DE EXCELÊNCIA, INOVAÇÃO E COOPERAÇÃO NO AGRONEGÓCIO
PREFÁCIO Por Roberto Rodrigues, engenheiro agrônomo, produtor rural, Professor Emérito da FGV. Entre outras funções, foi ministro da Agricultura de 2003 a 2006 e também presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI). Vivemos em nosso planeta um tempo marcado por polarizações de toda ordem, em que as organizações multilaterais perdem protagonismo, provocando uma generalizada erosão dos valores democráticos. A incapacidade da ONU de impor e fazer cumprir regras que garantam a estabilidade política e a paz universais acaba permitindo que países tomem decisões arbitrárias que contrariam o senso comum, mas nada acontece contra tais iniciativas. A escalada dessas ações, que podem ser desde guerras cruéis e inaceitáveis em pleno século XXI até a usurpação de poderes através de processos políticos duvidosos, cria um cenário global confuso e instável. Alguns estudiosos chegam a afirmar que estamos entrando numa certa “era da desordem”. No entanto, com ou sem ordem, alguns temas que independem de atitudes de governantes ou de anseios de grupos sociais continuam exigindo da humanidade respostas objetivas e consistentes. Entre esses, ganham dimensão crescente as questões da segurança alimentar para toda a gente do mundo e da transição energética, que, por sua vez, se relaciona com a necessidade de mitigar as mudanças climáticas. Esses três fantasmas são ainda ampliados pela tragédia da desigualdade social. Os quatro inimigos da humanidade precisam ser combatidos a qualquer custo. Sem alimentos, não haverá paz, e sem energia renovável, não haverá desenvolvimento harmonioso, nem geração de empregos, nem redução de emissões de gases de efeito estufa. O mundo precisa resolver isso. Seguramente, boa parte dessa solução virá do setor rural do mundo tropical, que incorpora toda a América Latina, a África subsaariana e parte da Ásia. Nesse vasto cinturão tropical do planeta, há muita terra disponível para aumentar a área plantada, e a produtividade é baixa, podendo aumentar significativamente com inovações tecnológicas. Por outro lado, caberá ao Brasil um papel central nessa campanha a favor da segurança alimentar e da energia limpa,
por razões conhecidas: desenvolvemos aqui uma tecnologia tropical sustentável que pode ser replicada nesse cinturão mencionado; temos um produtor rural corajosamente empreendedor e criamos algumas políticas públicas que também podem ser reproduzidas fora. Estamos, pois, enquanto nação, comprometidos com o desenvolvimento harmonioso da humanidade hoje e no futuro imediato. No entanto, um protagonismo brasileiro nessa verdadeira busca do bem-estar coletivo só será plenamente conquistado se o país tiver consciência da sua responsabilidade e for capaz de criar uma estratégia adequada para tamanho desafio. Essa estratégia, por sua vez, deve resultar de um diálogo franco e construtivo entre o setor público e o privado, sem ideologias ou preconceitos, incorporando a visão interna e externa e envolvendo todo o setor produtivo das cadeias do agronegócio, independentemente de tamanho ou posição geográfica. Será essencial que ela seja garantida pela segurança jurídica indispensável para a atração de investidores dos mais diversos elos que compõem o agronegócio brasileiro. Uma estratégia dessa magnitude deve incluir um conjunto de instrumentos que já são bastante conhecidos. A infraestrutura e a logística são basilares e devem ser promovidas por meio de parcerias público-privadas, conforme a lei. Uma política de renda para o campo também é indispensável, o que envolve um seguro rural que está demorando demais para ser implementado. A inovação tecnológica tem que ser bem mais incentivada, sobretudo considerando a IA e a conectividade entre os fatores de produção e de gestão rural. Acordos comerciais com blocos de países ou grandes países consumidores são fundamentais para garantir o escoamento das safras crescentes, como o Acordo Mercosul/União Europeia, que nunca sai do papel, além de parcerias com o Oriente Médio, a Índia e os países árabes.
Já somos grandes atores globais em soja, açúcar, carne bovina e de aves, café, suco de laranja, algodão, milho, carne suína e outros produtos não alimentares (como papel, celulose e fumo), mas podemos crescer em trigo, peixes, frutas e leite, pelo menos, dependendo de uma estruturação dessas cadeias valiosas. Temos que fazer tudo isso com sustentabilidade, como vimos fazendo, buscando a descarbonização nos sistemas produtivos com modelos espetaculares, como nossa matriz energética renovável, que vem crescendo com a relevante participação do agro, agora estimulado pela nova lei do Combustível do Futuro. É igualmente essencial que eliminemos os bandidos — que não são produtores rurais — que promovem o desmatamento ilegal, as invasões de terras públicas ou privadas, os incendiários criminosos, os garimpos clandestinos e outras ilegalidades, pois os concorrentes utilizam isso contra o Brasil. Usando a ultranecessária defesa do meio ambiente como barreira comercial, dão a entender que o produtor brasileiro é o culpado por todos esses crimes, criando dificuldades para a expansão das exportações nacionais. E, naturalmente, deve-se promover uma ampla e permanente campanha de comunicação, tanto dentro quanto fora do Brasil, mostrando nossa competitividade lastreada em comprovada sustentabilidade. Mas tudo isso, toda essa estratégia integrada, passa necessariamente pela organização madura do produtor rural. E é mais do que sabido que o braço econômico da organização da sociedade é o cooperativismo. A cooperativa, instrumento dessa doutrina universalmente praticada, é a extensão, no coletivo, do que um produtor rural não tem condições de fazer individualmente em sua atividade. Portanto, ela também é propriedade do associado, o cooperado. Por essa razão, uma
cooperativa só cumprirá seus objetivos — prestar serviços aos seus cooperados — se sua liderança tiver clareza de que a empresa cooperativa não é um fim em si mesma, mas um meio para servir a seus donos dentro da doutrina, com seus princípios e valores. Isso parece fácil, mas não é. Esse comportamento da liderança só será possível se ela tiver a cultura necessária para compreender seu papel. E a cooperativa que tiver o privilégio de ser comandada por pessoas com esse espírito será um elemento absolutamente formidável para que o desenvolvimento harmonioso da comunidade onde está localizada aconteça. Mais do que isso, uma cooperativa com tal liderança e tais características será sempre o alicerce para que a estratégia acima referida seja efetivada, graças à sua credibilidade. E, sem dúvida, será um elemento crucial para que o Brasil alcance seu horizonte de ser o campeão mundial da segurança alimentar, da transição energética, da mitigação das mudanças climáticas e da desigualdade social. Pois bem! É disso que estamos falando quando nos referimos a essa maravilhosa COMIGO, cooperativa cuja liderança, estimulada por um corpo social responsável e nacionalista e estruturada com uma equipe técnica competente e séria, apresenta esse padrão invejável de comportamento. Seja na sua face agrícola, seja na de crédito, a COMIGO é um exemplo formidável, no Brasil e no mundo, a nos orgulhar plenamente. A importância de estar comemorando 50 anos é digna dos mais elogiosos parabéns e dos votos de que siga com esse modelo invejável, sendo exemplo para quem quer que deseje buscar a melhor maneira de servir. A COMIGO, sem dúvida, ajudará o Brasil a carregar o magnífico troféu de Campeão Mundial da Paz!
COMIGO 50 ANOS
DE EXCELÊNCIA, INOVAÇÃO E COOPERAÇÃO NO AGRONEGÓCIO
SUMÁRIO 15 INTRODUÇÃO CAPÍTULO 1
17 PRONTOS PARA MAIS CINQUENTA ANOS Antonio Chavaglia Presidente do Conselho de Administração CAPÍTULO 2
19 UMA REFERÊNCIA NACIONAL Dourivan Cruvinel de Souza Presidente Executivo CAPÍTULO 3
23 O AMBIENTE 24 A importância do arroz CAPÍTULO 4
27 AS BARREIRAS CAPÍTULO 5
30 O PONTO DE PARTIDA CAPÍTULO 6
32 OS PRIMEIROS PASSOS CAPÍTULO 7
35 A ASSEMBLEIA DE CRIAÇÃO CAPÍTULO 8
37 O INÍCIO
CAPÍTULO 11
41 A PRIMEIRA LOJA, AS PRIMEIRAS COMPRAS E A NOVA DIRETORIA CAPÍTULO 12
43 A DETERMINAÇÃO DE CINQUENTA PESSOAS 45 Sócios Fundadores da COMIGO CAPÍTULO 13
46 A CHÁCARA (COMPLEXO INDUSTRIAL) CAPÍTULO 14
49 OS PRIMEIROS ARMAZÉNS CAPÍTULO 15
53 A SOJA
CAPÍTULO 16
54 O BOOM DA SOJA (E DA MIGRAÇÃO) CAPÍTULO 17
59 A EXPANSÃO COM AS LOJAS 60 A expansão das lojas COMIGO
nas cidades (ordem cronológica) CAPÍTULO 18
69 UMA GRANDE REDE ARMAZENADORA 72 A expansão com as unidades
armazenadoras (ordem cronológica) CAPÍTULO 19
CAPÍTULO 9
75 NA ERA INDUSTRAL
CAPÍTULO 10
78 A PRIMEIRA EXPORTAÇÃO
38 SAI ALCYONE, ENTRA PAULO ROBERTO 39 PAULINELLI E A COMIGO
CAPÍTULO 20
CAPÍTULO 21
83 AS INDÚSTRIAS DE SOJA 84 Refinaria
CAPÍTULO 29
112 AS TECNOLOGIAS E A COMUNICAÇÃO CAPÍTULO 30
85 Segunda indústria
115 A RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL
85 Terceira indústria
115 Cooperados
CAPÍTULO 22
86 A NOVA SEDE CAPÍTULO 23
89 CHAVAGLIA ASSUME A PRESIDÊNCIA CAPÍTULO 24
90 DIVERSIFICANDO ATIVIDADES 91 Rações 92 Algodoeira 92 Laticínio
115 Colaboradores 117 Sustentabilidade 119 Empresa-cidadã CAPÍTULO 31
121 OS ANIVERSÁRIOS MARCANTES CAPÍTULO 32
125 AS HOMENAGENS E RECONHECIMENTOS CAPÍTULO 33
126 UM GRANDE LÍDER CAPÍTULO 34
92 Dalland Comigo
129 DIRETORIAS ATUANTES
93 Fertilizantes
133 Missão, Visão e Valores
93 Credi-Rural
134 Números COMIGO
CAPÍTULO 25
94 A CONQUISTA DO MERCADO CAPÍTULO 26
97 A IMPORTÂNCIA DA CAPITALIZAÇÃO DAS SOBRAS CAPÍTULO 27
101 PESQUISANDO PARA O COOPERADO 104 Centro Tecnológico Comigo (CTC) 108 Tecnoshow Comigo CAPÍTULO 28
110 AS ELEIÇÕES
136 Diretoria Executiva Atual 137 Conselho de Administração Atual 137 Conselho Fiscal (2024) 139 Primeira Diretoria/Conselhos — 1975 139 Diretoria Executiva 139 Conselho de Administração 139 Conselho Fiscal 139 Diretoria/Conselhos — 1976
(Início das Atividades Operacionais) 139 Diretoria Executiva 139 Conselho de Administração 139 Conselho Fiscal 141 In Memoriam (Diretores)
INTRODUÇÃO Em 1975, alguns produtores rurais, no sudoeste de Goiás, se permitiram voar por meio de um sonho. Um voo em terra firme mesmo. Como bons pilotos do campo e organizados em uma aeronave chamada Cooperativa, eles decolaram naquele sonho, que logo se transformou em realidade. O primeiro plano de voo era solucionar problemas básicos, como a falta de insumos, secagem e armazenagem de grãos. A concretização desse plano e de outros tantos que viriam estão aqui relatados na história dos cinquenta anos da COMIGO, uma jornada inesquecível. Fé, esperança, coragem, visão, competência, capacidade, liderança, honradez... predicados que sempre estiveram a bordo. O voo foi alto, seguro e certeiro. Para documentar essa história empolgante, inúmeras foram as entrevistas com diretores, cooperados, colaboradores ou parceiros que participaram ou ainda participam do desenvolvimento da COMIGO. Alguns deles, infelizmente, não estão mais conosco (in memoriam). São incontáveis também os jornais da Cooperativa e outras publicações pesquisadas.
O voo decolou de Rio Verde (GO) com cinquenta pioneiros. Aos poucos, mais pessoas, inclusive de outras cidades goianas, foram embarcando naquela viagem magnífica. No início, voaram juntos sob um céu carrancudo, fechado, com nuvens negras. Mas, aos poucos, ele foi se abrindo e a dura realidade de outrora se tornou mais clara, amena, e a vida ficou mais fácil. O amor que envolve a construção da COMIGO pôde ser notado nos olhos lacrimejantes de muitos entrevistados, refletindo o carinho e o apreço para com ela, provavelmente eternos. “Um exemplo que vem de nós mesmos!”, slogan oficial da Cooperativa, criado por John Lee Ferguson, nunca foi tão apropriado a uma história escrita por gente de uma geração, que sempre agiu com o coração e o pensamento nas gerações futuras: filhos, netos e por aí vai... As gerações que se seguiram certamente se orgulham do que hoje estão vendo. A COMIGO é uma linda obra sedimentada por produtores rurais no coração da Pátria, destacando Goiás para o Brasil e para o mundo.
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CAPÍTULO 1
PRONTOS PARA MAIS CINQUENTA ANOS Olhando para trás, vemos a estrada que percorremos nestes cinquenta anos. Quanta coisa pra contar. Como nossa Cooperativa foi importante para o Centro-Oeste na abertura do Cerrado, principalmente após a industrialização da soja, da qual foi pioneira! Muitas dificuldades nos afligiram, mas numerosas conquistas nos aquietaram a alma. Ao entrar no túnel do tempo, percebemos o quanto foi feito. Quando começamos, não imaginávamos chegar hoje com esta estrutura fabulosa e o quanto ela representa. A COMIGO cumpriu seu papel socioeconômico. No início, sofríamos com a falta de quase tudo: insumos, armazéns, assistência técnica. Agora, temos isso e muito mais. Temos equilíbrio econômico, distribuição de renda, geração de empregos, orientações ao cooperado. Movimentamos toda a cadeia de valor do agro e repercutimos também em outras atividades, contribuindo com a melhoria de vida. Cerca de 100 mil pessoas são impactadas direta e indiretamente pela Cooperativa. A COMIGO é um nome e uma marca fortes graças à responsabilidade e confiabilidade de muita gente. Extremamente comprometida com o desenvolvimento, a Cooperativa conquistou o respeito da sociedade, o que muito nos envaidece. A valorização da cota capital (restituição e distribuição de sobras); investimentos constantes em estruturas, produtos, pesquisas e capacitação de pessoal
(cooperados e colaboradores), com especial atenção para os programas de jovens e mulheres cooperativistas; sustentabilidade; ações comunitárias; participação nos resultados (colaboradores)... Tudo isso está entre os muitos diferenciais da Cooperativa. Sua presença é tão relevante que, se compararmos um produtor que começou há vinte anos e só trabalhou com a COMIGO com um que está há quarenta anos na atividade, mas que nem sempre se relacionou com ela, ambos com áreas equivalentes, o segundo não tem 30% de capital do primeiro. Aqui o cooperado é dono mesmo: 70% do patrimônio líquido da COMIGO é dele (capital social). Assim, pedimos às gerações de produtores, atual e futura, que reflitam, tenham foco, participem da Cooperativa. Os novos pretendentes entram conscientes do que é a COMIGO, pois recebem muitas informações antes de serem cooperados. Nossa Cooperativa é uma estrutura que está aí, pronta e sólida, para continuar a prestar serviços pelos próximos cinquenta anos. Com o coração transbordando de emoção, vem uma imensa gratidão. Obrigado aos fundadores, aos diretores, conselheiros e colaboradores, atuais e anteriores, às comunidades, aos parceiros comerciais, financeiros, de ensino e da pesquisa, aos órgãos públicos e autoridades, às entidades de classe, instituições religiosas e filantrópicas, à imprensa, e, especialmente, aos cooperados.
Antonio Chavaglia Presidente do Conselho de Administração
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CAPÍTULO 2
UMA REFERÊNCIA NACIONAL Em 2023 recebemos duas premiações de destaque: o primeiro lugar em desempenho no segmento Agro em todo o Brasil do Valor 1000 (pela terceira vez) e, o certificado Great Place To Work (Ótimo Lugar para Trabalhar). São dois exemplos recentes, mas vários prêmios já foram conquistados pela COMIGO, todos frutos de um trabalho diário, bem feito, de cinquenta anos no aprimoramento e melhorias de nossos processos. Diretorias sérias e transparentes (inclusive com apresentação e discussão do balanço anual em reuniões com os cooperados nas cidades, antes da assembleia), conselhos atuantes, confiança dos cooperados, cujo atendimento é completo, coerência administrativa, equipe de colaboradores coesa e bem treinada, modernização das estruturas, forte capitalização, planejamento estratégico de longo prazo (pesquisas com os cooperados), expansão de áreas agregando mais associados (hoje estamos instalados
em vinte municípios, mas atuando em praticamente todo o estado): tudo isso, entre outros atributos, faz da Cooperativa uma referência nacional. Com o passar dos anos, a COMIGO cresceu muito, o que nos levou a implantar um novo sistema de governança recentemente. Agora com cinco diretores (ex-superintendentes), o presidente executivo e o presidente do Conselho de Administração, a mudança do modelo diretivo visou a desburocratizar e agilizar as decisões, além de dar mais segurança e evitar mudanças bruscas em uma gestão que vem dando muito certo. Também faz parte de nossas ações preparar novas lideranças nos quadros social e funcional, fomentando sempre o espírito de comprometimento e amor pela COMIGO. Talvez aqui esteja uma das principais razões do sucesso de nossa Cooperativa e que será sempre um dos grandes desafios. Esperamos que o trabalho coletivo se perpetue por mais cinquenta anos.
Dourivan Cruvinel de Souza Presidente Executivo
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CAPÍTULO 3
O AMBIENTE
Vistas do Cerrado, anos 1970, incluindo a criação de gado em pastagens extensivas, principal atividade da época.
A década de 1970 foi o marco de uma reviravolta no Cerrado. O governo federal lançou o Polocentro (Programa de Desenvolvimento dos Cerrados, 1975) e o Prodecer (Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para Desenvolvimento dos Cerrados, 1976), com o objetivo de incorporar o Cerrado ao processo produtivo e gerar matérias-primas para as indústrias das regiões mais ao sul do país, dentro da política de substituição de importações. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 1973) e a Embrater (Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural, 1974), além do Procal (Programa Nacional de Calcário Agrícola, 1975), foram importantes no apoio aos programas. Naquela década também surgiu o Propec (Programa Nacional de Desenvolvimento da Pecuária). Nos anos 1970 e 1980, o governo concedeu créditos ao setor agrícola sobretudo através das cooperativas. Financiou máquinas visando ao desmatamento, cobrando 7% de juros ao ano, mas não cobrava juros no crédito para adubo e demais insumos. Tudo isso favoreceu o fluxo migratório de pessoas do Sul e Sudeste para o Centro-Oeste. As políticas públicas e a vontade do produtor rural colocaram o então fraco solo do Planalto Central no mapa das regiões mais produtivas do mundo. COMIGO | 50 ANOS
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A IMPORTÂNCIA DO ARROZ
Até a metade dos anos 1970, a principal atividade econômica em Goiás era a criação de gado em pasto extensivo. Na agricultura, o milho e o arroz se destacavam, porém, o segundo exerceu um papel preponderante. À época, os rebanhos aumentavam e, como pouco se conhecia de nutrição animal e técnicas de recuperação de solos, novas áreas de pastagens eram necessárias para atender àquele crescimento. Os produtores, então, se valiam do cultivo do arroz, pois ele era pouco exigente em insumos e tolerante a solos ácidos. Ao mesmo tempo, a necessidade de pastos deu origem ao aparecimento da braquiária (braquiarinha), que começou a ser plantada na região, em 1974.
