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CIENTÍFICO

Cobaia #108 | Maio | 2011 | Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo - Univali

BOTOX

além da estética Ciência e ficção Aspectos da genética forense abordados por séries da televisão americana já fazem parte do cotidiano na região

Arqueologia:

a verdadeira máquina do tempo

Quem produz ciência em Santa Catarina? | 5


E

ditorial

www.cerino.com.br

Sandro Galarça sandro.galarca@univali.br

Responda rápido: o que ciência e so- fontes pouco ou quase nunca procuradas ciedade têm a ver uma com a outra? Se ganham voz e vez e o objeto de estudo de você pensou mais de três segundos, é muitos pesquisadores começa a tomar típorque faz parte da maioria que entende mida visibilidade. É bem verdade que a supervisão da ciência como algo isolado do cotidiano, fruto de experiências inalcançáveis e ina- professora Valquíria Michela John, que tingíveis que só vemos em programas de responde pela edição deste número, sempre muito pontual e preocupada, ajuda a TV ou em livros especializados. Entretanto, para supresa de muitos reduzir pequenos equívocos e incentiva brasileiros, sociedade e ciência têm uma novas incursões pelo campo da ciência. ligação umbilical: além de toda a ciência Assim, num momento em que descoberser praticada com o objetivo de servir a tas ganham vida e o gosto pela divulgação científica ensaia sociedade, melhorar as primeiras linhas, a expectativa de vida, vislumbra-se um futrazer mais conforturo não tão distante to e comodidade aos da realidade univernovos seres sociais, Descobertas ganham sitária. é nas pequenas desA edição do mês cobertas do cotidiano vida e o gosto pela de abril chega disque o homem deixa divulgação ensaia as cutindo temas inteseu legado e escreve ressantes e cada vez sua própria história. primeiras linhas mais presentes na Einstein, Foucault, sociedade. Medicina, Freud, cada um a saúde, esporte de alto sua maneira teve desempenho, o uso uma contribuição da ciência na genétifundamental para o ca forense, alimentadesenvolvimento e a compreensão da sociedade à luz de traba- ção, arqueologia. Assuntos tão distantes e lhos científicos distintos mas não menos ainda sim pertencem ao mesmo universo de conhecimento, dividem as páginas das importantes. Discutir a ciência no âmbito universi- editorias deste mês, sob uma perspectitário e, principalmente no curso de Jor- va jornalística em que o fim social surge nalismo, tem sido tarefa curricular dos como preocupação sempre presente nos estudantes da disciplina de Jornalismo meios de comunicação. Se uma das funções do jornal-laboCientífico, que se materializa e ganha corpo a cada semestre com a publicação ratório é a experimentação de diferentes do Cobaia Especial. Neste espaço, não só formas, conceitos e iniciativas, agrupar novas descobertas ocorridas ou com pos- assuntos recorrentes nos meios tradiciosiblidades de ocorrer, como outras antigas nais de comunicação e mudar sua aborquestões voltam à pauta para uma edição dagem, ajustar o foco para uma nova plamais elaborada, na medida em que o co- teia pode ser um exercício interessante de tidiano de uma turma inteira volta seu pluralidade e democracia da informação. olhar para um assunto inicialmente es- Com vocês, o resultado desta experiência tranho. Quebrada a primeira barreira, o em 16 belas páginas de jornalismo depois resultado é espetacular: acadêmicos es- de muitas doses de suor e ousadia. Aprocrevendo de ciência como gente grande, veitem a mistura.

Cobaia Editor Sandro Lauri Galarça Reg. Prof. 8357 MTb/RS Projeto Gráfico/Capa Sandro Lauri Galarça Estagiário Rafael Huppes Piassini Agência Integrada de Comunicação - IN Editora deste número: Valquíria Michela John

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo da UNIVALI

Participaram desta Edição Amanda Caroline Souza, Analú Vignoli, Antônio Sabará, Bárbara Bianchi, Anelise Margraf, Bianca de Oliveira, Camila Maurer, Celso Peixoto, Ediane Souza, Felipe Campos, Felipe Ramon Moro, Gabriela Piske, Jefferson Douglas da Silva, Jessica Eufrazio, Jonas Algusto da Rosa, Julia Benthien Paniz, Lara da Cunha, Luís Costa, Luisa Morena, Nathan Kaiser, Neuseli dos Santos, Patrícia Cancelier, Patrine Marchi Avosani, Paulo José Mueller, Robérto Dávila, Talita Aparecida Odeli,Thayana Heinzen, Vanessa Garcia Borges.

Eterno aprendiz Marioly Oze Mendes marioly@ibest.com.br

A nossa Constituição Cidadã rege que a educação, direito de todos, deve primar pelo padrão de máxima qualidade, visando o pleno desenvolvimento pessoal e qualificação profissional. O aprendizado (capital cultural) é para toda a vida. A educação tem uma enorme capacidade e potencialidade transformadora, fazendo-se necessário cotidianamente que o estudante tenha conscientização e criticidade para “ler o mundo e poder

transfomá-lo”. O educador Paulo Freire enfatizava de que o estudante deve assimilar de “aprender a ler (conhecer) a realidade para em seguida poder reescrever (transformar) essa realidade”, como sujeito ativo da própria história, para que as qualidades e virtudes sejam construídas no esforço de cada um para reduzir ao máximo entre o que falamos e fazemos (saber vinculado ao agir). É urgente e extremamente necessário “aprender a aprender”, pois tudo está em constante transformação e interação (tudo

se liga a tudo), por isso o professor tem a obrigação de “inquietar” seus alunos para a busca incessante do conhecimento (quantidade com qualidade) e do saber (consciência de si e do mundo) e o estudante deve sempre estar atento para desenvolver o seu espírito de investigador (ser um eterno curioso), questionador e criativo, para que construa uma visão crítica da realidade (porém, sempre com a certeza de que não há uma verdade absoluta). O educador inglês Lawrence Stenhouse destacava que o professor precisa assumir o compro-

misso de ser um eterno aprendiz, pois quando o mestre está consciente da necessidade de aprender permanentemente (sem medo de aprender), deixa de se comportar como o aparente “dono do saber”. O filósofo norte-americano John Dewey realçava a necessidade de o professor despertar o entusisasmo e valorizar a capacidade de pensar dos seus alunos (jamais apresentando respostas e soluções prontas), preparandoos para questionar a realidade (“problematizar”), unindo teoria e prática, para que o estudante pon-

dere e ordene os próprios conceitos para depois confrontar com o conhecimento sistematizado. Apesar dos constantes avanços, a mente humana continua a ser um extenso território a ser explorado (o potencial de aprender está em cada um de nós). Que haja transformação (ideias em prática) e que comece com o educador (provocador do conhecimento), para que o aluno tenha confiança na sua própria capacidade de pensar e agir (visão e reflexão crítica dos problemas reais). Eu acredito que possamos “fazer mais e melhor”.


Bom até que ponto? A prática do esporte de alto rendimento não garante saúde aos atletas que buscam a superação física

Julia Benthien Paniz

juliapaniz_@hotmail.com

Patrine Marchi Avosani patrinema@gmail.com

Se você pensa que todo atleta é saudável, precisa rever o que lhe foi ensinado. A crença de que esporte é sinônimo de saúde pode não ser de todo verdadeira. Basta começar pela simples distinção entre atividade física e esporte de alto rendimento. A primeira, praticada regularmente e sem exageros, está sim vinculada à saúde. O segundo, nem sempre. Ainda que o esporte de alto rendimento proporcione ao atleta benefícios como a disciplina, está diretamente relacionado à competição. Tanto nos esportes individuais (corrida, natação, boxe, tênis, etc), como nos coletivos (vôlei, handebol, futebol, basquete, etc), existe a busca constante do limite máximo de rendimento corporal e de sua superação. Assim, por ser contínuo e intenso, pode sobrecarregar a estrutura física e psicológica do atleta. O médico ortopedista do Instituto de Ortopedia e Traumatologia de Blumenau (IOT), Paulo Bordone, afirma que a fuga da normalidade na prática da atividade física compromete o bem estar de quem a pratica. “Assim como não fazer nada faz mal, tudo o que é em excesso, também”. O treinador e competidor de triathlon (que envolve corrida, natação e ciclismo), Juliano Schmidt Torquato Luiz, 32 anos, atleta da Fundação Municipal de Esportes de Blumenau, confirma as constatações. Em oito anos de carreira, as quatro ou cinco horas diárias de treino e as competições a cada duas ou três semanas conferiram-lhe uma lista de lesões corporais. “A mais recente é a tendinite no quadril. Tive duas crises em quarenta dias. No período pré-competitivo, passei dez dias à base de anti-inflamatórios, injeções e sessões de fisioterapia. Sofri, mas consegui participar da prova”. Apesar de o triathlon exigir 70% da atuação dos membros inferiores em sua realização – daí as lesões na coxa, no ligamento do tornozelo e na panturrilha -, os membros superiores também podem ser lesionados. “No ombro eu tenho o que se chama de estabilidade de ombro e tendini-

te. Mesmo com a fisioterapia, a dor vai e volta. Não tem cura”, lamenta. Este é apenas um caso de atleta que foi prejudicado pela excessiva prática esportiva. Em todos os esportes de alto rendimento os participantes precisam, além de se preocupar com a vitória, saber que estão sujeitos a prejudicar seu corpo. Mas, muitas vezes isso não é um dos grandes problemas. O esporte acaba se tornando um vício diário e algumas preocupações, como essa, são deixadas de lado pelo prazer de praticar, competir e estar sempre em busca da perfeição. O problema é que este ciclo não tem fim, e os esportistas podem nem perceber quando estão perto de se prejudicar a ponto de não serem mais capazes de praticar aquilo que lhes fornece tanto prazer. A insistência também está incluída neste ciclo. É aquela velha história de que “isto não vai acontecer comigo”. Ao assistirmos uma competição, podemos perceber diversos atletas com proteções nas mãos, joelhos e braços. Estes, normalmente, são os que já possuem alguma lesão. Mas, não vai ser o técnico que vai pedir para eles pararem, nem os familiares, nem a dor. O que possivelmente os fará parar é a lesão. E, muitas vezes, para sempre. Outro fator a ser considerado quando se fala em esporte de alto rendimento é a idade de início da prática esportiva. Ainda que a chance de ter um campeão mirim seja maior, a probabilidade de ocorrer algum problema físico também pode ser, o que depende do esporte. Há atletas de ginástica olímpica (um dos esportes que mais exige e que causa impactos) que estão “velhos” aos 28 anos. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para o atleta de alto nível, pois diminui as possibilidades de lesão e pode aumentar a sobrevida atlética.

