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Revista Especial Bertioga 2019

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Expediente SISTEMA COSTA NORTE DE COMUNICAÇÃO Revista Especial 19 de Maio: Bertioga 28 anos Publicação: 19/05/2019

Redação e Publicidade Av. 19 de Maio, 695, salas 1A e 1C Jd. Albatroz – Bertioga/SP - CEP 11250-734 Fone: (13) 3317 1281 www.costanorte.com.br

Diretor-geral Ronaldo Berlofi Zeidan ronaldozaidan@costanorte.com.br

Administração Dinalva Berlofi Zeidan dinalva@costanorte.com.br

Reportagem e textos Mayumi Kitamura (MTb 60.129-SP)

Edição Eleni Nogueira (MTb 47.477) eleni@costanorte.com.br

Projeto Gráfico, Criação e Diagramação Ana Carolina Barros anacarolina@costanorte.com.br

Revisão Adlete Hamuch (MTb 10.805)

Uma meta de todos, para todos Aos 28 anos de emancipação político-administrativa, completados neste 19 de maio, Bertioga tem um desafio a cumprir: consolidar o turismo sustentável como seu principal gerador de oportunidades, renda e investimento. Para, assim, aliar a preservação ambiental dos mais de 90% de seu território, ao desenvolvimento em benefício de sua população, que já supera 60 mil habitantes. Por sorte, neste jogo, o município está em vantagem e conta com muitas cartas a apresentar: o Forte São João, praias, canal, rios, festas gastronômicas já consolidadas, eventos diversos ao longo do ano e, mais recentemente, a abertura de doze trilhas do Parque Estadual Restinga Bertioga - Perb. Outro aspecto, o organizacional, também mostra avanços, a exemplo da união das empresas de hospedagem, passeios e alimentação (veja na reportagem na página 18 e das ações do governo municipal voltadas ao segmento (pág. 48). A considerar todos estes requisitos, muitas vezes ausentes em destinos famosos pelo país, surge a pergunta: o que ainda falta para o setor deslanchar e trazer os resultados tão aspirados durante todos esses anos? Uma das respostas está no envolvimento de seus habitantes com a cidade. Não é arriscado dizer que falta aflorar o sentimento que pode ser definido como pertencimento, ou seja, cada qual entender a cidade como sua e o turismo como uma atividade positiva. É preciso que, seja qual for o setor de atuação, cada um avalie a importância de sua ação e some forças em prol dessa causa. Ela é de todos e pode resultar em grande benefício comum. Sendo assim, feliz aniversário, cidadão bertioguense, esta data é sua. Eleni Nogueira

Comercial Catia Lisboa catia@costanorte.com.br

Circulação Bertioga e Litoral Paulista

Capa Orla do canal de Bertioga Foto Haroldo Kalleder


índice

Viva Bertioga

10

08

Perfil Uma síntese das principais informações do município

Turismo em alta

18

O potencial da cidade na visão de quem atua no setor

26

Riviera de São Lourenço

Motor de desenvolvimento da cidade

Verão 2018/2019

30

Alta no consumo de serviços essenciais comprova aumento da população flutuante

36

Trilhas do Perb Novos caminhos para aventura, contemplação e conhecimento

Gestão do turismo

44

Planos e metas para movimentar o setor nos 365 dias do ano

50

Apaixonados

Eles vieram, ficaram e multiplicaram ideias

Verde: atrativo incontestável

62

Preservação ambiental firma-se como chamariz para investimentos imobiliários

68 6

Boa conduta

Regras a ser respeitadas a fim de preservar o bom convívio social

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Concurso BERTIOGA NA ESSÊNCIA. A visão dos apaixonados pela cidade!

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Apoio:

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8

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Turismo planejado, uma alavanca para o turismo Cativar o público amante de sol e praia, para usufruir as demais alternativas possíveis na cidade ao longo do ano, é o grande desafio

Trilha do rio Itapanhaú

18

Foto: Diego Bachiega Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

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No verão, as altas temperaturas

ra, da pousada Clariô. Desde o fim de

aumentam a procura pelas praias e

2017, ela integra um grupo da rede de

fazem com que o número de pessoas

hospedagem de Bertioga, que iniciou

em Bertioga salte exponencialmente.

pequeno, com apenas quatro empresas

Somente na virada de ano, as estimativas

e, atualmente, já possui cerca de 30.

apontam cerca de 400 mil pessoas na

Para ofertar passeios de ecoturismo,

orla, para assistir à queima de fogos

para atrair visitantes, o grupo criou um

de artifício, todos os anos. Apesar das

projeto vinculado a agências de turis-

belezas naturais da cidade e tantos

mo do município, para programar datas

outros potenciais turísticos, quem atua

e oferecer pacotes com antecedência,

no setor garante que o grande desafio é

nos sites das próprias pousadas e ho-

transformar o público de praia e sol em

téis, ou em portais como o Booking.

cativo o ano inteiro.

com e o Airbnb. A última fase de programação

As possibilidades de ganhos pelo setor podem ser verificadas ao analisar

destes

pacotes

para

temporada

os dados do Ministério do Turismo. O

ocorreu no início de janeiro e, assim

órgão indica a realização de 75,5 mi-

que terminou, a parceria deu tão certo

lhões de viagens, entre dezembro de

que, em vez de o setor de hospedagem

2018 e fevereiro de 2019, em todo o

procurar as agências, ocorreu o inverso.

país, das quais o maior contingente de

Ela detalha: “Em vez de termos uma

turistas destina-se ao estado de São

agenda para nossos hóspedes, eram as

Paulo, com cerca de 13,65 milhões de

agências de turismo que nos passavam:

viagens no período. Com isso, a venda

‘Vamos sair com um grupo já formado;

de produtos e serviços pelo trade, além

vocês têm hóspedes para incluirmos

da geração de emprego e renda, impul-

nesse grupo?’”.

sionam a economia. A união das empresas de hospedagem, passeios e alimentação de Bertioga começou a obter resultados positivos na temporada de verão passada, conforme afirmam empresários e pessoas envolvidas com turismo. Um dos motivos é a organização entre hoteleiros e pousadeiros, para a promoção de saídas de turistas para trilhas e, até mesmo, a troca de informações entre eles sobre a existência de vagas, já que muitos turistas chegam sem reserva e encontram os locais lotados. Quem conta sobre essa mudança é a empresária Adriana Veronesi Ferrei-

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“

Foto: JCN

Quando os professores de biologia querem fazer alguma aula ligada ao meio ambiente, eles solicitam o passeio de ecoturismo durante o inverno e durante a semana” Helena Sotero

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Ecoturismo na prática O ecoturismo, definido como um ramo do setor que utiliza o patrimônio natural e cultural de maneira sustentável e incentiva sua conservação, é uma das vertentes em crescimento na cidade. Helena Sotero, sócia-proprietária da escuna Gênesis, conta que, além do passeio tradicional, com saída do canal de Bertioga em direção a praias vizinhas, quando o tempo está entre nublado e chuvoso, há procura pela saída apenas pelo canal. Nessa viagem, a tripulação conhece os ecossistemas locais e, por isso, essa rota é costumeiramente procurada não somente por turistas, mas por escolas da região ou da capital. Ela detalha: “Quando os professores de biologia querem fazer alguma aula ligada ao meio ambiente, eles solicitam o passeio de ecoturismo durante o inverno e durante a semana”. Para ela, além do trade mais unido, outro fator positivo sentido nesta última temporada foi um maior incentivo da prefeitura na divulgação da cidade

“

Eles acabam enxergando que Bertioga não é só praia e sol; que Foto: Via Eco a cidade está começando a ficar igual a alguns outros lugares que eles já foram passar férias, viajar, que tinham uma programação de roteiros, um dia para cada lugar” Adriana Veronesi Ferreira

em eventos relacionados ao setor. “Eles deram oportunidade para divulgarmos a

o São Paulo Boat Show e o Adventure

cidade em feiras, eventos grandes como

Fair. Foi uma oportunidade boa que acabou atraindo mais turistas para a cidade”. Outro roteiro de ecoturismo na cidade, durante a temporada, as trilhas d’Água e de Guaratuba, também tiveram mais procura. Ambas ficam no Parque Estadual Restinga de Bertioga (Perb), área de preservação gerida pelo governo do estado. Desde 2015, quando foram abertas pela Fundação Florestal, havia estudos sobre a possibilidade de abertura de mais trilhas pelo órgão estadual e, em fevereiro, foi anunciado

Foto: Escuna Genesis

20

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que duas entidades da cidade seriam Sistema Costa Norte de Comunicação


Foto: Via Eco Trilha D´água, um dos passeios escolhidos por turistas hospedados na cidade. Na página ao lado, a escuna Gêneses, para passeios no mar e no canal

responsáveis pelo uso de mais dez trilhas. A visita só é permitida com monitores ou agências cadastrados.

para o desenvolvimento do setor. Bruno D’Ângelo e Isis Andrade, da agência de ecoturismo Via Eco, acreditam

Adriana Veronesi Ferreira comenta

que a internet aumentou a procura pelas

que a cidade ainda não é vista por seus

trilhas, e contam que as altas tempera-

hóspedes, a princípio, como um destino

turas do verão passado, cujas máximas

de ecoturismo, mas a partir do momento

frequentemente apresentaram sensação

em que conhecem essa opção, eles se in-

térmica acima dos 40ºC, na cidade, tam-

teressam e querem usufruir dos atrativos.

bém contribuíram para isso. Isis explica:

“Eles acabam enxergando que Bertioga

“Estava muito quente, então, por isso,

não é só praia e sol; que a cidade está

também a procura pelo refresco, a água

começando a ficar igual a alguns outros

gelada das cachoeiras, o rio, porque, às

lugares que eles já foram passar férias,

vezes, a própria praia se torna difícil. Por

viajar, que tinham uma programação de

exemplo, se estiver com criança ou idoso,

roteiros, um dia para cada lugar”.

a pessoa vai ficar na areia debaixo de sol

Para atrair o público de ecoturis-

quente? Não. Procura um lugar de som-

mo, ela afirma que o trade tem investido

bra e água fresca, né? Acho que isso tem

em divulgação pela internet, direcionado a

que ser levado em conta”. Outro aspec-

esse perfil, no entanto, o grupo do setor

to, lembrado por Bruno, é de que, com a

de hospedagem percebeu que o retorno é

cidade lotada, muitas pessoas quiseram

demorado, por isso, acredita também que

sair dos lugares comuns, e procuraram

o apoio do poder público é fundamental

atrativos diferentes.