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Produtores e técnicos visitando lavoura de arroz, principal cultura agrícola da região, anos 1970.
Fazenda com pasto de braquiária. Abaixo, criação de gado leiteiro.
Na época, o governo federal, via Polocentro, subsidiou o adubo para o plantio do capim. Empregando também o calcário, alguns produtores aproveitavam para plantar o arroz junto com a braquiária. Após a colheita do arroz, sobrava o pasto. Também por isso, a produção do cereal cresceu de forma acentuada. Por volta de 1978, Rio Verde, por exemplo, chegou a plantar 100 mil hectares de arroz. Entre 1975 e 1985, a cultura ocupou 4,5 milhões de hectares no Brasil Central. Tamanha área plantada mostra a importância desse produto no processo de abertura do Cerrado, o que facilitou a modernização do campo, que veio depois com a soja. Aos poucos, o cultivo do arroz foi perdendo força na região. Bem, mas o sudoeste goiano não estava preparado para a absorção de tanto arroz, naquele tempo. Vários problemas surgiram: falta de secadores, armazéns, sacaria, adubo e outros insumos. Entre pequizeiros, bovinos, arrozais e milharais, brotou uma Cooperativa agropecuária, em Rio Verde, que foi protagonista no processo de mudança do perfil produtivo de Goiás. COMIGO | 50 ANOS
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CAPÍTULO 4
AS BARREIRAS
Nos anos 1970, a secagem de arroz era feita nas ruas.
Nos fins de tarde da década de 1970, era raro não ter uma criança batendo uma bolinha na rua de qualquer cidade goiana. Era o principal divertimento da gurizada, que ainda empinava pipa, jogava bolinhas de gude, fincas e piões, se divertia com salva-cadeia, entre outras brincadeiras. Mas as ruas, na época, tinham outras serventias além das “peladas” e do trânsito de veículos. Entre fevereiro e abril, acontecia a colheita do arroz. Como praticamente inexistiam secadores, as ruas eram utilizadas na secagem do cereal. O arroz em casca chegava da roça de caminhão, em sacos de aniagem (juta), e era descarregado numa rua. Trabalhadores abriam a sacaria e esparramavam o arroz no asfalto com um rodo de madeira. Após certo tempo, iam revirando os grãos para que os que estavam embaixo ficassem expostos ao sol. A secagem de arroz a céu aberto era um ritual comum nas cidades do sudoeste goiano, aproveitando as manhãs ensolaradas do verão e do outono. Porém, no período vespertino dessas estações, quase sempre chove. Quando isso acontecia, começava o corre-corre para ensacar o arroz, costurar a boca da sacaria, jogar no caminhão e levar para algum cerealista/armazém. Era um drama e literalmente uma ducha de água fria naquele trabalho pesado. COMIGO | 50 ANOS
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As cidades chegavam a ter quase todas as suas ruas asfaltadas cobertas de arroz. Um produtor afirmou que, certa vez, estava com oitocentos sacos espalhados nas ruas quando a chuva chegou. Mas nem sempre era possível recolher tudo. Outro relatou ter perdido cinquenta sacos de uma vez. O prejuízo era quase sempre inevitável. Esse era um dos problemas que atazanavam a vida do produtor rural. Mas a armazenagem e a comercialização do arroz também eram questões difíceis. Existiam poucos armazéns (todos convencionais) e cerealistas. Guardava-se o arroz até dentro de igreja e nos alpendres das casas. Em Rio Verde, por exemplo, havia somente duas cerealistas compradoras em potencial, portanto, a negociação não era fácil. Pela ausência de informações, o preço era ditado, basicamente, pelos compradores de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Além do arroz, o milho e o algodão (muito cultivado em Santa Helena) enfrentavam problemas semelhantes. O algodão era negociado quase sempre em São Paulo. 28
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Solo do Cerrado sendo preparado para plantio de soja, anos 1980.
As agruras na época começavam ainda na roça. O adubo era um produto raro, bem como a sacaria de juta. Em alguns casos, por falta de colhedeiras, o milho era quebrado ou colhido à mão. Caminhão para o transporte também se encontrava pouco. Como o plantio era convencional, as máquinas e equipamentos sofriam grande desgaste, exigindo a troca de óleo lubrificante com apenas duzentas horas de uso, além da graxa, produtos igualmente insuficientes. Já que quase ninguém vendia insumos na região, cada produtor tinha que se virar. Viagens longas até Goiânia, Uberlândia e São Paulo, em estradas ruins (de terra), eram necessárias para comprá-los. Falta de insumos (em especial, adubo e sacaria), secadores e armazéns, escassas opções de comercialização, transporte precário, enfim, o cenário era repleto de barreiras.
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CAPÍTULO 5
O PONTO DE PARTIDA
Chavaglia, Paulo Roberto e John Lee: alguns líderes da época. Na página ao lado, Rio Verde, meados dos anos 1970.
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Quase todas as cidades do sudoeste goiano receberam migrantes de outras regiões, após 1970. Um exemplo foi Rio Verde, a 220 quilômetros de Goiânia, cuja população aumentou cerca de 310%, em pouco mais de 50 anos. O município saiu de 55 mil habitantes (1970) para mais de 225 mil habitantes em 2022, segundo o IBGE. Assim como os outros municípios da região, ele é grande produtor de grãos, carnes e leite, e considerado um dos polos de desenvolvimento do estado. Contudo, naquela época, Rio Verde padecia muito de investimentos em infraestrutura. As rodovias que cortavam a cidade com destino a Itumbiara, São Paulo e Minas Gerais (BR-452), Goiânia e Jataí (BR-060) ainda eram de terra. A iluminação, precária, e o telefone, um objeto incomum e caro. O valor de um alqueire de terra goiano (4,8 hectares), considerado baixo, equivalia a mais ou menos uma novilha amojando, o que era um atrativo e um bom negócio.
Diante das adversidades citadas no capítulo 4, somadas às deficiências de infraestrutura daqueles dias, um grupo de produtores rurais de Rio Verde, composto por goianos e por migrantes recém-chegados, decidiu mudar o curso de suas vidas. O ponto de partida foi dado no banco de madeira (construído por Enéas Carneiro) do Posto Horizonte, cujos donos eram Wilson Selaysim e Aires Neto, às margens da BR-060. Esse banco entrou para a história da COMIGO. Ali, no crepúsculo de todos os dias, uma turma de amigos se sentava para beber um refrigerante, uma cerveja, uma água e aguardar o abastecimento de seus veículos, troca de óleo, filtro etc. Eles ficavam trocando “figurinhas”, alegrias e tristezas. O posto e aquele banco se tornaram o local de encontro dos produtores rurais, inclusive quando queriam caminhão, porque ali também havia uma transportadora. Eles perceberam que tinham que se organizar para produzir com custos menores e obter preços mais justos de seus produtos. Com a forte vontade de modificar aquele panorama, um dos produtores, Paulo Roberto Cunha (PRC), deu a sugestão de constituir um grupo para fazer as compras de insumos. Era a primeira ideia de um trabalho coletivo. PRC seria presidente da COMIGO e um de seus fundadores. COMIGO | 50 ANOS
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CAPÍTULO 6
OS PRIMEIROS PASSOS O senso de organização estava latente. “Por que não formamos uma cooperativa?”, perguntou John Lee Ferguson (ex-diretor e também fundador da COMIGO), certo dia, lá no banco de madeira do Posto Horizonte. Na década de 1960, seu pai, Oliver Ferguson, fora fundador, sócio e presidente de uma cooperativa de produtores rurais, em Laranjal Paulista, São Paulo. Bingo! “Sim, uma cooperativa, por que não?”, pensou o grupo, após as explicações. Em meados de junho de 1975, aconteceu uma reunião no antigo Clube Rio-verdense, à qual diversos produtores foram convidados. Era a tentativa inicial de implantar a ideia e desfazer más impressões, visto que outras cooperativas tinham naufragado em Rio Verde pela falta de um “planejamento condizente”. As aspas são do artigo de Clemente Alvares de Aquino, na época, chefe do Serviço de Assistência ao Cooperativismo, da Secretaria de Agricultura de Goiás, publicado no jornal Informe Comigo (novembro/1983). 32
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Clemente Alvares de Aquino, segundo da esquerda para a direita (primeira fila). Na página ao lado, uma das reuniões com os produtores.
Naquela reunião, Clemente de Aquino ministrou uma aula sobre o assunto. Explicou que, para abrir uma cooperativa, ela deveria ter, no mínimo, vinte pessoas de uma mesma atividade econômica, ser fiscalizada pelo governo (Incra), ter uma diretoria provisória e depois uma definitiva, que as sobras seriam divididas entre os associados, assim como as perdas etc. Mas a desconfiança dos produtores pairava. Já se sabia que em outras regiões do país algumas cooperativas não tinham ido adiante principalmente por problemas vinculados à moralidade. A maioria parecia convencida de que cooperativa era algo que não funcionava, ainda mais quando o essencial era investir dinheiro (e não seria pouco).
A intenção era ter uma cooperativa já forte, com um capital maior, para transmitir confiança aos indecisos. “(…) Tentamos incutir na cabeça dos produtores que nós teríamos que praticar um cooperativismo diferente do resto do Brasil”, disse PRC (Informe Comigo, junho/1995). Para quebrar a resistência dos incrédulos, o grupo mentor da Cooperativa defendia, inclusive, que o novo empreendimento não deveria ter qualquer interferência política em sua administração. Os líderes entendiam que isso, também, podia ter sido um dos motivos do insucesso das cooperativas anteriores. Após intenso debate, outra reunião foi marcada para a implantação da Cooperativa. COMIGO | 50 ANOS
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Produtores acreditaram na ideia. As primeiras assembleias aconteceram no Clube Rio-verdense. Na página ao lado, primeira Diretoria Executiva: Alcyone Bernardes (presidente), Paulo Roberto (vice-presidente) e Vanderval Lima (secretário).
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CAPÍTULO 7
A ASSEMBLEIA DE CRIAÇÃO A reunião para a constituição da Cooperativa aconteceu também no antigo Clube Rio-verdense, em Rio Verde, em um memorável 6 de julho de 1975, às 10h. Era um domingo ensolarado e muito quente. Ao todo, se inscreveram 67 produtores rurais. O ex-gerente do Banco do Brasil de Rio Verde, Alcyone de Souza Bernardes (ex-presidente e também fundador da COMIGO), à época gerente em Araxá-MG, foi convidado para compor o grupo e presidiu a reunião. Era um nome apolítico, líder do setor rural e conhecedor dos problemas da região. Clemente de Aquino, do convênio Incra-governo de Goiás/cooperativismo, também presente, fez a coordenação. Se tudo teria que ser diferente, era preciso dar o exemplo e colocar dinheiro no negócio. Para John Lee, a cota inicial baixa também foi “um dos motivos de as cooperativas anteriores não terem dado certo”. Na nova sociedade, cada um dos presentes subscreveu 75 cotas-partes, cerca de 30 mil cruzeiros. A quantia correspondia a quatro mil dólares ou ao valor de trinta vacas/novilhas (parâmetro da época). Segundo PRC, era “a cota-parte mais alta do país” (Informe Comigo, junho/1995). COMIGO | 50 ANOS
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Ata de fundação escrita por Vanderval Lima.
Conforme Antonio Chavaglia (atual presidente do Conselho de Administração da COMIGO e também fundador da Cooperativa), a persistência de Paulo Roberto em uma cota capital mais elevada, tinha a ver com responsabilidade, “assim o cooperado se preocuparia com a Cooperativa e zelaria mais por ela”. PRC e os demais idealizadores estavam convictos de que, para a Cooperativa emergir e prosperar, os produtores com mais posses/bens tinham que entrar com uma participação maior na implantação. Isso convenceria os menores a virem depois. Algumas famílias foram de uma coragem invejável, emprestando credibilidade e confiança para a criação da Cooperativa. Ao assumir aquela cota, os primeiros cooperados mostraram que a coisa era para valer. Muitos assinaram o compromisso (subscrição) sem ter nada para garantir. Alguns quitaram em dinheiro, inclusive vendendo boiada. Outros financiaram a cota no Banco do Brasil, pelo custeio agrícola com prazo de safra, crédito que depois foi suspenso. Mesmo assim, dos 67 produtores que subscreveram as cotas, apenas 31 integralizaram o capital pagando à vista. O número, entretanto, foi suficiente para a constituição legal da Cooperativa. Em seguida, a Assembleia Geral Ordinária (AGO) debateu e aprovou o Estatuto 36
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Social com 52 artigos, distribuídos em 11 capítulos, dispondo sobre as normas que regeriam a Cooperativa. Depois, os cooperados elegeram a primeira diretoria executiva: Alcyone de Souza Bernardes, presidente; Paulo Roberto Cunha, vice-presidente; Vanderval Lima Ferreira, secretário. Eles foram empossados no ato para um mandato de quatro anos. Os primeiros conselhos de administração e fiscal também foram eleitos. Vanderval Lima (que também foi presidente da COMIGO e um de seus fundadores) inaugurou o livro de atas lavrando a ata de fundação. Disse ele, modestamente: “Lavrei a ata de próprio punho. Uma série de erros de português, caligrafia horrível”. Nascia a Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Ltda. (nome alterado depois para a razão social atual), cujo objetivo transcrito na primeira ata era “reunir os fazendeiros e agricultores para a defesa de seus interesses econômicos e sociais, conforme o estatuto ora aprovado”. A sigla COMIGO foi escolhida, entre várias sugestões, por trazer a sensação de companhia, estar junto, parceria e união. Começava uma das mais belas histórias de amor, trabalho e cooperação entre produtores rurais, o poder da união e o potencial de uma região, cujo clima era bastante favorável.
Na primeira foto, produtores goianos em visita a cooperativas do Rio Grande do Sul, 1976. Na foto ao lado, Warlen Ferreira (primeiro funcionário da COMIGO), à esquerda, com conselheiros e diretores em assembleia.
CAPÍTULO 8
O INÍCIO O primeiro escritório da COMIGO, provisoriamente, foi o de PRC, no centro de Rio Verde, mas logo se transferiu para a Praça da Matriz. Os seis meses iniciais foram de arrumar a casa e ajeitar a papelada, sem, contudo, abrir as portas. Era preciso juntar certidões, documentos pessoais e das fazendas dos cooperados, além de outras providências. Para ajudar naquele processo burocrático, um contador seria essencial. Foi então que o primeiro funcionário da COMIGO foi contratado, em outubro de 1975: Warlen Ferreira de Freitas. Hoje, ele é diretor administrativo financeiro da Cooperativa. Quem o contratou foi Vanderval Lima, que disse, de forma elogiosa, ser aquela “uma de suas boas recordações”. Chavaglia também o exaltou: “O Warlen é uma pessoa que sempre contribuiu com a Cooperativa, foi fundamental e continua sendo até hoje”. A primeira tarefa do então contador foi transcrever, à mão, todo o Estatuto Social no livro de atas, em 26 páginas. Ele identificou que apenas o Estatuto estava homologado no Incra, órgão que fiscalizava o
funcionamento das cooperativas. Depois providenciou os registros na Junta Comercial do Estado de Goiás, no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC), hoje CNPJ, e no estado. A autorização do Incra data de 11 de setembro de 1975, sob o número 2.164/75. Enquanto isso, trazer mais produtores para a Cooperativa era crucial, pois havia a necessidade de aumentar o quadro. Uma missão que requeria perseverança, afinal influenciar alguém, sem apresentar algo concreto, exigia transmitir segurança. E isso aconteceu. Alguns produtores só entraram na Cooperativa por absoluta confiança nas pessoas que lá estavam. Mas houve produtor que subscreveu a cota e não integralizou, preferindo sair. Vários tinham receio de investir: ou porque não queriam tirar dinheiro do bolso, ou por desconhecerem a essência do cooperativismo. Para ampliar o conhecimento, a diretoria promoveu viagens à região Sul do país, levando caravanas de produtores para visitarem algumas cooperativas já consolidadas. COMIGO | 50 ANOS
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Paulo Roberto e Alcyone Bernardes (à direita) em audiência com Alysson Paulinelli em Brasília.
CAPÍTULO 9
SAI ALCYONE, ENTRA PAULO ROBERTO No começo, Goiânia e Brasília foram muito visitadas pelos dirigentes da COMIGO, que iam em carro particular, já que a Cooperativa ainda não possuía nada. Era o princípio de uma laboriosa peregrinação para regularizar a documentação e obter recursos financeiros. A dificuldade de se conseguir dinheiro foi imensa. Convencer os agentes financeiros de que a região iria se desenvolver tornou-se uma tarefa embaraçosa, já que o Cerrado estava começando do zero. No meio financeiro também existia a desconfiança de que a Cooperativa era só mais uma para desviar dinheiro. “Mas o projeto da COMIGO foi diferente e provar isso custou muitas esperas em gabinetes”, recordou Antonio Chavaglia. “Um ou outro diretor sempre estava por lá, três, quatro vezes por mês, verificando Estatuto, financiamento etc.”, relatou John Lee. Para se obter financiamentos, porém, era necessário ter mais cooperados. Por isso, foi importante manter 38
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a subscrição de capital dos 67 produtores e tentar convencê-los a fazer a integralização. Além da necessidade de dinheiro e de mais cooperados, outro problema surgiu após os seis primeiros meses, antes do início das operações. O então presidente Alcyone Bernardes teve que renunciar ao cargo. Como era gerente do Banco do Brasil, em Araxá, e ainda não tinha se aposentado, ele não podia acumular as funções — ainda mais porque estava à disposição do Ministério da Agricultura, como assessor de Alysson Paulinelli. Assumiu a presidência da COMIGO, temporariamente, o então vice-presidente Paulo Roberto Cunha, na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de janeiro de 1976, no Clube Rio-verdense. Em Brasília, Alcyone Bernardes foi o elo entre a COMIGO, as autoridades e os bancos, agendando e participando de diversas audiências e reuniões.
Paulinelli no Clube Rio-verdense na década de 80 (entre Vanderval e PRC). Ao lado, Chavaglia, Roberto Rodrigues (OCB), Iris Rezende (então ministro da Agricultura) e Paulinelli (então deputado federal), em Brasília.
