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Informe Comigo Anuário de Pesquisa de Agricultura 2022-2023

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Centro Tecnológico COMIGO

ANUÁRIO DE PESQUISAS AGRICULTURA - RESULTADOS 2023

EDITORES TÉCNICOS Amanda Magalhães Bueno Diego Tolentino de Lima Eduardo Hara Guilherme Braga Pereira Braz Hemython Luis Bandeira do Nascimento Leonardo Fernandes Sarkis Rafael Henrique Fernandes Ubirajara Oliveira Bilego Centro Tecnológico COMIGO Geração e Difusão de Tecnologias Rio Verde, GO 2023


Centro Tecnológico COMIGO Rod Go 174, Km 252.5 - Zona Rural - Rio Verde - GO CEP 75913-899 Fone: (64) 3611-1573 ou (64) 3611-1684 www.comigo.coop.br ctc@comigo.com.br Comitê de publicação Amanda Magalhães Bueno Diego Tolentino de Lima Eduardo Hara Guilherme Braga Pereira Braz Hemython Luis Bandeira do Nascimento Leonardo Fernandes Sarkis Rafael Henrique Fernandes Ubirajara Oliveira Bilego Periodicidade: anual Volume 6 n. 1, 2023 Publicação online Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei no 9.610). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Centro Tecnológico COMIGO Anuário de Pesquisa Agricultura - Resultados 2023 Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Centro Tecnológico COMIGO Av. Presidente Vargas, 1878, Jardim Goiás, Rio Verde - GO CEP 75901-901 - CP 195 Editores Técnicos: Amanda Magalhães Bueno; Diego Tolentino de Lima; Eduardo Hara; Guilherme Braga Pereira Braz; Hemython Luis Bandeira do Nascimento; Leonardo Fernandes Sarkis; Rafael Henrique Fernandes; Ubirajara Oliveira Bilego; Rio Verde, GO: Centro Tecnológico COMIGO, 2023. 218 p.: il. (algumas color.). 1. Workshop - Resultados. I. Bueno, Amanda Magalhães, II. Lima, Diego Tolentino de, III. Almeida, III. Hara, Eduardo, IV. Braz, Guilherme Braga Pereira, V. Bandeira do Nascimento, Hemython Luis, VI. Sarkis, Leonardo Fernandes, VII. Fernandes, Rafael Henrique. VIII. Bilego, Ubirajara Oliveira.

ISSN


Sumário APRESENTAÇÃO EDITORIAL AGRADECIMENTOS PRECIPITAÇÃO PLUVIAL NO CTC

7 8 9 10

ENTOMOLOGIA

12

INSETICIDAS NO CONTROLE DE PERCEVEJO-MARROM (Euschistus heros) NA CULTURA DA SOJA

13

INSETICIDAS NO CONTROLE DE NINFAS DE MOSCA-BRANCA (Bemisia tabaci) NA CULTURA DA SOJA

22

INSETICIDAS NO CONTROLE DO PULGÃO Melanaphis sorghi NA CULTURA DO SORGO

30

FERTILIDADE DO SOLO E FERTILIZANTES

38

APLICAÇÃO ANTECIPADA DE NITROGÊNIO EM COBERTURA NO SORGO

39

IMPACTO DE DOSES DE CALCÁRIO E MÉTODOS DE INCORPORAÇÃO NA PRODUTIVIDADE DE GRÃOS NA SUCESSÃO SOJA-SORGO 45 COMPATIBILIDADE DE DIQUAT E OCTABORATO NA DESSECAÇÃO PRÉ-COLHEITA DA SOJA E IMPACTOS DO BORO NO SORGO EM SUCESSÃO

54

FISIOLOGIA E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

62

EFEITOS DE DOSES E ÉPOCAS DE ADUBAÇÃO COM FÓSFORO VIA FOLIAR, NA NUTRIÇÃO E PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA

63

EFEITOS DE DOSES E ÉPOCAS DE ADUBAÇÃO COM MAGNÉSIO VIA FOLIAR, NA NUTRIÇÃO E PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA

76

A ADUBAÇÃO FOLIAR COM BIOESTIMULANTES É CAPAZ DE INCREMENTAR A PRODUTIVIDADE DE GRÃOS DE MILHO CULTIVADO EM SEGUNDA SAFRA? 89 A ADUBAÇÃO FOLIAR COM BIOESTIMULANTES É CAPAZ DE INCREMENTAR A PRODUTIVIDADE DE GRÃOS DE SORGO, CULTIVADO EM SEGUNDA SAFRA NO SUDOESTE GOIANO? 100 FITOPATOLOGIA

110

O CONTROLE DE DOENÇAS COMEÇA CEDO: FUNGICIDAS NO VEGETATIVO DA SOJA

111

5


6

DIFERENTES FUNGICIDAS NO CONTROLE DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA, SAFRA 2022/2023 EM RIO VERDE-GO

120

PRODUTOS BIOLÓGICOS E QUÍMICOS E NO CONTROLE DE FITONEMATOIDES COM OCORRÊNCIA SIMULTÂNEA NA CULTURA DA SOJA

129

PROGRAMAS DE APLICAÇÕES DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DE HELMINTOSPORIOSE DO MILHO

142

CONTROLE QUÍMICO DE DOENÇAS FOLIARES DO SORGO NA SEGUNDA SAFRA DO ANO AGRÍCOLA 2022/2023

151

FITOTECNIA

160

PRODUTIVIDADE DE SOJA CULTIVADA SOBRE A PALHADA DE Panicum maximum EM SISTEMAS DE INTEGRAÇÃO LAVOURA PECUÁRIA

161

DESEMPENHO PRODUTIVO DE HÍBRIDOS DE MILHO CULTIVADOS NA SEGUNDA SAFRA

172

DESEMPENHO AGRONÔMICO DE HÍBRIDOS DE SORGO GRANÍFERO EM DUAS ÉPOCAS DE SEMEADURA

180

PLANTAS DANINHAS

160

DESEMPENHO AGRONÔMICO DE CULTIVARES DE SOJA SUBMETIDA A APLICAÇÃO DE HERBICIDAS RESIDUAIS EM DIFERENTES MODALIDADES

189

RESIDUAL DE PICLORAM EM NOVAS ÁREAS AGRÍCOLAS: IMPACTOS, DETECÇÃO E MEDIDAS PARA ATENUAÇÃO

198

PERÍODO RESIDUAL ENTRE A APLICAÇÃO DA MISTURA MSMA + DIURON E SEMEADURA DE CULTIVARES DE SOJA

207


APRESENTAÇÃO O Centro Tecnológico COMIGO – CTC, é

revisões técnico-científicas de temas bastante

parte integrante da Cooperativa Agroindustrial dos

atuais do setor agropecuário brasileiro. O Centro

Produtores Rurais do Sudoeste Goiano – COMIGO.

Tecnológico COMIGO – CTC, continua contando

Sua principal missão é desenvolver e difundir

com o imprescindível apoio da administração da

tecnologias agropecuárias, que possam apoiar os

cooperativa, dos nossos consultores técnicos, dos

produtores no manejo de suas culturas visando maior

parceiros e da equipe de suporte de campo, no

rentabilidade e sustentabilidade ambiental. Com

sentido de apoiar os cooperados e a sociedade na

uma área física de aproximadamente 200 hectares,

melhoria da qualidade de vida e na perpetuação do

incluindo a área da feira anual da cooperativa – a

pujante setor agropecuário brasileiro.

TECNOSHOW – o CTC está localizado em local estratégico da região Centro-Oeste do país, em Rio Verde – GO. O Centro Tecnológico COMIGO tem se consolidado cada vez mais como uma referência em pesquisa agropecuária da região, do estado e do país, em função da capacitação do seu corpo técnico, da qualidade das suas pesquisas e da imparcialidade dos seus resultados. Anualmente os resultados obtidos são divulgados nos Workshops de Agricultura e Pecuária, que em 2023 completam sua 22ª e 13ª edições, respectivamente. O Centro Tecnológico COMIGO – CTC, mantém sua atuação em sete grandes temas: Manejo e Controle de Doenças, Pragas e Plantas Daninhas, Solos e Nutrição de Plantas, Fitotecnia e Produção Animal, Agricultura de Precisão e Zootecnia, e os resultados do presente Anuário contemplam os trabalhos realizados na safra 2022/2023. Contamos também nesta edição com a participação de parceiros externos, que enriquecem o documento com

7


EDITORIAL O ano agrícola 2022/2023 teve desde o seu início

31,5 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 9,1%

uma série de particularidades, que envolveram aspectos

em relação a safra 2021/22. O que irá contribuir para

geopolíticos, comerciais e climáticos relevantes, que

que Goiás se posicione em 4º lugar no ranking nacional

influenciaram decisivamente na gestão e tomada de

de estados produtores, contribuindo com 10,14% da

decisões do agricultor durante a safra e safrinha deste ano.

produção nacional.

Sob o ponto de vista geopolítico global, mesmo se

a

safra

2022/2023

também

foi

importante para o Centro Tecnológico Comigo, buscando

e Ucrânia, e com a trégua ainda distante de uma solução

atender as demandas tanto do corpo técnico como

pacífica, os frequentes atos de agressividade entre os

de seus cooperados. O Centro Tecnológico Comigo

países, imediatamente traz a tona a questão da insegurança

ampliou a sua equipe de pesquisa, contratando mais dois

alimentar a nível mundial, principalmente no que se refere ao

pesquisadores e ampliando para sete o total da equipe.

transporte de grãos nas regiões atingidas pelo conflito, como

Esses novos pesquisadores vieram para somar as linhas

a disponibilidade de matérias prima de fertilizantes para as

de pesquisa já existentes, Fitopatologia e Nematologia,

nações consumidoras. Gerando constantes incertezas no

Controle e manejo de plantas daninhas e Entomologia,

mercado e para todos os players envolvidos, sempre atentos

com o conhecimento nas áreas de Fertilidade do solo/

aos fatos mais recentes que ocorrem na região.

Fertilizantes e Nutrição de plantas/Fisiologia vegetal.

No âmbito nacional, a incerteza ficou quanto ao rumo

A ampliação da equipe de pesquisa veio para

das medidas políticas econômicas que seriam adotadas no

reforçar o compromisso que a Comigo tem junto ao seus

início do novo governo, que por sua vez, trouxeram muita

cooperados, no que diz respeito a geração e difusão de

desconfiança e incerteza junto ao setor agrícola. Criando

tecnologias aplicadas que auxiliem no incremento da

muita apreensão e expectativa também para o produtor

produtividade.

rural.

8

Contudo,

passando mais de um ano do início dos conflitos entre Rússia

Assim, muitos trabalhos foram realizados neste Quanto aos fatores climáticos na safra 2022/2023,

último ano agrícola, respondendo a muitas questões

chamaram a atenção algumas situações adversas. A

dos cooperados e do corpo técnico da Comigo, e cuja

primeira delas, diz respeito ao veranico ocorrido no mês de

grande parte está contida no anuário de pesquisas que

novembro, um dos maiores severos dentro da série histórica

poderá ser acessado e baixado no site da Comigo.

para o mês registrado no Centro Tecnológico Comigo,

Para o próximo ano agrícola novos desafios já

registrando volumes de apenas 60mmm para todo o mês,

surgem no horizonte, entre eles a grande expectativa

muito abaixo do esperado e necessário para a cultura da

da ocorrência do fenômeno El Nino, o que traz muito

soja em sua fase vegetativa. Outro ponto em comum e

apreensão e cautela por parte dos produtores tanto

constatado pelos agricultores, foi o alongamento do ciclo da

quanto ao início das chuvas como na sua regularidade.

soja, principalmente nos materiais de ciclo médio e precoce,

Contudo, somente com informações de qualidade e

provavelmente em função do clima irregular, como descrito

corpo técnico de apoio capacitado o cooperado poderá

acima. E finalmente, e não menos importante, o baixo

atuar de forma segura e assertiva.

volume de chuvas principalmente após o mês de março,

Desejamos que este conteúdo seja útil para

o que juntamente com o atraso do plantio da safrinha,

tomadas de decisões na sua próxima safra e safrinha.

comprometeram aquelas lavouras que foram plantadas

Lembrando sempre que o Centro Tecnológico Comigo

tardiamente.

está a disposição para sugestões de temas, procure

Mesmo neste contexto, esse ano segundo dados da

nossa equipe de agrônomos da sua região e traga

Secretaria de Agricultura do Estado de Goiás, são esperadas

através dele as suas demandas. Obrigado e boa leitura!


AGRADECIMENTOS À Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano – COMIGO, pelas condições operacionais e financeiras de trabalho. À equipe de apoio do Centro Tecnológico COMIGO, pelo esforço e dedicação, imprescindíveis na realização dos trabalhos. Aos autores que contribuíram com a produção dos textos. Aos parceiros de pesquisa da COMIGO. À equipe da ASCOM - Assessoria de Comunicação da COMIGO. Às equipes do Departamento de Assistência Técnica da COMIGO. A todos que de alguma maneira contribuíram para a realização deste trabalho.

9


PRECIPITAÇÃO PLUVIAL NO CTC MESES ANO JAN 2002 279 2003 361 2004 244 2005 264 2006 124 2007 303 2008 357 2009 156 2010 212 2011 233 2012 275 2013 475 2014 52 2015 74 2016 322 2017 243 2018 222 2019 138 2020 264,5 2021 231 364 *2022 2023 235,2 MÉDIA 246,8

FEV 159 163 461 101 225 433 363 160 359 201 265 270 144 158 189 245 151 189 407 136 227,5 249,9 238,9

MAR 128 366 207 223 325 236 282 290 171 390 125 552 272 244 293 85 265 406 166 87 242,5 288,9 256,6

ABR 75 150 145 6 65 24 201 69 32 51 99 162 109 112 8 29 66 60 20 43,5 10 76,0 73,3

MAI 31 30 81 48 16 36 0 5 0 0 61 7 11 89 14 5 21 65 26,5 26 0 12,3 26,6

JUN 0 15 0 10 0 0 0 15 0 80 15 13 6 16 35 0 0 0 0 22 19 23,0 12,2

JUL 12 0 10 0 23 16 0 9 17 0 0 0 74 6 0 0 0 0 0 0 0 0,3 7,6

AGO 8 20 0 20 22 0 2 70 0 0 0 0 0 0 78 0 17 0 0 0 0 78,3 14,3

SET 45 17 0 169 3 0 21 89 80 0 89 17 74 46 17 30 70 36 15,5 12,7 0 50,4 40,1

OUT 52 142 162 108 292 260 175 204 129 232 113 108 116 30 137 64 176 135 106,5 357,5 103,8 145,6

NOV 159 230 214 364 395 159 212 349 170 76 335 317 431 202 116 260 292 212,5 161 238,5 62,4 225,2

DEZ TOTAL 337 1.285,0 351 1.845,0 216 1.740,0 538 1.851,0 448 1.938,0 324 1.791,0 155 1.768,0 351 1.767,0 194 1.364,0 165 1.428,0 127 1.504,0 225 2.146,0 368 1.657,0 178 1.155,0 270 1.479,0 150 1.111,0 162 1.442,0 310 1.551,5 116 1.283,0 242,5 1.396,7 312,3 1.341,5 251,8 1564,0

*A partir do mês de setembro de 2022, os dados de precipitação passaram a ser coletados de forma automática por estação meteorológica da marca

Plugfield®, localizada na área experimental do CTC.

10


Entomologia

11


Entomologia 12

Entomologia


INSETICIDAS NO CONTROLE DE PERCEVEJO-MARROM (Euschistus heros) NA CULTURA DA SOJA LIMA, Diego Tolentino1, FERNANDES, Rafael Henrique2, BRAZ, Guilherme Braga Pereira3, BUENO, Amanda Magalhães4, SARKIS, Leonardo Fernandes5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Eng.a Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com. br 5 Eng. Agrônomo, Me. em Ciência do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 1

produtor mundial desde o ano de 2020. Além do destaque como produtor, também ocupa o primeiro lugar como maior exportador desse grão, principal produto da exportação do agronegócio brasileiro, com estimativa de exportação de 94,4 milhões de toneladas das 153,6 milhões produzidas na safra 2022/2023, segundo a CONAB (2023). Produção 22,4% superior a safra passada, com uma produtividade média de 3.527 kg.ha-1, registrando recordes históricos de área de plantio, produtividade e produção (CONAB 2023). No

entanto,

assim

como

todas

espécies

cultivadas, a expansão da produtividade da soja deparase ainda com muitos desafios. Problemas fitossanitários continuam sendo importantes fatores que desafiam a consolidação da agricultura de altas produtividades. Os insetos sugadores caracterizam-se como um dos principais insetos-pragas que prejudicam a exploração desse potencial. O percevejo-marrom Euschistos heros é a principal espécie praga desse grupo na cultura da soja, pois apresenta ampla distribuição de ocorrência (PANIZZI, 2015). O percevejo-marrom, normalmente, pode passar

INTRODUÇÃO

por três gerações durante o ciclo da cultura da soja, podendo haver uma quarta geração após a colheita, com

A soja é uma das mais importantes espécies

o inseto se alimentando de hospedeiros alternativos.

de plantas cultivadas dentro da cadeia agroindustrial

Em ambos os casos o percevejo-marrom pode ainda

nacional e internacional, sendo o Brasil o maior

entrar em diapausa, período em que não se alimenta,

Entomologia

13


sobrevivendo através de reservas de lipídios e se

utilização de doses acima da recomendada e tecnologia

abrigando na palhada, o que possibilita ao inseto passar

de aplicação ineficiente. Neste sentido, o sucesso

pela entressafra e iniciar os danos nas lavouras de soja

no manejo de percevejos depende de vários fatores,

rapidamente na próxima safra (HOFFMANN-CAMPO et

entre eles a eficiência de controle dos inseticidas,

al., 2000; GRIGOLLI e GRIGOLLI, 2019).

que é dependente de uma tecnologia de aplicação

Os danos na soja por percevejo-marrom são

adequada, a qual deve proporcionar boa cobertura

acusados desde o início da formação das vagens

e penetração no dossel da cultura, pois o percevejo-

até o final do período de enchimento dos grãos

marrom se concentra mais na parte média da planta

(HOFFMANN-CAMPO et al., 2000; SILVA et al., 2014).

e os inseticidas sistêmicos não são translocados para

Adultos e ninfas a partir do terceiro instar são os

baixo (ROGGIA et al., 2018).

principais responsáveis pelos danos. Com seu aparelho

O objetivo do trabalho foi avaliar a eficiência de

bucal em forma de estilete que é inserido nas vagens,

controle de diferentes inseticidas, sobre o percevejo-

atingindo diretamente os grãos, são responsáveis

marrom (E. heros), em três aplicações sequenciais, e

por sérios prejuízos no rendimento e na qualidade de

determinar a produtividade em função dos tratamentos

grãos e sementes (PANIZZI et al., 2012; CZEPAK et al.,

inseticidas na cultura da soja.

2017). Ocorre má-formação do grão e das vagens e os grãos podem reduzir seu tamanho, ficar enrugados, chochos e mais escuros. Além disso, as folhas podem não senescer e ficarem retidas na planta por ocasião da colheita (HOFFMANN-CAMPO et al., 2000).

O

experimento

foi

conduzido

na

área

experimental do Centro Tecnológico COMIGO (CTC),

Este inseto é bastante conhecido por sua

da Cooperativa COMIGO, no município de Rio Verde –

dificuldade de controle, por poucos grupos químicos

GO (S 17°45'57" e W 51°02'07"; 839 metros de altitude).

de inseticidas com boa eficiência, por possuírem

Foi aplicado a lanço 150 kg ha-1 de Cloreto de Potássio

capacidade migratória a curtas distâncias, elevado

(KCl) antes da semeadura. A cultivar de soja CZ37B43

potencial reprodutivo e elevado período de sobrevivência

IPRO foi semeada no dia 29 de novembro de 2022, com

na fase adulta (GRIGOLLI e GRIGOLLI, 2019). Apesar

a densidade de semeadura de 14,0 sementes por metro

disto, dentre as práticas de controle para percevejo-

(população final de 259 mil plantas ha-1). A adubação de

marrom, aplicáveis atualmente, a mais comum é o

semeadura foi realizada com 450 kg ha-1 de 00-20-00

controle químico, por se configurar uma prática rápida

(Super Simples) Turbo Micro (0,15% de Zn; 0,15% de

e eficiente quando respeitadas as particularidades de

Mn; 0,075% de B; 0,075% de Cu) no sulco.

cada produto comercial (GALLO et al., 2002).

14

MATERIAL E MÉTODOS

As

sementes

receberam

tratamento

On

Neste sentido existe uma preocupação cada dia

Farm (Standak Top, dose de 0,2 L p.c. para 100 kg

maior com o surgimento de populações de percevejos

de sementes). No momento da semeadura foram

resistentes a inseticidas químicos (CASTELLANOS et

aplicados no sulco 1,0 L ha-1 do inoculante Cell Tech

al., 2018; SOMAVILLA et al., 2020), pois é recorrente o

(Bradyrhizobium japonicum Estirpe SEMIA 5079 e

uso contínuo de ingredientes ativos com os mesmos

SEMIA 5080, concentração mínima 3,0 x 109 UFC mL-1),

mecanismos de ação, a aplicação de inseticidas com

0,1 L ha-1 do coinoculante Biomax Azum (Azospirillum

amplo espectro de ação no início do ciclo da cultura, e a

brasilense, concentração mínima 3,0 x 108 UFC mL-

Entomologia


), 0,5 L ha-1 do inseticida biológico Meta-Turbo SC

(1,5 kg ha-1), a terceira com Evolution (2,0 L ha-1) + Aureo

(Metarhizium

(0,375 L ha-1), e a quarta com Aproach Power (0,6 L ha-1)

1

anisopliae

IBCB425,

concentração

mínima de 1,0 x 108 propágulos viáveis mL-1), 0,2 L ha-1

+ Versatilis (0,35 L ha-1) + Bravonil 720 (1,0 L ha-1).

de Nodulus Gold (13,9 g L-1 de Cobalto, 139 g L-1 de

As únicas aplicações de inseticidas realizadas

Molibdênio), 0,25 L ha-1 de Tricho-Turbo (Trichoderma

no experimento foram referentes aos tratamentos.

asperellum BV10, concentração mínima de 1,0 x 1010

Foram realizadas três aplicações sequenciais dos

conídios viáveis mL-1) e 0,4 L ha-1 de Verango Prime (500

tratamentos descritos na Tabela 1, com intervalo de 10

g L-1 Fluopiram). O volume de aplicação utilizado no

dias entre a primeira e a segunda aplicação, e de 11 dias

sulco foi de 60 L ha-1.

entre a segunda e terceira aplicação, sendo a primeira

A área passou a entressafra semeada com

realizada no enchimento de grãos (R5.2). As aplicações

Urochloa ruziziensis, sendo realizada dessecação com

foram

realizadas

com

pulverizador

pressurizado

Xeque Mate (3,0 L ha-1) + DMA 806 BR (2,0 L ha-1) 20

por CO2 (Número de patente: BR102016007565-3)

dias antes da semeadura, uma aplicação em sistema

montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75

plante-aplique logo após a semeadura com DIQUAT

cv). O pulverizador é dotado com barra de 5,0 metros

CCAB 200 SL (2,0 L ha-1) + Agral (0,25 L ha-1), mais uma

com 10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m.

aplicação em pós, 30 dias após a semeadura, com

As pontas utilizadas para pulverização foram modelo

Xeque Mate (2,2 L ha-1), para o controle de plantas-

ADIA 11001.D, da marca Magnojet. A calibração do

daninhas. O manejo de doenças foi realizado com

equipamento foi ajustada com a pressão de trabalho na

quatro aplicações de fungicidas, iniciando no estádio

ponta de pulverização de 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de

vegetativo com Helmstar Plus (0,5 L ha-1) + Aureo (0,375

aplicação de 150 L ha-1.

L ha-1), a segunda com Viovan (0,6 L ha-1) + Unizeb Gold

Entomologia

15


Tabela 1. Tratamentos inseticidas para controle de percevejo-marrom, Euschistus heros, na soja cultivar CZ37B43 IPRO. Centro Tecnológico COMIGO – CTC, Rio Verde-GO, safra 2021/2022.

Tratamentos

mL ou g *p. c. ha-1

Ingrediente ativo

Dose de ativo (g ha-1)

1

Testemunha

--

--

--

2

Bazuca duo

1000

Metomil + Bifentrina

200 + 25

3

Curbix

750

Etiprole

150

4

Engeo Pleno

250

Tiametoxam + Lambdacialotrina

35,3 + 26,5

5

Expedition

300

Sulfoxaflor + Lambdacialotrina

30 + 45

6

Feroce

1000

Acefato + Bifentrina

850 + 30

7

Hero

200

Zeta-Cipermetrina + Bifentrina

40 + 36

8

Polytrin

1000

Profenofós + Cipermetrina

400 + 40

9

Sperto

300

Acetamiprido + Bifentrina

75 + 75

10

Talisman

600

Carbossulfano + Bifentrina

90 + 30

11

Verdavis

250

Isocicloseram + Lambdacialotrina

25 + 37,5

12

Zeus

500

Dinotefuram + Lambdacialotrina

42 + 24

* p. c. = produto comercial.

Os tratamentos foram dispostos no delineamento

encerraram um dia após a terceira aplicação porque aos

em blocos ao acaso (DBC), com quatro repetições. As

7 dias após esta aplicação não foram mais encontrados

parcelas experimentais foram constituídas por 10 linhas

percevejos na área, inclusive na testemunha sem

de cultivo, espaçadas de 0,5 metros, com 10 metros de

aplicação, pois a senescência e queda das folhas da

comprimento. A parcela útil desconsiderou 1,0 m inicial

lavoura já se encontrava em estágio avançado.

e final de cada linha da parcela e as duas linhas das extremidades.

16

Foi avaliado o número de percevejos adultos e ninfas a partir do terceiro instar (maiores que 0,3 cm).

As avaliações do número de insetos foram

Para esta amostragem foi utilizado o método do pano-

realizadas previamente à primeira aplicação, um e sete

de-batida, com pelo menos dois pontos de 1,0 m de linha

dias após a primeira aplicação (1DA1 e 7DA1), dois e 11

ao acaso na parcela útil em cada uma das avaliações. A

dias após a segunda aplicação (2DA2 e 11DA2) e um

produtividade de grãos foi obtida em três linhas centrais

dia após a terceira aplicação (1DA3). As avaliações se

de semeadura com 3,0 metros de comprimento dentro

Entomologia


de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos, trilhados

dos inseticidas por meio da fórmula de Abbott (1925).

e secos. Foi calculada a produtividade para um hectare, considerando-se a umidade padrão de 13% para comercialização do grão, tomado como medida a saca

RESULTADOS E DISCUSSÃO

de 60 kg de grãos.

Na avaliação prévia antes da primeira aplicação

Os dados do número de percevejos adultos e

dos tratamentos, a média geral do número de percevejos

ninfas foram analisados separadamente. E juntamente

(adultos) por metro no experimento (tratamentos +

com os dados de produtividade foram submetidos à

testemunha) foi de 1,3, não sendo observada diferença

análise de variância (ANAVA) pelo teste F. No caso de

entre os tratamentos (Tabela 2). Este resultado

efeito significativo dos tratamentos, as médias foram

demonstra a uniformidade de distribuição do inseto na

comparadas pelo teste de Scott-Knott (p<0,05). O

área. Esta similaridade é importante para garantir que o

número de insetos nos tratamentos e na testemunha

número inicial de percevejos por metro não influencie

foram utilizados para o cálculo da eficiência de controle

nos resultados subsequentes.

Tabela 1. Número médio de adultos de percevejo-marrom (Euschistus heros) por metro e eficiência de controle (%), um e sete dias após a primeira aplicação (1DA1 e 7DA1), dois e 11 dias após a segunda aplicação (2DA2 e 11DA2) e um dia após a terceira aplicação (1DA3) na soja cultivar CZ 37B43 IPRO. Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. 7DA1

2DA2

11DA2

1DA3

Tratamento

1DA1 Prévia

1

1,1 a

3,5

b

-

2,4

a

-

1,9

b

-

1,5

b

-

2,1

b

-

2

1,3 a

0,6

a

82,1

0,8

a

68,4

0,4

a

80,0

0,3

a

83,3

0,3

a

88,2

3

1,1 a

0,6

a

82,1

0,9

a

63,2

0,3

a

86,7

0,8

b

50,0

0,6

a

70,6

4

2,0 a

0,6

a

82,1

1,1

a

52,6

0,6

a

66,7

0,4

a

75,0

0,0

a

100,0

5

1,8 a

0,8

a

78,6

1,5

a

36,8

0,8

a

60,0

0,9

b

41,7

0,3

a

88,2

6

1,0 a

0,3

a

92,9

1,1

a

52,6

0,1

a

93,3

1,0

b

33,3

0,1

a

94,1

7

1,0 a

1,1

a

67,9

1,1

a

52,6

0,6

a

66,7

0,3

a

83,3

0,9

a

58,8

8

2,0 a

0,8

a

78,6

0,6

a

73,7

0,3

a

86,7

1,3

b

16,7

0,3

a

88,2

9

1,0 a

1,3

a

64,3

1,4

a

42,1

0,5

a

73,3

1,0

b

33,3

0,1

a

94,1

10

1,1 a

0,9

a

75,0

1,1

a

52,6

0,6

a

66,7

0,4

a

75,0

0,3

a

88,2

11

1,4 a

0,4

a

89,3

1,0

a

57,9

0,3

a

86,7

0,3

a

83,3

0,3

a

88,2

12

1,1 a

1,0

a

71,4

0,4

a

84,2

0,4

a

80,0

0,6

a

58,3

0,4

a

82,4

EC(%)

EC(%)

EC(%)

EC(%)

EC(%)

*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Eficiência de controle maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).

Entomologia

17


Apenas aos sete dias após a primeira aplicação

11DA2, foi superior a 80% de eficiência de controle,

(7DA1) dos tratamentos inseticidas para controle

sendo ainda a maior parte das avaliações superior até

de percevejo-marrom na cultura da soja não foram

a 90% (Tabela 3). Para Profenofós + Cipermetrina, ainda

observadas diferenças no número médio de percevejos

assim, na média geral das quatro avaliações de ninfas

adultos por metro entre a testemunha e os demais

de percevejo-marrom, atingiu 80,1% de eficiência de

tratamentos, momento em que foi observado o

controle (Tabela 3).

maior pico populacional de percevejos adultos na testemunha (2,4 insetos por metro), fato provavelmente causado pela migração da praga de áreas adjacentes à estação de pesquisa sendo colhidas. Dessa forma foi a avaliação que apresentou eficiências de controle, de forma geral, mais baixas, com exceção do tratamento com Dinotefuram + Lambda-cialotrina, com 84,2% de eficiência aos 7DA1. No restante das avaliações (1DA1, 2DA2, 11DA2 e 1DA3) a testemunha apresentou maior número de percevejos adultos do que nos demais tratamentos, apesar disto os inseticidas não diferiram entre si (Tabela 2). Nas avaliações de um dia após cada aplicação, para avaliar o efeito imediato dos tratamentos inseticidas, 1DA1, 2DA2 e 1DA3, apesar de não haver diferença no número de percevejos adultos por metro entre os inseticidas, houve classes variadas de eficiência de controle. Os tratamentos que mostraram eficiência de controle superior a 80% nestas três avaliações (1DA1, 1DA2 e 1DA3) foram Metomil + Bifentrina, Acefato + Bifentrina e Isocicloseram + Lambda-cialotrina (Tabela 2). A presença de ninfas foi observada somente a partir de 7DA1, chegando a um pico populacional máximo na última avaliação (1DA3) com média de 7,1 insetos por metro na testemunha. Em todas as avaliações de ninfas o tratamento testemunha apresentou número maior de indivíduos que nos demais tratamentos, apesar disto os inseticidas não diferiram entre si (Tabela 3). No presente trabalho, o controle de ninfas para todos os tratamentos inseticidas, com exceção do tratamento Profenofós + Cipermetrina aos

18

Entomologia


Tratamento

Tabela 3. Número médio de ninfas de percevejo-marrom (Euschistus heros) por metro e eficiência de controle (%), sete dias após a primeira aplicação (7DA1), dois e 11 dias após a segunda aplicação (2DA2 e 11DA2) e um dia após a terceira aplicação (1DA3) na soja cultivar CZ 37B43 IPRO. Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. 7DA1 Nº

2DA2

EC(%)

11DA2

EC(%)

1DA3

EC(%)

EC(%)

1

2,5

b

-

2,6

b

-

6,8

b

-

7,1

b

-

2

0,1

a

95,0

0,0

a

100,0

0,5

a

92,6

0,3

a

96,5

3

0,0

a

100,0

0,0

a

100,0

0,8

a

88,9

0,6

a

91,2

4

0,4

a

85,0

0,4

a

85,7

0,4

a

94,4

0,0

a

100,0

5

0,1

a

95,0

0,1

a

95,2

0,5

a

92,6

0,3

a

96,5

6

0,0

a

100,0

0,0

a

100,0

0,3

a

96,3

0,0

a

100,0

7

0,0

a

100,0

0,0

a

100,0

0,3

a

96,3

0,1

a

98,2

8

0,5

a

80,0

0,4

a

85,7

1,8

a

74,1

1,4

a

80,7

9

0,3

a

90,0

0,0

a

100,0

0,0

a

100,0

0,1

a

98,2

10

0,1

a

95,0

0,0

a

100,0

0,6

a

90,7

0,4

a

94,7

11

0,0

a

100,0

0,0

a

100,0

0,0

a

100,0

0,3

a

96,5

12

0,0

a

100,0

0,0

a

100,0

0,1

a

98,1

0,1

a

98,2

*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Eficiência de controle maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).

A eficiência de controle é dependente de uma tecnologia de aplicação adequada, isto é, boa

que ocorre com adultos migrantes que reeinfestam a lavoura, reduzindo efeito residual das aplicações.

cobertura e penetração no dossel da cultura, visto que

A média geral de eficiência de controle dos

o percevejo-marrom se concentra no terço médio das

tratamentos no presente trabalho, considerando

plantas (ROGGIA et al., 2018), principalmente as ninfas

adultos e ninfas nas cinco avaliações no decorrer das

que tem menor mobilidade que os adultos. O volume

três aplicações sequencias foi, em ordem decrescente:

de aplicação utilizado no presente trabalho foi 150 L

Isocicloseram + Lambda-cialotrina (90,10%), Metomil +

ha , considerado um volume adequado do ponto de

Bifentrina (88,22%), Dinotefuram + Lambda-cialotrina

vista da tecnologia de aplicação, propiciou controle

(87,18%), Acefato + Bifentrina (86,16%), Carbossulfano

eficiente das ninfas, visto que não há migração de

+ Bifentrina (83,31%), Tiametoxam + Lambda-cialotrina

insetos imaturos de outras áreas, diferentemente do

(83,29%),

-1

Etiprole

(82,77%),

Zeta-Cipermetrina

Entomologia

+

19


Bifentrina (82,25%), Acetamiprido + Bifentrina (79,25%),

de eficiência de controle entre os tratamentos em

Sulfoxaflor + Lambda-cialotrina (77,95%), Profenofós +

determinadas avaliações, não houve reflexo na

Cipermetrina (74,44%).

produtividade de grãos de soja, não sendo observadas

Apesar

das

variações

nas

porcentagens

70 61,0 59,4 58,6 57,1

-1 Produtividade (sacas.ha )

60 50

diferenças estatísticas (Figura 1). 65,2

63,5

60,3 59,7

58,6

62,9

51,3

55,4

40 30 20 10 0

a a a a a a a a a a a e nh ntrin ntrin ntrin otrin iprol otrin ntrin etrin otrin otrin ntrin u l m e e e Et -cial Bife erm -cial -cial Bife ste Bif Bif Bif cia p a a a Te to + o + o + bdabd mil + + Ci mbd mbd rina + d fan am i a m r f s o t a a a l e p + L Met enofó r + L + L erme Ac tami ossu m + L m m o f b e p a a fl Ac Car efura Pro foxa etox ta-Ci ser o l t l e c o m Z ci Su Tia Din Iso Figura 1. Produtividade da cultivar de soja CZ37B43 IPRO com diferentes tratamentos para o controle de percevejo-marrom (Euschistus heros). Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio VerdeGO, safra 2022/2023. *As médias não se diferiram pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Ressalta-se que as três aplicações sequenciais

Bifentrina, Tiametoxam + Lambda-cialotrina, Etiprole e

do mesmo inseticida, realizadas no presente trabalho,

Zeta-Cipermetrina + Bifentrina apresentaram eficiência

foram realizadas somente de forma experimental para

média de controle de ninfas e adultos de percevejo-

avaliação da eficiência de controle. Recomenda-se o

marrom, média de cinco avaliações no decorrer das

manejo integrado de pragas na lavoura seguindo-se

três aplicações sequencias, superior a 80%. Entretanto

rigorosamente o princípio da rotação entre mecanismos

não houve reflexo na produtividade de grãos de soja.

de ação dos inseticidas.

AGRADECIMENTOS

CONCLUSÃO Os

inseticidas

À equipe de campo, pesquisadores e estagiários Isocicloseram

+

Lambda-

cialotrina, Metomil + Bifentrina, Dinotefuram + Lambdacialotrina, Acefato + Bifentrina, Carbossulfano +

20

Entomologia

do CTC pelo apoio na implantação e condução do experimento.


PANIZZI, A. R. Growing problems with stink

REFERÊNCIAS

bugs (Hemiptera: Heteroptera: Pentatomidae): species

ABBOTT, W. S. A method of computing the effectiveness of on insecticide. Journal Economic Entomology, v. 18, n. 2, p. 265-267, 1925. CASTELLANOS, N. L.; HADDI, K.; CARVALHO, G. A.; PAULO, P. D.; HIROSE, E.; GUEDES, R. N. C.; SMAGGHE, G.; OLIVEIRA, E. E. Imidacloprid resistance in the Neotropical brown stink bug Euschistus heros: selection and fitness costs. Journal of Pest Science, v. 92, p. 847-860, 2019. CONAB.

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Nacional

de

Abastecimento. 11º Levantamento - Safra 2022/23. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/info-agro/ safras/graos/boletim-da-safra-de-graos>. Acesso em: 20 ago. 2023. CZEPAK, C.; QUIRINO, J. R.; NUNES, M. L. S.; OLIVEIRA, L. M.; SILA, L. C. G.; JESUS, G. R.; MIRANDA, D.; ANJOS, M. V. M.; MAGALHAES, V. S.; SILVÉRIO, R. F. Danos Continuados. Cultivar Grandes Culturas, v. ANO XVIII, n. 215, p. 20-28, 2017. GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R.L.P.; BAPTISTA, G.C.; BERTI FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ZUCCHI, R.A.; ALVES, S.B.; VENDRAMIM, J.D.; MARCHINI, L.C.; LOPES, J.R.S.; OMOTO, C. Vol.10. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 920p. GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. Pragas da soja e seu controle. In: LOURENÇÃO, A. L. F.; GRIGOLLI, J. F. J.; GITTI, D. C.; BEZERRA, A. R. G.; MELOTTO, A. M. (Ed.). Tecnologia e Produção: Safra 2018/2019. Maracaju, MS: Fundação MS, 2019. p. 148-168. HOFFMANN-CAMPO, C. B.; MOSCARDI, F.; CORRÊA-FERREIRA, B. S.; OLIVEIRA, L. J.; SOSA-

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(Hemiptera:

Insecticides

in

Pentatomidae)

Brazil.

Journal

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of

Selected Economic

Entomology, v. 113, n. 2, p. 924-931, 2020.

GÓMEZ, D. R.; PANIZZI, A. R.; CORSO, I. C.; GAZZONI, D. L.; OLIVEIRA, E. B. Pragas da soja no Brasil e seu manejo integrado. Londrina: Embrapa Soja, 2000. 70 p. (Embrapa Soja. Circular técnica 30).

Entomologia

21


INSETICIDAS NO CONTROLE DE NINFAS DE MOSCA-BRANCA (Bemisia tabaci) NA CULTURA DA SOJA LIMA, Diego Tolentino1, FERNANDES, Rafael Henrique2, BRAZ, Guilherme Braga Pereira3, SARKIS, Leonardo Fernandes5, BUENO, Amanda Magalhães4 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Eng. Agrônomo, Me. em Ciência do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 5 Eng.a Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com. br 1

e internacional, porém, assim como as demais culturas, passa por problemas fitossanitários. Dentre os insetos e outros artrópodes de importância econômica nesta cultura há os que atacam raízes e nódulos da soja, os que atacam plântulas, hastes e pecíolos da soja, os que atacam as folhas da soja e os que atacam vagens e grãos (HOFFMANN-CAMPO et al., 2012). Dentre os que atacam as folhas da soja, merece destaque a mosca-branca, Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae), um inseto sugador polífago (se alimenta de várias espécies de plantas), considerada uma das principais pragas agrícolas das regiões tropicais que tem afetado as lavouras de soja no Brasil de forma crescente nos últimos anos (SOSA-GÓMEZ et al., 2010). Este inseto se alimenta mais frequentemente na face abaxial da folha, sugando os açúcares diretamente das células do floema e injetando toxinas, esses são os danos diretos. Os indiretos são a transmissão de viroses e formação de fumagina, causada pelo fungo Capnodium sp., ao se alimentarem, os insetos excretam o “honeydew”, que é uma substância açucarada na folha, na qual o fungo se desenvolve (MOSCARDI et al., 2012).

INTRODUÇÃO

22

Diferenças na biologia e no comportamento entre populações de B. tabaci fizeram com que alguns

A soja (Glycine max), atualmente, é uma

taxonomistas considerassem diferentes “biótipos” ou

das mais importantes entre as espécies de plantas

“raças”. Em condições de campo, atualmente o “biótipo

cultivadas dentro da cadeia agroindustrial nacional

A” foi substituído quase na totalidade pelo “biótipo

Entomologia


B”, considerado, portanto, uma praga muito mais

químico, porém, em momentos adequados (somente

importante que o “biótipo A”, devido principalmente à

quando o prejuízo causado pela praga é igual ou maior

maior agressividade, com uma taxa de reprodução de

que seu custo de controle, chamado de nível de dano

aproximadamente 30% maior. É também mais tolerante

econômico), além de envolver outros tipos de controle,

ao frio, apresenta maior gama de hospedeiros e tem

visando reduzir o uso dos produtos químicos. Dentre os

maior capacidade de transmissão de viroses, além de

métodos integrados ao MIP tem-se o controle biológico,

maior resistência aos inseticidas. Além disso, a mosca-

controle cultural, resistência de plantas, métodos

branca “biótipo B” tem maior taxa de alimentação

legislativos e controle por comportamento (GALLO et

e produção de “honeydew” e, consequentemente,

al., 2002). O objetivo do trabalho foi avaliar a eficiência

maiores chances de desenvolvimento de fumagina

de controle de diferentes inseticidas, sobre ninfas

(MOSCARDI et al., 2012). A mosca-branca “biótipo Q” foi coletada e

de mosca-branca (B. tabaci), em três aplicações

identificada pela primeira vez no Brasil em 2013, no Rio

sequenciais, e determinar a produtividade em função

Grande do Sul. Desde então vem se espalhando pelo

dos tratamentos inseticidas na cultura da soja.

país, já sendo presente nos estados do Sul, em São Paulo e também em Goiás, e tem preocupado os produtores e pesquisadores do Brasil, porque este “biótipo” possui

MATERIAL E MÉTODOS

resistência a vários inseticidas disponíveis no mercado.

O

experimento

foi

conduzido

na

área

Além disso, tem maior capacidade de sobreviver sob

experimental do Centro Tecnológico COMIGO (CTC),

baixas e altas temperaturas, em relação ao “biótipo B”,

da Cooperativa COMIGO, no município de Rio Verde –

conferindo maior competitividade (PITTA et al., 2019).

GO (S 17°45'57" e W 51°02'07"; 839 metros de altitude).

Além

de

“biótipos”,

mudanças

Foi aplicado a lanço 150 kg ha-1 de Cloreto de Potássio

mosca-branca

também

(KCl) antes da semeadura. A cultivar de soja CZ37B43

podem ser observadas devido à disponibilidade de

IPRO foi semeada no dia 29 de novembro de 2022, com

hospedeiros. Por exemplo, no sistema agrícola do

a densidade de semeadura de 14,0 sementes por metro

Brasil Central, onde o cultivo sucessivo de soja/milho

(população final de 264,5 mil plantas ha-1). A adubação

proporcionou ao “biótipo B” a capacidade de colonizar,

de semeadura foi realizada com 450 kg ha-1 de 00-20-00

desenvolver e completar seu ciclo na cultura do milho,

(Super Simples) Turbo Micro (0,15% de Zn; 0,15% de

planta reportada em trabalhos anteriores como não

Mn; 0,075% de B; 0,075% de Cu) no sulco.

comportamentais

diferentes na

hospedeira desta espécie (QUINTELA et al., 2016).

As

sementes

receberam

tratamento

On

Atualmente, a ferramenta mais utilizada no

Farm (Standak Top, dose de 0,2 L p.c. para 100 kg

controle desta praga é o controle químico, e em virtude

de sementes). No momento da semeadura foram

das características biológicas do inseto, torna-se

aplicados no sulco 1,0 L ha-1 do inoculante Cell Tech

preocupante o surgimento de resistência a inseticidas.

(Bradyrhizobium japonicum Estirpe SEMIA 5079 e

Neste sentido, nos últimos anos, o conceito de controle

SEMIA 5080, concentração mínima 3,0 x 109 UFC mL-1),

de pragas vem se modificando, passando de aplicações

0,1 L ha-1 do coinoculante Biomax Azum (Azospirillum

sistemáticas de forma calendarizada, para o Manejo

brasilense, concentração mínima 3,0 x 108 UFC mL-

Integrado de Pragas (MIP), que permite o controle

1

), 0,5 L ha-1 do inseticida biológico Meta-Turbo SC

Entomologia

23


(Metarhizium

24

anisopliae

IBCB425,

concentração

(1,5 kg ha-1), a terceira com Evolution (2,0 L ha-1) + Aureo

mínima de 1,0 x 108 propágulos viáveis mL-1), 0,2 L ha-1

(0,375 L ha-1), e a quarta com Aproach Power (0,6 L ha-1)

de Nodulus Gold (13,9 g L-1 de Cobalto, 139 g L-1 de

+ Versatilis (0,35 L ha-1) + Bravonil 720 (1,0 L ha-1).

Molibdênio), 0,25 L ha-1 de Tricho-Turbo (Trichoderma

As únicas aplicações de inseticidas realizadas no

asperellum BV10, concentração mínima de 1,0 x 1010

experimento foram referentes aos tratamentos. Foram

conídios viáveis mL-1) e 0,4 L ha-1 de Verango Prime (500

realizadas três aplicações sequenciais dos tratamentos

g L-1 Fluopiram). O volume de aplicação utilizado no

descritos na Tabela 1, com intervalo de 11 dias entre

sulco foi de 60 L ha-1.

a primeira e a segunda aplicação, e de 12 dias entre a

A área passou a entressafra semeada com

segunda e terceira aplicação, sendo a primeira realizada

Urochloa ruziziensis, sendo realizada dessecação com

no início da formação das vagens (R3). As aplicações

Xeque Mate (3,0 L ha-1) + DMA 806 BR (2,0 L ha-1) 20

foram

dias antes da semeadura, uma aplicação em sistema

por CO2 (Número de patente: BR102016007565-3)

plante-aplique logo após a semeadura com DIQUAT

montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75

CCAB 200 SL (2,0 L ha-1) + Agral (0,25 L ha-1), mais uma

cv). O pulverizador é dotado com barra de 5,0 metros

aplicação em pós, 30 dias após a semeadura, com

com 10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m.

Xeque Mate (2,2 L ha-1), para o controle de plantas-

As pontas utilizadas para pulverização foram modelo

daninhas. O manejo de doenças foi realizado com

ADIA 11001.D, da marca Magnojet. A calibração do

quatro aplicações de fungicidas, iniciando no estádio

equipamento foi ajustada com a pressão de trabalho na

vegetativo com Helmstar Plus (0,5 L ha-1) + Aureo (0,375

ponta de pulverização de 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de

L ha-1), a segunda com Viovan (0,6 L ha-1) + Unizeb Gold

aplicação de 150 L ha-1.

Entomologia

realizadas

com

pulverizador

pressurizado


Tabela 1. Tratamentos inseticidas para controle de ninfas de mosca-branca, Bemisia tabaci, na soja cultivar CZ37B43 IPRO. Centro Tecnológico COMIGO – CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.

Tratamentos

mL ou g *p. c. ha-1

Ingrediente ativo

Dose de ativo (g ha-1)

1

Testemunha

--

--

--

2

Benevia

500

Ciantraniliprole

50

3

Boveria-Turbo

500

Beauveria

#

4

Boveria-Turbo + Talisman

500 + 1000

Beauveria + Carbossulfano + Bifentrina

# + 150 + 50

5

Cordial

250

Piriproxifem

25

6

Elestal Neo1

150

Espiropidiona + Acetamiprido

45 + 36

7

Maxsan

500

Dinotefuram + Piriproxifem

50 + 12,5

8

Minecto Pro1

600

Abamectina + Ciantraniliprole

10,8 + 36

9

Privilege

250

Acetamiprido + Piriproxifem

50 + 25

10

Talisman

1000

Carbossulfano + Bifentrina

150 + 50

11

Vinquo

500

Afidopiropeno

50

* p. c. = produto comercial. 1Adicionado o adjuvante Ochima (Alquil Ester Fosfatado, 752 g L-1) na dose de 0,25 L ha-1. # Beauveria bassiana IBCB66, concentração mínima de 1 x 109 UFC g-1 de produto comercial.

Os tratamentos foram dispostos no delineamento

coletados quatro trifólios, no terço médio ou inferior

em blocos ao acaso (DBC), com quatro repetições. As

de plantas distintas e distribuídas aleatoriamente

parcelas experimentais foram constituídas por 10 linhas

por parcela, dentro da parcela útil. Os trifólios foram

de cultivo, espaçadas de 0,5 metros, com 10 metros de

levados para laboratório e as ninfas de mosca-branca

comprimento. A parcela útil desconsiderou 1,0 m inicial

foram contabilizadas com auxílio de microscópio

e final de cada linha da parcela e as duas linhas das

estereoscópio com aumento fixo de 20 vezes. A

extremidades.

produtividade de grãos foi obtida em três linhas centrais

As avaliações do número de insetos foram

de semeadura com 3,0 metros de comprimento dentro

realizadas previamente à primeira aplicação, 11 dias

de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos, trilhados

após a primeira aplicação, 12 dias após a segunda

e secos. Foi calculada a produtividade para um hectare,

aplicação e 10 dias após a terceira aplicação. Para

considerando-se a umidade padrão de 13% para

a amostragem de ninfas de mosca-branca foram

comercialização do grão, tomado como medida a saca

Entomologia

25


de 60 kg de grãos. Os dados do número de ninfas de mosca-branca

Na avaliação prévia, antes da primeira aplicação

por trifólio e de produtividade foram submetidos à

dos tratamentos, a média geral do número de ninfas

análise de variância (ANAVA) pelo teste F. No caso de

de mosca-branca por trifólio de soja no experimento

efeito significativo dos tratamentos, as médias foram

(tratamentos inseticidas + testemunha) foi de 5,9,

comparadas pelo teste de Scott-Knott (p<0,05). O

não sendo observada diferença entre os tratamentos

número de insetos nos tratamentos e na testemunha

(Tabela 2). Este resultado demonstra a uniformidade

foram utilizados para o cálculo da eficiência de controle

de distribuição da praga na área. Esta similaridade é

dos inseticidas por meio da fórmula de Abbott (1925).

importante para garantir que o número inicial de ninfas de mosca-branca por trifólio não influencie no cálculo

RESULTADOS E DISCUSSÃO

da eficiência de controle obtida pelos tratamentos no decorrer das aplicações.

Tabela 2. Número médio de ninfas de mosca-branca (Bemisia tabaci) por trifólio e eficiência de controle (%), 11 dias após a primeira aplicação (11DA1), 12 dias após a segunda aplicação (12DA2) e 10 dias após a terceira aplicação (10DA3) na soja cultivar CZ 37B43 IPRO. Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. 12DA2

10DA3

Tratamento

11DA1 Prévia

1

6,7 a

20,8 c

-

26,3 d

-

15,1 b

-

2

5,2 a

10,3 b

50,8

11,0 b

58,2

2,2 a

85,6

3

6,6 a

11,8 b

43,6

14,4 c

45,3

2,2 a

85,6

4

5,0 a

15,3 b

26,8

15,3 c

41,8

2,9 a

80,7

5

6,1 a

12,6 b

39,6

5,0 a

81,0

0,3 a

97,8

6

5,1 a

5,8 a

72,0

3,3 a

87,7

1,7 a

89,0

7

5,2 a

12,4 b

40,4

5,2 a

80,4

1,2 a

92,3

8

6,5 a

6,3 a

70,0

10,5 b

60,1

2,6 a

82,9

9

5,2 a

12,3 b

40,8

4,5 a

82,9

0,5 a

97,0

10

6,6 a

11,8 b

43,6

15,7 c

40,5

3,1 a

79,6

11

6,7 a

6,0 a

71,0

4,5 a

83,0

1,7 a

89,0

EC(%)

EC(%)

EC(%)

*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Eficiência de controle maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).

26

Entomologia


Com apenas uma aplicação, na avaliação aos

o princípio da rotação entre mecanismos de ação

11DA1, todos tratamentos apresentaram redução

dos inseticidas. Neste caso podemos observar que

no número médio de ninfas de mosca-branca por

existem opções interessantes para ser realizada esta

trifólio em relação à testemunha, entretanto nenhum

rotação, incluindo também os ativos recentemente

dos tratamentos apresentou eficiência de controle

registrados no Brasil, Espiropidiona e Afidopiropeno,

superior a 80%. Os tratamentos que apresentaram

como opções a mais além dos frequentemente mais

eficiência de pelo menos 70% foram Espiropidiona

utilizados (Piriproxifem e Ciantraniliprole).

+ Acetamiprido, Abamectina + Ciantraniliprole e

O controle biológico com o fungo Beauveria

Afidopiropeno, os mesmos apresentaram número

bassiana também tem um papel importante no

médio de ninfas por trifólio inferior em relação aos

manejo de resistência, e já conta com vários registros

demais tratamentos (Tabela 2).

de produtos comerciais no Ministério da Agricultura,

Aos 12DA2 os tratamentos Piriproxifem, Espiropidiona

+

Acetamiprido,

+

Acetamiprido

Dinotefuram

Pecuária e Abastecimento (MAPA). O tratamento com três aplicações sequenciais de B. bassiana,

e

isolado ou em associação com inseticida químico,

Afidopiropeno apresentaram eficiência de controle

proporcionou eficiência de controle de ninfas de

acima de 80% e menor número médio de ninfas

mosca-branca superiores a 80% (Tabela 2).

Piriproxifem,

+

Piriproxifem

por trifólio que os demais tratamentos. Já com três

Apesar das variações nas porcentagens

aplicações, 10 DA3, com exceção do tratamento

de eficiência de controle entre os tratamentos em

Carbossulfano

+

tratamentos

determinadas avaliações, e diferenças no número

apresentaram

eficiência

80%,

com

médio de ninfas de mosca-branca por trifólio, não

destaque para os tratamentos contendo Piriproxifem

houve uma aparente correlação com as diferenças

apresentando eficiências acima de 90% (Piriproxifem

de produtividade de grãos de soja, observadas na

isolado, Dinotefuram + Piriproxifem e Acetamiprido +

Figura 1. Tal fato pode ter acontecido por influência

Piriproxifem) (Tabela 2).

de outros fatores no campo (de maior interferência

Em

Bifentrina,

trabalhos

todos

acima

de

anteriores

Piriproxifem

e

Ciantraniliprole apresentaram as melhores eficiências

do que a infestação por ninfas de mosca-branca) que não foram controlados e nem avaliados.

de controle sobre ninfas de mosca-branca, superior a 80%, com apenas duas aplicações sequenciais (LIMA et al. 2021). Entretanto no presente trabalho somente Piriproxifem atingiu 80% com apenas duas aplicações, Ciantraniliprole necessitou de três aplicações para o mesmo (Tabela 2). Ressalta-se

que

as

três

aplicações

sequenciais do mesmo inseticida químico, realizadas no presente trabalho, foram realizadas somente de forma experimental para avaliação da eficiência de controle. Recomenda-se o manejo integrado de pragas na lavoura seguindo-se rigorosamente

Entomologia

27


70

-1 Produtividade (sacas.ha )

60 50

61,0 a 52,8 b

59,0 a 58,5 a

54,4 b 55,2 b

58,2 a 58,0 a

60,6 a

58,0 a 56,3 b

40 30 20 10 0

le le m m m do na na ha no r i a un ilipro oxife rope auve entri entri ilipro oxife ipri oxife m n if if te am pr pr pi Be an ipr + B o + B antra Piri Acet Piri Tes iantr + Pir Afido o + i n n C am fa fa a+ + C i do s u l os s u l u r i d i on na mipr s f i t o e t p ec ta rb arb i no pi r o Ca C am Ace D + b s E A ia ver u a Be Figura 2. Produtividade da cultivar de soja CZ37B43 IPRO com diferentes tratamentos para o controle de ninfas de mosca-branca (Bemisia tabaci). Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. *Médias seguidas por letras distintas se diferiram pelo Teste de ScottKnott (p<0,05). É importante ressaltar que o sucesso no manejo da mosca-branca na soja não depende

CONCLUSÃO

somente eficiência de controle dos inseticidas, existem

vários

fatores

importantes

envolvidos.

Neste sentido, a eficiência de controle de um inseticida, seja biológico ou químico, é dependente de uma tecnologia de aplicação adequada, que deve proporcionar boa cobertura e penetração no dossel, pois a maior proporção das ninfas está localizada nos terços médio e inferior da cultura, devido ao local de oviposição pelas fêmeas e seu hábito alimentar, apesar dos adultos se concentrarem no terço superior (POZEBON et al., 2019).

28

Entomologia

Os tratamentos Piriproxifem, Espiropidiona +

Acetamiprido,

Acetamiprido

+

Dinotefuram Piriproxifem

+ e

Piriproxifem, Afidopiropeno

apresentaram eficiência de controle acima de 80% e menor número médio de ninfas por trifólio que os demais tratamentos após duas aplicações. Já após três aplicações, exceto Carbossulfano + Bifentrina, os demais tratamentos apresentaram eficiência acima de 80%, destacando-se Piriproxifem isolado, Dinotefuram + Piriproxifem e Acetamiprido + Piriproxifem com eficiências acima de 90%.


E. M.; WIEST, G.; SCHOFFEN, M. E.; ZANETTI, V. H.

AGRADECIMENTOS À

equipe

de

Q da questão. Cultivar grandes culturas, v. 238, p.

campo,

pesquisadores

e

estagiários do CTC pelo apoio na implantação e condução do experimento.

within soybean plants and on individual leaflets.

effectiveness of on insecticide. Journal Economic Entomology, v. 18, n. 2, p. 265-267, 1925. GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, R.L.P.;

GUEDES, J. V. C., FERREIRA, D. R., MARQUES, R. ARNEMANN, J. A. Distribution of Bemisia tabaci

ABBOTT, W. S. A method of computing the

CARVALHO,

POZEBON, H., CARGNELUTTI FILHO, A., P., BEVILAQUA, J. G., PATIAS, L. S., COLPO, T. L.,

REFERÊNCIAS

S.;

19-21, 2019.

BAPTISTA,

G.C.;

BERTI

FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ZUCCHI, R.A.; ALVES, S.B.; VENDRAMIM, J.D.; MARCHINI, L.C.; LOPES, J.R.S.; OMOTO, C. Vol.10. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 920p. HOFFMANN-CAMPO,

C.

