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Revista Especial Bertioga 2007

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Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2007 | Edição especial de emancipação: Bertioga 16 anos | Página 1

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Editorial

Um presente para você! Sabemos que é tradição no Brasil, como em outras localidades do mundo, um aniversariante receber presentes no dia de seu aniversário. Da mesma forma, os municípios, Estados e países têm a data, considerada tão especial, festejada com diversificados tipos de recordações e eventos. Assim, neste 19 de maio, em que se saúda 16 anos de emancipação político-administrativa de Bertioga, a cidade também será presenteada, entre outros, com este suplemento especial. Entretanto, diferente dos demais anos, dessa vez, decidimos focar a publicação em algumas das pessoas – ou de seus descendentes – que participaram efetivamente da história, ajudando assim, a construir o município. A idéia é revelar as principais lembranças da época de suas chegadas e o convívio em solo bertioguense. Também procuramos mostrar como ocorreu o desenvolvimento e o crescimento da cidade, quais os desafios enfrentados e quem está elevando o nome de Bertioga, além das fronteiras do município. As expectativas futuras e o potencial turístico disponível nessa cidade que não aparenta a idade que tem também são destacados. Elaboramos ainda um painel de fotos (distribuído entre as páginas 01, 04, 06, 18, 47, 59, 61 e 64), com imagens antigas e atuais, nas quais o leitor poderá apreciar as mudanças ocorridas, com o passar dos anos. Para isso, tivemos a preocupação de dispor as imagens em páginas casadas, que poderão ser destacadas da publicação para a formação de um painel decorativo. Este é o presente da equipe do Sistema Costa Norte de Comunicação a todos aqueles que habitam – ou não –, amam e lutam por uma Bertioga a cada dia melhor. Boa leitura! Lúcia Bakos

íNDICE 01/64 04/61 05 06/59 10 12 14 18/47

Painel fotográfico Painel fotográfico O começo de tudo painel fotográfico a busca pela emancipação personalidades da história lembranças da antiga vila painel fotográfico

24 28 34 40 48 52 53 56 62

presença marcante locomotiva do crescimento brilhando lá fora exemplo a ser seguido o boom imobiliário paraíso ecológico perspectivas futuras atrativos turísticos dados do município

Expediente Jornal Costa Norte Edição especial de emancipação: Bertioga 16 anos Maio de 2007 Diretor presidente: Reuben Nagib Zaidan Diretora Administrativa: Dinalva Berlofi Zaidan Edição: Lúcia Bakos (MTb 39.479) Textos: Wanda Fernandes (MTb 27.885) Fotos: Pedro Rezende (MTb 32.068) Colaboração: Cristiano Pires, Eliana Cirqueira, Fernando Rossoni, Ricardo Facco e Roberto Berlofi Zaidan Redação e publicidade: Av. 19 de Maio, 695, Jardim Albatroz, Bertioga / SP - Fone: (13) 3317-1281 E-mail: costanorte@costanorte.com.br Site: www.costanorte.com.br

Capa: Vista aérea da região central de Bertioga

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Forte São João - Bertioga - SP/Brasil

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História

A cidade que não aparenta a idade que tem Embora tenha apenas 16 anos de emancipação políticoadministrativa, Bertioga foi o primeiro povoado de apoio para a colonização do Brasil

Bertioga faz 16 anos de emancipação político-administrativa, mas tem um corpo bem mais velho, já que sua história se confunde com a da colonização do país. Conhecida inicialmente como Buriquioca – que em tupi-guarani significa Morada de Macacos – a cidade foi o primeiro povoado de apoio para a colonização do Brasil, e só não foi também o do país porque, conforme consta na história, o militar português Martin Afonso de Souza teria sido convencido pelo explorador João Ramalho. Conforme historiadores, o período do século XVI foi marcado por grandes conquistas dos navegadores da Coroa de Portugal. Antes da chegada dos portugueses, Arquivo CN

a então Buriquioca era habitada por índios tupiniquins e tupinambás. Da chegada de Pedro Álvares Cabral, em 1500, e após três décadas, as poucas povoações em terras brasileiras eram as feitorias de embarque de pau-brasil. Acredita-se que antes mesmo da fundação de São Vicente, Bertioga já era visitada por portugueses.

inimigos da Coroa Portuguesa.

Em 1531, Martin Afonso de Souza chegou

Porém, por conta dos danos causados

ao Brasil, pensou em se estabelecer na região,

pelas freqüentes investidas dos índios, a capi-

porém, como não havia água potável de fácil

tania de São Vicente acabou determinando a

acesso, aceitou a sugestão de João Ramalho a

construção de uma nova fortaleza. Então, em

seguir em direção ao sul, onde fundou a Vila de

1547, a fortificação ganhou muros de alvenaria

São Vicente, em 22 de janeiro de 1532.

de pedra e cal.

Mas, a pedido do próprio João Ramalho,

Nessa época, um núcleo de povoamento já

Martin Afonso teria deixado alguns homens

havia se instalado na linha da praia, defendida

no lugarejo para construírem uma espécie

pelo outeiro de Buriquioca, mais tarde conhe-

de fortim. Dentre os portugueses que ficaram

cido como Morro da Senhorinha.

em Buriquioca estavam Diogo Braga e seus

Em 1547, o Forte São Tiago sofreu o primeiro

filhos João, Diogo, Domingos, Francisco e An-

ataque dos índios tupinambás, que viviam em

dré. Além da construção da fortaleza, os seis

Ubatuba. Conta a história que em uma noite,

ficaram responsáveis também pela formação

eles se aproximaram da fortaleza em 70 canoas

da primeira colônia na região.

e assaltaram a fortificação.

Primeira do país

para uma casa de pau-a-pique e se escon-

De acordo com o que consta na história, Bertioga foi o primeiro povoado de apoio para a colonização do Brasil

Os mamelucos e portugueses teriam corrido

A fortificação de madeira, denominada São

dido. Os tupiniquins teriam fugido para as suas

Tiago, tinha como objetivo proteger a entrada

casas, mas acabaram não resistindo. O con-

de Bertioga, evitar a invasão de piratas, índios e

flito vencido pelos tupinambás resultou no Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2007 | Edição especial de emancipação: Bertioga 16 anos | Página 5

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Acompanhe o antes e o depois...

Atual Parque dos Tupiniquins e Forte São João, a primeira fortaleza do Brasil, no ano de 1906

Detalhe de uma das guaritas do Forte

Vista externa do Forte São João, quando Bertioga ainda era distrito de Santos

Píer de atracação das barcas de passageiros, quando ainda não havia balsas para a travessia de veículos

Igreja São João Batista, em 1944

Forte São João, em 1951, visto da praia da Enseada e área onde hoje fica o Parque dos Tupiniquins

Passageiros na barca da Companhia Santense, único meio de transporte entre Bertioga e Santos

Moradores e visitantes à espera da embarcação no Canal

Visão geral da rua da Saudade, na Vila Durval

Canal de Bertioga, avistado do mar

Escola Vic. Carvalho, em 1945, onde hoje funciona a Casa da Cultura

Canal de Bertioga visto do centro da Vila

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massacre de muitos inimigos e na destruição do sítio Buriquioca que foi incendiado.

e Paranapiacaba. José de Anchieta ficou refém dos tupinam-

Confederação dos Tamoios

bás por um mês, enquanto Manoel da Nóbrega retornara com alguns índios para afiançar o

A paz entre índios e brancos só foi possível

cumprimento do Armistício de Iperoig (Ubatuba).

ocorrer no ano de 1563, quando os padres jesuí-

O tratado estabelecido propunha a paz entre ín-

tas Manoel de Nóbrega e José de Anchieta deixa-

dios, portugueses e seus descendentes.

ram Santos em direção a Bertioga. Os religiosos ficaram abrigados por cinco dias na fortaleza,

Novos reparos

antes de seguirem para Ubatuba. A missão

Foi também de Bertioga que a esquadra

de paz foi realizada durante a Confederação

de Estácio de Sá - sobrinho do governador-

dos Tamoios - denominação dada à revolta

geral do Brasil, Mem de Sá, saiu, em 1565,

Ao contrário do passado, com batalhas entre índios e brancos, cidade tem hoje ar calmo e agradável

liderada pela nação indígena Tupinambá que ocupava o litoral norte paulista, começando por Bertioga e litoral fluminense, até Cabo Frio, envolvendo também tribos situadas ao longo do Vale do Paraíba, na Capitania de São Vicente, contra os colonizadores portugueses, entre 1556 a 1567, embora tenha-se notícia de incidentes desde 1554. De acordo com historiadores, cerca de 20 mil guerreiros, comandados por Coaquira, Aimberê, Cunhambebe e Pindobussu estavam preparados para a descida. O alvo principal era Bertioga, por seu canal ser ponto estratégico para a entrada na baía de Santos e São Vicente. Porém, os indígenas também pretendiam atacar Gaioá

Arquivo CN

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para fundar a cidade do Rio de Janeiro. Mas

defender a região da ameaça alemã, du-

somente no ano de 1699, que o forte de Buri-

rante a II Guerra Mundial (1939 a 1945). De-

quioca sofreu novos reparos. Em 1765, ele

pois disso, o espaço alojou o destacamento

ganhou uma capela e recebeu o nome de

da Força Pública, hoje denominada PM (Polí-

São João. A forma atual foi assumida em 1817,

cia Militar) do Estado.

com a intervenção do oficial José Felizardo. A

Atualmente, a fortaleza mais antiga do Brasil

partir de então, o forte passou a centralizar

fica localizada no Parque dos Tupiniquins, uma

o desenvolvimento de um povoado de pes-

área verde entre a praia da Enseada e o Ca-

cadores e depois do balneário de Bertioga.

nal de Bertioga, no centro da cidade.

Sua última ocupação militar foi como quar-

Com uma vista privilegiada, o Forte São

tel de pelotões e vigilância do 4º e 6º Batal-

João é um dos pontos turísticos mais freqüen-

hões de Caçadores, que tinha como objetivo

tados do município.

Arquivo CN

O forte são joão foi considerado pelo iphan como o mais conservado do país

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Desafio

A luta pela independência eleitoral de 1988 foi determinante para o sucesso do segundo plebiscito (o primeiro deles ocorreu, sem sucesso, no ano de 1958) realizado para saber a opinião dos residentes sobre a questão. Até então, segundo ele, nunca nenhum morador havia disputado uma cadeira no Legislativo santista. Ele teria sido um dos primeiros a registrar candidatura. “Me lancei candidato pelo PL e logo vieram outros, como Renato Faustino, Toninho Rodrigues e Antônio Duarte”, afirma. Na ocasião, Bertioga tinha pouco mais de dois mil eleitores e, embora nenhum dos candidatos do então distrito de Bertioga tenha conseguido se eleger, o resultado trouxe um novo ânimo ao movimento emancipalista. “Levamos o resultado das urnas e juntamos ao processo. Cerca de 80% dos moradores votou em candidatos do distrito, ou seja, revertemos o processo, por que até então, 99% dos eleitores votavam em candidatos de Santos”, explica.

Conquista de autonomia da

O ano de 1992 ficará para sempre registrado

Busca legal

na lembrança dos bertioguenses. Isto por que,

Zaidan acredita que este fato demonstrou

naquela época, a pacata cidade do Interior,

claramente que os moradores de Bertioga não

com 11.473 habitantes – e estimativas de cerca

queriam mais que o distrito pertencesse a San-

participação de muitos

de 20 mil –, se preparava para a sua primeira

tos. “A comissão de emancipação, liderada por

moradores

eleição municipal. A ansiedade era grande para

Licurgo Mazzoni, da qual também fazia parte,

saber quem seria o primeiro prefeito do municí-

começou buscar legalmente, junto a Assem-

pio recém-emancipado. Porém, o processo para

bléia Legislativa de São Paulo, a aprovação da

transformar a cidade independente de Santos foi

lei que permitiria a autonomia do distrito”.

cidade levou exatamente 33 anos e contou com a

longo. Exatamente 33 anos se passaram desde

Para o empresário, os deputados Antonio Salim

a primeira tentativa de emancipação político-

Curiati e Maurício Najar tiveram um papel impor-

administrativa.

tante no processo. “No dia 19 de maio de 1991,

O comunicador Ribas Zaidan, que chegou à

apesar de uma campanha contrária, o plebisci-

região em 1988 e logo se engajou ao movimen-

to aconteceu. O voto não era obrigatório. Mas

to emancipalista, lembra da luta para a conquis-

muitos moradores colocaram seus carros à dis-

ta de autonomia da cidade. E para Zaidan, a

posição para transportar os eleitores, e Bertioga

participação de candidatos locais no processo

conseguiu 95 % de sim”, comemora.

empresário ribas zaidan Página 10 | Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2007 | Edição especial de emancipação: Bertioga 16 anos

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Cronologia

Pérsio (à esq.) foi um dos que liderou o movimento pró-emancipação

O primeiro movimento emancipalista foi liderado por importantes nomes da cidade, entre eles, Aldo Moraes, Humberto da Silva Piques, Névio M. Oliveira Caldas, Epifânio Caldas e a família Costábile. O fato ocorreu em 1948, dois anos depois da prefeitura de Santos elevar Bertioga à categoria de Subprefeitura. Mas o primeiro plebiscito só aconteceu em 7 de dezembro de 1958. No total de 256 eleitores, 219 participaram do pleito, mas a população rejeitou o desmembramento. Em 1979, surge um novo clamor popular pela autonomia política de Bertioga. Uma reunião realizada no Flávio´s Restaurante, no dia 29 de março, com a presença de comerciantes, industriais, imobiliários e profissionais liberais marcou o início do novo movimento emancipalista. Entre eles, estavam Pérsio Dias Pinto, que mais tarde transformou-se na principal liderança do processo, além de Adilson Pires, José Toledo, Licurgo Mazzoni, José Flávio Romero, Ney Moura Nehme, Pacheco Ferreira de Sá, Osvaldo Biel, e Fioravante de Maria. Em 1981, o movimento ganha novamente impulso com a Criação da Associação Comercial, Industrial e Pesqueira de Bertioga. Dois anos depois, o movimento ganha apoio de alguns políticos da Assembléia Legislativa. Uma comissão municipalista foi formada para articular apoio nas Câmaras Legislativas e propor mudanças na legislação. Os integrantes da comissão eram Koyu Iha, Floriano Leandrini, Wagner Rossi, Adhemar de Barros Filho, Clorinda Sampaio, Paulo Sagayar. Segundo historiadores, entre esses, apenas Koyu Yha era contrário

a autonomia do distrito. Em 13 de fevereiro de 1985 é fundada a sociedade Movimento de Autonomia e Emancipação de Bertioga, porém, um ano depois esse movimento pró-emancipação desarticulou-se. Apenas quatro das primeiras lideranças continuaram ativas no trabalho de divulgação e organização do movimento: Licurgo Mazooni, Pérsio Dias Pinto, Jerônimo de Souza Lobato e Eunice Olsen Lobato. Em 1988, os emancipalistas voltaram a desenvolver um trabalho mais atuante após a Constituinte, que possibilitou a reformulação da legislação para viabilizar a emancipação do município. Na época, a legislação federal impedia a tentativa de independência dos distritos, pois exigia que eles tivessem cinco milésimos de arrecadação do Estado. A prefeitura de Santos lutava para continuar com o distrito. Em 1991, apesar das pressões, um novo plebiscito foi marcado para o dia 19 de maio. O processo eleitoral finalmente é realizado. Das 3.925 pessoas que votaram, 3.698 foram favoráveis a autonomia do distrito. Apenas 179 pessoas disseram não a emancipação, 21 votaram em branco e 27 anularam o voto. Seis candidatos disputaram a primeira eleição de Bertioga. Entre eles, ex-administradores regionais: Renato Faustino (PT), Mauro Orlandini (PMDB) e Luis Carlos Rachid (PDS). Os outros candidatos eram Pérsio Dias Pinto (PDT), principal articulador do movimento emancipalista; Arthur Richter (PTB), diretor da Sobloco, em Bertioga, e o comerciante Eráclito Medeiros do Santos (PTdoB). No dia 03 de outubro de 1992, o arquiteto José Mauro Dedemo Orlandini (PMDB) é eleito prefeito de Bertioga, com 2370 votos, derrotando Luís Carlos Rachid (PDS), que obteve 2.313 votos. O segundo colocado chegou a pedir impugnação do processo eleitoral, mas não conseguiu mudar o rumo da história. Em 1º de janeiro de 1993, Orlandini toma posse como primeiro prefeito eleito do município recém-criado.

