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Claro agosto

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cl ar o!

t empo ag o s t o201 7

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O tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tinha O tempo respondeu pro tempo que o tempo em si não é só tempo É memória É amor É distância É saudade É cobrança É pressa É corrida É agenda É tempo Relativo e atrevido

T E M P O

Curto, longo, grosso, tênue É o sorriso de uma criança aos oitenta anos É a lágrima daquele que cancela seus planos É a esperança de quem cruza a esquina É o desgosto de jogar tudo pra cima O tempo é tudo e uma pitada de nada. E se encerra em si mesmo sem duração exata O tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tinha texto: FERNANDA GIACOMASSI E NARA SIQUEIRA diagramação: VINÍCIUS SAYÃO EXPEDIENTE ECA-USP Diretor: Eduardo Henrique Soares Monteiro Departamento de Jornalismo e Editoração Chefe: Dennis de Oliveira REDAÇÃO Professora Responsável: Eun Yung Park Editoras de Conteúdo: Fernanda Giacomassi e Nara Siqueira Diretora de Arte: Letícia Fuentes Editora de Fotografia: Carolina Marins Redes Sociais e Editora Online Carla Camila Repórteres Online: Catarina Silva Ferreira Diagramadores: Álvaro Logullo Neto, Gabriel de Campos, Mateus Feitosa, Natália Belizário, Vinícius Bernardes e Vinícius Sayão Repórteres: Amanda Panteri, Carina Brito, Carolina Monteiro, Diogo Magri, Giuliana Viggiano, João Paulo Almeida, Leonardo Mastelini, Mariana Mallet e Nelson Niero Neto Revisor: José Paulo Mendes Videorreportagem: Laís Ribeiro e Regina Santana Podcast: Diego Smirne e Marcos Hermanson Making off: Mariana Gonçalves Teaser: Victória Damasceno Endereço: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco A. Cidade Universitária, São Paulo - SP CEP: 05508-900 Telefone: (11) 3091-4211 O suplemento Claro! É produzido pelos alunos do 6º semestre do curso de Jornalismo, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso - Tiragem 8000 exemplares.


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Em suas marcas...

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Seja para limitar o tempo de um jogo ou eternizar uma marca histórica, o tempo está presente em todos os esportes. Abaixo, algumas curiosidades que relacionam cronômetros, acréscimos e recordes.

preparar...

Vai!

Por que 90 minutos? Quando o primeiro código de regras de futebol foi oficializado, em 1863, o tempo das partidas não era determinado. Normalmente, eram dois tempos de até 1h cada - a duração, no entanto, era considerada cansativa demais para atletas e público. A primeira vez que dois times concordaram em jogar dois tempos de 45 minutos, com 15min de intervalo entre eles, foi em 1866. O futebol ainda apresenta peculiaridades em sua cronometragem em relação ao basquete, por exemplo. A maior delas se chama acréscimo. Como o relógio do futebol não para se a bola sai do campo de jogo, o árbitro fica encarregado de repor esse período parado ao final de cada tempo, para cumprir uma justiça com o público e com os jogadores - tal medida é usada desde 1892.

Basquete: tempo na FIBA vs tempo na NBA Já imaginou um mesmo esporte ter a duração de seu jogo alterada de acordo com a competição? É esse o caso do basquete. Quando o jogo é organizado pela FIBA (Federação Internacional de Basquete), são 4 tempos de 10 minutos. Já na NBA, a liga profissional de basquete americano, a partida dura 4 períodos de 12 minutos. A mudança tem um propósito comercial, já que o objetivo da NBA é financeiro. Quartos (nome dos períodos) mais longos proporcionam mais tempos técnicos, mais espaço para publicidade, mais tempo do torcedor no ginásio e mais audiência via TV.

colaboraram:

Celso Unzelte, jornalista esportivo e professor Fábio Balassiano, jornalista esportivo do Blog Bala na Cesta

fontes:

Guinness World Records BBC Science Confederação Brasileira de Basquete olympics.org

Competindo contra o tempo Por outro lado, em esportes como a corrida, o tempo é o principal adversário do atleta; ganha quem completar a prova em menos segundos. Você deve conhecer Usain Bolt: o jamaicano, em 2009, correu 100m em 9s58 no Mundial de Atletismo em Berlim, se tornando o homem mais rápido do mundo. Quem você não conhece, entretanto, é o ganês Ferdie Ato Adoboe, que correu os mesmos 100m de Bolt em 13s6 em 1991. A diferença? Bom, Adoboe correu de costas e tem o recorde mundial nesta “modalidade”.

