• Mestra em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
• Professora universitária, pesquisadora e ex-professora de História dos ensinos Fundamental e Médio nas redes privada e pública.
• Coautora da coleção Teláris (Editora Ática) para alunos do Ensino Fundamental II.
rEinaldo sEriacopi
• Bacharel em Língua Portuguesa pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e em Jornalismo pelo Instituto Metodista de Ensino Superior (IMS-SP).
• Editor especializado na área de História.
• Coautor da coleção Teláris (Editora Ática) para alunos do Ensino Fundamental II.
Manual do profEssor
1ª edição São Paulo, 2016
Diretoria editorial
Lidiane Vivaldini Olo
Gerência editorial Luiz Tonolli
Editoria de Ciências Humanas Heloisa Pimentel
Edição
Solange Mingorance, Marina de Sena Nobre, Mariana Renó Faria (estag.) e Thamirys Gênova da Silva (estag.)
Gerência de produção editorial Ricardo de Gan Braga Arte
Andréa Dellamagna (coord. de criação), Adilson Casarotti (progr. visual de capa), Silvio Testa (progr. visual de miolo) Claudio Faustino (coord.), Yong Lee Kim (edição), Luiza Massucato (assist.) e Dito e Feito Comunicação (diagram.)
Revisão
Hélia de Jesus Gonsaga (ger.)
Rosângela Muricy (coord.), Gabriela Macedo de Andrade, Heloísa Schiavo e Patrícia Travanca; Brenda Morais e Gabriela Miragaia (estagiárias) Iconografia
Sílvio Kligin (superv.), Denise Durand Kremer (coord. e pesquisa), Iron Mantovanello (pesquisa), Cesar Wolf e Fernanda Crevin (tratamento de imagem) Cartografia
Eric Fuzii, Loide Edelweiss Iizuka e Marcelo Seiji Hirata Fotos da capa: Sufragista sendo levada pela polícia. Londres, 1906. ullstein bild/Getty Images
Benazir Bhutto em campanha eleitoral. Punjab, Paquistão, 1988
Chip HIRES/Getty Images Protótipos
Magali Prado
Direitos desta edição cedidos à Editora Ática S.A. Avenida das Nações Unidas, 7221, 3o andar, Setor A Pinheiros – São Paulo – SP – CEP 05425-902 Tel.: 4003-3061 www.atica.com.br / editora@atica.com.br
2016
ISBN 978850817981 7 (AL)
ISBN 978850817982 4 (PR) Cód. da obra CL 713426 CAE 566703 (AL) / 566704 (PR) 1a edição 1a impressão Impressão e acabamento
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Azevedo, Gislane História : passado e presente / Gislane Azevedo, Reinaldo Seriacopi. -- 1. ed. -São Paulo : Ática, 2016.
Obra em 3 v. Conteúdo: V.1 Dos primeiros humanos ao Renascimento -- v.2 Do mundo moderno ao século XIX -- v.3 Do século XX aos dias de hoje.
1. História (Ensino médio) I. Seriacopi, Reinaldo. II. Título.
16-02954
CDD-907 Índices para catálogo sistemático:
1. História : Ensino médio 907
APRESENTAÇÃO
Digo adeus à ilusão mas não ao mundo. Mas não à vida, meu reduto e meu reino.
Do salário injusto, da punição injusta, da humilhação, da tortura, do terror, retiramos algo e com ele construímos [um artefato um poema uma bandeira.
Ferreira Gullar
Observe ao seu redor: praticamente tudo o que está à nossa volta e utilizamos na escola, em casa ou no trabalho foi construído por seres humanos. Pense também no sistema político que rege nossa sociedade, nas leis que regulam nossas relações e em tudo o que consideramos justo ou injusto, certo ou errado: todos esses princípios e valores também foram estabelecidos por pessoas ao longo do tempo.
Estudar História não é apenas conhecer e entender os caminhos trilhados pelos seres humanos no passado. Graças ao estudo da História, podemos fazer uma leitura crítica de nosso presente e compreender como e por que nossa sociedade encontra-se hoje constituída da maneira que a conhecemos.
Com base nessa visão, procuramos elaborar um livro que, ao tratar de assuntos do passado, tivesse como ponto de partida o presente. Com essa proposta, você verá como a História está intimamente relacionada a aspectos centrais do mundo contemporâneo e de nossa vida, constituindo um assunto extremamente interessante e instigante.
O texto central do livro é complementado por boxes e seções. Na seção Eu também posso participar, discutimos, com base em contextos históricos específicos, quanto os atos de cada um de nós pode interferir no destino da humanidade. A seção Olho vivo, por sua vez, é voltada para o trabalho com imagens e oferece uma ampla leitura das informações contidas em pinturas, esculturas e outros materiais iconográficos. Já a seção Enquanto isso... revela que não existe uma história linear e única da humanidade.
Todos os volumes desta coleção estão permeados de imagens, mapas, documentos e diferentes tipos de atividades que vão auxiliá-lo a refletir sobre o passado e o presente.
Nossa proposta é oferecer instrumentos para interpretar e analisar criticamente a realidade de nosso mundo. Você perceberá que a História exerce um papel privilegiado no processo de consolidação da cidadania e na construção de uma sociedade mais solidária, fraterna e tolerante.
Os autores
CONHEÇA SUA COLEÇÃO
Esta coleção é composta de três volumes.
A seguir mostraremos algumas das principais características da obra.
UNIDADE
Olhe ao seu redor: os seres humanos são diferentes uns dos outros. Existem pessoas altas e baixas, de olhos puxados ou arredondados, com os mais variados tons de pele, etc. As diferenças, porém, não se limitam a características físicas. As pessoas também têm hábitos, crenças religiosas, visões de mundo e costumes distintos. Até mesmo dentro do Brasil, por exemplo, nordestinos, sulistas e nortistas têm tradições e costumes culturais bem diversos. A esse conjunto de diferenças damos o nome de diversidade cultural Trata-se de uma das maiores riquezas das sociedades humanas, resultado de séculos de acúmulo de experiências e de processos de aprendizagem. Grandes conquistas da humanidade resultam da troca de experiências entre povos de culturas diversas. Em 2001, a Unesco aprovou a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural, documento que estabelece a diversidade cultural como patrimônio da humanidade. No entanto, muitas pessoas insistem em ver o mundo apenas de acordo com a sua própria cultura e consideram seu modo de vida o único correto. Para essas pessoas, hábitos e costumes diferentes dos seus constituem práticas absurdas, estranhas e até imorais. Essa atitude é chamada de etnocentrismo e pode culminar em guerras e até no extermínio de um povo por outro.
Nesta Unidade, veremos como o desrespeito dos europeus pela cultura dos povos que viviam no continente americano no século XVI provocou um dos maiores genocídios da história da humanidade. Civilizações inteiras foram extintas e muito do conhecimento desses povos desapareceu para sempre.
casas e depósitos saqueados e o gado confiscado para alimentar as tropas inimigas. A invasão de Corumbá pelas forças paraguaias foi um dos primeiros episódios da Guerra
COMEÇO DE CONVERSA
1. Aponte alguns exemplos de manifestações
AberturadasUnidades: apresenta sempre um texto introduzindo um conceito importante para os dias de hoje – como cidadania, ética, violência – e que será trabalhado ao longo da Unidade. O texto vem acompanhado de fotos e da seção de atividades Começo de conversa
Abertura dos capítulos: relaciona um assunto atual com algo do passado a ser visto no capítulo,
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mostrando que a História está presente em nosso dia a dia. Em Objetivos do capítulo, você é informado sobre os principais tópicos abordados nas páginas seguintes.
Fechando a Unidade: de forma multidisciplinar, a seção utiliza diferentes documentos, como quadrinhos, poema, relatório, fotografia, etc. O conceito da Unidade é retomado por meio de atividades.
SEÇÕES
de movimentação territorial e a antigos hábitos, como a poligamia e a antropofagia. Algumas reduções reuniam indígenas de etnias rivais, o que acarretava conflitos. Além disso, muitos nativos morriam depois de contrair doenças trazidas pelos portugueses, como varíola, rubéola e tuberculose. Diante dessa nova realidade, muitos fugiam ou se rebelavam. Com os aldeamentos, teve início a exploração do conhecimento milenar dos indígenas sobre a natureza Durante o século XVII, integrantes da Igreja católica comercializavam na Europa as chamadas “drogas do sertão”, produtos naturais que os indígenas utilizavam na culinária e no tratamento de doenças.
ENQUANTO ISSO... Os aborígines australianos Estima-se que quando os europeus chegaram à Austrália atual, em 1788, viviam ali entre 500 mil e 700 mil
ATIVIDADES
Dentro dos boxes temos quatro tipos de atividade: Sua opinião, Sua comunidade, Diálogos e De olho no mundo, cada um com objetivo bem específico. Diálogos, por exemplo, trabalha a interdisciplinaridade, e Sua comunidade, a relação entre o local e o global.
Ao final do capítulo temos:
Organizando as ideias – retoma o conteúdo visto no capítulo.
Interpretando documentos – trabalha a capacidade de leitura e interpretação de diferentes tipos de documento, como fotografias, mapas, gráficos, tabelas, charges, textos impressos, etc.
Teste seu conhecimento – perguntas de múltipla escolha extraídas dos principais vestibulares do Brasil e do Enem.
Hora de refletir – atividade que relaciona o capítulo com o conceito da Unidade.
Olho vivo: a seção oferece uma ampla leitura das informações contidas em pinturas, esculturas e outros materiais iconográficos.
Passadopresente: por meio desta seção, percebemos que assuntos do passado influenciam no presente muito mais do que imaginamos.
Enquantoisso...: trabalha a simultaneidade histórica, revelando que a história da humanidade não é única nem linear.
Esquema-resumo: síntese esquemática do capítulo que auxilia na revisão do conteúdo abordado. Acompanha atividade.