B.;

CORRÊA-

FERREIRA, B. S.; MOSCARDI, F. (Ed.). Soja: manejo integrado de insetos e outros artrópodes-praga. Brasília: Embrapa, 2012. p.213-309. LIMA, D. T.; FERNANDES, R. H.; ALMEIDA, D. P.; FURTINI NETO, A. E. Inseticidas no controle de ninfas

Entomologia Experimentalis et Applicata, First published: 17 June 2019. QUINTELA, E. D.; ABREU, A. G.; LIMA, J. F. S.; MASCARIM, G. M.; SANTOS, J. B.; BROWN, J. K. Reproduction of the whitefly Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae) B biotype in maize fields (Zea mays L.) in Brazil. Pest Management Science, v. 72, n. 11, p. 2181–2187, 2016. SOSA-GÓMEZ, D. R.; MOSCARDI, F.; CORRÊAFERREIRA, B. S.; OLIVEIRA, L. J.; HOFFMANNCAMPO, C. B.; PANIZZI, A. R.; CORSO, I. C.; BUENO, A. F.; HIROSE, E.; GAZZONI, D. L.; OLIVEIRA, E. B. Soja - manejo integrado de pragas. Curitiba: SENAR: Embrapa Soja, 2010. 83 p. il. (Coleção SENAR-Paraná, 222).

de mosca-branca (Bemisia tabaci) na cultura da soja. In: FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; NASCIMENTO, H. L. B.; FERNANDES, R. H.; BILEGO, U. O. (Eds.). Anuário de Pesquisas Agricultura – 1ª Safra 2020/2021. Rio Verde: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2021. p. 13-21. MOSCARDI, F.; BUENO, A.F.; SOSA-GÓMEZ, D.R.; ROGGIA, S.; HOFFMAN-CAMPO, C.B.; POMARI, A.F.; CORSO, I.V.; YANO, S.A.C. Artrópodes que atacam as folhas da soja. In: HOFFMAN-CAMPO, C.B.; CORRÊA-FERREIRA, B.S.; MOSCARDI, F. (Ed.). Soja: manejo integrado de insetos e outros artrópodespraga. Brasília: Embrapa, 2012. p.213-309. PITTA, R. M.; CROSARIOL NETTO, J.; BARROS,

Entomologia

29


INSETICIDAS NO CONTROLE DO PULGÃO Melanaphis sorghi NA CULTURA DO SORGO LIMA, Diego Tolentino1, FERNANDES, Rafael Henrique2, BRAZ, Guilherme Braga Pereira3, BUENO, Amanda Magalhães4, SARKIS, Leonardo Fernandes5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Eng.a Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com. br 5 Eng. Agrônomo, Me. em Ciência do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 1

entanto na safra 2021/2022 atingiu 3,1 milhões de toneladas, e na safra 2022/2023 deverá atingir 4,6 milhões de toneladas (CONAB, 2023). A região Centro-Oeste participa com mais da metade da produção nacional, sendo o estado de Goiás o maior produtor, que devido ao zoneamento agroclimático do estado, posiciona o sorgo como principal substituto do milho segunda safra, geralmente em sucessão a soja implantada no início de novembro e cultivada até a última semana de fevereiro (primavera-verão). A produtividade desta cultura no estado de Goiás pode ser atingir as 134 sacas ha-1 (ALMEIDA et al., 2020). O pulgão-da-cana-de-açúcar se tornou destaque na cultura do sorgo desde a safra 2019/2020 em todo país, por causar danos significativos e perdas em produtividade, se tornando uma praga chave (FERNANDES et al., 2021). Em Goiás, de modo geral, a população de pulgão no sorgo foi melhor controlada durante esta safra. Um manejo mais assertivo do inseto, tanto em número de aplicações quanto em época de controle e inseticidas mais adequados, possibilitou que a infestação não alcançasse níveis preocupantes na maioria das lavouras. Também foi relatado que a pressão de insetos nesta safra foi menor que em

INTRODUÇÃO Nos últimos anos a produção brasileira de sorgo estava ao redor de dois milhões de toneladas por ano, no

30

Entomologia

safras anteriores. E as chuvas, de modo geral, contribuíram para os bons resultados da cultura (CONAB, 2023). Historicamente o Melanaphis sacchari (pulgãoda-cana-de-açúcar) tem sido uma importante praga na cultura da cana-de-açúcar tanto no Brasil quanto nos EUA,


causando danos ao se alimentar da seiva da planta e

Como o potencial de dano está relacionado com o

transmitir o vírus do mosaico (Sugarcane Yellow Leaf Virus,

potencial reprodutivo do inseto, o monitoramento deve ser

SCYLV) (SINGH et al., 2004; SILVA et al., 2014). Em 2013

constante, pois, se a população do pulgão atingir níveis

nos EUA e 2019 no Brasil, os problemas com o pulgão-da-

elevados na lavoura o controle será mais difícil e os danos

cana-de-açúcar na cultura do sorgo, primeiramente, foram

já estarão ocorrendo. Assim, um dos pontos principais

atribuídos a um novo biótipo de M. sacchari, no entanto,

no manejo para se utilizar a intervenção com inseticidas

foi desvendado por técnicas moleculares e morfológicas

é o chamado “timing” de aplicação (hora certa de fazer

que se tratava da espécie Melanaphis sorghi (NIBOUCHE

a aplicação), quando a infestação ainda está no início

et al. 2021).

(FERNANDES et al., 2021; LIMA et al., 2021). A utilização

Além disso, M. sacchari e M. sorghi, apesar

de inseticidas no manejo de M. sorghi tem se mostrado

de espécies diferentes, eram tratadas na literatura

uma realidade para redução da infestação pelo inseto

como o mesmo pulgão-da-cana-de-açúcar. De fato,

e manutenção das produtividades da cultura do sorgo

existe a dificuldade em diferenciar essas espécies por

nos EUA, principalmente quando se trata de híbridos

características morfológicas (NIBOUCHE et al., 2021).

sensíveis ao pulgão (LAHIRI et al., 2019). Neste sentido o

Mas no Brasil os grandes aumentos populacionais

objetivo do trabalho foi avaliar a infestação de M. sorghi e a

observados causando sintomas em plantas de sorgo

produtividade do sorgo, em função de diferentes manejos

revelaram, inclusive por técnicas moleculares, a presença

(épocas e números de aplicações) diferentes inseticidas.

de M. sorghi (FERNANDES et al., 2021; NIBOUCHE et al., 2021; HARRIS-SHULTZ et al. 2022). Na região do Sudoeste Goiano, tem-se observado

MATERIAL E MÉTODOS

maior ocorrência do pulgão M. sorghi no final da fase

O experimento foi conduzido na área experimental

vegetativa e início da fase reprodutiva da lavoura de sorgo.

do Centro Tecnológico COMIGO (CTC), da Cooperativa

Os insetos se concentram na parte de baixo das folhas e

COMIGO, no município de Rio Verde – GO (S 17°45'57"

se alimentam sugando a seiva da planta, sendo comum

e W 51°02'07"; 839 metros de altitude). Em área colhida

a infestação iniciar nas folhas mais velhas (baixeiro) e

anteriormente com soja foi realizada a semeadura do

avançar para as mais novas. Os sintomas: amarelecimento,

híbrido de sorgo granífero 1G 100 no dia 04 de março de

manchas vermelhas e necróticas, podem ser observados

2023, com a densidade de semeadura de 10,0 sementes

até mesmo na face superior da folha. Os danos são

por metro (população final de 165 mil plantas ha-1). A

potencializados em situações de estresse, principalmente

adubação de semeadura foi realizada com 400 kg ha-1 de

hídrico (SINGH et al., 2004). Ocorre formação de grandes

15-15-15. No momento da semeadura foram aplicados

colônias e, com a excreção de grandes quantidades

no sulco 0,15 L ha-1 de Biomax Azum (Azospirillum

de substâncias açucaradas, se desenvolve um fungo

brasilense, concentração mínima 3,0 x 108 UFC mL-1), 0,5

(geralmente do gênero Capnodium) de cor enegrecida,

L ha-1 do inseticida biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium

chamado de fumagina, que prejudica a fotossíntese da

anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1,0 x 108

folha. Em altas infestações a planta pode secar mesmo

propágulos viáveis mL-1) e 0,25 L ha-1 de RayNitro Zn News

antes de emitir a panícula, ou ainda emitir a estrutura

(83,3 g L-1 de Nitrogênio, 83,3 g L-1 de Fósforo - P2O5 e 47,6 g

reprodutiva, porém com enchimento de grãos altamente comprometido.

L-1 de Zinco). O tratamento de sementes foi realizado com CropStar (1,0 L para 100 kg de sementes). A adubação

Entomologia

31


de cobertura foi realizada com 150 kg ha-1 de Ureia Turbo

na Tabela 1. Apenas no tratamento denominado Padrão

(ureia + NBPT).

foram realizadas duas aplicações para o controle de

O controle de plantas daninhas foi realizado através

Melanaphis sorghi. Nos demais tratamentos realizada

de uma aplicação em sistema plante-aplique logo após a

apenas uma única aplicação, já na testemunha não

semeadura com Gesaprim (2,0 L ha-1) e outra aplicação

houve aplicação de inseticidas. As duas aplicações no

17 dias após a semeadura com Proof (3,0 L ha-1) + Iharol

tratamento padrão foram realizadas logo no início da

Gold (0,4 L ha-1). Para o controle de manchas foliares foi

formação das primeiras colônias com poucos insetos, não

realizada uma aplicação com o fungicida Orkestra (0,35 L

permitindo que a nota de infestação não ultrapassasse a

ha-1) + Mees (0,5 L ha-1) + Unizeb Gold (1,5 kg ha-1), 40 dias

classe 1,0 na escala proposta por Fernandes et al. (2021),

após a semeadura.

em que a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e

As únicas aplicações de inseticidas realizadas no experimento foram referentes aos tratamentos descritos

não há presença de exsúvia (colônia pequena, menos de 50 pulgões folha-1).

Tabela 1. Tratamentos inseticidas para controle de pulgão, Melanaphis sorghi, no sorgo 1G100. Centro Tecnológico COMIGO – CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.

Tratamentos

Padrão

1ª 13/04

Dose de ativo (g ha-1)

--

--

--

Engeo Pleno + Premio

300 + 100

Tiametoxam + Lambdacialotrina + Clorantraniliprole

42,3 + 31,8 + 20

Wild + Battus

1000 + 400

Clorpirifós + Acetamiprido

480 + 80

Wild

1000

Clorpirifós

480

Closer

100

Sulfoxaflor

24

Battus

400

Acetamiprido

80

Engeo Pleno

300

Tiametoxam + Lambdacialotrina

42,3 + 31,8

Wild + Battus

1000 + 400

Clorpirifós + Acetamiprido

480 + 80

Wild

1000

Clorpirifós

480

Closer

100

Sulfoxaflor

24

Battus

400

Acetamiprido

80

Engeo Pleno

300

Tiametoxam + Lambdacialotrina

42,3 + 31,8

Wild + Battus

1000 + 400

Clorpirifós + Acetamiprido

480 + 80

25/04/23 Infestação 60% (nota 3,0) 10/05/23 Infestação 86% (nota 4,3) * p. c. = produto comercial.

Entomologia

*p. c. ha-1

Ingrediente ativo

Testemunha

26/05

32

mL ou g


apresenta poucos pulgões e há presença de

Nos demais tratamentos com inseticidas (Wild,

exsúvias;

Closer, Battus, Engeo Pleno e Wild + Battus), uma única aplicação, porém em dois momentos distintos, com

Nota 3 (60% de infestação), a planta de sorgo

infestação de 60% e 86%. Totalizando 12 tratamentos

apresenta

(inseticidas + testemunha sem aplicação), dispostos

pulgões, muitas exsúvias e há o surgimento

no delineamento em blocos ao acaso (DBC), com

de alguns sintomas, como amarelecimento ou

quatro repetições. As parcelas experimentais foram

avermelhamento na folha (colônias grandes,

constituídas por 10 linhas de cultivo, espaçadas de

mais de 50 pulgões folha-1);

0,5 metros, com 10 metros de comprimento. A parcela

uma

quantidade

moderada

de

Nota 4 (80% de infestação), a planta de sorgo

útil desconsiderou 1,0 m inicial e final de cada linha da

apresenta grande quantidade de pulgões,

parcela e as duas linhas das extremidades.

muitas exsúvias e há sintomas na planta tanto na

As

aplicações

foram

realizadas

com

pulverizador pressurizado por CO2 (Número de patente:

nervura central como na borda da folha. •

Nota 5 (100% de infestação), a planta de sorgo

BR102016007565-3) montando em trator (MF 275,

fica tomada de pulgões, muitas exsúvias e há

Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador é dotado

sintomas em toda a planta com o início de morte

com barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização

das folhas.

espaçados em 0,5 m. As pontas utilizadas para

A produtividade de grãos foi obtida em três

pulverização foram modelo ADIA 11001.D, da marca

linhas centrais de semeadura com 3,0 metros de

Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada

comprimento, realizando dois pontos de amostragem

com a pressão de trabalho na ponta de pulverização de

dentro de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos,

2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.

trilhados e secos. Foi calculada a produtividade para

Foi avaliada a infestação por pulgão M. sorghi nas

um hectare, considerando-se a umidade padrão de 13%

parcelas um (1DA1), oito (8DA1) e 14 (14DA1) dias após

para comercialização do grão, tomado como medida a

a aplicação no nível de infestação de 60% (aplicado em

saca de 60 kg de grãos.

25/04/23). Na data de 14DA1, atingiu-se a infestação

Os dados de notas de infestação por M. sorghi

de 86% (10/05/23) quando realizou-se a aplicação nos

no sorgo e produtividade foram submetidos à análise

tratamentos restantes. E logo após avaliada a infestação

de variância (ANOVA) pelo teste F e no caso de

um (1DA2), seis (6DA2), 14 (14DA2) e 28 (28DA2) dias

efeito significativo dos tratamentos, as médias foram

subsequentes à referida aplicação.

comparadas pelo teste de Scott-Knott (P<0,05). Foi

A infestação do pulgão M. sorghi no sorgo,

calculada a porcentagem de redução das notas de

avaliada em três pontos por parcela, foi classificada de

infestação dos tratamentos em relação à testemunha.

acordo com a escala de notas proposta por Fernandes

Esta porcentagem de redução foi apresentada

et al. (2021), onde:

juntamente com as próprias médias das notas de

Nota 1 (20% de infestação), a planta de sorgo

infestação através de diferentes cores com as seguintes

apresenta poucos pulgões e não há presença de

classificações: maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( );

exsúvia (colônia pequena, menos de 50 pulgões

entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).

folha-1); •

Nota 2 (40% de infestação), a planta de sorgo

Entomologia

33


Tabela 2) foi realizada a segunda aplicação em 26/05/23, a

RESULTADOS E DISCUSSÃO

qual manteve o controle da praga até a colheita. Desta forma

No tratamento padrão (único com duas aplicações) a primeira aplicação (13/04/23) foi realizada de forma antecipada em relação aos demais, mantendo uma baixa infestação do pulgão M. sorghi no sorgo 1G100 até 14DA2 (avaliado 24/05/23), e com início da reinfestação (nota 0,8,

não permitindo que a nota de infestação ultrapassasse a classe 1,0 na escala proposta por Fernandes et al. (2021), em que a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e não há presença de exsúvia (colônia pequena, menos de 50 pulgões folha-1).

Tabela 2. Notas de infestação para o pulgão Melanaphis sorghi no híbrido de sorgo 1G100, em função dos tratamentos inseticidas um (1DA1), oito (8DA1) e 14 (14DA1) dias após a aplicação com infestação de 60% e (1DA2), seis (6DA2), 14 (14DA2) e 28 (28DA2) à de 86%. Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Tratamentos

1DA1

8DA1

14DA1

1DA2

6DA2

14DA2

28DA2

Testemunha

3,2 c

4,0 b

4,4 c

4,3 d

4,3 b

4,0 d

5,0 d

Padrão

0,0 a

0,0 a

0,0 a

0,0 a

0,3 a

0,8 a

0,0 a

60% - Clorpirifós

0,4 a

0,0 a

0,9 b

1,4 b

2,0 c

3,1 c

5,0 d

60% - Sulfoxaflor

2,5 b

0,0 a

0,6 b

1,0 b

0,9 b

2,5 b

5,0 d

60% - Acetamiprido

2,8 b

0,0 a

0,2 a

0,9 b

0,9 b

2,3 b

5,0 d

60% - Tiametoxam + Lambdacialotrina

2,4 b

0,0 a

0,0 a

0,3 a

0,9 b

2,2 b

5,0 d

60% - Clorpirifós + Acetamiprido

0,2 a

0,0 a

0,0 a

0,4 a

0,5 a

2,3 b

5,0 d

86% - Clorpirifós

3,1 c

4,3 b

4,4 c

0,1 a

0,0 a

0,3 a

3,7 c

86% - Sulfoxaflor

3,0 c

4,2 b

4,2 c

2,9 c

0,2 a

0,0 a

2,9 b

86% - Acetamiprido

2,9 c

4,1 b

4,0 c

2,7 c

0,3 a

0,0 a

2,1 b

86% - Tiametoxam + Lambdacialotrina

3,0 c

4,3 b

4,6 c

3,3 c

0,0 a

0,0 a

2,3 b

86% - Clorpirifós + Acetamiprido

3,2 c

4,3 b

4,3 c

0,0 a

0,0 a

0,0 a

1,6 b

*Médias seguidas por mesma letra na coluna não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Porcentagem de redução da nota de infestação em relação à testemunha, maior que 90% ( ); entre 80 e 89% ( ); entre 60 e 79% ( ); entre 40 e 59% ( ); inferior a 40% ( ).

34

Nos tratamentos para controle do pulgão

menores notas de infestação, nos demais três

M. sorghi em que a aplicação foi realizada com

tratamentos apesar da redução da nota em relação

infestação média na nota 3,0 (60% de infestação)

à testemunha, as notas ficaram acima de onde havia

observa-se que onde foi utilizado o Clorpirifós (60%

Clorpirifós (Tabela 2). Já aos 8 dias após a aplicação

- Clorpirifós e 60% - Clorpirifós + Acetamiprido) em

destes tratamentos (8DA1), todos foram eficientes

apenas um dia após a aplicação (1DA1) apresentou

em reduzir a infestação para nota zero (Tabela 2).

Entomologia


Aos 14DA1 alguns tratamentos aplicados

rapidamente, de forma intermediária foram os

com 60% de infestação começaram a perder o efeito

tratamentos com a presença de princípios ativos

residual, com 60% - Clorpirifós apresentando redução

sistêmicos (Sulfoxaflor, Acetamiprido e Tiametoxam).

da nota de infestação em relação à testemunha

Destacando-se novamente a mistura de Clorpirifós

inferior a 80%. Aos 1DA2, 60% - Sulfoxaflor e 60%

com Acetamiprido (sistêmico) com maior residual

- Acetamiprido também apresentaram redução da

(Tabela 2).

nota de infestação em relação à testemunha inferior

A produtividade do sorgo, observada na

a 80%. Aos 6DA2 foi 60% - Tiametoxam + Lambda-

Figura 1, foi superior no tratamento Padrão, onde a

cialotrina que também reduziu da nota de infestação

infestação foi mantida com notas inferiores a classe

em relação à testemunha para menos de 80%,

1,0 na escala de Fernandes et al. (2021). Estes

o que ocorreu com a mistura 60% - Clorpirifós +

resultados estão de acordo com o trabalho de Lima

Acetamiprido somente 14DA2 (Tabela 2).

et al. (2021), em que a maior produtividade do híbrido

Aos 28DA2 todos os tratamentos com uma

de sorgo 1G100 foi obtida com controle do pulgão M.

única aplicação em 60% de infestação do pulgão

sorghi realizado até no máximo nota 1,0 de infestação,

M. sorghi já haviam apresentado nota 5,0 escala de

ou seja, no máximo 20% de infestação. Os resultados

notas proposta por Fernandes et al. (2021), onde

de produtividade do presente demonstram também o

a planta de sorgo fica tomada de pulgões, muitas

potencial danoso do pulgão M. sorghi para a cultura

exsúvias e há sintomas em toda a planta com o início

do sorgo, quando não manejado de forma adequada,

de morte das folhas (Tabela 2). Entretanto, como

por exemplo na testemunha que teve redução de

observado, isso não ocorreu de forma uniforme,

55% em relação ao tratamento padrão. Ressaltando

pois o Clorpirifós isolado perdeu o efeito residual

que na literatura há relatos de perdas no rendimento

mais rapidamente, de forma intermediária foram os

de até 100%, dependendo do genótipo em condições

tratamentos com a presença de princípios ativos

de alta infestação (FERNANDES et al., 2021).

sistêmicos (Sulfoxaflor, Acetamiprido e Tiametoxam) e com efeito de controle mais persistente a mistura do Clorpirifós com Acetamiprido (sistêmico) de forma sinérgica. Na Tabela 2 observa-se padrão semelhante de controle (redução nas notas de infestação do pulgão M. sorghi) e efeito residual quando os tratamentos foram aplicados com infestação em nota média 4,3 (86% de infestação). Sendo que, quando utilizado o Clorpirifós (isolado ou em mistura) em apenas um dia após a aplicação (1DA2) houve as menores notas de infestação. Já nos três demais tratamentos com ativos sistêmicos, aos 6DA2 e 14DA2, se igualaram aonde havia Clorpirifós. E aos 28DA2 também observase Clorpirifós isolado perdeu o efeito residual mais

Entomologia

35


-1 Produtividade (sacas.ha )

120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

a 110,8

d d d 54,9 55,3 49,7

c 69,4

c 71,4

b c 83,2 c 74,9 77,3

b b 89,4 90,2

b 92,5

r r s s a a a o o o o o nh irifó xaflo otrin iprid iprid irifó otrin iprid iprid xaflo adrã u p p l l m P o o r r a a f f m m m m te l o u l l o ci ci ul ta ta ta ta Tes % - C % - S bda- Ace Ace % - C bda- Ace Ace % - S 60 60 Lam 0% - ós + 86 Lam ós + 6% - 86 8 6 irif + irif + rp am lorp am o x x l C C to to %me 6% me a a 0 i i 8 6 T T %%6 0 8 6 Figura 1. Produtividade do híbrido de sorgo 1G100 com diferentes tratamentos para o controle do pulgão Melanaphis sorghi. Centro Tecnológico COMIGO - CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. *Médias seguidas por mesma letra não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (p<0,05). Quando realizada apenas uma aplicação para

produtividade em relação aos demais tratamentos dentro

controle de do pulgão M. sorghi no híbrido de sorgo 1G100

da mesma classificação (60 ou 86%), com exceção de

em 60% de infestação, que neste caso foi no momento em a

Sulfoxaflor na classe 60% (Figura 1), provavelmente

lavoura se encontrava em Estádio 5 – (Emborrachamento),

devido ao menor efeito residual observado nas avaliações

o efeito residual dos tratamentos foi suficiente apenas até

de infestação por M. sorghi no híbrido de sorgo 1G100

o florescimento (Estádio 6), assim as plantas passaram o

(Tabela 2).

enchimento de grãos (Estádio 7 e 8) com altas infestações

Outro ponto importante no manejo do pulgão

de pulgão o que refletiu, de forma geral, em redução da

M. sorghi na cultura do sorgo está relacionado com a

produtividade em relação a quando esta única aplicação

tecnologia de aplicação. Além de respeitar as condições

foi realizada em 86% de infestação, que neste caso foi no

ambientais adequadas no momento da aplicação, não

momento em a lavoura se encontrava ente o Estádio 6 e 7,

é aconselhável a utilização de volumes de aplicação

assim o efeito residual dos tratamentos foi suficiente para

reduzidos, pois, maior quantidade de calda aplicada por

que as plantas passaram o enchimento de grãos (Estádio

área pode proporcionar melhor cobertura e deposição do

7 e 8) com baixas infestações de pulgão.

inseticida no terço inferior da planta, local onde geralmente

O Clorpirifós isolado tanto aplicado na infestação de 60%, quanto de 86%, apresentou redução da

36

Entomologia

se inicia a infestação desta praga.


SANTOS, N. M.; LIMA, P. F.; SANTOS, V. M. C. dos;

CONCLUSÃO

SIMEONE, M. L. F.; PARRELLA, R. A. da C.; MENEZES, C. B.

No controle do pulgão M. sorghi na cultura do sorgo, o inseticida Clorpirifós isolado perdeu o efeito residual mais rapidamente. A presença dos princípios ativos sistêmicos Tiametoxam, Acetamiprido e Sulfoxaflor aumenta o efeito residual. O controle é melhorado com a mistura do Clorpirifós com Acetamiprido, com efeito sinérgico. O tratamento padrão, com duas aplicações, para controle do pulgão M. sorghi na cultura do sorgo proporcionou maior produtividade que os tratamentos com apenas uma aplicação. Tratamentos com diferenças no efeito residual e diferentes épocas de aplicação interferem na produtividade de grãos de sorgo.

da cana-de-açúcar (Melanaphis sacchari/sorghi) na cultura do sorgo. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2021. 24 p. (Comunicado Técnico, 249). HARRIS-SHULTZ,

K.;

ARMSTRONG,

J.S.;

CARVALHO, G., JR.; SEGUNDO, J.P.; NI, X. Melanaphis sorghi (Hemiptera: Aphididae) clonal diversity in the United States and Brazil. Insects, v. 13, n. 416, p. 1-8, 2022. LAHIRI, S.; XINZHI, N.; BUNTIN,G. D.; PUNNURI, S.; JACOBSON, A.; REAY-JONES, F. P. F.; TOEWS, M. D. Combining host plant resistance and foliar insecticide application to manage Melanaphis sacchari (Hemiptera: Aphididae) in grain sorghum. International Journal of Pest Management, v. 67, n. 1, p. 10-19, 2019. LIMA, D. T.; FERNANDES, R. H.; ALMEIDA, D. P.

AGRADECIMENTOS

Timing de aplicação para o pulgão da cana-de-açúcar

À equipe de campo, pesquisadores e estagiários do CTC pelo apoio na implantação e condução do experimento.

na cultura do sorgo. In: FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; NASCIMENTO, H. L. B.; FERNANDES, R. H.; BILEGO, U. O. (Eds.). Anuário de Pesquisas Agricultura – 2ª Safra 2020/2021. Rio Verde: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2021. p. 34-41.

REFERÊNCIAS

NIBOUCHE, S.; COSTET, L.; MEDINA, R. F.;

ALMEIDA, D. P.; FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; FERNANDES, R. H.; FREITAS, B. V.; ROSA, V. C. S.; JESUS, E. S.; SCHNEIDER, S. A. O. Épocas de semeadura de híbridos de sorgo em segunda safra 2018/2019: produtividade de grãos. In: FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; NASCIMENTO, H. L. B.; FERNANDES, R. H.; BILEGO, U. O.(Eds.). Anuário de Pesquisas Agricultura – Resultados 2020. Rio Verde: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2020. p. 203-210. CONAB.

Companhia

Nacional

de

Abastecimento. 11º Levantamento - Safra 2022/23. Disponível

de; OLIVEIRA, I. R. de; MENDES, S. M. Manejo do pulgão

em:

<https://www.conab.gov.br/info-agro/

safras/graos/boletim-da-safra-de-graos>. Acesso em: 20 ago. 2023. FERNANDES, F. O.; SOUZA, C. da S. F.; AVELLAR,

HOLT, J. R.; SADEYEN, J.; ZOOGONES, A. S.; BROWN, P.; BLACKMAN, R. L. Morphometric and molecular discriminaton of the sugarcane aphid, Melanaphis sacchari, (Zehntner, 1897) and the sorghum aphid Melanaphis sorghi (Theobald, 1904). PLoS ONE, v. 16, n. 3, p. 1-17, 2021. SILVA, M. L.; ROCHA, D. A.; SILVA, K. T. B. Potential population growth of Melanaphis sacchari (Zethner) reared on two hosts plants. Current Agricultural Science and Technology, v. 20, p. 21-25, 2014. SINGH, B. U.; PADMAJA, P. G.; SEETHARAMA, N. Biology and management of the sugarcane aphid, Melanaphis sacchari (Zehntner) (Homoptera: Aphididae), in sorghum: a review. Crop Protection, v. 23, n. 9, p. 739755, 2004.

G. S. de; NASCIMENTO, P. T.; DAMASCENO, N. C. R.;

Entomologia

37


38

Fertilidade do Solo e Fertilizantes Fertilidade do Solo e Fertilizantes


APLICAÇÃO ANTECIPADA DE NITROGÊNIO EM COBERTURA NO SORGO SARKIS1, Leonardo Fernandes; RODRIGUES2, Matheus Silva; BUENO3, Amanda Magalhães; HARA4, Eduardo; FREITAS5, Andréia Victor

em segunda safra no cerrado. Dessa forma, a cultura tem ganhado espaço como opção alternativa, principalmente em épocas de semeaduras tardias. Ainda assim, o atraso na semeadura pode reduzir o potencial produtivo

Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutorando em Ciência do Solo. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 2 Engenheiro Agrônomo, Mestre em Ciências Agrárias/ Agronomia. Coordenador Técnico da Agricultura de Precisão COMIGO (AP COMIGO). E-mail: matheussilva@comigo.com.br 3 Engenheira Agrônoma, Dr. em Agronomia. Pesquisadora Agronômica no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: amandamagalhães@comigo. com.br 4 Engenheiro Agrônomo, Gerente de Geração e Difusão de Tecnologia do Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: eduardohara@comigo.com.br 5 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia do Instituto Federal Goiano (IFGoiano), campus Rio Verde. Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: andreiavictor781@gmail.com 1

devido as perdas por adversidades climáticas, como deficiência hídrica, fotoperíodo e baixa temperatura do ar (FORNASIERI FILHO e FORNASIERI 2009). Na região sudoeste de Goiás, semear o sorgo até o último decêndio de fevereiro, associado a outras práticas de manejo, ajuda a garantir altas produtividades conforme observado para diversos híbridos (ALMEIDA et al. 2019; ALMEIDA et al. 2020; ALMEIDA et al. 2021). Dentre as práticas de manejo que podem incrementar a produtividade de grãos, a adubação nitrogenada em cobertura tem apresentado resultados positivos para a cultura do sorgo (ALMEIDA et al., 2022). No entanto, aplicações tardias de nitrogênio (N) em superfície podem resultar em elevadas perdas por volatilização de amônia (NH3) e baixa eficiência no uso do nutriente pela cultura devido ao final do período de

INTRODUÇÃO O sorgo granífero possui tolerância superior ao déficit hídrico quando comparado ao milho (FORNASIERI FILHO e FORNASIERI 2009; ALMEIDA et al., 2019), principal espécie atualmente cultivada

chuvas, o que dificulta a incorporação do fertilizante e absorção pelas raízes. Nesse cenário, ajustar as estratégias de adubação pode contribuir com ganhos expressivos em produtividade dos híbridos modernos de elevado potencial. As tecnologias para fertilizantes são opções interessantes para aumentar a eficiência de uso de

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

39


nutrientes na agricultura. Dentre essas, os nitrogenados

e ureia + NBPT (ureia turbo®) em cobertura na cultura do

estabilizados têm se destacado no mercado como

sorgo, sendo conduzido de 14/03/2023 a 03/08/2023.

importante ferramenta para redução dessas perdas.

Anteriormente a instalação do experimento,

A adubação com ureia convencional em cobertura

foi realizada análise de solo de amostra coletada na

e sem incorporação favorece as perdas de N-NH3

profundidade de 0 a 20 cm, a qual apresentou as

(Martins et al., 2021), principalmente na ausência de

seguintes propriedades químicas e textura: pH em

chuvas na primeira semana após a aplicação, em

CaCl2 de 4,4; 3,81 cmolc dm-3 de H+ + Al+3; 1,65 cmolc

volume e intensidade suficientes para a incorporação

dm-3 de Ca+2; 0,53 cmolc dm-3 de Mg+2; 50,59 mg dm-3

do fertilizante. Já a ureia associada a este tipo de

de K; 9,49 mg dm-3 de P; 0,36 mg dm-3 de B; 4,66 mg

tecnologia possui aditivos capazes de inibir ou atrasar

dm-3 de Zn; 0,67 mg dm-3 de Cu; 13,88 mg dm-3 de Mn;

algum processo de transformação do N no solo, sendo

29,8 g dm-3 de M.O.; 43,81% de areia; 8,95% de silte e

o NBPT [N- (n-butil)] tiofosfórico triamida a molécula

47,22% de argila. O solo é classificado como Latossolo

mais utilizada atualmente como inibidor de urease em

Vermelho distrófico (SANTOS et al., 2018). De acordo

todo o mundo (SANZ-COBENA et al., 2012).

com classificação de Köppen, o clima de Rio Verde é

As maiores perdas de N por volatilização para

do tipo Aw, que recebe denominação de “tropical com

ureia convencional ocorrem nos 7 primeiros dias após a

estação seca”. Os dados climatológicos relacionados

aplicação dos fertilizantes (COSTA et al.; 2003; AFSHAR

a temperatura máxima e mínima do ar e precipitações

et al., 2018), que representa o período crítico de perdas.

durante o período de condução do experimento foram

O NBPT normalmente atrasa esse período aumentando

monitorados por estação meteorológica da marca

a chance de incorporação do N-fertilizante no solo pela

Plugfield® instalada na área de pesquisa do CTC.

chuva. A redução das perdas de N-NH3 está relacionada

A semeadura do sorgo em sucessão a soja foi

a manutenção do N na forma amídica por meio da

realizada de forma mecanizada no dia 14/03/2023,

inibição temporária da urease que é responsável pela

adotando-se espaçamento entrelinhas de 0,5 m,

hidrólise da ureia.

utilizando o híbrido AG1070, com densidade de

Neste contexto, o objetivo do trabalho foi avaliar

semeadura de 10,5 sementes m-1. As sementes utilizadas

a resposta da adubação nitrogenada em cobertura

no experimento foram tratadas industrialmente com

na cultura do sorgo a partir da ureia convencional ou

fungicidas e inseticidas.

ureia + NBPT (Ureia turbo®) aplicadas em diferentes

Na adubação de semeadura, foi utilizado o

estágios fenológicos, mensurando os incrementos em

formulado 15-15-15 (mistura granulada) aplicado no

produtividade de grãos.

sulco de semeadura na dose de 400 kg ha-1, totalizando

MATERIAL E MÉTODOS

40

60 kg ha-1 de N, P2O5 e K2O, respectivamente. O delineamento utilizado foi o de blocos completos ao acaso (DBC), com 4 repetições, avaliando-

O experimento foi realizado em condições de

se 7 tratamentos (Tabela 1). As unidades experimentais

campo em área localizada no Centro Tecnológico

foram compostas por dez linhas de semeadura, com

COMIGO, sediada na cidade de Rio Verde (GO) (S

comprimento de 5,0 m (25,0 m2). Considerou-se como

17°46'01" O 51°02'07", altitude de 790 m), visando aferir

área útil para as avaliações apenas as seis linhas

o impacto da época de aplicação de ureia convencional

centrais de cada unidade experimental, excluindo-se

Fertilidade do Solo e Fertilizantes


0,5 m de cada extremidade.

sorgo, sendo 3 épocas, quando as plantas estavam nos

Os tratamentos consistiram na aplicação de ureia convencional e ureia turbo® em cobertura na cultura do

estágios 2 (29/03/2023, 15 DAS), 4 (10/04/2023, 27 DAS) e 5 (18/04/2023, 35DAS), respectivamente.

Tabela 1. Tratamentos avaliados no experimento de adubação nitrogenada com ureia e ureia turbo® em cobertura na cultura do sorgo. Rio Verde (GO), 2023. Dose ( kg ha-1 de N)

Época de aplicação

DAS*

0

-

-

Ureia convencional

Estágio 2

15

Ureia convencional

Estágio 4

27

Ureia convencional

Estágio 5

35

Estágio 2

15

Ureia turbo®

Estágio 4

27

Ureia turbo®

Estágio 5

35

Tratamentos Controle

Ureia turbo®

60

*DAS: dias após semeadura.

Durante o desenvolvimento da soja no período

Scott-Knott (p≤0,05).

de safra e do sorgo na safrinha, todos os tratos culturais foram realizados de acordo com as recomendações técnicas, procedendo ao controle de plantas daninhas, pragas e doenças sem deixar que estes influenciassem negativamente no desenvolvimento da cultura.

RESULTADOS E DISCUSSÃO A precipitação acumulada durante a condução do experimento foi de 542 mm. Na semana anterior a

Ademais, na ocasião da colheita foi avaliada

data da primeira adubação de cobertura, houve acúmulo

a produtividade de grãos sorgo. Para determinação

de 8,1 mm de chuva, sendo 0 mm observados aos 4

da produtividade de grãos, foi realizada o arranquio

dias anteriores a aplicação, resultando na diminuição

manual de todas as plantas (no sorgo panículas)

da umidade na superfície do solo. Nos primeiros 15

presentes na área útil de cada unidade experimental,

dias após cada época de aplicação do N em cobertura,

onde posteriormente este material foi submetido

as chuvas corresponderam a 61,5 mm (11,3%), 35,4 mm

aos processos de trilha, embalagem, identificação,

(6,5%) e 13,5 mm (2,5%), respectivamente. A precipitação

pesagem e correção da umidade dos grãos para 13%.

pluviométrica e a distribuição das chuvas no período

As análises estatísticas foram realizadas com

após a aplicação influenciaram significativamente

o programa computacional SISVAR. Os dados do

(p<0,05) na eficiência da adubação nitrogenada em

experimento foram submetidos à análise de variância

cobertura. Observamos que menores precipitações

pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito significativo,

nas 2 primeiras semanas após a adubação resultaram

aplicou-se o critério de agrupamento de médias de

em menores produtividades. A ureia turbo® apresentou

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

41


maior eficiência comparada a ureia convencional nas

nitrogenadas. A temperatura média no mesmo período

aplicações tardias com menores precipitações após a

foi de 21,1 ºC, ocorrendo mínima de 15,0 oC e máxima

adubação em cobertura.

de 28,4 oC, respectivamente.

A umidade relativa do ar foi maior que 70%

Artigo: praticamente em todo oNitrogênio período após as adubações

Figura 1. Precipitação acumulada (mm), temperaturas máximas (°C) e umidade relativa (%) após as épocas da adubação nitrogenada com ureia e ureia turbo® em cobertura na cultura do sorgo. Rio Verde (GO), 2023. Os resultados de produtividade de sorgo

adubações foram menos frequentes e apresentaram

submetido a adubação nitrogenada em cobertura com

menores volumes, houve redução 8,7 e 19,3 sacas ha-

ureia convencional ou ureia turbo®, em 3 épocas de

1

aplicação, estão apresentados na Figura 2. Observou-

condições favoráveis as perdas de N-NH3 que resulta

se diferença significativa (p<0,05) na produtividade de

em baixa eficiência no uso do nutriente pela cultura.

grãos em função das estratégias de aplicação de N em

Assim, contar apenas com as condições climáticas

cobertura.

representa alto risco de ineficiência na incorporação do

Para a ureia convencional, a maior produtividade

42

, respectivamente. Esse fato pode ser explicado pelas

N-fertilizante (Dawar&Zaman et al., 2011).

foi observada na primeira época de adubação em

Para a ureia turbo®, observamos maior eficiência

cobertura, quando a cultura estava no estágio 2 (15

comparada a ureia convencional nas aplicações tardias

DAS), época que apresentou maior precipitação

com menores precipitações após as adubações em

acumulada após a aplicação do fertilizante na

cobertura. Na adubação realizada no estágio 4 (27 DAS),

superfície do solo. Nas aplicações tardias, estágios

essa tecnologia resultou em ganhos de produtividade

4 (27 DAS) e 5 (35 DAS), quando as chuvas após as

de 6,7 sacas ha-1 quando comparado a aplicação de

Fertilidade do Solo e Fertilizantes


ureia convencional nesse cenário favorável as perdas

cultura. Este fato demonstra que o aditivo contendo

de N-NH3. Quando comparada ao controle, a aplicação

NBPT adicionado a ureia é uma ferramenta interessante

de ureia turbo® em cobertura aos 27 DAS incrementou

que

a produtividade em 10,5 sacas ha-1.

principalmente em cenários favoráveis as perdas de

resulta

em

incrementos

de

produtividade,

Já para a adubação realizada no estágio 5, as

N-NH3. No entanto, antecipar a adubação nitrogenada

produtividades foram inferiores (p<0,05) em relação as

para aproveitar as últimas chuvas é outra estratégia

duas outras épocas de adubação e iguais em relação

fundamental para aumentar a absorção de N pelas

controle, indicando que a adubação nitrogenada tardia,

raízes e, consequentemente, a eficiência da aplicação

com baixa precipitação acumulada após a aplicação

em cobertura.

(13,5 mm) resultou em baixo aproveitamento pela

Adubação com N apenas na semeadura: 400kg ha-1 de 15 15-15

Figura 2. Produtividade do sorgo cultivado no experimento de adubação nitrogenada com ureia e ureia turbo® aplicadas em cobertura em diferentes épocas. Rio Verde (GO), 2023. *Letras maiúsculas comparam dentro da mesma época: ureia convencional e ureia turbo® (Tukey, P<0,05). *Letras minúsculas comparam as épocas de aplicação das fontes (Tukey, P<0,05).

CONCLUSÕES Nas condições em que o presente experimento foi executado, concluímos que a estratégia de antecipação da adubação nitrogenada em cobertura

é interessante para aproveitar as últimas chuvas e aumentar a eficiência no uso de nitrogênio pela cultura do sorgo. O uso da ureia turbo® é uma ferramenta que incrementa a produtividade de sorgo comparado a ureia convencional em condições de menores precipitação após a aplicação.

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

43


BLENNERHASSETT,

REFERÊNCIAS

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Paulo,

DELGADO,

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44

TURNBULL,

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Urea

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Fertilidade do Solo e Fertilizantes

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IMPACTO DE DOSES DE CALCÁRIO E MÉTODOS DE INCORPORAÇÃO NA PRODUTIVIDADE DE GRÃOS NA SUCESSÃO SOJA-SORGO ALMEIDA, Dieimisson Paulo1; SARKIS, Leonardo Fernandes2; FREIRE, Yarlla Brunna Dourado3; DELGADO, Vanderson Aparecido Diego4; LIMA, Diego Tolentino de5, FERNANDES, Rafael Henrique6, FURTINI NETO, Antônio Eduardo7.

INTRODUÇÃO Os

solos

do

cerrado

são

altamente

intemperizados, apresentando baixos teores de matéria orgânica, saturação por bases e capacidade de troca

Eng. Agrônomo. Dr. em Agronomia / Produção Vegetal. Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas Daninhas. 2 Eng. Agrônomo. Mestre e Doutorando em Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas. Pesquisador em Fertilidade do solo e fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO-CTC, COMIGO, Rio Verde - GO. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 3 Graduanda em Agronomia, IF Goiano-Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: yarllabrunna99@gmail. com; 4 Graduando em Agronomia, Universidade de Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: vandersomdelgado@ hotmail.com; 5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO-CTC, COMIGO, Rio Verde - GO. E-Qmail: diegotolentino@ comigo.com.br; 6 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO-CTC, COMIGO, Rio Verde - GO. E-mail: rafaelhenrique@ comigo.com.br; 7 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia. Professor Titular aposentado da Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras-MG. E-mail: furtinineto@gmail.com; 1

de cátions, além de baixo pH e presença de alumínio tóxico que afeta diretamente o crescimento radicular e, consequentemente, a absorção de água e de nutrientes. (ALMEIDA et al., 2015). A

calagem

é

indispensável

para

adequar

as propriedades químicas desses solos que têm a acidez como um dos principais fatores limitantes ao desenvolvimento das culturas (FURTINI NETO et al., 2001). Essa técnica diminui a acidez potencial do solo e eleva o pH, bases trocáveis (SB), capacidade de troca catiônica (CTC) e a saturação por bases (V%) do solo para níveis adequados, além de outros benefícios que contribuem para o aumento de produtividade (SARKIS et al., 2022). Todavia, tal correção do solo em profundidade por meio da aplicação de calcário, pode ser influenciada por diversos fatores, tais como a dose do corretivo utilizado, granulometria, reatividade do calcário, profundidade de incorporação, frequência de aplicação, tempo de reação, poder tampão do solo, precipitação, entre outros, visto que a reação do corretivo depende do contato com o

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

45


solo na presença de umidade (GONÇALVES et al., 2011;

com incorporação e sem incorporação nos atributos

SARKIS et al., 2022).

químicos no perfil do solo e os impactos na

Recentemente,

inúmeros

estudos

sobre

produtividade de grãos da sucessão soja-sorgo.

calagem em áreas de abertura têm indicado que os métodos de cálculo para recomendação da dose de calcário subestimam a correção necessária e

MATERIAL E MÉTODOS

não permitem atingir o grau de correção desejável

O experimento foi conduzido em condições de

(MORAES, 2019). Em geral, observa-se que doses

campo, na área experimental do Centro Tecnológico

superiores às calculadas pelos métodos convencionais

COMIGO (CTC) no município de Rio Verde – Goiás (S

resultam em melhores respostas agronômicas e evitam

17º45’49’’ e W 51º02’07’’, com 834 metros de altitude).

novas aplicações de calcário em intervalos de dois a

O solo é classificado como Latossolo Vermelho

três anos para que os solos atinjam valores desejáveis

distrófico (SANTOS et al., 2018). Antes da implantação

de saturação por bases e teores adequados de Ca e Mg

do experimento foi realizado a amostragem do solo,

(MOREIRA e MORAES, 2018).

no dia 03 de outubro de 2021, para realização das

Neste contexto, o objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito da aplicação de doses de calcário

análises químicas e textura, conforme os resultados apresentados na Tabela 1.

Tabela 1. Atributos do solo na profundidade de 0-20 cm no local de condução da pesquisa na área experimental no Centro Tecnológico COMIGO – CTC, Rio Verde – GO, antes da implantação do experimento safra 2021/2022. Profundidade

pH

(cm)

(CaCl2)

0-20

4,84

Ca

Mg

Al

H+Al CTC

---------------- cmolc dm-3 ---------1,97 0,84

0,04

com blocos casualizados, com quatro repetições e arranjo estatístico em parcelas subdivididas (2x5), sendo o fator parcela “com” e “sem” incorporação do calcário e o fator subparcela constituído pelas doses calcário (0, 2, 4, 6 e 12 t ha-1 de calcário), totalizando em 40 unidades experimentais em uma área de 0,36 ha-1. A aplicação de calcário foi realizada no dia 04 de outubro de 2021, a lanço e manualmente, para as respectivas doses. Cada bloco possuía 9 x 20 metros, totalizando 180 m², com as devidas doses de calcário. Logo em seguida, a área foi cultivada com o sistema agrícola 1ª

46

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

K

PMeh

M.O.

V

Argila

- mg dm-3 -

%

%

%

1,76

56,28

44,45

2,49 5,65 0,36 139,51 17,09

O experimento foi conduzido em delineamento

safra (soja) e 2ª safra (sorgo).

K


Tabela 2. Relação de tratamentos avaliados no experimento de doses de calcário e métodos de incorporação. Rio Verde (GO), 2022/2023. Tratamentos

Fator parcela

Fator subparcela

Métodos de Incorporação

Dose de calcário (t ha-¹)

1

0

2

2

Superficial

3

4

4

6

5

12

6

0

7

2

Grade aradora 32”

8

4

9

6

10

12

Com base nos resultados da análise de

BioAg), 0,1 L ha-1 do coinoculante Biomax Azum,

solo (Tabela 1) realizada antes da implantação

(Azospirillum brasilense, concentração mínima 3,0

do experimento (2021/2022), calculou-se a dose

x 103 UFC mL-1, Biosoja), 0,5 L ha-1 do inseticida

necessária para elevar a saturação de bases a 70%,

biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium anisopliae

a qual foi de 1,7 toneladas de calcário ha . O calcário

IBCB425, concentração mínima de 1,0 x 108

utilizado na pesquisa possuía 79% de poder relativo

propágulos viáveis mL-1, Biovalens), 0,2 L ha-1 Nódulos

de neutralização total (PRNT), poder de neutralização

Gold (13,9 g L-1 de Cobalto, 139g L-1 de Molibdênio,

de 90% (PN), teores de 43 % de óxido de cálcio e 6%

BIOSOJA) 0,4 L de Verango Prime L ha-1 . O volume

de óxido de magnésio.

aplicado foi de 60 L ha-1. Já no dia 25 de outubro de

-1

No dia 11 de outubro de 2021 aplicou-se

2021 aplicou-se 56 kg ha-1 Sulfurgran.

102 kg ha-1 de microgram 12 e no dia seguinte

Após a colheita da soja, foi realizado a

houve aplicação de 202 kg ha de KCl, baseado nos

implantação da cultura do sorgo no dia 09 de março

resultados da análise de solo da área experimental.

de 2022, sendo utilizado o híbrido AG 1070, com 10,5

Na presente área, realizou-se a semeadura da soja

sementes por metro (população final na colheita de

no dia 21 de outubro de 2021, sendo a densidade de

210 mil plantas ha-1). Referente aos adubos utilizados,

semeadura de aproximadamente 9,6 sementes por

aplicou-se 295 kg ha-1 do formulado 08-20-18 no sulco

metro (população final na colheita de 192 mil plantas

de semeadura. As adubações de cobertura foram no

ha ). No que se refere aos adubos, aplicou-se 201

dia 25 de março de 2022, aplicando-se 200 kg ha-1 de

kg ha-1 de Fosfato Monoamônico MAP no sulco e

20-00-20 e no dia 14 de abril de 2022 aplicando-se

1,0 L ha do inoculante Cell Tech (Bradyrhizobium

150 kg ha-1 de ureia.

-1

-1

-1

japonicum Estirpe SEMIA 5079 e SEMIA 5080,

No segundo ano agrícola, a semeadura

concentração mínima 3,0 x 109 UFC mL , Monsanto

da soja foi realizada de forma mecanizada no dia

-1

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

47


04/11/2022, adotando-se espaçamento entrelinhas

da umidade para 14% (b.u.), e determinou-se a

de 0,5 m, utilizando a cultivar ST700 i2x, com

produtividade em sacas de 60 kg de grãos ha-¹. Os resultados de produtividade (sacas ha-

densidade de semeadura de 15 sementes m-1. As sementes utilizadas no experimento foram tratadas

¹

industrialmente com fungicidas e inseticidas, bem

objetivo de detectar a significância dos fatores ou de

como foi realizada a prática de inoculação visando

sua interação.

assegurar o processo de fixação biológica de

As

) foram submetidos à análise de variância, com o

produtividade

de

grãos

(sacas

ha-1)

nitrogênio. A adubação com KCl foi realizada a lanço

resultantes das doses de calcário com e sem

3 dias antes da semeadura (DAS) e no momento da

incorporação

semeadura foi realizado a aplicação de 450 kg ha-1

regressão não linear, utilizando o modelo exponencial

superfosfato simples (20% P2O5) no sulco.

de máximo crescimento (Equação 1) três parâmetros

foram

analisadas

por

meio

de

Após a colheita da soja foi instalado na mesma

para as doses de calcário incorporadas e, o

área experimental a segunda etapa do trabalho

modelo exponencial de crescimento (Equação 2)

visando avaliar o efeito dos tratamentos na cultura

três parâmetros para as doses de calcário sem

do sorgo. Para tanto, no dia 15/03/2023, foi realizada

incorporação :

a semeadura do sorgo com o híbrido AG1070, adotando-se densidade de semeadura de 10,5 sementes m-1. Na adubação do sorgo, foi realizada a aplicação de 400 kg ha-1 do formulado 15-15-15 no

Em que:

sulco de semeadura e 150 kg ha-1 de ureia + NBPT

y = variável resposta; x = dose de calcário (t ha-

(Ureia Turbo) em cobertura aos 20 DAS.

1

); a, b e y0 = parâmetros estimados do modelo.

Em ambos os anos agrícolas, antes da

Os modelos foram selecionados considerando-

semeadura das culturas, foram realizadas coletas de

se a significância da análise de variância da regressão,

solo em 4 profundidades: 0-10; 10-20; 20-40; 40-60

o coeficiente de determinação (R2) e a significância

cm. As amostras foram analisadas para verificar o

dos coeficientes do modelo por meio do teste “t”,

efeito dos tratamentos no pH, saturação por bases,

de Student, além do conhecimento da evolução do

acidez potencial (H+Al), teores de cálcio, magnésio

fenômeno biológico.

e potássio. Por meio de um pluviômetro instalado no local do experimento, foi monitorada a precipitação pluvial acumulada desde a semeadura das culturas.

48

RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados de pH, saturação por bases,

Para avaliação da produtividade de grãos,

teores de alumínio, cálcio, magnésio e potássio

adotou como área útil 3 metros de comprimento

apresentados na Tabela 1, referem-se a amostragem

das 3 linhas centrais, totalizando 9 metros em cada

de solo anterior à aplicação das doses de calcário,

unidade experimental (parcela).

ou seja, antes do cultivo das culturas (soja e sorgo),

Após a colheita, as amostras foram trilhadas

informações essas que servem para comparar com

e determinou-se o teor de água (umidade) dos grãos

os dados do ano agrícola (21/22), resultantes da

de soja e milho. Posteriormente, fez-se a correção

amostragem estratificada após a aplicação dos

Fertilidade do Solo e Fertilizantes


os estudos sobre a necessidade de calagem, no

tratamentos (Tabela 2). Comparando os teores iniciais sem a aplicação

qual observa-se que doses superiores às calculadas

do corretivo e posteriormente a aplicação, durante o

pelos métodos convencionais resultam em melhores

cultivo da soja, no estádio fenológico R1, pode-se

respostas agronômicas e evitam novas aplicações

observar que ocorreu aumento do pH, da saturação

de calcário em curto intervalo de tempo (MOREIRA e

por bases e dos teores de cálcio, magnésio e potássio

MORAES, 2018). Todavia, segundo Brady e Weil, 2013,

em função das doses crescentes. De acordo com

aplicação muito elevada de calcário, com valores

Sousa e Lobato, 2004, deve-se utilizar o calcário que

superiores aos recomendados para o crescimento

complemente o teor de Mg no solo no mínimo entre

adequado das plantas, pode reduzir a disponibilidade

0,5 cmolc dm-3 e 1,0 cmolc dm-3, o que foi observado

de fósforo e micronutrientes às culturas. No entanto,

independente da dose e método de incorporação nas

como foi verificado no experimento, as maiores doses

profundidades do solo.

de calcário resultaram em altas produtividades. O

Pode-se perceber que como a calagem

período

março de

agosto

de

precipitação

de

2022,

da soja, aproximadamente 17 dias de diferença,

aproximadamente 261,5 mm, no qual o mês de março

o período foi curto para ocorrer a reação do

atingiu o maior volume de chuva durante todo o ciclo

calcário, independentemente da dose e método de

da cultura. Diante disso, no que diz respeito a reação

incorporação, uma vez que não houve tempo para o

do calcário, ela ocorre principalmente na presença de

calcário reagir completamente. Já referente a cultura

água, contribuindo para que ocorra a solubilização do

do sorgo, o período de aplicação do calcário até a

calcário e a liberação dos íons de cálcio, que resultam

semeadura foi de 156 dias, havendo maior tempo e

em hidroxilas (OH-), responsáveis pela correção da

volume de chuva para reação do corretivo.

acidez. A velocidade de reação do calcário é mais

exigindo maior contato entre partículas do solo e

média

até

foi realizada próxima a implantação da cultura

A reação de solubilização do calcário é lenta,

apresentou

de

rápida quanto maior for o PRNT do corretivo (SOUZA e LOBATO, 2004)

o corretivo. A calagem possui papel de extrema importância pensando na redução da lixiviação de K por exemplo, visto que aumenta a CTC do solo, fornece mais sítios de troca para a retenção de potássio, assim como observado nas altas doses de calcário aplicadas, as quais apresentaram também maiores teores de K no solo (SOUZA; LOBATO, 2004). Na

safra

2021/2022,

as

precipitações

acumuladas nos meses de outubro, novembro, dezembro e janeiro foram de 139,5; 238,5; 245,5 e 364 mm, respectivamente. Já em 2022/2023, nos meses de março, abril, maio, junho, julho e agosto, foram de 232,5; 10; 0; 19; 0; 0 mm, respectivamente. Atualmente, está crescendo consideravelmente

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

49


50

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

Tabela 2. Valores referente ao pH, saturação por bases, teor de alumínio, H+ Al, cálcio, magnésio e potássio, em função dos métodos de incorporação das doses de calcário em diferentes profundidades no solo nos anos agrícolas 21/22.


independentemente da significância do teste de F da

do calcário, não ocorreu diferença estatística nessas

análise de variância, mas em função da significância

condições de solo previamente corrigido, quando

do teste de F da análise de regressão e parâmetro

ocorreu a abertura desta área. No entanto, em relação às

do modelo, bem como dos valores do coeficiente de

doses, pode-se observar um aumento na produtividade

determinação (Banzatto e Kronka, 2013), estimaram-

de sorgo com a aplicação de maiores doses de calcário.

se as regressões que melhor se ajustaram aos dados

Assim, uma vez que, dados para os fatores quantitativos

de produtividade em função das doses de calcário

podem ser discutidos por meio do estudo de regressão

aplicadas (Figura 1).

Produ�vidade de sorgo (sacas ha-1)

Em relação a incorporação ou não das doses

130 128 126 124 122 120 118 116 114 112 110 108

Com incorporação

y = -0,0732x3 + 1,1587x2 - 2,9916x + 113,88 R² = 0,986

Sem incorporação

y = 0,1001x2 - 0,5477x + 113,35 R² = 0,7726

0

2

4

6

8

10

12

14

Dose de calcário (t ha-1) Figura 1. Produtividade do sorgo de 2022 em função das doses de calcário e formas de aplicação. Para os resultados de produtividade de sorgo

4, 6 e 12 t ha-¹ de calcário foram incorporadas a

em 2022, a análise de regressão ajustadas aos valores

produtividade de grãos do híbrido de sorgo AG1070

das doses 0, 2, 4, 6 e 12 t ha-¹ com incorporação,

foi de 109,1; 112,4; 116,4; 119,1; 121,8 sacas ha-¹,

resultou em coeficientes de determinação ajustado

respectivamente. Já sem a incorporação das doses de

(R²ajustado) de 98% por meio do modelo exponencial de

calcário de 0, 4, 6 e 12 t ha-¹ o híbrido de sorgo AG1070

máximo crescimento com 3 parâmetros. Além disso, foi

produziu em média 112,8; 113,4; 114; 115,1; 121,6 sacas

realizado também o ajuste da regressão aos valores das

ha-¹, respectivamente. Portanto, pode-se observar

doses 0, 2, 4, 6 e 12 t ha-¹ sem incorporação e obteve

que, as maiores produtividade do híbrido de sorgo

coeficientes de determinação ajustado (R²ajustado) de

AG1070 implantado aos 156 dias após a aplicação do

77% com ajuste ao modelo de crescimento exponencial

calcário, foi ao aplicar as doses de 6 e 12 t ha-1 calcário,

com 3 parâmetros.

ou seja 3,53 e 7 vezes a mais a dose requerida para

Observa-se na Figura 1 que, quando as doses,

elevar a saturação por bases a 70%, conforme cálculo

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

51


considerando os dados das análises da área antes de

agronômicas, como o tempo de reação, umidade do

implantar o experimento (Tabela 1).

calcário e do solo, densidade do solo, profundidade

Vanin et al. 2017 verificaram que há necessidade

de incorporação e maior exigência das variedades

do uso de doses maiores que aquela calculada (1,75 t

atuais. Normalmente não é possível aplicar calcário

ha-1) pelo método de saturação por bases para elevar

antecipadamente

até 60%. Assim constataram que para obter incremento

logísticas, ocorrendo muitas vezes próximo a data de

na produtividade de soja 11 meses após a aplicação

semeadura. Além disso, o tempo para a completa reação

do do calcário foi necessário aplicar de 3 a 4 vezes a

do calcário esperado para 2 a 3 meses não considera

mais que a dose calculada pelo método de saturação

a ampla variação de umidade do solo, principalmente

por bases.

em solos arenosos que secam rapidamente. Outro

Para o ano agrícola 2022/2023, observamos também

que

doses de

calcário maiores que

por

questões

operacionais

e

aspecto importante é a umidade do calcário e perdas por deriva devido ao vento, o que normalmente não é

convencionais

contabilizado para ajuste das doses no momento da

incrementaram a produtividade de sorgo. Alguns

aplicação, podendo resultar em subdoses (Sarkis et at.,

fatorem contribuem para que estas doses promovam

2022).

as

calculadas

pelos

métodos

Produ�vidade de sorgo (sacas ha-1)

melhor correção do solo e favoreçam as respostas

146

Com incorporação

Sem incorporação

144 142

y = -0,0076x3 + 0,2223x2 - 0,7379x + 132,94 R² = 0,8826

140 138 136 134 132 130 128

0

2

4

6 8 Dose de calcário (t ha-1)

10

12

14

Figura 2. Produtividade do sorgo de 2023 em função das doses de calcário e formas de aplicação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante os resultados iniciais do trabalho percebe-se que há necessidade do uso de doses maiores que aquela calculada (1,7 t ha-1) pelo método

52

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

de saturação por bases para elevar até 70%. Os resultados referentes aos próximos anos agrícolas poderão consolidar tal premissa no sistema de agrícola implantado, no que tange a correção dos atributos de acidez em subsuperfície do solo e a


manutenção do incremento da produtividade atingida

GONÇALVES, J. R. P.; MOREIRA, A.; BULL, L.

a médio e longo prazo. Ainda, o acompanhamento

T.; CRUSCIOL, C. A. C.; BOAS, R. L. V. Granulometria

ano a ano irá estabelecer segurança aos técnicos na

e doses de calcário em diferentes sistemas de

recomendação e aos produtores na implementação

manejo</b> - doi: 10.4025/actasciagron.v33i2.3659.