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Ilustres

Desde uma rápida passagem até a uma vida inteira, Bertioga sempre HOSPEDOU personalidades da história

De Anchieta a Antônio Ermírio de Moraes O município de Bertioga já abrigou várias per-

nambás, durante o período que ficou preso em

sonalidades da história do Brasil. Pelo Forte São

Iperoig (Ubatuba). Conforme a história, os índios

João, por exemplo, passaram os padres jesuítas

ficavam impressionados com as noções de me-

José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, que

tereologia, medicina e até de psicologia, que

tinham a missão de catequizar os índios. A for-

acabaram por ajudar a salvar sua vida.

taleza também foi morada do famoso artilheiro

O alemão foi libertado após um navio francês

alemão Hans Staden – autor da primeira obra so-

atracar em Iperoig, com mercadorias para os

bre a vida das comunidades indígenas no Brasil.

índios. No entanto, para voltar à Europa, teve de prometer que retornaria com muitos presentes.

Indaiá: refúgio para inspirações do Poeta do Mar Conhecido como o ‘Poeta do Mar’, Vicente de Carvalho, que eternizou Bertioga em suas obras literárias, morou na cidade no período de 1917 a 1923. A casa que escolheu como recanto ficava no bairro Indaiá. As belezas naturais do canto da praia, onde hoje fica a residência do empresário Antônio Ermírio de Moraes, foi o refúgio escolhido pelo poeta santista. Diz a história que a paixão pelo local surgiu em um passeio de barco pelas praias do litoral paulista, em 1917. O acesso era difícil, mas isso não o impediu de construir uma casa de madeira com paredes duplas, que teria sido inspirada nas construções de amigos que moravam em Santa Catarina. Logo, a casa do poeta virou palco de convidados ilustres, passando a ser sede de reuniões Ilustração

políticas, com intelectuais da época. Segundo historiadores, na casa do Indaiá, Vicente de

pADRE jOSÉ DE aNCHIETA

A história de Staden no Brasil começa quando

Carvalho hospedou personalidades como o

ele resolve viajar para a Índia e embarca em um

presidente Washington Luiz, José Maria Whitaker,

navio que levava carga de sal para Portugal. Em

Samuel Toledo e Macedo Soares.

Lisboa, ele conhece um alemão que o apre-

O nome do bairro onde viveu também teria

senta como artilheiro ao capitão Penteado, que

partido do poeta, advogado e jornalista que ba-

tinha o Brasil como destino. Staden segue primei-

tizou sua casa como Sítio do Indaiá, em home-

ro então para Santa Catarina, onde chega no

nagem a uma espécie de palmeira da região.

ano de 1549, e acaba sofrendo um naufrágio

Em seu refúgio, ele criou verdadeiras relíquias

durante a viagem à Capitania de São Vicente.

literárias, a maioria tendo o mar como tema cen-

Seus conhecimentos atraíram os portugueses

tral. Vicente de Carvalho deixou obras importantes

que o contrataram para trabalhar nas fortalezas

como ‘Poemas e Canções’, que conseguiu atingir

de São Felipe e São Tiago, em Bertioga.

a 17ª edição, fato inédito na literatura brasileira.

Na época, os índios tupinambás eram influ-

O poeta nasceu em Santos, em 5 de abril

enciados pelos franceses e os tupiniquins pelos

de 1866, onde viveu toda a sua infância. Em

portugueses. Sua grande aventura foi ser cap-

07 de março de 1888, casou-se com Ermelinda

turado e aprisionado pelos índios tupinambás,

Mesquita, com quem teve 15 filhos. Ele viveu

com quem conviveu por cerca de nove meses.

com a família no Indaiá até o ano de 1923. Vi-

Nesse período, ele presenciou a morte de várias

cente de Carvalho faleceu em 22 de abril de

pessoas, cometidas pelos índios que eram cani-

1924, um ano após ter vendido a casa do Indaiá

bais. Por ser diferente dos portugueses (tinha a

a José Ermírio de Moraes, pai do empresário An-

pele branca, olhos azuis e muitos conhecimen-

tonio Ermírio de Morais.

tos), Staden passou a ser respeitado pelos tupi-

Personalidades da história recente do Brasil

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Divulgação

também deixaram suas marcas na cidade. En-

sentava características físicas distintas do verda-

tre eles, o presidente da República, Luiz Inácio

deiro Josef Mengele. Porém, o senador da Repú-

da Silva, que já passou férias em Bertioga, e o

blica, Romeu Tuma, na época delegado da

falecido governador paulista, Mário Covas, que

Polícia Federal e responsável pelas investigações

tinha um amor declarado pelo município.

que localizaram o corpo de Mengele, deu início

Anjo da Morte Embora poucos saibam, foi também em

Antônio Ermírio de Moraes Divulgação

ser do médico alemão a ossada encontrada no cemitério de Embu.

Bertioga que o médico alemão Josef Mengele,

Tuma disse que chegaram ao corpo do na-

conhecido como ‘Anjo da Morte’ nos campos de

zista, depois de obter informações de que ele

concentração nazista, teria passado seus últimos

estaria na segurança de uma família que vivia

instantes de vida.

em São Paulo. “Chegamos a casa, ouvimos a

Mengele foi o principal médico do campo

esposa de um soldado do SS [Serviço Secreto].

de extermínio de Auschwitz, e teria sido o respon-

Ficamos sabendo que foram a um passeio em

sável pela morte de milhares de judeus, além de

Bertioga, Mengele teve um infarto e morreu

outros grupos perseguidos pelos nazistas, como

afogado”, conta. Segundo o senador, o corpo

ciganos e pederastas.

foi liberado pelo IML local e levado para Embu,

A divulgação das atrocidades de Mengele

onde foi sepultado.

levou a criação de um mito popular em volta

Para Tuma, o caso marcou a sua carreira. “A

de sua figura semilendária. Josef Mengele teria

investigação foi intensa, foi um dos casos mais

falecido em 07 de fevereiro de 1979. Mas sua

importantes da minha carreira. Trabalhamos em

morte ainda é motivo de polêmica entre autori-

concordância com a polícia de Frankfurt, na Ale-

dades e sobreviventes do holocausto. Ele teria

manha. Estive lá duas ou três vezes. Fizeram o

sido vítima de um ataque cardíaco enquanto se

teste de DNA numa universidade. As partes do

divertia em uma praia de Bertioga.

corpo de Mengele que levei daqui foram com-

Para algumas de suas vítimas ainda vivas, o Senador Romeu Tuma

a um processo que anos mais tarde confirmaria

homem sepultado no cemitério do Embu apre-

paradas com a de seu filho e ficou comprovado que o corpo era mesmo o dele”, afirma.

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Recordação

‘Causos e lendas’ que não podem ser esquecidos Arquivo CN

Alguns dos moradores mais antigos do município relembram com saudosismo como era a então vila da região

Bertioga de todas as letras, imagens, vozes,

do-as em nossa casa. Minha mãe lavava roupa

culturas, religiões, etnias. Bertioga de todos. Sím-

pra fora e fazia doces para vender na vendinha

bolo da união de milhões de sonhos. E quantos

de papai”, relembra dona Neusa, a filha “caçu-

sonhos. Cidade que já abrigou personagens

la” do “seo” Bichir.

históricos, famosos e ilustres da história do Brasil e

O seu pai também foi o primeiro fabricante

do mundo, mas é em seus moradores que con-

de pinga da cidade. Praia Preta era o nome

serva as tradições, costumes e mantém aceso o

da aguardente, fabricada no engenho dos

saudosismo do tempo em que ela era só uma

Bichir, que ficava localizado na praia de mesmo

pequena vila.

nome, próximo à Prainha Branca, no município

Foi numa tarde chuvosa que as amigas Neusa

de Guarujá. “Eu vou e volto e torno a pedir um

Bichir, 63 anos, e Maria de Lourdes Batista Simões,

litro de praia Preta do Engenho do Bichir”, recita

68 anos, nos receberam para colocar em práti-

dona Neuza, lembrando do “versinho” feito pelo

ca o passatempo preferido: relembrar o tempo

pai, que ficava exposto em sua venda. Segundo

em que Bertioga era tranqüila, as casas tinham

ela, na vila, também havia a Irmandade da Praia

muros baixos e os moradores podiam sair ou dor-

Preta, um grupo formado apenas por homens,

mir com as portas abertas, porque não seriam

que se reunia na localidade para saborear a

saqueados. “Nos conhecemos desde criança,

aguardente fabricada pelo “seo” Miguel Bichir.

tomávamos banho juntas no rio”, conta dona

“Vivemos numa Bertioga tão diferente de

Neusa, referindo-se à amiga Lourdes. “Tenho

tudo. As ruas eram de terra, descia de casa já

saudades da simplicidade, das noites de lua”,

chegava no rio. Quando o mar subia, a água

completa dona Neusa, filha de uns dos primeiros

chegava perto da casa da gente porque não

comerciantes de Bertioga, o sírio-linanês Miguel

tinha muro. Era uma diversão ver as ruas, as ca-

Seiade Bichir.

sas, os jardins. Tivemos que se acostumar aos

“Papai ia a pé daqui até São Sebastião. Ele

poucos com o progresso. Hoje, quando a gente

mascateava e pedia pousada por onde pas-

vê os muros altos dá um choque”, lamenta dona

sava. Numa dessas viagens conheceu mamãe

Lourdes, que afirma com orgulho que participou

– dona Isabel - em Boiçucanga. Quando as pes-

de quase todos os movimentos realizados para

soas vinham para Bertioga, ele retribuía receben-

impedir a verticalização de Bertioga. Mas, em

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D. neusa

D. jamile

parte, sua luta não teve tanto sucesso. A lei que aprova a construção de edifícios em Bertioga acabou sendo aprovada e aos poucos o município já começa a ganhar arranha-céus.

Comércio e ensino Dona Lourdes, que também é filha de um dos primeiros comerciantes da cidade, Ephifânio Batista, proprietário do bar onde atualmente funciona a Pizzaria Pirata, na região central, relata que em frente ao Canal de Bertioga, sempre foi o centro comercial do município. Segundo ela, a primeira padaria, também ficava no local. “Era do João Andrade. Meu pai recebia os soldados Arquivo CN

que serviam no forte, na época da II Guerra Mundial”, diz dona Neuza. “Minha mãe contava que uma vez houve um boato de invasão e as pessoas se esconderam. Todo mundo fugiu para o lado do rio Itapanhaú”, observa dona Lourdes. “Mamãe dizia que foi para o Indaiá”, completa a amiga. E as recordações não cessam. “Estudei na escola Vicente de Carvalho, onde hoje fica a Casa da Cultura. A escola oferecia o ensino até a 4ª série. As pessoas tinham pouco poder aquisitivo, poucos iam para Santos para concluir os estudos. As meninas, depois que concluíam a 4ª série, faziam um curso por correspondência de corte e costura”, recorda dona Lourdes. “A Bertioga antiga era melhor do que a de agora. Não existia luz, mas também não tinha assalto”, compara dona Jamile Bichir Canoilas, 68 anos, que acaba de chegar à conversa e trata logo de se inserir na prosa. A bertioguense também lembra que naquela época, os moradores sofriam pela falta de água encanada. “Tínhamos que atravessar do outro lado do Canal para pegar água ou ir no Morro da Senhorinha”, diz dona Jamile, revelando que no local havia

Dona Lourdes também lembra da dona do

uma nascente, “que infelizmente nunca foi con-

Hotel 27, que naquele tempo era apenas uma

servada”.

pousada, porém a melhor estalagem da vila.

Energia e diversão Dona Lourdes interrompe a amiga para lem-

“Ela ia até a ponte de embarque de coche para receber os hóspedes. Isso nas décadas de 40 e 50”.

brar que a energia elétrica só chegou em 1963.