Eu também posso participar: por meio de contextos históricos específicos, a seção discute quanto os atos praticados por cada um de nós podem interferir no destino da humanidade.
Você sabia?: texto complementar ao tema central, que traz alguma curiosidade a respeito dele.
Minha biblioteca: rica e diversificada seleção de sites, livros, filmes e HQs relacionados ao conteúdo do capítulo. 4 5 6 7
No decorrer dos capítulos se encontram:
Sugestões de filmes e livros: acompanhadas de breves resumos, localizam-se na margem da página em que se aborda o assunto relacionado a elas.
Glossário: as palavras marcadas no texto ganham uma explicação aprofundada no glossário.
Esse ícone indica que o texto ou a atividade em questão permitem desenvolver trabalho interdisciplinar.
DIALOGANDO COM... GEOGRAFIA
UNIDADE 1 Diversidadecultural 8
CAPÍTULO 1 Os reinos europeus e o além-mar
1. Busca de maiores lucros
2.
3.
UNIDADE 2 Otrabalho 78
CAPÍTULO 5
Africanos na América portuguesa .......... 80
1. Escravidão na África 81
2. Tráfico em grande escala 82
3. A pluralidade cultural............................... 85
4. O cotidiano do escravizado ...................... 87 Olho vivo
CAPÍTULO 6
Riqueza e conflitos na região
açucareira da colônia portuguesa 96
1. Artigo de luxo .......................................... 97
2. Trabalho nos engenhos ........................... 100
3. União Ibérica e domínio holandês no nordeste 101
UNIDADE 3 Lutapelacidadania
CAPÍTULO 8
Iluminismo e Revolução Industrial 130
1. Uma filosofia da liberdade....................... 131 Olho vivo ................................................ 132
2. A circulação das ideias iluministas ........... 134
3. A produção nas manufaturas ................... 136
4. A burguesia inglesa se consolida .............. 137
5. Os trabalhadores reagem ........................ 139
.................................... 142
4. Insatisfação e rebeliões na colônia .......... 104 Esquema-resumo
Expansão no norte e nordeste da colônia ..............................
2. Surgimento das bandeiras
3. A colônia se volta para as minas
A sociedade no auge da mineração
CAPÍTULO 9
Da Revolução Francesa ao império napoleônico
1. A sociedade na França absolutista...........
2. A queda da Bastilha e do Antigo Regime... 149 3. Instauração da república......................... 151
4. A burguesia assume o poder 152
5. Depois da Revolução, um império ........... 154 Olho vivo ................................................ 156
6. Restauração das dinastias ....................... 158
Fim do império........................................
CAPÍTULO 16
O século XIX na Europa e nos Estados Unidos
1. Revoluções na Europa do século XIX ..........................................
2. Formação da Itália
3. Unificação alemã
4. Os Estados Unidos no século XIX..............
5. A Guerra de Secessão (1861-1865) e o fim da escravidão...............................
6. Expansão econômica e imperialista dos Estados Unidos
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Diversidade cultural
Olhe ao seu redor: os seres humanos são diferentes uns dos outros. Existem pessoas altas e baixas, de olhos puxados ou arredondados, com os mais variados tons de pele, etc. As diferenças, porém, não se limitam a características físicas. As pessoas também têm hábitos, crenças religiosas, visões de mundo e costumes distintos. Até mesmo dentro do Brasil, por exemplo, nordestinos, sulistas e nortistas têm tradições e costumes culturais bem diversos.
A esse conjunto de diferenças damos o nome de diversidade cultural. Trata-se de uma das maiores riquezas das sociedades humanas, resultado de séculos de acúmulo de experiências e de processos de aprendizagem. Grandes conquistas da humanidade resultam da troca de experiências entre povos de culturas diversas. Em 2001, a Unesco aprovou a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural, documento que estabelece a diversidade cultural como patrimônio da humanidade.
No entanto, muitas pessoas insistem em ver o mundo apenas de acordo com a sua própria cultura e consideram seu modo de vida o único correto. Para essas pessoas, hábitos e costumes diferentes dos seus constituem práticas absurdas, estranhas e até imorais. Essa atitude é chamada de etnocentrismo e pode culminar em guerras e até no extermínio de um povo por outro.
seu o correto. essas pessoas, hábitos e costumes diferent constituem absurdas, estranh etnoc e pode culminar em guerras e até
Nesta Unidade, veremos como o desrespeito dos europeus pela cultura dos povos que viviam no continente americano no século XVI provocou um dos maiores genocídios da história da humanidade. Civilizações inteiras foram extintas e muito do conhecimento desses povos desapareceu para sempre.
JimmyTran/Shutterstock
Crianças da etnia h’mong, em Moc Chau, Vietnã, vestem trajes típicos durante o Festival Anual H’ Mong. Na festividade, há alimentos, dança e música tradicionais da etnia. Foto de 2016.
1. Aponte alguns exemplos de manifestações culturais que você conhece de seu cotidiano. Com base nesses exemplos, escreva uma definição para o termo cultura.
2. Você acredita que nossa sociedade respeita a diversidade cultural? Justifique sua resposta com exemplos cotidianos.
3. De que forma a escola pode contribuir para o respeito à diversidade cultural em sua comunidade? Mencione exemplos de ações que podem contribuir para isso.
Alamy/FotoArena
Os reinos europeus e o além-mar
Em 2008 os cientistas descobriram que o planeta Marte tem água, embora na forma de gelo. Em 2015, fizeram outra descoberta: durante o verão, essa água se torna líquida e forma pequenos fluxos de água salgada. Estima-se que no passado podem ter existido rios e lagos permanentes no planeta, o que aumentaria a possibilidade de ele abrigar vida microbiana.
Os seres humanos buscam desvendar os mistérios do Universo há milênios, mas as pesquisas para a conquista do espaço interestelar iniciaram de fato em meados do século XX. De lá para cá, governos de diversos países investiram bilhões de dólares em pesquisas e viagens ao espaço.
De certa forma, a corrida espacial se assemelha às Grandes navegações do século XV. Apesar das especificidades que diferenciam historicamente esses eventos, o desenvolvimento científico e tecnológico envolvido em ambas as empreitadas e a expansão dos territórios são características comuns a esses dois episódios da História. É dessas navegações audaciosas que falaremos neste capítulo.
OBJEtIVOS dO cAPÍtuLO
• Identificar os grupos sociais e os interesses que conduziram às Grandes Navegações, bem como os Estados e as regiões envolvidos nesse processo.
• Compreender como o contato entre povos de territórios e culturas diferentes permitiu a circulação de conhecimentos, produtos e espécies.
• Reconhecer os principais desdobramentos das Grandes Navegações: a chegada dos europeus às chamadas Índias e ao continente americano e o início da colonização desses territórios.
• Entender os conceitos de revolução comercial, pacto colonial e mercantilismo.
• Analisar os desdobramentos do processo expansionista, considerando aspectos culturais e econômicos.
• Conhecer o processo inicial de colonização inglesa na América do Norte.
As manchas escuras no solo de Marte se ampliam durante o verão, o que sugere a existência de sais hidratados que se descongelam. Imagem de Marte produzida pela Universidade do Arizona (Estados Unidos), com recursos digitais e cores artificiais. Imagem de 2015.
Busca de maiores lucros
Durante a Idade Média, o comércio entre a Ásia e a Europa era intermediado principalmente pelos árabes. Eles adquiriam mercadorias no Oriente e em geral as revendiam a comerciantes venezianos e genoveses em entrepostos próximos ao mar Negro ou à parte oriental do Mediterrâneo. Então, os comerciantes europeus as renegociavam nas feiras e cidades da Europa.
Nesse percurso, os produtos podiam ficar mais de 40 vezes mais caros. Os comerciantes europeus sabiam que poderiam lucrar mais caso adquirissem as mercadorias diretamente de seus produtores, nas Índias (nome pelo qual chamavam todas as terras do leste da Ásia).
Pintura sobre velino do Mestre de Boucicaut, datada do século XV, representa navegadores usando um astrolábio no oceano Índico. A obra consta do Livro das maravilhas do mundo, coletânea de relatos de viagem ao Oriente que inclui, entre outras, as recordações de Marco Polo (1254-1324). Biblioteca Nacional de Paris, França.
Até o século XIV, o conhecimento que se tinha na Europa a respeito de outros lugares do mundo era bastante restrito. Além dos relatos do veneziano Marco Polo, havia pouco mais que lendas e registros escritos de pessoas que jamais haviam estado na Ásia. Muitos europeus acreditavam que em direção ao sul o mar era habitado por monstros e estava sempre em chamas; ou, ainda, que o mar Tenebroso, como era conhecido o Atlântico, terminava em um enorme abismo.
Outros caminhos para as Índias
Em 1453, os turcos otomanos tomaram Constantinopla e passaram a cobrar altas taxas das caravanas que cruzavam a região. Para escapar dessas cobranças, muitos mercadores europeus desafiaram as crenças e começaram a procurar rotas alternativas em direção às Índias. Nesse processo, quem saiu na frente foi Portugal. Além de ser o reino mais ocidental da Europa, com longa experiência de pesca e navegação na costa do Atlântico, era um Estado unificado, com poder centralizado e que contava com uma importante aliança entre a Coroa e a burguesia mercantil.
A relação entre a Coroa e a burguesia mercantil se consolidou entre 1383 e 1385, com a Revolução de Avis, que expulsou de Portugal as forças do reino de Castela. Em 1415, o governo do novo rei, dom João I, resolveu ocupar Ceuta, entreposto comercial e militar situado no norte da África. Era o início da expansão ultramarina de Portugal.
Após liderar a conquista, o infante dom Henrique, filho do rei, foi atraído por informações sobre a existência de ouro no reino do Mali, ao sul do Saara. Assim, planejou a conquista da costa oeste da África, em direção ao sul.
