Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO
ANUÁRIO DE PESQUISAS AGRICULTURA - RESULTADOS 2021
EDITORES TÉCNICOS Antônio Eduardo Furtini Neto Diego Tolentino de Lima Dieimisson Paulo Almeida Hemython Luis Bandeira do Nascimento Rafael Henrique Fernandes Ubirajara Oliveira Bilego Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO Geração e Difusão de Tecnologias Rio Verde, GO 2021
Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na: Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano - COMIGO Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO Av. Presidente Vargas, 1878, Jardim Goiás, Rio Verde - GO CEP 75901-901 - CP 195 Fone: (64) 3611-1573 ou (64) 3611-1684 www.comigo.com.br ctc@comigo.com.br Comitê de publicação Antônio Eduardo Furtini Neto Diego Tolentino de Lima Dieimisson Paulo Almeida Hemython Luis Bandeira do Nascimento Rafael Henrique Fernandes Ubirajara Oliveira Bilego Periodicidade: anual Volume 4 n. 2, 2021 Tiragem: 500 exemplares Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei no 9.610). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO Anuário de Pesquisa Agricultura - Resultados 2021 Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO Av. Presidente Vargas, 1878, Jardim Goiás, Rio Verde - GO CEP 75901-901 - CP 195 Editores Técnicos: Antônio Eduardo Furtini Neto; Diego Tolentino de Lima; Dieimisson Paulo Almeida; Hemython Luis Bandeira do Nascimento; Rafael Henrique Fernandes; Ubirajara Oliveira Bilego; Rio Verde, GO: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2021. 126 p.: il. (algumas color.). 1. Workshop - Resultados. I. Furtini Neto, Antônio Eduardo, II. Lima, Diego Tolentino de, III. Almeida, Dieimisson Paulo, IV. Bandeira do Nascimento, Hemython Luis, V. Fernandes, Rafael Henrique. VI. Bilego, Ubirajara Oliveira.
ISSN
SUMÁRIO PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NO ITC
8 10 11 12
ENTOMOLOGIA
14
INSETICIDAS NO CONTROLE DA LAGARTA-DO-CARTUCHO NA CULTURA DO MILHO SEGUNDA SAFRA
15
INSETICIDAS NO CONTROLE DO PULGÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NA CULTURA DO SORGO
24
TIMING DE APLICAÇÃO PARA O PULGÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NA CULTURA DO SORGO
34
FITOPATOLOGIA
42
DIFERENTES FUNGICIDAS NO CONTROLE DE DOENÇAS FOLIARES DO SORGO
44
DINÂMICA POPULACIONAL DE FITONEMATOIDES NO CULTIVO DA SEGUNDA SAFRA
54
PROGRAMAS DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DE DOENÇAS FOLIARES DO MILHO EM SEGUNDA SAFRA
63
CONTROLE QUÍMICO DE DOENÇAS EM DIFERENTES HÍBRIDOS DE SORGO (Sorghum bicolor L.)
72
FITOTECNIA
80
CULTIVO INTERCALAR ANTECIPADO DE MILHO SEGUNDA SAFRA NAS ENTRELINHAS DA SOJA – ANTECIPE RESULTADOS DO ANO AGRÍCOLA 2020/21 EM RIO VERDE/GO
81
APRESENTAÇÃO EDITORIAL AGRADECIMENTOS
ÉPOCAS DE SEMEADURA DE HÍBRIDOS DE SORGO EM 2ª SAFRA NOS ANOS AGRÍCOLAS 2019/20 e 2020/21: PRODUTIVIDADE DE GRÃOS 93
PLANTAS DANINHAS
104
FLUXOS DE EMERGÊNCIA DE PLANTAS DE BUVA APÓS COLHEITA DO MILHO SEGUNDA SAFRA
105
HÍBRIDOS DE MILHO COM E SEM CONSÓRCIO COM Urochloa ruziziensis E SELETIVIDADE DE HERBICIDAS À FORRAGEIRA
113
7
APRESENTAÇÃO O Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO –
resultados do presente Anuário contemplam os
ITC, é parte integrante da Cooperativa Agroindustrial
trabalhos realizados na safra 2020/2021. Contamos
dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano –
também nesta edição com a participação de parceiros
COMIGO. Sua principal missão é desenvolver e
externos, que enriquecem o documento com revisões
difundir tecnologias agropecuárias, que possam
técnico-científicas de temas bastante atuais do
apoiar os produtores no manejo de suas culturas
setor agropecuário brasileiro. O Instituto de Ciência
visando maior rentabilidade e sustentabilidade
e Tecnologia COMIGO – ITC, continua contando
ambiental. Com uma área física de aproximadamente
com o imprescindível apoio da administração da
200 hectares, incluindo a área da feira anual da
cooperativa, dos nossos consultores técnicos, dos
cooperativa – a TECNOSHOW – o ITC está localizado
parceiros e da equipe de suporte de campo, no
em local estratégico da região Centro-Oeste do país,
sentido de apoiar os cooperados e a sociedade na
em Rio Verde – GO. O Instituto de Ciência e Tecnologia
melhoria da qualidade de vida e na perpetuação do
COMIGO tem se consolidado cada vez mais como
pujante setor agropecuário brasileiro.
uma referência em pesquisa agropecuária da região, do estado e do país, em função da capacitação do seu corpo técnico, da qualidade das suas pesquisas e da imparcialidade dos seus resultados. Anualmente os resultados obtidos são divulgados nos Workshops de Agricultura e Pecuária, que em 2021 completam sua 20ª e 11ª edições, respectivamente. Especificamente neste ano, em função da pandemia que assola o mundo, estes eventos ainda serão realizados de maneira não presencial, mas certamente a qualidade e aplicabilidade das informações serão mantidas. O Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO – ITC, mantém sua atuação em sete grandes temas: Manejo e Controle de Doenças, Pragas e Plantas Daninhas, Solos e Nutrição de Plantas, Fitotecnia e Produção Animal, Agricultura de Precisão e Zootecnia, e os
8
9
EDITORIAL Segunda safra de grãos: obstáculos e os caminhos para boas produtividades O Brasil é um dos poucos países em que o cultivo subsequente de até três culturas de grãos é viável ao longo do ano. Nas grandes regiões produtoras do país há predominância do sistema agrícola com a semeadura da soja em outubro, e colheita a partir de janeiro (primeira safra), e semeadura de uma segunda cultura (segunda safra) logo após a colheita da soja. Na maioria das áreas, a segunda safra é implantada com a cultura do milho, fazendo com que a maior parte da produção nacional de milho seja referente a segunda safra. Devido ao zoneamento agroclimático do estado de Goiás, o sorgo granífero é mais uma alternativa de cultivo para segunda safra. De toda forma, hoje o estado de Goiás é o maior produtor de sorgo, respondendo por aproximadamente metade da produção nacional. O milho é o cereal mais produzido no mundo, além de participar da nutrição humana e animal, é fonte de matériaprima na fabricação de subprodutos em grandes indústrias químicas, farmacêuticas, de bebidas e combustível. Atualmente, o Brasil ocupa o terceiro lugar entre os maiores produtores de milho, atrás somente dos Estados Unidos e China. Neste ano agrícola de 2020/2021, as expectativas iniciais de produção de grãos apontavam para um novo recorde. No entanto, a distribuição pluviométrica irregular e o volume reduzido de chuvas em boa parte das principais regiões produtoras, impactaram diretamente no desenvolvimento e produtividade das lavouras de segunda safra, reduzindo gradualmente as expectativas de produção e frustrando a possibilidade de um novo recorde. Além da seca ocorrida em momentos cruciais das lavouras, houve a ocorrência de massas de ar frio que trouxeram geadas nos principais estados produtores da região Centro-Sul. O cultivo na região dos cerrados necessita, além de um manejo adequado para cada cultura, do conhecimento
10
e aplicabilidade do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que tem o objetivo de minimizar riscos relacionados a problemas climáticos e permitir identificar a época de plantio adequada. A região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos são fundamentais para o ZARC, pois são elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola. Bem como as estimativas de temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, ocorrência de geadas, água disponível nos solos, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude). Devido à quebra de safra, as exportações de milho serão reduzidas para manter o abastecimento nacional, incentivando o mercado interno e mantendo os preços elevados, alavancando as cotações tanto do milho quanto do sorgo. Por outro lado, os custos de produção aumentaram expressivamente, diminuindo a rentabilidade do produtor. Ainda assim, os preços atingidos nesta safra têm possibilitado a lucratividade da produção de grãos em patamares elevados. Por isso, informações e tecnologias que possam aumentar a produtividade das lavouras são fundamentais para que os produtores possam continuar investindo na atividade. O presente Anuário de Pesquisas em Agricultura contém os resultados mais recentes dos trabalhos conduzidos pelos pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO e seus parceiros, referentes à segunda safra (milho e sorgo). Os autores desta edição, esperam que as informações aqui disponibilizadas possam contribuir para o desenvolvimento tecnológico da atividade agrícola, trazendo renda e qualidade de vida aos produtores rurais. Boa leitura a todos.
AGRADECIMENTOS À Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano – COMIGO, pelas condições operacionais e financeiras de trabalho. À equipe de apoio do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, pelo esforço e dedicação, imprescindíveis na realização dos trabalhos. Aos autores que contribuíram com a produção dos textos. Aos parceiros de pesquisa da COMIGO. À equipe da ASCOM - Assessoria de Comunicação da COMIGO. Às equipes do Departamento de Assistência Técnica da COMIGO. A todos que de alguma maneira contribuíram para a realização deste trabalho.
11
PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NO ITC PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NO ITC ANO
12
MESES JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
2002
279
159
2003
361
163
128
75
366
150
31
0
30
15
12
8
0
20
2004
244
461
207
145
81
0
10
2005
264
101
223
6
48
10
2006
124
225
325
65
16
2007 2008
303
433
357
363
236
24
282
201
2009
156
2010
212
160
290
359
171
2011
233
201
390
2012
275
265
2013
475
270
2014
52
2015 2016 2017
243
2018
222
2019
TOTAL
OUT
NOV
DEZ
45
52
159
337
1.285,0
17
142
230
351
1.845,0
0
0
162
214
216
1.740,0
0
20
169
108
364
538
1.851,0
0
23
22
3
292
395
448
1.938,0
36
0
16
0
0
260
159
324
1.791,0
0
0
0
2
21
175
212
155
1.768,0
69
5
15
9
70
89
204
349
351
1.767,0
32
0
0
17
0
80
129
170
194
1.364,0
51
0
80
0
0
0
232
76
165
1.428,0
125
99
61
15
0
0
89
113
335
127
1.504,0
552
162
7
13
0
0
17
108
317
225
2.146,0
144
272
109
11
6
74
0
74
116
431
368
1.657,0
74
158
244
112
89
16
6
0
46
30
202
178
1.155,0
322
189
293
8
14
35
0
78
17
137
116
270
1.479,0
245
85
29
5
0
0
0
30
64
260
150
1.111,0
151
265
66
21
0
0
17
70
176
292
162
1.442,0
138
189
406
60
65
0
0
0
36
135
212,5
310
1.551,5
2020
264,5
407
166
20
26,5
0
0
0
15,5
106,5
161
116
1.283,0
2021
231
136
87
43,5
26
22
0
0
12,7
357,5
238,5
-
1.154,2
MÉDIA
241,5
239,0
255,7
76,3
28,6
11,4
8,4
11,9
41,6
155,0
244,7
262,4
1563,0
Entomologia
13
Entomologia
14
Entomologia
INSETICIDAS NO CONTROLE DA LAGARTA-DO-CARTUCHO NA CULTURA DO MILHO SEGUNDA SAFRA LIMA, Diego Tolentino de1; FERNANDES, Rafael Henrique2; ALMEIDA, Dieimisson Paulo3 Eng. Agrônomo. Dr. em Agronomia, Pesquisador em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO. E-mail: diegotolentino@ comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 1
com o aumento de 8,6% na área plantada, estimada em 14,9 milhões de hectares, os níveis de produtividade caíram para 3.982 kg ha-1, redução de 27% em relação à safra passada. A produção estimada atingiu 59,5 milhões de toneladas, representando queda de 20,8%, comparada à safra passada (CONAB, 2021). As lavouras deste cereal podem ser atacadas por diferentes pragas, como a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, considerada uma das principais pragas da cultura do milho. É um inseto que em sua fase jovem, chamada de lagarta (ou larva), pode atacar inúmeras culturas, dentre elas as principais cultivadas no Sudoeste Goiano: soja, milho, algodão, sorgo e
INTRODUÇÃO Atualmente, o Brasil ocupa o terceiro lugar como produtor mundial de milho, atrás somente dos EUA e China, respectivamente. A produção de milho verão (primeira safra) do ano agrícola 2020/2021 teve aumento de 2,6% em área plantada em relação à safra passada, porém devido aos efeitos do clima, a produção reduziu 3,7% em comparação ao volume de 2019/20. Na segunda safra os principais estados produtores sofreram ainda mais com efeitos adversos do clima, além da seca ocorrida em momentos cruciais das lavouras, houve a ocorrência de geadas, provocando acentuadas perdas nas lavouras. Mesmo
pastagens, além de várias plantas de cobertura e plantas daninhas, de forma que o sistema agrícola da região favorece a manutenção de altas populações deste inseto o ano todo. Assim chamada de “praga de sistema”, está se alimenta da cultura de primeira safra, de segunda safra, da planta de cobertura ou até das plantas daninhas na entressafra. Conhecida principalmente por causar grandes prejuízos na cultura do milho, principalmente no “cartucho” das plantas jovens, podendo também atacar o restante da planta, inclusive a espiga. A redução na produção de grãos é variável, dependendo
das
condições
nutricionais,
do
desenvolvimento da planta e do nível populacional da praga, podendo chegar a 73% em situações de ataque
Entomologia
15
intenso (HRUSKA; GOULD, 1997). O controle deste
Deltametrina (K-Obiol, 25 g L-1, EC, Bayer) na dose de
inseto no campo tem sido realizado principalmente
0,2 g 100 kg-1 de sementes e Pirimifós-Metílico (Actellic,
com inseticidas químicos, e em casos excepcionais
500 g L-1, EC, Syngenta) na dose de 0,8 g 100 kg-1 de
podem ser realizadas de 10 a 14 aplicações na cultura
sementes. A adubação de semeadura foi realizada com
do milho no Brasil (VALICENTE e TUELHER, 2009).
400 kg ha-1 do fertilizante formulado 08-20-18 no sulco.
Nos últimos anos o conceito de controle de pragas vem se modificando, passando das aplicações
A adubação de cobertura foi realizada 200 kg ha-1 de 20-00-20 e outra com 100 kg ha-1 de Ureia.
sistemáticas, de forma calendarizada, para o Manejo
O controle de plantas daninhas foi realizado
Integrado de Pragas (MIP) que preconiza a associação
através de uma aplicação em plante-aplique com
de outros tipos de controle, como biológico, cultural,
glifosato (Xeque Mate, 500 g e. a. L-1, SL, Monsanto)
resistência de plantas, métodos legislativos, controle
na dose de 1500 g e. a. ha-1 logo após a semeadura
por comportamento, entre outros. O MIP objetiva
do milho e outra aplicação em pós-emergência das
otimizar o controle químico, ou seja, somente quando
plantas daninhas com o herbicida atrazina (Proof, 500
o prejuízo causado pela praga é igual ou maior que seu
g i. a. L-1, SC, Syngenta) na dose de 1,0 kg i. a. ha-1 com
custo de controle (chamado de nível de controle) é que
adição de adjuvante Iharol Gold na dose de 0,5 L ha-1.
ele deve ser usado (GALLO et al., 2002).
Para o controle de manchas foliares foram realizadas
Visto a importância do controle químico com
duas aplicações, a primeira de Piraclostrobina +
inseticidas dentro do manejo integrado desta praga
Epoxiconazol (Abacus, 260 + 160 g L-1, SC, Basf), na
na cultura do milho, o objetivo do trabalho foi avaliar
dose de 78 + 48 g ha-1 respectivamente, em mistura
a eficiência de controle de diferentes tratamentos
com Mancozebe (Unizeb Gold, 750 g kg-1, WG, UPL), na
inseticidas sobre a lagarta-do-cartucho (S. frugiperda),
dose de 1125 g ha-1, com adição de adjuvante Mees na
e a produtividade de grãos do milho.
dose de 0,5 L ha-1, e a segunda com Metominostrobina + Tebuconazol (Fusão, 110 + 165 g L-1, EC, Ihara), na
MATERIAL E MÉTODOS O
experimento
foi
conduzido
dose de 66 + 99 g ha-1 respectivamente, em mistura com Mancozebe (Unizeb Gold, 750 g kg-1, WG, UPL), na
área
experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia
16
na dose de 1125 g ha-1, com adição de adjuvante Iharol Gold na dose de 0,35 L ha-1.
COMIGO (ITC), da Cooperativa COMIGO, no município
As únicas aplicações de inseticidas realizadas
de Rio Verde – GO (S 17°45'57" e W 51°02'07"; 839
no experimento foram referentes aos tratamentos.
metros de altitude). A semeadura do híbrido de milho
Foram realizadas duas aplicações sequenciais dos
AG3500 RR foi realizada no dia 04 de março de 2021
tratamentos descritos na Tabela 1, com intervalo
(colheita dia 30 de julho de 2020 totalizando 148 dias de
de 11 dias entre cada aplicação, sendo a primeira
ciclo), com a densidade de semeadura de 2,7 sementes
realizada quando havia 3,86% de plantas com nota
por metro (população final na colheita de 50 mil plantas
três (ou acima de três) na escala de Davis et al. (1992):
ha-1). As sementes foram tratadas industrialmente
cartucho com uma a cinco lesões circulares pequenas,
com Metalaxil-M + Tiabendazol + Fludioxonil (Maxim
até 1,5 cm, mais uma a três lesões alongadas, entre
Advanced, 20 + 150 + 25 g L-1, FS, Syngenta) na dose de
1,5 - 3,0 cm. As aplicações foram realizadas com
3 + 22,5 + 3,8 g 100 kg-1 de sementes, respectivamente,
pulverizador pressurizado por CO2 (Número de patente:
Entomologia
BR1020160075653) montando em trator (MF 275,
Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada
Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador é dotado
com a pressão de trabalho na ponta de pulverização de
com barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização
2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.
espaçados em 0,5 m. As pontas utilizadas para pulverização foram modelo ADIA 11001.D, da marca
Tabela 1. Tratamentos inseticidas para controle de lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, no híbrido de milho AG3500 RR. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.
Os
14
tratamentos
foram
dispostos
no
aplicação dos tratamentos, sete dias após a primeira
delineamento em blocos ao acaso (DBC), com
aplicação (7DAP) e três e 14 dias após a segunda
quatro repetições. As parcelas experimentais foram
(3DAS e 14DAS), em 25 plantas aleatórias em cada
constituídas por 10 linhas de cultivo, espaçadas de
parcela útil, nas quais foram atribuídas notas de zero
0,5 metros, com 10 metros de comprimento. A parcela
a nove, por avaliação visual, de acordo com a escala
útil desconsiderou 1,0 m inicial e final de cada linha da
de Davis et al. (1992). Após as avaliações foi calculada
parcela e as duas linhas das extremidades.
a porcentagem de plantas com nota três (ou acima
As avaliações de notas de desfolha por lagarta-
de três) na escala de Davis et al. (1992). A note três é
do-cartucho no milho foram realizadas previamente à
atribuída pela seguinte descrição: cartucho com uma a
Entomologia
17
cinco lesões circulares pequenas, até 1,5 cm, mais uma a três lesões alongadas, entre 1,5 - 3,0 cm. A produtividade de grãos foi obtida em três linhas centrais de semeadura com 3,0 metros de comprimento, realizando dois pontos de amostragem dentro de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos, trilhados e secos. Foi calculada a produtividade para um hectare, considerando-se a umidade padrão de 13% para comercialização do grão, tomado como medida a saca de 60 kg de grãos. Os dados da porcentagem de plantas com nota três ou acima de três na escala Davis e de produtividade de grãos de milho foram submetidos à análise de variância (ANOVA) pelo teste F e no caso de efeito significativo dos tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Scott-Knott (P<0,05). O número médio de plantas com nota três ou acima de três na escala Davis nos tratamentos e na testemunha foram utilizados para o cálculo da eficiência dos inseticidas por meio da fórmula de Abbott (1925).
18
Entomologia
RESULTADOS E DISCUSSÃO Na avaliação prévia, antes da primeira aplicação havia em média 3,86% de plantas com nota três (ou acima de três) na escala Davis. Houve diferença entre os tratamentos antes da primeira aplicação na porcentagem de plantas com nota três ou mais (Tabela 2). Este resultado demonstra uma distribuição desuniforme da praga na área, o que poderia influenciar nos resultados subsequentes, por desfavorecer os tratamentos que apresentaram maiores porcentagens de infestação na avaliação prévia, porém aos sete dias após a primeira aplicação foi observado que isto não influenciou de forma negativa os tratamentos em que haviam maiores porcentagens de plantas com nota três ou mais na avaliação prévia, os quais se igualaram aos demais tratamentos, todos se diferindo somente da testemunha que apresentou a maior porcentagem de plantas com nota três ou mais (Tabela 2).
Tabela 2. Porcentagem de plantas com nota três ou mais na escala Davis para desfolha de Spodoptera frugiperda em milho e eficiência de controle (%), previamente à aplicação e sete dias após a primeira aplicação (7DAP), no híbrido de milho AG3500 RR. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio VerdeGO, safra 2020/2021.
Apesar
de
não
na
Aos três e 14 dias após a segunda aplicação a
porcentagem de plantas com nota três ou mais, a
testemunha apresentou maior porcentagem de plantas
eficiência de controle da lagarta-do-cartucho no
com nota três ou mais na escala Davis, os demais
milho apresentou variações em classificação. Os
tratamentos não se diferiram entre si. Com três dias
tratamentos Ciclaniliprole, Clorfenapir, Clorfenapir
após a segunda aplicação, apresentaram eficiência
+ Essence, Clorfenapir + Quimifol S450, Metomil +
de controle acima de 90% os tratamentos Benzoato de
Baculovírus, Metomil + Clorantraniliprole e Tiodicarbe
emamectina + Óleo, Ciclaniliprole, Clorantraniliprole,
+ Lufenurom apresentaram eficiência de controle
Clorantraniliprole
acima de 90% sete dias após a primeira aplicação. Já
Clorfenapir + Essence, Clorfenapir + Quimifol S450,
Benzoato de emamectina + Óleo, Clorantraniliprole,
Espinetoram, Metomil + Baculovírus e Tiodicarbe +
Clorantraniliprole
e
Lufenurom. Acima de 80% Indoxacarbe e Metomil
Indoxacarbe apresentaram eficiência de controle
+ Clorantraniliprole, e novamente abaixo de 80%
acima de 80% e somente Clorantraniliprole + Lambda-
de eficiência Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina
cialotrina abaixo de 80% (Tabela 2).
(Tabela 3).
+
observada
Abamectina,
diferença
Espinetoram
+
Abamectina,
Clorfenapir,
Entomologia
19
Tabela 3. Porcentagem de plantas com nota três ou mais na escala Davis para desfolha de Spodoptera frugiperda em milho e eficiência de controle (%), três e 14 dias após a segunda aplicação (3DAS e 14DAS), no híbrido de milho AG3500 RR. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.
20
Já aos 14 dias após a segunda aplicação, Benzoato
porcentagem de eficiência de controle acima de 80%
de emamectina + Óleo, Ciclaniliprole, Clorantraniliprole,
aos 10 dias após a aplicação para Espinetoram (18 g
Clorfenapir, Clorfenapir + Essence, Clorfenapir +
ha-1), Clorantraniliprole (20 e 30 g ha-1), Indoxacarbe
Quimifol S450, Espinetoram, Indoxacarbe e Tiodicarbe
(60 g ha-1) e na mistura Clorantraniliprole (14 e 20
+ Lufenurom apresentaram eficiência de controle
g ha-1) + Metomil (215 g ha-1) e Lambda-cialotrina +
acima de 90% para lagarta do cartucho no milho. Acima
Clorantraniliprole apenas em dose mais alta (15 + 30 g
de 80% de eficiência de controle Clorantraniliprole +
ha-1). Clorfenapir apresentou porcentagem de eficiência
Abamectina e Metomil + Baculovírus, já abaixo de 80%
de controle acima de 80% (144 g ha-1) e 90 % (180 g ha-
novamente Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina, além
1
de Metomil + Clorantraniliprole
2019).
), até 14 dias após a aplicação (GRIGOLLI e GRIGOLLI,
Grigolli e Grigolli (2019) trabalharam diferentes
Como observado na Tabela 2, com apenas
inseticidas para lagarta-do-cartucho no milho realizando
uma aplicação a maioria dos tratamentos apresentou
aplicação no estágio V4, assim quando observados os
eficiência de controle superior a 80%, isso ressalta
primeiros sinais de raspagem das folhas, e obtiveram
a importância do “timing de aplicação”, ou seja,
Entomologia
com a infestação ainda no início, especificamente
plantas, houve a aplicação dos mesmos tratamentos
no presente trabalho com apenas 3,86%, em média,
com as lagartas já “encartuchadas”, sendo que nesta
das plantas com nota três ou mais na escala Davis.
última situação as porcentagens de eficiência de
Entretanto, mesmo com duas aplicações o tratamento
controle foram menos expressivas.
Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina na dose utilizada,
A eficiência média de controle nas três
15 + 7,5 g ha-1 de ingrediente ativo, respectivamente, foi
avaliações realizadas, foi, em ordem decrescente,
o único tratamento que não atingiu 80% de eficiência
Tiodicarbe + Lufenurom (98,15%), Clorfenapir + Quimifol
em nenhuma das avaliações. Porém é um tratamento
S450 (97,37%), Clorfenapir (96,30%), Clorfenapir +
que responde ao aumento de doses como visto em
Essence (95,79%) Metomil + Baculovírus (95,05%),
Grigolli e Grigolli (2019), trabalhando com 30 + 15 g
Clorantraniliprole (94,92%), Ciclaniliprole (93,43%),
ha-1 Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina, atingindo
Benzoato de emamectina + Óleo (91,32%), Espinetoram
eficiência acima de 80%.
(91,32%), Clorantraniliprole + Abamectina (90,54%),
Existe uma preocupação a cada dia maior
Indoxacarbe (87,95%), Metomil + Clorantraniliprole
com o surgimento de populações de insetos-praga
(83,39%) e Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina
resistentes a inseticidas químicos pois é recorrente o
(77,80%). Porém não foram observadas diferenças
uso contínuo de ingredientes ativos com os mesmos
entre os tratamentos para a produtividade de grãos de
mecanismos de ação, aplicação de inseticidas com
milho (Figura 1). A média de produtividade do híbrido
amplo espectro de ação no início do ciclo da cultura,
AG3500 RR no experimento foi de 64,6 sacas ha-1.
utilização de doses acima da recomendada pela bula e tecnologia de aplicação ineficiente. Ressalta-se que no presente trabalho as duas aplicações sequenciais do mesmo inseticida foram realizadas somente de forma experimental para avaliação da redução na infestação. Recomenda-se o manejo integrado de pragas na lavoura seguindo-se rigorosamente o princípio da rotação entre mecanismos de ação dos inseticidas a serem utilizados. É importante ressaltar que o monitoramento desta praga é fundamental para que as aplicações sejam feitas no momento correto e o controle seja satisfatório, visto que lagartas mais desenvolvidas se localizam na região mais interna do cartucho das plantas de milho, tornando o seu controle mais difícil. Essa dificuldade de controle ocorre em função da dificuldade de atingir o alvo com aplicações foliares, devido à localização da praga. Tal fato foi demonstrado no trabalho de Grigolli e Grigolli (2019) que, além da situação dos tratamentos aplicados no início da raspagem das lagartas nas
Entomologia
21
Figura 1. Produtividade do híbrido de milho AG3500 RR em diferentes tratamentos inseticidas para o controle de lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.
As médias não se diferiram pelo Teste de Scott-Knott (P<0,05).
22
O nível de controle para a lagarta-do-cartucho
(2011), ainda sugerem adotar aplicação de inseticidas
em milho convencional é atingido quando 20% das
antes que atinja 10% de plantas com nota três na
plantas apresentarem nota três da escala de Davis
escala Davis, para se conseguir observar diferenças
até o 30º dia após o plantio, e de 10% do 40º ao 60º
estatísticas na produtividade de grãos, em relação à
dia (GALLO et al., 2002). A última avaliação (14DAS)
testemunha sem aplicação, visto que no estudo citado,
realizada aos 46 dias após a semeadura, mostra que
adotando o nível de controle de 10% os autores não
na testemunha o nível de dano de 43% de plantas com
conseguiram obter efeitos significativos. Neste sentido,
a nota três ou mais na escala Davis (Tabela 3) foi bem
no presente trabalho as aplicações se iniciaram quando
superior aos 10% recomendados, mesmo assim não
havia em média 3,86% de plantas com nota três ou mais
foi possível observar diferenças na produtividade de
na área do experimento, porém, como relatado, não
grãos em relação aos tratamentos onde foi realizado o
foram obtidos efeitos significativos em produtividade
controle químico.