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Ambos também acreditam que o

até churrasco no local. Bruno conta: “Às

perfil do turista que visita a cidade tem me-

vezes, eu estava com um grupo e precisava

lhorado o que, inclusive, reflete nas trilhas,

avisar sobre motocicletas vindo em nossa

já que os visitantes têm se conscientizado

direção. Todos se encostavam no matinho

e menos sujeira tem sido encontrada no

e passavam cinco motos com menores de

percurso, além de parar de ocorrer alguns

idade”. Todas essas situações irregulares

abusos, como motociclistas, barracas e

foram denunciadas à Fundação Florestal.

Foto: Renata de Brito Forte São João

Turismo histórico e cultural O turismo histórico e cultural, pelo qual o viajante conhece o patrimônio artístico e arquitetônico e manifestações populares, é outro segmento destacado pelo trade como mais uma potencialidade para o setor, passível de aprimoramento. Muito além das tradicionais festas da Tainha e do Camarão na Moranga, que atraem centenas de pessoas à cidade, no inverno, Bertioga possui a fortaleza mais antiga do Brasil, o Forte São João, sem contar com a Aldeia Indígena do Rio Silveira, cujo território fica na divisa com São Sebastião. Bruno D’Ângelo enaltece a importância da história da cidade, que se funde

22

Foto: Via Eco

“

Foto: Via Eco

Se a pessoa conhece Bertioga pela história, o meio ambiente estará protegido e as culturas caiçara e indígena, também” Bruno D’Ângelo

com a do Brasil e, se fosse mais dirigi-

ambiente estará protegido e as culturas

da para o turismo, incentivaria o respeito

caiçara e indígena, também”. Ele acre-

pelo local e sua cultura. “Em minha opi-

dita que haveria essa influência, porque

nião, a história tinha que ser o aspecto

as pessoas seriam convidadas a olhar ao

mais valorizado, porque, dessa forma, se

seu redor pelo prisma histórico, por tudo

valorizam outros segmentos. Se a pessoa

o que foi preservado ao longo dos anos e

conhece Bertioga pela história, o meio

permanece, como o Forte São João, que

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concorre ao título de Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Outra forma de viagem pela história, na opinião de Isis Andrade, seria a entrada do canal de Bertioga, que, na época da colonização, era uma via estratégica por dar acesso às vilas de São Vicente e Santos. Ela finaliza: “Nós fazemos parte direta da história do Brasil”.

Turismo de negócios O turismo tem outra vertente, além da busca por belezas naturais e enrique-

“

Foto: JCN

Enquanto tivermos que atender o turista de massa nos melhores pontos da cidade, vamos perder dinheiro do turismo” Paulo Velzi

cimento cultural, por exemplo. A escolha pela cidade pode decorrer de motivos

para o interior, não sei se conseguiremos

profissionais, o chamado turismo de ne-

trazê-los novamente porque é itinerante,

gócios. Em novembro de 2018, a cidade

mas no litoral, eles virão aqui sempre”.

recebeu o maior seminário estadual do

Ele comentou que o apoio do Sesc

Conselho Regional de Engenharia e Agro-

Bertioga, para a realização da programa-

nomia do Estado de São Paulo (Crea-SP),

ção, foi fundamental, devido ao espaço

o que proporcionou a vinda de aproxima-

cedido para um seminário dessa magnitu-

damente 3.500 pessoas para a cidade –

de. Outro aspecto ressaltado pelo presi-

entre profissionais e seus familiares - em

dente da AEAAB é a carência de estru-

uma programação de três dias, com pa-

tura de hospedagem no município, para

lestras, visitas técnicas e discussões.

uma recepção deste porte. “Turismo de

Por ser caracterizado como turis-

negócios precisa de hotéis. Somos ruins

mo, devido à demanda por hospedagem,

de vagas de boa qualidade, de bons ho-

alimentação e lazer, este segmento agre-

téis, somos carentes, e por quê? Porque

ga valor à economia. Somente em três

nosso turismo está se transformando em

dias de evento do Crea-SP, a estimativa

um turismo de baixa renda”.

da prefeitura foi de movimentação apro-

Para exemplificar, Paulo comenta a

ximada de R$ 1 milhão, para o município.

desordem promovida pelos chamados ‘fa-

A vinda do evento para a cidade foi

rofeiros’, na praia, o que afasta não ape-

incentivada e organizada pela Associação

nas os turistas que movimentam a eco-

de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos

nomia, com hospedagem e alimentação,

de Bertioga (AEAAB) e Crea-SP. Pau-

mas possíveis investidores que poderiam

lo Velzi, presidente da AEAAB, defende:

construir novos empreendimentos, como

“Esse é o tipo de evento que precisamos

hotéis de frente para o mar. Disse ele: ‘En-

trazer; foram visitas técnicas, e a maioria

quanto tivermos que atender o turista de

do pessoal saiu de queixo caído, queren-

massa nos melhores pontos da cidade,

do voltar. Eu acho que nesse ano eles vão

vamos perder dinheiro do turismo”.

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Foto: Diego Bachiega Todo tempo é tempo de registrar as múltiplas belezas da cidade

Turismo fotográfico

durante o ano, até o evento. Paulo Vel-

Este segmento ainda pouco ex-

zi comenta que o intuito é popularizar,

plorado no país é outra alternativa para

por meio do celular, e abranger varia-

o setor, também realizada, neste ano,

dos tipos de fotografia, como urbana,

pela AEAAB, com a volta do Revela

natureza e pessoas.

Bertioga, iniciado em 2012 pelo reno-

Desde o início, o Revela Bertioga

mado fotógrafo Du Zuppani. O evento,

foi divulgado como uma forma de pro-

incluído no calendário oficial da prefei-

mover a cidade como destino fotográ-

tura desde 2016, deve ocorrer sempre

fico o ano inteiro e, assim, estimular o

em novembro. Para 2019, a proposta

turismo além da temporada. Inclusive,

dos organizadores, com o apoio do

o período preferido dos fotógrafos para

Sesc Bertioga e da prefeitura, é in-

bons cliques não é com a cidade reple-

centivar cursos e saídas fotográficas

ta de turistas.

Foto: Renata de Brito

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Foto: Renata de Brito

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Bairro planejado gera emprego e receita ao município, sendo um dos pilares para o seu desenvolvimento econômico, social e ambiental A cidade de Bertioga tem sido um des-

mentos, isso sem perder o foco no meio

taque positivo nos últimos anos no quesito

ambiente e na responsabilidade social.

empregos e geração de renda. Segundo

Tais fatores permitem que a cidade – mes-

dados do Cadastro Geral de Empregados

mo sendo a mais nova da região – consiga

e Desempregados (Caged), o Município

oferecer oportunidades tanto para os mo-

vem, desde 2013, registrando saldo positi-

radores quanto para o crescimento munici-

vo na criação de postos de trabalho.

pal, além de ter bons índices de sustenta-

Uma das protagonistas para a ob-

26

bilidade e de apoio a comunidade.

tenção desses resultados é a Riviera de

Essa opinião é compartilhada por

São Lourenço, desenvolvida pela empresa

muitas pessoas, como Adriano Freitas de

de planejamento urbano Sobloco Constru-

Souza, da Impercalha – Calhas e Rufos. “A

tora, onde ocorreram parte expressiva das

Riviera de São Lourenço é o coração da ci-

contratações. Sua Associação de Amigos

dade, pois oferece aos microempresários e

é a segunda maior empregadora do muni-

prestadores de serviços autônomos traba-

cípio, ficando atrás apenas da prefeitura.

lho o ano todo”, explica. “Acredito, inclusive,

Além disso, o comércio, hotelaria, restau-

que o bairro seja a maior fonte de empregos

rantes e serviços no bairro planejado geram

e geração de impostos para a cidade de

número signifcativo de postos de trabalho.

