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Informe COMIGO Anuário de Pesquisa de Agricultura 2024-2025

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Centro Tecnológico COMIGO

ANUÁRIO DE PESQUISAS

AGRICULTURA - RESULTADOS 2025

EDITORES TÉCNICOS

Amanda Magalhães Bueno

Diego Tolentino de Lima

Eduardo Hara

Guilherme Braga Pereira Braz

Leonardo Fernandes Sarkis

Rafael Henrique Fernandes

Ubirajara Oliveira Bilego

Valter Vaz

Centro Tecnológico COMIGO

Geração e Difusão de Tecnologias

Rio Verde, GO 2025

ENTOMOLOGIA

Centro Tecnológico COMIGO

Rod Go 174, Km 252.5 - Zona Rural - Rio Verde - GO

CEP 75913-899

Fone: (64) 3611-1573 ou (64) 3611-1684 www.comigo.coop.br ctc@comigo.com.br

Comitê de publicação

Amanda Magalhães Bueno

Diego Tolentino de Lima

Eduardo Hara

Guilherme Braga Pereira Braz

Leonardo Fernandes Sarkis

Rafael Henrique Fernandes

Ubirajara Oliveira Bilego

Valter Vaz

Periodicidade: anual Volume 7 n. 1, 2025

Publicação online

Todos os direitos reservados.

A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei no 9.610).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP

Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Centro Tecnológico COMIGO

Anuário de Pesquisa Agricultura - Resultados 2025

Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste

Goiano Centro Tecnológico COMIGO

Av. Presidente Vargas, 1878, Jardim Goiás, Rio Verde - GO CEP 75901-901 - CP 195

Editores Técnicos: Amanda Magalhães Bueno; Diego Tolentino de Lima; Eduardo Hara; Guilherme Braga Pereira Braz; Leonardo Fernandes Sarkis; Rafael Henrique Fernandes; Ubirajara Oliveira Bilego; Valter Vaz

Rio Verde, GO: Centro Tecnológico COMIGO, 2025. 218 p.: il. (algumas color.).

1. Workshop - Resultados. I. Bueno, Amanda Magalhães, II. Lima, Diego Tolentino de, III. Hara, Eduardo, IV. Braz, Guilherme Braga Pereira, V. Sarkis, Leonardo Fernandes, VI. Fernandes, Rafael Henrique. VII. Bilego, Ubirajara Oliveira.

VII. Vaz, Valter

Sumário

em sistemas consolidados e em solo afetado pelo fogo. ................................

entre bioinsumos, nutrientes de aplicação foliar e adubação nitrogenada em cobertura na cultura do milho de segunda safra ................................................................................................................87

fungicidas no controle da ferrugem asiática e mancha-alvo da soja, safra 2024/2025 em Rio Verde-GO ........ 110

Diferentes associações entre fungicidas biológicos e multissítios em programas de aplicações na cultura da soja ......... 118

Associações herbicidas aplicadas em pós-emergência da soja em cultivar com tecnologia Conkesta Enlist® 134

Eficácia de herbicidas aplicados em pós-emergência no controle de plantas daninhas no milho cultivado em segunda safra ...................................................................................................................................... 140

Herbicidas para o sorgo: eficácia de controle e seletividade para a cultura .......................................................................... 149

Problemática da presença de sementes de plantas daninhas em cargas de soja: identificação e cuidados para o controle ................................................................................................................................. 156

Apresentação

OCentro Tecnológico COMIGO – CTC é parte integrante da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano – COMIGO. Sua principal missão é desenvolver e difundir tecnologias agropecuárias que possam apoiar os produtores no manejo de suas culturas, visando maior rentabilidade e sustentabilidade ambiental. Com uma área física de aproximadamente 200 hectares, incluindo a área da feira anual da cooperativa, a Tecnoshow COMIGO, o CTC está localizado em local estratégico na região Centro-Oeste do Brasil, em Rio Verde (Goiás).

O Centro Tecnológico COMIGO tem se consolidado cada vez mais como uma referência em pesquisa agropecuária no âmbito nacional, em função da capacitação do seu corpo técnico, da qualidade das suas pesquisas e da imparcialidade dos seus resultados. Anualmente, os re-

sultados obtidos são divulgados nos Workshops de Agricultura e Pecuária, que em 2025 completam suas 24ª e 15ª edições, respectivamente.

O Centro Tecnológico COMIGO mantém sua atuação na pesquisa em diferentes temas, tais como: Manejo e Controle de Doenças, Pragas e Plantas Daninhas, Solos e Nutrição de Plantas, Fisiologia Vegetal, Fitotecnia, Produção Animal, Forragicultura e Pastagem, e os artigos técnicos apresentados no presente Anuário contemplam os trabalhos realizados na safra 2024/2025.

O Centro Tecnológico COMIGO continua contando com o imprescindível apoio da administração da Cooperativa COMIGO, dos consultores técnicos, dos parceiros e da equipe de suporte de campo, no sentido de apoiar os cooperados e a sociedade na melhoria da qualidade de vida e na perpetuação do pujante setor agropecuário brasileiro.

Aorealizar uma retrospectiva da safra 2024/2025, observa-se que, assim como em outras safras, o período foi marcado por desafios que abrangeram desde as práticas de manejo e a ocorrência de eventos climáticos adversos até aspectos relacionados à comercialização dos grãos, exigindo maior assertividade na tomada de decisão e elevado nível de planejamento ao longo de todo o ciclo produtivo. No contexto geopolítico, a continuidade de conflitos entre países e as tensões em mercados estratégicos seguiram influenciando a dinâmica dos preços dos insumos agrícolas, além de ampliarem as incertezas quanto à produção e à disponibilidade global de alimentos, fatores que impactam diretamente a formação dos preços das principais commodities agrícolas.

Paralelamente, decisões adotadas no âmbito nacional também exerceram influência relevante sobre a cadeia produtiva, resultando em oscilações nos preços tanto dos insumos utilizados na produção quanto dos produtos agrícolas comercializados. De maneira semelhante, o cenário econômico contribuiu para aumentar a volatilidade do setor, tornando o ambiente de negócios mais imprevisível. Nesse contexto, produtores que acompanham atentamente os fatores externos à porteira estiveram mais bem preparados para definir estratégias de investimento e comercialização de forma mais assertiva.

Além dos aspectos políticos e econômicos, a safra 2024/2025 foi marcada por adversidades climáticas importantes, especialmente em relação à irregularidade das precipitações. Em diversas regiões, observou-se redução na disponibilidade hídrica e uma distribuição pluviométrica desigual ao longo do ciclo das culturas. Essas condições resultaram, em alguns casos, em atrasos na semeadura da soja, comprometendo a definição de janelas ideais para o cultivo da safrinha e, consequentemente, reduzindo o potencial produtivo das lavouras.

Diante desse cenário, torna-se ainda mais evidente a importância da adoção de boas práticas de manejo

dentro da porteira, visando a maximização da eficiência produtiva e a mitigação de riscos. Nesse sentido, o Centro Tecnológico COMIGO (CTC), desde sua criação pela Cooperativa COMIGO, tem como missão central o desenvolvimento de pesquisas aplicadas direcionadas às demandas dos cooperados.

Ao longo da safra 2024/2025, o CTC conduziu mais de 80 experimentos nas áreas de fertilidade do solo e fertilizantes, fisiologia e nutrição de plantas, além do manejo integrado de plantas daninhas, pragas e doenças. Os resultados dessas pesquisas permitem identificar práticas de manejo mais eficientes para o enfrentamento dos principais desafios das culturas de maior relevância para a região, com destaque para a soja, o milho e o sorgo.

Para a próxima safra, parte desses desafios tende a persistir, sobretudo aqueles relacionados ao manejo das culturas e às variáveis climáticas, políticas e econômicas, que continuarão influenciando os preços dos grãos e os custos de produção. No entanto, o acesso às informações técnicas geradas pela equipe de pesquisa do CTC, aqui reunidas neste anuário, proporciona ao produtor ferramentas fundamentais para a adoção de estratégias de manejo mais assertivas e adequadas à realidade de sua propriedade.

Aliada à geração de conhecimento, a atuação do Departamento de Assistência Técnica (DAT) da Cooperativa COMIGO desempenha papel essencial ao auxiliar os cooperados na construção de sistemas de manejo personalizados, fundamentados no conhecimento técnico, em resultados de pesquisas robustos e alinhados as particularidades de cada área produtiva.

Nesse sentido, desejamos que a leitura deste anuário seja proveitosa e contribua para melhores tomadas de decisão, favorecendo a eficiência e o êxito da produção agrícola. Desejamos a todos uma excelente safra e uma ótima leitura.

AGRADECIMENTOS

À Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano – COMIGO, pelas condições operacionais e financeiras de trabalho.

À equipe de apoio do Centro Tecnológico COMIGO, pelo esforço e dedicação,

imprescindíveis na realização dos trabalhos a campo.

Aos autores que contribuíram com a produção dos textos.

Aos parceiros de pesquisa do Centro Tecnológico COMIGO.

À equipe da Assessoria de Comunicação (ASCOM) da COMIGO.

Às equipes do Departamento de Assistência Técnica da COMIGO.

À todos que de alguma maneira contribuíram para a realização destes trabalhos.

TABELA E DE REGIME PLUVIOMÉTRICO

1544,00 1360,00 1313,00 1626,00 1304,00 1378,50 1479,50 1366,70 1776,70 1309,50 1483,17

ENTOMOLOGIA

INSETICIDAS NO CONTROLE DE LAGARTA Spodopterafrugiperda NA CULTURA DA SOJA

LIMA, Diego Tolentino1, FERNANDES, Rafael Henrique2, BRAZ, Guilherme Braga Pereira3, BUENO, Amanda Magalhães4, SARKIS, Leonardo Fernandes5

¹ Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador

Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil.

E-mail: diegotolentino@comigo.coop.br

² Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador

Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil.

E-mail: rafaelhenrique@comigo.coop.br

³ Engenheiro agrônomo, Dr. em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV).

E-mail: guilhermebrag@gmail.com

⁴ Eng.a Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora

Agronômica em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil.

E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br

⁵ Eng. Agrônomo, Dr. em Ciência do Solo, Pesquisador

Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil.

E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br

INTRODUÇÃO

A produção da soja (Glycine max) desempenha um papel central na economia brasileira, consolidando o país como o maior produtor mundial do grão. Nos últimos anos, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos tanto em volume de produção quanto em exportações, resultado de um conjunto de fatores como avanços tecnológicos, condições climáticas favoráveis e expansão das áreas agrícolas. Para a safra 2024/25, batemos novo recorde histórico, com uma produção estimada em 171,47 milhões de toneladas, representando um aumento de 13,3% em relação à safra anterior e 7,7%

acima do recorde de 2022/23. Além disso, as exportações devem atingir 106,65 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais estão previstos em 10,3 milhões de toneladas, reforçando a importância do grão para o superávit da balança comercial e para o fortalecimento do agronegócio nacional (CONAB, 2025).

No contexto estadual, Goiás destaca-se como um dos principais produtores de soja do país, contribuindo de forma significativa para esses resultados expressivos. Segundo a CONAB (2025), na safra 2024/25, o estado registrou condições climáticas favoráveis durante praticamente todas as fases do cultivo, o que possibilitou o bom desenvolvimento das lavouras e uma colheita sem intercorrências. A área plantada foi estimada em 4,95 milhões de hectares, com produtividade média de 68,7 sacas.ha-1, consolidando Goiás entre as regiões mais eficientes do Brasil em termos de rendimento. Esses números evidenciam o papel estratégico do estado na cadeia produtiva da soja e sua relevância para o cenário econômico nacional.

Contudo, a cultura da soja está sujeita a diversos fatores bióticos que podem comprometer significativamente seu desempenho produtivo, destacando-se entre eles as pragas agrícolas de importância econômica. Na região Centro-Oeste do Brasil, predomina um sistema de produção caracterizado pela rotação e sucessão de culturas de grãos e oleaginosas — como soja, milho e pastagens — frequentemente integradas à pecuária. Esse modelo de produção contínua, aliado às condições ambientais favoráveis, favorece a manutenção de hospedeiros durante todo o ano, criando um agroecossistema que sustenta populações constantes de insetos fitófagos.

Durante a safra 2024/2025, observou-se uma alta infestação da lagarta Spodoptera frugiperda (J.E. Smith) em diferentes sistemas produtivos, incluindo pastagens, soja e

ENTOMOLOGIA

milho safrinha, evidenciando a capacidade dessa espécie de se adaptar e sobreviver em múltiplos hospedeiros ao longo de todo o ciclo agrícola. As condições climáticas regionais, marcadas por elevadas temperaturas e alta umidade relativa do ar, favoreceram o desenvolvimento e a multiplicação desse inseto, intensificando os desafios de manejo fitossanitário. Como consequência, a S. frugiperda consolidou-se como uma praga-chave nos sistemas agrícolas do Centro-Oeste, causando danos expressivos às lavouras de soja e exigindo estratégias de controle mais integradas e sustentáveis para mitigar suas perdas econômicas.

A incidência de Spodoptera spp. é mais intensa durante a fase reprodutiva da cultura, período em que as lagartas podem causar danos diretos por desfolha, perfuração e queda de vagens, comprometendo o rendimento final da produção (MOSCARDI et al., 2012). Adicionalmente, lagartas de estádios larvais avançados provenientes da palhada de cobertura anterior podem ocasionar danos iniciais às plântulas recém-emergidas, cortando-as rente ao solo — sintoma comumente confundido com o ataque da lagarta-rosca (Agrotis ipsilon). Esse tipo de injúria resulta em redução do estande de plantas e comprometimento do estabelecimento inicial da cultura. Dentre as espécies envolvidas, S. frugiperda destaca-se como a principal responsável por ataques às plântulas de soja nas fases iniciais de desenvolvimento (MOSCARDI et al., 2012).

O controle químico permanece atualmente como o método predominante para manejo de S. frugiperda em soja e outras culturas no Brasil, especialmente em virtude de a tecnologia Bt atualmente incorporada nas cultivares de soja apresentar eficiência limitada no controle de lagartas do gênero Spodoptera, principalmente espécie frugiperda (GODOY et al., 2022). Entretanto, há crescente evidência de resistência de populações de S. frugiperda a alguns inseticidas, o que reforça a necessidade urgente de estratégias de manejo integrado de resistência para garantir eficiência prolongada desse método químico de controle (AMARAL et al., 2023).

O objetivo do trabalho foi avaliar a eficiência de controle de diferentes inseticidas, sobre a lagarta S. frugiperda, em duas aplicações sequenciais, e determinar a produtividade em função dos tratamentos inseticidas na cultura da soja.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na área experimental do

Centro Tecnológico COMIGO (CTC), da Cooperativa COMIGO, no município de Rio Verde – GO (S 17°45’57” e W 51°02’07”; 839 metros de altitude). Em agosto de 2024 foi realizada calagem (1600 kg.ha-1 de calcário) na área do experimento. Foi aplicado a lanço 226 kg ha-1 de KCl antes da semeadura. A cultivar de soja Olimpo IPRO foi semeada no dia 21 de outubro de 2024, com a densidade de semeadura de 11,5 sementes por metro. A adubação de semeadura foi realizada com 178 kg ha-1 de 10-46-00 (NPK) no sulco.

As sementes foram adquiridas já com tratamento industrial (Fortenza, dose de 0,06 L p.c. + Cruiser, dose de 0,115 L p.c. + Maxim Quattro, dose de 0,03 L p.c. + Avicta, dose de 0,1 L p.c. + Optimize 1000, dose de 0,15 kg p.c. + Power CoMo, dose de 0,24 L p.c. para 100 kg de sementes). No momento da semeadura foram aplicados no sulco 0,6 L ha-1 do inoculante Optimize Sulco, 0,2 L ha-1 do coinoculante Azomax, 0,5 L ha-1 do inseticida biológico Meta-Turbo SC, 0,3 L ha-1 de Biozyme, 0,2 L ha-1 de Inlayon e 0,2 L ha-1 de Tricho-Turbo. O volume de aplicação utilizado no sulco foi de 60 L ha-1.

A área foi dessecada 24 dias antes da semeadura com Zapp QI (3,0 L ha-1) + Verdict Max (0,3 L ha-1). Um dia após a semeadura foi aplicado Reglone (1,5 L ha-1) + Zethamaxx (0,5 L ha-1). As aplicações de fungicidas e demais produtos foliares seguiu da seguinte forma: a primeira iniciando no estádio vegetativo com Opera (0,5 L ha-1) + Bioenergy (0,25 L ha-1) + Bio-Imune (0,5 L ha-1), a segunda com RayNitro (0,2 L ha-1) + Bioenergy (0,25 L ha-1), a terceira com Sugoy (1,75 L ha-1) + Romeo (0,75 L ha-1) + MAP Purificado (2,5 L ha-1) + Quimifol Níquel (0,4 L ha-1), e a quarta com Cypress (0,3 L ha-1) + Bravonil 720 (1,0 L ha-1) + K-fol (1,0 L ha-1).

As únicas aplicações de inseticidas realizadas no experimento foram referentes aos tratamentos. Foram realizadas duas aplicações sequenciais dos tratamentos descritos na Tabela 1, com intervalo de 14 dias entre as aplicações, sendo a primeira realizada no início da formação de vagens (R3). As aplicações foram realizadas com pulverizador pressurizado por CO2 (Número de patente: BR102016007565-3) montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador é dotado com barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m. As pontas utilizadas para pulverização foram modelo ADIA 11001.D, da marca Magnojet®. A calibração do equipamento foi ajustada com a pressão de trabalho na ponta de pulverização de 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.

ENTOMOLOGIA

Tabela 1. Tratamentos inseticidas aplicados para lagarta Spodoptera frugiperda na soja cultivar Olimpo IPRO. CTC - COMIGO, Rio Verde - GO, safra 2024/2025.

c. ha-1

Ingrediente ativo

Lufenurom + Tiodicarbe

Biológicos1

BrilhanteBR + Premio

Atabron Ultra + Klorpan

Exalt

Instivo + Ochima (adjuvante)

Pirate

Premio Star

Verdavis

Beauveria + Metarhizium

Metomil + Clorantraniliprole

Clorfluazurom + Clorpirifós

Espinetoram

Clorantraniliprole + Abamectina + Alquil ester fosfatado

Clorfenapir

Clorantraniliprole + Bifentrina

Isocicloseram + Lambda-Cialotrina

* p. c. = produto comercial. ¹Adicionado o adjuvante Naft (adjuvante e espalhante adesivo) na dose de 0,05 L ha-1 # Beauveria bassiana IBCB66, concentração mínima de 1 x 10⁹ UFC g-1 de produto comercial (25 g.kg-1). @ Metarhizium anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1 x 108 propágulos viáveis mL-1 de produto comercial (22 g.L-1).

Os tratamentos foram dispostos no delineamento em blocos ao acaso (DBC), com quatro repetições. As parcelas experimentais foram constituídas por 10 linhas de cultivo, espaçadas de 0,5 metros, com 10 metros de comprimento. A parcela útil desconsiderou 1,0 m inicial e final de cada linha da parcela e as duas linhas das extremidades. As avaliações do número de insetos foram realizadas um, sete e 14 dias após a primeira aplicação (1DAP, 7DAP e 14DAP), e quatro dias após a segunda (4DA2).

Após a avaliação de 4DA2 a infestação de lagartas na área total do experimento ficou praticamente zerada naturalmente, assim não foram realizadas mais avaliações.

Foi avaliado o número de lagartas Spodoptera frugiperda grandes (maiores 1,0 cm) e pequenas (menores que 1,0 cm). Para esta amostragem foi utilizado o método do pano-de-batida, com pelo menos três pontos de 1,0 m de linha ao acaso na parcela útil em cada uma das avaliações. A produtividade de grãos foi determinada a partir da colheita de três linhas centrais de semeadura, com 8,0 metros de comprimento cada, totalizando 24 metros por parcela útil. A colheita das unidades experimentais foi realizada com uma colhedora de parcelas Zürn Harvesting, modelo Zürn 110. O material colhido foi trilhado, identificado e pesado, com posterior correção da umidade dos grãos para 13%. Por fim, a produtividade foi expressa em sacas por hectare (sacas ha⁻¹).

Os dados do número de lagartas total (grandes + pequenas), juntamente com os dados de produtividade fo-

ram submetidos à análise de variância (ANAVA) pelo teste F. No caso de efeito significativo dos tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Scott-Knott (p<0,05). O número de insetos nos tratamentos e na testemunha foram utilizados para o cálculo da eficiência de controle dos inseticidas por meio da fórmula de Abbott (1925).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na média geral do experimento, durante as quatro avaliações das duas aplicações, observou-se, que 75,23% das lagartas Spodoptera frugiperda encontravam-se em estágio avançado de desenvolvimento (maiores que 1,0 cm), caracterizando uma população predominantemente composta por indivíduos fora do “timing” ideal de aplicação. Esse fator pode interferir na suscetibilidade das lagartas aos inseticidas, sendo amplamente reconhecido que indivíduos em estágios mais avançados de desenvolvimento apresentam maior tolerância e, consequentemente, menor mortalidade frente aos tratamentos químicos.

Logo após a primeira aplicação (1DAP), verificou-se que apenas o tratamento com Lufenuron + Tiodicarbe apresentou controle superior a 80%, com 88,9% de eficiência, seguido de Espinetoram (77,8%) e Metomil + Clorantraniliprole e Clorfenapir (55,6%). Os demais tratamentos, incluindo as misturas de químicos ou os agentes biológicos (Beauveria bassiana + Metarhizium anisopliae, apresentaram controle inferior a 50% (Tabela 2).

ENTOMOLOGIA

Tabela 2. Número médio e controle de lagartas Spodoptera frugiperda, grandes e pequenas, um, sete e 14 dias após a primeira (1DAP, 7DAP e 14DAP), e quatro dias após a segunda aplicação (4DA2). Cultivar de soja Olimpo IPRO. CTC - COMIGO, Rio Verde - GO, safra 2024/2025.

TRATAMENTO

Testemunha

Lufenurom + Tiodicarbe

Beauveria + Metarhizium

Metomil + Clorantraniliprole

Clorfluazurom + Clorpirifós

Espinetoram

Clorantraniliprole + Abamectina

Clorfenapir

Clorantraniliprole + Bifentrina

Isocicloseram + Lambda-Cialotrina

*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Eficiência de controle maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).

Aos sete dias após a primeira aplicação (7DAP), a performance de Lufenuron + Tiodicarbe (88,9%) foi mantida e houve incremento na eficiência de Metomil + Clorantraniliprole e Clorantraniliprole + Abamectina ambos alcançando 77,8% (Tabela 2). Já para Clorfenapir entregou 100% de eficiência 7DAP, tende a apresentar ação mais lenta, mas duradoura, o que explica sua eficiência máxima observada nesse período (FERNANDES et al., 2018). Em contrapartida, Beauveria + Metarhizium mantiveram a baixa eficiência, indicando possível interferência ambiental ou baixa infectividade sob as condições do ensaio.

Na avaliação de 14DAP, observou-se declínio da eficiência de controle para a maioria dos tratamentos, porém Clorfenapir e Clorantraniliprole + Bifentrina apresentaram as maiores eficiências (93,33%), seguidos de Clorantraniliprole + Abamectina (80%) (Tabela 2). A eficácia dessas misturas confirma a função da diamida como agente residual e da abamectina e da bifentrina como moléculas que melhoram o manejo prolongado. O resultado sugere que a associação de Clorantraniliprole com moléculas neurotóxicas potencializa o controle sobre diferentes ínstares de S. frugiperda, incluindo lagartas maiores (ZHANG et al., 2022; WANG et al., 2023; WU et al., 2023).

Após a segunda aplicação (4DA2), observou-se que os tratamentos Clorantraniliprole + Bifentrina, Clorantrani-

liprole + Abamectina, e Isocloceram + Lambda-Cialotrina apresentaram controle acima de 85%, sendo Clorfenapir novamente o mais eficiente (100%) (Tabela 2). Em contraste, os tratamentos com Clorfluazurom + Clorpirifós além de Beauveria + Metarhizium apresentaram controle inferior a 50% em todas as avaliações, evidenciando que, nas condições de campo da safra 2024/2025, os fungos entomopatogênicos não expressaram desempenho comparável aos inseticidas químicos. A heterogeneidade observada na eficácia dos produtos biológicos se origina da suscetibilidade dos esporos de fungos a vários parâmetros ambientais, abrangendo temperatura, umidade relativa, umidade do solo e agroquímicos que são essenciais para sua viabilidade e eficácia no manejo de pragas; isso pode levar a restrições como ação retardada, diminuição da eficiência de controle (SOUZA et al., 2022).

O tratamento Isocicloseram + Lambda-Cialotrina apresentou tendência clara de aumento gradual na eficiência ao longo das avaliações, evoluindo de 33,33% aos 1DAP e 7DAP para 66,67% aos 14DAP (Tabela 2). Esse comportamento progressivo evidencia a contribuição residual do Isocicloseram. A mistura apresentou controle cumulativo nas lagartas S. frugiperda, especialmente perceptível após a segunda aplicação, atingindo 85,71% aos 4DA2. A molécula Isocicloseram pode ter efeito inseticida sobre diversos tipos de insetos, incluindo Lepidoptera (BLYTHE et

ENTOMOLOGIA

al., 2022). Embora seu desempenho em lagartas seja considerado menos relevante do que em outro nicho de pragas, como nas sugadoras.

De forma consolidada, considerando o controle médio das quatro avaliações, destacaram-se Clorfenapir (87,22%) e Lufenurom + Tiodicarbe (78,97%) como os tratamentos de maior eficiência geral, seguidos por Clorantraniliprole + Abamectina (69,21%), Clorantraniliprole + Bifentrina (64,21%), Metomil + Clorantraniliprole (60,95%) e Espinetoram (60,63%). As combinações contendo diamidas mantiveram desempenho consistente, refletindo sua estabilidade e efeito residual prolongado. Isocicloseram

+ Lambda-Cialotrina atingiu 54,76% de eficiência média. Em contraste, Beauveria + Metarhizium (20,16%) e Clorfluazurom + Clorpirifós (39,05%) exibiram controle médio reduzido.

Apesar das diferenças na eficiência de controle, a produtividade de grãos não apresentou diferenças significativas entre os tratamentos (p<0,05), variando de 78,6 a 87,7 sacas ha⁻¹ (Figura 1). Esse resultado pode ser atribuído à baixa densidade populacional de lagartas, principalmente após a segunda aplicação, que reduziu o impacto das injúrias foliares e reprodutivas nas plantas.

Produtividade

Testemunha

Lufenurom + Tiodicarbe

Beauveria + Metarhizium

Metomil + Clorantraniliprole

Clorfluazurom + Clorpirifós Espinetoram

Clorantraniliprole + Abamectina Clorfenapir

Clorantraniliprole + Bifentrina

Isocicloseram + Lambda-Cialotrina

Figura 1. Produtividade da cultivar de soja Olimpo IPRO com diferentes tratamentos para o controle de lagartas Spodoptera frugiperda. CTC - COMIGO, Rio Verde - GO, safra 2024/2025. *As médias não se diferiram pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05).

Os resultados obtidos neste estudo reforçam a eficácia superior da molécula Clorfenapir (produto Pirate) no controle de S. frugiperda em estádios avançados de desenvolvimento na cultura da soja, assim como observado na literatura (FORMENTINI et al., 2022; CEZAR et al., 2023). Além disso, os dados indicam que diferentes combinações de inseticidas, como Lufenuron + Tiodicarbe, Clorantraniliprole + Abamectina, Clorantraniliprole + Bifentrina, Metomil +

Clorantraniliprole, bem como o uso isolado de Espinetoram, também apresentam potencial relevante como alternativas para o manejo de lagartas de S. frugiperda na soja.

CONCLUSÃO

Em situações em que predominam lagartas em estádios avançados (fora do estágio ideal de controle), o inseticida Clorfenapir apresentou eficiência média de

ENTOMOLOGIA

controle superior a 80% sobre Spodoptera frugiperda, destacando-se como a alternativa mais eficaz. Em seguida, a combinação Lufenuron + Tiodicarbe obteve eficiência média de 78,97%. O uso de Espinetoram e das misturas contendo Clorantraniliprole resultou em níveis intermediários de controle. Por outro lado, as combinações Clorfluazuron + Clorpirifós e os bioinseticidas Beauveria + Metarhizium não apresentaram eficiência satisfatória no manejo da praga.

AGRADECIMENTOS

À equipe de campo, pesquisadores e estagiários do CTC pelo apoio na implantação e condução do experimento.

REFERÊNCIAS

ABBOTT, W. S. A method of computing the effectiveness of on insecticide. Journal Economic Entomology, v. 18, n. 2, p. 265-267, 1925.

AMARAL, F. S. A.; KANNO, R. H.; DO NASCIMENTO, A. R. B.; GUIDOLIN, A. S.; OMOTO, C. Trends towards Lower Susceptibility of Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae) to Teflubenzuron in Brazil: An Evidence for Field-Evolved Resistance. Insects, v. 14, n. 2, p. 129, 2023.

BLYTHE, J.; EARLEY, F. G. P.; PIEKARSKA-HACK, K.; FIRTH, L.; BRISTOW, J.; HIRST, E. A.; GOODCHILD, J. A.; HILLESHEIM, E.; CROSSTHWAITE, A. J. The mode of action of isocycloseram: a novel isoxazoline insecticide. Pesticide Biochemistry and Physiology, v. 187, p. 105217, 2022.

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INSETICIDAS NO CONTROLE DE PERCEVEJO-MARROM (Euschistus heros) NA CULTURA DA SOJA

LIMA, Diego Tolentino¹, FERNANDES, Rafael Henrique², BRAZ, Guilherme Braga Pereira³, BUENO, Amanda Magalhães⁴, SARKIS, Leonardo Fernandes5

1 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil.

E-mail: diegotolentino@comigo.coop.br

2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil.

E-mail: rafaelhenrique@comigo.coop.br

3 Engenheiro agrônomo, Dr. em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV).

E-mail: guilhermebrag@gmail.com

4 Eng.a Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br

5 Eng. Agrônomo, Dr. em Ciência do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil.

E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br

INTRODUÇÃO

A produção de soja (Glycine max) é estratégica para a economia brasileira, consolidando o país como o maior produtor mundial, superando os Estados Unidos em volume e exportações graças a avanços tecnológicos, clima favorável e expansão agrícola. Para a safra 2024/25, a produção atingiu 171,47 milhões de toneladas, 13,3% acima da anterior, com exportações previstas em 106,65 milhões de toneladas e estoques finais de 10,3 milhões de toneladas,

reforçando o impacto do grão na balança comercial (CONAB, 2025). No âmbito estadual, Goiás se destaca como importante produtor, com 4,95 milhões de hectares plantados e produtividade média de 68,7 sacas.ha-1, beneficiado por condições climáticas favoráveis que permitiram uma colheita eficiente, consolidando sua relevância na cadeia produtiva nacional (CONAB, 2025).

Apesar do alto potencial produtivo da soja, diversos fatores podem limitar sua produtividade, sendo os problemas fitossanitários, como o ataque de insetos-praga, um dos mais significativos. Entre as principais pragas da soja, destaca-se o percevejo-marrom, Euschistus heros (Hemiptera: Pentatomidae), que compromete tanto a qualidade quanto a quantidade dos grãos (PANIZZI, 2015).

O percevejo-marrom possui grande importância econômica devido à ampla distribuição geográfica, mobilidade em curtas distâncias e elevada capacidade reprodutiva. Seu ciclo biológico inclui três estágios: ovo, cinco ínstares de ninfa e adulto, sendo que os indivíduos adultos podem viver cerca de 116 dias, podendo atingir até 250 dias ao se refugiar em palhadas e acumular reservas lipídicas, entrando em diapausa durante a entressafra e reiniciando a infestação na safra seguinte. Durante o ciclo da cultura, podem ocorrer até três gerações, com possibilidade de uma quarta geração após a colheita, alimentando-se de plantas hospedeiras alternativas (HOFFMANN-CAMPO et al., 2000; GRIGOLLI e GRIGOLLI, 2019).

A infestação é mais intensa durante o período reprodutivo da soja, desde a formação das vagens até o enchimento dos grãos. Utilizando seu aparelho bucal perfurante, o inseto suga o conteúdo celular das vagens (PANIZZI et al., 2012; CZEPAK et al., 2017). Os danos são provocados

ENTOMOLOGIA

tanto por adultos quanto por ninfas a partir do segundo ínstar, afetando a produtividade, a qualidade dos grãos e o vigor das sementes (TESSMER et al., 2022; HOFFMANN-CAMPO et al., 2000; SILVA et al., 2014).

O controle químico é a estratégia mais utilizada contra o percevejo-marrom, por sua rapidez e eficácia. No entanto, é importante considerar a especificidade de cada produto e princípio ativo (CASTELLANOS et al., 2019; GALLO et al., 2002). O uso contínuo de princípios ativos com o mesmo modo de ação pode levar ao surgimento de populações resistentes, tornando a aplicação ineficiente e aumentando os custos de produção (BOFF et al., 2022). Portanto, o manejo eficaz do percevejo-marrom depende da adoção de estratégias integradas, como a rotação de princípios ativos com diferentes modos de ação e a utilização correta da tecnologia de aplicação, garantindo cobertura e penetração adequadas no dossel da planta (ROGGIA et al., 2018; SANTOS-JUNIOR et al., 2022).

O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência de controle de diferentes inseticidas sobre o percevejo-marrom (E. heros), por meio de dois experimentos: o primeiro com duas aplicações de distintos produtos e o segundo com três aplicações sequenciais dos mesmos inseticidas. Além disso, buscou-se determinar a produtividade da cultura da soja em função dos tratamentos realizados.

MATERIAL E MÉTODOS

Dois experimentos foram conduzidos na área de pesquisa do Centro Tecnológico COMIGO (CTC), da Cooperativa COMIGO, no município de Rio Verde – GO (S 17°45’57” e W 51°02’07”; 839 metros de altitude). Em agosto de 2024 foi realizada calagem (1600 kg.ha-1 de calcário) na área do experimento. Foi aplicado a lanço 226 kg ha-1 de KCl antes da semeadura. A cultivar de soja Olimpo IPRO foi semeada em 21 de outubro no primeiro experimento e em 10 de dezembro de 2024 no segundo, adotando-se, em ambos, a densidade de semeadura de 11,5 sementes por metro. A adubação de semeadura foi realizada com 178 kg ha-1 de 10-46-00 (NPK) no sulco.

As sementes foram adquiridas já com tratamento industrial (Fortenza, dose de 0,06 L p.c. + Cruiser, dose de 0,115 L p.c. + Maxim Quattro, dose de 0,03 L p.c. + Avicta,

dose de 0,1 L p.c. + Optimize 1000, dose de 0,15 kg p.c. + Power CoMo, dose de 0,24 L p.c. para 100 kg de sementes). No momento da semeadura foram aplicados no sulco 0,6 L ha-1 do inoculante Optimize Sulco, 0,2 L ha-1 do coinoculante Azomax, 0,5 L ha-1 do inseticida biológico Meta-Turbo SC, 0,3 L ha-1 de Biozyme, 0,2 L ha-1 de Inlayon e 0,2 L ha-1 de Tricho-Turbo. O volume de aplicação utilizado no sulco foi de 60 L ha-1

A aplicação de herbicidas foi realizada de forma preventiva e/ou em pós-emergência, conforme as recomendações de uso dos produtos registrados para a soja. O controle fitossanitário também incluiu a aplicação de fungicidas voltados à prevenção de doenças de final de ciclo e à ferrugem-asiática, de acordo com as boas práticas de manejo integrado. Adicionalmente, foram empregados bioestimulantes, fertilizantes foliares e produtos de suporte fisiológico com o objetivo de favorecer o vigor vegetativo, o enchimento de grãos e a produtividade, aplicados segundo as doses e estádios fenológicos recomendados pelos fabricantes.

As únicas aplicações de inseticidas realizadas nos experimentos foram referentes aos tratamentos. As aplicações foram realizadas com pulverizador pressurizado por CO2 (Número de patente: BR102016007565-3) montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador é dotado com barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m. As pontas utilizadas para pulverização foram modelo ADIA 11001.D, da marca Magnojet®. A calibração do equipamento foi ajustada com a pressão de trabalho na ponta de pulverização de 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.

No primeiro experimento, foram realizadas duas aplicações de distintos produtos relacionados na Tabela 1, em cada parcela, com intervalo de 28 dias entre elas. O intervalo, superior ao normalmente adotado, deveu-se à redução temporária da infestação de percevejos na área cerca de dez dias após a primeira aplicação, com o retorno da praga ocorrendo aproximadamente 28 dias após essa aplicação. A primeira aplicação foi realizada em R2 (florescimento pleno), ou seja, a entrelinha ainda não estava fechada. Já a segunda foi realizada na transição de R5 para R6 (grão praticamente cheio).

ENTOMOLOGIA

Tabela 1. Primeiro Experimento. Tratamentos inseticidas para controle de percevejo-marrom, Euschistus heros, soja cultivar Olimpo IPRO. CTC - COMIGO, Rio Verde - GO, safra 2024/2025.

Tratamento

1ª Aplicação/Pré-fechamento

08/01/2025

*p. c. ha-1 (mL ou g)

Testemunha

Verdavis (250)

Verdavis (250)

Curbix (800)

Feroce (1000)

Feroce (1000)

Talisman (600)

Hero (200)

Feroce (1000)

Expedition (400)

Premio Star (350)

* p. c. = produto comercial.

Já no segundo experimento, foram realizadas três aplicações sequenciais dos mesmos produtos em cada parcela, descritos na Tabela 2, com intervalo de 7 dias entre a

2ª Aplicação 28 dias depois

05/02/2025

*p. c. ha-1 (mL ou g)

Testemunha

Engeo Pleno (300)

Verdavis (250)

Sperto (300)

Sperto (300)

Feroce (1000)

Hero (200)

Talisman (600)

Expedition (400)

Expedition (400)

Engeo Pleno (300)

primeira e segunda, e 12 dias entre a segunda e terceira. Sendo a primeira realizada no início do enchimento de grãos (R5.1).

Tabela 2. Segundo Experimento. Tratamentos inseticidas para controle de percevejo-marrom, Euschistus heros, em três aplicações sequenciais, na soja cultivar Olimpo IPRO. CTC - COMIGO, Rio Verde - GO, safra 2024/2025.

Tratamentos

Testemunha

sem aplicação

Produto comercial

Afiado

Bifentrina A

Decision

Fastac Duo

Inzak Zeon

A fim de facilitar a interpretação dos Resultados e Discussão, a Tabela 3 apresenta as composições e concentrações de ativos dos produtos inseticidas utilizados nos dois

Produto comercial

Engeo Pleno

experimentos, incluindo tanto moléculas isoladas quanto misturas prontas comerciais de diferentes moléculas.

ENTOMOLOGIA

Tabela 3. Produtos comerciais utilizados nos dois experimentos para controle de percevejo-marrom, Euschistus heros, soja cultivar Olimpo IPRO. CTC - COMIGO, Rio Verde - GO, safra 2024/2025.

Ingrediente ativo

Acetamiprido + Bifentrina

Bifentrina A

Decision

Engeo Pleno

Expedition Fastac Duo

Inzak Zeon

Premio Star

Sperto Talisman

Terminus

Verdavis

Acetamiprido + Bifentrina

Imidacloprido + Lambda-Cialotrina

Etiprole

Acetamiprido + Fenpropatrina

Tiametoxam + Lambda-cialotrina

Sulfoxaflor + Lambda-cialotrina

Acetamiprido + Alfa-Cipermetrina

Acefato + Bifentrina

Imidacloprido + Bifentrina

Zeta-Cipermetrina + Bifentrina

Acetamiprido + Lambda-Cialotrina

Clorantraniliprole + Bifentrina

Acetamiprido + Bifentrina

Bifentrina + Carbossulfano

Acetamiprido + Lambda-cialotrina

Isocicloseram + Lambda-cialotrina

Os tratamentos foram dispostos no delineamento em blocos ao acaso (DBC), com quatro repetições. As parcelas experimentais foram constituídas por 10 linhas de cultivo, espaçadas de 0,5 metros, com 10 metros de comprimento. A parcela útil desconsiderou 1,0 m inicial e final de cada linha da parcela e as duas linhas das extremidades.

As avaliações do número de insetos foram realizadas um e sete dias após a primeira aplicação (1DAP e 7DAP), e também após a segunda (1DAS e 7DAS) no primeiro experimento. Já no segundo experimento, aos quatro e sete dias após a primeira aplicação (4DA1 e 7DA1), três, sete e 12 dias após a segunda (3DA2, 7DA2 e 12DAS) e um dia após a terceira aplicação (1DA3). No segundo experimento, as avaliações foram encerradas logo após a terceira aplicação (1DA3), em razão da ausência subsequente de percevejos na área experimental.

Foi avaliado o número de percevejos adultos e ninfas a partir do segundo instar (tamanho médio de 2,5 mm). Para esta amostragem foi utilizado o método do pano-de-

-batida, com pelo menos três pontos de 1,0 m de linha ao acaso na parcela útil em cada uma das avaliações. A produtividade de grãos foi determinada a partir da colheita de três linhas centrais de semeadura, com 8,0 metros de comprimento cada, totalizando 24 metros por parcela útil. A colheita das unidades experimentais foi realizada com uma colhedora de parcelas Zürn Harvesting, modelo Zürn 110. O material colhido foi trilhado, identificado e pesado, com posterior correção da umidade dos grãos para 13%. Por fim, a produtividade foi expressa em sacas por hectare (sacas ha⁻¹).

Os dados do número de percevejos adultos e ninfas foram analisados em conjunto. E juntamente com os dados de produtividade foram submetidos à análise de variância (ANAVA) pelo teste F. No caso de efeito significativo dos tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Scott-Knott (p<0,05). O número de insetos nos tratamentos e na testemunha foram utilizados para o cálculo da eficiência de controle dos inseticidas por meio da fórmula de Abbott (1925).

ENTOMOLOGIA

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No primeiro experimento (Tabelas 4 e 5), a população de percevejo-marrom (Euschistus heros) manteve-se em níveis moderados, com densidade inferior a 1,0 indivíduo por metro linear. Em contraste, no segundo experimento

(Tabela 6), a infestação foi mais intensa, com valores superiores a 2,0 percevejos por metro em todas as avaliações, exceto na última (1DAT). Após essa avaliação, observou-se a ausência de percevejos de forma natural na área experimental.

Tabela 4. Primeiro Experimento. Número médio (adultos + ninfas) de percevejo-marrom (Euschistus heros) por metro e eficiência de controle (%), um e sete dias após a primeira aplicação (1DAP e 7DAP) na soja cultivar Olimpo IPRO. CTCCOMIGO, Rio Verde - GO, safra 2024/2025.

1ª Aplicação/Pré-fechamento: 08/01/2025

*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Eficiência de controle maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ) ; entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).

O controle de percevejos na primeira aplicação do primeiro experimento, realizada no estádio R2 (florescimento pleno), quando a entrelinha ainda se encontrava aberta e favorecia a deposição uniforme da calda sobre o dossel, incluindo os terços médio e inferior da planta, foi considerado satisfatório para a maioria dos tratamentos. Destacaram-se, em especial, os inseticidas com as maiores eficiências de controle nesse período Feroce e Verdavis com médias acima de 90% e Curbix próximo a 90% de eficiência (Tabela 4).

Na segunda aplicação, embora a infestação ainda se mantivesse em níveis moderados, enfrentou-se uma situação mais desafiadora para a tecnologia de aplicação, uma vez que a entrelinha da cultura já estava fechada. Essa aplicação foi realizada na transição de R5 para R6 (grão praticamente cheio), em que o dossel mais fechado pode dificultar a deposição uniforme da calda. Como resultado, na Tabela 5, observou-se uma redução na eficiência de controle na maioria dos tratamentos. Apenas Feroce manteve controle acima de 80%, seguido por Engeo Pleno, com 78,55% (média dos tratamentos B e K).

Tabela 5. Primeiro Experimento. Número médio (adultos + ninfas) de percevejo-marrom (Euschistus heros) por metro e eficiência de controle (%), um e sete dias após a segunda aplicação (1DAS e 7DAS) na soja cultivar Olimpo IPRO. CTCCOMIGO, Rio Verde - GO, safra 2024/2025.

2ª Aplicação 28 dias depois - 05/02/2025

Testemunha

Engeo Pleno

*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Eficiência de controle maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).

Os resultados demonstram que o estádio fenológico da soja exerce papel determinante na eficiência do controle de E. heros. Observou-se que aplicações realizadas durante o pré-fechamento do dossel apresentaram maior eficácia, corroborando com a literatura que indica que período é crítico para o controle de percevejos está de V6/V8 até R1, pois a soja ainda apresenta entrelinhas abertas e dossel menos denso, o que facilita a deposição uniforme da calda e o contato do inseticida com os insetos (ECCO et al., 2020). Nessas condições, produtos químicos aplicados conseguem atingir de maneira mais eficiente os terços médio e inferior das plantas, reduzindo a população de percevejos de forma consistente.

Em contraste, a eficiência de controle diminuiu significativamente quando as aplicações foram realizadas em estádios mais avançados, R5 a R6, período em que ocorre o fechamento do dossel e o desenvolvimento completo dos grãos. O aumento da densidade foliar reduz a penetrabilidade da calda e limita o alcance aos insetos, particularmente nas camadas internas do dossel, resultando em

menor mortalidade e controle menos uniforme.

No segundo experimento, com três aplicações sequenciais, as diferenças entre tratamentos tornaram-se mais evidentes (Tabela 6). O uso contínuo e em intervalos curtos (7 a 12 dias) permitiu avaliar não apenas a eficiência imediata, mas também a capacidade residual dos produtos. A maior eficiência média durante em seis avaliações durante as três aplicações sequenciais foi observado para Galil (Imidacloprido + Bifentrina), com 78,5%. De maneira geral, as misturas contendo Lambda-cialotrina associada a outros grupos químicos mantiveram elevado nível de eficiência, com destaque para Verdavis (Isocicloseram + Lambda-cialotrina), Cifrão (Imidacloprido + Lambda-cialotrina) e Engeo Pleno (Tiametoxam + Lambda-cialotrina), que apresentaram controles médios de 72,5 a 77%. Esses resultados confirmam a relevância das combinações entre neonicotinoides e piretroides, que aliam efeito de choque e residual moderado, garantindo maior estabilidade no controle de populações flutuantes da praga ao longo do ciclo da cultura (JESUS et al., 2020).

ENTOMOLOGIA

Tabela 6. Segundo Experimento. Número médio (adultos + ninfas) de percevejo-marrom (Euschistus heros) por metro e eficiência de controle (%), quatro e sete dias após a primeira (4DAP e 7DAP), três, sete e 12 dias após a segunda (3DAS, 7DAS e 12DAS) e um dia após a terceira aplicação (1DAT), na soja cultivar Olimpo IPRO. CTC - COMIGO, Rio Verde - GO, safra 2024/2025.

Testemunha Afiado

Bifentrina A

Decision

Fastac Duo

Inzak Zeon

Sperto

Terminus

Engeo Pleno

Galil

Cifrão Hero

*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Eficiência de controle maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).

A análise comparativa entre os dois experimentos evidencia aspectos importantes sobre o manejo químico de E. heros. Enquanto a densidade populacional moderada e o dossel aberto no primeiro experimento permitiram elevados níveis de controle mesmo com menor frequência de aplicações, a pressão mais intensa observada no segundo experimento exigiu aplicações sequenciais com produtos de ação residual e sinergia entre diferentes modos de ação para manter controle consistente. Além disso, o efeito do estádio fenológico da soja foi evidente: tratamentos aplicados durante florescimento pleno (R2) apresentaram maior eficiência devido à melhor cobertura da calda, enquanto aplicações em R5-R6 mostraram redução de eficácia, destacando a importância de considerar a fase de desenvolvimento da cultura no planejamento das aplicações.

Além disso, os dados reforçam a importância de programar intervenções químicas com base na fenologia da cultura e na densidade populacional da praga. Aplicações

realizadas cedo no ciclo, antes do fechamento do dossel, podem reduzir a necessidade de tratamentos posteriores e prevenir aumentos populacionais que se tornariam mais difíceis de controlar em estágios avançados. Por outro lado, em situações de alta infestação e dossel fechado, o manejo deve considerar produtos com maior persistência residual ou a realização de aplicações sequenciais para manter o controle efetivo.

No primeiro experimento (Figura 1), apesar das diferenças observadas na eficiência de controle entre os tratamentos, não houve distinção estatística significativa entre as médias de produtividade, conforme o Teste de Scott-Knott (p<0,05). Esse resultado pode estar relacionado à baixa pressão populacional da praga durante o ciclo, com densidades inferiores a 1,0 percevejo por metro linear. Nessas condições, mesmo tratamentos com controle moderado foram suficientes para evitar perdas expressivas de produtividade.

ENTOMOLOGIA

Figura 1. Primeiro Experimento. Produtividade da cultivar de soja Olimpo IPRO com diferentes tratamentos para o controle de percevejo-marrom (Euschistus heros). CTC - COMIGO, Rio Verde - GO, safra 2024/2025. *As médias não se diferiram pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05).

Já no segundo experimento (Figura 2), embora com maior pressão de infestação e três aplicações sequenciais, médias também não tenham se diferenciado estatisticamente. Esse resultado indica que, mesmo sob condições de alta infestação, a interferência dos percevejos sobre o rendimento da cultura foi limitada, uma vez que a produtividade da testemunha, na qual não houve controle quími-

co, foi semelhante à dos demais tratamentos. No entanto, é possível notar uma tendência de maior produtividade nos tratamentos que apresentaram controle mais consistente, como Galil, Verdavis e Engeo Pleno, o que reforça a importância de estratégias químicas bem planejadas para preservar o rendimento da cultura.

Figura 2. Segundo Experimento. Produtividade da cultivar de soja Olimpo IPRO com diferentes tratamentos para o controle de percevejo-marrom (Euschistus heros), em três aplicações sequenciais. CTC - COMIGO, Rio Verde - GO, safra 2024/2025. *As médias não se diferiram pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05).

A C D G B J E F H

ENTOMOLOGIA

De maneira geral, a produtividade no primeiro experimento foi superior à observada no segundo. Isso se deve, principalmente, à menor infestação de percevejos na primeira área, permitindo que a fase mais crítica do enchimento de grãos (R5) ocorresse sob menor pressão da praga. No segundo experimento, por outro lado, a mesma fase coincidiu com uma alta densidade populacional de percevejos. Além disso, os estádios fenológicos das aplicações no primeiro experimento (R2 e R6) podem ter contribuído para a preservação do potencial produtivo, especialmente porque a primeira aplicação ocorreu em momento favorável ao controle, conforme evidenciado nos resultados.

