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mentira maio . 2018
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TEXTO: IAN ALVES E CAROLINA UNZELTE DIAGRAMAÇÃO: ISABEL MARCHENTA FOTO: LIZ DÓREA ARTE: MARIANA RUDZINSKI
Não tenha medo. Estamos todos no mesmo barco. Se a mentira é a verdade, vamos falar dela e sem papas na língua, sem gaguejar, sem desviar a atenção. Vamos olhar no fundo do olho do defunto. O claro! de mentira é um esforço de quem não acredita no comodismo de que ignorar uma realidade a faz menos real. Não é uma ode à falsidade, veja bem. É encarar com honestidade o desonesto, ver sem nojo o repulsivo. Porque ele está aqui. Está em mim, em você, nele, no todo. Por que você mente? Desde quando você mente? Desde as fraldas, passando pela entrada na balada até a hora de criar seus filhos. Não tem como controlar: as raízes das mentiras plantadas em você pelo pai, pela professora e pelo colega te consomem. Seu corpo te denuncia e até sua própria mente te engana sem que você perceba. Os factoides da aula de história te fazem admirar quem não é tão louvável assim. O grupo da família no Whatsapp te dá as notícias que você quer ler - se é que me entende. As lojas vendem réplicas para que menos dinheiro saia do seu bolso. Cada vez que você deixa de amar quem seu peito e sua pele e seu cérebro realmente quer, adivinha: você mente. Não se engane: a mentira tem pernas tão longas quanto as suas. Pra quem você mente? Ou melhor, pra quem você não mente?
EXPEDIENTE ECA-USP Diretor: Eduardo Henrique Soares Monteiro Departamento de Jornalismo e Editoração Chefe: Dennis de Oliveira REDAÇÃO Professora Responsável: Eun Yung Park Editores de Conteúdo: Carolina Unzelte e Ian Alves Diretor de Arte: Fredy Alexandrakis Ilustradores: Mariana Rudzinski e Pedro Graminha Editora de Fotografia: Liz Dórea Redes Sociais e Editor Online: Ana Carolina Harada Repórteres Online: Breno Deolindo, Camilla Freitas e Claire Carvalho Castelano Diagramadores: Beatriz Arruda, Dado Nogueira, Daniel Miyazato, Ingrid Luisa, Isabel Marchenta e Natan Novelli Tu Repórteres: Ana Carolina Aires, Giovanna Querido, João Victor Escovar, Laila Mouallem, Luís Henrique Franco, Rafael Battaglia, Taís Ilhéu e Victória Martins Videorreportagem: Gustavo Drullis e Rafael Castino Teaser: Iolanda Paz Making Of: Aline Melo Endereço: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco A, Cidade Universitária, São Paulo - SP CEP: 05508-900 Telefone: (11) 3091-4211 O suplemento claro! é produzido pelos alunos do 5o semestre do curso de Jornalismo, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso - Tiragem: 6400 exemplares
claro! | maio 2018
Seu falsiane! TEXTO: LUÍS HENRIQUE FRANCO DIAGRAMAÇÃO: ISABEL MARCHENTA ARTE: PEDRO GRAMINHA
Sim, você mesmo. Não precisa fingir. A maioria das pessoas já mentiu em suas vidas. Aposto que você já mentiu para não ferir os sentimentos de alguém. Essa é uma das desculpas mais usadas, mas ninguém vai lhe dizer que já a usou, porque todos sabemos o quanto a sociedade odeia mentirosos. Você sente culpa quando mente? Provavelmente sim. É comum. A gente usa a mentira muitas vezes quando falamos com outras pessoas, mas nos sentimos tão mal ao fazê-lo, porque é algo tão anormal. A própria psicologia, você pode acreditar, fala que não é natural mentir, porque toda mentira tem um motivo por trás de tudo. É só ver ao seu redor: pessoas mentem porque não querem problemas, brigas e castigos, ou então para fazerem parte de um grupinho que elas gostam ou ganharem uma posição de respeito. Crianças mentem por medo de seus pais. Ok, você até pode ter “bons motivos” para mentir. Ainda assim, você sentiu um frio na barriga ao mentir, não é mesmo? Culpa, ou algo a mais? Veja bem, a mentira é uma escolha de falar algo falso e, por ser escolha, ativa a parte do nosso cérebro que toma nossas decisões. Mas mentir é um risco, e isso também ativa uma outra parte do corpo, o sistema límbico, que controla nossos sentimentos e vivência emocional. Esse é o seu frio na barriga. É o medo… somado à culpa, obviamente. “Mas é só uma mentirinha”, você vai dizer. Para você, realmente, aquela pequena enganação não é ruim e pode até ser benéfica, enquanto a pessoa enganada talvez não veja diferença alguma. Eu também já contei algumas pequenas lorotas. Seus amigos também, algumas até para você. Mas são só “mentirinhas”, certo? Não tem porque se preocupar sobre em quais momentos os outros estão te enganando, não é mesmo?
