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claro! Laços

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novembro 2019

claro!


claro! | novembro 2019 03

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r, e ra conta a p a id ue bre com lismos q o o s b ia r im s ó t his orias e tem uma e memó tando ar r o d e d a p n h s u e in m d idos, Todo la caix sos sent tá naque s s o e n ó r v a iç e d ra at midas comida r das co erada pa a lh r o b c m a le as. rrão, basta um s e texturas. ram junt nielle Se a a r o D e r s m a o e c b a vó u li mas, sa ões púb a e minh o anos q ç c d la a in r e t c r s s a e o Para iver . io da o no me rna é rev e”, conta s e d t s a a e h r t c m s in ó e v ro gu iar o as de sua a os o car para aliv ão entre m o ç e ir a iv e ic t s n a z u c ta e de com “Uma v tricionis nhoque u io n m e u a m r a e c m z fa expli cepmo u resolveu motos”, s na per serve co e e r a õ s ç id o o p m m o e m “A c e te das ssão, vos desd a sobre o efeito ela profi o p p a s lh o o e c om A es squis pessoas passou c mentos. i, que pe li n e a u o s q o im s d S o ent scolha Natália dos mom ores e e ia b c a n s ê s u o cia fl ção d da infân rande in g o , d e ío iv r s e lu ,op e com ha. teve, inc e Natália comida d na cozin a s a o n m d e o u c N t eiafetiva m os es sua avó vés da f o o a c ã r ç t o a la d s r e r o o essa izza De ac quirid adquirir smo a p s são ad a e o r it a m b p é l á t a h a ip sses ai ou é o princ ntares. E o pelo p e it e m f li a e t s n o cozinhar. l de a r a vó a z p o r os hábit o r p a ia, eto da a em r íl t p a m v a o f a ã ij lt ,o m a e f f joada e morar só eira e o quando v a li r ia a O d p e e p a d ãe az e cas odas que a m om Thom o saiu d gelado t c d n n o a c im u s o s Q ã a . . ij o Foi ova vida as de fe n foi criad it à m m r o e a ã u ç m q apta por a cava ara a ad ia, Natáli Nininha, p rafia bus c g n io o â f g e ú g in f e e a rd aor res d ão do professo os sabo ncontrav a e , r li a A percepç m . o a s t a e e n r u a e q um m d as se peças e lico que r ntativas ó a e t b g s e r im a s p s s er o e Ne r remet ória pod o ão. O lad p ç m o i, e s m m e m a ue le e pela , ou explica q sabor de enciada u o fl e in conforto u q o o t it o r u d e c m r é io m do u gosto ta é ma s, trazen o epresen r id o iv t v n s e a passo. po alim o m s e s t a e p d . a s nças ncia eceit avó a lembra eguir a r s experiê s a e m d ão que a u ç lg e m t a lé o r r a e p o s iv e ã por rev inhas v tentativa e, troca id s d a a m n o id c c m li s é Essa e mant o, cump ediente. s r h g s in a r in a M o c . v , a o e, n ento vend a saudad O acolhim rato não estão à o d n a t n op esce coloca n ncia, acr â f in a r a br oso iana Card a de relem Texto: Luc uz eus So Foto: Math s Souza u ão: Mathe Diagramaç


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atando o nó(s) Texto: Mariangela Castro Arte: Júlia Mayumi Diagramação: Barbara Cavalcanti