Bertioga. Na baixa temporada, ela continua

A Riviera funciona como um motor

aquecendo o mercado de trabalho, propor-

para Bertioga, pois garante fomento eco-

cionando a muitos pais de família emprego.

nômico, criação de empregos e investi-

Bertioga é o corpo e a Riviera, o coração;

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Foto: Arquivo

A importância da Riviera de São Lourenço na economia de Bertioga


bairro necessitam dos produtos e serviços que a cidade oferece. Em nossa empresa, por exemplo, o público da Riviera representa mais de 80% do nosso faturamento mensal e, indiretamente, sustenta cinco famílias. Na alta temporada, esse número pode passar de oito famílias”, ressalta Leandro. Tais opiniões são compartilhadas pelo prefeito de Bertioga, Caio Matheus: “O

“

empreendimento contribui significativamen-

A Riviera de São Lourenço é o coração da cidade, pois oferece aos microempresários e prestadores de serviços autônomos trabalho o ano todo” Adriano Freitas

te para o desenvolvimento da cidade. Além de ser responsável pela geração de milhares de empregos diretos e indiretos, tem participação relevante na receita tributária”. Para se ter uma ideia disso, a Riviera de São Lourenço gera cerca cinco mil empregos diretos e dez mil indiretos, gerando

se ela parar, o corpo todo para”, completa. De fato, a Riviera de São Lourenço mesmo ocupando apenas 1,8% do território, responde por aproximadamente 50% do seu IPTU arrecadado no município de Bertioga. “Isso mostra sua importân-

para o município uma renda de aproximadamente R$ 200 milhões / ano em massa salarial. São pessoas que trabalham diretamente no bairro, principalmente nos setores de serviços, comércio e construção. Afinal, essa união é antiga. A Riviera de

cia como fonte de receitas para a cidade. O seu impacto positivo é relevante para o crescimento econômico e sua concepção evidencia como um espaço pode ser urbanizado de maneira sustentável”, salienta Luiz Augusto Pereira de Almeida, diretor de Marketing da Sobloco. Leandro Oliveira, da Bem-Estar Ar Condicionado, concorda com o impacto positivo e vai além, destacando a importância do bairro para os negócios de Bertioga. “A Riviera de São Lourenço, economicamente falando, é de uma enorme importância para Bertioga. E isso vai além dos empregos criados internamente no bairro”, comenta. “Sua importância econômica reflete-se em toda a cidade de Bertioga, uma vez que os proprietários e turistas que frequentam o Sistema Costa Norte de Comunicação

“

Sua importância econômica reflete-se em toda a cidade de Bertioga, uma vez que os proprietários e turistas que frequentam o bairro necessitam dos produtos e serviços que a cidade oferece. Leandro Oliveira Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

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São Lourenço começou a ser planejada em 1979 e Bertioga emancipou-se politicamente em 1991, no dia 19 de maio. Nessa trajetória, o bairro ajudou muitas pessoas a encontrarem oportunidades de trabalho e de crescimento profissional, como o microempresário Israel Martins Rodrigues, da Guanambi Marmoraria, que chegou à cidade em 1991. “Eu vim de Guanambi, na Bahia, para trabalhar como caseiro”, relembra. “Depois de algum tempo, abri uma empresa de transporte e terraplenagem e, desde 2017, uma marmoraria. Todo comércio e negócios giram em torno da Riviera de São Lourenço. Se tivéssemos mais cinco bairros como ela,

“

Assim que iniciei o curso me apaixonei. A professora foi maravilhosa e nos incentivou muito a fazer dessa habilidade um trabalho” Graciete Lima de Oliveira

seríamos o município mais rico do Brasil”. quando vim para a Fundação 10 de Agosto

Fundação 10 de agosto

28

estava com uma situação financeira compli-

Para que as pessoas possam aprovei-

cada. Assim que iniciei o curso me apaixo-

tar as oportunidades abertas pelo bairro,

nei. A professora foi maravilhosa e nos in-

também é necessário preparo. Nesse sen-

centivou muito a fazer dessa habilidade um

tido, a Riviera de São Lourenço contribui

trabalho”, conta. “Depois que fiz o curso de

efetivamente, pois mantém a Fundação 10

costura, comecei a buscar, cada vez mais,

de Agosto, entidade com 26 anos de ativi-

conhecimento. Hoje, a costura é minha prin-

dades, que atende por ano cerca de 900

cipal fonte de renda e já estou construindo

pessoas entre jovens e adultos. Para as

meu próprio ateliê”, comenta.

crianças e adolescentes, entre cinco e 18

Em 2018, cerca de 900 pessoas

anos, é promovida a convivência social e

passaram pelos cursos de capacitação

comunitária; na faixa etária de 16 e 50 anos,

da Fundação 10 de Agosto. Ao longo

a organização realiza cursos profissionais

do ano, foram oferecidos 25 cursos dife-

para inserção no mercado de trabalho.

rentes ao longo do ano, dentre os quais

“A procura é muito grande, princi-

informática (iniciante, intermediária, avan-

palmente na área de zeladoria, por conta

çada), informática com práticas adminis-

da Riviera de São Lourenço”, explica o ge-

trativas, atendimento ao cliente, cozinha

rente da entidade, Denis Hartung. “Ofere-

básica, moda e costura, panificação, elé-

cemos cursos que ajudam a cidade e as

trica básica, manutenção e limpeza de

pessoas a terem crescimento pessoal e

piscinas, hidráulica básica, zeladoria com

profissional”, completa.

foco em gestão de pessoas.

Uma dessas pessoas é Graciete

No total, cerca de 22 mil pessoas, dentre

Lima de Oliveira, que fez o curso de costu-

crianças, jovens e adultos, puderam participar

ra em 2017. “Eu trabalhava como diarista e

das atividades oferecidas pela entidade.

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Programa Clorofila

ceptível no cotidiano das nossas unidades

Além das boas práticas que Riviera de

escolares, não somente no aspecto físico,

São Lourenço promove, com um eficiente

por meio das hortas, canteiros e árvores

sistema de captação, tratamento e distribui-

plantadas e cultivadas, mas também pelo

ção de água e coleta e tratamento de es-

comportamento apresentado pelos nos-

goto e um amplo serviço de gerenciamento

sos alunos.” Destaca o dirigirente Regional

de resíduos sólidos, como a coleta de lixo

de Ensino – Região Santos, João Bosco

e materiais recicláveis, o bairro planejado

Arantes Braga Guimarães.

também se empenha para conscientizar

O programa envolve não só os estu-

as novas gerações sobre a importância do

dantes, mas também professores, dire-

meio ambiente.

tores e coordenadores das escolas pú-

Nesse contexto, destaca-se o Pro-

blicas e particulares. Os familiares dos

grama Clorofila de Educação Ambiental, que

alunos participam de oficinas de culinária

há 27 anos leva conhecimento e educação

sustentável, cursos e plantio de hortas

ambiental às escolas de Bertioga. “Por meio

domésticas, jardim e arborização dos es-

de ações de conscientização, queremos que

tabelecimentos de ensino. Os trabalhado-

os jovens compreendam o importante papel

res das creches e de entidades sociais

que desempenham na preservação do meio

da cidade e a sociedade em geral tam-

ambiente e nas relações entre as pessoas e

bém estão integrados, atuando em ações

a cidade onde vivem”, explica a diretora da

como plantio de mudas e paisagismo e

empresa de planejamento urbano Sobloco,

eventos como a Caravana da Primavera,

mantenedora do Programa Clorofila, Beatriz

Feira do Meio Ambiente, Parada Ecológi-

Pereira de Almeida.

ca, além de cursos de horta, práticas sus-

Atualmente, o projeto engloba 24

tentáveis, artesanato e culinária saudável.

escolas públicas e particulares, atendendo

Para realizar o programa, a Soblo-

cerca de 16 mil crianças e jovens dos ensi-

co mantém uma equipe exclusiva e per-

no Fundamental e Médio.

manente, constituída por uma educadora

“Não conheço outra ferramenta peda-

ambiental e uma engenheira agrônoma,

gógica que seja tão completa e que en-

além de especialistas para a formação

volva a construção de conhecimentos, do

de educadores e jovens alunos e de um

que o Programa Clorofila. Ele oferece a

time de apoio para a realização de todos

oportunidade de enriquecimento curricu-

os trabalhos. A dedicação desse time ga-

lar em todas as áreas do conhecimento.

nhou o reconhecimento e a confiança dos

A evolução do Programa é facilmente per-

educadores da cidade.

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Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

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Foto: Silvio Dutra

Um verão de máximas Números do consumo comprovam crescimento da taxa do turismo na cidade, na alta temporada

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O verão 2018/2019 foi marcado por

nos

esgotos.

Em

informou

levantamento, que,

a

um calor excessivo. Em quase todos os

companhia

somente

dias, a sensação térmica ficou acima dos

entre janeiro e fevereiro de 2019, foram

40ºC e, à noite, na faixa dos 30ºC, confor-

retiradas 34,3 toneladas de lixo das

me dados do aplicativo (app) The Weather

peneiras e gradeamentos das estações

Channel. Além da temperatura em si, o sol

de bombeamento e tratamento de esgoto

também protagonizou os dias, e a estação

de Bertioga. O volume é alarmante,

foi de baixa incidência de chuvas, se com-

principalmente, porque esse número

parado há anos anteriores, com os meses

representa 90,2% do total recolhido em

de dezembro e janeiro, conforme dados

todo o ano de 2018.

do CPTEC/INPE. Se, para algumas pessoas, o calor foi um pesadelo, para outras, trans-

Foto: Divulgação Sabesp

formou Bertioga em um paraíso terrestre; maior número de turistas aproveitou o tempo para nadar, se bronzear nas praias da cidade, e se refrescar nas cachoeiras. O crescimento da taxa do turismo, no período, pode ser comprovada com a alta do consumo, em vários setores, a exemplo da geração de resíduos sólidos, conforme dados da Terracom, empresa responsável pela coleta de lixo na cidade. No Réveillon, o lixo recolhido somou 35 toneladas, somente na orla. A quantidade representa quase metade do

Foto: JCN

recolhido em todo o mês de fevereiro, que foi de 88,85 toneladas de resíduos. Para melhor dimensão do consumo e descarte de resíduos sólidos do período, no município, vale um comparativo: durante todo o mês de dezembro de 2018 houve um descarte total de 3.231,63 toneladas de lixo na cidade. Enquanto isso, no mês de janeiro, somente nas praias foram recolhidas 165,14 toneladas. Se a grande demanda de turistas é boa, por um lado, por outro, aumenta alguns problemas, como o indicativo preocupante, divulgado pela Sabesp, referente à quantidade de lixo descartado

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No mês de janeiro, foram recolhidas 165,14 toneladas de resíduos sólidos nas praias. Das redes coletoras de esgoto foram retiradas 34,3 toneladas entre janeiro e fevereiro

Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

31


Foto: Diego Bachiega Sabesp investe em obras para atender demanda crescente do município

Segundo explica a concessionária,

abastecimento de água e coleta e trata-

esse descarte irregular compromete o fun-

mento de esgotos, a Sabesp informou que

cionamento do sistema de coleta, pois o

totalizou R$ 264,3 milhões em dez anos,

material pode entupir a rede coletora, so-

entre 2007 e 2017.

brecarregar a rede e danificar tubulações, ocasionando problemas mais graves.