Bettman/Corbis/Latinstock
Nesta gravura de Sebastian Münster (século XVI), o mar Tenebroso aparece povoado de monstros assustadores. Com as Grandes Navegações, o mar ganharia outro nome: oceano Atlântico.
Bridgeman/Keystone/Biblioteca Nacional, Paris, França.
Cidadela de Mazagão, na atual cidade de El Jadida, em Marrocos. Mazagão foi um dos pontos da costa africana em que os portugueses se instalaram, entre os séculos XV e XVI, para garantir as atividades comerciais por via marítima. Foto de 2015.
A Escola de Sagres
Dom Henrique se instalou nas proximidades de Sagres, no extremo sudoeste da Europa. Ali, um grupo de cartógrafos, astrônomos, matemáticos e navegadores, conhecido como Escola de Sagres, se reuniu para estudar o legado náutico de povos como os fenícios, egípcios, gregos e árabes.
Como resultado, foram desenvolvidas cartas marítimas e criados ou aperfeiçoados diversos instrumentos de navegação, como a bússola, o quadrante e o astrolábio. Além disso, inventou-se a caravela, navio veloz e relativamente pequeno, ideal para a navegação em águas rasas.
As expedições marítimas portuguesas ao sul começaram em 1418. Entre 1420 e 1427, ocorreu a conquista das ilhas da Madeira e dos Açores, nas quais se introduziu o plantio de trigo, uvas e cana-de-açúcar. Em 1434, uma expedição capitaneada por Gil Eanes ultrapassou os recifes do cabo Bojador, até então considerado intransponível.
Novo projeto: contornar a África
Vencido o Bojador, Portugal deu continuidade às expedições marítimas em direção ao sul da África. Em 1444, pela primeira vez uma expedição retornou a Portugal com africanos escravizados destinados à venda, prática que se generalizaria entre os mercadores europeus, estendendo-se por mais de quatro séculos. Em 1487, Bartolomeu Dias dobrou a extremidade sul do continente africano. Chamou o acidente geográfico ali encontrado de cabo das Tormentas. Mais tarde, o rei dom João II (1481-1495) mudou esse nome para cabo da Boa Esperança. Àquela altura, os portugueses já haviam definido seu mais ambicioso projeto: encontrar o caminho marítimo para as Índias. Esse objetivo se concretizaria com uma expedição sob o comando de Vasco da Gama, que após quase um ano de viagem aportou em Calicute, na Índia atual, em maio de 1498. Mas, alguns anos antes, outro reino europeu conseguiria um feito inesperado.
Azulejo português do século XVI representa a instalação de um pelourinho, marco de autonomia de uma cidade ou vila.
Manuel Cohen/AFP
As navegações
As explorações portuguesas estimularam navegantes de outras regiões da Europa a descobrir um caminho alternativo para as Índias. Um deles era o genovês Cristóvão Colombo. Acreditando na esfericidade da Terra, Colombo argumentava que para se chegar ao Oriente seria preciso navegar para o Ocidente. Com o apoio dos reis espanhóis Fernando II e Isabel I, Colombo e mais noventa homens deixaram o porto de Palos em três caravelas, em agosto de 1492. No dia 12 de outubro do mesmo ano, avistaram terra firme. O navegador acreditou ter chegado às Índias, mas suas embarcações haviam aportado em um continente desconhecido dos europeus, que posteriormente foi denominado América. Entre 1493 e 1502, Colombo realizou mais três viagens ao continente sob o patrocínio da Espanha, mas as riquezas tão desejadas não foram encontradas. Em 1506, o navegador morreu sem prestígio e certo de que encontrara o caminho para as Índias.
O feito de Colombo levou os governos de Portugal e da Espanha a disputarem a primazia sobre as “novas” terras. Com a mediação do papa Alexandre VI, representantes dos dois governos chegaram finalmente a um acordo e assinaram o Tratado de Tordesilhas em 1494.
O acordo estabelecia uma linha imaginária a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. As terras a oeste desse marco, já encontradas ou que viessem a sê-lo, pertenceriam à Espanha. As terras situadas a leste seriam de Portugal.
Portugal se volta para a América
O sucesso da empreitada de Vasco da Gama, que havia chegado às Índias em 1498 sem passar pelo Mediterrâneo, estimulou novas viagens portuguesas. Em 1500, após afastar-se da costa africana, o navegador Pedro Álvares Cabral alcançou terras que mais tarde seriam chamadas de Brasil. No ano seguinte, o florentino Américo Vespúcio, a serviço do rei de Portugal, concluiu que essas terras não faziam parte das Índias, mas sim de um novo continente, que, em sua homenagem, passou a ser chamado de América.
Em 1519, o português Fernão de Magalhães, a serviço da Coroa espanhola, deu início à primeira viagem ao redor da Terra, completada por Sebastião Elcano em 1522 (ver mapa ao lado). Assim, provou-se a esfericidade da Terra.
Adaptado de: DUBY, Georges. Grand atlas historique. Paris: Larousse, 2006.
FILME
Veja o filme 1492: a conquista do paraíso, de Ridley Scott, 1992. Trajetória de Cristóvão Colombo, desde seu esforço para viabilizar a viagem pelo oceano Atlântico até o fim de sua vida.
Professor(a), veja no Procedimento Pedagógico deste capítulo uma atividade alternativa com uma proposta de análise do filme 1492: a Conquista do Para’so.
Navegações portuguesas e espanholas (séculos XV e XVI)
San Salvador (1492) Linha do Tratado de Tordesilhas
OCEANO PACÍFICO
FernãodeM a galhães (15191521)
OCEANO ATLÂNTICO
Açores (1428)
Madeira (1420)
Cabo Verde (1456)
Porto Seguro (1500)
Veneza
ESPANHA
Sevilha
Cabo Bojador (1434)
Reino da Guiné (1434-1462)
Reino do Congo (1482-1485)
Cabo da Boa Esperança (1487) ÁSIA
JAPÃO
OCEANO PACÍFICO
Banco de imagens/Arquivo da editora
Morte de FernãodeMagalhães(1521) (1498)
OCEANO ÍNDICO
Moçambique (1498)
OCEANO ATLÂNTICO SebastiãoElcano(1522)
Calicute (1498) OCEANIA
Rotas das navegações portuguesas
Primeiras viagens
Vasco da Gama
Pedro Álvares Cabral
Rotas das navegações espanholas
Cristóvão Colombo
Fernão de Magalhães e Sebastião Elcano (primeira viagem de circum-navegação)
Trópico de Capricórnio
Círculo Polar Ártico
Trópico de Câncer
OrgANIzANdO AS IdEIAS
Os comerciantes europeus acreditavam que obteriam lucros muito maiores se pudessem atingir os postos comerciais nas Índias sem intermediários.
a) Quais obstáculos, reais ou imaginários, impediam os europeus de chegar diretamente ao Oriente?
b) Que acontecimento provocou a alteração desse quadro e praticamente obrigou os comerciantes europeus a se lançarem à procura de outras rotas comerciais?
Observe o mapa sobre as navegações portuguesas e espanholas (página 13) e monte uma linha do tempo, indicando as conquistas portuguesas no litoral da África.
Espanha e Portugal disputaram o controle de novas terras durante o período das Grandes Navegações. Explique de que modo isso ocorreu e aponte o papel desempenhado pelo Tratado de Tordesilhas nesse processo.
INtErPrEtANdO dOcuMENtOS: IMAgEM
Observe as imagens a seguir. A primeira é uma imagem do globo Erdapfel, criado pelo cartógrafo alemão Martin Behaim em 1492. Trata-se do mais antigo globo terrestre conhecido e preservado até o presente. Ele expressa elementos dos conhecimentos cartográficos e das representações do espaço terrestre dos europeus durante o período das Grandes Navegações. A segunda imagem é uma projeção do mesmo globo e permite observar de que forma Behaim representou os continentes terrestres. Com base na análise das imagens e em seus conhecimentos históricos, responda ao que se pede.
a) De que forma Behaim representou os continentes terrestres em seu globo?
b) Qual é a ideia de formato do espaço terrestre que se pode observar na representação de Behaim?
c) É possível relacionar as concepções cartográficas de Behaim com o projeto de exploração dos mares defendido por Cristóvão Colombo? Justifique sua resposta.
Projeção do globo Erdapfel, de Behaim, também datado de 1492.
Martin Behaim só criar seu por ter domínio do trigonometria auxiliou na elaboração das representações do espaço terrestre Em um pequeno texto, apresen-
d) Martin Behaim só conseguiu criar seu globo por ter domínio do conhecimento trigonométrico de seu tempo. Ainda que para os conhecimentos atuais o globo Erdapfel apresente grandes imperfeições, ele evidencia a importância do diálogo existente entre os conhecimentos de matemática e as representações cartográficas do espaço terrestre. Com o auxílio dos professores de Matemática e Geografia, pesquise de que maneira a trigonometria auxiliou na elaboração das representações do espaço terrestre. Em seguida, redija um pequeno texto, apresentando um resumo de suas investigações sobre essa questão.
revolução comercial
Com a dos espanhóis ao continente americano em 1492 e a descoberta do caminho marítimo para as Índias pelos portugueses em 1498, as sociedades conheceram outros povos e suas atividades comer-
Com a chegada dos espanhóis ao continente americano em 1492 e a descoberta do caminho marítimo para as Índias pelos portugueses em 1498, as sociedades europeias conheceram outros povos e suas atividades comerciais se deslocaram para os oceanos Atlântico, Índico e Pacífico.