O primeiro date do Pedro terminou com um diálogo seco. Ele e Vinícius estavam no cinema quando Vinícius disse que adorava John Mayer. Na saída, meu amigo correu para a livraria do shopping e comprou um CD do cantor para dar de presente. Ao chegarem no metrô, Pedro disse: “Comprei este CD pra você”. E Vinícius, sem jeito: “Hm, obrigado?”. A conversa seguiu: “Posso te dar mais uma coisa?” “O quê?” “Um beijo” “Não.” Vinícius foi embora e os dois nunca mais se viram. Nos anos seguintes, essa história se tornou parâmetro do que o nosso grupo chamaria de “primeiro encontro ruim”. Porém, o professor de Psicologia Social, César Vilaça, foi mais brando, chamou o diálogo de desalinhamento de interesses. “Se uma pessoa quer saltar mais fundo que a outra, elas não vão chegar em nenhum lugar. É preciso estar em sintonia e ter autocuidado.” As receitas para este autocuidado são diversas. Tempos depois, eu escutaria da Fernanda uma fórmula exata: não sair de casa para um primeiro encontro sem antes ler o horóscopo; tomar um copo de cerveja e passar 15 minutos no Tinder. “Quando estamos nervosos o cérebro produz cortisona e isso atrapalha as funções, pode até causar paralisação”, explica o professor. Às vezes de maneira literal. Com Giovanna a paralisação era gigante. Ela desmaiou na primeira vez em que saiu com seu atual namorado. “Não tinha comido muito, tava nervosa, a pressão caiu. Acordei roxa de vergonha.” Para a especialista em sexualidade humana Jaroslava Valentova, a vergonha é um fator presente em primeiras vezes. É comum que a gente se veja rindo mais alto, fazendo piadas e brincando com o cabelo. “Estamos sendo testados e, mesmo nos preparando, não podemos saber o resultado.” Para diminuir o mistério da competição, algumas pessoas tentam “captar sinais”. Em relações causais, por exemplo, a auto-propaganda costuma ser o mais importante. Já quando o interesse é de longo prazo, as pessoas tendem a se preocupar mais pelo parceiro. Há também quem busque esses sinais no destino. Na primeira vez em que Beatriz saiu com Ana, sua atual namorada e minha colega de trabalho, Ana encontrou uma garota com quem sua ex a havia traído. “Aí eu tive certeza que a gente ia namorar! Essas coisas só acontecem com pessoas que ficam juntas, né?”


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Texto: Fernanda Teles Foto: Juliana Brocanelli Diagramação: Barbara Cavalcanti

Eduardo Veríssimo desde pequeno tinha o sonho de ser pai. Mas o caminho até se tornar o primeiro homem a registrar filhos por fertilização apenas em seu nome, no Brasil, não foi tão fácil. Em 2015, quando resolveu ir atrás do seu desejo, optou por fazer barriga de aluguel fora do país. Primeiro, tentou no Nepal e, dois anos depois, no México. No entanto, durante o procedimento em ambos os países, a Justiça alterou a lei proibindo-a para estrangeiros. Após as frustrações, Eduardo foi pego de surpresa. Em 2017, o Conselho Federal de Medicina brasileiro autorizou a realização da barriga solidária feita por mulheres de até quarto grau de parentesco da pessoa interessada. No caso de mulheres de fora da família, deve-se ter autorização do Conselho Regional de Medicina. Em ambos os casos, é proibido fazê-lo com fins lucrativos. Sabendo do desejo de Eduardo, uma amiga de sua mãe se disponibilizou a ser receptora da fertilização. E, depois de seis tentativas, a caminho do trabalho, ele recebeu o telefonema que dizia que seria pai. De gêmeos. Fez questão de acompanhar tudo desde o momento em que os embriões foram gerados até o dia do parto. Também fazia questão de conversar com a receptora quase todos os dias. O parto foi um momento inesquecível, apesar de ter demorado para cair a ficha. “Por mais que eu tivesse lá vivendo tudo, ainda não tinha plena consciência de que eles tinham nascido e eram meus filhos”. Mas com o tempo, Eduardo soube que ele realmente era pai da Julia e do Vitor. “No dia em que cheguei em casa, chorei lembrando de tudo que vivi e por saber que eles finalmente estavam ali”. Já Laura representa um outro lado dessa história - tanto do ponto de vista legal, como do ponto de vista da gestação. Aos 33 anos, se viu sem saída. Havia iniciado uma obra interminável em sua casa e precisava de dinheiro para conclui-la sem arriscar o sustento de seus seis filhos. Foi, então, que veio uma ideia: ser barriga de aluguel. Para fazer isso acontecer, ela encontrou um grupo de Facebook sobre o tema, fez um post com a proposta e encontrou um interessado. Aquela gestação foi a mais difícil que já teve. Os enjoos e as dores nunca tinham sido tão intensas. E lembrar que aquele filho não era seu deixava tudo pior. “Eu afastava a ideia de que era sua mãe”. Após o parto, Laura deu o bebê para o pai no estacionamento do hospital e seguiu para casa. Hoje, não tem nenhum contato com a criança. “Prefiro apagá-la da memória”. Diz que não existe laço nenhum e nunca quis criar, mas carrega um medo: “Ele pode crescer e querer me procurar”.

