ANUÁRIO DE PESQUISAS PECUÁRIA - RESULTADOS 2021-2022 Editores Técnicos Amanda Magalhães Bueno Amoracyr José Costa Nuñez Diego Tolentino de Lima Dieimisson Paulo Almeida Eduardo Hara Hemython Luis Bandeira do Nascimento João Restle Leonardo Fernandes Sarkis Rafael Henrique Fernandes Ricardo Zambarda Vaz Ubirajara Oliveira Bilego Centro Tecnológico COMIGO Geração e Difusão de Tecnologias Rio Verde - GO - 2022
Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na: Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano - COMIGO Centro Tecnológico COMIGO Av. Presidente Vargas, 1878, Jardim Goiás, Rio Verde - GO CEP 75901-901 - CP 195 Fone: (64) 3611-1573 ou (64) 3611-1684 www.comigo.coop.br ctc@comigo.com.br
Comitê de publicação Amanda Magalhães Bueno Amoracyr José Costa Nuñez Diego Tolentino de Lima Dieimisson Paulo Almeida Eduardo Hara Hemython Luis Bandeira do Nascimento João Restle Leonardo Fernandes Sarkis Rafael Henrique Fernandes Ricardo Zambarda Vaz Ubirajara Oliveira Bilego Periodicidade: anual Volume 5, 2022 Tiragem: 20 exemplares 12a edição Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei no 9.610). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano - COMIGO Centro Tecnológico COMIGO
ANUÁRIO DE PESQUISAS PECUÁRIA - RESULTADOS 2021-2022 Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Centro Tecnológico COMIGO Av. Presidente Vargas, 1878, Jardim Goiás, Rio Verde - GO CEP 75901-901 - CP 195 Anuário de Pesquisas CTC Pecuária - Resultados 2021-2022 Editores Técnicos: Amanda Magalhães Bueno , Amoracyr José da Costa Nuñez, Diego Tolentino de Lima, Dieimisson Paulo Almeida, Eduardo Hara, Hemython Luis Bandeira do Nascimento, João Restle, Leonardo Fernandes Sarkis, Rafael Henrique Fernandes, Ubirajara Oliveira Bilego - 12. Ed. - Rio Verde, GO: Centro Tecnológico COMIGO, 2022. 118 p.: il (algumas color).
Sumário APRESENTAÇÃO....................................................................................................................................................................6 EDITORIAL.............................................................................................................................................................................8 AGRADECIMENTOS...............................................................................................................................................................9 TABELA E GRÁFICO DE REGIME PLUVIOMÉTRICO............................................................................................................ 10 ARTIGOS TÉCNICOS................................................................................................................................................................... 12 DIFERENTES DIETAS, PERÍODOS E CENÁRIOS DE COMERCIALIZAÇÃO DE VACAS DE DESCARTE NO RESULTADO ECONÔMICO EM CONFINAMENTO NO SUL DO BRASIL........................................................................................................14 USO DO CONSUMO ALIMENTAR RESIDUAL COMO CRITÉRIO DE SELEÇÃO DE BOVINOS DE CORTE......................... 26 SUBSTITUIÇÃO DO MILHO POR MILHETO NA DIETA DE BOVINOS - UMA REVISÃO...................................................... 35 ARTIGOS CIENTÍFICOS...........................................................................................................................................................42 SUPLEMENTAÇÃO DE VACAS DE CORTE NO PERÍODO DE TRANSIÇÃO ÁGUAS-SECA................................................... 43 CONFINAMENTO DE VACAS DE CORTE COM DOIS PERÍODOS DE ADAPTAÇÃO E DUAS ESTRATÉGIAS DE SUPLEMENTAÇÃO PRÉVIA ....................................................................................................................................................... 55 CARACTERÍSTICAS DA FORRAGEM E DESEMPENHO DE BOVINOS DE CORTE EM PASTAGEM DE Panicum maximum Zuri E QUÊNIA EM SISTEMA DE INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA............................................................................... 67 PRODUÇÃO, QUALIDADE DE FORRAGEM E DESEMPENHO ANIMAL DA AVEIA BRANCA IRRIGADA NO PERÍODO SECO NA REGIÃO DE RIO VERDE - GO...............................................................................................................................................77 POTENCIAL PRODUTIVO DE CAPINS TROPICAIS PARA PRODUÇÃO DE SILAGEM NO BIOMA CERRADO................... 87 USO DE PROMOTORES DE CRESCIMENTO PARA PASTAGENS..........................................................................................103
APRESENTAÇÃO maneira isenta, transparente e imparcial na
O Centro Tecnológico COMIGO (CTC) e
geração e difusão dos resultados das pesquisas.
informar os produtores rurais com resultados
As pesquisas e demais informações produzidas
de
O
pelo CTC e parceiros são divulgadas através
setor constitui uma estrutura integrante da
dos Workshops de Agricultura e Pecuária, que
Cooperativa
em 2022 completam sua 21ª e 12ª edição
reitera
seu
compromisso
pesquisas
em
agropecuárias
Agroindustrial
inovar
aplicadas.
dos
Produtores
Rurais do Sudoeste Goiano – COMIGO, e tem
respectivamente.
como missão, gerar e difundir tecnologias
se disponíveis para download gratuito na
aos seus cooperados e à comunidade. Além
página da COMIGO (www.comigo.coop.br). Há
da geração de informações técnicas, o CTC
dois anos as edições dos Workshops foram
realiza, anualmente, a feira Tecnoshow COMIGO,
realizadas virtualmente devido às implicações
que em 2022 movimentou 10,6 bilhões e
da pandemia do COVID-19. No presente ano,
ultrapassou os 128 mil visitantes em 5 dias de
graças à estabilidade da pandemia, nosso tão
evento. Criado no ano 2000, em Rio Verde –
esperado evento ocorrerá de forma presencial
GO, o CTC ampliou recentemente sua área total
em três unidades (Iporá, Mineiros e Rio
e expandiu o quadro técnico de pesquisadores.
Verde). Nesse último dia, o evento será híbrido
Atualmente, o CTC conta com sete pesquisadores
(presencial e online) com a possibilidade de ser
em distintas áreas do conhecimento agrícola,
acessado posteriormente. Seguros da atuação
como: Manejo e Controle de Doenças das
decisiva do CTC nas atividades econômicas
culturas, Manejo de Pragas e Plantas Daninhas,
da região do Sudoeste Goiano, esperamos
Fertilidade do Solo e Fertilizantes, Fisiologia e
continuar pesquisando e informando, com a
Nutrição Vegetal, Fitotecnia, Produção Animal,
ajuda do produtor e para o produtor, garantindo
Agricultura
assim, a longevidade da atividade agrícola.
de
Precisão,
Forragicultura
e
Pastagem. O CTC esmera-se para ser referência em pesquisas agropecuárias aplicadas que trazem soluções aos produtores rurais. Além dos pesquisadores, há toda uma equipe de veterinários, agrônomos, técnicos e equipe de suporte no campo que, aliados a equipamentos e investimento financeiro adequado, atua de
6
Os
anuários
encontram-
EDITORIAL Ubirajara Bilego Antonio Oliveira Eduardo Furtini Neto
Ubirajara Oliveira Bilego
Após a pandemia e com vigência de uma
forrageiras para silagem e uso de promotores de
guerra internacional, o mundo passa por momentos
crescimento em pastagens. Os artigos encontram-se
extremamente
escritos de forma sucinta e objetiva visando apoiar o
matérias-primas,
difíceis.
Inflação,
alimentos
e
escassez
energia
de
pecuarista na sua atividade econômica.
elétrica
tornaram-se desafios para muitos líderes mundiais
Boa leitura!
que já não viam esse cenário há décadas. No Brasil não foi diferente! Mas felizmente, há sinais de momentos favoráveis. Evidencia-se deflação e as condições do tempo e clima dão sinais de favorecimento ao agronegócio. Os desafios internos da pecuária de corte também continuaram. Houve redução dos preços reais, aumento dos custos de produção e os riscos sanitários relacionados às encefalopatias assustaram os pecuaristas em 2022. Entretanto, em meio aos percalços, a atividade segue firme na direção da pecuária eficiente, produtiva e sustentável. Atualmente, a pecuária 4.0 é uma realidade eminente e essas condições dependem, em grande parte, do uso de informação e tecnologia. Nesse aspecto, esta edição do Anuário de Pesquisas Pecuária, do Centro Tecnológico COMIGO, traz um conjunto de valiosas informações para auxiliar o produtor nas decisões estratégicas da propriedade. Essas informações vieram de experimentos pensados, elaborados e desenhados a partir de demandas dos produtores e técnicos e serão divulgadas na ocasião do Workshop CTC de Pecuária. Nesse anuário, o produtor encontrará dados sobre: sistema de Integração Lavoura-Pecuária com diferentes cultivares de forragens, suplementação de vacas de descarte e desempenho na fase de terminação em confinamento, produção de aveia irrigada para pastejo, desempenho de diferentes espécies de
8
AGRADECIMENTOS À Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano – COMIGO, pelas condições operacionais e financeiras de trabalho. À equipe de apoio do Centro Tecnológico COMIGO, pelo esforço e dedicação, imprescindíveis na realização dos trabalhos. Aos autores que contribuíram com a produção dos textos. Aos parceiros de pesquisa da COMIGO. À equipe da ASCOM - Assessoria de Comunicação da COMIGO. Às equipes do Departamento de Assistência Técnica da COMIGO. A todos que de alguma maneira contribuíram para a realização deste trabalho.
9
TABELA E GRÁFICO DE REGIME PLUVIOMÉTRICO
Gráfico das precipitações pluviométricas no Setor de Pecuária de 2009 a 2022
10
ARTIGOS TÉCNICOS 12
DIFERENTES DIETAS, PERÍODOS E CENÁRIOS DE COMERCIALIZAÇÃO DE VACAS DE DESCARTE NO RESULTADO ECONÔMICO EM CONFINAMENTO NO SUL DO BRASIL VAZ1, Ricardo Zambarda; SARTORI2, Dayana Bernardi Sarzi; NUÑEZ3, Amoracyr José Costa; SILVA4, Hitalo Rodrigues da; RESTLE5, João Zootecnista, DSc, Bolsista de Produtividade CNPq – Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas - UFSM/ PM – email: rzvaz@terra.com.br 2 Zootecnista, Mestranda, Programa de Pós-Graduação em Agronegócios – UFSM/PM – email: dayanabernardisartori@ gmail.com 3 Engenheiro Agrônomo, DSc, Professor Substituto – EVZ/ UFG – email: ajcnunez@gmail.com 4 Graduando em Zootecnia, UFSM/PM – email: hitaloalegrete@gamil.com 5 Engenheiro Agrônomo, PhD, Professor Voluntário do PPGZ – EVZ/UFG, Bolsista de Produtividade Sênior CNPq – email: jorestle@terra.com.br 1
carcaças mais leves a um mesmo grau de acabamento (NASEM, 2016). Fêmeas de descarte confinadas possuem ciclos produtivos mais curtos, no entanto, a eficiência econômica é determinante para sua concretização, uma vez que ingerem mais alimento para ganhar um quilo de peso corporal quando comparadas aos machos. As fêmeas, no ano de 2021, representaram 43,47% do total de faturamento do gado abatido no Brasil (ABIEC, 2022). Nos anos de 2020 e 2021 ocorreu retenção das fêmeas devido ao ciclo pecuário plurianual, no qual estava ocorrendo uma valorização do boi gordo. Analisando o histórico de abate de vacas, é possível verificar queda no abate de fêmeas por quatro anos consecutivos, seguida de dois a quatro anos de alta. Analisando a variação anual, geralmente a concentração de
INTRODUÇÃO
abate de fêmeas ocorrem no primeiro semestre do ano (IBGE, 2022), resultado do descarte de vacas vazias no período pós
A maior parcela do abate de bovinos no Brasil é de
desmame.
machos inteiros, seguido de machos castrados e, por último,
Com a crescente demanda mundial por carne, a
as fêmeas. Do total de animais abatidos em 2021, 17,9%
exportação brasileira aumentou, priorizando-se as melhores
foram oriundos de sistemas de confinamento (ABIEC, 2022).
carcaças e cortes para os mercados externos, que remuneram
Conhecidamente, fêmeas são mais precoces que os machos
melhor. Dessa forma, a correta terminação das vacas de
castrados ou inteiros e, consequentemente, apresentam
14
descarte torna-se importante, para atender o mercado
simular a economicidade do confinamento de vacas de
interno tendo em vista o menor poder aquisitivo da grande
descarte com diferentes níveis de inclusão de grãos na dieta
maioria dos consumidores brasileiros.
e em diferentes épocas e perfis de comercialização na compra
A maior parte da terminação de vacas é realizada a
e venda dos animais.
pasto o que resulta em inadequado grau de acabamento, com espessura de gordura subcutânea abaixo de 3 mm,
MATERIAL E MÉTODOS
que é o mínimo exigido pela indústria para uma adequada transformação de músculo em carne. Carcaças com acabamento insuficiente podem apresentar encurtamento das fibras musculares e escurecimento na superfície do músculo após o resfriamento, alterando parâmetros como cor, maciez e suculência (King et al., 2009; Mancini; 2009), que são características apreciadas pelos consumidores. Dessa forma, a terminação em confinamento pode ser uma das alternativas para melhorar o acabamento e as características organolépticas de vacas de descarte, principalmente ao considerar suas maiores exigências energéticas atreladas à composição do ganho e à menor eficiência alimentar. Além da melhor qualidade da carne produzida, a terminação
O estudo foi realizado na Universidade Federal de Santa Maria – Campus Palmeira das Missões. Analisou-se, através de simulações, o resultado econômico de diferentes preços de aquisição e comercialização de vacas de descartes confinadas no Rio Grande do Sul (RS), submetidas a diferentes níveis de concentrado durante a terminação em sistema de confinamento. Para a estruturação dos dados zootécnicos, considerou-se vacas mestiças acima de 48 meses de idade, peso de aquisição (peso inicial) de 350 kg, peso de venda (peso final) de 500 kg, ganhos médios diários fixados em 1,5 kg /dia para todas as dietas e duração do confinamento de 100 dias.
em confinamento reduz o ciclo pecuário, libera áreas de
Foram consideradas três dietas com diferentes
pastagem e proporciona a comercialização dos animais nos
proporções de volumoso:concentrado na matéria seca,
períodos de maiores remunerações, ou seja, na entressafra.
sendo elas: 40:60, 20:80 e puro grão (70% milho grão inteiro,
Outro fator que pode interferir na economicidade do confinamento está relacionado com a proporção de volumoso:concentrado. Silvestre e Millen (2021), em levantamento sobre as práticas nutricionais e de manejo realizadas em confinamentos comerciais brasileiros, relatam aumento no uso de concentrado nas dietas, maximização do desempenho e melhorias no processo operacional. O Brasil é
15% aveia grão e 15% núcleo vitamínico-mineral proteico). As dietas foram formuladas com auxílio do software BCNRM (NASEM, 2016), com os ingredientes editados para a composição considerada na presente simulação. Todas as dietas foram ajustadas para atender as exigências nutricionais e o consumo de matéria seca da categoria animal selecionada (Tabela 1).
um dos principais produtores de cereais do mundo e apresenta grande disponibilidade de coprodutos destas culturas, em especial milho, soja e algodão. Dessa forma, existe uma variabilidade de dietas utilizadas nos confinamentos brasileiros. A realização de simulações apresenta-se como uma ferramenta para a gestão e planejamento das atividades produtivas e deve ser empregada na tomada de decisão com o intuito de minimizar os riscos tanto na escolha da dieta como na categoria a ser confinada. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi
15
Tabela 1. Composição de ingredientes, nutrientes e consumo estimado para as dietas experimentais.
Item1 Dieta 40:60 Dieta 20:80 Silagem de milho (kg/MS) 3,580 1,859 Aveia (kg/MS) 4,1 Milho grão (kg/MS) 4,850 2,450 Farelo de soja (kg/MS) 0,430 0,595 Ureia (kg/MS) 0,070 Concentrado mineral (kg/MS) 0,200 0,200 Núcleo pellet (kg/MS) PB (%) 12,6 12,6 NDT (%) 76,5 76,5 CMS (kg/dia) 9,13 9,2 CMN (kg/dia) 17,1 13,78 CMN volumoso (kg/dia) 10,83 5,62 CMN concentrado (kg/dia) 6,27 8,16 *PB proteína bruta NDT nutrientes digestíveis totais. Fonte: Dados da pesquisa, 2022.
Dieta Puro Grão 1,644 5,343 1,33 12,6 76,5 8,22 9,14 9,14
Os ingredientes das dietas foram escolhidos
dietas formuladas em função da média das análises obtidas.
com base na sua disponibilidade no estado do RS. Para a
Para milho grão e farelo de soja utilizou-se a composição
composição das dietas realizou-se um levantamento de
apresentada no CQBAL 4.0 (Valadares Filho et al., 2018). Para
análises bromatológicas de empresas privadas atuantes
o concentrado mineral e o núcleo pellet foram consideradas
no mercado para a silagem de milho e aveia grão, sendo as
composições de empresas comerciais (Tabela 2).
Tabela 2. Composição dos alimentos utilizados nas dietas com diferentes proporções de grãos.
Ingredientes
MS
NDT
PB
EE
FDN
Ca
P
Silagem de Milho 33,07 68,48 7,91 2,90 42,42 0,24 0,23 Aveia 91,09 74,00 11,56 4,64 31,02 0,10 0,38 Milho Grão 87,96 85,68 9,01 4,20 13,05 0,03 0,34 Farelo de soja 88,64 80,41 48,79 1,94 14,78 0,34 0,59 Ureia 98,00 281,00 Concentrado mineral 98,00 19,00 4,00 Núcleo Pellet 98,00 *MS - Matéria seca; NDT - Nitrogênio digestíveis totais; PB - Proteína bruta; EE - Extrato etéreo; FDN - Fibra em detergente neutro; Ca: Cálcio P: Fósforo. Fonte: CQBAL 4.0, empresas privadas. Para a simulação econômica, considerou-se três
representados pela compra da vaca magra e pela composição
ciclos de engorda anuais, de janeiro a abril, de maio a agosto
da dieta. Para a aquisição dos animais foram consideradas
e de setembro a dezembro. O primeiro mês de cada período
três precificações, sendo a mínima, a média e a máxima
correspondeu à compra dos animais e dos ingredientes
cotação semanal para comercialização no RS (NESPro -
para a composição das dietas. Os custos de produção foram
Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Os três valores
16
representando a semana de início ou de término do período de confinamento foram tabulados em planilha no Excel durante todo o período de avaliação (Tabela 3) durante o período de janeiro de 2021 a agosto de 2022. Para a aquisição das vacas magras para a terminação em confinamento foi considerado o preço por quilograma de peso corporal (R$/ kg), enquanto para a comercialização da vaca para o abate foi considerada a venda por quilograma de carcaça (R$/kg) e o rendimento de carcaça de 50%.
17
Tabela 3. Cotações dos preços mensais para vacas magras (R$/kg de peso corporal) e gordas (R$/kg de carcaça fria) referentes ao período de janeiro de 2021 a agosto de 2022 no RS. 2022 Agosto Mínimo Médio Máximo Julho Mínimo Médio Máximo Junho Mínimo Médio Máximo Maio Mínimo Médio Máximo Abril Mínimo Médio Máximo Março Mínimo Médio Máximo Fevereiro Mínimo Médio Máximo Janeiro Mínimo Médio Máximo Agosto Mínimo Médio Máximo Julho Mínimo Médio Máximo Junho Mínimo Médio Máximo Maio Mínimo Médio Máximo Abril Mínimo Médio Máximo Março Mínimo Médio Máximo Fevereiro Mínimo Médio Máximo Janeiro Mínimo Médio Máximo
2021 2021 Cotações de preços pagos / peso corporal (Aquisição dos animais) Dezembro Junho 8,88 Mínimo 9,20 Mínimo 9,07 Médio 9,66 Médio 9,36 Máximo 9,80 Máximo Novembro Maio 8,64 Mínimo 8,66 Mínimo 8,90 Médio 9,03 Médio 9,21 Máximo 9,38 Máximo Outubro Abril 8,75 Mínimo 8,87 Mínimo 9,03 Médio 9,40 Médio 9,29 Máximo 9,84 Máximo Setembro Março 8,87 Mínimo 9,21 Mínimo 9,40 Médio 9,60 Médio 9,84 Máximo 10,02 Máximo Agosto Fevereiro 9,14 Mínimo 9,59 Mínimo 8,62 Médio 9,63 Médio 9,32 Máximo 10,17 Máximo Julho Janeiro 8,58 Mínimo 9,84 Mínimo 9,17 Médio 10,20 Médio 9,65 Máximo 10,55 Máximo
9,22 9,61 10,09 8,89 9,17 9,56 8,31 8,62 8,95 8,48 8,78 9,08 8,01 8,20 8,40 7,65 7,92 8,40
8,68 9,08 9,54 9,08 9,41 9,75 Cotações de preços pagos / kg de carcaça (Venda dos animais) Dezembro Junho 16,92 Mínimo 20,10 Mínimo 18,36 Médio 20,94 Médio 19,70 Máximo 21,54 Máximo Novembro Maio 18,07 Mínimo 18,73 Mínimo 19,81 Médio 19,25 Médio 21,00 Máximo 19,80 Máximo Outubro Abril 18,96 Mínimo 17,75 Mínimo 20,20 Médio 18,53 Médio 21,15 Máximo 19,15 Máximo Setembro Março 20,72 Mínimo 18,92 Mínimo 21,22 Médio 19,35 Médio 21,75 Máximo 19,78 Máximo Agosto Fevereiro 20,60 Mínimo 19,31 Mínimo 21,13 Médio 20,04 Médio 21,72 Máximo 21,25 Máximo Julho Janeiro 20,25 Mínimo 20,00 Mínimo 21,25 Médio 21,20 Médio 21,87 Máximo 22,19 Máximo
Fonte: Adaptado NESPro, 2022.
20,20 20,99 21,60 20,60 21,28 21,65
18
19,50 20,95 21,45 18,75 19,82 20,25 18,37 18,83 19,37 17,55 18,10 18,66 16,77 17,60 18,42 15,35 16,27 17,19
O levantamento de preços dos alimentos foi realizado em sites de cotações, considerados em matéria natural,
engorda, correspondendo também ao mês de aquisição dos animais (Tabela 4).
sendo a compra realizada no primeiro mês de cada ciclo de Tabela 4. Cotações em R$/kg de matéria natural dos ingredientes utilizados nas simulações de dietas
Ingredientes Silagem de milho Aveia (grão) Milho (grão) Farelo de soja Ureia Concentrado mineral Núcleo pellet
Janeiro 0,24 0,78 1,27 3,00 3,31 4,20 2,30
2021 Maio 0,24 0,89 1,49 2,87 3,31 4,20 2,30
2022 Setembro 0,24 0,78 1,45 2,66 3,31 4,20 2,30
Janeiro 0,29 1,04 1,55 2,62 3,03 4,45 2,40
Maio 0,29 1,60 1,38 2,20 3,03 4,45 2,40
Fonte: Sites de cotações As receitas do sistema de confinamento foram
analisar o equilíbrio entre eficiência técnica e econômica.
obtidas através da venda da vaca de descarte gorda para o
Silvestre e Millen (2021) apontaram que a média de inclusão
frigorífico. Os resultados econômicos foram determinados
de grãos e volumosos nas dietas é de 83,20% e 16,80%,
através da diferença resultante da receita originada pela
respectivamente, e ainda ressaltam que o volumoso é
venda da vaca menos seu valor de aquisição e o custo de
responsável principalmente por manter saúde ruminal.
alimentação (representado nesse estudo somente pelo valor da dieta).
RESULTADOS E DISCUSSÃO A diferença média entre os preços máximos e mínimos de aquisição dos animais foi de 8,8%, com variação nos cinco períodos de estudos entre 7,41 e 10,9% (Tabela 5). As dietas variaram os seus custos em função do preço dos ingredientes, sendo esses influenciados pelo período de aquisição. O custo total com as dietas de relação volumoso:concentrado de 20:80 foi o de menor valor em todos os ciclos produtivos, com exceção do último período avaliado, com início em maio de 2022, o qual teve o maior custo entre as dietas avaliadas. Por outro lado, as dietas de puro grão foram as mais onerosas em todos os períodos, com exceção do último período. Maiores inclusões de grãos vem sendo utilizadas nos confinamentos brasileiros, no entanto, é importante
19
Tabela 5. Valores de aquisição das vacas em cenários de mínimo, médio e máximo preços, custos das dietas com três níveis de inclusão de grãos e receita com a comercialização dos animais para o abate em cenário de mínimo, médio e máximo valor (R$/animal/ciclo).
Janeiro
2021 Maio
2022
Setembro
Janeiro
2677,50 2772,00 2939,13
3111,50 3210,38 3346,00
3224,38 3360,00 3505,25
3178,00 3291,75 3413,38
3103,63 3290,88 3444,88
Maio
Preço de compra da vaca Mínimo Médio Máximo Custos das dietas 40:60 20:80 Puro grão Custo Animal + Alimentação Mínimo * 40:60 Mínimo * 20:80 Mínimo * Puro grão Médio * 40:60 Médio * 20:80 Médio * Puro grão Máximo * 40:60 Máximo * 20:80 Máximo * Puro Grão
1217,16 1127,95 1201,60
1332,16 1230,01 1355,08
1299,92 1155,26 1310,93
1408,15 1329,54 1431,18
1294,04 1506,06 1428,99
3894,66 3805,45 3879,10 3989,16 3899,95 3973,60 4156,29 4067,08 4140,73
4443,66 4341,51 4466,58 4542,54 4440,39 4565,46 4678,16 4576,01 4701,08
4524,30 4379,64 4535,31 4659,92 4515,26 4670,93 4805,17 4660,51 4816,18
4586,15 4507,54 4609,18 4699,90 4621,29 4722,93 4821,53 4742,94 4844,56
4397,67 4609,69 4532,62 4584,92 4796,94 4719,87 4738,92 4950,94 4873,87
Receitas vendas das vacas
Abril
Agosto
Dezembro
Abril
Agosto
Preço mínimo 4593,75 4828,12 Preço médio 4708,75 5009,37 Preço máximo 4843,75 5312,50 *Ciclo considerado de 100 dias. Fonte: Dados da pesquisa, 2022.
5040,00 5235,50 5385,00
5150,00 5283,75 5431,25
4230,00 4590,50 4925,00
A aquisição do animal de reposição (vaca magra)
uma precificação mínima decorrente de períodos de maior
representou de 70% a 72% do total dos custos de produção,
oferta e vender o animal gordo com precificações máximas
enquanto a dieta obteve representatividade de 28% a
ocasionadas por períodos de baixa oferta e maior demanda.
30% (Figura 1). A aquisição do animal e a alimentação
Esse planejamento possibilita maximização das receitas
representam de 85% a 94% dos custos totais de produção
provenientes das atividades produtivas.
quando avaliamos a atividade de confinamento, sendo 60% a 65% para compra dos animais e 25% a 29% para a dieta (QUEIROZ; REIS; SIMÕES, 2022). Dessa forma, uma atenção maior deve ser empregada para a compra e venda dos animais associadas à correta dieta que consumirão. O planejamento da atividade possibilita comprar animais com
20
Figura 1. Representatividade dos custos nas diferentes dietas. Fonte: Dados da pesquisa, 2022.
A média dos cinco períodos de atividade de confinamento durante os anos de 2021 e 2022 proporcionou um retorno econômico positivo de R$ 471,24/animal, quando consideradas somente a aquisição, dieta e a receita com a venda. Os piores resultados da atividade do confinamento se concentraram no período de maio a agosto nos dois anos de avaliação (2021 e 2022), independente da dieta e da habilidade administrativa da compra e venda dos animais (Tabela 6). O ano de 2022 apresentou resultados mais insatisfatórios, em muitas situações negativos, muito em função da elevação dos custos e menor preço de comercialização em relação ao ano de 2021. Os melhores resultados foram verificados no primeiro ciclo de engorda (janeiro a abril) de ambos os anos.
21
Tabela 6. Resultados econômicos em diferentes períodos de aquisição e comercialização com valores mínimos, médios e máximos em diferentes dietas de confinamento (R$/Animal/Ciclo).
2021 (compra-venda) Jan-Abr Mai-Ago Set-Dez
2022 (compra-venda) Jan-Abr Mai-Ago
Mínimo x Mínimo
714,65
361,54
504,69
540,82
-302,61
Mínimo x Máximo
964,65
845,92
849,69
822,07
392,39
Médio x Médio
735,15
443,92
564,57
560,82
-129,36
Máximo x Máximo
703,03
611,42
568,82
586,69
51,14
Máximo x Mínimo
453,03
127,04
223,82
305,44
-643,86
Mínimo x Mínimo
788,30
486,61
660,36
642,46
-379,68
Mínimo x Máximo
1038,30
970,99
1005,36
923,71
315,32
Médio x Médio
808,80
568,99
720,24
662,46
-206,43
Máximo x Máximo
776,67
736,49
724,49
688,33
-25,93
Máximo x Mínimo
526,67
252,11
379,49
407,08
-720,93
Mínimo x Mínimo
699,09
384,46
515,70
563,85
-167,66
Mínimo x Máximo
949,09
868,84
860,70
845,10
527,34
Médio x Médio
719,59
466,84
575,58
583,85
5,59
Máximo x Máximo
687,46
634,34
579,83
609,73
186,09
Máximo x Mínimo
437,46
149,96
234,83
328,48
-508,91
Dieta puro grão
Dieta 80:20
Dieta 40:60
*Mínimo x Mínimo = Comprar bem x vender mal; Mínimo x Máximo = Comprar bem x vender bem; Médio x Médio = Comprar e vender em valores médios de comercialização; Máximo x Máximo = Comprar mal x vender bem; Máximo x Mínimo = Comprar mal x vender mal. Fonte: Dados da pesquisa, 2022. Os resultados menos atrativos foram verificados na
para o abate ou para produtores que possam realizar a sua
dieta de puro grão e os mais atrativos foram encontrados
terminação em sistemas mais intensivos é uma fonte de
nas dietas com relação volumoso:concentrado de 20:80. Os
renda considerável para os sistemas de produção. Sessim
melhores resultados econômicos referentes ao confinamento
et al. (2020), ao avaliarem a eficiência bioeconômica dos
de vacas de descarte no RS ocorreram no primeiro ciclo de
sistemas de cria, relatam que quanto mais jovem o descarte
engorda do ano com a dieta 20:80, independente de comprar/
das vacas, maior a eficiência por área em cenários de produção
vender bem ou mal.
que possibilitem a intensificação de sistemas, atrelado a
A comercialização de vacas de descarte caracteriza-
mercados ou períodos de comercialização que valorizem
se como uma importante fonte de receita dos sistemas
vacas de descarte. Todavia, em regiões onde a intensificação
pecuários de ciclo completo. Vender a vaca de descarte
não é viável e o bezerro é o produto mais valorizado, a maior
22
idade de descarte das fêmeas permite maior eficiência
podem ser explicados pela baixa na variação cíclica, em que
econômica por vaca mesmo com menor eficiência biológica.
se verifica maior oferta de bezerros, menor preço pago pelo
A maior parte dos sistemas produtivos brasileiros
boi gordo e pelas demais categorias, o que desestimula os
estão em áreas marginais onde o bezerro obtém maior
produtores e faz com que vendam parte de suas matrizes.
remuneração, de modo que as vacas são abatidas com idade avançada quando comparadas com o abate de machos. Além
CONSIDERAÇÕES FINAIS
da maior idade ao abate, a menor precificação também está atrelada à maior expressão de temperamento de fêmeas que interferem na qualidade da carne, além de maior variação no rendimento de carcaça (MENDONÇA et al., 2017; BETHANCOURT-GARCIA et al., 2019). O menor rendimento da carcaça de vacas de descarte pode ainda estar relacionado com o maior peso de componentes não carcaça, incluindo maior conteúdo do trato gastrointestinal e aparelho reprodutivo (Restle et al., 2001). A venda de vacas gordas para o abate possui menor
A categoria vaca de descarte embora menos eficiente na transformação de alimento em quilogramas de peso corporal quando comparada aos novilhos e novilhas, merece atenção durante a fase de terminação, pois a mesma compõe a receita dos sistemas de produção. Estudar alternativas para compensar a menor eficiência de transformação é necessário para otimizar os resultados financeiros da atividade, ou ainda para minimizar as perdas econômicas da atividade.
valor pago na comercialização, mas apresentam menor custo
O confinamento de vacas de descarte é uma
de aquisição em comparação com os machos. No entanto,
alternativa
esse menor valor nem sempre é repassado ao consumidor
mercadológica, com a qual pode-se conseguir pesos de
final, pois a indústria agrega pouco valor ao produto
carcaça e acabamento mais uniformidade na terminação dos
carne, colocando-a em mercados de menor remuneração e
animais. O confinamento com o passar do tempo evoluiu, e a
valorização.
questão da alimentação dos animais pela dificuldade de mão
viável,
principalmente
para
questão
De maneira geral, todos os ciclos de confinamento
de obra, operacionalização e os custos, cada vez mais se tem
apresentaram resultados diferentes em função da forma
intensificado com a maior utilização de grãos na composição
de comercialização, com valores mais discrepantes na
das dietas de bovinos. A concentração das dietas com grãos
comparação dos preços de comercialização de compra e
proporciona, agilidade e facilidade de estocagem, economia
venda do que entre as dietas analisadas. Comparando as
de tempo e mão de obra, além de níveis energéticos
dietas no mesmo período de confinamento, os resultados
condizentes com maiores ganhos de pesos e menores
não possuem uma variação tão grande. No entanto, quando
períodos de confinamento.
os resultados são comparados dentro na mesma dieta, mas
Os resultados das simulações com exceção do
com diferentes cenários de comercialização na compra
segundo período, compreendido desde a compra dos animais
e venda dos animais, os resultados econômicos são mais
em maio com as suas vendas em agosto de 2022, deixaram
expressivos e isso ressalta a importância da gestão do
resultados econômicos satisfatórios. O último período e com
sistema. No pior cenário, compreendido entre maio a agosto
menor lucratividade se deve ao incremento de preços dos
de 2022, no qual quase todas as simulações apresentaram
insumos e a queda de valor pago pelo produto vaca gorda.
resultados negativos. Entretanto, quando a comercialização
Convém salientar que a presente simulação avaliou somente
das vacas foi favorável, ou seja, compra pelo menor preço
o custo da aquisição dos animais e o valor das dietas com
e venda pelo melhor preço, os resultados foram positivos
diferentes proporções da inclusão de grãos. A atividade de
independentemente da dieta. Esses baixos resultados
confinamento como negócio ou investimento não pode ser
econômicos no período de maio a agosto de 2022 também
somente avaliado dessa forma, devendo serem avaliados os
23
demais custos. No entanto, a inclusão dos custos além da
as demais categorias de machos, como novilhos (garrotes),
aquisição de animais e das dietas dos confinamentos, mesmo
podendo ocorrer essa troca de categoria ainda no período
muitos deles sendo considerados pela economia como
de confinamento, devendo então o produtor colocar parte
custos fixos, os mesmos são variáveis em função da região e
do ganho no confinamento para compor o ágio entre as
do sistema quanto ao seu tamanho e grau de intensificação.
categorias.
Outro fator muito importante também não sendo o objetivo do presente estudo mas que o produtor deve ter em mente
REFERÊNCIAS
como um custo de produção, são as perdas (mortes) dos animais por diversos motivos, devendo os custos de aquisição
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS EXPORTADORAS
dos animais e os gastos com alimentação serem absorvidos
DE CARNE. ABIEC: Perfil da pecuária no Brasil: Relatório
pelos demais indivíduos que permanecem no confinamento.
Anual, 2022. Disponível em: < http://abiec.com.br/publicacoes/
A inclusão de grão na dieta do confinamento
beef-report-2022/ > Acessado em 15 de junho de 2022.
possibilita ao produtor uma menor área na propriedade necessária para a confecção das silagens, ou seja, menor
BETHANCOURT-GARCIA, J.A.; VAZ, R.Z.; VAZ, F.N. et al. Pre-
valor do imobilizado, bem como o maquinário necessário
slaughter factors affecting the incidence of severe bruising in
para a manutenção e alimentação dos animais ser menos
cattle carcasses. Livestock Science, v. 222, n. 1, p. 41-48, 2019.
oneroso para os custos de produção. Dessa forma, os
BRANDÃO, B.M. Terminação de vacas e novilhas com diferentes
resultados econômicos por animal confinado, na sua maioria
períodos de confinamento. 2020. 39 p. Dissertação (Mestre em
foram satisfatórios, e por muitas vezes estimuladores do
Zootecnia) Universidade Federal de Goiás, GO, 2020.
investimento, porém ressalta-se a necessidade da inclusão dos demais custos para que cada produtor ou administrador
DA CONCEIÇÃO, V.G.D.; BETHANCOURT-GARCIA, J.A.;
possa tomar as suas decisões sobre a utilização ou não da
SARTORI, D.B.S. et al. Prenhez ao abate em fêmeas bovinas
tecnologia.
de descarte. Research, Society and Development, v. 10, n. 14,
A habilidade comercial deve ser ressaltada na
p. e449101422183, 2021.
atividade de confinamento. A compra de insumos em épocas adequadas é fundamental para o sucesso econômico. Não
IBGE. Pesquisa trimestral do abate de animais. 2022.
somente a correta compra de insumos que equivale a
Disponível em: <https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1092>.