Controle mental Assim como o esforço físico afeta o desempenho de um competidor, a alimentação também. Entretanto, tão importante quanto estes, é o fator psicológico. Para o professor e psicólogo do esporte da Fundação Universitária Regional de Blumenau (Furb), Carlos Nunes, o atleta que tem acompanhamento psicológico tem resultado superior. “O ideal é que seja diário”, diz o profissional que iniciou a carreira com a equipe de voleibol de

Blumenau e agora é responsável pelo time de handebol feminino. Ele afirma que no esporte, o acompanhamento psicológico não se limita à motivação e tem as seguintes expressões como palavras-chave: atenção, ativação, concentração, comunicação, questão tática e motivação. Segundo ele, o atleta precisa estar concentrado e manter o foco durante o jogo/competição. “Desviar a atenção à torcida e a falta de comunicação podem atrapalhar”. Nunes diz “estar sempre junto” na quadra, apesar de não poder ficar no banco com a equipe técnica. “O nosso trabalho é conjunto. Verifico para onde o atleta está olhando, se ele gasta energia à toa. Fico na torcida motivando o time e dou dicas de forma discreta para os reservas que estão no banco”. O acompanhamento psicológico não pode ocorrer somente durante o jogo, já que todo atleta possui dúvidas e inseguranças vindas, por exemplo, de um sentimento de incompetência sobre alguma tarefa não realizada. O atleta sente-se angustiado por não conseguir executar funções que ele considera importantes. Casos como o do handebol, em que o pivô não consegue fazer um gol, e no vôlei, em que o atacante não faz o ponto, não “põe a bola no chão”, são ilustrações deste sentimento de incapacidade. Em palestra promovida pela CBN em Blumenau, no Teatro Carlos Gomes, o comentarista esportivo Juca Kfouri mencionou o episódio de descontrole emocional em campo do jogador de futebol Neymar. Kfouri defende o garoto: “Ele não teve infância, desde os 13 anos está sendo preparado para brilhar. Há muita hipocrisia em querer puni-lo”. O jornalista critica ainda a falta de contratação de um psicólogo por parte dos grandes clubes de futebol. “Essa garotada sai da favela direto para o campo e, muitas vezes, direto para o estrelato. Não há ninguém para cuidar da cabeça deles e dessa mudança repentina. Pagam R$ 400.000,00 de salário, mas não pagam R$ 12.000,00 por um psicólogo”. A concorrência entre os competidores e a cobrança de patrocinadores e apoiadores para que vençam as provas são outros geradores de estresse. “Fico meio neurótico. A cobrança é grande. Não tem motivo para continuarem patrocinando se não vencermos as provas e virarmos notícia”, conta Juliano.

Celso Peixoto

Outras faces do jogo Juliano não deixa de apontar o fato de o esporte competitivo possibilitar seu sustento. Mas o lado negativo é ressaltado. “Não tem nada de saúde. Tenho muita lesão, estresse, vivo com dor, tenho que treinar cansado, no calor, no frio, na chuva. Fora as bolhas, os calos e os dedos dos pés sem unhas”, queixa-se. O psicólogo Carlos Nunes concorda categoricamente. “Não é saúde! Há confronto sempre, tanto físico quanto psicológico”. No entanto, faz questão de ressaltar as qualidades da superação física. “Vencer é muito bom, você não tem ideia do que é. E o esporte desenvolve no atleta a disciplina que falta para o não atleta. Mas, também tem decepções. O pior não é perder. É o fracasso de não conseguir fazer, quando o adversário se sai melhor”.


o ã ç c i f da

e d a d i l a e r A

Aspectos da genética forense abordados por séries da televisão americana já fazem parte do cotidiano Analú Vignoli analu_vig@hotmail.com

Amanda Caroline Sousa amandacaroline@univali.br

Um terrível assassinato na Rua Forest Vista em Spring Valley – Los Angeles (EUA), o assassino ataca sem deixar evidências. Aparentemente, não fica para trás nenhuma molécula de vestígio sobre sua passagem. Vinte horas e trinta minutos depois, a equipe do entomólogo forense Gil Grissom chega ao local que já fora isolado por policiais. Nada deve passar despercebido. Digitais, saliva, sangue, pele, unha, marcas de sapatos, hematomas. Já no laboratório, em minutos, o resultado do DNA, parece que temos um suspeito. É hora de pegá-lo! Para a série de TV americana Crime Scene Investigation – CSI, um aparente suicídio pode revelar-se um cruel assassinato. Treinados e bem equipados, os especialistas da série buscam todas as evidências para solucionar os crimes. Da ficção para a realidade, dos Estados Unidos para Balneário Camboriú, o que temos em comum? Talvez a poluição gerada pelo uso frequente de veículos ou o clima agradável para uma ida a praia. Mas, em se tratando de investigação e genética forense, é preciso diferenciar o

Instituto Geral de Perícias – IGP e o Crime Scene Investigation CSI. As séries de TV possuem início, meio e fim. Análises laboratoriais, de DNA, saliva, chassis de veículos são feitas rapidamente e os casos são solucionados em um único episódio, ou seja, dentro de uma hora. Na vida real, o resultado de um exame de DNA sai em uma semana. O IGP de Balneário Camboriú e região é responsável por investigar homicídios, suicídios, locais de acidentes de trânsito, arrombamentos, carros, falsificação de documentos como identidade, cheques, dinheiro, pirataria, entre outros. Segundo Lucia H.I. Beduschi, coordenadora do IGP de Balneário Camboriú e Itajaí, as séries de TV mostram o princípio da perícia. O isolamento do local, por exemplo, se faz necessário, e é de extrema importância para o resultado, o menor detalhe esquecido, contaminado ou removido, pode prejudicar a interpretação nos laudos. A coleta de pêlos, substâncias corpóreas, posição do corpo, local onde a vítima foi atingida, por onde o criminoso entrou e saiu, entre outras questões já citadas, são averiguadas tanto nas séries de TV quanto pelo IGP da região e em qualquer outro lugar. O IGP começou a formar um banco de dados aderindo a um

sistema utilizado pelos Estados Unidos, o Automatic Finger Print Identification System – AFIS, em que informações sobre as pessoas ficam armazenadas. No processo de retirada das novas carteiras de identidade brasileira, já estão sendo coletadas as digitais para o armazenamento. Porém, o volume de digitais a serem colhidas é enorme, é necessário coletar as digitais da população e também dos que já estão condenados. Alguns equipamentos e recursos exibidos nas séries são aspirações aqui, e utopia até mesmo nos Estados Unidos. Profissionais da área dizem que esperam pelo dia em que o avanço tecnológico seja capaz de identificar até a roupa usada pelo investigado, através da digital. Enquanto isso, a rotina criminal em nossa região tem que continuar sendo atendida. Se nas séries os peritos são responsáveis pelo inquérito do suspeito e prisão, aqui esse trabalho fica com a polícia, e os peritos com a investigação do local. Quando algo ocorre, o número que vem logo à mente das pessoas é o 190, que dispara a Polícia Militar, sempre a primeira a chegar ao local. Ao ser constatado que a vítima está morta, a polícia trata de isolar a área, nada pode ser retirado ou colocado, ninguém deve sair ou entrar. O departamento de Polícia Civil é chamado e então a perícia é acionada.

Quando os peritos chegam ao local, o trabalho minucioso começa, as técnicas e capacidades de associação de um vestígio com o crime são testadas. Para corresponder à expectativa, os profissionais possuem curso superior, são concursados e passam seis meses na academia do IGP em Florianópolis. O grande problema é que quando a perícia chega ao local, a cena do crime muitas vezes já sofreu interferências, o corpo foi deslocado, a arma já foi retirada do local, entre outros aspectos. “As séries de TV são positivas, ao mostrarem e cultuarem entre as pessoas a necessidade de preservação do local, já que no Brasil, não se tem essa consciência” afirma Beduschi. Todo o material recolhido é responsabilidade do IGP, já o corpo da vítima é levado ao Instituto Médico Legal – IML. Para averiguar a causa da morte, é necessário que o legista abra o corpo da vítima, até mesmo porque recursos de verificação mecânica, como RX, útil em alguns casos, não estão disponíveis no local. São coletadas amostras de sangue, urina, tudo que possa ajudar nos laudos. Nos casos que envolvem uso de arma de fogo, é feito um mapeamento do corpo da vítima, um croqui das lesões para ser entregue ao delegado responsável. Para os funcionários do IML de Balneário

Camboriú, os piores casos são os de afogamento, pela forma como são encontrados os corpos, já em decomposição. Em casos de não decomposição, o IML tem seis horas para iniciar os trabalhos após a chegada do corpo e 12 horas para a conclusão. Os corpos identificados são entregues à funerária, já os não identificados, ficam na cama mortuária por 30 dias. Caso não sejam procurados, são doados às instituições de ensino, ou enterrados como indigentes. Na equipe do IGP de Balneário Camboriú estão quatro peritos, um auxiliar criminalista e seis estagiários. Já as análises que envolvem soluções químicas e reagentes são direcionadas a cidade de Florianópolis, para o Instituto de Análises Laboratoriais – IAL. Para a descentralização de trabalho, pensa-se em montar um IGP na cidade de Joinvile, a maior cidade do Estado. Com 293 municípios, Santa Catarina está formando apenas 12 novos peritos, sendo que seis já estão com estações de trabalhos definidas, os demais serão direcionados aos locais com mais índices de ocorrências. “Após sua autonomia em 2005, o IGP está melhor equipado para buscar solucionar os casos, ainda há muito que conquistar, mas já deixou de ser o “patinho feio” da Polícia Civil”, conclui Beduschi.

Confira algumas das séries que abordam o trabalho da perícia em seus enredos:

BONES

NCIS

NUNB3RS

CSI:

MIAMI

CSI:

New York

CSI:

L.Vegas


Pesquisa made in SC

Qual o perfil dos cientistas catarinenses? E que pesquisas são realizadas hoje em Santa Catarina? Jefferson da Silva jefferson.douglas@rbstv.com.br

Ela tem 21 anos, cabelos castanhos escuros, e relativamente curtos. O estilo é de uma jovem conectada com seu tempo: jeans, camiseta estampada e tênis. Gosta de rock e MPB, e sabe tudo de computador. A camboriuense Silvia Mendes circula pelos corredores da universidade, e é confundida com os demais acadêmicos. Mas não é uma estudante qualquer. É uma cientista. Embora a descrição acima não combine em nada com a imagem que temos no nosso imaginário, cientista não é apenas o homem de jaleco branco, enfurnado em um laboratório em meio a tubos de ensaio ou microscópio. As ferramentas de pesquisa da universitária são outras: computador e livros, muitos livros. Há dois anos ela atua no Monitor de Mídia, um grupo de estudo do conteúdo exibido por veículos de comunicação, criado em 2001 e mantido pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Começou pesquisando as referências bibliográficas em livros do jornalista Caco Barcellos, e tomou gosto pela coisa. “Pesquisa não precisa ser chata”, resume a estudante, “desde que a gente escolha um tema legal”. O termo cientista é do século 19. Foi cunhado em 1833 pelo inglês William Whewell para descrever um especialista no estudo da natureza, conceito que se popularizou no século 20. De uma forma ampla, define uma pessoa que realiza uma atividade sistemática, com método que possa ser testado, para obter determinado conhecimento. “O processo de desenvolvimento da sociedade passa necessariamente pela pesquisa científica”, explica a professora Thereza Monteiro de Lima, da UFSC, representante catarinen-

se da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A entidade, fundada nos moldes de instituições europeias e norte-americanas, se propôs a trabalhar pela “remoção de empecilhos e incompreensões que entravem o progresso da ciência”, conforme expresso na própria ata de fundação, de julho de 1948. E são milhares de pessoas trabalhando neste sentido. Dados do anuário do CNPq mostram que o Sul do Brasil é uma região próspera em pesquisas científicas. Em oito anos o número de pesquisadores em atuação mais que dobrou (passou de 10.378 para 24.708); e a quantidade de doutores envolvidos na produção de conhecimento praticamente triplicou (de 5.034 para 14.931). Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ficam atrás apenas dos estados do Sudeste, quando o assunto é produção científica (veja gráfico). Um trabalho realizado basicamente em universidades, e com financiamento público.