Dentro d’água Na luta para estar um milésimo a frente de seu adversário, a natação se assemelha à corrida. Porém, a água não é o habitat natural do homem, ao contrário, por exemplo, dos tubarões; a espécie mais rápida entre eles, chamado tubarão-mako, nada a 56 km/h. E ele nem é o peixe mais rápido - o marlim-preto, o mais veloz de todos, chega a 129 km/h. Michael Phelps, dono de 23 medalhas de ouro em Olimpíadas, faz 100m nadando borboleta em 50s58. Cesar Cielo, recordista mundial dos 100m livre (a prova mais rá, tem o tempo de 46s91. O tubarão-mako faria os mesmos 100m em 7 segundos. O marlim-preto, em 2,8 segundos.

texto: DIOGO MAGRI arte e diagramação: VINÍCIUS SAYÃO


assim como os pássaros Desde a primeira memória que tenho, Dona Nisa já não conseguia guardar as lembranças muito bem. Ao conversar, ela logo esquece o que falamos. Seus chocolates – doces são uma de suas grandes paixões – estragam nos armários porque ela não lembra que escondeu. E, para fazer as atividades mais básicas do dia a dia, ela precisa do apoio de sua ajudante, a Vera. A mais velha dos três filhos de Luís e Ondina, Nisa Navaro wnasceu em 1920, em Mococa, no interior de São Paulo. Diretora pedagógica, sempre teve uma pose autoritária. A braveza, porém, se esvai após as primeiras palavras trocadas. Perdeu seu companheiro de vida aos 69 anos – hoje tem 97. Mas nem isso abalou sua postura firme. Vera ainda se lembra da época em que ela era totalmente lúcida. E se lembra do dia que isso começou a mudar: Dona Nisa, um senhora sempre tão confiante e cheia de si, quase caiu em um desses golpes baratos de banco. Esbaforida – não sei se pelo episódio ou pelo calor intenso típico de cidade interiorana –, chegou em casa gritando pela ajudante: “Vera! Preciso da senha da minha conta. Qual é mesmo?”. Vera estranhou, afinal, minha vó nunca tinha tocado nesse assunto com ela. Perguntou o motivo. “Uma amiga que encontrei na rua disse que precisa ir comigo ao banco. Ela está me esperando na porta”. Ao ir até lá, a estranha saiu correndo. Minha vó teve algum tipo de apagão enquanto andava sozinha e a fulana tentou se aproveitar dela.

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Isso faz uns 20 anos. Desde então, ela passou a sempre ter companhia – o que não virou um problema. Não perdeu a personalidade marcante e o bom humor. Não deixou de dizer que a vida seria mais interessante se o feijão tivesse gosto de sorvete. E não deixou de brincar com as pequenas coisas. Mesmo ao esquecer de tirar os óculos na hora de se deitar, ela não perde a pose. “Eu preciso enxergar no sonho, oras”, diz, ao colocá-lo no criado mudo. De alguma maneira, consegue manter a postura inabalável. Mas há momentos difíceis. Os que ela não me reconhece, por exemplo. Não chega a dizer, mas o olhar é revelador. Num primeiro momento, a tristeza é implacável. Tento, então, pensar que sou só mais um entre os quinze netos. E ainda tem os seis bisnetos. Talvez seja exigir demais dela. Olho a situação com a experiência de 23 anos de vida. Enxergo cada dia como uma experiência única. Por outro lado, esse curto período de tempo mal cabe na memória de Dona Nisa. O que são 23 anos quando se tem quase um século de vida? Pior ainda quando não se pode distinguir com clareza o ontem do hoje. Os dias, para ela, são pássaros que pousam rapidamente no parapeito da janela e logo alçam voo para longe. Ao menos, eles levam consigo os problemas e angústias que costumam nos afligir.

