Centro Tecnológico COMIGO
ANUÁRIO DE PESQUISAS AGRICULTURA - RESULTADOS 2023
EDITORES TÉCNICOS Amanda Magalhães Bueno Diego Tolentino de Lima Eduardo Hara Guilherme Braga Pereira Braz Hemython Luis Bandeira do Nascimento Leonardo Fernandes Sarkis Rafael Henrique Fernandes Ubirajara Oliveira Bilego Centro Tecnológico COMIGO Geração e Difusão de Tecnologias Rio Verde, GO 2023
Centro Tecnológico COMIGO Rod Go 174, Km 252.5 - Zona Rural - Rio Verde - GO CEP 75913-899 Fone: (64) 3611-1573 ou (64) 3611-1684 www.comigo.coop.br ctc@comigo.com.br Comitê de publicação Amanda Magalhães Bueno Diego Tolentino de Lima Eduardo Hara Guilherme Braga Pereira Braz Hemython Luis Bandeira do Nascimento Leonardo Fernandes Sarkis Rafael Henrique Fernandes Ubirajara Oliveira Bilego Periodicidade: anual Volume 6 n. 1, 2023 Publicação online Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei no 9.610). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Centro Tecnológico COMIGO Anuário de Pesquisa Agricultura - Resultados 2023 Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Centro Tecnológico COMIGO Av. Presidente Vargas, 1878, Jardim Goiás, Rio Verde - GO CEP 75901-901 - CP 195 Editores Técnicos: Amanda Magalhães Bueno; Diego Tolentino de Lima; Eduardo Hara; Guilherme Braga Pereira Braz; Hemython Luis Bandeira do Nascimento; Leonardo Fernandes Sarkis; Rafael Henrique Fernandes; Ubirajara Oliveira Bilego; Rio Verde, GO: Centro Tecnológico COMIGO, 2023. 218 p.: il. (algumas color.). 1. Workshop - Resultados. I. Bueno, Amanda Magalhães, II. Lima, Diego Tolentino de, III. Almeida, III. Hara, Eduardo, IV. Braz, Guilherme Braga Pereira, V. Bandeira do Nascimento, Hemython Luis, VI. Sarkis, Leonardo Fernandes, VII. Fernandes, Rafael Henrique. VIII. Bilego, Ubirajara Oliveira.
ISSN
Sumário APRESENTAÇÃO EDITORIAL AGRADECIMENTOS PRECIPITAÇÃO PLUVIAL NO CTC
7 8 9 10
ENTOMOLOGIA
12
INSETICIDAS NO CONTROLE DE PERCEVEJO-MARROM (Euschistus heros) NA CULTURA DA SOJA
13
INSETICIDAS NO CONTROLE DE NINFAS DE MOSCA-BRANCA (Bemisia tabaci) NA CULTURA DA SOJA
22
INSETICIDAS NO CONTROLE DO PULGÃO Melanaphis sorghi NA CULTURA DO SORGO
30
FERTILIDADE DO SOLO E FERTILIZANTES
38
APLICAÇÃO ANTECIPADA DE NITROGÊNIO EM COBERTURA NO SORGO
39
IMPACTO DE DOSES DE CALCÁRIO E MÉTODOS DE INCORPORAÇÃO NA PRODUTIVIDADE DE GRÃOS NA SUCESSÃO SOJA-SORGO 45 COMPATIBILIDADE DE DIQUAT E OCTABORATO NA DESSECAÇÃO PRÉ-COLHEITA DA SOJA E IMPACTOS DO BORO NO SORGO EM SUCESSÃO
54
FISIOLOGIA E NUTRIÇÃO DE PLANTAS
61
EFEITOS DE DOSES E ÉPOCAS DE ADUBAÇÃO COM FÓSFORO VIA FOLIAR, NA NUTRIÇÃO E PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA
62
EFEITOS DE DOSES E ÉPOCAS DE ADUBAÇÃO COM MAGNÉSIO VIA FOLIAR, NA NUTRIÇÃO E PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA
75
A ADUBAÇÃO FOLIAR COM BIOESTIMULANTES É CAPAZ DE INCREMENTAR A PRODUTIVIDADE DE GRÃOS DE MILHO CULTIVADO EM SEGUNDA SAFRA? 88 A ADUBAÇÃO FOLIAR COM BIOESTIMULANTES É CAPAZ DE INCREMENTAR A PRODUTIVIDADE DE GRÃOS DE SORGO, CULTIVADO EM SEGUNDA SAFRA NO SUDOESTE GOIANO? 99 FITOPATOLOGIA
108
O CONTROLE DE DOENÇAS COMEÇA CEDO: FUNGICIDAS NO VEGETATIVO DA SOJA
109
5
6
DIFERENTES FUNGICIDAS NO CONTROLE DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA, SAFRA 2022/2023 EM RIO VERDE-GO
118
PRODUTOS BIOLÓGICOS E QUÍMICOS E NO CONTROLE DE FITONEMATOIDES COM OCORRÊNCIA SIMULTÂNEA NA CULTURA DA SOJA
127
PROGRAMAS DE APLICAÇÕES DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DE HELMINTOSPORIOSE DO MILHO
140
CONTROLE QUÍMICO DE DOENÇAS FOLIARES DO SORGO NA SEGUNDA SAFRA DO ANO AGRÍCOLA 2022/2023
149
FITOTECNIA
158
PRODUTIVIDADE DE SOJA CULTIVADA SOBRE A PALHADA DE Panicum maximum EM SISTEMAS DE INTEGRAÇÃO LAVOURA PECUÁRIA
159
DESEMPENHO PRODUTIVO DE HÍBRIDOS DE MILHO CULTIVADOS NA SEGUNDA SAFRA
170
DESEMPENHO AGRONÔMICO DE HÍBRIDOS DE SORGO GRANÍFERO EM DUAS ÉPOCAS DE SEMEADURA
178
PLANTAS DANINHAS
185
DESEMPENHO AGRONÔMICO DE CULTIVARES DE SOJA SUBMETIDA A APLICAÇÃO DE HERBICIDAS RESIDUAIS EM DIFERENTES MODALIDADES
186
RESIDUAL DE PICLORAM EM NOVAS ÁREAS AGRÍCOLAS: IMPACTOS, DETECÇÃO E MEDIDAS PARA ATENUAÇÃO
195
PERÍODO RESIDUAL ENTRE A APLICAÇÃO DA MISTURA MSMA + DIURON E SEMEADURA DE CULTIVARES DE SOJA
204
APRESENTAÇÃO O Centro Tecnológico COMIGO – CTC, é
revisões técnico-científicas de temas bastante
parte integrante da Cooperativa Agroindustrial dos
atuais do setor agropecuário brasileiro. O Centro
Produtores Rurais do Sudoeste Goiano – COMIGO.
Tecnológico COMIGO – CTC, continua contando
Sua principal missão é desenvolver e difundir
com o imprescindível apoio da administração da
tecnologias agropecuárias, que possam apoiar os
cooperativa, dos nossos consultores técnicos, dos
produtores no manejo de suas culturas visando maior
parceiros e da equipe de suporte de campo, no
rentabilidade e sustentabilidade ambiental. Com
sentido de apoiar os cooperados e a sociedade na
uma área física de aproximadamente 200 hectares,
melhoria da qualidade de vida e na perpetuação do
incluindo a área da feira anual da cooperativa – a
pujante setor agropecuário brasileiro.
TECNOSHOW – o CTC está localizado em local estratégico da região Centro-Oeste do país, em Rio Verde – GO. O Centro Tecnológico COMIGO tem se consolidado cada vez mais como uma referência em pesquisa agropecuária da região, do estado e do país, em função da capacitação do seu corpo técnico, da qualidade das suas pesquisas e da imparcialidade dos seus resultados. Anualmente os resultados obtidos são divulgados nos Workshops de Agricultura e Pecuária, que em 2023 completam sua 22ª e 13ª edições, respectivamente. O Centro Tecnológico COMIGO – CTC, mantém sua atuação em sete grandes temas: Manejo e Controle de Doenças, Pragas e Plantas Daninhas, Solos e Nutrição de Plantas, Fitotecnia e Produção Animal, Agricultura de Precisão e Zootecnia, e os resultados do presente Anuário contemplam os trabalhos realizados na safra 2022/2023. Contamos também nesta edição com a participação de parceiros externos, que enriquecem o documento com
7
EDITORIAL O ano agrícola 2022/2023 teve desde o seu início
31,5 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 9,1%
uma série de particularidades, que envolveram aspectos
em relação a safra 2021/22. O que irá contribuir para
geopolíticos, comerciais e climáticos relevantes, que
que Goiás se posicione em 4º lugar no ranking nacional
influenciaram decisivamente na gestão e tomada de
de estados produtores, contribuindo com 10,14% da
decisões do agricultor durante a safra e safrinha deste ano.
produção nacional.
Sob o ponto de vista geopolítico global, mesmo se
a
safra
2022/2023
também
foi
importante para o Centro Tecnológico Comigo, buscando
e Ucrânia, e com a trégua ainda distante de uma solução
atender as demandas tanto do corpo técnico como
pacífica, os frequentes atos de agressividade entre os
de seus cooperados. O Centro Tecnológico Comigo
países, imediatamente traz a tona a questão da insegurança
ampliou a sua equipe de pesquisa, contratando mais dois
alimentar a nível mundial, principalmente no que se refere ao
pesquisadores e ampliando para sete o total da equipe.
transporte de grãos nas regiões atingidas pelo conflito, como
Esses novos pesquisadores vieram para somar as linhas
a disponibilidade de matérias prima de fertilizantes para as
de pesquisa já existentes, Fitopatologia e Nematologia,
nações consumidoras. Gerando constantes incertezas no
Controle e manejo de plantas daninhas e Entomologia,
mercado e para todos os players envolvidos, sempre atentos
com o conhecimento nas áreas de Fertilidade do solo/
aos fatos mais recentes que ocorrem na região.
Fertilizantes e Nutrição de plantas/Fisiologia vegetal.
No âmbito nacional, a incerteza ficou quanto ao rumo
A ampliação da equipe de pesquisa veio para
das medidas políticas econômicas que seriam adotadas no
reforçar o compromisso que a Comigo tem junto ao seus
início do novo governo, que por sua vez, trouxeram muita
cooperados, no que diz respeito a geração e difusão de
desconfiança e incerteza junto ao setor agrícola. Criando
tecnologias aplicadas que auxiliem no incremento da
muita apreensão e expectativa também para o produtor
produtividade.
rural.
8
Contudo,
passando mais de um ano do início dos conflitos entre Rússia
Assim, muitos trabalhos foram realizados neste Quanto aos fatores climáticos na safra 2022/2023,
último ano agrícola, respondendo a muitas questões
chamaram a atenção algumas situações adversas. A
dos cooperados e do corpo técnico da Comigo, e cuja
primeira delas, diz respeito ao veranico ocorrido no mês de
grande parte está contida no anuário de pesquisas que
novembro, um dos maiores severos dentro da série histórica
poderá ser acessado e baixado no site da Comigo.
para o mês registrado no Centro Tecnológico Comigo,
Para o próximo ano agrícola novos desafios já
registrando volumes de apenas 60mmm para todo o mês,
surgem no horizonte, entre eles a grande expectativa
muito abaixo do esperado e necessário para a cultura da
da ocorrência do fenômeno El Nino, o que traz muito
soja em sua fase vegetativa. Outro ponto em comum e
apreensão e cautela por parte dos produtores tanto
constatado pelos agricultores, foi o alongamento do ciclo da
quanto ao início das chuvas como na sua regularidade.
soja, principalmente nos materiais de ciclo médio e precoce,
Contudo, somente com informações de qualidade e
provavelmente em função do clima irregular, como descrito
corpo técnico de apoio capacitado o cooperado poderá
acima. E finalmente, e não menos importante, o baixo
atuar de forma segura e assertiva.
volume de chuvas principalmente após o mês de março,
Desejamos que este conteúdo seja útil para
o que juntamente com o atraso do plantio da safrinha,
tomadas de decisões na sua próxima safra e safrinha.
comprometeram aquelas lavouras que foram plantadas
Lembrando sempre que o Centro Tecnológico Comigo
tardiamente.
está a disposição para sugestões de temas, procure
Mesmo neste contexto, esse ano segundo dados da
nossa equipe de agrônomos da sua região e traga
Secretaria de Agricultura do Estado de Goiás, são esperadas
através dele as suas demandas. Obrigado e boa leitura!
AGRADECIMENTOS À Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano – COMIGO, pelas condições operacionais e financeiras de trabalho. À equipe de apoio do Centro Tecnológico COMIGO, pelo esforço e dedicação, imprescindíveis na realização dos trabalhos. Aos autores que contribuíram com a produção dos textos. Aos parceiros de pesquisa da COMIGO. À equipe da ASCOM - Assessoria de Comunicação da COMIGO. Às equipes do Departamento de Assistência Técnica da COMIGO. A todos que de alguma maneira contribuíram para a realização deste trabalho.
9
PRECIPITAÇÃO PLUVIAL NO CTC MESES
10
Entomologia
11
Entomologia 12
Entomologia
INSETICIDAS NO CONTROLE DE PERCEVEJO-MARROM (Euschistus heros) NA CULTURA DA SOJA LIMA, Diego Tolentino1, FERNANDES, Rafael Henrique2, BRAZ, Guilherme Braga Pereira3, BUENO, Amanda Magalhães4, SARKIS, Leonardo Fernandes5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Eng.a Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com. br 5 Eng. Agrônomo, Me. em Ciência do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 1
produtor mundial desde o ano de 2020. Além do destaque como produtor, também ocupa o primeiro lugar como maior exportador desse grão, principal produto da exportação do agronegócio brasileiro, com estimativa de exportação de 94,4 milhões de toneladas das 153,6 milhões produzidas na safra 2022/2023, segundo a CONAB (2023). Produção 22,4% superior a safra passada, com uma produtividade média de 3.527 kg.ha-1, registrando recordes históricos de área de plantio, produtividade e produção (CONAB 2023). No
entanto,
assim
como
todas
espécies
cultivadas, a expansão da produtividade da soja deparase ainda com muitos desafios. Problemas fitossanitários continuam sendo importantes fatores que desafiam a consolidação da agricultura de altas produtividades. Os insetos sugadores caracterizam-se como um dos principais insetos-pragas que prejudicam a exploração desse potencial. O percevejo-marrom Euschistos heros é a principal espécie praga desse grupo na cultura da soja, pois apresenta ampla distribuição de ocorrência (PANIZZI, 2015). O percevejo-marrom, normalmente, pode passar
INTRODUÇÃO
por três gerações durante o ciclo da cultura da soja, podendo haver uma quarta geração após a colheita, com
A soja é uma das mais importantes espécies
o inseto se alimentando de hospedeiros alternativos.
de plantas cultivadas dentro da cadeia agroindustrial
Em ambos os casos o percevejo-marrom pode ainda
nacional e internacional, sendo o Brasil o maior
entrar em diapausa, período em que não se alimenta,
Entomologia
13
sobrevivendo através de reservas de lipídios e se
utilização de doses acima da recomendada e tecnologia
abrigando na palhada, o que possibilita ao inseto passar
de aplicação ineficiente. Neste sentido, o sucesso
pela entressafra e iniciar os danos nas lavouras de soja
no manejo de percevejos depende de vários fatores,
rapidamente na próxima safra (HOFFMANN-CAMPO et
entre eles a eficiência de controle dos inseticidas,
al., 2000; GRIGOLLI e GRIGOLLI, 2019).
que é dependente de uma tecnologia de aplicação
Os danos na soja por percevejo-marrom são
adequada, a qual deve proporcionar boa cobertura
acusados desde o início da formação das vagens
e penetração no dossel da cultura, pois o percevejo-
até o final do período de enchimento dos grãos
marrom se concentra mais na parte média da planta
(HOFFMANN-CAMPO et al., 2000; SILVA et al., 2014).
e os inseticidas sistêmicos não são translocados para
Adultos e ninfas a partir do terceiro instar são os
baixo (ROGGIA et al., 2018).
principais responsáveis pelos danos. Com seu aparelho
O objetivo do trabalho foi avaliar a eficiência de
bucal em forma de estilete que é inserido nas vagens,
controle de diferentes inseticidas, sobre o percevejo-
atingindo diretamente os grãos, são responsáveis
marrom (E. heros), em três aplicações sequenciais, e
por sérios prejuízos no rendimento e na qualidade de
determinar a produtividade em função dos tratamentos
grãos e sementes (PANIZZI et al., 2012; CZEPAK et al.,
inseticidas na cultura da soja.
2017). Ocorre má-formação do grão e das vagens e os grãos podem reduzir seu tamanho, ficar enrugados, chochos e mais escuros. Além disso, as folhas podem não senescer e ficarem retidas na planta por ocasião da colheita (HOFFMANN-CAMPO et al., 2000).
O
experimento
foi
conduzido
na
área
experimental do Centro Tecnológico COMIGO (CTC),
Este inseto é bastante conhecido por sua
da Cooperativa COMIGO, no município de Rio Verde –
dificuldade de controle, por poucos grupos químicos
GO (S 17°45'57" e W 51°02'07"; 839 metros de altitude).
de inseticidas com boa eficiência, por possuírem
Foi aplicado a lanço 150 kg ha-1 de Cloreto de Potássio
capacidade migratória a curtas distâncias, elevado
(KCl) antes da semeadura. A cultivar de soja CZ37B43
potencial reprodutivo e elevado período de sobrevivência
IPRO foi semeada no dia 29 de novembro de 2022, com
na fase adulta (GRIGOLLI e GRIGOLLI, 2019). Apesar
a densidade de semeadura de 14,0 sementes por metro
disto, dentre as práticas de controle para percevejo-
(população final de 259 mil plantas ha-1). A adubação de
marrom, aplicáveis atualmente, a mais comum é o
semeadura foi realizada com 450 kg ha-1 de 00-20-00
controle químico, por se configurar uma prática rápida
(Super Simples) Turbo Micro (0,15% de Zn; 0,15% de
e eficiente quando respeitadas as particularidades de
Mn; 0,075% de B; 0,075% de Cu) no sulco.
cada produto comercial (GALLO et al., 2002).
14
MATERIAL E MÉTODOS
As
sementes
receberam
tratamento
On
Neste sentido existe uma preocupação cada dia
Farm (Standak Top, dose de 0,2 L p.c. para 100 kg
maior com o surgimento de populações de percevejos
de sementes). No momento da semeadura foram
resistentes a inseticidas químicos (CASTELLANOS et
aplicados no sulco 1,0 L ha-1 do inoculante Cell Tech
al., 2018; SOMAVILLA et al., 2020), pois é recorrente o
(Bradyrhizobium japonicum Estirpe SEMIA 5079 e
uso contínuo de ingredientes ativos com os mesmos
SEMIA 5080, concentração mínima 3,0 x 109 UFC mL-1),
mecanismos de ação, a aplicação de inseticidas com
0,1 L ha-1 do coinoculante Biomax Azum (Azospirillum
amplo espectro de ação no início do ciclo da cultura, e a
brasilense, concentração mínima 3,0 x 108 UFC mL-
Entomologia
), 0,5 L ha-1 do inseticida biológico Meta-Turbo SC
(1,5 kg ha-1), a terceira com Evolution (2,0 L ha-1) + Aureo
(Metarhizium
(0,375 L ha-1), e a quarta com Aproach Power (0,6 L ha-1)
1
anisopliae
IBCB425,
concentração
mínima de 1,0 x 108 propágulos viáveis mL-1), 0,2 L ha-1
+ Versatilis (0,35 L ha-1) + Bravonil 720 (1,0 L ha-1).
de Nodulus Gold (13,9 g L-1 de Cobalto, 139 g L-1 de
As únicas aplicações de inseticidas realizadas
Molibdênio), 0,25 L ha-1 de Tricho-Turbo (Trichoderma
no experimento foram referentes aos tratamentos.
asperellum BV10, concentração mínima de 1,0 x 1010
Foram realizadas três aplicações sequenciais dos
conídios viáveis mL-1) e 0,4 L ha-1 de Verango Prime (500
tratamentos descritos na Tabela 1, com intervalo de 10
g L-1 Fluopiram). O volume de aplicação utilizado no
dias entre a primeira e a segunda aplicação, e de 11 dias
sulco foi de 60 L ha-1.
entre a segunda e terceira aplicação, sendo a primeira
A área passou a entressafra semeada com
realizada no enchimento de grãos (R5.2). As aplicações
Urochloa ruziziensis, sendo realizada dessecação com
foram
realizadas
com
pulverizador
pressurizado
Xeque Mate (3,0 L ha-1) + DMA 806 BR (2,0 L ha-1) 20
por CO2 (Número de patente: BR102016007565-3)
dias antes da semeadura, uma aplicação em sistema
montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75
plante-aplique logo após a semeadura com DIQUAT
cv). O pulverizador é dotado com barra de 5,0 metros
CCAB 200 SL (2,0 L ha-1) + Agral (0,25 L ha-1), mais uma
com 10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m.
aplicação em pós, 30 dias após a semeadura, com
As pontas utilizadas para pulverização foram modelo
Xeque Mate (2,2 L ha-1), para o controle de plantas-
ADIA 11001.D, da marca Magnojet. A calibração do
daninhas. O manejo de doenças foi realizado com
equipamento foi ajustada com a pressão de trabalho na
quatro aplicações de fungicidas, iniciando no estádio
ponta de pulverização de 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de
vegetativo com Helmstar Plus (0,5 L ha-1) + Aureo (0,375
aplicação de 150 L ha-1.
L ha-1), a segunda com Viovan (0,6 L ha-1) + Unizeb Gold
Entomologia
15
Tabela 1. Tratamentos inseticidas para controle de percevejo-marrom, Euschistus heros, na soja cultivar CZ37B43 IPRO. Centro Tecnológico COMIGO – CTC, Rio Verde-GO, safra 2021/2022.
Nº
Tratamentos
mL ou g *p. c. ha-1
Ingrediente ativo
Dose de ativo (g ha-1)
1
Testemunha
--
--
--
2
Bazuca duo
1000
Metomil + Bifentrina
200 + 25
3
Curbix
750
Etiprole
150
4
Engeo Pleno
250
Tiametoxam + Lambdacialotrina
35,3 + 26,5
5
Expedition
300
Sulfoxaflor + Lambdacialotrina
30 + 45
6
Feroce
1000
Acefato + Bifentrina
850 + 30
7
Hero
200
Zeta-Cipermetrina + Bifentrina
40 + 36
8
Polytrin
1000
Profenofós + Cipermetrina
400 + 40
9
Sperto
300
Acetamiprido + Bifentrina
75 + 75
10
Talisman
600
Carbossulfano + Bifentrina
90 + 30
11
Verdavis
250
Isocicloseram + Lambdacialotrina
25 + 37,5
12
Zeus
500
Dinotefuram + Lambdacialotrina
42 + 24
* p. c. = produto comercial.
Os tratamentos foram dispostos no delineamento
encerraram um dia após a terceira aplicação porque aos
em blocos ao acaso (DBC), com quatro repetições. As
7 dias após esta aplicação não foram mais encontrados
parcelas experimentais foram constituídas por 10 linhas
percevejos na área, inclusive na testemunha sem
de cultivo, espaçadas de 0,5 metros, com 10 metros de
aplicação, pois a senescência e queda das folhas da
comprimento. A parcela útil desconsiderou 1,0 m inicial
lavoura já se encontrava em estágio avançado.
e final de cada linha da parcela e as duas linhas das extremidades.
16
Foi avaliado o número de percevejos adultos e ninfas a partir do terceiro instar (maiores que 0,3 cm).
As avaliações do número de insetos foram
Para esta amostragem foi utilizado o método do pano-
realizadas previamente à primeira aplicação, um e sete
de-batida, com pelo menos dois pontos de 1,0 m de linha
dias após a primeira aplicação (1DA1 e 7DA1), dois e 11
ao acaso na parcela útil em cada uma das avaliações. A
dias após a segunda aplicação (2DA2 e 11DA2) e um
produtividade de grãos foi obtida em três linhas centrais
dia após a terceira aplicação (1DA3). As avaliações se
de semeadura com 3,0 metros de comprimento dentro
Entomologia
de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos, trilhados
dos inseticidas por meio da fórmula de Abbott (1925).
e secos. Foi calculada a produtividade para um hectare, considerando-se a umidade padrão de 13% para comercialização do grão, tomado como medida a saca
RESULTADOS E DISCUSSÃO
de 60 kg de grãos.
Na avaliação prévia antes da primeira aplicação
Os dados do número de percevejos adultos e
dos tratamentos, a média geral do número de percevejos
ninfas foram analisados separadamente. E juntamente
(adultos) por metro no experimento (tratamentos +
com os dados de produtividade foram submetidos à
testemunha) foi de 1,3, não sendo observada diferença
análise de variância (ANAVA) pelo teste F. No caso de
entre os tratamentos (Tabela 2). Este resultado
efeito significativo dos tratamentos, as médias foram
demonstra a uniformidade de distribuição do inseto na
comparadas pelo teste de Scott-Knott (p<0,05). O
área. Esta similaridade é importante para garantir que o
número de insetos nos tratamentos e na testemunha
número inicial de percevejos por metro não influencie
foram utilizados para o cálculo da eficiência de controle
nos resultados subsequentes.
Tabela 1. Número médio de adultos de percevejo-marrom (Euschistus heros) por metro e eficiência de controle (%), um e sete dias após a primeira aplicação (1DA1 e 7DA1), dois e 11 dias após a segunda aplicação (2DA2 e 11DA2) e um dia após a terceira aplicação (1DA3) na soja cultivar CZ 37B43 IPRO. Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. 7DA1
2DA2
11DA2
1DA3
Tratamento
1DA1 Prévia
1
1,1 a
3,5
b
-
2,4
a
-
1,9
b
-
1,5
b
-
2,1
b
-
2
1,3 a
0,6
a
82,1
0,8
a
68,4
0,4
a
80,0
0,3
a
83,3
0,3
a
88,2
3
1,1 a
0,6
a
82,1
0,9
a
63,2
0,3
a
86,7
0,8
b
50,0
0,6
a
70,6
4
2,0 a
0,6
a
82,1
1,1
a
52,6
0,6
a
66,7
0,4
a
75,0
0,0
a
100,0
5
1,8 a
0,8
a
78,6
1,5
a
36,8
0,8
a
60,0
0,9
b
41,7
0,3
a
88,2
6
1,0 a
0,3
a
92,9
1,1
a
52,6
0,1
a
93,3
1,0
b
33,3
0,1
a
94,1
7
1,0 a
1,1
a
67,9
1,1
a
52,6
0,6
a
66,7
0,3
a
83,3
0,9
a
58,8
8
2,0 a
0,8
a
78,6
0,6
a
73,7
0,3
a
86,7
1,3
b
16,7
0,3
a
88,2
9
1,0 a
1,3
a
64,3
1,4
a
42,1
0,5
a
73,3
1,0
b
33,3
0,1
a
94,1
10
1,1 a
0,9
a
75,0
1,1
a
52,6
0,6
a
66,7
0,4
a
75,0
0,3
a
88,2
11
1,4 a
0,4
a
89,3
1,0
a
57,9
0,3
a
86,7
0,3
a
83,3
0,3
a
88,2
12
1,1 a
1,0
a
71,4
0,4
a
84,2
0,4
a
80,0
0,6
a
58,3
0,4
a
82,4
Nº
EC(%)
Nº
EC(%)
Nº
EC(%)
Nº
EC(%)
Nº
EC(%)
*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Eficiência de controle maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).
Entomologia
17
Apenas aos sete dias após a primeira aplicação
11DA2, foi superior a 80% de eficiência de controle,
(7DA1) dos tratamentos inseticidas para controle
sendo ainda a maior parte das avaliações superior até
de percevejo-marrom na cultura da soja não foram
a 90% (Tabela 3). Para Profenofós + Cipermetrina, ainda
observadas diferenças no número médio de percevejos
assim, na média geral das quatro avaliações de ninfas
adultos por metro entre a testemunha e os demais
de percevejo-marrom, atingiu 80,1% de eficiência de
tratamentos, momento em que foi observado o
controle (Tabela 3).
maior pico populacional de percevejos adultos na testemunha (2,4 insetos por metro), fato provavelmente causado pela migração da praga de áreas adjacentes à estação de pesquisa sendo colhidas. Dessa forma foi a avaliação que apresentou eficiências de controle, de forma geral, mais baixas, com exceção do tratamento com Dinotefuram + Lambda-cialotrina, com 84,2% de eficiência aos 7DA1. No restante das avaliações (1DA1, 2DA2, 11DA2 e 1DA3) a testemunha apresentou maior número de percevejos adultos do que nos demais tratamentos, apesar disto os inseticidas não diferiram entre si (Tabela 2). Nas avaliações de um dia após cada aplicação, para avaliar o efeito imediato dos tratamentos inseticidas, 1DA1, 2DA2 e 1DA3, apesar de não haver diferença no número de percevejos adultos por metro entre os inseticidas, houve classes variadas de eficiência de controle. Os tratamentos que mostraram eficiência de controle superior a 80% nestas três avaliações (1DA1, 1DA2 e 1DA3) foram Metomil + Bifentrina, Acefato + Bifentrina e Isocicloseram + Lambda-cialotrina (Tabela 2). A presença de ninfas foi observada somente a partir de 7DA1, chegando a um pico populacional máximo na última avaliação (1DA3) com média de 7,1 insetos por metro na testemunha. Em todas as avaliações de ninfas o tratamento testemunha apresentou número maior de indivíduos que nos demais tratamentos, apesar disto os inseticidas não diferiram entre si (Tabela 3). No presente trabalho, o controle de ninfas para todos os tratamentos inseticidas, com exceção do tratamento Profenofós + Cipermetrina aos
18
Entomologia
Tratamento
Tabela 3. Número médio de ninfas de percevejo-marrom (Euschistus heros) por metro e eficiência de controle (%), sete dias após a primeira aplicação (7DA1), dois e 11 dias após a segunda aplicação (2DA2 e 11DA2) e um dia após a terceira aplicação (1DA3) na soja cultivar CZ 37B43 IPRO. Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. 7DA1 Nº
2DA2
EC(%)
Nº
11DA2
EC(%)
Nº
1DA3
EC(%)
Nº
EC(%)
1
2,5
b
-
2,6
b
-
6,8
b
-
7,1
b
-
2
0,1
a
95,0
0,0
a
100,0
0,5
a
92,6
0,3
a
96,5
3
0,0
a
100,0
0,0
a
100,0
0,8
a
88,9
0,6
a
91,2
4
0,4
a
85,0
0,4
a
85,7
0,4
a
94,4
0,0
a
100,0
5
0,1
a
95,0
0,1
a
95,2
0,5
a
92,6
0,3
a
96,5
6
0,0
a
100,0
0,0
a
100,0
0,3
a
96,3
0,0
a
100,0
7
0,0
a
100,0
0,0
a
100,0
0,3
a
96,3
0,1
a
98,2
8
0,5
a
80,0
0,4
a
85,7
1,8
a
74,1
1,4
a
80,7
9
0,3
a
90,0
0,0
a
100,0
0,0
a
100,0
0,1
a
98,2
10
0,1
a
95,0
0,0
a
100,0
0,6
a
90,7
0,4
a
94,7
11
0,0
a
100,0
0,0
a
100,0
0,0
a
100,0
0,3
a
96,5
12
0,0
a
100,0
0,0
a
100,0
0,1
a
98,1
0,1
a
98,2
*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Eficiência de controle maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).
A eficiência de controle é dependente de uma tecnologia de aplicação adequada, isto é, boa
que ocorre com adultos migrantes que reeinfestam a lavoura, reduzindo efeito residual das aplicações.
cobertura e penetração no dossel da cultura, visto que
A média geral de eficiência de controle dos
o percevejo-marrom se concentra no terço médio das
tratamentos no presente trabalho, considerando
plantas (ROGGIA et al., 2018), principalmente as ninfas
adultos e ninfas nas cinco avaliações no decorrer das
que tem menor mobilidade que os adultos. O volume
três aplicações sequencias foi, em ordem decrescente:
de aplicação utilizado no presente trabalho foi 150 L
Isocicloseram + Lambda-cialotrina (90,10%), Metomil +
ha , considerado um volume adequado do ponto de
Bifentrina (88,22%), Dinotefuram + Lambda-cialotrina
vista da tecnologia de aplicação, propiciou controle
(87,18%), Acefato + Bifentrina (86,16%), Carbossulfano
eficiente das ninfas, visto que não há migração de
+ Bifentrina (83,31%), Tiametoxam + Lambda-cialotrina
insetos imaturos de outras áreas, diferentemente do
(83,29%),
-1
Etiprole
(82,77%),
Zeta-Cipermetrina
Entomologia
+
19
Bifentrina (82,25%), Acetamiprido + Bifentrina (79,25%),
de eficiência de controle entre os tratamentos em
Sulfoxaflor + Lambda-cialotrina (77,95%), Profenofós +
determinadas avaliações, não houve reflexo na
Cipermetrina (74,44%).
produtividade de grãos de soja, não sendo observadas
Apesar
das
variações
nas
porcentagens
70 61,0 59,4 58,6 57,1
-1 Produtividade (sacas.ha )
60 50
diferenças estatísticas (Figura 1). 65,2
63,5
60,3 59,7
58,6
62,9
51,3
55,4
40 30 20 10 0
a a a a a a a a a a a e nh ntrin ntrin ntrin otrin iprol otrin ntrin etrin otrin otrin ntrin u l m e e e Et -cial Bife erm -cial -cial Bife ste Bif Bif Bif cia p a a a Te to + o + o + bdabd mil + + Ci mbd mbd rina + d fan am i a m r f s o t a a a l e p + L Met enofó r + L + L erme Ac tami ossu m + L m m o f b e p a a fl Ac Car efura Pro foxa etox ta-Ci ser o l t l e c o m Z ci Su Tia Din Iso Figura 1. Produtividade da cultivar de soja CZ37B43 IPRO com diferentes tratamentos para o controle de percevejo-marrom (Euschistus heros). Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio VerdeGO, safra 2022/2023. *As médias não se diferiram pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Ressalta-se que as três aplicações sequenciais
Bifentrina, Tiametoxam + Lambda-cialotrina, Etiprole e
do mesmo inseticida, realizadas no presente trabalho,
Zeta-Cipermetrina + Bifentrina apresentaram eficiência
foram realizadas somente de forma experimental para
média de controle de ninfas e adultos de percevejo-
avaliação da eficiência de controle. Recomenda-se o
marrom, média de cinco avaliações no decorrer das
manejo integrado de pragas na lavoura seguindo-se
três aplicações sequencias, superior a 80%. Entretanto
rigorosamente o princípio da rotação entre mecanismos
não houve reflexo na produtividade de grãos de soja.
de ação dos inseticidas.
AGRADECIMENTOS
CONCLUSÃO Os
inseticidas
À equipe de campo, pesquisadores e estagiários Isocicloseram
+
Lambda-
cialotrina, Metomil + Bifentrina, Dinotefuram + Lambdacialotrina, Acefato + Bifentrina, Carbossulfano +
20
Entomologia
do CTC pelo apoio na implantação e condução do experimento.
PANIZZI, A. R. Growing problems with stink
REFERÊNCIAS
bugs (Hemiptera: Heteroptera: Pentatomidae): species
ABBOTT, W. S. A method of computing the effectiveness of on insecticide. Journal Economic Entomology, v. 18, n. 2, p. 265-267, 1925. CASTELLANOS, N. L.; HADDI, K.; CARVALHO, G. A.; PAULO, P. D.; HIROSE, E.; GUEDES, R. N. C.; SMAGGHE, G.; OLIVEIRA, E. E. Imidacloprid resistance in the Neotropical brown stink bug Euschistus heros: selection and fitness costs. Journal of Pest Science, v. 92, p. 847-860, 2019. CONAB.
Companhia
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de
Abastecimento. 11º Levantamento - Safra 2022/23. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/info-agro/ safras/graos/boletim-da-safra-de-graos>. Acesso em: 20 ago. 2023. CZEPAK, C.; QUIRINO, J. R.; NUNES, M. L. S.; OLIVEIRA, L. M.; SILA, L. C. G.; JESUS, G. R.; MIRANDA, D.; ANJOS, M. V. M.; MAGALHAES, V. S.; SILVÉRIO, R. F. Danos Continuados. Cultivar Grandes Culturas, v. ANO XVIII, n. 215, p. 20-28, 2017. GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R.L.P.; BAPTISTA, G.C.; BERTI FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ZUCCHI, R.A.; ALVES, S.B.; VENDRAMIM, J.D.; MARCHINI, L.C.; LOPES, J.R.S.; OMOTO, C. Vol.10. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 920p. GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. Pragas da soja e seu controle. In: LOURENÇÃO, A. L. F.; GRIGOLLI, J. F. J.; GITTI, D. C.; BEZERRA, A. R. G.; MELOTTO, A. M. (Ed.). Tecnologia e Produção: Safra 2018/2019. Maracaju, MS: Fundação MS, 2019. p. 148-168. HOFFMANN-CAMPO, C. B.; MOSCARDI, F.; CORRÊA-FERREIRA, B. S.; OLIVEIRA, L. J.; SOSA-
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Insecticides
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Brazil.
Journal
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GÓMEZ, D. R.; PANIZZI, A. R.; CORSO, I. C.; GAZZONI, D. L.; OLIVEIRA, E. B. Pragas da soja no Brasil e seu manejo integrado. Londrina: Embrapa Soja, 2000. 70 p. (Embrapa Soja. Circular técnica 30).
Entomologia
21
INSETICIDAS NO CONTROLE DE NINFAS DE MOSCA-BRANCA (Bemisia tabaci) NA CULTURA DA SOJA LIMA, Diego Tolentino1, FERNANDES, Rafael Henrique2, BRAZ, Guilherme Braga Pereira3, SARKIS, Leonardo Fernandes5, BUENO, Amanda Magalhães4 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Eng. Agrônomo, Me. em Ciência do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 5 Eng.a Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com. br 1
e internacional, porém, assim como as demais culturas, passa por problemas fitossanitários. Dentre os insetos e outros artrópodes de importância econômica nesta cultura há os que atacam raízes e nódulos da soja, os que atacam plântulas, hastes e pecíolos da soja, os que atacam as folhas da soja e os que atacam vagens e grãos (HOFFMANN-CAMPO et al., 2012). Dentre os que atacam as folhas da soja, merece destaque a mosca-branca, Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae), um inseto sugador polífago (se alimenta de várias espécies de plantas), considerada uma das principais pragas agrícolas das regiões tropicais que tem afetado as lavouras de soja no Brasil de forma crescente nos últimos anos (SOSA-GÓMEZ et al., 2010). Este inseto se alimenta mais frequentemente na face abaxial da folha, sugando os açúcares diretamente das células do floema e injetando toxinas, esses são os danos diretos. Os indiretos são a transmissão de viroses e formação de fumagina, causada pelo fungo Capnodium sp., ao se alimentarem, os insetos excretam o “honeydew”, que é uma substância açucarada na folha, na qual o fungo se desenvolve (MOSCARDI et al., 2012).
INTRODUÇÃO
22
Diferenças na biologia e no comportamento entre populações de B. tabaci fizeram com que alguns
A soja (Glycine max), atualmente, é uma
taxonomistas considerassem diferentes “biótipos” ou
das mais importantes entre as espécies de plantas
“raças”. Em condições de campo, atualmente o “biótipo
cultivadas dentro da cadeia agroindustrial nacional
A” foi substituído quase na totalidade pelo “biótipo
Entomologia
B”, considerado, portanto, uma praga muito mais
químico, porém, em momentos adequados (somente
importante que o “biótipo A”, devido principalmente à
quando o prejuízo causado pela praga é igual ou maior
maior agressividade, com uma taxa de reprodução de
que seu custo de controle, chamado de nível de dano
aproximadamente 30% maior. É também mais tolerante
econômico), além de envolver outros tipos de controle,
ao frio, apresenta maior gama de hospedeiros e tem
visando reduzir o uso dos produtos químicos. Dentre os
maior capacidade de transmissão de viroses, além de
métodos integrados ao MIP tem-se o controle biológico,
maior resistência aos inseticidas. Além disso, a mosca-
controle cultural, resistência de plantas, métodos
branca “biótipo B” tem maior taxa de alimentação
legislativos e controle por comportamento (GALLO et
e produção de “honeydew” e, consequentemente,
al., 2002). O objetivo do trabalho foi avaliar a eficiência
maiores chances de desenvolvimento de fumagina
de controle de diferentes inseticidas, sobre ninfas
(MOSCARDI et al., 2012). A mosca-branca “biótipo Q” foi coletada e
de mosca-branca (B. tabaci), em três aplicações
identificada pela primeira vez no Brasil em 2013, no Rio
sequenciais, e determinar a produtividade em função
Grande do Sul. Desde então vem se espalhando pelo
dos tratamentos inseticidas na cultura da soja.
país, já sendo presente nos estados do Sul, em São Paulo e também em Goiás, e tem preocupado os produtores e pesquisadores do Brasil, porque este “biótipo” possui
MATERIAL E MÉTODOS
resistência a vários inseticidas disponíveis no mercado.
O
experimento
foi
conduzido
na
área
Além disso, tem maior capacidade de sobreviver sob
experimental do Centro Tecnológico COMIGO (CTC),
baixas e altas temperaturas, em relação ao “biótipo B”,
da Cooperativa COMIGO, no município de Rio Verde –
conferindo maior competitividade (PITTA et al., 2019).
GO (S 17°45'57" e W 51°02'07"; 839 metros de altitude).
Além
de
“biótipos”,
mudanças
Foi aplicado a lanço 150 kg ha-1 de Cloreto de Potássio
mosca-branca
também
(KCl) antes da semeadura. A cultivar de soja CZ37B43
podem ser observadas devido à disponibilidade de
IPRO foi semeada no dia 29 de novembro de 2022, com
hospedeiros. Por exemplo, no sistema agrícola do
a densidade de semeadura de 14,0 sementes por metro
Brasil Central, onde o cultivo sucessivo de soja/milho
(população final de 264,5 mil plantas ha-1). A adubação
proporcionou ao “biótipo B” a capacidade de colonizar,
de semeadura foi realizada com 450 kg ha-1 de 00-20-00
desenvolver e completar seu ciclo na cultura do milho,
(Super Simples) Turbo Micro (0,15% de Zn; 0,15% de
planta reportada em trabalhos anteriores como não
Mn; 0,075% de B; 0,075% de Cu) no sulco.
comportamentais
diferentes na
hospedeira desta espécie (QUINTELA et al., 2016).
As
sementes
receberam
tratamento
On
Atualmente, a ferramenta mais utilizada no
Farm (Standak Top, dose de 0,2 L p.c. para 100 kg
controle desta praga é o controle químico, e em virtude
de sementes). No momento da semeadura foram
das características biológicas do inseto, torna-se
aplicados no sulco 1,0 L ha-1 do inoculante Cell Tech
preocupante o surgimento de resistência a inseticidas.
(Bradyrhizobium japonicum Estirpe SEMIA 5079 e
Neste sentido, nos últimos anos, o conceito de controle
SEMIA 5080, concentração mínima 3,0 x 109 UFC mL-1),
de pragas vem se modificando, passando de aplicações
0,1 L ha-1 do coinoculante Biomax Azum (Azospirillum
sistemáticas de forma calendarizada, para o Manejo
brasilense, concentração mínima 3,0 x 108 UFC mL-
Integrado de Pragas (MIP), que permite o controle
1
), 0,5 L ha-1 do inseticida biológico Meta-Turbo SC
Entomologia
23
(Metarhizium
24
anisopliae
IBCB425,
concentração
(1,5 kg ha-1), a terceira com Evolution (2,0 L ha-1) + Aureo
mínima de 1,0 x 108 propágulos viáveis mL-1), 0,2 L ha-1
(0,375 L ha-1), e a quarta com Aproach Power (0,6 L ha-1)
de Nodulus Gold (13,9 g L-1 de Cobalto, 139 g L-1 de
+ Versatilis (0,35 L ha-1) + Bravonil 720 (1,0 L ha-1).
Molibdênio), 0,25 L ha-1 de Tricho-Turbo (Trichoderma
As únicas aplicações de inseticidas realizadas no
asperellum BV10, concentração mínima de 1,0 x 1010
experimento foram referentes aos tratamentos. Foram
conídios viáveis mL-1) e 0,4 L ha-1 de Verango Prime (500
realizadas três aplicações sequenciais dos tratamentos
g L-1 Fluopiram). O volume de aplicação utilizado no
descritos na Tabela 1, com intervalo de 11 dias entre
sulco foi de 60 L ha-1.
a primeira e a segunda aplicação, e de 12 dias entre a
A área passou a entressafra semeada com
segunda e terceira aplicação, sendo a primeira realizada
Urochloa ruziziensis, sendo realizada dessecação com
no início da formação das vagens (R3). As aplicações
Xeque Mate (3,0 L ha-1) + DMA 806 BR (2,0 L ha-1) 20
foram
dias antes da semeadura, uma aplicação em sistema
por CO2 (Número de patente: BR102016007565-3)
plante-aplique logo após a semeadura com DIQUAT
montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75
CCAB 200 SL (2,0 L ha-1) + Agral (0,25 L ha-1), mais uma
cv). O pulverizador é dotado com barra de 5,0 metros
aplicação em pós, 30 dias após a semeadura, com
com 10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m.
Xeque Mate (2,2 L ha-1), para o controle de plantas-
As pontas utilizadas para pulverização foram modelo
daninhas. O manejo de doenças foi realizado com
ADIA 11001.D, da marca Magnojet. A calibração do
quatro aplicações de fungicidas, iniciando no estádio
equipamento foi ajustada com a pressão de trabalho na
vegetativo com Helmstar Plus (0,5 L ha-1) + Aureo (0,375
ponta de pulverização de 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de
L ha-1), a segunda com Viovan (0,6 L ha-1) + Unizeb Gold
aplicação de 150 L ha-1.
Entomologia
realizadas
com
pulverizador
pressurizado
Tabela 1. Tratamentos inseticidas para controle de ninfas de mosca-branca, Bemisia tabaci, na soja cultivar CZ37B43 IPRO. Centro Tecnológico COMIGO – CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.
Nº
Tratamentos
mL ou g *p. c. ha-1
Ingrediente ativo
Dose de ativo (g ha-1)
1
Testemunha
--
--
--
2
Benevia
500
Ciantraniliprole
50
3
Boveria-Turbo
500
Beauveria
#
4
Boveria-Turbo + Talisman
500 + 1000
Beauveria + Carbossulfano + Bifentrina
# + 150 + 50
5
Cordial
250
Piriproxifem
25
6
Elestal Neo1
150
Espiropidiona + Acetamiprido
45 + 36
7
Maxsan
500
Dinotefuram + Piriproxifem
50 + 12,5
8
Minecto Pro1
600
Abamectina + Ciantraniliprole
10,8 + 36
9
Privilege
250
Acetamiprido + Piriproxifem
50 + 25
10
Talisman
1000
Carbossulfano + Bifentrina
150 + 50
11
Vinquo
500
Afidopiropeno
50
* p. c. = produto comercial. 1Adicionado o adjuvante Ochima (Alquil Ester Fosfatado, 752 g L-1) na dose de 0,25 L ha-1. # Beauveria bassiana IBCB66, concentração mínima de 1 x 109 UFC g-1 de produto comercial.
Os tratamentos foram dispostos no delineamento
coletados quatro trifólios, no terço médio ou inferior
em blocos ao acaso (DBC), com quatro repetições. As
de plantas distintas e distribuídas aleatoriamente
parcelas experimentais foram constituídas por 10 linhas
por parcela, dentro da parcela útil. Os trifólios foram
de cultivo, espaçadas de 0,5 metros, com 10 metros de
levados para laboratório e as ninfas de mosca-branca
comprimento. A parcela útil desconsiderou 1,0 m inicial
foram contabilizadas com auxílio de microscópio
e final de cada linha da parcela e as duas linhas das
estereoscópio com aumento fixo de 20 vezes. A
extremidades.
produtividade de grãos foi obtida em três linhas centrais
As avaliações do número de insetos foram
de semeadura com 3,0 metros de comprimento dentro
realizadas previamente à primeira aplicação, 11 dias
de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos, trilhados
após a primeira aplicação, 12 dias após a segunda
e secos. Foi calculada a produtividade para um hectare,
aplicação e 10 dias após a terceira aplicação. Para
considerando-se a umidade padrão de 13% para
a amostragem de ninfas de mosca-branca foram
comercialização do grão, tomado como medida a saca
Entomologia
25
de 60 kg de grãos. Os dados do número de ninfas de mosca-branca
Na avaliação prévia, antes da primeira aplicação
por trifólio e de produtividade foram submetidos à
dos tratamentos, a média geral do número de ninfas
análise de variância (ANAVA) pelo teste F. No caso de
de mosca-branca por trifólio de soja no experimento
efeito significativo dos tratamentos, as médias foram
(tratamentos inseticidas + testemunha) foi de 5,9,
comparadas pelo teste de Scott-Knott (p<0,05). O
não sendo observada diferença entre os tratamentos
número de insetos nos tratamentos e na testemunha
(Tabela 2). Este resultado demonstra a uniformidade
foram utilizados para o cálculo da eficiência de controle
de distribuição da praga na área. Esta similaridade é
dos inseticidas por meio da fórmula de Abbott (1925).
importante para garantir que o número inicial de ninfas de mosca-branca por trifólio não influencie no cálculo
RESULTADOS E DISCUSSÃO
da eficiência de controle obtida pelos tratamentos no decorrer das aplicações.
Tabela 2. Número médio de ninfas de mosca-branca (Bemisia tabaci) por trifólio e eficiência de controle (%), 11 dias após a primeira aplicação (11DA1), 12 dias após a segunda aplicação (12DA2) e 10 dias após a terceira aplicação (10DA3) na soja cultivar CZ 37B43 IPRO. Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. 12DA2
10DA3
Tratamento
11DA1 Prévia
1
6,7 a
20,8 c
-
26,3 d
-
15,1 b
-
2
5,2 a
10,3 b
50,8
11,0 b
58,2
2,2 a
85,6
3
6,6 a
11,8 b
43,6
14,4 c
45,3
2,2 a
85,6
4
5,0 a
15,3 b
26,8
15,3 c
41,8
2,9 a
80,7
5
6,1 a
12,6 b
39,6
5,0 a
81,0
0,3 a
97,8
6
5,1 a
5,8 a
72,0
3,3 a
87,7
1,7 a
89,0
7
5,2 a
12,4 b
40,4
5,2 a
80,4
1,2 a
92,3
8
6,5 a
6,3 a
70,0
10,5 b
60,1
2,6 a
82,9
9
5,2 a
12,3 b
40,8
4,5 a
82,9
0,5 a
97,0
10
6,6 a
11,8 b
43,6
15,7 c
40,5
3,1 a
79,6
11
6,7 a
6,0 a
71,0
4,5 a
83,0
1,7 a
89,0
Nº
EC(%)
Nº
EC(%)
Nº
EC(%)
*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Eficiência de controle maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).
26
Entomologia
Com apenas uma aplicação, na avaliação aos
o princípio da rotação entre mecanismos de ação
11DA1, todos tratamentos apresentaram redução
dos inseticidas. Neste caso podemos observar que
no número médio de ninfas de mosca-branca por
existem opções interessantes para ser realizada esta
trifólio em relação à testemunha, entretanto nenhum
rotação, incluindo também os ativos recentemente
dos tratamentos apresentou eficiência de controle
registrados no Brasil, Espiropidiona e Afidopiropeno,
superior a 80%. Os tratamentos que apresentaram
como opções a mais além dos frequentemente mais
eficiência de pelo menos 70% foram Espiropidiona
utilizados (Piriproxifem e Ciantraniliprole).
+ Acetamiprido, Abamectina + Ciantraniliprole e
O controle biológico com o fungo Beauveria
Afidopiropeno, os mesmos apresentaram número
bassiana também tem um papel importante no
médio de ninfas por trifólio inferior em relação aos
manejo de resistência, e já conta com vários registros
demais tratamentos (Tabela 2).
de produtos comerciais no Ministério da Agricultura,
Aos 12DA2 os tratamentos Piriproxifem, Espiropidiona
+
Acetamiprido,
+
Acetamiprido
Dinotefuram
Pecuária e Abastecimento (MAPA). O tratamento com três aplicações sequenciais de B. bassiana,
e
isolado ou em associação com inseticida químico,
Afidopiropeno apresentaram eficiência de controle
proporcionou eficiência de controle de ninfas de
acima de 80% e menor número médio de ninfas
mosca-branca superiores a 80% (Tabela 2).
Piriproxifem,
+
Piriproxifem
por trifólio que os demais tratamentos. Já com três
Apesar das variações nas porcentagens
aplicações, 10 DA3, com exceção do tratamento
de eficiência de controle entre os tratamentos em
Carbossulfano
+
tratamentos
determinadas avaliações, e diferenças no número
apresentaram
eficiência
80%,
com
médio de ninfas de mosca-branca por trifólio, não
destaque para os tratamentos contendo Piriproxifem
houve uma aparente correlação com as diferenças
apresentando eficiências acima de 90% (Piriproxifem
de produtividade de grãos de soja, observadas na
isolado, Dinotefuram + Piriproxifem e Acetamiprido +
Figura 1. Tal fato pode ter acontecido por influência
Piriproxifem) (Tabela 2).
de outros fatores no campo (de maior interferência
Em
Bifentrina,
trabalhos
todos
acima
de
anteriores
Piriproxifem
e
Ciantraniliprole apresentaram as melhores eficiências
do que a infestação por ninfas de mosca-branca) que não foram controlados e nem avaliados.
de controle sobre ninfas de mosca-branca, superior a 80%, com apenas duas aplicações sequenciais (LIMA et al. 2021). Entretanto no presente trabalho somente Piriproxifem atingiu 80% com apenas duas aplicações, Ciantraniliprole necessitou de três aplicações para o mesmo (Tabela 2). Ressalta-se
que
as
três
aplicações
sequenciais do mesmo inseticida químico, realizadas no presente trabalho, foram realizadas somente de forma experimental para avaliação da eficiência de controle. Recomenda-se o manejo integrado de pragas na lavoura seguindo-se rigorosamente
Entomologia
27
70
-1 Produtividade (sacas.ha )
60 50
61,0 a 52,8 b
59,0 a 58,5 a
54,4 b 55,2 b
58,2 a 58,0 a
60,6 a
58,0 a 56,3 b
40 30 20 10 0
le le m m m do na na ha no r i a un ilipro oxife rope auve entri entri ilipro oxife ipri oxife m n if if te am pr pr pi Be an ipr + B o + B antra Piri Acet Piri Tes iantr + Pir Afido o + i n n C am fa fa a+ + C i do s u l os s u l u r i d i on na mipr s f i t o e t p ec ta rb arb i no pi r o Ca C am Ace D + b s E A ia ver u a Be Figura 2. Produtividade da cultivar de soja CZ37B43 IPRO com diferentes tratamentos para o controle de ninfas de mosca-branca (Bemisia tabaci). Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. *Médias seguidas por letras distintas se diferiram pelo Teste de ScottKnott (p<0,05). É importante ressaltar que o sucesso no manejo da mosca-branca na soja não depende
CONCLUSÃO
somente eficiência de controle dos inseticidas, existem
vários
fatores
importantes
envolvidos.
Neste sentido, a eficiência de controle de um inseticida, seja biológico ou químico, é dependente de uma tecnologia de aplicação adequada, que deve proporcionar boa cobertura e penetração no dossel, pois a maior proporção das ninfas está localizada nos terços médio e inferior da cultura, devido ao local de oviposição pelas fêmeas e seu hábito alimentar, apesar dos adultos se concentrarem no terço superior (POZEBON et al., 2019).
28
Entomologia
Os tratamentos Piriproxifem, Espiropidiona +
Acetamiprido,
Acetamiprido
+
Dinotefuram Piriproxifem
+ e
Piriproxifem, Afidopiropeno
apresentaram eficiência de controle acima de 80% e menor número médio de ninfas por trifólio que os demais tratamentos após duas aplicações. Já após três aplicações, exceto Carbossulfano + Bifentrina, os demais tratamentos apresentaram eficiência acima de 80%, destacando-se Piriproxifem isolado, Dinotefuram + Piriproxifem e Acetamiprido + Piriproxifem com eficiências acima de 90%.
E. M.; WIEST, G.; SCHOFFEN, M. E.; ZANETTI, V. H.
AGRADECIMENTOS À
equipe
de
Q da questão. Cultivar grandes culturas, v. 238, p.
campo,
pesquisadores
e
estagiários do CTC pelo apoio na implantação e condução do experimento.
within soybean plants and on individual leaflets.
effectiveness of on insecticide. Journal Economic Entomology, v. 18, n. 2, p. 265-267, 1925. GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, R.L.P.;
GUEDES, J. V. C., FERREIRA, D. R., MARQUES, R. ARNEMANN, J. A. Distribution of Bemisia tabaci
ABBOTT, W. S. A method of computing the
CARVALHO,
POZEBON, H., CARGNELUTTI FILHO, A., P., BEVILAQUA, J. G., PATIAS, L. S., COLPO, T. L.,
REFERÊNCIAS
S.;
19-21, 2019.
BAPTISTA,
G.C.;
BERTI
FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ZUCCHI, R.A.; ALVES, S.B.; VENDRAMIM, J.D.; MARCHINI, L.C.; LOPES, J.R.S.; OMOTO, C. Vol.10. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 920p. HOFFMANN-CAMPO,
C.