CAPÍTULO 10
PAULINELLI E A COMIGO Em 1974, Alysson Paulinelli assumiu o Ministério da Agricultura (até 1979). Em 1975, lançou o Polocentro, a chave que abriu o Cerrado para a produção de alimentos. No fim daquele ano, logo após a criação da COMIGO, em audiência em Brasília com Paulinelli, PRC o convidou para dar uma palestra em Rio Verde sobre o Polocentro. A reunião aconteceu no Clube Rio-verdense, com grande número de produtores rurais. John Lee comentou: “[...] Veio muita gente importante — ministros, deputados, senadores, nós queríamos mostrar a Cooperativa para o pessoal. Pelo menos mostrar o prédio da Matriz, porque lá dentro ainda não tinha nada”. Foi uma longa reunião, com muitos esclarecimentos, inclusive sobre armazenamento. Ali, Paulinelli resolveu apoiar a Cooperativa e aqueles pioneiros, liderados por Paulo Roberto, na construção de armazéns. Anos mais tarde, em 1988, os dois foram deputados federais constituintes. A premissa, em 1975, era que a produção de soja só era possível em clima temperado. Como ministro,
Paulinelli confrontou isso. Com o Polocentro, a estruturação feita por ele na Embrapa, o trabalho da Embrater/Emater, Emgopa (Empresa Goiana de Pesquisa Agropecuária) e outras instituições de pesquisa e extensão rural, bem como de cooperativas como a COMIGO, o Cerrado se transformou. Milhões de hectares passaram a produzir grãos, transformando a região em uma das mais produtivas do mundo. Ele visitou a COMIGO novamente em 1980. Paulinelli recebeu, no fim de 2006, o reconhecimento da Fundação Prêmio Mundial de Alimentos, com o World Food Prize (Prêmio Mundial da Alimentação). Também foi indicado ao prêmio Nobel da Paz em 2021. O ex-ministro retornou a Rio Verde em 2007 para dar palestra na Tecnoshow Comigo. Disse que o Brasil estava se destacando em competitividade no agronegócio, graças às suas fortes bases. Afirmou que a COMIGO se tornou exemplo disso, dando segurança ao produtor. Infelizmente, Paulinelli faleceu em junho de 2023, mas deixou um grande legado para o agro brasileiro, especialmente para o Cerrado. COMIGO | 50 ANOS
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No alto, primeira sede e loja da Cooperativa, Praça da Matriz. Detalhe do primeiro carro da COMIGO, um Ford Corcel (à direita), Rio Verde, 1976. Ao lado, primeira reunião de compras da COMIGO (1975). Na sequência, Filemar, primeiro agrônomo da COMIGO, e Carlos Moisés, primeiro veterinário. Na página seguinte, Diretoria Executiva (1976 a 1980) no início das operações: John Lee, Paulo Roberto (em pé) e Hadovaldo Horbilon. 40
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CAPÍTULO 11
A PRIMEIRA LOJA, AS PRIMEIRAS COMPRAS E A NOVA DIRETORIA A primeira reunião da COMIGO para fazer compras foi também no Clube Rio-verdense, no fim de 1975, num pool de compras com várias cooperativas do Estado. A reunião histórica, incentivada por Clemente de Aquino, era para comprar sacaria de juta. O Banco do Brasil também participou. Aquela primeira compra foi diretamente da fábrica Jauense, de Jaú-SP, e precisou do aval dos diretores: eram enormes fardões com 630 mil sacos de juta para milho e arroz. Outros funcionários foram contratados. Warlen Ferreira se lembrou deles de maneira informal: “O Raimundinho, a Maureni e o Vaguinho”. Depois acrescentou: “Filemar Pessoa de Magalhães, como agrônomo, inclusive sendo importante na montagem do departamento técnico (DAT), em 1976, e Carlos Moisés Faria do Vale, como veterinário”. Aproveitando a integralização dos recursos preliminares, a COMIGO abriu sua primeira loja, na Praça da Matriz, em fevereiro de 1976, em cômodo alugado onde era a máquina de arroz de Hermínio Coelho de Moraes. Ali funcionou tudo: vendas de insumos, escritório e local de encontros e reuniões.
Vinte dias após, em AGE na sua nova sede, a Cooperativa aprovou o aluguel de um dos raros armazéns da cidade: Elpa, de Paulo Reis Vieira, para guardar insumos. Também foi aprovada a aquisição dos dois primeiros telefones. Depois de 45 dias, na segunda AGO, ocorreu a eleição da diretoria definitiva e do conselho administrativo para quatro anos (1976 a 1980), além do Conselho Fiscal para um ano. Paulo Roberto Cunha se consolidou na presidência, com John Lee Ferguson na vice-presidência e Hadovaldo Vilela Horbilon como secretário. Naquela Assembleia, ficou definido que a diretoria seria remunerada. Foi aprovada também a compra de um veículo para a diretoria — um Ford Corcel marrom. Aqueles primeiros funcionários e Hadovaldo Horbilon (então diretor e também fundador) faziam de tudo. “A gente descarregava caminhão, vendia, entregava, contabilizava, guardava o dinheiro, o caixa ficava conosco”, relatou Warlen, que também ajudava os diretores coletando assinaturas para as propostas de admissão e integralização de capital. COMIGO | 50 ANOS
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Uma das reuniões com fundadores e demais produtores na sede, em Rio Verde (primeira foto). Assembleias no Clube Rio-verdense (fotos abaixo). Na página ao lado, homenagem aos fundadores 25 anos depois. 42
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CAPÍTULO 12
A DETERMINAÇÃO DE CINQUENTA PESSOAS Por que cinquenta? Como foi dito, 67 produtores subscreveram o capital na Assembleia de criação, mas apenas 31 quitaram as cotas. O capital, portanto, era pequeno. Apesar disso, a Cooperativa estava com planos de comprar outros insumos: arame, óleo lubrificante etc. O jeito era recorrer a financiamento. A COMIGO então o pleiteou junto ao BNCC, na forma de cotas-partes, no valor de 1 milhão e 200 mil cruzeiros. “Mas o banco exigia que a Cooperativa tivesse, no mínimo, quarenta associados, cada qual com uma cota de 30 mil cruzeiros”, explicou Warlen Ferreira. Após muita negociação, e uma atuação determinada de PRC, a Cooperativa conseguiu seu primeiro financiamento de cotas-partes. Foi assim que outros dezenove produtores decidiram integralizar o capital, no começo de 1976, completando os cinquenta sócios fundadores. Os dezessete restantes não quiseram entrar naquele momento, não se caracterizando como fundadores. Já com o suporte da Cooperativa, aquelas cinquenta pessoas projetaram esperanças, ombrearam esforços, jogaram seus medos pela janela e depositaram toda a coragem naquela união. Com o trabalho abnegado
dos diretores e demais fundadores, a confiança na Cooperativa crescia e a missão de buscar novos cooperados prosseguia. A BR-060, asfaltada em 1974, agilizava o vai e vem do Corcel marrom: Rio Verde–Goiânia–Brasília–Rio Verde. “Logo após as viagens que fazíamos até Brasília, que eram semanais, nos reuníamos com aqueles que estavam fundando a Cooperativa, […] sentados em sacaria de aniagem, em baldes de óleo [...]”, comentou PRC (Informe Comigo, julho/2000). Determinação e coragem: uma boa expressão para definir as atitudes daquele grupo de sonhadores e idealistas, que acreditaram e fizeram acontecer. Não fosse isso e o prestígio de todos, talvez a história não estivesse sendo contada. Antonio Chavaglia, 25 anos depois, então presidente, comentou numa homenagem aos fundadores: “[...] Graças ao trabalho dos primeiros diretores e fundadores, criou-se uma credibilidade e uma responsabilidade na condução da nossa Cooperativa. Foi por isso que os produtores passaram a confiar e a acreditar, e, cada vez mais, vieram somar conosco. [...] ”. COMIGO | 50 ANOS
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Homenagem aos fundadores da COMIGO: descerramento de placa, café da manhã, exposição fotográfica e fundadores e familiares no evento. 44
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SÓCIOS FUNDADORES DA COMIGO
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CAPÍTULO 13
A CHÁCARA (COMPLEXO INDUSTRIAL) Parte do dinheiro que restou das primeiras integralizações de cotas-partes foi fundamental para a compra de uma chácara de 24 alqueires (114 hectares) na BR-060, que mais tarde se tornaria o complexo industrial. Foi o primeiro grande patrimônio da COMIGO, adquirido em julho de 1976. Como a Cooperativa ainda não tinha crédito, a área foi documentada inicialmente em nome de Vanderval Lima (então conselheiro), tendo como avalistas John Lee (então diretor), Jasmo Parreira e Álvaro Cristino (fundadores que, na ocasião, eram conselheiros). Segundo John Lee, a aquisição daquela área foi um pouco de “loucura na época”, mas se revelou importante para garantir os primeiros financiamentos de compras. “Esse terreno é que deu lastro para fazermos o cadastro da Cooperativa no BNCC (Banco Nacional de Crédito Cooperativo)”, afirmou. Logo que assumiu a presidência, PRC conseguiu o primeiro financiamento em Brasília, que não fosse de cotas-partes, para a compra de adubo e com prazo de dois anos para pagar, dando o terreno em garantia. Como naquela época não se vendia a prazo e o crédito rural era obrigatório, “as transações foram feitas através de financiamento. No primeiro ano em que vendemos adubo, o Banco do Brasil (BB) depositava direto na conta da COMIGO. Quando comprávamos, ele pagava direto para o fornecedor, mediante a nota fiscal”, informou Warlen Ferreira. Todo o adubo foi vendido na safra 76/77, permitindo saldar a dívida do financiamento. 46
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Vista aérea da chácara que, aos poucos, foi se transformando no complexo industrial.
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No alto, primeiros armazéns da COMIGO em Rio Verde, 1978, inclusive o primeiro graneleiro da região. Abaixo, fila de caminhões no acesso aos primeiros armazéns, em Rio Verde, no início dos anos 80. Na página ao lado, produtores reunidos: foram necessários 270 cooperados para se conseguir o financiamento dos armazéns. 48
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CAPÍTULO 14
OS PRIMEIROS ARMAZÉNS Em outubro de 1976, dois projetos foram aprovados em Assembleia: um armazém convencional e um graneleiro; mas este último parecia sem sentido. Segundo John Lee, vice-presidente naquele momento: “Diziam que graneleiro era uma obra muito cara e faltava experiência”. Mas a intenção trazida do Sul do país foi executada com êxito. “A Cooperativa foi pioneira no armazenamento a granel no sudoeste goiano. O Paulo Roberto teve uma visão de futuro”, comentou Warlen Ferreira. Tudo dependia de empréstimos bancários e de mais associados. PRC sugeriu tentar algo inédito até então: o financiamento para as construções, via cotas-partes, no BNCC. Os cooperados aprovaram a proposta. De tanto perseverar, a COMIGO recebeu o sinal verde do banco para aquele crédito raro, e até com juro menor, com o apoio do então ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli. Aquele primeiro financiamento para os armazéns compõe a lista das grandes conquistas da COMIGO. “O Paulo Roberto foi extremamente importante, persistente, viajava muito. O mérito foi dele e também do seu Hadovaldo, que ficava na retaguarda com mão firme, e a credibilidade que ele transmitia às pessoas.
Por causa deles, muitos produtores entraram na Cooperativa”, destacou Antonio Chavaglia. Os detalhes dos projetos foram da Aspag, de Mauro Câmara (também um dos fundadores), feitos por César Augusto e Darly Ribeiro, com ajustes de Warlen Ferreira e Evaristo Lira Baraúna (contador da Cooperativa, na ocasião). Em outubro de 1977, no Clube Rio-verdense, aconteceu umas das mais importantes AGEs da Cooperativa, quando foi aprovada a elevação da cota para 100 mil cruzeiros. Por outro lado, financiar as construções, via cota-parte, despertou o interesse e novas adesões de produtores ocorreram. As duas ações, de muita coragem, viabilizaram a construção dos armazéns. O aumento do capital envolveu os novos cooperados, pagando parcelas trimestrais de 3.333,33 cruzeiros, em oito anos, com um ano de carência; e também os já existentes, que complementaram sua cota em mais 70 mil cruzeiros. Os dois grupos foram contemplados com o financiamento no BNCC. Assinando aquele título adicional, os fundadores deram mais um exemplo, estimulando outros produtores a se associarem. COMIGO | 50 ANOS
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Ângelo Landim, gerente geral em 1979. Na página ao lado, recepção de grãos no início dos anos 80.
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O financiamento total era de 26 milhões de cruzeiros, então seriam necessários 270 cooperados. Uma estratégia para atrair os produtores foi definida: a cada reunião da Cooperativa, os já cooperados teriam de levar pelo menos mais três produtores. Naquelas muitas ocasiões, “promovíamos bingos, servíamos churrasquinhos e uma cervejinha, com sorteio de rolo de arame, baldes de óleo... senão o povo não ia”, confidenciou John Lee. Esses frequentes encontros na sede (Praça da Matriz), em meio aos insumos, também são lembranças de Warlen: “Colocávamos algumas mesas e fazíamos as reuniões. Nós mesmos cantávamos as pedras dos bingos: eu, o seu Hadovaldo, o John Lee e, principalmente, o Paulo Roberto”. A iniciativa deu certo e a meta foi cumprida. Sobre o alto aporte financeiro, PRC citou um dos fundadores (Informe Comigo, julho/2000): “[...] Breno Araújo, ao ver que o volume era muito grande, levantou-se e nos pediu — a Cooperativa paga o juro e o associado paga o capital. [...]”. O contrato tinha duas cédulas: a cédula-mãe, assinada pela Cooperativa, e as cédulas-filhas, assinadas pelos cooperados. “Íamos levando os títulos assinados e o BNCC ia liberando o dinheiro”, explicou Warlen. Os títulos de integralização de capital eram NCR (Notas de Crédito Rural), caracterizando os produtores como os devedores. Com a inflação alta da época, o valor foi sendo corroído, facilitando a quitação. A COMIGO pagou o juro e os produtores, o principal.
No primeiro semestre de 1978, a COMIGO inaugurou seus primeiros armazéns: o convencional, de fundo chato, com capacidade para 150 mil sacas, casa de máquinas, dois secadores e moegas, além da máquina de arroz, que produziu o arroz Comigo até quase o fim da década de 1980; e o graneleiro fundo W, com moegas, sistema de aeração, sem secador e capacidade de 650 mil sacas para soja e milho. John Lee disse que um pequeno avião “batizou” o graneleiro (ainda sem cobertura) passando por baixo dos arcos de ferro. Ângelo Thomáz Landim, ex-superintendente de apoio industrial da COMIGO, foi contratado em maio de 1979, como gerente-geral, vindo de Astorga, Paraná. Era experiente em armazenagem e cooperativismo. Segundo Ângelo, “era importante ensinar a classificar, conversar com o cooperado, ver regulagem das colhedeiras etc.”. Ele defendeu o financia-
mento por cotas-partes garantido pelo produtor e não pela Cooperativa. “No Paraná, algumas cooperativas tinham quebrado por paternalismo”, justificou. Até o princípio dos anos 1990, tudo era manual e filas de mais de 5 quilômetros eram normais. “[...] Os cooperados pedindo pressa, motoristas em cima”, lembrou John Lee. Vanderval Lima também disse: “Teve época em que eu, o Zauro e o Chavaglia passamos a noite acompanhando a recepção, era problema demais”. Com os novos armazéns, PRC destacou o papel dos cooperados (Informe Comigo junho/julho de 2005): “[...] Pedimos que eles comercializassem a produção pela sua Cooperativa [...]”. Claro, a COMIGO passou a receber, secar, armazenar e a comercializar a produção. O cooperado sentiu mais segurança, formou-se uma autêntica parceria. COMIGO | 50 ANOS
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CAPÍTULO 15
A SOJA Além da COMIGO, outra semente vigorosa se alojou solidamente na região: a soja. De origem chinesa, sua importância econômica, no Sul, cresceu nos anos 1960, mas se tornou a grande cultura do agronegócio nacional a partir dos anos 1970, até migrando para o Centro-Oeste. A soja mudou o cenário bucólico do Cerrado, provocando grandes alterações na economia, incluindo a industrialização. Em Goiás, pesquisas lançaram novas técnicas de condução das lavouras e o governo subsidiou o adubo e o calcário. O plantio da soja no sudoeste goiano recebeu impulso, e a COMIGO teve participação destacada nisso, apoiando a pesquisa e realizando diversas operações do Polocentro e Procal. A acidez do Cerrado foi perdendo força e a fertilidade, ao contrário, ganhou terreno. O cultivo da soja também contribuiu para as melhorias do solo, devido às suas características — tanto que o Polocentro determinava o seu plantio nos primeiros dois anos, conforme o engenheiro agrônomo, Maurício Miguel, ex-gerente do departamento agronômico da COMIGO e ex-funcionário da Emater-Goiás. Sementes de soja passaram a ser desenvolvidas por Centros de pesquisa como o IAC (Instituto Agronômico de Campinas), o CPAC (Centro de Pesquisa Agropecuária do Cerrado), a Universidade Federal de Viçosa, a Embrapa, a Emgopa, entre outros, além de várias empresas. A importância da soja pode ser percebida pelo destaque do jornal Informe Comigo (outubro/novembro, 1986), que dizia: “A consolidação da economia no Centro-Oeste se deve ao binômio soja-brachiária (hoje, braquiária), com a implantação do programa Polocentro. A soja foi viabilizada por esforços contínuos da pesquisa, na obtenção de cultivares adaptadas e de alta produtividade em clima tropical”.
Lavoura de soja chegou forte na região do Cerrado na década de 80.
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CAPÍTULO 16
O BOOM DA SOJA (E DA MIGRAÇÃO) Na década de 1980 aconteceu o boom da soja no Brasil. Em particular, no Centro-Oeste, a explosão da soja se deu muito por causa dos incentivos e das novas tecnologias, inclusive a mecanização. Em Goiás, houve forte migração de produtores rurais para o sudoeste goiano, já fortalecido pela presença da Cooperativa. A área plantada de soja em Goiás, em 1977, era de apenas 68 mil hectares, conforme o Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra). Em 1989, pulou para quase 990 mil hectares, uma subida impressionante de 1.350%, com média anual de 100% no período. Dez anos depois, em 1999/2000, somente o sudoeste goiano já plantava mais de 740 mil hectares, tornando-se destaque na produção de grãos no estado (Embrapa Soja — Diagnóstico da Produção de Soja nas Macrorregiões Sojícolas 2 e 3). Com isso, houve mudanças profundas no perfil do campo e de muitas cidades da região. “A soja liderou a implantação de uma nova civilização no Brasil Central, levando o progresso e o desenvolvimento para uma região despovoada e desvalorizada”, diz o site da Embrapa. Além da expansão da soja em terras goianas, cujo valor era baixo, a presença da COMIGO (sobretudo pós-industrialização) também foi importante no processo migratório. A combinação desses fatores provocou um frenético movimento de agricultores para a região, vindos, acima de tudo, do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo. 54
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A área de plantio aumentou rapidamente.
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A soja se transformou na principal cultura do Cerrado. Cooperados e migrantes aumentaram muito na década de 1980.