Pesquisa? Sobre o quê? Foi o trabalho científico que definiu cada avanço obtido na medicina, química, física, astronomia, entre tantas outras ciências. E há muito ainda por ser descoberto a partir da curiosidade pessoal dos cientistas; da percepção de uma mudança no ambiente; o surgimento de uma nova demanda; ou até as condições criadas pela instituição onde atua. Só na Universidade Federal de Santa Catarina cerca de oito mil pesquisadores, doutores estudantes e técnicos atuam em pesquisas. São estudos como o que testa a viabilidade de duas vacinas para evitar o câncer de colo de útero; o emprego de células-tronco no tratamento de lesões no cérebro; ou o emprego de nanotecnologia para acelerar reações químicas. Pesquisas que colocam a UFSC como a terceira universidade brasileira no Webometric,

um ranking que avalia 12 mil instituições e é elaborado desde 2004 por um órgão ligado ao Ministério da Educação espanhol. A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) também aparece no ranking em função de trabalhos como do Laboratório de Análise e Produção de Medicamentos, habituado a criar patentes de medicamentos. Neste momento os pesquisadores do Lapam trabalham para desenvolver um novo analgésico utilizando como matéria-prima a nogueira-daíndia (Aleurites moluccana). A planta exótica, adaptada à flora brasileira, foi alvo de mais de dez anos de estudos e pode ser empregada na fabricação de um potente medicamento contra a dor, em parceria com um laboratório farmacêutico. Já na Universidade Regional de Blumenau (Furb), pesquisadores comprovaram que a utilização de enzimas (proteínas produzidas por micro-organismo e que ajudam na fermentação de bebidas, e até no processo de digestão do ser humano) pode economizar água, energia, e produtos químicos utilizados no beneficiamento têxtil. Esse processo biotecnológico permite “determinar as reações que desejamos, sem, por exemplo, destruir determinadas fibras do tecido, o que poderia ocorrer com reagentes químicos normais”, explica o professor Jürgen Andreaus. O cálculo impressiona. Mudando o processo, pode-se evitar o lançamento de mil quilos de gás carbônico (CO2) na atmosfera a cada tonelada de malha produzida. Os trabalhos catarinenses podem não ser comparados a pesquisas como a que recebeu o prêmio Nobel de Física de 2010. Pesquisadores russos conseguiram criar o grafeno - um material mais duro e condutor – capaz de revolucionar setores como os de energia e comunicações nos próximos anos. Mas, “retratam bem a inovação científica catarinense”, complementa a representante catarinense na SBPC.

Indicadores de pesquisa no Brasil e na região sul

PESQUISADORES 120000

B B

100000 B

80000 60000

Sul

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B

Brasil

40000 S

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20000

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2004

2002

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2006

DOUTORES 80000 B

70000 B

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50000

Sul

40000 B

30000

S

B

20000 10000

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Brasil

S

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B

0 2000

2004

2002

2008

2006

ESTUDANTES 180000

B

B

160000 140000 120000

B

100000 80000

B

B

60000

S

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2002

2004

2006

2008

Fonte: CNPq

Albert Einstein

Alfred Nobel

Galileu Galilei

Edwin P. Hubble

Leonardo Da Vinci

Louis Pasteur

Melvin Calvin

Criou a Teoria da Relatividade e concebeu conceitos que permitiram o desenvolvimento da energia atômica.

Químico sueco. Desenvolveu produtos como a borracha sintética e o dinamite.

Descobriu a Lei dos Corpos e fez avanços notáveis na astronomia. É considerado o “Pai da Ciência Moderna”.

Astrônomo norte-americano. Descobriu as chamadas “Nebulosas”, galáxias fora da Via Láctea.

Ainda no século 13 desenvolveu conceitos do que mais tarde seria o tanque de guerra, e o helicóptero, a calculadora, entre outros.

É um dos fundadores da microbiologia. Inventou a vacina contra a raiva e o método da pasteurização.

Bioquímico norte-americano. Recebeu o Nobel de Química por estudos sobre o papel do carbono na fotossíntese.


Diálise com segurança A garantia de sucesso na filtragem do sangue está nos cuidados com o material que é reutilizado Neuseli dos Santos neuseli28@yahoo.com.br

Patrícia Cancelier paticancellier@hotmail.com

Munidos de máscaras, óculos e luvas, a equipe de enfermeiros realiza o reprocessamento do material utilizado em seus pacientes de hemodiálise. Essa medida de reutilização é válida mesmo que o material tenha sido utilizado em pacientes com doenças graves como as hepatites B e C. Apenas quem é HIV positivo recebe utensílios novos. Na Associação Renal Vida de Itajaí cada paciente que realiza a hemodiálise tem o seu material devidamente identificado e reutilizado apenas nele. No reprocessamento também é verificado o volume interno dos capilares, que são uma membrana dialisadora, transportando o fluxo de sangue abundante durante quatro horas, retirando tudo o que é indesejável. Para a esterilização dos capilares é usado o ácido peracético numa concentração de 5%. É um esterilizante de contato, ele fica de 6 a 8 horas em contato com o material internamente, pra depois ele ser considerado estéril e ser utilizado novamente. O total de água medido no interior dos capilares na hemodiálise não pode ser inferior a 80% do priming inicial, ou seja, do primeiro uso. Cada paciente recebe um tamanho de acordo com suas necessidades e esse material é

reutilizado, em média, até 20 vezes. De acordo com o nefrologista Mauro Azevedo Machado, durante o tratamento, o sangue sai desse capilar e vai pra dentro de uma máquina e retorna no mesmo cateter, que tem duas vias. “Se esse sistema não estiver totalmente limpo, ele pode se contaminar com bactérias até letais e o paciente ganhar uma infecção, que não precisa ser somente local, pode ser generalizada, atingindo todos os órgãos do corpo e pode, inclusive, levar à morte”. O médico atende pacientes de 18 a 84 anos, mas a média fica entre 50 e 60 anos, quando as doenças crônicas começam a trazer problemas progressivos de longo tempo. Os pacientes jovens, na faixa dos 18 anos, geralmente são levados por doenças próprias do rim. A primeira causa de insuficiência renal terminal é o diabetes. A doença é uma das responsáveis por levar os pacientes para a hemodiálise. Nesse grupo entram também a hipertensão e as doenças próprias do rim que, com o passar dos anos, levam à perda das funções renais até chegar ao ponto de o paciente ter 10% ou menos de funcionamento renal, não conseguindo sobreviver sozinho. É quando se indica iniciar o tratamento pela hemodiálise. Durante a hemodiálise, o sangue do paciente fica de um lado do capilar e a solução química de outro, no meio fica uma membrana. Se a água que passar por ali não for de qualidade, pode causar

uma contaminação para o paciente através dessa membrana. A água responsável pela limpeza do sangue não é a mesma encontrada nas torneiras, é uma água especialmente tratada. Segundo Machado, a água sofre uma constante ionização, um processo onde se deixa apenas o mínimo necessário de íons pra que ela saia pura. “Ferro, cloro e sódio, por exemplo, são quase totalmente excluídos do líquido, para depois poder entrar na máquina e fazer as misturas com os íons presentes na solução própria da hemodiálise”. No capilar, o sangue passa por dentro das fibras do material. Por fora é que passa a substância com a água preparada. É ali que acontece todo o processo de filtragem e limpeza do sangue. Para iniciar o tratamento é preciso ter um vaso resistente e acessível que permita ser puncionado três vezes por semana com agulhas. Para isso, é necessário fazer um acesso venoso subcutâneo no paciente que se chama confecção de fístula arteriovenosa. Ela é feita unindo uma veia e uma artéria superficial do braço. O sangue da primeira passa para a segunda e a veia fica mais ingurgitada e com fluxo de sangue mais forte. “É onde você pode puncionar e trazer o sangue para o sistema de hemodiálise pra filtrar e depois devolver o sangue na mesma fístula, limpo”, explica o médico. Além disso, no local da implantação do cateter sempre fica um pedaço para o lado de fora e um para o lado de dentro. É justa-

mente nessa beirada de transição que a pele pode entrar em contato com bactérias. Essa pulsão precisa também de cuidados para evitar contaminação, que pode inflamar o local e dali migrar a bactéria pra dentro da circulação ocasionando infecções generalizadas. São usadas duas agulhas que se mantêm na fístula artério-venosa (FAV), durante 4 horas, três vezes por semana.

Quatro salas Para evitar a contaminação dos materiais pelos pacientes de doenças infecciosas, eles são separados por quatro grupos de acordo com a sorologia. O salão grande é chamado de sala branca, onde ficam os pacientes que tem controle das virologias, ou seja: não são HIV positivo e não tem hepatite, doenças que são transmitidas pelo sangue ou secreções. Já na sala C, ficam os pacientes de hepatite C positivo, também controlados. Nessa sala, a diálise é feita separada. A sala B destinase a pacientes com Hepatite B. O material nesses casos é reprocessado. “A gente acredita que é mais fácil um paciente de HIV contrair hepatite do que o contrário”, explica Machado. A equipe é orientada a usar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e tem conhecimento de que aquela sala específica lida com determinado paciente. Os pacientes HIV positivo são os únicos que não reutilizam material. O controle das doenças é feito a

cada seis meses, independente do grupo do paciente.

