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Revista Especial Bertioga 2013

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Editorial

A Bertioga de todos nós Mais de 50 mil habitantes coabitam a jovem Bertioga. Gente que trabalha, estuda, sonha, empreende e busca seu espaço em uma cidade que chega aos 22 anos de emancipação político-administrativa no dia 19 de maio, em uma nova fase de desenvolvimento. Desenvolvimento, este, agora ancorado em infraestruturas básicas e relevantes, como saneamento, macro e microdrenagem, pavimentação e mobilidade urbana. Todos os requisitos necessários para seguir um rumo promissor. Aos poucos, em ritmo lento, mas contínuo, Bertioga ganha corpo. Novos ares percorrem a cidade e novidades despontam aqui e ali. Seja no comércio, na construção civil, na prestação de serviços, no terceiro setor, vê-se uma mudança de perfil. Cada qual com suas dificuldades e esperanças, mas com a certeza de que vale a pena seguir em frente. Basta analisar com um olhar mais apurado, para vislumbrar as reais chances de oportunidades. E o melhor, próximas de casa, sem o estresse das grandes cidades, garantia de qualidade de vida, uma demanda cada vez mais forte na sociedade moderna. Ainda há muito a fazer, é certo. Mas a história de Bertioga continua a ser escrita, e cada um de seus habitantes pode contribuir de forma efetiva para que ela seja lida com prazer pelas futuras gerações.

Expediente

Eleni Nogueira

JORNAL COSTA NORTE Edição Especial: Bertioga 22 anos Publicação: 19/05/2013 Redação e Publicidade Av. 19 de Maio, 695 - Jd. Albatroz Bertioga/SP Fone/Fax: (11) 3317-1281 www.costanorte.com.br costanorte@costanorte.com.br Diretor-presidente Reuben Nagib Zaidan zaidan@costanorte.com.br

Administração Dinalva Berlofi Zaidan Vinicius Berlofi Zaidan dinalva@costanorte.com.br Direção de Arte Ronaldo Berlofi Zaidan Roberto Berlofi Zaidan roberto@costanorte.com.br Edição Eleni Nogueira (MTb 47.477) beachco@costanorte.com.br Colaboração Antônio Pereira, Marina Aguiar e Mayumi Kitamura

Projeto Gráfico e Diagramação Audrye Rotta Revisão Adlete Hamuch (MTb 10.805) Comercial Catia Regina Vargas Lisboa catia@costanorte.com.br Capa Praia da Enseada Foto Zé Zuppani/Pulsar Imagens Circulação Bertioga e Litoral Paulista Impressão Gráfica Silvamarts


Sumário

Fotos Aline Pazin

14

Música por todos os lados

Comércio em expansão

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10

Mapa ilustrativo da cidade

46

Personagens da história recente

12

Panorama de crescimento

52

Povo guarani

32

Os caminhos dos universitários

56

Novos tempos para o idoso

38

Parque Restinga em discussão

62

Inclusão e respeito

42

Família Costa Norte

70

Reduto dos pescadores


74

Setor náutico em evidência

104

Patrimônios bertioguenses

80

Obras mudam ares da cidade

108

A nova cara do Legislativo

90

Perspectivas do pré-sal

110

Entrevista Mauro Orlandini

92

Só prejuízos, sem os royalties

114

Imagens

Excelência em empreendimentos

118

Perfil da cidade

94

Riviera de São Lourenço, imprescindível

Foto Marcos Pertinhes

Foto Aline Pazin

100

Perfeita para os amantes dos esportes

120


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Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2013 · • · Edição especial de emancipação: Bertioga 22 anos


Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2013 · • · Edição especial de emancipação: Bertioga 22 anos

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Gente nossa

A cidade cresce... Com uma população de mais de 50 mil habitantes, Bertioga tem no comércio e na prestação de serviços suas maiores fontes de geração de emprego e renda Por Eleni Nogueira

A população economicamente ativa de Bertioga é de 25.368 pessoas. Os empregos formais somam 10.405

Já pegou trânsito hoje? Uma pergunta que ainda parece distante para os moradores de Bertioga pode, em breve, tornar-se corriqueira, a exemplo de outras cidades da região. Já é notável o aumento da frota de veículos nas ruas, composta, segundo dados do Ministério das Cidades - Departamento Nacional de Trânsito - Denatran (2012), por 8.583 veículos e 4.264 motocicletas. Sem contar os ônibus, as motonetas, os utilitários... O vaivém apressado de pessoas pelas ruas, o movimento no comércio e as filas nos supermercados, mesmo fora dos períodos de temporada, evidenciam um aumento da população fixa, bem acima dos 47.645, registrados pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Geografia - IBGE, na contagem populacional de

2010. A Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados - Seade, aponta uma população de 50.583 (2012). Bertioga foi a cidade que mais cresceu na Baixada Santista em dez anos. Segundo o IBGE, o município aumentou sua população em 59%, entre 2000 e 2010. Além dos nascimentos locais, pessoas vindas de várias regiões do país, que escolheram a cidade para viver, para investir e se desenvolver. Segundo a diretoria municipal de Trabalho e Renda, a população de Bertioga economicamente ativa é de 25.368 pessoas, sendo 14.330 homens e 11.038 mulheres. Desse total, 11.067 não contam com instrução ou possuem apenas o ensino fundamental incompleto. Assim, graças ao empenho de uma população que cresce vertiginosamente, a ca-

Foto Marcos Pertinhes

·• Avenida 19 de Maio, principal acesso à cidade e cartão de visita de novos tempos •·

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Fotos Aline Pazin

·• Segundo o IBGE, o município aumentou sua população em 59%, entre 2000 e 2010 •·

valho II e 25 na unidade do Indaiá. Para atender toda a demanda de crescimento populacional e acompanhar o desenvolvimento regional, vê-se na cidade uma série de investimentos públicos e privados, voltados para a construção civil, saneamento, macro e microdrenagem e mobilidade urbana, que prometem mudar a cara da cidade e a qualidade de vida de seus moradores e visitantes em poucos anos.

Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2013 · • · Edição especial de emancipação: Bertioga 22 anos

·• Pelas ruas já circula uma frota de mais de 8.5 mil veículos e de 4 mil motocicletas •· Foto Aline Pazin

çula do litoral aos poucos ganha ares mais urbanos, e já conta com uma expressiva rede comercial e de prestadores de serviços. Tanto que, atualmente, estes são os setores que mais geram empregos formais na cidade. Segundo a diretoria de Emprego e Renda, em Bertioga existem 2.324 estabelecimentos, que contratam pelo menos um funcionário. São 10.405 empregos formais (dados de janeiro/2013). A média de geração de empregos em 2012 em Bertioga, ainda segundo informações da diretoria, foi de 421, enquanto que na microrregião (Baixada Santista), esse número foi negativo em 1.665. Bertioga é a segunda da Baixada Santista em geração de postos de trabalho, perdendo apenas para Guarujá que, no mesmo período, gerou 560 vagas. Diariamente, chega gente nova na cidade; pessoas atraídas pela boa qualidade de vida que aqui se desfruta. Mas, assim como chegam investidores e pessoas com boas condições financeiras, por outro lado, a cidade também atrai uma população menos privilegiada, que busca seu espaço nesta nova cidade. Um dado que referenda esta movimentação é do Centro de Referência e Assistencial Social Cras. O órgão aponta uma média mensal de novos cadastramentos no programa Bolsa Família, do governo federal, de 45, sendo 20, na unidade de Vicente de Car-

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Desenvolvimento

A hora certa

para empreender

Franquias nacionais e internacionais de grande porte, expansão do comércio local e diferentes modelos de negócio ganham espaço e representam um passo à frente no progresso da cidade. Aos visionários, o momento é de ousar Por Mayumi Kitamura

·• Aposta de franquia de chocolataria na cidade deu certo •·

Nomes conhecidos como Hering, Colombo, Cacau Show e Subway hoje fazem parte do cotidiano dos moradores da cidade.Sinais de desenvolvimento

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A mitologia grega conta que, todo viajante, ao se aproximar da esfinge de Tebas, ouvia dela as palavras enigmáticas: “Decifra-me ou devoro-te!”. No mundo dos negócios, quem inicia um empreendimento sem um plano definido, corre o risco de ser devorado pelo fracasso, assim como os viajantes do mito. Aqueles que decifraram o enigma da esfinge dos negócios apostam na chegada do momento ideal para investir em Bertioga. A mudança já é visível nas fachadas de lojas como Hering, Colombo, Cacau Show, Subway... Se antes eram nomes conhecidos, mas distantes da realidade dos moradores da cida-

de, hoje fazem parte do cotidiano. Trata-se de um dos sinais de desenvolvimento, uma vez que, as grandes franquias só se instalam numa localidade mediante garantia de uma série de requisitos, entre eles, um retorno promissor. Contudo, a implantação de um negócio depende, além de condições pré-estabelecidas e de um planejamento, de uma boa dose de talento para o comércio. O espírito empreendedor de Gustavo Bandeira de Carvalho, 36 anos, surgiu com a ideia da instalação de uma unidade da chocolataria Cacau Show, em Bertioga. Ele largou seu emprego em São Paulo, onde atuava na área fi-

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Fotos Aline Pazin

·• Nubia Cota investiu na ideia de venda itinerante de roupas •·

nanceira, e aportou na cidade para investir na franquia. Gustavo disse que o contato com o município é de longa data, uma vez que seus pais possuíam casa na Riviera de São Lourenço. “Eu tinha o sonho de ter meu negócio. Sempre quis trabalhar com a Cacau Show, e foi uma coisa muito bacana, de Deus mesmo, porque no estado de São Paulo havia poucas cidades habilitadas, enquanto Bertioga estava em aberto”. Na época, Gustavo ainda trabalhava na capital e, apesar de ainda não possuir os recursos necessários, já procurava um ponto para a abertura da unidade, sempre que vinha ao município. O ponto enfim escolhido, aliás, nem estava disponível, mas Gustavo conversou com o antigo proprietário e conseguiu dar o passo decisivo para abandonar a vida de empregado e se tornar um empregador. Depois do doce e agradável resultado obtido com a franquia de chocolates, Gustavo não parou mais. Em parceria com seu irmão Fernando, 38, ele abriu a franquia da Subway e não tem motivo para arrependimentos. “A receptividade foi muito boa. A marca é muito forte no Brasil e, para o tamanho da cidade, a unidade está indo muito bem, até acima da média

do mercado brasileiro por número de habitantes”, contou. Ele revelou que a expectativa de mercado em Bertioga ultrapassou de 10% a 15% em relação às unidades da lanchonete em cidades com 50 mil habitantes. O desempenho além do esperado reflete o momento pelo qual Bertioga está passando, acredita o empresário, formado em administração. “Se cabe uma Subway aqui, quer dizer que a cidade está se desenvolvendo, se preparando para o futuro. Para a abertura da unidade, com certeza o franqueador possui uma projeção otimista. Eles verificam muito isso, se certificam, anteriormente, de que o novo ponto tem tudo para dar certo no local”, disse. O arquiteto Ney Lyra, cujos pais participaram do movimento de emancipação político-administrativa da cidade, é cliente assíduo da Cacau Show e, entre um docinho e outro, fala da importância da vinda de empreendimentos deste porte para a cidade: “O mercado está crescendo, principalmente, na avenida Anchieta, que tem uma visibilidade comercial boa. Estas franquias geram empregos, geram renda e eu acho que o município deve, inclusive, incentivar para que mais investidores venham para Bertioga.”

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·• Gustavo Bandeira: “Se cabe uma Subway aqui, quer dizer que a cidade está se desenvolvendo, se preparando para o futuro”. •·

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Fotos Aline Pazin

Desenvolvimento

·• Expectativa de mercado em Bertioga ultrapassou de 10% a 15% em relação às unidades da lanchonete Subway em cidades com 50 mil habitantes •·

Caso de sucesso

·• O jovem empreendedor Eduardo Sarack, da rede Varanda •·

16

Quando José Luiz faleceu, o res-

Os negócios locais também têm

taurante foi vendido. Eduardo traba-

ganhado destaque e conquistado o

lhou na capital, mas retornou à Ber-

mercado paulista, a exemplo da rede

tioga, onde montou o Varanda, res-

Varanda. Seus proprietários montaram

taurante e delivery de pizza e esfiha. A

a própria franquia, atualmente instala-

primeira franquia surgiu em dezembro

da em várias cidades do estado de São

de 2011, em São José dos Campos e,

Paulo. Eduardo Sarack, hoje com 32

desde então, o empresário não parou

anos, começou cedo sua vivência com

mais. Quem vai para São Bernardo,

o comércio, iniciada por intermédio

Mogi das Cruzes e, até, para a capital,

de seu pai José Luiz Jardim do Nas-

pode contar com os serviços do Va-

cimento, falecido em 2004. Em 1996,

randa, por meio de suas franquias. Em

ele inaugurou a primeira vídeo-loca-

Bertioga, suas unidades são responsá-

dora do município, a Sea Vídeo, com

veis pelo emprego de 43 funcionários

a qual ofereceu mais um divertimento

e, somente na unidade do centro da

aos amantes da Sétima Arte. “Quan-

cidade, passam mensalmente cerca de

do chegaram o DVD e a TV por cabo,

cinco mil pessoas.

começou a diminuir a locação de fi-

Questionado sobre o motivo de es-

tas, então meu pai colocou um forno

colher o município para empreender,

de pizza dentro da locadora. Com o

Eduardo responde, convicto: “A ci-

tempo, a gente percebeu que a pizza

dade promete. Estamos bem no meio

estava indo melhor do que as loca-

do desenvolvimento, e quem já estiver

ções. Posteriormente, meu pai agre-

bem estruturado é quem vai ganhar a

gou a esfiha e, na Sea Vídeo da aveni-

maior fatia. Quem estiver pensando

da Anchieta, começou a vender muito

em abrir um negócio ainda vai deixar a

mais”, contou Eduardo.

oportunidade passar”.

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Mais que um diploma, a sua formação.


Desenvolvimento

“A cidade está mudando. Eu acho que as obras de reurbanização estão colaborando para movimentar o comércio, além, sem dúvida, da construção de novos prédios” Sonia Maria Nogueira Galvão, da Blue Night Decorações

Atendimento personalizado Inspirada por um exemplo de empreendedorismo exibido em um programa televisivo, Nubia Cota teve a ideia de iniciar a venda itinerante de roupas com o auxílio de uma van, dotada, inclusive, de provadores em seu interior. Antes disso, ela já possuía uma clientela por ter iniciado a atividade como sacoleira. “Permaneci desta forma por cerca de dois anos, mas, na época, a minha vontade era montar uma loja. Porém, aqui eu vejo que as pessoas procuram por sacoleiras, gostam deste contato maior. Eu acho que é um pensamento de cidade do interior”, comentou. As vendas com o veículo da NúVest iniciaram há quase dois anos, mas Nubia fez um planejamento prévio de seis meses, com a orientação do Sebrae, para a implantação deste sistema de comercialização. Com tudo pronto, ela trabalhou por um ano. Mas, ao fim da temporada, sofreu um acidente de trânsito que atrapalhou seus negócios. “O acidente não me trouxe muitos prejuízos porque o carro estava vazio, mas fiquei parada por sete meses. O comércio, que começava a dar lucro, já que o investimento foi muito alto, teve que

ser temporariamente interrompido por três meses”. Mas nem tudo na vida são espinhos e, assim que Nubia retornou à ativa, seu comércio teve uma intensa procura pelos antigos clientes. O atendimento personalizado cria um vínculo entre o cliente e o vendedor, por isso, é demorado e restringe o número de atendimentos diários, mas também tem seu lado positivo em relação a um ponto fixo. “Em uma loja, se entrar cliente vende, se não entrar, não, mas na loja com rodas eu vou até a pessoa. Por isso, dá para atender com mais frequência”. Além disso, a experiente Nubia ajuda os clientes, atuando também como consultora de moda. “Eu entendo bem do que eu faço, e as pessoas perguntam e confiam nos meus conselhos. Quando não está de acordo com o gosto, ofereço outras opções que combinem”, revelou. Para a empresária, os principais problemas para o seu negócio são as ruas esburacadas, que causam avarias no veículo, e o valor do alvará, até três vezes mais caro do que o de uma loja física. Mesmo assim, Nubia comemora o resultado de seu serviço, que fideliza a clientela. “Uma pessoa bem atendida

Foto Aline Pazin

·• Rede de comércios e serviços tem crescido na cidade •·

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vai ser sempre sua cliente”, finalizou. A gerente administrativa Fabiene Risolda dos Santos Irschlinger, 38, é cliente da NúVest há aproximadamente um ano e meio e confessou não abrir mão da comodidade e do atendimento proporcionado. “É excelente! Imagine, você está em casa e quando precisa é só chamar que ela vem. É tudo de bom, não tem serviço melhor, além disso, garante muito mais conforto”, comentou a moradora do bairro Maitinga. A proprietária da Sistemas & Soluções Consultoria em Informática Patrícia Faustino dos Santos é de Guarujá e também apostou suas fichas ao abrir uma loja na avenida 19 de Maio. Entre os serviços prestados pela empresa, está o de automação comercial, que visa diminuir despesas e implantar sistemas de controle operacional. Mas, encon-

tra dificuldades no momento. “Vim para Bertioga para aproveitar o crescimento da cidade, e tem uns dois anos que estamos aqui. Eu sou corajosa, porque, se não fosse, já teria fechado”. Ela comentou que o principal problema está na mentalidade dos moradores de que, em Bertioga, tudo é mais caro. A comerciante Sonia Maria Nogueira Galvão, também com comércio na avenida 19 de Maio, teve suas esperanças renovadas, recentemente. Há 18 anos no mesmo ponto, com a casa Blue Night Decorações, a perspectiva causada pela vinda de novos empreendimentos é animadora. “A cidade está mudando. Antigamente, poucas pessoas passavam pela avenida, e eu acho que as obras de reurbanização estão colaborando para movimentar o comércio, além, sem dúvida, da construção de novos prédios”, comentou.

Foto Aline Pazin

·• Rede Varanda nasceu em Bertioga e atualmente tem sua própria franquia, instalada em várias cidades do estado de São Paulo •·

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Desenvolvimento

Foto Aline Pazin

·• Camisaria Colombo foi inaugurada no município há um ano •·

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A abertura de um negócio carrega sua parte de desafio e paciência para posterior júbilo, mas tudo faz parte de um processo que exige planejamento. Em 2012, a cidade contava com 4.500 empresas ativas e, neste ano, este número caiu para 3.711. Mesmo sendo considerado por muitos como o momento certo para investir na cidade, não se pode pular etapas para a implantação do negócio. Para colaborar, o empreendedor conta com a ajuda de entidades como o Sebrae. Dificuldades sempre há, como a falta de comprometimento de funcionários, altas taxas, entre outros, mas os problemas surgem e, para se alcançar o sucesso, é necessário contorná-los da melhor maneira possível. Parafraseando Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, que revolucionou os transportes e a indústria dos Estados Unidos: “Há um punhado de homens que conseguem enriquecer simplesmente porque prestam atenção aos pormenores que a maioria despreza”.

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Com um excelente corpo docente e proposta de ensino arrojada e criativa, o Colégio Metodista oferece aos seus alunos atividades científicas, culturais, sociais e esportivas que tem por objetivo desenvolver a construção de autonomia, autoria, conhecimentos e valores. Formar alunos e cidadãos que façam a diferença, esse é o nosso diferencial.