Ademais, de acordo com os princípios do Manejo Integrado de Pragas, a utilização de moléculas com modos de ação distintos é essencial para garantir a eficácia do controle e retardar o surgimento de resistência. Assim, recomenda-se a adoção de estratégias de rotação e alternância entre grupos químicos, em conformidade com as diretrizes do manejo integrado, promovendo o uso sustentável dos inseticidas e preservando sua eficiência ao longo das safras.

CONCLUSÃO

Os resultados confirmam que o Acefato continua sendo uma molécula de grande importância no manejo de percevejos em soja, podendo ser aliada às novas moléculas, especialmente Isocicloseram e Etiprole, como opções estratégicas para rotação de mecanismos de ação. O estudo também reforça a relevância das combinações entre Neonicotinoides e Piretróides, que se mostraram eficazes no controle de E. heros. Entre os produtos avaliados, os que se destacaram em termos de eficiência foram Feroce, Verdavis, Galil, Engeo Pleno, Curbix, Cifrão e Sperto. Ademais, outras misturas de Neonicotinoide + Piretróide continuam sendo alternativas interessantes para compor programas de manejo integrados, garantindo níveis satisfatórios de controle da praga.

AGRADECIMENTOS

À equipe de campo, pesquisadores e estagiários do CTC pelo apoio na implantação e condução do experimento.

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ESTRATÉGIAS DE CONTROLE DO PULGÃO Melanaphissorghi NA CULTURA DO SORGO

LIMA, Diego Tolentino¹, FERNANDES, Rafael Henrique², BRAZ, Guilherme Braga Pereira³, BUENO, Amanda Magalhães⁴, SARKIS, Leonardo Fernandes5

1 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.coop.br

2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.coop.br

3 Engenheiro agrônomo, Dr. em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). E-mail: guilhermebrag@gmail.com

4 Eng.a Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br

5 Eng. Agrônomo, Dr. em Ciência do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br

INTRODUÇÃO

A cultura do sorgo vem ganhando destaque devido à sua rusticidade e facilidade de manejo, apresentando boa tolerância à seca e a temperaturas elevadas. Seu potencial produtivo é evidenciado principalmente quando cultivado na segunda safra, geralmente após a soja quando semeada em novembro e a colheita se estende até o final de fevereiro. Nesse sistema de sucessão agrícola, o sorgo tem se consolidado como o principal substituto do milho (SOUZA et al., 2020).

Conforme dados da CONAB (2024), a produção nacional

de sorgo apresentou expressivo crescimento, estimando-se cerca de 6,1 milhões de toneladas na safra 2024/25, um aumento superior a 37% em relação à safra anterior. No estado de Goiás, a área cultivada foi de 394,7 mil hectares, acompanhada de um incremento na produtividade média, que passou de 3.877 kg ha-1 para 4.006 kg ha-1. Esse avanço produtivo está diretamente associado a condições climáticas favoráveis, semelhantes às observadas na cultura do milho safrinha, como o regime pluviométrico adequado durante o ciclo e as características intrínsecas do sorgo, notadamente sua baixa exigência hídrica e elevada resistência ao estresse ambiental.

O manejo do pulgão-do-sorgo (Melanaphis sorghi) apresentou bons resultados nesta safra, com controle eficiente e menor necessidade de aplicações de inseticidas. Além disso, a pressão populacional da praga foi reduzida nas principais regiões produtoras, o que contribuiu para o bom desempenho da cultura.

Entretanto, trata-se de uma praga de grande importância para o sorgo, pois, quando não manejada adequadamente, pode causar prejuízos severos à produtividade. M. sorghi, pertencente à ordem Hemiptera, possui aparelho bucal do tipo picador-sugador e alimenta-se por meio da sucção da seiva, formando colônias principalmente na face abaxial das folhas.

De acordo com Nibouche et al. (2021), o que anteriormente era considerado um biótipo do pulgão-da-cana-de-açúcar (Melanaphis sacchari) apresentou diferenças morfológicas e moleculares que evidenciaram tratar-se de uma espécie distinta. Dessa forma, o inseto que acomete o sorgo foi corretamente designado como M. sorghi.

A infestação do pulgão-do-sorgo tem início, geralmente, nos baixeiros das plantas, podendo avançar para as folhas mais jovens. Os sintomas são facilmente observados

ENTOMOLOGIA

na aparência das folhas, que apresentam amarelecimento, manchas avermelhadas e áreas necróticas. Em condições de altas infestações, os danos podem comprometer o enchimento dos grãos ou até mesmo inibir a emissão da panícula devido à dessecação total das plantas (SINGH et al., 2004).

Além disso, sob elevadas populações e formação de grandes colônias, ocorre a excreção de grandes quantidades de substâncias açucaradas (honeydew), que favorecem o desenvolvimento de fungos do gênero Capnodium spp., causadores da fumagina. Essa camada escura reduz a eficiência fotossintética e, consequentemente, prejudica a produtividade da cultura (FERNANDES et al., 2021; NIBOUCHE et al., 2021; HARRIS-SHULTZ et al., 2022).

Dessa forma, estudos recentes sobre moléculas com eficiência no controle de M. sorghi na cultura do sorgo têm fornecido importantes subsídios para o posicionamento de estratégias de manejo dessa praga (LIMA et al., 2021; 2023; 2025). No entanto, ainda são necessárias informações mais detalhadas relacionadas à tecnologia de aplicação, como o uso de adjuvantes e os volumes de calda. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a infestação de M. sorghi e a produtividade do sorgo em função de diferentes manejos, considerando a presença ou ausência de adjuvante, volumes de aplicação de 75 e 150 L ha⁻¹, dois inseticidas e dois níveis de infestação do pulgão na cultura.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na área experimental do Centro Tecnológico COMIGO (CTC), da Cooperativa COMIGO, no município de Rio Verde – GO (S 17°45’57” e W 51°02’07”; 839 metros de altitude). Em área colhida anteriormente com soja foi realizada a semeadura do híbrido de sorgo granífero 1G 100 no dia 02 de março de 2024, com a densidade de semeadura de 9,5 sementes por metro (população final de 132,7 mil plantas ha-1). A adubação de semeadura foi realizada com 400 kg ha-1 de 12-15-15. No momento da semeadura foram aplicados no sulco 0,2 L ha-1 de Biomax Azum (Azospirillum brasilense, concentração mínima 3,0 x 108 UFC mL-1), 0,5 L ha-1 do inseticida biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1,0 x 108 propágulos viáveis mL-1), 0,1 L ha-1 de Tricho-Turbo (Trichoderma asperellum BV10, concentração mínima de 1,0 x 1010 conídios viáveis mL-1),

0,1 L ha-1 de No-Nema (Bacillus amyloliquefaciens BV03, concentração mínima de 3,0 x 109 UFC mL-1) e 0,3 L ha-1 de RayNitro Zn News (83,3 g L-1 de Nitrogênio, 83,3 g L-1 de Fósforo - P2O5 e 47,6 g L-1 de Zinco). A adubação de cobertura foi realizada com 300 kg ha-1 de 20-00-20, aos 27 dias após a semeadura.

O controle de plantas daninhas foi realizado através de uma aplicação em sistema plante-aplique dois dias após a semeadura com Proof (2,5 L ha-1) + Dual gold (1,0 L ha1, semente tratada com protetor Benefic) + Crucial (2,5 L ha-1) + Triomax (0,3 L ha-1) e outra aplicação 18 dias após a semeadura com Proof (2,5 L ha-1) + Dufol (0,2 L ha-1). Aos 30 dias após a semeadura foi aplicado o fertilizante foliar Biomergy (0,25 L ha-1). Para o controle de manchas foliares foi realizada uma aplicação com o fungicida Score Flexi (0,2 L ha-1) 32 dias após a semeadura e uma segunda aplicação de Tamiz (0,6 L ha-1) + Aureo (0,5 L ha-1) 46 dias após a semeadura.

O experimento foi conduzido em delineamento em blocos ao acaso (DBC), em esquema fatorial, totalizando 17 tratamentos (16 combinações de inseticidas e fatores + uma testemunha sem aplicação), com quatro repetições. Os fatores avaliados foram: (i) presença ou ausência do adjuvante Silkon; (ii) volumes de aplicação de 75 e 150 L ha⁻¹; (iii) dois inseticidas (Sperto e Wild); e (iv) dois momentos de aplicação, correspondentes às condições de infestação média e alta.

As aplicações de inseticidas realizadas no experimento corresponderam exclusivamente aos tratamentos descritos na Tabela 1, totalizando três aplicações. Nos tratamentos com infestação média, foram realizadas duas aplicações para o controle de Melanaphis sorghi. A primeira ocorreu aos 46 dias após a semeadura, quando a infestação atingiu 47,8%, e a segunda, 19 dias depois, com 27,0% de infestação.

A necessidade da segunda aplicação nos tratamentos de infestação média deveu-se ao intervalo prolongado para o aumento populacional do pulgão, resultado de períodos de chuvas intensas e elevada umidade no microclima do dossel, condições que retardaram o crescimento da população da praga. Por fim, aos 18 dias após a segunda aplicação nos tratamentos de infestação média, as parcelas ainda sem controle atingiram 82,7% de infestação, momento em que foi realizada a aplicação correspondente aos tratamentos de alta infestação.

ENTOMOLOGIA

Tabela 1. Tratamentos em combinação de fatorial 2x2x2x2+1 para controle de pulgão, Melanaphis sorghi, no sorgo 1G100. CTC - COMIGO, Rio Verde - GO, safra 2023/2024.

Adjuvante Silkon (0,05L ha⁻¹)

Com

Com

Com

Com

Com

Com

Com

Com Sem Sem

Sem Sem Sem Sem Sem Sem

Inseticida

Wild 1,0L ha⁻¹

Wild 1,0 L ha⁻¹

Sperto 0,3 kg ha⁻¹

Sperto 0,3 kg ha⁻¹

Wild 1,0 L ha⁻¹

Wild 1,0 L ha⁻¹

Sperto 0,3 kg ha⁻¹

Sperto 0,3 kg ha⁻¹

Wild 1,0 L ha⁻¹

Wild 1,0 L ha⁻¹

Sperto 0,3 kg ha⁻¹

Sperto 0,3 kg ha⁻¹

Wild 1,0 L ha⁻¹

Wild 1,0 L ha⁻¹

Sperto 0,3 kg ha⁻¹

Sperto 0,3 kg ha⁻¹

Cada parcela experimental foi composta por 10 linhas de cultivo, espaçadas em 0,5 m, com 10 m de comprimento. A área útil da parcela excluiu 1 m das extremidades e as duas linhas laterais, totalizando a área central como unidade de avaliação.

As aplicações foram realizadas com pulverizador pressurizado por CO2 (Número de patente: BR102016007565-3) montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador é dotado com barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m. As pontas utilizadas para pulverização foram modelo ADIA 11001.D, da marca Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada com a pressão de trabalho na ponta de pulverização de 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.

Foi realizada uma avaliação prévia da infestação por M. sorghi nas parcelas antes da primeira aplicação. As avaliações subsequentes ocorreram aos 2, 7 e 16 dias após a primeira aplicação (2, 7 e 16 DAP) nos tratamentos com infestação média (47,8%); aos 1, 7 e 14 dias após a segunda aplicação (1, 7 e 14 DAS) nos mesmos tratamentos, que apresentavam 27,0% de

Infestação Média

Média Alta

Média Alta

Observações

2 aplicações

1 aplicação

2 aplicações

1 aplicação

2 aplicações

1 aplicação

2 aplicações

1 aplicação

2 aplicações

1 aplicação

2 aplicações

1 aplicação

2 aplicações

1 aplicação

2 aplicações

1 aplicação

Testemunha sem aplicação

infestação; e, por fim, aos 2, 7 e 20 dias após a aplicação (2, 7 e 20 DAT) nos tratamentos com infestação alta (82,7%), correspondendo à terceira aplicação do experimento.

A infestação do pulgão M. sorghi no sorgo, avaliada em três pontos por parcela, foi classificada de acordo com a escala de notas proposta por Fernandes et al. (2021), onde:

• Nota 1 (20% de infestação), a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e não há presença de exsúvia (colônia pequena, menos de 50 pulgões folha-1);

• Nota 2 (40% de infestação), a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e há presença de exsúvias;

• Nota 3 (60% de infestação), a planta de sorgo apresenta uma quantidade moderada de pulgões, muitas exsúvias e há o surgimento de alguns sintomas, como amarelecimento ou avermelhamento na folha (colônias grandes, mais de 50 pulgões folha-1);

• Nota 4 (80% de infestação), a planta de sorgo apre-

ENTOMOLOGIA

senta grande quantidade de pulgões, muitas exsúvias e há sintomas na planta tanto na nervura central como na borda da folha.

• Nota 5 (100% de infestação), a planta de sorgo fica tomada de pulgões, muitas exsúvias e há sintomas em toda a planta com o início de morte das folhas.

A produtividade de grãos foi obtida em três linhas centrais de semeadura com 3,0 metros de comprimento, realizando dois pontos de amostragem dentro de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos, trilhados e secos. Foi calculada a produtividade para um hectare, considerando-se a umidade padrão de 13% para comercialização do grão, tomado como medida a saca de 60 kg de grãos.

Os dados de notas de infestação por M. sorghi no sorgo e produtividade foram submetidos à análise de variância (ANOVA) por modelos mistos, considerando os tratamentos como efeito fixo e bloco aleatório. No caso de efeito significativo dos tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey (P<0,05).

Para facilitar a interpretação do texto em Resultados e Discussão, foi utiliza o termo “média infestação” para todos tratamentos descritos na Tabela 1 com duas aplicações entre 47,8-27,0% de infestação. Já o termo “alta infestação” para todos tratamentos descritos na Tabela 1 com apenas uma aplicação a 82,7% de infestação.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Não foram observados efeitos significativos para os fatores relacionados à presença ou ausência do adjuvante Silkon, nem para os volumes de aplicação de 75 e 150 L ha⁻¹, em nenhuma das avaliações de infestação nem sobre a produtividade. O mesmo comportamento foi verificado tanto para os efeitos isolados desses fatores quanto para suas interações com os demais. Apenas o nível de infestação e a aplicação dos inseticidas (Sperto - Acetamiprido + Bifentrina e Wild - Clorpirifós) apresentaram efeitos significativos sobre as variáveis de infestação, em todas avaliações após a primeira aplicação, e também para produtividade. Esse efeito significativo foi observado ora de forma isolada, ora na interação entre os fatores inseticidas e níveis de infestação.

Nesse contexto, os resultados referentes à presença ou ausência do adjuvante Silkon e aos volumes de aplicação de 75 e 150 L ha⁻¹ foram apresentados apenas como fatores isolados, visando à comparação visual nas Figuras 1 e 2. Por outro lado, os fatores nível de infestação e aplicação dos inseticidas também foram ilustrados nas mesmas figuras em conjunto com os demais fatores, a fim de auxiliar na interpretação dos resultados e conclusões. As comparações de médias, com significância por Tukey (P<0,05), foram apresentadas tanto de forma isolada quanto nas interações entre esses dois fatores, nível de infestação e aplicação dos inseticidas, de maneira resumida e didática, para facilitar a compreensão e a discussão dos efeitos observados.

4,0 3,0 2,0 1,0 0,0

Prévia 2DAP 7DAP 16DAP b b b b b b b b b b a a a a a 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0

Com ADJ Sem ADJ 75 L/ha 150 L/ha Sperto Wild Infest Alta Infest Média Testemunha

Com ADJ Sem ADJ 75 L/ha 150 L/ha Sperto Alta Sperto Média Wild Alta Wild Média Testemunha

Com ADJ Sem ADJ 75 L/ha 150 L/ha Sperto Wild Infest Alta Infest Média Testemunha

Com ADJ Sem ADJ 75 L/ha 150 L/ha Sperto Alta Sperto Média Wild Alta Wild Média Testemunha

Com ADJ Sem ADJ 75 L/ha 150 L/ha Sperto Wild Infest Alta Infest Média Testemunha

4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 14DAS b b b b a

Com ADJ Sem ADJ 75 L/ha 150 L/ha Sperto Wild Infest Alta Infest Média Testemunha

Com ADJ Sem ADJ 75 L/ha 150 L/ha Sperto Alta Sperto Média Wild Alta Wild Média Testemunha 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 7DAS b

Com ADJ Sem ADJ 75 L/ha 150 L/ha Sperto Wild Infest Alta Infest Média Testemunha

Com ADJ Sem ADJ 75 L/ha 150 L/ha Sperto Alta Sperto Média Wild Alta Wild Média Testemunha

Com ADJ Sem ADJ 75 L/ha 150 L/ha Sperto Wild Infest Alta Infest Média Testemunha

Figura 1. Notas de infestação de Melanaphis sorghi em função volumes de aplicação e uso de adjuvante, nas avaliações prévia, 2, 7 e 16 dias após a aplicação (DAP), 1, 7 e 14 dias após a segunda aplicação (DAS) e 2, 7 e 20 dias após a terceira aplicação (DAT), no sorgo 1G100. CTC - COMIGO, Rio Verde - GO, safra 2023/2024. ADJ = Adjuvante; Infest = Infestação

ENTOMOLOGIA

Na avaliação prévia à aplicação, a infestação de Melanaphis sorghi apresentou-se homogênea entre os tratamentos (Figura 1), com notas médias de infestação entre 2,5 e 2,9, indicando infestação intermediária e ausência de diferenças significativas (P>0,05). Essa uniformidade inicial garantiu condições adequadas para avaliar o desempenho dos tratamentos a partir da primeira aplicação.

Após a primeira aplicação (tratamentos de infestação média), observou-se redução expressiva da população de pulgões aos dois dias após a aplicação (2DAP), somente nos tratamentos com Clorpirifós, independentemente do uso de adjuvante ou do volume de calda (Figura 1). O efeito do Acetamiprido + Bifentrina tornou-se evidente a partir dos sete dias após a aplicação (7DAP). Nessa avaliação, os tratamentos sob média infestação apresentaram notável redução nas notas de infestação, indicando a efetividade dos inseticidas. Já aos 16DAP, verificou-se perda de eficiência do Clorpirifós e manutenção do efeito residual do Acetamiprido + Bifentrina. Esses resultados corroboram os achados de Lima et al. (2021; 2023; 2025), que destacaram a ação de choque rápida e residual curto do Clorpirifós, em contraste com o efeito mais persistente de moléculas sistêmicas, como o Acetamiprido.

Após a segunda aplicação nos tratamentos de infestação média, as avaliações realizadas aos 1, 7 e 14 dias após a aplicação (1DAS, 7DAS e 14DAS) apresentaram tendências semelhantes, sem interação significativa entre os fatores avaliados. Apenas os tratamentos com infestação média mostraram redução consistente nas notas de infestação, confirmando a eficácia dos inseticidas. Diferentemente do observado na primeira aplicação, Acetamiprido + Bifentrina e Clorpirifós apresentaram comportamentos semelhantes, ambos proporcionando controle rápido e efeito residual satisfatório.

Após a primeira e única aplicação nos tratamentos de alta infestação (terceira aplicação do experimento), observou-se uma redução natural da população de pulgões na área. Aos 2DAT os resultados apresentaram tendências semelhantes às registradas na primeira aplicação. Destacou-se novamente a ação de choque rápida e o curto efeito residual do Clorpirifós, em contraste com o controle mais persistente proporcionado pelo Acetamiprido + Bifentrina.

Aos 20 dias após a aplicação (20DAT), as notas de infestação foram menores nos tratamentos de alta infestação em comparação aos de média infestação. Esse comportamento deve-se ao fato de que, nos tratamentos de média infestação, a última aplicação havia ocorrido há 37 dias, permitindo a reinfestação das plantas, enquanto nos de alta infestação a aplicação havia sido realizada há apenas 20 dias, período em que ainda se observava efeito residual dos inseticidas.

A produtividade de grãos (Figura 2) refletiu tanto o nível de infestação quanto a eficiência dos tratamentos aplicados. Nas parcelas submetidas a média infestação, observou-se produtividade significativamente superior (114,1 sacas ha⁻¹) em comparação às parcelas de alta infestação (104,1 sacas ha⁻¹) e à testemunha (99,0 sacas ha⁻¹), evidenciando o impacto negativo da infestação elevada sobre o rendimento do sorgo, conforme relatado por Lima et al. (2021). Os inseticidas Sperto e Wild apresentaram produtividades estatisticamente semelhantes, confirmando a boa eficiência de ambos no controle de M. sorghi. Por outro lado, a ausência de diferenças significativas entre os volumes de aplicação e o uso de adjuvante indica que, dentro dos padrões de pulverização adotados, o fator determinante da produtividade foi o momento e a eficácia do controle, e não a tecnologia de aplicação em si.

Figura 2. Produtividade do sorgo em função de tratamentos para controle de Melanaphis sorghi, no sorgo 1G100. CTCCOMIGO, Rio Verde - GO, safra 2023/2024. ADJ = Adjuvante; Infest = Infestação

Em estudos anteriores, Lima et al. (2021; 2023; 2025) observaram que no manejo de M. sorghi, o inseticida Clorpirifós, quando utilizado isoladamente, apresentou rápida eficiência, porém com curto efeito residual, reduzindo sua eficácia ao longo do tempo. Por outro lado, a presença de princípios ativos sistêmicos, como Tiametoxam, Acetamiprido e Sulfoxaflor, contribuiu para a maior persistência e eficiência no controle da praga. A associação entre Clorpirifós e Acetamiprido demonstrou efeito sinérgico, resultando em controle mais consistente. Além disso, verificou-se que tratamentos com aplicações em momentos de baixa a média infestação proporcionaram maior produtividade em comparação àqueles realizados sob altas infestações ou com aplicação tardia, evidenciando a importância do momento da intervenção no desempenho da cultura.

CONCLUSÃO

Os resultados obtidos confirmam tendências já conhecidas nas avaliações de eficiência de controle. Independentemente do nível de infestação, o inseticida à base de Clorpirifós apresentou efeito de choque mais pronunciado, proporcionando rápida mortalidade inicial dos pulgões, porém com reinfestação mais precoce. Por

outro lado, o Acetamiprido demonstrou ação mais lenta, mas com maior efeito residual, mantendo o controle por um período mais prolongado. Além do que a produtividade é comprometida se o manejo não for realizado de forma antecipada, ou seja, a alta infestação reduziu a produção.

Ademais, os resultados de eficiência e produtividade indicaram que os diferentes volumes de aplicação (75 e 150 L ha⁻¹) e a presença ou ausência do adjuvante Silkon não influenciaram significativamente o controle da praga, desde que as aplicações tenham sido realizadas conforme as premissas adequadas da tecnologia de aplicação.

AGRADECIMENTOS

À equipe de campo, pesquisadores e estagiários do CTC pelo apoio na implantação e condução do experimento.

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ENTOMOLOGIA

FERNANDES, F. O.; SOUZA, C. da S. F.; AVELLAR, G. S. de; NASCIMENTO, P. T.; DAMASCENO, N. C. R.; SANTOS, N. M.; LIMA, P. F.; SANTOS, V. M. C. dos; SIMEONE, M. L. F.; PARRELLA, R. A. da C.; MENEZES, C. B. de; OLIVEIRA, I. R. de; MENDES, S. M. Manejo do pulgão da cana-de-açúcar ( Melanaphis sacchari/sorghi ) na cultura do sorgo . Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo , 2021. 24 p. (Comunicado Técnico, 249).

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LIMA, D. T.; FERNANDES, R. H.; BRAZ, G. B. P.; BUENO, A. M.; SARKIS, L. F. Inseticidas no controle do pulgão Melanaphis sorghi na cultura do sorgo. In: BUENO, A. M.; LIMA, D. T.; HARA, E.; BRAZ, G. B. P.; NASCIMENTO, H. L. B.; SARKIS, L. F.; FERNANDES, R. H.; BILEGO, U. O. (Eds.). Anu-

ário de Pesquisas Agricultura - Resultados 2023. Rio Verde: Centro Tecnológico COMIGO, 2023. p. 30-37.

LIMA, D. T.; SILVA, M. E. M.; FERREIRA, L. H. B.; FREITAS, A. V. Inseticidas no controle do pulgão Melanaphis sorghi na cultura do sorgo. In: BUENO, A. M.; LIMA, D. T.; HARA, E.; BRAZ, G. B. P.; NASCIMENTO, H. L. B.; SARKIS, L. F.; FERNANDES, R. H.; BILEGO, U. O. (Eds.). Anuário de Pesquisas Agricultura - Resultados 2024. Rio Verde: Centro Tecnológico COMIGO, 2025. p. 29-36.

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FERTILIDADE DO SOLO & FERTILIZANTES

IMPACTO DE DOSES DE CALCÁRIO E MÉTODOS DE INCORPORAÇÃO

NA PRODUTIVIDADE DE GRÃOS NAS SUCESSÕES SOJA–SORGO E SOJA–MILHO

SARKIS¹, Leonardo Fernandes; ALMEIDA², Dieimisson Paulo; FERNANDES³, Patrick Bezerra; HARA⁴, Eduardo; BRAZ⁵, Guilherme Braga Pereira; FERNANDES⁶, Rafael Henrique; LIMA7, Diego Tolentino de; BUENO⁸, Amanda Magalhães; VAZ⁹, Valter; FERREIRA10, Camila dos Santos; Filho11, Fabiano Alves Cardoso;

1 Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Ciência do Solo. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC).

E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br

2 Eng. Agrônomo. Dr. em Agronomia / Produção Vegetal. Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas Daninhas.

3 Zootecnista, Dr. em Ciência Animal. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: patrickbezerra@comigo.coop.br

4 Engenheiro Agrônomo, Gerente de Geração e Difusão de Tecnologia do Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: eduardohara@comigo.com.br

5 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). E-mail: guilhermebrag@gmail.com

6 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: rafaelhenrique@comigo.coop.br

7 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo.coop.br

8 Engenheira agrônoma, Doutora em Agronomia. Pesquisadora Agronômica no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br

9 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: valtervaz@ comigo.coop.br

10 Engenheira agrônoma, Mestre em Produção Vegetal. Consultora Agronômica do Departamento de Assistência Técnica da COMIGO.

E-mail: camilasantos@comigo.coop.br

11 Discente de graduação em Agronomia da Universidade de Rio Verde (UNIRV), campus Rio Verde. Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC).

E-mail: fabiano.a.c.filho@academico.unirv.edu.br

INTRODUÇÃO

Os solos do Cerrado são altamente intemperizados e caracterizam-se por baixos teores de matéria orgânica, reduzida capacidade de troca de cátions (CTC), baixa saturação por bases (V%) e pH ácido, com ocorrência de alumínio trocável em níveis fitotóxicos que prejudicam o crescimento radicular e a absorção de água e nutrientes. A calagem é, portanto, uma prática imprescindível para mitigar essas limitações químicas e viabilizar a produção agrícola sustentável na região (ENESI et al., 2023).

A aplicação de calcário eleva o pH, aumenta os teores de bases trocáveis (Ca²⁺ e Mg²⁺) e pode contribuir para o incremento da CTC e da produtividade das culturas (SARKIS et al., 2021). Estudos recentes demonstram efeitos positivos da calagem sobre propriedades químicas do solo, balanço de cátions e produtividade, além de impactos benéficos sobre processos biológicos quando adotada de forma adequada.

FERTILIDADE DO SOLO & FERTILIZANTES

Entretanto, a eficácia da calagem em profundidade depende de múltiplos fatores — entre eles: dose e granulometria do corretivo, PRNT/reatividade, método e profundidade de incorporação, poder tampão do solo, regime hídrico e tempo de reação. Em áreas recém-abertas para agricultura, trabalhos experimentais recentes indicam que incorporações profundas (por exemplo, até 0–40 cm) e doses maiores que as recomendadas por métodos convencionais frequentemente resultam em correção mais rápida e duradoura do perfil, melhor desenvolvimento radicular e respostas produtivas superiores (MOREIRA e MORAES, 2018).

Nesse contexto, a calagem de manutenção, aplicações superficiais periódicas em sistema de cultivo, é importante para conservar a correção obtida e repor perdas de bases na superfície, sobretudo em sistemas sob plantio direto e ciclos de colheita intensos. Estudos recentes e análises de longa duração mostram que aplicações regulares de manutenção contribuem para estabilidade química e benefícios agronômicos contínuos. No entanto, a calagem de manutenção não substitui a necessidade de uma correção inicial ajustada e bem executada (calagem de abertura) com incorporação do corretivo, especialmente em áreas de baixa fertilidade ou recém-convertidas, onde o corretivo superficial tende a proporcionar resposta limitada em profundidade.

Dessa forma, recomenda-se que o planejamento da calagem considere duas etapas complementares: (i) calagem de abertura com incorporação e doses adequadas para cor-

rigir o perfil (quando o objetivo for recuperar e estruturar a fertilidade em profundidade); e (ii) calagem de manutenção periódica, aplicada superficialmente conforme monitoramento da saturação por bases e análises de solo, para conservar os níveis alcançados e reduzir a frequência de intervenções de maior impacto operacional. Essa estratégia integrada tende a otimizar custos, eficiência do corretivo e sustentabilidade produtiva em sistemas de sucessão e longa duração no Cerrado (MORAES et al., 2023).

Nesse contexto, o objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito de doses crescentes de calcário, aplicadas com e sem incorporação, sobre atributos químicos do solo em diferentes profundidades e sobre a produtividade de grãos na sucessão soja–sorgo ou soja-milho, de modo a fornecer subsídios para recomendações de manejo que conciliem correção eficaz em profundidade e manutenção sustentável da fertilidade.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em condições de campo, na área experimental do Centro Tecnológico COMIGO (CTC) no município de Rio Verde – Goiás (S 17º45’49’’ e W 51º02’07’’, com 834 metros de altitude). O solo é classificado como Latossolo Vermelho distrófico (SANTOS et al., 2018). Antes da implantação do experimento foi realizado a amostragem do solo, no dia 03 de outubro de 2021, para realização das análises químicas e textura, conforme os resultados apresentados na Tabela 1.

Tabela 1. Atributos do solo na profundidade de 0-20 cm no local de condução da pesquisa na área experimental no Centro Tecnológico COMIGO – CTC, Rio Verde – GO, antes da implantação do experimento safra 2021/2022.

Profundidade (cm) 0-20 pH (CaCl2) 4,84 ---------------- cmolc dm-3 ---------- - mg dm-3 -

O experimento foi conduzido em delineamento com blocos casualizados, com quatro repetições e arranjo estatístico em parcelas subdivididas (2x5), sendo o fator parcela “com” e “sem” incorporação do calcário e o fator subparcela constituído pelas doses calcário (0, 2, 4, 6 e 12 t ha-1 de calcário), totalizando em 40 unidades experimentais em uma

área de 0,36 ha-1. A aplicação de calcário foi realizada no dia 04 de outubro de 2021, a lanço e manualmente, para as respectivas doses. Cada bloco possuía 9 x 20 metros, totalizando 180 m², com as devidas doses de calcário. Logo em seguida, a área foi cultivada com o sistema agrícola 1ª safra (soja) e 2ª safra (sorgo ou milho ) por 4 anos (8 colheitas).

Tabela 2. Relação de tratamentos avaliados no experimento de doses de calcário e métodos de incorporação. Rio Verde (GO), 2024/2025.

Tratamentos

Fator parcela

Métodos de Incorporação

Superficial

Fator subparcela

Dose de calcário (t ha-¹)

Grade aradora 32”

Com base nos resultados da análise de solo (Tabela 1) realizada antes da implantação do experimento (2021/2022), calculou-se a dose necessária para elevar a saturação de bases a 70%, a qual foi de 1,7 toneladas de calcário ha-1. O calcário utilizado na pesquisa possuía 79% de poder relativo de neutralização total (PRNT), poder de neutralização de 90% (PN), teores de 43 % de óxido de cálcio e 6% de óxido de magnésio.

No dia 11 de outubro de 2021 aplic ou-se 102 kg ha-1 de microgram 12 e no dia seguinte houve aplicação de 202 kg ha-1 de KCl, baseado nos resultados da análise de solo da área experimental. Na presente área, realizou-se a semeadura da soja no dia 21 de outubro de 2021, sendo a densidade de semeadura de aproximadamente 9,6 sementes por metro (população final na colheita de 192 mil plantas ha-1). No que se refere aos adubos, aplicou-se 201 kg ha-1 de MAP no sulco e 1,0 L ha-1 do inoculante Cell Tech (Bradyrhizobium japonicum Estirpe SEMIA 5079 e SEMIA 5080, concentração mínima 3,0 x 109 UFC mL-1, Monsanto BioAg), 0,1 L ha-1 do coinoculante Biomax Azum, (Azospirillum brasilense, concentração mínima 3,0 x 103 UFC mL-1, Biosoja), 0,5 L ha-1 do inseticida biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1,0 x 108 propágulos viáveis mL-1, Biovalens), 0,2 L ha-1 Nódulos Gold (13,9 g L-1 de Cobalto, 139g L-1 de Molibdênio, BIOSOJA) 0,4 L de Verango

Prime L ha-1 . O volume aplicado foi de 60 L ha-1. Já no dia 25 de outubro de 2021 aplicou-se 56 kg ha-1 Sulfurgran.

Após a colheita da soja, foi realizado a implantação da cultura do sorgo no dia 09 de março de 2022, sendo utilizado o híbrido AG 1070, com 10,5 sementes por metro (população final na colheita de 210 mil plantas ha-1). Referente aos adubos utilizados, aplicou-se 295 kg ha-1 do formulado 08-20-18 no sulco de semeadura. As adubações de cobertura foram no dia 25 de março de 2022, aplicando-se 200 kg ha-1 de 2000-20 e no dia 14 de abril de 2022 aplicando-se 150 kg ha-1 de ureia.

No segundo ano agrícola, a semeadura da soja foi realizada de forma mecanizada no dia 04/11/2022, adotando-se espaçamento entrelinhas de 0,5 m, utilizando a cultivar ST700 i2x, com densidade de semeadura de 15 sementes m-1. As sementes utilizadas no experimento foram tratadas industrialmente com fungicidas e inseticidas, bem como foi realizada a prática de inoculação visando assegurar o processo de fixação biológica de nitrogênio. A adubação com KCl foi realizada a lanço 3 dias antes da semeadura (DAS) e no momento da semeadura foi realizado a aplicação de 450 kg ha-1 superfosfato simples (20% P2O5) no sulco.

Após a colheita da soja foi instalado na mesma área experimental a segunda etapa do trabalho visando avaliar

FERTILIDADE DO SOLO & FERTILIZANTES

o efeito dos tratamentos na cultura do sorgo. Para tanto, no dia 15/03/2023, foi realizada a semeadura do sorgo com o híbrido AG1070, adotando-se densidade de semeadura de 10,5 sementes m-1. Na adubação do sorgo, foi realizada a aplicação de 400 kg ha-1 do formulado 15-15-15 no sulco de semeadura e 150 kg ha-1 de ureia + NBPT (Ureia Turbo) em cobertura aos 20 DAS.

Em ambos os anos agrícolas, antes da semeadura das culturas, foram realizadas coletas de solo em 4 profundidades: 0-10; 10-20; 20-40; 40-60 cm. As amostras foram analisadas para verificar o efeito dos tratamentos no pH, saturação por bases, acidez potencial (H+Al), teores de cálcio, magnésio e potássio.

Por meio de um pluviômetro instalado no local do experimento, foi monitorada a precipitação pluvial acumulada desde a semeadura das culturas.

Para avaliação da produtividade de grãos, adotou como área útil 3 metros de comprimento das 3 linhas centrais, totalizando 9 metros em cada unidade experimental (parcela).

Após a colheita, as amostras foram trilhadas e determinou-se o teor de água (umidade) dos grãos de soja, sorgo e milho. Posteriormente, fez-se a correção da umidade para 14% (b.u.), e determinou-se a produtividade em sacas de 60 kg de grãos ha-¹.

Os resultados de produtividade (sacas ha-¹) foram submetidos à análise de variância, com o objetivo de detectar a significância dos fatores ou de sua interação.

As produtividade de grãos (sacas ha-1) resultantes das doses de calcário com e sem incorporação foram analisadas por meio de regressão não linear, utilizando o modelo exponencial de máximo crescimento (Equação 1) três parâmetros para as doses de calcário incorporadas e, o modelo exponencial de crescimento (Equação 2) três parâmetros para as doses de calcário sem incorporação :

y = y0 + a*1 -- e(-b*x) (1)

y = y0 + a*e(b*x) (2)

Em que:

y = variável resposta; x = dose de calcário (t ha-1); a, b e y0 = parâmetros estimados do modelo.

Os modelos foram selecionados considerando-se a significância da análise de variância da regressão, o coeficiente de determinação (R²) e a significância dos coeficientes do modelo por meio do teste “t”, de Student, além do conhecimento da evolução do fenômeno biológico.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Elevação de Ca e Mg no Solo

A elevação dos teores de cálcio (Ca²⁺) foi significativamente influenciada pela forma de aplicação do calcário e pela profundidade de amostragem (Figura 1). A incorporação do corretivo promoveu aumentos expressivos nas concentrações de cálcio em todas as camadas avaliadas, com resposta quadrática bem definida e altos coeficientes de determinação (R²), principalmente nas profundidades de 0–10 cm (R² = 0,96) e 10–20 cm (R² = 0,41). Esse comportamento confirma que a incorporação favorece o contato entre o calcário e o solo, acelerando as reações de neutralização da acidez e ampliando a disponibilidade de Ca²⁺ e Mg²⁺ (CAIRES et al., 2008; RAIJ, 2011).

Nas camadas mais profundas (20–40 cm), embora os incrementos tenham sido menores, ainda houve aumento gradual dos teores de cálcio com as doses mais elevadas, evidenciando certa movimentação do nutriente no perfil do solo ao longo do tempo. Esse efeito é especialmente importante em solos de Cerrado, onde a presença de alumínio trocável e a acidez subsuperficial limitam o desenvolvimento radicular (OLIVEIRA & PAVAN, 1996; SOUZA et al., 2016).

A aplicação superficial, por sua vez, apresentou menores incrementos, refletindo a baixa mobilidade do corretivo na ausência de revolvimento. Resultados semelhantes foram observados por Caires et al. (2003) e Ernani et al. (2004), que relataram acúmulo de cálcio apenas na camada superficial, sem efeito expressivo em profundidade. Dessa forma, embora a aplicação superficial seja eficiente para a manutenção de áreas já corrigidas, ela não substitui a calagem incorporada, especialmente em áreas novas ou mesmo as áreas já cultivadas com histórico de aplicação de doses baixas de calcário no momento da abertura.

O efeito residual da calagem foi evidente, mantendo níveis elevados de Ca²⁺ mesmo após várias safras, o que confirma a durabilidade do efeito corretivo (PAVAN et al., 1999). A resposta quadrática observada nas doses indica que a aplicação de cerca de 6 t ha⁻¹ proporcionou o ponto de máxima eficiência técnica e econômica, corroborando os maiores retornos de produtividade e rentabilidade observados nas áreas com incorporação.

A maior eficiência da incorporação deve-se ao melhor

contato do calcário com as partículas do solo, promovendo neutralização uniforme do Al³⁺ e aumento da saturação por bases, criando um ambiente químico mais favorável ao desenvolvimento radicular (RAIJ, 2011; CAIRES et al., 2015). Assim, em solos tropicais altamente intemperizados, recomenda-se a aplicação de doses maiores e incorporadas na correção inicial, complementadas por manutenções superficiais periódicas, visando garantir sustentabilidade produtiva, estabilidade econômica e equilíbrio químico dos solos de Cerrado.

Figura 1. Efeito das doses de calcário no Ca (Cmolc dm-3) nas camadas 0-20; 20-40 e 40-60 cm, respectivamente, após 4 safras de cultivo soja-sorgo ou soja-milho (8 colheitas)

Os teores de magnésio (Mg²⁺) apresentaram comportamento distinto entre as profundidades avaliadas e entre os modos de aplicação do corretivo (Figura 2). Na camada de 0–20 cm, observou-se tendência de redução dos teores de Mg²⁺ com o aumento das doses de calcário, prin-

cipalmente no tratamento com incorporação, cujo ajuste quadrático apresentou coeficiente de determinação de R² = 0,76. Esse comportamento pode estar associado ao deslocamento de Mg²⁺ trocável pela maior concentração de Ca²⁺ proveniente do corretivo ou mesmo exportação das

culturas em sucessão, especialmente nas camadas superficiais, fenômeno também relatado por Caires et al. (2015) e Serafim et al. (2020).

Nas camadas mais profundas (20–40 e 40–60 cm), os teores de Mg²⁺ mostraram-se relativamente estáveis, com variações pouco expressivas entre as doses. Entretanto, nota-se um incremento de Mg²⁺ nas maiores doses no tratamento com incorporação, indicando algum efeito residual do corretivo em profundidade, possivelmente devido ao aumento da percolação de bases e à melhoria na estrutura do solo. Resultados semelhantes foram obser-

vados por Rheinheimer et al. (2018) e Zoca et al. (2021), que destacaram que a mobilidade do Mg²⁺ é limitada em solos tropicais altamente intemperizados, sendo mais pronunciada quando há incorporação mecânica do calcário.

De modo geral, a incorporação do corretivo favoreceu uma distribuição mais uniforme de Mg²⁺ no perfil do solo, enquanto a aplicação superficial (sem incorporação) apresentou tendência de acúmulo nas camadas superiores e decréscimo em profundidade, reforçando a importância do preparo adequado do solo em áreas de abertura.

Figura 2. Efeito das doses de calcário no Mg (Cmolc dm-3) nas camadas 0-20; 20-40 e 40-60 cm, respectivamente, após 4 safras de cultivo soja-sorgo ou soja-milho (8 colheitas).

Saturação por bases e pH do Solo

Observa-se que a incorporação do calcário promoveu maiores valores de saturação por bases (Figura 3) em todas as profundidades avaliadas, especialmente na camada superficial (0–10 cm). Nessa profundidade, houve resposta positiva e consistente ao aumento das doses, com R² = 0,72, indicando boa relação entre o incremento da dose e o aumento da saturação.

Na camada de 10–20 cm, o efeito da incorporação também foi evidente, embora menos pronunciado, com leve elevação da saturação e coeficiente de determinação (R²) de 0,23, sugerindo menor influência direta das doses sobre essa faixa.

Em profundidades mais baixas (20–40 cm e 40–60 cm), observou-se que o efeito do calcário incorporado ainda se estendeu, resultando em maiores valores de saturação por bases em relação ao tratamento sem incorporação. Apesar

das variações nas equações de regressão, os valores de R² entre 0,53 e 0,66 indicam que houve movimentação parcial do corretivo no perfil, refletindo-se em aumento da saturação mesmo abaixo da camada incorporada.

De modo geral, os resultados demonstram que a incorporação favorece a correção da acidez e a melhoria da fertilidade em maior profundidade, enquanto o calcário aplicado sem incorporação apresenta efeito restrito às camadas superficiais, com menor eficiência na elevação da saturação por bases ao longo do perfil do solo.

Esses resultados reforçam a importância da incorporação do calcário para a correção mais uniforme do perfil do solo, especialmente em sistemas que visam maior exploração radicular e sustentabilidade produtiva a longo prazo. A aplicação superficial, embora prática, mostra-se menos eficiente, devendo ser adotada preferencialmente em áreas já corrigidas ou em sistemas com baixo revolvimento e boa ciclagem de nutrientes.

Figura 3. Efeito das doses de calcário na saturação por bases (%) 4 safras de cultivo soja-sorgo ou soja-milho (8 colheitas).

A elevação do pH do solo em resposta às doses de calcário foi mais evidente nos tratamentos com incorporação, principalmente nas camadas de 10–20 cm e 20–40 cm, onde o contato entre o corretivo e o solo foi mais efetivo. Na camada superficial (0–10 cm), o tratamento sem incorporação apresentou leve aumento de pH com o incremento das doses (R² = 0,56), indicando que a aplicação superficial atua de forma mais direta na zona de contato, promovendo correção restrita à superfície (CAIRES et al., 2008; ERNANI et al., 2004).

Nas camadas subsuperficiais, a incorporação resultou em elevação gradativa do pH (R² entre 0,53 e 0,59), evidenciando a movimentação parcial dos produtos de reação e a melhoria da acidez em profundidade. Em contraste, o

tratamento sem incorporação mostrou baixa variação, refletindo a baixa mobilidade vertical do corretivo, conforme também observado por OLIVEIRA e PAVAN (1996) e CAIRES et al. (2003).

Mesmo na camada 40–60 cm, observou-se efeito residual da incorporação, com discreta elevação do pH nas maiores doses (R² = 0,59), enquanto a aplicação superficial manteve valores próximos de 4,4, sem efeito perceptível. Resultados semelhantes foram relatados por PAVAN et al. (1999) e SOUZA et al. (2016), que destacam o efeito prolongado da calagem incorporada na melhoria da acidez em camadas mais profundas.

De modo geral, a incorporação do calcário promoveu

correção mais uniforme e eficiente da acidez ao longo do perfil, favorecendo a difusão de Ca²⁺ e Mg²⁺ e a neutralização do Al³⁺, criando um ambiente químico mais favorá-

vel ao crescimento radicular e à sustentabilidade produtiva dos sistemas agrícolas tropicais (RAIJ, 2011; SOUZA et al., 2016).

Figura 4. Efeito das doses de calcário no pH (CaCl2) após 4 safras de cultivo soja-sorgo ou soja-milho (8 colheitas).

A análise conjunta das variáveis químicas (pH, Ca²⁺, Mg²⁺ e saturação por bases) evidencia que a incorporação do calcário é determinante para o sucesso da correção da acidez e para a melhoria da fertilidade ao longo do perfil do solo. O aumento do pH foi acompanhado pela elevação de Ca²⁺ e Mg²⁺ e pelo consequente acréscimo da saturação por bases, indicando reação efetiva do corretivo e substituição de íons H⁺ e Al³⁺ no complexo de troca (Moreira et al., 2025; Bossolani et al., 2021).

Nos tratamentos sem incorporação, o efeito do calcário restringiu-se à camada superficial, com ganhos pontuais de pH e Ca²⁺, mas sem movimentação expressiva em profundidade. Esse comportamento é típico de sistemas

de aplicação superficial em solos de textura média a argilosa, nos quais a mobilidade dos cátions básicos é limitada pela baixa percolação e pela adsorção em cargas negativas da matriz coloidal (Bossolani et al., 2021).

Por outro lado, nos tratamentos com incorporação, observou-se incremento contínuo de pH e saturação até a profundidade de 40 cm, revelando que a prática promoveu melhor distribuição dos produtos de reação e maior eficiência na neutralização da acidez. Essa distribuição favorece o crescimento radicular e o aproveitamento de água e nutrientes, especialmente em sistemas de rotação com culturas de maior exigência radicular. Tais resultados são consistentes com a recomendação de doses ajustadas

FERTILIDADE

para correção profunda proposta por Moreira (2025). Assim, os resultados demonstram que o método de aplicação do calcário tem influência direta sobre a eficiência da correção da acidez e sobre o equilíbrio químico do solo, sendo a incorporação mecanizada a alternativa mais eficaz para promover reatividade, mobilidade iônica e sustentabilidade química em longo prazo.

PRODUTIVIDADE DE SOJA E SORGO/MILHO EM SUCESSÃO

A produtividade da soja e das culturas em sucessão (sorgo ou milho), ao longo de quatro anos agrícolas (2021/22 a 2024/25), foi influenciada pelas doses de calcário aplicadas no primeiro ano, bem como pela forma de aplicação (com ou sem incorporação ao solo), conforme apresentado na Figura 1.

Na safra de 2021/22, observou-se resposta positiva da soja à calagem, especialmente nos tratamentos com incorporação, evidenciando aumento na produtividade até uma dose intermediária, seguida de estabilização (R² = 0,58). A aplicação superficial também resultou em incremento produtivo (R² = 0,77), embora de menor magnitude. Resultados semelhantes foram observados por Caires et al. (2020) e Serafim et al. (2018), que destacam que a incorporação inicial do calcário acelera a neutralização da acidez e melhora a disponibilidade de Ca e Mg nas camadas subsuperficiais. Para o sorgo cultivado em sucessão, as respostas foram mais limitadas, com baixos coeficientes de determinação, indicando menor sensibilidade da cultura à correção da acidez no primeiro ano após a aplicação.

Durante a safra de 2022/23, houve manutenção ou discreto aumento na produtividade da soja, com destaque novamente para os tratamentos com incorporação, ainda que as respostas tenham sido menores (R² < 0,32). O sorgo, por outro lado, apresentou elevação nas produtividades em ambos os manejos, com R² = 0,6153 para a aplicação sem incorporação e R² = 0,5405 para a com incorporação. Esses resultados sugerem um efeito residual positivo do calcário, mais pronunciado nas doses elevadas, refletindo a persistência da correção da acidez nas camadas exploradas pelas raízes, conforme discutido por Rheinheimer et al. (2019) e Oliveira et al. (2021).

Na safra de 2023/24, o sorgo foi substituído pelo milho

como cultura em sucessão, e observou-se melhora expressiva nas produtividades de ambas as culturas, particularmente nos tratamentos com incorporação. A soja apresentou R² = 0,6246 (com incorporação) e R² = 0,9348 (sem incorporação), demonstrando forte influência residual da calagem aplicada três anos antes. O milho foi altamente responsivo à calagem, com destaque para o tratamento com incorporação (R² = 0,7722), indicando que o corretivo ainda proporcionava condições químicas favoráveis no perfil do solo. Esses resultados corroboram os achados de Pereira et al. (2022), que observaram incremento expressivo na produtividade do milho até quatro anos após a calagem inicial, sobretudo quando o corretivo foi incorporado mecanicamente.

Na safra de 2024/25, o efeito residual do calcário permaneceu evidente, sobretudo no milho, que manteve elevadas produtividades e respostas quadráticas bem definidas (R² = 0,8031 sem incorporação e R² = 0,8774 com incorporação), indicando que doses intermediárias a altas ainda promoviam ganhos produtivos. A soja apresentou estabilidade produtiva, com respostas mais discretas, mas ainda significativas (R² = 0,7764 com incorporação), sugerindo que o sistema atingiu um equilíbrio químico após quatro ciclos agrícolas. Situação semelhante foi relatada por Caires & Barth (2023), que verificaram efeito prolongado da calagem na produtividade da soja em sistemas de rotação de culturas, com redução gradual da resposta a partir do quarto ano.

De modo geral, a calagem realizada no primeiro ano exerceu efeito residual expressivo ao longo de todo o período avaliado, especialmente nas doses mais elevadas e quando o corretivo foi incorporado ao solo. A incorporação proporcionou maior eficiência na neutralização da acidez, sobretudo nos primeiros anos, refletindo melhor distribuição do calcário em profundidade (Serafim et al., 2018; Rheinheimer et al., 2019). As culturas em sucessão apresentaram respostas distintas: o milho mostrou-se mais sensível à calagem residual que o sorgo, possivelmente devido à sua maior exigência nutricional e sensibilidade à acidez do solo (Pereira et al., 2022; Oliveira et al., 2021). Em conjunto, os resultados indicam que a soja respondeu positivamente à calagem em todas as safras, reforçando a importância do manejo adequado da acidez para a manutenção de elevados rendimentos em sistemas de produção intensivos.