Outra diversão dos moradores era assistir aos

Os moradores, segundo elas, usavam lampa-

jogos de futebol no campo do Bertioga Fute-

rina e nos comércios havia geradores de ener-

bol Clube. “A Jamile foi a primeira madrinha do

gia. “Pegávamos um copo d´água com óleo e

clube de Bertioga”, conta dona Neusa, enquan-

eram uma

colocávamos a lamparina. Quando inaugura-

to dona Lourdes recorda de dona Vitorina, uma

das diversões

ram a luz foi uma festa, todos jogaram seus flash-

enfermeira da Cruz Vermelha, que trabalhava no

light [lanterna] pra cima”, observa dona Jamile.

posto de saúde. “Ela dava catecismo, organi-

antigas dos

As amigas também contam que, em frente

zava as crianças para a primeira comunhão

ao rio, que hoje dá lugar ao Canal de Bertioga,

e preparava a Festa de Maio da igreja. Era

havia um rancho de sapé, onde eram guarda-

muito querida por todos. Quando coroei Nossa

dos os barcos. “Bertioga era um sossego, o dia

Senhora, tinha 11 anos”, conta a bertioguense,

que vinha parente de alguém, a gente sabia”,

lembrando que a enfermeira “também fez o

diz dona Jamile. “Nosso passeio era esperar as

coração de nossa senhora” dos filhos.

barcas que chegavam”, afirma dona Neuza,

No Carnaval, a diversão era dançar de

que lembra até dos nomes das embarcações:

estandarte na mão. “Saiamos de porta em por-

São Manuel, Atlas e Marçal. A viagem era longa

ta, dançando ‘Chiquita Bacana’. A turma dava

e todos queriam saber das novidades do municí-

dinheiro, que era usado para organizar outras

pio vizinho.

festas”, explica dona Jamile. Segundo ela, no

partidas de futebol

residentes em Bertioga

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grupo, organizado pelas amigas Nilza e Marlene, havia cerca de 10 meninas. É dona Jamile que também recorda que na cidade já havia baile de Carnaval. “Os bailes aconteciam no Clube XV - na casa da dona Acácia - e na sede do Bertioga. Nós chorávamos pra ir, mas papai não deixava”, recorda a moradora.

Pedro Damião e a lenda do Boitatá Num lugarejo onde água e luz, requisitos básicos da civilização, ainda não existiam, as

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pessoas conversavam muito. Era hábito se reunir com amigos para ouvir ‘causos’ e ‘lendas’. As irmãs Bichir lembram do “seo” Pedro Damião, conhecido pelas histórias que contava sobre o Boitatá, que aparecia na Prainha Branca. “Ele morava perto da vendinha de papai, em frente à ponte [píer]. Juntava um monte de gente lá pra ouvir suas histórias e dançar, ele tinha sanfona. Era irmão de dona Candinha. Ele tocava, a gente dançava e acreditava em tudo que ele contava. Tínhamos até medo”, explica dona Jamile.

Mestres e doutores Do lazer aos momentos de dificuldades, as lembranças vão surgindo da mente das três

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D. Lourdes amigas, como a fumaça que saía dos motores das barcas que transportavam os moradores aos municípios vizinhos.

Dona Jamile recorda

que a primeira escola da cidade ficava onde hoje foi construído o prédio da Colônia dos Pescadores do município. “O nome do professor era José Inácio Hora”, afirma, destacando ainda os nomes dos doutores Juracy e Brasilino Vaz de Lima. “Eles eram médicos e atendiam no posto que ficava na casa onde foi a Granja Zilá.” Segundo dona Jamile, na época, como não existia o Posto de Saúde na Vila, ela era atendida pelo doutor Quartin Barbosa, um médico que tinha casa de veraneio em Bertioga e atendia os moradores que precisavam de cuidados quando estava na cidade. Como não havia hospital e o acesso aos municípios vizinhos era difícil, “quando acontecia algum caso que precisava de atendimento médico, o socorro era prestado pela lanchinha da Polícia Militar”, complementa. Já os partos eram feitos em casa, por parteira. “Aqui todos nasceram pelas mãos da dona Maria Hora”, recorda dona Jamile. As amigas lembram ainda que antes do posto de saúde, a cidade contava apenas com um serviço da Cruz Vermelha, que atendia onde atualmente localiza-se a sorveteria Rocha, no centro da cidade. “Um dia, papai se machucou

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Painel

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e teve de ficar aguardando o atendimento da Cruz Vermelha”, conta dona Neuza.

Ajuda solidária A Liga das Senhoras Católicas, formada por senhoras da Capital, também foi lembrada naquela tarde nostágica. “Na época de fim de ano, elas traziam brinquedos para as crianças, roupas e alimentos. Quem participava do caticismo ganhava presente melhor”, lembra dona Lourdes. “Sofro quando desmancham as coisas antigas. Quando desmancharam o posto de saúde, eu não agüentei”, ressalta dona Jamile, referindo-se à área onde foi construído o Parque dos Tupiniquins. Casas antigas foram retiradas do local para dar lugar ao atual parque ecológico. Já dona Lourdes ressalta ter gostado da “limpeza”. Também é dona Lourdes quem lembra que todas as casas tinham “quintal grande com árvores e hortinha”. “Naquele tempo era difícil, mas ninguém passava dificuldade, por isso sou contra esse assistencialismo de ficar dando cesta básica”, diz a moradora, criticando os programas assistenciais do governo federal. Dona Neuza e dona Jamile compartilham da mesma opinião da amiga. As irmãs lembram que passavam o dia inteiro colhendo conchinhas na praia para fazer colares que eram vendidos na Colônia de Férias Rui Fonseca, mais conhecida atualmente como Sesc-Bertioga.

Raízes “Somos raízes nascidas e criadas em Bertioga”. É assim que a professora Izabel do Nascimento Leite, 66 anos, se auto-define ao lado da irmã Ruth Nascimento Mariano, de 72. As duas são filhas do aposentado Rafael Arcanjo Nascimento, de 102 anos, considerado o homem mais velho da cidade.

olho

Nascido em Bertioga, ‘seo” Rafael foi casado com dona Josefina, falecida há 28 anos, tem seis filhos, oito netos, oito bisnetos e um tataraneto. As filhas contam que ele trabalhava como marinheiro na barca da Companhia Santense,

Sr. rafael

d. ruth

Sr. otaviano

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empresa responsável pela travessia SantosGuarujá. “Hoje ele já não conhece direito as pessoas. Todo mundo pra ele é Macalé – o filho mais novo – ou Mariazinha – a mulher que cuida dele”, conta dona Ruth. O marinheiro aposentado Otaviano José Mariano, 74 anos, esposo de dona Ruth, diz que trabalhou na barca da Companhia Santense durante 32 anos. “Antigamente era o marinheiro quem cobrava a passagem. Eram duas horas e meia daqui pra Santos, não tinha maternidade, muitas vezes as mulheres tinham criança dentro da balsa mesmo”, explica Mariano. Dona Izabel endossa as palavras do cunhado, dizendo que “na barca muitos nasciam e morriam”, por conta da dificuldade do transporte.

“Vistam-se bonitinho, porque a barca chegou” Segundo as irmãs, o pai era fanático por futebol. Jogava no Bertioga Futebol Clube e gostava de bailes. Aliás, os bailes, segundo a família, eram uma das poucas atividades existentes em termos de lazer para os adultos. “O Forró da dona Cássia começava sábado à noite. Domingo tinha matinê e ia até de noite. Naquele tempo, em Bertioga todo mundo se conhecia”, diz dona Izabel. “Já mamãe - dona Josefina - era mais reservada, foi criada em colégio adventista, não

com a chegada da barca da companhia

conversava nada de casa com a gente, só lia

santense, o vilarejo ficava sabendo

a bíblia. Antigamente, os pais não tinham muito

das notícias dos municípios vizinhos

diálogo com os filhos. Se eu via alguém de barriga grande e perguntava por que estava assim, ela já brigava”, conta dona Izabel, divertindo-se ao relembrar da situação. As irmãs também falam com saudosismo do tempo em que Bertioga era apenas distrito do município de Santos. “Naquela época éramos mais felizes do que agora, dormíamos de porta aberta. Tenho saudades daquele tempo em que Bertioga era um lugar pacato”, diz dona Izabel. Ao fazer uma viagem ao tempo, elas também se lembram das atrações da época. “Domingo colocava a melhor roupa para ir à igreja e ao

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campo de futebol, e à noite se vestia bonitinha para ver a barca chegar. Queríamos ver o movimento e saber das novidades que vinham de Santos”, conta dona Izabel.

Luz elétrica Dona Izabel conta que as pessoas faziam tochas com bambu que iluminavam o quarteirão inteiro. “Quando saíamos à noite usávamos fashlight”. Já dona Ruth recorda o dia em que a energia elétrica chegou à cidade. “Seo Alberto Alves, administrador de Bertioga, estava logo à frente. Foi uma festa que clareou Bertioga. Veio gente de todas as partes da cidade. Todos colocaram roupa de festa como se fosse domingo”.

Observados pelo então governador Adhemar de barros, moradores quebram candeeiros, lampiões e lanternas, com a chegada da energia elétrica

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“Naquela noite, o pessoal pegou lampião, candeeiro e quebrou tudo, jogou lanterna fora. Teve churrasco, queima de fogos”, conta Antônio Manoel Fonseca Filho, 52 anos, amigo da família, que na época tinha aproximadamente oito anos de idade, mas afirma se lembrar como se fosse hoje o dia em que luz elétrica iluminou Bertioga. “Depois da implantação da Colônia de Férias Ruy Fonseca, a cidade começou a crescer. O Sesc também gerou muitos empregos”, afirma dona Izabel, ressaltando que antes as pessoas viviam da pesca, do corte de palmito, do cultivo de banana e da construção de embarcações de caxeta – madeira leve própria para embarcações.

conforme os mais antigos, cidade começou a crescer após a implantação do sesc-bertioga

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Prestígio

Dona Carmem De caseira a fiel guardiã da casa da família de um dos homens mais bem-sucedidos do país e do mundo Uma impressionante memória sobre cada de-

estimada em US$ 5 bilhões.

talhe e um bom-humor típico de quem não de-

Dona Carmem conta que começou a tra-

limita fronteiras entre o trabalho e o prazer. Assim

balhar aos 18 anos de idade na casa de uma

é Maria do Carmo Quirino dos Santos, dona Car-

família em Santos. Casou-se com ‘seo’ Gonçalves

mem para os íntimos. Nascida em Bertioga, em 16

Laurino dos Santos, que foi ser caseiro da família

de julho de 1929, ela trabalha há mais de 55 anos

Ermírio de Moraes. Quando foram trabalhar no

para a família de um dos homens mais bem-su-

sítio, ela tinha 21 anos. “Trabalho com eles desde

cedidos do país e do mundo: o empresário paulis-

o tempo do Dr. José Ermírio de Moraes [o patri-

ta Antônio Ermírio de Moraes, que muito contribuiu

arca da família]. Eles dizem que eu já estou na

para o desenvolvimento de Bertioga.

quarta geração. Trabalhei lá, fiquei viúva, criei

Entre outras coisas, ele foi responsável pela

meus filhos todos, e lá me aposentei. Dona Regi-

construção da Escola Archimedes Bava, primeira

na [esposa do empresário] não quer que eu faço

escola do Jardim Indaiá, da capela do bairro e

esforço”, afirma dona Carmem, que, embora já

também pela implantação da unidade do Senai

esteja aposentada, permanece na casa, sendo

de Bertioga. Também teria sido o empresário res-

tratada como um membro da família.

ponsável por ceder a área e construir a primeira

A bertioguense da gema revela que há 27

policlínica do município, além de providenciar a

anos ganhou uma casa no sítio da família Mo-

chegada da luz elétrica no bairro.

raes. “O doutor Antônio mandou construir pra

Casado com Maria Regina e pai de nove fil-

mim, mas não é uma casa de caseiro não, tem

hos, Antônio Ermírio é um homem de hábitos sim-

três quartos, sala, cozinha”, frisa, ressaltando que

ples. Costuma ouvir atento aos pedidos de em-

tudo o que precisa, os patrões estão prontos

prego que recebe, ao ser reconhecido nas ruas.

para atendê-la, sobretudo quando tem prob-

Dispensa seguranças e não usa carro blindado.

lemas de saúde. “Se estou com qualquer pro-

Nem aparenta o empresário que, em 1996, foi

blema de doença, eles mandam um carro me

apontado pela revista americana Forbes como

buscar e levar para São Paulo, na Beneficência

um dos mais ricos do mundo, com uma fortuna

Portuguesa [a família Moraes é mantenedora do

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Hospital]”.

Pessoa simples Além da casa no sítio, a aposentada ganhou

Santense e depois uma charrete trazia ele até o sítio. Quando eu era mocinha, ainda não trabalhava lá, a casa era de madeira. O doutor Moraes começou

um terreno dos patrões também no bairro Indaiá.

a construir lá. Depois que os pais faleceram,

Isso foi há 20 anos, e há cerca de três, os Moraes

o doutor Antônio começou a dirigir a casa e os

promoveram a construção da casa onde ela

negócios”.

fica a maior parte do tempo quando os amigos não estão na cidade.

A aposentada diz que um dos passatempos preferidos de José Ermírio de Moraes era

“O doutor Antônio é uma pessoa simples, con-

a pescaria. “Ele gostava de pescar de rede.

versa com todo mundo. Hoje, ele já não sai muito

Vinha um tanto de gente pescar com ele. Já o

de casa quando está aqui. Já vai fazer 79 anos,

empresário Antônio Ermírio, além

em julho. Mas, antes, saia para andar na praia, ia

das caminhadas, que já não são

do Indaiá até o Sesc, caminhava duas vezes ao

freqüentes, adora ler”, relata.

dia”, diz, revelando que as visitas do empresário à cidade são mais freqüentes nos meses de ja-

Visitantes

neiro e fevereiro. Neste período, ele costuma vir

Ela lembra que antes do patri-

para Bertioga todos os fins de semana. “A última

arca da família Moraes falecer,

vez que eles vieram foi no feriado da Páscoa”,

a casa era muito freqüentada

lembra.

por políticos. “O pai do dou-

Dona Carmem revela que o sítio onde fica

tor Antônio emprestava muito

a casa dos Moraes pertencia ao poeta Vicente

a casa para políticos, como

de Carvalho. E foi da família do poeta santista

Jânio Quadros e Carvalho Pinto.

que José Ermírio, pai do empresário, comprou a

Jânio veio várias vezes quando

casa. Segundo ela, naquele tempo, o acesso à

era governador e uma como

cidade era difícil. “O doutor Moraes gostava mui-

presidente.

to de Bertioga. Promovia um sacri-fício danado

Já o doutor Antônio, às vezes, vem

para vir até aqui. Vinha na barca da Companhia

com algum amigo, mas ninguém assim

Fachada da

residência de

Antônio Ermírio

de Moraes

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conhecido”, revela. Tanto que, foi depois que

dona Nézia – que ficava perto de onde hoje é

Jânio Quadros esteve na cidade pela primeira

a praça Armando Licht. Eram duas horas e meia

vez que a estrada do Perequê, único caminho

para ir e para voltar, só para levar uma injeção”,

até então para Ber-tioga, recebeu melhorias.

conta a senhora, ressaltando que também foi o

“Qualquer chuvinha, os carros atolavam e fica-

empresário Antônio Ermírio de Moraes o respon-

vam”, conta o filho mais velho de dona Carmem,

sável pela implantação da primeira policlínica

Lourival Gonçalves dos Santos, o Zico, chefe de

da cidade, no bairro do Indaiá.