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Fertilidade do Solo e Fertilizantes

53


COMPATIBILIDADE DE DIQUAT E OCTABORATO NA DESSECAÇÃO PRÉ-COLHEITA DA SOJA E IMPACTOS DO BORO NO SORGO EM SUCESSÃO SARKIS, Leonardo Fernandes1; BRAZ, Guilherme Braga Pereira2; HARA, Eduardo3; SILVA, Linconl Lima4; DELGADO, Vanderson Aparecido Diego5

INTRODUÇÃO O avanço das pesquisas e tecnologias disponíveis no mercado possibilitaram aumento expressivo do potencial produtivo de grãos nos últimos anos. No

Engenheiro agrônomo, Mestre e Doutorando em Ciência do Solo. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: guilhermebraga@comigo.com. br 3 Engenheiro agrônomo, Gerente de Geração e Difusão de Tecnologia do Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: eduardohara@comigo.com.br 4 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia do Instituto Federal Goiano (IFGoiano), campus Rio Verde. Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: linconl96lima@gmail.com 5 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 1

entanto, esse cenário atual exige adaptações das práticas de manejo que são dinâmicas e interdependentes. Dentre as diversas estratégias que asseguram as altas produtividades de soja, milho e sorgo, destaca-se a necessidade de ajustes nas recomendações de calagem e adubação para suprir a demanda nutricional atual das culturas e possibilitar alta eficiência na adubação do sistema. O boro (B), assim como os demais micronutrientes, por ser exigido em menores quantidades pelas plantas, acaba muitas vezes sendo negligenciados nas adubações. Por participar de vários processos do metabolismo vegetal, em condições de deficiência, as plantas apresentam rápida inibição na formação de novos tecidos, redução do transporte de carboidratos e menor pegamento de flores, além de outros processos das plantas serem afetados (MANTOVANI et al., 2013). Por isso, adubações com B têm possibilitado incrementos nos rendimentos de grãos das culturas em sucessão a

54

Fertilidade do Solo e Fertilizantes


soja, como o sorgo (CRUVINEL et al., 2023).

ocorrer problemas de incompatibilidade física entre os

Por ser um nutriente imóvel nas plantas, o

produtos na calda de aplicação, bem como perda de

fornecimento de B via solo é essencial para a nutrição

performance agronômica em função da utilização da

das plantas, pois assegura que o nutriente seja

mistura.

absorvido e transportado até os tecidos novos da planta.

Diante deste contexto, o objetivo do presente

Ao contrário dessa imobilidade na planta, o B no solo é

trabalho foi avaliar a eficácia agronômica da associação

extremamente móvel e, para compensar as perdas por

entre o herbicida diquat e octaborato de sódio visando

lixiviação, torna-se necessário a aplicação periódica de

à dessecação pré-colheita da soja, mensurando a

doses “corretivas”. Atualmente temos opções de fontes

existência de possíveis efeitos antagônicos na utilização

disponíveis no mercado, como ulexita, ácido bórico,

desta associação, além de determinar o impacto da

octaborato de sódio, entre outras, as quais variam

aplicação deste fertilizante na produtividade de sorgo

quanto a concentração do nutriente, solubilidade em

cultivado em sucessão.

água, composição química e outras propriedades químicas, físicas e físico-químicas. Entre as práticas culturais que apresentaram

MATERIAL E MÉTODOS

aumento na adoção nas últimas safras, está a

Foi instalado experimento a campo em área

dessecação pré-colheita, visto que no momento em que

localizada no Centro Tecnológico COMIGO, sediada

as plantas atingem a maturação fisiológica, diversas

na cidade de Rio Verde (GO) (S 17°46'01" O 51°02'07",

pragas e patógenos incidem sobre esta cultura, além

altitude de 790 m). O experimento realizado visando

de por vezes não haver uma uniformidade nos teores

aferir o impacto da associação do herbicida diquat

de umidade de grãos (VEIGA et al., 2007). Nestas

com octaborato de sódio na dessecação pré-colheita

condições, os herbicidas posicionados na dessecação

da soja foi conduzido de 27/10/2022 a 20/02/2023 e o

pré-colheita não devem apresentar seletividade para a

instalado para avaliar o efeito das doses de octaborato

cultura, além de possuir rápida ação de contato (INOUE

de sódio no sorgo foi instalado em 27/02/2023 e

et al., 2003). Dentro destas características, na atualidade

colhido em 12/07/2023.

o diquat consiste no principal herbicida utilizado para

Previamente a instalação do experimento,

este propósito, uma vez que age inibindo a fotossíntese,

foi realizada análise de solo de amostra coletada na

possuindo ação rápida em função do dano causado na

profundidade de 0 a 20 cm, a qual apresentou as

membrana que causa a acelerada desidratação celular

seguintes propriedades químicas e textura: pH em

(LACERDA et al., 2001).

CaCl2 de 4,9; 2,91 cmolc dm-3 de H+ + Al+3; 2,20 cmolc

Uma possibilidade que tem sido avaliada em algumas regiões no intuito de otimizar a utilização do

dm-3 de Ca+2; 0,76 cmolc dm-3 de Mg+2; 131,34 mg dm-3 de K; 22,26 mg dm-3 de P; 0,40 mg dm-3 de B; 6,89 mg

maquinário das propriedades refere-se à aplicação de

dm-3 de Zn; 0,93 mg dm-3 de Cu; 19,10 mg dm-3 de Mn;

herbicidas em associação com fertilizantes (BRIGHENTI

21,9 g dm-3 de M.O.; 47,61% de areia; 16,61% de silte e

et al., 2006), uma vez que possibilita a redução de uma

35,77% de argila. O solo é classificado como Latossolo

entrada com o pulverizador. Para assegurar a viabilidade

Vermelho distrófico (SANTOS et al., 2018). De acordo

da adoção desta prática, é importante averiguar

com classificação de Köppen o clima de Rio Verde é

previamente a recomendação se há possiblidade de

do tipo Aw, que recebe denominação de “tropical com

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

55


estação seca”. Os dados climatológicos relacionados a

meteorológica da marca Plugfield® instalada na área de

temperatura máxima e mínima do ar, umidade relativa

pesquisa do CTC e os resultados estão apresentados

e precipitações durante o período de condução

na Figura 1.

do experimento foram monitorados por estação

Figura 1. Precipitação acumulada (mm), temperaturas máximas e mínima (°C) e umidade relativa (%) durante o período de condução do experimento. Rio Verde (GO), 2023. A dessecação pré-semeadura da soja foi

área experimental a segunda etapa do trabalho

realizada com uma aplicação da associação entre os

visando avaliar o efeito dos tratamentos na cultura do

herbicidas glifosato (1400 g e.a. ha ) + clethodim (120 g

sorgo. Para tanto, no dia 27/02/2023, foi realizada a

i.a. ha ) + Iharol Gold (300 mL p.c. ha ), a qual foi realizada

semeadura do sorgo com o híbrido AG1070, adotando-

dez dias antes da semeadura da cultura. A semeadura

se densidade de semeadura de 10,5 sementes m-1. Na

da soja foi realizada de forma mecanizada no dia

adubação do sorgo, foi realizada a aplicação de 400 kg

27/10/2022, adotando-se espaçamento entrelinhas de

ha-1 do formulado 15-15-15 no sulco de semeadura e

0,5 m, utilizando a cultivar ST700 i2x, com densidade de

150 kg ha-1 de ureia + NBPT (Ureia Turbo) em cobertura

semeadura de 15 sementes m-1. As sementes utilizadas

aos 18 DAS.

-1

-1

®

-1

no experimento foram tratadas industrialmente com

O delineamento utilizado foi o de blocos

fungicidas e inseticidas, bem como foi realizada a

completos ao acaso (DBC), com 4 repetições, avaliando-

prática de inoculação visando assegurar o processo de

se 10 tratamentos (Tabela 1). As unidades experimentais

fixação biológica de nitrogênio. A adubação com KCl foi

foram compostas por dez linhas de semeadura, com

realizada a lanço 3 dias antes da semeadura (DAS) e

comprimento de 5,0 m (25,0 m2). Considerou-se como

no momento da semeadura foi realizado a aplicação de

área útil para as avaliações apenas as seis linhas

450 kg ha superfosfato simples (20% P2O5) no sulco.

centrais de cada unidade experimental, excluindo-se

-1

Após a colheita da soja foi instalado na mesma

56

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

0,5 m de cada extremidade.


Tabela 1. Relação de tratamentos avaliados no experimento de dessecação pré-colheita de soja em associação com octaborato de sódio (AduBor®). Rio Verde (GO), 2022/2023. Tratamentos1/

1/

Testemunha sem herbicida Reglone® Reglone® Reglone® Reglone® + octaborato de sódio Reglone® + octaborato de sódio Reglone® + octaborato de sódio Reglone® + octaborato de sódio Reglone® + octaborato de sódio Reglone® + octaborato de sódio

Dose (L ou kg p.c. ha-1)

Ingrediente ativo

Dose (g i.a. ou kg B ha-1)

1,0 1,5 2,0 1,0 + 5,0 1,0 + 10,0 1,5 + 5,0 1,5 + 10,0 2,0 + 5,0 2,0 + 10,0

Diquat Diquat Diquat Diquat + Boro Diquat + Boro Diquat + Boro Diquat + Boro Diquat + Boro Diquat + Boro

200 300 400 200 + 1,0 200 + 2,0 300 + 1,0 300 + 2,0 400 + 1,0 400 + 2,0

Adicionado espalhante adesivo Agral® na dose de 0,5% V/V.

Os tratamentos foram aplicados quando as plantas de soja se encontravam no estádio R7.3, o

pragas e doenças sem deixar que estes influenciassem negativamente no desenvolvimento da cultura.

qual indica que as plantas apresentam mais de 75%

Para determinar o efeito dos tratamentos, foram

das vagens maduras (amareladas). A aplicação dos

realizadas avaliação de porcentagem de dessecação e

tratamentos no dia 13/02/2022 (109 DAS). No momento

desfolha aos 1, 3, 5 e 7 dias após a aplicação (DAA) dos

da aplicação o solo estava úmido e o céu estava com a

tratamentos. A desfolha visual foi avaliada adotando-se

presença de poucas nuvens, estando a temperatura,

escala em que 0 representa ausência de desfolha nas

umidade relativa do ar e velocidade do vento, mínima e

plantas e 100% representa desfolha completa, sendo

máxima, em valores equivalentes a 22,8 e 26,7,oC, 80,6 e

conferidas notas para todos os tratamentos, incluindo a

82,9% e 0,8 e 1,8 km h-1, respectivamente. As aplicações

testemunha sem herbicida, na qual as plantas passam

foram realizadas utilizando-se um pulverizador de

por um processo de desfolha natural. A dessecação foi

pesquisa pressurizado por CO2 com patente junto ao

avaliada por meio de escala visual em que 0 representa

INPI (BR102016007565-3), montado em um trator (LS

ausência de sintomas de necrose no tecido foliar e 100%

60, 60 cv, Landini). A barra de aplicação foi equipada

representa tecido foliar completamente necrosado em

com dez pontas espaçadas 0,5 m entre si, mantida a

todas as plantas.

uma altura de 0,5 m da cobertura vegetal. A pressão de

Ademais, na ocasião da colheita foi realizada

trabalho nas pontas de pulverização de jato duplo plano

avaliação produtividade e umidade de grãos da soja

com indução de ar (ADIA/D 110015; Magnojet) foi de

e do sorgo. Para determinação da produtividade de

300 kPa (43,5 psi) e o volume de aplicação 100 L ha-1.

grãos, foi realizada o arranquio manual de todas as

Durante o desenvolvimento da soja no período

plantas (no sorgo panículas) presentes na área útil

de safra e do sorgo na safrinha, todos os tratos culturais

de cada unidade experimental, onde posteriormente

foram realizados de acordo com as recomendações

este material foi submetido aos processos de trilha,

técnicas, procedendo ao controle de plantas daninhas,

embalagem, identificação, pesagem e correção da

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

57


aplicação de doses de diquat isolado e associado a

umidade dos grãos para 13%. As análises estatísticas foram realizadas com

doses de octaborato de sódio estão apresentados na

o programa computacional SISVAR. Os dados do

Tabela 2. Na primeira avaliação, realizada apenas 1

experimento foram submetidos à análise de variância

DAA, não foi observada diferenças entre tratamentos

pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito significativo,

para o percentual de desfolha nas plantas de soja.

aplicou-se o critério de agrupamento de médias de

Em contraponto, para a avaliação de dessecação,

Scott-Knott (p≤0,05).

verificou-se que nas unidades experimentais contendo a aplicação de diquat isolado (independentemente da

RESULTADOS E DISCUSSÃO

dose), bem como naquelas contendo a associação entre diquat + octaborato de sódio (200 g i.a. + 5,0 kg p.c.

Os resultados de porcentagem de desfolha

ha-1), os percentuais de dessecação das plantas de soja

e dessecação das plantas de soja submetidas à

eram ligeiramente superiores aos valores observados nos demais tratamentos avaliados.

Tabela 2. Porcentagem de desfolha e dessecação de plantas de soja submetidas à aplicação de doses de diquat isolado e associado com doses de octaborato de sódio (AduBor®). Rio Verde (GO), 2022/2023. Tratamentos Testemunha sem herbicida Diquat Diquat Diquat Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio FCalculado CV (%) Testemunha sem herbicida Diquat Diquat Diquat Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio FCalculado CV (%)

Doses (g i.a. ou kg p.c. ha-1) 200 300 400 200 + 5,0 200 + 10,0 300 + 5,0 300 + 10,0 400 + 5,0 400 + 10,0

200 300 400 200 + 5,0 200 + 10,0 300 + 5,0 300 + 10,0 400 + 5,0 400 + 10,0

1 DAA 66,25 a 68,75 a 70,00 a 72,50 a 71,25 a 71,25 a 68,75 a 66,25 a 70,00 a 71,25 a 0,82ns 6,74 0,00 c 16,25 a 17,50 a 18,75 a 16,25 a 12,50 b 11,25 b 12,50 b 13,75 b 13,75 b 11,20* 23,64

Desfolha (%) 3 DAA 5 DAA 82,50 b 91,25 b 98,75 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 97,50 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 100,00 a 30,19* 49,00* 2,03 0,80 Dessecação (%) 0,00 0,00 c 99,50 a 100,00 100,00 a 100,00 100,00 a 100,00 99,50 a 100,00 100,00 a 100,00 97,50 b 100,00 99,50 a 100,00 100,00 a 100,00 99,75 a 100,00 3896,01* 1,13 -

7 DAA 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 0,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 -

e * Não significativo e significativo, respectivamente, a 5% de probabilidade pelo teste F. Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.

ns

58

Fertilidade do Solo e Fertilizantes


Em nova avaliação realizada aos 3 DAA, todos

prática agronômica.

os tratamentos contendo a aplicação de diquat,

Aos 5 DAA, excluindo-se a testemunha sem

independentemente das doses utilizadas ou se este foi

herbicida, em todos os demais tratamentos os níveis

aplicado isoladamente ou em associação ao octaborato

de desfolha e dessecação alcançaram o patamar de

de sódio, os percentuais de desfolha foram superiores

100%, indicando que a cultura já se encontrava apta

aos da testemunha sem herbicida (Tabela 2). Para se

para o processo de colheita. Para o tratamento em que

ter uma ideia da performance dos tratamentos, nas

não foi realizada a aplicação de diquat isolado ou em

unidades experimentais que receberam a aplicação de

associação ao octaborato de sódio, as plantas de soja

diquat, os percentuais de desfolha variaram de 97,50

atingiram o estado de desfolha completa apenas uma

a 100%. Para a variável porcentagem de dessecação

semana após a data em que foi realizada a aplicação

aos 3 DAA, observou-se grande incremento nos valores

dos herbicidas nos demais tratamentos, demonstrando

em relação à primeira avaliação, visualizando-se um

o benefício que a adoção da prática de dessecação

percentual médio entre os tratamentos ≈ 99,50%. A

pode trazer na antecipação da colheita da soja.

obtenção destes altos percentuais de dessecação

Para as variáveis umidade e produtividade de

da soja poucos dias após a aplicação do diquat está

grãos da soja, não foram observadas diferenças entre

relacionada ao mecanismo de ação que o herbicida

os tratamentos contendo aplicação do diquat isolado

apresenta, bem como por sua ação de contato (ROMAN

ou em associação com octaborato de sódio, nem

et al., 2007). Adicionalmente, verifica-se com base nos

tampouco entre estes e a testemunha sem herbicida

resultados do presente trabalho que, aparentemente,

(Tabela 3). Este fato demonstra a segurança na utilização

a adição de octaborato de sódio à calda de aplicação

da prática de dessecação pré-colheita, desde que

do diquat não impôs restrições na performance do

as recomendações técnicas sejam respeitadas, bem

herbicida, demonstrando viabilidade de uso desta

como o estádio das plantas na ocasião da aplicação.

Tabela 3. Umidade de grãos (UG) e produtividade (PRO) da soja e do sorgo cultivado em sucessão. Rio Verde (GO), 2022/2023.

Tratamentos Testemunha sem herbicida Diquat Diquat Diquat Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio Diquat + octaborato de sódio FCalculado CV (%)

Doses (g i.a. ou kg p.c. ha-1) 200 300 400 200 + 5,0 200 + 10,0 300 + 5,0 300 + 10,0 400 + 5,0 400 + 10,0

Soja

Sorgo

UG (%)

PRO (scs ha )

UG (%)

PRO (scs ha-1)

14,86 a 14,72 a 14,10 a 13,58 a 15,35 a 14,05 a 13,49 a 14,44 a 13,54 a 14,58 a 1,27ns 7,77

81,23 a 78,55 a 79,63 a 80,70 a 81,21 a 83,90 a 86,09 a 79,29 a 84,93 a 78,57 a 0,68ns 7,97

14,45 a 13,40 a 13,98 a 13,87 a 13,58 a 13,90 a 13,74 a 14,23 a 13,84 a 13,89 a 1,32ns 3,74

103,22 c 103,37 c 103,81 c 110,13 b 104,55 b 114,00 a 108,61 b 114,73 a 107,85 b 109,46 b 1,57* 6,28

-1

e * Não significativo e significativo, respectivamente, a 5% de probabilidade pelo teste F. Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.

ns

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

59


Para o sorgo cultivado em sucessão, observouse incremento significativo (p<0,05) na produtividade de grãos em função das doses de B adicionadas na dessecação pré-colheita da soja. As aplicações de 1 e 2 kg ha-1 de B aumentaram, em média, 3,8 e 9,5 sacas ha-1, respectivamente. O octaborato de sódio é um produto de alta solubilidade (97 g L-1), sendo uma ferramenta interessante que possibilita a aplicação de doses mais elevadas de B sem causar problemas operacionais como diluição do produto. Comparativamente, o ácido bórico que também é frequentemente utilizado em associações com herbicidas, apresenta menor solubilidade (47 g L-1), o que limita as maiores doses de B devido às dificuldades operacionais como entupimento dos bicos de pulverização. A estratégia de fornecimento de B via barra de pulverização, além de aproveitar uma operação agrícola sem causar efeitos antagônicos quando associado ao diquat, possibilita a distribuição uniforme do nutriente na área de cultivo, o que é o principal desafio em se tratando da aplicação de fontes granuladas de micronutrientes devido as baixas doses requeridas pelas culturas.

CONCLUSÕES Nas condições em que o presente experimento foi executado, pode-se concluir que a adição de octaborato de sódio ao diquat em aplicações realizadas visando à dessecação pré-colheita da soja não afetou o desempenho final do herbicida isolado, independentemente das dosagens utilizadas do fertilizante e/ou herbicida. Nenhum dos tratamentos contendo o diquat isolado ou em associação com octaborato de sódio afetou o percentual de umidade e a produtividade de grãos da soja. A estratégia de fornecer de B via calda de pulverização, além de aproveitar a operação de dessecação da soja para a aplicação uniforme do nutriente, incrementou a produtividade do sorgo em sucessão.

REFERÊNCIAS BRIGHENTI, A.M.; CASTRO, C.; MENEZES,

60

Fertilidade do Solo e Fertilizantes

C.C.E.; OLIVEIRA, F.A.; FERNANDES, P.B. Aplicação simultânea de dessecantes e boro no manejo de plantas daninhas e na nutrição mineral das culturas de soja e girassol. Planta Daninha, v.24, n.4, p.797-804, 2006. CRUVINEL, A.G.; ALVES, V.R.; SOUSA NETA, R.; MORAES, K.L.; CANTÃO, V.C.G. Formas de aplicação de boro e seus efeitos no rendimento do sorgo granífero. In: VII Reunião Centro-Oeste de Ciência do Solo e IV Simpósio sobre Nutrição de Plantas no Cerrado. 2023, Goiânia INOUE, M.H.; MARCHIORI JÚNIOR, O.; BRACCINI, A.L.; OLIVEIRA JR., R.S.; ÁVILA, M.R.; CONSTANTIN, J. Rendimento de grãos e qualidade de sementes de soja após a aplicação de herbicidas dessecantes. Ciência Rural, v.33, n.4, p.769-770, 2003. LACERDA, A.L.S.; LAZARINI, E.; SÁ, M.E.; WALTER FILHO, V.V. Aplicação de dessecantes na cultura de soja: antecipação da colheita e produção de sementes. Planta Daninha, v.19, n.3, p.381-390, 2001. MANTOVANI, J.P.M.; CALONEGO, J.C.; FOLONI, J.S.S. Adubação foliar de boro em diferentes estádios fenológicos da cultura do amendoim. Revista Ceres, v.60, n.2, p.270-278, 2013. ROMAN, E.S.; VAGAS, L.; RIZZARDI, M.A.; HALL, L.; BECKIE, H.; WOLF, T.M. Como funcionam os herbicidas: da biologia à aplicação Passo Fundo: Berthier, 2007. 160 p. SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS, L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO, M.R.; ALMEIDA, J.A.; CUNHA, T.J.F.; OLIVEIRA, J.B. Sistema brasileiro de classificação de solos. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. 5 ed. Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos. 2018. 588 p, 2018. VEIGA, A.D.; ROSA, S.D.V.F.; SILVA, P.A.; OLIVEIRA, J.A.; ALVIM, P.O.; DINIZ, K.A. Tolerância de sementes de soja à dessecação. Ciência e Agrotecnologia, v.31, n.3, p.773-780, 2007.


Fisiologia e Nutrição de Plantas Fisiologia e Nutrição de Plantas

61


EFEITOS DE DOSES E ÉPOCAS DE ADUBAÇÃO COM FÓSFORO VIA FOLIAR, NA NUTRIÇÃO E PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA

BUENO1, Amanda Magalhães; LIMA2, Diego, Tolentino; FERNANDES3, Rafael Henrique; NASCIMENTO4, Hemython Luis Bandeira do; SARKIS5, Leonardo Fernandes Enga. Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br; 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br; 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br; 4 Eng. Agrônomo, Dr. Zootecnia, Pesquisador em Forragicultura do Centro Tecnológico COMIGO, Rio Verde-GO, Brasil. E-mail: hemythonluis@comigo.com. br; 5 Eng. Agrônomo, MS. em Fertilidade do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@ comigo.com.br. 1

INTRODUÇÃO A nutrição desempenha papel fundamental na busca por altas produtividades para a cultura da soja, visto que as plantas necessitam de nutrição equilibrada com todos os 17 elementos essenciais, descritos como nutrientes, para alcançar seu máximo potencial de crescimento e rendimento (PRADO, 2021). Nutrientes, como fósforo, potássio, nitrogênio, os macronutrientes secundários

e

micronutrientes,

desempenham

funções chave nas atividades metabólicas das plantas, influenciando desde a formação e desenvolvimento radicular até a produção e enchimento de grãos (FAQUIN, 2005). A nutrição adequada assegura a eficiência fotossintética, otimiza a absorção de água e nutrientes do solo, fortalece a resistência das plantas a doenças e estresses ambientais, e é fator fundamental para atingir o máximo potencial produtivo das culturas (TAIZ et al., 2017). Dentre

os

macronutrientes,

o

fósforo

desempenha uma série de funções essenciais na formação e ativação de compostos energéticos como o ATP (adenosina trifosfato), considerado a moeda

62

Fisiologia e Nutrição de Plantas


energética da planta, pois participa efetivamente do

para as raízes das plantas ao longo do ciclo de

transporte e armazenamento de energia nas células

crescimento. Nos últimos anos, a adubação foliar

vegetais (MALAVOLTA., 2006). Além disso, o fósforo

tem emergido como uma estratégia complementar,

está intimamente envolvido na síntese de DNA e

permitindo a aplicação direta de fósforo nas folhas, o

RNA, bem como na formação de proteínas (TAIZ et

que pode ser especialmente adaptado em situações

al., 2017). Nas fases iniciais do desenvolvimento, o

de deficiência nutricional ou limitações de absorção

fósforo é crucial para o enraizamento, promovendo

radicular (NACHTIQAÜ; NAVA, 2010).

uma maior absorção de água e nutrientes do solo

Os efeitos da adubação foliar com fósforo,

(SALVAGIOTTI et al., 2013). Durante o florescimento

apresentam maiores eficiências em momentos

e a formação de vagens, o fósforo é componente

críticos de demanda, como durante os períodos que

essencial para a reprodução e o enchimento dos

precedem estresses abióticos, fases de floração,

grãos, impactando diretamente na produtividade de

formação de vagens e enchimento de grãos. A

culturas graníferas (EPSTEIN, BLOOM, 2006).

adubação foliar contribui para a superação de

Ressalta-se ainda, os efeitos do fósforo na

possíveis deficiências, otimizando a eficiência de

prevenção e atenuação de estresses. O nutriente

absorção do fósforo e maximizando a atividade

desencadeia respostas regulatórias e bioquímicas

metabólica da cultura (KAHRAMAN, 2017). Neste

que fortalecem a resistência das plantas a condições

sentido, esse estudo teve por objetivo, avaliar os

adversas, como déficit hídrico e altas temperaturas.

efeitos da adubação foliar para fornecimento de

Por estar envolvido na síntese de compostos

fósforo na nutrição e produtividade de soja, cultivada

bioenergéticos, como o ATP, plantas com adequados

no sudoeste goiano na safra do ano agrícola 2022/23.

teores de fósforo, apresentam maior rapidez nas respostas a situações adversas, possibilitando a ativação de enzimas antioxidantes para minimizar os

danos

causados

pelo ​​

estresse

oxidativo,

MATERAL E MÉTODOS O

experimento

foi

conduzido

em

área

possibilitando antecipação na regulação osmótica e

experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO),

manutenção da fotossíntese por mais tempo (TAIZ et

no município de Rio Verde, Goiás, nas coordenadas

al., 2017).

geográficas de latitude -17°33'28,95" e longitude

A deficiência de fósforo pode levar a redução

-50°59'3,03" e 780 m de altitude. O clima da região

do porte das plantas, atraso do florescimento e

é classificado como Aw (Savana Tropical), conforme

baixa formação de vagens e enchimento de grãos,

classificação

acarretando

da

com estação seca no inverno (maio a setembro)

cultura (PRADO, 2021). Existem diversas formas de

e chuvosa no verão (outubro a abril). Ao longo do

fornecimento de fósforo para a cultura da soja, cada

ciclo da cultura, os índices de precipitação pluvial

uma com suas características e aplicabilidades. A

e temperatura, foram monitorados, por meio da

aplicação de fertilizantes fosfatados diretamente

estação agrometeorológica Plugfield® modelo WS22,

no solo é a principal estratégia para reposição do

instalada nas proximidades da área experimental

nutriente (SOUSA; LOBATO, 2004). Esses fertilizantes

(Figura 1).

em

quedas

na

produtividade

Köppen

(ALVARES

et

al.,

2013),

liberam o fósforo no solo, tornando-o disponível

Fisiologia e Nutrição de Plantas

63


Figura 1. Precipitação pluvial diária e acumulada ao longo dos estádios vegetativos e reprodutivos da cultura da soja, temperaturas máxima, média e mínima na área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) no intervalo dos dias 07/10/2022 a 20/02/2023, Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. O solo da área experimental foi classificado

camadas de 0-20 cm e 20-40 cm de profundidade, para

como LATOSSOLO VERMELHO Distroférrico, de

análise dos atributos químicos e granulometria do solo

textura argilosa (>35% de argila). Antes da instalação

(Quadro 1).

dos experimentos, foram realizadas amostragens nas

Quadro 1. Análise química e granulométrica do solo antes da implantação do experimento de adubação foliar contendo fósforo na cultura da soja, na área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.

Profundidade

P mg dm-3

0 a 20 cm

K

Mg

S

B

Zn

Cu

Fe

--------- cmolc dm-3 --------

---------------------- mg dm-3 ------------------

8,02

0,26

2,8

0,91

18,26

0,88

6,22

1,61

36,09

Mn

M.O.S

Al

H+Al

pH

Areia

Silte

Argila

V

mg dm-3

%

cmolc dm-3

-

34,07

2,04

0,04

2,42

5,32

44,04

11,58

44,38

P

K

Ca

Mg

S

pH

V

mg dm-3

-

%

16,62

4,24

12,03

20 a 40 cm

mg dm-3 0,41

64

Ca

Fisiologia e Nutrição de Plantas

------- cmolc dm-3 -------0,04

0,6

0,12

------------------- % ------------------61,7


As necessidades de correção e adubação,

O estudo foi realizado em delineamento em

foram calculadas, com base nos resultados da

blocos casualizados com quatro repetições, em

análise de solo e exigências nutricionais da cultura

esquema fatorial 4x3 + 1. Sendo 4 doses de P2O5 (3, 6,

(SOUSA; LOBATO, 2004). Aos 80 dias pré-semeadura,

9, 12 kg ha-1) divididas em três épocas de adubações

foi realizada a aplicação de 1 t ha-1 de gesso agrícola

foliares (em V2, V5, R3 e R5.1; V5, R3 e R5.1 ou V5 e R3),

e após 20 dias a calagem com 2 t ha-1 de calcário

e o tratamento adicional, com quatro repetições sem

em área total, sem revolvimento do solo. 30 dias

aplicação do fertilizante (testemunha), totalizando

antes da semeadura, foram aplicados 200 kg ha-1 de

13 tratamentos (Figura 2 e Quadro 2). O fertilizante

K2O (cloreto de potássio) e 2 kg ha-1 de B (ulexita), à

fosfato monoamônico (MAP purificado - 11% N +

lanço. Um dia antes da semeadura, à lanço, foram

60% P2O5), foi utilizado como fonte do nutriente,

aplicados 1 kg ha-1 de boro e cobre, 2 kg ha-1 de zinco

respectivamente nas doses de 5, 10, 15 e 20 kg ha-1

e manganês e 0,85 kg ha-1 de enxofre (25 kg ha-1 Mix

(Figura 2 e Quadro 2).

Complexo® - 4% B, 4% Cu, 8% Zn, 8% Mn e 3,5% S). Na ocasião da semeadura, via suco de plantio, foram aplicados 25 kg ha-1 de N e 150 kg ha-1 de P2O5 (fosfato monoamônico). Ainda no sulco de plantio com auxílio de jato dirigido, com volume de aplicação de 50 L ha-1, foram aplicados 1 L ha-1 do inoculante Cell Tech® contendo duas cepas de Bradyrhizobium japonicum (Semias 5079 e 5080, com 3x109 UFC/ mL); 0,1 L ha-1 do coinoculante Biomax Azum® (Azospirillum brasilienses, 3x108 UFC/mL); inseticida biológico Meta-Turbo® na dose de 0,5 L ha-1 (Metarhizium anisopliae IBCB425 mínimo de 1x108 propágulos viáveis/mL); fungicida biológico Tricoturbo® 0,25 L ha-1 (Trichoderma asperellum BV10 mínimo de 1x1010 conídios viáveis/mL) e 0,4 L ha-1 do nematicida Verango® Prime. Os manejos de plantas daninhas, insetos praga e doenças, foram realizados conforme o levantamento das necessidades por meio de avaliações periódicas da área e as boas práticas agrícolas. Foram levados em conta os preceitos do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas (MIP, MID e MIPD) para a tomada de decisão quanto ao método de controle utilizado. Estes tratos culturais foram adotados em toda a área experimental.

Fisiologia e Nutrição de Plantas

65


Figura 2. Descrição gráfica das épocas e doses de aplicação de MAP purificado via foliar na cultura da soja cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.

Quadro 1. Descrição do delineamento experimental em função das doses e épocas de aplicação de fósforo (P2O5) via foliar na cultura da soja cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.

66

Fisiologia e Nutrição de Plantas


O plantio foi realizado no dia 07/10/2022 com a

a 80 sc ha-1. Foi utilizada metodologia proposta Creste

cultivar de soja SOYTECH 700 i2x, grupo de maturação

e Echer (2010), na qual estabelece como faixa de

7.0, com hábito de crescimento indeterminado, e

equilíbrio, os valores entre (–(4σ)/3) e (+(4σ)/3) (σ: desvio

população final de 15 plantas m-1 (300.000 plantas ha-

padrão), que para o banco de dados em questão, foram

). Cada parcela foi composta por 12 linhas espaçadas

considerado como adequados, os índices entre -17 e

em 0,50 m, contendo 10 m de comprimento (60 m2 por

17. Os valores abaixo (negativos) ou acima (positivos)

parcela). As avaliações foram realizadas nas seis fileiras

dessa faixa, são considerados em desequilíbrio por

centrais, excluindo-se 0,50 m das extremidades (área

deficiência ou excesso, respectivamente (Figura 3).

1

A colheita foi realizada no dia 07/02/2023,

útil de 27 m2). As pulverizações foliares foram realizadas de

totalizando o ciclo de 124 dias (da semeadura à colheita).

acordo com o estádio da cultura, com as doses totais

Foram realizadas amostragens de produtividade com

divididas em duas, três ou quatro aplicações. Para

a coleta das plantas em dois pontos de 3 metros e

pulverização das unidades experimentais, utilizou-

3 linhas (4,50 m²) por área útil de cada parcela. As

se um pulverizador de parcelas pressurizado por CO2

amostras foram secas, trilhadas, pesadas e aferidas a

(Patente: BR102016007565-3) montado em trator. O

umidade. A umidade das amostras foi corrigida para

pulverizador possui barra de 5,0 metros com 10 bicos

13%. Na data da colheita foram avaliados o número de

de pulverização espaçados em 0,5 m. Utilizou-se pontas

nós reprodutivos na haste principal, número de ramos

modelo ADIA 015.D da marca Magnojet®. A calibração

laterais e número total de vagens na haste principal, de

do equipamento foi ajustada com pressão de trabalho

três plantas coletadas aleatoriamente na área útil de

em 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L

cada unidade experimental. A partir da metodologia estatística, foram

ha-1. Cinco dias após a última aplicação dos

avaliadas as significâncias dos fatores e suas

tratamentos (estádio R5.1), foram coletadas 20 folhas

interações, por meio da análise de variância pelo teste

por parcela, sendo a terceira completamente expandida

F a 5% de probabilidade. Os resultados significativos,

a partir da haste principal, sem o pecíolo (MALAVOLTA

quando de caráter quantitativo foram submetidos à

E VITTI, 1997). As amostras de tecido vegetal foram

análise de regressão e quando qualitativo, as médias

analisadas

foram comparadas a partir do teste Scott-Knott a 5% de

conforme

metodologia

proposta

por

Silva (2009), a partir das quais foram determinados

probabilidade.

os teores de N, P, K, Ca, Mg, S, B, Cu, Fe, Mn e Zn. O resultado médio dos teores foliares de nutrientes foram interpretados conforme metodologia DRIS (Sistema

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Integrado de Diagnose e Recomendação), utilizando

Os resultados médios das análises foliares

as normas estabelecidas por banco de dados DRIS

foram interpretados pelo método DRIS em função do

COMIGO – SOJA, elaborado na safra 2022/2023, para

banco de dados DRIS COMIGO – SOJA, elaborado na

as regiões do sudoeste goiano, com altitude superior

safra 2022/23 (Figura 3). Os índices DRIS calculados,

a 700 m.

indicam a deficiência, excesso e equilíbrio nutricional

Os índices DRIS foram calculados a partir da

da amostra, em função da população de referência de

população de referência com produtividade superior

alta produtividade (CARVAJAL et al., 2021). Quanto mais

Fisiologia e Nutrição de Plantas

67


próximo de zero estiver o índice dos nutrientes, maior o

kg ha-1 de P2O5, equivalente ao total de 15 kg ha-1 de

potencial da planta apresentar produtividade igual ou

MAP purificado em todas as formas de parcelamento,

superior ao limite pré-estabelecido (PARENT; DAFIR,

e ainda aquelas que receberam a nutrição foliar com

2019), que para esse estudo, é de 80 sc ha-1.

12 kg ha-1 de P2O5 (20 ha-1 de MAP purificado) com a

As plantas que não receberam adubação foliar

dose total divida nos estádios V5, R3 e R5.1 e em V5 e

contendo fósforo (tratamento controle), apresentaram

R3, demonstraram desbalanço positivo, com aumento

deficiência de potássio e excesso de cálcio. Já os

no teor de potássio foliar (índice DRIS > 17) (Figura 3).

Figura 1 que receberam a adubação foliar com 9 tratamentos

Figura 3. Diagnose do estado nutricional pelo método DRIS, em função das épocas e doses de aplicação de fósforo (P2O5) via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.

68

Fisiologia e Nutrição de Plantas


Quando por meio do índice DRIS, são detectados

foram avaliadas por meio da análise de regressão

desbalanços nutricionais positivos nos teores foliares

(Figura 4). Já em relação às fontes de variação de

de nutrientes, é indicativo de que esse nutriente se

caráter qualitativo, os testes de médias aplicados, pode

apresenta em excesso em relação ao demais. Embora

ser visualizado na Tabela 1.

o presente estudo avaliou o fornecimento de fósforo via foliar na cultura, foram observados, em alguns casos, o excesso e deficiência de potássio e deficiência de cálcio no tratamento testemunha. O desbalanço de potássio identificado nesse caso, pode não estar relacionado ao excesso do nutriente no solo, e sim a processos específicos do nutriente nessas plantas. O potássio é o único nutriente que não participa de componentes estruturais nas plantas, por isso, é possível que alguns diagnósticos detectem maiores ou menores teores foliares desse nutriente, em função de sua alta mobilidade (EMBRAPA, 2005). O cálcio atua como sinalizador de estresse dentro da célula, quando as condições ambientais estão desfavoráveis, aumenta-se o teor de calmodulina, que é uma proteína ligada ao cálcio, aumento assim o teor do nutriente nas folhas. A maior concentração dessa proteína indica a necessidade de fechamento estomático, e por sua vez, a saída do potássio das células guarda dos estômatos, deixando-as com menor turgidez. Por consequência ocorre a remobilização do potássio para outros órgãos na planta, reduzindo seu teor foliar. As aplicações das doses de fósforo via foliar, em diferentes épocas, não influenciaram o número de nós na haste principal nem o número de vagens por planta (Tabela 1). No entanto, os fatores avaliados tanto de forma isolada, quanto suas interações, atuaram significativamente sob o número de ramos laterais e produtividade de grãos (Tabela 1). Os efeitos das doses nas variáveis produtivas e número de ramos laterais

Fisiologia e Nutrição de Plantas

69


Tabela 2. Número de nós reprodutivos, número de ramos e número de vagens por planta e produtividade de grãos (sc ha-1) de soja em função das épocas e doses de aplicação de fósforo (P2O5) via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.

Tratamentos

Nós haste principal (n° planta-1)

Ramos laterais (n° planta-1)

Vagens (n° planta-1)

Produtividade (sc ha-1)

Doses totais de P2O5 Doses totais (D) de MAP 0 kg ha-1

0 kg ha-1

12,77

1,22

37,05

71,88

3 kg ha-1

5 kg ha-1

13,27

2,16

42,33

78,78

6 kg ha-1

10 kg ha-1

14,05

2,88

47,55

77,78

9 kg ha-1

15 kg ha-1

13,49

2,16

45,72

82,97

12 kg ha-1

20 kg ha-1

13,66

2,11

43,72

81,98

p-valor

-

0,144ns

0,0001**

0,062ns

0,005**

sem aplicação

-

12,77

1,22 c

37,05

71,88 c

V2, V5, R3 e R5.1

-

13,85

2,62 a

44,37

79,06 b

V5, R3 e R5.1

-

13,58

2,00 b

44,37

82,54 a

V5 e R3

-

13,41

2,37 a

45,29

79,08 b

p-valor

-

0,194ns

0,0001**

1,927ns

0,002**

p-valor

-

0,448ns

0,0004**

0,834ns

0,001**

média

-

13,55

2,24

44,23

79,58

C.V. (%)

-

5,93

18,74

12,35

2,90

Épocas de aplicação (E)

Interação (DxE)

ns e **, não significativo a 5% e significativo a 1% de probabilidade pelo teste F, respectivamente. Médias seguidas por mesma letra na linha, não diferem entre si, pelo Teste de Scott-Knott (p-valor <0,05). C.V. (Coeficiente de Variação).

70

Ao realizar os desdobramentos das equações

ramos/planta) (Figura 4a). A máxima produtividade

geradas a partir da análise de regressão, estimou-se

de grãos estimada foi de 82,28 sc ha-1 atingida

que a aplicação de 11,78 kg ha-1 de MAP purificado

com a aplicação de 11,86 kg de P2O5 ha-1, o que

(7,07 kg P2O5 ha-1) via foliar, independentemente do

demandaria a dose total de 19,78 kg ha-1 de MAP

parcelamento do fertilizante, é a dose que acarretaria

purificado, independente da época de parcelamento

em maior ramificação lateral em plantas de soja (2,66

da aplicação (Figura 4b).

Fisiologia e Nutrição de Plantas


a

b

Figura 4. Número de ramos laterais por planta (a) e produtividade de grãos (sc ha-1) (b), em função das e doses de aplicação de fósforo (P2O5) via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. Ao avaliar as interações entre as fontes

ha-1 P2O5, ocorreram nos estádios V5, R3 e R5.1, ocorreu

de variação (dose de P2O5 x época de aplicação),

incremento médio de 1,11 ramos laterais em relação à

observou-se que as aplicações de 6 e 12 kg ha P2O5

testemunha. Por fim, quando ocorreu a aplicação de 6 kg

nos estádios V2, V5, R3 e R5.1, foram as doses nesse

ha-1 P2O5 em V5 e R3, observou-se a maior ramificação

estádio, que promoveram maior ramificação lateral,

em relação aos demais tratamentos, em torno de 2,11

em média 2,03 mais ramos em relação à testemunha

mais ramos em comparação à testemunha (Figura 5a).

-1

(Figura 5a). Quando as divisões das doses de 3 e 6 kg

Fisiologia e Nutrição de Plantas

71


a

b

Figura 5. Número de ramos laterais (a) e produtividade de grãos (sc ha-1) (b), em função da interação entre as épocas e doses de aplicação de fósforo (P2O5) via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) em Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. incrementos

à testemunha (ganho de 14,1 sc ha-1). Quando as doses

produtivos, em praticamente todas as doses e épocas

de MAP purificado foram divididas em três aplicações, o

de aplicação de fósforo via foliar na cultura da soja,

maior incremento produtivo se deu com a aplicação de

exceto com a divisão da dose de 3 kg ha de P2O5 em

3 kg ha-1 de P2O5 (1,66 kg ha-1 de MAP por pulverização

quatro aplicações (1,25 kg de MAP por aplicação). Nesta

foliar), sendo 18% superior à testemunha (+ 16,34 sc ha-

forma de parcelamento (V2, V5, R3 e R5.1), o melhor

1

resultado produtivo ocorreu com a aplicação da dose

da adubação foliar, onde as doses foram divididas em

total de 9 kg ha de P2O5, totalizando 3,75 kg de MAP

V5 e R3, o maior índice produtivo encontrado foi obtido

por aplicação alcançando produtividade 16% superior

com a aplicação de 9 kg ha-1 de P2O5 (7,5 kg ha-1 de MAP

Observou-se

que

ocorreram

-1

-1

72

Fisiologia e Nutrição de Plantas

) (Figura 5b). Por fim, na última forma de parcelamento


purificado por aplicação), atingindo ganhos de 14% em

maior ramificação lateral na cultura da soja. Seus

relação à testemunha (+ 12, 02 sc ha-1).

efeitos benéficos são intensificados em períodos que

A maior ramificação lateral, proporcionada pela

antecedem eventos estressantes às plantas, como falta

aplicação foliar das doses de fósforo, principalmente em

de chuva, e naqueles em que ocorre alta demanda

parcelamento nos estádios V2, V5, R3 e R5.1 e em V5 e

energética como na formação de vagens e enchimento

R3, indicam que ocorreu maior vigor no crescimento e

de grãos.

desenvolvimento vegetativo, do que quando as maiores doses foram fornecidas no estádio R3 e R5.1. O estádio R3, para as cultivares de crescimento indeterminado,

AGRADECIMENTOS

é aquele no qual ocorre efetivamente redução do

À equipe de campo e aos estagiários da

desenvolvimento e crescimento vegetativo (OLIVEIRA

Fazenda Monte Alegre e Centro Tecnológico COMIGO,

et al., 2016).

indispensáveis para a condução deste trabalho.

Embora

tenham

ocorrido

incrementos

significativos em produtividade em função dos parcelamentos das aplicações das doses de fósforo em todas as épocas avaliadas, foi observado que quando as aplicações ocorreram nos estádios reprodutivos, esses incrementos foram ainda maiores. Esses resultados podem estar ligados aos efeitos benéficos da aplicação de fósforo em torno dos 25 dias após a emergência (estádio V5), momento que antecedeu um veranico de 15 dias (Figura 1). Podendo essa aplicação ter auxiliado na maior tolerância ao período de déficit, aliado ainda, com as aplicações nos estádios reprodutivos, época a qual as chuvas retornaram. Essas adubações também coincidiram com os picos de necessidade de fósforo pela cultura, devido ao maior gasto energético empregado nos processos de detoxificação referentes a possíveis estresses oxidativos em função do período de baixa umidade, bem como, em função da energia demandada para a formação de estruturas reprodutivas (R3) e início do processo de enchimento de grãos (R5.1) (OLIVEIRA et. al., 2016; TAIZ et al., 2014).

realizada

adubação nos

ALVARES, C. A.; STAPE, J. L.; SENTELHAS, P. C.; DE MORAES GONÇALVES, J. L.; SPAROVEK, G. Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, vol. 22, no. 6, p. 711–728, 2013. https://doi. org/10.1127/0941-2948/2013/0507. CARVAJAL, J. E. V.; ÁLVAREZ, E. O. P.; GUTIÉRREZ, M. C. Diagnosis and Recommendation Integrated System , its application and use in agriculture . A review I . Introduction. vol. 18, no. 3, p. 29–46, 2021. CRESTE, J. E.; ECHER, F. R. Establishing standards for the integrated recommendation and diagnosis system (DRIS) for irrigated bean crops. Communications in Soil Science and Plant Analysis, vol. 41, no. 16, p. 1921–1933, 2010. https://doi.org/10.10 80/00103624.2010.495803. EMBRAPA. Tecnologias de produção de soja Região Central do Brasil 2005. Sistemas de Produção, p. 242, 2005. Available at: http://www.cnpso.embrapa. br/download/publicacao/central_2005.pdf.

CONCLUSÕES A

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

EPSTEIN, EMANUEL BLOOM, A. J. Mineral plant nutrition. 3rd ed. Amsterdan: Elsevier, 2006. foliar

estádios

com

fósforo,

vegetativos,

quando

proporciona

FAQUIN, V. Nutrição Mineral De Plantas. Lavras: UFLA/FAEPE, 2005.

Fisiologia e Nutrição de Plantas

73


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method.

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74

Informações Tecnológicas, 2004.

Fisiologia e Nutrição de Plantas


EFEITOS DE DOSES E ÉPOCAS DE ADUBAÇÃO COM MAGNÉSIO VIA FOLIAR, NA NUTRIÇÃO E PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA

BUENO1, Amanda Magalhães; FREITAS2, Andréia Victor; DELGADO3, Vanderson Aparecido Diego; SILVA4, Linconl Lima

produtos advindos da cultura, movimentou cerca de 673,7 bilhões de reais no país (CEPEA; ABIOVE, 2023). O Brasil é um dos principais produtores e exportadores mundiais de soja grão e seus derivados (exportação de

Eng . Agrônoma, Dr . em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br; 2 Estudante de Graduação em Agronomia no Instituto Federal Goiano. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: andreiavictor781@gmail.com; 3 Estudante de Graduação em Agronomia da UniRV. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: vandersomdelgado@ hotmail.com; 4 Estudante de Graduação em Agronomia no Instituto Federal Goiano. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: linconl96lima@gmail.com. 1

a

a

178,65 mil toneladas em 2022) (CEPEA; ABIOVE, 2023). Regiões como o estado de Goiás e o sudoeste goiano desempenham papel fundamental nessa produção. Na safra do ano agrícola 2022/23, Goiás obteve produção de 17,74 milhões de toneladas em uma área de 4,54 milhões de hectares, com grande contribuição da região sudoeste (CONAB, 2023). A importância dessa cultura para essa região está relacionada não apenas ao seu impacto econômico, mas também aos benefícios socioambientais e à segurança alimentar (AVELAR; TANNUS, 2022). A nutrição adequada é fator determinante para

INTRODUÇÃO

o crescimento e desenvolvimento saudável da cultura (MALAVOLTA, 2006). Para alcançar altas produtividades

Vista como uma das culturas de maior

e qualidade de grãos, é indispensável fornecer nutrientes

influência econômica mundial, a soja (Glycine max (L.)

à soja, dentre eles o magnésio (PRADO, 2008). Embora

Merrill), ocupa posição de destaque, e se apresenta,

o fornecimento convencional (via solo) seja a alternativa

para o Brasil, como a mais importante cultura em

recomendada, e que para cultura, a principal fonte

termos de produção e exportação de grãos. Somente

do nutriente seja o calcário (SOUZA; LOBATO, 2004),

em 2022, a comercialização de grãos e demais

a adubação foliar com magnésio vem ganhando

Fisiologia e Nutrição de Plantas

75


destaque como estratégia complementar para suprir

A presença adequada de magnésio é essencial para a

as necessidades nutricionais e fisiológicas da cultura

síntese de clorofila, o metabolismo de carboidratos,

(ELSHERPINY et al., 2023). A adubação foliar consiste

lipídios e proteínas, além da produção de energia. A

na aplicação de nutrientes diretamente nas folhas,

adubação foliar com magnésio pode proporcionar

permitindo uma rápida absorção e utilização por

benefícios no crescimento vegetativo, atenuação de

tecidos vegetais (BOLDRIN et al., 2023; NACHTIQAÜ;

estresses abióticos e rendimento de grãos na soja.

NAVA, 2010).

Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi avaliar

O magnésio é um dos 17 elementos essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas

a interação do parcelamento de doses de magnésio ao longo do ciclo da soja cultivada no sudoeste goiano.

(PRADO, 2021). Para a soja, desempenha funções vitais em processos fisiológicos, como a fotossíntese, a síntese de clorofila, a ativação de enzimas e a transferência de energia (TAIZ et al., 2017). Além de exercer papel

O

experimento

foi

conduzido

em

área

fundamental nos mecanismos de defesa das plantas

experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO),

em condições de estresse abiótico (SENBAYRAM et

no município de Rio Verde, Goiás, nas coordenadas

al., 2015). Assim, plantas cultivadas em condições de

geográficas de latitude -17°33'30,62" e longitude

elevada intensidade luminosa e também em situações

-50°59'7,96" e 780 m de altitude. O clima da região é

de dias nublados, com baixa luminosidade, parecem ter

classificado como Aw (Savana Tropical), conforme

maior necessidade por Mg (CAKMAK; YAZICI, 2010). A

classificação Köppen (ALVARES et al., 2013), com

deficiência de magnésio pode resultar em sintomas

estação seca no inverno (maio a setembro) e chuvosa

visíveis, como clorose internerval (folhas amareladas

no verão (outubro a abril). Ao longo do ciclo da cultura,

entre as nervuras), redução da produção de biomassa e

os índices de precipitação pluvial e temperatura, foram

posteriormente a diminuição da produção e qualidade

monitorados, por meio da estação agrometeorológica

dos grãos (EPSTEIN; BLOOM, 2006).

Plugfield® modelo WS22, instalada nas proximidades

Em suma, o magnésio desempenha papel crítico no metabolismo das plantas, incluindo a cultura da soja.

76

MATERAL E MÉTODOS

Fisiologia e Nutrição de Plantas

da área experimental (Figura 1).


Figura 1. Precipitação pluvial diária e acumulada ao longo dos estádios vegetativos e reprodutivos, temperaturas máxima, média e mínima na área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) no intervalo dos dias 07/10/2022 a 20/02/2023, Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. O solo da área experimental foi classificado

amostragens nas camadas de 0-20 cm e 20-40 cm de

como LATOSSOLO VERMELHO Distroférrico, de

profundidade, para análise dos atributos químicos e

textura argilosa (>35% de argila). Foram realizadas

textura do solo (Quadro 1).

Quadro 1. Análise química e granulométrica do solo antes da implantação do experimento de adubação foliar contendo magnésio na cultura da soja, na área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.

Profundidade

P mg dm-3

0 a 20 cm

20 a 40 cm

K

Ca

Mg

S

B

Zn

Cu

Fe

--------- cmolc dm-3 --------

--------------------- mg dm-3 -----------------

8,02

0,26

2,8

0,91

18,26

0,88

6,22

1,61

36,09

Mn

M.O.S

Al

H+Al

pH

Areia

Silte

Argila

V

mg dm-3

%

cmolc dm-3

-

34,07

2,04

0,04

2,42

5,32

44,04

11,58

44,38

P

K

Ca

Mg

S

pH

V

mg dm-3

-

%

16,62

4,24

12,03

mg dm-3 0,41

------ cmolc dm-3 ------0,04

0,6

0,12

------------------- % -------------------

Fisiologia e Nutrição de Plantas

61,7

77


As necessidades de correção e adubação do

O estudo foi realizado em delineamento em

solo, foram calculadas, com base nos resultados da

blocos casualizados com quatro repetições, em

análise de solo e exigências nutricionais da cultura

esquema fatorial 4x3 + 1. Sendo 4 doses totais de

(SOUSA; LOBATO, 2004). Aos 80 dias pré-semeadura

magnésio (200, 400, 800 e 1600 g ha-1) divididas

(DPS), foi realizada a aplicação de 1 t ha-1 de gesso

em três épocas de aplicações foliares (doses totais

agrícola e após 20 dias a calagem com 2 t ha-1 de

divididas nos estádios V5, R3 e R5.1; V5 e R3 ou R3

calcário em área total, sem revolvimento do solo.

e R5.1) e o tratamento adicional, sem aplicação do

30 dias antes da semeadura, foram aplicados 200

fertilizante (testemunha), totalizando 13 tratamentos

kg ha-1 de K2O (cloreto de potássio) e 2,00 kg ha-1 de

(Figura 2). O fertilizante sulfato de magnésio (MgSO4

B (ulexita), à lanço. Um dia antes da semeadura, à

– 11% SO4 + 9% Mg), foi utilizado como fonte do

lanço, foram aplicados 1,00 kg ha-1 de boro e cobre,

nutriente.

2,00 kg ha-1 de zinco e manganês e 0,85 kg ha-1 de

O plantio foi realizado no dia 07/10/2022

enxofre (25 kg ha-1 Mix Complexo® - 4% B, 4% Cu, 8%

com a cultivar de soja SOYTECH 700 i2x, grupo

Zn, 8% Mn e 3,5% S).

de maturação 7.0, com hábito de crescimento

Na ocasião da semeadura, via suco de plantio,

indeterminado, e população final de 15 plantas m-1

foram aplicados 25 kg ha-1 de N e 150 kg ha-1 de P2O5

(300.000 plantas ha-1). Cada parcela foi composta

(fosfato monoamônico). Ainda no sulco de plantio

por 12 linhas espaçadas em 0,50 m, contendo 10 m

com auxílio de jato dirigido, com volume de aplicação

de comprimento (60 m2 por parcela). As avaliações

de 50 L ha-1, foram aplicados 1,00 L ha-1 do inoculante

foram realizadas nas seis fileiras centrais, excluindo-

Cell Tech® contendo duas cepas de Bradyrhizobium

se 0,50 m das extremidades (área útil de 27 m2).

japonicum (Semias 5079 e 5080, com 3x109 UFC/

As pulverizações foliares foram realizadas

mL); 0,10 L ha-1 do coinoculante Biomax Azum®

de acordo com o estádio da cultura, com as doses

(Azospirillum brasilienses, 3x108 UFC/mL); inseticida

totais divididas em duas ou três aplicações. Para

biológico Meta-Turbo® na dose de 0,50 L ha-1

pulverização das unidades experimentais, utilizou-se

(Metarhizium anisopliae IBCB425 mínimo de 1,0x108

um pulverizador de parcelas pressurizado por CO2

propágulos viáveis/mL); fungicida biológico Trico-

(Patente: BR102016007565-3) montado em trator.

turbo® 0,25 L ha-1 (Trichoderma asperellum BV10

O pulverizador possui barra de 5,0 metros com 10

mínimo de 1,0x1010 conídios viáveis/mL) e 0,40 L ha-1

bicos de pulverização espaçados em 0,5 m. Utilizou-

do nematicida Verango® Prime (i.a Fluopiram).

se pontas modelo ADIA 015.D da marca Magnojet.

Os manejos de plantas daninhas, insetos praga

A calibração do equipamento foi ajustada com

e doenças, foram realizados conforme o levantamento

pressão de trabalho em 2,7 bar (39,1 PSI) e volume

das necessidades por meio de avaliações periódicas

de aplicação de 150 L ha-1.

da área e as boas práticas agrícolas. Foram levados em conta os preceitos do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas (MIP, MID e MIPD) para a tomada de decisão quanto ao método de controle utilizado. Estes tratos culturais foram adotados em toda a área experimental.

