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Segundo Sono, exposição de Rui Calçada Bastos

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18.07 — 22.11.2026

RUI CALÇADA BASTOS

SEGUNDO SONO

SEGUNDO SONO

A exposição começa com aquilo que normalmente ficaria fora da pintura: um pano usado no trabalho de atelier. Antes de qualquer paisagem, antes de qualquer horizonte, antes de qualquer imagem reconhecível, Rui Calçada Bastos coloca-nos diante de um elemento que acompanhou o fazer sem se destinar a ser visto. Há neste gesto uma deslocação silenciosa: aquilo que servia e permanecia à margem existe agora como presença elevada. Intitulada Pintura, a obra deixa de ser apenas resíduo ou instrumento; torna-se uma espécie de pintura primeira, lugar onde se depositou aquilo que a obra não mostra, mas de que também é feita.

A partir deste primeiro gesto, Segundo sono abre-se como um percurso entre imagens, objetos e formas que parecem existir num estado de passagem. Nada se apresenta de forma inteiramente estável: a paisagem, a matéria e a imagem permanecem num limiar, entre aquilo que aparece e aquilo que ainda se transforma. Entre pintura, escultura, desenho, fotografia e som, a exposição aproxima-se de um tempo incerto, no qual cada obra parece pousar apenas por instantes antes de voltar a mover-se. As obras não se apresentam como certezas, mas como possibilidades: formas provisórias de um pensamento no espaço.

Há, neste movimento, uma relação precisa com a demora. Rui Calçada Bastos fala da pintura como uma prática que exige tempo: não apenas para fazer, mas para ver; não apenas para orientar, mas para reconhecer aquilo que a própria imagem permite. Deixar acontecer não significa abdicar da decisão; significa aceitar que a forma também se encontra quando alguma coisa escapa ao controlo. Essa demora atravessa toda a exposição: está nas superfícies pictóricas e prolonga-se nos objetos, que pedem também um olhar atento, sem pressa.

A viagem percorre estas obras como uma linha discreta. Insinua-se nas mesas que se dobram, nas malas, nas estruturas que parecem poder fechar-se ou mudar de lugar, mas também nos intervalos entre as obras. Reaparece nas montanhas e nos horizontes, em imagens atravessadas pela queda da luz e pela noite, como se cada paisagem guardasse ainda a possibilidade de um outro caminho. Em Mendigos e Altivos, a referência a Albert Cossery introduz uma dimensão particular desta relação com o despojamento. O que aqui se aproxima da exposição não é uma condição social, mas uma forma de liberdade: a recusa de transformar cada coisa em posse, conquista ou acumulação. É nesse campo que O segredo não é levar a montanha inteira surge como uma frase

silenciosa no interior do percurso. Não fixa uma leitura; deixa aberta uma intuição simples: atravessar sem possuir, passar por uma paisagem sem a transformar em peso.

É talvez desse desprendimento que Segundo sono se aproxima. Não do abandono do corpo, mas de uma atenção deslocada, mais lenta. Um segundo sono: já depois da primeira queda, já dentro de outra claridade. Aí, a imagem não se oferece de imediato. Surge como travessia: não chega toda de uma vez, nem se deixa fixar por inteiro.

No fim, Ladakh – Tibete Indiano, fotografia realizada em 1991 durante uma viagem ao Tibete indiano, não encerra o percurso; devolve-o ao seu começo. A imagem surge no final como um regresso em aberto, devolvendo à exposição uma última forma de movimento. Em resposta a uma carta de catorze páginas, Pedro Morais escreveu a Rui Calçada Bastos com uma única frase: «Não habites mais que uma noite no mesmo sítio». Talvez Segundo sono habite precisamente esse intervalo: entre o que se atravessa e o que não se leva consigo, deixando que o espanto nos encontre pelo caminho.