(Figura 1).
Após avaliarem danos da lagarta-do-cartucho
Como lagartas de terceiro instar ou mais ficam
à cultura do milho com base no monitoramento de
“escondidas” dentro do cartucho, ressalta-se que
plantas atacadas em três safras agrícolas, Rosa et al.
além da escolha de um inseticida eficiente, alguns
Entomologia
pontos podem melhorar a eficiência de controle nas aplicações, como não utilizar volume de aplicação reduzido, pois a superfície de cobertura do cartucho do milho. As aplicações noturnas, a partir das 22 horas até as 08 horas tendem a ter a melhor eficiência de controle de lagartas, pois a lagarta tem como hábito se esconder no cartucho da planta durante os períodos mais quentes do dia. No período noturno e em temperaturas amenas, a praga pode migrar para fora do cartucho, ficando mais exposta. O controle químico é mais eficiente em conduções de umidade relativa alta e em plantas não expostas ao déficit hídrico (GRIGOLLI e GRIGOLLI, 2019).
CONCLUSÃO A eficiência média de controle de lagarta-docartucho (S. frugiperda) no milho, em duas aplicações, foi superior a 90% nos tratamentos Tiodicarbe + Lufenurom (98,15%), Clorfenapir + Quimifol S450 (97,37%),
Clorfenapir
(96,30%),
Clorfenapir
+
Essence (95,79%) Metomil + Baculovírus (95,05%), Clorantraniliprole (94,92%), Ciclaniliprole (93,43%), Benzoato de emamectina + Óleo (91,32%), Espinetoram (91,32%) e Clorantraniliprole + Abamectina (90,54%). Superior a 80% para Indoxacarbe (87,95%) e Metomil + Clorantraniliprole (83,39%). Inferior a 80% somente no tratamento Clorantraniliprole + Lambda-cialotrina (77,80%). Nas condições estudadas, não foram obtidas diferenças na produtividade de grãos na cultura do milho.
AGRADECIMENTOS À equipe de campo, pesquisadores e estagiários do ITC pelo apoio na implantação e condução do experimento.
REFERÊNCIAS ABBOTT, W.S. A method of computing the effectiveness of on insecticide. Journal Economic Entomology, v. 18, n. 2, p. 265-267, 1925. CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento. Boletim da safra de grãos, 12º Levantamento - Safra 2020/21. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/ info-agro/safras/graos/boletim-da-safra-de-graos>. Acesso em: 13 set. 2021. DAVIS, F. M.; NG, S. S.; WILLIAMS, W. P. Visual rating scales for screening whorl-stage corn for resistance to fall armyworm. Mississippi: Agricultual and Forest Experiment Station, 1992. 9p. (Techinical Bulletin, 186) GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R.L.P.; BAPTISTA, G.C.; BERTI FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ZUCCHI, R.A.; ALVES, S.B.; VENDRAMIM, J.D.; MARCHINI, L.C.; LOPES, J.R.S.; OMOTO, C. Vol.10. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 920p. GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. Manejo e Controle de Pragas do Milho Safrinha. In: LOURENÇÃO, A. L. F.; GRIGOLLI, J. F. J.; GITTI, D. C.; BEZERRA, A. R. G.; MELOTTO, A. M. (Ed.). Tecnologia e Produção: Safrinha 2018. Maracaju, MS: Fundação MS, 2019. p. 72-85. HRUSKA, A. J.; GOULD, F. Fall armyworm (Lepidoptera: Noctuidae) and Diatraea lineolata (Lepidoptera: Pyralidae): impact of larval population level and temporal occurrence on maize yield in Nicaragua. Journal of Economic Entomology, v. 90, n. 2, p. 611622, 1997. ROSA, A. P. S. A.; MARTINS, J. F. S.; TRECHA, C. O. Avaliação de danos da lagarta-do-cartucho à cultura do milho com base no monitoramento de plantas atacadas em três safras agrícolas. Pesquisa Agropecuária Gaúcha, v. 17, n. 1, p. 21-27, 2011. VALICENTE. F. H.; TUELHER, E. S. Controle biológico da lagarta do cartucho, Spodoptera frugiperda, com Baculovírus. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2009. 14 p. (Circular Técnica, 114).
Entomologia
23
INSETICIDAS NO CONTROLE DO PULGÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NA CULTURA DO SORGO
LIMA, Diego Tolentino de1; FERNANDES, Rafael Henrique2; ALMEIDA, Dieimisson Paulo3 Eng. Agrônomo. Dr. em Agronomia, Pesquisador em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO. E-mail: diegotolentino@ comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 1
cultura no estado de Goiás pode ser superior a 125 sacas ha-1 (ALMEIDA et al., 2019). Como qualquer outra espécie cultivada, o sorgo enfrenta problemas fitossanitários. Os pulgões Melanaphis
sacchari,
Schizaphis
graminum
e
Rhopalosiphum maidis estão entre os principais insetos que prejudicam esta cultura. O pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari, é uma das principais pragas do sorgo na África, Ásia e Oceania (SINGH et al., 2004). Presente em mais de trinta países ele pode se alimentar de até vinte espécies de plantas da família Poaceae (as gramíneas). Além do sorgo e da cana-de-açúcar, já foram relatadas como espécies hospedeiras deste pulgão o trigo, arroz,
INTRODUÇÃO A produção brasileira de sorgo granífero na safra 2020/2021 deverá atingir 2,1 milhões de toneladas, em uma área total de 864,5 mil hectares, de acordo com o acompanhamento da safra brasileira de grãos (CONAB, 2021). Devido ao zoneamento agroclimático do estado de Goiás, o sorgo granífero pode substituir principalmente o cultivo de milho segunda safra, geralmente em sucessão a soja implantada no início de novembro e cultivada até a última semana de fevereiro (primavera-verão), o que torna o estado maior produtor, com aproximadamente metade da produção nacional. A produtividade desta
24
Entomologia
milho, aveia e cevada (SINGH et al., 2004; SOUZA e DAVIS, 2020). Historicamente M. sacchari tem sido uma importante praga na cultura da cana-de-açúcar tanto no Brasil quanto nos EUA, causando danos ao se alimentar da seiva da planta e transmitir o vírus do mosaico (Sugarcane Yellow Leaf Virus, SCYLV) (SINGH et al., 2004; SILVA et al., 2014). Embora já registrado em lavouras de sorgo sem causar prejuízos, em 2013 nos EUA foram relatados surtos do pulgão da cana-de-açúcar na cultura do sorgo, e em 2015 todos os 17 estados produtores naquele país relataram grandes infestações (BOWLING et al., 2016). Em 2016 pesquisadores já alertavam sobre o
potencial de dano do pulgão da cana-de-açúcar no
o objetivo do trabalho foi avaliar a eficiência de
sorgo no Brasil. Em 2019 esta espécie de pulgão foi
tratamentos inseticidas sobre a infestação da praga e a
relatada causando danos econômicos em Minas Gerais,
produtividade de grãos.
Distrito Federal e de São Paulo (MENDES et al., 2019). Desde 2020 as lavouras de sorgo das regiões dentro e próximas ao estado de Goiás apresentam altos índices
MATERIAL E MÉTODOS
de infestação por este pulgão, sendo observados até
O experimento foi conduzido na área experimental
mais de mil insetos em uma única folha. Em alguns
do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO (ITC), da
casos o produtor teve que fazer até cinco intervenções
Cooperativa COMIGO, no município de Rio Verde – GO
com inseticidas na cultura para controlar a praga.
(S 17°45'57" e W 51°02'07"; 839 metros de altitude).
Na
região
do
Sudoeste
Goiano,
tem-se
Em área colhida anteriormente com soja foi realizada
observado maior ocorrência do pulgão da cana-de-
a semeadura do híbrido de sorgo granífero 1G100 no
açúcar no final da fase vegetativa e início da fase
dia 22 de março de 2021 (colheita dia 23 de julho de
reprodutiva da lavoura de sorgo, apesar de poder estar
2020 totalizando 123 dias de ciclo), com a densidade de
presente em todas as fases de desenvolvimento da
semeadura de 9,1 sementes por metro (população final
planta. Os insetos ficam na parte de baixo das folhas
na colheita de 129 mil plantas ha-1). O tratamento de
e se alimentam sugando a seiva da planta, sendo
sementes foi realizado com Imidacloprido + Tiodicarbe
comum a infestação iniciar nas folhas mais velhas
(CropStar, 150 + 450 g L-1, SC, Bayer) na dose de 150
(baixeiro) e avançar para as mais novas. Os sintomas:
+ 450 g 100 kg-1 de sementes, respectivamente. A
amarelecimento, manchas vermelhas e necróticas,
adubação de semeadura foi realizada com 280 kg ha-1
podem ser observados até mesmo na face superior da
do fertilizante formulado 08-20-18 no sulco. A adubação
folha. Os danos são potencializados em situações de
de cobertura foi realizada 200 kg ha-1 de 20-00-20 e
estresse, principalmente hídrico (SINGH et al., 2004).
outra com 100 kg ha-1 de Ureia.
Devido à alta capacidade de reprodução desse
O controle de plantas daninhas foi realizado
inseto, ocorre formação de grandes colônias, e com
através de uma aplicação em plante-aplique com
a sucção contínua da seiva da planta há excreção de
glifosato (Xeque Mate, 500 g e. a. L-1, SL, Monsanto)
grandes quantidades de substâncias açucaradas,
na dose de 1500 g e. a. ha-1 logo após a semeadura
que deixam as folhas abaixo cobertas por um tipo de
do sorgo e outra aplicação em pós-emergência das
“melado” com aspecto pegajoso e brilhante (BOWLING
plantas daninhas com o herbicida atrazina (Proof,
et al., 2016). Nesta condição se desenvolve com o
500 g i. a. L-1, SC, Syngenta) na dose de 1,0 kg i. a.
tempo um fungo (geralmente do gênero Capnodium) de
ha-1 com adição de adjuvante Iharol Gold na dose de
cor enegrecida, chamado de fumagina, que prejudica
0,5 L ha-1. Para o controle de manchas foliares foram
a fotossíntese da folha. Em altas infestações a planta
realizadas duas aplicações, a primeira de Fluxapiroxade
pode secar mesmo antes de emitir a panícula, ou ainda
+ Piraclostrobina (Orkestra, 167 + 333 g L-1, SC, Basf),
emitir a estrutura reprodutiva, porém com enchimento
na dose de 50 + 100 g ha-1 respectivamente, com
de grãos altamente comprometido.
adição de adjuvante Mees na dose de 0,5 L ha-1, e a
Visto a importância de se controlar o pulgão
segunda Metominostrobina + Tebuconazol (Fusão, 110
da cana-de-açúcar, M. sacchari, na cultura do sorgo
+ 165 g L-1, EC, Ihara), na dose de 79,8 + 119,6 g ha-1
Entomologia
25
respectivamente, com adição de adjuvante Iharol Gold
pulverizador pressurizado por CO2 (Número de patente:
na dose de 0,2 L ha-1.
BR1020160075653) montando em trator (MF 275,
As únicas aplicações de inseticidas realizadas
Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador é dotado
no experimento foram referentes aos tratamentos.
com barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização
Foram realizadas duas aplicações sequenciais dos
espaçados em 0,5 m. As pontas utilizadas para
tratamentos descritos na Tabela 1, com intervalo
pulverização foram modelo ADIA 11001.D, da marca
de sete dias entre cada aplicação, sendo a primeira
Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada
realizada após início da emissão das panículas, com
com a pressão de trabalho na ponta de pulverização de
cerca de 80% de infestação do pulgão na área (Nota
2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.
4, de acordo com a escala proposta por Fernandes et a., 2021). As aplicações foram realizadas com
Tabela 1. Tratamentos inseticidas para controle do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari, no sorgo 1G100. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.
Os
15
tratamentos
foram
dispostos
no
0,5 metros, com 10 metros de comprimento. A parcela
delineamento em blocos ao acaso (DBC), com
útil desconsiderou 1,0 m inicial e final de cada linha da
quatro repetições. As parcelas experimentais foram
parcela e as duas linhas das extremidades.
constituídas por 10 linhas de cultivo, espaçadas de
26
Entomologia
Na avaliação prévia e nas avaliações três e sete
dias após a primeira aplicação (3DAP e 7DAP) e três, sete e 14 dias após a segunda aplicação (3DAS, 7DAS e 14DAS) dos tratamentos, a infestação do pulgão da cana-de-açúcar no sorgo foi classificada de acordo com a escala de notas proposta por Fernandes et al. (2021), onde: Nota 1 (20% de infestação), a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e não há presença de exúvia (colônia pequena, menos de 50 pulgões folha-1); Nota 2 (40% de infestação), a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e há presença de exúvias; Nota 3 (60% de infestação), a planta de sorgo apresenta uma quantidade moderada de pulgões,
RESULTADOS E DISCUSSÃO O nível populacional, de acordo com a escala de notas, do pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari, na área experimental na avaliação prévia aos tratamentos foi considerado alto, com valor médio de 3,9, correspondendo a aproximadamente 80% de infestação, sem diferença entre os tratamentos (Tabela 2). Este resultado demonstra a uniformidade de distribuição da praga na área. Esta similaridade é importante para garantir que a infestação inicial de pulgões não influencie nos resultados subsequentes.
muitas exúvias e há o surgimento de alguns sintomas, como amarelecimento ou avermelhamento na folha (colônias grandes, mais de 50 pulgões folha-1); Nota 4 (80% de infestação), a planta de sorgo apresenta grande quantidade de pulgões, muitas exúvias e há sintomas na planta tanto na nervura central como na borda da folha. Nota 5 (100% de infestação), a planta de sorgo fica tomada de pulgões, muitas exúvias e há sintomas em toda a planta com o início de morte das folhas. A produtividade de grãos foi obtida em três linhas centrais de semeadura com 3,0 metros de comprimento, realizando dois pontos de amostragem dentro de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos, trilhados e secos. Foi calculada a produtividade para um hectare, considerando-se a umidade padrão de 13% para comercialização do grão, tomado como medida a saca de 60 kg de grãos. Os dados de notas de infestação por pulgão da cana-de-açúcar no sorgo e produtividade foram submetidos à análise de variância (ANOVA) pelo teste F e no caso de efeito significativo dos tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Scott-Knott (P<0,05).
Entomologia
27
Tabela 2. Notas de infestação do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari, no híbrido de sorgo 1G100, em função dos tratamentos inseticidas em avaliação prévia à aplicação e três dias após a primeira aplicação (3DAP). Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.
Três dias após a primeira aplicação foi observado
resultados foram bem semelhantes aos de três dias
que o tratamento com Clorpirifos apresentou a
após a primeira, o tratamento Clorpirifos se destacou
menor nota de infestação (0,69), ou seja, com efeito
com a menor infestação, igual a zero. Logo em seguida
de controle mais rápido que os demais tratamentos.
o tratamento Imidacloprido se agrupou com Sulfoxaflor
Logo em seguida vieram os tratamentos Sulfoxaflor +
+ Lambda-cialotrina, Tiametoxam + Lambda-cialotrina
Lambda-cialotrina, Tiametoxam + Lambda-cialotrina
e Sulfoxaflor. E novamente apenas o tratamento com
e Sulfoxaflor e depois com infestação maior que
Tiodicarbe não se diferiu da testemunha em relação ao
estes vieram os tratamentos Acefato, Imidacloprido,
nível de infestação (Tabela 3).
Tiametoxam, Acefato + Imidacloprido, Acetamiprido + Bifentrina, Acetamiprido, Metomil, Dinotefurano + Lambda-cialotrina e Imidacloprido + Beta-ciflutrina. Apenas o tratamento com Tiodicarbe não se diferiu da testemunha em relação ao nível de infestação (Tabela 2). Aos sete dias após a primeira aplicação os
28
Entomologia
Tabela 3. Notas de infestação do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari, no híbrido de sorgo 1G100, em função dos tratamentos inseticidas sete dias após a primeira (7DAP) e três dias após a segunda (3DAS) aplicação. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.
Já
com
uma
segunda
aplicação
outros
as menores notas de infestação, porém o tratamento
tratamentos também se destacaram na redução das
com Acefato de forma isolada ainda apresentou nota
notas de infestação, após três dias, além de Clorpirifos,
superior a 1,0 (20% de infestação). Já aos 14 dias
os tratamentos Imidacloprido, Sulfoxaflor, Sulfoxaflor +
após a segunda aplicação as notas de infestação se
Lambda-cialotrina, Tiametoxam + Lambda-cialotrina,
apresentaram de forma semelhante, com exceção do
Acefato + Imidacloprido e Imidacloprido + Beta-
tratamento com Acefato de forma isolada que passou
ciflutrina apresentaram as menores notas de infestação.
a se agrupar entre os tratamentos com notas de
Seguidos logo em seguida por Acetamiprido + Bifentrina
infestação intermediárias, juntamente com Metomil,
e Acetamiprido. Tiodicarbe se diferiu da testemunha,
Dinotefurano + Lambda-cialotrina e Tiodicarbe (Tabela
porém apresentou notas de infestação superiores aos
4).
demais tratamentos (Tabela 3). Com sete dias após a segunda aplicação em todos tratamentos contendo os inseticidas Neonicotinoides:
Acetamiprido,
Imidacloprido
e Tiametoxam, ou Sulfoxaminas: Sulfoxaflor, ou Organofosforados: Clorpirifos e Acefato apresentaram
Entomologia
29
Tabela 4. Notas de infestação do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari, no híbrido de sorgo 1G100, em função dos tratamentos inseticidas sete e 14 dias após a segunda (7DAS e 14DAS) aplicação. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.
30
Observou-se que o efeito mais rápido na redução
Sulfoxaminas no sub-grupo 4C, ambos são moduladores
das notas de infestação do pulgão da cana-de-açúcar
competitivos de receptores nicotínicos da acetilcolina.
no sorgo foi obtido pelo Clorpirifos, seguido, em ordem
Assim o Sufoxaflor, apesar de ter o mesmo mecanismo
crescente de tempo para se observar este efeito, por
de ação dos Neonicotinoides, pertence a um sub-
Sulfoxaflor, Tiametoxam, Imidacloprido e Acetamiprido.
grupo diferente, que deve representar um menor risco
Pertencente ao grupo dos Organofosforados, o
de resistência cruzada com os Neonicotinoides. No
Clorpirifos é um inseticida que apresenta um espectro
entanto, Dinotefurano que também é um Neonicotinoide
de ação menos seletivo, enquanto os Neonicotinoides
não apresentou redução interessante nas notas de
(Tiametoxam,
infestação do pulgão da cana-de-açúcar no sorgo.
Imidacloprido
e
Acetamiprido)
e
Sulfoxaminas (Sulfoxaflor), são moléculas inseticidas
Existe uma preocupação a cada dia maior
rotuladas com especificidade para sugadores (Ordem
com o surgimento de populações de insetos-praga
Hemiptera), onde se enquadra o pulgão da cana-
resistentes a inseticidas químicos pois é recorrente o
de-açúcar (M. sacchari). Os Neonicotinoides têm
uso contínuo de ingredientes ativos com os mesmos
mecanismo de ação classificado no sub-grupo 4A
mecanismos de ação, aplicação de inseticidas com
do IRAC (Insecticide Resistance Action Committee,
amplo espectro de ação no início do ciclo da cultura,
“Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas”) e
utilização de doses acima da recomendada pela bula e
Entomologia
tecnologia de aplicação ineficiente. Ressalta-se que no
menor produtividade. Tiodicarbe que apresentou,
presente trabalho as duas aplicações sequenciais do
de forma geral, os piores resultados na redução
mesmo inseticida foram realizadas somente de forma
da
experimental para avaliação da redução na infestação.
numericamente mais distante dos demais tratamentos,
Recomenda-se o manejo integrado de pragas na
porém não se diferindo estatisticamente. Já Clorpirifos
lavoura seguindo-se rigorosamente o princípio da
que se destacou em relação à redução da infestação
rotação entre mecanismos de ação dos inseticidas a
do pulgão se manteve entre as maiores produtividades,
serem utilizados.
porém sem se diferir dos outros tratamentos (Figura 1).
infestação
do
pulgão
teve
produtividade
Apenas o tratamento testemunha apresentou
Figura 1. Produtividade do híbrido de sorgo 1G100, em diferentes tratamentos inseticidas para o controle do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021. Médias seguidas por mesma letra não se diferem pelo Teste de Scott-Knott (P<0,05). Nos EUA após a ocorrência de grandes prejuízos
Esses dois inseticidas apresentando mortalidades
causados pelo pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari,
superiores a 98% para o pulgão da cana-de-açúcar,
em 2013, grandes esforços foram direcionados para
com atividade residual mínima de sete a 10 dias e
pesquisas de produtos químicos para seu controle
ausência de populações que causando prejuízos até
e em 2016 já haviam dois produtos registrados,
21 dias após a aplicação. Sulfoxaflor e Flupiradifurone
um com Sulfoxaflor e outro com Flupiradifurone.
apresentam baixa toxicidade para inimigos naturais
Entomologia
31
específicos de pulgões, sendo assim boas alternativas no manejo integrado de pragas (MICHAUD et al., 2016). Flupiradifurone, adicionalmente tem baixa toxicidade nos polinizadores, como as abelhas, embora o sorgo não seja polinizado por insetos. No México, a aplicação foliar de Imidacloprido está disponível para a cultura do sorgo demonstrando eficácia no manejo do pulgão da cana-de-açúcar (BOWLING et al., 2016). No Brasil existem poucos registros de produtos para a cultura do sorgo e, especificamente para o pulgão M. sacchari não existem inseticidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Assim, é indispensável a presença do Engenheiro Agrônomo responsável pela lavoura durante o monitoramento e definição das melhores estratégias de manejo desta praga. Outro ponto importante no manejo do pulgão da cana-de-açúcar na cultura do sorgo está relacionado com a tecnologia de aplicação. Além de respeitar as condições ambientais adequadas no momento da aplicação, não é aconselhável a utilização de volumes de aplicação reduzidos, pois, maior quantidade de calda aplicada por área pode proporcionar melhor cobertura e deposição do inseticida no terço inferior da planta, local onde geralmente se inicia a infestação desta praga. O pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari, é um problema que onera os custos de produção na cultura do sorgo, exigindo que o produtor se torne ainda mais técnico. Ações como realizar semeadura na janela ideal, fazer investimento em adubação para altas produtividades, realizar aplicação de fungicidas para manchas foliares e aplicação de inseticidas no momento adequado serão fundamentais para alcance produtividades satisfatórias, que cubram as despesas de produção e gerem margem aceitável para que o produtor se mantenha na atividade.
32
Entomologia
CONCLUSÃO Clorpirifos apresentou efeito mais rápido na redução das notas de infestação do pulgão da cana-deaçúcar no sorgo, seguido por Sulfoxaflor, Tiametoxam, Imidacloprido e Acetamiprido. Todos os tratamentos testados apresentaram produtividades superiores à testemunha sem aplicação de inseticidas.
AGRADECIMENTOS À equipe de campo, pesquisadores e estagiários do ITC pelo apoio na implantação e condução do experimento.
REFERÊNCIAS ALMEIDA, D. P.; FURTINI NETO, A. E.; BRAND, S. C. Épocas de semeadura de híbridos de sorgo em segunda safra 2017/2108: produtividade de grãos. In: FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; BILEGO, U. O.; FERNANDES, R. H.; GOMES, F. H. F. (Eds.). Anuário de Pesquisas Agricultura – Resultados 2019. Rio Verde: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2019. p. 134-139. BOWLING, R. D.; BREWER, M. J.; KERNS, D. L.; GORDY, J.; SEITER, N.; ELLIOTT, N. E.; BUNTIN, G. D.; WAY, M. O.; ROYER, T. A.; BILES, S.; MAXSON, E. Sugarcane Aphid (Hemiptera: Aphididae): A New Pest on Sorghum in North America. Journal of Integrated Pest Management, v. 7, n. 1, p. 1–13, 2016. CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento. Boletim da safra de grãos, 12º Levantamento - Safra 2020/21. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/ info-agro/safras/graos/boletim-da-safra-de-graos>. Acesso em: 13 set. 2021.
FERNANDES, F. O.; SOUZA, C. da S. F.; AVELLAR, G. S. de; NASCIMENTO, P. T.; DAMASCENO, N. C. R.; SANTOS, N. M. dos; LIMA, P. F.; SANTOS, V. M. C. dos; SIMEONE, M. L. F.; PARRELLA, R. A. da C.; MENEZES, C. B. de; OLIVEIRA, I. R. de; MENDES, S. M. Manejo do pulgão da cana-de-açúcar (Melanaphis sacchari/ sorghi) na cultura do sorgo. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2021. 24 p. (Comunicado Técnico, 249). MENDES, S. M.; VIANA, P. A.; OLIVEIRA, I. R.; MENEZES, C. B.; WAQUIL, J. M.; TOMPSON, W. Pulgão-da-cana-de-açúcar
no
sorgo:
um
velho
conhecido, mas um novo problema. Grão em Grão, ano 13, n. 112, 2019. MICHAUD, J. P.; WHITWORTH, R. J.; SCHWARTING, H.; MCCORNACK, B.; ZUKOFF, S. Sorghum insect management. Kansas State University Research and Extension. MF742, Manhattan, KS, 12 p. (http:// entomology.k-state.edu/extension/publications/). 2016. SILVA, M. L.; ROCHA, D. A.; SILVA, K. T. B. Potential population growth of Melanaphis sacchari (Zethner) reared on two hosts plants. Current Agricultural Science and Technology, v. 20, p. 21-25, 2014. SINGH, B. U.; PADMAJA, P. G.; SEETHARAMA, N. Biology and management of the sugarcane aphid, Melanaphis
sacchari
(Zehntner)
(Homoptera:
Aphididae), in sorghum: a review. Crop Protection, v. 23, n. 9, p. 739-755, 2004. SOUZA, M. F.; DAVIS, J. A. Detailed Characterization of Melanaphis sacchari (Hemiptera: Aphididae) Feeding
Behavior
on
Different
Host
Plants.
Environmental Entomology, v. 49, n. 3, p. 683–691, 2020.
Entomologia
33
TIMING DE APLICAÇÃO PARA O PULGÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NA CULTURA DO SORGO
LIMA, Diego Tolentino de1; FERNANDES, Rafael Henrique2; ALMEIDA, Dieimisson Paulo3. Eng. Agrônomo. Dr. em Agronomia, Pesquisador em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO. E-mail: diegotolentino@ comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 1
cultura no estado de Goiás pode ser superior a 125 sacas ha-1 (ALMEIDA et al., 2019). Como qualquer outra espécie cultivada, o sorgo enfrenta problemas fitossanitários. Os pulgões Melanaphis
sacchari,
Schizaphis
graminum
e
Rhopalosiphum maidis estão entre os principais insetos que prejudicam esta cultura. O pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari, é uma das principais pragas do sorgo na África, Ásia e Oceania (SINGH et al., 2004). Presente em mais de trinta países ele pode se alimentar de até vinte espécies de plantas da família Poaceae (as gramíneas). Além do sorgo e da cana-de-açúcar, já foram relatadas como espécies hospedeiras deste pulgão o trigo, arroz,
INTRODUÇÃO A produção brasileira de sorgo granífero na safra 2020/2021 deverá atingir 2,1 milhões de toneladas, em uma área total de 864,5 mil hectares, de acordo com o acompanhamento da safra brasileira de grãos (CONAB, 2021). Devido ao zoneamento agroclimático do estado de Goiás, o sorgo granífero pode substituir principalmente o cultivo de milho segunda safra, geralmente em sucessão a soja implantada no início de novembro e cultivada até a última semana de fevereiro (primavera-verão), o que torna o estado maior produtor, com aproximadamente metade da produção nacional. A produtividade desta
34
Entomologia
milho, aveia e cevada (SINGH et al., 2004; SOUZA e DAVIS, 2020). Em 2013 nos EUA foram relatados surtos do pulgão da cana-de-açúcar na cultura do sorgo, e em 2015 todos os 17 estados produtores naquele país relataram grandes infestações (BOWLING et al., 2016). No Brasil, em 2016 pesquisadores já alertavam sobre o potencial de dano do pulgão da cana-de-açúcar no sorgo. Em 2019 esta espécie de pulgão foi relatada causando danos econômicos em Minas Gerais, Distrito Federal e de São Paulo (MENDES et al., 2019). Desde 2020 as lavouras de sorgo das regiões dentro e próximas ao estado de Goiás apresentam altos índices de infestação por este pulgão, sendo observados até mais de mil insetos em uma única
folha. Em alguns casos o produtor teve que fazer até
recomendações da Embrapa, o monitoramento deve
cinco intervenções com inseticidas na cultura para
ser realizado inicialmente no terço inferior das plantas,
controlar a praga.
onde a infestação se inicia, procurando folhas com
Na
região
do
Sudoeste
Goiano,
tem-se
sintomas da ocorrência do pulgão, mela, fumagina
observado maior ocorrência do pulgão da cana-de-
e exúvias, avaliando a presença de colônias médias
açúcar no final da fase vegetativa e início da fase
(acima de 50 pulgões) sendo o “timing” de aplicação,
reprodutiva da lavoura de sorgo, apesar de poder estar
ou ponto de tomada de decisão, com 20% das plantas
presente em todas as fases de desenvolvimento da
com colônias médias (FERNANDES et al., 2021).
planta. Os insetos ficam na parte de baixo das folhas
Visto a importância do “timing” de aplicação para
e se alimentam sugando a seiva da planta, sendo
o manejo do pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari,
comum a infestação iniciar nas folhas mais velhas
na cultura do sorgo o objetivo do trabalho foi avaliar
(baixeiro) e avançar para as mais novas. Os sintomas:
o efeito do controle químico realizado em diferentes
amarelecimento, manchas vermelhas e necróticas,
níveis de infestação sobre a população da praga e a
podem ser observados até mesmo na face superior da
produtividade de grãos.
folha. Os danos são potencializados em situações de estresse, principalmente hídrico (SINGH et al., 2004). Devido à alta capacidade de reprodução desse inseto, ocorre formação de grandes colônias, e com
MATERIAL E MÉTODOS O
experimento
foi
conduzido
na
área
a sucção contínua da seiva da planta há excreção de
experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia
grandes quantidades de substâncias açucaradas,
COMIGO (ITC), da Cooperativa COMIGO, no município
que deixam as folhas abaixo cobertas por um tipo de
de Rio Verde – GO (S 17°45'57" e W 51°02'07"; 839
“melado” com aspecto pegajoso e brilhante (BOWLING
metros de altitude). A semeadura do híbrido de sorgo
et al., 2016). Nesta condição se desenvolve com o
granífero 1G100 foi realizada no dia 22 de março de
tempo um fungo (geralmente do gênero Capnodium) de
2021 (colheita dia 23 de julho de 2020 totalizando 123
cor enegrecida, chamado de fumagina, que prejudica
dias de ciclo), com a densidade de semeadura de 9,1
a fotossíntese da folha. Em altas infestações a planta
sementes por metro (população final na colheita de
pode secar mesmo antes de emitir a panícula, ou ainda
129 mil plantas ha-1). O tratamento de sementes foi
emitir a estrutura reprodutiva, porém com enchimento
realizado com Imidacloprido + Tiodicarbe (CropStar,
de grãos altamente comprometido.