texto: NELSON NIERO NETO diagramação: VINÍCIUS BERNARDES


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Aos que me julgam arbitrário texto: MARIANA MALLET arte/foto: CAROLINA MARINS diagramação: VINÍCIUS BERNARDES Eu, que me faço tão presente na vida de todos, sou acusado - injustamente - de passar por cima de sentimentos. Balela! Aliás, sempre me esforço para ser preciso. Ora, não é minha culpa se os outros têm diferentes percepções de mim. Eu não voo, não corro, mas também não espero, não paro: ando a passos certos e rítmicos. Encontro-me aqui de novo, numa daquelas situações que me acusam de não passar nunca. Ouço o barulho que o ponteiro faz através de uma máquina decrépita que chamam de relógio. Observo-lhes do alto de uma parede branca-amarelada, com sinais de infiltração. Ah, como a humanidade gosta de me culpar pelos próprios fantasmas. É tempo que não passa, tempo que voa, tempo demais, tempo de menos. Sempre tenho culpa no cartório! Alguns olham constantemente para os pulsos - que mania eles têm de me medir aguardam por atendimento. Outros folheiam revistas que entulham a sala e balançam uma das pernas freneticamente - a paciência é uma virtude. No canto esquerdo, Érica segura o pequeno Cauã adormecido nos braços. Ainda consigo sentir seu desespero ao saber que seria mãe. Achava que era cedo demais. Mesmo assim foi firme, apesar de desejar que eu saltasse por esses nove meses. Se eu compartilhasse das reações humanas, diria que sorri ao ver a felicidade dela quando Cauã deu as caras ao mundo. Engraçado como a humanidade se contradiz: uma hora acha que andei devagar e, quando finalmente passo, diz que voei. Observo Carlos, impaciente, preparando um copinho de café. Nesse caso assumo que fui cruel, mas não foi minha intenção. Foram oito anos esperando a chegada do Gabriel. Depois de muitas tentativas e algumas fertilizações in vitro, pude sentir sua frustração. Ora, não sou nenhum sádico, odeio os ver decepcionados. Contudo, digo que trouxe o Gabriel no tempo certo. Mas Carlos acredita que demorei uma eternidade, afinal, oito anos é uma vida! Ainda assim, me satisfaço só de lembrar da alegria com a chegada do tão esperado filho. A Duda corre e pula no colo do pai, George. Que energia! Esse amor não precisou de mim para se firmar: foi à primeira vista. A espera por ela foi menor, mas George foi justo: diz que passei relativamente rápido. Oito meses na fila para a chegada da Duda foram esquecidos ao ver seus olhinhos vívidos nos braços de uma cuidadora. Já para ela, a espera foi de um ano e meio para seu grande encontro. Dizem que trabalho junto ao destino: estão corretos. Demorei um pouquinho para entregá-la para que não restassem dúvidas da gratidão e do amor que receberia. Ah, a humanidade ora me ama, ora me detesta. Caminho junto a eles desde sempre. E, às vezes, por estar tão presente, sinto-me quase humano. Alegria, medo, ansiedade, amor: me admira como os sentimentos oscilam tão rápido. Só de fazer parte de momentos como estes, até esqueço das injúrias que me fazem…

