Clarice Farias de Castro Marcondes
Memórias do Berçário Uirapuru Entre risadas miúdas, olhares curiosos e pequenos gestos cheios de descobertas, nasceu este livro, um abrigo de lembranças e ternuras. Aqui, cada página guarda o pulsar suave do cotidiano vivido, em 2025, no Berçário Uirapuru. O despertar sonolento de manhãs cheias de luz, o aconchego do colo que embala o sono, o sabor das primeiras experiências à mesa, o toque cuidadoso nas rotinas de higiene, e o encanto das brincadeiras que fazem o tempo dançar devagar. Este é um livro feito de momentos simples, mas imensos. São memórias que respiram afeto, que florescem em cada sorriso compartilhado e em cada gesto de cuidado. Cada fotografia, cada traço e cada palavra são fragmentos de um ano vivido com amor, paciência e muitas descobertas, um tecido delicado de infância, tecido de muitas mãos e corações. Ao folhear estas páginas, convidamos você a revisitar instantes que, embora pequenos, são eternos. Os passos dados com curiosidade, os sons que se transformaram em palavras, as descobertas, os animais do Quintal, as aulas de música, as histórias e os olhares que aprendem o mundo. Mais do que um registro, este é um livro, é uma celebração, do crescer, do cuidar e do amar. Porque é no cotidiano, em sua poesia simples e verdadeira, que se escreve a mais bonita das histórias, a do começo da vida. Uirapuru Bebê/2025 Gabriela Plens (Coordenadora Pedagógica) Talita Silva (Orientadora Educacional)
Deitada Clarice descobre o mundo como quem abre uma janela pela primeira vez. Seu sorriso acende o momento, ilumina o brinquedo que ela segura com as mãos curiosas, explorando cada forma, cada textura, cada segredo pequeno que cabe entre seus dedos. Entre um gesto e outro, ela olha para o adulto que a acompanha, um olhar cheio de confiança, quieto e brilhante, e sorri, como quem encontra abrigo e incentivo para continuar descobrindo. Assim, no silêncio doce da infância, Clarice transforma cada movimento em poesia, cada olhar em encontro, cada toque em início de mundo.
De bruços, Clarice observa o objeto à sua frente como quem descobre um pequeno mistério. Tenta se erguer, eleva a cabeça com esforço delicado e coragem miúda. Seu olhar se perde no desenho do tecido onde repousa, encantada com as formas que brilham como histórias por nascer. Quando seu olhar encontra o adulto que a acompanha, Clarice sorri, um sorriso que abre o instante, que diz sem palavras o quanto é bonito crescer amparada pelos olhos atentos e pelo afeto presente.
Entre panelinhas e canecas, Clarice transforma o brincar em descoberta. Suas mãos exploram e batem nos utensílios como se, ali, nas bordas dos objetos simples, nascessem mundos inteiros. Em seguida, ela arrisca os primeiros movimentos do engatinhar, um impulso suave, um corpo que quer ir adiante, guiada pela curiosidade que acende seus gestos. Clarice olha atentamente para o adulto, com um olhar profundo e marcante, desses que seguram o instante. É como se, naquele encontro de olhos, ela encontrasse coragem, companhia e a beleza de seguir crescendo.
Clarice recebe o alimento como quem acolhe um gesto de amor. Cada colherada vem acompanhada de cuidado, de tempo, de presença. O adulto oferece o sabor e, junto dele, o afeto que sustenta, não apenas o corpo, mas também o vínculo. Entre olhares, pausas e pequenas expressões, nasce um diálogo silencioso, o de confiar, o de ser cuidada, o de crescer em segurança. A alimentação se torna mais que rotina, é um encontro, é cuidado que nutre, é carinho que passa de mão em mão até chegar ao coração pequeno que aprende, dia após dia, a se sentir acompanhado no mundo.
No colo aconchegante do adulto, clarice encontra o mundo envolto em cuidado. O ursinho de pelúcia surge diante dela, e seus olhos o acompanham com curiosidade serena. Ela estende a mão, toca a pelagem macia, como quem reconhece ternura no gesto simples do encontro. E, assim, clarice entrega-se ao carinho, ela deita a cabeça no rosto do adulto e sorri, acolhida por um abraço que embala, segura e faz o mundo inteiro ficar leve.
Clarice escolhe o livro do gildo com o encanto de quem encontra um novo amigo. Seus dedos pequenos percorrem as páginas com atenção, sentindo texturas, cores e formas, como se cada detalhe revelasse um pedacinho de história. Ela folheia devagar, curiosa, observando cada imagem com interesse vivo que cresce a cada página. Clarice volta seu olhar para o adulto que a acompanha, um sorriso que celebra a descoberta, a leitura que nasce e o afeto que guia cada gesto.