150 + 450 g L-1, SC, Bayer) na dose de 150 + 450 g 100
Como o potencial de dano está relacionado com
kg-1 de sementes, respectivamente. A adubação de
o potencial reprodutivo do inseto, o monitoramento
semeadura foi realizada com 280 kg ha-1 do fertilizante
deve ser constante, pois, se a população do pulgão
formulado 08-20-18 no sulco. A adubação de cobertura
atingir níveis elevados na lavoura o controle será
foi realizada 200 kg ha-1 de 20-00-20 e outra com 100 kg
mais difícil e os danos já estarão ocorrendo. Assim,
ha-1 de Ureia.
um dos pontos principais no manejo para se utilizar a
O controle de plantas daninhas foi realizado
intervenção com inseticidas é o chamado “timing” de
através de uma aplicação em plante-aplique com
aplicação (hora certa de fazer a aplicação), quando
glifosato (Xeque Mate, 500 g e. a. L-1, SL, Monsanto)
a infestação ainda está no início. De acordo com as
na dose de 1500 g e. a. ha-1 logo após a semeadura
Entomologia
35
do sorgo e outra aplicação em pós-emergência das
no experimento.
plantas daninhas com o herbicida atrazina (Proof,
O experimento foi disposto em blocos ao
500 g i. a. L-1, SC, Syngenta) na dose de 1,0 kg i. a.
acaso (DBC), com quatro repetições. As parcelas
ha-1 com adição de adjuvante Iharol Gold na dose de
experimentais foram constituídas por 10 linhas de
0,5 L ha-1. Para o controle de manchas foliares foram
cultivo com espaçamento de 0,50 metros por 10
realizadas duas aplicações, a primeira de Fluxapiroxade
metros de comprimento. A parcela útil desconsiderou
+ Piraclostrobina (Orkestra, 167 + 333 g L-1, SC, Basf),
1,0 m inicial e final de cada linha da parcela e as duas
na dose de 50 + 100 g ha-1 respectivamente, com
linhas das extremidades. Foi realizada apenas uma
adição de adjuvante Mees na dose de 0,5 L ha-1, e a
aplicação de inseticida para controle do pulgão da
segunda Metominostrobina + Tebuconazol (Fusão,
cana-de-açúcar em cada tratamento em diferentes
110 + 165 g L-1, EC, Ihara), na dose de 79,8 + 119,6 g
datas, em função do nível de infestação, com exceção
ha-1 respectivamente, com adição de adjuvante Iharol
do tratamento com 100% de infestação (Nota 5), que foi
Gold na dose de 0,2 L ha-1. As aplicações de inseticidas
considerado como testemunha e não houve aplicação
foram realizadas somente por ocasião da aplicação nas
de inseticida (Tabela 1).
parcelas contempladas com os tratamentos avaliados
Tabela 1. Datas de aplicação em função dos tratamentos por níveis de infestação do pulgão da cana-deaçúcar no sorgo, híbrido 1G100, safra 2020/21.
Para avaliar a infestação do pulgão da cana-de-
apresenta uma quantidade moderada de pulgões,
açúcar no sorgo, foi utilizada a escala de notas proposta
muitas exúvias e há o surgimento de alguns sintomas,
por Fernandes et al. (2021), onde:
como amarelecimento ou avermelhamento na folha
Nota 1 (20% de infestação), a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e não há presença de exúvia (colônia pequena, menos de 50 pulgões folha ); -1
Nota 2 (40% de infestação), a planta de sorgo apresenta poucos pulgões e há presença de exúvias; Nota 3 (60% de infestação), a planta de sorgo
36
Entomologia
(colônias grandes, mais de 50 pulgões folha-1); Nota 4 (80% de infestação), a planta de sorgo apresenta grande quantidade de pulgões, muitas exúvias e há sintomas na planta tanto na nervura central como na borda da folha. Nota 5 (100% de infestação), a planta de sorgo
fica tomada de pulgões, muitas exúvias e há sintomas
cana-de-açúcar no sorgo para cada data de avaliação
em toda a planta com o início de morte das folhas.
foram submetidos à análise de variância (ANOVA)
Para a aplicação nos tratamentos foi feita a
pelo teste F e no caso de efeito significativo dos
mistura dos inseticidas clorpirifós (Clorpirifós Nortox,
tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste
480 g L-1, EC, Nortox) na dose de 0,480 kg i. a. ha-1 com
de Tukey (P<0,05). Os dados de produtividade de grãos,
acetamiprido + bifentrina (Sperto, 250 + 250 g kg-1,
em função dos níveis de infestação por pulgão, foram
respectivamente, UPL) nas doses de 0,075 + 0,075 kg i.
analisados por meio de regressão não linear, utilizando
a. ha-1. A aplicação no tratamento com 0% de infestação
o modelo logístico (equação 1):
(Nota 0) foi realizada quando observada a presença dos primeiros pulgões isolados (migrantes de outras áreas),
presentes em poucas plantas, coincidindo com o “emborrachamento” das plantas de sorgo, considerado
(1)
a fase crítica da cultura, antecedendo a emissão
Em que:
das panículas, na mudança da fase vegetativa para
y = variável resposta (produtividade); x = nível
reprodutiva da cultura. Para os demais tratamentos a
de infestação por pulgão (%); a, b e X0 = parâmetros
aplicação foi realizada de acordo com o monitoramento
estimados do modelo.
das notas de infestação. As avalições de notas de
O modelo foi selecionado considerando a
infestação foram realizadas para todos os tratamentos
significância da análise de variância da regressão,
em cada data de aplicação.
o coeficiente de determinação (R2) e a significância
As
aplicações
foram
realizadas
com
pulverizador pressurizado por CO2 (Número de patente:
dos coeficientes do modelo por meio do teste “t”, de Student.
BR1020160075653) montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv). O pulverizador é dotado com barra de 5,0 metros com 10 bicos de pulverização espaçados em 0,5 m. As pontas utilizadas para
RESULTADOS E DISCUSSÃO A
primeira
aplicação,
no
tratamento
pulverização foram modelo ADIA 11001.D, da marca
considerado como 0% de infestação (Nota 0) foi
Magnojet. A calibração do equipamento foi ajustada
realizada quando observada a presença dos primeiros
com a pressão de trabalho na ponta de pulverização de
pulgões isolados em algumas plantas. Nota-se que
2,7 bar (39,1 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.
sete dias após esta aplicação a infestação neste
A produtividade de grãos foi obtida em três
tratamento continua zerada (nota 0,00) se diferindo
linhas centrais de semeadura com 3,0 metros de
dos demais tratamentos, nos quais ainda não
comprimento, realizando dois pontos de amostragem
havia ocorrido aplicação de inseticida (nota média
dentro de cada parcela útil. Os grãos foram colhidos,
entre eles de 0,97), com aproximadamente 20% de
trilhados e secos. Foi calculada a produtividade para
infestação (Tabela 2).
um hectare, considerando-se a umidade padrão de 13% para comercialização do grão, tomado como medida a saca de 60 kg de grãos. Os dados de notas de infestação por pulgão da
Entomologia
37
Tabela 2. Notas de infestação do pulgão da cana-de-açúcar, Melanaphis sacchari, no sorgo, híbrido 1G100, em função dos tratamentos com diferentes níveis de infestação, safra 2020/21.
Semelhante ao ocorrido com a aplicação
80% no valor de 5,00 para 3,05 aos 14DA 80%, pelo
para o primeiro tratamento (0%), a aplicação da
esgotamento do alimento (morte dos tecidos foliares)
mistura inseticida (clorpirifós + acetamiprido +
reduzindo assim a população de pulgões.
bifentrina) nos demais tratamentos (20, 40, 60 e 80%)
A produtividade de grãos foi influenciada
foi eficiente para reduzir significativamente o valor
pelo nível de infestação em que foi realizado o
das notas de infestação no decorrer das datas de
controle do pulgão da cana-de-açúcar na cultura do
aplicação, sempre para valores inferiores a nota 1,00,
sorgo, variando de 35,9 kg ha-1 no nível de 100% de
correspondente a 20% de infestação.
infestação (sem aplicação da mistura inseticida) a
No decorrer das datas de avaliação/aplicação
93,5 kg ha-1 com aplicação de inseticida no nível de
notou-se também um aumento gradual nas notas
20% de infestação no híbrido de sorgo 1G100. Os
de infestação nos tratamentos nos quais não havia
dados se ajustaram à regressão não linear, utilizando
aplicação da mistura inseticida, saindo de 0% para
o modelo logístico (Figura 1).
nota 5, 100% de infestação, no decorrer de cindo semanas (Tabela 2). Durante a última avaliação (14DA 80%), no tratamento onde não houve aplicação da mistura inseticida, 100% (Nota 5), as plantas de sorgo se apresentavam totalmente tomadas por pulgões, havia presença de muitas exúvias e sintomas amarelecimento, avermelhamento em toda planta, e início de seca e morte das folhas, fato que pode explicar a redução da nota de infestação aos 7DA
38
Entomologia
Figura 1. Produtividade do híbrido de sorgo 1G100 em função de níveis de infestação para controle do pulgão da cana-de-açúcar (Melanaphis sacchari). Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo – ITC, Rio VerdeGO, safra 2020/2021. Como observado na Figura 1 o pulgão da cana-
sorgo na segunda safra, de forma que as infestações do
de-açúcar é bastante agressivo na cultura do sorgo,
pulgão da cana-de-açúcar quando a cultura do sorgo
reduzindo 61,6% da produtividade. No entanto essa
se encontra mais sensível, no emborrachamento, com
agressividade foi menor do que nas safras anteriores,
início da emissão das panículas e na mudança da fase
como podemos observar na produtividade de grãos
vegetativa para reprodutiva da planta, se deram em um
na testemunha sem aplicação de inseticidas com 35,9
período um pouco mais frio que o normal, interferindo
kg ha em comparação à safra anterior produzindo
negativamente na multiplicação do pulgão.
-1
10,5 kg ha na testemunha com o mesmo híbrido de
Como o potencial de dano está relacionado com
sorgo em trabalho conduzido também no ITC (LIMA et
o potencial reprodutivo do inseto, o monitoramento deve
al., 2020), além do que a literatura ressalta perdas no
ser constante, pois, se a população do pulgão atingir
rendimento de até 100%, dependendo do genótipo em
determinados níveis de infestação os danos já estarão
condições de alta infestação (FERNANDES et al., 2021).
ocorrendo (Figura 1). Assim, um dos pontos principais
Isso pode ser explicado pelo atraso na semeadura
no manejo para se utilizar a intervenção com inseticidas
da soja em função do atraso na regularidade de
é o chamado “timing” de aplicação (hora certa de fazer
chuvas para estabelecimento da primeira safra que,
a aplicação), quando a infestação ainda está no início.
consequentemente, também atrasou a semeadura do
De acordo com as produtividades observadas no
-1
Entomologia
39
presente trabalho a realização do controle do pulgão
Pelas estimativas do modelo de regressão, as
no nível de infestação de 20% de infestação (Nota 1),
maiores produtividades, do híbrido de sorgo 1G100,
com a planta de sorgo apresentando poucos pulgões,
estão entre 91,3 a 90,0 kg ha-1 com infestação do
colônias pequenas, menos de 50 pulgões folha-1, a
pulgão da cana-de-açúcar variando de zero a 19%,
produtividade é maior. Já pelas estimativas do modelo
respectivamente.
de regressão ajustado, as maiores produtividades estão entre 91,3 a 90,0 kg ha-1 com infestação variando de zero a 19%, respectivamente.
AGRADECIMENTOS
O pulgão da cana-de-açúcar, M. sacchari, trata-
À equipe de campo, pesquisadores e estagiários
se de um problema que onera consideravelmente os
do ITC pelo apoio na implantação e condução do
custos de produção na cultura do sorgo, exigindo que
experimento.
o produtor se torne ainda mais técnico. Ações como realizar semeadura na janela ideal, fazer investimento em adubação para altas produtividades, realizar aplicação de fungicidas para manchas foliares e aplicação de inseticidas no momento adequado serão fundamentais para alcance produtividades satisfatórias, que cubram as despesas de produção e gerem
ALMEIDA, D. P.; FURTINI NETO, A. E.; BRAND, S. C. Épocas de semeadura de híbridos de sorgo em segunda safra 2017/2108: produtividade de grãos. In: FURTINI
margem aceitável para que o produtor se mantenha
NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; BILEGO, U. O.;
na atividade. Atualmente existem poucos registros de
FERNANDES, R. H.; GOMES, F. H. F. (Eds.). Anuário de
produtos para a cultura do sorgo e, especificamente
Pesquisas Agricultura – Resultados 2019. Rio Verde:
para o pulgão M. sacchari não existem inseticidas
Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2019. p.
registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária
134-139.
e Abastecimento (MAPA). Assim, é indispensável a presença do Engenheiro Agrônomo responsável pela lavoura durante o monitoramento e definição das melhores estratégias de manejo desta praga.
CONCLUSÃO
BOWLING, R. D.; BREWER, M. J.; KERNS, D. L.; GORDY, J.; SEITER, N.; ELLIOTT, N. E.; BUNTIN, G. D.; WAY, M. O.; ROYER, T. A.; BILES, S.; MAXSON, E. Sugarcane Aphid (Hemiptera: Aphididae): A New Pest on Sorghum in North America. Journal of Integrated Pest Management, v. 7, n. 1, p. 1–13, 2016.
Sem a aplicação de inseticidas houve aumento
CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento.
gradual na infestação do pulgão da cana-de-açúcar, M.
Boletim da safra de grãos, 12º Levantamento - Safra
sacchari, no híbrido de sorgo 1G100 de 0% para 100%
2020/21. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/
no decorrer de cinco semanas. Nas condições ambientais da safra 2020/2021, a maior produtividade (93,5 kg ha-1), do híbrido de sorgo 1G100, foi observada com controle do pulgão da canade-açúcar realizado com 20% de infestação (Nota 1).
40
REFERÊNCIAS
Entomologia
info-agro/safras/graos/boletim-da-safra-de-graos>. Acesso em: 13 set. 2021. FERNANDES, F. O.; SOUZA, C. da S. F.; AVELLAR, G. S. de; NASCIMENTO, P. T.; DAMASCENO, N. C. R.;
SANTOS, N. M. dos; LIMA, P. F.; SANTOS, V. M. C. dos; SIMEONE, M. L. F.; PARRELLA, R. A. da C.; MENEZES, C. B. de; OLIVEIRA, I. R. de; MENDES, S. M. Manejo do pulgão da cana-de-açúcar (Melanaphis sacchari/ sorghi) na cultura do sorgo. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2021. 24 p. (Comunicado Técnico, 249). LIMA, D. T.; FERNANDES, R. H.; ALMEIDA, D. P.; FREITAS, B. V.; ROSA, V. C. S. Inseticidas no controle do pulgão da cana-de-açúcar na cultura do sorgo consorciado com Urochloa ruziziensis. In: FURTINI NETO, A. E.; LIMA, D. T.; ALMEIDA, D. P.; NASCIMENTO, H. L. B.; FERNANDES, R. H.; BILEGO, U. O. (Eds.). Anuário de Pesquisas Agricultura – Resultados 2020. Rio Verde: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, 2020. p. 8492. MENDES, S. M.; VIANA, P. A.; OLIVEIRA, I. R.; MENEZES, C. B.; WAQUIL, J. M.; TOMPSON, W. Pulgão-da-canade-açúcar no sorgo: um velho conhecido, mas um novo problema. Grão em Grão, ano 13, n. 112, 2019. SINGH, B. U.; PADMAJA, P. G.; SEETHARAMA, N. Biology and management of the sugarcane aphid, Melanaphis sacchari
(Zehntner)
(Homoptera:
Aphididae),
in
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Entomologia
41
Fitopatologia
42
Entomologia
Entomologia
43
CONTROLE DE DOENÇAS FOLIARES DO SORGO COM DIFERENTES FUNGICIDAS
FERNANDES, Rafael Henrique1; LIMA, Diego Tolentino de2; ALMEIDA, Dieimisson Paulo3; FURTINI NETO, Antônio Eduardo4
e bons rendimentos de massa seca por unidade de
Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Ciência do Solo, Pesquisador do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: antoniofurtini@comigo. com.br
elevada qualidade e menor custo (NEUMANN et al.,
1
área. Assim, o sorgo tem se mostrado cada vez mais como uma alternativa viável para compor rações com 2002). O cultivo do sorgo no Cerrado tem assumido grande relevância para a produção de grãos, sobretudo, frente as instabilidades climáticas que enfrentadas nas últimas safras (EMBRAPA, 1988). Esta cultura apresenta necessidades hídricas que garantem certa tolerância à seca quando compara a outras culturas que podem ser cultivadas na segunda safra, como, por exemplo o milho e o girassol. Assim, é considerada uma cultura de segurança para plantios em períodos de final de chuva ou épocas com chuvas mal distribuídas (MENEZES et al., 2018). O sorgo granífero, isto é, destinado ao cultivo para produção de grãos, representa maior relevância em termos de desenvolvimento de tecnologias, áreas de cultivo e,
INTRODUÇÃO
44
obviamente, maior movimentação financeira (RIBAS, 2008). Os genótipos atualmente cultivados apresentam
O sorgo (Sorghum bicolor L. Moench) é uma
ampla adaptação às condições edafoclimáticas do
gramínea tropical de origem africana (PURCINO,
Cerrado, permitindo boa adaptabilidade em regiões onde
2011). É considerado o quinto cereal mais importante
estresses hídricos (déficit hídricos) são recorrentes em
no mundo, ficando atrás apenas do trigo, arroz,
períodos de cultivo (MARIGUELE E SILVA, 2002). Estas
milho e cevada (GUERREIRO, 2006). Os grãos
são as principais características que credenciam a
produzidos, apresentam elevados níveis nutricionais,
cultura do sorgo a ter um grande potencial de expansão
com boa concentração de carboidratos solúveis
em áreas com distribuição pluvial irregular e ser cultivado
Fitopatologia
em sucessão a culturas de verão (COELHO et al., 2002).
no Sudoeste Goiano, se destacam: a antracnose
Algumas dificuldades no cultivo do sorgo estão
(Colletotrichum graminicola – sin. Colletotrichum
na comercialização e no destino da colheita. A cadeia
sublineolum P. Henn., Kabat e Bulbak), helmintosporiose
produtiva, por hora, ainda carece de estruturação, e
(Exserohilum turcicum), míldio (Peronosclerospora
geralmente, o valor de venda do sorgo é atrelado ao
sorghi), ergot/doença açucarada do sorgo (Claviceps
do milho, normalmente precificado em até 80% do
africana), ferrugem (Puccinia purpurea), cercosporiose
preço deste cereal (VIANA, 2019). Além disso, há o
(Cercospora sorghi) e a podridão seca (Macrophomina
processamento na indústria: a produção do sorgo
phaseolina) (SILVA et al., 2012).
normalmente é realizada quando o produtor já possui
Atualmente, os fungicidas registrados para uso
um destino acertado da colheita, seja para alguma
na cultura do sorgo contém o Tebuconazol (triazol) em
indústria, seja para consumo em estabelecimento
sua composição, podendo estar também em mistura
próprio (VIANA, 2019).
com moléculas de outros grupos químicos, boa parte
Em comparação ao cultivo do milho, com a
deles visando o controle da doença açucarada do
qual existe certa preferência ou “competição” de
sorgo. Contudo, existem grupos químicos e moléculas
áreas destinadas ao cultivo, a cultura do sorgo carece
de fungicidas, desenvolvidas nos últimos qanos, que
também de tecnologias e produtos registrados para o
devem ser avaliadas quanto ao seu uso e eficiência no
manejo fitossanitário da cultura. Como, por exemplo,
sorgo, pois poderão auxiliar no manejo destas doenças.
para o manejo de plantas daninhas e pragas, em que
Na região Centro Oeste a incidência e severidade de
o milho apresenta facilidades por possuir transgenia
doenças como a antracnose, helmintosporiose, míldio
definida que confere resistência à insetos pragas, que
e cercosporiose têm aumentado substancialmente.
é conhecida tecnologia Bt., tolerância ao glifosato
Esta realidade vivenciada pelos produtores de sorgo,
(tecnologia RR) e tolerância ao glufosinato de amônio
compromete ainda mais o manejo adequado de
(tecnologia Liberty Link) (MORAIS E BORÉM, 2015).
doenças, bem como a execução de um programa de
Em relação às doenças, existe grande limitação de
aplicação de fungicidas com diferentes ingredientes
moléculas e produtos comerciais visando seu controle,
ativos, rotação de mecanismos de ação e elevada
que conhecidamente, estão associados às lavouras de
eficiência de controle.
sorgo e limitam consideravelmente sua produtividade.
O cultivo do sorgo ainda carece de incentivos
Ao passo que, para o milho, existem dezenas de
consistentes dos setores público e privado para a
produtos já registrados, estratégias bem definidas de
ampliar a competitividade e seus horizontes de mercado,
aplicações e também incentivos financeiros para o
ainda assim é possível notar um avanço significativo
desenvolvimento de novas moléculas (AGROFIT, 2021).
na cadeia produtiva do grão nos últimos anos. Boa
Soma-se a isto, o grande número de linhagens e híbridos
parte pelo desenvolvimento de materiais melhor
que são lançados anualmente e que apresentam
adaptados às regiões de cultivo, com maior resistência
tolerâncias e/ou resistência à patógenos, enquanto
à pragas e doenças, e pela habilidade dos produtores
que, para o sorgo este número é consideravelmente
e profissionais da área. Em se tratando de doenças o
menor.
manejo tem sido baseado no histórico da área, época
Dentre as doenças que comumente atacam
de plantio e ocorrência das principais doenças, escolha
e comprometem a produtividade da cultura do sorgo
adequada de genótipos e tratos culturais durante o
Fitopatologia
45
ciclo (SILVA et al., 2014). Contudo, o grande déficit de
do sorgo. Posteriormente, cerca de 25 dias após o
produtos registrados para a cultura tem dificultado a
plantio, foram aplicados em pós-emergência das
elevação dos patamares de produtividade.
plantas daninhas o herbicida atrazina (Proof, 500 g i.
Desta
forma,
o
objetivo
foi
avaliar
o
a. L-1, SC, Syngenta), na dose de 0,75 kg i. a. ha-1, com
desempenho de fungicidas no controle de doenças
adição 0,30 L ha-1 de adjuvante óleo mineral (Iharol
foliares e sobre a produtividade da cultura do sorgo.
Gold, 760 g L-1, EC, Ihara). Para o controle de pragas foram realizadas avaliações semanais e aplicações
MATERIAL E MÉTODOS O
experimento
foi
conduzido
de inseticidas recomendados quando atingido o nível de controle. As principais pragas que acometeram na
área
experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia
pulgões.
COMIGO (ITC), localizado em Rio Verde-GO (S
O delineamento experimental utilizado foi
17°45’46’’ e W 51°02’03’’, 835 m de altitude), com
o de Blocos Casualizados, com 10 tratamentos e
áreas
quatro repetições/blocos, totalizando 40 parcelas. As
predominantes
de
Latossolo
Vermelho
distrófico (SANTOS et al., 2018).
parcelas foram compostas por 10 linhas, espaçadas
O material utilizado foi o híbrido de sorgo 1G100
a 0,50 m e com 10 metros de comprimento,
da Brevant Sementes. Este híbrido de sorgo granífero
equivalente a uma área de 50 m2 (10,0 x 5,0 m), sendo
apresenta porte baixo, com altura média de 1,15 m,
considerada como parcela útil seis metros das quatro
bom vigor vegetativo e é tolerante ao acamamento.
linhas centrais.
É um híbrido considerado superprecoce, possui
Os tratamentos foram compostos por duas
panícula semiaberta com grãos de cor castanho-
aplicações (sequenciais) de diferentes fungicidas,
escuro e sem tanino (Brevant Sementes). A semeadura
contendo misturas duplas e uma mistura tripla
foi realizada no dia 17/03/2021, com densidade de
de moléculas fungicidas, além de um tratamento
semeadura de 11,7 plantas por metro de linha, e a
testemunha (Tabela 1). A primeira aplicação foi
população final foi estimada em 187.000 plantas ha-
realizada cerca de 35 dias após a emergência, com
, em avaliação realizada com as plantas em estádio
a cultura em estádio vegetativo em torno de V10, e a
fenológico V6. As sementes foram tratadas com 150
segunda aplicação realizada 16 dias após, culminando
g de Imidacloprido e 450 g de Tiodicarbe para cada
com a fase de pré-emborrachamento da cultura.
100 kg de ementes (CropStar, Bayer – 1,0 L/100 kg de
Durante as aplicações as condições meteorológicas
sementes). Na adubação de plantio foram aplicados
de temperatura (°C), umidade relativa do ar (%) e
300 kg ha-1 do formulado 08:20:18 (N:P:K). Além disso,
velocidade do vento (km h-1) foram mensuradas com
foram realizadas duas adubações de cobertura, a
o equipamento termo-hidro-anemômetro (Tabela 2).
1
primeira com 200 kg ha-1 do formulado 20:00:20 e, posteriormente 100 kg ha-1 Ureia. O controle de plantas daninhas foi realizado com a aplicação do herbicida glyphosate (Xeque Mate, 500 g e. a. L-1, SL, Ihara), na dose de 1,5 kg e. a. ha-1 logo após a semeadura (plante-aplique)
46
a área experimental foram lagarta-do-cartucho e
Fitopatologia
Tabela 1. Relação dos tratamentos com as diferentes moléculas fungicidas (Ingredientes Ativos), fungicidas comerciais e doses utilizadas nas aplicações no sorgo 1G100. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo, Rio Verde-GO, segunda safra do ano agrícola 2019/2020. Trat.
Ingrediente Ativo (I. A.)
1
Testemunha
Dose
Produto Comercial (p.c.)
L ou kg ha-1
g I. A. ha-1
-
-
-
2
Piraclostrobina + Epoxiconazol
1
Abacus
0,3
78; 48
3
Piraclostrobina + Epoxiconazol1
Opera
0,6
80; 30
4
1
Orkestra
0,3
50; 100
Fox Xpro
0,5
62,5; 75; 87,5
Nativo
0,6
60; 120
Fluxapiroxade + Piraclostrobina
5
Bixafem + Trifloxistrobina + Protioconazol
6
Trifloxistrobina + Tebuconazol2
2
2
7
Azoxistrobina + Ciproconazol + Mancozebe
Triziman
1,5
67,5; 45; 1.012,5
8
Azoxistrobina + Ciproconazol
3
Priori Xtra
0,3
60; 24
9
Tiofanato-Metílico + Fluzinam
Approve
1,0
375; 375
10
Carbendazim + Tebuconazol
Rivax
1,5
375; 187,5
1
-1
3
2
Adicionado Mees (0,5 L ha ); Adicionado Aureo 0,25% v/v; Adicionado Ochima (0,25 L ha-1).