Segundo o IBGE, na década de 1970, migraram para Goiás mais de 1,25 milhão de pessoas, 44 mil somente para o sudoeste goiano. Na década de 1980, a migração acelerou o ritmo. Chegaram a Goiás cerca de 1,85 milhão de pessoas, 48% a mais. Porém, considerando o sudoeste goiano, o índice foi ainda maior: 64%. O fluxo chegou a 72 mil pessoas. Na década de 1980, houve também um grande movimento na COMIGO. O número de associados cresceu de forma exponencial, saindo de 328, no fim de 1979, para 1.901, em 1986, uma evolução de quase 480%. Outro retrato daquele importante momento observa-se nas demonstrações contábeis. No fim de 1986, o capital social cresceu 2.400% em relação ao ano anterior: de 2,607 milhões de cruzados (moeda da época) para 65,223 milhões. No ano seguinte, o índice continuou em elevação, atingindo 421% sobre o ano anterior, batendo na casa dos 340,034 milhões de cruzados. Em 1983, quando a indústria entrou em operação (detalhes à frente), a COMIGO recebeu 2 milhões de sacas de soja, volume ainda pequeno, porém, já com o importante crescimento de 135% em relação ao ano anterior (apenas 850 mil). O indicador já simbolizava a importância da então indústria recém-instalada. Até o fim da década, o volume dobrou aumentando à razão de 16% de média anual. Daí por diante, os números foram sempre crescentes. COMIGO | 50 ANOS
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CAPÍTULO 17
A EXPANSÃO COM AS LOJAS O pensamento dos diretores era de que a COMIGO precisava crescer para ser competitiva, expandindo suas atividades. Antonio Chavaglia sempre defendeu que “a Cooperativa tinha que se modernizar, crescer, para acompanhar o progresso regional”. PRC disse certa vez (Informe Comigo, junho/julho, 2004): “Tivemos algumas dificuldades em alguns municípios líderes da região, porque queriam montar sua própria cooperativa [...]”. A determinação dos diretores, fundadores e conselheiros, bem como a influência de famílias locais foram fatores decisivos para quebrar resistências. A loja e os armazéns em Rio Verde já mostravam o sentido de organização da COMIGO. Ademais, fortalecer uma Cooperativa apenas seria mais inteligente, pois o poder de negociação era maior. Assim, o interesse pela COMIGO cresceu na região e a expansão avançou além-fronteiras rio-verdenses. Vaidades pessoais ou regionais saíram de cena. Em todas as cidades (exceto Montividiu), a COMIGO sempre começou com lojas agropecuárias para fornecer insumos: fertilizantes, sementes, peças, produtos veterinários, rações, suplementos minerais etc., além de assistência técnica. Contudo, o portfólio de produtos no início era pequeno. Hoje, as lojas da COMIGO, em vinte municípios, são uma referência de preços e atendimento aos cooperados, com mais de 40 mil itens, incluindo máquinas e implementos agropecuários, que ganharam uma loja exclusiva em Rio Verde, inaugurada em julho de 2019. Importante destacar ainda que o departamento de insumos, atualmente, conta com o maior portfólio de produtos da região, especialmente de sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas, cumprindo papel fundamental no desenvolvimento das lavouras. COMIGO | 50 ANOS
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A EXPANSÃO DAS LOJAS COMIGO NAS CIDADES (ORDEM CRONOLÓGICA) RIO VERDE – Fevereiro de 1976 (Destacado em capítulo anterior). SANTA HELENA DE GOIÁS – Depois de Rio Verde, foi a primeira cidade a ter uma loja da COMIGO, em julho de 1978. Era na antiga GO-26, quilômetro 1, saída para Santo Antônio da Barra, onde ficou por dois anos. Depois se transferiu para o centro, em prédio alugado. Em 1988, inaugurou sua atual loja em prédio próprio. Em 2020, a loja foi ampliada, reestruturada, e recebeu novos investimentos. Em 2024, um novo depósito de insumos foi inaugurado. ACREÚNA – A segunda loja (construída) da COMIGO foi em Acreúna, aberta na avenida Corumbá, no centro, no primeiro semestre de 1980. Em abril de 1994, uma nova loja de 2.700 metros quadrados, com arquitetura inovadora, foi inaugurada margeando a BR-060, onde está até hoje. Porém, foi totalmente modificada em 2024, padronizando seu projeto visual com as demais lojas. JATAÍ – Em agosto de 1980, foi a vez de Jataí receber a loja, inicialmente na avenida Joaquim Cândido (a mesma do aeroporto), onde ficou por oito anos. Em 1988, veio a loja atual, inclusive com um salão para reuniões (auditório), que recebeu o nome de Carlos Carvalho (Carlito), homenagem a quem “muito fez pela Cooperativa”, em Jataí, conforme o então presidente, Antonio Chavaglia, na cerimônia. Em 2019, uma completa reestruturação da loja foi concluída, com mais um amplo depósito de insumos. SERRANÓPOLIS – A chegada em Serranópolis foi em setembro de 1984. Após adaptações feitas, a loja foi completamente reestruturada e ampliada em 2019, inclusive acompanhando a nova padronização visual das outras. 60
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1. Santa Helena, primeira loja (1978); 2. Santa Helena, loja atual; 3. Acreúna, primeira loja (1980); 4. Acreúna, loja atual; 5. Jataí, primeira loja (1980); 6. Jataí, loja atual; 7. Serranópolis, primeira loja (1984); 8. Serranópolis, loja atual.
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INDIARA – Em prédio alugado, a primeira loja em Indiara foi aberta em abril de 1987, na rua Pedro Ludovico Teixeira, centro. Depois de se transferir para outros dois locais na cidade, a loja foi de forma definitiva para um prédio próprio, construído às margens da BR-060. A loja recebeu novos investimentos e também foi reformada em 2010, com novo visual. JANDAIA – As atividades em Jandaia começaram em dezembro de 1987, na avenida Juscelino Kubitschek, Centro, onde funcionava a Camja, cooperativa local incorporada pela COMIGO. Depois se mudou para um galpão na GO-320. Em abril de 1994, se transferiu para o atual endereço. Em 2019, um novo depósito de insumos foi edificado. PARAÚNA – A COMIGO também incorporou a cooperativa de Paraúna (a Campal). Com isso, ela passou a ser parte integrante da comunidade paraunense a partir de maio de 1988, quando inaugurou a sua loja, após reformar o prédio onde funcionava a Campal (na avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, Centro). Em julho de 2024, um grande investimento foi executado e uma moderna e espaçosa loja foi inaugurada. MONTIVIDIU – Em agosto de 1989, a COMIGO abriu sua loja no município, ao lado das unidades armazenadoras. Foi o único caso em que o graneleiro (1987) veio antes do que a loja. Anos depois, ela também foi remodelada recebendo melhorias, inclusive uma nova fachada. Em 2019, um novo depósito de insumos foi construído. MONTES CLAROS DE GOIÁS – A COMIGO rumou para o oeste e noroeste do estado, apostando nestas regiões e apoiando os cooperados que ali investiam. A loja e o armazém de Montes Claros foram inaugurados em julho de 2008. A agricultura cresceu com a presença da Cooperativa, aumentando os cooperados e fazendo girar mais recursos. Em março de 2014, uma nova loja foi construída. 62
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1. Indiara, primeira loja (1987); 2. Indiara, loja atual; 3. Jandaia, primeira loja (1987); 4. Jandaia, loja atual; 5. Paraúna, primeira loja (1988); 6. Paraúna, loja atual; 7. Montividiu, primeira loja (1989); 8. Montividiu, loja atual; 9. Montes Claros, primeira loja (2008); 10. Montes Claros, loja atual.
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IPORÁ – Iporá também “abraçou” a COMIGO. A inauguração da loja (prédio próprio), na avenida Catalão, 412, Centro, foi em setembro de 2008. Entretanto, pelo rápido crescimento, o acesso ficou mais difícil. Assim, a Cooperativa fez um novo investimento construindo uma ampla loja, em março de 2019, onde está atualmente, possibilitando uma melhor experiência ao cooperado. CAIAPÔNIA – Após ter a cooperativa Cacta por muitos anos, Caiapônia foi a próxima cidade que recebeu a COMIGO. Como não foi possível a incorporação da Cacta, a COMIGO comprou sua estrutura (prédios da loja e armazéns). Em outubro de 2008, após ampla reforma no antigo prédio, ela inaugurou sua loja na rua Ana Vilela de Souza Lima, esquina com a 5 de março. Como o movimento também aumentou, construiu sua atual loja iniciando as atividades em maio de 2021. PALMEIRAS DE GOIÁS – A inauguração da loja em junho de 2012 marcou também as comemorações de aniversário da COMIGO (6 de julho), data que coincide com o aniversário da cidade. Como aconteceu em quase todos os municípios, a loja também passou por ampliações e reformas, aqui em 2023. CAÇU – Após seis anos da abertura da última loja, a COMIGO voltou a investir em uma nova unidade. Em janeiro de 2018 foi inaugurada a loja em Caçu, município também forte na pecuária. Com isso, a agricultura igualmente foi incentivada: somente a área plantada de soja cresceu dez vezes. PIRANHAS – Reivindicação antiga dos produtores locais, que sempre desejaram os serviços da COMIGO, em fevereiro de 2020 o pedido foi deferido com a inauguração da loja na cidade, numa concorrida cerimônia que atraiu muitos cooperados. 64
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1. Iporá, primeira loja (2008); 2. Iporá, loja atual; 3. Caiapônia, primeira loja (2008); 4. Caiapônia, loja atual; 5. Palmeiras (2012); 6. Caçu (2018); 7. Piranhas (2020); 8. Mineiros (2021); 9. Pontalina (2022); 10. Nova Crixás (2023); 11. Firminópolis (2023). Na página 58, mapa com a localização das lojas.
MINEIROS – Os cooperados de Mineiros também pediram a COMIGO. A abertura da loja foi em setembro de 2021, em plena época da covid-19, motivo pelo que não foi possível fazer a inauguração oficial. Simbolicamente, a placa foi descerrada um ano depois (setembro/2022). Um dia antes, aconteceu uma palestra com a jornalista e especialista em economia, Kellen Severo. PONTALINA – A loja foi inaugurada em junho de 2022, com o mesmo propósito de apoiar o desenvolvimento do agronegócio. Como em vários municípios, os cooperados pediram a COMIGO no anseio de terem mais tecnologias, produtos e uma grande estrutura de apoio. NOVA CRIXÁS – Mirando a região norte do estado, a Cooperativa investiu em Nova Crixás, inaugurando sua loja em maio de 2023. Tradicionalmente forte na pecuária, o município caminha a passos largos para desenvolver a agricultura também, contando agora com o apoio da COMIGO para ambos os segmentos. FIRMINÓPOLIS – Em setembro de 2023, Firminópolis recepciona a 20ª loja da COMIGO, segunda inaugurada no ano. O grande potencial agropecuário e a crescente adesão de novos cooperados motivaram a COMIGO a investir em Firminópolis, com a expectativa de contribuir com o crescimento socioeconômico local. JUSSARA – O projeto encontra-se em execução. A expectativa é que a loja seja inaugurada no primeiro trimestre de 2025. COMIGO | 50 ANOS
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CAPÍTULO 18
UMA GRANDE REDE ARMAZENADORA A exemplo da expansão das lojas, o mesmo ocorreu no setor de armazéns. É interessante observar que, com a chegada de uma loja em determinado município, o campo logo era impactado, e a agricultura começava a crescer com o plantio de diversas culturas, alterando o panorama da região. Sobre isso, certa vez, um cooperado fez o seguinte comentário: “Onde a COMIGO chega, a paisagem muda”. Com o crescimento substancial do plantio da soja no sudoeste goiano, a partir dos anos 1980, a COMIGO passou a investir fortemente no setor de armazenagem, com dois objetivos básicos: recepcionar a soja, atendendo à necessidade de seus cooperados por armazéns, e estocar matéria-prima para a industrialização, que estava a caminho. Portanto, o interesse da COMIGO e de seus cooperados era recíproco. Assim, a Cooperativa foi ampliando sua rede armazenadora (inclusive para estocar sementes). Além da soja, o milho e o sorgo do mesmo modo demandavam muito espaço para suas estocagens. Componentes de alta necessidade na fabricação de rações, eles também tiveram importante crescimento produtivo por causa da Cooperativa, que os utiliza nas suas fábricas de rações animais (mais à frente), inclusive farelo de soja. Os cultivos do milho e do sorgo ainda foram fortemente impactados pela chegada das indústrias de processamento de carnes na região (avicultura e suinocultura). Após os primeiros armazéns em Rio Verde, a Cooperativa projetou e construiu outros em sua área de ação, ao longo do tempo, utilizando financiamentos e recursos próprios para suas construções. COMIGO | 50 ANOS
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Hoje, a capacidade estática da COMIGO, com cerca de vinte unidades armazenadoras distribuídas em locais estratégicos, é de 2,6 milhões de toneladas de grãos (mais de 43 milhões de sacas), configurando-se como a maior rede armazenadora de Goiás. Nos últimos anos, foi a empresa goiana que mais investiu no setor. Em 2024, por exemplo, inaugurou o maior armazém do Estado (em Mineiros), com capacidade de 3,3 milhões de sacas. Entretanto, em função do seu processamento industrial, a COMIGO recebe volume bem maior do que seu espaço permite. Em 2022, por exemplo, recepcionou mais de 76 milhões de sacas, quase duas vezes a sua capacidade. Importante sublinhar, ainda, que os armazéns da COMIGO possuem a certificação IN 29/2011, do Ministério da Agricultura (MAPA), desde 2010, permitindo seu credenciamento junto à Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A expansão da COMIGO no setor de armazenamento está a seguir. A relação, em ordem cronológica, destaca os municípios e também o ano em que ocorreu a construção do primeiro armazém em cada um deles e, ao lado, a capacidade atual de estocagem, após os investimentos realizados. COMIGO | 50 ANOS
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A EXPANSÃO COM AS UNIDADES ARMAZENADORAS (ORDEM CRONOLÓGICA) RIO VERDE (1978) – 778 mil toneladas (incluindo Ponte de Pedra) SANTA HELENA DE GOIÁS (1980) – 154 mil toneladas (incluindo Cinquentão) ACREÚNA (1984) – 66 mil toneladas JATAÍ (1984) – 340 mil toneladas (incluindo: Estrela Dalva, Paraíso e Bom Jardim) MONTIVIDIU (1987) – 248 mil toneladas PARAÚNA (1988) – 133 mil toneladas (incluindo Pagel) INDIARA (1990) – 90 mil toneladas SERRANÓPOLIS (2003) – 104 mil toneladas MONTES CLAROS DE GOIÁS (2008) – 131 mil toneladas CAIAPÔNIA (2009) – 179 mil toneladas PALMEIRAS DE GOIÁS (2020) – 90 mil toneladas IPORÁ (2023) – 107 mil toneladas MINEIROS (2024) – 198 mil toneladas Acima, diretores visitando as obras do segundo graneleiro da COMIGO: Santa Helena, 1980. 1. Rio Verde, primeiros armazéns (1978). Na foto, visão mais recente; 2. Rio Verde, Ponte de Pedra (silos/2001, graneleiro/2014); 3. Santa Helena, graneleiro (1980); 4. Santa Helena Cinquentão/2005; 5. Acreúna, graneleiro (1984); 6. Jataí, primeiro armazém (1984); 7. Jataí, armazém Estrela Dalva (silos/2003, graneleiro/2005); 8. Jataí, armazém Paraíso/2003; 9. Jataí, armazém Bom Jardim (silos/2008, graneleiro/2014); 10. Montividiu, graneleiro (1987); 11. Paraúna, armazéns (1988); 12. Indiara, graneleiro (1990); 13. Serranópolis, graneleiro (2003); 14. Montes Claros, armazéns (2008); 15. Caiapônia, silos graneleiros (2009); 16. Palmeiras, graneleiro (2020); 17. Iporá, graneleiro (2023); 18. Mineiros, graneleiro (2024). 72
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No alto, momento do lançamento da Pedra Fundamental da primeira indústria da COMIGO, 1982. Abaixo, à esquerda, fachada da loja da COMIGO, 1981. Em primeiro plano, o então presidente Vanderval Lima dando entrevista. À direita, placa da Pedra Fundamental. 74
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CAPÍTULO 19
NA ERA INDUSTRAL A era industrial da COMIGO teve início na AGE de novembro de 1980, no Clube Campestre, quando os associados aprovaram a contratação de um financiamento de um bilhão de cruzeiros para a indústria de esmagamento de soja, inclusive para mais um graneleiro. “Uma cifra astronômica”, comentou Warlen Ferreira. Segundo Vanderval Lima Ferreira, aquela foi uma das reuniões “que mais me marcou dentro da COMIGO”. Ele havia assumido a presidência da Cooperativa em março daquele ano, em substituição a PRC, que optou por sair para cuidar de seus negócios. Muita gente compareceu à AGO, no Clube Rio-verdense, que elegeu a nova diretoria, inclusive o ex-ministro Alysson Paulinelli. Na AGO, Vanderval e a nova diretoria reforçaram o que já estava sendo discutido: o desejo de industrializar a soja. De acordo com o novo presidente, ele fez mais de cinquenta viagens a Brasília em 1980, pois o BNCC havia informado sobre uma verba vinda do Japão para duas indústrias no Brasil e a COMIGO se interessou. Após muita insistência de Vanderval Lima, demonstrando o real desejo da Cooperativa em contar com aquele recurso para montar a indústria de soja, o banco autorizou a COMIGO a fazer o projeto, sem compromisso, alegando que a região não tinha soja. Chavaglia, que era secretário naquela diretoria, destacou ser aquele um dos problemas para conseguir o financiamento. “Diziam: vocês nem soja têm para esmagar, como é que querem montar uma indústria?”. Naquele momento, a participação de toda a diretoria recém-eleita foi excepcionalmente importante, tanto na elaboração do projeto inicial e nas negociações com fornecedores de equipamentos e obras civis quanto no convencimento das instituições financeiras e dos produtores (cooperados) de que a industrialização era o melhor caminho para a Cooperativa. COMIGO | 50 ANOS
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Um fato determinante para que a COMIGO conseguisse a aprovação definitiva do projeto, segundo o então presidente Vanderval Lima, foi quando o presidente do BNCC, Toshio Shibuya, em sua companhia, conheceu a região e viu o seu potencial, a topografia e a qualidade das terras. Com isso, Shibuya defendeu que a região poderia, sim, receber uma indústria e que iria lutar por isso. Havia o interesse de outras regiões também. Após muitas reuniões, o banco aprovou o financiamento da COMIGO, mas a liberação demorou seis meses. Com a inflação em alta, o projeto teve que ser refeito e reencaminhado ao BNCC. Porém, os valores orçados não eram mais suficientes. Foi preciso um novo financiamento no Banco do Brasil (BB). Ângelo Landim e Warlen Ferreira foram a São Paulo para negociar com os fornecedores. Logo após, a diretoria também viajou para São Paulo para assinar os contratos. “Os equipamentos foram adquiridos junto às empresas Desmet e Tecnal”, narrou Ângelo. “O primeiro financiamento, no BNCC, foi de 400 milhões de cruzeiros, e o segundo, no BB, de 177 milhões de cruzeiros, e ainda colocamos mais um pouco”, declarou Warlen. A credibilidade da Cooperativa e dos diretores já era notável. No BB também ocorreu certa demora para a liberação dos recursos, os juros subiram. Os empréstimos, no entanto, foram quitados de maneira surpreendente. Como a inflação era de 30% a 40% ao ano e não havia correção monetária, os valores ficaram defasados. Warlen explicou que, com a famosa “tablita” do Plano Cruzado, em 1986, a COMIGO quitou os financiamentos. A industrialização da soja representava a maturidade e a visão de futuro dos dirigentes. Vanderval comentou: “A turma que começou tinha uma mente muito aberta, o potencial da região era enorme”. No início de 1982 foi lançada a pedra fundamental da indústria, em Rio Verde, um evento memoroso, com a presença de Shibuya (BNCC) e de muitos cooperados. 76
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Ao longo dos anos, diversas indústrias foram instaladas.
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CAPÍTULO 20
A PRIMEIRA EXPORTAÇÃO As primeiras experiências no recebimento de soja foram na safra 79/80, em armazém arrendado da Cibrazem, já que o graneleiro W, recém-construído, estava cheio de milho. Antevendo a tendência da soja na região, a Cooperativa saltou à frente com o seu projeto industrial. Porém, era preciso provar que a produção do grão estava crescendo em Goiás. Foi aí que outro fato histórico e de grande significado solidificou a relação da soja com a COMIGO. Em meados de 1980, um negócio até então impensável foi concretizado: a primeira exportação de grãos feita pela Cooperativa para a Europa (Suíça). O evento foi consagrador pelo ineditismo do feito, revelando o pioneirismo da Cooperativa e, também, por fixar a ideia da industrialização. A exportação da soja foi um aprendizado, pois com o processamento do grão, que logo aconteceria, surgiria o farelo, cujo destino imediato seria o mercado externo. Mas exportar não era algo simples. Existia o sistema de cotas de exportação, quase todas nas mãos de grandes cooperativas nacionais. Parecia impossível conseguir uma cota para a COMIGO. Parecia... 78
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Ângelo Landim, que conhecia a maioria das cooperativas, contou que as cotas eram destinadas pela Cacex (Carteira de Comércio Exterior), do BB no Rio, às OCEs (Organizações das Cooperativas Estaduais). Em janeiro de 1980, ele foi ao Rio, na reunião das OCEs com a Cacex. As OCEs do RS, PR, SC e SP criticaram dizendo que Goiás não tinha soja e que era inviável exportar do Centro-Oeste. No plenário, a Cacex concordou em ceder uma cota de 2 mil toneladas para Goiás, se as OCEs permitissem. Após negociações, os quatro estados cederam 500 toneladas cada um. A cota foi destinada à OCG, mas como soja na região era com a COMIGO, ela ficou com o total. Segundo Ângelo, “fomos de cooperado em cooperado: John Lee, Breno Araújo, Pedro Hahn e outros”, para arrumar as 2 mil toneladas. Pedro Hahn também foi fundador. Foi explicado a eles: o que desse na exportação seria deles, a Cooperativa não ficaria com nada. Ângelo disse que pela confiança, “eles toparam: trezentas sacas com um, quinhentas com outro... não havia consenso de que ia dar certo”.