O superintendente da companhia na Baixada Santista, engenheiro Sérgio Bekerman, detalha: “São mais de R$ 70

32

Investimentos em saneamento

mil por dia, em melhorias do saneamen-

Quanto aos investimentos na cida-

to em Bertioga. Com isso, conseguimos

de, para o bom funcionamento de toda a

nos anteceder aos novos empreendimen-

rede de saneamento, que compreende o

tos imobiliários da região e assim, manter,

Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

Sistema Costa Norte de Comunicação


“

São mais de R$ 70 mil por dia, em melhorias do saneamento em Bertioga. Com isso, conseguimos nos anteceder aos novos empreendimentos imobiliários da região e assim, manter, com qualidade, a cobertura e o

Foto: Marcos Pertinhes

atendimento da Sabesp” Sérgio Bekerman com qualidade, a cobertura e o atendimento da Sabesp. Em 10 anos, o número de domicílios na cidade ligados às redes da companhia aumentou em quase 55%, de 20.529 residências, em 2007, para 31.814, em 2017”. Além dos investimentos já realizados, ocorrem outras obras no município, entre as

estações elevatórias (para bombeamento);

quais a ampliação do esgotamento sanitário

3,3km de linhas de recalque (tubulações

do bairro Rio da Praia. A previsão é de que

pressurizadas); e 18,1km de redes coletoras.

os trabalhos demandem o aporte de cerca

Com isso, será possível ligar, ao término do

de R$ 11,84 milhões. No local, será realizado

empreendimento (previsto para 2021), cerca

um conjunto de intervenções, como quatro

de dois mil imóveis ao sistema de esgoto.

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Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

33


Foto: Marcos Pertinhes Elektro registrou, na temporada de verão, consumo 8,3% superior ao mesmo período de 2018

34

Consumo energético

motivos para esse crescimento deve-se ao

O aumento exponencial de pessoas

uso massivo de ar-condicionado.

na cidade, entre dezembro e fevereiro,

A empresa informou que, para aten-

por sua vez, foi medido pela Elektro,

der o período, foram realizadas ações pre-

concessionária de energia elétrica que

ventivas e montado um plano de contingente,

atende o município; ela registrou, em

com mais equipes e instaladas em posições

Bertioga, um consumo 8,3% superior ao

estratégicas para vencer o trânsito, conside-

mesmo período de 2018, com uma demanda

rado pela Elektro o maior desafio na tempo-

de 97,76 MW, conforme informou. Um dos

rada para o atendimento às demandas.

Foto: Diego Bachiega Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

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Foto: Aluizio Durço

Trilhas ecológicas inspiram aventura e conhecimento Na imensidão verde de Bertioga, despontam caminhos ainda desconhecidos a ser estruturados e abertos à visitação em breve

36

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Trilha Ribeirão dos Monos

Potencial latente de Bertioga, o

natureza oferece, a área é perfeita para

ecoturismo adquiriu nova perspectiva

observação de aves, estudos e expedi-

quando, no início desse ano, abriram-

ções fotográficas.

-se mais de uma dezena de trilhas

Anteriormente, às agências e

localizadas no Parque Estadual da

monitores, só era possível ofertar duas

Restinga de Bertioga, o Perb. Duran-

trilhas, abertas em 2015, na área admi-

te muito tempo, discussões e estudos

nistrada pela Fundação Florestal, órgão

foram realizados até que se chegasse

do governo do estado. O aumento no

à liberação para percurso monitorado,

número de trilhas ocorreu após duas

em quase sua totalidade.

entidades, do município, assinarem um

A caminhada por um dos últi-

Termo de Autorização de Uso, para mo-

mos remanescentes de restinga, em

nitoria ambiental. As associações Ber-

alto estágio de conservação, em todo

tioguense de Ecoturismo (Abeco) e de

o estado, com ricas fauna e flora, é o

Monitores Locais (Amolb) são respon-

aspecto mais rudimentar dos passeios,

sáveis pelo controle de acesso, limpeza

no entanto, os visitantes podem aprovei-

e manutenção das trilhas; disposição

tar para se aventurar no rapel, trekking,

de monitores capacitados; e garantia de

tirolesa e muitas outras atividades. Para

segurança aos visitantes. Além disso,

quem prefere se ater e admirar o que a

elas devem oferecer a gratuidade dos

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Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

37


des de Bertioga reforça a importância para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do turismo. “[Isso] gerará novas oportunidades de negócio no âmbito turístico local, comunitário e proporcionará a captação de recursos públicos e privados para conservação,

“

Foto: JCN

“A entrada na Mata Atlântica sem conhecimento ou preparo específico para o local pode causar riscos ao aventureiro” Letícia Trindade

pesquisa, educação ambiental e turística nas áreas em que a Abeco desenvolverá as atividades”. Letícia esclarece que, a entrada na Mata Atlântica sem conhecimento ou preparo específico para o local pode causar riscos ao aventureiro, daí a importância de se contratar um monitor, que ofereça segurança e respon-

38

serviços de monitoria ambiental a alu-

sabilidade com a área de preservação.

nos e professores de escolas públicas

A abertura oficial das trilhas re-

e promover serviços voluntários de me-

sulta de parceria entre a Secretaria de

lhoria no parque.

Turismo, Esporte e Cultura, da prefeitu-

Para a presidente da Abeco, Letí-

ra, e a Fundação Florestal. O secretá-

cia Trindade, a escolha de duas entida-

rio Ney Carlos da Rocha acredita que,

Foto: AluizioRevista Durço Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

Foto: Via Eco

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Foto: Diego Bachiega Belíssimo cenário do ponto final da trilha Casa de Pedra, do rio Itapanhaú. Na página ao lado, queda d´água da trilha Véu da Noiva (Cachoeira do Elefante)

com essas novas possibilidades, o mu-

-prego e muitas aves e pássaros tam-

nicípio pode se destacar no segmento:

bém pode ser notada.

“Eu te garanto que, daqui a dez anos,

No intuito de manter o local sem

talvez menos, veremos Bertioga ser ro-

maiores impactos ambientais, e para a

tulada como a capital do ecoturismo de

segurança e bem-estar dos visitantes, a

São Paulo”.

Abeco recomenda algumas orientações

Das 12 trilhas liberadas, somen-

de vestuário e práticas. Para a vestimen-

te a de Itaguaré é autoguiada, ou seja,

ta, recomenda-se o uso de roupas le-

não precisa de monitor. Para conhecer

ves, calçados adequados para caminha-

as demais, os interessados devem pro-

da, repelente, boné e chapéu. Também

curar as agências e monitores devida-

é indicado que se leve lanches, água,

mente cadastrados com as associações

roupas e calçados para troca, capa de

responsáveis.

chuva, roupas de banho e toalhas. O visitante não deve levar fru-

Atrativos

tas cítricas nem usar perfume. Para o

Em quase todas as trilhas do Par-

acondicionamento do lixo produzido,

que Estadual da Restinga de Bertioga

cada pessoa deve carregar consigo

(Perb), devido ao alto grau de preser-

uma sacolinha.

vação, não é difícil aos visitantes de-

Para se ter uma ideia das belezas

pararem-se, no meio do caminho, com

contidas nessas trilhas, a de Guaratu-

pegadas de onça, anta, porco-do-mato

ba, a primeira da lista a ser aberta para

e jaguatirica. A presença de macacos-

visitação, em 2015, possui dois belos

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e refrescantes atrativos para os visitantes: o Poço do Limão e a Cachoeira do Guaratuba. Nela, é possível observar a mata paludosa e a floresta de encosta. O percurso também conta com área de charco, no qual erguem-se árvores de médio e grande portes, com alta densidade de trepadeiras e bromeliáceas. As demais trilhas, até a publicação desta edição, estavam em discusFoto: Via Eco

são entre as entidades responsáveis, para o estabelecimento dos cuidados e manutenção necessários à visitação, motivo pelo qual há poucos detalhes sobre elas. A seguir, as características básicas de cada uma.

Foto: Luísa Tavares

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Foto: Aluizio Durço

Trilha de Itaguaré, a única autoguiada. Ao lado, trechos das trilhas D´Água e de Guaratuba

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As trilhas Guaratuba • Distância total (ida e volta) – 7,3km • Tempo – 6h de percurso completo • Nível de dificuldade – médio Trilha D’água • Distância total (ida e volta) – 6,4km • Tempo – 4h de percurso completo • Nível de dificuldade – baixo (precisa de barco para um trecho) Torre 47 (foto ao lado) • Distância total (ida e volta) – 7,6km • Tempo – 4h de percurso completo • Nível de dificuldade – baixo Itatinga • Distância total (ida e volta) – 6km • Tempo – 7h de percurso completo • Nível de dificuldade – baixo (precisa de barco para um trecho) Vale Verde • Distância total (ida e volta) – 5km • Tempo – 4h de percurso completo

42

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• Nível de dificuldade – baixo (tem acesso para veículo 4x4 até o rio Itapanhaú) Casa de Pedra do rio Itapanhaú • Distância total (ida e volta) – 5km • Tempo – 4h de percurso completo • Nível de dificuldade – baixo (tem acesso para veículo 4x4 até o rio Itapanhaú). Véu da Noiva (Cachoeira do Elefante) • Distância total (ida e volta) – 14km • Tempo – 8h de percurso completo • Nível de dificuldade – alto (trechos alagados, cânions e escalada) Família Pinto • Distância total (ida e volta) – 4km • Tempo – 4h de percurso completo • Nível de dificuldade – baixo (tem acesso para veículo 4x4) Garganta do Gigante • Distância total (ida e volta) – 18,7km • Tempo – 14h de percurso completo • Nível de dificuldade – alto (trechos alagados, cânions e escalada)

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Foto: Wagner Tinga

Itaguaré • Distância total (ida e volta) – 3km • Tempo – 2h de percurso completo • Nível de dificuldade – baixo Ribeirão dos Monos • Distância total (ida e volta) – 12km • Tempo – 10h de percurso - única com apenas um sentido. Início pela trilha do Guaratuba e final pelo rio Itaguaré, sentido rodovia Rio-Santos • Nível de dificuldade – alto (trechos alagados, mata fechada e travessia de rio a nado) Morro do Itaguá (Aeromoças) • Distância total (ida e volta) – 8km • Tempo – 10h de percurso completo • Nível de dificuldade – alto (trechos de mata fechada, alagados, cânions e escalada).