Colaboração: Rita M. T. Russo, Psicóloga Clínica e docente de Pós-Graduação pela Faculdade CENSUPEG Katerina Lukasova, psicóloga e professora de Bacharelado em Neurociências da UFABC
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? ” a h n i r i t n e “De m
a que a única certez as nç ia cr as a ar p fação da A gente não fala do corpo, a putre ão iç os p om –o ec d da morte é a e não fala do sexo nt ge A . ha in el tr a es dos carne. Viramos um – como a origem na gi va na is ên p o do fala que prazer, a penetraçã nha. A gente não go ce a m co xa ei D ê não ou por acidente). apaixonados. “Voc s ai m o tã es bebês (planejada o nã s ceu porque os pai o divórcio aconte . er isso ainda” consegue entend a gente mente. A gente não fala: os”, fica a para os “mentiros os ed d r ta on pazes ap Mas antes de s nós. Somos inca do to e d ria óp pr aé as ressalva: a mentir unicar exatamente m co a ar p em ag ssa de usar nossa lingu sa pelo crivo da no as p do Tu o. sã as coisas como el contar a realidade E . do un m e d o çã uídas cultura e interpreta s narrativas constr A l. ci fá a ad N s? de para os pequeno para a elaboração m ue rib nt co es el da. em torno d si, do outro e da vi e d – es sõ vi s ria suas próp e a com pegadas d co ás P na a nç ia cr Surpreender a fantasia. Ou contar na a ix ca en se sa coelho pela ca a Fada do Dente. d o : do un m do inho com o maior cofr colabora com seu as m , al an b e ec par O “de mentirinha” construção da sua a m co e co ui íq ps as. desenvolvimento ulação de pergunt rm fo a do an ul tim subjetividade, es outros a a criança a dar ud aj ão aç in ag car im A própria s da sua vida. Brin to en m ci te on ac o, é destinos para os a UTI, por exempl um em tá es o nd o que de médico qua ara ativo. É o mod p vo si as p e d – s cimento inverter papéi iar daquele aconte pr ro ap se a ar p ela encontra . doloroso e invasivo sérios, ia. Em casos mais as nt fa é do tu m Só que ne ento; mas equeno do sofrim p o ar p ou p os tentam adulto. mo não como um es m s, to fa os e b ele perce minha?” eses: “a culpa foi ót p hi a ar p as ch ndo a abre bre a longo prazo, leva os Não ter explicação iv is ec d r se em eitos pod ade, por exemplo. é uma delas. Os ef id al re a d o çã ga o ou ne inseguranças, med a vida. E as contradições d m co ar lid e , d es az de forma tranquila as el Crianças são cap re b so i ca re ar do que elar para detalhes. ap m se , to precisam particip en im dades de entend o seja necessário nã , os an ns dentro de possibili gu al ima e modo que, em plicação mais próx ex a Precisamos falar d ar rn to as en i dito – ap desmentir o que fo e. de sua maturidad gia do
OUALLEM TEXTO: LAIL A M
A FOTO: LIZ DÓRE TU NATAN NOVELLI : O Ã Ç A M A R G IA D