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Somar esforços, dividir conhecimentos e multiplicar oportunidades BERTIOGA, AO COMPLETAR 22 ANOS DE EMANCIPAÇÃO, ATINGE UMA MATURIDADE QUE SÓ PODE SER OBTIDA COM O PASSAR DOS ANOS A PARTIR DE VIVÊNCIAS PRÁTICAS QUE TRAZEM EXPERIÊNCIA, APRENDIZADO E CONHECIMENTO ACUMULADO. PARABÉNS BERTIOGA E A TODAS AS PESSOAS E INSTITUIÇÕES QUE CONTRIBUÍRAM E CONTRIBUEM COM SEU DESENVOLVIMENTO.

O desafio para Bertioga nos próximos anos é conciliar

escassa porção do território ainda disponível para a

a proteção ao patrimônio natural, composto por Par-

expansão urbana?

ques Estaduais, Reserva Indígena, RPPNs – Reservas Particulares do Patrimônio Natural, Parque Municipal

O resultado final dessa equação deve ser uma cidade

e APA Marinha, que correspondem a quase 90% de seu

socialmente justa, ambientalmente sustentável, eco-

território, com a geração de empregos e fortalecimen-

nomicamente forte, agradável para o morador e atra-

to do orçamento público para garantir direitos funda-

tiva para o turista.

mentais para a sua população, ou seja, bons sistemas de saúde, educação, saneamento básico, habitação, la-

Após 22 anos de emancipação, experiências acumula-

zer e mobilidade urbana.

das, conhecimento adquirido e fortalecimento dos vínculos, a sociedade bertioguense está preparada e madu-

O primeiro aspecto do desafio citado acima é: Como

ra para chegar a um resultado positivo nessa equação.

as áreas ambientalmente protegidas podem contribuir com o desenvolvimento de Bertioga? Outro pon-

Estamos e estaremos juntos somando esforços, divi-

to importante é: Como ocupar de forma qualificada a

dindo conhecimentos e multiplicando oportunidades.

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Gente nossa

A música movimenta

e interliga Bertioga

Disponível a quem queira, ela soa em todos os quadrantes da cidade. Une as pessoas e aponta um caminho cultural para seus moradores Por Eleni Nogueira

ONG Boraceia Viva A entidade possui todos os instrumentos de uma banda marcial, mas as atividades estão suspensas por falta de professor, segundo a coordenadora Janaina Galdino. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (13) 3312 1941.

Nove horas semanais dedicadas a aulas de música, de segunda a domingo - tendo apenas as quintas-feiras livres. Esta é a rotina da pequena Vivian Akemi de Moura Aikawa, 12 anos, aluna do curso de violino em três entidades da cidade. Como ela, mais de 800 pessoas estão envolvidas com música, em Bertioga, um movimento que não para de crescer e busca por mais espaço. Noite de quarta-feira, 24 de abril. Estamos no salão cultural da igreja de

Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias para acompanhar o ensaio de parte dos integrantes da Orquestra Acica, com instrumentos de sopro e corda, além do cajón (percussão). Em uma sala pequena, 15 músicos, com idade entre 10 e 40 anos, iniciam os primeiros acordes e, de repente, o ambiente se enche de melodia. Eles tocam New York, New York, consagrada por Frank Sinatra, em seguida a 9ª Sinfonia, de Beethoven. O ensaio não para, e quan-

Foto Divulgação/Fundação 10 de Agosto

·• Alunos do curso de música da Fundação 10 de Agosto •·

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Fotos Aline Pazin

do tocam Eye of the Tiger, um single da banda de rock Survivo, sente-se a intensidade de cada nota expressa no rosto e no corpo dos músicos - cada qual concentrado no ritmo de seu instrumento - e, juntos, provocam uma emoção que toca a alma. Entendo o significado de tanta paixão. Entre os músicos da noite, Pablo Henrique Mendes Nehmer, 14 anos. Ele toca flauta transversal há quatro anos, e já tem uma certeza: “Vou fazer bacharelado em música”. Pablo estuda teoria musical na Fundação 10 de Agosto, na Riviera de São Lourenço, e integra duas orquestras - a Fundação 10 de Agosto e a Acica (Associação Cultural Internacional da Criança e Adolescente). Assim é: os músicos circulam pelos grupos, e o que aprendem em um, multiplicam no outro, em uma corrente que reforça o desejo de criar uma orquestra ou uma sinfônica oficial na cidade. A Acica possui dois polos, um na ChácaraVista Linda, com aulas de iniciação musical, música e clarinete, para crianças e adolescentes e, outro, de flauta doce, para crianças de 6 a 10 anos. Os ensaios da orquestra, com 25 membros, acontecem em espaço cedido pela igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, na Vila Tamoios. “O objetivo é fortalecer o trabalho de música na cidade. Nos adolescentes a música supera as expectativas”, diz

·• Ensaio da Orquestra Acica, no salão social da igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias •·

Gisele Gonzaga, coordenadora pedagógica da Orquestra Acica. Edson Souza Borges, professor de música e maestro da orquestra Petra, do Projeto Artis, que mantém cursos de música e orquestra na sede da igreja Rocha Eterna, no Jardim Albatroz, também acredita na música como forte aliada dos adolescentes e jovens. “A música desenvolve a sensibilidade, socializa. A orquestra simboliza a união de instrumentos e une as pessoas. Ajuda também na disciplina, pois ensina a respeitar o tempo do outro”. Os adolescentes Deivid Marcus Carvalho Deodato, 14 anos, (saxofonista), Leandro Pereira, 17, (violoncelista) e Priscila Jorge Gonçalves, 16,

·• Leandro Pereira e Priscila Jorge, talento e dedicação •·

(tecladista e flautista), moradores da ChácaraVista Linda, cristalizam estes Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2013 · • · Edição especial de emancipação: Bertioga 22 anos

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Gente nossa

Foto Divulgação/Ong Onda Sonora

·• O coral da Ong Onda Sonora já ultrapassa fronteiras •·

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pensamentos. Deivid diz: “Dedicar-se é muito bom. Estudo música três horas por dia. É importante porque ocupa a mente da gente”. Leandro afirma que a música é um projeto em sua vida. “Eu sempre quis me encaixar nela e resolvi estudar e me aprofundar no assunto. Estou atingindo meus objetivos”. Priscila, por sua vez, estuda música há seis anos na Fundação 10 de Agosto, e já atua como monitora no curso de musicalização infantil de flauta doce da Acica. Um aprendizado notável em sua linha de pensamento: “A música é necessária para o ser humano. Ela tira as crianças da rua e ocupa a mente com coisas boas. A gente vai crescendo e expandindo o conhecimento sobre ela. É muito bom”. A primeira orquestra de Bertioga foi a da Fundação 10 de Agosto, criada em 1996, na Riviera de São Lourenço. Atualmente, a entidade mantém 329 alunos nos cursos de pré-musicalização I e II, musicalização

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I, II e III, teoria musical iniciante, intermediário e avançado, violino, viola, violoncelo, clarinete, saxofone, percussão, violão, flauta transversal, canto coral, teclado, orquestra A e orquestra B. Os cursos têm duração de três anos, e atendem crianças, jovens e adolescentes de cinco a 18 anos. O maestro Joel Gonzaga, das orquestras Fundação 10 de Agosto e Acica, é otimista: “Daqui há uns dois anos, Bertioga terá uma boa representatividade no cenário musical. Temos cinco orquestras na cidade, e o objetivo é a união dos músicos em torno de uma filarmônica”. A Associação Civil Cidadania Brasil (ACCB), entidade prestadora de serviços para a prefeitura, mantém cursos de música no Centro Cultural, na Praia da Enseada, e no Espaço Cidadão, em Boraceia. Ao todo, são

365 alunos, distribuídos em aulas dos mais diversos instrumentos e das mais variadas idades. A orquestra é formada por 40 membros dos dois polos. O coordenador dos cursos e maestro Moises Inácio diz: “A música está bem forte na cidade. As crianças precisam disso, de música gratuita ao alcance. Elas vão encontrar a cidadania por meio desse movimento”. O maestro Willians Costa Paulinio é responsável por dois grupos em Boraceia: o polo de música da ACCB e a Orquestra Nipo-Brasileira, da igreja Assembleia de Deus, com um total de 57 alunos. Ele diz que os dois grupos se completam, assim como acontece em toda a cidade. Willians ressalta o primeiro trabalho de música em bairro distante do centro, semeado pela ONG Boraceia Viva, e que hoje mantém aulas

Foto Aline Pazin

·• Depois de cursar música durante seis anos, na Fundação 10 de Agosto, Priscila já é monitora •·

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Para ver Próximas apresentações de orquestras da cidade

Foto Aline Pazin

Gente nossa

·• Geraldo Neves, Miguel Aleni e Salvador Lopes frequentam as aulas de violão da ACCB •·

Fundação 10 de Agosto: 19 de maio Apresentação desfile cívico de Bertioga 15 de junho Apresentação no Riviera Shopping 19 de julho Apresentação no arraial da Riviera Acica 22 de maio Apresentação no quiosque do Pastel de Bertioga, na entrada da cidade, a partir das 20h00, como parte do projeto Musicom - Música no Comércio.

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de violão e violino para 45 crianças. Admirador desta arte, ele diz que a música vai além da função de tirar as crianças da ociosidade. “Ela mostra um novo caminho e a possibilidade de uma profissão ligada à divulgação da música clássica. Hoje, eu sustento minha família com a música. O papel do músico é muito importante na sociedade, e é possível viver da música de diversas maneiras”. Aulas de iniciação musical, coral, instrumentos de corda e sopro, estão

disponíveis ao aprendizado de crianças, jovens, adultos e idosos em vários cantos da cidade, seja em espaços cedidos por igrejas, ou em salas alugadas, prédios públicos ou sede própria. No Jardim Rio da Praia, visitamos as instalações da ONG Onda Sonora, entidade criada em 2007, onde há aulas de iniciação musical para crianças a partir de cinco anos, e um coral, com 25 integrantes, já consagrado na cidade. Sua mais recente apresentação foi na Argentina, durante o 2º

Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2013 · • · Edição especial de emancipação: Bertioga 22 anos


·• Orquestra Acica durante apresentação do projeto Musicom, no restaurante Varanda •· Foto Dirceu Mathias

Festival Internacional de Corais Três Fronteiras (Brasil, Paraguai e Argentina), dias 17, 18 e 19 deste mês. O casal Cristina Rodrigues e Jorge Raimundo, fundadores da entidade, defende a música como instrumento de formação de cidadãos. “O gosto pela música, a concentração. Tudo isso ajuda na escola e na vida”, diz Jorge. Não são apenas crianças, adolescentes e jovens no cenário musical da cidade. No curso de violão da ACCB, encontramos três representantes da terceira idade. Na arejada sala fronteiriça ao mar, Geraldo Neves, 63 anos, Salvador Lopes, 82, e Miguel Aleni, 83, realizam uma das melhores terapias, o tocar e cantar. Depois dos acordes de Aline! Estou aqui, de João Mineiro e Marciano, eles falam sobre esse prazer. “Tocar é a realização de um sonho. Hoje eu posso fazer o que gosto, aprender a tocar e cantar. Nada melhor para se distrair e participar de uma roda de amigos”, afirma Geraldo Neves. Miguel Aleni diz: “O gosto

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Gente nossa

Agenda Orquestra Fundação 10 de Agosto Riviera de São Lourenço

pela música me trouxe até aqui. É um momento de muita alegria, felicidade e entretenimento. Quando estou aqui, me esqueço dos problemas. Tudo de bom nessa vida”. Salvador Lopes não é de muitas palavras, apenas sorri e

acena com a cabeça, em sinal de que concorda com os efeitos da música sobre o ser humano. Como disse Miguel de Cervantes Saavedra (autor de Dom Quixote): “Onde há música, não pode haver coisa má”.

(13) 3316 7344 Orquestra ACCB Centro e Boraceia Orquestra Acica ChácaraVista Linda e centro (13) 3317 2178 Orquestra Nipo-brasileira

·• Ensaio da Orquestra Petra, na igreja Rocha Eterna •· Foto Aline Pazin

(13) 3317 6004 | (13) 3312 5590

Boraceia - (13) 3312 5590

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Praias, trilhas, restaurantes, Pastelarias, bares, agitos. Mas o Melhor lugar para coMeMorar os 22 anos de eMancipação de Bertioga é na casa da gente.

A CDHU parabeniza Bertioga pelo seu aniversário de emancipação e seu crescente desenvolvimento. Temos orgulho de fazer parte dessa história por meio da construção de moradias e da urbanização do bairro Vicente de Carvalho. A população de Bertioga merece viver bem, com toda a dignidade. Esse é o trabalho da CDHU. Parabéns, Bertioga.


Gente nossa

Geração

mochileira

Universitários optam por morar em Bertioga, apesar de estudarem em cidades vizinhas como Santos, Guarujá e Mogi das Cruzes

Foto Aline Pazin

Por Antonio Pereira

Suas idades variam entre 17 e 25 anos e dividem opinião quando o assunto é escolher uma universidade. Há os que optam por mudar-se de cidade, mas uma boa parcela dos universitários bertioguenses ainda prefere continuar na caçula do litoral paulista. A partir daí a dúvida é outra: estudar na Faculdade Bertioga (Fabe) ou encarar a estrada rumo às cidades vizinhas em ônibus fretados pela Associação dos Estudantes Técnicos e Universitários (Aetub).

Para o coordenador pedagógico da Fabe, Pedro Menezes, a tendência é de que mais estudantes fiquem na cidade: “Estou há quatro anos trabalhando na Fabe, e vejo um crescimento ordenado em todos os cursos. Hoje temos bons conceitos, atribuídos pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) para todos os cursos oferecidos: pedagogia, direito, administração e turismo (ênfase em hotelaria), e queremos acres-

·• Vinicius Martins Siqueira cursa o primeiro ano de engenharia civil na Unisanta, em Santos •·

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com excelentes professores”, conta ele, que pretende cursar uma pós-graduação em gestão empresarial e, no futuro, transformar o trailer de lanches da família em uma boa lanchonete. Já Vinicius Martins Siqueira, 17 anos, associado da Aetub, cursa o primeiro ano de engenharia civil na Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos, mas não se arrepende da escolha. “A Unisanta hoje é uma referência em engenharia, portanto, tenho certeza que, dentro da realidade que tenho, fiz a melhor escolha”. Ele passa três horas por dia dentro de um ônibus, e espera que, dentro de cinco anos, esteja formado e empregado na área, dentro ou fora de Bertioga.

Foto Aline Pazin

centar quatro cursos de pós-graduação já no próximo ano”. Pedro deixou, em meados de 2008, a Faculdade Dom Domênico, em Guarujá, para apostar em Bertioga, e agora estuda a possibilidade de comprar uma casa na cidade e mudar-se de vez. Empolgação semelhante manifesta-se em muitos alunos, caso de Kleber Henrique da Silva, 19 anos, estudante do quinto semestre de administração. Ele optou por estudar na cidade após ouvir, e refletir, a respeito de críticas e elogios referentes à faculdade local. “Eu criei um bom conceito sobre a Fabe. Além de ser a melhor escolha por conta da localização, a faculdade tem uma boa estrutura,

·• Atualmente, 476 estudantes, maioria

Fabe Instituída oficialmente na cidade em 2003, a Faculdade Bertioga (Fabe) oferece os cur-

do curso de engenharia civil, utilizam o transporte universitário com destino a Santos, Guarujá e Mogi das Cruzes •·

sos de administração, pedagogia, direito e turismo (com ênfase em hotelaria), todos reconhecidos pelo MEC. Para o próximo ano, serão incluídos pós-graduação em inclusão, psicopedagogia, línguas/literatura, e gestão empresarial. No final de 2012, a instituição teve o maior percentual da região, referente aos alunos de direito aprovados no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com 50% dos inscritos.

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Gente nossa

Aetub A Associação dos Estudantes Técnicos e Universitários de Bertioga (Aetub) foi fundada em 1999 com o intuito de facilitar o acesso dos estudantes bertioguenses às universidades das cidades vizinhas (Guarujá, Santos e Mogi das Cruzes), por meio de fretamento de ônibus, uma vez que, em Bertioga, na época, ainda não existia uma faculdade. Desde a criação da associação, pelo menos três mil estudantes já usufruíram o benefício. Atualmente, são 476 associados, distribuídos em 11 ônibus, sendo que a maioria estuda engenharia civil. Até o final deste ano, a associação espera instalar uma linha de transporte local, exclusiva para os alunos da Fabe e escolas técnicas.

·• Pedro Menezes acredita na

tendência de que mais estudantes fiquem na cidade. Acima, Kleber Henrique, estudante do quinto semestre de administração, da Fabe •·

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Outro estudante que compartilha a opinião de Siqueira é André Ferreira Mathias dos Santos, porém, diz que poderia estudar em Bertioga caso a faculdade local oferecesse o curso escolhido. “Faço educação física e poderia estudar em Bertioga, tranquilamente, caso o curso existisse na cidade. Como não havia essa possibilidade, optei por Santos”. André tem 22 anos e cursa o terceiro semestre, mas teme que o mercado de trabalho em Bertioga não lhe dê as oportunidades almejadas, o que implicaria mudar de cidade. Associados da Aetub, que cursam matérias não existentes na Fabe, têm direito a um repasse de verba de 100%, destinado exclusivamente ao pagamento de transporte, o que não acontece com os demais estudantes que optam por estudar direito, pedagogia, turismo ou administração em outras instituições, devido a um acordo entre a prefeitura e a Fabe. Segundo a vereadora Valéria Bento (PMDB), tal discriminação interfere no direito de livre escolha dos estudantes e, por isso, os contratos entre Aetub, prefeitura e Fabe devem ser revistos e refeitos.

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Meio ambiente

Perb

muita vida, pouca visitação

O Parque Estadual Restinga de Bertioga, instituído há dois anos, continua sem atribuições definidas por falta de um Plano de Manejo, o que impede que ele seja usufruído pela população Por Marina Aguiar

Foto Marcos Pertinhes

·• Canto da praia de Itaguaré, na divisa com São Lourenço •·

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O Parque Estadual Restinga Bertioga (Perb), instituído em dezembro de 2010, possui uma área de nove mil hectares, que abrange praticamente toda a extensão da cidade. Como proteger este bem e, ao mesmo tempo, criar oportunidades de emprego e renda para a comunidade bertioguense é a questão atual, já que, passados dois anos desde a sua instituição, o parque ainda não conta com o Plano de Manejo, instrumento que funciona como um plano diretor da área, pois define o que vai ser feito no local e como será feito, a exemplo do uso turístico. O prazo para se definir o documento é de cinco anos. As discussões relacionadas ao projeto estendem-se há meses e o gestor do Perb, Carlos Sérgio dos Santos, sinaliza no sentido de que ele seja finalizado no primeiro semestre de 2014. Isto porque o Termo de Referência (documento que descreve bens necessários para Unidade de Conservação, como veículos, móveis e objetos) deve ficar pronto ainda no atual semestre, o que dá condições

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de meio ambiente, e o nomeou representante

fazer parte da história ambiental de Bertioga.

do litoral norte nas reuniões sobre o zoneamen-

Formou-se em engenharia civil em São Paulo,

to costeiro. Ainda na prefeitura, o engenheiro

e veio para a cidade bem jovem, quando a ci-

foi o primeiro membro do Conselho de Desen-

dade ainda era distrito de Santos. Aqui traba-

volvimento do Meio Ambiente (Condema).

lhou na Secretaria de Governo do município,

Após trabalhar em alguns projetos da Sa-

quando foi criada a primeira diretoria de Meio

besp (Companhia de Saneamento Básico do Es-

Ambiente, como parte da Secretaria de Plane-

tado de São Paulo), Carlos foi convidado para

jamento e Obras, em 1994.

o cargo de gestor do Parque Estadual Restinga

Bolívar Barbanti Junior, atual diretor de

Bertioga (Perb). Hoje, ele atua, também, como

operações ambientais, foi seu primeiro diretor

gestor do Pesm (Parque Estadual Serra do Mar).