Urbanismo da prefeitura da cidade. “Nasci numa

A aposentada, que teve cinco filhos, tam-

casinha do Indaiá perto do sítio. Quando o mar

bém ajudou a criar os nove filhos do casal

subia, a água entrava dentro de casa e a gente

Antônio Ermírio e Maria Regina. “Cinco homens

se abrigava no meio do mato”, recorda o berti-

e quatro mulheres, são como se fossem meus

oguense.

filhos. Hoje, eles são tudo doutor,

Mas, graças ao prestígio dos patrões, aos

mas chamo todos pelo primeiro

poucos, as melhorias foram chegando ao

nome. Só chamo o doutor Antônio

então distrito de Santos e, principalmente, ao

mesmo de doutor, pois sou acos-

bairro. Prova disso é que o Indaiá foi o primeiro

tumada desde mocinha. Todos me

da cidade a ser contemplado com energia

chamam de Carmida, Carmosa,

elétrica. “A luz que chegou veio de Cubatão.

Carmelita”, brinca.

Ela era com gerador e, no Indaiá, dava luz até às 11h da noite. Bons tempos aquele, não exis-

Casamento de Zico, filho de dona carmen, que teve antônio Ermírio e Maria Regina (à esq.) como padrinhos e as filhas do casal como damas de mília Arquivo de Fa honra

Comprovação

tia roubalheira, a gente podia sair, deixar a casa

O prestígio de dona Carmem com

que não tinha perigo”, relembra dona Carmem,

os Moraes pôde ser comprovado no

com o tradicional saudosismo.

casamento do seu filho mais velho.

Ela também recorda que o acesso do bair-

Antônio Ermírio e a esposa Maria Re-

ro até o centro da cidade era difícil. “Naquele

gina foram padrinhos de igreja de Zico.

tempo não tinha condução. Quando meus filhos

A noiva, a portuguesa Leonida Amélia

ficavam atacados da bronquite, tinha que car-

Gouveia dos Santos, era babá dos filhos

regá-los nos ombros, a pé, até a farmácia da

do casal. Os dois se conheceram nas

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visitas da família à Bertioga, se apaixonaram e

Antônio Ermírio o responsável pela construção da

casaram no dia 28 de maio de 1977. As filhas

primeira escola do bairro e da unidade do Senai,

mais novas dos Moraes, Maria Regina e Maria

implantada na área onde funcionava a esco-

Lúcia, foram damas de honra do enlace, con-

la. “Ele fez um acordo. Cedeu a área, construiu

forme lembra a nora de dona Carmem.

a sede e faz a manutenção, desde que os cur-

“Não tem palavras para falar de dona Re-

sos fossem gratuitos”, explica dona Carmem.

gina. Se tivessem mais pessoas ricas como

“O campo de futebol do Indaiá também foi

eles, o mundo estaria bem melhor. Eles não

ele quem doou”, acrescenta Zico.

demonstram o que são. Para eles, o ser é bem

Hoje, aos 77 anos, dona Carmem permanece

mais importante do que o ter. São pessoas

firme e forte, auxiliando os Moraes na condução

simples, sempre alegres com todo mundo.

do sítio. “Sou uma espécie de governanta,

Aprendi muito trabalhando com eles, foi uma

quando eles estão por aqui, fico direto”, revela a

faculdade”, diz Leonida, que se emociona ao

aposentada, que junto aos Ermírio de Moraes é

falar dos ex-patrões. “Trabalhei 15 anos com

um autênti-

eles, sai um ano depois de casada”.

co exemplo

Também foi Antônio Ermírio de Moraes quem

de caráter,

pagou todos os estudos de Zico, do ginásio à

humildade

faculdade. “O ginásio eu conclui no Colégio

e amor ao

do Carmo e o científico, no Santa Cecília, em

município

Santos. Também fiz quatro anos de Engenharia

de Bertioga.

Acústica e me aprimorei em Engenharia Civil, em Mogi”, conta o bertioguense, lembrando também que o primeiro presente recebido do pai de Antônio Ermírio, o velho José Moraes, foi uma enxada. E é assim, aos poucos, que mãe e filho vão recordando todas os benefícios que os Moraes implantaram em Bertioga. Segundo eles, foi

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Sonho

De mercearias a redes de supermercados e muito mais Atraídos pela beleza natural da pacata vila, os empresários Paulo Sérgio Martinez e Fernando Senna chegam para ficar Apesar da história de Bertioga remontar à

cearia Caçula. “Meu tio Antônio Duarte era dono

época da colonização do Brasil, num passado

do Restaurante Zezé e Duarte e, antes, ele levava

não muito distante, a locomotiva do crescimento

palmito para o Ceasa. Daí, meu pai resolveu abrir

nem sonhava em passar pelas trilhas da cidade.

aqui a quitanda, que acabou virando o mercado

Na década de 70, Bertioga continuava a encantar

mais tarde”, explicou Paulo Sérgio Martinez, 55, pro-

moradores e visitantes, que acabavam mudando

prietário da rede de Supermercado Caçula.

para o lugarejo em busca de qualidade de vida.

Segundo ele, inicialmente, o estabelecimento

Esses fugiam da agitação dos grandes centros ur-

ficava próximo à antiga sede da prefeitura, no

banos, sobretudo da capital paulista.

Centro. O pai de Martinez já havia falecido quan-

Foi assim com o comerciante José Thomaz Mar-

do ele e sua mãe Iracema resolveram ampliar o

tinez, que em 1970 veio de São Paulo com a família

negócio da família e, no ano de 1983, inaugurar-

para investir na cidade, e no ano seguinte inaugurou

am a loja do Supermercado Caçula, na avenida

uma das primeiras mercearias do lugarejo: a Mer-

Anchieta. “A intenção era oferecer melhores

Paulo Sérgio Martinez

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mília

Arquivo de Fa

A quitanda, inaugurada em 1971, e a atual loja do supermercado caçula, dos martinez

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condições de atendimento aos clientes, mais var-

lembra que a primeira vez que veio à cidade

iedade, enfim, um local com qualidade para se

ficou encantado. “Vivíamos em São Paulo, vim

comprar”. O negócio deu certo e, anos depois, a

com um cunhado que morava em Guarujá e me

família inaugurou a segunda loja, situada na ave-

encantei por Bertioga”.

nida Dezenove de Maio. “Estou na cidade desde os 17 anos, me sinto mui-

em 1973, com 18 anos. Órfão de pais, ele fu-

to mais bertioguense do que paulista”, afirma Mar-

gia com a família dos horrores da guerra civil

tinez, ressaltando que foi a qualidade de vida que

que acontecia naquele país. “Eu tinha 20 anos,

atraiu a sua família a então vila. “Bertioga oferecia

era gerente de uma seção do Makro, em São

uma qualidade de vida excepcional, dormíamos de

Paulo. Apaixonei-me pela cidade, larguei o em-

portas abertas, condições que hoje não temos mais

prego e mudei para cá”, conta o empresário

por causa do progresso”, lamenta.

que, no ano de 1976 inaugurou o primeiro min-

Para o comerciante Martinez, o município cresceu, porém, não atingiu ainda o desenvolvi-

imercado da cidade: o Suprilar, na praça Armando Licht.

mento por completo. “A cidade cresceu bastante

“A minha primeira perspectiva foi a qualidade

em tamanho, mas esperava que ela também se

de vida. Naquela época, Bertioga tinha apenas

desenvolvesse. Bertioga é extremamente ingrata

1,5 mil habitantes, o restante era o pessoal que

com a juventude. Vejo os jovens indo para out-

só vinha no fim de semana. Podia deixar o mer-

ros lugares à procura de empregos. Isso é uma

cado aberto, sozinho, que ninguém mexia em

grande falha que precisa ser corrigida. A cidade

nada. Tempos em que fazíamos questão que as

precisa de uma indústria não-poluente para gerar

pessoas nem trouxessem dinheiro, podiam pagar

empregos”, considera.

com cheque”, recorda.

Paixão pela cidade Fernando Senna

Natural de Angola, Senna veio para o Brasil

Aos 56 anos, o empresário Fernando Senna

Ele também explica que o abastecimento da loja era feito quase que diariamente. “Um dia sim outro não, ia para Santos. À noite, depois que

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fechávamos a loja, atravessávamos de barca.

cresceu e mudou muito. Com a abertura da Mogi-

Minha esposa ia comigo para não deixar eu dor-

Bertioga [rodovia], veio muita gente para trabalhar

mir. Era uma vida dura, mas gostosa”, afirma,

na construção civil. Hoje, a cidade tem um contin-

recordando que as frutas ficavam expostas na

gente de mão-de-obra não-qualificada”, lamenta

rua, à frente do mercado. “As pessoas mesmo se

o empresário, ressaltando também que o maior

serviam, mas ninguém pegava a mais. Bertioga

problema de Bertioga é a falta de empregos. “Por

era um sonho. Todos se conheciam. Infelizmente,

causa dos afazeres, às vezes, dá vontade de parar

ultimamente nós mudamos os valores”.

com a atividade da construção civil, mas tenho

Dono de um espírito empreendedor, logo

uma obrigação social com as pessoas. Detesto ver

Senna foi expandindo as atividades na cidade. A

alguém com vontade de trabalhar e não poder,

princípio, começou a investir na construção civil.

pois já passei por isso e sei como é duro. Sou um

E quando sabia que algum comerciante estava

socialista, acho que todo mundo tem direito a um

querendo se estabelecer na cidade e procurava

emprego. Isso é fundamental”.

um ponto para alugar, logo tratava de providen-

Atualmente, além das quatro lojas da rede

ciar o espaço. A rede Suprilar também começou

Albatroz, que são administradas por seus fihos,

a crescer e em pouco tempo já contava com

e da empresa de construção civil que, seg-

uma loja nos bairros Sesc e Indaiá. Em 1984, o

undo ele, gera 50 empregos diretos, Senna

empresário inaugurou a loja na entrada da ci-

também é dono de uma academia e uma es-

dade, localizada na avenida 19 de Maio, já com

cola. Também é sócio da única faculdade da

a denominação atual: Supermercado Albatroz.

cidade, a Faculdades Bertioga. “Tive mais que

Superação

Além da rede

ambicionava. Hoje, trabalhando no colégio e

Albatroz e da empresa de

na faculdade, me realizo com o sucesso das

construção civil, senna é

Para Senna, o desenvolvimento de Bertioga su-

pessoas. O maior sucesso é ser respeitado pelo

perou as expectativas que tinha há 30 anos, quan-

o que se é e não pelo o que se tem, que é uma

do se mudou para a cidade. “Mas, infelizmente ela

conquista”, finaliza.

sócio da única faculdade do município

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Prefeitura

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ra de Bertioga

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Exemplos

Levando o nome para fora Atletas bertioguenses elevam o nome da cidade no Brasil e no mundo Arquivo de Família

Incontestavelmente, o esporte é uma das ma-

Figura carismática e conhecida na cidade,

neiras mais eficientes de afastar crianças e jovens

Godo recorda das dificuldades enfrentadas para

das ruas e, conseqüentemente, dos perigos imi-

conseguir arcar com as despesas das viagens do

nentes da criminalidade a que atualmente todos

filho, quando este jogava no São Bento. “Ele pre-

estão expostos. Independente da modalidade

cisava ir para Sorocaba com freqüência e tínha-

praticada, o esporte exerce a magia do encan-

mos que pedir dinheiro emprestado aos amigos

tamento pelos ídolos, fazendo com que jovens,

para ele poder viajar. Teve época que ele quis

sobretudo os que vivem na periferia, sonhem com

desistir, pois estava tendo muito gasto e não via

um futuro melhor.

retorno, mas não deixamos”, afirma.

Em todas as partes do país, o esporte tem se

A vida da família de Godo mudou depois que

mostrado uma ferramenta poderosa para trans-

o filho foi jogar na Europa. A casa no bairro Jardim

formar a vida dos seus adeptos. Bertioga também

Rio da Praia foi trocada por outra bem maior e

não foge à regra. A cada ano, novos talentos vão

confortável em um condomínio fechado da ci-

surgindo e elevando o nome da cidade no Brasil

dade. No entanto, as mudanças não alteram a

e no mundo. Assim, o município começa a se

rotina dos Bispos. “A primeira coisa que ele falou

consolidar como berço de vários ícones do es-

quando foi para a Europa é que iria dar uma casa

porte nacional.

pra gente, pediu para a mãe escolher uma boa.