As especiarias se tornaram artigos ainda mais cobiçados (veja a seção Eu na 16) Além das especiarias, diversos produtos passaram a circular mundo A batata, o tomate, o tabaco, o mamão e o abacaxi, das Américas, foram introduzidos no continente europeu O cacau e o milho, americanos, muito bem na África Originária da Ásia, a cana-de-açúcar espalhou-se por
As especiarias se tornaram artigos ainda mais cobiçados (veja a seção tambémpossoparticipar na página 16). Além das especiarias, diversos produtos passaram a circular pelo mundo. A batata, o tomate, o tabaco, o mamão e o abacaxi, originários das Américas, foram introduzidos no continente europeu. O cacau e o milho, igualmente americanos, adaptaram-se muito bem na África. Originária da Ásia, a cana-de-açúcar espalhou-se por regiões do Caribe e da América do Sul. O café, oriundo da Etiópia, penetrou no continente europeu e chegou mais tarde à América.
Graças às navegações, produtos de todo tipo passaram a atravessar os oceanos, provocando uma circulação monetária desconhecida até então. Esse processo é chamado de Revolução Comercial.
Formação do mercantilismo
Com a expansão do comércio, formou-se no século XVIum conjunto de princípios conhecidocomo mercantilismo. Embora as nações europeias os aplicassem de diferentes maneiras, alguns deles eram comuns a todos os países. Veja-os abaixo.
• Metalismo: argumentava-se que, quanto maior o volume de moedas de ouro e prata acumulado por uma nação, mais rica ela seria.
• Balança comercial favorável: o dinheiro ganho com as exportações tinha de ser maior do que os gastos com as importações, para garantir a riqueza do Estado.
• Política protecionista: consistia na cobrança de altas taxas alfandegárias sobre as mercadorias estrangeiras. Isso as deixava mais caras e levava o consumidor a comprar os artigos fabricados no próprio país. 4
Vista do porto de Cádiz, na Espanha, mostrando a comercialização de mercadorias provenientes das “Índias Ocidentais”, ou seja, da América. Gravura francesa do século XVI.
O globo terrestre de 1492, segundo o cartógrafo Martin Behaim.
The Bridgeman
Art Library/Keystone
Bridgeman/Keystone/Museu Nacional Germânico, Nuremberg, Alemanha.
Professor(a), veja no Procedimento Pedagógico deste capítulo uma proposta de atividade alternativa que visa incentivar os alunos a adotar medidas contra o desperdício de alimentos.
Pacto não consentido
Também contribuiu para que as ideias mercantilistas vigorassem na Europa o fato de as potências europeias terem colonizado, a partir das últimas décadas do século XV, diversos territórios na África, Ásia e América. Apesar do nome, o chamado pacto colonial era um conjunto de medidas impostas pela potência conquistadora para reger suas relações com os territórios dominados. Pelo pacto, a metrópole transformava as colônias em economias complementares às suas, garantindo seu próprio enriquecimento à custa delas.
Eu tAMBÉM POSSO
consumo consciente de alimentos
Os grupos humanos sempre se preocuparam em conservar alimentos para o consumo futuro. Técnicas como a salga e a defumação de carnes ou a produção de conservas foram criadas a fim de prolongar a conservação dos alimentos. Por essa razão, as especiarias do Oriente tiveram um papel de destaque na Europa do começo da Idade Moder-
na. Os europeus abatiam as reses no outono, porque no rigoroso inverno não haveria comida para esses animais. Como não existiam geladeiras, eles usavam plantas aromáticas e temperos variados para conservar a carne. Uma das receitas mais comuns era uma mistura de sal, vinagre, grãos de cominho, coentro e pimenta-do-reino.
Alimentos desprezados do Mercado Municipal de São Paulo, SP, retirados pela Associação Prato Cheio, que os destina a instituições. Segundo a Embrapa, 30% dos alimentos desperdiçados no Brasil se perdem nas etapas de comercialização e abastecimento. Foto de 2013.
Divulgação/Prato
Cheio
Os termos do pacto colonial proibiam as colônias de produzir artigos manufaturados. A elas só eram permitidos a extração de metais preciosos e o cultivo de plantas que resultassem em produtos a serem vendidos no mercado europeu, como cana-de-açúcar, tabaco e algodão. A metrópole tinha o monopólio do comércio desses produtos. Para impedir que as moedas saíssem de seu território, algumas metrópoles pagavam pelos produtos com africanos escravizados. Na África, as pessoas escravizadas eram quase sempre adquiridas pelos traficantes europeus em troca de artigos manufaturados, como armas, pólvora, ferro e rum. Essas relações mercantis integravam o chamado comércio triangular entre os três continentes – África, Europa e América.
A especiaria mais cobiçada era a pimenta-da-índia (ou pimenta-do-reino), usada como estimulante do apetite e para melhorar a circulação sanguínea. Mas havia também a canela (oriunda do atual Sri Lanka); a noz-moscada e o cravo (ambos da atual Indonésia), além de açafrão, gengibre, cúrcuma, anis, sementes de papoula e muitas outras. O acesso a esses produtos, no entanto, era extremamente limitado.
Embora técnicas antigas como a salga de peixes e de carne ou a cristalização de frutas ainda sejam utilizadas, existem hoje formas de preservar os alimentos que vão desde guardá-los em geladeiras ou freezers até adicionar produtos químicos. Apesar disso, constata-se um grande desperdício de alimentos.
Estudos recentes apontam que, no Brasil cerca de 30% do que poderia ser consumido é perdido na colheita, no transporte, na industrialização e também em casa. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de 2013, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos é descartado por ano no mundo, o equivalente ao desperdício de 750 bilhões de dólares. São frutas de casca manchada, iogurtes perto da data de vencimento, pães amanhecidos, comidas esquecidas na geladeira, etc.
A humanidade já consome 30% a mais de recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra. Se os padrões de consumo e produção se mantiverem no nível atual, em menos de cinquenta anos precisaremos de dois planetas Terra para atender nossas necessidades.
Por essa razão, vem crescendo cada vez mais o movimento mundial em favor do consumo consciente de alimentos. Veja a seguir algumas dicas nesse sentido.
SuA OPINIÃO
dIALOgANdO cOM... gEOgrAFIA
• Frutas e verduras são bastante perecíveis. Por isso, procure adquiri-las em quantidade reduzida, preferindo fazer compras menores e mais regulares para que não estraguem.
• Alimentos com a casca apenas “machucada” não precisam ir para o lixo. Muitas vezes são apenas marcas do transporte, e a qualidade do produto continua perfeita.
• As frutas maduras podem ser congeladas antes de estragar. Quando descongeladas, podem ser batidas no liquidificador para fazer sucos e vitaminas.
• Colocar mais comida no prato do que se consegue comer é uma das formas mais comuns de desperdício de alimentos.
• Sobras de alimentos podem ser reutilizadas: do feijão, pode-se fazer sopa. Com arroz, cenouras cozidas, carne assada ou restos de peixe é possível preparar bolinhos. Frutas azedas ou maduras demais viram compotas, geleias e recheios para bolo. Além disso, talos de muitas verduras podem entrar em sopas ou tortas.
Texto elaborado com base em: MERENDA da escola: como provocar mudanças a partir das escolhas de alimentação? Disponível em: <www.akatu.org.br/Temas/ Alimentos>; SÓ no Brasil, 26,3 milhões de toneladas de alimentos têm o lixo como destino, sendo a maior perda (45%) de hortifrútis. Disponível em: <www.bancodealimentos. org.br/conheca-banco-de-alimentos/desperdicio-dealimentos-brasil-e-mundo>; Comida entra na mira do consumo consciente. Folha de S.Paulo, São Paulo, 9 out. 2003. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/ fsp/equilibrio/eq0910200308.htm>. Acesso em: 11 jan. 2016; FLANDRIM, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo (Org.). História da alimentação. São Paulo: Estação Liberdade, 1998; NEPOMUCENO, Rosa. O Brasil na rota das especiarias. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005.
O desperdício de alimentos revela outra face cruel: enquanto alimentos são descartados, 805 milhões de pessoas, segundo relatório da FAO de 2013, passam fome no mundo. Por que, em sua opinião, apesar da grande produção de alimentos, tanta gente morre de fome e desnutrição? Discuta essa questão em seu grupo. Depois, apresentem oralmente à classe as conclusões a que chegaram.
LIVrO
Leia o livro Choque luso no Japão dos séculos XVI e XVII, de José Yamashiro, editora Ibrasa. Livro sobre as trocas culturais entre portugueses e japoneses durante as Grandes Navegações, desde 1543 até a expulsão dos lusitanos, no século seguinte.
Impérios ibéricos
Com a descoberta do caminho marítimo para as Índias e a chegada às terras que ficariam conhecidas como Brasil, Portugal formou um império ultramarino. Para assegurar suas conquistas e armazenar produtos a serem vendidos na Europa, os portugueses construíram fortalezas e feitorias na América do Sul, África e Ásia. Enquanto isso, a Espanha consolidava seu domínio sobre a maior parte do continente americano e descobria jazidas de minérios preciosos.
do século XVI representando a chegada dos primeiros portugueses ao Japão. À direita, podem-se ver dois padres da Igreja católica.
doença em alto-mar
Portugal e a primazia no comércio
Em meados do século XVI, os portugueses mantinham mais de cinquenta fortes e feitorias na rota entre a África e o Japão. Suas embarcações costumavam levar também padres jesuítas com o objetivo de converter ao catolicismo as populações das terras conquistadas. Eram viagens longas e difíceis. Muitas pessoas morriam durante o trajeto, por causa de doenças e naufrágios. No texto Doença em alto-mar (abaixo), você pode ler mais sobre esse assunto em trechos do diário de bordo da primeira viagem de Vasco da Gama às Índias.
O domínio comercial dos portugueses no oceano Índico durou quase um século. Seu declínio decorreu, entre outros motivos, do alto custo das viagens, da resistência muçulmana e do processo de sucessão do trono português, que, em 1580, colocou o país sob o domínio da Espanha, como veremos no capítulo 6.
Professor(a), veja no Procedimento Pedagógico deste capítulo uma proposta de atividade alternativa sobre o tema da alimentação em alto-mar.
