativa da região de Bertioga é a Erythrina Speciosa, mais conhecida como Suinã, Facãozinho ou Corticeira. Era usada como bóia para redes de pesca e tem poder cicatrizante. Sua casca fornece produto de cor avermelhada próprio para tintura de tecidos. Ela floresce de julho a setembro.
População Clima
Oficial: 39.091 habitantes (contagem do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – referente à população residente em 1º de abril de 2007) Desse total, 18.890 são homens e 20.201 mulheres. Estimada: De acordo com a Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) a população estimada em 2008 era de 42.724 habitantes. Flutuante: Estimada em 350 mil pessoas na temporada de verão
Temperatura média anual: 24ºC
População em: 1991 :11.473 1996: 17.002 2000: 30.093 (Censo IBGE)
Tropical temperado com ventos de quadrante leste. Nas áreas de Mata Atlântica, o clima é subtropical e o ar sempre úmido.
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Dados Hino de Bertioga Instituído pela Lei 186/96 Autor: Miguel Roberto Moure Progressista Bertioga És recanto acolhedor Lindas praias, verdes matas Preservadas com amor Entre a serra e o oceano E em teu belo litoral Vivem fauna, flora, humanidade Em equilíbrio natural
Brasão
Criado em 22 de janeiro pela Lei Municipal 001/93, o Brasão de Armas de Bertioga retrata uma fortaleza de prata, o sol, duas estrelas e um peixe. O monumento no ícone é uma referência ao Forte São João, Na base, encontra-se o nome da cidade entre as datas 1547, ano da fundação do povoado, e 1993, quando começa a primeira administração municipal.
Teus encantos, que são tantos A natureza esculpiu Com as águas e os ventos No teu solo tão gentil És vibrante, Bertioga De futuro promissor Com a fé e a ciência Dos teus filhos, o labor E da gente hospitaleira Fibra, raça e coração Teus valentes pescadores São heróis e tradição A beleza, a natureza Que se vem admirar Para tantos é Bertioga Para nós, é nosso Lar
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Bandeira
Criada pela Lei 027/93 e oficializada em 14 de setembro do mesmo ano. As cores verde, branco e azul são dispostas na vertical, sendo a primeira parte verde, equivalente a um quarto, seguida da parte branca, equivalente a dois quartos; e a última parte (um quarto) na cor azul. No centro da parte branca está a figura do Brasão do Município.
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Dados Fauna
A região de Bertioga concentra várias espécies de animais como onças, veados, bichos-preguiça, tatus, bem como aves e peixes que formam a fauna local. Uma espécie típica é a garça-branca-pequena que vive em pequenos grupos e alimentase em rios, lagos, manguezais e nas praias onde procura peixes, sapos e caranguejos.
Manguezais
Considerados berçários naturais da procriação de espécies marinhas, os manguezais são ecossistemas costeiros de transição entre os ambientes terrestre, fluvial e marinho e ocorre em regiões costeiras abrigadas e sujeitas aos regimes das marés. Nos Manguezais há caranguejos de várias espécies, aves aquáticas e gamboas que são braços de rios com fluxo e refluxo das marés. Os mangues estão entre os ecossistemas de maior produtividade, pois garantem alimentos, proteção e condições de reprodução para animais de várias espécies.
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Bacias Hidrográficas
Bertioga é formada por três sub-bacias hidrográficas: Itapanhaú, Guaratuba e Itaguaré, sendo que a do rio Itapanhaú é considerada a mais importante do município. Itapanhaú: Com área de drenagem de 261,5 km² (nascentes também em Mogi das Cruzes e Biritiba Mirim) desemboca no canal de Bertioga e tem como seus principais afluentes: rios Itatinga (área de drenagem de 104 km²) e Jaguareguava (área de drenagem de 26,4 km²). Guaratuba: Tem área de drenagem de 128,7 km² ( cabeceira do alto da Serra do Mar) e desembocadura no mar, na praia de Guaratuba. Itaguaré: Tem área de drenagem de 85,3 km², nasce na Serra do Mar e desemboca também no mar.
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Dados Forte São João
Praias
A primeira fortaleza construída no Brasil, erguida em paliçada de madeira em 1532, é um dos pontos turísticos mais visitados junto com o Parque dos Tupiniquins
Bertioga possui 33,1 km de extensão de praias Enseada: Cerca de 12 km São Lourenço: 5,5 km Itaguaré: 2,9 km Guaratuba: 8 km Boracéia: 4,7 km
Canal de Bertioga Vila de Itatinga
Localizada na encosta da Serra do Mar, é um santuário ecológico que detém uma das maiores biodiversidades do Planeta.
Rios
Bertioga poderia ser chamada a cidade das águas cortada pelos rios Itapanhaú, Itaguaré e sua foz, Guaratuba e sua barra, Jaguareguava, Itatinga e canal de Bertioga. Além da pesca, os rios também são caminhos para o turismo com passeios de barcos e escunas e prática de esportes.
Sesc-Bertioga
Inaugurada em 1948, a Colônia de Férias Ruy Fonseca, Sesc-Bertioga, é a maior da América Latina.
Cartão - Postal da cidade
Trilhas Ecológicas
Bertioga oferece inúmeras opções de passeios ecológicos. Cerca de 10 trilhas são cadastradas pelo município, embora ainda existam inúmeras a serem identificadas e exploradas.
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Aldeia Indígena
Localizada em Boracéia, divisa com São Sebastião, a Reserva Indígena Ribeirão Silveira abriga cerca de 400 índios da etnia guarani que mantém suas tradições culturais.
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Dados
Taxa de Crescimento
A projeção feita pelo IBGE em 1996 apontava que a população chegaria a 19.534 pessoas em 2000, número que extrapolou bastante. Segundo análise populacional dos municípios paulistas feita pela Fundação Seade, Bertioga foi a cidade que registrou o maior crescimento populacional entre 2000 e 2005 correspondente a 8,4% ao ano.
Dados econômicos e sociais
Produto Interno Bruto (PIB) em milhões de reais correntes R$ 445,54 milhões (2006) Renda Per Capita * R$ 10.180,71 (2006) Indíce de Desenvolvimento Humano (IDH) 0,792 (PNUD – 2000) Taxa de Alfabetização 91.7% Índice Paulista de Responsabilidade Social – Dimensão Riqueza: 74 (2006) Índice Paulista de Responsabilidade Social – Dimensão Escolaridade 59 (2006)
Principais atividades
A construção civil ainda é a principal atividade com predominância do setor turístico envolvendo redes hoteleira e gastronômica, agências de turismo. A pesca é atividade presente o ano inteiro.
Obs: O índice escolaridade não acompanhou o crescimento no índice riquezas do município
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Distâncias:
Guarujá: 30 km São Sebastião: 100 km São Paulo: 115 km Rio de Janeiro: 510 km Obs: O marco zero de Bertioga fica junto ao Forte São João
Transporte
Liga-se com o Planalto pela Rodovia MogiBertioga –SP-98 (ao norte), com a ilha de Santo Amaro (Guarujá) por meio de um serviço de ferry-boat (ao sul), com Santos (a oeste) e São Sebastião (a leste) pela Rodovia Manoel Hipólito do Rego, a Rio-Santos (SP-55/BR 101)
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