Figura 5. Produtividade da soja e da cultura em sucessão (sorgo ou milho) ao longo de quatro anos agrícolas (2021–2025), em função das doses de manutenção de calcário aplicadas no primeiro ano, com e sem incorporação ao solo.

PRODUTIVIDADE ACUMULADA – 4 SAFRAS

Os dados demonstraram que a calagem, aplicada no primeiro ano, promoveu respostas produtivas significativas nas culturas avaliadas ao longo de quatro safras. A soja respondeu de forma consistente, e o milho, introduzido a partir da terceira safra, apresentou maior sensibilidade ao efeito residual da calagem em comparação ao sorgo.

A incorporação do calcário mostrou-se mais eficiente, promovendo melhor correção da acidez em profundidade e maiores produtividades. Esses resultados estão em consonância com estudos prévios que indicam maior eficiência da calagem incorporada (Caires et al., 2006; Ernani et al., 2007).

Observou-se também que o efeito residual da calagem se manteve por pelo menos quatro anos, evidenciando a

durabilidade da prática quando bem executada, conforme descrito por Raij (2011).

Os resultados obtidos ao longo de quatro anos agrícolas demonstraram que a aplicação de calcário no primeiro ano influenciou significativamente a produtividade da soja e das culturas em sucessão (sorgo ou milho), com ganhos produtivos acumulados expressivos nas doses mais elevadas, especialmente quando o corretivo foi incorporado ao solo.

Esses resultados corroboram os achados de Caires et al. (2006), que observaram aumento na produtividade da soja com a aplicação de calcário incorporado em sistema plantio direto, destacando a importância da correção da acidez em profundidade para o bom desempenho da cultura. No presente estudo, essa tendência se manteve ao longo das quatro safras, mesmo sem reaplicação, evidenciando um efeito residual prolongado, conforme também

relatado por Ernani et al. (2007).

A soja, cultivada anualmente, apresentou resposta positiva constante à calagem, refletindo sua sensibilidade à acidez do solo e à toxidez por alumínio. A cultura é amplamente reconhecida como exigente em pH do solo, demandando níveis de saturação por bases superiores a 60% para expressar seu potencial produtivo (RAIJ, 2011). No presente estudo, as produtividades foram consistentemente maiores em doses entre 8 e 12 t ha⁻¹, com vantagem significativa para os tratamentos com incorporação.

As culturas em sucessão, sorgo e milho, também apresentaram respostas positivas, especialmente a partir do segundo ano agrícola. O milho, introduzido nas duas últimas safras, respondeu de forma mais expressiva, o que está de acordo com trabalhos de Rosolem et al. (2018), que observaram maior resposta do milho à calagem residual em comparação ao sorgo, sobretudo em solos ácidos com baixa saturação por bases.

Outro aspecto relevante foi o comportamento das cur-

vas de resposta: em geral, observou-se resposta quadrática com platôs ou declínio a partir de 12 t ha⁻¹, sugerindo que doses acima desse valor não trouxeram ganhos adicionais significativos, o que reforça a importância da análise econômica da calagem para definir o ponto ótimo técnico-econômico, como discutido por Sousa & Lobato (2004).

O tratamento sem incorporação, embora tenha promovido aumentos de produtividade em relação à testemunha, foi menos eficiente em magnitude e velocidade de resposta, o que é coerente com os estudos de Caires et al. (2002), que relatam que a calagem superficial corrige apenas as camadas mais superficiais do solo, exigindo mais tempo para alcançar camadas mais profundas e apresentar efeitos mais duradouros.

A eficiência da incorporação do calcário no primeiro ano também pode ser atribuída à melhoria na mobilidade de cátions básicos (Ca²⁺ e Mg²⁺) e à neutralização mais eficiente do Al³⁺ tóxico em subsuperfície, melhorando as condições para o crescimento radicular e absorção de nutrientes, como evidenciado por Pavan et al. (1984).

Figura 6. Produtividade acumulada da soja e da cultura em sucessão (sorgo ou milho) ao longo de quatro anos agrícolas (2021–2025), em função das doses de manutenção de calcário aplicadas no primeiro ano, com e sem incorporação ao solo.

Os resultados demonstraram que, quando o calcário foi aplicado com incorporação, houve aumento progressivo da renda líquida até a dose de 6 t ha⁻¹, atingindo o maior retorno econômico, de R$ 2.648 ha⁻¹. A partir dessa dose, observou-se redução da rentabilidade, com valor de R$ 680 ha⁻¹ na dose de 12 t ha⁻¹. O modelo de regressão quadrática ajustado para essa condição foi expresso pela

equação y=-45,067x²+775,62x+31635, com coeficiente de determinação R2=0,8533. A análise indica um ponto de máxima teórico em 8,6 t ha⁻¹, o que está coerente com o comportamento observado experimentalmente, reforçando o padrão de resposta quadrática típico em experimentos de calagem. Esses resultados evidenciam que a incorporação do calcário favorece a reação do corretivo no

solo, melhorando a correção da acidez e proporcionando aumento expressivo de produtividade e renda ao longo das safras.

Para o tratamento sem incorporação, o comportamento foi semelhante, mas com menor magnitude de ganhos econômicos. A renda líquida aumentou até a dose de 6 t ha⁻¹, alcançando R$ 988 ha⁻¹, e reduziu-se nas doses mais elevadas, com prejuízo econômico de R$ -1.261 ha⁻¹ na dose de 12 t ha⁻¹. O modelo de regressão obtido para essa condição foi y=-8,5112x2+269,16x+31799, com R2=0,9879, indicando excelente ajuste e um ponto de máxima teórico em 15,8 t ha⁻¹. Apesar do bom ajuste estatístico, os resultados empíricos mostram que, na prática, doses acima de 6 t ha⁻¹ não são economicamente justificáveis, possivelmente devido à menor reatividade e à limitação de contato entre o corretivo e as partículas do solo quando o calcário não é incorporado.

Comparando os dois métodos de aplicação, observa-se que a incorporação do calcário resultou em maiores rendimentos e melhor retorno econômico em todas as doses

testadas, confirmando sua maior eficiência agronômica na neutralização da acidez e na disponibilização de nutrientes. A aplicação sem incorporação, embora operacionalmente mais simples, apresentou menor eficiência e aumento limitado de renda, com risco de prejuízo em doses mais elevadas. Essa diferença reforça a importância de garantir o contato efetivo do corretivo com o solo, conforme destacado por Fageria (2001), que atribui à incorporação o papel crucial de acelerar as reações químicas e ampliar a área de atuação do calcário no perfil do solo.

De modo geral, o aumento das doses de calcário promoveu ganhos significativos de produtividade e renda até o ponto ótimo, a partir do qual os retornos decrescem em função do aumento dos custos e da saturação do efeito corretivo. Assim, considerando os resultados obtidos, a aplicação de calcário com incorporação ao solo na dose aproximada de 6 t ha⁻¹ apresentou o melhor equilíbrio entre custo e benefício. Essa prática mostrou-se mais eficiente e economicamente viável, proporcionando o máximo aproveitamento agronômico e financeiro do corretivo ao longo das quatro safras avaliadas.

Tabela 3. Análise técnica da resposta econômica à aplicação de doses de calcário e métodos de incorporação.

Doses de calcário

Método de aplicação

Investimento

Ganho acumulado em 4 safras

Renda

Soja Sorgo Milho Bruta Líquida

sacas ha-1

R$ ha-1

Com incorporação

Sem incorporação

*Preço soja, sorgo, milho, calcário e aplicações: baseado em cotação realizada em outubro/2025 na Cooperativa COMIGO.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A incorporação do calcário ao solo promoveu expressivos aumentos na produtividade e rentabilidade das culturas, com resposta quadrática típica de uma correção eficiente da acidez e melhor aproveitamento dos nutrientes. A dose de cerca de 6 t ha⁻¹, incorporada ao solo, proporcionou o maior retorno econômico (R$ 2.648 ha⁻¹), configurando-se como o ponto ótimo de investimento em calagem. Embora ambas as modalidades de aplicação apresentem efeito positivo, a incorporação mostrou-se mais eficiente em áreas recém-abertas ou com acidez elevada, especialmente quando são utilizadas doses maiores e ajustadas às condições dos solos de Cerrado.

A aplicação superficial também se mostrou eficiente, porém com resposta mais lenta e ganhos limitados (rentabilidade máxima de R$ 988 ha⁻¹), em razão da menor mobilidade do corretivo e da baixa eficiência na neutralização do alumínio em profundidade. Nesses casos, seu uso é mais indicado para a manutenção da acidez em áreas já corrigidas, não substituindo uma calagem corretiva bem incorporada durante a abertura ou reforma de áreas.

O efeito residual do calcário foi duradouro, mantendo impactos positivos sobre a produtividade e a renda ao longo de várias safras. Assim, a utilização de doses mais elevadas e compatíveis com a alta demanda dos solos tropicais, associada à incorporação adequada do corretivo, constitui estratégia essencial para promover sustentabilidade produtiva, estabilidade econômica e equilíbrio químico em solos de Cerrado.

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IMPACTO DE PRÁTICAS DE MANEJO PARA MITIGAR OS EFEITOS DA QUEIMA DA PALHADA

NA FERTILIDADE DO SOLO E NA PRODUTIVIDADE DA SOJA

SARKIS1, Leonardo Fernandes; CAETANO2, Brunna de Carvalho; RODRIGUES3, Julliana Souza; FERNANDES4, Patrick Bezerra; HARA5, Eduardo; BRAZ6, Guilherme Braga Pereira; FERNANDES7, Rafael Henrique; LIMA8, Diego Tolentino de; BUENO9, Amanda Magalhães; VAZ10, Valter;

1 Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Ciência do Solo. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC).

E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br

2 Discente de graduação em Agronomia da Universidade de Rio Verde (UNIRV), campus Rio Verde. Estagiária no Centro Tecnológico COMIGO (CTC).

E-mail: caetano.c.brunna@gmail.com

3 Discente de graduação em Agronomia da Universidade de Rio Verde (UNIRV), campus Rio Verde. Estagiária no Centro Tecnológico COMIGO (CTC).

E-mail: julliana27rodrigues@gmail.com

4 Zootecnista, Dr. em Ciência Animal. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC).

E-mail: patrickbezerra@comigo.coop.br

5 Engenheiro Agrônomo, Gerente de Geração e Difusão de Tecnologia do Centro Tecnológico COMIGO (CTC).

E-mail: eduardohara@comigo.com.br

6 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV).

E-mail: guilhermebrag@gmail.com

7 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: rafaelhenrique@comigo.coop.br

8 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo.coop.br

9 Engenheira agrônoma, Doutora em Agronomia. Pesquisadora Agronômica no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br

10 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: valtervaz@ comigo.coop.br

INTRODUÇÃO

As queimadas são eventos que geram impactos negativos expressivos em sistemas de produção agrícola, sendo amplamente indesejadas pelos produtores rurais. Esses eventos afetam diretamente as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, comprometendo sua qualidade e produtividade em curto, médio e longo prazo. Um dos principais efeitos da queimada ocorre pela remoção da cobertura vegetal, especialmente em áreas manejadas sob o sistema de plantio direto, o que expõe o solo à ação erosiva, eleva a temperatura na superfície e reduz a ciclagem de nutrientes entre culturas.

Além da perda da proteção física, a exposição do solo intensifica os riscos de degradação física e microbiológica, afetando processos essenciais como a nodulação e o estabelecimento inicial de culturas sensíveis, como a soja. As perdas de nutrientes após a queima variam conforme a intensidade, duração do fogo e tipo de material orgânico, podendo resultar em volatilização ou indisponibilização de elementos essenciais como nitrogênio (N), enxofre (S) e boro (B), tanto da palhada quanto de fertilizantes previamente aplicados (COUTO-VÁZQUEZ &

GONZÁLEZ-PRIETO, 2006; SILVA NETO et al., 2020).

Do ponto de vista econômico, os danos provocados pelas queimadas vão além das perdas diretas em infraestrutura, equipamentos e rebanhos. O comprometimento do solo pode reduzir a produtividade por mais de uma safra, afetando significativamente a rentabilidade do sistema produtivo. Isso gera dúvidas entre os produtores quanto ao manejo pós-queimada, como a necessidade de reaplicação de corretivos e fertilizantes, redefinição da estratégia de adubação, ajuste da população de plantas e aplicação de inoculantes.

Frente a esse cenário, práticas corretivas e preventivas tornam-se essenciais para minimizar os efeitos deletérios das queimadas. Entre elas, destacam-se a aplicação direcionada de nutrientes suscetíveis à volatilização, como o boro e o enxofre, a análise criteriosa do solo para ajustes na fertilidade, e a definição adequada da fonte, dose, forma e momento de aplicação dos insumos. A prática de nivelamento para evitar perdas das cinzas por ação do vento, por exemplo, deve ser avaliada caso a caso, não sendo recomendada de forma generalizada.

Em termos práticos, as principais dúvidas dos produtores rurais em relação ao manejo preventivo ou as práticas corretivas para amenizar os efeitos nocivos do fogo são: Nivelar o solo para evitar a perda das cinzas pelo vento? Os corretivos e fertilizantes que já haviam sido aplicados são perdidos? A niveladora como prática preventiva nos talhões que não queimaram é interessante? Quais são os principais nutrientes perdidos via palhada e fertilizantes? É necessário reaplicar o calcário?

Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar e comparar práticas corretivas em áreas agrícolas afetadas por queimadas, como o uso de grade niveladora e a aplicação isolada ou combinada de esterco, enxofre e boro, com o intuito de definir estratégias preventivas e corretivas para atenuar as perdas de produtividade de grãos em áreas queimadas e não queimadas.

MATERIAL E MÉTODOS

Os experimentos foram realizados a campo na safra 2024/25 em área localizada na Fazenda Monte Alegre, sediada na cidade de Rio Verde (GO) (17.558297062600374, -50.98762071277181, altitude de 790 m), visando avaliar e comparar as respostas da soja a práticas corretivas em áreas agrícolas afetadas por queimadas, como o uso de grade niveladora e a aplicação isolada ou combinada de esterco, enxofre e boro, com o intuito de definir estratégias preventivas e corretivas para atenuar as perdas de produtividade de grãos em áreas queimadas e não queimadas, sendo conduzido de 04/11/2024 a 20/02/2025.

Anteriormente a instalação do experimento, a área foi cultivada por 5 safras em sucessão soja-milho, sendo colhido em média na fazenda 89 sacas ha-1 de soja (Glycine max) e 132 sacas ha-1 de milho (Zea mays) na safra 2023/24 que antecedeu o experimento. As últimas chuvas significativas para o ano agrícola foram registradas em 15 de abril de 2024. Após a colheita do milho que foi no mês de junho, ocorreu uma queimada no mês de agosto, aproximadamente 3 meses antes da semeadura da soja 2024-25, afetando parte do talhão da fazenda (Figura 1).

Figura 1. Localização dos experimentos em áreas queimadas e não queimadas.

FERTILIDADE DO SOLO & FERTILIZANTES

Foi realizada análise de solo de amostra coletada na profundidade de 0 a 20 cm, a qual apresentou as seguintes propriedades químicas e textura para a área queimada: pH em CaCl2 de 5,60; 0,04 cmolc dm-3 de Al+3; 4,8 cmolc dm-3 de Ca+2; 1,41 cmolc dm-3 de Mg+2; 100,1 mg dm-3 de K; 13,8 mg dm-3 de P; 1,3 mg dm-3 de B; 12,2 mg dm-3 de Zn; 3,87 mg dm-3 de Cu; 47,92 mg dm-3 de Mn; 23,12 g dm-3 de M.O.; 8,98 cmolc dm-3 de CTC; 47,9% de areia; 4,35% de silte e 47,7% de argila. O solo é classificado como Latossolo Vermelho distrófico (SANTOS et al., 2018). De acordo com classificação de Köppen, o clima de Rio Verde é do tipo Aw, que recebe denominação de “tropical com estação seca”. Os dados climatológicos relacionados a temperatura máxima e mínima do ar e precipitações durante o período de condução do experimento foram monitorados por estação meteorológica da marca Plugfield® instalada na área de pesquisa do CTC.

A semeadura da soja (cv. M7535) foi realizada de forma mecanizada no dia 04/11/2025, adotando-se espaçamento entrelinhas de 0,5 m, com densidade de semeadura de 14 sementes m-1. As sementes utilizadas no experimento foram tratadas industrialmente com fungicidas e inseticidas. Foi aplicado 220

kg ha-1 de cloreto de potássio (KCl), parcelado em duas aplicações iguais de 110 kg ha-1, sendo a primeira aproximadamente 1 mês antes e a segunda 25 dias após a semeadura. Além disso, no momento da semeadura, foi utilizado 250 kg ha-1 do fertilizante 10-46-00 + 9%S no sulco.

O delineamento utilizado foi em blocos completos ao acaso (DBC), com 4 repetições, avaliando-se 5 tratamentos e arranjo estatístico em parcelas subdivididas (2x5), sendo o fator parcela “com” e “sem” grade niveladora e o fator subparcela constituído pelos fertilizantes (enxofre elementar (S0); boro (B); S0 + B; esterco de curral; S0+ B + esterco de curral), totalizando em 40 unidades experimentais (Tabela 1). As unidades experimentais foram compostas por dez linhas de semeadura, com comprimento de 8,0 m (40,0 m2). Considerou-se como área útil para as avaliações apenas as três linhas centrais de cada unidade experimental, excluindo-se as extremidades.

A aplicação dos tratamentos (fertilizantes) foi realizada no dia 04 de outubro de 2024, a lanço e manualmente. Cada bloco possuía 9 x 20 metros, totalizando 180 m².

Tabela 1. Tratamentos utilizados nos experimentos visando avaliar e comparar as respostas da soja a práticas corretivas em áreas agrícolas queimadas e não queimadas. Rio Verde (GO), 2025.

Controle

Esterco de curral

Esterco de curral + B + S0

B + S0 B

Controle

Esterco de curral

Esterco de curral + B + S0

Tabela 2. Nutrientes fornecidos via esterco de curral utilizado nos tratamentos dos experimentos em áreas agrícolas queimadas e não queimadas. Rio Verde (GO), 2025.

Umidade do esterco

3 14,7

*Macronutrientes aplicados via esterco de curral

pH

*Micronutrientes aplicados via esterco de curral

*Os nutrientes fornecidos pela fonte orgânica foram considerados em base seca. A dose de esterco aplicada, após correção para o teor de umidade, foi de 2,56 t ha⁻¹.

Durante o desenvolvimento da soja, todos os tratos culturais foram realizados de acordo com as recomendações técnicas, procedendo ao controle de plantas daninhas, pragas e doenças sem deixar que estes influenciassem negativamente no desenvolvimento da cultura.

Avaliou-se a massa seca da cobertura vegetal; relação massa seca de palhada: cinzas; nutrientes acumulados na palhada e cinzas e respectivas perdas de nutrientes da palhada em decorrência da queima. Ademais, na ocasião da colheita, foi realizada a avaliação produtividade de grãos, através da coleta manual de 9 m lineares de plantas de soja presentes na área útil de cada unidade experimental, sendo esta amostra, posteriormente, submetida aos processos de trilha, embalagem, identificação, pesagem e correção da umidade dos grãos para 13%.

As análises estatísticas foram realizadas com o programa computacional SISVAR. Os dados do experimento foram submetidos à análise de variância pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito significativo, aplicou-se o critério de agrupamento de médias de Scott-Knott (p≤0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Dados climáticos

Ao longo da safra 2024/2025, observou-se uma boa distribuição das chuvas, com volumes regulares ao longo dos meses. A precipitação acumulada totalizou aproximadamente 870 mm até o final de fevereiro de 2025, com eventos significativos a partir da segunda quinzena de outubro de 2024 e maior concentração de chuvas entre dezembro e janeiro (Figura 2). Essa regularidade hídrica contribuiu para condições favoráveis ao desenvolvimento da soja, especialmente nas fases críticas como germinação, florescimento e enchimento de grãos.

A umidade relativa do ar manteve-se predominantemente acima de 75%, com variações leves ao longo do período, o que favoreceu o crescimento vegetal e reduziu o estresse hídrico. Já as temperaturas médias oscilaram entre 21 °C e 25 °C, mantendo-se estáveis e dentro de uma faixa ideal para o pleno desenvolvimento das culturas, sem ocorrência de extremos térmicos que pudessem comprometer o ciclo produtivo.

Figura 2. Precipitações diárias e acumuladas (mm); temperaturas médias (°C); umidade relativa do ar (%) ao longo da safra. Rio Verde (GO), 2025.

EFEITO DO FOGO NA COBERTURA VEGETAL E RELAÇÃO PALHA/CINZAS

Em relação à cobertura do solo, verificou-se a presença de 11,2 t ha⁻¹ de palhada de milho nas áreas não afetadas pelo fogo, enquanto, após a queima, a quantidade de cinzas remanescente correspondeu a apenas 4,3 t ha⁻¹. Esse resultado indica perda de 7,0 t ha⁻¹ de cobertura, equivalente a 62% da massa seca inicialmente disponível. A redução expressiva da palhada compromete a proteção física do solo, intensificando a suscetibilidade à erosão e à perda de umidade (LAL, 2004; SIX et al., 2002), além de favorecer maior amplitude térmica na camada superficial (CERRI et al., 2010).

A queima também elimina parte da matéria orgânica responsável pela ciclagem de nutrientes e pelo aumento da capacidade de troca catiônica, resultando em menor disponibilidade de nutrientes essenciais como N, S e B (NEVES et al., 2007; GIÁCOMO et al., 2015). Além disso, a redução da palhada compromete a atividade microbiana e a estabilidade dos agregados do solo, aspectos funda-

mentais para a manutenção da fertilidade e da resiliência produtiva (STEVENSON, 1994; HUNGRIA et al., 2009).

Consequentemente, a menor disponibilidade de resíduos vegetais pode afetar negativamente a sustentabilidade do sistema produtivo, reforçando a importância da manutenção da palhada como estratégia de conservação do solo e mitigação dos efeitos adversos da variabilidade climática sobre a produtividade da soja (BAYER et al., 2006; CRUSCIOL et al., 2011).

NUTRIENTES PERDIDOS E REMANESCENTES

Os dados obtidos evidenciam que até 75% do N acumulado na biomassa vegetal foi perdido após a queima, seguido por perdas de aproximadamente 60% de S, o que demonstra a elevada suscetibilidade desses elementos à volatilização (Tabela 3). Resultados semelhantes foram observados por Lehmann et al. (2003), que destacaram a volatilização de N e S como os principais fatores de perda de nutrientes em solos tropicais após quei-

FERTILIDADE

madas. As queimadas promovem perdas expressivas de nutrientes essenciais ao desenvolvimento das culturas, tanto por processos de volatilização quanto pela indisponibilização de elementos presentes na palhada ou nos fertilizantes previamente aplicados. Diversos estudos já

demonstraram que o fogo altera de forma expressiva a dinâmica de nutrientes, uma vez que reduz a microbiota do solo, impactando negativamente a ciclagem natural e reduzindo a fertilidade do solo (MACEDO et al., 2008; RESENDE et al., 2010).

Tabela 3. Acúmulo de nutrientes na palhada de milho e nas cinzas, bem como a relação de perdas/indisponibilização (%) após a queima. Rio Verde (GO), 2025.

Acúmulo de nutrientes

ha-1

Nutrientes perdidos ou indisponibilizados %

Micronutrientes

Acúmulo de nutrientes

ha-1

Nutrientes perdidos ou indisponibilizados %

Além disso, outros macronutrientes também foram significativamente impactados, ainda que em menor magnitude (Tabela 3). As perdas observadas para o K, Mg e Ca foram de 28%, 20% e 15%, respectivamente. Embora esses nutrientes apresentem menores perdas, parte pode ser perdida por lixiviação ou transformação em formas menos disponíveis, especialmente em solos altamente intemperizados (Novais, Alvarez & Barros, 2007). Essas reduções são particularmente relevantes, uma vez que K, Mg e Ca desempenham funções essenciais nos processos metabólicos das plantas, como a regulação osmótica, a fotossíntese, a síntese proteica e a estabilidade estrutural da parede celular (TAIZ et al., 2021). A diminuição desses elementos compromete a capacidade de recuperação natural do solo e pode demandar maiores aportes de fertilizantes para restabelecer a produtivida-

de agrícola em safras subsequentes.

No que se refere aos micronutrientes, o B destacou-se como o elemento mais afetado, com perda total (100%) durante o processo de queima. Esse resultado reforça a necessidade de reposição desse nutriente em áreas manejadas com queima, especialmente em culturas sensíveis à sua deficiência, como a soja. O Fe e o Mn também apresentaram reduções expressivas, com perdas de 60% e 33% (Tabela 3), respectivamente, indicando limitação potencial na reciclagem desses elementos via resíduos vegetais queimados (RESENDE et al., 2010).

Por outro lado, o Zn apresentou um comportamento atípico, com aumento aparente da concentração nas cinzas (Tabela 3). Esse resultado pode estar relacionado à concentração relativa do elemento após a perda da

Cinzas
Cinzas

fração orgânica volátil, ou ainda à redistribuição e enriquecimento em fases minerais mais estáveis durante a queima (Steiner et al., 2007). No entanto, esse fenômeno deve ser interpretado com cautela, considerando possíveis variações analíticas ou amostrais.

Os resultados desse estudo evidenciam os efeitos prejudiciais da queima de resíduos agrícolas, especialmente no que se refere à interrupção da ciclagem de nutrientes e à redução da fertilidade de solos do Cerrado em médio e longo prazo. Para mitigar tais impactos, é fundamental adotar estratégias conservacionistas, como a manutenção da cobertura vegetal e a aplicação integrada de fertilizantes minerais e orgânicos, práticas que contribuem para a recuperação e o equilíbrio da fertilidade do solo (LEHMANN et al., 2003; RESENDE et al.,

2010; MACEDO et al., 2008).

PRODUTIVIDADE – ÁREA QUEIMADA E NÃO QUEIMADA

Ao analisar as médias gerais dos experimentos em áreas com e sem queima da palhada, verificou-se diferença significativa de 8 sacas ha⁻¹ na produtividade de soja, o que corresponde a aproximadamente 12% de redução no rendimento (Figura 3). Esse resultado evidencia o efeito negativo do fogo sobre o desempenho da cultura e o comprometimento da sustentabilidade produtiva do sistema. Ressalta-se que tal diferença poderia ser ainda mais acentuada em anos agrícolas sob maior estresse hídrico, quando a presença da palhada exerce papel essencial na conservação da umidade do solo e na manutenção da fertilidade.

Figura 3. Produtividade de soja (sacas ha⁻¹) na safra 2024/2025 em áreas com e sem queima da palhada. Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (p > 0,05). Rio Verde (GO), 2025.

A redução observada pode estar relacionada à volatilização e imobilização de nutrientes suscetíveis à perda durante a queima, como N, S e B, além da degradação da matéria orgânica, que compromete a retenção de água e cátions e reduz a atividade microbiológica do solo; fatores determinantes para o adequado desenvolvimento da cultura. Em contrapartida, na área não queimada, a manutenção da palhada favoreceu o aporte de nutrien-

tes pela ciclagem, a melhoria da cobertura superficial e a proteção contra a erosão, resultando em condições edáficas e fisiológicas mais estáveis e favoráveis à produtividade da soja.

Estudos têm mostrado que a cobertura do solo com palhada aumenta a matéria orgânica e a fertilidade do solo, conserva a umidade, regula a temperatura e me-

Não Queimada

lhora a atividade microbiana, o que promove maior eficiência no uso de nutrientes e estabilidade no ambiente radicular (LI et al., 2022). Além disso, a palhada reduz a evaporação, aumenta a infiltração de água, melhora a estrutura do solo e reduz perdas por erosão, criando condições mais adequadas ao desenvolvimento das plantas e contribuindo para sistemas agrícolas mais sustentáveis (DU et al., 2022).

Ao considerarmos as médias dos tratamentos, verificamos que a produtividade de soja não foi influenciada

pelo uso da grade niveladora, tanto em áreas queimadas quanto não queimadas, uma vez que não houve diferença estatística significativa (p > 0,05). Em ambas as condições, os valores de produtividade foram semelhantes, com média de 63 sacas ha-1 em área queimada e 67 sacas ha-1 em área não queimada, independentemente da utilização da grade (Figura 4). Este resultado indica que o uso da niveladora, isoladamente, não contribuiu para a mitigação dos efeitos da queimada nem promoveu incremento produtivo nas áreas não afetadas.

Figura 4. Produtividade média de soja (sacas ha-1) nas áreas queimadas e não queimadas submetidas ou não a gradagem, independente da aplicação de fertilizantes. Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (p > 0,05).

O manejo conservacionista aponta que práticas como a subsolagem e a palhada apresentam efeitos mais consistentes sobre a retenção de água no solo, aumento da taxa fotossintética e melhoria da eficiência do uso da água, impactando positivamente a produtividade de culturas como trigo e milho, ao contrário da simples mobilização superficial promovida por implementos leves (YANG et al., 2021). A literatura mostra que a palhada favorece o equilíbrio

Produtividade

hídrico e nutricional, contribuindo para maior resiliência da cultura frente a estresses ambientais, enquanto operações mecânicas isoladas, como a da grade niveladora, não asseguram benefícios significativos à produtividade (LIANG et al., 2025).

Em situações de secas prolongadas e casos graves de queimadas, alguns produtores de grãos utilizam-se da prática da gradagem para revolver o solo de forma preventiva, evitando que o fogo se alastre através da palhada. Porém, esta prática resulta em perdas da cobertura do solo, além de trazer prejuízos a estrutura do solo em sistemas de plantio direto já consolidados, principalmente em safras com maiores desafios climáticos.

PRODUTIVIDADE – RESPOSTA ÀS PRÁTICAS DE ADUBAÇÃO

Ao analisar os resultados de produtividade na área submetida à queima, observou-se que a aplicação de esterco de curral associada ao B + S⁰ promoveu incremento significativo (p < 0,05) de 8 sacas ha⁻¹ em relação ao controle, quando não foi utilizada a grade niveladora (Figura 5). Esse efeito ocorreu mesmo em um ambiente com fertilidade previamente corrigida e histórico de aplicações anuais de enxofre e boro. Por outro lado, as aplicações isoladas de B, S⁰ ou esterco não resultaram em aumento significativo da produtividade de grãos após a queima, evidenciando que a ação sinérgica entre nutrientes e matéria orgânica foi determinante para restaurar parcialmente a fertilidade do solo e favorecer o desempenho da cultura.

Produtividade

Controle Boro Boro + Enxofre elementar

Esterco de curral Esterco de curral + Boro + enxofre elementar

Figura 5. Produtividade de soja (sacas ha⁻¹) em área queimada, sem uso de grade niveladora. Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (p > 0,05).

A combinação desses insumos provavelmente estimulou múltiplos processos edáficos e fisiológicos, como a reativação da microbiota do solo, a melhoria na disponibilidade de nutrientes e o aumento da capacidade de retenção hídrica e de cátions, fatores críticos em solos degradados pelo fogo. Além disso, a adição de matéria orgânica pode ter contribuído para reduzir a imobilização e as perdas por volatilização de B e S, elementos notoriamente suscetíveis nessas condições.

Para áreas que já foram afetadas pelo fogo, algumas práticas corretivas também são pertinentes e podem ajudar a amenizar os danos à qualidade do solo e, consequentemente, ao rendimento das culturas. São alguns exemplos de práticas que podem ajudar na atenuação dos danos ocasionados pela queimada a inclusão de adubações com os nutrientes que estão mais sujeitos as perdas por queimadas, como exemplo, boro e enxofre; definir adequadamente a estratégia de correção e adubação como um todo

(fonte, dose, forma e momento de aplicação) para uso eficiente de nutrientes em cada cenário; realizar análise de solo; ajustar doses de inoculantes e número de sementes por metro.

Entretanto, tal efeito não foi verificado nos tratamentos em que se utilizou a grade niveladora (Figura 6). Nessa condição, a desagregação do solo pode ter favorecido a mineralização da matéria orgânica, aumentando a liberação de nutrientes e, consequentemente, reduzindo as

diferenças entre os tratamentos. Ressalta-se que a safra avaliada teve boa distribuição de chuvas, o que pode ter contribuído com esse resultado. No entanto, em anos mais desafiadores e com restrições hídricas, o uso de grade niveladora em áreas consolidadas e com nível de fertilidade adequado pode acabar por comprometer a estrutura do solo e perdas de matéria orgânica, além de muitas vezes não incorporar as cinzas devido a rápida perda do material remanescente por ação dos ventos.

Boro Boro + Enxofre elementar Esterco de curral

Esterco de curral + Boro + enxofre elementar

Figura 6. Produtividade de soja (sacas ha⁻¹) em área queimada, com uso de grade niveladora. Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (p > 0,05).

Uma vez removida a cobertura vegetal da superfície do solo devido à queima da palhada, a qual funcionava como proteção física, visualiza-se um aumento nos riscos de erosão, ocorrência de altas temperaturas na camada superficial do solo, maior incidência de doenças e plantas daninhas, dificuldades em relação à nodulação da soja, além do estabelecimento inicial da cultura ser prejudicado.

Além disso, a ciclagem de nutrientes da palhada entre culturas em sucessão acaba sendo impactada, podendo

haver perdas totais ou parciais desses elementos, a depender da intensidade e duração do fogo na área (Resende et al., 2010; Lehmann et al., 2003). Os nutrientes remanescentes nas cinzas podem ainda ter sua solubilidade reduzida ou serem removidos do sistema pela ação dos ventos, especialmente nesta época do ano, caracterizada por baixa umidade e ventos fortes em várias regiões do Brasil Central (Macedo et al., 2008; Steiner et al., 2007).

Esse cenário resulta quase sempre em perdas de pro-

Controle

dutividade, tanto na primeira quanto na segunda safra, mas algumas práticas de manejo e fatores como clima e tipo de solo podem amenizar esses prejuízos (Santos et al., 2012; Ferreira et al., 2017). Práticas como a adubação corretiva, reposição de nutrientes perdidos e uso de cobertura vegetal pós-queima têm mostrado eficácia na mitigação dos impactos (Resende et al., 2010).

Diante disso, essa prática de “nivelar” o solo após o fogo deve ser avaliada caso a caso e não serem adotadas de forma generalizadas, assim como qualquer outra prática agronômica. Diante disso, é fundamental que o produtor procure assistência técnica especializada para não se precipitar na tomada de decisão e ser mais assertivo no manejo pós-queimada, evitando perdas de produtividade e rentabilidade a curto, médio e longo prazo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados obtidos neste estudo evidenciam que a queima da palhada resulta em perda expressiva de cobertura vegetal (62%), o que comprometeu a proteção física do solo, a ciclagem de nutrientes e a produtividade da soja. Houve perdas significativas de nutrientes voláteis, especialmente nitrogênio (75%), enxofre (60%) e boro (100%), refletindo redução na fertilidade e queda média de 12% no rendimento da cultura em comparação com áreas não queimadas.

A adição combinada de esterco com boro e enxofre demonstrou potencial para mitigar parcialmente esses efeitos, favorecendo a produtividade em áreas afetadas pelo fogo, especialmente na ausência de gradagem. Por outro lado, o uso isolado da grade niveladora não apresentou efeito positivo e pode agravar a perda de estrutura e nutrientes do solo.

Dessa forma, destaca-se a importância da manutenção da palhada no sistema de plantio direto e, em casos de queima, da adoção de práticas corretivas específicas e tecnicamente orientadas, visando à recuperação da fertilidade, à sustentabilidade produtiva e à resiliência do sistema agrícola.

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POTENCIAL DE RESPOSTA DO MILHO SEGUNDA SAFRA A OPÇÕES DE FERTILIZANTES PARA

INCREMENTO DA PRODUTIVIDADE

E RENTABILIDADE

SARKIS1, Leonardo Fernandes; CAETANO2, Brunna de Carvalho; RODRIGUES3, Julliana Souza; FERNANDES4, Patrick Bezerra; HARA5, Eduardo; BRAZ6, Guilherme Braga Pereira; FERNANDES7, Rafael Henrique; LIMA8, Diego Tolentino de; BUENO9, Amanda Magalhães; VAZ10, Valter; FILHO11, Wander Cruvinel Ferreira

1 Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Ciência do Solo. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br

2 Discente de graduação em Agronomia da Universidade de Rio Verde (UNIRV), campus Rio Verde. Estagiária no Centro Tecnológico COMIGO (CTC).

E-mail: caetano.c.brunna@gmail.com

3 Discente de graduação em Agronomia da Universidade de Rio Verde (UNIRV), campus Rio Verde. Estagiária no Centro Tecnológico COMIGO (CTC).

E-mail: julliana27rodrigues@gmail.com

4 Zootecnista, Dr. em Ciência Animal. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: patrickbezerra@comigo.coop.br

5 Engenheiro Agrônomo, Gerente de Geração e Difusão de Tecnologia do Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: eduardohara@comigo.com.br

6 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). E-mail: guilhermebrag@gmail.com

7 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: rafaelhenrique@comigo.coop.br

8 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo.coop.br

9 Engenheira agrônoma, Doutora em Agronomia. Pesquisadora Agronômica no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br

10 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: valtervaz@ comigo.coop.br

11 Engenheiro agrônomo, Mestre em Fitotecnia. Consultor Agronômico do Departamento de Assistência Técnica da COMIGO. E-mail: wandercruvinel@comigo.coop.br

INTRODUÇÃO

Atualmente, aproximadamente 79% da produção de milho (Zea mays L.) no Brasil e 92% da cultura em Goiás são provenientes do cultivo em segunda safra (CONAB, 2025). Esse sistema, popularmente conhecido como “safrinha”, tem se consolidado como uma opção estratégica, com crescimento contínuo em área cultivada e produtividade nas regiões de Cerrado. Os melhores desempenhos são observados nas áreas semeadas no início da janela de plantio, que se beneficiam de condições climáticas mais favoráveis, sobretudo quanto à disponibilidade hídrica, a qual tende a reduzir ao longo do ciclo da cultura nesse período.

Apesar do potencial produtivo, a segunda safra de milho impõe uma série de desafios agronômicos, principalmente relacionados ao manejo nutricional da cultura. Devido às incertezas climáticas, curto espaço de tempo entre a colheita da cultura antecessora (geralmente a soja) e a semeadura do milho, além das variações no valor de mercado do grão, resultam em reduções nas práticas de adubações por parte de alguns produtores ou

adoções de estratégias de adubação simplificadas para o cultivo em segunda safra, o que limita o potencial de resposta da cultura, tanto por erros na escolha da dose, quanto na definição da fonte, local e momento da aplicação (SARKIS et al., 2023).

Dentre as práticas de manejo que podem incrementar a produtividade de grãos, a adubação nitrogenada em cobertura tem apresentado resultados positivos (ALBERT et al., 2023; SIMÃO et al., 2020;). Porém, aplicações tardias de nitrogênio (N) via ureia em superfície podem resultar em elevadas perdas por volatilização de amônia (NH3), que ocorrem principalmente nos 7 primeiros dias após a aplicação dos fertilizantes (COSTA et al.; 2003; AFSHAR et al., 2018) e, consequentemente, baixa eficiência no uso de nutriente pela cultura devido ao final do período de chuvas (SARKIS et al., 2023) que dificulta a incorporação do fertilizante e absorção pelas raízes.

As adubações fosfatadas e potássicas também podem incrementar a produtividade do milho 2º safra (SOUZA et al., 2018; SIMÃO et al., 2018), bem como alguns fertilizantes associados à algum tipo de tecnologia como adição de micronutrientes e misturas granuladas para evitar segregação. A adubação adequada, tanto em termos de dose quanto de época, forma e momento de aplicação dos nutrientes, é fundamental para garantir o aproveitamento eficiente dos insumos e o alcance do potencial produtivo de híbridos modernos de milho.

Neste contexto, o manejo adequado da adubação, especialmente com nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), desempenha um papel decisivo na sustentabilidade e produtividade da cultura do milho 2º safra. Além disso, práticas que considerem a adubação residual da cultura antecessora, o tipo de solo e as condições climáticas locais são determinantes para identificar manejos mais eficientes e sustentáveis para maximizar a produtividade e otimizar o uso de insumos em sistemas agrícolas intensificados.

Diante disso, o objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial de resposta do milho segunda safra a diferentes formulações de fertilizantes aplicadas a lanço imediatamente após a semeadura, com foco na viabilidade técnica e econômica de formulações contendo NK; NK + B; NPKS (mistura de grânulos); NPKS (misturas granuladas); e variações com micronutrientes.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado a campo em área localizada no Centro Tecnológico COMIGO, sediada na cidade de Rio Verde (GO) (S 17°46'01" O 51°02'07", altitude de 790 m), visando avaliar as respostas do milho 2º safra às diferentes formulações de fertilizantes aplicadas à lanço imediatamente após à semeadura, sendo conduzido de 23/02/2025 a 29/07/2025, após o cultivo de soja (cv. ST 752 I2X) que produziu média de 70 sacas ha-1.

Anteriormente a instalação do experimento, foi realizada análise de solo de amostra coletada na profundidade de 0 a 20 cm, a qual apresentou as seguintes propriedades químicas e textura: pH em CaCl2 de 5,30; 0,1 cmolc dm-3 de Al+3; 3,08 cmolc dm-3 de Ca+2; 1,11 cmolc dm-3 de Mg+2; 46,23 mg dm-3 de K; 27,3 mg dm-3 de P; 0,32 mg dm-3 de B; 2,89 mg dm-3 de Zn; 1,26 mg dm-3 de Cu; 8,51 mg dm-3 de Mn; 19,88 g dm-3 de M.O.; 8,11 cmolc dm-3 de CTC; 61,60% de areia; 4,10% de silte e 34,3% de argila. O solo é classificado como Latossolo Vermelho distrófico (SANTOS et al., 2018). De acordo com classificação de Köppen, o clima de Rio Verde é do tipo Aw, que recebe denominação de “tropical com estação seca”. Os dados climatológicos relacionados a temperatura máxima e mínima do ar e precipitações durante o período de condução do experimento foram monitorados por estação meteorológica da marca Plugfield® instalada na área de pesquisa do CTC.

A semeadura do milho em sucessão a soja foi realizada de forma mecanizada no dia 23/02/2025, adotando-se espaçamento entrelinhas de 0,5 m, utilizando o híbrido AG8480, com densidade de semeadura de 3,4 sementes m-1. As sementes utilizadas no experimento foram tratadas industrialmente com fungicidas e inseticidas. No momento da semeadura, não foi utilizado fertilizante no sulco de plantio e os tratamentos foram aplicados à lanço imediatamente após o plantio.

O delineamento utilizado foi o de blocos completos ao acaso (DBC), com 4 repetições, avaliando-se 8 tratamentos (Tabela 1). As unidades experimentais foram compostas por dez linhas de semeadura, com comprimento de 8,0 m (40,0 m2). Considerou-se como área útil para as avaliações apenas as seis linhas centrais de cada unidade experimental, excluindo-se 0,5 m de cada extremidade.

FERTILIDADE DO SOLO & FERTILIZANTES

Tabela 1. Tratamentos e respectivas doses utilizadas no experimento visando avaliar as respostas do milho 2º safra às diferentes formulações de fertilizantes aplicadas à lanço imediatamente após à semeadura. Rio Verde (GO), 2025.

Dose do produto

Tratamento

Controle

20-00-20

20-00-20

20-00-20 + 0,17% B

22-10-010

8-20-18 turbo

8-20-18 convencional

16-16-16

*Adubações complementares com ureia e KCl aos xx dias após a semeadura visando igualar os “pontos” de N e K para os diferentes tratamentos.

Durante o desenvolvimento do milho, todos os tratos culturais foram realizados de acordo com as recomendações técnicas, procedendo ao controle de plantas daninhas, pragas e doenças sem deixar que estes influenciassem negativamente no desenvolvimento da cultura. Ademais, na ocasião da colheita, foi realizada a avaliação produtividade de grãos, através da coleta manual das espigas de 10 plantas presentes na área útil de cada unidade experimental, sendo esta amostra, posteriormente, submetida aos processos de trilha, embalagem, identificação, pesagem e correção da umidade dos grãos para 13%.

As análises estatísticas foram realizadas com o programa computacional SISVAR. Os dados do experimento foram submetidos à análise de variância pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito significativo, aplicou-se o critério de agrupamento de médias de Scott-Knott (p≤0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A precipitação acumulada durante a condução do experimento foi de 401 mm. Na semana anterior a data de semeadura e aplicação dos tratamentos, houve acúmulo de 6,6 mm. Aos primeiros 15, 30 e 60 dias após a semeadura, as chuvas corresponderam a 66 mm (17%), 158 mm (39%) e 332 mm (83%), respectivamente. A precipitação pluviométrica e a distribuição das chuvas no período após a aplicação dos fertilizantes influenciam significativamente (p<0,05) na eficiência da adubação (SARKIS et al., 2023). Após os 60 DAS, as chuvas corresponderam a apenas 69mm (17%) até o momento da colheita.

A umidade relativa do ar média foi de 74% ao longo do cultivo. A temperatura média no mesmo período foi de 21,6 oC, ocorrendo mínimas de 16,1 oC e máximas de 28,8 oC, respectivamente.

Figura 1. Precipitações diárias e acumuladas (mm); temperaturas máximas, mínimas e médias (°C); umidade relativa do ar (%) após a semeadura do milho segunda safra. Rio Verde (GO), 2025.

Ao observarmos os dados da Tabela 2, fica evidente que o maior volume de chuva se concentrou até o mês de abril, o que indica a importância de fatores como data de semeadura e momento de aplicação dos fertilizantes para melhor aproveitamento de nutrientes e rendimento do milho cultivado em segunda safra. Aplicações tardias

de nutrientes, devido às limitações hídricas observadas, reduzem a eficiência de uso, além de poder aumentar as perdas por volatilização de N. Assim, contar apenas com as condições climáticas representa alto risco de ineficiência na incorporação do N-fertilizante e aproveitamento de nutrientes (DAWAR & ZAMAN et al., 2011).

Tabela 2. Resumo mensal dos dados climáticos para o período de cultivo do milho 2º safra em resposta às diferentes formulações de fertilizantes aplicadas à lanço imediatamente após à semeadura. Rio Verde (GO), 2025.

FERTILIDADE DO SOLO & FERTILIZANTES

Observa-se que a precipitação total ao longo do ciclo foi de 401 mm (Tabela 3), atingindo 100% da lâmina acumulada aos 156 dias após a semeadura (DAS). Nos primeiros 7 dias, foram registrados 66 mm (17% do total), evidenciando uma boa disponibilidade hídrica inicial. Entre 20 e 50 DAS, o acúmulo passou de 84 mm (21%) para 178 mm (44%), indicando que aproximadamente metade

da chuva ocorreu no primeiro terço do ciclo. O período de maior incremento hídrico ocorreu entre 50 e 60 DAS, quando a precipitação acumulada praticamente dobrou, saltando de 178 mm (44%) para 332 mm (83%). A partir de 70 DAS, o aumento foi gradativo e moderado, atingindo 364 mm (91%) aos 100 DAS. Entre 120 e 156 DAS, o valor estabilizou próximo ao total do ciclo (401 mm).

Tabela 3. Precipitação acumulada após a semeadura para o período de cultivo do milho 2º safra em resposta às diferentes formulações de fertilizantes aplicadas à lanço imediatamente após à semeadura. Rio Verde (GO), 2025.

Dias após a semeadura

Precipitação acumulada mm

Precipitação por período %

Baseado nos resultados obtidos, é possível inferir que na fase vegetativa do milho o aporte hídrico foi considerável, favorecendo a germinação e o estabelecimento das plantas. O pico de chuvas no período reprodutivo (50–60 DAS) coincide com uma fase crítica da cultura, o que pode ter contribuído positivamente para o enchimento de grãos. Após 100 DAS, a precipitação teve menor incremento, indicando que a maior parte da disponibilidade hídrica ocorreu antes da fase final do ciclo (ÇAKIR, 2004; SONG et al., 2019). Esse padrão de disponibilidade hídrica também influencia diretamente a absorção de nutrientes, potencializando os

efeitos das estratégias de adubação adotadas.

Os resultados de produtividade de milho em resposta às diferentes formulações de fertilizantes aplicadas a lanço imediatamente após a semeadura (Figura 2) demonstram claramente que há diferença significativa (p<0,05) nos rendimentos de grãos em função dos tratamentos, indicando que o milho 2ª safra é altamente responsivo à adubação mesmo em semeaduras tardias, e que a definição da estratégia de adubação em composição, dose e presença de micronutrientes é decisiva para o crescimen-

to inicial das plantas e rendimento final (Figuras 1 e 2).

Os tratamentos com fórmulas “NK”, tais como 20-00-20 (200 e 300 kg ha⁻¹), com ou sem adição de 0,17 % de B, proporcionaram um incremento médio de 22 sacas ha⁻¹ sobre o controle (117 sacas ha⁻¹), mostrando que mesmo nutrientes primariamente associados ao crescimento vegetativo e transporte de fotoassimilados (N e K) podem trazer ganhos significativos (p<0,05) quando fósforo ou micronutrientes não forem o fator limitante. Aumentos semelhantes de rendimento no milho em resposta à fertilização NK (com ou sem micronutrientes) também foram documentados na literatura, enfatizando que quando o P ou os micronutrientes não são limitantes, N e K adicionais ainda podem gerar ganhos expressivos no rendimento de grãos (por exemplo, resposta do rendimento do milho às taxas de N-P-K-B) (BEKELE et al. 2022).

No entanto, estratégias que incluíram o P (como as misturas granuladas 16-16-16, 22-10-10 e misturas de grânulos 8-20-18, com ou sem micronutrientes) mostraram incrementos ainda maiores, em média 33 sacas ha⁻¹ acima do controle, o que destaca o papel central do P na formação de espigas, enchimento de grãos e no ciclo reprodutivo do milho, especialmente em latossolos, que naturalmente exibem limitações naturais nas frações desse elemento. Esse padrão de resposta alinha-se com o estudo de SOUZA et al. (2023), que verificou respostas significativas e modelos quadráticos entre produtividade de milho safrinha e doses de P₂O₅ aplicadas em Latossolo Amarelo no Cerrado, para variáveis como massa de mil grãos, número de grãos por fileira e produtividade de grãos.

A adição de micronutrientes, especialmente no tratamento com 8-20-18 + micros (via tecnologia Turbo Micro®), resultou em ganho adicional de cerca de 11 sacas ha⁻¹ sobre a fórmula convencional 8-20-18, destacando que, além de macronutrientes, os micronutrientes também podem ser limitantes em certas condições, contribuindo para melhor desempenho agronômico. Esse resultado converge com outras pesquisas que apontam respostas positivas do milho à aplicação de micronutrientes, em solos com baixa disponibilidade, melhorando aspectos como tolerância a estresses, qualidade de grãos, menor incidência de falhas de espiga e etc.