B.;
CORRÊA-
FERREIRA, B. S.; MOSCARDI, F. (Ed.). Soja: manejo integrado de insetos e outros artrópodes-praga. Brasília: Embrapa, 2012. p.213-309. LIMA, D. T.; FERNANDES, R. H.; ALMEIDA, D. P.; FURTINI NETO, A. E. Inseticidas no controle de ninfas
Entomologia Experimentalis et Applicata, First published: 17 June 2019. QUINTELA, E. D.; ABREU, A. G.; LIMA, J. F. S.; MASCARIM, G. M.; SANTOS, J. B.; BROWN, J. K. Reproduction of the whitefly Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae) B biotype in maize fields (Zea mays L.) in Brazil. Pest Management Science, v. 72, n. 11, p. 2181–2187, 2016. SOSA-GÓMEZ, D. R.; MOSCARDI, F.; CORRÊAFERREIRA, B. S.; OLIVEIRA, L. J.; HOFFMANNCAMPO, C. B.; PANIZZI, A. R.; CORSO, I. C.; BUENO, A. F.; HIROSE, E.; GAZZONI, D. L.; OLIVEIRA, E. B. Soja - manejo integrado de pragas. Curitiba: SENAR: Embrapa Soja, 2010. 83 p. il. (Coleção SENAR-Paraná, 222).
de mosca-branca (Bemisia tabaci) na cultura da soja. In: FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; NASCIMENTO, H. L. B.; FERNANDES, R. H.; BILEGO, U. O. (Eds.). Anuário de Pesquisas Agricultura – 1ª Safra 2020/2021. Rio Verde: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2021. p. 13-21. MOSCARDI, F.; BUENO, A.F.; SOSA-GÓMEZ, D.R.; ROGGIA, S.; HOFFMAN-CAMPO, C.B.; POMARI, A.F.; CORSO, I.V.; YANO, S.A.C. Artrópodes que atacam as folhas da soja. In: HOFFMAN-CAMPO, C.B.; CORRÊA-FERREIRA, B.S.; MOSCARDI, F. (Ed.). Soja: manejo integrado de insetos e outros artrópodespraga. Brasília: Embrapa, 2012. p.213-309. PITTA, R. M.; CROSARIOL NETTO, J.; BARROS,
Entomologia
29
INSETICIDAS NO CONTROLE DO PULGÃO Melanaphis sorghi NA CULTURA DO SORGO LIMA, Diego Tolentino1, FERNANDES, Rafael Henrique2, BRAZ, Guilherme Braga Pereira3, BUENO, Amanda Magalhães4, SARKIS, Leonardo Fernandes5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Eng.a Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com. br 5 Eng. Agrônomo, Me. em Ciência do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 1
entanto na safra 2021/2022 atingiu 3,1 milhões de toneladas, e na safra 2022/2023 deverá atingir 4,6 milhões de toneladas (CONAB, 2023). A região Centro-Oeste participa com mais da metade da produção nacional, sendo o estado de Goiás o maior produtor, que devido ao zoneamento agroclimático do estado, posiciona o sorgo como principal substituto do milho segunda safra, geralmente em sucessão a soja implantada no início de novembro e cultivada até a última semana de fevereiro (primavera-verão). A produtividade desta cultura no estado de Goiás pode ser atingir as 134 sacas ha-1 (ALMEIDA et al., 2020). O pulgão-da-cana-de-açúcar se tornou destaque na cultura do sorgo desde a safra 2019/2020 em todo país, por causar danos significativos e perdas em produtividade, se tornando uma praga chave (FERNANDES et al., 2021). Em Goiás, de modo geral, a população de pulgão no sorgo foi melhor controlada durante esta safra. Um manejo mais assertivo do inseto, tanto em número de aplicações quanto em época de controle e inseticidas mais adequados, possibilitou que a infestação não alcançasse níveis preocupantes na maioria das lavouras. Também foi relatado que a pressão de insetos nesta safra foi menor que em
INTRODUÇÃO Nos últimos anos a produção brasileira de sorgo estava ao redor de dois milhões de toneladas por ano, no
30
Entomologia
safras anteriores. E as chuvas, de modo geral, contribuíram para os bons resultados da cultura (CONAB, 2023). Historicamente o Melanaphis sacchari (pulgãoda-cana-de-açúcar) tem sido uma importante praga na cultura da cana-de-açúcar tanto no Brasil quanto nos EUA,
causando danos ao se alimentar da seiva da planta e
Como o potencial de dano está relacionado com o
transmitir o vírus do mosaico (Sugarcane Yellow Leaf Virus,
potencial reprodutivo do inseto, o monitoramento deve ser
SCYLV) (SINGH et al., 2004; SILVA et al., 2014). Em 2013
constante, pois, se a população do pulgão atingir níveis
nos EUA e 2019 no Brasil, os problemas com o pulgão-da-
elevados na lavoura o controle será mais difícil e os danos
cana-de-açúcar na cultura do sorgo, primeiramente, foram
já estarão ocorrendo. Assim, um dos pontos principais
atribuídos a um novo biótipo de M. sacchari, no entanto,
no manejo para se utilizar a intervenção com inseticidas
foi desvendado por técnicas moleculares e morfológicas
é o chamado “timing” de aplicação (hora certa de fazer
que se tratava da espécie Melanaphis sorghi (NIBOUCHE
a aplicação), quando a infestação ainda está no início
et al. 2021).
(FERNANDES et al., 2021; LIMA et al., 2021). A utilização
Além disso, M. sacchari e M. sorghi, apesar
de inseticidas no manejo de M. sorghi tem se mostrado
de espécies diferentes, eram tratadas na literatura
uma realidade para redução da infestação pelo inseto
como o mesmo pulgão-da-cana-de-açúcar. De fato,
e manutenção das produtividades da cultura do sorgo
existe a dificuldade em diferenciar essas espécies por
nos EUA, principalmente quando se trata de híbridos
características morfológicas (NIBOUCHE et al., 2021).
sensíveis ao pulgão (LAHIRI et al., 2019). Neste sentido o
Mas no Brasil os grandes aumentos populacionais
objetivo do trabalho foi avaliar a infestação de M. sorghi e a
observados causando sintomas em plantas de sorgo
produtividade do sorgo, em função de diferentes manejos
revelaram, inclusive por técnicas moleculares, a presença
(épocas e números de aplicações) diferentes inseticidas.
de M. sorghi (FERNANDES et al., 2021; NIBOUCHE et al., 2021; HARRIS-SHULTZ et al. 2022). Na região do Sudoeste Goiano, tem-se observado
MATERIAL E MÉTODOS
maior ocorrência do pulgão M. sorghi no final da fase
O experimento foi conduzido na área experimental
vegetativa e início da fase reprodutiva da lavoura de sorgo.
do Centro Tecnológico COMIGO (CTC), da Cooperativa
Os insetos se concentram na parte de baixo das folhas e
COMIGO, no município de Rio Verde – GO (S 17°45'57"
se alimentam sugando a seiva da planta, sendo comum
e W 51°02'07"; 839 metros de altitude). Em área colhida
a infestação iniciar nas folhas mais velhas (baixeiro) e
anteriormente com soja foi realizada a semeadura do
avançar para as mais novas. Os sintomas: amarelecimento,
híbrido de sorgo granífero 1G 100 no dia 04 de março de
manchas vermelhas e necróticas, podem ser observados
2023, com a densidade de semeadura de 10,0 sementes
até mesmo na face superior da folha. Os danos são
por metro (população final de 165 mil plantas ha-1). A
potencializados em situações de estresse, principalmente
adubação de semeadura foi realizada com 400 kg ha-1 de
hídrico (SINGH et al., 2004). Ocorre formação de grandes
15-15-15. No momento da semeadura foram aplicados
colônias e, com a excreção de grandes quantidades
no sulco 0,15 L ha-1 de Biomax Azum (Azospirillum
de substâncias açucaradas, se desenvolve um fungo
brasilense, concentração mínima 3,0 x 108 UFC mL-1), 0,5
(geralmente do gênero Capnodium) de cor enegrecida,
L ha-1 do inseticida biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium
chamado de fumagina, que prejudica a fotossíntese da
anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1,0 x 108
folha. Em altas infestações a planta pode secar mesmo
propágulos viáveis mL-1) e 0,25 L ha-1 de RayNitro Zn News
antes de emitir a panícula, ou ainda emitir a estrutura
(83,3 g L-1 de Nitrogênio, 83,3 g L-1 de Fósforo - P2O5 e 47,6 g
reprodutiva, porém com enchimento de grãos altamente comprometido.
L-1 de Zinco). O tratamento de sementes foi realizado com CropStar (1,0 L para 100 kg de sementes). A adubação
Entomologia
31
de cobertura foi realizada com 150 kg ha-1 de Ureia Turbo
na Tabela 1. Apenas no tratamento denominado Padrão
(ureia + NBPT).
foram realizadas duas aplicações para o controle de
O controle de plantas daninhas foi realizado através
Melanaphis sorghi. Nos demais tratamentos realizada
de uma aplicação em sistema plante-aplique logo após a
apenas uma única aplicação, já na testemunha não
semeadura com Gesaprim (2,0 L ha-1) e outra aplicação
houve aplicação de inseticidas. As duas aplicações no
17 dias após a semeadura com Proof (3,0 L ha-1) + Iharol
tratamento padrão foram realizadas logo no início da
Gold (0,4 L ha-1). Para o controle de manchas foliares foi
formação das primeiras colônias com poucos insetos, não
realizada uma aplicação com o fungicida Orkestra (0,35 L
permitindo que a nota de infestação não ultrapassasse a
ha-1) + Mees (0,5 L ha-1) + Unizeb Gold (1,5 kg ha-1), 40 dias
classe 1,0 na escala proposta por Fernandes et al. (2021),
após a semeadura.
em que a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e
As únicas aplicações de inseticidas realizadas no experimento foram referentes aos tratamentos descritos
não há presença de exsúvia (colônia pequena, menos de 50 pulgões folha-1).
Tabela 1. Tratamentos inseticidas para controle de pulgão, Melanaphis sorghi, no sorgo 1G100. Centro Tecnológico COMIGO – CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.
Tratamentos
Padrão
1ª 13/04
Dose de ativo (g ha-1)
--
--
--
Engeo Pleno + Premio
300 + 100
Tiametoxam + Lambdacialotrina + Clorantraniliprole
42,3 + 31,8 + 20
Wild + Battus
1000 + 400
Clorpirifós + Acetamiprido
480 + 80
Wild
1000
Clorpirifós
480
Closer
100
Sulfoxaflor
24
Battus
400
Acetamiprido
80
Engeo Pleno
300
Tiametoxam + Lambdacialotrina
42,3 + 31,8
Wild + Battus
1000 + 400
Clorpirifós + Acetamiprido
480 + 80
Wild
1000
Clorpirifós
480
Closer
100
Sulfoxaflor
24
Battus
400
Acetamiprido
80
Engeo Pleno
300
Tiametoxam + Lambdacialotrina
42,3 + 31,8
Wild + Battus
1000 + 400
Clorpirifós + Acetamiprido
480 + 80
2ª
25/04/23 Infestação 60% (nota 3,0) 10/05/23 Infestação 86% (nota 4,3) * p. c. = produto comercial.
Entomologia
*p. c. ha-1
Ingrediente ativo
Testemunha
26/05
32
mL ou g
apresenta poucos pulgões e há presença de
Nos demais tratamentos com inseticidas (Wild,
exsúvias;
Closer, Battus, Engeo Pleno e Wild + Battus), uma única aplicação, porém em dois momentos distintos, com
•
Nota 3 (60% de infestação), a planta de sorgo
infestação de 60% e 86%. Totalizando 12 tratamentos
apresenta
(inseticidas + testemunha sem aplicação), dispostos
pulgões, muitas exsúvias e há o surgimento
no delineamento em blocos ao acaso (DBC), com
de alguns sintomas, como amarelecimento ou
quatro repetições. As parcelas experimentais foram
avermelhamento na folha (colônias grandes,
constituídas por 10 linhas de cultivo, espaçadas de
mais de 50 pulgões folha-1);
0,5 metros, com 10 metros de comprimento. A parcela
•
uma
quantidade
moderada
de
Nota 4 (80% de infestação), a planta de sorgo
útil desconsiderou 1,0 m inicial e final de cada linha da
apresenta grande quantidade de pulgões,
parcela e as duas linhas das extremidades.
muitas exsúvias e há sintomas na planta tanto na
As
aplicações
foram
realizadas
com
pulverizador pressurizado por CO2 (Número de patente:
nervura central como na borda da folha. •
Nota 5 (100% de infestação), a planta de sorgo
BR102016007565-3) montando em trator (MF 275,
fica tomada de pulgões, muitas exsúvias e há
Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador é dotado
sintomas em toda a planta com o início de morte
com barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização
das folhas.
espaçados em 0,5 m. As pontas utilizadas para
A produtividade de grãos foi obtida em três
pulverização foram modelo ADIA 11001.D, da marca
linhas centrais de semeadura com 3,0 metros de
Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada
comprimento, realizando dois pontos de amostragem
com a pressão de trabalho na ponta de pulverização de
dentro de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos,
2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.
trilhados e secos. Foi calculada a produtividade para
Foi avaliada a infestação por pulgão M. sorghi nas
um hectare, considerando-se a umidade padrão de 13%
parcelas um (1DA1), oito (8DA1) e 14 (14DA1) dias após
para comercialização do grão, tomado como medida a
a aplicação no nível de infestação de 60% (aplicado em
saca de 60 kg de grãos.
25/04/23). Na data de 14DA1, atingiu-se a infestação
Os dados de notas de infestação por M. sorghi
de 86% (10/05/23) quando realizou-se a aplicação nos
no sorgo e produtividade foram submetidos à análise
tratamentos restantes. E logo após avaliada a infestação
de variância (ANOVA) pelo teste F e no caso de
um (1DA2), seis (6DA2), 14 (14DA2) e 28 (28DA2) dias
efeito significativo dos tratamentos, as médias foram
subsequentes à referida aplicação.
comparadas pelo teste de Scott-Knott (P<0,05). Foi
A infestação do pulgão M. sorghi no sorgo,
calculada a porcentagem de redução das notas de
avaliada em três pontos por parcela, foi classificada de
infestação dos tratamentos em relação à testemunha.
acordo com a escala de notas proposta por Fernandes
Esta porcentagem de redução foi apresentada
et al. (2021), onde:
juntamente com as próprias médias das notas de
•
Nota 1 (20% de infestação), a planta de sorgo
infestação através de diferentes cores com as seguintes
apresenta poucos pulgões e não há presença de
classificações: maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( );
exsúvia (colônia pequena, menos de 50 pulgões
entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).
folha-1); •
Nota 2 (40% de infestação), a planta de sorgo
Entomologia
33
Tabela 2) foi realizada a segunda aplicação em 26/05/23, a
RESULTADOS E DISCUSSÃO
qual manteve o controle da praga até a colheita. Desta forma
No tratamento padrão (único com duas aplicações) a primeira aplicação (13/04/23) foi realizada de forma antecipada em relação aos demais, mantendo uma baixa infestação do pulgão M. sorghi no sorgo 1G100 até 14DA2 (avaliado 24/05/23), e com início da reinfestação (nota 0,8,
não permitindo que a nota de infestação ultrapassasse a classe 1,0 na escala proposta por Fernandes et al. (2021), em que a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e não há presença de exsúvia (colônia pequena, menos de 50 pulgões folha-1).
Tabela 2. Notas de infestação para o pulgão Melanaphis sorghi no híbrido de sorgo 1G100, em função dos tratamentos inseticidas um (1DA1), oito (8DA1) e 14 (14DA1) dias após a aplicação com infestação de 60% e (1DA2), seis (6DA2), 14 (14DA2) e 28 (28DA2) à de 86%. Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Tratamentos
1DA1
8DA1
14DA1
1DA2
6DA2
14DA2
28DA2
Testemunha
3,2 c
4,0 b
4,4 c
4,3 d
4,3 b
4,0 d
5,0 d
Padrão
0,0 a
0,0 a
0,0 a
0,0 a
0,3 a
0,8 a
0,0 a
60% - Clorpirifós
0,4 a
0,0 a
0,9 b
1,4 b
2,0 c
3,1 c
5,0 d
60% - Sulfoxaflor
2,5 b
0,0 a
0,6 b
1,0 b
0,9 b
2,5 b
5,0 d
60% - Acetamiprido
2,8 b
0,0 a
0,2 a
0,9 b
0,9 b
2,3 b
5,0 d
60% - Tiametoxam + Lambdacialotrina
2,4 b
0,0 a
0,0 a
0,3 a
0,9 b
2,2 b
5,0 d
60% - Clorpirifós + Acetamiprido
0,2 a
0,0 a
0,0 a
0,4 a
0,5 a
2,3 b
5,0 d
86% - Clorpirifós
3,1 c
4,3 b
4,4 c
0,1 a
0,0 a
0,3 a
3,7 c
86% - Sulfoxaflor
3,0 c
4,2 b
4,2 c
2,9 c
0,2 a
0,0 a
2,9 b
86% - Acetamiprido
2,9 c
4,1 b
4,0 c
2,7 c
0,3 a
0,0 a
2,1 b
86% - Tiametoxam + Lambdacialotrina
3,0 c
4,3 b
4,6 c
3,3 c
0,0 a
0,0 a
2,3 b
86% - Clorpirifós + Acetamiprido
3,2 c
4,3 b
4,3 c
0,0 a
0,0 a
0,0 a
1,6 b
*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Porcentagem de redução da nota de infestação em relação à testemunha, maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).
34
Nos tratamentos para controle do pulgão
menores notas de infestação, nos demais três
M. sorghi em que a aplicação foi realizada com
tratamentos apesar da redução da nota em relação
infestação média na nota 3,0 (60% de infestação)
à testemunha, as notas ficaram acima de onde havia
observa-se que onde foi utilizado o Clorpirifós (60%
Clorpirifós (Tabela 2). Já aos 8 dias após a aplicação
- Clorpirifós e 60% - Clorpirifós + Acetamiprido) em
destes tratamentos (8DA1), todos foram eficientes
apenas um dia após a aplicação (1DA1) apresentou
em reduzir a infestação para nota zero (Tabela 2).
Entomologia
Aos 14DA1 alguns tratamentos aplicados
rapidamente, de forma intermediária foram os
com 60% de infestação começaram a perder o efeito
tratamentos com a presença de princípios ativos
residual, com 60% - Clorpirifós apresentando redução
sistêmicos (Sulfoxaflor, Acetamiprido e Tiametoxam).
da nota de infestação em relação à testemunha
Destacando-se novamente a mistura de Clorpirifós
inferior a 80%. Aos 1DA2, 60% - Sulfoxaflor e 60%
com Acetamiprido (sistêmico) com maior residual
- Acetamiprido também apresentaram redução da
(Tabela 2).
nota de infestação em relação à testemunha inferior
A produtividade do sorgo, observada na
a 80%. Aos 6DA2 foi 60% - Tiametoxam + Lambda-
Figura 1, foi superior no tratamento Padrão, onde a
cialotrina que também reduziu da nota de infestação
infestação foi mantida com notas inferiores a classe
em relação à testemunha para menos de 80%,
1,0 na escala de Fernandes et al. (2021). Estes
o que ocorreu com a mistura 60% - Clorpirifós +
resultados estão de acordo com o trabalho de Lima
Acetamiprido somente 14DA2 (Tabela 2).
et al. (2021), em que a maior produtividade do híbrido
Aos 28DA2 todos os tratamentos com uma
de sorgo 1G100 foi obtida com controle do pulgão M.
única aplicação em 60% de infestação do pulgão
sorghi realizado até no máximo nota 1,0 de infestação,
M. sorghi já haviam apresentado nota 5,0 escala de
ou seja, no máximo 20% de infestação. Os resultados
notas proposta por Fernandes et al. (2021), onde
de produtividade do presente demonstram também o
a planta de sorgo fica tomada de pulgões, muitas
potencial danoso do pulgão M. sorghi para a cultura
exsúvias e há sintomas em toda a planta com o início
do sorgo, quando não manejado de forma adequada,
de morte das folhas (Tabela 2). Entretanto, como
por exemplo na testemunha que teve redução de
observado, isso não ocorreu de forma uniforme,
55% em relação ao tratamento padrão. Ressaltando
pois o Clorpirifós isolado perdeu o efeito residual
que na literatura há relatos de perdas no rendimento
mais rapidamente, de forma intermediária foram os
de até 100%, dependendo do genótipo em condições
tratamentos com a presença de princípios ativos
de alta infestação (FERNANDES et al., 2021).
sistêmicos (Sulfoxaflor, Acetamiprido e Tiametoxam) e com efeito de controle mais persistente a mistura do Clorpirifós com Acetamiprido (sistêmico) de forma sinérgica. Na Tabela 2 observa-se padrão semelhante de controle (redução nas notas de infestação do pulgão M. sorghi) e efeito residual quando os tratamentos foram aplicados com infestação em nota média 4,3 (86% de infestação). Sendo que, quando utilizado o Clorpirifós (isolado ou em mistura) em apenas um dia após a aplicação (1DA2) houve as menores notas de infestação. Já nos três demais tratamentos com ativos sistêmicos, aos 6DA2 e 14DA2, se igualaram aonde havia Clorpirifós. E aos 28DA2 também observase Clorpirifós isolado perdeu o efeito residual mais
Entomologia
35
-1 Produtividade (sacas.ha )
120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0
a 110,8
d d d 54,9 55,3 49,7
c 69,4
c 71,4
b c 83,2 c 74,9 77,3
b b 89,4 90,2
b 92,5
r r s s a a a o o o o o nh irifó xaflo otrin iprid iprid irifó otrin iprid iprid xaflo adrã u p p l l m P o o r r a a f f m m m m te l o u l l o ci ci ul ta ta ta ta Tes % - C % - S bda- Ace Ace % - C bda- Ace Ace % - S 60 60 Lam 0% - ós + 86 Lam ós + 6% - 86 8 6 irif + irif + rp am lorp am o x x l C C to to %me 6% me a a 0 i i 8 6 T T %%6 0 8 6 Figura 1. Produtividade do híbrido de sorgo 1G100 com diferentes tratamentos para o controle do pulgão Melanaphis sorghi. Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. *Médias seguidas por mesma letra não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Quando realizada apenas uma aplicação para
produtividade em relação aos demais tratamentos dentro
controle de do pulgão M. sorghi no híbrido de sorgo 1G100
da mesma classificação (60 ou 86%), com exceção de
em 60% de infestação, que neste caso foi no momento em a
Sulfoxaflor na classe 60% (Figura 1), provavelmente
lavoura se encontrava em Estádio 5 – (Emborrachamento),
devido ao menor efeito residual observado nas avaliações
o efeito residual dos tratamentos foi suficiente apenas até
de infestação por M. sorghi no híbrido de sorgo 1G100
o florescimento (Estádio 6), assim as plantas passaram o
(Tabela 2).
enchimento de grãos (Estádio 7 e 8) com altas infestações
Outro ponto importante no manejo do pulgão
de pulgão o que refletiu, de forma geral, em redução da
M. sorghi na cultura do sorgo está relacionado com a
produtividade em relação a quando esta única aplicação
tecnologia de aplicação. Além de respeitar as condições
foi realizada em 86% de infestação, que neste caso foi no
ambientais adequadas no momento da aplicação, não
momento em a lavoura se encontrava ente o Estádio 6 e 7,
é aconselhável a utilização de volumes de aplicação
assim o efeito residual dos tratamentos foi suficiente para
reduzidos, pois, maior quantidade de calda aplicada por
que as plantas passaram o enchimento de grãos (Estádio
área pode proporcionar melhor cobertura e deposição do
7 e 8) com baixas infestações de pulgão.
inseticida no terço inferior da planta, local onde geralmente
O Clorpirifós isolado tanto aplicado na infestação de 60%, quanto de 86%, apresentou redução da
36
Entomologia
se inicia a infestação desta praga.
SANTOS, N. M.; LIMA, P. F.; SANTOS, V. M. C. dos;
CONCLUSÃO
SIMEONE, M. L. F.; PARRELLA, R. A. da C.; MENEZES, C. B.
No controle do pulgão M. sorghi na cultura do sorgo, o inseticida Clorpirifós isolado perdeu o efeito residual mais rapidamente. A presença dos princípios ativos sistêmicos Tiametoxam, Acetamiprido e Sulfoxaflor aumenta o efeito residual. O controle é melhorado com a mistura do Clorpirifós com Acetamiprido, com efeito sinérgico. O tratamento padrão, com duas aplicações, para controle do pulgão M. sorghi na cultura do sorgo proporcionou maior produtividade que os tratamentos com apenas uma aplicação. Tratamentos com diferenças no efeito residual e diferentes épocas de aplicação interferem na produtividade de grãos de sorgo.
da cana-de-açúcar (Melanaphis sacchari/sorghi) na cultura do sorgo. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2021. 24 p. (Comunicado Técnico, 249). HARRIS-SHULTZ,
K.;
ARMSTRONG,
J.S.;
CARVALHO, G., JR.; SEGUNDO, J.P.; NI, X. Melanaphis sorghi (Hemiptera: Aphididae) clonal diversity in the United States and Brazil. Insects, v. 13, n. 416, p. 1-8, 2022. LAHIRI, S.; XINZHI, N.; BUNTIN,G. D.; PUNNURI, S.; JACOBSON, A.; REAY-JONES, F. P. F.; TOEWS, M. D. Combining host plant resistance and foliar insecticide application to manage Melanaphis sacchari (Hemiptera: Aphididae) in grain sorghum. International Journal of Pest Management, v. 67, n. 1, p. 10-19, 2019. LIMA, D. T.; FERNANDES, R. H.; ALMEIDA, D. P.
AGRADECIMENTOS
Timing de aplicação para o pulgão da cana-de-açúcar
À equipe de campo, pesquisadores e estagiários do CTC pelo apoio na implantação e condução do experimento.
na cultura do sorgo. In: FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; NASCIMENTO, H. L. B.; FERNANDES, R. H.; BILEGO, U. O. (Eds.). Anuário de Pesquisas Agricultura – 2ª Safra 2020/2021. Rio Verde: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2021. p. 34-41.
REFERÊNCIAS
NIBOUCHE, S.; COSTET, L.; MEDINA, R. F.;
ALMEIDA, D. P.; FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; FERNANDES, R. H.; FREITAS, B. V.; ROSA, V. C. S.; JESUS, E. S.; SCHNEIDER, S. A. O. Épocas de semeadura de híbridos de sorgo em segunda safra 2018/2019: produtividade de grãos. In: FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; NASCIMENTO, H. L. B.; FERNANDES, R. H.; BILEGO, U. O.(Eds.). Anuário de Pesquisas Agricultura – Resultados 2020. Rio Verde: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2020. p. 203-210. CONAB.
Companhia
Nacional
de
Abastecimento. 11º Levantamento - Safra 2022/23. Disponível
de; OLIVEIRA, I. R. de; MENDES, S. M. Manejo do pulgão
em:
<https://www.conab.gov.br/info-agro/
safras/graos/boletim-da-safra-de-graos>. Acesso em: 20 ago. 2023. FERNANDES, F. O.; SOUZA, C. da S. F.; AVELLAR,
HOLT, J. R.; SADEYEN, J.; ZOOGONES, A. S.; BROWN, P.; BLACKMAN, R. L. Morphometric and molecular discriminaton of the sugarcane aphid, Melanaphis sacchari, (Zehntner, 1897) and the sorghum aphid Melanaphis sorghi (Theobald, 1904). PLoS ONE, v. 16, n. 3, p. 1-17, 2021. SILVA, M. L.; ROCHA, D. A.; SILVA, K. T. B. Potential population growth of Melanaphis sacchari (Zethner) reared on two hosts plants. Current Agricultural Science and Technology, v. 20, p. 21-25, 2014. SINGH, B. U.; PADMAJA, P. G.; SEETHARAMA, N. Biology and management of the sugarcane aphid, Melanaphis sacchari (Zehntner) (Homoptera: Aphididae), in sorghum: a review. Crop Protection, v. 23, n. 9, p. 739755, 2004.
G. S. de; NASCIMENTO, P. T.; DAMASCENO, N. C. R.;
Entomologia
37
38
Fertilidade do Solo e Fertilizantes Fertilidade do Solo e Fertilizantes
APLICAÇÃO ANTECIPADA DE NITROGÊNIO EM COBERTURA NO SORGO SARKIS1, Leonardo Fernandes; RODRIGUES2, Matheus Silva; BUENO3, Amanda Magalhães; HARA4, Eduardo; FREITAS5, Andréia Victor
em segunda safra no cerrado. Dessa forma, a cultura tem ganhado espaço como opção alternativa, principalmente em épocas de semeaduras tardias. Ainda assim, o atraso na semeadura pode reduzir o potencial produtivo
Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutorando em Ciência do Solo. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 2 Engenheiro Agrônomo, Mestre em Ciências Agrárias/ Agronomia. Coordenador Técnico da Agricultura de Precisão COMIGO (AP COMIGO). E-mail: matheussilva@comigo.com.br 3 Engenheira Agrônoma, Dr. em Agronomia. Pesquisadora Agronômica no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: amandamagalhães@comigo. com.br 4 Engenheiro Agrônomo, Gerente de Geração e Difusão de Tecnologia do Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: eduardohara@comigo.com.br 5 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia do Instituto Federal Goiano (IFGoiano), campus Rio Verde. Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: andreiavictor781@gmail.com 1
devido as perdas por adversidades climáticas, como deficiência hídrica, fotoperíodo e baixa temperatura do ar (FORNASIERI FILHO e FORNASIERI 2009). Na região sudoeste de Goiás, semear o sorgo até o último decêndio de fevereiro, associado a outras práticas de manejo, ajuda a garantir altas produtividades conforme observado para diversos híbridos (ALMEIDA et al. 2019; ALMEIDA et al. 2020; ALMEIDA et al. 2021). Dentre as práticas de manejo que podem incrementar a produtividade de grãos, a adubação nitrogenada em cobertura tem apresentado resultados positivos para a cultura do sorgo (ALMEIDA et al., 2022). No entanto, aplicações tardias de nitrogênio (N) em superfície podem resultar em elevadas perdas por volatilização de amônia (NH3) e baixa eficiência no uso do nutriente pela cultura devido ao final do período de
INTRODUÇÃO O sorgo granífero possui tolerância superior ao déficit hídrico quando comparado ao milho (FORNASIERI FILHO e FORNASIERI 2009; ALMEIDA et al., 2019), principal espécie atualmente cultivada
chuvas, o que dificulta a incorporação do fertilizante e absorção pelas raízes. Nesse cenário, ajustar as estratégias de adubação pode contribuir com ganhos expressivos em produtividade dos híbridos modernos de elevado potencial. As tecnologias para fertilizantes são opções interessantes para aumentar a eficiência de uso de
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
39
nutrientes na agricultura. Dentre essas, os nitrogenados
e ureia + NBPT (ureia turbo®) em cobertura na cultura do
estabilizados têm se destacado no mercado como
sorgo, sendo conduzido de 14/03/2023 a 03/08/2023.
importante ferramenta para redução dessas perdas.
Anteriormente a instalação do experimento,
A adubação com ureia convencional em cobertura
foi realizada análise de solo de amostra coletada na
e sem incorporação favorece as perdas de N-NH3
profundidade de 0 a 20 cm, a qual apresentou as
(Martins et al., 2021), principalmente na ausência de
seguintes propriedades químicas e textura: pH em
chuvas na primeira semana após a aplicação, em
CaCl2 de 4,4; 3,81 cmolc dm-3 de H+ + Al+3; 1,65 cmolc
volume e intensidade suficientes para a incorporação
dm-3 de Ca+2; 0,53 cmolc dm-3 de Mg+2; 50,59 mg dm-3
do fertilizante. Já a ureia associada a este tipo de
de K; 9,49 mg dm-3 de P; 0,36 mg dm-3 de B; 4,66 mg
tecnologia possui aditivos capazes de inibir ou atrasar
dm-3 de Zn; 0,67 mg dm-3 de Cu; 13,88 mg dm-3 de Mn;
algum processo de transformação do N no solo, sendo
29,8 g dm-3 de M.O.; 43,81% de areia; 8,95% de silte e
o NBPT [N- (n-butil)] tiofosfórico triamida a molécula
47,22% de argila. O solo é classificado como Latossolo
mais utilizada atualmente como inibidor de urease em
Vermelho distrófico (SANTOS et al., 2018). De acordo
todo o mundo (SANZ-COBENA et al., 2012).
com classificação de Köppen, o clima de Rio Verde é
As maiores perdas de N por volatilização para
do tipo Aw, que recebe denominação de “tropical com
ureia convencional ocorrem nos 7 primeiros dias após a
estação seca”. Os dados climatológicos relacionados
aplicação dos fertilizantes (COSTA et al.; 2003; AFSHAR
a temperatura máxima e mínima do ar e precipitações
et al., 2018), que representa o período crítico de perdas.
durante o período de condução do experimento foram
O NBPT normalmente atrasa esse período aumentando
monitorados por estação meteorológica da marca
a chance de incorporação do N-fertilizante no solo pela
Plugfield® instalada na área de pesquisa do CTC.
chuva. A redução das perdas de N-NH3 está relacionada
A semeadura do sorgo em sucessão a soja foi
a manutenção do N na forma amídica por meio da
realizada de forma mecanizada no dia 14/03/2023,
inibição temporária da urease que é responsável pela
adotando-se espaçamento entrelinhas de 0,5 m,
hidrólise da ureia.
utilizando o híbrido AG1070, com densidade de
Neste contexto, o objetivo do trabalho foi avaliar
semeadura de 10,5 sementes m-1. As sementes utilizadas
a resposta da adubação nitrogenada em cobertura
no experimento foram tratadas industrialmente com
na cultura do sorgo a partir da ureia convencional ou
fungicidas e inseticidas.
ureia + NBPT (Ureia turbo®) aplicadas em diferentes
Na adubação de semeadura, foi utilizado o
estágios fenológicos, mensurando os incrementos em
formulado 15-15-15 (mistura granulada) aplicado no
produtividade de grãos.
sulco de semeadura na dose de 400 kg ha-1, totalizando
MATERIAL E MÉTODOS
40
60 kg ha-1 de N, P2O5 e K2O, respectivamente. O delineamento utilizado foi o de blocos completos ao acaso (DBC), com 4 repetições, avaliando-
O experimento foi realizado em condições de
se 7 tratamentos (Tabela 1). As unidades experimentais
campo em área localizada no Centro Tecnológico
foram compostas por dez linhas de semeadura, com
COMIGO, sediada na cidade de Rio Verde (GO) (S
comprimento de 5,0 m (25,0 m2). Considerou-se como
17°46'01" O 51°02'07", altitude de 790 m), visando aferir
área útil para as avaliações apenas as seis linhas
o impacto da época de aplicação de ureia convencional
centrais de cada unidade experimental, excluindo-se
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
0,5 m de cada extremidade.
sorgo, sendo 3 épocas, quando as plantas estavam nos
Os tratamentos consistiram na aplicação de ureia convencional e ureia turbo® em cobertura na cultura do
estágios 2 (29/03/2023, 15 DAS), 4 (10/04/2023, 27 DAS) e 5 (18/04/2023, 35DAS), respectivamente.
Tabela 1. Tratamentos avaliados no experimento de adubação nitrogenada com ureia e ureia turbo® em cobertura na cultura do sorgo. Rio Verde (GO), 2023. Dose ( kg ha-1 de N)
Época de aplicação
DAS*
0
-
-
Ureia convencional
Estágio 2
15
Ureia convencional
Estágio 4
27
Ureia convencional
Estágio 5
35
Estágio 2
15
Ureia turbo®
Estágio 4
27
Ureia turbo®
Estágio 5
35
Tratamentos Controle
Ureia turbo®
60
*DAS: dias após semeadura.
Durante o desenvolvimento da soja no período
Scott-Knott (p≤0,05).
de safra e do sorgo na safrinha, todos os tratos culturais foram realizados de acordo com as recomendações técnicas, procedendo ao controle de plantas daninhas, pragas e doenças sem deixar que estes influenciassem negativamente no desenvolvimento da cultura.
RESULTADOS E DISCUSSÃO A precipitação acumulada durante a condução do experimento foi de 542 mm. Na semana anterior a
Ademais, na ocasião da colheita foi avaliada
data da primeira adubação de cobertura, houve acúmulo
a produtividade de grãos sorgo. Para determinação
de 8,1 mm de chuva, sendo 0 mm observados aos 4
da produtividade de grãos, foi realizada o arranquio
dias anteriores a aplicação, resultando na diminuição
manual de todas as plantas (no sorgo panículas)
da umidade na superfície do solo. Nos primeiros 15
presentes na área útil de cada unidade experimental,
dias após cada época de aplicação do N em cobertura,
onde posteriormente este material foi submetido
as chuvas corresponderam a 61,5 mm (11,3%), 35,4 mm
aos processos de trilha, embalagem, identificação,
(6,5%) e 13,5 mm (2,5%), respectivamente. A precipitação
pesagem e correção da umidade dos grãos para 13%.
pluviométrica e a distribuição das chuvas no período
As análises estatísticas foram realizadas com
após a aplicação influenciaram significativamente
o programa computacional SISVAR. Os dados do
(p<0,05) na eficiência da adubação nitrogenada em
experimento foram submetidos à análise de variância
cobertura. Observamos que menores precipitações
pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito significativo,
nas 2 primeiras semanas após a adubação resultaram
aplicou-se o critério de agrupamento de médias de
em menores produtividades. A ureia turbo® apresentou
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
41
maior eficiência comparada a ureia convencional nas
nitrogenadas. A temperatura média no mesmo período
aplicações tardias com menores precipitações após a
foi de 21,1 ºC, ocorrendo mínima de 15,0 oC e máxima
adubação em cobertura.
de 28,4 oC, respectivamente.
A umidade relativa do ar foi maior que 70% praticamente em todo o período após as adubações
Figura 1. Precipitação acumulada (mm), temperaturas máximas (°C) e umidade relativa (%) após as épocas da adubação nitrogenada com ureia e ureia turbo® em cobertura na cultura do sorgo. Rio Verde (GO), 2023. Os resultados de produtividade de sorgo
adubações foram menos frequentes e apresentaram
submetido a adubação nitrogenada em cobertura com
menores volumes, houve redução 8,7 e 19,3 sacas ha-
ureia convencional ou ureia turbo®, em 3 épocas de
1
aplicação, estão apresentados na Figura 2. Observou-
condições favoráveis as perdas de N-NH3 que resulta
se diferença significativa (p<0,05) na produtividade de
em baixa eficiência no uso do nutriente pela cultura.
grãos em função das estratégias de aplicação de N em
Assim, contar apenas com as condições climáticas
cobertura.
representa alto risco de ineficiência na incorporação do
Para a ureia convencional, a maior produtividade
42
, respectivamente. Esse fato pode ser explicado pelas
N-fertilizante (Dawar&Zaman et al., 2011).
foi observada na primeira época de adubação em
Para a ureia turbo®, observamos maior eficiência
cobertura, quando a cultura estava no estágio 2 (15
comparada a ureia convencional nas aplicações tardias
DAS), época que apresentou maior precipitação
com menores precipitações após as adubações em
acumulada após a aplicação do fertilizante na
cobertura. Na adubação realizada no estágio 4 (27 DAS),
superfície do solo. Nas aplicações tardias, estágios
essa tecnologia resultou em ganhos de produtividade
4 (27 DAS) e 5 (35 DAS), quando as chuvas após as
de 6,7 sacas ha-1 quando comparado a aplicação de
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
ureia convencional nesse cenário favorável as perdas
cultura. Este fato demonstra que o aditivo contendo
de N-NH3. Quando comparada ao controle, a aplicação
NBPT adicionado a ureia é uma ferramenta interessante
de ureia turbo® em cobertura aos 27 DAS incrementou
que
a produtividade em 10,5 sacas ha-1.
principalmente em cenários favoráveis as perdas de
resulta
em
incrementos
de
produtividade,
Já para a adubação realizada no estágio 5, as
N-NH3. No entanto, antecipar a adubação nitrogenada
produtividades foram inferiores (p<0,05) em relação as
para aproveitar as últimas chuvas é outra estratégia
duas outras épocas de adubação e iguais em relação
fundamental para aumentar a absorção de N pelas
controle, indicando que a adubação nitrogenada tardia,
raízes e, consequentemente, a eficiência da aplicação
com baixa precipitação acumulada após a aplicação
em cobertura.
(13,5 mm) resultou em baixo aproveitamento pela
Adubação com N apenas na semeadura: 400kg ha-1 de 15 15-15
Figura 2. Produtividade do sorgo cultivado no experimento de adubação nitrogenada com ureia e ureia turbo® aplicadas em cobertura em diferentes épocas. Rio Verde (GO), 2023. *Letras maiúsculas comparam dentro da mesma época: ureia convencional e ureia turbo® (Tukey, P<0,05). *Letras minúsculas comparam as épocas de aplicação das fontes (Tukey, P<0,05).
CONCLUSÕES Nas condições em que o presente experimento foi executado, concluímos que a estratégia de antecipação da adubação nitrogenada em cobertura
é interessante para aproveitar as últimas chuvas e aumentar a eficiência no uso de nitrogênio pela cultura do sorgo. O uso da ureia turbo® é uma ferramenta que incrementa a produtividade de sorgo comparado a ureia convencional em condições de menores precipitação após a aplicação.
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
43
BLENNERHASSETT,
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IMPACTO DE DOSES DE CALCÁRIO E MÉTODOS DE INCORPORAÇÃO NA PRODUTIVIDADE DE GRÃOS NA SUCESSÃO SOJA-SORGO ALMEIDA, Dieimisson Paulo1; SARKIS, Leonardo Fernandes2; FREIRE, Yarlla Brunna Dourado3; DELGADO, Vanderson Aparecido Diego4; LIMA, Diego Tolentino de5, FERNANDES, Rafael Henrique6, FURTINI NETO, Antônio Eduardo7.
INTRODUÇÃO Os
solos
do
cerrado
são
altamente
intemperizados, apresentando baixos teores de matéria orgânica, saturação por bases e capacidade de troca
Eng. Agrônomo. Dr. em Agronomia / Produção Vegetal. Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas Daninhas. 2 Eng. Agrônomo. Mestre e Doutorando em Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas. Pesquisador em Fertilidade do solo e fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO-CTC, COMIGO, Rio Verde - GO. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 3 Graduanda em Agronomia, IF Goiano-Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: yarllabrunna99@gmail. com; 4 Graduando em Agronomia, Universidade de Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: vandersomdelgado@ hotmail.com; 5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO-CTC, COMIGO, Rio Verde - GO. E-Qmail: diegotolentino@ comigo.com.br; 6 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO-CTC, COMIGO, Rio Verde - GO. E-mail: rafaelhenrique@ comigo.com.br; 7 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia. Professor Titular aposentado da Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras-MG. E-mail: furtinineto@gmail.com; 1
de cátions, além de baixo pH e presença de alumínio tóxico que afeta diretamente o crescimento radicular e, consequentemente, a absorção de água e de nutrientes. (ALMEIDA et al., 2015). A
calagem
é
indispensável
para
adequar
as propriedades químicas desses solos que têm a acidez como um dos principais fatores limitantes ao desenvolvimento das culturas (FURTINI NETO et al., 2001). Essa técnica diminui a acidez potencial do solo e eleva o pH, bases trocáveis (SB), capacidade de troca catiônica (CTC) e a saturação por bases (V%) do solo para níveis adequados, além de outros benefícios que contribuem para o aumento de produtividade (SARKIS et al., 2022). Todavia, tal correção do solo em profundidade por meio da aplicação de calcário, pode ser influenciada por diversos fatores, tais como a dose do corretivo utilizado, granulometria, reatividade do calcário, profundidade de incorporação, frequência de aplicação, tempo de reação, poder tampão do solo, precipitação, entre outros, visto que a reação do corretivo depende do contato com o
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
45
solo na presença de umidade (GONÇALVES et al., 2011;
com incorporação e sem incorporação nos atributos
SARKIS et al., 2022).
químicos no perfil do solo e os impactos na
Recentemente,
inúmeros
estudos
sobre
produtividade de grãos da sucessão soja-sorgo.
calagem em áreas de abertura têm indicado que os métodos de cálculo para recomendação da dose de calcário subestimam a correção necessária e
MATERIAL E MÉTODOS
não permitem atingir o grau de correção desejável
O experimento foi conduzido em condições de
(MORAES, 2019). Em geral, observa-se que doses
campo, na área experimental do Centro Tecnológico
superiores às calculadas pelos métodos convencionais
COMIGO (CTC) no município de Rio Verde – Goiás (S
resultam em melhores respostas agronômicas e evitam
17º45’49’’ e W 51º02’07’’, com 834 metros de altitude).
novas aplicações de calcário em intervalos de dois a
O solo é classificado como Latossolo Vermelho
três anos para que os solos atinjam valores desejáveis
distrófico (SANTOS et al., 2018). Antes da implantação
de saturação por bases e teores adequados de Ca e Mg
do experimento foi realizado a amostragem do solo,
(MOREIRA e MORAES, 2018).
no dia 03 de outubro de 2021, para realização das
Neste contexto, o objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito da aplicação de doses de calcário
análises químicas e textura, conforme os resultados apresentados na Tabela 1.
Tabela 1. Atributos do solo na profundidade de 0-20 cm no local de condução da pesquisa na área experimental no Centro Tecnológico COMIGO – CTC, Rio Verde – GO, antes da implantação do experimento safra 2021/2022. Profundidade
pH
(cm)
(CaCl2)
0-20
4,84
Ca
Mg
Al
H+Al CTC
---------------- cmolc dm-3 ---------1,97 0,84
0,04
com blocos casualizados, com quatro repetições e arranjo estatístico em parcelas subdivididas (2x5), sendo o fator parcela “com” e “sem” incorporação do calcário e o fator subparcela constituído pelas doses calcário (0, 2, 4, 6 e 12 t ha-1 de calcário), totalizando em 40 unidades experimentais em uma área de 0,36 ha-1. A aplicação de calcário foi realizada no dia 04 de outubro de 2021, a lanço e manualmente, para as respectivas doses. Cada bloco possuía 9 x 20 metros, totalizando 180 m², com as devidas doses de calcário. Logo em seguida, a área foi cultivada com o sistema agrícola 1ª
46
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
K
PMeh
M.O.
V
Argila
- mg dm-3 -
%
%
%
1,76
56,28
44,45
2,49 5,65 0,36 139,51 17,09
O experimento foi conduzido em delineamento
safra (soja) e 2ª safra (sorgo).
K
Tabela 2. Relação de tratamentos avaliados no experimento de doses de calcário e métodos de incorporação. Rio Verde (GO), 2022/2023. Tratamentos
Fator parcela
Fator subparcela
Métodos de Incorporação
Dose de calcário (t ha-¹)
1
0
2
2
Superficial
3
4
4
6
5
12
6
0
7
2
Grade aradora 32”
8
4
9
6
10
12
Com base nos resultados da análise de
BioAg), 0,1 L ha-1 do coinoculante Biomax Azum,
solo (Tabela 1) realizada antes da implantação
(Azospirillum brasilense, concentração mínima 3,0
do experimento (2021/2022), calculou-se a dose
x 103 UFC mL-1, Biosoja), 0,5 L ha-1 do inseticida
necessária para elevar a saturação de bases a 70%,
biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium anisopliae
a qual foi de 1,7 toneladas de calcário ha . O calcário
IBCB425, concentração mínima de 1,0 x 108
utilizado na pesquisa possuía 79% de poder relativo
propágulos viáveis mL-1, Biovalens), 0,2 L ha-1 Nódulos
de neutralização total (PRNT), poder de neutralização
Gold (13,9 g L-1 de Cobalto, 139g L-1 de Molibdênio,
de 90% (PN), teores de 43 % de óxido de cálcio e 6%
BIOSOJA) 0,4 L de Verango Prime L ha-1 . O volume
de óxido de magnésio.
aplicado foi de 60 L ha-1. Já no dia 25 de outubro de
-1
No dia 11 de outubro de 2021 aplicou-se
2021 aplicou-se 56 kg ha-1 Sulfurgran.
102 kg ha-1 de microgram 12 e no dia seguinte
Após a colheita da soja, foi realizado a
houve aplicação de 202 kg ha de KCl, baseado nos
implantação da cultura do sorgo no dia 09 de março
resultados da análise de solo da área experimental.
de 2022, sendo utilizado o híbrido AG 1070, com 10,5
Na presente área, realizou-se a semeadura da soja
sementes por metro (população final na colheita de
no dia 21 de outubro de 2021, sendo a densidade de
210 mil plantas ha-1). Referente aos adubos utilizados,
semeadura de aproximadamente 9,6 sementes por
aplicou-se 295 kg ha-1 do formulado 08-20-18 no sulco
metro (população final na colheita de 192 mil plantas
de semeadura. As adubações de cobertura foram no
ha ). No que se refere aos adubos, aplicou-se 201
dia 25 de março de 2022, aplicando-se 200 kg ha-1 de
kg ha-1 de Fosfato Monoamônico MAP no sulco e
20-00-20 e no dia 14 de abril de 2022 aplicando-se
1,0 L ha do inoculante Cell Tech (Bradyrhizobium
150 kg ha-1 de ureia.
-1
-1
-1
japonicum Estirpe SEMIA 5079 e SEMIA 5080,
No segundo ano agrícola, a semeadura
concentração mínima 3,0 x 109 UFC mL , Monsanto
da soja foi realizada de forma mecanizada no dia
-1
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
47
04/11/2022, adotando-se espaçamento entrelinhas
da umidade para 14% (b.u.), e determinou-se a
de 0,5 m, utilizando a cultivar ST700 i2x, com
produtividade em sacas de 60 kg de grãos ha-¹. Os resultados de produtividade (sacas ha-
densidade de semeadura de 15 sementes m-1. As sementes utilizadas no experimento foram tratadas
¹
industrialmente com fungicidas e inseticidas, bem
objetivo de detectar a significância dos fatores ou de
como foi realizada a prática de inoculação visando
sua interação.
assegurar o processo de fixação biológica de
As
) foram submetidos à análise de variância, com o
produtividade
de
grãos
(sacas
ha-1)
nitrogênio. A adubação com KCl foi realizada a lanço
resultantes das doses de calcário com e sem
3 dias antes da semeadura (DAS) e no momento da
incorporação
semeadura foi realizado a aplicação de 450 kg ha-1
regressão não linear, utilizando o modelo exponencial
superfosfato simples (20% P2O5) no sulco.
de máximo crescimento (Equação 1) três parâmetros
foram
analisadas
por
meio
de
Após a colheita da soja foi instalado na mesma
para as doses de calcário incorporadas e, o
área experimental a segunda etapa do trabalho
modelo exponencial de crescimento (Equação 2)
visando avaliar o efeito dos tratamentos na cultura
três parâmetros para as doses de calcário sem
do sorgo. Para tanto, no dia 15/03/2023, foi realizada
incorporação :
a semeadura do sorgo com o híbrido AG1070, adotando-se densidade de semeadura de 10,5 sementes m-1. Na adubação do sorgo, foi realizada a aplicação de 400 kg ha-1 do formulado 15-15-15 no
Em que:
sulco de semeadura e 150 kg ha-1 de ureia + NBPT
y = variável resposta; x = dose de calcário (t ha-
(Ureia Turbo) em cobertura aos 20 DAS.
1
); a, b e y0 = parâmetros estimados do modelo.
Em ambos os anos agrícolas, antes da
Os modelos foram selecionados considerando-
semeadura das culturas, foram realizadas coletas de
se a significância da análise de variância da regressão,
solo em 4 profundidades: 0-10; 10-20; 20-40; 40-60
o coeficiente de determinação (R2) e a significância
cm. As amostras foram analisadas para verificar o
dos coeficientes do modelo por meio do teste “t”,
efeito dos tratamentos no pH, saturação por bases,
de Student, além do conhecimento da evolução do
acidez potencial (H+Al), teores de cálcio, magnésio
fenômeno biológico.
e potássio. Por meio de um pluviômetro instalado no local do experimento, foi monitorada a precipitação pluvial acumulada desde a semeadura das culturas.
48
RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados de pH, saturação por bases,
Para avaliação da produtividade de grãos,
teores de alumínio, cálcio, magnésio e potássio
adotou como área útil 3 metros de comprimento
apresentados na Tabela 1, referem-se a amostragem
das 3 linhas centrais, totalizando 9 metros em cada
de solo anterior à aplicação das doses de calcário,
unidade experimental (parcela).
ou seja, antes do cultivo das culturas (soja e sorgo),
Após a colheita, as amostras foram trilhadas
informações essas que servem para comparar com
e determinou-se o teor de água (umidade) dos grãos
os dados do ano agrícola (21/22), resultantes da
de soja e milho. Posteriormente, fez-se a correção
amostragem estratificada após a aplicação dos
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
os estudos sobre a necessidade de calagem, no
tratamentos (Tabela 2). Comparando os teores iniciais sem a aplicação
qual observa-se que doses superiores às calculadas
do corretivo e posteriormente a aplicação, durante o
pelos métodos convencionais resultam em melhores
cultivo da soja, no estádio fenológico R1, pode-se
respostas agronômicas e evitam novas aplicações
observar que ocorreu aumento do pH, da saturação
de calcário em curto intervalo de tempo (MOREIRA e
por bases e dos teores de cálcio, magnésio e potássio
MORAES, 2018). Todavia, segundo Brady e Weil, 2013,
em função das doses crescentes. De acordo com
aplicação muito elevada de calcário, com valores
Sousa e Lobato, 2004, deve-se utilizar o calcário que
superiores aos recomendados para o crescimento
complemente o teor de Mg no solo no mínimo entre
adequado das plantas, pode reduzir a disponibilidade
0,5 cmolc dm-3 e 1,0 cmolc dm-3, o que foi observado
de fósforo e micronutrientes às culturas. No entanto,
independente da dose e método de incorporação nas
como foi verificado no experimento, as maiores doses
profundidades do solo.
de calcário resultaram em altas produtividades. O
Pode-se perceber que como a calagem
período
março de
agosto
de
precipitação
de
2022,
da soja, aproximadamente 17 dias de diferença,
aproximadamente 261,5 mm, no qual o mês de março
o período foi curto para ocorrer a reação do
atingiu o maior volume de chuva durante todo o ciclo
calcário, independentemente da dose e método de
da cultura. Diante disso, no que diz respeito a reação
incorporação, uma vez que não houve tempo para o
do calcário, ela ocorre principalmente na presença de
calcário reagir completamente. Já referente a cultura
água, contribuindo para que ocorra a solubilização do
do sorgo, o período de aplicação do calcário até a
calcário e a liberação dos íons de cálcio, que resultam
semeadura foi de 156 dias, havendo maior tempo e
em hidroxilas (OH-), responsáveis pela correção da
volume de chuva para reação do corretivo.
acidez. A velocidade de reação do calcário é mais
exigindo maior contato entre partículas do solo e
média
até
foi realizada próxima a implantação da cultura
A reação de solubilização do calcário é lenta,
apresentou
de
rápida quanto maior for o PRNT do corretivo (SOUZA e LOBATO, 2004)
o corretivo. A calagem possui papel de extrema importância pensando na redução da lixiviação de K por exemplo, visto que aumenta a CTC do solo, fornece mais sítios de troca para a retenção de potássio, assim como observado nas altas doses de calcário aplicadas, as quais apresentaram também maiores teores de K no solo (SOUZA; LOBATO, 2004). Na
safra
2021/2022,
as
precipitações
acumuladas nos meses de outubro, novembro, dezembro e janeiro foram de 139,5; 238,5; 245,5 e 364 mm, respectivamente. Já em 2022/2023, nos meses de março, abril, maio, junho, julho e agosto, foram de 232,5; 10; 0; 19; 0; 0 mm, respectivamente. Atualmente, está crescendo consideravelmente
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
49
50
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
Tabela 2. Valores referente ao pH, saturação por bases, teor de alumínio, H+ Al, cálcio, magnésio e potássio, em função dos métodos de incorporação das doses de calcário em diferentes profundidades no solo nos anos agrícolas 21/22.
independentemente da significância do teste de F da
do calcário, não ocorreu diferença estatística nessas
análise de variância, mas em função da significância
condições de solo previamente corrigido, quando
do teste de F da análise de regressão e parâmetro
ocorreu a abertura desta área. No entanto, em relação às
do modelo, bem como dos valores do coeficiente de
doses, pode-se observar um aumento na produtividade
determinação (Banzatto e Kronka, 2013), estimaram-
de sorgo com a aplicação de maiores doses de calcário.
se as regressões que melhor se ajustaram aos dados
Assim, uma vez que, dados para os fatores quantitativos
de produtividade em função das doses de calcário
podem ser discutidos por meio do estudo de regressão
aplicadas (Figura 1).