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A minha pena fo

i o tempo

Está escuro. Ouço vo zes e ruídos das de zenas de pessoas co m quem divido min ha cela. Não consig um momento tant o dormir. O tempo os an não passa. Tudo iss os at rás. Era um dia como qu o por alquer. Fui ao bar co m amigos e, em um briga que acabou m dado momento, m al. Muito mal. Logo e vi envolvido em um depois decidi arcar a briga. Uma com as consequênc ias do que ocorreu Isso foi em 2002. Ai e me entreguei. nda era menor de 21 e isso foi levado das as etapas do pr em consideração, junto ocesso judicial pelo à minha falta de in qual passei. Foi só disso, ainda respon tenção, em toem 2009 quando re di o processo em lib cebi minha conden erdade por mais se aç ão inicial. Depois is anos, quando foi expedido meu man 2014. Só que os ofi dado de prisão, em ciais de justiça nunc a vieram. O que me restava fa zer enquanto espe rava? Vivi a vida. Pa po livre. Me formei ssei 14 anos com m em direito, abri meu edo. Mas aproveite escritório... Atuei co i o máximo meu te mo advogado. Enco mntrei alguém e tive Não sei o que teria uma filha. acontecido se não tivesse sido parado luz de freio queimad no trânsito um dia a, uma bobagem. Se por um motivo qual eu tivesse passado mãos e por isso o po quer. Acho que foi por lá cinco minutos licial puxou minha uma de fic po ha is… no Só estava com meu local para verificar mudou. Ele me levo RG se eu em u à delegacia, onde tinha CNH e se esta fiquei detido em um va em dia. Foi aí qu e tudo a cela na qual eu nã Limpeza? Vaso sani o queria nem enco tário? Colchão? A ce star na parede. la não tinha nem tr anca. Primeiro, fui levado para o Centro de D etenção Provisória ciária. Lá eu entend e só então para a pe i o porquê de não ex nitenistir penitenciária de Ninguém quer ver ntro das grandes ci o que acontece lá. da A des. di stância dificulta até tempo que as famíli o momento de visit as precisam reserv ação. O ar para viajar a outr dentro é enorme. Al a cidade para ver qu ém do em ga st está lá o que vem com iss Levei algumas coisa o. Passagem, gasolin s para sobreviver ao a, ho spedagem… te mpo que passaria lá um colchão simples . Sabe aquela cena dentro. Coisas básic de filme que mostr as, como cobertor, listados para serem a seus pertences pe coletados após a pe ss oa is na sendo guardados e ser cumprida? Isso já foi levado por um não acontece. Assim agente penitenciário que tirei meu tênis que levou pra casa ele dele. Na minha fren Minha salvação foi te m es m o. o controle exercido pelo crime organiza falaram para eu fic do dentro da cadeia ar com eles. Me de . Assim que eu cheg ram um colchão e dentro das celas: as uei, eles me deixaram dorm pessoas que dormem ir perto da grade. Ex mais perto ou mais dorme "de valete", ist e isso longe do vaso sanitá dividindo com outr rio. Mesmo assim a a pessoa. Por quan gente to tempo terei que dormir assim?


2017 2017 claro!claro! | agosto 7 | agosto

nado por eles. Trabalhei na cozinha, na biblioteca, na escola... Enquanto O pessoal do crime organizado me passou trabalho. Lá dentro, é tudo coorde trabalho está nas mãos de outros detentos é impossível ver o tempo pasestava trabalhando, o tempo até passa de maneira normal. Mas quando o não tem nada para fazer. Já me peguei pensando na minha família por um sar. Os dias se arrastam e uma semana parece passar em um mês. Porque s foi o tempo que durou a briga que me levou até lá. período de duas horas, mas quando fui olhar passaram 5 minutos. 5 minuto objetivo de prender alguém tanto tempo depois do que ocorreu. Lá Agora, faz um ano que estou vivendo no sistema. E eu ainda não entendi o para serem punidas, mas o que se sente é uma punição que não faz dentro, conheci várias pessoas que também tiveram que esperar muitos anos indo pelo ralo. Lá dentro não temos água, é completamente normal a mais sentido. Quando você entra no sistema, sente toda sua humanidade s dos percevejos que vivem no meu colchão. Não consigo imaginar presença de ratos, baratas e pombos, e minha pele está recheada de picada que alguém saia de lá uma pessoa melhor. casa, trabalhando. Depois desse ano passar, tem ainda outro procesMinha pena foi de um ano em reclusão e mais cinco que vou responder em e vai definir, em apenas alguns minutos, se eu estou apto a retornar à so: o exame prisional. Uma conversa com um psicólogo que nunca me viu e não ser liberado, como aconteceu com muitos conhecidos lá sociedade. Só o que consigo pensar é na minha apreensão de falar algo errado nessa consulta e, ainda depois disso, quanto tempo eu precisadentro. Só posso imaginar agora quanto tempo vai demorar para que eu passe rei esperar para voltar à minha vida.