Esses resultados evidenciam a importância de se

atentar à adubação do milho 2º safra, definindo adequadamente a estratégia a ser utilizada, visto que a cultura é altamente responsiva a essas práticas e à incorporação de tecnologias, como a adição de micronutrientes. Além de elevar a produtividade, tais práticas podem aumentar a rentabilidade, conforme apresentado na Tabela 4. Os dados demonstram que, além do ganho agronômico na produtividade do milho 2ª safra, a escolha correta da formulação de fertilizantes exerce influência direta sobre o retorno econômico da cultura.

Comparando-se os tratamentos com adubação em relação ao controle (sem adubação), observou-se que todos os fertilizantes testados proporcionaram aumento de produtividade e lucro líquido por hectare, com destaque para a formulação 8-20-18 Turbo (com micronutrientes via tecnologia Turbo Micro®), que apresentou o maior incremento produtivo (38 sacas ha⁻¹) e o maior lucro líquido estimado (R$ 1.240,4 por ha ou R$ 1.240.357 por 1000 ha).

Apesar do maior custo total da adubação nesse tratamento (R$ 714,94 ha⁻¹), o retorno compensou amplamente o investimento adicional. As demais formulações, como 8-20-18 convencional e 20-00-20 + 0,17% B, também demonstraram viabilidade econômica superior ao controle, embora com lucros líquidos menores. Isso reforça que a inclusão de fósforo e micronutrientes, mesmo via aplicação a lanço após a semeadura, resulta em expressivos ganhos de produtividade e rentabilidade, evidenciando a relevância de estratégias nutricionais mais completas e tecnologicamente avançadas para os híbridos de milho modernos cultivados em 2º safra

Outro estudo conduzido por Simão et al. (2018), em Rio Verde - GO, demonstrou que as adubações NPK realizadas nas semeaduras de janeiro e fevereiro proporcionaram aumento expressivo no rendimento de grãos, corroborando que a época tardia não inviabiliza a resposta da cultura quando as adubações são bem definidas. Esses resultados evidenciam que, mesmo em condições de semeadura fora do período tradicional, a adequada disponibilização de nutrientes pode sustentar o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo das plantas. Além disso, o trabalho reforça a importância do manejo criterioso da fertilização, visto que práticas de adubação alinhadas ao potencial produtivo e às condições edafoclimáticas podem compensar limitações impostas pelo calendário agrícola, garantindo maior

FERTILIDADE DO SOLO & FERTILIZANTES

estabilidade da produção.

Diante disso, a inclusão de micronutrientes e o uso de formulações multinutrientes parecem ser diferenciais importantes em híbridos modernos de milho 2ª safra, especialmente sob limitações climáticas, solos com teores

variáveis de fertilidade e exigências agronômicas elevadas. Isso reforça que uma recomendação técnica para produtores deveria contemplar não apenas macronutrientes, mas a inclusão de micronutrientes, de modo a maximizar produtividade e rentabilidade.

Figura 2. Aspecto visual das plantas de milho aos 40 dias após a semeadura (DAS) e espigas no momento da colheita em resposta às estratégias de adubação: a) Controle (sem adubação); b) 20-00-20 (200 kg ha-1); c) 20-00-20 (300 kg ha-1); d) 20-00-20 + 0,17%B (300 kg ha-1);

Figura 3. Produtividade de milho 2º safra em resposta à diferentes formulações de fertilizantes aplicadas à lanço imediatamente após à semeadura. Rio Verde (GO), 2025.

Produtividade de milho (sacas ha -1 )

*Significativo a 5% de probabilidade pelo teste F. Médias seguidas de letras distintas diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.

Tabela 4. Estimativa de rentabilidade para os tratamentos avaliados no experimento visando incrementar a produtividade do milho cultivado em 2º safra em resposta às diferentes formulações de fertilizantes aplicadas à lanço imediatamente após à semeadura. Rio Verde (GO), 2025.

Custo total da adubação

Produtividade Saca de milho Incremento

Controle

20-00-20

20-00-20

20-00-20 + 0,17 B

8-20-18 convencional

8-20-18

*Lucro líquido

ha-1 Lucro líquido

1000 ha-1

*Lucro líquido referente apenas ao comparativo de custos dos tratamentos e respectivos incrementos de produtividade da adubação em relação ao controle, sem considerar custos de adubações complementares e demais práticas de manejo. Custo levantado com base em cotação realizada no dia 27/08/2024 na Cooperativa COMIGO.

CONCLUSÕES

Os resultados obtidos neste estudo demonstram que o milho cultivado em segunda safra apresenta elevada responsividade às práticas de adubação, mesmo em condições de semeadura tardia. A aplicação de fertilizantes formulados, especialmente aqueles contendo fósforo e micronutrientes, promoveu incrementos significativos na produtividade de grãos, superando em até 33 sacas ha⁻¹ o tratamento controle. Destaca-se que as misturas que incluíram micronutrientes, como a tecnologia Turbo Micro®, proporcionaram ganhos adicionais de produtividade, evidenciando a importância da nutrição equilibrada e tecnificada para a maximização do rendimento da cultura. Assim, a definição criteriosa da estratégia de adubação considerando a composição, dose, época e forma de aplicação é decisiva para o sucesso do milho safrinha, contribuindo tanto para o desempenho agronômico quanto para a viabilidade econômica do sistema produtivo.

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EVOLUÇÃO DA PRODUTIVIDADE DE SOJA E MILHO E OS NOVOS CAMINHOS DAS ADUBAÇÕES

SARKIS1, Leonardo Fernandes;

1 Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Ciência do Solo. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC).

E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br

CENÁRIO DE GRÃOS NO BRASIL: IMPORTÂNCIA DA SOJA E MILHO

Atualmente, o Brasil consolida-se como um dos maiores produtores mundiais de grãos, com uma área total cultivada próxima de 77,5 milhões de hectares, dos quais soja e milho representam a maior parcela. A soja ocupa cerca de 46 a 48 milhões de hectares, correspondendo a aproximadamente 60% da área total de grãos e consolidando-se como a principal cultura agrícola do país. O milho, por sua vez, é cultivado em aproximadamente 20 a 21 milhões de hectares, sendo que 79% dessa área correspondem à segunda safra, o que reforça sua importância dentro do sistema de sucessão soja–milho, especialmente nas regiões do Centro-Oeste.

Em termos de produção, o Brasil deve alcançar cerca de 172 milhões de toneladas de soja e 130 a 140 milhões de toneladas de milho na safra 2024/25, segundo estimativas da CONAB (2025). No cenário mundial, a cultura da soja ocupa uma área de aproximadamente 138,5 milhões de hectares, com produção estimada em 395 milhões de toneladas, e o Brasil disputa a liderança global com os Estados Unidos, figurando como um dos principais exportadores e responsáveis pelo abastecimento global de proteína vegetal (EMBRAPA, 2025; IBGE, 2025). Esses números evidenciam não apenas a expressividade territorial e produtiva do agronegócio brasileiro, mas também a relevância estratégica de práticas de manejo e fertilidade que

assegurem a sustentabilidade e o equilíbrio produtivo dos sistemas agrícolas nacionais.

EVOLUÇÃO DAS PRODUTIVIDADES DE SOJA

A produtividade da soja no Brasil apresentou forte crescimento nas últimas décadas, consolidando o país como um dos principais produtores mundiais da cultura. Atualmente, são cultivados aproximadamente 47 milhões de hectares de soja, distribuídos majoritariamente em áreas de Cerrado, onde o avanço tecnológico e o manejo da fertilidade do solo foram decisivos para viabilizar sistemas de alta produtividade.

O estado de Goiás exemplifica bem esse processo de intensificação sustentável. A área plantada praticamente dobrou nos últimos 20 anos, alcançando cerca de 4,9 milhões de hectares, enquanto a produtividade média aumentou 26%, correspondendo a um acréscimo de aproximadamente 17 sacas ha⁻¹ no período (Figura 1). Esses ganhos refletem não apenas o uso de cultivares modernas e adaptadas às condições tropicais, mas também a adoção de práticas de correção e manejo do solo, como a calagem, adubação e a integração com o sistema plantio direto.

Em nível de propriedade, as diferenças são ainda mais expressivas, evidenciando o impacto direto da gestão da fertilidade e do manejo localizado de nutrientes na produtividade. Áreas recém-abertas, quando recebem doses adequadas de calcário e adubação corretiva, apresentam respostas mais consistentes e sustentáveis ao longo dos anos.

Comparativamente, enquanto a produtividade média brasileira evoluiu de cerca de 1.400 kg ha⁻¹ em 1975 para mais de 3.800 kg ha⁻¹ em 2023, o crescimento em regiões como Goiás tem superado a média nacional, demonstran-

FERTILIDADE DO SOLO & FERTILIZANTES

do que a agricultura tropical moderna, apoiada em correção química e equilíbrio nutricional, é capaz de manter patamares elevados de eficiência e rentabilidade.

Em síntese, a evolução da produtividade da soja no Brasil e, particularmente em Goiás, confirma que os maio-

res avanços estão diretamente ligados à adoção de práticas de manejo do solo e de adubação, que permitem expressar o potencial genético das cultivares e sustentam o crescimento da produção com base na ciência do solo e na eficiência agronômica.

Figura 1. Evolução da produtividade média de soja no Brasil, Centro-Oeste e Goiás nos últimos 20 anos. Adaptado de CONAB (2025).

EVOLUÇÃO DAS PRODUTIVIDADES DE MILHO

No cenário nacional, a cultura do milho ocupa atualmente cerca de 21 milhões de hectares, sendo aproximadamente 79% cultivados em segunda safra (safrinha), o que reforça o papel estratégico desse cultivo no sistema de sucessão soja–milho predominante no Centro-Oeste (CONAB, 2025). Em Goiás, a área plantada com milho é da ordem de 1,8 milhão de hectares, dos quais cerca de 92%

correspondem à segunda safra. Esse dado evidencia a forte integração do milho ao sistema produtivo regional e a dependência das condições climáticas do outono/inverno para a definição dos rendimentos (Embrapa, 2024; IBGE, 2025).

Ao longo dos últimos 30 anos, Goiás apresentou um incremento médio de 41% na produtividade do milho, o que equivale a cerca de 38 sacas ha⁻¹. Esse aumento ocorreu mesmo sendo a maior parte da produção conduzida em segunda safra, o que representa um desafio adicional, considerando as condições climáticas mais restritivas dessa época do ano. Ainda assim, verifica-se um incremento expressivo na produtividade, resultado direto da adoção de tecnologias de melhoramento genético, manejo integrado e práticas ajustadas de correção e adubação.

As diferenças de produtividade tornam-se ainda mais evidentes quando analisadas em escala regional e de pro-

priedade rural. Fatores como nível de acesso a tecnologias, disponibilidade de irrigação localizada e estratégias específicas de manejo do solo explicam produtividades significativamente superior à média do estado em algumas áreas. Essa heterogeneidade espacial reflete não apenas as variações edafoclimáticas entre regiões, mas também o acesso às informações, crédito rural e assistência técnica, elementos decisivos para a adoção de inovações e para o avanço sustentável da produtividade agrícola em Goiás.

De modo geral, os resultados confirmam que o Brasil consolidou um avanço expressivo na produtividade do milho, especialmente em estados como Goiás, onde a intensificação tecnológica e o manejo eficiente têm permitido altos rendimentos mesmo em condições de segunda safra. Esses avanços evidenciam o papel estratégico da pesquisa agropecuária, da transferência de tecnologias e inovações como pilares para a competitividade e sustentabilidade da cultura do milho no país.

Figura 2. Evolução da produtividade de milho nos últimos 20 anos a nível a Brasil, Centro-Oeste e Goiás. Adaptado de CONAB (2025).

NOVOS CAMINHOS DA CORREÇÃO E ADUBAÇÃO

O aumento expressivo de produtividade observado em Goiás nas últimas décadas, cerca de +26% na soja e +41% no milho, evidencia o sucesso da intensificação tecnológica e da correção química dos solos do Cerrado. Contudo, essa mesma evolução traz novos pontos de atenção e ajustes nas práticas de adubação, já que as exigências nutricionais das lavouras têm crescido proporcionalmente aos patamares de produtividade alcançados.

Os avanços tecnológicos recentes têm redefinido o manejo da adubação nas culturas de soja e milho. O conceito dos 4C’s do manejo nutricional, fonte correta, dose correta, local correto e momento correto, consolidou-se como base das recomendações modernas, buscando aumentar a eficiência de uso dos nutrientes.

Entre as inovações mais relevantes estão os fertilizantes de eficiência aumentada, com inibidores de urease e nitrificação, polímeros e revestimentos que controlam a liberação de nutrientes, reduzindo perdas por volatilização e lixiviação. Esses avanços indicam uma transição do modelo tradicional de reposição de nutrientes para um sistema dinâmico, inteligente e biotecnológico, em que a eficiência e a sustentabilidade se tornam centrais para o aumento da produtividade agrícola.

Em resumo, a evolução de produtividade em Goiás demonstra que os ganhos agronômicos já não dependem apenas da expansão de área ou do uso de cultivares superiores, mas de ajustes finos na adubação e no manejo do solo. A nova fronteira tecnológica da adubação no Cerrado está centrada na eficiência de uso, no equilíbrio nutricional e na sustentabilidade química do solo a longo prazo.

CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS

A análise do cenário brasileiro de grãos evidencia que soja e milho constituem os pilares da produção agrícola nacional, tanto pela expressiva área cultivada quanto pelo

papel estratégico que desempenham no abastecimento interno e nas exportações. O avanço da fronteira agrícola em regiões como Goiás, que praticamente dobrou sua área de soja e alcançou incrementos de 26% e 41% na produtividade de soja e milho, respectivamente, reflete o sucesso da adoção de tecnologias de manejo, melhoramento genético e correção de solos típicos do Cerrado.

Entretanto, essa intensificação produtiva impõe novos desafios ao manejo da fertilidade e à sustentabilidade química do solo. O aumento das produtividades eleva proporcionalmente a extração e a exportação de nutrientes, demandando revisão periódica das doses e da relação entre macronutrientes e micronutrientes aplicados. Além disso, práticas como o uso de fontes com maior eficiência agronômica, a integração entre calagem, gessagem e adubação, e o monitoramento contínuo da fertilidade tornam-se fundamentais para garantir o equilíbrio nutricional e a longevidade produtiva dos sistemas soja–milho.

Dessa forma, a manutenção dos ganhos observados nas últimas décadas depende menos da expansão de novas áreas e mais da eficiência no uso de insumos, da gestão precisa da fertilidade e do manejo conservacionista do solo. O futuro da agricultura goiana e brasileira reside na capacidade de aliar altas produtividades à sustentabilidade, consolidando sistemas agrícolas resilientes e competitivos. Assim, o desafio e a oportunidade caminham juntos: produzir mais, com melhor eficiência e menor impacto, consolidando o Cerrado como um polo de agricultura tecnificada e de referência mundial em produtividade e sustentabilidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CONAB (2023–2025) – Séries históricas de área, produção e produtividade de milho, discriminando primeira e segunda safra.

IBGE (2025) – Estatísticas agropecuárias regionais (Produção Agrícola Municipal).

FISIOLOGIA VEGETAL E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

EFEITOS DE CONSÓRCIOS MULTIMICROBIANOS E DA APLICAÇÃO FOLIAR DE

Methylobacterium

symbioticum SOBRE

A

PRODUTIVIDADE

DA SOJA EM SISTEMAS CONSOLIDADOS E EM SOLO AFETADO PELO FOGO.

BUENO, Amanda Magalhães1; FERNANDES, Rafael Henrique2; SARKIS, Leonardo Fernandes3; BRAZ, Guilherme Braga Pereira4; LIMA, Diego, Tolentino5

1 Enga. Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br;

2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@ comigo.coop.br;

3 Eng. Agrônomo, Dr. em Fertilidade do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br.

4 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebrag@ gmail.com;

5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@ comigo.coop.br.

INTRODUÇÃO

A agricultura mundial enfrenta o desafio de sustentar a produtividade de culturas estratégicas como a soja (Glycine max L. Merrill) em um cenário de crescente pres-

são por sustentabilidade ambiental e eficiência no uso de insumos. O uso de produtos biológicos, como inoculantes e biofertilizantes, emergiu como uma das principais soluções para reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados e fosfatados, além de mitigar impactos negativos sobre o solo e a água (SANTOS; NOGUEIRA; HUNGRIA, 2021).

O Brasil é atualmente referência global na adoção dessas tecnologias, especialmente na soja, onde mais de 70 milhões de doses de inoculantes são comercializadas por safra (SANTOS; NOGUEIRA; HUNGRIA, 2021). Essa trajetória é sustentada por décadas de pesquisa em microbiologia agrícola, com destaque para os programas da Embrapa, que consolidaram o uso de Bradyrhizobium como base da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) na cultura da soja (SIQUEIRA et al., 2014).

Entre as bactérias simbióticas empregadas na cultura da soja, Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium diazoefficiens destacam-se pela elevada eficiência na formação de nódulos e na fixação biológica de nitrogênio (FBN). Estudos polifásicos realizados por (DELAMUTA et al. 2013) evidenciaram que estirpes tradicionalmente classificadas como B. japonicum, como a USDA 110 e a brasileira CPAC 7 (=SEMIA 5080), apresentavam diferenças genéticas, fisiológicas e metabólicas significativas em relação ao grupo original. Essas distinções levaram à reclassificação dessas estirpes como uma nova espécie, Bradyrhizobium diazoefficiens sp. nov. Essa atualização taxonômica foi posteriormente confirmada por análises genômicas com-

FISIOLOGIA VEGETAL E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

parativas, que revelaram variações nas ilhas de simbiose e diferenças estruturais em genes associados à eficiência de fixação de N₂ e à capacidade saprofítica, o que explica o melhor desempenho agronômico da cepa 5080 em solos tropicais brasileiros (MEENA et al., 2018).

No Brasil, as estirpes SEMIA 5079 (B. japonicum) e SEMIA 5080 (B. diazoefficiens) tornaram-se referência em inoculantes comerciais, sendo amplamente utilizadas em programas de inoculação na cultura da soja. Com base nesses avanços, o conceito de coinoculação surgiu como uma estratégia inovadora para intensificar os benefícios simbióticos dessas bactérias. A associação entre Bradyrhizobium spp. e Azospirillum brasilense, cepas Ab-V5 (CNPSo 2083) e Ab-V6 (CNPSo 2084) demonstrou ganhos expressivos em produtividade e crescimento radicular. Estudos conduzidos por Delamuta et al. (2013) e Santos et al. (2021) relataram incrementos médios de até 16,1% na produtividade de grãos em comparação à inoculação simples (SANTOS et al., 2021). As cepas Ab-V5 e Ab-V6 apresentam similaridade genômica (~7 Mb), mas diferenças funcionais relevantes: Ab-V5 possui maior capacidade de fixação de N, enquanto Ab-V6 promove nodulação precoce e maior desenvolvimento de raízes finas por meio da produção de auxinas, o que se traduz em melhor aproveitamento de água e nutrientes, além de maior tolerância ao estresse hídrico (JUGE et al., 2012).

Ensaios em múltiplas safras confirmaram que a utilização combinada das duas cepas resulta em ganhos consistentes e estáveis em diferentes condições edafoclimáticas, sendo hoje prática amplamente recomendada pela Embrapa e programas estaduais de extensão. Paralelamente, espécies do gênero Bacillus vêm sendo exploradas por sua versatilidade funcional. Bacillus aryabhattai atua como solubilizador de zinco, transformando fontes insolúveis (óxido, carbonato e fosfato de Zn) em formas assimiláveis pelas plantas, além de promover aumento da biomassa radicular (RAMESH et al., 2014), da respiração microbiana e da atividade de enzimas como desidrogenase e β-glicosidase (ZHAO et al., 2022). Em soja, sua inoculação aumenta o teor de Zn nos grãos e promove biofortificação, sendo considerada uma ferramenta biotecnológica eficiente para solos de baixa disponibilidade de micronutrientes (RAMESH et al., 2014).

Em condições de estresse hídrico, Bacillus aryabhattai

desempenha papel ativo na regulação hormonal e no controle estomático, fundamentais para a manutenção do balanço hídrico. A cepa SRB02, isolada por (PARK et al., 2017), produz quantidades significativas de ácido abscísico (ABA) e giberelinas (GA), elevando os níveis endógenos desses hormônios em plantas de soja sob estresse térmico e hídrico. O ABA, reconhecido como “hormônio do estresse”, induz o fechamento estomático e reduz a perda de água por transpiração, aumentando a tolerância ao déficit hídrico (PARK et al., 2017; TAIZ et al., 2017). Assim, a inoculação com B. aryabhattai não apenas estimula o crescimento, mas também induz mecanismos fisiológicos de adaptação e tolerância ao déficit hídrico, mediando uma resposta integrada entre os sistemas hormonal e antioxidante.

Já Bacillus licheniformis destaca-se por sua ação multifuncional, promovendo o crescimento vegetal, antagonismo a patógenos e tolerância a estresses térmico e hídrico (SUKKASEM et al., 2018). Estudos apontam que o B. licheniformis possuem cepas capazes de induzir vias hormonais relacionadas ao ácido jasmônico (JA) e abscísico (ABA), aumentar a atividade antioxidante (catalase e peroxidase), além de regular o fechamento estomático, contribuindo para o equilíbrio fisiológico das plantas sob estresse (NI et al., 2024; SUKKASEM et al., 2018; ZHOU et al., 2017). No caso de Bacillus licheniformis, os efeitos positivos sobre a tolerância ao estresse hídrico são igualmente expressivos. A cepa CH102, descrita por SUKKASEM et al. (2018), aumentou a atividade de enzimas antioxidantes (catalase e peroxidase), estimulou a expressão de genes ligados às vias do ácido jasmônico (JA) e ABA, e promoveu a síntese de osmoprotetores como prolina, galactinol e colina, todos essenciais à manutenção do turgor e da homeostase celular sob déficit hídrico.

Os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs) constituem outro grupo essencial, com papel direto na melhoria da absorção de fósforo e na promoção da estruturação radicular (PORCEL; RUIZ-LOZANO, 2004). Em associação com rizóbios, esses fungos estabelecem uma rede simbiótica que amplia a superfície de exploração do solo e potencializa a aquisição de nutrientes de baixa mobilidade (PANG et al., 2019; PORCEL; RUIZ-LOZANO, 2004). Trabalhos recentes demonstram que a coinoculação de Bradyrhizobium com FMAs eleva a eficiência de uso de N e P, promove maior crescimento e aumenta a resistência da soja a condições adversas, como seca e salinidade (PANG et al., 2019).

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Entre os microrganismos metilotróficos, Methylobacterium symbioticum representa uma inovação promissora na agricultura biológica moderna (SANTOS; BUNDT, 2025). Essa bactéria coloniza o interior dos tecidos vegetais, estabelecendo uma associação endofítica não nodulante, capaz de coexistir de forma simbiótica com diferentes espécies de plantas (ALESSA et al., 2021). Durante o crescimento vegetal, o metanol liberado pela desmetilação das pectinas da parede celular atua como fonte primária de carbono e energia, para os processos metabólicos bacterianos, inclusive para a fixação de nitrogênio (GROSSI et al., 2025).

Além de produzir fitohormônios como auxinas e citocininas, que estimulam o crescimento, a expansão celular e a atividade fotossintética, M. symbioticum também expressa os genes nifHDK, responsáveis pela codificação da enzima nitrogenase, a qual promove a fixação associativa de nitrogênio atmosférico (N₂) diretamente nos tecidos foliares (ARAÚJO et al., 2015). O nitrogênio reduzido é liberado em pequenas quantidades como amônia (NH₃) ou incorporado a compostos orgânicos, como amidas e aminoácidos (glutamina e glutamato), que são assimilados pela planta, elevando o teor de nitrogênio foliar e a eficiência fotossintética (ARAÚJO et al., 2015). Efeitos particularmente relevantes em condições de baixa adubação nitrogenada ou sob estresses térmico e hídrico (RODRIGUES et al., 2025; SINEAD, 2025). Dessa forma, a aplicação foliar de M. symbioticum atua como uma forma de biofertilização fisiológica, promovendo simultaneamente o fornecimento de nitrogênio, o estímulo hormonal e a ativação de rotas metabólicas antioxidantes e de crescimento, consolidando seu papel estratégico em programas integrados de manejo nutricional e fisiológico da soja (GROSSI et al., 2025).

A combinação de diferentes microrganismos em consórcios multimicrobianos tem emergido como uma estratégia inovadora para potencializar os benefícios individuais das bactérias simbióticas e associativas (KUMAR; KUMAR; KHAN, 2020). A integração de gêneros como Bradyrhizobium, Azospirillum, Bacillus, Methylobacterium e fungos micorrízicos visa ampliar a eficiência do uso de nutrientes, estimular rotas fisiológicas complementa-

res e aumentar a resiliência das plantas em condições de estresse. No entanto, estudos recentes alertam que o sucesso dessas formulações depende da compatibilidade ecológica e metabólica entre as espécies, uma vez que combinações muito complexas podem gerar competição por recursos, antibiose e instabilidade simbiótica, reduzindo a eficiência dos inoculantes e o desempenho das plantas (KUMAR; KUMAR; KHAN, 2020; MEENA et al., 2018)

Diante desse cenário, torna-se essencial compreender como cada grupo microbiano atua individualmente e de forma sinérgica no crescimento e na nutrição da soja. Assim, o presente trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos fisiológicos e nutricionais de diferentes microrganismos promotores de crescimento, em coinoculação com Bradyrhizobium em consórcios multimicrobianos, destacando seus benefícios agronômicos e o potencial de integração em sistemas sustentáveis de produção de soja.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram conduzidos dois experimentos em áreas distintas no município de Rio Verde – Goiás, Brasil, na safra do ano agrícola 2024/2025. O primeiro experimento foi situado em uma área de cultivo consolidado de soja no Centro Tecnológico COMIGO (CTC), nas coordenadas 17°45'59,21"S e 51°2'3,00"O e 843 m de altitude. O segundo experimento foi conduzido em uma área consolidada de cultivo de soja, que passou por queimada acidental no período de entressafra, no ano de 2024, na Fazenda Monte Alegre (FMA), nas coordenadas 17°34'1,70"S e 51°0'11,45"O 747 m de altitude.

O clima da região é classificado como Aw (Savana Tropical), segundo Köppen (ALVARES et al., 2013) caracterizado por estação seca no inverno (maio a setembro) e chuvosa no verão (outubro a abril). Durante o ciclo das culturas, a precipitação pluvial e a temperatura foram monitoradas por meio da estação agrometeorológica Plugfield® modelo WS22, instalada próxima às áreas experimentais. Tomando como base os dados meteorológicos coletados, foi elaborado o balanço hídrico da safra para cada uma das áreas (Figuras 1 e 2).

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Figura 1. Balanço hídrico da safra 2024/25, no Centro Tecnológico Comigo (CTC), Rio Verde, Goiás.

Figura 2. Balanço hídrico da safra 2024/25, na Fazenda Monte Alegre, Rio Verde, Goiás.

A correção e adubação das áreas apresentaram históricos distintos de manejo, sendo conduzidos da seguinte forma:

• Área de cultivo consolidado (CTC): recebeu, em pré-semeadura, 1,6 t ha⁻¹ de calcário e 226 kg ha⁻¹ de KCl, ambos com aplicação à lanço. A semeadura ocorreu no dia 23/10/2024 com a cultivar Guepardo IPRO (17 plantas por metro, equivalente a 340 mil plantas ha⁻¹) com a aplicação na linha de 177,5 kg ha⁻¹

do fertilizante MAP 10-46-00.

• Área queimada (FMA): recebeu, em pré-semeadura, 2,0 t ha⁻¹ de calcário e 200 kg ha⁻¹ de Aspire® ambos com aplicação à lanço. A semeadura ocorreu no dia 04/11/2024 com a cultivar M 7535 I2X (14 plantas por metro, equivalente a 280 mil plantas ha⁻¹) com a aplicação na linha de 250 kg ha⁻¹ do fertilizante MAP 10-46-00.

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As aplicações foram realizadas via jato dirigido no sulco de semeadura, utilizando volume de 60 L ha⁻¹. Os mesmos esquemas experimentais foram adotados em ambas as áreas, contemplando diferentes combinações de microrganismos, sendo (Quadro 1):

• Bradyrhizobium japonicum (SEMIA 5079 e 5080);

• Coinoculação com Azospirillum brasilense (Ab-V5 e Ab-V6);

• Coinoculação com Bacillus licheniformis (Cepa CCT807);

• Coinoculação com Bacillus aryabhattai;

• Coinoculação com associação com fungos micorrízicos (Glomus mosseae, G. aggregatum, G. intraradices e G. etunicatum).

Quadro 1 . Descrição dos tratamentos realizados no sulco de semeadura e via foliar, em soja cultivada no município de Rio Verde, Goiás, safra 2024/2025.

Tratamentos

Aplicações no Sulco de Semeadura

Microrganismos

Bradyrhizobium japonicum e B. diazoefficiens (SEMIA 5079 e 5080)

Bradyrhizobium japonicum e B. diazoefficiens (SEMIA 5079 e 5080) + Azospirillum brasilense (Ab-V5 e Ab-V6)

Bradyrhizobium japonicum e B. diazoefficiens (SEMIA 5079 e 5080) + Bacillus licheniformis (Cepa CCTB07)

Bradyrhizobium japonicum e B. diazoefficiens (SEMIA 5079 e 5080) + Bacillus aryabhattai

Bradyrhizobium japonicum e B. diazoefficiens (SEMIA 5079 e 5080) + Glomus mosseae, G. aggregatum, G. intraradices e G. etunicatum

Bradyrhizobium japonicum e B. diazoefficiens (SEMIA 5079 e 5080) + Azospirillum brasilense (Ab-V5 e Ab-V6) + Bacillus licheniformis (Cepa CCTB07) + Azospirillum

Bradyrhizobium japonicum e B. diazoefficiens (SEMIA 5079 e 5080) + Azospirillum brasilense (Ab-V5 e Ab-V6) + Bacillus aryabhattai

Bradyrhizobium japonicum com LCO (SEMIA 5079 e 5080) + Azospirillum brasilense (Ab-V5 e Ab-V6) + Glomus mosseae, G. aggregatum, G. intraradices e G. etunicatum

Bradyrhizobium japonicum e B. diazoefficiens (SEMIA 5079 e 5080) + Bacillus licheniformis + Bacillus aryabhattai

Bradyrhizobium japonicum e B. diazoefficiens (SEMIA 5079 e 5080) + Glomus mosseae, G. aggregatum, G. intraradices e G. etunicatum + Bacillus licheniformis (Cepa CCTB07)

Bradyrhizobium japonicum e B. diazoefficiens (SEMIA 5079 e 5080) + Glomus mosseae, G. aggregatum, G. intraradices e G. etunicatum + Bacillus aryabhattai

Bradyrhizobium japonicum e B. diazoefficiens (SEMIA 5079 e 5080) + Azospirillum brasilense (Ab-V5 e Ab-V6) + Glomus mosseae, G. aggregatum, G. intraradices e G. etunicatum + Bacillus aryabhattai + Bacillus licheniformis (Cepa CCTB07)

Aplicações Foliares

Produtos Comerciais Dose L

Optimize Sulco®

Optimize Sulco® + AzoMax®

Optimize Sulco® + MibioHidro®

Optimize Sulco® + Auras®

Optimize Sulco® + EndoMaxx®

Optimize Sulco® + AzoMax® + MibioHidro®

Optimize Sulco® + AzoMax® + Auras®

Optimize Sulco® + AzoMax® + EndoMaxx®

Optimize Sulco® + MibioHidro® + Auras®

Optimize Sulco® + EndoMaxx® + MibioHidro®

Optimize Sulco® + EndoMaxx® + Auras®

Optimize Sulco® + AzoMax® + EndoMaxx® + Auras® + MibioHidro®

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Além disso, foi realizada uma aplicação foliar no estádio fenológico R1, utilizando Methylobacterium symbioticum (cepa SB23). As pulverizações foliares foram realizadas com pulverizador de parcelas pressurizado por CO₂ (Patente BR102016007565-3), montado em trator, com barra de 5,0 m e 10 bicos espaçados a 0,5 m (modelo ADIA 110/01.D, Magnojet). A calibração foi ajustada para 4 bar (58 PSI) e volume de aplicação de 100 L ha⁻¹. Os produtos comerciais utilizados foram Optimize® Sulco, AzosMax®, Auras®, EndoMaxx®, MibioHidro® e UtrishaTM N, aplicados conforme combinação dos tratamentos (Quadro 1).

O delineamento utilizado foi em blocos casualizados, com quatro repetições. Cada unidade experimental foi constituída por 10 linhas de 10 m de comprimento, espaçadas em 0,50 m, perfazendo 50 m² por parcela. As avaliações foram realizadas nas seis linhas centrais, desconsiderando 0,5 m das extremidades. As unidades experimentais foram colhidas com colhedora de parcelas Zürn Harvesting (modelo Zürn 110), realizando a trilha, identificação e pesagem. Os grãos foram corrigidos para 13% de umidade e a produtividade convertida para sc ha⁻¹.

O manejo de plantas daninhas, insetos-praga e doenças foi realizado conforme as recomendações técnicas e inspeções periódicas, seguindo os princípios do manejo

integrado de pragas, doenças e plantas daninhas (MIP, MID e MIPD). Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (ANOVA) pelo teste F a 5% de probabilidade. As médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de agrupamento de Scott-Knott a 5%.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Área de cultivo de soja consolidado (Centro Tecnológico Comigo – Rio Verde – Goiás)

A produtividade média observada nas áreas de cultivo consolidado foi de 80,78 sc ha⁻¹, com coeficiente de variação de 3,33% (Figura 3). A análise de variância não apontou diferenças significativas entre os tratamentos com e sem a aplicação foliar de Methylobacterium symbioticum (p-valor = 0,85; F = 0,62ns), sugerindo que, nas condições da safra 2024/2025, a aplicação do bioestimulante UtrishaTM N não promoveu incrementos significativos na produtividade (Figura 3). Esse comportamento pode estar relacionado à boa disponibilidade hídrica ao longo do ciclo da cultura (Figura 1), que favoreceu o desenvolvimento radicular e a sobrevivência das populações de Bradyrhizobium no solo. Como resultado, a fixação biológica de nitrogênio (FBN) ocorreu de forma eficiente, mesmo sem necessidade do aporte adicional via aplicação foliar.

Com Utrisha N

Tratamentos (P.C.)

Figura 3. Produtividade de grãos em função da aplicação de microrganismos via jato dirigido e foliar, na cultura da soja, em área consolidada de cultivo experimental localizada no Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde, Goiás, safra 2024/25. Média: 80,78 sc ha-1 – CV: 3,33% - F: 0,62ns – P-valor: 0,85ns. ns não significativo a 5% de probabilidade pelo teste F.

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Segundo Sinead (2025), a eficiência simbiótica de M. symbioticum tende a ser mais evidente em situações de estresse térmico ou hídrico, nas quais o microrganismo atua como biofertilizante fisiológico, suprindo nitrogênio e ativando rotas antioxidantes e hormonais (auxinas e citocininas). Em ambientes equilibrados, com boa disponibilidade de água e nodulação eficiente por Bradyrhizobium diazoefficiens e B. japonicum, a demanda por nitrogênio pode ser inteiramente suprida pela simbiose radicular, tornando o efeito da fixação associativa foliar menos perceptível (Grossi et al., 2025).

Entretanto, ao avaliar os tratamentos com inoculação

via sulco de semeadura, independentemente da aplicação de M. symbioticum foliar, observaram-se variações consistentes na produtividade em função das diferentes combinações microbianas (Figura 4). A aplicação isolada de Bradyrhizobium (Optimize® Sulco) resultou em média de 77,19 sc ha⁻¹, enquanto as combinações: Bradyrhizobium + Bacillus licheniformis (Optimize® Sulco + MBio Hidro®); Bradyrhizobium + Bacillus aryabhattai (Optimize® Sulco + Auras®); Bradyrhizobium + fungos micorrízicos arbusculares (Optimize® Sulco + EndoMaxx®), promoveram incremento médio de 4,86 sc ha-1 (6,3%) (Figura 4).

(P.C.)

Figura 4. Produtividade de grãos em função da aplicação de microrganismos via jato dirigido, na cultura da soja, em área consolidada de cultivo experimental localizada no Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde, Goiás, safra 2024/25. Média: 80,78 sc ha-1 – CV: 3,33% - F: 3,40** – P-valor: <0,001**. ** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. Letras iguais não diferem entre si, pelo teste Scott-Knott a 5% de significância.

Esses resultados corroboram estudos que demonstram o efeito sinérgico entre rizóbios e fungos micorrízicos arbusculares (FMAs), os quais aumentam a absorção de P, N e Zn e melhoram a arquitetura radicular da soja, principalmente em solos de maior estabilidade biológica (MEENA et al., 2018). A micorrização intensifica o fluxo de nutrientes de baixa mobilidade e contribui para o balanço redox da planta, reforçando a eficiência dos nódulos formados por Bradyrhizobium.

Os tratamentos contendo Bacillus aryabhattai e B. licheniformis também apresentaram incremento de produtividade

(produzindo 81,32 e 82,66 sc ha⁻¹, respectivamente). Esses microrganismos produzem ácido abscísico (ABA), auxinas e enzimas antioxidantes (SOD, CAT, peroxidase), que regulam o fechamento estomático, mantêm o balanço hídrico e protegem as células sob condições de estresse térmico (MUN et al., 2024; PARK et al., 2017; SUKKASEM et al., 2018; ZHOU et al., 2017). Embora o ano agrícola analisado não tenha sido caracterizado por déficit hídrico, é provável que esses efeitos fisiológicos tenham contribuído para melhor vigor vegetativo e assimilação de nutrientes, refletindo positivamente no rendimento produtivo.

Por outro lado, os tratamentos com misturas de três ou

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mais microrganismos não apresentaram ganhos adicionais significativos em comparação às combinações duplas, apenas em relação à aplicação isolada de Bradyrhizobium. A literatura aponta que consórcios multimicrobianos complexos podem gerar competição por substratos, antibiose ou desequilíbrio metabólico entre as espécies inoculadas (KUMAR; KUMAR; KHAN, 2020). Esse tipo de antagonismo ocorre, por exemplo, quando microrganismos com necessidades nutricionais semelhantes competem pelo mesmo nicho ecológico ou quando um dos integrantes do consórcio secreta compostos antimicrobianos, limitando o crescimento dos demais.

Além disso, em sistemas de solo consolidado, onde a microbiota nativa é estável e funcional, a introdução de consórcios muito complexos tende a apresentar baixa taxa de estabelecimento devido à competição com populações residentes de outros microrganismos melhor adaptados. Esses resultados reforçam a importância de um ajuste fino na seleção dos microrganismos empregados, considerando suas funções fisiológicas específicas e a compatibilidade ecológica do sistema. Em anos agrícolas com boa umidade e temperatura amena, como o observado neste estudo, o desempenho de coinoculação

simples, com aplicação de um microrganismo bioestimulante associado à inoculação com Bradyrhizobium, mostra-se suficiente para maximizar o potencial simbiótico da soja.

CULTIVO DE SOJA EM ÁREA QUE PASSOU POR QUEIMADA (FAZENDA MONTE ALEGRE – RIO VERDE – GOIÁS)

Na área queimada, a produtividade média foi de 63,02 sc ha⁻¹, com coeficiente de variação de 4,01% (Figura 5). Diferentemente da área consolidada, nesta condição a aplicação foliar de Methylobacterium symbioticum, em alguns casos, promoveu respostas mais expressivas, com ganhos significativos de produtividade em relação à ausência da aplicação. Essa diferença está relacionada às alterações físicas e biológicas do solo após o fogo, que reduzem o teor de matéria orgânica e comprometem a estrutura edáfica do sistema. Além disso, há queda na disponibilidade de nutrientes e desequilíbrio na microbiota nativa, incluindo Bradyrhizobium e fungos micorrízicos arbusculares, e demais organismos essenciais para a ciclagem de nutrientes e para a fixação simbiótica de N₂ (JUGE et al., 2012; MEENA et al., 2018).

Figura 5. Produtividade de grãos em função da aplicação de microrganismos via jato dirigido e foliar, na cultura da soja, em área que passou por queimada no período de entre-safra localizada na Fazenda Monte Alegre, Rio Verde, Goiás, safra 2024/25. Média: 63,02 sc ha-1 – CV: 4,01% - F: 8,21 ** – P-valor: <0,001**. ** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. Letras iguais não diferem entre si, pelo teste Scott-Knott a 5% de significância.

FISIOLOGIA VEGETAL E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

A queima da palhada e o aquecimento da superfície do solo limitam a sobrevivência dos microrganismos simbióticos, reduzindo a formação de nódulos e a eficiência da FBN. Nesse contexto, M. symbioticum mostrou-se particularmente benéfica por colonizar tecidos foliares e promover a fixação associativa de nitrogênio. Essa via alternativa de fornecimento de N e a pela produção de fitohormônios, contribuiu para a manutenção do suprimento nitrogenado e da atividade fotossintética mesmo em condições de depleção microbiana do solo (SANTOS; BUNDT, 2025).

Os resultados evidenciaram existir efeitos sinérgicos entre a aplicação foliar de M. symbioticum e os microrganismos aplicados via sulco de semeadura, especialmente nas combinações que incluíram a mistura entre Bradyrhizobium e Bacillus aryabhattai e associações mais complexas, contendo mais de 3 microrganismos em consórcio (Figura 5). Essas associações ampliaram o desempenho produtivo, possivelmente pela complementaridade entre microrganismos rizosféricos e endofíticos. Enquanto os rizosféricos recolonizam a área após evento de queimada, também intensificam a absorção e a redistribuição de água e nutrientes. A M. symbioticum

atua na parte aérea promovendo o metabolismo hormonal, o equilíbrio redox e a assimilação de N, resultando em plantas com maior vigor fisiológico e capacidade de recuperação após o estresse térmico do solo (SINEAD, 2025).

Ao contrário do observado na área consolidada, nesta condição as misturas contendo três ou mais microrganismos mostraram-se produtivamente vantajosas (Figuras 6 e 7). Essa diferença reforça a hipótese de que, em solos degradados e biologicamente empobrecidos, a diversificação microbiana pode ter efeito restaurador, desde que o ambiente ofereça umidade adequada e temperatura favorável à colonização. O consórcio entre Bradyrhizobium, Azospirillum, Bacillus e micorrizasneste caso, pode atuar de forma complementar: o primeiro restabelece a FBN; o segundo estimula o crescimento radicular e a síntese de poliaminas; os Bacillus ativam rotas antioxidantes e enzimáticas; e as micorrizas promovem o aporte de fósforo e zinco. Essa integração cria um sistema microbiano cooperativo, capaz de restaurar a funcionalidade biológica do solo e compensar parcialmente as perdas provocadas pelo fogo.

Figura 6. Produtividade de grãos em função da interação da aplicação de microrganismos via jato dirigido e foliar, na cultura da soja, em área que passou por queimada no período de entre-safra localizada na Fazenda Monte Alegre, Rio Verde, Goiás, safra 2024/25. Média: 63,02 sc ha-1 – CV: 4,01% - F: 8,21 ** – P-valor: <0,001**. ** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. Letras iguais não diferem entre si, pelo teste Scott-Knott a 5% de significância.

FISIOLOGIA VEGETAL E

Tratamentos (P.C.)

Figura 7. Produtividade de grãos em função da aplicação de microrganismos via jato dirigido (sem aplicação foliar) na cultura da soja, em área que passou por queimada no período de entre-safra localizada na Fazenda Monte Alegre, Rio Verde, Goiás, safra 2024/25.

Média: 63,02 sc ha-1 – CV: 4,01% - F: 8,21 ** – P-valor: <0,001**. ** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. Letras iguais não diferem entre si, pelo teste Scott-Knott a 5% de significância.

Ainda assim, a resposta positiva depende da compatibilidade funcional e da proporção entre os microrganismos. Misturas desequilibradas ou com antagonismos metabólicos podem resultar em efeitos inibitórios devido à competição por exsudatos radiculares ou à produção de metabólitos antibióticos (ROSSETIM et al., 2025). Por isso, o uso de consórcios complexos deve ser tecnicamente direcionado, considerando o estado biológico do solo e as condições ambientais de cada safra.

Em síntese, na área queimada, a associação entre microrganismos rizosféricos e endofíticos revelou potencial significativo para restabelecer a simbiose e sustentar a produtividade, especialmente em anos de bom regime hídrico, quando a umidade do solo favorece a sobrevivência e a interação microbiana.

CONCLUSÕES

O desempenho dos microrganismos promotores de crescimento vegetal depende fortemente das condições edáficas e biológicas do solo.

EM ÁREAS CONSOLIDADAS:

• A boa disponibilidade hídrica e a alta eficiência da simbiose com Bradyrhizobium garantem o suprimento de nitrogênio.

• Nessas condições, a aplicação foliar de Methylobacterium symbioticum e os consórcios multimicrobianos não geraram incrementos produtivos significativos em relação a coinoculação com apenas um microrganismo.

• O ambiente equilibrado pode reduzir a expressão dos efeitos fisiológicos e bioestimulantes adicionais.

ÁREAS QUEIMADAS:

Sem Utrisha N

FISIOLOGIA VEGETAL E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

• A redução da matéria orgânica e da microbiota nativa limita a FBN e a ciclagem de nutrientes.

• A aplicação foliar de M. symbioticum e as associações com múltiplos microrganismos mostram ganhos produtivos e fisiológicos relevantes.

• O consórcio entre bactérias endofíticas e rizosféricas podem atuar de forma a intensificar o potencial de resposta das plantas por reativar processos biológicos no solo.

Por fim, a resposta aos biológicos deve ser interpretada à luz do histórico da área e das condições climáticas. Em sistemas consolidados, prioriza-se estratégias que propiciem condições para a manutenção da simbiose com Bradyrhizobium; em áreas degradadas, a coinoculação e os consórcios multimicrobianos tornam-se estratégias-chave para restaurar o equilíbrio biológico e nutricional. O uso racional de microrganismos, ajustado à condição do ambiente, representa uma ferramenta estratégica para fortalecer a resiliência e sustentabilidade da cultura da soja, contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes.

AGRADECIMENTOS

Sinceros agradecimentos à COMIGO e ao Centro Tecnológico COMIGO (CTC) pelo apoio institucional e pela infraestrutura disponibilizada para a realização deste trabalho. A dedicação dos técnicos de campo e estagiários foi fundamental para a condução dos experimentos e coleta dos dados. O suporte técnico, logístico e operacional oferecido por toda a equipe foi essencial para o desenvolvimento e conclusão bem-sucedida desta pesquisa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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INTERAÇÃO ENTRE BIOINSUMOS E NUTRIENTES DE APLICAÇÃO FOLIAR E ADUBAÇÃO NITROGENADA EM COBERTURA NA CULTURA DO MILHO DE SEGUNDA SAFRA

BUENO, Amanda Magalhães¹; LIMA, Diego², Tolentino³; FERNANDES, Rafael Henrique³; BRAZ, Guilherme Braga Pereira⁴; SARKIS, Leonardo Fernandes⁵

1 Enga. Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br;

2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.coop.br;

3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.coop.br;

4 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebrag@ gmail.com;

5 Eng. Agrônomo, Dr. em Fertilidade do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br;

INTRODUÇÃO

O milho cultivado em segunda safra tem papel central na agricultura do Centro-Oeste, especialmente no estado de Goiás, onde mais de 70% da área total é semeada com o cereal. A expansão do milho “safrinha” consolidou o estado como um dos principais polos produtores do Brasil, com produtividade média acima de 100 sc ha⁻¹ em sistemas de sucessão com a cultura da soja (NOGUEIRA; FONSECA, 2023; SIMÃO et al., 2020). Essa importância econômica é

acompanhada pela necessidade de sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis, capazes de manter altos rendimentos sob condições climáticas limitantes.

O cultivo do milho segunda safra no Cerrado goiano ocorre entre fevereiro e março, em sucessão à soja. O clima da região é Aw, com verões chuvosos e invernos secos (ALVARES et al., 2013), e solos predominantemente Latossolos Vermelhos e Vermelho-Amarelos, de textura média a argilosa, com acidez natural e teores variáveis de matéria orgânica (NOGUEIRA; FONSECA, 2023; SIMÃO et al., 2020). Esses fatores, somados à curta janela de semeadura e à redução das chuvas ao final do ciclo, limitam a absorção de nutrientes e aumentam a variabilidade na resposta à adubação nitrogenada. O investimento em fertilizantes é elevado, e a eficiência de uso do N frequentemente é inferior a 70%, devido à volatilização e lixiviação.

O nitrogênio (N) é o nutriente mais demandado pelo milho, atuando na formação de clorofilas, proteínas e enzimas e sendo determinante para o crescimento e a fotossíntese (NOGUEIRA; FONSECA, 2023). Trabalhos conduzidos em Rio Verde e regiões adjacentes demonstram que doses entre 45 e 90 kg ha⁻¹ de N em semeadura e cobertura maximizam a produtividade e o retorno econômico (NOGUEIRA; FONSECA, 2023; SIMÃO et al., 2020). Nessas condições, a melhoria da eficiência do uso do N (EUN) é uma das principais estratégias para aumentar a produtividade e reduzir perdas.

O uso de bioestimulantes microbianos, como O Azospirillum brasilense exerce papel central na bioestimulação do milho, atuando na assimilação de nitrogênio e no crescimento radicular. As cepas Ab-V5 e Ab-V6 são as mais estudadas no Brasil, e quando aplicadas tanto no tratamento de sementes (TS) quanto no sulco de semeadura, promovem

FISIOLOGIA VEGETAL E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

aumento da produção de raízes devido a maior produção de fitormônios (auxinas, giberelinas e citocininas) e, consequentemente, maior exploração do solo e absorção de nutrientes. A inoculação favorece também a fixação biológica associativa de N, reduzindo a dependência do N mineral e aumentando a eficiência agronômica e fisiológica do uso do nutriente, especialmente em condições de restrição hídrica ou solos de baixa fertilidade (GAJULA et al., 2025).

Além da inoculação radicular, a aplicação foliar de A. brasilense tem mostrado resultados positivos sobre a fisiologia do milho. Essa via de aplicação permite que os metabólitos microbianos alcancem diretamente tecidos fotossintéticos, estimulando enzimas como nitrato redutase e Rubisco, elevando o conteúdo de clorofila e a taxa fotossintética (MÜLLER et al., 2025). O efeito combinado da aplicação foliar e no sulco potencializa o vigor vegetativo, o enchimento de grãos e o índice de colheita, resultando em incrementos de produtividade entre 8% e 40%, dependendo das condições ambientais e do nível de integração com outras práticas nutricionais (COELHO et al., 2021; VENDRUSCOLO et al., 2025). Estudos recentes destacam que o sinergismo entre A. brasilense e outros bioestimulantes, como reguladores vegetais ou compostos orgânicos, intensifica os efeitos sobre o metabolismo do N e o crescimento radicular, contribuindo para maior aproveitamento do N aplicado em cobertura e aumento da rentabilidade do sistema produtivo (GAJULA et al., 2025).