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Laura é um nome fictício para proteger a identidade da fonte.

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06 Mesmo antes de ser formalizada como um conceito, a palavra família sempre definiu uma das bases do comportamento social. Um conjunto de pessoas ligadas pela descendência, casamento, ou outros laços de afeto e proximidade que independem da genética formam o núcleo mais imediato de relações dos seres humanos. Existem os casais sem ou com filhos, as mães solo, as avós que criam os netos e muitas outras possibilidades. Conheça agora histórias de pessoas que escolheram ou foram escolhidas para somarem-se aos laços de uma família.

família Teriam de ser maiores de dez anos e apenas do sexo feminino. Essas foram as regras impostas por um juiz para que Toni Reis e David Harrad pudessem adotar uma criança. Para o casal, que está junto desde 1990, a decisão foi discriminatória e levou a dez anos de lutas nos tribunais pelo direito de constituir uma família. Hoje, eles têm três filhos. A primeira criança, Alyson, adotado aos 10 anos, vinha de uma experiência em abrigos e lares evangélicos e foi um laço difícil de cultivar. Apesar de sua identificação imediata e afeição pelo casal, no início do convívio ele chegou a dizer que “tinha nojo de homossexuais”. Foi necessária muita empatia e perseverança dos pais para que, aos 13 anos, sua opinião já estivesse tão mudada a ponto de lançar dois livros sobre a adoção tardia e por casais homoafetivos para que outras crianças pudessem descobrir como foi sua experiência.

Há dois anos, Rafaela escolheu tornar-se mãe dos gêmeos Alice e Pedro, na época com 4 anos. As crianças são filhos biológicos que Mariana Borges, sua esposa, gerou em um relacionamento heteronormativo. “Nós podemos apresentar um outro universo para essas crianças que vai além da obrigação de ser hetero e de cumprir papéis sociais”, é o que pensa Mariana sobre as vantagens de criar seus filhos com outra mulher. Mesmo que Mariana, que é atriz, já tivesse um vínculo muito forte de mãe biológica, ela e Rafaela, que é diretora de audiovisual, dividem todas as tarefas e o desafio da criação dos filhos. “Não tem essa história de que uma sai para trabalhar e a outra fica em casa, não. Cada uma cuida um pouco e a gente vai se revezando com as crianças”.

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Após o falecimento de sua mãe, a atriz Ana Karolina Lannes, na época com 5 anos, foi adotada pelo tio, que ela considera pai, vivendo junto com o seu padrasto. Conhecida por interpretar Ágata na telenovela Avenida Brasil, Karol, atualmente com 19 anos, revela que o dia em que menstruou pela primeira vez foi um dos vários momentos engraçados que passou ao lado dos seus pais. Segundo ela, foi no mesmo dia do aniversário do seu padrasto e ele ficou muito feliz a ponto de contar a todas as pessoas que estavam no restaurante. “Naquele dia, o que podia acontecer de engraçado, aconteceu”, lembra. Karol é lésbica e diz que, futuramente, pretende optar também pela adoção por achar que criaria um laço mais forte do que se tivesse um filho biológico. “Eu seria muito mais feliz e completa por saber que eu tirei uma criança de uma situação e dei para ela um lar”.