O fenômeno ocorre no futebol, boxe, basquete,

A gente vislumbra a casa que ele nos deu, mas te-

pedestrianismo, nas artes marciais e até nos es-

mos os pés no chão, continuo no meu servicinho”,

portes de aventura, como a canoa havaiana.

diz Godo, que trabalha há 29 anos como auxiliar

Futebol Reprodução

administrativo em uma instituição da cidade. Segundo ele, o filho também dá toda assistên-

No futebol, a grande revelação da cidade

cia necessária aos irmãos. “Ele paga faculdade,

é Rodolfo Dantas Bispo, de 24 anos, que atual-

a irmã também está estudando em colégio par-

mente joga no Locomotiv Moscou, na Rússia,

ticular. Tivemos uma vida difícil, mas a criação

para onde se transferiu há cerca de três meses.

vale tudo”, ressalta Godo, referindo-se ao sucesso

Porém, o bertioguense já atuou pelo São Bento

do primogênito, o mais velho dos cinco filhos.

e Fluminense também. Sua técnica e habilidade encantaram os eu-

Companheiro de escalada

ropeus e, há aproximadamente dois anos, o berti-

Já o também bertioguense Maurício José da

oguense foi contratado pelo Dínamo Kiev, da Ucrâ-

Silva, de 24 anos, companheiro de escalada do

nia, onde jogou até ser contratado pelo time atual.

craque, ainda não teve a mesma sorte. Depois

No início da carreira, Rodolfo também chegou a

de uma bela temporada no Mineiros - time de

jogar na Seleção Brasileira Sub 23, comandada

Goiás, que na temporada 2004/2005 subiu da se-

pelo técnico Ricardo Gomes, ao lado de Robinho

gunda para a primeira di-

e Diego, ex-jogadores do Santos Futebol Clube.

visão, começou a ser son-

Apesar da pouca idade, Rodolfo já acumula

dado por grandes times,

vários títulos. Foi campeão carioca pelo Flumin-

quando uma con-

ense (2002); campeão da Copa da Ucrânia

tusão lhe tirou o gos-

(2005 e 2006) e da Supercopa da Ucrânia, pelo

tinho de participar

Dínamo Kiev (2006).

da final do campe-

Nem é preciso dizer que o craque é o orgul-

onato

e

do

sonho

ho da família. Os pais, Paulo Fernandes e Maria

da contratação. “No

Helena, têm um verdadeiro arsenal de fotos,

momento que você

camisas e recortes de jornais, que contam a

é campeão, ali

trajetória do filho mais velho. “É um orgulho que a

vão surgir várias

gente tem. Desde criança, ele sempre gostou de

propostas. É duro

futebol, e a gente incentivava e apostava nele”,

ver um sonho ir por

diz o pai, conhecido como Godo. “Era um sonho

água abaixo”, diz o

que ele tinha e que realizou. Batalhou bastante,

jogador, que já jogou

mas conseguiu”, completa a mãe.

no Fluminense, do Rio, e

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no Francisco Beltrão, do Paraná. Mas Maurício deu a volta por cima. Oito meses depois, já estava recuperado e novamente

isso resolveram nos homenagear”, explicou o téc-

peso pena (48 a 52 kg), que no momento está

nico, que foi o primeiro atleta do país da geração

afastada dos ringues, porque está grávida, e a

passada a ser contemplado com o prêmio.

peso mosca (52 a 54 kg) Cristiane Cardoso, a Ín-

treinando, desta vez, pelo Jabaquara de Santos.

Didi começou a lutar aos 18 anos, como peso

O jogador conta que chegou a assinar com a Por-

mosca ligeiro. Seu primeiro título como amador foi

Há um ano e meio treinando, Índia já fez quatro

tuguesa Santista, onde permaneceu apenas três

em 1975, quando se sagrou campeão da Gazeta

lutas amadoras, das quais ganhou duas. Apesar do

meses. Atualmente, ele joga no Mogi, de Mogi

Esportiva. No ano seguinte, ainda como amador,

pouco tempo no ringue, ela já passou para a cate-

das Cruzes, acreditando que um dia sua estrela

ele ganhou o título de Campeão dos Campeões

goria profissional. Isso porque, segundo seu técnico,

vai voltar a brilhar. “Graças a Deus, minha família

- atual Luvas de Ouro. E, no mesmo ano, foi vice-

a carreira das boxeadoras termina cedo: aos 35

sempre deu uma boa educação, uma base boa.

campeão paulista.

anos. Já os homens podem lutar até os 45 anos.

Mas se não fosse o esporte, poderia estar brigando

A consagração como profissional foi em 1977,

dia, de 25 anos.

Para Índia, o esporte transformou sua vida. “O

pela rua ou envolvido com alcoolismo. O esporte

com o título de campeão brasileiro.

Segundo

boxe me deu bastante disciplina. Antes, quando

sempre me proporcionou muita saúde. Esporte é

Didi, cerca de dois mil atletas participaram na

não treinava ficava direto na rua, na casa de um

educação, lição de vida”, considera.

ocasião do campeonato, que reuniu boxeadores

e de outro, e no final de semana era só balada. O

Maurício começou a treinar futebol aos 12 anos.

de todo o país. A vitória rendeu ao pugilista o

esporte exige muito condicionamento físico. Hoje,

O primeiro teste foi para jogar no infantil do São

patrocínio da Nitro Química, uma das empresas

treino em média 5h, todos os dias. Acho que com

Paulo F.C., mas foi no Infantil do Palmeiras que con-

do empresário Antônio Ermírio de Moraes, que, no

o esporte me tornei uma pessoa melhor”, diz a

seguiu a primeira oportunidade para mostrar seu

mesmo ano, lhe contemplou com uma bolsa de

jovem, que tem uma filha de sete anos e sonha

talento. Jogou no São Bento, de Sorocaba, sendo

estudos. “Eu fui lutar nos Estados Unidos, onde vivi

em lutar no Exterior “para poder dar a sua cria um

campeão pelo time em 1999. No mesmo ano,

durante 10 anos”, contou.

futuro melhor”.

ainda pelo São Bento,

Nos 20 anos de carreira, Ariovaldo

Na categoria profissional não é permitido o uso

passou um mês na Itália,

Rodrigues disputou 102 lutas, ga-

de protetores de cabeça e de seios, como ocorre

onde disputou a Copa

rantindo 86 vitórias por nocaute,

na amadora. Assim, as cicatrizes se tornam ine-

Viareggio. Na volta, foi

13 por pontos, um empate e duas

vitáveis. Índia conta que já se machucou lutando.

para o Fluminense, do

derrotas. “Eu derrubava os amigos,

O ferimento mais grave ocorreu no nariz, queb-

Rio. Foi campeão da

mas não sabia porque eles caiam”,

rado durante um confronto. Mas a boxeadora diz

terceira divisão, jogan-

ressalta o atleta, que só mais tarde

não se importar. Encara as marcas deixadas no

do pelo Guaratinguetá,

veio a descobrir porque ganhou o

rosto como algo que faz parte do processo de

que

apelido de ‘Mão de Pedra’, nos Es-

crescimento dentro do esporte.

na

temporada

2003/2004 subiu para

tados Unidos. “Meu soco de direita

a segunda divisão, e

pesava 126 quilos”.

também

E existe preconceito contra as mulheres que praticam o boxe como esporte? Quem responde é

campeão

Durante sua estadia no Exterior,

a própria Índia. “Meu pai não gosta do que eu faço,

da segundona, jogan-

Didi lutou em mais de dez países, en-

diz que é coisa de homem, mas minha mãe me

do pelo Mineiros, de

tre eles, Alemanha, Caracas, México

dá todo o apoio”, revela a maranhense de São Luiz,

Goiás, na temporada

e Japão. “Minha última luta foi em

radicada em Bertioga desde os 11 anos de idade,

1992, no Brasil”, revela o boxeador,

e que se espelha no ídolo Arcelino Popó Freitas.

2004/2005.

Boxe Baiano de Vitória

que também conquistou o título de

Embora o boxe feminino no Brasil venha cres-

campeão sul-americano de boxe, em

cendo bastante numericamente, por ainda não

1979.

ser um esporte olímpico, enfrenta percalços por

da Conquista, Ari-

Talvez isso explique

falta de verba. Mesmo assim, as atletas profission-

ovaldo Rodrigues,

o carinho e a dedi-

ais já ganham R$ 100 por round. “Em lutas cor-

50, o Didi, veio

cação

técnico

riqueiras, elas podem lutar no máximo seis rounds,

para a capital paulista com

na escolinha de boxe

mas, quando disputam títulos, o número de em-

do

dois anos de idade. Há cerca

de Bertioga para com

de 10 anos, mudou-se para

seus atletas. Treinados

Bertioga, onde trabalha como

pelo campeão brasileiro,

técnico dos atletas da Escol-

os jovens da cidade brilham

inha de Boxe do município. Embora o título de Campeão Brasileiro de Boxe Profissional tenha

nos ringues do Estado e do país.

Ala feminina

bates sobe para 12”, explica Didi.

Canoa Havaiana Os atletas que praticam esportes de aventura também estão deixando seu desempenho registrado nos anais da história de Bertioga. O destaque nesta modalidade fica por conta dos

sido conquistado em 1977, só

O destaque da nova geração

meninos que praticam Canoa Havaiana. Quem

em 2004, o lutador recebeu o

de boxeadores que vem de-

revela como o esporte de aventura invadiu a vida

Cinturão de Ouro, da Federação

spontando em Bertioga fica

dos bertioguenses é o atleta Renato Inácio San-

Paulista de Boxe. O prêmio, uma

por conta da ala femini-

tos, de 20 anos, o Big. Ele conta que começou a

cortesia da Racing Promoções

na. Embora atualmente

praticar a canoagem para melhorar o preparo físi-

Cronometragem Ltda., foi ofer-

haja uma média de 600

co. “Mas peguei gosto pelo esporte. Daí juntamos

ecido aos grandes nomes do

a 700 mulheres treinando no

uma galera e montamos uma equipe. Em 2003,

esporte no passado. “Quando

Brasil, apenas seis lutam profis-

participamos da última etapa do Brasileiro, em Il-

conquistei o título, os atletas gan-

sionalmente. Destas, duas são

havam apenas um diploma, por

de Bertioga: Naiane Santana,

habela, e ficamos em terceiro lugar”, afirma.

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CN

De lá para cá, os jovens da canoagem começaram a colecionar títulos. Em 2004, a equipe Brucutus, composta pelos irmãos Everdan e Vagner Riesco, Re-nato Inácio (Big), Rafael Newman, Vinícius Zaidan, Marcelo Arias e Felipe Pacheco, faturou a primeira colocação no Campeonato Brasileiro, nas categorias mista e masculina. Em 2005, os atletas da equipe garantiram o vice-campeonato em equipe, em dupla e individual. “O esporte mudou muito minha consciência em relação às outras pessoas. Aprendi a viver em conjunto, a conviver em equipe. Se você não se dá bem com as pessoas, não consegue se dar bem em nenhum esporte”, disse o jovem, que em 2007 passou a integrar a dupla Conan, também de Bertioga. “Meus pais sempre deram total apoio em tudo que fiz. E o esporte fez a diferença em minha vida. Hoje, talvez, poderia estar usando drogas. O esporte é a principal coisa para as

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Divulgação

pessoas irem para o caminho do bem, pois ela

esse calor dentro de mim. Em 1999, eu prati-

vai estar se dedicando a alguma coisa e com a

cava musculação e resolvi fazer os 10 Km da

mente ocupada. Entro na água a meia-noite e só

Tribuna. Para minha surpresa, fiquei em 10º lu-

saio por volta das duas da manhã”, conclui o jo-

gar na minha categoria. Não tinha intenção de

vem que treina à noite, já que estuda e trabalha

correr profissionalmente, mas como comecei

durante o dia.

a ganhar...”, conta a atleta, que é bicampeã

Big começou a praticar canoagem há cerca de cinco anos, quando mudou de São Paulo

brasileira do Circuito das Praias, títulos conquistados em 2002 e 2003.

para Bertioga. Mas ele não é o único adepto da

A partir daí, Diuzete começou a participar tam-

canoagem na família. Giseli, sua irmã de 19 anos,

bém de provas internacionais como a Meia-Ma-

também vem registrando seu nome na história do

ratona do Rio, onde garantiu a 28ª colocação, e

esporte. Em 2005, ela foi a primeira colocada da

a Volta Internacional de Pampulha, em Minas Ge-

categoria individual no Campeonato Brasileiro.

rais, ficando em 21º lugar. A pedestrianista também já fez história na Meia-Maratona de Ribeirão

Pedestrianismo

Pires, na prova contra relógio, de Ubatuba, e até

Depois de terminar um casamento de 12

na São Silvestre, de São Paulo. Em todas as com-

anos, a funcionária pública Diuzete Aparecida

petições, ela faz questão de levar uma faixa com

da Silva, 51 anos, deu a volta por cima e virou

o nome de Bertioga.

exemplo da força feminina em Bertioga. Mes-

A atleta já coleciona mais de 150 medalhas.

mo com quatro filhos para criar, ela encontrou

Para ela, todas as provas são importantes. “Mas

tempo para se dedicar ao esporte e começou

na maratona aquática eu me surpreendi, pois

a colocar em prática um sonho que tinha

sem estar preparada, consegui ficar em 2º lugar”,

desde criança e que, por conta de questões

comemora.

familiares, foi deixado para trás. A primeira

As conquistas já renderam à Diuzete o prêmio

disputa aconteceu no colégio, aos 12 anos,

de atleta do ano, concedido em 2005, pela Câ-

quando garantiu o primeiro lugar na prova de

mara Municipal de Bertioga, além de destaque

revezamento. Mas, segundo ela, o pai não per-

na edição dos 10 anos da ‘Revista Contra Reló-

mitiu que continuasse treinando. “Eu já tinha

gio’. “O esporte me tornou uma pes

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soa conhecida. Onde passo as pessoas falam:

Jorge Moreira Romão, 31 anos, é jogador do sel-

2000. Além disso, Clarck também foi quatro

olha a mulher de Bertioga. A corrida é um ali-

ecionado de atletas do município de Arujá. “E nas

vezes campeão da Liga Paulista – duas por

mento para a minha alma, o combustível da

horas de lazer, sou professor”, brinca o atleta que

Cubatão e as demais por Itanhaém – e duas

minha vida. Ser a primeira mulher de Bertioga

dá aulas no Centro de Formação de Condutores

vezes campeão mineiro, jogando pelo Unite,

a correr e a nadar me deixa muito envaide-

de Veículos da família.

de Uberlândia.

cida”, ressalta a atleta. E olha que ela também

Para quem vive em um município em que o

Mas o jogador que vem se destacando no

já começa a se destacar no biathlon e tem

esporte ainda não é tido como prioridade, Clark

esporte, sempre defendendo o nome de Berti-

como meta se tornar uma triatleta.