29,08% do custo total, mas sim a aquisição dos animais que
Acesso em: 19 de outubro de 2022.
representa 70,92% do custo total de acordo com a análise da presente simulação. Para melhores resultados econômicos
KING, D.A.; WHEELER, T.L.; SHACKELFORD, S.D. et al. Fresh
comprar animais com menor preço e comercializar no
meat texture and tenderness. In: Kerry, J. P. e Ledward, D.
momento do pico do preço são operações fundamentais para
(Ed.). Improving the sensory and nutritional quality of fresh
o sucesso do confinamento e em muitas vezes sendo o fator
meat: Woodhead Publishing, 2009, p.61-88.
determinante do sucesso econômico da atividade. Para vacas de descarte a sua aquisição é menos
MACHADO, G.I.O. Simulação de Monte Carlo da viabilidade
impactante nos sistemas de produção, pois a mesma não
econômica da terminação de bovinos de diferentes categorias
troca de categoria durante a operação do confinamento,
em confinamento ou pastagem cultivada de inverno. 2018. 80
fato esse que pode ocorrer principalmente com os
p. Dissertação (Mestre em Zootecnia) Universidade federal
machos. Quando o produtor compra bezerro ele possui,
de Santa Maria, RS, 2018.
normalmente, uma valorização maior quando comparado
24
MANCINI, R. A. Meat color. In: KERRY, J. P. E LEDWARD, D. (Ed.). Improving the sensory and nutritional quality of fresh meat. Sawston, UK: Woodhead Publishing, 2009, p.89-110. MENDONÇA, F.S.; VAZ, R.Z.; VAZ, F.N. et al. Características raciais e de carcaça nas perdas por contusões e no pH final da carne de bovinos machos castrados e fêmeas de descarte. Ciência Animal Brasileira, v. 18, n. 1, p. e45295, 2017.NASEM, National Research Council Nutrient requirements of beef cattle. Washington DC: National Academy Press. Ed. 3. 2016 QUEIROZ, K.E.R.; DOS REIS, J.D.; SIMÕES, A.R.P. Análise da viabilidade econômica, em condições de riscos, do sistema de confinamento utilizado para a terminação de bovinos no estado de São Paulo, Brasil. Revista ambiente contábil, v. 14, n. 1, p. 216-228, 2022. RESTLE, J.; CERDÓTES, L.; VAZ, F.N. et al. Características da carcaça e da carne de novilhas e vacas de descarte Charolês, terminadas em confinamento. Revista Brasileira de Zootecnia. v.30, n.3, p.1065-1073, 2001. SESSIM, A.G.; DE OLIVEIRA, T.E.; LÓPEZ-GONZÁLEZ, F.A. et al. Efficiency in cow-calf systems with different ages of cow culling. Frontiers in Veterinary Science, v. 7, n. 4, p. 476, 2020. SILVESTRE, A.M.; MILLEN, D.D. The 2019 Brazilian survey on nutritional practices provided by feedlot cattle consulting nutritionists. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 50, 2021. VALADARES FILHO, S.C. et al., CQBAL 4.0. Tabelas Brasileiras de Composição de Alimentos para Ruminantes. 2018. Disponível em: <www.cqbal.com.br >
25
USO DO CONSUMO ALIMENTAR RESIDUAL COMO CRITÉRIO DE SELEÇÃO DE BOVINOS DE CORTE GUIMARÃES1, Tiago Pereira; BILEGO2, Ubirajara Oliveira; LEÃO3, Karen Martins; PAIM4, Tiago do Prado; REZENDE5, Pedro Leonardo de Paula; SILVA6, Marco Antônio Pereira; RESTLE7, João Zootecnista, DSc. Docente do Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde- GO. e-mail: tiago.guimaraes@ifgoiano. edu.br 2 Médico Veterinário, DSc. Pesquisador Veterinário II - CTCComigo. e-mail: ubirajarabilego@comigo.com.br 3 Médica Veterinária, DSc. Docente do Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde- GO. e-mail: karen.leao@ ifgoiano.edu.br 4 Médico Veterinário, DSc. Docente do Programa de PósGraduação em Zootecnia do IF Goiano. e-mail: tiago.paim@ ifgoiano.edu.br 5 Zootecnista, DSc. Presidente da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária, EMATER. e-mail: pedrozootec@hotmail.com 6 Zootecnista, DSc. Docente do Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde- GO. e-mail: marco.silva@ifgoiano.edu. br 7 Engenheiro Agrônomo, PhD. Docente do Programa de PósGraduação em Zootecnia- UFG. e-mail: jorestle@terra.com. br 1
alta foi de 18%, entre janeiro e dezembro de 2020, enquanto os sistemas de Recria e Engorda apresentaram alta de 24% para o mesmo período na média nacional. Já os gastos com alimentação concentrada em 2020 alcançaram 34% de valorização em média para o sistema de Cria, e de 78% para a Recria e Engorda. Além disso, para os produtores que trabalharam com o sistema de Recria e Engorda de animais, ano de 2020, também foi marcado pelo aumento nos custos com a reposição, com alta de 47%. O uso eficiente e custos reduzidos de ração podem melhorar a sustentabilidade econômica da indústria de gado de corte, e a utilização de animais com maior eficiência alimentar é economicamente importante aos produtores de gado de corte, uma vez que no sistema de confinamento, a alimentação representa o componente de maior importância econômica, com cerca de 70 a 85%, quando desconsiderado o valor de compra do animal (PACHECO et al., 2006; RESTLE et al., 2007; NASCIMENTO et al. 2015). A conversão alimentar e eficiência alimentar têm sido utilizados comumente para mensurar a eficiência de utilização dos alimentos na transformação dos nutrientes em produto animal. No entanto, essas medidas são relacionadas com
INTRODUÇÃO
tamanho corporal e taxa de crescimento, o que não é desejável, visto que a seleção de animais pela conversão alimentar poderia
Os maiores custos no sistema de produção de bovinos de
resultar na escolha de animais que seriam mais pesados a
corte são a alimentação e o valor da propriedade. De acordo com
cada geração (HERD & BISHOP, 2000), com isso aumentando a
a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA, 2021),
exigência nutricional.
os gastos com a suplementação mineral ofertada aos animais
Medidas alternativas de mensuração da eficiência
atingiram valores mais altos em 2020. Nos sistemas de Cria, essa
alimentar têm sido discutidas, como forma de contornar esses
26
inconvenientes. Assim, a seleção baseada no consumo alimentar
eficiente, sem que outras características produtivas sejam
residual (CAR), sugerido inicialmente por Koch et al. (1963), tem
afetadas, são essenciais para evolução econômica do sistema de
sido bastante avaliada. Esta medida pode somar, juntamente
produção.
com outras medidas de eficiência, na melhoria do sistema de
Baseados em resultados da avaliação econômica de
produção de bovinos de corte, que visa a redução do consumo
modelos de melhoramento genético de bovinos de corte, Archer
de alimentos sem alterar o desempenho e o crescimento dos
et al. (2004) concluíram que a seleção deve ser feita em duas
animais. Essa também é uma alternativa viável pela busca por
fases. Na estratégia de seleção, todos os animais são avaliados
maior lucratividade, principalmente pela redução dos custos de
primeiramente para características de crescimento. Após essa
produção, devido ao menor consumo de alimento dos animais
fase, para se alcançar lucratividade máxima, cerca de 10-20%
classificados em baixo consumo alimentar residual.
dos touros classificados devem ser submetidos à avaliação
O consumo alimentar residual é definido como a
da eficiência alimentar através da mensuração do CAR. Os
diferença entre o consumo de matéria seca observado e o
resultados devem ser incorporados a um índice de características
consumo estimado por uma equação de regressão, que leva em
múltiplas para seleção final dos futuros reprodutores.
consideração o peso médio metabólico e o ganho médio diário
Atualmente, no Brasil, somente dois programas de
de cada animal, durante o período do teste, e é independente
melhoramento genético como o Instituto de Zootecnia (IZ) e a
do peso e da taxa de crescimento dos animais (ARTHUR et
Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) tem
al., 2001). Sendo assim, animais com baixo CAR apresentam
realizado as avaliações genéticas dos rebanhos, com predição de
consumo observado menor que o estimado para o mesmo
DEPs, e publicação de Sumário de Touros, para as características
desempenho produtivo, sendo, portanto, considerados mais
de eficiência alimentar em bovinos de corte.
eficientes. O inverso ocorre com animais de alto CAR, os quais apresentam consumo observado maior do que o estimado e são considerados ineficientes.
Antes de chegar ao processo de seleção dos animais mais eficientes, de acordo com a ANCP, primeiramente são selecionados por diversas características, como peso ao nascer,
A medição e a previsão do CAR ganharam popularidade
peso aos 120 e aos 210 dias, peso aos 365 e aos 450 dias, peso
como uma ferramenta de seleção para melhorar a eficiência
adulto, altura, área de olho de lombo, acabamento de carcaça
alimentar em bovinos de corte. Assim, a seleção para CAR
(espessura de gordura na garupa e espessura de gordura entre
pode apresentar uma oportunidade de reduzir os custos de
12° e 13° costelas), marmoreio, maciez da carne, peso da carcaça
alimentação ao longo de toda a cadeia de produção de bovinos.
quente, peso da porção comestível, frame, ingestão de matéria
Diante do exposto, objetivou-se com este estudo abordar
seca, estrutura corporal ao desmame e ao sobreano (altura
o consumo alimentar residual como medida de eficiência
e o comprimento do animal), precocidade ao desmame e ao
alimentar e os impactos da sua utilização na bovinocultura de
sobreano, musculosidade ao desmame e ao sobreano, além das
corte.
características de reprodução e fertilidade. Após a pré-seleção, os animais passam pelo teste de
DESENVOLVIMENTO Fases da seleção de touros para eficiência alimentar
eficiência alimentar, que no Brasil, existem dois equipamentos eletrônicos de mensuração individual de consumo de alimentos, o GrowSafe® (GrowSafe Systems LTD., Canadá) e o Intergado® (Intergado LTD, Minas Gerais, Brasil), os quais são utilizados tanto para pesquisas como em criatórios de seleção genética.
Projetos de seleção genética destinados a triar bovinos
O sistema da empresa Intergado® possui cochos, bebedouros
que possam converter os alimentos em carne de forma mais
e balanças eletrônicas, e é permitido que apenas um animal
27
acesse o cocho e se alimente de cada vez. Nesse sistema, os
progênie (DEP) para essas características. O estudo levantou
animais são identificados através da utilização de brincos
importantes conhecimentos da regulação biológica das
eletrônicos que emitem sinais enviados via antena acopladas na
características indicadoras da eficiência alimentar, como
lateral dos cochos e bebedouros. Esses equipamentos possuem
genes, marcadores moleculares e vias metabólicas associadas
comedouros que ficam apoiados sobre células de carga,
a expressão fenotípica destas. As análises de enriquecimento
possibilitando o registro eletrônico do alimento consumido
mostraram genes associados ao metabolismo de insulina,
por cada animal. Assim as informações são disponibilizadas
leptina, glicose, proteína e lipídeo, balanço de energia, estresse
em tempo real, as quais são registradas e enviadas para o
oxidativo, sistemas zinc fingers, secreção biliar, saciedade,
computador central do sistema. O sistema eletrônico GrowSafe®
comportamento alimentar, salivação, digestão e absorção
identifica a presença ou ausência de um animal nos cochos
de nutrientes. A identificação das regiões genômicas e seus
eletrônicos por uma antena de leitura que é instalada dentro
respectivos genes fornecem informações sobre bases genéticas
do cocho, a qual é detectada através de brincos eletrônicos,
e regulação biológica da eficiência alimentar em bovinos Nelore
de maneira semelhante ao sistema da Intergado. Assim, o
(BRUNES et al. 2021). Essas informações estão sendo utilizadas
sistema monitora todas as vezes que o animal acessa o cocho,
para a inclusão da eficiência alimentar como critério de seleção
contabilizando a duração, a quantidade de vezes que alimenta,
em rebanhos de bovinos Nelore, inclusive com o uso da DEP para
a quantidade total do alimento consumido e o comportamento
CAR, disponibilizada para os animais avaliados pela ANCP.
ingestivo dos animais durante 24 horas por dia, e é sincronizado a um sistema central para registro das informações. Posteriormente, para o cálculo do CAR, leva-se em consideração o consumo de matéria seca observado e o
Ganhos com uso de touros selecionados para CAR
estimado (obtido por equação de regressão considerando o consumo de matéria seca observado como variável dependente
A eficiência alimentar exerce grande impacto sobre
e o peso médio metabólico e o ganho de peso médio diário dos
a lucratividade da pecuária, portanto, é essencial a busca
animais como variáveis independentes, GUIMARÃES et al. 2020).
por animais cada vez mais eficientes no aproveitamento dos
Com isso, os animais podem ser classificados em baixo CAR
alimentos. Melhorar a eficiência alimentar do rebanho bovino de
(mais eficientes), alto CAR (menos eficientes).
corte pode significar grande economia para os produtores. Uma
Recentemente foi publicado um estudo pioneiro na raça Nelore, validando ferramentas genéticas e genômicas para eficiência alimentar (BRUNES et al. 2021). De acordo com
maneira de alcançar esse objetivo é selecionar touros, uma vez que a disseminação da característica genética desejada é mais rápida e eficiente.
os pesquisadores, os métodos de predição genômica podem
Pesquisadores concluíram que a mensuração do CAR em
fornecer estimativas confiáveis dos valores genômicos para
tourinhos é economicamente lucrativa para todos os sistemas
consumo alimentar residual (CAR), consumo de matéria seca
de produção de carne bovina, tanto em condições extensivas de
(CMS), ganho em peso residual (GPR), consumo e ganho em
pastejo, como em terminação no confinamento utilizando-se
peso residual (CGR), características que podem ter maior
dietas de alto nível de concentrado (ARCHER et al. 2001). Melhoria
ganho genético e viabilidade de seleção comparada a eficiência
de 5% na eficiência alimentar dos animais poderia resultar
alimentar (EA) e conversão alimentar (CA).
em economia quatro vezes maior nos custos de alimentação
Neste trabalho foram identificados modelos de predição e esquemas de validação utilizados para obter o valor genômico e, consequentemente, a diferença esperada na
quando comparada à economia gerada pelo aumento de 5% no ganho de peso médio diário (OKINE et al. 2004). Nascimento et al. (2015) verificaram que o lucro foi positivamente correlacionado com o CAR, ou seja, animais
28
mais eficientes reduziram o custo de produção, o que resultou
dia-1), consumiram menos alimento (9,2 versus 9,8 kg dia-1) e
na lucratividade. No experimento, 23 % dos animais foram
tiveram menor CA (7,0 versus 7,6) em relação aos animais cujos
classificados como eficientes e esses apresentaram o custo
pais apresentaram alto CAR, embora GMD e peso corporal dos
da arroba produzida pelo menos 4,8% menor em relação aos
novilhos fossem semelhantes. Os autores concluíram que a
animais classificados como menos eficientes.
seleção para menor CAR irá melhorar a eficiência alimentar e a
De acordo com Medeiros et al., (2013) apesar dos índices
rentabilidade da progênie em confinamento.
desfavoráveis, as correlações positivas do CAR com lucro
Em estudo com novilhos de raças europeias, Herd et
aumentam à medida que o custo da alimentação é maior, e
al. (2004) determinaram consumo em pastagem de qualidade
demonstra maior vantagem quando comparado ao aumento
média, e demonstraram que as progênies de animais com
do peso corporal adulto de um rebanho selecionado para outras
avaliação genética favorável para CAR de -1,0 kg dia-1 em
características de eficiência, como a conversão alimentar.
confinamento cresceram 19% mais rápido, sem aumento no consumo de alimento, tiveram CAR 26% inferior, e CA 41% melhor em relação às progênies de touros de alto CAR.
Respostas à seleção para consumo alimentar residual
Herd et al. (2003) avaliaram novilhas na desmama selecionadas pelo CAR. Os autores observaram que esses animais também foram mais eficientes para o CAR na maturidade e
O consumo de matéria seca de tourinhos Nelore
apresentaram menor consumo de matéria seca. Também foi
confinados, com CAR negativo (CAR= -0,76 kg dia-1) foi 1,3 kg dia-1
observada alta correlação (r= 98) do CAR na desmama com o
menor, representando redução de 13,7%, do que o consumo dos
CAR dos animais adultos. Portanto, os autores concluíram que
animais com CAR positivo (CAR= 0,62 kg dia-1), com peso corporal
a seleção de animais para melhor CAR na desmama resulta em
e ganho de peso similar (GUIMARÃES et al., 2020).
animais mais eficientes na maturidade.
Em estudo australiano, touros e fêmeas de reposição
Os benefícios para seleção baseada no CAR foram
da raça Angus foram classificados divergentemente para
demonstrados por Arthur et al. (1997), os quais relataram que
alto e baixo CAR durante cinco anos (cerca de duas gerações).
animais mais eficientes consumiram, em média 13,5% menos
Diferenças entre as duas linhas de seleção foi relatada com
alimento que o estimado, e que os menos eficientes consumiram
respostas diretas para CAR equivalente a 0,25 kg/dia por ano
14% mais que o estimado.
(ARTHUR et al., 2001b). Progênie de pais classificados para baixo CAR foram semelhantes em comparação à progênie de pais selecionados para alto CAR para peso vivo ao sobreano com média de 382,5 kg, e GMD com média de 1,42 kg dia-1. Porém, progênies de baixo CAR apresentaram consumo de alimento 11,3% (9,38 versus 10,56 kg de MS) menor e melhor conversão alimentar (6,6 versus 7,8) do que os filhos de pais de alto CAR. Isto representou economia de 15% de alimento por quilo de ganho em apenas duas gerações. Richardson et al. (1998) avaliaram a eficiência alimentar de novilhos alimentados em confinamento após uma única geração de seleção divergente para CAR. Os filhos de touros de baixo CAR apresentaram CAR inferior (-0,20 versus 0,17 kg
Conforme estimativas de Lanna & Almeida (2004), assumindo desvio-padrão fenotípico de 1,05 kg de MS/dia, herdabilidade de 34%, intervalo de gerações de cinco anos e intensidade de seleção de 5% para machos e 50% para fêmeas, estimaram ganho genético anual na redução do consumo de 0,102 kg de MS dia-1. Portanto, a cada ano de seleção os animais consumiriam 1,3% menos alimentos com o mesmo desempenho. A seleção genética para baixo CAR pode resultar em progênies que consomem menos sem o sacrifício do desempenho animal (HERD et al., 2003). A seleção é ainda mais relevante, quando se constata que a redução do consumo de alimentos, bem como a redução na geração de poluentes (esterco, metano, etc.) por unidade de carne produzida, são
29
necessidades tanto do ponto de vista econômico, quanto no de
ARTHUR, P. F.; ARCHER, J. A.; JOHNSTON, D. J.; HERD, R. M.;
marketing da carne bovina (BASARAB et al., 2003). Resultados
RICHARDSON, E. C. & PARNELL, P. F. Genetic and phenotypic
de Nkrumah et al. (2006) demonstraram produção de metano
variance and covariance components for feed intake, feed
28% menor em animais de baixo CAR. Em relação à produção
efficiency and other postweaning traits in Angus cattle. Journal
de esterco, animais mais eficientes produziram 24 kg dia contra
of Animal Science, Champaingn, v.79, p.2805-2811, 2001a.
-1
26,5 kg dia produzidos pelos menos eficientes (OKINE et al., -1
2003).
ARTHUR, P.F., J.A. ARCHER, R.M. HERD AND G.J. MELVILLE. 2001. Response to selection for net feed intake in beef cattle. In: THE
CONCLUSÃO
ASSOCIATION FOR THE ADVANCEMENT OF ANIMAL BREEDING,
O aumento da eficiência produtiva é essencial para
14, 2001, Queenstown, New Zealand. Proceedings… Queenstown:
a continuação da pecuária, pois está diretamente associado
Association for the Advancement of Animal Breeding and
à rentabilidade do sistema de produção, e exerce grande
Genetics, v. 14, p.135-138, 2001b.
impacto sobre a lucratividade da pecuária e, isso pode significar grande economia para os produtores. Os métodos de predição
ARTHUR, P.F.; ARCHER, JA; HERD, RM; RICHARDSON, EC;
genômica, estimativas confiáveis dos valores de consumo
EXTON, SC; WRIGHT, JH; DIBLEY, KCP; BURTON, DA. Genetic and
alimentar residual já são realidade, e já estão disponíveis no
phenotypic variation in feed intake, feed efficiency and growth
mercado o sêmen de touros com DEP estimadas para o CAR.
in beef cattle. In: THE ASSOCIATION FOR THE ADVANCEMENT
Atualmente pode ser encontrado sêmen de touros de
OF ANIMAL BREEDING AND GENETICS,12.,1997, Queenstown,
origem taurina e zebuína de corte selecionados para eficiência
New Zealand. Proceedings… Queenstown: Association for the
alimentar, basta consultar os catálogos disponíveis no mercado.
Advancement of Animal Breeding and Genetics, v.12, p.234-237,
Os programas de melhoramento genético do Instituto de
1997.
Zootecnia e da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores tem realizado as avaliações genéticas dos rebanhos, com predição de DEPs, e publicação de Sumário de Touros, para as características de eficiência alimentar em bovinos de corte.
BASARAB, J.A; PRICE, M.A.; AALHUS, J.L.; OKINE, E.K.; SNELLING, W.M.; LYLE, K.L. Residual feed intake and body composition in young growing cattle. Canadian Journal of Animal Science, Ottawa, v. 83, n.2, p. 189-204, 2003. BRUNES, L.C; BALDI, F.; LOPES, F.B.; LOBO, R.B.; ESPIGOLAN. R.;
REFERÊNCIAS
COSTA, M.F.O.; STAFUZZA, N.B.; MAGNABOSCO, C.U. Weighted
ARCHER, J.A., HERD, R.M.; ARTHUR, P.F. Feed efficiency in
single‐step genome‐wide association study and pathway
beef cattle. In: FEED EFFICIENCY WORKSHOP, 2001, Armidale. Proceedings... Armidale: Cooperative Research Centre for Cattle
analyses for feed efficiency traits in Nellore cattle. Journal of Animal Breeding and Genetics, v. 138, n. 1, p. 23-44, 2021.
and Beef Quality, p. 1-107, 2001. CNA, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Apesar da ARCHER, J.A.; BARWICK, S.A.; GRASER, H.U. Economic evaluation of beef cattle breeding schemes incorporating performance testing of young bulls for feed intake. Australian Journal of Agricultural Research, v.44, p.393-404, 2004.
valorização do boi gordo os custos de produção na pecuária de corte mereceram destaque em 2020, Boletim Campo Futuro. Disponível em:
<://cnabrasil.org.br/publicacoes/apesar-da-valorizacao-
do-boi-gordo-os-custos-de-producao-na-pecuaria-de-cortemereceram-destaque-em-2020>. Acesso em: 25 set. 2022.
30
GUIMARAES, T. P.; RESTLE, J.; MOREIRA, K. K. G.; NETO, F.; SOUZA,
NASCIMENTO, C. F.; BRANCO, R. H.; BONILHA, S. F. M.; CYRILLO,
L. F. N.; MORAES, E. G. & FERNANDES, J. J. R. Temperament and
J. N. S. G.; NEGRÃO, J. A. & MERCADANTE, M. E. Z. Residual feed
performance of Nellore bulls classified for residual feed intake
intake and blood variables in young Nellore cattle. Journal of
in a feedlot system. Anais da Academia Brasileira de Ciências, v.
Animal Science, v. 93, n. 3, p. 1318-1326, 2015.
92, n. 3, 2020. NKRUMAH, J. D.; OKINE, E. K.; MATHISON, G. W.; SCHMID, K.; HERD, R.M.; BISHOP, S.C. Genetic variation in residual feed
LI C.; BASARAB, J. A.; PRICE, M. A.; WANG, Z. & MOORE, S. S.
intake and its association with other production traits in British
Relationships of feedlot feed efficiency, performance, and
Hereford cattle. Livestock Production Science, v.63, p.111-119,
feeding behavior with metabolic rate, methane production, and
2000.
energy partitioning in beef cattle. Journal of Animal Science, v. 84, p. 145–153, 2006.
HERD, R.M.; ARCHER, J.A.; ARTHUR, P.F. Reducing the cost of beef production through genetic improvement in residual feed
OKINE, E. K.; BASARAB, J. A; GOONEWARDENE, V L. A.; ARTHUR
intake: Opportunity and challenges to application. Journal of
P. F. Residual feed intake – What is it and how does it differ from
Animal Science, v. 81, p. E9-E17, 2003.
traditional concepts of feed utilization. Proceedings… Saskatoon: Canadian Society of Animal Science Conference, 2003. p.10-13.
HERD, R. M.; DICKER, R. W.; ODDY, V. H.; JOHNSTON, D. J.; HAMMOND, A. J. & LEE, G. J. Steer growth and feed efficiency on
OKINE, E.K.; BASARAB, J.A.; GOONEWARDENE, L.A.; MIR,
pasture are favourably associated with genetic variation in sire
P. Residual feed intake and feed efficiency: Differences and
net feed intake. Animal Production Australia, v.25, p.93-96, 2004.
Implications. Florida Ruminant Nutrition Symposium, p. 27-38, 2004.
KOCH, R.M.; SWIGER, L.A.; CHAMBERS, D.; GREGORY, K.E.
PACHECO, P. S.; RESTLE, J.; VAZ, F. N.; FREITAS, A. K.; PADUA, J.
Efficiency of feed use in beef cattle. Journal of Animal Science,
T.; NEUMANN, M.; ARBOITTE, M. Z. Avaliação econômica da
v.22, p.486-494, 1963.
terminação em confinamento de novilhos jovens e superjovens de diferentes grupos genéticos. Revista Brasileira de Zootecnia,
LANNA, D.P.D. & ALMEIDA, R. Exigências nutricionais e
v. 35, n. 1, p. 309-320, 2006.
melhoramento genético para eficiência alimentar: Experiências e lições para um projeto nacional. In: REUNIÃO ANUAL DA
RESTLE, J.; PACHECO, P. S.; COSTA, E. C.; FREITAS, A. K.; VAZ, F.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 41, 2004, Campo
N.; BRONDANI, I. L.; FERNANDES, J. J. R. Apreciação econômica
Grande. Anais... Campo Grande: SBZ, p.248-259, 2004.
da terminação em confinamento de novilhos Red Angus superjovens abatidos com diferentes pesos. Revista Brasileira de
MEDEIROS, S.R.; GOMES, R.C.; NASCIMENTO, M.L.; ALBERTINI,
Zootecnia, v. 36, n. 4, p. 978-986, 2007.
T. Z.; SOUZA, A. R. D. L.; REIS, S. F. D. & LANNA, D. P. D. Eficiência Nutricional: Chave para a produção sustentável de carne bovina. In:
RICHARDSON, E.C.; HERD, R.M.; ARCHER, J.A.; WOODGATE,
Melhoramento genético aplicado em gado de corte: Programa
R.T.; ARTHUR, P.F. Steers bred for improved net feed efficiency
Geneplus – Embrapa. Embrapa Gado de Corte, 2013, 1.ed, p.61-74.
eat less for the same feedlot performance. Animal Production in Australia, v. 22, p. 213–216, 1998.
31
Anexo I: Exemplo de catalago de touro da raça Braford selecionado para CAR
32
Anexo II: Exemplo de catalogo de touro da raça Nelore selecionado para CAR.
33
Anexo II: Exemplo de catalogo de touro da raça Nelore selecionado para CAR.
34
SUBSTITUIÇÃO DO MILHO POR MILHETO NA DIETA DE BOVINOS – UMA REVISÃO LOPES1, Ana Carolina Miranda; RAFAEL2, Maisa Fernanda Villas Boas; ASSIS3, Rafael Vaz de; BARBOSA4, Lucas Yuri da Silva; SANTOS5, Lucas Henrique Ferreira; SILVA6, Rodrigo Medeiros Médica Veterinária, Aluna do PPG, Mestrado Profissional em Produção Animal e Forragicultura, UEG, Câmpus Oeste - Sede São Luís de Montes Belos-GO, Brasil. E-mail: carrolmlp@gmail.com 2 Zootecnista, Aluna do PPG, Mestrado Profissional em Produção Animal e Forragicultura, UEG, Câmpus Oeste - Sede São Luís de Montes Belos-GO, Brasil. E-mail: maisavillasboas@hotmail.com 3 Médico Veterinário, Aluno do PPG, Mestrado Profissional em Produção Animal e Forragicultura, UEG, Câmpus Oeste - Sede São Luís de Montes Belos-GO, Brasil. E-mail: rafaelvazD@hotmail.com 4 Zootecnista, Aluno do PPG, Mestrado Profissional em Produção Animal e Forragicultura, UEG, Câmpus Oeste Sede São Luís de Montes Belos-GO, Brasil. E-mail: lucasyuri. sb@gmail.com 5 Zootecnista, Aluno do PPG, Mestrado Profissional em Produção Animal e Forragicultura, UEG, Câmpus Oeste - Sede São Luís de Montes Belos-GO, Brasil. E-mail: lucashenriquezoo29@gmail.com 6 Prof. Dr., Curso de Zootecnia e Mestrado Profissional em Produção Animal e Forragicultura, Câmpus Oeste - Sede São Luís de Montes Belos, Universidade Estadual de Goiás, UEG, rodrigo.medeiros@ueg.br 1
INTRODUÇÃO
bovina (ABIEC, 2022). Os sistemas de produção de carne bovina no Brasil têm sido pressionados para alcançar maiores índices de produtividade, aumentando a relação produção e reprodução, produzindo o maior número por área. Contudo, há a necessidade da utilização de alimentos concentrados e de pastagens bem manejadas (CARDOSO et al., 2013). Diante da escala de produção são elaborados sistemas alternativos, entre eles o confinamento, onde se intensifica o aumento da taxa de desfrute. Animais são terminados em períodos secos com pouca disponibilidade de forragens em sistemas de confinamentos e ou semiconfinamentos, também a utilização de integração lavoura e pecuária que possibilita o aumento da área equivalente na terra para produção de grãos e área de pastejo, produzindo bovinos de corte no período entressafra de forma cultural, ambos almejam o mesmo objetivo, aumentar o giro de capital (BERGAMASCHINE et al., 2011). A dieta de bovinos possui algumas alternativas de ingredientes, dentre eles se destacam o milho, farelo de soja, milheto, entre outros. O milho é considerado um cereal de grande utilidade na produção de suprimento na alimentação de ruminantes. Considerado de alto poder nutritivo e qualidade nutricional. Recentemente devido ao preço dos insumos, máquinas, implementos houve um aumento no
O Brasil com seu alto potencial produtivo, produz bovinos de corte em grande escala, o que vem classificando-o
custo de produção, além de, a cotação do milho que é regida pelo mercado internacional (ANSCHAU et al., 2019).
como um dos maiores países produtor e exportador de carne
O milho além de ser utilizado na alimentação humana
35
e de outras espécies animais também tem sido utilizado em
METODOLOGIA
escala crescente em produção de biocombustíveis. A maior usina produtora de etanol de milho no país se encontra no Mato Grosso, sendo o maior estado produtor, responsável por 77% da produção com 10 usinas. O estado do Goiás possui cinco usinas, São Paulo e Paraná uma cada (NEVES et al., 2021). Devido à elevação dos preços, tem-se buscado alternativa que possa substituir o uso do milho sem afetar a produção dos animais (SILVA et al., 2014).
A metodologia baseou-se em buscas bibliográficas no Google Acadêmico e Scielo, fundamentadas em conteúdos qualitativos relacionados ao tema, no intuito de adquirir informações importantes relacionadas. Consulta dos dados disponibilizados em portais referências no estado do Goiás com envolvimento direcionado ao produtor rural. As instituições selecionadas foram: Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG) e Companhia
O milheto é uma das culturas importantes nas
Nacional de Abastecimento (CONAB).
regiões Centro-Oeste e Norte do país, tem ganhado espaço quando relacionado à substituição da cultura do milho, apresentando menor custo quando comparado com o milho
MILHETO
e contrapondo com seu valor nutricional (SILVA et al., 2014). É cultivado principalmente em sistema de plantio direto,
O Pennisetum americanum, conhecido popularmente
cultura de rotação, geralmente em sucessão ao cultivo
como milheto, é fonte enérgica na alimentação animal que
da soja. Característica essa que faz com que em algumas
vem se destacando cada vez mais, tem utilização maior no
épocas do ano ocorra grande disponibilidade de grãos para
plantio de safrinha por ser uma cultura anual, de fácil plantio
comercialização, com preços baixos, diminuindo os custos de
e manejo, necessita de baixa fertilidade de solo, possui boa
produção (FIRMIANO, 2011).
adaptação a escassez de chuvas, é atóxico independente do
O valor nutritivo do milheto pode apresentar
estágio vegetativo, podendo ser utilizado como forragem,
aumento entre 27 e 32% de proteína em relação ao milho e
silagem, feno e grãos. Possui crescimento rápido, porte
altas concentrações de aminoácidos essenciais, como: lisina,
ereto, atinge altura de 1 a 3 metros, período de vegetação é
treonina, metionina, cisteína e triptofano (NETTO, 1998).
em média de 120 a 150 dias. Com alta tolerância a pragas e
Os trabalhos realizados com a utilização dos grãos de milheto na alimentação de ruminantes demonstraram os benefícios da sua utilização como fonte de amido em dietas
doenças, boa produtividade de grãos e biomassa em média 1500 kg por hectare. (PEREIRA FILHO et al., 2009. SANTOS et al., 2002).
utilizadas nos sistemas intensivos ou semi-intensivos de
A utilização de milheto para ruminantes tem
produção (RIBEIRO et al., 2004). O milheto tem um perfil de
aumentado nos últimos anos devido as altas nos preços do
amido similar ao milho podendo substituí-lo em até 100%,
milho, a competição do milho com a alimentação humana e
com resultados positivos não impactando o consumo de
animais monogástricos, produção de biocombustível e pela
matéria seca e o padrão de fermentação ruminal, com boa
dificuldade de plantio do milho safrinha em algumas regiões
palatabilidade e aceitabilidade do animal (GONÇALVES et al.,
que sofrem com escassez de água, problema que já não
2010).
ocorre com a cultura do milheto (FRANÇA e MIYAGI, 2012). Diante do descrito, o presente trabalho objetivou
A produtividade de matéria seca do milheto safrinha
avaliar, através de uma revisão técnica científica, a
possui alta capacidade, em média 1500 kg por hectare mesmo
substituição do milho por milheto na dieta de bovinos de
em épocas com menor incidência pluviométrica, favorecendo
corte.
que o plantio dessa cultura seja ideal para regiões que sofrem
36
com falta de chuvas no período da seca (GUIMARÃES JUNIOR,
que aumentava a inclusão de milheto, podendo ser resultado
2006).
da alta digestibilidade desse amido no intestino delgado. Rostagno et al. (2005), analisaram a composição química do milheto comum, obtida em experimentos
SUBSTITUIÇÃO DE FONTES ENERGÉTICAS: MILHO X MILHETO
realizados no Brasil verificaram valores nutricionais superiores quando comparados com a composição nutricional do milho e outros grãos, com exceção da energia bruta. Os
O milheto possui fonte de energia com perfil de amido
autores encontraram valores de (3.894 para milho vs 3.925
similar ao milho, podendo substituí-lo em até 100%, sem
kcal/kg milheto), os teores de minerais do milheto comum e
impactar no consumo de matéria seca (MS) e no padrão de
do milho são semelhantes, principalmente, cálcio e fósforo
fermentação ruminal, de alta palatabilidade e aceitabilidade
disponível, 0,03% e 0,08%, respectivamente. Os resultados
(GONÇALVES et al., 2010).
das análises bromatológicas de outros trabalhos podem ser
Segundo Hill et al. (1996) o milheto possuí energia
observados na Tabela 1.
em média de 85% a 92%, semelhante a energia do milho,
Já Leão (2002) realizou um experimento para avaliar
podendo ser substituído na dieta e reduzindo custos como
o consumo de matéria seca, ganho de peso e conversão
fonte energética na alimentação.
alimentar de garrotes com idade de 24 a 30 meses, da raça
Bergamaschine et al., (2011), analisaram a substituição de grão de milho pelo grão de milheto, observou que a digestibilidade da matéria seca in sito, da matéria orgânica, proteína bruta, fibra em detergente neutro e ácido (FDN e FDA) não apresentaram alterações. No entanto, notaram que a digestibilidade do amido aumentou na mesma medida em
Guzerá, com peso vivo médio de 370 a 400 kg, confinados com dietas de milho substituído por milheto no concentrado. Não foi observada alteração no consumo de matéria seca, ganho de peso e conversão alimentar. Entretanto, a digestibilidade do extrato etéreo foi menor quando comparada com a dieta a base de milho.
Tabela 1. Composição bromatológica dos grãos de milho e milheto em diferentes trabalhos.