Recentemente foram inseridos no mercado, formulações comerciais para aplicação foliares contendo como base a bactéria da espécie Methylobacterium symbioticum, capazes de utilizar metanol liberado pelas plantas como fonte de carbono e energia. Essas bactérias vivem principalmente na filosfera, colonizando a superfície das folhas e penetrando nos tecidos vegetais, onde podem estabelecer associações endofíticas com espécies não leguminosas, como o milho. O M. symbioticum (cepa SB0023/3T) é um microrganismo fixador de nitrogênio recentemente isolado. Sua presença na superfície foliar favorece a fixação biológica de N atmosférico e a liberação de amônio assimilável pelas plantas, além de estimular a síntese de fitormônios promotores de crescimento, como auxinas e citocininas, que atuam na expansão foliar e no desenvolvimento das culturas (SANTOS; BUNDT, 2025). Essa interação confere às plantas maior vigor vegetativo, aumento da taxa fotossintética e melhor aproveitamento do nitrogênio aplicado, com potencial para reduzir a dependência de fertilizantes minerais. Em experimentos de campo e casa de vegetação, Rodrigues, et al. (2024) observaram que a aplicação foliar de M. symbioticum promoveu incrementos no

teor de N e no acúmulo de biomassa do milho, especialmente em condições de menor disponibilidade de N no solo.

Entre os micronutrientes, o Molibdênio (Mo) e o Níquel (Ni) têm funções-chave na assimilação do N. O Mo é cofator das enzimas nitrato redutase e nitrogenase, sendo essencial para a redução de NO₃⁻ e a FBN (EPSTEIN, E BLOOM, 2004). Já o Ni participa da urease, catalisando a conversão de ureia em amônia, etapa crucial no aproveitamento de N mineral aplicado em cobertura (EPSTEIN, E BLOOM, 2004). Trabalhos conduzidos por Oliveira et al. (2022) demonstram que a suplementação foliar de Mo e Ni em milho favorece o metabolismo de N, aumenta a atividade enzimática e pode resultar em ganhos de produtividade superiores a 0,5 t ha⁻¹, além de potencializar o efeito de inoculantes microbianos.

Além dos microrganismos e micronutrientes, diversos bioestimulantes não microbianos, como aminoácidos, extratos de algas, extratos botânicos e compostos que regulam aquaporinas têm sido associados à maior eficiência de uso da água e dos nutrientes. Esses produtos favorecem a absorção radicular e a mobilização de N dentro da planta, contribuindo para maior resiliência em condições de estresse hídrico e térmico, comuns na safrinha. Estudos recentes, como os de Galindo et al. (2017) e Müller et al. (2025), relatam que formulações contendo aminoácidos e extratos vegetais modulam a expressão de aquaporinas e enzimas antioxidantes, resultando em maior estabilidade fisiológica e melhor aproveitamento do N aplicado.

Diante desse contexto, a integração entre manejo nutricional, inoculação microbiana e uso de bioestimulantes representa uma abordagem promissora para aumentar a eficiência do uso do nitrogênio e a sustentabilidade da cultura do milho segunda safra em Goiás. Essa estratégia alia ganhos fisiológicos e econômicos, reduzindo perdas de N e ampliando a resiliência das plantas frente à variabilidade climática do Cerrado.

MATERAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em área experimental do Centro Tecnológico Comigo, no município de Rio Verde, Goiás, nas coordenadas geográficas de latitude - 17°45'58.83" e longitude - 51° 2'5.56" e 841 m de altitude. O clima da região é classificado como Aw (Savana Tropical), conforme classificação Köppen (ALVARES et al., 2013), com estação seca no inverno (maio a setembro) e chuvosa no verão (outubro a abril). Ao longo do ciclo da cultura, os índices de precipitação pluvial e temperatura, foram monitorados, por meio da

FISIOLOGIA VEGETAL E

estação agrometeorológica Plugfield® modelo WS22, instalada nas proximidades da área experimental. Com base os dados meteorológicos coletados, foi elaborado o balanço hídrico da safra 2024/2025 (Figura 1).

O solo da área experimental foi classificado como LATOSSOLO VERMELHO Distroférrico, de textura argilosa (>35% de argila).

A necessidade de adubação da área, foi calculada, com base na expectativa de produtividade. Na ocasião do plantio, que ocorreu no dia 19/02/2025, foi realizada a adubação com 300 kg ha-1 do fertilizante formulado 08-20-18 (24 kg de N, 60 kg de P2O5 e 54 kg K2O por hectare). Ainda no sulco de plantio com auxílio de jato dirigido, com volume de aplicação de 60 L ha-1, foram aplicados 0,30 L ha-1 do inoculante Azomax® (Azospirillum brasilense); inseticida biológico Meta-Turbo® na dose de 0,5 L ha-1 (Metarhizium anisopliae), o fungicida biológico Tricho-turbo® na dose de 0,2 L ha-1 e o nematicida biológico Inlayon® (Bacillus amyloliquefaciens). Cabe destacar que o manejo biológico via sulco, foi padronizado para toda a área, refletindo as práticas regionais consolidadas.

Os manejos de plantas daninhas, insetos praga e doenças, foram realizados conforme o levantamento das ne-

cessidades por meio de avaliações periódicas da área tendo como critério as boas práticas agrícolas. Foram levados em conta os preceitos do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas (MIP, MID e MIPD) para a tomada de decisão quanto ao método de controle utilizado. Estes tratos culturais foram adotados em toda a área experimental.

O experimento foi conduzido em delineamento em blocos ao acaso, em esquema fatorial 5 × 3, com quatro repetições. O fator A correspondeu aos tratamentos foliares com bioestimulantes e micronutrientes, enquanto o fator B foi constituído por doses de nitrogênio em cobertura (0, 60 e 120 kg N ha⁻¹), aplicadas na forma de ureia (Ureia Turbo® COMIGO estabilizada com NPBT).

Os tratamentos foliares compreenderam: (1) testemunha, sem aplicação de bioestimulante; (2) Utrisha N® (Methylobacterium symbioticum) na dose de 0,333 L ha⁻¹,

Figura 1. Balanço hídrico da safra 2024/25, no Centro Tecnológico Comigo (CTC), Rio Verde, Goiás.

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aplicado no estádio V8; (3) Nuvita®, composto derivado de extratos vegetais, na dose de 1,0 L ha⁻¹ em V5; (4) Azomax® (Azospirillum brasilense), aplicado em V5 na dose de 0,20 L ha⁻¹; e (5) NHT CoMoNi® + Quimifol Níquel®, aplicados em conjunto nos estádios V5 e Vn, nas doses de 0,070 + 0,440 L ha⁻¹, correspondendo a 5,39 g Co ha⁻¹, 53,9 g Mo ha⁻¹ e 50,7 g Ni ha⁻¹ (Quadro 1).

Quadro 1. Descrição dos tratamentos contendo os fertilizantes foliares bioestimulantes aplicados na cultura do milho, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2024/25.

Produto Comercial Testemunha

Utrisha

NHT CoMoNi + Quimifol Níquel

Cobertura com N: 0,60 e 120 kg/ha (Fonte: Ureia Turbo Cmigo)

Figura 2. Descrição gráfica das épocas de aplicação dos tratamentos contendo fertilizantes foliares bioestimulantes, na cultura do milho, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2024/25.

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O plantio foi realizado com o híbrido de milho NK 501 VIP 3 de ciclo classificado como precoce, e população final de 3,4 plantas m-¹ (68.000 plantas ha-¹). Cada parcela foi composta por 12 linhas espaçadas em 0,50 m, contendo 10 m de comprimento (60 m² por parcela). As avaliações foram realizadas nas seis fileiras centrais, excluindo-se 0,50 m das extremidades (área útil de 27 m²). As pulverizações foliares foram realizadas de acordo com o estádio da cultura. Para pulverização das unidades experimentais, utilizou-se um pulverizador de parcelas pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3) montado em trator. O pulverizador possui barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m. Utilizou-se pontas modelo ADIA 110/01.D da marca Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada com pressão de trabalho em 4 bar (58 PSI) e volume de aplicação de 100 L ha-¹.

As unidades experimentais foram colhidas com colhedora de parcelas Zürn Harvesting (modelo Zürn 110), realizando a trilha, identificação e pesagem. Os grãos foram corrigidos para 13% de umidade e a produtividade convertida para sc ha⁻¹. Foram realizadas avaliações biométricas nas plantas, tais como diâmetro de colmo, altura de plantas, altura da inserção da espiga e índice relativo de clorofila. Na data da colheita foram coletadas

3 espigas por parcela e avaliados o peso, tamanho e diâmetro de espiga.

A análise estatística se deu por meio da análise de variância pelo teste F a 5% de probabilidade, para avaliação das significâncias dos resultados. Quando significativos, os resultados de caráter qualitativo tiveram suas médias comparadas a partir do teste Scott-Knott a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Dentre todas as variáveis biométricas avaliadas, apenas a altura de plantas apresentou diferença significativa entre os tratamentos (F = 6,87; p < 0,001), com coeficiente de variação de 2,19% (Figura 3). A média geral foi de 2,56 m, valor compatível com híbridos de alto potencial produtivo cultivados na segunda safra sob boas condições nutricionais e climáticas. Observa-se que a testemunha, sem aplicação de bioestimulantes, apresentou as maiores plantas (2,62 m), diferindo estatisticamente dos demais tratamentos, que não se distinguiram entre si (médias entre 2,52 e 2,55 m). Esse resultado sugere que, embora os bioestimulantes avaliados, Methylobacterium symbioticum, Azospirillum brasilense, extratos de plantas e micronutrientes (Co, Mo e Ni), atuem positivamente em diversos processos fisiológicos.

(m)

Figura 3. Altura de plantas, em função da aplicação foliar de nutrientes e bioestimulantes no milho, em área de cultivo experimental localizada no Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde, Goiás, safra 2024/25. 3 2

P.C. a

NHT CoMoNi + Quimifol Níquel

Média: 2,56 m, CV: 2,19% - 6,87** - P-valor: <0,001**. ** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. Letras iguais não diferem entre si, pelo teste Scott-Knott a 5% de significância.

A ausência de incremento em altura nas plantas, pode estar relacionada ao equilíbrio hormonal promovido pelos bioestimulantes, que tende a favorecer o crescimento radicular e a eficiência fotossintética, em vez do alongamento excessivo da parte aérea. Isso indica que os produtos podem ter modulado o crescimento vegetativo, mantendo plantas com arquitetura mais compacta, o que é benéfico em sistemas de segunda safra, onde o risco de acamamento aumenta com plantas muito altas. Resultados semelhantes foram observados por Rodrigues et al.,

Testemunha Utrisha N Nuvita
Azomax
Tratamentos

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(2024) e Vendruscolo et al. (2025), que destacam que o uso de bioinsumos microbianos e compostos orgânicos pode otimizar o balanço de crescimento sem necessariamente elevar a altura, mantendo eficiência fisiológica e potencial produtivo. Dessa forma, o uso de bioestimulantes no milho safrinha pode contribuir para uma arquitetura equilibrada de plantas, sem comprometer a interceptação de luz nem o rendimento final.

A análise de regressão mostra um incremento linear da produtividade do milho em função das doses de N em cobertura (0, 60 e 120 kg ha⁻¹) para todos os tratamentos, com altos coeficientes de determinação (R² > 0,83), indicando ajuste consistente ao modelo linear (Figura 4). As equações demonstram que a ocorrência de incrementos produtivos de forma proporcional ao aumento da dose de N, o que con-

firma a importância do nutriente no metabolismo e rendimento da cultura, comportamento amplamente relatado em estudos conduzidos no Cerrado (SIMÃO et al., 2020). Entretanto, observa-se que os tratamentos com a aplicação de todas as estratégias contendo bioestimulantes e nutrientes via foliar, apresentaram níveis produtivos mais elevados que os tratamentos nos quais foram aplicados apenas o N em cobertura, revelando ganhos mais expressivos nas menores doses de N. Esses resultados evidenciam que os bioestimulantes melhoram a eficiência do uso de N (EUN), seja aumentando a fixação biológica associativa, a assimilação de N via enzimas como nitrato redutase e urease, ou otimizando o metabolismo fotossintético e a redistribuição interna do nutriente.

Figura 4. Análise de regressão da produtividade de grãos, em função da interação entre a aplicação foliar de nutrientes e bioestimulantes no milho e as diferentes doses de N aplicadas em cobertura no milho, em área de cultivo experimental localizada no Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde, Goiás, safra 2024/25. Média: 154,56 sc/ha-1 – CV: 3,60% - F: 13,17** - P-valor: <0,001**. ** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F.

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Todavia, à medida que a dose de N aumenta, o incremento relativo promovido pelos bioestimulantes diminui, com convergência das curvas de produtividade próximas a 160 sc ha⁻¹ em 120 kg ha⁻¹ de N em cobertura. Isso indica que, quando o N é fornecido em quantidade adequada, o papel dos bioestimulantes deixa de ser determinante, pois a planta já atinge sua condição de suficiência nitrogenada e o potencial produtivo passa a ser limitado por outros fatores, como a disponibilidade hídrica e a radiação fotossintética, condições típicas do milho segunda safra no Cerrado (NOGUEIRA; FONSECA, 2023). Esse comportamento segue a lei do mínimo, segundo a qual o rendimento é controlado pelo fator mais limitante do ambiente.

Assim, o modelo de regressão demonstra que os bioestimulantes atuam como ferramentas de mitigação em condições de menor aporte de N, aumentando a EUN e a produtividade sem elevar custos com fertilizante. Contudo,

em doses ótimas de N, seu efeito marginal é reduzido, o que reforça a importância de ajustar a dose de N conforme o ambiente produtivo e o uso complementar de bioinsumos.

A Figura 5, traz as médias de produtividade em função das estratégias de aplicação foliar, e reforça a tendência observada na regressão, mostrando diferenças significativas entre os tratamentos apenas nas menores doses de N. Na ausência de N (0 kg ha⁻¹), a testemunha apresentou a menor produtividade (141,4 sc ha⁻¹), enquanto os tratamentos com bioestimulantes atingiram valores entre 148,9 e 155,2 sc ha⁻¹, a testemunha em cerca de 10%. Esse resultado confirma a capacidade dos bioestimulantes de compensar parcialmente a limitação de N, seja por meio da fixação biológica associativa (Azospirillum e Methylobacterium), seja pela melhoria na assimilação e uso interno do nutriente (Mo e Ni como cofatores enzimáticos).

Doses de N (kg ha-1)

Testemunha Utrisha N Nuvita Azomax NHT CoMoNi + Quimifol Níquel

Figura 5 Análise de médias da produtividade de grãos, em função da interação entre a aplicação foliar de nutrientes e bioestimulantes no milho e as diferentes doses de N aplicadas em cobertura no milho, em área de cultivo experimental localizada no Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde, Goiás, safra 2024/25. Média: 154,56 sc/ha-1 – CV: 3,60% - F: 13,17** - P-valor: <0,001**. ** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. Letras iguais não diferem entre si, pelo teste Scott-Knott a 5% de significância.

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Na dose intermediária (60 kg ha⁻¹ de N), as diferenças entre os tratamentos ainda foram estatisticamente significativas, com produtividades variando de 147,3 sc ha⁻¹ (testemunha) a 159,6 sc ha⁻¹ (Azomax®). Isso indica um efeito sinérgico entre o N mineral e os bioestimulantes, em que a adubação nitrogenada fornece o nutriente base e os bioinsumos intensificam sua absorção e metabolismo, elevando o rendimento total. A aplicação foliar de Methylobacterium symbioticum (Utrisha N®) contribuiu para aumento da produtividade principalmente nas doses mais baixas de N (0 e 60 kg ha⁻¹). Esse comportamento está de acordo com os resultados observados por Rodrigues et al. (2024), que relataram incremento no teor de N foliar e na biomassa de milho com a aplicação dessa bactéria, destacando sua capacidade de fixar N atmosférico diretamente na filosfera e fornecer amônio assimilável para os tecidos fotossintéticos. O mesmo autor observou que até 24% do N acumulado nas plantas pode ser proveniente da fixação biológica promovida por Methylobacterium, reforçando a eficiência dessa via sob condições de baixa disponibilidade de N mineral.

Além disso, Methylobacterium symbioticum também atua na modulação do metabolismo do N, aumentando a atividade da nitrato redutase e a concentração de clorofila, o que se traduz em maior eficiência fotossintética e acúmulo de assimilados (QUEMADA et al., 2025; RODRIGUES; CORREIA; ARROBAS, 2024). Esses mecanismos explicam a superioridade produtiva observada em relação à testemunha nas doses de 0 e 60 kg ha⁻¹ de N, e a ausência de ganhos adicionais em 120 kg ha⁻¹, quando a planta já dispõe de N em quantidade suficiente. Assim, o Methylobacterium atua como complemento fisiológico e biológico à adubação nitrogenada, com papel mais relevante em sistemas de restrição nutricional.

A aplicação de Azospirillum brasilense apresentou respostas positivas sobre a produtividade do milho, especialmente nas menores doses de N em cobertura (0 e 60 kg ha⁻¹), evidenciando seu papel como bioestimulante e promotor de eficiência do uso do nitrogênio (EUN). Segundo Santos et al. (2021), as cepas Ab-V5 e Ab-V6 são capazes de colonizar a rizosfera e os tecidos internos das plantas, promovendo a fixação biológica associativa de N (FBN) e a síntese de fitormônios, como auxinas, giberelinas e citocininas, que estimulam o crescimento radicular e a absorção de nutrientes. Esses efeitos fisiológicos são mais pronunciados em condições de baixa disponibilidade de N mineral, o que explica os maiores ganhos observados nos tratamentos com menor adubação nitrogenada.

Os resultados observados neste estudo seguem a mesma tendência reportada por Coelho et al. (2021), que verificaram incrementos médios de 12% na produtividade de milho com o uso de A. brasilense, principalmente em ambientes de restrição hídrica e solos de fertilidade intermediária. De modo semelhante, Galindo et al. (2016) confirmaram que a inoculação com A. brasilense (Ab-V5 e Ab-V6) melhora a assimilação de N e o balanço nutricional, aumentando a produtividade e reduzindo a necessidade de N mineral. Esses autores destacam que o microrganismo atua não apenas pela FBN, mas também pela estimulação do metabolismo fotossintético e da atividade da nitrato redutase, o que aumenta a eficiência de uso do N disponível.

Além disso, Vendruscolo et al. (2025) observaram efeito sinérgico da aplicação de A. brasilense com outros bioestimulantes, como nicotinamida e, resultando em incrementos produtivos de até 40,5% em milho cultivado sob estresse ambiental. Esses autores ressaltam que o Azospirillum melhora o desenvolvimento radicular e a estabilidade fisiológica da planta, favorecendo a absorção de nutrientes e o acúmulo de biomassa reprodutiva.

A aplicação foliar de Molibdênio (Mo) e Níquel (Ni) resultou em incrementos na produtividade do milho, especialmente nas menores doses de N em cobertura, o que evidencia o papel desses micronutrientes na eficiência de assimilação e uso do nitrogênio (EUN). O Mo atua como cofator da nitrato redutase, enzima responsável pela redução do nitrato (NO₃⁻) a nitrito (NO₂⁻), etapa inicial da assimilação do N mineral Oliveira et al. (2022). Já o Ni participa da atividade da urease, que converte ureia em amônia (NH₃), garantindo o reaproveitamento do N orgânico e reduzindo perdas por volatilização. Essa dupla ação otimiza o metabolismo do N e explica os ganhos mais expressivos de produtividade observados em situações de menor disponibilidade de N no solo.

De acordo com Oliveira et al. (2022), a aplicação foliar de Mo no estádio V4 do milho promoveu aumento significativo da atividade da nitrato redutase (até 35%), além de maior taxa fotossintética e acúmulo de N na parte aérea, resultando em incrementos médios de 7 a 8% na produtividade de grãos. Esses efeitos estão associados à intensificação da assimilação de N e à maior atividade da Rubisco, enzima chave da fixação de carbono, o que melhora o balanço entre N e C e aumenta a eficiência fotossintética e o enchimento de grãos. No presente estudo, comportamento semelhante foi observado: os

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tratamentos com Mo e Ni elevaram a produtividade em relação à testemunha, principalmente nas doses intermediárias de N, quando a disponibilidade de N ainda limitava o metabolismo vegetal.

Da mesma forma, Ghafarian et al. (2013) observaram que a pulverização foliar de Mo (0,5 a 1% de heptamolibdato de amônio) reduziu os efeitos do estresse hídrico e aumentou o rendimento de grãos em 6 a 8%, devido ao estímulo na atividade antioxidante e à maior manutenção da área foliar sob estresse. O Ni, embora requerido em menores quantidades, exerce influência significativa sobre o metabolismo do N e do carbono, aumentando o teor de aminoácidos livres e a atividade da urease, o que contribui para a reciclagem de N nas folhas e maior suprimento de N assimilável para o enchimento dos grãos. Essa função complementar ao Mo justifica o comportamento observado nos gráficos, em que os maiores ganhos produtivos ocorreram nas menores doses de N, quando os micronutrientes exerceram papel determinante na manutenção do metabolismo nitrogenado.

O bioestimulante Nuvita®, de composição baseada em extratos vegetais, apresentou incrementos de produtividade em relação à testemunha, principalmente nas menores doses de N em cobertura, sugerindo um efeito associado à melhoria na eficiência de absorção e assimilação do nutriente. Ainda que a formulação não tenha composição declarada, o mecanismo fisiológico proposto (indução da síntese de aquaporinas e regulação do transporte de nutrientes e água) encontra respaldo em estudos recentes sobre bioestimulantes naturais com compostos similares (extratos vegetais e de algas).

De acordo com Martínez-Gutiérrez et al. (2022), os bioestimulantes à base de extratos vegetais e algas marinhas contêm compostos orgânicos (carboidratos, betainas, polissacarídeos, fenóis e aminoácidos) que aumentam a condutividade hidráulica das células radiculares, estimulam a atividade de enzimas relacionadas ao metabolismo do N (como a nitrato redutase e a glutamina sintetase) e prolongam a atividade fotossintética ao retardar a senescência foliar. Esses efeitos resultam em maior absorção de nutrientes e eficiência no uso de N, principalmente sob condições de limitação hídrica ou nutricional.

Os resultados observados neste trabalho corroboram tais evidências, uma vez que o Nuvita® promoveu incrementos significativos de produtividade nas doses de 0 e 60 kg ha⁻¹ de N, quando o nutriente representava o prin-

cipal fator limitante. Isso indica que os compostos bioativos do produto possivelmente atuaram como moduladores fisiológicos, favorecendo o fluxo de água e solutos por meio da regulação das aquaporinas de membrana (PIPs e TIPs), o que melhorou a absorção de N e outros elementos. Essa hipótese é coerente com o comportamento descrito por Li et al. (2023), que verificaram, em um sistema de rotação trigo–milho, que bioestimulantes naturais aumentaram a atividade das enzimas nitrato redutase e urease no solo, além de elevar a eficiência de uso de N (NUE) entre 11 e 23%, mesmo com redução de até 30% na dose de fertilizante.

Além da ação sobre o metabolismo nitrogenado, Kapela et al. (2020) demonstraram que biostimulantes vegetais aplicados em conjunto com N (80–160 kg ha⁻¹) aumentaram a massa de mil grãos e o número de grãos por espiga, especialmente em doses intermediárias de N (120 kg ha⁻¹), indicando sinergismo entre o fornecimento mineral e o estímulo fisiológico. No presente estudo, resultados semelhantes foram observados: o Nuvita® mostrou efeitos positivos na produtividade até o ponto de saturação de N, além do qual os incrementos deixaram de ser significativos.

Em síntese, os resultados sugerem que o efeito do Nuvita® pode estar associado ao aprimoramento fisiológico da planta, e não à adição direta de nutrientes. Sua ação parece concentrar-se na otimização do transporte de água e nutrientes, no aumento da eficiência metabólica do N e na maior estabilidade fotossintética sob estresse moderado, características típicas de bioestimulantes com compostos reguladores da expressão de aquaporinas e enzimas do metabolismo do N.

Em síntese, a análise de médias evidencia que os bioestimulantes aumentam a produtividade de forma mais expressiva sob baixa e média disponibilidade de N, demonstrando grande potencial como estratégia de manejo sustentável, capaz de manter o rendimento e reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados, principalmente em sistemas de milho segunda safra sujeitos à restrição hídrica e limitações edáficas do Cerrado.

CONCLUSÕES

Os resultados demonstram que as estratégias avaliadas, envolvendo bioestimulantes microbianos, extratos vegetais e micronutrientes, podem otimizar o aproveitamento do nitrogênio (N) em condições de restrição nutri-

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cional, aumentando a eficiência fisiológica e o rendimento do milho de segunda safra. No entanto, a redução das doses de adubação nitrogenada de cobertura não é recomendada, uma vez que os bioinsumos atuam de forma complementar ao manejo nutricional, e não como substitutos do fertilizante mineral.

O uso de Azospirillum brasilense, Methylobacterium symbioticum, Molibdênio, Níquel e bioestimulantes vegetais deve ser adotado como estratégia integrada de manejo, especialmente em situações em que há demanda ativa da cultura por N ou maior risco de estresse abiótico. Assim, a associação equilibrada entre adubação nitrogenada e bioinsumos representa uma alternativa sustentável para melhorar a eficiência do uso de N, manter a produtividade e reduzir impactos ambientais nas condições edafoclimáticas do Cerrado.

AGRADECIMENTOS

Sinceros agradecimentos à COMIGO e ao Centro Tecnológico COMIGO (CTC) pelo apoio institucional e pela infraestrutura disponibilizada para a realização deste trabalho. A dedicação dos técnicos de campo e estagiários foi fundamental para a condução dos experimentos e coleta dos dados. O suporte técnico, logístico e operacional oferecido por toda a equipe foi essencial para o desenvolvimento e conclusão bem-sucedida desta pesquisa.

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ADUBAÇÃO FOLIAR COMPLEMENTAR

NA SOJA: DESAFIOS DE COMPATIBILIDADE E INCREMENTOS

NA EFICIÊNCIA PRODUTIVA

BUENO, Amanda Magalhães¹; FERNANDES, Rafael Henrique²; SARKIS, Leonardo Fernandes³; BRAZ, Guilherme Braga Pereira⁴; LIMA, Diego, Tolentino⁵

1 Enga. Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br;

2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.coop.br;

3 Eng. Agrônomo, Dr. em Fertilidade do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br.

4 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de RioVerde (UniRV). Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebrag@ gmail.com;

5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.coop.br;

INTRODUÇÃO

A adubação foliar é reconhecida como uma ferramenta complementar à adubação de solo, empregada para suprir rapidamente deficiências e otimizar processos fisiológicos em fases críticas da cultura. Na soja, a alta demanda nutricional em ciclos que ocorrem em curtos períodos, especialmente entre V4 e R5, torna a absorção foliar um mecanismo eficiente de fornecimento imediato de nutrientes, ajustando-se às condições ambientais e fisiológicas da planta (BAGALE, 2021; VENEZIANO et al., 2022). Embora

não substitua o manejo via solo, o uso de nutrientes e outros compostos via foliar permite incrementos pontuais de N, P, K e micronutrientes, potencializando o metabolismo, a fotossíntese e a produtividade quando integrado a um programa nutricional equilibrado (MOREIRA et al., 2017; RODRIGUES et al., 2025).

A principal função da adubação foliar na soja é complementar a nutrição fornecida via radicular, aportando nutrientes em momentos em que a absorção via solo é limitada por fatores físicos ou climáticos, como compactação, déficit hídrico e baixa difusão de íons (DASS et al., 2022; LATIFINIA; EISVAND, 2022). Em experimentos de campo, Dass et al. (2022) o bservaram ganhos de 18 a 38% em produtividade com Zn e B aplicados foliarmente no estágio R3, mesmo em lavouras adubadas via solo, reforçando o papel complementar dessa via. De forma semelhante, RODRIGUES et al. (2025) demonstraram que aplicações foliares de MAP purificado (12-61-00) em quatro estádios (V4, V6, R1 e R3) resultaram em +12,3% de produtividade, além de ganhos fisiológicos como aumento em 29% no teor de clorofila e 15,8% na fotossíntese líquida, indicando sinergia entre o fornecimento foliar e o metabolismo fotossintético.

Outros estudos reforçam que a resposta ao manejo foliar depende da disponibilidade prévia de nutrientes no solo e do momento fisiológico da aplicação. Em solos com micronutrientes aplicados em fontes de baixa solubilidade, Da Silva et al. (2019) constataram que o fornecimento radicular isolado não foi suficiente para corrigir teores foliares de Mn e Zn, sugerindo que o uso foliar pode ser necessário para ajustar o equilíbrio nutricional em tempo hábil. Essa complementaridade também se manifesta em sistemas sob estresse, Latifinia e Eisvand (2022) verificaram que a associação foliar de Fe e Mo com ácido húmico

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(HA) elevou o potencial quântico (Fv/Fm) e a taxa fotossintética, com reflexo direto na produtividade.

Assim, a adubação foliar deve ser compreendida como parte de um sistema dinâmico de manejo fisiológico e nutricional, e não como uma prática isolada. Quando corretamente sincronizada com os estádios fenológicos e o diagnóstico nutricional da cultura, ela atua como um “ajuste fino” para manter o balanço metabólico da planta. Apesar de amplamente utilizada, a adubação foliar na soja ainda é alvo de percepções equivocadas quanto à sua eficiência. O argumento de que “adubação foliar não funciona” é rebatido por uma série de evidências recentes. Em estudo multicêntrico conduzido no Brasil, Veneziano et al. (2022) constataram que em 83,3% das áreas comerciais tratadas com fertilizantes foliares, houve aumento significativo de crescimento e produtividade, mesmo sem alterações expressivas no teor total de nutrientes nos grãos, indicando que o efeito se dá via ativação metabólica e fisiológica, e não apenas pelo teor acumulado.

Por outro lado, é verdadeira a preocupação com problemas de compatibilidade química e fitotoxicidade quando fertilizantes foliares são misturados a fungicidas ou inseticidas. Domingos et al. (2019) e Moreira et al. (2017) destacam que soluções contendo nitrato de amônio, ureia ou sais de boro apresentam pH variável e podem reagir com surfactantes ou princípios ativos, alterando a estabilidade da calda. O uso de adjuvantes compatíveis e ajustes de pH entre 5,5 e 6,5 é recomendado para minimizar precipitações e evitar fitotoxicidade, principalmente em misturas contendo micronutrientes metálicos (Fe, Mn, Zn, Cu). Ainda que existam limitações, a literatura é consistente ao demonstrar que, quando bem formuladas e aplicadas em volumes adequados (100–200 L ha⁻¹), as pulverizações foliares geram efeitos fisiológicos significativos e seguros (BĂRDAŞ et al., 2024; NEGREA et al., 2022).

O sucesso da adubação foliar está intimamente ligado à sincronização entre a aplicação e o estádio fenológico da cultura. Estudos de fisiologia da soja mostram que a maior demanda de nutrientes ocorre entre R1 e R5, com variação conforme o elemento (BAGALE, 2021). Potássio atinge pico em R1, enquanto B e Cu têm maior absorção em R3; N, P, Mg, Fe, Mn e Zn apresentam incremento em R5, coincidindo com o enchimento de grãos. As respostas também variam conforme a fonte. No trabalho de Domingos et al. (2019), a aplicação de um fertilizante foliar contendo 24% P, 8% Ca, 4% K e 2,5% B em R3 aumentou o número de vagens e a produtividade em 357 kg ha⁻¹ em relação ao controle. Já Moreira et

al. (2018) verificaram que aplicações de ureia a 2% e Zn 0,5% em R3 e R5 elevaram o teor foliar desses elementos e aumentaram o rendimento em até 8%. Em consonância, Dass et al. (2022) mostraram que a pulverização única de Zn 0,5% e B 0,5% no início da formação de vagens elevou a eficiência do uso da água e a produtividade em até 37,8%.

Em relação ao fósforo, Rodrigues et al. (2019) e Rodrigues et al. (2025) demonstraram que o uso de MAP purificado (12-61-0) a 5 kg ha⁻¹ em múltiplos estádios (V4–R3) favoreceu o metabolismo de Rubisco e reduziu espécies reativas de oxigênio, refletindo em ganhos de até 12% em rendimento de grãos. Já Bărdaş et al. (2024), avaliando o fertilizante foliar comercial contendo N + K + Nano Ag, observaram incrementos de +21% em produtividade e maior conteúdo de proteína e óleo quando aplicado em V6 e R3, comprovando o impacto do manejo sequencial. A definição de doses e momentos deve ainda considerar a condição de estresse. Vaghar et al. (2020) evidenciaram que o uso de nanoquelatos de Fe + Zn (0,3%) em V4 e sob seca em R3 resultou em +61% de produtividade, mitigando a redução do desenvolvimento das plantas, causada pelo estresse hídrico. Dessa forma, a adubação foliar atua também como estratégia fisiológica de resiliência em cenários de restrição ambiental.

A resposta da soja à adubação foliar envolve múltiplos mecanismos fisiológicos e bioquímicos. Em geral, há incremento na fotossíntese líquida (PN), na fluorescência da clorofila (Fv/Fm), na atividade da Rubisco e na eficiência do uso da água (WUE), resultando em maior acúmulo de matéria seca e componentes produtivos (LATIFINIA; EISVAND, 2022; RODRIGUES et al., 2025). Teixeira et al. (2017) relataram que o uso de bioestimulantes com aminoácidos e micronutrientes (Zn e B) elevou o teor foliar desses elementos e aumentou o peso de mil grãos em 5%. Negrea et al. (2022) observaram incrementos de +11% em SPAD, +12% em número de vagens e +10% em produtividade com misturas NPK + micronutrientes aplicadas em R1 e R3.

Ferreira et al. (2022) verificou que o fornecimento de N, P, K, Mg, Zn e B via foliar em V4, R1 e R5 aumentou a clorofila total em +22%, melhorou o potencial fotossintético (+18%) e elevou o rendimento em +9,4% (3.540 → 3.873 kg ha⁻¹). De forma análoga, Bărdaş et al. (2024) reportaram médias de assimilação acima de 23 µmol CO₂ m⁻² s⁻¹ com aplicações foliares, além de aumento expressivo no teor de proteína dos grãos. Em síntese, a literatura converge para ganhos fisiológicos e agronômicos relevantes. As respostas mais consistentes ocorrem:

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• Fase vegetativa (V4–V6): estímulo inicial de crescimento e expansão foliar;

• Florescimento e formação de vagens (R1–R3): máxima resposta fotossintética e hormonal;

• Enchimento de grãos (R5): suporte final à translocação e acúmulo de fotoassimilados.

A consolidação dos estudos evidencia que a adubação foliar funciona quando aplicada de forma técnica e sincronizada ao ciclo da soja. Longe de ser uma “água de batata”, ela constitui uma ferramenta de manejo fisiológico com base científica, que atua corrigindo desbalanços, otimizando rotas metabólicas e aumentando a eficiência do uso dos recursos. Quando adotada de forma estratégica, combinando fontes adequadas (ureia, MAP, sulfatos, nanoquelatos e bioestimulantes), doses seguras e estádios críticos, a prática oferece incrementos consistentes de 5 a 15% em produtividade média, acompanhados de melhorias na fisiologia e na qualidade dos grãos (BĂRDAŞ et al., 2024; DOMINGOS et al., 2019; DASS et al., 2022; RODRIGUES et al., 2025).

Portanto, a adubação foliar deve ser entendida não apenas como uma ferramenta corretiva, mas como parte

de um programa integrado de manejo fisiológico e nutricional da soja, capaz de sustentar a eficiência metabólica e a produtividade em ambientes de alta exigência e variabilidade climática. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência de diferentes manejos foliares aplicados ao longo do ciclo da cultura da soja, bem como comparar os efeitos das pulverizações realizadas isoladamente e em associação com fungicidas, buscando compreender sua interação sobre o desempenho produtivo da soja.

MATERAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado na área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC), no município de Rio Verde, Goiás, nas coordenadas geográficas de latitude 17°45'59,21"S e longitude 51°2'3.,00"O e 843 m de altitude. O clima da região é classificado como Aw (Savana Tropical), conforme classificação Köppen (ALVARES et al., 2013) com estação seca no inverno (maio a setembro) e chuvosa no verão (outubro a abril). Ao longo do ciclo da cultura, os índices de precipitação pluvial e temperatura, foram monitorados, por meio da estação agrometeorológica Plugfield® modelo WS22, instalada nas proximidades da área experimental (Figuras 1 e 2).

171mm - estágio vegetativos

Dias do ciclo da soja

514,2mm - estágio reprodutivos

684,9mm - volume de chuva total acumulado no período

Figura 1. Precipitação pluvial diária e acumulada ao longo dos estádios vegetativos e reprodutivos da cultura da soja, temperaturas máxima, média e mínima na área experimental do Centro Tecnológico Comigo no intervalo dos dias 24/10/2023 a 26/02/2024, Rio Verde, Goiás, safra 2023/24.

FISIOLOGIA VEGETAL E

Figura 2. Balanço hídrico (mm) (DEF – Déficits e EXC – Excedentes hídricos), com base nos dados da estação agrometeorológica Plugfield localizada na área experimental do Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde, Goiás, safra 2023/24.

As necessidades de correção e adubação, foram calculadas, com base nas exigências nutricionais da cultura. Em pré-semeadura, foi realizada a aplicação de 1,5 t ha-¹ de gesso agrícola e calcário em área total, sem revolvimento do solo e 165 kg ha-¹ do fertilizante formulado 12-15-15 à lanço. Na ocasião da semeadura, via suco de plantio, foram aplicados 120 kg ha-¹ do fertilizante formulado 05-2525. Ainda no sulco de plantio com auxílio de jato dirigido, com volume de aplicação de 60 L ha-¹, foram aplicados 1,2 L ha-¹ do inoculante Cell Tech® contendo duas cepas de Bradyrhizobium japonicum (Semias 5079 e 5080, com 3x109 UFC/mL); 0,2 L ha-¹ do coinoculante Biomax Azum® (Azospirillum brasiliense, 3x108 UFC/mL); inseticida biológico Meta-Turbo® na dose de 0,5 L ha-¹ (Metarhizium anisopliae IBCB425 mínimo de 1x108 propágulos viáveis/mL); fungicida biológico Trico-turbo® 0,1 L ha-¹ (Trichoderma asperellum BV10 mínimo de 1x1010 conídios viáveis/mL) e 0,3 L ha-¹ do nematicida biológico No-Nema® (Bacillus amyloliquefaciens BV03).

A semeadura ocorreu no dia 05/12/2023 e a cultivar de soja utilizada no experimento foi a CZ 37B39 I2X, grupo de maturação 7.3, com hábito de crescimento indeterminado, com população final de 280.000 planta ha-¹. Os manejos de plantas daninhas, insetos praga, foram realizados conforme o levantamento das necessidades por meio de avaliações periódicas da área e as boas práticas agrícolas. O manejo de doenças realizado ao longo do ciclo será abordado no delineamento experimental. Foram levados em conta os preceitos do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas (MIP, MID e MIPD) para a tomada de decisão quanto ao método de controle utilizado. Estes tratos culturais foram adotados em toda a área experimental.

O estudo foi realizado em delineamento em blocos casualizados com quatro repetições, em fatorial com 2 fatores. O Fator A consistiu na aplicação foliar de diferentes fertilizantes foliares ao longo do ciclo de desenvolvimento da cultura (estádio V5, R1, R3 e R5). O fator B foi a associação ou não dos fertilizantes foliares com fungicidas (Quadro 3).

FISIOLOGIA VEGETAL E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

As aplicações ocorreram da seguinte forma: associação dos fertilizantes com os fungicidas ou aplicação dos fungicidas e cinco dias depois, a aplicação dos fertilizantes foliares. O tratamento testemunha foi realizado sem a aplicação de fungicidas e fertilizantes foliares bem como, com a aplicação apenas dos fungicidas (sem os fertilizantes foliares). No momento da elaboração da calda de pulverização, foi realizada a aferição do pH das misturas dos fertilizantes e dos fertilizantes em mistura com os fungicidas.

Cada unidade experimental foi composta por 10 linhas espaçadas em 0,50 m, contendo 10 m de comprimento (50 m² por parcela). As avaliações foram realizadas nas seis

fileiras centrais, excluindo-se 0,50 m das extremidades. As pulverizações foliares foram realizadas de acordo com o estádio de desenvolvimento da cultura, com a aplicação das doses comerciais dos tratamentos propostos utilizados. Para pulverização das unidades experimentais, utilizou-se um pulverizador de parcelas pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3) montado em trator. O pulverizador possui barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m. Utilizou-se pontas modelo ADIA 110/01. D da marca Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada com pressão de trabalho em 4 bar (58 PSI) e volume de aplicação de 100 L ha-¹.

Quadro 2. Descrição dos tratamentos contendo bioestimulantes, reguladores de crescimento e fertilizantes foliares, aplicados na cultura da soja em diferentes estádios de desenvolvimento, visando o manejo nutricional e fisiológico complementar, em área de cultivo experimental localizada no Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde, Goiás, safra 2023/24.

Aplicação no estádio V5

Empresa

Testemunha

Misto

Nutriagro

Quimifol

Stoller

Timac

UPL

Vittia

Produtos Comerciais

Testemunha

NHT CoMoNi; Niphokam

Magnus PRO

Níquel + CoMo; Niphokam

Stimulate

Progen Detox

Foltron Plus; Biozyme

Bioamino Extra; Complet Express

Dose (L/ha ou kg/ha)

Aplicação no estádio R1

Produtos Comerciais

Testemunha Stimulate; Octaborato Floxi Boro Raynitro; Florada Stimulate; Hold

Progen Detox Biozyme

Metis Nutri; Bioenergy

Dose (L/ha ou kg/ha)

Aplicação no estádio R3 (R1+15)

Produtos Comerciais

Testemunha Salus Magis; Sulfato de Mg Salus Magis Florada; Mg 8 -

Feartilieader FIX Kfol

Bioamino Extra

Dose (L/ha ou kg/ha)

+ 2,00 0,25 + 0,50 0,40 0,25 0,30 + 1,000,25 + 2,20 0,25 2,00 + 2,002,00 1,50 0,50

Aplicação no estádio R5 (R1+30)

Produtos Comerciais

Testemunha Kfo; Sulfato de Mg Essential K34 MG8; K40 Mover

Kfol

Dose (L/ha ou kg/ha)

Quadro 3. Descrição do manejo de doenças (aplicação de fungicidas), aplicados na cultura da soja em diferentes estádios de desenvolvimento, em associação ou não ao manejo nutricional e fisiológico complementar, em área de cultivo experimental localizada no Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde, Goiás, safra 2023/24.

Aplicação no estádio V5

Produtos Comerciais

Testemunha

Dose (L/ha ou kg/ha)

Score Flexi

0,2

Aplicação no estádio R1

Produtos Comerciais

Testemunha Fox Xpro; Unizeb Gold Aureo

Dose (L/ha ou kg/ha)

Aplicação no estádio R3 (R1+15)

Produtos Comerciais

Testemunha

Excalia Max; Prevenil; Agril

Dose (L/ha ou kg/ha)

Aplicação no estádio R5 (R1+30)

Produtos Comerciais

Testemunha

Dose (L/ha ou kg/ha)

Evolution; Versatilis; Strides

Aplicação no estádio R6 (R1+45)

Produtos Comerciais

Testemunha

Aproach Power; Versatilis; Bravonil 720

Dose (L/ha ou kg/ha)

FISIOLOGIA VEGETAL E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

FISIOLOGIA VEGETAL E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

Para a coleta das unidades amostrais, utilizou-se uma colhedora de parcelas da marca Zürn Harvesting (modelo Zürn 110). Durante o processamento, o material colhido foi trilhado, identificado e pesado, com correção da umidade dos grãos para 13%, e posteriormente realizada a conversão da produtividade para a unidade de sc ha⁻¹.

A partir da metodologia estatística, foram avaliadas as significâncias dos fatores e suas interações, por meio da análise de variância (ANOVA) pelo teste F a 5% de probabilidade. Para as variáveis qualitativas, as médias foram comparadas a partir do teste Scott-Knott a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados de pH da calda indicam que as caldas de pulverização contendo apenas os fertilizantes foliares ou os fertilizantes foliares em mistura aos fungicidas aplicados no estádio V5 apresentara pH reduzido em diversos tratamentos,

com destaque para o manejo foliar Misto (4,6) Nutriagro (3,7), Quimifol (4,1) e Vittia (4,7), enquanto o pH da água e das soluções contendo apenas os fungicidas permaneceram próximos da neutralidade (8,7 – 6,9). Essa acidificação pronunciada evidencia interações químicas entre os compostos fertilizantes e os ingredientes ativos dos fungicidas, que podem alterar tanto a estabilidade da calda quanto a eficiência de absorção dos nutrientes e do próprio produto fitossanitário.

De acordo com Domingos et al. (2019) e Moreira et al. (2017), a solubilidade e a dissociação dos sais utilizados em fertilizantes foliares são fortemente influenciadas pelo pH da solução. Em valores abaixo de 5,0, há maior risco de instabilidade coloidal, precipitação e degradação de compostos orgânicos (como aminoácidos e hormônios vegetais presentes em bioestimulantes), o que pode comprometer sua eficiência fisiológica. Por outro lado, a acidificação excessiva também afeta os grupos funcionais dos fungicidas triazóis e estrobilurinas, reduzindo a persistência e o tempo de meia-vida da molécula na superfície foliar, como descrito por Veneziano et al. (2022).

Quadro 3. Avaliação do pH da água, pH dos fertilizantes aplicados em mistura com os fungicidas e pH da aplicação dos fertilizantes foliares de forma isolada (5 dias após a aplicação dos fungicidas) na cultura da soja, em área de cultivo experimental localizada no Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde, Goiás, safra 2023/24.

Aplicação no estádio V5

Aplicação no estádio R1

Aplicação no estádio R3 (R1+15) Aplicação no estádio R5 (R1+30) Aplicação no estádio R6 (R1+45)

Tratamentos

Testemunha (sem foliares e fungicida)

Testemunha (apenas fungicida)

da água

da água

foliares + fungicidas

foliares + fungicidas pH foliares + fungicidas

água

foliares + fungicidas

FISIOLOGIA VEGETAL E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

A literatura indica que a faixa ideal de pH para fungicidas sistêmicos e protetores situa-se entre 5,5 e 7,0 (DASS et al., 2022). Abaixo dessa faixa, podem ocorrer reações de hidrólise e oxidação dos princípios ativos, sobretudo quando associados a micronutrientes metálicos (Zn, Cu, Mn), amplamente utilizados nas formulações avaliadas. No presente estudo, essa condição é particularmente relevante, pois em V5 as misturas mais ácidas coincidiram com tratamentos contendo fontes de Co, Mo, Ni e Zn (como NHT CoMoNi e Niphokam), elementos com elevado potencial de complexação e liberação de prótons em meio aquoso. Assim, a redução do pH observada não apenas resulta da adição dos fertilizantes, mas reflete reações de ionização e quelatação entre micronutrientes e aditivos do fungicida. Assim, os valores observados em torno de pH 3,4 a 4,7 indicam condições potencialmente desfavoráveis à ação dos fungicidas, podendo comprometer a proteção inicial da cultura e mascarar o efeito dos fertilizantes nas análises fisiológicas subsequentes.

Em contrapartida, as etapas subsequentes (R1, R1+15, R1+30) apresentaram valores de pH mais estáveis, variando entre 7,0 e 8,3, com tendência à neutralidade, o que sugere menor reatividade entre os componentes das caldas aplicadas em estádios reprodutivos. Essa estabilização pode estar associada ao uso de fertilizantes com formulações mais equilibradas, contendo agentes tamponantes e pH próximo a 7, conforme descrito em Latifinia e Eisvand, (2022) e Rodrigues et al. (2025). Do ponto de vista fisiológico, a redução do pH das caldas em V5 pode também afetar o comportamento da cutícula foliar e a absorção de nutrientes. Teixeira et al. (2017) destacaram que soluções com pH ácido (<5,5) aumentam a permeabilidade cuticular e a atividade de enzimas antioxidantes, mas, em excesso, podem causar estresse oxidativo e fitotoxicidade localizada. Assim, em condições de campo, caldas muito ácidas tendem a gerar maior ris-

co de injúrias, especialmente quando associadas a alta temperatura ou déficit hídrico.

A interpretação integrada desses resultados sugere que o pH da calda é um fator crítico de compatibilidade, especialmente em manejos de aplicações conjuntas. Como apontado por Bărdaş et al. (2024), soluções equilibradas, com pH próximo à neutralidade e boa condutividade elétrica, maximizam o desempenho tanto dos fertilizantes quanto dos bioprotetores, otimizando a assimilação e evitando antagonismos químicos.

A Figura 3 mostra que, de modo geral, a aplicação dos fertilizantes foliares de forma isolada, cinco dias após o fungicida, resultou em maiores produtividades em relação à aplicação conjunta na mesma calda. As diferenças estatisticamente mais significativas foram nos tratamentos Misto e Quimifol, onde a aplicação isolada dos fertilizantes foliares, 5 dias após à aplicação dos fungicidas, proporcionou incrementos médios de 5,23 sc ha⁻¹ em comparação à mistura simultânea. Embora que na primeira aplicação, o manejo Nutriagro e Vittia tenham apresentado pH da calda reduzido, essa diferença inicial causou apenas diferenças produtivas numéricas não perceptíveis à estatística.

A análise estatística indicou que, embora nem todos os tratamentos apresentem diferenças significativas, a tendência geral é de superioridade do manejo em separado, sugerindo que a acidificação da calda e possíveis interações químicas prejudicaram a eficiência dos fungicidas e, indiretamente, a resposta fisiológica aos fertilizantes foliares. Essa interpretação é coerente com estudos anteriores, Bagale (2021) e Dass et al. (2022) destacam que o efeito positivo dos fertilizantes foliares depende fortemente da estabilidade da calda e da integridade dos princípios ativos durante a aplicação.

FISIOLOGIA VEGETAL E

DE PLANTAS

Aplicação conjunta 5 dias após ao fungicida

** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. Letras iguais não diferem entre si, pelo teste Scott-Knott a 5% de significância.

Figura 3. Produtividade de soja em função da interação entre a aplicação dos fertilizantes foliares em mistura aos fungicidas (com) ou a aplicação dos fertilizantes foliares de forma isolada (5 dias após a aplicação dos fungicidas) (sem), na cultura da soja, em área de cultivo experimental localizada no Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde, Goiás, safra 2023/24.