uito Borges, é m s re a lv A o c cis aventino Fran serem finaliz Ju ra a ta s p li s a o in n a im a o cr ngos para a defes s m o advogad or homicídio durarem lo o o c rs u o c rd re o c 0 a 4 De s criminais p mplexidade ximadamente o o s ro c s p a e a c d e ro te it p n m ia r m e d ap nto comu a lei brasileir processame andamento e e o d u o te rq c n o ífi p ra c u o e d s p es sta dos. Is s para respo m um tempo urso pode c o tê d re e la u u m q p u , , ti o s ja d e e a zos ou s do acus m disso, os pra ra os juízes, a m p lé o ã A lmente existe n . a , o s s tu o a A c d . a a g o d ã o a v iç c d s e a d po os areceber uma s disponibiliz ó valem para s o ra d a o a p s s d r e a o c is d c ro n p u re p eg do tempo o juiz s no Brasil, s to to r n e a b u a q r o ã ra is o r ep dem mandados d il m 0 0 a. 6 e d mais nal de Justiç io c a N o lh e s dos pelo Con

texto : Carla Monteiro foto, arte e diagramação: Álvaro Logullo Neto


Procrastinar pode ser um problema de saúde “Amanhã eu faço. Depois eu vejo.” Esse é o lema da procrastinação, o adiamento das tarefas, geralmente relacionadas às obrigações e apontada como uma falha de produtividade ou compromisso. Adiar é normal, uma vez que nem tudo precisa ser feito na hora, mas, a partir de determinado grau, a procrastinação, associada a fatores como depressão, ansiedade e baixa autoestima pode ser considerada uma patologia, explica a psicóloga clínica Heloísa Beazim. O indivíduo não consegue realizar suas tarefas, não cumpre os prazos no trabalho, empurra para depois as atividades domésticas, com danos em todas as áreas de sua vida. “Ocorre quando a pessoa deixa de realizar atividades importantes e passa a ter prejuízo.” Sob pressão, a situação agrava-se, porque ele pode questionar sua própria capacidade: “será que vou dar conta? Eu não consigo, eu não sirvo para nada”. O tratamento é por meio de terapia ou até mesmo com uso de medicamentos, já que pode envolver também deficiências da própria fisiologia. A psicóloga Graça Maria de Oliveira relata o caso em que um paciente trabalhava como freelancer, mas perdeu os clientes por não cumprir os prazos e entregar trabalhos sem qualidade. Com a crise econômica, ele buscava alternativas, mas foi muito prejudicado pela procrastinação. Graça explica a necessidade de haver harmonia entre as funções cognitivas, como atenção, sensibilidade, memória e que, quando ocorrem falhas entre elas, é que os problemas se intensificam, dependendo do perfil do indivíduo. Ela também esclarece o porquê, teoricamente, um adulto é mais responsável do que um adolescente: “Na área frontal do cérebro, estão as funções mais avançadas, que amadurecem ao longo da vida. Uma criança e um adolescente ainda não atingiram a maturidade de um adulto.” Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade também podem ser sintomas da procrastinação, afirma o terapeuta comportamental Túlio Andrade, da equipe D20, que trabalha com diversos grupos terapêuticos. “O momento que devemos nos atentar é quando ela passa a “tomar conta” da nossa vida, quando passamos a evitar tarefas que não poderiam ser evitadas”, finaliza.

texto: JOÃO PAULO ALMEIDA diagramação: GABRIEL DE CAMPOS fotografia: CAROLINA MARINS