Fonte Milho PINHEIRO et al. (2003) RIBEIRO et al. (2004) PERON (2012) BERGAMASCHINE et al. (2011) Milheto PINHEIRO et al. (2003) RIBEIRO et al. (2004) PERON (2012) BERGAMASCHINE et al. (2011)
MS
PB
FDN
Energia
87,01 87,30 90,87
8,49 8,5 9,10 9,50
8,74 18,3 13,90 23,15
3312 kcal EM/kg MS 13,32 MJ EM/kg MS
87,04 88,60 92,05
11,60 15,2 12,90 14,80
20,75 18,7 18,90 21,55
3040 kcalEM/kg MS 12,00 MJ EM/kg MS
MS = matéria seca, %; PB = proteína bruta, %; FDN = fibra detergente neutro, % Fonte: SILVA (2013).
37
O milheto além de substituir o milho em até 100%
concluíram que utilizar milheto nas dietas de terminação
substitui também o farelo de soja. A possibilidade de
em confinamento não altera características de carcaça e
substituição do farelo de soja ocorre pelo maior percentual
melhora a relação dos ácidos graxos saturados e insaturados.
de proteína bruta do milheto quando comparado ao milho
Em dietas fornecidas com milho e milheto inteiros
(ROSTAGNO et al., 2005. VIANNA, 1982).
e moídos em confinamento, os grãos inteiros aumentam
Em acordo Bastos et al., (2005) em pesquisa com
o consumo de matéria seca quando comparado ao
três variantes de milheto, obtiveram maiores de teores de
moído, a moagem aumenta a superfície de contato dos
proteína bruta para milheto quando comparado ao milho,
microrganismos ao alimento e consequentemente a
visto que, os grãos de milheto são menores em tamanho e
digestibilidade, disponibilidade de energia e eficiência
possuem mais gérmen com maiores teores de proteína.
alimentar (CUNHA, 2016).
Ribeiro, Santos e Pires (2004), avaliaram a substituição
Benatti (2012) realizou experimento analisando a
do milho por milheto em vacas holandesas em lactação, com
utilização de milheto em grão e milheto moído para bovinos
uma dieta adaptada na proporção de 100:0; 75:25; 50:50; 25:75
com intuito de analisar o desempenho dos animais. Ao
e 0:100 para milheto e milho respectivamente. Encontraram
fornecer milheto moído para bovinos de corte, obteve
concentração de amido no milheto de 62% e de milho 72%. Já
como resultados, ganhos de 0,36 e 0,38 kg/cabeça/dia
para teores de proteína bruta encontraram 15% para milheto
quando comparado ao grão inteiro (0,22 e 0,24 kg/cabeça/dia
e 8% para milho. Obtiveram resultados positivos no teor de
respectivamente), enfatizando a importância da moagem
gordura e proteína do leite nos tratamentos com 25 e 75%
para melhor aproveitamento, absorção e digestibilidade dos
na substituição. A substituição de 100% apresentou menor
nutrientes.
teor de proteína, relacionaram esse resultado com a baixa quantidade de lisina presente no grão.
Ainda, de acordo Beauchemin et al. (1994) descreveram que o milheto em grão possui pericarpo íntegro
Silva et al. (2015) avaliaram características de carcaças de bovinos de corte mestiços com predominância
e de difícil digestão para ruminantes pois impede a completa adesão dos microrganismos ao alimento.
zebuínos e europeus, terminados em confinamento com
Allonso (2013) analisou a utilização de milheto como
dietas utilizando 80% de concentrado e substituiu o milho
fonte energética para bovinos a pasto. Obteve redução no
por milheto em teores de (0, 33, 66 e 100%) e não obteve
ganho médio de peso diário, ganho total e peso corporal
alteração nas características das carcaças.
final com a substituição do milho por milheto no suplemento
De acordo com Silva et al. (2014) ao avaliarem o perfil de ácidos graxos da carne de novilhos zebuínos e europeus
concentrado, sugerindo mais pesquisas na utilização do milheto a pasto.
terminados em confinamento com utilização de altos níveis
Em estudo com novilhas prenhes de idade de 14
de concentrado (80%), incluindo milheto nas proporções de
a 15 meses em pastejo de milheto, Pilau e Lobato (2008),
(0, 33, 66 e 100%) como fonte enérgica da dieta e visando
verificaram ganhos de 0,899 kg/dia/peso vivo comparando
a melhor rentabilidade econômica, tiveram os seguintes
com grupo controle de novilhas prenhes sob pastagens
resultados. A medida que se aumentou o nível de milheto
nativas durante o mesmo período, ganharam 0,377 kg/dia/
na dieta, elevou-se os teores de ácidos graxos araquídico,
peso vivo. Diante disso, a viabilidade da substituição é
linolênico, di-homo linolênico, heneicosanóico. Os tourinhos
favorável ao milheto, seja em pastagens ou grãos.
europeus tiveram carnes com menores quantidades dos ácidos mirístico (C14:0), heneicosanoico (C21:0) e linolênico (C18:3) comparado aos zebuínos portanto, os autores
38
VIABILIDADE ECONÔMICA DA SUBSTITUIÇÃO DO MILHO POR MILHETO
do milheto pelo milho na dieta de bovinos, reduzindo custo na dieta e alcançando resultados tão bons quanto quando a utilização do milho.
Silva et al. (2014) encontraram redução no custo total da dieta com o aumento do nível de milheto, decorrente da
CONSIDERAÇÕES FINAIS
redução no custo com insumos e tiveram aumento no lucro Diante das pesquisas realizadas pode-se observar
da terminação de novilhos em confinamento de R$ 0,675 para
que o milheto é uma excelente fonte energética e nutricional
cada ponto percentual acrescido de milheto na dieta. Peron, (2012), avaliou a substituição do milho pelo
na alimentação de bovinos. Durante os períodos escassos
milheto em dietas de ovinos confinados. Observou redução
de chuva pode ser forte aliado devido suas características,
no consumo de matéria seca diária relacionada a altos teores
podendo substituir em até 100% o milho na dieta, trazendo
de milhetos adicionados ao concentrado, explicado pela alta
viabilidade quanto ao custo e alcançando o objetivo final do
concentração de FDN e FDA que contêm no milheto. Afirma
sistema de produção. A utilização de milheto na dieta de ruminantes pode
que a inclusão de 100% de milheto em substituição ao milho
ser economicamente viável, rentável e biologicamente
reduziu 32% no custo total da dieta. Estudos demonstraram que o desempenho de animais alimentados com milheto foi semelhante a animais
similar na digestibilidade, consumo de matéria seca, conversão alimentar e ganho de peso.
alimentados com milho. Adicionalmente, não apresentaram
Considerando-se os custos dos alimentos durante
redução no consumo de matéria seca, redução de peso vivo,
esta revisão, a utilização de milheto em substituição ao milho
redução de ganho médio diário (HILL et al., 1996; GONÇALVES
em dietas de bovinos mostrou-se economicamente viável.
et al., 2010; SILVA et al., 2014). Silva et al., (2020) avaliaram a viabilidade econômica
REFERÊNCIAS
da substituição de milheto por milho em dietas de bezerros não castrados na proporção de substituição de 0, 33, 66 e 100% através da simulação de Monte Carlo. O estudo demonstrou que a substituição por milheto é viável e econômica, mostrou diferenças significativas (P<0,05) em todos os níveis de milheto. Observaram que a substituição de 100% do milho
ABIEC, 2022 - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS EXPORTADORAS DE CARNE – ABIEC. BEEF REFORT. Perfil da Pecuária no Brasil. Disponível em: https://www.abiec.com.br/ publicacoes/beef-report-2022/. Acesso em: 02 ago. 2022.
foi o melhor projeto de investimento por apresentou melhor viabilidade econômica e estatisticamente, revelou o melhor
ALONSO, M. P.; MORAES, E. H. B. K.; PINA, D. S.; PEREIRA, D. H.;
retorno em comparação com os demais níveis de substituição.
HOFFMAN, A.; SANSON, R. M. M.; WRUCK, F. J. Grão de milheto
Foram feitas cotações de milho e milheto em
em suplementos para terminação de bovinos de corte em
setembro de 2022 no Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG) e Companhia Nacional de
sistema de integração lavoura e pecuária. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, v. 14, p. 350-361, 2013.
Abastecimento (CONAB), obteve-se valores de milho R$ 73,49 e milheto R$ 56,00 diferença de 23,79% a menos no custo do
ANSCHAU, D. G.; GOES, R. H. T. B.; SILVA, N. G.; OLIVEIRA, S. S.;
milheto. Diante dos valores de mercado e das características
SABEDOT, M. A.; ANSCHAU, L. M.; ARAKI, H. M. C. In: Cinética de
do milheto, se torna economicamente viável a substituição
Degradação ruminal da Matéria Seca do Grão de Trigo e Farelo de
39
Trigo na Alimentação de Ruminantes. 8., 2019, Grande Dourados.
Protéica? Revista UFG, v. 13, n. 13, 2012.
Anais. Grande Dourados: UEMS, 2019. p.1 BASTOS, A. O.; MOREIRA, I, FURLAN, A. C.; FRAGA, A. L.; OLIVEIRA,
FIRMIANO, R. S. Uso do milheto como alternativa para alimentação
R. P.; OLIVEIRA, E. Composição química, digestibilidade dos
de ruminantes. Monografia (Graduaçao em Pós-graduação lato
nutrientes e da energia de diferentes milhetos (Pennisetum
senso em Produção e Utilização de Alimentos para Animais de
glaucum (L.) R. Brown) em suínos. Revista Brasileira de Zootecnia,
Interesse Zootécnico) Instituto Federal Goiano, Campus Ceres,
Viçosa, v.34, n.2, p.520-528, 2005.
2021. Disponível em: <https://repositorio.ifgoiano.edu.br/handle/ prefix/1923>. Acesso em: 7 de Set. 2022.
BEAUCHEMIN, KA et al. Efeitos da mastigação na digestão de grãos de cereais integrais por bovinos. Revista de Ciência Animal,
GONÇALVES, J. R. S.; PIRES, A. V.; SUSIN, I.; LIMA, L. G.; MENDES,
v. 72, n. 1, pág. 236-246, 1994.
C. Q.; FERREIRA, E. M. Substituição do grão de milho pelo grão de milheto em dietas contendo silagem de milho ou silagem
BENATTI, J. M. B.; MORAES, E. H. B. K.; ZERVOUDAKIS, J. T.;
de capim-elefante na alimentação de bovinos de corte. Revista
ARAUJO, C. V.; CABRAL, L. S.; JUNIOR, J. R.; CARVALHO, D. M. G.
Brasileira de Zootecnia, v. 39, p. 2032-2039, 2010.
Fornecimento de grão de milheto, inteiro ou triturado, em duas frequências de suplementação para bovinos de corte. Revista
GUIMARÃES JÚNIOR, R.; GONÇALVES, L.C.; RODRIGUES, J.A.S.;
Brasileira de Zootecnia, v. 41, p. 941-950, 2012.
JAYME, D.G.; PIRES, D.A.A.; BORGES, A.L.C.C.; RODRIGUEZ, N.M.; SALIBA, E.O.S.; BORGES, I. Matéria seca, proteína bruta,
BERGAMASCHINE, A. F.; FREITAS, R. V. L.; FILHO, W. V. V.; BASTOS,
nitrogênio amoniacal e pH das silagens de três genótipos de
J. F. P.; MELLO, S. Q. S.; CAMPOS, Z. R. Substituição do milho
milheto [Pennisetum glaucum (L). R. Br.] em diferentes períodos
e farelo de algodão pelo milheto no concentrado da dieta de
de fermentação. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, Sete Lagoas,
novilhos em confinamento. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 40,
v.4, n,2, p.251-258, 2006.
p. 154-159, 2011. HILL, G. M.; NEWTON, G. L.; STREETER, M. N.; HANNA, W. W.; CARDOSO, A. C.; MORAES, E. H. B. K.; OLIVEIRA, A. S.;
UTLEY, P. R.; MATHIS, M. J. Digestibilidade e utilização de dietas
ZERVOUDAKIS, J. T.; CABRAL. L. S.; SILVA, P. I. J. R.; SOCREPPA,
de milheto para bovinos de corte em terminação. Journal of
L. M. Substituição parcial do milho por fontes energéticas para
Animal Science, v. 74, n. 7, pág. 1728-1735, 1996.
bovinos de corte em pastejo. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.48, n.9, p. 1295-1302, 2013.
PEREIRA FILHO, I. A.; CRUZ, J. C.; FILHO, M. R. A. Cultivo do Milheto. Embrapa Milho e Sorgo. Sistemas de produção 3, ISSN
CUNHA, M. S. Terminação de machos de origem leiteira com dietas
1679-012X, Versão Eletrônica, 1ªedição Set./2009. Disponível em:
de milho ou milheto, inteiro ou moído. Dissertação (Mestrado
<https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/27392/1/
Acadêmico) - Universidade Federal do Tocantins – Campus
Plantio.pdf>. Acesso em: 29 Ago. 2022.
Universitário de Araguaína - Curso de Pós-Graduação (Mestrado) em Ciência Animal Tropical, 2016. Disponível em: <http://umbu.
LEÃO, R. V. Efeitos da substituição do grão de milho pelo de milheto
uft.edu.br/handle/11612/557>. Acesso em: 3 de Set. 2022.
(Pennisetum glaucum (L.) Br.) na digestibilidade dos nutrientes e
FRANÇA, A. F. S.; MIYAGI, E. S. Alternativas Alimentares
no desempenho de bovinos confinados. 2002. vii, 29 f. Dissertação
para animais no Cerrado- Milheto: Apenas uma solução
(mestrado) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de
40
Engenharia de Ilha Solteira, 2002. Disponível em: <http://hdl.
SILVA, R. M.; TAVEIRA, R. Z.; RESTLE, J.; FABRICIO, E. A.; CAMERA,
handle.net/11449/98647>. Acesso em: 10 Set. 2022.
A.; MAYSONNAVE, G. S.; BILEGO, U. O.; PACHECO, P. S.; VAZ, F. N. Economic analysis of the risk of replacig corn grins (Zea mays)
NETTO, D. A. M. A cultura do Milheto. Comunicado Técnico CT nº 11, Embrapa, Ago., 1998.
NEVES, M. F., MILAN, P., VALERIO, F. R., MARQUES, V. N., DELSIN, F. G., CAMBAÚVA, V., MARTÍNEZ, L. F., MOREIRA, M. M. R., ARANTES, S., TEIXEIRA, G. O. Etanol de Milho: Cenário Atual e Perspectivas para a cadeia no Brasil. Ribeirão Preto, SP: UNEM, 2021. Disponível em: <Etanol-de-Milho- no-Brasil-Fava-Neves-
with pearl millet grins (Pennisetum Glaucu) in the diet of feedlot cattle. Ciência Rural, Santa Maria, v.50, n.3, e20190443, 2020.
SILVA, R. M.; Características de carcaça e carne de novilhos de diferentes predominâncias de fontes de alimentação com dietas contendo níveis de substituição do grão de milho pelo grão de milheto. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 36, n. 2, p. 943960, mar./abr. 2015.
et-al- 2021_compressed.pdf>. Acesso em: 12 Set. 2022. SILVA, A. H. G.; RESTLE, J.; MISSIO, R. L.; BILEGO, U. O.; PERON, H. J. M. C. Inclusão de grão de milheto em dietas de alto concentrado para ovinos em confinamento. 2012. 59 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ciência Animal, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2012. Disponível em: <http://repositorio.bc.ufg.br/
FERNANDES, J. J. R.; REZENDE, P. L. P.; SILVA, R. M.; PEREIRA, M. L. R.; LINO, F. A. Milheto em substituição ao milho na dieta de novilhos confinados. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 35, n.4, p. 2077-2094, Jul./Ago. 2014.
tede/handle/tde/873>. Acesso em: 06 ago. 2022. SILVA, R. M., RESTLE, J.; MISSIO, R. L., LAGE, M. E.; PACHECO, PILAU, A.; LOBATO, J.F.P. Manejo de novilhas prenhes aos 13/15 meses de idade em sistema a pasto. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v.37, n.7, p. 1271-1279, 2008.
P. S.; BILEGO, U. O.; PADUA, J. T.; FAUSTO, D. A. Perfil de ácidos graxos da carne de novilhos europeus e zebuínos alimentados com milheto. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, 49, n.1, p.63-70, Jan. 2014.
PINHEIRO, M. S. M.; FIALHO, E. T.; LIMA, J. A. F.; FREITAS, R. T. F.; BERTECHINI, A. G.; SILVA, H. O. Milheto moído em substituição ao milho em rações para suínos em crescimento: digestibilidade e desempenho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, Sete Lagoas, v. 2. n. 2, p. 99-109, 2003.
RIBEIRO, C.V.M.; PIRES, A.V. Substituição do grão de milho pelo de milheto (Pennisetum americanum) na ração de vacas em lactação. Revista Brasileira de Zootecnia, v.33, n.5, p.1351-1359, 2004.
SILVA, R. M. Substituição do milho por milheto sobre as características de carcaça e carne de novilhos confinados de diferentes predominâncias genéticas. 2013. Tese (Doutorado) – Ciência Animal, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2013.
VIANNA, S. P. Utilização de milheto em rações para aves e suínos como alternativa energética para algumas regiões do semi-árido. In: IDA (Recife, PE). Cultura do milheto: Curso para extensionista agrícola. Fortaleza: BNB-ETENE, p.57-63, 1982.
ROSTAGNO, H.S.; ALBINO, L.F.T; DONZELE, J.L. Tabelas Brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais. 1.ed. Viçosa, MG: UFV, 2005. 186p.
41
ARTIGOS CIENTÍFICOS
SUPLEMENTAÇÃO DE VACAS DE CORTE NO PERÍODO DE TRANSIÇÃO ÁGUAS-SECA BILEGO1, Ubirajara Oliveira; NUÑEZ2, Amoracyr José Costa; ALMEIDA3, Dieimisson Paulo; LIMA3, Diego Tolentino de; NASCIMENTO3, Hemython Luis Bandeira do; RESTLE4, João Médico Veterinário, DSc, Pesquisador Veterinário II – CTC – COMIGO 2 Engenheiro Agrônomo, DSc, Professor Substituto – EVZ/ UFG 3 Engenheiro Agrônomo, DSc, Pesquisador Agronômico I – CTC - COMIGO 4 Engenheiro Agrônomo, PhD, Professor Voluntário do PPGZ – EVZ/UFG, Bolsista de Produtividade Sênior CNPq 1
Geralmente, a definição dos lotes de vacas para descarte é realizada após o diagnóstico de gestação negativo no final da estação reprodutiva. Após essa definição, é necessário realizar o planejamento da etapa final, ou terminação, caso elas não sejam comercializadas imediatamente. Em condições de pasto, esses animais podem demorar para atingir o peso e a condição ideal para abate. Nesse contexto, as vacas necessitam de atenção especial quanto à sanidade, manejo e nutrição para que obtenham melhores condições de abate e melhor remuneração ao produtor. Vale ressaltar que vacas tem elevada demanda energética de mantença e sua permanência nas fazendas
INTRODUÇÃO
sem o devido manejo pode comprometer a lucratividade do sistema. Outro fator importante é que as vacas são mais
A composição da renda nas fazendas de pecuária de corte do Brasil Central advém da venda de bezerros
reativas (estresse alto) e em geral tem maior dificuldade de adaptação às diferentes estratégias nutricionais.
desmamados, bois magros e/ou animais terminados, seja em confinamento ou em regime de pasto. Dentre esses animais, as fêmeas adultas ou fêmeas de descarte compõem parte considerável dessa renda, já que para obtenção de maior produtividade dos rebanhos, a reposição de parte das matrizes é necessária.
A época em que essas vacas são disponibilizadas para o abate coincide com mudanças climáticas muito evidentes na região Centro-Oeste, o que caracteriza o período de transição águas-seca. Nos meses do outono nessa região ocorrem reduções do fotoperíodo e das precipitações, com reflexos na luminosidade e temperatura que também
Segundo o IBGE (2022), no primeiro semestre de 2022
diminuem. Alterações na luminosidade e no fotoperíodo
foram abatidos 14,34 milhões de cabeças de bovinos no Brasil.
afetam o crescimento e a densidade da planta forrageira, bem
Desse total, cerca de 5,67 milhões de cabeças eram fêmeas,
como a quantidade de metabólitos oriundos da fotossíntese
ou seja, 39,55% do total abatido no período, dos quais apenas
e, consequentemente, o valor nutritivo da forragem (VAN
28% eram novilhas (fêmeas com menos de 24 meses), o que
SOEST, 1994; NASCIMENTO JÚNIOR et al., 2013). A temperatura
confirma a representatividade de vacas nas escalas de abate.
também provoca efeitos imediatos sobre os processos
43
bioquímicos como respiração e fotossíntese, além de efeitos
distribuídos. O período experimental iniciou-se em 29 de
físicos na transpiração da planta e, consequentemente,
abril de 2022 e teve duração de 60 dias, sendo que os sete
influencia a qualidade da forragem (NASCIMENTO JÚNIOR et
primeiros dias serviram para adaptação dos animais ao
al., 2013).
pasto, manejo e aos suplementos. Para minimizar os efeitos negativos da redução da
Para o fornecimento dos suplementos, os animais
oferta de forragem nos períodos em que ocorre escassez de
eram diariamente levados ao curral de manejo, localizado
alimento, os pecuaristas podem utilizar algumas ferramentas
ao lado da área de pastagem, separados por tratamento e
práticas e de baixo custo como o diferimento ou vedação de
alojados em baias coletivas com seis animais por baia, onde
parte das pastagens. Entretanto, essas pastagens diferidas
permaneciam das 10:00 h às 14:00 h. As baias eram equipadas
apresentam considerável oferta, mas com baixa qualidade
com cocho de concreto com disponibilidade de 1,2 m lineares
nutricional. Dessa maneira, para que se obtenha bom
para cada animal e bebedouro de concreto, com capacidade
desempenho animal, a utilização de pastagens diferidas deve
de 500 L e enchimento automático.
estar associada à suplementação alimentar para garantir a
Para a suplementação das vacas, foram utilizados
manutenção do crescimento e do ganho de peso dos bovinos
três suplementos comerciais: Cooperbeef Águas® (proteico-
(SILVA et al., 2009).
energético - PEA), Cooperbeef Seca® (proteico-energético
Diante do exposto, objetivou-se avaliar os efeitos de
- PES) e o Cooper Recria 60 Cr + Na® (mineral), descritos na
duas estratégias de suplementação (mineral ou proteico-
Tabela 1. O consumo do suplemento mineral foi estimado em
energética) para vacas de corte de descarte no período
0,05% e do suplemento PE em 0,6% do peso corporal médio
de transição águas-seca sobre o desempenho, medidas
dos animais. Ao término do fornecimento diário, os animais
morfométricas e características de carcaça avaliadas por
eram reconduzidos ao pasto. As sobras eram pesadas
ultrassonografia.
diariamente e o consumo médio diário de suplemento foi determinado pela diferença entre a quantidade fornecida e as sobras. A utilização de dois suplementos para o grupo
MATERIAL E MÉTODOS
PE teve como objetivo adequar os níveis nutricionais do suplemento à qualidade da forragem, que sofreu alterações
O experimento foi conduzido no Setor de Pecuária do Centro Tecnológico COMIGO da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano – COMIGO (CTC), localizado na microrregião Sudeste do estado de Goiás, no município de Rio Verde (latitude Sul 17° 47’ 53”, longitude Oeste 51° 55’ 53” e altitude média de 815 m). Foram utilizadas 95 vacas Nelore, com idade média de 73 meses e peso corporal médio de 327 ± 54 kg. Antes do início do período experimental, os animais foram vacinados contra clostridioses, desverminados e identificados. Após a identificação, os animais foram pesados, casualizados e distribuídos aleatoriamente em dois grupos experimentais: grupo (M), que recebeu suplementação mineral; grupo (PE), que recebeu suplemento proteico-energético. O grupo M possuía 48 e o grupo PE 47 animais, uniformemente
44
no período de transição, com perda de qualidade e elevação do teor de fibra em sua composição.
Tabela 1. Níveis de garantia por kg de cada produto utilizado no experimento.
Ingrediente Cálcio (mín.), g Cálcio (máx.), g Fósforo, g Sódio, g Magnésio, mg Enxofre, mg Cobre, mg Manganês, mg Zinco, mg Cobalto, mg Iodo, mg Selênio, mg Flúor, mg Vit. A, UI Vit. D, UI Vit. E, UI NDT, g PB, g NNP, g Cromo Orgânico, mg Narasina, mg Monensina sódica, mg Virginiamicina, mg Consumo UA-1 dia-1, g
Cooperbeef Águas®
Cooperbeef Seca®
30,00 40,00 9,00 27,00 1,80 4,00 120,00 65,00 360,00 10,00 10,00 1,60 0,05 20.000,00 4.000,00 1,30 680,00 100,00 21,30
21,00 35,00 10,00 20,00 1650,00 5,00 188,00 100,00 578,00 16,00 16,50 2,50 0,06 40.000,00 8.000,00 2,66 650,00 250,00 180,00
Cooper Recria 60 Cr + NA® 95,00 145,00 45,00 140,00 5000,00 18,00 540,00 455,60 1234,00 20,25 33,75 8,43 0,03
2,70 900,00 80,00 30,00 1.000,00
80,00 30,00 1.000,00
125,00
Cr= Cromo; NA= narasina; NDT= nutrientes digestíveis totais; PB= proteína bruta; NNP= nitrogêncio não-protéico; UA= unidade animal (450 kg de peso corporal). FONTE: Suplemento Mineral COMIGO Os animais foram manejados em pasto constituído
com taxa de lotação rotativa, utilizando-se das medidas de
por dois módulos de grama Tifton-85 (Cynodon dactylon),
altura de entrada e de saída do pasto para as mudanças de
diferido por 50 dias, com área total de 11 hectares dividida
piquetes. Para as avaliações da composição bromatológica
em 17 piquetes. Na área de lazer, comum a todos os
considerou-se cada mês como um ciclo de avaliações (maio
piquetes, havia presença de bebedouros de metal com
= ciclo 1; e junho = ciclo 2). As amostras para as análises de
enchimento automático. Antes do início do experimento,
composição bromatológica eram colhidas imediatamente
em 08/03/2022, a área recebeu uma adubação de cobertura
antes da entrada dos animais no piquete. Após colhidas,
com o fertilizante formulado NPK (20-00-20), na dosagem de
as amostras eram acondicionadas em sacos plásticos,
150 kg ha . O sistema de pastejo utilizado foi o intermitente
identificadas e congeladas. No final de cada ciclo as amostras
-1
45
foram enviadas ao laboratório 3rlab (Goiânia/GO) para as
relação à coluna vertebral. Para garantir o melhor contato da
análises de composição bromatológica.
sonda com o corpo do animal utilizou-se óleo vegetal como
Para as avaliações do desempenho, foram realizadas
acoplante acústico. Todas as avaliações foram realizadas
pesagens a cada 21 dias, com as pesagens iniciais e finais
pela empresa DGT Brasil Ltda, por técnicos treinados e
sempre realizadas com os animais em jejum prévio de sólidos
credenciados pela UCG. Posteriormente, as imagens foram
de no mínimo 16h. No momento inicial e final também foram
interpretadas, analisadas, certificadas e arquivadas pelo
realizadas a aferições das medidas morfométricas e de
técnico da DGT Brasil e, em seguida, o relatório final foi
escore de condição corporal.
encaminhado ao Setor de Pecuária do CTC COMIGO.
As mensurações das medidas morfométricas foram
O delineamento experimental adotado foi o
realizadas no início e no fim do período experimental com
inteiramente casualizado, com dois tratamentos (estratégias
uso de fita métrica e bengala hipométrica. As mensurações
de suplementação). Os dados foram submetidos à análise de
realizadas foram: altura da garupa (AG) - distância entre a
variância, sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey a
tuberosidade sacral, na garupa, e a extremidade distal do
5% de probabilidade. Para as análises de escore de condição
membro posterior; altura da cernelha (AC) - distância entre
corporal, os dados foram comparados através do teste de
a região da cernelha e a extremidade distal do membro
Kruskal-Wallis, ao nível de 5% de probabilidade. Para a
anterior; comprimento corporal (CC) - medida que vai da
análise estatística dos dados utilizou-se o pacote estatístico
articulação escapulo-umeral à articulação coxofemoral e
easyanova (ARNHOLD, 2013) e para as análises dos pesos
perímetro torácico (PT) - perímetro tomando-se como base o
através das curvas de crescimento utilizou-se o modelo de
esterno e a cernelha, passando por trás da paleta.
regressão não linear (logístico) do pacote estatístico easyreg
As características de carcaça foram avaliadas com auxílio de equipamento de ultrassonografia (ALOKA 500V), em tempo real, com transdutor linear de 17,2 cm e 3,5 MHz e acoplador acústico. Foram avaliadas área de olho de lombo
(ARNHOLD, 2018), do programa computacional R, versão 4.0.2 (2020).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
(AOL) e AOL para cada 100 kg de peso corporal (AOL/100), em cm2, espessura de gordura subcutânea (EGS), EGS para cada 100 kg de peso corporal (EGS/100), e espessura de gordura na picanha (EGSP), em mm e o marmoreio em %. Além disso, também foi calculado o ratio, que representa a relação entre a largura e a altura da AOL. As medidas de AOL e EGS foram obtidas entre a 12ª e a 13ª costelas, do lado direito do animal, com o transdutor posicionado perpendicularmente à coluna vertebral e transversalmente sobre o músculo Longissimus thoracis (contra-filé). Para o melhor acoplamento entre o transdutor e a curvatura da costela utilizou-se um standoff (acoplador acústico de silicone). O marmoreio foi mensurado com auxílio do software BIA (Bovine Image Analysis) autorizado pela Ultrasound Guidelines Council (UGC), diretamente sobre o Longissimus thoracis entre a 11ª, 12ª e a 13ª costelas em posicionamento longitudinal em
46
Durante o período de suplementação a pasto, os animais não tiveram restrição de oferta de forragem. O diferimento prévio à entrada dos animais no pasto proporcionou considerável acúmulo de forragem disponível aos animais (Tabela 2), embora sua composição tenha sido alterada no segundo ciclo, com redução (P = 0,03) dos valores de nutrientes digestíveis totais (NDT) e aumento (P ≤ 0,01) dos valores de fibra insolúvel em detergente ácido (FDA) e lignina (LIG) (Tabela 3). As alturas de entrada e saída não diferiram entre os dois ciclos de pastejo, assim com as ofertas de massa seca de forragem, que permaneceram em condições satisfatórias para garantir consumo à vontade pelos animais. É importante ressaltar que, no início do experimento, havia alta taxa de lotação, com 6,27 unidades animais (UA) por hectare.
Tabela 2. Médias das alturas de entrada, saída e acúmulo de massa verde de forragem e massa seca de forragem. Fazenda Modelo, CTC – 2022.
Ciclos
Variáveis
1 2 C.V. (%) P-valor Altura de entrada, cm 53,45 49,37 23,37 0,4259 Altura de saída, cm 25,93 21,79 39,15 0,302 MVHA, kg 21568,33 20327,27 25,08 0,5779 MSHA, kg 10672,13 10192,04 28,66 0,7046 C.V. = Coeficiente de variação; MVHA = Massa verde de forragem; MSHA = massa seca de forragem. P ≤ 0,05. Apesar do Tifton-85 ser uma forrageira com alto
piorou, com maiores valores de fibra e lignina. Lima et al.
valor nutritivo, a época de transição (maio e junho) promoveu
(2012) também verificaram que com o avanço no período de
maior lignificação, resultado na redução do valor nutritivo e
transição e, consequentemente, avanço na idade fisiológica
da digestibilidade da forrageira. Situação semelhante foi
das plantas, houve diminuição nos teores de proteína bruta
demonstrada por Silva et al. (2009), que constatou que com
(PB) e aumento nos teores de fibra insolúvel em detergente
o avanço da seca, o valor nutritivo da forragem avaliada
neutro (FDN) e ácido (FDA).
Tabela 3. Médias da composição bromatológica do capim Tifton-85 durante os ciclos de avaliação. Fazenda Modelo, CTC – 2022.
Ciclos
Variáveis
C.V. (%) P-valor 1 2 MS, mg kg 489,50 511,10 15,16 0,50 PB, mg kg-1 62,90 53,80 23,1 0,12 -1 EE, mg kg 20,90 17,90 20,81 0,09 MM, mg kg-1 58,40 55,50 25,21 0,63 -1 FDN, mg kg 696,80 731,20 5,08 0,33 FDA, mg kg-1 431,30b 464,50a 5,8 ≤0,01 LIG, mg kg-1 84,2b 101,20a 15,12 0,01 -1 a b 580,0 559,10 3,84 0,03 NDT, mg kg C.V.=Coeficiente de variação; MS= Matéria seca; PB= proteína bruta; EE= extrato etéreo; MM= matéria mineral; FDN= fibra insolúvel em detergente neutro; FDA= fibra insolúvel em detergente ácido; NDT= nutrientes digestíveis totais; LIG= lignina. Médias seguidas de letras diferentes na linha diferem estatisticamente, ao nível de 5% de probabilidade. -1
Houve efeito das diferentes estratégias de
suplementado apenas com mineral.
suplementação sobre o desempenho dos animais (Tabela 4).
Os valores obtidos no presente trabalho são
Vacas que receberam o suplemento PE atingiram maior peso
considerados satisfatórios quando comparados com demais
final (364,50 vs. 348,77 kg) (P ≤ 0,01), que foi 15,73 kg superior
trabalhos realizados na mesma época do ano com novilhos e
em relação às vacas do grupo M. Os ganhos de peso médio
forrageiras tropicais, nos quais as médias de GMD variaram
diário (GMD) e total (GMT) também foram maiores (P ≤ 0,01)
de 0,470 a 0,840 kg/dia (OLIVEIRA et al., 2004; BARBOSA et
para as vacas do grupo PE, com valores de GMD e GMT 72%
al., 2007; SALES et al., 2008). Lima et al. (2012) obtiveram
e 68% superiores, respectivamente, em relação ao grupo
47
valores de GMD entre 0,440 a 1,06 kg e comprovaram que
a suplementação não proporcionou incremento no GMD de
a suplementação proteica no período de transição águas-
vacas. No entanto, o aumento nos níveis de suplementação
seca proporcionou elevado desempenho animal e resultado
proporcionou melhoria na condição corporal final dos
econômico positivo. No entanto, Osmari et al. (2008)
animais, gerou acabamento mais rápido, com possibilidade
reportaram valores de GMD maiores (0,776 kg/dia) para vacas
de comercialização antecipada. Já o uso de suplementação
Charolês/Nelore suplementadas ao nível de 0,5% do peso
energética aumentou o GMD de vacas mantidas em pastagem
corporal, em campo nativo no Rio Grande do Sul, em relação
de aveia (Avena strigosa) + azevém (Lolium multiflorum) e o
aos observados no presente estudo.
aumento do nível de suplementação energética melhorou o ganho de condição corporal de vacas mantidas em pastagem
Ao trabalharem com terminação de vacas de descarte
cultivada de estação fria (RESTLE et al.,2001).
em pastagem cultivada, Restle et al. (2000) verificaram que
Tabela 4. Valores do desempenho de vacas Nelore em pastejo de Tifton-85 durante o período de transição águas-seca, recebendo diferentes suplementos. Fazenda Modelo, CTC – 2022.
Variável PESOi PESOf GMD GMT
PE 327,52 364,50 0,62 36,98
M 327,31 348,77 0,36 21,45
C.V. 0,98 1,67 19,54 19,48
P-valor NS ≤0,01 ≤0,01 ≤0,01
*Valores do peso inicial (PESOi), peso final (PESOf), ganho de peso médio diário (GMD) e ganho de peso final (GMT). Médias seguidas de letras diferentes na linha diferem estatisticamente, ao nível de 5% de probabilidade. Em pesquisa recente, Manço (2020) verificou que o nível de suplementação de 0,6% do peso corporal promoveu melhor desempenho em bovinos de corte suplementados no período seco, e que nos pastos com maior altura de entrada (20 cm vs 10 cm), apesar de menor ganho individual, houve maior taxa de lotação decorrente da maior massa de forragem disponível. Segundo Lima et al. (2012), a condição fundamental para o sucesso das estratégias de suplementação está centrada, invariavelmente, na oferta de forragem. Mesmo que seja de baixa qualidade, resultante, por exemplo, do diferimento, o efeito positivo da suplementação sobre o consumo de forragem ou sobre o consumo de matéria seca total faz com que haja aumento no aporte de nutrientes, compensando o menor valor nutritivo da pastagem. Entre as variáveis morfométricas avaliadas, apenas o PT apresentou diferenças entre as diferentes estratégias de suplementação (Tabela 5). O grupo suplementado com PE apresentou maiores valores de PT (P ≤ 0,05), confirmando o desempenho verificado através do ganho de peso, já que o peso corporal e o PT apresentaram correlação alta, positiva
48
e significativa (r=0,75, ≤0,01). Outros autores também reportaram correlação positiva e moderada entre o PT e a AOL (PISTILLO et al., 2022). Verificou-se ainda que, apesar de terem apresentado menor escore de condição corporal ao início do experimento (P ≤ 0,05), os animais que receberam maior nível de suplementação apresentaram maior escore de condição corporal no final do período de avaliações (P ≤ 0,01), resultado da maior taxa de ganho de peso proporcionada pela suplementação proteico-energética.