A Figura 4 apresenta os resultados de produtividade da soja considerando exclusivamente as parcelas que receberam fungicida em todas as aplicações, comparando dois manejos de fertilizantes foliares: (i) aplicação conjunta com o fungicida na mesma calda, e (ii)

aplicação isolada, realizada cinco dias após o fungicida. Dessa forma, o contraste avalia apenas o efeito nutricional e fisiológico dos fertilizantes foliares, uma vez que o controle fitossanitário foi mantido constante em todos os tratamentos.

FISIOLOGIA VEGETAL E

DE PLANTAS

Tratamentos Aplicação Conjunta 5 dias após ao fungicida

** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. Letras iguais não diferem entre si, pelo teste Scott-Knott a 5% de significância.

Figura 4. Produtividade de soja comparando entre si as aplicações dos fertilizantes foliares em mistura aos fungicidas (aplicação conjunta) ou a aplicação dos fertilizantes foliares de forma isolada (5 dias após ao fungicida) na cultura da soja, em área de cultivo experimental localizada no Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde, Goiás, safra 2023/24.

Na aplicação conjunta, observa-se que a maioria dos tratamentos (Misto, Nutriagro, Quimifol, Timac e Vittia) não diferiu estatisticamente da testemunha com fungicida, indicando que a associação direta entre fertilizantes e fungicidas não proporcionou ganhos expressivos de produtividade. Esse comportamento pode estar relacionado à redução do pH da calda observada em V5, especialmente nos tratamentos com micronutrientes em formas ácidas, o que pode ter afetado a estabilidade e eficiência dos princípios ativos e, consequentemente, reduzido o desempenho fisiológico das plantas (DOMINGOS et al., 2019; MOREIRA et al., 2017)

Por outro lado, os tratamentos Stoller e UPL apresentaram produtividades estatisticamente superiores à testemunha, sugerindo maior compatibilidade química entre os fertilizantes e o fungicida. Esses resultados indicam que formulações com pH neutro e composição balanceada podem permitir o uso simultâneo sem prejuízo à absorção foliar nem à ação dos fungicidas. Embora o presente estudo

tenha avaliado apenas o pH das misturas, é importante destacar que outros fatores químicos e físico-químicos também influenciam a compatibilidade e a eficiência das aplicações conjuntas entre fertilizantes foliares e fungicidas.

Entre esses fatores, destacam-se reações de complexação e precipitação entre íons metálicos (como Zn²⁺, Mn²⁺, Cu²⁺ e Fe²⁺) e moléculas orgânicas ou surfactantes presentes nas formulações, que podem reduzir tanto a disponibilidade nutricional dos micronutrientes quanto a estabilidade dos princípios ativos fungicidas (DOMINGOS et al., 2019; MOREIRA et al., 2017). Além disso, alterações de tensão superficial, condutividade elétrica, viscosidade e estabilidade coloidal das caldas podem interferir na uniformidade de deposição e na absorção foliar (VENEZIANO et al., 2022).

Outro ponto relevante observado neste estudo é que a água utilizada na preparação das caldas apresentou pH naturalmente elevado (acima de 7), e que algumas misturas, especialmente aquelas contendo fertilizantes em formula-

FISIOLOGIA VEGETAL E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

ções alcalinas, resultaram em valores superiores a 7 mesmo após a adição dos produtos. Esse comportamento também pode comprometer a eficiência de ambos os insumos, uma vez que diversos fungicidas do grupo das estrobilurinas e triazóis, bem como micronutrientes metálicos, apresentam maior estabilidade e absorção em faixas de pH entre 5,5 e 6,5 (LATIFINIA; EISVAND, 2022; RODRIGUES et al., 2025).

Assim, tanto a acidificação excessiva (<5,0) quanto a alcalinização das caldas (>7,0) representam riscos potenciais à performance dos produtos. A degradação dos princípios ativos, a precipitação de sais e a redução da absorção foliar são fenômenos frequentemente relatados em situações de pH extremo (BĂRDAŞ et al., 2024; DASS et al., 2022). Portanto, a avaliação da compatibilidade entre fertilizantes foliares e fungicidas deve considerar não apenas o pH, mas também a qualidade da água, a ordem de mistura dos produtos, o tempo de preparo e os parâmetros físico-químicos da calda, assegurando condições adequadas para máxima eficiência fisiológica e fitossanitária.

Na aplicação isolada (cinco dias após o fungicida), todos os tratamentos apresentaram incrementos significativos de produtividade em relação à testemunha com fungicida, variando entre +3 e +6 sacas ha⁻¹. Essa resposta evidencia que a adubação foliar complementar exerce efeito fisiológico positivo real sobre a soja, quando aplicada em condições favoráveis à absorção. Esses ganhos produtivos estão em consonância com estudos de Dass et al. (2022) e Veneziano et al. (2022), que associam as respostas à maior eficiência fotossintética, acúmulo de clorofila e incremento nos componentes de produção.

Apesar dos resultados superiores do manejo isolado, é importante destacar que essa prática exige maior demanda operacional, aumentando o número de entradas no campo, consumo de combustível e tempo de aplicação. Assim, embora agronomicamente mais eficiente, a aplicação separada dos fertilizantes foliares nem sempre é viável na rotina do produtor devido às limitações logísticas e à necessidade de janelas curtas de pulverização. Por outro lado, o bom desempenho dos tratamentos Stoller e UPL, mesmo quando aplicados em mistura, demonstra o avanço da indústria de insumos na busca por formulações compatíveis com fungicidas, capazes de manter o equilíbrio químico da calda e a eficiência fisiológica das aplicações. Essa tendência tecnológica permite alinhar manejo nutricional e fitossanitário em uma única operação, reduzindo custos operacionais e mantendo o ganho produtivo, especial -

mente em lavouras de grande escala.

CONCLUSÕES

• A compatibilidade entre fertilizantes foliares e fungicidas depende diretamente do pH e das interações químicas estabelecidas na calda de pulverização.

• O pH da água de preparo e das misturas exerce influência decisiva sobre a estabilidade dos compostos, podendo intensificar reações de degradação ou precipitação quando em faixas extremas.

• A manutenção do pH entre 5,5 e 7,0 e o uso de formulações quimicamente equilibradas asseguram maior estabilidade e eficiência das aplicações conjuntas.

• A adubação foliar complementar apresenta eficiência fisiológica comprovada, promovendo incremento produtivo na cultura da soja.

• O manejo foliar isolado expressa maior aproveitamento nutricional e segurança química, embora demande maior esforço operacional.

• A inovação em formulações compatíveis, com pH neutro e boa estabilidade, representa avanço técnico ao permitir o alinhamento entre o manejo nutricional e o fitossanitário sem prejuízo de desempenho.

• O uso criterioso de fertilizantes foliares, aliado ao controle do pH e à qualidade da água, consolida-se como prática eficiente e segura para o manejo fisiológico e produtivo da soja.

AGRADECIMENTOS

Sinceros agradecimentos à Comigo e ao Centro Tecnológico Comigo (CTC), bem como a todos os técnicos de campo e estagiários, pelo apoio fundamental na condução deste trabalho de pesquisa. A infraestrutura disponibilizada e o suporte técnico prestado foram essenciais para o desenvolvimento e realização deste estudo.

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FISIOLOGIA VEGETAL E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

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FITOPATOLOGIA

DIFERENTES FUNGICIDAS NO CONTROLE DA FERRUGEM ASIÁTICA

E MANCHA-ALVO DA SOJA, SAFRA

2024/2025 EM RIO VERDE-GO

FERNANDES¹, Rafael Henrique; LIMA², Diego Tolentino de; BRAZ³, Guilherme Braga Pereira; BUENO⁴, Amanda Magalhães; SARKIS⁵, Leonardo Fernandes

1 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br

2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br

3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br

4 Eng. Agrônoma, Dra. Em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico Comigo. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br

5 Eng. Agrônomo, Dr. em Ciência do Solo, Pesquisador Fertilidade e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br

INTRODUÇÃO

A ferrugem asiática é uma das doenças mais preocupantes para quem cultiva soja. Ela é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Os primeiros casos no Brasil foram registrados em 2001, no estado do Paraná (JACCOUD FILHO et al., 2001; YORINORI et al., 2002). Em apenas duas safras, a doença já havia se espalhado por grande parte do país (YORINORI et al., 2005).

Desde sua chegada ao Brasil, a ferrugem asiática da soja tem sido acompanhada por centros de pesquisa públicos e privados. A doença perturba consideravelmente os produtores, não apenas por sua elevada severidade, mas também pela facilidade com que se dissemina. Os uredósporos, estruturas responsáveis pela propagação do fungo, são transportados pelo vento e percorrem grandes distâncias, infectando novas plantas e reiniciando o ciclo da doença (YORINORI e WILFRIDO, 2002). O controle químico, embora amplamente utilizado, apresenta alto custo e baixa eficácia quando aplicado após o surgimento dos sintomas na lavoura.

Uma estratégia eficiente para o manejo da ferrugem asiática consiste na adoção de cultivares precoces, que permanecem menos tempo no campo, reduzindo a janela de exposição ao patógeno. Complementarmente, o plantio antecipado, alinhado ao vazio sanitário e ao calendário de semeadura específico de cada estado, contribui para a redução da incidência da doença. O acompanhamento contínuo da lavoura é igualmente essencial, uma vez que temperaturas entre 16 e 28 °C, associadas à alta umidade relativa do ar, favorecem o desenvolvimento do fungo (YORINORI e WILFRIDO, 2002).

Em razão da limitada diversidade de cultivares resistentes à ferrugem, observa-se um aumento no uso de defensivos agrícolas para o controle da doença. Embora seja o método mais empregado, seu uso deve ser racional, a fim de evitar prejuízos à viabilidade econômica da cultura (GODOY e CANTERI, 2004).

A combinação entre o uso de cultivares resistentes à ferrugem asiática e a aplicação de produtos fitossanitários, como fungicidas, constitui uma abordagem essencial para a prevenção e o controle da doença em campo. As decisões relacionadas ao manejo devem ser pautadas

FITOPATOLOGIA

por critérios técnicos, considerando múltiplos fatores para a seleção de produtos com desempenho elevado. O controle químico é geralmente adotado de forma preventiva ou logo após o surgimento dos primeiros sintomas, com o objetivo de conter os esporos de Phakopsora pachyrhizi por meio da ação dos fungicidas.

Grande parte dos fungicidas disponíveis comercialmente é composta por moléculas pertencentes a diferentes grupos químicos, cuja aplicação combinada é recomendada. Avaliar a eficácia desses produtos e monitorar a sensibilidade do fungo às moléculas utilizadas são medidas fundamentais para assegurar a efetividade do controle químico.

Diante disso, foi realizado um estudo para avaliar a eficiência de diferentes fungicidas no controle da ferrugem asiática da soja durante o ano agrícola 2024/2025 em Rio Verde, Goiás.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em condições de campo, na área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC), em Rio Verde – GO, com a cultivar CZ 37B66 I2X. Este material apresenta hábito de crescimento indeterminado, grupo de maturação 7.6 e ciclo médio de aproximadamente 115 dias. Além disso, demonstra algum nível de resistência à mancha olho-de-rã (Cercospora sojina) e às raças 3, 6, 9, 10 e 14 do nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines).

A semeadura foi realizada tardiamente para que houvessem maiores chances de exposição da área experimental à Ferrugem Asiática da Soja (FAS). Por isso foi realizada no dia 12/12/2024 com densidade de 14 sementes por metro. As sementes foram tratadas com 5 g de Piraclostrobina + 45g de Tiofanato Metílico + 50g de Fipronil + Bacillus amyloloquefaciens, Isolado BV03 + Trichoderma

asperellum, Isolado BV-10 (Standak Top, 200mL + No-Nema, 300 mL + Tricho-Turbo, 200 mL / 100kg sementes). Na semeadura também foram aplicados em jato dirigido (Micron): o inoculante Optimize Sulco (Bradyrhizobium japonicum Semia 5079 e Semia 5080, com 3 x 109 células viáveis mL-1, Monsanto BioAg) na dose de 0,6 L ha-1, o co-inoculante Biomax Azum (Azospirillum brasiliense, 3 x 108 células mL-1) na dose de 0,2 L ha-1, o produto Biozyme (UPL) na dose de 0,3 L ha-1, o inseticida biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1 x 108 propágulos viáveis mL-¹) na dose de 0,5 L ha-¹ e o nematicida Verango Prime (Fluopiram) na dose de 0,4 L ha-1, com volume de aplicação de 60 L ha-¹. Para a correção do solo foram aplicados 1,6 t de calcário em 21/08/2024. Para adubação em pré-semeadura foram aplicados a lanço, 226 kg ha-1 de KCl (cloreto de potássio, 60% de K2O), no dia 16/10/2024. Além de 178 kg ha-1 do formulado 10:46:00 aplicados na semeadura (na linha de plantio) em 12/12/2024.

O experimento foi conduzido em delineamento experimental em blocos casualizados (DBC), com 20 tratamentos e quatro repetições/blocos, totalizando 80 parcelas. Cada parcela foi composta por 10 linhas de plantio, com espaçamento de 0,5 m, e 10 metros de comprimento, totalizando 50 m². A parcela útil, utilizada para as avaliações, foi considerada, descartando-se dois metros das extremidades e duas linhas laterais de bordadura, totalizando 18 m².

Foram realizadas quatro aplicações sequenciais de diferentes fungicidas, iniciando aproximadamente 30 dias após a emergência das plântulas, com a cultura entre os estádios V5 e V6, e intervalos entre as aplicações de aproximadamente quinze (15) dias (1ª 14/01/2025; 2ª 28/01/2025; 3ª 11/02/2025; 4a 25/02/2025). Os tratamentos que compuseram o experimento foram diferentes fungicidas aplicados para o controle da ferrugem asiática da soja (Tabela 1).

FITOPATOLOGIA

Tabela 1. Descrição dos tratamentos, produtos comerciais, ingredientes ativos e doses dos fungicidas utilizados para o controle da ferrugem asiática da soja. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde- GO, safra 2024/2025.

Tratamentos

Produtos Comercial – p.c. (ingredientes ativos – I.A.)

Fox Xpro¹ (Bixafem + Trifloxistrobina + Protioconazol)

Fox Supra¹ (Impirfluxam + Protioconazol)

Blavity² (Fluxapiroxade + Protioconazol)

Excalia Max³ (Impirfluxam + Tebuconazol)

Miravis Pro (Pidiflumetofem + Protioconazol)

Seeker (Fenpropidina)

Keyra (Mefentrifluconazol + Fenpropimorfe)

Sugoy⁴ (Impirfluxam + Metominostrobina + Clorotalonil)

Viovan (Picoxistrobina + Protioconazol)

Proteus (Tebuconazol + Clorotalonil)

Evolution⁵ (Azoxistrobina + Protioconazol + Mancozebe)

Scudeiro Nortox (Protioconazol + Tebuconazol)

Agregus (Protioconazol + Clorotalonil)

Aproach Premium⁶ (Picoxistrobina + Ciproconazol + Oxicloreto de Cobre)

Nativo Plus¹ (Trifloxistrobina + Tebuconazol + Oxicloreto de Cobre

Fezan Gold (Tebuconazol + Clorotalonil)

Mitrion (Benzovindiflupir + Protioconazol)

Armero (Protioconazol + Mancozebe)

Programa

Dose L ou kg p.c ha -¹ g I.A. ha -¹

¹Adicionado Auero (0,25% v/v); ²Adicionado Mees (0, 25% v/v); ³Adicionado Agris (0,5 L ha-¹); ⁴Adicionado Iharol Gold (0,2% v/v); ⁵Adicionado Strides (0,25% v/v); ⁶Adicionado DuFol Mineral (0,25 L ha-¹) *1ª: Fusão (0,58L ha-¹) + Previnil (1,5 L ha-¹) + Iharol Gold (0,2%), 2ª: Blavity (0,3 L ha-¹) + Unizeb Gold (1,5 kg ha-¹) + Mees (0,25%), 3ª: Excalia Max (0,5 L ha-¹) + Unizeb Gold (1,5 kg ha-¹) Agris (0,5 L ha-¹), 4ª: Aproach Premium (0,7 L ha-¹) + DuFol Mineral (0,25 L ha-¹).

As aplicações foram realizadas com pulverizador pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3) montado em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv). Pulverizador dotado com barra de cinco metros com 10 bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A calda preparada foi acondicionada em tanques tipo post mix com capacidade de 10 L. As pontas utilizadas para pulverização foram modelo AD-IA/D 110.015, da marca Magnojet. O equipamento foi

calibrado com pressão de trabalho na ponta de 3,8 bar (55,11 Psi) e volume de aplicação constante de 150 L ha-¹. Durante as aplicações, as condições meteorológicas, temperatura (°C), umidade relativa do ar (%) e velocidade do vento (km h-¹) foram registradas a partir das leituras de estação meteorológica automática, Plug Field® modelo Plugstation WS22, que fica nas proximidades da área experimental (Tabela 2).

FITOPATOLOGIA

Tabela 2. Datas das aplicações e dados meteorológicos registrados durante as aplicações dos fungicidas. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2024/2025.

Data

1a Aplicação

14/01/2025

2a Aplicação

28/01/2025

3a Aplicação 11/02/2025

4a Aplicação 25/02/2025

Início Término

Início Término

A eficiência dos tratamentos para o controle da ferrugem foi estimada seguindo a escala diagramática sugerida por Godoy et al. (2006). Ademais, houve grande incidência e severidade de mancha-alvo e por isso, foram feitas também avaliações com base na escala diagramática proposta por Soares et al. (2009). Foram realizadas cinco avaliações, sempre em cinco plantas aleatórias dentro da parcela útil, no terço médio e no inferior da planta. A média de cada parcela foi composta pela média da severidade nas diferentes porções das plantas. As avalições foram realizadas um dia antes das aplicações, e 20 dias após a última aplicação.

Os dados de severidades, de ferrugem asiática e de mancha-alvo, obtidos ao longo do o ciclo da cultura, foram utilizados para determinar a Área Abaixo da Curva do Progresso da Doença (AACPD), aqui consideradas AACP-Ferrugem e AACP-Mancha-alvo foliar (CAMPBELL e MADDEN, 1990). Enquanto que, os dados observados na última avaliação, com as plantas em estádio fenológico R6 (vagens totalmente cheias e grãos verde), representaram a severidade final das doenças.

A produtividade de grãos foi avaliada realizando a colheita mecanizada, com a colhedora de parcelas Zurn 150 (Zürn Harvesting), de 10 metros das três linhas centrais de cada parcela, totalizando 30 m de colheita. As amostras foram processadas e as medições de umidade e massa fresca (kg) registradas automaticamente. Os dados foram ajustados para 13% de umidade dos grãos e a estimativa de produtividade apresentada em sacas de 60 kg por hectare (sacas ha-¹).

Os dados de severidade final das doenças, AACP-Ferrugem, AACP-Mancha-alvo e de produtividade foram submetidos à análise de variância e quando verificado diferença significativa entre as médias, as comparações foram realizadas através do teste de Scott-Knott (p≤0,05) pelo

software SISVAR (FERREIRA, 2014).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No Centro Tecnológico Comigo (CTC), o primeiro foco da ferrugem asiática da soja na safra 2024/2025 foi observado no dia 05/03/2025, embora o primeiro foco da doença no munícipio de Rio Verde tenha sido relatado em 14/02/2024.

As variáveis severidade final e AACP observadas, tanto de ferrugem quanto de mancha-alvo, foram significativamente superiores no tratamento testemunha, com 28,2 e 10,4% de severidade final e 301,5 e 141,8, respectivamente. Estes resultados, evidenciam que a adoção do controle químico é fundamental para proteger a lavoura do desenvolvimento agressivo destes patógenos (Tabela 3). Por outro lado, vale destacar que, em comparação com anos anteriores, a severidade final observada, sobretudo da ferrugem asiática da soja, não atingiu patamares elevados. Pode se considerar que na safra 2024/2025 a pressão desta doença foi mediana. Ainda analisando o tratamento testemunha, observa-se que a produtividade foi diretamente afetada pelas doenças. Foram 49,1 sacas por hectare, valor significativamente inferior aos demais (Figura 1).

Em relação aos tratamentos com aplicação de fungicidas, é possível destacar alguns que obtiveram menores valores de severidade final de ferrugem e AACP-Ferrugem, que foram: Keyra, Sugoy, Viovan, Proteus, Evolution, Agregus, Aproach Premium, Fezan Gold e Armero, além do programa de aplicações (Tabela 3). Valores intermediários foram obtidos com as aplicações de Fox Xpro, Fox Supra, Blavity, Excalia Max, Miravis Pro, Seeker, Scudeiro, Nativo Plus e Mitrion (Tabela 3). Estes resultados demonstram grande variabilidade de desempenho em relação aos fungicidas testados, sem que fique evidente que produ-

FITOPATOLOGIA

tos contendo determinado grupo químico ou ingrediente ativo específico, tenha se destacado. É conhecido que, atualmente, os ingredientes ativos Protioconazol e Tebuconazol, representantes dos grupos químicos dos Triazolintione e Triazóis, respectivamente, têm sido apontados como aqueles com melhor desempenho no controle da ferrugem asiática da soja. Ainda que hajam pequenas alterações na performance em relação a região do estudo e pressão do inóculo durante a safra.

Neste estudo, houve variação de desempenho quando observados os resultados obtidos pelos produtos com estes ingredientes ativos. Soma-se a isto a variação observada na eficiência de controle da ferrugem asiática, que variou de 62,6 a acima de 80% (Keyra, Sugoy, Evolution, Agregus, Fezan Gold e Armero). Diante disso, é possível inferir que não somente os ingredientes ativos destacados anteriormente (Protioconazol e Tebuconazol) são importantes no controle da ferrugem asiática, mas também os outros ingredientes ativos que compõe o fungicida. Considerando também os grupos químicos das carboxamidas e morfolinas. Além disso, destaca-se que os produtos contendo multissítios em sua formulação (mancozebe ou clorotalonil) apresentaram menores valores de severidade e AACP-ferrugem (Tabela 3).

Os resultados obtidos em relação à mancha-alvo, que foi uma doença secundária no cenário de condução deste experimento, quase não apresentaram variação. Todos os produtos aplicados de forma sequencial ou dentro de um programa de aplicações, foram eficazes na redução da severidade final e AACP-Mancha-alvo (Tabela 3). Apenas o tratamento com as aplicações do produto Seeker apresentou valores intermediários. Este produto contém, de forma isolada, o ingrediente ativo Fenpropidina, que pertence ao grupo químico das piperidinas. Este grupo tem grande similaridade aos do grupo das morfolinas e são produtos com desempenho considerável no controle de doenças causadas por fungos biotróficos, como as ferrugem e oídios, e não são posicionados no controle de doenças causadas por necrotróficos, como a mancha-alvo da soja.

O controle da mancha-alvo variou entre 51,7 e 82,4%. Com destaque para controle obtido pelas aplicações de Miravis Pro, Sugoy, Proteus, Evolution e Armero, que atingiram valores acima de 75% de controle (Tabela 3). Com exceção dos produtos Miravis Pro, nos demais é possível observar que há similaridade entre os ingredientes ativos presentes nas composições destes produtos. Sugoy e Proteus têm em sua composição clorotalonil, seja associado à metominostrobina e Impirfluxam (Sugoy), seja ao tebu-

conazol (Proteus). Ao passo que Evolution e Armero compartilham de Protioconazol e Mancozebe, em sua composição. Tais resultados, reforçam o fato de que a associação com os fungicidas multissítios melhora consideravelmente o controle da mancha-alvo.

Além disso, é valido citar que os demais produtos apresentaram bons níveis de controle da mancha-alvo, e podem certamente contribuir quando bem posicionados dentro de um programa de aplicações e associados a mancozebe e/ou clorotalonil.

FITOPATOLOGIA

Tabela 3. Médias da Severidade final, Área abaixo da curva do progresso das doenças (AACPD) e eficiência de controle (%), de ferrugem asiática da soja e mancha-alvo após a aplicação dos fungicidas. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde- GO, safra 2024/2025.

Ferrugem Asiática da Soja

Fox Xpro

Fox Supra

Blavity

Excalia Max

Miravis Pro Seeker

Keyra Sugoy Viovan Proteus

Evolution Scudeiro Agregus

Aproach Premium

Nativo Plus Fezan Gold Mitrion Armero

Programa Testemunha Severidade final 7,8 b 7,5 b 6,7 b 6,4 b 6,3 b 10,8 b 4,8 a 3,6 a 6,0 a 5,0 a 4,8 a 8,2 b 4,5 a 5,7 a 6,8 b 3,9 a 7,0 b 4,3 a 5,7 a 28,2 c

A maioria dos produtos avaliados, foram capazes de reduzir o avanço vertiginoso da ferrugem asiática e da mancha-alvo na condição experimental, obtendo níveis satisfatórios de controle. No entanto, é necessário pontuar que o cenário de cultivo não foi de elevados níveis de pressão da ferrugem asiática, possivelmente associado a eventos de baixa pluviometria nos meses de fevereiro e março em algumas regiões do país, incluindo no estado de Goiás.

De maneira similar, a produtividade obtida pela maioria dos tratamentos foi equivalente. Fato que, mais uma vez reforça a importância da utilização do controle químico no manejo da ferrugem asiática da soja e da mancha-alvo.

A aplicação sequencial de fungicidas químicos é utilizada exclusivamente para fins de experimentação agrícola, e não é

uma recomendação técnica. É importante dar prioridade em realizar rotação de grupos químicos e ingredientes ativos, ou pelo menos, pela alternância de ativos. Deve-se priorizar a realização de aplicações associadas de fungicidas sítio-específicos e multissítios, pois, além de aumentar a eficiência de controle das doenças, são aliados no manejo da resistência do fungo aos fungicidas (GARCÉS-FIALLOS e FORCELINI, 2013).

Os tratamentos com aplicações dos produtos Seeker, Keyra, Nativo Plus e Mitrion, obtiveram valores intermediários de produtividade. Durante as avaliações, foram observados alguns níveis de fitotoxidez causadas por fungicidas inibidores da síntese do ergosterol (triazóis), e por isso, foi realizada uma avaliação desta percepção ao final do experimento. Os valores mais elevados de fitotoxidez (dados não publicados) foram observados justamente nos tratamentos com níveis intermediários de produtividade.

FITOPATOLOGIA

Figura 1. Produtividade média após a aplicação dos diferentes fungicidas para o controle da ferrugem asiática na soja e mancha-alvo. Centro Tecnológico Comigo – CTC, Rio Verde-GO, safra 2024/2025.

Produtividade (sacas ha¹)

C.V. = 3,66%. Médias com letras iguais nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05)

CONCLUSÃO

No tratamento sem aplicação de fungicidas, os níveis de infecção por doenças foram maiores, resultando em perdas expressivas na produtividade. Este cenário evidencia a importância do uso de controle químico dentro do manejo das doenças.

As associações entre fungicidas sistêmicos contendo tebuconazol e protioconazol, associados a moléculas de ação multissítio, mancozebe ou clorotalonil, demonstraram boa eficácia no controle das doenças, embora não tenham sido exclusividade. Esses resultados indicam que tais misturas devem compor a base de um programa estratégico de aplicações, visando um manejo robusto e consistente das principais doenças da soja.

AGRADECIMENTOS

À equipe de campo, estagiários e aos pesquisadores do CTC pelo apoio na execução do experimento.

REFERÊNCIAS

BALARDIN, R. S.; MADALOSSO, M. G.; STEFANELLO, M. T.; MARQUES, L. N.; DEBORTOLI, M. P. Mancozebe: muito além de um fungicida. 1 Ed. Porto Aleg re – RS: Bookman Editora Ltda., 2017, 96p.

CAMPBELL, C. L.; MADDEN, L. V. Introduction to Plant Disease Epidemiology. New York, NY. Wiley. 1990.

FERREIRA, D.F. Sisvar: A Guide for its Bootstrap procedures in multiple comparisons. Revista Ciência e Agrotecnologia, v.38, n.2, p.109-112, 2014.

GARCÉS-FIALLOS, F. R; FORCELINI, C. A. Controle comparativo da ferrugem asiática da soja com fungicida triazol ou mistura de triazol + estrobilurina. Revista Bioscience Journal, Uberlândia, v. 29, n. 4, p. 805-815, 2013.

GODOY, C. V.; CANTERI, M. G. Efeitos protetor, curativo e erradicante de fungicidas no controle da ferrugem da soja causada por Phakopsora pachyrhizi, em casa de vegetação. Fitopatologia brasileira, v.29, n.1, 2004.

GODOY, C. V.; KOGA, L. J.; CANTERI, M. G. Diagrammatic Scale of Assessment of Soybean Rust Severity. Fitopatologia Brasileira, v. 31, n.1, 2006.

JACCOUD FILHO, D. S.; HIAR, C. P.; BONA, P. F.; GASPERINI, L. Ocorrência da ferrugem da soja na Região dos Campos Gerais do Paraná. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO CENTRAL DO BRASIL, 23., 2001, Londrina-PR. Londrina: Embrapa Soja, 2001. p. 109-110. (Embrapa Soja. Documentos, 157).

FITOPATOLOGIA

SOARES, M. R.; GODOY, C. V.; OLIVEIRA, M. C. N. Escala diagramática para a avaliação da severidade da mancha alvo da soja. Tropical Plant Pathology, v. 34, n. 5, p.333-338, 2009.

YORINORI, J. T.; MOREL, W.; FERNANDEZ, F. T. P. Epidemia de ferrugem de soja no Paraguai e na Costa Oeste do Paraná, em 2001. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO CENTRAL DO BRASIL, 23., 2001, Londrina: Embrapa Soja, 2002. p.117-118. (Embrapa Soja. Documentos, 157).

YORINORI, J. T; PAIVA, W. M.; FREDERICK, R. D.; COSTAMILAN, L. M.; BERTAGNOLLI, P. F.; GODOY, C. V.; NUNES JUNIOR, J. Epidemics of soybean rust (Phakopsora pachyrhizi) in Brazil and Paraguay from 2001 to 2003. Plant Disease, v. 89, p. 675-677, 2005.

YORINORI, J. T.; WILFRIDO, M.P. Ferrugem da soja: Phakopsora pachyrhizi Sydow. Londrina: Embrapa Soja, 2002.

DIFERENTES ASSOCIAÇÕES ENTRE FUNGICIDAS BIOLÓGICOS E MULTISSÍTIOS EM PROGRAMAS DE APLICAÇÕES NA CULTURA DA SOJA

FERNANDES¹, Rafael Henrique; LIMA², Diego Tolentino de; BRAZ³, Guilherme Braga Pereira; BUENO⁴, Amanda Magalhães; SARKIS⁵, Leonardo Fernandes

1 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br

2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br

3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br

4 Eng. Agrônoma, Dra. Em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico Comigo. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br

5 Eng. Agrônomo, Dr. em Ciência do Solo, Pesquisador Fertilidade e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br

INTRODUÇÃO

A adoção de sistemas de cultivo mais intensivos tem alterado o perfil da produção agropecuária, ampliando a oferta de produtos e a geração de renda no setor. Esse processo, no entanto, tem sido acompanhado por desafios fitossanitários que exigem manejos mais eficientes e sustentáveis. Práticas agronômicas como a rotação de culturas e a alternância de mecanismos de ação de defensivos agrícolas são estratégias importantes para a estabilidade dos sistemas produtivos, mas nem sempre são aplicadas

devido às limitações técnicas e econômicas.

Na cultura da soja (Glycine max (L.) Merril) são diversos os patógenos causadores de doenças que geram prejuízos econômicos. Em todo o mundo, já foram identificados mais de 100 patógenos capazes de causar alguma injúria na planta, dos quais, fungos, vírus, bactérias e fitonematoides podem ser considerados mais relevantes. Deste montante, aproximadamente 40 deles são causadores de doenças na soja em território brasileiro (GODOY et al., 2016; YORINORI et al., 2005; SINCLAIR e HARTMAN, 1999).

Estes patógenos podem causar problemas em todos os tecidos da planta, contudo, as doenças foliares são as mais comuns, com frequência e intensidade bastante variáveis ao longo das regiões produtoras (JULIATTI et al., 2004).

Entre as principais doenças foliares que afetam a soja no Sistema Agrícola do Sudoeste Goiano estão: mancha-alvo (Corynespora cassiicola), antracnose (Colletotrichum truncatum), mancha olho-de-rã (Cercospora sojina), ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), septoriose ou mancha parda (Septoria glycines) e crestamento foliar de cercospora (Cercospora kikuchii). A maioria desses fungos é capaz de sobreviver em resíduos culturais durante a entressafra, mantendo atividade saprofítica por períodos prolongados. A exceção é o agente causal da ferrugem, que apresenta comportamento biotrófico e depende exclusivamente de hospedeiros vivos para se multiplicar. Após esse intervalo, os patógenos podem reiniciar o ciclo de infecção, provocando perdas superiores a 30% quando encontram condições favoráveis ao desenvolvimento e plantas suscetíveis (KLINGELFUSS e YORINORI, 2001; JULIATTI et al., 2004; GODOY et al., 2016).

O controle químico é amplamente utilizado no manejo de doenças da soja, sendo incorporado com facilidade às

FITOPATOLOGIA

práticas agrícolas rotineiras. A disponibilidade de produtos comerciais com diferentes combinações de ingredientes ativos, a diversidade de formulações e possibilidades de uso gera incertezas quanto ao posicionamento ideal, número de aplicações, associações entre fungicidas, eficácia sobre diferentes doenças e duração da proteção residual.

Nos últimos anos, outro aliado no controle de doenças foliares na soja que tem ganhado notoriedade é a utilização de agentes de biocontrole. O controle biológico de pragas e fitonematoides na cultura da soja é uma realidade, e tem sido utilizada extensivamente. Por outro lado, o controle de manchas foliares, sejam elas causadas por fungos necrotróficos ou biotróficos, com produtos biológicos é prática recente e ainda em progressão. Este cenário, associado à limitada oferta de produtos biológicos, dificulta recomendações técnicas claras quanto ao posicionamento ao longo do ciclo.

O controle biológico tem se destacado como uma alternativa viável e complementar no manejo de doenças foliares da soja, especialmente em sistemas que buscam reduzir a dependência de fungicidas químicos. A crescente preocupação com a resistência de patógenos aos ingredientes ativos convencionais e os impactos ambientais associados ao uso intensivo de defensivos têm impulsionado pesquisas e investimentos em soluções biológicas. Estudos recentes apontam que microrganismos antagonistas, especialmente bactérias do gênero Bacillus, apresentam potencial para inibir o desenvolvimento de agentes causadores de doenças como a ferrugem asiática, a mancha-alvo e a antracnose, sejam por competição, antibiose ou indução de resistência nas plantas (MELO et al., 2021). Além disso, o uso de biofungicidas tem sido associado à melhoria da saúde do solo e ao equilíbrio da microbiota, fatores que contribuem para a resiliência das lavouras frente a surtos fitopatológicos. Embora o posicionamento técnico desses produtos ainda esteja em fase de consolidação, especialmente quanto à época de aplicação e compatibilidade com fungicidas sintéticos, os resultados obtidos em campo e em condições controladas indicam que sua integração ao manejo pode reduzir perdas e ampliar a sustentabilidade dos sistemas produtivos (MEYER et al., 2025). A adoção crescente de produtos biológicos por produtores e o avanço na formulação de tecnologias mais estáveis e eficazes, indicam a possibilidade de que o controle biológico ocupe cada vez mais espaço na proteção da soja contra doenças foliares.

Assim, o objetivo foi avaliar o desempenho de programas de aplicações de fungicidas com diferentes combinações e as-

sociações entre multissítio e fungicidas biológicos no controle de manchas foliares na cultura da soja, bem como analisar a possibilidade de substituição e associação entre eles.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em condições de campo, na área experimental do Centro Tecnológico Comigo, localizado em Rio Verde-GO (S 17°45’44” O 51°02’03” e altitude média de 835 metros), com predominância de áreas com latossolo Vermelho Distrófico (SANTOS et al., 2018).

A semeadura da área experimental foi realizada no dia 17 de outubro de 2024, com a cultivar ST 752 I2X. As sementes foram tratadas industrialmente com 36 g de Ciantraniliprole + 70 g de Tiametoxam + 0,45 g de Azoxistrobina + 9 g de Tiabendazol + 1,2 g de Fludioxonil + 0,9 g de Metalaxil-M (60 mL de Fortenza + 115 mL de Cruiser 350 FS + 30 mL de Maxim Quatttro/ 100 kg sementes). As sementes também foram tratadas com o inoculante Optimize 1000, Novozymes (Bradyrhizobium elkanii estirpes 587 e 5019, concentração mínima de 2,5 x 109 UFC g-1) na dose de 150 g/100 kg de sementes. A densidade de semeadura foi de 11,5 sementes por metro.

No sulco de plantio foram aplicados: o inoculante Optimize Sulco (Bradyrhizobium japonicum Semia 5079 e Semia 5080, com 3 x 109 células viáveis mL-¹, Monsanto BioAg) na dose de 0,6 L ha-¹, o co-inoculante Azomax (Azospirillum brasiliense, 3 x 108 células mL-¹) na dose de 0,2 L ha-1, o produto Biozyme (UPL) na dose de 0,3 L ha-¹, o inseticida biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1 x 108 propágulos viáveis mL-¹) na dose de 0,5 L ha-¹ + o bionematicida Inlayon, Simbiose (Bacillus amyloliquefaciens isolado SIMBI BS10 (CCT 7600), mínimo de 5,0 x 109 UFC mL-1) na dose de 0,2 L ha-¹+ o biofungicida Tricho-Turbo, Vittia (Trichoderma asperellum BV10, mínimo de 1,0 x 1010 conídios viáveis/mL) na dose de 0,2 L ha-1.Todos aplicados com Micron e volume de aplicação de 60 L ha-¹.

Na correção do solo foi aplicado 1,6 t ha-1 de calcário à lanço no dia 24/08/2024. A adubação em pré-semeadura foi realizada com 226 kg ha-1 de KCl (58% de K2O) à lanço em 17/10/2024. E na semeadura, com 178 kg ha-1 do fertilizante MAP (10:46:00), aplicado no sulco de plantio, em 17/10/2024.

O delineamento experimental utilizado foi o de Blocos Casualizados (DBC), com 13 tratamentos e quatro repetições, totalizando 52 parcelas. As parcelas foram compostas por 10 linhas de plantio, espaçadas a 0,5 metros, e 10

FITOPATOLOGIA

metros de comprimento, totalizando 50 m² (10 x 5 m). Como parcela útil foram considerados os seis metros centrais das seis linhas centrais (6 x 3 m, 18 m2).

Os tratamentos consistiram em diferentes programas de aplicações de fungicidas ao longo do ciclo da cultura. Nos quais inlcuem, um tratamento sem aplicação (T1), aplicações apenas com fungicidas sítio-específicos (T2), uso do multissítio mancozebe em duas aplicações centrais (T3) e também quatro aplicações do multissítio mancozebe (T4) (Tabela 1). Para os demais tratamentos (T5 a T13) foram avaliados o desempenho dos programas de aplicações contendo os fungicidas biológicos: Bio-Imune (Bacillus subtilis BV02, Vittia), Reverb (Bacillus subtilis isolado SV-

G00045-B + Bacillus velezensis isolado SVG00047-B + Bacillus pumilus isolado SVG00046-B, Syngenta) e Provilar (Bacillus velezensis cepa RTI301 + Bacillus subtilis cepa RTI477, FMC). Os produtos biológicos foram utilizados em dois momentos dos programas de aplicações. Primeiramente, na aplicação em fase vegetativa associados ao fungicida sítio-específico Score Flexi (propiconazol + difenoconazol). Posteriormente, na aplicação de pré-fechamento de entrelinhas com o fungicida Fox Xpro (bixafem + trifloxistrobina + protioconazol). Nesta aplicação, foram analisadas diferentes combinações: sítio-específico com o biológico, sítio-específico com o multissítio mancozebe, e também a associação entre deles (sítio-específico, multissítio e biológico) (Tabela 1).

Tabela 1. Descrição dos tratamentos com as diferentes combinações dos produtos sítio-específicos associados aos multissítios e biológicos. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde- GO, safra 2024/2025.

Aplicação 2 Aplicação 3 Aplicação 4

SF – Score Flexi (0,15 Lha-¹); UZG – Unizeb Gold (1,5 kgha-¹); BIM – Bio-Imune (0,5 Lha-¹); RVB – Reverb (0,3 Lha-¹); PROV – Provilar (0,3 Lha-¹); F-XP – Fox Xpro (0,5 Lha-¹); E-Max – Excalia Max (0,5 Lha-¹); AP-Pwr -Aproach Power (0,6 Lha-¹). ¹Adicionado Naft (0,05% v;v); ²Adicionado Ziel (0,18 Lha-¹); ³Adicionado Aureo (0,25% v:v); ⁴Adicionado Agris (0,5 Lha-¹). Tratamentos com: ( ) Bio-Imune; ( ) Reverb; ( ) Provilar.

As aplicações foram realizadas com pulverizador pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3) montado em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv). Pulverizador dotado com barra de cinco metros com 10 bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A calda preparada foi acondicionada em tanques tipo post mix com capacidade de 10 L. As pontas utilizadas para pulverização foram modelo AD-IA/D 110.015, da marca Magnojet. O equipa-

mento foi calibrado com pressão de trabalho na ponta de 3,8 bar (55,11 Psi) e volume de aplicação constante de 150 L ha-1. Durante as aplicações, as condições meteorológicas, temperatura (°C), umidade relativa do ar (%) e velocidade do vento (km h-1) foram registradas a partir das leituras de estação meteorológica automática, Plug Field® modelo Plugstation WS22, que fica nas proximidades da área experimental (Tabela 2).

FITOPATOLOGIA

Tabela 2. Datas das aplicações e dados meteorológicos registrados durante as aplicações de fungicidas. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2024/2025.

Data

1ª Aplicação

14/11/2024

2ª Aplicação

27/11/2024

3ª Aplicação

12/12/2024

4ª Aplicação

27/12/2024

Início Término

Início Término

Início Término

O controle de plantas daninhas foi realizado em três momentos. Inicialmente no pré-plantio da soja, visando a dessecação e formação de palhada, que foi realizada no dia 27/09/2024 com glyphosate (Crucial, 540 g e. a. kg-¹) na dose de 1.350 g e. a. ha-¹ + 2,4-D (DMA 806, 806 g L-¹), na dose de 806 g i. a. ha-¹ + saflufenacil (Heat, 700 g i. a. kg¹) na dose de 35 g i. a. ha-¹. Posteriormente, na modalidade plante e aplique, um dia após a semeadura da área (18/10/2024), com diquate (Reglone, 200 g i. a. L-¹) na dose de 300 g i. a. ha-¹, e a mistura de imazetapir + flumioxazina (200 g i. a. L-¹ + 100 g i. a. L-¹, respectivamente) na dose de 100 g de imazetapir e 50 g de flumioxazina ha-¹. E na pós-emergência da cultura (12/11/2024), com glyphosate (Xeque Mate, 500 g e. a. kg-¹) na dose de 1.200 g e. a. ha-¹ + cletotim (Select 240 EC, 240 g i. a. L-¹) na dose de 96 g i. a. ha-¹. Estas aplicações foram realizadas com volume de aplicação de 150 L ha-¹.

O controle de pragas foi empregado com base no manejo integrado, sendo realizadas avaliações e levantamentos quanto à ocorrência, nível populacional e dano das principais pragas. As recomendações de inseticidas priorizaram a rotação de mecanismos de ação e ingredientes ativos. As aplicações visaram, prioritariamente, o controle de coleópteros desfolhadores (família Chrysomelidae) em fases iniciais, lagartas e percevejos (principalmente percevejo-marrom, Euschistus heros) ao longo do ciclo.

Foram realizadas cinco avaliações de severidade, nos dias anteriores às aplicações de fungicidas, e outra aos 30 dias após a última aplicação. As escalas diagramáticas utilizadas para a quantificação das doenças no campo foram as propostas por Martins et al. (2004), para o complexo de doenças de final de ciclo da soja (Septoria glycines e Cercospora kickuchii) e Soares et al. (2009) para mancha-alvo (Corynespora cassiicola). As avaliações foram feitas nos

terços inferior e médio de cinco plantas selecionadas aleatoriamente na parcela útil. Os dados de severidade obtidos ao longo do o ciclo da cultura, foram utilizados para determinar a Área Abaixo da Curva do Progresso da Doença (AACPD de manchas foliares) (CAMPBELL e MADDEN, 1990). Enquanto que, os dados mensurados na última avaliação, com as plantas em estádio fenológico R7 (iniciando a maturação fisiológica das vagens), representam a severidade final das doenças.

A produtividade de grãos foi avaliada realizando a colheita mecanizada, com a colhedora de parcelas Zurn 150 (Zürn Harvesting), de 10 metros das três linhas centrais de cada parcela, totalizando 30 m de colheita. As amostras foram processadas e as medições de umidade e massa fresca (kg) registradas automaticamente. Os dados foram ajustados para 13% de umidade dos grãos e a estimativa de produtividade apresentada em sacas de 60 kg por hectare (sacas ha-¹).

Os dados de severidade final das doenças, AACP-Mancha-alvo, AACP-DFCs e de produtividade foram submetidos à análise de variância e quando verificado diferença significativa entre as médias, as comparações foram realizadas através do teste de Scott-Knott (p≤0,05) pelo software SISVAR (FERREIRA, 2014).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados de severidade final e AACP de mancha-alvo na área experimental reforçam dois pontos relevantes quanto ao manejo da doença. Inicialmente, demonstra que a utilização de fungicidas é capaz de reduzir consideravelmente os níveis da doença. Em seguida, que a adição dos fungicidas multissítios ou biológicos nos programas de aplicações melhora significativamente o controle da mancha-alvo. Sobretudo, com a adição do fungicida multissítio

FITOPATOLOGIA

mancozebe nas quatro aplicações do programa (tratamento 4). Neste tratamento, o controle atingiu 64,9%, e a severidade e AACP-Mancha alvo foram inferiores aos demais, com 4,1% e 104,1, respectivamente (Tabela 3).

Ao analisar os resultados obtidos pelas combinações contendo os diferentes fungicidas biológicos (tratamentos de 5 a 13) é possível observar desempenho similar. Nos tratamentos com associação entre os diferentes fungicidas (7, 10 e 13) não houve ganhos expressivos de melhoria de controle. Inclusive, para o tratamento 10, ocorreu ligeira queda. Isto é, a associação entre sítio-específicos, multissítios e biológicos, não gerou impacto na eficiência de controle dos programas avaliados.

Em relação a utilização de multissítio ou fungicida biológico, os tratamentos com o Bio-Imune (tratamento 6) e

Reverb (tratamento 9), apresentaram resultados equivalente àqueles com o multissítio mancozebe (tratamento 5 e 8). Ao passo que, no tratamento 12, com a utilização do Provilar em fase vegetativa e pré-fechamento de linhas, os valores de severidade final e AACP-Mancha-alvo foram elevados, em comparação com a aplicação de mancozebe no pré-fechamento (tratamento 11). Bem como a eficiência de controle foi inferior, com 38,8% (Tabela 3).

Diante disso, pode-se inferir que além inconstante, o desempenho de alguns fungicidas biológicos quando são aplicados em substituição aos multissítios, podem permitir maior avanço da doença. Especialmente com retirada do mancozebe no pré-fechamento das linhas. Afinal, este multissítio se destaca no controle da mancha-alvo e nesta fase é quando geralmente inicia a incidência.

Tabela 3. Médias da Severidade final, Área abaixo da curva do progresso das doenças (AACP) e eficiência de controle (%) de mancha-alvo e DFCs na cultura da soja após a aplicação dos programas fungicidas. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde- GO, safra 2024/2025.

b

a 5,3 a 6,5 a 6,6 a 6,8 a 6,8 a 8,3 a 7,8 a 7,8 a 11,0 b 8,3 a

C.V. (%) = Coeficiente de Variação Médias seguidas com letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05)

As doenças de final de ciclo (DFCs) atingiram 21,8% de tecido foliar afetado e AACP-DFCs de 507,8 no tratamento testemunha, valores superiores aos demais (Tabela 3). A utilização dos fungicidas multissítios e biológicos reduziu

consideravelmente os níveis destas doenças. Enquanto que, no tratamento 2 (apenas com sítio-específicos) os valores foram intermediários, assim como, os observados no tratamento 12 (aplicações de Provilar no estádio vegetati-

FITOPATOLOGIA

vo e pré-fechamento de linhas). Nos demais tratamentos, os valores obtidos foram estatisticamente semelhantes, com variações entre 5,3 e 8,3%, para severidade final e 127,8 e 184,8 para AACP-DFCs (Tabela 3).

A eficiência de controle calculada foi ligeiramente superior nos tratamentos de 4, 5, 6, 7 e 8, com valores acima 69%. Nestes programas de aplicações foram utilizados multissítios nas quatro aplicações (tratamento 4), ou as diferentes combinações contendo o fungicida biológico Bio-Imune (tratamentos: 5, 6 e 7), e também o fungicida biológico Reverb em estádio vegetativo e o multissítio no pré-fechamento de linhas (tratamento 8) (Tabelas 1 e 3).

Os mecanismos de ação dos produtos biológicos sobre os patógenos ainda não estão totalmente descritos. É possível que existam incontáveis formas de ação, frente a diversidade de microrganismos que podem apresentar benefícios ao cultivo. Atualmente, sabe-se que a maioria destes microrganismos atuam sobre rotas metabólicas das plantas que estão relacionadas a mecanismo de defesa, produção de substâncias reguladoras e que promovem o desenvolvimento e crescimento vegetal. Isto é, sua ação parece estar ligada à planta, e não diretamente sobre o patógeno. Enquanto que, os fungicidas multissítios atuam diretamente sobre rotas metabólicas dos fungos.

A produtividade de soja apresentou três grupos de tratamentos. Com menor produtividade, o tratamento testemunha obteve 72,5 sacas ha-1, o que evidencia o impacto da severidade de mancha-alvo e DFCs sobre a cultura. Com níveis intermediários, os tratamentos 11 e 12, com a utilização do multissítio (mancozebe) ou biológico (Proviliar) junto ao sítio-específico em pré-fechamento. Neste ponto, é relevante destacar que, quando ambos foram associados ao sítio-específico nesta fase (tratamento 13) não houve comprometimento da produtividade, o que indica a possibilidade de haver efeito adicional na mistura destes produtos. Por fim, os demais tratamentos obtiveram as maiores produtividades (Figura 1). Resultados de demonstram a possibilidade de se obter níveis produtivos satisfatórios com diferentes combinações entre fungicidas sítio-específicos, multissítios e biológicos.

A diversificação de frentes de combate aos processos epidemiológicos que governam a capacidade de fungos patogênicos causarem doenças nas plantas de interesse econômico, devem ser adotadas sempre que possível. Pois irão atenuar os problemas de pressão de seleção de indivíduos resistentes, causada pela utilização intensiva de ingredientes ativos sítio-específicos.