Caminhões desfilando em Rio Verde com faixas anunciando a primeira exportação da COMIGO. COMIGO | 50 ANOS
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A soja foi fechada a uma média de 8,10 dólares, o bushel,1 e o prêmio, fixado. Ele relatou que a diretoria ficou preocupada com aquela transação, porque tinha que pagar o prêmio, o frete, o ICM, tudo adiantado. Surgiu, então, outra novidade: a de se fazer adiantamento de câmbio para pagar as despesas, o que evitou usar o dinheiro da Cooperativa. Com a variação cambial, os cooperados tiveram um ganho e a COMIGO, também, pois ampliou mais ainda sua credibilidade. Aquele fato alvissareiro, único até então, merecia ser propagado. Caminhões carregados com soja e com faixas anunciando que era a primeira exportação do Centro-Oeste desfilaram pelas ruas de Rio Verde, mostrando que a COMIGO estava fazendo uma coisa que ninguém havia pensado. A sede administrativa e a loja em Rio Verde já funcionavam na avenida Presidente Vargas, antigo armazém de Joaquim Cruvinel. A coisa deu tão certo que, no outro ano, a OCG conseguiu uma cota de 20 mil toneladas. A COMIGO ficou com 15 mil e 5 mil foram distribuídas para outras cooperativas goianas. A experiência fortaleceu o processo industrial. Antonio Chavaglia comentou: “Na época, não tinha o incentivo que tem hoje para exportar, todos os impostos tinham que ser pagos. Fizemos cálculos e vimos que era preciso industrializar a soja e não vender apenas o grão”. 1 Medida norte-americana equivalente a 27,2 quilos.
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No alto, à esquerda, primeira indústria de esmagamento de soja, 1983. À direita, inauguração da primeira indústria, 1983. Abaixo, à esquerda, refinaria instalada em 1985. À direita, armazém com farelo de soja, produto que rapidamente encontrou mercado, inclusive no exterior.
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CAPÍTULO 21
AS INDÚSTRIAS DE SOJA Em curto espaço de tempo, a inédita indústria foi erguida na antiga chácara da Cooperativa, doravante chamada de complexo industrial, em Rio Verde. “[...] Montamos a indústria de soja com seus escritórios, o armazém graneleiro [...], o armazém de farelo [...], em oito meses”, disse PRC (Informe Comigo, julho/2000), que retornou como presidente da COMIGO em 1982. Para a indústria funcionar, a Cooperativa construiu as redes de captação de água do rio Abóbora e de energia de alta tensão, desde a subestação da Celg, tudo com recursos próprios. Tempos depois surgiram os importantes incentivos fiscais do governo estadual (Fomentar, Produzir etc.) para incrementar a produção industrial. Para dar suporte à indústria, três graneleiros foram construídos em 1983: Rio Verde, Acreúna e Jataí. As obras foram adiantadas com recursos de uma boa comercialização de 1 milhão de sacas de soja. Em julho de 1983, a primeira indústria de soja do Centro-Oeste foi inaugurada, um dos fatos inesquecíveis de sua caminhada. Autoridades políticas compareceram, com destaque para o ministro da Agricultura, Amaury Stábile, e o governador do estado, Iris Rezende. O corte da fita inaugural foi de Carlos Cunha Filho (Carrinho Cunha), também fundador da Cooperativa, junto com seu filho, Paulo Roberto Cunha. No início, os recursos eram escassos. “Ficamos dois anos sem conseguir crédito para a empresa girar. [...] Aquilo sim é que era dificuldade [...]”, afirmou PRC
(Informe Comigo, julho/2000). Segundo Chavaglia: “No primeiro ano, funcionou pouco porque não tinha soja suficiente. Mas no terceiro ano já tinha soja sobrando”. Conforme ele, “a indústria foi o grande fator de desenvolvimento do Centro-Oeste e Rio Verde saiu na frente, se antecipou em dez anos a outras regiões, como o Mato Grosso”. A industrialização da soja foi a segunda grande alavancagem promovida pela COMIGO (a armazenagem foi a primeira). “Passamos a receber dois dólares a mais por saca, deu liquidez para se plantar no chapadão e atraiu muitos produtores, que viram uma estrutura se formando aqui”, afirmou Chavaglia. A estrutura da indústria recém-inaugurada: esmagamento — 600 toneladas de soja por dia; armazém de farelo de soja — 25 mil toneladas; tanques (cinco) para depósito de óleo bruto de soja — 1 milhão de litros, cada; caixa d’água — 1 milhão e 40 mil litros. Dois produtos passaram a ser fabricados: o farelo de soja e o óleo de soja. Na ocasião, as duas marcas de óleo refinado foram lançadas: Comigo e Brasileiro. O investimento de grande vulto da indústria foi um ato arrojado, mostrou a vocação da Cooperativa e despertou a aptidão industrial da região. Chavaglia frisou: “Depois da COMIGO, muitas empresas se deslocaram pra cá. A Brasilata e a Perdigão são exemplos”. Várias multinacionais também se movimentaram para a região, vendo o crescimento da produção de grãos. COMIGO | 50 ANOS
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REFINARIA
Até 1985, o óleo degomado (bruto) era refinado em São Paulo em embalagens de fibra de papelão. A partir daí, a Cooperativa passou a refinar e envasar o óleo em latas, após investimentos em estruturas próprias (refinaria e envase). Com a verticalização do processo industrial, ela assegurou mais renda e empregos para a região. A capacidade inicial de refino era de 90 toneladas/ dia, que mais tarde foi ampliada para 120 toneladas/ dia. Hoje, já é de 270 toneladas/dia. A capacidade da recravadeira (envase) começou com 60 latas/minuto (900 mililitros). A partir de 2007, o vasilhame migrou para garrafa pet. Atualmente, a capacidade é de 18 caixas/minuto ou 360 garrafas/minuto. Com o refino do óleo, a Cooperativa começou a produzir sabão, aproveitando o resíduo (borra) do processo, acrescentando outros ingredientes. Ele foi fabricado até 2014, quando a produção foi desativada por razões mercadológicas.
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Acima, início do refino e enlatamento de óleo de soja, 1985. Abaixo, produção atual.
SEGUNDA INDÚSTRIA
Em maio de 2004, a COMIGO inaugurou sua segunda indústria de esmagamento de soja, com capacidade para 2.500 toneladas/dia, na presença de 2 mil pessoas. Foi um dia histórico, porque pela primeira vez a Cooperativa recebeu o presidente da República. Lula veio acompanhado dos ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, e do Trabalho, Ricardo Berzoini. Presentes também o governador do Estado, Marconi Perillo, o então prefeito Paulo Roberto Cunha e o presidente da OCB nacional, Márcio Lopes de Freitas, além de outras autoridades. As duas fábricas passaram a processar 3.500 toneladas/dia, pois a fábrica 1, a essa altura, já esmagava 1 mil toneladas/dia. Em 2014, o volume esmagado aumentou ainda mais, pois a mesma fábrica 1 foi para 3 mil toneladas/dia. Portanto, hoje, a capacidade industrial de soja das duas fábricas é 5.500 toneladas/dia. Com a industrialização, a soja se tornou a principal sustentação econômica da Cooperativa. A versatilidade de seu consumo gerou alta demanda nacional e mundial.
TERCEIRA INDÚSTRIA
De cima para baixo, descerramento da placa de inauguração da segunda indústria (em destaque na terceira foto), 2004. Cooperados e convidados na inauguração. Na última foto, primeira fábrica de processamento de soja reestruturada e ampliada.
Uma terceira indústria de esmagamento de soja, com capacidade prevista de 6 mil toneladas/dia, está a caminho e será instalada na cidade de Palmeiras de Goiás. O investimento estimado em 1,5 bilhão de reais visa aproveitar diversas oportunidades, sendo a principal o fato de que a estrada de ferro passa pelo município, o que impactará na redução de custos, sobretudo no frete. COMIGO | 50 ANOS
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CAPÍTULO 22
A NOVA SEDE Em 1984 a COMIGO construiu uma ampla sede administrativa, numa área de 11 mil metros quadrados na avenida Presidente Vargas, em Rio Verde. Em outubro daquele ano, a nova sede foi inaugurada, contendo quatro pavimentos: um para depósito (hoje de rações, suplementos minerais, peças e medicamentos); um para a loja agropecuária e dois para a administração. Em um deles havia um auditório, que recebeu o nome de Hadovaldo Horbilon (homenagem ao ex-diretor). A estrutura ainda tinha um estacionamento de veículos da Cooperativa e um laboratório veterinário. Várias assembleias foram realizadas na nova sede, mas é importante destacar a primeira. Ela aconteceu no fim de outubro, dez dias após a inauguração, com o auditório lotado recebendo trezentos cooperados. Na ocasião, a nova diretoria foi eleita, com PRC sendo reeleito presidente. Anos depois, em 2012, a sede passou por uma ampla reforma: reestruturação completa com novas salas e novo layout (o auditório foi desativado), instalação de elevadores, cobertura do estacionamento, nova fachada, entre outras mudanças. 86
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De cima para baixo, momento do descerramento da placa. Desenlace da fita inaugural. Convidados na inauguração da nova sede administrativa, 1984. Na página ao lado, sede administrativa atual revitalizada.
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PRC e Chavaglia: transmissão da presidência em AGO, 1986.
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CAPÍTULO 23
CHAVAGLIA ASSUME A PRESIDÊNCIA Após quase oito anos ocupando a presidência, PRC se desligou da COMIGO, em maio de 1986, para entrar na política. A saída, seis meses antes do fim de seu mandato, era para que não houvesse interferências políticas na Cooperativa. Ele foi eleito deputado federal e depois prefeito de Rio Verde por três mandatos. Antonio Chavaglia, então vice-presidente de operações, assumiu a presidência interinamente. Porém, na AGO de agosto do mesmo ano, houve a transmissão oficial, quando Chavaglia assumiu a Cooperativa em definitivo como presidente eleito. PRC, se referindo à COMIGO, disse documentado na ata daquela Assembleia e também no jornal Informe Comigo, setembro/1986: “Preservem isto porque é uma das coisas mais sagradas que tem neste Estado”. Ele comentou ainda naquela AGO (na mesma edição do jornal): “Enquanto a mentalidade coletiva permanecer, nós haveremos de ter uma instituição sólida, sempre prestando benefícios aos produtores [...]”. Chavaglia fez questão de elogiar Paulo Roberto e Vanderval Lima, dizendo que eles foram muito importantes para o seu aprendizado. “O Vanderval era o homem que organizava documentos, a papelada. O Paulo era um homem dinâmico, corria atrás, abria portas, tinha um vasto conhecimento em Goiânia e Brasília. Com os dois na presidência, a COMIGO evoluiu bastante com a indústria, refinaria e armazéns”, destacou ele. Mas, se as gestões de PRC e Vanderval foram essenciais para a abertura da COMIGO, sua estruturação
inicial, inclusive em algumas cidades, conquista da confiança dos cooperados e autoridades, e entrada da Cooperativa na industrialização, Antonio Chavaglia, de forma brilhante e competente, deu sequência àquele trabalho que estava dando certo. E mais: Chavaglia foi o presidente da consolidação dos negócios da COMIGO, da diversificação de atividades, da solidez da Cooperativa, da implantação de um modelo de administração que se tornou exemplo no país. Na sua gestão, os cooperados foram incentivados a se profissionalizar e a valorizar sua Cooperativa, cada vez mais, e a investir racionalmente na atividade rural. A produção cresceu e os cooperados também. Com ele na presidência, a COMIGO se modernizou, evoluiu e ampliou seus investimentos, como se observa em vários momentos desta publicação, inclusive em capítulos anteriores a este. A responsabilidade socioambiental da Cooperativa também foi evidenciada, com significativas políticas criadas durante sua gestão. O objetivo deste capítulo é mostrar unicamente o evento de transferência da presidência de PRC para Antonio Chavaglia. Sob o comando de Chavaglia e de diretores e conselheiros laboriosos, de cooperados participativos e colaboradores profissionais, a COMIGO expandiu sua prestação de serviços para outras regiões de Goiás, de forma acentuada. Ela entrou para o seleto grupo das grandes organizações cooperativistas e empresariais do Brasil. COMIGO | 50 ANOS
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CAPÍTULO 24
DIVERSIFICANDO ATIVIDADES Após a Constituição de 1988, surgiu a autogestão nas cooperativas. Contudo, os anos 1990 foram difíceis, o crédito rural despencou e o setor rural se endividou. Era preciso encontrar alternativas. A COMIGO agiu, traçou e agilizou planos, diversificou atividades, ampliou negócios e serviços, enfim, fez investimentos, sobretudo suportados pelas sobras capitalizadas e financiamentos, como FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), entre outros. No período, quatro projetos fabris foram idealizados, além de uma parceria para desenvolver a suinocultura. 90
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No alto, nova fábrica de rações em primeiro plano, à esquerda. Abaixo, primeira fábrica de rações, 1992. Na página ao lado, produção atual de rações.
RAÇÕES
Um deles foi a fábrica de rações, que começou a operar em abril de 1992 em Rio Verde, com capacidade de 12 toneladas/hora. Os criadores de bovinos de leite e de corte, equinos, suínos, aves, avestruzes, ovinos, caprinos e pequenos animais (codornas e coelhos), de várias regiões do país, conheceram a eficácia das Rações COMIGO. Novos investimentos foram feitos e a capacidade produtiva foi para 60 toneladas/hora. Em 2014, uma nova planta industrial foi instalada, também de 60 toneladas/hora, para animais pet, produzindo rações para cães, marca Confiance (primeiro Crosby e depois Titus). Após análise de mercado, passou a produzir rações também para peixes. Em 2020, a COMIGO construiu uma nova fábrica para animais ruminantes, de 120 toneladas/hora, considerada 4.0, com todos os seus processos de produção automatizados: recebimento de matérias-primas, pesagem, mistura, moagem e ensaque. A capacidade foi ampliada para 180 toneladas/hora, em duas fábricas, ocupando uma área de 8 mil metros quadrados. Com isso, passou a ser a maior planta fabril do Centro-Oeste (em área) e a maior em produção comercial do país. Somando-se à fabricação de rações para não ruminantes, a capacidade total produtiva atingiu 240 toneladas/hora. Em 2024, a COMIGO lançou rações também para gatos. A grande aceitação de todas as linhas de produção das rações da COMIGO evidencia sua qualidade excepcional, comparável às melhores marcas existentes no mercado. COMIGO | 50 ANOS
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ALGODOEIRA
A algodoeira foi outro projeto (recebia o produto, descaroçava e enfardava o algodão em pluma). Iniciou também em 1992, mas, face a diversas crises do setor, foi desativada em 2008.
LATICÍNIO
A COMIGO também instalou seu laticínio na época. Em julho de 1993, ele foi inaugurado. Sua capacidade de processamento chegou a 250 mil litros/dia. Mas, com o mercado bastante acirrado, exigindo altíssimos investimentos na industrialização dos produtos (inclusive leite longa vida) e também em campanhas de marketing, o negócio ficou inviável. O laticínio foi desativado em 2016.
DALLAND COMIGO
Em agosto de 1995, a COMIGO assinou um contrato de parceria (joint venture) com a Nieuw-Dalland, da Holanda, constituindo a Dalland Comigo, com o objetivo de desenvolver a suinocultura na região. Outra vez, a COMIGO viu o futuro criando um novo mercado. O presidente Antonio Chavaglia salientou à época: “No momento em que tivermos a suinocultura integrada com a avicultura, com o confinamento de bovinos, com o melhoramento das terras para as lavouras, [...] e com a criação de peixes, o produtor rural terá um aumento de renda”. Sete anos depois, já com a suinocultura estabelecida, a Cooperativa e a Dalland rescindiram a parceria em comum acordo. 92
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No alto, duas imagens da Dalland COMIGO, incentivo à suinocultura na região, 1995. Logo abaixo, primeira sede da Credi-Rural foi no prédio da COMIGO. Na página ao lado, no alto, à esquerda, primeiro misturador de fertilizantes, 1996. Ao lado, fábrica de fertilizantes atualmente. Abaixo, produção atual.
FERTILIZANTES
Outro projeto ousado foi produzir o próprio adubo, com o objetivo de conter o avanço dos custos e incentivar a produção. Em abril de 1996, a COMIGO instalou seu primeiro misturador de adubo de 45 toneladas/ hora em Rio Verde. Fórmulas específicas, pontualidade na entrega, preços condizentes, garantia e certeza de um produto elaborado, conforme as análises de solo, eram os diferenciais. O misturador voltou a adubar a esperança do cooperado, naquele momento difícil. Em apenas quatro anos (até 1999) e com mais um misturador montado, a Cooperativa já fornecia 100 mil toneladas/ano, mas não demorou a atingir 200 mil toneladas/ano. O produto fazia jus ao seu slogan: “Fertilizantes Comigo, a confiança faz a diferença”, sugerido pelos próprios cooperados em pesquisa. Com o aumento da demanda, em 2013, a COMIGO voltou a fazer grande investimento no setor de fertilizantes, construindo uma ampla e moderna estrutura,
com novos misturadores, tombadores, boxes, ensacadeiras, numa área de 26 mil metros quadrados. Com todo o processo automatizado, a capacidade produtiva mais que dobrou, pulando para 240 toneladas/hora. Produzir fertilizantes demonstrou mais uma vez a sustentação que a COMIGO deu para seus cooperados, que sempre elogiam muito a qualidade do produto. Os fertilizantes COMIGO são embalados em sacaria convencional e também em big bag.
CREDI-RURAL
Outro projeto que teve todo o apoio da COMIGO e foi viabilizado por ela, mas com total independência, foi a Credi-Rural Comigo (hoje Sicoob Credi Rural), em 1989, que funcionou em sua sede por alguns anos. Antonio Chavaglia foi o seu primeiro presidente. Surgiu uma importante fonte de recursos financeiros aos cooperados, em tempos de pouco crédito. Até então, a COMIGO intermediava os financiamentos nos bancos.