Tabela 5. Médias das medidas morfométricas de vacas Nelore em pastejo de Tifton-85, durante o período de transição águas-seca, recebendo diferentes suplementos. Fazenda Modelo, CTC – 2022.
Variáveis
Tratamentos
C.V. (%)
P-valor
144,90
1,41
0,4295
136,97
136,82
1,43
0,8870
CC, cm
125,61
122,62
4,52
0,3052
PT, cm
169,1a
167,29b
1,00
0,0488
ECCi, pt*
b
2,45
a
2,58
5,14
0,0456
ECCf, pt*
2,91
b
2,71
3,41
≤0,01
PE
M
AG, cm
144,07
AC, cm
a
PE = Suplemento proteico-energético SM = suplemento mineral. C.V. = coeficiente de variação; AG = altura da garupa; AC = altura da cernelha; CC = comprimento do corpo; PT = perímetro torácico; ECCi = escore de condição corporal inicial; ECCf = escore de condição corporal final. Médias seguidas de letras diferentes na linha diferem estatisticamente ao teste F, ao nível de 5% de probabilidade. *Médias seguidas de letras diferentes na linha diferem estatisticamente ao teste de Kruskal-Walis, ao nível de 5% de probabilidade. Através das análises de crescimento (ganho de
consumo de pasto. Segundo Detmann et al. (2013), no período
peso no tempo), é possível verificar que animais do grupo
seco, forragens com baixa qualidade (baixos níveis de PB e
M apresentaram considerável redução do desempenho a
alta lignificação) implicam em redução de consumo e da
partir do final do primeiro ciclo de pastejo, enquanto o PE
digestão. Nesses casos, haverá deficiência de substrato para
continuou a desempenhar de forma positiva (Figura 1). No
a produção de bactérias ruminais que produzem as enzimas
primeiro ciclo de pastejo, quando ainda havia forragem
microbianas responsáveis pela degradação da fibra da
com níveis de proteína em torno de 7% (Tabela 3), ambos
forragem (DETMANN et al., 2009). Com a limitação proteica
os grupos desempenharam de forma satisfatória. A partir
em função da qualidade do capim, o grupo suplementado
da redução da qualidade do pasto no segundo ciclo, o grupo
apenas com sal mineralizado apresentou desempenho
suplementado com PE continuou a ganhar peso pelo maior
consideravelmente reduzido a partir do segundo ciclo.
aporte de nutrientes e pelo não comprometimento do
49
Figura 1. Curvas de crescimento (modelo logístico) de vacas Nelore sob duas estratégias de suplementação. As características de carcaça avaliadas por
0,05). Houve ainda tendência (p=0,06) de maior valor de ratio
ultrassonografia não diferiram entre os tratamentos ao início
para as vacas suplementadas com o PE. A suplementação
do experimento (Tabela 6). Entretanto, verificou-se que no
proteico-energética resultou em aumento de 5,9% para
final do período experimental os animais que receberam o
a AOL e de 20,6% para o marmoreio em relação ao grupo
suplemento PE apresentaram maior AOL e marmoreio (P ≤
suplementado apenas com mineral.
50
Tabela 6. Médias das medidas realizadas com ultrassom em vacas Nelore em pastejo de Tifton-85, durante o período de transição águas-seca, recebendo diferentes suplementos. Fazenda Modelo, CTC – 2022.
Variáveis
AOL, cm2
Tratamentos
C.V. (%)
P-valor
46,48
5,20
NS
PE 46,58
M Inicial
AOL100kg, cm
13,05
13,20
6,12
NS
RATIO
0,41
0,40
4,76
NS
MAR, %
2,00
1,92
12,78
NS
EGS, mm
2,41
2,52
10,50
NS
EGS100kg, mm
0,68
0,72
9,90
NS
EGPICANHA, mm
3,09
3,28
10,29
NS
AOL, cm2
50,55a
47,73b
4,45
0,0218
2
Final
AOL100kg, cm
13,05
12,83
4,22
RATIO
0,43
0,41
5,18
0,0601
2,51a
2,08b
15,38
0,0281
2,74
2,82
8,79
NS
0,71 3,69
0,76 3,79
7,49 10,66
NS NS
2
MAR, % EGS, mm EGS100kg, mm EGPICANHA, mm
NS
C.V. = Coeficiente de variação; NS = não significativo; AOL = área de olho de lombo; AOL100kg = área de olho de lombo para cada 100 kg de peso corporal; RATIO = relação entre a largura e a altura da AOL; MAR = marmoreio; EGS = espessura de gordura subcutânea; EGS100kg = espessura de gordura subcutânea para cada 100 kg de peso corporal; EGPICANHA = espessura de gordura na região da picanha. Médias seguidas de letras diferentes na linha diferem estatisticamente, ao nível de 5% de probabilidade
Avaliações por ultrassom são precisas em predizer
terminação de vacas, pode-se esperar que o ganho de peso
as características da carcaça (SUGUISAWA et al., 2003). A
seja parcialmente constituído por recuperação de estado
variável AOL apresenta correlação positiva com a quantidade
corporal, o que ocorre devido ao ganho compensatório.
e a porcentagem de músculo e negativa com a porcentagem
Trabalhos com suplementação para vacas de descarte
de ossos e gordura da carcaça (SUGUISAWA et al., 2006).
são escassos. Pesquisas que avaliaram essa categoria não
No presente trabalho, verificou-se que a suplementação PE
verificaram diferenças nas características de carcaça quando
proporcionou animais com maior quantidade e percentual
foram avaliados diferentes níveis de suplementação em
de músculo. Possivelmente, grande parte desse incremento
vacas de descarte de diferentes idades em terminação
constituiu-se de recuperação da condição corporal, perdida
em pastagem cultivada (RESTLE et al., 2000); vacas de
em momentos anteriores, devido ao manejo nutricional
diferentes grupos genéticos em pastagem cultivada com
inadequado e pela alta demanda nutricional ocasionada
suplementação energética (RESTLE et al., 2001); e vacas de
pela lactação. Segundo Restle et al. (2001), ao fazer a
51
descarte Charolês em pastagem cultivada de estação fria
total estimado em 0,6 % do peso corporal. Vale ressaltar
(VAZ et al., 2002).
que, em anos anteriores, tanto novilhas quanto tourinhos
No presente estudo, as vacas não consumiram
da mesma raça consumiram esse nível de suplemento, na
a quantidade estimada dos suplementos (Quadro 1).
mesma época e sob as mesmas condições de ambiente e
Adicionalmente, o consumo do suplemento PE apresentou
manejo (BILEGO et al., 2020; BILEGO et al., 2021).
redução no segundo ciclo de avaliações, apesar da redução
O consumo diferente entre os suplementos teve
na qualidade da forragem. A redução no consumo estimado
impacto nos custos da nutrição (Quadro 1). O suplemento PE,
durante o primeiro ciclo pode estar relacionada à categoria
apesar de ter menor preço por kg de produto, apresentou
animal. Em geral, as vacas são animais mais reativos ao
maior custo devido ao maior consumo (0,53% do PC no
manejo e esse estresse pode ter comprometido o consumo
primeiro ciclo e 0,27% no segundo).
Quadro 1. Consumo dos suplementos e valores de custeio das duas estratégias de suplementação para vacas Nelore, em pastejo de Tifton-85, durante o período de transição. Fazenda Modelo, CTC – 2022.
Cooperbeef Águas®
Cooperbeef Seca®
Cooper Recria 60 Cr + NA®
1º Ciclo
2º Ciclo
1º Ciclo
2º Ciclo
1º Ciclo
2º Ciclo
CS, g cab-1
1.738,20
-
-
983,48
63,98
52,89
CS, g kg-1 PC
5,31
-
-
2,66
0,20
0,14
0,53
-
-
0,27
0,02
0,01
2,01
-
-
2,35
3,52
3,52
3,50
-
-
2,31
0,23
0,19
111,93
-
-
64,72
7,21
5,22
Variáveis
CS, % PC Custo, R$ kg
-1
Custo, R$ dia-1 Custo, R$ ciclo
-1
Custo total, R$ cab-1
176,65
12,43
*CS = Consumo dos suplementos; Cr = cromo; NA= narasina; g= grama; kg= quilograma; cab= cabeça; PC= peso corporal. Durante o período de suplementação, os grupos M e PE
mas com viabilidade econômica.
ganharam 21,46 e 36,98 kg de peso corporal, respectivamente. Com os valores de investimentos descritos no Quadro 1, os custos com suplementação para cada kg de peso corporal
CONCLUSÃO
adquirido foram de R$ 0,58 e R$ 4,77 para os grupos M e PE, respectivamente. Ao atribuir valores da arroba ao ganho
A suplementação proteico-energética de vacas
adicional obtido pelo grupo PE, que foi de 15,73 kg, obtém-se o
Nelore de descarte durante o período de transição águas-
valor de R$ 149,43 (valor da arroba da vaca em 28/06/2022 = R$
seca proporcionou animais mais pesados devido ao maior
285,00 ÷ 30 x 15,43). Ou seja, pelo valor adicional investido (R$
ganho de peso diário e com características de carcaça
176,65 – R$ 12,43 do M = R$ 164,22) na compra de suplemento
favoráveis para a fase de terminação.
PE, a operação apresentou saldo negativo de R$ 14,79. Entretanto, vale ressaltar que os custos das estratégias de suplementação devem ser constantemente avaliados para proporcionar os resultados positivos obtidos nesse trabalho,
52
REFERÊNCIAS
DETMANN, E. PAULINO, M. F. Nutrição de Ruminantes em Pastejo, Cap. 29, p.437-455, In: REIS, R. A.; BERNARDES, T. F.;
ARNHOLD, E. Package in the R environment for analysis of variance and complementary analyses. Brazilian Journal of
SIQUEIRA, G. R.; Forragicultura: ciência, tecnologia e recursos forrageiros. Jaboticabal, 714p., 2013.
Veterinary Research and Animal Science, São Paulo, v.50, n.06, IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
p.488-492, 2013.
Indicadores IBGE – Estatística da produção pecuária, 1º ARNHOLD E. R-environment package for regression analysis. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.53, n.7, p.870-873, 2018.
ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/2380/epp_2022_1tri.pdf. LIMA, J.B.M.P.; RODRÍGUEZ, N.M.; MARTHA JÚNIOR, G.B.; GUIMARÃES JÚNIOR R., VILELA L.; GRAÇA, D.S.; SALIBA, E.O.S.
BARBOSA, F.A.; GRAÇA, D.S.; MAFFEI, W.E. SILVA JÚNIOR, F. V.; SOUZA, G. M. Desempenho e consumo de matéria seca de bovinos sob suplementação proteico-energética, durante a época de transição águas-seca. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.59, p.160- 167, 2007.
Suplementação de novilhos Nelore sob pastejo, no período de transição águas-seca, Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.64, n.4, p.943-952, 2012.
MANÇO, M. X. Pastagens diferidas e bovinos suplementados: valor nutritivo, comportamento ingestivo e produção animal
BILEGO, U. O.; SOUZA, S. S.; NASCIMENTO, L. E. C.; RESTLE, J.; NUÑEZ, A. J. C.; FURTINI NETO, A. E.; ALMEIDA, D. P.; LIMA, D. T. Suplementação de novilhas de corte no período de transição águas- seca, Anuário de Pesquisas Pecuária, Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, vol. 3, p.132-141, 2020.
durante o período seco. [Tese de Doutorado], Programa de Pós-graduação em Zootecnia, Universidade de São Paulo, Pirassununga, p.103, 2020.
NASCIMENTO JÚNIOR, D.; VILELA, H. H.; SOUSA, B. M. L.; SILVEIRA, M. C. T.; Fatores Que afetam a qualidade de plantas
BILEGO, U. O.; NUNEZ, A. J. C.; RESTLE, J.; LOBO, U. G. M.; FURTINI NETO, A. E.; ALMEIDA, D. P.; LIMA, D. T.; NASCIMENTO, H. L. B.; NASCIMENTO, L. E. C.; SOUZA, S. S.; ALMEIDA, V. V. Suplementação de tourinhos de corte recriados no período das águas e transição águas-seca. Anuário de Pesquisas Pecuária, Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, vol. 4, p.66-77, 2021.
forrageiras, cap. 27, p-409-424, In: REIS, R. A.; BERNARDES, T. F.; SIQUEIRA, G. R.; Forragicultura: ciência, tecnologia e recursos forrageiros. Jaboticabal, 714p., 2013.
OLIVEIRA, L.O.F.; SALIBA, E.O.S.; RODRIGUEZ, N.M.; GONÇALVES, L. C.; BORGES, I.; AMARAL, T. B. Consumo e digestibilidade de novilhos Nelore sob pastagem suplementados com misturas múltiplas. Arquivo Brasileiro
DETMANN, E.; PAULINO, M. F.; MANTOVANI, H. C.; VALADARES FILHO, S. C.; SAMPAIO, C. B.; SOUZA, M. A.; LAZZARINI, I.; DETMANN, K. S. C. Parameterization of ruminal fibre degradation in low-quality tropical forage using MichaelisMenten kinetics. Livestock Science, Amsterdã, v.126p. 136-146, 2009.
trimestre; 2º trimestre. Disponível em: https://biblioteca.
Medicina Veterinária e Zootecnia, v.56, p.61-68, 2004.
OSMARI, M. P; ARBOITTE, M. Z.; BRONDANI, I. L.; KUSS, F.; ALVES FILHO, D. C.; RESTLE J. Vacas terminadas em campo nativo suplementadas com farelo de trigo ou farelo de arroz integral contendo ou não monensina sódica. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 32, n. 6, p. 1974-1980, 2008.
53
PISTILLO, L. Z.; CAMARGO, A. C. A. C.; SOUZA, L. F. A. Correlação
SUGUISAWA, L.; MATTOS, W. R. S.; OLIVEIRA, H. N.; SILVEIRA,
e regressão entre mensurações corporais e características de
A. C.; ARRIGONI, M. B.; SOUZA, A. A. Correlações simples
carcaça em bovinos da raça Nelore. Diversitas Journal, vol. 7,
entre medidas de ultra-som e a composição da carcaça de
n. 1, p.26-38, 2022.
bovinos jovens. Revista Brasileira de Zootecnia, v35, n.1, p.169176, 2006.
R Copyright (C) 2021. The R Foundation for Statistical Computing, version 4.1.2. Viena Áustria, 2021.
VAN SOEST, P. J. Nutritional ecology of the ruminant. 2nd Ed. New York: Cornell University Press, 476 p., 1994.
RESTLE, J.; ROSO, C.; OLIVEIRA, A. N.; ALVES FILHO, D. C.; PASCOAL, L. L.; ROSA, J. R. P. Suplementação energética
VAZ, F. N.; RESTLE, J.; BRONDANI, I. L.; COSTA, E.C.; VAZ, R.Z.;
para vacas de descarte de diferentes idades em terminação
ROSO, C.; CARILHO, C. O. Suplementação Energética sobre
em pastagem cultivada de estação fria sob pastejo horário.
a Qualidade da Carcaça e da Carne de Vacas de Diferentes
Revista Brasileira de Zootecnia, v.29, n.4, p.1216-1222, 2000.
Idades, Terminadas em Pastagem Cultivada de Estação Fria sob Pastejo Horário. Revista Brasileira de Zootecnia, v.31, n.1,
RESTLE, J.; VAZ, F.N.; ROSO, C.; OLIVEIRA, A. N.; CERDÓTES, L.; MENEZES, L. F. G. Desempenho e características da carcaça de vacas de diferentes grupos genéticos em pastagem cultivada com suplementação energética. Revista Brasileira de Zootecnia, v.30, n.6, p.1813-1823, 2001.
SALES, M.F.L.; PAULINO, M.F.; VALADARES FILHO, S.C. Níveis de ureia em suplementos múltiplos para terminação de novilhos em pastagem de capim-braquiária durante o período de transição águas-seca. Revista Brasileira de Zootecnia, v.37, p.1704-1712, 2008.
SILVA, F. F.; SÁ, J. F.; SCHIO, A. R.; ÍTAVO, L. C. V.; SILVA, R. R.; MATEUS, R. G. Suplementação a pasto: disponibilidade e qualidade x níveis de suplementação x desempenho. Revista Brasileira de Zootecnia, v.38, supl. especial, p.371-389, 2009.
SUGUISAWA, L.; MATTOS, W. R. S.; OLIVEIRA, H. N.; SILVEIRA, A. C.; ARRIGONI, M. B.; HADDAD, C. M.; CHARDULO, L. A. L.; MARTINS, C. L. Ultrasonography as a predicting tool for carcass traits of young bulls. Scientia Agricola, v.60, n.4, p.779-784, 2003.
54
p.173-182, 2002.
CONFINAMENTO DE VACAS DE CORTE COM DOIS PERÍODOS DE ADAPTAÇÃO E DUAS ESTRATÉGIAS DE SUPLEMENTAÇÃO PRÉVIA BILEGO1, Ubirajara Oliveira; NUÑEZ2, Amoracyr José Costa; NASCIMENTO3, Hemython Luis Bandeira do; MARCHESIN4, Wilson Aparecido; SILVA5, Cálita Cabral Martins; CRUVINEL6, Keniston Freitas de Souza; VAZ6, Pedro Olímpio Oliveira; RESTLE8, João
novilhas (fêmeas com menos de 24 meses), o que confirma a
Médico Veterinário, DSc. Pesquisador Veterinário II – CTC – COMIGO 2 Engenheiro Agrônomo, DSc. Professor Substituto – Escola de Veterinária e Zootecnia - UFG 3 Engenheiro Agrônomo, DSc. Pesquisador Agronômico I – CTC – COMIGO 4 Zootecnista, DSc. Gerente de Produtos – COMIGO 5 Graduanda de Zootecnia – Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde – GO 6 Graduando de Medicina Veterinária – Unibrás – Campus Rio Verde – GO 7 Graduando de Medicina Veterinária – Universidade Federal de Jataí - GO 8 Engenheiro Agrônomo, PhD, Professor Voluntário do Programa de Pós-graduação em Zootecnia– UFG
imediatamente. Em condições de pasto, esses animais podem
INTRODUÇÃO
o abate coincide com mudanças climáticas muito evidentes
1
representatividade de vacas nas escalas de abate. Após a definição dos lotes de vacas para descarte, o pecuarista precisa realizar o planejamento da etapa final, ou terminação, caso elas não sejam comercializadas demorar a atingir o peso e a condição ideal para abate. Nesse contexto, as vacas necessitam de atenção especial quanto à sanidade, manejo e nutrição para que obtenham melhores condições de abate e melhor remuneração ao produtor. Vale ressaltar que essa categoria (vacas) possui maior demanda energética de mantença e sua permanência nas fazendas sem o devido manejo pode comprometer a lucratividade do sistema. Outro fator importante é que as vacas são animais mais reativos (estresse alto) e podem ter maior dificuldade de adaptação às diferentes estratégias nutricionais. A época em que essas vacas são disponibilizadas para na região Centro-Oeste, o que caracteriza o período de transição águas-seca e posteriormente a seca. Nessa época,
As fêmeas adultas ou fêmeas de descarte compõem
o fotoperíodo afeta o crescimento e a densidade da planta
parte considerável da renda das fazendas de corte. Segundo
forrageira, bem como o seu valor nutritivo (NASCIMENTO
o IBGE (2022), das 14,34 milhões de cabeças de bovinos
JÚNIOR et al., 2013; VAN SOEST, 1994). Nesses casos, além
abatidas no Brasil no primeiro semestre de 2022, cerca de
das estratégias de suplementação, o confinamento pode
5,67 milhões eram fêmeas, ou seja, 39,55% do total abatido
se apresentar como alternativa para a terminação desses
no período. Do total de fêmeas abatidas, apenas 28% eram
animais.
55
A etapa de adaptação é considerada o momento
Foram utilizadas 94 vacas da raça Nelore (Figura 1),
mais crítico da terminação em confinamento, já que os
com idade média de 75 meses e peso corporal (PC) inicial
animais passarão de um adieta com alto teor de volumoso
médio de 357,41 ± 10,78 kg. Os animais foram divididos em
para uma com alta concentração de concentrado, em período
16 grupos de cinco ou seis animais (unidade experimental) e
relativamente curto de tempo (ESTEVAM et al., 2020). Nesse
distribuídos aleatoriamente entre quatro tratamentos, com
período ocorrem significativas mudanças na microbiota e no
quatro repetições por tratamento, definidos em função do
epitélio ruminal. Enquanto a microbiota leva de dois a três
nível de suplementação fornecido durante a fase anterior
dias para se adaptar à cada nível de inclusão de concentrado,
ao confinamento e da duração do período de adaptação ao
o epitélio leva cerca cinco a sete dias (PARRA et al., 2019).
confinamento: 1) suplemento mineral e adaptação de 10 dias;
Diante do exposto, o presente trabalho foi conduzido
2) suplemento mineral e adaptação de 20 dias; 3) suplemento
com o objetivo de avaliar o desempenho e as características
proteico-energético a 0,6 % do PC e adaptação de 10 dias; e 4)
da carcaça de vacas de corte terminadas em confinamento
suplemento proteico-energético a 0,6 % do PC e adaptação
com dois períodos de adaptação e com duas estratégias de
de 20 dias. No início do período experimental, os animais foram
suplementação prévia.
vacinados contra clostridioses e doenças do complexo respiratório bovino. Antes da terminação em confinamento,
MATERIAL E MÉDOTOS
os animais foram manejados em pasto de capim Tifton-85 (Cynodon dactylon) por 60 dias, quando receberam a suplementação mineral ou proteico-energética a 0,6% do
Centro Tecnológico COMIGO da Cooperativa Agroindustrial
PC. Ao entrarem na fase de terminação, os animais de cada
dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano - COMIGO,
grupo de suplementação já estavam subdivididos em dois
localizado na microrregião Sudeste do estado de Goiás, no
grupos caracterizados pela duração do período de adaptação
município de Rio Verde (latitude Sul 17° 47’ 53”, longitude
(10 ou 20 dias). O período de terminação foi conduzido do dia
Oeste 51° 55’ 53” e altitude média de 815 m).
30 de junho ao dia 29 de agosto de 2022, totalizando 60 dias.
Foto: Ubirajara Bilego
O experimento foi conduzido no Setor de Pecuária do
Figura 1. Animais alocados nas baias do confinamento experimental. Fazenda Modelo, CTC - 2022. Foto tirada em: 22/07/2022.
56
Os períodos de adaptação foram conduzidos por meio
terminação composta por silagem de milho e concentrado
do protocolo em escada, com fornecimento das dietas com
comercial (Corte 14 AE®, Rações COMIGO) com relação
níveis crescentes de concentrados comerciais (Corte 18® e
volumoso:concentrado de 25:75 na matéria seca (MS) (Tabela
Corte 16 AE®) adicionados à silagem de milho, em intervalos
2). As dietas de adaptação e terminação foram formuladas
de tempo pré-definidos (Tabela 1). Ao final do período de
para atender às exigências dos animais estimadas pelo BR-
adaptação, os animais passaram a receber a dieta final de
CORTE 2016 (Valadares Filho et al., 2016).
Tabela 1. Dias de fornecimento de cada dieta em função da duração do período de adaptação. Fazenda Modelo – CTC, 2022.
Degrau
Volumoso:concentrado1
1 60:40 2 45:55 3 30:70 1 Relação volumoso:concentrado na matéria seca da dieta. As dietas foram fornecidas em dois tratos diários, às 08:00 e às 15:00 h, por meio da mistura mecânica do volumoso e do concentrado com auxílio do equipamento IPACOL® Mod. VPTM 4.0, com capacidade de 4 m3, arrastado por trator MF - 275. O consumo de MS foi calculado pela diferença entre a quantidade oferecida e as sobras, que eram pesadas diariamente e mantidas em cerca de 5% a 10% do total ofertado. Amostras dos alimentos e sobras foram colhidas semanalmente e compostas por baia ao final do período de confinamento para determinações bromatológicas e estimativa do teor de nutrientes digestíveis totais (NDT) de acordo com Weiss et al. (1992). Os animais foram pesados com jejum de sólidos de 16 horas no início do período de adaptação e ao final do período experimental para determinação do ganho médio diário (GMD), com pesagens intermediárias realizadas a cada 20 dias (sem jejum) para monitoramento do ganho de peso. A eficiência alimentar foi determinada pela divisão do GMD pelo consumo de MS.
57
Adaptação (dias) 10 20 3 dias 6 dias 3 dias 7 dias 4 dias 7 dias
Tabela 2. Níveis de garantia e composição bromatológica dos ingredientes da dieta.
Variáveis1
Silagem
Ração Corte 18
Ração 16 AE
Ração 14 AE
Dieta Final
MS, g kg-1 MN
446,00
880,00
880,00
880,00
710,30
PB, g kg MS
62,45
180,00
160,00
140,00
134,40
EE, g kg-1 MS
27,37
25,00
25,00
25,00
24,00
MM, g kg-1 MS
46,62
100,00
80,00
75,00
53,81
FDN, g kg MS
387,22
100,00
100,00
110,00
129,00
FDA, g kg-1 MS
229,95
80,00
55,00
60,00
86,80
CÁLCIO, g kg MS
1,47
12,00
12,00
12,50
10,70
FÓSFORO, g kg MS
1,72
3,50
3,50
3,50
3,40
NDT, g kg-1 MS
652,32
720,00
740,00
740,00
784,20
28,80
28,80
28,80
24,46
-1
-1
-1
-1
Monensina, mg kg MS -1
Virginiamicina, mg kg MS 40,00 MS = matéria seca; MN = matéria natural; PB = proteína bruta; EE = extrato etéreo; MM = matéria mineral; FDN = fibra insolúvel em detergente neutro; FDA = fibra insolúvel em detergente ácido; NNP = nitrogênio não proteico; NDT = nutrientes digestíveis totais. 2Valores representam os níveis mínimos de garantia do concentrado comercial. -1
1
Durante todo o período de adaptação, a avaliação
fecal solto, não formando uma pilha, geralmente por falta
do escore de fezes foi feita diariamente, às 08:00 h, por um
de fibra efetiva na dieta (Figura 2B); 3) pontuação ideal; bolo
mesmo avaliador treinado. Para isso, quatro a seis bolos
fecal empilha em altura de até 5 cm, formando vários anéis
fecais por baia foram avaliados quanto à sua forma física e
concêntricos com uma depressão central (Figura 2C); 4) bolo
consistência, conforme metodologia descrita por Hulsen
fecal espesso, formando pilhas com mais de 5 cm de altura
(2005), utilizando os seguintes escores: 1) bolo fecal líquido,
(Figura 2D); e 5) bolo fecal seco, formando bolas espessas
indicando excesso de proteína ou amido (Figura 2A); 2) bolo
(Figura 2E).
1
2
4
3
Figura 2. Escala de escores fecais. Adaptado de Hulsen (2005). Fonte: Arquivo pessoal.
5
58
As mensurações das medidas morfométricas foram
corporal (ECC) também foram determinados no início e no fim
realizadas no início e no fim do período experimental com
do período de terminação por um mesmo avaliador treinado.
uso de fita métrica e bengala hipométrica. As mensurações
Ao final dos 60 dias de confinamento, três vacas
realizadas foram: altura da garupa (AG) - distância entre a
por baia (cujos pesos eram os mais próximos da média
tuberosidade sacral, na garupa, e a extremidade distal do
geral da baia) foram selecionadas, encaminhadas para um
membro posterior; altura da cernelha (AC) - distância entre
frigorífico comercial (Marfrig, Mineiros/GO, localizado a 190
a região da cernelha e a extremidade distal do membro
km do confinamento experimental) e abatidas por métodos
anterior; comprimento corporal (CC) - medida que vai da
humanitários de acordo com as normas exigidas pela
articulação escapulo-umeral à articulação coxofemoral e
Inspeção Federal Brasileira (Brasil, 2008). O peso da carcaça
perímetro torácico (PT) - perímetro tomando-se como base o
quente foi obtido ao final da linha de abate e utilizado para
esterno e a cernelha, passando por trás da paleta.
calcular o rendimento de carcaça quente. Após 24 horas de
As características de carcaça dos animais foram
resfriamento em câmara fria com temperatura entre zero e
avaliadas com auxílio de equipamento de ultrassonografia
1°C, a meia carcaça direita de cada vaca foi avaliada quanto
(ALOKA 500V), em tempo real, com transdutor linear de 17,2
à conformação (1-3: inferior; 4-6: má: 7-9: regular; 10-12:
cm e 3,5 MHz e acoplador acústico, no início e no final do
boa; 13-15: muito boa; 16-18: superior), perímetro de braço,
período de confinamento. Foram avaliadas área de olho de
comprimento de braço, comprimento de carcaça, espessura
lombo (AOL) e AOL para cada 100 kg de PC (AOL/100), em cm ,
de coxão e comprimento de perna (Müller, 1987).
2
espessura de gordura subcutânea (EGS), EGS para cada 100 kg
Os dados foram submetidos à análise de variância,
de PC (EGS/100), e espessura de gordura na picanha (EGSP), em
sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de
mm, e o marmoreio em %. Além disso, também foi calculado
probabilidade. Para as análises de escore de fezes, escore
o ratio, que representa a relação entre a largura e a altura
de condição corporal e conformação da carcaça os dados
da AOL. As medidas de AOL e EGS foram obtidas entre a 12ª
foram comparados através do teste de Kruskal-Wallis ao
e a 13ª costelas, do lado direito do animal, com o transdutor
nível de 5% de probabilidade. As análises estatísticas foram
posicionado perpendicularmente à coluna vertebral e
conduzidas considerando o delineamento inteiramente ao
transversalmente sobre o músculo Longissimus thoracis
acaso, em esquema fatorial 2 x 2 com quatro tratamentos,
(contra-filé). Para o melhor acoplamento entre o transdutor
com auxílio pacote estatístico easyanova (ARNHOLD, 2013)
e a curvatura da costela utilizou-se um standoff (acoplador
do programa computacional R, versão 4.0.2 (2020). O modelo
acústico de silicone). O marmoreio foi mensurado com
estatístico incluiu os efeitos de duração da adaptação, nível
auxílio do software BIA (Bovine Image Analysis) autorizado
de suplementação e da interação entre duração da adaptação
pela Ultrasound Guidelines Council (UGC), diretamente sobre
e nível de suplementação.
o Longissimus thoracis entre a 11ª, 12ª e a 13ª costelas em posicionamento longitudinal em relação à coluna vertebral. Para garantir o melhor contato da sonda com o corpo do
RESULTADOS E DISCUSSÃO
animal utilizou-se óleo vegetal como acoplante acústico. Todas as avaliações foram realizadas pela empresa DGT Brasil Ltda, por técnicos treinados e credenciados pela UCG. Posteriormente, as imagens foram interpretadas, analisadas, certificadas e arquivadas pelo técnico da DGT Brasil e, em seguida, o relatório final foi encaminhado ao Setor de Pecuária do CTC COMIGO. Além disso, os escores de condição
O presente experimento foi conduzido com o objetivo de avaliar os efeitos de dois níveis de suplementação na fase anterior ao confinamento e dois períodos de adaptação ao confinamento durante a fase de terminação sobre o desempenho e características de carcaça de vacas Nelore de descarte. Os resultados obtidos na fase
59
de de pré-terminação, quando essas vacas foram avaliadas
das variáveis avaliadas no presente estudo, de modo que a
em dois níveis de suplementação, estão apresentados em
discussão será feita com base nos efeitos principais. O PC
outro artigo nessa mesma edição do “Anuário de Pesquisas
inicial das vacas diferiu entre os níveis de suplementação
– Pecuária”, de modo que aqui são apresentados apenas os
prévia (Tabela 3), o que se justifica pelo fato dos animais
resultados obtidos na fase de terminação.
que receberam suplemento proteico-energético terem
Não houve interação entre níveis de suplementação
apresentado GMD adicional de 260 g dia-1 na fase de pré-
prévia e duração do período de adaptação para nenhuma
terminação em comparação com as suplementadas apenas com sal mineral.
Tabela 3. Desempenho de vacas Nelore previamente suplementados em diferentes níveis e adaptados por 10 ou 20 dias ao confinamento. Setor de Pecuária - CTC 2022.
Tratamento Variável1
Mineral
Valor de P3
Proteico-energético
EPM2
S
A
SxA
3,28
≤0,01
0,51
0,66
445,73 1,32 79,31 9,76 2,55 10,61
5,55 0,08 4,78 0,27 0,07 0,32
≤0,01 0,19 0,18 ≤0,01 ≤0,01 0,02
0,15 0,21 0,20 ≤0,01 ≤0,01 0,04
0,17 0,19 0,19 0,83 0,92 0,75
2,46
2,61
0,07
0,22
0,06
0,96
0,13 173,14 3,83
0,12 195,25 3,47
0,01 20,42 0,08
0,83 0,35 0,50
0,83 0,66 0,01
0,15 0,54 0,56
10 dias
20 dias
10 dias
20 dias
PC inicial, kg
346,91
350,62
365,69
366,41
PC final, kg GMD, kg/dia GMT, kg/dia CMSadap, kg/dia CMSadap, % PC CMS, kg/dia
413,04 1,10 66,12 6,95 2,00 8,94
429,79 1,32 79,16 8,38 2,30 9,82
445,16 1,32 79,48 8,46 2,26 9,95
CMS, % PC
2,35
2,52
EA, kg/kg EB, kg/kg EF, pontos
0,12 205,93 3,71
0,13 202,28 3,46
PC inicial = peso corporal inicial; PC final = peso corporal final; GMD = ganho de peso médio diário; GMT = ganho de peso total; CMSadap = consumo de matéria seca na adaptação; PC = peso corporal; CMS = consumo de matéria seca; EA = eficiência alimentar; EB = eficiência biológica; EF = escore de fezes; 2EPM = erro-padrão da média; 3 S = efeito de nível de suplementação prévia; A = efeito de duração do período de adaptação; S x A = efeito da interação entre nível de suplementação prévia e duração do período de adaptação. 1
Durante o período de confinamento, os grupos
peso entre os grupos previamente suplementados com
apresentaram GMD e ganho de peso total semelhantes,
proteico-energético ou mineral. No início, a diferença entre
embora o grupo que recebeu suplementação mineral e
o PC dos grupos era de 17 kg, passando para 24 kg ao final da
foi adaptado por 10 dias tenha apresentado valor 20%
terminação.
inferior aos demais (Tabela 3). De forma semelhante, a
O período de adaptação é fundamental para o pleno
suplementação também não alterou o GMD na terminação
desempenho dos animais confinados. A maioria das dietas
de touros Nelore, quando realizada na estação seca (ROTH
de confinamentos americanos (VASCONCELOS & GAYLEAN,
et al., 2017). Apesar da semelhança entre os desempenhos,
2007; SAMUELSON et al., 2016) e brasileiros (SILVESTRE &
durante o confinamento houve aumento da diferença de
MILLEN, 2020), tem apresentado níveis altos de concentrados
60
na dieta. No presente estudo, durante esse período em
ser explicado pelo maior PC médio também observado para
que utilizou-se 75 % de concentrado na MS, verificou-se
esses animais. Adicionalmente, vacas adaptadas por 20 dias
que houve diferenças quanto ao consumo de matéria seca
apresentaram maior comprimento de corpo (P = 0,02) em
(CMS) em kg e em porcentagem do PC dos animais (Tabela
relação àquelas adaptadas por 10 dias. Apesar da ausência
3). Nesse caso, tanto a suplementação quanto o tempo de
de diferença estatística, o PC médio foi 5,4 kg superior
adaptação influenciaram o consumo. Vacas que receberam
para vacas adaptadas por período mais longo, o que pode
suplementação PE na fase anterior apresentaram maior
justificar, ao menos parcialmente, as diferenças observadas
CMS (P ≤ 0,01), em kg/dia e em porcentagem do PC, quando
para CC e PT.
comparadas com as que receberam apenas suplementação mineral. Da mesma forma, animais adaptados por 20 dias apresentaram maior consumo de alimentos em valores absolutos (P ≤ 0,01) e proporcionais ao PC (P ≤ 0,01) em comparação com aqueles adaptados por 10 dias. O menor CMS fez com que animais quem receberam suplementação mineral persistissem com maior escore de fezes (P ≤ 0,01), já que houve redução do consumo total de nutrientes. Em valores absolutos (kg/dia), a diferença no CMS em função dos níveis de suplementação e dos períodos de adaptação persistiu até o final do confinamento (P ≤ 0,01) (Tabela 3). No entanto, quando expresso em porcentagem do PC, houve tendência (P = 0,06) de maiores valores para animais adaptados por 20 dias em comparação com os adaptados por 10 dias. Esses resultados sugerem que um período de adaptação maior pode ser necessário para maximizar o CMS de animais confinados, especialmente para categorias mais reativas, como é o caso das vacas de descarte. Não houve diferenças quanto à eficiência alimentar e biológica entre os grupos. Entretanto, durante a fase de terminação, animais previamente suplementados com proteico-energético consumiram, em média, 20 kg a menos de alimento (na MS) por arroba de carcaça produzida em comparação com os animais que receberam apenas suplementação mineral na fase de pré-terminação. Tal diferença pode representar considerável economia pois, ao desconsideramos os custos com o animal de reposição, a alimentação contribui com a maior parte dos custos de produção do confinamento. Vacas previamente suplementadas com proteicoenergético apresentaram maiores valores para perímetro torácico (P ≤ 0,01) em comparação com aquelas que receberam suplementação mineral (Tabela 4), o que pode
61
Tabela 4. Médias das medidas morfométricas de vacas Nelore previamente suplementadas em diferentes níveis e adaptados por 10 ou 20 dias ao confinamento. Setor de Pecuária - CTC 2022.