Cuidados são indispesáveis Nos pacientes com doenças virais o cuidado deve ser maior por parte do profissional. Machado conta que já houve acidentes de trabalho na clínica em que atua, mas os profissionais fizeram os exames necessários e não se contaminaram. “Às vezes fica tão rotineiro que eles não tomam o devido cuidado”. Quanto aos pacientes, só pode haver contaminação se ele estiver num período chamado de janela imunológica, em que o médico não consiga determinar a doença naquele momento. Para o enfermeiro Mario Heinz Junior, o risco de acidentes para o profissional é baixo. “Já furei o dedo”, lembra. Mas isso depende de cada profissional e da sua maneira de lidar com o material. “Se levar em conta que eu trabalho há 14 anos e furei o dedo uma única vez e ainda foi um deslize e não foi nada de comprometedor, o risco é pequeno”. O lixo contaminado é separado em caixas especificas e guardados em salas fechadas fora da clínica. A coleta seletiva se encarrega de levar o lixo contaminado para a vigilância sanitária. A água usada na diálise também tem destino especial. Ela passa por um tratamento de efluentes que depois vai servir para atividades como regar jardins, lavar carros ou ser usada em descargas de banheiro.

Tratamento urina, como acontece em pessoas saudáveis. A diálise é o processo artificial usado para filtrar essas substâncias indesejáveis acumuladas pela doença. A diálise pode ser feita de duas formas. A primeira é através de uma membrana filtrante do rim artificial, que reveste toda a cavidade abdominal do corpo e é chamada de diálise peritoneal ambulatorial contínua(CAPD). Já na hemodiálise, é usada uma membrana dialisadora, formada por um conjunto de tubos finos, chamados de capilares.

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Os principais sintomas são de doenças renais são: pressão alta; inchaço (sobretudo no rosto, nas pernas e no corpo todo); sangue na urina, cólica renal causada por cálculos (pedras); indícios de infecção urinária (dor, ardor ou dificuldade para urinar, urina mal cheirosa ou turva, aumento da frequência das idas ao banheiro); palidez e fraqueza (sem outras justificativas). Os pacientes de doenças renais precisam fazer uma “limpeza” no organismo pelo menos três vezes por semana, já que eles não conseguem eliminar as toxinas do organismo através da


Botox além da estética

Ruga não é o único alvo da Toxina Botulínica. Doenças neurológicas também são tratadas com o produto Iara da Cunha iara_rc@hotmail.com

Paulo José Mueller pmueller@univali.br

“Não saia de casa para passear, conversar. Quando eu conversava, o rosto começava a repuxar. Todo mundo ficava olhando. Tinha vergonha.” Esse é o relato de Najla Gama Kauss, 67 anos. Ela tem espasmo hemifacial. A doença sempre a incomodou. Não havia nenhum tratamento recomendado até que, em 2004, foi indicado por uma médica outra opção para melhorar a sua qualidade de vida. Para muitos, o Botox® (marca americana) como é popularmente conhecida a Toxina Botulínica, é sinônimo de um rosto rejuvenescido. Mas, para Dona Najla e tantas outras pessoas, se tornou uma esperança no tratamento de doenças que antes exigiam cirurgias. A Toxina Botulínica é produzida pela bactéria Clostridium Botulinum. Essa neurotoxina é conhecida por seu efeito tóxico e causa o botulismo, uma intoxicação que afeta o sistema nervoso e provoca a paralisia gradual dos músculos. Em 1950, descobriuse que em doses muito pequenas, seria possível utilizá-la para fins terapêuticos. A toxina começou a ser usada no Brasil em 1995. Seu principal uso, nessa época, era eliminar as linhas de expressão, especialmente os vincos da testa e os famosos “pés-de-galinha”. A partir do ano 2000, foi aprovada para indicações terapêuticas como a hiperidrose axilar e palmar (excesso de suor). A administração do produto é feita através de injeções. O método é simples, não requer repouso nem interrupção das atividades cotidianas. Hoje, a Toxina Botulínica tem importante papel no tratamento de sorriso gengival, bexiga hiperativa (incontinência urinária), hiperidrose (suor excessivo nos pés, mãos e axilas), estrabismo

(desalinhamento dos olhos), distonia (contrações involuntárias da musculatura), blefaroespasmos (movimentos involuntários das pálpebras, semelhantes a um tique nervoso), espasticidade (rigidez excessiva da musculatura de braços e pernas) e espasmo hemifacial (contrações involuntárias dos músculos da face). O fisioterapeuta Camilo Artur Camargo, de Guarapuava, no Paraná, utiliza a toxina botulínica na reabilitação de crianças com paralisia cerebral. Antes não existia nenhum medicamento compatível com os resultados dessa toxina. No máximo era utilizado algum tipo de órtese (aparelho de metal para fixar pernas, cintura, coluna) e gesso, visando o alongamento e a prevenção de contraturas das estruturas músculo-tendíneas. “Os efeitos da toxina botulínica associados às técnicas e recursos fisioterapêuticos específicos são relevantes para o processo de reabilitação dessas crianças”. Camilo destaca ainda que, como todo medicamento, a toxina só deve ser usada com supervisão e orientação médica. Algumas das contraindicações apresentadas são: alergia conhecida ao medicamento, infecção local e não deve ser utilizado em caso de gestação. Outros casos em que a toxina botulínica não é indicada devem ser observados como doença neuromuscular associada (uma enfermidade que leva ao enfraquecimento gradativo do músculo), coagulopatia associada (problema relacionado à coagulação sanguínea), falta de colaboração do paciente para o procedimento global, contraturas fixas (contração muscular que causa dor), lactação e uso de potencializadores como aminoglicosídeos, por exemplo a neomicina, um medicamento utilizado para tratar infecções bacterianas. Marly Hardt, 71 anos, faz uso da toxina botulínica há oito anos. Ela tem espasmo hemifacial e através de um neurocirurgião, obteve indicação para o trata-

mento. “O Botox melhorou esteticamente e fisicamente, pois ele me deixa sem dor”. Inicialmente realizava a aplicação a cada oito meses. Com o passar do tempo, o intervalo entre uma aplicação e outra diminuiu. Hoje, as injeções precisam ser feitas de três em três meses. “O efeito reduziu com o passar do tempo, mas a melhora da contração e a ausência de dor quando eu aplico o Botox me deixa confortável”. Nem sempre o resultado esperado com o uso da toxina botulínica é alcançado. É o caso de Lenio Chaves Cabral, 51 anos, que tem doença de Parkinson. Em decorrência disso, apresentou incontinência urinária e seu urologista indicou a toxina, afirmando que a aplicação melhoraria o quadro. Lenio afirma que sentiu segurança quando seu médico indicou o uso do produto. Não pensou duas vezes e agendou a aplicação, afinal, seu problema seria resolvido. O procedimento foi realizado em março de 2010. Ele conta que foi internado em um hospital e sedado. O medicamento foi injetado pelo canal da uretra, sem nenhum corte. “Não senti dor alguma e recebi alta no mesmo dia”. No dia seguinte à aplicação, percebeu que o volume de urina era mínimo e retornou ao médico, que recomendou utilizar sonda uretral para solucionar o problema ocasionado com o tratamento. O resultado esperado não era o de interromper totalmente o fluxo da urina, mas diminuir a incontinência. O tratamento com uso da toxina botulínica ainda é caro. Cada frasco do medicamento custa em torno de R$ 1,1 mil. Dependendo da doença, pode ser necessária a utilização de vários frascos. O Ministério da Saúde, em parceria com cada Estado, fornece gratuitamente o produto para os pacientes que tenham indicação clínica no tratamento com a toxina botulínica. De acordo com o farmacêutico da Secretaria de Saúde de Itajaí, Leandro Zago, para ter acesso a este benefício o cidadão precisa entrar

com um processo junto ao órgão, preencher formulário próprio e comprovar, através de laudos e exames médicos, que necessita do medicamento para tratamento de saúde. Em Santa Catarina, depois de preenchidos todos os critérios, essa documentação é enviada para Florianópolis, onde é analisada por uma junta médica no Centro de Reabilitação. Todo esse processo dura, em média, dois meses para garantir que não ocorra desvio do medicamento para uso estético. Qualquer pessoa que receba indicação médica para tratamento de sua doença com uso de toxina botulínica pode realizar a aplicação de forma gratuita no Centro de Reabilitação, em Florianópolis. Porém, se optar por não realizar a aplicação neste centro, o custo não será coberto pelo Estado, devendo o paciente assumir essa despesa.

Botox em outras doenças Uma nova forma de unir e reconstruir moléculas e usá-las para refinar a toxina botulínica do tipo “A” foi desenvolvida por cientistas britânicos para apri-

morar o uso desta neurotoxina em pacientes com doença de Parkinson, paralisia cerebral e enxaqueca. De acordo com a reportagem “Cientistas refinam Botox para uso contra Parkinson, paralisia e enxaqueca”, publicada em 05/10/2010 no jornal “Estadão Online”, especialistas do Laboratório de Biologia Molecular do Conselho Britânico de Pesquisa Médica acreditam que suas descobertas podem levar à criação de analgésicos de longa duração. O novo método gera uma molécula refinada que poderia ser utilizada clinicamente sem efeitos tóxicos indesejados. Ainda de acordo com a reportagem, o Reino Unido foi o primeiro país a aprovar a toxina para o tratamento de enxaqueca. O tempo de duração do efeito da toxina botulínica no tratamento de doenças neurológicas varia de quatro a seis meses. Os cientistas britânicos acreditam que esse novo método pode resultar no desenvolvimento de analgésicos que permitam ao paciente ficar sem dor crônica pelo mesmo intervalo de tempo.