Fotos Marcos Pertinhes

para a execução do Plano de Manejo. A visita monitorada em áreas específicas do parque pode futuramente se tornar uma das fontes de renda geradas pela área, desde que prevista no Plano de Manejo. “Tivemos uma corrida de aventura há dois meses, da empresa Chauás. Os competidores passaram por áreas do parque. Mas um projeto foi apresentado para isso”, informou o gestor. Santos diz que, se a visitação for prevista no Plano de Manejo, deverá ser conduzida por um monitor ambiental. Os monitores contratados pela gestão do parque deverão ter curso superior nas áreas de gestão ambiental, biologia e/ou engenharia ambiental. O gestor lembra que, o mais comum, são agências de turismo realizarem essa terceirização e venderem pacotes para turistas. Dessa forma, o monitor será adequado ao tipo de público. Outra possibilidade de geração de emprego e renda na área seria por meio da instalação de hotéis sustentáveis, ou hotéis de selva, muito difundidos em regiões preservadas, como Pantanal, no Mato Grosso, e Amazônia. Carlos afirma que a lei já permite este tipo de implantação em Unidades de Conservação (UC) no estado de São Paulo, mas ainda não há interesse de empresas em investir

Carlos Sérgio dos Santos nunca imaginou

·• Fauna e flora preservadas e disponíveis para apreciação •·

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Foto Marina Aguiar

Uma possibilidade de geração de emprego e renda na área seria a instalação de hotéis sustentáveis, ou hotéis de selva, muito difundidos em regiões preservadas, como Pantanal, no Mato Grosso, e Amazônia

Foto Marcos Pertinhes

Meio ambiente

·• Rio Guaratuba, uma das regiões abraçadas pelo Perb •·

neste ramo em Bertioga. Segundo ele, como a cidade é litorânea, os turistas são atraídos pelas praias. “Pode haver exceções na área que abrange a praia de Itaguaré, mas, por enquanto, não é uma realidade”, declara. Sobre o perfil de atração do Perb, atualmente, Carlos diz: “É mais provável que o público se interesse em fazer visitas curtas, ir a uma cachoeira, fazer uma trilha, apenas isso”. Segundo o gestor, hoje, quem se beneficia

Os interessados em visitar o parque para qualquer fim devem entrar em contato com a sede do Perb, na rua Capitão Morais, 170, Vila Tamoios, em Bertioga, ou pelo telefone: (13) 3317 1826.

da existência de um parque são os hotéis que estão de fora. “Isso gera renda para a cidade”.

·• O engenheiro Carlos Sérgio, gestor do parque •·

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®

Há 34 anos fazendo parte da história de Bertioga

Foto: ilustrativa

Fotos: Riviera de São Lourenço

A

presentado em 1979 pela Sobloco, o Plano Urbanístico da Riviera de São Lourenço era, naquela época, uma proposta inovadora e ambiciosa. Hoje, 34 anos se passaram e a Riviera tornou-se uma referência no segmento do desenvolvimento urbano sustentável, reconhecida nacional e internacionalmente.

A Riviera é hoje, fonte de emprego e renda para milhares de pessoas, além de responder por grande parte da arrecadação tributária do município. Sua praia, sempre limpa, é fruto de um sistema de saneamento básico exemplar, que atende 100% de seus usuários. Suas áreas verdes somam mais de 2,6 milhões de m2, o que equivale a soma dos parques do Ibirapuera, Povo, Burle Marx e Villa Lobos, em São Paulo. A Riviera é grande parceira do município na conquista do Selo Verde Azul, conferido pelo Governo do Estado de São Paulo. A Sobloco, empresa responsável pela realização global da Riviera, se orgulha de fazer parte do desenvolvimento de Bertioga e comemora com a comunidade os seus 22 anos de emancipação.

www.rivieradesaolourenco.com


Gente nossa

Mais que um

veículo de comunicação

O Sistema Costa Norte de Comunicação, além de atuar na área informativa, está presente no desenvolvimento de Bertioga, por meio de projetos de sustentabilidade e responsabilidade social. Para os da casa, a empresa “é como uma família”. Por Marina Aguiar

·• Estúdio da Rádio Praia Fm sempre movimentado •·

O complexo todo gera mais de 100 empregos, diretos e indiretos

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O Sistema Costa Norte de Comunicação também aniversaria no dia 19 de Maio. Há 22 anos no mercado, a empresa, nascida como Jornal de Bertioga, hoje cresceu em tamanho e diversidade. Muito mais que gerir os veículos de comunicação Jornal Costa Norte, TV Costa Norte, Rádio Praia FM e Revista Beach&Co, o sistema promove diversos projetos. O complexo todo gera mais de 100 empregos, diretos e indiretos. De acordo com Roberto Zaidan, diretor de marketing e desenvolvimento da empresa, há três vertentes no contexto de criação, expansão e gestão do

sistema: projetos voltados à sustentabilidade; gestão de TV´s públicas, como a TV Câmara de Bertioga, Cubatão e Jacareí; e assessoria de comunicação e vídeo-produção. “Atualmente, produzimos material audiovisual de alta qualidade que ajudam na divulgação de cidades e empresas. É como uma assessoria de comunicação feita através de materiais digitais e audiovisuais. Nós fornecemos soluções para nossos parceiros”, explicou Zaidan. A expansão dos trabalhos não para e, a cada ano, surgem novos desafios. Para dar conta de tantos projetos, a empresa possui uma equipe cuida-

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Foto JCN

Foto JCN

dosa. Juliana Pacheco gerencia parte dos projetos da empresa, como Costa Norte Escola (CNE) e BTP Educa, que promovem concursos entre alunos das redes municipais de ensino, de Bertioga e Santos. Estudante do último ano de administração de empresa ela ingressou no sistema como recepcionista há quatro anos. “É uma empresa maravilhosa, temos chances de crescer e nos desenvolver aqui dentro.” A equipe “por trás dos bastidores” é grande e conta com alguns profissionais na área comercial. Aline Silveira Pazin, conduz o departamento comercial da Revista Beach&Co. Ela começou, também, como recepcionista há 10 anos e, após se graduar em rádio e TV, trabalhou na TV Costa Norte. “Fiquei três anos na TV e, em 2009, vim para a revista. Cresci muito aqui e, além de cuidar do comercial, realizo contatos pós-vendas e comando a distribuição da revista”, afirmou Aline. A área comercial também conta com as mãos de Catia Regina Vargas Lisboa, responsável pelo setor junto ao Jornal Costa Norte e, anualmente, na revista especial de aniversário da cidade, a 19 de Maio. “Aqui, um ajuda o outro; costumo fazer o intercâmbio en-

·• Aline Pazin, ao lado, e Catia

Lisboa responsáveis pelo departamento comercial •·

tre a parte comercial (venda) e a parte editorial. Sou a pessoa de atendimento, mas também ajudo na produção de eventos realizados por intermédio dos projetos”, declara Catia. Ela é publicitária, e está há dois anos na empresa. A Rádio Praia FM surgiu em 2001, denominada Rádio Costa Norte. Os funcionários já se tornaram uma grande família e uma equipe coesa. Juliana Mattos atua há 10 anos como locutora no veículo, além de trabalhar na área administrativa. “Somos uma grande família, procuramos nos ajudar”, comenta Juliana. Fotos Aline Pazin

·• A coordenadora de projetos Juliana Pacheco,

a locutora Juliana Mattos e as jornalistas Lúcia Bakos e Mayumi Kitamura •·

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Foto Aline Pazin

Gente nossa

Foto Ty Ghiloni

·• No estúdio da TV Costa Norte, André Cardoso, Marina Aguiar e Tiago Cristiano. Abaixo, Roberto e Ribas Zaidan •·

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No jornal e TV Costa Norte, as equipes se revezam para cobrir as principais notícias da região. Lucia Bakos trabalha na edição do jornal há sete anos e comenta a necessidade de mudanças. “O jornal cresceu muito e está evoluindo de acordo com o mercado, e com o próprio jornalismo. Por exemplo, a ideia atual é trazer notícias curtas, já que o povo não tem muito tempo para ler”, declara Lucia. A TV comandada por Lucia Bakos

nos últimos dois anos acaba de passar para o comando da jornalista Mayumi Kitamura, que iniciou na empresa no Jornal Costa Norte. “É um grande desafio, mas muito gratificante. Espero atender as expectativas.” O diretor-presidente da empresa Ribas Zaidan diz: “Não só geramos emprego, como ajudamos a desenvolver a cidade. Hoje temos projetos educacionais que ajudam no desenvolvimento de crianças, que são o futuro de Bertioga.”

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Gente nossa

O olhar de quem

vivenciou a história

Cidadãos que lutaram pela emancipação de Bertioga, então distrito de Santos, relatam as dificuldades e excentricidades da caçula da Baixada Santista

Reporudção Aline Pazin

Por Marina Aguiar

Antes da emancipação político-administrativa, em maio de 1991, Bertioga era um distrito de Santos, esquecido pelas autoridades. Saneamento, pavimentação e outras obras básicas não faziam parte da realidade local. A caçula da Baixada Santista só começou a se desenvolver depois de conquistar sua autonomia. Famílias que aqui viviam, participaram dos movimentos de emancipação, e acompanharam o lento, mas firme, desenvolvimento da cidade. A avenida mais importante de Bertioga, a 19 de Maio, data comemorativa da autonomia, chamava-se Enseada Três. Danilo Lerne Filho conta que a via era apenas uma picada pela qual as pessoas passavam. Ele é filho de um dos primeiros empreendedores do município, Danilo Lerne, técnico de terraplanagem que chegou a Bertioga em 1982, de posse de um contrato para abrir a famosa via. Na época não havia comércios nem casas; apenas uma empresa de distribuição de gás domiciliar.

·• A Casa Lerne foi o segundo comércio da Avenida 19 de maio, antiga Enseada Três•·

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·• Danilo Lerne Filho,

trabalhou por mais de 16 anos com seu pai. “Não troco Bertioga por nada, sinceramente. Vi a cidade crescer, e acho que ela ainda tem muito a oferecer”, diz. A atual supervisora de Educação de Bertioga, Carla Ribeiro, chegou a Bertioga em 1983, quando a Riviera de São Lourenço estava sendo construída. Seu marido, o engenheiro civil Antonio Carlos Ribeiro, foi convidado para projetar o empreendimento de luxo. Eles moravam em Santa Rosa de Viterbo, no interior de São Paulo. Mesmo tendo uma vida estável na pequena cidade, o casal e mais um filho de um ano não hesitaram em mudar-se para o litoral paulista. A Riviera ainda era uma área desocupada, não havia escola, mercado ou hospital. O casal recebeu uma casa no bairro Jardim Indaiá, próxima ao trabalho de Carlos e, também, da escola onde Carla começou a dar aulas . “Eu adorava, ia a pé para o trabalho, andando pela praia, pois ainda não havia ruas no bairro. O único problema era quando a maré enchia; os moradores tinham que aguardar, porque ficavam presos”, disse Carla. Em 1991, foi implantado o primeiro

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herdeiro de um dos primeiros empreendedores do município•· Foto Aline Pazin

A Bertioga de então não possuía grandes atrativos para os moradores. Poucas ruas eram asfaltadas e, em alguns casos, a passagem de carros dava-se pelas areias da praia. Ao trabalhar na ampliação da entrada da cidade Danilo Lerne se apaixonou pela cidade e, em sociedade com o irmão, abriu uma loja de materiais para construção e terraplanagem chamada Gonçalves e Lerne, na remota Enseada Três, entrada principal da cidade e um dos principais corredores comerciais. Quando chegou a Bertioga, aos 12 anos, Danilo enfrentava dificuldades para frequentar a escola, pois morava próximo da entrada da cidade e estudava na EE Armando Belegarde, no Jardim Lido. “Para chegar lá, eu tinha que andar por becos; a avenida Anchieta contemplava apenas o bairro próximo à balsa”. O empresário lembra que as obras básicas eram negligenciadas pela prefeitura de Santos, e só começaram a ser implantadas depois de a cidade se tornar independente. Hoje, com 44 anos, Danilo é dono da Academia Impactus, ao lado da loja da família, na qual

·• No detalhe, o engenheiro civil Antonio Carlos Ribeiro, nas primeiras reuniões de trabalho para a construção da Riviera de São Lourenço. Ao lado, Carla Ribeiro, que chegou a Bertioga em 1983•·

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Reporudção Aline Pazin

Gente nossa

·• Antiga região central de Bertioga vista do canal •·

Foto Marina Aguiar

Foto Marina Aguiar

·• Manoel e Victor Pinto, tradição em São Lourenço•·

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colégio particular de Bertioga. Solicitado por pais de crianças da Riviera, o colégio Metodista implantou uma subsede no local, e Carla foi convidada para ser a primeira diretora. Ficou na direção até 2001, e voltou a dar aulas para crianças. Hoje, ela trabalha na Secretaria Municipal de Educação e Desenvolvimento Social. Um dos locais mais bonitos de Bertioga, o Sesc-Bertioga, no bairro Jardim Rio da Praia, já era um marco. Rosemaria da Silva Quaresma viveu a infância dentro de suas instalações. Seu pai, Manoel Messias da Silva, participou da construção do local em 1948, e possuía uma casa na primeira colônia de férias brasileira. “Tínhamos de tudo dentro da colônia, frequentávamos o cinema, meus irmãos jogavam futebol na escolinha e, às vezes, podíamos almoçar no restaurante de lá”, conta. Atualmente, Rosemaria, ou Rose, como gosta de ser chamada, é recepcionista no Laboratório Itapema e lembra-se, além dos momentos felizes, das dificuldades enfrentadas na infância, como a falta de ruas que dificultavam o acesso à escola. “Nós íamos do Sesc até o centro para estudar, em um caminhão que seguia pela praia”. A recepcionista atuou a vida toda na área da saúde. Técnica de enfermagem, Rose tra-

balhou por mais de 15 anos na recepção do pronto-socorro de Bertioga, que funcionava na avenida Vicente de Carvalho, em frente ao píer. “Trabalhei primeiro na farmácia Droga Love, uma das primeiras da cidade; lá aprendi a furar orelhas de bebês e crianças; faço isso até hoje”, afirmou. No pronto-socorro, Rose era querida por médicos e funcionários. Muitos vinham de Santos e, como passavam o dia aqui, a recepcionista os levava para almoçar em sua casa. “Já cheguei a lavar a roupa de alguns médicos e cuidar dos filhos deles; sempre fui muito prestativa”. Rose costuma dizer que tem ciúme de Bertioga. Não suporta ver pessoas jogando lixo no chão, ou vindo para cá e falando mal da cidade. Para ela, a cidade ainda tem muito a melhorar. Mas não trocaria o local em que nasceu por nada no mundo. Particularidades curiosas marcam o bairro de São Lourenço, a começar pela distribuição dos terrenos do local. Uma família com o sobrenome Pinto possui a maior parte dos terrenos do bairro, e controlou durante muito tempo quem entrava e saía da área. Manoel Batista Pinto, ou Maneco, tem 77 anos e é um dos pioneiros. “São Lourenço surgiu a partir de uma dívida. Uma tia de meu avô possuía terras que iam de partes do

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Reporudção Aline Pazin

a única indústria de cachaça da cidade. Ficava próxima à praia de Itaguaré, e foi fundada, também, pelo avô de Maneco. Hoje, a família Pinto conta com cerca de 300 pessoas residentes no bairro, e aproximadamente 60 herdeiros de terras.

Foto Aline Pazin

centro até Guaratuba. Ela começou a perder terras e ficou devendo um valor muito alto ao meu avô. Para suprir essa dívida, ela pediu que meu avô escolhesse alguma terra dela. Ele escolheu São Lourenço e povoou o local”, explicou Maneco. Outro descendente, Victor Batista Pinto, dá outros detalhes sobre essa história: “Meu avô, Manoel José Pinto, era filho de uma escrava, mas foi criado pela madrasta. Quando seu bisavô morreu, deixou, em testamento, dois mil contos de réis para o neto. Mas a madrasta tinha gastado tudo, e ficou devendo esse dinheiro para o enteado. Para quitar a dívida, ele se apossou das terras de São Lourenço e ali formou sua família.” O bairro se desenvolveu muito rápido e, em 1936, instalou-se a terceira escola de Bertioga na casa de Maneco que, na época, era a única a possuir água encanada e banheiros. A Escola Mista Rural da Praia de São Lourenço atendia crianças do então primeiro ao terceiro ano do primário. Após concluir o terceiro ano, as crianças tinham que estudar no Indaiá, para onde seguiam também pela areia da praia. Em São Lourenço instalou-se

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·• Rose guarda muitas lembranças

de seu pai Manoel Messias da Silva (acima), um dos pioneiros na construção da unidade Sesc-Bertioga•·

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Gente nossa

A Bertioga

que não se vê

Boraceia reserva um cantinho especial da cidade, no qual as tradições de um povo perpetuam, calcadas na agricultura, no artesanato e no respeito à natureza

Foto Dirceu Mathias

Por Eleni Nogueira

·• O líder espiritual Egino Xapé durante lançamento do CD e DVD Guardiões Guarani, em São Paulo •·

O povo guarani ocupa uma área de 8.500 hectares, onde vive uma população de 520 pessoas mantenedoras de suas tradições, como a língua, danças e rituais e a casa de reza

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“Graças a Nhanderu (Deus Trovão), aqui na aldeia estamos seguros, porque temos terra para morar e para plantar, natureza, caça para nossa subsistência, rios, espaço para andar, nossa casa de reza e muitas outras coisas. Mas não podemos nos acomodar. É preciso lutar sempre, fortalecer os nossos jovens para que a nossa cultura não caia no esquecimento e seja banida de vez”. A fala é do cacique Adolfo Timóteo, líder da Terra Indígena Ribeirão Silveira, localizada em Boraceia, na divisa com São Sebastião. Diferentemente dos índios de outras regiões, os de Bertioga estão real-

mente seguros. É que, após 20 anos de luta, o processo de demarcação da terra ocupada por eles, agora aguarda apenas a homologação do decreto pela presidente da República, Dilma Roussef, segundo o técnico indigenista Márcio José Alvim do Nascimento. A última etapa vencida foi o levantamento fundiário para identificação das áreas ocupadas por não índios (cerca de 25 propriedades), concluída em dezembro passado. Márcio Alvim atua na Funai (Fundação Nacional do Índio) há 32 anos, 25 deles em Bertioga. Ele acompanhou todo o árduo processo e comemora. “Foi uma batalha,

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Fotos Renata de Brito

mas valeu a pena, me sinto realizado. A terra é a vida do índio, garantia de seu território e das gerações futuras”. Com uma população de 520 pessoas (dos subgrupos mbya e nhandeva), o povo guarani ocupa uma área de 8.500 hectares, onde mantém suas tradições, como a manutenção da língua, das danças, de rituais e da casa de reza. A música também tem papel fundamental, tanto que mês passado estiveram em São Paulo, para o lançamento do CD e DV Guardiões Guarani, com 33 vozes, a maioria crianças e jovens. De acordo com Márcio Alvim, uma parceria entre a Funai e o Ministério do Desenvolvimento Agrário possibilitou, ano passado, o plantio de 20 mil mudas de palmito pupunha e de quatro mil mudas de plantas frutíferas, como laranja, limão, jabuticaba, acerola e plantas nativas, na área. Outro projeto em andamento, parceria entre a Funai, Ministério da Agricultura e Associação Indígena, com apoio da Coordenadoria de Assistência Técnica

·• A dança de guerreiros xandadaros. Abaixo, detalhe da confecção de chocalho •·

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Fotos Renata de Brito

Gente nossa

·• Meninas guaranis em ritual

na casa de reza. Abaixo, o singelo abraço do menino no filhote de macaco-prego •·

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Integral - Cati, ligada à Secretaria de Agricultura do estado de São Paulo, trata da construção de galinheiros e de tanques para piscicultura. Na reserva há uma escola municipal com aulas até o nível fundamental, com sistema bilíngue. De acordo com Márcio, a população da reserva tem aumentado nos últimos anos, por conta do alto crescimento vegetativo e da taxa de natalidade, em torno de 6,5%, muito acima da média brasileira, de 1,7%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ainda segundo Márcio, a taxa de mortalidade é muito baixa, praticamente zerada. “No início do ano, perdemos o índio mais velho da reserva, ele tinha 103 anos”. O indigenista atribui os números aos cuidados na área da saúde. “A comunidade conta com programas de acompanhamento à gestante e à criança, além de uma equipe de saúde dentro da terra indígena”.