é dono de um currículo de peso. Ele joga profis-

oga, ressente-se pelo fato de o município ainda

Para Diuzete, correr é um momento mágico.

sionalmente desde os 14 anos. Desde então, já

não contar com políticas públicas voltadas para

“Passei por grande violência doméstica. O atletis-

passou por equipes de ponta como Palmeiras,

a área. “Lamento perceber que aqui ainda não

mo foi a base para projetar minha vida como

Santos e Espéria, da capital paulista. “Devo muito

há uma cultura esportiva. Está tudo muito cru,

mulher, o equilíbrio que precisei para me refazer.

ao esporte, até na questão de caráter, valori-

acho que só vai ter esporte em Bertioga daqui

Quando corro, esqueço todos os problemas. A

za-

ção da vida, respeito mútuo. O

a uns cinco ou 10 anos. Lamento não haver in-

corrida me acrescentou coisas

esporte abriu muitas portas para

centivo a qualquer modalidade esportiva”, frisa

positivas, melhorou minha auto-es-

mim, estudei pelo esporte. Se

Clarck que ainda sonha em chegar à seleção

tima. Sempre que cruzo a linha de

você cuida do seu corpo, você

brasileira, “nem que seja como veterano”.

chegada, independente da colo-

está cuidando do seu principal

Porém, o bertioguense tem outros sonhos. Uma

cação, me sinto uma vencedora”,

templo. Se você cuida do seu

de suas maiores preocupações é formar um

afirma a atleta que faz questão

principal templo, você cuida

atleta olímpico na cidade. “Não sei quem vai ser,

de contar que, além do emprego

de Deus dentro dele”, disse o

se um filho ou sobrinho, mas venho trabalhando

no serviço público, trabalha como

jovem, resumindo a importân-

pra isso. Pretendo ainda estar jogando basquete

diarista, fazendo faxinas e passando

cia do esporte em sua vida.

quando meus filhos tiverem consciência do que é esporte”, afirma Clarck, que é solteiro e ainda

roupa, para complementar o orça-

O bertioguense ainda rev-

mento doméstico e arcar com as

ela que o momento mais

despesas das competições.

importante de sua carreira

Segundo ele, sua família é de veia esportiva e

foi quando ficou entre os 10

ele faz parte da terceira geração de esportistas.

melhores atletas da região

“Meu pai é atleta, jogava basquete, e todos os

norte, na Copa Norte, em

meus primos também”.

Basquete Atualmente, o bertioguense Clarck

não tem filhos.

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Karatê Ticiano Lacerda Lima, de 26 anos, já perdeu as contas de quantas medalhas coleciona. Também não é para menos. Ele treina karatê desde os seis anos de idade, embora tenha começado a lutar profissionalmente há 10. Dentre os títulos mais importantes, está o do vice-campeonato brasileiro, de 1999, e a terceira colocação no Sul-americano, em 2000, na Argentina – torneio filiado a WKF (World Karate Federation). Ticiano também foi campeão paulista, em 1999, repetindo a proeza no ano seguinte. Os títulos conquistados

in-

cluem todos os estilos da arte marcial. Já na modalidade Shorin Ryu, ele é pentacampeão mundial. O jovem faturou a medalha de ouro no Mundi-

alito, realizado na Espanha, nos anos de 1998,

Jogos Abertos é um dos campeonatos mais

2000, 2002, 2003 e 2004.

fortes do Brasil. Esse campeonato é uma pe-

O bertioguense também é tricampeão dos jogos regionais do Vale do Paraíba. “Gosto de trei-

dra no meu caminho, pois ainda não consegui medalhar ”.

nar, a vitória é uma conseqüência dos treinos”,

Na terra do futebol, há como não se encantar

diz o jovem, que sai de Bertioga para treinar em

pela paixão nacional? Assim como várias outras

Santos. O trabalho, comandado

crianças, o carateca também já sonhou com a

pelo técnico João Cardoso, dura

carreira de jogador de futebol “Eu treinava ka-

de três a quatro horas por dia, sem-

ratê e futebol. Uma vez, quis parar de lutar para

pre as segundas e sextas-feiras, es-

jogar, mas não deixaram”, lembra. Por sinal, foi

tendendo-se nos fins de semana.

a mãe Tânia quem colocou um breque nas

Nos demais dias, ele completa o

pretensões do garoto. “Se quiser sair do karatê,

treinamento técnico, melhorando

vai ter que parar de jogar bola também”, conta

seu condicionamento físico nos

ela, com a certeza de que o caminho foi o me-

aparelhos que mantém em casa.

lhor para Ticiano.

Formado em Educação Física,

Portuário aposentado, o pai do atleta, José

Ticiano dá aulas no Colégio Meto-

Carlos Santana mostra, com orgulho, o álbum

dista, na Riviera de São Lourenço.

com os recortes de jornais das vitórias do filho.

“O esporte me abriu muitas portas.

Foi ‘seo’ Zé Carlos, que lutava judô e, por prob-

Tudo o que tenho hoje é graças

lemas físicos, passou a treinar karatê, que, há 20

ao esporte, como a faculdade, o

anos, levou Ticiano para o esporte.

trabalho e as viagens para as ci-

“Nos jogos regionais e abertos, o Ticiano é

dades do Brasil e do mundo que

contratado para representar outras cidades”,

conheci. O esporte é um caminho

lamenta o pai, explicando que o motivo seria

paralelo em minha vida”, afirma

a inexistência de uma Secretaria de Esportes.

o jovem que até agora só não se

“Mas mesmo lutando por outras cidades, ele

destacou nos Jogos Abertos do

[Ticiano], faz questão de dizer que é atleta de

Interior. “Junto com o Brasileiro, os

Bertioga”, conclui a mãe.

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Desenvolvimento

Riviera de São Lourenço: um mundo sustentável

Considerado o maior e mais moderno projeto de desenvolvimento urbano do litoral brasileiro, a Riviera de São Lourenço, em Bertioga, está inserida em uma área de nove milhões de metros quadrados. Uma das características marcantes desse empreendimento é a conciliação do desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. Esse quesito lhe rendeu

Empreendimento foi criado para ser exemplo de

a Certificação ISO 14001, conquistada no ano

qualidade urbana e respeito ao meio ambiente

de 2000. Trata-se de um reconhecimento a excelência de seu sistema de gestão ambiental e à seriedade de sua implantação e manutenção. Tanto que ela foi o primeiro empreendimento de desenvolvimento urbano a conquistar esse certificado em todo o mundo e até os dias atuais, vem mantendo esse título. Implantada há 25 anos, a Riviera é também um dos maiores geradores de emprego da cidade, com um volume de 15 mil postos de trabalho. Com cerca de 60% do projeto inicial já viabilizado, a expectativa dos empreendedores do local é de que até a conclusão de todo o empreendimento sejam gerados mais 10 mil empregos permanentes. Outro fator relevante é que a Riviera é autosustentável, não depende do Poder Público para nada. Pelo contrário, é uma importante fonte de arrecadação do município. Mas para que estes temas sejam explanados ainda mais, o diretor superintendente da Sobloco – empresa responsável pela realização global da Riviera –, Luiz Carlos Pereira de Almeida, conta, em entrevista, como surgiu a idéia de criar o empreendimento e dos percalços que ocorreram no meio do caminho.

Costa Norte - Como surgiu a idéia de construir a Riviera de São Lourenço? Luiz Carlos Pereira de Almeida – A idéia foi o casamento da Praias Paulistas com a Sobloco. A Praias Paulistas era proprietária da área há mais de 30 anos. Naquela ocasião, em 1979, a Praia Paulista procurou a Sobloco para falar do projeto. Para a Sobloco conhecer melhor o que estava sendo falado, eu sugeri aos proprietários da Praias Paulistas um vôo de helicóptero. A Sobloco, então, proporcionou o vôo sobre a área. Voamos o doutor José Ribeiro, doutor João Melo Peixoto, eu e o senhor Fernando Levi. Constatamos tudo. A Praias Paulista já tinha encomendado um projeto aos arquitetos Osvaldo Correio Gonçalves e Benno Perelmutter. O projeto, um traçado da malha viária, já se encontrava na prefeitura de Santos em fase de aprovação. A Sobloco e a Praias Paulistas se entenderam e firmaram o contrato para realizar o empreendimento. Só que a Sobloco entendeu muito diferente do que estava sendo imaginado. Então,

Empresário Luiz Carlos de Almeida

interferiu no disciplinamento do uso do solo e do nivelamento de toda a ocupação, embora não tenha alterado quase nada a questão da malha viária. CN - Há 28 anos, quando deram início ao empreendimento, os senhores esperavam que ele se transformasse em um modelo de gestão ambiental como aconteceu? Almeida - A Sobloco já vinha vindo com essa filosofia de trabalho com outros empreendimentos em Campinas, Caminho de São Conrado, São Bernardo, Nova Petrópolis e em São Paulo, com o Parque Faber Castel. Mais do que construir prédios, a empresa resolveu fazer empreendimentos com características de respeito ao meio ambiente e de entrosamento maior com a comunidade.

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Arquivo CN

CN – Quais eram as aspirações em relação ao desenvolvimento local e o que se concretizou? Almeida - Como a Praia de São Lourenço estava apenas a 120 km de São Paulo, era muito evidente para os profissionais da Sobloco de que aquele empreendimento devia ser conduzido da forma que foi conduzido. Nós disciplinamos o projeto todo, criamos a Associação dos Amigos da Riviera e começamos a analisar com as autoridades a questão do uso da ocupação do solo. Ficou muito claro, durante o vôo de helicóptero, que a Rio-Santos já vinha sendo construída só com

terraplanagem, e quando chegava no rio Itapanhaú, era interrompida porque não tinha ponte. Porém, a ponte já tinha toda a fundação no meio do rio. Quando percebi que já estavam com um projeto daquela fundação da ponte, vi claramente: era uma questão de pouco tempo para que aquela ponte se concretizasse. Só que aconteceu um imprevisto que eu não podia imaginar. Aquela ponte, cuja fundação já estava no rio e que foi o ponto mais importante da minha observação, precisou ser refeita. Então, tiveram que mudar o projeto porque foi projetada muito rente. Daí houve um protesto de pescadores e de toda a comunidade, pois a ponte não podia ser baixa, pois tinha que permitir a passagem de barcos. O Poder Público jogou fora aquela fundação e fez novos cálculos. CN – E isso foi em curto prazo? Almeida – Foi um prazo maior do que imaginava. Foi um percalço que aconteceu no meio do caminho. Isso atrasou tudo. O contrato com a Praias Paulistas foi assinado no meio de 1979. Esperávamos que a coisa ficasse pronta em 82, mas ficou pronta só em março de 1984.

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CN - Mas as obras da Riviera estavam andando? Almeida – Sim, esperávamos que fosse ter aquele acesso muito antes de 1984. Mas como não tinha a ponte, eu não podia vender, não podia anunciar a Riviera ainda. Todo o acesso era feito pela praia, que era ocupada por farofeiros. Então, não era possível apresentar a Riviera com todo aquele comportamento inadequado dos banhistas. O empreendimento ficou sem ser anunciado até o meio de 1984. Só daí pra frente abrimos a Riviera para o mercado. CN – E o empreendimento teve boa aceitação, logo de início? Almeida - A aceitação foi lenta, mas fizemos aquele primeiro prédio, o Riviera Flat, depois o Sunsett. Daí, encontramos alguns incorporadores que quiseram aderir e fazer os primeiros prédios. Em 1986, veio o plano do ministro Funaro, o Plano Cruzado. Isso fez com que a economia brasileira tivesse uma aceleração. Nós, então, tivemos a oportunidade de ter um mercado mais ativo e vendemos mais terrenos. Aí, os compradores de terreno começaram a incorporar e a Riviera pegou um ritmo mais acelerado. CN – É fácil conciliar o desenvolvimento econômico com a conservação ambiental? Almeida – Sim, mas preciso de uma equipe competente e experiente nas duas áreas. Na

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econômica, para conciliar os fluxos financeiros necessários e, ao mesmo tempo, um corpo de profissionais ligados à questão ambiental, para conciliar todos os problemas dos impactos. É preciso conciliar, com muita experiência e cuidado, os dois aspectos. Do impacto ambiental para que eles não ocorram ou ocorram com a tolerância mínima, e a questão da abertura dos novos empregos e o crescimento econômico da região. CN – O senhor falou em empregos, durante este peíodo a Riviera gerou muitos postos de trabalho? Almeida - A Riviera trouxe muitos empregos diretos e indiretos. O número na construção civil é ilimitado. Quando uma obra termina, os empregados têm que procurar outra empresa para procurar um novo emprego. Na Riviera não, era uma obra atrás da outra. Um volume considerável

de

profissionais

(pedreiros,

carpinteiros, pintores, encanadores, eletricistas) saíam de uma obra para outra. E assim foi durante esses 25 anos que a Riviera tem. Colocamos uma plaquinha de quatro mil empregos na Riviera, mas aquilo lá não tem muito sentido. Temos 15 mil empregos nos 25 anos e ainda vamos manter esse volume por mais uns 20 anos, apenas na construção da Riviera. Só a Sociedade Amigos tem 400 empregados. O empreendimento tem toda uma atividade comercial, com caseiros e porteiros. A projeção é de mais 10 mil empregos permanentes.

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CN - A Riviera é considerada o maior e mais moderno projeto de desenvolvimento urbano do litoral brasileiro, a que o senhor atribui este título? Almeida – As características dele, a forma que foi conduzido e, principalmente, a proximidade com São Paulo, maior capital da América do Sul. CN – O empreendimento mantém vários programas sociais, o senhor poderia falar um pouco sobre eles? Almeida - Temos a Fundação 10 de Agosto, que foi criada por mim, uma entidade voltada para o atendimento social. Mas a linha dela é de ensinar, não é uma instituição de caridade para fazer doações, é uma entidade que dá ensino gratuito. Ela dá a vara para pescar, não dá o peixe. Temos mais de 20 cursos, como alfabetização de adultos e vários outros tipos para melhorar o nível de cultura das pessoas. Tem também cursos profissionalizantes de jardinagem, limpeza de piscinas, copeiro, arrumadeira e agora estamos iniciando o de informática.

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CN – E o que a Riveira oferece em termos de lazer para os proprietários, incluindo os jovens?

Totalmente autosustentável, a riviera de são lourenço é

Almeida - Em termos de lazer, a Riviera tem quadras de tênis, o shopping, onde já temos shows aos sábados. Vamos agora desenvolver o campo de golfe.

praticamente uma cidade dentro de bertioga

CN – Onde será construído e qual a previsão para o início das obras desse campo de golfe? Almeida – Em uma área do lado esquerdo, atrás do shopping, mas ainda depende de aprovação. Nossa expectativa é de que o projeto seja liberado até o próximo semestre, para que possamos dar início às obras. CN – Qual o objetivo da exposição permanente inaugurada há cerca de um mês no pavilhão de exposição do SIV (Sistema Integrado de Vendas)? Almeida – O resgate histórico da Riviera, para informar a todos como ela nasceu e para que nasceu.