Paulo José Mueller

Botox - Toxina Boltulinica Tipo 1 - Laboratório Allergan

Serviço CENTRO CATARINENSE DE REABILITAÇÃO DO ESTADO DE SANTA CATARINA

SERVIÇOS PRESTADOS:

Rua Rui Barbosa, n 780

- Serviço de Reabilitação Neurológica

- Serviços de Psicologia

Bairro: Agronômica

- Serviço de Traumato-ortopedia

- Serviços de Fonoaudiologia

Florianópolis – SC

- Serviço de reabilitação Cardiológica

- Serviços de Terapia Ocupacional

Tel.: (48) 3221-9200 / 3221-9202

- Oficina Ortopédica (Serviços de: Próteses, Órteses, Aparelhos e Sapataria)

- Serviços de Assistência Social

E-mail: ccr@saude.sc.gov.br

- Atendimento Médico (Fisiatria, Pediatria, Urologia, Neurologia e Cardiologia)

- Serviços Pedagógicos

Horário de atendimento: 07:00 hs às 19:00 hs

- Serviços de Enfermagem


Espe

A máquina do tempo A arqueologia pode nos levar ao passado e, quem sabe, nos fazer ressurgir no futuro Antônio Sabará sabarabc@hotmail.com

Luís Costa juriscosta@hotmail.com

Sentado perto de um barranco, em algum ponto da margem do rio Cubatão, em Joinville, nordeste de Santa Catarina, pode-se ficar imaginando como escrever sobre aquele lugar. A partir de um primeiro olhar, não tem nada de muito atrativo. Uma vegetação não muito densa, a terra úmida, o rio com água meio turva. O vaivém das aves é interessante, em uma constante procura por alimentos, mas ainda não inspira de forma suficiente para a escrita. Um lamaçal de dar dó a qualquer par de tênis branco. Mas, a dúvida persiste: como escrever sobre um lugar assim? Afinal de contas, os leitores podem desistir, perdendo o interesse já no primeiro ou segundo parágrafo do texto, caso o conteúdo seja chato. Na verdade, permanecer parado e sentado, por quase meia hora, não adianta muito. Já que o tênis está devidamente sujo e a calça também, o negócio é dar uma caminhada ao redor. Escavações e conchas. Epa! Parece que a sorte está mudando no terreno que aparentemente nada tem para se ver e contar. Pisamos todos os dias em muitos lugares, sem imaginarmos o que pode ter logo abaixo dos nossos pés. Finalmente, o barranco de lama começa a ficar interessante. Por que não sujar as mãos também? Tênis, calça e mãos... Como será que vai terminar esta história? Independente do cinema, através de histórias como as de Indiana Jones e outras personagens, a arqueologia sempre foi vista com fascínio pela maioria das pessoas. As viagens, escavações, busca pelo desconhecido, com revelações surpreendentes que permitem e permitiram conhecer melhor o modo de vida ancestral, seduzem diversas gerações. O imaginário popular nor-

malmente remete à arqueologia as descobertas de tesouros e coisas parecidas, conforme comenta o geógrafo Eloy Labatut, que desenvolve trabalhos em conjunto com arqueólogos em Joinville. O que comumente acontece são análises de objetos, independente de forma, tamanho ou valor financeiro. “Para importantes descobertas não existe padrão. Uma peça pequena e com aspecto pouco atrativo também pode significar muito para a ciência”, complementa Eloy. Mexe aqui, revira ali, e logo se percebe que aquele lugar não pode ser tão comum quanto se pensa. Montes de conchas, além dos objetos aparentemente esculpidos em rocha mostram que o local merece, de fato, atenção pela arqueologia, palavra que tem origem grega e significa “estudo das coisas antigas”. Com parte do punho atolado na lama, surge uma dúvida: Será que algum arqueólogo vai perder tempo em um lugar que não tem ossos de dinossauros? Claro que sim! Ossos de dinossauro interessam aos paleontólogos. A ciência que estuda restos ou vestígios de diversas formas de vida animal é a paleontologia, diferente da arqueologia que é uma ciência social e comumente não trabalha com restos de seres vivos. O arqueólogo estuda as culturas e os modos de vida humana do passado, a partir da análise de vestígios materiais, que até podem ser ossos, no caso dos humanos, mas com outro enfoque. O arqueólogo carioca Darlan Pereira Cordeiro, que dentre outras atividades presta serviços junto à Fundação Genésio Miranda Lins, em Itajaí, conta que a arqueologia e os profissionais arqueólogos têm ganhado espaço. Ele explica que a legislação vigente visa proteger ou preservar os sítios arqueológicos, que são pela lei considerados patrimônio da união. O professor diz que o perfil do arqueólogo e sua importância são agora mais destacados em função da mudança dos modelos de cuidado à proteção do meio ambiente.

Museu Arqueológico de Itajaí e artefatos encontrados em Santa Catarina

Fotos: Luís Costa


ecial Joinville Itajaí Bal. Camororiú Floripa

Museu arqueológico

Garopaba Sítio arqueológico

Sítios arqueológicos em Santa Catarina

Sambaquis Sambaquianos são os povos ou pessoas que viviam junto aos sambaquis, palavra de origem guarani, que significa monte de conchas em ambientes

Quadro não comparativo São ciências distintas entre si / cada qual com sua importância específica

Arqueologia

normalmente litorâneos. Os estudos arqueológicos levaram à conclusão de que somente os sambaquianos produziam os zoolitos (zoo = animal + litos = rocha). As esculturas, feitas de rochas têm formas variadas, cujos significados possíveis são objetos de estudo. Mais raras são as encontradas com formato humano. Como interessa ao arqueólogo tanto os elementos da natureza quanto os produzidos pelos seres humanos, questionam-se possíveis laços entre os povos indígenas contemporâneos e os sambaquianos. O Cacique Hyral, da reserva Guarani, que está situada no quilômetro 190 da BR 101, em Biguaçú, acredita ser possível uma ligação entre os povos. Algumas evidências nas formas geométricas vistas nos elementos pré-históricos, se comparados aos dos Guaranis, podem direcionar para esta conclusão. Ele diz ser difícil concluir, mas que é uma hipótese viável. No sul do estado está localizado aquele que é considerado o maior Sambaqui do mundo, com 120 mil metros quadrados, aproximadamente, na região de Garopaba. Em Joinville, o Sambaqui Cubatão reúne uma equipe multidisciplinar liderada por equipes da USP e UFRJ, que já descobriram matérias de fibra preservadas, caso raro, mas possível porque imerso em água alguns elementos ficam mais preservados. De acordo com Darlan, o Canal Discovery está produzindo um documentário sobre o local. Preservar os objetos e especialmente o conhecimento obtido pelas pesquisas é fundamental para que possamos compreender um pouco mais as nossas origens, desvendando a senda humana no planeta. Não é por acaso que Indiana Jones está entre os personagens mais lembrados do cinema.

Ciência Social que estuda as culturas, não trabalha com restos de seres vivos. Estudo das coisas antigas e diversas modalidades de pesquisa, como a histórica; Como a maioria das descobertas, alguns dos primeiros achados arqueológicos registrados podem ter acontecido por acaso. Os iniciais registros do que hoje é concebido como arqueologia são muito antigos, estando associados também a atividades militares e de pesquisas particulares, por homens apaixonados por “novas” descobertas;

Também relacionada com a biologia e a geologia;

Estuda restos ou vestígios de diversas formas de vida animal;

A arqueologia tem resquícios mais evidentes desde a passagem da idade média para a moderna (séc. XVI), com os humanistas e o renascimento;

Dinossauros;

O arqueólogo estuda as culturas e os modos de vida humana do passado, a partir da análise de vestígios materiais. Extraordinariamente (de acordo com a circunsntância) pode estudar dinossauros, mas não é o foco.

Verifica a atividade biológica dos seres pesquisados: pisadas, coprólitos, bioturbações, fósseis ósseos;

Paleontologia

Os sítios arqueológicos de Joinville estão devidamente catalogados e são alvo da atenção de profissionais como a arqueóloga Beatriz Costa, atualmente vinculada ao Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (Fundação Cultural). Ela explica que dentre outras atividades, os arqueólogos podem trabalhar em duas frentes: diretamente nos locais de escavações, ou realizando estudos e análises posteriores. Beatriz comenta que as atividades relativas à arqueologia, pela complexidade apresentada, também ocorrem de maneira interdisciplinar, juntamente com geógrafos e outros profissionais pesquisadores. Somente na região de Joinville foram registrados 41 sítios. O ideal, para preservação dos materiais e não prejudicar as pesquisas, é que o acesso aos locais ocorra, preferencialmente, com monitoramento ou autorização. Além das ferramentas mais simples, como pás e enxadas, alta tecnologia também auxilia os profissionais, como o teste do carbono 14 (exame que possibilita a estimativa de existência de fósseis e outros elementos). Portanto, a caminhada do repórter descrita no início deste texto não resultou apenas em lama e vegetação. Muitas conchas, além daquele pedaço de rocha esculpida, que foi recolocado no mesmo lugar, estavam lá, como páginas soltas de um livro de história. Só faltou encontrar um osso humano, quem sabe o crânio de um sambaquiano.


Prevenção é o remédio Alimentação balanceada reduz o uso de antibióticos e anti-inflamatórios devido à falta de vitamina A Anelise Margraf anelisemargraf@bol.com.br

A ingestão de vitamina A Para o infectologista Júlio Artur Keeler, de Balneário Camboriú, outras complicações sérias podem acarretar graves problemas devido à ausência da vitamina A: redução do olfato e do paladar, ressecamento e lesões na pele e mucosas, hiperplasias (multiplicação descontrolada das células) e metaplasias (perda da forma celular), enfraquecimento do sistema imunológico, que é a capacidade do organismo se defender o que leva a infecções

frequentes. Conforme o infectologista, todas as infecções e complicações podem ser evitadas se a alimentação for bem planejada com alimentos ricos em vitaminas A. “As evidências indicam também que essa deficiência pode comprometer o crescimento de crianças e diminuir a resistência às infecções.” Já o excesso de vitamina A, uma situação frequente em pessoas que ingerem vitaminas deliberadamente, também pode gerar problemas. Segundo Keeler, a ingestão de vitamina A em quantidade superior à necessária é bastante rara, pois esta se daria na forma de uma quantidade muito elevada de legumes ou verduras, que na alimentação diária é muito difícil de acontecer. O que normalmente acontece é a ingestão de vitamina A sintética, em complementos vitamínicos adquiridos em farmácias. Neste caso, os sintomas mais comuns são: cefaleia, náuseas, vômitos, mal estar, indigestão, dor abdominal, icterícia (pele amarelada); que são resultado de complicações do fígado, onde as vitaminas são processadas. Quando existe o excesso da vitamina A, o fígado não consegue metabolizar esta quantidade maior e por isso ocorre uma “intoxicação hepática” cujo tratamento é a suspensão imediata de alimentos ou complexos que contenham a vitamina. “No caso de crianças a situação é semelhante, e isto faz com que elas sofram, muitas vezes, atraso no desenvolvimento psicomotor,”explica o médico.

Onde encontrar a vitamina A Confira no quadro abaixo as fontes que fornecem essa importante vitamina:

Fontes vegetais

Fontes animais

Abacate

Gema

Caju

Leite

Manga

Queijo

Mamão

Sardinha

Abóbora

Fígado bovino

Brócolis

Óleo de fígado de bacalhau

Cenoura

Fígado de galinha

Rael Brian Rau

Nem sempre os pais estão presentes no dia a dia dos filhos para cuidar de sua alimentação. É o caso de dona Gersoli Batista Ferreira, 61 anos, que é avó e um de seus netos mora com ela. Daniel Vitor Nunes Pereira tem 9 anos e não come verduras e saladas. O motivo não é a falta de pratos deliciosos preparados pela avó, e sim porque o menino afirma não gostar de legumes e verdura, alimentos essenciais no dia-a-dia de uma criança em fase de crescimento. Embora Daniel não goste de comer alimentos como cenoura, couve-flor, espinafre, fígado de boi, dona Gersoli não deixa de complementar seu almoço com esses ingredientes que para ela são essenciais à mesa. Balas, chicletes, pirulitos, chocolates, sorvetes entre outros tantos doces apreciados pela criançada também estão na rotina de Daniel. Todas essas delícias estão no dia-a-dia do neto que consegue as sobremesas mesmo quando não come os pratos cheios de vitamina A.E por que é importante que Daniel consuma os pratos preparados pela avó? A importância da vitamina A reside no fato de exercer importantes e numerosas funções no organismo e, portanto, a sua deficiência acarretar consequências fisiopatológicas para o indivíduo, principalmente para as crianças. De acordo com a nutricionis-

ta Janete Tridapalli, de Brusque, o problema é que normalmente as pessoas deixam de lado a importância fundamental da vitamina para o nosso corpo. Ela explica que vitaminas são elementos nutritivos essenciais para a vida, que na sua maioria possuem na sua estrutura compostos nitrogenados (aminas),os quais o organismo não é capaz de sintetizar e que, se faltarem na nutrição provocarão manifestações de carência no organismo. O corpo humano deve receber as vitaminas através da alimentação, que é importantíssima. A vitamina A, assim como todas as vitaminas é um micronutriente necessário ao organismo, por possuir uma variedade extensa de funções. A deficiência que está relacionada com sua carência chama-se Xeroftalmia. O sintoma mais comum é a cegueira noturna, sensibilidade à luz, seguido de problemas na córnea, podendo chegar à ulceração e até mesmo a cegueira irreversível (chamada de cerotomalácia).