78

Fisiologia e Nutrição de Plantas


Figura 2. Descrição gráfica das épocas e doses de aplicação de Mg via foliar na cultura da soja cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. Cinco dias após a última aplicação dos

Creste e Echer (2010), na qual estabelece como faixa de

tratamentos (estádio R5.1), foram coletadas 20 folhas

equilíbrio, os valores entre (–(4σ)/3) e (+(4σ)/3) (σ: desvio

por parcela, sendo a terceira completamente expandida

padrão), que para o banco de dados em questão, foram

a partir da haste principal, sem o pecíolo (MALAVOLTA

considerado como adequados, os índices entre -17 e

E VITTI, 1997). As amostras de tecido vegetal foram

17. Os valores abaixo (negativos) ou acima (positivos)

analisadas

dessa faixa, são considerados em desequilíbrio por

conforme

metodologia

proposta

por

Silva (2009), a partir das quais foram determinados

deficiência ou excesso, respectivamente (Figura 3).

os teores de N, P, K, Ca, Mg, S, B, Cu, Fe, Mn e Zn. O

A colheita foi realizada no dia 07/02/2023,

resultado médio dos teores foliares de nutrientes foram

totalizando o ciclo de 124 dias (da semeadura à colheita).

interpretados conforme metodologia DRIS (Sistema

Foram realizadas amostragens de produtividade com

Integrado de Diagnose e Recomendação), utilizando

a coleta das plantas em dois pontos de 3 metros e

as normas estabelecidas por banco de dados DRIS

3 linhas (4,50 m²) por área útil de cada parcela. As

COMIGO – SOJA, elaborado na safra 2022/2023, para

amostras foram secas, trilhadas, pesadas e aferidas a

as regiões do sudoeste goiano, com altitude superior

umidade. A umidade das amostras foi corrigida para

a 700 m.

13%. Na data da colheita foram avaliados o número

Os índices DRIS foram calculados a partir da

de nós reprodutivos na haste principal, número de

população de referência com produtividade superior

ramos laterais e número total de vagens, de três plantas

à 80 sc ha . Foi utilizada metodologia proposta por

coletadas aleatoriamente na área útil de cada unidade

-1

Fisiologia e Nutrição de Plantas

79


experimental. Foram avaliadas as significâncias dos fatores e suas interações, a partir da análise de variância pelo teste F a 5% de probabilidade. Os resultados significativos, quando de caráter quantitativo foram submetidos à análise de regressão e quando qualitativo, as médias foram comparadas a partir do teste ScottKnott a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados médios das análises foliares foram interpretados pelo método DRIS em função do banco de dados DRIS COMIGO – SOJA, elaborado na safra 2022/23 (Figura 3). Os índices DRIS calculados, indicam a deficiência, excesso e equilíbrio nutricional da amostra, em função da população de referência de alta produtividade (CARVAJAL et al., 2021). Quanto mais próximo de zero estiver o índice dos nutrientes, maior o potencial da planta apresentar produtividade igual ou superior ao limite pré-estabelecido (PARENT; DAFIR, 2019). As plantas que não receberam adubação foliar contendo magnésio, apresentaram índices de potássio em desbalanço negativo (-21) e cálcio com desequilíbrio pelo

excesso

(19).

Comportamento

semelhante

também foi observado nas plantas que receberam as doses totais de 400 g no manejo das doses em V5, R3 e R5.1; 400 g e 1600 g em V5 e R3 (Figura 3). Destaca-se que as plantas que tiveram as doses de Mg foliar de 800 g e 1600 g divididas em 3 aplicações em V5, R3 e R5.1 e também para a dose de 400 g em V5 e R5.1, obtiveram os índices DRIS dentro do nível adequado, indicando equilíbrio entre os nutrientes (Figura 3) e alto potencial produtivo.

80

Fisiologia e Nutrição de Plantas


Figura 3. Diagnose do estado nutricional pelo método DRIS, em função das épocas e doses de aplicação de Mg via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. A aplicação das doses de magnésio via foliar,

resultados, com incremento médio de 5 vagens por

influenciou de forma significativa, o número de nós

planta, em relação à testemunha (Tabela 1). Quanto à

reprodutivos na haste principal a produtividade de

produtividade, os resultados demonstram que, quando

soja (Tabela 1). As épocas de aplicação das doses de

o parcelamento das doses de Mg ocorreu em V5, R3

magnésio, avaliadas individualmente, apresentaram

e R5.1 e em R3 e R5.1, foram atingidos os melhores

influência direta no número de nós reprodutivos

índices produtivos, com incremento médio em torno

na haste principal, de modo que o as plantas com

de 10,34 sc ha-1 relação à testemunha (Tabela 1). Os

parcelamento das doses de Mg nos estádios V5,

dois parcelamentos, apresentaram em comum, as

R3 e R5.1, apresentaram 3 nós a mais, em relação à

aplicações nos estádios R3 e R5.1, momentos esses de

testemunha (Tabela 1).

maior demanda nutricional para a cultura, em função do

Para o número de vagens por planta, o parcelamento da adubação nos estádios V5, R3 e R5.1

início de formação das vagens e posterior enchimento de grãos.

e em V3 e R3, foram os que alcançaram os melhores

Fisiologia e Nutrição de Plantas

81


Tabela 1. Número de nós reprodutivos, número de ramos e número de vagens por planta e produtividade de grãos (sc ha-1) de soja em função das épocas e doses de aplicação de Mg via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.

Tratamentos Doses totais de Mg (D)

Doses totais de MgSO4

0 g ha-1

0 kg ha-1

Nós haste principal (n° planta-1)

Ramos laterais (n° planta-1)

Vagens (n° planta-1)

Produtividade (sc ha-1)

15

2,30

45

71,88

200 g ha

2,22 kg ha

17

2,44

47

80,70

400 g ha

4,44 kg ha

15

2,44

45

83,95

-1

800 g ha

-1

8,88 kg ha

18

2,44

50

82,00

1600 g ha

17,76 kg ha

15

2,55

48

p-valor

-

0,002**

0,579

0,269

0,002**

sem aplicação

-

15 b

2,30

45 b

71,88 c

V5, R3 e R5.1

-

18 a

2,58

50 a

82,35 a

V5 e R3

-

16 b

2,41

50 a

79,57 b

R3 e R5.1

-

16 b

2,33

44 b

82,10 a

p-valor

-

0,001**

0,335

ns

0,017**

0,012**

p-valor

-

0,000**

0,554ns

0,004**

0,022**

média

-

16

2,41

47,40

80,61

C.V. (%)

-

7,04

21,27

10,52

4,23

-1

-1

-1

-1

-1

-1

ns

78,70 ns

Épocas de aplicação (E)

Interação (DxE)

e **, não significativo a 5% e significativo a 1% de probabilidade pelo teste F, respectivamente. Médias seguidas por mesma letra na coluna e diferem entre si, pelo Teste de Scott-Knott (p-valor <0,05). C.V. (Coeficiente de Variação) ns

das

ha-1 atingida com a aplicação de 1190 g de Mg ha-1, o

equações geradas a partir da análise de regressão,

que demandaria a aplicação total de 13,22 kg de sulfato

estimou-se que a aplicação de 900 g de Mg ha via foliar,

de magnésio (9% de Mg2+), independente da época de

independentemente do parcelamento do fertilizante, é

parcelamento da aplicação (Figura 4b).

Após

realizado

os

desdobramentos -1

a que acarreta no maior número de nós reprodutivos na haste principal (17,43 nós/planta) (Figura 4a). A máxima produtividade de grãos estimada é de 88,39 sc

82

Fisiologia e Nutrição de Plantas


a

b

Figura 4. Número de nós reprodutivos por planta (a) e produtividade de grãos (sc ha-1) (b), em função das e doses de aplicação de Mg via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO), Rio Verde, Goiás, safra 2022/23. Ao avaliar as interações entre as fontes

tratamentos (Figura 5a). O número de vagens por planta

de variação (dose de Mg x época de aplicação),

foi influenciado apenas quando a adubação foliar com

observou-se que as aplicações de Mg nos estádios

magnésio ocorreu nos estádios V5, R3 e R.1, com as

V5, R3 e R5.1, bem como em V5 e R3, resultaram em

doses de 200 e 800 g ha-1 de Mg, promovendo em

maiores alterações, sendo a dose de 800 g ha-1 de

média incrementos em torno de 18% em relação à

Mg, aquela que nas duas situações, promoveu maior

testemunha (+10 vagens/planta) (Figura 5b).

quantidade de nós reprodutivos em relação aos demais

Fisiologia e Nutrição de Plantas

83


a

b

c

Médias seguidas por mesma letra a cima das barras, não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (p-valor <0,05).

Figura 5. Número de nós reprodutivos na haste principal (a), número de vagens por planta (b) e produtividade de grãos (sc ha-1) (c), em função da interação entre as épocas e doses de aplicação de magnésio via foliar na cultura da soja, cultivada em área experimental da Fazenda Monte Alegre (COMIGO) em Rio Verde, Goiás, safra 2022/23.

84

Fisiologia e Nutrição de Plantas


foi

Quando a luz é absorvida pela clorofila, ocorre a

estatisticamente influenciada em função da interação

emissão dos elétrons do magnésio, o que desencadeia

entre as doses de magnésio e a época de aplicação.

uma série de reações químicas na fotossíntese.

Verificou-se que a aplicação de Mg via foliar foi

Essas reações levam à conversão de dióxido de

eficiente em proporcionar incremento produtivos, em

carbono e água em açúcares e oxigênio. O oxigênio é

todos os casos, independentemente da época ou dose

liberado como subproduto, enquanto os açúcares são

aplicada (Figura 4c). No entanto, quando as doses

usados ​​como fonte de energia para o crescimento e

foram aplicadas divididas em três épocas, sendo uma

desenvolvimento da planta.

A

produtividade

da

soja

também

no vegetativo (V5), e duas no reprodutivo (R3 e R5.1),

O maior número de nós reprodutivos e vagens

observou-se que a melhor produtividade foi obtida com

por planta, em função de doses mais elevadas

a dose de 800 g ha-1, com incrementos de 12,61 sc ha-1

de magnésio (800 g ha-1), tendo pelo menos uma

(15%) em relação à testemunha (Figura 5c).

aplicação no estádio vegetativo (V5, R3 e R5.1 ou V5

Já, quando as aplicações ocorreram de forma

e R3), observados no presente estudo, indicam que

parcelada entre os estádios V5 e R3 a dose de 400 g

a maior parte da energia proveniente dos açúcares

ha-1, foi a que promoveu maior incremento produtivo, na

fixados na fase vegetativa, foi convertido na produção

ordem de 13%, totalizando 11,48 sc ha-1 em relação ao

das estruturas reprodutivas. De modo que, quando

tratamento sem adubação foliar (Figura 5c). Por fim, ao

em menores doses (200 e 400 g ha-1), a aplicação de

observar os resultados referentes a divisão das doses

magnésio ocorreu apenas na fase reprodutiva (R3 e

de Mg apenas no período reprodutivo (R3 e R5.1),

R5.1), houve o aumento da capacidade fotossintética

verificou-se que a aplicação das doses totais de 200 e

da planta, no período de maior exigência energética da

400 g ha-1 de magnésio, promoveram incremento médio

cultura e favoreceu o enchimento de grãos.

de 15% na produção, totalizando ganhos de 13,67 sc ha-1 em relação à testemunha (Figura 4). De forma semelhante Boldrin et al. (2023), observaram incrementos produtivos na ordem de 14 sc

CONCLUSÕES A adubação foliar com até 1600 g ha-1 de

ha-1, com a aplicação de 5,5 kg de sulfato de magnésio

magnésio,

(500 g de Mg) via foliar, no estádio R5.1 da cultura

detectadas pelo método DRIS na cultura da soja. No

da soja. Também com a mesma dose de sulfato de

entanto é capaz de reordenar o equilíbrio nutricional

magnésio, em estudos desenvolvidos por Altarugio et

quando diagnosticados excesso de cálcio e deficiência

al. (2017), foi observado um incremento de 7,56 sc ha-1,

de potássio. A aplicação de magnésio, independente

quando as aplicações ocorreram em R5.1.

da dose, traz melhores índices produtivos quando

não

causa

desbalanços

nutricionais

Estudos indicam que o fornecimento de

realizada nos estádios V5, R3 e R5.1 ou em R3 e R5.1. A

magnésio via foliar, promove, mesmo em solos

adubação foliar contendo 900 g de Mg ha-1 acarretaria

com adequados teores do nutriente, incrementos

os melhores resultados de produtividade, caso o

significativos no teor de clorofila, indicando sua função

parcelamento das doses não fosse considerado.

nutrifisiológica às plantas. O magnésio é o átomo

Com base nos resultados encontrados, em anos

central do anel de porfirina, que é a parte da molécula

onde ocorreram veranicos nos estádios vegetativos de

de clorofila que interage diretamente com a luz solar.

desenvolvimento da soja, recomenda-se a aplicação

Fisiologia e Nutrição de Plantas

85


CONAB.

foliar de 400 g ha-1 de magnésio em R3 e R5.1.

Grãos:

Safra

2022/23.

Acompanhamento da Safra Brasileira, vol. 10, no. 9,

AGRADECIMENTOS

p. 117, 2023. . CRESTE, J. E.; ECHER, F. R. Establishing

À equipe de campo e estagiários da Fazenda Monte

Alegre

e

Centro

Tecnológico

COMIGO,

indispensáveis para a condução deste trabalho.

standards for the integrated recommendation and diagnosis system (DRIS) for irrigated bean crops. Communications in Soil Science and Plant Analysis, vol. 41, no. 16, p. 1921–1933, 2010. https://doi.org/10.10

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86

Fisiologia e Nutrição de Plantas

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Disponível

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aplicações.

2nd

ed.

Piracicaba:

Associação Brasileira para Pesquisa da Potássio e do Fosfato, 1997. MALAVOLTA,

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(Eurípedes).

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nutrição mineral de plantas. [S. l.]: Agronomica Ceres, 2006. AVELAR, M.; TANNUS, S. P. Indicadores das Exportações Brasileiras de Soja em Grão. Journal of Competitiveness and Sustainability, vol. 9, p. 44–53, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.48075/comsus. v9i1.29027. NACHTIQAÜ, G. R.; NAVA, G. Adubação foliar: Fatos e mitos. Agropecuária Catarinense, vol. 23, no. 2, p. 87–97, 2010. PARENT, L. E.; DAFIR, M. A Theoretical concept of compositional nutrient diagnosis. Journal of the American Society for Horticultural Science, vol.


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Fisiologia e Nutrição de Plantas

87


A ADUBAÇÃO FOLIAR COM BIOESTIMULANTES É CAPAZ DE INCREMENTAR A PRODUTIVIDADE DE GRÃOS DE MILHO CULTIVADO EM SEGUNDA SAFRA?

BUENO1, Amanda Magalhães; SARKIS2, Leonardo Fernandes; LIMA3, Diego, Tolentino; FERNANDES4, Rafael Henrique; NASCIMENTO5, Hemython Luis Bandeira do; Enga. Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br; 2 Eng. Agrônomo, MS. em Fertilidade do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br; 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@ comigo.com.br; 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@ comigo.com.br; 5 Eng. Agrônomo, Dr. Zootecnia, Pesquisador em Forragicultura do Centro Tecnológico COMIGO, Rio Verde-GO, Brasil. E-mail: hemythonluis@comigo.com.br 1

INTRODUÇÃO O cultivo do milho em segunda safra, conhecida como safrinha, desempenha papel importante para o Brasil ao ampliar a produção de grãos e fortalecer a segurança alimentar e econômica do país. Essa prática agrícola é especialmente relevante devido à sua capacidade de utilizar as áreas agrícolas já manejadas na safra de verão, maximizando o uso do solo (PERIN et al., 2009). A safrinha diversifica a produção agrícola, e reduz a dependência exclusiva da safra principal de milho, com a possibilidade de uma janela adicional de cultivo capaz de produzir oferta estável de grãos para a alimentação humana e produção de ração animal (ALMEIDA JUNIOR et al., 2017). Embora apresente várias vantagens, o principal gargalo do cultivo em segunda safra no sudoeste goiano, é a escassez de água principal fator limitante para a produção de milho, uma vez que o período de cultivo coincide com o início da estação seca na região (PERIN et al., 2009). A falta de água compromete o desenvolvimento adequado das plantas, afetando a germinação, o crescimento, a formação e enchimento

88

Fisiologia e Nutrição de Plantas


dos grãos (BERGONCI et al., 2000). A redução da disponibilidade hídrica pode resultar em estresse hídrico nas plantas, levando a uma diminuição na produtividade, encurtamento do ciclo vegetativo e acarretando reduções do tamanho e mal formações das espigas (BERGAMASCHI et al., 2006). O uso de fertilizantes foliares com ativos bioestimulantes no cultivo de milho safrinha, vem sendo posicionado como ferramenta que visa aumentar a resistência da cultura a períodos de déficit hídrico, bem como auxiliar no melhor aproveitamento e uso da água (SANTOS et al., 2020). Os bioestimulantes são produtos de origem mineral e/ou biológica que, quando aplicados em plantas, têm a capacidade de melhorar seu

crescimento,

desenvolvimento

e

resistência

aos estresse ambientais (SOUZA et al., 2023). Esses

MATERAL E MÉTODOS O

experimento

foi

conduzido

em

área

experimental do Centro Tecnológico Comigo, no município de Rio Verde, Goiás, nas coordenadas geográficas de latitude - 17°45'58.83" e longitude - 51° 2'5.56" e 841 m de altitude. O clima da região é classificado como Aw (Savana Tropical), conforme classificação Köppen (ALVARES et al., 2013), com estação seca no inverno (maio a setembro) e chuvosa no verão (outubro a abril). Ao longo do ciclo da cultura, os índices de precipitação pluvial e temperatura, foram monitorados, por meio da estação agrometeorológica Plugfield® modelo WS22, instalada nas proximidades da área experimental (Figura 1).

produtos são classificados como fertilizantes foliares, no entanto, apresentam compostos além dos nutricionais, que influenciam os processos fisiológicos, bioquímicos e metabólicos das plantas, como aminoácidos, extratos de algas, substâncias húmicas, enzimas, dentre outros (EL BOUKHARI et al., 2020). A aplicação de bioestimulantes pode resultar em uma série de benefícios, como aumento da absorção de nutrientes, melhor desenvolvimento radicular, maior resistência a estresses abióticos, otimizando os processos de transporte e distribuição hídrica dentro das plantas. Ao fortalecer a resistência das plantas ao estresse hídrico, possibilitam minimizar o efeito negativo da falta de água na safrinha, aumentando o potencial de produção e a utilização mais eficiente dos recursos hídricos disponíveis. Neste sentido, o objetivo desse estudo foi avaliar o uso potencial de diferentes fertilizantes com compostos bioestimulantes de aplicação foliar, e seus efeitos em parâmetros biométricos e de produtividade de milho, cultivado em segunda safra no sudoeste goiano.

Fisiologia e Nutrição de Plantas

89


Figura 1. Precipitação pluvial, temperaturas máxima, média e mínima diária e acumulada ao longo dos estádios vegetativos e reprodutivos do milho, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23 – período de 09/03/2023 a 09/08/2023. O solo da área experimental foi classificado

camadas de 0-20 cm e 20-40 cm de profundidade, para

como LATOSSOLO VERMELHO Distroférrico, de

análise dos atributos químicos e granulometria do solo

textura argilosa (>35% de argila). Antes da instalação

(Quadro 1).

dos experimentos, foram realizadas amostragens nas

90

Fisiologia e Nutrição de Plantas


Quadro 1. Análise química e granulométrica do solo antes da implantação do experimento com uso fertilizantes foliares bioestimulantes na cultura do milho, em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23.

Profundidade

P

0 a 20 cm

Profundidade

K

Mg

S

B

Zn

Cu

Fe

mg dm-3

--------- cmolc dm-3 --------

-------------------------- mg dm-3 -------------------------

10,42

0,29

3,35

0,87

4,84

0,46

7,79

0,79

Mn

M.O.S

Al

H+Al

pH

Areia

Silte

Argila

mg dm-3

%

cmolc dm-3

-

----------------------- % -----------------------

18,24

2,78

0,09

2,5

5,5

44,08

9,34

46,59

P

K

Ca

Mg

S

B

Zn

Cu

mg dm-3

0 a 40 cm

Ca

86,05

Fe

----------- cmolc dm-3 ----------

--------------------------- mg dm-3 ------------------------

7,49

0,14

3,12

0,87

2,29

0,41

4,34

0,58

Mn

M.O.S

Al

H+Al

pH

Areia

Silte

Argila

mg dm-3

%

cmolc dm-3

-

---------------------- % ------------------------

11,99

2,66

0,08

2,56

5,56

43,51

8,99

25,3

47,51

As necessidades de correção e adubação,

e doenças, foram realizados conforme o levantamento

foram calculadas, com base nos resultados da análise

das necessidades por meio de avaliações periódicas

de solo e exigências nutricionais da cultura (SOUSA;

da área tendo como critério as boas práticas agrícolas.

LOBATO, 2004). Na ocasião do plantio, que ocorreu no

Foram levados em conta os preceitos do manejo

dia 09/03/2023, foi realizada a adubação com 400 kg

integrado de pragas, doenças e plantas daninhas

ha do fertilizante formulado 15-15-15 (60 kg ha de N,

(MIP, MID e MIPD) para a tomada de decisão quanto

P2O5 e K2O). Ainda no sulco de plantio com auxílio de

ao método de controle utilizado. Estes tratos culturais

jato dirigido, com volume de 50 L ha , foram aplicados

foram adotados em toda a área experimental.

-1

-1

-1

0,15 L ha do inoculante Biomax Azum® (Azospirillum

O estudo foi realizado em delineamento em

brasilienses, 3x10 UFC/mL); inseticida biológico Meta-

blocos casualizados com 12 tratamentos e quatro

Turbo® na dose de 0,5 L ha (Metarhizium anisopliae

repetições. Os tratamentos foram compostos da

8

IBCB425 mínimo de 1x10 propágulos viáveis/mL) e

aplicação das doses comerciais de 11 fertilizantes

0,25 L ha do fertilizante RayNitro Zn News® (7% N;

foliares bioestimulantes, sendo uma aplicação no

7% P2O5; 4% Zn). No dia 10/04/2023 foi realizada a

estádio V5 e outra no início do pendoamento (VT) e o

adubação de cobertura com 150 kg ha de ureia turbo®

tratamento testemunha (sem aplicação de fertilizantes

(67,5 kg ha de N) estabilizada com NPBT.

foliares) (Quadro 1 e Figura 2).

-1

8

-1

-1

-1

-1

Os manejos de plantas daninhas, insetos praga

Fisiologia e Nutrição de Plantas

91


Quadro 2. Descrição dos tratamentos contendo os fertilizantes foliares bioestimulantes aplicados na cultura do milho, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23.

92

Tratamentos

Garantias

Dose L ou kg ha-1

1

Testemunha

-

-

2

Salus Magis®

10% N

0,25

3

Foltron Plus®

5% N; 19% P2O5; 5% K2O; 0,7% C.O.T.

1,00

4

Nutriplenus Completo®

5% N; 8% P2O5; 5% K2O; 1% Ca; Mg 1%; 0,4% B; 0,2% Cu; 0,5% Mn;

5

Niphokam®

10% N; 8% P2O5; 8% K2O; 1% Ca; 1% Zn; 0,5 Mg; 0,5% B

1,00

6

Bioamino® Extra

4% N; 23% C.O.T.

0,75

7

Biozyme®

1% N; 5% K2O; 0,08% B; 0,4% Fe; 1% Mn; 1% S; 2% Zn; 3,5% C.O.T.

0,25

8

Stimulate®

0,09% Cinetina; 0,05% ácido giberélico; 0,05% ácido 4-indol-3ilbutírico

0,50

9

Crop+®

1% N; 3,1% S; 0,09% B; 0,06% Co; 1,3% Fe; 1% Cu; 1,1% Mn; 0,04% Mo; 2,3% Zn; 6% C.O.T.

0,50

10

Profol Exclusive®

11

Fertileader FIX®

12

Scudero®

Zn 1,0%

12% N; 3% K2O; 1 % Mg; 9,5 % S; 2%B; 0,1 % Cu; 6,5% Mn; 9,0% Zn;

Fisiologia e Nutrição de Plantas

0,1% Mo

1,00

1,50

5% Ca; 0,5% B; 0,1% Mo; 4% C.O.T.

0,50

2% P2O5; 6,9% Ca; 1,9% de Mg; 2,75% Si

1,00


Figura 2. Descrição gráfica das épocas de aplicação dos tratamentos contendo fertilizantes foliares bioestimulantes, na cultura do milho, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23. O plantio foi realizado com o híbrido de milho

Foram realizadas amostragens de produtividade com a

B2401 PWU (Brevant) de ciclo classificado como

coleta das plantas em dois pontos de 3 metros e 3 linhas

superprecoce, e população final de 2,8 plantas m

-1

(4,50 m²) por área útil de cada parcela. As amostras

(56.000 plantas ha ). Cada parcela foi composta por

foram secas, trilhadas, pesadas e aferidas a umidade.

12 linhas espaçadas em 0,50 m, contendo 10 m de

A umidade das amostras foi corrigida para 13%. Na

comprimento (60 m por parcela). As avaliações foram

data da colheita foram coletadas 3 espigas por parcela

realizadas nas seis fileiras centrais, excluindo-se 0,50 m

e avaliados o número de fileiras de grãos por espiga,

das extremidades (área útil de 27 m ). As pulverizações

número de grãos por fileira, tamanho e diâmetro de

foliares foram realizadas de acordo com o estádio da

espiga e porcentagem de espigas com falha de grãos

cultura. Para pulverização das unidades experimentais,

na extremidade.

-1

2

2

utilizou-se um pulverizador de parcelas pressurizado

A análise estatística se deu por meio da análise

por CO2 (Patente: BR102016007565-3) montado em

de variância pelo teste F a 5% de probabilidade, para

trator. O pulverizador possui barra de 5,0 metros com

avaliação das significâncias dos resultados. Quando

10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m. Utilizou-

significativos, os resultados de caráter qualitativo

se pontas modelo ADIA 015.D da marca Magnojet. A

tiveram suas médias comparadas a partir do teste

calibração do equipamento foi ajustada com pressão

Scott-Knott a 5% de probabilidade.

de trabalho em 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1. A colheita foi realizada no dia 09/08/2023, totalizando o ciclo de 153 dias (da semeadura à colheita).

RESULTADOS E DISCUSSÃO As aplicações foliares dos bioestimulantes,

Fisiologia e Nutrição de Plantas

93


não foram capazes de influenciar significativamente

em função dos baixos teores desses nutrientes no solo,

as variáveis biométricas apresentadas na Tabela 1.

mas podem ser induzidas pela falta de água no sistema

No geral, observou-se em todos os tratamentos, alta

de cultivo (EPSTEIN; BLOOM, 2006). Isso ocorre, pois

porcentagem de falha de grãos na extremidade da

a planta necessita de água na rizosfera para ocorra o

espiga, em torno de 15% do tamanho total das espigas,

contato íon raiz, de modo que esses nutrientes possam

apresentava falhas de granação (Tabela 1 e Figura 3).

ser absorvidos por fluxo de massa e também por

O déficit hídrico é uma das possíveis causas desse

difusão, como é o caso do potássio (NEJAD et al., 2019;

sintoma, bem como as deficiências de nitrogênio,

PRADO, 2021; RAIJ, 2011).

potássio e boro, que não necessariamente ocorrem

Tabela 1. Porcentagem de falhas de grãos, número de fileiras, número de grãos por fileira e diâmetro de espiga, em função da aplicação de fertilizantes foliares bioestimulantes na cultura do milho, em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2023.

94

Tratamentos

Falha de grãos na espiga

Fileiras por espiga

Grãos por fileira

Diâmetro de espiga

Produtos Comerciais

(% espiga-1)

(n° espiga-1)

(n° espiga-1)

(cm espiga-1)

1

Testemunha

19,28

16

29,66

50,54

2

Salus Magis®

17,93

16

28,66

50,79

3

Foltron plus®

13,34

16

30,41

50,49

4

Nutriplenus Completo®

15,95

16

31,08

49,98

5

Niphokam®

17,27

16

29,91

50,74

6

Bioamino® Extra

13,99

16

31,85

51,62

7

Biozyme®

13,96

16

30,00

49,53

8

Stimulate®

14,33

16

31,25

50,42

9

Crop+®

16,08

16

32,33

51,17

10

Profol Exclusive®

14,33

16

30,24

50,71

11

Fertileader FIX®

13,23

16

30,66

50,46

12

Scudero®

17,65

16

30,83

50,90

p-valor

0,306ns

0,723ns

0,855ns

0,909ns

média

15,69

16,42

30,57

50,61

C.V. (%)

22,98

5,62

8,76

3,08

Fisiologia e Nutrição de Plantas


.

Figura 3. Níveis de falhas de grãos na extremidade da espiga em experimentos conduzidos no Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23. Fonte: Amanda M. Bueno As

espigas

avaliadas

no

experimento,

de ganho, em torno de 17,98 sc ha-1 de incremento,

apresentaram número médio de 16,42 fileiras, 30,57

alcançando percentual 21% superior à não aplicação

grãos por fileira e diâmetro de 50,61 cm, esses

dos produtos foliares. A aplicação dos tratamentos 3 e

caracteres, não foram influenciados pela aplicação

4, não promoveram incrementos produtivos (Figura 4b).

foliar dos diferentes bioestimulantes (Tabela 1).

A baixa produtividade de grãos observada nesse

No entanto, a aplicação dos fertilizantes foliares

estudo, bem como altos incrementos produtivos obtidos

influenciou significativamente o tamanho de espigas e

com o uso da maioria dos fertilizantes foliares, foram

produtividade final de grãos (Figura 4).

intensificados em função das condições climáticas

As aplicações dos tratamentos 8 e 9, nos

adversas as quais a cultura foi submetida. Na Figura 1, é

estádios vegetativos do milho, acarretaram em espigas

possível observar que no período reprodutivo, ocorreu

maiores em relação aos demais tratamentos, sendo

precipitação pluvial de apenas 35 mm. Os estádios que

em média 6% maiores do que aquelas provenientes

compreendem a fase reprodutiva da cultura do milho,

de plantas que não receberam adubação foliar (Figura

são as mais sensíveis em relação ao déficit hídrico.

4a). Já em relação à produtividade, as aplicações

Estima-se que do início do pendoamento (VT), período

dos bioestimulantes que compõe os tratamentos 2

que antecede ao florescimento, até a maturidade

e 10, apresentaram produtividade em torno de 8%

fisiológica (R6), a demanda de água da cultura seja de

superiores à testemunha, com incremento médio de

8 mm/dia (CIAMPITTI et al., 2016). Com base no ciclo

5,57 sc ha-1. As aplicações dos tratamentos 5, 6, 7, 8, 11

do híbrido estudado, estima-se que para que ocorresse

e 12 acarretaram em incremento médio de 11,64 sc ha-

seu máximo potencial produtivo, seriam necessários

, produtividade cerca de 15% superior à testemunha.

em torno de 400 mm no período em questão.

1

O tratamento 9, foi o que apresentou maior percentual

Fisiologia e Nutrição de Plantas

95


a

b

seguidas por mesma das barras, diferem entre si pelo teste de Scott-Knot (p-valor <0,05). MédiasMédias seguidas por mesma letra aletra cimaacima das barras, não não diferem entre si pelo teste de Scot -Knot ( p-valor <0,05).

Figura 4. Tamanho de espiga (cm) (a) e produtividade e grãos (sc ha-1) (b) em função da aplicação de fertilizantes foliares na cultura do milho, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2023. De acordo com SOUZA et al. (2023), os efeitos

plantas, como manutenção da fototossíntese e redução

benéficos da utilização de bioestimulantes nas

do gasto energético pelo fornecimento de compostos

principais culturas agrícolas do Brasil estão associados à

orgânicos como aminoácidos. Além disto, também,

presença condições de estresses como o déficit hídrico

promovem

e variações térmicas extremas, semeadura realizada

favorecendo a expressão do seu potencial genético

fora da janela adequada, entre outros. Os efeitos

(FERREIRA et al., 2007).

benéficos observados pelo uso dos bioestimulantes, podem ser associados à suas funções fisiológicas à

96

Fisiologia e Nutrição de Plantas

o

equilíbrio

hormonal

das

plantas,


FRANÇA, S.; SANTOS, A. O.; RADIN, B.; BIANCHI, C. A.

CONCLUSÕES A

estratégia

M.; PEREIRA, P. G. Deficit hídrico e produtividade na de

nutrição

foliar

com

bioestimulantes organominerais se mostra eficiente na atenuação de estresses causados pelo déficit hídrico no cultivo de milho semeado fora da janela adequada no sudoeste goiano. Nove dos onze fertilizantes foliares avaliados, apresentaram significativos incrementos produtivos em relação ao tratamento em que não ocorreram adubações foliares. No entanto, vale ressaltar que o plantio de milho fora da janela técnica adequada não é recomendado e que a metodologia adotada no presente estudo, foi utilizada a fim de observar a performance dos bioestimulantes em condições adversas.

vol. 41, no. 2, p. 243–249, 2006. https://doi.org/10.1590/ s0100-204x2006000200008. BERGONCI, J. I.; BERGAMASCHI, H.; BERLATO, M. A.; SANTOS, A. O. Potencial da água na folha como um indicador de déficit hídrico em milho. Pesquisa Agropecuária Brasileira, vol. 35, no. 8, p. 1531–1540, 2000. https://doi.org/10.1590/s0100204x2000000800005. CIAMPITTI, I. A.; ELMORE, R. W.; LAUER, J. Fases de Desenvolvimento da Cultura do Milho V1. no. October, p. 3305, 2016. EL BOUKHARI, M. E. M.; BARAKATE, M.; BOUHIA, Y.; LYAMLOULI, K. Trends in Seaweed Extract Based Biostimulants: Manufacturing Process and. Plants, , p.

AGRADECIMENTOS

23, 2020.

À equipe de campo e estagiários do Centro Tecnológico COMIGO, indispensáveis para a condução deste trabalho.

EPSTEIN, EMANUEL BLOOM, A. J. Mineral plant nutrition. 3rd ed. Amsterdan: Elsevier, 2006. FERREIRA, L. A.; OLIVEIRA, J. A.; VON PINHO, É. V. D. R.; DE QUEIROZ, D. L. Bioestimulante e fertilizante associados ao tratamento de sementes

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

de milho. Revista Brasileira de Sementes, vol. 29,

ALMEIDA JUNIOR, J. J.; MATOS, F. S. A.; SMILJANIC, K. B. A.; FURQUIM, M. C.; SOUZA, I. A.; JUSTINO, P. R. V. Plantio de milho em diferentes épocas visando características biométrica da espiga no sudoeste goiano. II Colóquito Estadual de Pesquisa Multidisciplinar, Mineiros, , p. 10, 2017. ALVARES, C. A.; STAPE, J. L.; SENTELHAS, P. C.; DE MORAES GONÇALVES, J. L.; SPAROVEK, G. Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, vol. 22, no. 6, p. 711–728, 2013. https://doi. org/10.1127/0941-2948/2013/0507. BERGAMASCHI,

cultura do milho. Pesquisa Agropecuária Brasileira,

H.;

DALMAGO,

G.

A.;

COMIRAN, F.; BERGONCI, J. I.; MÜLLER, A. G.;

no. 2, p. 80–89, 2007. https://doi.org/10.1590/S010131222007000200011. NEJAD,

GHAFFARI

ALI

SEYED

ETESAMI,

H. The Importance of Boron in Plant Nutrition. vol. 20, no. September, p. 16, 2019. https://doi. org/10.1002/9781119487210.ch20. PERIN, A.; GUARESCHI, R. F.; SILVA JUNIOR, HILTON ROSA, S.; SILVA, A.; AZEVEDO, W. R. Produtividade de híbridos de milho na safrinha em Goiás Productivity of maize hybrids winter of Goiás state. no. June 2007, p. 19–28, 2009. PRADO, R. de M. Mineral nutrition of tropical plants. Berna: Springer Nature, 2021. RAIJ, B. Van. Fertilidade do Solo. Piracicaba:

Fisiologia e Nutrição de Plantas

97


International Plant Nutrition Institute, 2011. SANTOS, L. T. S.; VESPUCCI, I. L.; NUNES, M. P. C. Aplicação adicional de bioestimulantes em estádio reprodutivo de feijão comum (Phaseolus vulgaris l.) com intuito de acréscimo na produtividade. Pubvet, vol. 14, no. 3, p. 1–7, 2020. https://doi.org/10.31533/pubvet. v14n3a533.1-7. SOUSA, D. M. G.; LOBATO, E. Cerrado: correção do solo e adubação. 2nd ed. Brasília: Embrapa Informações Tecnológicas, 2004. SOUZA, L. P. de; FRANCO JÚNIOR, K. S.; RIBEIRO, V. M.; BRIGANTE, G. P. Bioestimulante Ascophyllum nodosum na cultura do milho Biostimulant Ascophyllum nodosum in corn crop Bioestimulante Ascophyllum nodosum en la cosecha de maíz. Research, Society and Development, vol. 2023, p. 1–7, 2023.

98

Fisiologia e Nutrição de Plantas


A ADUBAÇÃO FOLIAR COM BIOESTIMULANTES É CAPAZ DE INCREMENTAR A PRODUTIVIDADE DE GRÃOS DE SORGO, CULTIVADO EM SEGUNDA SAFRA NO SUDOESTE GOIANO? BUENO1, Amanda Magalhães; FERNANDES2, Rafael Henrique; LIMA3, Diego, Tolentino3; SARKIS4, Leonardo Fernandes; BRAZ5, Guilherme Braga Pereira

INTRODUÇÃO O sorgo granífero (Sorghum bicolor (L.) Moench) vem se tornando cultura destaque a nível mundial, tanto

Eng . Agrônoma, Dr . em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br; 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br; 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br; 4 Eng. Agrônomo, MS. em Fertilidade do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@ comigo.com.br; 5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Plantas Daninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br. 1

a

a

devido à sua ampla gama de aplicações bem como à sua adaptabilidade frente a diferentes condições edafoclimáticas. Sua capacidade de resistência a condições ambientais adversas, tornou seu cultivo viável para regiões onde fatores climáticos, como a escassez de água, desempenham papel limitante na produção de grãos (JULIO et al., 2022). Outro aspecto favorável para a expansão da cultura do sorgo a nível Brasil está relacionado à oportunidade de realizar a safra de sucessão, também conhecida como segunda safra ou safrinha. Durante esse período, as condições de cultivo tornam-se desafiadoras devido à incerteza na frequência das chuvas, muitas vezes insuficientes para garantir uma produção satisfatória (FERREIRA et al., 2019). Em regiões do estado de Goiás, como o sudoeste goiano, a janela técnica de cultivo em segunda safra, muitas vezes torna arriscado o plantio de culturas tradicionais, como o milho (PERIN et al., 2009). Dessa

Fisiologia e Nutrição de Plantas

99


forma o sorgo se destaca como alternativa viável

et al., 2007; SANTOS et al., 2020). A incorporação

devido ao seu curto ciclo, sua capacidade de se

dos bioestimulantes foliares nas práticas de cultivo

adaptar a diferentes tipos de solo, aliado ao alto

do sorgo tem o potencial de melhorar a eficiência

potencial produtivo. Essas características contribuem

do uso de recursos e, consequentemente, aumentar

para a diversificação das opções de cultivo na região,

a produtividade da cultura (FERREIRA et al., 2019;

mitigando os riscos associados à agricultura em

PEREIRA ARAÚJO et al., 2020).

segunda safra (MENEZES, 2021). O boletim da

Neste sentido, o objetivo desse estudo foi

safra de grãos 2022/23 emitido pela CONAB (2023),

avaliar o uso potencial de diferentes fertilizantes

demostra a importância da cultura para o estado. Até

com compostos bioestimulantes de aplicação foliar,

junho de 2023 a área plantada com sorgo em Goiás

e seus efeitos em parâmetros biométricos e de

era de 384,7 mil hectares com produção estimada

produtividade de sorgo, cultivado em segunda safra

de 1.341,4 mil toneladas na segunda safra (CONAB,

no sudoeste goiano.

2023). Estudos

vem

sendo

amplamente

desenvolvidos, a fim de otimizar ainda mais a

100

MATERAL E MÉTODOS O

experimento

foi

conduzido

em

área

produtividade do sorgo, e novas ferramentas como

experimental do Centro Tecnológico Comigo, no

o uso de fertilizantes bioestimulantes foliares vem

município de Rio Verde, Goiás, nas coordenadas

ganhando destaque. Esses produtos são compostos

geográficas de latitude - 17°46'0.33" e longitude -

de aminoácidos, nutrientes, hormônios, dentre outros,

51°2'5.09" e 843 m de altitude. O clima da região é

que tem por objetivo aumentar o crescimento e o

classificado como Aw (Savana Tropical), conforme

desenvolvimento das plantas, estimulando processos

classificação

fisiológicos que aumentam a absorção de nutrientes

com estação seca no inverno (maio a setembro)

e a resistência a estresses ambientais (BRIGLIA et

e chuvosa no verão (outubro a abril). Ao longo do

al., 2019). Os efeitos dos bioestimulantes têm sido

ciclo da cultura, os índices de precipitação pluvial

objeto de estudo em diversas culturas, entretanto,

e temperatura, foram monitorados, por meio da

ainda não existe um consenso consolidado sobre sua

estação agrometeorológica Plugfield® modelo WS22,

efetividade, especialmente em cultivos que não estão

instalada nas proximidades da área experimental

sujeitos a condições de estresse abiótico (FERREIRA

(Figura 1).

Fisiologia e Nutrição de Plantas

Köppen

(ALVARES

et

al.,

2013),


Figura 1. Precipitação pluvial, temperaturas máxima, média e mínima diária e acumulada ao longo dos estádios vegetativos e reprodutivos do sorgo, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23 – período de 09/03/2023 a 24/07/2023. O solo da área experimental foi classificado

camadas de 0-20 cm e 20-40 cm de profundidade, para

como LATOSSOLO VERMELHO Distroférrico, de

análise dos atributos químicos e granulometria do solo

textura argilosa (>35% de argila). Antes da instalação

(Quadro 1).

dos experimentos, foram realizadas amostragens nas

Fisiologia e Nutrição de Plantas

101


Quadro 1. Análise química e granulométrica do solo antes da implantação do experimento com aplicação de fertilizantes foliares bioestimulantes na cultura do sorgo, em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23.

Profundidade

P

K

Ca

S

B

Zn

Cu

Fe

mg dm-3

--------- cmolc dm-3 --------

--------------------------- mg dm-3 ----------------------

10,42

0,29

3,35

0,87

4,84

0,46

7,79

0,79

Mn

M.O.S

Al

H+Al

pH

Areia

Silte

Argila

mg dm-3

%

---- cmolc dm-3 ----

-

--------------------- % -------------------------

18,24

2,78

0,09

2,5

5,5

44,08

9,34

46,59

P

K

Ca

Mg

S

B

Zn

Cu

0 a 20 cm

Profundidade

mg dm-3

86,05

Fe

--------- cmolc dm-3 --------

--------------------------- mg dm-3 ------------------------

7,49

0,14

3,12

0,87

2,29

0,41

4,34

0,58

Mn

M.O.S

Al

H+Al

pH

Areia

Silte

Argila

mg dm-3

%

---- cmolc dm-3 ----

-

---------------------- % ------------------------

11,99

2,66

0,08

0 a 40 cm

2,56

5,56

43,51

8,99

25,3

47,51

As necessidades de correção e adubação,

Os manejos de plantas daninhas, insetos praga

foram calculadas, com base nos resultados da análise

e doenças, foram realizados conforme o levantamento

de solo e exigências nutricionais da cultura (SOUSA;

das necessidades por meio de avaliações periódicas

LOBATO, 2004). Na ocasião do plantio, que ocorreu no

da área tendo como critério as boas práticas agrícolas.

dia 09/03/2023, foi realizada a adubação com 400 kg

Foram levados em conta os preceitos do manejo

ha do fertilizante formulado 15-15-15 (60 kg ha de

integrado de pragas, doenças e plantas daninhas

N, P2O5 e K2O). Ainda no sulco de plantio com auxílio

(MIP, MID e MIPD) para a tomada de decisão quanto

de jato dirigido, com volume de aplicação de 50 L ha

ao método de controle utilizado. Estes tratos culturais

-1

1

-1

-

, foram aplicados 0,15 L ha do inoculante Biomax -1

foram adotados em toda a área experimental.

UFC/mL);

O estudo foi realizado em delineamento em

inseticida biológico Meta-Turbo® na dose de 0,5 L ha

-1

blocos casualizados com 12 tratamentos e quatro

8

(Metarhizium anisopliae IBCB425 mínimo de 1x10

repetições. Os tratamentos foram compostos de

propágulos viáveis/mL) e 0,25 L ha

do fertilizante

aplicações das doses comerciais de 11 fertilizantes

RayNitro Zn News® (7% N; 7% P2O5; 4% Zn). No dia

foliares bioestimulantes, sendo uma aplicação no

10/04/2023 foi realizada a adubação de cobertura

estádio 2 e outra no emborrachamento (estádio 5) e o

com 150 kg ha de ureia turbo® (67,5 kg ha de N)

tratamento testemunha (sem aplicação de fertilizantes

estabilizada com NPBT.

foliares) (Quadro 2 e Figura 2).

Azum® (Azospirillum brasilienses, 3x10

8

-1

-1

102

Mg

Fisiologia e Nutrição de Plantas

-1


Quadro 2. Descrição dos tratamentos contendo os fertilizantes foliares bioestimulantes aplicados na cultura do sorgo, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23. Tratamentos

Garantias

Dose L ou kg ha-1

1

Testemunha

-

-

2

Salus Magis®

10% N

0,25

3

Foltron Plus®

5% N; 19% P2O5; 5% K2O; 0,7% C.O.T.

1,00

4

Nutriplenus Completo®

5% N; 8% P2O5; 5% K2O; 1% Ca; Mg 1%; 0,4% B; 0,2% Cu; 0,5%

5

Niphokam®

10% N; 8% P2O5; 8% K2O; 1% Ca; 1% Zn; 0,5 Mg; 0,5% B

1,00

6

Bioamino® Extra

4% N; 23% C.O.T.

0,75

7

Biozyme®

8

Stimulate®

0,09% Cinetina; 0,05% ácido giberélico; 0,05% ácido 4-indol-3ilbutírico

0,50

9

Crop+®

1% N; 3,1% S; 0,09% B; 0,06% Co; 1,3% Fe; 1% Cu; 1,1% Mn; 0,04% Mo; 2,3% Zn; 6% C.O.T.

0,50

10

Profol Exclusive®

12% N; 3% K2O; 1 % Mg; 9,5 % S; 2%B; 0,1 % Cu; 6,5% Mn; 9,0% Zn; 0,1% Mo

1,50

11

Fertileader FIX®

5% Ca; 0,5% B; 0,1% Mo; 4% C.O.T.

0,50

12

Scudero®

2% P2O5; 6,9% Ca; 1,9% de Mg; 2,75% Si

1,00

Mn; Zn 1,0%

1% N; 5% K2O; 0,08% B; 0,4% Fe; 1% Mn; 1% S; 2% Zn; 3,5% C.O.T.

1,00

0,25

Fisiologia e Nutrição de Plantas

103


Figura 2. Descrição gráfica das épocas de aplicação dos tratamentos contendo fertilizantes foliares bioestimulantes, na cultura do sorgo, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23. O plantio foi realizado com o híbrido de sorgo

Foram realizadas amostragens de produtividade com a

AG1070 (Bayer) de ciclo classificado como precoce, e

coleta das plantas em dois pontos de 3 metros e 3 linhas

-

população final de 10,5 plantas m (210.000 plantas ha

(4,50 m²) por área útil de cada parcela. As amostras

). Cada parcela foi composta por 12 linhas espaçadas

foram secas, trilhadas, pesadas e aferidas a umidade. A

2

em 0,50 m, contendo 10 m de comprimento (60 m

umidade das amostras foi corrigida para 13%. Na data

por parcela). As avaliações foram realizadas nas seis

da colheita foram coletadas 3 panículas por parcela e

fileiras centrais, excluindo-se 0,50 m das extremidades

foram avaliados o tamanho, largura e peso de panícula.

(área útil de 27 m ). As pulverizações foliares foram

A análise estatística se deu por meio da análise

realizadas de acordo com o estádio da cultura. Para

de variância pelo teste F a 5% de probabilidade, para

pulverização das unidades experimentais, utilizou-

avaliação das significâncias dos resultados. Quando

se um pulverizador de parcelas pressurizado por CO2

significativos, os resultados de caráter qualitativo

(Patente: BR102016007565-3) montado em trator. O

tiveram suas médias comparadas a partir do teste

pulverizador possui barra de 5,0 metros com 10 bicos

Scott-Knott a 5% de probabilidade.

-1

1

2

de pulverização espaçados em 0,5 m. Utilizou-se pontas modelo ADIA 015.D da marca Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada com pressão de trabalho em 2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha . -1

104

RESULTADOS E DISCUSSÃO As aplicações foliares dos bioestimulantes, não foram capazes de influenciar significativamente

A colheita foi realizada no dia 24/07/2023,

as variáveis biométricas apresentadas na Tabela 1. As

totalizando o ciclo de 140 dias (da semeadura à colheita).

panículas de sorgo apresentaram em média, 28,54 cm

Fisiologia e Nutrição de Plantas


de altura, 58,77 cm de largura e 126,6 gramas. Embora

aplicações dos fertilizantes foliares, foi possível observar

esses atributos não tenham sido influenciados pelas

incrementos na produtividade de grãos (Figura 3).

Tabela 1. Tamanho, largura e peso de panícula em função da aplicação de fertilizantes foliares bioestimulantes na cultura do milho, em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23.

Tratamentos

Tamanho da panícula

Largura da panícula

Peso da panícula

Produtos Comerciais

(cm)

(cm)

(g planta-1)

1

Testemunha

27,26

63,27

141,66

2

Salus Magis®

26,70

53,02

124,75

3

Foltron Plus®

27,58

56,18

121,58

4

Nutriplenus Completo®

27,54

56,71

130,00

5

Niphokam®

27,87

58,04

129,16

6

Bioamino® Extra

26,54

58,93

113,00

7

Biozyme®

44,75

65,33

142,00

8

Stimulate®

26,58

55,03

125,83

9

Crop+®

26,45

58,08

125,75

10

Profol Exclusive®

26,91

57,46

109,00

11

Fertileader FIX®

27,54

61,28

129,58

12

Scudero®

27,12

61,89

124,00

p-valor

0,371ns

0,615ns

0,373ns

média

28,54

58,77

126,36

C.V. (%)

33,71

13,36

14,38

A aplicação dos fertilizantes foliares na cultura

em relação à não adubação foliar. Em seus estudos,

do sorgo se mostrou efetiva em promover incrementos

FERREIRA et al. (2019), observaram incremento de

produtivos quando aplicados os tratamentos 3, 4, 5, 7, 10

produtividade, na cultura do sorgo, em torno de 12%,

e 11, que em média produziram 5,4% mais em relação

que representou em torno de 25,66 sc ha-1, com a

a testemunha, totalizando 5,39 sc ha-1. Os demais

aplicação de bioestimulantes foliares, associados à

produtos, não promoveram incrementos significativos

adubação com nitrogênio via solo.

Fisiologia e Nutrição de Plantas

105


Médias seguidas mesma letra acimadas dasbarras, barras,não nãodiferem diferementre entresisipelo peloteste teste de de Scot Scot-Knot Médias seguidas porpor mesma letra a cima -Knot (p-valor<0,05). ( p-valor <0,05).

Figura 3. Produtividade e grãos (sc ha-1) em função da aplicação de fertilizantes foliares na cultura do sorgo, cultivado em área experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC) Rio Verde, Goiás, 2° safra 2022/23. Os resultados relacionados ao incremento

cultura do sorgo, apresenta potencial incremento na

de produtividade na cultura do sorgo, neste estudo,

produtividade de grãos, porém em menor escala ao se

não foram tão expressivos quanto aos encontrados

comparar os efeitos obtidos pela cultura do milho. Isso

para a cultura do milho. Ao observar as garantias dos

se deve a resistência da cultura frente ao déficit hídrico.

produtos que surtiram maiores resultados, é possível concluir que eles apresentam maior apelo nutricional, com macronutrientes e micronutrientes contidos em

AGRADECIMENTOS

maiores quantidades. Esses resultados evidenciam,

À equipe de campo e estagiários do Centro

assim como ressaltado por Pereira Araújo et al.

Tecnológico COMIGO, indispensáveis para a condução

(2020), que a intensidade dos resultados obtidos está

deste trabalho.

diretamente ligada ao potencial genético da cultura. Esses resultados corroboram a notória eficiência do uso da água pela cultura do sorgo, que mesmo passando por períodos de déficit hídrico durante os seus estádios reprodutivos (precipitação acumulada de 35 mm – Figura 1), obteve alto teto produtivo, mesmo sem a aplicação dos fertilizantes foliares.

CONCLUSÕES A adubação foliar com bioestimulantes na

106

Fisiologia e Nutrição de Plantas

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Fisiologia e Nutrição de Plantas

107


Fitopatologia 108

Fitopatologia


O CONTROLE DE DOENÇAS COMEÇA CEDO: FUNGICIDAS EM FASE VEGETATIVA DA SOJA FERNANDES1, Rafael Henrique; LIMA2, Diego Tolentino de; BRAZ3, Guilherme Braga Pereira; SILVA4, Lincoln Lima; DELGADO5, Vanderson Aparecido Diego Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Graduando em Agronomia pelo Instituto Federal Goiano, Campus de Rio Verde. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: linconl96lima@gmail.com 5 Graduando em Agronomia pela Universidade de Rio Verde – UniRV. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 1

território brasileiro (GODOY et al., 2016; YORINORI et al., 2005; SINCLAIR E HARTMAN, 1999). As diversidades edáficas e as condições climáticas de cada safra, são fatores preponderantes para as diferentes severidades e importância econômica de cada doença (EMBRAPA 2010). Estes patógenos podem causar problemas em todos os tecidos da planta, contudo, as doenças foliares são as mais comuns, com frequência e intensidade bastante variáveis ao longo das regiões produtoras (JULIATTI et al., 2004). Na região Centro-Oeste, doenças como a mancha-alvo

(Corynespora

cassiicola),

antracnose

(Colletotrichum

truncatum),

mancha

de

olho

(Cercospora sojina), septoriose (Septoria glycines) e crestamento foliar de cercóspora (Cercospora kikuchii) estão amplamente disseminadas nas regiões produtoras da oleaginosa. Estes patógenos têm capacidade de sobreviverem em restos de cultivo durante a entressafra e quando encontram hospedeiros suscetíveis e condições ambientais favoráveis, infectam novamente as lavouras e

INTRODUÇÃO Já foram descritos mais de 100 patógenos causando alguma injúria na cultura da soja (Glycine max (L.) Merril) em todo o mundo, sendo que cerca de 40 destes (fungos, bactérias, vírus e nematoides) já foram identificados causando doenças em

podem causar prejuízos acima de 30% (JULIATTI et al., 2004; KLINGELFUSS e YORINORI, 2001; GODOY et al., 2016). A soja está sujeita à infecção destes patógenos em qualquer estádio fenológico, na verdade podem ocorrer desde a semente até a colheita. Muitas vezes a penetração e colonização de tecidos ocorrem prematuramente na planta, mas nem sempre acontece a

Fitopatologia

109


manifestação dos sintomas característicos das doenças

vegetativos (FERNANDES et al., 2020; ANDRADE,

logo em seguida. Este intervalo entre a infecção e

2019; GUIMARÃES, 2008). Contudo, cada vez mais esta

aparecimento dos sintomas é o chamado período de

prática tem ganhado espaço, pois além dos benefícios

latência, que pode variar de acordo com o patógeno e

diretos sobre a produtividade, é necessário refletir

condições climáticas.

sobre a produção e sobrevivência de inóculos para os

A utilização de materiais com resistência às

cultivos subsequentes.

doenças foliares tem sido a principal ferramenta

A diversidade dos sistemas produtivos e de

adotada, pois não altera as demais atividades de manejo

cultivares disponíveis, somado ao número elevado

da cultura é de fácil execução. No entanto, na maioria

de fungicidas disponíveis no mercado, muitas das

das vezes, as doenças acontecem de forma simultânea

vezes tem deixado técnicos e produtores com dúvidas

na lavoura e os diferentes níveis de resistência e/

referentes aos posicionamentos para as aplicações em

ou tolerância das cultivares à estas doenças podem

estádios vegetativos. Por algum tempo, produtos de

permitir que alguma delas se sobressaia. Somam-

menor custo, ou remanescentes de safras passadas,

se ao controle genético, o controle químico com

eram destinados para esta aplicação. Entretanto, ao

fungicidas, rotação de culturas, controle biológico,

passo que a prática foi se estabelecendo, busca-

pousio da área, controle cultural, entre outros. No

se o posicionamento mais adequando em relação

entanto, existem entraves técnicos e econômicos que

às moléculas e, principalmente, organismos alvo da

dificultam a adoção de algumas delas pelos produtores,

aplicação.

principalmente o pousio da área e a rotação de culturas.

Assim, o objetivo foi avaliar o desempenho de

Assim, a utilização do controle químico com fungicidas

diferentes fungicidas comerciais quando aplicados em

torna-se indispensável.

fase vegetativa da soja, bem como os seus possíveis

Tem crescido a prática de aplicações de fungicidas de forma antecipada, em estádio vegetativo

incrementos na eficiência de controle de doenças foliares e na produtividade da cultura.

da soja visando justamente o controle destas doenças que podem infectar a planta precocemente. Geralmente, esta aplicação é feita com as plantas em estádio V3 ou V4, em associação com a aplicação de herbicida em

O experimento foi conduzido em condições de

pós-emergência. As aplicações de fungicida nesta

campo, na área experimental do Centro Tecnológico

fase favorecem a deposição de moléculas fungicidas

Comigo, localizado em Rio Verde-GO (S 17°45’44”

em quantidade adequada em toda a planta, incluindo

O 51°02’03” e altitude média de 835 metros), com

o ‘futuro baixeiro’. Sabe-se que, nas aplicações em

predominância de áreas com latossolo Vermelho

estádios mais avançados, após o fechamento completo

Distrófico (SANTOS et al., 2018).

das entrelinhas, a deposição da calda de aplicação

A semeadura da área experimental foi realizada

pode ser desigual entre os terços da planta (HOLTZ et

no dia 14 de outubro de 2022, com a cultivar Bônus IPRO

al., 2014; SILVA et al., 2014; WEBER et al., 2017).

(8579 RSF). As sementes foram tratadas industrialmente

Na

110

MATERIAL E MÉTODOS

literatura

dados

com 48 g de Ciantraniliprole + 1 g de Metalaxil + 2,5

divergentes quanto a eficiência e viabilidade técnica

g de Fludioxonil para cada 100 kg de sementes (80

e econômica de realizar aplicações em estádios

mL de Fortenza 600 FS + 100 mL de Maxim XL / 100

Fitopatologia

são

encontrados


kg sementes). A densidade de semeadura utilizada foi de 11,3 sementes por metro. No sulco de plantio foram aplicados: o inoculante Nitrogin Cell Tech HC (Bradyrhizobium japonicum – Semia 5079 e Semia 5080, com 3 x 109 células viáveis/mL, Monsanto BioAg) na dose de 1,0 L ha-1 + Biomax Azum, Vittia (Azospirillum brasilense, 3 x 108 células/mL) na dose de 0,1 L ha-1 + o inseticida biológico Meta-Turbo SC, Vittia (Metarhizium anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1 x 108 propágulos viáveis mL-1) na dose de 0,5 L ha-1 + o fertilizante Nodulus Gold, Vittia (1 % de Co, 10% de Mo) na dose de 0,2 L ha-1 + o nematicida Verango Prime, Bayer (Fluopiram, 500 g i.a. L-1, SC) na dose de 200 g de i.a. ha-1. Todos aplicados com Micron e volume de aplicação de 60 L ha-1. A adubação foi realizada na semeadura, com 280 kg ha-1 do fertilizante formulado 08:20:18 (N:P:K), aplicado no sulco de plantio. E após a semeadura, com 152 kg de KCl (60% de K2O) aplicado à lanço em área total, no dia 24/10/2022. O delineamento experimental utilizado foi o de Blocos Casualizados (DBC), com 14 tratamentos e quatro repetições, totalizando 56 parcelas. As parcelas foram compostas por 10 linhas de plantio, espaçadas a 0,5 metros, e oito metros de comprimento, totalizando 40 m2 (8 x 5 m). Como parcela útil foram considerados os seis metros centrais das seis linhas centrais (6 x 3 m, 18 m2). Os tratamentos consistiram na aplicação de diferentes fungicidas comerciais em fase vegetativa da soja (Tabela 1). Mais precisamente, esta aplicação ocorreu aos 30 DAE (dias após emergência), com a cultura em estádio fenológico V5 (cinco nós e quarta folha trifoliada desenvolvida). Foi conduzido também um tratamento controle, que não recebeu a aplicação em estádio vegetativo, mas recebeu as demais aplicações de fungicidas. Além de um tratamento testemunha, sem nenhuma aplicação.