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Gente nossa

Um novo

terceiro tempo

Quem trabalha a vida inteira, preocupado com o conforto da família e com demandas financeiras estressantes, mais do que merece uma aposentadoria. Mas que ela venha com muita atividade, alegria e companheirismo, condições que os idosos de Bertioga têm à disposição Por Eleni Nogueira

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, nos últimos 20 anos, o número de idosos - pessoas com mais de 60 anos - mais que duplicou no Brasil, e já ultrapassa a casa dos 23 milhões

Os conceitos sobre a velhice não são mais os mesmos. Os idosos de hoje são mais saudáveis, longevos e motivados, e nem todos perdem mais um tempo precioso à frente da TV ou fazendo tricô, se bem que esta prática, por algumas horas do dia, faz muito bem e pode até render um dinheirinho. Hoje, eles participam como garotos-propaganda (ou melhor, vovôs-propaganda) de produtos na mídia. Um bom sinal para um país que vive uma tendência de envelhecimen-

to da população. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, nos últimos 20 anos, o número de idosos - pessoas com mais de 60 anos - mais que duplicou no Brasil, e já ultrapassa a casa dos 23 milhões. Eles, agora, querem viver mais e melhor. Para isso, vão em busca de atividades prazerosas que não apenas ocupem o tempo, mas que restabeleçam o convívio social, muitas vezes perdido após a aposentadoria de seus empregos. Em Bertioga, o Grupo Vivência, com 20 anos de atuação no município,

·• Noite do Batuque no Foto Marcos Pertinhes

Centro de Convivência Zeferino Orlandini •·

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Fotos Aline Pazin

·• O casal Alice Dionizio e Benedito Quintino dos Santos não perde as atividades promovidas pelo Grupo Vivência. Ana Oliveira é atuante no Centro de Convivência •·

e o Centro de Convivência do Idoso Zeferino Orlandini, inaugurado em maio de 2009, cumprem bem o papel de proporcionar aos idosos da cidade um terceiro tempo repleto de atividades e alegria. O casal Marcelo Marton, 81, e Lourdes de Paiva Cocorocio, 72, é um singelo exemplo desse novo tempo. Habitués do Grupo Vivência, reencontraram o amor há sete anos, e juntos esbanjam uma vivacidade e alegria de viver contagiante. Expansivo e brincalhão, Marcelo é descendente de italiano. Chegou ao Brasil aos 24 anos, mas não perdeu o sotaque de sua terra natal, Veneza, parte de seu charme. Em Bertioga, está há 30 anos e vê no Grupo Vivência um espaço propício para os idosos. “Eu jogo baralho, faço dança de salão e muitas amizades. Devemos agradecer a Deus por isso aqui, porque Bertioga não tem nada para fazer”, diz. Lourdes diz mais: “O grupo dá uma chance de você retomar a vida, mesmo depois da idade avançada e

das perdas. Quando você acha que tudo acabou, surgem novas amizades, conversas, passeios e, até, a possibilidade de casar novamente”, diz sorrindo. Ela trabalhou até os 64 anos como coordenadora de pesquisa de mercado, em São Paulo. Após se aposentar e ficar viúva, mudou-se para Bertioga, onde já possuía casa de veraneio. “Eu frequento o grupo há nove anos. Adoro Bertioga. Aqui você tem tranquilidade. Hoje, nós (o casal) fomos almoçar no Sesc, de lá viemos para cá, para um joguinho de dama e, à noite, tem o jantar dos aniversariantes. Temos uma vida ativa e isso é muito importante para evitar a depressão”. Outro casal, Alice Dionizio e Benedito Quintino dos Santos, ambos com 63 anos, também não perde as atividades promovidas pelo Grupo Vivência. “Aqui temos conforto, jantares animados, encontro com amigos, jogos, cafezinho, viagens e campeonatos. É uma maneira de se distrair”, diz Alice.

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Ao longo do ano Anualmente, em maio, por ocasião do aniversário da cidade, o Centro de Convivência do Idoso Zeferino Orlandini promove a Caminhada do Idoso, como forma de sensibilizar e conscientizar a comunidade sobre a necessidade de mais carinho, atenção e respeito ao idoso. Em outubro, em comemoração ao Dia Internacional do Idoso, é realizada, no Parque dos Tupiniquins, no entorno do Forte São João (centro), um grande encontro com atividades variadas, que vão desde caminhada pela praia até apresentação de espetáculos teatrais e de dança, com recitação de poesias, serestas e outras manifestações culturais. Os idosos também têm participação efetiva em torneios e campeonatos esportivos, a exemplo dos Jogos Regionais do Idoso (Jori), Jogos Estaduais do Idoso (JEI) e Gerovôlei. O Centro de Convivência do Idoso Zeferino Orlandini fica na rua Padre João Batista de Carvalho, 118, Vila Itapanhaú. Já o Grupo Vivência encontra-se na rua Ivo Henrique, 500, no mesmo bairro.

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Fotos Aline Pazin

Gente nossa

·• No Grupo Vivência, os dançarinos

Marcelo Marton e Lourdes de Paiva e os exímios jogadores Norma Mazzoni e Renato José da Silva•·

O Grupo Vivência e o Centro de Convivência do Idoso Zeferino Orlandini cumprem bem o papel de proporcionar aos idosos da cidade um terceiro tempo repleto de atividades e alegria

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O Grupo Vivência conta com 264 associados cadastrados. Oferece jogos de mesa, aparelhos de ginástica, aula de dança de salão e parceria com o Sesc Bertioga, que abre sua unidade para a frequência dos associados. Também são promovidos encontros de confraternização, além de passeios e participação nos jogos regionais. A presidente da entidade, Lucineide Rachid, diz: “Esse espaço foi feito para as pessoas que se sentem sozinhas. Um acalento, uma palavra de carinho. Amizade nessa idade é muito importante”. No Centro de Convivência do Idoso Zeferino Orlandini encontramos Elisabete Teixeira, 63. Muito falante e simpática, a coordenadora da casa logo mostra que ama o seu trabalho à frente das atividades promovidas para 461 cadastrados, um número que, segundo ela, tem aumentado diariamente. O centro oferece 12 atividades, entre

oficinas, esporte e música, além das festas mensais dos aniversariantes e passeios pela região e cidades do interior. “Quando a pessoa se aposenta não tem mais as pressões do dia a dia. Com os filhos criados, normalmente vem o sentimento de ninho vazio... Aqui é um lugar para se fazer a nova rede social. É o início de novas amizades ou o fortalecimento das que já possam existir, entre pessoas da mesma idade”. O bom é que as atividades são descentralizadas. Na antiga sede da Prodesan (rua David Pimenta, 425, no Indaiá) e no Espaço Cidadão, em Boraceia (rua José Costa, 138), também há aulas de alongamento e planos de estender o serviço para o outro extremo da cidade, no bairro Caiubura, ou Sítio São João, conforme informou Elisabete. Ana Oliveira, 67, aproveita muito bem o tempo e é atuante no centro. “Participo das oficinas de artesanato

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Fotos Aline Pazin

·• Elisabete Teixeira

(três), do coral, das aulas de alongamento e coreografia, do vôlei adaptado e dominó”. Ufa! Haja disposição. E ela completa: “Esta foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Não tenho depressão nem pressão alta, e não tomo remédios. Eu incentivo as pessoas a virem para cá; quando vejo um idoso passando na rua já quero convidar”. Outra frente em defesa do idoso na cidade é o Conselho do Idoso. De acordo com Valter Santana, um de seus diretores, dentre as metas do grupo está a efetivação do atendimento preferencial aos idosos na cidade, e a divulgação maciça do Estatuto do Idoso em órgãos públicos e comércio. O conselho também se organiza para iniciar um senso a fim de levantar os números da população idosa na cidade.

e Lucineide Rachid desempenham suas funções com dedicação e carinho •·

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Agenda Grupo Vivência - Tel.: (13) 3317 5665 Centro de Convivência do Idoso Zeferino Orlandini - Tel.: (13) 3317-6639 Conselho do Idoso -Tel.: (13) 3317 5813

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Gente nossa

Em prol da felicidade

e da dignidade

Amor, carinho, envolvimento pessoal e conquistas na luta diária pelos direitos dos bertioguenses portadores de necessidades especiais Por Eleni Nogueira

“Uma grande preocupação que nós temos é de incluir a pessoa com deficiência na sociedade e a sociedade na pessoa com deficiência.” José Augusto

“Trabalho com artesanato jornal. Gosto de fazer jardim. Já plantei cebolinha, rúcula e pimenta. Gosto de plantas”. Com esta frase simples e um sorriso cativante, no qual se vê sinceridade e meiguice, Augusto dos Santos Cipricio, 27 anos, apresenta-se. Ele tem deficiência mental leve, e é um dos 63 atendidos fixos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de Bertioga, com idades entre 18 e 59 anos. Um ambiente repleto de calor, sorrisos e muita gente dedicada à luta diária para dotar pessoas com deficiência de autonomia.

Lá encontramos muitas pessoas especiais, como Claudete Luiza Dulgoni, 58 anos, voluntária na casa há três anos e oito meses. Ela vem de uma família de voluntários, e dedica-se a esta causa desde os 16 anos. “Eu era voluntária em um hospital na minha cidade natal, Birigui”. Em Bertioga, chegou à Apae em um momento de grande tristeza pessoal, e se doar, conforme resume, funcionou como uma terapia. Uma conquista sem volta. “Hoje eu não consigo mais me ver sem a Apae”, diz emocionada. A diarista Marisa Fonseca, 43 anos,

Fotos Marcos Pertinhes

·• Atletas de vôlei adaptado durante encontro de acessibilidade, no Sesc Bertioga •·

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Foto Aline Pazin Foto Marcos Pertinhes

é outra presença imprescindível. Há dois anos foi contratada para fazer uma limpeza na sede e nunca mais saiu. Hoje é coordenadora do grupo de 10 voluntários fixos, e doa parte de seu dia ao cuidado com gente. Ela diz: “Venho todos os dias. Sou apaixonada pelos alunos, beijo todos eles quando chego e quando saio.” Outro voluntário é Gerson Santiago, de apenas 18 anos, estudante de teatro no Senac Santos. “Com eles, a gente aprende muito. O teatro me trouxe para cá, e eles me fizeram ficar”. O jovem faz parte do projeto de dança contemporânea Da Intenção ao Gesto, criado pelo professor Thiago Lins, com alunos da Apae. O grupo ensaia de segunda a sexta-feira, das 8h00 às 10h30, e tanta dedicação resultou na formação do corpo de baile que irá participar do Mapa Cultural Paulista, fase municipal, com a coreografia Cores e Contornos. São 18 integrantes, todos com algum tipo de deficiência, além do professor e do voluntário Gerson, responsável pela linguagem teatral do grupo. Thiago Lins destaca a importância da dança para os deficientes: “Cada

·• Práticas inclusivas incluem o banho

de mar assistido. Acima, alunos da Apae durante dinâmica de conhecimento do corpo humano •·

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Gente nossa

racterística. O universo da dança contemporânea não é limitado, e possibilita a participação de todos. Cada qual a seu modo.” A presidente da entidade, Miriam Pereira, é mãe e irmã de deficiente e responsável pelo movimento que instituiu a Apae na cidade, em 2002. Comanda a casa com o olhar maternal, e se emociona quando vê a dedicação de todos ali. São 63 alunos, 18 funcionários e 10 voluntários, em um ambiente pequeno para tantas atividades, mas muito afetivo e acolhedor. “Eu agradeço muito a Deus pelo grupo que a gente formou aqui dentro. Todos com o espírito e a proposta da Apae, o de se doar”. Ela também agradece aos moradores da cidade: “Bertioga tem uma população maravilhosa, solidária. Se não fosse o carinho dessa cidade inteira nos ajudando, não sei o que seria da gente”.

Corpo de baile da Apae, com 18 integrantes, irá participar do Mapa Cultural Paulista, fase municipal, com a coreografia Cores e Contornos

Práticas inclusivas Incentivar a saída de casa e a socialização dos portadores de necessidades especiais é um dos objetivos da diretoria municipal de Acessibilidade e Inclusão. Dessa forma, realizam-se, anualmente, na cidade, de dez a 15 eventos de acessibilidade, segundo o diretor José Augusto Coelho Filho, também presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência - Condefi. São práticas inclusivas com brincadeiras, lazer e entretenimento para pessoas com deficiência. Regularmente, são oferecidas na cidade atividades adaptadas de canoagem, vela, oficinas de arte e esportes, além do banho de mar assistido, por meio de 25 cadeiras anfíbias, do programa Praia Acessível, disponibilizadas diariamente em parceria com o Sesc Bertioga, Riviera de São Lourenço, Apae e o Núcleo Assistencial à Criança Especial - Nace.

Mesmo com tantas oportunidades, de acordo com José Augusto, a participação da comunidade é baixa. “As ações chegam a uma parcela extremamente pequena dos bertioguenses. É preciso que estas pessoas saiam de casa, participem e vivam”, conclama. Ainda como forma de incentivar a prática de atividades à pessoa com deficiência, Bertioga foi contemplada com duas academias inclusivas de ginástica ao ar livre, compostas por 11 equipamentos doados pelo governo do estado. Elas serão instaladas, de acordo com José Augusto, na orla da praia da Enseada - conjuntamente com os equipamentos já existentes no local, e no Jardim Vista Linda, em área anexa ao Nace. Os aparelhos funcionam sobre uma plataforma, na qual o usuário se instala com a cadeira de rodas travada com um sistema próprio da estação. Cada academia de musculação conta com aparelhos para

Fotos Aline Pazin

um tem o seu movimento e a sua ca-

·• Valéria Cristal e o professor de dança da Apae Thiago Lins, em ensaio da coreografia Cores e Contornos •·

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Números

com algum tipo de incapacidade: men-

Ano passado, o Conselho Municipal

sorial - permanente ou temporária.

tal, visual,auditiva e de locomoção.

para Assuntos da Pessoa com Defi-

De acordo com estimativas da Organi-

Segundo dados do Instituto Brasilei-

ciência (Condefi) realizou um auto-

zação das Nações Unidas (ONU), em

ro de Geografia e Estatística (IBGE)

censo de inclusão no município para

todo o mundo existem cerca de um bi-

de 2010, no país, 48,1% do total de

conhecer sua população portadora de

lhão de indivíduos com alguma limita-

pessoas com limitações possuem defi-

necessidades especiais. O resultado

ção. Só no Brasil, país considerado um

ciência visual; 27,1%, com deficiência

chegou a cerca de três mil bertioguen-

dos campeões em população com de-

física; 16,6%, com deficiência mental e

ses que, há época, se declararam com

ficiência, são 46 milhões de brasileiros

8,2%, com deficiência auditiva.

Fotos Aline Pazin

algum tipo de deficiência física ou sen-

·• A presidente da Apae Miriam Pereira e os voluntários Gerson Santiago e Marisa Fonseca •·

trabalhos de braço, perna, abdômen, tronco e coluna.

Outras mãos Recentemente, foi instituída no

De acordo com José Augusto, em

município a Comissão das Mães com

alguns aparelhos, durante o movi-

Crianças Especiais de Bertioga, presi-

mento, a plataforma onde está apoia-

dida por Shirley Santos Nagay. Dentre

da a cadeira de rodas se eleva e, para

as propostas iniciais do grupo, está a

isso, o usuário utiliza o peso do cor-

formação e aprovação de voluntários

po para interagir corretamente com o

tutores para atuar nas escolas muni-

equipamento. “Não é preciso instru-

cipais, junto aos estudantes especiais,

tor para se exercitar. Os aparelhos têm

reformas na unidade do Nace e me-

a chancela do Comitê Parolímpico

lhorias nos serviços de equoterapia,

Brasileiro. São equipamentos de úl-

oferecidos pela prefeitura local. “Não

tima geração para oferecer atividades

estamos aqui para brigar, nem bater

que favoreçam a qualidade de vida de

de frente com ninguém, só queremos

pessoas com deficiência física, senso-

nos unir e buscar o melhor para nos-

rial e motora.”

sos filhos”, afirma Shirley. O grupo

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Anualmente, são realizados na cidade, de dez a 15 eventos de acessibilidade. São práticas inclusivas com brincadeiras, lazer e entretenimento para pessoas com deficiência. Oferece-se, ainda, atividades adaptadas de canoagem, vela, oficinas de arte e esportes, além do banho de mar assistido

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Gente nossa

Agenda Apae (13) 3317 2949 Nace (13) 3311 9135 Condefi (13) 3317 5813

ainda não conta com endereço social. Mas possui uma página na internet para informações e contatos: www.facebook.com/comeb. Bertioga possui duas frentes oficiais de atendimento aos portadores de necessidades especiais: o Nú-

cleo Assistencial à Criança Especial - Nace, no Jardim Vista Linda, e a Equoterapia, no paço municipal. O Nace atende aproximadamente 130 crianças, de 0 a 18 anos, com os serviços de reabilitação por meio de fonoaudióloga, fisioterapia, terapia ocupacional, psicopedagogia, psicóloga e assistente social. Em sala de aula, o Nace atende 15 crianças em três classes especiais. O ensino é dividido de acordo com o estágio de aprendizagem: socialização, alfabetização e posterior encaminhamento à rede municipal de ensino regular. Os alunos também contam com aulas de música, atividade de vida diária, arte e música. “Quando a mãe aceita a necessidade especial da criança, e se compromete

·• Atividades adaptadas

atraem turistas especiais para a cidade •·

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com o tratamento, dá resultado”, diz a assistente social Cristianne Martin, responsável pela casa. O serviço de equoterapia é disponibilizado gratuitamente e, atualmente, atende 104 pessoas, independentemente de idade. A equoterapia é indicada no tratamento dos mais diversos tipos de comprometimento físico e mental, como doenças do crescimento; malformação da coluna; acidentes com sequelas de fraturas, epilepsia controlada, poliomielite, encefalopatia crônica da infância e sequelas de traumatismo craniano encefálico. A terapia também é destinada a portadores de doenças de Parkinson, doenças respiratórias, distúrbios mentais (Síndrome de Dow), comportamentais (autismo), sensoriais (deficiência visual e auditiva) e emocional (insônia, ansiedade e estresse), entre outras necessidades. O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 16 horas. O trabalho é feito de uma a três vezes por semana, depen-

Fotos Aline Pazin

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·• Renan dos Santos, na terapia

ocupacional e a voluntária nata Claudete Dugolni •·

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Gente nossa

As práticas inclusivas realizadas na cidade têm atraído turistas especiais para a cidade. Eles vêm em busca de lazer, atividades adaptadas e socialização. De acordo com o diretor de acessibilidade e inclusão José Augusto, Bertioga é vista por estes grupos como uma cidade naturalmente acessível. “A nossa praia tem uma areia compacta, e mar compatível com acessibilidade e inclusão, pois tem declive suave, águas tranquilas e áreas abrigadas como o cantão do Indaiá. Isso facilita muito, pois eles conseguem se locomover com facilidade”. José Augusto diz que há grupos que fecham um hotel inteiro. “Esses grupos nos procuram, e nós atendemos com a promoção de diversas atividades ao ar livre. Isso favorece muito o trade turístico, pois eles compram hotel, restaurante e serviços náuticos. É um segmento que vale ser trabalhado. O turismo acessível é espetacular.”