Tratamento
Valor de P3
ProteicoEPM2 energético S A SxA 10 dias 20 dias 10 dias 20 dias AG 145,62 145,94 145,01 144,75 0,94 0,37 0,36 0,38 AC 137,94 138,06 137,79 138,83 0,89 0,74 0,53 0,61 CC 125,33 127,10 125,95 126,81 0,62 0,61 0,01 0,94 PT 172,63 175,02 175,93 177,46 0,75 0,00 0,02 0,58 PCM 379,97 390,21 405,43 406,07 3,88 ≤0,01 0,19 0,24 ECCi 2,66 2,72 2,93 2,86 0,04 ≤0,01 0,88 0,14 ECCf 3,26 3,25 3,33 3,40 0,06 0,14 0,75 0,58 1 AG = altura da garupa; AC = altura da cernelha CC = comprimento do corpo; PT = perímetro torácico; PCM = peso corporal médio; ECCi = escore de condição corporal inicial; ECCf = escore de condição corporal final; 2 EPM = erro padrão da média. 3 S = efeito de nível de suplementação prévia; A = efeito de duração do período de adaptação; S x A = efeito da interação entre nível de suplementação prévia e duração do período de adaptação. Variável1
Mineral
Na fase que antecedeu a terminação, as vacas
RATIO, que permaneceu maior para as vacas que receberam
tratadas com suplemento proteico-energético apresentaram
maiores níveis de suplementação prévia, as diferenças na
GMD adicional de 260 g dia em comparação com as fêmeas
AOL e EGS/100 não foram mantidas ao final do período de
que receberam apenas suplemento mineral. Maiores taxas
confinamento.
-1
de crescimento estão associadas com maior proporção de tecido adiposo no ganho de peso (NASEM, 2016), o que explica o maior ECC inicial para as vacas que receberam maior nível de suplementação antes da terminação (Tabela 4). Contudo, essa diferença foi compensada ao longo do período de confinamento, uma vez que o ECC final não diferiu entre os níveis de suplementação prévia. Os diferentes períodos de adaptação não afetaram o ECC ao início ou final do período de terminação. As
avaliações
de
carcaça
realizadas
por
ultrassonografia no final do período de suplementação coincidiram com o início do confinamento. Nesse momento, verificou-se tendência (P ≤ 0,10) para maior AOL, RATIO e EGS/100 para as fêmeas suplementadas com proteicoenergético (Tabela 5), resultados que também podem ser explicados pelas maiores taxas de ganho observadas para essas vacas em relação às que receberam apenas suplementação mineral. Entretanto, com exceção do
62
Tabela 5. Características de carcaça avaliadas por ultrassonografia de vacas Nelore previamente suplementados em diferentes níveis e adaptados por 10 ou 20 dias ao confinamento. Setor de Pecuária CTC 2022.
Tratamento
Valor de P3 Proteicoenergético
Mineral
Variável1
10 dias 20 dias
EPM2
S
A
SxA
10 dias
20 dias
50,29 13,02 0,44 2,51 2,58 0,68 3,70
50,82 13,09 0,43 2,52 2,89 0,75 3,69
1,12 0,30 0,01 0,19 0,11 0,02
0,06 0,69 0,10 0,05 0,50 0,06
0,69 0,99 0,92 0,62 0,08 0,09
0,96 0,83 0,92 0,56 0,48 0,43
0,21
0,60
0,93
0,88
Inicial AOL, cm2 AOL100, cm2 RATIO MAR, % EGS, mm EGS100, mm EGPICANHA, mm
48,01 12,96 0,42 2,20 2,75 0,75 3,78
48,42 12,90 0,42 1,99 2,88 0,78 3,83 Final
AOL, cm
59,31
62,37
62,92
63,73
1,46
0,12
0,21
0,46
14,09
14,29
14,10
14,25
0,20
0,93
0,42
0,89
RATIO
0,47
0,47
0,50
0,49
0,01
0,01
0,87
0,62
MAR, %
3,86
3,90
4,01
4,18
0,08
0,03
0,24
0,49
EGS, mm
4,55
4,91
4,44
5,09
0,24
0,90
0,07
0,57
EGS100, mm
1,08
1,13
0,99
1,13
0,06
0,49
0,14
0,47
EGPICANHA, mm
6,44
6,80
6,87
7,26
0,48
0,37
0,46
0,97
2
AOL100kg, cm
2
1 AOL = área de olho de lombo; AOL100 = área de olho de lombo para cada 100 kg de peso corporal; RATIO = relação entre largura x comprimento da AOL; MAR = marmoreio; EGS = espessura de gordura subcutânea; EGS100 = espessura de gordura subcutânea para cada 100 kg de peso corporal; EGPICANHA = espessura de gordura na picanha. 2EPM = erro padrão da média. 3 S = efeito de nível de suplementação prévia; A = efeito de duração do período de adaptação; S x A = efeito da interação entre nível de suplementação prévia e duração do período de adaptação.
O grau de marmoreio ao final do período de
atinge o desenvolvimento completo antes que os ossos, que
confinamento foi maior (P = 0,03) para as fêmeas de descarte
por sua vez atingem a maturidade antes dos músculos. O
que receberam suplementação proteico-energética no
último tecido a atingir a maturidade é o adiposo, sendo que
período que precedeu confinamento em comparação com
nesse tecido, diferentes depósitos atingem a maturidade de
as suplementadas apenas com sal mineral (Tabela 5), o que
forma variável. Em relação à gordura, a ordem de deposição
também parece estar relacionado com as taxas de ganho
é a seguinte: 1) gordura associada às vísceras (interna); 2)
observadas no período anterior. É importante ressaltar que
gordura localizada ao redor dos músculos (intermuscular); 3)
os diferentes tecidos corporais são depositados em períodos
gordura subcutânea; e 4) gordura de marmoreio (Lawrence &
distintos ao longo da vida do animal. O sistema nervoso
Fowler, 2002). Dessa forma, apesar das vacas suplementadas
63
apenas com mineral terem alcançado a mesma EGS ao final da
vacas previamente suplementadas com proteína e energia
terminação em comparação com as que receberam maiores
apresentaram maior PC ao início da terminação, e essa
níveis de suplementação, a gordura de marmoreio, última
diferença foi mantida ao longo do período de confinamento,
a ser depositada e que apresenta maior valor comercial,
resultando em maior peso de abate. O rendimento de carcaça
foi maior para as fêmeas de descarte suplementadas
quente também foi maior (P < 0,01) para vacas que receberam
mais intensivamente, o que reforça a importância da
suplementação proteico-energética na fase de pré-
suplementação ao longo de todo o ciclo produtivo quando se
terminação. De acordo com Restle et al. (1997), há tendência
tem como meta produzir carne de melhor qualidade.
de maior rendimento de carcaça para animais com peso
Houve efeito de nível de suplementação prévia
mais elevado, em partes, devido a uma maior deposição de
sobre o peso de abate (PA), com maiores valores (P < 0,01)
gordura na carcaça, resposta que foi confirmada no presente
observados para vacas que receberam suplemento proteico-
estudo. A associação entre maior peso de abate e maior
energético quando comparadas com as que receberam
rendimento de carcaça resultou em maior peso de carcaça
apenas suplemento mineral (Tabela 6), resultado que pode
(P < 0,01) para vacas previamente tratadas com suplemento
ser explicado pelo maior ganho de peso dessas fêmeas
proteico-energético em comparação com as que receberam
na fase anterior à terminação. Como consequência, as
apenas suplemento mineral.
Tabela 6. Características de carcaça de vacas Nelore previamente suplementados em diferentes níveis e adaptados por 10 ou 20 dias ao confinamento. Setor de Pecuária – CTC 2022.
Tratamento Variável1 PA, kg PCQ, kg RCQ, % CB, cm PB, cm CCar, cm ECX, cm CP, cm CF, pontos4
Valor de P3
10 dias 20 dias
Proteicoenergético 10 dias 20 dias
410,00 212,89 51,93 46,42 34,50 78,37 28,95 140,83 8,58
450,50 237,29 52,64 46,67 35,00 78,87 28,79 143,29 8,08
Mineral 433,50 220,49 50,67 45,33 33,75 77,91 28,41 142,25 8,58
445,25 232,95 52,32 46,45 34,83 79,54 29,91 140,33 9,16
EPM2 8,49 5,25 0,36 0,39 0,45 0,78 0,46 1,27 0,31
S
A
SxA
0,01 0,00 0,01 0,11 0,11 0,20 0,18 0,84 0,11
0,30 0,76 0,05 0,13 0,33 0,90 0,54 0,55 0,90
0,12 0,28 0,23 0,29 0,53 0,49 0,10 0,11 0,11
PA = peso de abate; PCQ = peso de carcaça quente; RCQ = rendimento de carcaça quente; CB = comprimento de braço; CCar = comprimento de carcaça; ECX = espessura de coxão; CP = comprimento de perna; CF = conformação de carcaça. 2 EPM = erro padrão da média. 3 S = efeito de nível de suplementação prévia; A = efeito de duração do período de adaptação; S x A = efeito da interação entre nível de suplementação prévia e duração do período de adaptação. 4 1-3 = inferior; 4-6 = má; 7-9 = regular; 10-12 = boa; 13-15 = muito boa; 16-18 = superior. 1
Por fim, observou-se efeito da duração do período
foram reportados por Parra et al. (2019), que observaram
de adaptação ao confinamento sobre o rendimento de
maior rendimento de carcaça para tourinhos Nelore
carcaça quente, com maiores valores (P = 0,05) para fêmeas
adaptados ao confinamento por 14 dias em comparação com
de descarte adaptadas por 10 dias em relação àquelas
animais adaptados por 21 dias. Os autores associam esse
adaptadas por 20 dias (Tabela 6). Resultados semelhantes
impacto positivo no rendimento de carcaça ao fato de que
64
animais que passaram por período de adaptação mais curto tiveram 7 dias a mais de acesso às dietas de terminação, mais
ESTEVAM, D. D.; PEREIRA, I. C.; RIGUEIRO, A. L. N.; PERDIGÃO,
energéticas em relação às dietas de adaptação. No presente
A.; DA COSTA, C. F.; RIZZIERI, R. A.; PEREIRA, M. C. S.; MARTINS,
estudo, vacas adaptadas por 10 dias tiveram acesso às dietas
C. L.; MILLEN, D. D.; ARRIGONI, M. D. B. Feedlot performance
de terminação por 10 dias a mais do que aquelas adaptadas
and rumen morphometrics of Nellore cattle adapted to high-
por 20 dias, o que pode justificar, ao menos parcialmente, as
concentrate diets over periods of 6, 9, 14 and 21 days. animal,
diferenças observadas para rendimento de carcaça quente.
v., p. 1-10, 2020.
CONCLUSÃO
HULSEN, J. Cow signals: a practical guide for dairy farm management: Roodbont Publishers, 2005.
A suplementação prévia com suplemento proteicoenergético promoveu maior peso inicial, final, melhor
LAWRENCE, T. J. L.; FOWLER, V. R. Prenatal and postnatal
condição corporal, maior peso de abate, peso de carcaça
growth. In: Growth of farm animals. Wallingford, UK: CABI
quente, rendimento de carcaça, musculosidade e marmoreio
Publishing, 2002, p.193-215
para vacas de descarte terminadas em confinamento, embora os ganhos individuais tenham sido semelhantes. O tempo de adaptação ao confinamento promoveu maior consumo de alimentos e melhor escore de fezes.
D.C.: National Academies Press, 2016, 8th ed., 475 p.
ABIEC. Beef Report - Perfil da Pecuária no Brasil. Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, 2022. em:
carcaças de novilhos: UFSM, 1987.
NASEM. Nutrient requirements of beef cattle. Washington,
REFERÊNCIAS
Disponível
MÜLLER, L. Normas para avaliação de carcaças e concurso de
<http://abiec.com.br/publicacoes/beef-
report-2022/>. Acesso em: 11/09/2022.
PARRA, F. S.; RONCHESEL, J. R.; MARTINS, C. L.; PERDIGÃO, A.; PEREIRA, M. C. S.; MILLEN, D. D.; ARRIGONI, M. D. B. Nellore bulls in Brazilian feedlots can be safely adapted to high-concentrate diets using 14-day restriction and step-up protocols. Animal Production Science, v. 59, p. 1858-1867, 2019.
ARNHOLD E. Package in the R environment for analysis of variance and complementary analyses. Brazilian Journal of Veterinarian Research Animal Science, São Paulo, v. 50, n. 6, p. 488-492, 2013
BRASIL. Regulamento da inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. Brasília, DF: Ministério da Agricultura, 2008.
Computing, version 4.1.2. Viena Áustria, 2021.
RESTLE, J; KEPLIN, L.A.S.; VAZ, F.N. Características quantitativas da carcaça de novilhos Charolês, abatidos com diferentes pesos. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 32, n. 8, p. 851-856, 1997.
ELAM, C. J. Acidosis in feedlot cattle: practical observations. Journal of Animal Science, v. 43, p. 898-901, 1976.
R Copyright (C) 2021. The R Foundation for Statistical
ROTH, M. T. P.; RESENDE, F. D.; OLIVEIRA, I. M.; FERNANDES, R. M.; CUSTÓDIO, L.; SIQUEIRA, G. R. Does supplementation
65
during previous phase influence performance during the growing and finishing phase in Nellore cattle? Livestock Science, v. 204, p. 122-128, 2017.
SAMUELSON, K. L.; HUBBERT, M. E.; GALYEAN, M. L.; LÖEST, C. A. Nutritional recommendations of feedlot consulting nutritionists: The 2015 New Mexico State and Texas Tech University survey. Journal of Animal Science, v. 94, p. 26482663, 2016.
SILVESTRE, A.M.; MILLEN, D.D. The 2019 Brazilian survey on nutritional practices provided by feedlot cattle consulting nutritionists. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 50, 2021.
SIMIONI, T. A.; TORRECILHAS, J. A.; MESSANA, J. D.; GRANJASALCEDO, Y. T.; VITO, E. S.; LIMA, A. R. C.; SANCHEZ, J. M. D.; REIS, R. A.; BERCHIELLI, T. T. Influence of growing-phase supplementation strategies on intake and performance of different beef cattle genotypes in finishing phase on pasture or feedlot. Livestock Science, v. 251, p. 104653, 2021.
VALADARES FILHO, S. C.; COSTA E SILVA, L. F.; LOPES, S. A.; PRADOS, L. F.; CHIZZOTTI, M. L.; MACHADO, P. A. S.; BISSARO, L. Z.; FURTADO, T. BR-CORTE 3.0. Nutritional requirements, diet formulation and performance prediction of Zebu and Crossbred cattle, 2016. Disponível em: <http://www.brcorte. com.br>. Acesso em: 5 de maio de 2021.
VASCONCELOS,
J.
T.;
GALYEAN,
M.
L.
Nutritional
recommendations of feedlot consulting nutritionists: The 2007 Texas Tech University survey. Journal of Animal Science, v. 85, p. 2772-2781, 2007.
WEISS, W. P.; CONRAD, H. R.; ST PIERRE, N. R. A theoreticallybased model for predicting total digestible nutrient values of forages and concentrates. Animal Feed Science and Technology, v. 39, p. 95-110, 1992.
66
CARACTERÍSTICAS DA FORRAGEM E DESEMPENHO DE BOVINOS DE CORTE EM PASTAGEM DE Panicum maximum Zuri E QUÊNIA EM SISTEMA DE INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA BILEGO1, Ubirajara Oliveira; NASCIMENTO2, Hemython Luis Bandeira do; ALMEIDA3, Dieimisson Paulo; FERNANDES4, Rafael Henrique; LIMA5, Diego Tolentino de; SILVA6, Cálita Cabral Martins Médico Veterinário, Dr. em Ciência Animal, Pesquisador em Produção Animal do Centro Tecnológico COMIGO, Rio VerdeGO. E-mail: ubirajarabilego@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. Zootecnia, Pesquisador em Forragicultura e Manejo de Pastagens do Centro Tecnológico COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: hemythonluis@comigo. com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Manejo e Controle de plantas-daninhas do Centro Tecnológico COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: dieimissonpaulo@comigo. com.br 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 6 Graduanda em Zootecnia – Instituto Federal Goiano – Campus de Rio Verde - GO 1
INTRODUÇÃO A integração Lavoura-Pecuária (ILP) é uma
67
prática que inegavelmente tem se consolidado como excelente opção para diversificação da produção nos ciclos agropecuários. A técnica possibilita a construção do perfil do solo, aumento na produtividade da soja, fornecimento de forragem de qualidade, além de reduzir os riscos de perdas por sazonalidades climáticas. Quando o objetivo da técnica visa maior desempenho animal e, simultaneamente garantir palhada de qualidade, que assegure condições favoráveis para a semeadura da lavoura na safra posterior, especialmente em áreas com solos mais arenosos, temperaturas mais elevadas e pluviosidade reduzida, a busca por novas forrageiras mais produtivas é uma boa alternativa. Apesar de serem reconhecidas como forrageiras de alta produtividade e preferidas para os sistemas mais intensificados de pastagens permanentes, os panicuns ainda são pouco explorados nos sistemas de ILP. Isso pode ser atribuído, em partes, ao receio que alguns produtores tem de que esses capins cresçam excessivamente, formando grandes touceiras e possam comprometer a plantabilidade da soja. Contudo, o sistema Santa Fé de ILP que é o mais utilizado atualmente, consiste no plantio da lavoura na safra e pasto para exploração pecuária na safrinha em anos consecutivos. Quando bem manejados, durante a etapa da pecuária, os
pastos de Panicum maximum podem garantir palhada de qualidade, boa cobertura do solo e sem o comprometimento do plantio subsequente. Diante da escassez de informações sobre o desempenho dessas gramíneas em sistemas de ILP, objetivouse avaliar as características produtivas, e o desempenho animal em sistema de ILP, utilizando as cultivares Panicum maximum BRS Zuri e o Panicum maximum BRS Quênia.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado no Centro Tecnológico COMIGO (CTC), em Rio Verde – GO. Segundo Thornthwaite (1948) o clima de Rio Verde - GO é classificado em B4 rB’4a’ (úmido, pequena deficiência hídrica, mesotérmico e evapotranspiração no verão menor que 48%). A área utilizada para o experimento encontra-se sob as coordenadas S 17⁰45’48’’ e O 51⁰02’14’’, com altitude de 832 m e é composta de 2,21 ha (talhão I8), 2,93 ha (talhão J9) e 2,17 ha (talhão H7), conforme demonstrado na Figura 1. O talhão I8 já utiliza o sistema de Integração Lavoura-Pecuária desde o ano agrícola 2011/2012, o talhão J9 desde o ano agrícola 2016/2017 e o talhão H7 (Laranja) a partir de 2021/2022.
Figura 1. Área experimental do ensaio de Integração Lavoura-Pecuária. Após a colheita da soja, iniciou-se o segundo ciclo produtivo da safra 2021/2022 com a produção animal no
e viabilidade em relação às áreas com forragem e produção animal praticadas na mesma época.
sistema de ILP. Essa etapa iniciou-se com a instalação
A semeadura da forrageira foi realizada entre os
das forrageiras para posterior inserção dos animais.
dias 06 e 07/03/2022. Para essa atividade, utilizou-se da
Simultaneamente à instalação da forragem foi realizada a
semeadora-adubadora pneumática Baldan modelo SPDE
semeadura do milho em segunda safra. A cultura do milho
CXP 5000, com 24 linhas e espaçamento entre linhas de 17
foi utilizada como referência para indicar a produtividade
cm. Na semeadura foram utilizados 7,5 kg ha-1 de semente
68
comercial com valor cultural 80% e 250 kg ha-1 do formulado NPK (08-20-18).
Antes do período experimental foram colhidas amostras representativas do solo de cada módulo avaliado (Quadro 1).
Quadro 1. Resultados das análises do solo nos módulos de ILP CTC -2022 Bloco
Prof. (cm)
1 2 3
0-20 0-20 0-20
pH (CaCl2) 4,90 5,14 5,23
Ca Mg Al ----------cmolc dm-3 --------3,20 0,98 0,024 3,50 0,85 0,051 3,12 1,03 0,060
A divisão da área em módulos e piquetes foi realizada com instalação de sistema de cercas elétricas montadas com auxílio de postes de eucalipto e vergalhões de ferro, isoladores de canto e de linhas e aparelho eletrificador Speedrite 6000i – Datamars – São Paulo, com produção elétrica a partir de placas solares e armazenadas em bateria HELIAR de 70 amperes. Para o fornecimento de água de qualidade ad libitum aos animais utilizou-se de bebedouros metálicos, com enchimento por boias de gravidade e capacidade de 500 litros. Um bebedouro ficava centralizado entre os quatro módulos de produção, nos talhões I8 e J9 com livre acesso pelos animais. Outro bebedouro, similar, com capacidade de 300 L, ficava centralizado na lateral do talhão H7. O método de pastejo adotado foi o alternado com taxa de lotação variável. Avaliações da estrutura do pasto eram realizadas sempre nas mudanças de piquetes. Sempre antes da entrada e imediatamente após a saída dos animais de cada piquete era mensurada a altura da forragem e colhida a massa da forragem para estimativa da sua produção. A altura era mensurada em 30 pontos aleatórios por piquete, utilizando-se da régua graduada em centímetros. Para quantificar a massa de forragem pré-pastejo e do resíduo pós-pastejo, eram colhidas duas amostras de forragem por piquete, em pontos representativos da condição média do pasto. A área contendo a massa a ser colhida era delimitada por moldura de tubos PVC medindo 1,0 m x 1,0 m (1,0 m2). As amostras foram cortadas rente ao solo, pesadas e retiradas sub-amostras com aproximadamente 500 g de foragem, que foram acondicionadas em sacos plásticos, identificadas e levadas para a sala de manipulação de amostras, onde cada sub-amostra era fracionada em duas. Uma amostra era
K P --------- mg dm-3 --------176,23 40,55 200,75 31,20 172,62 30,32
V % 63 65 57
enviada ao Laboratório Químico Industrial da COMIGO, para a realização das análises da composição química da forrageira. A outra amostra era destinada à separação dos componentes morfológicos em folha (lâmina foliar), colmo e material morto. Após a separação, cada fração dos componentes era colocada em sacos de papel, pesados, levados para secar em estufa de circulação de ar forçada à 55°C por 72 horas e posteriormente pesadas novamente para determinação da massa seca. Para a avaliar a produção animal, foram utilizados 22 garrotes Nelore (Figura 2), com idade média de 15 meses e peso corporal médio de 251 ± 17,15 kg. Os animais foram pesados sob jejum prévio de alimentos sólidos de 16 horas, em seguida casualizados e distribuídos de forma aleatória entre os tratamentos: capim Quênia e capim Zuri. Antes do período experimental os animais foram vacinados e desverminados conforme o calendário profilático da propriedade.
69
Figura 2. Garrotes Nelore em sistema de ILP com diferentes espécies de panicuns. Foto tirada em 02/06/2022. Os animais foram inseridos no sistema em 03/06/2022,
Cooperbeef Seca® (TABELA 1), com fornecimento sugerido de
88 dias após a semeadura das forrageiras. As pesagens
0,3 g por kg de peso corporal para o suplemento mineral e de
dos animais foram realizadas a cada 28 dias e as pesagens
3 g por kg de peso corporal para os suplementos energético-
inicial e final foram realizadas com jejum prévio de sólidos.
proteicos. O suplemento era fornecido em cochos de plástico,
Nessas ocasiões, também foram realizadas a mensurações
próximos da fonte de água, com disponibilidade de 40 cm por
morfométricas, com metodologia adaptada de Freneau et al.
animal e a quantidade a ser fornecida era ajustada ao peso
(2008), visando avaliar o crescimento dos animais.
dos animais, por ocasião das pesagens.
A suplementação dos animais foi realizada com três suplementos, atendendo aos requerimentos nutricionais dos animais, e ajustado pela qualidade da forragem observada à cada ciclo de avaliações. Foram utilizados os suplementos Cooper ILP 60 Cr + NA®, suplemento Cooperbeef Águas e
70
Tabela 1. Níveis de garantia por kg dos suplementos utilizados durante o período experimental.
Ingrediente
Cooper Recria 60 Cr + NA®
Cálcio (mín.), g Cálcio (máx.), g Fósforo, g Sódio, g Magnésio, mg Enxofre, mg Cobre, mg Manganês, mg Zinco, mg Cobalto, mg Iodo, mg Selênio, mg Flúor, mg Vit. A, UI Vit. D, UI Vit. E, UI NDT, g PB, g NNP, g Cromo Orgânico, mg Narasina, mg Monensina sódica, mg Virginiamicina, mg
95,00 145,00 45,00 140,00 5.000,00 18,00 540,00 455,60 1.234,00 20,25 33,75 8,43 0,03
Consumo UA-1 dia-1, g
125,00
Cooperbeef Águas®
Cooperbeef Seca®
30,00 40,00 9,00 27,00 1,80 4,00 120,00 65,00 360,00 10,00 10,00 1,60 0,05 20.000,00 4.000,00 1,30 680,00 100,00 21,30
21,00 35,00 10,00 20,00 1.650,00 5,00 188,00 100,00 578,00 16,00 16,50 2,50 0,06 40.000,00 8.000,00 2,66 650,00 250,00 180,00
80,00 30,00
80,00 30,00
1.000,00
1.000,00
2,70 900,00
FONTE: Suplemento Mineral COMIGO Os dados das precipitações no local onde foi realizado o experimento foram coletados diariamente e encontram-se demonstrados na Figura 3.
71
Figura 3. Valores de precipitação de março a agosto 2022 no CTC Fonte: CTC - Setor de Pecuária O delineamento experimental foi o de blocos
versão R-4.1.2 (2021), utilizando-se do pacote estatístico
casualizados (DBC), com duas cultivares de Panicum
easyanova (ARNHOLD, 2013). As variáveis não-paramétricas
maximum (Quênia e Zuri) como tratamentos, distribuídos
foram avaliadas pelo teste de Kruskal-Wallis, a 5% de
em três blocos. Cada bloco continha os dois tratamentos
probabilidade.
com duas repetições. Para avaliação do desempenho animal foi mensurado o ganho de peso total (GMT), utilizandose do peso final de cada animal menos o peso inicial. Para
RESULTADOS E DISCUSSÃO
obtenção do ganho de peso médio diário (GMD) foi utilizado o (GMT) dividido pelo período em dias em que cada animal
A produção de forragem apresentou diferença
permaneceu no experimento. Para a mensuração do total
significativa (p = 0,07), com maior produção verificada para o
de arrobas produzidas em cada módulo, foi utilizado o GMT
capim Zuri, que foi 40% superior ao capim Quênia (Figura 4).
dividido por 30 kg, considerando o rendimento de carcaça de 50%. Para a comparação das variáveis GMT, GMD e arrobas por hectare, entre os tratamentos, utilizou-se da média obtida em cada módulo (unidade experimental). Os dados das variáveis foram submetidos à análise de variância e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 10 % de probabilidade, através do programa R
72
Figura 4.Produção de forragem em pastos de Panicum maximum BRS Zuri e Panicum maximum BRS Quênia implantados após a cultura da soja em sistema de integração Lavoura-Pecuária.
Médias seguidas por letras diferentes diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 10% A composição morfológica do pasto apresentou diferenças apenas para as porcentagens de folha e colmo, com maior porcentagem de folhas nos pastos de capim Zuri (P = 0,09). A diferença representou 13% a mais de folhas na composição do pasto em relação ao capim Quênia (Tabela 2). Quanto à porcentagem de colmo, maiores valores foram observados nos pastos de capim Quênia (P = 0,047), que apresentaram em média 24% a mais de colmo na massa de forragem em relação ao Zuri. Quanto às porcentagens de material morto e de inflorescência, não foram verificadas diferenças significativas entre as forrageiras (p = 0,1246 e 0,1956 respectivamente). Quanto à composição bromatológica, não ocorreram diferenças significativas nos teores de Proteína Bruta (PB), Fibra em Detergente Neutro (FDN) e Fibra em Detergente Ácido (FDA) (Tabela 2).
73
Tabela 2. Composição morfológica e química da forragem de pastos de Panicum maximum BRS Zuri e Panicum maximum BRS Quênia. Variável Folha (%) Colmo (%) Material Morto (%) Inflorescência (%) PB (%) FDN (%) FDA (%)
Zuri 64,00 a 22,41 b 5,43 8,11 9,11 74,00 45,02
Quênia 56,48 b 27,88 a 4,53 11,06 9,44 73,22 45,19
EPM1 3,0109 2,4251 0,5369 2,0893 0,3005 1,0874 1,0551
P – valor2 0,0914 0,0478 0,1246 0,1956 0,2544 0,4923 0,8796
PB = proteína bruta; FDN = fibra insolúvel em detergente neutro; FDA = fibra insolúvel em detergente ácido. 1EPM = Erro padrão da média; 2Médias seguidas por letras iguais nas linhas não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 10% Os animais manejados em ambas as forrageiras
boa qualidade nos sistemas contribuiu para o desempenho
obtiveram satisfatórios ganhos de peso total (GMT) e diário
observado em ambas as forrageiras. Entretanto, no final do
(GMD). Não foram verificadas diferenças significativas nos
segundo ciclo houve redução considerável da produção de
valores de desempenho entre os animais mantidos no capim
forragem do capim Quênia, causando a retirada dos garrotes
Zuri e capim Quênia, durante a segunda safra de 2021/2022
de dois módulos (ILP1A e ILP2B) do experimento. Esse ajuste,
(Tabela 3), exceto para a produção de arrobas por hectare (P
explica a razão dos animais do capim Zuri terem apresentado
≤ 0,05), onde o capim Zuri apresentou produção 48% maior
maior acúmulo de arrobas por hectare, apesar dos
do que o capim Quênia. A disponibilidade de forragem de
desempenhos individuais similares em ambas as forrageiras.
Tabela 3. Valores de peso corporal e desempenho de garrotes Nelore em sistema de ILP com duas cultivares de panicuns. CTC - 2022.
Variáveis1 PESOi, kg PESOf, kg GMD, kg GMT, kg Arrobas ha-1
Quênia 252,28 301,72 0,62 39,64 4,47b
Zuri 251,73 299,91 0,57 48,18 6,62 a
EPM2 7,47 7,74 0,01 0,01 0,21
P - Valor 0,96 0,88 0,18 0,21 0,02
PESOi = Peso inicial; PESOf = peso final; GMD = ganho de peso médio diário; GMT = ganho de peso total e arrobas produzidas por hectare. 2EPM = erro padrão da média. Médias seguidas de letras diferentes na mesma linha diferem pelo teste F a 5% de probabilidade. 1
Dias et al. (2021) verificaram GMD de 0,98 kg e 0,78 kg
As medidas morfométricas não apresentaram
em garrotes Nelore, em pastejo de capim-mombaça e capim-
diferenças (Tabela 4) entre os animais manejados com as
tamani, respectivamente, nas mesmas condições e, com
duas cultivares de panicuns, o que significa que as duas
maior acúmulo de arrobas do que o presente experimento,
proporcionaram condições semelhantes para o crescimento
porém, no período de 141 dias. Já Braga et al. (2019) verificaram
dos animais.
GMD de 0,38 kg para o capim Zuri, no mês de maio, início do período seco.
74
Tabela 4. Medidas morfométricas de garrotes Nelore avaliados em sistema de ILP com duas cultivares de panicuns. CTC – 2022.
Variáveis1
AG AC CC PT *ECC
Quênia 135,65 128,87 111,9 155,97 3,12
Zuri 134,44 126,77 111,79 152,13 3,08
EPM2 1,44 3,07 0,73 1,96 0,001
P – Valor 0,61 0,67 0,92 0,30 0,50
(AG) = Altura da garupa; (AC) = altura da cernelha; (LG) = largura da garupa; (LP) = largura do peito (CC) = comprimento do corpo; (PT) = perímetro torácico; ECC= escore de condição corporal. 2EPM = erro padrão da média. Médias seguidas de letras diferentes a mesma linha diferem ao teste F ou ao teste de *Kruskal-Wallis a 5% de probabilidade. 1
O consumo de suplementos foi semelhante entre os animais mantidos no capim Zuri e no capim Quênia,
independentemente do tipo de suplemento ofertado (Tabela 5).
Tabela 5. Consumo dos suplementos mineral, energético-proteico e proteico-energético. CTC – 2022.
Quênia 143,81 830,55 889,36
Suplementos Cooper Recria 60 CR + NA®, g Cooperbeef Águas®, g Cooperbeef Seca®, g Fonte: Setor de Pecuária – CTC COMIGO
Zuri 129,57 826,11 867,19
A produção animal visa obter o máximo de produtividade.
forragem e maior produção de folhas em relação ao capim
No entanto, deve-se manter o equilíbrio produtivo entre os
Quênia no sistema ILP, o que resultou em incremento de 48%
sistemas, dentro da mesma área. A retirada dos animais ainda
na produção de arrobas por hectare nos pastos de capim Zuri em
no início do mês de agosto, quando ainda havia considerável
relação aos pastos Quênia.
oferta de forragem, teve como objetivo proporcionar o perfilhamento das forrageiras, nas primeiras chuvas do final de setembro e início de outubro. Com esse procedimento espera-
REFERÊNCIAS
se maior produção de biomassa para o primeiro ciclo produtivo (soja) do ano de 2022/2023. A biomassa remanescente das forrageiras foram mais eficientes em relação à palhada de milho para a cobertura do solo, e fornecimento de nutrientes como:
ARNHOLD, E. Pacote em ambiente R para análise de variância e análises complementares. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v.50, n.6, p.488-492, 2013.
nitrogênio(N), fósforo (P), potássio (K), Cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S) (DIAS et al., 2020), na mesma área. Essas condições
BRAGA, G. J.; MACIEL, G. A.; GUIMARÃES JR., R.; RAMOS, A. K. B.;
são fundamentais para o plantio direto da soja e tem impactado
CARVALHO, M. A.; FERNANDES, F. D.; FONSECA, C. E. L.; JANK,
positivamente nas suas produções.
L. Performance of young Nellore bulls on guineagrass pastures under rotational stocking in the Brazilian Cerrado. Tropical Grasslands-Forrajes Tropicales vol. 7(3), p.214–222, 2019.
CONCLUSÃO DIAS, M. B. C.; COSTA, K. A. P.; SEVERIANO, E. C.; BILEGO, U. O.; O capim Zuri apresentou maior produção total de
VILELA, L.; SOUZA, W. F.; OLIVEIRA, I. P.; SILVA, A. C. G. Cattle
75
performance with Brachiaria and Panicum maximum forages in an integrated crop-livestock system. African Journal of Range & Forage Science, P1-14, 2021.
FRENEAU, G.E., SILVA, J.C.C., BORJAS, A.L.R., AMORIM, C. Estudo de medidas corporais, peso vivo e condição corporal de fêmeas da raça Nelore Bos taurus indicus ao longo de 12 meses. Ciência Animal Brasileira. Goiânia, vol.9, p.76-85, 2008.
DIAS, M. B. C.; COSTA, K. A. P.C.; SEVERIANO, E. C.; BILEGO, U. B.; FURTINI NETO, A. E. F.; ALMEIDA, D. P.; BRAND, S. C.; VILELA, L. Brachiaria and Panicum maximum in an integrated crop– livestock system and a second-crop maize system in succession with soybean, Journal of Agricultural Science, v.2, p.1-12, 2020.
R Copyright (C) 2021. The R Foundation for Statistical Computing, version 4.1.2. Viena Áustria, 2021.
THORNTHWAITE, C. W. An Approach toward a Rational Classification of Climate. Geographical. Review, v. 38, n 1., p. 5594, 1948.
76
PRODUÇÃO, QUALIDADE DE FORRAGEM E DESEMPENHO ANIMAL DA AVEIA BRANCA IRRIGADA NO PERÍODO SECO NA REGIÃO DE RIO VERDE - GO BILEGO1, Ubirajara Oliveira; NASCIMENTO2, Hemython Luis Bandeira; ALMEIDA2, Dieimisson Paula; SILVA3, Cálita Cabral Martins; CRUVINEL4, Keniston Freitas de Souza; VAZ5, Pedro Olímpio Oliveira, Médico Veterinário, DSc. Pesquisador Veterinário II – CTC – COMIGO 2 Engenheiro Agrônomo, DSc. Pesquisador Agronômico I – CTC – COMIGO 3 Graduanda de Zootecnia – Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde – GO 4 Graduando de Medicina Veterinária – Unibrás – Campus Rio Verde – GO 5 Graduando de Medicina Veterinária – Universidade Federal de Jataí - GO 1
fornecimento e armazenagem do que outras estratégias de alimentação volumosa como feno e silagem. A estratégia da irrigação pode ser uma importante ferramenta para amenizar a sazonalidade produtiva das forrageiras nas regiões Centro-Sul do Brasil (GOMES et al., 2015). Dessa forma, ela atenua a deficiência na produção forrageira em função do déficit hídrico observado em alguns momentos do período seco e nos veranicos durante a estação chuvosa. Adicionalmente, o uso de forrageiras de clima temperado como as aveias podem ser uma das opções para a produção de forragem com elevado potencial produtivo e qualidade, quando as condições ambientais são desfavoráveis à produção das forrageiras tropicais. Essas
INTRODUÇÃO
forrageiras possuem boa adaptação às características edafoclimáticas da região Sul do país e bom potencial para
A intensa valorização das terras na região CentroOeste requer que a pecuária de corte seja praticada de forma
cultivo na região Sudeste, com irrigação (CARVALHO et al., 2014).
eficiente e rentável. Sendo assim, a adoção de tecnologias nas
Dessa forma, objetivou-se com o presente trabalho,
diversas áreas da atividade pecuária torna-se imprescindível.
avaliar a produção, qualidade da forragem e o desempenho
Dentre as principais tecnologias disponíveis para a pecuária de corte, a irrigação de pastagens destaca-se
animal bovinos de corte em pastejo irrigado de aveia branca no período seco do ano de 2022, na região de Rio Verde - GO.
pelas vantagens da intensificação com menor custo de
77
MATERIAL E MÉTODOS
em seis setores, com quatro aspersores de impacto por setor que funcionavam com pressão de serviço de 28 mca.
