>>> também esta não durou muito: em 1759 ardeu completamente e o largo da Cotovia ficou conhecido por “Patriarcal Queimada”. Ainda hoje, uma pequena travessa junto ao jardim relembra o facto. E aquelas terras voltaram ao seu triste destino de vazadouro e práticas de má fama… Em 1790, começaram trabalhos de desentulho para abrir espaço a um novo palácio – o Erário Régio – cujo plano monumental levou um viajante estrangeiro a considerá-lo ironicamente “vasto demais para conter os tesouros de todos os soberanos da Europa”. Mas também esta construção não foi para diante. Finalmente, em Julho de 1861, foi aprovada a planta da praça já então denominada de Príncipe Real. Ali se fez um jardim “à inglesa”, obra do jardineiro Francisco da Silva que trabalhara no jardim da Estrela. Tem, desde então, o seu aspecto de hoje: um agradável espaço de lazer com árvores variadas de grande porte e bela sombra, ruas sinuosas ladeando canteiros, contornados por pequenas grades em ferro. As flores variam com as estações. No centro, um tanque oitavado dálhe frescura e inúmeros bancos convidam ao repouso. Em seu redor perfilam-se bonitos palacetes que foram moradas de nobres e ricos burgueses. No séc. XIX, a zona era considerada um belíssimo local de residência, muito elegante e distinto. O jardim tem alguns monumentos: o de França Borges, o seu patrono, o busto de Sousa Viterbo (arqueó-
logo que morava perto) e outro dedicado a Antero de Quental. Mas quem verdadeiramente preside a este espaço é um fantástico cipreste do Buçaco, uma das mais belas árvores de Lisboa, que mais parece um grande guarda-sol, forma que lhe é dada por uma armação de ferro. Como uma coroa circular, projecta uma agradável sombra em seu redor. Junto ao tronco podem ler-se uns românticos versos anónimos, gravados numa tosca tábua de madeira e dedicados a quem passa: Ao viandante Tu que passas e ergues para mim o teu braço Antes que me faças mal olha-me bem, Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de Inverno, Eu sou a sombra amiga que tu encontras Quando caminhas sob o sol de Agosto, E os meus frutos são a frescura apetitosa Que te sacia a sede nos caminhos. Eu sou a trave amiga da tua casa, a tábua da tua mesa, A cama em que descansas e o lenho do teu braço. Eu sou o cabo da tua enxada, a porta da tua morada. A madeira do teu berço e do teu próprio caixão. Eu sou o pão da bondade e a flor da beleza. Tu, que passas, olha-me bem e… não me faças mal. Mas este jardim ainda nos reserva mais uma surpresa. Para a descobrir continue a folhear o guia! • Principe Real & São Bento ·