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Na Cisterna da Casa da Cerca, Edgar Massul concebe uma experiência sensorial de penumbra, recolhimento e contemplação.
A partir da ideia de umbria — a sombra como lugar sensível — a obra convoca a descida ao subsolo, a luz natural, a adaptação lenta do olhar e a possibilidade de uma atenção mais demorada.
Ao entrar neste espaço, a perceção não se organiza de imediato: é preciso fazer uma pausa, deixar que o corpo se ajuste à pouca luminosidade e que os objetos comecem a aparecer devagar, não como evidências, mas como presenças.
Aqui, a sombra não é ausência de luz, mas uma condição de escuta: um intervalo onde o olhar abranda e o espaço ganha espessura. A cisterna torna-se, assim, um lugar de passagem entre o que se vê e o que apenas se pressente, entre os materiais que ocupam o espaço e o silêncio que os envolve. A obra pede tempo ao corpo, convocando uma experiência que se faz menos pela apreensão imediata do que pela disponibilidade para permanecer.
O tronco queimado de Acacia dealbata, a ostra gigante com pigmentos e o pano de algodão prolongam esta relação entre natureza, memória e transformação. A acácia e a ostra, encontradas em caminhadas, introduzem a dimensão do encontro que atravessa o processo do artista: aquilo que aparece no caminho é escolhido, deslocado e transformado, para depois poder regressar, de outro modo, à natureza. No caso da Acacia dealbata, espécie invasora que ameaça os ecossistemas autóctones, essa presença traz ainda uma preocupação ecológica que acompanha há muito o trabalho de Edgar Massul, atento às transformações da paisagem. O pano de algodão, suspenso no espaço, guarda a memória de outras vidas, outros gestos, outros usos.
Entre o encontrado e o construído, outra sombra, 2026 aproxima-se de práticas site-specific, da land art e da arte povera,
mas fá-lo de forma discreta, sem monumentalidade, deixando que os materiais mantenham a sua fragilidade e o seu carácter transitório. Entre a impermanência da matéria orgânica e a permanência da memória das coisas, o seu trabalho aproxima arte contemporânea e natureza ancestral.
A relação de Edgar Massul com Pedro Morais e com o Atelier Livre — AT.RE abriu também um campo de atenção ao gesto, à experiência e à interrogação. Nesse contexto, o encontro com o mestre zen Hōgen Daidō Yamahata aproximou-o de um pensamento onde a prática se constrói no fazer quotidiano, na disponibilidade para a pergunta e na aceitação do que permanece inacabado. Em outra sombra, 2026, essa dimensão não surge como referência explícita, mas como uma forma de estar: deixar que os materiais, o lugar e o tempo conduzam parte do processo. Entre simplicidade, imperfeição e silêncio, outra sombra, 2026 propõe um encontro íntimo entre luz, matéria e tempo. É uma obra que pede demora: para descer, para parar, para ver pouco — e, nesse pouco, talvez ver melhor.
Cláudia Ramos
1 outra sombra, 2026 pano de linho cru, seixos do rio, tronco de acácia queimado e ostra, dimensões variáveis
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Municipal de Almada e Pelouro da Cultura
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Diretor Municipal de Desenvolvimento Social
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Produção e montagem
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Comunicação
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Secretariado e apoio à direção
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Centro de Documentação e Investigação Mestre
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Gestão das coleções
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Jardim Botânico
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Frente de Casa
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Apoio geral
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Apoio à montagem
Divisão de Manutenção de Equipamentos Municipais da CMA
Tradução
José Roseira
Design gráfico vivóeusébio
Produção de materiais gráficos
Original Pixel
CASA DA CERCA
Rua da Cerca, 2800-050 Almada
Т. 212 724 950 casadacerca@cm-almada.pt www.cm-almada.pt/casa-da-cercacentro-de-arte-contemporanea
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De segunda a domingo. Encerra aos feriados.
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