As aplicações foram realizadas com pulverizador
post-mix com capacidade de 10 L. As pontas utilizadas
pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3)
para pulverização foram modelo ADIA 110 015/D,
montando em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv).
da marca Magnojet. A calibragem do equipamento
O pulverizador é dotado com barra de cinco metros,
ajustada para pressão de trabalho na ponta de 2,8 bar
com 10 bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A
(40,6 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.
calda preparada era acondicionada em tanques tipo
Tabela 2. Dados meteorológicos nas aplicações de fungicidas no sorgo, híbrido 1G100. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo (ITC), Rio Verde-GO, safra 2020/2021.
As avaliações de incidência e severidade
de uma última avaliação próxima à colheita. Nas
das doenças foram realizadas na véspera de cada
avaliações foram identificadas as principais doenças
aplicação, 20 dias após a última aplicação, além
que acometeram as plantas e realizada uma estimativa
Fitopatologia
47
de severidade média dos tecidos foliares afetados por
Aliado a isto, o manejo fitossanitário de pragas
estas doenças, expressa em % de tecido foliar, variando
e plantas daninhas auxiliaram para proporcionar
de 0 a 100%. A partir das avaliações foi possível calcular
desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da lavoura.
a Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença
Outro fato importante foi a semeadura realizada no
(AACPD) (CAMPBELL e MADDEN, 1990), que auxilia na
momento em que o balanço hídrico do solo era positivo,
quantificação da doença no campo e é utilizada para os
ou seja, com elevada umidade. Posteriormente,
cálculos de eficiência de controle (%) dos tratamentos.
as chuvas que ocorreram na área, ocorreram em
A colheita foi realizada no dia 27/07/2021, completando
momentos fundamentais para o desenvolvimento da
o ciclo com 118 dias de cultivo.
cultura, contemplando o início da fase reprodutiva
A produtividade foi estimada pela colheita de
e também de enchimento dos grãos. Mesmo diante
três metros de quatro linhas da parcela útil. As amostras
das adversidades da safra, foi possível obter um bom
colhidas foram identificadas e posteriormente trilhadas,
desenvolvimento da lavoura (Figura 1).
pesadas e mensuradas quanto à umidade. Os dados foram ajustados para umidade padrão de 13% e os resultados expressos em sacas de 60 kg por hectare (sc ha-1). Os dados de severidade, AACP-Manchas foliares e produtividade foram submetidos à análise de variância e aplicado o teste de Scott-Knott (P<0,05) para separação das médias, através software SISVAR (FERREIRA, 2014).
RESULTADOS E DISCUSSÃO A distribuição pluviométrica bastante irregular e insuficiente na maioria das áreas produtoras, resultou em um cenário de reduções na produção e produtividade de sorgo em praticamente todas as regiões Centro-Oeste do Brasil. Além disso, os atrasos observados na semeadura da soja, no ano anterior, culminaram em atrasos consideráveis também para as culturas de segunda safra, como, por exemplo, o milho e o sorgo. Assim, grande parte das lavouras acabou sendo comprometida por estes fatores. A área experimental na qual o experimento foi conduzido trata-se de uma área com alta fertilidade, na qual foram realizadas adubações visando altas produtividades,
48
Fitopatologia
conforme
descrito
anteriormente.
Figura 1. Vista parcial da área experimental de fungicidas no controle de doenças foliares de sorgo. Foto retirada um dia após a incidência de geada na área (02/07/2021). Arquivo pessoal. Em relação a incidência e severidade de
causou danos consideráveis nos tecidos foliares,
doenças, os resultados evidenciaram que todos os
com morte de extensos tecidos e seca intensa das
fungicidas avaliados foram eficientes, reduzindo
folhas. Após este evento climático, seguiu-se por um
significativamente a severidade e a AACPD-Manchas
longo período de estiagem. Desta forma, o processo
foliares,
testemunha.
epidemiológico das doenças predominantes na área
Possivelmente, as condições ambientais adversas
experimental (antracnose foliar e helmintosporiose)
impediram
foi drasticamente afetado, culminando em baixos
em
comparação um
avanço
com maior
a
de
doenças,
principalmente no tratamento testemunha, na qual
valores de severidade e AACPD (Tabela 3).
a severidade final ficou abaixo dos 10% (Tabela 3). Em condições de cultivo com a ausência de controle químico de doenças, aliado a genótipos com alta suscetibilidade às doenças foliares, os níveis de severidade podem ser próximos a 30% de tecido foliar afetado (Fernandes et al., 2020). Da mesma maneira, a AACPD-Manchas foliares no sorgo, atingiu valores considerados modestos, com início expressivo nos meses de maio e junho, e estabilização após o mês de julho. A ocorrência de uma geada de forma agressiva na área experimental no dia 01 de julho de 2021,
Fitopatologia
49
Tabela 3. Valores médios de Severidade Final, AACPD-Manchas foliares e Eficiência de controle em função dos diferentes tratamentos fungicidas aplicados no sorgo, híbrido 1G100. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo-ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.
A
eficiência
negativamente
pelas
de
controle questões
foi
afetada
e
Carbendazim+Tebuconazol
anteriormente
(Tabela 3). Ao analisar as variáveis mensuradas e
citadas, que influenciaram diretamente o pleno
estimadas de forma conjunta, observa-se que mesmo
desenvolvimento da cultura e a também a obtenção
nos tratamentos com valores de eficiência de controle
de níveis mais elevados de doença no tratamento
abaixo de 50% houve uma redução significativa na
testemunha. Assim, todos os fungicidas avaliados
quantidade de doenças foliares (representada pelos
apresentaram eficiência de controle superior a
valores de Severidade Final e AACPD-Manchas
40%, com os maiores valores atingindo 56,5% para
foliares).
os tratamentos com aplicações de: Tiofanato-
50
Metílico+Fluazinam
Fitopatologia
Figura 1. Produtividade média de sorgo (sc ha-1), híbrido 1G100 após aplicações de diferentes ingredientes ativos fungicidas (C.V. = 7,37). Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo-ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021. A
aplicação
dos
fungicidas
proporcionou
aumentos significativos de produtividade do sorgo em comparação ao observado na testemunha (116,8 sc ha-1), atingindo valores superiores a 130 sc ha-1. Estes resultados demonstram e reforçam ainda mais o potencial da utilização dos fungicidas no controle químico de doenças no sorgo. Pois, mesmo nesta safra em que houveram grandes desafios, seja por deficiência hídrica e/ou geadas (Figura 1), e baixos níveis de severidade de doenças, ainda assim os fungicidas avaliados foram eficientes na redução de doenças e no aumento da produtividade da cultura.
CONCLUSÃO Todos os fungicidas avaliados foram eficientes na redução da severidade de doenças e proporcionaram ganhos significativos de produtividade. A adoção de fungicidas no manejo de doenças foliares do sorgo é uma importante ferramenta para a obtenção de altas produtividades. Contudo, o número restrito de fungicidas registrados para a cultura dificulta a adoção e intensificação desta técnica por parte de técnicos e produtores.
Fitopatologia
51
2021.
AGRADECIMENTOS
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À equipe de campo, estagiários e demais pesquisadores do ITC pelo apoio na execução do experimento.
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Fitopatologia
53
DINÂMICA POPULACIONAL DE FITONEMATOIDES NO CULTIVO DA SEGUNDA SAFRA
SANTOS, Leonardo de Castro¹; TEIXEIRA, Renato Andrade²; GERALDINE, Alaerson Maia³, SILVA, Yasmin Santos4
um papel importante nos complexos de doenças que
¹Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia (PPGAUFG), Professor/Pesquisador do Instituto Federal Goiano, Polo de Inovação – Rio Verde-GO. E-mail: leonardo.castro@ifgoiano.edu.br ²Engenheiro agrônomo, Doutor em Agronomia (PPGAUFG), Professor/Pesquisador do Instituto Federal do Mato Grosso, Campus Sorriso – Sorriso-MT. E-mail: renato.teixeira@ifmt.edu.br ³Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitopatologia (PPGFIT-UnB), Professor/Pesquisador do Instituto Federal Goiano, Polo de Inovação – Rio Verde-GO. E-mail: alaerson.geraldine@ifgoiano.edu.br 4 Engenheira agrônoma, Mestre em Bioenergia e Grãos (PPGBG-IF Goiano), RTC-KWS Sementes – Rio VerdeGO. E-mail: agroyasmin@hotmail.com
aos nematoides, muitas vezes, passa despercebido por
envolvem outros patógenos, habitantes ou invasores, do solo. A expressão de danos nos cultivos agrícolas devido falta de sintomas diagnósticos e amostragem para fins de diagnose. De acordo com Sasser & Freckman (1987), os nematoides parasitas de plantas causam em média 12,3% de perdas anuais na agricultura em nível global, estimadas em 173 bilhões de dólares. Agrios (2005), Abad et al. (2008), Nicol et al. (2011), Elling (2013) e FAO (2019) atribuem aos fitonematoides, perdas em torno de 80 a 157 bilhões de dólares à agricultura. Essa redução, comparando à estimativa anterior, pode ser resultante da disponibilização e inovação das ferramentas e técnicas de manejo integrado dos nematoides parasitas das importantes culturas agrícolas.
DANOS E OCORRÊNCIA DE FITONEMATOIDES Os fitonematoides são os principais fatores bióticos relevantes na produção agrícola brasileira e mundial, limitando a produtividade e a produção dos cultivos e, em último caso, pode limitar a área de cultivo de espécies importantes, como tem ocorrido em áreas produtoras de soja nos estados de Mato Grosso e Tocantins. Além das perdas diretas na produtividade das culturas, os nematoides também desempenham
54
Fitopatologia
Tendo em vista a importância do papel do Brasil como produtor de alimentos para o mundo e a intensificação do uso do solo e recursos naturais que é demandada para atingir altos níveis produtivos, criase condições adequadas ao estabelecimento dos fitonematoides. Levantamentos realizados pela Embrapa, Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN) e Aprosoja apontam danos de R$ 35 bilhões por ano ao agronegócio brasileiro, provocados por nematoides (MACHADO, 2015). No Brasil o nematoide de cisto da soja (Heterodera
glycines),
o
nematoide
das
lesões
radiculares
Verde, que atua na região do Sudoeste Goiano, com
(Pratylenchus brachyurus e Pratylenchus spp.), os
mais de 4500 amostras já avaliadas, menos de 5% das
nematoides causadores de galhas (Meloidogyne
amostras recebidas e processadas possuem indivíduos
incognita e M. javanica) e o nematoide reniforme
de Meloidogyne sp. Este dado demonstra que este
(Rotylenchulus reniformis) tem sido os principais
nematoide não é um grande problema para a região.
nematoides responsáveis pelos maiores danos à
Já se tratando de outros fitonematoides com potencial
agricultura (BRAND et al., 2018). Exceto H. glycines, os
para causar danos econômicos as três espécies que
demais nematoides citados também podem atacar e
se destacaram foram H. glycines, P. brachyurus e
causar danos às espécies cultivadas na segunda safra,
Helicotylenchus ssp.
na agricultura brasileira, como o milho, sorgo, milheto, crotalárias e algodão.
Helicotylenchus spp. tem se tornando um gênero preocupante em função do aumento da ocorrência em
Uma das características que permitiram aos
amostras nematológicas de solo, onde além de estar
fitonematoides se sobressaíssem em áreas cultivadas foi
associada aos danos observados nas raízes, muitas
sua capacidade em sobreviver em condições adversas,
vezes, podem colaborar para a intensificação de
através do uso de variadas estratégias de sobrevivência.
danos provocados por fungos de solo causadores de
Nematoides do gênero Meloidogyne formam sítios de
podridões radiculares (BRAND et al., 2018; MACHADO
alimentação causando hiperplasia e hipertrofia nestas
et al., 2019). Ainda segundo esses relatos, além da soja
células nutridoras (ALMEIDA et al., 2017). As fêmeas
como excelente hospedeira, Helicotylenchus pode se
de H. glycines, ao completarem o seu ciclo de vida ou
hospedar, multiplicar e causar danos no algodão, feijão,
serem afetadas por ferramentas de manejo (bióticas ou
crotalárias, gramíneas (milho, sorgo, milheto, etc.) e
abióticas), morrem, porém, mantendo os ovos, em seu
em diversas plantas daninhas. Para Brand et al. (2018)
interior, de forma viável, em uma estrutura rígida e leve,
uma característica preocupante desse nematoide
que são os cistos. Em contrapartida alguns gêneros
é a capacidade de sobrevivência e manutenção
se caracterizam por apresentar menores graus de
da população mesmo nos meses secos. Contudo,
especificidade, sendo evolutivamente mais recentes
estratégias de manejo durante os meses mais secos
que os anteriormente citados, como os gêneros
podem ser empregadas na tentativa de reduzir os níveis
Pratylenchus e Helicotylenchus.
populacionais.
Os nematoides
pertencentes a estes gêneros são classificados como
Em
termos
gerais,
a
importância
dos
endoparasitas migratórios, depositarem seus ovos
fitonematoides na produção agrícola é bastante
tanto nas raízes, quanto no solo (DEBIASI et al., 2016;
variável e depende da espécie ou cultivar plantada, das
MACHADO et al., 2019).
condições edafoclimáticas das regiões de cultivo, das
Plantas
atacadas
por
Meloidogyne
sp.
práticas culturais adotadas, do nível populacional e da
apresentam mudanças morfológicas e fisiológicas
espécie de nematoide presente. Ainda, a importância
nas raízes, com presença de galhas, essas plantas
dessas espécies no país deve-se a aspectos relevantes,
apresentam crescimento retardado, clorose e baixa
como a presença endêmica, em diversas regiões
produtividade (RECHENMACHER et al., 2020). Conforme
produtoras (de M. javanica e M. incognita), a elevada
banco de dados do Laboratório de Fitopatologia e
variabilidade genética (H. glycines) e aos riscos
Nematologia do Instituto Federal Goiano – Campus Rio
potenciais de danos decorrentes do incremento de
Fitopatologia
55
áreas cultivadas com espécies suscetíveis – casos de
ação para estabelecimento das ferramentas de manejo
P. brachyurus e R. reniformis. Acrescenta-se, como no
de nematoides que venham ocorrer nos cultivos de
caso de P. brachyurus e Helicotylenchus spp., onde
segunda safra.
não se tem materiais com resistência genética para a
Uma das estratégias para reduzir a densidade
espécies cultivadas na segunda safra, na agricultura
populacional de nematoides é a rotação de culturas. É
brasileira e, à alta frequência na ocorrência em
uma prática eficiente e economicamente viável, onde se
amostras de solo originárias de lavouras de soja e
utilizam plantas não hospedeiras, a fim de evitar altos
milho, respectivamente.
índices de infestação (LORDELLO, 1981; QUEIRÓZ et al.,
Em relação ao manejo para a avaliação da
2014). A rotação com pastagem oferece a vantagem de
dinâmica populacional, o controle de nematoides,
ter as plantas no campo durante todo o ano, diminuindo
com o uso de diferentes métodos, é importante para
a densidade populacional de fitonematoides (VALLE
o sucesso na redução dos danos causados por estes
et al., 1996). De acordo com Queiroz et al. (2014), as
parasitas (ARAUJO et al., 2012). Segundo Ferraz (2018),
espécies de Brachiaria têm papel importante pela sua
os métodos mais comumente utilizados, são: controle
produtividade, capacidade de adaptação ao pastejo e
varietal (plantio de variedades/cultivares resistentes ou
às condições ambientais, manejo em áreas cultivadas
tolerantes); controle cultural (rotação, ou sucessão, de
e, para algumas espécies, a supressão de nematoides.
culturas); e controle mediante aplicações de produtos
O efeito de rotação e sucessão de culturas, utilizando
– biológicos ou químicos – com ação nematicida.
espécies não hospedeiras, sobre a população de
Entretanto, a medida de controle mais eficiente é a
nematoides, reside, principalmente, na ausência de
rotação de culturas (GRIGOLLI & ASMUS, 2014).
plantas que lhes forneçam alimento, resultando na redução da densidade populacional (NOE, 1998).
DINÂMICA POPULACIONAL DE FITONEMATOIDES
56
Os nematoides possuem várias estratégias reprodutivas e de sobrevivência na ausência do hospedeiro principal. Alguns têm ciclos de vida
O nematoide, a planta e o ambiente são as três
longos com baixas taxas de aumento populacional,
variáveis que interagem influenciando na extensão
outros têm ciclos de vida curtos e taxas reprodutivas
das perdas de produção e produtividade, das culturas,
potencialmente mais altas (JONES & PERRY, 1978). Um
em solos infestados. Para o cultivo da segunda safra,
hábito endoparasitário com indução de células gigantes
o manejo realizado, visando a redução da população
ou outras fontes de alimento ricas e continuamente
de nematoides no cultivo anterior, em grande parte,
disponíveis, reduz a exposição à predação e outros
em nossa região, na cultura da soja, será uma
estresses e aumenta ainda mais o potencial reprodutivo.
importante ferramenta para se observar a dinâmica
Uma redução no número de estágios juvenis ativos
populacional de nematoides parasitas das culturas
diminui ainda mais o tempo de desenvolvimento,
de segunda safra, tais como o milho, sorgo, feijão,
reduzindo assim o tempo de geração e aumentando
crotalárias, outras gramíneas (no caso de pastagens
o potencial para várias gerações em uma safra. Uma
ou sistemas integrados de produção) e algodão. A
ampla gama de hospedeiros completa a adaptação
correta amostragem, para fins de diagnose, quando da
de patógenos, como para Meloidogyne. Este é um
implantação da primeira cultura na área, será a principal
exemplo de gênero que se sai melhor em ambientes
Fitopatologia
estáveis onde as populações estão geralmente perto
antagônicas e/ou com graus baixo de suscetibilidade
da densidade de equilíbrio (a densidade populacional
e a multiplicação de alguns gêneros (GARDIANO et
que pode ser mantida, sem competição) (SEINHORST,
al. 2014). Os menores problemas quanto a perdas
1966; 1967).
de produtividade acontecem porque as plantas de
Em contrapartida, a população de Pratylenchus
diferentes espécies não servem de alimentos para os
aumenta rapidamente onde o ambiente é favorável,
fitonematoides, além de haver incremento de matéria
muitas vezes ultrapassando a densidade de equilíbrio.
orgânica no solo, ocorre o aumento da população de
Danos severos ao hospedeiro ou estratégias de manejo
microrganismos antagônicos que, desta maneira,
são estabelecidas e, consequentemente, a população
diminui a população dos fitonematoides. Calgaro Junior
cai. Isso pode ocorrer com o cultivo sucessivo de
et al. (2021) avaliando a dinâmica populacional de
hospedeiros favoráveis ao Pratylenchus (como para P.
nematoides em milho, relataram o aumento populacional
brachyurus, no sistema soja-milho). Ocorre o aumento
de Pratylenchus e Criconemella relacionado com
no número do nematoide e o aumento dos danos ao
as épocas do ano (plantio) e com fatores ambientais
hospedeiro e a competição por locais de alimentação
como a umidade do solo e temperatura. Ainda,
reduzem
multiplicação
observaram que o aumento dos fitonematoides esteve
(SEINHORST, 1966; 1967). Em consequência, as taxas
ligado diretamente com o aumento da temperatura,
de multiplicação dos nematoides são fortemente
a disponibilidade de alimentos e a época do ano.
dependentes da densidade populacional. Normalmente,
Os meses de setembro e outubro tiveram aumento
se expressa como o número de nematoides por
significativo na população do nematoide. Esses meses
grama ou ml de solo, mas as variáveis que afetam
corresponderam ao aumento da temperatura ambiente
diretamente o nematoide são as relacionadas com as
que teve relação significativa com a população dos
raízes. Portanto, uma cultivar com o dobro da massa
nematoides.
progressivamente
a
de raiz, suportará uma taxa de multiplicação mais
Algumas gramíneas foram usadas para testar
alta. Da mesma forma, materiais tolerantes e/ou com
potencial de controle de fitonematoides como H.
menor fator de reprodução, que mantêm um maior
glycines, M. incognita e M. javanica. Algumas destas
volume de raiz, terão uma densidade de equilíbrio
espécies
maior e manterão uma taxa de multiplicação maior em
satisfatórios
altas densidades populacionais antes da implantação
decumbens e Andropogon gayanus (DIAS-ARIEIRA et
do cultivo de segunda safra. Isso reforça a atenção,
al. 2003). Rotação com crotalárias (Crotalaria spectabilis
para tomada de decisão no estabelecimento de um
ou C. juncea), milho e sorgo, são importantes por
programa de manejo integrado de nematoides, para os
serem culturas antagônicas, porém não deixam muita
resultados de análises nematológicas da contagem de
palhada na área, já as culturas como crotalárias,
nematoides em raízes.
estilosantes e mucunas são utilizadas também como
forrageiras são
elas:
apresentaram Brachiaria
resultados
bryzantha,
B.
Pode haver rotação/sucessão na mesma área
fontes de nutrientes e de matéria orgânica em solos
no verão e/ou em verão e inverno, no caso do Centro-
de cerrado com baixa fertilidade (MAGALHÃES et al.
Oeste do Brasil, no período de águas e período de seca.
1991). No entanto, é importante ressaltar que, mesmo
Desta forma, pode-se observar menores populações de
sendo suscetível a P. brachyurus, algumas espécies de
fitonematoides, devido a utilização alternada de plantas
Brachiaria propiciam a melhoria das condições físicas,
Fitopatologia
57
químicas e biológicas do solo, permitindo as plantas
(1991) e Dias-Arieira et al. (2003), onde observaram
se tornarem mais tolerantes e suplantarem os danos,
que, de forma geral, as gramíneas são resistentes à
com reflexos positivos sobre a produtividade, conforme
penetração por esse nematoide. Ainda neste trabalho,
observado por Cruz et al. (2020).
no segundo ano da safra de milho, Helicotylenchus foi
A rotação com culturas não hospedeiras ou com
desfavorecido nos tratamentos de milho + C. spectabilis
baixo fator de reprodução (FR) é uma alternativa para o
e P. brachyurus no consórcio de milho + C. spectabilis
manejo desse patógeno uma vez que não existe relatos
+ milheto + C. ochroleuca + Fagopyrum esculentum +
de cultivares de soja e milho resistentes ao nematoide
E. coracana.
das lesões radiculares. Várias espécies já foram
Silva (2015) destaca que devido à pouca
estudadas, e algumas apresentaram baixo fator de
disponibilidade de genótipos de soja resistentes a
reprodução, como é o caso da Crotalaria spectabilis e C.
P. brachyurus, seu manejo tem se baseado no uso
breviflora (INOMOTO, 2008). Alguns autores relataram a
de algumas espécies de crotalárias em sucessão ou
eficiência da rotação com adubos verdes na diminuição
rotação de culturas, como C. spectabilis, C. ochroleuca
da população de P. brachyurus. Segundo Vedoveto et al.
e C. breviflora, e quanto maior for o tempo que esses
(2013), mucuna, crotalária e estilosantes apresentaram
adubos verdes forem mantidos no local, maior será
maior redução na população do nematoide quando
seu efeito na redução populacional deste nematoide.
comparado a testemunha (milho). Os adubos verdes,
Debiasi et al., (2016), estudando o comportamento
além de reduzir a população de nematoides, melhoram
de plantas na entressafra concluiu que o cultivo da C.
as condições físico-químicas e microbiológicas do solo
spectabilis na entressafra, solteira ou consorciada com
(FILETI et al. 2011).
o milheto reduz a população e os danos causados por
Silva (2020) avaliando mix de plantas de cobertura
58
P. brachyurus à soja.
sobre a população de nematoides no sistema soja-milho,
Associações de culturas podem contribuir para
por duas safras, observou uma redução da população
a solução de problemas no uso dos recursos naturais,
de P. brachyurus quando a sucessão soja-milho foi
pelas funções biológicas e socioeconômicas que
cultivada com Eleusine coracana. O crescimento
cumprem (ENGEL, 1999). Ao integrar um sistema bem
da ocorrência de P. brachyurus em alta densidade
planejado ele é capaz de reduzir o uso de agroquímicos
populacional no Brasil Central, vem ocorrendo de forma
através da quebra de ciclos (pragas, doenças,
expressiva devido ao aumento da área cultivada com
nematoides e plantas daninhas) (VILELA et al.2008).
milho imediatamente após a cultura da soja (milho
Teixeira (2019) avaliou a flutuação populacional
safrinha), em sistema plantio direto. O tempo reduzido
de Pratylenchus em uma área agrícola em Bela Vista
entre a colheita da soja e o estabelecimento do milho,
de Goiás, onde já se tinham relatos da ocorrência do P.
sem revolvimento do solo, acaba permitindo a migração
brachyurus. Em cada área foram selecionados pontos
dos nematoides hospedados nas raízes de soja – ainda
georreferenciados, desta maneira, foi possível verificar
não apodrecidas - para as raízes do milho, resultando em
a dinâmica populacional do nematoide durante um ano.
intensa multiplicação. Os resultados obtidos por Silva
Nesta área já tinha sido colhida a cultura da soja 30
(2020) confirmaram a potencialidade do uso do milho
dias antes e prevalecia a presença do capim-custódio
na sucessão de culturas para o controle de H. glycines,
(Pennisetum setosum), sendo controlado no mês de
como nos trabalhos realizados por Schmitt & Riggs
maio. Esta área permaneceu sem cultura até o mês de
Fitopatologia
novembro, havendo na área apenas a palhada e raízes
populacional do P. brachyurus foi acompanhada,
mortas do capim-custódio, quando foi semeado a
verificando a relação com as hospedeiras presentes na
cultura da soja. Sendo colhida em fevereiro e semeado
área (Figura 1).
a cultura do milho logo em seguida. A dinâmica
Figura 1. Dinâmica populacional do P. brachyurus em área de Bela Vista de Goiás-GO (nematoide/10 g de raiz). A população do nematoide sofreu queda no
ocorreu em todo o ciclo da soja, iniciando em
mês de maio, isto devido à colheita da cultura da soja.
novembro, tendo a maior população em fevereiro, com
Porém logo após o capim-custódio se desenvolveu,
4.569 P. brachyurus/10 g de raiz. A queda acentuada
tendo assim as raízes desta espécie para alimentação
da população do nematoide no mês de fevereiro
dos nematoides até o mês de julho. Após o controle
ocorreu devido à colheita da soja, diminuindo assim a
do capim-custódio nota-se uma queda acentuada
população para a próxima cultura, que neste caso foi
da população, saindo de 1.236 P. brachyurus/10 g de
o milho, plantado em fevereiro, logo após a colheita da
raiz no mês de julho para 204 P. brachyurus/10 g de
soja. Observou-se que, no mês de março, a população
raiz no mês de setembro. A partir destes resultados
diminuiu, no início do desenvolvimento vegetativo do
foi possível observar que mesmo nos meses que
milho, ainda desenvolvendo as raízes. Comparando-
as raízes das culturas estão mortas, os nematoides
se a densidade populacional do nematoide entre abril
conseguem sobreviver, reduzindo assim a população,
(816 P. brachyurus/10 g de raiz) e fevereiro (1.720 P.
porém não eliminando completamente. Após o
brachyurus/10 g de raiz), foi possível observar que
plantio da soja, no mês de novembro, observa-se um
ocorreu um aumento da população ao final do ciclo
crescimento acentuado da população, isto ocorreu,
da soja e início da safrinha. Ocorrendo a continuidade
devido à suscetibilidade da soja e, neste momento,
deste sistema de cultivo, sempre se plantando culturas
apresentou as condições ambientais favoráveis ao
hospedeiras, cada vez mais, a cultura na segunda safra
desenvolvimento do nematoide. Este crescimento
encontrará populações cada vez maiores no início do
Fitopatologia
59
desenvolvimento radicular, sofrendo assim perdas cada
do Sudoeste Goiano apresentam resultados desse
vez mais significativas.
condicionamento do solo, através da inoculação de biocontroladores a partir do segundo ano de plantio,
CONSIDERAÇÕES FINAIS
o aumento na contagem, nas amostras coletadas. De
O manejo de fitonematoides, da cultura da
qualquer forma, para o estabelecimento de programas
soja, especificamente H. glycines, é feito de forma
de manejo integrado de fitonematoides, nenhuma
eficiente com o sistema de sucessão de culturas, na
ferramenta isolada deve ser implementada, mas sim,
safra-safrinha (segunda safra), devido à implantação
o uso de ferramentas integradas, de forma sequencial
de uma cultura não hospedeira ao nematoide de cisto
ou simultânea deve ser considerada. Nematoide não se
da soja (milho, milheto, sorgo e algodão, por exemplo).
controla com produto, mas sim com manejo.