Produção sustentável Empresas percebem cada vez mais a importância de investir em ações que diminuam o impacto ambiental

babibrida_@hotmail.com

Talita Aparecida Odeli tita_mina1@hotmail.com

Perceba tudo a sua volta, tijolos nas paredes, equipamentos eletrônicos, móveis, inclusive suas roupas. Você já parou para pensar no quanto o meio ambiente foi provavelmente prejudicado para lhe proporcionar tal momento e comodidades? Quantas árvores derrubadas e a infinidade de produtos químicos despejados nos rios para lhe entregarem esses produtos prontos? As pessoas geralmente não fazem tal reflexão e acabam contribuindo indiretamente para a

degradação da natureza, que vem ficando cada vez mais escassa. Porém, nada está completamente perdido. A tecnologia que retira recursos da natureza é a mesma que a salva. As indústrias vêm investindo fortemente para evitar prejuízos ao ambiente e, consequentemente, aos seres humanos. Visando reduzir a emissão de substâncias poluentes na atmosfera, solo ou corpos d’água, diversas empresas estão aplicando um alto valor em estações de tratamento de efluentes. Efluentes são produtos líquidos ou gasosos produzidos por indústrias ou então resultantes dos esgotos domésticos urbanos, que são lançados no meio ambiente.

Fluxograma: estação de tratamento de efluentes

Bactérias auxiliam em preservação ambiental Durante o processo de tratamento de efluentes, entra em cena uma etapa curiosa. Bactérias auxiliam na diminuição de sujeira da água, absorvendo boa parte da massa poluidora existente. Segundo o coordenador do curso de Ciências Biológicas da Univali, Marcos Pessatti, existem poucos organismos na natureza que conseguem degradar uma

tinta, por exemplo, que é lançada no rio. Por isso, na ETE existe uma piscina especial, onde um grande número de bactérias capazes de realizar essa atividade são concentradas para metabolizar as tintas tóxicas. Esse processo é chamado de bioremediação, devido ao “conserto” de um problema ambiental com bac-

tabelecidas pelo órgão ambiental, dentre elas, a instalação de ETE Estações de Tratamento de Efluentes - permitindo o lançamento de efluentes apenas se cumpridos os padrões estabelecidos e instalação de equipamentos que controlem também as emissões atmosféricas. As empresas comprometemse a enviar relatórios de análises ao órgão licenciador, com periodicidade também estabelecida pelo órgão, como explica Mariane.

Na região do Vale do Itajaí, polo têxtil de Santa Catarina, essa situação não é diferente. Várias empresas vêm se adaptando a essa forma de preservação, especificamente no tratamento de efluentes líquidos. Além de uma prática ambientalmente correta, essas estações de tratamento são obrigatórias em alguns casos e fazem parte do conceito legal de poluição. A advogada especialista em Direito Socioambiental, Mariane Schappo, de Joinville, explica que no caso de indústrias, a obrigatoriedade de manter um sistema de tratamento de efluentes emana do próprio licenciamento obtido junto ao órgão ambiental. A obrigatoriedade do licenciamento ambiental, por sua vez, está prevista no artigo 10 da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente assim transcrita: “A construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva e potencialmente poluidores, bem como os capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento de órgão estadual competente, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - Ibama, em caráter supletivo, sem prejuízo de outras licenças exigíveis”. Assim, ao obter o licenciamento ambiental, a empresa fica obrigada a cumprir condições es-

Qual a importância dessa prevenção? Segundo o biólogo e mestre em Engenharia Ambiental, Marcos Pedro Veber, de Luiz Alves, o lançamento indevido de efluentes de diferentes fontes ocasiona modificações nas características do solo e da água, podendo poluir ou contaminar o meio ambiente. Podem provocar a mortalidade e/ou seleção das espécies da flora e da fauna aquática, assim como a inviabilização do tratamento para o abastecimento doméstico, processamentos alimentício e a irrigação de hortaliças, entre outros danos. "Com o tratamento consegue-se remover os sólidos em suspensão, matéria orgânica e inorgânica, organismos patogênicos, entre outros. A importância se dá pelo fato de evitar a degradação ambiental e de disseminar doenças", enfatiza Marcos. A fiscalização é de responsabilidade dos órgãos ambientais municipais, se houver, estaduais, no caso de Santa Catarina a FATMA – Fundação do Meio Ambiente, ou

federais, o IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos naturais Renováveis. Em caso de desconformidades com o que é exigido, as empresas poderão sofrer imputação criminal e incorrer nas penas previstas na Lei nº 9.605/1998, como a prestação pecuniária (pagamento de multa), suspensão parcial ou total de atividades, prestação de serviços à comunidade. Empresas que não se adaptarem poderão ainda ser responsabilizadas civilmente, ficando obrigadas a reparar o dano ou, diante da impossibilidade de reparação, compensar de forma econômica (indenização) o dano causado. Os efluentes, portanto, exigem atenção especial por parte dos responsáveis pelas indústrias. Seu tratamento deve ser eficiente e alcançar os padrões exigidos pelas normas vigentes, evitando qualquer tipo de dano ao meio ambiente. É importante considerar que a implantação de um sistema de tratamento é um benefício inquestionável e único. As empresas geradoras de efluentes, acima da obrigatoriedade, devem ser conscientes e responsáveis pelo tratamento do efluente para que possa ser lançado no meio ambiente de forma adequada. Cabe às empresas a responsabilidade de minimizar ou evitar que no processo produtivo se produza uma grande quantidade de efluentes. Assim, consegue-se diminuir custos e essa cooperação e participação contribuem para o desenvolvi-

Bárbara Bianchi

Bárbara Bianchi

térias, que não foram geneticamente modificadas. O professor alerta, entretanto, que “ se deve ter cuidado e fazer constantes análises na água que é devolvida ao rio. No caso de efluentes são 20 análises diferentes, pois essas bactérias podem chegar até o rio e prejudicar os demais seres aquáticos, causando a morte de peixes e algas”.

Piscina onde o efluente sofre o processo de decantação


Ediene Souza

Falta tempo para estudar Acadêmicos sofrem com estresse e não conseguem cumprir as várias obrigações durante o dia Ediane Souza ediane_e@hotmail.com

Robérto Dávila rdavilabc@gmail.com

“O meu maior estresse é a falta de tempo, gosto muito do meu curso, mas não tenho tempo para ler”. Essa é a reclamação da acadêmica de Direito, Josiane Marques Pereira. Ela trabalha durante todo o dia e à noite vai para a faculdade. O tempo para estudar torna-se pequeno diante das várias tarefas e obrigações diárias. Além da Josiane, muitos acadêmicos reclamam constantemente desse problema. O aluno está sendo cobrado toda hora, não pode errar, precisa estar com os neurônios totalmente ligados, conectados e abertos, ele está sempre sendo avaliado. A psicóloga Mariléia Matos afirma que o estudante se ocupa ao longo de muitas horas com tarefas obrigatórias, como trabalho, estudo, família, o que pode levar à falta de êxito em todas algumas das obrigações assumidas, devido a um bloqueio estressante cumulativo. “O estresse pode causar um momento desagradável até a

prática de um ato inconveniente. Al��m disso, pode contaminar as pessoas próximas”. “Será que todo mundo consegue entender a matéria e eu não?” Luanna Cota é acadêmica de Administração e diz que quando o professor ministra a aula que ela menos gosta e ainda por cima tem dificuldade, a sensação de incapacidade e o estresse logo aparecem. Mariléia explica que o estresse é proveniente do novo. Tudo que é novo exige uma maior reação orgânica. “Então nesse estágio de aprendizado, de percepção, de conhecimentos novos, de avaliação e auto-avaliação, isto intensifica o estágio de estresse”. Alguns acadêmicos perdem o controle e o equilíbrio da situação, sendo assim, os investimentos que seriam para um futuro promissor tornam-se uma verdadeira tortura. As consequências do estresse se manifestam de forma diferente em cada pessoa. Segundo a psicóloga, alguns acadêmicos podem vir a ter absenteísmo, ou seja, faltar aulas, não ter o desempenho esperado nas provas, dificuldades de concentração. Outros, podem chegar com uma fadiga física e emocional acentuada ao final do curso. O

estresse também dá origem a radicais livres e níveis elevados de cortisol, ou seja, a pessoa acaba por perder um pouco da capacidade de memorização. Quando o estresse diminui, a memória normaliza. Mas, são as pessoas próximas do estudante que mais sofrem as consequências. A mãe da Luanna, Marli Cota, diz que em épocas de provas não é muito fácil aturar a filha. “Tá todo mundo tranquilo, mas de repente chega a Luanna com um mau humor e estressa todo mundo”. Por conta da relação de proximidade, o acadêmico acaba colocando essas pessoas no mesmo contexto de estresse. A psicóloga Rosélis Machado afirma que é importante que o acadêmico comprometa-se com o papel que está sendo executado naquele momento, mas de forma equilibrada, “é saudável também poder desabafar com outra pessoa”. A psicóloga Mariléia concorda com Rosélis e enfatiza que é necessário ter paciência e lembrar que as pessoas que estão a nossa volta não são válvulas de escape para descontar todo o estresse. O lazer é essencial para a condição de relaxamento. De

acordo com o professor de Educação Física, Pedro de Souza, a melhor forma de reduzir o estresse é ter um momento de relaxamento. O acadêmico tem que conciliar seu tempo entre tarefas e o prazer do dia-a-dia, ou seja, reservar pelo menos 30 minutos para atividades prazerosas que sirvam como revigorante e fuga do estresse diário. Esse tempo também deve ser dedicado a um momento de reflexão. “A qualidade e a forma de alimentar-se também repercutem no estado geral da saúde, uma alimentação saudável traz vigor, energia e motivação”. A execução de uma tarefa por um período de três a quatro horas como, por exemplo, estudar para uma prova, pode resultar em ineficiência e o tempo de execução pode tornar-se muito maior. O interessante é parar um pouco, tirar uma soneca, fazer um alongamento ou até escutar uma música, 15 minutos já seriam suficientes para relaxar. Ao voltar, o estudante estará mais descansado, trabalhará sob menos pressão e renderá muito mais. Por isso, otimize seu tempo, tenha uma alimentação saudável, pratique exercícios e tenha uma vida em abundância!