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“Parar no tempo” é científico texto: LEONARDO MASTELINI diagramação: GABRIEL DE CAMPOS ilustração: GABRIEL DE CAMPOS “Acredito que eu teria um sentimento maior quanto ao tempo distante que não tive com a família”. É assim que o astronauta brasileiro Marcos Pontes se imagina na pele de Cooper, protagonista do filme Interestelar (2014). No longa, o astronauta pousa em um mundo próximo a Gargantua, um buraco negro em que, para cada hora gasta, sete anos se passam na Terra. O princípio pode parecer ficção, mas é ciência: conhecido como Teoria da Relatividade Geral, o conceito foi criado por Albert Einstein e considerado a maior descoberta do século 20. “O cientista lançou uma série de estudos entre 1905 e 1915 e desmontou a ideia de que o tempo se comporta de maneira uniforme em todos os pontos do universo”, conta o diretor do Instituto de Física da USP, Marcos Martins. Segundo ele, Einstein introduziu que o espaço e o tempo formam, na verdade, a mesma coisa: o espaço-tempo. Quanto mais intenso é o campo gravitacional — como é o caso dos buracos negros —, maior a deformação do espaço-tempo, capaz de fazer com que os relógios nestas regiões andem mais devagar do que o com menor influência. Para chegar a esse resultado, Einstein observou o fato da velocidade (V) depender do espaço (S) dividido por tempo (t). Para que a velocidade da luz fosse constante em qualquer referencial, era preciso modificar os outros dois fatores. “O tempo é uma coisa muito enraizada na nossa cultura. Sentimos o tempo passando da mesma forma, sabemos que nossos ancestrais também... Mas Einstein sentiu que o tempo devia participar dessa mudança e não se deixou prender por pré-conceitos”, comenta Martins. Quem quiser viver a experiência de Interestelar, entretanto, terá que enfrentar no mínimo três mil anos-luz até o buraco negro mais próximo da Terra. O V616 Monocerotis fica na Constelação de Unicórnio e não produz uma dilatação do tempo tão intensa quanto a do filme: enquanto Gargantua possui 100 milhões de vezes a massa do Sol, o V616 Mon tem cerca de nove, o que torna seu campo gravitacional muito menos intenso. Mas como diz Cooper, “nós sempre nos definimos pela habilidade de superar o impossível”.

Colaboraram:

Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro a ir para o espaço; Marcos Martins, professor do Departamento de Física Experimental e diretor do Instituto de Física da USP; Airton Deppman, professor do Departamento de Física Experimental da USP; Alexandre Suaide, professor do Departamento de Física Nuclear da USP; Elcio Abdalla, professor do Departamento de Física-Matemática da USP; Beatriz de Brito, medalhista de bronze na 8ª Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica.


Desde os tempos da vovó As brincadeiras infantis, apesar de parecerem insignificantes, influenciam muito no desenvolvimento da criança. A sua utilização para a construção de um vínculo afetivo dos pequenos com colegas, amigos e familiares sempre foi comum, e é certo que muitas brincadeiras ainda perduraram ao longo do tempo. O claro! conversou com cinco vovós para saber o que elas mais gostavam de fazer nessa época da vida. Quais dessas você conhece ou já brincou?

Balança-Caixão: quem não se lembra da música utilizada para embalar a atividade “balança caixão / balança você / dá um tapa na bunda / e vai se esconder”? “Tinha que se pendurar no joelho do outro e cantar. Eu e minhas amigas combinávamos que a pessoa que fosse encontrada deveria nos obedecer pelo resto do dia”, afirma vovó Jacira.

Lenço Atrás ou Corre-Cotia: esse era o passatempo favorito da vovó Angélica. Ela morava em uma rua sem saída e com pouco movimento e, por isso, se juntava com os colegas para brincar por lá. “Eu gostava de brincar de lenço atrás porque tinha que correr, e eu corria muito”.

Saquinho ou Cinco Marias: Vovó Zuleise passou a infância em Santa Bárbara d’Oeste e estudou em um colégio interno. A brincadeira saquinho, conhecida também pela vovó Angélica como cinco marias, consistia em várias fases. “A mamãe (Antonieta) fazia cinco saquinhos quadradinhos com areia ou arroz dentro”, lembra vovó Zuleise. “Eles eram coloridos, lindos”, afirma vovó Angélica.

Mãe-da-Rua: para brincar, a vovó Jacira conta que era preciso um giz de lousa ou algo que pudesse riscar o asfalto. “Como eu morava em um lugar onde o quintal era de terra, a gente fazia o risco com um pedaço de pau”, lembra. Quando pequena, ela morou no Jardim Penha, Zona Leste de São Paulo.

Beijo, abraço, aperto de mão ou Pêra, uva, maçã, salada mista: Andreia é a mais nova das vovós entrevistadas, com uma neta de quatro anos. Ela se juntava todas as noites com os amigos para jogar queimada e vôlei. Recorda que brincava de beijo, abraço, aperto de mão “para beijar o menino mais bonito”.