Produ�vidade de sorgo (sacas ha-1)
Em relação a incorporação ou não das doses
130 128 126 124 122 120 118 116 114 112 110 108
Com incorporação
y = -0,0732x3 + 1,1587x2 - 2,9916x + 113,88 R² = 0,986
Sem incorporação
y = 0,1001x2 - 0,5477x + 113,35 R² = 0,7726
0
2
4
6
8
10
12
14
Dose de calcário (t ha-1) Figura 1. Produtividade do sorgo de 2022 em função das doses de calcário e formas de aplicação. Para os resultados de produtividade de sorgo
4, 6 e 12 t ha-¹ de calcário foram incorporadas a
em 2022, a análise de regressão ajustadas aos valores
produtividade de grãos do híbrido de sorgo AG1070
das doses 0, 2, 4, 6 e 12 t ha-¹ com incorporação,
foi de 109,1; 112,4; 116,4; 119,1; 121,8 sacas ha-¹,
resultou em coeficientes de determinação ajustado
respectivamente. Já sem a incorporação das doses de
(R²ajustado) de 98% por meio do modelo exponencial de
calcário de 0, 4, 6 e 12 t ha-¹ o híbrido de sorgo AG1070
máximo crescimento com 3 parâmetros. Além disso, foi
produziu em média 112,8; 113,4; 114; 115,1; 121,6 sacas
realizado também o ajuste da regressão aos valores das
ha-¹, respectivamente. Portanto, pode-se observar
doses 0, 2, 4, 6 e 12 t ha-¹ sem incorporação e obteve
que, as maiores produtividade do híbrido de sorgo
coeficientes de determinação ajustado (R²ajustado) de
AG1070 implantado aos 156 dias após a aplicação do
77% com ajuste ao modelo de crescimento exponencial
calcário, foi ao aplicar as doses de 6 e 12 t ha-1 calcário,
com 3 parâmetros.
ou seja 3,53 e 7 vezes a mais a dose requerida para
Observa-se na Figura 1 que, quando as doses,
elevar a saturação por bases a 70%, conforme cálculo
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
51
considerando os dados das análises da área antes de
agronômicas, como o tempo de reação, umidade do
implantar o experimento (Tabela 1).
calcário e do solo, densidade do solo, profundidade
Vanin et al. 2017 verificaram que há necessidade
de incorporação e maior exigência das variedades
do uso de doses maiores que aquela calculada (1,75 t
atuais. Normalmente não é possível aplicar calcário
ha-1) pelo método de saturação por bases para elevar
antecipadamente
até 60%. Assim constataram que para obter incremento
logísticas, ocorrendo muitas vezes próximo a data de
na produtividade de soja 11 meses após a aplicação
semeadura. Além disso, o tempo para a completa reação
do do calcário foi necessário aplicar de 3 a 4 vezes a
do calcário esperado para 2 a 3 meses não considera
mais que a dose calculada pelo método de saturação
a ampla variação de umidade do solo, principalmente
por bases.
em solos arenosos que secam rapidamente. Outro
Para o ano agrícola 2022/2023, observamos também
que
doses de
calcário maiores que
por
questões
operacionais
e
aspecto importante é a umidade do calcário e perdas por deriva devido ao vento, o que normalmente não é
convencionais
contabilizado para ajuste das doses no momento da
incrementaram a produtividade de sorgo. Alguns
aplicação, podendo resultar em subdoses (Sarkis et at.,
fatorem contribuem para que estas doses promovam
2022).
as
calculadas
pelos
métodos
Produ�vidade de sorgo (sacas ha-1)
melhor correção do solo e favoreçam as respostas
146
Com incorporação
Sem incorporação
144 142
y = -0,0076x3 + 0,2223x2 - 0,7379x + 132,94 R² = 0,8826
140 138 136 134 132 130 128
0
2
4
6 8 Dose de calcário (t ha-1)
10
12
14
Figura 2. Produtividade do sorgo de 2023 em função das doses de calcário e formas de aplicação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante os resultados iniciais do trabalho percebe-se que há necessidade do uso de doses maiores que aquela calculada (1,7 t ha-1) pelo método
52
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
de saturação por bases para elevar até 70%. Os resultados referentes aos próximos anos agrícolas poderão consolidar tal premissa no sistema de agrícola implantado, no que tange a correção dos atributos de acidez em subsuperfície do solo e a
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Fertilidade do Solo e Fertilizantes
53
COMPATIBILIDADE DE DIQUAT E OCTABORATO NA DESSECAÇÃO PRÉ-COLHEITA DA SOJA E IMPACTOS DO BORO NO SORGO EM SUCESSÃO SARKIS, Leonardo Fernandes1; BRAZ, Guilherme Braga Pereira2; HARA, Eduardo3; SILVA, Linconl Lima4; DELGADO, Vanderson Aparecido Diego5
INTRODUÇÃO O avanço das pesquisas e tecnologias disponíveis no mercado possibilitaram aumento expressivo do potencial produtivo de grãos nos últimos anos. No
Engenheiro agrônomo, Mestre e Doutorando em Ciência do Solo. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: guilhermebraga@comigo.com. br 3 Engenheiro agrônomo, Gerente de Geração e Difusão de Tecnologia do Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: eduardohara@comigo.com.br 4 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia do Instituto Federal Goiano (IFGoiano), campus Rio Verde. Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: linconl96lima@gmail.com 5 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 1
entanto, esse cenário atual exige adaptações das práticas de manejo que são dinâmicas e interdependentes. Dentre as diversas estratégias que asseguram as altas produtividades de soja, milho e sorgo, destaca-se a necessidade de ajustes nas recomendações de calagem e adubação para suprir a demanda nutricional atual das culturas e possibilitar alta eficiência na adubação do sistema. O boro (B), assim como os demais micronutrientes, por ser exigido em menores quantidades pelas plantas, acaba muitas vezes sendo negligenciados nas adubações. Por participar de vários processos do metabolismo vegetal, em condições de deficiência, as plantas apresentam rápida inibição na formação de novos tecidos, redução do transporte de carboidratos e menor pegamento de flores, além de outros processos das plantas serem afetados (MANTOVANI et al., 2013). Por isso, adubações com B têm possibilitado incrementos nos rendimentos de grãos das culturas em sucessão a
54
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
soja, como o sorgo (CRUVINEL et al., 2023).
ocorrer problemas de incompatibilidade física entre os
Por ser um nutriente imóvel nas plantas, o
produtos na calda de aplicação, bem como perda de
fornecimento de B via solo é essencial para a nutrição
performance agronômica em função da utilização da
das plantas, pois assegura que o nutriente seja
mistura.
absorvido e transportado até os tecidos novos da planta.
Diante deste contexto, o objetivo do presente
Ao contrário dessa imobilidade na planta, o B no solo é
trabalho foi avaliar a eficácia agronômica da associação
extremamente móvel e, para compensar as perdas por
entre o herbicida diquat e octaborato de sódio visando
lixiviação, torna-se necessário a aplicação periódica de
à dessecação pré-colheita da soja, mensurando a
doses “corretivas”. Atualmente temos opções de fontes
existência de possíveis efeitos antagônicos na utilização
disponíveis no mercado, como ulexita, ácido bórico,
desta associação, além de determinar o impacto da
octaborato de sódio, entre outras, as quais variam
aplicação deste fertilizante na produtividade de sorgo
quanto a concentração do nutriente, solubilidade em
cultivado em sucessão.
água, composição química e outras propriedades químicas, físicas e físico-químicas. Entre as práticas culturais que apresentaram
MATERIAL E MÉTODOS
aumento na adoção nas últimas safras, está a
Foi instalado experimento a campo em área
dessecação pré-colheita, visto que no momento em que
localizada no Centro Tecnológico COMIGO, sediada
as plantas atingem a maturação fisiológica, diversas
na cidade de Rio Verde (GO) (S 17°46'01" O 51°02'07",
pragas e patógenos incidem sobre esta cultura, além
altitude de 790 m). O experimento realizado visando
de por vezes não haver uma uniformidade nos teores
aferir o impacto da associação do herbicida diquat
de umidade de grãos (VEIGA et al., 2007). Nestas
com octaborato de sódio na dessecação pré-colheita
condições, os herbicidas posicionados na dessecação
da soja foi conduzido de 27/10/2022 a 20/02/2023 e o
pré-colheita não devem apresentar seletividade para a
instalado para avaliar o efeito das doses de octaborato
cultura, além de possuir rápida ação de contato (INOUE
de sódio no sorgo foi instalado em 27/02/2023 e
et al., 2003). Dentro destas características, na atualidade
colhido em 12/07/2023.
o diquat consiste no principal herbicida utilizado para
Previamente a instalação do experimento,
este propósito, uma vez que age inibindo a fotossíntese,
foi realizada análise de solo de amostra coletada na
possuindo ação rápida em função do dano causado na
profundidade de 0 a 20 cm, a qual apresentou as
membrana que causa a acelerada desidratação celular
seguintes propriedades químicas e textura: pH em
(LACERDA et al., 2001).
CaCl2 de 4,9; 2,91 cmolc dm-3 de H+ + Al+3; 2,20 cmolc
Uma possibilidade que tem sido avaliada em algumas regiões no intuito de otimizar a utilização do
dm-3 de Ca+2; 0,76 cmolc dm-3 de Mg+2; 131,34 mg dm-3 de K; 22,26 mg dm-3 de P; 0,40 mg dm-3 de B; 6,89 mg
maquinário das propriedades refere-se à aplicação de
dm-3 de Zn; 0,93 mg dm-3 de Cu; 19,10 mg dm-3 de Mn;
herbicidas em associação com fertilizantes (BRIGHENTI
21,9 g dm-3 de M.O.; 47,61% de areia; 16,61% de silte e
et al., 2006), uma vez que possibilita a redução de uma
35,77% de argila. O solo é classificado como Latossolo
entrada com o pulverizador. Para assegurar a viabilidade
Vermelho distrófico (SANTOS et al., 2018). De acordo
da adoção desta prática, é importante averiguar
com classificação de Köppen o clima de Rio Verde é
previamente a recomendação se há possiblidade de
do tipo Aw, que recebe denominação de “tropical com
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
55
estação seca”. Os dados climatológicos relacionados a
meteorológica da marca Plugfield® instalada na área de
temperatura máxima e mínima do ar, umidade relativa
pesquisa do CTC e os resultados estão apresentados
e precipitações durante o período de condução
na Figura 1.
do experimento foram monitorados por estação
Figura 1. Precipitação acumulada (mm), temperaturas máximas e mínima (°C) e umidade relativa (%) durante o período de condução do experimento. Rio Verde (GO), 2023. A dessecação pré-semeadura da soja foi
área experimental a segunda etapa do trabalho
realizada com uma aplicação da associação entre os
visando avaliar o efeito dos tratamentos na cultura do
herbicidas glifosato (1400 g e.a. ha ) + clethodim (120 g
sorgo. Para tanto, no dia 27/02/2023, foi realizada a
i.a. ha ) + Iharol Gold (300 mL p.c. ha ), a qual foi realizada
semeadura do sorgo com o híbrido AG1070, adotando-
dez dias antes da semeadura da cultura. A semeadura
se densidade de semeadura de 10,5 sementes m-1. Na
da soja foi realizada de forma mecanizada no dia
adubação do sorgo, foi realizada a aplicação de 400 kg
27/10/2022, adotando-se espaçamento entrelinhas de
ha-1 do formulado 15-15-15 no sulco de semeadura e
0,5 m, utilizando a cultivar ST700 i2x, com densidade de
150 kg ha-1 de ureia + NBPT (Ureia Turbo) em cobertura
semeadura de 15 sementes m-1. As sementes utilizadas
aos 18 DAS.
-1
-1
®
-1
no experimento foram tratadas industrialmente com
O delineamento utilizado foi o de blocos
fungicidas e inseticidas, bem como foi realizada a
completos ao acaso (DBC), com 4 repetições, avaliando-
prática de inoculação visando assegurar o processo de
se 10 tratamentos (Tabela 1). As unidades experimentais
fixação biológica de nitrogênio. A adubação com KCl foi
foram compostas por dez linhas de semeadura, com
realizada a lanço 3 dias antes da semeadura (DAS) e
comprimento de 5,0 m (25,0 m2). Considerou-se como
no momento da semeadura foi realizado a aplicação de
área útil para as avaliações apenas as seis linhas
450 kg ha superfosfato simples (20% P2O5) no sulco.
centrais de cada unidade experimental, excluindo-se
-1
Após a colheita da soja foi instalado na mesma
56
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
0,5 m de cada extremidade.
Tabela 1. Relação de tratamentos avaliados no experimento de dessecação pré-colheita de soja em associação com octaborato de sódio (AduBor®). Rio Verde (GO), 2022/2023. Tratamentos1/
1/
Testemunha sem herbicida Reglone® Reglone® Reglone® Reglone® + octaborato de sódio Reglone® + octaborato de sódio Reglone® + octaborato de sódio Reglone® + octaborato de sódio Reglone® + octaborato de sódio Reglone® + octaborato de sódio
Dose (L ou kg p.c. ha-1)
Ingrediente ativo
Dose (g i.a. ou kg B ha-1)
1,0 1,5 2,0 1,0 + 5,0 1,0 + 10,0 1,5 + 5,0 1,5 + 10,0 2,0 + 5,0 2,0 + 10,0
Diquat Diquat Diquat Diquat + Boro Diquat + Boro Diquat + Boro Diquat + Boro Diquat + Boro Diquat + Boro
200 300 400 200 + 1,0 200 + 2,0 300 + 1,0 300 + 2,0 400 + 1,0 400 + 2,0
Adicionado espalhante adesivo Agral® na dose de 0,5% V/V.
Os tratamentos foram aplicados quando as plantas de soja se encontravam no estádio R7.3, o
pragas e doenças sem deixar que estes influenciassem negativamente no desenvolvimento da cultura.
qual indica que as plantas apresentam mais de 75%
Para determinar o efeito dos tratamentos, foram
das vagens maduras (amareladas). A aplicação dos
realizadas avaliação de porcentagem de dessecação e
tratamentos no dia 13/02/2022 (109 DAS). No momento
desfolha aos 1, 3, 5 e 7 dias após a aplicação (DAA) dos
da aplicação o solo estava úmido e o céu estava com a
tratamentos. A desfolha visual foi avaliada adotando-se
presença de poucas nuvens, estando a temperatura,
escala em que 0 representa ausência de desfolha nas
umidade relativa do ar e velocidade do vento, mínima e
plantas e 100% representa desfolha completa, sendo
máxima, em valores equivalentes a 22,8 e 26,7,oC, 80,6 e
conferidas notas para todos os tratamentos, incluindo a
82,9% e 0,8 e 1,8 km h-1, respectivamente. As aplicações
testemunha sem herbicida, na qual as plantas passam
foram realizadas utilizando-se um pulverizador de
por um processo de desfolha natural. A dessecação foi
pesquisa pressurizado por CO2 com patente junto ao
avaliada por meio de escala visual em que 0 representa
INPI (BR102016007565-3), montado em um trator (LS
ausência de sintomas de necrose no tecido foliar e 100%
60, 60 cv, Landini). A barra de aplicação foi equipada
representa tecido foliar completamente necrosado em
com dez pontas espaçadas 0,5 m entre si, mantida a
todas as plantas.
uma altura de 0,5 m da cobertura vegetal. A pressão de
Ademais, na ocasião da colheita foi realizada
trabalho nas pontas de pulverização de jato duplo plano
avaliação produtividade e umidade de grãos da soja
com indução de ar (ADIA/D 110015; Magnojet) foi de
e do sorgo. Para determinação da produtividade de
300 kPa (43,5 psi) e o volume de aplicação 100 L ha-1.
grãos, foi realizada o arranquio manual de todas as
Durante o desenvolvimento da soja no período
plantas (no sorgo panículas) presentes na área útil
de safra e do sorgo na safrinha, todos os tratos culturais
de cada unidade experimental, onde posteriormente
foram realizados de acordo com as recomendações
este material foi submetido aos processos de trilha,
técnicas, procedendo ao controle de plantas daninhas,
embalagem, identificação, pesagem e correção da
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
57
aplicação de doses de diquat isolado e associado a
umidade dos grãos para 13%. As análises estatísticas foram realizadas com
doses de octaborato de sódio estão apresentados na
o programa computacional SISVAR. Os dados do
Tabela 2. Na primeira avaliação, realizada apenas 1
experimento foram submetidos à análise de variância
DAA, não foi observada diferenças entre tratamentos
pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito significativo,
para o percentual de desfolha nas plantas de soja.
aplicou-se o critério de agrupamento de médias de
Em contraponto, para a avaliação de dessecação,
Scott-Knott (p≤0,05).
verificou-se que nas unidades experimentais contendo a aplicação de diquat isolado (independentemente da
RESULTADOS E DISCUSSÃO
dose), bem como naquelas contendo a associação entre diquat + octaborato de sódio (200 g i.a. + 5,0 kg p.c.
Os resultados de porcentagem de desfolha
ha-1), os percentuais de dessecação das plantas de soja
e dessecação das plantas de soja submetidas à
eram ligeiramente superiores aos valores observados nos demais tratamentos avaliados.
Tabela 2. Porcentagem de desfolha e dessecação de plantas de soja submetidas à aplicação de doses de diquat isolado e associado com doses de octaborato de sódio (AduBor®). Rio Verde (GO), 2022/2023. Tratamentos Testemunha sem herbicida Diquat Diquat Diquat Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio FCalculado CV (%) Testemunha sem herbicida Diquat Diquat Diquat Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio FCalculado CV (%)
Doses (g i.a. ou kg p.c. ha-1) 200 300 400 200 + 5,0 200 + 10,0 300 + 5,0 300 + 10,0 400 + 5,0 400 + 10,0
200 300 400 200 + 5,0 200 + 10,0 300 + 5,0 300 + 10,0 400 + 5,0 400 + 10,0
1 DAA 66,25 a 68,75 a 70,00 a 72,50 a 71,25 a 71,25 a 68,75 a 66,25 a 70,00 a 71,25 a 0,82ns 6,74 0,00 c 16,25 a 17,50 a 18,75 a 16,25 a 12,50 b 11,25 b 12,50 b 13,75 b 13,75 b 11,20* 23,64
Desfolha (%) 3 DAA 5 DAA 82,50 b 91,25 b 98,75 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 97,50 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 30,19* 49,00* 2,03 0,80 Dessecação (%) 0,00 0,00 c 99,50 a 100,00 100,00 a 100,00 100,00 a 100,00 99,50 a 100,00 100,00 a 100,00 97,50 b 100,00 99,50 a 100,00 100,00 a 100,00 99,75 a 100,00 3896,01* 1,13 -
7 DAA 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 0,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 -
e * Não significativo e significativo, respectivamente, a 5% de probabilidade pelo teste F. Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.
ns
58
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
Em nova avaliação realizada aos 3 DAA, todos
prática agronômica.
os tratamentos contendo a aplicação de diquat,
Aos 5 DAA, excluindo-se a testemunha sem
independentemente das doses utilizadas ou se este foi
herbicida, em todos os demais tratamentos os níveis
aplicado isoladamente ou em associação ao octaborato
de desfolha e dessecação alcançaram o patamar de
de sódio, os percentuais de desfolha foram superiores
100%, indicando que a cultura já se encontrava apta
aos da testemunha sem herbicida (Tabela 2). Para se
para o processo de colheita. Para o tratamento em que
ter uma ideia da performance dos tratamentos, nas
não foi realizada a aplicação de diquat isolado ou em
unidades experimentais que receberam a aplicação de
associação ao octaborato de sódio, as plantas de soja
diquat, os percentuais de desfolha variaram de 97,50
atingiram o estado de desfolha completa apenas uma
a 100%. Para a variável porcentagem de dessecação
semana após a data em que foi realizada a aplicação
aos 3 DAA, observou-se grande incremento nos valores
dos herbicidas nos demais tratamentos, demonstrando
em relação à primeira avaliação, visualizando-se um
o benefício que a adoção da prática de dessecação
percentual médio entre os tratamentos ≈ 99,50%. A
pode trazer na antecipação da colheita da soja.
obtenção destes altos percentuais de dessecação
Para as variáveis umidade e produtividade de
da soja poucos dias após a aplicação do diquat está
grãos da soja, não foram observadas diferenças entre
relacionada ao mecanismo de ação que o herbicida
os tratamentos contendo aplicação do diquat isolado
apresenta, bem como por sua ação de contato (ROMAN
ou em associação com octaborato de sódio, nem
et al., 2007). Adicionalmente, verifica-se com base nos
tampouco entre estes e a testemunha sem herbicida
resultados do presente trabalho que, aparentemente,
(Tabela 3). Este fato demonstra a segurança na utilização
a adição de octaborato de sódio à calda de aplicação
da prática de dessecação pré-colheita, desde que
do diquat não impôs restrições na performance do
as recomendações técnicas sejam respeitadas, bem
herbicida, demonstrando viabilidade de uso desta
como o estádio das plantas na ocasião da aplicação.
Tabela 3. Umidade de grãos (UG) e produtividade (PRO) da soja e do sorgo cultivado em sucessão. Rio Verde (GO), 2022/2023.
Tratamentos Testemunha sem herbicida Diquat Diquat Diquat Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio FCalculado CV (%)
Doses (g i.a. ou kg p.c. ha-1) 200 300 400 200 + 5,0 200 + 10,0 300 + 5,0 300 + 10,0 400 + 5,0 400 + 10,0
Soja
Sorgo
UG (%)
PRO (scs ha )
UG (%)
PRO (scs ha-1)
14,86 a 14,72 a 14,10 a 13,58 a 15,35 a 14,05 a 13,49 a 14,44 a 13,54 a 14,58 a 1,27ns 7,77
81,23 a 78,55 a 79,63 a 80,70 a 81,21 a 83,90 a 86,09 a 79,29 a 84,93 a 78,57 a 0,68ns 7,97
14,45 a 13,40 a 13,98 a 13,87 a 13,58 a 13,90 a 13,74 a 14,23 a 13,84 a 13,89 a 1,32ns 3,74
103,22 c 103,37 c 103,81 c 110,13 b 104,55 b 114,00 a 108,61 b 114,73 a 107,85 b 109,46 b 1,57* 6,28
-1
e * Não significativo e significativo, respectivamente, a 5% de probabilidade pelo teste F. Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.
ns
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
59
Para o sorgo cultivado em sucessão, observouse incremento significativo (p<0,05) na produtividade de grãos em função das doses de B adicionadas na dessecação pré-colheita da soja. As aplicações de 1 e 2 kg ha-1 de B aumentaram, em média, 3,8 e 9,5 sacas ha-1, respectivamente. O octaborato de sódio é um produto de alta solubilidade (97 g L-1), sendo uma ferramenta interessante que possibilita a aplicação de doses mais elevadas de B sem causar problemas operacionais como diluição do produto. Comparativamente, o ácido bórico que também é frequentemente utilizado em associações com herbicidas, apresenta menor solubilidade (47 g L-1), o que limita as maiores doses de B devido às dificuldades operacionais como entupimento dos bicos de pulverização. A estratégia de fornecimento de B via barra de pulverização, além de aproveitar uma operação agrícola sem causar efeitos antagônicos quando associado ao diquat, possibilita a distribuição uniforme do nutriente na área de cultivo, o que é o principal desafio em se tratando da aplicação de fontes granuladas de micronutrientes devido as baixas doses requeridas pelas culturas.
CONCLUSÕES Nas condições em que o presente experimento foi executado, pode-se concluir que a adição de octaborato de sódio ao diquat em aplicações realizadas visando à dessecação pré-colheita da soja não afetou o desempenho final do herbicida isolado, independentemente das dosagens utilizadas do fertilizante e/ou herbicida. Nenhum dos tratamentos contendo o diquat isolado ou em associação com octaborato de sódio afetou o percentual de umidade e a produtividade de grãos da soja. A estratégia de fornecer de B via calda de pulverização, além de aproveitar a operação de dessecação da soja para a aplicação uniforme do nutriente, incrementou a produtividade do sorgo em sucessão.
REFERÊNCIAS BRIGHENTI, A.M.; CASTRO, C.; MENEZES,
60
Fertilidade do Solo e Fertilizantes
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Fisiologia e Nutrição de Plantas Fisiologia e Nutrição de Plantas
61
EFEITOS DE DOSES E ÉPOCAS DE ADUBAÇÃO COM FÓSFORO VIA FOLIAR, NA NUTRIÇÃO E PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA
BUENO1, Amanda Magalhães; LIMA2, Diego, Tolentino; FERNANDES3, Rafael Henrique; NASCIMENTO4, Hemython Luis Bandeira do; SARKIS5, Leonardo Fernandes Enga. Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br; 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br; 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br; 4 Eng. Agrônomo, Dr. Zootecnia, Pesquisador em Forragicultura do Centro Tecnológico COMIGO, Rio Verde-GO, Brasil. E-mail: hemythonluis@comigo.com. br; 5 Eng. Agrônomo, MS. em Fertilidade do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@ comigo.com.br. 1
INTRODUÇÃO A nutrição desempenha papel fundamental na busca por altas produtividades para a cultura da soja, visto que as plantas necessitam de nutrição equilibrada com todos os 17 elementos essenciais, descritos como nutrientes, para alcançar seu máximo potencial de crescimento e rendimento (PRADO, 2021). Nutrientes, como fósforo, potássio, nitrogênio, os macronutrientes secundários
e
micronutrientes,
desempenham
funções chave nas atividades metabólicas das plantas, influenciando desde a formação e desenvolvimento radicular até a produção e enchimento de grãos (FAQUIN, 2005). A nutrição adequada assegura a eficiência fotossintética, otimiza a absorção de água e nutrientes do solo, fortalece a resistência das plantas a doenças e estresses ambientais, e é fator fundamental para atingir o máximo potencial produtivo das culturas (TAIZ et al., 2017). Dentre
os
macronutrientes,
o
fósforo
desempenha uma série de funções essenciais na formação e ativação de compostos energéticos como o ATP (adenosina trifosfato), considerado a moeda
62
Fisiologia e Nutrição de Plantas
energética da planta, pois participa efetivamente do
para as raízes das plantas ao longo do ciclo de
transporte e armazenamento de energia nas células
crescimento. Nos últimos anos, a adubação foliar
vegetais (MALAVOLTA., 2006). Além disso, o fósforo
tem emergido como uma estratégia complementar,
está intimamente envolvido na síntese de DNA e
permitindo a aplicação direta de fósforo nas folhas, o
RNA, bem como na formação de proteínas (TAIZ et
que pode ser especialmente adaptado em situações
al., 2017). Nas fases iniciais do desenvolvimento, o
de deficiência nutricional ou limitações de absorção
fósforo é crucial para o enraizamento, promovendo
radicular (NACHTIQAÜ; NAVA, 2010).
uma maior absorção de água e nutrientes do solo
Os efeitos da adubação foliar com fósforo,
(SALVAGIOTTI et al., 2013). Durante o florescimento
apresentam maiores eficiências em momentos
e a formação de vagens, o fósforo é componente
críticos de demanda, como durante os períodos que
essencial para a reprodução e o enchimento dos
precedem estresses abióticos, fases de floração,
grãos, impactando diretamente na produtividade de
formação de vagens e enchimento de grãos. A
culturas graníferas (EPSTEIN, BLOOM, 2006).
adubação foliar contribui para a superação de
Ressalta-se ainda, os efeitos do fósforo na
possíveis deficiências, otimizando a eficiência de
prevenção e atenuação de estresses. O nutriente
absorção do fósforo e maximizando a atividade
desencadeia respostas regulatórias e bioquímicas
metabólica da cultura (KAHRAMAN, 2017). Neste
que fortalecem a resistência das plantas a condições
sentido, esse estudo teve por objetivo, avaliar os
adversas, como déficit hídrico e altas temperaturas.
efeitos da adubação foliar para fornecimento de
Por estar envolvido na síntese de compostos
fósforo na nutrição e produtividade de soja, cultivada
bioenergéticos, como o ATP, plantas com adequados
no sudoeste goiano na safra do ano agrícola 2022/23.
teores de fósforo, apresentam maior rapidez nas respostas a situações adversas, possibilitando a ativação de enzimas antioxidantes para minimizar os
danos
causados
pelo
estresse
oxidativo,
MATERAL E MÉTODOS O
experimento
foi
conduzido
em
área
possibilitando antecipação na regulação osmótica e
experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO),
manutenção da fotossíntese por mais tempo (TAIZ et
no município de Rio Verde, Goiás, nas coordenadas
al., 2017).
geográficas de latitude -17°33'28,95" e longitude
A deficiência de fósforo pode levar a redução
-50°59'3,03" e 780 m de altitude. O clima da região
do porte das plantas, atraso do florescimento e
é classificado como Aw (Savana Tropical), conforme
baixa formação de vagens e enchimento de grãos,
classificação
acarretando
da
com estação seca no inverno (maio a setembro)
cultura (PRADO, 2021). Existem diversas formas de
e chuvosa no verão (outubro a abril). Ao longo do
fornecimento de fósforo para a cultura da soja, cada
ciclo da cultura, os índices de precipitação pluvial
uma com suas características e aplicabilidades. A
e temperatura, foram monitorados, por meio da
aplicação de fertilizantes fosfatados diretamente
estação agrometeorológica Plugfield® modelo WS22,
no solo é a principal estratégia para reposição do
instalada nas proximidades da área experimental
nutriente (SOUSA; LOBATO, 2004). Esses fertilizantes
(Figura 1).
em
quedas
na
produtividade
Köppen
(ALVARES
et
al.,
2013),
liberam o fósforo no solo, tornando-o disponível
Fisiologia e Nutrição de Plantas
63
Figura 1. Precipitação pluvial diária e acumulada ao longo dos estádios vegetativos e reprodutivos da cultura da soja, temperaturas máxima, média e mínima na área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) no intervalo dos dias 07/10/2022 a 20/02/2023, Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. O solo da área experimental foi classificado
camadas de 0-20 cm e 20-40 cm de profundidade, para
como LATOSSOLO VERMELHO Distroférrico, de
análise dos atributos químicos e granulometria do solo
textura argilosa (>35% de argila). Antes da instalação
(Quadro 1).
dos experimentos, foram realizadas amostragens nas
Quadro 1. Análise química e granulométrica do solo antes da implantação do experimento de adubação foliar contendo fósforo na cultura da soja, na área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.
Profundidade
P mg dm-3
0 a 20 cm
K
Mg
S
B
Zn
Cu
Fe
--------- cmolc dm-3 --------
---------------------- mg dm-3 ------------------
8,02
0,26
2,8
0,91
18,26
0,88
6,22
1,61
36,09
Mn
M.O.S
Al
H+Al
pH
Areia
Silte
Argila
V
mg dm-3
%
cmolc dm-3
-
34,07
2,04
0,04
2,42
5,32
44,04
11,58
44,38
P
K
Ca
Mg
S
pH
V
mg dm-3
-
%
16,62
4,24
12,03
20 a 40 cm
mg dm-3 0,41
64
Ca
Fisiologia e Nutrição de Plantas
------- cmolc dm-3 -------0,04
0,6
0,12
------------------- % ------------------61,7
As necessidades de correção e adubação,
O estudo foi realizado em delineamento em
foram calculadas, com base nos resultados da
blocos casualizados com quatro repetições, em
análise de solo e exigências nutricionais da cultura
esquema fatorial 4x3 + 1. Sendo 4 doses de P2O5 (3, 6,
(SOUSA; LOBATO, 2004). Aos 80 dias pré-semeadura,
9, 12 kg ha-1) divididas em três épocas de adubações
foi realizada a aplicação de 1 t ha-1 de gesso agrícola
foliares (em V2, V5, R3 e R5.1; V5, R3 e R5.1 ou V5 e R3),
e após 20 dias a calagem com 2 t ha-1 de calcário
e o tratamento adicional, com quatro repetições sem
em área total, sem revolvimento do solo. 30 dias
aplicação do fertilizante (testemunha), totalizando
antes da semeadura, foram aplicados 200 kg ha-1 de
13 tratamentos (Figura 2 e Quadro 2). O fertilizante
K2O (cloreto de potássio) e 2 kg ha-1 de B (ulexita), à
fosfato monoamônico (MAP purificado - 11% N +
lanço. Um dia antes da semeadura, à lanço, foram
60% P2O5), foi utilizado como fonte do nutriente,
aplicados 1 kg ha-1 de boro e cobre, 2 kg ha-1 de zinco
respectivamente nas doses de 5, 10, 15 e 20 kg ha-1
e manganês e 0,85 kg ha-1 de enxofre (25 kg ha-1 Mix
(Figura 2 e Quadro 2).
Complexo® - 4% B, 4% Cu, 8% Zn, 8% Mn e 3,5% S). Na ocasião da semeadura, via suco de plantio, foram aplicados 25 kg ha-1 de N e 150 kg ha-1 de P2O5 (fosfato monoamônico). Ainda no sulco de plantio com auxílio de jato dirigido, com volume de aplicação de 50 L ha-1, foram aplicados 1 L ha-1 do inoculante Cell Tech® contendo duas cepas de Bradyrhizobium japonicum (Semias 5079 e 5080, com 3x109 UFC/ mL); 0,1 L ha-1 do coinoculante Biomax Azum® (Azospirillum brasilienses, 3x108 UFC/mL); inseticida biológico Meta-Turbo® na dose de 0,5 L ha-1 (Metarhizium anisopliae IBCB425 mínimo de 1x108 propágulos viáveis/mL); fungicida biológico Tricoturbo® 0,25 L ha-1 (Trichoderma asperellum BV10 mínimo de 1x1010 conídios viáveis/mL) e 0,4 L ha-1 do nematicida Verango® Prime. Os manejos de plantas daninhas, insetos praga e doenças, foram realizados conforme o levantamento das necessidades por meio de avaliações periódicas da área e as boas práticas agrícolas. Foram levados em conta os preceitos do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas (MIP, MID e MIPD) para a tomada de decisão quanto ao método de controle utilizado. Estes tratos culturais foram adotados em toda a área experimental.
Fisiologia e Nutrição de Plantas
65
Figura 2. Descrição gráfica das épocas e doses de aplicação de MAP purificado via foliar na cultura da soja cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.
Quadro 1. Descrição do delineamento experimental em função das doses e épocas de aplicação de fósforo (P2O5) via foliar na cultura da soja cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.
66
Fisiologia e Nutrição de Plantas
O plantio foi realizado no dia 07/10/2022 com a
a 80 sc ha-1. Foi utilizada metodologia proposta Creste
cultivar de soja SOYTECH 700 i2x, grupo de maturação
e Echer (2010), na qual estabelece como faixa de
7.0, com hábito de crescimento indeterminado, e
equilíbrio, os valores entre (–(4σ)/3) e (+(4σ)/3) (σ: desvio
população final de 15 plantas m-1 (300.000 plantas ha-
padrão), que para o banco de dados em questão, foram
). Cada parcela foi composta por 12 linhas espaçadas
considerado como adequados, os índices entre -17 e
em 0,50 m, contendo 10 m de comprimento (60 m2 por
17. Os valores abaixo (negativos) ou acima (positivos)
parcela). As avaliações foram realizadas nas seis fileiras
dessa faixa, são considerados em desequilíbrio por
centrais, excluindo-se 0,50 m das extremidades (área
deficiência ou excesso, respectivamente (Figura 3).
1
A colheita foi realizada no dia 07/02/2023,
útil de 27 m2). As pulverizações foliares foram realizadas de
totalizando o ciclo de 124 dias (da semeadura à colheita).
acordo com o estádio da cultura, com as doses totais
Foram realizadas amostragens de produtividade com
divididas em duas, três ou quatro aplicações. Para
a coleta das plantas em dois pontos de 3 metros e
pulverização das unidades experimentais, utilizou-
3 linhas (4,50 m²) por área útil de cada parcela. As
se um pulverizador de parcelas pressurizado por CO2
amostras foram secas, trilhadas, pesadas e aferidas a
(Patente: BR102016007565-3) montado em trator. O
umidade. A umidade das amostras foi corrigida para
pulverizador possui barra de 5,0 metros com 10 bicos
13%. Na data da colheita foram avaliados o número de
de pulverização espaçados em 0,5 m. Utilizou-se pontas
nós reprodutivos na haste principal, número de ramos
modelo ADIA 015.D da marca Magnojet®. A calibração
laterais e número total de vagens na haste principal, de
do equipamento foi ajustada com pressão de trabalho
três plantas coletadas aleatoriamente na área útil de
em 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L
cada unidade experimental. A partir da metodologia estatística, foram
ha-1. Cinco dias após a última aplicação dos
avaliadas as significâncias dos fatores e suas
tratamentos (estádio R5.1), foram coletadas 20 folhas
interações, por meio da análise de variância pelo teste
por parcela, sendo a terceira completamente expandida
F a 5% de probabilidade. Os resultados significativos,
a partir da haste principal, sem o pecíolo (MALAVOLTA
quando de caráter quantitativo foram submetidos à
E VITTI, 1997). As amostras de tecido vegetal foram
análise de regressão e quando qualitativo, as médias
analisadas
foram comparadas a partir do teste Scott-Knott a 5% de
conforme
metodologia
proposta
por
Silva (2009), a partir das quais foram determinados
probabilidade.
os teores de N, P, K, Ca, Mg, S, B, Cu, Fe, Mn e Zn. O resultado médio dos teores foliares de nutrientes foram interpretados conforme metodologia DRIS (Sistema
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Integrado de Diagnose e Recomendação), utilizando
Os resultados médios das análises foliares
as normas estabelecidas por banco de dados DRIS
foram interpretados pelo método DRIS em função do
COMIGO – SOJA, elaborado na safra 2022/2023, para
banco de dados DRIS COMIGO – SOJA, elaborado na
as regiões do sudoeste goiano, com altitude superior
safra 2022/23 (Figura 3). Os índices DRIS calculados,
a 700 m.
indicam a deficiência, excesso e equilíbrio nutricional
Os índices DRIS foram calculados a partir da
da amostra, em função da população de referência de
população de referência com produtividade superior
alta produtividade (CARVAJAL et al., 2021). Quanto mais
Fisiologia e Nutrição de Plantas
67
próximo de zero estiver o índice dos nutrientes, maior o
kg ha-1 de P2O5, equivalente ao total de 15 kg ha-1 de
potencial da planta apresentar produtividade igual ou
MAP purificado em todas as formas de parcelamento,
superior ao limite pré-estabelecido (PARENT; DAFIR,
e ainda aquelas que receberam a nutrição foliar com
2019), que para esse estudo, é de 80 sc ha-1.
12 kg ha-1 de P2O5 (20 ha-1 de MAP purificado) com a
As plantas que não receberam adubação foliar
dose total divida nos estádios V5, R3 e R5.1 e em V5 e
contendo fósforo (tratamento controle), apresentaram
R3, demonstraram desbalanço positivo, com aumento
deficiência de potássio e excesso de cálcio. Já os
no teor de potássio foliar (índice DRIS > 17) (Figura 3).
tratamentos que receberam a adubação foliar com 9
Figura 3. Diagnose do estado nutricional pelo método DRIS, em função das épocas e doses de aplicação de fósforo (P2O5) via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.
68
Fisiologia e Nutrição de Plantas
Quando por meio do índice DRIS, são detectados
foram avaliadas por meio da análise de regressão
desbalanços nutricionais positivos nos teores foliares
(Figura 4). Já em relação às fontes de variação de
de nutrientes, é indicativo de que esse nutriente se
caráter qualitativo, os testes de médias aplicados, pode
apresenta em excesso em relação ao demais. Embora
ser visualizado na Tabela 1.
o presente estudo avaliou o fornecimento de fósforo via foliar na cultura, foram observados, em alguns casos, o excesso e deficiência de potássio e deficiência de cálcio no tratamento testemunha. O desbalanço de potássio identificado nesse caso, pode não estar relacionado ao excesso do nutriente no solo, e sim a processos específicos do nutriente nessas plantas. O potássio é o único nutriente que não participa de componentes estruturais nas plantas, por isso, é possível que alguns diagnósticos detectem maiores ou menores teores foliares desse nutriente, em função de sua alta mobilidade (EMBRAPA, 2005). O cálcio atua como sinalizador de estresse dentro da célula, quando as condições ambientais estão desfavoráveis, aumenta-se o teor de calmodulina, que é uma proteína ligada ao cálcio, aumento assim o teor do nutriente nas folhas. A maior concentração dessa proteína indica a necessidade de fechamento estomático, e por sua vez, a saída do potássio das células guarda dos estômatos, deixando-as com menor turgidez. Por consequência ocorre a remobilização do potássio para outros órgãos na planta, reduzindo seu teor foliar. As aplicações das doses de fósforo via foliar, em diferentes épocas, não influenciaram o número de nós na haste principal nem o número de vagens por planta (Tabela 1). No entanto, os fatores avaliados tanto de forma isolada, quanto suas interações, atuaram significativamente sob o número de ramos laterais e produtividade de grãos (Tabela 1). Os efeitos das doses nas variáveis produtivas e número de ramos laterais
Fisiologia e Nutrição de Plantas
69
Tabela 2. Número de nós reprodutivos, número de ramos e número de vagens por planta e produtividade de grãos (sc ha-1) de soja em função das épocas e doses de aplicação de fósforo (P2O5) via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.
Tratamentos
Nós haste principal (n° planta-1)
Ramos laterais (n° planta-1)
Vagens (n° planta-1)
Produtividade (sc ha-1)
Doses totais de P2O5 Doses totais (D) de MAP 0 kg ha-1
0 kg ha-1
12,77
1,22
37,05
71,88
3 kg ha-1
5 kg ha-1
13,27
2,16
42,33
78,78
6 kg ha-1
10 kg ha-1
14,05
2,88
47,55
77,78
9 kg ha-1
15 kg ha-1
13,49
2,16
45,72
82,97
12 kg ha-1
20 kg ha-1
13,66
2,11
43,72
81,98
p-valor
-
0,144ns
0,0001**
0,062ns
0,005**
sem aplicação
-
12,77
1,22 c
37,05
71,88 c
V2, V5, R3 e R5.1
-
13,85
2,62 a
44,37
79,06 b
V5, R3 e R5.1
-
13,58
2,00 b
44,37
82,54 a
V5 e R3
-
13,41
2,37 a
45,29
79,08 b
p-valor
-
0,194ns
0,0001**
1,927ns
0,002**
p-valor
-
0,448ns
0,0004**
0,834ns
0,001**
média
-
13,55
2,24
44,23
79,58
C.V. (%)
-
5,93
18,74
12,35
2,90
Épocas de aplicação (E)
Interação (DxE)
ns e **, não significativo a 5% e significativo a 1% de probabilidade pelo teste F, respectivamente. Médias seguidas por mesma letra na linha, não diferem entre si, pelo Teste de Scott-Knott (p-valor <0,05). C.V. (Coeficiente de Variação).
70
Ao realizar os desdobramentos das equações
ramos/planta) (Figura 4a). A máxima produtividade
geradas a partir da análise de regressão, estimou-se
de grãos estimada foi de 82,28 sc ha-1 atingida
que a aplicação de 11,78 kg ha-1 de MAP purificado
com a aplicação de 11,86 kg de P2O5 ha-1, o que
(7,07 kg P2O5 ha-1) via foliar, independentemente do
demandaria a dose total de 19,78 kg ha-1 de MAP
parcelamento do fertilizante, é a dose que acarretaria
purificado, independente da época de parcelamento
em maior ramificação lateral em plantas de soja (2,66
da aplicação (Figura 4b).
Fisiologia e Nutrição de Plantas
a
b
Figura 4. Número de ramos laterais por planta (a) e produtividade de grãos (sc ha-1) (b), em função das e doses de aplicação de fósforo (P2O5) via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. Ao avaliar as interações entre as fontes
ha-1 P2O5, ocorreram nos estádios V5, R3 e R5.1, ocorreu
de variação (dose de P2O5 x época de aplicação),
incremento médio de 1,11 ramos laterais em relação à
observou-se que as aplicações de 6 e 12 kg ha P2O5
testemunha. Por fim, quando ocorreu a aplicação de 6 kg
nos estádios V2, V5, R3 e R5.1, foram as doses nesse
ha-1 P2O5 em V5 e R3, observou-se a maior ramificação
estádio, que promoveram maior ramificação lateral,
em relação aos demais tratamentos, em torno de 2,11
em média 2,03 mais ramos em relação à testemunha
mais ramos em comparação à testemunha (Figura 5a).
-1
(Figura 5a). Quando as divisões das doses de 3 e 6 kg
Fisiologia e Nutrição de Plantas
71
a
b
Figura 5. Número de ramos laterais (a) e produtividade de grãos (sc ha-1) (b), em função da interação entre as épocas e doses de aplicação de fósforo (P2O5) via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) em Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. incrementos
à testemunha (ganho de 14,1 sc ha-1). Quando as doses
produtivos, em praticamente todas as doses e épocas
de MAP purificado foram divididas em três aplicações, o
de aplicação de fósforo via foliar na cultura da soja,
maior incremento produtivo se deu com a aplicação de
exceto com a divisão da dose de 3 kg ha de P2O5 em
3 kg ha-1 de P2O5 (1,66 kg ha-1 de MAP por pulverização
quatro aplicações (1,25 kg de MAP por aplicação). Nesta
foliar), sendo 18% superior à testemunha (+ 16,34 sc ha-
forma de parcelamento (V2, V5, R3 e R5.1), o melhor
1
resultado produtivo ocorreu com a aplicação da dose
da adubação foliar, onde as doses foram divididas em
total de 9 kg ha de P2O5, totalizando 3,75 kg de MAP
V5 e R3, o maior índice produtivo encontrado foi obtido
por aplicação alcançando produtividade 16% superior
com a aplicação de 9 kg ha-1 de P2O5 (7,5 kg ha-1 de MAP
Observou-se
que
ocorreram
-1
-1
72
Fisiologia e Nutrição de Plantas
) (Figura 5b). Por fim, na última forma de parcelamento
purificado por aplicação), atingindo ganhos de 14% em
maior ramificação lateral na cultura da soja. Seus
relação à testemunha (+ 12, 02 sc ha-1).
efeitos benéficos são intensificados em períodos que
A maior ramificação lateral, proporcionada pela
antecedem eventos estressantes às plantas, como falta
aplicação foliar das doses de fósforo, principalmente em
de chuva, e naqueles em que ocorre alta demanda
parcelamento nos estádios V2, V5, R3 e R5.1 e em V5 e
energética como na formação de vagens e enchimento
R3, indicam que ocorreu maior vigor no crescimento e
de grãos.
desenvolvimento vegetativo, do que quando as maiores doses foram fornecidas no estádio R3 e R5.1. O estádio R3, para as cultivares de crescimento indeterminado,
AGRADECIMENTOS
é aquele no qual ocorre efetivamente redução do
À equipe de campo e aos estagiários da
desenvolvimento e crescimento vegetativo (OLIVEIRA
Fazenda Monte Alegre e Centro Tecnológico COMIGO,
et al., 2016).
indispensáveis para a condução deste trabalho.
Embora
tenham
ocorrido
incrementos
significativos em produtividade em função dos parcelamentos das aplicações das doses de fósforo em todas as épocas avaliadas, foi observado que quando as aplicações ocorreram nos estádios reprodutivos, esses incrementos foram ainda maiores. Esses resultados podem estar ligados aos efeitos benéficos da aplicação de fósforo em torno dos 25 dias após a emergência (estádio V5), momento que antecedeu um veranico de 15 dias (Figura 1). Podendo essa aplicação ter auxiliado na maior tolerância ao período de déficit, aliado ainda, com as aplicações nos estádios reprodutivos, época a qual as chuvas retornaram. Essas adubações também coincidiram com os picos de necessidade de fósforo pela cultura, devido ao maior gasto energético empregado nos processos de detoxificação referentes a possíveis estresses oxidativos em função do período de baixa umidade, bem como, em função da energia demandada para a formação de estruturas reprodutivas (R3) e início do processo de enchimento de grãos (R5.1) (OLIVEIRA et. al., 2016; TAIZ et al., 2014).
realizada
adubação nos
ALVARES, C. A.; STAPE, J. L.; SENTELHAS, P. C.; DE MORAES GONÇALVES, J. L.; SPAROVEK, G. Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, vol. 22, no. 6, p. 711–728, 2013. https://doi. org/10.1127/0941-2948/2013/0507. CARVAJAL, J. E. V.; ÁLVAREZ, E. O. P.; GUTIÉRREZ, M. C. Diagnosis and Recommendation Integrated System , its application and use in agriculture . A review I . Introduction. vol. 18, no. 3, p. 29–46, 2021. CRESTE, J. E.; ECHER, F. R. Establishing standards for the integrated recommendation and diagnosis system (DRIS) for irrigated bean crops. Communications in Soil Science and Plant Analysis, vol. 41, no. 16, p. 1921–1933, 2010. https://doi.org/10.10 80/00103624.2010.495803. EMBRAPA. Tecnologias de produção de soja Região Central do Brasil 2005. Sistemas de Produção, p. 242, 2005. Available at: http://www.cnpso.embrapa. br/download/publicacao/central_2005.pdf.
CONCLUSÕES A
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
EPSTEIN, EMANUEL BLOOM, A. J. Mineral plant nutrition. 3rd ed. Amsterdan: Elsevier, 2006. foliar
estádios
com
fósforo,
vegetativos,
quando
proporciona
FAQUIN, V. Nutrição Mineral De Plantas. Lavras: UFLA/FAEPE, 2005.
Fisiologia e Nutrição de Plantas
73
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74
Informações Tecnológicas, 2004.
Fisiologia e Nutrição de Plantas
EFEITOS DE DOSES E ÉPOCAS DE ADUBAÇÃO COM MAGNÉSIO VIA FOLIAR, NA NUTRIÇÃO E PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA
BUENO1, Amanda Magalhães; FREITAS2, Andréia Victor; DELGADO3, Vanderson Aparecido Diego; SILVA4, Linconl Lima
produtos advindos da cultura, movimentou cerca de 673,7 bilhões de reais no país (CEPEA; ABIOVE, 2023). O Brasil é um dos principais produtores e exportadores mundiais de soja grão e seus derivados (exportação de
Eng . Agrônoma, Dr . em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br; 2 Estudante de Graduação em Agronomia no Instituto Federal Goiano. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: andreiavictor781@gmail.com; 3 Estudante de Graduação em Agronomia da UniRV. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: vandersomdelgado@ hotmail.com; 4 Estudante de Graduação em Agronomia no Instituto Federal Goiano. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: linconl96lima@gmail.com. 1
a
a
178,65 mil toneladas em 2022) (CEPEA; ABIOVE, 2023). Regiões como o estado de Goiás e o sudoeste goiano desempenham papel fundamental nessa produção. Na safra do ano agrícola 2022/23, Goiás obteve produção de 17,74 milhões de toneladas em uma área de 4,54 milhões de hectares, com grande contribuição da região sudoeste (CONAB, 2023). A importância dessa cultura para essa região está relacionada não apenas ao seu impacto econômico, mas também aos benefícios socioambientais e à segurança alimentar (AVELAR; TANNUS, 2022). A nutrição adequada é fator determinante para
INTRODUÇÃO
o crescimento e desenvolvimento saudável da cultura (MALAVOLTA, 2006). Para alcançar altas produtividades
Vista como uma das culturas de maior
e qualidade de grãos, é indispensável fornecer nutrientes
influência econômica mundial, a soja (Glycine max (L.)
à soja, dentre eles o magnésio (PRADO, 2008). Embora
Merrill), ocupa posição de destaque, e se apresenta,
o fornecimento convencional (via solo) seja a alternativa
para o Brasil, como a mais importante cultura em
recomendada, e que para cultura, a principal fonte
termos de produção e exportação de grãos. Somente
do nutriente seja o calcário (SOUZA; LOBATO, 2004),
em 2022, a comercialização de grãos e demais
a adubação foliar com magnésio vem ganhando
Fisiologia e Nutrição de Plantas
75
destaque como estratégia complementar para suprir
A presença adequada de magnésio é essencial para a
as necessidades nutricionais e fisiológicas da cultura
síntese de clorofila, o metabolismo de carboidratos,
(ELSHERPINY et al., 2023). A adubação foliar consiste
lipídios e proteínas, além da produção de energia. A
na aplicação de nutrientes diretamente nas folhas,
adubação foliar com magnésio pode proporcionar
permitindo uma rápida absorção e utilização por
benefícios no crescimento vegetativo, atenuação de
tecidos vegetais (BOLDRIN et al., 2023; NACHTIQAÜ;
estresses abióticos e rendimento de grãos na soja.
NAVA, 2010).
Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi avaliar
O magnésio é um dos 17 elementos essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas
a interação do parcelamento de doses de magnésio ao longo do ciclo da soja cultivada no sudoeste goiano.
(PRADO, 2021). Para a soja, desempenha funções vitais em processos fisiológicos, como a fotossíntese, a síntese de clorofila, a ativação de enzimas e a transferência de energia (TAIZ et al., 2017). Além de exercer papel
O
experimento
foi
conduzido
em
área
fundamental nos mecanismos de defesa das plantas
experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO),
em condições de estresse abiótico (SENBAYRAM et
no município de Rio Verde, Goiás, nas coordenadas
al., 2015). Assim, plantas cultivadas em condições de
geográficas de latitude -17°33'30,62" e longitude
elevada intensidade luminosa e também em situações
-50°59'7,96" e 780 m de altitude. O clima da região é
de dias nublados, com baixa luminosidade, parecem ter
classificado como Aw (Savana Tropical), conforme
maior necessidade por Mg (CAKMAK; YAZICI, 2010). A
classificação Köppen (ALVARES et al., 2013), com
deficiência de magnésio pode resultar em sintomas
estação seca no inverno (maio a setembro) e chuvosa
visíveis, como clorose internerval (folhas amareladas
no verão (outubro a abril). Ao longo do ciclo da cultura,
entre as nervuras), redução da produção de biomassa e
os índices de precipitação pluvial e temperatura, foram
posteriormente a diminuição da produção e qualidade
monitorados, por meio da estação agrometeorológica
dos grãos (EPSTEIN; BLOOM, 2006).
Plugfield® modelo WS22, instalada nas proximidades
Em suma, o magnésio desempenha papel crítico no metabolismo das plantas, incluindo a cultura da soja.
76
MATERAL E MÉTODOS
Fisiologia e Nutrição de Plantas
da área experimental (Figura 1).
Figura 1. Precipitação pluvial diária e acumulada ao longo dos estádios vegetativos e reprodutivos, temperaturas máxima, média e mínima na área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) no intervalo dos dias 07/10/2022 a 20/02/2023, Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. O solo da área experimental foi classificado
amostragens nas camadas de 0-20 cm e 20-40 cm de
como LATOSSOLO VERMELHO Distroférrico, de
profundidade, para análise dos atributos químicos e
textura argilosa (>35% de argila). Foram realizadas
textura do solo (Quadro 1).
Quadro 1. Análise química e granulométrica do solo antes da implantação do experimento de adubação foliar contendo magnésio na cultura da soja, na área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.
Profundidade
P mg dm-3
0 a 20 cm
20 a 40 cm
K
Ca
Mg
S
B
Zn
Cu
Fe
--------- cmolc dm-3 --------
--------------------- mg dm-3 -----------------
8,02
0,26
2,8
0,91
18,26
0,88
6,22
1,61
36,09
Mn
M.O.S
Al
H+Al
pH
Areia
Silte
Argila
V
mg dm-3
%
cmolc dm-3
-
34,07
2,04
0,04
2,42
5,32
44,04
11,58
44,38
P
K
Ca
Mg
S
pH
V
mg dm-3
-
%
16,62
4,24
12,03
mg dm-3 0,41
------ cmolc dm-3 ------0,04
0,6
0,12
------------------- % -------------------
Fisiologia e Nutrição de Plantas
61,7
77
As necessidades de correção e adubação do
O estudo foi realizado em delineamento em
solo, foram calculadas, com base nos resultados da
blocos casualizados com quatro repetições, em
análise de solo e exigências nutricionais da cultura
esquema fatorial 4x3 + 1. Sendo 4 doses totais de
(SOUSA; LOBATO, 2004). Aos 80 dias pré-semeadura
magnésio (200, 400, 800 e 1600 g ha-1) divididas
(DPS), foi realizada a aplicação de 1 t ha-1 de gesso
em três épocas de aplicações foliares (doses totais
agrícola e após 20 dias a calagem com 2 t ha-1 de
divididas nos estádios V5, R3 e R5.1; V5 e R3 ou R3
calcário em área total, sem revolvimento do solo.
e R5.1) e o tratamento adicional, sem aplicação do
30 dias antes da semeadura, foram aplicados 200
fertilizante (testemunha), totalizando 13 tratamentos
kg ha-1 de K2O (cloreto de potássio) e 2,00 kg ha-1 de
(Figura 2). O fertilizante sulfato de magnésio (MgSO4
B (ulexita), à lanço. Um dia antes da semeadura, à
– 11% SO4 + 9% Mg), foi utilizado como fonte do
lanço, foram aplicados 1,00 kg ha-1 de boro e cobre,
nutriente.
2,00 kg ha-1 de zinco e manganês e 0,85 kg ha-1 de
O plantio foi realizado no dia 07/10/2022
enxofre (25 kg ha-1 Mix Complexo® - 4% B, 4% Cu, 8%
com a cultivar de soja SOYTECH 700 i2x, grupo
Zn, 8% Mn e 3,5% S).
de maturação 7.0, com hábito de crescimento
Na ocasião da semeadura, via suco de plantio,
indeterminado, e população final de 15 plantas m-1
foram aplicados 25 kg ha-1 de N e 150 kg ha-1 de P2O5
(300.000 plantas ha-1). Cada parcela foi composta
(fosfato monoamônico). Ainda no sulco de plantio
por 12 linhas espaçadas em 0,50 m, contendo 10 m
com auxílio de jato dirigido, com volume de aplicação
de comprimento (60 m2 por parcela). As avaliações
de 50 L ha-1, foram aplicados 1,00 L ha-1 do inoculante
foram realizadas nas seis fileiras centrais, excluindo-
Cell Tech® contendo duas cepas de Bradyrhizobium
se 0,50 m das extremidades (área útil de 27 m2).
japonicum (Semias 5079 e 5080, com 3x109 UFC/
As pulverizações foliares foram realizadas
mL); 0,10 L ha-1 do coinoculante Biomax Azum®
de acordo com o estádio da cultura, com as doses
(Azospirillum brasilienses, 3x108 UFC/mL); inseticida
totais divididas em duas ou três aplicações. Para
biológico Meta-Turbo® na dose de 0,50 L ha-1
pulverização das unidades experimentais, utilizou-se
(Metarhizium anisopliae IBCB425 mínimo de 1,0x108
um pulverizador de parcelas pressurizado por CO2
propágulos viáveis/mL); fungicida biológico Trico-
(Patente: BR102016007565-3) montado em trator.
turbo® 0,25 L ha-1 (Trichoderma asperellum BV10
O pulverizador possui barra de 5,0 metros com 10
mínimo de 1,0x1010 conídios viáveis/mL) e 0,40 L ha-1
bicos de pulverização espaçados em 0,5 m. Utilizou-
do nematicida Verango® Prime (i.a Fluopiram).
se pontas modelo ADIA 015.D da marca Magnojet.
Os manejos de plantas daninhas, insetos praga
A calibração do equipamento foi ajustada com
e doenças, foram realizados conforme o levantamento
pressão de trabalho em 2,7 bar (39,1 PSI) e volume
das necessidades por meio de avaliações periódicas
de aplicação de 150 L ha-1.
da área e as boas práticas agrícolas. Foram levados em conta os preceitos do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas (MIP, MID e MIPD) para a tomada de decisão quanto ao método de controle utilizado. Estes tratos culturais foram adotados em toda a área experimental.
78
Fisiologia e Nutrição de Plantas
Figura 2. Descrição gráfica das épocas e doses de aplicação de Mg via foliar na cultura da soja cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. Cinco dias após a última aplicação dos
Creste e Echer (2010), na qual estabelece como faixa de
tratamentos (estádio R5.1), foram coletadas 20 folhas
equilíbrio, os valores entre (–(4σ)/3) e (+(4σ)/3) (σ: desvio
por parcela, sendo a terceira completamente expandida
padrão), que para o banco de dados em questão, foram
a partir da haste principal, sem o pecíolo (MALAVOLTA
considerado como adequados, os índices entre -17 e
E VITTI, 1997). As amostras de tecido vegetal foram
17. Os valores abaixo (negativos) ou acima (positivos)
analisadas
dessa faixa, são considerados em desequilíbrio por
conforme
metodologia
proposta
por
Silva (2009), a partir das quais foram determinados
deficiência ou excesso, respectivamente (Figura 3).
os teores de N, P, K, Ca, Mg, S, B, Cu, Fe, Mn e Zn. O
A colheita foi realizada no dia 07/02/2023,
resultado médio dos teores foliares de nutrientes foram
totalizando o ciclo de 124 dias (da semeadura à colheita).
interpretados conforme metodologia DRIS (Sistema
Foram realizadas amostragens de produtividade com
Integrado de Diagnose e Recomendação), utilizando
a coleta das plantas em dois pontos de 3 metros e
as normas estabelecidas por banco de dados DRIS
3 linhas (4,50 m²) por área útil de cada parcela. As
COMIGO – SOJA, elaborado na safra 2022/2023, para
amostras foram secas, trilhadas, pesadas e aferidas a
as regiões do sudoeste goiano, com altitude superior
umidade. A umidade das amostras foi corrigida para
a 700 m.