Levamos quase três meses nesta travessia, enfrentando muitas calmarias e ventos contrários. Nesse tempo, todos adoeceram das gengivas, que cresciam sobre os dentes de tal maneira que não podiam comer. As pernas inchavam e havia outros grandes inchaços pelo corpo, que castigavam tanto a pessoa que ela acabava morrendo sem ter nenhuma doença. Nesses dois meses e 27 dias, trinta homens morreram, sem contar os que já estavam mortos a essa altura. [...] Por isso, garanto que, se a viagem durasse mais uns 15 dias, logo não haveria quem conduzisse os navios.
VELHO, Álvaro. O descobrimento das Índias: diário da viagem de Vasco da Gama. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998. p. 108.
dIÁLOgOS
A doença descrita no texto chama-se escorbuto. Como suas causas eram desconhecidas na época, ela provocou grande número de mortes entre os marinheiros. O escorbuto é causado por uma alimentação inadequada ou insuficiente. Existem outras doenças e problemas de saúde oriundos de hábitos alimentares. Com o auxílio do professor de Biologia, pesquise as causas e os sintomas do escorbuto e de outras doenças e problemas de saúde causados por alimentação inadequada. Em seguida, registre suas descobertas no caderno.
Detalhe de uma pintura japonesa
dIALOgANdO cOM... BIOLOgIA
O extenso império da Espanha
O governo da Espanha dividiu seu extenso território colonial na América em vice-reinos e capitanias. O Conselho das Índias, criado em 1524, era o órgão da metrópole encarregado de nomear as autoridades administrativas, militares e judiciais das colônias, entre outras. Já a administração do comércio, fundamentado pelo pacto colonial, estava a cargo da Casa de Contratação, criada em 1503.
Para manter a unidade desse império, o governo espanhol contava com um enorme aparato burocrático e com a força da Igreja católica, que, como afirma o historiador Leandro Karnal, cumpria “importante papel de coerção e geração de consenso entre a população”.
tordesilhas em xeque
Outros países europeus, como França, Inglaterra e Holanda, resolveram entrar na disputa pelas riquezas da África, Ásia e América, desprezando o Tratado de Tordesilhas. Em 1533, os ingleses estabeleceram postos comerciais na costa ocidental africana, seguidos, em 1593, pelos holandeses.
Apesar da vigilância, portugueses e espanhóis não conseguiam impedir o afluxo de navios concorrentes em direção ao continente americano. Assim, já no começo do século XVI expedições francesas chegaram ao litoral do atual Brasil em busca de pau-brasil, madeira muito utilizada na Europa para tingir tecidos.
Os negociantes franceses também levavam peles e penas de animais, produtos de altos preços na Europa. Em 1555, alguns deles fundaram uma colônia na baía de Guanabara, no atual estado do Rio de Janeiro: a França Antártica. Os franceses foram expulsos pelos portugueses em 1567. Em 1612, estabeleceram uma nova colônia, desta vez no atual Maranhão, chamada França Equinocial.
Ingleses e franceses na América do Norte
Nas primeiras décadas do século XVI, ingleses e franceses buscaram um caminho para o Oriente pelo Atlântico Norte, mas o gelo encontrado nos mares próximos ao polo norte tornava obrigatório o retorno das embarcações. Em 1535, o navegador francês Jacques Cartier chegou à embocadura do rio São Lourenço, no atual Canadá, e tomou posse dessas terras em nome do rei Francisco I. Como não foram encontrados metais preciosos, os europeus praticamente não se interessaram pela região mais setentrional da América do Norte durante o século XVI.
Em 1584, Walter Raleigh fundou uma colônia inglesa no atual território dos Estados Unidos. Mas a efetiva colonização da região começaria em 1607, quando os colonos ocuparam as terras indígenas e fundaram Jamestown, na região chamada de Virgínia.
Gravura de Samuel de Champlain representando o ataque feito por colonos franceses a uma aldeia iroquesa no atual leste do Canadá, no início do século XVII. Em 1609, Champlain dirigiu a expedição que fundou a cidade de Québec.
AKG/Latinstock/Castello Service Historique de la Marine
Bibliotheque Historique Centrale de la Marine, Vincennes, França.
Puritanos ingleses conhecidos como pilgrims (peregrinos) desembarcaram do navio Mayflower na colônia de Plymouth, Massachusetts, em novembro de 1620.
As Treze Colônias (cerca de 1750)
780
Adaptado de: DUBY, Georges. Grand atlas historique. Paris: Larousse, 2006.
Butim: produto de roubo ou pilhagem; em geral, trata-se de bens materiais, escravos (ou prisioneiros) roubados do inimigo durante ou após um ataque, batalha ou guerra.
Colônias do norte
Colônias centrais
Colônias do sul
Em meados do século XVIII, havia na América do Norte treze colônias sob o domínio da Inglaterra. Apesar das características em comum (como o idioma), elas distinguiam-se em vários aspectos.
As terras da região sul foram colonizadas inicialmente por aventureiros e pessoas pobres que buscavam melhores condições de vida. Com a deposição do rei Carlos I, em 1649 (veja mais no capítulo 2), muitos ricos defensores do monarca seguiram para essa região, tornando-se grandes proprietários de terras e de escravos.
Já a região norte, chamada Nova Inglaterra, transformou-se em abrigo de miseráveis e fugitivos de perseguições religiosas. A educação era uma das grandes preocupações de seus habitantes, e a escolarização primária era bastante difundida.
Uma das principais fontes de renda da Nova Inglaterra era o comércio triangular: os mercadores da região compravam açúcar e melaço das Antilhas e os transformavam em rum, trocado na África por escravos que seriam revendidos às colônias do sul e às Antilhas. A maioria das famílias da região era de pequenos proprietários autossuficientes: seus integrantes teciam as próprias roupas, cultivavam seus alimentos, fabricavam seus móveis, etc. As colônias do centro, por sua vez, reuniam aspectos tanto das colônias do norte quanto das do sul.
O mar do Caribe e o Atlântico Sul passaram a ser navegados também por piratas e corsários. Seus alvos eram, sobretudo, embarcações espanholas carregadas de metais preciosos. Enquanto os piratas atuavam por conta pró-
pria e eram considerados fora da lei, a ação dos corsários era autorizada pelo rei de seu país de origem, especialmente Inglaterra e Holanda. Quando um ataque era bem-sucedido, o corsário entregava parte do butim ao Estado.
Banco
As companhias de comércio
No início do século XVII, com o declínio do poderio de Portugal e Espanha, holandeses e ingleses decidiram chegar às Índias contornando o sul da África. Para isso, criaram um tipo de organização pouco conhecido dos reinos ibéricos: as companhias de mercadores. Essas empresas comerciais eram formadas por sociedades anônimas compostas por acionistas. Os recursos recolhidos financiavam expedições pelo mundo, e o lucro das viagens era dividido entre os acionistas e reinvestido em navios, cais e armazéns próprios.
Tais empresas recebiam amplos poderes para comercializar, conquistar, colonizar, administrar e defender territórios que estivessem sob domínio dos governos. Destacam-se, entre elas, a Companhia Inglesa das Índias Orientais, fundada em 1600, a Companhia Holandesa das Índias Orientais (1602) e a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (1621).
Com a ajuda dessas companhias de mercadores, os holandeses criaram entrepostos e colônias em vários continentes. Na América, fundaram Nova Amsterdã, atual Nova York, estabeleceram-se na Guiana Holandesa (atual Suriname) e invadiram a região do atual nordeste brasileiro.
A riqueza acumulada por banqueiros e mercadores europeus nesse período tornou-se a mola propulsora das grandes transformações econômicas e sociais verificadas na Europa nos séculos XVIII e XIX, com o nome de Revolução Industrial (que veremos no Capítulo 8).
ENQUANTO ISSO...
As grandes navegações
dos chineses
Sociedade anônima: empresa cuja principal característica é a atribuição de responsabilidade aos sócios de acordo com o percentual de capital que cada um possui. Esse capital se traduz no número de ações de cada proprietário. A posse das ações pode ser restrita (empresas de capital fechado) ou de livre acesso para compra em bolsas de valores (empresas de capital aberto). Conforme as leis do Brasil, as empresas que são sociedades anônimas têm de constituir um estatuto social e precisam ter pelo menos dois sócios.
Sede da Companhia Holandesa das Índias Orientais em Amsterdã, Holanda. Gravura de Joseph Mulder, 1726. Além de possuir armazéns e estaleiros próprios, a companhia tinha autorização para fazer acordos e até mesmo guerrear em nome da Holanda.
Professor(a), veja no Procedimento Pedagógico deste capítulo uma proposta de atividade alternativa que solicita a criação de uma história em quadrinhos sobre a colonização da América..
Antes de os portugueses iniciarem suas viagensultramarinas,umnavegantechinêsdominava o oceano Índico. Era Zheng He (1371-1435), um eunuco de família muçulmana a serviço do imperador chinês. Entre 1405 e 1433, ele realizou sete expedições, chegando à Índia, ao golfo Pérsico, à África oriental e ao sudeste da Ásia. Nessas viagens, os chineses entraram em contato com cerca de quarenta reinos, estabelecendo relações comerciaisediplomáticascomeles.ZhengHenavegava com o auxílio de uma bússola, inventada pelos chineses quase 2 mil anos antes.
Joseph Mulder/Memória da Holanda, Amsterdã, Holanda.
ESQUEMA-RESUMO
Os reinos europeus e o além-mar
comércio com o Oriente intermediado pelos árabes
Busca de novas rotas para o Oriente para escapar de cobrança de altas taxas
Pioneirismo português
Estado unificado
Esperiência em navegação na costa atlântica
Projeto para contornar a África
Estímulo para outras expedições
cristóvão colombo chega à América
Revolução Comercial na Europa
Pacto colonial
Tratado de Tordesilhas
• Império espanhol
• Divisão administrativa de um imenso território
Formação dos impérios coloniais
Invasões
• Império português
• Criação de feitorias
Princípios mercantilistas
• Ingleses, franceses e holandeses
• Colonização do norte da América
• Criação das companhias de comércio
Com base na observação do esquema-resumo, explique as causas e os desdobramentos da expansão marítima europeia na organização da economia do continente.