de psicolo nadora do serviço de or co r, de Ba cia de Psicologia da Colaboraram: Patri celos, professora on sc Va cia er La o da Associação Hospital São Luiz; thia Wood, membr yn C e ; ília as Br Universidade de loga. pedagogia e psicó Brasileira de Psico
claro! | maio 2018
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Um Pinóquio lá em casa
do. brava um brinque anos, quando que s va Dikuan aos três or ciúmes, dava un “Não fui eu!”, grita s cinco, quando, p ”, da!”, respondia ao . “Foi um presente “Mas eu não fiz na dia suas chupetas a, mais nova ou mor comprar uma pip beliscões na irmã heiro do pai para quando pegou din afirmou aos seis, Carolina Santos. lembra a mãe Ana do tu z fe - é claro que ele os, m tenha dúvidas ikuan inventa caus Não se assuste, ne crianças por aí, D e ha até comum. S isso! Como tantas s. Ana, aliás, já ac derrama mentirinha um doce antes banho, comerem é para fugirem do , então… em bem em algo do jantar ou se dar Mas sejamos mentirosos natos! Os pequenos são arte do tempo, é que, na maior p justos: a verdade uan, hoje com . Na idade de Dik eles nem percebem stam de fantasiar. becinhas férteis go seis anos, suas ca stórias na hora hi vezes, vão inventar , Tanto que, muitas rubarem um vaso er d e gum problema. S uma prova, podem de lidarem com al em 7 vento; se tirarem vão falar que foi o tão mentindo! 10 - e pronto, já es inventar que tiraram u na saída a mãe o empurro venta, então, que o outro. Quando Dikuan in mentir é enganar a não entende que ianças vão do ônibus, ele aind to anos que as cr só por volta dos oi de algo. Normalmente, será a de tirar vantagem entira como form compreender a m tos próximos não que os pais e adul nos e ensinar a O que não significa atenção dos peque da possam chamar a mostrando que to ntasia e realidade, diferença entre fa é verdade, não so equências. E se is mentira traz cons s brancas” e as tre as “mentirinha existe diferença en é enganação. prejudiciais - tudo hor ez não seja a mel ou ameaçá-la talv Castigar a criança ela precisa ter a m a mentira, já que er forma de lidar co E se o pequeno tiv er com o que fez. vale tudo… chance de aprend a e de punições, quiser fugir da raiv inho, medo do adulto e pode ser um cam tindo! Conversar até continuar men recíproco e abrindo iança e o respeito r, por reforçando a conf mpartilhe o que fo o mentirosinho co espaço para que to. seu comportamen pior que tenha sido varia entre o Carolina mesmo, zer tudo isso. Ana avisos de Mas não é fácil fa n são graves, e os mentiras de Dikua , não existe o são leves. Afinal castigo, quando as se, tudo ditará nele, quand es que ninguém acre e mesmo se houv idar de crianças es do uma regra para cu manual de instruçõ mais fácil em um sempre será muito que é na prática.