Entretanto, devido à infestação simultânea, por mais de um gênero de nematoides parasitas dessas culturas de segunda safra, esse sistema de sucessão permite a
60
com a manutenção da população dos nematoides, sem
REFERÊNCIAS
sobrevivência dos nematoides durante a safra e safrinha,
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passando pelo período de entressafra até a próxima
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of Agricultural and Environmental Sciences, v.59,
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ARAUJO,
também pode ser uma ferramenta bastante eficiente,
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Fitopatologia
PROGRAMAS DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DE DOENÇAS FOLIARES DO MILHO EM SEGUNDA SAFRA
FERNANDES, Rafael Henrique1, LIMA, Diego Tolentino de2, ALMEIDA, Dieimisson Paulo3 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 1
INTRODUÇÃO O milho (Zea mays) está entre as culturas de maior consumo no mundo. Além de ser utilizado na alimentação humana, apresenta papel importante na produção de proteína animal, com crescente consumo devido suas qualidades relacionadas ao valor calórico, amiloses e pigmentação (SANTOS et al., 2002). Segundo dados da CONAB (2021), para a safra 2020/2021 foram plantados 19.867,7 mil ha, com produção de 85,7 mil toneladas e produtividade média de 4.316 kg/ha. Apesar da colheita ainda estar em fase de finalização, estes valores representam o
pior registro de produção da cultura desde a temporada 2017/2018, com redução de 16,4% em relação à safra anterior. A distribuição regular de chuvas ao longo da safra, e principalmente em condições de segunda safra, é um fator preponderante para se atingir elevadas produtividades. Em contrapartida, a incidência e severidade das doenças foliares no milho são maiores nestas condições, com umidade relativa do ar acima de 60% e temperaturas elevadas (COTA et al., 2017). Existem dezenas de patógenos associados à cultura do milho em todas as regiões produtoras do grão. No entanto, existem variações quanto sua incidência e severidade, principalmente em função da região de cultivo, época de cultivo (verão ou segunda safra), condições edafoclimáticas, altitude e estratégias de manejo adotadas. Dentre estas doenças, a ocorrência da cercosporiose e da mancha branca do milho (ou mancha de Phaeosphaeria) têm sido muito frequentes no cultivo do milho em segunda safra no Sudoeste Goiano. A
cercosporiose,
causada
pelo
patógeno
Cercospora zeae-maydis, causa lesões retangulares de coloração marrom e são delimitadas na largura, pelas nervuras principais da folha. Sob condições de alta umidade relativa, há densa esporulação nestas regiões afetadas, levando as lesões a adquirirem cor acinzentada. Temperaturas entre 25 °C e 30 °C e umidade relativa do
Fitopatologia
63
ar superior a 90% são consideradas condições ótimas
prevenção dos prejuízos causados por estas doenças
para o desenvolvimento da doença (COTA et al., 2017).
nas lavouras de milho. A utilização de materiais
A cercosporiose é capaz e reduzir de 20 a 60% da
geneticamente resistentes é a principal medida de
produção dos grãos, dependendo da suscetibilidade
controle, pois, além de muito efetiva, é compatível com
do híbrido (WARD et al., 1994), porém, com a utilização
todos os outros métodos de manejo e não necessita de
de fungicidas pode-se alcançar controle satisfatório.
alterações ou adaptação de equipamentos, não causa
Já a mancha branca está presente em
impactos ao meio ambiente, reduz o uso de defensivos
praticamente todas as regiões e é considerada uma
e favorece o retorno financeiro da atividade. Além disso,
das mais agressivas doenças que acometem o milho,
o plantio do material em época adequada, afim de
sobretudo em condições de segunda safra. O avanço
evitar períodos de maior incidência das doenças onde
da doença ocorre em condições de umidade relativa
o material possa ser suscetível; utilização de sementes
do ar elevada e temperaturas noturnas entre 15 e 20°C
de alta qualidade e tratadas com fungicidas de boa
(COSTA et al., 2017). A etiologia (os agentes causais)
eficiência de controle; evitar plantio sucessivos de milho
ainda não está bem definida, visto que inicialmente a
na mesma área; adubação equilibrada (principalmente
doença foi atribuída ao fungo Phaeophaeria maydis,
N e K); manejo adequado de pragas e plantas daninhas,
f. imp. Phyllosticta sp., mas devido às dificuldades no
visto que algumas espécies são transmissores/
isolamento e reprodução dos sintomas, seu papel
vetores e hospedeiras alternativas de patógenos,
como agente primário da doença tem sido contestado.
respectivamente; e ajuste adequado de população e
Posteriormente, através de técnicas moleculares, a
a realização de rotação de culturas, são considerados
bactéria Pantoea ananatis foi identificada e isolada em
métodos eficientes para controle de doenças (COTA et
lesões de mancha-branca em plantas de milho, em
al., 2017).
condições naturais e também infectadas artificialmente,
O controle químico, baseado na utilização de
reforçando a possibilidade de que ela pudesse ser o
fungicidas, faz parte deste pacote de medidas para
principal agente causal da doença (MANABEIRA, 2010;
prevenir e mitigar danos às lavouras. A aplicação de
GONÇALVES et al., 2013; BORSOI et al., 2018).
fungicidas para o controle de doenças foliares no milho
Os sintomas iniciais da mancha branca são
tem crescido substancialmente nos últimos anos, assim
lesões foliares de formato circular a oval com aspecto
como todo o manejo empregado na cultura. Entretanto,
de encharcamento (anasarca). Tais lesões tornam-se
é muito importante conhecer o material cultivado e
necróticas e com coloração palha e são encontradas
realizar o monitoramento da lavoura constantemente
dispersas no limbo foliar (COTA et al., 2017). Cultivares
para decidir sobre a aplicação adequada de fungicidas,
suscetíveis podem exibir redução na taxa fotossintética
buscando que o custo/benefício da aplicação seja
líquida de 40% quando apresentam folhas com 10 a
positivo (COTA et al., 2017).
20% de severidade, o que pode reduzir a produção de
Considerando
potencial
destrutivo
das
grãos em até 60% (GODOY et al., 2001). Esta doença
doenças que acometem a cultura do milho é importante
torna-se preocupante em razão da suscetibilidade de
adotar as estratégias disponíveis para minimizar seus
grande parte das cultivares e pela baixa eficiência das
impactos na produtividade. Como o controle químico
aplicações de fungicidas (COSTA et al., 2017).
tem sido cada vez mais utilizado, torna-se fundamental
Várias estratégias têm sido adotadas para a
64
o
Fitopatologia
conhecer as moléculas fungicidas, produtos comerciais
e programas de aplicação que apresentem maior eficiência de controle.
o pré-pendoamento da cultura. Os
tratamentos
consistiram
na
aplicação
Diante disso, o objetivo foi avaliar a eficiência de
de diferentes programas de aplicações fungicidas,
diferentes programas de aplicações de fungicidas no
incluindo aplicações sequenciais de produtos ou
controle de doenças com elevada ocorrência no milho
produtos diferentes. Os programas de aplicações
cultivado em segunda safra, bem como seus impactos
foram realizados com duas aplicações, a primeira
na produtividade.
em 20/04/2021, com a cultura em estágio vegetativo (entre V6 e V7) e a segunda em 11/05/2021 no
MATERIAL E MÉTODOS
pré-pendoamento da cultura (Tabela 1). Durante as aplicações os dados meteorológicos (temperatura,
O experimento foi conduzido em condições de
umidade relativa do ar e velocidade do vento) foram
campo na área experimental do Instituto de Ciência e
mensurados com o auxílio do aparelho termo-higro-
Tecnologia COMIGO (ITC), no município de Rio Verde-
anemômetro (Tabela 2).
GO (S 17°45’45” e 51°01’03” W), com 837 metros de altitude. O material de milho utilizado foi o híbrido B2360 PWU. Semeadura e colheita foram realizadas no dia 13/03/2021 e 27/07/2021, respectivamente, totalizando um ciclo de 136 dias. Na semeadura foram aplicados 400 kg ha-1 do fertilizante formulado 08:20:18 (N:P:K) no sulco de plantio. A densidade de semeadura foi de 2,7 sementes por metro e o estande final de plantas foi de 51.500 plantas por hectare (estande avaliado com a cultura em estádio V4). A adubação de cobertura foi realizada em estágio fenológico V6, com a aplicação de 200 kg ha-1 do fertilizante formulado 20:00:20 e com 100 kg ha-1 de Ureia cerca de 20 dias após a primeira aplicação. O controle de plantas daninhas foi realizado com uma aplicação de glyphosate (Xeque Mate, 500 g e. a. L-1, SL, Ihara), na dose de 1,5 kg e. a. ha-1 após a semeadura do milho e outra aplicação em pós-emergência com atrazine (Proof, 500 g i. a. L-1, SC, Syngenta) na dose de 1,0 kg i. a. ha-1, com a cultura em estágio V3. Foram realizadas também três aplicações de inseticidas visando o controle da cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) e lagartas, variando com os seguintes produtos: Lannate (1, 0 L ha-1), Perito (1,0 kg ha-1), Nomolt (0,15 L ha-1) e Kaiso (0,1 L ha-1), iniciando em V3 e seguindo até
Fitopatologia
65
Tabela 1. Descrição dos tratamentos contendo a relação dos programas de aplicações de fungicidas, ingredientes ativos, doses aplicadas e o momento das aplicações (A – 1ª aplicação em 20/04/2021 e B – 2ª aplicação em 11/05/2021) no híbrido de milho B2360 PWU. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO-ITC, Rio Verde, GO, safra 2020/2021.
Fitopatologia
66
Tabela 2. Datas das aplicações e dados meteorológicos mensurados nas aplicações de fungicidas no milho, híbrido B2360 PWU. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo-ITC, Rio Verde-GO, safra 2020/2021.
O delineamento experimental utilizado foi de
média da parcela.
blocos casualizados com dez (10) tratamentos e quatro
Os dados de severidade foram expressos em
(4) repetições, totalizando 40 parcelas. Cada parcela foi
porcentagem (%) de tecido foliar afetado e a partir
composta por 10 linhas de plantio, com espaçamento
deles foi calculada a área abaixo da curva de progresso
entre linhas de 0,5 m, e 10 metros de comprimento. Foi
da doença – AACPD (Campbell e Madden, 1990),
considerada como parcela útil as seis linhas centrais,
eficiência de controle das aplicações (% de controle). A
descartando-se um (1) metro das extremidades,
produtividade de grãos foi estimada através da colheita
2
totalizando a área útil de 24 m .
de três (3) metros de quatro (4) linhas da parcela útil.
As aplicações foram feitas com pulverizador
Os resultados obtidos foram corrigidos para 13% de
pressurizado
por
CO2
(Número
de
patente:
umidade e expressos em sacas de 60 kg ha-1. Os dados
BR102016007565-3) dotado com barra de pulverização
de severidade, AACP-Manchas foliares e produtividade
com 10 bicos, espaçados a 0,5 m e com pontas de
foram submetidos à análise de variância e aplicado
pulverização ADIA 110.015/D, montado em um trator
o teste de Scott-Knott (P<0,05) para separação das
(MF 275, Massey Ferguson, 75 cv). Antes do início das
médias, através software SISVAR (FERREIRA, 2014).
aplicações foi feita a calibragem do equipamento e os ajustes para pressão de trabalho de 3,0 bar (43,5 PSI) e vazão constante de 150 L ha-1. Foram
realizadas
três
(3)
avaliações
de
RESULTADOS E DISCUSSÃO
severidade utilizando a escala diagramática proposta
De forma mais acentuada do que nos últimos
por Malagi et al. (2011) e também estimativa de área
anos, a irregularidade na distribuição pluviométrica
direta afetada por Cercospora zeae-maydis. As duas
com redução nos níveis esperados, acompanhados
primeiras avaliações foram realizadas na véspera das
da antecipação do final do período chuvoso em boa
aplicações e a terceira, 20 dias após a última aplicação.
parte das regiões produtoras, impactaram diretamente
As avalições foram feitas em duas folhas do terço
no desenvolvimento das lavouras de milho, podendo
médio de três (3) plantas aleatórias dentro da parcela
ser considerado o principal fator limitante à produção.
útil, sendo a média destas utilizadas para representar a
Com este cenário desfavorável ao cultivo, a ocorrência
Fitopatologia
67
de doenças no milho foi atenuada, embora certamente
e a mancha branca do milho, sendo utilizadas pra
tenham contribuído para reduções na produtividade.
fins de avaliação e cálculos de variáveis relacionadas
Além disso, a utilização de ferramentas de controle
a aplicação dos programas de fungicidas. Contudo,
de doenças, como a escolha de híbridos com elevada
os valores de severidade final observados foram
resistência e a utilização de fungicidas, são atualmente
relativamente baixos, sobretudo quando comparados
amplamente empregadas e também possam ter
a dados da literatura e experimentos conduzidos em
contribuído. Fato é, que os processos epidemiológicos,
safras passadas. As aplicações dos programas de
principalmente aqueles relacionados às doenças
aplicações de fungicidas reduziram significativamente
fúngicas, foram afetados diretamente pelos déficits
a severidade final de doenças, independentemente
hídricos evidentes, onde comumente foram observadas
dos produtos avaliados (Figura 1). Destaca-se que,
a senescência prematura de tecidos foliares e reduções
no tratamento testemunha, a severidade final foi
no ciclo das plantas.
significativamente superior aos demais, atingindo uma
As doenças que se destacaram quanto a incidência na área experimental foram a cercosporiose
severidade média final de aproximadamente 8,0% (Figura 1)
Figura 1. Severidade final de manchas foliares (Cercosporiose e Mancha-branca do milho) no híbrido B2360 PWU com diferentes programas de aplicações de fungicidas. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO-ITC, Rio Verde, GO, safra 2020/2021.
68
Fitopatologia
De maneira similar, a Área Abaixo da Curva
fungicidas obtiveram eficiência de controle em torno
de Progresso das Doenças Foliares foi superior na
de 50%, o que evidencia seu potencial na redução na
testemunha e equivalente entre os tratamentos com
multiplicação dos patógenos e, consequentemente
aplicações de fungicidas (Figura 2). Em relação a
a redução de doenças (Figura 2). Possivelmente,
eficiência de controle é importante destacar que
as aplicações no estádio vegetativo da cultura (V6),
os baixos níveis de severidade observados na
quando as plantas ainda apresentavam boa condição
testemunha, que reforçam o fato de as doenças não
hídrica e possibilidades de desenvolvimento para os
terem conseguido causar maiores danos à cultura,
processos epidemiológicos, refletiram sobre esta
dificultam a expressão de maiores valores de eficiência
variável. Posteriormente, as limitações impostas pelo
de controle, pois são calculados a partir desta
agravamento do déficit hídrico impossibilitaram a
severidade. Ainda assim, as aplicações dos programas
progressão das doenças em todos os tratamentos.
Figura 2. Área abaixo da curva de progresso de doenças foliares do milho e eficiência de controle estimada com diferentes programas de aplicações de fungicidas, híbrido B2360 PWU. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO-ITC, Rio Verde, GO, safra 2020/2021. A produtividade de milho em segunda safra
Não houve diferença significativa entre os
(safra 2020/2021) foi afetada em toda a região do
tratamentos avaliados (Figura 3). Sendo, as variações
Sudoeste Goiano, com a expectativa de produtividade
observadas em valores absolutos, não atribuídas aos
média em torno de 80 sc ha . Na área experimental
tratamentos executados.
-1
a produtividade média foi de 88,9 sacas de 60 kg por hectare.
Fitopatologia
69
Figura 3. Produtividade média do híbrido de milho B2360 PWU após a aplicação dos diferentes fungicidas. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO (ITC), Rio Verde, GO, safra 2020/2021. A segunda safra de 2020/2021 foi marcada pela baixa e irregular distribuição pluviométrica, tornandose o fator limitante tanto a produtividade quanto ao desenvolvimento das doenças foliares. Ainda assim, as aplicações de fungicidas mostraram benefícios quanto a reduções na severidade de doenças foliares. A adoção desta prática como estratégia para manutenção do potencial produtivo das lavouras de milho tem demonstrado sua viabilidade ao longo dos últimos anos. É importante ressaltar que a seleção de moléculas fungicidas e produtos que irão compor os programas de aplicação devem levar em consideração diversos fatores e variáveis, incluindo a eficiência de controle, produtividade esperada, níveis de fertilidade e adubação, potencial produtivo do híbrido, nível tecnológico adotado, custo de produção versus cotação de mercado e, previsões climáticas e distribuição pluviométrica durante o cultivo. Assim, é necessário realizar uma ampla avaliação técnica e econômica para a assertividade no controle químico de doenças.
70
Fitopatologia
CONCLUSÕES As aplicações de fungicidas no milho reduziram a severidade de cercosporiose e mancha branca do milho, que tiveram incidência destacada nas condições deste trabalho. Além disso, apresentaram eficiências de controle próximos a 50%. Estes resultados reforçam que os fungicidas são uma importante ferramenta de controle de doenças e na manutenção do potencial produtivo das lavouras. Contudo, tais benefícios não refletiram em ganhos de produtividade, possivelmente em razão das limitações impostas pelo clima sobre a cultura e patógenos.
AGRADECIMENTOS À equipe de campo, estagiários e demais pesquisadores do ITC pelo apoio na execução do experimento.
(MG), 2010.
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Fitopatologia
71
CONTROLE QUÍMICO DE DOENÇAS EM DIFERENTES HÍBRIDOS DE SORGO (Sorghum bicolor L.)
FERNANDES, Rafael Henrique1, ALMEIDA, Dieimisson Paulo2, LIMA, Diego Tolentino de3, FURTINI NETO, Antônio Eduardo4 Eng. Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, Pesquisador Agronômico em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Manejo e Controle de PlantasDaninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador Agronômico em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Ciência do Solo, Pesquisador do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO. Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: antoniofurtini@comigo.com.br 1
INTRODUÇÃO Sorghum bicolor (L.) Moench é o nome científico da espécie de sorgo cultivada destinada a produção de grãos, grupo conhecido como sorgo granífero. Atualmente é considerado um dos cereais com grande importância econômica e na alimentação de humanos e animais. O sorgo é uma planta com boa adaptabilidade em regiões com temperaturas mais elevadas, com médias acima de 21°C, além disso, seu
72
Fitopatologia
requerimento pluviométrico fica entre de 380 a 600 mm durante seu ciclo, que são valores consideravelmente inferiores a outras espécies cultivadas (SANS et al., 2003). Estas características têm favorecido o interesse de produtores de grãos pelo cultivo de sorgo, pois, a distribuição e volume de chuvas nas últimas safras tem impactado severamente a produtividade do milho em segunda safra. O cultivo de sorgo tem se mostrado cada vez mais relevante para a região dos cerrados (EMBRAPA, 1988). Os grãos produzidos têm bom valor nutritivo com bons rendimentos de massa seca por unidade de área e concentração de carboidratos solúveis adequada, qualificando-o como uma alternativa para compor rações com qualidade e menor custo (NEUMANN et al., 2002). A segunda safra do ano agrícola 2020/2021 foi
marcada
pela
irregularidade
na
distribuição
pluviométrica, com reduções significativas nos volumes de chuvas em algumas regiões, sobretudo entre os meses de março e maio, o que reduziu consideravelmente o potencial produtivo das lavouras de sorgo. Diante disso, ainda com aumentos na área plantada e rusticidade do sorgo em relação ao déficit hídrico, a expectativa é de redução na produção e produtividade do cereal (CONAB, 2021). Os últimos levantamentos apontam para um volume total da produção nacional em torno de 2.098,2 mil toneladas, o que representa uma redução em torno
de 16%, em comparação com a safra anterior (CONAB,
sorgo seja uma excelente opção de cultivo e apresente
2021). No estado de Goiás, maior produtor do grão, as
grande potencial de produtividade e rentabilidade, é
condições foram semelhantes, com grandes limitações
necessário que se desenvolva sua cadeia produtiva
climáticas. Além disso, a falta de chuvas impacta
como um todo. Para isto, é fundamental a união de
também na qualidade dos grãos, o que pode contribuir
todos os setores ligados a produção do cereal.
para restrições na comercialização. A falta de armazéns
Na região do Centro Oeste, as principais
e os custos de logística na comercialização de sorgo
doenças fúngicas de parte aérea que tem acometido
fez com que, boa parte da produção, fosse negociada
as plantas de sorgo são a Helmintosporiose, causada
localmente. Segundo o levantamento realizando
por Exserohilum turcicum; Antracnose, causada
em setembro de 2021 pela Conab, mesmo com um
por Colletotrichum graminicola e Colletotrichum
aumento de aproximadamente 0,8% na área plantada
sublineolum;
com sorgo em Goiás, a produtividade deverá recuar
Peronosclerospora sorghi; a Doença Açucarada do
cerca de 18,1% e 17,4% no volume de produção, em
Sorgo ou Ergot causada por Claviceps africana e a
relação à safra 2019/2020.
Ferrugem do Sorgo, causada por Puccinia purpurea.
Míldio
do
sorgo,
causado
por
Os produtores de sorgo têm enfrentado, além
Atualmente, o manejo destas doenças no campo tem
de dificuldades climáticas e de comercialização de sua
se baseado no histórico da área, época de plantio e
produção, grandes desafios no manejo fitossanitário
ocorrência/incidência, escolha adequada de genótipos
da cultura. A começar pela ausência de materiais
e tratos culturais durante o ciclo (SILVA et al., 2014). O
com tecnologias que garantem tolerância a herbicidas
controle químico, amplamente utilizado em diversas
(como, por exemplo ao glifosato, transgenia RR), o
culturas, tem ganhado mais ganhado mais espaço
que dificulta o manejo de plantas daninhas em pós-
entre os produtores de sorgo, principalmente aqueles
emergência, sobretudo as daninhas de folha estreita,
que almejam maiores produtividades. Contudo, o déficit
que apresentam semelhanças fisiológicas com a
de produtos registrados para a cultura e o baixo nível de
própria cultura do sorgo. Recentemente, na safra
investimento, têm dificultado a elevação dos patamares
2019/2020 o ataque intenso do pulgão da cana-de-
de produtividade.
açúcar (Melanaphis sacchari) no sorgo em diversas
O controle genético de doenças, realizado pela
regiões produtora tornou-se um novo grande desafio
seleção, desenvolvimento e cultivo de materiais com
para o manejo de pragas nesta cultura, que também
níveis de resistência à patógenos, tem sido adotado
não conta com eventos de transgenia ligados a
amplamente para as principais culturas com destaque
resistência de lagartas, como a tecnologia Bt por
econômico. Para o sorgo, o controle genético foi
exemplo. Além disso, o manejo e controle de doenças
crucial para a diminuição da incidência e severidade
no sorgo têm sido negligenciado e ainda carece de
da doença açucarada do sorgo nas últimas décadas.
muitas informações, definições de estratégias, seleção
Materiais com elevada resistência a esta doença, que
e desenvolvimento de genótipos com resistência,
deteriora consideravelmente a viabilidade de sementes
e também, opções de moléculas e desenvolvidos e
de sorgo, passou a ser fundamental para os programas
registrados para a aplicações no sorgo, tanto para
de melhoramento genético. Contudo, este esforço
o tratamento de sementes, quanto para aplicações
não tem sido suficiente até então, para as principais
foliares. Desta forma, vale ressaltar que, embora o
doenças do sorgo nas condições do Sudoeste Goiano.
Fitopatologia
73
Bem como para as doenças emergentes, que tem
Os híbridos de sorgo utilizados no experimento
aumentado suas incidências nos últimos anos, como,
foram: 1G100, 1G233, 1G245, AG1085 e JADE. São
a cercosporiose e ferrugem do sorgo. A adoção de
materiais de sorgo granífero comumente utilizados
materiais com resistência a doenças facilita o manejo,
na região do Sudoeste Goiano, principalmente pela
pois não requer mudanças nos tratos culturais nem
adaptabilidade, potencial produtivo e como alternativa
compra de novos equipamentos. O cultivo de híbridos
para plantios mais tardios em segunda safra.
de sorgo com resistência às principais doenças e a
A implantação do experimento ocorreu na
utilização de fungicidas podem ser fundamentais para
segunda safra do ano agrícola 2019/2020, por ocasião
se atingir boas produtividade e alavancar os patamares
da semeadura no dia 19/03/2020, em área antes
produtivos.
cultivada com a cultura da soja. Para os materiais
Desta
forma,
é
necessário
avaliar
a
1G100, 1G233, 1G245 e AG1085 foram semeadas
suscetibilidade de diferentes híbridos de sorgo que são
9,6 sementes por metro, e para o híbrido JADE 7,5
cultivados na região do Sudoeste Goiano e também
sementes por metro. As sementes foram tratadas com
suas respostas a aplicação de fungicidas visando o
150 g de Imidacloprido e 450 g de Tiodicarbe para
controle de doenças foliares. Além disso, avaliar os
cada 100 kg de ementes (CropStar, Bayer – 1,0 L/100
possíveis impactos da ocorrência destas doenças na
kg de sementes). A adubação realizada na semeadura,
produtividade da cultura.
foi composta 280 kg ha-1 do formulado 08:20:18 (N:P:K) aplicados no sulco de plantio. Posteriormente foram
MATERIAL E MÉTODOS
dias após a semeadura. área
O estande final de plantas dos materiais foi
experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia
avaliado com a cultura em estádio vegetativo V8, cerca
COMIGO (ITC), localizado em Rio Verde-GO (S
de 35 dias após a semeadura. E os resultados obtidos
17°45’55’’ e W 51°02’02’’, 840 m de altitude), com
foram: 158.611, 160.866, 154.444, 154.444 e 127.222
áreas predominantes de Latossolo Vermelho distrófico
plantas ha-1 para os híbridos 1G100, 1G233, 1G245,
(SANTOS et al., 2018).
AG1085 e JADE, respectivamente.
O
74
aplicados 100 kg ha-1 de Ureia, aproximadamente 30
experimento
foi
conduzido
na
O delineamento experimental foi em blocos
O programa de aplicações de fungicidas foi
casualizados ao acaso (DBC) em esquema fatorial
composto por duas aplicações, a primeira no dia
5x2, com quatro repetições, totalizando 40 parcelas.
05/05/2020, cerca de 45 dias após a semeadura.
O primeiro fator, com cinco níveis, foi composto por
A segunda aplicação, ocorreu no dia 20/05/2020,
diferentes híbridos de sorgo, e o segundo fator, com dois
com
níveis, correspondeu a aplicação ou não de fungicidas.
(emborrachamento). Na primeira aplicação foram feitos
As parcelas foram compostas por quatro (4) metros de
50,1 g de Fluxapiroxade + 99,9 g de Piraclostrobina
largura (oito linhas de plantio com espaçamento de 0,5
(Orkestra, 0,3 L ha-1, Basf) + Adjuvante Mees na dose
m) e 20 metros de comprimento, totalizando 80 m2. A
de 0,3 L ha-1, e na segunda foram aplicados 79,8 g de
parcela útil foi considerada descartando-se duas (2)
Metominostrobina + 119,6 g de Tebuconazol (Fusão,
linhas nas laterais e três (3) metros de cada extremidade,
0,725 L ha-1, Ihara). Vale destacar que, para cada híbrido
com parcela útil de 28 m2.
de sorgo foram realizados tratamentos com a aplicação
Fitopatologia
a
cultura
em
fase
de
pré-florescimento
do programa de aplicações descrito e também tratamentos sem a aplicação de fungicidas.
equipamento termo-hidro-anemômetro (Tabela 1). O controle de plantas daninhas foi realizado
As aplicações foram realizadas com pulverizador
com a aplicação do herbicida glyphosate (Roundup
pressurizado por CO2 (Patente: BR102016007565-3)
Transorb, 480 g e. a. L-1, SL, Bayer), na dose de 1,32 kg e.
montado em trator (MF 275, Massey Ferguson, 75 cv).
a. ha-1 logo após a semeadura (plante-aplique) do sorgo.
O pulverizador é dotado com barra de cinco metros,
Posteriormente, cerca de 25 dias após o plantio, foram
com 10 bicos de pulverização espaçados a 0,50 m. A
aplicados em pós-emergência das plantas daninhas o
calda preparada era acondicionada em tanques tipo
herbicida atrazina (Proof, 500 g i. a. L-1, SC, Syngenta),
post-mix com capacidade de 10 L. As pontas utilizadas
na dose de 1,75 kg i. a. ha-1, com adição 0,5 L ha-1 de
para pulverização foram modelo ADIA 110.015/D,
adjuvante óleo mineral (Iharol Gold, 760 g L-1, EC, Ihara).
da marca Magnojet. A calibragem do equipamento
Para o controle de pragas foram realizadas avaliações
foi ajustada para pressão de trabalho na ponta de 2,8
semanais e aplicações de inseticidas recomendados
bar (40,6 PSI) e volume de aplicação de 150 L ha-1.
quando atingido o nível de controle. As principais
Durante as aplicações as condições meteorológicas
pragas que acometeram a área experimental foram
de temperatura (°C), umidade relativa do ar (%) e
lagarta-do-cartucho e pulgões.
velocidade do vento (km h-1) foram mensuradas com o
Tabela 1. Dados meteorológicos nas aplicações de fungicidas em diferentes híbridos de sorgo. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo (ITC), Rio Verde-GO, safra 2019/2020.