O experimento foi realizado no Setor de Pecuária do Centro Tecnológico COMIGO, no município de Rio Verde – GO. A altitude média do local é de 820 m, possui topografia plana a levemente ondulada com solo do tipo latossolo vermelho distrófico e textura areno-argilosa. A área total destinada para esta pesquisa é de 8852m2, dividida em 12 piquetes de 675 m2 cada, com 752 m2 de área de descanso, provida de
Esse dimensionamento permitiu que o sistema aplicasse a lâmina líquida máxima de 6,8 mm por hora piquete-1. O manejo da irrigação foi realizado a partir da determinação da evapotranspiração diária utilizando-se do evaporímetro de Piché (Pi, mm d-1), e com auxílio das equações 1 (Eq.01) proposta por Villa-Nova & Ometto (1981) e as equações 2 e 3 (Eq.02 e Eq.03) definidas por Makkink (1957). Equação 01 =
bebedouro e cocho de concreto para o fornecimento das suplementações.
Equação 02 = W = 0,407 + 0,0147 T para 0 < T < 16 ºC
O sistema de irrigação utilizado foi o sistema por
Equação 03 = W = 0,483 + 0,0100 T para 16,1 < T < 32 ºC
aspersão convencional fixa, composta por tubulação de PVC (Tigre – Indaiatuba – SP), motobomba 5 cv, (WEG – Franklin Eletric Ind. Motobombas S.A. – Joinville – SC), controlador automatizado de irrigação (Hunter X-core
No Quadro 1 constam os valores referentes a análise do solo antes do período experimental.
601, Kadox – Curitiba – PR), válvulas solenoides, sensor de chuva, aspersores de impacto (NAAN – Naandanjain – Leme-SP) e reguladores de pressão. O sistema foi dividido Quadro 1. Análise de solo da área irrigada antes do período experimental. Prof. (cm)
pH (CaCl2)
0-20
4,60
Ca
Mg
Al
----------cmolc dm-3 --------1,98
0,81
0,04
K
P
--------- mg dm-3 --------55,09
2,80
V % 53,60
A semeadura da forrageira foi realizada no dia
realizados dentro de cada piquete. Amostras da forrageira
26/04/2022 e para essa atividade, utilizou-se da semeadora-
foram colhidas imediatamente antes da entrada dos animais
adubadora pneumática Baldan modelo SPDE CXP 5000, com
no piquete de entrada e logo após a saída de cada piquete.
24 linhas e espaçamento entre linhas de 17 cm. Na semeadura
Utilizou-se do quadrado metálico de (0,50 x 0,50 m) 0,25
foram utilizados 80 kg ha de semente comercial e 400 kg ha
m2, arremessado aleatoriamente na área para delimitar a
do formulado NPK (05-30-20).
área onde foi retirada as amostras. Foram obtidas sempre
-1
-1
O sistema de pastejo adotado foi o intermitente com
duas amostras e essas foram retiradas rente ao solo para
taxa de lotação variável, em que os animais permaneciam
mensuração de oferta total de forragem. Para o cálculo da
dois dias em cada piquete. Utilizou-se como manejo as
capacidade de suporte utilizou-se do valor total da oferta
alturas de entrada e saída da forragem. Recomendou-se
da forragem em massa verde e seca, ajustado para 50% de
que os animais entrassem com a forrageira na altura de 40
eficiência do pastejo e divido pela estimativa de consumo
cm e a saíssem na altura de 20 cm. A medida da altura do
de 2,2% de consumo diário de matéria seca (MS) em relação
pasto foi obtida através das médias de 10 pontos amostrais
peso corporal dos animais. Após colhidas, as amostras
78
foram identificadas em sacos plásticos, acondicionadas
finalizou em 11/10/2022, com duração total de 119 dias. Para
e em seguidas enviadas para o Laboratório 3rlab®, para a
as avaliações de desempenho animal utilizou-se de oito (08)
realização das análises bromatológicas.
garrotes Nelore (Bos taurus indicus L.), com idade média de
O experimento teve início no dia 14/06/2022 e
14 meses e peso corporal médio de 232,38 ± 18,43 kg (Figura 1).
Figura 1. Garrotes Nelore no início das avaliações. Foto tirada em: 14/06/2022. Fonte: Arquivo pessoal Antes de entrarem no sistema, os animais foram
final foram realizadas mediante jejum prévio de no mínimo
vacinados e desverminados conforme o calendário profilático
16 horas. No momento das pesagens inicial e final, também
preconizado pela assistência técnica da propriedade. Os
foram realizadas medidas morfométricas em todos os
animais foram avaliados e pesados a cada 24 dias, quando
animais.
completavam cada ciclo de pastejo. As pesagens inicial e
Figura 2. Garrotes na área da aveia irrigada. Foto tirada em: 15/06/2022 Fonte: Arquivo pessoal
79
As mensurações morfométricas com metodologia
articulação escapulo-umeral à articulação coxofemoral e
adaptada de Freneau et al. (2008), foram realizadas com
perímetro torácico (PT) - perímetro tomando-se como base o
uso de fita métrica e bengala hipométrica. As variáveis
esterno e a cernelha, passando por trás da paleta.
mensuradas foram: altura da garupa (AG) - distância entre
Durante o período de pastejo os animais receberam o
a tuberosidade sacral, na garupa, e a extremidade distal do
suplemento mineral Cooper Recria 60 CR + NA® (Tabela 1), Ad
membro posterior; altura da cernelha (AC) - distância entre
libitum, fornecidos em cocho de concreto com disponibilidade
a região da cernelha e a extremidade distal do membro
de 1,8 m por animal.
anterior; comprimento corporal (CC) - medida que vai da Tabela 1. Análise de solo da área irrigada antes do período experimental.
Ingrediente Cálcio (mín.), g Cálcio (máx.), g Fósforo, g Sódio, g Magnésio, mg Enxofre, mg Cobre, mg Manganês, mg Zinco, mg Cobalto, mg Iodo, mg Selênio, mg Flúor, mg Cromo Orgânico, mg Narasina, mg Consumo UA-1 dia-1, g *UA= Unidade animal equivalente a 450 kg de peso corporal. Fonte: Suplemento Mineral COMIGO Para as avaliações da produção e composição química da forrageira, o delineamento experimental foi o inteiramente casualizado, considerando-se 12 piquetes avaliados em cinco ciclos de produção forrageira.
80
95,00 145,00 45,00 140,00 5000,00 18,00 540,00 455,60 1234,00 20,25 33,75 8,43 0,03 2,70 900,00 125,00
Figura 3. Valores médios quinzenais dos principais indicadores climáticos, do município de Rio Verde – GO, durante o período experimental. Fonte: INMET Os dados das avaliações de produção forrageira e
temperaturas ambientais. Entretanto, a redução da produção
de composição bromatológica foram submetidos à análise
de MS não comprometeu o consumo pelos animais. Segundo
de variância (Test F), utilizando-se do pacote estatístico
Hodgson (1990), a massa de forragem deve ser superior a
(easyanova) (ARNHOLD, 2013) e as médias comparadas
1.500 kg ha-1 de MS para não limitar o consumo de bovinos em
através do teste de Scott-Knott, ao nível de 5% de
gramíneas hibernais. Durante o período experimental houve
probabilidade. Os valores da composição bromatológica,
necessidade de ajuste na taxa de lotação. Aos 56 dias foram
desempenho e morfometria foram apresentados na forma de
retirados três animais da área para adequar a produção
estatísticas descritivas, utilizando-se do pacote estatístico
forrageira com a carga animal.
(ds) (ARNHOLD, 2014), do programa computacional R. (R Development Core Team, 2021).
RESULTADOS E DISCUSSÃO As produções de massa verde e massa seca por hectare apresentaram diferenças (P ≤ 0,05) entre os ciclos produtivos (Tabela 2). Verificou-se que conforme aumentaram as temperaturas máximas e mínimas ambientais (Figura 3), houve redução da produção da aveia, diferentemente do que ocorre com as forrageiras tropicais. A redução da produção forrageira coincidiu com os meses de setembro e outubro, ocasião em que, sistematicamente ocorre aumento das
81
Tabela 2. Valores de produção forrageira e alturas de manejo da aveia branca irrigada no período seco de 2022. Setor de Pecuária – CTC 2022.
Ciclos
Variáveis
C.V. (%)
p-Valor
18467,27b
22,54
0,0183
3061,28a
2400,74b
22,56
0,0235
39,82
a
43,50
c
33,91
c
33,84
13,25
≤0,01
16,92a
14,37b
12,82b
12,10b
21,88
≤0,01
1
2
3
4
5
MV ha-1, kg
23575,00a
26134,67a
23206,67a
23548,33a
MS ha-1, kg
3064,75a
3060,91a
3016,86a
Aent, cm
b
38,38
b
Asai, cm
17,57a
C.V. = Coeficiente de variação; MV ha-1 = massa verde por hectare; MS ha-1 = massa seca por hectare; Aent = altura de entrada; Asai = altura de saída, a,b,c = Médias seguidas de letras diferentes na mesma linha diferem entre si, pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05). A média da altura de entrada nos piquetes, entre os três primeiros ciclos, ficou idêntica à altura de entrada média estimada (40 cm) e semelhante à média obtida por Pereira et al. (2022) quando avaliaram três cortes de aveia branca sob diferentes doses de fósforo, no Rio Grande do Sul. Porém, a altura da entrada reduziu significativamente nos dois últimos ciclos de produção. A altura de saída apresentou redução significativa já a partir do terceiro ciclo e apenas as médias dos dois primeiros ciclos apresentaram valores próximos à média estimada (20 cm). Os valores médios da composição bromatológica encontram-se na Tabela 3. A aveia branca caracterizou-se como uma forragem de excelente qualidade nutricional, apesar da baixa produção de matéria seca em relação às gramíneas tropicais. Na sua composição destaca-se os altos valores de proteína, extrato etéreo e nutrientes digestíveis totais (energia) que permitiram altos valores de desempenho. Vale ressaltar também, os baixos valores de FDN e FDA, que favoreceram o consumo e a digestibilidade da matéria seca do alimento.
82
Tabela 3. Valores da composição bromatológica da aveia branca irrigada, no período seco de 2022. Setor de Pecuária – CTC 2022.
Itens
MS
PB
EE
MM
Ca
P
K
FDN
FDA
NDT
Média (%) Máximo (%) Mínimo (%) Desvio padrão Erro-padrão C.V. (%)
12,97 14,40 11,63 0,73 0,19 5,68
25,39 31,84 21,46 2,94 0,75 11,57
4,76 5,13 4,07 0,29 0,07 6,12
11,44 13,41 10,30 1,00 0,25 8,77
0,75 0,98 0,60 0,12 0,03 16,27
0,45 0,55 0,38 0,03 0,01 8,28
3,67 4,08 2,92 0,33 0,08 9,06
45,57 48,59 41,03 2,40 0,62 5,26
28,15 31,76 25,01 1,90 0,49 6,77
73,02 80,18 68,17 3,46 0,89 4,74
MS = massa seca; PB = proteína bruta; EE = extrato etéreo; MM = matéria mineral; Ca = cálcio; P = fósforo; K = potássio; FDN = fibra insolúvel em detergente neutro; FDA = fibra insolúvel em detergente ácido; NDT= nutrientes digestíveis totais; C. V. = Coeficiente de variação Quanto à produção animal, verificou-se que os
observado em animais sob pastejo de gramíneas tropicais,
animais apresentaram excelente ganho individual (GMD
é menor do que o mensurado no presente trabalho. Ao
= 0,98 kg), que refletiu positivamente no ganho total e no
avaliarem características de carcaça de bovinos de corte em
ganho por área. Esse desempenho certamente ocorreu
pastejo de aveia branca, Hirai et al. (2014) obtiveram valores
devido a produção e o consumo de forragem com excelente
de GMD que variaram entre 0,55 a 0,94 kg, semelhante ao
qualidade nutricional. O desempenho nesse período do ano,
presente estudo.
Tabela 4. Valores de desempenho de garrotes Nelore, sob pastejo de aveia branca irrigada, no período seco de 2022. Setor de Pecuária – CTC 2022.
Itens Média (kg) Máximo (kg) Mínimo (kg) n Desvio padrão Erro-padrão C.V. (%)
PESOi 232,37 258,00 200,00 8 18,43 6,51 7,93
PESOf 332,25 381,00 266,00 8 43,12 15,24 12,97
GMT 99,87 134,00 48,00 8 30,15 10,66 30,19
GMD 0,98 1,15 0,67 8 0,15 0,05 16,12
PESOi=peso inicial; PESOf= peso final; GMD= ganho de peso médio diário; GMT=ganho de peso total; C.V.= coeficiente de variação As medidas morfométricas avaliadas (Tabela 5), apresentaram valores satisfatórios, indicando que os animais obtiveram ganho de peso e taxas de crescimento positivos. Essas avaliações são importantes porque possuem relação com o peso e tamanho adulto do animal (VAZ et al., 2019).
83
Tabela 5. Valores da morfometria de garrotes Nelore, sob pastejo de aveia branca irrigada, no período seco de 2022. Setor de Pecuária – CTC 2022.
Itens Média (cm) Máximo (cm) Mínimo (cm) n Desvio padrão Erro-padrão C.V. (%)
AG
130,75 133,75 127,50 8 2,09 0,74 1,60
AC
126,50 134,00 120,50 8 4,68 1,65 3,69
CC
114,15 117,50 111,50 8 1,89 0,67 1,65
PT
148,43 155,50 141,50 8 1,52 2,90 1,25
ECC 3,01 3,20 2,93 8 0,08 0,03 2,82
AG= altura da garupa; AC=altura da cernelha; LG=largura da garupa; LP= largura do peito; CC= comprimento do corpo; PT= perímetro do tórax; ECC= escore de condição corporal; C.V.= coeficiente de variação. Segundo a ABEIC (2022) a área disponível de pastagens
maiores (Tabela 6), com taxas de ocupação e lotação médias
no Brasil é de 163,1 milhões de ha, onde a taxa de ocupação é
de 7,3 cab ha-1 e 4,6 UA ha-1, respectivamente, durante o
de 1,2 cab ha-1 e a taxa de lotação é de 0,9 UA ha-1. No presente
período experimental.
trabalho, verificou-se que houve valores expressivamente Tabela 6. Médias dos indicadores de produtividade animal de garrotes Nelore sob pastejo de aveia branca, durante o período seco de 2022. Setor de Pecuária – CTC 2022. Indicadores Valores Período, dias 119 Área do sistema, ha 0,88 Total de animais, n. 8 Peso médio de entrada, kg 232,38 Peso médio de saída, kg 332,25 Estoque inicial, @ 61,97 Estoque final, @ 88,60 4,67 Lotação inicial, UA ha-1 -1 Lotação final, UA ha 4,52 GMD, kg 0,98 GMT, kg 99,88 Ganho geral, kg 799,00 Ganho geral, @ 26,63 Ganho geral, @ ha-1 30,27 ha = hectare; n. = número médio; kg = quilograma; @ = arroba (equivalente a 30 kg de peso corporal); UA = unidade animal (equivalente a 450 kg de peso corporal); UA-1 = unidade animal por ha; GMD = ganho de peso médio diário; GMT = ganho de peso médio total; @-1 = arrobas por hectare.
84
Foto: Ubirajara Bilego Figura 5. Animais ao final do experimento. Foto tirada em 11/10/2022. A alta taxa de lotação para a época, associada ao
ARNHOLD. E. Pacote em ambiente R para automatizar
alto desempenho individual dos animais proporcionaram
estatísticas descritivas. Sigmae, Alfenas, v.3, n.1, p. 36-42,
aumento da produtividade. Houve produção total de 26,63
2014.
arrobas que, ajustadas à área disponível (0,88 ha), gerou a produtividade de 30,27 arrobas por hectare.
BRAGA, G. J.; MACIEL. G. A.; GUIMARÃES JR. R.; RAMOS. A. K. B.; CARVALHO. M. A.; FERNANDES. D. F.; FONSECA. C. E. L.;
CONCLUSÃO
JANK. L. Performance of young Nellore bulls on guineagrass pastures under rotational stocking in the Brazilian. Tropical
A aveia branca utilizada para pastejo, sob irrigação,
Grasslands-Forrajes Tropicales v.7. n.3, p.214–222, 2019.
produziu forragem de excelente qualidade nutricional que CARVALHO, I. Q.; Strack, M. Aveias forrageiras e de cobertura,
proporcionou alto desempenho individual e por hectare.
IN: Indicações técnicas para a cultura da aveia, XXXIV Reunião da Comissão Brasileira de pesquisa da aveia, Fundação ABC,
REFERÊNCIAS
cap. 08, p.91-99, 2014.
ABIEC – Associação Brasileira das Indústrias exportadoras de carne – Beef report, Perfil da pecuária brasileira, ABIEC 2022, p.14; Disponível em: http://abiec.com.br/publicacoes/beefreport-2022/ Acesso em: 24/09/2022.
Estudo de medidas corporais, peso vivo e condição corporal de fêmeas da raça Nelore Bos taurus indicus ao longo de 12 meses, Ciência Animal Brasileira, Goiânia, vol.9, p.76-85, 2008.
ARNHOLD. E. Pacote em ambiente R para análise de variância e análises complementares. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science. v.50, n.6, p.488-492, 2013.
FRENEAU, G.E., SILVA, J.C.C., BORJAS, A.L.R., AMORIM, C.
GOMES, E. P.; RICKLI, M. E.; CECATO, U.; VIEIRA, C. V.; SAPIA; J. G; SANCHES, A.C. Produtividade de capim Tifton 85
85
sob irrigação e doses de nitrogênio. Revista Brasileira de
Embrapa Pecuária Sul, Documento 163, 44p., 2019.
Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v.19, n.4, p.317–323, 2015.
VAZ, R. Z.; RESTLE, J.; FARIAS, G. E.; VAZ, F. N. Medidas morfométricas durante o desenvolvimento de novilhos de
HIRAI, M. M. G.; MENEZES, L. F. G.; KUSS, F.; VONZ, D.;
corte de diferentes condições sexuais. Produção animal 2
RONSANI, R.; MARTINELLO, C.; NAZÁRIO, D.; SEGABINAZZI, L.
[recurso eletrônico] – Ponta Grossa (PR): Atena Editora, v.2,
R. Características de carcaça e qualidade da carne de novilhos
2019.
terminados em pastagem de aveia branca. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 35, n. 4, suplemento, p. 2617-2628, 2014.
HODGSON, J. Grazing management: science into pratice. London: Longman Scientific & Techinical, 1990. 203p.
MACIEL, G. A.; BRAGA, G. J.; GUIMARÃES JR, R.; RAMOS, A. K. B.; CARVALHO, M. A.; FERNANDES, F. D.; FONSECA, C. E. L.; JANK, L. Seasonal Liveweight Gain of Beef Cattle on Guineagrass Pastures in the Brazilian Cerrados. Agronomy Journal vol, 110, n.2, 2018.
MAKKINK, G.
F. Testing
the
Penman
means
lysimeters.
Journal
of
of
the
formula
by
Institution
of Water Engineers, v. 11, n. 3, p. 277-288. 1957. (13) (PDF) Métodos de estimativa da evapotranspiração de referência para as condições do semi árido Nordestino. Disponível
em:
https://www.researchgate.net/
publication/273692240_Metodos_de_estimativa_da_ evapotranspiracao_de_referencia_para_as_condicoes_ do_semi_arido_Nordestino Acesso em: 08/10/2021
PEREIRA, L. C. A; DIAS, J. C.; BITTENCOURT, H. H. Morfogênese e rendimento forrageiro da aveia branca (Avena sativa) sob fontes e níveis de fósforo. Research Society and Development, v. 11, n. 10, p.1-11, 2022.
R Copyright (C) 2021. The R Foundation for Statistical Computing, version 4.1.2. Viena Áustria, 2020. SILVEIRA, M. C. T.; TRENTIN, G. Manejo para pastagens irrigadas: fundamentos e recomendações práticas, Bagé,
86
POTENCIAL PRODUTIVO DE CAPINS TROPICAIS PARA PRODUÇÃO DE SILAGEM NO BIOMA CERRADO Thiago Carvalho da Silva1, Hemython Luis Bandeira do Nascimento2, Suianne Lorena da Silva e Silva3, João Victor Pinheiro de Nazaré4, Aníbal Coutinho do Rêgo5 Docente, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Belém-PA. E-mail: Thiago.silva@ufra.edu.br 2 Pesquisador, Centro Tecnológico Comigo (CTC), Rio VerdeGO. E-mail: hemythonluis@comigo.com.br 3 Mestranda, Programa de Pós-graduação em Saúde e Produção Animal na Amazônia (UFRA), Belém-PA. E-mail: suiannelorena@gmail.com 4 Graduando em Agronomia, UFRA, Belém-PA. E-mail: victorpinheiro1618@gmail.com 5 Docente, Universidade Federal do Ceará (UFC), FortalezaCE. E-mail: anibalcr@gmail.com 1
INTRODUÇÃO As recentes transformações e a dinâmica nos preços de produtos e insumos ligados ao setor pecuário, como a arroba do boi e os ingredientes usados nas dietas, fez com que alimentos anteriormente não valorizados ganhassem uma nova oportunidade no setor. No caso de capins tropicais, a versatilidade da cultura colocou em destaque esse grupo de plantas, despertando novamente o interesse do setor produtivo, principalmente na produção de silagem. A pluralidade desse grupo de forrageira é resultado de uma série de fatores peculiares aos sistemas de produção animal brasileiros. Atualmente o Brasil é referência quanto à diversidade
87
de materiais genéticos forrageiros. Exemplo disso é que o país lidera o melhoramento de Megathyrsus (sin. Panicum), Urochloa (sin. Brachiaria) e Pennisetum (capim elefante). A parceria público-privada tem disponibilizado ao mercado uma ampla variedade de plantas forrageiras adaptadas a diferentes condições de manejo e cultivo. Diante de tal diversidade, observa-se no campo um desafio involuntário que produtores e técnicos enfrentam quanto à escolha de espécies e cultivares de forrageiras na formação de pastagens. Observa-se ainda, que existem mais informações sobre gêneros específicos, como o Pennisetum (Da Silva et al., 2019). Para exemplificar tamanha diversidade, apresentaremos os resultados do primeiro ano de avaliação de um experimento com algumas cultivares de capins tropicais lançadas a partir de 2013 cultivados em condição de cerrado brasileiros, sendo eles: Mavuno, Mulato II, BRS Ipyporã, MG13 Braúna, BRS Paiaguás, BRS Tamani, BRS Zuri e MG12 Paredão. Quando falamos em produção de silagem de capins tropicais, podemos refletir: “O que essas plantas recém-lançadas têm em comum?” ou “Quais aspectos as diferenciam de outros materiais que estão a mais tempo no mercado?”. Podemos adiantar que as dificuldades/limitações quanto à capacidade fermentativa, ou ensilabilidade, como queiram, teoricamente continuam as mesmas. Contudo, esse leque de materiais genéticos nos direciona a possibilidades distintas quanto aos aspectos agronômicos, produtivos e de manejo da planta. Entretanto, de acordo com uma revisão realizada por Da Silva et al. (2019), 66% das pesquisas com silagem de capins tropicais avaliaram efeitos de aditivos,
enquanto menos de 10% dos trabalhos avaliaram questões relacionadas ao manejo dos capins para produção de silagem (e.g. adubação, frequência de colheita, cultivar). Dessa forma, existe uma carência de informações sobre as cultivares de capins lançadas ao longo do tempo, principalmente no tocante às características produtivas e de valor nutritivo. Quando o objetivo é aumentar a eficiência produtiva de sistema, planejar frequências de colheita com base na previsão de produtividade de matéria seca (MS) da cultura é fundamental. Vários são os fatores que influenciam no preço da tonelada de MS de uma silagem de capim tropical. Dentre eles podemos destacar a produtividade considerando o ciclo de colheita da cultura. Com o atual preço dos combustíveis a hora máquina na ensilagem tem contribuição importante no preço final da tonelada de silagem. Assim, uma silagem de capim produzida de forma planejada será fundamental na redução dos custos do kg de MS da dieta. É importante frisar que não estamos aqui para defender ou indicar capim A em detrimento ao capim B, mas para mostrar que os materiais genéticos divergem quanto aos respectivos potenciais produtivos, especialmente quando esses são manejados de forma distintas, particularmente quanto à frequência de corte/colheita. Não podemos deixar de mencionar que muito já se foi estudado sobre a modulação da fermentação na ensilagem de capins tropicais, sobretudo no Brasil. Recomendações quanto ao momento ideal de colheita também foi outro aspecto bastante pesquisado e discutido por diferentes grupos. O uso de diferentes recomendações para critério/ época de colheita como, idade da planta, altura pré-pastejo de sistemas de lotação rotacionada, teor de MS, coeficiente de fermentabilidade etc., foram objetivo de pesquisas. Contudo, algumas considerações e reflexões ainda são importantes na colheita de capins tropicais para ensilagem. Quando resgatamos a versatilidade comentada no início desse texto, um aspecto importante a ser comentado é o direcionamento desse tipo de alimento na dieta do animal que eu pretendo produzir. “Em qual situação e dieta eu quero inserir tal alimento?” Se a resposta nesse caso for a introdução em dietas de bovinos em terminação com 80% de concentrado, então eu deveria direcionar uma silagem de capim um pouco mais “passado” para
88
potencializar a produtividade em detrimento ao valor nutritivo da planta. Nesse caso o volumoso entraria como uma fonte de fibra fisicamente efetiva. Por outro lado, se objetivo é a aplicação da silagem de capim em dietas para vacas em lactação, o direcionamento seria diferente. Nesse segundo exemplo explorar o potencial de digestão da fração fibrosa é importante e, portanto, partir para colher capins tropicais mais jovens priorizando qualidade pode ser o caminho. À vista disso, preocupações no tocante à ensilagem de materiais mais úmidos é necessário. Capins tropicais com alto valor nutritivo são caracterizados por elevado teor de umidade. Nesse caso seria importante tanto o uso de estratégias como inoculantes microbianos, quanto o uso aditivos absorves de umidade de preferência com valor nutritivo considerável, almejando para reduzir problemas com fermentações secundárias no silo. Esses são apenas dois exemplos colocados, mas na prática outras situações podem demandar o uso de tais silagens. Dentre elas podemos citar, sequestro de bezerros, alimentação de categorias em mantença, suplementação de vacas de corte, etc. Feitas as devidas reflexões, buscamos trazer uma perspectiva de caracterização das cultivares disponíveis para que possam ser utilizadas de acordo com a finalidade desejada. Então, com a experiência dos produtores e técnicos, será realizado um planejamento de ensilagem para que num dado momento se tenha uma silagem tipo A, B ou C, como é praticado em sistemas de produção de feno. Nesse quesito, o mais importante será conhecer o capim no momento da ensilagem, considerar as condições específicas de cada situação e evitar receitas prontas e ‘engessadas’. Com isso, objetiva-se com este trabalho avaliar as características agronômicas e a composição química de oito cultivares de capins tropicais submetidas a três frequências de colheita, no bioma Cerrado.
MATERIAL E MÉTODOS Descrição do local. O experimento foi conduzido no Centro Tecnológico COMIGO (CTC) localizado no Anel Viário Paulo Campos s/n, Zona Rural, Rio Verde Goiás. A área do experimento está localizada nas coordenadas S 17°45’57’’ e “51°02’17’’ W e altitude de 833 m. Segundo
Thornthwaite (1948) o clima de Rio Verde - GO é classificado em B4 rB’4a’ (úmido; pequena deficiência hídrica; mesotérmico; evapotranspiração no verão menor que 48% da evapotranspiração anual). O solo na área experimental é da classe LATOSSOLO VERMELHO Distrófico (SANTOS et al. 2018). Delineamento experimental. O delineamento experimental foi em blocos casualizados com arranjo fatorial 8 X 3 e quatro repetições. Foram avaliadas oito cultivares (C) de capins tropicais: MG13 Braúna (Urochloa brizantha, syn. Brachiaria brizantha), BRS Ipyporã (Brachiaria spp., híbrido B. ruziziensis × B. brizantha), Mavuno (Brachiaria spp., híbrido B. ruziziensis × B. brizantha), Mulato II (Brachiaria spp., híbrido B. ruziziensis × B. brizantha cv. Marandú), BRS Paiaguás, MG12 Paredão (Megathyrsus maximus Syn. Panicum maximum), BRS Tamani (P. maximum, hibrido) e BRS Zuri (P. maximum). Além das cultivares foram avaliadas três frequências de colheita: 28, 56 e 84 dias, de forma que os tratamentos foram as combinações entre cultivar e frequência de colheita (total de 24), repetidos quatro vezes, totalizando 96 parcelas ou unidades experimentais. Cada parcela tinha dimensões de 6 × 8 m (48 m2) com 3 m de corredor entre blocos e 2 m entre
aplicada no sulco de semeadura, equivalente a 16 e 75 kg ha-1 de N e P2O5, respectivamente. Além disso, os micronutrientes foram misturados em uma solução e aspergidos nos grãos de MAP, na dose equivalente à 0,38; 0,38; 0,18 e 0,18 kg ha-1 de Zn, Mn, Cu e B respectivamente. Antes da semeadura, foi realizada uma adubação antecipada de cloreto de potássio (KCl), na dose de 100 kg ha-1 e como fonte de micronutrientes e o produto FTE BR12 de uma marca comercial que possuía os seguintes níveis de garantia: 9% de Zn, 1,8% de B, 2,0% de Mn. Aos 25 dias após a semeadura foi aplicado 1,5 kg i. a. ha-1 de Atrazine (Proof, 500 g i. a. L-1, SC, Syngenta) para controlar dicotiledôneas. Mais detalhes sobre o manejo de implantação da área podem consultados em Nascimento et al. (2020). Entre novembro de 2020 e março de 2021 a área foi mantida em crescimento livre sendo roçada mensalmente. No dia 27 de outubro de 2021 foi realizado um corte de uniformização na área, onde todas as parcelas foram cortadas a 20 cm de altura usando plataforma de colheita de área total de forragem para silagem (modelo JF C-120) acoplada na tomada de potência do trator. Após o corte de uniformização foi realizada uma adubação em cobertura com 50 kg ha-1 de
parcelas. Implantação e manejo das gramíneas. As gramíneas forrageiras foram implantadas na área em dezembro de 2019, antes da semeadura foi realizada aplicação de 2000 kg ha-1 de calcário e incorporado ao solo com grade. A semeadura das 8 gramíneas forrageiras (Tabela 1) foi realizada no dia 19 de dezembro de 2019 com uma semeadora adubadora (Baldan SPD 5000, 19 linhas a 0,2 m, Baldan) arrastada por um trator (6155J, 115 cv, John Deere). Antes da semeadura das forrageiras, no dia 13 de novembro de 2019 foi aplicado o glyphosate (Roundup Ultra, 650 g e. a. L-1, Monsanto), na dose de 1,3 kg e. a. ha-1 e no dia 11 de dezembro de 2019 foi aplicado o glyphosate (Roundup Transorb, 480 g e. a. L-1, Monsanto), na dose de 1,44 kg e. a. ha-1 para controlar plantas-daninhas como: capim-colchão (Digitaria horizontalis) em pré-florescimento e recémemergidas e Trapoeraba (Commelina benghalensis) recémemergidas. A adubação de semeadura foi realizada no sulco, assim, na implantação, foi utilizado 160 kg ha-1 de MAP Turbo,
nitrogênio, usando como fonte a ureia. No mês de fevereiro foi realizada uma adubação com 250 kg/ha de 20-00-20
89
Tabela 1. Padrões de garantia dos lotes de sementes (valor cultural e germinação) e densidade de semeadura (número de sementes m-¹) das forrageiras implantadas na área do experimento. Instituto de Ciência e Tecnologia-ITC, Rio verde – GO, 2019. Cultivar Urochloa híbrida Mavuno Urochloa híbrida Mulato II Urochloa híbrida BRS Ipyporã Urochloa brizantha MG13 Braúna Urochloa brizantha BRS Paiaguás Panicum maximum BRS Tamani Panicum maximum BRS Zuri Panicum maximum MG12 Paredão
Valor Cultural (%)
Germinação (%)
64 80 80 16 32 80 80 16
47 60 14 39 32 62 36 7
Número de sementes m-¹ 40 25 25 25 185 300 280 243
Após o corte de uniformização, as parcelas foram
após a roçagem de cada parcela, em 10 pontos por parcela. A
manejadas de acordo com a frequência de colheita
massa de forragem foi quantificada coletando duas amostras
previamente definida (28, 56 ou 84 dias). Foi considerado o
por parcela, utilizando uma moldura quadrada com 0,25 m²
período de 180 dias para avaliação, como sendo o período
(0,5 m × 0,5 m).
chuvoso (Outubro de 2021 a Abril de 2022). Dessa forma,
Após coletadas, as amostras de campo foram pesadas
foram realizados 6 cortes nas parcelas colhidas a cada 28
e alíquotas com aproximadamente 500 g foram retiradas. Em
dias, 3 cortes nas parcelas colhidas a cada 56 dias e 2 cortes
seguida, foram levadas à estufa de circulação forçada de ar a
nas parcelas colhidas a cada 84 dias.
55 °C até atingir peso constante, para secagem e posterior
Avaliações, análises e variáveis avaliadas.
determinação de peso seco.
O balanço hídrico sequencial foi determinado
Para determinação da composição morfológica e
seguindo o método de Thornthwaite e Mather (1955) usando
química do pasto, durante as avaliações de abril (águas) e de
o modelo proposto por Rolim et al. (1998) para obter os
agosto (seca) de 2020, cada amostra de forragem coletada, foi
valores do Excedente e do Déficit hídrico para a região nos
fracionada em duas partes com mesma massa de forragem,
períodos desejados (Figura 1). Os dados de precipitação foram
uma parte era destinada à separação dos componentes
coletados no Centro Tecnológico Comigo e a temperatura
morfológicos e a outra parte era destinada a análise
média diária foi extraída da estação meteorológica do INMET
bromatológica. As amostras utilizadas para determinação da
localizada em Rio Verde – GO.
composição morfológica eram separadas em folha (lâmina
Para avaliar as características produtivas e
foliar), colmo (colmo + bainha) e material morto. Após a
agronômicas das forrageiras, foram realizadas avaliações a
separação, os componentes foram pesados e colocados para
cada 28 dias, 56 dias ou 84 dias, em função do manejo pré-
secar em estufa de circulação forçada de ar, a 55 °C até atingir
determinada para cada tratamento. Em cada avaliação,
peso constante e posterior determinação de peso seco.
foram realizados, o monitoramento da altura do pasto (antes
Foram calculadas e avaliadas as seguintes variáveis
e após o corte do dossel forrageiro), coleta de massa de
relacionadas às características agronômicas: produtividade
forragem e colheita da forragem utilizando uma plataforma
de matéria natural e matéria seca total (PMNT e PMST),
de colheita de área total de forragem para silagem (modelo
em t/ha; produtividade de matéria natural e matéria seca
JF C-120) acoplada na tomada de potência do trator remoção
por colheita (PMNC e PMSC); proporção dos componentes
de folhas pelo pastejo. A altura foi mensurada sempre antes e
morfológicos folha (lâmina foliar), colmo (colmo + bainha) e
90
material morto em percentual da matéria seca e altura do
testes de normalidade e à ANOVA (proc glimmix). Foram
dossel (cm).
considerados no modelo estatístico os efeitos fixos
As amostras destinadas à análise bromatológica eram
de Cultivar (C), Frequência de colheita (FC), a interação
envidadas ao Laboratório Químico Industrial da COMIGO,
C×FC, o efeito aleatório de bloco o erro experimental. As
para a realização das análises da composição química, onde
médias foram comparadas pelo teste de Tukey. As análises
foram realizadas as análises dos teores de matéria mineral
estatísticas foram realizadas no software SAS Studio,
(MM, %MS, Método nº 38) proteína bruta (PB, %MS; Método
através da plataforma online Sas OnDemand for Academics,
nº 47), extrato etéreo (EE, %MS, Método nº 14) fibra insolúvel
considerando 0,05 como nível de significância.
em detergente neutro (FDN, %MS, Método nº 20) e fibra insolúvel em detergente ácido (FDA, %MS, Método nº 47)
RESULTADOS
segundo o Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal. A concentração de nutrientes digestíveis totais (NDT, %MS) foi calculada pelas equações de Kearl para pastagens e forragens frescas: NDT[%]: - 21.7656+(1.4284*PB)+(1.0277 X ENN)+( 1.2321 X EE)+( 0.4867 X FB)).