claro! | novembro 2019 07

Durante o desenvolvimento de uma criança, não há diferença se ela for criada por um casal homoafetivo ou heteronormativo. Os filhos amadurecem a partir do contato com vários setores sociais, não apenas o núcleo familiar. Assim afirma o pós-doutor em Psicologia pela Universidade de Toronto, Elder Cerqueira-Santos. O psicólogo realiza uma pesquisa há cinco anos com famílias homoparentais no Brasil e no Canadá, e, de acordo com seus estudos, uma criança não precisa necessariamente da referência de um homem (o pai) e de uma mulher (a mãe) para ter um desenvolvimento sexual saudável. Impor o modelo de família heteroparental como o único a ser seguido invalida o conceito familiar da criança criada por pai ou mãe solteiros, tios, avós, entre outras possibilidades, e ainda desencoraja pessoas LGBTQI+ a terem filhos, de acordo com Elder. “A gente tem que mudar as pessoas preconceituosas, não o desejo de quem quer ser pai ou mãe”, comenta.

só mud a o começo Texto: Jonas Santana e Larissa Vitória Arte: Daniel Medina Diagramação: Giovanna Jarandilha

Juntos há 11 anos, o analista sênior Diego e o educador Silas sempre desejaram adotar um filho, mas foi apenas em 2014, um ano após se casarem formalmente, que entraram para lista de adoção. Depois de cinco longos anos, em abril deste ano, surgiu Carlos*. Eles confessam que tiveram receio de uma possível rejeição do garoto de 6 anos, mas Carlos teve uma rápida adaptação e não demorou para chamá-los de “pai”. Embora formem uma família há pouco tempo, Silas alega que tem sido tudo muito intenso: “Parece que o Carlos* sempre foi nosso filho!”. *Para resguardar a fase final do processo de adoção, os pais optaram por não divulgar seus sobrenomes e utilizar um nome fictício para o filho.

Para Justiça Brasileira, não existe diferença entre famílias hetero e homoparentais, como avalia o advogado Mario Solimene Filho. Hoje, filhos de famílias compostas por casais homoafetivos podem ser registrados por dois pais ou duas mães e usufruir dos mesmos direitos caso fizessem parte de famílias heteroparentais. De acordo com o advogado, que é membro da Sociedade Internacional de Direito de Família, essas mudanças ocorreram a partir de 2011 quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu o casamento entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Em direito de família, lembra Mario Solimene, o vínculo afetivo se sobressai ao biológico: “Amor é mais importante do que DNA!”.


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p o r ã i m s s o ê s? c o v Texto: Bruna Arimathea Arte: Laura Barrio Diagramação: Laura Barrio

Carla e Flávio viveram um amor de infância mais de 20 anos depois. E tudo começou com uma brincadeira, na casa dos tios: “eu vou me casar com você”. Nas férias escolares, os dois primos se encontravam em Petrópolis, no Rio de Janeiro, e a separação não vinha sem muito choro das duas crianças. Afastaram-se na adolescência e nunca mais se viram. Há 6 anos se encontraram pela internet e decidiram viver juntos. Apesar de representar um tabu, o casamento entre primos não ficou restrito às grandes famílias do século passado, onde era comum — e vantajoso — o relacionamento nesse grau para manter as posses e heranças no mesmo sobrenome por gerações. Hoje, sem a tradição e as famílias numerosas, o relacionamento ocorre por escolha. Ou melhor, amor. “Os primos são tidos como amigos, pessoas que podem compartilhar a vida na mesma faixa etária, passando pelas mesmas situações e ciclos da vida individual. Isso envolve uma relação afetiva. Acaba sendo como se não fossem primos”, afirma Andreza Manfredini, psicóloga especialista em relações familiares. Para ela, por conta desse afeto, a relação amorosa pode nascer e se constrói em um campo separado ao do parentesco. Rebecca e Arão se conheceram quando se mudaram para a mesma cidade. Juntos desde a adolescência, o casal não foi bem aceito na família, mas Rebecca afirma que, assim como a maioria dos casais, não existe nenhuma interferência do