Foram realizadas três avaliações de incidência
lesões severas nos 25% das folhas inferiores; 4 - Até
e severidade das principais doenças que acometeram
75% das folhas com lesões; lesões severas nos 50%
a cultura, nas vésperas das aplicações de fungicidas e
das folhas inferiores; 5 - 100% das folhas com lesões;
uma última avaliação aproximadamente 30 dias após a
lesões severas nos 75% das folhas inferiores.
última aplicação. Para a determinação da severidade
A produtividade foi estimada pela colheita de
de doenças foi utilizada uma escala de notas proposta
três metros de quatro linhas da parcela útil. As amostras
pela Embrapa Milho e Sorgo (2012), com notas variando
colhidas foram identificadas e posteriormente trilhadas,
de 1 a 5. Em que: 1: Ausência de sintomas ou presença
pesadas e mensuradas quanto à umidade (três
de poucas lesões apenas nas folhas inferiores; Nota 2 -
repetições). Os dados foram ajustados para umidade
Lesões esparsas na planta (terço inferior); até 25% das
padrão de 13% e os resultados expressos em sacas de
folhas com lesões; 3 - Até 50 % das folhas com lesões;
60 kg por hectare (sc ha-1).
Fitopatologia
75
Os dados de produtividade foram submetidos
analisados separadamente.
à análise de variância para verificar a significância dos
A suscetibilidade dos híbridos, as principais
fatores e quando verificado diferenças significativas
doenças, foi semelhante. Visto que, os valores das notas
entre as médias foi aplicado o teste de Scott-Knott
médias nos tratamentos sem aplicação de fungicidas
(P<0,05) através software SISVAR (FERREIRA, 2014).
ficaram próximas (Figura1). Para a severidade (avaliadas por escala de notas) nos tratamentos com aplicações
RESULTADOS
de fungicidas, foram obtidas menores notas em todos os híbridos (Figura 1). Nos tratamentos sem a aplicação,
A colheita foi realizada no dia 27/07/2020,
as médias das notas foram superiores a 2,0, indicando
completando o ciclo com 130 dias de cultivo. As
sintomatologia superior a lesões esparsas na planta
doenças que se destacaram com elevada incidência na
(terço inferior); até 25% das folhas com lesões. Em
área experimental foram a antracnose (C. graminicola
valores médios gerais, as parcelas que não receberam
e C. sublineolum) e a helmintosporiose (Exserohilum
a aplicação dos fungicidas tiveram notas de 2,4,
turcicum).
enquanto, naquelas em que houve aplicações a nota
Não houve interação entre os fatores híbridos de
foi 1,6. Estes resultados evidenciam a potencialidade
sorgo e aplicação de fungicidas, assim os fatores foram
da adoção do controle químico no manejo de doenças foliares do sorgo
Figura 1. Valores médios de notas relacionadas a severidade de doenças nos diferentes híbridos de sorgo. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo-ITC, Rio Verde-GO, safra 2019/2020. Na área experimental e na safra em questão
causadas por patógenos. Soma-se a isto, as dificuldades
(2019/2020) o ataque severo do pulgão da cana-de-
encontradas para o manejo adequado da praga e as
açúcar (Melanaphis sacchari) na cultura do sorgo,
limitações climáticas que ocorreram durante o cultivo.
impactou diretamente no desenvolvimento vegetativo
Além disso, o crescimento e desenvolvimento dos
e reprodutivo da cultura, dificultando substancialmente
híbridos foi heterogêneo.
a identificação e quantificação de lesões foliares
76
Fitopatologia
Tabela 2. Produtividade média, em sacas de 60 kg ha-1, dos híbridos de sorgo avaliados. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo-ITC, Rio Verde-GO, safra 2019/2020.
A produtividade média na área experimental foi de 56,1 sc ha-1. Apenas o híbrido 1G245 obteve valores inferiores de produtividade em relação aos demais (Tabela 2). Vale ressaltar novamente que, os entraves climáticos e ocorrência de pragas na área experimental, associados à época tardia de semeadura, contribuíram para o desenvolvimento desuniforme e produtividades observadas.
CONCLUSÃO Os híbridos de sorgo avaliados apresentaram suscetibilidade semelhante às doenças foliares com maior destaque na área experimental, que foram a helmintosporiose e a antracnose. As aplicações dos fungicidas reduziram as notas médias de severidade, o que reforça a capacidade do controle químico em atenuar estes problemas na cultura do sorgo. A produtividade dos híbridos avaliados não foi influenciada pela aplicação dos fungicidas. Já a produtividade em relação aos diferentes híbridos, foi semelhante entre a maioria deles, com exceção do híbrido 1G245 que obteve produtividade inferior aos demais.
AGRADECIMENTOS À equipe de campo, estagiários e demais pesquisadores do ITC pelo apoio na execução do experimento.
REFERÊNCIAS CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos, Brasília, DF, v.8, safra 2020/21, n.12, décimo segundo levantamento, setembro. 2021. EMBRAPA
–
Empresa
Brasileira
de
Pesquisa
Agropecuária. Recomendações técnicas para a cultura do sorgo. Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo, Embrapa Milho e Sorgo, Circular Técnica 1, Sete Lagoas, 1988. EMBRAPA. Sistema de produção integrada de milho para região central de Minas Gerais. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo (Documentos, 148), 2012. 74 p. FERREIRA, D.F. Sisvar: a Guide for its Bootstrap procedures in multiple comparisons. Revista Ciência e Agrotecnologia, v.38, n.2, p.109-112, 2014.
Fitopatologia
77
NEUMANN, M.; RESTLE, J.; ALVES FILHO, D. C.; BRONDANI, I. L.; PELLEGRINI, L. G.; FREITAS, A. K. Avaliação do Valor Nutritivo da Planta e da Silagem de Diferentes Híbridos de Sorgo (Sorghum bicolor, L. Moench). Revista Brasileira de Zootecnia, v. 31, n. 1, p. 293-301, 2002. SANS, L. M. A.; de MORAIS, A. V.; GUIMARÃES, D. P. Épocas de plantio do sorgo. Comunicado Técnico, MAPA. Sete Lagoas, 2003. SANTOS, H.G.; JACOMINE, P.K.T.; ANJOS, L.H.C.; OLIVEIRA, V.A.; LUMBRERAS, J.F.; COELHO, M.R.; ALMEIDA, J.A.; CUNHA, T.J.F.; OLIVEIRA, J.B. Sistema brasileiro de classificação de solos. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. 5 ed. Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos. 2018. 588 p. SILVA, D. D.; COTA, L. V.; COSTA, R. V. Doenças. In: Cultivo do Sorgo, RODRIGUES, J. A. S. (ed.). Embrapa Milho e Sorgo, Sistema de Produção Embrapa, 2, 2012. Disponível em <https://www.spo.cnptia. embrapa.br/conteudo?p_p_id=conteudoportlet_ WAR_sistemasdeproducaolf6_1ga1ceportlet&p_p_ lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_ col_id=column-1&p_p_col_count=1&p_r_p_-76293187_ sistemaProducaoId=8301&p_r_p_-996514994_ topicoId=9206>. Acesso em 25 de Set 2021.
78
Fitopatologia
Entomologia
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Fitotecnia
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Entomologia
CULTIVO INTERCALAR ANTECIPADO DE MILHO SEGUNDA SAFRA NAS ENTRELINHAS DA SOJA – ANTECIPE RESULTADOS DO ANO AGRÍCOLA 2020/21 EM RIO VERDE/GO BORGHI, Emerson1; KARAM, Décio2; SILVA, Júlia Resende Oliveira3; ALMEIDA, Dieimisson Paulo4; FURTINI NETO, Antonio Eduardo5 Eng. Agr., Dr. em Agronomia (Agricultura). Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Sete LagoasMG. emerson.borghi@embrapa.br 2 Eng. Agrônomo, Dr. em Ciência das Ervas Daninhas. Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Sete LagoasMG. E-mail:decio.karam@embrapa.br 3 Eng. Agrônoma, Mestranda em Fitotecnia, Universidade Federal de Viçosa. Viçosa-MG. E-mail: julia.resende.oliveira17@gmail.com 4 Eng. Agrônomo, Doutor em Agronomia (Produção Vegetal). Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO – ITC, COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br 5 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas). E-mail: furtinineto@gmail.com 1
INTRODUÇÃO No Cerrado brasileiro, o binômio soja/milho é o sistema de sucessão e/ou rotação de culturas predominante e coloca o Brasil como principal produtor de grãos do mundo. O milho em segunda safra representa atualmente 75% de toda produção desta cultura no país. Aproximadamente 40% de toda a área semeada com soja é semeada com milho (CONAB, 2021) e, neste cenário, o Estado de Goiás se consolida com importante produtor dessas
culturas. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2021), a área cultivada com soja neste ano agrícola 2020/21 em Goiás foi de 3,7 milhões de hectares e 1,6 milhão de hectares de milho segunda safra. Embora o aumento de área de milho segunda safra no Estado representou um aumento de 1,4% em relação à safra anterior, a produtividade de grãos de milho foi 34% menor em comparação à safra passada, gerando um déficit na produção de 3,4 milhões de toneladas. Este cenário foi decorrente das condições climáticas restritivas, que atrasou a semeadura da soja e que, de forma direta, retardou a semeadura do milho segunda safra. Invariavelmente, os cenários climáticos vêm sendo determinantes na decisão da época de semeadura destas duas culturas e, mesmo com a semeadura na soja antes do início do calendário agrícola (conhecido tradicionalmente como “plantio no pó”) os impactos na produtividade por área são bastante significativos para as duas culturas (MAGALHÃES et al., 2021). A busca por sistemas produtivos resilientes, com técnicas que proporcionem o uso racional dos recursos naturais e menor perda de água e nutrientes sem prejuízo à produtividade torna-se essencial para garantir a eficiência produtiva e de mercado destas duas culturas. Nesta temática, o sistema Antecipe – cultivo intercalar antecipado, sistema de cultivo desenvolvido
Fitotecnia
81
pela Embrapa ao longo de 13 anos de pesquisa em
de milho segunda safra persiste na região Sudoeste
diferentes regiões de produção de milho segunda
de Goiás. Desta vez, a semeadura foi efetuada
safra no Brasil, surge como uma oportunidade de
em área de maiores dimensões, justamente pela
antecipar a semeadura do milho em até 20 dias antes
mecanização do Antecipe com a semeadora-
da colheita da soja. De acordo com Karam et al. (2020),
adubadora desenvolvida para este sistema de cultivo.
este sistema de cultivo permite a adequação da época
Assim, este trabalho objetivou avaliar a implantação
de semeadura em segunda safra, possibilitando
de 3 sistemas de semeadura do milho e a avaliação
incrementos de produtividade quando comparado a
do cultivo intercalar mecanizado ANTECIPE nas
épocas de semeaduras que são realizadas fora do
características agronômicas e na produtividade de
calendário agrícola preconizado pelo Zoneamento
milho segunda safra no ano agrícola 2020/21.
Agrícola de Risco Climático (ZARC). Ao avaliarem por 2 anos agrícolas consecutivos épocas de antecipação da semeadura do milho, em dois cultivares de soja de ciclos contrastantes (Engopa
O experimento foi realizado no Instituto de
316 RR – precoce e M 7908 RR – semi-precoce) na
Ciência e Tecnologia (ITC) da Cooperativa COMIGO,
área experimental da COMIGO, em Rio Verde/GO,
em Rio Verde – GO durante o ano agrícola 2020/21.
Karam et al. (2020) concluíram que a antecipação
Segundo Thornthwaite (1948) o clima de Rio Verde
do cultivo do milho intercalar nas linhas de soja
- GO é classificado em B4 rB’4a’ (úmido, pequena
proporcionou produtividades superiores ao sistema
deficiência hídrica, mesotérmico e evapotranspiração
tradicional de semeadura tardia do milho segunda
no verão menor que 48%). A área utilizada para o
safra. O ganho incremental em produtividade de
experimento encontra-se sob as coordenadas S
milho variou com o ciclo da soja, sendo maior com
17º46’06’’ e W 51º02’17’’ com altitude de 840m.
a cultivar precoce. No caso da cultivar semiprecoce,
O solo da área é caracterizado como LATOSSOLO
o ganho de produtividade do milho segunda safra
VERMELHO Distrófico (SANTOS et al., 2018), cujos
pela antecipação também ocorreu, porém, nesta
atributos químicos são demonstrados na Tabela 1.
situação, quanto maior o período de antecipação, menor o ganho em produtividade, justamente pelo maior período fenológico da soja até a maturidade fisiológica neste cultivar. De acordo com os autores, nas condições em que os estudos foram conduzidos, os períodos de maiores produtividades de grãos de milho antecipado ocorreram entre 10 a 14 dias antes da colheita da soja. Face
os
resultados
obtidos
em
anos
anteriores, surgiu a oportunidade de retomar esta pesquisa entre a Embrapa Milho e Sorgo e o Instituto de Ciência e Tecnologia da COMIGO, uma vez que o cenário de redução de produção e produtividade
82
MATERIAL E MÉTODOS
Fitotecnia
Tabela 1. Atributos químicos e granulometria do solo da área experimental. ITC, Rio Verde, ano agrícola 2020/21.
O delineamento experimental utilizado foi
mecanizado descrito em Karam et al. (2020). A diferença
o inteiramente casualizado, com os tratamentos
entre eles refere-se ao dano mecânico provocado pela
sendo dispostos em faixas e os blocos (10) alocados
colheita da soja no Sistema 1. No Sistema 2 a soja foi
aleatoriamente em cada tratamento, uma vez que todos
retirada das unidades experimentais manualmente, no
os tratos culturais na soja e no milho segunda safra
mesmo dia que os demais tratamentos. O propósito da
ocorreram mecanicamente. Os tratamentos consistiram
implantação deste tratamento era verificar se o dano
de 3 sistemas de cultivo: Sistema 1 – Semeadura
mecânico provocado no milho pela colhedora afetaria o
intercalar antecipada de milho nas entrelinhas de soja
desenvolvimento e a produtividade, quando comparado
(ANTECIPE), com corte das plantas de milho em razão
ao Sistema 1.
da passagem da colhedora no momento da colheita da
O Sistema 3 representa o cultivo tradicionalmente
soja; Sistema 2 –ANTECIPE sem o corte das plantas
realizado no binômio soja/milho utilizado no país.
de milho (a soja foi retirada das unidades experimentais
As datas de realização das semeaduras e colheita
manualmente); Sistema 3 (testemunha) – Colheita da
nos tratamentos, além dos dias de antecipação da
soja após maturidade fisiológica e semeadura do milho.
semeadura do milho antes da colheita da soja e o ciclo
Nos Sistemas 1 e 2, o propósito foi a implantação
total do milho encontram-se descritas na Tabela 2.
do milho segunda safra através do cultivo intercalar
Tabela 2. Datas de realização da semeadura do milho e da colheita da soja, dias de antecipação do milho antes da colheita e ciclo (da emergência à colheita) do milho durante a condução do experimento. Rio Verde/GO, ano agrícola 2020/21.
Fitotecnia
83
Para a implantação do experimento foi utilizada
Para os Sistemas 1 e 2, o milho foi semeado
uma área cultivada com soja cultivar CZ 48B32 IPRO,
mecanicamente nas entrelinhas da soja, utilizando
semeada mecanicamente no dia 26/10/2020 utilizando
semeadora-adubadora de 4 linhas espaçadas em 50
semeadora-adubadora para plantio direto, estande 10
cm desenvolvida pela Jumil – Justino de Morais Irmãos
plantas m-1 e 50 cm de espaçamento entrelinhas. Esta
S/A para o sistema ANTECIPE, conforme descrito
cultivar apresenta grupo de maturação 8.3, ciclo de 120
em Karam et al. (2020). Por ocasião da semeadura
dias (tardio), hábito de crescimento determinado e alta
intercalar, a soja encontrava-se em estádio fenológico
capacidade de engalhamento (BASF, 2021). Durante
R7 (Figura 1), correspondendo ao pleno amarelecimento
todo o ciclo da cultura, as práticas culturais foram
das folhas e uma vagem com coloração escura na haste
realizadas seguindo os princípios das boas práticas
principal (FARIAS et al., 2007).
agrícolas.
Figura 1. Estádio fenológico da soja em R7 no momento da semeadura intercalar de milho nas entrelinhas referente ao ANTECIPE. Foto: Emerson Borghi.
84
Fitotecnia
No Sistema 3, em que o milho foi semeado após
1. Estande final de plantas, Número de espigas
a colheita da soja, foi realizado em 15 de março de 2021,
e Índice de espigas - contagem de plantas de plantas e
com semeadora-adubadora pneumática (JM2670PD, 6
de espigas em 3 linhas de 10 metros de comprimento
linhas a 0,5 m, JUMIL) montada em um trator (6155J,
cada, sendo os valores expressos em plantas ha-1 e
115 cv, John Deere).
espigas ha-1. Através da relação do número de espigas e
O híbrido de milho utilizado em todos os
do estande de plantas foi calculado o índice de espigas;
tratamentos foi o B2401 PWU. Nos Sistemas 1 e 2, a
2. Altura de plantas, inserção da espiga e diâmetro
densidade de sementes de milho foi regulada para
do colmo – nas mesmas linhas avaliadas no item
3,5 sementes m-1 objetivando estande final de 70.000
anterior, foram escolhidas 10 plantas aleatoriamente
plantas ha-1. No Sistema 3, a densidade de semeadura
para medição da altura de plantas (medição em metros
foi de 2,5 sementes m-1 com objetivo de obter 50.000
do solo até a última folha expandida no ápice), altura
plantas ha-1 no momento da colheita. A adubação de
de inserção da espiga (medição em metros do solo até
semeadura constou da aplicação de 400 kg ha-1 da
a base da espiga) e diâmetro do colmo (medição em
formulação 08-20-18. A adubação de cobertura no
centímetros do colmo acima do primeiro nó a partir do
milho foi realizada em 13/03/2021 através da aplicação
solo);
de 40 kg ha-1 de N e K2O, correspondendo a 200 kg ha-1 da formulação 20-00-20.
3. Comprimento da espiga, número de grãos por espiga e umidade de grãos na colheita do milho
O controle de pragas e doenças no cultivo do
– em cada repetição de 3 linhas, foram separadas
milho foi empregado com base no manejo integrado.
aleatoriamente 10 espigas e, após retirada da palha,
As recomendações de aplicações de inseticidas e
foi medido o comprimento da espiga (da base até o
fungicidas priorizaram a rotação de mecanismos de
último grão localizado no ápice), o número de fileiras
ação e produtos.
(contagem das fileiras na parte central da espiga), o
A colheita da soja foi realizada mecanicamente
número de grãos nas fileiras (contagem dos grãos da
nos Sistemas 1 e 3 utilizando colhedora automotriz
base até o último grão localizado no ápice) e a umidade
e manualmente no Sistema 2 no dia 13/03/2021,
dos grãos no momento da colheita, através da medição
correspondendo a 138 dias após a semeadura. No
do teor de água nos grãos após debulha, expresso em
Sistema 1, em razão do milho estar em estádio de
porcentagem;
desenvolvimento V4, toda a parte aérea foi ceifada pela
4. Massa de 100 grãos, produtividade de grãos –
passagem da máquina. Para isso, a altura da plataforma
todas as espigas das 3 linhas que compõem cada bloco
de corte da colhedora foi regulada para trabalhar
foram colhidas manualmente e debulhadas. Os grãos
considerando a inserção da primeira vagem de soja em
foram pesados e uma subamostra foi separada para
relação ao solo.
avaliação da massa de 100 grãos e umidade nos grãos.
A colheita do milho nos 3 sistemas foi realizada em 20/07/2021, correspondendo a 139 dias após
Os dados destas duas variáveis foram estimados para 13% (base úmida).
a emergência (Sistemas 1 e 2) e 122 dias após a emergência do milho (Sistema 3). Antecedendo a
Face ao processo de mecanização para
colheita, foram realizadas as seguintes avaliações em
realização dos tratamentos, os dados de avaliações
cada bloco:
dos cultivos foram obtidos como pseudorrepetições,
Fitotecnia
85
por meio de amostras independentes, em dez pontos aleatórios (blocos) georreferenciados dentro de cada tratamento, uma vez que a mecanização de grande porte não permitiu a utilização de delineamento experimental clássico, com repetições estatísticas verdadeiras (SIMÃO et al., 2021). Na comparação de médias das variáveis foi empregado o teste de Tukey a 5% de probabilidade, utilizando o programa estatístico Sisvar (Ferreira, 2011).
RESULTADOS E DISCUSSÃO Durante o período de cultivo do milho segunda safra, considerando as épocas de semeadura dos tratamentos, o total de precipitação pluviométrica acumulada foi de 221,5 mm (Figura 2). Deste total, 97 mm (43,7%) foi acumulado nos Sistemas 1 e 2, em decorrência dos 17 dias de antecipação do milho intercalar referente ao ANTECIPE.
Figura 2. Precipitações diárias em cada mês do ano de 2021 observadas durante o período de condução do milho segunda safra. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, ano agrícola 2020/2021. Na Tabela 3 estão apresentados os resultados
plantas em relação aos Sistemas 1 e 2, houve menor
de altura de plantas, altura de inserção da espiga
competição pelos recursos naturais (principalmente
e diâmetro do colmo. O Sistema 3 apresentou os
chuva) que propiciaram maior porte e diâmetro de
maiores valores nas 3 variáveis, resultado este não
colmo das plantas.
esperado, uma vez que, comparado as outras 2 épocas, a semeadura ocorreu tardiamente e com menor
quantidade
de
precipitação
acumulada
neste tratamento (Figura 2). Mesmo em condições hídricas restritivas, as plantas nesta época de semeadura apresentaram melhor porte em razão do menor estande final de plantas proposto para este tratamento (Tabela 4). Com menor densidade de
86
Fitotecnia
Tabela 3. Altura de plantas, altura de inserção da espiga e diâmetro do colmo do milho em diferentes modalidades de cultivo em segunda safra. Rio Verde/GO, ano agrícola 2020/21.
Embora com maior porte de plantas, o Sistema 3 apresentou menor estande final
pela ausência de chuvas no florescimento, foram
e número de
preponderantes para a plena formação de espigas
espigas. Este resultado foi decorrente do menor
em todos os tratamentos avaliados (Tabela 4).
estande planejado neste sistema (50.000 plantas ha-
Os Sistemas 1 e 2 apresentaram resultados
), comparado aos demais (70.000 plantas ha-1). Assim,
estatisticamente semelhantes, demonstrando que
não é correto inferir que a variação dos estandes
a antecipação da semeadura do milho representou
entre os tratamentos foi decorrente dos sistemas de
condições climáticas mais favoráveis para estes
cultivo analisados, tampouco efeito da deficiência
dois tratamentos (97 mm a mais de chuva), muito
hídrica, principalmente durante o desenvolvimento
embora o Sistema 1 apresentou índice de espigas
no campo (Tabela 4).
estatisticamente semelhante à Época 3. Além disso,
1
Nos Sistemas 1 e 2, pela antecipação na
constatou-se que no Sistema 1, mesmo com o dano
semeadura do milho segunda safra em 17 dias antes
mecânico às plantas de milho pela colhedora no
da colheita da soja, houve condições climáticas mais
momento da colheita da soja, nenhuma das variáveis
favoráveis para atingir o estande final planejado
analisadas na Tabela 4 diferiram do Sistema 2,
(3,5 sementes metro -1) e, no caso do Sistema 1
indicando que o corte da parte aérea do milho não
(ANTECIPE), mesmo com o corte das plantas de
influenciou nestas variáveis nestes 2 tratamentos.
milho no momento da colheita da soja, o estande final e número de espigas foi estatisticamente semelhante ao Sistema 2, este último sem o corte das plantas de milho. O índice de espigas nas 3 épocas de semeadura ficou abaixo de 1, indicando que as condições
climáticas
restritivas,
principalmente
Fitotecnia
87
Tabela 4. Estande final de plantas, número de espigas e índice de espigas do milho em diferentes modalidades de cultivo do milho segunda safra. Rio Verde/GO, ano agrícola 2020/21.
O comprimento da espiga não apresentou correlação com os resultados de número de grãos
Através destes resultados, é possível inferir
por espiga e umidade de grãos na colheita (Tabela
que, a colheita do milho, na semeadura mais
5). No Sistema 3, embora com comprimento da
tardia, nas condições em que este experimento foi
espiga significativamente maior em relação aos
conduzido, não apresentava condições favoráveis
outros tratamentos, obteve menor número de grãos
no mesmo momento que as épocas de semeadura
por espiga e maior umidade de grãos na colheita.
antecipadas. Além disso, o Sistema 1, mesmo com
Nas épocas de semeadura antecipada, mesmo com
as plantas cortadas pela colheita mecânica da soja,
diferenças no comprimento da espiga, o número de
proporcionou condições de formação de espigas e de
grãos por espiga foi estatisticamente semelhante,
grãos semelhante à semeadura do milho no mesmo
demonstrando que, assim como no estande final
dia, porém, na ausência de plantas de soja e sem o
e número de espigas por hectare, a semeadura
dano mecânico ao milho (Sistema 2), indicando que
intercalar do milho no sistema ANTECIPE não causou
o dano mecânico ocasionado nas plantas de milho
problemas no estabelecimento das plantas e na
não reduziu as características da espiga. Mesmo
formação de grãos na espiga.
com maior teor de umidade quando comparado
Em relação ao teor de umidade dos grãos
ao Sistema 2, a diferença de 4% entre estes dois
na colheita, importante indicador para tomada de
tratamentos não significa que o milho semeado no
decisão do momento em colher o milho, diferenças
ANTECIPE não causará atraso na colheita de milho
significativas foram observadas entre os sistemas de
mesmo com o crescimento consorciado com a soja
cultivo (Tabela 5). O maior valor foi obtido no Sistema
por 17 dias.
3 demonstrando que, além de menor estande e número de grãos por espiga, neste tratamento, a colheita deveria ser mais tardia em relação aos
88
demais sistemas avaliados.
Fitotecnia
Tabela 5. Comprimento da espiga, número de grãos por espiga e umidade de grãos na colheita do milho em diferentes modalidades de cultivo do milho segunda safra. Rio Verde/GO, ano agrícola 2020/21.
Além de reduzir significativamente o número de
análise do resultado do coeficiente da variação (CV)
grãos por espiga, a semeadura tardia do milho (Sistema
apresentada na Tabela 6, que indica a variação entre o
3) reduziu a massa de 100 grãos e impactou diretamente
estande final de plantas para cada um dos tratamentos
na produtividade (Tabela 6), provavelmente, pela menor
avaliados. Constatou-se que, neste sistema, a variação
quantidade de água proveniente da precipitação
do estande foi significativamente maior em relação
pluviométrica durante o desenvolvimento do milho
aos demais tratamentos. Neste caso, em razão da
neste tratamento. A semeadura do milho no cultivo
semeadura do milho ter sido realizada intercalar às
ANTECIPE nos Sistemas 1 e 2 apresentaram massa de
linhas de soja pela primeira vez pelo operador, houve
100 grãos estatisticamente semelhante.
variação na velocidade de deslocamento do conjunto
A menor produtividade de grãos no Sistema
trator-semeadora. Como a distribuição de sementes é
1, mesmo com estande final de plantas e de espigas
regulada pela velocidade de deslocamento do conjunto,
estatisticamente
foi
ocorreu variações de velocidade ao longo do percurso,
decorrente de uma diferença de 1.800 plantas ha e
causando problemas na distribuição de sementes no
4.000 espigas ha a menos que no Sistema 1 (Tabela 4).
Sistema 1.
semelhante
ao
Sistema
2,
-1
-1
Mesmo sem diferença estatística entre os tratamentos
O
mesmo
entendimento
não
pode
ser
para estas variáveis, com menor número de espigas por
relacionado ao Sistema 3 pois, neste tratamento,
hectare, consequentemente a produtividade de grãos
a semeadura foi realizada com outra semeadora,
foi afetada neste tratamento.
após a colheita da soja. Desta maneira, pode-se
O
resultado
da
menor
produtividade
de
inferir que, nesta época de semeadura, as condições
grãos no ANTECIPE para o Sistema 1 não pode ser
climáticas durante o desenvolvimento do milho foram
atribuído ao corte mecânico das plantas no momento
preponderantes para o estabelecimento de plantas,
da colheita da soja. Esta afirmação baseia-se na
formação de grãos e peso de grãos, culminando em
Fitotecnia
89
redução na produtividade.
