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Escola Marquesa de Alorna: Comemorar os 50 anos (1958-2008)

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A Escola Marquesa de Alorna Lisboa

Comemorar os 50 anos 1958 – 2008

Bairro Azul 2005


Comemorar os 50 anos Introdução Como forma de comemorar os 50 anos da Escola Marquesa de Alorna, e sendo a Escola o “vizinho” mais antigo do nosso Bairro, a Comissão de Moradores do Bairro Azul propõe que se dê início à reabilitação do edifício e dos seus espaços verdes, de modo a dotá-los das indispensáveis condições de funcionalidade, higiene e segurança. Porque acreditamos que a qualidade dos espaços influi, decisivamente, nos comportamentos de quem os utiliza, estamos certos que este será um passo decisivo para resolver muitos dos problemas que actualmente se vivem nesta escola, conforme tem sido amplamente noticiado, e para atrair a esta escola mais alunos. A Comissão de Moradores do Bairro Azul elaborou o presente documento que será entregue, em primeiro lugar, à Senhora Ministra da Educação, como forma de sensibilização para o estado de abandono em que se encontra este edifício escolar, que consideramos parte integrante e importante do património do nosso Bairro e da cidade de Lisboa. A Comissão de Moradores do Bairro Azul propõe-se ainda procurar obter financiamentos para ambos os projectos, em regime de mecenato, certa de que a reabilitação desta escola emblemática da cidade vai merecer o interesse e o apoio de toda a comunidade, em particular das entidades e empresas que lhe são vizinhas.


O Edifício da Escola Em 1948 foi aprovada a construção da Escola Técnica Elementar Marquesa de Alorna. O terreno, com uma área de 10.240 m2, foi cedido pela Câmara Municipal de Lisboa e o projecto foi elaborado pelos serviços técnicos da Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário. O ante-projecto da Escola Marquesa de Alorna foi aprovado em 1955 e a construção inicia-se em 1956. Em 1958 estava concluída. O custo total das instalações foi de 8.164.000$00, sendo a estimativa dos custos de 8.000.000$00. Composta de dois corpos (formando frentes para dois arruamentos do Bairro Azul), um grande pátio e uma mata, a Escola foi cuidadosamente projectada para receber 1.000 alunas, tendo sido dada particular atenção à generosidade dos espaços, dignidade e durabilidade dos materiais, e às questões da luz e boa exposição solar.


O arquitecto Nascido em Soutomaior (Pontevedra), José Sobral Blanco apesar de ter mantido sempre a nacionalidade espanhola é um «arquitecto português», tanto pela formação académica como pela carreira profissional: fez o ensino primário na escola do bairro onde residia, na zona da Estefânia, o curso secundário no Liceu Passos Manuel, e formou-se em arquitectura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, curso que terminou em finais da década de vinte. Posteriormente, fez parte das equipas de arquitectos projectistas da Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário. Nesta instituição, participou no Plano de Novas Construções, Ampliações e Melhoramentos de Edifícios Liceais (Plano de 1938) e projectou e acompanhou a construção dos liceus de Setúbal, (1945), Porto Carolina Michäelis de Vasconcelos (1951), Oeiras (1953) e Portimão (1965). No segundo plano de construções (iniciado em 47), Sobral Blanco assinou, como primeiro responsável, diversos projectos de escolas industriais e comerciais: Setúbal (1951), Portalegre (1953), Torres Novas (1956), Oliveira de Azeméis (1959), e ainda da Escola Técnica Elementar Marquesa de Alorna - Lisboa (1955).[1]

[1]

Dados sobre biografia arquitecto Sobral Blanco fornecidos por Manuel Henrique Figueira


O Mobiliário O autor do mobiliário da escola (muito do qual ainda se encontra em perfeito estado e em uso) foi o escultor Jorge Neto Tavela de Sousa. Este artista trabalhou com o arquitecto Cristino de Silva e foi o autor de grande parte do mobiliário fixo dos edifícios por ele projectados. 1 As peças de mobiliário têm todas um design muito cuidado, perfeitamente adaptado ao fim a que se destinavam, como é o caso dos inúmeros modelos de cadeiras, vitrines, estantes, mesas, armários, etc. O mobiliário foi fabricado em fábricas do Norte de Portugal: Fábrica da Granja (Belmiro de Carvalho - Praia da Granja); Pinto da Costa (Raimonda); António Pereira da Costa (Freamunde), etc.