Amarelinha: o passatempo mais conhecido por todas as entrevistadas, onde o segredo é ir do inferno ao céu sem cair. Vovó Eliane não cansava de jogar com seus irmãos mais velhos e vizinhos em um terreno vazio do lado de casa. “São lembranças de alegria, amizade, broncas da mãe e as pontas dos dedões do pé esfolados nas amarelinha”, diz.

texto : AMANDA PANTERI arte e diagramação: MATEUS FEITOSA

fontes: Jacira Leite, 53 anos Angélica Panteri Lobo, 81 anos Zuleise Furlan Bonin, 78 anos Andreia Garcia Salomão, 45 anos Eliane Martins Domingues, 58 anos


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Dois Rodrigos, duas medidas Um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, mostrou que ficar perto da pessoa amada faz muito bem. Um abraço rápido, dormir de conchinha ou só ficar próximo a quem se ama é o suficiente para a liberação de ocitocina, hormônio responsável pela sensação de bem-estar. Ana Paula e Rodrigo são prova de que distância faz diferença. Se casaram em 2011 na cidade de Campanha, em Minas Gerais: mais ou menos o meio do caminho entre as capitais mineira e paulista. O motivo? Cada um morava em uma cidade — e continuou lá depois do matrimônio. Ela estava grávida e logo tiveram Bárbara, que fez com que a vontade de morar junto crescesse cada vez mais. Era inviável, para eles, manterem um relacionamento à distância, criarem uma filha e serem felizes ao mesmo tempo. Cerca de um ano depois, Rodrigo veio para São Paulo: esperar uma semana para ver a menina era tempo demais. Isso não é regra, contudo. Sophie e o outro Rodrigo são super bem resolvidos e moram muito longe um do outro: ele em Piracicaba, no interior paulista, e ela na Finlândia. Mas essa não é a primeira vez que ficam separados, o casal passou dois anos de cinco do relacionamento separado, já que ela viaja muito. Os dois, entretanto, gostam da distância. Por mais que o tempo passe muito rápido quando estão juntos, os quilômetros que os separam não são de todo ruim: “Não nos arrependemos de nada, sentimos falta um do outro e quando nos vemos é muito bom. Aproveitamos cada segundo como se fosse único”, conta o casal. Não sei se existe um estudo sobre relacionamentos à distância, mas se houver, com certeza, os Rodrigos e suas respectivas companheiras deveriam participar. Se falta ocitocina para uns, sobra paixão e adrenalina para outros.

texto : GIULIANA VIGGIANO fotografia: CAROL MARINS arte e diagramação: MATEUS FEITOSA


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NO MESMO TEMPO texto : CARINA BRITO arte e diagramação: NATÁLIA BELIZARIO Ao fazer uma viagem longa nos primeiros anos do século XIX, era impossível saber qual seria o horário no seu local de destino. Mas isso mudou quando, em 1884, uma convenção em Washington determinou qual seria o horário em todas as partes do Planeta. E assim surgiu o fuso-horário. Como o globo terrestre é uma circunferência de 360° que leva 24 horas para completar uma volta em torno dele mesmo, o planeta foi dividido em 24 faixas de 15°, cada uma representando um fuso.“O Meridiano de Greenwich, localizado próximo ao Reino Unido, foi estabelecido como marco zero, considerando que a partir do horário que fosse determinado naquele local, a cada 15° a leste subiria uma hora a cada 15° a oeste cairia uma hora”, explica a geógrafa Ana Jimenez. No ponto do planeta oposto ao Meridiano de Greenwich, fica localizada a linha internacional de data, que determina qual é o dia em que a pessoa está. A data em questão dependerá do sentido da viagem: do Leste para o Oeste é o dia anterior e se a direção for contrária será o dia seguinte. “Por causa disso, muitas pessoas começam a ficar confusas e achar que vivem no passado ou no futuro, mas é só questão do ajuste do horário”, diz Ana. Por isso, é possível fazer diversas coisas ao mesmo tempo mas em horários diferentes ao redor do mundo. TORONTO , de 14 Dominikaalmoçananos, esttáervalo das do no in o período aulas d gral. inte

LONDR ES Devon, 20 anos de bebend , está com a so chá u mãe. a

17 H

12 H SÃO PA ULO Juliana, 2 7 anos, trabalh banco ea em um prepara está se almoçarndo para co colegas.m os

13 H

DUBAI Nila, de está em 25 anos, tauran um resdo um tpe jantanra homust.o de

20 H MELBOUR NE Claire está dormind preparandoo e se trabalhar àpara nove horass .

2H

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