De bruços, Clarice começa o seu pequeno grande desafio. Primeiro, apoia as mãos no chão, sentindo o próprio corpo ganhar força. Depois, vira o corpo, ergue o tronco, balança um pouco, procura equilíbrio, o mundo se expande a cada gesto. Imagem após imagem, ela descobre novos caminhos entre os braços e as pernas, ensaia movimentos, tenta, respira, insiste. Até que, num instante cheio de conquista, Clarice se senta. O corpo encontra seu eixo, o olhar se abre, e um brilho nasce em seus olhos. É mais que um movimento, é um marco. Um ganho que revela crescimento, autonomia, a coragem silenciosa que a infância carrega. Clarice se senta e, com esse gesto, mostra o quanto está pronta para explorar o mundo de novos ângulos.
A ratinha está diante de Clarice, mas seu olhar segue fixo na figura do adulto, como se fosse ele a chave para a compreensão daquele ser tão pequenino. Nesse encontro delicado entre menina e criatura, nasce a descoberta, a ternura que se revela na observação, o cuidado que cresce no olhar e a poesia escondida nos passos pequenos da ratinha que passa.
A água chega morna, dançando sobre a pele e convidando ao aconchego. Entre conversas, respingos e olhares atentos, o banho se transforma em um momento de encontro, um diálogo entre quem cuida e quem é cuidado. Cada toque, cada gesto de delicadeza, é também um gesto de amor. No calor das mãos que sustentam e na suavidade da água que envolve, Clarice descobre o prazer do cuidado, a segurança do colo, o aconchego que habita o cotidiano. Mais do que higiene, o banho é encontro, é linguagem sem palavras. Nos olhares trocados, no toque suave e no riso que escapa, nasce a confiança e cria-se o vínculo. Um banho que limpa o corpo, mas também alimenta o coração.
Banho de luz e calmaria. Com um sorriso lindo no rosto, clarice sente o sol, o vento e o tempo que passa devagar no Quintal do Berçário.
Deitada no prisma de espelhos, Clarice descobre múltiplas versões de si mesma. Olha atentamente para o próprio reflexo, como quem encontra novas formas de se ver no brilho que a envolve. Seus olhos percorrem as imagens que se multiplicam, e cada ângulo parece devolver um pedacinho novo de descoberta. No silêncio delicado desse momento, Clarice se reconhece, se observa, se encanta, poesia nascida do reflexo e da curiosidade que desperta dentro dela.
Clarice mergulha as mãos na tinta natural de cenoura, sentindo a cor escorrer macia entre os dedos. Ela eleva o potinho até o rosto, observando com encanto o movimento da tinta que acaba por tingir sua pele, como se a brincadeira a envolvesse por inteiro. com o rosto pintado de descoberta, ela olha para o adulto segurando a bacia, um encontro de olhos que revela surpresa e a beleza de explorar o mundo com o corpo todo.
Em meio à grama, aos toquinhos de madeira, ao elefante de plástico e à palha espalhada, clarice cria seu próprio encontro com a natureza inventada. A palha chama sua atenção, ela a toca com as mãos curiosas, pega alguns fios finos e os observa atentamente, como quem descobre texturas que contam pequenas histórias. Manuseia cada fio com delicadeza, deixando que a sensação conduza o gesto, transformando o simples em surpresa. Nesse diálogo silencioso entre Clarice e os elementos ao seu redor, a infância faz nascer poesia, aquela que se revela no toque, no olhar e na descoberta viva do mundo que ela constrói com as próprias mãos.
Clarice mergulha a mão na bacia de areia colorida como quem toca um segredo suave. Os grãos deslizam entre seus dedos, abrindo caminhos finos e delicados. Logo, seus olhos encontram no espelho, sob a areia, o desenho que suas próprias mãos criaram — traços que surgem como reflexo e descoberta. Entre gesto e brilho, Clarice reconhece no espelho não só a marca dos dedos, mas a poesia de se ver criando o mundo com as próprias mãos.
Entre sons, ritmos e encantamento, Clarice mergulha na musicalização com o brilho de quem vive cada descoberta com alegria. O pandeiro ressoa diante dela, e seus olhos atentos acompanham cada movimento e vibração, curiosos e encantados com o som que dança no ar. Quando chega o momento do ukulele, Clarice toca as cordas com seus dedos pequeninos, experimentando notas e ritmos com delicadeza e prazer. A cada gesto, cada toque, cada olhar, ela se entrega à música, fazendo desse espaço um território de descoberta, presença e poesia que se espalha pelo corpo e pelo coração.
Turma - Bebês tarde Uirapuru bebê/2025
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