ANTECIPE (Sistema 1), há ganho de 3,6 sacos de milho
A antecipação da semeadura do milho para
ha-1 dia-1 nos 17 dias de antecipação em relação à
o mês de fevereiro proporcionou incrementos de
semeadura tardia (Sistema 3), o que significa um ganho
produtividade significativos (Tabela 6). No Sistema 1, o
de 40% em produtividade entre estas épocas. Tal
incremento foi de 216,7 kg ha-1 dia-1, o que representou
resultado corrobora as afirmações de Karam et al. (2020)
3,6 sacos de milho ha-1 dia-1 de antecipação. No
que, ao analisarem resultados de pesquisas realizadas
Sistema 2, o ganho foi de 275,5 kg ha-1 dia-1 (4,6 sacos
com o Antecipe em Rio Verde/GO, concluíram que esta
de milho ha-1 dia-1). Estes resultados demonstraram
técnica de cultivo, mesmo com a presença da soja até
que, comparados à semeadura tardia de março, a
a colheita da oleaginosa, é possível obter ganhos de
antecipação proporcionou ganhos na produtividade.
produtividade de milho segunda safra, mesmo após o
Entre estes dois sistemas, face a diferença no número
dano mecânico nas plantas provocado pela passagem
de espigas entre os tratamentos e o maior CV no
da colhedora. Os autores, ao analisarem os ganhos na
sistema ANTECIPE, houve diferença na produtividade
produtividade de milho segunda safra proporcionados
de grãos de 1 saco ha-1 dia-1 de antecipação.
pelo ANTECIPE, encontraram incrementos de 135 e
Através da análise da produtividade de grãos e do incremento pelos dias de antecipação, é possível
230 kg ha-1 dia-1 antecipando a semeadura em 20 e 10 dias antes da colheita da soja, respectivamente.
demonstrar que, no caso do cultivo do milho no sistema
Tabela 6. Massa de 100 grãos, produtividade de grãos e incremento de produtividade de grãos do milho em diferentes modalidades de cultivo do milho segunda safra. Rio Verde/GO, ano agrícola 2020/21.
Considerando os dados obtidos neste trabalho
que vários fatores são importantes para obtenção
e os de Karam et al. (2020) constatou-se que o ganho
destes resultados, porém, a análise dos trabalhos
de produtividade pela antecipação em 17 dias
conduzidos com o ANTECIPE é possível identificar a
(216,7 kg ha dia ) é semelhante aos obtidos com
semelhança de ganhos de produtividade pela adoção
10 dias de antecipação pelos autores. É evidente
deste sistema de cultivo quando comparados à
-1
90
Fitotecnia
-1
semeaduras tardias. Além disso, segundo os autores,
pelo aprimoramento e concessão da semeadora-
a produtividade de grãos obtida no ANTECIPE não
adubadora para realização do cultivo Antecipe.
pode ser comparada à produtividade do milho semeado em condições mais propícias para a expressão máxima de produtividade, motivo pelo qual os mesmos não recomendam a substituição total do cultivo de milho após a colheita da soja. O ANTECIPE é uma estratégia de redução de risco e, assim como os resultados obtidos neste trabalho, a antecipação da semeadura resulta em ganhos de produtividade quando comparado à semeadura fora do calendário agrícola preconizado pelo ZARC para o município de Rio Verde.
CONCLUSÕES
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASF. Lista de cultivares disponíveis: CZ 48B32 IPRO. Disponível em: https://agriculture.basf.com/ br/pt/protecao-de-cultivos-e-sementes/produtos/ credenz/Credenz/CZ-48B32-IPRO.html. Acesso em 01.09.21. CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira: grãos, v. 11, décimo primeiro levantamento, agosto, 2021. Disponível em: https://www.conab.gov.br/info-agro/ safras/graos/boletim-da-safra-de-graos. Acesso em 01.09.2021.
Nas condições em que o trabalho foi conduzido,
FARIAS, J. R.; NEPOMUCENO, A. L.; NEUMAIER, N.
a antecipação da semeadura em 17 dias proporciona
Ecofisiologia da soja. Londrina: Embrapa Soja,
condições mais favoráveis para estabelecimento
2007, 9 p. (Circular Técnica 48).
de plantas, espigas, números de grãos por espiga,
FERREIRA,
massa de 100 grãos e produtividade de grãos de
computacional de análise estatística. Ciência e
milho segunda safra.
Agrotecnologia, 35(6), 1039-1042.
D.
F.
(2011).
Sisvar:
um
sistema
O atraso na semeadura para o mês de março
KARAM, D.; BORGHI, E.; MAGALHAES, P. C.; PAES,
de 2021 impacta negativamente na produtividade de
M. C. D.; PEREIRA FILHO, I. A.; MANTOVANI, E. C.;
milho segunda safra.
SOUZA, T. C. de; ADEGAS, F. S. Antecipe: cultivo
O sistema ANTECIPE, através da antecipação
intercalar antecipado.
Brasília, DF: Embrapa, 2020.
da semeadura do milho intercalar às linhas de soja,
105 p. Disponível em: http://www.infoteca.cnptia.
produz mais que o milho semeado fora do calendário
embrapa.br/infoteca/handle/doc/1126609
agrícola, mesmo submetido ao dano mecânico
MAGALHAES, P. C.; BORGHI, E.; KARAM, D.;
causado pela colhedora ao colher a soja.
PEREIRA FILHO, I. A.; RIOS, S. de A.; ABREU, S. C.; LANDAU, E. C.; GUIMARAES, L. J. M.; PASTINA, M.
AGRADECIMENTOS À equipe de campo do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO indispensáveis para a condução deste trabalho. À JUMIL – Justino de Morais Irmãos S/A,
M.; DURAES, F. O. M. Desenvolvimento do milho segunda
safra:
fatores
genético-fisiológicos,
plataforma de conhecimento e práticas de manejo de cultivo e uso, visando sustentabilidade de produção e produtividade no binômio soja/milho. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2020. 42 p. (Embrapa Milho
Fitotecnia
91
e Sorgo. Documentos, 258). SANTOS, H.G.; JACOMINE, P. K. T.; ANJOS, L. H. C.; OLIVEIRA, V. A.; LUMBRERAS, J. F.; COELHO, M. R; ALMEIDA, J. A.; ARAÚJO FILHO, J. C.; OLIVEIRA, J. B.; CUNHA, T. J. F. Latossolos. In: Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 5. ed. Brasília :Brasília: Embrapa, Cap. 10, p. 195 – 199,2018. SIMÃO, E. de P.; RESENDE, A. V. de; GIEHL, J.; GALVÃO, J. C. C.; BORGHI, E.; OLIVEIRA, A. C. de; GONTIJO NETO, M. M. Agronomic responses to the intensification of grain production systems in dryland farming of central Minas Gerais State, Brazil. Brazilian Journal of Agriculture, v. 96, n. 1, p. 277-293, 2021. THORNTHWAITE, C. W. An Approach toward a Rational Classification of Climate. Geographical Review, v. 38, n 1., p. 55-94, 1948.
92
Fitotecnia
ÉPOCAS DE SEMEADURA DE HÍBRIDOS DE SORGO EM 2ª SAFRA NOS ANOS AGRÍCOLAS 2019/20 e 2020/21: PRODUTIVIDADE DE GRÃOS ALMEIDA, Dieimisson Paulo1; LIMA, Diego Tolentino de2, FERNANDES, Rafael Henrique3, FURTINI NETO, Antônio Eduardo4; ROSA, Victória Caroline Sousa5; FREITAS, Bárbara Vieira de6 Eng. Agrônomo. Dr. em Agronomia / Produção Vegetal. Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO-ITC, COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br; 2 Eng. Agrônomo, Dr em Agronomia, Pesquisador em Entomologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO. E-mail: diegotolentino@comigo.com.br; 3 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia, Pesquisador em Fitopatologia do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO. E-mail: rafaelhenrique@comigo.com.br; 4 Eng. Agrônomo, Dr. em Agronomia. Professor Titular aposentado da Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras-MG. Consultor Externo em Solos e Nutrição de Plantas, COMIGO, Rio Verde - GO. E-mail: furtinineto@ gmail.com; 5 Eng. Agrônoma, Egressa do curso de Agronomia do Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: victoriacsr19@gmail.com; 6 Graduanda em Agronomia, Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: barbaravieiraf97@outlook.com; 1
teve um forte efeito no crescimento na produtividade no Brasil. O uso da cultura sorgo na região Centro-Oeste está fortemente ligado tanto pela aplicabilidade no sistema de produção de plantio direto em sucessão a soja, quanto para a importância da 2ª safra (“safrinha”), onde o sorgo representa menor risco, uma vez que é mais tolerante ao estresse hídrico do que o milho (DUARTE, 2010). O acompanhamento da safra brasileira de grãos, realizado pela CONAB (2020) estimou que no ano agrícola 2019/2020 a produção sorgo granífero chegou a 2,7 milhões de toneladas de grãos, em uma área total de 835.400 ha. No ano agrícola 2020/2021 a área cultivada com sorgo granífero aumentou para um total de 864.600 ha, entretanto, a produção de grãos de sorgo reduziu para 2,1 milhões de toneladas (CONAB, 2021). O sorgo granífero tem sua data de semeadura dependente da época de colheita da cultura antecessora. Com isso, quanto mais tarde for seu estabelecimento no campo, o potencial de produção pode ser reduzido, aumentando o risco por perdas por adversidades
INTRODUÇÃO
climáticas, como deficiência hídrica, fotoperíodo e temperatura baixa do ar. Além disso, tem predominado
O sorgo tem como característica ser mais
o uso de híbridos simples, os quais expressam
resistente ao estresse hídrico do que o milho, mas
produtividade máxima na primeira geração, sendo
não resistente à seca e dependente de boas práticas
necessária a aquisição de sementes todos os anos
culturais
(FILHO e FORNASIERI, 2009).
para
atingir
melhores
produtividades
(DUARTE, 2010). O crescimento da produção na região
No estado de Goiás é comum cultivar o sorgo
Fitotecnia
93
granífero geralmente em sucessão a soja implantada
O solo na área experimental é da classe LATOSSOLO
no início de novembro e cultivada até a última
VERMELHO Distrófico.
semana de fevereiro (primavera-verão), substituindo
A
pesquisa
conduzida
no
ano
agrícola
principalmente o cultivo de milho segunda safra, devido
2019/2020, e foi constituída por 5 híbridos de sorgo:
ao zoneamento agroclimático do estado.
1G100; 1G233; 1G245; AG1085; AG1090. Os híbridos
Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi
foram semeados em duas épocas, no dia 07 de março
avaliar a produtividade grãos de cinco híbridos de sorgo
de 2020 (1ª época de semeadura) e no dia 17 de março
granífero de dois germoplasmas, semeados em duas
de 2020 (2ª época de semeadura).
épocas distintas na segunda safra dos anos agrícolas 2019/2020 e 2020/2021.
No ano agrícola 2020/2021, a pesquisa e foi constituída por 5 híbridos de sorgo: 1G100; 1G233; B1G255; AG1085; AG1070. A semeadura dos híbridos
MATERIAL E MÉTODOS
foram em duas épocas, no dia 11 de março de 2021 (1ª época de semeadura) e no dia 19 de março de 2020 (2ª
O experimento foi conduzido no Instituto de
época de semeadura).
Ciência e Tecnologia COMIGO (ITC) localizado no Anel
O experimento foi conduzido em blocos
Viário Paulo Campos s/n, Zona Rural, Rio Verde Goiás. A
casualizados com 4 repetições para cada híbrido,
área do experimento está localizada nas coordenadas
cada unidade experimental com dimensão de 6,0 m
S 17°46’00’’e W 51°02’13’’ e altitude de 840 metros.
(12linhas) x 40 m (240 m²).
Segundo Thornthwaite (1948) o clima de Rio Verde
A área onde foi conduzida a pesquisa foi
- GO é classificado em B4 rB’4a’ (úmido; pequena
cultivada com soja na 1ª safra dos anos agrícolas
deficiência hídrica; mesotérmico; evapotranspiração
anteriores. Antes da semeadura da soja foi realizada
no verão menor que 48% da evapotranspiração anual).
análise de solo para condução do experimento na camada de 0-20 (Tabela 1).
Tabela 1. Atributos do solo na profundidade de 0-20 cm no local de condução da pesquisa na área experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO – ITC, Rio Verde – GO, 2ª safra dos anos agrícolas 2019/2020 e 2020/2021.
Antes da semeadura dos híbridos de sorgo foi
(Digitaria horizontalis), capim custódio (Pennisetum
-1
aplicado glyphosate (Roundup Transorb, 480 g e.a. L ,
setosum) e capim pé-de-galinha (Eleusine indica) em
Monsanto), na dose de 1,3 kg e.a. ha para controlar
pleno estádio de desenvolvimento vegetativo e recém-
plantas de folha estreita como o capim-colchão
emergido.
-1
94
Fitotecnia
A semeadura dos híbridos foi realizada por
semeadura, respectivamente. Nos dois anos agrícolas
uma semeadora-adubadora pneumática (JM2670PD,
A adubação de semeadura foi realizada no sulco e em
6 linhas a 0,5 m, JUMIL) montada em um trator (6155J,
cobertura, conforme Tabela 2. Assim, na implantação,
115 cv, John Deere), calibrada para semear 9,6 e
a mesma foi equivalente a 22,5, 56 e 50,4 kg ha-1de N,
9,1 sementes m-1 na primeira e segunda época de
P2O5 e K2O, respectivamente.
Tabela 2. Adubação realizada na área experimental. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO – ITC, Rio Verde - GO, 2ª safra dos anos agrícolas 2019/2020 e 2020/2021.
Aos 30 dias após a semeadura foi aplicado 1,5
linhas centrais, totalizando 9 metros.
kg i.a. ha-1 de Atrazine (Proof, 500 g i.a. L-1). Os demais
Após a colheita, o material vegetal foi trilhado e
tratos culturais e fitossanitários, como manejo de
determinou-se o teor de água (umidade) dos grãos de
plantas-daninhas, doenças e insetos foram realizados
sorgo de cada parcela (repetição) pelo método da estufa
de acordo com a recomendação agronômica pertinente
(BRASIL, 2009). Posteriormente, fez-se a correção
para a região. Foi monitorada a data de florescimento
da umidade dos grãos para 13%, e determinou-se a
de cada híbrido de sorgo.
produtividade em sacas ha-1, cada saca corresponde a
Na época da colheita, aferiu-se a altura do colo das plantas até a última lígula visível (na folha bandeira), em dez plantas por parcela tomadas ao acaso.
60 kg de grãos de sorgo. Com o objetivo de detectar a significância das diferenças dos componentes de produção dos
Para avaliação da produtividade de grãos dos
híbridos de sorgo, os resultados obtidos nas avaliações
híbridos de sorgo e do número final de plantas ha-1,
foram submetidos à análise de variância ao nível de
adotou como área útil 3 metros de comprimento das 3
significância de 5% e as médias, quando pertinente,
Fitotecnia
95
foram comparadas pelo teste de Scott-Knott ao nível
(Tabela3), o florescimento dos híbridos 1G100 e
de 5% de probabilidade, tendo sido também avaliada
1G233 ocorreu aos 58 e 60 dias após a semeadura,
a homogeneidade das variâncias e a normalidade dos
respectivamente, caracterizando estes híbridos como
dados.
mais precoces em relação aos híbridos 1G245; AG1085 e AG1090 que floresceram após 65 dias.
RESULTADOS E DISCUSSÃO ANO AGRÍCOLA 2019/2020 Na 1ª época (07/03/2020) e 2ª de semeadura
Ao comparar a 1ª época (07/03/2020) com a 2ª época de semeadura (17/03/2020) (Tabela 3), verificase que, exceto para o híbrido 1G100, todos os demais apresentaram maior número de dias para florescer, o que pode estar relacionado com a sensibilidade de cada híbrido à temperatura e a irradiância/fotoperíodo.
Tabela 3. Densidade de semeadura, período de florescimento, número final plantas e altura de plantas de híbridos de sorgo semeados em duas épocas. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, Rio Verde – GO, 2ª safra do ano agrícola 2019/2020.
Na 1ª época de semeadura (07/03/2020) (Figura 1) não foi detectada diferença estatística entre as produtividades de grãos dos híbridos de sorgo. Os híbridos 1G100, 1G233, 1G245, AG1085 e AG1090 produziram 115, 114, 96, 105 e 105 sacas ha-¹, respectivamente. De acordo com as estimativas da CONAB (2021), é importante salientar que nesta pesquisa todos os híbridos de sorgo superaram a média de produtividade (sacas ha-¹) do Estado de Goiás, produzindo o dobro de sacas de sorgo ha-1 comparados à média Estadual, indicando a assertividade do manejo da cultura do sorgo realizada neste trabalho.
96
Fitotecnia
Figura 1. Produtividade de grãos de híbridos de sorgo semeados em 7 de março de 2020. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde-GO, 2ª safra do ano agrícola 2019/2020. Na Figura 2 ao observar as precipitações
1G233; 1G245; AG1085; AG1090. Na 2ª época de
pluviais diárias em cada mês e na Tabela 3 que, na
semeadura (17/03/2020) as chuvas ocorreram no pré-
1ª época de semeadura (07/03/2020) o acumulado
florescimento (emborrachamento) de todos os híbridos
de chuvas de 14 mm aos 11, 9, 4, 4 e 4 após o
(1G100; 1G233; 1G245; AG1085; AG1090).
florescimento para os respectivos híbridos 1G100;
Figura 2. Precipitações diárias em cada mês observadas durante o período de condução a campo do experimento realizado com a cultura do sorgo. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, 2ª safra do ano agrícola 2019/2020.
Fitotecnia
97
Na 2ª época de semeadura (17/03/2020)
produtividades de grãos, sendo 108, 107 e 109 sacas
(Figura 3) foram observadas diferenças estatísticas
ha-1, respectivamente. Os híbridos 1G245 e AG1090
nas produtividades dos híbridos de sorgo. Os híbridos
atingiram menores médios de produtividade de grãos,
1G100, 1G233, B1G255, e AG1085 obtiveram maiores
com 93 sacas ha-1 para os respectivos híbridos.
Figura 3. Produtividade de grãos de híbridos de sorgo semeados em 17 de março de 2020. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, Rio Verde - GO, 2ª safra do ano agrícola 2019/2020. Nesta pesquisa a quantidade de chuvas foi a mesma para as duas épocas de semeadura (11/03/2020 e 19/03/2020) com um total de 154,5 mm durante as condução da pesquisa (Figura 2) e as diferenças nas produtividades entre as duas épocas de semeadura (11/03/2020 e 19/03/2020) não foram expressivas, isso pode ser explicado pela distribuição de precipitações pluviais desde a semeadura até a colheita (Figura 2).
ANO AGRÍCOLA 2020/2021 Verifica-se na Tabela 4 que, na 1ª época de semeadura (11/03/2021), o florescimento dos híbridos 1G100, 1G233, B1G255 e AG1070 ocorreu aos 56, 67, 66, 63 e 61 dias após a semeadura, respectivamente. Na época de semeadura (11/03/2021), o florescimento dos híbridos 1G100, 1G233, B1G255 e AG1070
98
Fitotecnia
ocorreu aos 59, 59, 59, 66 e 66 dias após a semeadura, respectivamente.
Tabela 4. Densidade de semeadura, período de florescimento, número final plantas e altura de plantas de híbridos de sorgo semeados em duas épocas. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, Rio Verde – GO, 2ª safra do ano agrícola 2020/2021.
Na 1ª época de semeadura (11/03/2021)
as estimativas da CONAB (2021), é importante salientar
(Figura 4) foi detectada diferença estatística entre
que no agrícola 2020/2021 todos os híbridos de sorgo
as produtividades de grãos dos híbridos de sorgo,
superaram a média de produtividade (sacas ha-¹) do
os híbridos 1G100 e AG1070 obtiveram maior
Estado de Goiás, 2,8 vezes a mais média de sacas de
produtividade, acima de 120 sacas ha e os híbridos
sorgo ha-1 comparados à média Estadual, indicando a
de sorgo 1G233, B1G255 e o AG1085 tiveram
assertividade do manejo da cultura do sorgo realizada
produtividades estatisticamente iguais. De acordo com
nesta pesquisa.
-1
Figura 4. Produtividade de grãos de híbridos de sorgo semeados em 12 de março de 2021. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde-GO, 2ª safra do ano agrícola 2020/2021.
Fitotecnia
99
A quantidade de chuvas (Figura 4) para a 1ª
segundo período crítico da cultura do sorgo quanto à
época de semeadura (11/03/2021) foi de 134,5 mm.
disponibilidade de água no solo é compreendido entre
e para a 2ª época de semeadura (19/03/2021) foi de
o pré-florescimento (emborrachamento) ao final da
110,5 mm durante as condução da pesquisa.
fecundação, entretanto, não se conhece precisamente
Na 1ª época de semeadura (11/03/2021), ao
os estádio de desenvolvimento com maior sensibilidade.
analisar a Figura 5 e a Tabela 4 verifica-se que não
Neste sentido, solos que possuem maior potencial de
ocorreu precipitações pluviais no pré-florescimento
retenção de água pode ter um excedente hídrico que
(emborrachamento) para todos os híbridos (1G100;
possibilita a disponibilidade de água para a cultura do
1G233; B1G255; AG1085; AG1070). Na 2ª época de
sorgo nos períodos críticos. Portanto, vale enaltecer a
semeadura (19/03/2020) as chuvas ocorreram no pré-
importância das práticas agrícolas que possibilitam
florescimento somente dos híbridos AG1085 e AG1070
incrementar a capacidade de infiltração e retenção
e nos híbridos 1G100 1G233 e B1G255 o acumulado
de água em um determinado solo e, assim, reduzir
de 26 mm de chuva foi 6 dias após o florescimento.
os riscos potenciais no cultivo do sorgo granífero em
De acordo Fornasieri Filho e Fornasieri (2009), o
segunda safra.
Figura 5. Precipitações diárias em cada mês observadas durante o período de condução a campo do experimento realizado com a cultura do sorgo. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO, Rio Verde, GO, 2ª safra do ano agrícola 2020/2021. Na 2ª época de semeadura (19/03/2021) do ano agrícola 2020/2021 (Figura 6) foram observadas diferenças estatísticas nas produtividades dos híbridos de sorgo. Os híbridos 1G100 e AG1070, assim como na 2ª época de semeadura (11/03/2021) obtiveram maiores produtividades de grãos de 118 e 113 sacas ha-¹, quando comparado aos híbridos de sorgo 1G233,
100
Fitotecnia
B1G255 e o AG1085 atingiram menores médias de produtividade de grãos, 100, 90 e 90 sacas ha-¹.
Figura 6. Produtividade de grãos de híbridos de sorgo semeados em 19 de março de 2020. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, Rio Verde - GO, 2ª safra do ano agrícola 2020/2021. A evidência levantada nesta pesquisa é de que, a
quando semeados na 1ª época (07/03/2020) e na
distribuição das precipitações pluviais no ano agrícola
2ª época (17/03/2020) apresentaram alto potencial
2020/2021 podem ter mantido as produtividades na
produtivo para a região com a média de 102 e 107
2ª época de semeadura próximas as da 1ª época de
sacas ha-1, respectivamente.
semeadura. Isto pode ser reforçado ao analisar os
No ano agrícola 2020/2021 os híbridos de sorgo
resultados obtidos em outras pesquisas com híbridos
(1G100, 1G233, B1G255, AG1085 e AG1070) semeados
de sorgo (ALMEIDA et al. 2019; ALMEIDA et al. 2020 ).
na 1ª época (11/03/2020) e na 2ª época (19/03/2020)
Entretanto, vale ressaltar que ao ocorrer a geada em 01
obtiveram altas produtividade com média de 116 e 102
de julho de 2021 os híbridos de sorgo 1G233 B1G255
sacas ha-1, respectivamente.
e AG1085 estavam no estádio fenológico 8, de acordo com Fornasieri Filho e Fornasieri (2009), nesta fase de desenvolvimento da cultura do sorgo as sementes
AGRADECIMENTOS
possuem cerca de três quartos da matéria seca, ou
À equipe de campo do Instituto de Ciência e
seja, a geada provavelmente reduziu a produtividade
Tecnologia COMIGO indispensáveis para a condução
destes híbridos de sorgo (1G233, B1G255 e AG1085)
deste trabalho.
em torno de 25%.
CONCLUSÃO
A Coordenadora Gestão de Produtos da COMIGO, Engª Agr.ª Adriana Ferraz de Almeida Santos pelo apoio e sugestões prestadas no planejamento do experimento.
Os híbridos de sorgo (1G100, 1G233, 1G245,
Ao Coordenador Técnico e Comercial da
AG1085 e AG1090) avaliados no ano agrícola 2019/2020
COMIGO, Eng. Agr. Esp. Beckembauer Ferreira pelo
Fitotecnia
101
apoio e sugestões prestadas no planejamento do experimento.
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102
Fitotecnia
Entomologia
103
104
Entomologia
Plantas Daninhas
Foto: Dieimisson Paulo Almeida
FLUXOS DE EMERGÊNCIA DE PLANTAS DE BUVA APÓS COLHEITA DO MILHO SEGUNDA SAFRA
BORGES¹, Renato Silva; TIMOSSI², Paulo César; GUSMÃO3, Ana Débora Ribeiro Cardoso; ALMEIDA4, Dieimisson Paulo ¹Eng. Agrônomo. Mestre em Sustentabilidade na Agricultura pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Cassilândia-MS, Brasil. E-mail: renatosilva_borges@hotmail.com ² Eng. Agrônomo. Professor Doutor do curso de Agronomia da Universidade Federal de Jataí (UFJ), Jataí-GO, Brasil. E-mail: timossi@ufj.edu.br 3 Eng. Agrônoma. Mestranda em Agronomia/ Produção Vegetal. Universidade Federal de Jataí (UFJ), Jataí-GO. E-mail: anadebora.gusmao@gmail.com Eng. Agrônomo, Doutor em Agronomia/Produção Vegetal. Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO – ITC, COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: ‘dieimissonpaulo@comigo.com.br 4
caráter negativo em áreas agricultáveis, estabelecendose principalmente em áreas de lavouras nos períodos de entressafra onde se realiza práticas conservacionistas com o mínimo de revolvimento do solo (TREMMEL; PETERSON, 1983). A
buva
é
uma
planta
que
apresenta
desenvolvimento anual, com reprodução sexuada e produção de sementes que germinam no outonoinverno findando o seu ciclo no verão, caracterizandose como planta daninha de inverno (TOZZI et al., 2014). O gênero Conyza sp. destaca-se por infestar culturas de ciclo anual como algodão, milho, soja e trigo, áreas com pastagens, culturas perenes (frutíferas e espécies florestais) e áreas como margens de estradas e terrenos baldios (CONSTANTIN et al., 2013). Mundialmente, estas espécies infestam mais
INTRODUÇÃO A família Asteraceae compreende cerca de 1100 gêneros (BARROSO et al., 1991). Pertencente à essa família, encontra-se o gênero Conyza, que apresenta cerca de 50 espécies, a qual é conhecida popularmente por buva, com fluxos de emergência em diferentes períodos durante todo o ano (KISSMANN; GROTH, 1999). As espécies Conyza bonariensis e Conyza canadensis destacam-se por apresentarem um
de 40 culturas (SANSOM et al., 2013). No CentroOeste, a principal espécie infestante é a Conyza canadensis, sendo uma espécie nativa da América do Norte (ALCORTA et al., 2011). Trata-se de uma espécie infestante que cresceu nos últimos anos, fazendo com que ela se tornasse uma planta daninha amplamente distribuída mundialmente (CONSTANTIN et al., 2013). Essa espécie apresenta um grau elevado de competição, com capacidade de interferir na capacidade produtiva das culturas, mesmo em pequena quantidade de área infestada (PATEL et
Plantas Daninhas
105
al., 2010). As plantas quando desenvolvidas em
diminuam o uso de herbicidas, contaminação do
condições ótimas, possuem grande profilicidade,
ambiente e aprimoramento das tecnologias usadas
com produções de sementes que chegam a atingir
na agricultura (ZANDONÁ et al., 2018).
até cerca de 200.000 sementes por planta no caso da espécie C. canadensis (GREEN, 2010).
Dessa forma, objetivou-se com a pesquisa caracterizar o padrão de fluxo de emergência de
A infestação de buva ocasiona uma redução
plantas em área com o sistema agrícola de sucessão,
significativa no potencial produtivo da soja. Altas
com soja cultivada em primeira safra e milho em
infestações podem reduzir em cerca de 30% a
segunda safra, para assim contribuir na definição de
produtividade da cultura, em condição de convivência
estratégias para o controle de buva após a colheita
com mais de 30 plantas de buva por m² (BARALI
do milho segunda safra.