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dendo da necessidade dos assistidos. Na rede municipal de educação, o programa de inclusão atende 98 crianças, segundo a Secretaria de Educação e Desenvolvimento Social. A rede conta com cinco escolas acessíveis (Emef Dr. Dino Bueno, Emeif Boraceia, Emef Inácio Hora, EM José de Oliveira Santos); quatro salas de atendimento educacional especializado - AEE, nas unidades Emef Boraceia, Emef Inácio Hora, Emeif Vista Linda e Emeif Rio da Granja. De acordo com Brenda Coelho Lemos, da Secretaria de Educação, a previsão é de que a rede municipal receba equipamentos em breve para chegar a 13 salas de AEE. No entanto, a rede conta apenas com seis professores especializados. Quatro deles

atendem nas escolas, e dois no Nace. No último concurso público municipal, em 2010, foram abertas 18 vagas, mas não foram preenchidas por falta de candidatos.

Fotos Aline Pazin

Turismo acessível

·• Augusto Cipricio na aula de artesanato com jornal •·

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Gente nossa

Reduto tradicional

da pesca amadora

A pesca continua a ser um dos fortes atrativos turísticos, além de fonte de renda para boa parte da população. Para tanto, o píer Licurgo Mazzoni desempenha um papel fundamental nessa atividade

Fotos Gustavo Mello

Por Antonio Pereira

Uma tarde de sol, um isopor com lanches e bebidas, e boas risadas entre amigos. Falar alto é proibido porque espanta os peixes, mas, entre uma história e outra, o pescado morde o anzol e vai direto para o balde com gelo. O cenário é comum no píer Licurgo Mazzoni, reformado há dois anos. Um reduto de sossego, muito procurado por turistas, às margens do Canal de Bertioga. Ambulante em São Paulo, Pedro Bonifácio tem uma casa no bairro Vista Linda e, sempre que possível, foge da correria da capital para pes-

·• Píer Licurgo Mazzoni sempre movimentado. Abaixo, redes de pescadores artesanais, em frente ao Canal de Bertioga •·

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Fotos Gustavo Mello

·• Barcos de pesca colorem trecho do canal entre o Forte São e o Jardim Veleiros •·

car no píer. “Frequento Bertioga há 15 anos e, sempre que posso, faço minha pescaria. Hoje, o mar não está para peixe, mas pelo menos já garanti três paratis”, conta ele que, desta vez, deixou a família em São Paulo e veio sozinho para o litoral. Assim como Bonifácio, outros pescadores também optam pela pes-

ca por diversão. Yasu Hiro Wakamatsu é morador de Mogi das Cruzes e, desde a década de 70, vem para Bertioga com a família. Yasu diz: “A cidade está ficando muito bonita e, com a reforma do canal, vai ficar mais ainda. A pesca para mim é um hobby e caminhar pela cidade é tão gostoso quanto pescar.”

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Nascido em Cananeia, mas morador de Bertioga há 17 anos, João do Espírito Santo é o atual presidente da Colônia dos Pescadores Z-23. “Minha vontade é devolver a Bertioga a recepção que eu tive. Os pescadores daqui precisam de um cais de embarque e desembarque de pescado, de uma fábrica de gelo e de um estaleiro para manu-

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Foto Antonio Pereira

Foto Gustavo Mello

Gente nossa

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·• Cidade possui 200 pescadores cadastrados

na Colônia de Pescadores Z-23. Abaixo, o atual presidente da entidade João do Espírito Santo •·

tenção dos barcos, e é isso que queremos providenciar em parceria com a prefeitura”, explica. João deixou a pesca de lado no início dos anos 90 para pilotar as lanchas de turistas, que vinham para pescar em Bertioga. “Minha aposta foi a pesca amadora, por conta da crise do final do governo Collor, fato que desvalorizou o pescado. Quando cheguei aqui, fiquei durante dois anos morando dentro de um barco. Foi uma experiência diferente, que me ajudou muito na estrutura que mantenho hoje”, conta. De acordo com o presidente, a Colônia dos Pescadores Z-23, fundada em 1923, conta atualmente com 350 pescadores associados, sendo 200 bertioguenses e 150 da região de Mogi das Cruzes. Os principais pescados da cidade são camarão 7 barbas, corvina, cação e pescada. Anualmente, no mês de agosto, a entidade realiza a tradicional Festa do Camarão na Moranga. Para mais informações: (13) 3317 678.

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Desenvolvimento

Um cantinho

para os barcos

As marinas localizadas na cidade desfrutam o crescimento atual do setor náutico e oferecem, além de abrigo e manutenção, serviços em geral e lazer

Foto Goleador/Photoxpress

Por Antonio Pereira

·• O turismo náutico representou um crescimento de 15% em todo o Brasil, nos últimos quatro anos •·

Principal dificuldade encontrada pelo setor é a escassez de profissionais capacitados

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Fernando Assis Bonfim deixou São Paulo, onde trabalhou boa parte de sua vida como empresário, para gerenciar a Marina Capital, inaugurada em dezembro de 2012, no bairro Indaiá, na qual são atendidas 75 embarcações, e mais serviços como documentação e lazer em piscinas. Atualmente, 700 embarcações, de pequeno e médio porte, são atendidas nas 13 marinas da cidade, a maioria pertencente a veranistas, com imóveis na Riviera de São Lourenço e no Hanga Roa. Nas marinas, as embarcações recebem, além da estadia, todos os cuidados básicos de manutenção, desde a lavagem do motor até a reposição de

peças. “Venho para Bertioga há 10 anos com meus pais, e pilotar um barco é um hobby do qual não abro mão”, disse o engenheiro paulistano Rodrigo Queiroz dos Santos, que não dispensa um passeio pelo Canal de Bertioga, mas raramente contrata um marinheiro. Nos últimos quatro anos, o turismo náutico representou um crescimento de 15% em todo o Brasil e, segundo Antonio José Zacharias, um dos três proprietários da Náutica Indaiá, que abriga 55 lanchas, trocar de embarcação é algo comum para os amantes do mar. “Nós temos embarcações que valem de 30 mil a 300 mil reais. Os clientes em geral buscam lan-

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·• Estrutura da Marina Capital. Atualmente 700 embarcações, de pequeno e médio porte, são atendidas nas 13 marinas da cidade •·

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Fotos Aline Pazin Foto Antonio Pereira

chas melhores e mais modernas e isso agita, e muito, o mercado de usadas”, detalha ele, ex-gerente do Sesc São Paulo, por 35 anos, e que optou por mudar-se para o litoral. Consenso geral, o crescimento do setor agrada os empresários, entre eles o bertioguense Orestes Alexandre Amparo Filho, o popular Ted, proprietário da Náutica Acqua Azul, a primeira construída em Bertioga, há 30 anos, e que hoje atende 150 embarcações. “O mercado de lanchas está em ascensão e a marina é o principal elo entre o proprietário e o mar, portanto a qualificação dos profissionais e o compromisso deles com a empresa sempre estarão atrelados aos resultados conquistados”, frisa Ted, que faz parte da terceira geração de bertioguenses da família e nunca pensou em deixar a cidade.

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Desenvolvimento

Foto Aline Pazin

Foto Antonio Pereira

·• Fernando Assis e Orestes Alexandre, o Ted, empresários do setor náutico na cidade •·

Agenda Acqua Azul - Avenida Vicente de Carvalho, 102 - Centro Náutica Indaiá - Rua Manoel Ventura, 340 - Cantão do Indaiá Marina Capital - Estrada do Capão, 240 - Cantão do Indaiá

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Com a evolução do setor, muitas marinas já aderiram a formas alternativas de proporcionar entretenimento aos clientes, caso da Capital e da Acqua Azul, com restaurantes especializados em frutos do mar e

lojas de conveniência. Na Náutica Indaiá, um novo espaço para garagem náutica deverá ser inaugurado nos próximos meses, já equipado com lanchonete e sala para capacitação profissional. Recurso básico para lavar as embarcações, a água de poço é descartada pelas três marinas. A Marina Capital e Náutica Indaiá optaram pela captação de água da chuva, isenta de ferro e que ajuda a manter a tonalidade branca das pinturas. Em outra frente ambiental, a Acqua Azul recorreu à captação de energia solar usada para iluminar o espaço no período noturno, uma vez que durante o dia a iluminação é desnecessária. Segundo os proprietários das principais marinas da cidade, a principal dificuldade encontrada pelo setor é a escassez de profissionais capacitados. Para eles, escolas técnicas com cursos específicos poderiam qualificar pessoas de Bertioga e, assim, evitar a contratação de mão de obra de fora.

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22 anos unindo o verde ao azul. Bertioga está completando 22 anos de sua emancipação. Neste período, a cidade se tornou referência em preservação ambiental, com quase todas suas áreas cobertas por densa vegetação nativa. E de frente para esta exuberância, o maravilhoso azul do atlântico. Por isso, hoje homenageamos esta cidade que é símbolo de desenvolvimento em equilíbrio com o respeito à natureza e à qualidade de vida das pessoas.

Parabéns Bertioga! Incorporação, Construção e Vendas:


Desenvolvimento

Divisores de águas Obras vistosas, e outras nem tanto, como as prioritárias macro e microdrenagem e conclusão de rede de água e esgoto, possibilitam a atração de empreendimentos privados, com consequente melhoria da qualidade de vida de moradores e turistas Por Mayumi Kitamura

Sem as obras de macro e microdrenagem, há grande dificuldade de empreendimentos serem instalados na cidade. O saneamento básico, por sua vez, representa não apenas infraestrutura e serviços, mas também uma melhora na saúde da população

Bertioga prepara-se para um relevante desenvolvimento nos próximos anos. Uma série de obras, já projetadas, promete mudar a cara da cidade. Entre elas, encontram-se as de pavimentação e de macro e microdrenagem. Já em relação às obras em andamento, o novo atracadouro de balsas entre Bertioga e Guarujá e a duplicação da avenida Anchieta estão próximas do prazo previsto para a entrega. Tais investimentos públicos atraem outros, estes de caráter privado, mas que, juntos, possibilitam a melhoria da qualidade de vida dos moradores e visitantes.

Um bom exemplo é a pavimentação programada para boa parte da região central da cidade, com verbas oriundas do PAC da Mobilidade, que deve atrair novos empreendimentos como os loteamentos Buriqui Costa Nativa e City Acaraú, capazes de atraírem mais de 50 mil novos habitantes, duplicando a população atual da cidade. As estimativas são de José Marcelo Ferreira Marques, secretário de Habitação, Planejamento e Desenvolvimento Urbano da prefeitura. Se, por um lado, há muito otimismo por parte dos administrado-

Foto Marcos Pertinhes

·• Pacote de obras inclui pavimentação de mais de 30 ruas da cidade •·

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Fotos Dirceu Mathias

·• Cobertura de canal de drenagem

e, ao lado, construção de ciclovia, nas obras de duplicação da avenida Anchieta •·

res públicos, por outro, os projetos geram dúvidas entre muitos moradores, que só esperam que as melhorias saiam do papel e tornem Bertioga uma cidade cada vez melhor para se viver. Para José Marcelo Marques, que já comandava a mesma pasta na gestão anterior, a questão envolve também uma mudança de visão da população quanto à expectativa de melhorias. Ele lembrou o processo de readequação do projeto e entrega das obras de revitalização da avenida 19 de Maio. “Dia 19 de maio do ano passado para mim foi um marco. Eu até me emociono quando digo isso. Quando eu vi aquele desfile, o que se via no rosto das pessoas... ali, para mim, inverteu a curva. É um dia após o outro, um degrau após o outro. Eu acho importante a atual administração ter revertido o quadro para um processo de desenvol-

Turismo Bertioga deve passar a virada do ano 2013 de cara nova, segundo previsão do secretário José Marcelo para a entrega, ainda este ano, da reurbanização do canal e de trecho da orla da praia. A reurbanização do canal, que consiste na segunda fase do projeto do arquiteto Ruy Ohtake, foi iniciada em setembro de 2012 e prevê drenagem, recuperação do muro de contenção, implantação de guarda-corpo em fibra de vidro do atracadouro da balsa até o Forte São João, entre outras melhorias. As obras são realizadas do trecho do Forte São João até o Jardim Veleiros, onde será instalado o novo atracadouro de travessia de balsas entre Guarujá e Bertioga, cuja entrega, conforme informou a Dersa, está prevista para agosto deste ano. O projeto prevê uma diminuição em 200 metros no trajeto entre os dois municípios, reduzindo o tempo de travessia em 30%, além de outras mudanças.

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Foto Marcos Pertinhes

Desenvolvimento

·• Macrodrenagem da rua Lucas de Carvalho, infraestrutura resulta no fim dos alagamentos e possibilita as obras de pavimentação •·

vimento da cidade que vai melhorar a autoestima das pessoas. Estes novos empreendimentos habitacionais geram empregos novamente na construção civil, uma vez que muitos os perderam após o embargo da Riviera. Tem muita coisa para fazer, mas que entramos em uma onda de crescimento, disso eu não tenho duvida”, reforçou. Muitas pessoas têm dificuldade em acreditar na concretização das obras planejadas. Alguns moradores relataram que a rua Manoel Gajo já consta como pavimentada na prefeitura, por isso, questionaram se ela foi novamente contemplada no

Habitação O programa do governo federal Minha Casa Minha Vida também deverá colaborar para reduzir um dos principais problemas da cidade: o déficit habitacional. De acordo com José Marcelo Marques, secretário de Habitação e Planejamento Urbano de Bertioga, a atual administração empenha-se em conseguir implantar dois empreendimentos do programa. “Estamos com quase 1.500 unidades fechadas”, disse ele, embora ainda haja detalhes a ser resolvidos com a Caixa Econômica Federal. A expectativa de José Marcelo é conquistar mais 1.200 moradias, para chegar a um total de 2.700 unidades habitacionais. Atualmente, o déficit habitacional da cidade é de quatro mil moradias.

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atual pacote de obras de pavimentação da região central da cidade. A rua Manoel Gajo tem o maior investimento previsto, da ordem de R$ 8 milhões dos quase R$ 27 milhões destinados à região. Francisca do Santos da Cruz, moradora no local há quase 13 anos, disse só acreditar depois que a obra for entregue, mas gostaria que isso realmente acontecesse. “Minha maior preocupação é que, mesmo agora, quando a rua está boa, os carros passam em alta velocidade. Se asfaltar, eles vão passar mais rápido ainda. Então, ou eles põem radar ou lombada, ou não vamos conseguir andar na rua”, ponderou a munícipe. Moradora da Vila Itapanhaú há 12 anos, Berenice Aparecida da Costa

Foto Marcos Pertinhes

·• Obras de saneamento na Chácara Vista Linda •·

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Desenvolvimento

Foto Marcos Pertinhes

·• Drenagem da avenida Anchieta, obra prioritária para o desenvolvimento •·

Santos preocupa-se com as fortes chuvas que alagam a rua Dr. Fernando do Nascimento, onde mora. Por isso espera que a pavimentação também sane este problema. “Eu gostaria, claro, que a rua fosse asfaltada, acho que valoriza o imóvel, mas espero que se preocupem com a drenagem. A expectativa é que façam, sim, a pavimentação, mas que tenham esse cuidado para que a água tenha a devida vazão”, disse.

Saneamento básico Neste setor, as obras prioritárias anunciadas são de macro e microdrenagem, assim como a conclusão da rede de água e esgoto, já que constituem elementos básicos para que seja realizada a pavimentação. Sem estas obras, há grande dificuldade de empreendimentos serem

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Drenagem de águas pluviais Um sistema de drenagem e manejo de águas pluviais é constituído por estruturas e instalações de engenharia para o transporte, retenção, tratamento e disposição final das águas das chuvas. Os sistemas de drenagem são classificados segundo seu tamanho, em sistemas de microdrenagem e macrodrenagem. A microdrenagem inclui a coleta das águas superficiais ou subterrâneas por meio de pequenas e médias galerias. Já a rede de macrodrenagem engloba, além da rede de microdrenagem, galerias de grande porte, e os corpos receptores destas águas (rios ou canais).

instalados na cidade. O saneamento básico representa não apenas infraestrutura e serviços, mas também uma melhora na saúde da população, já que evita a propagação de doenças. A meta é que, até 2018, a cidade inteira seja contemplada com rede de água tratada e tratamento e coleta de esgoto. Em Bertioga, ao menos 84,2% dos moradores têm

acesso à rede de água com canalização em pelo menos um cômodo, e 77,1% possuem formas de esgotamento sanitário adequadas, conforme apontou o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em março de 2012, a cidade já possuía quase 22 mil ligações de água e oito mil de esgoto, segundo a Sabesp. As obras de macro e microdre-

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·• Rua Manoel Gajo faz interligação entre a rodovia Rio-Santos e a avenida Anchieta e está no pacote de pavimentação •·

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Desenvolvimento

·• No pacote de mobilidade

nagem em andamento no município receberam um reforço de peso com a duplicação da avenida Anchieta, que consiste em 70% em macro e microdrenagem e 30% de pavimentação, informou o secretário José Marcelo Marques. Além disso, as obras também abrangem serviços de pavimen-

tação asfáltica e ciclovia em 10 quilômetros da pista, entre a avenida 19 de Maio e o bairro do Indaiá. Deste total, seis quilômetros passarão por duplicação. A duplicação da Anchieta, a ser entregue ainda este ano, está orçada em R$ 31,8 milhões, provenientes do Programa Saneamento

está a construção do Terminal Rodoviário Intermunicipal, no Jardim Vista Linda •·

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para Todos, do governo federal, em parceria com a prefeitura de Bertioga, que entra com R$ 9,5 milhões. Já o pacote de obras os bairros Vila Itapanhaú, Jardim Lido, Jardim Paulista, Vila Tupi, Parque Estoril, Jardim Albatroz e Maitinga, terá um financiamento de R$ 25 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) da Mobilidade; R$ 1,8 milhão virá do município. Esta verba, financiada para pagamento em até 20 anos, privilegia a pavimentação, calçamento e adequação da acessibilidade; apenas 30% dela são de macro e microdrenagem. A respeito, diz José Marcelo: “Para podermos resolver só o problema de macrodrenagem da cidade, precisaríamos de um investimento em torno de R$ 180 milhões. E nós estamos fazendo um investimento nos próximos dois anos em torno de R$ 40 milhões neste setor. No de microdrenagem já fizemos um pouco mais”.