A MARTINS
TEXTO: VICTÓRI
A FOTO: LIZ DÓRE TU NATAN NOVELLI DIAGRAMAÇÃO:
da sora de Psicologia na Caetano, profes de Colaboraram: Lucia psicológico moral o desenvolvimento . USP. Ela pesquisa olinário, pedagoga centes; Jéssica Am crianças e adoles
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Tutorial
do falso eu
TEXTO: JOÃO VICTOR ESCOVAR FOTO: LIZ DÓREA ARTE: FREDY ALEXANDRAKIS DIAGRAMAÇÃO: BEATRIZ ARRUDA
Praça da Sé, pessoas com anúncios inusitados. A rota dos documentos falsos em São Paulo tem cenário e personagens bem definidos. Indicações de “compro ouro”, “exame toxicológico” e “foto 3X4” passam despercebidos pelos transeuntes, mas são chamarizes para contraventores e jornalistas curiosos. “Faz o erre?” é a pergunta que muda a feição do anunciante e nos conduz para um local mais discreto. O “erre” faz referência ao RG falso, documento muito procurado por adolescentes que desejam se passar por maiores de idade. “É pra você mesmo? Tem os dados aí? Quatrocentos”. O preço é justificado: papel-moeda - o mesmo do original - e perfurações mínimas que simulam o alto-relevo. “Esse aqui só perito bom identifica. Sai em uma hora”. Poupa bem mais tempo do que o já eficiente serviço estadual. Bem diferente da identidade que o Alan fazia na escola, que custava 50 reais, era feito numa gráfica e demorava uns 15 dias. “É pra mim sim. Queria alterar a idade. Mesma foto, mesmo nome”. Primeiro estranhamento: por que um “de maior” quer um documento adulterando só a idade? “Jogo no sub-20, mas já estourei. Vou entrar como gato”. Ufa, parece que passou, já que o olhar baixa. “Vamos lá fazer?” “Então, eu não trouxe o dinheiro, queria ver primeiro quanto era.” Segundo estranhamento: ou está completamente perdido naquele mundo ou não é bem-vindo. A recusa do serviço instiga a aproximação de outros fornecedores com exames baratos. Concorrência? Cartel? Desconfiança? “Se tiver duzentos na mão dá pra gente fazer”. A célula do RG já tá pronta, só precisa dos dados e da foto. Se não tiver foto, dá pra tirar. Coloca a digital e esquenta a máquina. “Faz outros serviços também, diploma, estudante, casamento. Passaporte agora tá mais complicado.” Depois do contato, eles continuam atrás, com medo de uma denúncia aos abundantes policiais da região. Dez minutos na espreita, alguns quarteirões sendo seguido, passando longe das viaturas. Já não tão católico quanto antes, ainda vale uma oração na imponente catedral. “O menino tá indeciso, com medo de fazer coisa errada. Tá até rezando.” Não dá pra ficar no ponto de ônibus. Corro até o metrô. Ainda tenho 20 anos e o mesmo nome. De acordo com o artigo 297 do Código Penal, a falsificação de documentos tem como punição multa e reclusão de dois a seis anos. Nessa situação, os adolescentes talvez queiram declarar sua idade verdadeira.
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A falta que uma mentira faz
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São quase sete da manhã e acordo abrindo preguiçosamente os portões, afinal o peso dos quase sessenta anos já começa a me rondar. Os dias agora são entediantemente parecidos. Por alguns segundos, chego a me animar com a fila que se forma até a porta dos meus elevadores, mas logo percebo que não são compradores, apenas os lojistas e funcionários dos andares superiores. Mal os conheço, mas não me culpo por isso. Ultimamente eles vêm e vão tão rápido que mal me acostumo com seus rostos, sotaques, idiomas. Hola, Adiós. Marhba, Wadaeaan. Ní hao, Zàijiàn. Também não os culpo por irem. Até tento me enganar, mas meus corredores vazios e os funcionários ociosos entregam minha decadência, me fazendo lembrar que, outrora, já fui quiçá a maior feira de falsidades dessa cidade. Falsidade que abarrotava as lojas, me enchia de um calor alvoroçado e pagava as contas. Em tempos áureos, cheguei a faturar mais de 15 milhões por mês! Entre três CDs por R$10 e óculos Rayban por R$15, todos saíam ganhando. Mas então, as coisas começaram a ficar mais difíceis. Ouvia sirenes quase todos os dias. Ao menos todos ainda me conheciam. “Isso aqui é a Galeria Pagé, tio, o coração de São Paulo”. Apesar das dificuldades, eu ainda era eu… “No tempo do comendador, mal abria já tinha uma multidão. Hoje, a maior crise do mundo é aqui dentro da Pagé”. Mas o comendador, que me criou e dá nome a minha rua, já se foi há muito tempo. Agora, passo de mão em mão. Entre as brigas de família, hoje já estou lá pela geração dos netos, embora ninguém saiba dizer ao certo quem são. Sinto vontade de rir quando me lembro daquela reunião no último andar, o décimo quarto. Os herdeiros, um pessoal do governo, só gente importante. Vejam só, queriam transformar-me em um outlet. Bem ali, no meio dos camelôs, vizinho da 25 de março! Pena que as consequências dessa ideia estúpida recaiam muito mais sobre meus tijolos do que sobre seus bolsos. Do décimo terceiro para baixo todos parecem ter medo de falar sobre o que já fez de mim a maior de todas. “Os perfumes são todos originais. Só os relógios são réplicas...”. A maior galeria de todos os tempos, o mais fracassado outlet de todos, o coração de São Paulo… perdoe-me, esse silêncio quase me fez pegar no sono… ainda são só oito da manhã! TEXTO: TAÍS ILHÉU FOTO: LIZ DÓREA ARTE: FREDY ALEXANDRAKIS DIAGRAMAÇÃO: BEATRIZ ARRUDA
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É só uma questão de sobrevivência
levanta a cabeça, princesa!