Escola de Sagres
W. J. Aylward/Foto de Harold M. Lambert/ Kean Collection/Archive Photos/Getty Images
ATIVIDADES
OrgANIzANdO AS IdEIAS
Explique o que foi a Revolução Comercial e qual foi a relação desse processo com a expansão marítima iniciada pelos europeus no século XV.
A expansão do comércio alterou significativamente as concepções econômicas na Europa durante o século XVI, dando origem ao mercantilismo. Descreva os princípios fundamentais do mercantilismo.
Uma das características do pacto colonial, que regulava as relações entre as metrópoles europeias e as colônias africanas e americanas, era o comércio
triangular. Explique o funcionamento desse comércio, descrevendo as regras da exploração das riquezas coloniais pelas metrópoles.
As riquezas das colônias da África, América e Ásia atraíam várias nações europeias no século XVI, provocando o rompimento do Tratado de Tordesilhas. Além de Portugal e Espanha, quais eram essas novas nações e que estratégias utilizaram?
Compare a forma de organização do governo português com a do governo espanhol na fase inicial da expansão marítima.
INtErPrEtANdO dOcuMENtOS: IMAgEM
Observe a gravura abaixo. Trata-se de uma representação do século XVIII de duas mulheres condenadas por pirataria em 1720, Anne Bonny e Mary Read. Após observar a imagem, responda ao que se pede.
a) De que forma as mulheres estão representadas na gravura? Aponte elementos da imagem que podem ser associados com a atividade de pirataria.
b) Por que a formação dos impérios coloniais na América provocou crimes de pirataria na região do Caribe e do Atlântico Sul?
c) A maior parte das representações e ideias de pirataria está associada ao sexo masculino. Formule uma hipótese para explicar esse fenômeno.
Anne Bonny e Mary Read foram capturadas e condenadas na Jamaica.
tEStE SEu cONhEcIMENtO
(PUC-SP)
Do século XVI ao XIX o comércio de escravos na costa atlântica da África foi negócio entre comerciantes europeus e africanos, ou representantes dos reis africanos, pois na maioria das vezes eram estes os grandes fornecedores de escravos para os navios negreiros. As trocas eram feitas em alguns pontos da costa, seguindo regras estabelecidas principalmente pelas sociedades africanas. Os comerciantes europeus agiam conforme era determinado nos locais de comércio; apesar disso, conseguiam ter alguma influência sobre os chefes locais, que passaram a depender cada vez mais das mercadorias estrangeiras.
MELLO E SOUZA, Marina de. África e Brasil africano São Paulo: Ática, 2007. p. 60.
A partir do texto, pode-se afirmar que a ação europeia na África:
a) estimulou o comércio de escravos, promovendo alterações culturais e econômicas significativas em sociedades africanas.
b) era limitada pelas decisões e pela vontade dos governantes locais, que não aceitavam quaisquer interferências externas.
c) aproveitou-se da tradicional prática africana de vender escravos para outras regiões do mundo, o que gerava lucros bastante altos.
d) resumia-se ao fornecimento de produtos industrializados, evitando estabelecer outros tipos de relação mercantil com governantes africanos.
e) ocorreu dentro de um contexto de ocupação territorial e domínio político, que determinaram a hegemonia europeia no continente.
(UFU-MG)
Se essa passagem de século tem hoje um sentido para nós, um sentido que talvez não tinha nos séculos anteriores, é porque vemos que aí é que surgem as primícias da globalização. E essa globalização é mais que um processo de expansão de origem ibérica. Em 1500, ainda estamos bem longe de uma economia mundial. No limiar do século XVI, a globalização corresponde ao
fato de setores do mundo que se ignoravam ou não se frequentavam diretamente serem postos em contato uns com os outros.
GRUZINSKI, Serge. A passagem do século: 1480-1520 –as origens da globalização. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 96-98. (Adaptado.)
Na busca das raízes do conceito de globalização, os historiadores têm voltado suas atenções às grandes navegações, porque este momento histórico:
a) permitiu, com anuência da Igreja, a formação de um verdadeiro mercado global de mão de obra escrava, composta de indígenas.
b) tornou a Igreja uma força política global, com hegemonia, por exemplo, sobre todo o continente americano.
c) representou a unificação dos mercados coloniais, principalmente a partir do fornecimento de gêneros de subsistência.
d) foi decisivo na expansão da atividade comercial para além das fronteiras europeias e na ampliação dos mercados.
(Enem)
Todo homem de bom juízo, depois que tiver realizado sua viagem, reconhecerá que é um milagre manifesto ter podido escapar de todos os perigos que se apresentam em sua peregrinação; tanto mais que há tantos outros acidentes que diariamente podem aí ocorrer que seria coisa pavorosa àqueles que aí navegam querer pô-los todos diante dos olhos quando querem empreender suas viagens.
J. P. T. Histoire de plusieurs voyages aventureux. 1600. In: DELUMEAU, J. História do medo no Ocidente: 1300·1800. São Paulo: Cia. das Letras, 2009. (Adaptado.)
Esse relato, associado ao imaginário das viagens marítimas da época moderna, expressa um sentimento de:
a) gosto pela aventura.
b) fascínio pelo fantástico.
c) temor do desconhecido.
d) interesse pela natureza.
e) purgação dos pecados.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
(Uepa) As crenças de navegadores portugueses e espanhóis dos séculos XV e XVI, inspiradas na teologia medieval de que o Paraíso estava ao alcance dos homens, embora em lugar ainda desconhecido, estimularam as viagens de “descobertas” que incorporaram o Novo Mundo ao espaço geográfico das terras conhecidas pelos europeus. As pistas desta mentalidade estão em obras filosóficas e literárias da Antiguidade greco-romana e de autores humanistas, além de novelas de cavalaria. O conteúdo destas obras fazia parte do patrimônio intelectual europeu de fins da Idade Média e forneceu o quadro mental a partir do qual foram escritas as obras de viajantes europeus que vieram à América no século XVI. A busca do paraíso terrestre, quando da expansão marítima europeia voltada para a descoberta de novas rotas de comércio com o Oriente, significou:
a) a ruptura entre a mentalidade medieval e aquela do Renascimento.
b) a permanência de elementos da mentalidade medieval no período inicial do Renascimento.
c) a confirmação dos relatos bíblicos, que podiam ser constatados com as navegações.
d) a correspondência entre as crenças europeias e os mitos indígenas do Novo Mundo.
e) o uso da justificativa religiosa para o financiamento das navegações pelas Coroas Ibéricas.
O processo europeu de expansão marítima teve início no século XV, envolvendo tanto mudanças na concepção do mundo quanto inovações tecnológicas em diversas regiões da Europa. Leia as seguintes afirmativas sobre esse tema e escolha a opção correta. Em seguida, justifique no caderno os erros das afirmativas falsas.
I. A Escola de Sagres foi uma universidade criada pelos reis de Portugal para incentivar as navegações portuguesas pelo oceano Atlântico.
II. A bússola, o quadrante e o astrolábio são exemplos de invenções que auxiliaram os
europeus em suas viagens ultramarinas a partir do século XV.
III. Em 1487, Bartolomeu Dias conseguiu provar a esfericidade da Terra quando completou a viagem ao redor do planeta.
IV. Cristóvão Colombo argumentava que era possível chegar às Índias navegando para o Oeste, porque acreditava que a Terra tinha um formato esférico.
a) Apenas a afirmativa I está correta.
b) Apenas a afirmativa II está correta.
c) As afirmativas II e IV estão corretas.
d) As afirmativas II e III estão corretas.
e) As afirmativas I e IV estão corretas.
A colonização da América envolveu diversas potências europeias, que buscavam o controle dos territórios descobertos no final do século XV. Leia as afirmativas sobre esse tema e identifique a opção correta. Em seguida, justifique no caderno os erros das afirmativas falsas.
I. A formação do Império Português envolveu a criação de fortes e feitorias entre a África, o Japão e a América.
II. A Espanha dividiu sua extensa área colonizada na América em vice-reinos e capitanias. Além disso, criou um enorme aparato burocrático para administrar e manter a unidade de todos os seus territórios.
III. O Tratado de Tordesilhas previa que a França teria o direito a um pequeno território colonial na América, conhecido como a França Antártica.
IV. A primeira colônia inglesa na América foi fundada em 1584, por Walter Raleigh. Porém, a efetiva colonização da região só teve início em 1607.
a) As afirmativas I e II estão corretas.
b) Apenas a afirmativa IV está correta.
c) As afirmativas I, II e III estão corretas.
d) As afirmativas I, II e IV estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
hOrA dE rEFLEtIr
A chegada dos europeus à América alavancou um intenso processo de trocas culturais. Os europeus trouxeram novos alimentos para a América (café, cana-de-açúcar) e disseminaram alimentos americanos para outros continentes (batata, tomate, milho, cacau).
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Divididos em grupos, debatam as seguintes questões: nos dias de hoje, ainda ocorrem trocas culturais relacionadas a hábitos de consumo de alimentos? De que forma esse processo afeta a cultura alimentar em diferentes sociedades? Existem países que impõem seus costumes alimentares a outros povos?
Uma pessoa do grupo (um relator) deve registrar as respostas resumidamente, em forma de tópicos.
Depois, com a ajuda do professor, o relator de cada grupo apresentará esses tópicos oralmente à classe.
MINHA BIBLIOTECA
PArA NAVEgAr
O mundo luso-brasileiro. Exposição virtual do Arquivo Nacional sobre a expansão marítima portuguesa. Disponível em: <http://tinyurl. com/8fwcrat>. Acesso em: 7 jan. 2015.