Sintomas do estresse: Emotividade acentuada Tiques nervosos Desmotivação Esquecimento Irritabilidade Isolamento

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Gastrite Alergias Bruxismo Dor de cabeça Tremor na voz Suor excessivo Tensão muscular Dores musculares Esgotamento físico Esgotamento físico

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Múltiplas perspectivas Com tratamento, pessoas com Esclerose Múltipla podem desfrutar de excelente qualidade de vida Camila Maurer maurercamila7@gmail.com

Jessica Eufrazio jeh_789@hotmail.com

http://www.oportalsaude.com

Uma forte dor de cabeça que logo se espalhou por todo o corpo, causando dormência generalizada. Foi dessa forma que a doença deu seus primeiros sinais na vida da jovem Margarete, de apenas 18 anos. O surto, na época não diagnosticado, se repetiu dez anos depois. Aos 28, Margarete Custódio Paul se descobria portadora de Esclerose Múltipla, doença que atinge cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla – Abem. A Esclerose Múltipla – também conhecida pela sigla EM atinge o Sistema Nervoso Central, constituído pelo cérebro e pela medula espinhal. Também chamada Esclerose em Placas, se caracteriza pela inflamação da mielina, camada que envolve os nervos, a qual se transforma em placas duras, dificultando a transmissão dos impulsos nervosos e causando os surtos – como são chamados os períodos em que a doença se manifesta. Os nervos são responsáveis pela condução de impulsos elétricos para todas as partes do corpo. Eles determinam as funções que um órgão ou membro precisa desempenhar, e interpretam as informações recebidas desses órgãos. Os impulsos nervosos podem ser entendidos como uma ordem de ação, através da qual os nervos “dizem” ao corpo o que fazer. Muitas dessas fibras nervosas são envoltas por uma camada de gordura e proteínas, a mielina. A função desse revestimento é tornar os impulsos nervosos mais rápidos. Para se ter uma ideia, a mielina possibilita que um impulso nervoso seja transmiti-

do a uma velocidade superior a 100 metros por segundo. Quando essa camada é danificada, os impulsos nervosos ficam mais lentos e podem chegar a ser bloqueados completamente, gerando uma série de sintomas. É exatamente isso o que acontece com quem tem Esclerose Múltipla. O diagnóstico é feito, em um primeiro momento, através do histórico clínico do paciente, isto é, das informações relatadas por ele durante a consulta. Muitos sintomas da Esclerose Múltipla, tais como dor de cabeça, fadiga intensa e dificuldades motoras, são comuns a diversas doenças neurológicas, fator que, por vezes, dificulta o diagnóstico. A pulsão lombar, exame em que é retirada uma amostra de líquido da medula espinhal, e a ressonância magnética são essenciais para a confirmação do diagnóstico. A gravidade da doença varia de acordo com o caso. São reconhecidos atualmente quatro tipos de Esclerose Múltipla, sendo que o tipo Remitente/Recorrente é notadamente o mais comum, acometendo cerca de 80% dos pacientes. Nesses casos, a pessoa tem surtos, períodos em que a mielina está danificada e os sintomas se manifestam. Em outros casos, no entanto, a doença é sempre progressiva e leva, muitas vezes, à imobilidade, podendo ser fatal em algumas situações. De acordo com o neurologista Walter Roque Teixeira, de Blumenau, a Esclerose Múltipla é a principal causa de incapacidade entre jovens, excetuandose os acidentes de trânsito. Ainda segundo o médico, a faixa etária mais acometida pela doença fica entre os 20 e os 50 anos, sendo que as mulheres são as mais atingidas. No Brasil, atualmente, cerca de 25 mil pessoas são portadoras. As causas da doença, no entanto, ainda são um mistério para a medicina. Acredita-se que ela possa ser causa-

da por uma reação autoimune do organismo, que é quando o sistema imunológico, por algum motivo ainda não totalmente conhecido, “ataca” as células do próprio corpo. O neurologista, que tem experiência no tratamento de Esclerose Múltipla, revela que a quantidade de pacientes diagnosticados tem aumentado nos últimos anos, o que não significa, necessariamente, uma progressão no número de casos. “Não há indicação de que a doença esteja aparecendo mais. Mas melhoraram enormemente as facilidades para diagnóstico”, explica. A evolução da doença depende da continuidade do tratamento e do tipo de Esclerose Múltipla. Em todos os tipos, contudo, os medicamentos costumam ser eficientes, evitando o aparecimento de surtos e retardando a evolução do quadro, nos casos progressivos. Tais medicamentos, normalmente de custo elevado, bem como os exames para diagnóstico da EM, são garantidos pelo governo, uma grande conquista. O que talvez ainda falte conquistar é a disseminação de informações sobre a doença que, além de ajudar portadores a atingirem uma melhor qualidade de vida, cumpriria o papel de desmistificar o assunto, colocando ponto final no preconceito e na desinformação.

O apoio parte dos próprios portadores Com a intenção de fornecer apoio aos portadores do estado, foi fundada a Associação Catarinense de Esclerose Múltipla – Acaem – fruto da parceria entre Margarete e seu médico, o neurologista Walter Teixeira. A Associação já existe há 15 anos e, durante esse tempo, tem sido de grande importância para quem se descobre com EM. Pessoas de diferentes lugares do país entram em contato com a entidade para relatar suas dúvidas com relação à doença e compartilhar experiências. Dentre esses relatos, chama a atenção a quantidade de casos de mulheres que sofrem preconceito por parte de seus próprios parceiros. “É comum que os maridos se afastem. Eles vão embora e a mulher tem que segurar a barra sozinha”, conta Margarete, fundadora e presidente da Acaem. Ela, ao contrário, teve mais sorte. O apoio por parte da família foi total. Em Santa Catarina, há mais duas entidades que atuam no apoio a portadores, a

Como se desenvolve a esclerose múltipla

Associação de Apoio a Portadores de Esclerose Múltipla da Grande Florianópolis - Aflorem – e a Associação de Apoio a Portadores de Esclerose Múltipla de Joinville e Região – ARPEMJ. O neurologista Walter Teixeira, consultor médico da Acaem, ressalta que a importância dessas instituições reside em permitir a união para a luta por maiores e melhores condições de assistência social e de tratamentos. Ainda não há cura para a Esclerose Múltipla. Com o tratamento, no entanto, é possível manter excelente qualidade de vida. Margarete é o exemplo vivo dessa realidade. Leva uma vida completamente normal e caminha 10 km todos os dias. O aprofundamento dos conhecimentos acerca das causas da doença pode ajudar a desenvolver tratamentos ainda mais eficazes e, talvez, a cura. Os portadores, no entanto já dispõem de múltiplas alternativas para viver bem, enquanto esperam por mais essa conquista.

Desmielinização

Fonte: Abem – Associação Brasileira de Esclerose Múltipla


Ciências Sociais Aplicadas

O amanhã começa hoje

Projeto Blumenau 2050 prevê nova cidade. Corredores de ônibus são ações da mudança que já começou Gabriela Piske gabypiske@yahoo.com.br

Jonas Augusto da Rosa jonasaugustodarosa@hotmail.com

O celular começa a tocar, mas não é ninguém chamando, apenas o despertador que insiste que está na hora de levantar. Já são 7h30min da manhã quando Guilherme Lemos embarca no primeiro ônibus dos muitos que terá pela frente no decorrer do dia. Depois de 20 minutos, ele chega ao Terminal do Aterro, o maior e mais movimentado de Blumenau. Às 8h, Guilherme pega a condução que o deixa em frente ao trabalho. Passa o dia e é hora de ir para a aula. Ele é acadêmico de Jornalismo em uma faculdade que fica no Centro da cidade. Às 18h, Guilherme vai novamente para o Terminal do Aterro e, após cinco minutos, já está à espera do próximo embarque. E que espera. São 30 minutos para entrar no Troncal 10, a linha de ônibus mais utilizada pelos blumenauenses. Dentro do veículo, junto com a superlotação, é mais meia hora para chegar até a faculdade. Uma última condução, às 22h, para estar em casa às 22h15 e o dia dar vestígios do fim. E aí vem uma nova manhã... Embarcar em cinco ônibus por dia faz parte da rotina de Guilherme e de muitos blumenauenses. Tempos de espera, veículos públicos lotados e percursos de longa distância. Estes são os principais obstáculos de mobilidade urbana que a população de Blumenau enfrenta hoje. Mas, a situação está a caminho de mudança. A curto e médio prazo, e daqui a 40 anos, indícios apontam para uma nova Blumenau no transporte coletivo e em outras áreas da cidade. Perspectiva esta devido ao projeto Blumenau 2050. Desenvolvido pela Secreta-

ria Municipal de Planejamento Urbano, o projeto deu seus primeiros passos em 2006, com mais uma revisão do Plano Diretor - lei que estabelece diretrizes quanto às ocupações de cada município e que existe na cidade desde 1977. A proposta dessa vez não era fazê-lo só com definições técnicas, mas sim em consulta à comunidade. “Então foi quando resolvemos conversar com o atual prefeito, João Paulo Kleinübing. Vimos que precisávamos fazer uma agenda de compromisso pública, para que o cidadão conheça o que a cidade está programando”, conta Walfredo Balistieri, secretário de Planejamento Urbano. Com alguns estudos, a Secretaria concluiu que, hoje, Blumenau está com cerca de 300 mil habitantes, mas a saturação ocorrerá em 2050, quando chegará aos 700 mil. “Assim surgiu o Blumenau 2050”, complementa Balistieri. Com o diagnóstico do crescimento populacional e o início da elaboração do Blumenau 2050, percebeu-se a necessidade de medidas em áreas específicas da cidade. Então, o projeto foi dividido em cinco eixos de atuação: uso e ocupação do solo; sistema de circulação e transporte; intervenções para o desenvolvimento econômico, o turismo e o lazer; habitação e regularização fundiária; e saneamento e meio ambiente. Cada eixo conta com determinadas obras para realizar. Prazos para a execução dessas obras também foram definidos. Ações a curto (até 2015), a médio (até 2030) e a longo prazo (até 2050). Cerca de 12 entidades vinculadas ao desenvolvimento urbano, além de mais sete secretarias e autarquias da Prefeitura, adotaram a ideia e estão ajudando a elaborar esse programa através de seminários técnicos realizados anualmente. Para Walfredo Balistieri, esse é um planejamen-

to da cidade e não somente do órgão público. “As entidades organizadas assinaram essa agenda conosco. Pois uma administração passa, mas as entidades ficam. E elas irão auxiliar para não deixar o projeto morrer”.