Fitopatologia

111


Tabela 1. Descrição dos tratamentos com diferentes fungicidas comerciais, ingredientes ativos e doses utilizadas nas aplicações de fungicidas em fase vegetativa da soja. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.

Trat.

Produto Comercial (p. c.) e dose (L ou kg ha-1)

Ingrediente Ativo (I. A.) e concentração (g L-1 ou kg L-1)

Dose (g de I.A. ha-1 )

1.

Score Flexi (0,15)

Propiconazol (250) + Difenoconazol (250)

37,5 + 37,5

2.

Aproach Power (0,6)

Picoxistrobina (90) + Ciproconazol (40)

54 + 24

3.

Nativo (0,5)1

Trifloxistrobina (100) + Tebuconazol (200)

50 + 100

4.

Abacus (0,3)2

Piraclostrobina (260) + Epoxiconazol (160)

78 + 48

5.

Opera (0,5) 2

Piraclostrobina (133) + Epoxiconazol (50)

66,5 + 25

6.

Prisma Plus (0,2)

Difenoconazol (250)

50

7.

Priori Top (0,3)3

Azoxistrobina (200) + Difenoconazol (125)

60 + 37,5

8.

Helmstar Plus (0,5)1

Azoxistrobina (120) + Tebuconazol (240)

60 + 120

9.

Teburaz (0,5)4

Azoxistrobina (120) + Tebuconazol (200)

60 + 100

10.

Comet (0,3)

Piraclostrobina (250)

75

11.

Cypress (0,3)

Ciproconazol (150) + Difenoconazol (250)

45 + 75

12.

Fusão (0,6)5

Metominostrobina (110) + Tebuconazol (165)

66 + 99

13. 14.

Controle (Sem aplicação no vegetativo) Testemunha (Sem aplicações de fungicidas)

-

-

-

-

Adicionado Aureo (0,25% v/v); 2Adicionado Mees (0,5 L ha-1); 3Adicionado Ochima (0,25 L ha-1); 4Adicionado Nori (0,25% v/v); 5Adicionado Iharol Gold (0,15% v/v) 1

112

O programa de aplicações foi composto pelos

aplicados Bixafem + Trifloxistrobina + Protioconazol

diferentes fungicidas aplicados em fase vegetativa

(Fox Xpro, 0,5 L ha-1; 62,5 + 75 + 87,5 g de i. a.; adicionado

(Tabela 1), seguido de mais três aplicações (Tabela

adjuvante Aureo 0,25% v/v.) + Mancozebe (Unizeb

2). Em 28/11/2022, com a cultura iniciando a fase

Gold, 1,5 kg ha-1; 1.125 de i. a.). Posteriormente, em

reprodutiva (R1 – Início do florescimento com uma

15/12/2022, foram Picoxistrobina + Protioconazol

flor aberta em qualquer nó da haste principal) foram

(Viovan, 0,6 L ha-1; 60 g + 70 g de i. a.) + Mancozebe

Fitopatologia


(Unizeb Gold, 1,5 kg ha-1; 1.125 de i.a.). E na última

de pulverização foi acondicionada em tanques

aplicação, também conhecida como aplicação de

tipo post-mix com capacidade de 10 L. As pontas

fechamento de ciclo, Difenoconazol + Ciproconazol

utilizadas para pulverização foram modelo AD-IA/D

(Cypress, 0,3 L ha ; 75 g + 45 g de i. a.) + 720 g de

110.015, da marca Magnojet. O equipamento foi

Clorotalonil (Bravonil 720, 1,0 L ha ).

calibrado com pressão de trabalho na ponta de 3,8

-1

-1

realizadas

bar (55,11 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.

com pulverizador pressurizado por CO2 (Patente:

Durante as aplicações, as condições meteorológicas,

BR102016007565-3) montado em trator (MF 275,

temperatura (°C), umidade relativa do ar (%) e

Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador possui

velocidade do vento (km h-1) foram mensuradas com

barra de pulverização com 5,0 m de largura e 10

o equipamento termo-higro-anemômetro (Tabela 2).

Todas

as

aplicações

foram

bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A calda

Tabela 2. Datas das aplicações e dados meteorológicos mensurados durante as aplicações do programa de aplicações de fungicidas utilizados no experimento. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2021/2022.

Data

Horário (h)

Temperatura (°C)

Umidade Relativa do ar (%)

Velocidade do vento (km h-1)

1ª Aplicação

Início

06:50

22,2

83,4

5,94

19/11/2022

Término

09:02

23,7

73,5

4,75

2ª Aplicação

Início

17:05

30,2

59,0

2,88

28/11/2022

Término

17:32

29,7

62,2

1,80

3ª Aplicação

Início

11:05

29,7

69,9

2,88

15/12/2022

Término

11:56

30,3

70,7

5,04

4ª Aplicação

Início

09:04

21,1

78,2

4,32

02/01/2023

Término

09:38

22,6

82,4

3,60

O controle de plantas daninhas foi realizado em

O controle de pragas foi empregado com base

dois momentos. Inicialmente no pré-plantio da soja,

no manejo integrado, sendo realizadas avaliações

visando basicamente a dessecação e formação de

e levantamentos semanais quanto à ocorrência,

palhada de Brachiaria ruziziensis, que foi realizada no

nível populacional e dano das principais pragas. As

dia 30/09/2022 com glyphosate (Roundup Ultra, 650 g

recomendações de inseticidas priorizaram a rotação

e. a. kg ) na dose de 1.625 g e. a. ha . E também em

de mecanismos de ação e ingredientes ativos. As

pós-emergência da cultura, em estádio fenológico

aplicações visaram, prioritariamente, o controle de

entre V2 e V3, quando foi aplicado glyphosate (Xeque

coleópteros desfolhadores (família Chrysomelidae) em

Mate, 500 g e. a. L ) com dose de 1.000 g e. a. ha . Estas

fases iniciais, lagartas e percevejos (principalmente

aplicações foram realizadas com volume de aplicação

percevejo-marrom, Euschistus heros) ao longo do ciclo.

-1

-1

-1

-1

de 150 L ha . -1

Fitopatologia

113


Foram realizadas cinco avaliações de severidade,

na área experimental foram o crestamento foliar

nos dias anteriores às aplicações de fungicidas, e duas

de cercóspora (Cercospora kikuchii), mancha -alvo

avaliações aos 15 e 40 dias após a última aplicação. As

(Corynespora cassiicola) e mancha-parda (Septoria

escalas diagramáticas utilizadas para a quantificação

glycines). Outras doenças, com incidência e severidade

das doenças no campo foram as propostas por Martins

pouco expressivas, foram a antracnose (Colletotrichum

et al. (2004), para o complexo de doenças de final de

spp.) e mancha-olho-de-rã (Cercospora sojina). Estas

ciclo da soja (Septoria glycines e Cercospora kickuchii)

doenças se manifestaram em diferentes estádios

e Soares et al. (2009) para mancha-alvo (Corynespora

fenológicos das plantas. Contudo, as severidades de

cassiicola). As avaliações foram feitas nos terços inferior

crestamento tiveram maior destaque após o início do

e médio de cinco plantas selecionadas aleatoriamente

enchimento de grãos.

na parcela útil. Os dados de severidade obtidos ao

Os valores de severidade final e AACPD do

longo do o ciclo da cultura, foram utilizados para

tratamento testemunha foram superiores aos demais,

determinar a Área Abaixo da Curva do Progresso da

tanto para DFC quanto para mancha-alvo (Tabela 3).

Doença (AACPD – variável utilizada como ferramenta

O que evidencia a capacidade destes patógenos em

para quantificar doença no campo) (CAMPBELL e

comprometer os tecidos foliares quando não é feita a

MADDEN, 1990). Enquanto que, os dados mensurados

intervenção através dos fungicidas.

na última avaliação, com as plantas em estádio

De maneira geral, observa-se que os tratamentos

fenológico R7 (iniciando a maturação fisiológica das

com programas de aplicações incluindo estádio

vagens), representaram a severidade final das doenças.

vegetativo foram capazes de melhorar o controle da

A colheita foi realizada no dia 27/02/2023,

mancha-alvo e também das DFCs (Tabela 3). Para

totalizando um ciclo de 136 dias. Para determinação

mancha-alvo, apenas a aplicação com Picoxistrobina

da produtividade foram colhidos três metros de três

(66,5 g) + Epoxiconazol (25 g) obteve severidade final

linhas da parcela útil. As amostras foram identificadas

semelhante à do tratamento controle (Tabela 3). Para

e trilhadas, em seguida a massa (kg) e umidade

a severidade de mancha-parda + crestamento de

mensuradas. Os dados foram ajustados para 13%

cercóspora (DFC), os tratamentos com Trifloxistrobina

de umidade dos grãos, a estimativa de produtividade

(50 g) + Tebuconazol (100 g) e Azoxistrobina (60 g) +

corrigida em função do número de plantas colhidas e

Tebuconazol (100 g) obtiveram valores semelhantes

a população (plantas ha-1), e apresentados em sacas de

onde não foi realizada aplicação no vegetativo. Já

60 kg por hectare (sc ha-1).

para AACPD-DFC, as aplicações neste estádio foram

Os dados foram submetidos à análise de

capazes de reduzir esta variável, independentemente

variância e quando verificada diferença significativa

do fungicida que foi aplicado (Tabela 3). Com

entre as médias, as comparações foram realizadas

destaque ligeiramente superior para as aplicações

através do teste de Scott-Knott (P<0,05) pelo software

com Trifloxistrobina (50 g) + Tebuconazol (100 g),

SISVAR (FERREIRA, 2014).

Picoxistrobina (78) + Epoxiconazol (48 g), Azoxistrobina (60 g) + Difenoconazol (39,5 g), Azoxistrobina (60 g)

RESULTADOS E DISCUSSÃO As principais doenças foliares observadas

114

Fitopatologia

+ Tebuconazol (120 g), Metominostrobina (66 g) + Tebuconazol (99 g).


Tabela 3. Valores médios de severidade final e área abaixo da curva do progresso de doenças (AACPD) para as doenças de final de ciclo (DFC) e mancha-alvo, com diferentes fungicidas aplicados em fase vegetativa da soja. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Mancha-alvo Trat.

Fungicida Vegetativo

1.

DFC+

Severidade

AACPD

Severidade

AACPD

Score Flexi

5,0 a

136,3 a

6,0 a

238,4 b

2.

Aproach Power

5,0 a

140,0 a

5,8 a

223,3 b

3.

Nativo

5,3 a

115,2 a

7,0 b

202,4 a

4.

Abacus

5,2 a

116,6 a

5,5 a

196,8 a

5.

Opera

7,3 b

158,7 a

6,5 a

245,2 b

6.

Prisma Plus

5,7 a

141,7 a

6,5 a

245,2 b

7.

Priori Top

4,3 a

105,3 a

6,2 a

196,7 a

8.

Helmstar Plus

4,5 a

105,8 a

6,5 a

192,0 a

9.

Teburaz

5,8 a

131,1 a

7,2 b

228,5 b

10.

Comet

6,0 a

120,5 a

6,0 a

220,1 b

11.

Cypress

5,0 a

116,2 a

6,7 a

225,4 b

12.

Fusão

4,0 a

117,3 a

6,0 a

199,9 a

13.

Controle

7,4 b

213,0 b

8,3 b

291,9 c

14.

Testemunha

10,8 c

308,6 c

16,7 c

442,9 d

C.V.

14,67

16,90

13,92

12,59

DFC = Mancha-parda + Crestamento foliar de cercóspora C.V. (%) = Coeficiente de variação Médias seguidas de letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (P<0,05) +

Os resultados de produtividade se comportaram

Tebuconazol (120 g), Ciproconazol (45) + Difenoconazol

de forma semelhante aos de severidade e AACPD.

(75), Metominostrobina (66) + Tebuconazol (99) não

Nos quais é possível observar o impacto das doenças

foram observados incrementos produtivos.

avaliadas sobre a produtividade sem a adoção do controle químico, com produtividade abaixo das 60 sacas por hectare e significativamente inferior aos demais (Figura 1). A maioria dos programas de aplicações que incluíram aplicação no vegetativo contribuíram não só para a redução das doenças no campo, mas também possibilitaram incrementos na produtividade da lavoura em comparação com o tratamento controle (sem aplicação no vegetativo). Apenas quando foram aplicados Azoxistrobina (60 g) +

Fitopatologia

115


Produ�vidade (sacas ha-1)

80 70

a a a a a a a a 70,4 70,6 68,8 69,2 68,4 69,4 69,3 68,8

a b b 70,0 b b 64,7 64,2 64,6 64,9

60

c 59,9

50 40 30 20 10 0

Fungicidas aplicados em fase vegeta�va Figura 1. Produtividade média de sacas de soja, cultivar Bônus, em razão dos diferentes fungicidas aplicados na fase vegetativa da cultura. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. C.V. = 7,75%

CONCLUSÕES Os

AGRADECIMENTOS

fungicidas

comerciais

avaliados

Á equipe de campo, estagiários e demais

apresentaram bom desempenho quando aplicados na

pesquisadores do CTC pelo apoio na execução do

fase vegetativa da soja. Praticamente todos eles foram

experimento.

capazes de reduzir significativamente a severidade e AACPD das doenças avaliadas. Percebe-se que, o nível de intensificação dos

116

REFERÊNCIAS

cultivos com a adoção de práticas e cultivares que visam

ANDRADE, L. R. Avaliação de diferentes

a elevação dos patamares de produção têm provocado,

fungicidas no controle de Septoria glycines na

concomitantemente,

no

cultura da soja. 25 f. Trabalho de Conclusão de Curso

manejo satisfatório de doenças foliares na soja. Por

– Agronomia, Universidade Federal de Uberlândia,

tanto, a realização de aplicações em estádio vegetativo

Uberlândia, 2019.

dificuldades

expressivas

apresenta-se como uma estratégia que passa a ser

CAMPBELL, C. L.; MADDEN, L. V. Introduction

fundamental para sustentar a busca por maiores

to Plant Disease Epidemiology. New York, NY. Wiley,

produtividades.

1990.

Fitopatologia


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Fitopatologia

117


DIFERENTES FUNGICIDAS NO CONTROLE DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA, SAFRA 2022/2023 EM RIO VERDE-GO DELGADO1, Vanderson Aparecido Diego; SILVA2, Lincoln Lima; FERNANDES3, Rafael Henrique; LIMA4, Diego Tolentino de; BRAZ5, Guilherme Braga Pereira Graduando em Agronomia pela Universidade de Rio Verde – UniRV. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 2 Graduando em Agronomia pelo Instituto Federal Goiano, Campus de Rio Verde. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: linconl96lima@gmail.com 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 1

primeiros casos da doença no Brasil foram identificados no Paraná (JACCOUD FILHO et al., 2001; YORINORI et al., 2002). Duas safras depois, a doença já havia se espalhado pela maioria do território brasileiro (YORINORI et al., 2005). Desde então, a ferrugem asiática da soja vem sendo monitorada de perto por centros de pesquisa, públicos e privados, espalhados pelo Brasil. Esta doença causa grande preocupação entre os produtores, pois além de apresentar elevada severidade, é facilmente disseminada.

As

estruturas

responsáveis

pela

disseminação da doença são chamadas uredósporos, que são carregados pelo vento e podem percorrer longas distâncias, infectando novas plantas e iniciando novos ciclos da doença (YORINORI e WILFRIDO, 2002). O controle químico é considerado oneroso e pouco eficiente após o aparecimento dos sintomas na cultura. Um método eficaz para o manejo da ferrugem asiática da soja é o uso de cultivares precoces, que passam menos tempo no campo, o que permite o

INTRODUÇÃO

cultivo com menores chances de exposição ao fungo. Além disso, é importante realizar o plantio antecipado, respeitando o vazio sanitário e o calendário de semeadura

118

A ferrugem asiática da soja, causada pelo

de cada estado. O monitoramento constante da lavoura

fungo Phakopsora pachyrhizi, é considerada uma das

também é fundamental, pois, temperaturas entre 16 e

principais doenças que afetam a cultura. Em 2001, os

28°C e elevada umidade relativa do ar são fatores que

Fitopatologia


favorecem o desenvolvimento do fungo (YORINORI &

ciclo médio de 115 dias. É um material estável, com alto

WILFRIDO, 2002).

potencial produtivo e população recomendada entre

Devido a pouca diversidade de cultivares

260 e 320 plantas por hectare. A cultivar CZ 37B43

resistentes à ferrugem, o uso de defensivos agrícolas

IPRO possui resistência ao acamamento, tolerância

tem aumentado para combater a doença. Este é o meio

à podridão cinzenta (Macrophomina sp.) e sistema

mais utilizado, mas deve ser realizado de forma racional

radicular vigoroso. A semeadura foi realizada tardiamente de modo

para não inviabilizar a cultura (GODOY e CANTERI,

que houvesse maior chances de exposição da área

2004). A adoção de cultivares de soja resistentes à

experimental à Ferrugem Asiática da Soja (FAS), por

ferrugem asiática e o uso de produtos fitossanitários,

isso foi realizada no dia 16/12/2022 com densidade de

como os fungicidas, são fundamentais para a

16 sementes por metro. As sementes foram tratadas

prevenção e controle da doença no campo. É

industrialmente (TSI) com 5 g de Piraclostrobina + 45

importante que todas as decisões sejam tomadas de

g de Tiofanato Metílico + 50 g de Fipronil para cada

forma técnica, considerando todos os fatores para a

100 kg de sementes (Standak Top – 200mL /100kg

escolha de produtos com alta performance. O controle

sementes). Na semeadura também foram aplicados:

químico é adotado de forma preventiva ou no início

o inoculante Nitrogin Cell Tech HC (Bradyrhizobium

do aparecimento dos sintomas da doença, buscando

japonicum Semia 5079 e Semia 5080, com 3 x 109

controlar os esporos de P. pachyrhizi por meio de

células viáveis/mL, Monsanto BioAg) na dose de 1,0

fungicidas.

L ha-1, o co-inoculante Biomax Azum (Azospirillum

A maioria dos fungicidas comerciais é composta

brasiliense, 3 x 108 células mL-1) na dose de 0,1 L ha-

por moléculas de diferentes grupos químicos, que

1

devem ser utilizadas preferencialmente em combinação.

anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1 x 108

É fundamental avaliar a eficiência desses produtos e

propágulos viáveis mL-¹) na dose de 0,5 L ha-¹ e 0,2 L ha-¹

monitorar a sensibilidade do fungo às moléculas, para

do fertilizante Nodulus Gold (1 % de Co, 10% de Mo)

garantir que os fungicidas utilizados sejam eficazes no

com Micron e volume de aplicação de 60 L ha-¹. No dia

controle da ferrugem asiática da soja.

24/10/2022, foram aplicados 152 kg ha-1 de KCl (cloreto

Diante disso, foi realizado um estudo para avaliar a eficiência de diferentes fungicidas no controle da ferrugem asiática da soja durante o ano agrícola 2022/2023 em Rio Verde, Goiás.

, o inseticida biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium

de potássio, 60% de K2O) e 450 kg ha-1 do fertilizante Super Simples (20% de P2O5). O experimento foi conduzido em delineamento experimental em blocos casualizados (DBC), com 16 tratamentos e quatro repetições/blocos, totalizando

MATERIAL E MÉTODOS

64 parcelas. Cada parcela foi composta por 10 linhas de plantio, com espaçamento de 0,5 m, e 10 metros de

O experimento foi realizado em condições de

comprimento, totalizando 50 m2. A parcela útil, utilizada

campo, na área experimental do Centro Tecnológico

para as avaliações, foi considerada, descartando-se

Comigo (CTC), em Rio Verde - GO, com a cultivar de

dois metros das extremidades e duas linhas laterais de

soja CZ 37B43 IPRO. Essa cultivar possui hábito de

bordadura, totalizando 18 m2.

crescimento indeterminado, grupo de maturação 7.4 e

Foram realizadas quatro aplicações sequenciais

Fitopatologia

119


de diferentes fungicidas, iniciando aproximadamente

(1ª 25/01/2023; 2a 09/02/2023; 3a 24/02/2023; 4a

30 dias após a emergência das plântulas, com a

10/03/2023). Os tratamentos que compuseram o

cultura entre os estádios V5 e V6, e intervalos entre

experimento foram diferentes fungicidas aplicados

as aplicações de aproximadamente quinze (15) dias

para o controle da ferrugem asiática da soja (Tabela 1).

Tabela 1. Descrição dos tratamentos, produtos comerciais, ingredientes ativos e doses dos fungicidas utilizados para o controle da ferrugem asiática da soja. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde- GO, safra 2022/2023. Dose

Tratamentos Produto Comercial – p.c. (ingredientes ativos – I.A.)

L ou kg p.c ha -¹

g I.A ha -¹

Excalia Max4 (Impirfluxam + Tebuconazol)

0,5

30+100

Fox Supra² (Impirfluxam + Protioconazol)

0,35

42+84

Fox Xpro² (Bixafem + Trifloxistrobina + Protioconazol)

0,5

62,5+75+87,5

Blavity1 (Fluxapiroxade + Protioconazol)

0,3

60+84

Belyan1 (Fluxapiroxade + Piraclostrobina Mefentrifluconazol)

0,6

53,3+106,7+80

Evolution3 (Azoxistrobina + Protioconazol + Mancozebe)

2,0

75+75+1.050

Viovan (Picoxistrobina + Protioconazol)

0,6

60+70

Versatilis (Fenpropimorfe)

0,3

225

Mitrion (Benzovindiflupir + Protioconazol)

0,45

33,75+67,5

Vessarya (Benzovindiflupir + Picoxistrobina)

0,6

60+30

Aproach Power (Picoxistrobina + Ciproconazol)

0,6

54+24

Sphere Max2 (Trifloxistrobina + Ciproconazol)

0,2

75+32

Fusão5 (Metominostrobina + Tebuconazol)

0,58

63,8+95,7

Orkestra SC1 (Fluxapiroxade +Protioconazol)

0,35

58,5+116,5

Alade (Benzovindiflupir + Ciproconazol + Difenoconazol)

0,5

30+45+75

Testemunha

-

-

Adicionado Mees (0,3 L ha-¹); 2 Adicionado Auero (0,25% v/v); 3Adicionado Strides (0,25% v/v); 4Adicionado Agris (0,5 L ha-¹); 5 Adicionado Iharol Gold (0,15% v/v). 1

120

Fitopatologia


As aplicações foram realizadas com pulverizador

Magnojet. O equipamento foi calibrado com pressão

pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3)

de trabalho na ponta de 3,8 bar (55,11 Psi) e volume

montado em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv).

de aplicação constante de 150 L ha-1. Durante as

Pulverizador dotado com barra de cinco metros com

aplicações, as condições meteorológicas, temperatura

10 bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A calda

(°C), umidade relativa do ar (%) e velocidade do vento

preparada foi acondicionada em tanques tipo post-mix

(km h-1) foram mensuradas com o equipamento termo-

com capacidade de 10 L. As pontas utilizadas para

higro-anemômetro (Tabela 2).

pulverização foram modelo AD-IA/D 110.015, da marca

Tabela 2. Datas das aplicações e dados meteorológicos mensurados nas aplicações dos diferentes fungicidas para o controle da ferrugem asiática da soja. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.

Data

Horário (h)

Temperatura (°C)

Umidade Relativa do ar (%)

Velocidade do vento (km h-1)

1a Aplicação

Inicio

10:04

22,0

83,8

8,28

25/01/2023

Término

14:32

22,7

84,2

10,8

2a Aplicação 09/02/2023

Inicio

11:20

29,8

66,5

3,96

Término

15:10

30,1

67,2

2,88

Inicio

09:12

23,2

85,0

7,56

Término

16:14

24,3

77,5

5,04

Inicio

09:34

25,6

74,2

7,2

Término

15:04

30,2

59,5

9,36

3 Aplicação 24/02/2023 a

4a Aplicação 10/03/2023

A eficiência dos tratamentos para o controle da

umidade dos grãos e a estimativa de produtividade

ferrugem foi estimada por meio de seis avaliações de

corrigida em função do número de plantas colhidas e

severidade, seguindo a escala diagramática sugerida

a população (plantas ha-¹) e apresentados em sacas de

por Godoy et al. (2006). As avaliações foram realizadas

60 kg por hectare (sacas ha-¹). Através da avaliação da

em cinco plantas aleatórias dentro da parcela útil, no

severidade ao longo do ciclo foram calculados a área

terço médio e no inferior da planta. A média de cada

abaixo da curva de progresso da doença – AACPD

parcela foi composta pela média da severidade nas

(CAMPBELL e MADDEN, 1990), neste caso AACP-

diferentes porções das plantas. As avalições foram

Ferrugem, e eficiência de controle (%).

realizadas um dia antes das aplicações, e aos 10 e 30

Os dados de severidade final da ferrugem

dias após a última aplicação. A produtividade de grãos

asiática, AACP-Ferrugem e de produtividade foram

foi avaliada realizando a colheita de três metros de três

submetidos à análise de variância e quando verificado

linhas centrais de cada parcela, totalizando 9 metros

diferença significativa entre as médias, as comparações

de colheita. As amostras foram submetidas a trilharem,

foram realizadas através do teste de Scott-Knott (P<0,05)

medindo a umidade (três vezes) e pesagem da massa

pelo software SISVAR (FERREIRA, 2014).

fresca (kg). Os dados foram ajustados para 13% de Fitopatologia

121


RESULTADOS E DISCUSSÃO No Centro Tecnológico Comigo (CTC), o primeiro foco da ferrugem asiática da soja na safra 2022/2023 foi observado no dia 27/01/2023. Os valores de severidade final e AACP-ferrugem foram maiores no tratamento testemunha, significativamente superior aos demais tratamentos, com severidade final atingindo 41,8% de tecido afetado pela doença (Tabela 3). Esses níveis de severidade e AACP-Ferrugem impactaram diretamente na produtividade, que foi de apenas 42,8 sacas ha-¹, (Tabela 3). As aplicações dos produtos comerciais Alade, Orkestra, Sphere Max, Aproach Power, Vessarya, Belyan e Versatilis apresentaram uma redução significativa na severidade em relação à testemunha. Porém, em patamares inferiores aos obtidos pelos tratamentos com os demais fungicidas (Tabela 3). Os tratamentos aplicados tiveram um nível de controle aceitável da ferrugem asiática da soja, reduzindo os níveis de severidade e a quantidade de ferrugem em diferentes níveis. Entretanto, os demais produtos obtiveram maior controle da ferrugem asiática, pois apresentaram menores valores de severidade e AACP-ferrugem, não diferenciando estatisticamente entre si (Tabela3). A eficiência de controle dos diferentes fungicidas aplicados variou entre 50,6% e 75,8%. O menor valor foi obtido pela aplicação de Trifloxistrobina + Ciproconazol, enquanto o maior foi obtido com Protioconazol + Impirfluxam, com 75,8% (Tabela 3). Vale aqui destacar também os produtos comerciais: Excalia Max, Evolution, Mitrion e Fusão, que obtiveram eficiência de controle com valores próximos e considerados satisfatórios (72%, 73%, 73,1% e 71,3%, respectivamente).

122

Fitopatologia


Tabela 3. Médias da Severidade Final, Área abaixo da curva do progresso da ferrugem (AACPFerrugem), eficiência de controle (%) e produtividade média de sacas de soja por hectare após a aplicação dos diferentes fungicidas para o controle da ferrugem asiática da soja. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde- GO, safra 2022/2023. Severidade Final (% de tecido afetado)

AACPferrugem

Controle (%)

Produtividade (sacas ha-¹)

Excalia Max

11,7 a

130,8 a

72,0

63,1 a

Fox Supra

9,7 a

113,3 a

75,8

63,1 a

Fox Xpro

9,4 a

156,7 a

66,5

60,4 a

Blavity

14,3 a

149,1 a

68,1

62,8 a

Belyan

18,8 b

173,3 b

62,9

57,5 a

Evolution

12,0 a

126,0 a

73,0

58,5 a

Viovan

13,9 a

146,6 a

68,8

59,8 a

Versatilis

18,5 b

171,5 b

63,3

51,6 b

Mitrion

12,9 a

125,6 a

73,1

56,5 b

Vessarya

20,0 b

196,0 b

58,1

52,3 b

Aproach Power

21,4 b

212,6 b

54,5

55,4 b

Sphere Max

22,0 b

231,0 b

50,6

52,6 b

Fusão

11,2 a

134,3 a

71,3

58,0 a

Orkestra SC

23,4 b

210,7 b

54,9

55,0 b

Alade

20,6 b

207,2 b

55,7

53,8 b

Testemunha

41,8 c

467,3 c

0,0

42,8 c

23,14

16,80

-

8,54

Produto comercial (p.c.)

C.V.

C.V. = Coeficiente de Variação Médias com letras iguais nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (P<0,05)

A produtividade da soja está diretamente

moderadamente a doença, reduziram a severidade da

relacionada ao controle da ferrugem asiática, visto que,

doença entre 50% e 70% e aumentaram a produtividade

ela causa a queda prematura de folhas e prejudica

entre 8 e 14 sacas ha-1, também em comparação a

consideravelmente a fotossíntese. Os fungicidas

testemunha (Tabela 3).

são usados para combater essa doença e proteger

As aplicações de Versatilis, Vessarya, Aproach

o potencial produtivo da lavoura. Os produtos aqui

Power, Sphere Max, Orquestra e Alade apresentaram

destacados, reduziram a severidade da doença

valores de produtividade superiores à testemunha,

em mais de 70% e aumentaram a produtividade

mas, inferiores aos demais tratamentos (Figura 1). Tais

aproximadamente 15 sacas ha

em relação à

resultados de produtividade, demonstram a grande

testemunha (Tabela 3). Os fungicidas que controlaram

relação entre a severidade da doença, a capacidade

-1

Fitopatologia

123


de controle de cada produto comercial, e também,

com os dados de produtividade (Tabela 3 e Figura 1),

dá indícios sobre a suscetibilidade de Phakopsora

fica evidente as diferenças de grupos de fungicidas

pachyrhizi quanto aos diferentes ingredientes ativos

com melhor desempenho que possibilitaram maiores

e combinações aqui testadas. Pois, ao analisar os

produtividades. Da mesma forma, o grupo que

dados relacionados ao desenvolvimento da doença

apresentou valores medianos das variáveis avaliadas.

e eficiência de cada produto (Tabela 3) juntamente

70,0

a

124

a

60,0

a

a

a

a

a b

50,0

a

b

b

b

a

b

b c

40,0

30,0 20,0

10,0 Testemunha

Alade

Orkestra

Fusão

Sphere Max

Aproach Power

Vessarya

Mitrion

Versa�lis

Viovan

Evolu�on

Belyan

Blavity

Fox Xpro

Fox Supra

0,0 Excalia Max

Produtividade média (sacas ha-1)

Figura 1. Produtividade média após a aplicação dos diferentes fungicidas para o controle da ferrugem asiática na soja. Centro Tecnologia COMIGO – CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.

O uso de fungicidas sítio-específicos, como

produtos comerciais. Deve-se priorizar, sempre que

os triazóis (IDM), estrobilurinas (IQe) e carboxamidas

possível, realizar aplicações associadas de fungicidas

(ISDH), aplicados de forma isolada e por períodos

sítio-específicos e multissítios, pois, além de aumentar

sequenciais representam médio a alto risco de indução

a eficiência de controle das doenças, são aliados

de resistência do agente patogênico P. pachyrhizi

no manejo da resistência do fungo aos fungicidas

(BALARDIN et al., 2017). Assim, é importante ressaltar

(GARCÉS-FIALLOS e FORCELINI, 2013).

que os programas de aplicações avaliados, com

Diante disso, é necessário pontuar que, o grande

aplicações sequenciais do mesmo produto, sendo

número de fungicidas comerciais disponíveis no

muitos deles misturas de ingredientes ativos de sítio-

mercado, bem como as quase infinitas combinações

específicos e sem multissítio em sua composição,

possíveis de ingredientes ativos, têm apresentado

não são recomendações técnicas para o manejo da

desempenho variável frente a ferrugem asiática da soja.

ferrugem asiática da soja. São exclusivamente realizados

Os resultados aqui obtidos, devem ser analisados para

para fins científicos e avaliação do desempenho de

auxiliar nas decisões para a formação do programa

Fitopatologia


de aplicações que será adotado para cada realidade.

to Plant Disease Epidemiology. New York, NY. Wiley.

Levando em conta, principalmente, o risco de exposição

1990. FERREIRA, D.F. Sisvar: a Guide for its Bootstrap

da lavoura à ferrugem.

procedures in multiple comparisons. Revista Ciência e

CONCLUSÃO

Agrotecnologia, v.38, n.2, p.109-112, 2014. GARCÉS-FIALLOS, F. R; FORCELINI, C. A.

Os fungicidas apresentam diferentes níveis de

Controle comparativo da ferrugem asiática da soja com

desempenho quanto ao controle de ferrugem asiática

fungicida triazol ou mistura de triazol + estrobilurina.

e impacto na produtividade de grãos.

Revista Bioscience Journal, Uberlândia, v. 29, n. 4, p.

No tratamento testemunha, sem a aplicações

805-815, 2013. GODOY, C. V.; UTIAMADA, C. M.; MEYER, M. C.;

de fungicida a doença atingiu elevados patamares a

CAMPOS, H. D.; LOPES, I. de O. N.; DIAS, A. R.; MUHL,

produtividade. O que reforça a forte dependência da

A.; WESP-GUTERRES, C.; PIMENTA, C. B.; ANDRADE

adoção do controle químico para o manejo da ferrugem

JUNIOR, E. R. de; MORESCO, E.; KONAGESKI, F. T.;

asiática e viabilidade do cultivo em condições com alto

BONANI, J. C.; ROY, J. M. T.; GRIGOLLI, J. F. J.; NUNES

risco de exposição ao patógeno.

JUNIOR, J.; ARRUDA, J. H.; NAVARINI, L.; BELUFI, L.

de

infecção

e

comprometeu

drasticamente

Foi possível identificar grupos de fungicidas

M. de R.; SILVA, L. H. C. P. da; SATO, L. N.; GOUSSAIN

com desempenhos semelhantes. Sendo que, o grupo

JUNIOR, M. M.; SENGER, M.; MULLER, M. A.;

composto pelos fungicidas: Excalia Max, Fox supra,

DEBORTOLI, M. P.; MARTINS, M. C.; TORMEN, N. R.;

Fox Xpro, Blavity, Belyan, Evolution, Viovan, Mitrion e

BALARDIN, R. S.; MADALOSSO, T.; KONAGESKI, T. F.;

Fusão, se destacaram quanto a redução nos processos

CARLIN, V. J. Eficiência de fungicidas para o controle

epidemiológicos da doença e permitiram a obtenção

da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi,

de maiores produtividades.

na safra 2019/2020: Resultados sumarizados dos ensaios cooperativos. Londrina: Embrapa Soja, 2020. 19 p. (Embrapa Soja. Circular técnica, 160).

AGRADECIMENTOS

GODOY, C.V.; CANTERI, M.G. Efeitos protetor,

À equipe de campo, estagiários e aos pesquisadores do CTC pelo apoio na execução do experimento.

ferrugem da soja causada por Phakopsora pachyrhizi, em casa de vegetação. Fitopatologia brasileira, v.29, n.1, 2004. JACCOUD FILHO, D. S.; HIAR, C. P.; BONA, P.

REFERÊNCIAS BALARDIN,

curativo e erradicante de fungicidas no controle da

F.; GASPERINI, L. Ocorrência da ferrugem da soja na R.

S.;

MADALOSSO,

M.

G.;

STEFANELLO, M. T.; MARQUES, L. N.; DEBORTOLI, M. P. Mancozebe: muito além de um fungicida. 1 Ed. Porto Alegre – RS: Bookman Editora Ltda., 2017, 96p. CAMPBELL, C. L.; MADDEN, L. V. Introduction

Região dos Campos Gerais do Paraná. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO CENTRAL DO BRASIL, 23., 2001, Londrina-PR. Londrina: Embrapa Soja, 2001. p. 109-110. (Embrapa Soja. Documentos, 157) YORINORI, J. T.; MOREL, W.; FERNANDEZ, F.

Fitopatologia

125


T. P. Epidemia de ferrugem de soja no Paraguai e na Costa Oeste do Paraná, em 2001. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO CENTRAL DO BRASIL, 23., 2001, Londrina: Embrapa Soja, 2001. p.117-118. (Embrapa Soja. Documentos, 157). YORINORI, J. T; PAIVA, W. M.; FREDERICK, R. D.; COSTAMILAN, L. M.; BERTAGNOLLI, P. F.; GODOY, C. V.; NUNES JUNIOR, J. Epidemics of soybean rust (Phakopsora pachyrhizi) in Brazil and Paraguay from 2001 to 2003. Plant Disease, v. 89, p. 675-677, 2005. YORINORI, J.T.; WILFRIDO, M.P. Ferrugem da soja: Phakopsora pachyrhizi Sydow. Londrina: Embrapa Soja, 2002.

126

Fitopatologia


PRODUTOS BIOLÓGICOS E QUÍMICOS E NO CONTROLE DE FITONEMATOIDES COM OCORRÊNCIA SIMULTÂNEA NA CULTURA DA SOJA SILVA1, Linconl Lima; FERNANDES2, Rafael Henrique; GERALDINE3, Alaerson Maia; ARAÚJO4, Fernando Bessa, DELGADO5, Vanderson Aparecido Diego Graduando em Agronomia, Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: linconl96lima@gmail.com 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Doutor em Fitopatologia, Professor do Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: alaerson.geraldine@ifgoiano.edu. br 4 Eng. Agrônomo, Departamento de Assistência Técnica COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: fernandobessa@comigo.com.br 5 Graduando em Agronomia, Universidade de Rio Verde, Rio Verde, GO. E-mail: vandersomdelgado@ hotmail.com 1

a importância mercadológica. Assim, em virtude da consolidação de um mercado internacional relacionado a derivados dessa oleaginosa como importante fonte de proteína vegetal que abastece setores ligados tanto a nutrição humana quanto animal, a soja lidera o ranking da principal oleaginosa cultivada no contexto mundial (HIRAKURI e LAZZAROTTO, 2014). No Brasil, a soja se destacou como um produto comercial no final da década de 60 tendo sua expansão no território no início dos anos 70. E graças a um progresso contínuo, possui hoje um papel relevante na economia brasileira sendo a principal cultura agrícola no país (MANDARINO, 2017). Nesse âmbito, a produção de soja na safra 2021/2022 no Brasil foi de 125,5 milhões de toneladas (CONAB, 2022). A escala de produção no cultivo dessa commodity vem aumentando expressivamente ao longo dos anos, podendo melhorar ainda mais por meio de diversas práticas agronômicas que ajudam a planta a expressar seu teto produtivo em um ambiente

INTRODUÇÃO

favorável, que consequentemente, reduz perdas na

O cultivo da soja dentro de uma perspectiva mundial,

vem

apresentando

um

acelerado

crescimento graças a diversos fatores, dentre eles,

produtividade. Todavia, existem diversos fatores que limitam sua produtividade, dentre eles, destacam-se os fitonematoides dos gêneros Pratylenchus, Heterodera,

Fitopatologia

127


e Helicotylenchus, que causam danos as raízes,

estrutura responsável por armazenar em média de

prejudicam o desenvolvimento da planta e reduzem sua

200 a 600 ovos, estrutura essa também, resistente às

produtividade.

adversidades do ambiente (CARES e BALDWIN, 1995).

Os fitonematoides do gênero Pratylenchus

O ciclo de vida dessa espécie partindo da eclosão dos

são endoparasitas migradores, ou seja, possuem

juvenis até o desenvolvimento dos cistos, é em média

a capacidade de se locomover pelo solo, adentrar

de 20 a 30 dias. Após esse período, cada fêmea produz

nas raízes e se mover dentro do tecido radicular

em média 400 ovos, morrendo e se transformando em

para se alimentar, deixando a raiz suscetível a outros

cisto (EMBRAPA, 1997). Estes cistos contendo ovos,

patógenos e atrapalhando também a absorção de

podem ficar no solo, viáveis até oito ou mais anos,

água e nutrientes. O órgão responsável por permitir

característica essa que dificulta ainda mais o completo

que esses fitonematoide ataquem o tecido radicular

controle dessa praga, já que essa estrutura facilita sua

é denominado estile, tendo em vista que esse tipo de

dispersão e aumenta a proteção da próxima geração

aparelho bucal não está presente em nematoides de

(YOUNG, 1992).

vida livre, e consequentemente eles não conseguem

Um dos gêneros que vem ganhando grande

atacar o tecido radicular das plantas (GOULART, 2008).

relevância principalmente em relação ao cultivo da soja

Seu deslocamento dentro do tecido radicular é em

é o gênero Helicotylenchus spp. fitonematoide esse,

direção ao córtex por meio de processos mecânicos

classificado como espécies de importância secundária.

e enzimáticos para o rompimento da parede celular e

Porém, isso vem mudando graças ao aumento de sua

outros tecidos (FERNANDES et al., 2020a). Os danos

disseminação e incidência (MACHADO et al., 2019).

causados ao sistema radicular são manifestados na

O fitonematoide em questão, tem a capacidade de

parte aérea da planta, dentre eles é comum observar

se mover no solo e também no sistema radicular e

plantas com porte reduzido, sintomas de deficiência

sua alimentação traz grandes prejuízos para a planta

nutricional. Uma das características do ataque dos

pois ocorre o extravasamento do conteúdo celular

fitonematoides em geral é a ocorrência dos sintomas

consequentemente a morte e necrose dos tecidos

na forma de reboleira. Dependendo da gravidade do

(BLAKE, 1966).

problema na cultura da soja pode ocorrer perdas de

128

Deste

modo,

considerando

os

impactos

até 50 % de produtividade pelo ataque do Pratylenchus

negativos na planta causados pelos fitonematoide dos

brachyurus, sendo espécie de relevância para à soja

gêneros Pratylenchus, Heterodera e Helicotylenchus,

(FRANCHINI et al., 2014).

é necessário entender sua dinâmica no solo para

A espécie Heterodera glycines popularmente

adotar medidas que reduzam a multiplicação e

conhecido como o nematoide de cisto da soja é

consequentemente diminuam os potencias prejuízos.

um endoparasita sedentário, o que significa que

Nesse âmbito, dentre as formas de manejo eficazes no

essa espécie de nematoide não se move livremente

controle desse fitonematoides está o controle cultural,

pelo sistema radicular, porém ao penetrar na raiz,

que consiste na escolha de cultivares resistentes e

diminui a absorção de água e nutriente pela planta.

que não favorece a multiplicação desses nematoides

Este gênero se caracteriza pela formação de cistos

fitoparasitas, quebrando seu ciclo de vida. Além disso,

de cor amarronzada, que são estruturas formadas

fatores como a aplicação de controle varietal, por

pelo corpo da fêmea após a sua morte, sendo essa

meio de cultivares de soja resistentes, lavagem dos

Fitopatologia


implementos agrícolas que entram em contato com o solo, e a implantação do controle biológico e químico, e também interfere diretamente no controle populacional desses fitonematoides. Diante disso, o objetivo foi avaliar a eficiência de nematicidas químicos e biológicos no controle de fitonematoides dos gêneros Pratylenchus, Heterodera e Helicotylenchus em área de produção naturalmente infestada. Além disso, acompanhar o a flutuação populacional ao longo do ciclo da soja e avaliar seus possíveis impactos na produtividade da cultura.

MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em condições de campo, na Fazenda Três Barras, que fica localizada às margens da BR - 060 na Zona Rural de Rio Verde – GO (Figura 1). A área do experimento está localizada nas coordenadas S 17°48'36.8” e W 51°09'25.4" e altitude média de 852 metros. Segundo Thornthwaite (1948) o clima de Rio Verde - GO é classificado em B4 rB’4a’ (úmido; pequena deficiência hídrica; mesotérmico; evapotranspiração no verão menor que 48% da evapotranspiração anual).

Figura 1. Imagem de satélite da área experimental. Fonte: Google Earth. Foram avaliados 9 tratamentos, constituídos

45 unidades experimentais, cada uma com dimensões

de nematicidas químicos e biológicos, aplicados

de 6,0 m de largura (12 linhas) e 15 m de comprimento,

via sulco de plantio (SP) e também via tratamento de

totalizando 90 m2.

semente (TS) (Tabela 1), com 5 repetições, totalizando

Fitopatologia

129


Tabela 1. Relação dos tratamentos aplicados com os diferentes produtos comerciais, tipo de aplicação (TS – Tratamento de semente; SP – Sulco de Plantio), ingredientes ativos, doses e volume de aplicação.

Trat.

Produto Comercial (p.c.)

Tipo de aplicação

Ingrediente ativo ou Agentes Biológicos

Concentração e/ou UFC g-1

Dose utilizada

Volume de aplicação

1

Inlayon

SP

Bacillus amyloliquefaciens

3% (5x109)

200 mL **

60 L**

2

Aveo EZ

TS

Bacillus amyloliquefaciens

27% (6,1x1010)

20 mL *

400 mL*

3

Tricho-Turbo + No-Nema

SP

Trichoderma asperellum + Bacillus amyloliquefaciens

21,20% (1x1010) 4,2% (3x109)

100 mL ** + 200 mL

60 L**

4

Presence

TS

Bacillus subtilis + Bacillus licheniformis

20% (1x1011) 20% (1x1011)

150 g*

600 mL*

5

Verango Prime

SP

Fluopiram

500 g L-1

400 mL**

60 L**

6

Avicta 500

TS

Abamectina

500 g L-1

125 mL*

500 mL*

7

Nemat + EcoTrich

TS

Paecilomyces lilacinus + Trichoderma harzianum

30 % (7,5x109) 30 % (1x1010)

100 g + 60 g*

500 mL*

8

Acrescent Raiz F Acrescent Solus F

TS

Ácidos carboxílicos Ácidos Carboxílicos

#

200 mL* 2, L ha-1 /(+)

200 mL*

9

Testemunha

-

-

-

-

-

* Para 100 kg de sementes; ** Por hectare; (+) dose usada em aplicação terrestre em pós-emergência da cultura (entre V2 e V3); # não informado.

No dia 03 de novembro de 2022, foi semeada a

1,0 x 108 UFC mL-1 (500 mL ha-1) no sulco de plantio

cultivar DS 7417 IPRO que possui hábito de crescimento

(SP) e com um volume de calda de 60 L ha-1 utilizando

indeterminado, com o ciclo estimado de 118 dias, com

o equipamento pulverizador de jato dirigido (Micron)

o grupo de maturação 7.4 e com uma população de

acoplado à semeadora-adubadora. A adubação foi

300.000 plantas ha (15 sementes m ). A semeadura foi

realizada em sulco de semeadura de 400 kg ha-1 do

realizada por uma semeadora-adubadora pneumática

fertilizante super simples (00-20-00).

-1

-1

(SM700, 6 linhas a 0,5 m, VENCE TUDO) montada em

Para caracterização química do solo, foram

um trator (6155J, 115 cv, John Deere), regulada para

coletadas amostras na camada de zero (0) a vinte

densidade de semeadura de 15 sementes m . Além

centímetros de profundidade (0-20 cm) em oito (8)

disso, foram aplicados, em todos os tratamentos,

pontos aleatórios na área experimental, formando uma

produtos à base de microrganismos, com o intuito de

amostra composta para homogeneização e envio de

promover a fixação biológica de nitrogênio, crescimento

amostra simples para o laboratório. Os resultados estão

radicular e controle de pragas do solo, sendo eles: Cell

apresentados no Quadro 1.

-1

Tech Max 3,0 x 10 UFC mL (750 mL ha ), Bio Max 9

-1

-1

Azum 3,0 x 108 UFC mL-1 (100 mL ha-1) e Meta-Turbo

130

Fitopatologia


Quadro 1. Atributos do solo na profundidade de 0-20 cm no local de condução da pesquisa, Rio Verde – GO, safra 2022/2023. pH

Época de semeadura

(CaCl2)

03/11/2022

4,62

Ca

Mg

Al

H+Al

CTC

K

---------------- cmolc dm-3 --------------2,88

0,6

0,123

4,04

7,72

0,20

PMeh

M.O.

V

Argila

- mg dm-3 -

%

%

%

78,64 11,09

3,18

47,67

58

K

Para realizar a identificação de quais espécies de

61 dias após o plantio do experimento; População

fitonematoides estavam presentes na área experimental,

Inicial na Raiz (Pir) que representa a quantidade de

foram realizadas amostragens de solo em três épocas

juvenis de Pratylenchus spp., Heterodera glycines,

diferentes. A primeira época foi na implantação do

Helicotylenchus spp. presente na raiz 61 dias após o

experimento (03/11/2022), realizando a amostragem

plantio; População Inicial (Pi) que representa a soma

de solo na profundidade de 0-25 cm com o auxílio de

da quantidade de juvenis de cada gênero, Pratylenchus

uma pá de corte. Ao todo, foram realizadas na primeira

spp.,

época, 45 coletas na área experimental, um ponto em

presente no solo e nas raízes aos 61 dias após o plantio

cada parcela. As amostras foram separadas por bloco

do experimento (Pis+Pir); População final no solo (Pfs),

e homogeneizadas, formando 5 amostras. Na segunda

que representa a quantidade de juvenis de Pratylenchus

e terceira época, 3 de janeiro de 2023 e 28 de fevereiro

spp., Heterodera glycines, Helicotylenchus spp. no solo

de 2023, foi feito a coleta de solo e raiz em 3 pontos

no final do cultivo; População final na Raiz (Pfr), que

aleatórios dentro da unidade experimental, formando

representa a quantidade de juvenis de Pratylenchus

uma amostra composta por parcela, totalizando 45

spp., Heterodera glycines, Helicotylenchus spp. na raiz

amostras em cada época.

no final do cultivo; População final (Pf), que representa

Heterodera

glycines,

Helicotylenchus

spp.

de

a soma de (Pfs) (Pfr); Flutuação populacional (Fp), que

experimental,

é feita por meio da razão entre Pf e Pi (Pf / Pi). Essas

as amostras de solo e raiz foram enviadas para um

interações auxiliam na interpretação da dinâmica

laboratório especializado, onde foram processadas

populacional dos fitonematoides estudados durante

seguindo a metodologia conforme Jenkins (1964), e as

determinado período de tempo. Nesse sentido, fatores

amostras de raízes conforme Coolen & D’Herde (1972).

que influenciam na população destes fitonematoides,

De forma a avaliar os efeitos dos diferentes

provavelmente irão causar variações na Fp. Desse

produtos sobre a população de Pratylenchus spp.,

modo, podemos inferir que: Fp <1, a população foi

Heterodera glycines, Helicotylenchus spp. durante

reduzida; Fp = 1, a população se manteve; Fp > 1, a

o ciclo da soja, foi avaliado a dinâmica populacional

população aumentou. Sendo assim, a análise dessas

dos três diferentes fitonematoides. Sendo assim,

variáveis pode auxiliar na interpretação sobre da

as avaliações seguiram os seguintes parâmetros:

eficiência ou ineficiência de determinado tratamento

População inicial no solo (Pis), que representa a

(FERNANDES et al., 2020b).

Para

a

fitonematoides

determinação presentes

na

populacional área

quantidade de juvenis de Pratylenchus spp., Heterodera

Ao final do experimento, as plantas foram

glycines, Helicotylenchus spp. presentes no solo

colhidas em 3 linhas centrais da parcela com 4 metros

Fitopatologia

131


de comprimento, totalizando 12 metros lineares (parcela

Heterodera glycines e Helicotylenchus spp., sendo os

útil), sendo essas plantas trilhadas, pesadas e corrigindo

valores expressos em juvenis para os três gêneros /

sua umidade para 13%, sendo a produtividade de grãos

100 cm3 de solo, e juvenis dos três gêneros / grama de

calculada em sacas de 60 kg ha-1. Os dados obtidos

raiz, além de ser expresso também valores para cisto

foram submetidos à análise de variância e teste de

viáveis e inviáveis para a espécie Heterodera glycines.

médias Scott-Knott a 5 % de probabilidade utilizando o

A população de fitonematoides do gênero Pratylenchus spp. no solo, teve ligeiro aumento em

programa estatístico SISVAR (FERREIRA, 2008).

todos os tratamentos, comparando as duas épocas de

RESULTADOS E DISCUSSÃO

coleta (Figura 2), exceto a população do tratamento 1 (Inlayon). Já a população na raiz diminuiu em todos os

Foram identificados três diferentes gêneros de fitonematoides, sendo eles: Pratylenchus spp.,

tratamentos, exceto nos tratamentos 7 (Nemat + Eco Trich) e 9 (testemunha).

Coleta dia 28/02/2023

200 175 150 125 100 75 50 25 0

1

2

3

4

Média de Praty - Raiz

5

6

7

8

9

Média de Praty - Solo

Juvenis de Pratylenchus spp./100 cm3

Juvenis de Pratylenchus spp./100 cm3

Coleta dia 03/01/2023 200

175 150 125 100 75 50 25 0

1

2

3

4

Média de Praty - Solo

5

6

7

8

9

Média de Praty - Raiz

Figura 2. Média da população de Pratylenchus spp. em raiz e solo em duas épocas de coleta. Número dos tratamentos seguindo a ordem descrita na Tabela 1.

132

A população de fitonematoides do gênero

de Heterodera glycines na raiz, diminuiu em todos os

Heterodera glycines no solo, diminuiu em todos os

tratamentos, exceto no tratamento 9 (Testemunha)

tratamentos comparando as duas épocas de coleta

que manteve a população basicamente inalterada.

(Figura 3), exceto a população nos tratamentos 3

Em todos os tratamentos o número de cistos viáveis

(Tricho-Turbo+No-Nema), 8 (Acrescent Raiz F +

aumentou e cistos inviáveis não foram detectados na

Acrescent Solus F) e 9 (Testemunha). A população

última avaliação (dados não apresentados).

Fitopatologia


250 225 200 175 150 125 100 75 50 25 0

Juvenis H. glycines/100cm3

Juvenis de H. glycines/100 cm3

Coleta no dia 03/01/2023

1

2

3

4

5

6

Média de Heter - Raiz

7

8

9

250 225 200 175 150 125 100 75 50 25 0

Média de Heter - Solo

Coleta no dia 28/02/2023

1

2

3

4

5

Média de Heter - Raiz

6

7

8

9

Média de Heter - Solo

CV = Cistos Viáveis; CI = Cistos Inviáveis Figura 3. Média da população de Heterodera glycines em raiz e solo em duas épocas de coleta. Número dos tratamentos seguindo a ordem descrita na Tabela 1. épocas. De forma similar, as médias populacionais

diminuiu, em todos os tratamentos, comparando as duas

de Helicotylenchus spp. nas raízes apresentaram

épocas de coleta (Figura 4). Exceto a população nos

reduções expressivas em todos os tratamentos, quando

tratamentos 1 (Inlayon), 5 (Verango Prime) e 7 (Nemat

comparados os dados aos 61 dias após a semeadura e

+ Ecotrich), que mantiveram valores próximos nas duas

no final do cultivo.

Coleta dia 03/01/2023

Juvenis de Helicotylenchus spp./100 cm3

Juvenis de Helicotylenchus spp./100 cm3

A população no solo de Helicotylenchus spp.

200 175 150 125 100 75

50 25 0

1

2

3

4

Média de Heli - Raiz

5

6

7

8

Média de Heli - Solo

9

Coleta dia 28/02/2023 200

175 150 125 100 75 50 25 0

1

2

3

4

Média de Heli - Solo

5

6

7

8

9

Média de Heli - Raiz

Figura 4. Média da população de Heterodera glycines em raiz e solo em duas épocas de coleta. Número dos tratamentos seguindo a ordem descrita na Tabela 1.

Fitopatologia

133


Em todas as análises em que se observou a diminuição populacional dos fitonematoides, havia

antagonista ainda não está bem elucidado (MONDIN 2020). Ao

algum agente de biocontrole. Esse fator pode estar

analisar

os

valores

de

Flutuação

ligado à ação de determinados microrganismos

populacional do gênero Pratylenchus spp., é possível

que compõe o produto (seja fungo ou bactéria) e

identificar diferenças na dinâmica populacional entre

que possui a capacidade de colonizar a rizosfera e

os tratamentos. Tendo em vista que valores de Fp >1,

sintetizar fitohormônios que induzem a planta a emitir

indica aumento na população e Fp < 1, diminuição.

novas raízes, além de liberar metabólicos secundários

Desse modo, os únicos tratamentos que demonstraram

que são capazes de repelir e ocultar substâncias

Fp > 1, foram Nemat + Eco Trich (Paecilomyces lilacinus

químicas que atraem o fitonematoide, ou até mesmo

+ Trichoderma harzianum) e o tratamento testemunha

liberar substâncias toxicas à praga, porém esse efeito

(Quadro 2).

Quadro 2. Dados não normalizados de Pratylenchus spp. em raiz e solo em duas épocas de coleta sendo: Pis (População inicial no solo), Pir (População inicial na raiz), Pi (População Inicial de solo + raiz), Pfs (População final no solo), Pfr (População final na raiz), Pf (População final de solo + raiz) e Fp (Flutuação populacional).

Tratamentos

Pis 03/01/23

Pir 03/01/23

Pi 03/01/23

Pfs 28/02/23

Pfr 28/02/23

Pf 28/02/23

Fp

Inlayon

7

126

133

6

22

28

0,21

Aveo EZ

3

173

176

6

41

47

0,26

Tricho-Turbo + No-Nema

2

70

72

2

20

22

0,3

Presence

7

88

95

10

47

57

0,59

Verango Prime

8

119

127

18

45

63

0,47

Avicta 500

6

123

129

20

28

48

0,37

Nemat + EcoTrich

6

97

103

12

123

135

1,30

Acrescent Raiz F + Acrescent Solus F

0

60

60

13

29

42

0,7

Testemunha

7

33

40

12

41

53

1,32

Níveis populacionais de Pratylenchus spp.: baixo ( ); médio ( ); alto ( )

Na Tabela 2 está descrito a classificação

estavam com o nível médio e alto. Já a população

dos níveis de Pratylenchus spp. para raiz e solo. A

final na raiz (Pfr), os valores se mostraram baixos para

população inicial no solo (Pis) em todos os tratamentos

todos os tratamentos, com exceção do tratamento com

foi considerado baixo. Já a população inicial na raiz

Nemat + Eco Trich.