Plymouth Colony. Site que reúne textos e vídeos sobre a chegada dos peregrinos puritanos ao atual território dos Estados Unidos, em 1620, incluindo um clipe musical bem-humorado sobre os primeiros tempos da colonização inglesa da América do Norte (em inglês). Disponível em: <www.history.com/topics/ plymouth>. Acesso em: 7 jan. 2015.
PArA ASSIStIr
Belle. Direção: Amma Asante. Inglaterra, Outsider Films, 2013, 104 min. História real da filha de um oficial da Marinha britânica com uma africana escravizada. A menina é levada à Inglaterra do século XVIII para ser criada em meio à aristocracia, enfrentando toda espécie de preconceitos.
Desmundo. Direção: Alain Fresnot. Brasil, Columbia Pictures, 2003, 101 min. O filme se passa em 1570, época em que os portugueses enviavam órfãs ao Brasil, à força, para que se casassem com os colonizadores.
PArA LEr
Os Lusíadas em quadrinhos, de Fido Nesti, São Paulo, Peirópolis. Adaptação para os quadrinhos do poema épico Os Lusíadas, de Luís de Camões, que narra a viagem de Vasco da Gama em direção às Índias.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
IuriiKachkovskyi/Shutterstock
Do absolutismo à monarquia constitucional 2
Acada quatro anos, os eleitores brasileiros escolhem um novo presidente. Embora ocupe o principal cargo do Poder Executivo, o presidente não pode governar conforme seus interesses pessoais nem é livre para tomar decisões à revelia do povo. Para administrar, ele depende da aprovação de leis e projetos por parte dos deputados e senadores, que compõem o Poder Legislativo, e está sob constante fiscalização dos tribunais que integram o Poder Judiciário. Além disso, os três poderes se sujeitam às leis e à Constituição.
Esse sistema de governo é conhecido como república presidencialista e está em vigor em muitos países, além do Brasil. Entretanto, no decurso da História, como já vimos, existiram outras formas de governo.
Por volta do século XVI, por exemplo, os países mais poderosos da Europa se encontravam sob a forma de governo conhecida como absolutismo monárquico Nesse sistema, o poder concentrava-se nas mãos de um rei: era ele quem governava o país, aplicava a justiça e modificava ou criava leis conforme seus próprios interesses. É esse sistema que estudaremos neste capítulo
OBJETIVOs DO cApÍTULO
• Compreender os processos de centralização política e formação de monarquias absolutistas.
• Conhecer as ideias, teorias e estratégias usadas para legitimar a concentração de poderes do monarca.
• Identificar as particularidades históricas de alguns Estados absolutistas europeus.
Professor(a), veja no Procedimento Pedagógico deste capítulo uma proposta de atividade de inclusão que visa incentivar os alunos a pesquisar ações de democratização do acesso ao voto.
Da esquerda para a direita, os presidentes dos países do Mercosul em 2015: Michelle Bachelet (Chile), Tabaré Vázquez (Uruguai), Mauricio Macri (Argentina), Horacio Cartes (Paraguai), Dilma Rousseff (Brasil) e Evo Morales (Bolívia). Como o Brasil, esses países são repúblicas presidencialistas.
CapítUlo
Estados modernos
Do ponto de vista político, as sociedades se organizaram de diferentes maneiras ao longo do tempo. Durante a Idade Média, na maior parte da Europa ocidental, o poder fragmentou-se entre os senhores feudais, que administravam a justiça em suas propriedades. A autoridade dos reis era praticamente simbólica.
A partir dos últimos séculos desse período, porém, alguns reis europeus começaram a criar mecanismos para centralizar o poder, enfraquecendo a autoridade dos senhores feudais e da Igreja. Formaram-se assim as chamadas monarquias nacionais.
Veremos seguir, as transformações políticas que até o século XVIII decorreram dessas mudanças e levaram à formação dos chamados Estados modernos.
Governo centralizado
Apesar da Expansão Marítima e da Revolução Comercial, a Europa atravessou diversos momentos de crise entre os séculos XV e XVII. A produção agrícola, por exemplo, não cresceu na mesma proporção que a população. Os alimentos encareceram e a fome provocou revoltas populares.
Ao mesmo tempo, o continente foi sacudido pelas guerras religiosas desencadeadas pela Reforma protestante. Outras guerras deveram-se à disputa por limites territoriais e pela supremacia do comércio marítimo.
Diantedessasituação,pensadorespolíticosargumentavamquesomenteum governofortementecentralizadoseriacapazdepôrfimàdesordem.Vejanoboxe sobre as teorias absolutistas, na página seguinte, alguns desses argumentos.
Tais ideias contribuíram para legitimar o crescente poder dos reis. Com a centralização do poder, os interesses gerais do Estado nacional foram se sobrepondo às preferências dos senhores feudais. Para se respaldar, o rei constituiu uma burocracia de profissionais especializados nos diversos setores da administração: financeiro, jurídico, fiscal (para a cobrança de impostos), etc. Começava a surgir o Estado moderno
Da tradição às normas jurídicas
No âmbito jurídico, esses governos gradualmente substituíram o direito feudal por leis inspiradas pelo Direito Romano. Com isso, as leis baseadas nos costumes e na tradição, que garantiam os privilégios da nobreza, deram lugar a normas jurídicas impessoais, que valiam para todos.
Os laços feudais de suserania e vassalagem desapareceram, enquanto a Igreja católica, enfraquecida com a Reforma, perdeu boa parte da influência que exercia sobre os monarcas.
O pagamento dos títulos (1615), tela do artista flamengo Pieter Brueghel, o Jovem (1564-1638). Nela estão representados funcionários do governo no ato de cobrar títulos vencidos. A obra remete à formação da burocracia moderna, um dos instrumentos dos reis no processo de centralização do poder.
Concomitantemente, os reis criaram exércitos nacionais permanentes, financiados por tributos, para substituir as tropas particulares dos senhores feudais. Na esfera econômica, os soberanos adotaram um conjunto de medidas e práticas comerciais e financeiras conhecido como mercantilismo, como vimos no capítulo anterior. Essas medidas incentivavam a circulação de dinheiro e de mercadorias.
Teorias absolutistas
Professor(a), veja no Procedimento Pedagógico deste capítulo uma proposta de atividade alternativa sobre os principais teóricos do absolutismo no período.
Uma das primeiras teorias a dar sustentação ao absolutismo monárquico foi elaborada pelo filósofo francês Jean Bodin (1529-1596). Somente o rei, dizia ele, poderia fazer e revogar as leis. Esse poder, que Bodin chamou de soberania, emanaria diretamente de Deus.
Mais tarde, o filósofo inglês Thomas hobbes (1588-1679), em sua obra Leviatã, afirmou que em uma sociedade sem Estado imperaria a barbárie e a “guerra de todos contra todos”. Para ele, as pessoas teriam estabelecido um contrato ou pacto social, por meio do qual renunciavam à sua liberdade e se submetiam ao poder absoluto de um governante para que ele garantisse paz e segurança a todos.
Já o francês Jacques Bossuet (1627-1704), autor de Política segundo as Sagradas Escrituras, afirmava que o poder do rei lhe havia sido concedido por Deus e, por isso, deveria ser ilimitado e incontestável. Era a chamada Teoria do Direito Divino
sUA OpINIÃO
Capa do livro Leviat‹, de Thomas Hobbes, publicado em Londres, em 1651. O corpo do soberano é representado como se fosse composto do conjunto da população.
Segundo o argumento central de Thomas Hobbes, a autoridade é necessária para garantir a estabilidade social e evitar a barbárie. Você concorda com ele? Reflita sobre isso, considerando a situação política contemporânea. Justifique sua resposta oralmente, numa roda de conversa.
ORGANIzANDO As IDEIAs
ATIVIDADES
A formação dos Estados modernos está diretamente associada às crises econômica e política que marcaram a Europa entre os séculos XV e XVII. Explique a contribuição dessas crises para o fortalecimento do Estado moderno.
Quais foram as transformações jurídicas que sustentaram o processo de consolidação do poder dos novos soberanos em detrimento da influência dos senhores feudais?
Durante o processo de fortalecimento dos Estados modernos, especialmente entre os séculos XVI e XVII, teóricos como Jean Bodin, Thomas Hobbes e Jacques Bossuet formularam ideias para sustentar o absolutismo monárquico. Explique e compare as ideias propostas por esses autores no período.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Moeda francesa com a efígie de Henrique IV. A figura do monarca fazia-se presente no cotidiano da população. A moeda circulou entre 1589 e 1605.
FILmE
Veja o filme O Absolutismo: a ascensão de Luís XIV, de Roberto Rossellini, 1966. Filme mostra que o jovem Luís XIV usou o luxo, as distinções e a etiqueta da Corte como formas de exercer o poder.
poder (quase) absoluto
A extrema centralização do poder originou uma forma de organização do Estado conhecida como absolutismo monárquico. Nas monarquias absolutistas, o rei detinha o poder de legislar, isto é, de criar e revogar as leis. Sua autoridade era quase absoluta: só encontrava limites nas leis do Deus cristão e em costumes e tradições da época.
Absolutismo na França
A transformação da monarquia francesa em Estado absolutista teve início no reinado de Francisco I (1515-1547)1 e acentuou-se com Henrique IV (1589-1610). Além de desprezar os Estados Gerais (assembleia de representantes na nobreza, do clero e da burguesia), Henrique IV vigiou os governadores das províncias e deixou de lado os grandes senhores feudais, nomeando ministros oriundos da burguesia. Ao mesmo tempo, estimulou o mercantilismo, iniciou a colonização das terras que hoje correspondem ao Canadá e incentivou a agricultura e as manufaturas.