Transporte público Umas das melhores, e mais úteis invenções do homem, sem dúvida, é o veículo motorizado. O primeiro transporte deste tipo foi construído em 1885, e com somente três rodas, pelo alemão Karl Benz. Daí em diante, as evoluções não pararam mais. Mas, o que veio com a finalidade de trazer agilidade e rapidez para a população se locomover dentro da própria cidade e até mesmo pelo país, está se tornando um problema. As frotas de veículos aumentam gradativamente. Segundo dados de agosto de 2010, do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), há mais de 62 milhões de automóveis em circulação no Brasil. Ou seja, as vias públicas, tanto de metrópoles, quanto em pequenos municípios, já não comportam mais esse número elevado. Originando assim, os constantes congestionamentos. Paulo Tarso Vilela de Resende, doutor em Planejamento de Transportes e Logística, destaca no artigo “Mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras: estudo sobre os impactos do congestionamento” (2009), que os engarrafamentos causam várias consequências na qualidade de vida dos cidadãos, somados aos prejuízos econômicos e sociais. Poluição, acidente, estresse, perda de tempo e dinheiro são alguns dos fatores negativos citados na pesquisa. Ainda segundo ele, a administração pública deve dar extrema prioridade aos investimentos quanto à mobilidade urbana de uma cidade. Em Blumenau, mudanças para uma melhor fluidez no trânsito estão

podem trazer resultados positivos para o desafogamento no tráfego viário. “Toda cidade deve definir as problemáticas e prioridades. Mas, se o município tiver verba para construir e adaptar avenidas e ruas para a faixa exclusiva, com certeza terá um resultado mais perceptível. Só que esse tipo de obra exige espaço e logística nas vias”. Blumenau conta com 194 mil automóveis pelas ruas e uma média de 1,63 veículo por pessoa. Nos locais onde haverá os corredores, circulam cerca de 70% dos 125 mil passageiros que utilizam o transporte público diariamente, de acordo com dados do Serviço Autônomo Municipal de Trânsitos e Transportes de Blumenau (Seterb). O valor total das obras é de R$4,6 milhões, provenientes de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O prazo para o término em todas as vias está previsto para a metade de 2011. Enquanto isso, as mudanças vão acontecendo... até 2050. E a população fica imaginando como será a cidade em 40 anos.

Balneário Camboriú também realiza mudanças no trânsito Um dos principais destinos turísticos de Santa Catarina, Balneário Camboriú também vem investindo em alternativas na mobilidade urbana, com mudanças na Avenida do Estado, a principal via de acesso entre a cidade e Itajaí. Por meio de recursos próprios, a Prefeitura está instalando faixas exclusivas para ônibus e táxis. Segundo Carla Luiza Schsus, arquiteta e urbanista da Secretaria de Planejamento, houve um trabalho de pesquisa em conjunto

com as Secretarias de Obras, de Segurança e a Companhia de Desenvolvimento e Urbanização (Compur), a fim de elaborar planos para a infraestrutura da mobilidade. As obras devem ser concluídas no primeiro semestre de 2011. Outra medida da Prefeitura é estender a faixa também para o trecho que liga Balneário Camboriú a Itajaí. De acordo com a arquiteta, as duas administrações estão realizando reuniões para discutir a possibilidade.

sub5.com.br

Gabriela Piske

Implantação dos corredores de ônibus em Blumenau

na pauta da Prefeitura. A primeira medida são os corredores de ônibus, que já estão sendo construídos. Os corredores de ônibus são diretrizes apontadas pelo Eixo 2 do Blumenau 2050: sistema de circulação e transporte. Obra que visa promover mais fluidez no tráfego urbano, através de vias, exclusivas e preferenciais – haverá trechos das duas maneiras -, para a circulação do transporte público. Serão implantados oito corredores na área central da cidade: Rua 7 de Setembro; Avenida Martin Luther; Rua São Paulo; Rua Engenheiro Paul Werner; Avenida Beira-Rio; e Rua 2 de Setembro, respectivamente. Segundo a Secretaria de Planejamento, os corredores trarão um transporte coletivo de qualidade e segurança, somados a benefícios tais como cumprimento dos horários; tempo de embarque e desembarque mais rápido; e veículos sem superlotação. A professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Luciana Noronha Pereira, acredita que tanto os corredores exclusivos quanto preferenciais


SOCIEDADE

Volta do filho pródigo

Fotos: Bianca de Oliveira

Migrantes vêm a Balneário Camboriú em busca de melhores condições, mas o destino de muitos é a rua

Bianca Escrich bia.escrich@hotmail.com

Felipe Ramon Rodrigues ramon_ld5@hotmail.com

Vanessa Garcia Borges nessagb@hotmail.com

Como um despertador eficiente, todos os dias, às sete horas da manhã, membros da Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social de Balneário Camboriu saem em busca de homens e mulheres que passaram a noite na rua. Logo na primeira parada, os fiscais cumprimentam Fábio, um dos moradores de rua que já é conhecido por eles: “Bom dia Fábio, já está acordado é?, brinca o fiscal Dão Koeedermann. “Já sim, e na rua 500 tem um monte de cabeçada dormindo lá!”, se referindo a outros moradores de rua. A Kombi ronda a cidade com roteiros dos pontos mais críticos escolhidos pelos “trecheiros”, migrantes que viajam de trecho em trecho, sem ficar muito tempo em um mesmo lugar. Apesar de ficarem na rua, conseguem lugar para dormir e tomar banho. Os fiscais também recebem denúncias do paradeiro desses migrantes. A maioria dos trecheiros que são despertados já passou por centros de recuperação, recebeu apoio para buscar trabalho e passagem de volta à cidade natal. Porém, voltaram às ruas. “Os índices de recuperação não são nada animadores, além do custo alto com especialistas, não há um tratamento adequado. O Estado deve se preocupar com isso, é um

ma Dão, fiscal e vereador de Balneário Camboriú pelo PSDB. No primeiro semestre de 2010, 32% dos 807 atendidos eram do estado de Santa Catarina, 30% do Paraná e 14% do Rio Grande do Sul. Alguns moradores de rua são velhos conhecidos dos fiscais. “China” é um dos mais antigos atendidos pela Secretaria de Inclusão Social, está acostumado a dormir na Avenida Atlântica, em frente a um dos restaurantes na beira mar. Já recebeu ajuda outras vezes para voltar a Videira, no meio oeste de Santa Catarina, onde tem familiares. “Fiquei oito meses sem beber, consegui passagem de volta para casa, mas lá na minha cidade não tinha emprego, decidi voltar. Na minha despedida, bebi uma cerveja com meu sobrinho, na rodoviária pedi um uísque, aí desandei. Não foi opção minha dormir na rua, o povo pensa que sou mendigo, cachaceiro, mas sou doente, sou alcoólatra”, diz o morador de rua, que acabou de acordar, mas cheira a álcool. A Prefeitura tem convênios com casas de recuperação como a Viver Livre, que atua há nove anos na cidade. O período de tratamento é de nove meses sendo gastos ao mês, em média, R$600,00 por pessoa, mesmo que ele ou ela queira fugir no dia seguinte. “Nosso trabalho não é acreditar nas histórias que eles contam. É ajudar, não podemos obrigar o viciado a ir para a clínica, ele deve ir por livre e espontânea vontade. A maioria já passou pelo centro mais de quatro vezes, mas foge ou arruma confusão, o próprio centro de recuperação não aceita mais”, explica a fiscal Mari Assis. A casa acolhe, no máximo, 30

gas são sociais, para migrantes retirados das ruas pelo projeto de inclusão social e as outras dez vagas são particulares. Segundo a assistente social Neide Schmitt, há dois tipos de migrantes que passam pelo Estado. O migrante de oportunidade é aquele aventureiro, tem entre 25 e 35 anos, que larga sua família e vem trabalhar em qualquer tipo de serviço da cidade. E o migrante temporário, que vem trabalhar na época de alta temporada. Os migrantes temporários que não arrumam emprego acabam dormindo em terrenos baldios. Muitas vezes sobrevivem com venda de latinhas para reciclagem, pedem esmolas ou até praticam pequenos furtos para sustentar seu vício. 95% dos que moram na rua têm algum vício relacionado ao álcool ou outras drogas. Segundo Ismail Ali El Assal, graduado em Ciências Sociais pela PUC do Paraná e residente há 10 anos na cidade de Balneário

Camboriú, “nessas idas e vindas do Município de Balneário Camboriú, obtivemos um aumento considerável de andarilhos pela cidade. Eles logo são recolhidos e mandados para sua cidade de origem, pois o município não possui área de ocupação para construir casas.Também pela cidade não ter interesse econômico em acolher estes indivíduos, pois não possuem qualificação.” Cristiane Pacheco, 24 anos, está há um mês na cidade à procura de emprego. Quando chegou a Balneário Camboriú conseguiu trabalhar em um lava-rápido, mas não ficou muito tempo. “Eu recebia R$17,00 por dia, é uma exploração, não sou cachorro”. Sem emprego, ela e o marido Luis Carlos estão dormindo na rua. O casal espera conseguir arrumar uma casa, e assim trazer seus três filhos que ficaram no Paraná com a irmã de Cristiane. A procura pela felicidade é um desejo de todo ser humano.

Conhecer o desconhecido muitas vezes é a saída para quem quer melhor qualidade de vida, como a corrente imigratória que tivemos no ínicio do século 20, ou mesmo para aqueles que querem se isolar de seus familiares para viver independente, manter seus vicios e não causar vergonha para seus familiares. Para a psicóloga Jamile Csecchi, os migrantes dependentes químicos fogem de suas famílias para evitar cobranças e pedidos de internação, e se entregam ainda mais às drogas. Apesar da boa vontade da Prefeitura em encaminhar os semtetos viciados para clínicas de reabilitação, os moradores de rua que não concordam em ir para as clínicas são apenas "exportados" para outras cidades. Ainda não há um serviço de apoio psiquiátrico a todos os moradores de rua, assim como ainda não existe na cidade um mecanismo social para a retirada dos mendigos da rua e sua reinserção na sociedade.

Funcinários da Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social em mais um dia de trabalho em Balneário Camboriú


Ensaio Fotográfico

Ciência no cotidiano Ensaio produzido pelos alunos do curso de Fotografia do campus Itajaí, na disciplina de Fotojornalismo do segundo semestre de 2010, sob a responsabilidade do professor Robson Souza dos Santos.

orena

Luiza M

Thayana Heinzen

Felipe Campos

Nathan Ka

iser

Celso Peixoto


Cobaia #108 | 2011 |