Produtividade (sacas ha¹)

Tratamentos

C.V. = 3,49%. Médias com letras iguais acima das barras não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05).

Figura 1. Produtividade média de soja em razão da aplicação de diferentes programas de aplicações de fungicidas com diferentes combinações entre multissítios e biológicos (aplicações de fase vegetativa e pré-fechamento de linhas) associados aos sítio-específicos. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde- GO, safra 2024/2025.

FITOPATOLOGIA

A execução de um programa com quatro aplicações ao longo do ciclo da soja, com início em estádio vegetativo é o ponto inicial. A partir disso, é altamente recomendável a adição de fungicidas multissítios aos programas, afim de aumentar a eficiência de controle e também no manejo da resistência de fungos à fungicidas. As possibilidades de diversificação de agentes que possam auxiliar no manejo de doenças, com a utilização de fungicidas biológicos, apontam para o caminho da associação de estratégias de controle, e devem ser aplicadas sempre que possível.

CONCLUSÃO

Os fungicidas biológicos podem manter níveis de controle e de produtividade satisfatórios quando utilizados dentro de programas de aplicações bem elaborados. Por outro lado, foi possível identificar que existem diferenças de desempenho entre os produtos e seu posicionamento no ciclo da cultura. Além disso, as variações encontradas não deixam claro se a substituição do fungicida multissítio pelo biológico é equivalente. E por fim, da mesma forma, a associação entre eles não impactou nas variáveis relacionadas as doenças no campo.

AGRADECIMENTOS

À equipe de campo, estagiários e aos pesquisadores do CTC pelo apoio na execução do experimento.

REFERÊNCIAS

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CONTROLE DE MANCHA DE BIPOLARIS NA CULTURA DO MILHO

RODRIGUES¹, Julliana Souza; CAETANO², Brunna de Carvalho; FERNANDES³, Rafael Henrique

1 Graduanda em Agronomia – Universidade de Rio Verde - UniRV. Estagiária do Centro Tecnológico COMIGO – CTC, Rio Verde – GO.

E-mail: julliana27rodrigues@gmail.com

2 Graduanda em Agronomia – Universidade de Rio Verde - UniRV. Estagiária do Centro Tecnológico COMIGO – CTC, Rio Verde – GO.

E-mail: caetano.c.brunna@gmail.com

3 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br

INTRODUÇÃO

No Brasil, o milho é o segundo grão de maior importância, superado apenas pela soja que lidera a produção no país (BRASIL, 2024). Para a safra atual (2024/2025) a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) estima a produção de milho em 126,9 milhões de toneladas, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), estima que a produção será de 130 milhões de toneladas (CONAB, 2025; USDA, 2025).

Além de sua importância alimentar, humana e animal, o uso do milho para a produção de etanol vem crescendo, compondo cerca de 16% na participação de biocombustíveis. Esse aumento é impulsionado por sua ampla adaptabilidade regional e capacidade de armazenamento, que o diferenciam de culturas como a cana-de-açúcar, por exemplo (BRASIL, 2024).

Entre os fatores bióticos que podem resultar em significativas perdas na cultura do milho, a ação de doenças é notável, provocando alterações nos processos fisiológicos das plantas. No cenário das enfermidades foliares de importância, destacam-se a cercosporiose (Cercospora

zeae-maydis, C. zeina e C. sorghi f. sp. maydis), ferrugem polissora (Puccinia polysora), ferrugem comum (Puccinia sorghi), helmintosporiose (Exserohilum turcicum), mancha de Bipolaris (Bipolaris maydis), mancha foliar de diplodia (Diplodia macrospora, sin. Stenocarpella macrospora) e a antracnose (Colletotrichum graminicola), as quais demandam atenção (PASCHOLATI et al., 2015).

A relevância das doenças na cultura do milho tem crescido, gerando uma demanda por métodos de controle ágeis e eficazes, especialmente considerando o papel estratégico dessa cultura no agronegócio brasileiro. De acordo com Custódio et al. (2019), o Brasil é o único país que consegue ter uma produção tão expressiva, tanto na primeira como na segunda safra em um mesmo ano. Para sustentar esse potencial produtivo, o Manejo Integrado das Doenças – MID - deve ser realizado por meio da utilização de híbridos resistentes, da rotação de genótipos e culturas, além da aplicação de fungicidas eficazes. A sustentabilidade do cultivo de milho no sistema atual também depende fortemente da contínua pesquisa e desenvolvimento de genótipos resistentes, do aprimoramento do conhecimento epidemiológico das doenças e da evolução dos fungicidas e suas tecnologias de aplicação.

A mancha de Bipolaris, causada pelo fungo Bipolaris maydis, é um patógeno capaz de ocasionar expressivas reduções no rendimento de grãos. Nos Estados Unidos, entre os anos 1970 e 1971, a macha de Bipolaris ganhou proporções epidêmicas, pois o híbrido mais utilizado, com citoplasma macho-estéril Texas (cms-T), era altamente suscetível a raça T do patógeno, gerando perdas estimadas em 15%, com relatos de redução de até 70% da produção (CUSTÓDIO et al., 2019).

REVISÃO DE LITERATURA – MANEJO DA MANCHA DE BIPOLARIS NO MILHO

Atualmente, as principais formas de controle de doenças em plantas baseiam-se em medidas preventivas, voltadas à redução do inóculo presente na área, e em me-

FITOPATOLOGIA

didas curativas, que têm como objetivo paralisar a ação do patógeno na planta ou minimizar seus efeitos, reduzindo a severidade da doença. Nesse contexto, o Manejo Integrado de Doenças - MID - consiste na utilização combinada e racional de diferentes estratégias de controle, buscando manter os níveis de incidência e severidade abaixo do nível de dano econômico, considerando sempre os aspectos sociais, econômicos e ambientais. Entre as principais práticas de controle, destacam-se a rotação de culturas, o uso de cultivares resistentes, o controle biológico e o controle químico. Além dessas, outras estratégias podem ser adotadas, como a semeadura em época e profundidade adequadas, a adubação equilibrada, o controle de plantas daninhas, o manejo da irrigação e a colheita no momento correto (CARVALHO, 2010).

A rotação de culturas tem como principal objetivo reduzir a quantidade de inóculo viável presente no solo ao longo dos anos. Essa prática é essencial no controle de doenças do milho, pois contribui para a diminuição da incidência e severidade de enfermidades foliares. No entanto, as estruturas de propagação do patógeno apenas desaparecem completamente após a mineralização da palhada, de modo que o tempo necessário de rotação depende diretamente desse processo (OLIVEIRA et al., 2006).

De acordo com Kaur et al. (2014) o preparo do solo por meio de aração e gradagem pode acelerar a decomposição dos resíduos culturais, favorecendo a redução do inóculo. Entretanto, essa prática não é compatível com os princípios do plantio direto e, portanto, deve ser considerada apenas em situações extremas, quando há uma quantidade excessiva de inóculo no campo.

A rotação com trigo, cultura que vem se expandindo no Cerrado, pode ser utilizada como alternativa viável, uma vez que tem sido observada redução das manchas foliares causadas por Bipolaris maydis no milho, além de diminuição das manchas associadas a Cercospora spp. (FANTIN et al., 2014). Em contrapartida, o uso de espécies suscetíveis, como Panicum maximum (SANTOS et al., 2015), pode favorecer o aumento do inóculo no solo.

O controle genético, realizado por meio do uso de híbridos resistentes ou tolerantes, constitui atualmente o método mais eficiente no manejo da doença. Em contrapartida, a utilização de híbridos suscetíveis resulta na expansão exponencial das lesões após a infecção, tornando o controle mais dependente da aplicação de fungicidas sistêmicos (FORCELINI, 2006). Como exemplo, Costa et al.

(2018) identificaram os híbridos AS1596 PRO e AG7088 PRO como resistentes, enquanto CD355, RB9308 YG, 2B587 PW, BRS 2020 e BRS 1060 apresentaram maior suscetibilidade.

No âmbito do controle biológico, observa-se a ação antifúngica de bactérias, com cepas como CNPSo 2478 e CNPSo 2475 de Bacillus sp. apresentando bom controle da doença (SZILAGYI-ZECCHIN et al., 2014). Machado e Silva (2013) constataram antagonismo entre B. maydis e os fungos Trichoderma harzianum (isolado 2B22) e Trichoderma viride (isolados TSM1 e TSM2), e Wang et al. (2015), identificou indução de resistência no milho através da aplicação de Trichoderma atroviride (cepa SG3403). Ainda nesta mesma estratégia de manejo, Bacillus subtilis e Pseudomonas fluorescens proporcionaram redução superior a 28% na severidade da mancha de Bipolaris por meio de pulverizações foliares, enquanto o tratamento de sementes com Trichoderma harzianum, quando associado ao controle químico, também resultou em bons resultados (ATRI et al., 2022).

Além das estratégias de controle direto, o manejo da época de plantio constitui um fator crucial na dinâmica epidemiológica da mancha de Bipolaris no milho. Costa et al. (2018) observaram que a severidade da doença variou significativamente entre as épocas de semeadura, registrando baixa severidade no plantio de primeira época e maior severidade nas semeaduras de segunda e terceira época.

Outras formas de controle alternativas têm sido estudadas e apresentado bons resultados. Lata-Tenesaca et al. (2025) utilizaram um indutor de resistência à base de zinco complexado com polifenóis. O zinco é um componente essencial das proteínas que expressam os genes de defesa da planta, conhecidas como “Zinc Finger”, e contribui para a detoxificação das espécies reativas de oxigênio (EROs) geradas durante o processo de infecção. Nesse estudo, a colonização fúngica em tecidos foliares foi reduzida nas plantas pulverizadas com o indutor de resistência (IR).

Além das medidas mencionadas, em situações em que há uma maior incidência e severidade de mancha de Bipolaris na área, torna-se indispensável a utilização de fungicidas foliares. Atualmente, no Brasil, encontram-se registrados no sistema Agrofit (2025) nove produtos destinados ao controle da doença, pertencentes aos grupos químicos das carboxamidas, triazolintiona, estrobilurinas, triazóis e fenetilarilamidas.

Para o controle da mancha de Bipolaris, os princípios ativos como difenoconazol, propiconazol e tebuconazol têm demonstrado melhor eficácia e manutenção da pro-

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dutividade do milho em diferentes safras monitoradas. Além disso, os tratamentos que incluem carboxamidas tem proporcionado resultados ainda superiores. A associação de carboxamidas aos triazóis, não apenas promoveu maior produtividade de grãos, mas também incrementou a matéria seca e a densidade do colmo, além de aumentar a concentração de componentes químicos como celulose e lignina. Consequentemente, isso conferiu maior resistência ao quebramento do colmo das plantas (CUSTÓDIO et al., 2024; SILVIA, 2017).

De acordo com De Cól et al. (2025), entre as safras de 2020 e 2024, os princípios ativos que apresentaram maior eficiência no controle da mancha de Bipolaris, com índices superiores a 60%, foram a combinação de fluxapiroxade com piraclostrobina e a mistura de protioconazol, bixafen e trifloxistrobina.

De forma geral, o manejo das doenças foliares do milho deve ser intensificado no período que compreende aproximadamente 15 dias antes até 20 dias após o pendoamento, fase em que a cultura apresenta maior vulnerabilidade aos danos provocados pela mancha de Bipolaris (CHAGAS et al., 2015). Nessa perspectiva, ensaios de campo têm consistentemente demonstrado os benefícios da realização de aplicações antecipadas de fungicidas, iniciando-as no estádio fenológico V4 do milho. Tal prática visa proteger a lavoura precocemente, garantindo a manutenção da produtividade em híbridos comerciais (ZANCAN e CARVALHO, 2024).

De Cól et al. (2025) recomendam que a aplicação de fungicidas seja realizada no estádio V6 ou em fases anteriores, uma vez que mesmo baixos níveis de severidade da doença podem comprometer a produtividade, justificando, portanto, a adoção de aplicações antecipadas. Ramos (2025), encontrou resultados semelhante, com uma maior eficiência no controle da doença em estádio V6, e

quando acrescida de mais uma aplicação em V10, houve uma melhor resposta em uma gama maior de híbridos.

OBJETIVO

No Brasil tem se observado aumento considerável da incidência e de elevadas severidades da mancha de Biolaris nas últimas safras (SOARES, 2024). Contudo, a literatura ainda carece de resultados claros quanto à eficácia de diferentes estratégias de controle químico para o controle da doença. Portanto, o presente estudo objetiva avaliar a eficiência de diferentes programas de aplicações de fungicidas no controle da mancha de Bipolaris no milho.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na segunda safra do ano agrícola 2024/2025, em condições de campo, na área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC), no município de Rio Verde – Goiás (17°46'13.15"S e 51° 2'1.77"O; altitude de 844 m). O clima de Rio Verde, GO, é do tipo Aw Tropical, com estação seca no inverno, conforme a classificação de Köppen apresentada por SOBRINHO et al. (2020).

O experimento foi conduzido com o híbrido Feroz Vip3, que apresenta um ciclo precoce e produz grão duro alaranjado, com finalidade dupla: grão e silagem. Em relação as doenças, é caracterizado por apresentar boa tolerância a doenças foliares e colmo.

O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, com 9 tratamentos (Tabela 1) e 4 repetições. Foram quatro (4) tratamentos com três (3) aplicações, nos estádios V6/V7, VT e 15 dias após o VT; quatro (4) tratamentos com duas (2) aplicações, nos estádios V6/V7 e VT, além de uma testemunha sem aplicação de fungicidas.

Tabela 1. Descrição dos tratamentos com diferentes programas de aplicações de fungicidas para o controle de mancha de Bipolaris no milho. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, segunda safra 2024/2025.

Tratamento 1 2 3 4 5 6 7 8 9

1ª Aplicação 2ª Aplicação 3ª Aplicação

V6/V7Miravis Duo¹ Fox Xpro² Melyra³

Helmstar Plus³ Miravis Duo¹ Fox Xpro² Melyra³

Helmstar Plus³

VT -

Abacus + Prisma Plus³

Abacus + Prisma Plus³

Abacus + Prisma Plus³ Abacus + Prisma Plus³ Abacus + Prisma Plus³ Abacus + Prisma Plus³

Abacus + Prisma Plus³ Abacus + Prisma Plus³

¹Adicionado Ochima (0,25% v/v); ²Adicionado Aureo (0,25% v/v) ;³Adicionado Mees (0,5% v/v).

VT+15

Tridium²

Tridium²

Tridium²

Tridium²

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Os fungicidas utilizados foram dos grupos químicos dos triazóis, triazolintiona, carboxamidas, estrobilurina e ditiocarbamato (Tabela 2).

Tabela 2. Ingredientes ativos, grupo químico e dose de produto comercial utilizados. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, segunda safra 2024/2025.

Produto Comercial

Miravis Duo

Fox Xpro

Melyra

Helmstar Plus

Abacus

Prisma Plus

Tridium

Ingrediente(s) Ativo(s)

pidiflumetofem + difenoconazol

bixafem + protioconazol + trifloxistrobina

mefentrifluconazol + piraclostrobina

azoxistrobina + tebuconazol

piraclostrobina + epoxiconazol

difenoconazol

azoxistrobina + mancozebe + tebuconazol

*Formulação de grânulos dispersíveis em água (WG), com dose em kg ha-¹.

A semeadura foi realizada em 19 de fevereiro de 2025, com densidade de 3,5 sementes por metro. Na semeadura também foram aplicados em jato dirigido (Micron) o inoculante Azomax (Azospirillum brasilense) na dose de 0,3 L ha¹, o fertilizante Biozyme na dose de 0,3 L ha-¹, o inseticida

Meta-Turbo na dose de 0,5 L ha-¹, o fungicida e nematicida microbiológico Tricho-Turbo (Trichoderma asperellum BV10, com 1,0 x 1010 conídios viáveis/mL) na dose de 0,2 L ha-¹, e Inlayon (Bacillus amyloliquefaciens isolado SIMBI BS

Grupo(s) Químico(s)

carboxamida + triazol

carboxamida + triazolintiona + estrobilurina

triazol + estrobilurina

estrobilurina + triazol

estrobilurina + triazol

triazol

estrobilurina + ditiocarbamato + triazol

10 (CCT 7600) 5 x 109 UFC/mL) na dose de 0,2 L ha-¹. Para a adubação foram aplicados 300 kg ha-¹ de 08:20:18.

As condições meteorológicas durante as aplicações (temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento) foram monitoradas utilizando uma estação meteorológica automática Plug Field® (modelo Plugstation WS22), instalada nas proximidades da área experimental (Tabela 3).

Tabela 3. Datas das aplicações e dados meteorológicos registrados durante as aplicações dos fungicidas. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, segunda safra 2024/2025.

Data

1ª Aplicação

13/03/2025

2ª Aplicação

31/03/2025

3ª Aplicação

24/04/2025

Início

Término

Início

Término

Início

Término 08:50 09:39 13:24 13:47 16:41 17:15

Foram avaliadas e a severidade de doenças foliares e a produtividade (kg ha⁻¹). A severidade foi determinada por avaliação visual utilizando escala diagramática específica (PINTO et al., 2025), com três avaliações (28/04/2025, 08/05/2025 e 30/05/2025). Em cada avaliação, foram avaliadas três plantas por parcela, coletando dados de duas folhas por planta: a folha da espiga e a folha oposta a ela. As médias de

Velocidade do vento (km h-¹)

severidade obtidas foram utilizadas para calcular a Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD).

Para a produtividade de grãos, foi realizada a colheita de 40 espigas por parcela, e feita a medição de metros lineares colhidos para determinar a população de plantas, e definir assim a produtividade. As espigas coletadas foram trilhadas,

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tiveram a umidade dos grãos medida e a massa fresca registrada. A produtividade foi então ajustada para umidade de 14% e convertida para sacas de 60 kg por hectare (sacas ha⁻¹).

Os dados de AACPD e produtividade foram submetidos à análise de variância. Nos casos em que se detectou diferença significativa entre as médias, aplicou-se o teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade, utilizando o programa SISVAR.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Embora nas últimas safras tenha sido observado o aumento progressivo na incidência e severidade da mancha de Bipolaris no milho, na área de estudo houve atraso em sua incidência. Especialmente, em comparação a safras anteriores. Os primeiros sintomas foram identificados aos 90 dias após o plantio, quando as plantas já se encontravam no estádio reprodutivo R2.

Durante o ciclo de desenvolvimento da cultura, as temperaturas médias registraram 16,8 °C para as mínimas e 28,9 °C para as máximas. Observou-se temperaturas mais elevadas no início do ciclo da cultura, tornando-se mais amenas na fase final, o que pode ter contribuído para a baixa incidência da doença no campo.

De forma geral, os níveis severidade final da mancha de Bipolaris no milho foi baixa. No tratamento testemunha, sem aplicações de fungicidas, observou-se a maior severidade, com média de 7,91% (Tabela 4).

Entre os tratamentos que receberam duas aplicações de fungicidas (V6 e VT), a severidade variou de 1,16 a 3,37. Em va-

lores absolutos, o menor valor foi registrado no Tratamento 2 (1ª Miravis Duo / 2ª Abacus + Prisma Plus), com severidade de 1,16%. Embora não tenham apresentado diferenças estatísticas significativas, os tratamentos 3 (Fox Xpro) e 5 (Helmstar Plus) também apresentaram baixos valores, com severidades de 2,67 e 1,60%, respectivamente (Tabela 4).

Nos tratamentos em que foi realizada a terceira aplicação, 15 dias após o pendoamento (tratamentos 6 a 9), a severidade variou de 1,93 a 6,28%. Em valores absolutos, o menor foi observado no tratamento 8 (1ª Melyra / 2ª Abacus + Prisma Plus / 3ª Tridium), com severidade de 1,93%, seguido por 7 (1ª Fox Xpro / 2ª Abacus + Prisma Plus / 3ª Tridium + Tridium) e 6 (1ª Miravis Duo / 2ª Abacus + Prisma Plus / 3ª Tridium), que apresentaram valores de 2,53% e 2,61%, respectivamente (Tabela 4). O Tratamento 9 (1ª Helmstar Plus/ 2ª Abacus + Prisma Plus / 3ª Tridium) apresentou severidade semelhante a observada na testemunha, com 6,28% (Tabela 4).

De forma geral, observa-se que a aplicação de fungicidas reduziu a severidade da doença em comparação à testemunha. Os tratamentos com duas aplicações proporcionaram menores níveis de severidade. A inclusão da terceira aplicação não promoveu redução significativa na severidade da mancha de Bipolaris. No entanto, o desempenho dos programas de aplicações como um todo, variou conforme o fungicida utilizado nas primeiras pulverizações.

A testemunha (tratamento 1) apresentou o maior valor de AACPD (92,76) em comparação aos demais tratamentos, o que indica que o desenvolvimento da doença em plantas não tratadas ocorreu de forma acentuada.

Tabela 4. Médias da Severidade Final, Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD) e Eficiência de Controle (%) para mancha de Bipolaris no milho. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, segunda safra 2024/2025.

Controle (%)

Médias com letras iguais nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05).

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Nos tratamentos com três aplicações, os valores de AACPD observados nos tratamentos 8 (23,51), 6 (31,10) e 7 (29,06) se mantiveram próximos aos melhores resultados obtidos com duas aplicações. Por sua vez, o tratamento 9 apresentou valor de 71,92, consideravelmente superior aos demais com três aplicações.

A eficiência de controle, calculada em relação à testemunha, variou amplamente entre os tratamentos. Entre as estratégias com duas aplicações, o tratamento 2 obteve a maior eficiência (81,11%), seguido por 5 (77,52%),

3 (65,45%) e 4 (56,81%). Nos tratamentos com três aplicações, destacaram-se novamente os tratamentos 8 (74,65%), 7 (68,67%) e 6 (66,47%), mantendo altos índices de eficiência. O tratamento 9 apresentou eficiência de apenas 22,47%.

Não houve diferença na produtividade de grãos de milho entre os tratamentos (Tabela 5). Contudo, algumas observações podem ser consideradas em termos de incremento produtivo, e que podem refletir efeitos positivos do manejo químico da mancha de Bipolaris ao longo do ciclo.

Tabela 5. Produtividade e incremento de grãos de milho em resposta aos tratamentos para mancha de Bipolaris. Centro

Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, segunda safra 2024/2025.

Tratamento

Produtividade (kg/ha)

Incremento(kg/ha) 0.00 209.56 -51.25 -215.04 544.95 732.58 189.82 484.71 604.03

C.V. 6.08% -

C.V. = Coeficiente de Variação. Médias com letras iguais nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05).

A testemunha (tratamento 1) apresentou produtividade de 10.385,54 kg ha⁻¹. Entre os tratamentos com duas aplicações de fungicidas, o incremento observado no tratamento 5 foi de 544,95 kg ha⁻¹ em relação à testemunha. Os tratamentos 2 e 7 também apresentaram ganhos, com 209,56 kg ha⁻¹ e 189,82 kg ha⁻¹, respectivamente. Ao passo que, nos tratamentos com três aplicações, o maior incremento foi obtido pelo tratamento 6, com 732,58 kg ha⁻¹ sobre a testemunha. E também, os tratamentos 9 e 8, com incrementos de 604,03 kg ha⁻¹ e 484,71 kg ha⁻¹, respectivamente.

De forma geral, embora as diferenças não tenham sido significativas estatisticamente, observa-se que a adoção de programas de aplicação de fungicidas, especialmente aqueles com três aplicações, podem sinalizar para ganhos de produtividade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

1. A aplicação de fungicidas reduziu significativamente a severidade da doença e a AACPD em comparação com a testemunha. O Tratamento 2 (Miravis Duo seguido de Abacus + Prisma Plus) destacou-se como a estratégia eficiente, com severidade de apenas 1,16% e eficiência de controle de 81,11%.

2. O tratamento 2 evidencia a eficácia de programas que associam carboxamidas, triazóis e estrobilurinas em rotação. Essa abordagem reduz a pressão de seleção por resistência e assegura controle mais duradouro.

3. A aplicação adicional (15 dias após o pendoamento) nem sempre resultou em ganhos consistentes. É possível que, em áreas com alta pressão da doença o resultado da

FITOPATOLOGIA

terceira aplicação seja positivo.

4. A incidência tardia da doença (após R2) e as temperaturas amenas no final do ciclo podem ter contribuído para a baixa severidade geral, mesmo na testemunha. Isso ressalta a importância de contextualizar os resultados dentro das condições ambientais específicas da safra.

5. Embora não tenham sido observadas diferenças estatísticas, os valores obtidos pelos programas com três aplicações sinalizaram para possibilidade de incrementos produtivos. O que sugere, que, em anos com elevada pressão de mancha de Bipolaris, o retorno econômico do controle químico pode ser mais evidente.

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PLANTAS DANINHAS

ASSOCIAÇÕES HERBICIDAS

APLICADAS EM PÓS-EMERGÊNCIA DA

SOJA EM CULTIVAR COM TECNOLOGIA CONKESTA ENLIST®

BRAZ¹, Guilherme Braga Pereira; OLIVEIRA², João Paulo Messias de; FERNANDES³, Rafael Henrique; LIMA⁴, Diego Tolentino de; BUENO⁵, Amanda Magalhães; SARKIS⁶, Leonardo Fernandes; VAZ⁷, Valter; SILVA⁸, Nelmício Furtado da

1 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). E-mail: guilhermebrag@gmail.coop.br

2 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: joaopaulo@comigo.coop.br

3 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: : rafaelhenrique@comigo.coop.br

4 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo.coop.br

5 Engenheira agrônoma, Doutora em Agronomia. Pesquisadora Agronômica no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br

6 Engenheiro agrônomo, Doutor em Ciência do Solo. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br

7 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: valtervaz@comigo.coop.br

8 Engenheiro agrônomo, Doutor em Ciências Agrárias. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV).

E-mail: nelmicio@unirv.edu.br

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, o Brasil se consolidou como o maior

produtor mundial de soja, resultado de um modelo agrícola altamente tecnificado (CONAB, 2025). O crescimento contínuo da produção brasileira de soja é fruto de uma série de fatores, não podendo ser dissociado dos avanços tecnológicos implementados no campo, sendo o papel do melhoramento genético, por meio do desenvolvimento de novas cultivares, um dos principais pilares dos ganhos produtivos desta oleaginosa (ADEGAS et al., 2022). Neste sentido, o desenvolvimento de cultivares geneticamente modificadas (transgênicas), tais como as tecnologias (traits) Roundup Ready® (RR®), Intacta 2 Xtend® (I2X®) e Conkesta Enlist® (CE®), possibilitou não apenas o aumento da produtividade dos materiais genéticos, mas também melhorias no manejo fitossanitário da cultura, em especial, no que tange ao controle de pragas e plantas daninhas (EMBRAPA SOJA, 2025; ENLIST, 2025).

A introdução das cultivares transgênicas no mercado representaram um marco no manejo fitossanitário da soja, uma vez que por meio da transgenia, houve a possibilidade de melhorar a tolerância da cultura a diferentes pragas, bem como a possibilidade de uso de herbicidas com mecanismos de ação distintos. Contudo, mesmo diante desses avanços, o controle de plantas daninhas permanece um dos maiores desafios enfrentados pelos agricultores (BRAZ et al., 2016). A resistência de determinadas espécies de plantas daninhas aos herbicidas amplamente utilizados, em especial o glifosato, tem exigido a adoção de estratégias mais complexas e onerosas para assegurar que perdas pela interferência da comunidade infestante não sejam visualizadas.

Estudo realizado por Gazziero et al. (2013) evidencia o impacto negativo da convivência das plantas daninhas com a cultura da soja. Neste trabalho, os autores visualizaram que o capim-amargoso, em densidades variando de 4 a 8

PLANTAS DANINHAS

plantas m-², pode comprometer de maneira severa a produtividade da soja, visualizando-se reduções no rendimento de grãos de até 52,79%. Vale destacar que essa pesquisa avaliou apenas uma planta daninha, enquanto os produtores enfrentam uma ampla variedade de plantas daninhas nas áreas de cultivo de grãos. Neste contexto, entre as estratégias de controle químico de plantas daninhas, o uso racional de herbicidas e a rotação de mecanismos de ação têm sido fundamentais para evitar o avanço da resistência e manter a viabilidade econômica da produção.

Em função do cenário de restrições para o controle de plantas daninhas, a introdução das cultivares de soja CE® surge como uma alternativa para remediar parte desta problemática, uma vez que estes materiais geneticamente modificados apresentam tolerância aos herbicidas 2,4D, glufosinato e glifosato, os quais não são seletivos para cultivares de soja convencional (MAPA, 2025). Essa tecnologia se baseia na inserção de genes específicos oriundos de bactérias do solo, como Agrobacterium tumefaciens, Delftia acidovorans e Streptomyces viridochromogenes, que permitem à planta metabolizar os compostos químicos dos herbicidas sem sofrer danos, enquanto eliminam seletivamente as plantas daninhas (SKELTON et al., 2017; GARCIA et al., 2020). Diante do panorama supracitado, torna-se es-

sencial compreender como as novas tecnologias que conferem tolerância a soja a determinados herbicidas podem ser implementadas no controle de plantas daninhas.

Diante deste contexto, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a eficácia no controle de plantas daninhas de associações herbicidas aplicadas em pós-emergência da soja (cultivar: BMX Tormenta CE®), bem como aferir a seletividade destes para a cultura.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado na área experimental do Centro Tecnológico COMIGO sediada no município de Rio Verde (GO) (S 17°45’42” O 51°02’09”, altitude de 827 m). O período de condução do experimento foi de 22/10/2024 a 16/02/2025.

O clima do município de Rio Verde é do tipo B4 rB’4a’ (Úmido; pequena deficiência hídrica; mesotérmico; evapotranspiração no verão menor que 48% da evapotranspiração anual), segundo a classificação de Thornthwaite (1948). Na Figura 1 encontram-se os dados climatológicos relacionados a temperatura e umidade relativa do ar (médias) e precipitações durante o período de condução do experimento.

Fonte: INMET - Instituto Nacional de Meteorologia. Estação de coleta: Rio Verde (GO). Figura 1. Temperatura e umidade relativa do ar (médias) e precipitações observadas durante o período de condução do experimento. Rio Verde (GO), 2024/2025.

O solo da área experimental é classificado como Latossolo Vermelho Distrófico (Santos et al., 2018). Antes da instalação dos experimentos, foi realizada a análise de amostras do solo coletadas na profundidade de 0 a 20 cm, a qual revelou as seguintes propriedades físico-químicas: pH em CaCl2 de 5,20; 0,09 cmolc dm-³ de Al+³; 3,52 cmolc dm-³ de Ca+²; 0,84 cmolc dm-³ de Mg+²; 78,72 mg dm-³ de K; 19,46 mg dm-³ de P; 21,10 g dm-³ de M.O.; 59,10% de areia; 4,10% de silte e 36,80% de argila.

A área em que o experimento foi realizado havia sido cultivada anteriormente com milho. A área apresenta histórico de infestação de plantas daninhas, destacando-se: capim-colchão (Digitaria horizontalis), picão-preto (Bidens pilosa) e capim-pé-de-galinha (Eleusine indica). O controle das plantas daninhas (dessecação de pré-semeadura) presentes na área experimental foi realizado com duas aplicações de herbicidas, sendo a primeira realizada vinte dias antes da semeadura com a aplicação de glifosa-

PLANTAS DANINHAS

to (1.500 g e.a. ha-¹) + cletodim (192 g i.a. ha-¹) + óleo mineral DUFOL® (750 mL p.c. ha-¹) e a segunda realizada no dia da semeadura, com a aplicação de glufosinato (600 g i.a. ha-¹) + óleo mineral DUFOL® (750 mL p.c. ha-¹).

A semeadura foi realizada de forma mecanizada, com o implemento da marca Vence Tudo no dia 22/10/2024, adotando-se espaçamento entrelinhas de 0,5 m. A cultivar de soja utilizada foi a Conkesta Enlist® (CE®), que possui grupo de maturidade relativa de 7.6, hábito de crescimento indeterminado, sendo adotada a densidade de semeadura de 15 sementes m-¹ (ATTO SEMENTES, 2025). As sementes utilizadas no experimento receberam tratamento industrial com fungicidas e inseticidas, bem como foi realizada a prática de inoculação visando assegurar o processo de fixação biológica de nitrogênio. Visando realizar a prática de adubação da

cultura, foi aplicado a lanço antes do plantio em área total o equivalente a 226 kg ha-¹ de KCl 58% C 0,5%B. No momento da semeadura, a adubação foi realizada com aplicação no sulco do equivalente à 177 kg ha-¹ de 10-46-00 + 9% de S. A emergência das plântulas de soja ocorreu no dia 27/10/2024.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, avaliando-se seis tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos foram compostos pela aplicação de associações herbicidas em pós-emergência da soja, acrescido de uma testemunha sem aplicação (Tabela 1). As unidades experimentais foram compostas por dez linhas de semeadura, com comprimento de 10,0 m (50,0 m²). Considerou-se como área útil para as avaliações apenas as seis linhas centrais de cada unidade experimental, excluindo-se 0,5 m de cada extremidade.

Tabela 1. Relação de tratamentos avaliados no experimento realizado com associações herbicidas aplicadas em pós-emergência da cultura da soja (BMX Tormenta CE®). Rio Verde (GO), 2024/2025.

Tratamentos¹/

Testemunha sem herbicida

Xeque Mate + Off Road

Xeque Mate+ U-46

Xeque Mate + U-46 + Off Road

Xeque Mate +Select 240 +Off Road

Xeque Mate +Verdict Max + Off Road

Dose (L p.c. ha-¹)

2,5 + 2,5 2,5 + 1,0

2,5 + 1,0 + 2,5

2,5 + 0,8 + 2,5

2,5 + 0,3 + 2,5

Ingrediente ativo

glifosato + glufosinato

glifosato + 2,4-D amina

glifosato + 2,4-D amina + glufosinato

glifosato + cletodim + glufosinato

glifosato + haloxifope + glufosinato

¹/ Foi adicionado óleo mineral DUFOL® (0,15 L p.c. ha-¹) à calda de aplicação de todos os tratamentos.

Os tratamentos herbicidas foram aplicados quando as plantas de soja se encontrarem no estádio fenológico V2/ V3 (18/11/2025). No momento da aplicação o solo apresentava-se com boa umidade e o céu estava com a presença de poucas nuvens, estando a temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento, mínima e máxima, em valores equivalentes a 25,2 e 26,1oC, 61,4 e 68,3% e 1,2 e 2,0 km h-1, respectivamente. As aplicações foram realizadas utilizando-se um pulverizador de pesquisa pressurizado por CO2 com patente junto ao INPI (BR 102016007565-3), montado em um trator (LS 60, 60 cv, Landini). A barra de aplicação foi equipada com dez pontas espaçadas 0,5 m entre si, mantida a uma altura de 0,5 m da cobertura vegetal. A pressão de trabalho nas pontas de pulverização de jato duplo plano com indução de ar (ADIA/D 110015; Magnojet) foi de 300 kPa (43,5 psi) e o volume de aplicação 150 L ha-¹.

Durante o desenvolvimento da soja foram realiza -

dos tratos culturais de acordo com as recomendações técnicas, procedendo ao controle de pragas e doenças sem deixar que estes influenciassem negativamente no desenvolvimento da cultura. Todas as aplicações de manutenção foram realizadas com pulverizador de arrasto acoplado ao trator, utilizando-se taxa de aplicação de 150 L ha - ¹.

Para avaliar o desempenho dos herbicidas foi avaliado o controle de plantas daninhas e a intoxicação da cultura, utilizando para ambas as avaliações escala que apresenta notas variando de 0% a 100%, onde 0% significa ausência de controle/sintomas e 100% representa o controle total/morte da soja (SBCPD, 1995). A base comparativa para estas avaliações foi a testemunha sem herbicida. As avaliações de controle foram realizadas aos 14 e 21 dias após a aplicação (DAA), enquanto as avaliações de fitointoxicação aos

PLANTAS DANINHAS

7, 14 e 21 DAA. Para determinação da produtividade de grãos, foi realizada a colheita mecanizada (16/02/2025) de todas as plantas presentes na área útil de cada unidade experimental. A colhedora de parcelas utilizada foi da marca Zürn Harvesting (modelo Zürn 150) e durante o processamento da amostra colhida, o material foi trilhado, identificado, pesado e realizada a correção da umidade dos grãos para 13%.

A análise estatística foi realizada com o programa computacional SISVAR (FERREIRA, 2019). Os dados das variáveis-respostas analisadas foram submetidos à análise de variância pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito significativo, aplicou-se o teste de comparação de médias de Tukey (p≤0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados das avaliações de controle das diferentes espécies de plantas daninhas após a aplicação de associações herbicidas em pós-emergência da soja estão apresentados na Tabela 2. Para capim-colchão, verifica-se que todos os tratamentos avaliados apresentam eficácia total no controle em pós-emergência desta planta daninha, visualizando-se 100,00% independentemente da associação herbicida avaliada. Um aspecto importante acerca das associações avaliadas no presente trabalho é de que para o capim-colchão, não foi visualizado efeito antagônico entre os herbicidas para o controle desta planta daninha. A eficácia dos tratamentos no controle em pós-emergência de capim-colchão é explicada pelo fato de que todas as associações avaliadas apresentavam glifosato em sua composição, herbicida o qual apresenta reconhecida eficácia sobre esta espécie de planta daninha (JAKELAITIS et al., 2001).

Tabela 2. Porcentagem de controle de plantas daninhas aos 14 DAA de associações herbicidas em pós-emergência da soja (BMX Tormenta CE®). Rio Verde (GO), 2024/2025.

Tratamentos

Testemunha sem herbicida

Glifosato + glufosinato

Glifosato + 2,4-D amina

Glifosato + 2,4-D amina + glufosinato

Glifosato + cletodim + glufosinato

Glifosato + haloxifope + glufosinato FCalculado

CV (%)

DMS

Dose (g i.a. ou e.a. ha-¹)1250 + 500 1250 + 670

1250 + 670 + 500

1250 + 192 + 500

1250 + 156 + 500

% de controle de plantas daninhas aos 14 DAA Capim-colchão Picão-preto Capim-pé-de-galinha

b

99,50 a 99,50 ab

a

a

* Significativo pelo teste F (p≤0,05). Médias seguidas por letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste de Tukey (p≤0,05).

De maneira semelhante ao discutido para capim-colchão, no caso do picão-preto, por se constituir em uma espécie com elevada sensibilidade ao glifosato (LACERDA; VICTÓRIA FILHO, 2004), todos os tratamentos apresentaram eficácia no controle em pós-emergência desta planta daninha, uma vez que este ingrediente ativo compunha todas as associações herbicidas avaliadas (Tabela 2). No Brasil, a ocorrência de populações de picão-preto (Bidens subalternans) resistentes ao glifosato já foi relatada no Estado do Paraná (MENDES et al., 2019). Contudo, até o presente momento, não existem registros oficiais dessa resistência em Goiás. No caso de houver

uma disseminação destas populações resistentes para o Estado de Goiás, a adoção de cultivares com tecnologia Conkesta Enlist® será uma das estratégias para o controle químico desta planta daninha, visando à ampliação das alternativas de herbicidas para serem utilizadas em pós-emergência da soja.

A população de capim-pé-de-galinha na área em que o experimento foi realizado não apresenta histórico de falhas no controle para nenhum herbicida (resistência). Para capim-pé-de-galinha, todas as associações herbicidas proporcionaram níveis de controle acima de 97,00% aos 14 DAA, demons-

PLANTAS DANINHAS

trando a elevada eficácia que os tratamentos apresentaram quando aplicados em pós-emergência da planta daninha (Tabela 2). Ressalta-se ainda que, os tratamentos que apresentavam glufosinato em sua composição, seja em associações duplas ou triplas, proporcionaram níveis de controle de capim-pé-de-galinha ligeiramente superiores em relação àqueles que não possuíam este ingrediente ativo. Na literatura já foi indicado que a associação entre glifosato e glufosinato, desde que respeitada as doses comerciais posicionadas de cada um destes ingredientes ativos em aplicações isoladas, pode contribuir para uma maior eficácia no controle de capim-pé-de-galinha (BRAZ et al., 2025).

A partir da avaliação realizada aos 21 DAA, todos os tratamentos herbicidas apresentaram eficácia to -

tal no controle de picão-preto e capim-pé-de-galinha (dados não apresentados). Na Tabela 3 estão apresentados os resultados das avaliações de fitointoxicação da cultura e produtividade da soja submetida à aplicação de associações herbicidas em pós-emergência. Sintomas de fitointoxicação só foram verificados na primeira avaliação, realizada aos 7 DAA. Nesta ocasião, os sintomas observados nas plantas de soja após a aplicação dos herbicidas em pós-emergência foram de baixa intensidade, não sendo visualizados níveis superiores a 7,50%. Estes resultados reforçam a segurança que a tecnologia Conkesta Enlist® traz em termos de possibilitar a aplicação de ingredientes ativos que não se apresentam como seletivos para cultivares que não possuam essa transgenia.

Tabela 3. Porcentagem de fitointoxicação e produtividade de grãos da soja (BMX Tormenta CE®) após a aplicação de associações herbicidas em pós-emergência da cultura. Rio Verde (GO), 2024/2025.

Tratamentos % de fitointoxicação 7 DAA 14 DAA 21 DAA

Testemunha sem herbicida

Glifosato + glufosinato

Glifosato + 2,4-D amina

Glifosato + 2,4-D amina + glufosinato

Glifosato + cletodim + glufosinato

Glifosato + haloxifope + glufosinato

FCalculado

CV (%)

DMS

Dose (g i.a. ou e.a. ha-1)

1250 + 500 1250 + 670

1250 + 670 + 500

1250 + 192 + 500

1250 + 156 + 500

b 6,25 a 6,25 a 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

Produtividade (sacas ha-¹)

b 76,94 a 80,54 a

* Significativo pelo teste F (p≤0,05). Médias seguidas por letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste de Tukey (p≤0,05).

Quanto à produtividade de grãos, os resultados indicam que todos os tratamentos com herbicidas proporcionaram maiores rendimentos em comparação à testemunha sem controle químico (Tabela 3). Esse comportamento evidencia o efeito negativo da interferência da comunidade infestante sobre o rendimento da cultura na ausência de adoção de práticas de manejo. Entre os tratamentos que envolveram a aplicação de herbicidas em pós-emergência da soja, não foram observadas diferenças significativas na produtividade, com valores variando de 76,94 a 81,72 sacas ha-1.

CONCLUSÕES

Com base nos resultados obtidos no presente traba-

lho, é possível concluir que as associações de herbicidas avaliadas foram eficientes no controle de capim-colchão, picão-preto e capim-pé-de-galinha.

Para o capim-colchão e picão-preto, todos os tratamentos apresentaram eficácia no controle destas espécies, não sendo constatadas diferenças em termos de desempenho. De maneira semelhante, para capim-pé-de-galinha, todos os tratamentos apresentaram eficácia no controle em pós-emergência da espécie, com destaque para àqueles contendo o herbicida glufosinato na composição, que apresentaram os maiores níveis de controle.

Todas as associações herbicidas, nas composições de

PLANTAS DANINHAS

doses avaliadas, aplicadas em pós-emergência da soja em cultivar contendo tecnologia Conkesta Enlist® apresentaram seletividade para a cultura.

Todos os tratamentos contendo a aplicação de associações herbicidas em pós-emergência da soja proporcionaram incrementos de produtividade da cultura quando comparados com a testemunha sem herbicida.

REFERÊNCIAS

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ENLIST. Biotecnologias. 2025. São Paulo, SP: CORTEVA, 2025. Disponível em: <https://www.enlist.com/br/biotecnologia.html>. Acesso em: 13/05/2025.

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LACERDA, A.L.S.; VICTÓRIA FILHO, R. Curvas dose-resposta em espécies de plantas daninhas com o uso do herbicida glyphosate. Bragantia, v. 63, n. 1, p. 73-79, 2004.

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MENDES, R.R.; ADEGAS, F.S.; SILVA, V.F.V.; MACHADO, F.G.; TAKANO, H.K.; OLIVEIRA JR., R.S. Multiple resistance to glyphosate and imazethapyr in Bidens subalternans. Ciência e Agrotecnologia, v. 43, e009919, 2019.

SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS, L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO, M.R; ALMEIDA, J.A.; ARAÚJO FILHO, J.C.; OLIVEIRA, J.B.; CUNHA, T.J.F. Latossolos. In: Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 5. ed. Brasília :Brasília: Embrapa, 2018., Cap. 12 p. 219 - 223.

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THORNTHWAITE, C.W. An Approach toward a Rational Classification of Climate. Geographical Review, v. 38, n 1., p. 55-94, 1948.

EFICÁCIA DE HERBICIDAS APLICADOS EM PÓS-EMERGÊNCIA NO CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS NO MILHO

CULTIVADO EM SEGUNDA SAFRA

BRAZ¹, Guilherme Braga Pereira; FERNANDES², Rafael Henrique; LIMA³, Diego Tolentino de; BUENO⁴, Amanda Magalhães; SARKIS⁵, Leonardo Fernandes; VAZ⁶, Valter; RODRIGUES⁷, Julliana Souza

1 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). E-mail: guilhermebrag@gmail.coop.br

2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: : rafaelhenrique@comigo.coop.br

3 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo.coop.br

4 Engenheira agrônoma, Doutora em Agronomia. Pesquisadora Agronômica no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br

5 Engenheiro agrônomo, Doutor em Ciência do Solo. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br

6 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: valtervaz@comigo.coop.br

7 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Estagiária no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: julliana27rodrigues@gmail.com

INTRODUÇÃO

Com a boa lucratividade que a soja traz em comparação com o milho, foi visualizada nas últimas décadas uma mudança no cenário de cultivo deste cereal, o qual passou a ter maior percentual de área cultivada em condições de segunda safra (“safrinha”) quando comparado com a safra de verão (“principal”) (CONAB, 2025). A mudança no siste-

ma de produção do milho para o cultivo em safrinha só foi possível por fatores relacionados à fisiologia da cultura (espécie de metabolismo fotossintético C4 e tolerância moderada a déficit hídrico) e avanços em termos de melhoramento genético, trazendo híbridos com alto potencial produtivo e boa adaptabilidade e estabilidade entre os ambientes de produção (PEGORARE et al., 2009; CUNHA et al., 2019). Contudo, mesmo com os avanços em termos de novas tecnologias e práticas de manejo no milho, ainda há desafios fitossanitários que limitam a obtenção de maiores produtividades nesta cultura, destacando-se a ocorrência de plantas daninhas, pragas, doenças e nematoides.

Ao considerar o processo de interferência causado pelas plantas daninhas quando em convivência com a cultura, uma série de prejuízos são provocados pelas espécies que compõem a comunidade infestante, destacando-se: competição por recursos como água, nutrientes, luz e espaço físico, liberação de compostos alelopáticos (alelopatia), imposição de restrições na colheita e a capacidade de hospedar pragas e doenças (RIZZARDI et al., 2004). Mediante o somatório de efeitos negativos que as plantas daninhas podem ocasionar quando em convivência com milho já foi reportado perdas de até 80% da produtividade de grãos da cultura, quando não foram adotadas práticas de controle da comunidade infestante (CARVALHO et al., 2007). Diante dos prejuízos provocados pelas plantas daninhas, torna-se evidente a necessidade de proceder ao controle destas espécies para assegurar o potencial produtivo do milho, sendo o método químico, por meio da aplicação de herbicidas, a principal estratégia utilizada.

O uso de herbicidas, dentro do intervalo de doses recomendados para o milho, assegura uma boa seletividade dos ingredientes ativos registrados para a cultura (MAIA et al., 2019). No entanto, diversos fatores externos podem influen-

PLANTAS DANINHAS

ciar a tolerância do milho aos herbicidas, comprometendo o desenvolvimento das plantas. Entre esses fatores, destacam-se as condições edafoclimáticas, a genética do híbrido, a modalidade de aplicação dos herbicidas em pré-emergência (plante e aplique ou aplique e plante), o estádio de desenvolvimento das plantas no momento da aplicação dos herbicidas em pós-emergência, além das doses utilizadas, uma vez que todos esses elementos podem afetar a seletividade de um herbicida para a cultura do milho. Nesse contexto, torna-se essencial a realização contínua de estudos voltados à avaliação da seletividade de herbicidas, especialmente diante do constante lançamento de novos híbridos e ingredientes ativos no mercado.

Diante deste contexto, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a eficácia no controle de plantas daninhas de herbicidas aplicados em pós-emergência do milho cultivado em segunda safra, bem como aferir a seletividade destes para a cultura.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado a campo na área experimental do Centro Tecnológico COMIGO sediada no município de Rio Verde (GO) (S 17°45'42" O 51°02'09", altitude de 827 m). O período de condução do experimento foi na segunda safra (“safrinha”) de 2025, entre os meses de fevereiro a julho.

O clima do município de Rio Verde é do tipo B4 rB’4a’ (Úmido; pequena deficiência hídrica; mesotérmico; evapotranspiração no verão menor que 48% da evapotranspiração anual), segundo a classificação de Thornthwaite (1948). Na Figura 1 encontram-se os dados climatológicos relacionados a temperatura e umidade relativa do ar (médias) e precipitações durante o período de condução do experimento.

Fonte: INMET - Instituto Nacional de Meteorologia. Estação de coleta: Rio Verde (GO). Figura 1. Temperatura e umidade relativa do ar (médias) e precipitações observadas durante o período de condução do experimento. Rio Verde (GO), 2025.

PLANTAS DANINHAS

Tabela 1. Relação de tratamentos avaliados no experimento realizado com associações herbicidas aplicadas em pós-emergência da cultura do milho. Rio Verde (GO), 2025.

Tratamentos¹/

Testemunha sem herbicida

Proof + Accent

Proof + Callisto

Proof + Soberan

Proof + Brucia

Proof + Accent + Crucial

Proof + Callisto + Crucial

Proof + Soberan + Crucial

Proof + Brucia + Crucial

Click + Accent

Click + Callisto

Click + Soberan Ápice

Click + Accent + Crucial

Click + Callisto + Crucial

Click + Soberan + Crucial Ápice + Crucial

Dose (g ou L p.c. ha-¹)3,0 + 25,0 3,0 + 0,3 3,0 + 0,24 3,0 + 0,1 3,0 + 25,0 + 2,5 3,0 + 0,3 + 2,5 3,0 + 0,24 + 2,5

3,0 + 0,1 + 2,5 1,8 + 25,0 1,8 + 0,3 1,8 + 0,24 1,4 1,8 + 25,0 + 2,5 1,8 + 0,3 + 2,5 1,8 + 0,24 + 2,5 1,4 + 2,5

Ingrediente ativo

atrazina + nicossulfurom

atrazina + mesotriona

atrazina + tembotriona

atrazina + tolpiralate

atrazina + nicossulfurom + glifosato

atrazina + mesotriona + glifosato

atrazina + tembotriona + glifosato

atrazina + tolpiralate + glifosato

terbutilazina + nicossulfurom

terbutilazina + mesotriona

terbutilazina + tembotriona [terbutilazina + tolpiralate]

terbutilazina + nicossulfurom + glifosato

terbutilazina + mesotriona + glifosato

terbutilazina + tembotriona + glifosato

[terbutilazina + tolpiralate] + glifosato

¹/ Foi adicionado óleo mineral DUFOL® (0,2 L p.c. ha-1) à calda de aplicação de todos os tratamentos.