1

Dados fornecidos pela Drª Filomena Beja – Núcleo de Arquivo de Construções Escolares


Escultura Existe na Escola um busto da Marquesa de Alorna, datado de 1957, da autoria do escultor Raul Xavier (1894 – 1964). “Nascido em Macau, Raul Maria Xavier foi discípulo do escultor Costa Mota (sobrinho). Desenvolveu uma Obra escultórica de feição clássica, marcada pela serenidade e pela depuração das formas, tendo-se dedicado especialmente ao retrato em estátuas ou bustos. De entre os seus melhores trabalhos destaca-se o baixo-relevo representando a Batalha de Aljubarrota e a estátua de São Vicente (exibida na Exposição do Mundo Português, em 1940), a escultura de Santo António (Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Lisboa), as alegorias à Ciência e à Arte (Pavilhão dos Desportos, Parque Eduardo VII, Lisboa), a estátua de Vasco da Gama (Aquário Vasco da gama, Lisboa), a escultura de Nossa Senhora de Fátima (Palácio Nacional de Queluz), e os bustos do Coronel Mesquita (Museu Militar, Lisboa), de Camões (Universidade da Califórnia, E.U.A) e de Rafael Bordalo Pinheiro (Museu deste artista, no Campo Grande, em Lisboa).” [2]Foi também o autor dos dois leões que ladeiam a escadaria exterior do Palácio de S. Bento. Para além deste busto existe ainda na Escola, eventualmente entre outras peças, uma fonte em pedra com inegável interesse patrimonial. A cozinha, com chaminé, pias, mesas e balcões em liós merece ser restaurada e preservada.

[2]

In http://www.parlamento.pt/visita/fachada/index.html


A Actualidade Actualmente apenas com cerca de 700 alunos (chegou a ter mais de 1.400), o edifício da Escola Marquesa de Alorna encontra-se bastante degradado, quer ao nível dos interiores, quer dos exteriores. Nos anos 90, parte da mata foi cedida para viabilizar a construção de um parque de estacionamento[3]. Fora dos muros da Escola foram sendo construídos edifícios que a sombrearam. No entanto, o edifício e o espaço exterior mantêm-se praticamente inalterados desde a sua abertura nos anos 50. A necessidade de adaptar o espaço às novas realidades levou a que, ao longo dos anos, fossem introduzidos alguns elementos dissonantes que poderão ser facilmente retirados quando for feito um projecto global para a Escola que contemple as actuais necessidades de professores, alunos e funcionários. Uma parte da imensa área do sótão – desaproveitada e onde se amontoam equipamentos e mobiliário em desuso – poderá ser utilizada para um futuro Museu da Escola.

[3]

Cedida aos SAMS.


Conclusão A Escola Marquesa de Alorna é, como se pode ver, um edifício com grande qualidade arquitectónica que mereceu, por parte dos projectistas e artistas que nela trabalharam o maior esmero. Qualquer obra de reabilitação, de modo a dotar o edifício de condições de funcionalidade e segurança adequadas a um estabelecimento de ensino actual, obrigará a uma intervenção cuidada, quase minimalista, no respeito pela obra arquitectónica e demais elementos artísticos e decorativos que a constituem. Utilizar um edifício com as características formais descritas para escola, contribui para a formação intelectual dos seus utilizadores, encarando-se o imóvel como objecto didáctico e pedagógico.


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