Foto Dirceu Mathias

·• Zerar o déficit habitacional, atualmente de quatro mil moradias, é outro desafio •·

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Desenvolvimento

Estratégica

no contexto regional Reflexos do pré-sal e da expansão portuária devem resultar em investimentos na cidade nos próximos anos Por Mayumi Kitamura

Graças à sua proximidade com as áreas de interesse da Petrobras, Bertioga deve atrair investidores. Grandes empreendimentos são aguardados na cidade, a exemplo do City Acaraú e Buriqui Costa Nativa

Foto Pedro Rezende

·• Rodolfo Amaral sugere a criação de um Grupo de Inteligência Empresarial com foco em estudos de demandas futuras •·

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A área do pré-sal da Bacia de Santos, somada à Bacia de Campos, atingiu uma produção de 300 mil barris de petróleo por dia (bpd), com estimativa de superar a marca de 1 milhão/bpdem 2017, segundo o plano de negócios da Petrobras. Até lá, a empresa calcula que US$ 147,5 bilhões serão investidos em exploração e produção, sendo 11% deste valor, ou seja, US$ 16,3 bilhões, destinados à infraestrutura e suporte. Por isso, a localização de Bertioga a torna um dos possíveis pontos de apoio na exploração do petróleo na região. Os reflexos do pré-sal devem atingir toda a região em diferentes proporções, segundo estimativa de Rodolfo Amaral, diretor da consultoria RAmaral & Associados: “Muitas cidades já sentem tais reflexos na indústria da construção civil, inclusive Bertioga, e a tendência é de que isto cresça nos próximos cinco a dez anos. Há, também, a perspectiva de crescimento decorrente da expansão do porto de Santos para a área continental, que faz divisa com Bertioga. Desta forma, é indispensável pôr o assunto em pauta dentro do contexto de discussão de um plano de negócios a ser inserido no debate sobre a reformulação do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado”, afirmou. Amaral acredita que a cidade deva criar um Grupo de Inteligência Empresarial, com a finalidade de acompanhar as tendências de desenvolvimento da região, com foco em estudos de demandas futuras. Assim, a cidade poderá “vender” suas potencialidades de acordo com a necessidade. Apesar disso, para ele, Bertioga perdeu uma chance de se beneficiar com o pré-sal há três anos, quando a empresa IESA tentou se instalar no município. “Houve manifestação contrária de parte da sociedade,

por desconhecimento efetivo dos serviços executados por esta empresa (montagem de módulos de plataforma de petróleo), de modo que a empresa acabou se instalando na área continental de São Vicente. Na época, havia uma previsão de criação de mais de 1.500 empregos diretos e indiretos, expansão da receita do ISS e também do ICMS. Bertioga deve procurar se inserir na rede de serviços do pré-sal, mas terá muitas dificuldades em encontrar locais para receber novas empresas, diante das inúmeras restrições de ocupação ambiental do seu território”, ressaltou. Há poucas áreas disponíveis para empreendimentos, ainda assim, há possibilidades de instalação na cidade, conforme explicou o secretário municipal de Habitação, Planejamento e Desenvolvimento Urbano da prefeitura José Marcelo Marques. Ele reforça que é uma questão de demanda, mas que, com a iminente necessidade de ampliação da capacidade portuária, Bertioga deve despertar interesse. Contudo, isto não deve ser de imediato, mas dentro de, aproximadamente, 15 anos. Graças à sua localização estratégica, deve atrair investidores. Grandes empreendimentos são aguardados na cidade, a exemplo do City Acaraú e Buriqui Costa Nativa. Os loteamentos preveem a construção de centro comercial, hotel e unidades habitacionais. O City Acaraú tem sua localização próxima à Riviera de São Lourenço, e o segundo, entre os bairros Jardim Ana Paula e Jardim Raphael. Ambos aguardam aprovação dos órgãos ambientais. Empreendimentos como estes, além de aumentar a atual população da cidade e proporcionar a criação de empregos, também geram impostos para o município.

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Desenvolvimento

O futuro sem royalties Somente em 2012, o município recebeu R$ 40 milhões em royalties, utilizados em obras de drenagem, pavimentação e manutenção pública. A nova lei, em estudo pelo STF, no entanto, pode zerar esta fonte de renda para Bertioga Por Mayumi Kitamura

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os municípios não produtores passariam de 7% para 21% e, em 2020, chegariam aos 27%. Atualmente, conforme a Lei nº 7.453/85, os recursos devem ser usados preferencialmente em “energia, pavimentação de rodovias, abastecimento e tratamento de água, irrigação, proteção ao meio ambiente e saneamento básico”, ou seja, com a diminuição dos royalties, estes investimentos serão impactados. Caso a alteração da lei seja confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, Bertioga perderá cerca de R$ 25 milhões anuais, segundo avaliação do diretor da consultoria RAmaral & Associados, Rodolfo Amaral. “Tudo dependerá, no entanto, da efetiva mudança da lei e da sua entrada em vigor e, ainda, do volume de petróleo que continuará sendo desembarcado no Terminal Almirante Barroso, localizado em São Sebastião”, explicou. A secretária de Administração e Finanças de Bertioga Mirian Cajazeira revelou que, com a nova lei, “todas as despesas que compõem o Orçamento terão que ser revistas”, mas que aguarda definições do STF. Conforme explicou, em 2012, o valor dos royalties foi aplicado na cidade “predominantemente, no pagamento das seguintes despesas: manutenção de equipamentos, locação de máquinas, veículos e equipamentos; energia elétrica, combustíveis, serviço de limpeza urbana e execução de obras públicas”. O valor representou 15,12% das receitas da prefeitura no exercício. O panorama proporcionado pela nova lei pode causar grandes dificuldades para os municípios produtores e afetados não só em 2013, mas para o orçamento dos próximos três anos. As leis mais antigas previam a utilização dos recursos em determinadas atividades, proibindo o uso no pagamento da folha de pessoal, porém, conforme avaliou Amaral, estas exigências foram revogadas, apesar de uma corrente

Foto Marcos Pertinhes

Bertioga, por ser vizinha do Terminal Marítimo Almirante Barroso (Tebar), em São Sebastião, recebe o maior repasse de royalties da Baixada Santista. Isso porque, atualmente, passam pelo Tebar, o maior terminal marítimo da América Latina, de 50% a 60% de todo o petróleo consumido no país. Por ser afetada pelas operações de embarque e desembarque de petróleo, Bertioga recebe uma porcentagem relativa ao terminal. A nova lei prevê uma divisão mais “igualitária” dos royalties, aumentando o lucro de participação entre os municípios não produtores e afetados. Em contrapartida, os maiores beneficiários dos royalties têm uma diminuição de repasse. Os royalties recebidos por São Sebastião em 2012 foram de aproximadamente R$ 80 milhões e, indiretamente afetada, Bertioga recebeu aproximadamente R$ 40 milhões no mesmo período. A compensação, devido à exploração do petróleo e variável pela quantidade é paga pelas empresas produtoras de petróleo para o governo federal, que realiza o repasse, de acordo com o estipulado pela legislação, à União, estados e municípios produtores e afetados. Para exemplificar o montante repassado, utilizemos como exemplo as obras de revitalização da avenida 19 de Maio. Para que ela fosse entregue, foram investidos R$ 3,9 milhões, ou seja, poderíamos dizer que, atualmente, seria possível aplicar o repasse dos royalties em dez obras semelhantes durante apenas um ano. A nova lei dos royalties, encaminhada para julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sob alegação de inconstitucionalidade, poderá dificultar investimentos em infraestrutura. De acordo com o previsto, os municípios afetados deixariam de receber 7,5% em royalties, passando a receber apenas 3%. Em 2020, este repasse diminuiria para 2%, sendo que

·• “Todas as despesas que compõem o

Orçamento terão que ser revistas” Miriam Cajazeira •·

de juristas pensarem de forma diferente. “O fato real é que os estados e municípios estão colocando esta verba de royalties no contexto geral do orçamento (como classificação de Receita Patrimonial) e a utilização para suas despesas em geral”, disse. “Haverá, com certeza, um forte corte na capacidade de investimentos e algumas cidades e estados também terão dificuldades financeiras até mesmo para financiar o custeio da máquina pública, inclusive no tocante à folha de pessoal. Os impactos serão fortes, mas diferenciados em cada cidade, de modo que cada município terá de impor um sistema próprio de contenção de despesas”, calculou Rodolfo Amaral. Após a queda dos vetos da nova lei dos royalties, os estados produtores Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo entraram com ações no STF contra a chamada partilha igualitária. A principal alegação diz que a medida é inconstitucional. A expectativa do governo é que o julgamento seja realizado antes de novembro, quando ocorre o primeiro leilão específico do pré-sal.

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A Costa Hirota acredita que a melhor maneira de parabenizar uma cidade é investir no desenvolvimento dela.

F A M I L Y

C L U B

Foto da orla de Bertioga, com implantação do empreendimento através de recurso gráfico.

Parabéns pelos 22 anos de evolução! São mais de duas décadas de desenvolvimento constante. A cada ano, novas melhorias e conquistas, em todos os setores, como na construção civil, onde a Costa Hirota tem uma presença marcante. E ajuda a fazer o hoje e o amanhã de uma cidade jovem, dinâmica, atraente, antenada e repleta de felicidade. Parabéns, Bertioga. Ser feliz é a sua vocação. Estar com você é a nossa praia. Conheça o Boulevard Family Club, o novo lançamento da Costa Hirota em Bertioga, Av. Tomé de Souza, 1741 - Enseada.

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Gente nossa

Desenvolvimento

interrompido

Os moradores da Riviera de São Lourenço não a trocam por nenhum outro lugar no mundo. Pena que, por enquanto, outros não possam usufruir deste paraíso, uma vez que o empreendimento vive um período de congelamento habitacional, que prejudica, inclusive, a economia da cidade Por Mayumi Kitamura

Foto Aline Pazin

A Riviera de São Lourenço desempenha um papel importante para Bertioga, tendo em vista, entre outros fatores, que o empreendimento é responsável por recolher cerca de 40% do orçamento municipal, em IPTU (Imposto Territorial Urbano). Este valor ainda poderia ser maior, caso algumas áreas destinadas a novas construções não estivessem judicialmente embargadas. Quem habita o bairro, diz não trocá-lo por nada. Moradora de Riviera há 18 anos, a empresária Dicléia Fernandes da Costa, 50 anos, diz que seu casamento motivou a mudança de Santos para Bertioga, uma mudança de ares que proporcionou maior qualidade de vida. “Para mim, é excelente morar aqui. Tive dois filhos que, assim como eu, amam o bairro pela segurança e pela praia em si. Sabemos que podemos andar sossegados. Não tem ar poluído e aquela loucura de carros. Outro aspecto interessante são as amizades, que são feitas como no interior, com a diferença da praia”. Na opinião da empresária, para ficar completo, seriam necessárias apenas mais opções de lazer aos jovens, ideia compartilhada pela fisioterapeuta Natália Muller Camilo, de 28 anos. “Eu adoro filme e aqui não tem cinema, isto é o que eu mais sinto falta”, comenta. A jovem moradora da Riviera, mesmo sentindo a ausência de alternativas de entretenimento, acredita no crescimento da cidade. Indagada se trocaria a tranquilidade do bairro para morar na capital foi taxativa: “São Paulo? Nem morta! Jamais. Confesso que, quando eu era mais nova, eu sempre falei que morria de vontade de ir para São Paulo; depois que fiquei mais velha, até fiz minha pós-gra·• Empreendimento é responsável por

recolher cerca de 40% do orçamento municipal, em IPTU •·

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·• Estimativas da associação de amigos local indicam que atualmente 3,5 mil pessoas moram no bairro •·

duação lá. O acesso a qualquer lugar é muito mais demorado, trajetos que aqui fazemos em cinco, dez minutos, na capital demora cerca de uma hora e meia”. A grandiosidade do bairro é refletida não apenas em seus imóveis, mas em uma estrutura idealizada para causar menos impacto ao meio ambiente do que a maioria dos empreendimentos. O projeto deu atenção especial aos componentes de saneamento básico, uma referência nacional. A rede de coleta de esgoto, que atende todos os imóveis, é direcionada a uma estação de tratamento, onde passa por processos físicos, biológicos e químicos. Na etapa biológica, o tratamento é realizado de maneira totalmente natural em lagoas, o que reduz, aproximadamente, 85% de sua carga orgânica. Ao final do processo, o cloro é adicionado à água e a torna apropriada para ser despejada no rio Itapanhaú. Esta estação de tratamento de esgoto é operada pela Associação dos Amigos da Riviera de São Lourenço (AARSL), que atua também na segurança, manutenção e setor administrativo do empreendimento. A entidade possui, atualmente, a maior folha de pagamentos formal de Bertioga. “A associação gera cerca de R$ 150 milhões por ano. Riqueza esta, que circula em Bertioga. Ao final da implantação da Riviera, esta folha poderá chegar a mais de R$ 300 milhões”, calcula a gerente administrativa da AARSL, Maria Lizenilde Lima Costa. Ela ressaltou que, somente de tributos municipais, o loteamento gera

Empregos Nos dois anos de embargo, Bertioga deixou de criar seis mil postos. O gráfico abaixo evidencia o potencial de geração de empregos na Riviera de São Lourenço, somente na área objeto do embargo. Em termos de massa salarial que deixa de circular em Bertioga, os números também não são desprezíveis: cerca de R$ 150 milhões por ano, acumulando em 15 anos, mais de 2,5 bilhões de reais. ESTIMATIVA DE GERAÇÃO DE EMPREGOS / RIVIERA DE SÃO LOURENÇO (PERÍODO 2013/2027) Exercícios

Empregos Diretos

Empregos Indiretos

Empregos Permanentes

Total

Folha Anual Estimada (R$)

2013

2.326

4.652

311

7.290

148.967.869

2014

3.058

6.116

311

9.486

193.842.141

2015

3.658

7.317

311

11.286

230.624.331

2016

3.829

7.658

2.380

13.868

283.386.339

2017

3.952

7.904

3.025

14.881

304.086.539

2018

3.451

6.902

3.072

13.425

274.333.834

2019

3.134

6.268

3.194

12.596

257.386.664

2020

1.939

3.378

3.245

9.062

185.177.892

2021

1.105

2.210

3.359

6.674

136.380.187

2022

559

1.118

3.302

4.978

101.723.190

2023

307

613

3.398

4.318

88.236.387

2024

137

273

3.398

3.808

77.814.766

2025

68

137

3.398

3.603

73.625.684

2026

0

0

3.398

3.398

69.436.601

2027

0

0

3.398

3.398

69.436.601

TOTAL

2.494.459.025

Fonte: Amaral Associados

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Gente nossa

Foto Aline Pazin

·• Estrutura idealizada para causar o menor impacto ao meio ambiente. Projeto deu atenção especial aos componentes de saneamento básico, uma referência nacional •·

o equivalente a 1.125 casas populares, anualmente, podendo, ao final do projeto, chegar ao dobro deste número. Atualmente, a Riviera de São Lourenço é responsável pela maior arrecadação de IPTU de Bertioga. Sozinha, ela soma R$ 36 milhões/ano de IPTU e de Imposto de Transmissão de Bens Imóveis Inter-vivos (ITBI). “A Riviera é um grande patrimônio de Bertioga. Ela cria empregos, gera renda, proporciona arrecadação tributária, contribui para a certificação do município no selo Verde e Azul concedido pelo estado de São Paulo. Enfim, por todos os ângulos, o empreendimento contribui para o desenvolvimento sustentável de Bertioga”, avaliou. Estimativas da entidade indicam que, atualmente, nas 12 mil unidades habitacionais do bairro, 3,5 mil pessoas moram no local. O perfil dos proprietários vem sofrendo modificações nos últimos anos; eles têm passado mais tempo em suas casas de veraneio, pondera Maria Lizenilde. A ampliação do bairro, tanto em aspectos imobiliários, quanto de geração de emprego e renda, foi paralisada pelo embargo judicial instituído a partir de uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do estado de São Paulo, em 2011. Desde então, qualquer obra ou interferência ao meio ambiente - até mesmo poda de árvores-, está proibida em 16 módulos do loteamento. O proprietário da PGC Construtora, Carlos Alberto Camargo, foi um dos

afetados e, devido ao embargo, além dos prejuízos, precisou demitir mais de 200 empregados. O empresário contou que os esforços foram muito além das despesas com o terreno, tais como, atender a rigorosa documentação necessária, investimento em marketing e conquista do interesse de seu público alvo, que chegou a reservar 40 unidades do empreendimento que seria construído. “Fomos surpreendidos por esta medida do embargo em vários módulos da Riviera, inclusive onde temos o empreendimento. Nós paramos, não chegamos a concretizar o negócio.O empreendimento seria entregue até o final do ano, e tivemos que mandar funcionários embora. Isso gerou uma série de transtornos, sendo que a gente faz tudo certinho”, comentou. Para Carlos Alberto, projetos como este deveriam servir como exemplo, tendo em vista a quantidade de casos de ocupação de áreas de preservação permanente e o crescimento de favelas. Ex-morador da Riviera de São Lourenço, o diretor-presidente do Sistema Costa Norte de Comunicação, Ribas Zaidan, vê o bairro como um importante gerador de emprego e renda para a cidade, que possui um desenvolvimento equilibrado, levando em conta seus programas ambientais e o próprio manejo de fauna e flora. “Quando você embarga um empreendimento, você tem uma quebra da receita do município que poderia ser investida, em grande parte, em projetos so-

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Foto Pedro Rezende/arquivo

Fotos Aline Pazin

·• Natália Muller, Carlos Alberto Camargo e João Leonardo Mele, admiradores e defensores da Riviera de São Lourenço •·

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Foto Valdete Ribeiro Foto Aline Pazin

ciais, para ajudar na desfavelização. Um processo como este promove o aumento de ocupações irregulares no município de Bertioga, que tem em sua totalidade mais de 90% de sua área de preservação ambiental e, hoje, depois de editado o decreto do Zoneamento Ecológico Econômico pelo governador Geraldo Alckmin, a Riviera de São Lourenço consta como área urbana”. Zaidan estranha a demora dos órgãos ambientais em se manifestarem, já que a Riviera possuía licenças ambientais, incluindo a da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), órgão ligado à Secretaria do Meio Ambiente do governo paulista. Os impactos do processo, que originou o embargo na Riviera de São Lourenço, foram comentados pelo mestre em direito ambiental João Leonardo Mele. Ele avalia que esta interdição põe em cheque a validação das licenças concedidas e gostaria que houvesse uma segurança jurídica das licenças e decisões dadas pelo poder público. “Isso não só tranquilizaria o empreendedor, como daria possibilidade de um melhor planejamento para as cidades fazerem uma projeção de ocupação que, no caso específico da Riviera, é uma ocupação bastante ordenada, com planejamento e medidas de proteção ambiental, bastante significativas. Nós gostaríamos de ressaltar que, se não houver estas saídas, para que as cidades se desenvolvam com ordenamento, com vias de circulação adequadas, com instrumentos públicos para atender a população, via de regra, onde isso não acontece, nós acabamos tendo invasões, danos ambientais, acomodação criminal e um problema social e ambiental de muita relevância, como muitos exemplos que nós temos na Baixada Santista”. Ele frisa que esta decisão repete o que aconteceu há muitos anos, quando o empreendimento foi implantado na cidade. Particularmente, Mele acredita que não se pode perder de vista que, quem promoveu a interdição, buscou salvaguardar a proteção ambiental. “Evidentemente que esta ação caiu sobre uma área licenciada. A menos que se encontre algum vício da concessão da licença, nós acreditamos que, posteriormente, pela via judicial, será mostrado que a licença tinha sua legalidade e o empreendimento possa ser retomado.”