Durante o período avaliado verificou-se temperatura média de 24,3 °C e um acumulado de 1.584 mm de chuva, bem distribuídas entre setembro e abril, com excedente hídrico verificado entre outubro e março, e ocorrência de déficit
Análises estatísticas. Os dados foram submetidos à analise descritiva, a
hídrico mais expressivo apenas em setembro e abril (Figura 1).
Figura 1. Balanço hídrico sequencial da área experimental com base nos dados climáticos de Rio Verde – GO, no período de setembro de 2021 a abril de 2022. Dentre as características agronômicas avaliadas (Tabela
relação às cultivares Mavuno, Mulato II, Paredão e Zuri, as quais
1), todas apresentaram efeito da interação C×FC (P<0,05),
apresentaram as menores médias (< 5,5%). As cultivares Braúna,
com exceção para o percentual de material morto (P>0,05).
Ipyporã e Paiaguás apresentaram valores intermediários e não
A cultivar Tamani apresentou maior percentual de MM em
diferiram das demais cultivares.
91
Tabela 1. Características agronômicas de cultivares de capins tropicais submetidas a frequências de colheita.
PMNT1 Cultivares Braúna Ipyporã Mavuno Mulato II Paiaguás Paredão Tamani Zuri 6 FC (dias) 28 56 84 EPM7 C8 FC9 C×FC10
PMST2
PMNC3
t/ha
56,9 67,7 68,8 77,3 64,9 78,6 77,7 75,8
14,8 14,8 15,2 15,9 14,7 18,0 19,8 18,1
74,4 68,1 70,4 1,36 <0,01 0,03 <0,01
15,7 16,6 16,9 0,30 <0,01 0,04 <0,01
PMSC4
Altura
Folha
Colmo
18,9 22,5 23,1 25,1 20,4 27,3 24,8 25,3
4,98 4,91 5,16 5,30 4,80 6,32 6,58 6,21
cm 56,8 78,2 74,0 74,1 65,9 118,2 57,7 113,5
% matéria seca 48,7 37,9 8,30 ab 56,8 32,5 5,75 abc 60,8 33,9 2,74 bc 62,4 31,0 3,23 bc 50,4 34,1 6,27 abc 71,5 26,3 0,62 c 58,3 21,5 11,63 a 69,1 23,4 5,20 bc
12,4 22,6 35,2 1,18 <0,01 <0,01 <0,01
2,63 5,50 8,46 0,29 <0,01 <0,01 <0,01
45,3 85,8 108,3 4,26 <0,01 <0,01 <0,01
74,9 61,4 43,0 2,01 <0,01 <0,01 <0,01
15,8 31,2 43,2 1,56 <0,01 <0,01 <0,01
MM5
3,88 5,37 7,15 0,67 <0,01 0,04 0,07
PMNT = produtividade de matéria natural total (180 dias); 2PMNT = produtividade de matéria seca total (180 dias); PMNC = produtividade de matéria natural por colheita; 4PMSC = produtividade de matéria seca por colheita; 5MM= material morto; 6FC= frequência de colheita; 7EPM= erro padrão da média; 8C= efeito de cultivar; 9FC= efeito de frequência de colheita; 10C×FC= efeito da interação cultivar × frequência de colheita; 1 3
Não foram observadas diferenças na PMNT em
a cultivar Paredão (86,7 t/ha) em relação às cultivares Braúna
função da frequência de colheita das cultivares, ou seja, a
e Paiaguás, as quais apresentaram as menores médias (55,2 t
produtividade acumulada no período chuvoso (180 dias) foi
e 54,2 t/ha, respectivamente). As demais cultivares (Ipyporã,
a mesma para as cultivares colhidas com 28, 56 ou 84 dias
Mavuno, Mulato II, Tamani e Zuri) apresentaram PMNT
(Figura 1a).
intermediárias e semelhantes a todas as cultivares colhidas
Considerando cultivares colhidas com 28 dias, observamos maiores valores de PMNT (Figura 1a) para os capins Tamani e Mulato II (89.8 e 84,7 t/ha, respectivamente) em relação à cultivar Braúna, a qual apresentou menor média (55,3 t/ha). As demais cultivares (Ipyporã, Mavuno, Paiaguás, Paredão e Zuri) apresentaram PMNT intermediárias e semelhantes a todas as cultivares colhidas aos 28 dias. Na frequência de colheita de 56 dias a cultivar Paredão apresentou maior PMNT (82,6 t/ha) em relação à cultivar Mavuno, a qual apresentou a menor média (57,23 t/ha). As demais cultivares (Braúna, Ipyporã, Mulato II, Paiaguás, Tamani e Zuri) apresentaram PMNT intermediárias e semelhantes a todas as cultivares colhidas aos 56 dias. Quando colhidas com 84 dias, observou-se maior PMNT para
92
aos 84 dias.
Figura 1. Produtividade de matéria natural total (PMNT) e matéria seca (PMST) total de cultivares de capins tropicais em função da frequência de colheita.
Letras maiúsculas comparam frequência de colheita dentro de cultivar e letras minúsculas comparam cultivares dentro de frequência de colheita. Letras diferentes representam diferença estatística pelo teste de Tukey (P<0,05).
Não foram observadas diferenças na PMST em
Paiaguás, as quais apresentaram as menores médias (14,8
função da frequência de colheita das cultivares, exceto para
e 14,7 t/ha, respectivamente). As demais cultivares (Braúna,
a cultivar Paredão, apresentou maior PMST na frequência de
Mavuno e Mulato II) apresentaram PMST intermediárias e
colheita de 56 dias em relação à colheita com 28 dias (Figura
semelhantes a todas as cultivares colhidas aos 84 dias.
1b).
Observamos que a cultivar Braúna apresentou Considerando cultivares collhidas com 28 dias é
menor produtividade de matéria natural por colheita (PMNC)
possível verificar maiores valores de PMST (Figura 1b)
quando colhida com uma frequência de 28 dias, em relação a
para o capim Tamani (20,0 t/ha) em relação às cultivares
56 e 84 dias, os quais apresentaram resultados semelhantes
Braúna e Paredão, a qual apresentaram as menores médias
(Figura 2a). As cultivares Ipyporã, Mavuno, Mulato II, Paredão,
(13,3 e 14,3 t/ha, respectivamente). As demais cultivares
Tamani e Zuri apresentaram valores decrescentes de PMNC
(Ipyporã, Mavuno, Mulato II, Paiaguás e Zuri) apresentaram
da frequência de colheita de 84 dias para a frequência de
PMNT intermediárias e semelhantes a todas as cultivares
28 dias. O capim Paiaguás apresentou menor PMNC quando
colhidas aos 28 dias. Na frequência de colheita de 56
colhido aos 28 dias em relação à frequência de colheita de 84
dias as cultivares Paredão, Tamani e Zuri apresentaram
dias, mas não diferiu da frequência de 56 dias.
maiores PMST (19,3 ;20,0 e 19,5 t/ha, respectivamente) em
A PMNC foi semelhante para as cultivares collhidas
relação às cultivares Mavuno, Ipyporã e Paiaguás, as quais
com 28 (Figura 2a), com média de 12,4 t/ha. Na frequência
apresentaram as menores médias (13,0; 14,5 e 14,1 t/ha,
de colheita de 56 dias a cultivar Paredão apresentou maior
respectivamente). As demais cultivares (Braúna e Mulato II)
PMNC (27,4 t/ha) em relação às cultivares Braúna e Mavuno,
apresentaram PMST intermediárias e semelhantes a todas
as quais apresentaram as menores médias (20,0 e 19,1 t/ha).
as cultivares colhidas aos 56 dias. Quando colhidas com 84
As demais cultivares (Ipyporã, Mulato II, Paiaguás, Tamani
dias, observamos maiores PMST para as cultivares Paredão,
e Zuri) apresentaram PMNC intermediárias e semelhantes
Tamani e Zuri apresentaram maiores PMST (18,0; 19,8 e 18,1
a todas as cultivares colhidas aos 56 dias. Quando colhidas
t/ha, respectivamente) em relação às cultivares Ipyporã e
com 84 dias, observou-se maior PMNC para as cultivares
93
Paredão e Zuri (43,3 e 38,3 t/ha, respectivamente) em relação
Tamani (34,8 t/ha), seguida das cultivares Braúna e Paiaguás,
às cultivares Ipyporã, Mavuno e Mulato II (35,7; 38,3 e 36,4 t/
as quais apresentaram as menores médias (27,6 e 27,2 t/ha).
ha, respectivamente), as quais foram superiores à cultivar
Figura 2. Produtividade de matéria natural por colheita (PMNC) e matéria seca por colheita (PMST) de cultivares de capins tropicais em função da frequência de colheita. Letras maiúsculas comparam frequência de colheita dentro de cultivar e letras minúsculas comparam cultivares dentro de frequência de colheita. Letras diferentes representam diferença estatística pelo teste de Tukey (P<0,05).
A produtividade de matéria seca por colheita (PMSC)
da diminuição da frequência de colheita, ou seja, foi maior na
de todas as cultivares aumentou em função da diminuição
frequência de 84 dias, seguida da frequência de 56 e 28 dias,
da frequência de colheita, ou seja, foi maior na frequência de
onde foram observados os menores valores (Figura 3).
84 dias, seguida da frequência de 56 e 28 dias, onde foram observados os menores valores.
Considerando cultivares collhidas com 28 dias, é possível verificar maiores valore de altura de dossel
A PMSC foi semelhante para as cultivares colhidas
(Figura 3) para os capins Paredão e Zuri (58 e 59 cm,
com 28 (Figura 2b), com média de 2,6 t/ha. Na frequência
respectivamente) em relação às cultivares Braúna e Tamani,
de colheita de 56 dias as cultivares Paredão, Tamani e Zuri
a qual apresentaram as menores médias (38 e 36 cm,
apresentaram maiores PMSC (6,4; 6,7 e 6,5 t/ha) em relação às
respectivamente). As demais cultivares (Ipyporã, Mavuno,
cultivares Ipyporã, Mavuno e Paiaguás, as quais apresentaram
Mulato II, Paiaguás e Tamani) apresentaram alturas de
as menores médias (4,8; 4,3 e 4,7 t/ha). As demais cultivares
dossel intermediárias e semelhantes a todas as cultivares
(Braúna e Mulato II) apresentaram PMSC intermediárias
colhidas aos 28 dias. Na frequência de colheita de 56 dias as
(5,0 e 5,5 t/ha, respectivamente) e semelhantes a todas
cultivares Paredão e Zuri apresentaram maiores alturas do
as cultivares colhidas aos 56 dias. Quando colhidas com 84
dossel (127 e 123 cm, respectivamente) em relação à cultivar
dias, observamos maior PMSC para as cultivares Paredão,
Tamani, a qual apresentou a menor média (56 cm). As demais
Tamani e Zuri (10,1; 9,7 e 9,5 t/ha) em relação às cultivares
cultivares (Braúna, Ipyporã, Mavuno, Mulato II e Paiaguás)
Braúna, Ipyporã, Mulato II e Paiaguás (7,7; 7,3; k7,8 e 7,1 t/ha,
apresentaram altura de dossel intermediárias e semelhantes
respectivamente). A cultivar Mavuno apresentou PMSC
a todas as cultivares colhidas aos 56 dias.
intermediária (8,6 t/ha) e semelhante a todas as cultivares colhidas aos 84 dias. A altura de todas as cultivares aumentou em função
94
Figura 3. Altura do dossel de cultivares de capins tropicais em função da frequência de colheita. Letras maiúsculas
comparam frequência de colheita dentro de cultivar e letras minúsculas comparam cultivares dentro de frequência de colheita. Letras diferentes representam diferença estatística pelo teste de Tukey (P<0,05).
Quando colhidas com 84 dias, observou-se maior
percentual de folha em relação às cultivares Braúna e
altura de dossel para as cultivares Paredão e Zuri (169 e 158 cm,
Paiaguás (menores médias). As demais cultivares (Ipyporã
respectivamente) em relação às cultivares Ipyporã, Mavuno e
e Mavuno) apresentaram altura do dossel intermediárias
Mulato II (113, 108 e 103 cm, respectivamente), as quais foram
e semelhantes às cultivares Tamani, Mulato II, Braúna e
superiores às cultivares Tamani (81cm) e Paiaguás (72 cm),
Paiaguás colhidas aos 28 dias. Na frequência de colheita de
seguida da cultivar Braúna, a qual apresentou a menor média
56 dias as cultivares Paredão e Zuri apresentaram maiores
(63 cm).
percentuais de folha em relação às cultivares Braúna e
O percentual de folha das cultivares Braúna, Mavuno
Ipyporã, as quais apresentaram as menores média. As
e Paiaguás colhidas aos 28 dias foi semelhante à colheita
demais cultivares (Mavuno, Mulato II, Paiaguás e Tamani)
com 56 dias e maior em relação à colheita com 84 dias
apresentaram percentuais de folha intermediários e
(Figura 4a). As cultivares Ipyporã e Mulato II apresentaram
semelhantes a todas as cultivares colhidas aos 56 dias.
maior percentual de folha quando colhidas com 28 dias em
Quando colhidas com 84 dias não foi observada diferença
relação à colheita com 56 dias, o qual foi semelhante ao
entre os percentuais de folhas das cultivares de capim.
percentual observado na colheita com 84 dias. As cultivares Paredão, Tamani e Zuri apresentaram maior percentual de folha quando colhidas com 28 dias em relação à colheita com 56 dias, o qual foi maior em relação à colheita com 84 dias (Figura 4a). Considerando cultivares collhidas com 28 dias, é possível verificar maiores valores de percentual de folha (Figura 4a) para os capins Paredão e Zuri em relação às cultivares Tamani e Mulato II, as quais apresentaram maior
95
Figura 4. Percentuais de folha e colmo (com base na matéria seca (MS)) de cultivares de capins tropicais em função da frequência de colheita. Letras maiúsculas comparam frequência de colheita dentro de cultivar e letras minúsculas comparam cultivares dentro de frequência de colheita. Letras diferentes representam diferença estatística pelo teste de Tukey (P<0,05).
O percentual de colmo das cultivares Braúna, Ipyporã
efeito da interação C×FC (P<0,05), com exceção para a
Mavuno e Tamani colhidas aos 84 dias foi semelhante à
concentração de extrato etéreo (P>0,05). A cultivar Paiaguás
colheita com 56 dias e maior em relação à colheita com 28
apresentou maior concentração de EE em relação às
dias (Figura 4b). As cultivares Paiaguás, Paredão, e Zuri
cultivares Mavuno e Paredão, as quais apresentaram as
apresentaram maior percentual de colmo quando colhidas
menores médias. As cultivares Braúna, Ipyporã, Mulato II,
com 84 dias em relação à colheita com 56 dias, o qual foi
Tamani e Zuri apresentaram valores intermediários e não
maior em relação à colheita com 28 dias (Figura 4 b).
diferiram das demais cultivares.
Considerando cultivares collhidas com 28 dias, é possível verificar o maior valor de percentual de colmo (Figura 4b) para a cultivar Braúna em relação às cultivares Paredão, Tamani e Zuri, as quais apresentaram as menores médias. As demais cultivares (Ipyporã, Mavuno, Mulato II e Paiaguás) apresentaram percentual de colmo intermediários e semelhantes às cultivares Tamani, Mulato II, Braúna e Paiaguás colhidas aos 28 dias. Na frequência de colheita de 56 dias a cultivar Braúna apresentou maior percentual de colmo em relação às cultivares Tamani e Zuri, as quais apresentaram as menores médias. As demais cultivares (Ipyporã, Mavuno, Mulato II, Paiaguás e Paredão) apresentaram percentual de colmo intermediários e semelhantes às cultivares Tamani, Mulato II, Braúna e Paiaguás colhidas aos 56 dias. Quando colhidas com 84 dias não foi observada diferença entre o percentual de colmo das cultivares de capim. Dentre as características de composição química e valor nutritivo avaliadas (Tabela 2), todas apresentaram
96
Tabela 2. Composição química e valor nutritivo de cultivares de capins tropicais submetidas a frequências de colheita. MS1 Cultivares Braúna Ipyporã Mavuno Mulato II Paiaguás Paredão Tamani Zuri FC9 (dias) 30 60 90 EPM10 C11 FC12 C × FC13
MM2
EE3
PB4
FDN5
NDT6
67,7 68,5 68,2 66,8 67,8 70,7 69,4 70,1
57,7 57,6 55,6 57,3 57,9 56,1 55,9 55,7
66,5 67,7 71,9 0,36 <0,01 <0,01 <0,01
59,2 56,3 54,6 0,29 <0,01 <0,01 <0,01
%MN7 26,4 22,1 21,2 21,1 22,1 23,3 24,5 23,8
7,17 7,99 8,34 8,24 8,12 8,29 8,99 8,63
15,4 abcd 16,3 abc 14,1 cd 16,7 ab 18,0 a 13,0 d 15,5 abcd 15,3 bcd
%MS8 9,1 9,7 9,0 9,6 9,9 10,2 10,7 9,8
21,0 24,3 23,9 0,29 <0,01 <0,01 <0,01
9,44 7,59 7,63 0,01 <0,01 <0,01 <0,01
17,5 a 15,0 b 14,1 b 0,03 <0,01 <0,01 0,10
12,32 9,04 7,93 0,25 <0,01 <0,01 <0,01
PMNT = produtividade de matéria natural total (180 dias); 2PMNT = produtividade de matéria seca total (180 dias); 3 PMNC = produtividade de matéria natural por colheita; 4PMSC = produtividade de matéria seca por colheita; 5MM= material morto; 6FC= frequência de colheita; 7EPM= erro padrão da média; 8C= efeito de cultivar; 9FC= efeito de frequência de colheita; 10C×FC= efeito da interação cultivar × frequência de colheita; 1
A concentração de MS das cultivares Braúna, Mavuno e Paiaguás colhidas aos 28 dias foi menor em relação à colheita com 84 dia (Figura 5a). O capim Ipyporã apresentou maior teor de MS quando colhido aos 56 dias, em relação às colheitas com 28 e 84 dias, as quais não diferiram entre si. Os capins Paredão e Zuri apresentaram aumento no teor de MS quando colhidos com 56 e 84 dias em relação à colheita com 28 dias. A cuiltivar Tamani não apresentou diferenças na concentração de MS em função da frequência de colheita.
97
Figura 5. Concentrações de matéria seca (com base na matéria natural (MN)) e matéria mineral (com base na matéria seca (MS) de cultivares de capins tropicais em função da frequência de colheita. Letras maiúsculas comparam frequência de colheita dentro de cultivar e letras minúsculas comparam cultivares dentro de frequência de colheita. Letras diferentes representam diferença estatística pelo teste de Tukey (P<0,05).
Considerando cultivares collhidas com 28 dias, é possível verificar as maiores médias de MS (Figura 5a) para as cultivares Braúna e Tamani (24,1 e 21,9%) em relação às cultivares Ipyporã, Mavuno, Mulato II, Paiaguás e Zuri, as quais apresentaram as menores médias, variando entre 18,9 e 21,1%. A cultivar Paredão apresentou concentração de MS intermediária e semelhante às cultivares colhidas aos 28 dias. Na frequência de colheita de 56 dias as cultivares Braúna, Paredão, Tamani e Zuri apresentaram maior concentração de MS em relação às cultivares Mavuno, Mulato II e Paiaguás, as quais apresentaram as menores médias. A cultivar Ipyporã apresentou concentração de MS intermediária e semelhante às cultivares colhidas aos 56 dias. Quando colhidas com 84 dias é possível verificar a maior média para a cultivar Braúna e (28,5%) em relação às cultivares Ipyporã, Mavuno e Mulato II, as quais apresentaram as menores médias, variando entre 21,1 e 22,7%. As cultivares Paiaguás, Paredão, Tamani e Zuri apresentaram concentração de MS intermediária e semelhante às cultivares colhidas aos 84 dias. A concentração de PB foi maior nos capins colhidos aos 28 dias (Figura 6a), com médias variando entre 11 e 13%, em relação às colheitas com 56 e 84 dias, as quais apresentaram médias variando entre 8 e 10%, aproximadamente (Figura 6a).
98
Figura 6. Concentrações de proteína bruta (PB) e fibra em detergente neutro (FDN; com base na matéria seca (MS)) de cultivares de capins tropicais em função da frequência de colheita. Letras maiúsculas comparam frequência de colheita dentro de cultivar e letras minúsculas comparam cultivares dentro de frequência de colheita. Letras diferentes representam diferença estatística pelo teste de Tukey (P<0,05).
Na frequência de colheita de 28 dias observamos
A concentração de nutrientes digestíveis totais
que as cultivares Paredão e Zuri apresentaram maior
(NDT) das cultivares Braúna , Ipyporã, Paiaguás e Tamani
concentração de PB (13,4 e 13,3%, respectivamente) em
foi semelhante entre as frequências de colheita de 28 e 56
relação às cultivares Braúna, Mavuno e Paiaguás, as
dias , mas diminuiu quando esses capins foram colhidos com
quais apresentaram os menores valores (11,5; 11,1 e 11,4%,
84 dias(Figura 7). As cultivares Mavuno, Mulato II, Paredão e
respectivamente; Figura 6a). As cultivares Ipyporã, Mulato II
Zuri apresentaram queda na concentração de NDT quando
e Tamani apresentaram valores intermediários e semelhante
colhidos com 56 e 84 dias em comparação com a frequência
às cultivares colhidas aos 28 dias. Na frequência de colheita
de colheita de 28 dias.
de 56 dias, observamos maior concentração de PB na cultivar Paiaguás (10,3%) em relação à cultivar Mavuno, a qual apresentou a menor média (8,4%). As demais cultivares (Braúna, Ipyporã, Mavuno, Mulato II, Paiaguás e Paredão) apresentaram concentração de PB intermediários (variando entre 8,8 e 9,4%) e semelhantes às demais cultivares colhidas aos 56 dias. Quando colhidas aos 84 dias, o maior valor de PB foi observado para a cultivar Tamani em relação às cultivares Braúna, Ipyporã, Mavuno, Mulato II e Zuri (variando entre 7,0 e 7,9%), as quais apresentaram os menores valores. A cultivar Paredão apresentou média de PB intermediária (8,5%) e semelhante aos demais capins colhidos aos 84 dias. A concentração de FDN (Figura 6b) de todos os capins, exceto o Mavuno, foi semelhante quando foram colhidos com 28 e 56 dias. Foi observado aumento no FDN apenas quando os capins foram colhidos com 84 dias em relação à colheita com 28 dias (Figura 6b.)
99
Figura 7. Concentração de nutrientes digestíveis totais (NDT; com base na matéria seca (MS)) de cultivares de capins tropicais em função da frequência de colheita. Letras maiúsculas comparam frequência de colheita dentro de cultivar e letras minúsculas comparam cultivares dentro de frequência de colheita. Letras diferentes representam diferença estatística pelo teste de Tukey (P<0,05).
Considerando cultivares collhidas com 28 dias, é
de produção de silagem. Dessa forma, as colheitas foram
possível verificar maior concentração de NT (Figura 4b) para
posicionadas no período chuvoso de Rio Verde, considerando
as cultivar Ipyporã (60%), Mulato II (61%) e Paiaguás (61%),
o início na segunda quinzena de outubro de 2021 e o termino
em relação às cultivares Mavuno (57,4%) e Tamani (57,1%),
na segunda quinzena de abril de 2022. Dessa forma, os capins
as quais apresentaram as menores médias (Figura 7). As
colhidos com 28, 56 e 84 dias tiveram um total de 6, 3 e 2
demais cultivares (Braúna, Paredão e Zuri) apresentaram
colheitas, respectivamente.
percentual de colmo intermediários e semelhantes às
Isso é importante para entender a PMNT e PMST,
cultivares Tamani, Mulato II, Braúna e Paiaguás colhidas
pois essas variáveis mostram o total produzido considerando
aos 28 dias. Na frequência de colheita de 56 dias a cultivar
todas as colheitas. Por isso não observamos tanta diferença
Braúna apresentou maior concentração de NDT em relação
entre as colheitas, ou seja, capins colhidos a cada 28 dias
às cultivares Mavuno (53,6%), Paredão (55,3%), Tamani
apresentam a mesma produtividade total do que capins
(55,46) e Zuri (54,27%), as quais apresentaram as menores
colhidos com 56 e 84 dias, pois isso é compensado pelo número
médias. As demais cultivares (Ipyporã, Mavuno, Mulato II e
de colheitas. Os capins do gênero Panicum (Paredão, Tamani
Paiaguás) apresentaram percentual de colmo intermediários
e Zuri) apresentaram maior potencial de produtividade total
e semelhantes às cultivares colhidas aos 56 dias. Quando
em relação aos demais do gênero Brachiaria, confirmando
colhidas com 84 dias não foi observada diferença entre o
as características dessas cultivares, de alta exigência e alta
percentual de colmo das cultivares de capim.
produtividade. Quando observamos a produtividade por colheita
Discussão
(PMNC e PMSC), temos um comportamento crescente em
No presente trabalho, oito cultivares de capins foram
função da frequência de colheita, ou seja, quanto maior
colhidas a cada 28, 56 e 84 dias, simulando um sistema
o intervalo entre duas colheitas, maior a produtividade. Poucas diferenças foram observadas entre as cultivares,
100
com destaque mais uma vez para os capins Paredão,
Dessa forma, quanto mais velho o capim, ou seja, quanto
Tamani e Zuri, que apresentaram maiores PMSC quando
maior a frequência de colheita, menor será a participação do
colhidos com 56 e 84 dias. De forma geral, como sabemos,
componente mais nutritivo que é a lâmina foliar, denominada
quanto maior o intervalo entre colheitas, maior será a
de folha no presente trabalho. A proporção de colmo + bainha,
produtividade, considerando as particularidades de cada
denominada colmo no presente trabalho, aumenta à medida
capim. Ressaltamos que todas as cultivares apresentaram
que aumenta o porte da planta. É interessante observar que
alto potencial produtivo, chegando ao valor máximo de
as cultivares de Brachiaria avaliadas no presente trabalho
10 t/ha de MS para o capim Paredão colhido com 84 dias.
apresentaram proporções de colmo semelhantes e até
Interessante destacar que o capim Tamani, mesmo com
maiores em relação aos capins de maior porte, como Paredão
porte mais baixo, se destacou entre os mais produtivos, se
e Zuri, na frequência de colheita de 28 dias. O capim Tamani,
igualando aos capins Paredão e Zuri. Os capins do gênero
pelo seu porte e característica apresentou menor proporção
Brachiaria também apresentaram alto potencial produtivo,
de colmo em relação aos demais capins. Quando colhidos
produzindo de 2 a 4 t/ha de MS a menos em relação aos capins
com 84 dias todos os capins apresentaram percentuais
do gênero Panicum.
de colmo semelhantes (aproximadamente 47% da MS).
Aqui temos o que o produtor e o técnico precisarão
Quando colhidos aos 56 dias, os capins do gênero Brachiaria
saber para planejar a sua ensilagem e começar a definir o
apresentaram menor proporção de folhas em relação aos
seu ponto de colheita com base na finalidade de utilização.
capins Paredão, Tamani e Zuri, evidenciando um possível
Além disso, de posse dessa informação, saberão qual a
maior alongamento de colmo dessas cultivares. Todos
característica daquele capim no momento em que ele se
os capins apresentaram menos de 50% de folha quando
encontrar disponível para a colheita na fazenda. Para que
colhidos com 84 dias. A concentração de MS dos capins foi maior para o
seja mais efetiva e assertiva, essa recomendação poderá ser
capim Braúna provavelmente pela maior proporção de colmo.
baseada e correlacionada com a altura. Mas como assim? A altura do dossel poderá ser utilizada como um
Via de regra, quanto maior o porte do capim, ou seja, quanto
ajuste no dia exato da colheita, caso a informação desse
menor a frequência de colheita, maior a MS. Entretanto,
trabalho seja extrapolada para outras regiões, por exemplo.
observamos que esse aumento não é tão expressivo, por
Verificamos que o capim Braúna, apresentou a mesma altura
exemplo, quando colhemos os capins com 84 dias em
do dossel quando colhido com 56 ou com 84 dias. Porém foi
relação à colheita com 56 dias, com exceção para o capim
mostrado que a produtividade aumentou para este capim
Braúna. Dessa forma, podemos afirmar que o teor de MS por
quando foi colhido com 84 dias. Os capins Paredão e Zuri
si só não pode ser o principal critério a ser considerado na
estavam com 127 e 123 cm respectivamente quando foram
colheita dos capins avaliados nesse estudo. Esse parâmetro
colhidos aos 56 dias. Utilizamos o critério de dias visando
deverá ser analisado em conjunto com outros. Ressaltamos
facilitar o planejamento considerando o dia-a-dia da fazenda
a importância de conhecer a MS do capim no momento da
e recomendamos que a altura seja monitorada no momento
ensilagem e que a depender do capim, ela poderá ser maior
da colheita, para eventuais ajustes.
quanto maior for a altura do capim, mas isso não é uma regra,
Continuando
a
discussão,
sabemos
que
a
como demonstrado nos nossos resultados.
produtividade é o resultado de modificações na morfologia
As mudanças na composição química refletem as
e na dinâmica de crescimento e expansão dos órgãos da
modificações nos componentes morfológicos, juntamente
planta. Todas essas modificações influenciam tanto a
com outros fatores. Dessa forma, à medida que mudamos
produtividade como o valor nutritivo das plantas forrageiras.
a frequência de colheita de 28 para 56 dias observamos uma queda acentuada no teor de PB de todas as cultivares,
101
devido ao aumento da proporção de colmo. A queda foi mais
A.; LUMBRERAS, J. F.; COELHO, M. R; ALMEIDA, J. A.; ARAÚJO
acentuada nos capins do gênero Panicum. O NDT representa
FILHO, J. C.; OLIVEIRA, J. B.; CUNHA, T. J. F.;. Latossolos. In:
a energia disponível dos alimentos e também observamos
_____ Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 5. ed.
a diminuição à medida que a altura dos capins aumentou.
Brasília :Brasília: Embrapa, 2018., Cap. 10 p. 195 - 199.
Entretanto, essa queda foi menos acentuada de 28 para 56 dias, considerando as cultivares Braúna, Ipyporã, Paiaguás e Tamani, enquanto os capins Mavuno, Paredão e Zuri apresentaram queda acentuada no NDT. Quando colhidos com 84 dias, essa queda foi menos acentuada. Ressaltamos esses resultados não devem ser extrapolados para regiões de biomas diferentes, ou de características edafoclimáticas diferentes, pois o comportamento de cada capim poderá ser diferente.
THORNTHWAITE, C. W. An Approach toward a Rational Classification of Climate. Geographical.Review, v. 38, n 1., p. 55-94, 1948.
THORNTHWAITE. C. W.; MATHER, J. R.. The water balance. Centerton. NJ: Drexel Institute of Technology - Laboratory of Climatology. 1955. 104p. (Publications in Climatology. V. 8. N.1).
CONSIDERAÇÕES FINAIS As cultivares de Brachiaria e Panicum apresentam potencial para produção de silagem, considerando as características agronômicas e a composição química. Os capins Paredão, Tamani e Zuri apresentam alta produtividade quando manejados para produção de silagem. Destacamos o capim Tamani apresenta elevado potencial produtivo e uma queda menos acentuada no valor nutritivo. As frequências de colheita afetam a produtividade dos capins e cada cultivar se comporta de forma diferente considerando a produtividade e o valor nutritivo. Deixamos ao leitor a opção de escolher qual cultivar e de qual frequências de colheita utilizar considerando as características do sistema de produção.
REFERÊNCIAS DA SILVA, T. C.; SANTOS, R. I. R.; SANTOS, E. M.; RODRIGUES, J. P. P.; RÊGO, A. C. Challenges and perspectives of tropical grasses silages. In:___ International Symposium on Forage Quality and Conservation. 6ed.Piracicaba: Esalq, 2019, v. 6, p. 247-270.
SANTOS, H.G.; JACOMINE, P. K. T.; ANJOS, L. H. C.; OLIVEIRA, V.
102
USO DE PROMOTORES DE CRESCIMENTO PARA PASTAGENS NASCIMENTO, Hemython Luis Bandeira do¹; VIEIRA, Dheynne Alves²; CARDOSO, Vitor Barros³; SILVA, Adinan Alves da4; COSTA, Alan Carlos5 ¹Eng. Agrônomo, Dr. Zootecnia, Pesquisador em Forragicultura e Pastagem do Centro Tecnológico COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: hemythonluis@comigo.com.br ²Agronômo, Doutorando em Ciências Agrárias PPGCAAgronomia no IF Goiano Campus Rio Verde, Rio Verde-GO. E-mail: dheynne.vieira@estudante.ifgoiano.edu.br ³ Graduando em Agronomia no IF Goiano Campus Rio Verde, Rio Verde-GO. E-mail: vitorbarros2002@gmail.com 4 Biólogo, Pós-doutorando no PPGCA-Agronomia no IF Goiano Campus Rio Verde, Rio Verde-GO. E-mail: adinan. alves64@gmail.com 5 Graduado em Ciências Agrícolas, Docente orientador no IF Goiano Campus Rio Verde, Rio Verde-GO. E-mail: alan. costa@ifgoiano.edu.br
afetar a disponibilidade de biomassa e consequentemente a produção animal e subsistência humana (JOYCE et al., 2016). Picasso et al. (2019) relataram que em mais de 80% dos casos de eventos climáticos estão relacionados com a seca, que quando prolongadas podem obrigar o produtor alterar atividades de manejo, como por exemplo, a entrada e saída dos amimais em uma área de pastejo. Neste sentido, vêm-se buscando alternativas para mitigar os efeitos deletérios relacionados a redução espacial e temporal da disponibilidade hídrica, a fim de garantir a sustentabilidade dos sistemas produtivos. Avanços significativos foram alcançados para diversas plantas cultivadas como soja, milho, trigo, entre outras; com aplicação de adubos foliares, agentes de sinalização celular e protetores (YANG et al., 2017; MERWAD et al., 2018; BATISTA et al., 2020). Entretanto, pesquisas
INTRODUÇÃO
com gramíneas forrageiras são escassas, sendo de grande importância, uma vez que, a base da cadeia produtiva de
No Brasil as pastagens são a principal fonte de
carne bovina no Brasil é a pastagem.
alimentação para o rebanho bovino, sendo considerada a
Nossa hipótese é que os promotores de crescimento
forma mais economicamente viável de alimentar os animais.
compostos por macro e micronutrientes, aminoácidos e
Entretanto, às condições climáticas na maior parte do
vitaminas e reguladores de crescimento funcionam como
território nacional é um fator limitante para a produção,
moduladores de processos na planta forrageira, contribuindo
sendo marcada por uma estacionalidade na produção e
para melhoria da eficiência de utilização dos recursos para
redução da qualidade nutricional na estação mais seca do
crescimento, especialmente em pastos bem manejados e
ano (EUCLIDES et al., 1996; HABERMANN et al., 2019).
bem nutridos, complementando assim o manejo e nunca
No cenário atual as mudanças climáticas podem apresentar consequências importantes para os produtores e profissionais da área, uma vez, que a produção é altamente dependente das condições meteorológicas, o que poderá
substituindo a adubação de base. Neste sentido, objetivouse com o presente estudo avaliar a respostas fisiológicas e produtivas de pastagens submetidas a aplicação de diferentes promotores de crescimento.
103
MATERIAL E MÉTODOS
realizada entre os dias 29 e 30/12/2020 utilizando semeadora adubadora pneumática com espaçamento de 0,5 m entre
O experimento foi conduzido no Centro Tecnológico COMIGO (CTC) localizado no Anel Viário Paulo Campos s/n, Zona Rural, Rio Verde Goiás. A área do experimento está localizada nas coordenadas S 17°45’57’’ e “51°02’17’’ W e altitude de 833 m. Segundo Thornthwaite (1948) o clima de Rio Verde - GO é classificado em B4 rB’4a’ (úmido; pequena deficiência hídrica; mesotérmico; evapotranspiração no verão menor que 48% da evapotranspiração anual). O solo na área experimental é da classe LATOSSOLO VERMELHO Distrófico (SANTOS et al. 2018). Antes do plantio das gramíneas forrageiras, em novembro de 2020 foram aplicados 2.000 kg ha-1 de calcário à lanço e sem incorporação na área. A área foi dessecada no dia 04/11/2020 utilizando 3 L ha-1 de Finale + 0,75 L ha-1 de Iharol Gold e volume de calda de 150 L ha-1. Afim de avaliar os efeitos dos promotores de crescimento em diferentes grupos de forrageiras, foram implantadas duas diferentes gramíneas forrageiras na área, o Panicum maximum BRS Zuri e a Brachiaria brizantha cv. Xaraés. A semeadura foi
linhas, para garantir um estabelecimento mais rápido e melhor distribuição de plantas na área, optou-se por realizar o plantio cruzado, com semeadura nos sentidos longitudinal e transversal, para capim Zuri foram utilizados 10 kg ha-1 de semente comercial revestida (Advanced) com valor cultural de 80% e para o capim Xaraés foram utilizados 14 kg ha-1 de semente comercial revestida (Advanced) com valor cultural de 80%. Para facilitar a operação, a semente foi misturada com o fertilizante para realização do plantio, na ocasião da semeadura foram utilizados 320 kg ha-1 de Fosfato Monoamônio (MAP). Por se tratar de uma área cultivada anteriormente com lavoura, o solo encontrava-se com ótimas características químicas no início do experimento, com destaque para os valores médios de saturação por bases próximos a 70%, teores de fósforo e potássio acima de 12 e 280 mg dm-3, respectivamente, e teor de matéria orgânica acima de 3% (Tabela 1). Ao final do período experimental, verificou-se que houveram acentuadas reduções nos teores de matéria orgânica e de potássio em todos os experimentos (Tabela 1).