1ª Sala

1 Pintura, 2026

Toalha com tinta e vidro de museu, 112 × 84 × 33 cm

2ª Sala

2 Sem título, 2025

Ponta seca sobre papel químico e papel Fabriano, 300 gsm. 28,5 × 36,5 cm

3 Volte-Face, 2026

Mesa de madeira desdobrável e vieux-chêne, 70 × 70 × 62 cm

4 A Noite na Terra, 2026 Óleo sobre tela, 150 × 100 cm

5 Dicionário de truques, 2026

Base de madeira e seis gavetas de madeira, 119 × 46 × 46 cm

6 Sem título, 2026

Óleo sobre tela, 135,5 × 144 cm

7 Paisagem para um vagabundo, 2026

Óleo sobre tela, 160 × 180 cm

8 Sem título, 2026 Óleo sobre tela, 33 × 41 cm

9 Sem título, 2026 Óleo sobre tela, 33 × 41 cm

10 Sem título, 2026 Óleo sobre tela, 33 × 41 cm

11 Sem título, 2026

Óleo sobre tela, 33 × 41 cm

12 Sem título, 2026

Óleo sobre tela, 33 × 41 cm

13 Sem título, 2026

Óleo sobre tela, 33 × 41 cm

14 Sem título, 2026 Óleo sobre tela, 33 × 41 cm

15 Dolce Vita, 2026

Pega de metal sobre madeira e vidro de museu, 73 × 70 × 24 cm

16 Um passo gigante, 2026

Par de botas, 2 corais e vidro de museu

17 Room with a View, 2026 Óleo sobre tela, 160 × 235 cm

3ª Sala

18 Vagabundo, 2026

Pega de metal, seis livros

O Vagabundo e vidro de museu, 50 × 70 × 49,5 cm

19 O segredo não é levar a montanha inteira, 2026

Óleo sobre mala de cartão, 30 × 20 × 8 cm

20 Mendigos e Altivos, 2026

Mala de madeira e coluna de som, 185 × 40 × 15 cm

4ª Sala

21 Céu limpo, 2026

Mesa de madeira e pigmento azul-cerúleo, 34 × 52 × 32 cm

22 Kabul, 2026

Óleo sobre tela, 160 × 180 cm

23 Vale, 2026

Óleo sobre tela, 160 × 180 cm

24 Ladakh — Tibete Indiano, 1991

Fotografia inkjet sobre papel

baryta 315 g, 150 × 98,8 cm.

4ª Sala 1ª Sala 1

Presidente da Câmara

Municipal de Almada e Pelouro da Cultura

Inês de Medeiros

Diretor Municipal de Desenvolvimento Social

Eduardo Quinta Nova

Diretora de Departamento de Cultura

Rute Moura

Chefe de Divisão do Centro de Arte Contemporânea

Nuno Moura

Curadoria

Cláudia Ramos

Produção e montagem

Ana Taipas

Paulo Ramos

Comunicação

Paula Freire

Secretariado e apoio à direção

Carla Novais

Serviço Educativo

Ana Sofia Godinho

Mário Rainha Campos

Sílvia Moreira

Centro de Documentação e Investigação Mestre

Rogério Ribeiro

Ana Margarida Martins

Gestão das coleções

Maria Miguel Cardoso

Jardim Botânico

Sónia Francisco

Hugo Ribeiro

Frente de Casa

Anabela Almeida

Fernando Simões

Hélder Gonçalves

Júlia Garcia

Tatiana Marques

Victor Borges

Apoio geral

Emília Ferreira

Apoio à montagem

Divisão de Manutenção de Equipamentos Municipais da CMA

Tradução

José Roseira

Design gráfico vivóeusébio

Produção de materiais gráficos

Original Pixel

CASA DA CERCA

Rua da Cerca, 2800-050 Almada

Т. 212 724 950 casadacerca@cm-almada.pt www.cm-almada.pt/casa-da-cercacentro-de-arte-contemporanea

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HORÁRIO

De segunda a domingo. Encerra aos feriados.

Horário de verão 1 ABR – 30 SET 10h15-20h

Horário de inverno 1 OUT – 31 MAR 10h15-17h30

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