(Pir), somente os tratamentos Tricho-Turbo + No-Nema, Acrescent Raiz F + Acrescent Solus F e a testemunha estavam com a população baixa, os outros tratamentos

134

Fitopatologia


Tabela 2. Valores de referência para níveis populacionais de Pratylenchus spp. em raiz e solo. Pratylenchus spp.* Nível

Raiz (Nematoides/ g de raiz)

Solo (Nematoide / 100cc)

Baixo

0-80

0-50

Médio

80-160

50-100

Alto

>160

>100

*Adaptado de Stephen Koenning, Universidade da Carolina do Norte, EUA (2007)

Em relação a espécie Heterodera glycines, os

(Abamectina), todos os outros tratamentos possuem

tratamentos que tiveram Fp < 1 foram: Inlayon, Presence,

microrganismos em sua composição, demonstrando

Verango Prime, Avicta 500, Nemat + Eco Trich. Com

a importância e o diferencial desses organismos em

exceção do Avicta 500, que possui molécula química

associação com às plantas (Quadro 3).

Quadro 3. Dados não normalizados de Heterodera glycines em raiz e solo em duas épocas de coleta sendo: Pis (População inicial no solo), Pir (População inicial na raiz), Pi (População Inicial de solo + raiz), Pfs (População final no solo), Pfr (População final na raiz), Pf (População final de solo + raiz) e Fp (Flutuação populacional).

Tratamento

Pis 03/01/23

Pir 03/01/23

Pi 03/01/23

Pfs 28/02/23

Pfr 28/02/23

Pf 28/02/23

Fp

Inlayon

214

13

227

57

1

58

0,25

Aveo EZ

32

0

32

33

0

33

1,01

Tricho-Turbo + NoNema

49

0

49

62

0

62

1,25

Presence

73

14

87

32

0,8

32,8

0,38

Verango Prime

136

8

144

36

0

36

0,25

Avicta 500

105

3

108

81

0,4

81,4

0,75

Nemat + EcoTrich

58

12

70

4

0

4

0,06

Acrescent Raiz F + Acrescent Solus F

71

9

80

75

6

81

1,02

Testemunha

28

0

28

29

1

30

1,07

Níveis populacionais de Pratylenchus spp.: baixo ( ); médio ( ); alto ( )

Na Tabela 3 está descrito a classificação dos

tratamento com Inlayon, que estava alto. Ao final do

níveis de Heterodera glycines para raiz e solo. A

experimento houve uma redução da população final no

população inicial no solo (Pis) em todos os tratamentos

solo (Pfs) para os tratamentos com Inlayon, Presence,

foi considerado baixa e média com exceção do

Verango Prime, Avicta 500 e Nemat + Eco Trich.

Fitopatologia

135


Tabela 3. Valores de referência para níveis populacionais de Heterodera glycines em raiz e solo.

HETERODERA GLYCINES** Nível

Solo (Nematoide / 100cc)

Cisto

Baixo

0-100

0-2

Médio

100-200

2-5

Alto

>200

>5

**Adaptado de Asmus e Andrade, 1999; Garcia et al., 1999; Inomoto et al., 2010.

Ao analisar os valores de Flutuação populacional

demonstrou que grande parte dos produtos biológicos

do gênero Helicotylenchus spp., o único tratamento

trazem resultados positivos para a redução no número

que demonstrou Fp > 1 foi Verango Prime (Fluopiram)

e multiplicação da população de fitonematoides.

(Quadro 4). Nesse âmbito, mais uma vez o experimento

Quadro 4. Dados não normalizados de Helicotylenchus spp. em raiz e solo em duas épocas de coleta sendo: Pis (População inicial no solo), Pir (População inicial na raiz), Pi (População Inicial de solo + raiz), Pfs (População final no solo), Pfr (População final na raiz), Pf (População final de solo + raiz) e Fp (Flutuação populacional).

136

Tratamento

Pis 03/01/23

Pir 03/01/23

Pi 03/01/23

Pfs 28/02/23

Pfr 28/02/23

Pf 28/02/23

Fp

Inlayon

109

71

180

114

9

123

0,68

Aveo EZ

121

61

182

64

8

72

0,39

Tricho-Turbo + No-Nema

82

51

133

61

5

66

0,49

Presence

177

85

262

87

7

94

0,35

Verango Prime

133

18

151

163

3

166

1,09

Avicta 500

125

65

195

70

7

77

0,4

Nemat + EcoTrich

99

115

214

89

3

92

0,43

Acrescent Raiz F + Acrescent Solus F

161

103

264

122

7

129

0,48

Testemunha

131

77

208

53

9

62

0,3

Apesar de ser considerado um fitonematoide

profissionais da área, já que, em níveis populacionais

de importância secundária, com o passar dos anos o

elevados, este gênero pode reduzir e o crescimento das

gênero Helicotylenchus spp. tem ganhando mais espaço

plantas e consequentemente o rendimento de grãos.

e causando preocupação à comunidade científica e

Além disso, a presença desse fitonematoide nas raízes,

Fitopatologia


as injúrias causadas no sistema radicular podem servir

um acompanhamento para que se consiga implantar

de porta de entrada para microrganismos patogênicos.

diversas formas de controle. Desse modo, os resultados

(KIRSCH et al.,2016).

do experimento não se expressaram em produtividade

O manejo de nematoides envolve diversas

pois não diferenciaram estatisticamente (Figura 5).

práticas agronômicas com o intuito de atingir controle

Todavia, é possível observar pontos interessantes no

significativo, principalmente no quesito de redução

quesito de manejo, reforçando a importância do uso

populacional. O que torna difícil a tarefa de avaliar a

de produtos químicos e biológicos de forma assertiva

avaliação da redução populacional de fitonematoides

e frequente, para que o manejo se estruture ao longo

somente em uma safra. Afinal, é um processo gradual

dos anos.

e que envolve um nível de conhecimento técnico e 80

Produtividade (sacas ha-1)

70

ns

60 50 40

30 20 10 0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

ns: Não significativo / C.V. (Coeficiente de Variação = 9,26)

ns: Não significa�vo / C.V. (Coeficiente de Variação = 9,26 Figura 5. Produtividade média de grãos de soja (sacas ha-1), safra 22/23, Rio Verde – GO. em áreas comerciais naturalmente infestadas com

CONCLUSÃO Mesmo

que

misturas populacionais é dificultoso e requer a adoção diferenças

significativas

não

tenham sido observadas quanto a produtividade, alguns produtos aplicados possibilitaram reduções na população de alguns dos gêneros de fitonematoides avaliados. Contudo, a duração deste efeito sobre a população destes nematoides, não pôde ser mensurada neste trabalho. Até porque, o manejo de fitonematoides

de diversas medidas de controle de forma associada, ao longo dos anos. De toda forma, é possível destacar alguns resultados. Como, por exemplo, para a espécie Heterodera glycines, os produtos: Inlayon, Presence, Verango Prime, Avicta 500, Nemat + Eco Trich conseguiram restringir parcialmente a multiplicação desse fitonematoide no solo, representando a flutuação

Fitopatologia

137


ABASTECIMENTO. Acompanhamento de safra de

populacional < 1. Portanto, os resultados reforçam a importância

grãos safra 2021/22. Disponível em: https://www.

da adoção de medidas de controle de forma conjunta

conab.gov.br/info-agro/safras/graos/boletim-da-safra-

para o manejo de Pratylenchus spp., Heterodera

de-graos. Acessado em: 01 de setembro de 2022.

glycines e Helicotylenchus spp. Pois a adoção de

COOLEN, W. A.; D’HERDE, C. J. A method for the

do controle químico ou biológico, de forma pontual

quantitative extraction of nematoides from plant tissue.

e isolada não é suficiente para se atingir níveis de

Ghent: State Agricultural Research Center, 1972, 77p.

controle satisfatórios, sobretudo, frente a misturas

EMBRAPA

EMPRESA

BRASILEIRA

DE

populacionais com diferentes gêneros fitonematoides.

PESQUISA AGROPECUÁRIA. Nematoide de cisto da

Além do mais, é necessário enxergar que o manejo

soja. Londrina, PR. 1997.

deve ser constante, e reforçado a cada safra com as

FERNANDES, G. A.; ANCHIÊTA, A. L. M.;

inovações que abastecem o conhecimento técnico e o

CASSINO, A. A.; OLIVEIRA, L.A.; FERNANDES, A. A.; DA

mercado.

SILVA, E. H.; PEREIRA, I.S. Métodos de controle do fitonematoide Pratylenchus brachyurus na cultura da

AGRADECIMENTOS

soja. Multidisciplinary Reviews, 3, 2020a. FERNANDES, R. H.; VILELA JUNIOR, M. P.; LIMA,

Aos cooperados Acássio Teles de Castro e

DIEGO TOLENTINO DE; FURTINI NETO, ANTÔNIO

Acássio Júnior por disponibilizarem a aérea para

EDUADRO. Produtos Biológicos e Químicos, em

a montagem do experimento. Aos funcionários da

Tratamento de Semente e Sulco de Plantio, para o

Fazenda Três Barras pelo acompanhamento e auxílio

manejo de Pratylenchus brachyurus em soja. Anuário

na condução da lavoura. Ao Engenheiro Agrônomo

de Pesquisas Agricultura – Instituto de Ciência e

e consultor do Departamento de Assitência Técnica

Tecnologia Comigo, v.3, n.1, p. 177-186, 2020b.

da COMIGO, Fernando Bessa Araújo por todas as

FERREIRA, D. F. SISVAR: Um programa para

contribuições que permitiram a execução do trabalho.

análises e ensino de estatística. Revista Symposium

E por fim, a toda equipe de campo e pesquisadores do

(Lavras), v. 6, p. 36-41, 2008. FRANCHINI, J. C.; DEBIASI, H.; DIAS, W. P.; RAMOS

Centro Tecnológico Comigo – CTC.

JUNIOR, E. U.; SILVA, J. F. V. Perda de produtividade da soja em área infestada por nematoide das lesões

REFERÊNCIAS

radiculares na região médio norte do Mato Grosso.

BLAKE, C. D. The histological changes in banana roots caused by Radopholus similis and Helicotylenchus multicinctus. Nematropica v.12, p.129-137. 1966. CARES, J. E; BALDWIN, J. G. Nematoides formadores de cistos o gênero Heterodera. In: LUZ, W. C; FERNADES, J M.; PRESTES, A. M; PICININI, E.C. Revisão Anual de Patologia de Plantas. Passo Fundo: (RAPP Ltda), v. 3, p. 29-84, 1995. CONAB

138

Fitopatologia

-

COMPANHIA

NACIONAL

DE

In: BERNARDI, A. C. de C.; NAIME, J. de M.; RESENDE, A. V.; BASSOI, L. H.; INAMASU, R. Y. (Ed.). Agricultura de Precisão: resultados de um novo olhar. Embrapa, 2014. P. 274-278. GOULART, A. M. C. Aspectos gerais sobre nematoides Pratylenchus).

das

lesões Embrapa

radiculares

(gênero

Cerrados-Documetos

(INFOTECA-E). 2008. JENKINS, W. R. A rapid centrifugal-flotation


technique for separating nematodes for soil. Plant Desease Reporter, v. 48, p. 629, 1964. KIRSCH, V. G.; KULCZYNSKI, S. M.; GOMES, C. B.; BISOGNIN, A. C.; GABRIEL, M.; BELLÉ, C.; LIMAMEDINA, I. Caracterização de espécies de Meloidogyne e de Helicotylenchus associadas à soja no Rio Grande do Sul. Nematropica, n.46, v.2, 197-208. 2016. HIRAKURI, M. H.; LAZZAROTTO, J. J. O agronegócio da soja nos contextos mundial e brasileiro. O mercado mundial de produtos do complexo agroindustrial da soja. Londrina, ed. 1, p. 9-11, 2014. MACHADO, A. C. Z.; AMARO P.M.; SILVA, S.A.D. Two novel potential pathogens for soybean. PLoS One, v.14, n.8, 2019. MANDARINO JOSÉ, M. G. Origem e história da soja no Brasil. 2017. Disponível em:<https://blogs. canalrural.com.br/embrapasoja/2017/04/05/origeme-historia-da-soja-no-brasil/>. Acesso em: 03 maio. 2020. MONDIN,

Márcia

Leite.

Bacillus

amyloliquefaciens como uma potente ferramenta para solos supressivos a nematoides. SoluBio, 18

set.

2020.

Disponível

em:

https://www.

solubio.agr.br/post/bacillus-amyloliquefacienscomo -uma-potente -ferramenta-parasolossupressivos-anematoides#:~:text=Bacillus%20 amyloliquefaciens%20%C3%A9%20uma%20rizobact%C3%A9rias,prote%C3%A7%C3%A3o%20 contra%20certos%20pat%C3%B3genos%20vegetais. Acesso em: 10 jul. 2017. YOUNG, L. D. Epiphytology and life cycle. In: RIGGS, R.D.; WRATHER, J.A. Biology and management of the soybean cyst nematode. Saint Paul: APS Press, 1992, p. 2736.

Fitopatologia

139


PROGRAMAS DE APLICAÇÕES DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DE HELMINTOSPORIOSE DO MILHO FERNANDES1, Rafael Henrique; LIMA2, Diego Tolentino de; BRAZ3, Guilherme Braga Pereira; BUENO4, Amanda Magalhães; SARKIS5, Leonardo Fernandes

INTRODUÇÃO A estimativa da produção de grãos para a safra do ano agrícola 2022/2023 aponta para valores recordes

Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Eng. Agrônoma, Dra. Em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico Comigo. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br 5 Eng. Agrônomo, Ms. em Ciência do Solo, Pesquisador Fertilidade e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 1

de produção, assim como ocorrido na safra anterior. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), são estimados 320,1 milhões de toneladas, crescimento de 17,5% ou 47,6 milhões de toneladas em relação à safra 2021/2022 (CONAB, 2023a). Estes valores são consequência da combinação do aumento nas áreas de cultivo e de produtividade. Estima-se que a área cultivada apresente uma alta de 5% (3,8 milhões de hectares), resultando em 78,3 milhões de hectares. Os maiores incrementos são observados na soja, com 2,58 milhões de hectares ou 6,2%, no milho, 615,4 mil hectares ou 2,9% e, no trigo, 345,2 mil hectares ou 11,2% (CONAB, 2023a). De acordo com Edegar Pretto, presidente da Conab, estes dados reforçam o recorde da safra brasileira de grãos que é proveniente, principalmente, da produtividade acima do que foi previsto para o milho segunda safra, juntamente com o melhor desempenho das culturas no campo (CONAB, 2023b). São esperadas cerca 130 milhões de toneladas colhidas deste cereal, produção 14,9% superior à obtida na safra 2021/22, cultivadas em 22,2 milhões de hectares (aumento

140

Fitopatologia


de 2,9%), com produtividade média de 5.855 kg/ha

mancha de turcicum ou mancha de HT, é causada pelo

(aumento de 11,7%) (CONAB, 2023a). Em Goiás, a

fungo Exserohilum turcicum e apresenta elevadas

produção de milho deve totalizar 12,59 milhões de

severidades em condições de plantio em segunda

toneladas (aumento de 29,2%), com produtividade

safra. Os sintomas incluem lesões necróticas,

de 6,74 toneladas por hectare (alta de 32,8%) e área

elípticas, medindo de 2,5 cm a 15 cm de comprimento

plantada de 1,87 milhões de hectares (GOVERNO DE

com coloração que varia de cinza a marrom e, no

GOIÁS, 2023).

interior das lesões, observa-se intensa esporulação

Na região do Sudoeste Goiano, o clima

do patógeno. A disseminação do fungo ocorre pelo

adverso, com a ocorrência de baixas temperaturas

transporte de conídios pelo vento a longas distâncias

e precipitações tardias, entre junho e julho,

e as primeiras lesões aparecem, normalmente, nas

favoreceram o enchimento dos grãos em lavouras

folhas inferiores. O patógeno apresenta capacidade

mais tardias, propiciando o aumento das estimativas

de sobrevivência em restos culturais e pode utilizar o

de produtividade média. Em contrapartida, o ritmo

sorgo, o capim sudão, o sorgo de halepo e o teosinto

de colheita manteve-se mais lento, pois além de

como hospedeiros (COSTA & COTA, 2021).

atrasar também a perda de umidade dos grãos, os

O controle da helmintosporiose no milho inclui

baixos preços do milho no mercado e a falta de rede

medidas como uso de cultivares geneticamente

armazenadora, contribuíram para que os produtores

resistentes, plantio em época adequada, rotação

aguardassem a redução natural da umidade em

de culturas não suscetíveis, manejo adequado da

campo visando diminuir os custos (CONAB, 2023a).

lavoura (CASELA et al., 2006) e o controle químico,

Embora segunda

safra

as

condições

propiciarem

climáticas um

nesta

aumento

na

produtividade, é importante destacar que umidade

medida muito utilizada principalmente quando se objetiva o controle rápido e preciso da doença. Estudos relatam avaliações com diversos

relativa do ar acima de 60% e temperaturas elevadas

programas

de

aplicação

de

fungicidas

com

também são fatores que contribuem para maior

diferentes grupos químicos e ingredientes ativos.

incidência e severidade de doenças foliares no milho

Camera et al. (2019a) relatam que os fungicidas

(COTA et al., 2017).

protioconazol + trifloxistrobina apresentam a maior podem

eficiência de controle químico de helmintosporiose

desempenhar papel limitante para o desenvolvimento

e a menor AACPD (Área Abaixo da Curva de

da cultura e causar elevado potencial de perdas.

Progresso da Doença). Em outro trabalho, Camera et

Entretanto, a região de cultivo, a época de cultivo,

al. (2019b) relatam que os fungicidas protioconazol

o genótipo cultivado, as condições edafoclimáticas,

+ trifloxistrobina apresentaram a menor taxa de

a altitude e as estratégias de manejo utilizadas

expansão de lesão de E. turcicum quando aplicado

constituem variáveis para incidência e severidade dos

curativamente. Pesquisadores da Fundação MS

sintomas apresentados (FERNANDES et al., 2022).

(2020) avaliaram diferentes fungicidas aplicados

Dentre as doenças, a helmintosporiose destaca-

em três estádios de desenvolvimento (V8, pré-

se como uma das principais doenças fúngicas que

pendoamento e 15 dias após) e obtiveram controle

afetam a produção do milho.

da doença acima de 80%.

Diversas

doenças

e

patógenos

A helmintosporiose, também conhecida como

Em

um

manejo

fitossanitário

eficiente

Fitopatologia

141


para obtenção de altas produtividades, além de

kg ha-1 do fertilizante Ureia protegida, tratada com

conhecer o desempenho do material cultivado e

NBPT ([N-(n-butil) Triamida Tiofosfórico]; inibidor de

realizar o monitoramento frequente da lavoura, o

urease).

controle químico tem sido cada vez mais utilizado.

O controle de plantas daninhas foi realizado

Atualmente, existe uma gama de ingredientes

com uma aplicação de S-Metolacloro (Dual Gold,

ativos, grupos químicos, diferentes condições de

960 g L-1, EC, Syngenta), na dose de 1,44 kg de i. a.

manejo e posicionamentos, que variam segundo

ha-1, Aatrazina (Gesaprim, 500 g L-1, SC, Syngenta) na

clima, histórico da área, cultivar escolhida e nível

dose de 1,0 kg de i. a. ha-1 e Glyphosate (Crucial, 540

econômico do produtor. Desta forma, torna-se

g e. a. L-1, SL, Sumitomo) na dose 1,08 kg de e. a. ha-1,

fundamental conhecer as moléculas fungicidas, os

realizada no dia da semeadura da área experimental.

produtos comerciais e programas de aplicação que

Posteriormente, em pós-emergência da cultura (em

apresentem maior eficiência de controle e maior

estádio fenológico V3) foram aplicados Glyphosate

custo/benefício da aplicação.

(Crucial, 540 g e. a. L-1, SL, Sumitomo), na dose de 0,81

Diante disso, o objetivo foi avaliar a eficiência

kg de e. a. ha-1, Atrazina (Proof, 500 g L-1, SC, Syngenta)

de controle de helmintosporiose no milho com

na dose de 1,0 kg de i. a. ha-1 e adjuvante óleo mineral

diferentes

de

(Iharol Gold, 756,8 g L-1, EC, Ihara), na dose de 0,302 kg

aplicações de fungicidas em condições de segunda

e. a. ha-1. Também foram realizadas duas aplicações

safra.

de inseticidas visando principalmente o controle

posicionamentos

de

programas

da cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) e lagartas,

MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em condições de

ha-1), Wild (1,0 L ha-1), Premio (0,1 L ha-1), Sperto (0,3 L ha-1) e Engeo Pleno (0,3 L ha-1).

campo na área experimental do Centro Tecnológico

Os tratamentos consistiram na execução de

Comigo (CTC), no município de Rio Verde-GO

programas de aplicações de fungicidas, com duas

(S 17°45’45” e 51°01’03” W), com 837 metros de

aplicações (Tabela 1).

altitude, com predominância de áreas com Latossolo Vermelho Distrófico (SANTOS et al., 2018). O material de milho utilizado foi o híbrido NK 520 VIP3 (Syngenta®). Semeadura e colheita foram realizadas nos dias 01/03/2023 e 31/07/2022, respectivamente, totalizando um ciclo de 152 dias. Na semeadura foram aplicados 400 kg ha-1 do fertilizante formulado 15:15:15 (N:P:K) no sulco de plantio. A densidade de semeadura foi de 2,8 sementes por metro e o estande final de plantas foi de 54.000 plantas por hectare (estande avaliado com a cultura em estádio V3). A adubação de cobertura foi realizada em 16/03/2023, com a aplicação de 150

142

variando com os seguintes produtos: Talisman (0,5 L

Fitopatologia


Tabela 1. Descrição dos tratamentos contendo a relação dos programas de aplicações de fungicidas, ingredientes ativos (I. A.), doses de I. A. aplicados no híbrido NK 520 VIP3. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.

Trat.

1ª Aplicação

2ª Aplicação

Produto Comercial (kg ou L ha-1)

Produto Comercial (kg ou L ha-1)

Ingredientes Ativos – I. A. (g de I. A. ha-1)

Ingredientes Ativos – I. A. (g de I. A. ha-1)

Priori Xtra (0,3) + Score Flexi (0,2)/1

Miravis Duo (0,6)/1

Azoxistrobina (60) + Ciproconazol (24) + Propiconazol (50) + Difenoconazol (50)

Pidiflumetofem (45) + Difenoconazol (75)

Priori Xtra (0,3) + Score Flexi (0,2)/1

Priori Top (0,3) + Bravonil 720 (1,0)/1

Azoxistrobina (60) + Ciproconazol (24) + Propiconazol (50) + Difenoconazol (50)

Azoxistrobina (60) + Difenoconazol (37,5) + Clorotalonil (720)

Aproach Power (0,6) + Unizeb Gold (1,5)

Aproach Power (0,6) + Unizeb Gold (1,5)

Picoxistrobina (54) + Ciproconazol (24) + Mancozebe (1.125)

Picoxistrobina (54) + Ciproconazol (24) + Mancozebe (1.125)

Abacus (0,35)/2

Orkestra (0,3) + Unizeb Gold (1,5)/2

Piraclostrobina (91) + Epoxiconazol (56)

Fluxapiroxade (50) + Piraclostrobina (100) + Mancozebe (1.125)

Nativo (0,6)/3

Fox Xpro (0,5) + Unizeb Gold (1,5)/3

Trifloxistrobina (60) + Tebuconazol (120)

Bixafem (62,5) + Trifloxistrobina (75) + Protioconazol (87,5) + Mancozebe (1.125)

Tridium (2,0)/3

Tridium (2,0)/3

Azoxistrobina (94) + Tebuconazol (112) + Mancozebe (1.194)

Azoxistrobina (94) + Tebuconazol (112) + Mancozebe (1.194)

Tamiz (0,5) + Troia (1,5)/4

Tamiz (0,5) + Troia (1,5)/4

Azoxistrobina (60) + Tebuconazol (80) + Mancozebe (1.200)

Azoxistrobina (60) + Tebuconazol (80) + Mancozebe (1.200)

Aproach Power (0,6) + Unizeb Gold (1,5)

Tridium (2,0)/3

Picoxistrobina (54) + Ciproconazol (24) + Mancozebe (1.125)

Azoxistrobina (94) + Tebuconazol (112) + Mancozebe (1.194)

Abacus (0,35) + Unizeb Gold (1,5)/2

Fox Xpro (0,5) + Unizeb Gold (1,5)/3

Piraclostrobina (54) + Epoxiconazol (56) + Mancozebe (1.125)

Bixafem (62,5) + Trifloxistrobina (75) + Protioconazol (87,5) + Mancozebe (1.125)

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Testemunha

-

-

/ Adicionado Ochima (0,25 L ha ); / Adicionado Mees (0,5 L ha ); / Adicionado Aureo (0,25% v/v); / Adicionado Agris (0,5 L ha-1) 1

-1

2

-1

3

4

Fitopatologia

143


A primeira aplicação, realizada em 14/04/2023,

(temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do

foi com a cultura em estágio vegetativo (entre V6 e V7)

vento) foram mensurados com o auxílio do aparelho

e a segunda, em 25/04/2023, no pré-pendoamento da

termo-higro-anemômetro (Tabela 2).

cultura. Durante as aplicações os dados meteorológicos

Tabela 2. Datas das aplicações e dados meteorológicos mensurados nas aplicações de fungicidas no milho em segunda safra, híbrido NK 520 VIP3. Centro Tecnológico Comigo-CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Data

Horário (h)

T (°C)

UR (%)

Velocidade do vento (km h-1)

1ª Aplicação

Início

09:03

23,3

88,0

1,44

(14/04/2023)

Término

10:09

24,6

87,1

2,88

2ª Aplicação

Início

09:35

25,4

74,2

3,60

(25/04/2023)

Término

11:47

28,4

68,9

2,88

O delineamento experimental utilizado foi

As duas primeiras avaliações foram realizadas na

de blocos casualizados com dez (10) tratamentos e

véspera das aplicações e a terceira, 20 dias após a

quatro (4) repetições, totalizando 40 parcelas. Cada

última aplicação. As avalições foram feitas em duas

parcela foi composta por 10 linhas de plantio, com

folhas do terço médio (folha da espiga e a folha

espaçamento entre linhas de 0,5 m, e 10 metros

oposta à espiga) de três (3) plantas aleatórias dentro

de comprimento. A parcela útil foi composta pelas

da parcela útil, sendo a média destas utilizadas para

seis linhas centrais excluindo dois (2) metro das

representar a média da parcela. Os dados de severidade foram expressos

extremidades, totalizando a área útil de 18 m . 2

As aplicações foram feitas com pulverizador pressurizado

por

CO2

(Número

de

patente:

partir deles foi calculada a área abaixo da curva de

de

progresso da doença – AACPD (Campbell e Madden,

pulverização com 10 bicos, espaçados a 0,5 m e com

1990), eficiência de controle das aplicações (% de

pontas de pulverização ADIA 110.015/D, montado

controle). A produtividade de grãos foi estimada

em um trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv).

através da colheita de três (3) metros de três (3)

Antes do início das aplicações foi feita a calibragem

linhas da parcela útil. Os resultados obtidos foram

do equipamento e os ajustes para pressão de

corrigidos para 14% de umidade e expressos em

trabalho de 3,8 bar (55,11 Psi) e volume de aplicação

sacas de 60 kg ha-1. Os dados de severidade, AACP-

constante de 150 L ha-1.

Helmintosporiose e produtividade foram submetidos

BR102016007565-3)

dotado

com

barra

Foram realizadas três (3) avaliações de

à análise de variância e aplicado o teste de Scott-

severidade para estimar a área direta afetada

Knott (P<0,05) para separação das médias, através

por Exserohilum turcicum utilizando a escala

software SISVAR (FERREIRA, 2014).

diagramática proposta por Lazaroto et al. (2012).

144

em porcentagem (%) de tecido foliar afetado e a

Fitopatologia


(Figuras 1 e 2).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os programas de aplicações de fungicidas

Os resultados referentes à severidade final e AACP-Helmintosporiose (Figuras 1 e 2) tiveram comportamento semelhante. Destacam-se os altos níveis de severidade e AACP-Helmintosporiose observados

no

tratamento

testemunha,

com

quase 20% de tecido foliar afetado e AACPHelmintosporiose elevada (468,0), com ambas as

Severidade (% de tecido foliar afetado)

variáveis diferenciando-se dos demais tratamentos

avaliados obtiveram desempenho semelhante, com reduções do desenvolvimento da doença no campo, reduzindo satisfatoriamente a severidade final e também a AACP-Helmintosporiose (Figuras 1 e 2). A redução média na severidade final foi de 60,7% com execução dos programas de aplicações, variando de 18,6% na testemunha a 6,5% de tecido foliar afetado nos tratamentos 1 e 6 (Figura 1).

b

20,0 15,0 10,0

a

a

1

2

a

a

a

3

4

5

a

a

6

7

a

a

8

9

5,0 0,0

10

Tratamentos

Médias comcom letras iguais acima diferementre entre pelo teste de Sco�-Kno� (P<0,05) Médias letras iguais acimadas dasbarras barras não não diferem si si pelo teste de Scott-Knott (P<0,05) Figura 1. Severidade final de helmintosporiose no híbrido NK 520 VIP3 com diferentes programas de aplicações de fungicidas. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Em relação a eficiência de controle entre os

Flexi / 2ª Miravis Duo), 2 (1ª Priori Xtra + Score Flexi /

programas de aplicações, também foram obtidos

2ª Priori Top + Bravonil 720), 6 (1ª Tridium / 2ª Tridium),

resultados similares. A eficiência de controle ficou em

7 (1ª Tamiz + Troia / 2ª Tamiz + Troia) e 9 (1ª Abacus +

torno de 60% independentemente do programa de

Unizeb Gold / Fox Xpro + Unizeb Gold), que obtiveram

aplicações. Vale aqui, destacar de forma discreta, os

valores acima de 60% de controle da doença (Figura 2).

programas dos tratamentos 1 (1ª Priori Xtra + Score

Fitopatologia

145


400,0

b 65

63

a

a

1

2

300,0 200,0 100,0 0,0

58

59

57

a

a

a

3

4

65

64

a

a

5 6 Tratamentos

AACPD

7

58

61

a

a

8

9

10

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

Eficiência de Controle (%)

AACP-Helmintosporiose

500,0

Eficiência de Controle

Médias com letras iguais nas barras não diferem entre si pelo teste de Sco�-Kno� (P<0,05) Figura 2. Área Abaixo da Curva de Progresso de helmintosporiose no milho e eficiência de controle estimada com diferentes programas de aplicações de fungicidas, híbrido NK 520 VIP3. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Por fim, os valores de produtividade do milho resultados.

passo que, nos tratamentos com diferentes programas

O que reforça a alta relação entre a incidência e

de aplicações ocorreram reduções na severidade

severidade de Helmintosporiose com a produtividade

e no desenvolvimento da doença no campo, o que

da cultura. Sendo que, onde os valores de severidade

possibilitou maior sanidade e produtividade superiores

e AACP-Helmintosporiose foi mais alto, tratamento 10

(Figura 3).

também

146

(testemunha), a produtividade foi comprometida. Ao

acompanharam

Fitopatologia

os

demais


Produtividade (sacas ha-1)

120,0

a

a

100,0

a

a

a

a

a

a

a b

80,0 60,0 40,0 20,0 0,0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Tratamentos Médias com letras letrasiguais iguaisacima acimadas dasbarras barras não diferem entre si pelo teste de Sco�-Kno� (P<0,05) Médias com não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (P<0,05)

C.V. = 11,14% C.V. = 11,14

Figura 3. Produtividade média do híbrido NK 520 VIP3 após a execução de diferentes programas de aplicações de fungicidas. Centro Tecnológico Comigo, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.

CONCLUSÃO Os programas de aplicações de fungicidas foram eficientes no controle da Helmintosporiose no milho. Eles reduziram a severidade da doença e possibilitaram ganhos expressivos de produtividade. Os fungicidas são importantes ferramentas a serem utilizadas dentro do manejo de doenças foliares na cultura do milho. Neste trabalho, não foram identificadas diferenças significativas entre os programas de aplicações avaliados. Todavia, é necessário ressaltar a ocorrência de múltiplas doenças

planta e reduzir a produtividade, deixar de executar aplicações de fungicidas com este propósito restringe o potencial produtivo da lavoura.

AGRADECIMENTOS Á equipe de campo, estagiários e demais pesquisadores do CTC pelo apoio na execução deste experimento.

REFERÊNCIAS

de forma simultânea na lavoura e a necessidade de

CAMERA, J. N.; FORCELINI, C. A.; KOEFENDER,

posicionamentos que proporcionem ampla proteção

J.; GOLLE, D. P.; SCHOFFEL, A.; DEUNER, C. C.

ao híbrido. E ainda que, frente ao potencial da

Reaction of maize hybrids to Northern corn leaf

Helmintosporiose em causar danos aos tecidos da

blight and common rust, and Chemical control of Northern corn leaf blight. Plant Patology, v. 86,

Fitopatologia

147


article e0082018, 2019a. CAMERA, J, N.; KOEFENDER, J.; GOLLE, D. P.; FLORES, E. F.; BORTOLOTTO, R. P.; SCHOFFEL, A.;

F. J.; GITTI, D. C.; BEZERRA, A. R. G.; MELOTTO, A. L. (Eds.). Maracaju (MS): Midiograf, 2020. 102p.

DEUNER, C. C. Aplicação preventiva e curativa de

GOVERNO DE GOIÁS. Goiás se isola na

fungicidas para controle da helmintosporiose em

liderança da produção de sorgo e girassol

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no

país.

2023.

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goi%C3%A1s-se-isola-na-lideran%C3%A7a-da-

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produ%C3%A7%C3%A3o-de-sorgo-e-girassol-no-

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LAZAROTO, A.; DOS SANTOS, I.; KONFLANZ,

ABASTECIMENTO. Acompanhamento da safra

V. A.; MALAGI, G.; CAMOCHENA, R. C. Escala

brasileira de grãos – Safra 2022/2023 – 11º

diagramática para avaliação de severidade de

Levantamento. Brasília (DF), v. 10, n. 11, agosto,

helmintosporiose comum em milho. Ciência Rural,

2023a.

v. 42, n. 12, p. 2131-2137, 2012.

CONAB – COMPANHIA NACIONAL DE

SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS,

ABASTECIMENTO. Produção de grãos é estimada

L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO,

em 320,1 milhões de toneladas com ganhos

M.R.; ALMEIDA, J.A.; CUNHA, T.J.F.; OLIVEIRA, J.B.

de área e produtividade. 2023. Disponível em:

Sistema brasileiro de classificação de solos.

https://www.conab.gov.br/ultimas-noticias/5116-

Centro Nacional de Pesquisa de Solos. 5 ed. Brasília:

producao-de-graos-e-estimada-em-320-1-milhoes-

Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro:

de-toneladas-com-ganhos-de-area-e-produtividade.

Embrapa Solos. 2018. 588 p.

Acesso em agosto de 2023b. COTA, L. V.; COSTA, R. V.; SILVA, D. D. Manejo de Doenças. p. 299-327. In: GALVÃO, J. C. C.; BORÉM, A.; PIMENTEL, M. A (Eds.) Milho: do plantio à colheita. 2ª ed. Viçosa (MG): Ed. UFV, 2017. COSTA, R. V.; COTA, L. V. Doenças foliares no milho. 2021. Disponível em: https://www.embrapa. br/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/ milho/producao/pragas-e-doencas/doencas/ doencas-foliares. Acesso em agosto de 2023. FERNANDES, R. H.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P. Programas de aplicações de fungicidas no controle de doenças no milho em segunda safra. Anuário de Pesquisas de Agricultura 2ª Safra – 2021/2022, v. 5, n. 2, p. 39-48, 2022. FUNDAÇÃO MS. Tecnologia e Produção:

148

Safrinha 2019. LOURENÇÃO, A. L. F.; GRIGOLLI, J.

Fitopatologia


CONTROLE QUÍMICO DE DOENÇAS FOLIARES DO SORGO NA SEGUNDA SAFRA DO ANO AGRÍCOLA 2022/2023 FERNANDES1, Rafael Henrique; LIMA2, Diego Tolentino de; BRAZ3, Guilherme Braga Pereira; BUENO4, Amanda Magalhães; SARKIS5, Leonardo Fernandes Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 4 Eng. Agrônoma, Dra. Em Agronomia, Pesquisadora Agronômica em Fisiologia e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico Comigo. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br 5 Eng. Agrônomo, Ms. em Ciência do Solo, Pesquisador Fertilidade e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 1

mundo. Do ponto de vista agronômico, é classificado em cinco grupos: granífero, sacarino, forrageiro, vassoura e biomassa. O primeiro grupo é utilizado na alimentação humana e animal, inclui tipos de porte baixo adaptados à colheita mecânica, e apresenta maior destaque na produção, consumo e, consequentemente, na economia (SILVA, 2019). O sorgo forrageiro é utilizado principalmente por sua eficiência como complemento alimentar de ruminantes, na forma de silagem ou pastejo (OLIVEIRA, 2015). Já os sorgos do tipo sacarino e biomassa são voltados para produção de bioenergia, enquanto o grupo vassoura apresenta panícula longa transformada em vassouras artesanais para uso doméstico (FOLTRAN, 2012). O sorgo é semeado em quase sua totalidade no período de segunda safra, pois apresenta tolerância ao estresse hídrico e adaptações ao clima quente, como sistema radicular bem desenvolvido, extenso e fibroso, e faixa de temperatura ideal entre 33°C e 34°C (MAGALHÃES et al., 2000). O ciclo de vida do sorgo, de forma geral vai de 90 a 120 dias, mas pode apresentar

INTRODUÇÃO

variações dependendo da cultivar e do local onde é plantado, podendo chegar próximo aos 140 dias para alguns cultivares de sorgo granífero. Tais vantagens

O sorgo (Sorghum bicolor L.) é um vegetal de

competitivas do sorgo estão acompanhadas de menor

origem tropical e o quinto cereal mais plantado no

custo de produção, pois quando comparado ao milho há

Fitopatologia

149


redução de 20 a 30%. Além disso, é uma ótima opção

e pragas e pelo aperfeiçoamento de profissionais.

para a segunda safra caso a janela se encurte no plantio

Apesar do alto rendimento na produção de grãos

da primeira safra (VIANA, 2022).

e matéria seca, o cultivo do sorgo ainda carece de de

incentivos consistentes dos setores público e privado

Abastecimento (Conab), a produção brasileira de

para a ampliar a competitividade e seus horizontes de

sorgo deverá totalizar 4,326 milhões de toneladas no

mercado. A falta de estruturação da cadeia produtiva

ano agrícola 2022/2023, aumento de 38,7% quando

e logística do transporte, com altos preços de frete e

comparado ao ano anterior, quando foram colhidas 3,12

combustível, a perda de grãos no transporte, a falta

milhões de toneladas. Em relação à área cultivada, houve

de locais de armazenamento e o valor do sorgo sendo

aumento de 20,9%, com 1,130 milhões de hectares em

balizado pelo preço do milho constituem desafios para

2021/2022 para 1,367 milhões de hectares nesta safra.

a expansão da cultura no país (VIANA, 2022).

Segundo

a

Companhia

Nacional

A produtividade também apresentou incremento de

Outro fator desafiador no cultivo do sorgo é o

14,7%, sendo estimados 3.165 kg ha-1 em contrapartida

déficit de produtos fitossanitários registrados para

ao rendimento de 2.760 kg ha-1 na última safra (CANAL

a cultura, pois são diversas as doenças que atacam

RURAL, 2023).

e comprometem a produtividade, como antracnose

Dentre os produtores nacionais de sorgo,

(Colletotrichum graminicola – sin. Colletotrichum

Goiás é estado com maior produção (1,44 milhões de

sublineolum P. Henn., Kabat e Bulbak), helmintosporiose

toneladas), seguido de Minas Gerais (1,20 milhões

(Exserohilum turcicum), míldio (Peronosclerospora

de toneladas) e Mato Grosso do Sul (0,48 milhões de

sorghi), ergot/doença açucarada do sorgo (Claviceps

toneladas) (CONAB, 2023). O alto rendimento das

africana), ferrugem (Puccinia purpurea), cercosporiose

lavouras goianas foi favorecido por fatores como a

(Cercospora sorghi) e a podridão seca (Macrophomina

continuidade das chuvas em abril, favorecendo o

phaseolina) (SILVA et al., 2012). É inevitável as

enchimento de grãos; baixa precipitação e baixas

comparações com o cultivo do milho, visto que para

temperaturas

julho,

este cereal existem dezenas de produtos disponíveis,

contribuindo para a perda de umidade dos grãos nas

estratégias bem definidas de aplicações e incentivos

lavouras; e pelo manejo de pragas, como o pulgão,

financeiros para o desenvolvimento de novas moléculas,

com controle mais assertivo do inseto, impedindo que

enquanto tais estratégias de controle são bem mais

a infestação alcançasse níveis de dano econômico em

escassas no cultivo do sorgo. Além disso, anualmente

grande parte das lavouras (CONAB, 2023). Deste modo,

são lançados híbridos de milho que apresentam

Goiás deve produzir cerca de 32 milhões de toneladas

tolerâncias e/ou resistência à patógenos, enquanto

de grãos na safra 2022/2023, colocando o estado

que para o sorgo este número é notadamente menor

em terceiro lugar entre os maiores produtores (Mato

(FERNANDES et al., 2022).

na

segunda

quinzena

de

Grosso e Paraná) (GOVERNO DE GOIÁS, 2023).

150

Baseado na dificuldade de acesso a produtos

O aumento de área cultivada e produtividade nas

fitossanitários, na escassez de produtos registrados e

últimas safras aliado ao avanço da cadeia produtiva do

na falta de informações e pesquisas sobre o controle

sorgo nos últimos anos pode ser considerado reflexo

químico de doenças no sorgo, há a necessidade de

do desenvolvimento de materiais melhor adaptados às

conhecimento e avaliação de programas de aplicação

regiões de cultivo, com maior resistência a doenças

e do custo/benefício do uso de fungicidas, visando

Fitopatologia


alavancar os índices de produtividade. Várias são as

a aplicação na pré-semeadura do sorgo com Glyphosate

moléculas e grupos químicos utilizados em outras

(Crucial, 540 g e. a. L-1, SL, Sumitomo) na dose de 1,08

culturas, como a soja e o milho, que devem ser

kg ha de e. a., Carfentrazona-Etílica (Aurora, 400 g i. a.

analisadas quanto ao seu uso e eficiência no sorgo,

L.-1, FMC, EC) na dose de 0,028 kg de i. a. ha-1 e Atrazina

pois podem auxiliar no manejo das doenças.

(Proof, 500 g i. a. L.-1, SC, Syngenta) na dose de 1,0 kg

Desta forma, o objetivo foi avaliar a eficiência

de i. a. ha-1. Posteriormente, cerca de 20 dias após a

de aplicações de fungicidas no controle de doenças

semeadura, foram aplicados em pós-emergência das

foliares

plantas daninhas o herbicida Atrazina (Proof, 500 g i.

no

sorgo,

especialmente

antracnose

e

helmintosporiose.

a. L-1, SC, Syngenta), na dose de 1,5 kg i. a. ha-1, com adição 0,400 L ha-1 de adjuvante óleo mineral (Iharol

MATERIAL E MÉTODOS

Gold, 760 g L-1, EC, Ihara). Para o controle de pragas foram realizadas avaliações semanais e aplicações de área

inseticidas recomendados quando atingido o nível de

experimental do Centro Tecnológico Comigo (CTC),

controle. As principais pragas que acometeram a área

localizado em Rio Verde-GO (S 17°45’46’’ e W 51°02’03’’,

experimental foram lagarta-do-cartucho e pulgões.

O

experimento

foi

conduzido

na

835 m de altitude), com áreas predominantes de Latossolo Vermelho distrófico (SANTOS et al., 2018).

O delineamento experimental utilizado foi o de Blocos Casualizados, com 12 tratamentos e quatro

O material utilizado foi o híbrido de sorgo

repetições/blocos, totalizando 48 parcelas. As parcelas

1G100 (Brevant®), semeado no dia 28/02/2023, com

foram compostas por 10 linhas, espaçadas a 0,50 m

densidade de semeadura de 10,5 sementes por metro.

e com 10 metros de comprimento, equivalente a uma

As sementes foram tratadas com 2,5 g de Fludioxinil,

área de 50 m2 (10,0 x 5,0 m), sendo considerada como

2,0 g Metalaxil e 15 g de Tiabendazol (Maxim Advanced,

parcela útil seis metros das seis linhas centrais (18 m2).

0,1 L /100 kg de sementes ); 40 mL kg Fluxofenin

Os tratamentos foram compostos por duas

(Benefic, EC, 40 mL / 100 kg de sementes); 62,5 g

aplicações (sequenciais) de diferentes fungicidas,

Clorantraniliprole (Dermacor 0,1 L / 100 kg sementes).

contendo misturas duplas e duas misturas triplas

No sulco de semeadura foram aplicados o inseticida

de moléculas fungicidas, além de um tratamento

biológico Meta-Turbo SC, Biovalens (Metarhizium

testemunha (Tabela 1). A primeira aplicação foi

anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1 x

realizada cerca de 40 dias após a emergência e a

108 propágulos viáveis mL-1) na dose de 0,5 L ha-1, o

segunda aplicação realizada 10 dias após, culminando

co-inoculante Biomax Azum, Biosoja (Azospirillum

com a fase de pré-emborrachamento da cultura.

brasilense, 3 x 108 células/mL) na dose de 0,15 L ha-1 e

Durante as aplicações as condições meteorológicas

RayNitro Zn News (7% de N, 7% de P2O5 e 4% de Zn), na

de temperatura (°C), umidade relativa do ar (%) e

dose de 0,25 L ha-1. Na adubação de plantio foram aplicados 400

velocidade do vento (km h-1) foram mensuradas com o equipamento termo-hidro-anemômetro (Tabela 2).

kg ha-1 do formulado 15:15:15 (N:P:K). Além disso, foi realizada uma adubação de cobertura com 150 kg ha-1 de Ureia protegida com NBPT, em 17/03/2023. O controle de plantas daninhas foi realizado com

Fitopatologia

151


Tabela 1. Relação dos tratamentos com diferentes produtos comerciais, composição de ingredientes ativos e doses utilizadas nas aplicações no sorgo 1G100. Centro Tecnológico Comigo-CTC, Rio Verde-GO, Safra 2022/2023. Tratamentos

Produto Comercial – p. c. Dose (L ou kg ha-1)

Benzovindiflupir (60) + Difenoconazol (90) + Ciproconazol (150)

Alade (0,5)

Picoxistrobina (90) + Ciproconazol (40)

Aproach Power (0,6)

54 + 24

Difenoconazol (250) + Ciproconazol (150)

Cypress 400EC (0,4)

100 + 60

Mefentrifuconazole (200) + Piraclostrobina (200)

Melyra (0,5) 2

Piraclostrobina (133) + Epoxiconazol (50)

Opera (0,6) 2

-1

1

100 + 100 79,8 + 30

Fluxapiroxade (167) + Piraclostrobina (333)

Orkestra (0,3)

50 + 99

Propiconazol (250) + Difenoconazol (250)

Score Flexi (0,2)

50 + 50

Metominostrobina (110) + Tebuconazol (165)

Fusão (0,725)

80 + 120

Azoxistrobina (120) + Tebuconazol (160)

Tamiz (0,5) 3

60 + 80

Piraclostrobina (260) + Epoxiconazol (160)

Abacus (0,35)

Azoxistrobina (47) + Tebuconazol (56) + Mancozebe (597)

Tridium (2,0) -

2

91 + 56

4

94 + 112 + 1.194 -

Adicionado Ochima (0,25 L ha ); Adicionado Mees (0,5 L ha ); Adicionado Agris (0,6 L ha ); Adicionado Aureo (0,25% v/v) -1

2

-1

3

-1

4

As aplicações foram realizadas com pulverizador

post-mix com capacidade de 10 L. As pontas utilizadas

pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3)

para pulverização foram modelo ADIA 110 015/D,

montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv).

da marca Magnojet. A calibragem do equipamento

O pulverizador é dotado com barra de cinco metros,

ajustada para pressão de trabalho na ponta de 3,8 bar

com 10 bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A

(55,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.

calda preparada era acondicionada em tanques tipo

152

30 + 45 + 75

2

Testemunha 1

g I. A. ha-1

Ingrediente (s) Ativo (s) – I. A. e concentração g L ou kg -1

Fitopatologia


Tabela 2. Dados meteorológicos nas aplicações de fungicidas no sorgo, híbrido 1G100. Centro Tecnológico Comigo-CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.

Data

Horário (h)

Temperatura (°C)

Umidade Relativa do ar (%)

Velocidade do vento (km h-1)

1ª Aplicação

Início

10:32

28,1

66,9

5,40

17/04/2023

Término

14:25

30,2

63,2

8,28

2ª Aplicação

Início

14:40

30,2

59,1

4,32

25/04/2023

Término

16:20

28,9

59,6

2,88

As avaliações de incidência e severidade das doenças foram realizadas na véspera de cada aplicação e 25 dias após a última aplicação. Nas avaliações foram identificadas as principais doenças que acometeram as plantas e realizada uma estimativa de severidade média dos tecidos foliares afetados por estas doenças, expressa em % de tecido foliar, variando de 0 a 100%. A partir das avaliações foi possível calcular a Área Abaixo da Curva de Progresso de Doenças (AACPD) (CAMPBELL e MADDEN, 1990), que auxilia na quantificação da doença no campo e é utilizada para os cálculos de eficiência de controle (%) dos tratamentos. A colheita foi realizada no dia 29/06/2022, completando o ciclo com 121 dias de cultivo. A produtividade foi estimada pela colheita de três metros de três linhas da parcela útil. As amostras colhidas foram identificadas e posteriormente trilhadas, pesadas e mensuradas quanto à umidade. Os dados foram ajustados para umidade padrão de 14% e os resultados expressos em sacas de 60 kg por hectare (sc ha-1). Os dados de severidade, AACP-Manchas foliares e produtividade foram submetidos à análise de variância e aplicado o teste de Scott-Knott (P<0,05) para separação das médias, através software SISVAR (FERREIRA, 2014).

RESULTADOS E DISCUSSÃO As

principais

doenças

com

ocorrência

na área experimental, foram a helmintosporiose (Exserohilum turcicum) e antracnose foliar e de colmo (Colletotrichum graminicola). Além disso, é necessário destacar as condições de déficit hídrico e de matocompetição, principalmente com a capim-colchão (Digitaria horizontalis) com os quais a cultura conviveu durante seu ciclo. De toda forma, os valores elevados de severidade final e AACP-Manchas foliares obtidos pelo tratamento testemunha, com 13,63% e 287,75 (Tabela 3), respectivamente, demonstram a capacidade dos patógenos em se estabelecer e a sensibilidade do híbrido de sorgo a estas doenças fúngicas, mesmo em condições desafiadoras de cultivo. Todos os fungicidas avaliados foram capazes de reduzir a severidade final de doenças e a AACPManchas foliares em relação ao tratamento testemunha. Contudo, é possível observar que as aplicações com Picoxistrobina + Ciproconazol, Piraclostrobina + Epoxiconazol (+), Fluxapiroxade + Piraclostrobina, Propiconazol + Difenoconazol tiveram desempenho ligeiramente inferior aos demais e semelhante entre si (Tabela 3). Ressalta-se que, para AACP-Manchas foliares, a aplicação de Piraclostrobina + Epoxiconazol

Fitopatologia

153


(+)

obteve

valores

semelhantes

aos

melhores

apresentados para cada doença separadamente. No entanto, entende-se que no cenário de cultivo do

tratamentos. Em valores absolutos a maior eficiência de

sorgo no Sudoeste Goiano, há a necessidade de que

controle foi obtida pelo tratamento com aplicações

os produtos tenham boa performance para ambas as

de Azoxistrobina + Tebuconazol + Mancozebe, com

doenças. Diante disso, pode-se ressaltar os valores

65% (Tabela 3). Lembrando que, esta variável remete

de eficiência de controle acima de 60%, obtidos pelas

a eficiência de cada fungicida em reduzir a severidade

aplicações com:

de uma determinada doença, no caso deste trabalho,

Mefentrifluconazol + Piraclostrobina, Piraclostrobina

as avaliações levaram em consideração a ocorrência e

+ Epoxiconazol (++) e Azoxistrobina + Tebuconazol

severidade de duas das principais doenças da cultura

+ Mancozebe (Tabela 3), com 60, 64, 61 e 65%

de forma simultânea. Por isso, os valores aparentemente

respectivamente.

baixos,

certamente

seriam

maiores

se

Difenoconazol + Ciproconazol,

fossem

Tabela 3. Valores médios de Severidade Final, AACPD-Manchas foliares e Eficiência de controle em função dos diferentes fungicidas aplicados no sorgo, híbrido 1G100. Centro Tecnológico ComigoCTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023. Severidade Final

AACPD

Tratamentos

(% de Tecido afetado)

(Manchas foliares)

Eficiência de Controle (%)

Benzovindiflupir + Difenoconazol + Ciproconazol

4,63 a

128,55 a

55

Picoxistrobina + Ciproconazol

6,00 b

146,36 b

49

Difenoconazol + Ciproconazol

4,13 a

115,05 a

60

Mefentrifluconazol + Piraclostrobina

4,19 a

104,25 a

64

Piraclostrobina + Epoxiconazol (+)

5,25 b

128,76 a

55

Fluxapiroxade + Piraclostrobina

5,88 b

140,80 b

51

Propiconazol + Difenoconazol

6,50 b

159,86 b

44

Metominostrobina + Tebuconazol

4,56 a

127,69 a

56

Azoxistrobina + Tebuconazol

3,72 a

122,66 a

57

Piraclostrobina + Epoxiconazol (++)

3,75 a

111,78 a

61

Azoxistrobina + Tebuconazol + Mancozebe

3,22 a

101,61 a

65

Testemunha

13,63 c

287,75 c

0

11,88

13,64

-

C.V.

154

Fitopatologia


Os dados de pluviometria obtidos através de uma

Que ocorreu simultaneamente após dias com baixas

estação meteorológica automática (Plug Field) na área

temperaturas e estresses hídricos moderados. Ainda

experimental do CTC, indicam que após a semeadura

assim, a severidade das doenças foliares (e antracnose

foi registrado um volume pluviométrico de 399 mm,

no colmo) saíram de não mais que 3% nos tratamentos

sendo eles distribuídos em 289 mm no mês de março,

com aplicações (dados não apresentados), para até o

76 mm em abril, 12 mm em maio e 22 mm no mês de

dobro deste valor em alguns tratamentos (Tabela 3). Em relação à produtividade, todos os programas

junho. É notório que o volume considerável de chuvas após a semeadura da área experimental, sobretudo

de

no mês de março e meados de abril, possibilitou bom

superiores aos do tratamento testemunha (Figura 1). O

desenvolvimento vegetativo da cultura, bem como

ganho médio foi acima de 15 sacas por hectare. Estes

pode ter sido fundamental para as infecções iniciais

resultados, reforçam novamente o grande potencial

observadas já na primeira avaliação de severidade, em

de utilização de fungicidas no controle de doenças no

16/04. A partir daí, a progressão da doença avançou de

sorgo e na manutenção da sanidade, com impactos

forma lenta até a fase de enchimento pleno dos grãos.

diretos sobre a produtividade das lavouras.

Produtividade (sacas ha-1)

100,0

a

a

a

a

a

a

aplicações

a

a

de

a

fungicidas

a

obtiveram

valores

a

b

80,0 60,0 40,0 20,0

Testemunha

Tridium

Abacus

Tamiz

Fusão

Score Flexi

Orkestra

Opera

Melyra

Cypress

Aproach Power

Alade

0,0

Médias seguidas por letras iguais acima das barras não diferem entre si pelo teste de Sco�-Kno� (P<0,05) C.V. (Coeficiente de Variação) = 8,13%

Figura 1. Gráfico com a produtividade média de sorgo (sacas por hectare) do híbrido 1G100 após as aplicações dos diferentes ingredientes ativos fungicidas. Centro Tecnológico Comigo-CTC, Rio Verde-GO, safra 2022/2023.

Fitopatologia

155


Ganhos expressivos de produtividade com a

experimento.

aplicação de fungicidas na cultura do sorgo têm sido observadas nos últimos anos, não somente em anos com volumes e distribuição pluviométrica favoráveis,

REFERÊNCIAS

como neste ano agrícola. Mas também em anos com

CANAL RURAL. Sorgo: Conab projeta safra

desafios hídricos, seja por déficits acentuados ou

brasileira de 4.326 mi de toneladas em 22/23. 2023.

geadas intensas, o controle de doenças tem contribuído

Disponível em https://www.canalrural.com.br/radar/

com incrementos produtivos consideráveis (Fernandes

sorgo-conab-projeta-safra-brasileira-de-4326-mi-de-t-

et al., 2022).

em-22-23/. Acesso em agosto de 2023.

CONCLUSÃO

CONAB

ABASTECIMENTO.

COMPANHIA

NACIONAL

Acompanhamento

da

DE safra

brasileira de grãos – Safra 2022/2023 – 11º

As doenças que acometem a cultura do sorgo

Levantamento. Brasília (DF), v. 10, n. 11, agosto, 2023.

atingem níveis elevados de severidade e comprometem

FERNANDES, R. H.; LIMA, D. T.; ALMEIDA,

a produtividade da lavoura quando não são adotadas

D. P. Controle químico de doenças foliares no sorgo

medidas de controle com elevada eficiência. Estes

granífero. Anuário de Pesquisas de Agricultura 2ª

impactos podem acontecer tanto em anos com volumes

Safra – 2021/2022, v. 5, n. 2, p. 49-55 2022.

pluviométricos satisfatórios ou mesmo naqueles com déficits hídricos mais severos. Os fungicidas avaliados apresentam efetividade

FERREIRA, D.F. Sisvar: a Guide for its Bootstrap procedures in multiple comparisons. Revista Ciência e Agrotecnologia, v.38, n.2, p.109-112, 2014.

na redução dos níveis de doenças severidade e AACP-

FOLTRAN, D. E.; SAWAZAKI, E.; FREITAS, R. S.

Manchas foliares, no campo. Contudo, foi possível

Novos cultivares de sorgo vassoura para agricultura

identificar misturas de ingredientes ativos com

regional. Pesquisa e Tecnologia, vol. 13, n. 1, janeiro

desempenho ligeiramente superior. Misturas contendo

– junho, 2016.

os ingredientes ativos: Tebuconazol, Mefentrifuconazol,

GOVERNO DE GOIÁS. Goiás se isola na

Priclostrobina (com doses mais altas), Azoxistrobina e

liderança da produção de sorgo e girassol no

Metominostrobina, estão entre os que apresentaram

país. 2023. Disponível em: https://www.goias.gov.br/

melhor desempenho.

servico/43-economia/128588-goi%C3%A1s-se-isola-

Realizar aplicações de fungicidas é prática

na-lideran%C3%A7a-da-produ%C3%A7%C3%A3o-

primordial para proteção do cultivo e obtenção de

de-sorgo-e-girassol-no-pa%C3%ADs.html. Acesso em

melhores resultados de produtividade. Os produtos

agosto de 2023.

aqui avaliados proporcionaram incrementos produtivos, independentemente de qual tenha sido aplicado.

MAGALHÃES, P. C.; DURAES, F. O. M.; SCHAFFERT, R. E. Fisiologia da planta do sorgo. Sete Lagoas, MG: Embrapa Milho e Sorgo. Circular Técnica,

AGRADECIMENTOS

156

3. 2000. OLIVEIRA,

N.

S.

S.