Tabela 1. Atributos do solo da área experimental na camada de 0 a 20 cm antes da implantação dos experimentos (safra 2020/2021) e ao final do período experimental (safra 2021/2022). Experimento
Xaraés CC Xaraés SC Zuri CC Zuri SC
pH (CaCl2)
Ca
Mg
Al
H+Al
CTC
----------- cmolc dm -----------3
K
PMeh
- mg dm -3
M.O.
V
Argila
%
%
%
Valores médios da área total antes da implantação dos experimentos 5,65 3,51 1,19 0,06 2,39 7,82 287,63 12,3 3,40 69,45 Valores médios observados em cada experimento ao final do período experimental 5,1 2,76 0,86 0,03 1,8 5,61 60,3 20,8 2,43 67,7 4,9 2,59 0,84 0,04 2,5 6,14 67,1 14,2 2,30 59,3 4,8 2,62 0,78 0,04 2,2 5,75 43,9 20,6 2,32 62,2 5,0 2,45 0,79 0,04 2,4 5,72 44,3 13,8 2,46 59,0
38,00
Visando o controle de plantas invasoras de folha
de potência do trator, o capim-zuri foi cortado a 30 cm de
larga, no dia 28/01/2021 foi realizada a aplicação de 1,5 L ha
-1
altura e o capim-xaraés com 15 cm de altura de resíduo. Após
de U46BR (2,4D) usando volume de calda de 150 L ha . No
o corte de uniformização, foi realizada a demarcação das
dia 16/03/2021 foi realizado um corte de uniformização das
unidades experimentais e aleatorização dos tratamentos.
-1
forrageiras, utilizando plataforma de colheita de área total de
Com o intuito de avaliar os efeitos de alguns
forragem para silagem (modelo JF C-120) acoplada na tomada
promotores de crescimento (bioestimulantes e fertilizantes
104
foliares) tanto em pastagens formadas por forrageiras mais
NPK (20-00-20) parcelado em duas aplicações de 250 kg ha-1
produtivas e exigentes em fertilidade como as do gênero
do formulado, uma em novembro de 2021 (início das águas) e
Panicum maximum quanto nas forrageiras menos produtivas
outra em fevereiro de 2022 (fim das águas).
e com menor exigência em fertilidade como as do gênero
O delineamento experimental adotado em todos os
Brachiaria brizantha, bem como em sistemas com maior
experimentos, foi de blocos completos casualizados (DBC),
ou menor nível de intensificação, foram implantados quatro
nos experimentos Zuri CC e Xaraés CC foram utilizadas quatro
experimentos, os quais são descritos abaixo.
repetições para cada tratamento e nos experimentos Zuri SC
Experimento 1: Panicum maximum BRS Zuri com
e Xaraés SC foram utilizadas três repetições por tratamento.
adubação de manutenção em cobertura + aplicação foliar de
Em todos os experimentos foram aplicados os mesmos sete
promotores de crescimento (Zuri CC);
tratamentos, os tratamentos adotados foram os seguintes:
Experimento 2: Panicum maximum BRS Zuri sem
•
adubação de manutenção em cobertura + aplicação foliar de
crescimento;
promotores de crescimento (Zuri SC); Experimento 3: Brachiaria brizantha cv. Xaraés com adubação de manutenção em cobertura + aplicação foliar de promotores de crescimento (Xaraés CC); Experimento 4: Brachiaria brizantha cv. Xaraés sem adubação de manutenção em cobertura + aplicação foliar de promotores de crescimento (Xaraés SC); Nos experimentos que receberam adubação de manutenção em cobertura, foi realizada a aplicação 100 kg ha-1 ano-1 de N e K2O durante o período das águas, na forma de
Controle: sem aplicação de promotores de
•
Bioamino Extra
•
Mais Pastagem
•
Nutriplenos
•
Raynitro Zn News
•
Stimulate
•
Titan
Mais detalhes sobre a dose utilizada de cada promotor de crescimento e sobre a formulação de cada produto, podem ser verificados no quadro 1.
Figura 1. Imagem aérea da área experimental.
105
O período experimental avaliado foi de 27/04/2021
período experimental, em todos os experimentos foram
a 05/04/2022, sendo divido entre seca (abril a setembro de
realizadas três aplicações dos promotores de crescimento
2021) e águas (outubro de 2021 a abril de 2022) em função da
via foliar, uma em abril de 2021 (início da seca 2021) e duas nas
distribuição da precipitação pluvial acumulada e do balanço
águas 2021/2022, sendo uma em dezembro de 2021 (início das
hídrico no solo durante o período (Figura 2). Ao longo do
águas) e outra em março de 2022 (fim das águas).
Quadro 1. Produtos, formulações e doses utilizadas por aplicação. Produto Mais Pastagem
Formulação de Bula 10% N, 3% S, 0,5% B, 3% Mn, 4% Zn
Dose (L ha-1) 2,00
Nutriplenos
5% N, 8% P2O5, 5% K2O, 0,5% Ca, 0,6% Mg, 0,4% B, 0,2% Cu, 0,5% Mn, 1% Zn
2,00
Raynitro Zn News
7% N, 7% P2O5, 4% Zn
0,20
Bioamino Extra
4% N, aminoácidos
0,75
Titan
Peptídeos, aminoácidos, oligossacarídeos, vitaminas, cofatores enzimáticos e ativadores de rotas metabólicas específicas
1,50
Stimulate
Cinetina, Ácido Giberélico, Ácido Indol-butírico
0,25
O balanço hídrico sequencial foi determinado
15 cm de altura para o capim Xaraés e a 30 cm para o capim
seguindo o método de Thornithwaite e Mather (1955) usando
Zuri. Após coletadas, as amostras foram pesadas e sub-
o modelo proposto por Rolim et al. (1998) para obter os
amostradas com aproximadamente 500 g. Em seguida, foram
valores do Excedente e do Déficit hídrico para a região nos
levadas à estufa de circulação forçada de ar a 55 °C até atingir
períodos desejados (Figura 2). Os dados de precipitação foram
peso constante, para secagem e posterior determinação de
coletados no Centro Tecnológico Comigo e a temperatura
peso seco.
média diária foi extraída da estação meteorológica do INMET localizada em Rio Verde – GO.
Para determinação da composição morfológica e química do pasto, em meados de cada período avaliado
Para avaliar as características produtivas e
(seca e águas) cada sub-amostra de forragem coletada,
agronômicas das forrageiras, foram realizadas avaliações
foi fracionada em duas partes com mesma quantidade de
a cada 28 dias durante o período das águas e a cada 56 dias
massa de forragem, uma parte era destinada à separação
no período da seca (devido à grande redução no crescimento
dos componentes morfológicos e a outra parte era destinada
da forrageira). Em cada avaliação, foram realizados, o
a análise bromatológica. As amostras utilizadas para
monitoramento da altura do pasto (antes e após o corte do
determinação da composição morfológica eram separadas
dossel forrageiro), coleta de massa de forragem e colheita
em folha (lâmina foliar), colmo (colmo + bainha) e material
da forragem utilizando uma plataforma de colheita de área
morto. Após a separação, os componentes foram pesados e
total de forragem para silagem (modelo JF C-120) acoplada
colocados para secar em estufa de circulação forçada de ar, a
na tomada de potência do trator remoção de folhas pelo
55 °C até atingir peso constante e posterior determinação de
pastejo. A massa de forragem foi quantificada coletando
peso seco. As amostras destinadas a análise bromatológica
duas amostras por parcela, utilizando uma moldura quadrada
eram envidadas ao Laboratório Químico Industrial da
com 0,25 m² (0,5 m x 0,5 m). As amostras foram coletadas a
COMIGO, para a realização das análises da composição
106
química da forrageira, onde foram realizadas as análises
massa fresca (MF), túrgida (MT) e seca (MS) de 10 discos
dos teores de proteína bruta (PB, %), fibra insolúvel em
foliares de 0,5 cm2 de diâmetro, e calculado pela fórmula: CRA
detergente neutro (FDN, %) e fibra insolúvel em detergente
= (MF-MS)/ (MT-MS) x 100 (BARRS & WEATHERLEY, 1962). A
ácido (FDA, %) e extrato etéreo (EE, %).
taxa de fotossíntese, o índice de desempenho fotossintético
Para determinação da taxa de fotossíntese [A, µmol (CO2) m-2 s-1] foi utilizado um analisador de gases infravermelho
e o CRA foram mensurados no período da manhã (08 as 12 h) em folhas jovens completamente expandidas.
portátil (IGRA) modelo LI6800 (Li-Cor, Nebraska, EUA), configurado para manter a temperatura foliar em 27 °C,
RESULTADOS E DISCUSSÃO
umidade relativa do ar em 50 %, densidade de fluxo de fótons em 2000 μmol m-2s-1 e concentração de CO2 em 400 ppm. Para determinação do índice de desempenho fotossintético foi realizada a curva OJIP utilizando o fluorômetro portátil FluorPen FP 100 (Photon Systems Instruments; Drasov, Czech Republic) em folhas previamente adaptadas ao escuro por 30 min (STRASSER et al. 2000). Para determinação do conteúdo relativo de água (CRA) foi obtido mediante a pesagem da
Durante o período experimental verificou-se temperatura média de 23,1 °C e um acumulado de 1632 mm de chuva, concentrados entre outubro de 2021 e abril de 2022, com déficit hídrico verificado entre abril e setembro de 2021 (seca) e ocorrência de excedente hídrico entre outubro de 2021 e abril de 2022 (Figura 2).
Figura 2. Balanço hídrico sequencial da área experimental com base nos dados climáticos de Rio Verde – GO, no período de abril de 2021 a abril de 2022. •
Experimento 1: Panicum maximum BRS Zuri
No experimento 1 Panicum maximum BRS Zuri
com adubação de manutenção em cobertura e
manejados com adubação de manutenção em cobertura
aplicação foliar de promotores de crescimento
e aplicação foliar de promotores de crescimento (Zuri CC),
(Zuri CC)
foram verificados efeitos significativos dos promotores de crescimento para acúmulo total de forragem (p < 0,01),
107
acúmulo de folhas (p < 0,01), produção de raiz (p = 0,01), taxa de
A maior taxa de fotossíntese dos pastos manejados
fotossíntese (p < 0,01), e proteína bruta (p = 0,03). Com relação
com Stimulate está relacionado ao sinergismo entre os
ao acúmulo total de forragem, verificou-se que nos pastos
três hormônios vegetais (cinetina, ácido giberélico e ácido
que receberam aplicação de Stimulate e Titan apresentaram
indolbutírico) presentes em sua composição. Os hormônios
13% de incremente na produção de forragem em relação ao
vegetais tem a capacidade de influenciar direta ou
tratamento controle e aos pastos que receberam aplicação
indiretamente a fotossíntese das plantas, seja pela regulação
do Mais Pastagem e do Raynitro Zn News (Figura 3A), que
da formação de estômatos foliares, divisão de cloroplastos
não diferiram entre si (p > 0,10). Os pastos que receberam
ou ainda pela melhora na capacidade de transferência de
Bioamino Extra e Nutriplenos tiveram acúmulo total de
elétrons (MÜLLER & MUNNÉ-BOSCH, 2021).
forragem 12% maior em relação ao tratamento controle e
O maior acúmulo de forragem e produção de raiz dos
aos pastos que receberam o produto Mais Pastagem (p <0,10).
pastos manejados com Stimulate está relacionado há maior
Com relação ao acúmulo de folhas, os pastos que receberam
taxa de fotossíntese observada, uma vez que, a assimilação
aplicação do Titan apresentaram produção 14% maior em
de carbono é a foça motriz para a formação da matéria seca
relação ao tratamento controle e aos pastos que receberam
(CHEN et al., 2018). Cato et al. (2013) relataram incrementos
aplicação do Mais Pastagem e do Raynitro Zn News (Figura
sobre o acúmulo de massa seca da parte aérea e de raízes em
3A), e os pastos manejados com Stimulate, Nutriplenos
plantas pulverizadas com uma combinação essa combinação
e Bioamino Extra apresentaram incremento de 14% no
de reguladores de crescimento em relação às controle.
acúmulo de folhas em relação ao tratamento Controle e Mais pastagem, os demais tratamentos não diferiram entre si.
Para os teores de proteína bruta, verificou-se que apenas os pastos manejados com Bioamino Extra
Quanto a produção de raiz, o único tratamento que
apresentaram diferença em relação ao tratamento controle
diferiu em relação aos controle foi o Stimulate, verificou-
(Figura 3D), apresentando em média 10% a mais de proteína
se que nos pastos manejados com Stimulate houve um
em relação aos demais tratamentos (p < 0,10), exceto o
incremento médio de 33% na massa seca de raiz em relação
Titan, que não diferiu de nenhum tratamento (Figura 3D).
em relação aos demais tratamento, exceto do Titan, que não
Os maiores teores de proteína bruta para pastos manejados
diferiu do Stimulate (Figura 3B). Contudo, pastos manejados
com Bioamino podem estar relacionados ao aumento da
com o promotor de crescimento Titan, apresentaram em
síntese de aminoácidos e proteínas nas plantas devido ao
média 36% de incremento na massa seca de raiz em relação
nitrogênio e a absorção do pool de aminoácidos presentes
aos pastos manejados com Bioamino Extra, Mais Pastagem,
em sua formulação (DELEVATTI et al., 2019).
Nutriplenos e Raynitro Zn News, que não diferiram entre si. Para as taxas de fotossíntese, verificou-se maiores valores nos pastos que receberam aplicação do promotor Stimulate (p < 0,10), nos pastos manejados com esse promotor de crescimento as taxas de fotossíntese foram em média 67% maior em relação aos demais tratamentos, com exceção do Biomina Extra, que não diferiu em relação ao Stimulate (Figura 3C). As menores taxas fotossintéticas foram observadas nos pastos manejados com o Nutriplenos, que apresentaram taxa de fotossíntese em média 63% menor em relação aos demais tratamentos. Os demais tratamentos não apresentaram diferença significativa entre si.
108
Figura 3. Acúmulo de Forragem (A), Massa seca de Raiz (B), Taxa de Fotossíntese (C) e Teor de Proteína Bruta (D) em pastos de Panicum maximum BRS Zuri manejados com adubação de manutenção em cobertura e aplicação foliar de promotores de crescimento. Barras de mesma cor seguidas por mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Duncan a 10%.
Com relação ao padrão de resposta do pasto aos
receberam Stimulate apresentaram acúmulo de folhas cerca
tratamentos em função da época do ano (seca e águas),
de 15% maior em relação aos tratamentos controle e Mais
verificou-se que tanto para o acúmulo total de forragem
Pastagem (Tabela 2), não sendo verificadas diferenças entre
quanto para o acúmulo de folhas só foram observados efeitos
os demais tratamentos.
significativos dos tratamentos durante o período das águas
Os maiores acúmulos total de forragem nos pastos
(p < 0,01 e p = 0,01, respectivamente), não sendo observados
manejados com Bioamino Extra e Titan está relacionado
efeitos significativos dos promotores na produção do pasto
ao maior pool de nitrogênio disponível para assimilação
durante o período seco (p > 0,10). O acúmulo total de forragem
pelas plantas, uma vez que, em suas formulações há uma
nos pastos manejados com Bioamino Extra e Titan foi em
predominância de substâncias ricas no nutriente. O nitrogênio
média 17% maior em relação aos tratamentos Controle, Mais
é um elemento estrutural central das proteínas e enzimas,
Pastagem e Raynitro Zn News (p < 0,10). Os pastos manejados
sendo um fator chave no crescimento e produtividade das
com Stimulate apresentaram em média 17% de incremento
culturas (EVANS & CLARKE, 2018). Em relação às pastagens
no acúmulo de total de forragem em relação aos tratamentos
manejadas com Stimulate, como mencionado anteriormente
controle e Mais Pastagem (Tabela 2), não sendo verificada
o sinergismos entre os hormônios vegetais presentes em
diferença entre os demais tratamentos (p > 0,10). O acúmulo
sua composição influenciam diretamente e indiretamente
de folhas durante o período das águas nos pastos manejados
o processo fotossintético, resultando em um maior acúmulo
com os promotores de crescimento Titan e Bioamino Extra foi
de biomassa (CHEN et al., 2018; MÜLLER & MUNNÉ-BOSCH,
em média 19% maior em relação aos tratamentos Controle,
2021).
Mais Pastagem e Raynitro Zn News (p < 0,10), pastos que
109
Tabela 2. Acúmulo total de forragem (kg ha-1) e acúmulo de folhas (kg ha-1) durante os períodos de águas e seca no experimento Zuri CC.
Promotores de crescimento Controle Bioamino Mais Pastagem Nutriplenos Raynitro Stimulate Titan SE CV p-valor
Acúmulo Total Águas 19.939 c 24.213 a 20.821 c 22.583 abc 21.454 bc 23.760 ab 24.489 a 854,62 7,61 < 0,01
Acúmulo de Folhas
Seca 3.999 3.380 3.526 3.986 4.176 4.187 3.483 306,68 16,06 0,32
Águas 17.547 d 21.361 a 18.081 cd 19.778 abc 18.770 bcd 20.538 ab 21.689 a 818,37 8,32 0,01
Seca 3.518 2.985 3.024 3.507 3.682 3.708 2.937 289,80 17,37 0,27
Letras semelhantes em uma mesma coluna são estatisticamente iguais pelo teste de Duncan a 10% de probabilidade. •
Experimento 2: Panicum maximum BRS Zuri
contidas no Titan e no Nutriplenos pelas pastagens, uma
sem adubação de manutenção em cobertura +
vez que, no primeiro a sua composição apresenta compostos
aplicação foliar de promotores de crescimento
nitrogenados
(Zuri SC)
vitaminas, peptídeos, oligossacarídeos e, ainda ativadores de
(aminoácidos),
cofatores
enzimáticos,
Nos pastos de Panicum maximum BRS Zuri
rotas enzimáticas específicas; no segundo além do nitrogênio
manejados sem adubação de manutenção em cobertura e
um nutriente fundamental para o crescimento das pastagens
com aplicação foliar de promotores de crescimento (Zuri
(EVANS & CLARKE, 2018), há nutrientes essenciais para o
SC), foram verificados efeitos significativos dos promotores
funcionamento de diversas funções na planta.
de crescimento para o acúmulo total de forragem durante o
Para a taxa fotossintética, verificou-se que
período seco (p = 0,08), taxa de fotossíntese (p = 0,01) e teor de
nos pastos manejados com o Mais Pastagem houve
fósforo na massa de forragem (p = 0,01). Não foram verificados
um incremento médio de 72% em relação aos demais
efeitos significativos dos tratamentos para produção de raiz
tratamentos (p < 0,10), exceto o Titan, que apresentou taxa
(p = 0,75) que em média foi de 3.413 kg ha (Figura 4B), também
fotossintética semelhante à do Mais Pastagem (p > 0,010),
não foi verificado efeito de tratamentos para o acúmulo de
os pastos manejados com o Titan apresentaram taxa de
folhas (p > 0,10). Para o acúmulo total de foragem durante
fotossíntese em média 70% maior em relação àqueles
o período seco, verificou-se que nenhum dos tratamentos
que receberam o Raynitro Zn News, não sendo verificada
apresentou diferença significativa em relação ao controle,
diferença significativa entre os demais tratamentos (Figura
a única diferença observada, foi dos pastos manejados com
4C). A maior taxa fotossintética nos pastos manejados com
Nutriplenos e Titan que apresentaram incremento médio
Mais Pastagem pode estar relacionado ao maior incremento
de 53% no acúmulo de forragem em relação aos pastos
de nitrogênio, uma vez, o nutriente representa 10% de sua
manejados com Raynitro Zn News e Stimulate (Figura
composição total. O nitrogênio é um elemento essencial na
4A), não sendo verificadas diferenças entre os demais
formação de enzimas, principalmente enzimas relacionadas
tratamentos. Os maiores acúmulos de forragem na seca pode
ao processo fotossintético, como a ribulose-1,5-bifosfato
estar há um maior aproveitamento do pool de moléculas
carboxilase-oxigenase (RuBisCO) (LUO et al., 2021). Com
-1
110
relação à composição química da foragem, não foram
FDN ou FDA (p > 0,10) sendo observados valores médios de
verificados efeitos significativos nem para os teores de PB,
16,37%, 65,29% e 41,58% respectivamente (Figura 4D).
Figura 4. Acúmulo de Forragem (A), Massa seca de Raiz (B), Taxa de Fotossíntese (C) e Teor de Fósforo (D) em pastos de Panicum maximum BRS Zuri manejados sem adubação de manutenção em cobertura e com aplicação foliar de promotores de crescimento. Barras de mesma cor seguidas por mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Duncan a 10%.
Experimento 3: Brachiaria brizantha cv. Xaraés com adubação de manutenção em cobertura e aplicação foliar de promotores de crescimento (Xaraés CC); Nos pastos de Brachiaria brizantha cv. Xaraés manejados com adubação de manutenção em cobertura e aplicação foliar de promotores de crescimento foram verificados efeitos significativos dos promotores de crescimento para acúmulo de forragem durante o período seco (p <0,10), produção de raiz (p = 0,01), Conteúdo Relativo de Água (p =0,08) e teor de extrato etério (p = 0,02). Para o acúmulo total de forragem não foi verificada diferença significativa entre os tratamentos durante o período das águas (p >010), sendo observada acúmulo médio de entre os
tratamentos de 17.043 kg ha-1 forragem (Figura 5A), durante o período seco verificou-se efeito significativo de tratamentos para o acúmulo de forragem, no geral, durante o período seco verificou-se redução na produção de forragem dos pastos manejados com o Bioamino Extra em relação aos demais tratamentos, em média nesses pastos houve redução média de 13% na produção de forragem, não sendo verificada diferença significativa entre os demais tratamentos (Figura 5A). A redução no acúmulo forragem no período seco pode estar relacionado há uma maior ativação de mecanismos de proteção, como mecanismos de dissipação da energia na forma de fluorescência e calor (OUKARROUM et al., 2007). Para produção de massa seca de raiz, verificou-se que apenas nos pastos que receberam
111
aplicação de Nutriplenos houve incremento de raiz em relação ao tratamento controle (p =0,01), no geral os pastos manejados com o Nutriplenos apresentaram incremento médio de 33% na massa seca de raiz em relação aos demais tratamentos, com exceção do Stimulate, que não diferiu do Nutriplenos (Figura 5B). Os pastos manejados com o Stimulate apresentaram produção de massa seca de raiz em média 25% maior em relação aos pastos que receberam os promotores de crescimento Titan e Raynitro (Figura 5B), não sendo verificada diferença significativa entre os demais tratamentos. O incremento na produção de massa seca de raiz nos pastos manejados com Nutriplenos e Stimulate pode estar relacionado à maior assimilação de carbono e consequentemente maior partição dos fotoassimilados para a parte radicular da planta (CHEN et al., 2018). O sinergismo entre os hormônios vegetais (Stimulate) e a disponibilidade de nitrogênio (Nutrplenos) contribuindo para o incremento na assimilação de carbono (EVANS & CLARKE, 2018; MÜLLER & MUNNÉ-BOSCH, 2021).
Para o Conteúdo Relativo de Água (CRA), observou-se que em todos os tratamentos houve incremento no CRA em relação ao tratamento controle (p < 0,10), esse incremento foi em média de 14% (Figura 5C). Os pastos que receberam aplicação do Titan, apresentaram incremento médio de 17% no CRA em relação ao controle e de 9% relação aos pastos manejados com Raynitro, não sendo observadas diferenças significativas entre os demais tratamentos. Com relação a composição química do pasto, a única variável afetada pelos tratamentos foi o teor de Extrato Etério, contudo em nenhum dos tratamentos o teor de Extrato Etério diferiu em relação ao tratamento controle, a única diferença significativa observada quanto a essa variável foi dos pastos manejados com o Titan e Nutriplenos, apresentaram teores médios de Extrato Etério cerca de 54% maiores em relação à forragem dos pastos manejados com Stimulate e Mais Pastagem (Figura 5D).
Figura 5. Acúmulo de Forragem (A), Massa seca de Raiz (B), Taxa de Fotossíntese (C) e Teor de Extrato Etério (D) em pastos de Brachiaria brizantha cv. Xaraés manejados com adubação de manutenção em cobertura e aplicação foliar de promotores de crescimento. Barras de mesma cor seguidas por mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Duncan a 10%.
112
Para o acúmulo de folhas, verificou-se o mesmo
de folhas no período seco (p = 0,03), quando a produção dos
padrão de resposta observado para o acúmulo total de
pastos manejados com Bioamino reduziu em média 18%
forragem , não sendo observados efeitos significativos de
em relação aos demais tratamentos, com exceção do Mais
tratamentos durante o período das águas (p = 0,38) e nem
Pastagem, que não diferiu em relação a nenhum dos demais
para a produção total de folhas (p = 0,49), só foram verificados
tratamentos (Tabela 3).
efeitos significativos dos tratamentos para a produção total Tabela 3. Acúmulo de folhas (kg ha-1) durante os períodos de águas e seca no experimento Xaraés CC. Tratamento Controle Bioamino Mais Pastagem Nutriplenos Raynitro Stimulate Titan SE CV p-valor
Águas 12.044 14.061 12.833 13.687 11.456 12.890 13.930 925,83 14,26 0,38
Seca 2.950 a 2.418 b 2.722 ab 2.850 a 3.062 a 2.995 a 2.967 a 128,76 9,01 0,03
Total 14.994 16.479 15.555 16.537 14.518 15.885 16.897 1067,20 13,38 0,49
Médias seguidas por letras semelhantes em uma mesma coluna são estatisticamente iguais pelo teste de Duncan a 10% de probabilidade.
•
Experimento 4: Brachiaria brizantha cv. Xaraés
de raiz nos pastos manejados com Nutriplenos foi 47% maior
sem adubação de manutenção em cobertura
em relação aos demais tratamentos, exceto o Biomino Extra
e com aplicação foliar de promotores de
que não diferiu em relação ao Nutriplenos (Figura 6B). A massa
crescimento (Xaraés SC)
seca de raiz nos pastos que receberam Biomino Extra foi em média 47% maior em relação aos pastos manejados com
No experimento com Brachiaria brizantha cv. Xaraés sem adubação de manutenção em cobertura e com aplicação
Titan e Stimulate, os demais tratamentos não apresentaram diferenças significativas entre si.
foliar de promotores de crescimento não foram verificados
Foi verificado efeito significativo dos promotores
efeitos significativos dos tratamentos para produção e
de crescimento sobre a Eficiência Fotossintética do
nem para composição química da forragem (p > 0,10). Para
Fotossistema II (Pi_Abs), verificou-se que apenas nos
o acúmulo total de forragem e acúmulo total de folhas
pastos que receberam aplicação do Raynitro Zn News houve
ao longo do período experimental, não foram verificadas
diferença significativa em relação ao tratamento controle
diferenças significativas entre os tratamentos (p = 0,47 p = 0,15
(P = 0,03), entre os promotores de crescimento avaliados,
respectivamente), em média o acúmulo total de forragem foi
verificou-se que maiores valores de Eficiência Fotossintética
de 18.582 kg ha ano e dos quais cerca de 14.830 kg ha ano
do Fotossistema II foram observados nos pastos que
-1
-1
-1
-1
receberam aplicação de Bioamina Extra, Mais Pastagem
representam o acúmulo de folhas (Figura 6A). Para produção de massa seca de raiz, houve efeito significativo de tratametos (p = 0,01), apenas nos pastos que receberam aplicação do Nutriplenos verificou-se diferença em relação ao tratamento controle. Em média a massa seca
e Nutriplenos, essa eficiência foi em média 77% maior em relação aos pastos manejados com Raynitro Zn News e Titan (Figura 6C). Os menores índices de eficiência Fotossintética do Fotossistema II observados Raynitro e Titan podem estar
113
relacionados ativação de mecanismos de dissipação de
os teores de Proteína Bruta, FDN e FDA foram encontradas
energia, uma vez que, relaciona a absorção e a utilização de
respectivamente as médias de 12,74%, 66,04% e 39,19%
energia na cadeira fotossintética de transporte de elétrons
(Figura 6D).
(STRASSER et al., 2000; OUKARROUM et al., 2007). E para
Figura 6. Acúmulo de Forragem (A), Massa seca de Raiz (B), Índice de desempenho fotossintético (C) e composição química (D) em pastos de Brachiaria brizantha cv. Xaraés manejados com adubação de manutenção em cobertura e aplicação foliar de promotores de crescimento. Barras de mesma cor seguidas por mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Duncan a 10%.
Durante o período das águas o Acúmulo Total de
(Tabela 4). No período seco o Acúmulo Total de Forragem e
Forragem e de Folhas foram respectivamente em média 15.160
de Folhas foram respectivamente em média 3.423 e 3.064 kg
e 11.160 kg ha , para a composição morfológica verificou-
ha-1, as porcentagens médias de folha, colmo e de material
se efeito significativo de tratamento para porcentagem
morto na massa de forragem foram respectivamente 89,5%,
de folha e de colmo (p = 0,4 e 0,4 respectivamente), as
7,7% e 2,8%.
-1
maiores porcentagens de folhas foram observadas nos pastos manejados com Bioamino Extra em relação aos demais tratamentos (Tabela 4), que não diferiram entre si, para porcentagem de colmo, os pastos manejados com Bioamino extra apresentaram menores médias em elação em relação à todos os tratamentos, com exceção dos pastos que receberam aplicação do Nutriplenos, para porcentagem de material morto não foram verificados efeitos significativos de tratamentos, com média de 2,9%
114
Tabela 4. Produção de Forragem e composição morfológica do pasto Xaraés SC Tratamento Controle Bioamino Mais Pastagem Nutriplenos Raynitro Stimulate Titan SE CV p-valor Variável Acúmulo de Total de Forragem Acúmulo de Folhas % Folha % Colmo % Material Morto
ATF¹ 15.108 15.925 15.116 14.181 15.213 15.098 15.579 426,32 5,62 0,31
Águas AF² 11.439 13.102 11.770 10.859 11.901 11.684 11.604 411,25 6,99 0,13 Seca
Média 3.423 3.064 89,5 7,7 2,8
Folha (%) 75,33B 82,30A 77,67B 77,06B 78,26B 77,46B 74,46B 1,21 3,12 0,04
Colmo (%) 21,23AB 15,73C 19,63AB 18,60BC 19,50AB 19,60AB 22,83A 1,06 10,92 0,04
Morto (%) 3,20 2,00 2,56 4,33 2,23 2,96 2,70 0,74 52,28 0,59
SE 190,91 222,91 3,14 0,71 2,79
CV 11,16 14,55 7,02 18,61 19,8
p-valor 0,28 0,48 0,66 0,12 0,69
ATC¹ = Acúmulo Total de Forragem; AF² = Acúmulo de Folhas; Médias seguidas por letras semelhantes em uma mesma coluna são estatisticamente iguais pelo teste de Duncan a 10% de probabilidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
avaliados, dessa forma, para explorar melhor o potencial
Os efeitos mais expressivos dos promotores de crescimento foram observados em pastos mais intensificados, formados por forrageiras de maior exigência nutricional (Zuri CC), sendo observados efeitos considerados dos promotores de crescimento sobre a produção de forragem, produção de raiz, fisiologia da planta e teor de proteína do pasto. Os efeitos menos expressivos dos promotores de
de cada produto é fundamental, ter um objetivo definido, conhecer o sistema de produção no qual se pretende aplicar a tecnologia, conhecer a composição do produto e principalmente se existem resultados científicos que comprovam a eficácia do mesmo.
REFERÊNCIAS
crescimento sobre o pasto foram verificados nos pastos formados por forrageiras menos exigentes e menos
BARRS, H. D.; WEATHERLEY, P. E. A re-examination of the
intensificados (Xaraés SC).
relative turgidity technique for estimating water deficits in
Esses resultados indicam que realmente os promotores de crescimento funcionam como moduladores
leaves. Australian journal of biological sciences, v. 15, n. 3, p. 413-428, 1962.
de processos na planta forrageira, contribuindo para melhoria da eficiência de utilização dos recursos para crescimento, especialmente em pastos bem manejados e bem nutridos.
BATISTA, Priscila Ferreira et al. Biochemical and physiological impacts of zinc sulphate, potassium phosphite and hydrogen
A maioria dos promotores de crescimento gerou algum benefício para o pasto em algum dos cenários
sulphide in mitigating stress conditions in soybean. Physiologia plantarum, v. 168, n. 2, p. 456-472, 2020.
115
CATO, S. C. et al. Sinergism among auxins, gibberellins and
2018.
cytokinins in tomato cv. Micro-Tom. Horticultura Brasileira, v. 31, p. 549-553, 2013.
MÜLLER, M.; MUNNÉ-BOSCH, S. Hormonal impact on photosynthesis and photoprotection in plants. Plant
CHEN, Z. et al. Biomass accumulation, photosynthetic traits
physiology, v. 185, n. 4, p. 1500-1522, 2021.
and root development of cotton as affected by irrigation and nitrogen-fertilization. Frontiers in Plant Science, v. 9, p. 173, 2018.
OUKARROUM, A et al. Probing the responses of barley cultivars (Hordeum vulgare L.) by chlorophyll a fluorescence OLKJIP under drought stress and re-watering. Environmental
DELEVATTI, L. M. et al. Effect of nitrogen application rate on
and Experimental Botany, v. 60, n. 3, p. 438-446, 2007.
yield, forage quality, and animal performance in a tropical pasture. Scientific Reports, v. 9, n. 1, p. 1-9, 2019.
PICASSO, V. D.; CASLER, M. D.; UNDERSANDER, D. Resilience, stability, and productivity of alfalfa cultivars in rainfed
EUCLIDES, V. P. B.; MACEDO, M. C. M.; VIEIRA, A.; OLIVEIRA,
regions of North America. Crop Science, v. 59, n. 2, p. 800-810,
M. P. Valores nutritivos de cinco gramíneas sob pastejo. In:
2019.
Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, 1996, Fortaleza: Anais... SBZ, 1997, p. 90-92.
SANTOS, H.G.; JACOMINE, P. K. T.; ANJOS, L. H. C.; OLIVEIRA, V. A.; LUMBRERAS, J. F.; COELHO, M. R; ALMEIDA, J. A.; ARAÚJO
EVANS, J. R.; CLARKE, V. C. The nitrogen cost of photosynthesis.
FILHO, J. C.; OLIVEIRA, J. B.; CUNHA, T. J. F.;. Latossolos. In:
Journal of Experimental Botany, v. 70, n. 1, p. 7-15, 2019.
_____ Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 5. ed. Brasília :Brasília: Embrapa, 2018., Cap. 10 p. 195 - 199.
HABERMANN, E. et al. Warming and water deficit impact leaf photosynthesis and decrease forage quality and digestibility
STRASSER, R. J.; SRIVASTAVA, A.; TSIMILLI-MICHAEL, M.
of a C4 tropical grass. Physiologia Plantarum, v. 165, n. 2, p.
The fluorescence transient as a tool to characterize and
383-402, 2019.
screen photosynthetic samples. Probing photosynthesis: mechanisms, regulation and adaptation, p. 445-483, 2000.
JOYCE, C. B.; SIMPSON, M.; CASANOVA, M. Future wet grasslands: ecological implications of climate change.
THORNTHWAITE, C. W. An Approach toward a Rational
Ecosystem Health and Sustainability, v. 2, n. 9, p. e01240, 2016.
Classification of Climate. Geographical. Review, v. 38, n 1., p.
LUO, X. et al. Global variation in the fraction of leaf nitrogen
55-94, 1948.
allocated to photosynthesis. Nature communications, v. 12, n. 1, p. 1-10, 2021.
THORNTHWAITE. C. W.; MATHER, J. R.. The water balance. Centerton. NJ: Drexel Institute of Technology - Laboratory
MERWAD, Abdel-Rahman MA; DESOKY, El-Sayed M.; RADY,
of Climatology. 1955. 104p. (Publications in Climatology. V. 8.
Mostafa M. Response of water deficit-stressed Vigna
N.1).
unguiculata performances to silicon, proline or methionine foliar application. Scientia Horticulturae, v. 228, p. 132-144,
116
117
Anel Viário Paulo Campos, km 07 Zona Rural, Rio Verde - GO (64) 3611-1573 / 3611-1574 / 3611-1666 itc@comigo.com.br www.comigo.coop.br
Realização:
Apoio: