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Informe Comigo Anuário de Agricultura - Segunda Safra

Page 1

Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO

ANUÁRIO DE PESQUISAS AGRICULTURA - RESULTADOS 2021

EDITORES TÉCNICOS Antônio Eduardo Furtini Neto Diego Tolentino de Lima Dieimisson Paulo Almeida Hemython Luis Bandeira do Nascimento Rafael Henrique Fernandes Ubirajara Oliveira Bilego Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO Geração e Difusão de Tecnologias Rio Verde, GO 2021


Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na: Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano - COMIGO Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO Av. Presidente Vargas, 1878, Jardim Goiás, Rio Verde - GO CEP 75901-901 - CP 195 Fone: (64) 3611-1573 ou (64) 3611-1684 www.comigo.com.br ctc@comigo.com.br Comitê de publicação Antônio Eduardo Furtini Neto Diego Tolentino de Lima Dieimisson Paulo Almeida Hemython Luis Bandeira do Nascimento Rafael Henrique Fernandes Ubirajara Oliveira Bilego Periodicidade: anual Volume 4 n. 2, 2021 Tiragem: 500 exemplares Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei no 9.610). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO Anuário de Pesquisa Agricultura - Resultados 2021 Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO Av. Presidente Vargas, 1878, Jardim Goiás, Rio Verde - GO CEP 75901-901 - CP 195 Editores Técnicos: Antônio Eduardo Furtini Neto; Diego Tolentino de Lima; Dieimisson Paulo Almeida; Hemython Luis Bandeira do Nascimento; Rafael Henrique Fernandes; Ubirajara Oliveira Bilego; Rio Verde, GO: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2021. 126 p.: il. (algumas color.). 1. Workshop - Resultados. I. Furtini Neto, Antônio Eduardo, II. Lima, Diego Tolentino de, III. Almeida, Dieimisson Paulo, IV. Bandeira do Nascimento, Hemython Luis, V. Fernandes, Rafael Henrique. VI. Bilego, Ubirajara Oliveira.

ISSN


SUMÁRIO PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NO ITC

8 10 11 12

ENTOMOLOGIA

14

INSETICIDAS NO CONTROLE DA LAGARTA-DO-CARTUCHO NA CULTURA DO MILHO SEGUNDA SAFRA

15

INSETICIDAS NO CONTROLE DO PULGÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NA CULTURA DO SORGO

24

TIMING DE APLICAÇÃO PARA O PULGÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NA CULTURA DO SORGO

34

FITOPATOLOGIA

42

DIFERENTES FUNGICIDAS NO CONTROLE DE DOENÇAS FOLIARES DO SORGO

44

DINÂMICA POPULACIONAL DE FITONEMATOIDES NO CULTIVO DA SEGUNDA SAFRA

54

PROGRAMAS DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DE DOENÇAS FOLIARES DO MILHO EM SEGUNDA SAFRA

63

CONTROLE QUÍMICO DE DOENÇAS EM DIFERENTES HÍBRIDOS DE SORGO (Sorghum bicolor L.)

72

FITOTECNIA

80

CULTIVO INTERCALAR ANTECIPADO DE MILHO SEGUNDA SAFRA NAS ENTRELINHAS DA SOJA – ANTECIPE RESULTADOS DO ANO AGRÍCOLA 2020/21 EM RIO VERDE/GO

81

APRESENTAÇÃO EDITORIAL AGRADECIMENTOS

ÉPOCAS DE SEMEADURA DE HÍBRIDOS DE SORGO EM 2ª SAFRA NOS ANOS AGRÍCOLAS 2019/20 e 2020/21: PRODUTIVIDADE DE GRÃOS 93

PLANTAS DANINHAS

104

FLUXOS DE EMERGÊNCIA DE PLANTAS DE BUVA APÓS COLHEITA DO MILHO SEGUNDA SAFRA

105

HÍBRIDOS DE MILHO COM E SEM CONSÓRCIO COM Urochloa ruziziensis E SELETIVIDADE DE HERBICIDAS À FORRAGEIRA

113

7


APRESENTAÇÃO O Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO –

resultados do presente Anuário contemplam os

ITC, é parte integrante da Cooperativa Agroindustrial

trabalhos realizados na safra 2020/2021. Contamos

dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano –

também nesta edição com a participação de parceiros

COMIGO. Sua principal missão é desenvolver e

externos, que enriquecem o documento com revisões

difundir tecnologias agropecuárias, que possam

técnico-científicas de temas bastante atuais do

apoiar os produtores no manejo de suas culturas

setor agropecuário brasileiro. O Instituto de Ciência

visando maior rentabilidade e sustentabilidade

e Tecnologia COMIGO – ITC, continua contando

ambiental. Com uma área física de aproximadamente

com o imprescindível apoio da administração da

200 hectares, incluindo a área da feira anual da

cooperativa, dos nossos consultores técnicos, dos

cooperativa – a TECNOSHOW – o ITC está localizado

parceiros e da equipe de suporte de campo, no

em local estratégico da região Centro-Oeste do país,

sentido de apoiar os cooperados e a sociedade na

em Rio Verde – GO. O Instituto de Ciência e Tecnologia

melhoria da qualidade de vida e na perpetuação do

COMIGO tem se consolidado cada vez mais como

pujante setor agropecuário brasileiro.

uma referência em pesquisa agropecuária da região, do estado e do país, em função da capacitação do seu corpo técnico, da qualidade das suas pesquisas e da imparcialidade dos seus resultados. Anualmente os resultados obtidos são divulgados nos Workshops de Agricultura e Pecuária, que em 2021 completam sua 20ª e 11ª edições, respectivamente. Especificamente neste ano, em função da pandemia que assola o mundo, estes eventos ainda serão realizados de maneira não presencial, mas certamente a qualidade e aplicabilidade das informações serão mantidas. O Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO – ITC, mantém sua atuação em sete grandes temas: Manejo e Controle de Doenças, Pragas e Plantas Daninhas, Solos e Nutrição de Plantas, Fitotecnia e Produção Animal, Agricultura de Precisão e Zootecnia, e os

8


9


EDITORIAL Segunda safra de grãos: obstáculos e os caminhos para boas produtividades O Brasil é um dos poucos países em que o cultivo subsequente de até três culturas de grãos é viável ao longo do ano. Nas grandes regiões produtoras do país há predominância do sistema agrícola com a semeadura da soja em outubro, e colheita a partir de janeiro (primeira safra), e semeadura de uma segunda cultura (segunda safra) logo após a colheita da soja. Na maioria das áreas, a segunda safra é implantada com a cultura do milho, fazendo com que a maior parte da produção nacional de milho seja referente a segunda safra. Devido ao zoneamento agroclimático do estado de Goiás, o sorgo granífero é mais uma alternativa de cultivo para segunda safra. De toda forma, hoje o estado de Goiás é o maior produtor de sorgo, respondendo por aproximadamente metade da produção nacional. O milho é o cereal mais produzido no mundo, além de participar da nutrição humana e animal, é fonte de matériaprima na fabricação de subprodutos em grandes indústrias químicas, farmacêuticas, de bebidas e combustível. Atualmente, o Brasil ocupa o terceiro lugar entre os maiores produtores de milho, atrás somente dos Estados Unidos e China. Neste ano agrícola de 2020/2021, as expectativas iniciais de produção de grãos apontavam para um novo recorde. No entanto, a distribuição pluviométrica irregular e o volume reduzido de chuvas em boa parte das principais regiões produtoras, impactaram diretamente no desenvolvimento e produtividade das lavouras de segunda safra, reduzindo gradualmente as expectativas de produção e frustrando a possibilidade de um novo recorde. Além da seca ocorrida em momentos cruciais das lavouras, houve a ocorrência de massas de ar frio que trouxeram geadas nos principais estados produtores da região Centro-Sul. O cultivo na região dos cerrados necessita, além de um manejo adequado para cada cultura, do conhecimento

10

e aplicabilidade do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que tem o objetivo de minimizar riscos relacionados a problemas climáticos e permitir identificar a época de plantio adequada. A região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos são fundamentais para o ZARC, pois são elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola. Bem como as estimativas de temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, ocorrência de geadas, água disponível nos solos, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude). Devido à quebra de safra, as exportações de milho serão reduzidas para manter o abastecimento nacional, incentivando o mercado interno e mantendo os preços elevados, alavancando as cotações tanto do milho quanto do sorgo. Por outro lado, os custos de produção aumentaram expressivamente, diminuindo a rentabilidade do produtor. Ainda assim, os preços atingidos nesta safra têm possibilitado a lucratividade da produção de grãos em patamares elevados. Por isso, informações e tecnologias que possam aumentar a produtividade das lavouras são fundamentais para que os produtores possam continuar investindo na atividade. O presente Anuário de Pesquisas em Agricultura contém os resultados mais recentes dos trabalhos conduzidos pelos pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO e seus parceiros, referentes à segunda safra (milho e sorgo). Os autores desta edição, esperam que as informações aqui disponibilizadas possam contribuir para o desenvolvimento tecnológico da atividade agrícola, trazendo renda e qualidade de vida aos produtores rurais. Boa leitura a todos.


AGRADECIMENTOS À Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano – COMIGO, pelas condições operacionais e financeiras de trabalho. À equipe de apoio do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, pelo esforço e dedicação, imprescindíveis na realização dos trabalhos. Aos autores que contribuíram com a produção dos textos. Aos parceiros de pesquisa da COMIGO. À equipe da ASCOM - Assessoria de Comunicação da COMIGO. Às equipes do Departamento de Assistência Técnica da COMIGO. A todos que de alguma maneira contribuíram para a realização deste trabalho.

11


PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NO ITC PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NO ITC ANO

12

MESES JAN

FEV

MAR

ABR

MAI

JUN

JUL

AGO

SET

2002

279

159

2003

361

163

128

75

366

150

31

0

30

15

12

8

0

20

2004

244

461

207

145

81

0

10

2005

264

101

223

6

48

10

2006

124

225

325

65

16

2007 2008

303

433

357

363

236

24

282

201

2009

156

2010

212

160

290

359

171

2011

233

201

390

2012

275

265

2013

475

270

2014

52

2015 2016 2017

243

2018

222

2019

TOTAL

OUT

NOV

DEZ

45

52

159

337

1.285,0

17

142

230

351

1.845,0

0

0

162

214

216

1.740,0

0

20

169

108

364

538

1.851,0

0

23

22

3

292

395

448

1.938,0

36

0

16

0

0

260

159

324

1.791,0

0

0

0

2

21

175

212

155

1.768,0

69

5

15

9

70

89

204

349

351

1.767,0

32

0

0

17

0

80

129

170

194

1.364,0

51

0

80

0

0

0

232

76

165

1.428,0

125

99

61

15

0

0

89

113

335

127

1.504,0

552

162

7

13

0

0

17

108

317

225

2.146,0

144

272

109

11

6

74

0

74

116

431

368

1.657,0

74

158

244

112

89

16

6

0

46

30

202

178

1.155,0

322

189

293

8

14

35

0

78

17

137

116

270

1.479,0

245

85

29

5

0

0

0

30

64

260

150

1.111,0

151

265

66

21

0

0

17

70

176

292

162

1.442,0

138

189

406

60

65

0

0

0

36

135

212,5

310

1.551,5

2020

264,5

407

166

20

26,5

0

0

0

15,5

106,5

161

116

1.283,0

2021

231

136

87

43,5

26

22

0

0

12,7

357,5

238,5

-

1.154,2

MÉDIA

241,5

239,0

255,7

76,3

28,6

11,4

8,4

11,9

41,6

155,0

244,7

262,4

1563,0


Entomologia

13


Entomologia

14

Entomologia


INSETICIDAS NO CONTROLE DA LAGARTA-DO-CARTUCHO NA CULTURA DO MILHO SEGUNDA SAFRA LIMA, Diego Tolentino de1; FERNANDES, Rafael Henrique2; ALMEIDA, Dieimisson Paulo3 Eng. Agrônomo. Dr. em Agronomia, Pesquisador em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO. E-mail: diegotolentino@ comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 1

com o aumento de 8,6% na área plantada, estimada em 14,9 milhões de hectares, os níveis de produtividade caíram para 3.982 kg ha-1, redução de 27% em relação à safra passada. A produção estimada atingiu 59,5 milhões de toneladas, representando queda de 20,8%, comparada à safra passada (CONAB, 2021). As lavouras deste cereal podem ser atacadas por diferentes pragas, como a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, considerada uma das principais pragas da cultura do milho. É um inseto que em sua fase jovem, chamada de lagarta (ou larva), pode atacar inúmeras culturas, dentre elas as principais cultivadas no Sudoeste Goiano: soja, milho, algodão, sorgo e

INTRODUÇÃO Atualmente, o Brasil ocupa o terceiro lugar como produtor mundial de milho, atrás somente dos EUA e China, respectivamente. A produção de milho verão (primeira safra) do ano agrícola 2020/2021 teve aumento de 2,6% em área plantada em relação à safra passada, porém devido aos efeitos do clima, a produção reduziu 3,7% em comparação ao volume de 2019/20. Na segunda safra os principais estados produtores sofreram ainda mais com efeitos adversos do clima, além da seca ocorrida em momentos cruciais das lavouras, houve a ocorrência de geadas, provocando acentuadas perdas nas lavouras. Mesmo

pastagens, além de várias plantas de cobertura e plantas daninhas, de forma que o sistema agrícola da região favorece a manutenção de altas populações deste inseto o ano todo. Assim chamada de “praga de sistema”, está se alimenta da cultura de primeira safra, de segunda safra, da planta de cobertura ou até das plantas daninhas na entressafra. Conhecida principalmente por causar grandes prejuízos na cultura do milho, principalmente no “cartucho” das plantas jovens, podendo também atacar o restante da planta, inclusive a espiga. A redução na produção de grãos é variável, dependendo

das

condições

nutricionais,

do

desenvolvimento da planta e do nível populacional da praga, podendo chegar a 73% em situações de ataque

Entomologia

15


intenso (HRUSKA; GOULD, 1997). O controle deste

Deltametrina (K-Obiol, 25 g L-1, EC, Bayer) na dose de

inseto no campo tem sido realizado principalmente

0,2 g 100 kg-1 de sementes e Pirimifós-Metílico (Actellic,

com inseticidas químicos, e em casos excepcionais

500 g L-1, EC, Syngenta) na dose de 0,8 g 100 kg-1 de

podem ser realizadas de 10 a 14 aplicações na cultura

sementes. A adubação de semeadura foi realizada com

do milho no Brasil (VALICENTE e TUELHER, 2009).

400 kg ha-1 do fertilizante formulado 08-20-18 no sulco.

Nos últimos anos o conceito de controle de pragas vem se modificando, passando das aplicações

A adubação de cobertura foi realizada 200 kg ha-1 de 20-00-20 e outra com 100 kg ha-1 de Ureia.

sistemáticas, de forma calendarizada, para o Manejo

O controle de plantas daninhas foi realizado

Integrado de Pragas (MIP) que preconiza a associação

através de uma aplicação em plante-aplique com

de outros tipos de controle, como biológico, cultural,

glifosato (Xeque Mate, 500 g e. a. L-1, SL, Monsanto)

resistência de plantas, métodos legislativos, controle

na dose de 1500 g e. a. ha-1 logo após a semeadura

por comportamento, entre outros. O MIP objetiva

do milho e outra aplicação em pós-emergência das

otimizar o controle químico, ou seja, somente quando

plantas daninhas com o herbicida atrazina (Proof, 500

o prejuízo causado pela praga é igual ou maior que seu

g i. a. L-1, SC, Syngenta) na dose de 1,0 kg i. a. ha-1 com

custo de controle (chamado de nível de controle) é que

adição de adjuvante Iharol Gold na dose de 0,5 L ha-1.

ele deve ser usado (GALLO et al., 2002).

Para o controle de manchas foliares foram realizadas

Visto a importância do controle químico com

duas aplicações, a primeira de Piraclostrobina +

inseticidas dentro do manejo integrado desta praga

Epoxiconazol (Abacus, 260 + 160 g L-1, SC, Basf), na

na cultura do milho, o objetivo do trabalho foi avaliar

dose de 78 + 48 g ha-1 respectivamente, em mistura

a eficiência de controle de diferentes tratamentos

com Mancozebe (Unizeb Gold, 750 g kg-1, WG, UPL), na

inseticidas sobre a lagarta-do-cartucho (S. frugiperda),

dose de 1125 g ha-1, com adição de adjuvante Mees na

e a produtividade de grãos do milho.

dose de 0,5 L ha-1, e a segunda com Metominostrobina + Tebuconazol (Fusão, 110 + 165 g L-1, EC, Ihara), na

MATERIAL E MÉTODOS O

experimento

foi

conduzido

dose de 66 + 99 g ha-1 respectivamente, em mistura com Mancozebe (Unizeb Gold, 750 g kg-1, WG, UPL), na

área

experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia

16

na dose de 1125 g ha-1, com adição de adjuvante Iharol Gold na dose de 0,35 L ha-1.

COMIGO (ITC), da Cooperativa COMIGO, no município

As únicas aplicações de inseticidas realizadas

de Rio Verde – GO (S 17°45'57" e W 51°02'07"; 839

no experimento foram referentes aos tratamentos.

metros de altitude). A semeadura do híbrido de milho

Foram realizadas duas aplicações sequenciais dos

AG3500 RR foi realizada no dia 04 de março de 2021

tratamentos descritos na Tabela 1, com intervalo

(colheita dia 30 de julho de 2020 totalizando 148 dias de

de 11 dias entre cada aplicação, sendo a primeira

ciclo), com a densidade de semeadura de 2,7 sementes

realizada quando havia 3,86% de plantas com nota

por metro (população final na colheita de 50 mil plantas

três (ou acima de três) na escala de Davis et al. (1992):

ha-1). As sementes foram tratadas industrialmente

cartucho com uma a cinco lesões circulares pequenas,

com Metalaxil-M + Tiabendazol + Fludioxonil (Maxim

até 1,5 cm, mais uma a três lesões alongadas, entre

Advanced, 20 + 150 + 25 g L-1, FS, Syngenta) na dose de

1,5 - 3,0 cm. As aplicações foram realizadas com

3 + 22,5 + 3,8 g 100 kg-1 de sementes, respectivamente,

pulverizador pressurizado por CO2 (Número de patente:

Entomologia


BR1020160075653) montando em trator (MF 275,

Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada

Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador é dotado

com a pressão de trabalho na ponta de pulverização de

com barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização

2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.

espaçados em 0,5 m. As pontas utilizadas para pulverização foram modelo ADIA 11001.D, da marca

Tabela 1. Tratamentos inseticidas para controle de lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, no híbrido de milho AG3500 RR. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.

Os

14

tratamentos

foram

dispostos

no

aplicação dos tratamentos, sete dias após a primeira

delineamento em blocos ao acaso (DBC), com

aplicação (7DAP) e três e 14 dias após a segunda

quatro repetições. As parcelas experimentais foram

(3DAS e 14DAS), em 25 plantas aleatórias em cada

constituídas por 10 linhas de cultivo, espaçadas de

parcela útil, nas quais foram atribuídas notas de zero

0,5 metros, com 10 metros de comprimento. A parcela

a nove, por avaliação visual, de acordo com a escala

útil desconsiderou 1,0 m inicial e final de cada linha da

de Davis et al. (1992). Após as avaliações foi calculada

parcela e as duas linhas das extremidades.

a porcentagem de plantas com nota três (ou acima

As avaliações de notas de desfolha por lagarta-

de três) na escala de Davis et al. (1992). A note três é

do-cartucho no milho foram realizadas previamente à

atribuída pela seguinte descrição: cartucho com uma a

Entomologia

17


cinco lesões circulares pequenas, até 1,5 cm, mais uma a três lesões alongadas, entre 1,5 - 3,0 cm. A produtividade de grãos foi obtida em três linhas centrais de semeadura com 3,0 metros de comprimento, realizando dois pontos de amostragem dentro de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos, trilhados e secos. Foi calculada a produtividade para um hectare, considerando-se a umidade padrão de 13% para comercialização do grão, tomado como medida a saca de 60 kg de grãos. Os dados da porcentagem de plantas com nota três ou acima de três na escala Davis e de produtividade de grãos de milho foram submetidos à análise de variância (ANOVA) pelo teste F e no caso de efeito significativo dos tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Scott-Knott (P<0,05). O número médio de plantas com nota três ou acima de três na escala Davis nos tratamentos e na testemunha foram utilizados para o cálculo da eficiência dos inseticidas por meio da fórmula de Abbott (1925).

18

Entomologia

RESULTADOS E DISCUSSÃO Na avaliação prévia, antes da primeira aplicação havia em média 3,86% de plantas com nota três (ou acima de três) na escala Davis. Houve diferença entre os tratamentos antes da primeira aplicação na porcentagem de plantas com nota três ou mais (Tabela 2). Este resultado demonstra uma distribuição desuniforme da praga na área, o que poderia influenciar nos resultados subsequentes, por desfavorecer os tratamentos que apresentaram maiores porcentagens de infestação na avaliação prévia, porém aos sete dias após a primeira aplicação foi observado que isto não influenciou de forma negativa os tratamentos em que haviam maiores porcentagens de plantas com nota três ou mais na avaliação prévia, os quais se igualaram aos demais tratamentos, todos se diferindo somente da testemunha que apresentou a maior porcentagem de plantas com nota três ou mais (Tabela 2).


Tabela 2. Porcentagem de plantas com nota três ou mais na escala Davis para desfolha de Spodoptera frugiperda em milho e eficiência de controle (%), previamente à aplicação e sete dias após a primeira aplicação (7DAP), no híbrido de milho AG3500 RR. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio VerdeGO, safra 2020/2021.

Apesar

de

não

na

Aos três e 14 dias após a segunda aplicação a

porcentagem de plantas com nota três ou mais, a

testemunha apresentou maior porcentagem de plantas

eficiência de controle da lagarta-do-cartucho no

com nota três ou mais na escala Davis, os demais

milho apresentou variações em classificação. Os

tratamentos não se diferiram entre si. Com três dias

tratamentos Ciclaniliprole, Clorfenapir, Clorfenapir

após a segunda aplicação, apresentaram eficiência

+ Essence, Clorfenapir + Quimifol S450, Metomil +

de controle acima de 90% os tratamentos Benzoato de

Baculovírus, Metomil + Clorantraniliprole e Tiodicarbe

emamectina + Óleo, Ciclaniliprole, Clorantraniliprole,

+ Lufenurom apresentaram eficiência de controle

Clorantraniliprole

acima de 90% sete dias após a primeira aplicação. Já

Clorfenapir + Essence, Clorfenapir + Quimifol S450,

Benzoato de emamectina + Óleo, Clorantraniliprole,

Espinetoram, Metomil + Baculovírus e Tiodicarbe +

Clorantraniliprole

e

Lufenurom. Acima de 80% Indoxacarbe e Metomil

Indoxacarbe apresentaram eficiência de controle

+ Clorantraniliprole, e novamente abaixo de 80%

acima de 80% e somente Clorantraniliprole + Lambda-

de eficiência Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina

cialotrina abaixo de 80% (Tabela 2).

(Tabela 3).

+

observada

Abamectina,

diferença

Espinetoram

+

Abamectina,

Clorfenapir,

Entomologia

19


Tabela 3. Porcentagem de plantas com nota três ou mais na escala Davis para desfolha de Spodoptera frugiperda em milho e eficiência de controle (%), três e 14 dias após a segunda aplicação (3DAS e 14DAS), no híbrido de milho AG3500 RR. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.

20

Já aos 14 dias após a segunda aplicação, Benzoato

porcentagem de eficiência de controle acima de 80%

de emamectina + Óleo, Ciclaniliprole, Clorantraniliprole,

aos 10 dias após a aplicação para Espinetoram (18 g

Clorfenapir, Clorfenapir + Essence, Clorfenapir +

ha-1), Clorantraniliprole (20 e 30 g ha-1), Indoxacarbe

Quimifol S450, Espinetoram, Indoxacarbe e Tiodicarbe

(60 g ha-1) e na mistura Clorantraniliprole (14 e 20

+ Lufenurom apresentaram eficiência de controle

g ha-1) + Metomil (215 g ha-1) e Lambda-cialotrina +

acima de 90% para lagarta do cartucho no milho. Acima

Clorantraniliprole apenas em dose mais alta (15 + 30 g

de 80% de eficiência de controle Clorantraniliprole +

ha-1). Clorfenapir apresentou porcentagem de eficiência

Abamectina e Metomil + Baculovírus, já abaixo de 80%

de controle acima de 80% (144 g ha-1) e 90 % (180 g ha-

novamente Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina, além

1

de Metomil + Clorantraniliprole

2019).

), até 14 dias após a aplicação (GRIGOLLI e GRIGOLLI,

Grigolli e Grigolli (2019) trabalharam diferentes

Como observado na Tabela 2, com apenas

inseticidas para lagarta-do-cartucho no milho realizando

uma aplicação a maioria dos tratamentos apresentou

aplicação no estágio V4, assim quando observados os

eficiência de controle superior a 80%, isso ressalta

primeiros sinais de raspagem das folhas, e obtiveram

a importância do “timing de aplicação”, ou seja,

Entomologia


com a infestação ainda no início, especificamente

plantas, houve a aplicação dos mesmos tratamentos

no presente trabalho com apenas 3,86%, em média,

com as lagartas já “encartuchadas”, sendo que nesta

das plantas com nota três ou mais na escala Davis.

última situação as porcentagens de eficiência de

Entretanto, mesmo com duas aplicações o tratamento

controle foram menos expressivas.

Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina na dose utilizada,

A eficiência média de controle nas três

15 + 7,5 g ha-1 de ingrediente ativo, respectivamente, foi

avaliações realizadas, foi, em ordem decrescente,

o único tratamento que não atingiu 80% de eficiência

Tiodicarbe + Lufenurom (98,15%), Clorfenapir + Quimifol

em nenhuma das avaliações. Porém é um tratamento

S450 (97,37%), Clorfenapir (96,30%), Clorfenapir +

que responde ao aumento de doses como visto em

Essence (95,79%) Metomil + Baculovírus (95,05%),

Grigolli e Grigolli (2019), trabalhando com 30 + 15 g

Clorantraniliprole (94,92%), Ciclaniliprole (93,43%),

ha-1 Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina, atingindo

Benzoato de emamectina + Óleo (91,32%), Espinetoram

eficiência acima de 80%.

(91,32%), Clorantraniliprole + Abamectina (90,54%),

Existe uma preocupação a cada dia maior

Indoxacarbe (87,95%), Metomil + Clorantraniliprole

com o surgimento de populações de insetos-praga

(83,39%) e Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina

resistentes a inseticidas químicos pois é recorrente o

(77,80%). Porém não foram observadas diferenças

uso contínuo de ingredientes ativos com os mesmos

entre os tratamentos para a produtividade de grãos de

mecanismos de ação, aplicação de inseticidas com

milho (Figura 1). A média de produtividade do híbrido

amplo espectro de ação no início do ciclo da cultura,

AG3500 RR no experimento foi de 64,6 sacas ha-1.

utilização de doses acima da recomendada pela bula e tecnologia de aplicação ineficiente. Ressalta-se que no presente trabalho as duas aplicações sequenciais do mesmo inseticida foram realizadas somente de forma experimental para avaliação da redução na infestação. Recomenda-se o manejo integrado de pragas na lavoura seguindo-se rigorosamente o princípio da rotação entre mecanismos de ação dos inseticidas a serem utilizados. É importante ressaltar que o monitoramento desta praga é fundamental para que as aplicações sejam feitas no momento correto e o controle seja satisfatório, visto que lagartas mais desenvolvidas se localizam na região mais interna do cartucho das plantas de milho, tornando o seu controle mais difícil. Essa dificuldade de controle ocorre em função da dificuldade de atingir o alvo com aplicações foliares, devido à localização da praga. Tal fato foi demonstrado no trabalho de Grigolli e Grigolli (2019) que, além da situação dos tratamentos aplicados no início da raspagem das lagartas nas

Entomologia

21


Figura 1. Produtividade do híbrido de milho AG3500 RR em diferentes tratamentos inseticidas para o controle de lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.

As médias não se diferiram pelo Teste de Scott-Knott (P<0,05).

22

O nível de controle para a lagarta-do-cartucho

(2011), ainda sugerem adotar aplicação de inseticidas

em milho convencional é atingido quando 20% das

antes que atinja 10% de plantas com nota três na

plantas apresentarem nota três da escala de Davis

escala Davis, para se conseguir observar diferenças

até o 30º dia após o plantio, e de 10% do 40º ao 60º

estatísticas na produtividade de grãos, em relação à

dia (GALLO et al., 2002). A última avaliação (14DAS)

testemunha sem aplicação, visto que no estudo citado,

realizada aos 46 dias após a semeadura, mostra que

adotando o nível de controle de 10% os autores não

na testemunha o nível de dano de 43% de plantas com

conseguiram obter efeitos significativos. Neste sentido,

a nota três ou mais na escala Davis (Tabela 3) foi bem

no presente trabalho as aplicações se iniciaram quando

superior aos 10% recomendados, mesmo assim não

havia em média 3,86% de plantas com nota três ou mais

foi possível observar diferenças na produtividade de

na área do experimento, porém, como relatado, não

grãos em relação aos tratamentos onde foi realizado o

foram obtidos efeitos significativos em produtividade

controle químico.

(Figura 1).

Após avaliarem danos da lagarta-do-cartucho

Como lagartas de terceiro instar ou mais ficam

à cultura do milho com base no monitoramento de

“escondidas” dentro do cartucho, ressalta-se que

plantas atacadas em três safras agrícolas, Rosa et al.

além da escolha de um inseticida eficiente, alguns

Entomologia


pontos podem melhorar a eficiência de controle nas aplicações, como não utilizar volume de aplicação reduzido, pois a superfície de cobertura do cartucho do milho. As aplicações noturnas, a partir das 22 horas até as 08 horas tendem a ter a melhor eficiência de controle de lagartas, pois a lagarta tem como hábito se esconder no cartucho da planta durante os períodos mais quentes do dia. No período noturno e em temperaturas amenas, a praga pode migrar para fora do cartucho, ficando mais exposta. O controle químico é mais eficiente em conduções de umidade relativa alta e em plantas não expostas ao déficit hídrico (GRIGOLLI e GRIGOLLI, 2019).

CONCLUSÃO A eficiência média de controle de lagarta-docartucho (S. frugiperda) no milho, em duas aplicações, foi superior a 90% nos tratamentos Tiodicarbe + Lufenurom (98,15%), Clorfenapir + Quimifol S450 (97,37%),

Clorfenapir

(96,30%),

Clorfenapir

+

Essence (95,79%) Metomil + Baculovírus (95,05%), Clorantraniliprole (94,92%), Ciclaniliprole (93,43%), Benzoato de emamectina + Óleo (91,32%), Espinetoram (91,32%) e Clorantraniliprole + Abamectina (90,54%). Superior a 80% para Indoxacarbe (87,95%) e Metomil + Clorantraniliprole (83,39%). Inferior a 80% somente no tratamento Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina (77,80%). Nas condições estudadas, não foram obtidas diferenças na produtividade de grãos na cultura do milho.

AGRADECIMENTOS À equipe de campo, pesquisadores e estagiários do ITC pelo apoio na implantação e condução do experimento.

REFERÊNCIAS ABBOTT, W.S. A method of computing the effectiveness of on insecticide. Journal Economic Entomology, v. 18, n. 2, p. 265-267, 1925. CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento. Boletim da safra de grãos, 12º Levantamento - Safra 2020/21. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/ info-agro/safras/graos/boletim-da-safra-de-graos>. Acesso em: 13 set. 2021. DAVIS, F. M.; NG, S. S.; WILLIAMS, W. P. Visual rating scales for screening whorl-stage corn for resistance to fall armyworm. Mississippi: Agricultual and Forest Experiment Station, 1992. 9p. (Techinical Bulletin, 186) GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R.L.P.; BAPTISTA, G.C.; BERTI FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ZUCCHI, R.A.; ALVES, S.B.; VENDRAMIM, J.D.; MARCHINI, L.C.; LOPES, J.R.S.; OMOTO, C. Vol.10. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 920p. GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. Manejo e Controle de Pragas do Milho Safrinha. In: LOURENÇÃO, A. L. F.; GRIGOLLI, J. F. J.; GITTI, D. C.; BEZERRA, A. R. G.; MELOTTO, A. M. (Ed.). Tecnologia e Produção: Safrinha 2018. Maracaju, MS: Fundação MS, 2019. p. 72-85. HRUSKA, A. J.; GOULD, F. Fall armyworm (Lepidoptera: Noctuidae) and Diatraea lineolata (Lepidoptera: Pyralidae): impact of larval population level and temporal occurrence on maize yield in Nicaragua. Journal of Economic Entomology, v. 90, n. 2, p. 611622, 1997. ROSA, A. P. S. A.; MARTINS, J. F. S.; TRECHA, C. O. Avaliação de danos da lagarta-do-cartucho à cultura do milho com base no monitoramento de plantas atacadas em três safras agrícolas. Pesquisa Agropecuária Gaúcha, v. 17, n. 1, p. 21-27, 2011. VALICENTE. F. H.; TUELHER, E. S. Controle biológico da lagarta do cartucho, Spodoptera frugiperda, com Baculovírus. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2009. 14 p. (Circular Técnica, 114).

Entomologia

23


INSETICIDAS NO CONTROLE DO PULGÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NA CULTURA DO SORGO

LIMA, Diego Tolentino de1; FERNANDES, Rafael Henrique2; ALMEIDA, Dieimisson Paulo3 Eng. Agrônomo. Dr. em Agronomia, Pesquisador em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO. E-mail: diegotolentino@ comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 1

cultura no estado de Goiás pode ser superior a 125 sacas ha-1 (ALMEIDA et al., 2019). Como qualquer outra espécie cultivada, o sorgo enfrenta problemas fitossanitários. Os pulgões Melanaphis

sacchari,

Schizaphis

graminum

e

Rhopalosiphum maidis estão entre os principais insetos que prejudicam esta cultura. O pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari, é uma das principais pragas do sorgo na África, Ásia e Oceania (SINGH et al., 2004). Presente em mais de trinta países ele pode se alimentar de até vinte espécies de plantas da família Poaceae (as gramíneas). Além do sorgo e da cana-de-açúcar, já foram relatadas como espécies hospedeiras deste pulgão o trigo, arroz,

INTRODUÇÃO A produção brasileira de sorgo granífero na safra 2020/2021 deverá atingir 2,1 milhões de toneladas, em uma área total de 864,5 mil hectares, de acordo com o acompanhamento da safra brasileira de grãos (CONAB, 2021). Devido ao zoneamento agroclimático do estado de Goiás, o sorgo granífero pode substituir principalmente o cultivo de milho segunda safra, geralmente em sucessão a soja implantada no início de novembro e cultivada até a última semana de fevereiro (primavera-verão), o que torna o estado maior produtor, com aproximadamente metade da produção nacional. A produtividade desta

24

Entomologia

milho, aveia e cevada (SINGH et al., 2004; SOUZA e DAVIS, 2020). Historicamente M. sacchari tem sido uma importante praga na cultura da cana-de-açúcar tanto no Brasil quanto nos EUA, causando danos ao se alimentar da seiva da planta e transmitir o vírus do mosaico (Sugarcane Yellow Leaf Virus, SCYLV) (SINGH et al., 2004; SILVA et al., 2014). Embora já registrado em lavouras de sorgo sem causar prejuízos, em 2013 nos EUA foram relatados surtos do pulgão da cana-de-açúcar na cultura do sorgo, e em 2015 todos os 17 estados produtores naquele país relataram grandes infestações (BOWLING et al., 2016). Em 2016 pesquisadores já alertavam sobre o


potencial de dano do pulgão da cana-de-açúcar no

o objetivo do trabalho foi avaliar a eficiência de

sorgo no Brasil. Em 2019 esta espécie de pulgão foi

tratamentos inseticidas sobre a infestação da praga e a

relatada causando danos econômicos em Minas Gerais,

produtividade de grãos.

Distrito Federal e de São Paulo (MENDES et al., 2019). Desde 2020 as lavouras de sorgo das regiões dentro e próximas ao estado de Goiás apresentam altos índices

MATERIAL E MÉTODOS

de infestação por este pulgão, sendo observados até

O experimento foi conduzido na área experimental

mais de mil insetos em uma única folha. Em alguns

do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO (ITC), da

casos o produtor teve que fazer até cinco intervenções

Cooperativa COMIGO, no município de Rio Verde – GO

com inseticidas na cultura para controlar a praga.

(S 17°45'57" e W 51°02'07"; 839 metros de altitude).

Na

região

do

Sudoeste

Goiano,

tem-se

Em área colhida anteriormente com soja foi realizada

observado maior ocorrência do pulgão da cana-de-

a semeadura do híbrido de sorgo granífero 1G100 no

açúcar no final da fase vegetativa e início da fase

dia 22 de março de 2021 (colheita dia 23 de julho de

reprodutiva da lavoura de sorgo, apesar de poder estar

2020 totalizando 123 dias de ciclo), com a densidade de

presente em todas as fases de desenvolvimento da

semeadura de 9,1 sementes por metro (população final

planta. Os insetos ficam na parte de baixo das folhas

na colheita de 129 mil plantas ha-1). O tratamento de

e se alimentam sugando a seiva da planta, sendo

sementes foi realizado com Imidacloprido + Tiodicarbe

comum a infestação iniciar nas folhas mais velhas

(CropStar, 150 + 450 g L-1, SC, Bayer) na dose de 150

(baixeiro) e avançar para as mais novas. Os sintomas:

+ 450 g 100 kg-1 de sementes, respectivamente. A

amarelecimento, manchas vermelhas e necróticas,

adubação de semeadura foi realizada com 280 kg ha-1

podem ser observados até mesmo na face superior da

do fertilizante formulado 08-20-18 no sulco. A adubação

folha. Os danos são potencializados em situações de

de cobertura foi realizada 200 kg ha-1 de 20-00-20 e

estresse, principalmente hídrico (SINGH et al., 2004).

outra com 100 kg ha-1 de Ureia.

Devido à alta capacidade de reprodução desse

O controle de plantas daninhas foi realizado

inseto, ocorre formação de grandes colônias, e com

através de uma aplicação em plante-aplique com

a sucção contínua da seiva da planta há excreção de

glifosato (Xeque Mate, 500 g e. a. L-1, SL, Monsanto)

grandes quantidades de substâncias açucaradas,

na dose de 1500 g e. a. ha-1 logo após a semeadura

que deixam as folhas abaixo cobertas por um tipo de

do sorgo e outra aplicação em pós-emergência das

“melado” com aspecto pegajoso e brilhante (BOWLING

plantas daninhas com o herbicida atrazina (Proof,

et al., 2016). Nesta condição se desenvolve com o

500 g i. a. L-1, SC, Syngenta) na dose de 1,0 kg i. a.

tempo um fungo (geralmente do gênero Capnodium) de

ha-1 com adição de adjuvante Iharol Gold na dose de

cor enegrecida, chamado de fumagina, que prejudica

0,5 L ha-1. Para o controle de manchas foliares foram

a fotossíntese da folha. Em altas infestações a planta

realizadas duas aplicações, a primeira de Fluxapiroxade

pode secar mesmo antes de emitir a panícula, ou ainda

+ Piraclostrobina (Orkestra, 167 + 333 g L-1, SC, Basf),

emitir a estrutura reprodutiva, porém com enchimento

na dose de 50 + 100 g ha-1 respectivamente, com

de grãos altamente comprometido.

adição de adjuvante Mees na dose de 0,5 L ha-1, e a

Visto a importância de se controlar o pulgão

segunda Metominostrobina + Tebuconazol (Fusão, 110

da cana-de-açúcar, M. sacchari, na cultura do sorgo

+ 165 g L-1, EC, Ihara), na dose de 79,8 + 119,6 g ha-1

Entomologia

25


respectivamente, com adição de adjuvante Iharol Gold

pulverizador pressurizado por CO2 (Número de patente:

na dose de 0,2 L ha-1.

BR1020160075653) montando em trator (MF 275,

As únicas aplicações de inseticidas realizadas

Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador é dotado

no experimento foram referentes aos tratamentos.

com barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização

Foram realizadas duas aplicações sequenciais dos

espaçados em 0,5 m. As pontas utilizadas para

tratamentos descritos na Tabela 1, com intervalo

pulverização foram modelo ADIA 11001.D, da marca

de sete dias entre cada aplicação, sendo a primeira

Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada

realizada após início da emissão das panículas, com

com a pressão de trabalho na ponta de pulverização de

cerca de 80% de infestação do pulgão na área (Nota

2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.

4, de acordo com a escala proposta por Fernandes et a., 2021). As aplicações foram realizadas com

Tabela 1. Tratamentos inseticidas para controle do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari, no sorgo 1G100. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.

Os

15

tratamentos

foram

dispostos

no

0,5 metros, com 10 metros de comprimento. A parcela

delineamento em blocos ao acaso (DBC), com

útil desconsiderou 1,0 m inicial e final de cada linha da

quatro repetições. As parcelas experimentais foram

parcela e as duas linhas das extremidades.

constituídas por 10 linhas de cultivo, espaçadas de

26

Entomologia

Na avaliação prévia e nas avaliações três e sete


dias após a primeira aplicação (3DAP e 7DAP) e três, sete e 14 dias após a segunda aplicação (3DAS, 7DAS e 14DAS) dos tratamentos, a infestação do pulgão da cana-de-açúcar no sorgo foi classificada de acordo com a escala de notas proposta por Fernandes et al. (2021), onde: Nota 1 (20% de infestação), a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e não há presença de exúvia (colônia pequena, menos de 50 pulgões folha-1); Nota 2 (40% de infestação), a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e há presença de exúvias; Nota 3 (60% de infestação), a planta de sorgo apresenta uma quantidade moderada de pulgões,

RESULTADOS E DISCUSSÃO O nível populacional, de acordo com a escala de notas, do pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari, na área experimental na avaliação prévia aos tratamentos foi considerado alto, com valor médio de 3,9, correspondendo a aproximadamente 80% de infestação, sem diferença entre os tratamentos (Tabela 2). Este resultado demonstra a uniformidade de distribuição da praga na área. Esta similaridade é importante para garantir que a infestação inicial de pulgões não influencie nos resultados subsequentes.

muitas exúvias e há o surgimento de alguns sintomas, como amarelecimento ou avermelhamento na folha (colônias grandes, mais de 50 pulgões folha-1); Nota 4 (80% de infestação), a planta de sorgo apresenta grande quantidade de pulgões, muitas exúvias e há sintomas na planta tanto na nervura central como na borda da folha. Nota 5 (100% de infestação), a planta de sorgo fica tomada de pulgões, muitas exúvias e há sintomas em toda a planta com o início de morte das folhas. A produtividade de grãos foi obtida em três linhas centrais de semeadura com 3,0 metros de comprimento, realizando dois pontos de amostragem dentro de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos, trilhados e secos. Foi calculada a produtividade para um hectare, considerando-se a umidade padrão de 13% para comercialização do grão, tomado como medida a saca de 60 kg de grãos. Os dados de notas de infestação por pulgão da cana-de-açúcar no sorgo e produtividade foram submetidos à análise de variância (ANOVA) pelo teste F e no caso de efeito significativo dos tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Scott-Knott (P<0,05).

Entomologia

27


Tabela 2. Notas de infestação do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari, no híbrido de sorgo 1G100, em função dos tratamentos inseticidas em avaliação prévia à aplicação e três dias após a primeira aplicação (3DAP). Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.

Três dias após a primeira aplicação foi observado

resultados foram bem semelhantes aos de três dias

que o tratamento com Clorpirifos apresentou a

após a primeira, o tratamento Clorpirifos se destacou

menor nota de infestação (0,69), ou seja, com efeito

com a menor infestação, igual a zero. Logo em seguida

de controle mais rápido que os demais tratamentos.

o tratamento Imidacloprido se agrupou com Sulfoxaflor

Logo em seguida vieram os tratamentos Sulfoxaflor +

+ Lambda-cialotrina, Tiametoxam + Lambda-cialotrina

Lambda-cialotrina, Tiametoxam + Lambda-cialotrina

e Sulfoxaflor. E novamente apenas o tratamento com

e Sulfoxaflor e depois com infestação maior que

Tiodicarbe não se diferiu da testemunha em relação ao

estes vieram os tratamentos Acefato, Imidacloprido,

nível de infestação (Tabela 3).

Tiametoxam, Acefato + Imidacloprido, Acetamiprido + Bifentrina, Acetamiprido, Metomil, Dinotefurano + Lambda-cialotrina e Imidacloprido + Beta-ciflutrina. Apenas o tratamento com Tiodicarbe não se diferiu da testemunha em relação ao nível de infestação (Tabela 2). Aos sete dias após a primeira aplicação os

28

Entomologia


Tabela 3. Notas de infestação do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari, no híbrido de sorgo 1G100, em função dos tratamentos inseticidas sete dias após a primeira (7DAP) e três dias após a segunda (3DAS) aplicação. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.

com

uma

segunda

aplicação

outros

as menores notas de infestação, porém o tratamento

tratamentos também se destacaram na redução das

com Acefato de forma isolada ainda apresentou nota

notas de infestação, após três dias, além de Clorpirifos,

superior a 1,0 (20% de infestação). Já aos 14 dias

os tratamentos Imidacloprido, Sulfoxaflor, Sulfoxaflor +

após a segunda aplicação as notas de infestação se

Lambda-cialotrina, Tiametoxam + Lambda-cialotrina,

apresentaram de forma semelhante, com exceção do

Acefato + Imidacloprido e Imidacloprido + Beta-

tratamento com Acefato de forma isolada que passou

ciflutrina apresentaram as menores notas de infestação.

a se agrupar entre os tratamentos com notas de

Seguidos logo em seguida por Acetamiprido + Bifentrina

infestação intermediárias, juntamente com Metomil,

e Acetamiprido. Tiodicarbe se diferiu da testemunha,

Dinotefurano + Lambda-cialotrina e Tiodicarbe (Tabela

porém apresentou notas de infestação superiores aos

4).

demais tratamentos (Tabela 3). Com sete dias após a segunda aplicação em todos tratamentos contendo os inseticidas Neonicotinoides:

Acetamiprido,

Imidacloprido

e Tiametoxam, ou Sulfoxaminas: Sulfoxaflor, ou Organofosforados: Clorpirifos e Acefato apresentaram

Entomologia

29


Tabela 4. Notas de infestação do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari, no híbrido de sorgo 1G100, em função dos tratamentos inseticidas sete e 14 dias após a segunda (7DAS e 14DAS) aplicação. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.

30

Observou-se que o efeito mais rápido na redução

Sulfoxaminas no sub-grupo 4C, ambos são moduladores

das notas de infestação do pulgão da cana-de-açúcar

competitivos de receptores nicotínicos da acetilcolina.

no sorgo foi obtido pelo Clorpirifos, seguido, em ordem

Assim o Sufoxaflor, apesar de ter o mesmo mecanismo

crescente de tempo para se observar este efeito, por

de ação dos Neonicotinoides, pertence a um sub-

Sulfoxaflor, Tiametoxam, Imidacloprido e Acetamiprido.

grupo diferente, que deve representar um menor risco

Pertencente ao grupo dos Organofosforados, o

de resistência cruzada com os Neonicotinoides. No

Clorpirifos é um inseticida que apresenta um espectro

entanto, Dinotefurano que também é um Neonicotinoide

de ação menos seletivo, enquanto os Neonicotinoides

não apresentou redução interessante nas notas de

(Tiametoxam,

infestação do pulgão da cana-de-açúcar no sorgo.

Imidacloprido

e

Acetamiprido)

e

Sulfoxaminas (Sulfoxaflor), são moléculas inseticidas

Existe uma preocupação a cada dia maior

rotuladas com especificidade para sugadores (Ordem

com o surgimento de populações de insetos-praga

Hemiptera), onde se enquadra o pulgão da cana-

resistentes a inseticidas químicos pois é recorrente o

de-açúcar (M. sacchari). Os Neonicotinoides têm

uso contínuo de ingredientes ativos com os mesmos

mecanismo de ação classificado no sub-grupo 4A

mecanismos de ação, aplicação de inseticidas com

do IRAC (Insecticide Resistance Action Committee,

amplo espectro de ação no início do ciclo da cultura,

“Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas”) e

utilização de doses acima da recomendada pela bula e

Entomologia


tecnologia de aplicação ineficiente. Ressalta-se que no

menor produtividade. Tiodicarbe que apresentou,

presente trabalho as duas aplicações sequenciais do

de forma geral, os piores resultados na redução

mesmo inseticida foram realizadas somente de forma

da

experimental para avaliação da redução na infestação.

numericamente mais distante dos demais tratamentos,

Recomenda-se o manejo integrado de pragas na

porém não se diferindo estatisticamente. Já Clorpirifos

lavoura seguindo-se rigorosamente o princípio da

que se destacou em relação à redução da infestação

rotação entre mecanismos de ação dos inseticidas a

do pulgão se manteve entre as maiores produtividades,

serem utilizados.

porém sem se diferir dos outros tratamentos (Figura 1).

infestação

do

pulgão

teve

produtividade

Apenas o tratamento testemunha apresentou

Figura 1. Produtividade do híbrido de sorgo 1G100, em diferentes tratamentos inseticidas para o controle do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021. Médias seguidas por mesma letra não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (P<0,05). Nos EUA após a ocorrência de grandes prejuízos

Esses dois inseticidas apresentando mortalidades

causados pelo pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari,

superiores a 98% para o pulgão da cana-de-açúcar,

em 2013, grandes esforços foram direcionados para

com atividade residual mínima de sete a 10 dias e

pesquisas de produtos químicos para seu controle

ausência de populações que causando prejuízos até

e em 2016 já haviam dois produtos registrados,

21 dias após a aplicação. Sulfoxaflor e Flupiradifurone

um com Sulfoxaflor e outro com Flupiradifurone.

apresentam baixa toxicidade para inimigos naturais

Entomologia

31


específicos de pulgões, sendo assim boas alternativas no manejo integrado de pragas (MICHAUD et al., 2016). Flupiradifurone, adicionalmente tem baixa toxicidade nos polinizadores, como as abelhas, embora o sorgo não seja polinizado por insetos. No México, a aplicação foliar de Imidacloprido está disponível para a cultura do sorgo demonstrando eficácia no manejo do pulgão da cana-de-açúcar (BOWLING et al., 2016). No Brasil existem poucos registros de produtos para a cultura do sorgo e, especificamente para o pulgão M. sacchari não existem inseticidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Assim, é indispensável a presença do Engenheiro Agrônomo responsável pela lavoura durante o monitoramento e definição das melhores estratégias de manejo desta praga. Outro ponto importante no manejo do pulgão da cana-de-açúcar na cultura do sorgo está relacionado com a tecnologia de aplicação. Além de respeitar as condições ambientais adequadas no momento da aplicação, não é aconselhável a utilização de volumes de aplicação reduzidos, pois, maior quantidade de calda aplicada por área pode proporcionar melhor cobertura e deposição do inseticida no terço inferior da planta, local onde geralmente se inicia a infestação desta praga. O pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari, é um problema que onera os custos de produção na cultura do sorgo, exigindo que o produtor se torne ainda mais técnico. Ações como realizar semeadura na janela ideal, fazer investimento em adubação para altas produtividades, realizar aplicação de fungicidas para manchas foliares e aplicação de inseticidas no momento adequado serão fundamentais para alcance produtividades satisfatórias, que cubram as despesas de produção e gerem margem aceitável para que o produtor se mantenha na atividade.

32

Entomologia

CONCLUSÃO Clorpirifos apresentou efeito mais rápido na redução das notas de infestação do pulgão da cana-deaçúcar no sorgo, seguido por Sulfoxaflor, Tiametoxam, Imidacloprido e Acetamiprido. Todos os tratamentos testados apresentaram produtividades superiores à testemunha sem aplicação de inseticidas.

AGRADECIMENTOS À equipe de campo, pesquisadores e estagiários do ITC pelo apoio na implantação e condução do experimento.

REFERÊNCIAS ALMEIDA, D. P.; FURTINI NETO, A. E.; BRAND, S. C. Épocas de semeadura de híbridos de sorgo em segunda safra 2017/2108: produtividade de grãos. In: FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; BILEGO, U. O.; FERNANDES, R. H.; GOMES, F. H. F. (Eds.). Anuário de Pesquisas Agricultura – Resultados 2019. Rio Verde: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2019. p. 134-139. BOWLING, R. D.; BREWER, M. J.; KERNS, D. L.; GORDY, J.; SEITER, N.; ELLIOTT, N. E.; BUNTIN, G. D.; WAY, M. O.; ROYER, T. A.; BILES, S.; MAXSON, E. Sugarcane Aphid (Hemiptera: Aphididae): A New Pest on Sorghum in North America. Journal of Integrated Pest Management, v. 7, n. 1, p. 1–13, 2016. CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento. Boletim da safra de grãos, 12º Levantamento - Safra 2020/21. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/ info-agro/safras/graos/boletim-da-safra-de-graos>. Acesso em: 13 set. 2021.


FERNANDES, F. O.; SOUZA, C. da S. F.; AVELLAR, G. S. de; NASCIMENTO, P. T.; DAMASCENO, N. C. R.; SANTOS, N. M. dos; LIMA, P. F.; SANTOS, V. M. C. dos; SIMEONE, M. L. F.; PARRELLA, R. A. da C.; MENEZES, C. B. de; OLIVEIRA, I. R. de; MENDES, S. M. Manejo do pulgão da cana-de-açúcar (Melanaphis sacchari/ sorghi) na cultura do sorgo. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2021. 24 p. (Comunicado Técnico, 249). MENDES, S. M.; VIANA, P. A.; OLIVEIRA, I. R.; MENEZES, C. B.; WAQUIL, J. M.; TOMPSON, W. Pulgão-da-cana-de-açúcar

no

sorgo:

um

velho

conhecido, mas um novo problema. Grão em Grão, ano 13, n. 112, 2019. MICHAUD, J. P.; WHITWORTH, R. J.; SCHWARTING, H.; MCCORNACK, B.; ZUKOFF, S. Sorghum insect management. Kansas State University Research and Extension. MF742, Manhattan, KS, 12 p. (http:// entomology.k-state.edu/extension/publications/). 2016. SILVA, M. L.; ROCHA, D. A.; SILVA, K. T. B. Potential population growth of Melanaphis sacchari (Zethner) reared on two hosts plants. Current Agricultural Science and Technology, v. 20, p. 21-25, 2014. SINGH, B. U.; PADMAJA, P. G.; SEETHARAMA, N. Biology and management of the sugarcane aphid, Melanaphis

sacchari

(Zehntner)

(Homoptera:

Aphididae), in sorghum: a review. Crop Protection, v. 23, n. 9, p. 739-755, 2004. SOUZA, M. F.; DAVIS, J. A. Detailed Characterization of Melanaphis sacchari (Hemiptera: Aphididae) Feeding

Behavior

on

Different

Host

Plants.

Environmental Entomology, v. 49, n. 3, p. 683–691, 2020.

Entomologia

33


TIMING DE APLICAÇÃO PARA O PULGÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NA CULTURA DO SORGO

LIMA, Diego Tolentino de1; FERNANDES, Rafael Henrique2; ALMEIDA, Dieimisson Paulo3. Eng. Agrônomo. Dr. em Agronomia, Pesquisador em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO. E-mail: diegotolentino@ comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 1

cultura no estado de Goiás pode ser superior a 125 sacas ha-1 (ALMEIDA et al., 2019). Como qualquer outra espécie cultivada, o sorgo enfrenta problemas fitossanitários. Os pulgões Melanaphis

sacchari,

Schizaphis

graminum

e

Rhopalosiphum maidis estão entre os principais insetos que prejudicam esta cultura. O pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari, é uma das principais pragas do sorgo na África, Ásia e Oceania (SINGH et al., 2004). Presente em mais de trinta países ele pode se alimentar de até vinte espécies de plantas da família Poaceae (as gramíneas). Além do sorgo e da cana-de-açúcar, já foram relatadas como espécies hospedeiras deste pulgão o trigo, arroz,

INTRODUÇÃO A produção brasileira de sorgo granífero na safra 2020/2021 deverá atingir 2,1 milhões de toneladas, em uma área total de 864,5 mil hectares, de acordo com o acompanhamento da safra brasileira de grãos (CONAB, 2021). Devido ao zoneamento agroclimático do estado de Goiás, o sorgo granífero pode substituir principalmente o cultivo de milho segunda safra, geralmente em sucessão a soja implantada no início de novembro e cultivada até a última semana de fevereiro (primavera-verão), o que torna o estado maior produtor, com aproximadamente metade da produção nacional. A produtividade desta

34

Entomologia

milho, aveia e cevada (SINGH et al., 2004; SOUZA e DAVIS, 2020). Em 2013 nos EUA foram relatados surtos do pulgão da cana-de-açúcar na cultura do sorgo, e em 2015 todos os 17 estados produtores naquele país relataram grandes infestações (BOWLING et al., 2016). No Brasil, em 2016 pesquisadores já alertavam sobre o potencial de dano do pulgão da cana-de-açúcar no sorgo. Em 2019 esta espécie de pulgão foi relatada causando danos econômicos em Minas Gerais, Distrito Federal e de São Paulo (MENDES et al., 2019). Desde 2020 as lavouras de sorgo das regiões dentro e próximas ao estado de Goiás apresentam altos índices de infestação por este pulgão, sendo observados até mais de mil insetos em uma única


folha. Em alguns casos o produtor teve que fazer até

recomendações da Embrapa, o monitoramento deve

cinco intervenções com inseticidas na cultura para

ser realizado inicialmente no terço inferior das plantas,

controlar a praga.

onde a infestação se inicia, procurando folhas com

Na

região

do

Sudoeste

Goiano,

tem-se

sintomas da ocorrência do pulgão, mela, fumagina

observado maior ocorrência do pulgão da cana-de-

e exúvias, avaliando a presença de colônias médias

açúcar no final da fase vegetativa e início da fase

(acima de 50 pulgões) sendo o “timing” de aplicação,

reprodutiva da lavoura de sorgo, apesar de poder estar

ou ponto de tomada de decisão, com 20% das plantas

presente em todas as fases de desenvolvimento da

com colônias médias (FERNANDES et al., 2021).

planta. Os insetos ficam na parte de baixo das folhas

Visto a importância do “timing” de aplicação para

e se alimentam sugando a seiva da planta, sendo

o manejo do pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari,

comum a infestação iniciar nas folhas mais velhas

na cultura do sorgo o objetivo do trabalho foi avaliar

(baixeiro) e avançar para as mais novas. Os sintomas:

o efeito do controle químico realizado em diferentes

amarelecimento, manchas vermelhas e necróticas,

níveis de infestação sobre a população da praga e a

podem ser observados até mesmo na face superior da

produtividade de grãos.

folha. Os danos são potencializados em situações de estresse, principalmente hídrico (SINGH et al., 2004). Devido à alta capacidade de reprodução desse inseto, ocorre formação de grandes colônias, e com

MATERIAL E MÉTODOS O

experimento

foi

conduzido

na

área

a sucção contínua da seiva da planta há excreção de

experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia

grandes quantidades de substâncias açucaradas,

COMIGO (ITC), da Cooperativa COMIGO, no município

que deixam as folhas abaixo cobertas por um tipo de

de Rio Verde – GO (S 17°45'57" e W 51°02'07"; 839

“melado” com aspecto pegajoso e brilhante (BOWLING

metros de altitude). A semeadura do híbrido de sorgo

et al., 2016). Nesta condição se desenvolve com o

granífero 1G100 foi realizada no dia 22 de março de

tempo um fungo (geralmente do gênero Capnodium) de

2021 (colheita dia 23 de julho de 2020 totalizando 123

cor enegrecida, chamado de fumagina, que prejudica

dias de ciclo), com a densidade de semeadura de 9,1

a fotossíntese da folha. Em altas infestações a planta

sementes por metro (população final na colheita de

pode secar mesmo antes de emitir a panícula, ou ainda

129 mil plantas ha-1). O tratamento de sementes foi

emitir a estrutura reprodutiva, porém com enchimento

realizado com Imidacloprido + Tiodicarbe (CropStar,

de grãos altamente comprometido.

150 + 450 g L-1, SC, Bayer) na dose de 150 + 450 g 100

Como o potencial de dano está relacionado com

kg-1 de sementes, respectivamente. A adubação de

o potencial reprodutivo do inseto, o monitoramento

semeadura foi realizada com 280 kg ha-1 do fertilizante

deve ser constante, pois, se a população do pulgão

formulado 08-20-18 no sulco. A adubação de cobertura

atingir níveis elevados na lavoura o controle será

foi realizada 200 kg ha-1 de 20-00-20 e outra com 100 kg

mais difícil e os danos já estarão ocorrendo. Assim,

ha-1 de Ureia.

um dos pontos principais no manejo para se utilizar a

O controle de plantas daninhas foi realizado

intervenção com inseticidas é o chamado “timing” de

através de uma aplicação em plante-aplique com

aplicação (hora certa de fazer a aplicação), quando

glifosato (Xeque Mate, 500 g e. a. L-1, SL, Monsanto)

a infestação ainda está no início. De acordo com as

na dose de 1500 g e. a. ha-1 logo após a semeadura

Entomologia

35


do sorgo e outra aplicação em pós-emergência das

no experimento.

plantas daninhas com o herbicida atrazina (Proof,

O experimento foi disposto em blocos ao

500 g i. a. L-1, SC, Syngenta) na dose de 1,0 kg i. a.

acaso (DBC), com quatro repetições. As parcelas

ha-1 com adição de adjuvante Iharol Gold na dose de

experimentais foram constituídas por 10 linhas de

0,5 L ha-1. Para o controle de manchas foliares foram

cultivo com espaçamento de 0,50 metros por 10

realizadas duas aplicações, a primeira de Fluxapiroxade

metros de comprimento. A parcela útil desconsiderou

+ Piraclostrobina (Orkestra, 167 + 333 g L-1, SC, Basf),

1,0 m inicial e final de cada linha da parcela e as duas

na dose de 50 + 100 g ha-1 respectivamente, com

linhas das extremidades. Foi realizada apenas uma

adição de adjuvante Mees na dose de 0,5 L ha-1, e a

aplicação de inseticida para controle do pulgão da

segunda Metominostrobina + Tebuconazol (Fusão,

cana-de-açúcar em cada tratamento em diferentes

110 + 165 g L-1, EC, Ihara), na dose de 79,8 + 119,6 g

datas, em função do nível de infestação, com exceção

ha-1 respectivamente, com adição de adjuvante Iharol

do tratamento com 100% de infestação (Nota 5), que foi

Gold na dose de 0,2 L ha-1. As aplicações de inseticidas

considerado como testemunha e não houve aplicação

foram realizadas somente por ocasião da aplicação nas

de inseticida (Tabela 1).

parcelas contempladas com os tratamentos avaliados

Tabela 1. Datas de aplicação em função dos tratamentos por níveis de infestação do pulgão da cana-deaçúcar no sorgo, híbrido 1G100, safra 2020/21.

Para avaliar a infestação do pulgão da cana-de-

apresenta uma quantidade moderada de pulgões,

açúcar no sorgo, foi utilizada a escala de notas proposta

muitas exúvias e há o surgimento de alguns sintomas,

por Fernandes et al. (2021), onde:

como amarelecimento ou avermelhamento na folha

Nota 1 (20% de infestação), a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e não há presença de exúvia (colônia pequena, menos de 50 pulgões folha ); -1

Nota 2 (40% de infestação), a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e há presença de exúvias; Nota 3 (60% de infestação), a planta de sorgo

36

Entomologia

(colônias grandes, mais de 50 pulgões folha-1); Nota 4 (80% de infestação), a planta de sorgo apresenta grande quantidade de pulgões, muitas exúvias e há sintomas na planta tanto na nervura central como na borda da folha. Nota 5 (100% de infestação), a planta de sorgo


fica tomada de pulgões, muitas exúvias e há sintomas

cana-de-açúcar no sorgo para cada data de avaliação

em toda a planta com o início de morte das folhas.

foram submetidos à análise de variância (ANOVA)

Para a aplicação nos tratamentos foi feita a

pelo teste F e no caso de efeito significativo dos

mistura dos inseticidas clorpirifós (Clorpirifós Nortox,

tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste

480 g L-1, EC, Nortox) na dose de 0,480 kg i. a. ha-1 com

de Tukey (P<0,05). Os dados de produtividade de grãos,

acetamiprido + bifentrina (Sperto, 250 + 250 g kg-1,

em função dos níveis de infestação por pulgão, foram

respectivamente, UPL) nas doses de 0,075 + 0,075 kg i.

analisados por meio de regressão não linear, utilizando

a. ha-1. A aplicação no tratamento com 0% de infestação

o modelo logístico (equação 1):

(Nota 0) foi realizada quando observada a presença dos primeiros pulgões isolados (migrantes de outras áreas),

presentes em poucas plantas, coincidindo com o “emborrachamento” das plantas de sorgo, considerado

(1)

a fase crítica da cultura, antecedendo a emissão

Em que:

das panículas, na mudança da fase vegetativa para

y = variável resposta (produtividade); x = nível

reprodutiva da cultura. Para os demais tratamentos a

de infestação por pulgão (%); a, b e X0 = parâmetros

aplicação foi realizada de acordo com o monitoramento

estimados do modelo.

das notas de infestação. As avalições de notas de

O modelo foi selecionado considerando a

infestação foram realizadas para todos os tratamentos

significância da análise de variância da regressão,

em cada data de aplicação.

o coeficiente de determinação (R2) e a significância

As

aplicações

foram

realizadas

com

pulverizador pressurizado por CO2 (Número de patente:

dos coeficientes do modelo por meio do teste “t”, de Student.

BR1020160075653) montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador é dotado com barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m. As pontas utilizadas para

RESULTADOS E DISCUSSÃO A

primeira

aplicação,

no

tratamento

pulverização foram modelo ADIA 11001.D, da marca

considerado como 0% de infestação (Nota 0) foi

Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada

realizada quando observada a presença dos primeiros

com a pressão de trabalho na ponta de pulverização de

pulgões isolados em algumas plantas. Nota-se que

2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.

sete dias após esta aplicação a infestação neste

A produtividade de grãos foi obtida em três

tratamento continua zerada (nota 0,00) se diferindo

linhas centrais de semeadura com 3,0 metros de

dos demais tratamentos, nos quais ainda não

comprimento, realizando dois pontos de amostragem

havia ocorrido aplicação de inseticida (nota média

dentro de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos,

entre eles de 0,97), com aproximadamente 20% de

trilhados e secos. Foi calculada a produtividade para

infestação (Tabela 2).

um hectare, considerando-se a umidade padrão de 13% para comercialização do grão, tomado como medida a saca de 60 kg de grãos. Os dados de notas de infestação por pulgão da

Entomologia

37


Tabela 2. Notas de infestação do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari, no sorgo, híbrido 1G100, em função dos tratamentos com diferentes níveis de infestação, safra 2020/21.

Semelhante ao ocorrido com a aplicação

80% no valor de 5,00 para 3,05 aos 14DA 80%, pelo

para o primeiro tratamento (0%), a aplicação da

esgotamento do alimento (morte dos tecidos foliares)

mistura inseticida (clorpirifós + acetamiprido +

reduzindo assim a população de pulgões.

bifentrina) nos demais tratamentos (20, 40, 60 e 80%)

A produtividade de grãos foi influenciada

foi eficiente para reduzir significativamente o valor

pelo nível de infestação em que foi realizado o

das notas de infestação no decorrer das datas de

controle do pulgão da cana-de-açúcar na cultura do

aplicação, sempre para valores inferiores a nota 1,00,

sorgo, variando de 35,9 kg ha-1 no nível de 100% de

correspondente a 20% de infestação.

infestação (sem aplicação da mistura inseticida) a

No decorrer das datas de avaliação/aplicação

93,5 kg ha-1 com aplicação de inseticida no nível de

notou-se também um aumento gradual nas notas

20% de infestação no híbrido de sorgo 1G100. Os

de infestação nos tratamentos nos quais não havia

dados se ajustaram à regressão não linear, utilizando

aplicação da mistura inseticida, saindo de 0% para

o modelo logístico (Figura 1).

nota 5, 100% de infestação, no decorrer de cindo semanas (Tabela 2). Durante a última avaliação (14DA 80%), no tratamento onde não houve aplicação da mistura inseticida, 100% (Nota 5), as plantas de sorgo se apresentavam totalmente tomadas por pulgões, havia presença de muitas exúvias e sintomas amarelecimento, avermelhamento em toda planta, e início de seca e morte das folhas, fato que pode explicar a redução da nota de infestação aos 7DA

38

Entomologia


Figura 1. Produtividade do híbrido de sorgo 1G100 em função de níveis de infestação para controle do pulgão da cana-de-açúcar (Melanaphis sacchari). Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio VerdeGO, safra 2020/2021. Como observado na Figura 1 o pulgão da cana-

sorgo na segunda safra, de forma que as infestações do

de-açúcar é bastante agressivo na cultura do sorgo,

pulgão da cana-de-açúcar quando a cultura do sorgo

reduzindo 61,6% da produtividade. No entanto essa

se encontra mais sensível, no emborrachamento, com

agressividade foi menor do que nas safras anteriores,

início da emissão das panículas e na mudança da fase

como podemos observar na produtividade de grãos

vegetativa para reprodutiva da planta, se deram em um

na testemunha sem aplicação de inseticidas com 35,9

período um pouco mais frio que o normal, interferindo

kg ha em comparação à safra anterior produzindo

negativamente na multiplicação do pulgão.

-1

10,5 kg ha na testemunha com o mesmo híbrido de

Como o potencial de dano está relacionado com

sorgo em trabalho conduzido também no ITC (LIMA et

o potencial reprodutivo do inseto, o monitoramento deve

al., 2020), além do que a literatura ressalta perdas no

ser constante, pois, se a população do pulgão atingir

rendimento de até 100%, dependendo do genótipo em

determinados níveis de infestação os danos já estarão

condições de alta infestação (FERNANDES et al., 2021).

ocorrendo (Figura 1). Assim, um dos pontos principais

Isso pode ser explicado pelo atraso na semeadura

no manejo para se utilizar a intervenção com inseticidas

da soja em função do atraso na regularidade de

é o chamado “timing” de aplicação (hora certa de fazer

chuvas para estabelecimento da primeira safra que,

a aplicação), quando a infestação ainda está no início.

consequentemente, também atrasou a semeadura do

De acordo com as produtividades observadas no

-1

Entomologia

39


presente trabalho a realização do controle do pulgão

Pelas estimativas do modelo de regressão, as

no nível de infestação de 20% de infestação (Nota 1),

maiores produtividades, do híbrido de sorgo 1G100,

com a planta de sorgo apresentando poucos pulgões,

estão entre 91,3 a 90,0 kg ha-1 com infestação do

colônias pequenas, menos de 50 pulgões folha-1, a

pulgão da cana-de-açúcar variando de zero a 19%,

produtividade é maior. Já pelas estimativas do modelo

respectivamente.

de regressão ajustado, as maiores produtividades estão entre 91,3 a 90,0 kg ha-1 com infestação variando de zero a 19%, respectivamente.

AGRADECIMENTOS

O pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari, trata-

À equipe de campo, pesquisadores e estagiários

se de um problema que onera consideravelmente os

do ITC pelo apoio na implantação e condução do

custos de produção na cultura do sorgo, exigindo que

experimento.

o produtor se torne ainda mais técnico. Ações como realizar semeadura na janela ideal, fazer investimento em adubação para altas produtividades, realizar aplicação de fungicidas para manchas foliares e aplicação de inseticidas no momento adequado serão fundamentais para alcance produtividades satisfatórias, que cubram as despesas de produção e gerem

ALMEIDA, D. P.; FURTINI NETO, A. E.; BRAND, S. C. Épocas de semeadura de híbridos de sorgo em segunda safra 2017/2108: produtividade de grãos. In: FURTINI

margem aceitável para que o produtor se mantenha

NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; BILEGO, U. O.;

na atividade. Atualmente existem poucos registros de

FERNANDES, R. H.; GOMES, F. H. F. (Eds.). Anuário de

produtos para a cultura do sorgo e, especificamente

Pesquisas Agricultura – Resultados 2019. Rio Verde:

para o pulgão M. sacchari não existem inseticidas

Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2019. p.

registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária

134-139.

e Abastecimento (MAPA). Assim, é indispensável a presença do Engenheiro Agrônomo responsável pela lavoura durante o monitoramento e definição das melhores estratégias de manejo desta praga.

CONCLUSÃO

BOWLING, R. D.; BREWER, M. J.; KERNS, D. L.; GORDY, J.; SEITER, N.; ELLIOTT, N. E.; BUNTIN, G. D.; WAY, M. O.; ROYER, T. A.; BILES, S.; MAXSON, E. Sugarcane Aphid (Hemiptera: Aphididae): A New Pest on Sorghum in North America. Journal of Integrated Pest Management, v. 7, n. 1, p. 1–13, 2016.

Sem a aplicação de inseticidas houve aumento

CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento.

gradual na infestação do pulgão da cana-de-açúcar, M.

Boletim da safra de grãos, 12º Levantamento - Safra

sacchari, no híbrido de sorgo 1G100 de 0% para 100%

2020/21. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/

no decorrer de cinco semanas. Nas condições ambientais da safra 2020/2021, a maior produtividade (93,5 kg ha-1), do híbrido de sorgo 1G100, foi observada com controle do pulgão da canade-açúcar realizado com 20% de infestação (Nota 1).

40

REFERÊNCIAS

Entomologia

info-agro/safras/graos/boletim-da-safra-de-graos>. Acesso em: 13 set. 2021. FERNANDES, F. O.; SOUZA, C. da S. F.; AVELLAR, G. S. de; NASCIMENTO, P. T.; DAMASCENO, N. C. R.;


SANTOS, N. M. dos; LIMA, P. F.; SANTOS, V. M. C. dos; SIMEONE, M. L. F.; PARRELLA, R. A. da C.; MENEZES, C. B. de; OLIVEIRA, I. R. de; MENDES, S. M. Manejo do pulgão da cana-de-açúcar (Melanaphis sacchari/ sorghi) na cultura do sorgo. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2021. 24 p. (Comunicado Técnico, 249). LIMA, D. T.; FERNANDES, R. H.; ALMEIDA, D. P.; FREITAS, B. V.; ROSA, V. C. S. Inseticidas no controle do pulgão da cana-de-açúcar na cultura do sorgo consorciado com Urochloa ruziziensis. In: FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; NASCIMENTO, H. L. B.; FERNANDES, R. H.; BILEGO, U. O. (Eds.). Anuário de Pesquisas Agricultura – Resultados 2020. Rio Verde: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2020. p. 8492. MENDES, S. M.; VIANA, P. A.; OLIVEIRA, I. R.; MENEZES, C. B.; WAQUIL, J. M.; TOMPSON, W. Pulgão-da-canade-açúcar no sorgo: um velho conhecido, mas um novo problema. Grão em Grão, ano 13, n. 112, 2019. SINGH, B. U.; PADMAJA, P. G.; SEETHARAMA, N. Biology and management of the sugarcane aphid, Melanaphis sacchari

(Zehntner)

(Homoptera:

Aphididae),

in

sorghum: a review. Crop Protection, v. 23, n. 9, p. 739755, 2004. SOUZA, M. F.; DAVIS, J. A. Detailed Characterization of Melanaphis sacchari (Hemiptera: Aphididae) Feeding Behavior on Different Host Plants. Environmental Entomology, v. 49, n. 3, p. 683–691, 2020.

Entomologia

41


Fitopatologia

42

Entomologia


Entomologia

43


CONTROLE DE DOENÇAS FOLIARES DO SORGO COM DIFERENTES FUNGICIDAS

FERNANDES, Rafael Henrique1; LIMA, Diego Tolentino de2; ALMEIDA, Dieimisson Paulo3; FURTINI NETO, Antônio Eduardo4

e bons rendimentos de massa seca por unidade de

Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Ciência do Solo, Pesquisador do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: antoniofurtini@comigo. com.br

elevada qualidade e menor custo (NEUMANN et al.,

1

área. Assim, o sorgo tem se mostrado cada vez mais como uma alternativa viável para compor rações com 2002). O cultivo do sorgo no Cerrado tem assumido grande relevância para a produção de grãos, sobretudo, frente as instabilidades climáticas que enfrentadas nas últimas safras (EMBRAPA, 1988). Esta cultura apresenta necessidades hídricas que garantem certa tolerância à seca quando compara a outras culturas que podem ser cultivadas na segunda safra, como, por exemplo o milho e o girassol. Assim, é considerada uma cultura de segurança para plantios em períodos de final de chuva ou épocas com chuvas mal distribuídas (MENEZES et al., 2018). O sorgo granífero, isto é, destinado ao cultivo para produção de grãos, representa maior relevância em termos de desenvolvimento de tecnologias, áreas de cultivo e,

INTRODUÇÃO

44

obviamente, maior movimentação financeira (RIBAS, 2008). Os genótipos atualmente cultivados apresentam

O sorgo (Sorghum bicolor L. Moench) é uma

ampla adaptação às condições edafoclimáticas do

gramínea tropical de origem africana (PURCINO,

Cerrado, permitindo boa adaptabilidade em regiões onde

2011). É considerado o quinto cereal mais importante

estresses hídricos (déficit hídricos) são recorrentes em

no mundo, ficando atrás apenas do trigo, arroz,

períodos de cultivo (MARIGUELE E SILVA, 2002). Estas

milho e cevada (GUERREIRO, 2006). Os grãos

são as principais características que credenciam a

produzidos, apresentam elevados níveis nutricionais,

cultura do sorgo a ter um grande potencial de expansão

com boa concentração de carboidratos solúveis

em áreas com distribuição pluvial irregular e ser cultivado

Fitopatologia


em sucessão a culturas de verão (COELHO et al., 2002).

no Sudoeste Goiano, se destacam: a antracnose

Algumas dificuldades no cultivo do sorgo estão

(Colletotrichum graminicola – sin. Colletotrichum

na comercialização e no destino da colheita. A cadeia

sublineolum P. Henn., Kabat e Bulbak), helmintosporiose

produtiva, por hora, ainda carece de estruturação, e

(Exserohilum turcicum), míldio (Peronosclerospora

geralmente, o valor de venda do sorgo é atrelado ao

sorghi), ergot/doença açucarada do sorgo (Claviceps

do milho, normalmente precificado em até 80% do

africana), ferrugem (Puccinia purpurea), cercosporiose

preço deste cereal (VIANA, 2019). Além disso, há o

(Cercospora sorghi) e a podridão seca (Macrophomina

processamento na indústria: a produção do sorgo

phaseolina) (SILVA et al., 2012).

normalmente é realizada quando o produtor já possui

Atualmente, os fungicidas registrados para uso

um destino acertado da colheita, seja para alguma

na cultura do sorgo contém o Tebuconazol (triazol) em

indústria, seja para consumo em estabelecimento

sua composição, podendo estar também em mistura

próprio (VIANA, 2019).

com moléculas de outros grupos químicos, boa parte

Em comparação ao cultivo do milho, com a

deles visando o controle da doença açucarada do

qual existe certa preferência ou “competição” de

sorgo. Contudo, existem grupos químicos e moléculas

áreas destinadas ao cultivo, a cultura do sorgo carece

de fungicidas, desenvolvidas nos últimos qanos, que

também de tecnologias e produtos registrados para o

devem ser avaliadas quanto ao seu uso e eficiência no

manejo fitossanitário da cultura. Como, por exemplo,

sorgo, pois poderão auxiliar no manejo destas doenças.

para o manejo de plantas daninhas e pragas, em que

Na região Centro Oeste a incidência e severidade de

o milho apresenta facilidades por possuir transgenia

doenças como a antracnose, helmintosporiose, míldio

definida que confere resistência à insetos pragas, que

e cercosporiose têm aumentado substancialmente.

é conhecida tecnologia Bt., tolerância ao glifosato

Esta realidade vivenciada pelos produtores de sorgo,

(tecnologia RR) e tolerância ao glufosinato de amônio

compromete ainda mais o manejo adequado de

(tecnologia Liberty Link) (MORAIS E BORÉM, 2015).

doenças, bem como a execução de um programa de

Em relação às doenças, existe grande limitação de

aplicação de fungicidas com diferentes ingredientes

moléculas e produtos comerciais visando seu controle,

ativos, rotação de mecanismos de ação e elevada

que conhecidamente, estão associados às lavouras de

eficiência de controle.

sorgo e limitam consideravelmente sua produtividade.

O cultivo do sorgo ainda carece de incentivos

Ao passo que, para o milho, existem dezenas de

consistentes dos setores público e privado para a

produtos já registrados, estratégias bem definidas de

ampliar a competitividade e seus horizontes de mercado,

aplicações e também incentivos financeiros para o

ainda assim é possível notar um avanço significativo

desenvolvimento de novas moléculas (AGROFIT, 2021).

na cadeia produtiva do grão nos últimos anos. Boa

Soma-se a isto, o grande número de linhagens e híbridos

parte pelo desenvolvimento de materiais melhor

que são lançados anualmente e que apresentam

adaptados às regiões de cultivo, com maior resistência

tolerâncias e/ou resistência à patógenos, enquanto

à pragas e doenças, e pela habilidade dos produtores

que, para o sorgo este número é consideravelmente

e profissionais da área. Em se tratando de doenças o

menor.

manejo tem sido baseado no histórico da área, época

Dentre as doenças que comumente atacam

de plantio e ocorrência das principais doenças, escolha

e comprometem a produtividade da cultura do sorgo

adequada de genótipos e tratos culturais durante o

Fitopatologia

45


ciclo (SILVA et al., 2014). Contudo, o grande déficit de

do sorgo. Posteriormente, cerca de 25 dias após o

produtos registrados para a cultura tem dificultado a

plantio, foram aplicados em pós-emergência das

elevação dos patamares de produtividade.

plantas daninhas o herbicida atrazina (Proof, 500 g i.

Desta

forma,

o

objetivo

foi

avaliar

o

a. L-1, SC, Syngenta), na dose de 0,75 kg i. a. ha-1, com

desempenho de fungicidas no controle de doenças

adição 0,30 L ha-1 de adjuvante óleo mineral (Iharol

foliares e sobre a produtividade da cultura do sorgo.

Gold, 760 g L-1, EC, Ihara). Para o controle de pragas foram realizadas avaliações semanais e aplicações

MATERIAL E MÉTODOS O

experimento

foi

conduzido

de inseticidas recomendados quando atingido o nível de controle. As principais pragas que acometeram na

área

experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia

pulgões.

COMIGO (ITC), localizado em Rio Verde-GO (S

O delineamento experimental utilizado foi

17°45’46’’ e W 51°02’03’’, 835 m de altitude), com

o de Blocos Casualizados, com 10 tratamentos e

áreas

quatro repetições/blocos, totalizando 40 parcelas. As

predominantes

de

Latossolo

Vermelho

distrófico (SANTOS et al., 2018).

parcelas foram compostas por 10 linhas, espaçadas

O material utilizado foi o híbrido de sorgo 1G100

a 0,50 m e com 10 metros de comprimento,

da Brevant Sementes. Este híbrido de sorgo granífero

equivalente a uma área de 50 m2 (10,0 x 5,0 m), sendo

apresenta porte baixo, com altura média de 1,15 m,

considerada como parcela útil seis metros das quatro

bom vigor vegetativo e é tolerante ao acamamento.

linhas centrais.

É um híbrido considerado superprecoce, possui

Os tratamentos foram compostos por duas

panícula semiaberta com grãos de cor castanho-

aplicações (sequenciais) de diferentes fungicidas,

escuro e sem tanino (Brevant Sementes). A semeadura

contendo misturas duplas e uma mistura tripla

foi realizada no dia 17/03/2021, com densidade de

de moléculas fungicidas, além de um tratamento

semeadura de 11,7 plantas por metro de linha, e a

testemunha (Tabela 1). A primeira aplicação foi

população final foi estimada em 187.000 plantas ha-

realizada cerca de 35 dias após a emergência, com

, em avaliação realizada com as plantas em estádio

a cultura em estádio vegetativo em torno de V10, e a

fenológico V6. As sementes foram tratadas com 150

segunda aplicação realizada 16 dias após, culminando

g de Imidacloprido e 450 g de Tiodicarbe para cada

com a fase de pré-emborrachamento da cultura.

100 kg de ementes (CropStar, Bayer – 1,0 L/100 kg de

Durante as aplicações as condições meteorológicas

sementes). Na adubação de plantio foram aplicados

de temperatura (°C), umidade relativa do ar (%) e

300 kg ha-1 do formulado 08:20:18 (N:P:K). Além disso,

velocidade do vento (km h-1) foram mensuradas com

foram realizadas duas adubações de cobertura, a

o equipamento termo-hidro-anemômetro (Tabela 2).

1

primeira com 200 kg ha-1 do formulado 20:00:20 e, posteriormente 100 kg ha-1 Ureia. O controle de plantas daninhas foi realizado com a aplicação do herbicida glyphosate (Xeque Mate, 500 g e. a. L-1, SL, Ihara), na dose de 1,5 kg e. a. ha-1 logo após a semeadura (plante-aplique)

46

a área experimental foram lagarta-do-cartucho e

Fitopatologia


Tabela 1. Relação dos tratamentos com as diferentes moléculas fungicidas (Ingredientes Ativos), fungicidas comerciais e doses utilizadas nas aplicações no sorgo 1G100. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo, Rio Verde-GO, segunda safra do ano agrícola 2019/2020. Trat.

Ingrediente Ativo (I. A.)

1

Testemunha

Dose

Produto Comercial (p.c.)

L ou kg ha-1

g I. A. ha-1

-

-

-

2

Piraclostrobina + Epoxiconazol

1

Abacus

0,3

78; 48

3

Piraclostrobina + Epoxiconazol1

Opera

0,6

80; 30

4

1

Orkestra

0,3

50; 100

Fox Xpro

0,5

62,5; 75; 87,5

Nativo

0,6

60; 120

Fluxapiroxade + Piraclostrobina

5

Bixafem + Trifloxistrobina + Protioconazol

6

Trifloxistrobina + Tebuconazol2

2

2

7

Azoxistrobina + Ciproconazol + Mancozebe

Triziman

1,5

67,5; 45; 1.012,5

8

Azoxistrobina + Ciproconazol

3

Priori Xtra

0,3

60; 24

9

Tiofanato-Metílico + Fluzinam

Approve

1,0

375; 375

10

Carbendazim + Tebuconazol

Rivax

1,5

375; 187,5

1

-1

3

2

Adicionado Mees (0,5 L ha ); Adicionado Aureo 0,25% v/v; Adicionado Ochima (0,25 L ha-1).

As aplicações foram realizadas com pulverizador

post-mix com capacidade de 10 L. As pontas utilizadas

pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3)

para pulverização foram modelo ADIA 110 015/D,

montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv).

da marca Magnojet. A calibragem do equipamento

O pulverizador é dotado com barra de cinco metros,

ajustada para pressão de trabalho na ponta de 2,8 bar

com 10 bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A

(40,6 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.

calda preparada era acondicionada em tanques tipo

Tabela 2. Dados meteorológicos nas aplicações de fungicidas no sorgo, híbrido 1G100. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo (ITC), Rio Verde-GO, safra 2020/2021.

As avaliações de incidência e severidade

de uma última avaliação próxima à colheita. Nas

das doenças foram realizadas na véspera de cada

avaliações foram identificadas as principais doenças

aplicação, 20 dias após a última aplicação, além

que acometeram as plantas e realizada uma estimativa

Fitopatologia

47


de severidade média dos tecidos foliares afetados por

Aliado a isto, o manejo fitossanitário de pragas

estas doenças, expressa em % de tecido foliar, variando

e plantas daninhas auxiliaram para proporcionar

de 0 a 100%. A partir das avaliações foi possível calcular

desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da lavoura.

a Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença

Outro fato importante foi a semeadura realizada no

(AACPD) (CAMPBELL e MADDEN, 1990), que auxilia na

momento em que o balanço hídrico do solo era positivo,

quantificação da doença no campo e é utilizada para os

ou seja, com elevada umidade. Posteriormente,

cálculos de eficiência de controle (%) dos tratamentos.

as chuvas que ocorreram na área, ocorreram em

A colheita foi realizada no dia 27/07/2021, completando

momentos fundamentais para o desenvolvimento da

o ciclo com 118 dias de cultivo.

cultura, contemplando o início da fase reprodutiva

A produtividade foi estimada pela colheita de

e também de enchimento dos grãos. Mesmo diante

três metros de quatro linhas da parcela útil. As amostras

das adversidades da safra, foi possível obter um bom

colhidas foram identificadas e posteriormente trilhadas,

desenvolvimento da lavoura (Figura 1).

pesadas e mensuradas quanto à umidade. Os dados foram ajustados para umidade padrão de 13% e os resultados expressos em sacas de 60 kg por hectare (sc ha-1). Os dados de severidade, AACP-Manchas foliares e produtividade foram submetidos à análise de variância e aplicado o teste de Scott-Knott (P<0,05) para separação das médias, através software SISVAR (FERREIRA, 2014).

RESULTADOS E DISCUSSÃO A distribuição pluviométrica bastante irregular e insuficiente na maioria das áreas produtoras, resultou em um cenário de reduções na produção e produtividade de sorgo em praticamente todas as regiões Centro-Oeste do Brasil. Além disso, os atrasos observados na semeadura da soja, no ano anterior, culminaram em atrasos consideráveis também para as culturas de segunda safra, como, por exemplo, o milho e o sorgo. Assim, grande parte das lavouras acabou sendo comprometida por estes fatores. A área experimental na qual o experimento foi conduzido trata-se de uma área com alta fertilidade, na qual foram realizadas adubações visando altas produtividades,

48

Fitopatologia

conforme

descrito

anteriormente.


Figura 1. Vista parcial da área experimental de fungicidas no controle de doenças foliares de sorgo. Foto retirada um dia após a incidência de geada na área (02/07/2021). Arquivo pessoal. Em relação a incidência e severidade de

causou danos consideráveis nos tecidos foliares,

doenças, os resultados evidenciaram que todos os

com morte de extensos tecidos e seca intensa das

fungicidas avaliados foram eficientes, reduzindo

folhas. Após este evento climático, seguiu-se por um

significativamente a severidade e a AACPD-Manchas

longo período de estiagem. Desta forma, o processo

foliares,

testemunha.

epidemiológico das doenças predominantes na área

Possivelmente, as condições ambientais adversas

experimental (antracnose foliar e helmintosporiose)

impediram

foi drasticamente afetado, culminando em baixos

em

comparação um

avanço

com maior

a

de

doenças,

principalmente no tratamento testemunha, na qual

valores de severidade e AACPD (Tabela 3).

a severidade final ficou abaixo dos 10% (Tabela 3). Em condições de cultivo com a ausência de controle químico de doenças, aliado a genótipos com alta suscetibilidade às doenças foliares, os níveis de severidade podem ser próximos a 30% de tecido foliar afetado (Fernandes et al., 2020). Da mesma maneira, a AACPD-Manchas foliares no sorgo, atingiu valores considerados modestos, com início expressivo nos meses de maio e junho, e estabilização após o mês de julho. A ocorrência de uma geada de forma agressiva na área experimental no dia 01 de julho de 2021,

Fitopatologia

49


Tabela 3. Valores médios de Severidade Final, AACPD-Manchas foliares e Eficiência de controle em função dos diferentes tratamentos fungicidas aplicados no sorgo, híbrido 1G100. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo-ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.

A

eficiência

negativamente

pelas

de

controle questões

foi

afetada

e

Carbendazim+Tebuconazol

anteriormente

(Tabela 3). Ao analisar as variáveis mensuradas e

citadas, que influenciaram diretamente o pleno

estimadas de forma conjunta, observa-se que mesmo

desenvolvimento da cultura e a também a obtenção

nos tratamentos com valores de eficiência de controle

de níveis mais elevados de doença no tratamento

abaixo de 50% houve uma redução significativa na

testemunha. Assim, todos os fungicidas avaliados

quantidade de doenças foliares (representada pelos

apresentaram eficiência de controle superior a

valores de Severidade Final e AACPD-Manchas

40%, com os maiores valores atingindo 56,5% para

foliares).

os tratamentos com aplicações de: Tiofanato-

50

Metílico+Fluazinam

Fitopatologia


Figura 1. Produtividade média de sorgo (sc ha-1), híbrido 1G100 após aplicações de diferentes ingredientes ativos fungicidas (C.V. = 7,37). Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo-ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021. A

aplicação

dos

fungicidas

proporcionou

aumentos significativos de produtividade do sorgo em comparação ao observado na testemunha (116,8 sc ha-1), atingindo valores superiores a 130 sc ha-1. Estes resultados demonstram e reforçam ainda mais o potencial da utilização dos fungicidas no controle químico de doenças no sorgo. Pois, mesmo nesta safra em que houveram grandes desafios, seja por deficiência hídrica e/ou geadas (Figura 1), e baixos níveis de severidade de doenças, ainda assim os fungicidas avaliados foram eficientes na redução de doenças e no aumento da produtividade da cultura.

CONCLUSÃO Todos os fungicidas avaliados foram eficientes na redução da severidade de doenças e proporcionaram ganhos significativos de produtividade. A adoção de fungicidas no manejo de doenças foliares do sorgo é uma importante ferramenta para a obtenção de altas produtividades. Contudo, o número restrito de fungicidas registrados para a cultura dificulta a adoção e intensificação desta técnica por parte de técnicos e produtores.

Fitopatologia

51


2021.

AGRADECIMENTOS

MARIGUELE, K. H.; SILVA, P. S. L. Avaliação dos

À equipe de campo, estagiários e demais pesquisadores do ITC pelo apoio na execução do experimento.

13-18, 2002. SILVA, D. D.; MENDES, S. M.; ALBUQUERQUE, C. J. B.; RODRIGUES, J. A. S. É possível aumentar

AGROFIT (Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários). Ministério

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52

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Fitopatologia

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Fitopatologia

53


DINÂMICA POPULACIONAL DE FITONEMATOIDES NO CULTIVO DA SEGUNDA SAFRA

SANTOS, Leonardo de Castro¹; TEIXEIRA, Renato Andrade²; GERALDINE, Alaerson Maia³, SILVA, Yasmin Santos4

um papel importante nos complexos de doenças que

¹Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia (PPGAUFG), Professor/Pesquisador do Instituto Federal Goiano, Polo de Inovação – Rio Verde-GO. E-mail: leonardo.castro@ifgoiano.edu.br ²Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia (PPGAUFG), Professor/Pesquisador do Instituto Federal do Mato Grosso, Campus Sorriso – Sorriso-MT. E-mail: renato.teixeira@ifmt.edu.br ³Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitopatologia (PPGFIT-UnB), Professor/Pesquisador do Instituto Federal Goiano, Polo de Inovação – Rio Verde-GO. E-mail: alaerson.geraldine@ifgoiano.edu.br 4 Engenheira agrônoma, Mestre em Bioenergia e Grãos (PPGBG-IF Goiano), RTC-KWS Sementes – Rio VerdeGO. E-mail: agroyasmin@hotmail.com

aos nematoides, muitas vezes, passa despercebido por

envolvem outros patógenos, habitantes ou invasores, do solo. A expressão de danos nos cultivos agrícolas devido falta de sintomas diagnósticos e amostragem para fins de diagnose. De acordo com Sasser & Freckman (1987), os nematoides parasitas de plantas causam em média 12,3% de perdas anuais na agricultura em nível global, estimadas em 173 bilhões de dólares. Agrios (2005), Abad et al. (2008), Nicol et al. (2011), Elling (2013) e FAO (2019) atribuem aos fitonematoides, perdas em torno de 80 a 157 bilhões de dólares à agricultura. Essa redução, comparando à estimativa anterior, pode ser resultante da disponibilização e inovação das ferramentas e técnicas de manejo integrado dos nematoides parasitas das importantes culturas agrícolas.

DANOS E OCORRÊNCIA DE FITONEMATOIDES Os fitonematoides são os principais fatores bióticos relevantes na produção agrícola brasileira e mundial, limitando a produtividade e a produção dos cultivos e, em último caso, pode limitar a área de cultivo de espécies importantes, como tem ocorrido em áreas produtoras de soja nos estados de Mato Grosso e Tocantins. Além das perdas diretas na produtividade das culturas, os nematoides também desempenham

54

Fitopatologia

Tendo em vista a importância do papel do Brasil como produtor de alimentos para o mundo e a intensificação do uso do solo e recursos naturais que é demandada para atingir altos níveis produtivos, criase condições adequadas ao estabelecimento dos fitonematoides. Levantamentos realizados pela Embrapa, Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN) e Aprosoja apontam danos de R$ 35 bilhões por ano ao agronegócio brasileiro, provocados por nematoides (MACHADO, 2015). No Brasil o nematoide de cisto da soja (Heterodera


glycines),

o

nematoide

das

lesões

radiculares

Verde, que atua na região do Sudoeste Goiano, com

(Pratylenchus brachyurus e Pratylenchus spp.), os

mais de 4500 amostras já avaliadas, menos de 5% das

nematoides causadores de galhas (Meloidogyne

amostras recebidas e processadas possuem indivíduos

incognita e M. javanica) e o nematoide reniforme

de Meloidogyne sp. Este dado demonstra que este

(Rotylenchulus reniformis) tem sido os principais

nematoide não é um grande problema para a região.

nematoides responsáveis pelos maiores danos à

Já se tratando de outros fitonematoides com potencial

agricultura (BRAND et al., 2018). Exceto H. glycines, os

para causar danos econômicos as três espécies que

demais nematoides citados também podem atacar e

se destacaram foram H. glycines, P. brachyurus e

causar danos às espécies cultivadas na segunda safra,

Helicotylenchus ssp.

na agricultura brasileira, como o milho, sorgo, milheto, crotalárias e algodão.

Helicotylenchus spp. tem se tornando um gênero preocupante em função do aumento da ocorrência em

Uma das características que permitiram aos

amostras nematológicas de solo, onde além de estar

fitonematoides se sobressaíssem em áreas cultivadas foi

associada aos danos observados nas raízes, muitas

sua capacidade em sobreviver em condições adversas,

vezes, podem colaborar para a intensificação de

através do uso de variadas estratégias de sobrevivência.

danos provocados por fungos de solo causadores de

Nematoides do gênero Meloidogyne formam sítios de

podridões radiculares (BRAND et al., 2018; MACHADO

alimentação causando hiperplasia e hipertrofia nestas

et al., 2019). Ainda segundo esses relatos, além da soja

células nutridoras (ALMEIDA et al., 2017). As fêmeas

como excelente hospedeira, Helicotylenchus pode se

de H. glycines, ao completarem o seu ciclo de vida ou

hospedar, multiplicar e causar danos no algodão, feijão,

serem afetadas por ferramentas de manejo (bióticas ou

crotalárias, gramíneas (milho, sorgo, milheto, etc.) e

abióticas), morrem, porém, mantendo os ovos, em seu

em diversas plantas daninhas. Para Brand et al. (2018)

interior, de forma viável, em uma estrutura rígida e leve,

uma característica preocupante desse nematoide

que são os cistos. Em contrapartida alguns gêneros

é a capacidade de sobrevivência e manutenção

se caracterizam por apresentar menores graus de

da população mesmo nos meses secos. Contudo,

especificidade, sendo evolutivamente mais recentes

estratégias de manejo durante os meses mais secos

que os anteriormente citados, como os gêneros

podem ser empregadas na tentativa de reduzir os níveis

Pratylenchus e Helicotylenchus.

populacionais.

Os nematoides

pertencentes a estes gêneros são classificados como

Em

termos

gerais,

a

importância

dos

endoparasitas migratórios, depositarem seus ovos

fitonematoides na produção agrícola é bastante

tanto nas raízes, quanto no solo (DEBIASI et al., 2016;

variável e depende da espécie ou cultivar plantada, das

MACHADO et al., 2019).

condições edafoclimáticas das regiões de cultivo, das

Plantas

atacadas

por

Meloidogyne

sp.

práticas culturais adotadas, do nível populacional e da

apresentam mudanças morfológicas e fisiológicas

espécie de nematoide presente. Ainda, a importância

nas raízes, com presença de galhas, essas plantas

dessas espécies no país deve-se a aspectos relevantes,

apresentam crescimento retardado, clorose e baixa

como a presença endêmica, em diversas regiões

produtividade (RECHENMACHER et al., 2020). Conforme

produtoras (de M. javanica e M. incognita), a elevada

banco de dados do Laboratório de Fitopatologia e

variabilidade genética (H. glycines) e aos riscos

Nematologia do Instituto Federal Goiano – Campus Rio

potenciais de danos decorrentes do incremento de

Fitopatologia

55


áreas cultivadas com espécies suscetíveis – casos de

ação para estabelecimento das ferramentas de manejo

P. brachyurus e R. reniformis. Acrescenta-se, como no

de nematoides que venham ocorrer nos cultivos de

caso de P. brachyurus e Helicotylenchus spp., onde

segunda safra.

não se tem materiais com resistência genética para a

Uma das estratégias para reduzir a densidade

espécies cultivadas na segunda safra, na agricultura

populacional de nematoides é a rotação de culturas. É

brasileira e, à alta frequência na ocorrência em

uma prática eficiente e economicamente viável, onde se

amostras de solo originárias de lavouras de soja e

utilizam plantas não hospedeiras, a fim de evitar altos

milho, respectivamente.

índices de infestação (LORDELLO, 1981; QUEIRÓZ et al.,

Em relação ao manejo para a avaliação da

2014). A rotação com pastagem oferece a vantagem de

dinâmica populacional, o controle de nematoides,

ter as plantas no campo durante todo o ano, diminuindo

com o uso de diferentes métodos, é importante para

a densidade populacional de fitonematoides (VALLE

o sucesso na redução dos danos causados por estes

et al., 1996). De acordo com Queiroz et al. (2014), as

parasitas (ARAUJO et al., 2012). Segundo Ferraz (2018),

espécies de Brachiaria têm papel importante pela sua

os métodos mais comumente utilizados, são: controle

produtividade, capacidade de adaptação ao pastejo e

varietal (plantio de variedades/cultivares resistentes ou

às condições ambientais, manejo em áreas cultivadas

tolerantes); controle cultural (rotação, ou sucessão, de

e, para algumas espécies, a supressão de nematoides.

culturas); e controle mediante aplicações de produtos

O efeito de rotação e sucessão de culturas, utilizando

– biológicos ou químicos – com ação nematicida.

espécies não hospedeiras, sobre a população de

Entretanto, a medida de controle mais eficiente é a

nematoides, reside, principalmente, na ausência de

rotação de culturas (GRIGOLLI & ASMUS, 2014).

plantas que lhes forneçam alimento, resultando na redução da densidade populacional (NOE, 1998).

DINÂMICA POPULACIONAL DE FITONEMATOIDES

56

Os nematoides possuem várias estratégias reprodutivas e de sobrevivência na ausência do hospedeiro principal. Alguns têm ciclos de vida

O nematoide, a planta e o ambiente são as três

longos com baixas taxas de aumento populacional,

variáveis que interagem influenciando na extensão

outros têm ciclos de vida curtos e taxas reprodutivas

das perdas de produção e produtividade, das culturas,

potencialmente mais altas (JONES & PERRY, 1978). Um

em solos infestados. Para o cultivo da segunda safra,

hábito endoparasitário com indução de células gigantes

o manejo realizado, visando a redução da população

ou outras fontes de alimento ricas e continuamente

de nematoides no cultivo anterior, em grande parte,

disponíveis, reduz a exposição à predação e outros

em nossa região, na cultura da soja, será uma

estresses e aumenta ainda mais o potencial reprodutivo.

importante ferramenta para se observar a dinâmica

Uma redução no número de estágios juvenis ativos

populacional de nematoides parasitas das culturas

diminui ainda mais o tempo de desenvolvimento,

de segunda safra, tais como o milho, sorgo, feijão,

reduzindo assim o tempo de geração e aumentando

crotalárias, outras gramíneas (no caso de pastagens

o potencial para várias gerações em uma safra. Uma

ou sistemas integrados de produção) e algodão. A

ampla gama de hospedeiros completa a adaptação

correta amostragem, para fins de diagnose, quando da

de patógenos, como para Meloidogyne. Este é um

implantação da primeira cultura na área, será a principal

exemplo de gênero que se sai melhor em ambientes

Fitopatologia


estáveis onde as populações estão geralmente perto

antagônicas e/ou com graus baixo de suscetibilidade

da densidade de equilíbrio (a densidade populacional

e a multiplicação de alguns gêneros (GARDIANO et

que pode ser mantida, sem competição) (SEINHORST,

al. 2014). Os menores problemas quanto a perdas

1966; 1967).

de produtividade acontecem porque as plantas de

Em contrapartida, a população de Pratylenchus

diferentes espécies não servem de alimentos para os

aumenta rapidamente onde o ambiente é favorável,

fitonematoides, além de haver incremento de matéria

muitas vezes ultrapassando a densidade de equilíbrio.

orgânica no solo, ocorre o aumento da população de

Danos severos ao hospedeiro ou estratégias de manejo

microrganismos antagônicos que, desta maneira,

são estabelecidas e, consequentemente, a população

diminui a população dos fitonematoides. Calgaro Junior

cai. Isso pode ocorrer com o cultivo sucessivo de

et al. (2021) avaliando a dinâmica populacional de

hospedeiros favoráveis ao Pratylenchus (como para P.

nematoides em milho, relataram o aumento populacional

brachyurus, no sistema soja-milho). Ocorre o aumento

de Pratylenchus e Criconemella relacionado com

no número do nematoide e o aumento dos danos ao

as épocas do ano (plantio) e com fatores ambientais

hospedeiro e a competição por locais de alimentação

como a umidade do solo e temperatura. Ainda,

reduzem

multiplicação

observaram que o aumento dos fitonematoides esteve

(SEINHORST, 1966; 1967). Em consequência, as taxas

ligado diretamente com o aumento da temperatura,

de multiplicação dos nematoides são fortemente

a disponibilidade de alimentos e a época do ano.

dependentes da densidade populacional. Normalmente,

Os meses de setembro e outubro tiveram aumento

se expressa como o número de nematoides por

significativo na população do nematoide. Esses meses

grama ou ml de solo, mas as variáveis que afetam

corresponderam ao aumento da temperatura ambiente

diretamente o nematoide são as relacionadas com as

que teve relação significativa com a população dos

raízes. Portanto, uma cultivar com o dobro da massa

nematoides.

progressivamente

a

de raiz, suportará uma taxa de multiplicação mais

Algumas gramíneas foram usadas para testar

alta. Da mesma forma, materiais tolerantes e/ou com

potencial de controle de fitonematoides como H.

menor fator de reprodução, que mantêm um maior

glycines, M. incognita e M. javanica. Algumas destas

volume de raiz, terão uma densidade de equilíbrio

espécies

maior e manterão uma taxa de multiplicação maior em

satisfatórios

altas densidades populacionais antes da implantação

decumbens e Andropogon gayanus (DIAS-ARIEIRA et

do cultivo de segunda safra. Isso reforça a atenção,

al. 2003). Rotação com crotalárias (Crotalaria spectabilis

para tomada de decisão no estabelecimento de um

ou C. juncea), milho e sorgo, são importantes por

programa de manejo integrado de nematoides, para os

serem culturas antagônicas, porém não deixam muita

resultados de análises nematológicas da contagem de

palhada na área, já as culturas como crotalárias,

nematoides em raízes.

estilosantes e mucunas são utilizadas também como

forrageiras são

elas:

apresentaram Brachiaria

resultados

bryzantha,

B.

Pode haver rotação/sucessão na mesma área

fontes de nutrientes e de matéria orgânica em solos

no verão e/ou em verão e inverno, no caso do Centro-

de cerrado com baixa fertilidade (MAGALHÃES et al.

Oeste do Brasil, no período de águas e período de seca.

1991). No entanto, é importante ressaltar que, mesmo

Desta forma, pode-se observar menores populações de

sendo suscetível a P. brachyurus, algumas espécies de

fitonematoides, devido a utilização alternada de plantas

Brachiaria propiciam a melhoria das condições físicas,

Fitopatologia

57


químicas e biológicas do solo, permitindo as plantas

(1991) e Dias-Arieira et al. (2003), onde observaram

se tornarem mais tolerantes e suplantarem os danos,

que, de forma geral, as gramíneas são resistentes à

com reflexos positivos sobre a produtividade, conforme

penetração por esse nematoide. Ainda neste trabalho,

observado por Cruz et al. (2020).

no segundo ano da safra de milho, Helicotylenchus foi

A rotação com culturas não hospedeiras ou com

desfavorecido nos tratamentos de milho + C. spectabilis

baixo fator de reprodução (FR) é uma alternativa para o

e P. brachyurus no consórcio de milho + C. spectabilis

manejo desse patógeno uma vez que não existe relatos

+ milheto + C. ochroleuca + Fagopyrum esculentum +

de cultivares de soja e milho resistentes ao nematoide

E. coracana.

das lesões radiculares. Várias espécies já foram

Silva (2015) destaca que devido à pouca

estudadas, e algumas apresentaram baixo fator de

disponibilidade de genótipos de soja resistentes a

reprodução, como é o caso da Crotalaria spectabilis e C.

P. brachyurus, seu manejo tem se baseado no uso

breviflora (INOMOTO, 2008). Alguns autores relataram a

de algumas espécies de crotalárias em sucessão ou

eficiência da rotação com adubos verdes na diminuição

rotação de culturas, como C. spectabilis, C. ochroleuca

da população de P. brachyurus. Segundo Vedoveto et al.

e C. breviflora, e quanto maior for o tempo que esses

(2013), mucuna, crotalária e estilosantes apresentaram

adubos verdes forem mantidos no local, maior será

maior redução na população do nematoide quando

seu efeito na redução populacional deste nematoide.

comparado a testemunha (milho). Os adubos verdes,

Debiasi et al., (2016), estudando o comportamento

além de reduzir a população de nematoides, melhoram

de plantas na entressafra concluiu que o cultivo da C.

as condições físico-químicas e microbiológicas do solo

spectabilis na entressafra, solteira ou consorciada com

(FILETI et al. 2011).

o milheto reduz a população e os danos causados por

Silva (2020) avaliando mix de plantas de cobertura

58

P. brachyurus à soja.

sobre a população de nematoides no sistema soja-milho,

Associações de culturas podem contribuir para

por duas safras, observou uma redução da população

a solução de problemas no uso dos recursos naturais,

de P. brachyurus quando a sucessão soja-milho foi

pelas funções biológicas e socioeconômicas que

cultivada com Eleusine coracana. O crescimento

cumprem (ENGEL, 1999). Ao integrar um sistema bem

da ocorrência de P. brachyurus em alta densidade

planejado ele é capaz de reduzir o uso de agroquímicos

populacional no Brasil Central, vem ocorrendo de forma

através da quebra de ciclos (pragas, doenças,

expressiva devido ao aumento da área cultivada com

nematoides e plantas daninhas) (VILELA et al.2008).

milho imediatamente após a cultura da soja (milho

Teixeira (2019) avaliou a flutuação populacional

safrinha), em sistema plantio direto. O tempo reduzido

de Pratylenchus em uma área agrícola em Bela Vista

entre a colheita da soja e o estabelecimento do milho,

de Goiás, onde já se tinham relatos da ocorrência do P.

sem revolvimento do solo, acaba permitindo a migração

brachyurus. Em cada área foram selecionados pontos

dos nematoides hospedados nas raízes de soja – ainda

georreferenciados, desta maneira, foi possível verificar

não apodrecidas - para as raízes do milho, resultando em

a dinâmica populacional do nematoide durante um ano.

intensa multiplicação. Os resultados obtidos por Silva

Nesta área já tinha sido colhida a cultura da soja 30

(2020) confirmaram a potencialidade do uso do milho

dias antes e prevalecia a presença do capim-custódio

na sucessão de culturas para o controle de H. glycines,

(Pennisetum setosum), sendo controlado no mês de

como nos trabalhos realizados por Schmitt & Riggs

maio. Esta área permaneceu sem cultura até o mês de

Fitopatologia


novembro, havendo na área apenas a palhada e raízes

populacional do P. brachyurus foi acompanhada,

mortas do capim-custódio, quando foi semeado a

verificando a relação com as hospedeiras presentes na

cultura da soja. Sendo colhida em fevereiro e semeado

área (Figura 1).

a cultura do milho logo em seguida. A dinâmica

Figura 1. Dinâmica populacional do P. brachyurus em área de Bela Vista de Goiás-GO (nematoide/10 g de raiz). A população do nematoide sofreu queda no

ocorreu em todo o ciclo da soja, iniciando em

mês de maio, isto devido à colheita da cultura da soja.

novembro, tendo a maior população em fevereiro, com

Porém logo após o capim-custódio se desenvolveu,

4.569 P. brachyurus/10 g de raiz. A queda acentuada

tendo assim as raízes desta espécie para alimentação

da população do nematoide no mês de fevereiro

dos nematoides até o mês de julho. Após o controle

ocorreu devido à colheita da soja, diminuindo assim a

do capim-custódio nota-se uma queda acentuada

população para a próxima cultura, que neste caso foi

da população, saindo de 1.236 P. brachyurus/10 g de

o milho, plantado em fevereiro, logo após a colheita da

raiz no mês de julho para 204 P. brachyurus/10 g de

soja. Observou-se que, no mês de março, a população

raiz no mês de setembro. A partir destes resultados

diminuiu, no início do desenvolvimento vegetativo do

foi possível observar que mesmo nos meses que

milho, ainda desenvolvendo as raízes. Comparando-

as raízes das culturas estão mortas, os nematoides

se a densidade populacional do nematoide entre abril

conseguem sobreviver, reduzindo assim a população,

(816 P. brachyurus/10 g de raiz) e fevereiro (1.720 P.

porém não eliminando completamente. Após o

brachyurus/10 g de raiz), foi possível observar que

plantio da soja, no mês de novembro, observa-se um

ocorreu um aumento da população ao final do ciclo

crescimento acentuado da população, isto ocorreu,

da soja e início da safrinha. Ocorrendo a continuidade

devido à suscetibilidade da soja e, neste momento,

deste sistema de cultivo, sempre se plantando culturas

apresentou as condições ambientais favoráveis ao

hospedeiras, cada vez mais, a cultura na segunda safra

desenvolvimento do nematoide. Este crescimento

encontrará populações cada vez maiores no início do

Fitopatologia

59


desenvolvimento radicular, sofrendo assim perdas cada

do Sudoeste Goiano apresentam resultados desse

vez mais significativas.

condicionamento do solo, através da inoculação de biocontroladores a partir do segundo ano de plantio,

CONSIDERAÇÕES FINAIS

o aumento na contagem, nas amostras coletadas. De

O manejo de fitonematoides, da cultura da

qualquer forma, para o estabelecimento de programas

soja, especificamente H. glycines, é feito de forma

de manejo integrado de fitonematoides, nenhuma

eficiente com o sistema de sucessão de culturas, na

ferramenta isolada deve ser implementada, mas sim,

safra-safrinha (segunda safra), devido à implantação

o uso de ferramentas integradas, de forma sequencial

de uma cultura não hospedeira ao nematoide de cisto

ou simultânea deve ser considerada. Nematoide não se

da soja (milho, milheto, sorgo e algodão, por exemplo).

controla com produto, mas sim com manejo.

Entretanto, devido à infestação simultânea, por mais de um gênero de nematoides parasitas dessas culturas de segunda safra, esse sistema de sucessão permite a

60

com a manutenção da população dos nematoides, sem

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62

R.A.

Fitopatologia


PROGRAMAS DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DE DOENÇAS FOLIARES DO MILHO EM SEGUNDA SAFRA

FERNANDES, Rafael Henrique1, LIMA, Diego Tolentino de2, ALMEIDA, Dieimisson Paulo3 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 1

INTRODUÇÃO O milho (Zea mays) está entre as culturas de maior consumo no mundo. Além de ser utilizado na alimentação humana, apresenta papel importante na produção de proteína animal, com crescente consumo devido suas qualidades relacionadas ao valor calórico, amiloses e pigmentação (SANTOS et al., 2002). Segundo dados da CONAB (2021), para a safra 2020/2021 foram plantados 19.867,7 mil ha, com produção de 85,7 mil toneladas e produtividade média de 4.316 kg/ha. Apesar da colheita ainda estar em fase de finalização, estes valores representam o

pior registro de produção da cultura desde a temporada 2017/2018, com redução de 16,4% em relação à safra anterior. A distribuição regular de chuvas ao longo da safra, e principalmente em condições de segunda safra, é um fator preponderante para se atingir elevadas produtividades. Em contrapartida, a incidência e severidade das doenças foliares no milho são maiores nestas condições, com umidade relativa do ar acima de 60% e temperaturas elevadas (COTA et al., 2017). Existem dezenas de patógenos associados à cultura do milho em todas as regiões produtoras do grão. No entanto, existem variações quanto sua incidência e severidade, principalmente em função da região de cultivo, época de cultivo (verão ou segunda safra), condições edafoclimáticas, altitude e estratégias de manejo adotadas. Dentre estas doenças, a ocorrência da cercosporiose e da mancha branca do milho (ou mancha de Phaeosphaeria) têm sido muito frequentes no cultivo do milho em segunda safra no Sudoeste Goiano. A

cercosporiose,

causada

pelo

patógeno

Cercospora zeae-maydis, causa lesões retangulares de coloração marrom e são delimitadas na largura, pelas nervuras principais da folha. Sob condições de alta umidade relativa, há densa esporulação nestas regiões afetadas, levando as lesões a adquirirem cor acinzentada. Temperaturas entre 25 °C e 30 °C e umidade relativa do

Fitopatologia

63


ar superior a 90% são consideradas condições ótimas

prevenção dos prejuízos causados por estas doenças

para o desenvolvimento da doença (COTA et al., 2017).

nas lavouras de milho. A utilização de materiais

A cercosporiose é capaz e reduzir de 20 a 60% da

geneticamente resistentes é a principal medida de

produção dos grãos, dependendo da suscetibilidade

controle, pois, além de muito efetiva, é compatível com

do híbrido (WARD et al., 1994), porém, com a utilização

todos os outros métodos de manejo e não necessita de

de fungicidas pode-se alcançar controle satisfatório.

alterações ou adaptação de equipamentos, não causa

Já a mancha branca está presente em

impactos ao meio ambiente, reduz o uso de defensivos

praticamente todas as regiões e é considerada uma

e favorece o retorno financeiro da atividade. Além disso,

das mais agressivas doenças que acometem o milho,

o plantio do material em época adequada, afim de

sobretudo em condições de segunda safra. O avanço

evitar períodos de maior incidência das doenças onde

da doença ocorre em condições de umidade relativa

o material possa ser suscetível; utilização de sementes

do ar elevada e temperaturas noturnas entre 15 e 20°C

de alta qualidade e tratadas com fungicidas de boa

(COSTA et al., 2017). A etiologia (os agentes causais)

eficiência de controle; evitar plantio sucessivos de milho

ainda não está bem definida, visto que inicialmente a

na mesma área; adubação equilibrada (principalmente

doença foi atribuída ao fungo Phaeophaeria maydis,

N e K); manejo adequado de pragas e plantas daninhas,

f. imp. Phyllosticta sp., mas devido às dificuldades no

visto que algumas espécies são transmissores/

isolamento e reprodução dos sintomas, seu papel

vetores e hospedeiras alternativas de patógenos,

como agente primário da doença tem sido contestado.

respectivamente; e ajuste adequado de população e

Posteriormente, através de técnicas moleculares, a

a realização de rotação de culturas, são considerados

bactéria Pantoea ananatis foi identificada e isolada em

métodos eficientes para controle de doenças (COTA et

lesões de mancha-branca em plantas de milho, em

al., 2017).

condições naturais e também infectadas artificialmente,

O controle químico, baseado na utilização de

reforçando a possibilidade de que ela pudesse ser o

fungicidas, faz parte deste pacote de medidas para

principal agente causal da doença (MANABEIRA, 2010;

prevenir e mitigar danos às lavouras. A aplicação de

GONÇALVES et al., 2013; BORSOI et al., 2018).

fungicidas para o controle de doenças foliares no milho

Os sintomas iniciais da mancha branca são

tem crescido substancialmente nos últimos anos, assim

lesões foliares de formato circular a oval com aspecto

como todo o manejo empregado na cultura. Entretanto,

de encharcamento (anasarca). Tais lesões tornam-se

é muito importante conhecer o material cultivado e

necróticas e com coloração palha e são encontradas

realizar o monitoramento da lavoura constantemente

dispersas no limbo foliar (COTA et al., 2017). Cultivares

para decidir sobre a aplicação adequada de fungicidas,

suscetíveis podem exibir redução na taxa fotossintética

buscando que o custo/benefício da aplicação seja

líquida de 40% quando apresentam folhas com 10 a

positivo (COTA et al., 2017).

20% de severidade, o que pode reduzir a produção de

Considerando

potencial

destrutivo

das

grãos em até 60% (GODOY et al., 2001). Esta doença

doenças que acometem a cultura do milho é importante

torna-se preocupante em razão da suscetibilidade de

adotar as estratégias disponíveis para minimizar seus

grande parte das cultivares e pela baixa eficiência das

impactos na produtividade. Como o controle químico

aplicações de fungicidas (COSTA et al., 2017).

tem sido cada vez mais utilizado, torna-se fundamental

Várias estratégias têm sido adotadas para a

64

o

Fitopatologia

conhecer as moléculas fungicidas, produtos comerciais


e programas de aplicação que apresentem maior eficiência de controle.

o pré-pendoamento da cultura. Os

tratamentos

consistiram

na

aplicação

Diante disso, o objetivo foi avaliar a eficiência de

de diferentes programas de aplicações fungicidas,

diferentes programas de aplicações de fungicidas no

incluindo aplicações sequenciais de produtos ou

controle de doenças com elevada ocorrência no milho

produtos diferentes. Os programas de aplicações

cultivado em segunda safra, bem como seus impactos

foram realizados com duas aplicações, a primeira

na produtividade.

em 20/04/2021, com a cultura em estágio vegetativo (entre V6 e V7) e a segunda em 11/05/2021 no

MATERIAL E MÉTODOS

pré-pendoamento da cultura (Tabela 1). Durante as aplicações os dados meteorológicos (temperatura,

O experimento foi conduzido em condições de

umidade relativa do ar e velocidade do vento) foram

campo na área experimental do Instituto de Ciência e

mensurados com o auxílio do aparelho termo-higro-

Tecnologia COMIGO (ITC), no município de Rio Verde-

anemômetro (Tabela 2).

GO (S 17°45’45” e 51°01’03” W), com 837 metros de altitude. O material de milho utilizado foi o híbrido B2360 PWU. Semeadura e colheita foram realizadas no dia 13/03/2021 e 27/07/2021, respectivamente, totalizando um ciclo de 136 dias. Na semeadura foram aplicados 400 kg ha-1 do fertilizante formulado 08:20:18 (N:P:K) no sulco de plantio. A densidade de semeadura foi de 2,7 sementes por metro e o estande final de plantas foi de 51.500 plantas por hectare (estande avaliado com a cultura em estádio V4). A adubação de cobertura foi realizada em estágio fenológico V6, com a aplicação de 200 kg ha-1 do fertilizante formulado 20:00:20 e com 100 kg ha-1 de Ureia cerca de 20 dias após a primeira aplicação. O controle de plantas daninhas foi realizado com uma aplicação de glyphosate (Xeque Mate, 500 g e. a. L-1, SL, Ihara), na dose de 1,5 kg e. a. ha-1 após a semeadura do milho e outra aplicação em pós-emergência com atrazine (Proof, 500 g i. a. L-1, SC, Syngenta) na dose de 1,0 kg i. a. ha-1, com a cultura em estágio V3. Foram realizadas também três aplicações de inseticidas visando o controle da cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) e lagartas, variando com os seguintes produtos: Lannate (1, 0 L ha-1), Perito (1,0 kg ha-1), Nomolt (0,15 L ha-1) e Kaiso (0,1 L ha-1), iniciando em V3 e seguindo até

Fitopatologia

65


Tabela 1. Descrição dos tratamentos contendo a relação dos programas de aplicações de fungicidas, ingredientes ativos, doses aplicadas e o momento das aplicações (A – 1ª aplicação em 20/04/2021 e B – 2ª aplicação em 11/05/2021) no híbrido de milho B2360 PWU. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO-ITC, Rio Verde, GO, safra 2020/2021.

Fitopatologia

66


Tabela 2. Datas das aplicações e dados meteorológicos mensurados nas aplicações de fungicidas no milho, híbrido B2360 PWU. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo-ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.

O delineamento experimental utilizado foi de

média da parcela.

blocos casualizados com dez (10) tratamentos e quatro

Os dados de severidade foram expressos em

(4) repetições, totalizando 40 parcelas. Cada parcela foi

porcentagem (%) de tecido foliar afetado e a partir

composta por 10 linhas de plantio, com espaçamento

deles foi calculada a área abaixo da curva de progresso

entre linhas de 0,5 m, e 10 metros de comprimento. Foi

da doença – AACPD (Campbell e Madden, 1990),

considerada como parcela útil as seis linhas centrais,

eficiência de controle das aplicações (% de controle). A

descartando-se um (1) metro das extremidades,

produtividade de grãos foi estimada através da colheita

2

totalizando a área útil de 24 m .

de três (3) metros de quatro (4) linhas da parcela útil.

As aplicações foram feitas com pulverizador

Os resultados obtidos foram corrigidos para 13% de

pressurizado

por

CO2

(Número

de

patente:

umidade e expressos em sacas de 60 kg ha-1. Os dados

BR102016007565-3) dotado com barra de pulverização

de severidade, AACP-Manchas foliares e produtividade

com 10 bicos, espaçados a 0,5 m e com pontas de

foram submetidos à análise de variância e aplicado

pulverização ADIA 110.015/D, montado em um trator

o teste de Scott-Knott (P<0,05) para separação das

(MF 275, Massey Ferguson, 75 cv). Antes do início das

médias, através software SISVAR (FERREIRA, 2014).

aplicações foi feita a calibragem do equipamento e os ajustes para pressão de trabalho de 3,0 bar (43,5 PSI) e vazão constante de 150 L ha-1. Foram

realizadas

três

(3)

avaliações

de

RESULTADOS E DISCUSSÃO

severidade utilizando a escala diagramática proposta

De forma mais acentuada do que nos últimos

por Malagi et al. (2011) e também estimativa de área

anos, a irregularidade na distribuição pluviométrica

direta afetada por Cercospora zeae-maydis. As duas

com redução nos níveis esperados, acompanhados

primeiras avaliações foram realizadas na véspera das

da antecipação do final do período chuvoso em boa

aplicações e a terceira, 20 dias após a última aplicação.

parte das regiões produtoras, impactaram diretamente

As avalições foram feitas em duas folhas do terço

no desenvolvimento das lavouras de milho, podendo

médio de três (3) plantas aleatórias dentro da parcela

ser considerado o principal fator limitante à produção.

útil, sendo a média destas utilizadas para representar a

Com este cenário desfavorável ao cultivo, a ocorrência

Fitopatologia

67


de doenças no milho foi atenuada, embora certamente

e a mancha branca do milho, sendo utilizadas pra

tenham contribuído para reduções na produtividade.

fins de avaliação e cálculos de variáveis relacionadas

Além disso, a utilização de ferramentas de controle

a aplicação dos programas de fungicidas. Contudo,

de doenças, como a escolha de híbridos com elevada

os valores de severidade final observados foram

resistência e a utilização de fungicidas, são atualmente

relativamente baixos, sobretudo quando comparados

amplamente empregadas e também possam ter

a dados da literatura e experimentos conduzidos em

contribuído. Fato é, que os processos epidemiológicos,

safras passadas. As aplicações dos programas de

principalmente aqueles relacionados às doenças

aplicações de fungicidas reduziram significativamente

fúngicas, foram afetados diretamente pelos déficits

a severidade final de doenças, independentemente

hídricos evidentes, onde comumente foram observadas

dos produtos avaliados (Figura 1). Destaca-se que,

a senescência prematura de tecidos foliares e reduções

no tratamento testemunha, a severidade final foi

no ciclo das plantas.

significativamente superior aos demais, atingindo uma

As doenças que se destacaram quanto a incidência na área experimental foram a cercosporiose

severidade média final de aproximadamente 8,0% (Figura 1)

Figura 1. Severidade final de manchas foliares (Cercosporiose e Mancha-branca do milho) no híbrido B2360 PWU com diferentes programas de aplicações de fungicidas. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO-ITC, Rio Verde, GO, safra 2020/2021.

68

Fitopatologia


De maneira similar, a Área Abaixo da Curva

fungicidas obtiveram eficiência de controle em torno

de Progresso das Doenças Foliares foi superior na

de 50%, o que evidencia seu potencial na redução na

testemunha e equivalente entre os tratamentos com

multiplicação dos patógenos e, consequentemente

aplicações de fungicidas (Figura 2). Em relação a

a redução de doenças (Figura 2). Possivelmente,

eficiência de controle é importante destacar que

as aplicações no estádio vegetativo da cultura (V6),

os baixos níveis de severidade observados na

quando as plantas ainda apresentavam boa condição

testemunha, que reforçam o fato de as doenças não

hídrica e possibilidades de desenvolvimento para os

terem conseguido causar maiores danos à cultura,

processos epidemiológicos, refletiram sobre esta

dificultam a expressão de maiores valores de eficiência

variável. Posteriormente, as limitações impostas pelo

de controle, pois são calculados a partir desta

agravamento do déficit hídrico impossibilitaram a

severidade. Ainda assim, as aplicações dos programas

progressão das doenças em todos os tratamentos.

Figura 2. Área abaixo da curva de progresso de doenças foliares do milho e eficiência de controle estimada com diferentes programas de aplicações de fungicidas, híbrido B2360 PWU. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO-ITC, Rio Verde, GO, safra 2020/2021. A produtividade de milho em segunda safra

Não houve diferença significativa entre os

(safra 2020/2021) foi afetada em toda a região do

tratamentos avaliados (Figura 3). Sendo, as variações

Sudoeste Goiano, com a expectativa de produtividade

observadas em valores absolutos, não atribuídas aos

média em torno de 80 sc ha . Na área experimental

tratamentos executados.

-1

a produtividade média foi de 88,9 sacas de 60 kg por hectare.

Fitopatologia

69


Figura 3. Produtividade média do híbrido de milho B2360 PWU após a aplicação dos diferentes fungicidas. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO (ITC), Rio Verde, GO, safra 2020/2021. A segunda safra de 2020/2021 foi marcada pela baixa e irregular distribuição pluviométrica, tornandose o fator limitante tanto a produtividade quanto ao desenvolvimento das doenças foliares. Ainda assim, as aplicações de fungicidas mostraram benefícios quanto a reduções na severidade de doenças foliares. A adoção desta prática como estratégia para manutenção do potencial produtivo das lavouras de milho tem demonstrado sua viabilidade ao longo dos últimos anos. É importante ressaltar que a seleção de moléculas fungicidas e produtos que irão compor os programas de aplicação devem levar em consideração diversos fatores e variáveis, incluindo a eficiência de controle, produtividade esperada, níveis de fertilidade e adubação, potencial produtivo do híbrido, nível tecnológico adotado, custo de produção versus cotação de mercado e, previsões climáticas e distribuição pluviométrica durante o cultivo. Assim, é necessário realizar uma ampla avaliação técnica e econômica para a assertividade no controle químico de doenças.

70

Fitopatologia

CONCLUSÕES As aplicações de fungicidas no milho reduziram a severidade de cercosporiose e mancha branca do milho, que tiveram incidência destacada nas condições deste trabalho. Além disso, apresentaram eficiências de controle próximos a 50%. Estes resultados reforçam que os fungicidas são uma importante ferramenta de controle de doenças e na manutenção do potencial produtivo das lavouras. Contudo, tais benefícios não refletiram em ganhos de produtividade, possivelmente em razão das limitações impostas pelo clima sobre a cultura e patógenos.

AGRADECIMENTOS À equipe de campo, estagiários e demais pesquisadores do ITC pelo apoio na execução do experimento.


(MG), 2010.

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COMPANHIA

ABASTECIMENTO.

NACIONAL

Acompanhamento

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Fitopatologia

71


CONTROLE QUÍMICO DE DOENÇAS EM DIFERENTES HÍBRIDOS DE SORGO (Sorghum bicolor L.)

FERNANDES, Rafael Henrique1, ALMEIDA, Dieimisson Paulo2, LIMA, Diego Tolentino de3, FURTINI NETO, Antônio Eduardo4 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Ciência do Solo, Pesquisador do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: antoniofurtini@comigo.com.br 1

INTRODUÇÃO Sorghum bicolor (L.) Moench é o nome científico da espécie de sorgo cultivada destinada a produção de grãos, grupo conhecido como sorgo granífero. Atualmente é considerado um dos cereais com grande importância econômica e na alimentação de humanos e animais. O sorgo é uma planta com boa adaptabilidade em regiões com temperaturas mais elevadas, com médias acima de 21°C, além disso, seu

72

Fitopatologia

requerimento pluviométrico fica entre de 380 a 600 mm durante seu ciclo, que são valores consideravelmente inferiores a outras espécies cultivadas (SANS et al., 2003). Estas características têm favorecido o interesse de produtores de grãos pelo cultivo de sorgo, pois, a distribuição e volume de chuvas nas últimas safras tem impactado severamente a produtividade do milho em segunda safra. O cultivo de sorgo tem se mostrado cada vez mais relevante para a região dos cerrados (EMBRAPA, 1988). Os grãos produzidos têm bom valor nutritivo com bons rendimentos de massa seca por unidade de área e concentração de carboidratos solúveis adequada, qualificando-o como uma alternativa para compor rações com qualidade e menor custo (NEUMANN et al., 2002). A segunda safra do ano agrícola 2020/2021 foi

marcada

pela

irregularidade

na

distribuição

pluviométrica, com reduções significativas nos volumes de chuvas em algumas regiões, sobretudo entre os meses de março e maio, o que reduziu consideravelmente o potencial produtivo das lavouras de sorgo. Diante disso, ainda com aumentos na área plantada e rusticidade do sorgo em relação ao déficit hídrico, a expectativa é de redução na produção e produtividade do cereal (CONAB, 2021). Os últimos levantamentos apontam para um volume total da produção nacional em torno de 2.098,2 mil toneladas, o que representa uma redução em torno


de 16%, em comparação com a safra anterior (CONAB,

sorgo seja uma excelente opção de cultivo e apresente

2021). No estado de Goiás, maior produtor do grão, as

grande potencial de produtividade e rentabilidade, é

condições foram semelhantes, com grandes limitações

necessário que se desenvolva sua cadeia produtiva

climáticas. Além disso, a falta de chuvas impacta

como um todo. Para isto, é fundamental a união de

também na qualidade dos grãos, o que pode contribuir

todos os setores ligados a produção do cereal.

para restrições na comercialização. A falta de armazéns

Na região do Centro Oeste, as principais

e os custos de logística na comercialização de sorgo

doenças fúngicas de parte aérea que tem acometido

fez com que, boa parte da produção, fosse negociada

as plantas de sorgo são a Helmintosporiose, causada

localmente. Segundo o levantamento realizando

por Exserohilum turcicum; Antracnose, causada

em setembro de 2021 pela Conab, mesmo com um

por Colletotrichum graminicola e Colletotrichum

aumento de aproximadamente 0,8% na área plantada

sublineolum;

com sorgo em Goiás, a produtividade deverá recuar

Peronosclerospora sorghi; a Doença Açucarada do

cerca de 18,1% e 17,4% no volume de produção, em

Sorgo ou Ergot causada por Claviceps africana e a

relação à safra 2019/2020.

Ferrugem do Sorgo, causada por Puccinia purpurea.

Míldio

do

sorgo,

causado

por

Os produtores de sorgo têm enfrentado, além

Atualmente, o manejo destas doenças no campo tem

de dificuldades climáticas e de comercialização de sua

se baseado no histórico da área, época de plantio e

produção, grandes desafios no manejo fitossanitário

ocorrência/incidência, escolha adequada de genótipos

da cultura. A começar pela ausência de materiais

e tratos culturais durante o ciclo (SILVA et al., 2014). O

com tecnologias que garantem tolerância a herbicidas

controle químico, amplamente utilizado em diversas

(como, por exemplo ao glifosato, transgenia RR), o

culturas, tem ganhado mais ganhado mais espaço

que dificulta o manejo de plantas daninhas em pós-

entre os produtores de sorgo, principalmente aqueles

emergência, sobretudo as daninhas de folha estreita,

que almejam maiores produtividades. Contudo, o déficit

que apresentam semelhanças fisiológicas com a

de produtos registrados para a cultura e o baixo nível de

própria cultura do sorgo. Recentemente, na safra

investimento, têm dificultado a elevação dos patamares

2019/2020 o ataque intenso do pulgão da cana-de-

de produtividade.

açúcar (Melanaphis sacchari) no sorgo em diversas

O controle genético de doenças, realizado pela

regiões produtora tornou-se um novo grande desafio

seleção, desenvolvimento e cultivo de materiais com

para o manejo de pragas nesta cultura, que também

níveis de resistência à patógenos, tem sido adotado

não conta com eventos de transgenia ligados a

amplamente para as principais culturas com destaque

resistência de lagartas, como a tecnologia Bt por

econômico. Para o sorgo, o controle genético foi

exemplo. Além disso, o manejo e controle de doenças

crucial para a diminuição da incidência e severidade

no sorgo têm sido negligenciado e ainda carece de

da doença açucarada do sorgo nas últimas décadas.

muitas informações, definições de estratégias, seleção

Materiais com elevada resistência a esta doença, que

e desenvolvimento de genótipos com resistência,

deteriora consideravelmente a viabilidade de sementes

e também, opções de moléculas e desenvolvidos e

de sorgo, passou a ser fundamental para os programas

registrados para a aplicações no sorgo, tanto para

de melhoramento genético. Contudo, este esforço

o tratamento de sementes, quanto para aplicações

não tem sido suficiente até então, para as principais

foliares. Desta forma, vale ressaltar que, embora o

doenças do sorgo nas condições do Sudoeste Goiano.

Fitopatologia

73


Bem como para as doenças emergentes, que tem

Os híbridos de sorgo utilizados no experimento

aumentado suas incidências nos últimos anos, como,

foram: 1G100, 1G233, 1G245, AG1085 e JADE. São

a cercosporiose e ferrugem do sorgo. A adoção de

materiais de sorgo granífero comumente utilizados

materiais com resistência a doenças facilita o manejo,

na região do Sudoeste Goiano, principalmente pela

pois não requer mudanças nos tratos culturais nem

adaptabilidade, potencial produtivo e como alternativa

compra de novos equipamentos. O cultivo de híbridos

para plantios mais tardios em segunda safra.

de sorgo com resistência às principais doenças e a

A implantação do experimento ocorreu na

utilização de fungicidas podem ser fundamentais para

segunda safra do ano agrícola 2019/2020, por ocasião

se atingir boas produtividade e alavancar os patamares

da semeadura no dia 19/03/2020, em área antes

produtivos.

cultivada com a cultura da soja. Para os materiais

Desta

forma,

é

necessário

avaliar

a

1G100, 1G233, 1G245 e AG1085 foram semeadas

suscetibilidade de diferentes híbridos de sorgo que são

9,6 sementes por metro, e para o híbrido JADE 7,5

cultivados na região do Sudoeste Goiano e também

sementes por metro. As sementes foram tratadas com

suas respostas a aplicação de fungicidas visando o

150 g de Imidacloprido e 450 g de Tiodicarbe para

controle de doenças foliares. Além disso, avaliar os

cada 100 kg de ementes (CropStar, Bayer – 1,0 L/100

possíveis impactos da ocorrência destas doenças na

kg de sementes). A adubação realizada na semeadura,

produtividade da cultura.

foi composta 280 kg ha-1 do formulado 08:20:18 (N:P:K) aplicados no sulco de plantio. Posteriormente foram

MATERIAL E MÉTODOS

dias após a semeadura. área

O estande final de plantas dos materiais foi

experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia

avaliado com a cultura em estádio vegetativo V8, cerca

COMIGO (ITC), localizado em Rio Verde-GO (S

de 35 dias após a semeadura. E os resultados obtidos

17°45’55’’ e W 51°02’02’’, 840 m de altitude), com

foram: 158.611, 160.866, 154.444, 154.444 e 127.222

áreas predominantes de Latossolo Vermelho distrófico

plantas ha-1 para os híbridos 1G100, 1G233, 1G245,

(SANTOS et al., 2018).

AG1085 e JADE, respectivamente.

O

74

aplicados 100 kg ha-1 de Ureia, aproximadamente 30

experimento

foi

conduzido

na

O delineamento experimental foi em blocos

O programa de aplicações de fungicidas foi

casualizados ao acaso (DBC) em esquema fatorial

composto por duas aplicações, a primeira no dia

5x2, com quatro repetições, totalizando 40 parcelas.

05/05/2020, cerca de 45 dias após a semeadura.

O primeiro fator, com cinco níveis, foi composto por

A segunda aplicação, ocorreu no dia 20/05/2020,

diferentes híbridos de sorgo, e o segundo fator, com dois

com

níveis, correspondeu a aplicação ou não de fungicidas.

(emborrachamento). Na primeira aplicação foram feitos

As parcelas foram compostas por quatro (4) metros de

50,1 g de Fluxapiroxade + 99,9 g de Piraclostrobina

largura (oito linhas de plantio com espaçamento de 0,5

(Orkestra, 0,3 L ha-1, Basf) + Adjuvante Mees na dose

m) e 20 metros de comprimento, totalizando 80 m2. A

de 0,3 L ha-1, e na segunda foram aplicados 79,8 g de

parcela útil foi considerada descartando-se duas (2)

Metominostrobina + 119,6 g de Tebuconazol (Fusão,

linhas nas laterais e três (3) metros de cada extremidade,

0,725 L ha-1, Ihara). Vale destacar que, para cada híbrido

com parcela útil de 28 m2.

de sorgo foram realizados tratamentos com a aplicação

Fitopatologia

a

cultura

em

fase

de

pré-florescimento


do programa de aplicações descrito e também tratamentos sem a aplicação de fungicidas.

equipamento termo-hidro-anemômetro (Tabela 1). O controle de plantas daninhas foi realizado

As aplicações foram realizadas com pulverizador

com a aplicação do herbicida glyphosate (Roundup

pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3)

Transorb, 480 g e. a. L-1, SL, Bayer), na dose de 1,32 kg e.

montado em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv).

a. ha-1 logo após a semeadura (plante-aplique) do sorgo.

O pulverizador é dotado com barra de cinco metros,

Posteriormente, cerca de 25 dias após o plantio, foram

com 10 bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A

aplicados em pós-emergência das plantas daninhas o

calda preparada era acondicionada em tanques tipo

herbicida atrazina (Proof, 500 g i. a. L-1, SC, Syngenta),

post-mix com capacidade de 10 L. As pontas utilizadas

na dose de 1,75 kg i. a. ha-1, com adição 0,5 L ha-1 de

para pulverização foram modelo ADIA 110.015/D,

adjuvante óleo mineral (Iharol Gold, 760 g L-1, EC, Ihara).

da marca Magnojet. A calibragem do equipamento

Para o controle de pragas foram realizadas avaliações

foi ajustada para pressão de trabalho na ponta de 2,8

semanais e aplicações de inseticidas recomendados

bar (40,6 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.

quando atingido o nível de controle. As principais

Durante as aplicações as condições meteorológicas

pragas que acometeram a área experimental foram

de temperatura (°C), umidade relativa do ar (%) e

lagarta-do-cartucho e pulgões.

velocidade do vento (km h-1) foram mensuradas com o

Tabela 1. Dados meteorológicos nas aplicações de fungicidas em diferentes híbridos de sorgo. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo (ITC), Rio Verde-GO, safra 2019/2020.

Foram realizadas três avaliações de incidência

lesões severas nos 25% das folhas inferiores; 4 - Até

e severidade das principais doenças que acometeram

75% das folhas com lesões; lesões severas nos 50%

a cultura, nas vésperas das aplicações de fungicidas e

das folhas inferiores; 5 - 100% das folhas com lesões;

uma última avaliação aproximadamente 30 dias após a

lesões severas nos 75% das folhas inferiores.

última aplicação. Para a determinação da severidade

A produtividade foi estimada pela colheita de

de doenças foi utilizada uma escala de notas proposta

três metros de quatro linhas da parcela útil. As amostras

pela Embrapa Milho e Sorgo (2012), com notas variando

colhidas foram identificadas e posteriormente trilhadas,

de 1 a 5. Em que: 1: Ausência de sintomas ou presença

pesadas e mensuradas quanto à umidade (três

de poucas lesões apenas nas folhas inferiores; Nota 2 -

repetições). Os dados foram ajustados para umidade

Lesões esparsas na planta (terço inferior); até 25% das

padrão de 13% e os resultados expressos em sacas de

folhas com lesões; 3 - Até 50 % das folhas com lesões;

60 kg por hectare (sc ha-1).

Fitopatologia

75


Os dados de produtividade foram submetidos

analisados separadamente.

à análise de variância para verificar a significância dos

A suscetibilidade dos híbridos, as principais

fatores e quando verificado diferenças significativas

doenças, foi semelhante. Visto que, os valores das notas

entre as médias foi aplicado o teste de Scott-Knott

médias nos tratamentos sem aplicação de fungicidas

(P<0,05) através software SISVAR (FERREIRA, 2014).

ficaram próximas (Figura1). Para a severidade (avaliadas por escala de notas) nos tratamentos com aplicações

RESULTADOS

de fungicidas, foram obtidas menores notas em todos os híbridos (Figura 1). Nos tratamentos sem a aplicação,

A colheita foi realizada no dia 27/07/2020,

as médias das notas foram superiores a 2,0, indicando

completando o ciclo com 130 dias de cultivo. As

sintomatologia superior a lesões esparsas na planta

doenças que se destacaram com elevada incidência na

(terço inferior); até 25% das folhas com lesões. Em

área experimental foram a antracnose (C. graminicola

valores médios gerais, as parcelas que não receberam

e C. sublineolum) e a helmintosporiose (Exserohilum

a aplicação dos fungicidas tiveram notas de 2,4,

turcicum).

enquanto, naquelas em que houve aplicações a nota

Não houve interação entre os fatores híbridos de

foi 1,6. Estes resultados evidenciam a potencialidade

sorgo e aplicação de fungicidas, assim os fatores foram

da adoção do controle químico no manejo de doenças foliares do sorgo

Figura 1. Valores médios de notas relacionadas a severidade de doenças nos diferentes híbridos de sorgo. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo-ITC, Rio Verde-GO, safra 2019/2020. Na área experimental e na safra em questão

causadas por patógenos. Soma-se a isto, as dificuldades

(2019/2020) o ataque severo do pulgão da cana-de-

encontradas para o manejo adequado da praga e as

açúcar (Melanaphis sacchari) na cultura do sorgo,

limitações climáticas que ocorreram durante o cultivo.

impactou diretamente no desenvolvimento vegetativo

Além disso, o crescimento e desenvolvimento dos

e reprodutivo da cultura, dificultando substancialmente

híbridos foi heterogêneo.

a identificação e quantificação de lesões foliares

76

Fitopatologia


Tabela 2. Produtividade média, em sacas de 60 kg ha-1, dos híbridos de sorgo avaliados. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo-ITC, Rio Verde-GO, safra 2019/2020.

A produtividade média na área experimental foi de 56,1 sc ha-1. Apenas o híbrido 1G245 obteve valores inferiores de produtividade em relação aos demais (Tabela 2). Vale ressaltar novamente que, os entraves climáticos e ocorrência de pragas na área experimental, associados à época tardia de semeadura, contribuíram para o desenvolvimento desuniforme e produtividades observadas.

CONCLUSÃO Os híbridos de sorgo avaliados apresentaram suscetibilidade semelhante às doenças foliares com maior destaque na área experimental, que foram a helmintosporiose e a antracnose. As aplicações dos fungicidas reduziram as notas médias de severidade, o que reforça a capacidade do controle químico em atenuar estes problemas na cultura do sorgo. A produtividade dos híbridos avaliados não foi influenciada pela aplicação dos fungicidas. Já a produtividade em relação aos diferentes híbridos, foi semelhante entre a maioria deles, com exceção do híbrido 1G245 que obteve produtividade inferior aos demais.

AGRADECIMENTOS À equipe de campo, estagiários e demais pesquisadores do ITC pelo apoio na execução do experimento.

REFERÊNCIAS CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos, Brasília, DF, v.8, safra 2020/21, n.12, décimo segundo levantamento, setembro. 2021. EMBRAPA

Empresa

Brasileira

de

Pesquisa

Agropecuária. Recomendações técnicas para a cultura do sorgo. Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo, Embrapa Milho e Sorgo, Circular Técnica 1, Sete Lagoas, 1988. EMBRAPA. Sistema de produção integrada de milho para região central de Minas Gerais. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo (Documentos, 148), 2012. 74 p. FERREIRA, D.F. Sisvar: a Guide for its Bootstrap procedures in multiple comparisons. Revista Ciência e Agrotecnologia, v.38, n.2, p.109-112, 2014.

Fitopatologia

77


NEUMANN, M.; RESTLE, J.; ALVES FILHO, D. C.; BRONDANI, I. L.; PELLEGRINI, L. G.; FREITAS, A. K. Avaliação do Valor Nutritivo da Planta e da Silagem de Diferentes Híbridos de Sorgo (Sorghum bicolor, L. Moench). Revista Brasileira de Zootecnia, v. 31, n. 1, p. 293-301, 2002. SANS, L. M. A.; de MORAIS, A. V.; GUIMARÃES, D. P. Épocas de plantio do sorgo. Comunicado Técnico, MAPA. Sete Lagoas, 2003. SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS, L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO, M.R.; ALMEIDA, J.A.; CUNHA, T.J.F.; OLIVEIRA, J.B. Sistema brasileiro de classificação de solos. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. 5 ed. Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos. 2018. 588 p. SILVA, D. D.; COTA, L. V.; COSTA, R. V. Doenças. In: Cultivo do Sorgo, RODRIGUES, J. A. S. (ed.). Embrapa Milho e Sorgo, Sistema de Produção Embrapa, 2, 2012. Disponível em <https://www.spo.cnptia. embrapa.br/conteudo?p_p_id=conteudoportlet_ WAR_sistemasdeproducaolf6_1ga1ceportlet&p_p_ lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_ col_id=column-1&p_p_col_count=1&p_r_p_-76293187_ sistemaProducaoId=8301&p_r_p_-996514994_ topicoId=9206>. Acesso em 25 de Set 2021.

78

Fitopatologia


Entomologia

79


Fitotecnia

80

Entomologia


CULTIVO INTERCALAR ANTECIPADO DE MILHO SEGUNDA SAFRA NAS ENTRELINHAS DA SOJA – ANTECIPE RESULTADOS DO ANO AGRÍCOLA 2020/21 EM RIO VERDE/GO BORGHI, Emerson1; KARAM, Décio2; SILVA, Júlia Resende Oliveira3; ALMEIDA, Dieimisson Paulo4; FURTINI NETO, Antonio Eduardo5 Eng. Agr., Dr. em Agronomia (Agricultura). Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Sete LagoasMG. emerson.borghi@embrapa.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Ciência das Ervas Daninhas. Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Sete LagoasMG. E-mail:decio.karam@embrapa.br 3 Eng. Agrônoma, Mestranda em Fitotecnia, Universidade Federal de Viçosa. Viçosa-MG. E-mail: julia.resende.oliveira17@gmail.com 4 Eng. Agrônomo, Doutor em Agronomia (Produção Vegetal). Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO – ITC, COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas). E-mail: furtinineto@gmail.com 1

INTRODUÇÃO No Cerrado brasileiro, o binômio soja/milho é o sistema de sucessão e/ou rotação de culturas predominante e coloca o Brasil como principal produtor de grãos do mundo. O milho em segunda safra representa atualmente 75% de toda produção desta cultura no país. Aproximadamente 40% de toda a área semeada com soja é semeada com milho (CONAB, 2021) e, neste cenário, o Estado de Goiás se consolida com importante produtor dessas

culturas. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2021), a área cultivada com soja neste ano agrícola 2020/21 em Goiás foi de 3,7 milhões de hectares e 1,6 milhão de hectares de milho segunda safra. Embora o aumento de área de milho segunda safra no Estado representou um aumento de 1,4% em relação à safra anterior, a produtividade de grãos de milho foi 34% menor em comparação à safra passada, gerando um déficit na produção de 3,4 milhões de toneladas. Este cenário foi decorrente das condições climáticas restritivas, que atrasou a semeadura da soja e que, de forma direta, retardou a semeadura do milho segunda safra. Invariavelmente, os cenários climáticos vêm sendo determinantes na decisão da época de semeadura destas duas culturas e, mesmo com a semeadura na soja antes do início do calendário agrícola (conhecido tradicionalmente como “plantio no pó”) os impactos na produtividade por área são bastante significativos para as duas culturas (MAGALHÃES et al., 2021). A busca por sistemas produtivos resilientes, com técnicas que proporcionem o uso racional dos recursos naturais e menor perda de água e nutrientes sem prejuízo à produtividade torna-se essencial para garantir a eficiência produtiva e de mercado destas duas culturas. Nesta temática, o sistema Antecipe – cultivo intercalar antecipado, sistema de cultivo desenvolvido

Fitotecnia

81


pela Embrapa ao longo de 13 anos de pesquisa em

de milho segunda safra persiste na região Sudoeste

diferentes regiões de produção de milho segunda

de Goiás. Desta vez, a semeadura foi efetuada

safra no Brasil, surge como uma oportunidade de

em área de maiores dimensões, justamente pela

antecipar a semeadura do milho em até 20 dias antes

mecanização do Antecipe com a semeadora-

da colheita da soja. De acordo com Karam et al. (2020),

adubadora desenvolvida para este sistema de cultivo.

este sistema de cultivo permite a adequação da época

Assim, este trabalho objetivou avaliar a implantação

de semeadura em segunda safra, possibilitando

de 3 sistemas de semeadura do milho e a avaliação

incrementos de produtividade quando comparado a

do cultivo intercalar mecanizado ANTECIPE nas

épocas de semeaduras que são realizadas fora do

características agronômicas e na produtividade de

calendário agrícola preconizado pelo Zoneamento

milho segunda safra no ano agrícola 2020/21.

Agrícola de Risco Climático (ZARC). Ao avaliarem por 2 anos agrícolas consecutivos épocas de antecipação da semeadura do milho, em dois cultivares de soja de ciclos contrastantes (Engopa

O experimento foi realizado no Instituto de

316 RR – precoce e M 7908 RR – semi-precoce) na

Ciência e Tecnologia (ITC) da Cooperativa COMIGO,

área experimental da COMIGO, em Rio Verde/GO,

em Rio Verde – GO durante o ano agrícola 2020/21.

Karam et al. (2020) concluíram que a antecipação

Segundo Thornthwaite (1948) o clima de Rio Verde

do cultivo do milho intercalar nas linhas de soja

- GO é classificado em B4 rB’4a’ (úmido, pequena

proporcionou produtividades superiores ao sistema

deficiência hídrica, mesotérmico e evapotranspiração

tradicional de semeadura tardia do milho segunda

no verão menor que 48%). A área utilizada para o

safra. O ganho incremental em produtividade de

experimento encontra-se sob as coordenadas S

milho variou com o ciclo da soja, sendo maior com

17º46’06’’ e W 51º02’17’’ com altitude de 840m.

a cultivar precoce. No caso da cultivar semiprecoce,

O solo da área é caracterizado como LATOSSOLO

o ganho de produtividade do milho segunda safra

VERMELHO Distrófico (SANTOS et al., 2018), cujos

pela antecipação também ocorreu, porém, nesta

atributos químicos são demonstrados na Tabela 1.

situação, quanto maior o período de antecipação, menor o ganho em produtividade, justamente pelo maior período fenológico da soja até a maturidade fisiológica neste cultivar. De acordo com os autores, nas condições em que os estudos foram conduzidos, os períodos de maiores produtividades de grãos de milho antecipado ocorreram entre 10 a 14 dias antes da colheita da soja. Face

os

resultados

obtidos

em

anos

anteriores, surgiu a oportunidade de retomar esta pesquisa entre a Embrapa Milho e Sorgo e o Instituto de Ciência e Tecnologia da COMIGO, uma vez que o cenário de redução de produção e produtividade

82

MATERIAL E MÉTODOS

Fitotecnia


Tabela 1. Atributos químicos e granulometria do solo da área experimental. ITC, Rio Verde, ano agrícola 2020/21.

O delineamento experimental utilizado foi

mecanizado descrito em Karam et al. (2020). A diferença

o inteiramente casualizado, com os tratamentos

entre eles refere-se ao dano mecânico provocado pela

sendo dispostos em faixas e os blocos (10) alocados

colheita da soja no Sistema 1. No Sistema 2 a soja foi

aleatoriamente em cada tratamento, uma vez que todos

retirada das unidades experimentais manualmente, no

os tratos culturais na soja e no milho segunda safra

mesmo dia que os demais tratamentos. O propósito da

ocorreram mecanicamente. Os tratamentos consistiram

implantação deste tratamento era verificar se o dano

de 3 sistemas de cultivo: Sistema 1 – Semeadura

mecânico provocado no milho pela colhedora afetaria o

intercalar antecipada de milho nas entrelinhas de soja

desenvolvimento e a produtividade, quando comparado

(ANTECIPE), com corte das plantas de milho em razão

ao Sistema 1.

da passagem da colhedora no momento da colheita da

O Sistema 3 representa o cultivo tradicionalmente

soja; Sistema 2 –ANTECIPE sem o corte das plantas

realizado no binômio soja/milho utilizado no país.

de milho (a soja foi retirada das unidades experimentais

As datas de realização das semeaduras e colheita

manualmente); Sistema 3 (testemunha) – Colheita da

nos tratamentos, além dos dias de antecipação da

soja após maturidade fisiológica e semeadura do milho.

semeadura do milho antes da colheita da soja e o ciclo

Nos Sistemas 1 e 2, o propósito foi a implantação

total do milho encontram-se descritas na Tabela 2.

do milho segunda safra através do cultivo intercalar

Tabela 2. Datas de realização da semeadura do milho e da colheita da soja, dias de antecipação do milho antes da colheita e ciclo (da emergência à colheita) do milho durante a condução do experimento. Rio Verde/GO, ano agrícola 2020/21.

Fitotecnia

83


Para a implantação do experimento foi utilizada

Para os Sistemas 1 e 2, o milho foi semeado

uma área cultivada com soja cultivar CZ 48B32 IPRO,

mecanicamente nas entrelinhas da soja, utilizando

semeada mecanicamente no dia 26/10/2020 utilizando

semeadora-adubadora de 4 linhas espaçadas em 50

semeadora-adubadora para plantio direto, estande 10

cm desenvolvida pela Jumil – Justino de Morais Irmãos

plantas m-1 e 50 cm de espaçamento entrelinhas. Esta

S/A para o sistema ANTECIPE, conforme descrito

cultivar apresenta grupo de maturação 8.3, ciclo de 120

em Karam et al. (2020). Por ocasião da semeadura

dias (tardio), hábito de crescimento determinado e alta

intercalar, a soja encontrava-se em estádio fenológico

capacidade de engalhamento (BASF, 2021). Durante

R7 (Figura 1), correspondendo ao pleno amarelecimento

todo o ciclo da cultura, as práticas culturais foram

das folhas e uma vagem com coloração escura na haste

realizadas seguindo os princípios das boas práticas

principal (FARIAS et al., 2007).

agrícolas.

Figura 1. Estádio fenológico da soja em R7 no momento da semeadura intercalar de milho nas entrelinhas referente ao ANTECIPE. Foto: Emerson Borghi.

84

Fitotecnia


No Sistema 3, em que o milho foi semeado após

1. Estande final de plantas, Número de espigas

a colheita da soja, foi realizado em 15 de março de 2021,

e Índice de espigas - contagem de plantas de plantas e

com semeadora-adubadora pneumática (JM2670PD, 6

de espigas em 3 linhas de 10 metros de comprimento

linhas a 0,5 m, JUMIL) montada em um trator (6155J,

cada, sendo os valores expressos em plantas ha-1 e

115 cv, John Deere).

espigas ha-1. Através da relação do número de espigas e

O híbrido de milho utilizado em todos os

do estande de plantas foi calculado o índice de espigas;

tratamentos foi o B2401 PWU. Nos Sistemas 1 e 2, a

2. Altura de plantas, inserção da espiga e diâmetro

densidade de sementes de milho foi regulada para

do colmo – nas mesmas linhas avaliadas no item

3,5 sementes m-1 objetivando estande final de 70.000

anterior, foram escolhidas 10 plantas aleatoriamente

plantas ha-1. No Sistema 3, a densidade de semeadura

para medição da altura de plantas (medição em metros

foi de 2,5 sementes m-1 com objetivo de obter 50.000

do solo até a última folha expandida no ápice), altura

plantas ha-1 no momento da colheita. A adubação de

de inserção da espiga (medição em metros do solo até

semeadura constou da aplicação de 400 kg ha-1 da

a base da espiga) e diâmetro do colmo (medição em

formulação 08-20-18. A adubação de cobertura no

centímetros do colmo acima do primeiro nó a partir do

milho foi realizada em 13/03/2021 através da aplicação

solo);

de 40 kg ha-1 de N e K2O, correspondendo a 200 kg ha-1 da formulação 20-00-20.

3. Comprimento da espiga, número de grãos por espiga e umidade de grãos na colheita do milho

O controle de pragas e doenças no cultivo do

– em cada repetição de 3 linhas, foram separadas

milho foi empregado com base no manejo integrado.

aleatoriamente 10 espigas e, após retirada da palha,

As recomendações de aplicações de inseticidas e

foi medido o comprimento da espiga (da base até o

fungicidas priorizaram a rotação de mecanismos de

último grão localizado no ápice), o número de fileiras

ação e produtos.

(contagem das fileiras na parte central da espiga), o

A colheita da soja foi realizada mecanicamente

número de grãos nas fileiras (contagem dos grãos da

nos Sistemas 1 e 3 utilizando colhedora automotriz

base até o último grão localizado no ápice) e a umidade

e manualmente no Sistema 2 no dia 13/03/2021,

dos grãos no momento da colheita, através da medição

correspondendo a 138 dias após a semeadura. No

do teor de água nos grãos após debulha, expresso em

Sistema 1, em razão do milho estar em estádio de

porcentagem;

desenvolvimento V4, toda a parte aérea foi ceifada pela

4. Massa de 100 grãos, produtividade de grãos –

passagem da máquina. Para isso, a altura da plataforma

todas as espigas das 3 linhas que compõem cada bloco

de corte da colhedora foi regulada para trabalhar

foram colhidas manualmente e debulhadas. Os grãos

considerando a inserção da primeira vagem de soja em

foram pesados e uma subamostra foi separada para

relação ao solo.

avaliação da massa de 100 grãos e umidade nos grãos.

A colheita do milho nos 3 sistemas foi realizada em 20/07/2021, correspondendo a 139 dias após

Os dados destas duas variáveis foram estimados para 13% (base úmida).

a emergência (Sistemas 1 e 2) e 122 dias após a emergência do milho (Sistema 3). Antecedendo a

Face ao processo de mecanização para

colheita, foram realizadas as seguintes avaliações em

realização dos tratamentos, os dados de avaliações

cada bloco:

dos cultivos foram obtidos como pseudorrepetições,

Fitotecnia

85


por meio de amostras independentes, em dez pontos aleatórios (blocos) georreferenciados dentro de cada tratamento, uma vez que a mecanização de grande porte não permitiu a utilização de delineamento experimental clássico, com repetições estatísticas verdadeiras (SIMÃO et al., 2021). Na comparação de médias das variáveis foi empregado o teste de Tukey a 5% de probabilidade, utilizando o programa estatístico Sisvar (Ferreira, 2011).

RESULTADOS E DISCUSSÃO Durante o período de cultivo do milho segunda safra, considerando as épocas de semeadura dos tratamentos, o total de precipitação pluviométrica acumulada foi de 221,5 mm (Figura 2). Deste total, 97 mm (43,7%) foi acumulado nos Sistemas 1 e 2, em decorrência dos 17 dias de antecipação do milho intercalar referente ao ANTECIPE.

Figura 2. Precipitações diárias em cada mês do ano de 2021 observadas durante o período de condução do milho segunda safra. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, ano agrícola 2020/2021. Na Tabela 3 estão apresentados os resultados

plantas em relação aos Sistemas 1 e 2, houve menor

de altura de plantas, altura de inserção da espiga

competição pelos recursos naturais (principalmente

e diâmetro do colmo. O Sistema 3 apresentou os

chuva) que propiciaram maior porte e diâmetro de

maiores valores nas 3 variáveis, resultado este não

colmo das plantas.

esperado, uma vez que, comparado as outras 2 épocas, a semeadura ocorreu tardiamente e com menor

quantidade

de

precipitação

acumulada

neste tratamento (Figura 2). Mesmo em condições hídricas restritivas, as plantas nesta época de semeadura apresentaram melhor porte em razão do menor estande final de plantas proposto para este tratamento (Tabela 4). Com menor densidade de

86

Fitotecnia


Tabela 3. Altura de plantas, altura de inserção da espiga e diâmetro do colmo do milho em diferentes modalidades de cultivo em segunda safra. Rio Verde/GO, ano agrícola 2020/21.

Embora com maior porte de plantas, o Sistema 3 apresentou menor estande final

pela ausência de chuvas no florescimento, foram

e número de

preponderantes para a plena formação de espigas

espigas. Este resultado foi decorrente do menor

em todos os tratamentos avaliados (Tabela 4).

estande planejado neste sistema (50.000 plantas ha-

Os Sistemas 1 e 2 apresentaram resultados

), comparado aos demais (70.000 plantas ha-1). Assim,

estatisticamente semelhantes, demonstrando que

não é correto inferir que a variação dos estandes

a antecipação da semeadura do milho representou

entre os tratamentos foi decorrente dos sistemas de

condições climáticas mais favoráveis para estes

cultivo analisados, tampouco efeito da deficiência

dois tratamentos (97 mm a mais de chuva), muito

hídrica, principalmente durante o desenvolvimento

embora o Sistema 1 apresentou índice de espigas

no campo (Tabela 4).

estatisticamente semelhante à Época 3. Além disso,

1

Nos Sistemas 1 e 2, pela antecipação na

constatou-se que no Sistema 1, mesmo com o dano

semeadura do milho segunda safra em 17 dias antes

mecânico às plantas de milho pela colhedora no

da colheita da soja, houve condições climáticas mais

momento da colheita da soja, nenhuma das variáveis

favoráveis para atingir o estande final planejado

analisadas na Tabela 4 diferiram do Sistema 2,

(3,5 sementes metro -1) e, no caso do Sistema 1

indicando que o corte da parte aérea do milho não

(ANTECIPE), mesmo com o corte das plantas de

influenciou nestas variáveis nestes 2 tratamentos.

milho no momento da colheita da soja, o estande final e número de espigas foi estatisticamente semelhante ao Sistema 2, este último sem o corte das plantas de milho. O índice de espigas nas 3 épocas de semeadura ficou abaixo de 1, indicando que as condições

climáticas

restritivas,

principalmente

Fitotecnia

87


Tabela 4. Estande final de plantas, número de espigas e índice de espigas do milho em diferentes modalidades de cultivo do milho segunda safra. Rio Verde/GO, ano agrícola 2020/21.

O comprimento da espiga não apresentou correlação com os resultados de número de grãos

Através destes resultados, é possível inferir

por espiga e umidade de grãos na colheita (Tabela

que, a colheita do milho, na semeadura mais

5). No Sistema 3, embora com comprimento da

tardia, nas condições em que este experimento foi

espiga significativamente maior em relação aos

conduzido, não apresentava condições favoráveis

outros tratamentos, obteve menor número de grãos

no mesmo momento que as épocas de semeadura

por espiga e maior umidade de grãos na colheita.

antecipadas. Além disso, o Sistema 1, mesmo com

Nas épocas de semeadura antecipada, mesmo com

as plantas cortadas pela colheita mecânica da soja,

diferenças no comprimento da espiga, o número de

proporcionou condições de formação de espigas e de

grãos por espiga foi estatisticamente semelhante,

grãos semelhante à semeadura do milho no mesmo

demonstrando que, assim como no estande final

dia, porém, na ausência de plantas de soja e sem o

e número de espigas por hectare, a semeadura

dano mecânico ao milho (Sistema 2), indicando que

intercalar do milho no sistema ANTECIPE não causou

o dano mecânico ocasionado nas plantas de milho

problemas no estabelecimento das plantas e na

não reduziu as características da espiga. Mesmo

formação de grãos na espiga.

com maior teor de umidade quando comparado

Em relação ao teor de umidade dos grãos

ao Sistema 2, a diferença de 4% entre estes dois

na colheita, importante indicador para tomada de

tratamentos não significa que o milho semeado no

decisão do momento em colher o milho, diferenças

ANTECIPE não causará atraso na colheita de milho

significativas foram observadas entre os sistemas de

mesmo com o crescimento consorciado com a soja

cultivo (Tabela 5). O maior valor foi obtido no Sistema

por 17 dias.

3 demonstrando que, além de menor estande e número de grãos por espiga, neste tratamento, a colheita deveria ser mais tardia em relação aos

88

demais sistemas avaliados.

Fitotecnia


Tabela 5. Comprimento da espiga, número de grãos por espiga e umidade de grãos na colheita do milho em diferentes modalidades de cultivo do milho segunda safra. Rio Verde/GO, ano agrícola 2020/21.

Além de reduzir significativamente o número de

análise do resultado do coeficiente da variação (CV)

grãos por espiga, a semeadura tardia do milho (Sistema

apresentada na Tabela 6, que indica a variação entre o

3) reduziu a massa de 100 grãos e impactou diretamente

estande final de plantas para cada um dos tratamentos

na produtividade (Tabela 6), provavelmente, pela menor

avaliados. Constatou-se que, neste sistema, a variação

quantidade de água proveniente da precipitação

do estande foi significativamente maior em relação

pluviométrica durante o desenvolvimento do milho

aos demais tratamentos. Neste caso, em razão da

neste tratamento. A semeadura do milho no cultivo

semeadura do milho ter sido realizada intercalar às

ANTECIPE nos Sistemas 1 e 2 apresentaram massa de

linhas de soja pela primeira vez pelo operador, houve

100 grãos estatisticamente semelhante.

variação na velocidade de deslocamento do conjunto

A menor produtividade de grãos no Sistema

trator-semeadora. Como a distribuição de sementes é

1, mesmo com estande final de plantas e de espigas

regulada pela velocidade de deslocamento do conjunto,

estatisticamente

foi

ocorreu variações de velocidade ao longo do percurso,

decorrente de uma diferença de 1.800 plantas ha e

causando problemas na distribuição de sementes no

4.000 espigas ha a menos que no Sistema 1 (Tabela 4).

Sistema 1.

semelhante

ao

Sistema

2,

-1

-1

Mesmo sem diferença estatística entre os tratamentos

O

mesmo

entendimento

não

pode

ser

para estas variáveis, com menor número de espigas por

relacionado ao Sistema 3 pois, neste tratamento,

hectare, consequentemente a produtividade de grãos

a semeadura foi realizada com outra semeadora,

foi afetada neste tratamento.

após a colheita da soja. Desta maneira, pode-se

O

resultado

da

menor

produtividade

de

inferir que, nesta época de semeadura, as condições

grãos no ANTECIPE para o Sistema 1 não pode ser

climáticas durante o desenvolvimento do milho foram

atribuído ao corte mecânico das plantas no momento

preponderantes para o estabelecimento de plantas,

da colheita da soja. Esta afirmação baseia-se na

formação de grãos e peso de grãos, culminando em

Fitotecnia

89


redução na produtividade.

ANTECIPE (Sistema 1), há ganho de 3,6 sacos de milho

A antecipação da semeadura do milho para

ha-1 dia-1 nos 17 dias de antecipação em relação à

o mês de fevereiro proporcionou incrementos de

semeadura tardia (Sistema 3), o que significa um ganho

produtividade significativos (Tabela 6). No Sistema 1, o

de 40% em produtividade entre estas épocas. Tal

incremento foi de 216,7 kg ha-1 dia-1, o que representou

resultado corrobora as afirmações de Karam et al. (2020)

3,6 sacos de milho ha-1 dia-1 de antecipação. No

que, ao analisarem resultados de pesquisas realizadas

Sistema 2, o ganho foi de 275,5 kg ha-1 dia-1 (4,6 sacos

com o Antecipe em Rio Verde/GO, concluíram que esta

de milho ha-1 dia-1). Estes resultados demonstraram

técnica de cultivo, mesmo com a presença da soja até

que, comparados à semeadura tardia de março, a

a colheita da oleaginosa, é possível obter ganhos de

antecipação proporcionou ganhos na produtividade.

produtividade de milho segunda safra, mesmo após o

Entre estes dois sistemas, face a diferença no número

dano mecânico nas plantas provocado pela passagem

de espigas entre os tratamentos e o maior CV no

da colhedora. Os autores, ao analisarem os ganhos na

sistema ANTECIPE, houve diferença na produtividade

produtividade de milho segunda safra proporcionados

de grãos de 1 saco ha-1 dia-1 de antecipação.

pelo ANTECIPE, encontraram incrementos de 135 e

Através da análise da produtividade de grãos e do incremento pelos dias de antecipação, é possível

230 kg ha-1 dia-1 antecipando a semeadura em 20 e 10 dias antes da colheita da soja, respectivamente.

demonstrar que, no caso do cultivo do milho no sistema

Tabela 6. Massa de 100 grãos, produtividade de grãos e incremento de produtividade de grãos do milho em diferentes modalidades de cultivo do milho segunda safra. Rio Verde/GO, ano agrícola 2020/21.

Considerando os dados obtidos neste trabalho

que vários fatores são importantes para obtenção

e os de Karam et al. (2020) constatou-se que o ganho

destes resultados, porém, a análise dos trabalhos

de produtividade pela antecipação em 17 dias

conduzidos com o ANTECIPE é possível identificar a

(216,7 kg ha dia ) é semelhante aos obtidos com

semelhança de ganhos de produtividade pela adoção

10 dias de antecipação pelos autores. É evidente

deste sistema de cultivo quando comparados à

-1

90

Fitotecnia

-1


semeaduras tardias. Além disso, segundo os autores,

pelo aprimoramento e concessão da semeadora-

a produtividade de grãos obtida no ANTECIPE não

adubadora para realização do cultivo Antecipe.

pode ser comparada à produtividade do milho semeado em condições mais propícias para a expressão máxima de produtividade, motivo pelo qual os mesmos não recomendam a substituição total do cultivo de milho após a colheita da soja. O ANTECIPE é uma estratégia de redução de risco e, assim como os resultados obtidos neste trabalho, a antecipação da semeadura resulta em ganhos de produtividade quando comparado à semeadura fora do calendário agrícola preconizado pelo ZARC para o município de Rio Verde.