Despertador toca. Silencio por mais dez minutos. “É a última vez, na próxima levanto, senão vou me atrasar de novo”, penso, como um alerta. Mentira. Silencio por mais duas vezes antes de levantar. Atrasado. Me olhando no espelho, percebo que estou péssimo. Olhos cansados. Pele pálida, quase quebradiça. Dormi menos de quatro horas essa noite. “Tudo bem... Não preciso de mais do que isso, preciso?”, indago sabendo a resposta, mas faço de conta que na minha realidade ela é “não”. Tentando fugir dos pensamentos desastrosos a respeito de como será meu dia, repito mentalmente e em looping que está tudo sob controle. Flagrado. Me pego na mentira, segurando as pontas. Mentira. Mentira. Mentira. Mais uma para suportar o dia. Enumero tarefas: prova, aula, serviço... Respiro fundo. “Eu até que gosto do meu trabalho. Apesar de ser monótono e acabar com minha saúde mental, eu sei que vou ser bem sucedido no final”, conto pra mim mesmo essa fábula e a moral é sempre: tudo bem fingir que está tudo bem, porque aí até parece ficar. Enquanto me dispo dentro do box do banheiro, me sinto vulnerável. Lavado de todas as mentiras que conto para mim, pareço sumir. Me convenço que meu namoro anda bem, mas no fundo sei que está mancando. Estou mentindo desde janeiro dizendo que vou começar a realizar minha lista de promessas de novo ano: já é quase maio e ainda não concretizei nenhuma. Enumero todas as mentiras que conto para mim e percebo que sou uma. Relaxo, tranquilizado por mais uma. Os diálogos dentro da minha própria cabeça são reconfortantes. Eu mando nesse mundo. Me afago, coloco pra cima. Encho minha mente, minha alma e meu corpo de mentiras porque sou real. Porque na vida real, eu sofro, sinto, canso. Quando sou só eu, estou exausto e ainda consigo me convencer a continuar. Convencer que vai ser bom. Convencer que vai melhorar. Convencer que vou fazer acontecer.
! o m i t ó á t s e ê c vo
Mesmo que não seja. Não melhore. Não aconteça. Minto para mim mais algumas vezes. Para me sentir melhor. Para afogar minhas próprias angústias. Para aguentar o peso da realidade. É questão de sobrevivência, sabe? Minto. E até parece que está tudo bem.
vai ficar tudo bem!
TEXTO: AN A AIRES DIAGRAMA ÇÃO: INGR ID LUISA FOTO: LIZ D ÓREA COLABOR AÇÃO: AD RIANA DINAMAR CO, mestr e em Psic Clínica pe olo lo IP-USP , com atua gia na área de ção psicanálise e psicolog psicossom ia ática.
vai arrasar muito hoje!