·• A moradora Dicléia Fernandes e a gerente administrativa da AARSL, ao lado, Maria Lizenilde Lima Costa •·

Receitas Ao final de 2013, o município de Bertioga terá perdido, definitivamente, em termos de arrecadação de IPTU, ISS e ITBI, o equivalente a R$ 23,5 milhões. O correspondente a 500 casas populares (casa popular ao valor de R$ 50 mil). E este prejuízo se estende de forma crescente, podendo chegar, nos próximos 14 anos a R$ 350 milhões ou 7 mil casas populares, ou mesmo, o correspondente a 50 km de vias asfaltadas. O gráfico abaixo ilustra a estimativa de perda de receitas em Bertioga, no período de 2011 a 2027, somente na área objeto do embargo. ESTIMATIVA DE PERDA DE RECEITAS EM BERTIOGA / RIVIERA DE SÃO LOURENÇO (PERÍODO DE 2013/2027) Exercícios

Imposto Territorial

Imposto Predial

ISSQN

ITBI

Total Anual

2013

8. 357.775,7

1.937.949,1

1.794.801,5

771.595,1

12.862.121,4

2014

11.894.603,5

2.574.583,7

2.275.794,2

1.195.747,2

17.940;628,7

2015

10.151.548,9

4.453.488,0

2.646.542,0

1.655.654,5

1.655.654,5

2016

10.047.288,8

6.225.376,9

3.226.333,2

2.393.941,6

21.892.880,5

2017

12.700.782,6

7.884.340,2

4.188.057,5

3.085.176,3

27.858.356,6

2018

10.710.122,9

9.012.405,6

3.696.297,3

3.691.210,6

27.110.036,4

2019

7.920.619,3

12.662.340,7

3.822.019,1

4.767.696,3

29.172.671,4

2020

6.003.013,9

14.164.999,5

1.967.421,2

5.306.103,0

27.441.537,6

2021

5.055.261,5

15.008.328,1

1.174.967,5

5.645.977,8

26.884.534,9

2022

4.566.207,3

15.431.258,3

1.435.421,1

5.822.199,2

27.255.086,9

2023

4.225.149,8

15.697.456,3

738.643,9

5.959.371,4

26.620.621,4

2024

4.102.345,5

15.787.166,6

105.344,2

5.991.773,5

25.986.629,8

2025

3.979.541,3

15.864.931,5

52.672,1

6.024.175,5

25.921.320,4

2026

3.815.447,9

16.016.340,8

0

6.024.175,5

25.855.964,2

2027

3.815.447,9

16.016.340,8

0

6.024.175,5

25.855.964,2

TOTAL

107.345.096,8

168.737.307,1

27.124.314,9

64.358.969

367.565.687,8

Fonte: Amaral Associados

Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2013 · • · Edição especial de emancipação: Bertioga 22 anos

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Desenvolvimento

Um marco de excelência

desde a concepção

Dois empreendimentos de grande porte, e formatados a partir de estudos rigorosos, aguardam as devidas licenças ambientais para se tornarem realidade em Bertioga Por Mayumi Kitamura

Desde a década de 1970, nenhum

talação de villages, edifícios residenciais,

novo loteamento foi aprovado na cida-

centro comercial, hotel, centro de con-

de. As exigências do Plano Diretor de

venções e flat, em áreas de 681.117,97

Desenvolvimento Sustentável, somadas

m², sendo 436.243,57 m² deste to-

às das atuais leis ambientais, dificultam

tal, destinados aos lotes residenciais.

a aprovação de projetos. Mas, por outro

Um de seus maiores atrativos é o hotel,

lado, o rigor também pode garantir a ex-

com espaços diversificados, tais como

celência dos futuros empreendimentos,

área de lazer com piscinas naturais, SPA,

a exemplo do City Acaraú, e do Buriqui

restaurante, quadras de tênis, futebol e

Costa Nativa, apresentados em audiên-

vôlei de areia e até uma pista de skate. O

cias públicas na cidade.

consultor ambiental da Gaia Consultoria,

O loteamento City Acaraú, em Ber-

Teo Balieiro, ressaltou que, entre os be-

tioga, proposto para ser instalado às mar-

nefícios para o desenvolvimento da cidade

gens da rodovia Rio-Santos (SP-55), fron-

proporcionados pelo projeto, encontram-

teiriço à Riviera de São Lourenço, é um

-se o incremento da arrecadação munici-

projeto de desenvolvimento urbano com

pal de impostos e a geração de empregos

regras de planejamento ambiental, que

diretos. A obra desta envergadura vai exi-

deve gerar aproximadamente 850 empre-

gir a duplicação da rodovia Rio-Santos

gos diretos em sua fase inicial, segundo

(SP-55), do trecho entre o trevo da Riviera

seus responsáveis. O projeto prevê a ins-

de São Lourenço e o da Mogi-Bertioga,

Repodução JCN

A destinação da área para construção do City Acaraú foi projetada em dimensões menores do que as estipuladas pela legislação, num reflexo da visão conservadora do projeto

·• Projeto City Acaraú prevê a instalação de villages, edifícios

Repodução JCN

residenciais, centro comercial, hotel, centro de convenções e flat •·

100

Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2013 · • · Edição especial de emancipação: Bertioga 22 anos


do, e não mais uma, como atualmente. O estudo e o relatório de impacto ambiental (EIA-Rima) foram elabora-

Repodução JCN

com duas faixas de circulação por senti-

dos durante três anos, a partir das demandas e necessidades locais, conforme apresentou Teo Balieiro em audiência pública realizada dia 18 de abril, no Hotel 27. Ele ressaltou que a destinação da área para construção foi projetada em dimensões menores do que as estipuladas pela legislação, num reflexo da visão conservadora do projeto. “É uma felicidade apresentar um projeto em uma cidade como Bertioga, na qual eu e a minha família temos um vínculo há mais de 60 anos”, falou Sergio Levy, da Cia. Fazenda Acaraú, proprietária da área, durante a audiência pública.

·• Intervenção mínima com circulação de pedestres e ciclovia sobre palafitas, no City Acaraú •·

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101


Repodução JCN

Crédto CPEA/Image Nature

Desenvolvimento

Buriqui Costa Nativa Idealizado pelo Grupo Brasfanta, o lo·• Ilustração gráfica de localização

dos empreendimentos Buriqui Costa Nativa e City Acaraú •·

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tada pela rodovia Rio-Santos, a SP-055 (BR 101) e pela avenida Anchieta (veja mapa).

teamento residencial e o complexo turístico

A planta, que vem sofrendo modificações

Buriqui Costa Nativa, foi apresentado em

e ajustes para atender as normas ambientais

audiência pública ano passado e deve ser im-

desde 2005, apresenta um loteamento pre-

plantado na praia da Enseada, em uma área

dominantemente residencial, com lotes para

privilegiada de 3,5 milhões de metros quadra-

casas e edifícios de apartamentos, hotel, co-

dos, localizada a poucos metros da Colônia de

mércio e serviços, clubes, área de apoio, além

Férias Ruy Fonseca - o Sesc Bertioga, e entre

de áreas públicas e institucionais. O projeto

dois bairros populosos, o Jardim Ana Paula e

destina 81% da área total do empreendimen-

o Jardim Raphael. A área em questão é cor-

to para conservação ambiental.

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Patrimônio

Marcos históricos

da cidade e do país

O Forte São João e a Usina Itatinga constituem-se em relevantes exemplos da importância da cidade no contexto histórico e cultural, em âmbito regional e nacional Por Eleni Nogueira

Posição geográfica de Bertioga dava-lhe a condição de ponto estratégico de defesa da região e da Vila de São Vicente, o que motivou os portugueses a fortificá-la

Ele representa uma rica fase dos primórdios do povoamento do Brasil, nos idos de 1532; ela, mais jovem, mas não menos importante, data do início do século XX, 1910. O Forte São João e a Usina de Itatinga, mais que patrimônios nacionais, são motivo de muito orgulho para os bertioguenses. Conheça a história destes dois gigantes.

Forte São João Após três décadas da chegada de Pedro Álvares Cabral em solo brasileiro, em 1531, o primeiro governador do Brasil Martin Afonso de Souza mandou recolher as velas de suas naus

em frente às acolhedoras águas de Buriquioca, a antiga denominação de Bertioga. O fidalgo de D. João III retornava de longa viagem pelo Atlântico Sul e região do Rio da Prata, com o propósito de colonizar o Brasil - terra cobiçada por espanhóis e franceses. Historiadores registram que Martin Afonso sentiu-se atraído pela beleza da região, mas foi convencido por João Ramalho a se deslocar para o sul, região de Tumiarú, onde fundou São Vicente, em 22 de janeiro de 1532. Antes de partir, no entanto, Martin Afonso mostrou-se prudente e homem de visão, ao deixar alguns ho-

Foto Marcos Pertinhes

·• O Forte São João é um dos cartões postais da cidade •·

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mens encarregados da construção de uma guarnição em solo bertioguense, transformada, mais tarde, na primeira fortaleza do Brasil. A partir de 1532, as terras vicentinas, que compreendiam desde Peruíbe até o Rio de Janeiro, foram sendo povoadas. Bertioga era o limite do povoamento do colonizador, pois, além daquele ponto, o domínio das terras virgens pertencia aos índios canibais tamoios e tupinambás. A posição geográfica de Bertioga dava-lhe a condição de ponto estratégico de defesa da região e da Vila de São Vicente, o que motivou os portugueses a fortificá-la. Assim, a pequena paliçada, construída por Diogo Braga e seus filhos, em 1547, foi elevada à categoria de forte em 1557, para servir como ponto de defesa contra os ataques indígenas e de corsários.

Sua história começa a se desenhar ainda no período do Império, mais exatamente em 1888, quando o grupo Gaffrée e Guinle, de Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée, donos da então Companhia Docas de Santos, conseguiu, por decreto imperial, uma concessão para a construção de um cais na cidade de Santos. Nascia, assim, o porto de Santos, um dos maiores do mundo. Nesse período, o café estava no auge e tanto o porto quanto a sua movimentação de cargas só aumentavam. A empresa Docas resolveu investir na construção de uma usina elétrica a vapor, no próprio cais. O que também não foi suficiente. Assim, o grupo entrou no século XX com um objetivo desafiador: construir sua própria usina hidrelétrica. Autorização do governo concedida, a empresa partiu em busca da área ideal para receber o grande projeto. A 30 km de distância do novo porto, a existência de um manancial na bacia onde nasce o rio Itatinga e o clima úmido da região de Bertioga foram determinantes para a compra da Fazenda Pelaes, em 1902. A construção da usina começou em 1904, com todo equipamento e mão de obra transportados pelo mar. Para seguir com esse

Fotos Marcos Pertinhes

Usina de Itatinga

·• A centenária Usina de Itatinga é estratégica para o porto de Santos •·

material até o ponto escolhido para a implantação da usina, foi vencido mais um desafio: a construção de uma linha férrea, com 8 km de extensão. Em seguida, sentiu-se a necessidade de outro projeto: criar um núcleo residencial funcional para abrigar os funcionários e seus familiares, devido às dificuldades de acesso. Assim surgiu a Vila de Itatinga, com casas, empório, posto médico, escola e áreas de lazer.

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Acesso à Vila de Itatinga está proibido desde setembro de 2012, devido a um surto de malária

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Patrimônio

Foto Marcos Pertinhes

Instalados, os trabalhadores enfrentaram dia após dia os desafios de uma região ainda inóspita. A partir de 1909, o porto de Santos fez o primeiro uso experimental de energia com tensão de 44.000 volts, em substituição aos equipamentos a vapor até então utilizados na iluminação dos edifícios, no funcionamento das bombas e em todas as demais dependências. Em 1910, a Usina Hidrelétrica de Itatinga foi inaugurada. Uma grande vitória da engenharia nacional. Se, por um lado, a fortaleza que se encontra na região central da cidade, na praia da Enseada, é aberta ao público, e um dos pontos mais visitados, por outro, o acesso à Vila de Itatinga, onde está localizada a centenária usina, está proibido desde setembro de 2012, devido a um surto de malária que atingiu 12 pessoas.

·• Canhões do Forte são apontados para o

canal de Bertioga, estratégia de defesa nos primórdios do povoamento do país •·

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Gente nossa

Renovação legislativa Foto Divulgação/Câmara Municipal de Bertioga

Bertioga constituiu sua primeira Câmara de Vereadores em outubro de 1992. Na época, a recém-emancipada cidade contava com apenas 8.959 eleitores, que elegeram seus nove representantes, dentre os 142 postulantes ao cargo. Nos últimos 21 anos, houve poucas mudanças nos nomes dos ocupantes das cadeiras legislativas municipais. Mas, a situação mudou radicalmente nas eleições de 2012, com a escolha de seis novos bertioguenses para a Casa, entre os quais, duas mulheres. Assumiram os cargos Pacífico Júnior (PSDB), Ivan de Carvalho (PSDB), Edvaldo Alecrim (PR), Valéria Bento (PMDB), José Feliciano (PTB) e Beth Consolo (Dem). Entre os remanescentes da última legislatura, permaneceram Toninho Rodrigues (Dem) e Alemão (PRP), e o presidente da Câmara, Luís Henrique Capellini (PR), que exerceu o cargo em 2005 e 2008. Por Antonio Pereira

Alemão Pacífico Júnior Comunicador da cidade, com experiência em locução, Pacífico Júnior tem projetos ligados à área esportiva, como o Bolsa Atleta Municipal, mas também atende outras áreas. “No mês passado (abril), realizamos uma audiência pública para discutir a implementação da Operação Delegada, que autoriza a prefeitura a contratar, e remunerar, policiais militares nos horários de folga."

O paisagista Alfonso Dari Weilando, popularmente conhecido como Alemão, exerce o segundo mandato consecutivo e se preocupa, entre outras coisas, com a regularização de moradias e com o turismo. “O Jardim Ana Paula, por exemplo, vem há 17 anos lutando pela regularização fundiária, para que as pessoas tenham a escritura definitiva. A cidade possui muitos núcleos nessa situação e devem ser vistos com carinho”, explica ele. Também se volta às reivindicações dos moradores quanto ao nivelamento de ruas e roçada de mato.

Edvaldo Alecrim Do ramo do comércio, Edvaldo Alecrim foca seu trabalho nos serviços de bairro, principalmente, em Vicente de Carvalho II e Vista Linda. “Tenho percorrido os bairros e vejo os problemas de infraestrutura que perturbam a comunidade”, diz Alecrim.

José Feliciano

Ivan Carvalho Do ramo de administração de condomínios, Ivan de Carvalho enfatiza a fiscalização do poder executivo e de todas as prestadoras de serviços do município. “Primeiramente, estamos conferindo de perto os serviços prestados pela Sabesp." Para tanto, ele criou uma Comissão de Assuntos Especiais (Cae) para estudar o assunto.

108

Também comerciante, José Feliciano segue uma linha parecida com a de Alecrim, mas foca os trabalhos no extremo norte da cidade. “Minha preocupação é mais precisamente nos bairros Boraceia, Guaratuba e São Lourenço, porque estão distantes do centro, e as obras de manutenção não são menos importantes.”

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Valéria Bento Investigadora policial há mais de 20 anos, Valéria Bento é conhecida pela luta pelos direitos da mulher e, já nos primeiros meses de mandato, criou uma Cae para investigar a reforma administrativa do município. “Essa Cae visa entender como a prefeitura age para nomear os postulantes a novos cargos que foram criados e, para tanto, estamos fazendo um estudo de impacto financeiro para saber de onde sai essa verba e qual é a necessidade disso”, reforça a vereadora, que espera ter um relatório ainda este mês.

Beth Consolo A médica Beth Consolo preocupa-se em humanizar o atendimento do Hospital Municipal e descentralizar o pronto-atendimento. “Estamos com projetos para a construção de duas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) nos bairros Boraceia e Maitinga, além de uma, que funcionará 24 horas, no Citymar. Com isso, o hospital atenderá somente a funcionalidade já estabelecida, uma vez que o pronto-socorro e o hospital realizam atendimentos distintos."

Luís Henrique Capellini Presidente da Câmara no biênio 2013/2014, exerce o terceiro mandato. Ex-secretário de Turismo do município, Luís Henrique Capellini destaca-se pelos projetos ligados à saúde e sobrevivência dos animais. “Apesar de existir uma independência entre os poderes Executivo e Legislativo, nossa expectativa é de trabalhar de forma harmoniosa, colocando os interesses da cidade sempre à frente nas decisões”.

Toninho Rodrigues Profissional do mercado imobiliário, o engenheiro Toninho Rodrigues é o único vereador que participou de todas as seis legislaturas. Rodrigues realiza um trabalho voltado, principalmente, às pessoas portadoras de necessidades especiais. “Orgulho-me muito em ter criado uma lei que incluiu no IPTU uma contribuição voluntária de R$ 10,00 para a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Em um mês e meio, a entidade conseguiu arrecadar mais de R$ 16 mil”. Ele também sugeriu, por meio de indicação à prefeitura a criação de um Centro de Referência para as pessoas com deficiências, em moldes similares à AACD, unificando os atendimentos do Núcleo de Apoio à Criança Especial (Nace), Equoterapia e Apae em um único espaço.


Gente nossa

O homem

por trás do político

Orlandini chegou a Bertioga em 1979, um jovem recém-formado em arquitetura e avesso à política. Mas, foi ela quem mudou sua história e, hoje, perto dos 60 anos, acredita ter feito tudo na hora certa Por Marina Aguiar Foto Dirceu Mathias

Mauro Orlandini, já em seu discurso de

lítica. Na faculdade, passei longe dos

posse no primeiro mandato, declarou que

movimentos e do diretório acadêmico.

desejaria ser o pior prefeito de Bertioga.