13%. Na data da colheita foram avaliados o número
Os índices DRIS foram calculados a partir da
de nós reprodutivos na haste principal, número de
população de referência com produtividade superior
ramos laterais e número total de vagens, de três plantas
à 80 sc ha . Foi utilizada metodologia proposta por
coletadas aleatoriamente na área útil de cada unidade
-1
Fisiologia e Nutrição de Plantas
79
experimental. Foram avaliadas as significâncias dos fatores e suas interações, a partir da análise de variância pelo teste F a 5% de probabilidade. Os resultados significativos, quando de caráter quantitativo foram submetidos à análise de regressão e quando qualitativo, as médias foram comparadas a partir do teste ScottKnott a 5% de probabilidade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados médios das análises foliares foram interpretados pelo método DRIS em função do banco de dados DRIS COMIGO – SOJA, elaborado na safra 2022/23 (Figura 3). Os índices DRIS calculados, indicam a deficiência, excesso e equilíbrio nutricional da amostra, em função da população de referência de alta produtividade (CARVAJAL et al., 2021). Quanto mais próximo de zero estiver o índice dos nutrientes, maior o potencial da planta apresentar produtividade igual ou superior ao limite pré-estabelecido (PARENT; DAFIR, 2019). As plantas que não receberam adubação foliar contendo magnésio, apresentaram índices de potássio em desbalanço negativo (-21) e cálcio com desequilíbrio pelo
excesso
(19).
Comportamento
semelhante
também foi observado nas plantas que receberam as doses totais de 400 g no manejo das doses em V5, R3 e R5.1; 400 g e 1600 g em V5 e R3 (Figura 3). Destaca-se que as plantas que tiveram as doses de Mg foliar de 800 g e 1600 g divididas em 3 aplicações em V5, R3 e R5.1 e também para a dose de 400 g em V5 e R5.1, obtiveram os índices DRIS dentro do nível adequado, indicando equilíbrio entre os nutrientes (Figura 3) e alto potencial produtivo.
80
Fisiologia e Nutrição de Plantas
Figura 3. Diagnose do estado nutricional pelo método DRIS, em função das épocas e doses de aplicação de Mg via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. A aplicação das doses de magnésio via foliar,
resultados, com incremento médio de 5 vagens por
influenciou de forma significativa, o número de nós
planta, em relação à testemunha (Tabela 1). Quanto à
reprodutivos na haste principal a produtividade de
produtividade, os resultados demonstram que, quando
soja (Tabela 1). As épocas de aplicação das doses de
o parcelamento das doses de Mg ocorreu em V5, R3
magnésio, avaliadas individualmente, apresentaram
e R5.1 e em R3 e R5.1, foram atingidos os melhores
influência direta no número de nós reprodutivos
índices produtivos, com incremento médio em torno
na haste principal, de modo que o as plantas com
de 10,34 sc ha-1 relação à testemunha (Tabela 1). Os
parcelamento das doses de Mg nos estádios V5,
dois parcelamentos, apresentaram em comum, as
R3 e R5.1, apresentaram 3 nós a mais, em relação à
aplicações nos estádios R3 e R5.1, momentos esses de
testemunha (Tabela 1).
maior demanda nutricional para a cultura, em função do
Para o número de vagens por planta, o parcelamento da adubação nos estádios V5, R3 e R5.1
início de formação das vagens e posterior enchimento de grãos.
e em V3 e R3, foram os que alcançaram os melhores
Fisiologia e Nutrição de Plantas
81
Tabela 1. Número de nós reprodutivos, número de ramos e número de vagens por planta e produtividade de grãos (sc ha-1) de soja em função das épocas e doses de aplicação de Mg via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.
Tratamentos Doses totais de Mg (D)
Doses totais de MgSO4
0 g ha-1
0 kg ha-1
Nós haste principal (n° planta-1)
Ramos laterais (n° planta-1)
Vagens (n° planta-1)
Produtividade (sc ha-1)
15
2,30
45
71,88
200 g ha
2,22 kg ha
17
2,44
47
80,70
400 g ha
4,44 kg ha
15
2,44
45
83,95
-1
800 g ha
-1
8,88 kg ha
18
2,44
50
82,00
1600 g ha
17,76 kg ha
15
2,55
48
p-valor
-
0,002**
0,579
0,269
0,002**
sem aplicação
-
15 b
2,30
45 b
71,88 c
V5, R3 e R5.1
-
18 a
2,58
50 a
82,35 a
V5 e R3
-
16 b
2,41
50 a
79,57 b
R3 e R5.1
-
16 b
2,33
44 b
82,10 a
p-valor
-
0,001**
0,335
ns
0,017**
0,012**
p-valor
-
0,000**
0,554ns
0,004**
0,022**
média
-
16
2,41
47,40
80,61
C.V. (%)
-
7,04
21,27
10,52
4,23
-1
-1
-1
-1
-1
-1
ns
78,70 ns
Épocas de aplicação (E)
Interação (DxE)
e **, não significativo a 5% e significativo a 1% de probabilidade pelo teste F, respectivamente. Médias seguidas por mesma letra na coluna e diferem entre si, pelo Teste de Scott-Knott (p-valor <0,05). C.V. (Coeficiente de Variação) ns
das
ha-1 atingida com a aplicação de 1190 g de Mg ha-1, o
equações geradas a partir da análise de regressão,
que demandaria a aplicação total de 13,22 kg de sulfato
estimou-se que a aplicação de 900 g de Mg ha via foliar,
de magnésio (9% de Mg2+), independente da época de
independentemente do parcelamento do fertilizante, é
parcelamento da aplicação (Figura 4b).
Após
realizado
os
desdobramentos -1
a que acarreta no maior número de nós reprodutivos na haste principal (17,43 nós/planta) (Figura 4a). A máxima produtividade de grãos estimada é de 88,39 sc
82
Fisiologia e Nutrição de Plantas
a
b
Figura 4. Número de nós reprodutivos por planta (a) e produtividade de grãos (sc ha-1) (b), em função das e doses de aplicação de Mg via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. Ao avaliar as interações entre as fontes
tratamentos (Figura 5a). O número de vagens por planta
de variação (dose de Mg x época de aplicação),
foi influenciado apenas quando a adubação foliar com
observou-se que as aplicações de Mg nos estádios
magnésio ocorreu nos estádios V5, R3 e R.1, com as
V5, R3 e R5.1, bem como em V5 e R3, resultaram em
doses de 200 e 800 g ha-1 de Mg, promovendo em
maiores alterações, sendo a dose de 800 g ha-1 de
média incrementos em torno de 18% em relação à
Mg, aquela que nas duas situações, promoveu maior
testemunha (+10 vagens/planta) (Figura 5b).
quantidade de nós reprodutivos em relação aos demais
Fisiologia e Nutrição de Plantas
83
a
b
c
Médias seguidas por mesma letra a cima das barras, não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (p-valor <0,05).
Figura 5. Número de nós reprodutivos na haste principal (a), número de vagens por planta (b) e produtividade de grãos (sc ha-1) (c), em função da interação entre as épocas e doses de aplicação de magnésio via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) em Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.
84
Fisiologia e Nutrição de Plantas
foi
Quando a luz é absorvida pela clorofila, ocorre a
estatisticamente influenciada em função da interação
emissão dos elétrons do magnésio, o que desencadeia
entre as doses de magnésio e a época de aplicação.
uma série de reações químicas na fotossíntese.
Verificou-se que a aplicação de Mg via foliar foi
Essas reações levam à conversão de dióxido de
eficiente em proporcionar incremento produtivos, em
carbono e água em açúcares e oxigênio. O oxigênio é
todos os casos, independentemente da época ou dose
liberado como subproduto, enquanto os açúcares são
aplicada (Figura 4c). No entanto, quando as doses
usados como fonte de energia para o crescimento e
foram aplicadas divididas em três épocas, sendo uma
desenvolvimento da planta.
A
produtividade
da
soja
também
no vegetativo (V5), e duas no reprodutivo (R3 e R5.1),
O maior número de nós reprodutivos e vagens
observou-se que a melhor produtividade foi obtida com
por planta, em função de doses mais elevadas
a dose de 800 g ha-1, com incrementos de 12,61 sc ha-1
de magnésio (800 g ha-1), tendo pelo menos uma
(15%) em relação à testemunha (Figura 5c).
aplicação no estádio vegetativo (V5, R3 e R5.1 ou V5
Já, quando as aplicações ocorreram de forma
e R3), observados no presente estudo, indicam que
parcelada entre os estádios V5 e R3 a dose de 400 g
a maior parte da energia proveniente dos açúcares
ha-1, foi a que promoveu maior incremento produtivo, na
fixados na fase vegetativa, foi convertido na produção
ordem de 13%, totalizando 11,48 sc ha-1 em relação ao
das estruturas reprodutivas. De modo que, quando
tratamento sem adubação foliar (Figura 5c). Por fim, ao
em menores doses (200 e 400 g ha-1), a aplicação de
observar os resultados referentes a divisão das doses
magnésio ocorreu apenas na fase reprodutiva (R3 e
de Mg apenas no período reprodutivo (R3 e R5.1),
R5.1), houve o aumento da capacidade fotossintética
verificou-se que a aplicação das doses totais de 200 e
da planta, no período de maior exigência energética da
400 g ha-1 de magnésio, promoveram incremento médio
cultura e favoreceu o enchimento de grãos.
de 15% na produção, totalizando ganhos de 13,67 sc ha-1 em relação à testemunha (Figura 4). De forma semelhante Boldrin et al. (2023), observaram incrementos produtivos na ordem de 14 sc
CONCLUSÕES A adubação foliar com até 1600 g ha-1 de
ha-1, com a aplicação de 5,5 kg de sulfato de magnésio
magnésio,
(500 g de Mg) via foliar, no estádio R5.1 da cultura
detectadas pelo método DRIS na cultura da soja. No
da soja. Também com a mesma dose de sulfato de
entanto é capaz de reordenar o equilíbrio nutricional
magnésio, em estudos desenvolvidos por Altarugio et
quando diagnosticados excesso de cálcio e deficiência
al. (2017), foi observado um incremento de 7,56 sc ha-1,
de potássio. A aplicação de magnésio, independente
quando as aplicações ocorreram em R5.1.
da dose, traz melhores índices produtivos quando
não
causa
desbalanços
nutricionais
Estudos indicam que o fornecimento de
realizada nos estádios V5, R3 e R5.1 ou em R3 e R5.1. A
magnésio via foliar, promove, mesmo em solos
adubação foliar contendo 900 g de Mg ha-1 acarretaria
com adequados teores do nutriente, incrementos
os melhores resultados de produtividade, caso o
significativos no teor de clorofila, indicando sua função
parcelamento das doses não fosse considerado.
nutrifisiológica às plantas. O magnésio é o átomo
Com base nos resultados encontrados, em anos
central do anel de porfirina, que é a parte da molécula
onde ocorreram veranicos nos estádios vegetativos de
de clorofila que interage diretamente com a luz solar.
desenvolvimento da soja, recomenda-se a aplicação
Fisiologia e Nutrição de Plantas
85
CONAB.
foliar de 400 g ha-1 de magnésio em R3 e R5.1.
Grãos:
Safra
2022/23.
Acompanhamento da Safra Brasileira, vol. 10, no. 9,
AGRADECIMENTOS
p. 117, 2023. . CRESTE, J. E.; ECHER, F. R. Establishing
À equipe de campo e estagiários da Fazenda Monte
Alegre
e
Centro
Tecnológico
COMIGO,
indispensáveis para a condução deste trabalho.
standards for the integrated recommendation and diagnosis system (DRIS) for irrigated bean crops. Communications in Soil Science and Plant Analysis, vol. 41, no. 16, p. 1921–1933, 2010. https://doi.org/10.10
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86
Fisiologia e Nutrição de Plantas
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Fisiologia e Nutrição de Plantas
87
A ADUBAÇÃO FOLIAR COM BIOESTIMULANTES É CAPAZ DE INCREMENTAR A PRODUTIVIDADE DE GRÃOS DE MILHO CULTIVADO EM SEGUNDA SAFRA?
BUENO1, Amanda Magalhães; SARKIS2, Leonardo Fernandes; LIMA3, Diego, Tolentino; FERNANDES4, Rafael Henrique; NASCIMENTO5, Hemython Luis Bandeira do; Enga. Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br; 2 Eng. Agrônomo, MS. em Fertilidade do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br; 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@ comigo.com.br; 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@ comigo.com.br; 5 Eng. Agrônomo, Dr. Zootecnia, Pesquisador em Forragicultura do Centro Tecnológico COMIGO, Rio Verde-GO, Brasil. E-mail: hemythonluis@comigo.com.br 1
INTRODUÇÃO O cultivo do milho em segunda safra, conhecida como safrinha, desempenha papel importante para o Brasil ao ampliar a produção de grãos e fortalecer a segurança alimentar e econômica do país. Essa prática agrícola é especialmente relevante devido à sua capacidade de utilizar as áreas agrícolas já manejadas na safra de verão, maximizando o uso do solo (PERIN et al., 2009). A safrinha diversifica a produção agrícola, e reduz a dependência exclusiva da safra principal de milho, com a possibilidade de uma janela adicional de cultivo capaz de produzir oferta estável de grãos para a alimentação humana e produção de ração animal (ALMEIDA JUNIOR et al., 2017). Embora apresente várias vantagens, o principal gargalo do cultivo em segunda safra no sudoeste goiano, é a escassez de água principal fator limitante para a produção de milho, uma vez que o período de cultivo coincide com o início da estação seca na região (PERIN et al., 2009). A falta de água compromete o desenvolvimento adequado das plantas, afetando a germinação, o crescimento, a formação e enchimento
88
Fisiologia e Nutrição de Plantas
dos grãos (BERGONCI et al., 2000). A redução da disponibilidade hídrica pode resultar em estresse hídrico nas plantas, levando a uma diminuição na produtividade, encurtamento do ciclo vegetativo e acarretando reduções do tamanho e mal formações das espigas (BERGAMASCHI et al., 2006). O uso de fertilizantes foliares com ativos bioestimulantes no cultivo de milho safrinha, vem sendo posicionado como ferramenta que visa aumentar a resistência da cultura a períodos de déficit hídrico, bem como auxiliar no melhor aproveitamento e uso da água (SANTOS et al., 2020). Os bioestimulantes são produtos de origem mineral e/ou biológica que, quando aplicados em plantas, têm a capacidade de melhorar seu
crescimento,
desenvolvimento
e
resistência
aos estresse ambientais (SOUZA et al., 2023). Esses
MATERAL E MÉTODOS O
experimento
foi
conduzido
em
área
experimental do Centro Tecnológico Comigo, no município de Rio Verde, Goiás, nas coordenadas geográficas de latitude - 17°45'58.83" e longitude - 51° 2'5.56" e 841 m de altitude. O clima da região é classificado como Aw (Savana Tropical), conforme classificação Köppen (ALVARES et al., 2013), com estação seca no inverno (maio a setembro) e chuvosa no verão (outubro a abril). Ao longo do ciclo da cultura, os índices de precipitação pluvial e temperatura, foram monitorados, por meio da estação agrometeorológica Plugfield® modelo WS22, instalada nas proximidades da área experimental (Figura 1).
produtos são classificados como fertilizantes foliares, no entanto, apresentam compostos além dos nutricionais, que influenciam os processos fisiológicos, bioquímicos e metabólicos das plantas, como aminoácidos, extratos de algas, substâncias húmicas, enzimas, dentre outros (EL BOUKHARI et al., 2020). A aplicação de bioestimulantes pode resultar em uma série de benefícios, como aumento da absorção de nutrientes, melhor desenvolvimento radicular, maior resistência a estresses abióticos, otimizando os processos de transporte e distribuição hídrica dentro das plantas. Ao fortalecer a resistência das plantas ao estresse hídrico, possibilitam minimizar o efeito negativo da falta de água na safrinha, aumentando o potencial de produção e a utilização mais eficiente dos recursos hídricos disponíveis. Neste sentido, o objetivo desse estudo foi avaliar o uso potencial de diferentes fertilizantes com compostos bioestimulantes de aplicação foliar, e seus efeitos em parâmetros biométricos e de produtividade de milho, cultivado em segunda safra no sudoeste goiano.
Fisiologia e Nutrição de Plantas
89
Figura 1. Precipitação pluvial, temperaturas máxima, média e mínima diária e acumulada ao longo dos estádios vegetativos e reprodutivos do milho, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23 – período de 09/03/2023 a 09/08/2023. O solo da área experimental foi classificado
camadas de 0-20 cm e 20-40 cm de profundidade, para
como LATOSSOLO VERMELHO Distroférrico, de
análise dos atributos químicos e granulometria do solo
textura argilosa (>35% de argila). Antes da instalação
(Quadro 1).
dos experimentos, foram realizadas amostragens nas
90
Fisiologia e Nutrição de Plantas
Quadro 1. Análise química e granulométrica do solo antes da implantação do experimento com uso fertilizantes foliares bioestimulantes na cultura do milho, em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23.
Profundidade
P
0 a 20 cm
Profundidade
K
Mg
S
B
Zn
Cu
Fe
mg dm-3
--------- cmolc dm-3 --------
-------------------------- mg dm-3 -------------------------
10,42
0,29
3,35
0,87
4,84
0,46
7,79
0,79
Mn
M.O.S
Al
H+Al
pH
Areia
Silte
Argila
mg dm-3
%
cmolc dm-3
-
----------------------- % -----------------------
18,24
2,78
0,09
2,5
5,5
44,08
9,34
46,59
P
K
Ca
Mg
S
B
Zn
Cu
mg dm-3
0 a 40 cm
Ca
86,05
Fe
----------- cmolc dm-3 ----------
--------------------------- mg dm-3 ------------------------
7,49
0,14
3,12
0,87
2,29
0,41
4,34
0,58
Mn
M.O.S
Al
H+Al
pH
Areia
Silte
Argila
mg dm-3
%
cmolc dm-3
-
---------------------- % ------------------------
11,99
2,66
0,08
2,56
5,56
43,51
8,99
25,3
47,51
As necessidades de correção e adubação,
e doenças, foram realizados conforme o levantamento
foram calculadas, com base nos resultados da análise
das necessidades por meio de avaliações periódicas
de solo e exigências nutricionais da cultura (SOUSA;
da área tendo como critério as boas práticas agrícolas.
LOBATO, 2004). Na ocasião do plantio, que ocorreu no
Foram levados em conta os preceitos do manejo
dia 09/03/2023, foi realizada a adubação com 400 kg
integrado de pragas, doenças e plantas daninhas
ha do fertilizante formulado 15-15-15 (60 kg ha de N,
(MIP, MID e MIPD) para a tomada de decisão quanto
P2O5 e K2O). Ainda no sulco de plantio com auxílio de
ao método de controle utilizado. Estes tratos culturais
jato dirigido, com volume de 50 L ha , foram aplicados
foram adotados em toda a área experimental.
-1
-1
-1
0,15 L ha do inoculante Biomax Azum® (Azospirillum
O estudo foi realizado em delineamento em
brasilienses, 3x10 UFC/mL); inseticida biológico Meta-
blocos casualizados com 12 tratamentos e quatro
Turbo® na dose de 0,5 L ha (Metarhizium anisopliae
repetições. Os tratamentos foram compostos da
8
IBCB425 mínimo de 1x10 propágulos viáveis/mL) e
aplicação das doses comerciais de 11 fertilizantes
0,25 L ha do fertilizante RayNitro Zn News® (7% N;
foliares bioestimulantes, sendo uma aplicação no
7% P2O5; 4% Zn). No dia 10/04/2023 foi realizada a
estádio V5 e outra no início do pendoamento (VT) e o
adubação de cobertura com 150 kg ha de ureia turbo®
tratamento testemunha (sem aplicação de fertilizantes
(67,5 kg ha de N) estabilizada com NPBT.
foliares) (Quadro 1 e Figura 2).
-1
8
-1
-1
-1
-1
Os manejos de plantas daninhas, insetos praga
Fisiologia e Nutrição de Plantas
91
Quadro 2. Descrição dos tratamentos contendo os fertilizantes foliares bioestimulantes aplicados na cultura do milho, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23.
92
Tratamentos
Garantias
Dose L ou kg ha-1
1
Testemunha
-
-
2
Salus Magis®
10% N
0,25
3
Foltron Plus®
5% N; 19% P2O5; 5% K2O; 0,7% C.O.T.
1,00
4
Nutriplenus Completo®
5% N; 8% P2O5; 5% K2O; 1% Ca; Mg 1%; 0,4% B; 0,2% Cu; 0,5% Mn;
5
Niphokam®
10% N; 8% P2O5; 8% K2O; 1% Ca; 1% Zn; 0,5 Mg; 0,5% B
1,00
6
Bioamino® Extra
4% N; 23% C.O.T.
0,75
7
Biozyme®
1% N; 5% K2O; 0,08% B; 0,4% Fe; 1% Mn; 1% S; 2% Zn; 3,5% C.O.T.
0,25
8
Stimulate®
0,09% Cinetina; 0,05% ácido giberélico; 0,05% ácido 4-indol-3ilbutírico
0,50
9
Crop+®
1% N; 3,1% S; 0,09% B; 0,06% Co; 1,3% Fe; 1% Cu; 1,1% Mn; 0,04% Mo; 2,3% Zn; 6% C.O.T.
0,50
10
Profol Exclusive®
11
Fertileader FIX®
12
Scudero®
Zn 1,0%
12% N; 3% K2O; 1 % Mg; 9,5 % S; 2%B; 0,1 % Cu; 6,5% Mn; 9,0% Zn;
Fisiologia e Nutrição de Plantas
0,1% Mo
1,00
1,50
5% Ca; 0,5% B; 0,1% Mo; 4% C.O.T.
0,50
2% P2O5; 6,9% Ca; 1,9% de Mg; 2,75% Si
1,00
Figura 2. Descrição gráfica das épocas de aplicação dos tratamentos contendo fertilizantes foliares bioestimulantes, na cultura do milho, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23. O plantio foi realizado com o híbrido de milho
Foram realizadas amostragens de produtividade com a
B2401 PWU (Brevant) de ciclo classificado como
coleta das plantas em dois pontos de 3 metros e 3 linhas
superprecoce, e população final de 2,8 plantas m
-1
(4,50 m²) por área útil de cada parcela. As amostras
(56.000 plantas ha ). Cada parcela foi composta por
foram secas, trilhadas, pesadas e aferidas a umidade.
12 linhas espaçadas em 0,50 m, contendo 10 m de
A umidade das amostras foi corrigida para 13%. Na
comprimento (60 m por parcela). As avaliações foram
data da colheita foram coletadas 3 espigas por parcela
realizadas nas seis fileiras centrais, excluindo-se 0,50 m
e avaliados o número de fileiras de grãos por espiga,
das extremidades (área útil de 27 m ). As pulverizações
número de grãos por fileira, tamanho e diâmetro de
foliares foram realizadas de acordo com o estádio da
espiga e porcentagem de espigas com falha de grãos
cultura. Para pulverização das unidades experimentais,
na extremidade.
-1
2
2
utilizou-se um pulverizador de parcelas pressurizado
A análise estatística se deu por meio da análise
por CO2 (Patente: BR102016007565-3) montado em
de variância pelo teste F a 5% de probabilidade, para
trator. O pulverizador possui barra de 5,0 metros com
avaliação das significâncias dos resultados. Quando
10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m. Utilizou-
significativos, os resultados de caráter qualitativo
se pontas modelo ADIA 015.D da marca Magnojet. A
tiveram suas médias comparadas a partir do teste
calibração do equipamento foi ajustada com pressão
Scott-Knott a 5% de probabilidade.
de trabalho em 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1. A colheita foi realizada no dia 09/08/2023, totalizando o ciclo de 153 dias (da semeadura à colheita).
RESULTADOS E DISCUSSÃO As aplicações foliares dos bioestimulantes,
Fisiologia e Nutrição de Plantas
93
não foram capazes de influenciar significativamente
em função dos baixos teores desses nutrientes no solo,
as variáveis biométricas apresentadas na Tabela 1.
mas podem ser induzidas pela falta de água no sistema
No geral, observou-se em todos os tratamentos, alta
de cultivo (EPSTEIN; BLOOM, 2006). Isso ocorre, pois
porcentagem de falha de grãos na extremidade da
a planta necessita de água na rizosfera para ocorra o
espiga, em torno de 15% do tamanho total das espigas,
contato íon raiz, de modo que esses nutrientes possam
apresentava falhas de granação (Tabela 1 e Figura 3).
ser absorvidos por fluxo de massa e também por
O déficit hídrico é uma das possíveis causas desse
difusão, como é o caso do potássio (NEJAD et al., 2019;
sintoma, bem como as deficiências de nitrogênio,
PRADO, 2021; RAIJ, 2011).
potássio e boro, que não necessariamente ocorrem
Tabela 1. Porcentagem de falhas de grãos, número de fileiras, número de grãos por fileira e diâmetro de espiga, em função da aplicação de fertilizantes foliares bioestimulantes na cultura do milho, em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2023.
94
Tratamentos
Falha de grãos na espiga
Fileiras por espiga
Grãos por fileira
Diâmetro de espiga
Produtos Comerciais
(% espiga-1)
(n° espiga-1)
(n° espiga-1)
(cm espiga-1)
1
Testemunha
19,28
16
29,66
50,54
2
Salus Magis®
17,93
16
28,66
50,79
3
Foltron plus®
13,34
16
30,41
50,49
4
Nutriplenus Completo®
15,95
16
31,08
49,98
5
Niphokam®
17,27
16
29,91
50,74
6
Bioamino® Extra
13,99
16
31,85
51,62
7
Biozyme®
13,96
16
30,00
49,53
8
Stimulate®
14,33
16
31,25
50,42
9
Crop+®
16,08
16
32,33
51,17
10
Profol Exclusive®
14,33
16
30,24
50,71
11
Fertileader FIX®
13,23
16
30,66
50,46
12
Scudero®
17,65
16
30,83
50,90
p-valor
0,306ns
0,723ns
0,855ns
0,909ns
média
15,69
16,42
30,57
50,61
C.V. (%)
22,98
5,62
8,76
3,08
Fisiologia e Nutrição de Plantas
.
Figura 3. Níveis de falhas de grãos na extremidade da espiga em experimentos conduzidos no Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23. Fonte: Amanda M. Bueno As
espigas
avaliadas
no
experimento,
de ganho, em torno de 17,98 sc ha-1 de incremento,
apresentaram número médio de 16,42 fileiras, 30,57
alcançando percentual 21% superior à não aplicação
grãos por fileira e diâmetro de 50,61 cm, esses
dos produtos foliares. A aplicação dos tratamentos 3 e
caracteres, não foram influenciados pela aplicação
4, não promoveram incrementos produtivos (Figura 4b).
foliar dos diferentes bioestimulantes (Tabela 1).
A baixa produtividade de grãos observada nesse
No entanto, a aplicação dos fertilizantes foliares
estudo, bem como altos incrementos produtivos obtidos
influenciou significativamente o tamanho de espigas e
com o uso da maioria dos fertilizantes foliares, foram
produtividade final de grãos (Figura 4).
intensificados em função das condições climáticas
As aplicações dos tratamentos 8 e 9, nos
adversas as quais a cultura foi submetida. Na Figura 1, é
estádios vegetativos do milho, acarretaram em espigas
possível observar que no período reprodutivo, ocorreu
maiores em relação aos demais tratamentos, sendo
precipitação pluvial de apenas 35 mm. Os estádios que
em média 6% maiores do que aquelas provenientes
compreendem a fase reprodutiva da cultura do milho,
de plantas que não receberam adubação foliar (Figura
são as mais sensíveis em relação ao déficit hídrico.
4a). Já em relação à produtividade, as aplicações
Estima-se que do início do pendoamento (VT), período
dos bioestimulantes que compõe os tratamentos 2
que antecede ao florescimento, até a maturidade
e 10, apresentaram produtividade em torno de 8%
fisiológica (R6), a demanda de água da cultura seja de
superiores à testemunha, com incremento médio de
8 mm/dia (CIAMPITTI et al., 2016). Com base no ciclo
5,57 sc ha-1. As aplicações dos tratamentos 5, 6, 7, 8, 11
do híbrido estudado, estima-se que para que ocorresse
e 12 acarretaram em incremento médio de 11,64 sc ha-
seu máximo potencial produtivo, seriam necessários
, produtividade cerca de 15% superior à testemunha.
em torno de 400 mm no período em questão.
1
O tratamento 9, foi o que apresentou maior percentual
Fisiologia e Nutrição de Plantas
95
a
b
seguidas por mesma das barras, diferem entre si pelo teste de Scott-Knot (p-valor <0,05). MédiasMédias seguidas por mesma letra aletra cimaacima das barras, não não diferem entre si pelo teste de Scot -Knot ( p-valor <0,05).
Figura 4. Tamanho de espiga (cm) (a) e produtividade e grãos (sc ha-1) (b) em função da aplicação de fertilizantes foliares na cultura do milho, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2023. De acordo com SOUZA et al. (2023), os efeitos
plantas, como manutenção da fototossíntese e redução
benéficos da utilização de bioestimulantes nas
do gasto energético pelo fornecimento de compostos
principais culturas agrícolas do Brasil estão associados à
orgânicos como aminoácidos. Além disto, também,
presença condições de estresses como o déficit hídrico
promovem
e variações térmicas extremas, semeadura realizada
favorecendo a expressão do seu potencial genético
fora da janela adequada, entre outros. Os efeitos
(FERREIRA et al., 2007).
benéficos observados pelo uso dos bioestimulantes, podem ser associados à suas funções fisiológicas à
96
Fisiologia e Nutrição de Plantas
o
equilíbrio
hormonal
das
plantas,
FRANÇA, S.; SANTOS, A. O.; RADIN, B.; BIANCHI, C. A.
CONCLUSÕES A
estratégia
M.; PEREIRA, P. G. Deficit hídrico e produtividade na de
nutrição
foliar
com
bioestimulantes organominerais se mostra eficiente na atenuação de estresses causados pelo déficit hídrico no cultivo de milho semeado fora da janela adequada no sudoeste goiano. Nove dos onze fertilizantes foliares avaliados, apresentaram significativos incrementos produtivos em relação ao tratamento em que não ocorreram adubações foliares. No entanto, vale ressaltar que o plantio de milho fora da janela técnica adequada não é recomendado e que a metodologia adotada no presente estudo, foi utilizada a fim de observar a performance dos bioestimulantes em condições adversas.
vol. 41, no. 2, p. 243–249, 2006. https://doi.org/10.1590/ s0100-204x2006000200008. BERGONCI, J. I.; BERGAMASCHI, H.; BERLATO, M. A.; SANTOS, A. O. Potencial da água na folha como um indicador de déficit hídrico em milho. Pesquisa Agropecuária Brasileira, vol. 35, no. 8, p. 1531–1540, 2000. https://doi.org/10.1590/s0100204x2000000800005. CIAMPITTI, I. A.; ELMORE, R. W.; LAUER, J. Fases de Desenvolvimento da Cultura do Milho V1. no. October, p. 3305, 2016. EL BOUKHARI, M. E. M.; BARAKATE, M.; BOUHIA, Y.; LYAMLOULI, K. Trends in Seaweed Extract Based Biostimulants: Manufacturing Process and. Plants, , p.
AGRADECIMENTOS
23, 2020.
À equipe de campo e estagiários do Centro Tecnológico COMIGO, indispensáveis para a condução deste trabalho.
EPSTEIN, EMANUEL BLOOM, A. J. Mineral plant nutrition. 3rd ed. Amsterdan: Elsevier, 2006. FERREIRA, L. A.; OLIVEIRA, J. A.; VON PINHO, É. V. D. R.; DE QUEIROZ, D. L. Bioestimulante e fertilizante associados ao tratamento de sementes
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cultura do milho. Pesquisa Agropecuária Brasileira,
H.;
DALMAGO,
G.
A.;
COMIRAN, F.; BERGONCI, J. I.; MÜLLER, A. G.;
no. 2, p. 80–89, 2007. https://doi.org/10.1590/S010131222007000200011. NEJAD,
GHAFFARI
ALI
SEYED
ETESAMI,
H. The Importance of Boron in Plant Nutrition. vol. 20, no. September, p. 16, 2019. https://doi. org/10.1002/9781119487210.ch20. PERIN, A.; GUARESCHI, R. F.; SILVA JUNIOR, HILTON ROSA, S.; SILVA, A.; AZEVEDO, W. R. Produtividade de híbridos de milho na safrinha em Goiás Productivity of maize hybrids winter of Goiás state. no. June 2007, p. 19–28, 2009. PRADO, R. de M. Mineral nutrition of tropical plants. Berna: Springer Nature, 2021. RAIJ, B. Van. Fertilidade do Solo. Piracicaba:
Fisiologia e Nutrição de Plantas
97
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98
Fisiologia e Nutrição de Plantas
A ADUBAÇÃO FOLIAR COM BIOESTIMULANTES É CAPAZ DE INCREMENTAR A PRODUTIVIDADE DE GRÃOS DE SORGO, CULTIVADO EM SEGUNDA SAFRA NO SUDOESTE GOIANO? BUENO1, Amanda Magalhães; FERNANDES2, Rafael Henrique; LIMA3, Diego, Tolentino3; SARKIS4, Leonardo Fernandes; BRAZ5, Guilherme Braga Pereira
INTRODUÇÃO O sorgo granífero (Sorghum bicolor (L.) Moench) vem se tornando cultura destaque a nível mundial, tanto
Eng . Agrônoma, Dr . em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br; 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br; 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br; 4 Eng. Agrônomo, MS. em Fertilidade do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@ comigo.com.br; 5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Plantas Daninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br. 1
a
a
devido à sua ampla gama de aplicações bem como à sua adaptabilidade frente a diferentes condições edafoclimáticas. Sua capacidade de resistência a condições ambientais adversas, tornou seu cultivo viável para regiões onde fatores climáticos, como a escassez de água, desempenham papel limitante na produção de grãos (JULIO et al., 2022). Outro aspecto favorável para a expansão da cultura do sorgo a nível Brasil está relacionado à oportunidade de realizar a safra de sucessão, também conhecida como segunda safra ou safrinha. Durante esse período, as condições de cultivo tornam-se desafiadoras devido à incerteza na frequência das chuvas, muitas vezes insuficientes para garantir uma produção satisfatória (FERREIRA et al., 2019). Em regiões do estado de Goiás, como o sudoeste goiano, a janela técnica de cultivo em segunda safra, muitas vezes torna arriscado o plantio de culturas tradicionais, como o milho (PERIN et al., 2009). Dessa
Fisiologia e Nutrição de Plantas
99
forma o sorgo se destaca como alternativa viável
et al., 2007; SANTOS et al., 2020). A incorporação
devido ao seu curto ciclo, sua capacidade de se
dos bioestimulantes foliares nas práticas de cultivo
adaptar a diferentes tipos de solo, aliado ao alto
do sorgo tem o potencial de melhorar a eficiência
potencial produtivo. Essas características contribuem
do uso de recursos e, consequentemente, aumentar
para a diversificação das opções de cultivo na região,
a produtividade da cultura (FERREIRA et al., 2019;
mitigando os riscos associados à agricultura em
PEREIRA ARAÚJO et al., 2020).
segunda safra (MENEZES, 2021). O boletim da
Neste sentido, o objetivo desse estudo foi
safra de grãos 2022/23 emitido pela CONAB (2023),
avaliar o uso potencial de diferentes fertilizantes
demostra a importância da cultura para o estado. Até
com compostos bioestimulantes de aplicação foliar,
junho de 2023 a área plantada com sorgo em Goiás
e seus efeitos em parâmetros biométricos e de
era de 384,7 mil hectares com produção estimada
produtividade de sorgo, cultivado em segunda safra
de 1.341,4 mil toneladas na segunda safra (CONAB,
no sudoeste goiano.
2023). Estudos
vem
sendo
amplamente
desenvolvidos, a fim de otimizar ainda mais a
100
MATERAL E MÉTODOS O
experimento
foi
conduzido
em
área
produtividade do sorgo, e novas ferramentas como
experimental do Centro Tecnológico Comigo, no
o uso de fertilizantes bioestimulantes foliares vem
município de Rio Verde, Goiás, nas coordenadas
ganhando destaque. Esses produtos são compostos
geográficas de latitude - 17°46'0.33" e longitude -
de aminoácidos, nutrientes, hormônios, dentre outros,
51°2'5.09" e 843 m de altitude. O clima da região é
que tem por objetivo aumentar o crescimento e o
classificado como Aw (Savana Tropical), conforme
desenvolvimento das plantas, estimulando processos
classificação
fisiológicos que aumentam a absorção de nutrientes
com estação seca no inverno (maio a setembro)
e a resistência a estresses ambientais (BRIGLIA et
e chuvosa no verão (outubro a abril). Ao longo do
al., 2019). Os efeitos dos bioestimulantes têm sido
ciclo da cultura, os índices de precipitação pluvial
objeto de estudo em diversas culturas, entretanto,
e temperatura, foram monitorados, por meio da
ainda não existe um consenso consolidado sobre sua
estação agrometeorológica Plugfield® modelo WS22,
efetividade, especialmente em cultivos que não estão
instalada nas proximidades da área experimental
sujeitos a condições de estresse abiótico (FERREIRA
(Figura 1).
Fisiologia e Nutrição de Plantas
Köppen
(ALVARES
et
al.,
2013),
Figura 1. Precipitação pluvial, temperaturas máxima, média e mínima diária e acumulada ao longo dos estádios vegetativos e reprodutivos do sorgo, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23 – período de 09/03/2023 a 24/07/2023. O solo da área experimental foi classificado
camadas de 0-20 cm e 20-40 cm de profundidade, para
como LATOSSOLO VERMELHO Distroférrico, de
análise dos atributos químicos e granulometria do solo
textura argilosa (>35% de argila). Antes da instalação
(Quadro 1).
dos experimentos, foram realizadas amostragens nas
Fisiologia e Nutrição de Plantas
101
Quadro 1. Análise química e granulométrica do solo antes da implantação do experimento com aplicação de fertilizantes foliares bioestimulantes na cultura do sorgo, em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23.
Profundidade
P
K
Ca
S
B
Zn
Cu
Fe
mg dm-3
--------- cmolc dm-3 --------
--------------------------- mg dm-3 ----------------------
10,42
0,29
3,35
0,87
4,84
0,46
7,79
0,79
Mn
M.O.S
Al
H+Al
pH
Areia
Silte
Argila
mg dm-3
%
---- cmolc dm-3 ----
-
--------------------- % -------------------------
18,24
2,78
0,09
2,5
5,5
44,08
9,34
46,59
P
K
Ca
Mg
S
B
Zn
Cu
0 a 20 cm
Profundidade
mg dm-3
86,05
Fe
--------- cmolc dm-3 --------
--------------------------- mg dm-3 ------------------------
7,49
0,14
3,12
0,87
2,29
0,41
4,34
0,58
Mn
M.O.S
Al
H+Al
pH
Areia
Silte
Argila
mg dm-3
%
---- cmolc dm-3 ----
-
---------------------- % ------------------------
11,99
2,66
0,08
0 a 40 cm
2,56
5,56
43,51
8,99
25,3
47,51
As necessidades de correção e adubação,
Os manejos de plantas daninhas, insetos praga
foram calculadas, com base nos resultados da análise
e doenças, foram realizados conforme o levantamento
de solo e exigências nutricionais da cultura (SOUSA;
das necessidades por meio de avaliações periódicas
LOBATO, 2004). Na ocasião do plantio, que ocorreu no
da área tendo como critério as boas práticas agrícolas.
dia 09/03/2023, foi realizada a adubação com 400 kg
Foram levados em conta os preceitos do manejo
ha do fertilizante formulado 15-15-15 (60 kg ha de
integrado de pragas, doenças e plantas daninhas
N, P2O5 e K2O). Ainda no sulco de plantio com auxílio
(MIP, MID e MIPD) para a tomada de decisão quanto
de jato dirigido, com volume de aplicação de 50 L ha
ao método de controle utilizado. Estes tratos culturais
-1
1
-1
-
, foram aplicados 0,15 L ha do inoculante Biomax -1
foram adotados em toda a área experimental.
UFC/mL);
O estudo foi realizado em delineamento em
inseticida biológico Meta-Turbo® na dose de 0,5 L ha
-1
blocos casualizados com 12 tratamentos e quatro
8
(Metarhizium anisopliae IBCB425 mínimo de 1x10
repetições. Os tratamentos foram compostos de
propágulos viáveis/mL) e 0,25 L ha
do fertilizante
aplicações das doses comerciais de 11 fertilizantes
RayNitro Zn News® (7% N; 7% P2O5; 4% Zn). No dia
foliares bioestimulantes, sendo uma aplicação no
10/04/2023 foi realizada a adubação de cobertura
estádio 2 e outra no emborrachamento (estádio 5) e o
com 150 kg ha de ureia turbo® (67,5 kg ha de N)
tratamento testemunha (sem aplicação de fertilizantes
estabilizada com NPBT.
foliares) (Quadro 2 e Figura 2).
Azum® (Azospirillum brasilienses, 3x10
8
-1
-1
102
Mg
Fisiologia e Nutrição de Plantas
-1
Quadro 2. Descrição dos tratamentos contendo os fertilizantes foliares bioestimulantes aplicados na cultura do sorgo, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23. Tratamentos
Garantias
Dose L ou kg ha-1
1
Testemunha
-
-
2
Salus Magis®
10% N
0,25
3
Foltron Plus®
5% N; 19% P2O5; 5% K2O; 0,7% C.O.T.
1,00
4
Nutriplenus Completo®
5% N; 8% P2O5; 5% K2O; 1% Ca; Mg 1%; 0,4% B; 0,2% Cu; 0,5%
5
Niphokam®
10% N; 8% P2O5; 8% K2O; 1% Ca; 1% Zn; 0,5 Mg; 0,5% B
1,00
6
Bioamino® Extra
4% N; 23% C.O.T.
0,75
7
Biozyme®
8
Stimulate®
0,09% Cinetina; 0,05% ácido giberélico; 0,05% ácido 4-indol-3ilbutírico
0,50
9
Crop+®
1% N; 3,1% S; 0,09% B; 0,06% Co; 1,3% Fe; 1% Cu; 1,1% Mn; 0,04% Mo; 2,3% Zn; 6% C.O.T.
0,50
10
Profol Exclusive®
12% N; 3% K2O; 1 % Mg; 9,5 % S; 2%B; 0,1 % Cu; 6,5% Mn; 9,0% Zn; 0,1% Mo
1,50
11
Fertileader FIX®
5% Ca; 0,5% B; 0,1% Mo; 4% C.O.T.
0,50
12
Scudero®
2% P2O5; 6,9% Ca; 1,9% de Mg; 2,75% Si
1,00
Mn; Zn 1,0%
1% N; 5% K2O; 0,08% B; 0,4% Fe; 1% Mn; 1% S; 2% Zn; 3,5% C.O.T.
1,00
0,25
Fisiologia e Nutrição de Plantas
103
Figura 2. Descrição gráfica das épocas de aplicação dos tratamentos contendo fertilizantes foliares bioestimulantes, na cultura do sorgo, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23. O plantio foi realizado com o híbrido de sorgo
Foram realizadas amostragens de produtividade com a
AG1070 (Bayer) de ciclo classificado como precoce, e
coleta das plantas em dois pontos de 3 metros e 3 linhas
-
população final de 10,5 plantas m (210.000 plantas ha
(4,50 m²) por área útil de cada parcela. As amostras
). Cada parcela foi composta por 12 linhas espaçadas
foram secas, trilhadas, pesadas e aferidas a umidade. A
2
em 0,50 m, contendo 10 m de comprimento (60 m
umidade das amostras foi corrigida para 13%. Na data
por parcela). As avaliações foram realizadas nas seis
da colheita foram coletadas 3 panículas por parcela e
fileiras centrais, excluindo-se 0,50 m das extremidades
foram avaliados o tamanho, largura e peso de panícula.
(área útil de 27 m ). As pulverizações foliares foram
A análise estatística se deu por meio da análise
realizadas de acordo com o estádio da cultura. Para
de variância pelo teste F a 5% de probabilidade, para
pulverização das unidades experimentais, utilizou-
avaliação das significâncias dos resultados. Quando
se um pulverizador de parcelas pressurizado por CO2
significativos, os resultados de caráter qualitativo
(Patente: BR102016007565-3) montado em trator. O
tiveram suas médias comparadas a partir do teste
pulverizador possui barra de 5,0 metros com 10 bicos
Scott-Knott a 5% de probabilidade.
-1
1
2
de pulverização espaçados em 0,5 m. Utilizou-se pontas modelo ADIA 015.D da marca Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada com pressão de trabalho em 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha . -1
104
RESULTADOS E DISCUSSÃO As aplicações foliares dos bioestimulantes, não foram capazes de influenciar significativamente
A colheita foi realizada no dia 24/07/2023,
as variáveis biométricas apresentadas na Tabela 1. As
totalizando o ciclo de 140 dias (da semeadura à colheita).
panículas de sorgo apresentaram em média, 28,54 cm
Fisiologia e Nutrição de Plantas
de altura, 58,77 cm de largura e 126,6 gramas. Embora
aplicações dos fertilizantes foliares, foi possível observar
esses atributos não tenham sido influenciados pelas
incrementos na produtividade de grãos (Figura 3).
Tabela 1. Tamanho, largura e peso de panícula em função da aplicação de fertilizantes foliares bioestimulantes na cultura do milho, em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23.
Tratamentos
Tamanho da panícula
Largura da panícula
Peso da panícula
Produtos Comerciais
(cm)
(cm)
(g planta-1)
1
Testemunha
27,26
63,27
141,66
2
Salus Magis®
26,70
53,02
124,75
3
Foltron Plus®
27,58
56,18
121,58
4
Nutriplenus Completo®
27,54
56,71
130,00
5
Niphokam®
27,87
58,04
129,16
6
Bioamino® Extra
26,54
58,93
113,00
7
Biozyme®
44,75
65,33
142,00
8
Stimulate®
26,58
55,03
125,83
9
Crop+®
26,45
58,08
125,75
10
Profol Exclusive®
26,91
57,46
109,00
11
Fertileader FIX®
27,54
61,28
129,58
12
Scudero®
27,12
61,89
124,00
p-valor
0,371ns
0,615ns
0,373ns
média
28,54
58,77
126,36
C.V. (%)
33,71
13,36
14,38
A aplicação dos fertilizantes foliares na cultura
em relação à não adubação foliar. Em seus estudos,
do sorgo se mostrou efetiva em promover incrementos
FERREIRA et al. (2019), observaram incremento de
produtivos quando aplicados os tratamentos 3, 4, 5, 7, 10
produtividade, na cultura do sorgo, em torno de 12%,
e 11, que em média produziram 5,4% mais em relação
que representou em torno de 25,66 sc ha-1, com a
a testemunha, totalizando 5,39 sc ha-1. Os demais
aplicação de bioestimulantes foliares, associados à
produtos, não promoveram incrementos significativos
adubação com nitrogênio via solo.
Fisiologia e Nutrição de Plantas
105
Médias seguidas mesma letra acimadas dasbarras, barras,não nãodiferem diferementre entresisipelo peloteste teste de de Scot Scot-Knot Médias seguidas porpor mesma letra a cima -Knot (p-valor<0,05). ( p-valor <0,05).
Figura 3. Produtividade e grãos (sc ha-1) em função da aplicação de fertilizantes foliares na cultura do sorgo, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23. Os resultados relacionados ao incremento
cultura do sorgo, apresenta potencial incremento na
de produtividade na cultura do sorgo, neste estudo,
produtividade de grãos, porém em menor escala ao se
não foram tão expressivos quanto aos encontrados
comparar os efeitos obtidos pela cultura do milho. Isso
para a cultura do milho. Ao observar as garantias dos
se deve a resistência da cultura frente ao déficit hídrico.
produtos que surtiram maiores resultados, é possível concluir que eles apresentam maior apelo nutricional, com macronutrientes e micronutrientes contidos em
AGRADECIMENTOS
maiores quantidades. Esses resultados evidenciam,
À equipe de campo e estagiários do Centro
assim como ressaltado por Pereira Araújo et al.
Tecnológico COMIGO, indispensáveis para a condução
(2020), que a intensidade dos resultados obtidos está
deste trabalho.
diretamente ligada ao potencial genético da cultura. Esses resultados corroboram a notória eficiência do uso da água pela cultura do sorgo, que mesmo passando por períodos de déficit hídrico durante os seus estádios reprodutivos (precipitação acumulada de 35 mm – Figura 1), obteve alto teto produtivo, mesmo sem a aplicação dos fertilizantes foliares.
CONCLUSÕES A adubação foliar com bioestimulantes na
106
Fisiologia e Nutrição de Plantas
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVARES, C. A.; STAPE, J. L.; SENTELHAS, P. C.; DE MORAES GONÇALVES, J. L.; SPAROVEK, G. Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, vol. 22, no. 6, p. 711–728, 2013. https://doi. org/10.1127/0941-2948/2013/0507. BESERRA DE MENEZES, C. Melhoramento Genético de Sorgo. [S. l.: s. n.], 2021. vol. 1, . Disponível em: www.embrapa.br/fale-conosco/sac.
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Fisiologia e Nutrição de Plantas
107
Fitopatologia 108
Fitopatologia
O CONTROLE DE DOENÇAS COMEÇA CEDO: FUNGICIDAS EM FASE VEGETATIVA DA SOJA FERNANDES1, Rafael Henrique; LIMA2, Diego Tolentino de; BRAZ3, Guilherme Braga Pereira; SILVA4, Lincoln Lima; DELGADO5, Vanderson Aparecido Diego Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Graduando em Agronomia pelo Instituto Federal Goiano, Campus de Rio Verde. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: linconl96lima@gmail.com 5 Graduando em Agronomia pela Universidade de Rio Verde – UniRV. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 1
território brasileiro (GODOY et al., 2016; YORINORI et al., 2005; SINCLAIR E HARTMAN, 1999). As diversidades edáficas e as condições climáticas de cada safra, são fatores preponderantes para as diferentes severidades e importância econômica de cada doença (EMBRAPA 2010). Estes patógenos podem causar problemas em todos os tecidos da planta, contudo, as doenças foliares são as mais comuns, com frequência e intensidade bastante variáveis ao longo das regiões produtoras (JULIATTI et al., 2004). Na região Centro-Oeste, doenças como a mancha-alvo
(Corynespora
cassiicola),
antracnose
(Colletotrichum
truncatum),
mancha
de
olho
rã
(Cercospora sojina), septoriose (Septoria glycines) e crestamento foliar de cercóspora (Cercospora kikuchii) estão amplamente disseminadas nas regiões produtoras da oleaginosa. Estes patógenos têm capacidade de sobreviverem em restos de cultivo durante a entressafra e quando encontram hospedeiros suscetíveis e condições ambientais favoráveis, infectam novamente as lavouras e
INTRODUÇÃO Já foram descritos mais de 100 patógenos causando alguma injúria na cultura da soja (Glycine max (L.) Merril) em todo o mundo, sendo que cerca de 40 destes (fungos, bactérias, vírus e nematoides) já foram identificados causando doenças em
podem causar prejuízos acima de 30% (JULIATTI et al., 2004; KLINGELFUSS e YORINORI, 2001; GODOY et al., 2016). A soja está sujeita à infecção destes patógenos em qualquer estádio fenológico, na verdade podem ocorrer desde a semente até a colheita. Muitas vezes a penetração e colonização de tecidos ocorrem prematuramente na planta, mas nem sempre acontece a
Fitopatologia
109
manifestação dos sintomas característicos das doenças
vegetativos (FERNANDES et al., 2020; ANDRADE,
logo em seguida. Este intervalo entre a infecção e
2019; GUIMARÃES, 2008). Contudo, cada vez mais esta
aparecimento dos sintomas é o chamado período de
prática tem ganhado espaço, pois além dos benefícios
latência, que pode variar de acordo com o patógeno e
diretos sobre a produtividade, é necessário refletir
condições climáticas.
sobre a produção e sobrevivência de inóculos para os
A utilização de materiais com resistência às
cultivos subsequentes.
doenças foliares tem sido a principal ferramenta
A diversidade dos sistemas produtivos e de
adotada, pois não altera as demais atividades de manejo
cultivares disponíveis, somado ao número elevado
da cultura é de fácil execução. No entanto, na maioria
de fungicidas disponíveis no mercado, muitas das
das vezes, as doenças acontecem de forma simultânea
vezes tem deixado técnicos e produtores com dúvidas
na lavoura e os diferentes níveis de resistência e/
referentes aos posicionamentos para as aplicações em
ou tolerância das cultivares à estas doenças podem
estádios vegetativos. Por algum tempo, produtos de
permitir que alguma delas se sobressaia. Somam-
menor custo, ou remanescentes de safras passadas,
se ao controle genético, o controle químico com
eram destinados para esta aplicação. Entretanto, ao
fungicidas, rotação de culturas, controle biológico,
passo que a prática foi se estabelecendo, busca-
pousio da área, controle cultural, entre outros. No
se o posicionamento mais adequando em relação
entanto, existem entraves técnicos e econômicos que
às moléculas e, principalmente, organismos alvo da
dificultam a adoção de algumas delas pelos produtores,
aplicação.
principalmente o pousio da área e a rotação de culturas.
Assim, o objetivo foi avaliar o desempenho de
Assim, a utilização do controle químico com fungicidas
diferentes fungicidas comerciais quando aplicados em
torna-se indispensável.
fase vegetativa da soja, bem como os seus possíveis
Tem crescido a prática de aplicações de fungicidas de forma antecipada, em estádio vegetativo
incrementos na eficiência de controle de doenças foliares e na produtividade da cultura.
da soja visando justamente o controle destas doenças que podem infectar a planta precocemente. Geralmente, esta aplicação é feita com as plantas em estádio V3 ou V4, em associação com a aplicação de herbicida em
O experimento foi conduzido em condições de
pós-emergência. As aplicações de fungicida nesta
campo, na área experimental do Centro Tecnológico
fase favorecem a deposição de moléculas fungicidas
Comigo, localizado em Rio Verde-GO (S 17°45’44”
em quantidade adequada em toda a planta, incluindo
O 51°02’03” e altitude média de 835 metros), com
o ‘futuro baixeiro’. Sabe-se que, nas aplicações em
predominância de áreas com latossolo Vermelho
estádios mais avançados, após o fechamento completo
Distrófico (SANTOS et al., 2018).
das entrelinhas, a deposição da calda de aplicação
A semeadura da área experimental foi realizada
pode ser desigual entre os terços da planta (HOLTZ et
no dia 14 de outubro de 2022, com a cultivar Bônus IPRO
al., 2014; SILVA et al., 2014; WEBER et al., 2017).
(8579 RSF). As sementes foram tratadas industrialmente
Na
110
MATERIAL E MÉTODOS
literatura
dados
com 48 g de Ciantraniliprole + 1 g de Metalaxil + 2,5
divergentes quanto a eficiência e viabilidade técnica
g de Fludioxonil para cada 100 kg de sementes (80
e econômica de realizar aplicações em estádios
mL de Fortenza 600 FS + 100 mL de Maxim XL / 100
Fitopatologia
são
encontrados
kg sementes). A densidade de semeadura utilizada foi de 11,3 sementes por metro. No sulco de plantio foram aplicados: o inoculante Nitrogin Cell Tech HC (Bradyrhizobium japonicum – Semia 5079 e Semia 5080, com 3 x 109 células viáveis/mL, Monsanto BioAg) na dose de 1,0 L ha-1 + Biomax Azum, Vittia (Azospirillum brasilense, 3 x 108 células/mL) na dose de 0,1 L ha-1 + o inseticida biológico Meta-Turbo SC, Vittia (Metarhizium anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1 x 108 propágulos viáveis mL-1) na dose de 0,5 L ha-1 + o fertilizante Nodulus Gold, Vittia (1 % de Co, 10% de Mo) na dose de 0,2 L ha-1 + o nematicida Verango Prime, Bayer (Fluopiram, 500 g i.a. L-1, SC) na dose de 200 g de i.a. ha-1. Todos aplicados com Micron e volume de aplicação de 60 L ha-1. A adubação foi realizada na semeadura, com 280 kg ha-1 do fertilizante formulado 08:20:18 (N:P:K), aplicado no sulco de plantio. E após a semeadura, com 152 kg de KCl (60% de K2O) aplicado à lanço em área total, no dia 24/10/2022. O delineamento experimental utilizado foi o de Blocos Casualizados (DBC), com 14 tratamentos e quatro repetições, totalizando 56 parcelas. As parcelas foram compostas por 10 linhas de plantio, espaçadas a 0,5 metros, e oito metros de comprimento, totalizando 40 m2 (8 x 5 m). Como parcela útil foram considerados os seis metros centrais das seis linhas centrais (6 x 3 m, 18 m2). Os tratamentos consistiram na aplicação de diferentes fungicidas comerciais em fase vegetativa da soja (Tabela 1). Mais precisamente, esta aplicação ocorreu aos 30 DAE (dias após emergência), com a cultura em estádio fenológico V5 (cinco nós e quarta folha trifoliada desenvolvida). Foi conduzido também um tratamento controle, que não recebeu a aplicação em estádio vegetativo, mas recebeu as demais aplicações de fungicidas. Além de um tratamento testemunha, sem nenhuma aplicação.
Fitopatologia
111
Tabela 1. Descrição dos tratamentos com diferentes fungicidas comerciais, ingredientes ativos e doses utilizadas nas aplicações de fungicidas em fase vegetativa da soja. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.
Trat.
Produto Comercial (p. c.) e dose (L ou kg ha-1)
Ingrediente Ativo (I. A.) e concentração (g L-1 ou kg L-1)
Dose (g de I.A. ha-1 )
1.
Score Flexi (0,15)
Propiconazol (250) + Difenoconazol (250)
37,5 + 37,5
2.
Aproach Power (0,6)
Picoxistrobina (90) + Ciproconazol (40)
54 + 24
3.
Nativo (0,5)1
Trifloxistrobina (100) + Tebuconazol (200)
50 + 100
4.
Abacus (0,3)2
Piraclostrobina (260) + Epoxiconazol (160)
78 + 48
5.
Opera (0,5) 2
Piraclostrobina (133) + Epoxiconazol (50)
66,5 + 25
6.
Prisma Plus (0,2)
Difenoconazol (250)
50
7.
Priori Top (0,3)3
Azoxistrobina (200) + Difenoconazol (125)
60 + 37,5
8.