*Informações da Abeco

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Foto: Diego Bachiega

Turismo em dois tempos Ações e planos para um setor de grandes expectativas

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Todos os anos, Bertioga constitui-se no destino de milhares de pessoas à procura de praia e sol, fato que gera emprego e renda para atender à demanda da temporada. No entanto, com o término Foto: JCN

do período, a então lotada cidade transforma-se apenas em lembrança de verão. Por isso, a meta da prefeitura do município, aliada ao trade turístico, é modificar o setor, para que obtenha resultados que impulsionem cada vez mais a economia. Uma das metas para atingir tal ob-

“

Não existe uma cidade que se desenvolva turisticamente, sem que o morador goste da cidade, abrace a causa” Ney Carlos

jetivo é o aprimoramento da qualidade do turismo. Assim, a par da movimentação em

Na avaliação do prefeito de Ber-

andamento, pela iniciativa privada, algumas

tioga Caio Matheus, a programação pro-

ações realizadas pelo poder público têm vi-

porcionou resultados positivos e influiu

sado veranistas, ou seja, aqueles que têm

diretamente no franco desenvolvimento

casa em Bertioga, além dos turistas. Desta

do setor. Ele complementou: “O maior

forma, em 2018, foram promovidas ativida-

desafio é quebrar a sazonalidade, am-

des diversas em busca deste público.

pliando o mosaico de atividades turísti-

A estratégia, conforme explicou o

cas na cidade. No momento em que a

secretário de Turismo, Esporte e Cultu-

economia do país está desacelerada, te-

ra Ney Carlos da Rocha, é proporcionar

mos de buscar alternativas para fomen-

uma gama de eventos diferenciados, que

tar o turismo durante o ano todo e é o

façam com que moradores e veranistas,

que estamos fazendo”.

os quais detêm a propriedade de aproxi-

Para ele, o setor é o principal mo-

madamente 40% dos imóveis de Bertio-

triz da economia de Bertioga, tanto, que

ga, tanto aproveitem quanto divulguem a

fortalece direta e indiretamente os mais

cidade. Disse ele: “Ao longo do ano todo,

diferentes comércios e serviços. No sen-

nós tivemos muitas atividades. Na parte

tido de colaborar com a iniciativa privada,

esportiva, por exemplo, fizemos inúmeros

para o desenvolvimento e aprimoramento

campeonatos, e de bom nível, que traz o

do setor, a prefeitura tem oferecido ca-

turista que tem um valor agregado. Quan-

pacitação e participação em importantes

do colocamos várias etapas do campeo-

eventos, que podem atrair potenciais in-

nato de beach tennis aqui, a menor delas

vestidores. A exemplo da principal feira

atraiu 500 pessoas de fora. Então, isso

de viagens e turismo da América Latina,

é muito importante”. Dessa forma, quem

ocorrida no início de abril deste ano, e

possui uma segunda residência na cidade

a qual Bertioga participou, pela primeira

também passa a ter o hábito de conferir a

vez, no estande do governo do estado de

agenda de eventos para permanecer mais

São Paulo, reservado para a Costa da

tempo na cidade, analisa o secretário.

Mata Atlântica e Fundação Florestal.

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lhas abertas, segundo uma das associações responsáveis, aumentou para 12). Apesar de parcerias e ações, ainda Foto: Divulgação WTM Feira de turismo World Travel Market - WTM

existem equívocos quanto às funções do poder público e da iniciativa privada, no setor. A diferença é explicada pelo secre-

Disse o prefeito: “Bertioga tem

tário da pasta, Ney Carlos: “Quem gera ri-

uma vocação natural para o ecoturismo.

queza é a iniciativa privada. O poder públi-

A maior riqueza da cidade é a ambiental

co não gera riqueza. A nossa obrigação,

e temos trabalhado para explorar esse

como poder público, é criar as condições

potencial de forma consciente, susten-

favoráveis para que a iniciativa privada

tável e monitorada. Como resultado

possa trabalhar. É isso que temos que fa-

desse trabalho, recentemente, conquis-

zer e que estamos perseguindo. Quando

tamos a abertura de onze trilhas do Par-

a gente abre o Perb, não é para a pre-

que Estadual da Restinga, mostrando

feitura explorar; é para empresas explora-

que Bertioga não se resume apenas ao

rem. Então, todas as atividades nas quais

turismo de sol e praia; é muito mais que

a prefeitura coloca recurso público, é para

isso. Com cerca de 500km² de território

que o trade turístico, que são as pousa-

e uma rica biodiversidade, o município,

das, hotéis, restaurantes, que são da ini-

em breve, se tornará o maior polo de

ciativa privada, possa faturar. Eles faturan-

ecoturismo do estado de São Paulo”.

do, eles pagam mais impostos, empregam

(Após esta entrevista, o número de tri-

mais pessoas e geram mais riqueza”.


Foto: Diego Bachiega

O Bertioga - Cidade Natal atraiu grande público e deve consolidar-se para o período de festas

Temporada

e prosseguiram durante todo o mês com

Uma amostra das ações no setor

as atrações do Bertioga - Cidade Natal.

pode ser verificada durante a temporada

Disse o secretário: “Foi um sucesso es-

2018/2019, que gerou grandes expecta-

trondoso. Logo depois, começamos a

tivas para o município. Isso porque, uma

nossa temporada de verão. Um Réveillon

das medidas adotadas, a divulgação an-

com essa praia lotada, um show da vira-

tecipada da programação para novembro,

da fantástico, e tivemos um conjunto de

preparou o trade e antecipou a vinda de

atividades muito grande em várias áreas,

visitantes à cidade, para aumentar o tem-

justamente para dar entretenimento aos

po de permanência, segundo Ney Carlos.

turistas e moradores, sempre com a preo-

Para atingir esse fim, os eventos

cupação de que toda a família bertioguen-

Foto: Diego Bachiega

do período iniciaram em 1º de dezembro

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se pudesse aderir”.

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47


Foto: Diego Bachiega

Praia Music, outro evento de sucesso da temporada divulgado com antecedência, para garantir a vinda de turistas

Segundo ele, foram oferecidas 41

cita o aspecto histórico-cultural da cida-

atividades em pouco mais de 60 dias de

de, atrelado, principalmente, ao Forte São

temporada. Entre elas, um dos destaques

João e aos acontecimentos da época de

foi o Praia Music, que trouxe artistas reno-

sua fundação. Ele lembra que de Bertioga

mados e populares da música nacional,

partiram as caravelas para a fundação de

como Alok, Roupa Nova, Ferrugem, Nego

São Vicente e do Rio de Janeiro, e aqui se

do Borel e Maiara e Maraísa. As apresen-

produzia o óleo de baleia que iluminava as

tações ocorreram em espaço montado no

cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Indaiá, que atraiu centenas de pessoas aos

A prefeitura possui planos e ações

shows. Os eventos também prestigiaram

a ser implementados em outros nichos do

artistas locais; mais de uma centena deles

turismo, como o náutico, esportivo, reli-

integraram diferentes atrações gratuitas.

gioso e científico.

Na opinião do secretário, a programação, aliada a um janeiro de muito sol e pouca chuva – o que é raro no verão –, colaborou para a melhor temporada da cidade. “Quem veio para a cidade, viu que poderia ficar mais tempo porque tinha o que fazer. Muita gente se motivou para vir. […] Se conseguirmos uma forma de motivar as pessoas, que tenham residência de verão, que venham e fiquem mais tempo, só nisso aquecemos a economia da cidade significantemente”. Todas as ações, atrativos e o tra-

além do período da temporada, cujo potencial turístico também deve ser exaltado,

franca expansão, como há seis anos”.

devido à sua riqueza. Entre os atrativos, ele

Caio Matheus

balho junto ao trade turístico, acredita Ney Carlos, têm surtido efeitos e, para ele, já tem despontado a cidade na lista dos destinos mais desejados. Além das praias e trilhas, o secretário destaca os atrativos para

48

“

O turismo é, sem dúvida, a principal motriz da economia do município. Direta e indiretamente, o comércio, gastronomia, hotelaria e diversos serviços acabam sendo fortalecidos em função do turismo. Em seguida, vem a construção civil, embora não viva um momento de

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Amor à primeira visita, e para sempre Histórias de quem conheceu Bertioga, apaixonou-se, e aqui decidiu construir seu lar

50

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Foto: JCN

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Bertioga Do alto do morro diviso recorte antigo. Águas conhecidas, paisagem incansável, retrato de vida, pedaço de mim, começo, meio e fim. Terra revisitada, perene, estável. Do alto do morro reverencio tua constância, sentinela e guardiã zelosa dos meus segredos e temores, doce carcereira de minha vida e dos meus mortos. Bertioga! Miguel Bichir - advogado, professor e escritor Foto: JCN

O poema Bertioga revela um pouco

mento de pertencimento colabora com o

do amor pela cidade, sua história e meio

desenvolvimento de Bertioga e das co-

ambiente, pela ótica do caiçara Miguel Bi-

munidades que a compõem. Quem mora

chir, que cresceu junto com o município e

há muito tempo na cidade nota que, a

acompanha de perto seu desenvolvimen-

cada ano, uma nova roupagem, costu-

to. Nestas breves linhas, ele delineou a

rada por mudanças, a reveste - reflexo

sensação de quando, aos sete anos, foi

do crescimento daquela que é conside-

erguido pelas mãos de seu avô, no alto

rada a de maior aumento populacional

do morro da Prainha Branca, na vizinha

em todo o estado, no período de 2010

Guarujá, e pôde avistar a orla da praia da

a 2015, segundo levantamento da Fun-

Enseada; foi uma mescla de êxtase e es-

dação Sistema Estadual de Análise de

tranhamento, impossível de explicar.

Dados (Seade).

Apesar de a maioria da popula-

Entre tantas pessoas - atualmen-

ção atual ser integrada por migrantes,

te cerca de 60 mil habitantes -, muitas

a sensação vivenciada pelo caiçara, há

são as histórias de amor pelo município,

cerca de 60 anos, repete-se em muitos

cada uma delas com suas peculiarida-

dos que chegam e aqui escolhem ficar.

des. Selecionamos algumas, uma pe-

A chegada à cidade ocorre pelos

quena amostra dos muitos habitantes

motivos mais diversos, mas, o amor pela

que, a par de seus defeitos, tentam

cidade é o que faz permanecer; o senti-

fazer dela um lugar melhor para se viver.

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Luisa Helene - Tranquilidade e natureza Quem se interessa por teatro e cultura, em Bertioga, já deve ter ouvido falar da artista Luisa Helene e do ator global Daniel Ribeiro. Eles mantêm não apenas uma hospedaria, no bairro de Guaratuba, mas um espaço para projetos culturais. No É agora, José, o casal concretiza planos e deixa sua marca. O desejo de sair da capital iniciou há oito anos. Na época, eles já frequentavam Bertioga, mas a identificação surgiu mesmo quando conheceram o bairro que se tornou seu lar. Luisa e Daniel vieram passar uns dias na cidade, durante o verão de 2011, e conhece-

Foto: Divulgação

ram o local, que se encaixava em suas personalidades e suas buscas. Luísa lembra que se apaixonou pela estrutura do loteamento, com as casas meio es-

condidas na vegetação. “Aí entramos na praia e ficamos malucos – Guaratuba, há oito anos, não tinha ninguém, mesmo em janeiro. O encontro do mar com o rio, e aquele fundo de morro; ficamos completamente apaixonados”. Apesar da vontade de sair de São Paulo, a oportunidade surgiu há cinco anos. A procura pelo imóvel perfeito teve muitas histórias, mas, no fim, eles encontraram seu lar, doce lar. O espaço perfeito para abrigar seus projetos, entre eles a Biblioteca Comunitária Ponto do Saber; uma arena para saraus e apresentações; e a vontade antiga dos dois: a hospedaria É Agora, José. Ou-

“

Foto: Arqui vo Pessoal

Eu acho que Bertioga é uma cidade que precisa muito trabalhar a questão do pertencimento. A gente ouve isso muito”

52

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tra iniciativa que começou no local foi o Quintal do José, no qual Luisa Helene desenvolve seus trabalhos voltados à educação, sua área profissional. O projeto Quintal do José é uma

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Biblioteca Comunitária Ponto do Saber, um dos projetos culturais instalados no quintal do casal, em Guaratuba

comunidade formada por famílias edu-

para doar um pouco do que tínhamos

cadoras interessadas em pensar educa-

a oferecer em uma cidade que carecia

ção e praticá-la de maneira alternativa.

ainda nesta área, que é a arte”. Ela opi-

Disse ela: “A gente propunha algumas

na que o município precisa trabalhar a

atividades dentro das linguagens ar-

questão do pertencimento, para que

tísticas e sempre passando por essa

seu crescimento ocorra conforme os

questão do olhar para o meio ambien-

anseios de sua população – e que ela

te, muito voltado para a autonomia e a

também a construa. Para ela, quanto

criatividade, alguns valores e questões

mais pessoas procuram firmar moradia

que achávamos fundamentais para o

aqui, maior a tendência da construção

desenvolvimento humano e pouco valo-

de uma cidade mais completa e harmo-

rizadas pela escola”.

niosa. Isso porque, como no seu caso, elas começam a contribuir com seu co-

Pertencimento

nhecimento e oferecer produtos e ser-

Os projetos desenvolvidos po-

viços ainda não existentes na região.

dem causar estranhamento, no entan-

Para a artista, aqueles que vêm

to, Luisa Helene encara a implantação

para Bertioga, em busca por um lugar

e o desejo de contribuir com a cidade

melhor para viver, terão um olhar dife-

como algo muito natural. “Na época

renciado e colaborarão na transforma-

que viemos para Bertioga, pensávamos

ção da sociedade e do espaço para

muito também em sair de São Paulo,

seu aprimoramento.

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Vanuzia Teixeira de Souza Família Uma vida dividida entre Águas Formosas, em Minas Gerais, Guarujá e, definitivamente, Bertioga. A jornalista mineira Vanuzia Teixeira de Souza veio ainda bebê, com sua família, para a cidade. Seu batismo foi realizado na Igreja Matriz, em 1977, aos dois anos. No entanto, a família enfrentou dificuldades e voltou para a cidade natal.

“Aos meus olhos era tudo muito diferente. E hoje eu me questiono sobre isso. Eu acho que, quando as pessoas de fora vêm para Bertioga, a impressão que elas têm quando entram, é uma das melhores. Claro que temos nossos problemas sociais, os núcleos habitacionais, só que, essa parte, esse aconchego que você tem quando entra na avenida 19 de Maio, é uma sensação que não dá para explicar”.

Cinco anos depois, retornou para fixar residência em Guarujá, no distrito de Vicente de Carvalho. Vanuzia lembra que, na infância, vinha quase todos os finais de semana sim sua família prosseguiu sua relação com Bertioga até 1992, quando houve

F o t o : Rena ta de Brit o

para Bertioga, na casa de parentes. As-

uma oportunidade de emprego e decidiram se estabelecer aqui. Vanuzia teve primeiro que terminar o semestre escolar e deixar o emprego que havia conquistado por meio do Círculo de Amigos do Menor Patrulheiro (Camp) de Guarujá. Então, em julho, ela deixou os amigos e conhecidos para morar em uma nova casa, um novo município. O impacto e receios de uma vida nova a deixaram quando entrou na avenida 19 de Maio, e teve uma sensação que nunca mais a abandonou: “Foi amor à

“

O poder de transformação está muito mais nas mãos dos moradores, da sociedade civil, do que do próprio poder público”

primeira vista”. Naquele momento, ela percebeu “a grandiosidade, a simplicidade e a beleza natural que a cida-

54

Orgulho de Bertioga Quando chegou, ainda no fim de

de tinha”. Na época, a cidade ainda

sua adolescência, ela disse ter começa-

pertencia a Santos, e a via de entrada

do a se descobrir como cidadã e pes-

ao município tinha muitos coqueiros,

soa, e começou a se envolver com Ber-

estava nos seus primórdios, e o aces-

tioga e suas necessidades. “Eu queria

so para a praia a partir dela era feito

uma cidade melhor, uma cidade que as

por uma ‘viela’, relata.

pessoas tivessem orgulho”, comenta.

Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

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O tempo passou e, quando co-

sas pela valorização do município.

meçou a fazer parte do quadro de fun-

Atualmente, Vanuzia conta que

cionários da prefeitura, envolveu-se com

continua a participar da busca por uma

outras histórias e obteve novos aprendi-

cidade melhor e a propor projetos. “Ber-

zados. Em um dia de 2013, pôde de-

tioga, para mim, é uma mãe que me aco-

monstrar o seu amor pela cidade em

lheu, que me deu oportunidade de apren-

ações. Quando trabalhava na Casa dos

der tudo o que sei. Tudo o que sou hoje

Conselhos, a funcionária pública Cleide

eu devo a esse município. Tenho uma

Silva a procurou com a ideia de promo-

gratidão muito grande por Bertioga, e não

ver uma ação pelo aniversário da cida-

admito que ninguém fale mal da minha ci-

de. Assim surgiu o grupo Apaixonados

dade. Onde eu estou, e estiver, eu falo

por Bertioga, que realizou ações diver-

com muito orgulho que sou de Bertioga”.

Foto: Marcos Pertinhes Grafite de rua no Caminho São Lino, uma das atividades do grupo Apaixonados por Bertioga

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Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

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Ilza e Odair Furquim - Boas recordações e voluntariado O simpático casal Ilza e Odair Furquim tem muitas boas histórias para contar dos anos que passaram como turistas, veranistas e, depois, moradores de Bertioga. As recordações são várias, e deixam um gostinho de nostalgia, de uma época que não volta mais. Entre tantas lembranças, as ações amor pela cidade; eles deixaram marcas nas áreas da saúde, esporte e cultura. O casal começou a frequentar a cidade na década de 1980, como hóspedes em uma pousada, no Jardim São Lourenço, na qual passaram muitos bons momentos. Nestas idas e vindas da capital, Ilza e Odair

um i Ki tam ura

“

Não é só o baile, nós nos envolvemos com as pessoas”

presenciaram a construção do primeiro

areias da praia da Enseada – única passa-

prédio na Riviera de São Lourenço, os pri-

gem, na época, para transitar entre os bair-

mórdios da rodovia Mogi-Bertioga e viram

ros localizados ao norte da região central.

muitos carros atolarem e ser resgatados das

56

ay :M Foto

pelo município e seus moradores mostram o

Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

Na pousada onde costumavam ficar,

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conta Ilza, já havia um jipe para ajudar na

Mormaii e Rip Curl, para premiar os jovens

retirada dos carros, sobretudo com a alta

atletas em campeonatos no próprio muni-

da maré. Na condição de turistas, eles co-

cípio. Um dos principais prêmios da época

gitaram comprar um imóvel em São Louren-

foi uma passagem aérea. “Em termos de

ço, mas acabaram decidindo pelo Centro,

premiação, eram os melhores campeonatos

devido à proximidade dos equipamentos de

que tinham na Baixada Santista. Então a ga-

saúde e comércio. Nesta época, a prefei-

rotada vinha - e também porque eu fazia uma

tura, hospital e a delegacia, por exemplo,

divulgação em que a colocação saía nos jor-

estavam instalados na praça Vicente Moli-

nais, revistas. Podia não ter ganho, mas es-

nari, recorda o casal. Em 1986, dois anos

tava no ranking”.

após a compra do terreno, construíram a sua casa, inicialmente, para veraneio.

Os dois lembram com carinho quando a casa ficava cheia de atletas, os carta-

Durante este tempo, ao ver o gosto

zes pintados à mão, com canetinha, para ser

da filha caçula pela prática do bodyboard,

afixados nas lojas, e os kits preparados pela

Odair também se envolveu e começou a le-

família. A participação de Odair na Asub se

var os surfistas da cidade para outras cida-

encerrou alguns anos depois, após mudar

des, em busca de ondas. O empenho não

de emprego, o que o impossibilitava de pros-

parou aí, e ele se voluntariou para integrar a

seguir com a promoção dos campeonatos.

Associação de Surfe de Bertioga (Asub), na

Quando decidiram morar em Ber-

qual obteve patrocínios de empresas como

tioga, no ano de 2000, suas filhas já eram

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Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

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independentes. Uma delas deixou o país

noites de domingo, eles realizam o projeto

para morar no Canadá; a outra mudou para

Harmonia, que promove dança de salão,

Piracicaba e a caçula estudava em Santos.

para todas as idades, no Quiosque 2 da

Nessa época, Ilza decidiu entrar para a Pas-

praia da Enseada. A iniciativa, idealizada

toral da Criança, onde foi eleita coordenado-

pela professora Dayse Camargo, comple-

ra, em Bertioga, e permaneceu por mais de

tou seis anos em janeiro.

seis anos. Para desempenhar sua função,

A música ao vivo, a dança e a ani-

que acredita se assemelhar, atualmente, aos

mação contagiante atraem cada vez mais

agentes de saúde, ela frequentou conselhos

participantes, e costuma reunir entre 50 e

municipais relacionados ao tema. O intuito

150 pessoas para aproveitar a noite. Odair

era reduzir a mortalidade materno-infantil.

Furquim explica o motivo de sua realização

As líderes faziam visitas para orien-

aos domingos: “A gente faz o baile para os

tar as gestantes, falar sobre amamentação,

moradores. Se eu estivesse preocupado

e até mesmo ensinar a preparar a chamada

em atrair turista, veranista, faria no sábado.

multimistura, para as crianças subnutridas.

É para o pessoal da cidade que não tinha

“Naquela época, conseguimos reverter, não

lazer antes do Harmonia”. Além do lazer, em si, Ilza conta que

acabar de vez, mas conseguimos muita coisa”, analisa.

o Harmonia tem colaborado na autoestima e na melhora do ânimo de pessoas que, por

Artes

exemplo, estão passando por tratamento

Atualmente, o casal é mais conheci-

contra o câncer ou sofrem de depressão.

do por seu envolvimento com as artes. Nas

No espaço, também são iniciadas amiza-

“...Para tantos é

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ESSE FAZ A DIFERENÇA!

Bertioga, Para nós, é nosso Lar”

Dra. Débora 28 Pereira Sistema Costa Norte de Comunicação


Foto: Dirceu Mathias Baile do projeto Harmonia, realizado pelo casal nas noites de domingo, na praia da Enseada

des e até relacionamentos amorosos – um

Furquim é com a pintura coletiva. Para isso,

dos casais do Harmonia já constituiu família.

ele desenha em quadros e orienta sobre as

O projeto também reuniu os integrantes do

cores que devem ser usadas, e todos po-

grupo Alma de Maré, que promove espetá-

dem participar da pintura, posteriormente

culos de ritmos e danças brasileiras.

sorteada entre eles.

Além do Harmonia, eles também

Apesar de tanto empenho pela cidade

participam, há muitos anos, do Sarau Arte

ainda ser algo incomum de ser visto, Odair

Buriqui, idealizado por Marcelo Bokermann.

comenta: “É uma coisa natural, de procurar

O evento mensal promove um coletivo ar-

fazer alguma coisa boa para as pessoas. É

tístico, nas mais diferentes vertentes, seja

uma preocupação com a população em si,

música, pintura, fotografia, teatro, entre ou-

para que eles tenham uma vida melhor”. E

tros. A contribuição do artista plástico Odair

Ilza finaliza: “Quer amor maior do que esse?”

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Foto: JCN

Riviera de São Lourenço

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Verde, um chamariz insubstituível Setor imobiliário considera a preservação da natureza um dos pontos fortes de atração para investidores

A natureza preservada de Bertioga pode ser sentida já a partir do ar que se respira, puro e úmido; quanto mais próximo estivermos do maciço verde que ladeia o setor urbano, mais ele se faz presente. A diversidade de espécies típicas da Mata Atlântica hipnotiza quem está desacostumado com um cenário tão exuberante. Estes dados não são os únicos, mas, certamente, os mais influenciadores da valorização da cidade por quem nela reside e por aqueles que desejam adquirir um imóvel, seja para morar ou para passear, em busca de usufruir de seus benefícios.

“

Foto: Mayumi K ra itamu

Você sai daqui do Centro e vai até Boraceia, pega a pista e vê como é gostoso, como tem verde aqui dentro. É isso que as pessoas querem” Pedro Alves Cabral

Na opinião de quem atua no ramo imobiliário há décadas, a maioria das

terior em pleno litoral, comenta Pedro,

pessoas que escolhem a cidade para

transmitem tranquilidade e, ele acredita

morar, vem em busca do ‘ouro verde’,

ser essa a cidade do futuro, pois, mes-

como o denomina Pedro Alves Cabral,

mo com o metro quadrado mais valori-

da Ramon Alvares Associados: “Esse

zado do que em outros municípios, os

ouro verde representa mais de 90%

interessados compreendem a associa-

de área verde que temos no município,

ção direta deste alto custo à escassez

algo que não tem em outra cidade da

de áreas ainda disponíveis, tal a quanti-

região. Isso, pela minha experiência, é

dade de território preservado, garantia

uma das coisas que têm atraído bastan-

de que ela permanecerá verde.

te o público”.

Para ele, um dos principais fato-

As características naturais de

res que contribuiu com esta preserva-

Bertioga, com jeitinho de cidade do in-

ção é o Plano Diretor vigente, de 1998,

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que possibilitou o crescimento gradati-

ser organizado pelo Plano Diretor, bem

vo da cidade com relação à construção

como por meio de projetos de parce-

civil. Além disso, alguns parâmetros do

lamento de solo. O planejamento deve

documento consistem em atrativo extra

contemplar áreas de habitação popu-

aos olhos dos compradores, que é a

lar, inclusive, projetos que contemplem

reserva de área verde nas construções.

segurança, gerenciamento de resídu-

Um quadro que torna ainda mais

os, desenvolvimento sustentável e res-

importante as discussões para a ela-

64

peito ao meio ambiente”.

boração de um novo Plano Diretor de

Em sua avaliação, a maior parte

Desenvolvimento Sustentado de Ber-

das pessoas, que se interessam e se

tioga. Quem comenta é Moira Cestari

propõem a investir em um imóvel aqui,

Ribeiro, diretora da Praias Paulistas S.

é formada por turistas com interesse no

A: “Mais de 90% do município de Ber-

setor náutico, “um potencial que deve

tioga são compostos por parques, área

ser explorado e que gerará muitos em-

de preservação permanente (APP) e

pregos e renda para o município”, de-

reservas legais. O crescimento pode

talha Moira, principalmente, devido ao

Revista Especial 19 de Maio - Bertioga 28 anos - 2019

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Foto: JCN Praia da Enseada, na região central da cidade

canal de Bertioga e ao rio Itapanhaú.

áreas, existem em seu território duas

O tipo de moradia escolhido tam-

grandes regiões de preservação per-

bém tem mudado com o passar dos

manente, o Parque Estadual da Res-

anos, segundo analisa Ruben del Rio

tinga (Perb), com cerca de nove mil

Gonzalez, proprietário da Ruben Imó-

hectares, e o Parque Estadual da Ser-

veis. Para ele, atualmente, a maior pro-

ra do Mar (Pesm) – Núcleo Bertioga,

cura é por apartamento, na faixa dos R$

com aproximadamente 24 mil hectares.

450 mil,

utilizado quase sempre para

Ambos foram criados em 2010 e são

veraneio por um público predominante-

geridos pela Fundação Florestal, órgão

mente da classe média, cuja preserva-

do governo do estado.

ção é fator primordial para seus clientes.

O Pesm-Núcleo Bertioga é considerado um marco na conservação da

Preservação

Mata Atlântica da região, sendo o tre-

Para mensurar a proporção da

cho mais preservado do litoral paulis-

conservação ambiental em Bertioga,

ta. O Perb, adjacente, é uma área de

basta verificar que, além de outras

restinga considerada em estudos da

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Foto: JCN Praia de Itaguaré

WWF-Brasil e o Plano de Manejo do

dimensão dos parques: cada hectare

Pesm como importante corredor biológi-

corresponde a um campo de futebol,

co entre ambientes marinho-costeiros, a

portanto, somente as duas áreas ocu-

restinga e a Serra do Mar.

pam o equivalente a 33 mil campos de

É possível fazer uma comparação, a grosso modo, para visualizar a

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futebol. A área total de Bertioga é de aproximadamente 49 mil hectares.

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Foto: Diego Bachiega

Respeito em todas as estações Município possui leis e regras para coibir má conduta de turistas e, também, de moradores, de forma a garantir um ambiente agradável para todos. Basta seguir!

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Foto: JCN

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A temporada de verão muda a rotina dos moradores de Bertioga, que se preparam todos os anos para receber turistas em uma quantidade de até cinco vezes a sua população. Comércios, ruas e praias da cidade ficam lotados, o que é comum por ser uma estância balneária próxima à capital e com facilidade de acesso. No entanto, os abusos cometidos por alguns visitantes incomodam e podem causar má impressão sobre o município. A falta de respeito chega a causar revolta e discussões nas redes sociais, nas quais não faltam flagrantes de churrasco na praia, acampamento irregular, entre outras situações registradas nas últimas temporadas – como o título de um filme de terror repleto

“

Foto: JCN

Eu acho que teve uma fiscalização maior, até nessa gestão, e, principalmente, nesta última temporada, mas o problema é que temos muitas leis principalmente estaduais e municipais, só que, hoje, nossa oferta de fiscalização no município é muito baixa”. Matheus Rodrigues

de clichês, não há quem desconheça o que os chamados ‘farofeiros’ fizeram nos verões passados.

maior cobertura territorial. Ele explica:

Regramento para coibir os mais

“Eu acho que a aplicabilidade da lei é

variados casos, que se agravam no pe-

boa, pena que não temos a fiscalização

ríodo, existe, mas, ainda assim, é difícil

ideal. Eles (GCM) são cedidos diaria-

ser cumprido, já que a extensão territo-

mente de um setor para outro”.

rial a ser atendida impossibilita que um

O vereador comenta uma das

contingente cada vez menor de guar-

situações com a qual se deparou com

das civis municipais (GCM) possa es-

frequência na virada de ano, nas ruas

tar próximo das ocorrências.

perpendiculares à praia. “As ruas late-

Apesar dos absurdos cometi-

rais aos prédios estavam tomadas por

dos, principalmente nas praias, o atu-

carros com colchões dos lados. As pes-

al presidente da Comissão de Obras,

soas estavam dormindo nas ruas. Este

Meio Ambiente e Turismo (Comatus) da

é um mau turista, porque esse cara ja-

Câmara de Bertioga, o vereador Ma-

mais viria para consumir e se hospedar

theus Rodrigues (DEM), acredita que,

em algum local de Bertioga”.

na temporada 2018/2019, a incidência

Por isso, ele acredita que, quan-

foi menor, o que ele atribuiu a uma fis-

do o regramento passa a funcionar,

calização mais efetiva. No entanto, não

com uma fiscalização efetiva, esse tipo

descarta a necessidade da contrata-

de visitante é filtrado e há uma valoriza-

ção de novos agentes da guarda, para

ção de bons turistas e moradores.

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Foto: Dirceu Mathias A baleia não é lugar de subir. Está na regra e na placa ao lado do bonito monumento da orla

Equipamentos da praia

quer área pública; andar de bicicleta

Em dezembro de 2014, o então

no passeio público; caminhar, sentar

prefeito Mauro Orlandini estabeleceu,

ou permanecer na ciclovia; utilizar a

pelo decreto 2.245/14, a proibição de

ducha da praia para outro fim que não

algumas das más condutas nos equi-

seja o de banho rápido e sem utilização

pamentos da orla da praia da Enseada.

de sabonete e xampu, bem como reti-

Infelizmente, muitas delas são comuns,

rar água em vasilhas para dar qualquer

ainda. O intuito da iniciativa era garan-

outro uso; e praticar slackline (corda

tir a boa utilização do novo projeto de

bamba elástica), em área diversa da

reurbanização da área, assinado pelo

pré-estabelecida pela prefeitura.

renomado arquiteto Ruy Ohtake.

70

Na opinião do vereador Matheus

Para regular o uso do espaço

Rodrigues, é necessário mais ordena-

e equipamentos, ficou vedado: subir

mento para esta área, pois, sem o qual

e escorregar nos monumentos, como

todos são afetados de alguma maneira.

as baleias; pisar, sentar ou deitar nas

Para isso, ele destaca uma ação que

áreas públicas, tais como as áreas

apresentou na Câmara neste ano: a im-

gramadas; fazer piquenique nas áreas

plantação de placas na área da orla,

gramadas, passeios, calçadas e quios-

com indicações sobre as atividades

ques sem autorização; acampar ou

desautorizadas e cabíveis de punição.

montar barracas no calçadão ou nas

A proposta é promover a conscientiza-

áreas gramadas, bem como em qual-

ção e educar para práticas salutares.

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Foto: JCN

“Se pensarmos em criar um pouco mais de regramento para esse pedaço, e soubermos como regrar um pouco mais o nosso turista […], eu acho que a coisa começa a mudar um pouco e começaremos a filtrar um pouco o tipo de turista que queremos”, ressaltou. Na opinião do vereador, se somassem aos regramentos já existentes a ‘ousadia’ de tirar o estacionamento da praia, para implantar uma nova estrutura para turistas, inibiria de 50% a 60% os abusos cometidos por maus turistas.

Som alto Nas casas de veraneio e em carros estacionados na avenida da praia, não faltam músicas para todos os gostos. É comum as pessoas exacerbarem e incomodarem em qualquer horário.

Matheus Rodrigues é simpático à ideia de tirar o estacionamento da praia, para implantar uma nova estrutura para turistas

Apesar de haver um consenso da existência e funcionamento da chamada

ser superior a 60 decibéis. Já à noi-

Lei do Silêncio, pouco se sabe sobre

te, das 22h01 às 23h59 horas, o limite

os limites impostos e punições.

tolerado é de 50 decibéis; a partir da

Apesar do conhecimento geral,

meia-noite, é de 45 decibéis. Às sex-

o regramento não consta no Código

tas-feiras, sábados e em véspera de

Civil Brasileiro, mas é definido por mu-

feriados é admitido, até às 23 horas,

nicípios, que estipulam seus próprios

o nível de decibéis correspondente ao

parâmetros legais. Em Bertioga, a lei

período vespertino.

1.101/14 regula a emissão de ruídos ur-

Calculadas pela Unidade Fiscal

banos e estabelece critérios de inten-

de Bertioga (Ufib) de 2019, as multas

sidade conforme o horário. Para sua

para quem desobedecer a norma vão

aplicabilidade, são considerados dois

de R$ 351,82 a R$ 7.036,40, confor-

tipos de fontes emissoras: a fixa (insta-

me o grau da irregularidade, que pode

lada em imóvel) e a móvel (instalada em

ser leve, média, grave ou gravíssima.

veículos motorizados).

Quando houver reincidência, o valor

Segundo a regra, a intensida-

pode triplicar.

de sonora, das 7h01 às 19 horas, não

Os casos devem ser denuncia-

pode ultrapassar 70 decibéis; enquan-

dos ao Departamento de Operações

to das 19h01 às 22 horas, não pode

Ambientais (DOA) pelo telefone (13)

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3317 7073 e para a Guarda Civil Mu-

com R$ 3.200 por ônibus.

nicipal, no 153. Quando se tratar de

No litoral norte, integrado pelas

frequências sonoras superiores ao

cidades de Caraguatatuba, Ilhabela,

permitido em veículos, as denúncias

Ubatuba e São Sebastião, foi criado

podem ser feitas à Diretoria de Trân-

um grupo para discutir e adotar me-

sito e Transportes, pelo telefone (13)

didas para coibir este tipo de turis-

3319 9200.

JCN mo. Em Ilhabela, por exemplo,Foto:sequer

é permitida a entrada de ônibus com

Taxa de entrada

esta finalidade.

Por vezes, polêmico, o estabele-

Em Bertioga, o turismo de um dia

cimento de taxas para ônibus, vans e

se enquadra na taxa de tipo 1, destina-

micro-ônibus em cidades litorâneas é

da a veículos do gênero com destino a

utilizado para regular a entrada massi-

balneários e campos de futebol. Por ela,

va de pessoas para turismo de um dia.

devem ser pagos R$ 2.126,11, para ôni-

A maior taxa é cobrada em Guarujá,

bus, e R$ 1.063,05, para micro-ônibus.

Foto: JCN

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Mesmo quem entra no município para maior tempo de permanência, precisa pagar a taxa tipo 2, para hospedagem. Nessa modalidade, ônibus pagam R$ 60,75 e micro-ônibus, R$ 45,56, independente do número de dias na cidade. Segundo a prefeitura, o maior número de solicitações recebidas vem deste tipo, sendo emitida uma média de 70 autorizações por semana. Para isso, os responsáveis devem enviar à prefeitura os dados de destino e estacionamento, previamente, além de efetuar o pagamento correspondente. À entrada no município, sem a devida autorização, cabe autuação e recolhimento do veículo; a liberação ocorre somente após o pagamento de multa de R$ 3.518,20. O valor pode ficar ainda mais pesado, conforme os dias que o mesmo ficar recolhido; dessa forma, será adicionada diária de R$ 197,02, sem contar o guincho, de R$ 422,18. A prefeitura informou que todas as taxas e multas arrecadadas destinam-se 50% para o Fundo Municipal de Turismo (Fetur) e 50% para o

Foto: JCN Descartar resíduos sólidos de modo correto e respeitar as áreas ajardinadas são bons exemplos

Fundo Municipal de Segurança Pública (Funseg). Os valores são fixados pela Lei Complementar 117/2015.

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Informação, estilo de vida, mercado, clima, esportes e tudo mais o que acontece na região ao seu alcance.

Sistema Costa Norte. O litoral em suas mãos

(13) 3317-1281

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PLANEJAMENTO PARA GERAR EMPREGOS, RENDA E OPORTUNIDADES, INSPIRAR PESSOAS E TRANSFORMAR VIDAS.

A Riviera de São Lourenço é parceira de Bertioga em diversas frentes de trabalho, gerando dividendos econômicos, sociais e ambientais. São mais de 5 mil empregos diretos, programas de responsabilidade social

a Riviera é um grande patrimônio da cidade.

Parabéns Bertioga pelos seus 28 anos. Estamos orgulhosos de fazer parte de seu desenvolvimento.


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