Skip to main content

Contos de Ficção Científica - Helena Neves 7º A

Page 1

THe sound of time

Por Helena Neves


Ele saiu voando da escola. Não sabia para onde estava indo, nem o que fazer. Estava entusiasmado. Impressionado. Alegre. Ansioso. Começou a pensar. Estava diante de um mar de informações e não sabia como nadar, ainda mais com seus oito anos. Seguiu caminhando em direção a uma oficina. - Arlindo, preciso de sua ajuda. - exclamou Ishmael, ansioso. - - Claro menino, com o quê? - Preciso que algum adulto me ajude a construir uma máquina do tempo - falou, em um tom apreensivo. - O quê? Como assim? - disse Arlindo espantado. - Hoje, em minha aula de ciências, assistimos ao filme “De volta para o futuro” e nunca fiquei tão encantado com algo deste modo! - exclamou sem fôlego - Já pensou? Entrar em uma máquina e escolher qualquer lugar, em qualquer época, e de repente aparecer lá? Deve ser maravilhoso. - Sim, de fato deve ser maravilhoso. Mas como você pretende realizar uma máquina assim? Exige muito trabalho e eu não saberia nem por onde começar. Pode até te atrapalhar na escola! - exclamou um tanto preocupado. - Hoje foi meu último dia de aula, não irá me prejudicar! Aliás, sei exatamente para onde e para quando vou viajar! - disse animado. - Sério? Onde? - perguntou Arlindo curioso. - Quero ir para a Áustria em 1939, pois você sabe que meu filme favorito é “The Sound of Music” né? - indagou a Arlindo, que logo concordou com a cabeça Então, o musical foi gravado na década de 60, mas queria representar 1939, uma época de muita alegria, cantoria e paz - Ishmael começou a ficar mais ansioso e sem fôlego. - Você me ajuda, por favor? - perguntou, com um olhar marcado por tanto entusiasmo, que fez com que Arlindo, sensibilizado, aceitasse. No dia seguinte, ele fez uma roda com seus amigos, todos cientistas e pesquisadores. Precisava de ajuda e recorreu a eles. Após contar do desejo de Ishmael e que havia aceitado, perguntou se alguém podia auxiliá-los. Depois de uns dois minutos, um sujeito baixinho, de óculos começa a falar: - Bom, acho que há uma incrível descredibilidade em um projeto como este. Parece muito desafiador. Entretanto, deve ser deslumbrante ter acesso a uma máquina que te leve a qualquer lugar em qualquer hora. Sendo assim, eu topo! Quero ajudá-lo. - falou um pouco inseguro, mas muito animado. Em seguida, todos os outros cientistas concordaram e já começaram a pesquisar quais eram as ferramentas e equipamentos necessários. Arlindo ficou muito feliz e satisfeito.


No final da tarde do mesmo dia, ele foi à casa de Ishmael e o avisou que, junto com seus amigos, havia comprado todos os materiais necessários e que já estavam começando a construir a máquina. O menino, que estava sentado em sua escrivaninha, levantou-se e deu um abraço em Arlindo. Ambos sorriram. Depois de três meses de muito trabalho e cansaço, a máquina finalmente ficou pronta. E chegou o tão esperado dia de sua inauguração. Ishmael e Arlindo se preparavam para entrar dentro do projeto, que os envolveu por tanto tempo. - Você acha que vai dar certo? - perguntou o menino ansioso. Fez-se um silêncio, Arlindo não sabia o que responder. Colocaram a data e o local no canto da máquina e entraram em seu tubo, projetado para o tamanho dos dois. Fecharam os olhos e deram as mãos. Estavam prestes a voltar para 1939, era uma grande aventura. As portas que selavam o tubo se juntaram, eles apertaram o botão vermelho ao lado deles e … BOOM! Chegaram na Áustria, mais especificamente em Salzburgo, cidade em que o clássico fora gravado. Estavam no topo da montanha, onde Julie Andrews cantou “The sound of Music”, vendo uma vista encantadora. - Arlindo, deu certo! - Ishmael estava tão feliz, que começou a pular e cantar. Enquanto isso, Arlindo procurava um bom arbusto para esconder a máquina, e conseguirem ir ao centro da cidade. Começaram a descer a montanha. Quando chegaram lá embaixo, viram uma pequena cafeteria e resolveram comer alguma coisa. Os dois se deliciaram com uma torta de maçã e observaram as famílias e pessoas rindo e conversando. Mas isso durou pouco. Repentinamente, dezenas de homens chegaram em marcha gritando “HI HITLER”, e todos ficaram assustados e surpresos. Arlindo sabia que eram os nazistas e que não podia fazer nada, pois não se pode alterar o passado. Preocupado, pensou se havia algum problema dele e Ishmael continuarem lá e olhou espantado para o menino, que era judeu. Seu próprio nome dizia isso e se algum daqueles homens perguntasse, claro que ele iria falar, não tinha consciência de que aquilo seria um problema. Ele agarrou o braço de Ishmael e falou que precisavam ir embora, naquele minuto. O menino estranhou. Eles começaram a andar em direção a montanha, mas um dos soldados os viu e perguntou aonde eles estavam indo. - Estamos indo para a montanha - respondeu Ishmael. - É? E qual é seu nome garoto? - perguntou o homem indelicadamente. - Ishmael. Nisso, o soldado deu um pequeno sorriso no canto da boca, chamou todo o exército e apontou para o menino. Arlindo o puxou e eles começaram a correr muito rápido, sendo seguidos pelos homens. Quando chegaram ao topo da montanha, o cientista levou Ishmael até o arbusto onde tinha escondido a máquina e eles entraram em seu tubo,


rapidamente. Deram as mãos, fecharam os olhos, apertaram o botão vermelho e … o parafuso caiu! Os nazistas estavam chegando cada vez mais perto e pegando suas armas. Arlindo pegou sua chave de fenda, pegou o parafuso e consertou o botão. Estava muito nervoso. Quando os soldados estavam tentando abrir o tubo, ele apertou o botão e … chegaram em sua oficina. Abriram o tubo, e saíram aliviados. Tinham conseguido. Tinham voltado para casa. Tinham voltado para 2018. Saíram da oficina e foram até uma cafeteria na esquina. Ambos pediram uma torta de maçã e observaram as famílias e pessoas rindo e conversando. A sensação foi de alívio e tristeza. A viagem no tempo mostrou a Ishmael que também houve momentos sombrios em outras épocas. Aliás, bem sombrios. E sempre haverá.

FIM


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Contos de Ficção Científica - Helena Neves 7º A by conectareducadoresnasanti - Issuu