Helmstar Plus (0,5)1
Azoxistrobina (120) + Tebuconazol (240)
60 + 120
9.
Teburaz (0,5)4
Azoxistrobina (120) + Tebuconazol (200)
60 + 100
10.
Comet (0,3)
Piraclostrobina (250)
75
11.
Cypress (0,3)
Ciproconazol (150) + Difenoconazol (250)
45 + 75
12.
Fusão (0,6)5
Metominostrobina (110) + Tebuconazol (165)
66 + 99
13. 14.
Controle (Sem aplicação no vegetativo) Testemunha (Sem aplicações de fungicidas)
-
-
-
-
Adicionado Aureo (0,25% v/v); 2Adicionado Mees (0,5 L ha-1); 3Adicionado Ochima (0,25 L ha-1); 4Adicionado Nori (0,25% v/v); 5Adicionado Iharol Gold (0,15% v/v) 1
112
O programa de aplicações foi composto pelos
aplicados Bixafem + Trifloxistrobina + Protioconazol
diferentes fungicidas aplicados em fase vegetativa
(Fox Xpro, 0,5 L ha-1; 62,5 + 75 + 87,5 g de i. a.; adicionado
(Tabela 1), seguido de mais três aplicações (Tabela
adjuvante Aureo 0,25% v/v.) + Mancozebe (Unizeb
2). Em 28/11/2022, com a cultura iniciando a fase
Gold, 1,5 kg ha-1; 1.125 de i. a.). Posteriormente, em
reprodutiva (R1 – Início do florescimento com uma
15/12/2022, foram Picoxistrobina + Protioconazol
flor aberta em qualquer nó da haste principal) foram
(Viovan, 0,6 L ha-1; 60 g + 70 g de i. a.) + Mancozebe
Fitopatologia
(Unizeb Gold, 1,5 kg ha-1; 1.125 de i.a.). E na última
de pulverização foi acondicionada em tanques
aplicação, também conhecida como aplicação de
tipo post-mix com capacidade de 10 L. As pontas
fechamento de ciclo, Difenoconazol + Ciproconazol
utilizadas para pulverização foram modelo AD-IA/D
(Cypress, 0,3 L ha ; 75 g + 45 g de i. a.) + 720 g de
110.015, da marca Magnojet. O equipamento foi
Clorotalonil (Bravonil 720, 1,0 L ha ).
calibrado com pressão de trabalho na ponta de 3,8
-1
-1
realizadas
bar (55,11 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.
com pulverizador pressurizado por CO2 (Patente:
Durante as aplicações, as condições meteorológicas,
BR102016007565-3) montado em trator (MF 275,
temperatura (°C), umidade relativa do ar (%) e
Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador possui
velocidade do vento (km h-1) foram mensuradas com
barra de pulverização com 5,0 m de largura e 10
o equipamento termo-higro-anemômetro (Tabela 2).
Todas
as
aplicações
foram
bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A calda
Tabela 2. Datas das aplicações e dados meteorológicos mensurados durante as aplicações do programa de aplicações de fungicidas utilizados no experimento. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2021/2022.
Data
Horário (h)
Temperatura (°C)
Umidade Relativa do ar (%)
Velocidade do vento (km h-1)
1ª Aplicação
Início
06:50
22,2
83,4
5,94
19/11/2022
Término
09:02
23,7
73,5
4,75
2ª Aplicação
Início
17:05
30,2
59,0
2,88
28/11/2022
Término
17:32
29,7
62,2
1,80
3ª Aplicação
Início
11:05
29,7
69,9
2,88
15/12/2022
Término
11:56
30,3
70,7
5,04
4ª Aplicação
Início
09:04
21,1
78,2
4,32
02/01/2023
Término
09:38
22,6
82,4
3,60
O controle de plantas daninhas foi realizado em
O controle de pragas foi empregado com base
dois momentos. Inicialmente no pré-plantio da soja,
no manejo integrado, sendo realizadas avaliações
visando basicamente a dessecação e formação de
e levantamentos semanais quanto à ocorrência,
palhada de Brachiaria ruziziensis, que foi realizada no
nível populacional e dano das principais pragas. As
dia 30/09/2022 com glyphosate (Roundup Ultra, 650 g
recomendações de inseticidas priorizaram a rotação
e. a. kg ) na dose de 1.625 g e. a. ha . E também em
de mecanismos de ação e ingredientes ativos. As
pós-emergência da cultura, em estádio fenológico
aplicações visaram, prioritariamente, o controle de
entre V2 e V3, quando foi aplicado glyphosate (Xeque
coleópteros desfolhadores (família Chrysomelidae) em
Mate, 500 g e. a. L ) com dose de 1.000 g e. a. ha . Estas
fases iniciais, lagartas e percevejos (principalmente
aplicações foram realizadas com volume de aplicação
percevejo-marrom, Euschistus heros) ao longo do ciclo.
-1
-1
-1
-1
de 150 L ha . -1
Fitopatologia
113
Foram realizadas cinco avaliações de severidade,
na área experimental foram o crestamento foliar
nos dias anteriores às aplicações de fungicidas, e duas
de cercóspora (Cercospora kikuchii), mancha -alvo
avaliações aos 15 e 40 dias após a última aplicação. As
(Corynespora cassiicola) e mancha-parda (Septoria
escalas diagramáticas utilizadas para a quantificação
glycines). Outras doenças, com incidência e severidade
das doenças no campo foram as propostas por Martins
pouco expressivas, foram a antracnose (Colletotrichum
et al. (2004), para o complexo de doenças de final de
spp.) e mancha-olho-de-rã (Cercospora sojina). Estas
ciclo da soja (Septoria glycines e Cercospora kickuchii)
doenças se manifestaram em diferentes estádios
e Soares et al. (2009) para mancha-alvo (Corynespora
fenológicos das plantas. Contudo, as severidades de
cassiicola). As avaliações foram feitas nos terços inferior
crestamento tiveram maior destaque após o início do
e médio de cinco plantas selecionadas aleatoriamente
enchimento de grãos.
na parcela útil. Os dados de severidade obtidos ao
Os valores de severidade final e AACPD do
longo do o ciclo da cultura, foram utilizados para
tratamento testemunha foram superiores aos demais,
determinar a Área Abaixo da Curva do Progresso da
tanto para DFC quanto para mancha-alvo (Tabela 3).
Doença (AACPD – variável utilizada como ferramenta
O que evidencia a capacidade destes patógenos em
para quantificar doença no campo) (CAMPBELL e
comprometer os tecidos foliares quando não é feita a
MADDEN, 1990). Enquanto que, os dados mensurados
intervenção através dos fungicidas.
na última avaliação, com as plantas em estádio
De maneira geral, observa-se que os tratamentos
fenológico R7 (iniciando a maturação fisiológica das
com programas de aplicações incluindo estádio
vagens), representaram a severidade final das doenças.
vegetativo foram capazes de melhorar o controle da
A colheita foi realizada no dia 27/02/2023,
mancha-alvo e também das DFCs (Tabela 3). Para
totalizando um ciclo de 136 dias. Para determinação
mancha-alvo, apenas a aplicação com Picoxistrobina
da produtividade foram colhidos três metros de três
(66,5 g) + Epoxiconazol (25 g) obteve severidade final
linhas da parcela útil. As amostras foram identificadas
semelhante à do tratamento controle (Tabela 3). Para
e trilhadas, em seguida a massa (kg) e umidade
a severidade de mancha-parda + crestamento de
mensuradas. Os dados foram ajustados para 13%
cercóspora (DFC), os tratamentos com Trifloxistrobina
de umidade dos grãos, a estimativa de produtividade
(50 g) + Tebuconazol (100 g) e Azoxistrobina (60 g) +
corrigida em função do número de plantas colhidas e
Tebuconazol (100 g) obtiveram valores semelhantes
a população (plantas ha-1), e apresentados em sacas de
onde não foi realizada aplicação no vegetativo. Já
60 kg por hectare (sc ha-1).
para AACPD-DFC, as aplicações neste estádio foram
Os dados foram submetidos à análise de
capazes de reduzir esta variável, independentemente
variância e quando verificada diferença significativa
do fungicida que foi aplicado (Tabela 3). Com
entre as médias, as comparações foram realizadas
destaque ligeiramente superior para as aplicações
através do teste de Scott-Knott (P<0,05) pelo software
com Trifloxistrobina (50 g) + Tebuconazol (100 g),
SISVAR (FERREIRA, 2014).
Picoxistrobina (78) + Epoxiconazol (48 g), Azoxistrobina (60 g) + Difenoconazol (39,5 g), Azoxistrobina (60 g)
RESULTADOS E DISCUSSÃO As principais doenças foliares observadas
114
Fitopatologia
+ Tebuconazol (120 g), Metominostrobina (66 g) + Tebuconazol (99 g).
Tabela 3. Valores médios de severidade final e área abaixo da curva do progresso de doenças (AACPD) para as doenças de final de ciclo (DFC) e mancha-alvo, com diferentes fungicidas aplicados em fase vegetativa da soja. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Mancha-alvo Trat.
Fungicida Vegetativo
1.
DFC+
Severidade
AACPD
Severidade
AACPD
Score Flexi
5,0 a
136,3 a
6,0 a
238,4 b
2.
Aproach Power
5,0 a
140,0 a
5,8 a
223,3 b
3.
Nativo
5,3 a
115,2 a
7,0 b
202,4 a
4.
Abacus
5,2 a
116,6 a
5,5 a
196,8 a
5.
Opera
7,3 b
158,7 a
6,5 a
245,2 b
6.
Prisma Plus
5,7 a
141,7 a
6,5 a
245,2 b
7.
Priori Top
4,3 a
105,3 a
6,2 a
196,7 a
8.
Helmstar Plus
4,5 a
105,8 a
6,5 a
192,0 a
9.
Teburaz
5,8 a
131,1 a
7,2 b
228,5 b
10.
Comet
6,0 a
120,5 a
6,0 a
220,1 b
11.
Cypress
5,0 a
116,2 a
6,7 a
225,4 b
12.
Fusão
4,0 a
117,3 a
6,0 a
199,9 a
13.
Controle
7,4 b
213,0 b
8,3 b
291,9 c
14.
Testemunha
10,8 c
308,6 c
16,7 c
442,9 d
C.V.
14,67
16,90
13,92
12,59
DFC = Mancha-parda + Crestamento foliar de cercóspora C.V. (%) = Coeficiente de variação Médias seguidas de letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (P<0,05) +
Os resultados de produtividade se comportaram
Tebuconazol (120 g), Ciproconazol (45) + Difenoconazol
de forma semelhante aos de severidade e AACPD.
(75), Metominostrobina (66) + Tebuconazol (99) não
Nos quais é possível observar o impacto das doenças
foram observados incrementos produtivos.
avaliadas sobre a produtividade sem a adoção do controle químico, com produtividade abaixo das 60 sacas por hectare e significativamente inferior aos demais (Figura 1). A maioria dos programas de aplicações que incluíram aplicação no vegetativo contribuíram não só para a redução das doenças no campo, mas também possibilitaram incrementos na produtividade da lavoura em comparação com o tratamento controle (sem aplicação no vegetativo). Apenas quando foram aplicados Azoxistrobina (60 g) +
Fitopatologia
115
Produ�vidade (sacas ha-1)
80 70
a a a a a a a a 70,4 70,6 68,8 69,2 68,4 69,4 69,3 68,8
a b b 70,0 b b 64,7 64,2 64,6 64,9
60
c 59,9
50 40 30 20 10 0
Fungicidas aplicados em fase vegeta�va Figura 1. Produtividade média de sacas de soja, cultivar Bônus, em razão dos diferentes fungicidas aplicados na fase vegetativa da cultura. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. C.V. = 7,75%
CONCLUSÕES Os
AGRADECIMENTOS
fungicidas
comerciais
avaliados
Á equipe de campo, estagiários e demais
apresentaram bom desempenho quando aplicados na
pesquisadores do CTC pelo apoio na execução do
fase vegetativa da soja. Praticamente todos eles foram
experimento.
capazes de reduzir significativamente a severidade e AACPD das doenças avaliadas. Percebe-se que, o nível de intensificação dos
116
REFERÊNCIAS
cultivos com a adoção de práticas e cultivares que visam
ANDRADE, L. R. Avaliação de diferentes
a elevação dos patamares de produção têm provocado,
fungicidas no controle de Septoria glycines na
concomitantemente,
no
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apresenta-se como uma estratégia que passa a ser
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Fitopatologia
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Fitopatologia
117
DIFERENTES FUNGICIDAS NO CONTROLE DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA, SAFRA 2022/2023 EM RIO VERDE-GO DELGADO1, Vanderson Aparecido Diego; SILVA2, Lincoln Lima; FERNANDES3, Rafael Henrique; LIMA4, Diego Tolentino de; BRAZ5, Guilherme Braga Pereira Graduando em Agronomia pela Universidade de Rio Verde – UniRV. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 2 Graduando em Agronomia pelo Instituto Federal Goiano, Campus de Rio Verde. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: linconl96lima@gmail.com 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 1
primeiros casos da doença no Brasil foram identificados no Paraná (JACCOUD FILHO et al., 2001; YORINORI et al., 2002). Duas safras depois, a doença já havia se espalhado pela maioria do território brasileiro (YORINORI et al., 2005). Desde então, a ferrugem asiática da soja vem sendo monitorada de perto por centros de pesquisa, públicos e privados, espalhados pelo Brasil. Esta doença causa grande preocupação entre os produtores, pois além de apresentar elevada severidade, é facilmente disseminada.
As
estruturas
responsáveis
pela
disseminação da doença são chamadas uredósporos, que são carregados pelo vento e podem percorrer longas distâncias, infectando novas plantas e iniciando novos ciclos da doença (YORINORI e WILFRIDO, 2002). O controle químico é considerado oneroso e pouco eficiente após o aparecimento dos sintomas na cultura. Um método eficaz para o manejo da ferrugem asiática da soja é o uso de cultivares precoces, que passam menos tempo no campo, o que permite o
INTRODUÇÃO
cultivo com menores chances de exposição ao fungo. Além disso, é importante realizar o plantio antecipado, respeitando o vazio sanitário e o calendário de semeadura
118
A ferrugem asiática da soja, causada pelo
de cada estado. O monitoramento constante da lavoura
fungo Phakopsora pachyrhizi, é considerada uma das
também é fundamental, pois, temperaturas entre 16 e
principais doenças que afetam a cultura. Em 2001, os
28°C e elevada umidade relativa do ar são fatores que
Fitopatologia
favorecem o desenvolvimento do fungo (YORINORI &
ciclo médio de 115 dias. É um material estável, com alto
WILFRIDO, 2002).
potencial produtivo e população recomendada entre
Devido a pouca diversidade de cultivares
260 e 320 plantas por hectare. A cultivar CZ 37B43
resistentes à ferrugem, o uso de defensivos agrícolas
IPRO possui resistência ao acamamento, tolerância
tem aumentado para combater a doença. Este é o meio
à podridão cinzenta (Macrophomina sp.) e sistema
mais utilizado, mas deve ser realizado de forma racional
radicular vigoroso. A semeadura foi realizada tardiamente de modo
para não inviabilizar a cultura (GODOY e CANTERI,
que houvesse maior chances de exposição da área
2004). A adoção de cultivares de soja resistentes à
experimental à Ferrugem Asiática da Soja (FAS), por
ferrugem asiática e o uso de produtos fitossanitários,
isso foi realizada no dia 16/12/2022 com densidade de
como os fungicidas, são fundamentais para a
16 sementes por metro. As sementes foram tratadas
prevenção e controle da doença no campo. É
industrialmente (TSI) com 5 g de Piraclostrobina + 45
importante que todas as decisões sejam tomadas de
g de Tiofanato Metílico + 50 g de Fipronil para cada
forma técnica, considerando todos os fatores para a
100 kg de sementes (Standak Top – 200mL /100kg
escolha de produtos com alta performance. O controle
sementes). Na semeadura também foram aplicados:
químico é adotado de forma preventiva ou no início
o inoculante Nitrogin Cell Tech HC (Bradyrhizobium
do aparecimento dos sintomas da doença, buscando
japonicum Semia 5079 e Semia 5080, com 3 x 109
controlar os esporos de P. pachyrhizi por meio de
células viáveis/mL, Monsanto BioAg) na dose de 1,0
fungicidas.
L ha-1, o co-inoculante Biomax Azum (Azospirillum
A maioria dos fungicidas comerciais é composta
brasiliense, 3 x 108 células mL-1) na dose de 0,1 L ha-
por moléculas de diferentes grupos químicos, que
1
devem ser utilizadas preferencialmente em combinação.
anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1 x 108
É fundamental avaliar a eficiência desses produtos e
propágulos viáveis mL-¹) na dose de 0,5 L ha-¹ e 0,2 L ha-¹
monitorar a sensibilidade do fungo às moléculas, para
do fertilizante Nodulus Gold (1 % de Co, 10% de Mo)
garantir que os fungicidas utilizados sejam eficazes no
com Micron e volume de aplicação de 60 L ha-¹. No dia
controle da ferrugem asiática da soja.
24/10/2022, foram aplicados 152 kg ha-1 de KCl (cloreto
Diante disso, foi realizado um estudo para avaliar a eficiência de diferentes fungicidas no controle da ferrugem asiática da soja durante o ano agrícola 2022/2023 em Rio Verde, Goiás.
, o inseticida biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium
de potássio, 60% de K2O) e 450 kg ha-1 do fertilizante Super Simples (20% de P2O5). O experimento foi conduzido em delineamento experimental em blocos casualizados (DBC), com 16 tratamentos e quatro repetições/blocos, totalizando
MATERIAL E MÉTODOS
64 parcelas. Cada parcela foi composta por 10 linhas de plantio, com espaçamento de 0,5 m, e 10 metros de
O experimento foi realizado em condições de
comprimento, totalizando 50 m2. A parcela útil, utilizada
campo, na área experimental do Centro Tecnológico
para as avaliações, foi considerada, descartando-se
Comigo (CTC), em Rio Verde - GO, com a cultivar de
dois metros das extremidades e duas linhas laterais de
soja CZ 37B43 IPRO. Essa cultivar possui hábito de
bordadura, totalizando 18 m2.
crescimento indeterminado, grupo de maturação 7.4 e
Foram realizadas quatro aplicações sequenciais
Fitopatologia
119
de diferentes fungicidas, iniciando aproximadamente
(1ª 25/01/2023; 2a 09/02/2023; 3a 24/02/2023; 4a
30 dias após a emergência das plântulas, com a
10/03/2023). Os tratamentos que compuseram o
cultura entre os estádios V5 e V6, e intervalos entre
experimento foram diferentes fungicidas aplicados
as aplicações de aproximadamente quinze (15) dias
para o controle da ferrugem asiática da soja (Tabela 1).
Tabela 1. Descrição dos tratamentos, produtos comerciais, ingredientes ativos e doses dos fungicidas utilizados para o controle da ferrugem asiática da soja. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde- GO, safra 2022/2023. Dose
Tratamentos Produto Comercial – p.c. (ingredientes ativos – I.A.)
L ou kg p.c ha -¹
g I.A ha -¹
Excalia Max4 (Impirfluxam + Tebuconazol)
0,5
30+100
Fox Supra² (Impirfluxam + Protioconazol)
0,35
42+84
Fox Xpro² (Bixafem + Trifloxistrobina + Protioconazol)
0,5
62,5+75+87,5
Blavity1 (Fluxapiroxade + Protioconazol)
0,3
60+84
Belyan1 (Fluxapiroxade + Piraclostrobina Mefentrifluconazol)
0,6
53,3+106,7+80
Evolution3 (Azoxistrobina + Protioconazol + Mancozebe)
2,0
75+75+1.050
Viovan (Picoxistrobina + Protioconazol)
0,6
60+70
Versatilis (Fenpropimorfe)
0,3
225
Mitrion (Benzovindiflupir + Protioconazol)
0,45
33,75+67,5
Vessarya (Benzovindiflupir + Picoxistrobina)
0,6
60+30
Aproach Power (Picoxistrobina + Ciproconazol)
0,6
54+24
Sphere Max2 (Trifloxistrobina + Ciproconazol)
0,2
75+32
Fusão5 (Metominostrobina + Tebuconazol)
0,58
63,8+95,7
Orkestra SC1 (Fluxapiroxade +Protioconazol)
0,35
58,5+116,5
Alade (Benzovindiflupir + Ciproconazol + Difenoconazol)
0,5
30+45+75
Testemunha
-
-
Adicionado Mees (0,3 L ha-¹); 2 Adicionado Auero (0,25% v/v); 3Adicionado Strides (0,25% v/v); 4Adicionado Agris (0,5 L ha-¹); 5 Adicionado Iharol Gold (0,15% v/v). 1
120
Fitopatologia
As aplicações foram realizadas com pulverizador
Magnojet. O equipamento foi calibrado com pressão
pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3)
de trabalho na ponta de 3,8 bar (55,11 Psi) e volume
montado em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv).
de aplicação constante de 150 L ha-1. Durante as
Pulverizador dotado com barra de cinco metros com
aplicações, as condições meteorológicas, temperatura
10 bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A calda
(°C), umidade relativa do ar (%) e velocidade do vento
preparada foi acondicionada em tanques tipo post-mix
(km h-1) foram mensuradas com o equipamento termo-
com capacidade de 10 L. As pontas utilizadas para
higro-anemômetro (Tabela 2).
pulverização foram modelo AD-IA/D 110.015, da marca
Tabela 2. Datas das aplicações e dados meteorológicos mensurados nas aplicações dos diferentes fungicidas para o controle da ferrugem asiática da soja. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.
Data
Horário (h)
Temperatura (°C)
Umidade Relativa do ar (%)
Velocidade do vento (km h-1)
1a Aplicação
Inicio
10:04
22,0
83,8
8,28
25/01/2023
Término
14:32
22,7
84,2
10,8
2a Aplicação 09/02/2023
Inicio
11:20
29,8
66,5
3,96
Término
15:10
30,1
67,2
2,88
Inicio
09:12
23,2
85,0
7,56
Término
16:14
24,3
77,5
5,04
Inicio
09:34
25,6
74,2
7,2
Término
15:04
30,2
59,5
9,36
3 Aplicação 24/02/2023 a
4a Aplicação 10/03/2023
A eficiência dos tratamentos para o controle da
umidade dos grãos e a estimativa de produtividade
ferrugem foi estimada por meio de seis avaliações de
corrigida em função do número de plantas colhidas e
severidade, seguindo a escala diagramática sugerida
a população (plantas ha-¹) e apresentados em sacas de
por Godoy et al. (2006). As avaliações foram realizadas
60 kg por hectare (sacas ha-¹). Através da avaliação da
em cinco plantas aleatórias dentro da parcela útil, no
severidade ao longo do ciclo foram calculados a área
terço médio e no inferior da planta. A média de cada
abaixo da curva de progresso da doença – AACPD
parcela foi composta pela média da severidade nas
(CAMPBELL e MADDEN, 1990), neste caso AACP-
diferentes porções das plantas. As avalições foram
Ferrugem, e eficiência de controle (%).
realizadas um dia antes das aplicações, e aos 10 e 30
Os dados de severidade final da ferrugem
dias após a última aplicação. A produtividade de grãos
asiática, AACP-Ferrugem e de produtividade foram
foi avaliada realizando a colheita de três metros de três
submetidos à análise de variância e quando verificado
linhas centrais de cada parcela, totalizando 9 metros
diferença significativa entre as médias, as comparações
de colheita. As amostras foram submetidas a trilharem,
foram realizadas através do teste de Scott-Knott (P<0,05)
medindo a umidade (três vezes) e pesagem da massa
pelo software SISVAR (FERREIRA, 2014).
fresca (kg). Os dados foram ajustados para 13% de Fitopatologia
121
RESULTADOS E DISCUSSÃO No Centro Tecnológico Comigo (CTC), o primeiro foco da ferrugem asiática da soja na safra 2022/2023 foi observado no dia 27/01/2023. Os valores de severidade final e AACP-ferrugem foram maiores no tratamento testemunha, significativamente superior aos demais tratamentos, com severidade final atingindo 41,8% de tecido afetado pela doença (Tabela 3). Esses níveis de severidade e AACP-Ferrugem impactaram diretamente na produtividade, que foi de apenas 42,8 sacas ha-¹, (Tabela 3). As aplicações dos produtos comerciais Alade, Orkestra, Sphere Max, Aproach Power, Vessarya, Belyan e Versatilis apresentaram uma redução significativa na severidade em relação à testemunha. Porém, em patamares inferiores aos obtidos pelos tratamentos com os demais fungicidas (Tabela 3). Os tratamentos aplicados tiveram um nível de controle aceitável da ferrugem asiática da soja, reduzindo os níveis de severidade e a quantidade de ferrugem em diferentes níveis. Entretanto, os demais produtos obtiveram maior controle da ferrugem asiática, pois apresentaram menores valores de severidade e AACP-ferrugem, não diferenciando estatisticamente entre si (Tabela3). A eficiência de controle dos diferentes fungicidas aplicados variou entre 50,6% e 75,8%. O menor valor foi obtido pela aplicação de Trifloxistrobina + Ciproconazol, enquanto o maior foi obtido com Protioconazol + Impirfluxam, com 75,8% (Tabela 3). Vale aqui destacar também os produtos comerciais: Excalia Max, Evolution, Mitrion e Fusão, que obtiveram eficiência de controle com valores próximos e considerados satisfatórios (72%, 73%, 73,1% e 71,3%, respectivamente).
122
Fitopatologia
Tabela 3. Médias da Severidade Final, Área abaixo da curva do progresso da ferrugem (AACPFerrugem), eficiência de controle (%) e produtividade média de sacas de soja por hectare após a aplicação dos diferentes fungicidas para o controle da ferrugem asiática da soja. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde- GO, safra 2022/2023. Severidade Final (% de tecido afetado)
AACPferrugem
Controle (%)
Produtividade (sacas ha-¹)
Excalia Max
11,7 a
130,8 a
72,0
63,1 a
Fox Supra
9,7 a
113,3 a
75,8
63,1 a
Fox Xpro
9,4 a
156,7 a
66,5
60,4 a
Blavity
14,3 a
149,1 a
68,1
62,8 a
Belyan
18,8 b
173,3 b
62,9
57,5 a
Evolution
12,0 a
126,0 a
73,0
58,5 a
Viovan
13,9 a
146,6 a
68,8
59,8 a
Versatilis
18,5 b
171,5 b
63,3
51,6 b
Mitrion
12,9 a
125,6 a
73,1
56,5 b
Vessarya
20,0 b
196,0 b
58,1
52,3 b
Aproach Power
21,4 b
212,6 b
54,5
55,4 b
Sphere Max
22,0 b
231,0 b
50,6
52,6 b
Fusão
11,2 a
134,3 a
71,3
58,0 a
Orkestra SC
23,4 b
210,7 b
54,9
55,0 b
Alade
20,6 b
207,2 b
55,7
53,8 b
Testemunha
41,8 c
467,3 c
0,0
42,8 c
23,14
16,80
-
8,54
Produto comercial (p.c.)
C.V.
C.V. = Coeficiente de Variação Médias com letras iguais nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (P<0,05)
A produtividade da soja está diretamente
moderadamente a doença, reduziram a severidade da
relacionada ao controle da ferrugem asiática, visto que,
doença entre 50% e 70% e aumentaram a produtividade
ela causa a queda prematura de folhas e prejudica
entre 8 e 14 sacas ha-1, também em comparação a
consideravelmente a fotossíntese. Os fungicidas
testemunha (Tabela 3).
são usados para combater essa doença e proteger
As aplicações de Versatilis, Vessarya, Aproach
o potencial produtivo da lavoura. Os produtos aqui
Power, Sphere Max, Orquestra e Alade apresentaram
destacados, reduziram a severidade da doença
valores de produtividade superiores à testemunha,
em mais de 70% e aumentaram a produtividade
mas, inferiores aos demais tratamentos (Figura 1). Tais
aproximadamente 15 sacas ha
em relação à
resultados de produtividade, demonstram a grande
testemunha (Tabela 3). Os fungicidas que controlaram
relação entre a severidade da doença, a capacidade
-1
Fitopatologia
123
de controle de cada produto comercial, e também,
com os dados de produtividade (Tabela 3 e Figura 1),
dá indícios sobre a suscetibilidade de Phakopsora
fica evidente as diferenças de grupos de fungicidas
pachyrhizi quanto aos diferentes ingredientes ativos
com melhor desempenho que possibilitaram maiores
e combinações aqui testadas. Pois, ao analisar os
produtividades. Da mesma forma, o grupo que
dados relacionados ao desenvolvimento da doença
apresentou valores medianos das variáveis avaliadas.
e eficiência de cada produto (Tabela 3) juntamente
70,0
a
124
a
60,0
a
a
a
a
a b
50,0
a
b
b
b
a
b
b c
40,0
30,0 20,0
10,0 Testemunha
Alade
Orkestra
Fusão
Sphere Max
Aproach Power
Vessarya
Mitrion
Versa�lis
Viovan
Evolu�on
Belyan
Blavity
Fox Xpro
Fox Supra
0,0 Excalia Max
Produtividade média (sacas ha-1)
Figura 1. Produtividade média após a aplicação dos diferentes fungicidas para o controle da ferrugem asiática na soja. Centro Tecnologia COMIGO – CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.
O uso de fungicidas sítio-específicos, como
produtos comerciais. Deve-se priorizar, sempre que
os triazóis (IDM), estrobilurinas (IQe) e carboxamidas
possível, realizar aplicações associadas de fungicidas
(ISDH), aplicados de forma isolada e por períodos
sítio-específicos e multissítios, pois, além de aumentar
sequenciais representam médio a alto risco de indução
a eficiência de controle das doenças, são aliados
de resistência do agente patogênico P. pachyrhizi
no manejo da resistência do fungo aos fungicidas
(BALARDIN et al., 2017). Assim, é importante ressaltar
(GARCÉS-FIALLOS e FORCELINI, 2013).
que os programas de aplicações avaliados, com
Diante disso, é necessário pontuar que, o grande
aplicações sequenciais do mesmo produto, sendo
número de fungicidas comerciais disponíveis no
muitos deles misturas de ingredientes ativos de sítio-
mercado, bem como as quase infinitas combinações
específicos e sem multissítio em sua composição,
possíveis de ingredientes ativos, têm apresentado
não são recomendações técnicas para o manejo da
desempenho variável frente a ferrugem asiática da soja.
ferrugem asiática da soja. São exclusivamente realizados
Os resultados aqui obtidos, devem ser analisados para
para fins científicos e avaliação do desempenho de
auxiliar nas decisões para a formação do programa
Fitopatologia
de aplicações que será adotado para cada realidade.
to Plant Disease Epidemiology. New York, NY. Wiley.
Levando em conta, principalmente, o risco de exposição
1990. FERREIRA, D.F. Sisvar: a Guide for its Bootstrap
da lavoura à ferrugem.
procedures in multiple comparisons. Revista Ciência e
CONCLUSÃO
Agrotecnologia, v.38, n.2, p.109-112, 2014. GARCÉS-FIALLOS, F. R; FORCELINI, C. A.
Os fungicidas apresentam diferentes níveis de
Controle comparativo da ferrugem asiática da soja com
desempenho quanto ao controle de ferrugem asiática
fungicida triazol ou mistura de triazol + estrobilurina.
e impacto na produtividade de grãos.
Revista Bioscience Journal, Uberlândia, v. 29, n. 4, p.
No tratamento testemunha, sem a aplicações
805-815, 2013. GODOY, C. V.; UTIAMADA, C. M.; MEYER, M. C.;
de fungicida a doença atingiu elevados patamares a
CAMPOS, H. D.; LOPES, I. de O. N.; DIAS, A. R.; MUHL,
produtividade. O que reforça a forte dependência da
A.; WESP-GUTERRES, C.; PIMENTA, C. B.; ANDRADE
adoção do controle químico para o manejo da ferrugem
JUNIOR, E. R. de; MORESCO, E.; KONAGESKI, F. T.;
asiática e viabilidade do cultivo em condições com alto
BONANI, J. C.; ROY, J. M. T.; GRIGOLLI, J. F. J.; NUNES
risco de exposição ao patógeno.
JUNIOR, J.; ARRUDA, J. H.; NAVARINI, L.; BELUFI, L.
de
infecção
e
comprometeu
drasticamente
Foi possível identificar grupos de fungicidas
M. de R.; SILVA, L. H. C. P. da; SATO, L. N.; GOUSSAIN
com desempenhos semelhantes. Sendo que, o grupo
JUNIOR, M. M.; SENGER, M.; MULLER, M. A.;
composto pelos fungicidas: Excalia Max, Fox supra,
DEBORTOLI, M. P.; MARTINS, M. C.; TORMEN, N. R.;
Fox Xpro, Blavity, Belyan, Evolution, Viovan, Mitrion e
BALARDIN, R. S.; MADALOSSO, T.; KONAGESKI, T. F.;
Fusão, se destacaram quanto a redução nos processos
CARLIN, V. J. Eficiência de fungicidas para o controle
epidemiológicos da doença e permitiram a obtenção
da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi,
de maiores produtividades.
na safra 2019/2020: Resultados sumarizados dos ensaios cooperativos. Londrina: Embrapa Soja, 2020. 19 p. (Embrapa Soja. Circular técnica, 160).
AGRADECIMENTOS
GODOY, C.V.; CANTERI, M.G. Efeitos protetor,
À equipe de campo, estagiários e aos pesquisadores do CTC pelo apoio na execução do experimento.
ferrugem da soja causada por Phakopsora pachyrhizi, em casa de vegetação. Fitopatologia brasileira, v.29, n.1, 2004. JACCOUD FILHO, D. S.; HIAR, C. P.; BONA, P.
REFERÊNCIAS BALARDIN,
curativo e erradicante de fungicidas no controle da
F.; GASPERINI, L. Ocorrência da ferrugem da soja na R.
S.;
MADALOSSO,
M.
G.;
STEFANELLO, M. T.; MARQUES, L. N.; DEBORTOLI, M. P. Mancozebe: muito além de um fungicida. 1 Ed. Porto Alegre – RS: Bookman Editora Ltda., 2017, 96p. CAMPBELL, C. L.; MADDEN, L. V. Introduction
Região dos Campos Gerais do Paraná. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO CENTRAL DO BRASIL, 23., 2001, Londrina-PR. Londrina: Embrapa Soja, 2001. p. 109-110. (Embrapa Soja. Documentos, 157) YORINORI, J. T.; MOREL, W.; FERNANDEZ, F.
Fitopatologia
125
T. P. Epidemia de ferrugem de soja no Paraguai e na Costa Oeste do Paraná, em 2001. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO CENTRAL DO BRASIL, 23., 2001, Londrina: Embrapa Soja, 2001. p.117-118. (Embrapa Soja. Documentos, 157). YORINORI, J. T; PAIVA, W. M.; FREDERICK, R. D.; COSTAMILAN, L. M.; BERTAGNOLLI, P. F.; GODOY, C. V.; NUNES JUNIOR, J. Epidemics of soybean rust (Phakopsora pachyrhizi) in Brazil and Paraguay from 2001 to 2003. Plant Disease, v. 89, p. 675-677, 2005. YORINORI, J.T.; WILFRIDO, M.P. Ferrugem da soja: Phakopsora pachyrhizi Sydow. Londrina: Embrapa Soja, 2002.
126
Fitopatologia
PRODUTOS BIOLÓGICOS E QUÍMICOS E NO CONTROLE DE FITONEMATOIDES COM OCORRÊNCIA SIMULTÂNEA NA CULTURA DA SOJA SILVA1, Linconl Lima; FERNANDES2, Rafael Henrique; GERALDINE3, Alaerson Maia; ARAÚJO4, Fernando Bessa, DELGADO5, Vanderson Aparecido Diego Graduando em Agronomia, Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: linconl96lima@gmail.com 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Doutor em Fitopatologia, Professor do Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: alaerson.geraldine@ifgoiano.edu. br 4 Eng. Agrônomo, Departamento de Assistência Técnica COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: fernandobessa@comigo.com.br 5 Graduando em Agronomia, Universidade de Rio Verde, Rio Verde, GO. E-mail: vandersomdelgado@ hotmail.com 1
a importância mercadológica. Assim, em virtude da consolidação de um mercado internacional relacionado a derivados dessa oleaginosa como importante fonte de proteína vegetal que abastece setores ligados tanto a nutrição humana quanto animal, a soja lidera o ranking da principal oleaginosa cultivada no contexto mundial (HIRAKURI e LAZZAROTTO, 2014). No Brasil, a soja se destacou como um produto comercial no final da década de 60 tendo sua expansão no território no início dos anos 70. E graças a um progresso contínuo, possui hoje um papel relevante na economia brasileira sendo a principal cultura agrícola no país (MANDARINO, 2017). Nesse âmbito, a produção de soja na safra 2021/2022 no Brasil foi de 125,5 milhões de toneladas (CONAB, 2022). A escala de produção no cultivo dessa commodity vem aumentando expressivamente ao longo dos anos, podendo melhorar ainda mais por meio de diversas práticas agronômicas que ajudam a planta a expressar seu teto produtivo em um ambiente
INTRODUÇÃO
favorável, que consequentemente, reduz perdas na
O cultivo da soja dentro de uma perspectiva mundial,
vem
apresentando
um
acelerado
crescimento graças a diversos fatores, dentre eles,
produtividade. Todavia, existem diversos fatores que limitam sua produtividade, dentre eles, destacam-se os fitonematoides dos gêneros Pratylenchus, Heterodera,
Fitopatologia
127
e Helicotylenchus, que causam danos as raízes,
estrutura responsável por armazenar em média de
prejudicam o desenvolvimento da planta e reduzem sua
200 a 600 ovos, estrutura essa também, resistente às
produtividade.
adversidades do ambiente (CARES e BALDWIN, 1995).
Os fitonematoides do gênero Pratylenchus
O ciclo de vida dessa espécie partindo da eclosão dos
são endoparasitas migradores, ou seja, possuem
juvenis até o desenvolvimento dos cistos, é em média
a capacidade de se locomover pelo solo, adentrar
de 20 a 30 dias. Após esse período, cada fêmea produz
nas raízes e se mover dentro do tecido radicular
em média 400 ovos, morrendo e se transformando em
para se alimentar, deixando a raiz suscetível a outros
cisto (EMBRAPA, 1997). Estes cistos contendo ovos,
patógenos e atrapalhando também a absorção de
podem ficar no solo, viáveis até oito ou mais anos,
água e nutrientes. O órgão responsável por permitir
característica essa que dificulta ainda mais o completo
que esses fitonematoide ataquem o tecido radicular
controle dessa praga, já que essa estrutura facilita sua
é denominado estile, tendo em vista que esse tipo de
dispersão e aumenta a proteção da próxima geração
aparelho bucal não está presente em nematoides de
(YOUNG, 1992).
vida livre, e consequentemente eles não conseguem
Um dos gêneros que vem ganhando grande
atacar o tecido radicular das plantas (GOULART, 2008).
relevância principalmente em relação ao cultivo da soja
Seu deslocamento dentro do tecido radicular é em
é o gênero Helicotylenchus spp. fitonematoide esse,
direção ao córtex por meio de processos mecânicos
classificado como espécies de importância secundária.
e enzimáticos para o rompimento da parede celular e
Porém, isso vem mudando graças ao aumento de sua
outros tecidos (FERNANDES et al., 2020a). Os danos
disseminação e incidência (MACHADO et al., 2019).
causados ao sistema radicular são manifestados na
O fitonematoide em questão, tem a capacidade de
parte aérea da planta, dentre eles é comum observar
se mover no solo e também no sistema radicular e
plantas com porte reduzido, sintomas de deficiência
sua alimentação traz grandes prejuízos para a planta
nutricional. Uma das características do ataque dos
pois ocorre o extravasamento do conteúdo celular
fitonematoides em geral é a ocorrência dos sintomas
consequentemente a morte e necrose dos tecidos
na forma de reboleira. Dependendo da gravidade do
(BLAKE, 1966).
problema na cultura da soja pode ocorrer perdas de
128
Deste
modo,
considerando
os
impactos
até 50 % de produtividade pelo ataque do Pratylenchus
negativos na planta causados pelos fitonematoide dos
brachyurus, sendo espécie de relevância para à soja
gêneros Pratylenchus, Heterodera e Helicotylenchus,
(FRANCHINI et al., 2014).
é necessário entender sua dinâmica no solo para
A espécie Heterodera glycines popularmente
adotar medidas que reduzam a multiplicação e
conhecido como o nematoide de cisto da soja é
consequentemente diminuam os potencias prejuízos.
um endoparasita sedentário, o que significa que
Nesse âmbito, dentre as formas de manejo eficazes no
essa espécie de nematoide não se move livremente
controle desse fitonematoides está o controle cultural,
pelo sistema radicular, porém ao penetrar na raiz,
que consiste na escolha de cultivares resistentes e
diminui a absorção de água e nutriente pela planta.
que não favorece a multiplicação desses nematoides
Este gênero se caracteriza pela formação de cistos
fitoparasitas, quebrando seu ciclo de vida. Além disso,
de cor amarronzada, que são estruturas formadas
fatores como a aplicação de controle varietal, por
pelo corpo da fêmea após a sua morte, sendo essa
meio de cultivares de soja resistentes, lavagem dos
Fitopatologia
implementos agrícolas que entram em contato com o solo, e a implantação do controle biológico e químico, e também interfere diretamente no controle populacional desses fitonematoides. Diante disso, o objetivo foi avaliar a eficiência de nematicidas químicos e biológicos no controle de fitonematoides dos gêneros Pratylenchus, Heterodera e Helicotylenchus em área de produção naturalmente infestada. Além disso, acompanhar o a flutuação populacional ao longo do ciclo da soja e avaliar seus possíveis impactos na produtividade da cultura.
MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em condições de campo, na Fazenda Três Barras, que fica localizada às margens da BR - 060 na Zona Rural de Rio Verde – GO (Figura 1). A área do experimento está localizada nas coordenadas S 17°48'36.8” e W 51°09'25.4" e altitude média de 852 metros. Segundo Thornthwaite (1948) o clima de Rio Verde - GO é classificado em B4 rB’4a’ (úmido; pequena deficiência hídrica; mesotérmico; evapotranspiração no verão menor que 48% da evapotranspiração anual).
Figura 1. Imagem de satélite da área experimental. Fonte: Google Earth. Foram avaliados 9 tratamentos, constituídos
45 unidades experimentais, cada uma com dimensões
de nematicidas químicos e biológicos, aplicados
de 6,0 m de largura (12 linhas) e 15 m de comprimento,
via sulco de plantio (SP) e também via tratamento de
totalizando 90 m2.
semente (TS) (Tabela 1), com 5 repetições, totalizando
Fitopatologia
129
Tabela 1. Relação dos tratamentos aplicados com os diferentes produtos comerciais, tipo de aplicação (TS – Tratamento de semente; SP – Sulco de Plantio), ingredientes ativos, doses e volume de aplicação.
Trat.
Produto Comercial (p.c.)
Tipo de aplicação
Ingrediente ativo ou Agentes Biológicos
Concentração e/ou UFC g-1
Dose utilizada
Volume de aplicação
1
Inlayon
SP
Bacillus amyloliquefaciens
3% (5x109)
200 mL **
60 L**
2
Aveo EZ
TS
Bacillus amyloliquefaciens
27% (6,1x1010)
20 mL *
400 mL*
3
Tricho-Turbo + No-Nema
SP
Trichoderma asperellum + Bacillus amyloliquefaciens
21,20% (1x1010) 4,2% (3x109)
100 mL ** + 200 mL
60 L**
4
Presence
TS
Bacillus subtilis + Bacillus licheniformis
20% (1x1011) 20% (1x1011)
150 g*
600 mL*
5
Verango Prime
SP
Fluopiram
500 g L-1
400 mL**
60 L**
6
Avicta 500
TS
Abamectina
500 g L-1
125 mL*
500 mL*
7
Nemat + EcoTrich
TS
Paecilomyces lilacinus + Trichoderma harzianum
30 % (7,5x109) 30 % (1x1010)
100 g + 60 g*
500 mL*
8
Acrescent Raiz F Acrescent Solus F
TS
Ácidos carboxílicos Ácidos Carboxílicos
#
200 mL* 2, L ha-1 /(+)
200 mL*
9
Testemunha
-
-
-
-
-
* Para 100 kg de sementes; ** Por hectare; (+) dose usada em aplicação terrestre em pós-emergência da cultura (entre V2 e V3); # não informado.
No dia 03 de novembro de 2022, foi semeada a
1,0 x 108 UFC mL-1 (500 mL ha-1) no sulco de plantio
cultivar DS 7417 IPRO que possui hábito de crescimento
(SP) e com um volume de calda de 60 L ha-1 utilizando
indeterminado, com o ciclo estimado de 118 dias, com
o equipamento pulverizador de jato dirigido (Micron)
o grupo de maturação 7.4 e com uma população de
acoplado à semeadora-adubadora. A adubação foi
300.000 plantas ha (15 sementes m ). A semeadura foi
realizada em sulco de semeadura de 400 kg ha-1 do
realizada por uma semeadora-adubadora pneumática
fertilizante super simples (00-20-00).
-1
-1
(SM700, 6 linhas a 0,5 m, VENCE TUDO) montada em
Para caracterização química do solo, foram
um trator (6155J, 115 cv, John Deere), regulada para
coletadas amostras na camada de zero (0) a vinte
densidade de semeadura de 15 sementes m . Além
centímetros de profundidade (0-20 cm) em oito (8)
disso, foram aplicados, em todos os tratamentos,
pontos aleatórios na área experimental, formando uma
produtos à base de microrganismos, com o intuito de
amostra composta para homogeneização e envio de
promover a fixação biológica de nitrogênio, crescimento
amostra simples para o laboratório. Os resultados estão
radicular e controle de pragas do solo, sendo eles: Cell
apresentados no Quadro 1.
-1
Tech Max 3,0 x 10 UFC mL (750 mL ha ), Bio Max 9
-1
-1
Azum 3,0 x 108 UFC mL-1 (100 mL ha-1) e Meta-Turbo
130
Fitopatologia
Quadro 1. Atributos do solo na profundidade de 0-20 cm no local de condução da pesquisa, Rio Verde – GO, safra 2022/2023. pH
Época de semeadura
(CaCl2)
03/11/2022
4,62
Ca
Mg
Al
H+Al
CTC
K
---------------- cmolc dm-3 --------------2,88
0,6
0,123
4,04
7,72
0,20
PMeh
M.O.
V
Argila
- mg dm-3 -
%
%
%
78,64 11,09
3,18
47,67
58
K
Para realizar a identificação de quais espécies de
61 dias após o plantio do experimento; População
fitonematoides estavam presentes na área experimental,
Inicial na Raiz (Pir) que representa a quantidade de
foram realizadas amostragens de solo em três épocas
juvenis de Pratylenchus spp., Heterodera glycines,
diferentes. A primeira época foi na implantação do
Helicotylenchus spp. presente na raiz 61 dias após o
experimento (03/11/2022), realizando a amostragem
plantio; População Inicial (Pi) que representa a soma
de solo na profundidade de 0-25 cm com o auxílio de
da quantidade de juvenis de cada gênero, Pratylenchus
uma pá de corte. Ao todo, foram realizadas na primeira
spp.,
época, 45 coletas na área experimental, um ponto em
presente no solo e nas raízes aos 61 dias após o plantio
cada parcela. As amostras foram separadas por bloco
do experimento (Pis+Pir); População final no solo (Pfs),
e homogeneizadas, formando 5 amostras. Na segunda
que representa a quantidade de juvenis de Pratylenchus
e terceira época, 3 de janeiro de 2023 e 28 de fevereiro
spp., Heterodera glycines, Helicotylenchus spp. no solo
de 2023, foi feito a coleta de solo e raiz em 3 pontos
no final do cultivo; População final na Raiz (Pfr), que
aleatórios dentro da unidade experimental, formando
representa a quantidade de juvenis de Pratylenchus
uma amostra composta por parcela, totalizando 45
spp., Heterodera glycines, Helicotylenchus spp. na raiz
amostras em cada época.
no final do cultivo; População final (Pf), que representa
Heterodera
glycines,
Helicotylenchus
spp.
de
a soma de (Pfs) (Pfr); Flutuação populacional (Fp), que
experimental,
é feita por meio da razão entre Pf e Pi (Pf / Pi). Essas
as amostras de solo e raiz foram enviadas para um
interações auxiliam na interpretação da dinâmica
laboratório especializado, onde foram processadas
populacional dos fitonematoides estudados durante
seguindo a metodologia conforme Jenkins (1964), e as
determinado período de tempo. Nesse sentido, fatores
amostras de raízes conforme Coolen & D’Herde (1972).
que influenciam na população destes fitonematoides,
De forma a avaliar os efeitos dos diferentes
provavelmente irão causar variações na Fp. Desse
produtos sobre a população de Pratylenchus spp.,
modo, podemos inferir que: Fp <1, a população foi
Heterodera glycines, Helicotylenchus spp. durante
reduzida; Fp = 1, a população se manteve; Fp > 1, a
o ciclo da soja, foi avaliado a dinâmica populacional
população aumentou. Sendo assim, a análise dessas
dos três diferentes fitonematoides. Sendo assim,
variáveis pode auxiliar na interpretação sobre da
as avaliações seguiram os seguintes parâmetros:
eficiência ou ineficiência de determinado tratamento
População inicial no solo (Pis), que representa a
(FERNANDES et al., 2020b).
Para
a
fitonematoides
determinação presentes
na
populacional área
quantidade de juvenis de Pratylenchus spp., Heterodera
Ao final do experimento, as plantas foram
glycines, Helicotylenchus spp. presentes no solo
colhidas em 3 linhas centrais da parcela com 4 metros
Fitopatologia
131
de comprimento, totalizando 12 metros lineares (parcela
Heterodera glycines e Helicotylenchus spp., sendo os
útil), sendo essas plantas trilhadas, pesadas e corrigindo
valores expressos em juvenis para os três gêneros /
sua umidade para 13%, sendo a produtividade de grãos
100 cm3 de solo, e juvenis dos três gêneros / grama de
calculada em sacas de 60 kg ha-1. Os dados obtidos
raiz, além de ser expresso também valores para cisto
foram submetidos à análise de variância e teste de
viáveis e inviáveis para a espécie Heterodera glycines.
médias Scott-Knott a 5 % de probabilidade utilizando o
A população de fitonematoides do gênero Pratylenchus spp. no solo, teve ligeiro aumento em
programa estatístico SISVAR (FERREIRA, 2008).
todos os tratamentos, comparando as duas épocas de
RESULTADOS E DISCUSSÃO
coleta (Figura 2), exceto a população do tratamento 1 (Inlayon). Já a população na raiz diminuiu em todos os
Foram identificados três diferentes gêneros de fitonematoides, sendo eles: Pratylenchus spp.,
tratamentos, exceto nos tratamentos 7 (Nemat + Eco Trich) e 9 (testemunha).
Coleta dia 28/02/2023
200 175 150 125 100 75 50 25 0
1
2
3
4
Média de Praty - Raiz
5
6
7
8
9
Média de Praty - Solo
Juvenis de Pratylenchus spp./100 cm3
Juvenis de Pratylenchus spp./100 cm3
Coleta dia 03/01/2023 200
175 150 125 100 75 50 25 0
1
2
3
4
Média de Praty - Solo
5
6
7
8
9
Média de Praty - Raiz
Figura 2. Média da população de Pratylenchus spp. em raiz e solo em duas épocas de coleta. Número dos tratamentos seguindo a ordem descrita na Tabela 1.
132
A população de fitonematoides do gênero
de Heterodera glycines na raiz, diminuiu em todos os
Heterodera glycines no solo, diminuiu em todos os
tratamentos, exceto no tratamento 9 (Testemunha)
tratamentos comparando as duas épocas de coleta
que manteve a população basicamente inalterada.
(Figura 3), exceto a população nos tratamentos 3
Em todos os tratamentos o número de cistos viáveis
(Tricho-Turbo+No-Nema), 8 (Acrescent Raiz F +
aumentou e cistos inviáveis não foram detectados na
Acrescent Solus F) e 9 (Testemunha). A população
última avaliação (dados não apresentados).
Fitopatologia
250 225 200 175 150 125 100 75 50 25 0
Juvenis H. glycines/100cm3
Juvenis de H. glycines/100 cm3
Coleta no dia 03/01/2023
1
2
3
4
5
6
Média de Heter - Raiz
7
8
9
250 225 200 175 150 125 100 75 50 25 0
Média de Heter - Solo
Coleta no dia 28/02/2023
1
2
3
4
5
Média de Heter - Raiz
6
7
8
9
Média de Heter - Solo
CV = Cistos Viáveis; CI = Cistos Inviáveis Figura 3. Média da população de Heterodera glycines em raiz e solo em duas épocas de coleta. Número dos tratamentos seguindo a ordem descrita na Tabela 1. épocas. De forma similar, as médias populacionais
diminuiu, em todos os tratamentos, comparando as duas
de Helicotylenchus spp. nas raízes apresentaram
épocas de coleta (Figura 4). Exceto a população nos
reduções expressivas em todos os tratamentos, quando
tratamentos 1 (Inlayon), 5 (Verango Prime) e 7 (Nemat
comparados os dados aos 61 dias após a semeadura e
+ Ecotrich), que mantiveram valores próximos nas duas
no final do cultivo.
Coleta dia 03/01/2023
Juvenis de Helicotylenchus spp./100 cm3
Juvenis de Helicotylenchus spp./100 cm3
A população no solo de Helicotylenchus spp.
200 175 150 125 100 75
50 25 0
1
2
3
4
Média de Heli - Raiz
5
6
7
8
Média de Heli - Solo
9
Coleta dia 28/02/2023 200
175 150 125 100 75 50 25 0
1
2
3
4
Média de Heli - Solo
5
6
7
8
9
Média de Heli - Raiz
Figura 4. Média da população de Heterodera glycines em raiz e solo em duas épocas de coleta. Número dos tratamentos seguindo a ordem descrita na Tabela 1.
Fitopatologia
133
Em todas as análises em que se observou a diminuição populacional dos fitonematoides, havia
antagonista ainda não está bem elucidado (MONDIN 2020). Ao
algum agente de biocontrole. Esse fator pode estar
analisar
os
valores
de
Flutuação
ligado à ação de determinados microrganismos
populacional do gênero Pratylenchus spp., é possível
que compõe o produto (seja fungo ou bactéria) e
identificar diferenças na dinâmica populacional entre
que possui a capacidade de colonizar a rizosfera e
os tratamentos. Tendo em vista que valores de Fp >1,
sintetizar fitohormônios que induzem a planta a emitir
indica aumento na população e Fp < 1, diminuição.
novas raízes, além de liberar metabólicos secundários
Desse modo, os únicos tratamentos que demonstraram
que são capazes de repelir e ocultar substâncias
Fp > 1, foram Nemat + Eco Trich (Paecilomyces lilacinus
químicas que atraem o fitonematoide, ou até mesmo
+ Trichoderma harzianum) e o tratamento testemunha
liberar substâncias toxicas à praga, porém esse efeito
(Quadro 2).
Quadro 2. Dados não normalizados de Pratylenchus spp. em raiz e solo em duas épocas de coleta sendo: Pis (População inicial no solo), Pir (População inicial na raiz), Pi (População Inicial de solo + raiz), Pfs (População final no solo), Pfr (População final na raiz), Pf (População final de solo + raiz) e Fp (Flutuação populacional).
Tratamentos
Pis 03/01/23
Pir 03/01/23
Pi 03/01/23
Pfs 28/02/23
Pfr 28/02/23
Pf 28/02/23
Fp
Inlayon
7
126
133
6
22
28
0,21
Aveo EZ
3
173
176
6
41
47
0,26
Tricho-Turbo + No-Nema
2
70
72
2
20
22
0,3
Presence
7
88
95
10
47
57
0,59
Verango Prime
8
119
127
18
45
63
0,47
Avicta 500
6
123
129
20
28
48
0,37
Nemat + EcoTrich
6
97
103
12
123
135
1,30
Acrescent Raiz F + Acrescent Solus F
0
60
60
13
29
42
0,7
Testemunha
7
33
40
12
41
53
1,32
Níveis populacionais de Pratylenchus spp.: baixo ( ); médio ( ); alto ( )
Na Tabela 2 está descrito a classificação
estavam com o nível médio e alto. Já a população
dos níveis de Pratylenchus spp. para raiz e solo. A
final na raiz (Pfr), os valores se mostraram baixos para
população inicial no solo (Pis) em todos os tratamentos
todos os tratamentos, com exceção do tratamento com
foi considerado baixo. Já a população inicial na raiz
Nemat + Eco Trich.
(Pir), somente os tratamentos Tricho-Turbo + No-Nema, Acrescent Raiz F + Acrescent Solus F e a testemunha estavam com a população baixa, os outros tratamentos
134
Fitopatologia
Tabela 2. Valores de referência para níveis populacionais de Pratylenchus spp. em raiz e solo. Pratylenchus spp.* Nível
Raiz (Nematoides/ g de raiz)
Solo (Nematoide / 100cc)
Baixo
0-80
0-50
Médio
80-160
50-100
Alto
>160
>100
*Adaptado de Stephen Koenning, Universidade da Carolina do Norte, EUA (2007)
Em relação a espécie Heterodera glycines, os
(Abamectina), todos os outros tratamentos possuem
tratamentos que tiveram Fp < 1 foram: Inlayon, Presence,
microrganismos em sua composição, demonstrando
Verango Prime, Avicta 500, Nemat + Eco Trich. Com
a importância e o diferencial desses organismos em
exceção do Avicta 500, que possui molécula química
associação com às plantas (Quadro 3).
Quadro 3. Dados não normalizados de Heterodera glycines em raiz e solo em duas épocas de coleta sendo: Pis (População inicial no solo), Pir (População inicial na raiz), Pi (População Inicial de solo + raiz), Pfs (População final no solo), Pfr (População final na raiz), Pf (População final de solo + raiz) e Fp (Flutuação populacional).