Características

Á equipe de campo, estagiários e demais

bromatológicas de genótipos de sorgo submetidos

pesquisadores do CTC pelo apoio na execução do

a diferentes densidades de plantas em diferentes

Fitopatologia


épocas de corte. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Agronomia) - Universidade Federal de São João Del Rei, 2015. SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS, L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO, M.R.; ALMEIDA, J.A.; CUNHA, T.J.F.; OLIVEIRA, J.B. Sistema brasileiro de classificação de solos. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. 5 ed. Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos. 2018. 588 p. SILVA, D. D.; COTA, L. V.; COSTA, R. V. Doenças. In: Cultivo do Sorgo, RODRIGUES, J. A. S. (ed.). Embrapa Milho e Sorgo, Sistema de Produção Embrapa, 2, 2012. Disponível em <https://www.spo. cnptia.embrapa.br/conteudo?p_p_id=conteudoportlet_ WAR_sistemasdeproducaolf6_1ga1ceportlet&p_p_ lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_ mode=view&p_p_col_id=column1&p_p_col_count=1&p_r_p_-76293187_ sistemaProducaoId=8301&p_r_p_-996514994_ topicoId=9206>. Acesso em agosto de 2023. SILVA, L. C. M. Cinética de secagem dos grãos e caracterização física e química durante o armazenamento de farinha de sorgo granífero. 2019. Tese de Doutorado - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano – Campus Rio Verde, 2019. VIANA, G. Produção de sorgo no Brasil sobe mais de 36% em apenas uma safra. Embrapa Milho e Sorgo. 2022. Disponível em https://www.embrapa. br/busca-de-noticias/-/noticia/73811127/producaode-sorgo-no-brasil-sobe-mais-de-36-em-apenas-umasafra. Acesso em agosto de 2023.

Fitopatologia

157


Fitotecnia 158

Fitotecnia


PRODUTIVIDADE DE SOJA CULTIVADA SOBRE A PALHADA DE Panicum maximum EM SISTEMAS DE INTEGRAÇÃO LAVOURA PECUÁRIA NASCIMENTO¹, Hemython Luis Bandeira do; BILEGO², Ubirajara Oliveira; MARQUES³, Bruno de Souza; LIMA4, Diego Tolentino; FERNANDES5, Rafael Henrique; BRAZ6, Guilherme Braga Pereira; BUENO7, Amanda Magalhães; SARKIS8, Leonardo Fernandes; COSTA9, Kátia Aparecida de Pinho; Eng. Agrônomo, Dr. Zootecnia, Pesquisador em Forragicultura do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: hemythonluis@comigo.com.br 2 Médico Veterinário, Dr. em Ciência Animal, Pesquisador em Produção Animal do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: ubirajarabilego@comigo.com.br 3 Médico Veterinário, mestrando do programa de pósgraduação em Zootecnia do IF Goiano, Rio Verde-GO. E-mail: brunoszmarques@gmail.com 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 5 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 6 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 7 Eng.a Agrônoma, Dra. em Agronomia, Pesquisadora 1

Agronômica em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: amandamagalhaes@comigo.com.br 8 Eng. Agrônomo, Me. em Ciência do Solo, Pesquisador Agronômico em Fertilidade do Solo e Fertilizantes do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: leonardofernandes@comigo.com.br 9 Zootecnista, Dsc. Professor do IF Goiano – Campus de Rio Verde – GO. E-mail: katiazoo@hotmail.com

INTRODUÇÃO A produção e consumo global de alimentos têm gerado preocupações socioeconômicas e ambientais, tornando a agricultura sustentável uma prioridade (ALLAOUI et al., 2018). Nesse cenário sistemas integração lavoura-pecuária surgem como uma estratégia para atender às altas demandas alimentares promovendo conservação ambiental (VALANI et al., 2021; MUSCAT et al., 2021). A adoção de práticas sustentáveis é essencial para equilibrar aumento de produtividade e conservação do meio ambiente (ROESCH-MCNALLY et al., 2018). O sinergismo observado nos sistemas integrados lavoura-pecuária entre culturas agrícolas e criação de animais, proporciona diversos benefícios. A diversificação de atividades em uma mesma área contribui para maior

Fitotecnia

159


produção de alimentos em espaços limitados (VALANI

que favorecem a produtividade da soja. A utilização

et al., 2021). A relação entre as atividades agrícolas

do sistema integrado lavoura-pecuária na forma de

e pecuárias permite a reciclagem de nutrientes e a

sucessão forrageira proporciona maior cobertura do

melhoria das propriedades do solo (RYSCHAWY et al.,

solo ciclagem de nutrientes pelo melhor aproveitamento

2017).

das excretas dos animais, do que o cultivo do milho em A biomassa de forrageiras contribui para a

sucessão, resultando em maior produtividade da soja

estabilidade do solo (FRANZLUEBBERS E GASTAL

(DIAS et al., 2020; MUNIZ et al., 2021). Vale ressaltar

2019), protegendo-o de condições climáticas adversas

que a escolha adequada das forrageiras, associada

e promovendo ciclagem de nutrientes (PETERSON et

a implantação correta do pasto safrinha e ao manejo

al., 2020). A sucessão forrageira na segunda safra após

adequado dos sistemas integrados são cruciais para

a colheita da soja é uma técnica eficaz para a produção

otimizar esses benefícios e garantir uma agricultura

de biomassa, melhorando a cobertura do solo e

mais resiliente e sustentável. Objetivou-se com esse estudo avaliar a influência

proporcionando alimentação para o gado (ANDRADE et al., 2020).

do cultivo de forrageiras do gênero Panicum maximum

A persistência da palhada do milho e de outras

durante a segunda safra em sistemas de Integração

culturas como a de forrageiras tropicais é crucial para

Lavoura Pecuária sobre as características do solo e

a conservação do solo. A composição dos resíduos,

produtividade da soja no Cerrado Goiano.

rica em materiais lignificados, confere resistência à decomposição, mantendo-a por mais tempo sobre o solo (CECCON, 2013). A relação C:N dos resíduos vegetais desempenha papel fundamental na decomposição,

O experimento foi conduzido na fazenda

afetando a disponibilidade de nutrientes (ACOSTA et

experimental do Centro Tecnológico COMIGO, em

al., 2014; DIAS et al., 2020) que atenderam à demanda

Rio Verde – GO. Segundo Thornthwaite (1948) o

da soja, resultando em maior rendimento de grãos

clima de Rio Verde - GO é classificado em B4 rB’4a’

(MUNIZ et al., 2021). Forrageiras tropicais, como as

(úmido, pequena deficiência hídrica, mesotérmico e

dos gêneros Panicum e Brachiaria, contribuem para

evapotranspiração no verão menor que 48%). A área

maior produção de biomassa e ciclagem de nutrientes,

utilizada para o ensaio encontra-se sob as coordenadas

promovendo a reciclagem de nitrogênio e carbono

17⁰45’48’’ S e 51⁰02’14’’ W, com altitude de 832 m,

e melhorando a qualidade do solo (BAPTISTELLA et

ocupando aproximadamente 5,15 ha, divididos em dois

al., 2020). Estudos realizados por Muniz et al. (2021)

blocos (Figura 1). O solo da área é do tipo LATOSSOLO

mostraram que a Brachiaria brizantha BRS Paiaguás e o

VERMELHO Distrófico (SANTOS et al. 2018), com tores

Panicum maxímum BRS Tamani apresentaram relação

médios de 35,6% de argila, 7,6% de silte e 56,8% de

carbono:nitrogênio (C:N) superior a 30:1, indicando

areia.

lenta decomposição dos resíduos vegetais e maior persistência da palhada no sistema.

160

MATERIAL E MÉTODOS

No bloco 01 o sistema de integração LavouraPecuária é utilizado desde a safra 2011/2012, no bloco

Neste contexto, deve-se considerar os benefícios

02 esse sistema começou a ser utilizada um pouco

que o componente animal traz ao sistema em termos

mais recente a partir do ano agrícola 2016/2017. No

de produção de biomassa e liberação de nutrientes,

estudo, foram avaliados três sistemas de produção, dois

Fitotecnia


com integração lavoura pecuária (ILP), nos quais após

de culturas (SS), onde é plantada a soja na safra e o

a colheita da soja é plantado o capim para pastejo dos

milho na segunda safra.

animais na entressafra, e um tradicional com sucessão

Figura 1. Foto aérea da área do experimento durante a safrinha. (Fonte: Pedro Cabral) Antes da implantação da cultura da soja na safra 2022/2023 foram realizadas coletas de solo na área

ao laboratório para determinação das características químicas (Tabela 1).

experimental na profundidade de 0 a 20 cm e enviadas

Fitotecnia

161


Tabela 1. Capacidade de troca catiônica (CTC), matéria orgânica (MO) e teores de nutrientes do solo em sistemas de Integração Lavoura Pecuária e de Sucessão (SS) na região de Rio Verde – GO. MO

Sistema

CTC

%

Ca

Al

----------cmolc dm ---------

K

B

P(Mehlich)

--------- mg dm --------

-3

-3

Sucessão

2,6

7,3

3,0

0,76

0,07

130

38,2

0,64

ILP Zuri

2,5

7,2

3,2

0,87

0,06

182

32,2

0,48

ILP Quênia

2,5

7,2

2,4

0,69

0,10

157

48,1

0,50

Após a colheita do milho no sistema de

72 horas e posteriormente pesadas novamente

sucessão e retirada dos animais dos pastos nas

para determinação da massa seca. Para estimar

áreas de ILP, foi realizada a dessecação da biomassa

a massa residual de raiz do capim, primeiramente

com 2,5 L ha de Roundup Ultra® (Glifosato – Sal de

quantificou-se a densidade de touceiras, com o

Amônio, 715 g L ) nas áreas de ILP onde estava o

auxílio de uma moldura de tubos PVC medindo

capim plantado, nas áreas cultivadas com milho na

1,0 m x 1,0 m (1,0 m²) foram contadas todas as

segunda safra a dessecação foi realizada utilizando

touceiras no interior da moldura em dois pontos

2 L ha de Xeque Matt (Glifosato – Sal Potássio,

por piquete. Com base na densidade de touceira,

720 g L ) e 2 L ha de Podium EW (FENOXAPROPE-

foram coletadas em pontos aleatórios 3 touceiras

P-ETÍLICO 110 g L ). Nos sistemas de Integração

por piquete, na profundidade de 0 a 20 cm. As

Lavoura Pecuária, na segunda safra da safra

amostras foram armazenadas em sacos plásticos

anterior (2021/2022), foram implantadas duas

e posteriormente lavadas em água corrente até

cultivares de Panicum maximum, (BRS Zuri e o

remover todo o solo, após lavadas, as amostras

BRS Quênia) mais detalhes sobre a implantação,

foram acondicionadas em sacos de papel, levados

condução e resultados obtidos com essas culturas

para secar em estufa de circulação de ar forçada à

na segunda safra de 2022 podem ser consultados

55°C por 72 horas e posteriormente pesadas para

em Bilego et al. (2022).

obtenção da massa seca. Para estimar a massa de

-1

-1

-1

-1

-1

-1

Após

a

dessecação

da

área,

foram

realizadas coletas de amostras para estimativa da

162

Mg

raiz por área multiplicou-se a médias da massa de raiz por touceira pela densidade de touceiras.

massa residual de palhada e de raiz deixadas no

Antes da semeadura da soja na área foram

sistema, as amostras de palhada foram colhidas

aplicados 152 kg ha -1 de KCl à lanço. No dia 26 de

em dois pontos por piquete, utilizando moldura

outubro de 2022 foi realizada a semeadura da cultivar

de tubos PVC medindo 1,0 m x 1,0 m (1,0 m²). No

de soja CZ37B43IPRO, utilizando semeadoura

momento da coleta, as amostras foram cortadas

adubadora com uma taxa de semeadura de 15

rente ao solo, pesadas e retiradas sub-amostras

sementes m -1, no momento da semeadura foi

com aproximadamente 500 g, colocadas em

realizada a adubação na linha com 450 kg ha -1 de

sacos de papel, pesados e levados para secar

superfosfato simples. As sementes foram tratadas

em estufa de circulação de ar forçada à 55°C por

com Standak Top (25 g L-1 i.a. Piraclostrobina, 225 g

Fitotecnia


L-1 i.a. Tiofanato Metílico e 250 g L-1 i.a. Fipronil). No

completos casualizados (DBC), com três sistemas

momento da semeadura foram aplicados no sulco

de produção (SS, ILP-Zuri e ILP-Quênia), dois blocos

1,0 L ha -1 do inoculante Cell Tech (Bradyrhizobium

e duas repetições dentro de cada bloco, totalizando

japonicum Estirpe SEMIA 5079 e SEMIA 5080,

assim 12 unidades experimentais. Os dados foram

concentração mínima 3,0 x 109 UFC mL-1, Monsanto

analisados utilizando o método de modelos mistos

BioAg), 0,1 L ha -1 do coinoculante Biomax Azum

com estrutura paramétrica especial na matriz de

(Azospirillum brasilense, concentração mínima

covariância, por meio do procedimento MIXED do

3,0 x 103 UFC mL-1, Biosoja), 500 mL ha -1 de Meta

software estatístico SAS (LITTELL et al., 2006). As

Turbo (Metarhizium anisopliae), 200 mL ha -1 de

forrageiras foram consideradas efeitos fixos, blocos

Nodulus Gold (Ascophyllum nodosum) e 400 mL

e repetições foram considerados efeito aleatório.

ha -1 de Verango Prime (FLUOPIRAM). O volume de

Para escolher a matriz de covariância foi usado o

aplicação utilizado no sulco foi de 60 L ha -1.

critério de informação de Akaike (WOLFINGER et al.,

Após a semeadura, foram realizadas duas

1993). As médias dos tratamentos foram estimadas

aplicações de herbicidas para controle de plantas

pelo “LSMEANS” e a comparação foi realizada pelo

daninhas, aos 28 dias após a semeadura (DAS)

teste de Tukey com nível de significância de 10%.

foram aplicados 2 L ha -1 de Xeque Matt + 1,22 L ha -1 de Podium EW. O manejo de doenças e pragas foi realizado adotando um cronograma com cinco

RESULTADOS E DISCUSSÃO

aplicações. A primeira com Score flexi + Seven

Durante o ciclo de desenvolvimento da

(0,150 e 1,5 L ha -1 respectivamente). A segunda

cultura da soja, verificou-se temperatura média

com Ampligo 0,2 L ha -1. A terceira com Unizeb Gold

variando entre 22 e 23 °C, e um acumulado de

+ Sulfato de Magnésio + Excalia Max + Proclaim +

chuvas de 1.252 mm, com chuvas bem distribuídas

Nomolt + Agris (1,5 + 2,0 + 0,5 + 0,2 + 0,2 + 0,5 L ha -1

durante todo o ciclo da cultura (Figura 2).

respectivamente). A quarta com Viovan + Bravonil 720 (0,6 + 1,0 L ha -1 respectivamente). E na quinta com Bravonil 720 + Cypress + Fastac Duo + Cordial (1,0 + 0,3 + 0,5 + 0,25 ha -1 respectivamente). Ao final do ciclo da soja foi realizada a dessecação com Reglone + Agral (2,0 + 0,5 L ha -1 respectivamente). Para estimativa da produtividade de grãos, foram coletadas quatro fileiras centrais com 3,0 metros de comprimento dentro de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos, trilhados e secos. Foi

calculada

a

produtividade

por

hectare,

considerando-se a umidade padrão de 13% para comercialização do grão, tomado como medida a saca de 60 kg. O delineamento experimental foi blocos

Fitotecnia

163


Figura 2. Precipitação e temperaturas registradas no Centro Tecnológico COMIGO no período de outubro de 2022 a março de 2023. Para a massa residual de palhada, verificou-se diferença significativa entre os sistemas de produção (p < 0,0001), com maiores valores observados no sistema de sucessão em relação aos sistemas de integração lavoura pecuária, em média nas áreas cultivadas com milho na safrinha 2022 a massa residual de palhada foi cerca de 2.000 kg ha-1 maior em relação às áreas cultivadas com os capins Zuri ou Quênia (Figura 3A), a menor quantidade de resíduo de palhada foi observada nas áreas cultivadas com o capim Quênia. Em relação ao residual de raiz deixado no sistema ILP, não foi verificada diferença entre os capins Quênia e Zuri (P = 0,5274), sendo verificado um valor médio de 3.300 kg ha-1 de raiz deixados no solo na camada até 20 cm de profundidade (Figura 3B).

164

Fitotecnia


A

B

Figura 3. Residual de palhada (A) e de raiz (B) deixados pelas culturas cultivadas

na safrinha de 2022 nos sistemas de Integração Lavoura Pecuária (ILP Zuri e ILP Quênia) e de sucessão (SS) na região de Rio Verde, GO.

Médias seguidas por letras diferentes nas barras, diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 10%.

Apesar das diferenças verificadas entre os

sistemas para a produtividade de Soja (p = 0,4912), que

sistemas de produção para o residual de palhada, não

em média foi de 5.364 kg ha-1 (Figura 4), correspondendo

foram verificadas diferenças significativas entre os

a aproximadamente 91 sacas ha-1.

Fitotecnia

165


Figura 4. Produtividade de soja na safra 2022/2023 em sistemas de Integração

Lavoura Pecuária e de Sucessão na região de Rio Verde, GO.

Médias seguidas por letras diferentes nas barras, diferem estatisticamente de Tukey a 10%.

Esse equilíbrio verificado entre os sistemas de produção para produtividade de soja apesar da maior quantidade de deixada no sistema pelo milho safrinha, pode estar relacionada aos bons níveis de fertilidade e altos teores de matéria orgânica verificados em todos os sistemas (Tabela 1), bem como ao fato de a palhada de forrageiras do gênero Panicum máximo proporcionar melhor cobertura do solo e maior uniformidade de distribuição na área em comparação à palhada do milho ao longo de todo o ciclo da soja (Figura 4 A, B e C). Além disso, a palhada de capins do gênero Panicum máximum apresenta maior eficiência na ciclagem de nutrientes, proporcionando maior retorno de Nitrogênio, Fósforo e Potássio para o sistema quando comparados à palhada do milho (DIAS et al., 2020).

166

Fitotecnia


A

B

C

Figura 5. Soja na palhada de capim-quênia (A), capim-zuri (B) e de milho (C). Durante a safrinha 2021/2022 ocorreu um forte

sistema ILP também foram afetadas pela falta de chuva

veranico na fase de enchimento de grãos do milho

durante o período, porém em menor intensidade que o

comprometendo significativamente a produtividade da

milho safrinha. Um resumo da produtividade obtida nos

cultura no sistema de sucessão, produzindo em média

sistemas de produção durante a safrinha 2021/2022 e

apenas 32,5 sacas de milho ha-1. As forrageiras do

na safra 2022/2023 pode ser verificado na Tabela 2.

Tabela 2. Produtividades obtidas nos sistemas de produção na segunda safra do ano agrícola 2021/2022 e na safra do ano agrícola 2022/2023.

Sistema

Cultura na 2ª safra (safra 2021/2022)

Produtividade na 2ª safra (safra 2021/2022)¹

Produtividade de soja na Safra 2022/2023

Sucessão (Soja x Milho)

Milho

32,5 sacas ha-1

89,6 sacas ha-1

ILP (Soja x Pastagem)

Capim-zuri

6,6 @ ha-1

91,3 sacas ha-1

ILP (Soja x Pastagem)

Capim-quênia

4,5 @ ha-1

92,0 sacas ha-1

CONCLUSÃO Gramíneas forrageiras do gênero Panicum maximum apresentam grande potencial para utilização

em sistemas de integração lavoura pecuária, pois além de possibilitarem a obtenção de bons resultados na etapa da pecuária, se manejados de forma adequada, podem ainda deixar uma palhada de excelente

Fitotecnia

167


qualidade para o cultivo da soja na safra posterior,

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Fitotecnia

169


DESEMPENHO PRODUTIVO DE HÍBRIDOS DE MILHO CULTIVADOS NA SEGUNDA SAFRA LIMA1, Diego Tolentino, TAVARES2, Rose Luiza Moraes, PAIVA3, Lucas Barros; BORDIGNON3, João Guilherme Queiroz

O milho pode ser cultivado na primeira safra, bem como na segunda (também conhecida como safrinha), possibilitando maior disponibilidade do grão no mercado durante todo o ano. Das quase 130 milhões de toneladas

Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Centro Tecnológico COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 2 Eng.a Agrônoma, Dra. em Engenharia Agrícola, Professora da Universidade de Rio Verde (UniRV). Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: roseluiza@unirv.edu.br 3 Graduando em Agronomia - Universidade de Rio Verde (UniRV). Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: lucasbpaiva@academico.unirv.edu.br; joaogqbordignon@academico.unirv.edu.br 1

de grão de milho desta safra estimadas pela CONAB (2023), 100 milhões são das lavouras de segunda safra, na qual houve um incremento de 4,5% em área plantada (17,1 milhões de hectares) e 11,6% de produtividade (5,8 toneladas por hectare). Essa estimativa de 100 milhões de toneladas na segunda safra corresponde a um aumento de 16,6% em relação a última safra, já as 130 milhões de toneladas estimadas da produção total reflete em aumento de aproximadamente 15% (CONAB, 2023). De acordo com a CONAB (2023), no sudoeste goiano, principal região produtora do estado, as chuvas

INTRODUÇÃO

tardias e baixas temperaturas ocorridas, entre junho e julho, também atrasaram a perda de umidade dos grãos e o ritmo da colheita. Por outro lado, estas precipitações

170

O milho (Zea mays) é uma importante espécie

favoreceram o enchimento de grãos das lavouras mais

cultivada no Brasil, por deter alto teor nutritivo, pode

tardias e propiciaram o aumento nas estimativas de

ser destinada à fabricação de diversos produtos

produtividades médias na região.

para alimentação humana, animal, bem como para

No mercado atual existe grande número de híbridos

a produção de biocombustíveis, além do país ser um

de milho, por volta de 90% das áreas cultivadas no Brasil

dos grandes exportadores do cereal. Diante disso,

são provenientes de sementes híbridas, especialmente

essa cultura possui grande importância econômica

híbridos simples e triplos, uma vez que apresentam

para o país, sendo o terceiro maior produtor de milho

maiores produtividades e uniformidade (SOUZA, 2018).

em quantidade e em área plantada, ficando atrás

É essencial que durante o período de crescimento e

apenas dos Estados Unidos e da China (USDA, 2021).

desenvolvimento do milho, haja disponibilidade hídrica,

Fitotecnia


temperatura, fotoperíodo favorável, fertilidade do solo

em segunda safra, em sucessão a soja, verificando

adequada, manejo adequado de doenças e insetos-

assim, a produtividade final de grãos.

pragas, pois são requisitos que contribuirão para altas produtividades. Desse modo, se faz fundamental possuir

MATERIAL E MÉTODOS

conhecimento a respeito da qualidade do material

O experimento foi conduzido em condições de

utilizado, conhecer as características agronômicas e

campo, na área experimental da Fazenda Monte Alegre,

produtivas dos híbridos de milho, visto que influenciará

da Cooperativa COMIGO, localizada no município de

diretamente na produtividade final. As culturas

Rio Verde – GO (S 17°33'14.8" O 50°58'44.1", altitude

quando cultivadas em condições edafoclimáticas

média de 790 metros). O solo da área é caracterizado

ideais, tendem a expressar seu total potencial. Assim,

como Latossolo Vermelho Distrófico (SANTOS et al.,

conhecer os melhores híbridos para a região de cultivo,

2018). Em área colhida anteriormente com soja foi

em especial o estado de Goiás é aconselhado para

realizada a semeadura dos híbridos, listados na Tabela

auxiliar o produtor na tomada de decisão, garantindo

1, no dia 14 de fevereiro de 2023. A maioria dos híbridos

melhores produtividades (COSTA et al., 2019).

recebeu tratamento industrial padrão da empresa e os

O objetivo do presente trabalho foi avaliar o desempenho de diferentes híbridos de milho

demais foram tratados com CropStar, na dose de 1,5 L para 100 kg de sementes.

disponíveis no mercado, em condições de semeadura

Fitotecnia

171


Tabela 1. Híbridos de milho e população de plantas no estabelecimento da cultura. Fazenda Monte Alegre, Centro Tecnológico COMIGO (CTC), Rio Verde- GO, safra 2022/2023. HÍBRIDO

*POPULAÇÃO (mil plantas ha-1)

B2360 PWU

50,36

B2401 PWU

50,38

NK520 VIP3

50,38

STATUS VIP3

51,09

AG3500 RR

51,11

AG8480 PRO4

51,13

AG7098 TER

51,84

SYN555 VIP3

51,84

AG8701 PRO4

51,87

B2800 VYHR

52,58

AG8700 PRO4

52,60

NK511 VIP3

52,60

AG3510 RR

53,31

FEROZ VIP3

54,07

AG8600 PRO4

54,09

B2620 PWU

54,09

AG8088 PRO2

54,82

*População de plantas por hectare avaliada durante o experimento.

A densidade de semeadura utilizada foi de

de Enxofre, parcelada em duas aplicações de 200 kg

2,8 sementes por metro para todos os híbridos. A

ha-1, sendo a primeira cerca de 20 dias, e a segunda 30

adubação realizada na semeadura em sulco foi com

dias após a semeadura.

250 kg ha do fertilizante 13-33-00. Momento em que

Referente ao manejo de plantas daninhas,

também foi aplicado no sulco 0,2 L ha de Biomax

foi aplicado no sistema plante-aplique (logo após a

Azum + 0,25 L ha de RayNitro. O volume de aplicação

semeadura) 2,0 L ha-1 de Finale + 1,5 L ha-1 de Dual

utilizado no sulco foi de 60 L ha-1.Os dezessete híbridos

Gold + 0,15 L ha-1 de Mees. Após 10 dias da semeadura,

foram semeados no espaçamento de 0,5 m, dispostos

realizou-se aplicação de herbicida em pós-emergência

em parcelas de 12 linhas (6 metros de largura), com

na cultura com 3,0 L ha-1 de Facero + 0,15 L ha-1 de Mees.

100 metros de comprimento, totalizando em 600 m2

Para o manejo de pragas, foram realizadas avaliações

cada parcela, com três repetições de cada material.

semanais quanto à ocorrência, nível populacional com

Utilizou-se o delineamento experimental em blocos

base no manejo integrado e nível de dano econômico.

casualizados (DBC). A adubação de cobertura foi

Cerca de 50 dias após a semeadura, quando a cultura

realizada com 400 kg ha do fertilizante 20-00-20+9,5%

estava no estádio V8/V9, foi necessário realizar

-1

-1

-1

-1

172

Fitotecnia


aplicação de inseticidas para o controle de lagarta-do-

Os grãos foram trilhados e secos, e a produtividade por

cartucho (Spodoptera frugiperda), com uma aplicação

hectare foi calculada tendo em conta a umidade padrão

de 1,5 L ha-1 de Regio + 0,1 L ha-1 de Premio.

de 13%, bem como a medida da saca de 60kg de grãos.

Aos 30 dias após a semeadura, foi avaliada

Por fim, os dados de produtividade foram submetidos

a população de plantas (Tabela 1), na qual foram

a análise de variância (ANOVA) pelo teste F. No caso, o

escolhidos de forma aleatória em cada híbrido um

efeito dos tratamentos foi significativo, assim as médias

ponto por parcela, contabilizando o número de plantas

foram comparadas pelo teste de Scot-Knott (P<0,05),

em três linhas de três metros. Com 147 dias após a

pelo software SISVAR (FERREIRA, 2014).

semeadura (11/07/23) alguns híbridos começaram a apresentar umidade dos grãos próximo a 13%, e a partir daí a umidade dos grãos foi medida duas vezes por

RESULTADOS E DISCUSSÃO

semana para cálculo do ciclo (dias até atingir 13% de

A produtividade média de grãos dos híbridos de

umidade dos grãos) de cada um dos híbridos. A fazenda

milho no presente trabalho foi de 114,5 sacas ha-1. Os

possui estação meteorológica própria (Plugfield),

híbridos que obtiveram maiores produtividades foram:

para registro de dados climáticos. O experimento foi

B2800 VYHR, B2360 PWU, AG3500 RR, AG8480 PRO4,

instalado próximo à estação e os dados de precipitação

B2401 PWU, AG8700 PRO4, SYN555 VIP3, AG8600

foram coletados para o presente trabalho.

PRO4 e AG8701 PRO4, com média de 126,78 sacas ha-1.

A colheita dos híbridos de milho foi realizada

Quanto aos que apresentaram menores produtividades,

no dia 02/08/2022 (169 dias após a semeadura). A

se enquadram B2620 PWU, NK511 VIP3, AG3510 RR,

produtividade foi obtida em dois pontos aleatórios

NK520 VIP3, STATUS VIP3, AG8088 PRO2, FEROZ VIP3

dentro da parcela útil e em cada ponto foram colhidas

e AG7098 TER, com média de aproximadamente 100,70

três linhas de semeadura com três metros de

sacas ha-1 (Figura 1).

comprimento, totalizando nove metros em cada ponto.

Fitotecnia

173


140

-1 Produtividade (saca ha )

120 105

100 80

87 88

b

b

b

109

118 110 112

b

b

122 122

126 127 129 129 130

133

95 96 b

b

b

b

a a

a

a

a

a

a

a

a

60 40 20

AG 70 FE 98 T AG RO ER Z 80 V I ST 88 P3 AT PR U O NK S 2 V 52 IP AG 0 V 3 3 IP NK 510 3 51 RR B2 1 V AG 620 IP3 87 PW AG 01 U 86 PR O 0 SY 0 4 N PR AG 55 O4 87 5 V 00 IP B2 PR 3 AG 401 O4 84 PW 80 U AG P RO 3 B2 500 4 3 R B2 60 P R 80 W 0 U VY HR

0

Figura 1. Produtividade dos diferentes híbridos de milho cultivados na segunda safra. Fazenda Monte Alegre, Centro Tecnológico COMIGO - CTC. Rio Verde - GO, safra 2022/23. Coeficiente de variação (C.V.) = 12,84%. Médias seguidas por letras iguais, não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (p<0,05). Os híbridos mais precoces foram AG8700

(período de pendoamento-espigamento) com o período

PRO4, AG3500 RR e B2360 PWU, com 147 dias até

em que tende a ocorrer baixa disponibilidade hídrica.

atingirem 13% de umidade dos grãos (Figura 2),

Plantar híbridos de ciclo superprecoce e precoce em

ficaram no grupo dos mais produtivos (média de 128,93

razão do rápido desenvolvimento, podem auxiliar no

sacas ha ) (Figura 1). O milho em períodos críticos do

escape dos períodos de déficit hídrico.

-1

desenvolvimento, ou seja, o período de florescimento à maturação fisiológica, quando passado por estresses pode influenciar na redução direta do seu rendimento final. Conforme Bergamaschi et al. (2006), pode ocorrer a redução do número de grãos por espiga. Uma forma de poder minimizar os danos, consiste em plantar a lavoura de milho em uma determinada época a fim de não coincidir o período crítico a estresse hídrico

174

Fitotecnia


180 160

167 167

164

169

169

167 167 153

157

153 153

157 147

167

164 147 147

140

Ciclo (dias)

120 100 80 60 40 20

AG 70 FE 98 AG RO TE 80 Z V R ST 88 IP3 AT PR O NK US 2 V 5 I AG 20 P3 3 VIP NK 51 3 0 51 RR B2 1 AG 62 VIP 8 0P 3 AG 701 W 86 PR U SY 00 O4 N P AG 55 RO 87 5 V 4 0 IP B2 0 P 3 R AG 40 O 84 1 P 4 8 W AG 0 P U 3 RO B2 500 4 3 R B2 60 R P 80 W 0 VY U HR

0

Figura 2. Ciclo (dias), para atingir naturalmente 13% de umidade nos grãos, dos diferentes híbridos de milho cultivados na segunda safra. Fazenda Monte Alegre, Centro Tecnológico COMIGO - CTC. Rio Verde - GO, safra 2022/23. A maioria (66,67%) dos híbridos tardios, com

de produção, houve disponibilidade hídrica de 153,9

mais de 160 dias de ciclo (NK511 VIP3, NK520 VIP3,

mm. Todavia no mês seguinte, em abril, choveu apenas

STATUS VIP3, AG8088 PRO2, FEROZ VIP3 e AG7098

58,2 mm, período no qual iniciou o pendoamento-

TER), ficaram no grupo dos menos produtivos. As

espigamento, momento esse em que a cultura possui

exceções foram B2800 VYHR, AG8480 PRO4 e SYN555

alta sensibilidade ao estresse hídrico, seguindo os

VIP3 que ficaram no grupo dos mais produtivos (Figura

meses de maio, junho e julho com 19,8 mm (porém sem

1).

nenhuma chuva significativa, acima de 10,0 mm). De acordo com o registro pluviométrico (Figura

Segundo Doorenbos e Kassan (1994), as

3), o mês de fevereiro no qual ocorreu a semeadura

maiores produções observadas na cultura do milho

dos híbridos, houve precipitação de 285,0 mm, porém

ocorrem com consumos de água variando entre 500 e

após a semeadura no dia 14/02/23 houve somente

800 mm, em todo o ciclo da cultura. A precipitação total

99,6 mm deste total. Referente ao mês de março, logo

registrada durante o ciclo da lavoura experimental foi de

no início, o milho estava no estágio V3, compreendido

331,5 mm. Como visto, houve uma redução significativa

no momento em que ocorre a definição do potencial

na disponibilidade hídrica, desse modo, a produtividade

Fitotecnia

175


média pode ter sido afetada negativamente. Além

hídrico (período de pendoamento-espigamento), após

disso, em 15 de abril todos híbridos já pendoados e

esse período choveu apenas 17,0 mm dos apenas 58,2

com espigas formando, o período crítico a estresse

mm totais do mês de abril.

350

Precipitação (mm)

300 250 200 150 100 50 0

Fev

Mar

Abr

Mai-Jul

TOTAL

Figura 3. Registro pluviométrico (chuvas – mm) no período do experimento. Fazenda Monte Alegre, Centro Tecnológico COMIGO - CTC. Rio Verde - GO, safra 2022/23. Fonte: Estação Meteorológica instalada na própria fazenda (Plugfield). *Dados de Fevereiro contabilizados somente após a semeadura em 14/02/23.

176

Assim, é fundamental que o produtor tenha

Porém ainda assim os riscos vão ocorrer. No

conhecimento das condições climáticas favoráveis

presente experimento, os híbridos foram cultivados

para a implantação da lavoura, optar por híbridos

na janela de plantio ideal para o milho segunda safra,

com as melhores características para seu sistema

período compreendido na região do sudoeste goiano,

produtivo e buscar realizar o melhor manejo do solo,

entre janeiro e fevereiro, visando melhores condições

adubação, controle de insetos pragas e doenças que

climáticas durante os estágios de desenvolvimento

podem afetar o desenvolvimento da cultura ao longo

da cultura. Mas, como discutido, faltou chuva em

de seu ciclo. É essencial realizar o planejamento

momentos determinantes do potencial produtivo

do milho segunda safra desde o início do cultivo da

da lavoura, especificamente na propriedade onde o

cultura de verão, visando liberar a área o mais cedo

trabalho foi conduzido, o que provavelmente reduziu

possível, reduzindo os riscos de perdas por estresse

as médias em relação às observadas de forma geral

hídrico.

na região (CONAB, 2023).

Fitotecnia


DOORENBOS, J.; KASSAM, A. H. Efeito da

CONSIDERAÇÕES FINAIS

água no rendimento das culturas. Campina

Diversos fatores podem influenciar na média de produtividade final, como visto, condições edafoclimáticas como a disponibilidade hídrica, no qual pode afetar as atividades fisiológicas da planta, interferindo diretamente no acúmulo de matéria seca produção e produção de grãos. Portanto, nas condições do presente experimento, os híbridos que obtiveram maiores produtividades foram: B2800 VYHR, B2360 PWU, AG3500 RR, AG8480 PRO4, B2401 PWU, AG8700 PRO4, SYN555 VIP3, AG8600 PRO4 e AG8701 PRO4, com média de 126,78 sacas ha-1. E com menores produtividades, B2620 PWU, NK511 VIP3, AG3510 RR, NK520 VIP3, STATUS VIP3, AG8088 PRO2, FEROZ VIP3 e AG7098 TER, média de 100,70 sacas ha-1.

Grande: UFPB, 1994. 306p. Estudos FAO. Irrigação e Drenagem, 33. FERREIRA, D. F. Sisvar: a guide for its bootstrap procedures in multiple comparisons. Ciência e Agrotecnologia, v.38, n.2, p. 109-112, 2014. SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS, L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO, M.R.; ALMEIDA, J.A.; CUNHA, T.J.F.; OLIVEIRA, J.B. Sistema brasileiro de classificação de solos. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. 5 ed. Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos. 2018. 588 p. SOUZA JR., C. L. Seleção Recorrente. In: DELIMA, R. O.; BORÉM, A. Melhoramento de Milho. Viçosa, MG: Editora UFV, 2018, 1 ed, 295-306. USDA. OF

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Fitotecnia

177


DESEMPENHO AGRONÔMICO DE HÍBRIDOS DE SORGO GRANÍFERO EM DUAS ÉPOCAS DE SEMEADURA BRAZ1, Guilherme Braga Pereira; LIMA2, Diego Tolentino de; FERNANDES3, Rafael Henrique; SILVA4, Linconl Lima; DELGADO5, Vanderson Aparecido Diego; FERREIRA6, Camila Jorge Bernabé Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: guilhermebraga@comigo.com. br 2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo.com. br 3 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: : rafaelhenrique@comigo. com.br 4 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia do Instituto Federal Goiano (IFGoiano), campus Rio Verde. Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: linconl96lima@gmail.com 5 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 6 Engenheira agrônoma. Doutora em Agronomia. Professora na Universidade de Rio Verde. E-mail: camilajbferreira@gmail.com 1

que o torna importante contribuinte para a economia agrícola local. O cultivo do sorgo em Goiás tem ganhado destaque devido a sua boa adaptação às condições edafoclimáticas da região, por apresentar tolerância ao estresse hídrico, além da sua capacidade de crescimento em solos contrastantes e menores custos de produção comparado a cultura do milho (BUFFARA et al., 2018). Apesar da crescente demanda pelo cultivo de sorgo no país, ainda existem muitas dúvidas quanto a adequações para garantir maior rendimento da cultura na época de segunda safra (safrinha), sendo necessário definir, entre outras técnicas, a adequação da época de semeadura e a escolha do híbrido de sorgo. Em Goiás, o cultivo do sorgo é uma prática frequentemente adotada em período de safrinha após a colheita da soja. O momento ideal para semear o sorgo granífero nessa região é determinado por múltiplos fatores, incluindo as condições climáticas e o cronograma de semeadura das safras anteriores (FERREIRA et al., 2020). Embora o sorgo tenha uma boa capacidade de se adaptar a condições de menor disponibilidade de água, é essencial sua implantação em épocas mais

INTRODUÇÃO

178

antecipadas para assegurar que a demanda hídrica da cultura seja atendida durante o seu ciclo de crescimento, em especial nas fases de florescimento e formação dos

O Estado de Goiás é o maior produtor de sorgo

grãos, as quais são especialmente sensíveis à falta de

granífero no Brasil, representando aproximadamente

água. Neste sentido, a definição da época de semeadura

35% da produção nacional (CONAB, 2023), fato

mais adequada é fator limitante ao seu desenvolvimento.

Fitotecnia


Além da época de semeadura, a seleção de

no município de Rio Verde (GO) (S 17°45'42" O 51°02'09",

híbrido de sorgo apropriado é fundamental para

altitude de 827 m). Em cada experimento foi avaliado o

o sucesso do seu cultivo. No estado de Goiás, os

desempenho produtivo de híbridos de sorgo granífero,

agricultores devem avaliar uma série de fatores,

variando entre estes a época de semeadura, onde a

incluindo condições climáticas, qualidade do solo e

primeira e segunda época de semeadura ocorreram

características desejadas, a fim de tomar decisões sobre

em 14/03/2023 e 29/03/2023, respectivamente.

qual híbrido de sorgo cultivar (STARCHAK et al., 2022).

O clima de Rio Verde é classificado como B4

Um dos principais fatores preponderantes ao optar

rB’4a’, o qual se caracteriza como úmido, de pequena

por um híbrido de sorgo incluem a adaptação deste às

deficiência hídrica, mesotérmico e evapotranspiração

condições climáticas, o que deve ser conciliado com a

no verão menor que 48% da evapotranspiração anual

escolha da época de semeadura mais adequada.

(THORNTHWAITE, 1948). Os dados climatológicos

Neste sentido, este trabalho teve como objetivo

relacionados a temperatura máxima e mínima do

avaliar o desempenho agronômico de híbridos de sorgo

ar e precipitações durante o período de condução

em diferentes épocas de semeadura.

dos experimentos estão apresentados na Figura 1. É oportuno destacar que o volume de precipitação

MATERIAL E MÉTODOS

acumulado durante o ciclo do sorgo, para a primeira e segunda época de semeadura, foi de 198 e 125 mm,

Foram conduzidos dois experimentos na área

respectivamente, havendo maiores concentrações de

experimental do Centro Tecnológico COMIGO sediada

chuvas durante os primeiros meses de implantação dos experimentos.

Fonte: INMET - Ins�tuto Nacional de Meteorologia. Estação de coleta: Rio Verde (GO). Figura 1. Temperaturas máxima e mínima e precipitações observadas durante o período de condução dos experimentos. Rio Verde (GO), 2023.

Fitotecnia

179


A área em que os experimentos foram instalados

Turbo (ureia + NBPT).

haviam sido cultivadas com soja na safra de verão. O solo

Em ambos os experimentos, o delineamento

de ambas as áreas experimentais foi classificado como

utilizado foi o de blocos ao acaso (DBC), avaliando-se

Latossolo Vermelho Distrófico (SANTOS et al., 2018).

sete tratamentos com três repetições. Os tratamentos

Antes da semeadura da soja nas áreas experimentais,

foram compostos por diferentes híbridos de sorgo

foi realizada a análise de amostras do solo coletadas na

granífero, os quais apresentam recomendação para

profundidade de 0 a 20 cm, a qual revelou as seguintes

o cultivo em segunda safra no Estado de Goiás. Os

propriedades físico-químicas para a primeira época de

híbridos avaliados foram AG1070, AG1077 e AG1085,

semeadura: pH em CaCl2 de 5,11; 3,19 cmolc dm-3 de H+

pertencentes ao portfólio da Sementes Agroceres,

+ Al+3; 2,11 cmolc dm-3 de Ca+2; 0,55 cmolc dm-3 de Mg+2;

1G100 e 1G211, pertencentes ao portfólio da Brevant,

104,39 mg dm-3 de K; 9,31 mg dm-3 de P; 25,60 g dm-3 de

e ADV1151 IG e ADV1277 AX, pertencentes ao

M.O.; 37,62% de areia; 6,96% de silte e 55,42% de argila;

portfólio da ADVANTA. As unidades experimentais

e segunda época de semeadura: pH em CaCl2 de 5,36;

foram compostas por seis linhas de semeadura, com

2,51 cmolc dm-3 de H+ + Al+3; 3,10 cmolc dm-3 de Ca+2;

comprimento de 5,0 m (15,0 m2). Considerou-se como

0,83 cmolc dm-3 de Mg+2; 130,74 mg dm-3 de K; 17,02 mg

área útil para as avaliações apenas as seis linhas

dm-3 de P; 25,30 g dm-3 de M.O.; 52,03% de areia; 9,00%

centrais de cada unidade experimental, excluindo-se

de silte e 38,97% de argila.

0,5 m de cada extremidade. Durante o desenvolvimento do sorgo foram

Para eliminar as plantas daninhas emergidas nas áreas experimentais, imediatamente após a

realizados

semeadura de cada experimento foi realizada aplicação

recomendações técnicas, procedendo ao controle

da mistura entre os herbicidas glifosato (1400 g e.a.

de plantas daninhas, pragas e doenças sem deixar

ha-1) + atrazina (1000 g i.a. ha-1) + Iharol Gold® (300 mL

que

p.c. ha-1). Em ambos os experimentos, a semeadura

desenvolvimento da cultura. Para o controle de plantas

direta foi realizada de forma mecanizada, adotando-

daninhas, foi realizada aplicação em pós-emergência

se espaçamento entrelinhas de 0,5 m e densidade de

do sorgo do herbicida atrazina (1500 g i.a. ha-1) + Iharol

10,5 sementes por m. As sementes foram tratadas com

Gold® (300 mL p.c. ha-1) aos 20 dias após a emergência

o inseticida CropStar (1,0 L p.c. 100 kg-1 de sementes).

da cultura. Para o controle de pragas e manchas

A adubação de semeadura foi realizada com 400 kg

foliares foi realizada uma aplicação da mistura entre o

ha-1 do formulado 15-15-15. Ademais, no momento da

inseticida Wild (0,5 L p.c. ha-1) e o fungicida Orkestra +

semeadura foram aplicados no sulco via micron (volume

Unizeb Gold (0,35 L + 1,5 kg p.c. ha-1), adicionando-se

de aplicação 60 L ha-1) o Biomax Azum (Azospirillum

o óleo vegetal Mees (0,5 L p.c. ha-1) aos 35 dias após a

brasilense, concentração mínima 3,0 x 108 UFC mL-1) na

emergência da cultura.

dose de 0,15 L p.c. ha-1 + Meta-Turbo SC (Metarhizium

180

estes

Para

tratos

culturais

de

influenciassem

mensurar

o

acordo

com

negativamente

desempenho

as

no

produtivo

anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1,0 x 108

dos híbridos de sorgo granífero para a primeira e

propágulos viáveis mL-1) na dose de 0,5 L p.c. ha-1 +

segunda época de semeadura, nos dias 31/07/2023 e

RayNitro Zn News (83,3 g L-1 de N, 83,3 g L-1 de P2O5 e

04/08/2023, respectivamente, foi realizada a colheita

47,6 g L-1 de Zn) na dose de 0,25 L p.c. ha-1. A adubação

manual de todas as panículas presentes na área útil

de cobertura foi realizada com 150 kg ha-1 de Ureia

de cada unidade experimental, onde posteriormente

Fitotecnia


este material foi submetido aos processos de trilha, embalagem, identificação, pesagem e correção da umidade dos grãos para 13%. A análise estatística foi realizada com o programa computacional SISVAR. Os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito significativo, aplicou-se o teste de comparação de médias LSD de Fisher (p≤0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Figura 2 estão apresentados os resultados de produtividade de grãos (sacas ha-1) dos híbridos de sorgo granífero em função das duas épocas de semeadura dos experimentos. Para os resultados observados na primeira época, fica evidenciado que os híbridos alcançaram bons patamares produtivos, especialmente

quando

se

considera

o

volume

de chuvas total acumulado durante o período de condução do experimento (198 mm). Os valores de produtividade entre os híbridos variaram entre 86 e 119 sacas ha-1, constatando-se que o material AG1070 apresentou rendimento de grãos superior em 27,8% em comparação com a média de produtividade observada nos híbridos ADV1151 IG e ADV1277 AX. Ao comparar a performance produtiva entre os demais híbridos da primeira época de semeadura, ressalta-se que diferenças significativas não foram observadas.

Fitotecnia

181


Primeira época de semeadura* CV (%) = 16,83

DMS = 30,48

Segunda época de semeadura* CV (%) = 16,43

DMS = 22,69

* Significativo pelo teste F (p≤0,05). Médias seguidas por letras distintas diferem entre si pelo teste LSD de Fisher (p≤0,05).

Figura 2. Produtividade de híbridos de sorgo granífero cultivado em duas épocas de semeadura. Rio Verde (GO), 2023. Para o experimento instalado na segunda época

da cultura, considerando a produtividade dos sete

de semeadura, período no qual é considerado tardio em

híbridos avaliados, verificou-se decréscimo médio

termos de implantação da cultura do sorgo no Estado

de 24 sacas ha-1 devido à semeadura tardia, havendo

de Goiás (29/03/2022), observou-se comportamento

reduções em valores variando de 7 a 45 sacas ha-1

de redução na produtividade de grãos quando se

a depender do material. A redução nos patamares

comparou o desempenho produtivo isolado de cada

produtivos de todos os híbridos de sorgo é explicada

híbrido de sorgo entre as épocas de semeadura (Figura

pela menor disponibilidade hídrica na segunda época

2). Para se ter uma noção da redução no rendimento

de semeadura (125 mm).

de grãos de sorgo em função da época de implantação

182

Fitotecnia

Acerca do desempenho produtivo dos híbridos


na segunda época de semeadura, observou-se que AG1077 e 1G100 apresentaram produtividade

CONCLUSÕES

superior em comparação com o AG1085 (Figura 2). Diferentemente do observado para a primeira época de semeadura, neste segundo experimento, os patamares produtivos dos híbridos ADV1151 IG e ADV1277 AX ficaram mais próximos dos materiais que compuseram o grupo de tratamentos com maiores produtividades. Ademais, além das características agronômicas que são importantes para a escolha dos híbridos, especificamente para os materiais ADV1151 IG e ADV1277 AX deve ser considerado também os benefícios que estes podem trazer em termos de manejo de problemas fitossanitários comuns a cultura do sorgo (CRUVINEL et al., 2021; AVELLAR et al., 2022), uma vez que o ADV1151 IG apresenta como diferencial a possibilidade de uso de herbicidas do grupo químico das imidazolinonas (ex.: [imazethapyr + imazapic]), além do ADV1277 AX constituir-se em alternativa para o manejo varietal do pulgão Melanaphis sacchari. Compilando os resultados dos experimentos, fica evidenciado que a cultura do sorgo apresenta elevada adaptabilidade as condições edafoclimáticas da região Sudoeste de Goiás, onde mesmo em condições de baixa disponibilidade hídrica, os híbridos avaliados conseguiram alcançar bons patamares produtivos. Apesar disto, fica constatado também que eventuais atrasos na época de implantação da cultura irão repercutir em menor potencial produtivo do sorgo, fato já relatado na literatura, incluindo trabalhos realizados no mesmo local que os do presente estudo (SILVA et al., 2022). Neste sentido, para alcançar maior êxito na exploração comercial da cultura do sorgo, torna-se fundamental realizar o planejamento desde a escolha da cultivar de soja que será utilizada na safra de verão, dando-se preferencia para materiais com ciclo precoce, uma vez que esta prática possibilita a semeadura do sorgo em períodos mais antecipados.

Independentemente da época de semeadura, se for levado em consideração o volume de chuvas durante o período de condução dos experimentos, contata-se que os híbridos de sorgo apresentam patamares

produtivos

satisfatórios

(1ª

época

produtividades variando de 86 e 119 sacas ha e 2ª -1

época produtividades variando de 62 a 86 sacas ha-1). Semeaduras mais tardias do sorgo implicam em

menores

potenciais

produtivos

da

cultura,

independentemente do híbrido avaliado. Considerando as duas épocas de semeadura, os híbridos de sorgo que apresentaram maiores produtividades de grãos foram: AG1077, AG1070, 1G211 e 1G100.

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Fitotecnia

183


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184

Fitotecnia


Plantas Daninhas Entomologia

185


DESEMPENHO AGRONÔMICO DE CULTIVARES DE SOJA SUBMETIDAS A APLICAÇÃO DE HERBICIDAS RESIDUAIS EM DIFERENTES MODALIDADES BRAZ1, Guilherme Braga Pereira; ALMEIDA2, Dieimisson Paulo; LIMA3, Diego Tolentino de; FERNANDES4, Rafael Henrique; DELGADO5, Vanderson Aparecido Diego; SILVA6, Linconl Lima

INTRODUÇÃO O aumento da dispersão das plantas daninhas resistentes a herbicidas, em especial ao glifosato, tem se constituído em um dos principais entraves visualizados

Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: guilhermebraga@comigo. com.br 2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. E-mail: dieimissonpa@gmail.com 3 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo. com.br 4 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: : rafaelhenrique@comigo. com.br 5 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 6 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia do Instituto Federal Goiano (IFGoiano), campus Rio Verde. Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: linconl96lima@gmail.com 1

dentro dos sistemas de produção agrícola, uma vez que proporciona redução na produtividade das culturas, além de incrementar o custo de produção. Neste sentido, fica evidente a necessidade de mudança de postura no que diz respeito às estratégias adotadas para o manejo de plantas daninhas visando assegurar a sustentabilidade dos sistemas de produção de soja. No planejamento das estratégias para o manejo de plantas daninhas, a adoção de práticas como adubação de acordo com as recomendações baseadas na análise de solo, escolha da cultivar com adaptabilidade para região de cultivo, densidade de semeadura de acordo com a recomendação, inserção de plantas de cobertura na rotação de culturas, entre outras, consistem em passos fundamentais para melhorar o controle da comunidade infestante e assegurar a performance adequada dos herbicidas (NORSWORTHY et al., 2012). Acerca do controle químico, cada vez mais têm sido constatados os benefícios oriundos da utilização dos herbicidas

186

Plantas Daninhas


residuais, uma vez que estes produtos contribuem para

a recomendação desta prática de controle de plantas

diminuição do banco de sementes de plantas daninhas

daninhas.

no solo, bem como apresentam elevada eficácia no

Diante deste contexto, o objetivo do presente

manejo das espécies de difícil controle (SALOMÃO et

trabalho foi avaliar o desempenho agronômico de

al., 2021).

cultivares de soja submetidas à aplicação de herbicidas

Tradicionalmente, os herbicidas residuais são

residuais em diferentes modalidades.

recomendados em aplicações em pré-emergência, que consiste no uso imediatamente antes ou após a semeadura da cultura, condição na qual ainda não

MATERIAL E MÉTODOS

houve a emergência da soja. Contudo, em áreas

Nove experimentos foram instalados a campo

com grande pressão de plantas daninhas no banco

em um mesmo talhão localizado na Fazenda Monte

de sementes no solo, uma prática que pode ser

Alegre, da Cooperativa COMIGO, sediada no município

empregada refere-se à aplicação dos herbicidas

de Rio Verde (GO) (S 17°33'14" O 50°58'44", altitude de

residuais em pós-emergência da cultura (overlapping)

790 m), sendo conduzidos no período de 25/10/2022

objetivando sobrepor o residual que estes produtos

a 24/02/2023. Em cada experimento foi avaliado o

apresentam no controle de plantas daninhas, situação

desempenho agronômico de uma cultivar de soja

que possibilita redução na emergência das espécies

distinta submetida à aplicação de herbicidas residuais

que compõem a comunidade infestante. Na atualidade,

em diferentes modalidades.

apesar de trabalhos de pesquisa demonstrarem a

O clima do município de Rio Verde é do

viabilidade na adoção desta prática (TAKANO et al.,

tipo B4 rB’4a’ (Úmido; pequena deficiência hídrica;

2015; SALOMÃO et al., 2021), ainda não há uma grande

mesotérmico; evapotranspiração no verão menor

gama de informações acerca da seletividade dos

que 48% da evapotranspiração anual), segundo a

herbicidas residuais entre as diferentes cultivares de

classificação de Thornthwaite (1948). Na Figura 1

soja. A execução de pesquisas que visam determinar

encontram-se os dados climatológicos relacionados a

a seletividade dos herbicidas residuais aplicados em

temperatura máxima e mínima do ar e precipitações

pós-emergência de acordo com a genética da cultivar

durante o período de condução dos experimentos.

de soja consiste em passo fundamental para ampliar

Plantas Daninhas

187


Fonte: INMET - Ins�tuto Nacional de Meteorologia. Estação de coleta: Rio Verde (GO).

Figura 1. Temperaturas máxima e mínima e precipitações observadas durante o período de Figura 1. Temperaturas máxima e mínima e precipitações observadas durante o período de condução dos experimentos. Rio Verde (GO), 2022/2023. O solo da área experimental é classificado como

utilizadas nos experimentos foram: HO Iguaçu IPRO

Latossolo Vermelho Distrófico (Santos et al., 2018).

(GMR: 6.4; 18 sementes m-1), HO Corumbá IPRO

Antes da instalação dos experimentos, foi realizada a

(GMR: 6.7; 16 sementes m-1), ST 700 I2X (GMR: 7.0; 16

análise de amostras do solo coletadas na profundidade

sementes m-1), NS 7474 IPRO (GMR: 7.4; 12 sementes

de 0 a 20 cm, a qual revelou as seguintes propriedades

m-1), HO Aporé IPRO (GMR: 7.5; 16 sementes m-1), CZ

físico-químicas: pH em CaCl2 de 5,3; 2,31 cmolc dm-3 de

37B43 IPRO (GMR: 7.4; 16 sementes m-1), M 7601 I2X

H+ + Al+3; 2,73 cmolc dm-3 de Ca+2; 0,79 cmolc dm-3 de

(GMR: 7.6; 12 sementes m-1), HO Maracaí IPRO (GMR:

Mg+2; 153,70 mg dm-3 de K; 8,45 mg dm-3 de P; 23,80 g

7.7; 12 sementes m-1) e BMX Bônus IPRO (GMR: 7.9;

dm-3 de M.O.; 47,61% de areia; 16,61% de silte e 35,77%

12 sementes m-1). Todas as sementes utilizadas nos

de argila (textura argilo-arenoso).

experimentos receberam tratamento industrial com

O controle das plantas daninhas (dessecação

fungicidas e inseticidas, bem como foi realizada a

de pré-semeadura) presentes na área experimental foi

prática de inoculação visando assegurar o processo

realizado com duas aplicações de herbicidas, sendo

de fixação biológica de nitrogênio. Visando realizar a

a primeira realizada quinze dias antes da semeadura

prática de adubação da cultura, foi aplicado à lanço em

com a aplicação de glifosato (1400 g e.a. ha ) + 2,4-D

área total o equivalente a 200 kg ha-1 de KCl + 20 kg ha-1

amina (804 g e.a. ha-1) e a segunda realizada no dia da

de ulexita + 25 kg ha-1 de Mix Complex. No momento

semeadura, com a aplicação de diquat (400 g i.a. ha-1) +

da semeadura, a adubação foi realizada com aplicação

Ochima (400 mL p.c. ha ).

no sulco do equivalente à 250 kg ha-1 de 10-46-00 +

-1

®

-1

Para todos os experimentos, a semeadura direta foi realizada de forma mecanizada no dia 25/10/2022,

188

9% de S. A emergência das plântulas de soja das nove cultivares ocorreu no dia 01/11/2022.

adotando-se espaçamento entrelinhas de 0,5 m. As

Em todos os experimentos, o delineamento

cultivares de soja, o grupo de maturidade relativa

utilizado foi o de blocos ao acaso (DBC), avaliando-

(GMR) e as respectivas densidades de semeadura

se dez tratamentos com quatro repetições (Tabela

Plantas Daninhas


1). Os tratamentos foram compostos pela aplicação

5,0 m (25,0 m2). Considerou-se como área útil para

de herbicidas em pré-emergência e/ou em pós-

as avaliações apenas as seis linhas centrais de cada

emergência da soja, acrescido de uma testemunha sem

unidade experimental, excluindo-se 0,5 m de cada

aplicação. As unidades experimentais foram compostas

extremidade.

por dez linhas de semeadura, com comprimento de

Tabela 1. Relação de tratamentos avaliados no experimento realizado com cultivares de soja submetidas a aplicação de herbicidas em diferentes modalidades. Rio Verde (GO), 2022/2023. Tratamentos

Dose (g ou L p.c. ha-1)

Ingrediente ativo

Dose (g i.a. ha-1)

Eddus (Pré)

2,5

[fomesafen + S-metolachlor]

[297,5 + 1292,5]

Eddus (Pós)

2,0

[fomesafen + S-metolachlor]

[238 + 1034]

2,5/2,0

[fomesafen + S-metolachlor]

[297,5 + 1292,5]/[238 + 1034]

Reator (Pré)

2,5

clomazone

900

Reator (Pós)

2,0

clomazone

720

2,5/2,0

clomazone

900/720

Kyojin (Pré)

0,3

[pyroxasulfone + flumioxazin]

[90 + 60]

Spider (Pré)

30

diclosulam

25,2

ZethaMaxx (Pré)

0,5

[imazethapyr + flumioxazin]

[106 + 50]

Testemunha

-

-

-

Eddus (Pré/Pós)

Reator (Pré/Pós)

A primeira aplicação dos tratamentos nos

63,4%, respectivamente, o céu estava com a presença

experimentos foi realizada em pré-emergência da

de poucas nuvens e a velocidade do vento em valores

soja, na modalidade plante e aplique. Esta aplicação

próximos de 1,8 km h-1.

foi realizada no dia 26/10/2022. No momento da

As aplicações foram realizadas utilizando-se um

aplicação o solo apresentava-se com boa umidade e o

pulverizador de pesquisa pressurizado por CO2 com

céu estava com a presença de poucas nuvens, estando

patente junto ao INPI (BR 102016007565-3), montado

a temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do

em um trator (LS 60, 60 cv, Landini). A barra de aplicação

vento, mínima e máxima, em valores equivalentes a 27,4

foi equipada com dez pontas espaçadas 0,5 m entre si,

e 31,6oC, 53,6 e 72,4% e 0,8 e 2,6 km h-1, respectivamente.

mantida a uma altura de 0,5 m da cobertura vegetal.