parentesco entre os dois. “Agimos normalmente em tudo, até porque ninguém sabe que somos primos até ter uma certa intimidade”. Passado o estranhamento na casa dos parentes, o casamento seguiria para uma outra fase, tão complicada quanto o começo da relação: os filhos. As chances de primos de 1º grau terem um filho com doença rara é, no mínimo, 10 vezes maior que o risco da população em geral, explica Gianna Carvalheira, docente de genética da Escola Paulista de Medicina. No caso de Rebecca e Arão, o mapeamento genético foi a escolha para ter certeza que não possuem fatores genéticos de risco. Além das chances aumentadas nos casamentos consanguíneos, se existir algum caso já registrado na relação parental, a gestação pode ser ainda mais perigosa, por isso é necessário identificar o histórico familiar individual. Para todos os casos, Gianna recomenda o aconselhamento genético na hora de pensar em filhos. O casal, porém, tinha clara a intenção de perpetuar o que os uniu e os mantêm juntos apesar de todas as adversidades. Caso os exames apresentassem resultado negativo, a adoção seria o método utilizado pelos dois. O que vale para eles é a certeza de que o amor não escolhe laços sanguíneos para acontecer.

Colaboraram: Nathallia Bulsing, prima, e Daniel Severo, psicanalista


amor dividido por três

claro! | novembro 2019 09

Ublin patus, ut vivium Rode quam iu d r i Rezende etiur. NihicerTexto: Jade go e Barrio fin senderudem Arte: Laura io rr a B Clevson já ra : Lau Patimus parbi conlost Diagramação na m tem o r ane v ame m et iorbis. Gra vena,há vis. ettrês L. Simulanos hos, quando conheculicae et quonsul consimum ceram Lucas.coniam O caiae non terordiemus sal já re, tinha o it;costume mo publica quidite nicio, de se dis envolver com uma que convoc, il turei ina, silnend terceira sexualmenionvero, nostra,pessoa omnihinum sceriaedo, te, mas a regra era clara: porionlocri sedemus testraves oc vilicinão inam, poderia afeto. Luelicatus hocae inhaver tem trarit auctus Com ca in alic veressicas, senterei suntest foi pro, diferente. que acem quo num porém, Oigna, casal, dis bondeatimum atque iam tartis. Lussulus re, vite sem esperar, começou a criar sentiinpramentos desum copor elii in ta noximusque pernim auconsula ele — mas para Lucas não vitrem inatiam pori simus et, tabulute, in halat, houve surpresa alguma. “Praquit mim, issononloera cur, et, nos sed consua menatum ommori ideeste rvidemnoo normal. Eu nunca tinha dado certo em retis, culiciena, poendi, essimov eti, speris lacionamentos com eribus uma addum pessoa só”, capereo conta. rehebus aAos novivehem, ces ne conihil vendeatum inatque ocaemais iam. poucos, os três começaram a passar Gratum nesedet veredem prestatus escreni hiliam quam com omnem, st? O tempo juntos e foram aprendendo a lidar a não tui praribuntra, nitam mortur isseAd id alicatis intertine ad seniaed coent, monogamia. Quando deram conta, estavam vivendo se acci prissoliciam nes, nonsulto confex num sen tales consis. um relacionamento a três. A rotina, então, passou por alBon signos, cur, conductus, diistil nempopo tabefac todit, compl. Cuperud gumas mudanças, principalmente quando o trisal resolveu aciemperesse igiliam hacioriderio in sena, cae fin teliciemquid condemus coneque morar junto, depois de um ano de namoro. As tarefas e contas fitiora, quodit, nox nul consula risteat ilibutus; et, Catiae, C. Ti. Tis caecrunt. Um. passaram a ser divididas em três e a vida social ficou mais agitada. Do, C. Tiam sessuli buntis; no. Equam eli, ponsum trevius. Nesse dia a dia compartilhado, a preferência do trisal é fazer