Tratamento
Pis 03/01/23
Pir 03/01/23
Pi 03/01/23
Pfs 28/02/23
Pfr 28/02/23
Pf 28/02/23
Fp
Inlayon
214
13
227
57
1
58
0,25
Aveo EZ
32
0
32
33
0
33
1,01
Tricho-Turbo + NoNema
49
0
49
62
0
62
1,25
Presence
73
14
87
32
0,8
32,8
0,38
Verango Prime
136
8
144
36
0
36
0,25
Avicta 500
105
3
108
81
0,4
81,4
0,75
Nemat + EcoTrich
58
12
70
4
0
4
0,06
Acrescent Raiz F + Acrescent Solus F
71
9
80
75
6
81
1,02
Testemunha
28
0
28
29
1
30
1,07
Níveis populacionais de Pratylenchus spp.: baixo ( ); médio ( ); alto ( )
Na Tabela 3 está descrito a classificação dos
tratamento com Inlayon, que estava alto. Ao final do
níveis de Heterodera glycines para raiz e solo. A
experimento houve uma redução da população final no
população inicial no solo (Pis) em todos os tratamentos
solo (Pfs) para os tratamentos com Inlayon, Presence,
foi considerado baixa e média com exceção do
Verango Prime, Avicta 500 e Nemat + Eco Trich.
Fitopatologia
135
Tabela 3. Valores de referência para níveis populacionais de Heterodera glycines em raiz e solo.
HETERODERA GLYCINES** Nível
Solo (Nematoide / 100cc)
Cisto
Baixo
0-100
0-2
Médio
100-200
2-5
Alto
>200
>5
**Adaptado de Asmus e Andrade, 1999; Garcia et al., 1999; Inomoto et al., 2010.
Ao analisar os valores de Flutuação populacional
demonstrou que grande parte dos produtos biológicos
do gênero Helicotylenchus spp., o único tratamento
trazem resultados positivos para a redução no número
que demonstrou Fp > 1 foi Verango Prime (Fluopiram)
e multiplicação da população de fitonematoides.
(Quadro 4). Nesse âmbito, mais uma vez o experimento
Quadro 4. Dados não normalizados de Helicotylenchus spp. em raiz e solo em duas épocas de coleta sendo: Pis (População inicial no solo), Pir (População inicial na raiz), Pi (População Inicial de solo + raiz), Pfs (População final no solo), Pfr (População final na raiz), Pf (População final de solo + raiz) e Fp (Flutuação populacional).
136
Tratamento
Pis 03/01/23
Pir 03/01/23
Pi 03/01/23
Pfs 28/02/23
Pfr 28/02/23
Pf 28/02/23
Fp
Inlayon
109
71
180
114
9
123
0,68
Aveo EZ
121
61
182
64
8
72
0,39
Tricho-Turbo + No-Nema
82
51
133
61
5
66
0,49
Presence
177
85
262
87
7
94
0,35
Verango Prime
133
18
151
163
3
166
1,09
Avicta 500
125
65
195
70
7
77
0,4
Nemat + EcoTrich
99
115
214
89
3
92
0,43
Acrescent Raiz F + Acrescent Solus F
161
103
264
122
7
129
0,48
Testemunha
131
77
208
53
9
62
0,3
Apesar de ser considerado um fitonematoide
profissionais da área, já que, em níveis populacionais
de importância secundária, com o passar dos anos o
elevados, este gênero pode reduzir e o crescimento das
gênero Helicotylenchus spp. tem ganhando mais espaço
plantas e consequentemente o rendimento de grãos.
e causando preocupação à comunidade científica e
Além disso, a presença desse fitonematoide nas raízes,
Fitopatologia
as injúrias causadas no sistema radicular podem servir
um acompanhamento para que se consiga implantar
de porta de entrada para microrganismos patogênicos.
diversas formas de controle. Desse modo, os resultados
(KIRSCH et al.,2016).
do experimento não se expressaram em produtividade
O manejo de nematoides envolve diversas
pois não diferenciaram estatisticamente (Figura 5).
práticas agronômicas com o intuito de atingir controle
Todavia, é possível observar pontos interessantes no
significativo, principalmente no quesito de redução
quesito de manejo, reforçando a importância do uso
populacional. O que torna difícil a tarefa de avaliar a
de produtos químicos e biológicos de forma assertiva
avaliação da redução populacional de fitonematoides
e frequente, para que o manejo se estruture ao longo
somente em uma safra. Afinal, é um processo gradual
dos anos.
e que envolve um nível de conhecimento técnico e 80
Produtividade (sacas ha-1)
70
ns
60 50 40
30 20 10 0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
ns: Não significativo / C.V. (Coeficiente de Variação = 9,26)
ns: Não significa�vo / C.V. (Coeficiente de Variação = 9,26 Figura 5. Produtividade média de grãos de soja (sacas ha-1), safra 22/23, Rio Verde – GO. em áreas comerciais naturalmente infestadas com
CONCLUSÃO Mesmo
que
misturas populacionais é dificultoso e requer a adoção diferenças
significativas
não
tenham sido observadas quanto a produtividade, alguns produtos aplicados possibilitaram reduções na população de alguns dos gêneros de fitonematoides avaliados. Contudo, a duração deste efeito sobre a população destes nematoides, não pôde ser mensurada neste trabalho. Até porque, o manejo de fitonematoides
de diversas medidas de controle de forma associada, ao longo dos anos. De toda forma, é possível destacar alguns resultados. Como, por exemplo, para a espécie Heterodera glycines, os produtos: Inlayon, Presence, Verango Prime, Avicta 500, Nemat + Eco Trich conseguiram restringir parcialmente a multiplicação desse fitonematoide no solo, representando a flutuação
Fitopatologia
137
ABASTECIMENTO. Acompanhamento de safra de
populacional < 1. Portanto, os resultados reforçam a importância
grãos safra 2021/22. Disponível em: https://www.
da adoção de medidas de controle de forma conjunta
conab.gov.br/info-agro/safras/graos/boletim-da-safra-
para o manejo de Pratylenchus spp., Heterodera
de-graos. Acessado em: 01 de setembro de 2022.
glycines e Helicotylenchus spp. Pois a adoção de
COOLEN, W. A.; D’HERDE, C. J. A method for the
do controle químico ou biológico, de forma pontual
quantitative extraction of nematoides from plant tissue.
e isolada não é suficiente para se atingir níveis de
Ghent: State Agricultural Research Center, 1972, 77p.
controle satisfatórios, sobretudo, frente a misturas
EMBRAPA
–
EMPRESA
BRASILEIRA
DE
populacionais com diferentes gêneros fitonematoides.
PESQUISA AGROPECUÁRIA. Nematoide de cisto da
Além do mais, é necessário enxergar que o manejo
soja. Londrina, PR. 1997.
deve ser constante, e reforçado a cada safra com as
FERNANDES, G. A.; ANCHIÊTA, A. L. M.;
inovações que abastecem o conhecimento técnico e o
CASSINO, A. A.; OLIVEIRA, L.A.; FERNANDES, A. A.; DA
mercado.
SILVA, E. H.; PEREIRA, I.S. Métodos de controle do fitonematoide Pratylenchus brachyurus na cultura da
AGRADECIMENTOS
soja. Multidisciplinary Reviews, 3, 2020a. FERNANDES, R. H.; VILELA JUNIOR, M. P.; LIMA,
Aos cooperados Acássio Teles de Castro e
DIEGO TOLENTINO DE; FURTINI NETO, ANTÔNIO
Acássio Júnior por disponibilizarem a aérea para
EDUADRO. Produtos Biológicos e Químicos, em
a montagem do experimento. Aos funcionários da
Tratamento de Semente e Sulco de Plantio, para o
Fazenda Três Barras pelo acompanhamento e auxílio
manejo de Pratylenchus brachyurus em soja. Anuário
na condução da lavoura. Ao Engenheiro Agrônomo
de Pesquisas Agricultura – Instituto de Ciência e
e consultor do Departamento de Assitência Técnica
Tecnologia Comigo, v.3, n.1, p. 177-186, 2020b.
da COMIGO, Fernando Bessa Araújo por todas as
FERREIRA, D. F. SISVAR: Um programa para
contribuições que permitiram a execução do trabalho.
análises e ensino de estatística. Revista Symposium
E por fim, a toda equipe de campo e pesquisadores do
(Lavras), v. 6, p. 36-41, 2008. FRANCHINI, J. C.; DEBIASI, H.; DIAS, W. P.; RAMOS
Centro Tecnológico Comigo – CTC.
JUNIOR, E. U.; SILVA, J. F. V. Perda de produtividade da soja em área infestada por nematoide das lesões
REFERÊNCIAS
radiculares na região médio norte do Mato Grosso.
BLAKE, C. D. The histological changes in banana roots caused by Radopholus similis and Helicotylenchus multicinctus. Nematropica v.12, p.129-137. 1966. CARES, J. E; BALDWIN, J. G. Nematoides formadores de cistos o gênero Heterodera. In: LUZ, W. C; FERNADES, J M.; PRESTES, A. M; PICININI, E.C. Revisão Anual de Patologia de Plantas. Passo Fundo: (RAPP Ltda), v. 3, p. 29-84, 1995. CONAB
138
Fitopatologia
-
COMPANHIA
NACIONAL
DE
In: BERNARDI, A. C. de C.; NAIME, J. de M.; RESENDE, A. V.; BASSOI, L. H.; INAMASU, R. Y. (Ed.). Agricultura de Precisão: resultados de um novo olhar. Embrapa, 2014. P. 274-278. GOULART, A. M. C. Aspectos gerais sobre nematoides Pratylenchus).
das
lesões Embrapa
radiculares
(gênero
Cerrados-Documetos
(INFOTECA-E). 2008. JENKINS, W. R. A rapid centrifugal-flotation
technique for separating nematodes for soil. Plant Desease Reporter, v. 48, p. 629, 1964. KIRSCH, V. G.; KULCZYNSKI, S. M.; GOMES, C. B.; BISOGNIN, A. C.; GABRIEL, M.; BELLÉ, C.; LIMAMEDINA, I. Caracterização de espécies de Meloidogyne e de Helicotylenchus associadas à soja no Rio Grande do Sul. Nematropica, n.46, v.2, 197-208. 2016. HIRAKURI, M. H.; LAZZAROTTO, J. J. O agronegócio da soja nos contextos mundial e brasileiro. O mercado mundial de produtos do complexo agroindustrial da soja. Londrina, ed. 1, p. 9-11, 2014. MACHADO, A. C. Z.; AMARO P.M.; SILVA, S.A.D. Two novel potential pathogens for soybean. PLoS One, v.14, n.8, 2019. MANDARINO JOSÉ, M. G. Origem e história da soja no Brasil. 2017. Disponível em:<https://blogs. canalrural.com.br/embrapasoja/2017/04/05/origeme-historia-da-soja-no-brasil/>. Acesso em: 03 maio. 2020. MONDIN,
Márcia
Leite.
Bacillus
amyloliquefaciens como uma potente ferramenta para solos supressivos a nematoides. SoluBio, 18
set.
2020.
Disponível
em:
https://www.
solubio.agr.br/post/bacillus-amyloliquefacienscomo -uma-potente -ferramenta-parasolossupressivos-anematoides#:~:text=Bacillus%20 amyloliquefaciens%20%C3%A9%20uma%20rizobact%C3%A9rias,prote%C3%A7%C3%A3o%20 contra%20certos%20pat%C3%B3genos%20vegetais. Acesso em: 10 jul. 2017. YOUNG, L. D. Epiphytology and life cycle. In: RIGGS, R.D.; WRATHER, J.A. Biology and management of the soybean cyst nematode. Saint Paul: APS Press, 1992, p. 2736.
Fitopatologia
139
PROGRAMAS DE APLICAÇÕES DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DE HELMINTOSPORIOSE DO MILHO FERNANDES1, Rafael Henrique; LIMA2, Diego Tolentino de; BRAZ3, Guilherme Braga Pereira; BUENO4, Amanda Magalhães; SARKIS5, Leonardo Fernandes
INTRODUÇÃO A estimativa da produção de grãos para a safra do ano agrícola 2022/2023 aponta para valores recordes
Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Eng. Agrônoma, Dra. Em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico Comigo. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br 5 Eng. Agrônomo, Ms. em Ciência do Solo, Pesquisador Fertilidade e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 1
de produção, assim como ocorrido na safra anterior. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), são estimados 320,1 milhões de toneladas, crescimento de 17,5% ou 47,6 milhões de toneladas em relação à safra 2021/2022 (CONAB, 2023a). Estes valores são consequência da combinação do aumento nas áreas de cultivo e de produtividade. Estima-se que a área cultivada apresente uma alta de 5% (3,8 milhões de hectares), resultando em 78,3 milhões de hectares. Os maiores incrementos são observados na soja, com 2,58 milhões de hectares ou 6,2%, no milho, 615,4 mil hectares ou 2,9% e, no trigo, 345,2 mil hectares ou 11,2% (CONAB, 2023a). De acordo com Edegar Pretto, presidente da Conab, estes dados reforçam o recorde da safra brasileira de grãos que é proveniente, principalmente, da produtividade acima do que foi previsto para o milho segunda safra, juntamente com o melhor desempenho das culturas no campo (CONAB, 2023b). São esperadas cerca 130 milhões de toneladas colhidas deste cereal, produção 14,9% superior à obtida na safra 2021/22, cultivadas em 22,2 milhões de hectares (aumento
140
Fitopatologia
de 2,9%), com produtividade média de 5.855 kg/ha
mancha de turcicum ou mancha de HT, é causada pelo
(aumento de 11,7%) (CONAB, 2023a). Em Goiás, a
fungo Exserohilum turcicum e apresenta elevadas
produção de milho deve totalizar 12,59 milhões de
severidades em condições de plantio em segunda
toneladas (aumento de 29,2%), com produtividade
safra. Os sintomas incluem lesões necróticas,
de 6,74 toneladas por hectare (alta de 32,8%) e área
elípticas, medindo de 2,5 cm a 15 cm de comprimento
plantada de 1,87 milhões de hectares (GOVERNO DE
com coloração que varia de cinza a marrom e, no
GOIÁS, 2023).
interior das lesões, observa-se intensa esporulação
Na região do Sudoeste Goiano, o clima
do patógeno. A disseminação do fungo ocorre pelo
adverso, com a ocorrência de baixas temperaturas
transporte de conídios pelo vento a longas distâncias
e precipitações tardias, entre junho e julho,
e as primeiras lesões aparecem, normalmente, nas
favoreceram o enchimento dos grãos em lavouras
folhas inferiores. O patógeno apresenta capacidade
mais tardias, propiciando o aumento das estimativas
de sobrevivência em restos culturais e pode utilizar o
de produtividade média. Em contrapartida, o ritmo
sorgo, o capim sudão, o sorgo de halepo e o teosinto
de colheita manteve-se mais lento, pois além de
como hospedeiros (COSTA & COTA, 2021).
atrasar também a perda de umidade dos grãos, os
O controle da helmintosporiose no milho inclui
baixos preços do milho no mercado e a falta de rede
medidas como uso de cultivares geneticamente
armazenadora, contribuíram para que os produtores
resistentes, plantio em época adequada, rotação
aguardassem a redução natural da umidade em
de culturas não suscetíveis, manejo adequado da
campo visando diminuir os custos (CONAB, 2023a).
lavoura (CASELA et al., 2006) e o controle químico,
Embora segunda
safra
as
condições
propiciarem
climáticas um
nesta
aumento
na
produtividade, é importante destacar que umidade
medida muito utilizada principalmente quando se objetiva o controle rápido e preciso da doença. Estudos relatam avaliações com diversos
relativa do ar acima de 60% e temperaturas elevadas
programas
de
aplicação
de
fungicidas
com
também são fatores que contribuem para maior
diferentes grupos químicos e ingredientes ativos.
incidência e severidade de doenças foliares no milho
Camera et al. (2019a) relatam que os fungicidas
(COTA et al., 2017).
protioconazol + trifloxistrobina apresentam a maior podem
eficiência de controle químico de helmintosporiose
desempenhar papel limitante para o desenvolvimento
e a menor AACPD (Área Abaixo da Curva de
da cultura e causar elevado potencial de perdas.
Progresso da Doença). Em outro trabalho, Camera et
Entretanto, a região de cultivo, a época de cultivo,
al. (2019b) relatam que os fungicidas protioconazol
o genótipo cultivado, as condições edafoclimáticas,
+ trifloxistrobina apresentaram a menor taxa de
a altitude e as estratégias de manejo utilizadas
expansão de lesão de E. turcicum quando aplicado
constituem variáveis para incidência e severidade dos
curativamente. Pesquisadores da Fundação MS
sintomas apresentados (FERNANDES et al., 2022).
(2020) avaliaram diferentes fungicidas aplicados
Dentre as doenças, a helmintosporiose destaca-
em três estádios de desenvolvimento (V8, pré-
se como uma das principais doenças fúngicas que
pendoamento e 15 dias após) e obtiveram controle
afetam a produção do milho.
da doença acima de 80%.
Diversas
doenças
e
patógenos
A helmintosporiose, também conhecida como
Em
um
manejo
fitossanitário
eficiente
Fitopatologia
141
para obtenção de altas produtividades, além de
kg ha-1 do fertilizante Ureia protegida, tratada com
conhecer o desempenho do material cultivado e
NBPT ([N-(n-butil) Triamida Tiofosfórico]; inibidor de
realizar o monitoramento frequente da lavoura, o
urease).
controle químico tem sido cada vez mais utilizado.
O controle de plantas daninhas foi realizado
Atualmente, existe uma gama de ingredientes
com uma aplicação de S-Metolacloro (Dual Gold,
ativos, grupos químicos, diferentes condições de
960 g L-1, EC, Syngenta), na dose de 1,44 kg de i. a.
manejo e posicionamentos, que variam segundo
ha-1, Aatrazina (Gesaprim, 500 g L-1, SC, Syngenta) na
clima, histórico da área, cultivar escolhida e nível
dose de 1,0 kg de i. a. ha-1 e Glyphosate (Crucial, 540
econômico do produtor. Desta forma, torna-se
g e. a. L-1, SL, Sumitomo) na dose 1,08 kg de e. a. ha-1,
fundamental conhecer as moléculas fungicidas, os
realizada no dia da semeadura da área experimental.
produtos comerciais e programas de aplicação que
Posteriormente, em pós-emergência da cultura (em
apresentem maior eficiência de controle e maior
estádio fenológico V3) foram aplicados Glyphosate
custo/benefício da aplicação.
(Crucial, 540 g e. a. L-1, SL, Sumitomo), na dose de 0,81
Diante disso, o objetivo foi avaliar a eficiência
kg de e. a. ha-1, Atrazina (Proof, 500 g L-1, SC, Syngenta)
de controle de helmintosporiose no milho com
na dose de 1,0 kg de i. a. ha-1 e adjuvante óleo mineral
diferentes
de
(Iharol Gold, 756,8 g L-1, EC, Ihara), na dose de 0,302 kg
aplicações de fungicidas em condições de segunda
e. a. ha-1. Também foram realizadas duas aplicações
safra.
de inseticidas visando principalmente o controle
posicionamentos
de
programas
da cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) e lagartas,
MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em condições de
ha-1), Wild (1,0 L ha-1), Premio (0,1 L ha-1), Sperto (0,3 L ha-1) e Engeo Pleno (0,3 L ha-1).
campo na área experimental do Centro Tecnológico
Os tratamentos consistiram na execução de
Comigo (CTC), no município de Rio Verde-GO
programas de aplicações de fungicidas, com duas
(S 17°45’45” e 51°01’03” W), com 837 metros de
aplicações (Tabela 1).
altitude, com predominância de áreas com Latossolo Vermelho Distrófico (SANTOS et al., 2018). O material de milho utilizado foi o híbrido NK 520 VIP3 (Syngenta®). Semeadura e colheita foram realizadas nos dias 01/03/2023 e 31/07/2022, respectivamente, totalizando um ciclo de 152 dias. Na semeadura foram aplicados 400 kg ha-1 do fertilizante formulado 15:15:15 (N:P:K) no sulco de plantio. A densidade de semeadura foi de 2,8 sementes por metro e o estande final de plantas foi de 54.000 plantas por hectare (estande avaliado com a cultura em estádio V3). A adubação de cobertura foi realizada em 16/03/2023, com a aplicação de 150
142
variando com os seguintes produtos: Talisman (0,5 L
Fitopatologia
Tabela 1. Descrição dos tratamentos contendo a relação dos programas de aplicações de fungicidas, ingredientes ativos (I. A.), doses de I. A. aplicados no híbrido NK 520 VIP3. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.
Trat.
1ª Aplicação
2ª Aplicação
Produto Comercial (kg ou L ha-1)
Produto Comercial (kg ou L ha-1)
Ingredientes Ativos – I. A. (g de I. A. ha-1)
Ingredientes Ativos – I. A. (g de I. A. ha-1)
Priori Xtra (0,3) + Score Flexi (0,2)/1
Miravis Duo (0,6)/1
Azoxistrobina (60) + Ciproconazol (24) + Propiconazol (50) + Difenoconazol (50)
Pidiflumetofem (45) + Difenoconazol (75)
Priori Xtra (0,3) + Score Flexi (0,2)/1
Priori Top (0,3) + Bravonil 720 (1,0)/1
Azoxistrobina (60) + Ciproconazol (24) + Propiconazol (50) + Difenoconazol (50)
Azoxistrobina (60) + Difenoconazol (37,5) + Clorotalonil (720)
Aproach Power (0,6) + Unizeb Gold (1,5)
Aproach Power (0,6) + Unizeb Gold (1,5)
Picoxistrobina (54) + Ciproconazol (24) + Mancozebe (1.125)
Picoxistrobina (54) + Ciproconazol (24) + Mancozebe (1.125)
Abacus (0,35)/2
Orkestra (0,3) + Unizeb Gold (1,5)/2
Piraclostrobina (91) + Epoxiconazol (56)
Fluxapiroxade (50) + Piraclostrobina (100) + Mancozebe (1.125)
Nativo (0,6)/3
Fox Xpro (0,5) + Unizeb Gold (1,5)/3
Trifloxistrobina (60) + Tebuconazol (120)
Bixafem (62,5) + Trifloxistrobina (75) + Protioconazol (87,5) + Mancozebe (1.125)
Tridium (2,0)/3
Tridium (2,0)/3
Azoxistrobina (94) + Tebuconazol (112) + Mancozebe (1.194)
Azoxistrobina (94) + Tebuconazol (112) + Mancozebe (1.194)
Tamiz (0,5) + Troia (1,5)/4
Tamiz (0,5) + Troia (1,5)/4
Azoxistrobina (60) + Tebuconazol (80) + Mancozebe (1.200)
Azoxistrobina (60) + Tebuconazol (80) + Mancozebe (1.200)
Aproach Power (0,6) + Unizeb Gold (1,5)
Tridium (2,0)/3
Picoxistrobina (54) + Ciproconazol (24) + Mancozebe (1.125)
Azoxistrobina (94) + Tebuconazol (112) + Mancozebe (1.194)
Abacus (0,35) + Unizeb Gold (1,5)/2
Fox Xpro (0,5) + Unizeb Gold (1,5)/3
Piraclostrobina (54) + Epoxiconazol (56) + Mancozebe (1.125)
Bixafem (62,5) + Trifloxistrobina (75) + Protioconazol (87,5) + Mancozebe (1.125)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Testemunha
-
-
/ Adicionado Ochima (0,25 L ha ); / Adicionado Mees (0,5 L ha ); / Adicionado Aureo (0,25% v/v); / Adicionado Agris (0,5 L ha-1) 1
-1
2
-1
3
4
Fitopatologia
143
A primeira aplicação, realizada em 14/04/2023,
(temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do
foi com a cultura em estágio vegetativo (entre V6 e V7)
vento) foram mensurados com o auxílio do aparelho
e a segunda, em 25/04/2023, no pré-pendoamento da
termo-higro-anemômetro (Tabela 2).
cultura. Durante as aplicações os dados meteorológicos
Tabela 2. Datas das aplicações e dados meteorológicos mensurados nas aplicações de fungicidas no milho em segunda safra, híbrido NK 520 VIP3. Centro Tecnológico Comigo-CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Data
Horário (h)
T (°C)
UR (%)
Velocidade do vento (km h-1)
1ª Aplicação
Início
09:03
23,3
88,0
1,44
(14/04/2023)
Término
10:09
24,6
87,1
2,88
2ª Aplicação
Início
09:35
25,4
74,2
3,60
(25/04/2023)
Término
11:47
28,4
68,9
2,88
O delineamento experimental utilizado foi
As duas primeiras avaliações foram realizadas na
de blocos casualizados com dez (10) tratamentos e
véspera das aplicações e a terceira, 20 dias após a
quatro (4) repetições, totalizando 40 parcelas. Cada
última aplicação. As avalições foram feitas em duas
parcela foi composta por 10 linhas de plantio, com
folhas do terço médio (folha da espiga e a folha
espaçamento entre linhas de 0,5 m, e 10 metros
oposta à espiga) de três (3) plantas aleatórias dentro
de comprimento. A parcela útil foi composta pelas
da parcela útil, sendo a média destas utilizadas para
seis linhas centrais excluindo dois (2) metro das
representar a média da parcela. Os dados de severidade foram expressos
extremidades, totalizando a área útil de 18 m . 2
As aplicações foram feitas com pulverizador pressurizado
por
CO2
(Número
de
patente:
partir deles foi calculada a área abaixo da curva de
de
progresso da doença – AACPD (Campbell e Madden,
pulverização com 10 bicos, espaçados a 0,5 m e com
1990), eficiência de controle das aplicações (% de
pontas de pulverização ADIA 110.015/D, montado
controle). A produtividade de grãos foi estimada
em um trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv).
através da colheita de três (3) metros de três (3)
Antes do início das aplicações foi feita a calibragem
linhas da parcela útil. Os resultados obtidos foram
do equipamento e os ajustes para pressão de
corrigidos para 14% de umidade e expressos em
trabalho de 3,8 bar (55,11 Psi) e volume de aplicação
sacas de 60 kg ha-1. Os dados de severidade, AACP-
constante de 150 L ha-1.
Helmintosporiose e produtividade foram submetidos
BR102016007565-3)
dotado
com
barra
Foram realizadas três (3) avaliações de
à análise de variância e aplicado o teste de Scott-
severidade para estimar a área direta afetada
Knott (P<0,05) para separação das médias, através
por Exserohilum turcicum utilizando a escala
software SISVAR (FERREIRA, 2014).
diagramática proposta por Lazaroto et al. (2012).
144
em porcentagem (%) de tecido foliar afetado e a
Fitopatologia
(Figuras 1 e 2).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os programas de aplicações de fungicidas
Os resultados referentes à severidade final e AACP-Helmintosporiose (Figuras 1 e 2) tiveram comportamento semelhante. Destacam-se os altos níveis de severidade e AACP-Helmintosporiose observados
no
tratamento
testemunha,
com
quase 20% de tecido foliar afetado e AACPHelmintosporiose elevada (468,0), com ambas as
Severidade (% de tecido foliar afetado)
variáveis diferenciando-se dos demais tratamentos
avaliados obtiveram desempenho semelhante, com reduções do desenvolvimento da doença no campo, reduzindo satisfatoriamente a severidade final e também a AACP-Helmintosporiose (Figuras 1 e 2). A redução média na severidade final foi de 60,7% com execução dos programas de aplicações, variando de 18,6% na testemunha a 6,5% de tecido foliar afetado nos tratamentos 1 e 6 (Figura 1).
b
20,0 15,0 10,0
a
a
1
2
a
a
a
3
4
5
a
a
6
7
a
a
8
9
5,0 0,0
10
Tratamentos
Médias comcom letras iguais acima diferementre entre pelo teste de Sco�-Kno� (P<0,05) Médias letras iguais acimadas dasbarras barras não não diferem si si pelo teste de Scott-Knott (P<0,05) Figura 1. Severidade final de helmintosporiose no híbrido NK 520 VIP3 com diferentes programas de aplicações de fungicidas. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Em relação a eficiência de controle entre os
Flexi / 2ª Miravis Duo), 2 (1ª Priori Xtra + Score Flexi /
programas de aplicações, também foram obtidos
2ª Priori Top + Bravonil 720), 6 (1ª Tridium / 2ª Tridium),
resultados similares. A eficiência de controle ficou em
7 (1ª Tamiz + Troia / 2ª Tamiz + Troia) e 9 (1ª Abacus +
torno de 60% independentemente do programa de
Unizeb Gold / Fox Xpro + Unizeb Gold), que obtiveram
aplicações. Vale aqui, destacar de forma discreta, os
valores acima de 60% de controle da doença (Figura 2).
programas dos tratamentos 1 (1ª Priori Xtra + Score
Fitopatologia
145
400,0
b 65
63
a
a
1
2
300,0 200,0 100,0 0,0
58
59
57
a
a
a
3
4
65
64
a
a
5 6 Tratamentos
AACPD
7
58
61
a
a
8
9
10
100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0
Eficiência de Controle (%)
AACP-Helmintosporiose
500,0
Eficiência de Controle
Médias com letras iguais nas barras não diferem entre si pelo teste de Sco�-Kno� (P<0,05) Figura 2. Área Abaixo da Curva de Progresso de helmintosporiose no milho e eficiência de controle estimada com diferentes programas de aplicações de fungicidas, híbrido NK 520 VIP3. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Por fim, os valores de produtividade do milho resultados.
passo que, nos tratamentos com diferentes programas
O que reforça a alta relação entre a incidência e
de aplicações ocorreram reduções na severidade
severidade de Helmintosporiose com a produtividade
e no desenvolvimento da doença no campo, o que
da cultura. Sendo que, onde os valores de severidade
possibilitou maior sanidade e produtividade superiores
e AACP-Helmintosporiose foi mais alto, tratamento 10
(Figura 3).
também
146
(testemunha), a produtividade foi comprometida. Ao
acompanharam
Fitopatologia
os
demais
Produtividade (sacas ha-1)
120,0
a
a
100,0
a
a
a
a
a
a
a b
80,0 60,0 40,0 20,0 0,0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Tratamentos Médias com letras letrasiguais iguaisacima acimadas dasbarras barras não diferem entre si pelo teste de Sco�-Kno� (P<0,05) Médias com não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (P<0,05)
C.V. = 11,14% C.V. = 11,14
Figura 3. Produtividade média do híbrido NK 520 VIP3 após a execução de diferentes programas de aplicações de fungicidas. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.
CONCLUSÃO Os programas de aplicações de fungicidas foram eficientes no controle da Helmintosporiose no milho. Eles reduziram a severidade da doença e possibilitaram ganhos expressivos de produtividade. Os fungicidas são importantes ferramentas a serem utilizadas dentro do manejo de doenças foliares na cultura do milho. Neste trabalho, não foram identificadas diferenças significativas entre os programas de aplicações avaliados. Todavia, é necessário ressaltar a ocorrência de múltiplas doenças
planta e reduzir a produtividade, deixar de executar aplicações de fungicidas com este propósito restringe o potencial produtivo da lavoura.
AGRADECIMENTOS Á equipe de campo, estagiários e demais pesquisadores do CTC pelo apoio na execução deste experimento.
REFERÊNCIAS
de forma simultânea na lavoura e a necessidade de
CAMERA, J. N.; FORCELINI, C. A.; KOEFENDER,
posicionamentos que proporcionem ampla proteção
J.; GOLLE, D. P.; SCHOFFEL, A.; DEUNER, C. C.
ao híbrido. E ainda que, frente ao potencial da
Reaction of maize hybrids to Northern corn leaf
Helmintosporiose em causar danos aos tecidos da
blight and common rust, and Chemical control of Northern corn leaf blight. Plant Patology, v. 86,
Fitopatologia
147
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F. J.; GITTI, D. C.; BEZERRA, A. R. G.; MELOTTO, A. L. (Eds.). Maracaju (MS): Midiograf, 2020. 102p.
DEUNER, C. C. Aplicação preventiva e curativa de
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país.
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CONAB – COMPANHIA NACIONAL DE
SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS,
ABASTECIMENTO. Produção de grãos é estimada
L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO,
em 320,1 milhões de toneladas com ganhos
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148
Safrinha 2019. LOURENÇÃO, A. L. F.; GRIGOLLI, J.
Fitopatologia
CONTROLE QUÍMICO DE DOENÇAS FOLIARES DO SORGO NA SEGUNDA SAFRA DO ANO AGRÍCOLA 2022/2023 FERNANDES1, Rafael Henrique; LIMA2, Diego Tolentino de; BRAZ3, Guilherme Braga Pereira; BUENO4, Amanda Magalhães; SARKIS5, Leonardo Fernandes Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Eng. Agrônoma, Dra. Em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico Comigo. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br 5 Eng. Agrônomo, Ms. em Ciência do Solo, Pesquisador Fertilidade e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 1
mundo. Do ponto de vista agronômico, é classificado em cinco grupos: granífero, sacarino, forrageiro, vassoura e biomassa. O primeiro grupo é utilizado na alimentação humana e animal, inclui tipos de porte baixo adaptados à colheita mecânica, e apresenta maior destaque na produção, consumo e, consequentemente, na economia (SILVA, 2019). O sorgo forrageiro é utilizado principalmente por sua eficiência como complemento alimentar de ruminantes, na forma de silagem ou pastejo (OLIVEIRA, 2015). Já os sorgos do tipo sacarino e biomassa são voltados para produção de bioenergia, enquanto o grupo vassoura apresenta panícula longa transformada em vassouras artesanais para uso doméstico (FOLTRAN, 2012). O sorgo é semeado em quase sua totalidade no período de segunda safra, pois apresenta tolerância ao estresse hídrico e adaptações ao clima quente, como sistema radicular bem desenvolvido, extenso e fibroso, e faixa de temperatura ideal entre 33°C e 34°C (MAGALHÃES et al., 2000). O ciclo de vida do sorgo, de forma geral vai de 90 a 120 dias, mas pode apresentar
INTRODUÇÃO
variações dependendo da cultivar e do local onde é plantado, podendo chegar próximo aos 140 dias para alguns cultivares de sorgo granífero. Tais vantagens
O sorgo (Sorghum bicolor L.) é um vegetal de
competitivas do sorgo estão acompanhadas de menor
origem tropical e o quinto cereal mais plantado no
custo de produção, pois quando comparado ao milho há
Fitopatologia
149
redução de 20 a 30%. Além disso, é uma ótima opção
e pragas e pelo aperfeiçoamento de profissionais.
para a segunda safra caso a janela se encurte no plantio
Apesar do alto rendimento na produção de grãos
da primeira safra (VIANA, 2022).
e matéria seca, o cultivo do sorgo ainda carece de de
incentivos consistentes dos setores público e privado
Abastecimento (Conab), a produção brasileira de
para a ampliar a competitividade e seus horizontes de
sorgo deverá totalizar 4,326 milhões de toneladas no
mercado. A falta de estruturação da cadeia produtiva
ano agrícola 2022/2023, aumento de 38,7% quando
e logística do transporte, com altos preços de frete e
comparado ao ano anterior, quando foram colhidas 3,12
combustível, a perda de grãos no transporte, a falta
milhões de toneladas. Em relação à área cultivada, houve
de locais de armazenamento e o valor do sorgo sendo
aumento de 20,9%, com 1,130 milhões de hectares em
balizado pelo preço do milho constituem desafios para
2021/2022 para 1,367 milhões de hectares nesta safra.
a expansão da cultura no país (VIANA, 2022).
Segundo
a
Companhia
Nacional
A produtividade também apresentou incremento de
Outro fator desafiador no cultivo do sorgo é o
14,7%, sendo estimados 3.165 kg ha-1 em contrapartida
déficit de produtos fitossanitários registrados para
ao rendimento de 2.760 kg ha-1 na última safra (CANAL
a cultura, pois são diversas as doenças que atacam
RURAL, 2023).
e comprometem a produtividade, como antracnose
Dentre os produtores nacionais de sorgo,
(Colletotrichum graminicola – sin. Colletotrichum
Goiás é estado com maior produção (1,44 milhões de
sublineolum P. Henn., Kabat e Bulbak), helmintosporiose
toneladas), seguido de Minas Gerais (1,20 milhões
(Exserohilum turcicum), míldio (Peronosclerospora
de toneladas) e Mato Grosso do Sul (0,48 milhões de
sorghi), ergot/doença açucarada do sorgo (Claviceps
toneladas) (CONAB, 2023). O alto rendimento das
africana), ferrugem (Puccinia purpurea), cercosporiose
lavouras goianas foi favorecido por fatores como a
(Cercospora sorghi) e a podridão seca (Macrophomina
continuidade das chuvas em abril, favorecendo o
phaseolina) (SILVA et al., 2012). É inevitável as
enchimento de grãos; baixa precipitação e baixas
comparações com o cultivo do milho, visto que para
temperaturas
julho,
este cereal existem dezenas de produtos disponíveis,
contribuindo para a perda de umidade dos grãos nas
estratégias bem definidas de aplicações e incentivos
lavouras; e pelo manejo de pragas, como o pulgão,
financeiros para o desenvolvimento de novas moléculas,
com controle mais assertivo do inseto, impedindo que
enquanto tais estratégias de controle são bem mais
a infestação alcançasse níveis de dano econômico em
escassas no cultivo do sorgo. Além disso, anualmente
grande parte das lavouras (CONAB, 2023). Deste modo,
são lançados híbridos de milho que apresentam
Goiás deve produzir cerca de 32 milhões de toneladas
tolerâncias e/ou resistência à patógenos, enquanto
de grãos na safra 2022/2023, colocando o estado
que para o sorgo este número é notadamente menor
em terceiro lugar entre os maiores produtores (Mato
(FERNANDES et al., 2022).
na
segunda
quinzena
de
Grosso e Paraná) (GOVERNO DE GOIÁS, 2023).
150
Baseado na dificuldade de acesso a produtos
O aumento de área cultivada e produtividade nas
fitossanitários, na escassez de produtos registrados e
últimas safras aliado ao avanço da cadeia produtiva do
na falta de informações e pesquisas sobre o controle
sorgo nos últimos anos pode ser considerado reflexo
químico de doenças no sorgo, há a necessidade de
do desenvolvimento de materiais melhor adaptados às
conhecimento e avaliação de programas de aplicação
regiões de cultivo, com maior resistência a doenças
e do custo/benefício do uso de fungicidas, visando
Fitopatologia
alavancar os índices de produtividade. Várias são as
a aplicação na pré-semeadura do sorgo com Glyphosate
moléculas e grupos químicos utilizados em outras
(Crucial, 540 g e. a. L-1, SL, Sumitomo) na dose de 1,08
culturas, como a soja e o milho, que devem ser
kg ha de e. a., Carfentrazona-Etílica (Aurora, 400 g i. a.
analisadas quanto ao seu uso e eficiência no sorgo,
L.-1, FMC, EC) na dose de 0,028 kg de i. a. ha-1 e Atrazina
pois podem auxiliar no manejo das doenças.
(Proof, 500 g i. a. L.-1, SC, Syngenta) na dose de 1,0 kg
Desta forma, o objetivo foi avaliar a eficiência
de i. a. ha-1. Posteriormente, cerca de 20 dias após a
de aplicações de fungicidas no controle de doenças
semeadura, foram aplicados em pós-emergência das
foliares
plantas daninhas o herbicida Atrazina (Proof, 500 g i.
no
sorgo,
especialmente
antracnose
e
helmintosporiose.
a. L-1, SC, Syngenta), na dose de 1,5 kg i. a. ha-1, com adição 0,400 L ha-1 de adjuvante óleo mineral (Iharol
MATERIAL E MÉTODOS
Gold, 760 g L-1, EC, Ihara). Para o controle de pragas foram realizadas avaliações semanais e aplicações de área
inseticidas recomendados quando atingido o nível de
experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC),
controle. As principais pragas que acometeram a área
localizado em Rio Verde-GO (S 17°45’46’’ e W 51°02’03’’,
experimental foram lagarta-do-cartucho e pulgões.
O
experimento
foi
conduzido
na
835 m de altitude), com áreas predominantes de Latossolo Vermelho distrófico (SANTOS et al., 2018).
O delineamento experimental utilizado foi o de Blocos Casualizados, com 12 tratamentos e quatro
O material utilizado foi o híbrido de sorgo
repetições/blocos, totalizando 48 parcelas. As parcelas
1G100 (Brevant®), semeado no dia 28/02/2023, com
foram compostas por 10 linhas, espaçadas a 0,50 m
densidade de semeadura de 10,5 sementes por metro.
e com 10 metros de comprimento, equivalente a uma
As sementes foram tratadas com 2,5 g de Fludioxinil,
área de 50 m2 (10,0 x 5,0 m), sendo considerada como
2,0 g Metalaxil e 15 g de Tiabendazol (Maxim Advanced,
parcela útil seis metros das seis linhas centrais (18 m2).
0,1 L /100 kg de sementes ); 40 mL kg Fluxofenin
Os tratamentos foram compostos por duas
(Benefic, EC, 40 mL / 100 kg de sementes); 62,5 g
aplicações (sequenciais) de diferentes fungicidas,
Clorantraniliprole (Dermacor 0,1 L / 100 kg sementes).
contendo misturas duplas e duas misturas triplas
No sulco de semeadura foram aplicados o inseticida
de moléculas fungicidas, além de um tratamento
biológico Meta-Turbo SC, Biovalens (Metarhizium
testemunha (Tabela 1). A primeira aplicação foi
anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1 x
realizada cerca de 40 dias após a emergência e a
108 propágulos viáveis mL-1) na dose de 0,5 L ha-1, o
segunda aplicação realizada 10 dias após, culminando
co-inoculante Biomax Azum, Biosoja (Azospirillum
com a fase de pré-emborrachamento da cultura.
brasilense, 3 x 108 células/mL) na dose de 0,15 L ha-1 e
Durante as aplicações as condições meteorológicas
RayNitro Zn News (7% de N, 7% de P2O5 e 4% de Zn), na
de temperatura (°C), umidade relativa do ar (%) e
dose de 0,25 L ha-1. Na adubação de plantio foram aplicados 400
velocidade do vento (km h-1) foram mensuradas com o equipamento termo-hidro-anemômetro (Tabela 2).
kg ha-1 do formulado 15:15:15 (N:P:K). Além disso, foi realizada uma adubação de cobertura com 150 kg ha-1 de Ureia protegida com NBPT, em 17/03/2023. O controle de plantas daninhas foi realizado com
Fitopatologia
151
Tabela 1. Relação dos tratamentos com diferentes produtos comerciais, composição de ingredientes ativos e doses utilizadas nas aplicações no sorgo 1G100. Centro Tecnológico Comigo-CTC, Rio Verde-GO, Safra 2022/2023. Tratamentos
Produto Comercial – p. c. Dose (L ou kg ha-1)
Benzovindiflupir (60) + Difenoconazol (90) + Ciproconazol (150)
Alade (0,5)
Picoxistrobina (90) + Ciproconazol (40)
Aproach Power (0,6)
54 + 24
Difenoconazol (250) + Ciproconazol (150)
Cypress 400EC (0,4)
100 + 60
Mefentrifuconazole (200) + Piraclostrobina (200)
Melyra (0,5) 2
Piraclostrobina (133) + Epoxiconazol (50)
Opera (0,6) 2
-1
1
100 + 100 79,8 + 30
Fluxapiroxade (167) + Piraclostrobina (333)
Orkestra (0,3)
50 + 99
Propiconazol (250) + Difenoconazol (250)
Score Flexi (0,2)
50 + 50
Metominostrobina (110) + Tebuconazol (165)
Fusão (0,725)
80 + 120
Azoxistrobina (120) + Tebuconazol (160)
Tamiz (0,5) 3
60 + 80
Piraclostrobina (260) + Epoxiconazol (160)
Abacus (0,35)
Azoxistrobina (47) + Tebuconazol (56) + Mancozebe (597)
Tridium (2,0) -
2
91 + 56
4
94 + 112 + 1.194 -
Adicionado Ochima (0,25 L ha ); Adicionado Mees (0,5 L ha ); Adicionado Agris (0,6 L ha ); Adicionado Aureo (0,25% v/v) -1
2
-1
3
-1
4
As aplicações foram realizadas com pulverizador
post-mix com capacidade de 10 L. As pontas utilizadas
pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3)
para pulverização foram modelo ADIA 110 015/D,
montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv).
da marca Magnojet. A calibragem do equipamento
O pulverizador é dotado com barra de cinco metros,
ajustada para pressão de trabalho na ponta de 3,8 bar
com 10 bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A
(55,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.
calda preparada era acondicionada em tanques tipo
152
30 + 45 + 75
2
Testemunha 1
g I. A. ha-1
Ingrediente (s) Ativo (s) – I. A. e concentração g L ou kg -1
Fitopatologia
Tabela 2. Dados meteorológicos nas aplicações de fungicidas no sorgo, híbrido 1G100. Centro Tecnológico Comigo-CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.
Data
Horário (h)
Temperatura (°C)
Umidade Relativa do ar (%)
Velocidade do vento (km h-1)
1ª Aplicação
Início
10:32
28,1
66,9
5,40
17/04/2023
Término
14:25
30,2
63,2
8,28
2ª Aplicação
Início
14:40
30,2
59,1
4,32
25/04/2023
Término
16:20
28,9
59,6
2,88
As avaliações de incidência e severidade das doenças foram realizadas na véspera de cada aplicação e 25 dias após a última aplicação. Nas avaliações foram identificadas as principais doenças que acometeram as plantas e realizada uma estimativa de severidade média dos tecidos foliares afetados por estas doenças, expressa em % de tecido foliar, variando de 0 a 100%. A partir das avaliações foi possível calcular a Área Abaixo da Curva de Progresso de Doenças (AACPD) (CAMPBELL e MADDEN, 1990), que auxilia na quantificação da doença no campo e é utilizada para os cálculos de eficiência de controle (%) dos tratamentos. A colheita foi realizada no dia 29/06/2022, completando o ciclo com 121 dias de cultivo. A produtividade foi estimada pela colheita de três metros de três linhas da parcela útil. As amostras colhidas foram identificadas e posteriormente trilhadas, pesadas e mensuradas quanto à umidade. Os dados foram ajustados para umidade padrão de 14% e os resultados expressos em sacas de 60 kg por hectare (sc ha-1). Os dados de severidade, AACP-Manchas foliares e produtividade foram submetidos à análise de variância e aplicado o teste de Scott-Knott (P<0,05) para separação das médias, através software SISVAR (FERREIRA, 2014).
RESULTADOS E DISCUSSÃO As
principais
doenças
com
ocorrência
na área experimental, foram a helmintosporiose (Exserohilum turcicum) e antracnose foliar e de colmo (Colletotrichum graminicola). Além disso, é necessário destacar as condições de déficit hídrico e de matocompetição, principalmente com a capim-colchão (Digitaria horizontalis) com os quais a cultura conviveu durante seu ciclo. De toda forma, os valores elevados de severidade final e AACP-Manchas foliares obtidos pelo tratamento testemunha, com 13,63% e 287,75 (Tabela 3), respectivamente, demonstram a capacidade dos patógenos em se estabelecer e a sensibilidade do híbrido de sorgo a estas doenças fúngicas, mesmo em condições desafiadoras de cultivo. Todos os fungicidas avaliados foram capazes de reduzir a severidade final de doenças e a AACPManchas foliares em relação ao tratamento testemunha. Contudo, é possível observar que as aplicações com Picoxistrobina + Ciproconazol, Piraclostrobina + Epoxiconazol (+), Fluxapiroxade + Piraclostrobina, Propiconazol + Difenoconazol tiveram desempenho ligeiramente inferior aos demais e semelhante entre si (Tabela 3). Ressalta-se que, para AACP-Manchas foliares, a aplicação de Piraclostrobina + Epoxiconazol
Fitopatologia
153
(+)
obteve
valores
semelhantes
aos
melhores
apresentados para cada doença separadamente. No entanto, entende-se que no cenário de cultivo do
tratamentos. Em valores absolutos a maior eficiência de
sorgo no Sudoeste Goiano, há a necessidade de que
controle foi obtida pelo tratamento com aplicações
os produtos tenham boa performance para ambas as
de Azoxistrobina + Tebuconazol + Mancozebe, com
doenças. Diante disso, pode-se ressaltar os valores
65% (Tabela 3). Lembrando que, esta variável remete
de eficiência de controle acima de 60%, obtidos pelas
a eficiência de cada fungicida em reduzir a severidade
aplicações com:
de uma determinada doença, no caso deste trabalho,
Mefentrifluconazol + Piraclostrobina, Piraclostrobina
as avaliações levaram em consideração a ocorrência e
+ Epoxiconazol (++) e Azoxistrobina + Tebuconazol
severidade de duas das principais doenças da cultura
+ Mancozebe (Tabela 3), com 60, 64, 61 e 65%
de forma simultânea. Por isso, os valores aparentemente
respectivamente.
baixos,
certamente
seriam
maiores
se
Difenoconazol + Ciproconazol,
fossem
Tabela 3. Valores médios de Severidade Final, AACPD-Manchas foliares e Eficiência de controle em função dos diferentes fungicidas aplicados no sorgo, híbrido 1G100. Centro Tecnológico ComigoCTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Severidade Final
AACPD
Tratamentos
(% de Tecido afetado)
(Manchas foliares)
Eficiência de Controle (%)
Benzovindiflupir + Difenoconazol + Ciproconazol
4,63 a
128,55 a
55
Picoxistrobina + Ciproconazol
6,00 b
146,36 b
49
Difenoconazol + Ciproconazol
4,13 a
115,05 a
60
Mefentrifluconazol + Piraclostrobina
4,19 a
104,25 a
64
Piraclostrobina + Epoxiconazol (+)
5,25 b
128,76 a
55
Fluxapiroxade + Piraclostrobina
5,88 b
140,80 b
51
Propiconazol + Difenoconazol
6,50 b
159,86 b
44
Metominostrobina + Tebuconazol
4,56 a
127,69 a
56
Azoxistrobina + Tebuconazol
3,72 a
122,66 a
57
Piraclostrobina + Epoxiconazol (++)
3,75 a
111,78 a
61
Azoxistrobina + Tebuconazol + Mancozebe
3,22 a
101,61 a
65
Testemunha
13,63 c
287,75 c
0
11,88
13,64
-
C.V.
154
Fitopatologia
Os dados de pluviometria obtidos através de uma
Que ocorreu simultaneamente após dias com baixas
estação meteorológica automática (Plug Field) na área
temperaturas e estresses hídricos moderados. Ainda
experimental do CTC, indicam que após a semeadura
assim, a severidade das doenças foliares (e antracnose
foi registrado um volume pluviométrico de 399 mm,
no colmo) saíram de não mais que 3% nos tratamentos
sendo eles distribuídos em 289 mm no mês de março,
com aplicações (dados não apresentados), para até o
76 mm em abril, 12 mm em maio e 22 mm no mês de
dobro deste valor em alguns tratamentos (Tabela 3). Em relação à produtividade, todos os programas
junho. É notório que o volume considerável de chuvas após a semeadura da área experimental, sobretudo
de
no mês de março e meados de abril, possibilitou bom
superiores aos do tratamento testemunha (Figura 1). O
desenvolvimento vegetativo da cultura, bem como
ganho médio foi acima de 15 sacas por hectare. Estes
pode ter sido fundamental para as infecções iniciais
resultados, reforçam novamente o grande potencial
observadas já na primeira avaliação de severidade, em
de utilização de fungicidas no controle de doenças no
16/04. A partir daí, a progressão da doença avançou de
sorgo e na manutenção da sanidade, com impactos
forma lenta até a fase de enchimento pleno dos grãos.
diretos sobre a produtividade das lavouras.
Produtividade (sacas ha-1)
100,0
a
a
a
a
a
a
aplicações
a
a
de
a
fungicidas
a
obtiveram
valores
a
b
80,0 60,0 40,0 20,0
Testemunha
Tridium
Abacus
Tamiz
Fusão
Score Flexi
Orkestra
Opera
Melyra
Cypress
Aproach Power
Alade
0,0
Médias seguidas por letras iguais acima das barras não diferem entre si pelo teste de Sco�-Kno� (P<0,05) C.V. (Coeficiente de Variação) = 8,13%
Figura 1. Gráfico com a produtividade média de sorgo (sacas por hectare) do híbrido 1G100 após as aplicações dos diferentes ingredientes ativos fungicidas. Centro Tecnológico Comigo-CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.
Fitopatologia
155
Ganhos expressivos de produtividade com a
experimento.
aplicação de fungicidas na cultura do sorgo têm sido observadas nos últimos anos, não somente em anos com volumes e distribuição pluviométrica favoráveis,
REFERÊNCIAS
como neste ano agrícola. Mas também em anos com
CANAL RURAL. Sorgo: Conab projeta safra
desafios hídricos, seja por déficits acentuados ou
brasileira de 4.326 mi de toneladas em 22/23. 2023.
geadas intensas, o controle de doenças tem contribuído
Disponível em https://www.canalrural.com.br/radar/
com incrementos produtivos consideráveis (Fernandes
sorgo-conab-projeta-safra-brasileira-de-4326-mi-de-t-
et al., 2022).
em-22-23/. Acesso em agosto de 2023.
CONCLUSÃO
CONAB
–
ABASTECIMENTO.
COMPANHIA
NACIONAL
Acompanhamento
da
DE safra
brasileira de grãos – Safra 2022/2023 – 11º
As doenças que acometem a cultura do sorgo
Levantamento. Brasília (DF), v. 10, n. 11, agosto, 2023.
atingem níveis elevados de severidade e comprometem
FERNANDES, R. H.; LIMA, D. T.; ALMEIDA,
a produtividade da lavoura quando não são adotadas
D. P. Controle químico de doenças foliares no sorgo
medidas de controle com elevada eficiência. Estes
granífero. Anuário de Pesquisas de Agricultura 2ª
impactos podem acontecer tanto em anos com volumes
Safra – 2021/2022, v. 5, n. 2, p. 49-55 2022.
pluviométricos satisfatórios ou mesmo naqueles com déficits hídricos mais severos. Os fungicidas avaliados apresentam efetividade
FERREIRA, D.F. Sisvar: a Guide for its Bootstrap procedures in multiple comparisons. Revista Ciência e Agrotecnologia, v.38, n.2, p.109-112, 2014.
na redução dos níveis de doenças severidade e AACP-
FOLTRAN, D. E.; SAWAZAKI, E.; FREITAS, R. S.
Manchas foliares, no campo. Contudo, foi possível
Novos cultivares de sorgo vassoura para agricultura
identificar misturas de ingredientes ativos com
regional. Pesquisa e Tecnologia, vol. 13, n. 1, janeiro
desempenho ligeiramente superior. Misturas contendo
– junho, 2016.
os ingredientes ativos: Tebuconazol, Mefentrifuconazol,
GOVERNO DE GOIÁS. Goiás se isola na
Priclostrobina (com doses mais altas), Azoxistrobina e
liderança da produção de sorgo e girassol no
Metominostrobina, estão entre os que apresentaram
país. 2023. Disponível em: https://www.goias.gov.br/
melhor desempenho.
servico/43-economia/128588-goi%C3%A1s-se-isola-
Realizar aplicações de fungicidas é prática
na-lideran%C3%A7a-da-produ%C3%A7%C3%A3o-
primordial para proteção do cultivo e obtenção de
de-sorgo-e-girassol-no-pa%C3%ADs.html. Acesso em
melhores resultados de produtividade. Os produtos
agosto de 2023.
aqui avaliados proporcionaram incrementos produtivos, independentemente de qual tenha sido aplicado.
MAGALHÃES, P. C.; DURAES, F. O. M.; SCHAFFERT, R. E. Fisiologia da planta do sorgo. Sete Lagoas, MG: Embrapa Milho e Sorgo. Circular Técnica,
AGRADECIMENTOS
156
3. 2000. OLIVEIRA,
N.
S.
S.
Características
Á equipe de campo, estagiários e demais
bromatológicas de genótipos de sorgo submetidos
pesquisadores do CTC pelo apoio na execução do
a diferentes densidades de plantas em diferentes
Fitopatologia
épocas de corte. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Agronomia) - Universidade Federal de São João Del Rei, 2015. SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS, L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO, M.R.; ALMEIDA, J.A.; CUNHA, T.J.F.; OLIVEIRA, J.B. Sistema brasileiro de classificação de solos. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. 5 ed. Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos. 2018. 588 p. SILVA, D. D.; COTA, L. V.; COSTA, R. V. Doenças. In: Cultivo do Sorgo, RODRIGUES, J. A. S. (ed.). Embrapa Milho e Sorgo, Sistema de Produção Embrapa, 2, 2012. Disponível em <https://www.spo. cnptia.embrapa.br/conteudo?p_p_id=conteudoportlet_ WAR_sistemasdeproducaolf6_1ga1ceportlet&p_p_ lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_ mode=view&p_p_col_id=column1&p_p_col_count=1&p_r_p_-76293187_ sistemaProducaoId=8301&p_r_p_-996514994_ topicoId=9206>. Acesso em agosto de 2023. SILVA, L. C. M. Cinética de secagem dos grãos e caracterização física e química durante o armazenamento de farinha de sorgo granífero. 2019. Tese de Doutorado - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano – Campus Rio Verde, 2019. VIANA, G. Produção de sorgo no Brasil sobe mais de 36% em apenas uma safra. Embrapa Milho e Sorgo. 2022. Disponível em https://www.embrapa. br/busca-de-noticias/-/noticia/73811127/producaode-sorgo-no-brasil-sobe-mais-de-36-em-apenas-umasafra. Acesso em agosto de 2023.