CONCLUSÕES

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASF. Lista de cultivares disponíveis: CZ 48B32 IPRO. Disponível em: https://agriculture.basf.com/ br/pt/protecao-de-cultivos-e-sementes/produtos/ credenz/Credenz/CZ-48B32-IPRO.html. Acesso em 01.09.21. CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira: grãos, v. 11, décimo primeiro levantamento, agosto, 2021. Disponível em: https://www.conab.gov.br/info-agro/ safras/graos/boletim-da-safra-de-graos. Acesso em 01.09.2021.

Nas condições em que o trabalho foi conduzido,

FARIAS, J. R.; NEPOMUCENO, A. L.; NEUMAIER, N.

a antecipação da semeadura em 17 dias proporciona

Ecofisiologia da soja. Londrina: Embrapa Soja,

condições mais favoráveis para estabelecimento

2007, 9 p. (Circular Técnica 48).

de plantas, espigas, números de grãos por espiga,

FERREIRA,

massa de 100 grãos e produtividade de grãos de

computacional de análise estatística. Ciência e

milho segunda safra.

Agrotecnologia, 35(6), 1039-1042.

D.

F.

(2011).

Sisvar:

um

sistema

O atraso na semeadura para o mês de março

KARAM, D.; BORGHI, E.; MAGALHAES, P. C.; PAES,

de 2021 impacta negativamente na produtividade de

M. C. D.; PEREIRA FILHO, I. A.; MANTOVANI, E. C.;

milho segunda safra.

SOUZA, T. C. de; ADEGAS, F. S. Antecipe: cultivo

O sistema ANTECIPE, através da antecipação

intercalar antecipado.

Brasília, DF: Embrapa, 2020.

da semeadura do milho intercalar às linhas de soja,

105 p. Disponível em: http://www.infoteca.cnptia.

produz mais que o milho semeado fora do calendário

embrapa.br/infoteca/handle/doc/1126609

agrícola, mesmo submetido ao dano mecânico

MAGALHAES, P. C.; BORGHI, E.; KARAM, D.;

causado pela colhedora ao colher a soja.

PEREIRA FILHO, I. A.; RIOS, S. de A.; ABREU, S. C.; LANDAU, E. C.; GUIMARAES, L. J. M.; PASTINA, M.

AGRADECIMENTOS À equipe de campo do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO indispensáveis para a condução deste trabalho. À JUMIL – Justino de Morais Irmãos S/A,

M.; DURAES, F. O. M. Desenvolvimento do milho segunda

safra:

fatores

genético-fisiológicos,

plataforma de conhecimento e práticas de manejo de cultivo e uso, visando sustentabilidade de produção e produtividade no binômio soja/milho. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2020. 42 p. (Embrapa Milho

Fitotecnia

91


e Sorgo. Documentos, 258). SANTOS, H.G.; JACOMINE, P. K. T.; ANJOS, L. H. C.; OLIVEIRA, V. A.; LUMBRERAS, J. F.; COELHO, M. R; ALMEIDA, J. A.; ARAÚJO FILHO, J. C.; OLIVEIRA, J. B.; CUNHA, T. J. F. Latossolos. In: Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 5. ed. Brasília :Brasília: Embrapa, Cap. 10, p. 195 – 199,2018. SIMÃO, E. de P.; RESENDE, A. V. de; GIEHL, J.; GALVÃO, J. C. C.; BORGHI, E.; OLIVEIRA, A. C. de; GONTIJO NETO, M. M. Agronomic responses to the intensification of grain production systems in dryland farming of central Minas Gerais State, Brazil. Brazilian Journal of Agriculture, v. 96, n. 1, p. 277-293, 2021. THORNTHWAITE, C. W. An Approach toward a Rational Classification of Climate. Geographical Review, v. 38, n 1., p. 55-94, 1948.

92

Fitotecnia


ÉPOCAS DE SEMEADURA DE HÍBRIDOS DE SORGO EM 2ª SAFRA NOS ANOS AGRÍCOLAS 2019/20 e 2020/21: PRODUTIVIDADE DE GRÃOS ALMEIDA, Dieimisson Paulo1; LIMA, Diego Tolentino de2, FERNANDES, Rafael Henrique3, FURTINI NETO, Antônio Eduardo4; ROSA, Victória Caroline Sousa5; FREITAS, Bárbara Vieira de6 Eng. Agrônomo. Dr. em Agronomia / Produção Vegetal. Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO-ITC, COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br; 2 Eng. Agrônomo, Dr em Agronomia, Pesquisador em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br; 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br; 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia. Professor Titular aposentado da Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras-MG. Consultor Externo em Solos e Nutrição de Plantas, COMIGO, Rio Verde - GO. E-mail: furtinineto@ gmail.com; 5 Eng. Agrônoma, Egressa do curso de Agronomia do Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: victoriacsr19@gmail.com; 6 Graduanda em Agronomia, Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: barbaravieiraf97@outlook.com; 1

teve um forte efeito no crescimento na produtividade no Brasil. O uso da cultura sorgo na região Centro-Oeste está fortemente ligado tanto pela aplicabilidade no sistema de produção de plantio direto em sucessão a soja, quanto para a importância da 2ª safra (“safrinha”), onde o sorgo representa menor risco, uma vez que é mais tolerante ao estresse hídrico do que o milho (DUARTE, 2010). O acompanhamento da safra brasileira de grãos, realizado pela CONAB (2020) estimou que no ano agrícola 2019/2020 a produção sorgo granífero chegou a 2,7 milhões de toneladas de grãos, em uma área total de 835.400 ha. No ano agrícola 2020/2021 a área cultivada com sorgo granífero aumentou para um total de 864.600 ha, entretanto, a produção de grãos de sorgo reduziu para 2,1 milhões de toneladas (CONAB, 2021). O sorgo granífero tem sua data de semeadura dependente da época de colheita da cultura antecessora. Com isso, quanto mais tarde for seu estabelecimento no campo, o potencial de produção pode ser reduzido, aumentando o risco por perdas por adversidades

INTRODUÇÃO

climáticas, como deficiência hídrica, fotoperíodo e temperatura baixa do ar. Além disso, tem predominado

O sorgo tem como característica ser mais

o uso de híbridos simples, os quais expressam

resistente ao estresse hídrico do que o milho, mas

produtividade máxima na primeira geração, sendo

não resistente à seca e dependente de boas práticas

necessária a aquisição de sementes todos os anos

culturais

(FILHO e FORNASIERI, 2009).

para

atingir

melhores

produtividades

(DUARTE, 2010). O crescimento da produção na região

No estado de Goiás é comum cultivar o sorgo

Fitotecnia

93


granífero geralmente em sucessão a soja implantada

O solo na área experimental é da classe LATOSSOLO

no início de novembro e cultivada até a última

VERMELHO Distrófico.

semana de fevereiro (primavera-verão), substituindo

A

pesquisa

conduzida

no

ano

agrícola

principalmente o cultivo de milho segunda safra, devido

2019/2020, e foi constituída por 5 híbridos de sorgo:

ao zoneamento agroclimático do estado.

1G100; 1G233; 1G245; AG1085; AG1090. Os híbridos

Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi

foram semeados em duas épocas, no dia 07 de março

avaliar a produtividade grãos de cinco híbridos de sorgo

de 2020 (1ª época de semeadura) e no dia 17 de março

granífero de dois germoplasmas, semeados em duas

de 2020 (2ª época de semeadura).

épocas distintas na segunda safra dos anos agrícolas 2019/2020 e 2020/2021.

No ano agrícola 2020/2021, a pesquisa e foi constituída por 5 híbridos de sorgo: 1G100; 1G233; B1G255; AG1085; AG1070. A semeadura dos híbridos

MATERIAL E MÉTODOS

foram em duas épocas, no dia 11 de março de 2021 (1ª época de semeadura) e no dia 19 de março de 2020 (2ª

O experimento foi conduzido no Instituto de

época de semeadura).

Ciência e Tecnologia COMIGO (ITC) localizado no Anel

O experimento foi conduzido em blocos

Viário Paulo Campos s/n, Zona Rural, Rio Verde Goiás. A

casualizados com 4 repetições para cada híbrido,

área do experimento está localizada nas coordenadas

cada unidade experimental com dimensão de 6,0 m

S 17°46’00’’e W 51°02’13’’ e altitude de 840 metros.

(12linhas) x 40 m (240 m²).

Segundo Thornthwaite (1948) o clima de Rio Verde

A área onde foi conduzida a pesquisa foi

- GO é classificado em B4 rB’4a’ (úmido; pequena

cultivada com soja na 1ª safra dos anos agrícolas

deficiência hídrica; mesotérmico; evapotranspiração

anteriores. Antes da semeadura da soja foi realizada

no verão menor que 48% da evapotranspiração anual).

análise de solo para condução do experimento na camada de 0-20 (Tabela 1).

Tabela 1. Atributos do solo na profundidade de 0-20 cm no local de condução da pesquisa na área experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO – ITC, Rio Verde – GO, 2ª safra dos anos agrícolas 2019/2020 e 2020/2021.

Antes da semeadura dos híbridos de sorgo foi

(Digitaria horizontalis), capim custódio (Pennisetum

-1

aplicado glyphosate (Roundup Transorb, 480 g e.a. L ,

setosum) e capim pé-de-galinha (Eleusine indica) em

Monsanto), na dose de 1,3 kg e.a. ha para controlar

pleno estádio de desenvolvimento vegetativo e recém-

plantas de folha estreita como o capim-colchão

emergido.

-1

94

Fitotecnia


A semeadura dos híbridos foi realizada por

semeadura, respectivamente. Nos dois anos agrícolas

uma semeadora-adubadora pneumática (JM2670PD,

A adubação de semeadura foi realizada no sulco e em

6 linhas a 0,5 m, JUMIL) montada em um trator (6155J,

cobertura, conforme Tabela 2. Assim, na implantação,

115 cv, John Deere), calibrada para semear 9,6 e

a mesma foi equivalente a 22,5, 56 e 50,4 kg ha-1de N,

9,1 sementes m-1 na primeira e segunda época de

P2O5 e K2O, respectivamente.

Tabela 2. Adubação realizada na área experimental. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO – ITC, Rio Verde - GO, 2ª safra dos anos agrícolas 2019/2020 e 2020/2021.

Aos 30 dias após a semeadura foi aplicado 1,5

linhas centrais, totalizando 9 metros.

kg i.a. ha-1 de Atrazine (Proof, 500 g i.a. L-1). Os demais

Após a colheita, o material vegetal foi trilhado e

tratos culturais e fitossanitários, como manejo de

determinou-se o teor de água (umidade) dos grãos de

plantas-daninhas, doenças e insetos foram realizados

sorgo de cada parcela (repetição) pelo método da estufa

de acordo com a recomendação agronômica pertinente

(BRASIL, 2009). Posteriormente, fez-se a correção

para a região. Foi monitorada a data de florescimento

da umidade dos grãos para 13%, e determinou-se a

de cada híbrido de sorgo.

produtividade em sacas ha-1, cada saca corresponde a

Na época da colheita, aferiu-se a altura do colo das plantas até a última lígula visível (na folha bandeira), em dez plantas por parcela tomadas ao acaso.

60 kg de grãos de sorgo. Com o objetivo de detectar a significância das diferenças dos componentes de produção dos

Para avaliação da produtividade de grãos dos

híbridos de sorgo, os resultados obtidos nas avaliações

híbridos de sorgo e do número final de plantas ha-1,

foram submetidos à análise de variância ao nível de

adotou como área útil 3 metros de comprimento das 3

significância de 5% e as médias, quando pertinente,

Fitotecnia

95


foram comparadas pelo teste de Scott-Knott ao nível

(Tabela3), o florescimento dos híbridos 1G100 e

de 5% de probabilidade, tendo sido também avaliada

1G233 ocorreu aos 58 e 60 dias após a semeadura,

a homogeneidade das variâncias e a normalidade dos

respectivamente, caracterizando estes híbridos como

dados.

mais precoces em relação aos híbridos 1G245; AG1085 e AG1090 que floresceram após 65 dias.

RESULTADOS E DISCUSSÃO ANO AGRÍCOLA 2019/2020 Na 1ª época (07/03/2020) e 2ª de semeadura

Ao comparar a 1ª época (07/03/2020) com a 2ª época de semeadura (17/03/2020) (Tabela 3), verificase que, exceto para o híbrido 1G100, todos os demais apresentaram maior número de dias para florescer, o que pode estar relacionado com a sensibilidade de cada híbrido à temperatura e a irradiância/fotoperíodo.

Tabela 3. Densidade de semeadura, período de florescimento, número final plantas e altura de plantas de híbridos de sorgo semeados em duas épocas. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, Rio Verde – GO, 2ª safra do ano agrícola 2019/2020.

Na 1ª época de semeadura (07/03/2020) (Figura 1) não foi detectada diferença estatística entre as produtividades de grãos dos híbridos de sorgo. Os híbridos 1G100, 1G233, 1G245, AG1085 e AG1090 produziram 115, 114, 96, 105 e 105 sacas ha-¹, respectivamente. De acordo com as estimativas da CONAB (2021), é importante salientar que nesta pesquisa todos os híbridos de sorgo superaram a média de produtividade (sacas ha-¹) do Estado de Goiás, produzindo o dobro de sacas de sorgo ha-1 comparados à média Estadual, indicando a assertividade do manejo da cultura do sorgo realizada neste trabalho.

96

Fitotecnia


Figura 1. Produtividade de grãos de híbridos de sorgo semeados em 7 de março de 2020. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde-GO, 2ª safra do ano agrícola 2019/2020. Na Figura 2 ao observar as precipitações

1G233; 1G245; AG1085; AG1090. Na 2ª época de

pluviais diárias em cada mês e na Tabela 3 que, na

semeadura (17/03/2020) as chuvas ocorreram no pré-

1ª época de semeadura (07/03/2020) o acumulado

florescimento (emborrachamento) de todos os híbridos

de chuvas de 14 mm aos 11, 9, 4, 4 e 4 após o

(1G100; 1G233; 1G245; AG1085; AG1090).

florescimento para os respectivos híbridos 1G100;

Figura 2. Precipitações diárias em cada mês observadas durante o período de condução a campo do experimento realizado com a cultura do sorgo. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, 2ª safra do ano agrícola 2019/2020.

Fitotecnia

97


Na 2ª época de semeadura (17/03/2020)

produtividades de grãos, sendo 108, 107 e 109 sacas

(Figura 3) foram observadas diferenças estatísticas

ha-1, respectivamente. Os híbridos 1G245 e AG1090

nas produtividades dos híbridos de sorgo. Os híbridos

atingiram menores médios de produtividade de grãos,

1G100, 1G233, B1G255, e AG1085 obtiveram maiores

com 93 sacas ha-1 para os respectivos híbridos.

Figura 3. Produtividade de grãos de híbridos de sorgo semeados em 17 de março de 2020. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, Rio Verde - GO, 2ª safra do ano agrícola 2019/2020. Nesta pesquisa a quantidade de chuvas foi a mesma para as duas épocas de semeadura (11/03/2020 e 19/03/2020) com um total de 154,5 mm durante as condução da pesquisa (Figura 2) e as diferenças nas produtividades entre as duas épocas de semeadura (11/03/2020 e 19/03/2020) não foram expressivas, isso pode ser explicado pela distribuição de precipitações pluviais desde a semeadura até a colheita (Figura 2).

ANO AGRÍCOLA 2020/2021 Verifica-se na Tabela 4 que, na 1ª época de semeadura (11/03/2021), o florescimento dos híbridos 1G100, 1G233, B1G255 e AG1070 ocorreu aos 56, 67, 66, 63 e 61 dias após a semeadura, respectivamente. Na época de semeadura (11/03/2021), o florescimento dos híbridos 1G100, 1G233, B1G255 e AG1070

98

Fitotecnia

ocorreu aos 59, 59, 59, 66 e 66 dias após a semeadura, respectivamente.


Tabela 4. Densidade de semeadura, período de florescimento, número final plantas e altura de plantas de híbridos de sorgo semeados em duas épocas. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, Rio Verde – GO, 2ª safra do ano agrícola 2020/2021.

Na 1ª época de semeadura (11/03/2021)

as estimativas da CONAB (2021), é importante salientar

(Figura 4) foi detectada diferença estatística entre

que no agrícola 2020/2021 todos os híbridos de sorgo

as produtividades de grãos dos híbridos de sorgo,

superaram a média de produtividade (sacas ha-¹) do

os híbridos 1G100 e AG1070 obtiveram maior

Estado de Goiás, 2,8 vezes a mais média de sacas de

produtividade, acima de 120 sacas ha e os híbridos

sorgo ha-1 comparados à média Estadual, indicando a

de sorgo 1G233, B1G255 e o AG1085 tiveram

assertividade do manejo da cultura do sorgo realizada

produtividades estatisticamente iguais. De acordo com

nesta pesquisa.

-1

Figura 4. Produtividade de grãos de híbridos de sorgo semeados em 12 de março de 2021. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde-GO, 2ª safra do ano agrícola 2020/2021.

Fitotecnia

99


A quantidade de chuvas (Figura 4) para a 1ª

segundo período crítico da cultura do sorgo quanto à

época de semeadura (11/03/2021) foi de 134,5 mm.

disponibilidade de água no solo é compreendido entre

e para a 2ª época de semeadura (19/03/2021) foi de

o pré-florescimento (emborrachamento) ao final da

110,5 mm durante as condução da pesquisa.

fecundação, entretanto, não se conhece precisamente

Na 1ª época de semeadura (11/03/2021), ao

os estádio de desenvolvimento com maior sensibilidade.

analisar a Figura 5 e a Tabela 4 verifica-se que não

Neste sentido, solos que possuem maior potencial de

ocorreu precipitações pluviais no pré-florescimento

retenção de água pode ter um excedente hídrico que

(emborrachamento) para todos os híbridos (1G100;

possibilita a disponibilidade de água para a cultura do

1G233; B1G255; AG1085; AG1070). Na 2ª época de

sorgo nos períodos críticos. Portanto, vale enaltecer a

semeadura (19/03/2020) as chuvas ocorreram no pré-

importância das práticas agrícolas que possibilitam

florescimento somente dos híbridos AG1085 e AG1070

incrementar a capacidade de infiltração e retenção

e nos híbridos 1G100 1G233 e B1G255 o acumulado

de água em um determinado solo e, assim, reduzir

de 26 mm de chuva foi 6 dias após o florescimento.

os riscos potenciais no cultivo do sorgo granífero em

De acordo Fornasieri Filho e Fornasieri (2009), o

segunda safra.

Figura 5. Precipitações diárias em cada mês observadas durante o período de condução a campo do experimento realizado com a cultura do sorgo. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, 2ª safra do ano agrícola 2020/2021. Na 2ª época de semeadura (19/03/2021) do ano agrícola 2020/2021 (Figura 6) foram observadas diferenças estatísticas nas produtividades dos híbridos de sorgo. Os híbridos 1G100 e AG1070, assim como na 2ª época de semeadura (11/03/2021) obtiveram maiores produtividades de grãos de 118 e 113 sacas ha-¹, quando comparado aos híbridos de sorgo 1G233,

100

Fitotecnia

B1G255 e o AG1085 atingiram menores médias de produtividade de grãos, 100, 90 e 90 sacas ha-¹.


Figura 6. Produtividade de grãos de híbridos de sorgo semeados em 19 de março de 2020. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, Rio Verde - GO, 2ª safra do ano agrícola 2020/2021. A evidência levantada nesta pesquisa é de que, a

quando semeados na 1ª época (07/03/2020) e na

distribuição das precipitações pluviais no ano agrícola

2ª época (17/03/2020) apresentaram alto potencial

2020/2021 podem ter mantido as produtividades na

produtivo para a região com a média de 102 e 107

2ª época de semeadura próximas as da 1ª época de

sacas ha-1, respectivamente.

semeadura. Isto pode ser reforçado ao analisar os

No ano agrícola 2020/2021 os híbridos de sorgo

resultados obtidos em outras pesquisas com híbridos

(1G100, 1G233, B1G255, AG1085 e AG1070) semeados

de sorgo (ALMEIDA et al. 2019; ALMEIDA et al. 2020 ).

na 1ª época (11/03/2020) e na 2ª época (19/03/2020)

Entretanto, vale ressaltar que ao ocorrer a geada em 01

obtiveram altas produtividade com média de 116 e 102

de julho de 2021 os híbridos de sorgo 1G233 B1G255

sacas ha-1, respectivamente.

e AG1085 estavam no estádio fenológico 8, de acordo com Fornasieri Filho e Fornasieri (2009), nesta fase de desenvolvimento da cultura do sorgo as sementes

AGRADECIMENTOS

possuem cerca de três quartos da matéria seca, ou

À equipe de campo do Instituto de Ciência e

seja, a geada provavelmente reduziu a produtividade

Tecnologia COMIGO indispensáveis para a condução

destes híbridos de sorgo (1G233, B1G255 e AG1085)

deste trabalho.

em torno de 25%.

CONCLUSÃO

A Coordenadora Gestão de Produtos da COMIGO, Engª Agr.ª Adriana Ferraz de Almeida Santos pelo apoio e sugestões prestadas no planejamento do experimento.

Os híbridos de sorgo (1G100, 1G233, 1G245,

Ao Coordenador Técnico e Comercial da

AG1085 e AG1090) avaliados no ano agrícola 2019/2020

COMIGO, Eng. Agr. Esp. Beckembauer Ferreira pelo

Fitotecnia

101


apoio e sugestões prestadas no planejamento do experimento.

REFERÊNCIAS ALMEIDA, D. P.; FURTINI NETO, A. E.; BRAND, S. C. Épocas de semeadura de híbridos de sorgo em segunda safra 2017/2018: produtividade de grãos. Anuário de Pesquisas Agricultura, v. 2, p. 134-139, 2019. BRASIL.

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102

Fitotecnia


Entomologia

103


104

Entomologia

Plantas Daninhas

Foto: Dieimisson Paulo Almeida


FLUXOS DE EMERGÊNCIA DE PLANTAS DE BUVA APÓS COLHEITA DO MILHO SEGUNDA SAFRA

BORGES¹, Renato Silva; TIMOSSI², Paulo César; GUSMÃO3, Ana Débora Ribeiro Cardoso; ALMEIDA4, Dieimisson Paulo ¹Eng. Agrônomo. Mestre em Sustentabilidade na Agricultura pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Cassilândia-MS, Brasil. E-mail: renatosilva_borges@hotmail.com ² Eng. Agrônomo. Professor Doutor do curso de Agronomia da Universidade Federal de Jataí (UFJ), Jataí-GO, Brasil. E-mail: timossi@ufj.edu.br 3 Eng. Agrônoma. Mestranda em Agronomia/ Produção Vegetal. Universidade Federal de Jataí (UFJ), Jataí-GO. E-mail: anadebora.gusmao@gmail.com Eng. Agrônomo, Doutor em Agronomia/Produção Vegetal. Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO – ITC, COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: ‘dieimissonpaulo@comigo.com.br 4

caráter negativo em áreas agricultáveis, estabelecendose principalmente em áreas de lavouras nos períodos de entressafra onde se realiza práticas conservacionistas com o mínimo de revolvimento do solo (TREMMEL; PETERSON, 1983). A

buva

é

uma

planta

que

apresenta

desenvolvimento anual, com reprodução sexuada e produção de sementes que germinam no outonoinverno findando o seu ciclo no verão, caracterizandose como planta daninha de inverno (TOZZI et al., 2014). O gênero Conyza sp. destaca-se por infestar culturas de ciclo anual como algodão, milho, soja e trigo, áreas com pastagens, culturas perenes (frutíferas e espécies florestais) e áreas como margens de estradas e terrenos baldios (CONSTANTIN et al., 2013). Mundialmente, estas espécies infestam mais

INTRODUÇÃO A família Asteraceae compreende cerca de 1100 gêneros (BARROSO et al., 1991). Pertencente à essa família, encontra-se o gênero Conyza, que apresenta cerca de 50 espécies, a qual é conhecida popularmente por buva, com fluxos de emergência em diferentes períodos durante todo o ano (KISSMANN; GROTH, 1999). As espécies Conyza bonariensis e Conyza canadensis destacam-se por apresentarem um

de 40 culturas (SANSOM et al., 2013). No CentroOeste, a principal espécie infestante é a Conyza canadensis, sendo uma espécie nativa da América do Norte (ALCORTA et al., 2011). Trata-se de uma espécie infestante que cresceu nos últimos anos, fazendo com que ela se tornasse uma planta daninha amplamente distribuída mundialmente (CONSTANTIN et al., 2013). Essa espécie apresenta um grau elevado de competição, com capacidade de interferir na capacidade produtiva das culturas, mesmo em pequena quantidade de área infestada (PATEL et

Plantas Daninhas

105


al., 2010). As plantas quando desenvolvidas em

diminuam o uso de herbicidas, contaminação do

condições ótimas, possuem grande profilicidade,

ambiente e aprimoramento das tecnologias usadas

com produções de sementes que chegam a atingir

na agricultura (ZANDONÁ et al., 2018).

até cerca de 200.000 sementes por planta no caso da espécie C. canadensis (GREEN, 2010).

Dessa forma, objetivou-se com a pesquisa caracterizar o padrão de fluxo de emergência de

A infestação de buva ocasiona uma redução

plantas em área com o sistema agrícola de sucessão,

significativa no potencial produtivo da soja. Altas

com soja cultivada em primeira safra e milho em

infestações podem reduzir em cerca de 30% a

segunda safra, para assim contribuir na definição de

produtividade da cultura, em condição de convivência

estratégias para o controle de buva após a colheita

com mais de 30 plantas de buva por m² (BARALI

do milho segunda safra.

JÚNIOR., 2016). A presença da Conyza spp. no momento da colheita pode acarretar em redução na qualidade do produto a ser colhido, em virtude da presença

O experimento foi conduzido no estado de

de impurezas e da umidade, e consequentemente

Goiás, no município de Jataí, localizado no sudoeste

diminuição do valor recebido pelo agricultor no

do estado, com coordenadas geográficas de 17°53’S e

processo de comercialização do produto (GAZZIERO

52°43’ W e 680 m de altitude, em áreas experimentais

et al., 2010). Segundo esses autores, quando as

da Universidade Federal de Jataí – Campus Jatobá.

plantas de buva ainda permanecem verdes no

O experimento foi instalado em agosto e

momento da colheita da soja, quando em contato

repetido em outubro de 2015, em uma área que foi

com os grãos de soja, ocorre um acréscimo na

cultivada no sistema de plantio direto com cultivo de

umidade dos grãos de até 7%.

soja na primeira safra (verão), e cultivo de milho na

O estudo das características biológicas como

106

MATERIAL E MÉTODOS

segunda safra (verão/outono).

o fluxo de emergência é de suma importância, pois

Na área experimental foram adotadas 6

possibilita a realização de análises do comportamento

parcelas tomadas ao acaso com dimensões de 3

das plantas diante de fatores ecológicos no decorrer

x 4 m, totalizando 12 m2. Após a demarcação das

de um ano agrícola, auxiliando na escolha da forma e

parcelas foi realizada a monda/arranquio de todas

do momento em que o controle pode ser empregado

as plantas de buva que se encontravam na área

(SOARES, 2014).

amostrada. O material foi levado para o Núcleo de

O fluxo de emergência está relacionado de

Pesquisas Agronômicas (NPA), onde passou por uma

forma direta com padrões de resposta das sementes

triagem de determinação do número e medição do

à interferência de determinados fatores ambientais

comprimento das plantas, além da separação por fase

e práticas culturais. O conhecimento a respeito

fenológica em estádio vegetativo e reprodutivo. Todas

desse fluxo de emergência de plantas daninhas

as plantas foram medidas com fita métrica graduada

possibilita o estabelecimento de estratégias que

em centímetros, dispostas em mesas ou bancadas

ofereça maior habilidade competitiva à cultura,

para realizar a medição da altura das plantas e depois

resultando em menores perdas de produtividade,

descartadas. De posse do conjunto de informações,

com possibilidade de selecionar medidas que

as plantas foram agrupadas em plantas com tamanho

Plantas Daninhas


de 0 a 10 cm, de 10 a 20 cm, de 20 a 30 cm e plantas

presentes em cada grupo estabelecido. Na Figura 1

acima de 30 cm. Com os resultados obtidos foram

são ilustrados parcialmente as atividades realizadas

elaboradas em escala percentual, figuras com a

em campo e Laboratório.

representação da distribuição do tamanho de plantas

Figura 1. Caracterização da área experimental e metodologia abordada. 1.A - Área experimental. 1.B – Arranquio de plantas. 1.C – Número de plantas e medição de altura. 1.D - Distribuição das plantas em altura. Fotos: Paulo César Timossi. As

condições

atmosféricas

registradas

plantas de buva.

ao longo do período de junho a outubro de 2015

O momento da primeira avaliação (11 de

foram obtidas no INMET – Instituto Nacional de

agosto de 2015) e da segunda avaliação (17 de

Meteorologia – Unidade Jataí, no intuito de auxiliar na

outubro de 2015), é expresso pela seta na cor verde

identificação da possível oscilação na emergência de

disponível na figura 2.