Os heróis do Brasil
claro! | maio 2018
A história do Brasil é cheia de figuras contestadas. O Claro! entrevistou o professor de História do curso Anglo Gianpaolo Dorigo para desvendar outras facetas desses personagens.
Princesa Isabel Apelidada de “a Redentora”, ela é conhecida na história como quem libertou os escravos no Brasil. Contudo, “limitar o complexo processo da superação da escravidão à promulgação de uma lei é falho: a Abolição incluiu uma ampla campanha de opinião pública, na qual a imprensa teve importante papel, a mobilização da população negra e uma complexa articulação política-jurídica de Gabinete.”
D.Pedro I O homem fez o Brasil deixar de ser colônia foi pintado por Pedro Américo como imponente, às margens do Ipiranga, gritando “independência ou morte”. No entanto, há relatos de que o brado sequer foi pronunciado e que D. Pedro encontrava-se montado em uma mula e com dores estomacais.
Bandeirantes Eles foram responsáveis por adentrar a mata e abrir caminho não só para o interior paulista, mas para todo o território. Para alguns historiadores, no entanto, “os bandeirantes eram cruéis caçadores de indígenas para escravidão, tendo promovido massacres em aldeamentos indígenas sobretudo na região do Prata.”
Tiradentes
TEXTO: CAMILLA FREITAS DIAGRAMAÇÃO: INGRID LUISA ILUSTRAÇÕES: PEDRO GRAMINHA E MARIANA RUDZINSKI
Sua imagem foi utilizada pelos republicanos como símbolo brasileiro, já que foi morto por participar de um movimento para romper com Portugal, a Inconfidência Mineira. O regime buscava legitimar-se frente a população católica, assim, “o homem barbado, que morre em função de uma ideia e buscando emancipar uma coletividade é referência quase explícita à tradição cristã.”explícita à tradição cristã.”
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10 Colocando o cérebro para trabalhar Por mais que não pareça, mentir é uma tarefa difícil. Além de pensar em uma história falsa, temos que evitar a resposta natural de dizer a verdade. Duas emoções (o medo de ser pego e a euforia em obter sucesso), estão em constante conflito. Prova da sua complexidade: a mentira é produzida no neocórtex, a parte mais desenvolvida do cérebro. Em outras palavras, quanto mais inteligente for uma espécie, maiores são as chances de ela conseguir realizar esse feito.
pupilas dilatadas piscadas em ritmo alterado TEXTO: RAFAEL BATTAGLIA DIAGRAMAÇÃO: DADO NOGUEIRA ARTE: MARIANA RUDZINSKI FOTO: LIZ DÓREA
O “efeito Chaves” Assim como o personagem de TV, nós podemos balançar a cabeça afirmativamente ao mesmo tempo que negamos algo, e viceversa. São os chamados gestos de incongruência, que acontecem quando algum movimento contradiz o que estamos dizendo. É preciso ficar atento também ao que é dito pelo possível mentiroso. Falar demais, utilizar a linguagem formal, distanciar-se do assunto e encher a história com detalhes desnecessários são boas pistas.
engane-me
Pego em flagrante Quando contamos uma mentira, a pressão é tanta que, inconscientemente, nosso corpo dá pequenos sinais que nos entregam. Movimentos corporais, como cruzar os braços, mexer em algum objeto com as mãos, distanciar-se de quem você está falando ou colocar algo entre você e ela são maneiras de se proteger e aliviar o desconforto. Há também as microexpressões faciais, como dar um sorriso de satisfação quando alguém acredita na sua lorota.
braços cruzados
se for capaz
Muita calma nessa hora Antes de sair por aí testando a honestidade de todo mundo, saiba que não existe um guia universal da linguagem corporal. O comportamento humano é complexo, e os sinais podem variar de pessoa para pessoa. Por isso, alguns pesquisadores propõem outros métodos de detecção. Uma pesquisa britânica de 2012 eliminou as perguntas de “sim” e “não” e deixou que os entrevistados falassem livremente. Quem estava mentindo se enrolou e acabou deixando seu relato inconsistente, com diversos furos na história.