A segunda aplicação foi realizada em pós-emergência

A pressão de trabalho nas pontas de pulverização de

da soja no dia 24/11/2022 (23 dias após a emergência

jato duplo plano com indução de ar (ADIA/D 110015;

da soja). Nesta ocasião, as plantas de soja estavam

Magnojet) foi de 300 kPa (43,5 psi) e o volume de

no estádio V3/V4 (cultivares tardias) e V4 (cultivares

aplicação 150 L ha-1.

precoces), apresentando altura variando entre 15 e 20

Para eliminar possíveis interferências das falhas

cm. No momento da aplicação o solo encontrava-se

no controle das plantas daninhas entre os herbicidas

com boa umidade, a temperatura e a umidade relativa

avaliados influenciando nos resultados, e com o objetivo

do ar, mínima e máxima, eram de 24,3 e 24,5oC e 60,1 e

de deixar as plantas de soja expostas apenas ao efeito

Plantas Daninhas

189


dos tratamentos, aos 34 dias após a semeadura (DAS)

que os valores foram baixos, alcançado percentuais

foi realizada, em todos os experimentos, uma aplicação

máximos de 10,00% (dados não apresentados).

em pós-emergência da soja da associação entre

Independentemente da cultivar de soja, os tratamentos

glifosato (1170 g e.a. ha-1) + haloxyfop (162 g i.a. ha-1)

que proporcionaram maiores percentuais de injúrias

+ Iharol Gold® (400 mL p.c. ha-1). Além disso, durante

foram os que continham a aplicação da mistura

o desenvolvimento da soja foram realizados tratos

formulada entre [fomesafen + S-metolachlor] em

culturais de acordo com as recomendações técnicas,

pós-emergência da cultura. É oportuno destacar que

procedendo ao controle de pragas e doenças sem

atualmente esta mistura formulada apresenta registro

deixar que estes influenciassem negativamente no

na cultura da soja apenas para uma aplicação ao longo

desenvolvimento da cultura.

do ciclo na modalidade em pré-emergência. Neste

Aos 10 dias após a aplicação dos herbicidas

sentido, o presente trabalho demonstra o potencial de

pós-emergência

de

utilização desta mistura em pós-emergência da soja

fitointoxicação, utilizando para esta avaliação escala

visando conferir maior atividade residual no controle de

que apresenta notas variando de 0% a 100%, onde

plantas daninhas mediante à aplicação de [fomesafen

0% significa ausência de sintomas e 100% representa

+ S-metolachlor], visto que as injúrias provocadas por

a morte de todas as plantas presentes na área útil.

esta mistura formulada foram de baixa intensidade, se

Ademais, na ocasião da colheita foi realizada avaliação

caracterizando por sintomas de leve clorose. Contudo,

do estande de plantas, procedendo a contagem do

é importante que avaliações sobre a seletividade desta

número de plantas presentes em 3 m, sendo os dados

mistura formulada em aplicações em pós-emergência

desta variável apresentados na forma de número

da soja sejam continuamente avaliadas, uma vez

de plantas por metro linear. Para determinação da

que trabalhos na literatura já demonstraram que o

produtividade de grãos, foi realizada o arranquio

fomesafen, um dos ingredientes ativos que compõem

manual de todas as plantas presentes na área útil de

esta mistura proporciona injúrias a depender da dose

cada unidade experimental, onde posteriormente

e estádio de aplicação (ALONSO et al., 2011; ALONSO

este material foi submetido aos processos de trilha,

et al., 2013).

em

foi

realizada

avaliação

embalagem, identificação, pesagem e correção da umidade dos grãos para 13%.

Acerca dos efeitos do clomazone, os sintomas de intoxicação visualizados foram de baixíssima

As análises estatísticas foram realizadas com

intensidade (< 5,00%) e ocorreram apenas no

o programa computacional SISVAR. Os dados de

tratamento com aplicação em pré e pós-emergência

todos os experimentos foram submetidos à análise de

da soja. Este fato demonstra a boa seletividade que

variância pelo teste F (p≤0,05) e, quando houve efeito

a nova formulação comercial microencapsulada à

significativo, aplicou-se o critério de agrupamento de

base de clomazone apresenta para a soja (Reator),

médias de Scott-Knott (p≤0,05).

inclusive viabilizando o seu uso com o intuito de sobrepor a atividade residual no controle de plantas

RESULTADOS E DISCUSSÃO

190

daninhas nesta cultura (SALOMÃO et al., 2021). Por fim, independentemente da cultivar de soja, não foram

De maneira geral, quando se observa as notas

observados sintomas de intoxicação nas plantas em

conferidas na avaliação de fitointoxicação, verifica-se

função da aplicação em pré-emergência de [fomesafen

Plantas Daninhas


(Reator),

independentemente da modalidade de aplicação, foi

[pyroxasulfone + flumioxazin] (Kyojin), diclosulam

capaz de proporcionar reduções no estande da soja

(Spider) ou [imazethapyr + flumioxazin] (ZethaMaxx),

(Tabela 2). Novamente, estes resultados subsidiam a

demonstrando a boa seletividade que estes herbicidas

segurança na utilização dos herbicidas avaliados, haja

apresentam para a cultura quando posicionados dentro

visto que o fato de não terem impactado a população

do intervalo de doses recomendado.

final da cultura possibilita a manutenção deste

+

S-metolachlor]

(Eddus),

clomazone

Para a avaliação de estande de plantas, nenhum

dos

tratamentos

herbicidas

componente de rendimento.

avaliados,

Plantas Daninhas

191


192

Plantas Daninhas

2,5 2,0 2,5/2,0 2,5 2,0 2,5/2,0 0,3 30 0,5 -

Dose (g ou L p.c. ha-1)

Eddus (Pré) 2,5 Eddus (Pós) 2,0 Eddus (Pré/Pós) 2,5/2,0 Reator (Pré) 2,5 Reator (Pós) 2,0 Reator (Pré/Pós) 2,5/2,0 Kyojin (Pré) 0,3 Spider (Pré) 30 ZethaMaxx (Pré) 0,5 Testemunha FCalculado CV (%) ns Não significativo pelo teste F (p≤0,05).

Eddus (Pré) Eddus (Pós) Eddus (Pré/Pós) Reator (Pré) Reator (Pós) Reator (Pré/Pós) Kyojin (Pré) Spider (Pré) ZethaMaxx (Pré) Testemunha FCalculado CV (%)

Tratamentos

79,5 87,0 84,4 80,1 85,0 84,9 83,0 81,1 81,3 91,7 3,05ns 5,04

17,25 16,94 18,08 17,00 17,94 17,86 17,44 17,22 17,16 17,94 1,40ns 4,17

HO Iguaçu IPRO

81,2 80,2 83,2 74,5 74,8 80,7 82,1 86,8 87,4 88,7 2,07ns 8,24

14,83 14,30 14,55 15,83 16,75 16,47 14,16 14,77 15,66 15,33 1,96ns 8,37

HO Corumbá IPRO

85,7 83,7 81,1 77,8 81,3 82,3 84,4 79,3 76,0 80,0 1,10ns 7,10

15,94 14,61 15,36 15,10 14,89 15,55 14,77 15,19 17,05 14,66 2,10ns 6,67

ST 700 I2X

HO Aporé IPRO 13,44 14,75 13,61 13,86 13,94 14,22 13,55 12,52 14,00 13,30 2,31ns 5,68

83,4 75,3 73,8 79,0 78,1 82,4 75,7 77,1 75,1 77,9 1,77ns 6,10

78,7 77,8 77,0 76,8 81,0 82,1 78,1 77,9 81,3 81,9 0,67ns 6,39

82,4 79,4 77,9 72,4 81,4 75,3 71,9 79,1 71,7 79,4 1,12ns 9,75

Produtividade de grãos (sacas ha-1)

10,00 9,75 9,58 10,36 9,72 9,89 9,94 9,55 9,55 9,11 0,71ns 8,13

15,39 15,89 15,30 14,83 14.67 16,16 14,41 14,08 15,11 15,28 1,44ns 7,05

CZ 37B43 IPRO

Estande (plantas por m)

NS 7474 IPRO

75,0 77,0 80,6 82,3 76,3 77,3 74,9 82,5 79,2 77,0 0,90ns 7,54

11,97 11,67 12,16 11,94 12,27 12,27 12,11 12,25 11,77 12,00 1,46ns 2,89

M 7601 I2X

70,1 79,2 75,6 74,2 74,1 71,8 71,3 71,8 80,1 73,0 1,97ns 6,38

10,47 10,27 10,36 9,97 9,97 9,97 9,41 10,05 9,89 10,27 1,35ns 5,16

HO Maracaí IPRO

62,5 60,0 61,8 66,1 62,9 61,3 57,6 60,4 63,4 65,3 0,80ns 9,02

10,77 13,47 12,74 14,25 13,69 14,36 13,47 13,58 12,50 12,55 1,93ns 11,50

BMX Bônus IPRO

Tabela 2. Estande de plantas e produtividade de grãos em cultivares de soja submetidas a aplicação de herbicidas em diferentes modalidades. Rio Verde (GO), 2022/2023.


Em relação à produtividade de grãos, de maneira

(SANTOS et al., 2012). Neste sentido, ao optar-se pela

análoga aos resultados de estande de plantas, em

prática de posicionar um herbicida residual em pós-

todas as cultivares de soja, nenhum dos tratamentos

emergência (produtos à base de S-metolachlor ou

herbicidas proporcionou reduções nos valores desta

clomazone), buscar rotacionar o ingrediente ativo que

variável (Tabela 2). Os resultados do presente trabalho

foi utilizado em pré-emergência.

indicam que a seletividade dos tratamentos avaliados indefere quanto ao material genético semeado (cultivar), bem como da modalidade de aplicação em que os herbicidas foram posicionados, desde que sejam respeitadas as doses recomendadas em bula.

CONCLUSÕES Os níveis de fitointoxicação na soja decorrentes da aplicação dos herbicidas foram baixos ou ausentes a

Comparando os resultados de produtividade

depender do tratamento avaliado. A aplicação em pós-

entre as cultivares de soja, pode-se notar uma

emergência da mistura formulada entre [fomesafen +

tendência de que as cultivares de grupo de maturação

S-metolachlor] proporcionou injúrias às plantas de soja,

maior (tardias) apresentaram menores rendimentos em

sendo estas caracterizadas como de baixa intensidade.

detrimento das mais precoces. Este comportamento

Nenhum

dos

tratamentos

herbicidas

no

da

não corrobora com os relatos descritos na literatura,

proporcionou

nos quais, de maneira geral, cultivares com ciclo mais

independentemente da cultivar avaliada.

reduções

estande

soja,

extenso tendem a apresentar maiores patamares

Todos os tratamentos herbicidas, nas doses e

produtivos (BIANCHI et al., 2010; MEOTTI et al., 2012).

modalidades de aplicação avaliadas, apresentaram

Contudo, os resultados de produtividade entre as

seletividade para as cultivares de soja.

cultivares de soja visualizados no presente trabalho podem ser explicados pela época de semeadura (25/10/2022), bem como distribuição pluviométrica ao longo da condução dos experimentos (Figura 1), fato que acabou por favorecer os materiais mais precoces a não passarem por um período de veranico durante o desenvolvimento da cultura. Compilando os resultados dos experimentos, verifica-se a viabilidade de uso de todos os tratamentos herbicidas nas combinações de doses e modalidades de aplicação avaliadas para o manejo de plantas daninhas na soja. É oportuno destacar que em relação aos tratamentos com a aplicação do mesmo herbicida em pré e pós-emergência da soja, apesar da viabilidade técnica de uso quanto a seletividade, recomenda-se evitar a utilização desta prática, visto que por se tratar de herbicidas com atividade residual no solo, pode haver riscos de carryover para culturas de safrinha

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Plantas Daninhas

193


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de

cultivares

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194

Plantas Daninhas


RESIDUAL DE PICLORAM EM NOVAS ÁREAS AGRÍCOLAS: IMPACTOS, DETECÇÃO E MEDIDAS PARA ATENUAÇÃO

BRAZ1; Guilherme Braga Pereira; SOUZA2, Matheus de Freitas; ALMEIDA3, Dieimisson Paulo; NASCIMENTO4, Hemython Luís Bandeira do; FERREIRA5, Camila Jorge Bernabé; GOMIDES6, Brunno Misofante da Silva

USO DE PICLORAM E A INCORPORAÇÃO DE ÁREAS PARA PRODUÇÃO DE GRÃOS De maneira análoga ao que ocorre nos sistemas

Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: guilhermebraga@comigo.com.br 2 Engenheiro agrônomo. Doutor em Fitotecnia. Professor na Universidade de Rio Verde. E-mail: matheus_mafs10@hotmail.com 3 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. E-mail: dieimissonpa@gmail.com 4 Engenheiro agrônomo, Doutor em Zootecnia. Pesquisador no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: hemythonluis@comigo.com.br 5 Engenheira agrônoma. Doutora em Agronomia. Professora na Universidade de Rio Verde. E-mail: camilajbferreira@gmail.com 6 Químico Industrial, Pós-graduado em Perícias Forenses. E-mail: brunno.gomides@acslab.com.br 1

de produção agrícola, as plantas daninhas quando infestando áreas de pastagem acabam trazendo sérias restrições para a atividade pecuarista, fazendo com que haja menor produção de biomassa, diminuição da qualidade nutricional da forragem, redução da capacidade de suporte do pasto, intoxicação de animais devido à presença de espécies tóxicas, entre outros prejuízos oriundos do processo de interferência (FERREIRA et al., 2014). Neste sentido, fica evidenciada a necessidade de se adotar medidas para o manejo integrado de plantas daninhas em áreas de pastagem, sendo o controle químico, realizado mediante a aplicação de herbicidas, um dos métodos mais amplamente utilizados nestes ambientes. Em relação ao controle químico de plantas daninhas nas áreas de pastagem, um dos desafios visualizados

refere-se

ao

manejo

de

espécies

classificadas como folhas estreitas (monocotiledôneas), uma vez que por apresentarem similaridade morfológica

Plantas Daninhas

195


com a forragem restringem o uso dos herbicidas para

herbicidas hormonais serão um sério gargalo para o

o controle eficaz e de forma seletiva (GOULART et al.,

sistema de produção, uma vez que podem inviabilizar o

2012). Em contraponto, para o controle das plantas

cultivo de algumas culturas, como soja, feijão, algodão

daninhas folhas largas (dicotiledôneas), há vários

e tomate (CARMO et al., 2008; ASSIS et al., 2010),

herbicidas com registro para uso em pastagem, os

fenômeno conhecido como carryover.

quais costumam apresentar boa eficácia quando

Para fins de exemplificação do risco intrínseco

posicionados nas doses, modalidade e estágios de

ao uso dos herbicidas hormonais com longa atividade

aplicação recomendados.

residual no solo, na atualidade Goiás apresenta área

Entre os herbicidas amplamente utilizados para

cultivada com soja em valores de ≈ 4,5 milhões de

o controle de plantas daninhas folhas largas em áreas

hectares (CONAB, 2023) e a previsão para o final

de pastagem, vários apresentam ingredientes ativos

desta década é que a área plantada com esta cultura

contendo como mecanismo de ação o processo de

seja próxima de 7,3 milhões de hectares, com base

mimetização da auxina, também conhecidos como

na média de crescimento anual nas últimas décadas.

hormonais ou auxínicos. Estes herbicidas apresentam

Neste contexto, uma parte considerável das áreas

registro

daninhas

que serão incorporadas para produção de soja serão

dicotiledôneas herbáceas e arbustivas, podendo ser

provenientes do setor pecuarista, trazendo consigo

posicionados tanto para uso em aplicações em área

o risco da presença de resíduos dos herbicidas

total, como localizadas (foliar, toco ou basal). Contudo,

hormonais, os quais poderão impactar negativamente

é oportuno destacar que um dos entraves em relação

na produção desta leguminosa.

para

o

controle

de

plantas

ao uso destes herbicidas, refere-se a longa atividade

Com base no exposto, a presente revisão tem

ativos

como intuito principal discutir sobre as problemáticas

podem apresentar, como nos casos do picloram e

relacionadas ao residual dos herbicidas hormonais

aminopiralide, que apresentam relatos de efeito residual

nas novas áreas agrícolas, apresentando os impactos

no solo sobre as culturas por períodos superiores

provocados por estes, métodos para a detecção no

a 2 anos após sua aplicação. A duração do período

solo, bem como estratégias que podem ser adotadas

residual desses herbicidas depende da dose aplicada e

visando a atenuação do problema nos sistemas

das propriedades físico-químicas do ambiente edáfico

de produção. Devido ao amplo histórico de uso do

(FRANCO et al., 2016).

picloram, bem como pela maior quantidade de produtos

residual

que

determinados

ingredientes

atividade

comerciais à base deste ingrediente ativo registrados

pecuarista e nas quais não há intenção de migração

no Brasil, será direcionado maior foco nesta revisão

para a agricultura, o longo período residual no solo

para esta molécula, mas ressalta-se que é importante

que herbicidas como o picloram e aminopiralide

que o mesmo cuidado que há com o picloram, seja

apresentam não se constitui propriamente em um

direcionado para os produtos formulados à base de

entrave sério. Contudo, dentro do processo de expansão

aminopiralide, visto que o mesmo também apresenta

da agricultura brasileira, especialmente na região

período de meia vida longa no solo.

Para

áreas

exploradas

com

a

do Cerrado brasileiro, boa parte das áreas a serem incorporadas serão oriundas de locais com histórico de cultivo de pastagens. Nestes ambientes, o residual dos

196

Plantas Daninhas

PROPRIEDADES FÍSICOQUÍMICAS DO PICLORAM E SEU


condições edafoclimáticas. A capacidade desse

COMPORTAMENTO NO SOLO

herbicida em alcançar profundidades próximas a 60

O picloram consiste em um herbicida de ação sistêmica pertencente ao grupo químico ácido piridinocarboxílico, sendo registrado para o manejo de plantas daninhas em áreas de pastagem e na cultura da cana-de-açúcar, além de alguns produtos comerciais apresentarem registro para erradicação de

tocos

(cepas)

de

eucalipto.

Na

atualidade

existem no Brasil mais de 60 produtos comerciais à base deste ingrediente ativo, as quais possuem formulação contendo picloram isolado, bem como em misturas duplas com 2,4-D, fluroxipir ou triclopir, além de misturas triplas com aminopiralide + fluroxipir, aminopiralide + triclopir e fluroxipir + triclopir. Como já mencionado anteriormente, o posicionamento dos produtos comerciais à base de picloram é direcionado para o controle de plantas daninhas dicotiledôneas de hábito vegetativo herbáceo e arbustivo. Em relação ao comportamento do picloram no ambiente edáfico, por apresentar o valor de coeficiente de adsorção baixo (kf = 0.46) para maioria dos solos e média solubilidade em água (430 mg/L), esse herbicida possui alto potencial de lixiviação, sendo comum encontrar resíduos em camadas mais profundas a partir da superfície do solo (SHANER, 2014). Apesar de ter fraca adsorção a determinados tipos de argila, o aumento dos teores de matéria orgânica pode favorecer em parte para o processo de adsorção do herbicida no solo. A degradação no solo do picloram é lenta em comparação com outros herbicidas. A principal de dissipação desse herbicida via ocorre pelo metabolismo realizado por microrganismos aeróbicos (RODRIGUES

cm do solo pode estender o seu período residual, uma vez que em condições de menor oxigenação do solo, a degradação desse herbicida pela atividade microbiana é consideravelmente reduzida (PASSOS et al., 2019). Em função do longo período que esta molécula requer para que 50% da concentração inicial aplicada seja dissipada no solo, aliada a elevada suscetibilidade que a soja apresenta à presença de resíduos de picloram, estes fatores de forma conjunta fazem com que seja comum relatos de intoxicação desta cultura em períodos superiores a 2 anos após a aplicação do herbicida. Associado ao longo período residual desse herbicida, a sensibilidade de culturas como soja, feijão e tomate a mimetizadores de auxina agravam o risco de intoxicação em áreas submetidas a aplicação de picloram. Outros fatores agravantes estão ligadas as doses aplicadas e a modalidade de aplicação, uma vez que a nível prático, por vezes há a utilização de superdosagens no intuito de buscar maior êxito no controle de plantas daninhas, além de as aplicações localizadas forçarem para uma maior deposição do herbicida em um mesmo ponto da área, contribuindo para um aumento substancial da dose recomenda. Novamente, nestas situações, haverá uma maior extensão no residual do picloram, sendo necessário esperar um período de tempo maior para a implantação de culturas suscetíveis como a soja.

PREJUÍZOS PROVOCADOS PELO PICLORAM Acerca

da

sintomatologia

visualizada

em

e ALMEIDA, 2011). Esse fato proporciona uma meia-

decorrência das injúrias provocadas pelo picloram,

vida à campo é de 90 dias para o picloram, podendo

destaca-se que, normalmente os sintomas são mais

alcançar até 300 dias após sua aplicação para algumas

pronunciados nas culturas classificadas como de folhas largas, uma vez que as espécies de interesse

Plantas Daninhas

197


econômico classificadas como folhas estreitas tendem

No caso das culturas classificadas como de folhas

a ser ligeiramente mais tolerante a presença destes

estreitas, além de parte dos sintomas mencionados

resíduos no solo (CARMO et al., 2008). Especificamente

anteriormente, é comum observar a formação de raízes

para a cultura da soja, entre os principais sintomas

adventícias. A depender da quantidade de resíduo de

observados nas plantas que se desenvolveram

picloram no solo, isto pode levar a morte das plantas de

em áreas contendo resíduos de picloram no solo,

culturas sensíveis, a qual é lenta, ocorrendo entre 2 e 4

lista-se a ocorrência de epinastia nos trifólios mais

semanas após a emergência das plântulas.

jovens, deformações no limbo foliar, paralização do crescimento e engrossamento de raízes (Figura 1).

Figura 1. Injúrias provocadas na soja pela presença de resíduos de herbicidas auxínicos no solo. Os prejuízos oriundos das injúrias provocadas

observados. Apenas para fins de elucidação da

pela presença dos resíduos de picloram na soja irão

sensibilidade da soja ao picloram, em trabalho realizado

impactar no desenvolvimento morfofisiológico das

no Centro Tecnológico COMIGO, com o intuito de

plantas e a depender da intensidade irá resultar na

correlacionar a concentração deste herbicida no solo

incapacidade de produção de grãos nestas áreas.

e a produtividade de diferentes cultivares, foi observado

Em condições de sintomatologia mais branda, devido

que a cada 0,05 mg i.a. de picloram kg-1 de solo houve

às menores concentrações de picloram no solo, os

uma redução na produtividade desta cultura em valores

prejuízos estarão relacionados a falhas no estande

variando de 5,2 a 8,7 sacas ha-1, sendo a intensidade

da cultura, plantas com menor porte e índice de

de perdas dependente da cultivar de soja plantada

área foliar e capacidade fotossintética reduzida.

(Figura 2).

Independentemente do cenário, se há presença de resíduos de picloram no solo disponíveis para absorção das plantas, prejuízos na produtividade da soja serão

198

Plantas Daninhas


Figura 2. Correlação entre concentração de picloram no solo e produtividade de grãos de soja em diferentes cultivares. Além dos prejuízos diretos oriundos da presença

poderá dar um direcionamento mais assertivo para

de picloram no solo, uma outra problemática relacionada

identificar se uma área apresenta risco potencial para

ao uso deste herbicida refere-se ao fato de por vezes

o cultivo de soja ou não devido a presença de resíduos

esta molécula não ser degradada mesmo após passar

deste herbicida auxínico.

pelo trato intestinal de animais como bovinos (FERRELL

A primeira metodologia que pode ser empregada

et al., 2017). Nesta situação, o animal se alimenta da

para elucidar se um solo apresenta ou não risco de ter

pastagem na área em que houve histórico de aplicação

resíduo de picloram refere-se a análise do histórico

do picloram e após o processo de digestão, ainda há

de uso de herbicidas ao longo dos anos anteriores.

possibilidade de haver contaminação do esterco, fato

Por meio do registro histórico de uso dos herbicidas

que inviabiliza a utilização deste resíduo para fins

posicionados nas áreas de pastagem, torna-se possível

agrícola.

identificar quais produtos comerciais foram aplicados, doses, modalidade de aplicação e intervalo entre o

MÉTODOS PARA DETECÇÃO DE PICLORAM NO SOLO Atualmente existem diferentes possibilidades que podem ser empregadas com o objetivo de detectar se uma determinada área apresenta resíduo de picloram no solo. Apesar disto, ainda há gargalos nestas metodologias, os quais acabam por limitar a

uso do herbicida e a possível época para implantação da soja (Figura 3). Com bases nestas informações, há possibilidade de se excluir ou não o risco de se cultivar soja em uma determinada área. A grande dificuldade na adoção desta metodologia refere-se à organização do produtor em termos de arquivar de forma correta todo o histórico de aplicação dos herbicidas aplicados na pastagem.

recomendação segura de quando se pode ou não realizar o cultivo de soja em uma área no caso de ser detectado a presença do picloram. Contudo, a adoção de forma integrada dos diferentes métodos de detecção

Plantas Daninhas

199


Figura 3. Modelo de caderno de campo para registro do histórico de uso de herbicidas em áreas de pastagem. Uma outra metodologia que pode ser empregada

não sendo possível a extrapolação por todo o talhão.

visando identificar resíduos de picloram no solo refere-

Tendo em vista que por vezes os produtos comerciais

se ao uso de plantas bioindicadoras, as quais devem

à base de picloram são utilizados em aplicações

apresentar grande sensibilidade ao ingrediente ativo,

localizadas, a metodologia de bioensaio pode não

pois desta forma será possível a visualização das injurias

ser capaz de identificar reboleiras específicas com a

oriundas da ação do herbicida mesmo em dosagens

presença do herbicida se a área amostrada não incidir

muito baixas. Para o herbicida picloram, constituem-se

na área com histórico de aplicação.

como alternativas de espécies para serem utilizadas

Por fim, nas últimas safras uma metodologia

nos bioensaios tomate, pepino, beterraba (SANTOS et

que vem sendo empregada para a detecção de

al., 2013), feijão, e a própria soja (CARMO et al., 2008).

resíduos de picloram no solo se constitui na técnica de

Entre os pontos positivos da adoção desta metodologia

cromatografia líquida ou gasosa. Nesse procedimento

de detecção refere-se ao custo baixo para execução,

analítico é possível quantificar a presença de picloram

sendo necessária apenas a aquisição das sementes

no solo. Para que se aumente a precisão no uso desta

da espécie bioindicadora, além da rapidez na obtenção

metodologia, é fundamental assegurar que a coleta do

dos resultados, visto que as injúrias oriundas da ação

solo seja realizada de acordo com as recomendações

tóxica do picloram costumam aparecer poucos dias

técnicas do laboratório, uma vez que este procedimento

após a emergência das plântulas.

realizado de forma errônea poderá resultar em um erro

Em contraponto, a utilização do bioensaio ainda

200

na interpretação.

apresenta alguns gargalos, como a não possibilidade

Outro ponto importante em relação ao uso

de quantificação real da concentração de picloram no

da cromatografia para mensuração dos resíduos de

solo, uma vez que se trata apenas de uma metodologia

picloram no solo refere-se aos desafios na interpretação

qualitativa, para a qual constata-se se há ou não a

analítica das amostras, uma vez que há situações em

presença do herbicida. Outro entrave em relação ao

que a análise detecta a presença do herbicida (leitura

uso das espécies bioindicadoras refere-se ao fato de

> que o limite de detecção), mas a concentração fica

que os resultados irão demonstrar o comportamento

abaixo do limite de quantificação, cenário no qual

específico para a área em que foi realizado o bioensaio,

não é possível ter uma segurança sobre a viabilidade

Plantas Daninhas


de cultivo da soja na área. Na atualidade não se tem

análise, se há pretensão do pecuarista de arrendar a

estabelecido na literatura ou a nível prático qual é o

propriedade para a soja, sugere-se evitar o uso destes

nível crítico de picloram no solo (concentração) com

produtos comerciais com a finalidade de evitar a

base das análises cromatográficas para o qual não se

problemática dos resíduos. Na vertente de evitar que

recomendaria o cultivo de soja. Ainda neste contexto,

haja o processo de contaminação do solo com resíduos

outros desafios no uso das análises cromatográficas

de picloram, deve-se primar pelo uso de forma racional

referem-se ao elevado custo de processamento de uma

dos produtos comerciais contendo este ingrediente

amostra, além da busca por laboratórios que realizem

ativo, realizando a substituição e/ou rotação com

este tipo de análise, uma vez que esta técnica ainda não

moléculas herbicidas que apresentam menor extensão

está totalmente popularizada nas diferentes regiões do

da atividade residual no solo. No cenário em que já houve a aplicação prévia

Brasil. acerca

das

do herbicida, trabalhos recentes vêm demonstrando o

de

ainda

potencial de uso de algumas plantas visando realizar a

necessitar de mais avanços para um posicionamento

descontaminação do solo com picloram, em processo

seguro em relação ao potencial de cultivo de soja,

denominado fitorremediação (PROCÓPIO et al., 2009;

o registro do histórico de aplicação dos herbicidas

ASSIS et al., 2010). Apesar do potencial desta prática,

auxínicos, o uso de espécies bioindicadoras e as

os estudos ainda são preliminares e necessitam de

análises cromatográficas poderão, de forma conjunta,

mais avanços antes de serem recomendados a nível

trazer uma estimativa mais assertiva acerca do intervalo

de campo. Outra possibilidade em relação as áreas em

necessário para a implantação da soja de forma segura

que já houve histórico de aplicação do picloram refere-

em áreas com histórico de aplicação de produtos

se à adoção de esquemas de rotação de culturas,

comerciais à base de picloram.

posicionando as culturas do milho e sorgo, uma vez

Sumarizando metodologias

para

as

informações

detecção,

apesar

que estas apresentam maior tolerância a presença

ALTERNATIVAS PARA ATENUAR OS PREJUÍZOS Após a demonstração dos impactos provocados pela presença de resíduos de picloram e as metodologias que podem ser utilizadas para detecção desta molécula no solo, no último tópico da presente revisão pretende-se apresentar algumas alternativas que podem ser empregadas para atenuar os prejuízos oriundos do uso deste herbicida em áreas pecuaristas antecedendo ao cultivo de soja. Como primeiro passo, sugere-se que antes da utilização dos produtos à base de picloram, seja realizada uma análise minuciosa acerca da possibilidade de migração ou não da área de pecuária para o mercado de grãos, e mediante a esta

de resíduos desta molécula no solo (CARMO et al., 2008). Apesar da menor lucratividade que estes cerais apresentam em relação à soja, com o cultivo de milho e sorgo há possibilidade de ter algum lucro num cenário em que há inviabilidade técnica para a exploração da oleaginosa. Por fim, para as áreas em que foi constatado a presença de resíduos de picloram, mas as concentrações foram baixas (valores < limite de detecção), uma possibilidade que tem sido estudada pelo Centro Tecnológico COMIGO refere-se ao uso de cultivares com tolerância diferencial em termos de sensibilidade ao herbicida (Figura 1). Apesar de todas as cultivares serem sabidamente sensíveis a presença de resíduos do picloram no solo, em situações que

Plantas Daninhas

201


há concentrações muito baixas deste herbicida, aparentemente

pode

haver

resposta

diferencial

AGRADECIMENTOS

entre os materiais genéticos de soja. Atualmente ainda não há uma resposta clara em termos de efeito quanto ao comportamento das cultivares de soja, mas aparentemente, materiais com maior grupo de maturação (mais tardias) tendem a apresentar uma menor redução na produtividade de grãos em função

A ACS Laboratórios – Divisão Agroambiental pela parceria na execução das análises cromatográficas do experimento.

REFERÊNCIAS

dos efeitos fitotóxicos provocados pela presença de resíduos de picloram no solo em concentrações mais baixas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS No cenário de aumento das áreas de cultivo de soja previsto para as próximas safras em regiões exploradas com a atividade pecuarista, há possibilidade de se aumentar a frequência de problemas oriundos da intoxicação desta cultura devido à presença de picloram no solo. Entre os principais prejuízos visualizados na soja provocados pela presença desta molécula no ambiente edáfico estão a redução no estande de plantas, diminuição de porte e área foliar e menor produtividade de grãos, havendo cenários em que a depender das concentrações de picloram no solo, a produção do oleaginosa fica inviabilizada. Neste sentido, é fundamental a adoção de métodos para detecção (histórico de uso, bioensaio e análise cromatográfica), os quais de forma conjunta poderão trazer uma maior previsibilidade sobre a possibilidade de cultivo de soja nas áreas com histórico de aplicação de picloram. Com o intuito de atenuar os prejuízos provocados pelo picloram, sugere-se que o uso deste herbicida em áreas destinadas a produção animal seja realizado de forma racional e que sejam realizados esquemas de rotação de culturas com espécies mais tolerantes ao herbicida (ex.: milho e sorgo).

202

Plantas Daninhas

ASSIS, R.L.; PROCÓPIO, S.O.; CARMO, M.L.; PIRES, F.R.; CARGNELUTTI FILHO, A.; BRAZ, G.B.P.; SILVA, W.F.P. Fitorremediação de solo contaminado com o herbicida picloram por plantas de Panicum maximum em função do teor de água. Engenharia Agrícola, v.30, n.5, p.845-853, 2010. CARMO, M.L.; PROCOPIO, S.O.; PIRES, F.R.; CARGNELUTTI FILHO, A.; BARROSO, A.L.L.; SILVA, G.P.; CARMO, E.L.; BRAZ, G.B.P.; SILVA, W.F.P.; BRAZ, A.J.B.P.; PACHECO, L.P. Seleção de plantas para fitorremediação de solos contaminados com picloram. Planta Daninha, v.26, n.2, p.301-313, 2008. FERREIRA, E.A.; FERNANDEZ, A.G.; SOUZA, C.P.; FELIPE, M.A.; SANTOS, J.B.; SILVA, D.V.; GUIMARÃES, F.A.R.

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fitossociológico

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Plantas Daninhas

203


PERÍODO RESIDUAL ENTRE A APLICAÇÃO DA MISTURA MSMA + DIURON E SEMEADURA DE CULTIVARES DE SOJA BRAZ1, Guilherme Braga Pereira; ALMEIDA2, Dieimisson Paulo; FERNANDES3, Rafael Henrique; LIMA4, Diego Tolentino de; SILVA5, Linconl Lima; DELGADO6, Vanderson Aparecido Diego

INTRODUÇÃO Nos últimos anos, o capim-pé-de-galinha tem se constituído em uma das principais espécies infestantes na cultura da soja a nível nacional, visto que a mesma

Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: guilhermebraga@comigo. com.br 2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. E-mail: dieimissonpa@gmail.com 3 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: : rafaelhenrique@comigo. com.br 4 Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia. Pesquisador Agronômico no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: diegotolentino@comigo. com.br 5 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia do Instituto Federal Goiano (IFGoiano), campus Rio Verde. Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: linconl96lima@gmail.com 6 Discente de graduação da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Estagiário no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). E-mail: vandersomdelgado@hotmail.com 1

apresenta biótipos com resistência ao glifosato e aos graminicidas, além do fato de estar disseminada em todas as regiões agrícolas do Brasil (CORREIA et al., 2022). Aliado a estes fatores, por ser uma espécie de metabolismo fotossintético C4, o capim-pé-degalinha apresenta rápida taxa de crescimento inicial, alcançado o estádio reprodutivo cerca de 38 dias após a sua emergência (TAKANO et al., 2016). Desta forma, por vezes o controle do capim-pé-de-galinha se torna mais oneroso pelo fato de o momento ideal de se intervir com a aplicação dos herbicidas ser tardio, e nestas condições são observadas falhas no controle da espécie por se tratar de plantas adultas (TAKANO et al., 2018). Neste sentido, fica evidenciado que o insucesso no controle desta planta daninha na maioria das vezes não está relacionado à ocorrência de biótipos resistentes a herbicidas, mas sim a intervenções mediante o controle químico por meio de aplicações fora do estádio recomendado. Nas situações em que

204

Plantas Daninhas


não é obtido êxito no controle de plantas adultas de

área com histórico de aplicação de diuron isolado

capim-pé-de-galinha, uma das alternativas que tem

ou em mistura com MSMA, foram instalados três

sido preconizadas pela assistência técnica refere-

experimentos a campo, sendo um conduzido na safra

se ao uso de herbicidas em misturas, bem como

2019/2020 (1º ano agrícola) e dois experimentos

a realização de aplicações sequenciais em pós-

realizados na safra 2022/2023 (2º ano agrícola).

emergência da planta daninha. Neste contexto, uma

O experimento realizado no 1º ano agrícola foi

das alternativas que foi apresentada como eficaz no

desenvolvido com o objetivo de aferir o efeito de

controle de capim-pé-de-galinha foi composta pela

doses crescentes de diuron em aplicação realizada

mistura entre MSMA + diuron (ALMEIDA et al., 2022).

30 dias antecedendo a semeadura da soja, ao

No referido trabalho foi observado controle total de

passo que nos experimentos realizados no 2º ano

capim-pé-de-galinha mediante a aplicação de MSMA

agrícola, objetivou-se avaliar o efeito de diferentes

+ diuron após a roçada da planta daninha.

períodos entre a aplicação da mistura de MSMA

Apesar do êxito no controle de capim-pé-

+ diuron e a semeadura de duas cultivares de soja.

de-galinha pela adoção da mistura entre MSMA +

Todos os experimentos foram conduzidos na área

diuron, em função do período de meia-vida que estes

experimental

herbicidas apresentam no solo (SHANER, 2014),

sediada no município de Rio Verde (GO) (S 17°45'42"

questionamentos acerca da segurança na utilização

O 51°02'09", altitude de 827 m).

do

Centro

Tecnológico

COMIGO

destes previamente a semeadura da soja foram

Segundo Thornthwaite (1948) o clima de Rio

levantados. Entre os dois herbicidas, o MSMA, apesar

Verde é classificado em B4 rB’4a’ (Úmido; pequena

de possuir meia vida longa no solo, por apresentar

deficiência hídrica; mesotérmico; evapotranspiração

um coeficiente de adsorção elevado, oferece menos

no verão menor que 48% da evapotranspiração anual).

preocupações quando a eventuais riscos de carryover

Na Figura 1 encontram-se os dados climatológicos

quando comparado ao diuron (PRICE et al., 2008). Em

relacionados a temperatura máxima e mínima do ar

contraponto, para o diuron, riscos de visualização de

e precipitações durante o período de condução dos

injúrias para a soja já foram apontados na literatura

experimentos.

em função da atividade residual que este herbicida apresenta no solo (GHENO et al., 2016). Diante deste contexto, o objetivo do presente trabalho foi determinar o efeito de doses de diuron no desempenho agronômico da soja, bem como aferir o período residual necessário para a aplicação da mistura (MSMA + diuron) e a semeadura de cultivares de soja.

MATERIAL E MÉTODOS No

intuito

de

compreender

melhor

o

comportamento agronômico da soja cultivada em

Plantas Daninhas

205


Fonte: INMET - Ins�tuto Nacional de Meteorologia. Estação de coleta: Rio Verde (GO). Figura 1. Temperaturas máxima e mínima e precipitações observadas durante o período de condução dos experimentos. Rio Verde (GO), 2019/2020 e 2022/2023. O solo na área experimental foi classificado como

cmolc dm-3 de H+ + Al+3; 3,86 cmolc dm-3 de Ca+2; 1,03

Latossolo Vermelho Distrófico (Santos et al., 2018).

cmolc dm-3 de Mg+2; 164,7 mg dm-3 de K; 28,1 mg dm-3 de

Antes da instalação dos experimentos, foi realizada a

P; 28,44 g dm-3 de M.O.; 50,39% de areia; 11,56% de silte

análise de amostras do solo coletadas na profundidade

e 38,05% de argila (textura franco-argiloso).

de 0 a 20 cm, a qual revelou as seguintes propriedades

do

ano

agrícola,

em

físico-químicas para o 1º ano agrícola: pH em CaCl2

todos os experimentos as unidades experimentais

-3

de 5,77; 0,14 cmolc dm de H + Al ; 3,61 cmolc dm

foram compostas por seis linhas de semeadura, com

de Ca ; 1,28 cmolc dm de Mg ; 167,70 mg dm de K;

comprimento de 15,0 m (45,0 m2). Considerou-se como

42,52 mg dm-3 de P; 31,58 g dm-3 de M.O.; 58,00% de

área útil para as avaliações apenas as quatro linhas

areia; 4,25% de silte e 37,75% de argila (textura argilo-

centrais de cada unidade experimental, excluindo-

arenoso); e 2º ano agrícola: pH em CaCl2 de 5,75; 1,90

se 0,5 m de cada extremidade. Ademais, todas as

-3

+2

206

Independentemente

Plantas Daninhas

-3

+

+2

+3

-3


aplicações dos tratamentos nos experimentos foram

2500 e 3200 g i.a. ha-1.

realizadas utilizando-se um pulverizador de pesquisa

A aplicação dos tratamentos foi realizada no

pressurizado por CO2 com patente junto ao INPI (BR

dia 08/10/2019, em intervalo de 30 dias antes da

102016007565-3), montado em um trator (LS 60, 60 cv,

semeadura da soja. Na ocasião da aplicação, o solo

Landini). A barra de aplicação foi equipada com dez

apresentava-se com boa umidade e o céu estava com

pontas espaçadas 0,5 m entre si, mantida a uma altura

a presença de poucas nuvens, estando a temperatura,

de 0,5 m da cobertura vegetal. A pressão de trabalho

umidade relativa do ar e velocidade do vento, mínima e

nas pontas de pulverização de jato duplo plano com

máxima, em valores equivalentes a 26,4 e 30,2oC, 63,6 e

indução de ar (ADIA/D 110015; Magnojet) foi de 300

74,4% e 1,2 e 3,0 km h-1, respectivamente. A precipitação

kPa (43,5 psi) e o volume de aplicação 150 L ha-1.

acumulada entre a aplicação dos tratamentos e a

Antes da semeadura da soja, em todos os experimentos foi realizada a dessecação de manejo

semeadura da soja foi de 178 mm. A semeadura da soja foi realizada de forma

das plantas daninhas presentes na área experimental,

mecanizada

no

dia

08/11/2020,

adotando-se

as quais foram controladas com uma aplicação da

espaçamento entrelinhas de 0,5 m, distribuindo-se

mistura entre glifosato + clethodim (1200 + 192 g i.a.

16 sementes m-1, sendo utilizada a cultivar DS 5916

ha-1), sendo adicionado Iharol Gold® (0,3 mL p.c. ha-1) a

IPRO, que apresenta grupo de maturidade relativa de

calda de aplicação. Ademais, no intuito de assegurar

6.1. Todas as sementes utilizadas nos experimentos

que as plantas fossem expostas apenas ao efeito dos

receberam tratamento industrial com fungicidas

tratamentos herbicidas aplicados antecipadamente

e inseticidas, bem como foi realizada a prática de

a semeadura da cultura, em todos os experimentos

inoculação visando assegurar o processo de fixação

foi realizado o controle da comunidade infestante em

biológica de nitrogênio. A adubação foi realizada no

pós-emergência da soja com aplicação da mistura

momento da semeadura com aplicação no sulco do

entre glifosato + clethodim (960 + 120 g i.a. ha-1) +

equivalente à 400 kg ha-1 de 02-20-28 (N-P2O5-K2O).

Iharol Gold® (0,3 mL p.c. ha-1). Durante o ciclo da soja

A emergência das plântulas de soja de ambas as

foram realizados tratos culturais de acordo com as

cultivares ocorreu no dia 13/11/2020.

recomendações da Seixas et al. (2020), procedendo ao controle de pragas e doenças sem deixar que estes

2º Ano agrícola: Período entre aplicação de

influenciassem negativamente no desenvolvimento da

MSMA + diuron e semeadura de cultivares de soja

cultura. Em ambos os experimentos, o delineamento 1º Ano agrícola: Doses de diuron e impactos na cultura da soja

adotado foi o DBC, avaliando-se cinco tratamentos com quatro repetições. Os tratamentos foram compostos pela aplicação da mistura entre MSMA + diuron (2370

O experimento foi instalado no delineamento de

+ 1750 g i.a. ha-1) em diferentes intervalos em relação à

blocos completos ao acaso (DBC), avaliando-se quatro

data de semeadura da soja, estando cada um destes

tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos foram

descritos na Tabela 1.

compostos por uma testemunha sem herbicida, além da aplicação de três doses de diuron isolado: 1600,

Plantas Daninhas

207


Tabela 1. Relação de tratamentos avaliados no experimento realizado com cultivares de soja submetidas a aplicação de herbicidas em diferentes modalidades. Rio Verde (GO), 2022/2023.

Data

Intervalo

Velocidade do vento

Temperatura

1ª: 22/09/22

48 DAS

23,6oC

6,4 km h-1

2ª: 30/09/22

40 DAS

25,2 C

3,6 km h

3ª: 11/10/22

29 DAS

27,45 C

3,5 km h

4ª: 18/10/22

22 DAS

27,8oC

7,2 km h-1

5ª: 25/10/22

15 DAS

33,8oC

7,5 km h-1

o

Precipitação acumulada entre aplicação e semeadura 170 mm 109 mm

-1

o

59 mm

-1

49 mm 20 mm

Umidade Relativa do ar

Solo

80,6 %

Úmido

69,1 %

Úmido

74,1%

Úmido

48,7%

Úmido

65,1%

Úmido

DAS = dias antes da semeadura

Para ambos os experimentos, a semeadura

volume de aplicação de 60 L ha-1. A adubação foi

direta foi realizada de forma mecanizada no dia

realizada com aplicação antecipada à lanço de

09/11/2022, adotando-se espaçamento entrelinhas

150 kg ha-1 de KCl (24/10/2022) e no momento da

de 0,5 m. As cultivares de soja, o grupo de maturidade

semeadura com aplicação no sulco do equivalente

relativa (GMR) e as respectivas densidades de

à 450 kg ha-1 de super simples turbo micro: 0,15%

semeadura utilizadas nos experimentos foram: CZ

de Zn e Mn e 0,075% de B e Cu. A emergência das

37B43 IPRO (GMR: 7.4; 16 sementes m ) e M 7110

plântulas de soja de ambas as cultivares ocorreu no

IPRO (GMR: 6.8; 20 sementes m ). As sementes

dia 14/11/2022.

-1

-1

utilizadas nos experimentos receberam tratamento industrial com fungicidas e inseticidas, bem como foi

Variáveis-respostas e análise estatística

realizada a prática de inoculação visando assegurar o processo de fixação biológica de nitrogênio.

Para todos os experimentos, aos 7 e 21 dias

Ademais, via micron foi realizada a aplicação do

após a emergência (DAE) da soja foram realizadas

inoculante Nitrogin Cell Tech HC (Bradyrhizobium

avaliações de fitointoxicação, utilizando para esta

japonicum – Semia 5079 e Semia 5080, com 3 x 10

9

avaliação a escala proposta pela SBCPD (1995), que

células viáveis mL , Monsanto BioAg) na dose de 1,0

apresenta notas variando de 0% a 100%, onde 0%

L ha + Biomax Azum (Azospirillum brasilense, 3 x

significa ausência de sintomas e 100% representa

10 células mL , Grupo Vittia) na dose de 0,1 L ha

-1

a morte de todas as plantas presentes na área

+ inseticida biológico Meta-Turbo SC (Metarhizium

útil. Ademais, na ocasião da colheita foi realizada

anisopliae IBCB425, concentração mínima de 1 x 10

8

avaliação do estande de plantas, procedendo a

propágulos viáveis mL , Grupo Vittia) na dose de 0,5

contagem do número de plantas presentes em 3

L ha + fertilizante Nodulus Gold, (1 % de Co, 10% de

m de fileira. Para determinação da produtividade

Mo, Grupo Vittia) na dose de 0,2 L ha + nematicida

de grãos, foi realizada o arranquio manual de todas

Verango Prime SC (Fluopiram, 500 g i.a. L , Bayer

as plantas presentes na área útil de cada unidade

CropScience) na dose de 200 g i.a. ha , adotando

experimental, onde posteriormente este material

-1

-1

8

-1

-1

-1

-1

-1

-1

208

Plantas Daninhas


foi submetido aos processos de trilha, embalagem,

no solo, os níveis foram classificados como baixos

identificação, pesagem e correção da umidade dos

(<20,00%), constatando-se tendência de recuperação

grãos para 13%.

das plantas à medida em que estas foram se

Para todos os experimentos, a análise estatística

desenvolvendo.

foi realizada com o programa computacional SISVAR.

Para o estande da soja, não foram observadas

Os dados de todos os experimentos foram submetidos

reduções no número de plantas em função da

à análise de variância pelo teste F (p≤0,05) e

aplicação de doses mais elevadas de diuron,

quando constatado efeito significativo, aplicou-

nem tampouco entre os tratamentos contendo

se a análise de regressão (p≤0,05). Os modelos de

aplicação do herbicida e a testemunha (dados não

regressão foram selecionados considerando-se a

apresentados). Estes resultados demonstram que

significância da análise de variância, o coeficiente de

apesar de proporcionar injúrias no desenvolvimento

determinação (R²) e a significância dos parâmetros

inicial da soja, a aplicação das doses de diuron 30

do modelo por meio do teste “t” de Student, além do

dias antes da semeadura da cultura não causa

conhecimento da evolução do fenômeno biológico.

redução na população final de plantas. Por outro

Especificamente no experimento realizado no 1º

lado, ocorreu redução na produtividade da soja

Ano agrícola, a produtividade da cultivar de soja em

(cultivar DS 5916 IPRO) de 6,5, 11,4 e 11,4% quando

função da aplicação de doses crescentes de diuron,

aplicado as doses de 1.600, 2.500 e 3.200 g i.a.

foram analisadas por meio de regressão não linear,

ha-1 de diuron, respectivamente (Figura 2). Assim,

utilizando o modelo exponencial em decaimento com

pelo modelo exponencial em decaimento ajustado

três parâmetros (Equação 1):

constata-se que, ao aumentar a dose de diuron de 2.500 g i.a. ha-1 para 3.200 g i.a. ha-1, a redução na produtividade observada tende a se estagnar neste intervalo de doses do herbicida. Com base no modelo

Em que: y = variável resposta; x = dose do

ajustado, evidencia-se que 1 saca ha-1 de grãos de

herbicida (g i.a ha-1); y0, a e b = parâmetros estimados

soja é reduzida para cada ≈ 440 g i.a. ha-1 de diuron,

do modelo.

em aplicações realizadas 30 dias antecedendo a semeadura da soja.

RESULTADOS E DISCUSSÃO 1º Ano agrícola: Doses de diuron e impactos na cultura da soja Acerca das avaliações de fitointoxicação, realizadas aos 7 e 21 DAE da soja, foram verificados sintomas de clorose do tecido foliar da soja, além de ligeira redução no porte das plantas, especialmente quando utilizadas doses mais elevadas de diuron (dados não apresentados). Apesar da constatação de injúrias decorrentes da ação residual do diuron

Plantas Daninhas

209


* Significa�vo*aSignifica�vo 5% de probabilidade pelo teste F. pelo teste F. a 5% de probabilidade

Figura 2. Produ�vidade de grãos dade soja subme�da aplicação adeaplicação doses crescentes diuron de diur Figura 2. Produ�vidade grãos da soja asubme�da de doses de crescentes Figura 2. Produtividade de grãos da soja submetida a aplicação de doses crescentes de diuron na dessecação pré-semeadura da cultura. Rio Verde (GO), 2019/2020. Tendo em vista que a mistura entre MSMA

uma mistura contendo dois herbicidas, observando

+ diuron apresenta eficácia no controle de plantas

as propriedades físico químicas da molécula MSMA,

daninhas, em especial sob populações de capim-

a qual apresenta elevado valor de coeficiente de

pé-de-galinha entouceiradas e rebrotadas após

adsorção, conforme já mencionado anteriormente,

roçada mecânica (ALMEIDA et al., 2022), aliado ao

é possível inferir que as injúrias visualizadas nas

fato de que aparentemente em doses menores de

plantas de soja são ocasionadas pelo efeito residual

diuron apresenta potencial de uso para manejo da

do diuron no solo.

comunidade infestante em aplicações realizadas na

Para ambas as cultivares de soja (CZ 37B43

entressafra, ainda há a necessidade de se determinar

IPRO e M 7110 IPRO), não foram observadas diferenças

qual o melhor período entre aplicação da mistura de

no estande de plantas (dados não apresentados),

MSMA + diuron e a semeadura de cultivares de soja.

demonstrando que apesar de aplicações da mistura entre MSMA + diuron mais próximas a data da

2º Ano agrícola: Período entre aplicação

semeadura da soja incrementaram os níveis de

de MSMA + diuron e semeadura de cultivares de

intoxicação, a ação fitotóxica dos herbicidas não

soja

promoveu a redução na emergência da cultura ou De maneira semelhante ao apresentado no

até mesmo morte de plantas. Em contraponto, para

experimento realizado no 1º ano agrícola, para os

produtividade de grãos, verifica-se que para ambas

experimentos do 2º ano agrícola, os sintomas de

as cultivares, que a mistura entre MSMA + diuron

fitointoxicação da cultura foram caracterizados como

(2370 + 1750 g i.a. ha-1) proporciona redução na

de baixa intensidade (dados não apresentados).

produção da cultura à medida em que há diminuição

Novamente, visualizou-se plantas com leve clorose

no intervalo entre aplicação dos herbicidas e a

no tecido foliar naqueles tratamentos em que houve

semeadura da soja (Figura 3).

menor intervalo entre aplicação da mistura de MSMA + diuron e a semeadura da soja. Apesar de se tratar de

210

Plantas Daninhas


* Significa�vo a 5% de probabilidade pelo teste F.

Figura 3. Produ�vidade de grãos em cul�vares de soja subme�das a aplicação da mistura de Figura 3. Produtividade de grãos em cultivares de soja submetidas a aplicação da mistura de MSMA + diuron em diferentes intervalos entre aplicação e a semeadura da cultura. Rio Verde (GO), 2022/2023. Com base nas equações ajustadas para

de plantas daninhas em áreas onde não se pretende

ambas as cultivares, verifica-se redução de ≈ 1 saca

fazer o cultivo em segunda safra. Para aplicações em

para cada diminuição de quatro dias entre o

período de entressafra é necessário aguardar um

intervalo de aplicação da mistura entre MSMA +

acumulado de chuva de no mínimo 180 mm, aliado a

diuron e semeadura da soja. Para os tratamentos

um intervalo de tempo de pelo menos 48 dias entre

com menor intervalo entre aplicação e semeadura

aplicação e semeadura da soja, para assegurar que

da soja (15 DAS), as reduções na produtividade de

o residual imposto pelos herbicidas não afete o

grãos em comparação com os valores obtidos com

desenvolvimento e produtividade da cultura. Ademais,

o maior intervalo (48 DAS) foram de 15,1 e 17,3%,

para uma maior assertividade no posicionamento

respectivamente, para as cultivares CZ 37B43 IPRO

destes tratamentos, torna-se necessário a realização

e M 7110 IPRO. Nos tratamentos com aplicação da

de novos estudos em condições edafoclimáticas

mistura entre MSMA + diuron aos 48 DAS da soja,

distintas, em especial para solos com texturas

as produtividades observadas nas cultivares foram

contrastantes ao da área em que o presente trabalho

de 73,1 e 67,7 sacas ha-1, respectivamente, para

foi realizado (ex.: solo arenoso).

ha

-1

CZ 37B43 IPRO e M 7110 IPRO. Para este intervalo de aplicação, foi observado um volume total de precipitação na área experimental equivalente a 170 mm.

CONCLUSÕES Dentro do intervalo de doses de diuron

Compilando os resultados, há maior segurança

avaliado, o aumento do volume aplicado deste

na utilização deste tratamento visando ao controle

herbicida proporciona reduções na produtividade da

Plantas Daninhas

211


soja em valores ≈ 11,4% em aplicações realizadas 30 dias antes da semeadura da cultura.

SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS, L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO,

Independentemente da cultivar de soja, o

M.R; ALMEIDA, J.A.; ARAÚJO FILHO, J.C.; OLIVEIRA,

uso de MSMA + diuron (2370 + 1750 g i.a. ha-1)

J.B.; CUNHA, T.J.F. Latossolos. In: Sistema Brasileiro

proporciona reduções na produtividade de grãos

de Classificação de Solos. 5. ed. Brasília :Brasília:

quando esta mistura é aplicada em intervalos

Embrapa, 2018., Cap. 12 p. 219 - 223.

menores que 48 dias até a semeadura da cultura,

SEIXAS, C.D.S.; NEUMAIER, N.; BALBINOT

sendo fundamental haver distribuição pluviométrica

JUNIOR, A.A.; KRZYZANOWSKI, F.C.; LEITE, R.M.V.B.C.

em volume no mínimo superior a 180 mm.

Tecnologias de produção de soja: região Central do Brasil. Londrina: Embrapa Soja, 2020. 347 p.

REFERÊNCIAS ALMEIDA, D.P.; MORAES, R.S.; FRERREIRA, B.;

SHANER,

Herbicide

handbook.

Lawrence: Weed Science Society of America, v.10. 2014. 513 p. TAKANO,

OLIVEIRA, I.G.; LOPES, I.A.; MORAIS, E.B.; PEREIRA,

H.K.;

OLIVEIRA

JR.,

R.S.;

L.S.; TIMOSSI, P.C. Capim-pé-de-galinha é tolerante

CONSTANTIN, J.; BRAZ, G.B.P.; PADOVESE, J.C.

ou resistente a herbicidas? Como controlar? Anuário

Growth, development and seed production of

de Pesquisas Agricultura: 1a Safra - 2021/2022,

goosegrass. Planta Daninha, v.34, n.2, p.249-257,

Centro Tecnológico COMIGO, v.5, n.1, p.119-131,

2016. TAKANO,

2022.

H.K.;

OLIVEIRA

JR.,

R.S.;

CORREIA, N.M.; ARAÚJO, L.S.; BUENO JÚNIOR,

CONSTANTIN, J.; SILVA, V.F.V; MENDES, R.R.

R.A. First report of multiple resistance of goosegrass

Chemical control of glyphosate-resistant goosegrass.

to herbicides in Brazil. Advances in Weed Science,

Planta Daninha, v.36, e018176124, 2018.

v.40, e020220007, 2022. GHENO, E.A., OLIVEIRA JR., R.S.; CONSTANTIN, J.; TAKANO, H.K.; GEMELLI, A. Residual activity of herbicides applied to cotton on crops cultivated in succession. Revista Caatinga, v.29, n.1, p.143-152, 2016. PRICE, A.J.; KOGER, C.H.; WILCUT, J.W.; MILLER, D.; SANTEN, E.V. Efficacy of residual and non-residual herbicides used in cotton production systems when applied with glyphosate, glufosinate, or MSMA. Weed Technology, v.22, n.3, p.459-466, 2008.

212

D.L.

Plantas Daninhas

THORNTHWAITE, C.W. An Approach toward a Rational Classification of Climate. Geographical Review, v. 38, n 1., p. 55-94, 1948.


Plantas Daninhas

213


Anel Viário Campos, km 07 Zona Rural, Rio Verde - GO (64) 3611-1573 / 3611-1574 / 3611-1666 ctc@comigo.com.br www.comigo.coop.br

Realização:

Parceiros: INSTITUTO FEDERAL Goiano

Campus Rio Verde

214

Entomologia


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