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CAPÍTULO 25
A CONQUISTA DO MERCADO A COMIGO estruturou seu departamento comercial, inclusive contratando representantes em várias regiões do país. O óleo de soja (Comigo/Brasileiro) foi conquistando mercado Brasil afora, em virtude de sua excelente qualidade. Visando modernizar a identidade visual, as duas marcas ganharam novos rótulos em 2024. Pela mesma razão, a Cooperativa também passou a ser conhecida pelo seu farelo de soja. Utilizado principalmente para preparar rações animais, o farelo atingiu em cheio a preferência dos cooperados, de outros agropecuaristas, agroindústrias e empresas comerciais do ramo. A evolução mercadológica ainda se deu com a diversificação de seu portfólio de produtos industrializados. Ao produzir e comercializar rações animais (inclusive para pets), suplementos minerais, sementes e fertilizantes, a Cooperativa ampliou bastante seu campo de atuação no mercado. Para apoiar o departamento comercial, a COMIGO criou em 1985 sua transportadora, que mais tarde se tornou departamento. Com o crescimento da produção industrial e das negociações, o setor de transportes foi sendo ampliado paulatinamente. Atualmente (2024), sua frota é de cerca de 180 veículos (caminhões, 94
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No alto, produtos COMIGO, óleo de soja e arroz, 1986. Ao lado, marcas de óleo produzidas atualmente. Na página ao lado, alguns produtos atuais e movimento intenso de caminhões no complexo industrial.
carretas e bitrens). No entanto, cerca de quinhentos caminhões circulam diariamente no complexo industrial, volume que chega a 850 na safra. Goiás, claro, foi o primeiro estado a ser impactado pelos produtos da Cooperativa. Entretanto, eles chegaram a outros estados num curto espaço de tempo, com um grande trabalho de prospecção de mercado em Tocantins, Maranhão, Pará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Distrito Federal e parte de São Paulo. Além do mercado interno, os produtos da COMIGO avançaram além-mar. Após a primeira exportação de soja, de 1980, o mercado externo foi aberto e os negócios internacionais de farelo de soja e óleo bruto de soja também se consolidaram. Sobretudo após a conquista das certificações internacionais GMP+ Feed Safety Assurance (GMP+ FSA), em 2008, que garante a segurança dos alimentos, e da
ISO 9001:2015, em 2012, que assegura a excelente gestão dos processos da qualidade e a satisfação de clientes na planta industrial de soja (armazenamento, produção e vendas dos produtos). Seu moderno laboratório, detentor de vários certificados atestando sua eficiência, também garante produtos de alto padrão qualitativo. O óleo bruto tem sido exportado pelo Porto de Paranaguá (PR). O farelo de soja, pelo Porto de Santos, saindo do terminal multimodal da Rumo Logística, em Rio Verde, inaugurado em julho de 2021. Os principais mercados externos compradores da COMIGO atualmente são a União Europeia, China, Índia e Bangladesh. Hoje, a COMIGO tem uma forte estrutura comercial conectada com a Bolsa de Chicago (EUA) e uma rede de contatos com diversas trades no país, além dos representantes comerciais. Os anos cuidaram de tornar a marca COMIGO muito forte no Brasil e no exterior. COMIGO | 50 ANOS
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Acima, cooperados aprovando a capitalização das sobras. Ao lado, o gerente de contabilidade, José Batista, apresentando o balanço em uma das assembleias.
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CAPÍTULO 26
A IMPORTÂNCIA DA CAPITALIZAÇÃO DAS SOBRAS Ao se associar, o cooperado integraliza o capital e sua cota passa a receber as sobras líquidas todos os anos, após aprovação da Assembleia, conforme sua movimentação na COMIGO. Assim, a cota capital foi se encorpando e se transformou no epicentro de toda a evolução da COMIGO. A capitalização das sobras foi decisiva para a Cooperativa e para os seus cooperados, e gerou uma confiança mútua. De um lado, a coerente administração da Cooperativa, de outro, a participação constante dos cooperados. Seja em momentos serenos ou em situações de incertezas, o capital social cumpriu singular missão. O presidente Antonio Chavaglia sempre ressaltou a atitude dos associados: “A consciência dos cooperados de que as sobras fossem para o capital, desde o início, foi o que consolidou ainda mais a Cooperativa e a dinâmica que tem hoje”. A decisão acertada oxigenou a Cooperativa e lhe deu sustentação para ser competitiva no mercado. Também contribuiu para a redução da necessidade de capital de terceiros, o que resultou em mais sobras. Transformou-se em um ciclo virtuoso: mais sobras, menos dependência externa, menos despesas financeiras. A autocapitalização foi um dos pilares da COMIGO para seu ótimo desempenho.
A capitalização possibilita restituir capital (que começou em 2000) e distribuir sobras aos cooperados. COMIGO | 50 ANOS
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A capitalização também é fundamental para fazer novos investimentos aos cooperados. 98
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Por conta disso, foi possível adotar diferentes políticas beneficiando os cooperados. Entre tantas, duas se destacam. De um lado, fazer investimentos em: estruturas técnico-administrativas (pesquisas, logística, treinamentos, informática etc.), e operacionais (indústrias, armazéns, lojas); e, de outro, implantar a Distribuição de Sobras e a Restituição de Capital. Não obstante necessitar de menos capital de giro, a Cooperativa sempre buscou financiamentos para investimentos, mesmo que parciais. Ela conquistou grande prestígio junto às instituições financeiras, e o seu alto grau de liquidez lhe dá sustentação na obtenção de créditos, inclusive perante os fornecedores. Lançando mão de seu capital próprio e de financiamentos, entre eles, outro exemplo foi o Recoop (Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias, 1999), hoje quitado, indústrias foram instaladas e/ou ampliadas; houve a expansão para várias cidades com armazéns e lojas; o CTC (Centro Tecnológico Comigo) foi constituído para pesquisas e para a Tecnoshow Comigo; modernos meios de comunicação e automatização foram implantados; entre outros. A capitalização, formando uma espécie de poupança, valeu muito a pena. Em todos os anos, os cooperados obtiveram retorno, com novos produtos e serviços, mas também financeiro (sobras). Isso aconteceu com a criação da Restituição de Capital (em dinheiro) aos cooperados na AGE, de novembro de 1998, chamada carinhosamente de “aposentadoria”. A Restituição começou a partir da AGO de 2000. Chavaglia sublinhou: “A Restituição trouxe uma responsabilidade social muito grande para a Cooperativa. Para fazer esse resgate tão justo, a COMIGO precisa de recursos”. A continuidade da capitalização
das sobras garante mais esse compromisso, agora no campo social. A nova política estabeleceu que o cooperado que completasse 65 anos de idade e, simultaneamente, vinte anos como associado na Cooperativa, tinha o direito de receber 50% do saldo de seu capital, em até 24 parcelas. Em 2010, uma segunda Restituição de Capital foi aprovada. Na AGE de setembro de 2018, as regras foram atualizadas. Após o enquadramento, o cooperado conquistou o resgate do saldo de sua conta capital, de forma permanente, à razão de 10% ao ano, em 12 parcelas iguais e sucessivas, com o valor da parcela sendo recalculado a cada doze meses. Em 2018 também foi aprovada a Distribuição das Sobras Líquidas. Os cooperados começaram a receber 15% delas creditadas em conta corrente na Cooperativa. Com o valor, o associado pode fazer novas compras na COMIGO e/ou quitar dívidas com ela. “O cooperado passou a ter mais capital de giro para incrementar seus negócios e para novos investimentos”, sintetizou Chavaglia. Em publicações da COMIGO (revistas, site), os cooperados elogiaram estas políticas sociais. Lembraram que em nenhuma outra empresa era possível ter Sobras ou Restituição e que trabalhar com a Cooperativa era um grande investimento. Recomendavam aos jovens (filhos, netos...) que o futuro deles estava na Cooperativa, por tais motivos e pela facilidade de se trabalhar com ela. Até 2023, mais de 271 milhões de reais foram restituídos aos cooperados, atendendo cerca de mil cooperados; e mais de 567 milhões foram distribuídos em sobras aos cooperados. O capital social da Cooperativa representa hoje 70% de todo o patrimônio líquido da Cooperativa, ou seja, pertence aos cooperados, revelando sua solidez econômico-financeira. COMIGO | 50 ANOS
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CAPÍTULO 27
PESQUISANDO PARA O COOPERADO Em 1979, a COMIGO montou sua UBS (Unidade de Beneficiamento de Sementes) em Rio Verde: um armazém e um laboratório, credenciado junto ao Mapa (Ministério da Agricultura), para análise da qualidade das sementes de soja. Após inúmeros investimentos, hoje o setor conta com avançadas instalações e sistema de automação nas operações de recebimento, secagem e beneficiamento das sementes. A armazenagem é em câmaras frias e uma delas conta com o moderno sistema drive-in. A UBS detém a excelência no Tratamento de Sementes Industrial e equipamentos de alta capacidade, garantindo sementes de soja certificadas e de altíssima qualidade. Também em Rio Verde, no mesmo ano, instalou o primeiro misturador de suplemento mineral, importante demais para combater doenças nos rebanhos, como o botulismo. Hoje, a Cooperativa tem duas grandes estruturas produtivas de suplemento mineral, em Jataí e Montes Claros (não mais em Rio Verde), com capacidade total de 45 toneladas/hora. O seu amplo portfólio contém mais de setenta produtos para viabilizar qualquer programa nutricional dos rebanhos, com garantia fiel dos níveis de qualidade.
No alto, primeiro misturador de suplemento mineral, 1979. No centro, primeira Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS), 1979. Abaixo, fachada atual da fábrica de suplemento mineral em Jataí. COMIGO | 50 ANOS
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Pois bem, àquela época, as duas estruturas já sinalizavam os cuidados da COMIGO com a pesquisa e novas tecnologias. Ela firmou convênios com empresas estatais como a Emgopa, Embrapa e Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), e com fundações, universidades e empresas do setor. O primeiro convênio foi com a Emgopa, em 1984, visando desenvolver cultivares adaptadas à região, sobretudo de soja. Primeira Cooperativa a assumir o convênio no estado, ela cedeu uma sala para os pesquisadores, em sua sede, e se propôs a pagar os técnicos. A maioria dos recursos era da COMIGO (insumos, inclusive). Surgiram variedades de soja como as Emgopas 301, 302 e 303. Outras tecnologias foram criadas: manejo de pragas, fertilidade do solo, sucessão de culturas alternativas, produção e qualidade de sementes etc. A Cooperativa se tornou a grande responsável pela disseminação das tecnologias da Emgopa. Em 1988, a Fesurv (Fundação de Ensino Superior de Rio Verde, hoje UniRV — Universidade de Rio Verde) se uniu ao convênio com uma área de 58,4 hectares para as pesquisas. O potencial da região foi despertado, e tais convênios contribuíram para isso. No início dos anos 1990, a Emgopa lançou cinco variedades de soja: a 304 (Campeira), a 305 (Caraíba), a 306 (Chapada), a 307 (Caiapó) e a Aruanã (GO BR 25). Mas não demorou e, infelizmente, a Emgopa foi extinta. A pesquisa prosseguiu de outras formas e a região se adaptou às modernas técnicas de cultivo. Surgiram a safrinha e o plantio direto (PD). Ambos foram temas de vários seminários apoiados pela Cooperativa. A pesquisa também descobriu alternativas para combater pragas e doenças. A parceria da COMIGO com a FT-Pesquisa e Sementes (atual Monsoy), em meados dos anos 1990, por exemplo, possibilitou o lançamento de variedades de soja da série 100, reduzindo os problemas com o cancro da haste. 102
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No alto, pesquisadores da Emgopa na COMIGO, 1984. No centro, Dia de Campo COMIGO-Emgopa, 1996. A seguir, Dia de Campo COMIGO-Emater, 1996. Na página ao lado, acima à esquerda, uma das muitas variedades da época, 1996. À direita, Dia de Campo Renda Real, programa realizado entre 1998 e 2000. Abaixo, solo preparado para Plantio Direto e um dos vários experimentos no CTC.
Em 1997, a Cooperativa, de novo, mostrou sua força e liderança. Dentro do FNA (Fórum Nacional de Agricultura), Antonio Chavaglia coordenou um grupo para debater os problemas da soja, milho e sorgo em nível nacional. Fruto daquele trabalho brotou o Programa Renda Real. Em Goiás, ele foi executado pelo COR (Comitê de Organização Regional), composto pela COMIGO, várias entidades, prefeituras e empresas. Foram realizados concursos para medir as perdas nas colheitas em Rio Verde e Montividiu. Houve também três encontros anuais (1998 a 2000) na fazenda do cooperado Bruno Abreu Leão, em Rio Verde, demonstrando ensaios de soja, milho, arroz, sorgo e milho safrinha. A COMIGO bancou metade dos custos, inclusive os insumos. Em 1998, a COMIGO se filiou à Coodetec (Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico), de Cascavel (PR), para desenvolver sementes de soja, algodão, milho e trigo. Logo a Coodetec se instalou em Rio Verde com laboratórios e campos de pesquisa. Em 2000, o convênio com a Monsoy apresentou novas cultivares de soja: M-Soy 8001, M-Soy 8400 e M-Soy 6101. COMIGO e Coodetec apresentaram a primeira cultivar de soja da parceria: a CD-211, em 2001. COMIGO | 50 ANOS
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CENTRO TECNOLÓGICO COMIGO (CTC)
Quando o Renda Real se encerrou, o presidente Chavaglia anunciou que o projeto continuaria em área própria adquirida em 2000 de 114 hectares. Ali foi implantado o CTC, inaugurado em fevereiro de 2002, quando recebeu 5 mil visitantes nos três dias do I Encontro Tecnológico Comigo, que contou com 50 expositores. A COMIGO e parceiros demonstraram cinquenta experimentos tecnológicos, enfocando adubação, espaçamento de plantio, população de plantas, épocas de plantio, entre outros. Os primeiros resultados do CTC foram divulgados em anuário, durante um workshop, que se tornou tradição todos os anos. Hoje, o CTC conta com 174 hectares de muita pesquisa, conduzida por um corpo de sete pesquisadores, todos com doutorado. Além do CTC, os experimentos acontecem também em propriedades de cooperados. Sete áreas compõem o universo da pesquisa do CTC: Fitopatologia, Entomologia, Plantas Daninhas, Forragicultura, Nutrição Animal, Fertilidade e Fertilizantes e Fisiologia Vegetal. O CTC tem ainda uma equipe especializada em Agricultura de Precisão. Em 23 anos, já foram publicados 520 trabalhos nos anuários de agricultura e pecuária. O CTC passou a ser um modelo de área experimental das tecnologias utilizadas em Goiás. Atualmente conta com UniRV, Embrapa e IFG (Instituto Federal Goiano) como parceiros efetivos. A COMIGO realiza ainda dias de campo (há muitos anos), demonstrando variedades apropriadas para cada região onde atua, em parceria com empresas fabricantes de sementes. Além disso, e para estimular a disseminação dos manejos empregados pelos produtores, a COMIGO passou a promover o Concurso de Máxima Produtividade de Soja (já no sexto ano), exclusivo para os cooperados. 104
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Inauguração do CTC, 2002.
Diversos dias de campo realizados pela COMIGO para apresentar novas cultivares e estimular a disseminação de manejos e tratos culturais. COMIGO | 50 ANOS
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Foto aérea atual da Tecnoshow Comigo. Ao lado, fotos do CTC.
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TECNOSHOW COMIGO
Em 2003 aconteceu o II Encontro Tecnológico, que atraiu personalidades e grande público, inclusive o então ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Logo após, os realizadores da Agrishow, de Ribeirão Preto, se interessaram numa parceria com a COMIGO. Despontou então a Agrishow Comigo. Ela foi realizada de 2004 a 2006, no CTC, com bons indicadores de comercialização, público e expositores. No entanto, por interesse das duas partes, o contrato foi rescindido. A partir de 2007, apenas a COMIGO passou a organizar a feira, cujo nome foi alterado para Tecnoshow Comigo em 2008. Juntando energia, vontade e profissionalismo de seus diretores, conselheiros e colaboradores, com apoio dos cooperados, a Cooperativa ampliou o evento e realizou grandes investimentos no CTC. Nos anos que se seguiram, pavimentou ruas, construiu galpões, restaurantes, loja agropecuária própria, sede administrativa, auditórios, sanitários, currais, estacionamentos, infraestrutura de internet, entre outros. Expositores de pesquisas, insumos, máquinas/ implementos, crédito, alimentação, veículos, produtos e serviços diversos, público, negócios, palestras, ações ambientais, tudo cresceu de forma considerável, ano a ano, transformando a Tecnoshow Comigo numa das referências em feiras de tecnologia rural, atraindo pessoas inclusive do exterior. Na semana do evento, inclusive, a capital do estado é transferida simbolicamente para Rio Verde. Em 2022, ela foi a segunda em comercialização e hoje é uma das três principais do gênero no país. 108
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II Encontro Tecnológico promovido pela Cooperativa, 2003. Na página ao lado, Tecnoshow Comigo atualmente. Detalhe do estande da COMIGO lotado de cooperados (última foto).
Em 2023, a Tecnoshow foi especial, pois completou sua vigésima edição, fechando com números expressivos: 11,1 bilhões de reais em negócios, 138 mil visitantes e 650 expositores. Por conta da pandemia, ela ficou dois anos (2020 e 2021) sem ser realizada. A contribuição da feira, bem como do CTC, para o aumento da produção é inegável. Somente em Goiás, nesses vinte anos, a produção de grãos, por exemplo, aumentou cerca de 180% (Fonte: Conab – Série Histórica de Produção por Unidades da Federação). A feira se consolidou graças ao elevado grau de comprometimento de todos os envolvidos com o objetivo principal da Cooperativa: o de gerar e repassar informações aos pequenos, médios e grandes produtores rurais. Segundo pesquisa realizada pela empresa CAO Serviços Administrativos, do consultor Carlos Claro, do Paraná, em 2022, a Tecnoshow recebeu o conceito entre ótimo e bom por 98% dos cooperados entrevistados, demonstrando o seu alto grau de satisfação com o evento. COMIGO | 50 ANOS
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CAPÍTULO 28
AS ELEIÇÕES Em sua irretocável e brilhante caminhada, a COMIGO vivenciou duas eleições com chapas concorrentes para decidir quem a administraria. A primeira eleição foi em março de 2002, no Clube Dona Gercina, e a segunda, em março de 2008, na AAC (Associação Atlética Comigo), ambas em AGOs, em Rio Verde. Os candidatos concorreram aos cargos de diretores executivos, conselheiros administrativos e conselheiros fiscais. Foram experiências até então impensáveis, diante do extraordinário sucesso administrativo, econômico e financeiro da Cooperativa desde sua criação. De qualquer forma, o sistema cooperativo, pelo seu caráter democrático, faculta tal acontecimento. Em 2002, os candidatos à diretoria executiva foram: pela chapa 1, os diretores da época: Antonio Chavaglia (para presidente), Álvaro Martim Henkes e Aguilar Ferreira Mota para vice-presidentes; pela chapa 2, Juraci Martins de Oliveira (para presidente), Admar Gomes (Dudu) Pereira e Reosmar Ferreira Campos para vices. 110
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De cima para baixo, cooperados em votação. Mesa diretora da Assembleia e diretoria se pronunciando após o resultado, 2002.
Já em 2008, os candidatos à diretoria eram: pela chapa 1, Antonio Chavaglia (para presidente), Aguilar Ferreira Mota e Dourivan Cruvinel de Souza para as duas vice-presidências; pela chapa 2, Álvaro Martim Henkes (para presidente), Andrey Guimarães Martins e Evandro Vilela Barros para vices. Logo após as prestações de contas (com aprovação unânime dos Relatórios dos Conselhos de Administração), aconteceram as votações, conforme as regras dos dois Regimentos Internos dos Processos Eleitorais. Ambos os resultados apontaram a reeleição do presidente Antonio Chavaglia (chapa 1). Curiosamente, nas duas eleições, o percentual dos votos válidos foi semelhante: cerca de 59% pró-chapa 1. A vitória da chapa 1 atestou que a maioria dos cooperados estava satisfeita com a administração da Cooperativa e que não queria mudanças, pois ela se encontrava sólida e prestando excelente trabalho. Resumidamente, nas duas oportunidades, Chavaglia agradeceu a confiança dos cooperados, reafirmando, emocionado, que a COMIGO tinha que continuar forte, moderna e competitiva, trazendo retorno econômico e social aos cooperados. “Os cooperados aprovaram a administração desses últimos anos e apostaram na continuidade de nosso trabalho, que sempre foi sério, responsável, pensando exclusivamente no desenvolvimento dos cooperados e da região [...]”, disse o presidente. Os eventos marcaram dias históricos, ampliando a já reluzente galeria dos ricos e empolgantes fatos que emolduram a vida da COMIGO.
Cooperados votando na AAC e diretores e conselheiros eleitos, 2008.
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CAPÍTULO 29
AS TECNOLOGIAS E A COMUNICAÇÃO A COMIGO foi a primeira Cooperativa do país a instalar o sistema de informática SAP R/3, em 1999. A decisão facilitou a integração das áreas e as tarefas passaram a ser processadas simultaneamente. Mais uma vez a Cooperativa largou na frente, aprimorando controles e agilizando o atendimento. Todas as atividades operacionais e administrativo-financeiras trafegam no ambiente do SAP. Os principais sistemas interligados a ele são: Siab (Sistema de automação de balanças), Sisloja (sistema balcão de vendas nas lojas), Sisprod (sistema para execução de bateladas nas fábricas), FPW LG (gestão de Recursos Humanos/folha de pagamento, Success Factors (desenvolvimento e gestão de pessoas — RH), Clover (CRM e força de vendas), SIM 3G (força de vendas), RocketChat (Sistema de comunicação/mensageria), Business (plataforma de apoio) e o aplicativo (app) Comigo Cooperados. O setor de informática ou TI (Tecnologia da Informação) recebe recursos financeiros necessários para investimentos em inovação, atualizações em equipamentos e instalações, desenvolvimento de sistemas, aquisição de programas ou contratação de consultorias externas. Alguns sistemas foram desenvolvidos internamente pela equipe de TI, que foi sendo estruturada, ampliada e treinada. É o caso do Siab nos armazéns. 112
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A COMIGO está conectada às novas tendências tecnológicas e de comunicação.
Ele faz o processo desde a entrada dos caminhões (controle de pátio) até a descarga de grãos, incluindo as etapas de automação e termometria. O carregamento também é automático. Outro programa é o Sisloja, que processa as operações de fornecimento de produtos nas lojas. Nas fábricas de rações, suplementos minerais e fertilizantes a produção é controlada pelo Sisprod (também da TI). Interligados a esses programas, há sistemas de empresas parceiras. Juntos, todos são conectados ao SAP, responsável pela emissão de documentos fiscais. O Business é uma das principais ferramentas desenvolvidas pela TI. É uma plataforma de gestão e inovação que otimiza as tomadas de decisão. Igualmente acoplada ao SAP, sua principal característica é se integrar a outras plataformas, melhorando a experiência do usuário com informações em tempo real. O Business alimenta o app dos cooperados, também criado pela TI. Aliás, o app é um canal de comunicação com várias funcionalidades para atender ao cooperado: saldo de insumos, romaneios e saldos de grãos, boletos, extratos de Imposto de Renda e de cota capital, títulos a vencer, notificação de compras etc. Hoje, a COMIGO trabalha com um sistema de virtualização de todas as operações, via thin client (sistema Citrix). Ou seja, a informatização/comunicação é toda via rede, apenas utilizando terminais, eliminando o computador pessoal com sistema operacional em cada mesa. Isso garante mais segurança contra ataques cibernéticos, pois as informações ficam centralizadas.
A infraestrutura da COMIGO é dotada de equipamentos de última geração. São dois datacenters. Um é na sede, com uma moderna sala-cofre completa, certificada e bem segura, contendo computadores, servidores, equipamentos com grande capacidade de armazenamento de dados (storage), conjunto ultramoderno de instalações de processamento e conexão (core, roteadores e switchs) para ambientes interno e externo (internet). O outro fica na indústria, tendo um container para backup (cópia), inclusive servidores. Também possui links de redundância (modo de emergência). No total, a COMIGO tem 1.700 terminais de computadores. A COMIGO disponibiliza informações aos seus diferentes públicos, amparadas por uma política de comunicação transparente e interativa. Nela, estão contemplados os eventos, ações de marketing e todo o material informativo. O planejamento dessas atividades tem total apoio da diretoria e elas são executadas lançando mão de diversos canais de comunicação: sites, redes sociais, WhatsApp, podcasts e lives (com moderno estúdio de gravação), revista (impressa e digital), intranet, comunicação interna e plataforma de RH (que permite ao colaborador o acesso a diversos conteúdos e treinamentos online), além do app e do Business. A comunicação na era digital se tornou um dos principais desafios das organizações e a COMIGO tem investido fortemente nessa área, com destaque para as transmissões ao vivo de seus eventos (assembleias, workshops etc), afora reuniões, campanhas e outras formas de relacionamento virtual. COMIGO | 50 ANOS
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Workshops e cursos para jovens e mulheres cooperativistas.
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CAPÍTULO 30
A RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Cooperativa é uma empresa que usa o econômico para atingir o bem-estar das pessoas, afinal, o capital humano é o seu grande patrimônio. A COMIGO se notabiliza também com seus projetos socioambientais, individuais ou com parceiros (empresas ou entidades, como o Sescoop/GO — Serviço Nacional de Aprendizagem de Cooperativismo do Estado de Goiás), envolvendo públicos heterogêneos. Somente em capacitação (cooperados e colaboradores), foram investidos cerca de 4 milhões de reais em 2023.
COOPERADOS
As relações humanas na COMIGO estão presentes o ano todo. Cursos, workshops, palestras etc. renovam noções de aprimoramento profissional e comportamental. Inúmeras são as ações de capacitação da COMIGO focadas nos cooperados. Porém, dois programas se distinguem, formando novas lideranças, fortalecendo o sistema cooperativo e o agronegócio, as relações familiares, a gestão e a sucessão nas propriedades rurais e na Cooperativa. Desde 2012, o Jovens Lideranças Cooperativistas aplica tais conceitos aos cooperados jovens e filhos de cooperados. O mesmo vem acontecendo no programa Mulheres Cooperativistas, iniciado em 2015, envolvendo associadas e esposas de cooperados. Cerca de oitocentas pessoas já participaram de ambos e muitas já integraram os conselhos da Cooperativa. É importante destacar ainda que duas comissões foram constituídas, uma em cada programa, com o objetivo de dar apoio às iniciativas da Cooperativa em diferentes frentes, como campanhas sociais. O Programa Integração de Novos Cooperados repassa informações aos associados ingressantes, em live, mensal-
mente. Eles ficam conhecendo um pouco da COMIGO: direitos e deveres, produtos e serviços, cota capital, história, estrutura patrimonial, entre outros. A recepção aos novatos demonstra a preocupação em mostrar a eles a importância econômica e social da Cooperativa. A Restituição de Capital aos cooperados é outra ação social, refletindo em mais conforto em sua “aposentadoria”. A Distribuição de Sobras em conta corrente dos cooperados também é uma conquista que gera satisfação profissional e pessoal.
COLABORADORES
Aos colaboradores, a COMIGO implementou: plano de saúde (convênio Unimed), plano odontológico (convênios Uniodonto e Sindecoop), vale-transporte, cartão alimentação, seguro de vida, Programa Jovem Aprendiz, Programa Inclusão Social, capacitação (treinamentos, cursos, graduação e MBA), Sesmt (Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho), Programa Trainee Interno (novas lideranças), PPR (Programa de Participação nos Resultados), entre outros.
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Desde o início, a Cooperativa tratou o clima organizacional com o devido zelo, pois o colaborador é um parceiro fundamental na busca incessante de prestar ótimos serviços aos cooperados e à comunidade. A satisfação em trabalhar na COMIGO foi confirmada em 2023, quando ela conquistou o selo Great Place To Work (GPTW), após pesquisa com os colaboradores apontar o indicador de 80% de favorabilidade. Muitos deles entraram em funções operacionais, se capacitaram e hoje exercem (ou exerceram) cargos de liderança e/ou gerencial, fruto da valorização recebida, inclusive através de análise e gestão de desempenho. Com apenas quatro anos de vida, a Cooperativa já mostrava sua veia social, quando criou a AAC em 1979, pensando no bem-estar de seus colaboradores. Idealizada por Ângelo Landim, seu primeiro presidente foi Warlen Ferreira. O clube foi recebendo melhorias e hoje é um dos mais bem estruturados de Rio Verde, com piscinas, quadras, campos de futebol, salão social, entre outras dependências, e é palco de eventos destinados aos cooperados e colaboradores. Outras cidades também têm a AAC. 116
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O refeitório industrial, criado em setembro de 1985, alimentou ainda mais os cuidados da COMIGO com o seu colaborador. Hoje, com muito mais conforto, funciona no novo e moderno Centro de Convivência Ângelo Thomáz Landim (homenagem ao ex-superintendente), inaugurado em dezembro de 2023. O prédio acomoda instalações para: descanso, jogos, computadores, biblioteca, diretoria industrial, reuniões e recepção aos visitantes. Os colaboradores também recebem apoio financeiro exclusivo, através do Sicoob Credi Comigo — cooperativa de crédito, fundada em 1984, com o objetivo de promover a educação cooperativista e financeira aos associados (colaboradores da COMIGO). Um fundo foi constituído e revertido como empréstimo, com taxas de juros bem menores que as do mercado. Após o ingresso no sistema Sicoob (2006), ela passou a ofertar um leque maior de produtos e serviços bancários, com melhores condições que as da rede financeira tradicional: seguros, consórcios, cobrança e adquirência, além da carteira de empréstimos e financiamentos, conta corrente, poupança, captação, dentre outros, fomentando a valorização do capital e facilitando o acesso aos produtos e serviços, com a comodidade de evitar deslocamentos de seus cooperados.
Práticas da Cooperativa para promover a sustentabilidade: placas solares no estacionamento, reflorestamento e recuperação de nascentes. Na página ao lado, cursos para aprimoramento de seus colaboradores. E, vista da AAC, fundada em 1979, hoje é um clube bem estruturado.
SUSTENTABILIDADE
A mentalidade sustentável na COMIGO começou há muitos anos, quando incentivou os produtores a fazerem curvas de nível e terraceamento nas fazendas, plantio direto, preservação das matas ciliares, reflorestamento, e depois adequação ao Código Florestal, entre outros. Vários projetos ambientais já foram desenvolvidos. Hoje, as ações estão compiladas em diretrizes estratégicas de sustentabilidade, com o objetivo de buscar eficiência no uso dos recursos e reduzir os impactos ambientais de suas atividades. Sua Política de Sustentabilidade e o Compromisso de Uso do Solo estabelecem compromissos com os aspectos econômico, social e ambiental. Em 2023, a Cooperativa publicou seu primeiro Relatório de Sustentabilidade. Algumas ações deste Relatório merecem realce. O reflorestamento da COMIGO é pioneiro na região: começou em 1984 com o plantio de eucalipto. Atualmente são fazendas com área total de 8.900 hectares, sendo 6.300 hectares reflorestados com eucalipto, produzindo lenha para suas caldeiras (geração de vapor) e preservando a mata nativa. O tratamento eficaz de efluentes e gestão dos recursos hídricos no setor industrial também é visível. Isso assegura menor captação de água dos rios e poços artesianos, otimiza o reúso da água, reduz perdas e racionaliza o consumo.
Outro destaque é que a COMIGO tem procurado reduzir o consumo de energia, produzindo energia limpa e renovável através da instalação de quatro usinas solares, com uma capacidade de geração de 2.107.691,04 kWh/ano. Suas usinas estão instaladas no Centro Tecnológico COMIGO, Complexo Industrial (estacionamento de veículos) e fazendas florestais. Alguns projetos/programas ambientais da COMIGO são: Gestão de Resíduos Sólidos Recicláveis, Rastreabilidade da Soja (da porteira à exportação), Protocolo Emissão de Gases de Efeito Estufa (GHG), Recuperação de Nascentes dos cooperados (mais de cem resgatadas), Certificação Ambiental de propriedades, coleta de resíduos sólidos recicláveis. COMIGO | 50 ANOS
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Ações sociais promovidas pela COMIGO. 118
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EMPRESA-CIDADÃ
A COMIGO sempre se posicionou como uma empresa-cidadã. No seu percurso, encabeçou diversas campanhas de arrecadação e entrega de alimentos, agasalhos, equipamentos para saúde e higiene pessoal, rações animais, mudas nativas e recursos financeiros, contando também com empresas parceiras. Somente em dinheiro, nos últimos cinco anos, houve o repasse de aproximadamente 1,3 milhão de reais a hospitais de combate ao câncer. Além disso, mensalmente faz doações de diversos produtos de sua fabricação. Todas as ações voluntárias e eventos (com participações de cooperados e colaboradores) compõem o Dia C (Dia de Cooperar) do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), realizado o ano todo. As arrecadações/doações da COMIGO são destinadas às instituições e entidades filantrópicas, associações, hospitais, escolas, órgãos de segurança etc. em todos os municípios onde atua, minimizando as necessidades de muita gente. Investir na educação infantojuvenil é essencial para disseminar a cultura cooperativista e formar cidadãos comprometidos com uma sociedade consciente da importância de compartilhar a cooperação. Por isso, o Cooperjovem, programa da OCB, é apoiado por COMIGO e Sescoop/GO desde 2004. São contemplados cerca de 1.500 alunos das escolas de ensino fundamental Dona Josefina, Dr. Checo e Odélio Guerra (2010). COMIGO | 50 ANOS
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Nesta página e na seguinte, palestras dos 25 anos em Acreúna (ex-ministro Mailson da Nóbrega), Jataí (Luís Rosemberg) e Rio Verde (Roberto Rodrigues). 120
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CAPÍTULO 31
OS ANIVERSÁRIOS MARCANTES Em 2025, a COMIGO comemora “bodas de ouro” do “casamento” que contraiu com os seus cooperados, há cinquenta anos, mas também com seus colaboradores e com todos os públicos com os quais se relaciona. As celebrações de aniversário a cada cinco anos, desde 1995, foram especiais. Em seus vinte anos, a COMIGO lançou a primeira Copa Comigo de Futebol Soçaite dos Cooperados, participando todas as cidades. O torneio foi na AAC, em Rio Verde, com uma confraternização no encerramento. A Copa se tornou tradição em julho. O voleibol feminino (2007) e o futebol society master (2008) foram introduzidos na Copa, realizada até 2011. A COMIGO organizou, também, um concurso de redação nas escolas sobre o trabalho da Cooperativa na região. Em 2000, os 25 anos da COMIGO foram inesquecíveis. Três grandes comemorações agendadas envolveram os cooperados das cidades onde atuava, cada qual com uma palestra e um show musical. O ingresso era um quilo de alimento não perecível (para as comunidades carentes). A Jornada COMIGO 25 Anos começou em Acreúna, com o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega e com o cantor e compositor Rolando Boldrin. O encontro foi na própria loja, especialmente decorada, e contou com um público de oitocentas pessoas, em maio de 2000. Os cooperados presentes receberam um CD do cantor, com a capa de 25 anos da COMIGO. COMIGO | 50 ANOS
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No alto, Primeira Copa Comigo dos Cooperados, 1995. Ao lado, exposição montada para comemoração dos 30 anos da Cooperativa. Abaixo, o voleibol feminino foi introduzido na Copa Comigo em 2007. Ao lado, Passeio Comigo realizado em 2015 (40 anos). Na página ao lado, cavalgadas aconteceram nos 35 anos. 122
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Em junho, o evento foi em Jataí, para mil pessoas, na AABB (Associação Atlética Banco do Brasil). A palestra foi do economista Luís Paulo Rosenberg, de São Paulo, e o show, do cantor, compositor e ator Almir Sater. Os cooperados também receberam um CD (autografado) do cantor. O terceiro encontro foi em Rio Verde no dia 6 de julho. Mas antes houve um café da manhã, na sede administrativa, com os fundadores da COMIGO e exposição de fotos históricas. Homenagem àqueles pioneiros que criaram condições favoráveis para que os herdeiros continuassem o labor com segurança. Eles receberam um jogo de churrasco com a logomarca da COMIGO e tiveram seus nomes gravados em uma placa de inox fixada na entrada da sede/loja, inaugurada naquele dia. À noite, a Jornada prosseguiu no Clube Dona Gercina, com mais de 2 mil pessoas presentes. O então presidente da ACI (Aliança Cooperativa Internacional),
Roberto Rodrigues, foi o palestrante e o cantor Sérgio Reis arrematou aquela brilhante noite. Fotos e autógrafos se seguiram após a apresentação. Nos trinta anos (2005), a COMIGO preparou uma exposição itinerante de trinta painéis com fotos e textos dos principais fatos de cada ano. Ela foi mostrada em um café da manhã, em todas as lojas. Houve ainda um jogo de futebol entre a Seleção Brasileira de Masters (que venceu por 1x0) e uma seleção de cooperados e funcionários da COMIGO, em Rio Verde. Em 2010, a agenda dos 35 anos foi: cavalgadas e circuito de palestras (com analistas do Canal Rural). Em 2015, o Passeio Comigo (já era o terceiro evento) foi o destaque dos quarenta anos, reunindo mais de mil pessoas, em Rio Verde, praticantes de caminhada e ciclismo. Em 2020, a pandemia impediu a comemoração de 45 anos com público, mas houve uma reportagem especial na revista Informe Comigo. COMIGO | 50 ANOS
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Na sequência de fotos: Cooperativa recebendo o Prêmio Valor 1000 em três oportunidades: 2004, 2013 e 2023 como campeã nacional do segmento; depois o Prêmio Cooperativa do Ano, da OCB e Globo Rural, categoria ambiental, 2009; visitas, inclusive internacionais, são uma constante na Cooperativa. Na página ao lado, Prêmio Estadão Empresas Mais 2022 (primeiro lugar do setor). 124
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CAPÍTULO 32
AS HOMENAGENS E RECONHECIMENTOS A Cooperativa sempre pensou em se desenvolver, crescer, mas nunca se esqueceu de seus princípios e de seus propósitos. Cooperados, colaboradores, comunidades, todos ganharam. Como recompensa, a COMIGO foi e é agraciada com homenagens, prêmios e reconhecimentos — a começar pelas inúmeras visitas que recebe, inclusive do exterior, de autoridades, empresários, estudantes, produtores, entidades e instituições. A presidência do hoje Sistema OCB/GO (Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás) foi ocupada seguidamente pelos presidentes da COMIGO, desde 1984 até 2010, primeiro com PRC e depois com Antonio Chavaglia. Uma espécie de reconhecimento da importância da Cooperativa. Em 1992, a Cooperativa recebeu o prêmio Empresa Destaque do Ano do governo de Goiás. Em 2001, o Canal Rural homenageou a COMIGO em seus 26 anos. Por indicação da OCB nacional, a emissora produziu uma ampla reportagem. Também em 2001, a COMIGO ganhou o Prêmio Gestão Ambiental, concedido pelo governo goiano. Prêmio recebido ainda em 2003 e 2004. Em 2004, veio o título Campeã Nacional (segmento Agricultura) do jornal Valor Econômico, de São Paulo,
publicado no anuário Valor 1000. Ainda em 2004, a Cooperativa teve a honra de receber a visita de um presidente da República (Lula), quando inaugurou sua segunda indústria de soja, um reconhecimento da expressão da COMIGO no cenário nacional. Em 2009, conquistou o Prêmio Cooperativa do Ano, em Brasília, do sistema OCB/Sescoop (Organização das Cooperativas Brasileiras/Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo) e revista Globo Rural, no ramo agropecuário (categoria meio ambiente). Em 2013, pela segunda vez, a COMIGO foi laureada com o Prêmio Valor 1000 do setor Agropecuário. Já a revista Exame, naquele mesmo ano, lhe concedeu o primeiro lugar do país, no segmento Algodão e Grãos. Em 2022, o jornal Estadão lhe conferiu o primeiro lugar do setor Agricultura. Em 2023, pela terceira vez, a COMIGO conquistou o título de Empresa Campeã do Agronegócio, do Valor 1000, que também a destacou com o quinto lugar entre as cooperativas do agro no país. Ainda em 2023, ficou em primeiro lugar no GoCoop2 (inovação), do sistema OCB/Sescoop–GO — projeto Dris Comigo —, que também lhe rendeu o prêmio nacional entre as cooperativas. COMIGO | 50 ANOS
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CAPÍTULO 33
UM GRANDE LÍDER A história de uma grande Cooperativa é constituída de muitos fatos relevantes. Mas, por trás de todo fato, há pessoas. Sem elas, não há fatos, não há história. Impossível citar todos que contribuíram para o desenvolvimento da COMIGO. No transcorrer deste livro, é possível pinçar muitas. Mas, quando se confunde a história de uma pessoa com a da Cooperativa, é que se percebe o quão importante uma é para a outra e vice-versa. Ao se falar da COMIGO, o nome de Antonio Chavaglia vem à mente instantaneamente. Um de seus fundadores, Chavaglia é também um dos esteios e um dos baluartes da Cooperativa. Está à frente de sua administração há cerca de quarenta anos e é uma das personalidades ilustres na vida da COMIGO. Natural de Aramina (SP), Chavaglia começou na agropecuária em 1962, em Ituverava (SP), a 30 quilômetros de sua cidade natal. Em 1968, aos 22 anos, se transferiu para Goiás, fixando-se em Santa Helena, trabalhando com algodão. Em 1971, começou a tocar lavoura em Rio Verde. Em 1975, junto com outros produtores rurais, ajudou a fundar a COMIGO. Na Cooperativa, Chavaglia foi conselheiro e depois diretor, até 1986, quando assumiu a presidência, cargo que ocupou até março de 2023. Atualmente é presidente do Conselho de Administração, após novo sistema de governança adotado pela Cooperativa em 2022. Com isso, Dourivan Cruvinel de Souza foi eleito como presidente executivo. Chavaglia é membro, também, do conselho de ética do Sistema OCB. 126
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Acima, Chavaglia presidindo Congresso Cooperativista Goiano, 2001. Na página ao lado, de cima para baixo, Chavaglia falando em dia de campo, 1999. Tomando posse como presidente da antiga OCG (hoje OCB), 2000. Recebendo homenagem como o líder nacional cooperativista eleito no ano, 2003. Na sequência, integrando o Fórum Nacional de Agronegócios, 2013. Recebendo Comenda na Câmara Municipal de Rio Verde, 2024.
Sempre pautado pelo seu denodo, retidão em suas decisões, visão cooperativista e empreendedora, Chavaglia liderou a COMIGO empunhando a bandeira do desenvolvimento. Um dos líderes cooperativistas mais respeitados no Brasil, é um exemplo de gestor, competente e de pulso firme. Tudo isso foi confirmado pelos cooperados, que o aclamaram presidente seguidas vezes em assembleias. Mas a aprovação de Chavaglia pelas urnas, nas duas eleições havidas na COMIGO com chapas concorrentes, foi especial, ratificando a alta confiança dos cooperados em sua administração. Além da estreita ligação com a COMIGO, Chavaglia foi, também, sócio fundador da Credi-Rural Comigo, em 1988 (hoje Sicoob Credi-Rural), e seu presidente por trinta anos. Pelo seu dinamismo empresarial e cooperativista, foi eleito para presidir a OCG em 1990, hoje Sistema OCB/Sescoop-GO. Presidiu a entidade por dezessete anos, inclusive o Sescoop, deixando o cargo em abril de 2011. Como líder classista, foi, também, o primeiro presidente da Cocecrer-Goiás, entre 1989 e 1992, hoje Credi-Goiás Central, e ainda da Fecoop Centro-Oeste/Tocantins (Federação dos Sindicatos das Cooperativas do Distrito Federal e dos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins). Como produtor rural e dirigente cooperativista, Chavaglia sempre esteve à frente de movimentos, encontros, seminários, congressos na busca de melhorias para o cooperativismo e para o segmento rural.
Em 1997, foi convidado pelo FNA, criado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso para ser um dos coordenadores no Grupo Temático de Milho, Soja e Sorgo e discutir problemas e soluções para o setor. Com espírito de liderança, Chavaglia recebeu várias homenagens. Em 1997, foi eleito pelo jornal Gazeta Mercantil (SP) o líder empresarial mais votado de Goiás, passando a integrar o Fórum de Líderes Empresariais do Brasil. Em 2003 foi escolhido pelos leitores do mesmo jornal como o Líder Cooperativista do Ano no Brasil, um título de grande repercussão. Em 2005, por seus serviços prestados, foi condecorado com a Ordem do Mérito Anhanguera, a mais alta comenda de Goiás. Em 1984, 2010, 2014 e 2023 recebeu os títulos de Cidadão Rio-verdense, Cidadão Jataiense, Cidadão Santelenense e Cidadão Mineirense, respectivamente. Em 2024, foi homenageado pela Câmara de Vereadores de Rio Verde com a Comenda Antonio Chavaglia, honraria que será concedida a personalidades de destaque no cooperativismo do município. Pode-se dizer que Chavaglia, marido de dona Inaudir Oliveira, pai de Rodolfo e Cibelle, e avô de três netos e uma bisneta, tem duas famílias: a sua, em particular, e a cooperativista. Afinal, nesta última, são cinquenta anos de dedicação movidos pelo sentimento solidário de que juntos, unidos, os homens podem sim resolver seus problemas e terem uma vida mais digna. COMIGO | 50 ANOS
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CAPÍTULO 34
DIRETORIAS ATUANTES Um dos diretores mais longevos da COMIGO, Aguilar Ferreira Mota, costumava dizer que, à frente de empresas, de sonhos e de uma boa ideia, há que se ter um baita grupo de idealistas que acreditem e façam a coisa acontecer. Comentava ainda que na Cooperativa sempre houve gente que tinha muita crença no cooperativismo e nas pessoas, gente com capacidade de gestão, seriedade e liderança. Sem dúvida, a COMIGO teve o privilégio de contar com diretores muito atuantes, que desempenharam papéis de destaque na administração e na realização de grandes projetos. A responsabilidade e a capacidade de gerir os recursos financeiros, materiais e humanos da Cooperativa, por parte de todas as diretorias executivas, com extremo primor e transparência, foi determinante para fortalecer a confiança e o relacionamento com os cooperados e com toda a sociedade. Além de Paulo Roberto, Vanderval Lima e Alcyone Bernardes, ex-presidentes, e Antonio Chavaglia, atual presidente do Conselho de Administração (nova governança) e presidente da COMIGO por 37 anos, a história da Cooperativa foi enriquecida também pelos valorosos serviços prestados por diretores dedicados e sempre comprometidos com o futuro da Cooperativa. COMIGO | 50 ANOS
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Antes de mais nada, é preciso ressaltar que, por meio de Assembleias Gerais Extraordinárias, os mandatos das diretorias executivas passaram por alterações ao longo dos anos. Por exemplo, em março de 1981, o mandato foi alterado para dois anos (19801982). Posteriormente, em momentos distintos, eles foram novamente ajustados, passando para três anos e, depois, voltando a ser de quatro anos. John Lee Ferguson foi vice-presidente por seis anos (1976 a 1980 e 1982 a 1984) e também foi do Conselho Fiscal e de Administração. Hadovaldo Vilela Horbilon esteve na diretoria, como secretário, por quatro anos, de 1976 a 1980, e além disso foi conselheiro fiscal e administrativo. Zauro Ferreira Martins foi vice-presidente por dois anos (1980 a 1982) e ainda conselheiro fiscal. Aires Neto Campos Ferreira, o Neto, entrou em 1984, como vice-presidente administrativo financeiro, ficando no cargo até 1989, portanto, por cinco anos. Ele ainda foi conselheiro fiscal e administrativo. Admar Gomes Pereira, o Dudu Pereira, foi vice-presidente de operações por seis anos (1986 a 1992) e também conselheiro fiscal. Aguilar Ferreira Mota entrou na diretoria em 1989 e permaneceu até 2022. Nos 33 anos em que ficou na diretoria executiva, passou pelas duas vice-presidências: entre 1989 e 2008, foi vice-presidente administrativo financeiro e, depois, vice-presidente de operações. Antes de ser diretor, Aguilar foi superintendente no complexo industrial. Ele também já havia integrado os Conselhos Fiscal e de Administração. 130
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Edgard Leão Martins entrou na diretoria em 1992 e ficou até 1995 como vice-presidente de operações (três anos, portanto). Anteriormente, Edgard também foi conselheiro fiscal. Assim como Aguilar, Edgard trabalhou no complexo industrial como superintendente antes de entrar na diretoria. Álvaro Martim Henkes ocupou a vice-presidência de operações por quase treze anos. Ele entrou na diretoria em 1995, permanecendo no cargo até 2008. Álvaro também foi conselheiro fiscal e ainda administrativo. Dourivan Cruvinel de Souza foi vice-presidente administrativo financeiro por catorze anos (desde 2008). Atualmente, é o presidente executivo da COMIGO. Passou, ainda, pelos Conselhos Fiscal e de Administração. As gestões altamente profissionais postas em prática por todas as diretorias foram e são marcantes para a Cooperativa e para o desenvolvimento da região. Fica aqui o reconhecimento ao trabalho dos diretores para o sucesso da Cooperativa ao longo desses cinquenta anos. É meritório também ressaltar a atuação daqueles que integraram e/ou integram os conselhos (Fiscal e de Administração), todos fundamentais para o bom desempenho da COMIGO. COMIGO | 50 ANOS
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MISSÃO Apoiar o desenvolvimento econômico, social e tecnológico de seus cooperados.
VISÃO Ser reconhecida por seus cooperados, mercado e colaboradores como uma das mais importantes e eficientes cooperativas agropecuárias brasileiras.
VALORES Ética; honestidade; confiança e respeito mútuo; gestão participativa e relacionamento; valorização e desenvolvimento de colaboradores; profissionalismo; ousadia e pioneirismo; perseverança; integridade; respeito ao meio ambiente; transparência e comprometimento.
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NÚMEROS COMIGO Principais números/informações: COOPERADOS: 12 mil COLABORADORES: 3.500 PLANTAS INDUSTRIAIS: 11 (2 de processamento de soja; 1 de refino de óleo de soja; 1 de envase de óleo de soja; 1 de embalagens PET para óleo; 2 de rações animais; 2 de suplementos minerais; 1 de fertilizantes; 1 de sementes de soja [UBS])
INVESTIMENTOS: R$ 1 bilhão em novas indústrias, armazéns e lojas (últimos quatro anos) FATURAMENTO (2023): R$ 13 bilhões PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DEZ. 2023): R$ 5 bilhões CAPITAL SOCIAL (DEZ. 2023): R$ 3,5 bilhões
LOJAS AGROPECUÁRIAS: 21 lojas em 20 municípios
ÁREA PLANTADA (região de atuação): 1,8 milhão ha safra verão; 1 milhão ha segunda safra
UNIDADES ARMAZENADORAS: 20 estruturas, capacidade de 2,6 milhões de toneladas de grãos
ÁREA DE PESQUISA (CTC): 174 hectares (520 materiais publicados)
CAPACIDADES INDUSTRIAIS (Rio Verde):
AGRICULTURA DE PRECISÃO: 40 mil hectares amostrados
PROCESSAMENTO DE SOJA: 1,6 milhão toneladas/ano ÓLEO BRUTO DE SOJA: 320 toneladas/ano FARELO DE SOJA: 1,2 milhão de toneladas/ano ÓLEO DE SOJA REFINADO: 75 mil toneladas/ano SEMENTES DE SOJA (UBS): 180 mil sacas/ano FERTILIZANTES: 500 mil toneladas/ano RAÇÕES: 500 mil toneladas/ano SUPLEMENTOS MINERAIS: 100 mil toneladas/ ano (Jataí e Montes Claros) EXPORTAÇÃO DE FARELO DE SOJA E ÓLEO BRUTO: 500 mil toneladas/ano
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CERTIFICAÇÕES: GMP+ Feed Safety Assurance (GMP+ FSA), ISO 9001:2015, Certificação de Unidades Armazenadoras — IN 29/2011, GPTW (Great Place To Work), certificações Excelência em Tratamento de Sementes de Soja (UBS), certificados EPCBO Nutrição Animal e IAC Fertilizantes (laboratório industrial)
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ASSISTÊNCIA TÉCNICA: 120 profissionais REFLORESTAMENTO: 6,3 mil hectares efetivo plantio (eucalipto). Área total: 8.900 hectares TECNOSHOW COMIGO (2023): R$ 11,1 bilhões; 138 mil visitantes; 650 expositores (entre as três principais do Brasil) RANKING 2023: primeiro lugar do agro no país (desempenho), primeira empresa privada em Goiás (desempenho), quinta cooperativa do agro brasileiro, 85ª posição entre as empresas brasileiras (fonte: Valor 1000); primeira Cooperativa do agro do Centro-Oeste (fonte: Forbes/Canal Rural); 272ª posição entre as cooperativas no mundo (fonte: Valor Econômico/Revista MundoCoop).
DIRETORIA EXECUTIVA ATUAL ANTONIO CHAVAGLIA Presidente do Conselho de Administração
PAULO CARNEIRO JUNQUEIRA Diretor Industrial
DOURIVAN CRUVINEL DE SOUZA Presidente Executivo
WARLEN FERREIRA DE FREITAS Diretor Administrativo Financeiro
CARLOS ALBERTO LEÃO BARROS Diretor de Lojas
WELTON VIEIRA DE MENEZES Diretor Comercial
CLÁUDIO CESAR TEORO Diretor de Insumos
Da esquerda para a direita, Warlen Ferreira de Freitas, Dourivan Cruvinel de Souza, Antonio Chavaglia, Welton Vieira de Menezes, Cláudio Cesar Teoro, Carlos Alberto Leão Barros, Paulo Carneiro Junqueira.
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CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO ATUAL ANTONIO CHAVAGLIA Presidente do Conselho de Administração DOURIVAN CRUVINEL DE SOUZA Presidente Executivo ALCEU AYRES DE MORAES LUIZ GUSTAVO CAVALET MARCIANO CASAGRANDE MAX EUGÊNIO DA SILVA ARANTES RAFAELA HENKES VIAN RENATA FERGUSON ROGÉRIO MARTINS SILVA CAETANO
CONSELHO FISCAL (2024) DÊNIS RESENDE BARBOSA GUILHERME OLIVEIRA GOMIDE MÁRCIA RAQUEL GOMES DE ANDRADE VIAN REINALDO ODORICO DA SILVA RODRIGO MENDES VIEIRA VANINE DI GARCIA LESSA
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Nosso agradecimento às famílias ou aos próprios titulares que nos cederam as fotos dos primeiros diretores, conselheiros ou funcionários (acervo familiar), inclusive a autorização para a publicação das fotos. 138
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Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Alcyone de Souza Bernardes, Paulo Roberto Cunha, Vanderval Lima Ferreira, Antônio Vilela Carneiro, Edmundo Rodrigues da Cunha, Ezordino do Prado Guimarães, Jones Emrich, Lindolfo Leão de Macedo, Pedro da Silveira Leão, Hadovaldo Vilela Horbilon, Pedro Hahn, John Lee Ferguson, Benjamin Benoni Martins Spadoni, Jorge Luzia Cruvinel, Severino José Macedo, Álvaro Cristino de Souza, Jasmo Parreira da Silva, Joel Cruvinel de Lima, Laerte Jaime Martins, Osório Leão Santa Cruz, José Costa Martins, Antonio Chavaglia, Joaquim Barbosa de Araújo, Osvaldo Pinto Fiuza.
PRIMEIRA DIRETORIA/CONSELHOS 1975 DIRETORIA EXECUTIVA
DIRETORIA/CONSELHOS – 1976
(INÍCIO DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS)
PAULO ROBERTO CUNHA Vice-presidente
JOHN LEE FERGUSON Vice-presidente
DIRETORIA EXECUTIVA
ALCYONE DE SOUZA BERNARDES Presidente
PAULO ROBERTO CUNHA Presidente
VANDERVAL LIMA FERREIRA Secretário
HADOVALDO VILELA HORBILON Secretário
CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
EDMUNDO RODRIGUES DA CUNHA
JASMO PARREIRA DA SILVA
ANTÔNIO VILELA CARNEIRO
EZORDINO DO PRADO GUIMARÃES JONES EMRICH
LINDOLFO LEÃO DE MACEDO
PEDRO DA SILVEIRA LEÃO
CONSELHO FISCAL
ÁLVARO CRISTINO DE SOUZA JOEL CRUVINEL DE LIMA
LAERTE JAIME MARTINS
OSÓRIO LEÃO SANTA CRUZ
SEVERINO JOSÉ MACEDO
CONSELHO FISCAL
HADOVALDO VILELA HORBILON Efetivo
JOSÉ COSTA MARTINS Efetivo
JOHN LEE FERGUSON Efetivo
VANDERVAL LIMA FERREIRA Efetivo
JORGE LUZIA CRUVINEL
JOAQUIM BARBOSA DE ARAÚJO
PEDRO HAHN Efetivo
BENJAMIN BENONI MARTINS SPADONI SEVERINO JOSÉ MACEDO
PEDRO HAHN Efetivo
ANTONIO CHAVAGLIA
OSVALDO PINTO FIUZA COMIGO | 50 ANOS
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IN MEMORIAM (DIRETORES) MUITO OBRIGADO! Aos diretores: Paulo Roberto Cunha, John Lee Ferguson, Alcyone de Souza Bernardes, Hadovaldo Vilela Horbilon, Admar Gomes (Dudu) Pereira, Aguilar Ferreira Mota e Zauro Ferreira Martins: eterna GRATIDÃO por tudo que fizeram pela COMIGO.
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SUPERVISÃO GERAL E APROVAÇÃO FINAL
Dourivan Cruvinel de Souza presidente executivo
PESQUISA HISTÓRICA, PESQUISA ICONOGRÁFICA, TEXTO E COORDENAÇÃO
Wêuller Freitas
CRIAÇÃO SELO 50 ANOS E APOIO GERAL
Assessoria de Comunicação da COMIGO EDITOR
Alexandre Dórea Ribeiro FOTOGRAFIAS
Acervo histórico da COMIGO Julio Bittencourt Acervo familiar cooperados: p. 38, p.138 (fotos a, d, e, f, g, h, j, k, m, n, o, p, q, r, s, u, x) iStock Photo: capa, p. 70 e 71 Rosalvo Campos de Lima: (fotos históricas de Rio Verde, p.26, p.27, p.31) DIREÇÃO DE ARTE
Edgar Kendi Hayashida (Estúdio DBA) ASSISTENTE DE DESIGN
Leticia Pestana (Estúdio DBA) REVISÃO
Laura Folgueira IMPRESSÃO
Gráfica Santa Marta Copyright © 2024 by DBA Editora Reservados todos os direitos desta obra. Proibida toda e qualquer reprodução desta edição por qualquer meio ou forma, seja eletrônica ou mecânica, seja fotocópia, gravação ou qualquer meio de reprodução, sem permissão expressa do editor. Impresso no Brasil
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DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) (CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO, SP, BRASIL)
Freitas, Wêuller COMIGO : 50 anos de excelência, inovação e cooperação no agronegócio / Wêuller Freitas. -1. ed. -- São Paulo : Dba Editora, 2024. ISBN 978-65-5826-099-8 1. Agronegócio 2. COMIGO - História 3. Cooperativas agrícolas I. Título. 24-236835 CDD-338.10981 ÍNDICES PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO: 1. COMIGO : Cooperativa agrícola : História 338.10981 Eliete Marques da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9380
ISBN 978-65-5826-099-8