postura defensiva
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Contexto é tudo É somente quando se observa o conjunto dos sinais e o contexto de uma investigação que se pode começar a duvidar de alguém. Até o local da entrevista importa. Uma pessoa pode desabotoar a camisa porque está nervosa ou simplesmente porque a sala está quente. Para tornar a detecção mais certeira, utiliza-se as perguntas de balizamento: questionamentos simples que servem como instrumento de comparação, já que indicam como o corpo se comporta quando está dizendo a verdade.
boca seca mudança no tom de voz
E o tal do polígrafo? Criado no início do século 20, o aparelho dá as caras em diversos filmes e séries policiais. Sensores medem os batimentos cardíacos, a pressão sanguínea, a respiração e até o suor para ver o nível de estresse de alguém. No entanto, enquanto uns defendem sua alta taxa de eficácia, outros o questionam, alegando que é possível burlá-lo. O uso do polígrafo também se deve à sua teatralidade: ficar preso a vários eletrodos, aliado à formalidade da entrevista, pode deixar mentirosos nervosos e mais propensos a falar.
12 mas você é tão feminina só quer pegar todo mundo você é meio indeciso, né? só quer pegar todo mundo não existe lgbtfobia nas humanas eu não sou preconceituoso, tenho até um sejamigo mas você é tão feminina gay relação?eu não sou preconceituoso, tenho até um amigo gay tá na moda a gay, mas seja discreto mas você nem você é meio indeciso, né?só quer pegar eexibindo é uma assim doença mas você nem tem cara de viado só quer pegar todo mundo bissexua quem é o homem da relação? eu não sou preconce m da relação? seja gay, mas seja discreto só quer pegar indeciso, né?mas você é tão feminina você é meio s humanas você é meio indeciso, né? mas você é ciso, né? só quer pegar todo mundo só quer peg você é meio de viadomasbissexuais não existem só quer peg eminina você é tão feminina mas você é tã iso, né? você é meio indeciso, né? que desperdíc desperdício aistodonãomundo existemissoqueé uma isso é uma fase sómas quervocêpegaé tá na moda é tão feminina morreu por ser bi quetádesperdício isso é um na moda exuais não existem mas voc modamasvocêvocêé émeiotão indeciso, né? mas vo odo mundo isso é umafeminina fase isso tá na moda ão feminina que d rdício isso é uma fase só qu erdício que desperdício uma fase não exi tá na moda ase bissexuais não existem tá na m o feminina que desperdício que desp mas você bissexuais não existem asmas ninguém nunc você é tão feminina iscio não existem não existe lgbtf tá na moda mas você é tão feminina isso é uma fase homossexua discreto você é meio que desperdício mas é? sejamasgay,vocêmasé tãosejafeminina minina você é meio indeciso, né? tá na moda você évocêmeioé ti fase só quer pegar todo mundo isso é uma fase isso é uma fase só quer cio mas você nem tem cara de viado que desperdício isso é que desperdício é meio indeciso, né? não existe lgbtfobia nas humanas tá na moda você é mas você nem tem cara de viado nunca morreu por ser bi não existe lgbtfob as você é tão feminina ninguém nunca morreu por ser bi homossexualid que desperdício mas precisa ficar se exibindo assim mas precis homossexualidade é uma doença você é me oesperdício é uma fase mas você é tão feminina ninguém moda você é meio indeciso, né? que d uma fase isso é uma fase eja discreto que desperdício não existem tá na moda claro! | maio 2018
Nó
ser não pode ser mentira cale-se você não sabe é errado ninguém é assim isso não é normal o beijo os olhos o cabelo dela toca me toca não não para
ser não pode ser mentira cale-se sinto culpa inalo vergonha eu não aguento mais sentir não posso ela
TEXTO: GIOVANNA QUERIDO DIAGRAMAÇÃO: DANIEL MIYAZATO FOTO: LIZ DÓREA