A aplicação dos tratamentos foi realizada em pós-emergência do milho, no dia 21/03/2025 (08h30min a 09h50min). Nesta ocasião, as plantas de milho estavam no estádio V3, apresentando altura variando entre 15 e 20 cm. Acerca do estádio das espécies que foram avaliadas no presente experimento, destaca-se que as plantas de soja voluntária estavam no estádio V2/V3 e o capim-pé-de-galinha com três a cinco perfilhos. No momento da aplicação o solo encontrava-se com boa umidade, a temperatura e a umidade relativa do ar, mínima e máxima, eram de 30,9 e 32,3oC e 56,4 e 58,3%, respectivamente, o céu estava com a pre -

+ 18,75

+ 144

+ 100,8

+ 40

+ 18,75 + 1350

1500 + 144 + 1350

1500 + 100,8 + 1350

1500 + 40 + 1350

900 + 18,75 900 + 144

900 + 100,8 [700 + 39,9]

900 + 18,75 + 1350

900 + 144 + 1350

900 + 100,8 + 1350 [700 + 39,9] + 1350

sença de poucas nuvens e a velocidade do vento em valores próximos de 3,2 km h-¹. As aplicações foram realizadas utilizando-se um pulverizador de pesquisa pressurizado por CO 2 com patente junto ao INPI (BR 102016007565-3), montado em um trator (LS 60, 60 cv, Landini). A barra de aplicação foi equipada com dez pontas espaçadas 0,5 m entre si, mantida a uma altura de 0,5 m da cobertura vegetal. A pressão de trabalho nas pontas de pulverização de jato duplo plano com indução de ar (ADIA/D 110015; Magnojet) foi de 300 kPa (43,5 psi) e o volume de aplicação de 150 L ha - ¹.

PLANTAS DANINHAS

Durante o desenvolvimento do milho foram realizados tratos culturais de acordo com as recomendações técnicas, procedendo ao controle de pragas e doenças sem deixar que estes influenciassem negativamente no desenvolvimento da cultura. Todas as aplicações de manutenção foram realizadas com pulverizador de arrasto, adotando-se volume de aplicação de 150 L ha - ¹.

Para aferir a eficácia dos tratamentos no controle em pós-emergência de soja voluntária e capim-pé-de-galinha, foram realizadas avaliações de controle aos 14 e 21 dias após a aplicação (DAA) dos herbicidas, utilizando para esta avaliação escala que apresenta notas variando de 0% a 100%, onde 0% significa ausência de sintomas e 100% representa a morte total da planta daninha (SBCPD, 1995). Ademais, aos 7, 14 e 21 DAA foram realizadas avaliações de porcentagem de fitointoxicação do milho, utilizando a mesma escala descrita acima. Para determinação da produtividade de grãos (15/07/2025), foi realizada a colheita manual de todas as espigas presentes na área útil de cada unidade experimental. Após a colheita o material foi trilhado, identificado, pesado e realizada a correção da umidade dos grãos para 13%.

As análises estatísticas foram realizadas com o programa computacional SISVAR (FERREIRA, 2019). Os dados do experimento foram submetidos à análise de variância pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito significativo, aplicou-se o critério de agrupamento de médias de Scott-Knott (p≤0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados das avaliações de controle de plantas voluntárias de soja e capim-pé-de-galinha após a aplicação de associações herbicidas em pós-emergência da cultura do milho estão apresentados na Tabela 2. Aos 14 DAA, excluindo-se o tratamento com aplicação da associação entre atrazina + nicossulfurom (1500 + 18,75 g i.a. ha - ¹), todos os demais apresentaram eficácia no controle de plantas voluntárias de soja. Nesta ocasião, os tratamentos com melhores desempenhos no controle de soja foram compostos pelas associações duplas de atrazina + mesotriona e atrazina + tembotriona, e as triplas entre atrazina + mesotriona + glifosato, atrazina + tembotriona + glifosato, atrazina + tolpiralate + glifosato e terbutilazina + mesotriona + glifosato, os quais se apresentaram os maiores níveis de controle em pós-emergência sobre as plantas voluntárias.

PLANTAS DANINHAS

Tabela 2. Porcentagem de controle de soja voluntária e capim-pé-de-galinha mediante aplicação de associações herbicidas em pós-emergência da cultura do milho. Rio Verde (GO), 2025.

Tratamentos

Testemunha sem herbicida

Atrazina + nicossulfurom

Atrazina + mesotriona

Atrazina + tembotriona

Atrazina + tolpiralate

Atrazina + nicossulfurom + glifosato

Atrazina + mesotriona + glifosato

Atrazina + tembotriona + glifosato

Atrazina + tolpiralate + glifosato

Terbutilazina + nicossulfurom

Terbutilazina + mesotriona

Terbutilazina + tembotriona

[Terbutilazina + tolpiralate]

Terbutilazina + nicossulfurom + glifosato

Terbutilazina + mesotriona + glifosato

Terbutilazina + tembotriona + glifosato

[Terbutilazina + tolpiralate] + glifosato

1500 + 18,75

1500 + 144

1500 + 100,8

1500 + 40

1500 + 18,75 + 1350

1500 + 144 + 1350

1500 + 100,8 + 1350

1500 + 40 + 1350

900 + 18,75

900 + 144

900 + 100,8

[700 + 39,9]

900 + 18,75 + 1350

900 + 144 + 1350

900 + 100,8 + 1350

[700 + 39,9] + 1350 0,00 d 79,50 c 90,25 a 88,75 a 80,00 c 87,00 b 91,50 a 92,75 a 92,25 a 85,00 b 86,25 b 83,75 b 83,75 b 81,25 c 92,25 a 87,50 b 83,75 b 0,00 c 96,25 b 99,75 a 99,75 a 96,75 b 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 99,50 a 99,50 a 100,00 a 100,00 a

a

* Significativo pelo teste F (p≤0,05). Médias seguidas por letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05).

Em nova avaliação realizada aos 21 DAA, todas as associações herbicidas aplicadas em pós-emergência da cultura do milho apresentaram eficácia no controle das plantas voluntárias de soja (Tabela 2). Os níveis de controle observados foram acima de 95,00% em todos os tratamentos, indicando a elevada eficácia que os herbicidas que compuseram os tratamentos apresentam no controle de soja voluntária. Ressalta-se que aos 28 DAA, todos os tratamentos proporcionaram controle total das plantas voluntárias de soja, alcançando níveis de 100,00% (dados não apresentados).

Além da necessidade de se controlar a soja voluntária no milho com o intuito de reduzir problemas relacionados a competição por água, luz e nutrientes. (BARION, 2024), a eliminação destas plantas voluntárias se constitui em prática de manejo obrigatória visando ao cumprimento do vazio

sanitário, o qual estabelece que é proibitiva a presença de plantas emergidas de soja durante um determinado período do ano (GARDIANO et al., 2010). A partir dos resultados obtidos nas avaliações, constata-se que tanto a atrazina como a terbutilazina se constituem em excelentes ferramentas para o controle em pós-emergência de plantas voluntárias de soja na cultura do milho, não havendo indicativos de prejuízos (antagonismo) no desempenho de controle em função das associações com os demais herbicidas avaliados (nicossulfurom, mesotriona, tembotriona, tolpiralate e glifosato).

A outra espécie que teve o controle por herbicidas avaliado no presente trabalho foi o capim-pé-de-galinha, onde foi constatado na primeira avaliação (14 DAA) que, excluindo-se os tratamentos compostos pelas associações entre

PLANTAS DANINHAS

atrazina + nicossulfurom e atrazina + tolpiralate, que tiveram desempenho inferior, todos os demais apresentaram níveis similares quando aplicados em pós-emergência desta planta daninha (Tabela 2). Nesta ocasião, quando se comparou os tratamentos compostos por atrazina com os que tiveram terbutilazina em sua composição, verificou-se que as associações contendo terbutilazina tiveram eficácia ligeiramente superior no controle em pós-emergência de capim-pé-de-galinha. Ademais, na comparação entre os herbicidas com espectro de controle sobre monocotiledôneas que foram associados aos inibidores do Fotossistema II (FSII) (atrazina e terbutilazina), verificou-se que os tratamentos que continham herbicidas inibidores da síntese de carotenoides (mesotriona, tembotriona e tolpiralate) apresentaram melhor desempenho sobre o capim-pé-de-galinha e comparação com nicossulfurom (inibidor da acetolactato sintase – ALS). Ambos os resultados obtidos descritos acima corroboram com o descrito por Braz et al. (2025), em revisão a qual foi elaborada no intuito de direcionar melhores práticas para o controle químico de capim-pé-de-galinha.

Em nova avaliação realizada aos 21 DAA, observa-se que todas as associações herbicidas apresentaram eficácia no controle em pós-emergência de capim-pé-de-galinha (Tabela 2). É importante destacar que, em nível prático, os resultados observados neste estudo nem sempre se reproduzem nas condições de campo. Essa diferença está principalmente

relacionada ao estádio de desenvolvimento das plantas no momento da aplicação, pois, neste trabalho, o controle do capim-pé-de-galinha foi avaliado em plantas ainda na fase vegetativa (três a cinco perfilhos). Essa condição favorece níveis mais elevados de controle quando comparada a aplicações realizadas em plantas perenizadas (fase reprodutiva), situação que é comumente encontrada em nível prático. Neste contexto, torna-se fundamental que as aplicações de herbicidas na cultura do milho preconizem o controle das plantas daninhas ainda na fase inicial de desenvolvimento, uma vez que em plantas em estágios avançados, a chance de êxito diminuir drasticamente (TAKANO et al., 2018).

Na Tabela 3 estão apresentados os resultados das avaliações de porcentagem de fitointoxicação e produtividade do milho em função da aplicação de associações herbicidas em pós-emergência da cultura. De maneira geral, os sintomas visualizados nas plantas de milho após a aplicação dos herbicidas em pós-emergência da cultura foram de baixa intensidade, não sendo visualizados níveis superiores a 7,50% em nenhuma das avaliações. Ademais, ressalta-se que não houve diferenças estatísticas entre os tratamentos em termos de porcentagem de intoxicação das plantas de milho, estando todos semelhantes entre si. Por fim, na avaliação final de fitointoxicação, realizada aos 21 DAA, não foi observado sintomas nas plantas decorrente das injúrias provocadas pelos herbicidas aplicados em pós-emergência do milho.

PLANTAS DANINHAS

Tabela 3. Porcentagem de fitointoxicação e produtividade do milho em função da aplicação de associações herbicidas em pós-emergência da cultura. Rio Verde (GO), 2025.

Tratamentos

Testemunha sem herbicida

Atrazina + nicossulfurom

Atrazina + mesotriona

Atrazina + tembotriona

Atrazina + tolpiralate

Atrazina + nicossulfurom + glifosato

Atrazina + mesotriona + glifosato

Atrazina + tembotriona + glifosato

Atrazina + tolpiralate + glifosato

Terbutilazina + nicossulfurom

Terbutilazina + mesotriona

Terbutilazina + tembotriona

[Terbutilazina + tolpiralate]

Terbutilazina + nicossulfurom + glifosato

Terbutilazina + mesotriona + glifosato

Terbutilazina + tembotriona + glifosato

[Terbutilazina + tolpiralate] + glifosato

Dose

+ 18,75 1500 + 144

1500 + 100,8

1500 + 40

1500 + 18,75 + 1350

1500 + 144 + 1350

1500 + 100,8 + 1350

1500 + 40 + 1350

900 + 18,75

900 + 144

900 + 100,8

[700 + 39,9]

900 + 18,75 + 1350

900 + 144 + 1350

900 + 100,8 + 1350

[700 + 39,9] + 1350 0,00 7,50 5,00

ns e * Não significativo e significativo pelo teste F (p≤0,05). Médias seguidas por letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05).

A boa seletividade que todos os tratamentos aplicados em pós-emergência do milho apresentaram é explicada pelo fato de que todos os herbicidas avaliados apresentam registro para uso na cultura no Brasil e foram posicionados dentro dos intervalos de doses preconizados pelas fabricantes de cada produto comercial (MAPA, 2025). Além disso, na condução do experimento, não foram realizadas de forma conjunta quaisquer práticas de manejo da cultura que pudessem interferir na seletividade dos ingredientes ativos avaliados (ex.: adubações nitrogenadas e aplicações de inseticidas dos grupos químicos dos organofosforados e carbamatos), sendo respeitado os intervalos indicados na bula dos produtos antes ou após a aplicação dos herbicidas.

Para a produtividade de milho, verificou-se que todos os tratamentos com aplicação de associações de herbicidas em pós-emergência proporcionaram maiores rendimentos em comparação à testemunha sem herbicida (Tabela 3). Ao compilar os resultados desta variável-resposta, observa-se que a ausência de práticas de controle da comunidade infestante em pós-emergência resultou em uma redução média de produtividade de 26,31 sacas ha-1 (16,76%) em relação aos tratamentos que receberam aplicação de herbicidas para o controle de plantas daninhas.

CONCLUSÕES

Para soja voluntária, observou-se que todos os tra -

PLANTAS DANINHAS

tamentos aplicados em pós-emergência da cultura do milho apresentaram eficácia no controle destas plantas voluntárias, fato que atesta os herbicidas atrazina e terbutilazina como boas ferramentas para serem utilizadas com este propósito.

Todas as associações herbicidas apresentaram eficácia no controle de capim-pé-de-galinha, em aplicações realizadas em pós-emergência da espécie quando as plantas estavam em estádios de desenvolvimento inicial (três a cinco perfilhos). Destaca-se que as associações herbicidas que apresentaram maiores níveis de controle sobre o capim-pé-de-galinha foram as compostas pela aplicação de terbutilazina em detrimento de atrazina, além das que continham herbicidas inibidores da síntese de carotenoides (mesotriona, tembotriona e tolpiralate) em comparação com nicossulfurom.

Todas as associações herbicidas, nas composições de doses avaliadas, aplicadas em pós-emergência do milho apresentaram seletividade para a cultura.

A não adoção de práticas de controle de plantas daninhas em pós-emergência da cultura do milho proporcionou redução média de 26,31 sacas ha-1, quando comparado os valores da testemunha sem herbicida com os demais tratamentos em que foi realizado o controle da comunidade infestante.

REFERÊNCIAS

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GARDIANO, C.G.; BALAN, M.G.; FALKOSKI FILHO, J.; CAMARGO, L.C.M.; OLIVEIRA, G.M.; IGARASHI, W.T.; SUDO, L.T.; IGARASHI, S.; ABI-SAAB, O.J.G.; CANTERI, M.G. Manejo químico da ferrugem asiática da soja, baseado em diferentes métodos de monitoramento. Arquivos do Instituto Biológico, v. 77, n. 3, p. 497-504, 2010.

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PLANTAS DANINHAS

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THORNTHWAITE, C.W. An Approach toward a Rational Classification of Climate. Geographical Review, v. 38, n 1., p. 55-94, 1948.

PLANTAS DANINHAS

HERBICIDAS PARA O SORGO: EFICÁCIA DE CONTROLE E SELETIVIDADE PARA A CULTURA

BRAZ¹, Guilherme Braga Pereira; LIMA², Diego Tolentino de; FERNANDES³, Rafael Henrique; SARKIS⁴, Leonardo Fernandes; BUENO⁵, Amanda Magalhães; VAZ⁶, Valter; CAETANO⁷, Brunna de Carvalho

1 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). E-mail: guilhermebrag@gmail.coop.br

2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo.coop.br

3 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: : rafaelhenrique@comigo.coop.br

4 Engenheiro agrônomo, Doutor em Ciência do Solo. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: leonardofernandes@comigo.coop.br

5 Engenheira agrônoma, Doutora em Agronomia. Pesquisadora Agronômica no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: amandamagalhaes@comigo.coop.br

6 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: valtervaz@comigo.coop.br

7 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Estagiária no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: brunna.c.caetano@academico.unirv.edu.br

INTRODUÇÃO

Historicamente tratada como uma cultura de baixo investimento por parte dos produtores e profissionais vinculados às empresas do setor agrícola, na última década o cultivo de sorgo granífero em condições de segunda safra apresentou grande crescimento em termos de área plantada (CONAB, 2025), criando a necessidade de novas ferramentas para serem implementadas no manejo fitos-

sanitário da cultura. A ampliação do interesse pelo cultivo do sorgo granífero ocorreu por avanços em termos de potencial produtivo dos materiais genéticos, variações climáticas influenciando o período ideal de semeadura do milho, além de novos riscos fitossanitários para o milho (cigarrinha do milho – Dalbulus maidis), cultura a qual se constitui no principal concorrente do sorgo para esta época de semeadura (CARMO et al., 2020).

O fato de, no Brasil, ter sido tratada historicamente como uma cultura de baixo investimento, fez com que o sorgo enfrentasse limitações em termos de opções para o controle de plantas daninhas, pragas e doenças, sendo até a alguns anos, considerada uma cultura de baixo suporte fitossanitário, pela escassez de defensivos agrícolas registradas para uso (MAPA, 2025). Contudo, nos últimos anos houve um maior interesse por parte das companhias no registro de defensivos agrícolas para o sorgo, trazendo novas ferramentas para serem utilizadas no manejo fitossanitário desta cultura, especialmente no que tange ao controle químico de plantas daninhas (ALMEIDA et al., 2025).

A interferência de plantas daninhas no sorgo sempre se constituiu em um dos maiores desafios para o manejo desta cultura, uma vez que quando não são devidamente controladas, estas não apenas competem por água, luz, espaço e nutrientes, mas também liberam compostos alelopáticos, interferem na colheita e servem como hospedeiras de diversos insetos-praga, nematoides e patógenos causadores de doenças (SILVA; SILVA, 2007). No contexto do sorgo, espécies de plantas daninhas pertencentes à família Poaceae (mesma família botânica da cultura) apresentam uma competição mais intensa por recursos, devido à semelhança nos mecanismos de obtenção de recursos (BARAIBAR; KNUDSEN, 2024). Na literatura já foi reportado que a interferência da comunidade infestante no sorgo durante as primeiras quatro semanas após a emergência da cultura pode causar perdas de produtividade de grãos variando de 40 a 97% (RIZZARDI et al., 2004).

PLANTAS DANINHAS

Diante da problemática ocasionada pelas plantas daninhas quando em convivência com o sorgo fica evidenciada a necessidade de se proceder ao controle da comunidade infestante. Neste sentido, as novas alternativas de herbicidas registradas para esta cultura no Brasil possibilitam a estruturação de sistemas de controle químico com maior eficácia, uma vez que trazem benefícios como ampliação de espectro de controle, além da possibilidade de utilização em diferentes modalidades de aplicação (pré e pós-emergência). Para se ter uma dimensão em termos de avanço de novos ingredientes ativos registrados para uso nesta cultura, hoje há no Brasil produtos comerciais à base de trifluralina, S-metolacloro, atrazina, terbutilazina, 2,4-D amina, além de herbicidas inibidores da acetolactato sintase (ALS), para híbridos que apresentam tolerância para este mecanismo de ação (ex.: imazetapir, imazapique e nicossufurom) (MAPA, 2025).

Diante deste contexto, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a eficácia no controle de plantas daninhas de associações herbicidas aplicadas em pós-emergência

do sorgo, bem como a seletividade destes para a cultura.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado a campo na área experimental do Centro Tecnológico COMIGO sediada no município de Rio Verde (GO) (S 17°45'42" O 51°02'09", altitude de 827 m). O período de condução do experimento foi na segunda safra (“safrinha”) de 2025, entre os meses de março a julho.

O clima do município de Rio Verde é do tipo B4 rB’4a’ (Úmido; pequena deficiência hídrica; mesotérmico; evapotranspiração no verão menor que 48% da evapotranspiração anual), segundo a classificação de Thornthwaite (1948). Na Figura 1 encontram-se os dados climatológicos relacionados a temperatura e umidade relativa do ar (médias) e precipitações durante o período de condução do experimento.

Fonte: INMET - Instituto Nacional de Meteorologia. Estação de coleta: Rio Verde (GO). Figura 1. Temperatura e umidade relativa do ar (médias) e precipitações observadas durante o período de condução do experimento. Rio Verde (GO), 2025.

O solo da área experimental é classificado como Latossolo Vermelho Distrófico (Santos et al., 2018). Antes da instalação dos experimentos, foi realizada a análise de amostras do solo coletadas na profundidade de 0 a 20 cm, a qual revelou as seguintes propriedades físico-químicas: pH em CaCl2 de 6,0; 0,08 cmolc dm-3 Al+3; 4,84 cmolc dm-3 de Ca+²; 1,13 cmolc dm-³ de Mg+²; 63,74 mg dm-³ de K; 70,19 mg dm-³ de P; 19,68 g dm-³ de M.O.; 61,60% de areia; 4,10% de silte e 34,30% de argila.

Para assegurar que houvesse infestação de plantas

daninhas no experimento, não foi realizada nenhuma aplicação de herbicidas previamente a semeadura do sorgo. A semeadura do sorgo foi realizada em sistema de semeadura direta (SPD), de forma mecanizada no dia 05/03/2025, adotando-se espaçamento entrelinhas de 0,5 m e densidade de semeadura de 9 sementes m-¹. O híbrido de sorgo utilizado foi o 1G100, que pertence ao portifólio da Brevant (BREVANT, 2025), se caracterizando por possuir porte baixo (altura 1,15 m), colmo vigoroso e tolerante ao tombamento e ciclo superprecoce. As sementes utilizadas no

PLANTAS DANINHAS

experimento receberam tratamento industrial com fungicidas e inseticidas. Visando realizar a prática de adubação da cultura, foram aplicados 300 kg ha-¹ do formulado 8-20-18 Turbo Micro no sulco de semeadura e, à lanço em cobertura, 150 kg ha-¹ de 20-00-20 e 200 kg ha-¹ de ureia Turbo. A emergência das plântulas de milho ocorreu no dia 28/03/2025. A emergência das plântulas de sorgo ocorreu no dia 09/03/2025.

O delineamento utilizado foi o de blocos ao acaso (DBC),

avaliando-se seis tratamentos com quatro repetições (Tabela 1). Os tratamentos foram compostos pela aplicação de associações herbicidas em pós-emergência do sorgo, acrescido de uma testemunha sem aplicação. As unidades experimentais foram compostas por dez linhas de semeadura, com comprimento de 10,0 m (50,0 m²). Considerou-se como área útil para as avaliações apenas as seis linhas centrais de cada unidade experimental, excluindo-se 0,5 m de cada extremidade.

Tabela 1. Relação de tratamentos avaliados no experimento realizado com associações herbicidas aplicadas em pós-emergência da cultura do sorgo. Rio Verde (GO), 2025.

Tratamentos¹/ Testemunha sem herbicida

Proof + Callisto

Proof + Callisto

Proof + Trifluralina

Nortox Gold

Proof + Trifluralina

Nortox Gold

Proof + Callisto + Trifluralina Nortox Gold

Dose (L p.c. ha-¹)

2,5 + 0,075 2,5 + 0,15 2,5 + 2,0 2,5 + 3,0 2,5 + 0,075 + 2,0

Ingrediente ativo

atrazina + mesotriona

atrazina + mesotriona

atrazina + trifluralina

atrazina + trifluralina

atrazina + mesotriona + trifluralina

¹/ Foi adicionado óleo mineral Joint Ultra® (0,15 L p.c. ha-1) à calda de aplicação de todos os tratamentos.

A aplicação dos tratamentos foi realizada em pós-emergência do sorgo, no dia 28/03/2025 (14h05min a 15h25min). Nesta ocasião, as plantas de sorgo estavam com 4 folhas completamente expandidas, apresentando altura variando entre 15 e 20 cm. Ademais, as plantas de capim-pé-de-galinha (alvo de controle) estavam em pleno florescimento (fase reprodutiva). No momento da aplicação o solo encontrava-se com boa umidade, a temperatura e a umidade relativa do ar, mínima e máxima, eram de 30,9 e 32,3oC e 56,4 e 58,3%, respectivamente, o céu estava com a presença de poucas nuvens e a velocidade do vento em valores próximos de 3,2 km h-¹. As aplicações foram realizadas utilizando-se um pulverizador de pesquisa pressurizado por CO2 com patente junto ao INPI (BR 102016007565-3), montado em um trator (LS 60, 60 cv, Landini). A barra de aplicação foi equipada com dez pontas espaçadas 0,5 m entre si, mantida a uma altura de 0,5 m da cobertura vegetal. A pressão de trabalho nas pontas de pulverização de jato duplo plano com indução de ar (ADIA/D 110015; Magnojet) foi de 300 kPa (43,5 psi) e o volume de aplicação de 150 L ha-¹.

Dose (g i.a. ha-¹) -

1250 + 36

1250 + 72

1250 + 900

1250 + 1350

1250 + 36 + 900

Durante o desenvolvimento do sorgo foram realizados tratos culturais de acordo com as recomendações técnicas, procedendo ao controle de pragas e doenças sem deixar que estes influenciassem negativamente no desenvolvimento da cultura. Todas as aplicações de manutenção foram realizadas com pulverizador de arrasto, adotando-se volume de aplicação de 150 L ha-¹.

Para aferir a eficácia dos tratamentos no controle em pós-emergência de capim-pé-de-galinha, foram realizadas avaliações de controle aos 7, 14 e 21 dias após a aplicação (DAA) dos herbicidas, utilizando para esta avaliação escala que apresenta notas variando de 0% a 100%, onde 0% significa ausência de sintomas e 100% representa a morte total da planta daninha (SBCPD, 1995). Ademais, nestas mesmas datas, foram realizadas avaliações de porcentagem de fitointoxicação do sorgo, utilizando a mesma escala descrita acima. Para determinação da produtividade de grãos (10/07/2025), foi realizada a colheita mecanizada de todas as plantas presentes na área útil de cada unida -

PLANTAS DANINHAS

de experimental. A colhedora de parcelas utilizada foi da marca Zürn Harvesting (modelo Zürn 150) e durante o processamento da amostra colhida, o material foi trilhado, identificado, pesado e realizada a correção da umidade dos grãos para 13%.

As análises estatísticas foram realizadas com o programa computacional SISVAR (FERREIRA, 2019). Os dados das variáveis-respostas analisadas foram submetidos à análise de variância pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito significativo, aplicou-se o teste de comparação de médias de Tukey (p≤0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados das avaliações de controle de capim-pé-de-galinha realizadas após a aplicação dos tratamentos contendo associações herbicidas em pós-emergência do sorgo estão apresentados na Tabela 2. Independentemente da associação herbicida aplicada em pós-emergência do sorgo visando ao controle de capim-pé-de-galinha, verifica-se que ao longo das três avaliações realizadas (7, 14 e 21 DAA), nenhum tratamento apresentou eficácia de controle sobre a referida planta daninha. Os maiores níveis de controle de capim-pé-de-galinha foram observados nos tratamentos que continham mesotriona em sua composição, com destaque para aquele contendo a maior dose deste ingrediente ativo (72 g i.a. ha-¹) em associação com atrazina.

Tabela 2. Porcentagem de controle de capim-pé-de-galinha mediante aplicação de associações herbicidas em pós-emergência da cultura do sorgo. Rio Verde (GO), 2025.

Tratamentos

Testemunha sem herbicida

Atrazina + mesotriona

Atrazina + mesotriona

Atrazina + trifluralina

Atrazina + trifluralina

Atrazina + mesotriona + trifluralina

Dose (g i.a. ha-¹)

1250 + 36

1250 + 72

1250 + 900

1250 + 1350

% de controle de capim-pé-de-galinha 7 DAA 14 DAA 21 DAA

c

b

a

c

c

b

1250 + 36 + 900 0,00 c 28,75 b 45,00 a 5,00 c 7,50 c 32,50 b 0,00 c 43,75 b

a 0,00 c 0,00 c 42,50 b

* Significativo pelo teste F (p≤0,05). Médias seguidas por letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste de Tukey (p≤0,05).

Os tratamentos contendo a associação entre atrazina + trifluralina, independentemente da dose, não tiveram efeito algum no controle em pós-emergência de capim-pé-de-galinha, visualizando-se níveis inferiores a 10,00% (Tabela 2). De certa forma, o resultado obtido para os tratamentos supracitados sobre o capim-pé-de-galinha era esperado, uma vez que a atrazina se constitui em herbicida seletivo para gramíneas (Poaceae) (RIZZARDI et al., 2004), e a trifluralina é um ingrediente ativo que apresenta ação sobre as espécies sensíveis apenas no controle em pré-emergência, sendo pouco efetivo quando aplicado em plantas já emergidas, especialmente aquelas em estádios avançados de desenvolvimento, como no caso do presente experimento.

Diante dos resultados obtidos no presente trabalho, alguns direcionamentos importantes acerca do controle de capim-pé-de-galinha na cultura do sorgo se fazem importante: I) realizar a semeadura do sorgo no limpo é fundamental, uma vez que as alternativas para o controle em pós-emergência da cultura são restritas (ALMEIDA et al., 2025); II) neste contexto, trabalhar com aplicações de herbicidas após a colheita da soja e acontecendo a semeadura do sorgo pode se constituir em passo fundamental para a eficácia de controle do capim-pé-de-galinha (BRAZ et al., 2025); III) o uso de herbicidas em pré-emergência do sorgo deve ser mandatório para áreas infestadas com capim-pé-de-galinha, uma vez que estes ingredientes ativos poderão reduzir a densidade de plantas daninhas na pós-emergência da cul-

PLANTAS DANINHAS

tura; e IV) entre os herbicidas com espectro de controle em pré-emergência do capim-pé-de-galinha e que apresentam registro para a cultura do sorgo, destacam-se a trifluralina e o S-metolacloro, o qual deve ser posicionado apenas em híbridos que tenham recebido tratamento de sementes com o safener fluxofenim (SILVA et al., 2011).

Além da mensuração da eficácia das associações herbicidas no controle em pós-emergência do capim-pé-de-galinha, foram realizadas avaliações para aferir a seletividade dos tratamentos para a cultura do sorgo. Foram realizadas análises de porcentagem de fitointoxicação e produtividade de grãos de sorgo, estando os resultados

apresentados na Tabela 3. Os tratamentos com mesotriona na composição constituíram-se nos que proporcionaram maiores níveis de intoxicação às plantas de sorgo, visualizando-se percentuais variando de 26,25 a 45,00%, a depender da dose e época de avaliação. Neste sentido, fica evidenciado que mesmo em doses reduzidas em comparação com às utilizadas no milho, a mesotriona apresenta baixo potencial de seletividade para a cultura do sorgo. Em trabalho realizado por Almeida et al. (2025) foi observado o mesmo comportamento em termos de baixa seletividade da mesotriona quando aplicada em associações com atrazina em pós-emergência do sorgo granífero.

Tabela 3. Porcentagem de fitointoxicação e produtividade do sorgo em função da aplicação de associações herbicidas em pós-emergência da cultura. Rio Verde (GO), 2025.

Tratamentos

Testemunha sem herbicida

Atrazina + mesotriona

Atrazina + mesotriona

Atrazina + trifluralina

Atrazina + trifluralina

Atrazina + mesotriona + trifluralina

% de fitointoxicação 7 DAA

(g i.a. ha-¹)1250 + 36 1250 + 72 1250 + 900 1250 + 1350 1250 + 36 + 900 0,00 c 32,50 b 45,00 a 1,25 c 0,00 c 36,25 ab 0,00 b 28,75 a 32,50 a 0,00 b 2,50 b 30,00 a 0,00 b 26,25 a 28,75 a 0,00 b 0,00 b 27,50 a

Produtividade (sacas ha-¹) 14 DAA 21 DAA

a

a

a

a

a 115,84 a

ns e * Não significativo e significativo pelo teste F (p≤0,05). Médias seguidas por letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste de Tukey (p≤0,05).

Em contraponto, para os tratamentos contendo a associação de atrazina e trifluralina em pós-emergência do sorgo, não foi observado sintomas pronunciados de fitointoxicação, atestando a seletividade de ambos os ingredientes ativos para a cultura nesta modalidade de aplicação (Tabela 3). A observação destes resultados traz ferramentas potenciais para o controle residual de plantas daninhas em pós-emergência do sorgo, especialmente aquelas espécies pertencentes à família Poaceae, além de algumas dicotiledôneas de sementes pequenas (DANESHVARI et al., 2021). A aplicação da trifluralina em pós-emergência do sorgo, sem que este herbicida comprometa o desenvolvimento da cultura, viabiliza a adoção da técnica de sobreposição de residual (overlapping), possibilitando que a atividade que este ingrediente ativo possui no solo exerça o controle de plantas daninhas em

pré-emergência. Num cenário hipotético de infestação de capim-pé-de-galinha no sorgo, há possiblidade de optar-se pelo cultivo de híbrido contendo tratamento de sementes com safener fluxofenim, adotando-se o S-metolacloro em pré-emergência da cultura, com complementação de residual em pós-emergência da cultura com a aplicação de trifluralina.

Para produtividade de grãos, não foi observada diferenças estatísticas entre os tratamentos contendo a aplicação das associações herbicidas em pós-emergência da cultura, nem tampouco, entre estes e a testemunha sem herbicida (Tabela 3). Este resultado indica que todas as associações herbicidas, nas doses e modalidade de aplicação avaliada, não comprometeram a produtividade de grãos da cultura do sorgo. Contudo, é oportuno destacar que pelo fato de a meso-

PLANTAS DANINHAS

triona, nos intervalos de doses avaliados, ter proporcionado elevados percentuais de intoxicação às plantas de sorgo, a utilização deste ingrediente ativo não deve ser considerada uma opção segura para uso nesta modalidade de aplicação.

Em contraponto, o baixo percentual de intoxicação observado com a aplicação de associações contendo trifluralina em pós-emergência do sorgo, aliado ao fato de que não houve comprometimento da produtividade de grãos, validam a possibilidade de utilização deste ingrediente ativo na cultura. Neste cenário, cria-se a possibilidade de utilização da trifluralina com o propósito de impor um residual de controle de plantas daninhas mediante aplicação realizada em pós-emergência da cultura do sorgo (overlapping). A seletividade da trifluralina nesta modalidade de aplicação também já havia sido atestada por Almeida et al. (2025).

CONCLUSÕES

Nenhuma das associações herbicidas avaliadas apresentaram eficácia no controle em pós-emergência de capim-pé-de-galinha. Contudo, associações herbicidas entre atrazina + mesotriona proporcionaram níveis mais elevados de controle de capim-pé-de-galinha em comparação com outros tratamentos herbicidas.

As associações herbicidas contendo mesotriona em sua composição constituíram-se nos tratamentos com maior potencial de causar intoxicação às plantas de sorgo, demonstrando uma baixa seletividade deste ingrediente ativo para a cultura nos intervalos de doses avaliados, bem como na modalidade de aplicação adotada.

Todas as associações herbicidas, nas doses e modalidade de aplicação avaliada, não causaram redução de produtividade de grãos do sorgo. Apesar disto, ressalta-se que a mesotriona, nos intervalos de doses avaliados, proporcionou elevados percentuais de fitointoxicação à cultura, não sendo uma opção de uso nesta modalidade de aplicação.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, B.C.; BIFFE, D.F.; CONSTANTIN, J.; OLIVEIRA JR., R.S.; BRAZ, G.B.P. Selectivity of herbicides applied isolated and in combinations in grain sorghum. ACS Omega, v. 10, n. 35, p. 39630-39638, 2025.

BARAIBAR, B.; KNUDSEN, C. Soil characteristics and management system influence weed–crop competition. Weed

Research, v. 64, n. 4, p. 271-281, 2024.

BRAZ, G.B.P.; BIFFE, D.F.; CONSTANTIN, J.; OLIVEIRA JR., R.S.; PROCÓPIO, S.O.; REIS, G.; BARION, J.H.R. Goosegrass management challenges in Brazil: the ongoing battle against herbicide resistance. Advances in Weed Science, v. 43, e020250008, 2025.

BREVANT. Sorgo 1G100. São Paulo, SP: BREVANT, 2025. Disponível em: <https://www.brevant.com.br/produtos/sorgo/1g100.html>. Acesso em: 19/10/2025.

CARMO, E.L.; SOUSA, J.V.A.; FERREIRA, C.J.B.; BRAZ, G.B.P.; SIMON, G.A. Agronomic performance of grain sorghum cultivated in double rows space on Brazilian Cerrado. Revista Caatinga, v. 33, n. 2, p. 422-432, 2020.

CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira de grãos: safra 2024/2025 – décimo segundo levantamento. Brasília, DF: CONAB, 2025. Disponível em: https://www.conab.gov.br. Acesso em: 19/10/2025.

DANESHVARI, G.; YOUSEFI, A. R.; MOHAMMADI, M.; BANIBAIRAMI, S.; SHARIATI, P.; RAHDAR, A.; KYZAS, G.Z. Controlled-release formulations of trifluralin herbicide by interfacial polymerization as a tool for environmental hazards. Biointerface Research in applied Chemistry, v. 11, n. 6, p. 13866−13877, 2021.

FERREIRA, D.F. SISVAR: A computer analysis system to fixed effects split plot type designs. Brazilian Journal of Biometrics, v. 37, n. 4, p. 529-535, 2019.

MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. AGROFIT: Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários. Brasília, DF: MAPA, 2025. Disponível em: <https://agrofit. agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons>. Acesso em: 20/09/2025.

RIZZARDI, M.A.; KARAM, D.; CRUZ, M.B. Manejo de plantas daninhas em milho e sorgo. In Manual de manejo e controle de plantas daninhas. VARGAS, L.; ROMAN, E.S.; (Eds.). Embrapa Uva e Vinho: Bento Gonçalves, 2004, p. 571-594.

SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS, L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO, M.R; ALMEIDA, J.A.; ARAÚJO FILHO, J.C.; OLIVEIRA, J.B.; CUNHA, T.J.F. Latossolos. In: Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 5. ed. Brasília :Brasília: Embrapa, 2018., Cap. 12 p. 219 - 223.

PLANTAS DANINHAS

SBCPD – Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas. Procedimentos para instalação, avaliação e análise de experimentos com herbicidas. Londrina: 1995. 42p.

SILVA, A.A.; SILVA, J.F. Tópicos em manejo de plantas daninhas. UFV: Viçosa, 2007.

SILVA, J.R.V.; MARTINS, D.; CATANEO, A.C.; SILVA, J.V.C.;

FERREIRA, L.C.; SOUZA, G.S.F.; MARTINS, C.C. Uso de fluxofenim em trigo como protetor ao herbicida S-metolachlor. Arquivos do Instituto Biológico, v. 78, n. 3, p. 401-407, 2011.

THORNTHWAITE, C.W. An approach toward a rational classification of climate. Geographical Review, v. 38, n 1., p. 55-94, 1948.

PROBLEMÁTICA

DA PRESENÇA DE SEMENTES DE PLANTAS DANINHAS EM CARGAS DE SOJA: IDENTIFICAÇÃO E CUIDADOS PARA O CONTROLE

BRAZ¹, Guilherme Braga Pereira; VAZ², Valter

1 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). E-mail: guilhermebrag@gmail.com

2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: valtervaz@comigo.coop.br

CONTEXTUALIZAÇÃO

As plantas daninhas sempre se constituíram em fonte de preocupação para os profissionais ligados ao setor agrícola, uma vez que na ausência de controle destas espécies, a produtividade das culturas é afetada, e por consequência há uma diminuição da lucratividade do produtor rural. Na literatura, já foi demonstrado que a produtividade da soja pode ser reduzida em valores próximos de 80% quando estratégias para o manejo da comunidade infestante não são adotadas (Braz et al., 2021). Adicionalmente, do ponto de vista prático, áreas com altas densidades de infestação de plantas daninhas na ocasião da colheita podem inviabilizar a operação de colheita mecanizada da soja.

Se não bastasse os prejuízos agronômicos ocasionados pela interferência da comunidade infestante, nas últimas safras a ocorrência de sementes de plantas daninhas em grãos oriundos de colheitas brasileiras exportadas para outros países passou a se constituir em um problema comercial de elevada relevância. Esta situação é decorrente de falhas no controle de plantas daninhas durante o ciclo da soja, resultando em uma densidade de infestação elevada na ocasião da colheita da cultura (Figura 1). Historicamente, a ocorrência de propágulos de plantas daninhas em cargas de grãos armazenados sempre se constituiu em um problema comercial grave, uma vez que possibilitaria a disseminação destas espécies para outras regiões/países, havendo o risco também de conter sementes de plantas daninhas tóxicas. Neste sentido, protocolos de limpeza dos grãos a serem armazenados sempre fizeram parte do roteiro de recebimento das cargas nos armazéns, objetivando diminuir/eliminar a ocorrência das sementes de plantas daninhas. Contudo, nas últimas safras foram registradas por meio de notificações enviadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a ocorrência de não conformidades em cargas de soja exportados pelo Brasil, as quais relataram a detecção no produto de sementes de plantas daninhas consideradas quarentenárias em outros países.

Figura 1. Alta densidade de plantas daninhas em convivência com a soja na ocasião da colheita da cultura.

PLANTAS DANINHAS

Dada a importância econômica que o setor de produção de soja apresenta para a economia nacional, conjuntamente com o cenário de extrema cautela relacionado a ocorrência de sementes de plantas daninhas em cargas desta oleaginosa exportadas para outros países, torna-se evidente a necessidade de adotar medidas para reduzir a problemática da presença dos propágulos de plantas daninhas nas cargas de grãos brasileiros. Neste sentido, o presente material foi elaborado com o intuito de alertar sobre a problemática da ocorrência de sementes de plantas daninhas nas cargas de grãos de soja, apresentando quais espécies se constituem em gargalo para a comercialização de grãos, bem como fornecendo medidas para reduzir esta problemática.

QUAIS ESPÉCIES SÃO PROBLEMÁTICAS QUANDO PRESENTES EM CARGAS DE SOJA?

Independentemente da espécie, toda e qualquer semente de planta daninha quando presente em cargas de grãos se constituem em um entrave grave, uma vez que traz prejuízos agronômicos e comerciais, conforme já abordado anterior-

mente. Ademais, a depender da planta daninha, se a mesma não tiver ocorrência relatada no país em que o grão será comercializado (exportado), isto se torna um entrave ainda maior, uma vez que por se tratar de uma espécie quarentenária, as restrições comerciais são ainda maiores, prevendo tolerância zero para estas situações (recusa da carga de grãos).

Contudo, para fins de legislação nacional, as quais estabelecem quais plantas daninhas nocivas são proibidas ou toleradas, há diferentes documentos que indicam quais espécies constituem-se de entrave para os grãos de soja comercializados no país (MAPA, 2013; ABIOVE, 2025). Como a lista total de espécies apresenta mais de 60 plantas daninhas, no presente material serão apresentados apenas aquelas que têm sido relatados maiores problemas na ocasião da comercialização das cargas de grãos (Tabela 1).

Contudo é oportuno destacar que objetivando não correr riscos de ter cargas de grãos recusadas, o produtor deve ter uma postura proativa no sentido de adotar medidas que evitem a ocorrência de plantas daninhas nos grãos colhidos em suas propriedades.

PLANTAS DANINHAS

Tabela 1. Relação de plantas daninhas nocivas quando presentes em cargas de soja.

Nome comum

Caruru

Margarida

Carrapichão

Losna

Picão-preto

Arrebenta-boi

Trapoeraba

Corda-de-viola

Cuscuta

Tiririca

Mamona

Leiteiro

Fedegoso

Crotalária

Capim-anonni

Capim-timbête

Capim-farpado

Capim-camalote

Capim-massambará

Azedinha

Maria-pretinha

Tríbulo

Nome científico

Amaranthus spp.

Wedelia glauca

Xanthium strumarium

Ambrosia spp.

Bidens spp.

Hippobroma longiflora

Commelina spp.

Ipomoea spp.

Cuscuta spp

Cyperus rotundus

Ricinus communis

Euphorbia heterophylla

Senna spp.

Crotalaria spp

Eragrostis plana

Cenchrus echinatus

Aegilops spp.

Rottboellia exaltata

Sorghum halepense

Rumex acetosella

Solanum spp

Tribulus alatus

Fonte: MAPA (2013); ABIOVE (2025).

MEDIDAS PARA REDUZIR A OCORRÊNCIA

DE SEMENTES DE PLANTAS DANINHAS EM CARGAS

DE SOJA

Ao analisar a problemática relacionada a ocorrência das sementes de plantas daninhas em cargas de grãos de soja, conciliado aos prejuízos agronômicos provocados por estas espécies mediante ao processo de interferência sob a cultura, fica evidenciada a necessidade de adoção de práticas de controle. Neste contexto, os métodos de controle devem ser empregados de forma integrada com o objetivo de lograr êxito no manejo das plantas daninhas, sendo fundamental adotar medidas preventivas, culturais, mecânicas e químicas, entre outros métodos disponíveis para uso na cultura da soja.

Ademais, é oportuno destacar que as práticas de manejo ao longo do ciclo da cultura devem ser empregadas objetivando reduzir a incidência de plantas daninhas em

Família

Amaranthaceae

Asteraceae

Campanulaceae

Commelinaceae

Convolvulaceae

Cyperaceae

Euphorbiaceae

Fabaceae Poaceae

Polygonaceae

Solanaceae

Zygophyllaceae

Problemática da espécie

Quarentenária na China

Tóxica

estádios avançados na ocasião da colheita (quando estas já estão em estádio reprodutivo), e não direcionadas apenas para cuidados na colheita mecanizada com fins de não haver a presença destes propágulos nas cargas de soja colhidas. Neste sentido, a seguir serão apresentadas algumas estratégias que podem ser implementadas visando reduzir a problemática da presença de propágulos de plantas daninhas em cargas de soja.

ESTRATÉGIAS PARA A PREVENÇÃO DA INTRODUÇÃO E MANEJO DURANTE A CONDUÇÃO DA LAVOURA:

• Uso de sementes provenientes de empresas certificadas, visando assegurar que o material adquirido esteja isento de propágulos de plantas daninhas.

• Evitar o uso de sementes salvas, uma vez que materiais produzidos sem os devidos critérios técnicos po-

PLANTAS DANINHAS

dem conter a presença de propágulos de plantas daninhas.

• Escolher cultivares de soja que apresentem adaptabilidade a região, além de realizar a semeadura sempre dentro do melhor intervalo de cultivo, uma vez que estas ações poderão assegurar o bom estabelecimento da cultura, conferindo vantagem competitiva perante as plantas daninhas.

• Realizar o monitoramento constante da lavoura visando identificar a ocorrência de espécies de plantas daninhas problemáticas e em caso de ser constatada a presença, intervir rapidamente mediante a adoção de medidas de controle. Em áreas em que a soja está sendo cultivada nas primeiras safras, a atenção deve ser redobrada, uma vez que é comum a ocorrência destas espécies (exemplo: crotalária, fedegoso, entre outras).

• Realizar o controle de plantas daninhas em áreas sem cultivo vizinhas (curvas, estradas, canais de irrigação, represas, entre outras) a lavoura objetivando reduzir a disseminação destas espécies.

• Adotar sempre a rotação de culturas, uma vez que a diversificação de espécies cultivadas permite a redução da diversidade de plantas daninhas mediante a adoção de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e pelo incremento de palhada nas áreas de produção.

• Para áreas com uso de adubação orgânica, atentar-se para que o material esteja bem fermentado, uma vez que há plantas daninhas que apresentam o tegumento rígido capaz de manter sua viabilidade após passar pelo trato intestinal dos animais.

• Posicionar a adubação conforme recomendação obtida na análise de solo, bem como realizar o manejo fitossanitário visando assegurar o bom desenvolvimento da cultura, visto que estas práticas irão conferir maior capacidade competitiva da cultura perante as plantas daninhas.

• Para espécies de difícil controle (ex.: plantas daninhas arbustivas), analisar a viabilidade técnica de se adotar medidas de controle mecanizado (roçada) de forma integrada com herbicidas.

ESTRATÉGIAS RELACIONADAS AOS

CUIDADOS NA COLHEITA MECANIZADA:

• Adotar a prática de dessecação pré-colheita da soja

mediante a aplicação de herbicidas com registro no MAPA para esta operação.

• Proceder a limpeza das colhedoras previamente ao início do período de colheita, bem como na ocasião de transferência de um talhão para outro.

• Realizar a regulagem da colhedora no sentido de permitir que o sistema de limpeza da máquina possa eliminar as sementes de plantas daninhas.

• Deixar a colheita dos talhões mais infestados por último.

• Recolher e destruir as sementes de plantas daninhas que foram separadas dos grãos ou deixadas no campo, para evitar a propagação no solo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao considerar as informações contidas no presente material, fica evidenciado que há necessidade de manejar as plantas daninhas durante o período em que a cultura se apresenta suscetível ao processo de interferência, uma vez que na ausência de controle nesta fase resultará em menores produtividades de grãos.

Contudo, analisando os impactos que a presença das sementes de plantas daninhas traz na ocasião da colheita, uma vez que estas podem ser colhidas juntos aos grãos e transferidas para cargas a serem armazenadas, o período de controle dos indivíduos que compõem a comunidade infestante deve ser contínuo ao longo do ciclo da soja, não devendo ser tolerada a ocorrência destas espécies em estádio reprodutivo na fase de colheita da cultura.

Para se obter um maior êxito no controle das plantas daninhas, torna-se fundamental o conhecimento da biologia da espécie infestante, uma vez que estas informações poderão indicar quais estratégias de manejo se constituem em alternativas mais eficazes. Além disso, as práticas de controle devem ser integradas por meio da utilização dos diferentes métodos de manejo de plantas daninhas, uma vez que o uso exclusivo de herbicidas nem sempre resultará em eficácia na eliminação destas espécies.

REFERÊNCIAS

ABIOVE - Associação brasileira das indústrias de óleos vegetais. Manual de boas práticas de classificação de soja. Brasília: DF: ABIOVE, 2025. Disponível em: <https://abiove.org. br/wp-content/uploads/2019/05/08022018-122719-manual_

PLANTAS DANINHAS

de_boas_praticas_de_classificacao_de_soja_05_02_ web.compressed.pdf>. Acesso em: 09/10/2025.

BRAZ, G.B.P.; CRUVINEL, A.G.; CANEPPELE, A.B.; TAKANO, H.K.; SILVA, A.G.; OLIVEIRA JR., R.S. Sourgrass interference on soybean grown in Brazilian Cerrado. Revista

Caatinga, v. 34, n. 2, p. 350-358, 2021.

MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 46, de 24 de set. 2013. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília-DF, 25 set. 2013. Seção 1.

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