Fitopatologia
157
Fitotecnia 158
Fitotecnia
PRODUTIVIDADE DE SOJA CULTIVADA SOBRE A PALHADA DE Panicum maximum EM SISTEMAS DE INTEGRAÇÃO LAVOURA PECUÁRIA NASCIMENTO¹, Hemython Luis Bandeira do; BILEGO², Ubirajara Oliveira; MARQUES³, Bruno de Souza; LIMA4, Diego Tolentino; FERNANDES5, Rafael Henrique; BRAZ6, Guilherme Braga Pereira; BUENO7, Amanda Magalhães; SARKIS8, Leonardo Fernandes; COSTA9, Kátia Aparecida de Pinho; Eng. Agrônomo, Dr. Zootecnia, Pesquisador em Forragicultura do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: hemythonluis@comigo.com.br 2 Médico Veterinário, Dr. em Ciência Animal, Pesquisador em Produção Animal do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: ubirajarabilego@comigo.com.br 3 Médico Veterinário, mestrando do programa de pósgraduação em Zootecnia do IF Goiano, Rio Verde-GO. E-mail: brunoszmarques@gmail.com 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 5 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 6 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 7 Eng.a Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora 1
Agronômica em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br 8 Eng. Agrônomo, Me. em Ciência do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 9 Zootecnista, Dsc. Professor do IF Goiano – Campus de Rio Verde – GO. E-mail: katiazoo@hotmail.com
INTRODUÇÃO A produção e consumo global de alimentos têm gerado preocupações socioeconômicas e ambientais, tornando a agricultura sustentável uma prioridade (ALLAOUI et al., 2018). Nesse cenário sistemas integração lavoura-pecuária surgem como uma estratégia para atender às altas demandas alimentares promovendo conservação ambiental (VALANI et al., 2021; MUSCAT et al., 2021). A adoção de práticas sustentáveis é essencial para equilibrar aumento de produtividade e conservação do meio ambiente (ROESCH-MCNALLY et al., 2018). O sinergismo observado nos sistemas integrados lavoura-pecuária entre culturas agrícolas e criação de animais, proporciona diversos benefícios. A diversificação de atividades em uma mesma área contribui para maior
Fitotecnia
159
produção de alimentos em espaços limitados (VALANI
que favorecem a produtividade da soja. A utilização
et al., 2021). A relação entre as atividades agrícolas
do sistema integrado lavoura-pecuária na forma de
e pecuárias permite a reciclagem de nutrientes e a
sucessão forrageira proporciona maior cobertura do
melhoria das propriedades do solo (RYSCHAWY et al.,
solo ciclagem de nutrientes pelo melhor aproveitamento
2017).
das excretas dos animais, do que o cultivo do milho em A biomassa de forrageiras contribui para a
sucessão, resultando em maior produtividade da soja
estabilidade do solo (FRANZLUEBBERS E GASTAL
(DIAS et al., 2020; MUNIZ et al., 2021). Vale ressaltar
2019), protegendo-o de condições climáticas adversas
que a escolha adequada das forrageiras, associada
e promovendo ciclagem de nutrientes (PETERSON et
a implantação correta do pasto safrinha e ao manejo
al., 2020). A sucessão forrageira na segunda safra após
adequado dos sistemas integrados são cruciais para
a colheita da soja é uma técnica eficaz para a produção
otimizar esses benefícios e garantir uma agricultura
de biomassa, melhorando a cobertura do solo e
mais resiliente e sustentável. Objetivou-se com esse estudo avaliar a influência
proporcionando alimentação para o gado (ANDRADE et al., 2020).
do cultivo de forrageiras do gênero Panicum maximum
A persistência da palhada do milho e de outras
durante a segunda safra em sistemas de Integração
culturas como a de forrageiras tropicais é crucial para
Lavoura Pecuária sobre as características do solo e
a conservação do solo. A composição dos resíduos,
produtividade da soja no Cerrado Goiano.
rica em materiais lignificados, confere resistência à decomposição, mantendo-a por mais tempo sobre o solo (CECCON, 2013). A relação C:N dos resíduos vegetais desempenha papel fundamental na decomposição,
O experimento foi conduzido na fazenda
afetando a disponibilidade de nutrientes (ACOSTA et
experimental do Centro Tecnológico COMIGO, em
al., 2014; DIAS et al., 2020) que atenderam à demanda
Rio Verde – GO. Segundo Thornthwaite (1948) o
da soja, resultando em maior rendimento de grãos
clima de Rio Verde - GO é classificado em B4 rB’4a’
(MUNIZ et al., 2021). Forrageiras tropicais, como as
(úmido, pequena deficiência hídrica, mesotérmico e
dos gêneros Panicum e Brachiaria, contribuem para
evapotranspiração no verão menor que 48%). A área
maior produção de biomassa e ciclagem de nutrientes,
utilizada para o ensaio encontra-se sob as coordenadas
promovendo a reciclagem de nitrogênio e carbono
17⁰45’48’’ S e 51⁰02’14’’ W, com altitude de 832 m,
e melhorando a qualidade do solo (BAPTISTELLA et
ocupando aproximadamente 5,15 ha, divididos em dois
al., 2020). Estudos realizados por Muniz et al. (2021)
blocos (Figura 1). O solo da área é do tipo LATOSSOLO
mostraram que a Brachiaria brizantha BRS Paiaguás e o
VERMELHO Distrófico (SANTOS et al. 2018), com tores
Panicum maxímum BRS Tamani apresentaram relação
médios de 35,6% de argila, 7,6% de silte e 56,8% de
carbono:nitrogênio (C:N) superior a 30:1, indicando
areia.
lenta decomposição dos resíduos vegetais e maior persistência da palhada no sistema.
160
MATERIAL E MÉTODOS
No bloco 01 o sistema de integração LavouraPecuária é utilizado desde a safra 2011/2012, no bloco
Neste contexto, deve-se considerar os benefícios
02 esse sistema começou a ser utilizada um pouco
que o componente animal traz ao sistema em termos
mais recente a partir do ano agrícola 2016/2017. No
de produção de biomassa e liberação de nutrientes,
estudo, foram avaliados três sistemas de produção, dois
Fitotecnia
com integração lavoura pecuária (ILP), nos quais após
de culturas (SS), onde é plantada a soja na safra e o
a colheita da soja é plantado o capim para pastejo dos
milho na segunda safra.
animais na entressafra, e um tradicional com sucessão
Figura 1. Foto aérea da área do experimento durante a safrinha. (Fonte: Pedro Cabral) Antes da implantação da cultura da soja na safra 2022/2023 foram realizadas coletas de solo na área
ao laboratório para determinação das características químicas (Tabela 1).
experimental na profundidade de 0 a 20 cm e enviadas
Fitotecnia
161
Tabela 1. Capacidade de troca catiônica (CTC), matéria orgânica (MO) e teores de nutrientes do solo em sistemas de Integração Lavoura Pecuária e de Sucessão (SS) na região de Rio Verde – GO. MO
Sistema
CTC
%
Ca
Al
----------cmolc dm ---------
K
B
P(Mehlich)
--------- mg dm --------
-3
-3
Sucessão
2,6
7,3
3,0
0,76
0,07
130
38,2
0,64
ILP Zuri
2,5
7,2
3,2
0,87
0,06
182
32,2
0,48
ILP Quênia
2,5
7,2
2,4
0,69
0,10
157
48,1
0,50
Após a colheita do milho no sistema de
72 horas e posteriormente pesadas novamente
sucessão e retirada dos animais dos pastos nas
para determinação da massa seca. Para estimar
áreas de ILP, foi realizada a dessecação da biomassa
a massa residual de raiz do capim, primeiramente
com 2,5 L ha de Roundup Ultra® (Glifosato – Sal de
quantificou-se a densidade de touceiras, com o
Amônio, 715 g L ) nas áreas de ILP onde estava o
auxílio de uma moldura de tubos PVC medindo
capim plantado, nas áreas cultivadas com milho na
1,0 m x 1,0 m (1,0 m²) foram contadas todas as
segunda safra a dessecação foi realizada utilizando
touceiras no interior da moldura em dois pontos
2 L ha de Xeque Matt (Glifosato – Sal Potássio,
por piquete. Com base na densidade de touceira,
720 g L ) e 2 L ha de Podium EW (FENOXAPROPE-
foram coletadas em pontos aleatórios 3 touceiras
P-ETÍLICO 110 g L ). Nos sistemas de Integração
por piquete, na profundidade de 0 a 20 cm. As
Lavoura Pecuária, na segunda safra da safra
amostras foram armazenadas em sacos plásticos
anterior (2021/2022), foram implantadas duas
e posteriormente lavadas em água corrente até
cultivares de Panicum maximum, (BRS Zuri e o
remover todo o solo, após lavadas, as amostras
BRS Quênia) mais detalhes sobre a implantação,
foram acondicionadas em sacos de papel, levados
condução e resultados obtidos com essas culturas
para secar em estufa de circulação de ar forçada à
na segunda safra de 2022 podem ser consultados
55°C por 72 horas e posteriormente pesadas para
em Bilego et al. (2022).
obtenção da massa seca. Para estimar a massa de
-1
-1
-1
-1
-1
-1
Após
a
dessecação
da
área,
foram
realizadas coletas de amostras para estimativa da
162
Mg
raiz por área multiplicou-se a médias da massa de raiz por touceira pela densidade de touceiras.
massa residual de palhada e de raiz deixadas no
Antes da semeadura da soja na área foram
sistema, as amostras de palhada foram colhidas
aplicados 152 kg ha -1 de KCl à lanço. No dia 26 de
em dois pontos por piquete, utilizando moldura
outubro de 2022 foi realizada a semeadura da cultivar
de tubos PVC medindo 1,0 m x 1,0 m (1,0 m²). No
de soja CZ37B43IPRO, utilizando semeadoura
momento da coleta, as amostras foram cortadas
adubadora com uma taxa de semeadura de 15
rente ao solo, pesadas e retiradas sub-amostras
sementes m -1, no momento da semeadura foi
com aproximadamente 500 g, colocadas em
realizada a adubação na linha com 450 kg ha -1 de
sacos de papel, pesados e levados para secar
superfosfato simples. As sementes foram tratadas
em estufa de circulação de ar forçada à 55°C por
com Standak Top (25 g L-1 i.a. Piraclostrobina, 225 g
Fitotecnia
L-1 i.a. Tiofanato Metílico e 250 g L-1 i.a. Fipronil). No
completos casualizados (DBC), com três sistemas
momento da semeadura foram aplicados no sulco
de produção (SS, ILP-Zuri e ILP-Quênia), dois blocos
1,0 L ha -1 do inoculante Cell Tech (Bradyrhizobium
e duas repetições dentro de cada bloco, totalizando
japonicum Estirpe SEMIA 5079 e SEMIA 5080,
assim 12 unidades experimentais. Os dados foram
concentração mínima 3,0 x 109 UFC mL-1, Monsanto
analisados utilizando o método de modelos mistos
BioAg), 0,1 L ha -1 do coinoculante Biomax Azum
com estrutura paramétrica especial na matriz de
(Azospirillum brasilense, concentração mínima
covariância, por meio do procedimento MIXED do
3,0 x 103 UFC mL-1, Biosoja), 500 mL ha -1 de Meta
software estatístico SAS (LITTELL et al., 2006). As
Turbo (Metarhizium anisopliae), 200 mL ha -1 de
forrageiras foram consideradas efeitos fixos, blocos
Nodulus Gold (Ascophyllum nodosum) e 400 mL
e repetições foram considerados efeito aleatório.
ha -1 de Verango Prime (FLUOPIRAM). O volume de
Para escolher a matriz de covariância foi usado o
aplicação utilizado no sulco foi de 60 L ha -1.
critério de informação de Akaike (WOLFINGER et al.,
Após a semeadura, foram realizadas duas
1993). As médias dos tratamentos foram estimadas
aplicações de herbicidas para controle de plantas
pelo “LSMEANS” e a comparação foi realizada pelo
daninhas, aos 28 dias após a semeadura (DAS)
teste de Tukey com nível de significância de 10%.
foram aplicados 2 L ha -1 de Xeque Matt + 1,22 L ha -1 de Podium EW. O manejo de doenças e pragas foi realizado adotando um cronograma com cinco
RESULTADOS E DISCUSSÃO
aplicações. A primeira com Score flexi + Seven
Durante o ciclo de desenvolvimento da
(0,150 e 1,5 L ha -1 respectivamente). A segunda
cultura da soja, verificou-se temperatura média
com Ampligo 0,2 L ha -1. A terceira com Unizeb Gold
variando entre 22 e 23 °C, e um acumulado de
+ Sulfato de Magnésio + Excalia Max + Proclaim +
chuvas de 1.252 mm, com chuvas bem distribuídas
Nomolt + Agris (1,5 + 2,0 + 0,5 + 0,2 + 0,2 + 0,5 L ha -1
durante todo o ciclo da cultura (Figura 2).
respectivamente). A quarta com Viovan + Bravonil 720 (0,6 + 1,0 L ha -1 respectivamente). E na quinta com Bravonil 720 + Cypress + Fastac Duo + Cordial (1,0 + 0,3 + 0,5 + 0,25 ha -1 respectivamente). Ao final do ciclo da soja foi realizada a dessecação com Reglone + Agral (2,0 + 0,5 L ha -1 respectivamente). Para estimativa da produtividade de grãos, foram coletadas quatro fileiras centrais com 3,0 metros de comprimento dentro de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos, trilhados e secos. Foi
calculada
a
produtividade
por
hectare,
considerando-se a umidade padrão de 13% para comercialização do grão, tomado como medida a saca de 60 kg. O delineamento experimental foi blocos
Fitotecnia
163
Figura 2. Precipitação e temperaturas registradas no Centro Tecnológico COMIGO no período de outubro de 2022 a março de 2023. Para a massa residual de palhada, verificou-se diferença significativa entre os sistemas de produção (p < 0,0001), com maiores valores observados no sistema de sucessão em relação aos sistemas de integração lavoura pecuária, em média nas áreas cultivadas com milho na safrinha 2022 a massa residual de palhada foi cerca de 2.000 kg ha-1 maior em relação às áreas cultivadas com os capins Zuri ou Quênia (Figura 3A), a menor quantidade de resíduo de palhada foi observada nas áreas cultivadas com o capim Quênia. Em relação ao residual de raiz deixado no sistema ILP, não foi verificada diferença entre os capins Quênia e Zuri (P = 0,5274), sendo verificado um valor médio de 3.300 kg ha-1 de raiz deixados no solo na camada até 20 cm de profundidade (Figura 3B).
164
Fitotecnia
A
B
Figura 3. Residual de palhada (A) e de raiz (B) deixados pelas culturas cultivadas
na safrinha de 2022 nos sistemas de Integração Lavoura Pecuária (ILP Zuri e ILP Quênia) e de sucessão (SS) na região de Rio Verde, GO.
Médias seguidas por letras diferentes nas barras, diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 10%.
Apesar das diferenças verificadas entre os
sistemas para a produtividade de Soja (p = 0,4912), que
sistemas de produção para o residual de palhada, não
em média foi de 5.364 kg ha-1 (Figura 4), correspondendo
foram verificadas diferenças significativas entre os
a aproximadamente 91 sacas ha-1.
Fitotecnia
165
Figura 4. Produtividade de soja na safra 2022/2023 em sistemas de Integração
Lavoura Pecuária e de Sucessão na região de Rio Verde, GO.
Médias seguidas por letras diferentes nas barras, diferem estatisticamente de Tukey a 10%.
Esse equilíbrio verificado entre os sistemas de produção para produtividade de soja apesar da maior quantidade de deixada no sistema pelo milho safrinha, pode estar relacionada aos bons níveis de fertilidade e altos teores de matéria orgânica verificados em todos os sistemas (Tabela 1), bem como ao fato de a palhada de forrageiras do gênero Panicum máximo proporcionar melhor cobertura do solo e maior uniformidade de distribuição na área em comparação à palhada do milho ao longo de todo o ciclo da soja (Figura 4 A, B e C). Além disso, a palhada de capins do gênero Panicum máximum apresenta maior eficiência na ciclagem de nutrientes, proporcionando maior retorno de Nitrogênio, Fósforo e Potássio para o sistema quando comparados à palhada do milho (DIAS et al., 2020).
166
Fitotecnia
A
B
C
Figura 5. Soja na palhada de capim-quênia (A), capim-zuri (B) e de milho (C). Durante a safrinha 2021/2022 ocorreu um forte
sistema ILP também foram afetadas pela falta de chuva
veranico na fase de enchimento de grãos do milho
durante o período, porém em menor intensidade que o
comprometendo significativamente a produtividade da
milho safrinha. Um resumo da produtividade obtida nos
cultura no sistema de sucessão, produzindo em média
sistemas de produção durante a safrinha 2021/2022 e
apenas 32,5 sacas de milho ha-1. As forrageiras do
na safra 2022/2023 pode ser verificado na Tabela 2.
Tabela 2. Produtividades obtidas nos sistemas de produção na segunda safra do ano agrícola 2021/2022 e na safra do ano agrícola 2022/2023.
Sistema
Cultura na 2ª safra (safra 2021/2022)
Produtividade na 2ª safra (safra 2021/2022)¹
Produtividade de soja na Safra 2022/2023
Sucessão (Soja x Milho)
Milho
32,5 sacas ha-1
89,6 sacas ha-1
ILP (Soja x Pastagem)
Capim-zuri
6,6 @ ha-1
91,3 sacas ha-1
ILP (Soja x Pastagem)
Capim-quênia
4,5 @ ha-1
92,0 sacas ha-1
CONCLUSÃO Gramíneas forrageiras do gênero Panicum maximum apresentam grande potencial para utilização
em sistemas de integração lavoura pecuária, pois além de possibilitarem a obtenção de bons resultados na etapa da pecuária, se manejados de forma adequada, podem ainda deixar uma palhada de excelente
Fitotecnia
167
qualidade para o cultivo da soja na safra posterior,
Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v.37, p. 204-212.
sem comprometer a palatabilidade e produtividade da
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Fitotecnia
169
DESEMPENHO PRODUTIVO DE HÍBRIDOS DE MILHO CULTIVADOS NA SEGUNDA SAFRA LIMA1, Diego Tolentino, TAVARES2, Rose Luiza Moraes, PAIVA3, Lucas Barros; BORDIGNON3, João Guilherme Queiroz
O milho pode ser cultivado na primeira safra, bem como na segunda (também conhecida como safrinha), possibilitando maior disponibilidade do grão no mercado durante todo o ano. Das quase 130 milhões de toneladas
Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 2 Eng.a Agrônoma, Dra. em Engenharia Agrícola, Professora da Universidade de Rio Verde (UniRV). Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: roseluiza@unirv.edu.br 3 Graduando em Agronomia - Universidade de Rio Verde (UniRV). Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: lucasbpaiva@academico.unirv.edu.br; joaogqbordignon@academico.unirv.edu.br 1
de grão de milho desta safra estimadas pela CONAB (2023), 100 milhões são das lavouras de segunda safra, na qual houve um incremento de 4,5% em área plantada (17,1 milhões de hectares) e 11,6% de produtividade (5,8 toneladas por hectare). Essa estimativa de 100 milhões de toneladas na segunda safra corresponde a um aumento de 16,6% em relação a última safra, já as 130 milhões de toneladas estimadas da produção total reflete em aumento de aproximadamente 15% (CONAB, 2023). De acordo com a CONAB (2023), no sudoeste goiano, principal região produtora do estado, as chuvas
INTRODUÇÃO
tardias e baixas temperaturas ocorridas, entre junho e julho, também atrasaram a perda de umidade dos grãos e o ritmo da colheita. Por outro lado, estas precipitações
170
O milho (Zea mays) é uma importante espécie
favoreceram o enchimento de grãos das lavouras mais
cultivada no Brasil, por deter alto teor nutritivo, pode
tardias e propiciaram o aumento nas estimativas de
ser destinada à fabricação de diversos produtos
produtividades médias na região.
para alimentação humana, animal, bem como para
No mercado atual existe grande número de híbridos
a produção de biocombustíveis, além do país ser um
de milho, por volta de 90% das áreas cultivadas no Brasil
dos grandes exportadores do cereal. Diante disso,
são provenientes de sementes híbridas, especialmente
essa cultura possui grande importância econômica
híbridos simples e triplos, uma vez que apresentam
para o país, sendo o terceiro maior produtor de milho
maiores produtividades e uniformidade (SOUZA, 2018).
em quantidade e em área plantada, ficando atrás
É essencial que durante o período de crescimento e
apenas dos Estados Unidos e da China (USDA, 2021).
desenvolvimento do milho, haja disponibilidade hídrica,
Fitotecnia
temperatura, fotoperíodo favorável, fertilidade do solo
em segunda safra, em sucessão a soja, verificando
adequada, manejo adequado de doenças e insetos-
assim, a produtividade final de grãos.
pragas, pois são requisitos que contribuirão para altas produtividades. Desse modo, se faz fundamental possuir
MATERIAL E MÉTODOS
conhecimento a respeito da qualidade do material
O experimento foi conduzido em condições de
utilizado, conhecer as características agronômicas e
campo, na área experimental da Fazenda Monte Alegre,
produtivas dos híbridos de milho, visto que influenciará
da Cooperativa COMIGO, localizada no município de
diretamente na produtividade final. As culturas
Rio Verde – GO (S 17°33'14.8" O 50°58'44.1", altitude
quando cultivadas em condições edafoclimáticas
média de 790 metros). O solo da área é caracterizado
ideais, tendem a expressar seu total potencial. Assim,
como Latossolo Vermelho Distrófico (SANTOS et al.,
conhecer os melhores híbridos para a região de cultivo,
2018). Em área colhida anteriormente com soja foi
em especial o estado de Goiás é aconselhado para
realizada a semeadura dos híbridos, listados na Tabela
auxiliar o produtor na tomada de decisão, garantindo
1, no dia 14 de fevereiro de 2023. A maioria dos híbridos
melhores produtividades (COSTA et al., 2019).
recebeu tratamento industrial padrão da empresa e os
O objetivo do presente trabalho foi avaliar o desempenho de diferentes híbridos de milho
demais foram tratados com CropStar, na dose de 1,5 L para 100 kg de sementes.
disponíveis no mercado, em condições de semeadura
Fitotecnia
171
Tabela 1. Híbridos de milho e população de plantas no estabelecimento da cultura. Fazenda Monte Alegre, Centro Tecnológico COMIGO (CTC), Rio Verde- GO, safra 2022/2023. HÍBRIDO
*POPULAÇÃO (mil plantas ha-1)
B2360 PWU
50,36
B2401 PWU
50,38
NK520 VIP3
50,38
STATUS VIP3
51,09
AG3500 RR
51,11
AG8480 PRO4
51,13
AG7098 TER
51,84
SYN555 VIP3
51,84
AG8701 PRO4
51,87
B2800 VYHR
52,58
AG8700 PRO4
52,60
NK511 VIP3
52,60
AG3510 RR
53,31
FEROZ VIP3
54,07
AG8600 PRO4
54,09
B2620 PWU
54,09
AG8088 PRO2
54,82
*População de plantas por hectare avaliada durante o experimento.
A densidade de semeadura utilizada foi de
de Enxofre, parcelada em duas aplicações de 200 kg
2,8 sementes por metro para todos os híbridos. A
ha-1, sendo a primeira cerca de 20 dias, e a segunda 30
adubação realizada na semeadura em sulco foi com
dias após a semeadura.
250 kg ha do fertilizante 13-33-00. Momento em que
Referente ao manejo de plantas daninhas,
também foi aplicado no sulco 0,2 L ha de Biomax
foi aplicado no sistema plante-aplique (logo após a
Azum + 0,25 L ha de RayNitro. O volume de aplicação
semeadura) 2,0 L ha-1 de Finale + 1,5 L ha-1 de Dual
utilizado no sulco foi de 60 L ha-1.Os dezessete híbridos
Gold + 0,15 L ha-1 de Mees. Após 10 dias da semeadura,
foram semeados no espaçamento de 0,5 m, dispostos
realizou-se aplicação de herbicida em pós-emergência
em parcelas de 12 linhas (6 metros de largura), com
na cultura com 3,0 L ha-1 de Facero + 0,15 L ha-1 de Mees.
100 metros de comprimento, totalizando em 600 m2
Para o manejo de pragas, foram realizadas avaliações
cada parcela, com três repetições de cada material.
semanais quanto à ocorrência, nível populacional com
Utilizou-se o delineamento experimental em blocos
base no manejo integrado e nível de dano econômico.
casualizados (DBC). A adubação de cobertura foi
Cerca de 50 dias após a semeadura, quando a cultura
realizada com 400 kg ha do fertilizante 20-00-20+9,5%
estava no estádio V8/V9, foi necessário realizar
-1
-1
-1
-1
172
Fitotecnia
aplicação de inseticidas para o controle de lagarta-do-
Os grãos foram trilhados e secos, e a produtividade por
cartucho (Spodoptera frugiperda), com uma aplicação
hectare foi calculada tendo em conta a umidade padrão
de 1,5 L ha-1 de Regio + 0,1 L ha-1 de Premio.
de 13%, bem como a medida da saca de 60kg de grãos.
Aos 30 dias após a semeadura, foi avaliada
Por fim, os dados de produtividade foram submetidos
a população de plantas (Tabela 1), na qual foram
a análise de variância (ANOVA) pelo teste F. No caso, o
escolhidos de forma aleatória em cada híbrido um
efeito dos tratamentos foi significativo, assim as médias
ponto por parcela, contabilizando o número de plantas
foram comparadas pelo teste de Scot-Knott (P<0,05),
em três linhas de três metros. Com 147 dias após a
pelo software SISVAR (FERREIRA, 2014).
semeadura (11/07/23) alguns híbridos começaram a apresentar umidade dos grãos próximo a 13%, e a partir daí a umidade dos grãos foi medida duas vezes por
RESULTADOS E DISCUSSÃO
semana para cálculo do ciclo (dias até atingir 13% de
A produtividade média de grãos dos híbridos de
umidade dos grãos) de cada um dos híbridos. A fazenda
milho no presente trabalho foi de 114,5 sacas ha-1. Os
possui estação meteorológica própria (Plugfield),
híbridos que obtiveram maiores produtividades foram:
para registro de dados climáticos. O experimento foi
B2800 VYHR, B2360 PWU, AG3500 RR, AG8480 PRO4,
instalado próximo à estação e os dados de precipitação
B2401 PWU, AG8700 PRO4, SYN555 VIP3, AG8600
foram coletados para o presente trabalho.
PRO4 e AG8701 PRO4, com média de 126,78 sacas ha-1.
A colheita dos híbridos de milho foi realizada
Quanto aos que apresentaram menores produtividades,
no dia 02/08/2022 (169 dias após a semeadura). A
se enquadram B2620 PWU, NK511 VIP3, AG3510 RR,
produtividade foi obtida em dois pontos aleatórios
NK520 VIP3, STATUS VIP3, AG8088 PRO2, FEROZ VIP3
dentro da parcela útil e em cada ponto foram colhidas
e AG7098 TER, com média de aproximadamente 100,70
três linhas de semeadura com três metros de
sacas ha-1 (Figura 1).
comprimento, totalizando nove metros em cada ponto.
Fitotecnia
173
140
-1 Produtividade (saca ha )
120 105
100 80
87 88
b
b
b
109
118 110 112
b
b
122 122
126 127 129 129 130
133
95 96 b
b
b
b
a a
a
a
a
a
a
a
a
60 40 20
AG 70 FE 98 T AG RO ER Z 80 V I ST 88 P3 AT PR U O NK S 2 V 52 IP AG 0 V 3 3 IP NK 510 3 51 RR B2 1 V AG 620 IP3 87 PW AG 01 U 86 PR O 0 SY 0 4 N PR AG 55 O4 87 5 V 00 IP B2 PR 3 AG 401 O4 84 PW 80 U AG P RO 3 B2 500 4 3 R B2 60 P R 80 W 0 U VY HR
0
Figura 1. Produtividade dos diferentes híbridos de milho cultivados na segunda safra. Fazenda Monte Alegre, Centro Tecnológico COMIGO - CTC. Rio Verde - GO, safra 2022/23. Coeficiente de variação (C.V.) = 12,84%. Médias seguidas por letras iguais, não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (p<0,05). Os híbridos mais precoces foram AG8700
(período de pendoamento-espigamento) com o período
PRO4, AG3500 RR e B2360 PWU, com 147 dias até
em que tende a ocorrer baixa disponibilidade hídrica.
atingirem 13% de umidade dos grãos (Figura 2),
Plantar híbridos de ciclo superprecoce e precoce em
ficaram no grupo dos mais produtivos (média de 128,93
razão do rápido desenvolvimento, podem auxiliar no
sacas ha ) (Figura 1). O milho em períodos críticos do
escape dos períodos de déficit hídrico.
-1
desenvolvimento, ou seja, o período de florescimento à maturação fisiológica, quando passado por estresses pode influenciar na redução direta do seu rendimento final. Conforme Bergamaschi et al. (2006), pode ocorrer a redução do número de grãos por espiga. Uma forma de poder minimizar os danos, consiste em plantar a lavoura de milho em uma determinada época a fim de não coincidir o período crítico a estresse hídrico
174
Fitotecnia
180 160
167 167
164
169
169
167 167 153
157
153 153
157 147
167
164 147 147
140
Ciclo (dias)
120 100 80 60 40 20
AG 70 FE 98 AG RO TE 80 Z V R ST 88 IP3 AT PR O NK US 2 V 5 I AG 20 P3 3 VIP NK 51 3 0 51 RR B2 1 AG 62 VIP 8 0P 3 AG 701 W 86 PR U SY 00 O4 N P AG 55 RO 87 5 V 4 0 IP B2 0 P 3 R AG 40 O 84 1 P 4 8 W AG 0 P U 3 RO B2 500 4 3 R B2 60 R P 80 W 0 VY U HR
0
Figura 2. Ciclo (dias), para atingir naturalmente 13% de umidade nos grãos, dos diferentes híbridos de milho cultivados na segunda safra. Fazenda Monte Alegre, Centro Tecnológico COMIGO - CTC. Rio Verde - GO, safra 2022/23. A maioria (66,67%) dos híbridos tardios, com
de produção, houve disponibilidade hídrica de 153,9
mais de 160 dias de ciclo (NK511 VIP3, NK520 VIP3,
mm. Todavia no mês seguinte, em abril, choveu apenas
STATUS VIP3, AG8088 PRO2, FEROZ VIP3 e AG7098
58,2 mm, período no qual iniciou o pendoamento-
TER), ficaram no grupo dos menos produtivos. As
espigamento, momento esse em que a cultura possui
exceções foram B2800 VYHR, AG8480 PRO4 e SYN555
alta sensibilidade ao estresse hídrico, seguindo os
VIP3 que ficaram no grupo dos mais produtivos (Figura
meses de maio, junho e julho com 19,8 mm (porém sem
1).
nenhuma chuva significativa, acima de 10,0 mm). De acordo com o registro pluviométrico (Figura
Segundo Doorenbos e Kassan (1994), as
3), o mês de fevereiro no qual ocorreu a semeadura
maiores produções observadas na cultura do milho
dos híbridos, houve precipitação de 285,0 mm, porém
ocorrem com consumos de água variando entre 500 e
após a semeadura no dia 14/02/23 houve somente
800 mm, em todo o ciclo da cultura. A precipitação total
99,6 mm deste total. Referente ao mês de março, logo
registrada durante o ciclo da lavoura experimental foi de
no início, o milho estava no estágio V3, compreendido
331,5 mm. Como visto, houve uma redução significativa
no momento em que ocorre a definição do potencial
na disponibilidade hídrica, desse modo, a produtividade
Fitotecnia
175
média pode ter sido afetada negativamente. Além
hídrico (período de pendoamento-espigamento), após
disso, em 15 de abril todos híbridos já pendoados e
esse período choveu apenas 17,0 mm dos apenas 58,2
com espigas formando, o período crítico a estresse
mm totais do mês de abril.
350
Precipitação (mm)
300 250 200 150 100 50 0
Fev
Mar
Abr
Mai-Jul
TOTAL
Figura 3. Registro pluviométrico (chuvas – mm) no período do experimento. Fazenda Monte Alegre, Centro Tecnológico COMIGO - CTC. Rio Verde - GO, safra 2022/23. Fonte: Estação Meteorológica instalada na própria fazenda (Plugfield). *Dados de Fevereiro contabilizados somente após a semeadura em 14/02/23.
176
Assim, é fundamental que o produtor tenha
Porém ainda assim os riscos vão ocorrer. No
conhecimento das condições climáticas favoráveis
presente experimento, os híbridos foram cultivados
para a implantação da lavoura, optar por híbridos
na janela de plantio ideal para o milho segunda safra,
com as melhores características para seu sistema
período compreendido na região do sudoeste goiano,
produtivo e buscar realizar o melhor manejo do solo,
entre janeiro e fevereiro, visando melhores condições
adubação, controle de insetos pragas e doenças que
climáticas durante os estágios de desenvolvimento
podem afetar o desenvolvimento da cultura ao longo
da cultura. Mas, como discutido, faltou chuva em
de seu ciclo. É essencial realizar o planejamento
momentos determinantes do potencial produtivo
do milho segunda safra desde o início do cultivo da
da lavoura, especificamente na propriedade onde o
cultura de verão, visando liberar a área o mais cedo
trabalho foi conduzido, o que provavelmente reduziu
possível, reduzindo os riscos de perdas por estresse
as médias em relação às observadas de forma geral
hídrico.
na região (CONAB, 2023).
Fitotecnia
DOORENBOS, J.; KASSAM, A. H. Efeito da
CONSIDERAÇÕES FINAIS
água no rendimento das culturas. Campina
Diversos fatores podem influenciar na média de produtividade final, como visto, condições edafoclimáticas como a disponibilidade hídrica, no qual pode afetar as atividades fisiológicas da planta, interferindo diretamente no acúmulo de matéria seca produção e produção de grãos. Portanto, nas condições do presente experimento, os híbridos que obtiveram maiores produtividades foram: B2800 VYHR, B2360 PWU, AG3500 RR, AG8480 PRO4, B2401 PWU, AG8700 PRO4, SYN555 VIP3, AG8600 PRO4 e AG8701 PRO4, com média de 126,78 sacas ha-1. E com menores produtividades, B2620 PWU, NK511 VIP3, AG3510 RR, NK520 VIP3, STATUS VIP3, AG8088 PRO2, FEROZ VIP3 e AG7098 TER, média de 100,70 sacas ha-1.
Grande: UFPB, 1994. 306p. Estudos FAO. Irrigação e Drenagem, 33. FERREIRA, D. F. Sisvar: a guide for its bootstrap procedures in multiple comparisons. Ciência e Agrotecnologia, v.38, n.2, p. 109-112, 2014. SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS, L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO, M.R.; ALMEIDA, J.A.; CUNHA, T.J.F.; OLIVEIRA, J.B. Sistema brasileiro de classificação de solos. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. 5 ed. Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos. 2018. 588 p. SOUZA JR., C. L. Seleção Recorrente. In: DELIMA, R. O.; BORÉM, A. Melhoramento de Milho. Viçosa, MG: Editora UFV, 2018, 1 ed, 295-306. USDA. OF
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNITED
AGRICULTURE,
Procuction-Foreign
BERGAMASCHI, H.; DALMAGO, G.A.; G.A.; COMIRAN, F.; BERGONCI, J.I.; MULLER, A.; FRANÇA, G.S.; SANTOS, A. O.; RADIN, B.; BIANCHI, C.A.M.;
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Agricultural
Service/
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Abastecimento. 11º Levantamento - Safra 2022/23. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/info-agro/ safras/graos/boletim-da-safra-de-graos>.
Acesso
em: 20 ago. 2023. COSTA, R. V.; CAMPOS, L. J. M.; ALMEIDA, R. E. M.; PEREIRA, L. A. O. A.; COTA, L. V.; SILVA, D. D. da; BERNARDES, F P.; AMORIM, F. R. Comportamento de híbridos de milho na safrinha em Tocantins. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2019. (Embrapa Milho e Sorgo. Circular Técnica, 258).
Fitotecnia
177
DESEMPENHO AGRONÔMICO DE HÍBRIDOS DE SORGO GRANÍFERO EM DUAS ÉPOCAS DE SEMEADURA BRAZ1, Guilherme Braga Pereira; LIMA2, Diego Tolentino de; FERNANDES3, Rafael Henrique; SILVA4, Linconl Lima; DELGADO5, Vanderson Aparecido Diego; FERREIRA6, Camila Jorge Bernabé Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: guilhermebraga@comigo.com. br 2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo.com. br 3 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: : rafaelhenrique@comigo. com.br 4 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia do Instituto Federal Goiano (IFGoiano), campus Rio Verde. Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: linconl96lima@gmail.com 5 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 6 Engenheira agrônoma. Doutora em Agronomia. Professora na Universidade de Rio Verde. E-mail: camilajbferreira@gmail.com 1
que o torna importante contribuinte para a economia agrícola local. O cultivo do sorgo em Goiás tem ganhado destaque devido a sua boa adaptação às condições edafoclimáticas da região, por apresentar tolerância ao estresse hídrico, além da sua capacidade de crescimento em solos contrastantes e menores custos de produção comparado a cultura do milho (BUFFARA et al., 2018). Apesar da crescente demanda pelo cultivo de sorgo no país, ainda existem muitas dúvidas quanto a adequações para garantir maior rendimento da cultura na época de segunda safra (safrinha), sendo necessário definir, entre outras técnicas, a adequação da época de semeadura e a escolha do híbrido de sorgo. Em Goiás, o cultivo do sorgo é uma prática frequentemente adotada em período de safrinha após a colheita da soja. O momento ideal para semear o sorgo granífero nessa região é determinado por múltiplos fatores, incluindo as condições climáticas e o cronograma de semeadura das safras anteriores (FERREIRA et al., 2020). Embora o sorgo tenha uma boa capacidade de se adaptar a condições de menor disponibilidade de água, é essencial sua implantação em épocas mais
INTRODUÇÃO
178
antecipadas para assegurar que a demanda hídrica da cultura seja atendida durante o seu ciclo de crescimento, em especial nas fases de florescimento e formação dos
O Estado de Goiás é o maior produtor de sorgo
grãos, as quais são especialmente sensíveis à falta de
granífero no Brasil, representando aproximadamente
água. Neste sentido, a definição da época de semeadura
35% da produção nacional (CONAB, 2023), fato
mais adequada é fator limitante ao seu desenvolvimento.
Fitotecnia
Além da época de semeadura, a seleção de
no município de Rio Verde (GO) (S 17°45'42" O 51°02'09",
híbrido de sorgo apropriado é fundamental para
altitude de 827 m). Em cada experimento foi avaliado o
o sucesso do seu cultivo. No estado de Goiás, os
desempenho produtivo de híbridos de sorgo granífero,
agricultores devem avaliar uma série de fatores,
variando entre estes a época de semeadura, onde a
incluindo condições climáticas, qualidade do solo e
primeira e segunda época de semeadura ocorreram
características desejadas, a fim de tomar decisões sobre
em 14/03/2023 e 29/03/2023, respectivamente.
qual híbrido de sorgo cultivar (STARCHAK et al., 2022).
O clima de Rio Verde é classificado como B4
Um dos principais fatores preponderantes ao optar
rB’4a’, o qual se caracteriza como úmido, de pequena
por um híbrido de sorgo incluem a adaptação deste às
deficiência hídrica, mesotérmico e evapotranspiração
condições climáticas, o que deve ser conciliado com a
no verão menor que 48% da evapotranspiração anual
escolha da época de semeadura mais adequada.
(THORNTHWAITE, 1948). Os dados climatológicos
Neste sentido, este trabalho teve como objetivo
relacionados a temperatura máxima e mínima do
avaliar o desempenho agronômico de híbridos de sorgo
ar e precipitações durante o período de condução
em diferentes épocas de semeadura.
dos experimentos estão apresentados na Figura 1. É oportuno destacar que o volume de precipitação
MATERIAL E MÉTODOS
acumulado durante o ciclo do sorgo, para a primeira e segunda época de semeadura, foi de 198 e 125 mm,
Foram conduzidos dois experimentos na área
respectivamente, havendo maiores concentrações de
experimental do Centro Tecnológico COMIGO sediada
chuvas durante os primeiros meses de implantação dos experimentos.
Fonte: INMET - Ins�tuto Nacional de Meteorologia. Estação de coleta: Rio Verde (GO). Figura 1. Temperaturas máxima e mínima e precipitações observadas durante o período de condução dos experimentos. Rio Verde (GO), 2023.
Fitotecnia
179
A área em que os experimentos foram instalados
Turbo (ureia + NBPT).
haviam sido cultivadas com soja na safra de verão. O solo
Em ambos os experimentos, o delineamento
de ambas as áreas experimentais foi classificado como
utilizado foi o de blocos ao acaso (DBC), avaliando-se
Latossolo Vermelho Distrófico (SANTOS et al., 2018).
sete tratamentos com três repetições. Os tratamentos
Antes da semeadura da soja nas áreas experimentais,
foram compostos por diferentes híbridos de sorgo
foi realizada a análise de amostras do solo coletadas na
granífero, os quais apresentam recomendação para
profundidade de 0 a 20 cm, a qual revelou as seguintes
o cultivo em segunda safra no Estado de Goiás. Os
propriedades físico-químicas para a primeira época de
híbridos avaliados foram AG1070, AG1077 e AG1085,
semeadura: pH em CaCl2 de 5,11; 3,19 cmolc dm-3 de H+
pertencentes ao portfólio da Sementes Agroceres,
+ Al+3; 2,11 cmolc dm-3 de Ca+2; 0,55 cmolc dm-3 de Mg+2;
1G100 e 1G211, pertencentes ao portfólio da Brevant,
104,39 mg dm-3 de K; 9,31 mg dm-3 de P; 25,60 g dm-3 de
e ADV1151 IG e ADV1277 AX, pertencentes ao
M.O.; 37,62% de areia; 6,96% de silte e 55,42% de argila;
portfólio da ADVANTA. As unidades experimentais
e segunda época de semeadura: pH em CaCl2 de 5,36;
foram compostas por seis linhas de semeadura, com
2,51 cmolc dm-3 de H+ + Al+3; 3,10 cmolc dm-3 de Ca+2;
comprimento de 5,0 m (15,0 m2). Considerou-se como
0,83 cmolc dm-3 de Mg+2; 130,74 mg dm-3 de K; 17,02 mg
área útil para as avaliações apenas as seis linhas
dm-3 de P; 25,30 g dm-3 de M.O.; 52,03% de areia; 9,00%
centrais de cada unidade experimental, excluindo-se
de silte e 38,97% de argila.
0,5 m de cada extremidade. Durante o desenvolvimento do sorgo foram
Para eliminar as plantas daninhas emergidas nas áreas experimentais, imediatamente após a
realizados
semeadura de cada experimento foi realizada aplicação
recomendações técnicas, procedendo ao controle
da mistura entre os herbicidas glifosato (1400 g e.a.
de plantas daninhas, pragas e doenças sem deixar
ha-1) + atrazina (1000 g i.a. ha-1) + Iharol Gold® (300 mL
que
p.c. ha-1). Em ambos os experimentos, a semeadura
desenvolvimento da cultura. Para o controle de plantas
direta foi realizada de forma mecanizada, adotando-
daninhas, foi realizada aplicação em pós-emergência
se espaçamento entrelinhas de 0,5 m e densidade de
do sorgo do herbicida atrazina (1500 g i.a. ha-1) + Iharol
10,5 sementes por m. As sementes foram tratadas com
Gold® (300 mL p.c. ha-1) aos 20 dias após a emergência
o inseticida CropStar (1,0 L p.c. 100 kg-1 de sementes).
da cultura. Para o controle de pragas e manchas
A adubação de semeadura foi realizada com 400 kg
foliares foi realizada uma aplicação da mistura entre o
ha-1 do formulado 15-15-15. Ademais, no momento da
inseticida Wild (0,5 L p.c. ha-1) e o fungicida Orkestra +
semeadura foram aplicados no sulco via micron (volume
Unizeb Gold (0,35 L + 1,5 kg p.c. ha-1), adicionando-se
de aplicação 60 L ha-1) o Biomax Azum (Azospirillum
o óleo vegetal Mees (0,5 L p.c. ha-1) aos 35 dias após a
brasilense, concentração mínima 3,0 x 108 UFC mL-1) na
emergência da cultura.
dose de 0,15 L p.c. ha-1 + Meta-Turbo SC (Metarhizium
180
estes
Para
tratos
culturais
de
influenciassem
mensurar
o
acordo
com
negativamente
desempenho
as
no
produtivo
anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1,0 x 108
dos híbridos de sorgo granífero para a primeira e
propágulos viáveis mL-1) na dose de 0,5 L p.c. ha-1 +
segunda época de semeadura, nos dias 31/07/2023 e
RayNitro Zn News (83,3 g L-1 de N, 83,3 g L-1 de P2O5 e
04/08/2023, respectivamente, foi realizada a colheita
47,6 g L-1 de Zn) na dose de 0,25 L p.c. ha-1. A adubação
manual de todas as panículas presentes na área útil
de cobertura foi realizada com 150 kg ha-1 de Ureia
de cada unidade experimental, onde posteriormente
Fitotecnia
este material foi submetido aos processos de trilha, embalagem, identificação, pesagem e correção da umidade dos grãos para 13%. A análise estatística foi realizada com o programa computacional SISVAR. Os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito significativo, aplicou-se o teste de comparação de médias LSD de Fisher (p≤0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Figura 2 estão apresentados os resultados de produtividade de grãos (sacas ha-1) dos híbridos de sorgo granífero em função das duas épocas de semeadura dos experimentos. Para os resultados observados na primeira época, fica evidenciado que os híbridos alcançaram bons patamares produtivos, especialmente
quando
se
considera
o
volume
de chuvas total acumulado durante o período de condução do experimento (198 mm). Os valores de produtividade entre os híbridos variaram entre 86 e 119 sacas ha-1, constatando-se que o material AG1070 apresentou rendimento de grãos superior em 27,8% em comparação com a média de produtividade observada nos híbridos ADV1151 IG e ADV1277 AX. Ao comparar a performance produtiva entre os demais híbridos da primeira época de semeadura, ressalta-se que diferenças significativas não foram observadas.
Fitotecnia
181
Primeira época de semeadura* CV (%) = 16,83
DMS = 30,48
Segunda época de semeadura* CV (%) = 16,43
DMS = 22,69
* Significativo pelo teste F (p≤0,05). Médias seguidas por letras distintas diferem entre si pelo teste LSD de Fisher (p≤0,05).
Figura 2. Produtividade de híbridos de sorgo granífero cultivado em duas épocas de semeadura. Rio Verde (GO), 2023. Para o experimento instalado na segunda época
da cultura, considerando a produtividade dos sete
de semeadura, período no qual é considerado tardio em
híbridos avaliados, verificou-se decréscimo médio
termos de implantação da cultura do sorgo no Estado
de 24 sacas ha-1 devido à semeadura tardia, havendo
de Goiás (29/03/2022), observou-se comportamento
reduções em valores variando de 7 a 45 sacas ha-1
de redução na produtividade de grãos quando se
a depender do material. A redução nos patamares
comparou o desempenho produtivo isolado de cada
produtivos de todos os híbridos de sorgo é explicada
híbrido de sorgo entre as épocas de semeadura (Figura
pela menor disponibilidade hídrica na segunda época
2). Para se ter uma noção da redução no rendimento
de semeadura (125 mm).
de grãos de sorgo em função da época de implantação
182
Fitotecnia
Acerca do desempenho produtivo dos híbridos
na segunda época de semeadura, observou-se que AG1077 e 1G100 apresentaram produtividade
CONCLUSÕES
superior em comparação com o AG1085 (Figura 2). Diferentemente do observado para a primeira época de semeadura, neste segundo experimento, os patamares produtivos dos híbridos ADV1151 IG e ADV1277 AX ficaram mais próximos dos materiais que compuseram o grupo de tratamentos com maiores produtividades. Ademais, além das características agronômicas que são importantes para a escolha dos híbridos, especificamente para os materiais ADV1151 IG e ADV1277 AX deve ser considerado também os benefícios que estes podem trazer em termos de manejo de problemas fitossanitários comuns a cultura do sorgo (CRUVINEL et al., 2021; AVELLAR et al., 2022), uma vez que o ADV1151 IG apresenta como diferencial a possibilidade de uso de herbicidas do grupo químico das imidazolinonas (ex.: [imazethapyr + imazapic]), além do ADV1277 AX constituir-se em alternativa para o manejo varietal do pulgão Melanaphis sacchari. Compilando os resultados dos experimentos, fica evidenciado que a cultura do sorgo apresenta elevada adaptabilidade as condições edafoclimáticas da região Sudoeste de Goiás, onde mesmo em condições de baixa disponibilidade hídrica, os híbridos avaliados conseguiram alcançar bons patamares produtivos. Apesar disto, fica constatado também que eventuais atrasos na época de implantação da cultura irão repercutir em menor potencial produtivo do sorgo, fato já relatado na literatura, incluindo trabalhos realizados no mesmo local que os do presente estudo (SILVA et al., 2022). Neste sentido, para alcançar maior êxito na exploração comercial da cultura do sorgo, torna-se fundamental realizar o planejamento desde a escolha da cultivar de soja que será utilizada na safra de verão, dando-se preferencia para materiais com ciclo precoce, uma vez que esta prática possibilita a semeadura do sorgo em períodos mais antecipados.
Independentemente da época de semeadura, se for levado em consideração o volume de chuvas durante o período de condução dos experimentos, contata-se que os híbridos de sorgo apresentam patamares
produtivos
satisfatórios
(1ª
época
produtividades variando de 86 e 119 sacas ha e 2ª -1
época produtividades variando de 62 a 86 sacas ha-1). Semeaduras mais tardias do sorgo implicam em
menores
potenciais
produtivos
da
cultura,
independentemente do híbrido avaliado. Considerando as duas épocas de semeadura, os híbridos de sorgo que apresentaram maiores produtividades de grãos foram: AG1077, AG1070, 1G211 e 1G100.
REFERÊNCIAS AVELLAR, G.S.; MENDES, S.M.; MARRIEL, I.E.; MENEZES, C.B.; PARRELLA, R.A.C.; SANTOS, D. G. Resistance of sorghum hybrids to sorghum aphid. Brazilian Journal of Biology, v.82, e264139, 2022. BUFFARA, M.A; SILVA, A.G.; TEIXEIRA, I.R.; COSTA, K.A.P.; SIMON, G.A.; GOULART, M.M.P. Seeding system and density for winter Urochloa ruziziensis intercropped with sorghum between soybean crops. Comunicata Scientiae, v.9, n.2, p.340-350, 2018. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO – CONAB. Safra Brasileira de Grãos. Disponível em: https://www.conab.gov.br/info-agro/safras/graos. Acesso: 18 de agosto de 2023. CRUVINEL,
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Fitotecnia
183
FERREIRA, R.V.; TAVARES, R.L.M.; MEDEIROS, S.F.D.; SILVA, A.G.D.; JÚNIOR, J.P.D.S. Carbon stock and organic fractions in soil under monoculture and sorghum bicolor–urochloa ruziziensis intercropping systems. Bragantia, v.79, n.3, p.425-433, 2020. SILVA,
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ALMEIDA,
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STEPANCHENKO,
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184
Fitotecnia
Plantas Daninhas Entomologia
185
DESEMPENHO AGRONÔMICO DE CULTIVARES DE SOJA SUBMETIDAS A APLICAÇÃO DE HERBICIDAS RESIDUAIS EM DIFERENTES MODALIDADES BRAZ1, Guilherme Braga Pereira; ALMEIDA2, Dieimisson Paulo; LIMA3, Diego Tolentino de; FERNANDES4, Rafael Henrique; DELGADO5, Vanderson Aparecido Diego; SILVA6, Linconl Lima
INTRODUÇÃO O aumento da dispersão das plantas daninhas resistentes a herbicidas, em especial ao glifosato, tem se constituído em um dos principais entraves visualizados
Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: guilhermebraga@comigo. com.br 2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. E-mail: dieimissonpa@gmail.com 3 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo. com.br 4 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: : rafaelhenrique@comigo. com.br 5 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 6 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia do Instituto Federal Goiano (IFGoiano), campus Rio Verde. Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: linconl96lima@gmail.com 1
dentro dos sistemas de produção agrícola, uma vez que proporciona redução na produtividade das culturas, além de incrementar o custo de produção. Neste sentido, fica evidente a necessidade de mudança de postura no que diz respeito às estratégias adotadas para o manejo de plantas daninhas visando assegurar a sustentabilidade dos sistemas de produção de soja. No planejamento das estratégias para o manejo de plantas daninhas, a adoção de práticas como adubação de acordo com as recomendações baseadas na análise de solo, escolha da cultivar com adaptabilidade para região de cultivo, densidade de semeadura de acordo com a recomendação, inserção de plantas de cobertura na rotação de culturas, entre outras, consistem em passos fundamentais para melhorar o controle da comunidade infestante e assegurar a performance adequada dos herbicidas (NORSWORTHY et al., 2012). Acerca do controle químico, cada vez mais têm sido constatados os benefícios oriundos da utilização dos herbicidas
186
Plantas Daninhas
residuais, uma vez que estes produtos contribuem para
a recomendação desta prática de controle de plantas
diminuição do banco de sementes de plantas daninhas
daninhas.
no solo, bem como apresentam elevada eficácia no
Diante deste contexto, o objetivo do presente
manejo das espécies de difícil controle (SALOMÃO et
trabalho foi avaliar o desempenho agronômico de
al., 2021).
cultivares de soja submetidas à aplicação de herbicidas
Tradicionalmente, os herbicidas residuais são
residuais em diferentes modalidades.
recomendados em aplicações em pré-emergência, que consiste no uso imediatamente antes ou após a semeadura da cultura, condição na qual ainda não
MATERIAL E MÉTODOS
houve a emergência da soja. Contudo, em áreas
Nove experimentos foram instalados a campo
com grande pressão de plantas daninhas no banco
em um mesmo talhão localizado na Fazenda Monte
de sementes no solo, uma prática que pode ser
Alegre, da Cooperativa COMIGO, sediada no município
empregada refere-se à aplicação dos herbicidas
de Rio Verde (GO) (S 17°33'14" O 50°58'44", altitude de
residuais em pós-emergência da cultura (overlapping)
790 m), sendo conduzidos no período de 25/10/2022
objetivando sobrepor o residual que estes produtos
a 24/02/2023. Em cada experimento foi avaliado o
apresentam no controle de plantas daninhas, situação
desempenho agronômico de uma cultivar de soja
que possibilita redução na emergência das espécies
distinta submetida à aplicação de herbicidas residuais
que compõem a comunidade infestante. Na atualidade,
em diferentes modalidades.
apesar de trabalhos de pesquisa demonstrarem a
O clima do município de Rio Verde é do
viabilidade na adoção desta prática (TAKANO et al.,
tipo B4 rB’4a’ (Úmido; pequena deficiência hídrica;
2015; SALOMÃO et al., 2021), ainda não há uma grande
mesotérmico; evapotranspiração no verão menor
gama de informações acerca da seletividade dos
que 48% da evapotranspiração anual), segundo a
herbicidas residuais entre as diferentes cultivares de
classificação de Thornthwaite (1948). Na Figura 1
soja. A execução de pesquisas que visam determinar
encontram-se os dados climatológicos relacionados a
a seletividade dos herbicidas residuais aplicados em
temperatura máxima e mínima do ar e precipitações
pós-emergência de acordo com a genética da cultivar
durante o período de condução dos experimentos.
de soja consiste em passo fundamental para ampliar
Plantas Daninhas
187
Fonte: INMET - Ins�tuto Nacional de Meteorologia. Estação de coleta: Rio Verde (GO).
Figura 1. Temperaturas máxima e mínima e precipitações observadas durante o período de Figura 1. Temperaturas máxima e mínima e precipitações observadas durante o período de condução dos experimentos. Rio Verde (GO), 2022/2023. O solo da área experimental é classificado como
utilizadas nos experimentos foram: HO Iguaçu IPRO
Latossolo Vermelho Distrófico (Santos et al., 2018).
(GMR: 6.4; 18 sementes m-1), HO Corumbá IPRO
Antes da instalação dos experimentos, foi realizada a
(GMR: 6.7; 16 sementes m-1), ST 700 I2X (GMR: 7.0; 16
análise de amostras do solo coletadas na profundidade
sementes m-1), NS 7474 IPRO (GMR: 7.4; 12 sementes
de 0 a 20 cm, a qual revelou as seguintes propriedades
m-1), HO Aporé IPRO (GMR: 7.5; 16 sementes m-1), CZ
físico-químicas: pH em CaCl2 de 5,3; 2,31 cmolc dm-3 de
37B43 IPRO (GMR: 7.4; 16 sementes m-1), M 7601 I2X
H+ + Al+3; 2,73 cmolc dm-3 de Ca+2; 0,79 cmolc dm-3 de
(GMR: 7.6; 12 sementes m-1), HO Maracaí IPRO (GMR:
Mg+2; 153,70 mg dm-3 de K; 8,45 mg dm-3 de P; 23,80 g
7.7; 12 sementes m-1) e BMX Bônus IPRO (GMR: 7.9;
dm-3 de M.O.; 47,61% de areia; 16,61% de silte e 35,77%
12 sementes m-1). Todas as sementes utilizadas nos
de argila (textura argilo-arenoso).
experimentos receberam tratamento industrial com
O controle das plantas daninhas (dessecação
fungicidas e inseticidas, bem como foi realizada a
de pré-semeadura) presentes na área experimental foi
prática de inoculação visando assegurar o processo
realizado com duas aplicações de herbicidas, sendo
de fixação biológica de nitrogênio. Visando realizar a
a primeira realizada quinze dias antes da semeadura
prática de adubação da cultura, foi aplicado à lanço em
com a aplicação de glifosato (1400 g e.a. ha ) + 2,4-D
área total o equivalente a 200 kg ha-1 de KCl + 20 kg ha-1
amina (804 g e.a. ha-1) e a segunda realizada no dia da
de ulexita + 25 kg ha-1 de Mix Complex. No momento
semeadura, com a aplicação de diquat (400 g i.a. ha-1) +
da semeadura, a adubação foi realizada com aplicação
Ochima (400 mL p.c. ha ).
no sulco do equivalente à 250 kg ha-1 de 10-46-00 +
-1
®
-1
Para todos os experimentos, a semeadura direta foi realizada de forma mecanizada no dia 25/10/2022,
188
9% de S. A emergência das plântulas de soja das nove cultivares ocorreu no dia 01/11/2022.
adotando-se espaçamento entrelinhas de 0,5 m. As
Em todos os experimentos, o delineamento
cultivares de soja, o grupo de maturidade relativa
utilizado foi o de blocos ao acaso (DBC), avaliando-
(GMR) e as respectivas densidades de semeadura
se dez tratamentos com quatro repetições (Tabela
Plantas Daninhas
1). Os tratamentos foram compostos pela aplicação
5,0 m (25,0 m2). Considerou-se como área útil para
de herbicidas em pré-emergência e/ou em pós-
as avaliações apenas as seis linhas centrais de cada
emergência da soja, acrescido de uma testemunha sem
unidade experimental, excluindo-se 0,5 m de cada
aplicação. As unidades experimentais foram compostas
extremidade.
por dez linhas de semeadura, com comprimento de
Tabela 1. Relação de tratamentos avaliados no experimento realizado com cultivares de soja submetidas a aplicação de herbicidas em diferentes modalidades. Rio Verde (GO), 2022/2023. Tratamentos
Dose (g ou L p.c. ha-1)
Ingrediente ativo
Dose (g i.a. ha-1)
Eddus (Pré)
2,5
[fomesafen + S-metolachlor]
[297,5 + 1292,5]
Eddus (Pós)
2,0
[fomesafen + S-metolachlor]
[238 + 1034]
2,5/2,0
[fomesafen + S-metolachlor]
[297,5 + 1292,5]/[238 + 1034]
Reator (Pré)
2,5
clomazone
900
Reator (Pós)
2,0
clomazone
720
2,5/2,0
clomazone
900/720
Kyojin (Pré)
0,3
[pyroxasulfone + flumioxazin]
[90 + 60]
Spider (Pré)
30
diclosulam
25,2
ZethaMaxx (Pré)
0,5
[imazethapyr + flumioxazin]
[106 + 50]
Testemunha
-
-
-
Eddus (Pré/Pós)
Reator (Pré/Pós)
A primeira aplicação dos tratamentos nos
63,4%, respectivamente, o céu estava com a presença
experimentos foi realizada em pré-emergência da
de poucas nuvens e a velocidade do vento em valores
soja, na modalidade plante e aplique. Esta aplicação
próximos de 1,8 km h-1.
foi realizada no dia 26/10/2022. No momento da
As aplicações foram realizadas utilizando-se um
aplicação o solo apresentava-se com boa umidade e o
pulverizador de pesquisa pressurizado por CO2 com
céu estava com a presença de poucas nuvens, estando
patente junto ao INPI (BR 102016007565-3), montado
a temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do
em um trator (LS 60, 60 cv, Landini). A barra de aplicação
vento, mínima e máxima, em valores equivalentes a 27,4
foi equipada com dez pontas espaçadas 0,5 m entre si,
e 31,6oC, 53,6 e 72,4% e 0,8 e 2,6 km h-1, respectivamente.
mantida a uma altura de 0,5 m da cobertura vegetal.