Quando vim para Bertioga trabalhar

Com isso, quis dizer que desejava que os

com arquitetura, a cidade pertencia a

próximos fossem sempre melhores. Eleito

Santos. Oswaldo Justo era o prefeito na

pela terceira vez em 2012, Orlandini vive

época e precisava nomear um adminis-

uma fase de colheita dos frutos que plantou.

trador para Bertioga. Ele ia nomear um

Nascido em Batatais, e criado em

amigo dele, mas se deparou com uma

Brodoski, ambas no interior de São

lei que só permitia que engenheiros ou

Paulo, Orlandini chegou a Bertioga em

arquitetos administrassem Bertioga.

1979, recém-formado em arquitetura

Ele me chamou; eu acreditava que só

(FMU - São Paulo) e avesso à política.

iria ficar dois meses e acabei ficando

Hoje, perto dos 60 anos, mudou sua

dois anos e meio. Não sei dizer como

história e acredita ter feito tudo na hora

ele me convenceu, mas todos têm o di-

certa. Acompanhe, a seguir, alguns as-

reito de acreditar no destino, não é?

pectos de sua vida e obra até hoje. Como foi a sua juventude? Eu era um adolescente com cabelão; cortei o cabelo quando entrei na faculdade, e minha mãe fez questão de guardar numa ·• “Agora conseguimos consolidar uma série de coisas, sem mudar a filosofia, e sem mudar os caminhos” Mauro Orlandini •·

caixinha de meia Selene. Ela sempre foi cuidadosa e eu, muito certinho. Depois que fui para a capital, vi que tudo era meu, ganhei o mundo. Vivi, curti bastante, foi um momento muito rico para mim. Depois, vim para cá e minha vida normalizou, casei. Fiz tudo o que tinha que fazer, na hora em que tinha fazer. Por que veio para Bertioga? Comecei a frequentar a cidade porque um tio meu

Sua formação o ajudou a encarar a política? O prefeito Justo me ajudou muito enquanto eu estava na administração, mas uma coisa me deu prazer em trabalhar no ramo: a sensibilidade. O arquiteto tem sensibilidade, e tudo o que faço é pensando no bem-estar das pessoas. Tenho percepção de que tudo deve ser feito pensando em gente. Porque a escola é feita para pessoas, o hospital é feito para pessoas. A felicidade das pessoas é o centro de tudo. A minha profissão é fundamental em uma prefeitura, principalmente, em uma cidade como Bertioga, que ainda está em processo de implantação.

tinha uma ruína de uma construção de uma casa em Bertioga. Quando eu fazia

Como analisa seus três mandatos? O

faculdade, vim visitar e percebi que aqui

período da gestão é muito curto, as coi-

era um lugar de futuro, só não sabia qual

sas acabam se atropelando, mesmo por-

era o futuro. Vim e enxerguei o potencial

que, quando ela vai dar resultado, você já

do turismo, não sabia como participaria

está em outro mandato. Já é outra pessoa

dessa área. Comecei a fazer projetos em

que comanda e, às vezes, não concorda

um escritório de arquitetura e engenharia

com o que foi feito antes. Isso atrasa

que montei com meu cunhado.

muito as coisas. Por isso fui candidato à reeleição; agora conseguimos consolidar

Prefeito, como o senhor entrou no meio político? Eu não gostava de po-

110

uma série de coisas, sem mudar a filosofia, e sem mudar os caminhos.

Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2013 · • · Edição especial de emancipação: Bertioga 22 anos


Qual foi o momento mais marcante da sua carreira política? Prezo muito a educação e a cultura das crianças. Em minha última campanha, eu estava andando pelas ruas e uma mulher veio até mim, segurou minha mão e disse assim: “Estamos chateados com o senhor, prefeito. O senhor sumiu, não voltou mais aqui, a rua está com buraco, a iluminação precisa de cuidados. Mas aqui em casa são três votos e eles são para o Orlandini, porque minha filha dança balé, nós sabemos o que você faz pela cidade”. Essa é a parte que compensa, porque a gente tem tanto desgaste e chateações no dia a dia. São essas coisas que nos dão oxigênio. O senhor tem tempo livre para o lazer? Quando me encontro com outros prefeitos, percebo que temos comportamento diferenciado. Eu não deixo que o cargo de prefeito seja mais importante do que eu. Ser pai, marido e amigo é muito mais importante que o cargo que ocupo. Sou honrado, é a terceira vez que sou prefeito e até desenhei o brasão do município. Ele vai ficar para resto da vida, tenho um orgulho muito grande, mas mantenho os pés no chão. Faço tudo com certa leveza, não deixo o trabalho ser pesado, isso acaba sendo, também, um lazer. Eu deito e durmo porque fiz o melhor possível. Como é a sua rotina? Todo dia levanto cedo, vou para a rua, gosto muito de andar, e vou para o gabinete; aí começa o dia. Aparecem os problemas, processos, reuniões e eu vou embora. Chego em casa mais de dez horas da noite todos os dias, vou para o computador e fico geralmente até três horas da manhã, enviando e-mails. Quando chega o final de semana, enquanto os colegas do interior vão para o rancho, para os momentos de lazer, nós, prefeitos do litoral, também trabalhamos. Vou a reuniões com pessoas que preferem vir em um final de semana e aproveitam o resto do dia. Acho mais fácil conciliar com eles aqui, e eu ir até eles. Geralmente, é futebol, missa, reuniões que acabam

sendo mais sociais. O domingo eu tiro para almoçar com a família. Seu relacionamento com a família é normal? Não sou perfeito, nem como pai, nem como arquiteto, nem como prefeito. Temos que procurar ser o melhor possível. A família quase sempre fica em segundo plano. Depois que me envolvi com a política, tornei-me muito ausente. Dei sorte por ter uma esposa maravilhosa. Cecília foi responsável pela educação dos nossos filhos. Ela também sempre me apoiou. Quando pensei em me recandidatar, a decisão foi dela. Ela dizia: “Se Deus está te pondo nessa missão, ele vai te dar força, vamos pra frente”. É bom saber que tenho o apoio da família, porque a ausência não é fácil, muitas vezes há momentos até injustos. Por isso, me empenho como prefeito. Não quero que acabe o mandato e algum amigo do meu filho diga que eu fiz alguma porcaria. Preocupo-me em fazer bem-feito. São preços injustos que pagamos, mas faz parte do jogo. Quem o acompanha, percebe que o senhor está sempre desenhando. O que desenha? Meus desenhos não têm muito tema. Consigo, ao contrário do que as pessoas pensam, estar numa reunião desenhando, mas prestando atenção. No papel ao lado tenho anotações, estou sempre plugado, prestando atenção em tudo. Levanto, dou minha opinião. Eu desenho como qualquer pessoa, mas, em vez de fazer quadradinho, bolinha, eu faço um desenho. O que faz com seus desenhos? Guarda? Ultimamente, tenho desenhado a Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Costumo dar esses desenhos. Quando chego a uma reunião, as pessoas pedem meu desenho, a ‘ata’ da reunião, como geralmente brincam. Como prefeito, é um cargo cheio de dificuldades; entrego para aqueles que estão precisando desatar nós. Mas sempre fotografo antes para guardar. Com isso eu divido um pouco do foco e sempre estou leve.

Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2013 · • · Edição especial de emancipação: Bertioga 22 anos

·• Nossa Senhora Desatadora dos Nós, um dos desenhos de Orlandini •·

Projeto dos sonhos O prefeito também apontou alguns projetos em análise, um deles é a reforma do antigo terminal do Jardim São Raphael. “Lá não tem nada que se possa fazer para melhorar, já tentamos iluminar, colocar holofotes, mas sempre some”, lamenta Orlandini. A proposta é substituir o terminal por um aquário municipal. Orlandini conta que há uma caixa d’água no local, que pode ser transformada em um elevador. Ao redor haveria uma rampa para as pessoas descerem e assistirem as imagens de um aquário virtual. “Uma novidade é que seria todo em touchscreen. Em um aquário normal, se você toca a tela onde há uma baleia, por exemplo, ela se afasta. Neste não, quando você tocar a baleia, ela virá até você”, conta o prefeito. Além de aquário, as paredes virtuais poderão passar outros tipos de filmes, como aulas sobre o pré-sal ou qualquer outro assunto. “Cria-se uma dinâmica, professores poderão dar a aula que quiserem neste lugar”. Já o outro espaço seria um complemento, com um aquário natural, porém pequeno. A maior parte desse galpão seria destinada a exposições. “Na imagem, colocamos a baleia, porque é o animal símbolo de Bertioga, por conta do azeite de baleia utilizado na iluminação pública e particular em tempos idos”, comentou Orlandini. O projeto ainda está no papel, mas o prefeito já procura parceiros para efetivar a reforma. O objetivo é que se consiga uma PPP (parceria público-privada), pela qual a iniciativa privada entraria com o dinheiro, construiria e exploraria o local por tempo determinado, até se ressarcir do que gastou e obter algum lucro.

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Imagens

Bela

em todos os detalhes

Fotos Marcos Pertinhes

Repleta de ambientes e paisagens para contemplar, a cidade mostra-se em cartão postal

·• Parque das Neblinas e mangue no rio Itapanhaú •·

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Fotos Marcos Pertinhes

·• Pescador na praia do Indaiá e praia da Enseada noturna •·

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Fotos Marcos Pertinhes

Imagens

·• Pôr do sol nas margens do canal de Bertioga •·

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Perfil

Estância Balneária de Bertioga Características fisico-territoriais: Área: 490 km2. Ocupa 20,3% de área da Região Metropolitana da Baixada Santista. Possui 45 km de costa, sendo 36 km de linha de praia e 9 km de costões

Praias

Progressista Bertioga És recanto acolhedor Lindas praias, verdes matas Preservadas com amor

São mais de 36 quilômetros divididos em cinco praias de águas claras e excelente balneabilidade. Ao longo da costa, as paisagens mesclam o verde da mata com o colorido ainda discreto de sua área urbana. As mais agitadas e com maior infraestrutura são Enseada (centro), São Lourenço e Boraceia (divisa com São Sebastião). Itaguaré e Guaratuba reservam a tranquilidade e o ar quase deserto de uma região fora do eixo do desenvolvimento.

Entre a Serra e o oceano E em teu belo litoral Vivem fauna, flora, humanidade Em equilíbrio natural

Fotos Marcos Pertinhes

Hino

Teus encantos, que são tantos A natureza esculpiu Com as águas e os ventos No teu solo tão gentil És vibrante, Bertioga De futuro promissor Com a fé e a ciência Dos teus filhos, o labor ·• Praia de Itaguaré•·

E da gente hospitaleira Fibra, raça e coração Teus valentes pescadores São heróis e tradição A beleza, a natureza Que se vêm admirar Para tantos é Bertioga Para nós, é nosso lar Autor Miguel Roberto Moure

Manguezais Uma das riquezas naturais de Bertioga. Considerados berçários naturais da procriação de espécies marinhas, os manguezais são ecossistemas costeiros de transição entre os ambientes terrestre, fluvial e marinho e ocorre em regiões costeiras abrigadas e sujeitas aos regimes das marés. Nos manguezais há caranguejos de várias espécies, aves aquáticas e gamboas que são braços de rios com fluxo e refluxo das marés. Os mangues estão entre os ecossistemas de maior produtividade, pois garantem alimentos, proteção e condições de reprodução para animais de várias espécies.

População 1991: 11.473 1996: 17.002 2000: 30.093 (Censo IBGE) 2007: 39.091 (Censo IBGE) 2009: 45.233 (Estimativa IBGE) 2010: 47.645 (Censo IBGE) 2012: 50.583 (Seade)

Densidade demográfica (hab/km2): 97,23

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·• Manguezal Itatinga•· Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2013 · • · Edição especial de emancipação: Bertioga 22 anos


Foto Marcos Pertinhes

Atividade econômica A principal fonte de arrecadação da cidade é a construção civil. Em seguida vem o turismo, com atividades de ecoturismo e meios de hospedagem. O comércio e a prestação de serviços se fortaleceram nos últimos anos e, atualmente, são os maiores geradores de empregos formais. A pesca é outro setor que movimenta a cidade por meio da pesca amadora, profissional, turismo de pesca e comércio especializado.

Limites / Transportes Norte - Salesópolis, Biritiba Mirim e Mogi das Cruzes. Acesso ao planalto pela rodovia Mogi-Bertioga Leste - São Sebastião. Acesso pela rodovia Rio-Santos (BR-101) Oeste - Santos. Acesso pela rodovia Rio-Santos (BR-101) Sul - Guarujá e Oceano Atlântico. Acessos pelas rodovias Rio-Santos (BR101) e Piaçaguera; serviço de balsas, localizado na área central (Canal de Bertioga)

Localização: posicionada entre o litoral norte e a Baixada Santista, com acesso pela rodovia Rio-Santos

Marco da emancipação Projeto Mauro Orlandini

Santo Padroeiro São João Batista

Coordenadas geográficas: Latitude: 23° 56 27” S | Longitude: 45° 19 48” W.Gr

Plebiscito 19 de maio de 1991. A população de Bertioga diz sim à autonomia. Dos 3.925 votantes, 3.698 foram favoráveis. Apenas 179 disseram não, 21 optaram pelo voto em branco e 27 pela anulação. A criação do novo município foi oficializada pela Lei Estadual 7.664, de 30 de dezembro de 1991. Sua instalação, segundo a lei, passou a valer a partir de 1993 com eleição e posse de prefeito e vereadores.

Distâncias São Paulo : 115 km Guarujá: 38 km Santos: 54 km São Sebastião: 85 km Mogi das Cruzes: 54 km

Eleitores: de acordo com o Cartório Eleitoral de Santos, o número atual de eleitores no município é de 38.369 mil. A cidade conta com 113 seções eleitorais.

Brasão

Origem do Nome

Bandeira

Criado em 22 de janeiro pela lei municipal 001/93 Autor Mauro Dedemo Orlandini

A palavra origina do tupi. Buriquioca: Buriqui (macaco) - Oca (morada). Morada dos macacos buriquis, espécie em abundância no Morro Buriqui - hoje denominado Morro da Senhorinha, localizado a cerca de 500 metros da área do Forte São João. Com o passar dos tempos, a palavra Buriquioca sofreu modificações por parte de portugueses e colonizadores até chegar a Bertioga.

Criada pela Lei 027/03 e oficializada em 14 de setembro do mesmo ano. Autor Pablo Onate

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Imagens

Esportistas,

eis as suas opções!

Radicais, contemplativos, aeróbicos, suaves... Há de tudo em Bertioga para quem ama esporte e vida livre. Aqui, a natureza e o homem se aliam para oferecer beleza e saúde Foto Renata de Brito

Foto Marcos Pertinhes

Foto Gustavo Mello

·• Projeto Eco caiaque, no Cantão do Indaiá, e jogo do campeonato municipal de beach soccer, na praia da Enseada •·

Foto Renata de Brito

Foto Marcos Pertinhes

·• Na orla da praia da Enseada, espaço para a galera do skate, do alongamento e do pedestrianismo •·

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Fotos Marcos Pertinhes

·• Campeonato de Jet ski, no Cantão do Indaiá, e moutain bike na praia de Itaguaré •·

·• Vela e natação, na praia do Indaiá •·

·• Voo de trike pelos ares de Bertioga •·

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Meio ambiente

Recursos para saneamento

caminham ao lado do progresso

Diante do crescimento populacional que

Foto Divulgação/Sabesp

o município de Bertioga registra nos últimos anos, a Sabesp vem desenvolvendo ações e investindo no planejamento e execução de obras, que fazem com que o sistema de saneamento acompanhe este desenvolvimento. Dados do IBGE mostram que, em 2003, Bertioga tinha uma população de 37,5 mil habitantes, enquanto que, em 2012, a marca ficou em 50,3 mil pessoas, um aumento de 41% em sua população, índice cinco vezes maior que a taxa estadual, que é de 8% de crescimento. Investimentos de R$ 630,6 milhões entre 2007 e 2012 garantiram melhorias aos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário da cidade. Em fase final de obras, a estação de tratamento de água Bertioga recebe, atualmente, intervenções técnicas para a implantação de moderno processo de filtragem. Com investimentos de R$ 6,2 milhões, a unidade produzirá 180 litros de água tratada por segundo, com monitoramento automatizado e interligado ao Centro de

·• Estação de tratamento de água recebe intervenções técnicas para a implantação de moderno processo de filtragem. Ao lado, o superintendente da Sabesp na Baixada Santista, engenheiro João Cesar Queiroz Prado•·

Controle Operacional da Sabesp. A previsão para o final das obras é o primeiro semestre de 2013. A Sabesp já anunciou obras estimadas em

pa, maior programa de recuperação ambiental

mais de R$ 10 milhões para a implantação de

desenvolvido no litoral paulista. Foram implan-

novos reservatórios na cidade. “Atualmente, o

tadas no município cerca de 50 quilômetros

sistema de reserva tem capacidade para 4,8 mi-

de redes coletoras, coletores-tronco e linhas

lhões de litros de água tratada. Após a conclu-

de recalque (tubulações sob pressão), além da

são das obras, haverá acréscimo de 12 milhões

construção de seis estações de bombeamento e

de litros, totalizando 16,8 milhões de litros de

uma estação de tratamento.

água tratada para fornecer às residências” ex-

A Sabesp conta, atualmente, com aproxima-

plica o superintendente da Sabesp na Baixada

damente oito mil imóveis conectados correta-

Santista, engenheiro João Cesar Queiroz Pra-

mente às redes de água e esgoto do município.

do: “Para isso, deverão ser construídas novas

No entanto, para garantir a eficiência dos

gião Metropolitana da Baixada Santista, apro-

estações elevatórias, conjuntos de bombas e

investimentos, é necessária também a colabora-

ximadamente 23 mil pessoas serão beneficiadas

painéis elétricos, além da automação do sistema

ção da população para que adapte as instalações

com as 7,7 mil ligações que serão feitas em

e interligação às estações existentes”.

internas dos imóveis de forma que, apenas o

imóveis das nove cidades, com investimentos previstos em R$ 14,1 milhões até 2014.

Os novos centros de reserva estarão distri-

esgoto seja encaminhado para a rede pública,

buídos nos bairros Indaiá, Vista Linda, Jardim

sendo direcionado ao tratamento. Sem a adap-

A Sabesp já elabora o projeto para a execu-

São Lourenço, Balneário Mogiano, Boraceia e

tação, os esgotos podem acabar contaminando

ção da segunda fase do programa Onda Limpa,

região central. Eles beneficiarão a todos os mo-

o meio ambiente.

cujo objetivo é fazer com que todos os municí-

radores e turistas desta região, que recebeu re-

Assim, para incentivar a ligação domiciliar

pios da Baixada Santista tenham serviço de sa-

corde de público no verão 2012/2013, quan-

à rede de esgoto, o governo do estado de São

neamento universalizado até 2020, isto é, man-

do foram registradas 500 mil pessoas durante a

Paulo e a Sabesp desenvolverão o programa Se

ter o atendimento nas áreas regulares em 100%

passagem de ano.

Liga Na Rede, que custeará as obras internas

de abastecimento de água e alcançar 100% de

Já o sistema de coleta e tratamento de es-

em residências de famílias de baixa renda - sen-

coleta de esgoto, seguindo com 100% de trata-

gotos de Bertioga recebeu obras do Onda Lim-

do 80% pelo estado e 20% pela Sabesp. Na Re-

mento do esgoto coletado.


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