Porém, foi com Luís xIV (1643-1715) que o absolutismo francês assumiu sua forma máxima de expressão. Seu governo esvaziou o Conselho Real, órgão que tomava decisões com o monarca; consolidou o exército permanente; proibiu as comunas de escolherem seus governantes; manteve e ampliou o mercantilismo; incentivou a criação de manufaturas e de companhias comerciais; e envolveu a França em vários conflitos externos visando assegurar suas fronteiras e a supremacia no comércio marítimo. Para que não restassem dúvidas sobre seu poder, cunhou a expressão “O Estado sou eu”
A construção do palácio de Versalhes demandou mais de 30 mil trabalhadores e muitos artistas. Situado em um parque com cerca de 700 hectares, o palácio tem centenas de quartos e milhares de janelas. Foto de 2015.
Considerando-se representante de Deus, Luís XIV criou um culto à sua imagem e tornou-se conhecido como Rei Sol. Sua corte, de cerca de 6 mil pessoas, foi instalada no novo e luxuoso Palácio de Versalhes. As obras, a manutenção da corte e os inúmeros banquetes, bailes e cerimônias eram sustentados pelo tesouro público.
1 Neste capítulo, os anos entre parênteses depois do nome de um rei/rainha referem-se ao período do governo, e não ao nascimento e à morte do(a) monarca.
Hung Chung Chih/Shutterstock
Inglaterra absolutista
Com o fim da Guerra das Duas Rosas (1455-1485), o trono inglês foi ocupado por Henrique VII (1485-1509), da família Tudor, ligado por laços familiares a ambas as casas que disputaram a guerra. Seria, porém, com seu filho que a monarquia inglesa se tornaria plenamente absolutista: Henrique VIII (1509-1547) rompeu com o papa para fundar a Igreja anglicana, subordinada diretamente a ele, e confiscou terras e outros bens da Igreja católica.
O apogeu do absolutismo inglês ocorreu no reinado da filha de Henrique VIII, Elizabeth I (1558-1603). A rainha criou uma rede de espionagem e só convocou o Parlamento em casos excepcionais. Também priorizou o mercantilismo, modernizou a frota marítima, incentivou a criação de companhias de comércio, promoveu o povoamento da colônia de Virgínia, na América do Norte, e adotou a pirataria como forma de acumular riquezas (veja a seção Olho vivo, abaixo).
Como Elizabeth não deixou herdeiros, foi sucedida por seu primo, Jaime I (1603-1625), rei da Escócia. Defensor da teoria do direito divino dos reis, Jaime I perseguiu os puritanos (calvinistas), levando muitos deles a se refugiar na América do Norte, como vimos no capítulo anterior. Quando o Parlamento recusou-se a lhe conceder pensão vitalícia, o monarca o dissolveu.
Seu sucessor, Carlos I (1625-1649), criou taxas alfandegárias para garantir o sustento da família real, impôs aos proprietários um empréstimo forçado à Coroa e perseguiu de forma sistemática seus opositores.
Uma representação do poder absoluto
A imagem da rainha Elizabeth I em representações de pintores de sua época destacava o prestígio e a força da rainha. É o caso do óleo sobre madeira reproduzido nesta seção, executado em 1588 pelo pintor inglês George Gower (cerca de 1540-1596). A pintura registra a vitória inglesa sobre a poderosa armada espanhola. Através das janelas podem-se ver dois momentos do combate.
Navios ingleses com explosivos foram enviados contra a frota espanhola e incendiados. Temendo as explosões, os espanhóis fugiram e foram derrotados.
Navios ingleses no canal da Mancha, identificados pelo pavilhão de São Jorge (cruz vermelha em fundo branco).
Barcos espanhóis com a Cruz do Santo André colidem contra as rochas durante uma tempestade.
A rainha trajava roupas e joias luxuosas. Já as pérolas do colar simbolizam a castidade, pois Elizabeth I não se casou. Era chamada de Rainha Virgem. Quatro anos antes de o quadro ser pintado, os ingleses haviam fundado a colônia de Virgínia. A mão da rainha repousa sobre a América, indicando seu domínio sobre terras no Novo Mundo.
Texto elaborado com base em: HILL, Suzanne. The armada portrait of Elizabeth I. Disponível em: <http://tinyurl.com/hw7cols>. Acesso em: 5 jan. 2016.
DIALOGANDO cOm... ARTE
A rainha Elizabeth, representada aqui em imagem de 1588.
FILmE
Veja o filme Cromwell, o chanceler de ferro, de Ken Hughes, 1970. História sobre a ascensão de Cromwell ao poder e a posterior dissolução do Parlamento na Inglaterra.
Apresentação da Declaração de Direitos para Guilherme de Orange (1650-1702) e Mary Stuart (1662-1694) (gravura).
A coroação de Guilherme de Orange foi condicionada pelos membros do Parlamento a sua aceitação da Declaração de Direitos.
Inglaterra republicana
Os constantes embates entre Carlos I e o Parlamento resultaram, em 1640, em uma longa guerra civil. Pequenos proprietários e setores da pequena nobreza rural e da burguesia organizaram um exército conhecido como cabeças redondas, devido ao corte de cabelo de seus integrantes. Comandadas pelo puritano Oliver cromwell, os rebeldes depuseram Carlos I em 1649, que acabou julgado e decapitado.
Transformada em república e governada por Cromwell, a Inglaterra se tornou a maior potência naval da Europa. Em 1655, Cromwell dissolveu o Parlamento, passando a comandar uma ditadura até sua morte, em 1658. Apenas em 1660 a monarquia inglesa foi restaurada, sob Carlos II (1660-1685), filho de Carlos I.
monarquia constitucional inglesa
Tanto Carlos II quanto seu sucessor, Jaime II (1685-1688), tentaram restabelecer o absolutismo. Em resposta, o Parlamento depôs Jaime II e entregou o trono ao príncipe holandês Guilherme de Orange, casado com Mary Stuart, filha do rei deposto. Coroado como Guilherme II em 1689, o rei comprometeu-se a cumprir a Bill of Rights (Declaração de Direitos) estabelecida pelo Parlamento. A declaração garantia ao Parlamento o direito de votar leis, que o rei deveria acatar e respeitar. O absolutismo cedia lugar, assim, a uma monarquia constitucional. Por não ter envolvido batalhas, esse processo tornou-se conhecido como Revolução Gloriosa.
ENQUANTO ISSO...
czares e imperatrizes na Rússia
Em na mesma época em que o absolutismo se consolidava na ascendia ao trono russo o Ivan IV. Priderivado de césar), Ivan um regime absolutista: subordinou a Igreja ao Estado, fortaleceu o estabeleceu comerciais com e a cia ao seu Seus métodos truculentos lhe
Em 1547, na mesma época em que o absolutismo monárquico se consolidava na França, ascendia ao trono russo o jovem Ivan IV. Primeiro príncipe a se intitular czar (título derivado de césar), Ivan implantou um regime absolutista: subordinou a Igreja ao Estado, fortaleceu o Exército, estabeleceu relações comerciais com reinos ocidentais e submeteu a aristocracia ao seu poder. Seus métodos truculentos lhe renderam o epíteto Ivan, o Terrível.
No século XVIII, a Rússia tornou-se um império e foi diversas vezes por mulheres A mais notável foi Catarina II que promoveu uma expansão
No século XVIII, a Rússia tornou-se um império e foi governada diversas vezes por mulheres. A mais notável foi Catarina II (1762-1796), que promoveu uma grande expansão territorial, estreitou acordos comerciais e construiu uma imagem de patrona das artes.
FILmE
Veja o filme Ivan, o Terrível, de Serguei Eisenstein, 1944. No século XVI, Ivan IV assume o poder da Rússia, declarando-se czar, e logo planeja a retomada de territórios perdidos.
Veja o filme o 1944 No século Ivan IV assume o da declarando-se czar, e a retomada territórios perdidos
Ivan, o Terrível, escultura de 1871, de Mark Antokolsky (1840-1902). Quase 300 anos após a morte do czar, o artista russo buscou representá-lo atormentado por seus pensamentos.
Ivan, o Terrível 1871, de Mark (1840-1902) 300 anos após a morte do czar, o artista russo buscou atormentado por seus pensamentos
Professor(a), se considerar interessante, você pode trabalhar elementos da imagem com os alunos. Em que aspectos a distância histórica em relação à personagem prejudica ou favorece o artista? Uma representação que ressalta os aspectos humanos, e não a imponência do chefe de Estado, seria bem recebida se tivesse sido produzida enquanto ele estivesse vivo?
Time Life Pictures/Mansell/ The LIFE Picture Collection/ Getty Images/Museu Russo, São Petersburgo, Rússia.
ESQUEMA-RESUMO
Do absolutismo à monarquia constitucional
processo de centralização do poder: formação das monarquias nacionais
• Substituição do direito feudal por leis inspiradas no Direito Romano
• Desaparecimento dos laços feudais
• Enfraquecimento do poder da Igreja católica
• Fortalecimento dos reis
• Práticas econômicas mercantilistas
• Teorias absolutistas
Transformações políticas entre os sécs. XV e XVI: formação do absolutismo monárquico
França Inglaterra
• Absolutismo monárquico: início no séc. XVI
• Luís XIV: expressão máxima do absolutismo
• Consolidação das medidas de centralização do poder
• Absolutismo monárquico: início após a Guerra das Duas Rosas
• Apogeu do absolutismo durante o reinado de Elizabeth I
• Embates entre o rei e o Parlamento
Guerra civil no séc. xVII: fim do absolutismo monárquico e início da monarquia constitucional
A história da Europa, entre os séculos XV e XVII, foi marcada por um intenso processo de transformação na organização política das suas sociedades. Foi nesse período que surgiram os Estados Nacionais, formaram-se as monarquias absolutistas e, finalmente, surgiu a primeira monarquia constitucional da Europa. Com base nos elementos do esquema-resumo e em seus conhecimentos históricos, explique como ocorreram essas transformações.