Pormenor // de Sara Loureiro // Asas de Ícaro II
Fernando Nogueira Dias é doutorado em Sociologia pela Universidade da Beira Interior, Mestre em Sociologia pela Universidade Técnica de Lisboa e Psicoterapeuta pela Sociedade Portuguesa de Psicoterapia Centrada no Cliente. Profissionalmente, é Professor Catedrático do Instituto Piaget de Almada, tendo sido Professor Convidado da Universidade de Santiago de Compostela, no programa de doutoramento em Pedagogia. Foi Administrador Geral e Reitor indigitado da Universidade Jean Piaget de Moçambique, de que é co-fundador. É, ainda, investigador do Instituto Piaget e da Universidade Nova de Lisboa. Publicou várias obras no âmbito da sociologia da comunicação e da sociologia do conhecimento.
Resumo da intervenção O homem é por natureza um produtor de símbolos e de signos. Com eles, os indivíduos produzem discursos sobre a realidade física e social. Dos diferentes discursos sobre a realidade, o homem tem tido necessidade de, ao longo da sua história, eleger o mito como forma privilegiada de expressar as diferentes vivências, incluindo aquelas que ele não sabe ou não consegue explicar. O mito, que mais não é do que um signo de segunda ordem, constitui-se num sistema semiológico. Sendo a semiologia (ou semiótica) o estudo dos sinais com significado social, estes não podem deixar de obedecer a códigos sociais e culturais que os diferentes actores lhes querem emprestar. Neste contexto, pode dizer-se que o mito é uma fala e é uma metalinguagem. Fala, porque se pode apropriar de qualquer coisa; metalinguagem, porque lhe traz um segundo sentido ao que linguisticamente lhe estava já atribuído.
Há nas sociedades humanas diferentes mitos, mas todos eles obedecem à mesma estrutura proposta por Roland Barthes: o sistema linguístico e o sistema semiológico. Tudo é possível de se tornar mito, e apesar da estrutura comum a todos os mitos, há muitos, antigos e modernos, que podem ser considerados “lixo”. Lixo, porque levam ao engano, à deturpação e à mentira, que se identifica como conhecimento patológico, já que o mesmo aliena da realidade. Como evitar ou sair da alienação causada pelo conhecimento tóxico? Sendo criteriosos, selectivos e críticos face à informação que nos chega do meio ambiente. Se a “informação é poder”, há que ter em conta que o poder não é aleatório, mas tem impacto dirigido às nossas mentes, e um deles é precisamente a homogeneidade de pensamento e de conhecimento. Porque será?
José Antunes de Sousa, doutor em Filosofia pela UCP com tese sobre “ Vergílio Ferreira e a Filosofia da sua Obra literária”, é professor no I.S.E.I.T/ Instituto Piaget, Coordenador do Seminário sobre VF no CEFi/UCP.É autor da obra com o mesmo título, de vários artigos em revistas e colaborador em rádios e jornais.Dedica também atenção ao fenómeno desportivo, tendo publicado “Desporto em Flagrante”. È colaborador permanente da “Universidade do Futebol”, no Brasil e dirige o Gabinete de Inteligência competitiva no Sport Lisboa e Benfica. É autor de “Quadros da minha infância”, um livro de crónicas retratando a vivência do país rural. É o actual Presidente da Sociedade Portuguesa de Motricidade Humana.
Resumo da intervenção «O Mito é um tema invencivelmente complexo – dos mais complexos, dada a sua polissemia, isto é, a multiplicidade de acepções e de conteúdos. E não admira que o seja, já que é um elemento coextensivo da própria humanidade – e nada de mais complexo do que a alma humana. O Mito é uma realidade de todos os tempos e presente em todas as culturas – uma realidade transcultural.Desde os Mitos de origem (cosmogónicos) Mitos referentes ao desvario humano (hybris), há toda uma constelação mítica que impregna a vida quotidiana das pessoas, independentemente de credos ou hábitos. Poder-se-á, em todo o caso, dizer que o Mito – palavra dificilmente decifrável mesmo recorrendo à ajuda da etimologia – tem a caracterizá-lo uma carga de excessividade metafísica: aponta sempre para algo mais para que o homem sente ser atraído, mas cuja identificação se lhe faz furtiva, assintótica – teimosamente inacessível. Neste sentido, pode bem dizer-se que o Mito, mesmo na sociedade dita pós-moderna e laica, depois da “morte de Deus” decretada por Nietzsche e do fim das “grandes narrativas” anunciado por Jean François Lyotard, constitui, como sempre, uma espécie de atalho racional, embora pouco racionalista de dogmatização do real e, em última instância, um índice vivencial de transcendência. O Homem não sobrevive sem o exercício perante da sua acção mitificadora: o Homem – esse «animal symbolicum»
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