Dicaete rfente, C. Ad siliam audem tas sus inem imenatuam addum publinit verfeco cepotudo em mas nem sempre é possível, que as rotinas tem terractus, C.conjunto, Quonsig nostrare furnitam ius vem silissula aduma dem vez et, cere poenata, oponão batem — Clevson e publin Lucasvideo, trabalham em período integral Ahacrit; e Rodrigo, poendi, quem. Do, unirit L. Abessi faturs etium te qua intemuraes? noc atualmente desempregado, fica em casa. Por essa diferença de horários e até factuit Catius hum occhili caedo, quam tabemum imoenat usquostus et portertus ves, nos sendace os três se esforçam para ter oa máximo EstáP.tudo rmihi,financeira, C. Hilis, verviverios ium me conduceperum mis eti, etide te,tempo co et fuejuntos. fin sus cast? Ur. Sibem inacaso todos não possam ir ao bar com os amigos na sexta-feira à noite, mas quando traribus faci simus, occhinam tam ella mor arips, quidenihi, fin verficiis peris. Si pro, Catiam re, noniciv eles planejam viagem,mpecerium por exemplo, a prioridade é que os temusse três estejam ilisque andenam are inuma atus, conique for apec mo conlocavensu et fac culerio, juntos. P. Onum Na vida do trio não diferente. Anicast preferência também queperri as pureRomprop opublis bonesexual pubis hilicaestum teremétudam Rompra, videmus. Grae cori in éviditri só Vivent. ocorram com ad osnetrês juntos, porque no começo sempre blibutlações initeat vit. Seractates nunum. Cuppl. Gra? Icibussid rei se testnem caverfex ne is. era assim e desentendimentos aconteceram por algum deles não participar. Janaina Gonzalez, psiNam etio vide testat, nos, conius in hicam dem hortium ut acidem vis. Verei prit pere, ne consis, quam incum medes e verficae especialista emsendita, Sexualidade Humana Faculdadecon devirmactem Medicina da USP, coniucóloga que aussit consultilin dienam terem et iampela iam oporbenatus teribus loctumperpublicapecum ca que arit, venteli Seritiam audeo es is. At vero pat vessimoven tam hor cebeupercerr que iorbiss essa olicaste, é umaforest semelhança entrecipsena relacionamentos poliamoristas e monogâmiprae,cos. que conius esse, signatractus cae ente atisquit, qua nem, mil hostiam noveris o esciptenes potam res hint. Apesar do uso da expressão “compersão” no poliamor, que significa estar feliz em ver Ta reviver feriortus publiam am sentiam stis des hilinti conlos nosuam aritam. seu parceiro feliz afetiva e sexualmente com siliam outrait,pessoa, esse sentimento nem sempre existe. Ivitil hoctore ordius poptis, popubli, nos igit,semelhanças nihiliceret in teque nemover ensulle serces sentis hostis é bonsica; nocaeliis A nicauct questão do ciúmes foi uma das Janaina percebeu que, adet; às vezes, recorrente nos vilibun timum, consum te pravehentem quam confereo et? Li sena, quos senatimius et, num hum orum intessuli, cieribus octo portus, dois tipos de relacionamentos. “As questões de contrato conjugal, amizades, vida social, escolhas não diferem vidiene se cere ves inte et Contudo, audam oc, ela nis; conta horurecque re taquem restalinatie trarem. Onsuppl. Od consci re fuemur, Ti. emmaximus, nada”, diz a psicóloga. vive tem umaquam relação poliamorosa, além depota todos esses proPonum consicavo, que confes ne ta, fac inatque cae diesupi ceperteatuus aut pula mandaci vitabefac tem factenin dii faudeliis furis. blemas, também tem que enfrentar preconceito e muitas vezes até prefere manter o relacionamento em segredo. Ur. Effrehemus hala avoltum det; nonsid condam. Aperficus hos detique crum, temus, condacenat inteme fati, ciis rentius; num adeo, non se incus dit rei sus Ahaet, se cursus ocaed Catus me mentea dinR