A segunda aplicação foi realizada em pós-emergência
A pressão de trabalho nas pontas de pulverização de
da soja no dia 24/11/2022 (23 dias após a emergência
jato duplo plano com indução de ar (ADIA/D 110015;
da soja). Nesta ocasião, as plantas de soja estavam
Magnojet) foi de 300 kPa (43,5 psi) e o volume de
no estádio V3/V4 (cultivares tardias) e V4 (cultivares
aplicação 150 L ha-1.
precoces), apresentando altura variando entre 15 e 20
Para eliminar possíveis interferências das falhas
cm. No momento da aplicação o solo encontrava-se
no controle das plantas daninhas entre os herbicidas
com boa umidade, a temperatura e a umidade relativa
avaliados influenciando nos resultados, e com o objetivo
do ar, mínima e máxima, eram de 24,3 e 24,5oC e 60,1 e
de deixar as plantas de soja expostas apenas ao efeito
Plantas Daninhas
189
dos tratamentos, aos 34 dias após a semeadura (DAS)
que os valores foram baixos, alcançado percentuais
foi realizada, em todos os experimentos, uma aplicação
máximos de 10,00% (dados não apresentados).
em pós-emergência da soja da associação entre
Independentemente da cultivar de soja, os tratamentos
glifosato (1170 g e.a. ha-1) + haloxyfop (162 g i.a. ha-1)
que proporcionaram maiores percentuais de injúrias
+ Iharol Gold® (400 mL p.c. ha-1). Além disso, durante
foram os que continham a aplicação da mistura
o desenvolvimento da soja foram realizados tratos
formulada entre [fomesafen + S-metolachlor] em
culturais de acordo com as recomendações técnicas,
pós-emergência da cultura. É oportuno destacar que
procedendo ao controle de pragas e doenças sem
atualmente esta mistura formulada apresenta registro
deixar que estes influenciassem negativamente no
na cultura da soja apenas para uma aplicação ao longo
desenvolvimento da cultura.
do ciclo na modalidade em pré-emergência. Neste
Aos 10 dias após a aplicação dos herbicidas
sentido, o presente trabalho demonstra o potencial de
pós-emergência
de
utilização desta mistura em pós-emergência da soja
fitointoxicação, utilizando para esta avaliação escala
visando conferir maior atividade residual no controle de
que apresenta notas variando de 0% a 100%, onde
plantas daninhas mediante à aplicação de [fomesafen
0% significa ausência de sintomas e 100% representa
+ S-metolachlor], visto que as injúrias provocadas por
a morte de todas as plantas presentes na área útil.
esta mistura formulada foram de baixa intensidade, se
Ademais, na ocasião da colheita foi realizada avaliação
caracterizando por sintomas de leve clorose. Contudo,
do estande de plantas, procedendo a contagem do
é importante que avaliações sobre a seletividade desta
número de plantas presentes em 3 m, sendo os dados
mistura formulada em aplicações em pós-emergência
desta variável apresentados na forma de número
da soja sejam continuamente avaliadas, uma vez
de plantas por metro linear. Para determinação da
que trabalhos na literatura já demonstraram que o
produtividade de grãos, foi realizada o arranquio
fomesafen, um dos ingredientes ativos que compõem
manual de todas as plantas presentes na área útil de
esta mistura proporciona injúrias a depender da dose
cada unidade experimental, onde posteriormente
e estádio de aplicação (ALONSO et al., 2011; ALONSO
este material foi submetido aos processos de trilha,
et al., 2013).
em
foi
realizada
avaliação
embalagem, identificação, pesagem e correção da umidade dos grãos para 13%.
Acerca dos efeitos do clomazone, os sintomas de intoxicação visualizados foram de baixíssima
As análises estatísticas foram realizadas com
intensidade (< 5,00%) e ocorreram apenas no
o programa computacional SISVAR. Os dados de
tratamento com aplicação em pré e pós-emergência
todos os experimentos foram submetidos à análise de
da soja. Este fato demonstra a boa seletividade que
variância pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito
a nova formulação comercial microencapsulada à
significativo, aplicou-se o critério de agrupamento de
base de clomazone apresenta para a soja (Reator),
médias de Scott-Knott (p≤0,05).
inclusive viabilizando o seu uso com o intuito de sobrepor a atividade residual no controle de plantas
RESULTADOS E DISCUSSÃO
190
daninhas nesta cultura (SALOMÃO et al., 2021). Por fim, independentemente da cultivar de soja, não foram
De maneira geral, quando se observa as notas
observados sintomas de intoxicação nas plantas em
conferidas na avaliação de fitointoxicação, verifica-se
função da aplicação em pré-emergência de [fomesafen
Plantas Daninhas
(Reator),
independentemente da modalidade de aplicação, foi
[pyroxasulfone + flumioxazin] (Kyojin), diclosulam
capaz de proporcionar reduções no estande da soja
(Spider) ou [imazethapyr + flumioxazin] (ZethaMaxx),
(Tabela 2). Novamente, estes resultados subsidiam a
demonstrando a boa seletividade que estes herbicidas
segurança na utilização dos herbicidas avaliados, haja
apresentam para a cultura quando posicionados dentro
visto que o fato de não terem impactado a população
do intervalo de doses recomendado.
final da cultura possibilita a manutenção deste
+
S-metolachlor]
(Eddus),
clomazone
Para a avaliação de estande de plantas, nenhum
dos
tratamentos
herbicidas
componente de rendimento.
avaliados,
Plantas Daninhas
191
192
Plantas Daninhas
2,5 2,0 2,5/2,0 2,5 2,0 2,5/2,0 0,3 30 0,5 -
Dose (g ou L p.c. ha-1)
Eddus (Pré) 2,5 Eddus (Pós) 2,0 Eddus (Pré/Pós) 2,5/2,0 Reator (Pré) 2,5 Reator (Pós) 2,0 Reator (Pré/Pós) 2,5/2,0 Kyojin (Pré) 0,3 Spider (Pré) 30 ZethaMaxx (Pré) 0,5 Testemunha FCalculado CV (%) ns Não significativo pelo teste F (p≤0,05).
Eddus (Pré) Eddus (Pós) Eddus (Pré/Pós) Reator (Pré) Reator (Pós) Reator (Pré/Pós) Kyojin (Pré) Spider (Pré) ZethaMaxx (Pré) Testemunha FCalculado CV (%)
Tratamentos
79,5 87,0 84,4 80,1 85,0 84,9 83,0 81,1 81,3 91,7 3,05ns 5,04
17,25 16,94 18,08 17,00 17,94 17,86 17,44 17,22 17,16 17,94 1,40ns 4,17
HO Iguaçu IPRO
81,2 80,2 83,2 74,5 74,8 80,7 82,1 86,8 87,4 88,7 2,07ns 8,24
14,83 14,30 14,55 15,83 16,75 16,47 14,16 14,77 15,66 15,33 1,96ns 8,37
HO Corumbá IPRO
85,7 83,7 81,1 77,8 81,3 82,3 84,4 79,3 76,0 80,0 1,10ns 7,10
15,94 14,61 15,36 15,10 14,89 15,55 14,77 15,19 17,05 14,66 2,10ns 6,67
ST 700 I2X
HO Aporé IPRO 13,44 14,75 13,61 13,86 13,94 14,22 13,55 12,52 14,00 13,30 2,31ns 5,68
83,4 75,3 73,8 79,0 78,1 82,4 75,7 77,1 75,1 77,9 1,77ns 6,10
78,7 77,8 77,0 76,8 81,0 82,1 78,1 77,9 81,3 81,9 0,67ns 6,39
82,4 79,4 77,9 72,4 81,4 75,3 71,9 79,1 71,7 79,4 1,12ns 9,75
Produtividade de grãos (sacas ha-1)
10,00 9,75 9,58 10,36 9,72 9,89 9,94 9,55 9,55 9,11 0,71ns 8,13
15,39 15,89 15,30 14,83 14.67 16,16 14,41 14,08 15,11 15,28 1,44ns 7,05
CZ 37B43 IPRO
Estande (plantas por m)
NS 7474 IPRO
75,0 77,0 80,6 82,3 76,3 77,3 74,9 82,5 79,2 77,0 0,90ns 7,54
11,97 11,67 12,16 11,94 12,27 12,27 12,11 12,25 11,77 12,00 1,46ns 2,89
M 7601 I2X
70,1 79,2 75,6 74,2 74,1 71,8 71,3 71,8 80,1 73,0 1,97ns 6,38
10,47 10,27 10,36 9,97 9,97 9,97 9,41 10,05 9,89 10,27 1,35ns 5,16
HO Maracaí IPRO
62,5 60,0 61,8 66,1 62,9 61,3 57,6 60,4 63,4 65,3 0,80ns 9,02
10,77 13,47 12,74 14,25 13,69 14,36 13,47 13,58 12,50 12,55 1,93ns 11,50
BMX Bônus IPRO
Tabela 2. Estande de plantas e produtividade de grãos em cultivares de soja submetidas a aplicação de herbicidas em diferentes modalidades. Rio Verde (GO), 2022/2023.
Em relação à produtividade de grãos, de maneira
(SANTOS et al., 2012). Neste sentido, ao optar-se pela
análoga aos resultados de estande de plantas, em
prática de posicionar um herbicida residual em pós-
todas as cultivares de soja, nenhum dos tratamentos
emergência (produtos à base de S-metolachlor ou
herbicidas proporcionou reduções nos valores desta
clomazone), buscar rotacionar o ingrediente ativo que
variável (Tabela 2). Os resultados do presente trabalho
foi utilizado em pré-emergência.
indicam que a seletividade dos tratamentos avaliados indefere quanto ao material genético semeado (cultivar), bem como da modalidade de aplicação em que os herbicidas foram posicionados, desde que sejam respeitadas as doses recomendadas em bula.
CONCLUSÕES Os níveis de fitointoxicação na soja decorrentes da aplicação dos herbicidas foram baixos ou ausentes a
Comparando os resultados de produtividade
depender do tratamento avaliado. A aplicação em pós-
entre as cultivares de soja, pode-se notar uma
emergência da mistura formulada entre [fomesafen +
tendência de que as cultivares de grupo de maturação
S-metolachlor] proporcionou injúrias às plantas de soja,
maior (tardias) apresentaram menores rendimentos em
sendo estas caracterizadas como de baixa intensidade.
detrimento das mais precoces. Este comportamento
Nenhum
dos
tratamentos
herbicidas
no
da
não corrobora com os relatos descritos na literatura,
proporcionou
nos quais, de maneira geral, cultivares com ciclo mais
independentemente da cultivar avaliada.
reduções
estande
soja,
extenso tendem a apresentar maiores patamares
Todos os tratamentos herbicidas, nas doses e
produtivos (BIANCHI et al., 2010; MEOTTI et al., 2012).
modalidades de aplicação avaliadas, apresentaram
Contudo, os resultados de produtividade entre as
seletividade para as cultivares de soja.
cultivares de soja visualizados no presente trabalho podem ser explicados pela época de semeadura (25/10/2022), bem como distribuição pluviométrica ao longo da condução dos experimentos (Figura 1), fato que acabou por favorecer os materiais mais precoces a não passarem por um período de veranico durante o desenvolvimento da cultura. Compilando os resultados dos experimentos, verifica-se a viabilidade de uso de todos os tratamentos herbicidas nas combinações de doses e modalidades de aplicação avaliadas para o manejo de plantas daninhas na soja. É oportuno destacar que em relação aos tratamentos com a aplicação do mesmo herbicida em pré e pós-emergência da soja, apesar da viabilidade técnica de uso quanto a seletividade, recomenda-se evitar a utilização desta prática, visto que por se tratar de herbicidas com atividade residual no solo, pode haver riscos de carryover para culturas de safrinha
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Plantas Daninhas
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de
cultivares
de
soja.
Pesquisa
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194
Plantas Daninhas
RESIDUAL DE PICLORAM EM NOVAS ÁREAS AGRÍCOLAS: IMPACTOS, DETECÇÃO E MEDIDAS PARA ATENUAÇÃO
BRAZ1; Guilherme Braga Pereira; SOUZA2, Matheus de Freitas; ALMEIDA3, Dieimisson Paulo; NASCIMENTO4, Hemython Luís Bandeira do; FERREIRA5, Camila Jorge Bernabé; GOMIDES6, Brunno Misofante da Silva
USO DE PICLORAM E A INCORPORAÇÃO DE ÁREAS PARA PRODUÇÃO DE GRÃOS De maneira análoga ao que ocorre nos sistemas
Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 2 Engenheiro agrônomo. Doutor em Fitotecnia. Professor na Universidade de Rio Verde. E-mail: matheus_mafs10@hotmail.com 3 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. E-mail: dieimissonpa@gmail.com 4 Engenheiro agrônomo, Doutor em Zootecnia. Pesquisador no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: hemythonluis@comigo.com.br 5 Engenheira agrônoma. Doutora em Agronomia. Professora na Universidade de Rio Verde. E-mail: camilajbferreira@gmail.com 6 Químico Industrial, Pós-graduado em Perícias Forenses. E-mail: brunno.gomides@acslab.com.br 1
de produção agrícola, as plantas daninhas quando infestando áreas de pastagem acabam trazendo sérias restrições para a atividade pecuarista, fazendo com que haja menor produção de biomassa, diminuição da qualidade nutricional da forragem, redução da capacidade de suporte do pasto, intoxicação de animais devido à presença de espécies tóxicas, entre outros prejuízos oriundos do processo de interferência (FERREIRA et al., 2014). Neste sentido, fica evidenciada a necessidade de se adotar medidas para o manejo integrado de plantas daninhas em áreas de pastagem, sendo o controle químico, realizado mediante a aplicação de herbicidas, um dos métodos mais amplamente utilizados nestes ambientes. Em relação ao controle químico de plantas daninhas nas áreas de pastagem, um dos desafios visualizados
refere-se
ao
manejo
de
espécies
classificadas como folhas estreitas (monocotiledôneas), uma vez que por apresentarem similaridade morfológica
Plantas Daninhas
195
com a forragem restringem o uso dos herbicidas para
herbicidas hormonais serão um sério gargalo para o
o controle eficaz e de forma seletiva (GOULART et al.,
sistema de produção, uma vez que podem inviabilizar o
2012). Em contraponto, para o controle das plantas
cultivo de algumas culturas, como soja, feijão, algodão
daninhas folhas largas (dicotiledôneas), há vários
e tomate (CARMO et al., 2008; ASSIS et al., 2010),
herbicidas com registro para uso em pastagem, os
fenômeno conhecido como carryover.
quais costumam apresentar boa eficácia quando
Para fins de exemplificação do risco intrínseco
posicionados nas doses, modalidade e estágios de
ao uso dos herbicidas hormonais com longa atividade
aplicação recomendados.
residual no solo, na atualidade Goiás apresenta área
Entre os herbicidas amplamente utilizados para
cultivada com soja em valores de ≈ 4,5 milhões de
o controle de plantas daninhas folhas largas em áreas
hectares (CONAB, 2023) e a previsão para o final
de pastagem, vários apresentam ingredientes ativos
desta década é que a área plantada com esta cultura
contendo como mecanismo de ação o processo de
seja próxima de 7,3 milhões de hectares, com base
mimetização da auxina, também conhecidos como
na média de crescimento anual nas últimas décadas.
hormonais ou auxínicos. Estes herbicidas apresentam
Neste contexto, uma parte considerável das áreas
registro
daninhas
que serão incorporadas para produção de soja serão
dicotiledôneas herbáceas e arbustivas, podendo ser
provenientes do setor pecuarista, trazendo consigo
posicionados tanto para uso em aplicações em área
o risco da presença de resíduos dos herbicidas
total, como localizadas (foliar, toco ou basal). Contudo,
hormonais, os quais poderão impactar negativamente
é oportuno destacar que um dos entraves em relação
na produção desta leguminosa.
para
o
controle
de
plantas
ao uso destes herbicidas, refere-se a longa atividade
Com base no exposto, a presente revisão tem
ativos
como intuito principal discutir sobre as problemáticas
podem apresentar, como nos casos do picloram e
relacionadas ao residual dos herbicidas hormonais
aminopiralide, que apresentam relatos de efeito residual
nas novas áreas agrícolas, apresentando os impactos
no solo sobre as culturas por períodos superiores
provocados por estes, métodos para a detecção no
a 2 anos após sua aplicação. A duração do período
solo, bem como estratégias que podem ser adotadas
residual desses herbicidas depende da dose aplicada e
visando a atenuação do problema nos sistemas
das propriedades físico-químicas do ambiente edáfico
de produção. Devido ao amplo histórico de uso do
(FRANCO et al., 2016).
picloram, bem como pela maior quantidade de produtos
residual
que
determinados
ingredientes
atividade
comerciais à base deste ingrediente ativo registrados
pecuarista e nas quais não há intenção de migração
no Brasil, será direcionado maior foco nesta revisão
para a agricultura, o longo período residual no solo
para esta molécula, mas ressalta-se que é importante
que herbicidas como o picloram e aminopiralide
que o mesmo cuidado que há com o picloram, seja
apresentam não se constitui propriamente em um
direcionado para os produtos formulados à base de
entrave sério. Contudo, dentro do processo de expansão
aminopiralide, visto que o mesmo também apresenta
da agricultura brasileira, especialmente na região
período de meia vida longa no solo.
Para
áreas
exploradas
com
a
do Cerrado brasileiro, boa parte das áreas a serem incorporadas serão oriundas de locais com histórico de cultivo de pastagens. Nestes ambientes, o residual dos
196
Plantas Daninhas
PROPRIEDADES FÍSICOQUÍMICAS DO PICLORAM E SEU
condições edafoclimáticas. A capacidade desse
COMPORTAMENTO NO SOLO
herbicida em alcançar profundidades próximas a 60
O picloram consiste em um herbicida de ação sistêmica pertencente ao grupo químico ácido piridinocarboxílico, sendo registrado para o manejo de plantas daninhas em áreas de pastagem e na cultura da cana-de-açúcar, além de alguns produtos comerciais apresentarem registro para erradicação de
tocos
(cepas)
de
eucalipto.
Na
atualidade
existem no Brasil mais de 60 produtos comerciais à base deste ingrediente ativo, as quais possuem formulação contendo picloram isolado, bem como em misturas duplas com 2,4-D, fluroxipir ou triclopir, além de misturas triplas com aminopiralide + fluroxipir, aminopiralide + triclopir e fluroxipir + triclopir. Como já mencionado anteriormente, o posicionamento dos produtos comerciais à base de picloram é direcionado para o controle de plantas daninhas dicotiledôneas de hábito vegetativo herbáceo e arbustivo. Em relação ao comportamento do picloram no ambiente edáfico, por apresentar o valor de coeficiente de adsorção baixo (kf = 0.46) para maioria dos solos e média solubilidade em água (430 mg/L), esse herbicida possui alto potencial de lixiviação, sendo comum encontrar resíduos em camadas mais profundas a partir da superfície do solo (SHANER, 2014). Apesar de ter fraca adsorção a determinados tipos de argila, o aumento dos teores de matéria orgânica pode favorecer em parte para o processo de adsorção do herbicida no solo. A degradação no solo do picloram é lenta em comparação com outros herbicidas. A principal de dissipação desse herbicida via ocorre pelo metabolismo realizado por microrganismos aeróbicos (RODRIGUES
cm do solo pode estender o seu período residual, uma vez que em condições de menor oxigenação do solo, a degradação desse herbicida pela atividade microbiana é consideravelmente reduzida (PASSOS et al., 2019). Em função do longo período que esta molécula requer para que 50% da concentração inicial aplicada seja dissipada no solo, aliada a elevada suscetibilidade que a soja apresenta à presença de resíduos de picloram, estes fatores de forma conjunta fazem com que seja comum relatos de intoxicação desta cultura em períodos superiores a 2 anos após a aplicação do herbicida. Associado ao longo período residual desse herbicida, a sensibilidade de culturas como soja, feijão e tomate a mimetizadores de auxina agravam o risco de intoxicação em áreas submetidas a aplicação de picloram. Outros fatores agravantes estão ligadas as doses aplicadas e a modalidade de aplicação, uma vez que a nível prático, por vezes há a utilização de superdosagens no intuito de buscar maior êxito no controle de plantas daninhas, além de as aplicações localizadas forçarem para uma maior deposição do herbicida em um mesmo ponto da área, contribuindo para um aumento substancial da dose recomenda. Novamente, nestas situações, haverá uma maior extensão no residual do picloram, sendo necessário esperar um período de tempo maior para a implantação de culturas suscetíveis como a soja.
PREJUÍZOS PROVOCADOS PELO PICLORAM Acerca
da
sintomatologia
visualizada
em
e ALMEIDA, 2011). Esse fato proporciona uma meia-
decorrência das injúrias provocadas pelo picloram,
vida à campo é de 90 dias para o picloram, podendo
destaca-se que, normalmente os sintomas são mais
alcançar até 300 dias após sua aplicação para algumas
pronunciados nas culturas classificadas como de folhas largas, uma vez que as espécies de interesse
Plantas Daninhas
197
econômico classificadas como folhas estreitas tendem
No caso das culturas classificadas como de folhas
a ser ligeiramente mais tolerante a presença destes
estreitas, além de parte dos sintomas mencionados
resíduos no solo (CARMO et al., 2008). Especificamente
anteriormente, é comum observar a formação de raízes
para a cultura da soja, entre os principais sintomas
adventícias. A depender da quantidade de resíduo de
observados nas plantas que se desenvolveram
picloram no solo, isto pode levar a morte das plantas de
em áreas contendo resíduos de picloram no solo,
culturas sensíveis, a qual é lenta, ocorrendo entre 2 e 4
lista-se a ocorrência de epinastia nos trifólios mais
semanas após a emergência das plântulas.
jovens, deformações no limbo foliar, paralização do crescimento e engrossamento de raízes (Figura 1).
Figura 1. Injúrias provocadas na soja pela presença de resíduos de herbicidas auxínicos no solo. Os prejuízos oriundos das injúrias provocadas
observados. Apenas para fins de elucidação da
pela presença dos resíduos de picloram na soja irão
sensibilidade da soja ao picloram, em trabalho realizado
impactar no desenvolvimento morfofisiológico das
no Centro Tecnológico COMIGO, com o intuito de
plantas e a depender da intensidade irá resultar na
correlacionar a concentração deste herbicida no solo
incapacidade de produção de grãos nestas áreas.
e a produtividade de diferentes cultivares, foi observado
Em condições de sintomatologia mais branda, devido
que a cada 0,05 mg i.a. de picloram kg-1 de solo houve
às menores concentrações de picloram no solo, os
uma redução na produtividade desta cultura em valores
prejuízos estarão relacionados a falhas no estande
variando de 5,2 a 8,7 sacas ha-1, sendo a intensidade
da cultura, plantas com menor porte e índice de
de perdas dependente da cultivar de soja plantada
área foliar e capacidade fotossintética reduzida.
(Figura 2).
Independentemente do cenário, se há presença de resíduos de picloram no solo disponíveis para absorção das plantas, prejuízos na produtividade da soja serão
198
Plantas Daninhas
Figura 2. Correlação entre concentração de picloram no solo e produtividade de grãos de soja em diferentes cultivares. Além dos prejuízos diretos oriundos da presença
poderá dar um direcionamento mais assertivo para
de picloram no solo, uma outra problemática relacionada
identificar se uma área apresenta risco potencial para
ao uso deste herbicida refere-se ao fato de por vezes
o cultivo de soja ou não devido a presença de resíduos
esta molécula não ser degradada mesmo após passar
deste herbicida auxínico.
pelo trato intestinal de animais como bovinos (FERRELL
A primeira metodologia que pode ser empregada
et al., 2017). Nesta situação, o animal se alimenta da
para elucidar se um solo apresenta ou não risco de ter
pastagem na área em que houve histórico de aplicação
resíduo de picloram refere-se a análise do histórico
do picloram e após o processo de digestão, ainda há
de uso de herbicidas ao longo dos anos anteriores.
possibilidade de haver contaminação do esterco, fato
Por meio do registro histórico de uso dos herbicidas
que inviabiliza a utilização deste resíduo para fins
posicionados nas áreas de pastagem, torna-se possível
agrícola.
identificar quais produtos comerciais foram aplicados, doses, modalidade de aplicação e intervalo entre o
MÉTODOS PARA DETECÇÃO DE PICLORAM NO SOLO Atualmente existem diferentes possibilidades que podem ser empregadas com o objetivo de detectar se uma determinada área apresenta resíduo de picloram no solo. Apesar disto, ainda há gargalos nestas metodologias, os quais acabam por limitar a
uso do herbicida e a possível época para implantação da soja (Figura 3). Com bases nestas informações, há possibilidade de se excluir ou não o risco de se cultivar soja em uma determinada área. A grande dificuldade na adoção desta metodologia refere-se à organização do produtor em termos de arquivar de forma correta todo o histórico de aplicação dos herbicidas aplicados na pastagem.
recomendação segura de quando se pode ou não realizar o cultivo de soja em uma área no caso de ser detectado a presença do picloram. Contudo, a adoção de forma integrada dos diferentes métodos de detecção
Plantas Daninhas
199
Figura 3. Modelo de caderno de campo para registro do histórico de uso de herbicidas em áreas de pastagem. Uma outra metodologia que pode ser empregada
não sendo possível a extrapolação por todo o talhão.
visando identificar resíduos de picloram no solo refere-
Tendo em vista que por vezes os produtos comerciais
se ao uso de plantas bioindicadoras, as quais devem
à base de picloram são utilizados em aplicações
apresentar grande sensibilidade ao ingrediente ativo,
localizadas, a metodologia de bioensaio pode não
pois desta forma será possível a visualização das injurias
ser capaz de identificar reboleiras específicas com a
oriundas da ação do herbicida mesmo em dosagens
presença do herbicida se a área amostrada não incidir
muito baixas. Para o herbicida picloram, constituem-se
na área com histórico de aplicação.
como alternativas de espécies para serem utilizadas
Por fim, nas últimas safras uma metodologia
nos bioensaios tomate, pepino, beterraba (SANTOS et
que vem sendo empregada para a detecção de
al., 2013), feijão, e a própria soja (CARMO et al., 2008).
resíduos de picloram no solo se constitui na técnica de
Entre os pontos positivos da adoção desta metodologia
cromatografia líquida ou gasosa. Nesse procedimento
de detecção refere-se ao custo baixo para execução,
analítico é possível quantificar a presença de picloram
sendo necessária apenas a aquisição das sementes
no solo. Para que se aumente a precisão no uso desta
da espécie bioindicadora, além da rapidez na obtenção
metodologia, é fundamental assegurar que a coleta do
dos resultados, visto que as injúrias oriundas da ação
solo seja realizada de acordo com as recomendações
tóxica do picloram costumam aparecer poucos dias
técnicas do laboratório, uma vez que este procedimento
após a emergência das plântulas.
realizado de forma errônea poderá resultar em um erro
Em contraponto, a utilização do bioensaio ainda
200
na interpretação.
apresenta alguns gargalos, como a não possibilidade
Outro ponto importante em relação ao uso
de quantificação real da concentração de picloram no
da cromatografia para mensuração dos resíduos de
solo, uma vez que se trata apenas de uma metodologia
picloram no solo refere-se aos desafios na interpretação
qualitativa, para a qual constata-se se há ou não a
analítica das amostras, uma vez que há situações em
presença do herbicida. Outro entrave em relação ao
que a análise detecta a presença do herbicida (leitura
uso das espécies bioindicadoras refere-se ao fato de
> que o limite de detecção), mas a concentração fica
que os resultados irão demonstrar o comportamento
abaixo do limite de quantificação, cenário no qual
específico para a área em que foi realizado o bioensaio,
não é possível ter uma segurança sobre a viabilidade
Plantas Daninhas
de cultivo da soja na área. Na atualidade não se tem
análise, se há pretensão do pecuarista de arrendar a
estabelecido na literatura ou a nível prático qual é o
propriedade para a soja, sugere-se evitar o uso destes
nível crítico de picloram no solo (concentração) com
produtos comerciais com a finalidade de evitar a
base das análises cromatográficas para o qual não se
problemática dos resíduos. Na vertente de evitar que
recomendaria o cultivo de soja. Ainda neste contexto,
haja o processo de contaminação do solo com resíduos
outros desafios no uso das análises cromatográficas
de picloram, deve-se primar pelo uso de forma racional
referem-se ao elevado custo de processamento de uma
dos produtos comerciais contendo este ingrediente
amostra, além da busca por laboratórios que realizem
ativo, realizando a substituição e/ou rotação com
este tipo de análise, uma vez que esta técnica ainda não
moléculas herbicidas que apresentam menor extensão
está totalmente popularizada nas diferentes regiões do
da atividade residual no solo. No cenário em que já houve a aplicação prévia
Brasil. acerca
das
do herbicida, trabalhos recentes vêm demonstrando o
de
ainda
potencial de uso de algumas plantas visando realizar a
necessitar de mais avanços para um posicionamento
descontaminação do solo com picloram, em processo
seguro em relação ao potencial de cultivo de soja,
denominado fitorremediação (PROCÓPIO et al., 2009;
o registro do histórico de aplicação dos herbicidas
ASSIS et al., 2010). Apesar do potencial desta prática,
auxínicos, o uso de espécies bioindicadoras e as
os estudos ainda são preliminares e necessitam de
análises cromatográficas poderão, de forma conjunta,
mais avanços antes de serem recomendados a nível
trazer uma estimativa mais assertiva acerca do intervalo
de campo. Outra possibilidade em relação as áreas em
necessário para a implantação da soja de forma segura
que já houve histórico de aplicação do picloram refere-
em áreas com histórico de aplicação de produtos
se à adoção de esquemas de rotação de culturas,
comerciais à base de picloram.
posicionando as culturas do milho e sorgo, uma vez
Sumarizando metodologias
para
as
informações
detecção,
apesar
que estas apresentam maior tolerância a presença
ALTERNATIVAS PARA ATENUAR OS PREJUÍZOS Após a demonstração dos impactos provocados pela presença de resíduos de picloram e as metodologias que podem ser utilizadas para detecção desta molécula no solo, no último tópico da presente revisão pretende-se apresentar algumas alternativas que podem ser empregadas para atenuar os prejuízos oriundos do uso deste herbicida em áreas pecuaristas antecedendo ao cultivo de soja. Como primeiro passo, sugere-se que antes da utilização dos produtos à base de picloram, seja realizada uma análise minuciosa acerca da possibilidade de migração ou não da área de pecuária para o mercado de grãos, e mediante a esta
de resíduos desta molécula no solo (CARMO et al., 2008). Apesar da menor lucratividade que estes cerais apresentam em relação à soja, com o cultivo de milho e sorgo há possibilidade de ter algum lucro num cenário em que há inviabilidade técnica para a exploração da oleaginosa. Por fim, para as áreas em que foi constatado a presença de resíduos de picloram, mas as concentrações foram baixas (valores < limite de detecção), uma possibilidade que tem sido estudada pelo Centro Tecnológico COMIGO refere-se ao uso de cultivares com tolerância diferencial em termos de sensibilidade ao herbicida (Figura 1). Apesar de todas as cultivares serem sabidamente sensíveis a presença de resíduos do picloram no solo, em situações que
Plantas Daninhas
201
há concentrações muito baixas deste herbicida, aparentemente
pode
haver
resposta
diferencial
AGRADECIMENTOS
entre os materiais genéticos de soja. Atualmente ainda não há uma resposta clara em termos de efeito quanto ao comportamento das cultivares de soja, mas aparentemente, materiais com maior grupo de maturação (mais tardias) tendem a apresentar uma menor redução na produtividade de grãos em função
A ACS Laboratórios – Divisão Agroambiental pela parceria na execução das análises cromatográficas do experimento.
REFERÊNCIAS
dos efeitos fitotóxicos provocados pela presença de resíduos de picloram no solo em concentrações mais baixas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS No cenário de aumento das áreas de cultivo de soja previsto para as próximas safras em regiões exploradas com a atividade pecuarista, há possibilidade de se aumentar a frequência de problemas oriundos da intoxicação desta cultura devido à presença de picloram no solo. Entre os principais prejuízos visualizados na soja provocados pela presença desta molécula no ambiente edáfico estão a redução no estande de plantas, diminuição de porte e área foliar e menor produtividade de grãos, havendo cenários em que a depender das concentrações de picloram no solo, a produção do oleaginosa fica inviabilizada. Neste sentido, é fundamental a adoção de métodos para detecção (histórico de uso, bioensaio e análise cromatográfica), os quais de forma conjunta poderão trazer uma maior previsibilidade sobre a possibilidade de cultivo de soja nas áreas com histórico de aplicação de picloram. Com o intuito de atenuar os prejuízos provocados pelo picloram, sugere-se que o uso deste herbicida em áreas destinadas a produção animal seja realizado de forma racional e que sejam realizados esquemas de rotação de culturas com espécies mais tolerantes ao herbicida (ex.: milho e sorgo).
202
Plantas Daninhas
ASSIS, R.L.; PROCÓPIO, S.O.; CARMO, M.L.; PIRES, F.R.; CARGNELUTTI FILHO, A.; BRAZ, G.B.P.; SILVA, W.F.P. Fitorremediação de solo contaminado com o herbicida picloram por plantas de Panicum maximum em função do teor de água. Engenharia Agrícola, v.30, n.5, p.845-853, 2010. CARMO, M.L.; PROCOPIO, S.O.; PIRES, F.R.; CARGNELUTTI FILHO, A.; BARROSO, A.L.L.; SILVA, G.P.; CARMO, E.L.; BRAZ, G.B.P.; SILVA, W.F.P.; BRAZ, A.J.B.P.; PACHECO, L.P. Seleção de plantas para fitorremediação de solos contaminados com picloram. Planta Daninha, v.26, n.2, p.301-313, 2008. FERREIRA, E.A.; FERNANDEZ, A.G.; SOUZA, C.P.; FELIPE, M.A.; SANTOS, J.B.; SILVA, D.V.; GUIMARÃES, F.A.R.
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Plantas Daninhas
203
PERÍODO RESIDUAL ENTRE A APLICAÇÃO DA MISTURA MSMA + DIURON E SEMEADURA DE CULTIVARES DE SOJA BRAZ1, Guilherme Braga Pereira; ALMEIDA2, Dieimisson Paulo; FERNANDES3, Rafael Henrique; LIMA4, Diego Tolentino de; SILVA5, Linconl Lima; DELGADO6, Vanderson Aparecido Diego
INTRODUÇÃO Nos últimos anos, o capim-pé-de-galinha tem se constituído em uma das principais espécies infestantes na cultura da soja a nível nacional, visto que a mesma
Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: guilhermebraga@comigo. com.br 2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. E-mail: dieimissonpa@gmail.com 3 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: : rafaelhenrique@comigo. com.br 4 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo. com.br 5 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia do Instituto Federal Goiano (IFGoiano), campus Rio Verde. Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: linconl96lima@gmail.com 6 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 1
apresenta biótipos com resistência ao glifosato e aos graminicidas, além do fato de estar disseminada em todas as regiões agrícolas do Brasil (CORREIA et al., 2022). Aliado a estes fatores, por ser uma espécie de metabolismo fotossintético C4, o capim-pé-degalinha apresenta rápida taxa de crescimento inicial, alcançado o estádio reprodutivo cerca de 38 dias após a sua emergência (TAKANO et al., 2016). Desta forma, por vezes o controle do capim-pé-de-galinha se torna mais oneroso pelo fato de o momento ideal de se intervir com a aplicação dos herbicidas ser tardio, e nestas condições são observadas falhas no controle da espécie por se tratar de plantas adultas (TAKANO et al., 2018). Neste sentido, fica evidenciado que o insucesso no controle desta planta daninha na maioria das vezes não está relacionado à ocorrência de biótipos resistentes a herbicidas, mas sim a intervenções mediante o controle químico por meio de aplicações fora do estádio recomendado. Nas situações em que
204
Plantas Daninhas
não é obtido êxito no controle de plantas adultas de
área com histórico de aplicação de diuron isolado
capim-pé-de-galinha, uma das alternativas que tem
ou em mistura com MSMA, foram instalados três
sido preconizadas pela assistência técnica refere-
experimentos a campo, sendo um conduzido na safra
se ao uso de herbicidas em misturas, bem como
2019/2020 (1º ano agrícola) e dois experimentos
a realização de aplicações sequenciais em pós-
realizados na safra 2022/2023 (2º ano agrícola).
emergência da planta daninha. Neste contexto, uma
O experimento realizado no 1º ano agrícola foi
das alternativas que foi apresentada como eficaz no
desenvolvido com o objetivo de aferir o efeito de
controle de capim-pé-de-galinha foi composta pela
doses crescentes de diuron em aplicação realizada
mistura entre MSMA + diuron (ALMEIDA et al., 2022).
30 dias antecedendo a semeadura da soja, ao
No referido trabalho foi observado controle total de
passo que nos experimentos realizados no 2º ano
capim-pé-de-galinha mediante a aplicação de MSMA
agrícola, objetivou-se avaliar o efeito de diferentes
+ diuron após a roçada da planta daninha.
períodos entre a aplicação da mistura de MSMA
Apesar do êxito no controle de capim-pé-
+ diuron e a semeadura de duas cultivares de soja.
de-galinha pela adoção da mistura entre MSMA +
Todos os experimentos foram conduzidos na área
diuron, em função do período de meia-vida que estes
experimental
herbicidas apresentam no solo (SHANER, 2014),
sediada no município de Rio Verde (GO) (S 17°45'42"
questionamentos acerca da segurança na utilização
O 51°02'09", altitude de 827 m).
do
Centro
Tecnológico
COMIGO
destes previamente a semeadura da soja foram
Segundo Thornthwaite (1948) o clima de Rio
levantados. Entre os dois herbicidas, o MSMA, apesar
Verde é classificado em B4 rB’4a’ (Úmido; pequena
de possuir meia vida longa no solo, por apresentar
deficiência hídrica; mesotérmico; evapotranspiração
um coeficiente de adsorção elevado, oferece menos
no verão menor que 48% da evapotranspiração anual).
preocupações quando a eventuais riscos de carryover
Na Figura 1 encontram-se os dados climatológicos
quando comparado ao diuron (PRICE et al., 2008). Em
relacionados a temperatura máxima e mínima do ar
contraponto, para o diuron, riscos de visualização de
e precipitações durante o período de condução dos
injúrias para a soja já foram apontados na literatura
experimentos.
em função da atividade residual que este herbicida apresenta no solo (GHENO et al., 2016). Diante deste contexto, o objetivo do presente trabalho foi determinar o efeito de doses de diuron no desempenho agronômico da soja, bem como aferir o período residual necessário para a aplicação da mistura (MSMA + diuron) e a semeadura de cultivares de soja.
MATERIAL E MÉTODOS No
intuito
de
compreender
melhor
o
comportamento agronômico da soja cultivada em
Plantas Daninhas
205
Fonte: INMET - Ins�tuto Nacional de Meteorologia. Estação de coleta: Rio Verde (GO). Figura 1. Temperaturas máxima e mínima e precipitações observadas durante o período de condução dos experimentos. Rio Verde (GO), 2019/2020 e 2022/2023. O solo na área experimental foi classificado como
cmolc dm-3 de H+ + Al+3; 3,86 cmolc dm-3 de Ca+2; 1,03
Latossolo Vermelho Distrófico (Santos et al., 2018).
cmolc dm-3 de Mg+2; 164,7 mg dm-3 de K; 28,1 mg dm-3 de
Antes da instalação dos experimentos, foi realizada a
P; 28,44 g dm-3 de M.O.; 50,39% de areia; 11,56% de silte
análise de amostras do solo coletadas na profundidade
e 38,05% de argila (textura franco-argiloso).
de 0 a 20 cm, a qual revelou as seguintes propriedades
do
ano
agrícola,
em
físico-químicas para o 1º ano agrícola: pH em CaCl2
todos os experimentos as unidades experimentais
-3
de 5,77; 0,14 cmolc dm de H + Al ; 3,61 cmolc dm
foram compostas por seis linhas de semeadura, com
de Ca ; 1,28 cmolc dm de Mg ; 167,70 mg dm de K;
comprimento de 15,0 m (45,0 m2). Considerou-se como
42,52 mg dm-3 de P; 31,58 g dm-3 de M.O.; 58,00% de
área útil para as avaliações apenas as quatro linhas
areia; 4,25% de silte e 37,75% de argila (textura argilo-
centrais de cada unidade experimental, excluindo-
arenoso); e 2º ano agrícola: pH em CaCl2 de 5,75; 1,90
se 0,5 m de cada extremidade. Ademais, todas as
-3
+2
206
Independentemente
Plantas Daninhas
-3
+
+2
+3
-3
aplicações dos tratamentos nos experimentos foram
2500 e 3200 g i.a. ha-1.
realizadas utilizando-se um pulverizador de pesquisa
A aplicação dos tratamentos foi realizada no
pressurizado por CO2 com patente junto ao INPI (BR
dia 08/10/2019, em intervalo de 30 dias antes da
102016007565-3), montado em um trator (LS 60, 60 cv,
semeadura da soja. Na ocasião da aplicação, o solo
Landini). A barra de aplicação foi equipada com dez
apresentava-se com boa umidade e o céu estava com
pontas espaçadas 0,5 m entre si, mantida a uma altura
a presença de poucas nuvens, estando a temperatura,
de 0,5 m da cobertura vegetal. A pressão de trabalho
umidade relativa do ar e velocidade do vento, mínima e
nas pontas de pulverização de jato duplo plano com
máxima, em valores equivalentes a 26,4 e 30,2oC, 63,6 e
indução de ar (ADIA/D 110015; Magnojet) foi de 300
74,4% e 1,2 e 3,0 km h-1, respectivamente. A precipitação
kPa (43,5 psi) e o volume de aplicação 150 L ha-1.
acumulada entre a aplicação dos tratamentos e a
Antes da semeadura da soja, em todos os experimentos foi realizada a dessecação de manejo
semeadura da soja foi de 178 mm. A semeadura da soja foi realizada de forma
das plantas daninhas presentes na área experimental,
mecanizada
no
dia
08/11/2020,
adotando-se
as quais foram controladas com uma aplicação da
espaçamento entrelinhas de 0,5 m, distribuindo-se
mistura entre glifosato + clethodim (1200 + 192 g i.a.
16 sementes m-1, sendo utilizada a cultivar DS 5916
ha-1), sendo adicionado Iharol Gold® (0,3 mL p.c. ha-1) a
IPRO, que apresenta grupo de maturidade relativa de
calda de aplicação. Ademais, no intuito de assegurar
6.1. Todas as sementes utilizadas nos experimentos
que as plantas fossem expostas apenas ao efeito dos
receberam tratamento industrial com fungicidas
tratamentos herbicidas aplicados antecipadamente
e inseticidas, bem como foi realizada a prática de
a semeadura da cultura, em todos os experimentos
inoculação visando assegurar o processo de fixação
foi realizado o controle da comunidade infestante em
biológica de nitrogênio. A adubação foi realizada no
pós-emergência da soja com aplicação da mistura
momento da semeadura com aplicação no sulco do
entre glifosato + clethodim (960 + 120 g i.a. ha-1) +
equivalente à 400 kg ha-1 de 02-20-28 (N-P2O5-K2O).
Iharol Gold® (0,3 mL p.c. ha-1). Durante o ciclo da soja
A emergência das plântulas de soja de ambas as
foram realizados tratos culturais de acordo com as
cultivares ocorreu no dia 13/11/2020.
recomendações da Seixas et al. (2020), procedendo ao controle de pragas e doenças sem deixar que estes
2º Ano agrícola: Período entre aplicação de
influenciassem negativamente no desenvolvimento da
MSMA + diuron e semeadura de cultivares de soja
cultura. Em ambos os experimentos, o delineamento 1º Ano agrícola: Doses de diuron e impactos na cultura da soja
adotado foi o DBC, avaliando-se cinco tratamentos com quatro repetições. Os tratamentos foram compostos pela aplicação da mistura entre MSMA + diuron (2370
O experimento foi instalado no delineamento de
+ 1750 g i.a. ha-1) em diferentes intervalos em relação à
blocos completos ao acaso (DBC), avaliando-se quatro
data de semeadura da soja, estando cada um destes
tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos foram
descritos na Tabela 1.
compostos por uma testemunha sem herbicida, além da aplicação de três doses de diuron isolado: 1600,
Plantas Daninhas
207
Tabela 1. Relação de tratamentos avaliados no experimento realizado com cultivares de soja submetidas a aplicação de herbicidas em diferentes modalidades. Rio Verde (GO), 2022/2023.
Data
Intervalo
Velocidade do vento
Temperatura
1ª: 22/09/22
48 DAS
23,6oC
6,4 km h-1
2ª: 30/09/22
40 DAS
25,2 C
3,6 km h
3ª: 11/10/22
29 DAS
27,45 C
3,5 km h
4ª: 18/10/22
22 DAS
27,8oC
7,2 km h-1
5ª: 25/10/22
15 DAS
33,8oC
7,5 km h-1
o
Precipitação acumulada entre aplicação e semeadura 170 mm 109 mm
-1
o
59 mm
-1
49 mm 20 mm
Umidade Relativa do ar
Solo
80,6 %
Úmido
69,1 %
Úmido
74,1%
Úmido
48,7%
Úmido
65,1%
Úmido
DAS = dias antes da semeadura
Para ambos os experimentos, a semeadura
volume de aplicação de 60 L ha-1. A adubação foi
direta foi realizada de forma mecanizada no dia
realizada com aplicação antecipada à lanço de
09/11/2022, adotando-se espaçamento entrelinhas
150 kg ha-1 de KCl (24/10/2022) e no momento da
de 0,5 m. As cultivares de soja, o grupo de maturidade
semeadura com aplicação no sulco do equivalente
relativa (GMR) e as respectivas densidades de
à 450 kg ha-1 de super simples turbo micro: 0,15%
semeadura utilizadas nos experimentos foram: CZ
de Zn e Mn e 0,075% de B e Cu. A emergência das
37B43 IPRO (GMR: 7.4; 16 sementes m ) e M 7110
plântulas de soja de ambas as cultivares ocorreu no
IPRO (GMR: 6.8; 20 sementes m ). As sementes
dia 14/11/2022.
-1
-1
utilizadas nos experimentos receberam tratamento industrial com fungicidas e inseticidas, bem como foi
Variáveis-respostas e análise estatística
realizada a prática de inoculação visando assegurar o processo de fixação biológica de nitrogênio.
Para todos os experimentos, aos 7 e 21 dias
Ademais, via micron foi realizada a aplicação do
após a emergência (DAE) da soja foram realizadas
inoculante Nitrogin Cell Tech HC (Bradyrhizobium
avaliações de fitointoxicação, utilizando para esta
japonicum – Semia 5079 e Semia 5080, com 3 x 10
9
avaliação a escala proposta pela SBCPD (1995), que
células viáveis mL , Monsanto BioAg) na dose de 1,0
apresenta notas variando de 0% a 100%, onde 0%
L ha + Biomax Azum (Azospirillum brasilense, 3 x
significa ausência de sintomas e 100% representa
10 células mL , Grupo Vittia) na dose de 0,1 L ha
-1
a morte de todas as plantas presentes na área
+ inseticida biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium
útil. Ademais, na ocasião da colheita foi realizada
anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1 x 10
8
avaliação do estande de plantas, procedendo a
propágulos viáveis mL , Grupo Vittia) na dose de 0,5
contagem do número de plantas presentes em 3
L ha + fertilizante Nodulus Gold, (1 % de Co, 10% de
m de fileira. Para determinação da produtividade
Mo, Grupo Vittia) na dose de 0,2 L ha + nematicida
de grãos, foi realizada o arranquio manual de todas
Verango Prime SC (Fluopiram, 500 g i.a. L , Bayer
as plantas presentes na área útil de cada unidade
CropScience) na dose de 200 g i.a. ha , adotando
experimental, onde posteriormente este material
-1
-1
8
-1
-1
-1
-1
-1
-1
208
Plantas Daninhas
foi submetido aos processos de trilha, embalagem,
no solo, os níveis foram classificados como baixos
identificação, pesagem e correção da umidade dos
(<20,00%), constatando-se tendência de recuperação
grãos para 13%.
das plantas à medida em que estas foram se
Para todos os experimentos, a análise estatística
desenvolvendo.
foi realizada com o programa computacional SISVAR.
Para o estande da soja, não foram observadas
Os dados de todos os experimentos foram submetidos
reduções no número de plantas em função da
à análise de variância pelo teste F (p≤0,05) e
aplicação de doses mais elevadas de diuron,
quando constatado efeito significativo, aplicou-
nem tampouco entre os tratamentos contendo
se a análise de regressão (p≤0,05). Os modelos de
aplicação do herbicida e a testemunha (dados não
regressão foram selecionados considerando-se a
apresentados). Estes resultados demonstram que
significância da análise de variância, o coeficiente de
apesar de proporcionar injúrias no desenvolvimento
determinação (R²) e a significância dos parâmetros
inicial da soja, a aplicação das doses de diuron 30
do modelo por meio do teste “t” de Student, além do
dias antes da semeadura da cultura não causa
conhecimento da evolução do fenômeno biológico.
redução na população final de plantas. Por outro
Especificamente no experimento realizado no 1º
lado, ocorreu redução na produtividade da soja
Ano agrícola, a produtividade da cultivar de soja em
(cultivar DS 5916 IPRO) de 6,5, 11,4 e 11,4% quando
função da aplicação de doses crescentes de diuron,
aplicado as doses de 1.600, 2.500 e 3.200 g i.a.
foram analisadas por meio de regressão não linear,
ha-1 de diuron, respectivamente (Figura 2). Assim,
utilizando o modelo exponencial em decaimento com
pelo modelo exponencial em decaimento ajustado
três parâmetros (Equação 1):
constata-se que, ao aumentar a dose de diuron de 2.500 g i.a. ha-1 para 3.200 g i.a. ha-1, a redução na produtividade observada tende a se estagnar neste intervalo de doses do herbicida. Com base no modelo
Em que: y = variável resposta; x = dose do
ajustado, evidencia-se que 1 saca ha-1 de grãos de
herbicida (g i.a ha-1); y0, a e b = parâmetros estimados
soja é reduzida para cada ≈ 440 g i.a. ha-1 de diuron,
do modelo.
em aplicações realizadas 30 dias antecedendo a semeadura da soja.
RESULTADOS E DISCUSSÃO 1º Ano agrícola: Doses de diuron e impactos na cultura da soja Acerca das avaliações de fitointoxicação, realizadas aos 7 e 21 DAE da soja, foram verificados sintomas de clorose do tecido foliar da soja, além de ligeira redução no porte das plantas, especialmente quando utilizadas doses mais elevadas de diuron (dados não apresentados). Apesar da constatação de injúrias decorrentes da ação residual do diuron
Plantas Daninhas
209
* Significa�vo*aSignifica�vo 5% de probabilidade pelo teste F. pelo teste F. a 5% de probabilidade
Figura 2. Produ�vidade de grãos dade soja subme�da aplicação adeaplicação doses crescentes diuron de diur Figura 2. Produ�vidade grãos da soja asubme�da de doses de crescentes Figura 2. Produtividade de grãos da soja submetida a aplicação de doses crescentes de diuron na dessecação pré-semeadura da cultura. Rio Verde (GO), 2019/2020. Tendo em vista que a mistura entre MSMA
uma mistura contendo dois herbicidas, observando
+ diuron apresenta eficácia no controle de plantas
as propriedades físico químicas da molécula MSMA,
daninhas, em especial sob populações de capim-
a qual apresenta elevado valor de coeficiente de
pé-de-galinha entouceiradas e rebrotadas após
adsorção, conforme já mencionado anteriormente,
roçada mecânica (ALMEIDA et al., 2022), aliado ao
é possível inferir que as injúrias visualizadas nas
fato de que aparentemente em doses menores de
plantas de soja são ocasionadas pelo efeito residual
diuron apresenta potencial de uso para manejo da
do diuron no solo.
comunidade infestante em aplicações realizadas na
Para ambas as cultivares de soja (CZ 37B43
entressafra, ainda há a necessidade de se determinar
IPRO e M 7110 IPRO), não foram observadas diferenças
qual o melhor período entre aplicação da mistura de
no estande de plantas (dados não apresentados),
MSMA + diuron e a semeadura de cultivares de soja.
demonstrando que apesar de aplicações da mistura entre MSMA + diuron mais próximas a data da
2º Ano agrícola: Período entre aplicação
semeadura da soja incrementaram os níveis de
de MSMA + diuron e semeadura de cultivares de
intoxicação, a ação fitotóxica dos herbicidas não
soja
promoveu a redução na emergência da cultura ou De maneira semelhante ao apresentado no
até mesmo morte de plantas. Em contraponto, para
experimento realizado no 1º ano agrícola, para os
produtividade de grãos, verifica-se que para ambas
experimentos do 2º ano agrícola, os sintomas de
as cultivares, que a mistura entre MSMA + diuron
fitointoxicação da cultura foram caracterizados como
(2370 + 1750 g i.a. ha-1) proporciona redução na
de baixa intensidade (dados não apresentados).
produção da cultura à medida em que há diminuição
Novamente, visualizou-se plantas com leve clorose
no intervalo entre aplicação dos herbicidas e a
no tecido foliar naqueles tratamentos em que houve
semeadura da soja (Figura 3).
menor intervalo entre aplicação da mistura de MSMA + diuron e a semeadura da soja. Apesar de se tratar de
210
Plantas Daninhas
* Significa�vo a 5% de probabilidade pelo teste F.
Figura 3. Produ�vidade de grãos em cul�vares de soja subme�das a aplicação da mistura de Figura 3. Produtividade de grãos em cultivares de soja submetidas a aplicação da mistura de MSMA + diuron em diferentes intervalos entre aplicação e a semeadura da cultura. Rio Verde (GO), 2022/2023. Com base nas equações ajustadas para
de plantas daninhas em áreas onde não se pretende
ambas as cultivares, verifica-se redução de ≈ 1 saca
fazer o cultivo em segunda safra. Para aplicações em
para cada diminuição de quatro dias entre o
período de entressafra é necessário aguardar um
intervalo de aplicação da mistura entre MSMA +
acumulado de chuva de no mínimo 180 mm, aliado a
diuron e semeadura da soja. Para os tratamentos
um intervalo de tempo de pelo menos 48 dias entre
com menor intervalo entre aplicação e semeadura
aplicação e semeadura da soja, para assegurar que
da soja (15 DAS), as reduções na produtividade de
o residual imposto pelos herbicidas não afete o
grãos em comparação com os valores obtidos com
desenvolvimento e produtividade da cultura. Ademais,
o maior intervalo (48 DAS) foram de 15,1 e 17,3%,
para uma maior assertividade no posicionamento
respectivamente, para as cultivares CZ 37B43 IPRO
destes tratamentos, torna-se necessário a realização
e M 7110 IPRO. Nos tratamentos com aplicação da
de novos estudos em condições edafoclimáticas
mistura entre MSMA + diuron aos 48 DAS da soja,
distintas, em especial para solos com texturas
as produtividades observadas nas cultivares foram
contrastantes ao da área em que o presente trabalho
de 73,1 e 67,7 sacas ha-1, respectivamente, para
foi realizado (ex.: solo arenoso).
ha
-1
CZ 37B43 IPRO e M 7110 IPRO. Para este intervalo de aplicação, foi observado um volume total de precipitação na área experimental equivalente a 170 mm.
CONCLUSÕES Dentro do intervalo de doses de diuron
Compilando os resultados, há maior segurança
avaliado, o aumento do volume aplicado deste
na utilização deste tratamento visando ao controle
herbicida proporciona reduções na produtividade da
Plantas Daninhas
211
soja em valores ≈ 11,4% em aplicações realizadas 30 dias antes da semeadura da cultura.
SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS, L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO,
Independentemente da cultivar de soja, o
M.R; ALMEIDA, J.A.; ARAÚJO FILHO, J.C.; OLIVEIRA,
uso de MSMA + diuron (2370 + 1750 g i.a. ha-1)
J.B.; CUNHA, T.J.F. Latossolos. In: Sistema Brasileiro
proporciona reduções na produtividade de grãos
de Classificação de Solos. 5. ed. Brasília :Brasília:
quando esta mistura é aplicada em intervalos
Embrapa, 2018., Cap. 12 p. 219 - 223.
menores que 48 dias até a semeadura da cultura,
SEIXAS, C.D.S.; NEUMAIER, N.; BALBINOT
sendo fundamental haver distribuição pluviométrica
JUNIOR, A.A.; KRZYZANOWSKI, F.C.; LEITE, R.M.V.B.C.
em volume no mínimo superior a 180 mm.
Tecnologias de produção de soja: região Central do Brasil. Londrina: Embrapa Soja, 2020. 347 p.
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Growth, development and seed production of
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2016. TAKANO,
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212
D.L.
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THORNTHWAITE, C.W. An Approach toward a Rational Classification of Climate. Geographical Review, v. 38, n 1., p. 55-94, 1948.
Plantas Daninhas
213
Anel Viário Campos, km 07 Zona Rural, Rio Verde - GO (64) 3611-1573 / 3611-1574 / 3611-1666 ctc@comigo.com.br www.comigo.coop.br
Realização:
Parceiros: INSTITUTO FEDERAL Goiano
Campus Rio Verde
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Entomologia