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CN – E porque agora, é alguma data especial? Almeida - Fazia tempo que estávamos planejando, mas dá um trabalho muito grande de preparar tudo, resgatar todos os documentos. CN – E quanto tempo demorou para ficar pronta? Almeida - Um grupo de pessoas trabalhou mais de seis meses nisso. É importante esse resgate histórico. CN – O que as pessoas encontram no espaço? Almeida – Como a Riviera surgiu, como ela foi conduzida e também a questão ambiental, como está sendo cuidado o meio ambiente lá. CN – Quais as perspectivas futuras do empreendimento, a partir do nítido desenvolvimento futuro da cidade que ele está inserido? Almeida – A Riviera vai continuar se desenvolvendo dentro do seu planejamento, cumprindo todos os preceitos da ISO (14001). Ainda há muita coisa a fazer, pretendemos continuar desenvolvendo o projeto. CN – Ainda falta muito para ser concluído, quanto isso representa? Almeida - Na parte dos prédios falta pouco. O módulo 8 já está aberto e falta mais um módulo. Mas a parte das casas, ainda falta bastante, cerca de 40% de todo o empreendimento.

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Desenvolvimento

Novos vizinhos Grandes empreendedores chegam ao município, tendo como principal referência a preservação ambiental Bertioga tem 85% de seu município inserido em área de preservação ambiental permanente. Esse fator tem sido preponderante para abrigar empreendimentos imobiliários diferenciados, que não só respeitam o meio-ambiente, mas pretendem promover a consciência ambiental. É o caso do empreendimento urbano que o grupo Brasfanta pretende implantar na área que compreende os bairros Jardim Ana Paula e Jardim São Rafael. “O objetivo é trazer para Bertioga um empreendimento

que

seja

referência

em

preservação ambiental”, explica o coordenador de projetos da Brasfanta, Marcos Longo. Segundo ele, o grupo é proprietário de uma área de 3,5 milhões de metros quadrados na cidade, desde 1982. “A intenção é desenvolver um projeto imobiliário, preservando a maior parte possível de área verde”, garante Longo.

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Supermercado Krill

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Para a Brasfanta, a medida fortalecerá a imagem da cidade como uma das que mais

Ilustração

contribuem para o respeito ao meio-ambiente no Brasil. De acordo com Longo, o projeto está na Secretaria Estadual de Meio Ambiente para apreciação, desde agosto. “É um processo moroso. Tivemos uma audiência pública no dia 29 de agosto do ano passado. Todas as cogitações feitas a partir da audiência foram contempladas, mas até agora o projeto não foi liberado”, afirma. Após a aprovação, a empresa terá um prazo de dois anos para implantar toda a infra-estrutura necessária para cumprir as exigências do órgão ambiental. Como ainda não foi liberado, o coordenador diz que não dá para avaliar o custo do investimento nem quantos empregos diretos e indiretos a obra deverá gerar. No entanto, ele adiantou que a geração de empregos é um aspecto priorizado pelo grupo. Por esse motivo, ele garante que a Brasfanta já está estudando parcerias com instituições de Bertioga que mantêm cursos profissionalizantes.

Proteção Entre as principais características da obra, destacam-se a proteção total das áreas de mangue e do rio. O projeto com padrão urbanístico diferenciado prevê também a criação de um lago interno, a distribuição estratégica das casas, apartamentos e centros comerciais. Para manter a conectividade entre as diferentes áreas do empreendimento, incluindo a via de acesso já existente, e possibilitar a permanência segura de animais silvestres na área, o projeto conta com um corredor ecológico. Outro diferencial é a possibilidade de instalação de um hotel ecológico em meio à floresta e a destinação de área para implantação de uma Estação Ecológica. O projeto prevê ainda melhorias nas malhas viárias e na infra-estrutura urbana, além da construção de ciclovia para uso público.

Aposta A Camargo Correa Desenvolvimento Imobiliário, uma das líderes do setor de incorporação no

Bairros Jardim Ana Paula e Jardim São Rafael devem receber grande infra-estrutura, por conta do projeto urbanístico a ser implantado pelo grupo Brasfanta

país, também está apostando no potencial de Bertioga. A empresa está fazendo um empreendi

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mento no bairro Jardim São Lourenço, com investimento de R$ 7,5 milhões. “Escolhemos o local, por se tratar de uma área única, um canto de praia sossegado, ao lado do morro de São Lourenço. Nesse local, o contato com a natureza é intenso, privilegiado e próximo à Riviera de São Lourenço e outros pontos interessantes do Litoral Norte, como: Maresias, Camburi e Barra do Sahy”, explica a gerente de marketing do grupo, Cristiane Dorine. Segundo ela, a proposta da empresa é explorar o contato com a natureza e os benefícios dessa interação dentro do projeto arquitetônico e da reurbanização feita no bairro. Entre as melhorias planejadas para o lugar está a execução da pavimentação de algumas ruas, bosqueamento de áreas verdes e execução de três praças. Grande parte dessa pavimentação foi executada com piso intertravado [piso ecológico e drenante). Está prevista ainda a construção de uma área de apoio para a Associação dos Moradores e a construção de um novo portal de acesso ao Jardim São Lourenço. “O bairro vai mudar muito as características, numa grande velocidade de crescimento”, prevê Osmar Alves de Moura, presidente da Associação dos Moradores do Jardim São Lourenço.

Empreendimento da Camargo correa tem vista privilegiada, que contempla duas diferentes praias, a de São Lourenço e a de Itaguaré.

Mudanças Osmar diz que o empreendimento já está mudando a vida das pessoas. A obra de paisagismo, por exemplo, que contemplou o bairro com praça próximo à igreja, já está gerando empregos. “A mão-de-obra local foi contratada para manter o novo equipamento”, afirma. Outro fator positivo, segundo ele é a valorização dos imóveis. “Em menos de um ano os imóveis valorizaram 30%”, afirma. Célia Fernandes Pinto, moradora do bairro há 25 anos e vice-presidente da entidade, reforça a constatação de Moura. “Muita gente, com casas e apartamentos à venda, decidiram esperar valorizar mais ainda”, diz ela. “Nossa expectativa agora é que a obra atraia outros investimentos em termos de comércio”, ressalta a moradora.

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Potencial

Procura pelos atrativos turísticos da cidade mais jovem da Baixada aumenta a cada ano Na visão de empresários do setor, motivos seriam a união de áreas históricas, as festas regionais e a boa balneabilidade das praias Ao contrário de São Paulo que, como os paulistanos costumam dizer, é cinza, Bertioga abriga uma exuberante natureza. Localizada entre o

ao município começar a pensar na questão”, pondera ele, ressaltando a necessidade de investimentos na rede hoteleira.

Litoral Norte e a Baixada Santista, a cidade mantém 85% do seu território

A maior procura pelos serviços de sua empresa é na baixa temporada.

- 482 km² – preservado. São trilhas que cortam montanhas, praias de-

Porém, na última temporada de verão, a Seiva Tur teve muito a comemorar, e

sertas e reservas ecológicas, com fauna e flora diversificadas. Todo esse

agora começa a colher os frutos do trabalho realizado no período. “Pela primei-

paraíso ecológico inserido no Parque Estadual da Serra do Mar.

ra vez conseguimos uma área dentro do espaço Veja São Paulo, da Riviera de

A cidade também abriga a fortaleza mais antiga do país, o Forte

São Lourenço. Na ocasião, não alterou nosso fluxo, porque no verão ninguém

São João, um dos principais atrativos turísticos do município. Além disso,

quer ir para o meio do mato, quem vem para o litoral quer praia. Mas, muitas

mantém uma fortíssima cultura

pessoas que visitaram o local agora estão nos procurando”, garantiu.

regional, como a Festa do Pa-

Verônica Almeida da Hora, proprietária de outra agência, a Atlântica Tur,

droeiro do bairro São Lourenço,

também comemora os resultados da última temporada de verão. Segundo

uma tradição de mais de

ela, a procura pelo serviço aumentou consideravelmente. “Foi uma média de

120 anos, a Festa da Tainha,

80% a 85%, em relação ao mesmo período do ano passado”.

que há quase três décadas

A Atlântica oferece vários programas, como trilha, canoagem, passeio

faz parte do calendário de

de barco e mergulho, mas, o mais procurado pelos visitantes é o City Tur

eventos da localidade, e a

- passeio pela cidade.

Festa do Índio, que já está em sua sétima edição, mais que já virou referência mundial, merecendo inclusive destaque na ONU (Organização das Nações Unidas). As potencialidades turísticas do município mais jovem da Baixada Santista atraem, todos os anos, milhares de turistas e veranistas de todas as partes. Levando-se em conta que a indústria do turismo é a que mais cresce no mundo, o município dá mostras do futuro promissor que tem pela frente. O empresário Flávio Lessa da Fonseca, proprietário da agência de turismo Seiva Tur, diz que, embora Bertioga ainda não seja uma estância turística, o município tem um grande potencial. “O turismo ainda está vindo no rastro do crescimento da cidade, mas temos vários atrativos para acompanhar essa tendência. Bertioga tem tanto a parte histórica, quanto atrativos regionais, além de ter balneabilidade das praias praticamente o ano todo. Não é todo lugar que consegue isso”, considera.

Expectativas Para o empresário, que está no ramo de turismo ecológico há 13 anos, o principal atrativo da cidade ainda são as praias. Fonseca acredita que os novos empreendimentos que estão chegando à cidade vão ajudar a fomentar o setor. “Mas para ter turista tem que ter local para receber. Bertioga está se desenvolvendo, acho que cabe

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Futuro

Clara expansão Projeções recentes dão conta de que Bertioga terá um considerável crescimento em relação às vizinhas da região

Em menos de 15 anos, Bertioga deverá ter

Diante dessas expectativas, o atual prefeito

o maior crescimento populacional em relação

de Bertioga, Lairton Goulart (PL), em entrevista,

aos outros oito municípios da Baixada Santista

avalia como positivo o desenvolvimento da ci-

(Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Pe-

dade, que já vem recebendo vários empreendi-

ruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente). De

mentos imobiliários.

acordo com estudo da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), divulgado

Costa Norte - Como o senhor vê as projeções para o futuro da cidade?

em janeiro deste ano, a cidade praticamente

Prefeito Lairton Goulart

dobrará o número de seus habitantes previstos

Lairton Goulart - Vejo Bertioga com bons olhos.

para julho deste ano, que é de 51.080, para

É uma cidade que acompanhou e superou o pro-

101.781 no mesmo mês de 2020, o que repre-

gresso da região. É a que mais se desenvolveu no

senta um aumento de 99,2%. Assim, em apenas

Estado de São Paulo, neste último ano. Uma ci-

um ano, o município já deverá ter o considerável

dade que está tendo um desenvolvimento orde-

crescimento de cerca de 7%, saindo da casa

nado. Não temos mais invasões porque estamos

dos 47.686 habitantes em julho de 2006 para

arrumando os núcleos originários anteriormente de

51.080 em julho deste ano.

invasões e urbanizando essas áreas para que Berti-

Ainda conforme a pesquisa, a média anual

oga tenha um crescimento harmônico.

de crescimento populacional nas cidades da região, entre os anos de 2001 e 2020, deve ser em torno 1,5% e 3%, enquanto que nas demais cidades do Estado de São Paulo, o número oscila bem mais baixo: de 0% a 1,5% ao ano.

CN - A que o senhor atribui este desenvolvimento todo? Lairton – A qualidade de vida em Bertioga está atraindo muita gente. Ela é calma, segura

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e tem o menor índice de violência na Baixada.

mos para que ocupem essa mão de obra, que

Isso, nos dias de hoje, é um atrativo. Também

é de boa qualidade. Nós ressaltamos muito isso.

é uma cidade bonita, praiana, que ainda não está com aquele movimento desagradável dos grandes centros.

turismo na cidade? Lairton - Sem dúvida alguma. Nós incrementamos o turismo. Hoje, o forte de Bertioga, que

CN - A falta de qualificação profissional tam-

estava fechado quando eu assumi, é o mais

bém é um grande problema, não só em Berti-

visitado do Brasil e foi considerado pelo Iphan

oga como em outros municípios da região. A

como o mais bem cuidado do país. Isso tem

CN – O senhor acha que o município está

cidade vem preparando seus moradores para

atraído uma quantidade muito grande de visi-

preparado para ter um aumento populacional

as oportunidades de trabalho que deverão surgir

tantes. Temos excursões de um dia de univer-

de quase 100%, conforme indicou pesquisa re-

junto com o desenvolvimento econômico?

sitários e estudantes de escolas de São Paulo.

cente do Seade? Lairton – Acho que ela está se preparando para este crescimento, tanto é que estamos am-

Lairton - Temos diversos cursos profissionali-

Também batemos o recorde de visitação ao

zantes que têm sido ministrados por meio da Pro-

Parque dos Tupiniquins, devido à quantidade

moção Social, na Casa da Cultura.

de turistas de ônibus que tem vindo. Nos últimos

pliando a nossa rede de atendimento médico e de ensino. Tudo isso visando acompanhar o progresso crescente da população.

dois anos e meio, mais de 90 mil pessoas visiCN - Percebe-se em sua administração uma preocupação com o resgate da história e da

taram o Forte São João, sem contar o público que entra sem pagar.

cultura da cidade, por que isso? CN - Bertioga parece viver um boom imo-

Lairton - Bertioga tem um passado muito

CN - Como administrador, quais as suas

biliário, além dos prédios que estão sendo

bonito ligado à história do Brasil. Quando res-

perspectivas para o futuro da cidade, a partir

construídos na área central, empresas como

saltamos os valores daqueles que participaram

do nítido desenvolvimento que ela terá?

a Camargo Correa e a Brasfanta também

dessa história, como Cunhambebe e os padres

Lairton - Acho que Bertioga vai ocupar

começam a investir na cidade. Há alguma

Anchieta e Manoel da Nóbrega, estamos fa-

um lugar de muito destaque entre as ci-

exigência no contrato com essas empresas

lando não somente desses personagens, mas

dades do litoral, porque menina do jeito

para que a mão-de-obra seja local?

do palco onde esses atuaram, que foi Bertioga.

que é, ela já está incomodando (risos). Veja

Lairton - Pedimos a todos empresários que

Estamos mostrando ao público o quanto Berti-

a quantidade de gente que fica por aqui, a

dêem preferência à mão-de-obra local. Eles já

oga foi importante no contexto da história do

potência que é a Riviera de São Lourenço.

entenderam que isso é melhor para eles e têm

Brasil Colonial. Tudo isso desperta nas pessoas

Loteamentos como o Hanga-Hoa, Costa do

nos atendido. Entendemos que os empreende-

a curiosidade de conhecer a cidade, e valoriza

Sol, Morada da Praia e Bouganville são de

dores devem trazer os seus engenheiros e mes-

nossa Bertioga, em termos de herança histórica

alto nível e atraem os turistas, devido à se-

tres de obra, mas que dêem prioridade para o

e cultural.

gurança, e também aos novos investidores.

nosso pessoal daqui, como pedreiros, encanadores, ajudantes de pedreiros, eletricistas. Pedi-

Empreendimentos deste tipo estão ajudanCN – Então, essas ações estão fomentando o

do e muito a mudar o perfil de Bertioga.

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Atrativos

Delicie-se à vontade

As belezas naturais das praias de Bertioga continuam sendo o principal cartão-postal do município, São mais de 30 km delas, com águas claras e

Enseada

de excelente balneabilidade. Ao

A mais movimentada, vai desde o centro da cidade até o bairro do Indaiá com uma diversidade

longo da costa, paisagens únicas e

de ambientes. São 12 km de larga faixa de areia clara e dura. Em alguns trechos é ideal para banhos

diferenciadas, desde o burburinho

e pesca de arremesso; em outros, é propícia para a prática de surfe. Conta com bons restaurantes, quiosques à beira-mar e centro de compras e artesanatos. É nela que acontecem os principais eventos da cidade e onde está localizado o Parque dos Tupiniquins. A Enseada também é ponto de partida

das agitadas Enseada, São Lourenço e Boracéia, até a tranqüilidade e

para passeios de escuna e pesca embarcada. Em toda a sua extensão há hospedagens e restau-

o ar quase deserto de Itaguaré e

rantes.

Guaratuba,. As praias também são

Vista Linda

pontos de partida para diversão e

Neste trecho, a movimentação de turistas é por conta do agito de bares e quiosques. O

lazer, como passeios de escuna,

mar é manso e propício para banhistas.

pesca, trilhas e esportes náuticos. Em

Indaiá

terra, todo o conforto e segurança

Point bem procurado por causa das águas tranqüilas com poucas ondas, lembrando uma piscina natural. Ideal para famílias com crianças, nadadores e praticantes de esportes náuticos, como a vela.

São Lourenço São 4,5 km sombreados por coqueiros reais da Bahia. Seu maior símbolo é o megaprojeto

de bons hotéis, pousadas e resorts. Bares, quiosques e restaurantes complementam a rede de serviços para uma boa estada em Bertioga.

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Riviera de São Lourenço, um charmoso bairro planejado. Depois da praia, vale a pena circular pelas ruas e alamedas do luxuoso empreendimento. Há muito para ver e apreciar: casa de leilões, shopping, requintados restaurantes, com gastronomia internacional, viveiro de mudas, quadras de tênis, hípica e resorts de nível internacional.

Guaratuba Com 8 km de extensão, é cercada por casas de veraneio, o que propicia pouco movimento e ambiente tranqüilo. Um dos atrativos do local é a ponta do rio Guaratuba que, em seu lado norte, é ideal para famílias e amantes da pesca amadora.

Itaguaré Semideserta, cercada por uma exuberante vegetação de restinga, é ideal para os amantes de natureza e aventura. Possui trechos de floresta, com trilhas variadas, mangues, rio, quedas d’água e piscinas naturais. É possível alugar caiaques e canoas canadenses para subir o rio em direção à Serra do Mar. São mais de 4 km de percurso, onde o silêncio só é quebrado pela algazarra dos pássaros. Há agências de turismo no local que disponibilizam guias. O local não conta com infra-estrutura de hotéis e restaurantes. Mas, para quem gosta de frutos do mar, há várias barracas localizadas à margem da rodovia Rio-Santos, no km 205, um pouco antes da entrada para a praia.

Boracéia Localizada na divisa com o município de São Sebastião, a última praia de Bertioga é ideal para passar um dia tranqüilo, saboreando petiscos e pratos à base de frutos do mar, nos quiosques instalados na areia. No local, os amantes da pesca de arremesso também são bem-vindos.

Forte São João A mais antiga fortaleza, erguida inicialmente em paliçada no Brasil, continua intacta e é um dos

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roteiros de turismo de Bertioga. Construído em 1532, o Forte São João está localizado no Parque dos Tupiniquins, uma área verde entre a praia da Enseada e o Canal de Bertioga, região de vista privilegiada e um dos pontos mais freqüentados da cidade. Armaduras, salas temáticas, quadros, artesanatos indígenas e réplicas de objetos de época fazem parte do acervo histórico e ajudam a contar um pouco da saga vivida no século XVI, durante o período de descobrimento do Brasil.

Parque dos Tupiniquins O mais novo atrativo de Bertioga ocupa uma grande área arborizada no entorno do Forte São João. No local há estátua do cacique tupinambá Cunhambebe, que na época da colonização selou a paz entre os portugueses e os índios, e também dos padres jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, acompanhados de índios.

Trilhas Na cidade com maior área verde do Estado de São Paulo não poderiam faltar os passeios em meio à natureza. Há desde trilhas ecológicas de pouca e média dificuldade, até as que exigem preparo físico para escalar montanhas, pedras e até subir por cachoeiras. Uma delas leva ao Vale do Itapanhaú, seguindo por corredeiras, piscinas naturais e uma “praia de pedra”, um dos cenários mais bonitos. Há uma caminhada, de nível fácil, pela Trilha do Caiubura, que contrasta com outra, de nível um pouco mais difícil: a Trilha das Ruínas, que margeia o Córrego da Fazenda, e tem duração de 40 minutos. também de difícil acesso em alguns pontos, a Trilha da Captação – com quase 1.500m – mostra um pouco da vegetação de restinga. Entre as de nível mais difícil está a Trilha da Garganta do Gigante. Com três horas de duração, ela inclui um trecho de barco e mais 4h de caminhada. Mas o sacrifício é recompensado pelas paisagens que se descortinam.

Rios Água por todos os lados. Assim é Bertioga, propícia para atividades aquáticas. E não é de água salga

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Verdes Mar

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Recente Parque dos Tupiniquins e Forte São João, avistados do Canal de Bertioga

Detalhe de uma das guaritas do forte

Vista externa do Forte São João

Forte São João visto da praia da Enseada

Píer Licurgo Mazzoni

Moradores e visitantes à espera de embarcações

Alguns dos barcos que realizam a travessia do Canal

Igreja São João Batista, no centro da cidade

Canal de Bertioga, visto do Píer Licurgo Mazzoni

Tradicional rua da Saudade, situada na região central

Casa da Cultura

Canal de Bertioga avistado da área do centro

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da que se fala aqui. Três bacias hidrográficas importantes - Itapanhaú, Itaguaré e Guaratuba - podem ser o caminho para a descoberta de novos paraísos escondidos. Formado por várias nascentes da Serra do Mar, perto de Biritiba Mirim, o rio Itapanhaú possui corredeiras, cachoeiras e piscinas naturais. Na parte plana, é sinuoso e segue por longo percurso paralelo à Serra do Mar, até desaguar no Canal de Bertioga. O passeio pelo Vale do Jaguareguava, um dos principais afluentes do rio que leva o mesmo nome e nasce na Serra do Mar, revela um espetáculo de águas cristalinas em suas pequenas corredeiras, piscinas naturais e praias de areias claras. Já os rios Guaratuba e Itaguaré têm como pontos de partida as praias que levam o mesmo nome. As águas destes são mais escuras e turvas, porém, não perdem em encantos e belas paisagens no entorno. Alguns procuram os rios para pesca, outros para canoagem e esportes mais radicais como o acqua rider.

Vila de Itatinga Nesta vila construída em 1910 e localizada na encosta da Serra do Mar, história e ecoturismo garantem um passeio inesquecível. Chegar a este paraíso ecológico já é uma aventura e tanto! É preciso atravessar o rio Itapanhaú em uma barquinha e, depois, percorrer o restante do trajeto num charmoso bondinho por 7 km, em meio à exuberante Mata Atlântica. A arquitetura inglesa, estilo século XIX, pode ser observada na Capela de Nossa Senhora da Conceição e nas 70 casas gêmeas que margeiam o caminho do trem e conduzem até a Hidrelétrica de Itatinga, que, desde 1910, garante energia para o Porto de Santos, com potência de 15 mil quilowatts. No local há trilhas, cachoeiras e rios de águas cristalinas. Itatinga é uma das mais belas regiões naturais da costa brasileira. Cercada por montanhas com mais de 700m de altura, a região é, também, habitat natural das mais variadas espécies de pássaros.

Festa do Índio O calendário de eventos de Bertioga por si só é uma atração a parte. Durante todo o ano, festas temáticas agitam as areias da praia da Enseada. Mas a de maior repercussão é a Festa Nacional do Índio. Realizada sempre no mês de abril, ela é uma grande mostra da riqueza e diversidade cultural do povo indígena. O evento mescla atividades culturais e esportivas, além de ser oportunidade única para conhecer e respeitar as diferenças sociais das etnias espalhadas pelo Brasil.

Aldeia Rio-Silveira Bertioga possui uma particulariade que a difere das demais cidades vizinhas. É que em seu território fica a reserva indígena Aldeia do Rio Silveira - localizada em Boracéia, entre as cabeceiras do Rio Silveira e do Rio Vermelho, na divisa com o município de São Sebastião. No local, vivem cerca de 300 índios guaranis. São aproximadamente 50 famílias. Os membros da comunidade confeccionam produtos artesanais, que são comercializados em feiras livres, na rodovia Rio-Santo e durante a Festa do Índio, principal vitrine da cultura indígena local.

Sesc Inaugurada em Bertioga há 59 anos, a Colônia de Férias Rui Fonseca é uma das unidades mais antigas do Sesc em todo o país. Considerada a maior colônia da América Latina, é um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do então distrito de Santos. Cerca de 40 mil pessoas por ano passam pelo Sesc-Bertioga que, em sua área de 4 milhões de m², oferece as mais variadas opções de lazer. A colônia dispõe de 46 casas, com capacidade para alojar de 10 a 12 pessoas, e 11 conjuntos com 224 apartamentos cada um. Tem capacidade para receber diariamente até 1.100 hospedes.

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números

Dados do município Brasão

População

Criado em 22 de ja-

2000: 30.903 (censo IBGE)

neiro pela lei municipal

2005: 44.517 (estimativa do IBGE)

001/93, o Brasão de

2007: 51.080 (estimativa do Seade p/ julho)

Armas de Bertioga retrata uma fortaleza de prata, o sol, duas estrelas e um peixe.

Localização

O monumento no

Bertioga está localizada entre o Litoral Norte e a Baixada Santista

ícone é uma refer-

Bandeira

ência ao Forte São João. Na base, encontra-se

A bandeira do município foi criada pela lei 027/93

o nome da cidade entre as datas 1547, ano da

Limites:

e oficializada em 14 de setembro do mesmo ano.

fundação do povoado, e 1993, primeiro ano de

Norte: Salesópolis, Biritiba Mirim e Mogi das Cruz-

administração municipal.

es Leste: São Sebastião Oeste: Santos

Bacias hidrográficas

Sul: Guarujá e Oceano Atlântico

A cidade conta com três bacias hidrográficas im-

Altitude: 3 m

portantes constituídas pelos rios Itapanhaú, Itaguaré e

Latitude: 23º51´17” (Sul)

Guaratuba. Formado por várias nascentes da Serra do

Longitude: 046º08´03” (W)

Mar, perto de Biritiba Mirim, o rio Itapanhaú possui corredeiras, cachoeiras e piscinas naturais. Na parte plana, é

Dimensões

sinuoso e segue por longo percurso paralelo à Serra do

483 km², sendo 85% de preservação ambiental,

Mar, até desaguar no Canal de Bertioga. O Itapanhaú

inseridos no Parque Estadual da Serra do Mar

tem como afluente o Jaguareguava. Já os rios Itaguaré e Guaratuba deságuam no Oceano Atlântico e são propícios para a prática de pesca amadora e esportes náuticos

Atividade econômica Atualmente predominam a construção civil e atividades voltadas ao setor turístico, como restaurantes, hotéis e pousadas. A pesca é

Infra-estrutura

outra atividade presente o ano inteiro.

Educação Unidades de ensino: 21 (incluindo o Nace) Creches: 07

Calendário de Eventos Janeiro 03 a 28 - Shows musicais na Praia da Enseada Arenas Esportivas Festival de Música Gospel Fevereiro De 17 a 20 - Carnaval Pé N´Areia Março Dias 10 a 11 - XXIX Campeonato de Pesca Dias 16 e 17 - 1ª Etapa de Arena Cross - Temporada 2007 Dia 25 - 2ª Etapa Circuito Biathlon - Séries - Praia Indaiá Abril De 19 a 22 - VII Festa Nacional do Índio De 19 a 22 - VII Feira de Artesanato Indígena Maio Dia 06 - 30 Km Interpraias Enseada/Riviera/Enseada De 11 a 13 - II Festa Africana Dia 19 - 16º Aniversário de Emancipação Politico-Administrativa de Bertioga Junho De 1º a 30 - Festas Juninas/Quermesses

Total de alunos atendidos em 2006: 7.273 em 24 classes Dia 24 - Festa do Padroeiro da Cidade - São João Batista Dia 29 - Procissão de São Pedro

Educação Infantil: 1.532 – 58 classes

Julho De 30/06 a 29/07 - Projeto Inverno na Praia, com apresentações musicais, esportivas e culturais De 30/06 a 29/07 - XXIX Festa da Tainha 2º fim de semana - Marcha para Jesus

Educação Especial: 23 - 03 classes

Agosto De 03/08 a 09/09 - XIV Festa do Camarão na Moranga Dia 10 - Festa do Padroeiro de São Lourenço Dia 11 - Corrida - Bertioga By Night Setembro De 14 a 23 - VI Festa do Pastel e do Chopp Outubro De 05 a 07 - IV Festa Japonesa Dia 21 - Corrida - 5ª Etapa Circuito das Praias

Ensino Fundamental: 3.962 – 140 classes EJA: 1.065 – 47 classes Creches: 691 - 26 classes

Saúde Hospital Municipal: 01 Unidade Básica de Saúde: 04 Centro de Saúde: 01 Pronto-Socorro: 01

Dezembro De 01 a 31 - Presépio, apresentações musicais/natalinas - Natal de Luzes Dia 31 - Réveillon - Shows musicais e pirotécnicos

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