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sobre quartos vazios

Texto: André Romani Arte: Daniel Medina Diagramação: Matheus Oliveira

“Eu sei que a Carol não vai mais voltar. Será sempre apenas visita”, diz a aposentada Sueli, 53 anos, sobre a filha. A família, de Casa Branca (SP), viu há cinco anos a jovem sair de casa para cursar psicologia em Campinas (SP). Deixou orgulho e saudade, mas também laços rompidos. “Só de ver a cama dela arrumada vinha uma sensação forte de que perdi algo”, conta a mãe. Exceção às visitas casuais de Carol, a porta do quarto ficou fechada por cerca de um ano, diz. O ambiente a lembrava todo dia do que tentava esquecer. Além de cômodos vazios, certos objetos e atividades também são ressignificados pelos pais com a mudança de rotina, segundo Marcelo Alves, doutor em Psicologia Social e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “É uma alteração muito grande. Os pais passam a ter que ressignificar suas vidas”. Como Sueli que passou a ajudar o marido, Ademir, no comércio — pais desocupados tendem a sentir mais a perda, dizem especialistas —, após o mais novo, João, seguir o exemplo da irmã, deixando o casal sozinho, em definitivo. Eles também aderiram às redes sociais e contatam os filhos diariamente. Privilégio que Anália de Oliveira, 82 anos, não teve quando viu a caçula, Brenda, partir para cursar o colegial em Belo Horizonte (MG). Era 1987. Na casa da família, em Campos Altos (MG), a mãe respirava preocupada. Falavam por telefone uma vez na semana. “Me senti sozinha. Meu marido viajava muito e eu tinha medo: não teria quem me levar ao médico se precisasse”, conta ela, medindo cada palavra já que, ao lado, a filha ouve atenta ao depoimento. A curiosidade é justificada. Muitos pais sofrem em segredo após a saída dos filhos. “Sabem que, se contarem, os filhos podem não ficar bem, já que têm outras tarefas e demandas”, afirma a psicóloga Alessandra Turini, da Unesp. Os paulistanos Fábio e Ricardo, de 47 e 49 anos respectivamente, servem de exemplo. “Nunca contei para eles, mas chorava muito”, revela Caetana, 71 anos, rindo. Por opção, os irmãos saíram de casa há cerca de três décadas, em um intervalo de um ano. Mãe solteira, Caetana passou a sentir-se “inútil” e “sozinha”, mesmo trabalhando. Nunca procurou um psicólogo — por falta de “tempo e dinheiro” —, mas diz ter tido depressão. “O que mais doía é que eu tentava contar às minhas amigas o sofrimento. Mas ninguém conseguia entender”. Para ela, o tempo serviu de cura. Ou remédio, já que a cicatriz permanece e é cutucada de vez em quando, como enquanto cozinha. “O Ricardo comia muito. Em vez de um frango, sempre fazia dois”, lembra ela, saudosa.


claro! | novembro 2019 11

a tragédia da amizade Nos anos 1960, Clarice Lispector questionou Nelson Rodrigues sobre o fim de seus círculos sociais. Ele, então, assumiu uma “inconsolável amargura”, ao dizer que o “trágico na amizade é o abismo da convivência”. E foi esse abismo que se abriu entre Laís Sapia, 21 anos, e sua melhor amiga de infância. As duas se conheceram na primeira série mas se afastaram no ensino médio, quando Laís focou no pré-vestibular e a amiga, em aproveitar os 18 anos. A principal discussão aconteceu um mês antes do aniversário das duas, que mantinham a tradição de aparecer na casa da outra à meia-noite com um bolo. “No meu aniversário ela nem falou parabéns. Não entendi o que estava acontecendo.” Com dois meses de silêncio, durante uma reação alérgica de Laís, a antiga amiga ressurgiu. “Ela disse que tinha comprado um presente de aniversário e prometeu me visitar no dia seguinte.” A menina nunca apareceu. “Ela estava em outra vibe, de balada, e grudou em outras pessoas”, lamenta. Essa troca de grupos foi uma das razões indicadas pelo psicólogo Agnaldo Garcia, da Ufes, para o término de amizades entre jovens adultos. Atitudes hostis e a separação física foram outros fatores apontados. Por mais que os hábitos mudem, o término de uma amizade ainda gera tristeza e um sentimento de luto. Um exemplo dessa dor vem de Eliana Malar, 68 anos. Aos 12 anos, se tornou amiga da filha de um colega do pai. As duas noivaram e casaram na mesma época. “Eles são padrinhos da minha segunda filha e nós, do segundo filho dela - depois do primeiro ter morrido.” Quando o afilhado de Eliana tinha seis anos, a amiga de infância se divorciou. Ela pediu o apoio do casal para exigir uma pensão, mas eles não tomaram partido. A mulher decidiu cortar contato. Recentemente, a velha amiga entrou em contato com a mãe de Eliana para pedir seu número, e logo ela começou a receber ligações. “Ela perguntava coisas sem sentido, como o lugar e dia de nascimento do seu primeiro bebê.” Eliana, então, propôs um reencontro. A amiga se esquivava e, dois meses depois, tudo ficou claro: soube que a perda de memória era causada pelo Alzheimer. “Às vezes ela me liga e pergunta pelo filho morto. Não temos que nos apegar às amizades. No final, tudo passa.”