Plantas Daninhas

107


Figura 2. Precipitação e médias de temperatura máxima e mínima durante os meses de junho a outubro de 2015. As datas de avaliação são demonstradas pelas setas na cor verde. Fonte: INMET: Estação Convencional: Jataí (GO), junho de 2015

RESULTADOS E DISCUSSÃO A facilidade de produção e dispersão de sementes de buva ocasiona fluxo contínuo de dispersão e emergência ao longo do seu ciclo. Devido a esse fluxo contínuo e amplo em uma área de produção pode-se ter diversas alturas entre as plantas, onde pode ser verificada a presença de plantas de 1 cm até plantas com quase 2 metros de altura num mesmo momento da amostragem no campo. A germinação e o índice de velocidade de germinação são influenciados pela temperatura. Segundo Yamashita e Guimarães (2011), a espécie apresenta germinação superior a 90% na faixa de temperatura entre 20 e 30 ºC. Ainda, segundo os autores, após a exposição das sementes às condições de temperatura favorável, estas germinaram, ou seja, após a eliminação do fator restritivo, retomam o processo germinativo, indicando que estavam em

108

Plantas Daninhas

estado quiescente. Em relação ao número de plantas avaliadas por classe, a altura de plantas de buva de 10 a 20 cm indica maior quantidade de plantas na avaliação realizada em agosto de 2015 (Figura 3) quando comparada com a avaliação em outubro de 2015 (Figura 4). De acordo com Soares (2014), em temperaturas amenas ocorrem maiores fluxos de emergência de buva. Essa informação corrobora com os dados obtidos nessa pesquisa, no qual o maior número de plantas de buva m-² foi obtido na primeira avaliação (mês de agosto de 2015), que apresentou temperaturas menores (Figura 2) em relação à segunda avaliação (mês de outubro de 2015). O número de plantas presentes na classe de altura de plantas de buva de 0 a 10 cm foi similar à quantidade de plantas de buva com tamanho de 20 a 30 cm, conforme apresentado na Figura 3.


Figura 3. Médias do número de plantas buva m2 no estádio fonológico vegetativo, agrupadas nas classes de altura de plantas determinadas no mês de agosto de 2015. A diferença na altura das plantas após 2 meses

como demonstrado na Figura 4. Vale salientar que

da primeira avaliação, ou seja, em outubro de 2015,

nesse período as condições agrometeorológicas já

indica que as plantas se desenvolveram, com aumento

eram bem distintas dos registros obtidos para o mês de

do índice de plantas com altura maior que (>) 30 cm e

agosto de acordo com o apresentado na Figura 2.

redução do percentual de plantas no estádio vegetativo,

Figura 4. Médias do número de plantas buva m2 no estádio fonológico vegetativo, agrupadas nas classes de altura de plantas determinadas no mês de outubro de 2015.

Plantas Daninhas

109


Nas Figuras 3 e 4 pode-se verificar que a

realizada na primavera.

média da altura no estádio vegetativo não é similar,

Na Figura 5, a porcentagem média de plantas

comprovando que ocorre fluxo contínuo de emergência

de buva com altura de 0 a 10 e de 10 a 20 cm, é de

das plantas de buva. Porém, é notória a diminuição

20 e 40,2% respectivamente. Isto indica que a maioria

dos fluxos de emergência, indicando que o maior

da população de plantas de buva estavam em pleno

estabelecimento ocorre na estação outono-inverno,

desenvolvimento vegetativo, evidenciando que há

embora não cessa totalmente a emergência de plantas,

fluxos de emergência de plantas de buva na área no

como demonstrado na Figura 4, com a determinação

mês de agosto (período seco).

Figura 5. Porcentagem da população de buva em cada classe de altura no estádio fenológico vegetativo, agrupadas nas classes de altura de plantas determinadas no mês de agosto de 2015.

110

Pode-se verificar na Figura 6 que no mês de

pluviais antes da amostragem no campo no mês de

outubro os fluxos de emergência diminuíram em grau

outubro, na qual fica evidenciado a possibilidade de

de importância, embora não tenha cessado totalmente a

aplicação de herbicidas que possuam ação em pré-

emergência de novas plantas. Assim, como não cessou

emergência da buva na estação do inverno. Entretanto,

a emergência de plantas de buva entre os meses de

estes herbicidas precisam possuir características

agosto e outubro e, de acordo com o demonstrado

físico-químicas que possibilitam a sua aplicação em

na Figura 2, ocorreram em torno de dez precipitações

períodos secos.

Plantas Daninhas


Figura 6. Porcentagem da população de buva em cada classe de altura no estádio fenológico vegetativo, agrupadas nas classes de altura de plantas determinadas no mês de outubro de 2015. Nas Figuras 5 e 6 são apresentados a distribuição

mês da agosto) com a possibilidade de obter valores

em escala percentual e os estádios de crescimento

baixos de porcentagem de plantas de Conyza spp. com

das plantas. No mês de agosto as plantas de buva

rebrota aos 35 dias após aplicação. Assim, é importante

estavam no estádio vegetativo, já no mês de outubro, a

ressaltar que, mesmo na situação em que sejam

grande maioria se encontravam no estádio reprodutivo.

aplicadas doses adequadas de 2,4-D associada ao

Na relação entre estádio vegetativo e reprodutivo

triclopyr (1,005+0,384 ou 1,40+0,384 kg e.a. ha-1), se as

das plantas de buva, constatou-se que no mês de

plantas de buva possuírem tamanhos superiores a 35

agosto 82% das plantas de buva estavam em estádio

cm ou estejam em pré-florescimento, será necessário

vegetativo, enquanto que no mês de outubro 80,2% as

realizar aplicação sequencial de herbicidas em torno

plantas de buva estavam no estádio reprodutivo (pré e

de 35 DAA após a primeira aplicação para controlar

pleno florescimento). Dessa forma torna-se evidente

as plantas de Conyza spp. que estiverem com rebrota

que antecipar o manejo de buva com herbicidas

(ALMEIDA et al., 2021). Ainda, a alternativa, seria

seja uma alternativa indispensável, evitando que as

sempre associar algum herbicida com efeito residual

plantas cheguem ao estádio reprodutivo e produzam

para o controle das sementeiras.

propágulos para ‘abastecer’ o banco de sementes. Almeida et al. (2021) verificaram, com a associação de doses adequadas do herbicida 2,4-

CONCLUSÃO

D associadas ao herbicida triclopyr que é possível a

De acordo com a pesquisa desenvolvida, conclui-

antecipação da dessecação de plantas de Buva em

se que as plantas de buva apresentam diferentes alturas

condições de déficit hídrico (segunda quinzena do

e estádios fenológicos durante os meses de agosto a

Plantas Daninhas

111


outubro, caracterizando fluxo contínuo de emergência

KISSMANN, K.G.; GROTH, D. Plantas infestantes e

de plantas de buva. Baseado nos fluxos de emergência

nocivas. 2ª Ed. 1999. p.152- 156, 278-284. São Bernardo

das plantas de buva de agosto a outubro deve-se

do Campo: Basf.

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1, p. 3, 2018.

Plantas Daninhas


HÍBRIDOS DE MILHO COM E SEM CONSÓRCIO COM Urochloa ruziziensis E SELETIVIDADE DE HERBICIDAS À FORRAGEIRA ROSA, Victória Caroline Sousa1; ALMEIDA, Dieimisson Paulo2; JAKELAITIS, Adriano3; FREITAS, Bárbara Vieira de4 Eng. Agrônoma. Egressa do curso de Agronomia do IF Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde-GO. Email: victoriacsr19@gmail.com 2 Eng. Agrônomo, Doutor em Agronomia/Produção Vegetal. Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br; 3 Eng. Agrônomo, Doutor em Fitotecnia, Docente do IF Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: adriano.jakelaitis@ifgoiano.edu.br 1

Graduanda em Agronomia. IF Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde-GO. E-mail: barbaravieiraf97@outlook.com; 4

INTRODUÇÃO

em dificuldades de formação e manutenção da palhada no solo, que é um dos requisitos para o sucesso do Sistema de Plantio Direto (SPD) (CRUSCIOL & BORGHI, 2007).Uma das alternativas para a sustentabilidade do SPD no sistema de sucessão é o consórcio, que consiste em um sistema em que, numa mesma área, são implantadas duas ou mais espécies, convivendo juntas, em parte ou em todo seu ciclo, possibilitando aumento de produtividade (PORTES et al., 2003, ALMEIDA et al. 2019). No caso da região Centro- Oeste do país o consórcio é realizado especialmente do milho com a braquiária que permite incluir mais uma cultura no processo produtivo, com todos os seus benefícios, por exemplo, incremento do teor de matéria orgânica, melhoria das características físicas do solo e etc. A forrageira mais utilizada para o consórcio na região é

No Bioma Cerrado brasileiro, o milho vem

a Urochloa ruziziensis, que possui crescimento inicial

sendo empregado como cultura de segunda safra,

lento, em torno de 35 - 40 dias após a emergência, o que

denominada, safrinha. A sua semeadura na região

indica um baixo potencial de competição com a cultura

centro-oeste é geralmente realizada logo após a

do milho (ALMEIDA et al. 2019). Todavia, ainda existem

colheita da soja, entre os meses de janeiro a março.

resistências por parte dos agricultores na adoção deste

Segundo a Conab (2020) a área total plantada

modelo, em função do receio de se perder produtividade

correspondente ao milho safrinha no Brasil em 2020

do milho devido a competição da braquiária ou pela

foi de 13,27 milhões de hectares.

infestação por plantas daninhas.

No entanto, a sucessão de culturas, com a

Diante disso, nesta pesquisa objetivou-se avaliar

produção de milho no período de safrinha, ocasiona

o desempenho dos híbridos de milho AG8061 PRO2

Plantas Daninhas

113


e AG8480 PRO3 com e sem o consórcio com a U.

COMIGO (ITC), da Cooperativa COMIGO, no município

ruziziensis e, a seletividade de herbicidas usados para

de Rio Verde – GO (S 17°45’51” e W 51°02’05”; 835

a braquiária e controle químico de plantas daninhas no

metros de altitude). Segundo Thornthwaite (1948) o

consórcio da cultura do milho com a U. ruziziensis.

clima de Rio Verde - GO é classificado em B4 rB’4a’ (Úmido; pequena deficiência hídrica; mesotérmico;

MATERIAL E MÉTODOS

evapotranspiração no verão menor que 48% da evapotranspiração anual). O solo na área experimental

Os experimentos foram conduzidos na área

é do tipo LATOSSOLO VERMELHO Distrófico (SANTOS

experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia

et al., 2018), com 44% de argila, 49% de areia e 7% de silte, cujos atributos são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1. Atributos do solo da área experimental, ITC, município de Rio Verde – GO, 2020.

A pesquisa foi conduzida na segunda safra

Baseado em análise do solo (Tabela1) retiradas

(“safrinha”) do ano agrícola 2019/2020, e foi constituída

da área onde foi instalada a pesquisa antes da

por 2 híbridos de milho, o AG8061 PRO2 (Agroceres)

semeadura da soja em outubro de 2019, assim 140

e o AG8480 PRO3 (Agroceres). Cada híbrido de

(cento e quarenta) dias antes da semeadura do milho,

milho constituiu um experimento, sendo conduzido

foi realizada a aplicação de 2 t ha-1de calcário (36% de

em delineamento em blocos casualizados, com 8

Ca e 13% de Mg) a lanço em superfície.

repetições. Em cada experimento foram aplicados três

Por meio de um pluviômetro instalado no local

tratamentos herbicidas, conforme Tabela 2. Assim,

do experimento, foi monitorada a precipitação pluvial

o total de unidades experimentais foi de 24, com

acumulada durante a condução da pesquisa.

dimensões de 8,6 x 6,0 m (51,6 m²).

114

Plantas Daninhas


Tabela 2. Descrição dos tratamentos com produto comercial, ingredientes ativos e doses (kg i.a ha-1 e L ou kg p.c. ha-1), ITC, município de Rio verde – GO, 2020.

Três dias antes da semeadura do milho, foi

150 kg ha-1 de uréia.

semeada a forrageira Urochloa ruziziensis a lanço, com

O controle de pragas e doenças foi empregado

uma semeadora marca comercial IKEDA dotada de um

com base no manejo integrado. As recomendações de

prato aletado, devidamente calibrada para distribuir

aplicações de inseticidas e fungicidas priorizaram a

10 kg ha de sementes, de acordo com o peso de

rotação de mecanismos de ação e produtos.

-1

mil sementes foram semeadas em torno de 720.000

Para quantificar as plantas (touceiras) de U.

sementes ha . As sementes de U. ruziziensis utilizadas

ruziziensis e classes de perfilhamento (Ex.: entre 1-2,

foram da marca comercial Advanced, possuíam 80%

2-3, 3-4 e 4-6 perfilhos), antes de aplicar os tratamentos,

VC (Valor Cultural), e foram fornecidas pela SOESP

com o auxílio de um quadro de 0,5 x 0,5 m (0,25 m²)

após tratamento industrial com os fungicidas carboxina

realizou-se duas amostragens em cada unidade

(88g i.a.100 kg de sementes ) tiram (88g i.a.100 kg de

experimental (48 amostragens).

-1

-1

sementes ) e com o inseticida fipronil (10 g i.a.100 kg

Os tratamentos 1 e 3 (Tabela 2) foram aplicados

de sementes ), sendo revestidas com uma fina película

no momento que o milho estava em V3-V4, aos 30

de grafite.

dias após a semeadura do milho e o tratamento 2 foi

-1

-1

A semeadura dos híbridos de milho (AG8061

aplicado no momento que o milho estava em V5-V6,

PRO2 e AG8480 PRO3) foi realizada 20 de fevereiro

uma semana após a aplicação dos demais tratamentos.

de 2020, com densidade de semeadura de 2,7 a 2,8

As aplicações dos herbicidas foram realizadas

sementes m , com semeadora-adubadora pneumática

com pulverizador de pesquisa (Número de patente:

(JM2670PD, 6 linhas a 0,5 m, JUMIL) montada em um

BR1020160075653) montado em um trator (MF 275,

trator (6155J, 115 cv, John Deere). O tratamento de

75 cv, Massey Ferguson), pressurizado por CO2, com

sementes foi realizado com imidacloprido + tiodicarbe

pressão constante de 300 kPa (43,6 psi), constituído por

(CropStar, 150 + 450 g i. a. L , SC, Bayer) na dose de 225

duas barras de pulverização com 10 bicos, espaçados

+ 675 g i.a. 100 kg de sementes , respectivamente. E a

a 0,5 m e com pontas ADIA 11001, calibrado para

adubação de semeadura foi realizada com 400 kg ha

-1

aplicação com volume de calda equivalente a 150 L

de 08-20-18 em sulco. A cobertura foi realizada com

ha-1. Segundo o fabricante (MagnoJet), com o modelo

200 kg ha de 20-00-20 com o milho em estádio V5 e

ADIA 11001 em pressão de trabalho de 300 kPa (43,6

-1

-1

-1

-1

Plantas Daninhas

115


psi), obtêm-se uma classe de gotas muito grossa, de

tratamentos 1 e 2 (Tabela 1) colheu-se a parte aérea

acordo com a classificação da norma ASAE S572.1

da U. ruziziensis contidas nas delimitações do quadro

(ASABE, 2009).

metálico com altura de corte de 0,05 m. As amostras

As avaliações de diâmetro do colmo (mm) foram

foram acondicionadas em sacos de papel, identificados

feitas com paquímetro na altura de 1,0 cm solo, a altura

e levados à câmara de circulação forçada de ar a 65 ±5

(m) foi mensurada a partir do solo até a curvatura da

ºC e mantidas até atingir peso constante.

última folha (folha bandeira) com uma régua graduada

Os dados foram submetidos à análise de

em cm e a altura de inserção da espiga (m) foi mensurada

variância (ANOVA), utilizando o teste F (p<0,05) e

a partir do solo até a inserção da primeira espiga viável.

quando observado diferença significativa, as médias

Para quantificação da produtividade de grãos de milho

foram comparadas utilizando o teste de Tukey (p<0,05)

realizou-se a colheita das espigas em dois pontos

através do software SISVAR (FERREIRA,2014).

dentro da parcela útil, composta por três linhas centrais em três metros de comprimento, totalizando 9 m. Após a colheita, as espigas foram trilhadas e determinou-se o teor de água (umidade) dos grãos

Ao monitorar as precipitações pluviais (chuvas)

de milho de cada parcela (repetição) pelo método

no local do experimento foi constatado que, desde a

da estufa (BRASIL, 2009). Posteriormente, fez-se a

semeadura do experimento até a colheita acumulou-se

correção do teor de água dos grãos de milho para 14%

373 mm de água, distribuídas entre 20 de fevereiro a 23

(b.u.), e determinou-se a produtividade em sacas de 60

de maio de 2020

kg de grãos de milho ha-1.

116

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Antes da aplicação dos tratamentos dos

Aos 30 dias após a colheita do milho, com

herbicidas a área referente ao híbrido AG8061 PRO2

o auxílio de um quadro de 1 m² realizou-se duas

tinha uma população média de plantas de U. ruziziensis

amostragens em cada unidade experimental (24

de 197.000 plantas ha-1. No momento da aplicação a

amostragens) para quantificar a biomassa residual

população de plantas de U. ruziziensis era de 32, 59,

do milho e da U. ruziziensis e determinar a biomassa

8 e 1% distribuída entre as classes 2-3, 4-5, 6-7 e 8-9

total. Assim, nas parcelas onde foram aplicados os

perfilhos, respectivamente (Figura 1).

Foto: Dieimisson Paulo Almeida

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Figura 1. Distribuição da população de plantas de U. ruziziensis (touceiras) referente

ao híbrido de milho AG8061 PRO2 na área experimental nas respectivas classes de perfilhamento entre: 2-3, 4-5, 6-7 e 8-9 perfilhos. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020. Em relação ao híbrido AG8480 PRO3 a população

de plantas era de 43, 38, 13 e 6% distribuídas entre as

média de plantas de U. ruziziensis era de 203.000

classes 2-3,4-5,6-7 e 8-10 perfilhos respectivamente

plantas ha-1 e no momento da aplicação a população

(Figura 2).

Figura 2. Distribuição da população de plantas de U. ruziziensis (touceiras) em consórcio

com o híbrido de milho AG8480 PRO3 na área experimental, nas respectivas classes de perfilhamento entre: 2-3, 4-5, 6-7 e 8-10 perfilhos. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020.

Plantas Daninhas

117


A análise de variância não constatou diferenças

inserção de espiga (m) para o híbrido AG 8061 (Tabela

significativas a 5% de probabilidade para as variáveis

3), indicando que os tratamentos não interferiram nas

diâmetro de colmo (mm), altura de planta (m) e altura de

características morfológicas do híbrido.

Tabela 3. Diâmetro de colmo (mm), Altura de plantas (m) e Altura de inserção de espiga (m) referente ao híbrido de milho AG8061 PRO2. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020.

O mesmo foi observado para o híbrido AG8480

Não houve interferência nas variáveis diâmetro

PRO3 (Tabela 4), onde as mesmas variáveis não

de colmo (mm), altura de planta (m) e altura de inserção

foram encontradas diferenças significativas. Estas

de espiga (m), indica que o estabelecimento da U.

características morfológicas estão mais atreladas a

ruziziensis e do milho foram adequados. Outro fator

fatores abióticos e bióticos, como por exemplo déficit

que pode ser explicado é que a forrageira tem um

hídrico, relacionados ao manejo e também a genética

crescimento inicial lento, e assim acaba não interferindo

(genótipo) dos híbridos.

no desenvolvimento do milho.

Tabela 4. Diâmetro de colmo (mm), Altura de plantas (m) e Altura de inserção de espiga (m) referente ao híbrido de milho AG8061 PRO2. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020.

118

Plantas Daninhas


Conforme a Figura 3, para o híbrido AG8061

semelhantes 99,21 e 102,46 sacas ha-1, para atrazine +

PRO2 foi observada diferença significativa entre os

mesotrione e atrazine + mesotrione + seq. nicosulfuron,

tratamentos para a produtividades de grãos de milho,

respectivamente.

as médias variaram de 99,21 a 115,58 sacas ha-1. De

Comparando as médias de produtividade

acordo com a análise de variância houve diferenças

de grãos, houve redução de 14,2 % em relação a

entre os tratamentos, onde sem consórcio (atrazine +

produtividade do sistema sem consórcio (atrazine +

glyphosate) obteve a maior média de produtividade de

glyphosate) e o tratamento atrazine + mesotrione e

grãos sendo de 115,58 sacas ha-1, se diferenciando

11,3% para o tratamento atrazine + mesotrione + seq.

dos outros tratamentos que tiveram produtividades

nicosulfuron.

Figura 3. Produtividade de grãos de milho (sacas ha-1) referente ao híbrido de milho AG8061 PRO2 na área

experimental. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020. Resultados semelhantes foram encontrados para o híbrido AG8480 PRO3 (Figura 4). Foram constatadas diferenças significativas entre os tratamentos para a produtividades de grãos de milho, as médias variaram de 115,96 a 143,12 sacas ha-1. Evidenciando que sem consorcio (atrazine + glyphosate) obteve a maior produtividade sendo de 143,12 sacas ha-1, se diferenciando dos outros tratamentos que tiveram produtividades semelhantes 115,96 e 120,14 sacas ha, para atrazine + mesotrione e atrazine + mesotrione +

1

seq. nicosulfuron, respectivamente.

Plantas Daninhas

119


Figura 4. Produtividade de grãos de milho (sacas ha-1) referente ao híbrido de milho AG8480 PRO3 na área experimental. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020. Em comparação as médias de produtividade

encontradas diferenças significativas nos tratamentos

de grãos, ocorreu redução de 19% em relação a

para ambos os híbridos. No AG8061 PRO2 os

produtividade do sistema sem consórcio (atrazine +

valores de biomassa residual variaram de 6.100 a

glyphosate) e o tratamento atrazine + mesotrione e

10.234 kg ha-1, sendo que, sem consórcio (atrazine +

16% para o tratamento atrazine + mesotrione + seq.

glyphosate) produziu 6.100 kg ha-1, se diferenciando

nicosulfuron.

estatisticamente dos demais tratamentos, atrazine +

De acordo com a Conab (2020) a estimativa para

mesotrione + seq. nicosulfuron produziu 8.895 kg ha-1

produtividade de grãos de milho safra 2018/2020 foi de

e atrazine + mesotrione que, obteve maior produção de

90 sacas ha , portanto, em ambos os híbridos (AG 8061

biomassa 10.234 kg ha-1.

-1

PRO2 e AG 8480 PRO3) a produtividade foi superior à estimativa nacional. Os valores expressados nas Figuras 5 e 6 são referentes a biomassa residual total quantificada após a colheita do milho, ou seja, da biomassa de Urochloa ruziziensis em soma com biomassa de milho nos tratamentos com consórcio, mostrando que a aplicação dos herbicidas não ocasionou morte das plantas e no sem consórcio os valores apresentados se referem apenas a biomassa do milho. De acordo com os dados apresentados, foram

120

Plantas Daninhas


Figura 5. Biomassa total após a colheita do milho (kg ha-1) referente ao híbrido de milho AG8061 PRO2 na área experimental. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020. Comportamento semelhante foi observado no

5.875 kg ha-1, os tratamentos atrazine + mesotrione +

híbrido AG8480 PRO3, onde os valores de biomassa

seq. nicosulfuron e atrazine + mesotrione biomassa

residual total variaram de 5.875 a 8.261 kg ha , sendo

residual total semelhantes, 8.273 e 8.261 kg ha-1,

que, atrazine + glyphosate (sem consórcio) produziu

respectivamente.

-1

Figura 6. Biomassa total após a colheita do milho (kg ha-1) referente ao híbrido de milho AG8480 PRO3 na área experimental. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020. Plantas Daninhas

121


Conforme apresentado, foi observado um padrão em ambos os híbridos, ou seja, o tratamento atrazine +

inserção de espiga e na população de plantas de milho dos dois híbridos de milho.

glyphosate (sem consórcio) teve uma menor produção

O consórcio milho e braquiária em primeiro ano

biomassa e se diferiu dos tratamentos com consórcio.

de cultivo reduziu de 11,3% a 14,2 % a produtividade de

Isto se dá, devido a Urochloa ruziziensis estar presente

grãos do híbrido de milho AG8061 PRO2 e 16% a 19%

no sistema além do milho, proporcionando maiores

no híbrido AG8480 PRO3, quando comparados com o

quantidades de biomassa presente no solo.

sistema de monocultivo dos mesmos híbridos.

Onde houve aplicação de atrazine + mesotrione

A Urochloa ruziziensis quando consorciada com

e aplicação de atrazine + mesotrione + seq. nicosulfuron

os dois híbridos de milho aumentou biomassa seca

resultaram biomassa total iguais estatisticamente.

residual total no solo e os herbicidas não ocasionaram

Mostrando que, mesmo optando por realizar uma

morte das plantas U. ruziziensis, atingindo níveis

aplicação sequencial de nicosulfuron para o controle de

satisfatórios de biomassa.

plantas daninhas de folha estreita, que provavelmente ocasiona em um retardo maior na forrageira, em relação a aplicação de atrazine + mesotrione, a produtividade de biomassa residual após a colheita não foi afetada, sendo semelhantes. A avaliação da biomassa total é importante

AGRADECIMENTOS À equipe de campo do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO indispensáveis para a condução deste trabalho.

porque representa a condição inicial para semeadura das culturas em sucessão, a quantificação dessa biomassa permite avaliar e optar por sistemas de cultivos que promovam maior quantidade sem afetar a produtividade de grãos (CHIODEROLI et al., 2012). Vale ressaltar que, estes resultados são referentes a um primeiro ano de instalação de experimento, podendo ter diferenças ao longo dos anos. Conforme já citado, são inúmeros os benefícios que o consórcio milho com braquiarias traz para o sistema agrícola soja em 1ª safra e milho em 2ª safra, portanto, mesmo não alcançando produtividades iguais ou superiores ao manejo sem consórcio no presente momento, existe potencial para que com o passar do tempo este cenário possa mudar.

CONCLUSÕES

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS American Society of Agricultural and Biological Engineers (ASABE). Spray Nozzle Classification by Droplet Spectra, ANSI/ASAE S572.1. St. Joseph, Michigan, 4p, 2009. ALMEIDA, D.P.; FURTINI NETO, A.E.; LIMA, D.T.; FERNANDES, R.H.; BILEGO, U.O.; SILVA, H.F.; OLIVEIRA, G.S.; SOUSA, G.D. Consórcio de milho com Urochloa ruziziensis (Sin. Brachiaria ruziziensis): Controle químico de plantas-daninhas de folha estreita e seletividade dos herbicidas. Anuário de Pesquisas Agricultura, v. 2, p. 140-148, 2019. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria Nacional da Defesa Agropecuária. Regras para análise de sementes. Brasília, p.399,2009.

122

O consórcio milho com braquiária não interferiu

CONAB. Acompanhamento da safra brasileira

no diâmetro de colmo, na altura de plantas, na altura de

de grãos. Companhia Nacional de Abastecimento, v. 7,

Plantas Daninhas


p. 1- 33, 2020. CHIODEROLI, C. A.; MELLO, L. M. M. D.; HOLANDA, H. V. D.; FURLANI, C. E. A.; GRIGOLLI, P. J.; SILVA, J. O. D. R.; CESARIN, A. L. Consórcio de Urochloas com milho em sistema plantio direto. Ciência Rural, v. 42, p. 1804-1810, 2012. CRUSCIOL, C. A. C.; BORGHI, E. Consórcio de milho com braquiária: produção de forragem e palhada para o plantio direto. Revista Plantio Direto, Passo Fundo, v. 100, p. 6, 2007. FERREIRA, D.F. Sisvar: a guide for its bootstrap procedures in multiple comparisons. Ciência e Agrotecnologia, v.38, n.2, p.109-112, 2014. PORTES, T. de A; CARVALHO, S.I.C. de; KLUTHCOUSKI, J. Aspectos Fisiológicos das plantas cultivadas e analise de crescimento da brachiaria consorciada com cereais. In: KLUTHCOUSKI, J.; STONE, L.F.; AIDAR, H. (Eds.). Integração Lavoura-Pecuária. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, p.303330, 2003. SANTOS, H.G.; JACOMINE, P. K. T.; ANJOS, L. H. C.; OLIVEIRA, V. A.; LUMBRERAS, J. F.; COELHO, M. R; ALMEIDA, J. A.; ARAÚJO FILHO, J. C.; OLIVEIRA, J. B.; CUNHA, T. J. F. Latossolos. In: Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 5. ed. Brasília :Brasília: Embrapa, Cap. 10, p. 195 – 199,2018. THORNTHWAITE, C. W. An Approach toward a Rational Classification of Climate. Geographical Review, v. 38, n. 1, p. 55-94, 1948.

Foto: Dieimisson Paulo Almeida

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