JÚNIOR., 2016). A presença da Conyza spp. no momento da colheita pode acarretar em redução na qualidade do produto a ser colhido, em virtude da presença
O experimento foi conduzido no estado de
de impurezas e da umidade, e consequentemente
Goiás, no município de Jataí, localizado no sudoeste
diminuição do valor recebido pelo agricultor no
do estado, com coordenadas geográficas de 17°53’S e
processo de comercialização do produto (GAZZIERO
52°43’ W e 680 m de altitude, em áreas experimentais
et al., 2010). Segundo esses autores, quando as
da Universidade Federal de Jataí – Campus Jatobá.
plantas de buva ainda permanecem verdes no
O experimento foi instalado em agosto e
momento da colheita da soja, quando em contato
repetido em outubro de 2015, em uma área que foi
com os grãos de soja, ocorre um acréscimo na
cultivada no sistema de plantio direto com cultivo de
umidade dos grãos de até 7%.
soja na primeira safra (verão), e cultivo de milho na
O estudo das características biológicas como
106
MATERIAL E MÉTODOS
segunda safra (verão/outono).
o fluxo de emergência é de suma importância, pois
Na área experimental foram adotadas 6
possibilita a realização de análises do comportamento
parcelas tomadas ao acaso com dimensões de 3
das plantas diante de fatores ecológicos no decorrer
x 4 m, totalizando 12 m2. Após a demarcação das
de um ano agrícola, auxiliando na escolha da forma e
parcelas foi realizada a monda/arranquio de todas
do momento em que o controle pode ser empregado
as plantas de buva que se encontravam na área
(SOARES, 2014).
amostrada. O material foi levado para o Núcleo de
O fluxo de emergência está relacionado de
Pesquisas Agronômicas (NPA), onde passou por uma
forma direta com padrões de resposta das sementes
triagem de determinação do número e medição do
à interferência de determinados fatores ambientais
comprimento das plantas, além da separação por fase
e práticas culturais. O conhecimento a respeito
fenológica em estádio vegetativo e reprodutivo. Todas
desse fluxo de emergência de plantas daninhas
as plantas foram medidas com fita métrica graduada
possibilita o estabelecimento de estratégias que
em centímetros, dispostas em mesas ou bancadas
ofereça maior habilidade competitiva à cultura,
para realizar a medição da altura das plantas e depois
resultando em menores perdas de produtividade,
descartadas. De posse do conjunto de informações,
com possibilidade de selecionar medidas que
as plantas foram agrupadas em plantas com tamanho
Plantas Daninhas
de 0 a 10 cm, de 10 a 20 cm, de 20 a 30 cm e plantas
presentes em cada grupo estabelecido. Na Figura 1
acima de 30 cm. Com os resultados obtidos foram
são ilustrados parcialmente as atividades realizadas
elaboradas em escala percentual, figuras com a
em campo e Laboratório.
representação da distribuição do tamanho de plantas
Figura 1. Caracterização da área experimental e metodologia abordada. 1.A - Área experimental. 1.B – Arranquio de plantas. 1.C – Número de plantas e medição de altura. 1.D - Distribuição das plantas em altura. Fotos: Paulo César Timossi. As
condições
atmosféricas
registradas
plantas de buva.
ao longo do período de junho a outubro de 2015
O momento da primeira avaliação (11 de
foram obtidas no INMET – Instituto Nacional de
agosto de 2015) e da segunda avaliação (17 de
Meteorologia – Unidade Jataí, no intuito de auxiliar na
outubro de 2015), é expresso pela seta na cor verde
identificação da possível oscilação na emergência de
disponível na figura 2.
Plantas Daninhas
107
Figura 2. Precipitação e médias de temperatura máxima e mínima durante os meses de junho a outubro de 2015. As datas de avaliação são demonstradas pelas setas na cor verde. Fonte: INMET: Estação Convencional: Jataí (GO), junho de 2015
RESULTADOS E DISCUSSÃO A facilidade de produção e dispersão de sementes de buva ocasiona fluxo contínuo de dispersão e emergência ao longo do seu ciclo. Devido a esse fluxo contínuo e amplo em uma área de produção pode-se ter diversas alturas entre as plantas, onde pode ser verificada a presença de plantas de 1 cm até plantas com quase 2 metros de altura num mesmo momento da amostragem no campo. A germinação e o índice de velocidade de germinação são influenciados pela temperatura. Segundo Yamashita e Guimarães (2011), a espécie apresenta germinação superior a 90% na faixa de temperatura entre 20 e 30 ºC. Ainda, segundo os autores, após a exposição das sementes às condições de temperatura favorável, estas germinaram, ou seja, após a eliminação do fator restritivo, retomam o processo germinativo, indicando que estavam em
108
Plantas Daninhas
estado quiescente. Em relação ao número de plantas avaliadas por classe, a altura de plantas de buva de 10 a 20 cm indica maior quantidade de plantas na avaliação realizada em agosto de 2015 (Figura 3) quando comparada com a avaliação em outubro de 2015 (Figura 4). De acordo com Soares (2014), em temperaturas amenas ocorrem maiores fluxos de emergência de buva. Essa informação corrobora com os dados obtidos nessa pesquisa, no qual o maior número de plantas de buva m-² foi obtido na primeira avaliação (mês de agosto de 2015), que apresentou temperaturas menores (Figura 2) em relação à segunda avaliação (mês de outubro de 2015). O número de plantas presentes na classe de altura de plantas de buva de 0 a 10 cm foi similar à quantidade de plantas de buva com tamanho de 20 a 30 cm, conforme apresentado na Figura 3.
Figura 3. Médias do número de plantas buva m2 no estádio fonológico vegetativo, agrupadas nas classes de altura de plantas determinadas no mês de agosto de 2015. A diferença na altura das plantas após 2 meses
como demonstrado na Figura 4. Vale salientar que
da primeira avaliação, ou seja, em outubro de 2015,
nesse período as condições agrometeorológicas já
indica que as plantas se desenvolveram, com aumento
eram bem distintas dos registros obtidos para o mês de
do índice de plantas com altura maior que (>) 30 cm e
agosto de acordo com o apresentado na Figura 2.
redução do percentual de plantas no estádio vegetativo,
Figura 4. Médias do número de plantas buva m2 no estádio fonológico vegetativo, agrupadas nas classes de altura de plantas determinadas no mês de outubro de 2015.
Plantas Daninhas
109
Nas Figuras 3 e 4 pode-se verificar que a
realizada na primavera.
média da altura no estádio vegetativo não é similar,
Na Figura 5, a porcentagem média de plantas
comprovando que ocorre fluxo contínuo de emergência
de buva com altura de 0 a 10 e de 10 a 20 cm, é de
das plantas de buva. Porém, é notória a diminuição
20 e 40,2% respectivamente. Isto indica que a maioria
dos fluxos de emergência, indicando que o maior
da população de plantas de buva estavam em pleno
estabelecimento ocorre na estação outono-inverno,
desenvolvimento vegetativo, evidenciando que há
embora não cessa totalmente a emergência de plantas,
fluxos de emergência de plantas de buva na área no
como demonstrado na Figura 4, com a determinação
mês de agosto (período seco).
Figura 5. Porcentagem da população de buva em cada classe de altura no estádio fenológico vegetativo, agrupadas nas classes de altura de plantas determinadas no mês de agosto de 2015.
110
Pode-se verificar na Figura 6 que no mês de
pluviais antes da amostragem no campo no mês de
outubro os fluxos de emergência diminuíram em grau
outubro, na qual fica evidenciado a possibilidade de
de importância, embora não tenha cessado totalmente a
aplicação de herbicidas que possuam ação em pré-
emergência de novas plantas. Assim, como não cessou
emergência da buva na estação do inverno. Entretanto,
a emergência de plantas de buva entre os meses de
estes herbicidas precisam possuir características
agosto e outubro e, de acordo com o demonstrado
físico-químicas que possibilitam a sua aplicação em
na Figura 2, ocorreram em torno de dez precipitações
períodos secos.
Plantas Daninhas
Figura 6. Porcentagem da população de buva em cada classe de altura no estádio fenológico vegetativo, agrupadas nas classes de altura de plantas determinadas no mês de outubro de 2015. Nas Figuras 5 e 6 são apresentados a distribuição
mês da agosto) com a possibilidade de obter valores
em escala percentual e os estádios de crescimento
baixos de porcentagem de plantas de Conyza spp. com
das plantas. No mês de agosto as plantas de buva
rebrota aos 35 dias após aplicação. Assim, é importante
estavam no estádio vegetativo, já no mês de outubro, a
ressaltar que, mesmo na situação em que sejam
grande maioria se encontravam no estádio reprodutivo.
aplicadas doses adequadas de 2,4-D associada ao
Na relação entre estádio vegetativo e reprodutivo
triclopyr (1,005+0,384 ou 1,40+0,384 kg e.a. ha-1), se as
das plantas de buva, constatou-se que no mês de
plantas de buva possuírem tamanhos superiores a 35
agosto 82% das plantas de buva estavam em estádio
cm ou estejam em pré-florescimento, será necessário
vegetativo, enquanto que no mês de outubro 80,2% as
realizar aplicação sequencial de herbicidas em torno
plantas de buva estavam no estádio reprodutivo (pré e
de 35 DAA após a primeira aplicação para controlar
pleno florescimento). Dessa forma torna-se evidente
as plantas de Conyza spp. que estiverem com rebrota
que antecipar o manejo de buva com herbicidas
(ALMEIDA et al., 2021). Ainda, a alternativa, seria
seja uma alternativa indispensável, evitando que as
sempre associar algum herbicida com efeito residual
plantas cheguem ao estádio reprodutivo e produzam
para o controle das sementeiras.
propágulos para ‘abastecer’ o banco de sementes. Almeida et al. (2021) verificaram, com a associação de doses adequadas do herbicida 2,4-
CONCLUSÃO
D associadas ao herbicida triclopyr que é possível a
De acordo com a pesquisa desenvolvida, conclui-
antecipação da dessecação de plantas de Buva em
se que as plantas de buva apresentam diferentes alturas
condições de déficit hídrico (segunda quinzena do
e estádios fenológicos durante os meses de agosto a
Plantas Daninhas
111
outubro, caracterizando fluxo contínuo de emergência
KISSMANN, K.G.; GROTH, D. Plantas infestantes e
de plantas de buva. Baseado nos fluxos de emergência
nocivas. 2ª Ed. 1999. p.152- 156, 278-284. São Bernardo
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1, p. 3, 2018.
Plantas Daninhas
HÍBRIDOS DE MILHO COM E SEM CONSÓRCIO COM Urochloa ruziziensis E SELETIVIDADE DE HERBICIDAS À FORRAGEIRA ROSA, Victória Caroline Sousa1; ALMEIDA, Dieimisson Paulo2; JAKELAITIS, Adriano3; FREITAS, Bárbara Vieira de4 Eng. Agrônoma. Egressa do curso de Agronomia do IF Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde-GO. Email: victoriacsr19@gmail.com 2 Eng. Agrônomo, Doutor em Agronomia/Produção Vegetal. Pesquisador em Manejo e Controle de Plantas-Daninhas do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, COMIGO, Rio Verde-GO. E-mail: dieimissonpaulo@comigo.com.br; 3 Eng. Agrônomo, Doutor em Fitotecnia, Docente do IF Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde – GO. E-mail: adriano.jakelaitis@ifgoiano.edu.br 1
Graduanda em Agronomia. IF Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde-GO. E-mail: barbaravieiraf97@outlook.com; 4
INTRODUÇÃO
em dificuldades de formação e manutenção da palhada no solo, que é um dos requisitos para o sucesso do Sistema de Plantio Direto (SPD) (CRUSCIOL & BORGHI, 2007).Uma das alternativas para a sustentabilidade do SPD no sistema de sucessão é o consórcio, que consiste em um sistema em que, numa mesma área, são implantadas duas ou mais espécies, convivendo juntas, em parte ou em todo seu ciclo, possibilitando aumento de produtividade (PORTES et al., 2003, ALMEIDA et al. 2019). No caso da região Centro- Oeste do país o consórcio é realizado especialmente do milho com a braquiária que permite incluir mais uma cultura no processo produtivo, com todos os seus benefícios, por exemplo, incremento do teor de matéria orgânica, melhoria das características físicas do solo e etc. A forrageira mais utilizada para o consórcio na região é
No Bioma Cerrado brasileiro, o milho vem
a Urochloa ruziziensis, que possui crescimento inicial
sendo empregado como cultura de segunda safra,
lento, em torno de 35 - 40 dias após a emergência, o que
denominada, safrinha. A sua semeadura na região
indica um baixo potencial de competição com a cultura
centro-oeste é geralmente realizada logo após a
do milho (ALMEIDA et al. 2019). Todavia, ainda existem
colheita da soja, entre os meses de janeiro a março.
resistências por parte dos agricultores na adoção deste
Segundo a Conab (2020) a área total plantada
modelo, em função do receio de se perder produtividade
correspondente ao milho safrinha no Brasil em 2020
do milho devido a competição da braquiária ou pela
foi de 13,27 milhões de hectares.
infestação por plantas daninhas.
No entanto, a sucessão de culturas, com a
Diante disso, nesta pesquisa objetivou-se avaliar
produção de milho no período de safrinha, ocasiona
o desempenho dos híbridos de milho AG8061 PRO2
Plantas Daninhas
113
e AG8480 PRO3 com e sem o consórcio com a U.
COMIGO (ITC), da Cooperativa COMIGO, no município
ruziziensis e, a seletividade de herbicidas usados para
de Rio Verde – GO (S 17°45’51” e W 51°02’05”; 835
a braquiária e controle químico de plantas daninhas no
metros de altitude). Segundo Thornthwaite (1948) o
consórcio da cultura do milho com a U. ruziziensis.
clima de Rio Verde - GO é classificado em B4 rB’4a’ (Úmido; pequena deficiência hídrica; mesotérmico;
MATERIAL E MÉTODOS
evapotranspiração no verão menor que 48% da evapotranspiração anual). O solo na área experimental
Os experimentos foram conduzidos na área
é do tipo LATOSSOLO VERMELHO Distrófico (SANTOS
experimental do Instituto de Ciência e Tecnologia
et al., 2018), com 44% de argila, 49% de areia e 7% de silte, cujos atributos são apresentados na Tabela 1.
Tabela 1. Atributos do solo da área experimental, ITC, município de Rio Verde – GO, 2020.
A pesquisa foi conduzida na segunda safra
Baseado em análise do solo (Tabela1) retiradas
(“safrinha”) do ano agrícola 2019/2020, e foi constituída
da área onde foi instalada a pesquisa antes da
por 2 híbridos de milho, o AG8061 PRO2 (Agroceres)
semeadura da soja em outubro de 2019, assim 140
e o AG8480 PRO3 (Agroceres). Cada híbrido de
(cento e quarenta) dias antes da semeadura do milho,
milho constituiu um experimento, sendo conduzido
foi realizada a aplicação de 2 t ha-1de calcário (36% de
em delineamento em blocos casualizados, com 8
Ca e 13% de Mg) a lanço em superfície.
repetições. Em cada experimento foram aplicados três
Por meio de um pluviômetro instalado no local
tratamentos herbicidas, conforme Tabela 2. Assim,
do experimento, foi monitorada a precipitação pluvial
o total de unidades experimentais foi de 24, com
acumulada durante a condução da pesquisa.
dimensões de 8,6 x 6,0 m (51,6 m²).
114
Plantas Daninhas
Tabela 2. Descrição dos tratamentos com produto comercial, ingredientes ativos e doses (kg i.a ha-1 e L ou kg p.c. ha-1), ITC, município de Rio verde – GO, 2020.
Três dias antes da semeadura do milho, foi
150 kg ha-1 de uréia.
semeada a forrageira Urochloa ruziziensis a lanço, com
O controle de pragas e doenças foi empregado
uma semeadora marca comercial IKEDA dotada de um
com base no manejo integrado. As recomendações de
prato aletado, devidamente calibrada para distribuir
aplicações de inseticidas e fungicidas priorizaram a
10 kg ha de sementes, de acordo com o peso de
rotação de mecanismos de ação e produtos.
-1
mil sementes foram semeadas em torno de 720.000
Para quantificar as plantas (touceiras) de U.
sementes ha . As sementes de U. ruziziensis utilizadas
ruziziensis e classes de perfilhamento (Ex.: entre 1-2,
foram da marca comercial Advanced, possuíam 80%
2-3, 3-4 e 4-6 perfilhos), antes de aplicar os tratamentos,
VC (Valor Cultural), e foram fornecidas pela SOESP
com o auxílio de um quadro de 0,5 x 0,5 m (0,25 m²)
após tratamento industrial com os fungicidas carboxina
realizou-se duas amostragens em cada unidade
(88g i.a.100 kg de sementes ) tiram (88g i.a.100 kg de
experimental (48 amostragens).
-1
-1
sementes ) e com o inseticida fipronil (10 g i.a.100 kg
Os tratamentos 1 e 3 (Tabela 2) foram aplicados
de sementes ), sendo revestidas com uma fina película
no momento que o milho estava em V3-V4, aos 30
de grafite.
dias após a semeadura do milho e o tratamento 2 foi
-1
-1
A semeadura dos híbridos de milho (AG8061
aplicado no momento que o milho estava em V5-V6,
PRO2 e AG8480 PRO3) foi realizada 20 de fevereiro
uma semana após a aplicação dos demais tratamentos.
de 2020, com densidade de semeadura de 2,7 a 2,8
As aplicações dos herbicidas foram realizadas
sementes m , com semeadora-adubadora pneumática
com pulverizador de pesquisa (Número de patente:
(JM2670PD, 6 linhas a 0,5 m, JUMIL) montada em um
BR1020160075653) montado em um trator (MF 275,
trator (6155J, 115 cv, John Deere). O tratamento de
75 cv, Massey Ferguson), pressurizado por CO2, com
sementes foi realizado com imidacloprido + tiodicarbe
pressão constante de 300 kPa (43,6 psi), constituído por
(CropStar, 150 + 450 g i. a. L , SC, Bayer) na dose de 225
duas barras de pulverização com 10 bicos, espaçados
+ 675 g i.a. 100 kg de sementes , respectivamente. E a
a 0,5 m e com pontas ADIA 11001, calibrado para
adubação de semeadura foi realizada com 400 kg ha
-1
aplicação com volume de calda equivalente a 150 L
de 08-20-18 em sulco. A cobertura foi realizada com
ha-1. Segundo o fabricante (MagnoJet), com o modelo
200 kg ha de 20-00-20 com o milho em estádio V5 e
ADIA 11001 em pressão de trabalho de 300 kPa (43,6
-1
-1
-1
-1
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115
psi), obtêm-se uma classe de gotas muito grossa, de
tratamentos 1 e 2 (Tabela 1) colheu-se a parte aérea
acordo com a classificação da norma ASAE S572.1
da U. ruziziensis contidas nas delimitações do quadro
(ASABE, 2009).
metálico com altura de corte de 0,05 m. As amostras
As avaliações de diâmetro do colmo (mm) foram
foram acondicionadas em sacos de papel, identificados
feitas com paquímetro na altura de 1,0 cm solo, a altura
e levados à câmara de circulação forçada de ar a 65 ±5
(m) foi mensurada a partir do solo até a curvatura da
ºC e mantidas até atingir peso constante.
última folha (folha bandeira) com uma régua graduada
Os dados foram submetidos à análise de
em cm e a altura de inserção da espiga (m) foi mensurada
variância (ANOVA), utilizando o teste F (p<0,05) e
a partir do solo até a inserção da primeira espiga viável.
quando observado diferença significativa, as médias
Para quantificação da produtividade de grãos de milho
foram comparadas utilizando o teste de Tukey (p<0,05)
realizou-se a colheita das espigas em dois pontos
através do software SISVAR (FERREIRA,2014).
dentro da parcela útil, composta por três linhas centrais em três metros de comprimento, totalizando 9 m. Após a colheita, as espigas foram trilhadas e determinou-se o teor de água (umidade) dos grãos
Ao monitorar as precipitações pluviais (chuvas)
de milho de cada parcela (repetição) pelo método
no local do experimento foi constatado que, desde a
da estufa (BRASIL, 2009). Posteriormente, fez-se a
semeadura do experimento até a colheita acumulou-se
correção do teor de água dos grãos de milho para 14%
373 mm de água, distribuídas entre 20 de fevereiro a 23
(b.u.), e determinou-se a produtividade em sacas de 60
de maio de 2020
kg de grãos de milho ha-1.
116
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Antes da aplicação dos tratamentos dos
Aos 30 dias após a colheita do milho, com
herbicidas a área referente ao híbrido AG8061 PRO2
o auxílio de um quadro de 1 m² realizou-se duas
tinha uma população média de plantas de U. ruziziensis
amostragens em cada unidade experimental (24
de 197.000 plantas ha-1. No momento da aplicação a
amostragens) para quantificar a biomassa residual
população de plantas de U. ruziziensis era de 32, 59,
do milho e da U. ruziziensis e determinar a biomassa
8 e 1% distribuída entre as classes 2-3, 4-5, 6-7 e 8-9
total. Assim, nas parcelas onde foram aplicados os
perfilhos, respectivamente (Figura 1).
Foto: Dieimisson Paulo Almeida
Plantas Daninhas
Figura 1. Distribuição da população de plantas de U. ruziziensis (touceiras) referente
ao híbrido de milho AG8061 PRO2 na área experimental nas respectivas classes de perfilhamento entre: 2-3, 4-5, 6-7 e 8-9 perfilhos. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020. Em relação ao híbrido AG8480 PRO3 a população
de plantas era de 43, 38, 13 e 6% distribuídas entre as
média de plantas de U. ruziziensis era de 203.000
classes 2-3,4-5,6-7 e 8-10 perfilhos respectivamente
plantas ha-1 e no momento da aplicação a população
(Figura 2).
Figura 2. Distribuição da população de plantas de U. ruziziensis (touceiras) em consórcio
com o híbrido de milho AG8480 PRO3 na área experimental, nas respectivas classes de perfilhamento entre: 2-3, 4-5, 6-7 e 8-10 perfilhos. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020.
Plantas Daninhas
117
A análise de variância não constatou diferenças
inserção de espiga (m) para o híbrido AG 8061 (Tabela
significativas a 5% de probabilidade para as variáveis
3), indicando que os tratamentos não interferiram nas
diâmetro de colmo (mm), altura de planta (m) e altura de
características morfológicas do híbrido.
Tabela 3. Diâmetro de colmo (mm), Altura de plantas (m) e Altura de inserção de espiga (m) referente ao híbrido de milho AG8061 PRO2. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020.
O mesmo foi observado para o híbrido AG8480
Não houve interferência nas variáveis diâmetro
PRO3 (Tabela 4), onde as mesmas variáveis não
de colmo (mm), altura de planta (m) e altura de inserção
foram encontradas diferenças significativas. Estas
de espiga (m), indica que o estabelecimento da U.
características morfológicas estão mais atreladas a
ruziziensis e do milho foram adequados. Outro fator
fatores abióticos e bióticos, como por exemplo déficit
que pode ser explicado é que a forrageira tem um
hídrico, relacionados ao manejo e também a genética
crescimento inicial lento, e assim acaba não interferindo
(genótipo) dos híbridos.
no desenvolvimento do milho.
Tabela 4. Diâmetro de colmo (mm), Altura de plantas (m) e Altura de inserção de espiga (m) referente ao híbrido de milho AG8061 PRO2. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020.
118
Plantas Daninhas
Conforme a Figura 3, para o híbrido AG8061
semelhantes 99,21 e 102,46 sacas ha-1, para atrazine +
PRO2 foi observada diferença significativa entre os
mesotrione e atrazine + mesotrione + seq. nicosulfuron,
tratamentos para a produtividades de grãos de milho,
respectivamente.
as médias variaram de 99,21 a 115,58 sacas ha-1. De
Comparando as médias de produtividade
acordo com a análise de variância houve diferenças
de grãos, houve redução de 14,2 % em relação a
entre os tratamentos, onde sem consórcio (atrazine +
produtividade do sistema sem consórcio (atrazine +
glyphosate) obteve a maior média de produtividade de
glyphosate) e o tratamento atrazine + mesotrione e
grãos sendo de 115,58 sacas ha-1, se diferenciando
11,3% para o tratamento atrazine + mesotrione + seq.
dos outros tratamentos que tiveram produtividades
nicosulfuron.
Figura 3. Produtividade de grãos de milho (sacas ha-1) referente ao híbrido de milho AG8061 PRO2 na área
experimental. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020. Resultados semelhantes foram encontrados para o híbrido AG8480 PRO3 (Figura 4). Foram constatadas diferenças significativas entre os tratamentos para a produtividades de grãos de milho, as médias variaram de 115,96 a 143,12 sacas ha-1. Evidenciando que sem consorcio (atrazine + glyphosate) obteve a maior produtividade sendo de 143,12 sacas ha-1, se diferenciando dos outros tratamentos que tiveram produtividades semelhantes 115,96 e 120,14 sacas ha, para atrazine + mesotrione e atrazine + mesotrione +
1
seq. nicosulfuron, respectivamente.
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119
Figura 4. Produtividade de grãos de milho (sacas ha-1) referente ao híbrido de milho AG8480 PRO3 na área experimental. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020. Em comparação as médias de produtividade
encontradas diferenças significativas nos tratamentos
de grãos, ocorreu redução de 19% em relação a
para ambos os híbridos. No AG8061 PRO2 os
produtividade do sistema sem consórcio (atrazine +
valores de biomassa residual variaram de 6.100 a
glyphosate) e o tratamento atrazine + mesotrione e
10.234 kg ha-1, sendo que, sem consórcio (atrazine +
16% para o tratamento atrazine + mesotrione + seq.
glyphosate) produziu 6.100 kg ha-1, se diferenciando
nicosulfuron.
estatisticamente dos demais tratamentos, atrazine +
De acordo com a Conab (2020) a estimativa para
mesotrione + seq. nicosulfuron produziu 8.895 kg ha-1
produtividade de grãos de milho safra 2018/2020 foi de
e atrazine + mesotrione que, obteve maior produção de
90 sacas ha , portanto, em ambos os híbridos (AG 8061
biomassa 10.234 kg ha-1.
-1
PRO2 e AG 8480 PRO3) a produtividade foi superior à estimativa nacional. Os valores expressados nas Figuras 5 e 6 são referentes a biomassa residual total quantificada após a colheita do milho, ou seja, da biomassa de Urochloa ruziziensis em soma com biomassa de milho nos tratamentos com consórcio, mostrando que a aplicação dos herbicidas não ocasionou morte das plantas e no sem consórcio os valores apresentados se referem apenas a biomassa do milho. De acordo com os dados apresentados, foram
120
Plantas Daninhas
Figura 5. Biomassa total após a colheita do milho (kg ha-1) referente ao híbrido de milho AG8061 PRO2 na área experimental. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020. Comportamento semelhante foi observado no
5.875 kg ha-1, os tratamentos atrazine + mesotrione +
híbrido AG8480 PRO3, onde os valores de biomassa
seq. nicosulfuron e atrazine + mesotrione biomassa
residual total variaram de 5.875 a 8.261 kg ha , sendo
residual total semelhantes, 8.273 e 8.261 kg ha-1,
que, atrazine + glyphosate (sem consórcio) produziu
respectivamente.
-1
Figura 6. Biomassa total após a colheita do milho (kg ha-1) referente ao híbrido de milho AG8480 PRO3 na área experimental. Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO - ITC, município de Rio Verde – GO, 2020. Plantas Daninhas
121
Conforme apresentado, foi observado um padrão em ambos os híbridos, ou seja, o tratamento atrazine +
inserção de espiga e na população de plantas de milho dos dois híbridos de milho.
glyphosate (sem consórcio) teve uma menor produção
O consórcio milho e braquiária em primeiro ano
biomassa e se diferiu dos tratamentos com consórcio.
de cultivo reduziu de 11,3% a 14,2 % a produtividade de
Isto se dá, devido a Urochloa ruziziensis estar presente
grãos do híbrido de milho AG8061 PRO2 e 16% a 19%
no sistema além do milho, proporcionando maiores
no híbrido AG8480 PRO3, quando comparados com o
quantidades de biomassa presente no solo.
sistema de monocultivo dos mesmos híbridos.
Onde houve aplicação de atrazine + mesotrione
A Urochloa ruziziensis quando consorciada com
e aplicação de atrazine + mesotrione + seq. nicosulfuron
os dois híbridos de milho aumentou biomassa seca
resultaram biomassa total iguais estatisticamente.
residual total no solo e os herbicidas não ocasionaram
Mostrando que, mesmo optando por realizar uma
morte das plantas U. ruziziensis, atingindo níveis
aplicação sequencial de nicosulfuron para o controle de
satisfatórios de biomassa.
plantas daninhas de folha estreita, que provavelmente ocasiona em um retardo maior na forrageira, em relação a aplicação de atrazine + mesotrione, a produtividade de biomassa residual após a colheita não foi afetada, sendo semelhantes. A avaliação da biomassa total é importante
AGRADECIMENTOS À equipe de campo do Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO indispensáveis para a condução deste trabalho.
porque representa a condição inicial para semeadura das culturas em sucessão, a quantificação dessa biomassa permite avaliar e optar por sistemas de cultivos que promovam maior quantidade sem afetar a produtividade de grãos (CHIODEROLI et al., 2012). Vale ressaltar que, estes resultados são referentes a um primeiro ano de instalação de experimento, podendo ter diferenças ao longo dos anos. Conforme já citado, são inúmeros os benefícios que o consórcio milho com braquiarias traz para o sistema agrícola soja em 1ª safra e milho em 2ª safra, portanto, mesmo não alcançando produtividades iguais ou superiores ao manejo sem consórcio no presente momento, existe potencial para que com o passar do tempo este cenário possa mudar.
CONCLUSÕES
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O consórcio milho com braquiária não interferiu
CONAB. Acompanhamento da safra brasileira
no diâmetro de colmo, na altura de plantas, na altura de
de grãos. Companhia Nacional de Abastecimento, v. 7,
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Foto: Dieimisson Paulo Almeida
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