Colaboraram: Luciana Karine (professora de psicologia da UFRGS e organizadora do livro Amizade em Contexto), Isabella Gonçalves, Gabriel Neves, Júlia Vecchio.

Texto: Pietra Carvalho Fotos: Beatriz Gomes Diagramação: Matheus Oliveira


claro! | novembro 2019 12

encontros Diva, uma vira-lata que era frequentadora assídua de uma locadora de filmes no bairro da Lapa tomou a decisão entre a prateleira de ação e a de filmes estrangeiros. Queria Edson como dono. Foi assim que aconteceu: nos tempos em que locadoras ainda existiam, Edson buscava um filme para o fim de semana e acabou ganhando muito mais do que algumas horas de entretenimento. Como uma fêmea de atitude, Diva lutou pelos seus interesses de adotar Edson. A tática foi bem calculada. Seguiu o seu alvo, aguardou no portão e soube conquistar o seu passaporte de entrada. Aquele foi o momento de um encontro de velhas almas que já se conheciam. Como uma velha (e insistente) amiga, Diva entrou. E ficou, marcando a vida de todos com quem dividiu um teto. Marcando Edson para sempre. 14 anos após uma rotina exaustiva que envolvia esperar no portão todos os dias no horário correto e passar as noites ao lado de uma bela cama de casal, Diva morreu em seu local favorito, ao lado do dono que adotou e tanto amava. No mesmo bairro, antes mesmo da locadora do início do texto abrir as suas portas, uma mãe de pet de primeira viagem teve que lidar com uma forma diferente de despedida do seu companheiro mais fiel. A vida é assim. Alguns encontros de grandes amores acontecem entre as pessoas certas, mas na hora errada. As despedidas nem sempre contam com o intermédio da dona Morte. Às vezes as circunstâncias aparecem em forma de novos apartamentos que não permitem a presença de um animal tão grande. Antes da mudança, Simone e Tayson passaram por muitas caminhadas noturnas e uma pata quebrada juntos, quando ele ainda não passava de uma nem-tão-pequena bola de pelo de 5 meses e estava longe de se tornar o rottweiler de 50 kg com um coração de bebê que amedrontava a vizinhança em suas andanças da madrugada ao lado da bem protegida dona. Para Simone, o momento em que acompanhou Tayson pela rua uma última vez, ao lado do sargento da Polícia Militar que o levaria para novas caminhadas, foi repetida inúmeras vezes em voz alta, em tom de dor. E até o fechamento desta matéria, Simone afirmava ainda buscar um novo amor verdadeiro. Tayson veio de um canil direto para as mãos da sua dona e companheira e foi das mãos carinhosas da sua dona de volta para um canil. Texto: Jasmine Olga O dia da mudança e da morte e os Arte: Juliana Brocanelli adeus se confundem. Diagramação: Rebecca Gompertz A partida da fera de coração apaixonado, assim como a da companheira de vida de Edson, deixou um vazio inexplicável em seus peitos. Explicar despedidas é complexo. Mais fácil falar de encontros, que iniciaram jornadas e escreveram histórias que sempre chegam a um fim.


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